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CADERNO DE INFORMATIVOS

Supremo Tribunal Federal

INFOS 851 A 947

Por @LexMagis

Venda Proibida – Autorizado Compartilhamento


Atualizado até 19.09.2019

1
Sumário
1. DIREITO ADMINISTRATIVO ................................................................................................. 10
1.1. Abono Permanência ............................................................................................................ 10
1.2. Acordo de Leniência ........................................................................................................... 10
1.3. Acumulação de Cargos ........................................................................................................ 10
1.4. Agências Reguladoras ......................................................................................................... 11
1.5. Agentes Políticos ................................................................................................................. 11
1.6. Anistia Política .................................................................................................................... 11
1.7. Aposentadoria ...................................................................................................................... 12
1.8. Ato Administrativo .............................................................................................................. 14
1.9. Bens Públicos ...................................................................................................................... 14
1.10. Código de Trânsito .......................................................................................................... 15
1.11. Compartilhamento de Prova ............................................................................................ 15
1.12. Concessão de Serviço Público ......................................................................................... 16
1.13. Concurso Público ............................................................................................................. 16
1.14. Confisco do art. 243 da CF/88 ......................................................................................... 17
1.15. Conselhos Profissionais ................................................................................................... 17
1.16. Contratação Temporária .................................................................................................. 17
1.17. Contratos Administrativos ............................................................................................... 17
1.18. Desapropriação ................................................................................................................ 18
1.19. Empresas Públicas ........................................................................................................... 19
1.20. Fundações ........................................................................................................................ 19
1.21. FUNDEF .......................................................................................................................... 20
1.22. Greve................................................................................................................................ 20
1.23. Improbidade Administrativa ............................................................................................ 21
1.24. Licitação .......................................................................................................................... 22
1.25. Nepotismo ........................................................................................................................ 22
1.26. Organização Administrativa ............................................................................................ 23
1.27. Pensão .............................................................................................................................. 23
1.28. Posse Tardia em Cargo Público por Determinação Judicial ............................................ 23
1.29. Precatórios ....................................................................................................................... 24
1.30. Regime Próprio de Previdência Social ............................................................................ 25
1.31. Regularização Fundiária .................................................................................................. 25

2
1.32. Responsabilidade Civil do Estado ................................................................................... 25
1.33. Servidores Públicos ......................................................................................................... 27
1.34. Servidores Temporários ................................................................................................... 33
1.35. Sociedade de Economia Mista ......................................................................................... 34
2. DIREITO AMBIENTAL ............................................................................................................ 34
2.1. Amianto ............................................................................................................................... 34
2.2. Animais ............................................................................................................................... 35
2.3. Áreas de Preservação Permanente ....................................................................................... 35
2.4. Código Florestal .................................................................................................................. 35
2.5. Competências ...................................................................................................................... 36
2.6. Organismos Geneticamente Modificados ........................................................................... 37
2.7. SISNAMA ........................................................................................................................... 37
2.8. Unidades de Conservação ................................................................................................... 37
3. DIREITO CIVIL ......................................................................................................................... 38
3.1. Alimentos ............................................................................................................................ 38
3.2. Autonomia das Entidades Desportivas ................................................................................ 38
3.3. Bem de Família ................................................................................................................... 38
3.4. Direito à Imagem ................................................................................................................. 38
3.5. Responsabilidade Civil e Transporte Aéreo ........................................................................ 39
3.6. Transgênero ......................................................................................................................... 39
3.7. União Estável ...................................................................................................................... 40
4. DIREITO CONSTITUCIONAL ................................................................................................ 40
4.1. ADPF ................................................................................................................................... 40
4.2. Advocacia Pública ............................................................................................................... 41
4.3. Amicus Curiae ..................................................................................................................... 45
4.4. Cláusula de Reserva de Plenário ......................................................................................... 45
4.5. Competências Legislativas .................................................................................................. 46
4.6. Comunicação Social ............................................................................................................ 54
4.7. Comunidades Quilombolas ................................................................................................. 55
4.8. Conselho Nacional de Justiça .............................................................................................. 56
4.9. Conselho Nacional do Ministério Público........................................................................... 59
4.10. Contribuição Sindical ...................................................................................................... 59
4.11. Controle de Constitucionalidade...................................................................................... 60

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4.12. Cotas Raciais em Concurso Público ................................................................................ 66
4.13. CPI ................................................................................................................................... 67
4.14. Defensoria Pública ........................................................................................................... 67
4.15. Direito Adquirido............................................................................................................. 69
4.16. Direito à Educação ........................................................................................................... 69
4.17. Direito à Informação ........................................................................................................ 70
4.18. Direito à Saúde ................................................................................................................ 71
4.19. Direito de Resposta .......................................................................................................... 71
4.20. Direitos Políticos ............................................................................................................. 72
4.21. Direitos Sociais ................................................................................................................ 72
4.22. Educação .......................................................................................................................... 73
4.23. Emendas Constitucionais ................................................................................................. 74
4.24. Exercício Profissional ...................................................................................................... 75
4.25. Homeschooling ................................................................................................................ 75
4.26. Imunidade Material .......................................................................................................... 75
4.27. Imunidade Parlamentar .................................................................................................... 75
4.28. Inelegibilidades ................................................................................................................ 77
4.29. Liberdade de Expressão ................................................................................................... 77
4.30. Liberdade Religiosa ......................................................................................................... 79
4.31. Livre Iniciativa................................................................................................................. 79
4.32. Medida Provisória ............................................................................................................ 79
4.33. Ministério Público ........................................................................................................... 82
4.34. Nacionalidade .................................................................................................................. 83
4.35. Normas de Constituições Estaduais Examinadas pelo STF ............................................ 84
4.36. Ordem Econômica ........................................................................................................... 84
4.37. Organização do Estado .................................................................................................... 84
4.38. Perda do Mandato de Deputados e Senadores ................................................................. 85
4.39. Poder Executivo ............................................................................................................... 85
4.40. Poder Judiciário ............................................................................................................... 86
4.41. Poder Legislativo ............................................................................................................. 89
4.42. Presidente da República ................................................................................................... 90
4.43. Processo Legislativo ........................................................................................................ 91
4.44. Saúde................................................................................................................................ 91

4
4.45. Sigilo Bancário ................................................................................................................ 92
4.46. Tribunal de Contas ........................................................................................................... 92
4.47. Voto Impresso .................................................................................................................. 95
5. DIREITO DO CONSUMIDOR .................................................................................................. 96
5.1. Competências Legislativas .................................................................................................. 96
5.2. Responsabilidade Civil e Transporte Aéreo ........................................................................ 96
5.3. Plano de Saúde .................................................................................................................... 97
6. DIREITO DO TRABALHO ....................................................................................................... 97
6.1. Comissão de Conciliação Prévia ......................................................................................... 97
6.2. Contribuição Sindical .......................................................................................................... 98
6.3. Direitos Sociais.................................................................................................................... 98
6.4. Estabilidade ......................................................................................................................... 99
6.5. FGTS ................................................................................................................................... 99
6.6. Greve ................................................................................................................................. 100
6.7. Terceirização ..................................................................................................................... 100
6.8. Trabalho por Prazo Determinado ...................................................................................... 101
7. DIREITO ELEITORAL ........................................................................................................... 101
7.1. Financiamento de Campanha Eleitoral.............................................................................. 101
7.2. Fundo Partidário ................................................................................................................ 101
7.3. Inelegibilidades ................................................................................................................. 102
7.4. Infidelidade Partidária ....................................................................................................... 103
7.5. Lei da Ficha Limpa............................................................................................................ 103
7.6. Liberdade de Expressão..................................................................................................... 104
7.7. Propaganda Eleitoral ......................................................................................................... 104
7.8. Recurso Contra a Expedição de Diploma.......................................................................... 105
7.9. Título de Eleitor................................................................................................................. 105
7.10. Vacância de Cargos Políticos ........................................................................................ 105
7.11. Voto Impresso ................................................................................................................ 106
8. DIREITO FINANCEIRO ......................................................................................................... 106
8.1. Orçamento Público ............................................................................................................ 106
9. DIREITO INTERNACIONAL ................................................................................................. 107
9.1. Exequatur........................................................................................................................... 107
9.2. Extradição .......................................................................................................................... 108

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10. DIREITO NOTORIAL E REGISTRAL ............................................................................... 110
10.1. Concurso Público ........................................................................................................... 110
10.2. Juiz de Paz e Remuneração............................................................................................ 111
10.3. Permuta e Reclamação ................................................................................................... 111
10.4. Regime Jurídico ............................................................................................................. 112
10.5. Registro Civil ................................................................................................................. 112
10.6. Responsabilidade Civil .................................................................................................. 113
11. DIREITO PENAL ................................................................................................................. 113
11.1. Atividade Clandestina de Telecomunicações ................................................................ 113
11.2. Calúnia Eleitoral ............................................................................................................ 113
11.3. Código de Trânsito ........................................................................................................ 114
11.4. Confisco de Bens ........................................................................................................... 114
11.5. Continuidade Delitiva .................................................................................................... 114
11.6. Contrabando ................................................................................................................... 114
11.7. Corrupção Passiva ......................................................................................................... 115
11.8. Crimes Contra a Administração Pública........................................................................ 115
11.9. Crimes Contra a Dignidade Sexual................................................................................ 116
11.10. Crimes Contra a Ordem Tributária ................................................................................ 117
11.11. Crimes da Lei de Licitações .......................................................................................... 118
11.12. Crimes de Responsabilidade dos Prefeitos .................................................................... 120
11.13. Crime Eleitoral............................................................................................................... 120
11.14. Crimes Funcionais ......................................................................................................... 121
11.15. Crimes Hediondos ......................................................................................................... 121
11.16. Crimes Políticos ............................................................................................................. 121
11.17. Desacato ......................................................................................................................... 122
11.18. Descaminho ................................................................................................................... 122
11.19. Difamação ...................................................................................................................... 122
11.20. Dosimetria da Pena ........................................................................................................ 123
11.21. Falsidade Ideológica ...................................................................................................... 123
11.22. Furto ............................................................................................................................... 124
11.23. Homicídio ...................................................................................................................... 124
11.24. Injúria ............................................................................................................................. 124
11.25. Latrocínio ....................................................................................................................... 125

6
11.26. Lavagem de Dinheiro .................................................................................................... 125
11.27. Lei de Drogas ................................................................................................................. 127
11.28. Lei Maria da Penha ........................................................................................................ 129
11.29. Multa .............................................................................................................................. 129
11.30. Prescrição ....................................................................................................................... 130
11.31. Princípio da Insignificância ........................................................................................... 130
11.32. Racismo ......................................................................................................................... 133
11.33. Regime Inicial ................................................................................................................ 135
11.34. Teoria do Domínio do Fato............................................................................................ 135
12. DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL MILITAR ................................................... 135
12.1. Crime Militar ................................................................................................................. 136
12.2. Desacato ......................................................................................................................... 136
12.3. Violência Contra Inferior ............................................................................................... 136
13. DIREITO PREVIDENCIÁRIO ............................................................................................ 137
13.1. Auxílio Acompanhante .................................................................................................. 137
13.2. Benefício de Prestação Continuada ............................................................................... 138
13.3. Segurados ....................................................................................................................... 138
14. DIREITO PROCESSUAL CIVIL ........................................................................................ 138
14.1. Ação Anulatória ............................................................................................................. 138
14.2. Ação Civil Pública ......................................................................................................... 138
14.3. Ação Coletiva Proposta por Associação ........................................................................ 139
14.4. Ação Rescisória ............................................................................................................. 140
14.5. Coisa Julgada ................................................................................................................. 140
14.6. Competência .................................................................................................................. 141
14.7. Embargos de Declaração ............................................................................................... 144
14.8. Execução ........................................................................................................................ 144
14.9. Execução Contra a Fazenda Pública .............................................................................. 144
14.10. Fazenda Pública em Juízo .............................................................................................. 145
14.11. Honorários Advocatícios ............................................................................................... 145
14.12. Inquérito Civil ................................................................................................................ 147
14.13. Julgamento por Amostragem do REsp e RE ................................................................. 147
14.14. Mandado de Segurança .................................................................................................. 148
14.15. Precatórios ..................................................................................................................... 149

7
14.16. Reclamação .................................................................................................................... 150
14.17. Recurso Extraordinário .................................................................................................. 151
14.18. Recursos ......................................................................................................................... 152
14.19. Requisição de Pequeno Valor ........................................................................................ 153
15. DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO....................................................................... 153
15.1. Ação Rescisória ............................................................................................................. 153
15.2. Comissão de Conciliação Prévia ................................................................................... 153
15.3. Competência .................................................................................................................. 154
15.4. Participação em Espetáculos Públicos ........................................................................... 155
16. DIREITO PROCESSUAL PENAL ...................................................................................... 155
16.1. Ação Penal ..................................................................................................................... 155
16.2. Arquivamento ................................................................................................................ 155
16.3. Arresto ........................................................................................................................... 156
16.4. Audiência de Custódia ................................................................................................... 157
16.5. Colaboração Premiada ................................................................................................... 157
16.6. Competência .................................................................................................................. 161
16.7. Denúncia ........................................................................................................................ 163
16.8. Embargos Infringentes ................................................................................................... 164
16.9. Emendatio Libelli .......................................................................................................... 164
16.10. Execução Penal .............................................................................................................. 164
16.11. Foro por Prerrogativa de Função ................................................................................... 166
16.12. Habeas Corpus ............................................................................................................... 169
16.13. Impedimentos ................................................................................................................ 173
16.14. Indulto ............................................................................................................................ 173
16.15. Inquérito Policial ........................................................................................................... 174
16.16. Interceptação Telefônica ................................................................................................ 175
16.17. Interrogatório ................................................................................................................. 177
16.18. Julgamento por Amostragem de REsp e RE.................................................................. 177
16.19. Medida de Segurança ..................................................................................................... 178
16.20. Nulidades ....................................................................................................................... 178
16.21. Prisão ............................................................................................................................. 180
16.22. Prisão Preventiva ........................................................................................................... 183
16.23. Progressão de Regime.................................................................................................... 185

