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A ação declarativa comum – Lebre de Freitas

Formas de processo: processo comum vs processo especial (art. 546º e ss)


 Art. 547º: é a lei que define quais são os atos essenciais da sequência processual mas o juiz
deve fazer adaptações consoante as especificidades do caso, quando a definição abstrata dos
atos que a lei estabelece não é adequada

 Art. 546º: não há um modelo legal único de processo civil – nos casos expressamente
designados na lei pode haver lugar a formas de processo especiais
o Art. 878º e ss:
 Processo de prestação de caução
 Processo de prestação de contas
 Processo de consignação em depósito
 Processo de divisão de coisa comum
 Processo de divórcio e separação sem consentimento do outro cônjuge
 Etc

o Leis avulsas

 Quando não há lugar a processo especial, emprega-se o processo comum  forma única
o Há uma unidade da forma comum: quando a matriz processual que a lei estabelece não
é adequada às especificidades do caso, o juiz deve usar o meio de adequação formal do
art. 547º para fazer as adaptações que se imponham.

Alçada do tribunal
 É um valor que a lei de orgânica judicial fixa
 Até esse valor o tribunal de instância julga definitivamente as causas da sua competência
 O conceito de alçada é relevante quanto aos recursos, uma vez que em regra a decisão
proferida numa causa de valor correspondente à alçada do tribunal que a proferiu não é
suscetível de recurso ordinário mas se o valor for superior à alçada do tribunal que decidiu, em
regra a decisão é suscetível de recurso ordinário  art. 629º/1
 Outra função da alçada é distribuir a competência do tribunal de comarca entre as secções
cíveis da sua instância central e as secções de competência genérica cível das suas instâncias
locais.

Valor da causa
 Art. 296º/1: o valor da causa é a utilidade económica do pedido
 Quando o pedido tem por objeto uma quantia certa em dinheiro, é essa a quantia a ter em conta
para aferir o valor da causa; quando não tem por objeto uma quantia certa em dinheiro, tem de
se encontrar o equivalente pecuniário  ver art. 297º/1
 Art. 299º/1 e 2: para se fixar o valor tem-se em conta o momento em que o pedido é
deduzido, mas o valor inicial pode vir a ser corrigido (nos casos em que a utilidade económica
do pedido só fica definida na sequência da ação)
 Art. 303º/1: esta é uma norma especifica que se aplica a ações cujo objeto não versa sobre
valores patrimoniais. Esta disposição garante o direito ao recurso nestes casos (é por isso que
se acrescenta 1 cêntimo).

Regime subsidiário: as normas que disciplinam o processo comum têm o seu âmbito de aplicação
direta + um âmbito de aplicação indireta, devido ao art. 549º  quando faltar a disciplina específica
de um processo especial, aplicam-se as normas do processo comum

Fases do processo comum


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 Os atos que se praticam na sequência processual estão ordenados em fases sucessivas  por
vezes a chegada ao fim de uma fase significa que deixam de poder praticar-se certos atos que
estavam incluídos nessa fase e não foram praticados, ou seja, às vezes há efeito preclusivo
quando se chega ao fim de uma fase processual
o Por exemplo o encerramento da discussão em 1ª instância é um momento preclusivo
importante porque após esse momento deixa de ser possível fazer várias coisas:
 Deixa de ser possível alegar factos nos termos do art. 5º/2, al. b)
 Deixa de ser possível apresentar documentos, mesmo que sejam supervenientes
(exceto a apresentação, em recurso, de documentos que até esse momento não
puderam ser apresentados – art. 425º)
 Deixa de ser possível produzir qualquer outro meio de prova (ressalvando o art.
607º/1 – iniciativa oficiosa que continua a ser possível)

o Outro exemplo de efeito preclusivo é o do art. 104º/3: quando há violação das regras de
competência territorial e por isso há incompetência relativa, só pode haver
conhecimento oficioso dessa incompetência até ao despacho saneador (quando ele
existe) ou até ser proferido o 1º despacho posterior ao termo da fase dos articulares (nos
casos em que não há despacho saneador).

o Outro exemplo é o art. 200º/2  só até ao despacho saneador é que é admissível


conhecer oficiosamente a ineptidão da PI e o erro na forma de processo.

Fases do processo comum e atos que estão incluídos em cada fase:

 Fase dos articulados  aqui as partes alegam a matéria de facto e de Direito relevante para a
decisão e requerem os meios de prova (art. 147º/1)
o Petição inicial
o Distribuição
o Citação do réu
o Contestação
o Notificação da contestação ao autor
o Réplica (eventual)
o Despacho judicial liminar após a apresentação da petição inicial (excecionalmente)

 Fase da condensação  serve para verificar e garantir a regularidade do processo +


identificar as questões de factos e de Direito relevantes (podendo suprimir-se insuficiências na
matéria de facto) + decidir o que já pode ser decidido + enunciar os temos da prova + preparar
as diligências probatórias
o Despacho pré-saneador
o Notificação das partes para audiência prévia
o Audiência prévia
o Despacho saneado autónomo (quando não há audiência prévia)
o Despacho onde se identifica o objeto do litígio e se enumera os temas da prova
o Despacho a marcar a data da audiência final
o Notificação daquele despacho às partes
o Eventuais reclamações e alterações dos requerimentos de prova
o Quando há reclamações: notificação das partes para audiência prévia + realização de
audiência prévia

 Fase de instrução  atos de produção de meios de prova, quando a natureza desses meios de
prova impõe ou aconselha a sua realização antes da audiência final. Outras circunstâncias (por
exemplo a urgência) também podem impor esta antecipação.

 Fase da discussão e julgamento  as partes expressam os seus pontos de vista sobre as


decisões a proferir e o tribunal decide.

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o Alegações sucessivas do autor e do réu, havendo também possibilidade de réplica
o Sentença
o Notificação da sentença às partes
o Eventuais reclamações das partes, quando não se admite recurso
o Decisão das reclamações
o Notificação dessa decisão às partes
o Eventuais reclamações e alterações dos requerimentos de prova
o Quando há reclamação: notificação das partes para audiência prévia + realização de
audiência prévia

Quando acaba o processo em 1ª instância pode abrir-se instância de recurso ordinário (dirigido à
Relação)  novas fases

1ª fase: Articulados
 Art. 147º/1: são as peças nas quais as partes expõem os fundamentos da ação e da defesa;
também é onde se formulam os pedidos.
 É através dos articulados que o autor e o réu introduzem no processo os factos principais da
causa  são os fundamentos de facto
o Quando as partes são representadas por mandatário judicial, estes factos são expostos
através de articulados, ou seja, em artigos  art. 147º/2

 As partes devem também invocar as razões que acham que constituem fundamentos de Direito
da decisão, através de aplicação de normas jurídicas aos factos que alegaram  fundamentos
de Direito

Dos fundamentos de facto e de Direito as partes retiram uma conclusão acerca de qual deve ser a
sentença  em função dessa conclusão deduzem pedidos

O autor deduz sempre um pedido contra o réu


e
o réu deduz eventualmente um pedido contra o autor (por uma de duas razões):
 Ou porque considera improcedentes os pedidos que foram
deduzidos contra si
 Ou porque acha que não é possível o conhecimento do mérito
porque há uma exceção dilatória

 Forma
o Têm de ser escritos em língua portuguesa
o A transmissão dos articulados ao tribunal é feita eletronicamente
o Não te de se apresentar duplicado da peça nem dos documentos transmitidos
eletronicamente  é a secretaria que extrai os exemplares necessários para citar ou
notificar a outra parte
o Mas quando não há mandatário judicial tem de se apresentar duplicado da peça e dos
documentos. Se a outra parte for constituída por mais do que uma pessoa, os duplicados
são exigidos em função do número de pessoas  se faltarem exemplares, aplica-se o art.
148º/3, podendo no entanto aplicar-se também o art. 148º/4

 Data
o Art. 144º/7: quando o ato é comunicado eletronicamente, conta a data da expedição
o Quando há entrega na secretaria ou envio por correio, conta a data da entrega ou do
registo (respetivamente)

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 Espécies de articulados
o Articulados normais do processo ordinário: PI + contestação
o Articulado eventual: réplica
o Articulados supervenientes: alegação de factos supervenientes + articulado que
completa articulados deficientes (a convite do juiz) + articulado em que se responde às
exceções deduzidas

Petição inicial
 Com a apresentação da PI inicia-se o processo e constitui-se a instância (relação jurídica entre o
autor e o tribunal)  a partir daqui está pendente a ação e impede-se a caducidade do
respetivo direito que está a tentar exercer-se
 Art. 3º/1: o tribunal não pode oficiosamente conceder tutela jurisdicional, tem de ser o autor a
solicitá-la
 O autor formula um pedido, que está duplamente determinado:
o Por um lado o autor afirma ou nega uma situação jurídica subjetiva, ou um facto jurídico
de direito material, ou demonstra que quer exercer um direito potestativo
o Por outro lado o autor requer ao tribunal a providência processual adequada para tutelar
o seu interesse

 O pedido que o autor faz tem várias consequências:


o Com o pedido fica conformado o objeto do processo
o Se fica estabelecido qual é o objeto do processo, está a condicionar-se o conteúdo que a
decisão de mérito poderá ter, de duas formas:
 O juiz tem de resolver todas as questões que as partes submetam à sua
apreciação, pelo que fica obrigado a pronunciar-se sobre tudo o que constar do
pedido do autor
 O juiz não pode condenar em quantidade superior nem em objeto diferente do
que se pediu, sob pena de nulidade (art. 615º/1, al. d + e)

 O pedido pode não ser único - O autor pode fazer:


o Pedidos cumulativos (art. 555º)
o Pedidos subsidiários (art. 554º)
o Pedidos alternativos (art. 553º)

 Para além disso a lei admite pedidos genéricos/ilíquidos (art. 556º). Também o art. 557º/1
configura um pedido genérico.

 Fundamentação do pedido
o Art. 552º/1, al. d): não basta que o autor formule o pedido: o pedido tem de ser
fundamentado, de facto e de direito.
o Causa do pedir (art. 581º/4): quando o autor indica os factos constitutivos da respetiva
situação jurídica ou quando indica os factos integrantes do facto cuja existência ou
inexistência afirma, ele está a indicar aquilo que vai constituir a sua causa de pedir. A
causa de pedir corresponde ao núcleo fáctico essencial que é tipicamente previsto por
uma ou mais normas como causa do efeito de direito material que o autor pretende.
o O autor tem um ónus de substanciação
o A causa de pedir exerce uma função individualizadora do pedido porque conforma o
objeto do processo.

o Isto influencia também o ponto até ao qual o juiz pode ir na sua decisão: o tribunal tem
de considerar a causa de pedir quando aprecia o pedido e não pode basear a sentença
de mérito numa causa de pedir que não tenha sido invocada pelo autor, sob pena de
nulidade da sentença – ver art. 608º/2 e 615º/1, al. d)
 Exemplo: numa ação em que se pretenda o reconhecimento do direito de
propriedade adquirido por um contrato de compra e venda, o tribunal não pode
reconhecer o direito de propriedade adquirido por testamento. Mesmo que esse

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testamento e o seu conteúdo tenham sido referidos no processo pelas partes, o
tribunal não pode reconhecer o direito de propriedade com base nisso, porque
não consta de pedir. Só a elevação do testamento e do seu conteúdo a nova
causa de pedir (se a lei permitisse fazer isso) é que permitiria ao juiz decidir com
base nisso.
 É por causa disto que a sentença de mérito só vincula no âmbito que esteja
objetivamente definido pelo pedido e pela causa de pedir – art. 581º/1

o Por outro lado, o autor deve invocar na petição quais são as razões de Direito pelas quais
acha que o seu pedido merece acolhimento  o autor deve aplicar Direito aos factos que
constituem a causa de pedir, de modo a permitir ao tribunal uma eventual decisão
correspondente ao pedido.
o Ao contrário do que acontece com a causa de pedir, a fundamentação de Direito que o
autor indica não vai condicionar o conteúdo da sentença: o tribunal não vai ficar limitado
naquilo que pode decidir consoante o Direito que o autor tenha decidido aplicar àquele
caso, ficando livre de indagar/interpretar/aplicar o Direito  art. 5º/3
o Apesar de a fundamentação de Direito que o autor indica não ter um efeito vinculativo
perante o tribunal, é um ónus que o autor tem: isto porque se o autor não indicar no
mínimo uma norma jurídica ou um princípio jurídico que considere aplicável ao seu caso,
não pode mais tarde vir arguir a nulidade da sentença que tenha sido proferida sem
ouvir previamente as partes e com fundamento jurídico que as partes não tenham
anteriormente considerado. Então convém ao autor indicar alguma fundamentação de
Direito que, na sua perspetiva, sustente a sua posição.

 Elementos complementares
o Outras referências que a PI também deve conter:
 A designação do tribunal ao qual a PI foi endereçada (art. 552º/1, al. a)
 O cabeçalho com: identificação das partes (art. 552º/1, al. a) + indicação da
forma de processo aplicável (art. 552º/1, al. c)
 No final: indicação do domicílio profissional do mandatário judicial + o valor da
causa
o Juntamente com a PI, o autor tem o ónus de apresentar os documentos que sirvam para
provar os factos que alega: esses documentos são o fundamento do pedido.

o Para além disso, na PI o autor deve propor a prova que deve ser feita posteriormente:
 Apresentação do rol de testemunhas
 Requerimento de outras provas a produzir (note-se que se houver contestação
pode alterar-se este requerimento probatório na réplica ou num prazo de 10 dias
a contar da notificação da contestação nos casos em que não haja réplica – art.
552º/2)

o Para além disso o autor deve também apresentar a procuração passada ao mandatário
que o representa.
o Costuma ainda referir-se, no fim de referir o valor da causa, o nº de documentos anexos
à PI e o nº de duplicados que acompanham a PI.
o É obrigatório juntar à PI o documento comprovativo de pagamento da taxa de justiça
(esse pagamento tem de ser efetuado antes da propositura da ação). Se tiver sido
concedido benefício de apoio judiciário pela Segurança Social na modalidade de dispensa
da taxa de justiça, deve juntar-se documento que comprove esse benefício. No entanto
há casos em que não tem de se apresentar comprovativo de que se tem esse benefício,
bastando apresentar comprovativo de que se requereu a concessão de apoio judiciário:
isto acontece nos casos em que tenha sido requerida a citação urgente do réu e nos
casos em que há outra razão de urgência  art. 552º/5
o Outra coisa que tem de ser requerida na PI é a citação antecipada do réu: quando o autor
pretende que seja feita essa citação antecipada, tem de pedir na PI que isso seja feito –
art. 561º/1
o Para além disso também pode pedir na PI que haja produção antecipada de prova – art.
419º
o Pode ainda chamar-se um terceiro à intervenção principal, para ocupar com o autor a
posição de autor em litisconsórcio necessário – art. 316º/1 + 318º/1, al. a)

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o Também se pode mencionar na PI o agente de execução ou o mandatário judicial que se
pretende que efetue a citação.

 Vícios da PI
o Ineptidão
 A PI sofre de ineptidão quando falta nela a formulação do pedido ou falta a
indicação da causa de pedir  quando faltam estas coisas, há uma falta do objeto
do processo e há uma nulidade
 Outra situação em que há ineptidão da PI é quando aparentemente existe pedido
mas na verdade eles são referidos de forma tão obscura que nem se entende
quais são; ou então nas situações em que a causa de pedir é referida em termos
tão genéricos que nem constituem a alegação de factos concretos – art. 186º/1 e
186º/2, al. a)
 Outros casos em que também há inexistência do objeto do processo e
consequentemente há uma ineptidão da PI são os casos em que tanto o pedido
como a causa de pedir estão claramente indicados mas há uma contradição entre
eles  ou seja, são os casos em que há uma contradição lógica entre o pedido e a
causa de pedir, porque há uma negação recíproca entre eles e opõe-se um ao
outro
 Exemplo: uma pessoa na data da PI afirma que está na plena posse de um
prédio e pede a restituição desse mesmo prédio.

 Outra situação em que há também ineptidão da PI são os casos em que o autor


deduz contra o réu vários pedidos em cumulação ou funda um pedido em várias
causas de pedir diferentes  quando haja incompatibilidade material entre esses
pedidos e essas causas de pedir, gera-se também uma ineptidão da PI – art.
186º/1 e 186º/2, al. c)
 Exemplo: é nulo o processo em que se peça a resolução de um contrato e
a condenação do réu no seu integral cumprimento. Esses são pedidos
incompatíveis.

 É possível sanar um processo que seja nulo devido a uma PI inepta, quando essa
ineptidão resulta da ininteligibilidade ou da falta do pedido ou da causa de pedir.
A maneira de sanar é a seguinte: ver se o réu, quando contestou, interpretou
convenientemente a PI apesar de se verificar aquele vício. Se constatarmos que o
réu interpretou corretamente a PI, então sana-se a nulidade  art. 186º/3
 Por outro lado o art. 6º/2 determina que o tribunal deve convidar o autor a
aperfeiçoar a PI em que tenha deduzido pedidos incompatíveis, devendo o autor
escolher o pedido que quer que seja apreciado na ação ou então procedendo à
ordenação de ambos os pedidos em relação de subsidiariedade.
 Fora dos casos acima descritos, em princípio a ineptidão da PI constitui uma
nulidade insanável e o juiz deve verificar isso oficiosamente no despacho
saneador, absolvendo depois o réu da instância (art. 196º, 200º/2, 278º/1 al. b,
595º/1 al. a). Se houver despacho liminar, pode indeferir aí liminarmente a PI e
absolver o réu da instância desde logo (art. 226º/4, al. c + f , art. 590º/1). Para
além disso o réu também pode arguir a nulidade da PI na contestação (art.
198º/1, 571º/2, 577º/b).

o Vício de forma
 Ao contrário do vício de conteúdo (ineptidão da PI), que cabe ao juiz verificar, o
vício de forma da PI cabe à secretaria controlar.

 Situações em que a secretaria deve recusar receber uma PI (art. 558º):


Quando na PI falta algum dos elementos exigidos nas alíneas a, b, c ou f
do art. 552º/1
Quando falta a assinatura do mandatário judicial do autor
Quando a PI foi apresentada num tribunal diferente daquele ao qual estava
endereçada
 Quando a PI não está redigida em língua portuguesa (art. 133º/1)
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 Quando o papel usado na PI não respeita os requisitos regulamentares
 Quando não se prova o prévio pagamento da taxa de justiça nem se prova
a concessão de apoio judiciário  ter em conta também os casos de
urgência, em que basta provar que já se pedir apoio judiciário, como
consta do art. 552º/5

Nestes casos em que a secretaria recusa uma PI, deve indicar por escrito o
fundamento dessa rejeição.

