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ORATÓRIA PRÁTICA


 
 
 
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

Rabelo, Marília

R114o Oratória prática / Marília Rabelo. – Goiânia: Senac/GO,

2016.

35 f. : il.

Biblioteca João Lázaro Ferreira

Faculdade de Tecnologia SENAC Goiás


 
 
 

SENAC - SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM COMERCIAL


Conselho Regional
José Evaristo dos Santos
Presidente

Departamento Regional de Goiás


Felicidade Maria de Faria Melo
Diretora Regional

Maria de Lourdes Martins Narciso


Diretora de Educação Profissional

Maria Helena De Podestá


Diretora Recursos Humanos

Maria Cândida Rodrigues


Diretora Financeira

Girsei Severino de Paula


Diretor Administrativo

Coordenação de Apoio Técnico


Amália Cardoso da Silva Aguiar
Angélica Cristina Pereira
Cláudia Márcia Alencar Costa Pereira
Délcio Marques da Costa
Márcia Neves Rocha de Oliveira
Rômulo Criston Gomes Nascimento
Silvana Andrade de Oliveira Sarmento
Veronízia Theodoro Luz

Elaboração
Marília Rabelo
Docente Cursos do Senac Goiás

Fotos e Imagens
Clip-arts Office Online

Diagramação
Angélica Cristina Pereira


 
 
 

SUMÁRIO
 

1.COMUNICAÇÃO ......................................................................................................... 5

1.1 ELEMENTOS DO PROCESSO DE COMUNICAÇÃO ........................................ 10

2 COMO FALAR EM PÚBLICO .................................................................................... 11

2.1 Definição de Oratória .......................................................................................... 11

2.2 TIPOS DE ORATÓRIA........................................................................................ 12

2.3 O ORADOR ............................................................................................................ 13

3 - FEEDBACK ............................................................................................................. 15

4 – APERFEIÇOAMENTO DA ORATÓRIA .................................................................. 17

4.1 – COMUNICAÇÃO E VOZ .................................................................................. 17

4.2 – CONSTRUÇÃO DO DISCURSO ..................................................................... 18

4.3-Memorização ...................................................................................................... 22

4.4-Expressão Corporal ............................................................................................ 23

5 – CONCLUSÃO ......................................................................................................... 34

REFERÊNCIAS ............................................................................................................ 35


 
 
 
1.COMUNICAÇÃO

COMUNICAÇÃO GLOBAL
Comunicação é o instrumento pelo qual nos relacionamos, ou seja, é o instrumento de expressão
de nosso interior, do que pensamos, do que acreditamos (VELOSO, 2007).

EMISSOR... MENSAGEM... RECEPTOR


Pontos importantes a serem lembrados pelo EMISSOR para evitar problemas na comunicação:

 Preparar sua fala;


 Utilizar feedback;
 Confirmar a recepção da mensagem;
 Comunicar-se com a linguagem verbal e não verbal.

Elementos críticos da comunicação

 Auto – imagem;
 Saber ouvir;
 Clareza de expressão;
 Capacidade de lidar com contratempos;
 Auto abertura.

“De nada vale nosso conhecimento se não soubermos expressá-lo no mundo”.


(Autor Desconhecido).

Componentes da influência humana na comunicação

 Palavra;
 Tom de voz;
 Fisiologia.

Comunicação eficiente
• Palavras;
• Gestos;


 
 
 
• Contexto;
• Mensagem.

Figuras retiradas da Apostila ESA/OAB (Sobrinho, 2002)

EXERCÍCIO!!!!!

Elabore uma fala curta utilizando as seguintes palavras:

 Comunicação
 Ideias
 Feedback
 Eloquência
 Conhecimento

Para o profissional moderno, a comunicação é uma ferramenta de especial


importância. No entanto, a utilização adequada desse instrumento requer
conhecimentos da atividade que executa e a atenção para outros aspectos, como
flexibilidade a mudanças e atualizações constantes. Assim, a capacidade de comunicar-
se e relacionar-se com o outro, aumenta a possibilidade de sucesso em todos os
segmentos (SOBRINHO, 2003):
• entre colegas de trabalho;


 
 
 
• com seu superior;
• com seu subordinado;
• com um pequeno grupo;
• com uma plateia.

As habilidades de relacionamento interpessoal aliadas à maturidade e equilíbrio


para lidar com as emoções diversificam o conhecimento de mundo. Atualmente, as
necessidades e exigências do mercado de trabalho valorizam a característica de
comunicabilidade no perfil profissional e pessoal. Esses e outros aspectos constituem,
segundo Passadori (2003), cinco dimensões. São elas:

• espiritual;
• emocional;
• vocal;
• corporal;
• intelectual.

A dimensão espiritual é considerada pelo autor a mais importante delas, pois a


comunicação nessa dimensão revela a maneira de cada um se expressar, a sua
essência nos mais variados contextos da vida, a forma pelo qual somos percebidos e
reconhecidos pelas outras pessoas. Enquanto as outras dimensões são aprendidas e
desenvolvidas por técnicas e práticas pedagógicas, a dimensão espiritual flui revelando
nosso caráter, nossos valores, nossa autenticidade e nobreza da alma.
Em relação à dimensão emocional, observa-se:
– Ritmo constante – Deixar para lá
-- Antipatia – Não me interessa
– Firmeza
– Integridade
– Rejeição
– Todos nós
– Um, dois, três
– Transferência
– Liberdade


 
 