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16.24. Provas ............................................................................................................................ 185
16.25. Queixa-Crime ................................................................................................................ 189
16.26. Reclamação .................................................................................................................... 189
16.27. Recursos ......................................................................................................................... 191
16.28. Remição de Pena............................................................................................................ 192
16.29. Sentença ......................................................................................................................... 193
16.30. Suspeição ....................................................................................................................... 194
16.31. Suspensão Condicional do Processo .............................................................................. 194
16.32. Sustentação Oral ............................................................................................................ 194
16.33. Tribunal do Júri.............................................................................................................. 194
16.34. Uso de Armas de Menor Potencial Ofensivo ................................................................ 196
17. DIREITO TRIBUTÁRIO ..................................................................................................... 196
17.1. Cofins ............................................................................................................................. 196
17.2. Contribuição Previdenciária .......................................................................................... 197
17.3. Contribuições ................................................................................................................. 197
17.4. CSLL.............................................................................................................................. 198
17.5. Depositário Infiel de Débitos Tributários ...................................................................... 198
17.6. Direito Financeiro .......................................................................................................... 199
17.7. ICMS.............................................................................................................................. 199
17.8. Imunidade Tributária ..................................................................................................... 200
17.9. IPI .................................................................................................................................. 203
17.10. ISS.................................................................................................................................. 204
17.11. ITR ................................................................................................................................. 204
17.12. PIS/COFINS .................................................................................................................. 204
17.13. Prescrição ....................................................................................................................... 205
17.14. Taxas .............................................................................................................................. 206
18. ESTATUTO DE CRIANÇA E DO ADOLESCENTE ......................................................... 206
18.1. Participação em Espetáculos Públicos ........................................................................... 206
18.2. Recolhimento Compulsório de Criança ......................................................................... 207

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CADERNO DE JURISPRUDÊNCIA – DIZER O DIREITO

SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - STF

1. DIREITO ADMINISTRATIVO
1.1. Abono Permanência

Magistrado que estava recebendo abono de permanência e foi promovido terá direito de
continuar percebendo o benefício.
A ocupação de novo cargo dentro da estrutura do Poder Judiciário, pelo titular do abono de
permanência, não implica a cessação do benefício.
Ex: determinada pessoa ocupa o cargo de Desembargador do Trabalho e está recebendo abono de
permanência; se ela for promovida ao cargo de Ministro do TST, terá direito de continuar recebendo
o abono, não sendo necessário completar cinco anos no cargo de Ministro para requerer o benefício.
STF. 1ª Turma. MS 33424/DF e MS 33456/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 28/3/2017 (Info
859).

1.2. Acordo de Leniência

É possível o compartilhamento das provas obtidas no acordo de leniência, desde que sejam
respeitados os limites estabelecidos no acordo em relação aos aderentes.
É possível o compartilhamento, para outros órgãos e autoridades públicas, das provas obtidas no
acordo de leniência, desde que sejam respeitados os limites estabelecidos no acordo em relação aos
aderentes.
Assim, por exemplo, se uma empresa celebra acordo de leniência com o MPF aceitando fornecer
provas contra si, estas provas somente poderão ser utilizadas para as sanções que foram ajustadas no
acordo.
No entanto, nada impede que tais provas sejam fornecidas (compartilhadas) para os órgãos de
apuração para que sejam propostas medidas contra as outras pessoas envolvidas nos ilícitos e que não
fizeram parte do acordo.
STF. 2ª Turma. Inq 4420/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 21/8/2018 (Info 913)

1.3. Acumulação de Cargos

Importante!!!
É possível a acumulação de cargos mesmo que a jornada semanal ultrapasse 60h.
A acumulação de cargos públicos de profissionais da área de saúde, prevista no art. 37, XVI, da
CF/88, não se sujeita ao limite de 60 horas semanais previsto em norma infraconstitucional, pois
inexiste tal requisito na Constituição Federal.
O único requisito estabelecido para a acumulação é a compatibilidade de horários no exercício das
funções, cujo cumprimento deverá ser aferido pela administração pública.

10
STF. 1ª Turma. RE 1176440/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 9/4/2019 (Info 937).
STF. 2ª Turma. RMS 34257 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 29/06/2018.
STJ. 1ª Seção. REsp 1767955/RJ, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 27/03/2019.

1.4. Agências Reguladoras

É constitucional a previsão de que a ANVISA pode proibir produtos e insumos em caso de


violação da legislação ou de risco iminente à saúde, inclusive cigarros com sabor e aroma.
É constitucional o art. 7º, III e XV, da Lei nº 9.782/99, que preveem que compete à ANVISA:
III - estabelecer normas, propor, acompanhar e executar as políticas, as diretrizes e as ações de
vigilância sanitária;
XV - proibir a fabricação, a importação, o armazenamento, a distribuição e a comercialização de
produtos e insumos, em caso de violação da legislação pertinente ou de risco iminente à saúde;
Entendeu-se que tais normas consagram o poder normativo desta agência reguladora, sendo
importante instrumento para a implementação das diretrizes, finalidades, objetivos e princípios
expressos na Constituição e na legislação setorial.
Além disso, o STF, após empate na votação, manteve a validade da Resolução RDC
14/2012ANVISA, que proíbe a comercialização no Brasil de cigarros com sabor e aroma. Esta parte
do dispositivo não possui eficácia erga omnes e efeito vinculante. Significa dizer que, provavelmente,
as empresas continuarão ingressando com ações judiciais, em 1ª instância, alegando que a Resolução
é inconstitucional e pedindo a liberação da comercialização dos cigarros com aroma. Os juízes e
Tribunais estarão livres para, se assim entenderem, declararem inconstitucional a Resolução e
autorizar a venda. Existem, inclusive, algumas decisões nesse sentido e que continuam valendo.
STF. Plenário. ADI 4874/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 1º/2/2018 (Info 889).

1.5. Agentes Políticos

Exercentes de mandato eletivo que não forem vinculados a regime próprio deverão pagar
contribuição previdenciária ao RGPS.
Incide contribuição previdenciária sobre os rendimentos pagos aos exercentes de mandato eletivo,
decorrentes da prestação de serviços à União, aos Estados e ao Distrito Federal ou aos Municípios,
após o advento da Lei nº 10.887/2004, desde que não vinculados a regime próprio de previdência.
STF. Plenário. RE 626837/GO, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 25/5/2017 (repercussão geral)
(Info 866).

1.6. Anistia Política

Pagamento dos valores retroativos a anistiados políticos.


1 - Reconhecido o direito à anistia política, a falta de cumprimento de requisição ou determinação de
providências por parte da União, por intermédio do órgão competente, no prazo previsto nos artigos
12, parágrafo 4º, e 18, caput, parágrafo único, da Lei 10.559 de 2002, caracteriza ilegalidade e
violação de direito líquido e certo.

11
2 - Havendo rubricas no orçamento destinadas ao pagamento das indenizações devidas aos anistiados
políticos, e não demonstrada a ausência de disponibilidade de caixa, a União há de promover o
pagamento do valor ao anistiado no prazo de 60 dias.
3 - Na ausência ou na insuficiência de disponibilidade orçamentária no exercício em curso, cumpre à
União promover sua previsão no projeto de lei orçamentária imediatamente seguinte.
STF. Plenário. RE 553710/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 17/11/2016 (repercussão geral)
(Info 847).
STF. 1ª Turma. RMS 28201/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 25/9/2018 (Info 917).

O acórdão concessivo do MS que determina o pagamento retroativo dos valores devidos a


anistiado político deve incluir também os juros de mora e correção monetária.
Não é necessário o ajuizamento de ação autônoma para o pagamento dos consectários legais inerentes
à reparação econômica devida a anistiado político e reconhecida por meio de Portaria do Ministro da
Justiça, a teor do disposto no art. 8º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) e
no art. 6º, § 6º, da Lei 10.559/2002.
STF. 1ª Turma. RMS 36182/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 14/5/2019 (Info 940).

1.7. Aposentadoria

Aproveitamento do tempo trabalhado como aluno-aprendiz.


O servidor que trabalhou como "aluno-aprendiz" pode utilizar este período como tempo de serviço
para fins de aposentadoria?
Sim, no entanto, para isso é necessário que ele apresente certidão do estabelecimento de ensino
frequentado. Tal documento deve atestar a condição de aluno-aprendiz e o recebimento de retribuição
pelos serviços executados, consubstanciada em auxílios materiais diversos.
Com a edição da Lei nº 3.353/59, passou-se a exigir, para a contagem do tempo mencionado, a
demonstração de que a mão de obra foi remunerada com o pagamento de encomendas. O elemento
essencial à caracterização do tempo de serviço como aluno-aprendiz não é a percepção de vantagem
direta ou indireta, mas a efetiva execução do ofício para o qual recebia instrução, mediante
encomendas de terceiros.
Como consequência, a declaração emitida por instituição de ensino profissionalizante somente
comprova o período de trabalho caso registre expressamente a participação do educando nas
atividades laborativas desenvolvidas para atender aos pedidos feitos às escolas.
STF. 1ª Turma. MS 31518/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 7/2/2017 (Info 853).

Juiz Federal que completou os requisitos para se aposentar quando ainda vigorava o art. 192,
I, da Lei 8.112/90 tem direito de se aposentar com proventos de Desembargador.
A redação originária do art. 192, I, da Lei nº 8.112/90 previa que o servidor público federal, ao se
aposentar, deveria receber, como proventos, a remuneração da classe superior a que pertencia. Esse
art. 192 foi revogado em 1997 pela Lei nº 9.527.
Determinado Juiz Federal completou os requisitos para se aposentar em 1994. No entanto, optou por
continuar trabalhando até 2010, quando pediu a aposentadoria.
O STF entendeu que, como ele preencheu os requisitos para se aposentar em 1994, ou seja, antes da
Lei nº 9.527/97, ele teria direito à regra prevista no art. 192, I, da Lei nº 8.112/90.

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Logo, ele, ao se aposentar como Juiz Federal, tem direito de receber os proventos como se fosse
Desembargador Federal (classe imediatamente superior àquela em que ele se encontrava
posicionado).
STF. 1ª Turma. MS 32726/DF, rel. orig. Min. Roberto Barroso, red. p/ o ac. Min. Marco Aurélio,
julgado em 7/2/2017 (Info 853).

Não se aplica a aposentadoria compulsória para titulares de serventias judiciais não estatizadas
não ocupantes de cargo público e que não recebam remuneração dos cofres públicos.
Não se aplica a aposentadoria compulsória prevista no art. 40, § 1º, II, da CF aos titulares de serventias
judiciais não estatizadas, desde que não sejam ocupantes de cargo público efetivo e não recebam
remuneração proveniente dos cofres públicos.
STF. Plenário. RE 647827/PR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 15/2/2017 (repercussão geral)
(Info 854).

EC 70/2012 produz efeitos financeiros somente a partir da data de sua promulgação.


Os efeitos financeiros das revisões de aposentadoria concedida com base no art. 6º-A da EC 41/2003,
introduzido pela EC 70/2012, somente se produzirão a partir da data de sua promulgação (30/3/2012).
STF. Plenário. RE 924456/RJ, rel. orig. Min. Dias Toffoli, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes,
julgado em 5/4/2017 (Info 860).

Importante!!!
Guardas municipais não têm direito à aposentadoria especial.
Aposentadoria especial é aquela cujos requisitos e critérios exigidos do beneficiário são mais
favoráveis que os estabelecidos normalmente para as demais pessoas.
A CF/88 prevê que os servidores que exerçam atividades de risco têm direito à aposentadoria especial,
segundo requisitos e condições previstas em lei complementar (art. 40, § 4º, II, “b”).
Diante da ausência de legislação específica, não cabe ao Poder Judiciário garantir aposentadoria
especial (art. 40, § 4º, II, da CF/88) às guardas municipais.
A aposentadoria especial não pode ser estendida aos guardas civis, uma vez que suas atividades
precípuas não são inequivocamente perigosas e, ainda, pelo fato de não integrarem o conjunto de
órgãos de segurança pública relacionados no art. 144, I a V, da CF/88.
STF. Plenário. MI 6515/DF, MI 6770/DF, MI 6773/DF, MI 6780/DF, MI 6874/DF, Rel. Min. Roberto
Barroso, julgados em 20/6/2018 (Info 907).

Funpresp e data limite para adesão ao regime de previdência complementar.