 O que é que pode acontecer no fim da rejeição da PI por parte da secretaria:


 O autor do processo pode reclamar para o juiz
o Neste caso, o juiz pode concordar com a decisão da secretaria e
nessa situação o autor pode recorrer para a Relação,
independentemente de qual seja o valor da causa.
o Da decisão da Relação já não se pode recorrer para o STJ.
o Se foi proferida uma decisão definitiva que confirma a decisão da
secretaria, o autor tem hipótese de apresentar nova PI com o vício
corrigido no prazo de 10 dias – art. 560º.

 O autor do processo pode decidir não reclamar para o juiz


o Neste caso o autor pode partir logo para a elaboração de uma nova
PI, que deve apresentar também no prazo de 10 dias – art. 560º

o Erro na forma de processo


 Se o autor indicar uma forma de processo diversa da que resulta da lei, ocorre
erro na forma de processo
 Este erro é aferido com base no pedido deduzido e não com base na natureza
objetiva da relação jurídica material nem com base na situação jurídica que está a
servir de base à ação. No entanto, isto não prejudica uma possível adequação da
forma de processo  ver art. 547º
 Não deve confundir-se a questão de fundo com a questão de forma: se o pedido
for deduzido com base num direito que o autor não tem, embora tenha outro
direito no qual poderia ter fundado um pedido diferente, que daria lugar à
aplicação de outra forma de processo, então o erro está no pedido e não na
forma de processo: num caso desses a consequência é a improcedência da ação.
 O erro na forma de processo deve ser oficiosamente conhecido pelo juiz (art.
196º), o que deve ser feito no despacho saneador se o juiz não tiver tido contacto
com o processo antes (art. 200º/2). No entanto, o réu também pode invocar esse
erro na contestação.
 Art. 193º: os atos que tenham sido praticados antes de o juiz ter conhecido o erro
só são anulados se não puderem ser aproveitados para a forma adequada.
 Nestes casos o juiz deve ordenar que o processo siga a forma adequada e deve
também ordenar a prática dos atos que forem estritamente necessários para que
a sequência processual já decorrida se aproxime da forma estabelecida por lei.
 Art. 193º/2: se o aproveitamento dos atos implicar uma diminuição das garantias
do réu, então não pode haver esse aproveitamento.
 Num caso extremo em que nem a PI se possa aproveitar, o processo é todo nulo e
o réu é absolvido da instância – art. 278º/1, al. b)

 Atos subsequentes
o Distribuição
 Quando a PI é recebida na secretaria, há que determinar a secção na qual o
processo vai correr os seus termos.
 Para fazer aquela determinação há que proceder a um ato de distribuição: essa
distribuição visa por um lado igualar o número de processos que corre em cada
secção, e visa por outro lado evitar a intervenção da vontade na determinação do
juiz do processo (de forma a respeitar o princípio do juiz natural) – ver art. 203º
 Esta distribuição é automática e feita através de meios eletrónicos (art. 208º +
204º/1)
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 Primeiro há uma discriminação de espécies constante do art. 212º e depois há
aquela distribuição pelas várias secções do tribunal.
 A recusa da distribuição, assim como a recusa de receção da PI na secretaria, é
suscetível de reclamação para o juiz. O despacho do juiz é depois suscetível de
recurso para a Relação, aplicando-se o art. 559º/2 analogicamente.
 Também nestes casos o autor pode apresentar nova PI – ver art. 560º

o Despacho liminar
 Há casos excecionais em que, após a distribuição, o processo é apresentado ao
juiz para despacho liminar
 Casos em que isto acontece:
 Quando haja lugar a citação edital (art. 226º/4, al. c)
 Quando a citação é urgente (art. 226º/4, al. f + art. 561º)
 Quando o autor requereu a intervenção principal de terceiro para constituir
com ele um litisconsórcio necessário
 Quando seja manifesto para a secretaria que há fundamento de
indeferimento liminar por causa de haver manifesta improcedência do
pedido ou por haver uma falta insanável de um pressuposto processual
que seja de conhecimento oficioso (art. 590º/1)

 Quando o processo é levado ao juiz, este pode indeferir liminarmente a PI se o


pedido for manifestamente improcedente. Também o pode fazer se ocorrer uma
exceção dilatória e a falta do pressuposto não for suscetível de sanação.
 O despacho de indeferimento liminar é sempre suscetível de recurso até à
Relação – art. 629º/3, al. c). Se houver esse recurso, o réu é citado para que fique
assegurado o contraditório.
 Quando a decisão de indeferimento liminar se torna definitiva, o autor pode
apresentar nova petição dentro de 10 dias – art. 590º/1

 Admite-se um despacho liminar de aperfeiçoamento? Ou seja, admite-se que o


juiz profira uma decisão que promova a sanação da falta ou convide o autor a
sanar a irregularidade/insuficiência?
 Entende-se que na falta de despacho liminar, o momento adequado para
estas atuações é o momento do despacho pré-saneador
 No entanto, nos casos de exceção dilatória e de petição irregular, não há
razão para não permitir desde logo a prática de um ato judicial que o juiz
teria de praticar ulteriormente.
 Se o problema for uma PI deficiente, pode dar-se o argumento de haver
uma desigualdade entre as partes de permitirmos um despacho liminar de
aperfeiçoamento, porque o juiz pode analisar melhor as deficiências dos
articulados de ambas as partes depois de terem sido todos apresentados.

 Pode haver despacho liminar para decidir a favor de uma citação urgente que o
autor tenha pedido, se o juiz considerar que estão preenchidos os requisitos
necessários para que se justifique uma citação urgente (art. 561º)

Citação
 Nesta fase há que dar conhecimento ao réu acerca da ação que foi proposta contra ele, e assim
proporcionar-se o exercício do direito de defesa  DF que integra o direito de acesso aos
tribunais
 Para que se respeite o direito de defesa do réu é preciso que haja um ato que dê ao réu o
conhecimento efetivo do processo que contra ele foi instaurado.

 A citação do réu (art. 219º/1) tem tripla função:


o Transmissão de conhecimento
o Convite para a defesa
o Constituição do réu como parte

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 Através da citação faz-se chegar ao réu o duplicado da PI + a cópia dos documentos que a
acompanharam. Mas estas informações não chegam: é preciso que sejam dadas ao réu
indicações suficientes para que ele fique consciente do alcance do seu direito de defesa e do
modo como pode exercer esse direito.

 Art. 227º - elementos imprescindíveis da citação:


o Comunica-se ao réu que fica citado para a ação à qual o duplicado se refere
o Indicação do tribunal e da secção onde corre o processo
o Indica-se qual é o prazo dentro do qual pode contestar
o Informa-se o réu acerca das cominações em que incorre se não contestar
o Informa-se o réu acerca da obrigatoriedade de se fazer representar por advogado

 Modalidades de citação
o Para ter a certeza de que o réu toma efetivamente conhecimento da ação, o ideal seria
que a citação fosse feita através de contacto pessoal – esse é o modo tradicional de fazer
a citação
o No entanto há situações em que isso não é possível, o que faz com que tenha que se
recorrer a modalidades de citação que não garantem o mesmo grau de segurança do
conhecimento do réu.
o Em Portugal começa por ser tentada a citação por via postal e só se essa via não resultar
é que se tenta a citação por agente de execução ou por funcionário judicial (essa citação
toma frequentemente a forma de citação com hora certa). O último recurso é a citação
edital. Há uma modalidade de citação que pode ser usada a todo o tempo mas
raramente isso acontece: é a citação promovida por mandatário judicial.

o Citação por via postal


 A citação feita através desta modalidade faz-se através de carta registada com
aviso de receção – ver art. 228º/1 + 246º/2

 Artigo 228º:
 No caso de pessoa singular, a carta é entregue ao réu se houver assinatura
do aviso de receção.
 Se o réu não for encontrado, pode entregar-se a carta a outra pessoa que
se encontre na residência/local de trabalho, assim essa pessoa declare que
está em condições de entregar prontamente a carta ao réu. Nestes casos,
o carteiro identifica a pessoa e adverte-a do dever de entregar
prontamente a carta. Para além disso envia-se ao réu uma segunda carta
registada (desta vez sem aviso de receção) onde se explica ao réu a forma
como foi citado.

 Artigo 246º:
 Quando se trata de uma pessoa coletiva, entrega-se a carta a uma pessoa
que seja representante dessa pessoa coletiva ou então a um empregado
que se encontre na sede da pessoa coletiva

 Artigo 229º  este é um caso especial, que acontece quando se trata do


cumprimento de uma obrigação pecuniária emergente de um contrato escrito e o
autor e o réu convencionaram um domicílio para receber citações. Nestes casos
exige-se que o valor da ação não seja superior à alçada do tribunal da Relação, a
não ser que a obrigação seja relativa ao fornecimento continuado de bens e
serviços. Nestes casos faz-se a citação nesse domicílio, a não ser que tenha
havido uma prévia notificação da alteração desse domicílio.
 Nota: se o réu recusar receber a carta ou assinar o aviso de receção, a
citação tem-se por feita, com base na certificação que o carteiro fez acerca
daquela ocorrência.
 Nota 1: se por outro motivo a carta vier devolvida, envia-se nova carta
registada com aviso de receção. Se essa segunda carta não for recebida, é
depositada na caixa de correio do réu e considera-se que a citação ficou
feita no 8º dia posterior ao depósito da carta.

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o Citação por agente de execução ou funcionário judicial
 Para se passar à aplicação desta modalidade é preciso o réu ter recusado receber
a carta ou ter recusado assinar o aviso de receção – art. 228º/6 – desde que se
verifiquem vários requisitos – 231º/1:
 O citando não ser pessoa coletiva sujeita a inscrição obrigatória no Registo
Nacional de Pessoas Coletivas
 Não se aplicar o regime do domicílio convencionado ou não se ter
conseguido efetuar a citação postal por outro motivo

 Fica encarregado da citação o agente de execução que o autor designou na PI. Se


não houver tal designação, ou se houver tal designação mas ela ficar sem efeito,
fica encarregado da citação o agente que a secretaria designar – art. 720º/2 +
226º/6
 Art. 231º/9: o funcionário judicial fica encarregado da citação quando o autor
declare na PI que pretende que assim seja e quando não há agente de execução
inscrito naquela comarca
 Nesta modalidade, a citação é feita na pessoa do réu, se ele for encontrado. O
agente/funcionário lavra certidão do ato e o réu assina-a – art. 231º/2 + 3
 Se o réu se recusar a assinar a certidão do ato ou se recusar a receber o
duplicado da PI, esse duplicado fica à sua disposição na secretaria do tribunal
 Se o réu não for encontrado mas residir ou trabalhar efetivamente naquele local,
é deixada uma nota em que se indica dia e hora certa para a diligência,
entregando-se essa nota à pessoa que lá se encontrar ou fixando-a num local
adequado – ver art. 232º/1
 Se na data designada o réu voltar a não se encontrar, a citação é feita na pessoa
capaz que esteja em melhores condições de transmitir a citação ao réu e que
assine a certidão de citação (essa pessoa fica incumbida de transmitir os
elementos recebidos, sob pena de desobediência) – art. 232º/2 + 5
 Quando não se encontra o réu na data e hora marcada nem é possível a
colaboração com um terceiro, faz-se a citação por afixação da nota num local
adequado e na presença de duas testemunhas. Na nota tem de constar a
informação de que o duplicado fica à disposição do réu na secretaria. Nestes
casos é também enviada uma carta registada ao réu, indicando o modo como foi
citado – art. 233º

o Citação edital
 Pode acontecer que o réu não seja encontrado porque está ausente
 Art. 288º/8: se a ausência for em parte certa e não houver quem esteja em
condições de prontamente transmitir a citação, faz-se a citação no local onde o
réu se encontra, através do envio de nova carta registada com aviso de receção.
 Se a ausência for em parte incerta: são feitas averiguações sobre o paradeiro do
réu – 236º/1 + 2. Se não se conseguir apurar onde é que o réu se encontra,
procede-se à citação edital – ver art. 240º
 Quando o autor desde logo indica (na PI) o réu como ausente em parte incerta,
faz-se logo citação através de edital – art. 236º/3

o Citação promovida por mandatário judicial


 Esta modalidade é facultativa: o mandatário do autor manifesta a vontade de
citar o réu, pessoalmente ou através de outro mandatário/solicitador/pessoa que
preste estes serviços por conta própria – art. 157º/4. O mandatário do autor
identifica a pessoa que fica encarregada da diligência – art. 237º
 Nestas situações, o mandatário (na qualidade de comitente) é responsável pelas
ações ou omissões culposas da pessoa que encarregou – ver art. 500º do CC

o Citação no estrangeiro
 Quando o réu reside no estrangeiro tem que se ter em conta as especialidades do
art. 239º:

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 Primeiro observam-se os tratados + convenções internacionais +
regulamentos comunitários
 Depois faz-se a citação por via postal
 Se a citação por via postal se frustrar, recorre-se ao consulado português,
se isso for viável e e o réu for português; nos casos em que a citação por
via postal se frustra e o réu não é português ou não é viável pedir ajuda ao
consulado português, expede-se uma carta rogatória.

 Oficiosidade e intervenção do juiz


o A iniciativa e a prática do ato cabem à secretaria do tribunal sem precisar de ordem por
parte do juiz. Isto é sempre assim, exceto no caso de citação promovida por mandatário
judicial.
Nos casos excecionais de citação edital e de citação urgente, cabe previamente ao juiz
ordenar a citação.

o Como tal, se não há intervenção do juiz para ordenar a iniciativa e a prática da citação, é
à secretaria que cabe eliminar as dificuldades práticas que obstem à realização do ato.
o No entanto, esta atividade da secretaria está sujeita a um duplo controlo:
 Controlo feito pelo autor – ao fim de 30 dias sem que o ato seja efetuado, o autor
é informado das diligências efetuadas e dos motivos pelos quais a citação ainda
não foi feita  art. 226º/2
 Controlo feito pelo juiz – ao fim de 60 dias, o processo é concluso ao juiz, de forma
que ele ordene à secretaria o procedimento que deve adotar  art. 226º/3
 NOTA: vigora também o novo regime geral de controlo do art. 162º/5

 Espécies
o Há 3 graus de cognoscibilidade que o réu pode ter acerca dos elementos que a citação
pretende transmitir-lhe:
 1º lugar: casos em que a citação é feita na própria pessoa do réu – o réu recebe
a carta registada ou é pessoalmente contactado pelo agente de execução ou pelo
funcionário judicial ou pela pessoa que o mandatário designou.
Estes são os casos de citação pessoal  art. 225º/2+3
Nestes casos o réu tem o prazo de 30 dias para contestar (art. 569º/1) e tem um
ónus de contestação, uma vez que se não contestar consideram-se provados os
factos alegados na PI (art. 567º/1).
Também conta como citação pessoal:
 A citação recebida por representante legal do réu – art. 223º/1
 A citação recebida por mandatário com poderes especiais para a receber –
art. 225º/5
 A citação feita num empregado da pessoa coletiva (ré) – art. 223º/3

 2º lugar: casos em que a citação é feita em pessoa diversa do réu; pessoa essa
que foi encontrada pela pessoa que está encarregada de fazer a citação + casos
em que se afixa uma nota de citação + casos em que se deixa a carta de citação
no correio do réu
Estes são os casos de citação quase-pessoal
Nestes casos acresce uma dilação de 5 dias ao prazo perentório para a
contestação – art. 245º/1, al. a). Passado esse prazo há uma presunção de que o
réu tomou conhecimento pessoal do ato mas o réu pode ilidir esta presunção
mediante prova de que adquiriu conhecimento depois dos 5 dias mas ainda
dentro do prazo em que a contestação devia ter sido apresentada – art. 225º/4.
O réu pode ainda arguir a falta de citação, e ilidir aquela presunção dizendo que
tomou conhecimento depois dos 5 dias e depois de já ter terminado o prazo para
contestar – ver art. 188º/1, al. e)
Em tudo o resto esta citação é equiparada à citação pessoal: o réu também aqui
tem um ónus de contestação.

 3º lugar:
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 Casos de citação edital – art. 225º/6
 Ao prazo para contestar soma-se a dilação de 30 dias – art. 245º/3
 Não se permite que o réu ilida a presunção de que tomou conhecimento da
citação dentro deste prazo dilatório, nem se permite que ele ilida a
presunção de que tomou conhecimento no decurso do prazo perentório
que se segue.
 No entanto: o réu citado por edital, quando não intervém no processo
antes de ter terminado o prazo da contestação, não tem o ónus da
contestação – art. 568º/al. b), 2ª parte

Efeitos da citação
o Quando há citação, a instância deixa de ser bilateral e passa a ser triangular  estende-
se o ato de propositura da ação ao réu e esse ato passo a ser eficaz perante ele. A
instância estabiliza e, em princípio, fica definida quanto aos sujeitos e quanto ao objeto
do processo – art. 260º + 564º/al. b)
o A partir do momento da citação, o termo “instância” traduz a ideia da relação existente
entre cada uma das partes e o tribunal, bem como a relação existente entre as próprias
partes, durante a pendência da causa.
o Outro efeito processual da citação é o de inibir o réu de propor contra o autor uma ação
destinada a apreciar o mesmo objeto processual – art. 564º, al. c). Se o réu fizer isso, há
litispendência e por isso a segunda ação não pode prosseguir  ver art. 580º/1 + 581º/1
+ 582º
o Além disso a citação também produz efeitos de direito substantivo:
 Interrompe-se o prazo para prescrição
 Interrompe-se a usucapião
 Coloca-se o possuidor em má fé
 A obrigação pura fica vencida  a citação do devedor vale como interpelação,
produz o vencimento e constitui o devedor em mora
 O contrato resolve-se
 Os contratos de execução continuada extinguem-se

o No art. 323º/2 do CC há uma ficção relevante: a prescrição e a usucapião consideram-se


interrompidas 5 dias após a propositura da ação, mesmo que a citação não tenha
ocorrido, desde que o atraso na citação não seja imputável ao autor.
o Mesmo que haja absolvição da instância, os efeitos civis da citação mantém-se se o autor
propuser nova açao e o réu for citado para essa ação em menos de 30 dias – art. 279º/2.
No entanto, isto não prejudica o regime civil da interrupção da prescrição.