 
Quanto à dimensão intelectual, entende-se que a apresentação oral é
desenvolvida pelo esforço diário, persistente, de não desistência ante os obstáculos e
as dificuldades e os obstáculos enfrentados.
Quanto à dimensão vocal, nossa voz é produzida pela expiração que
canalizamos para as pregas vocais, criando-se daí uma massa de ar sonora. Emitimos
os sons das vogais e das consoantes por meio da movimentação de músculos da face
que acionam lábios, língua, maxilar, abertura e fechamento da boca. Nossa voz tem um
conjunto de características que precisa ser desenvolvido para gerar uma emissão
harmônica e agradável. Tais características são: dicção, pronúncia, ênfase, entonação,
expressão, articulação, velocidade, ritmo, altura e intensidade (BEHLAU, 2004).
A dicção é a pronúncia dos sons das palavras. A deficiência na dicção é quase
sempre provocada por negligência. É costume quase generalizado omitir os R e os S
no final das palavras. Um exercício útil para melhorar a dicção é fazer leitura em voz
alta.
Uma pronúncia defeituosa advém de razões físicas e psicológicas. A voz determina a
própria personalidade de quem fala. Se estivermos alegres, tristes, apressados, seguros
etc. A primeira identificação desse comportamento é transmitida pela voz (OLIVEIRA,
2004).
A necessidade de se atentar para a expressão correta e a articulação cuidadosa
das palavras e de seus respectivos sons manifesta-se pela claridade e nitidez das
palavras, frases e textos. A boa articulação faz ressaltar todas as qualidades da voz.
Elementos fundamentais: vogais + consoantes + sílabas.
A ênfase é a energia da fala, a vitalidade das palavras faladas. A colocação
correta da sílaba tônica é o primeiro passo na ênfase, pois valoriza a tonicidade e
entonação. Assim como a palavra tem a sua sílaba tônica, em uma frase existem
palavras que exigem maior destaque ao serem enunciadas. A entonação é a música da
linguagem. Cada palavra tem a sua entonação certa, sugerida pelo seu significado. A
variedade melódica da entonação tem por finalidade facilitar a compreensão.

PRONÚNCIA – ENTONAÇÃO – DICÇÃO – ÊNFASE – RITMO

Outro artifício utilizado pelo orador é a chamada pausa oral entre o que deve ser
colocado no decorrer da fala. É a chamada pausa oratória, é diferente das estabelecidas
pelas regras gramaticais denominadas de pausas sintáticas. Ela não depende de regras


 
 
 
absolutas, mas de condições ou estratégias de convencimento e persuasão que o
próprio orador deseja passar aos seus ouvintes.
A pontuação oral é marcada pelo ouvido, regulada pelos sentimentos que
devemos ressaltar e pelas ideias relevantes no contexto da mensagem. Para isso, o
orador deverá conhecer e estudar o texto, compreender o conteúdo e explorá-lo
criativamente, dando-lhe o sentido almejado.

Vamos praticar?????????

Faça a leitura silenciosa dos fragmentos de texto abaixo, observando as pausas.


Em seguida, leia o texto com o recurso do lápis ou da espátula e, finalmente, faça três
leituras orais de cada um.

O riso revela um dos segredos da alma: a alma não gosta de marchar. Na marcha tudo
é igual, previsível, feito em parada militar. A alma é bailarina que gosta mais é de dançar.
(Rubem Alves – O retorno e terno)

Amor é dado de graça, é semeado no vento, na cachoeira, no eclipse.


Amor foge a dicionários e a regulamentos vários...
Amor não se troca...
Porque amor é amor a nada, feliz e forte em si mesmo...”
(Drummond)

Tenho muitos medos. Mas nunca havia pensado naquele, o maior de todos. Bastou,
entretanto, que a repórter formulasse a pergunta para que ele aparecesse claro e terrível
diante de mim. “Que é aquilo de que você mais tem medo?”
(Rubem Alves – O retorno e terno)

Quer ficar calmo? Respire suavemente diante da chama leve de uma vela quefaz
Sossegadamente seu trabalho de luz. (Bachelard)

Vamos, não chores! / A infância está perdida / A mocidade está perdida / Mas a vida
não se perdeu. / O primeiro amor passou, / O segundo amor passou, / O terceiro amor
passou. / Mas o coração continua. / Perdesse o melhor amigo, / Não tentaste qualquer
viagem. / Não possuis casa, navio, terra. / Mas tens um cão...


 
 
 
(Rubem Alves – O retorno e terno)

Pela primeira vez na vida vi que a cebola era bonita. Se fosse pintora, pintaria uma
cebola. Se fosse fotógrafa, fotografaria uma cebola... Minha cebola deixara de ser uma
criatura do sacolão, à mercê de facas e maxilares mastigantes, e aparecia como criatura
encantada, moradora do mundo da beleza, ao lado de jóias e de obras de arte. (Rubem
Alves – O retorno e terno)
 

1.1 ELEMENTOS DO PROCESSO DE COMUNICAÇÃO


 
Segundo Sobrinho (2012) o processo comunicativo constitui-se de cinco
elementos efetivos.
• Orador: é o responsável pelo início do processo comunicativo. É quem seleciona o
teor da mensagem, o modo como a conduzirá para que seja entendida pelo ouvinte.
• Sinal ou código: é a própria mensagem definida pelo orador. Deve estar adequada
ao assunto a ser tratado, às metas estabelecidas e ao tipo de receptor.
• Canal: é o meio condutor da mensagem. É o método, o caminho. São os
procedimentos por meio de recursos e técnicas que o orador deverá utilizar para facilitar
o acesso e o entendimento da mensagem pelo ouvinte e o alcance de seus objetivos
com relação àquele conteúdo selecionado. O conteúdo deve ser de domínio do orador
e estar adequado para quem vai ouvir.
• Receptor: é o alvo da comunicação. É também o elemento ativo do processo
comunicativo, pois a comunicação só tem sentido quando se estabelece entre o emissor
e o receptor uma identificação na mensagem. Quando ambos a compreendem e
possuem interesses comuns sobre o que se fala e o que se ouve.
A comunicação pode variar conforme o ambiente onde as pessoas se encontram
e, desse modo, define o tipo de relacionamento entre elas. Os relacionamentos ocorrem
entre os indivíduos, consigo mesmo, entre membros de um grupo, entre grupos numa
organização.
O relacionamento entre os sujeitos é chamado de interpessoal, quando este é
consigo mesmo, utilizando a comunicação interior, chamamos de relação intrapessoal.
Já o ato de relacionar com pessoas de um mesmo grupo no ambiente de trabalho é
chamado de comunicação organizacional. A comunicação realizada entre as pessoas
em diversas situações é a multipessoal.