O art. 3º, § 7º, da Lei nº 12.618/2012 e o art. 92 da Lei nº 13.328/2016 previram que os servidores
titulares de cargos efetivos da União (inclusive magistrados, membro do MP e do TCU) poderiam
aderir, até o dia 29/07/2018, aos planos de benefícios administrados por entidades fechadas de
previdência complementar.
Duas associações de magistrados ingressaram com ação requerendo a prorrogação deste prazo.
O STF, contudo, negou o pedido.
O deferimento do pleito representaria indevida manipulação de opção político-normativa do
Parlamento.

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Ao STF, à semelhança do que ocorre com as demais Cortes Constitucionais, cabe exercer o papel de
legislador negativo. É sua a relevante função de extirpar do ordenamento jurídico normas
incompatíveis com a Lei Maior, devendo, exatamente por esse motivo, atuar com parcimônia.
Não há, sob o ângulo material ou formal, qualquer traço de incompatibilidade direta com a
Constituição Federal.
STF. Plenário. ADI 4885 MC/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 27/6/2018 (Info 908).

1.8. Ato Administrativo

MP que confere status de Ministro de Estado ao chefe da Secretaria-Geral da Presidência da


República não é inconstitucional por desvio de finalidade.
Não é inconstitucional medida provisória que, ao tratar sobre os órgãos vinculados à Presidência da
República, confere status de Ministro de Estado ao chefe da Secretaria-Geral da Presidência da
República, ainda que seu titular a ser nomeado, venha a ter foro por prerrogativa de função no STF.
Não há desvio de finalidade na edição deste ato.
A norma, ao estabelecer a organização básica dos Ministérios e demais órgãos ligados à Presidência
da República, é matéria que está no âmbito decisório do chefe do Poder Executivo da União.
Não se sustenta, do ponto de vista jurídico, o argumento de que a criação da Secretaria-Geral com
status de Ministério de Estado implicaria burla aos postulados constitucionais de moralidade e
probidade na Administração, porque a criação ou extinção de ministérios e órgãos da Presidência
também está no campo de decisão do chefe do Poder Executivo.
A nomeação de determinada pessoa para o cargo de Ministro de Estado é um ato subsequente e que,
em princípio, está na alçada político-administrativa do Presidente da República (art. 84), desde que
presentes os requisitos do art. 87 da CF/88.
STF. Plenário. ADI 5717/DF, ADI 5709/DF, ADI 5716/DF e ADI 5727/DF, Rel. Min. Rosa Weber,
julgados em 27/3/2019 (Info 935).

O Poder Judiciário não pode fazer a revisão judicial do mérito da decisão administrativa
proferida pelo CADE.
A expertise técnica e a capacidade institucional do CADE em questões de regulação econômica exige
que o Poder Judiciário tenha uma postura deferente (postura de respeito) ao mérito das decisões
proferidas pela Autarquia.
A análise jurisdicional deve se limitar ao exame da legalidade ou abusividade do ato administrativo.
O CADE é quem detém competência legalmente outorgada para verificar se a conduta de agentes
econômicos gera efetivo prejuízo à livre concorrência.
As sanções antitruste, aplicadas pelo CADE por força de ilicitude da conduta empresarial, dependem
das consequências ou repercussões negativas no mercado analisado, sendo certo que a identificação
de tais efeitos anticompetitivos reclama acentuada expertise.
STF. 1ª Turma. RE 1083955/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 28/5/2019 (Info 942).

1.9. Bens Públicos

Importante!!!

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Continuam pertencendo à União os terrenos de marinha situados em ilha costeira que seja sede
de Município.
A EC 46/2005 não interferiu na propriedade da União, nos moldes do art. 20, VII, da Constituição
Federal, sobre os terrenos de marinha e seus acrescidos situados em ilhas costeiras sede de
Municípios.
STF. Plenário. RE 636199/ES, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 27/4/2017 (repercussão geral)
(Info 862).

Não se pode caracterizar as terras ocupadas pelos indígenas como devolutas.


As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios são bens da União (art. 20, XI, da CF/88) e, portanto,
não podem ser consideradas como terras devolutas de domínio do Estado-membro.
STF. Plenário. ACO 362/MT e ACO 366/MT, Rel. Min. Marco Aurélio, julgados em 16/8/2017 (Info
873).

1.10. Código de Trânsito

CTB pode exigir a quitação do pagamento dos tributos, encargos e multas como condição para
que o veículo possa circular.
O CTB prevê que só poderá ser expedido novo certificado de registro de veículo e novo certificado
de licenciamento anual se ficar comprovado o pagamento dos débitos relativos a tributos, encargos e
multas vinculadas ao veículo, independentemente da responsabilidade pelas infrações cometidas
(arts. 124, VIII, 128, e 131, § 2º). Tais dispositivos são constitucionais e não limitam o direito de
propriedade. Além disso, não se constituem em sanções políticas.
STF. Plenário. ADI 2998/DF, rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Ricardo Lewandowski,
julgado em 10/04/2019 (Info 937).

Resolução do CONTRAN não pode estabelecer penalidades, devendo as sanções ser previstas
em lei em sentido formal e material.
O art. 161 do CTB prevê que:
Art. 161. Constitui infração de trânsito a inobservância de qualquer preceito deste Código, da
legislação complementar ou das resoluções do CONTRAN, sendo o infrator sujeito às penalidades e
medidas administrativas indicadas em cada artigo, além das punições previstas no Capítulo XIX.
Parágrafo único. As infrações cometidas em relação às resoluções do CONTRAN terão suas
penalidades e medidas administrativas definidas nas próprias resoluções.
O STF conferiu interpretação conforme a Constituição, para declarar inconstitucional a possibilidade
do estabelecimento de sanção por parte do CONTRAN, como se órgão legislativo fosse, visto que as
penalidades têm de estar previstas em lei em sentido formal e material.
Além disso, o Tribunal declarou a nulidade da expressão “ou das Resoluções do Contran” presente
neste artigo.
STF. Plenário. ADI 2998/DF, rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Ricardo Lewandowski,
julgado em 10/04/2019 (Info 937).

1.11. Compartilhamento de Prova

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É possível o compartilhamento das provas obtidas no acordo de leniência, desde que sejam
respeitados os limites estabelecidos no acordo em relação aos aderentes.
É possível o compartilhamento, para outros órgãos e autoridades públicas, das provas obtidas no
acordo de leniência, desde que sejam respeitados os limites estabelecidos no acordo em relação aos
aderentes.
Assim, por exemplo, se uma empresa celebra acordo de leniência com o MPF aceitando fornecer
provas contra si, estas provas somente poderão ser utilizadas para as sanções que foram ajustadas no
acordo.
No entanto, nada impede que tais provas sejam fornecidas (compartilhadas) para os órgãos de
apuração para que sejam propostas medidas contra as outras pessoas envolvidas nos ilícitos e que não
fizeram parte do acordo.
STF. 2ª Turma. Inq 4420/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 21/8/2018 (Info 913)

1.12. Concessão de Serviço Público

Importante!!!
A concessionária não tem direito adquirido à renovação do contrato de concessão.
A concessionária não tem direito adquirido à renovação do contrato de concessão de usina
hidrelétrica.
A União possui a faculdade de prorrogar ou não o contrato de concessão, tendo em vista o interesse
público, não se podendo invocar direito líquido e certo a tal prorrogação. Dessa forma, a prorrogação
do contrato administrativo insere-se no campo da discricionariedade.
A Lei nº 12.783/2013 subordinou a prorrogação dos contratos de concessão de geração, transmissão
e distribuição de energia elétrica à aceitação expressa de determinadas condições. Se estas são
recusadas pela concessionária, a Administração Pública não é obrigada a renovar a concessão.
A Lei nº 12.783/2013 pode ser aplicada para a renovação de contratos ocorrida após a sua vigência
mesmo que a assinatura do pacto original tenha ocorrido antes da sua edição.
STF. 2ª Turma. RMS 34203/DF e AC 3980/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgados em 21/11/2017 (Info
885).

1.13. Concurso Público

Importante!!!
A candidata que esteja gestante no dia do teste físico possui o direito de fazer a prova em uma
nova data no futuro.
Os candidatos possuem direito à segunda chamada nos testes físicos em concursos públicos?
REGRA: NÃO.
Os candidatos em concurso público NÃO têm direito à prova de segunda chamada nos testes de
aptidão física em razão de circunstâncias pessoais, ainda que de caráter fisiológico ou de força maior,
salvo se houver previsão no edital permitindo essa possibilidade.
STF. Plenário. RE 630733/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 15/5/2013 (repercussão geral)
(Info 706).
EXCEÇÃO: as candidatas gestantes possuem.

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É constitucional a remarcação do teste de aptidão física de candidata que esteja grávida à época de
sua realização, independentemente da previsão expressa em edital do concurso público.
STF. Plenário. RE 1058333/PR, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 21/11/2018 (repercussão geral) (Info
924).

É inconstitucional dispositivo legal que preveja a possibilidade de o indivíduo aprovado no


concurso tomar posse e entrar em exercício, de imediato, na classe final da carreira.
É inconstitucional lei que preveja a possibilidade de o indivíduo aprovado no concurso público
ingressar imediatamente no último padrão da classe mais elevada da carreira. Essa disposição afronta
os princípios da igualdade e da impessoalidade, os quais regem o concurso público.
Por essa razão, o STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 18 da Lei nº 8.691/93.
STF. Plenário. ADI 1240/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 28/2/2019 (Info 932).

1.14. Confisco do art. 243 da CF/88

Importante!!!
Possibilidade de o proprietário afastar a sanção do art. 243 da CF/88 se provar que não teve
culpa.
A expropriação prevista no art. 243 da Constituição Federal pode ser afastada, desde que o
proprietário comprove que não incorreu em culpa, ainda que in vigilando ou in eligendo.
STF. Plenário. RE 635336/PE, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 14/12/2016 (repercussão geral)
(Info 851).

1.15. Conselhos Profissionais

Importante!!!
Conselhos profissionais não estão sujeitos ao regime de precatórios.
Os pagamentos devidos, em razão de pronunciamento judicial, pelos Conselhos de Fiscalização (exs:
CREA, CRM, COREN, CRO) não se submetem ao regime de precatórios.
STF. Plenário. RE 938837/SP, rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Marco Aurélio, julgado
em 19/4/2017 (repercussão geral) (Info 861).

1.16. Contratação Temporária

Lei de contratação temporária não pode prever hipóteses genéricas nem a prorrogação
indefinida dos contratos.
São inconstitucionais, por violarem o art. 37, IX, da CF/88, a autorização legislativa genérica para
contratação temporária e a permissão de prorrogação indefinida do prazo de contratações temporárias.
STF. Plenário. ADI 3662/MT, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 23/3/2017 (Info 858).

1.17. Contratos Administrativos

Importante!!!

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O inadimplemento dos encargos trabalhistas dos empregados do contratado não transfere
automaticamente ao Poder Público a responsabilidade pelo seu pagamento.
O inadimplemento dos encargos trabalhistas dos empregados do contratado não transfere
automaticamente ao Poder Público contratante a responsabilidade pelo seu pagamento, seja em
caráter solidário ou subsidiário, nos termos do art. 71, § 1º, da Lei nº 8.666/93.
Obs: a tese acima foi a fixada pelo STF. No entanto, penso que é importante um esclarecimento
revelado durante os debates: é possível sim, excepcionalmente, que a Administração Pública responda
pelas dívidas trabalhistas contraídas pela empresa contratada e que não foram pagas, desde que o ex-
empregado reclamante comprove, com elementos concretos de prova, que houve efetiva falha do
Poder Público na fiscalização do contrato.
STF. Plenário. RE 760931/DF, rel. orig. Min. Rosa Weber, red. p/ o ac. Min. Luiz Fux, julgado em
26/4/2017 (repercussão geral) (Info 862).

1.18. Desapropriação

Análise da constitucionalidade da MP 2.183-56/2001, que alterou o DL 3.365/41.