Nulidades e falsidade do ato de citação


o Falta e nulidade
 Pode acontecer que a citação tenha irregularidades que comprometam a sua
função.
 A lei distingue entre a falta de citação e a nulidade da citação:
Falta de citação – quando o ato não foi praticado na direção do seu
destinatário. Isto pode dever-se a vários problemas:
o Ou o ato de citação foi completamente omitido – art. 188º/1, al. a)
o Ou houve erro de identidade do réu – art. 188º/1, al. b)
o Ou porque o réu já faleceu ou extinguiu-se (no caso de ser uma
pessoa coletiva) – art. 188º/1, al. d)
o Ou quando há grande probabilidade de o réu não saber da
propositura da ação, por ter sido feita citação edital sem que
estivessem reunidos todos os pressupostos – art. 188º/1, al. c)
o Ou quando há a certeza de que o réu não chegou a ter
conhecimento da citação quase-pessoal, mas isso não aconteceu
por culpa sua – art. 188º/1, al. e)

Nulidade da citação – quando o ato se realiza com falta de alguma


formalidade que a lei prescreve (art. 191º/1). As formalidades são os

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elementos exigidos pelo art. 227º ou então elementos específicos que
sejam exigidos pela modalidade de citação usada. Exemplos:
o Falta de entrega do duplicado da PI ou dos documentos que a
acompanhavam
o Falta de indicação do juízo em que corre o processo
o Falta de indicação das cominações em que o réu incorre se estiver
em revelia
o Falta de assinatura do aviso de receção
o Quando não se indica no edital o autor e o seu pedido – art. 240º/1

 Regime da falta de citação:


 A falta da citação gera a nulidade do ato + de tudo o que tiver sido feito
depois dele. Os atos anteriores à citação (nomeadamente a distribuição e
o despacho liminar) não estão abrangidos pela nulidade, até porque lhe
são anteriores.
 No caso do art. 188º/1, al. e), o réu tem de alegar e provar que a citação
não chegou ao seu conhecimento e que isso não se deveu a culpa sua.
Fora desse caso, a produção da nulidade gerada pela falta de citação não
depende da arguição do réu, porque a falta de citação deve ser
oficiosamente conhecida pelo juiz – art. 196º
 Se o réu intervier no processo sem arguir a falta de citação, então essa
falta de citação fica sanada – art. 189º. A partir desse momento o juiz
deixa de a poder conhecer e o réu deixa de a poder arguir.
 No entanto, enquanto não ocorrer a sanação, pode a todo o tempo haver
conhecimento oficioso ou arguição da falta de citação – art. 200º/1 +
198º/2

 Regime da nulidade da citação:


 Aqui distinguem-se 2 categorias de casos:
o O caso em que não se indicou prazo para a defesa + o caso em que
foi feita citação edital  aqui o regime aproxima-se do regime da
falta de citação, nomeadamente no que toca à sanação e a à
arguibilidade ou conhecimento oficioso
o Todos os outros casos  estes casos não são oficiosamente
cognoscíveis, pelo que a nulidade deve ser arguida pelo réu no
prazo da contestação

 Em qualquer dos casos, a arguição da nulidade só é considerada quando a


irregularidade cometida puder prejudicar a defesa do réu – art. 191º/4. Isto
serve para que a arguição da nulidade não seja usada como manobra
dilatória.
 Quando é oficiosamente verificada a nulidade da citação, tem de se repetir
o ato e dessa vez tem de se observar as formalidades que a lei prescreve.
o NOTA: há certos casos em que a repetição do ato seria inútil,
violando o art. 130º.
 Casos em que o réu entretanto já adquiriu conhecimento da
ação e saiba todas as informações que antes lhe deviam ter
sido transmitidas
 Casos em que o réu arguiu a falta de citação com o
fundamento do art. 188º/1, al. e)

o Falsidade
 Há diversos documentos que provam que houve citação  destes documentos
probatórios, os que são elaborados pelo agente de execução ou pelo funcionário
de justiça têm a força de documento autêntico; os outros documentos probatórios
são documentos particulares.
 Se algum dos documentos autênticos contiver um facto que na realidade não se
verificou, diz-se que a citação foi falsa – art. 451º/1

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 A falsidade deve ser arguida pelo réu no prazo de 10 dias, contados a partir da
sua intervenção no processo – art. 451º/1
 Se a falsidade da citação puder prejudicar a defesa do réu, a causa suspende-se
logo que o juiz admita a arguição e até que essa arguição seja definitivamente
julgada.
 No entanto, o autor pode requerer a repetição da citação, ficando logo a primeira
citação sem efeito – art. 451º/4 + 448º/3
 Caso diferente é o do documento particular (documento elaborado por
mandatário judicial) que esteja assinado supostamente pelo réu mas sendo a
assinatura falsa. Trata-se de um documento particular. Se o réu impugnar a
assinatura e por isso puser em causa a sua genuinidade, o autor tem o ónus de
provar que a assinatura é do réu  isto é assim porque tem de se estar em
conformidade com o regime de prova da autoria dos documentos particulares

Contestação
 No prazo de 30 dias o réu pode contestar a ação que foi proposta contra ele – art. 569º/1
 O prazo da contestação é um prazo perentório: o decurso deste prazo faz precludir o direito a
contestar, salvo no caso de haver justo impedimento e ressalvada a possibilidade de se
contestar no prazo de 3 dias úteis imediatamente a seguir ao fim do prazo de 30 dias, mediante
o pagamento de multa – art. 139º + 140º
 Excecionalmente o juiz pode, sem ouvir o autor, prorrogar o prazo da contestação por um
período não superior a 30 dias, quando houver um motivo ponderoso que impeça ou dificulte
anormalmente a organização da defesa – art. 569º/5
 O mandatário judicial do réu, desde que junte a procuração, tem direito a que o processo lhe
seja confiado para o poder examinar no prazo da contestação – art. 167º/1+2

 Ónus da contestação e revelia


o A citação constitui o réu no ónus de contestar. Se esse ónus não for observado, ou seja,
se o réu não apresentar qualquer defesa, fica em situação de revelia.
o Quando o réu intervém no processo dentro do prazo de contestação, mas sem ser para
apresentar a sua defesa, diz-se que a revelia é relativa. Pelo contrário, diz-se que há
revelia absoluta quando o réu não intervém de modo algum no processo – art. 566º
o Em regra a revelia produz efeito probatório. No entanto há casos em que
excecionalmente não produz esse efeito

o Regime-regra da revelia  revelia operante


 Art. 567º/1: em regra a consequência da revelia é os factos alegados pelo autor
serem considerados provados por admissão.
 O réu não pode vir depois negar os factos sobre os quais se manteve silencioso

o Exceções  revelia inoperante (art. 568º)


 Al. a): Quando há vários réus e um deles apresenta contestação, essa contestação
aproveita aos outros réus na parte relativa aos factos que são impugnados. Isto
aplica-se em qualquer situação de pluralidade de réus: litisconsórcio necessário +
litisconsórcio voluntário + coligação.
Desta exceção conclui-se que a sua eficácia é limitada aos factos de interesse
para o réu contestante e para o réu revel. Ou seja, só vai aproveitar ao réu revel
na parte em que isso lhe seja favorável.
A eficácia desta exceção não é prejudicada por uma posterior desistência do autor
relativamente ao réu que contestou: a contestação continua a valer para o réu
revel, mesmo que o autor desista do seu pedido quanto ao réu que contestou.
 Al. b): Perante um réu incapaz não se produz o efeito cominatório da revelia (se a
causa se situar no âmbito da sua incapacidade) + também não se produz esse
efeito cominatório perante outro eventual réu revel, na parte que respeite a facto
de interesse comum
 Al. b): Não se verifica aquele efeito cominatório da revelia quando a citação foi
feita através de edital e o réu revel não constituiu mandatário nem interveio de
outro modo no processo, durante o prazo para contestar.
 Al. c): Quando a pretensão do autor respeita a situações jurídicas ou interesses
indisponíveis, a omissão de contestação não produz qualquer efeito.
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 Al. d): Quando a lei ou as partes exigem documento escrito como forma ou para a
prova de um negócio jurídico, esse documento não é dispensável. Então o silêncio
do réu revel não se pode sobrepor a esse documento.
 Por aplicação analógica do art. 547º/2, não se podem dar como provados factos
que sejam física ou legalmente impossíveis, nem os factos notoriamente
inexistentes

o Tramitação subsequente à revelia


 Quando há o efeito cominatório da revelia, aplica-se o procedimento abreviado do
art. 567º/2+3 em conjugação com o art. 566º:
 O processo é concluso ao juiz e verifica-se:
o A regularidade da citação (quando a revelia é absoluta)
o A regularidade da PI (art. 590º/3)
o Verifica-se se há ocorrência de exceções dilatórias que possam dar
lugar a sanação
 Os advogados do autor e do réu são depois notificados para, no prazo de
10 dias, fazerem as alegações por escrito
 A seguir o juiz profere a sentença, aplicando o Direito aos factos que
tenham ficado assentes

 Questão do aperfeiçoamento da PI:


 Não é pelo facto de o réu estar em revelia que o autor perde o direito de
aperfeiçoar a PI que era deficiente, nos termos do art. 590º/2, al. b +
590º/4. O autor pode aperfeiçoar a PI, mas a nova PI tem de ser notificada
ao réu revel, para que fique assegurado o contraditório – art. 590º/5
 Depois desta nova notificação o réu pode ainda, na contestação, defender-
se com a mesma amplitude com que poderia tê-lo feito inicialmente – ou
seja, depois desta PI aperfeiçoada, o réu pode ainda impugnar os factos
que foram inicialmente alegados pelo autor.
 Se depois do aperfeiçoamento da PI e depois da notificação da PI
aperfeiçoada ao réu se mantiver a revelia, então segue-se o processo
abreviado do art. 567º/2+3

 Quando a revelia não é operante (ou seja, quando se verifica alguma das
exceções do art. 568º) o processo segue os seus termos normais e o réu revel não
é notificado enquanto não intervier no processo – art. 249º/3 – sendo, no entanto,
sempre notificado da sentença.

 Conteúdo e forma da contestação


o Sentido material e sentido formal da contestação
 Em sentido material a contestação é a peça escrita com a qual o réu responde à
PI. Nessa peça o réu deduz os meios de defesa que tem contra a pretensão do
autor.
 Em sentido formal a contestação é um articulado, com estrutura semelhante à da
PI:
 Primeiro o réu individualiza a ação, através da identificação do processo
 Depois faz-se a narração, onde são expostos os factos e onde se toma
posição em relação aos factos alegados pelo autor. Para além disso o réu
também expõe razões de Direito, aplicando normas jurídicas aos factos.
 Depois há a conclusão: o réu conclui a contestação, dizendo se deve ser
absolvido da instância por causa de haver uma exceção dilatória, ou se
deve ser absolvido do pedido por causa da ação ser improcedente.
 Depois tem de se propor os meios de prova constituendos  isto depois
pode ser alterado, se o réu fizer reconvenção (art. 572º)
 Depois há eventualmente indicações complementares (menção do número
de duplicados, indicação de valor diferente da causa se o réu não
concordar com o valor indicado pelo autor, etc)

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 Art. 570º/1: com a contestação há que fazer prova documental de que o réu
pagou a taxa de justiça, de que lhe foi concedido apoio judiciário ou de que
requereu esse apoio e ainda não obteve resposta.
 Também conta como contestação um articulado em que o réu se limita a
confessar o pedido que foi deduzido contra ele, a confessar os factos alegados
pelo autor ou a reconvir.
 Também deve ser admitida como contestação a mera apresentação, pelo réu, de
documentos que provem que os factos alegados pelo autor não são verdadeiros
ou documentos que provem factos impeditivos/modificativos/extintivos do efeito
dos factos que o autor alegou.
 A contestação deve ser recusada pela secretaria nos seguintes casos:
 Quando não se identifica o proceso
 Quando o articulado é entregue num tribunal diferente do tribunal onde
corre o processo
 Quando o articulado não está assinado
 Quando o articulado não está escrito em língua portuguesa
 Quando não se utiliza o papel que é exigido por regulamento
 NOTA: em todos os outros casos não há recusa da receção da contestação,
e o controlo é feito pelo juiz no despacho pré-saneador

o Modalidades de defesa
 O réu tem ao seu alcance duas modalidades de defesa (art. 571º):
 Defesa por impugnação
 Defesa por exceção

 Em princípio todos os meios de defesa que o réu tenha contra a pretensão que o
autor formulou devem ser deduzidos na contestação  princípio da concentração
da defesa (art. 573º/1)
 Nota: este princípio da concentração da defesa aplica-se também aos
incidentes que o réu queira levantar; no entanto não se aplica este
princípio aos casos de defesa diferida, estabelecidos no art. 573º/2 – ou
seja, o princípio da concentração da defesa não se aplica aos meios de
defesa supervenientes
o Quando o facto em que se baseia a defesa se verificou depois da
contestação
o Quando o facto em que se baseia a defesa é anterior à contestação
mas o réu só tomou conhecimento dele depois de contestar
o Quando se trate de meios de defesa que a lei expressamente
admita posteriormente à contestação  exemplos: arguição da
competência absoluta, incidente de impedimento do juiz, nulidade
por falta de citação
o Quando se trate de meios de defesa que o tribunal possa conhecer
oficiosamente

 A preclusão é um corolário do princípio da concentração  o réu tem o


ónus de impugnar, na contestação, os factos alegados pelo autor +
alegar os factos que sirvam de base a qualquer exceção dilatória ou
perentória (a não ser quando essas exceções forem supervenientes) +
deduzir as exceções que não estejam previstas na norma excecional do
art. 573º/2
o Nota: se o réu não fizer tudo isto, preclude a possibilidade de o
fazer posteriormente  efeito preclusivo

 Defesa por impugnação


 A impugnação pode ser de facto ou de Direito
 Há impugnação de facto quando o réu se opõe à versão da realidade que o
autor apresentou, ou seja, quando o réu nega os factos que o autor alegou
na PI.

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 Há impugnação de Direito quando o réu contradiz o efeito jurídico que o
autor pretende extrair dos factos, ou seja, quando o réu põe em causa a
determinação/interpretação/aplicação da norma de Direito que o autor fez
na PI.

 No âmbito da defesa por impugnação é muito relevante a impugnação de


facto, uma vez que existe efeito cominatório quando há omissão da
impugnação
o Não impugnado um facto, considera-se que ele foi admitido. Em
relação a esse facto produz-se um efeito cominatório (semelhante
ao efeito que vigora em relação aos factos que são alegados na PI e
não são contestados pelo réu revel).
o A citação constitui o réu não apenas no ónus de contestar mas
também no ónus de impugnar  no caso de pluralidade de réus
não há qualquer dispensa do ónus de impugnar, ou seja, ao
contrário do que acontece na revelia, não aproveita ao não
impugnante a impugnação que é feita por outro réu.
o Posteriormente o réu não pode pôr em causa a prova que ficou
estabelecida devido ao seu silêncio. Em casos excecionais poderá
haver articulado superveniente.
o Aqui também há exceções:
 O efeito cominatório não se produz relativamente aos factos
cuja prova deva ser feita por documento escrito – art. 574º/2
(equivalente à exceção do art. 568º/al. d)
 O efeito cominatório não se produz quanto aos factos sobre
os quais não é admissível confissão – art. 574º/2  remissão
para o art. 354º do CPP. Aqui inclui-se:
 Factos relativos a direitos indisponíveis (como o art.
568º/al. c estabelece para a revelia)
 Factos física ou legalmente impossíveis ou factos
notoriamente inexistentes

 Quando representados pelo MP ou por defensor oficioso, os


incapazes/ausentes/incertos não têm o ónus de impugnar –
art. 574º/4. No entanto, há efeito cominatório se os
incapazes forem representados por representante geral ou
quando os incapazes litigam por si, tendo sido autorizados
pelo curador  isto coincide parcialmente com o art.
568º/al. b)

 Há várias formas de defesa por impugnação:


o Impugnação direta – quando o réu nega frontalmente os factos,
dizendo que não se verificaram
o Impugnação indireta:
 Quando o réu confessa parte dos factos que o autor incluiu
na sua causa de pedir mas, por outro lado, afirma factos
cuja existência é incompatível com a realidade de outros
factos que também se incluem na causa de pedir do autor –
assim a causa de pedir fica desvirtuada
 Quando o réu alega factos instrumentais probatórios que são
incompatíveis com factos alegados pelo autor na causa de
pedir
 Quando o conjunto de factos alegados pelo réu ou a
negação de um dos factos pelo réu (se os factos da causa de
pedir forem dependentes uns dos outros), é incompatível
com a causa de pedir do autor

o NOTA: quer seja direta ou indireta, a impugnação


normalmente repousa numa certeza  o réu afirma que o facto
alegado pelo autor não se verificou ou afirma que se verificou outro
facto que é incompatível com esse facto.

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 Pode acontecer que o réu esteja em dúvida sobre a realidade de
determinado facto. Nesse caso basta que o réu expresse essa dúvida para
que se considere que há impugnação, exceto quando se trate de um facto
pessoal ou de um facto do qual o réu devesse ter conhecimento (se se
tratar de um desses factos, considera-se que há admissão) – art. 574º/3

 Atualmente não se exige que a impugnação seja feita especificadamente,


ou seja, não se exige que o réu tome posição acerca de cada um dos
factos que o autor indicou.

 Defesa por exceção


 Ao conceito de exceção corresponde a ideia de defesa indireta: não se põe
em causa a realidade dos factos que o autor alegou como causa de pedir,
nem se põe em causa os efeitos jurídicos que o autor pretende extrair
daqueles factos. O que se faz é alegar factos novos. O réu entende que
desses factos novos se retira que o tribunal em que a ação foi proposta
não poderá declarar o efeito pretendido. Isto pode acontecer por várias
razões:
o Ou porque tais factos impedem que esse tribunal aprecie o pedido
que o autor formulou  exceção dilatória
o Ou porque os factos novos levam o tribunal a julgar o pedido do
autor como improcedente, no fim de o apreciar  exceção
perentória

Então:
 A exceção pode ser dilatória ou perentória
 Há exceção dilatória quando é invocada a falta de um pressuposto
processual. Ou seja, quando o réu diz que falta uma das condições
exigidas para que o tribunal se possa ocupar do mérito da causa.
 Há exceção perentória quando o réu alega um facto
impeditivo/modificativo/extintivo da situação jurídica ou do facto jurídico
que o autor indicou

 Exceção dilatória:
o Para que o tribunal se possa ocupar do mérito da causa e para que
a possa decidir, é necessário que se verifiquem determinadas
condições: os pressupostos processuais.
o Quando falta algum dos pressupostos processuais, ocorre uma
exceção dilatória.
o Se a falta do pressuposto processual não for sanada (art. 6º/2 +
278º/2), o juiz deve proferir uma sentença em que absolva o réu da
instância, salvo se o processo dever ser remetido para outro
tribunal ou se ocorrer a situação prevista no art. 278º/3
o Em regra a exceção dilatória é de conhecimento oficioso (art. 578º),
mas, mesmo assim, o réu pode argui-la na contestação. Aliás, é o
réu que tem o ónus de alegar os factos em que a exceção dilatória
se baseia.

o O art. 577º contém um elenco não exaustivo das exceções


dilatórias:
 Al. a) – incompetência do tribunal: quando o autor não
observou as normas legais, quer sejam as normas que
estabelecem a competência nacional/internacional como as
normas que estabelecem qual é o tribunal português que é
competente naquele caso [normas de competência interna].
Também pode verificar-se incompetência do tribunal por ter
sido violado um pacto de jurisdição ou um pacto de
competência – art. 94º e 95º. Para além disso também se
pode pôr um problema relativo à competência de tribunal

18
arbitral, que não foi observada, o que leva à incompetência
do tribunal onde foi indevidamente proposta a ação.