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Saber se comunicar adequadamente em todas as circunstâncias é
imprescindível para a sobrevivência do ser humano. Por meio da comunicação, obtêm-
se as informações, o conhecimento e o atendimento das necessidades emocionais de
atenção, consideração e reconhecimento.
A importância da comunicação não está necessariamente na mensagem ou na
informação transmitida, mas no que fazemos com esse conhecimento e o que somos
capazes de realizar quando ouvimos as informações, a interpretamos e a colocamos à
nossa disposição ou a disponibilizamos para terceiros, a fim de que façam uso dela: eis
a razão principal da comunicação.

2 COMO FALAR EM PÚBLICO


 

2.1 DEFINIÇÃO DE ORATÓRIA


   
A oratória é a arte de falar em público. É uma arte porque pode ser desenvolvida. Se
fosse um dom, apenas quem o tivesse como qualidade inata poderia exercê-lo. Sendo
uma arte, pode ser desenvolvida. Fazer-se orador é tarefa própria da observação de
regras básicas e da repetição. Principalmente, a repetição, que pode ser qualificada
como a base do conhecimento. O exercício constante faz de qualquer pessoa um
pregador, um orador, uma pessoa que convence pelo modo de expor as ideias (LOPES,
2000).
A arte pode ser manifestada, também, em simples conversa com amigos, em
família e em sala de aula, afirmando, comandando e argumentando.
Em resumo, a arte de falar em público é fruto do exercício, da repetição, do
treino. Não há segredo ou dica maior do que o exercício continuado. Sendo assim,
chegou a hora de treinar!!!!!!!!!!!!!

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2.2 TIPOS DE ORATÓRIA
 
  O bom orador é eloquente e a eloquência basicamente divide-se em: política,
forense ou judiciária, acadêmica ou literária, sacra e de circunstância (SOBRINHO,
2012).
A oratória política é o discurso em que a palavra está a serviço do bem comum,
da sociedade e suas aspirações e para tratar de assuntos ligados à causa pública. Deve
ser utilizada com muito cuidado, pois, quando mal empregada, pode dar ao discurso
uma forte carga demagógica, “ludibriando o povo”. Está relacionado com a defesa dos
interesses sociais em reuniões, comícios, caráter eleitoral, difusão de ideias.
A eloquência forense ou judiciária é o uso da palavra perante o juiz ou tribunal,
na defesa da sociedade por promotores e advogados. Requer conhecimento da ciência
jurídica e dos detalhes dessa prática profissional, pois a finalidade é a de comover e
convencer o público constituído pelos tribunais de júri.
Na oratória sacra o orador empenha-se em transmitir a doutrina religiosa, usando
para isso às pregações, o sermão e prédicas evangélicas.
A oratória acadêmica ou literária está relacionada aos assuntos culturais,
escolares e científicas.
A de circunstância se diferencia das demais por não obedecer a formalismos; é
descontraída e solta, não tem lugar certo e nem público definido, podendo ser usada
por qualquer pessoa da sociedade. É também chamada de eloquência do “Homem
Moderno” que faz uso do gênero em qualquer situação que o cerca.

A partir do conteúdo lido, crie situações e discursos para os tipos de oratória.

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2.3 O ORADOR

Segundo o dicionário Aurélio (2013) o verbete orador significa quem faz discurso
ou está discursando; aquele que tem grande eloquência, fala muito bem ou costuma
falar em público.
Toda pessoa que conversa numa roda de amigos, está falando em público.
Porém o orador é aquele que consegue expor-se para um público de pessoas
desconhecidas, muitas vezes desfavoráveis, apáticas e ainda assim, sair de lá coberta
de aplausos, uma vez oferecidos por aqueles que entenderam o que foi dito. A qualidade
da sua comunicação é o resultado que você obtém.
Quando falar ao público, a percepção, o contato visual, gestos, a expressão
corporal, linguagem e conteúdo apropriado, farão de você um orador eloqüente,
convincente e persuasivo.
Todo indivíduo imbuído de boa vontade e disposição pode tornar-se um orador.
Para isso, é necessário que se prepare adequadamente para sua exposição,
considerando o planejamento de cada etapa do trabalho: tipos de apresentação; análise
do público-alvo e do ambiente onde ocorrerá o evento; objetivos a serem alcançados;
tempo destinado à apresentação; pesquisas; utilização de recursos audiovisuais.

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Quais as características positivas que você possui para ser um bom orador?

 
 

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Perfil de um Bom Orador
O “GRANDE ORADOR”
Todo o barulho que fazes;
Ó estentórico orador,
Lançando gestos e frases,
Com trovejante furor,
Com berros e roncos roucos,
À mesa atirando socos,
Nada aprova em teu favor:
Também o bombo e o tambor
Fazem barulho... e são ocos.
Fonte: Bloch (2002)

3 - FEEDBACK
 
  Nos primeiros tempos do automóvel, dois inventores criaram um carro que
funcionava a vapor. Era eficiente e econômico. Os irmãos gêmeos Stanley trabalharam
durante longo tempo, com muita pressa, ajudados por mecânicos. Nunca produziram,
no entanto, mais de 650 carros por ano e nunca superaram os seus concorrentes.
Como fracassaram? Fracassaram por não conseguirem transmitir os seus
conhecimentos a outras pessoas; não usavam as suas experiências anteriores e suas
ideias criativas dos outros para enriquecer as suas próprias ideias; e não aceitavam os
novos princípios da produção em série. Até que cada carro fosse testado pessoalmente
por um dos irmãos, não era vendido. Se surgisse qualquer problema técnico em algum
dos seus produtos e um cliente se queixasse de uma peça defeituosa, os gêmeos