O DL 3.365/41 dispõe sobre desapropriações por utilidade pública. Veja o que diz o art. 15-A,
que foi incluído pela MP 2.183-56/2001:
“Art. 15-A No caso de imissão prévia na posse, na desapropriação por necessidade ou utilidade
pública e interesse social, inclusive para fins de reforma agrária, havendo divergência entre o preço
ofertado em juízo e o valor do bem, fixado na sentença, expressos em termos reais, incidirão juros
compensatórios de até seis por cento ao ano sobre o valor da diferença eventualmente apurada, a
contar da imissão na posse, vedado o cálculo de juros compostos.
§ 1º Os juros compensatórios destinam-se, apenas, a compensar a perda de renda comprovadamente
sofrida pelo proprietário.
§ 2º Não serão devidos juros compensatórios quando o imóvel possuir graus de utilização da terra e
de eficiência na exploração iguais a zero.
§ 3º O disposto no caput deste artigo aplica-se também às ações ordinárias de indenização por
apossamento administrativo ou desapropriação indireta, bem assim às ações que visem a indenização
por restrições decorrentes de atos do Poder Público, em especial aqueles destinados à proteção
ambiental, incidindo os juros sobre o valor fixado na sentença.
§ 4º Nas ações referidas no § 3º, não será o Poder Público onerado por juros compensatórios relativos
a período anterior à aquisição da propriedade ou posse titulada pelo autor da ação.”
O STF analisou a constitucionalidade do art. 15-A do DL 3.365/41 e chegou às seguintes conclusões:
1) em relação ao “caput” do art. 15-A do DL 3.365/41:
1.a) reconheceu a constitucionalidade do percentual de juros compensatórios no patamar fixo de 6%
ao ano para remuneração do proprietário pela imissão provisória do ente público na posse de seu bem;
1.b) declarou a inconstitucionalidade do vocábulo “até”;
1.c) deu interpretação conforme a Constituição ao “caput” do art. 15-A, de maneira a incidir juros
compensatórios sobre a diferença entre 80% do preço ofertado em juízo pelo ente público e o valor
do bem fixado na sentença;
2) declarou a constitucionalidade do § 1º do art. 15-A, que condiciona o pagamento dos juros
compensatórios à comprovação da “perda da renda comprovadamente sofrida pelo proprietário”;

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3) declarou a constitucionalidade do § 2º do art. 15-A, afastando o pagamento de juros
compensatórios quando o imóvel possuir graus de utilização da terra e de eficiência iguais a zero;
4) declarou a constitucionalidade do § 3º do art. 15-A, estendendo as regras e restrições de pagamento
dos juros compensatórios à desapropriação indireta.
5) declarou a inconstitucionalidade do § 4º do art. 15-A;
6) declarou a constitucionalidade da estipulação de parâmetros mínimo (0,5%) e máximo (5%) para
a concessão de honorários advocatícios e a inconstitucionalidade da expressão “não podendo os
honorários ultrapassar R$ 151.000,00 (cento e cinquenta e um mil reais)” prevista no § 1º do art. 27.
STF. Plenário. ADI 2332/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 17/5/2018 (Info 902).

1.19. Empresas Públicas

É possível aplicar o regime de precatórios às empresas públicas?


Não se submetem ao regime de precatório as empresas públicas dotadas de personalidade jurídica de
direito privado com patrimônio próprio e autonomia administrativa que exerçam atividade econômica
sem monopólio e com finalidade de lucro.
STF. 1ª Turma. RE 892727/DF, rel. orig. Min. Alexandre de Morais, red. p/ o ac. Min. Rosa Weber,
julgado em 7/8/2018 (Info 910).

Importante!!!
Os Correios têm o dever jurídico de motivar, em ato formal, a demissão de seus empregados.
A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) tem o dever jurídico de motivar, em ato formal,
a demissão de seus empregados.
STF. Plenário. RE 589998 ED/PI, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 10/10/2018 (repercussão
geral) (Info 919).

Importante!!!
A alienação do controle acionário de empresas públicas e sociedades de economia mista exige
autorização legislativa e licitação.
A alienação do controle acionário de empresas públicas e sociedades de economia mista exige
autorização legislativa e licitação.
Por outro lado, não se exige autorização legislativa para a alienação do controle de suas subsidiárias
e controladas. Nesse caso, a operação pode ser realizada sem a necessidade de licitação, desde que
siga procedimentos que observem os princípios da administração pública inscritos no art. 37 da
CF/88, respeitada, sempre, a exigência de necessária competitividade.
STF. Plenário. ADI 5624 MC-Ref/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 5 e 6/6/2019
(Info 943).

1.20. Fundações

Importante!!!
A fundação instituída pelo Estado pode estar sujeita ao regime público ou privado, a depender
do estatuto da fundação e das atividades por ela prestadas.

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A qualificação de uma fundação instituída pelo Estado como sujeita ao regime público ou privado
depende:
i) do estatuto de sua criação ou autorização; e
ii) das atividades por ela prestadas.
As atividades de conteúdo econômico e as passíveis de delegação, quando definidas como objetos de
dada fundação, ainda que essa seja instituída ou mantida pelo poder público, podem se submeter ao
regime jurídico de direito privado.
STF. Plenário. RE 716378/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 1º e 7/8/2019 (repercussão geral)
(Info 946).

Importante!!!
A estabilidade especial do art. 19 do ADCT não se aplica para empregados das fundações
públicas de direito privado (abrange apenas os servidores das pessoas jurídicas de direito
público).
A estabilidade especial do art. 19 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) não
se estende aos empregados das fundações públicas de direito privado, aplicando-se tão somente aos
servidores das pessoas jurídicas de direito público.
O termo “fundações públicas”, utilizado pelo art. 19 do ADCT, deve ser compreendido como
fundações autárquicas, sujeitas ao regime jurídico de direito público.
Ex: empregados da Fundação Padre Anchieta não gozam dessa estabilidade do art. 19 do ADCT em
razão de se tratar de uma fundação pública de direito privado.
STF. Plenário. RE 716378/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 1º e 7/8/2019 (repercussão geral)
(Info 946).

1.21. FUNDEF

União deverá indenizar Estados prejudicados com o cálculo incorreto do VMNA.


O valor da complementação da União ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino
Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef) deve ser calculado com base no valor mínimo
nacional por aluno extraído da média nacional.
A complementação ao Fundef realizada a partir do valor mínimo anual por aluno fixada em desacordo
com a média nacional impõe à União o dever de suplementação de recursos, mantida a vinculação
constitucional a ações de desenvolvimento e manutenção do ensino. Em outras palavras, os Estados
prejudicados com o cálculo incorreto do valor mínimo nacional por aluno deverão ser indenizados
por conta do montante pago a menor a título de complementação pela União no período de vigência
do FUNDEF, isto é, nos exercícios financeiros de 1998 a 2007.
Essa indenização abrange apenas os danos materiais, não sendo devidos danos morais coletivos por
conta desse repasse a menor.
STF. Plenário. ACO 648/BA, ACO 660/AM, ACO 669/SE e ACO 700/RN, rel. orig. Min. Marco
Aurélio, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin, julgados em 6/9/2017 (Info 876).

1.22. Greve

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Importante!!!
Policiais são proibidos de fazer greve.
O exercício do direito de greve, sob qualquer forma ou modalidade, é vedado aos policiais civis e a
todos os servidores públicos que atuem diretamente na área de segurança pública.
É obrigatória a participação do Poder Público em mediação instaurada pelos órgãos classistas das
carreiras de segurança pública, nos termos do art. 165 do CPC, para vocalização dos interesses da
categoria.
STF. Plenário. ARE 654432/GO, Rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Alexandre de
Moraes, julgado em 5/4/2017 (repercussão geral) (Info 860).

Compete à Justiça Comum (estadual ou federal) decidir se a greve realizada por servidor
público é ou não abusiva.
A justiça comum, federal ou estadual, é competente para julgar a abusividade de greve de servidores
públicos celetistas da Administração pública direta, autarquias e fundações públicas.
STF. Plenário. RE 846854/SP, rel. orig. Min. Luiz Fux, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes,
julgado em 1º/8/2017 (repercussão geral) (Info 871).

Constitucionalidade de Decreto estadual que regulamenta as providências a serem adotadas em


caso de greve.
O Governador da Bahia editou um decreto prevendo que, em caso de greve, deverão ser adotas as
seguintes providências:
a) convocação dos grevistas a reassumirem seus cargos;
b) instauração de processo administrativo disciplinar;
c) desconto em folha de pagamento dos dias de greve;
d) contratação temporária de servidores;
e) exoneração dos ocupantes de cargo de provimento temporário e de função gratificada que
participarem da greve.
O STF decidiu que este Decreto é constitucional.
Trata-se de decreto autônomo que disciplina as consequências—estritamente administrativas—do ato
de greve dos servidores públicos e as providências a serem adotadas pelos agentes públicos no sentido
de dar continuidade aos serviços públicos.
A norma impugnada apenas prevê a instauração de processo administrativo para se apurar a
participação do servidor na greve e as condições em que ela se deu, bem como o não pagamento dos
dias de paralisação, o que está em consonância com a orientação fixada pelo STF no julgamento do
MI 708.
É possível a contratação temporária excepcional (art. 37, IX, da CF/88) prevista no decreto porque o
Poder Público tem o dever constitucional de prestar serviços essenciais que não podem ser
interrompidos, e que a contratação, no caso, é limitada ao período de duração da greve e apenas para
garantir a continuidade dos serviços.
STF. Plenário. ADI 1306/BA, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 13/6/2017 (Info 906).

1.23. Improbidade Administrativa

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Importante!!!
Ação de improbidade administrativa: ministro de estado e foro competente.
Os agentes políticos, com exceção do Presidente da República, encontram-se sujeitos a duplo regime
sancionatório, de modo que se submetem tanto à responsabilização civil pelos atos de improbidade
administrativa quanto à responsabilização político-administrativa por crimes de responsabilidade.
O foro especial por prerrogativa de função previsto na Constituição Federal em relação às infrações
penais comuns não é extensível às ações de improbidade administrativa .
STF. Plenário. Pet 3240 AgR/DF, rel. Min. Teori Zavascki, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso,
julgado em 10/5/2018 (Info 901).

Importante!!!
Imprescritibilidade do ressarcimento nas ações de improbidade administrativa.
São imprescritíveis as ações de ressarcimento ao erário fundadas na prática de ato doloso tipificado
na Lei de Improbidade Administrativa.
STF. Plenário. RE 852475/SP, Rel. orig. Min. Alexandre de Moraes, Rel. para acórdão Min. Edson
Fachin, julgado em 08/08/2018 (repercussão geral) (Info 910).

1.24. Licitação

Importante!!!
Correios podem ser contratados sem licitação, com fundamento no art. 24, VIII, da Lei
8.666/93, para a prestação de serviços de logística.
A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), empresa pública federal, pode ser contratada
sem licitação, com fundamento no art. 24, VIII, da Lei nº 8.666/93, para a prestação de serviços de
logística:
Art. 24 (...) VIII - para a aquisição, por pessoa jurídica de direito público interno, de bens produzidos
ou serviços prestados por órgão ou entidade que integre a Administração Pública e que tenha sido
criado para esse fim específico em data anterior à vigência desta Lei, desde que o preço contratado
seja compatível com o praticado no mercado;
A ECT preenche todos os requisitos legais necessários à possibilidade de sua contratação direta, haja
vista integrar a Administração e ter sido criada em data anterior à da Lei nº 8.666/93 para prestação
de serviços postais, dentre os quais se incluem os serviços de logística integrada.
STF. 2ª Turma. MS 34939/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 19/3/2019 (Info 934).

1.25. Nepotismo

Importante!!!
A nomeação da esposa do prefeito como Secretária Municipal não configura, por si só,
nepotismo e ato de improbidade administrativa.
A nomeação do cônjuge de prefeito para o cargo de Secretário Municipal, por se tratar de cargo
público de natureza política, por si só, não caracteriza ato de improbidade administrativa.
STF. 2ª Turma. Rcl 22339 AgR/SP, Rel. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Gilmar Mendes,
julgado em 4/9/2018 (Info 914).

22
Em regra, a proibição da SV 13 não se aplica para cargos públicos de natureza política, como, por
exemplo, Secretário Municipal.
Assim, a jurisprudência do STF, em regra, tem excepcionado a regra sumulada e garantido a
permanência de parentes de autoridades públicas em cargos políticos, sob o fundamento de que tal
prática não configura nepotismo.
Exceção: poderá ficar caracterizado o nepotismo mesmo em se tratando de cargo político caso fique
demonstrada a inequívoca falta de razoabilidade na nomeação por manifesta ausência de
qualificação técnica ou inidoneidade moral do nomeado.
STF. 1ª Turma. Rcl 28024 AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 29/05/2018.

1.26. Organização Administrativa

Decreto não pode extinguir colegiado previsto em lei.


É proibida a extinção, por ato unilateralmente editado pelo chefe do Poder Executivo, de colegiado
cuja existência encontre menção em lei em sentido formal, ainda que ausente a expressa referência
“sobre a competência ou a composição”.
Caso concreto: o Presidente da República editou o Decreto nº 9.759/2019 extinguindo uma série de
colegiados existentes na Administração Pública federal. O art. 1º, § 2º deste Decreto previu que
ficariam extintos os colegiados que sejam mencionados em lei, mas sem que esta tenha definido a
competência ou a composição. O STF, em medida cautelar, declarou a inconstitucionalidade dessa
previsão, considerando que a extinção desses colegiados mencionados em lei somente poderia ocorrer
também mediante lei (e não por decreto).
STF. Plenário. ADI 6121 MC/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 12 e 13/6/2019 (Info 944).

1.27. Pensão

O art. 11 da EC 20/98 não proibiu a percepção de pensão civil com pensão militar.
A CF/67 e a CF/88 (antes da EC 20/98) não proibiam que o militar reformado voltasse ao serviço
público e, posteriormente, se aposentasse no cargo civil, acumulando os dois proventos.
Ex: João foi reformado como Sargento do Exército em 1980. Voltou ao serviço público e se aposentou
como servidor da ABIN (órgão público federal), concedida em 1995. Essa acumulação de proventos
é possível.
O art. 11 da EC 20/98 proibiu, expressamente, a concessão de mais de uma aposentadoria pelo regime
de previdência dos servidores civis. No entanto, este dispositivo não vedou a cumulação de
aposentadoria de servidor público com proventos de militar.
Sendo possível a cumulação de proventos, é também permitido que o dependente acumule as duas
pensões. Ex: Em 1996, João faleceu e Maria, sua esposa, passou a receber duas pensões por morte,
uma decorrente de cada vínculo acima explicado.

1.28. Posse Tardia em Cargo Público por Determinação Judicial

Importante!!!
A nomeação tardia a cargo público em decorrência de decisão judicial não gera direito à
promoção retroativa.