 Al. b) – nulidade de todo o processo:


 Quando há ineptidão da PI – art. 186º
 Quando há irregularidade não sanada da PI
 Quando há erro na forma do processo
 Quando a PI não se possa aproveitar
 Quando haja simulação do litígio pelas partes (em
simulação ou fraude processual) – art. 162º

 Al. c) – falta de personalidade judiciária do autor ou do réu:


quando a ação foi proposta por ou contra uma entidade que
não tem personalidade jurídica nem personalidade judiciária,
pelo que não pode ser parte num processo – art. 11º/1
Há casos em que a falta de personalidade judiciária é
sanável – art. 14º

 Al. c) – falta de capacidade judiciária do autor ou do réu:


quando a ação foi proposta por ou contra uma pessoa sem
capacidade de exercício, sem a mediação do representante
ou a autorização do curador. Ver art. 27º, sobre as
possibilidades de sanação.

 Al. d) – falta de autorização ou deliberação que o autor


devesse obter: quando a lei substantiva exige que, para a
propositura de certas ações, o representante se muna de
autorização alheia ou da deliberação de um órgã. Se falta
essa autorização/deliberação, existe um exceção dilatória,
sem prejuízo da sua sanação (art. 29º)

 Al. e) – ilegitimidade do autor ou do réu: tendo em conta a


forma como o autor determina as partes aquando da
propositura da ação e tendo também em conta os factos
narrados na PI, há que ver quais partes que a lei substantiva
considera como legitimadas para se ocupar do objeto do
processo – art. 30º
Se as partes designadas pelo autor não corresponderem às
partes que a lei considera legítimas, há ilegitimidade
processual das partes.
Art. 33º + 261º: quando a ilegitimidade processual das
partes se deve ao facto de não se ter demandado uma
pessoa que devia ter-se demandado juntamente com o réu
ou o autor, essa ilegitimidade é sanável.

 Al. f) – coligação ilegal de autores ou de réus: em certas


circunstâncias a lei admite que haja pluralidade de autores
ou réus, apesar de os pedidos formulados não serem
comuns a todos. Quando vários pedidos sejam deduzidos
diferenciadamente e por autores/réus diferentes, sem que
aquelas circunstâncias se verifiquem, há absolvição da
instância se o autor não indicar o pedido em função do qual
o processo deve seguir – art. 38º

 Al. g) – pluralidade subjetiva subsidiária ilegal

 Al. h) – falta de constituição de advogado pelo autor, quando


o patrocínio é obrigatório: quando o autor não observa o
disposto no art. 40º/1 e a situação se mantém após um
prazo marcado pelo juiz, há lugar a absolvição da instância.

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 Al. h) – falta, insuficiência ou irregularidade da procuração
passada ao advogado do autor: estes problemas, uma vez
detetados, deve ser corrigidos pela parte dentro do prazo
que é fixado para tal, sob pena de ficar sem efeito a atuação
do mandatário judicial – art. 48º/1+2. Para o autor, a
consequência de a PI ficar sem efeito é o réu ser absolvido
da instância

 Al. i) – litispendência: a individualização da ação faz-se pelas


partes e pelo objeto (pedido fundado numa causa de pedir) –
art. 260º. Há litispendência quando está pendente um
processo e surge outra ação entre as mesmas partes e com
o mesmo objeto. Ou seja, há litispendência quando na nova
ação se faz o mesmo pedido (ou o pedido inverso, consoante
haja inversão das partes), com fundamento na mesma causa
de pedir.

 Al. i) – caso julgado: a exceção de caso julgado tem na sua


base o mesmo conceito de repetição da causa que a
litispendência. Diverge da litispendência porque a
verificação da repetição faz-se após a decisão definitiva de
uma das causas – art. 580º/1 – e essa decisão vale para a
que ainda não está julgada.

o Há outra exceção dilatória, que não consta do art. 577º: interesse


processual/interesse em agir

 Exceção perentória (art. 576º/3)


o Há esta exceção quando há invocação de factos
impeditivos/modificativos/extintivos do efeito jurídico dos factos
que foram articulados pelo autor como causa de pedir.
o A exceção dilatória funda-se no direito processual; ao contrário
dela, a exceção perentória vai buscar o seu fundamento ao direito
material, uma vez que o efeito dos factos
impeditivos/modificativos/extintivos é determinado pelas normas de
direito substantivo.
o Quando a exceção dilatória é considerada procedente, há
absolvição do pedido – art. 571º/2
o Os factos modificativos e os factos extintivos ocorrem depois do
momento em que se constituiu o direito do autor, pelo que se
distinguem facilmente dos factos constitutivos.
o Um facto modificativo pode ter efeitos em vários âmbitos: no objeto
do direito, na oponibilidade do direito e na possibilidade de
exercício do direito.
o Exemplos de factos extintivos: decurso do prazo do usufruto,
pagamento da obrigação, etc.
o É difícil distinguir entre o facto impeditivo e o constitutivo porque
ambos são contemporâneos. O facto impeditivo inibe logo de início
os efeitos do facto constitutivo.

 Exceção propriamente dita e objeção


o Em regra as exceções são de conhecimento oficioso. Isto é uma
vertente do princípio que estabelece que o tribunal não está sujeito
às alegações das partes no que respeita à indagação e aplicação de
normas de direito (art. 5º/3).
o Aquele princípio tem como limites, entre outros:
 Os casos em que está na dependência da vontade do réu a
invocação de um direito potestativo ou outra exceção – art.
579º

20
 Os casos em que a lei processual coloca na sua exclusiva
disponibilidade a invocação da falta de um pressuposto (isto
só acontece com a incompetência relativa, em casos que
não estejam abrangidos pelo art. 104º nem pela preterição
do tribunal arbitral voluntário)
o São exceções em sentido próprio aquelas exceções que estão na
exclusiva disponibilidade da parte, de tal forma que só relevam
quando ela manifeste a vontade de se fazer valer delas.
o São exceções em sentido impróprio aquelas que o tribunal pode e
deve conhecer, independentemente da vontade da parte a quem
essas exceções aproveitam

 Função
o Objeções e exceções propriamente ditas são questões prejudiciais
relativamente ao objeto do processo.
o A resposta do tribunal ao pedido que o autor fez deve ser precedida
pelo exame das exceções, sejam elas dilatórias ou perentórias.
o No entanto, há diferenças entre os efeitos das exceções dilatórias
vs perentórias:
 As exceções perentórias, quando são procedentes, levam à
absolvição da instância; o tribunal nem chega a apreciar o
pedido  aqui a sentença recai apenas sobre a relação
processual
 As exceções dilatórias, quando são procedentes, levam à
absolvição do pedido  aqui a sentença é uma decisão de
mérito

 Contestação da ação de simples apreciação negativa


 Nestas ações o autor não fica dispensado de invocar a causa de pedir, mas
pode aligeirar-se a alegação de factos.
 Art. 343º/1 do CC: onera o réu com a prova dos factos constitutivos do
direito que se arroga.
 Consequentemente tem o ónus de alegar esses factos – art. 584º/2

 Reconvenção
 O articulado da contestação serve também para o réu deduzir pedidos
contra o autor: esse é um exercício facultativo do direito de ação e há uma
ampliação do objeto do processo (art. 266º/1)  é a isto que se chama
reconvenção

 A reconvenção apresenta a mesma estrutura formal da PI


o Fundamentos de facto
o Fundamentos de direito
o Pedido
o Valor da causa
o Elementos complementares eventuais

 A contestação não pode ser recusada pela falta de indicação do valor da


reconvenção; no entanto, não será atendida se o reconvinte for convidado
a indicar esse valor e não o fizer – art. 583º/2
 Tal como a PI, a reconvenção pode ser inepta. No entanto, a consequência
dessa ineptidão não é a mesma que existe quando há ineptidão da PI: por
a reconvenção ser inepta não significa que há nulidade de todo o processo,
como acontece quando há ineptidão da PI. A nulidade fica circunscrita à
própria reconvenção e o reconvindo é absolvido da instância
reconvencional.

21
 Art. 583º/3: o reconvindo é absolvido da instância quando o
prosseguimento da ação reconvencional depender de algum ato que deva
ser praticado pelo reconvinte e ele não o praticar.
 Para que a reconvenção seja admissível tem de se verificar algum dos
elementos de conexão com o pedido do autor indicados no art. 266º/2 e
não pode verificar-se nenhum dos requisitos negativos de compatibilidade
processual a que se refere o art. 266º/3
 Quando haja absolvição do réu (quer seja do pedido ou da instância), pode
haver na mesma apreciação do pedido reconvencional, a não ser que o
pedido reconvencional seja dependente do pedido que o autor formulou –
art. 266º/6

 Notificação da contestação
 A contestação é sempre notificada ao autor, independentemente de haver
ou não lugar a réplica. Até porque é ao autor que compete decidir se vai
ou não haver réplica, no fim de analisar a contestação apresentada pelo
réu, pelo que é sempre necessária a notificação da contestação para que
seja assegurado o direito de resposta do autor.
 Se não houver lugar a réplica, o autor pode é alterar o requerimento de
prova constituenda que apresentou inicialmente (pode fazê-lo no prazo de
10 dias a contar da data de notificação da contestação) – art. 552º/2

Réplica
 Função da réplica
o Quando o réu tenha deduzido reconvenção, o autor tem oportunidade de lhe responder
num outro articulado: a réplica (art. 584º/1)
o A réplica desempenha, face à reconvenção, o mesmo papel que a contestação do réu
desempenha face à PI  funciona como a contestação da reconvenção
o A réplica está sujeita, como as devidas adaptações, ao regime da contestação
o No antigo CPC o autor podia usar a réplica para modificar o pedido ou a causa de pedir
ou ambos, alterando ou ampliando o objeto do processo. Significa que podia usar a
réplica para completar/retificar/concretizar a matéria de facto que integrava a causa de
pedir. No novo CPC a réplica já não tem esta função. No entanto, quando há réplica o
autor pode deduzir nela um pedido, ou pode ampliá-lo em desenvolvimento do pedido
primitivo + pode alterar ou ampliar a causa de pedir com factos que tenham sido
confessados pelo réu + pode concretizar a matéria de facto alegada na petição inicial
(ver art. 590º/4)
o Na réplica o autor também pode alterar o requerimento probatório inicialmente
apresentado – art. 552º/2

 Prazo
o O prazo para a réplica é de 30 dias, contados a partir da notificação da contestação ao
autor – art. 585º/3
o O prazo para fazer a réplica pode ser prorrogado, da mesma forma que o prazo para a
contestação – art. 586º

 Revelia do reconvindo
o Quando o autor não faz réplica (ou seja, não responde à contestação), há revelia do
reconvindo
o A esta situação aplica-se o regime cominatório que a lei prevê para a revelia do réu
o O pedido reconvencional será decidido no despacho saneador quando os factos
relevantes alegados pelo réu na contestação deverem ser considerados provados por
causa do efeito cominatório.

 Notificação da réplica
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o A réplica deve ser sempre notificada ao réu, mas não é a secretaria que tem de fazer
essa notificação: ela fica a cargo do advogado
o Quando a réplica tenha servido para responder à reconvenção, o réu pode alterar o
requerimento probatório inicialmente apresentado, no prazo de 10 dias – art. 572º/al. d)

Articulados supervenientes
 Quando termina a fase dos articulados, há 3 casos em que é ainda admissível as partes
apresentarem peças com função de articulados.

 Espécies:
o Quando foi deduzida uma exceção no último articulado, a parte contrária pode responder
a essa dedução na audiência preliminar ou não audiência final – art. 3º/4
o Quando a alegação da matéria de facto tem insuficiências/imprecisões, o juiz pode
convidar a parte a supri-las e depois disso a parte contrária tem direito de resposta – art.
590º/2, al. b) + art. 590º/4 + art. 591º/1, al. c)
o Quando ocorram factos supervenientes, a parte a quem esses factos aproveitam pode
alegá-los num articulado superveniente. Depois a parte contrária tem direito de resposta
– art. 588º

 A garantia do direito ao contraditório


o As exceções podem ser arguidas na fase dos articulados. Pode acontecer que o último
articulado do processo contenha uma exceção: também neste caso o princípio do
contraditório impõe que seja assegurado o direito de resposta (ver art. 3º/4)
o Sempre que se realize audiência prévia, é aí que se dá hipótese de responder à última
exceção; se a audiência prévia não se realizar, o direito de resposta é dado no início da
audiência final – art. 604º/3
o A apresentação de resposta constitui aqui uma faculdade, e não um ónus: aqui não há
um ónus de impugnar e consequentemente não há efeito cominatório.

 O complemento de articulados deficientes


o Quando é que tem lugar:
 O convite ao aperfeiçoamento pode ser dirigido ao autor e ao réu, ou seja, pode
convidar-se o autor a aperfeiçoar a causa de pedir e também se pode convidar o
réu a concretizar uma exceção.
 Esta é uma solução para os casos em que os factos alegados pelo autor ou pelo
réu são insuficientes ou não se apresentam suficientemente concretizados.
 Primeira hipótese em que isto acontece: quando está em causa a falta de
elementos de factos necessários à completude da causa de pedir ou duma
exceção, por causa de não terem sido alegados todos os factos que permitem a
subsunção na previsão da norma jurídica que está em causa.
 Segunda hipótese em que isto acontece: quando estão em causa afirmações
feitas, relativamente a alguns desses elementos de facto, de modo inconclusivo
ou equívoco.
 Há casos que não estão incluídos nesta possibilidade de aperfeiçoamento: são os
casos em que a causa de pedir ou a exceção não se apresentam identificadas,
pelo que considera-se que há uma ineptidão da PI ou então há nulidade da
exceção, em vez de haver possibilidade de aperfeiçoamento.
 Também não se admite o aperfeiçoamento nos casos em que se quer invocar uma
nova ou diferente causa de pedir ou exceção: o aperfeiçoamento não pode servir
para essa finalidade. O despacho de aperfeiçoamento e o articulado subsequente
a ele não devem ir para além do âmbito da causa de pedir ou do âmbito da
exceção invocada.

o Regime:
 O convite para aperfeiçoamento é feito na fase da condensação: em regra faz-se
esse convite no despacho pré-saneador ou na audiência prévia
23
 Aplicam-se as regras gerais sobre contrariedade e prova, pelo que:
 A parte contrária pode sempre responder
 O prazo para responder é de 10 dias (art. 149º/1)
 Ónus de impugnação
 Juntamente com o articulado de aperfeiçoamento e com a resposta, são
propostas as provas relativas aos novos factos alegados.

 Se o juiz não fizer o convite ao aperfeiçoamento, a parte pode (na audiência


prévia ou enquanto não é proferido o despacho saneador, se não houver lugar a
audiência prévia) fazer o convite ao aperfeiçoamento por sua própria iniciativa –
mas é claro que isso está sujeito a controlo judicial.
 Mas note-se que o despacho de aperfeiçoamento é um despacho vinculado, pelo
que a sua omissão quando devia ter sido proferido leva à aplicação do regime das
nulidades processuais.

 Os factos supervenientes
o Quando é que são admissíveis:
 Depois do último articulado da parte podem ocorrer novos factos constitutivos da
situação jurídica do autor ou factos modificativos ou extintivos dessa situação
jurídica.  superveniência objetiva
 Por outro lado também pode acontecer que só depois do seu último articulado o
autor tenha conhecimento de outros factos constitutivos ou só depois do seu
último articulado o réu tenha conhecimento de factos
impeditivos/modificativos/extintivos, tanto num como noutro caso
independentemente de os factos terem ocorrido anteriormente ou não 
superveniência subjetiva
 Tanto na superveniência objetiva como na superveniência subjetiva pode haver
lugar a articulado superveniente, no qual a parte a quem o facto é favorável irá
alegá-lo – art. 588º/1+2
 Relativamente a exceções supervenientes, o réu não está sujeito à preclusão do
art. 573º/1 – ver art. 573º/2
 Quando ao autor tem sido controverso saber se a alteração ou ampliação da
causa de pedir é inadmissível fora do circunstancialismo dos artigos 264º e 265º.
 O princípio da economia processual leva a defender a permissão de alegar
factos supervenientes não apenas nos casos do art. 264º e 265º mas sim
mais abrangentemente.

 A alegação superveniente de factos está sujeita a momentos de preclusão


específicos, dependentes do momento da sua ocorrência ou do conhecimento –
art. 588º/3:
 Audiência prévia
 Termo do prazo de 10 dias contados da notificação da data de realização
da audiência final
 Audiência final

o Regime
 No fim de apresentado o articulado, com oferecimento da prova relativa aos
factos alegados, o juiz profere um despacho…
 … de admissão: ordena a notificação da parte contrária para responder em
10 dias
 … de rejeição: há dois possíveis fundamentos para a rejeição  ou foi
apresentado fora do tempo, por culpa da parte, ou há uma inviabilidade
manifesta

 Quando a parte contrária é notificada, está sujeita a um ónus de impugnação: os


factos que não forem impugnados são dados como provados por admissão – art.
588º/4
 Quando a parte contrária responde, oferece prova.

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 Outras peças supervenientes
o Para além daqueles articulados supervenientes, há outras peças que desempenham
algumas funções dos articulados mas fazem-no fora da fase dos articulados
o É o caso do requerimento de modificação unilateral do pedido, por redução ou ampliação
– ver art. 265º/2+4
o É ainda o caso da dedução de exceção que a lei admite depois da fase dos articulados ou
que é de conhecimento oficioso – art. 573º/2
o É também o caso da alteração do pedido ou da causa de pedir por acordo – art. 264º

Fase intermédia – Condensação


 Depois de uma fase em que as partes têm o papel dominante, agora é o juiz que tem esse
papel.
 Nesta nova fase o julgador toma conhecimento do que se passou na fase anterior, assume a
direção do processo e vai (em diálogo com as partes) controlar a regularidade da instância +
convidar o autor e o réu a colmatar deficiências dos articulados + analisar as posições das
partes + decidir aquilo que já pode ser decidido + definir as grandes questões que vão ser
objeto de prova e de julgamento + tomar as medidas adequadas para que a justa composição
do litígio tenha lugar num prazo razoável.
 Se nesta intervenção o juiz verificar que o processo já contém elementos suficientes para que o
litígio possa ser decidido de mérito e de forma segura, o juiz julga imediatamente a causa.
 Por outro lado, se o juiz verificar que falta um pressuposto que é insuscetível de sanação,
também julga desde logo a causa.
 NOTA: nestes dois casos, a fase de condensação absorve (de forma simplificada) a fase da
discussão e a fase de julgamento.
 Se não se verificar nenhum daqueles casos, nesta fase o que acontece é a fixação dos termos
essenciais da causa.
 Sempre que existe audiência prévia, ela funciona como ligação entre a fase anterior e as fases
posteriores (que estão agora a ser programadas).
 Nesta fase há também um saneamento do processo: verificação da sua regularidade, com
eventual correção das irregularidades dos articulados + sanação das nulidades + sanação da
falta de pressupostos processuais
 Atualmente a fase da condensação funciona com o juiz em colaboração com as partes, havendo
contraditório.