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tratavam isto como se fosse uma afronta pessoal e, no seu orgulho, devolviam
imediatamente o dinheiro ao comprador, recusando-se, a saber, dos detalhes. "Devolva-
lhe o dinheiro", diziam, "não queremos que seja dirigido por ninguém do seu tipo!" E o
problema era "enterrado".
Assim, Stanley Steamer foi "enterrado", isto é, entrou pelo cano. O negócio faliu.
Nada de errado havia no talento deles para engenharia. O que os levou a isto
foram as suas atitudes em relação ao feedback, isto é, ao retorno de informações em
relação ao seu produto. Encontrar soluções e reprogramar-se para o futuro é algo mais
que usar apenas um processo científico e lógico (LOPES, 2000).
A flexibilidade e a coragem para deixar de lado as ideias e hábitos obsoletos
podem nos economizar desgastes emocionais enormes no futuro. Encarar as nossas
experiências como formas importantes de recursos e de riquezas é o caminho da
sabedoria. O medo e a intolerância com o futuro desconhecido geralmente são reflexos
das sensações negativas que tivemos das nossas experiências passadas, projetadas
no nosso futuro. E a cada vez que nos lembrarmos dessas experiências, recuperamos
as sensações ruins.
As sensações negativas são assim, amplificadas no presente, e com essas
sensações negativas constantemente “presentificadas”, a nossa mente projeta,
imaginando um futuro distorcido com as mesmas possibilidades de fracasso. Com este
círculo "lógico" vicioso é mais que natural que muitas pessoas se sintam com medo ou
angústia com relação ao seu futuro desconhecido, neste caso a exposição do ato de
falar em público.
A atitude resultante disso é a mesma ou próxima dos irmãos Stanley. Ou uma
negação total da experiência, ou um desgaste emocional muito grande. Ou ambas.
Agora pense em você como orador. Está preparado para receber o feedback do público
sobre sua explanação? Está consciente de que é possível aprender com seus erros
para não fracassar no futuro? Percebe a importância de valorizar a opinião do público
que pretende alcançar?
Utilize as linhas abaixo para registrar suas respostas a estas importantes
perguntas de autodesenvolvimento.
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4 – APERFEIÇOAMENTO DA ORATÓRIA
 

4.1 COMUNICAÇÃO E VOZ


  Comunicar-se é ter uma ponte de compreensão entre você e outras pessoas, de
tal forma que possam compartilhar aquilo que sentem e sabem. São com essa ponte
que você pode atingir os outros com ideias, fatos, pensamentos, sentimentos e valores.
Utilizando-a, você pode cruzar com segurança o rio de mal-entendidos que muitas vezes
o separa dos outros (PEREIRA, 2013).
O maior obstáculo da comunicação entre duas pessoas, ou seja, da
comunicação interpessoal, é o desconhecimento de que o receptor não é uma extensão
do emissor da mensagem e vice-versa. Portanto, um não sabe o que se passa dentro
do outro.
Na perspectiva das organizações, as mensagens servem como instrumento para
influenciar clientes e funcionários. Quando se redige uma carta, elabora um relatório,
faz um telefonema ou transmite um recado oralmente a um colega, ela está atuando
não só sobre coisas, mas principalmente sobre pessoas (PRATES, 2005).
O bom êxito de sua comunicação depende da mensagem que elabora. Ler, falar,
escrever e escutar é necessidade básica em qualquer comunicação persuasiva.
Segundo Prates (2005) esse tipo de comunicação envolve: planejamento
(apresentação de fatos); organização (de ideias e materiais); liderança (capacidade para
ativar planos e influenciar pessoas); controle (verificação de resultados).
Ao realizar o planejamento de sua comunicação, estabeleça e anuncie os
objetivos que tem em vista; admita reestudar conceitos e opiniões; reformule-os se for
o caso.
Na fase de organização, é necessário estabelecer os meios para atingir os
objetivos.
Relativamente à liderança, deve-se esclarecer que benefícios advêm de
instruções e normas. Estas são sempre mais eficazes quando demonstram claramente
que o empregado obterá vantagens se cumpri-las.
Dentre as estratégias de planejamento e organização, o treino e o
aprimoramento da oratória são fundamentais, a começar pela voz, principal instrumento
para a comunicação oral.
A impostação vocal é a principal forma de utilizar a voz com qualidade e eficácia,
esse potencial é conseguido por meio de exercícios de relaxamento, respiratórios,

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ressonância, altura, intensidade, articulação, em que cada pessoa procura empregar a
sua voz o mais adequadamente possível, evitando-lhe qualquer prejuízo.
A qualidade vocal é um conjunto de características que identificam a voz humana
e podem variar conforme o contexto da fala, condições físicas e psicológicas do
indivíduo. Relaciona-se às informações de natureza biológica, anatômica e fisiológica
do indivíduo e das características de sua personalidade e estada emocional no momento
da emissão da mensagem. Portanto, é bom atentar para a expressividade dedicada às
palavras dentro da frase (BEHLAU, 2005).
Cada palavra possui uma ou mais sílabas importantes, assim como cada frase
possui uma ou mais palavras mais importantes. Com a pronúncia acentuada dessas
sílabas ou palavras, a mensagem poderá ser outra. Assim, podemos dizer: sábia, sabia
e sabiá. Qual a velocidade correta a ser empregada na fala? Rápida, muito rápida, lenta,
muito lenta?
Cada orador e cada assunto terão sua velocidade própria, dependerão da
capacidade de respiração, da emoção, da clareza da pronúncia e da mensagem
transmitida. Ao pronunciar a oração: “passou rápido como a luz”, é natural que
aceleremos o ritmo da fala. Em relação à altura e intensidade, é preciso exercitar e variar
a intensidade da voz: forte ou fraca. A voz precisa encontrar a altura adequada – aguda
ou grave – para não irritar os ouvintes. A voz é o veículo fundamental no transporte da
mensagem e que, portanto, requer cuidado para não prejudicar a comunicação.

4.2 CONSTRUÇÃO DO DISCURSO


  O sucesso de seu discurso depende da sua capacidade de planejar e organizar
etapa por etapa toda sequência de seu raciocínio. Apresento aqui quatro etapas
fundamentais para estruturar um discurso: introdução, apresentação, corpo central e
conclusão.
Vejamos algumas etapas importantes do planejamento (CAMARGOS, 2007):
a) O que falar – se refere ao tema da sua comunicação. Procure conhecer sobre o
assunto a ser abordado e selecione o que é mais importante para o seu ouvinte e não
para o seu ego;
b) A quem falar – quais são os ouvintes? Todos conhecem o assunto? Caso o público
seja heterogêneo, comece pelo “b a bá” até se situarem no tema e depois vá
aprofundando um pouco mais;