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A nomeação tardia de candidatos aprovados em concurso público, por meio de ato judicial, à qual
atribuída eficácia retroativa, não gera direito às promoções ou progressões funcionais que alcançariam
se houvesse ocorrido, a tempo e modo, a nomeação.
STF. Plenário. RE 629392 RG/MT, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 8/6/2017 (repercussão
geral) (Info 868).

1.29. Precatórios

Importante – Advocacia Pública!!!


É possível aplicar o regime de precatórios às sociedades de economia mista?
É aplicável o regime dos precatórios às sociedades de economia mista prestadoras de serviço público
próprio do Estado e de natureza não concorrencial.
STF. Plenário. ADPF 387/PI, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 23/3/2017 (Info 858).

É possível aplicar o regime de precatórios às empresas públicas e sociedades de economia


mista?
As empresas públicas e sociedades de economia mista não têm direito à prerrogativa de execução via
precatório.
STF. 1ª Turma. RE 851711 AgR/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 12/12/2017 (Info 888).
Em regra, as empresas estatais estão submetidas ao regime das pessoas jurídicas de direito privado
(execução comum).
No entanto, é possível sim aplicar o regime de precatórios para empresas públicas e sociedades de
economia mista que prestem serviços públicos e que não concorram com a iniciativa privada.
Assim, é aplicável o regime dos precatórios às empresas públicas e sociedades de economia mista
prestadoras de serviço público próprio do Estado e de natureza não concorrencial.
STF. 1ª Turma. RE 627242 AgR, Rel. Min. Marco Aurélio, Rel. p/ Acórdão Min. Roberto Barroso,
julgado em 02/05/2017.
STF. Plenário. ADPF 387/PI, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 23/3/2017 (Info 858).

Importante!!!
É possível aplicar o regime de precatórios às sociedades de economia mista?
É aplicável o regime dos precatórios às sociedades de economia mista prestadoras de serviço público
próprio do Estado e de natureza não concorrencial.
STF. Plenário. ADPF 387/PI, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 23/3/2017 (Info 858).
É inconstitucional determinação judicial que decreta a constrição de bens de sociedade de economia
mista prestadora de serviços públicos em regime não concorrencial, para fins de pagamento de débitos
trabalhistas.
Sociedade de economia mista prestadora de serviço público não concorrencial está sujeita ao regime
de precatórios (art. 100 da CF/88) e, por isso, impossibilitada de sofrer constrição judicial de seus
bens, rendas e serviços, em respeito ao princípio da legalidade orçamentária (art. 167, VI, da CF/88)
e da separação funcional dos poderes (art. 2º c/c art. 60, § 4º, III).
STF. Plenário. ADPF 275/PB, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 17/10/2018 (Info 920).

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1.30. Regime Próprio de Previdência Social

A contribuição previdenciária paga pelo servidor não deve incidir sobre parcelas que não são
incorporadas à sua aposentadoria.
Não incide contribuição previdenciária sobre verba não incorporável aos proventos de aposentadoria
do servidor público, tais como terço de férias, serviços extraordinários, adicional noturno e adicional
de insalubridade.
STF. Plenário. RE 593068/SC, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 11/10/2018 (repercussão
geral) (Info 919).

Inconstitucionalidade das sanções decorrentes da negativa de expedição de CRP.


Ao editar o art. 7º da Lei nº 9.717/98 e o Decreto nº 3.788/2001, a União extravasou a competência
legislativa para a edição de normas gerais sobre previdência social.
A União extrapolou os limites de sua competência legislativa na edição da Lei nº 9.717/98, ao impor
sanções decorrentes da negativa de expedição de Certificado de Regularidade Previdenciária (CRP).
STF. 1ª Turma. ACO 3134 TP-AgR/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, red. p/ ac. Min. Marco Aurélio,
julgado em 18/12/2018 (Info 928).

1.31. Regularização Fundiária

ADI proposta contra a Lei nº 11.952/2009.


A Lei nº 11.952/2009 trata sobre a regularização fundiária das ocupações incidentes em terras situadas
em áreas da União, no âmbito da Amazônia Legal.
O STF deu intepretação conforme ao art. 4º, § 2º da Lei para dizer que é inconstitucional qualquer
interpretação que permita a regularização fundiária das terras ocupadas por quilombolas e outras
comunidades tradicionais da Amazônia Legal em nome de terceiros ou de forma a descaracterizar o
modo de apropriação da terra por esses grupos. Em outras palavras, os quilombolas e outras
comunidades tradicionais não podem perder suas terras em caso de regularização fundiária.
O STF também deu intepretação conforme ao art. 13 da Lei para afastar quaisquer interpretações que
concluam pela desnecessidade de fiscalização dos imóveis rurais até quatro módulos fiscais, devendo
o ente federal utilizar-se de todos os meios referidos em suas informações para assegurar a devida
proteção ambiental e a concretização dos propósitos da norma para, somente então, ser possível a
dispensa da vistoria prévia, como condição para a inclusão da propriedade no programa de
regularização fundiária de imóveis rurais de domínio público na Amazônia Legal. Em outras palavras,
a União deve utilizar-se de todos os meios para assegurar a devida proteção ambiental e a
concretização dos propósitos da norma, para somente então ser possível a dispensa da vistoria prévia
como condição para inclusão da propriedade no programa de regularização fundiária de imóveis
rurais de domínio público na Amazônia Legal.
STF. Plenário. ADI 4269/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 18/10/2017 (Info 882).

1.32. Responsabilidade Civil do Estado

Importante!!!
Estado deve indenizar preso que se encontre em situação degradante.

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Uma pessoa que está presa em uma unidade prisional que apresenta péssimas condições, como
superlotação e falta de condições mínimas de saúde e de higiene possui o direito de ser indenizada
pelo Estado diante desta violação de seus direitos?
SIM. Considerando que é dever do Estado, imposto pelo sistema normativo, manter em seus presídios
os padrões mínimos de humanidade previstos no ordenamento jurídico, é de sua responsabilidade,
nos termos do art. 37, § 6º, da Constituição, a obrigação de ressarcir os danos, inclusive morais,
comprovadamente causados aos detentos em decorrência da falta ou insuficiência das condições
legais de encarceramento.
STF. Plenário. RE 580252/MS, rel. orig. Min. Teori Zavascki, red. p/ o ac. Min. Gilmar Mendes,
julgado em 16/2/2017 (repercussão geral) (Info 854).

Responsabilidade civil da concessionária que administra a rodovia por furto ocorrido em seu
pátio.
A pessoa jurídica de direito privado prestadora de serviço público possui responsabilidade civil em
razão de dano decorrente de crime de furto praticado em suas dependências, nos termos do art. 37, §
6º, da CF/88.
Caso concreto: o caminhão de uma empresa transportadora foi parado na balança de pesagem na
Rodovia Anhanguera (SP), quando se constatou excesso de peso. Os agentes da concessionária
determinaram que o condutor estacionasse o veículo no pátio da concessionária e, em seguida,
conduziram-no até o escritório para ser autuado.
Aproximadamente 10 minutos depois, ao retornar da autuação para o caminhão, o condutor observou
que o veículo havia sido furtado.
O STF condenou a Dersa – Desenvolvimento Rodoviário S/A, empresa concessionária responsável
pela rodovia a indenizar a transportadora.
O Supremo reconheceu a responsabilidade civil da prestadora de serviço público, ao considerar que
houve omissão no dever de vigilância e falha na prestação e organização do serviço.
STF. 1ª Turma. RE 598356/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 8/5/2018 (Info 901).

Importante!!!
O Estado responde, objetivamente, pelos danos causados por notários e registradores.
O Estado responde, objetivamente, pelos atos dos tabeliães e registradores oficiais que, no exercício
de suas funções, causem dano a terceiros, assentado o dever de regresso contra o responsável, nos
casos de dolo ou culpa, sob pena de improbidade administrativa.
O Estado possui responsabilidade civil direta, primária e objetiva pelos danos que notários e oficiais
de registro, no exercício de serviço público por delegação, causem a terceiros.
STF. Plenário. RE 842846/RJ, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 27/2/2019 (repercussão geral) (Info
932).

Importante!!!
A vítima somente poderá ajuizar a ação de indenização contra o Estado; se este for condenado,
poderá acionar o servidor que causou o dano em caso de dolo ou culpa; o ofendido não poderá
propor a demanda diretamente contra o agente público.

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A teor do disposto no art. 37, § 6º, da Constituição Federal, a ação por danos causados por agente
público deve ser ajuizada contra o Estado ou a pessoa jurídica de direito privado prestadora de serviço
público, sendo parte ilegítima para a ação o autor do ato, assegurado o direito de regresso contra o
responsável nos casos de dolo ou culpa.
STF. Plenário. RE 1027633/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 14/8/2019 (repercussão geral)
(Info 947).

1.33. Servidores Públicos

Importante!!!
Aposentadoria compulsória não se aplica a cargos comissionados.
Os servidores ocupantes de cargo exclusivamente em comissão não se submetem à regra da
aposentadoria compulsória prevista no art. 40, § 1º, II, da CF, a qual atinge apenas os ocupantes de
cargo de provimento efetivo, inexistindo, também, qualquer idade limite para fins de nomeação a
cargo em comissão.
Ressalvados impedimentos de ordem infraconstitucional, não há óbice constitucional a que o servidor
efetivo, aposentado compulsoriamente, permaneça no cargo comissionado que já desempenhava ou
a que seja nomeado para cargo de livre nomeação e exoneração, uma vez que não se trata de
continuidade ou criação de vínculo efetivo com a Administração.
STF. Plenário. RE 786540/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 15/12/2016 (repercussão geral)
(Info 851).

Regime de subsídio e pagamento de 13º e férias a Prefeito e Vice-Prefeito.


O art. 39, § 4º, da Constituição Federal não é incompatível com o pagamento de terço de férias e
décimo terceiro salário.
STF. Plenário. RE 650898/RS, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso,
julgado em 1º/2/2017 (repercussão geral) (Info 852).

Importante!!!
Se a pessoa acumular licitamente dois cargos públicos ela poderá receber acima do teto.
Nos casos autorizados constitucionalmente de acumulação de cargos, empregos e funções, a
incidência do art. 37, XI, da Constituição Federal pressupõe consideração de cada um dos vínculos
formalizados, afastada a observância do teto remuneratório quanto ao somatório dos ganhos do agente
público.
Ex: se determinado Ministro do STF for também professor da UnB, ele irá receber seu subsídio
integral como Ministro e mais a remuneração decorrente do magistério. Nesse caso, o teto seria
considerado especificamente para cada cargo, sendo permitido que ele receba acima do limite previsto
no art. 37, XI da CF se considerarmos seus ganhos globais.
STF. Plenário. RE 612975/MT e RE 602043/MT, Rel. Min. Marco Aurélio, julgados em 26 e
27/4/2017 (repercussão geral) (Info 862).

Jornada de trabalho diferenciada para servidores médicos e dentistas.

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A jornada de trabalho do MÉDICO servidor público é de 4 horas diárias e de 20 horas semanais, nos
termos da Lei nº 12.702/2012.
A jornada de trabalho do ODONTÓLOGO servidor público é de 6 horas diárias e de 30 horas
semanais, nos termos do DL 2.140/84.
Essas regras acima explicadas não se aplicam no caso de médicos e odontólogos que ocupem cargo
em comissão ou função de confiança, considerando que, neste caso, terão que cumprir a jornada
normal de trabalho.
STF. 2ª Turma. MS 33853/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 13/6/2017 (Info 869).

Decisão que concede a gratificação de 13,23% viola a SV 37.


A decisão judicial que concede a servidor público a gratificação de 13,32% prevista na Lei nº
10.698/2003 afronta a súmula vinculante 37, mesmo que o julgador fundamente sua decisão no art.
37, X, da CF/88 e no art. 6º da Lei nº 13.317/2016.
STF. 1ª Turma. Rcl 25927 AgR/SE e Rcl 24965 AgR/SE, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac.
Min. Alexandre de Moraes, julgados em 31/10/2017 (Info 884).

Decisão que concede a gratificação de 13,23% viola a SV 37.


A decisão judicial que concede a servidor público a gratificação de 13,23% prevista na Lei nº
10.698/2003 afronta a súmula vinculante 37, mesmo que o julgador fundamente sua decisão no art.
37, X, da CF/88 e no art. 6º da Lei nº 13.317/2016.
Não cabe ao Poder Judiciário, que não tem função legislativa, aumentar vencimentos de servidores
públicos sob o fundamento de isonomia.
STF. 1ª Turma. Rcl 25927 AgR/SE e Rcl 24965 AgR/SE, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac.
Min. Alexandre de Moraes, julgados em 31/10/2017 (Info 884).
STF. 1ª Turma. Rcl 24965 AgR/SE, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de
Moraes, julgado em 28/11/2017 (Info 886).

Inconstitucionalidade de norma que equipara remuneração de servidores públicos.