 Despacho pré-saneador:
o Quando termina o prazo para apresentar o último articulado (quer se tenha ou não
apresentado esse último articulado) o processo é enviado para o juiz. Depois, quando é
caso disso, o juiz profere um despacho relativo à sanação da falta de pressupostos
processuais e (ou) a convidar as partes a aperfeiçoar dos articulados – art. 590º/2  é o
despacho pré-saneador
o Este despacho tem a finalidade de regularizar a instância processual e as irregularidades
dos articulados, antes do despacho saneador.
o O despacho pré-saneador tem 4 funções:
 Sanação da falta de pressupostos processuais – art. 590º/2, al. a)
 Correção das irregularidades dos articulados – art. 590º/2, al. b) + art. 590º/3
 Junção de documento que permita a imediata apreciação de exceção dilatória ou
o imediato conhecimento do pedido – art. 590º/2, al. c)
 Completamento dos articulados deficientes – art. 590º/2, al. b) + art. 590º/4

o Duas notas:
 O novo CPC atribui ao juiz um poder vinculado: o juiz tem de o dever de exercer
esse poder quando ocorram nos articulados “insuficiências ou imprecisões na
exposição ou concretização da matéria de facto alegada”. A omissão do despacho
pré-saneador é uma nulidade processual.

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 O despacho de aperfeiçoamento não é recorrível (art. 590º/7): a parte que foi
convidada a aperfeiçoar os articulados tem hipótese de corresponder ou não ao
convite do juiz – independentemente do que essa parte decidir fazer, a ação
prossegue. O que pode acontecer é a decisão ser desfavorável à parte que não
aperfeiçoou ou que aperfeiçoou incorretamente os articulados.

o Sanação da falta de pressupostos processuais


 O juiz tem o dever de providenciar pela sanação da falta de pressupostos
processuais que seja sanável: art. 6º/2 – o juiz deve determinar a realização dos
atos necessários à regularização da instância e, quando não o possa fazer
oficiosamente por se tratar de uma exclusiva disponibilidade das partes, deve
convidar as partes a fazê-lo.
 A lei determina expressamente a sanabilidade da falta de determinados
pressupostos e determina qual é o modo de fazer essa sanação:
 Falta de personalidade judiciária em certos casos (art. 14º)
 Incapacidade judiciária e a irregularidade de representação (art. 27º)
 Falta de autorização ou deliberação (art. 29º)
 Falta do consentimento conjugal (art. 34º/2)
 Ilegalidade da coligação (art. 38º)
 Falta de constituição de advogado (art. 41º)
 Falta, insuficiência e irregularidade de mandato (art. 48º)
 Falta de listiconsórcio necessário (art. 261º)

 Nota: o art. 6º/2 abrange não só aqueles pressupostos mas todos os pressupostos
cuja falta possa ser sanada sem que isso implique a inutilidade de tudo o que se
tiver processado.

 Algumas vezes a sanação pode ter lugar oficiosamente, mas na maior parte dos
casos a iniciativa oficiosa tem de ser seguida por um ato da parte, do seu
representante ou curador ou do terceiro titular do poder de autorizar/consentir.

 Há casos em que o juiz não pode fazer mais do que convida a parte a determinar
subjetiva ou objetivamente a instância: por exemplo, quando não foi constituído o
listisconsórcio necessário, o autor é convidado a chamar a pessoa em falta à
intervenção principal – art. 261º/1

 Se no despacho pré-saneador o juiz não providenciar pela sanação, a parte pode


praticar espontaneamente o ato necessário para a sanação.
 Pode acontecer que só na audiência preliminar se torne evidente a falta do
pressuposto, e também pode acontecer que o juiz só se dê conta da falta do
pressuposto no momento em que vai proferir o despacho saneador – o art. 6º/2
aplica-se também a estes casos, uma vez que antes de proferir o despacho
saneador o juiz deve providenciar pela sanação em qualquer caso.

o Correção das irregularidades dos articulados


 Falta de requisitos formais
 A PI que não obedeça aos requisitos formais do art. 552º/1, al. a + b + c +
f, deve ser recusada pela secretaria. No entanto, se escapar a esse
controlo, no despacho pré-saneador o juiz do processo deve convidar o
autor a corrigir a irregularidade.
 Por exemplo quando um articulado não é apresentado em artigos, também
se verifica uma irregularidade e deve haver um convite ao
aperfeiçoamento.
 O juiz também deve verificar se noutros casos é necessário
aperfeiçoamento, até mesmo relativamente a atos que são controlados
pela secretaria: por exemplo cabe ao juiz verificar se na contestação o réu
especificou separadamente as exceções que deduziu, se identificou e
deduziu separadamente a reconvenção, se na reconvenção indicou o valor.
Também cabe ao juiz verificar se a contestação e a réplica obedeceram

26
aos requisitos formais gerias dos atos das partes e se foram narradas por
artigos.
 Falta de documento essencial (art. 590º/3)
 Quando não se apresenta um documento essencial ou um documento do
qual a lei faz depender o prosseguimento da causa, há uma irregularidade
do articulado
 A lei pode exigir expressamente a apresentação de um documento em 3
tipos de situações:
o Quando o documento é essencial à verificação de um pressuposto
processual, por exemplo a procuração para o patrocínio judiciário –
aqui trata-se de sanar a falta desse pressuposto
o Quando o documento é essencial à prova de um pressuposto da
situação jurídica que se quer fazer valer, por exemplo na revisão de
uma sentença estrangeira, que tem de ser certificada
o Quando o documento é essencial ao prosseguimento da causa

 O art. 590º/3 deve ser interpretado como abrangendo também os casos


em que o documento é essencial à prova de um facto que constitua
situação jurídica precedente daquela que a parte quer fazer valer  por
exemplo, é absolutamente necessária a certidão de casamento numa ação
de divórcio
 Diferentes são os casos em que o documento prova um facto constitutivo
da própria situação jurídica para a qual se pediu tutela jurisdicional ou
quando o documento prova um facto em que a exceção se baseia. Nesses
casos, salvo preceito especial em contrário, a parte pode apresentar o
documento até 20 dias antes da data em que se realize a audiência final, e
não se está perante uma irregularidade do articulado.

 Regime da correção das irregularidades dos articulados:


 O despacho de aperfeiçoamento que é proferido perante um articulado
irregular é um despacho vinculado, ou seja, o juiz tem o dever de o proferir
e se não o fizer há uma nulidade processual nos termos do art. 195º.
 Se for proferido, esse despacho é irrecorrível (art. 590º/7), até porque tem
natureza provisória: a parte é convidada a aperfeiçoar os articulados e
depois desse convite pode ou não obedecer-lhe.
o Se a parte acata o convite do juiz, o juiz verifica se o
aperfeiçoamento é suficiente. Se for, o processo prossegue, mas o
juízo emitido não constitui caso julgado.
o Se o aperfeiçoamento não for suficiente ou a parte não aperfeiçoar
de todo (não acata o convite do juiz), o juiz profere um novo
despacho no qual tira as consequências que se impõem naquele
caso – este despacho é recorrível.
As consequências do não aperfeiçoamento variam consoante o tipo
de situação que se verifique:
 Quando falta um requisito legal, o tribunal deve rejeitar o
articulado ou parte dele, por haver nulidade
 Quando falta um documento essencial à verificação de um
pressuposto processual, esse pressuposto é considerado
como não verificado
 Quando falta um documento essencial ao prosseguimento
da ação, a ação não prossegue sem que o documento seja
junto – as consequências são a suspensão da instância ou a
absolvição do reconvindo da instância.
 Quando falta documento essencial à prova de um
pressuposto da situação jurídica que se quer fazer valer em
juízo, a consequência normalmente é a da improcedência da
ação ou da exceção.
 TODAS ESTAS CONSEQUÊNCIAS DEVEM SER EXTRAÍDAS
PELO JUIZ NO DESPACHO SANEADOR.

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 Audiência prévia
o Quando já se praticaram os atos que o despacho pré-saneador indicava ou então, se não
houver despacho pré-saneador, quando o processo vai para o juiz no fim da fase dos
articulados, o juiz designa um dia para a audiência prévia – ver art. 591º/2.
o Salvo nos seguintes casos:
 Quando ocorra revelia inoperante do réu ou dos vários réus
 Quando o processo deva terminar no despacho saneador por causa da
procedência de uma exceção dilatória que já foi debatida nos articulados
 Quando o juiz entenda que a audiência é dispensável, desde que aquela
audiência se destinasse apenas aos fins indicados nas al. d) até f) do art. 591º/1
 nestes casos pode uma das partes vir requerer que seja ulteriormente realizada
a audiência prévia

o No processo ordinário, a audiência prévia constitui regra. Para ela são sempre
convocados os mandatários das partes. Também as próprias partes são convocadas,
quando se verifiquem os seguintes requisitos:
 O objeto da causa estar incluído no âmbito do direito disponível das partes
 Um dos fins da audiência prévia ser a tentativa de conciliação
 Verificar-se o condicionalismo do art. 594º/2

o Finalidades da audiência prévia


 Tentativa de conciliação das partes – art. 591º/1, al. a): o juiz promove o
encontro das partes, para que haja uma negociação da qual possa surgir uma
auto-composição do litígio ou de parte do litígio (isto só pode acontecer se
estivermos no campo do direito disponível)

 Discussão sobre as exceções dilatórias – art. 591º/1, al. b):


 O despacho saneador é o momento tipicamente adequado para verificar
os pressupostos processuais e para conhecer as exceções dilatórias
decorrentes da falta daqueles pressupostos processuais.
 Aqui o juiz tem de se pronunciar sobre as exceções que tenham sido
suscitadas pelas partes e também sobre as exceções que deve conhecer
oficiosamente – note-se que pode ter havido lugar sanação antes, na
sequência do despacho pré-saneador e também pode ter havido sanação
por iniciativa das partes
 Quando as exceções são de conhecimento oficioso deve haver uma prévia
discussão, para assegurar o contraditório, a não ser que a falta do
pressuposto seja de tal forma evidente e insanável que se torna
manifestamente desnecessária a discussão – art. 3º/3

 Discussão de mérito – art. 591º/1, al. b):


 Quando o juiz considere que está capaz de conhecer imediatamente o
mérito da causa (ou seja, está capaz de responder parcial ou totalmente
ao pedido), o juiz deve convocar a audiência prévia para prosseguir esse
fim.
 O juiz não pode julgar de mérito no despacho saneador sem primeiro
facultar a discussão, em audiência, entre as partes.

 Discussão para delimitação dos termos do litígio – art. 591º/1, al. c):
 Art. 7º/2 – em qualquer altura do processo o juiz pode ouvir as partes e
convidá-las a prestar os esclarecimentos que ache que são úteis, quer
sobre a matéria de direito como sobre a matéria de facto
 Esta é uma manifestação do princípio da cooperação, que tem como
momento mais adequado o da audiência prévia.
 Sempre que o juiz (discricionariamente) entenda que as posições das
partes devem ser discutidas e esclarecidas, para que haja uma melhor
delimitação dos termos do litígio, a audiência preliminar deve ser
convocada para esse fim.

 Complemento dos articulados deficientes – art. 591º/1, al. c):

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 Quando o juiz constata insuficiências ou imprecisões dos articulados
quanto à exposição da matéria de facto, pode optar entre convidar as
partes no despacho pré-saneador para aperfeiçoar e fazê-lo na audiência
prévia.
 Note-se que quando o juiz convida, no despacho pré-saneador, ao
aperfeiçoamento e as partes não acatam esse convite, então deve
entender-se que precludiu a possibilidade de complementar os articulados
deficientes na audiência prévia.
 Se o juiz convidou ao aperfeiçoamento no despacho pré-saneador e a
parte acatou esse convite e aperfeiçoou, mas não o fez suficientemente
bem, então pode admitir-se o complemento da alegação na audiência

 Prolação do despacho saneador – art. 591º/1, al. d):


 Havendo audiência prévia, o despacho saneador é ditado para a ata, a
menos que as questões a resolver sejam complexas e o juiz decida fazê-lo
por escrito
 Caso o juiz o faça por escrito, lê-o em nova sessão da audiência
 A convocação da audiência prévia para a prolação do despacho saneador é
sempre dispensável pelo juiz – art. 593º/1

 Determinação da adequação formal, da simplificação ou a agilização


processual – art. 591º/1, e):
 Quando é proferido o despacho saneador, o juiz deve verificar se a forma
legal do processo deve ser adaptada, tendo em conta as especificidades
daquela causa.
 Se o juiz concluir que a tramitação processual adotada não é a adequada,
deve adotar outra
 O juiz deve também adaptar o conteúdo e a forma dos atos processuais ao
fim que eles visam atingir

 Despacho de identificação do objeto do litígio e enunciação dos temas da


prova – art. 591º/1, al. f):
 É um despacho que é proferido após ser assegurado o contraditório, onde
o juiz identifica o objeto do litígio e enuncia os temas da prova – art.
596º/1
 As partes podem reclamar desse despacho, com fundamento em:
deficiência, excesso ou obscuridade
 O juiz decide essa reclamação na própria audiência e profere um despacho
– esse despacho não é suscetível de recurso autónomo, pelo que só pode
ser impugnado se for interposto recurso da sentença final – art. 596º/3
 A audiência prévia feita para este fim, pode ser dispensada pelo juiz – art.
592º/1, al. a)

 Programação da audiência final – art. 591º/1, al. g)  decide-se a data da


audiência final e os atos a realizar em audiência são programados.

o Objeto complementar da audiência prévia:


 Na audiência prévia podem também ter lugar os seguintes atos:
 Alteração do requerimento probatório (art. 598º/1)
o As partes podem alterar (através de substituição ou de ampliação)
a proposição da prova constituenda que tinha sido feita nos
articulados
o Ou seja, podem ser propostos novos meios de prova
o O juiz decide sobre a admissão daqueles novos meios de prova, e
para além disso também decide sobre os meios de prova que ele
próprio possa oficiosamente determinar
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o Mesmo que não haja audiência prévia, as partes podem alterar os
requerimentos probatórios no prazo de 10 dias (a contar do dia em
que receberam a notificação do despacho que identifica o objeto do
litígio e enuncia os temas da prova)  este direito que as partes
têm de fazer alterações no prazo de 10 dias, aponta no sentido de
que o direito de à alteração do requerimento probatório não
preclude quando se dispensa a audiência prévia.

 Apresentação do articulado superveniente relativo aos factos que ocorram


ou sejam conhecidos até ao termo da audiência prévia (art. 588º/3, al. a)

 Prestação de depoimento de parte (art. 456º/3)

 Com o fim da audiência prévia fica precludida a possibilidade de praticar aqueles


atos – art. 591º/2. Para além disso também há efeito preclusivo quanto a atos que
pela sua natureza se enquadram na fase dos articulados – a audiência prévia vem
completar esses atos, e no fim de determinada a audiência prévia deixa de ser
possível praticá-los.
 Exemplo: torna-se inadmissível a posterior apresentação, em articulado
complementar ou superveniente, de factos já ocorridos e conhecidos à
data da audiência.

 Despacho saneador
o O despacho saneador pode ser ditado para a ata da audiência prévia OU pode ser
proferido por escrito, quando a audiência prévia não se fez ou quando se fez audiência
prévia mas a complexidade das questões justifica a forma escrita.

o Este despacho tem dupla finalidade:


 Verificação da regularidade da instância  apurar o preenchimento dos
pressupostos processuais, apurar se há exceções dilatórias, apurar se há
nulidades
 Conhecimento imediato do mérito da causa  esta é uma função eventual

o Conhecimento das exceções dilatórias


 Quer quanto às exceções dilatórias como quanto às nulidades processuais, o juiz
deve conhecer as que tenham sido suscitadas pelas partes e também as que ele
próprio deve conhecer oficiosamente (para esse conhecimento oficioso o juiz tem
por base a matéria de facto que consta dos autos) – ver art. 595º/1, al. a)
 O CPC não impõe que seja referida no despacho saneador a ocorrência de todos
os pressupostos processuais e a inocorrência de todas as nulidades possíveis: o
CPC impõe apenas que sejam apreciadas as exceções dilatórias e a as nulidades
que concretamente se verificam ou que são de verificação duvidosa.
 Quando se verifica que ocorre uma exceção dilatória que não tenha sido sanada
ou não o possa de todo ser, o juiz profere a absolvição do réu da instância
 No entanto há situações em que há exceção dilatória não sanada mas o réu não é
absolvido da instância:
 Quando a lei determina a remessa do processo para outro tribunal – art.
278º/1+2
 Quando é possível o conhecimento do mérito antecipado nos termos do
art. 595º/1, al. b), e a decisão deva ser inteiramente favorável à parte que
o pressuposto pretendia proteger – art. 278º/3

o Conhecimento de nulidades processuais


 No despacho saneador o juiz deve conhecer as seguintes nulidades, se não se
tiver apercebido delas antes – art. 200º/1:

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As nulidades processuais decorrentes do não aperfeiçoamento de um
articulado irregular
o Quando se tratar de uma PI e houver uma nulidade total, há
nulidade de todo o processo
o Aplica-se nestes casos o tratamento que também se dá às exceções
dilatórias (tal como na ineptidão da PI, onde se aplica esse regime
também)
o Se não se tratar da PI mas sim de outro articulado, o juiz declara a
nulidade total ou parcial do articulado irregular.

O erro na forma de processo


o Exceto quando nada se aproveita do processado e por isso inclui-se
no art. 278º/1, al. b) e temos uma exceção dilatória.
o Se o erro na forma de processo não for conhecido no despacho
saneador, fica sanado.
o Ao conhecer o erro na forma do processo, o juiz anula os atos que
tenham de ser anulados + pratica ou manda praticar os atos que
são necessários para que o processo se aproxime da forma que a
lei exige + faz com que no futuro se siga a forma adequada  ver
art. 193º/1

Nulidades da contestação e dos atos subsequentes praticados pelo réu,


quando falte um pressuposto da sua parte  são os casos de:
o Falta de uma autorização ou deliberação que o réu devia ter obtido
o Falta de constituição de advogado por parte do réu, nos casos em
que a lei impõe essa obrigatoriedade
o Falta/insuficiência/irregularidade do mandato judicial respeitante ao
mandatário que assumiu a defesa do réu

Falta ou nulidade da citação (nos casos da 2ª parte do art. 191º/2)

Falta de exame ao MP como parte acessória (art. 194º)

o Conhecimento de mérito (parcial ou totalmente)


 Isto acontece quando não sejam precisas mais provas do que aquelas que já
foram adquiridas para que se possa dar uma resposta ao pedido ou parte do
pedido.