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c) Como falar – diz respeito à forma, ao “molho” da comunicação. Use a sua criatividade
para transmitir a mensagem através dos recursos audiovisuais, simulações, exibição de
fotos / vídeo, etc. Analise os telejornais;
d) Quando falar – Hoje? Amanhã? Manhã? Noite?
e) Quanto falar – 5 minutos, 10 minutos, 1 hora? Tem um ditado popular que afirma:
“felizes os oradores que falam pouco, de maneira clara, objetiva e atraente”.
Introdução é a primeira parte do discurso e é a que exige mais cuidado e
dedicação em sua elaboração. Na introdução você deve preocupar-se em conquistar
seus ouvintes. Seu objetivo deve ser ganhar a simpatia, a benevolência, atenção, a
torcida quebrando as resistências do público.
A Apresentação é o momento onde você deixa claro qual é o seu objetivo
naquele discurso. Aqui, você deixa os ouvintes saberem do que você vai falar com o
objetivo de ajudá-las a compreender melhor o conteúdo de sua apresentação. Nesta
etapa você revelará, qual é o assunto a ser tratado, qual problema será solucionado e
quais as partes do assunto você irá tratar. Esta abordagem é especialmente
interessante quando você será sucedido por outro orador.
O Corpo Central é a mensagem do discurso. Nesta etapa você destrinchará o
assunto para os ouvintes aplicando as informações que foram passadas na
Apresentação desenvolvendo o assunto e tratando o problema proposto. Ainda nesta
fase, você apresentará seus argumentos e refutará conceitos errados do público.
A Conclusão é a parte do discurso onde você deve fazer uma recapitulação de
tudo o que foi abordado, da essência da mensagem e levará os ouvintes à reflexão,
através de uma metáfora ou outro recurso de linguagem, conduzindo os ouvintes a
agirem de acordo com a sua proposta para o tema apresentado. A conclusão deve ser
emocionante, fazendo com que os ouvintes sintam-se entusiasmados e que tenham a
sensação de que aprenderam alguma coisa produtiva.
Como definir o objetivo do discurso?
Antes de começar a elaborar seu esboço, com o que pretende tratar, lembre-se
que é preciso saber aonde você quer chegar com este discurso. Escolher o objetivo é
fundamental. O volume de informação no mundo dobra a cada 12 meses. Isso significa
que a cada ano nos tornamos obsoletos. Transmitir informação de qualidade é o mínimo
que você pode fazer por seus ouvintes. Portanto, é primordial saber qual o teor de seu
discurso. A primeira coisa a ser definida é se você quer motivar, informar, provar um
conceito ou refutar uma ideia. De forma geral, ao elaborar seu discurso, preste atenção
aos seguintes pontos:

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Pesquisar a fundo para escolher as melhores informações com fontes seguras;
Descubra o grau de conhecimento dos ouvintes;
Saiba qual a importância da matéria para o público;
Mostre a praticidade do assunto;
Use palavras iniciais para estimular o interesse dos ouvintes.
É importante fazer um esboço, ou seja, anotações básicas para realização de
um discurso. Se tratando de esboço, menos é mais. Quanto menos você escrever,
melhor para você se manter ‘antenado’ no público e não em suas anotações. Veja
algumas técnicas para a criação de um esboço:
Estabeleça um objetivo claro: Pergunte-se: ‘o que eu quero alcançar com este
argumento? ’
Determine os principais pontos a serem destacados: crie um subtítulo, dividindo
o tema em etapas a serem discutidas uma a uma – tópicos, causa e efeito,
problema e solução, ordem cronológica – todas essas são técnicas de
determinação de pontos a serem destacados.
Organize suas ideias de forma lógica: Numere. Coloque 1, 2, 3, 4 e assim por
diante. Se você perder o fio da meada, ou se lhe der um branco, fica muito mais
fácil retomar o raciocínio se ele seguir uma linha clara.
A preparação lhe dará também noção sobre outro recurso importante para
oradores: o tempo.
Quando você está preparado, com um esboço escrito e/ou mental, você não
passa do tempo. Quem não se prepara para um discurso “esquece” da hora, se empolga
e desanima a público além de prejudicar outros oradores que poderão tomar a tribuna
depois. Portanto, cuide durante a preparação de cronometrar o seu tempo em cada fase
da apresentação para certificar-se de que durante o discurso ao público, você terá todo
o controle, inclusive do tempo. Imprevistos na hora do discurso, com certeza poderão
acontecer, porém, se você está preparado, a sua parte será cumprida para que o evento
siga bem dentro do planejado pelos organizadores.
Vamos praticar!!!!!
Elabore um discurso curto, utilizando as técnicas supracitadas.
Apresente oralmente seu discurso e peça a avaliação dos seus colegas. Observe
o feedback do público.
Cite três positivos e três negativos da sua apresentação.
Uma das partes mais importantes do discurso é a conclusão, sempre devemos
ressaltar os benefícios sobre o que foi dito, pois a conclusão faz com que as pessoas

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mudem de ideia e passem a agir de acordo com sua orientação. Para tal podemos
utilizar ferramentas como as figuras de linguagem. São elas:
Metáforas são histórias e estórias criadas com o objetivo de transmitir conceitos
e ideias de uma forma tão eficaz, que deixa gravada na mente do ouvinte a mensagem
transmitida. Através de histórias muito bem concebidas, foram contadas a nós verdades
profundas sobre a vida, a convivência, o valor do trabalho e muitos outros valores
humanos que podem ser transmitidos de geração após geração por meio de metáforas.
A todo o momento nos comunicamos também pelas analogias. Analogias são
comparações que fazemos entre coisas aparentemente diferentes, mas que
apresentam um ponto em comum.
Hipérbole é quando acontece um exagero na expressão de uma ideia. Exemplo:
“Está muito calor. Os jogadores estão morrendo de sede no campo”.

Vamos praticar!!!!!!!!

Crie três situações para cada uma das figuras de linguagem e apresente para a sala.
 