A Constituição do Estado do Ceará previa que deveria ser assegurado “aos servidores da
administração pública direta, das autarquias e das fundações, isonomia de vencimentos para cargos
de atribuições iguais ou assemelhadas do mesmo Poder ou entre servidores dos Poderes Executivo,
Legislativo e Judiciário, ressalvadas as vantagens de caráter individual e as relativas à natureza ou ao
local de trabalho.”
O STF decidiu que é inconstitucional a expressão “das autarquias e das fundações”. Isso porque a
equiparação remuneratória entre servidores, a teor da redação originária do art. 39, § 1º, da CF/88,
restringiu-se aos servidores da administração direta, não mencionando os entes da administração
indireta, como o faz a norma impugnada.
Além disso, o dispositivo estadual não foi recepcionado, em sua integralidade, pela redação atual do
art. 39 da Constituição Federal, na forma EC 19/1998.
STF. Plenário. ADI 145/CE, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 20/6/2018 (Info 907).

Constitucionalidade de norma da CE que assegura equiparação salarial para professores com


igual titulação, respeitando-se o grau de ensino em que estiverem atuando.

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A Constituição do Estado do Ceará prevê que deverá ser assegurada isonomia salarial para docentes
em exercício, com titulação idêntica, respeitando-se o grau de ensino em que estiverem atuando.
O STF decidiu que essa regra é constitucional e que não ofende o art. 37, XIII, da CF/88. Isso porque
não há, no caso, equiparação salarial de carreiras distintas, considerando que se trata especificamente
da carreira de magistério público e de docentes com titulação idêntica.
STF. Plenário. ADI 145/CE, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 20/6/2018 (Info 907).

Inconstitucionalidade de normas da Constituição Estadual que tratam sobre remuneração e


direitos dos servidores públicos sem que existam previsões semelhantes na CF/88.
São inconstitucionais os arts. 154, § 2º; 167, XII e XIII, §§ 1º e 2º; e 174, da Constituição do Estado
do Ceará, e os arts. 27 e 28 do seu ADCT. Tais dispositivos tratam de remuneração e direitos de
servidores públicos, que, por não encontrarem similares na CF/88, somente poderiam ser veiculados
por meio de lei de iniciativa do Chefe do Poder Executivo.
São previsões específicas que não tratam da organização e estruturação do Estado-membro ou de seus
órgãos, mas que versam sobre o regime jurídico de servidores públicos.
STF. Plenário. ADI 145/CE, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 20/6/2018 (Info 907).

Não é compatível com a CF/88 a norma de CE que estabelece que o servidor público inativo
deverá receber obrigatoriamente a mais do que percebia na ativa.
A Constituição do Estado do Ceará previa que o servidor, ao se aposentar, deveria receber, como
proventos, o valor pecuniário correspondente ao padrão de vencimento imediatamente superior ao da
sua classe funcional, e, se já ocupasse o ultimo escalão, faria jus a uma gratificação adicional de 20%
sobre a sua remuneração.
O STF decidiu que essa previsão não era considerada materialmente inconstitucional à época da
edição da Carta, uma vez que a superação da remuneração em atividade era tolerada na redação
original da CF. Porém, essa regra não foi recepcionada pela EC 20/98 que proibiu a superação do
patamar remuneratório da atividade e a impossibilidade de incorporação da remuneração do cargo em
comissão para fins de aposentadoria (art. 40, §§ 2º e 3º, da CF/88).
STF. Plenário. ADI 145/CE, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 20/6/2018 (Info 907).

STF decide modular os efeitos de decisão que mandou afastar Delegados de Polícia do cargo
por ofensa à regra do concurso público.
Em 2001, foi editada uma lei estadual criando cargos e organizando a Polícia Civil do Estado do
Amazonas.
Nesta Lei foi previsto que, na estrutura da Polícia Civil, haveria cargos de Delegado de Polícia e de
Comissário de Polícia.
Ainda em 2001, foi realizado um concurso público, com provas específicas para cada um desses
cargos, e os aprovados nomeados e empossados.
Contudo, em 2004, houve duas leis modificando o cargo de Comissário de Polícia.
 a primeira delas afirmou que Comissário de Polícia seria autoridade policial, juntamente com
o Delegado de Polícia, equiparando a remuneração dos dois cargos;
 a segunda lei, transformando o cargo de "Comissário de Polícia" em "Delegado de Polícia".
Essas duas leis foram impugnadas por meio de ADI.

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Em 2015, o STF decidiu que elas são INCONSTITUCIONAIS porque representaram burla à
exigência do concurso público.
As referidas leis fizeram uma espécie de ASCENSÃO FUNCIONAL dos Comissários de Polícia
porque transformaram os ocupantes desses cargos em Delegados de Polícia sem que eles tivessem
feito concurso público para tanto.
No caso concreto, os Ministros entenderam que, quando o cargo de Comissário de Polícia foi criado,
ele possuía diferenças substanciais em relação ao de Delegado de Polícia, o que impediria a
transformação, mesmo sob o argumento de ser medida de racionalização administrativa.
Foram opostos embargos de declaração contra a decisão.
Em 2018, o STF acolheu os embargos e aceitou modular os efeitos da decisão proferida na ADI 3415.
Além disso, o Tribunal determinou ao Estado do Amazonas que promova, no prazo máximo de 18
meses, a contar da publicação da ata de julgamento (07/08/2018), a abertura de concurso público para
o cargo de Delegado de Polícia.
O Ministro Relator Alexandre de Moraes afirmou que mais de 70 delegacias de polícia ficariam sem
delegados e que a população amazonense é que sofreria as consequências.
Além disso, na decisão dos embargos, os Ministros esclareceram que são plenamente válidos os atos
praticados nos cargos de Delegado de Polícia que serão afastados.
STF. Plenário. ADI 3415 ED-segundos/AM, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 1º/8/2018
(Info 909).

Não se pode cassar a aposentadoria do servidor que ingressou no serviço público por força de
provimento judicial precário e se aposentou durante o processo, antes da decisão ser reformada.
Em regra, não produzem fato consumado a posse e o exercício em cargo público decorrentes de
decisão judicial tomada à base de cognição não-exauriente.
Em outras palavras, não se aplica a teoria do fato consumado para candidatos que assumiram o cargo
público por força de decisão judicial provisória posteriormente revista. Trata-se do entendimento
firmado no RE 608482/RN (Tema 476).
A situação é diferente, contudo, se a pessoa, após permanecer vários anos no cargo, conseguiu a
concessão de aposentadoria. Neste caso, em razão do elevado grau de estabilidade da situação
jurídica, o princípio da proteção da confiança legítima incide com maior intensidade.
Trata-se de uma excepcionalidade que autoriza a distinção (distinguish) quanto ao leading case do
RE 608482/RN (Tema 476).
STF. 1ª Turma. RE 740029 AgR/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 14/8/2018 (Info
911).
Quando o exercício do cargo foi amparado por decisões judiciais precárias e o servidor se
aposentou, antes do julgamento final do mandado de segurança, por tempo de contribuição durante
esse exercício e após legítima contribuição ao sistema, a denegação posterior da segurança que
inicialmente permitira ao servidor prosseguir no certame não pode ocasionar a cassação da
aposentadoria.
STJ. 1ª Seção. MS 20.558-DF, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 22/2/2017 (Info 600).

Importante!!!
Servidor que fazia faculdade particular e é removido, de ofício, para outra cidade tem direito a
matrícula em universidade pública, se não existir instituição privada congênere no destino.
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É constitucional a previsão legal que assegure, na hipótese de transferência ex officio de servidor, a
matrícula em instituição pública, se inexistir instituição congênere à de origem.
Ex: Paulo é servidor público federal, lotado em Recife (PE), onde faz faculdade de Medicina em uma
universidade particular. Ele é transferido, de ofício, para Rio Branco (AC). Suponhamos,
hipoteticamente, que, em Rio Branco, as universidades privadas lá existentes não possuem o curso de
medicina. Neste caso, Paulo teria direito a uma vaga no curso de Medicina da universidade pública.
Fundamento legal: art. 1º da Lei nº 9.536/97.
STF. Plenário. RE 601580/RS, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 19/9/2018 (repercussão geral)
(Info 916).

O aumento de 45% concedido aos militares pela Lei nº 8.237/91 não foi uma revisão geral da
remuneração, não podendo ser estendida para os servidores públicos civis.
Não é possível a extensão a servidores públicos civis da majoração de vencimentos, no percentual de
45%, concedida a servidores militares, a título de reestruturação de cargos, com base na Lei nº
8.237/91 e no princípio da isonomia dos índices revisionais disciplinados na redação original do art.
37, X, da Constituição Federal.
O reajuste de vencimentos concedido aos integrantes das Forças Armadas, à base de 45%, pela Lei
nº 8.237/91, não configurou um aumento geral na remuneração dos servidores militares que
autorizasse, com fundamento no art. 37, X, da CF/88, a extensão aos servidores civis.
STF. 2ª Turma. RE 229637/ SP, rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ ac. Min. Gilmar Mendes, julgado
em 6/11/2018 (Info 922).

Não devolução dos valores recebidos de boa-fé por servidor público por força de decisão liminar
revogada.
Não deve ser determinada a devolução de valores recebidos de boa-fé por servidor público,
percebidos a título precário no período em que liminar produziu efeitos.
É desnecessária a devolução dos valores recebidos por liminar revogada, em razão de mudança de
jurisprudência. Também é descabida a restituição de valores recebidos indevidamente, circunstâncias
em que o servidor público atuou de boa-fé.
STF. 1ª Turma. MS 32.185/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 13/11/2018 (Info 923).

Os substitutos interinos dos cartórios extrajudiciais devem receber limitado ao teto do


funcionalismo público (art. 37, XI, da CF/88).
Incide o teto remuneratório constitucional aos substitutos interinos de serventias extrajudiciais.
STF. 2ª Turma. MS 29.039/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 13/11/2018 (Info 923).

Importante!!!
Teto remuneratório de Procuradores Municipais é o subsídio de Desembargador de TJ.
A expressão "Procuradores", contida na parte final do inciso XI do art. 37 da Constituição da
República, compreende os procuradores municipais, uma vez que estes se inserem nas funções
essenciais à Justiça, estando, portanto, submetidos ao teto de 90,25% (noventa inteiros e vinte e cinco
centésimos por cento) do subsídio mensal, em espécie, dos ministros do STF.
STF. Plenário. RE 663696/MG, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 28/2/2019 (Info 932).

31
Importante!!!
A estabilidade especial do art. 19 do ADCT não se aplica para empregados das fundações
públicas de direito privado (abrange apenas os servidores das pessoas jurídicas de direito
público).
A estabilidade especial do art. 19 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) não
se estende aos empregados das fundações públicas de direito privado, aplicando-se tão somente aos
servidores das pessoas jurídicas de direito público.
O termo “fundações públicas”, utilizado pelo art. 19 do ADCT, deve ser compreendido como
fundações autárquicas, sujeitas ao regime jurídico de direito público.
Ex: empregados da Fundação Padre Anchieta não gozam dessa estabilidade do art. 19 do ADCT em
razão de se tratar de uma fundação pública de direito privado.
STF. Plenário. RE 716378/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 1º e 7/8/2019 (repercussão geral)
(Info 946).

Importante!!!
Lei estadual pode prever o pagamento de gratificação para servidores mesmo que estes já
recebam subsídio caso essa gratificação sirva para remunerar atividades que extrapolem
aquelas que são normais do cargo.
O § 4º do art. 39 da CF/88 prevê que os servidores remunerados pelo regime de subsídio recebem
“parcela única” mensal, sendo “vedado o acréscimo de qualquer gratificação, adicional, abono,
prêmio, verba de representação ou outra espécie remuneratória”.
Vale ressaltar, no entanto, que o art. 39, § 4º, da CF/88 não estabelece uma vedação absoluta ao
pagamento de outras verbas além do subsídio.
O modelo de remuneração por subsídio tem por objetivo evitar que atividades “normais” exercidas
pelo servidor público, ou seja, atividades que são inerentes ao cargo que ele ocupa (e que já são
remuneradas pelo subsídio) sejam também remuneradas com o acréscimo de outras parcelas
adicionais.
Dito de outra forma: o subsídio remunera o servidor pelas atividades que ele realiza e que são
inerentes ao seu cargo, ou seja, as atividades “normais” de seu cargo. O art. 39, § 4º proíbe que este
servidor receba outras verbas (além do subsídio) para exercer essas atividades “normais”.
Contudo, o art. 39, § 4º, não proíbe que o servidor receba:
a) valores que não ostentam caráter remuneratório, como os de natureza indenizatória; e
b) valores pagos como retribuição por eventual execução de encargos especiais não incluídos no plexo
das atribuições normais e típicas do cargo considerado.
O que o art. 39, § 4º, da CF/88 impede é a acumulação do subsídio com outras verbas destinadas a
retribuir o exercício de atividades próprias e ordinárias do cargo.
Justamente por isso, é constitucional lei estadual que preveja o pagamento de gratificação para
servidores que já recebem pelo regime de subsídio quando eles realizarem atividades que extrapolam
as funções próprias e normais do cargo.
Essas atividades, a serem retribuídas por esta parcela própria, detêm conteúdo ocupacional estranho
às atribuições ordinárias do cargo e, portanto, podem ser remuneradas por gratificação além da parcela
única do subsídio, sem que isso afronte o art. 39, § 4º, da CF/88.

32
Essa gratificação somente seria inconstitucional se ficasse demonstrado que estaria havendo um duplo
pagamento pelo exercício das mesmas funções normais do cargo.
STF. Plenário. ADI 4941/AL, rel. orig. Min. Teori Zavascki, red. p/ o ac. Min. Luiz Fux, julgado
14/8/2019 (Info 947).