 Situações em que isso pode acontecer:


Inconcludência do pedido
o É a situação em que dos factos alegados pelo autor ou pelo
reconvinte não se pode retirar o efeito jurídico pretendido
o Nestas situações é inútil produzir prova sobre os factos alegados,
uma vez que eles nunca serão suficientes para que o pedido
proceda
o Nestas situações o réu é absolvido do pedido

Procedência da exceção perentória


o São as situações em que todos os factos em que se funda uma
exceção perentória estão provados, com força probatória plena
(confissão ou documento), o que significa que a exceção perentória
é procedente.
o Nestes casos o réu é absolvido do pedido

Improcedência da exceção perentória


o São as situações em que os factos nos quais se funda a exceção
perentória são inconcludentes ou então situações em que os factos
nos quais essa exceção se funda são contrariados por outros factos

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provados com força probatória plena, o que faz com que a exceção
perentória seja improcedente.
o Desta improcedência resulta que a ação só vai prosseguir para se
apurar os factos que integram a causa de pedir.

Procedência do pedido
o Isto acontece quando:
 Não há exceções perentórias ou
 Há exceções perentórias mas os factos em que elas se
fundam são inconcludentes ou
 Há exceções perentórias mas está provada, com força
probatória plena, a inocorrência de alguns desses factos (por
exemplo porque se provaram factos que lhe são contrários)
ou
 Todos os factos que integram a causa de pedir já estão
provados, com força probatória plena
o Nestes casos o réu é condenado no pedido

Improcedência do pedido
o Verifica-se numa de duas situações:
 Ou está provado com força probatória plena que não se
verificaram todos os factos que integram a causa de pedir
 Ou está provado com força probatória plena que não se
verificaram alguns dos factos que integram a causa de pedir
 neste caso há improcedência do pedido se verificarmos
que os que ficaram por provar nunca seriam suficientes para
a procedência do pedido, pelo se torna inútil fazer prova
relativamente a eles

o Nestes casos o réu é absolvido do pedido

 Uma situação semelhante àquela é a seguinte: o caso em que os factos


principais por provar só documentalmente podiam ser provados (por
imposição da lei ou das partes)  neste caso, se o documento não é
apresentado, os factos são considerados não provados e o juiz tem de
proferir uma decisão de absolvição da instância ou de
procedência/improcedência do pedido.

o Valor do despacho saneador


 A força do despacho saneador varia conforme o que nele se julgou:
 Quando nele se julgam questões processuais, a decisão é vinculativa
apenas no âmbito do processo – art. 620º. Isto significa que
posteriormente pode repetir-se uma ação com o mesmo objeto e entre as
mesmas partes.
 Quando nele se julgam questões de direito material, produz caso julgado
material (como a sentença final de mérito) – art. 619º e 621º. Isto significa
que, como acontece com a sentença, impede a repetição da causa e
impõe a sua autoridade nas causas relativamente às quais a primeira seja
prejudicial.

 Despacho do art. 596º


o Identificação do objeto do litígio e enumeração dos temas da prova
 A prova incide: sobre os factos concretos que o autor alegou como constitutivos
do seu direito, tal como plasmados nos articulados + sobre os factos probatórios
de onde se deduza, ou não, a ocorrência desses factos principais (factos
instrumentais – art. 5º/2, al. b) + sobre os factos acessórios que permitam ou
vedem esta dedução (factos instrumentais – art. 5º/2, al. b)
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 Os articulados continuam a realizar a sua função de meio de alegação dos factos
da causa. No que respeite a factos principais é essencial; no que respeite a factos
instrumentais é facultativo.
 A decisão de facto continua a incluir todos os factos relevantes para decisão da
causa, quer sejam os principais ou os instrumentais, trazidos pelas partes ou
pelos meios de prova produzidos – note-se que a verificação ou não verificação
dos factos intrumentais é o que determina a decisão do juiz de fazer ou não a
dedução quanto à existência dos factos principais.
 O tribunal aqui relata tido o que tenha sido provado quanto ao tema
controvertido, sem ter ainda qualquer preocupação quanto à distribuição do ónus
da prova (isto porque só na decisão de direito é que tem que se ter essa
preocupação)
 A distinção entre matéria de facto e matéria de direito esbate-se no despacho do
art. 596º, uma vez que nele pode enunciar-se os temas da prova usando
qualificações jurídicas.
 Quanto à identificação do objeto do litígio: consiste na enunciação dos pedidos
deduzidos (que constituem o objeto do processo) sobre os quais há controvérsia.

 Preparação das fases seguintes


o Na fase da condensação também se praticam atos preparatórios das fases seguintes,
para além dos atos próprios da fase de condensação.
o Os fins da audiência prévia que estão referidos na al. e) e g) do 591º/1, bem como a
faculdade de na audiência prévia se alterar o requerimento probatório, destinam-se a
preparar a prossecução de objetivos da fase de instrução e da subsequente fase de
discussão e julgamento.
o Por exemplo a admissão de provas constituendas + a determinação da realização de atos
a efetuar antes da audiência final têm lugar com o despacho de programação da
audiência final.

A instrução

 Noção de prova
o Fonte de prova e fator probatório
 A fonte de prova é uma pessoa ou uma coisa  são fontes de prova pessoal: as
partes e as testemunha
 Diferente é o caso em que uma pessoa é relevante em termos de prova mas não
devido ao conhecimento que tem dos factos: é relevante porque apresenta uma
cicatriz que é um indício natural dos factos, por exemplo.
 São fontes de prova real  os documentos e os monumentos (estes últimos são
coisas portadoras de indícios naturais do facto relevante)
 Desta análise é possível concluir que devemos distinguir entre fontes de prova
representativa e fontes de prova indiciária

 Objeto da prova
o A prova tem por objeto os factos pertinentes para o objeto do processo (excluem-se os
conceitos de direito)
o Os temas da prova constituem quadros de referência, dentro dos quais há que recorrer
aos factos alegados pelas partes.
o Em primeira linha são os factos principais que são objeto da prova; mas os factos
instrumentais também o são, se constituírem a via que deve ser seguida para atingir a
prova dos factos principais.

 Ónus da prova
o Articulação com o ónus da alegação
 Já vimos que o autor, o réu reconvinte e a pessoa contra quem foi proposta uma
açã de simples apreciação negativa, têm o ónus de alegação.
 Em princípio quem tem o ónus de alegar tem também o ónus de provar os factos
que são objeto do ónus de alegação. Há portanto uma coincidência entre o ónus

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de alegação. No entanto essa coincidência acaba quando a lei ou as partes
determinam a inversão do ónus da prova. Isso pode acontecer nas seguintes
situações:
 Devido a uma presunção legal (344º/1 do CC)  é uma ilação que a lei tira
de um facto conhecido para afirmar um facto desconhecido, que não tem
que ser provado, uma vez que basta que seja provado o facto que serve de
base à ilação. A presunção legal apela sempre a regras de experiência.
 Devido a uma dispensa ou liberação legal do ónus da prova (art. 344º/1 do
CC)  obtenção de um resultado probatório sem a apresentação de um
meio de prova ou qualquer atividade probatória – por exemplo o art. 68º/2
do CC
 Devido a uma dispensa ou liberação convencional do ónus da prova (art.
344º/1 + 345º/1 do CC)  quando as partes, no âmbito do direito
disponível, convencionam a inversão do ónus da prova; assim dispensam a
parte de outro modo estaria onerada.
 Devido a uma impossibilitação culposa da prova pela contraparte do
onerado (art. 344º/2 do CC)  por exemplo quando o condutor do
automóvel após a colisão destrói os indícios da sua culpa no acidente de
viação
 NOTA: em nenhum destes casos a inversão do ónus da prova dispensa do
ónus da alegação – mesmo quando há inversão do ónus da prova, o ónus
de alegação mantém-se.

o Alcance do ónus da prova


 Ter o ónus da prova não significa que se tem o exclusivo da prova
 A parte não onerada pode provar os factos que lhe são desfavoráveis – no fim de
provados, esses factos ficam definitivamente adquiridos no processo (art. 413º)
 Para além disso o juiz pode oficiosamente tomar iniciativas de prova (art. 411º)
 Ter o ónus da prova implica a conveniência de ter a iniciativa da prova, podendo
assim evitar a consequência desfavorável que a sua falta implicaria: não podem
ser tomados em consideração na decisão os factos que não foram provados – art.
414º

 Valor dos meios de prova


o Os vários meios de prova não têm valores idênticos
o Podemos distinguir entre:
 Prova pleníssima  é insuscetivel de ser destruída, ou seja, uma vez verificado
o facto que serve de base à presunção não é admissível prova de que o facto
presumido não se verificou, sem prejuízo de o primeiro poder ser atacado
mediante a demonstração de que afinal não ocorreu.
 Prova plena  aqui é admissível a demonstração, através de outros meios de
prova, de que o facto presumido não ocorreu. Há certos casos em que a lei exige
que se verifiquem outros requisitos legais (art. 347º do CC), que constituem uma
prova plena qualificada.
 Prova bastante  esta prova cede perante a simples dúvida que o julgador
tenha sobre a realidade do facto que ela em princípio prova, quando seja
confrontado com outros elementos de prova
 Prova de valor livre  há a possibilidade de o julgador, com base em regras de
experiência e confrontando todas as provas produzidas, formar um juízo sobre a
realidade do facto probando.

o Fora o caso da prova pleníssima (que é indestrutível), há dois modos de pôr em causa o
valor de uma prova:
 A prova plena só pode ser afastada mediante prova em contrário, ou seja, a prova
de que o facto presumido não se verificou ou de que se verificou outro facto que é
incompatível com ele – art. 347º do CC
 Para afastar a prova bastante e a prova livre, basta a contraprova, ou seja, basta
a oposição de um meio de prova que gere a dúvida no espírito do julgador – art.
346º do CC

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Prova documental
 Conceito de documentos
o Art. 362º do CC – documento é qualquer objeto elaborado pelo homem com o fim de
reproduzir ou representar uma pessoa, coisa ou facto.
o Esta definição abrange não só os documentos escritos mas também aqueles que não são
escritos
o O que distingue os documentos escritos é que eles contém uma declaração de ciência ou
uma declaração de vontade, e os outros documentos não incluem isso.

 Classificação de documentos
o Tradicionalmente os documentos que têm maior importância são os documentos escritos
o Fazem-se várias distinções:
 Documentos autênticos vs documentos particulares – art. 363º/1
 (dentro dos documentos particulares) Documentos assinados vs documentos não
assinados
o Dentro dos documentos não escritos incluem-se por exemplo as fotografias

 Documentos escritos
o Documentos autênticos
 Art. 363º/2 do CC – documentos escritos que provêm de oficial provido de fé
pública, dentro do círculo de atividades que lhe é atribuído ou de uma autoridade
pública que os exare, com as formalidades legais, nos limites da sua competência.
 O oficial público ou a autoridade pública têm de ser no caso concreto
competentes e não impedidos (art. 369º/1 do CC) – sem essas condições o
documento não é autêntico
 O documento também não é considerado autêntico se não for assinado pela
autoridade púbica ou pela oficial público.
 Estes requisitos de autenticidade presumem-se reunidos quando a assinatura do
documentador está notarialmente reconhecida – art. 370º/1 do CC  esta é uma
presunção ilidível, uma vez que pode ser posta em causa por prova de que o
autor aparente não é o autor real do documento ou de era o autor real mas não
tinha competência para o fazer. Nestes casos o documento passa a ver como
documento particular.
 Quando falta uma formalidade legal que não seja a assinatura, o documento
continua a ser autêntico mas a sua força probatória fica afetada: o documento
deixa de ter força probatória plena e passa a estar sujeito à livre apreciação do
julgador – art. 366º do CC
 O documento autêntico faz prova plena dos factos que nele são referidos como
praticados pela autoridade ou oficial público documentador. Também faz prova
plena dos factos que nele são atestados como objeto da perceção direta de quem
elaborou o documento. No entanto não faz prova plena dos factos que constituem
objeto de declarações de ciência que tenham sido produzidas perante a
autoridade/oficial; nem faz prova plena de declarações que constem de
documentos que tenham sido apresentados à autoridade/oficial – art. 371º/1 do
CC
 O julgador pode determinar livremente a exclusão ou redução da força probatória
do documento que apresente vícios externos, vícios esses para os quais a lei
especial não determine a consequência de nulidade.
 No entanto a força probatória plena do documento autêntico só pode ser ilidida
mediante a arguição e a prova de falsidade – art. 372º/1 do CC
 Quando é que o documento autêntico é falso (art. 372º/2)?
o Quando o documentador não praticou um facto que atesta ter
praticado
o Quando não se verificou um facto que o documentador atesta ter
sido objeto da sua perceção
o Quando a declaração que consta do documento autêntico como
feita pelo autor x não teve lugar na realidade

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 Para sabermos se há falsidade é irrelevante se essa falsidade se deveu a
dolo do documentador, a erro da sua perceção ou a uma alteração
posterior ao momento da documentação  há falsidade e a causa dessa
falsidade não é relevante
 A parte contrária pode arguir a falsidade no prazo de 10 dias – art. 446/1º.
Se apenas tiver conhecimento da falsidade em momento posterior, pode
argui-la no prazo de 10 dias a contar desse conhecimento – art. 446º/2
 Art. 372º/2 do CC – o tribunal pode oficiosamente declarar falso o
documento, quando a falsidade é evidente face aos seus sinais exteriores
 por exemplo quando é manifesto que houve alteração do documento

o Documentos particulares
 São os documentos escritos que não reúnam os requisitos de origem respeitantes
aos documentos autênticos – art. 363º/2 do CC
 Ao contrário do que acontece com os documentos autênticos, nos quais vigora a
presunção de autenticidade, a genuinidade do documento particular tem de ser
provada.
 Um documento particular é genuíno quando há coincidência entre o autor real e o
autor aparente
 A prova da autoridade do documento pode ser estabelecida por reconhecimento
presencial da assinatura  o ato de reconhecimento presencial constitui um
documento autêntico, que é aposto ao documento particular. Nestes casos o
notário atesta que a assinatura é produzida na sua presença. Assim prova-se
plenamente a autoria daquele documento.
 Quando se estabelece a veracidade, o documento particular faz prova plena das
declarações atribuídas ao seu autor, ou seja, fica provado o conteúdo do
documento mas apenas no que toca a declarações de ciência ou de vontade. Não
ficam provados os factos que o documento diga que o subscritor praticou – art.
376º/1 do CC

 Casos em que pode pôr-se em causa este meio de prova:


 Quando haja alteração do documento – o conteúdo do documento à
data da apresentação já não é igual ao conteúdo inicial, ocorrendo uma
falsidade material.
 Quando houve preenchimento abusivo de documento assinado em
branco (art. 378º do CC)
 Quando o signatário não soubesse ler ou não pudesse ler na data
da subscrição (art. 373º/3 do CC)  passa a ser um meio de prova
sujeito à livre apreciação do julgador – art. 366º do CC

o Documentos eletrónicos  são equiparados aos documentos particulares se o seu


conteúdo for suscetivel de ser apresentado como declaração escrita.

 Documentos não escritos (art. 368º do CC)


o Fazem prova plena dos factos e das coisas que representam, se a parte contra quem os
documentos são apresentados não impugnar a sua exactidão.
o Uma vez apresentados estes documentos, a impugnação que a parte contrária pode
fazer é uma impugnação da exatidão, e não uma impugnação da autoria  à lei não
interessa a autoria do documento, mas apenas a correspondência entre a realidade e o
que o documento contém
o A força probatória do documento não escrito está inteiramente dependente da não
impugnação da sua veracidade
o A contraparte tem o ónus de impugnação e o seu silêncio tem o valor probatório próprio
da admissão: fica provado que o documento apresentado é exato, o que significa que
fica provado que o facto reproduzido existia tal e qual no momento da repredução.

 Proposição e admissão da prova documental


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o Os documentos destinados a provar os factos principais ou os factos instrumentais
devem ser apresentados com o articulado em que sejam alegados os factos
correspondentes – art. 423º/1
o As partes continuam a poder apresentar os documentos que provem os factos principais
ou os factos instrumentais, até 20 dias antes da data em que se realiza a audiência final
– art. 423º/2
o Depois disso e até se encerrar a discussão em 1ª instância, são ainda admitidos os
documentos cuja apresentação não tenha sido possível até àquele momento, assim
como são admitidos os documentos que provem factos posteriores – art. 423º/3
o Por iniciativa oficiosa (art. 436º) ou mediante requerimento de parte (art. 429º + 432º), o
tribunal deve ordenar que as partes ou terceiros sejam notificados para juntar ao
processo documentos com interesse para a decisão da causa. Há aqui a possibilidade de
usar meios coercitivos e também se pode apreender documentos (ver art. 433º).
Ressalvam-se os casos de recusa legítima que o art. 417º/3 refere.

Prova testemunhal
 Admissibilidade deste meio de prova
o Testemunha = fonte de prova pessoal representativa
o A testemunha pode não ser estranha à relação jurídica material ou aos interesses que se
discutem no processo mas é terceira face à relação jurídica processual  isto faz com
que nenhuma das partes possa ser testemunha, nem os seus representantes legais (ver
452º + 453º). Às partes e aos seus representantes legais está reservado o depoimento
de parte; o depoimento de parte também se admite quanto ao juiz que não esteja
impedido (art. 115º/1, al. h + 499º/1).
o Em princípio qualquer terceiro pode depor como testemunha (ver art. 392º do CC), desde
que não esteja interdito por anomalia psíquica e desde que tenha capacidade natural
(física e mental) para depor sobre o objeto da prova – art. 495º/1

o No entanto há factos sobre os quais não se admite depoimento testemunhal:


 Quando a lei ou as partes estipularam a exigência de um determinado meio de
prova (como consequência dessa exigência, deixa de ser admissível o uso de
depoimento testemunhal)
 Exemplo: as declarações negociais que devem revestir a forma escrita não
podem ser objeto de prova por testemunhas. No entanto admite-se o uso
da prova testemunhal para provar o facto material da declaração, ou para
interpretar o negócio jurídico, por exemplo.

 Quando um facto podia ser provado através de um meio sujeito à livre apreciação
do julgador, mas já está plenamente provado através de
documento/confissão/admissão (art. 393º/2 do CC)  consequentemente, nestes
casos deixa de ser admissível o uso de prova testemunhal, a não ser que a lei
admita ilidir a força daquele meio de prova que provou plenamente os factos.