 
 
 

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4.3 MEMORIZAÇÃO
  Estratégias de memorização são ferramentas que não substituem, muito pelo
contrário, complementam a preparação. Vimos anteriormente que para criar um esboço
é preciso estudar a matéria que será abordada, depois escolher o que vai dizer e por
último extrair as ideias que serão o corpo do seu discurso. Com isso, será muito mais
fácil memorizar a matéria, uma vez que para estudar o tema você seguiu estes cinco
passos:
Captação de informações – você pesquisou, selecionou e definiu o que abordar.
É a escolha do que falar.
Pré-leitura – nesta fase, você ‘correrá os olhos’ na matéria escolhida para se
familiarizar com o assunto a ser abordado.
Leitura – Aqui você lê o texto silenciosamente, sublinhando ou marcando no
texto os pontos fortes, as frases de impacto, ou seja, o que chamou a sua
atenção.

Exercício!!!!!!!

Com uma caneta, separe o texto em conjunto de ideias, numerando os parágrafos e


separando com ‘barras’ as sentenças que transmite a ideia.

Resumo – Agora você fará um resumo do que entendeu da matéria abordada,


por escrito, em suas próprias palavras.
Palavras-chave – Enumeração de ideias principais para servirem de âncoras
para sua apresentação. O ideal é que, ao lembrar uma palavra-chave, você se
lembre de todo o resumo, referente àquele tópico em questão. Tópico por tópico,
você fará todo o discurso sem o uso de anotações.

Uma técnica importante para memorização de um assunto é o método DOCA®.


Consiste em quatro perguntas que lhe ajudarão a extrair a essência de qualquer texto e
gravá-lo em sua mente. É uma ótima ferramenta de estudo. Note:

D – Do que o texto fala?


O – O que o texto fala?
C – Conheço esta informação?

22 
 
 
 
A – Aonde marco isto?

Para relembrar:
A memorização substitui a preparação de um esboço? Por quê?
Cite os cinco passos para o estudo de um tema.
O que é o método DOCA® e como pode ser usado?
 

4.4 EXPRESSÃO CORPORAL

As pernas
Uma postura indevida das pernas ou uma movimentação descompensada pode
revelar ansiedade e demonstrar falta de preparo. Movimentar demais as pernas desvia
a atenção dos ouvintes. Durante o discurso, a atenção das pessoas tem que ficar na
parte superior do seu corpo. Se a plateia olhar muito para suas pernas, algo está errado.
Pernas muito juntas ou cruzadas indicam falta de confiança e mostra que você
não está à vontade. Pernas muito afastadas demonstram falta de comprometimento e
certo desleixo com seu público. Qual, então é o posicionamento ideal das pernas?
Pense nas pernas como sua raiz. Sinta seus pés firmes no chão, como se estivessem
lhe dando a sensação de que você agora, faz parte deste ambiente. Você está firme no
chão assim como a árvore está presa ao solo. Afaste um pouco as pernas e flexione os
joelhos: isso possibilita que você permaneça de pé por longos períodos evitando o
cansaço.
Posicionar-se inadequadamente é natural, mas não deve ser uma constante.
Preze sempre por uma postura compatível com a mensagem que você está
transmitindo.
As mãos
Não saber o que fazer com as mãos pode causar frustração para quem quer
impressionar o público. O nervosismo é o grande inimigo dos gestos na oratória. Por
isso, é importante agir com naturalidade. É muito fácil gesticular adequadamente
quando se é natural. No dia a dia gesticulamos durante a conversa com amigos e
colegas. Esta deve ser a sua visão do público: são pessoas como você, com anseios e
desilusões. Portanto, não tenha medo – seja natural!
Cruzar os braços revela insegurança, pois dá a ideia de que você está se
defendendo. Colocar as mãos no bolso mostra que você não se preparou. As mulheres

23 
 
 
 
durante apresentações tendem a colocar os braços junto à cintura o que dificulta a
movimentação. Outra dica importante: evite fazer gestos na altura do rosto e abaixo da
linha da cintura. Crie um quadrado imaginário entre o quadril e o pescoço e gesticule
dentro desta área.

A expressão facial:
Existem pessoas que conseguem transmitir o máximo de informação com o
mínimo de palavras, utilizando a expressão facial. O orador deve então, dar muita
atenção a expressão de seu rosto durante uma apresentação. A expressão facial deve
ser condizente com a mensagem transmitida. Em assuntos tristes, expressão facial
séria. Em discursos alegres, semblante mais brando, demonstrando sempre a emoção
do momento. Evite a mesma fisionomia durante todo o discurso. Por exemplo, ao falar
de corrupção, seu rosto deve mostrar indignação e reprovação. Agora se o assunto é
uma homenagem, demonstre alegria, satisfação e orgulho.
O sorriso é outro poderoso recurso em apresentações. Procure sorrir
principalmente na introdução do seu discurso. Isso cria simpatia e passa para os
ouvintes a sensação de que você está seguro, certo do que foi fazer na frente do público.
Andar ou ficar parado?
Esta opção depende do local aonde vamos nos apresentar. Se houver espaço
para transitar, caminhe lentamente e evite ficar andando de um lado para outro.
Também é valido andar entre a plateia, tomando o cuidado de não dar as costas para o
público. Evite se aproximar demais para não constranger a pessoa. Lembre-se que
ocupar todo o espaço disponível demonstra domínio da situação.

Vamos exercitar!!!!!!!!!!

Reproduzir diferentes expressões faciais, gestos, movimentos com as pernas.

Como fazer uma apresentação sentada?

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Quando se apresentar sentado ou atrás de um púlpito (tribuna) é necessário


investir nos gestos sempre respeitando o quadrado imaginário. Quando sentados,
devemos cruzar as pernas ou fechá-las e no púlpito, manter-se de pé, nunca se
apoiando nele. É comum nos apresentarmos sentados em entrevistas e nos púlpitos em
cerimônias e eventos religiosos.
Evite cobrir a boca enquanto fala. Passa a impressão de que não era bem isso
que queria dizer. Evite segurar objetos como canetas, réguas e outros, pois desvia a
atenção da assistência. Mantenha a boca fechada enquanto ouve os questionamentos
da plateia. Mostre-se atento e não perplexo.

Exercícios!!!!!

Como você analise a sua Expressão Corporal na oratória?


Descreva a sua percepção quanto ao posicionamento das suas pernas durante
uma apresentação?
O que devemos evitar fazer com as mãos durante uma apresentação?
Treine diferentes expressões faciais durante um discurso segundo o objetivo
proposto?
Faça uma apresentação totalmente parado e outra andando freneticamente.
Reprodução de uma entrevista, sentado.