Importante!!!
Na falta de lei específica que regulamente a aposentadoria especial dos servidores públicos
portadores de deficiência (art. 40, § 4º, I, da CF/88), deve ser aplicada a LC 142/2013, que trata
sobre a aposentadoria especial de pessoas com deficiência no RGPS.
O art. 40, § 4º, I, da CF/88 prevê que o servidor público com deficiência possui direito à aposentadoria
com requisitos e critérios diferenciados (aposentadoria especial). Ocorre que o dispositivo
constitucional exige que uma lei complementar regulamente essa aposentadoria, sendo, portanto, uma
norma constitucional de eficácia limitada.
Até o presente momento, não foi editada essa lei complementar, havendo, portanto, uma omissão
inconstitucional.
Diante disso, a LC nº 142/2013, que regulamentou a aposentadoria especial de pessoas com
deficiência no Regime Geral de Previdência Social, deve ser aplicada aos pedidos de aposentadoria
de servidores públicos com deficiência, por se tratar de diploma mais adequado para suprir a omissão
na regulamentação do art. 40, § 4º, I, da CF/1988.
Assim, o servidor público com deficiência possui o direito de ver analisado o requerimento de
aposentadoria especial apresentado com base no art. 40, § 4º, I, da CF/88 utilizando-se das normas da
LC 142/2013.
STF. 1ª Turma. MI 6818/DF e MI 6988/RR, Rel. Min. Marco Aurélio, julgados em 13/8/2019 (Info
947).

1.34. Servidores Temporários

É constitucional a quarentena para recontratação de servidores temporários prevista no art.


9º, III, da Lei 8.745/93.
No âmbito da administração pública federal, é vedada a contratação temporária do mesmo servidor
antes de decorridos 24 meses do encerramento do contrato anterior. Tal regra está prevista no art. 9º,
III, da Lei nº 8.745/93:
Art. 9º O pessoal contratado nos termos desta Lei não poderá:
II - ser novamente contratado, com fundamento nesta Lei, antes de decorridos 24 (vinte e quatro)
meses do encerramento de seu contrato anterior, salvo nas hipóteses dos incisos I e IX do art. 2º desta
Lei, mediante prévia autorização, conforme determina o art. 5º desta Lei.
O STF, ao analisar um caso concreto envolvendo a contratação temporária de professores, decidiu
que essa regra é constitucional e fixou a seguinte tese:
“É compatível com a Constituição Federal a previsão legal que exija o transcurso de 24 (vinte e
quatro) meses, contados do término do contrato, antes de nova admissão de professor temporário
anteriormente contratado.”
STF. Plenário. RE 635648/CE, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 14/6/2017 (repercussão geral)
(Info 869).

33
1.35. Sociedade de Economia Mista

Importante!!!
A alienação do controle acionário de empresas públicas e sociedades de economia mista exige
autorização legislativa e licitação.
A alienação do controle acionário de empresas públicas e sociedades de economia mista exige
autorização legislativa e licitação.
Por outro lado, não se exige autorização legislativa para a alienação do controle de suas subsidiárias
e controladas. Nesse caso, a operação pode ser realizada sem a necessidade de licitação, desde que
siga procedimentos que observem os princípios da administração pública inscritos no art. 37 da
CF/88, respeitada, sempre, a exigência de necessária competitividade.
STF. Plenário. ADI 5624 MC-Ref/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 5 e 6/6/2019
(Info 943).

2. DIREITO AMBIENTAL
2.1. Amianto

Importante!!!
É proibida a utilização de qualquer forma de amianto.
As leis estaduais que proíbem o uso do amianto são constitucionais.
O art. 2º da Lei federal nº 9.055/95, que autorizava a utilização da crisotila (espécie de amianto), é
inconstitucional.
Houve a inconstitucionalidade superveniente (sob a óptica material) da Lei nº 9.055/95, por ofensa
ao direito à saúde (art. 6º e 196, CF/88); ao dever estatal de redução dos riscos inerentes ao trabalho
por meio de normas de saúde, higiene e segurança (art. 7º, inciso XXII, CF/88); e à proteção do meio
ambiente (art. 225, CF/88).
STF. Plenário. ADI 3937/SP, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Dias Toffoli, julgado
em 24/8/2017 (Info 874).

Importante!!!
É proibida, em todo o Brasil, a utilização de qualquer forma de amianto.
As leis estaduais que proíbem o uso do amianto são constitucionais.
O art. 2º da Lei federal nº 9.055/95, que autorizava a utilização da crisotila (espécie de amianto), é
inconstitucional.
Houve a inconstitucionalidade superveniente (sob a óptica material) da Lei nº 9.055/95, por ofensa
ao direito à saúde (art. 6º e 196, CF/88); ao dever estatal de redução dos riscos inerentes ao trabalho
por meio de normas de saúde, higiene e segurança (art. 7º, inciso XXII, CF/88); e à proteção do meio
ambiente (art. 225, CF/88).
Com isso, é proibida a utilização de qualquer forma de amianto.
STF. Plenário. ADI 3937/SP, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Dias Toffoli, julgado
em 24/8/2017 (Info 874).

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STF. Plenário. ADI 3406/RJ e ADI 3470/RJ, Rel. Min. Rosa Weber, julgados em 29/11/2017 (Info
886)

2.2. Animais

Viola a CF/88 lei municipal que proíbe o transporte de animais vivos no Município.
Viola a Constituição Federal lei municipal que proíbe o trânsito de veículos, sejam eles motorizados
ou não, transportando cargas vivas nas áreas urbanas e de expansão urbana do Município.
Essa lei municipal invade a competência da União.
O Município, ao inviabilizar o transporte de gado vivo na área urbana e de expansão urbana de seu
território, transgrediu a competência da União, que já estabeleceu, à exaustão, diretrizes para a política
agropecuária, o que inclui o transporte de animais vivos e sua fiscalização.
Além disso, sob a justificativa de criar mecanismo legislativo de proteção aos animais, o legislador
municipal impôs restrição desproporcional.
Esta desproporcionalidade fica evidente quando se verifica que a legislação federal já prevê uma série
de instrumentos para garantir, de um lado, a qualidade dos produtos destinados ao consumo pela
população e, de outro, a existência digna e a ausência de sofrimento dos animais, tanto no transporte
quanto no seu abate.
STF. Plenário. ADPF 514 e ADPF 516 MC-REF/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgados em
11/10/2018 (Info 919).

2.3. Áreas de Preservação Permanente

Importante!!!
É inconstitucional lei estadual que prevê a supressão de vegetal em APP para a realização de
atividades exclusivamente de lazer.
É inconstitucional lei estadual prevendo que é possível a supressão de vegetal em Área de Preservação
Permanente (APP) para a realização de “pequenas construções com área máxima de 190 metros
quadrados, utilizadas exclusivamente para lazer”.
Essa lei possui vícios de inconstitucionalidade formal e material.
Há inconstitucionalidade formal porque o Código Florestal (lei federal que prevê as normas gerais
sobre o tema, nos termos do art. 24, § 1º, da CF/88) não permite a instalação em APP de qualquer
tipo de edificação com finalidade meramente recreativa.
Existe também inconstitucionalidade material porque houve um excesso e abuso da lei estadual ao
relativizar a proteção constitucional ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, cujo titular é a
coletividade, em face do direito de lazer individual.
STF. Plenário. ADI 4988/TO, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 19/9/2018 (Info 916).

2.4. Código Florestal

Importante!!!
Análise da constitucionalidade do novo Código Florestal (Lei 12.651/2012).
O STF analisou a constitucionalidade do Código Florestal (Lei nº 12.651/2012) e decidiu:

35
1) declarar a inconstitucionalidade das expressões “gestão de resíduos” e “instalações necessárias à
realização de competições esportivas estaduais, nacionais ou internacionais”, contidas no art. 3º, VIII,
b, da Lei nº 12.651/2012;
2) dar interpretação conforme a Constituição ao art. 3º, VIII e IX, da Lei, de modo a se condicionar a
intervenção excepcional em APP, por interesse social ou utilidade pública, à inexistência de
alternativa técnica e/ou locacional à atividade proposta;
3) deve-se dar interpretação conforme a Constituição ao art. 3º, XVII e ao art. 4º, IV, para fixar a
interpretação de que os entornos das nascentes e dos olhos d´água intermitentes configuram área de
preservação permanente;
4) declarar a inconstitucionalidade das expressões “demarcadas” e “tituladas”, contidas no art. 3º,
parágrafo único;
5) deve-se dar interpretação conforme a Constituição ao art. 48, § 2º, para permitir compensação
apenas entre áreas com identidade ecológica;
6) deve-se dar interpretação conforme a Constituição ao art. 59, §§ 4º e 5º, de modo a afastar, no
decurso da execução dos termos de compromissos subscritos nos programas de regularização
ambiental, o risco de decadência ou prescrição, seja dos ilícitos ambientais praticados antes de
22.7.2008, seja das sanções deles decorrentes, aplicando-se extensivamente o disposto no § 1º do art.
60 da Lei 12.651/2012, segundo o qual “a prescrição ficará interrompida durante o período de
suspensão da pretensão punitiva”.
Todos os demais dispositivos da Lei foram considerados constitucionais.
STF. Plenário. ADC 42/DF, ADI 4901/DF, ADI 4902/DF, ADI 4903/DF e ADI 4937/DF, Rel. Min.
Luiz Fux, julgados em 28/2/2018 (Info 892).

2.5. Competências

Municípios podem legislar sobre Direito Ambiental, desde que o façam fundamentadamente.
Os Municípios podem legislar sobre Direito Ambiental, desde que o façam fundamentadamente.
STF. 2ª Turma. ARE 748206 AgR/SC, Rel Min. Celso de Mello, julgado em 14/3/2017 (Info 857).

Normas municipais podem prever multas para os proprietários de veículos que emitem fumaça
acima dos padrões aceitáveis.
É constitucional lei municipal, regulamentada por decreto, que preveja a aplicação de multas para os
proprietários de veículos automotores que emitem fumaça acima de padrões considerados aceitáveis.
O Município tem competência para legislar sobre meio ambiente e controle da poluição, quando se
tratar de interesse local.
STF. Plenário. RE 194704/MG, rel. orig. Min. Carlos Velloso, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin,
julgado em 29/6/2017 (Info 870).

Estado-membro pode legislar sobre controle de resíduos de embarcações, oleodutos e


instalações costeiras.
Em tese, o Estado-membro detém competência para legislar sobre controle de resíduos de
embarcações, oleodutos e instalações costeiras. Isso porque o objeto dessa lei é a tutela ao meio
ambiente, sendo essa matéria de competência concorrente, nos termos do art. 24, VI e VIII, da CF/88.
STF. Plenário. ADI 2030/SC, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 9/8/2017 (Info 872).

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2.6. Organismos Geneticamente Modificados

Importante!!!
É inconstitucional lei estadual que, ao tratar sobre matéria de competência concorrente (art. 24
da CF/88), simplesmente determina que devem ser observadas as regras previstas na lei federal.
A competência para legislar sobre as atividades que envolvam organismos geneticamente
modificados (OGM) é concorrente (art. 24, V, VIII e XII, da CF/88).
No âmbito das competências concorrentes, cabe à União estabelecer normas gerais e aos Estados-
membros editar leis para suplementar essas normas gerais (art. 24, §§ 1º e 2º).
Determinado Estado-membro editou lei estabelecendo que toda e qualquer atividade relacionada com
os OGMs naquele Estado deveria observar “estritamente à legislação federal específica”.
O STF entendeu que essa lei estadual é inconstitucional porque significou uma verdadeira “renúncia”
ao exercício da competência legislativa concorrente prevista no art. 24, V, VIII e XII, da CF/88. Em
outras palavras, o Estado abriu mão de sua competência suplementar prevista no art. 24, § 2º da
CF/88.
Essa norma estadual remissiva fragiliza a estrutura federativa descentralizada, e consagra o
monopólio da União, sem atentar para nuances locais.
Assim, é inconstitucional lei estadual que remete o regramento do cultivo comercial e das atividades
com organismos geneticamente modificados à regência da legislação federal.
STF. Plenário. ADI 2303/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 5/9/2018 (Info 914).

2.7. SISNAMA

É inconstitucional lei estadual que exige prévia autorização da ALE para que os órgãos do
SISNAMA possam celebrar instrumentos de cooperação no Estado.
É inconstitucional, por violar o princípio da separação dos poderes, lei estadual que exige autorização
prévia do Poder Legislativo estadual (Assembleia Legislativa) para que sejam firmados instrumentos
de cooperação pelos órgãos componentes do Sistema Nacional do Meio Ambiente – SISNAMA.
Também é inconstitucional lei estadual que afirme que Fundação estadual de proteção do meio
ambiente só poderá transferir responsabilidades ou atribuições para outros órgãos componentes do
SISNAMA se houver aprovação prévia da Assembleia Legislativa.
STF. Plenário. ADI 4348/RR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 10/10/2018 (Info 919).

2.8. Unidades de Conservação

Importante!!!
É inconstitucional a redução de unidade de conservação por meio de MP.
É inconstitucional a redução ou a supressão de espaços territoriais especialmente protegidos, como é
o caso das unidades de conservação, por meio de medida provisória. Isso viola o art. 225, § 1º, III, da
CF/88.
Assim, a redução ou supressão de unidade de conservação somente é permitida mediante lei em
sentido formal.