 Quando há um documento autêntico ou particular, não se admite a prova


testemunhal relativa a convenções que sejam contrárias ou adicionais ao
conteúdo daquele documento (ver art. 394º/1 do CC)

 A prova testemunhal também não é admitida para provar:


 O cumprimento
 A remissão
 A novação
 Da compensação
 De contrato extintivo da relação obrigacional, de modo geral

 Direito de escusa
o Art. 417º/1: a testemunha tem o dever de prestar depoimento, salvo nos casos indicados
no art. 497º/1 e no caso previsto no at. 497º/3
 497º/1  aqui a testemunha tem a possibilidade de se recusar a depor

37
 A testemunha pode recusar-se a depor quando entre ela e uma das partes
haja uma relação de parentesco ou afinidade na linha reta, uma relação de
casamento ou uma relação de união de facto

 497º/3  aqui a testemunha tem o dever de não depor sobre determinados factos
(dever de sigilo, que em certas circunstâncias pode ser dispensado ou pode
cessar)

 Valor probatório
o A prova testemunhal não constitui meio de prova representativa tão fidedigno como o
documento
o O depoimento testemunhal está sujeito à livre apreciação do julgador (art. 396º do CC) 
o juiz vai valorar o depoimento tendo em conta todos os factos que abonam ou abalam a
credibilidade do depoimento, e também fazendo um confronto entre o depoimento e
todas as provas produzidas.
 NOTA: quando se fala em factos que abalam a credibilidade do depoimento, pode
tratar-se de factos que afetam a razão de ciência que a testemunha invoca ou de
factos que diminuem a fé que a testemunha merece.

o Os advogados das partes:


 Interrogam a testemunha
 Instam a testemunha
 Depois da produção da prova, pronunciam-se sobre o resultado do depoimento da
testemunha – art. 604º/3, al. e)

 Quando acaba o interrogatório, podem deduzir os incidentes de acareação e de


contradita
 Acareação: esta também pode ser feita oficiosamente; aqui faz-se o
confronto entre uma testemunha e a outra ou entre a testemunha e a
parte que depôs; isto serve para resolver contradições que verifiquem
entre os depoimentos (art. 523º + 524º)

 Contradita: aqui há alegação de circunstâncias que possam afetar a razão


de ciência que foi invocada, ou a fé que a testemunha merece – ver art.
521º e 522º

o Procedimento probatório
 Proposição e admissão
 Costuma entender-se que são as partes que devem ter iniciativa da prova
testemunhal, mas temos que conjugar essa ideia com o art. 526º, que dá
um poder-dever ao juiz nesse sentido.
 Fora daquela margem de iniciativa oficiosa, são as partes que têm a
iniciativa de propor a prova testemunhal, fazendo-o nos termos gerais.
 Há possibilidade de aditar ou alterar o rol nos termos do art. 598º/2;
também se pode desistir a qualquer altura de inquirir a testemunha, nos
termos do art. 498º/2; também se pode substituir as testemunhas, nos
termos do art. 508º/3.
 Em o não é preciso indicar logo quais são os factos sobre os quais as
testemunhas vão depor; no entanto, há casos em que isso é exigido:
o Quando a testemunha reside no estrangeiro e o consulado/tribunal
da sua área de residência não tenha meios para a inquirir por
teleconferência – art. 500º/al. b) + 502º/4
o Quando é proposto o testemunho de alguma das entidades
constantes do art. 503º/1, uma vez que essas pessoas gozam do
privilégio de ser inquiridas na sua residência ou na sede dos
respetivos serviços ou então por escrito
o Quando é proposto o testemunho de alguma das entidades
constantes do art. 503º/2, uma vez que essas entidades têm o
privilégio de depor primeiro por escrito

38
o Quando haja lugar à antecipação do testemunho, nos termos do
art. 419º - ver art. 420º/1

 Quando é proposta a prova testemunhal, o juiz decide sobre a sua


admissão
 O juiz determina o local e a forma como vai ser prestado o depoimento, se
esse depoimento não dever ter lugar na audiência final (como acontece
em regra)  quando é que o depoimento não deve ser feito na audiência
final?
o Quando ocorre algum dos casos das al. a) a c) do art. 500º
o Quando a testemunha está impossibilitada de comparecer no
tribunal – art. 500º/al. d)

 Produção da prova testemunhal


 Art. 251º/1+2: as testemunhas são notificadas pela secretaria para depor,
a não ser que a parte se comprometa a apresentá-las.
 No fim de prestar juramento e de se fazer o interrogatório preliminar do
art. 513º, a testemunha é interrogada pelo mandatário da parte que a
ofereceu. A seguir a testemunha pode ser sujeita a perguntas feitas pelo
advogado da outra parte. No final o juiz pode interrogá-la como melhor
entender para apurar a verdade – art. 516º/4
 A seguir podem verificar-se os incidentes probatórios de contradita e de
acareação
 Em princípio o depoimento da testemunha é oral, garantindo a imediação.
 No entanto, o depoimento testemunhal nem sempre é presencial – ver art.
502º/1+3+4
 Situações em que o depoimento testemunhal é feito por escrito:
o Quando se trata de algumas das entidades do art. 503º, que opte
por essa forma de prestar depoimento
o Quando se verifique impossibilidade ou dificuldade grave de
comparência da testemunha no tribunal – para isto tem de haver
acordo das partes e o juiz tem de autorizar. Ver art. 518º/4
o Art. 517º: quando as partes acordem na prestação do depoimento
no domicílio profissional de um dos mandatários, ficando o
depoimento a constar em ata.

 Há ainda a possibilidade de o juiz determinar que sejam prestados


esclarecimentos por telefone ou outro meio de comunicação direta com o
tribunal, quando ocorrer uma impossibilidade ou uma grave dificuldade de
comparecer em tribunal.

Prova pericial
 Art. 388º do CC – quando há carência da intervenção de um perito que auxilie o tribunal com os
seus conhecimentos especializados.
 A prova pericial pode visar:
o A perceção indiciária de factos por inspeção de…
 … Pessoas vs coisas
 … Móveis vs imóveis
o A determinação do valor de coisas ou e direitos
o A revelação do conteúdo de documentos
o Reconhecimento de assinatura ou autenticidade do documento

 O perito
o Sempre que seja possível, a perícia é feita por estabelecimento/laboratório/serviço oficial
apropriado e quando assim não seja deve ser feita por um único perito que o juiz nomeia
– art.467º/1
o Também se pode escolher um perito em função do acordo entre as partes, desde que não
haja razão para duvidar da sua idoneidade e da sua competência – art. 467º/2
39
o Deve ser feita por um colégio de 2 ou 3 peritos nas seguintes situações:
 Quando foi uma das partes que pediu perícia, deve escolher-se um colégio de 2
ou 3 peritos quando alguma das partes requerer que assim seja – art. 468º/1, al.
b)
 Também pode haver necessidade de ser feita por 2 ou 3 peritos quando o juiz
determine oficiosamente que assim deve ser, por causa da complexidade da
perícia ou por causa de ser preciso conhecer matérias distintas – art. 468º/1, al. a)

o Aplica-se aos peritos o regime de impedimentos e de suspeições que vigora para os


juízes – art. 470º/1. Para além disso há causas de dispensa do exercício da função de
perito – art. 470º/2
 NOTA: quando se verifique uma causa de impedimento, de suspeição ou de
dispensa, o próprio perito e as partes pode invocar essa causa nos prazos do art.
471º/1 e 2.
 NOTA 1: oficiosamente o juiz deve conhecer essa causa até à realização da
diligência – art. 471º/1

o Quando se afasta um perito por alguma daquelas razões ou por causa de ele ser
negligente no desempenho do cargo, há uma nova nomeação (ver art. 469º/2)  em
princípio a nova nomeação é feita pelo juiz, a não ser que o afastamento do perito se
tenha devido a uma causa superveniente que não seja imputável ao perito nem à parte
que o designou – ver art. 472º

 Procedimento probatório
o Proposição e admissão
 Quem é que pode propor a prova pericial? A prova pericial pode ser oficiosamente
ordenada pelo juiz ou então pode ser requerida por qualquer das partes – art.
467º/1
 Quando é que se propõe a prova pericial? No momento processual de proposição
de prova.
 Nas situações em que é o juiz a ordenar a prova pericial, refere quais são as
questões de facto que vai constituir o objeto dessa perícia. No entanto, as partes
podem depois sugerir um alargamento a outra matéria – art. 477º
 Nas situações em que é uma das partes a requerer a perícia, ela indica as
questões de facto que pretende que sejam esclarecidas – art. 475º/1.
A parte contrária é ouvida e pode aderir ao objeto que foi proposto ou pode propor
a sua ampliação/restrição – art. 476º/1
 Depois há um despacho que ordena a realização da diligência. Nesse despacho o
juiz:
 Determina o objeto
 Indefere as questões que as partes propuseram e que ele considere serem
inadmissíveis ou irrelevantes
 Adita outras questões que considere necessárias – art. 476º/2
 Nomeia o terceiro perito – art. 468º/2
 Designa a data e o local para o começo da diligência ou o prazo na qual
tem de ser efetuada – art. 478º/1

 O objeto da perícia recorta-se sempre no âmbito dos factos que as partes


alegaram – art. 475º/2 (que se aplica também à perícia que seja oficiosamente
ordenada)

o Produção da prova pericial


 O juiz e as partes podem assistir às inspeções e às diligências e podem fazer
observações; quando o juiz está presente pode requerer-se o que se entenda
necessário em relação ao objeto da diligência – art. 480º/2+4

 Alguns poderes dos peritos (art. 480º/4, 481º/1 e 482º):


 Requerer que o juiz ordene a realização de diligências e a prestação de
esclarecimentos

40
 Solicitar diretamente esclarecimentos às partes que estejam presentes
 Aceder a quaisquer elementos constantes do processo

 Os peritos elaboram um relatório (que é notificado às partes), onde se


pronunciam sobre o objeto da perícia. O juiz pode determinar, oficiosamente ou
sob reclamação das partes, que os peritos prestem esclarecimentos e
aditamentos, devido a deficiência/obscuridade/contradição/falta de
fundamentação – art. 485º/2+4
 No prazo de 10 dias as partes podem também pedir uma segunda perícia, desde
que aleguem fundamentadamente as razões pelas quais discordam do resultado
da primeira perícia – art. 487º/1
 O juiz também pode ordenar oficiosamente, a qualquer altura, uma segunda
perícia – art. 487º/2
 Art. 487º/3 – a segunda perícia vai ter por objeto a averiguação dos mesmos
factos sobre os quais a primeira perícia incidiu.
 A parte que requereu a perícia não pode desistir dela sem que a outra parte
concorde com essa desistência – art. 474º
 Art. 486º - quando se considere que é necessário, o juiz pode ordenar e alguma
das partes pode requerer que os peritos estejam presentes na audiência final.

o Valor probatório da prova pericial


 A prova pericial é sempre livremente apreciada pelo tribunal – art. 389º do CC
 Não tem de haver qualquer prevalência dos resultados da segunda perícia sobre
os resultados da primeira  os resultados de ambas são valorados segundo a
livre convicção do julgador – art. 489º

Inspeção judicial
 Art. 390º - tem por fim a perceção direta de factos pelo tribunal
 Nas inspeções judiciais o que acontece é que o tribunal (por sua iniciativa ou a requerimento
das partes) confronta-se com fontes de prova indiciária, sempre que julgue que isso é
conveniente
 Quando se trata de coisas móveis facilmente deslocáveis ou de pessoas que possam deslocar-
se, a inspeção é feita no tribunal (sempre que possível, deve ser feita na audiência final).
 Se não houver essa possibilidade, inclusivamente quando se trate de imóveis, o tribunal pode
deslocar-se ao local onde a fonte de prova se encontra – art. 490º/1
 As partes são notificadas para estar presentes no ato de inspeção judicial, podendo decidir fazê-
lo. Nessa altura devem prestar ao tribunal os esclarecimentos dos quais ele careça. Para além
disso, quando presentes no ato de inspeção judicial, as partes podem fazer as observações que
sejam de interesse para a finalidade da diligência – art. 491º

 Limites à inspeção judicial:


o A ressalva da intimidade da vida privada e familiar (art. 490º/1)
o A ressalva da dignidade humana (art. 490º/1)
o O sigilo profissional, de funcionário público ou de Estado (por aplicação analógica do art.
417º/3, al. c)
o O resultado da inspeção está sujeito à livre apreciação do julgador – art. 391º do CC
o A inspeção judicial é insuscetível de produzir efeito extraprocessual: fica circunscrito ao
processo a sua relevância e eficácia

 Inspeção não judicial qualificada


o Quando é legalmente admissível fazer uma inspeção judicial mas o juiz entende que não
se justifica fazê-la pessoalmente, pode incumbir dessa função um técnico ou uma pessoa
qualificada.
o A isto aplica-se subsidiariamente o regime da inspeção judicial – art. 494º
o Na verdade trata-se de uma perícia que é oficiosamente ordenada – no entanto não há
aqui possibilidade de as partes alargarem o objeto da perícia nem podem fazer
reclamações quanto ao relatório apresentado.

41
o Se se tratasse de uma pessoa com poderes de atestação, haveria como que uma
inspeção não judicial qualificada e o relatório iria constituir documento autêntico. No
entanto isso não existe porque encaixa-se noutro conceito: o do art. 494º/2 – prova
documental.

Discussão
 Audiência final
o A fase da instrução termina na audiência final, cuja data fica designada na audiência
prévia (art. 591º/1, al. g) ou num despacho proferido nos termos do art. 593º/2, al. d)
o Em qualquer caso quando se marca a data da audiência final tem-se em conta a duração
provável das diligências de prova a efetuar antes da audiência final
o Sempre que o objeto do processo esteja no âmbito do direito disponível, na audiência
final faz-se uma tentativa de conciliação (art. 604º/2)

o Art. 604º/3 – têm lugar na audiência final:


 Depoimentos de parte
 Exibição de documentos não escritos
 Esclarecimentos dos peritos para complementar a prova pericial
 Inquirição de testemunhas

o Quando termina a produção da prova, começa a fase da discussão da causa – art. 604º/3,
al. e)
o Na audiência final reúnem-se o tribunal, as partes e também os intervenientes acidentais
que sejam necessários para produzir prova e para ajudar tecnicamente o tribunal e as
partes. Todos estes intervenientes vão realizar atos conducentes ao apuramento da
prova da matéria de facto, respeitando a imediação, a oralidade, a concentração e a
contraditoriedade.
o Na audiência final as partes discutem a matéria de direito da causa.

o O tribunal
 A audiência final decorre sempre perante juiz singular, haja ou não prova a
produzir – art. 599º
 Para saber qual o juiz singular competente há que ver a lei de organização
judiciária
 A audiência é sempre gravada – art. 155º/1

o Factos a apurar na audiência


 No CPC de 1961 a base instrutória que tinha sido elaborada na fase da
condensação podia ser ampliada na audiência final:
 Primeira via (dedução)
o Dedução de um articulado superveniente
o Dedução de um incidente de liquidação
o Dedução de uma exceção probatória relativa a um documento
apresentado na audiência

 Segunda via (iniciativa oficiosa)


o A) O juiz que preside à audiência final podia ter esta iniciativa
oficiosa, desde que se limitasse aos factos principais alegados nos
articulados das partes. O juiz podia decidir que deviam ser objeto
de prova determinados factos principais que foram alegados pelas
partes mas não passaram para a base instrutória. Para além disso o
juiz também podia decidir que certos factos instrumentais deviam
ser incluídos na base instrutória, para ser produzida prova sobre
eles.
A – 1)  O juiz tinha ainda outro poder: se durante uma diligência
de prova em audiência se referisse que se verificava um facto
principal que as partes não tinham alegado nos articulados (facto
esse que vinha completar factos que as partes já tinham alegado),
o juiz devia convidar a parte a quem o facto aproveitasse a alegá-
lo.
42
o B) Na sequência da instrução da causa podia tomar-se esta
iniciativa oficiosa, nos termos daquele que atualmente é o art. 5º/2,
al. b)

 Quadro atual:
 Primeira via  situações daquelas podem atualmente levar ao aditamento
dos temas da prova, o que acontece provavelmente quando se trata de um
articulado superveniente. Faz-se este aditamento quando os temas da
prova que já tinham sido enunciados não permitem abarcar os novos
factos alegados.

 Segunda via
o A) isto agora é desnecessário porque agora a prova incide sobre os
factos alegados pelas partes e esses factos não têm de ser
reproduzidos num elenco de factos a provar (esse elenco nem
existe no nosso sistema).
o A – 1)  este regime mantém-se. Exige-se que a parte a quem os
factos aproveitem os introduza como matéria da causa,
manifestando a vontade de se aproveitar desses factos –
concretização do princípio do dispositivo

o Procedimento da audiência final


 O novo CPC só permite que haja adiamento da audiência com 3 fundamentos:
 Impedimento do tribunal
 Falta de advogado (mas só quando o juiz não tinha feito a marcação da
audiência com prévio acordo dos advogados)
 Justo impedimento – evento não imputável à parte nem aos seus
representantes ou mandatários, que impeça a presença de uma pessoa
que tenha sido convocada (art. 140º)

 Situações de justo impedimento


 A apresentação de documento que não tenha sido possível apresentar até
20 dias antes da data da audiência final ou então a apresentação de
documento que se tenha tornado necessário em virtude de uma ocorrência
posterior, quando esse documento faça o tribunal considerar que o
prosseguimento da audiência é gravemente inconveniente – art- 424º
 A falta de advogado: quando o advogado, por motivos imprevistos (art.
151º/5) fica impedido de comparecer na audiência final. Isto só se aplica
quando a data da audiência tenha sido marcada nos termos do art. 151º/1,
2 ou 3 e quando o advogado prove a ocorrência daquele motivo que o
impediu de comparecer.
 NOTA: situações que não constituem justo impedimento
o Por exemplo a falta de pessoa convocada determina apenas o
adiamento dos atos de produção de prova em que essa pessoa
deva intervir, realizando-se os outros atos de produção de prova

 Em qualquer estado da causa pode haver acordo das partes para suspender a
instância. Suspensão essa que pode durar até 3 meses mas, quando já foi
marcada a data da audiência final, dessa suspensão não pode resultar o
adiamento dessa data – ver art. 272º/4.
 Quando se realiza a audiência, nela têm lugar os seguintes atos:
 Tentativa de reconciliação – art. 604º/2
 Atos de instrução a ter lugar na audiência final – art. 604º/3, al. a) até d)
 Discussão sobre a matéria da causa, de facto e de direito – art. 604º/3, al.
e + 604º/5+6

o Discussão

43
 O início dos debates pressupõe que houve uma prévia produção de todas as
provas constituendas e que houve a apresentação de todas as provas
preconstituídas cuja manifestação probatória não é imediata (por exemplo os
documentos não escritos)
 Apenas os documentos e os monumentos móveis que possam ser depositados na
secretaria do tribunal (art. 416º/1) é que podem ser ainda apresentados até ao
encerramento dos debates, quando não tenha sido possível a sua apresentação
até 20 dias antes da data em que se realize a audiência final.
 Na parte das alegações que é relativa à matéria de facto, os advogados fazem a
análise crítica da prova produzida e assim concluem sobre os factos que acham
que devem ser dados como provados e os que não devem ser dados como
provados.
 Depois, na mesma alegação, os advogados expressam a sua perspetiva acerca
das normas jurídicas aplicáveis ao caso, a sua interpretação e a subsunção dos
factos que ele considerou provados
 Na parte da alegação de direito, os advogados não estão condicionados pela
fundamentação jurídica que invocaram nos articulados.
 Concluídos os debates, a audiência é encerrada e o processo é concluso ao juiz.
Se este entender que há ainda que esclarecer algum ponto da matéria de facto,
pode ordenar a reabertura da audiência: aquando da reabertura da audiência,
pode complementar-se os meios de prova já produzidos e também pode produzir-
se novos meios de prova – art. 607º/1

 Sentença
o Conteúdo da sentença
 Julgamento da matéria de facto
 No novo CPC a sentença engloba não só a decisão de Direito mas também
a decisão de facto.
 Decisão de facto – entre todos os factos alegados pelas partes e os factos
instrumentais relevantes, o tribunal declara quais os factos que julga
provados e quais os factos que julga não provados, de acordo com a
convicção que formou.
 O juiz adquire a sua convicção através do confronto entre os vários meios
de prova que estão sujeitos à livre apreciação do julgador. A convicção do
juiz tem de ser fundamentada: o tribunal faz a análise crítica das provas e
depois especifica as razões que o levaram à decisão tomada relativamente
aos factos – art. 607º/4 + 5
o Por exemplo: o juiz deve explicar porque é que acreditou em
determinada testemunha e não noutra ou porque é que, apesar de
haver vários depoimentos produzidos sobre certo facto, não se
convenceu de que ele se tivesse realmente verificado.
o Análise crítica do juiz: o juiz vai para além do significado das
palavras – analisa o modo como a pessoa depôs, as suas reações,
as suas hesitações e o seu comportamento de um modo geral
durante o depoimento.
o A fundamentação que se exige que o juiz faça, tem uma dupla
função: facilitar o reexame da causa pelo tribunal superior +
reforçar o autocontrolo do julgador (porque faz com que ele tenha
que confrontar melhor os vários elementos de prova e não se deixe
levar pela sua intuição ou por impressões que tenha tido na
audiência).
o A fundamentação que o juiz tem de fazer é fundamental para
assegurar a transparência da justiça.
 O juiz deve considerar na sentença: os factos sujeitos à sua livre
apreciação + os factos com valor probatório estabelecido por lei (prova
pleníssima, plena e bastante)
o Nota: quando considera estes últimos não está a analisar a
convicção que aquele meio de prova criou, porque isso não
interessa, mas está a verificar se existiram os factos em que se
baseia aquela presunção legal que está subjacente àquele facto.