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Naturalidade:
Ser você mesmo durante uma apresentação não é tarefa fácil. Exige preparação,
domínio do tema e muita tranquilidade. Porém é o melhor caminho. Você pode e deve
aprender todas as técnicas de comunicação, mas nunca perder a naturalidade. Se você
cometer erros técnicos, as pessoas ainda gostarão de sua mensagem, porém se for
extremamente técnico, mas, artificial, ninguém gostará de seu discurso. Seja o mais
natural possível e aplique as técnicas dentro de seu perfil, dentro da sua personalidade.
Naturalidade cria credibilidade. Quanto mais natural você for melhor. Sendo
artificial em sua apresentação, seus ouvintes duvidarão de suas intenções e não
confiarão em sua apresentação.
Conseguindo Naturalidade
Observe como você se comporta quando está com amigos, pessoas íntimas e
conhecidos. Analise seus gestos e expressões faciais. Durante a apresentação, você
deve manter a mesma forma de ser. Lembre-se, porém que ser natural não significa
continuar cometendo os mesmos erros, pois eles precisam ser corrigidos com estudo,
prática e muito treino.
Os gestos
Gesticular de forma espontânea deve ser seu objetivo. Os gestos dão peso e
força para o tema, indicam o tempo e têm o poder de esclarecer ou confundir a
assistência, por isso merecem atenção especial. Tipos de gestos (HILL, 2009):

26 
 
 
 
Enfáticos: são usados para reforçar pontos importantes. Eles enfatizam e
dimensionam a mensagem. Gesticular torna possível que as palavras ganhem forma
e emoção. Porém é importante seguir alguns passos:
o Coordenar as palavras com os gestos.
o Evite gestos repetitivos e exagerados para não desviar a atenção e
demonstrar despreparo.
o Use gestos para causar impacto.
o Evite gestos religiosos e/ou dogmáticos.

Descritivos: são utilizados para facilitar a compreensão visual para a mensagem


falada. Por exemplo: ao enumerar benefícios, conte-os nos dedos

O Contato Visual:
Os olhos revelam emoções. Manter o contato visual com seu público pode ajudá-
lo a perceber se eles estão mesmo entendendo o que você está dizendo. A percepção
do orador entra em cena agora. Sentir o que realmente está acontecendo na mente do
seu interlocutor é fantástico e os olhos nos revelam isto. Através do movimento dos
olhos perceberemos como nosso público pensa. Não temos o poder de ler
pensamentos. Podemos apenas ter sinais de que eles estão compreendendo ou não à
matéria falada. Portanto para manter um bom contato visual, precisamos:

Antes de iniciar, olhar para a plateia;


Estabelecer contatos individuais;
Olhar nos olhos do ouvinte;
Evitar o olhar mecânico;
Cuidar para não constranger os ouvintes.

Muitas pessoas acreditam que é positivo fixar os olhos nas paredes do auditório.
Contudo, isto acaba com nossa naturalidade. Para conseguir manter o contato visual,
concentre-se por alguns instantes em um ou outro ouvinte, mude a direção para o outro
lado e cuide para não levantar muito a cabeça dando a impressão de superioridade.
Seja o mais natural possível, movimentando a cabeça, o quadril e os braços na mesma
direção, para ser o mais espontâneo que puder. Olhe para o público com o corpo inteiro.

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Quando você olha para a assistência, tem a oportunidade de perceber o que está
acontecendo e fazer ajustes caso necessário. Veja outros benefícios do contato visual:
Prestigia os ouvintes;
Passa confiança, segurança e preparo;
Quebra a rigidez da postura, evitando assim a perda da naturalidade.

Durante uma apresentação, mantenha o contato visual e perceba os resultados


de sua comunicação.

Perguntas de Fixação:

Mencione porque é importante o contato visual em um discurso.


Cite o que é preciso para manter o contato visual.
Como manter o contato visual durante o discurso?

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Dicção

“Maria-Mole é molenga, se não é molenga,


Não é Maria mole. É coisa malemolente, “nem mala, nem mola, nem Maria, nem Mole.”

“A lontra prendeu a tromba do monstro de pedra e a prenda de prata de


Pedro o pedreiro.”

“Tinha tanta tia tantã.


Tinha tanta anta antiga
Tinha tanta anta que era tia.
Tinha tanta tia que era anta.”

“Disseram que na minha rua tem


paralelepípedo feito
de pararalelogramos.
Seis paralelogramos

Tem um paralelepípedo.
Mil paralelepípedos
Tem uma paralelepípedo via.
Uma paralelepípedo via
Tem mil paralelogramos.
Então uma paralelepípedo via
É uma paralelogramolândia?”
Estes exercícios e muitos outros que você talvez conheça, servem para melhorar
a dicção e deixar os músculos da face relaxados. Durante um discurso, dificilmente
usaremos trava – línguas. Estes são exercícios para se fazer constantemente, a fim de
nos preparar para fazer um discurso de improviso.

Exercícios:

Leia as frases abaixo em voz alta com um obstáculo na boca (lápis, caneta ou o dedo
indicador) e depois, pronuncie sem o obstáculo. Procure perceber os movimentos do

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maxilar, língua e lábios para pronunciar as palavras. (As frases a seguir foram extraídas
do manual prático da técnica Vocal de Charlotte Rahle apud Hill, 2009.

1. A alma amada acalanta, abranda, acalma.


2. A fraca franga abalada arrasta a asa.
3. Bétulas balançavam a barca, baixando a banqueta, barulhenta.
4. Bondosa beldade balzaquiana beneficiava belgas.
5. Carmen coquete concorda com coquetel com croquetes.
6. Dagoberto doutor descreve dezenas de doutrinas e dogmas, adotando o
doutoramento dele editado.
7. Em Belém a enchente estende – se e ninguém a retém.
8. Filomena Felícia Fausta Fonseca, formosa flor, farmacêutica, fez formidáveis
fórmulas, fabricou formosos fortificantes, fazendo felizes frenéticos fregueses.
9. Guloso guri gulosava gulodices e a gurizada guturalizava nos gurupés.
10. Tito trocou o tronco todo, tentando tudo tirar.