44
 Julgamento de Direito
 A aplicação do Direito pressupõe o apuramento de todos os factos da
causa que sejam relevantes para o preenchimento das respetivas
previsões normativas (sejam elas normas processuais ou de direito
material).
 A esses factos assentes o juiz aplica o direito, sem estar sujeito ao que as
partes alegaram sobre isso – art. 5º/3, mas com respeito pelo art. 3º/3
(proibição das decisões-surpresa).
 Em princípio já se verificaram os pressupostos processuais no despacho
saneador (art. 595º/1, al. a) mas isso pode ter sido relegado para a
decisão final, por causa de antes não se ter apurado os elementos de facto
necessários para tal – art. 595º/4
 As exceções dilatórias que sejam de conhecimento oficioso podem ser
arguidas pelas partes ou oficiosamente suscitadas pelo tribunal a todo o
tempo, salvo nos casos em que a lei determine para tal um momento-
limite (p. ex. 97º/2 e 200º/2)  então: art. 608º/1 – a sentença final deve
começar pelo conhecimento das questões processuais que possam
conduzir à absolvição da instância.
 Quando o juiz conclui que não há lugar a absolvição da instância, segue
para a apreciação do mérito da causa
o Aqui o juiz vai responder aos pedidos deduzidos pelo autor e pelo
réu reconvinte  deve considerá-los a todos, menos os que
dependam da solução dada a outro e essa solução os prejudique.
o O juiz vai fazer o mesmo para com as causas de pedir. Quando
sejam mais uma, invocadas em relação de subsidiariedade, o juiz
funde o pedido.
o Em relação às exceções perentórias que o réu ou o autor
reconvindo deduziu o juiz segue o mesmo procedimento
o Em relação às exceções perentórias das quais deva ter
conhecimento oficioso, faz o mesmo. – art. 608º/2

 Quando se diz “resolver todas as questões que as partes tenham


submetido à sua apreciação” não significa que o juiz tenha de considerar
todos os argumentos que à partida sejam plausíveis e que as partes
tenham deduzido.
o Através da prova fez-se a triagem entre as soluções que deixaram
de poder ser consideradas e aquelas sobre as quais a discussão
jurídica vai incidir.
o Para além disso o juiz não está sujeito às alegações das partes
quanto à indagação, interpretação e aplicação das normas jurídicas
– art. 5º/3. Assim o juiz tome uma orientação de forma motivada, as
restantes orientações que as partes tinham defendido não têm de
ser analisadas separadamente.
o NO ENTANTO a boa fundamentação da decisão obriga a afastar os
argumentos contrários que as partes tenham deduzido com
seriedade.

 O juiz está limitado pelos pedidos das partes, pelo que na sentença não
pode extravasar desses pedidos: a decisão não pode pronunciar-se sobre
mais do que o que foi pedido nem pode pronunciar-se sobre coisa diversa
daquela que foi pedida – art. 609º/1  o objeto da sentença coincide com
o objeto do processo: o juiz não pode ficar aquém nem ir além do que lhe
foi pedido.
 Porém pode acontecer que os factos provados conduzam à condenação do
réu mas não permitam concretizar inteiramente a prestação devida 
nestes casos o art. 609º/2 impõe a condenação genérica, ou seja, o
tribunal condena o réu no que se vier a liquidar, sem prejuízo de
condenação parcial na parte já liquidada e provada.
 É igualmente admitida, quando a obrigação ainda não esteja vencida, a
condenação do réu in futurum: condenação a cumprir na data do
vencimento – art. 610º/1
45
 Não é tão fácil sustentar que a lei admita a figura da condenação
condicional: condenação em que o direito reconhecido fica dependente da
verificação de determinada condição ainda não ocorrida à data do
encerramento da discussão de facto.

 Estrutura da sentença
 A sentença compõe-se de 3 partes: relatório, fundamentação e decisão
o Relatório  o juiz identifica as partes e enuncia os pedidos
deduzidos, assim como as questões relativas à causa de pedir e às
exceções (as suscitadas pelas partes + as que o tribunal conhece
oficiosamente) – art. 607º/2
o Fundamentação  o juiz discrimina os factos que considera
estarem provados; determina as normas que considera aplicáveis,
intepreta-as e aplica-as (art. 607º/3), em obediência ao imperativo
do art. 205º/1 da CRP.
o Decisão  o juiz, consoante os casos, absolve o réu da instancia ou
responde ao pedido deduzido pelo autor, nele condenando o réu ou
dele o absolvendo – art. 607º/3

 Acessoriamente a sentença condena nas custas do processo a parte que


lhe tenha dado causa – art. 527º/1 + 607º/6  em princípio essa parte é a
parte vencida, mas por vezes cabe ao réu pagar as custas. Cabe ao autor
pagá-la, por exemplo, também quando a instância se extingue por
impossibilidade ou inutilidade da lide, desde que não resulte de um facto
imputável ao réu – art. 277º/al. e)
 Art. 536º - quando a atuação da parte seja inicialmente fundada, mas
passe a ser infundada por causa de circunstâncias supervenientes que não
lhe sejam imputáveis, as custas são repartidas por autor e réu em partes
iguais.
 Acessoriamente a sentença condena, se for caso disso, a parte que tenha
litigado de má fé em multa e indemnização.
 Como qualquer outra decisão judicial, a sentença é notificada às partes,
por iniciativa oficiosa da secretaria – art. 220º/1  note-se que revelia não
obsta a que seja feita esta notificação, desde que o domicílio do réu seja
conhecido (art. 249º/5)

 Vícios da sentença
 A sentença pode apresentar vícios que geram nulidade; também pode
apresentar vícios de conteúdo, que podem gerar anulabilidade ou injustiça
do caso.
 Há casos que não constituem vícios específicos da sentença:
o As invalidades decorrentes da prolação da sentença num momento
processual inadequado
o A prolação da sentença fora do processo
o Os casos em que a sentença é ineficaz por circunstâncias
extrínsecas ao ato mas preenche os requisitos do respetivo tipo
legal – exemplos:
 A sentença proferida contra pessoa inexistente ou incapaz,
cuja falta de personalidade ou incapacidade não tenha sido
verificada no processo
 A sentença proferida sem intervenção nem chamamento de
um litisconsórcio necessário, sem que a sua falta fosse
manifesta
 A sentença proferida contra pessoa com imunidade
diplomática, sem que a falta de jurisdição do tribunal
português tenha sido declarada
 A sentença proferida sobre objeto já coberto por caso
julgado que não tenha sido excecionado ou reconhecido no
processo

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 As sentenças destinadas a atuar numa relação jurídica
inexistente  exemplo: sentença de divórcio quando não há
casamento

 Nulidades da sentença
 Há casos que geram a nulidade da sentença e impedem a produção dos
seus efeitos, mesmo que as partes não invoquem esse vício:
o A falta absoluta de poder jurisdicional de quem profere a sentença
o A falta ou ininteligibilidade da parte decisória da sentença (art.
615º/1, al. c), como conteúdo mínimo essencial da sentença
o A falta de assinatura do juiz (que é um requisito de forma essencial)
– esta insanabilidade só se harmoniza com a sua aposição ulterior
pelo juiz que a proferiu – art. 615º/1, al. a) + art. 615º/2+3
 A nulidade da sentença pode ser declarada e invocada a qualquer altura
 Quando a sentença não reúne o mínimo de requisitos essenciais para
poder desempenhar a função que lhe é própria, costuma dizer-se que há
inexistência da sentença.
 Anulabilidade
 As anulabilidades da sentença dizem respeito à estrutura da sentença

 Falta de fundamentação
o Cabe ao juiz especificar os fundamentos de facto e de direito da
decisão – art. 607º/3
o Quando falta em absoluta a indicação dos fundamentos de facto ou
a indicação dos fundamentos de direito da decisão, há nulidade da
sentença.
o Se houver uma mera deficiência da fundamentação, não há
nulidade.
o Não se pode considerar fundamentação de facto a fundamentação
que consista apenas numa referência genérica aos factos alegados
pelas partes ou aos factos que foram objeto da prova
o Para além disso não constitui fundamentação de direito a
fundamentação que seja feita por simples adesão genérica aos
fundamentos que as partes invocaram – art. 154º/2
o A fundamentação é fundamental para efeitos de recurso

 Oposição entre os fundamentos e a decisão


o Não pode haver contradição lógica entre os fundamentos e a
decisão
o Se na fundamentação da sentença o julgador segue uma linha de
raciocínio que aponta para a decisão x e depois toma a decisão y
(que aponta num sentido divergente) há uma oposição entre os
fundamentos e a decisão – isto causa uma nulidade da sentença
o Uma oposição destas não se confunde com o erro na subsunção dos
factos à norma jurídica; também não se confunde com o erro na
interpretação das normas jurídicas  nestes casos há um erro de
julgamento, e não uma oposição geradora de nulidade
o Pode dar-se o caso de o juiz estar em erro sobre a subsunção dos
factos ou sobre a interpretação das normas jurídicas, e por isso dê
uma fundamentação errada que aponte num sentido errado; se, no
entanto, no fim chega à conclusão juridicamente correta,
desviando-se do sentido que a sua fundamentação apontava, há
uma oposição geradora de nulidade – não interessa que a decisão
seja efetivamente aquela que é correta, porque não deixa de haver
uma oposição entre os fundamentos e a decisão.

 Ininteligibilidade da decisão
o Quando não é percetível um sentido da parte decisória –
obscuridade
o Quando a parte decisória encerra um duplo sentido – ambiguidade

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o Nestes casos em que a decisão é ininteligível para um declaratário
normal, a sentença não pode valer enquanto não for esclarecida 
isto só pode ser feito mediante invocação de nulidade
o O esclarecimento completa a sentença e passa a fazer parte
integrante dela – art. 617º/2  sana-se o vício

 Omissão de pronúncia
o O juiz deve conhecer de todas as questões que lhe são submetidas,
ou seja, o juiz deve conhecer de todos os pedidos deduzidos +
todas as causas de pedir + todas as exceções invocadas + todas as
exceções de que oficiosamente deve conhecer  art. 608º/2
o Quando o juiz não conhece uma causa de pedir ou uma exceção há
uma nulidade, a não ser que a razão para esse não conhecimento
seja o anterior conhecimento de outra questão que tenha
prejudicado aquela
o No entanto não constitui nulidade quando o juiz omite a
consideração de linhas de fundamentação jurídica que as partes
tenham invocado e que sejam diferentes daquela que adotou na
sentença.

 Excesso de pronúncia
o O juiz não pode conhecer de causas de pedir que não tenham sido
invocadas; também não pode conhecer exceções não invocadas e
que estejam na exclusiva disponibilidade das partes – art. 608º/2 
a sentença que conheça causa de pedir ou exceção nestas
condições, é nula

 Pronúncia ultra petitum


o Também é nula a sentença que não observe os limites impostos
pelo art. 609º/1, violando o princípio dispositivo, condenando ou
absolvendo em quantidade superior ao pedido ou em objeto
diverso do que foi pedido.

 A nulidade da sentença pode ser total; também pode ser parcial, quando o
vício apenas a afete em parte (por exemplo quando há mais de um pedido
e o vício diz respeito apenas à apreciação de um deles).
 Quando a sentença é suscetível de recurso ordinário, a nulidade deve ser
arguida como fundamento do recurso – art. 615º/4

 Situações em que a arguição da nulidade é dirigida ao próprio tribunal que


proferiu a decisão e constitui assim uma reclamação (em vez de ser
fundamento de recurso):
o Quando as partes tiverem antecipadamente renunciado aos
recursos (art. 632º/1)
o Quando, depois de ter sido proferida a decisão, a parte interessada
na nulidade renunciar ao recurso (art. 632º/1)
o Quando a parte interessada na nulidade aceitar a decisão mas
ressalva o direito a reclamar por nulidade (art. 632º/2+3)
o Quando a parte interessada na nulidade desistir do recurso que
entretanto propôs (art. 632º/5)
o Quando a sentença não for recorrível (art. 615º/4)

 De qualquer forma o tribunal pode completar ou alterar a sentença – art.


617º/1
 Quando a parte faz uma reclamação e o juiz a defere, isso confere à parte
contrária o direito a recorrer, mesmo quando a decisão reclamada não era
suscetível de recurso – art. 617º/6

 Retificação da sentença

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 A sentença pode conter erros materiais: por exemplo o erro de cálculo ou
de escrita, a omissão do nome das partes, a omissão de outro elemento
essencial
 A requerimento das partes ou oficiosamente, a correção é feita por simples
despacho ou é feita pelo tribunal de superior (quando só perante ele é que
a questão seja levantada) – art. 614º
 A correção considera-se complemento da sentença e faz parte integrante
dela.

 Reforma
 Art. 644º/1, al. a) – o erro de julgamento faz-se normalmente valer em
recurso de apelação da sentença.
o Nota: erro de julgamento  relativo aos factos da causa ou relativo
à aplicação do direito aos factos apurados
o Naqueles casos há então uma reapreciação da causa pelo tribunal
da relação, sob indicação dos fundamentos pelos quais o recorrente
pede a alteração da decisão proferida – art. 639º/1

 Quando a decisão não admita recurso, o juiz da causa pode alterar ele
próprio a decisão, se houver uma reclamação da parte – casos possíveis
(ver art. 616º/2):
o Ocorrendo lapso manifesto na determinação da norma aplicável
o Ocorrendo lapso manifesto na qualificação jurídica dos factos
o Havendo omissão de considerar um documento ou outro meio de
prova plena, prova essa que por si só implicaria necessariamente
uma decisão diversa da que foi proferida

o Efeitos
 Enunciação
 A sentença produz efeitos importantes, quer a nível da ordem substantiva
como da ordem processual
 Quando a sentença se torna definitiva por causa de já não ser suscetível
de reclamação nem de recurso ordinário, transita em julgado e extingue a
instância, independentemente de se terem esgotado os meios de
impugnação ou de não se ter feito nenhuma impugnação  forma-
se o caso julgado
o Esse caso julgado pode ser:
 Formal – quando há caso julgado formal, há efeitos apenas
no processo concreto; há caso julgado formal quando a
sentença tenha absolvido da instância
 Formal + Material – quando há caso julgado formal e
material, há efeitos dentro e fora do processo; há caso
julgado formal e material quando é uma decisão de mérito

 Outros efeitos da sentença:


o O esgotamento do poder jurisdicional
o A exequibilidade
o O direito à constituição de hipoteca judicial
o Efeitos reflexos/laterais de direito material

 Esgotamento do poder jurisdicional


 Quando há sentença, o juiz da comarca deixa de poder pronunciar-se sobre
a matéria da causa, a não ser nos casos em que ainda lhe é consentido
completá-la ou alterá-la – art. 613º/1
 A partir do momento em que há sentença, se abrirmos a instância de
recurso ordinário é perante o tribunal da Relação que o processo vai
prosseguir. O tribunal da Relação pode fazer com que a decisão de facto
proferida pela 1ª instância seja anulada.

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 Há casos em que a decisão do tribunal da Relação pode fazer com que o
juiz da comarca volte a ter contacto com o processo (art. 666º/2):
o Quando a Relação ordena a renovação da produção da prova
o Quando a Relação ordena a produção de novos meios de prova
o Quando a Relação determina que a sentença seja fundamentada

 Outros casos em que o juiz da comarca volta a ter contacto com o


processo  casos de nulidade ou de reforma da decisão de custas, em que
o juiz deve pronunciar-se antes da subida do recurso

 Exequibilidade da sentença
 Art. 703º/1, al. a): quando a sentença julga procedente a ação de
condenação, ela pode vir a ser usada como título executivo
 Essa exequibilidade da sentença produz-se com o seu trânsito em julgado,
o mais tardar
 A exequibilidade produz-se antes do trânsito em julgado quando o recurso
tem efeito meramente devolutivo, casos em que a parte vencedora não
tem de aguardar a decisão do tribunal superior – art. 704º/1

 Hipoteca judicial
 Isto significa que quando a sentença tem por objeto uma prestação
pecuniária ou a entrega de outra coisa fungível, tem este efeito: o credor
passa a ter o direito potestativo de constituir hipoteca sobre quaisquer
bens imóveis ou móveis sujeitos a registo que o devedor tenha, sem estar
dependente do trânsito em julgado – art. 710º/1 do CC

 Efeitos laterais de direito material


 A sentença integra a previsão de algumas normas de direito material 
são efeitos laterais/acessórios da sentença
 Exemplos:
o Início de novo prazo de prescrição quando a sentença transitada
em julgado condena o devedor na prestação ou quando reconhece
o direito de crédito – art. 311º do CC
o Início da prorrogação por 2 meses do prazo da prescrição que se
inicia com a citação, quando a sentença é de absolvição da
instância por motivo que não seja imputável ao credor – art. 327º/3
do CC
o Direito do fiador de exigir a sua liberação
o O devedor de prestação pecuniária fica constituído em obrigação
de juros

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