Vocabulário
Para evitar a confusão durante o discurso, preencha a tabela abaixo com o
significado das seguintes palavras:

Tabela1
Palavra conhecida Significado
Descrição
Infligir
Deferir
Ratificar
Tráfego
Eminente
Vultoso

30 
 
 
 
Questionário Avaliativo retirado de Hill (2009)

Você sabe se comunicar com clareza?


1. Que quantidade de informação você acha que consegue assimilar quando
escuta alguém?
a) O dobro das que estão sendo transmitidas
b) Somente as que estão sendo transmitidas
c) Dez vezes mais do que é transmitido
2. Quando alguém fala com você, qual é a sua atitude?
a) Você escuta e, só.
b) Você se esforça para demonstrar atenção?
c) Você interrompe frequentemente seu interlocutor?
3. Se você desconfia que esteja conversando com alguém que tenta esconder algo
que você precisa saber, como entra no assunto?
a) Pergunta se não há mais nada a ser dito
b) Sugere que vocês estão esquecendo-se de alguma coisa
c) Pede diretamente a informação
4. O que você entende por “pergunta fechada”?
a) Aquela cuja resposta é “sim” ou “não”.
b) É uma pergunta que não tem resposta.
c) É uma pergunta indiscreta
5. Se durante uma conversa, seu interlocutor usa uma palavra que você
desconhece você:
a) Pede explicações, sem constrangimento
b) Força o significado da palavra no contexto, para tentar entendê-la
c) Simplesmente continua a conversa
6. Ao encontrar uma pessoa pela primeira vez, como você se comporta?
a) Deixa que o outro fale
b) Procura dividir a conversa
c) Você fala o tempo todo
7. Se você precisar escrever uma carta com um assunto delicado, como você a
redigiria?
a) Com precisão, usando um tom coloquial
b) Com termos formais, mas, aplicáveis ao assunto

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c) Refere-se apenas ao essencial, com poucas palavras
8. A comunicação ocorre através da linguagem verbal e corporal. Em sua opinião,
em que parcelas cada uma destas formas assumem durante a conversa:
a) Um terço de linguagem verbal e dois terços de linguagem corporal
b) Meio a meio
c) Um terço de linguagem corporal e dois terços de linguagem verbal
9. Seu interlocutor fala, fala, fala e não conclui o assunto. Como você reage:
a) Chama delicadamente sua atenção para o fato
b) Escuta passivamente
c) Interrompe a conversa
10. De repente, você tem uma frase brilhante na ponta da língua, mas se disser
interromperá a conversa. O que você faz?
a) Fica de boca fechada
b) Arma uma expressão facial divertida, para chamar a atenção do seu interlocutor
c) Interrompe a conversa para não perder a oportunidade
11. Seu interlocutor não entendeu a ideia que você acabou de expor. Como você
reage:
a) Preocupa-se em reformular a ideia de outra maneira para que ele entenda
b) Repete o conceito exatamente como da primeira vez
c) Fica zangado
12. Durante a conversa, você revela mais do que gostaria e fica preocupado. Você
então:
a) Vai com calma e dá apenas as informações necessárias ao caso
b) Procura falar menos
c) Escapa usando uma linguagem esquisita e obscura

13. Em certo momento, seu interlocutor reage exatamente como você. Como você
encara isto?
a) Procura entender como sendo normal para a pessoa
b) Dá a ela o mesmo significado que teria se fosse com você
c) Simplesmente ignora o fato
14. Você não entende bem a pergunta que lhe foi feita. Ao responder, você:
a) Diz claramente que não entendeu e pede explicações

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b) Não responde
c) Dá uma resposta generalizada
15. Você percebe que seu interlocutor está relutante quanto a sua sugestão. O que
você faz?
a) Pergunta qual é a dúvida sobre a questão apresentada
b) Espera por outra ocasião mais adequada para tentar novamente
c) Insiste com seus argumentos
16. Alguém lhe faz uma pergunta capciosa. Qual é a sua reação?
a) Diz que prefere não responde
b) Inventa uma mentira
c) Fica zangado.
Avaliação: As respostas “A” valem 3 pontos. Para cada resposta “B”marque, 2 pontos
para “A” e 1 ponto para “C”. Após a soma, veja como está sua comunicação diária: De
48 a 40 pontos:

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5 – CONCLUSÃO
 
O texto presente chega ao fim. Não, o seu estudo. O segredo da boa oratória é
o treino e acima de tudo a coragem, coragem em não desistir e enfrentar os medos,
buscar novos desafios e novos ambientes com possibilidades aprendizado e
aperfeiçoamento.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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REFERÊNCIAS

BEHLAU M.(Org.). Voz: O livro do especialista. VI. Rio de Janeiro: Revinter, 2004.

BEHLAU, M.; FEIJÓ, D.; MADÁZIO, G.; REHDER, M.I.; AZEVEDO, R.; FERREIRA, A.
E. Voz profissional: aspectos gerais e atuação fonoaudiológica. In: BEHLAU M. (Org.).
Voz: o livro do especialista. V.2. Rio de Janeiro: Revinter, 2005. p. 287-407.

CAMARGOS. S. Técnicas para apresentações públicas e reuniões empresariais.


Primavera. Florianópolis. 2007

HILL, S. Oratória: o Poder da Comunicação com o Público. Clube de Autores. Poços de


Caldas. 2009.

LOPES, V. Oratória e Fonoaudiologia Estética. Pró Fono . São Paulo. 2000.

OLIVEIRA, D. S. F. Distúrbios vocais e problemas de entoação: estratégias articulatórias


e correlatos acústicos. 2004. [tese] - Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2004.

PEREIRA, A.C. Comunicação. Senac. Goiânia. 2013

PRATES. C. Falando em Público Com Sucesso. Biblioteca Nacional. Rio de Janeiro


2007

SOBRINHO, G. C. Organização e gerenciamento de acervos, editoração, normalização


técnica e comunicação. OAB ESA – ORATÓRIA. Passadori. São Paulo. 2012

VELOSO, de W. P. A arte de falar em público. Disponível


em:<http://www.waldirdepinhoveloso.com/artigos/aartedefalarempublico.pdf>.Acesso
em: 10 set. 2007.

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