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A medida provisória possui força de lei, mas o art. 225, § 1º, III, da CF/88 exige lei em sentido estrito.
A proteção ao meio ambiente é um limite material implícito à edição de medida provisória, ainda que
não conste expressamente do elenco das limitações previstas no art. 62, § 1º, da CF/88.
STF. Plenário. ADI 4717/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 5/4/2018 (Info 896).

3. DIREITO CIVIL
3.1. Alimentos

Prisão civil não serve para cobrança de débitos pretéritos.


A prisão por dívida de natureza alimentícia está ligada ao inadimplemento inescusável de prestação,
não alcançando situação jurídica a revelar cobrança de saldo devedor.
STF. 1ª Turma. HC 121426/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 14/3/2017 (Info 857).

3.2. Autonomia das Entidades Desportivas

O art. 59 do CC é compatível com a autonomia conferida aos clubes pelo art. 217, I, da CF/88.
A autonomia das entidades desportivas não é absoluta.
O art. 59 do CC é compatível com a autonomia constitucional conferida aos clubes pelo art. 217, I,
da CF/88.
STF. 1ª Turma. ARE 935482/SP, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 07/02/2017 (Info 853).

3.3. Bem de Família

Importante!!!
Impenhorabilidade do bem de família e contratos de locação comercial.
Não é penhorável o bem de família do fiador no caso de contratos de locação comercial.
Em outras palavras, não é possível a penhora de bem de família do fiador em contexto de locação
comercial.
STF. 1ª Turma. RE 605709/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, red. p/ ac. Min. Rosa Weber, julgado em
12/6/2018 (Info 906).

3.4. Direito à Imagem

Inexistência do direito à indenização em razão da divulgação, no jornal, de imagem do cadáver


morto em via pública.
Jornal divulgou a foto do cadáver de um indivíduo morto em tiroteio ocorrido em via pública. Os
familiares do morto ajuizaram ação de indenização por danos morais contra o jornal alegando que
houve violação aos direitos de imagem.
O STF julgou a ação improcedente argumentando que condenar o jornal seria uma forma de censura,
o que afronta a liberdade de informação jornalística.
STF. 2ª Turma. ARE 892127 AgR/SP, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 23/10/2018 (Info 921).

38
3.5. Responsabilidade Civil e Transporte Aéreo

Importante!!!
Transporte aéreo internacional e aplicabilidade das Convenções de Varsóvia e de Montreal.
Em caso de extravio de bagagem ocorrido em transporte internacional envolvendo consumidor,
aplica-se o CDC ou a indenização tarifada prevista nas Convenções de Varsóvia e de Montreal?
As Convenções internacionais.
Nos termos do art. 178 da Constituição da República, as normas e os tratados internacionais
limitadores da responsabilidade das transportadoras aéreas de passageiros, especialmente as
Convenções de Varsóvia e Montreal, têm prevalência em relação ao Código de Defesa do
Consumidor.
Art. 178. A lei disporá sobre a ordenação dos transportes aéreo, aquático e terrestre, devendo, quanto
à ordenação do transporte internacional, observar os acordos firmados pela União, atendido o
princípio da reciprocidade.
STF. Plenário. RE 636331/RJ, Rel. Min. Gilmar Mendes e ARE 766618/SP, Rel. Min. Roberto
Barroso, julgados em 25/05/2017 (repercussão geral) (Info 866).

Importante!!!
Prazo prescricional em caso de acidente aéreo.
Qual é o prazo prescricional da ação de responsabilidade civil no caso de acidente aéreo em voo
doméstico? 5 anos, segundo entendimento do STJ, aplicando-se o CDC.
Qual é o prazo prescricional da ação de responsabilidade civil no caso de acidente aéreo em voo
internacional? 2 anos, com base no art. 29 da Convenção de Varsóvia.
Nos termos do art. 178 da Constituição da República, as normas e os tratados internacionais
limitadores da responsabilidade das transportadoras aéreas de passageiros, especialmente as
Convenções de Varsóvia e Montreal, têm prevalência em relação ao Código de Defesa do
Consumidor.
STF. Plenário. RE 636331/RJ, Rel. Min. Gilmar Mendes e ARE 766618/SP, Rel. Min. Roberto
Barroso, julgados em 25/05/2017 (repercussão geral) (Info 866).

3.6. Transgênero

Importante!!!
Transgênero pode alterar seu prenome e gênero no registro civil mesmo sem fazer cirurgia de
transgenitalização e mesmo sem autorização judicial.
Os transgêneros, que assim o desejarem, independentemente da cirurgia de transgenitalização, ou da
realização de tratamentos hormonais ou patologizantes, possuem o direito à alteração do prenome e
do gênero (sexo) diretamente no registro civil.
STF. Plenário. ADI 4275/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Edson Fachin,
julgado em 28/2 e 1º/3/2018 (Info 892).

Importante!!!

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Transgênero pode alterar seu prenome e gênero no registro civil mesmo sem fazer cirurgia de
transgenitalização e mesmo sem autorização judicial.
O transgênero tem direito fundamental subjetivo à alteração de seu prenome e de sua classificação de
gênero no registro civil, não se exigindo, para tanto, nada além da manifestação de vontade do
indivíduo, o qual poderá exercer tal faculdade tanto pela via judicial como diretamente pela via
administrativa.
Essa alteração deve ser averbada à margem do assento de nascimento, vedada a inclusão do termo
“transgênero”.
Nas certidões do registro não constará nenhuma observação sobre a origem do ato, vedada a
expedição de certidão de inteiro teor, salvo a requerimento do próprio interessado ou por
determinação judicial.
Efetuando-se o procedimento pela via judicial, caberá ao magistrado determinar de ofício ou a
requerimento do interessado a expedição de mandados específicos para a alteração dos demais
registros nos órgãos públicos ou privados pertinentes, os quais deverão preservar o sigilo sobre a
origem dos atos.
STF. Plenário. RE 670422/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 15/8/2018 (repercussão geral)
(Info 911).

3.7. União Estável

Importante!!!
Em caso de sucessão causa mortis do companheiro deverão ser aplicadas as mesmas regras da
sucessão causa mortis do cônjuge.
No sistema constitucional vigente, é inconstitucional a diferenciação de regimes sucessórios entre
cônjuges e companheiros, devendo ser aplicado, em ambos os casos, o regime estabelecido no artigo
1.829 do Código Civil.
STF. Plenário. RE 646721/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso e RE
878694/MG, Rel. Min. Roberto Barroso, julgados em 10/5/2017 (repercussão geral) (Info 864).

4. DIREITO CONSTITUCIONAL
4.1. ADPF

Cabimento de ADPF contra conjunto de decisões judiciais que determinaram a expropriação


de recursos do Estado-membro.
O Estado do Rio de Janeiro vive uma grave crise econômica, estando em débito com o pagamento de
fornecedores e atraso até mesmo no pagamento da remuneração dos servidores públicos. Os órgãos e
entidades também estão sem dinheiro para custear os serviços públicos.
Diante disso, diversas ações (individuais e coletivas) foram propostas, tanto na Justiça comum
estadual como também na Justiça do Trabalho, pedindo a realização desses pagamentos. Os órgãos
judiciais estavam acolhendo os pedidos e determinando a apreensão de valores nas contas do Estado
para a concretização dos pagamentos.

40
Neste cenário, o Governador do Estado ajuizou ADPF no STF com o objetivo de suspender os efeitos
de todas as decisões judiciais do TJRJ e do TRT da 1ª Região que tenham determinado o arresto, o
sequestro, o bloqueio, a penhora ou a liberação de valores das contas administradas pelo Estado do
Rio de Janeiro.
O STF afirmou que a ADPF é instrumento processual adequado para esse pedido e deferiu a medida
liminar.
O conjunto de decisões questionadas são atos típicos do Poder Público passíveis de impugnação por
meio de APDF.
STF. Plenário. ADPF 405 MC/RJ, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 14/6/2017 (Info 869).

Importante!!!
É possível celebrar acordo em ADPF.
É possível que seja celebrado um acordo no bojo de uma arguição de descumprimento de preceito
fundamental (ADPF)?
SIM. É possível a celebração de acordo num processo de índole objetiva, como a ADPF, desde que
fique demonstrado que há no feito um conflito intersubjetivo subjacente (implícito), que comporta
solução por meio de autocomposição.
Vale ressaltar que, na homologação deste acordo, o STF não irá chancelar ou legitimar nenhuma das
teses jurídicas defendidas pelas partes no processo.
O STF irá apenas homologar as disposições patrimoniais que forem combinadas e que estiverem
dentro do âmbito da disponibilidade das partes.
A homologação estará apenas resolvendo um incidente processual, com vistas a conferir maior
efetividade à prestação jurisdicional.
STF. Plenário. ADPF 165/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 1º/3/2018 (Info 892).

4.2. Advocacia Pública

Importante!!!
Inconstitucionalidade da previsão de procuradorias autárquicas para os Estados-membros.
A Constituição do Estado do Ceará previa que o Governador deveria encaminhar à ALE projetos de
lei dispondo sobre a organização e o funcionamento da Procuradoria-Geral do Estado e das
procuradorias autárquicas.
O STF decidiu que essa regra é inconstitucional. Isso porque a CF/88 determina que a representação
judicial e a consultoria jurídica do Estado, incluídas suas autarquias e fundações, deve ser feita pela
PGE, nos termos do art. 132 da CF/88.
O art. 132 da CF/88 consagra o chamado “princípio” da unicidade da representação judicial e da
consultoria jurídica dos Estados e do Distrito Federal e, dessa forma, estabelece competência
funcional exclusiva da Procuradoria-Geral do Estado.
A exceção prevista no art. 69 do ADCT da CF deixou evidente que, a partir da Constituição de 1988,
não se permite mais a criação de órgãos jurídicos distintos da Procuradoria-Geral do Estado, admite-
se apenas a manutenção daquelas consultorias jurídicas já existentes quando da promulgação da
Carta. Trata-se de exceção direcionada a situações concretas e do passado e, por essa razão, deve ser
interpretada restritivamente, inclusive com atenção à diferenciação entre os termos “consultoria

41
jurídica” e “procuradoria jurídica”, uma vez que esta última pode englobar as atividades de
consultoria e representação judicial.
STF. Plenário. ADI 145/CE, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 20/6/2018 (Info 907).

É possível a existência de Procuradoria da Assembleia Legislativa, mas este órgão ficará


responsável apenas pela defesa das prerrogativas do Poder Legislativo.
A atuação da Procuradoria da Assembleia Legislativa deve ficar limitada à defesa das prerrogativas
inerentes ao Poder Legislativo.
Em outras palavras, é possível a existência de Procuradoria da Assembleia Legislativa, mas este órgão
ficará responsável apenas pela defesa das prerrogativas do Poder Legislativo.
A representação estadual como um todo, independentemente do Poder, compete à Procuradoria-Geral
do Estado (PGE), tendo em conta o princípio da unicidade institucional da representação judicial e
da consultoria jurídica para Estados e Distrito Federal. No entanto, às vezes, há conflito entre os
Poderes. Ex: o Poder Legislativo cobra do Poder Executivo o repasse de um valor que ele entende
devido e que não foi feito. Nestes casos, é possível, em tese, a propositura de ação judicial pela
Assembleia Legislativa e quem irá representar judicialmente o órgão será a Procuradoria da ALE.
STF. Plenário. ADI 825/AP, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 25/10/2018 (Info 921).

É inconstitucional norma de Constituição Estadual que preveja a figura do “Procurador da


Fazenda Estadual”.
É inconstitucional norma de Constituição Estadual que preveja que compete ao Governador nomear
e exonerar o “Procurador da Fazenda Estadual”.
Isso porque o art. 132 da CF/88 determina que a representação judicial e a consultoria jurídica do
Estado, incluídas suas autarquias e fundações, deve ser feita pelos “Procuradores dos Estados e do
Distrito Federal”.
Essa previsão do art. 132 da CF/88 é chamada de princípio da unicidade da representação judicial e
da consultoria jurídica dos Estados e do Distrito Federal. Em outras palavras, só um órgão pode
desempenhar esta função e se trata da Procuradoria-Geral do Estado, que detém essa competência
funcional exclusiva.
O modelo constitucional da atividade de representação judicial e consultoria jurídica dos Estados
exige a unicidade orgânica da advocacia pública estadual, incompatível com a criação de órgãos
jurídicos paralelos para o desempenho das mesmas atribuições no âmbito da Administração Pública
Direta ou Indireta.
STF. Plenário. ADI 825/AP, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 25/10/2018 (Info 921).

Importante!!!
Técnico superior em Direito de autarquia estadual não pode exercer atribuições de
representação jurídica da entidade, mas pode fazer atuação jurídica no âmbito interno da
autarquia, sobretudo em atividades de compliance.
É inconstitucional lei estadual que preveja que servidor de autarquia (no caso, era Técnico Superior
do DETRAN) será responsável por:
 representar a entidade “em juízo ou fora dele nas ações em que haja interesse da autarquia”;

42
 praticar “todos os demais atos de natureza judicial ou contenciosa, devendo, para tanto,
exercer as suas funções profissionais e de responsabilidade técnica regidas pela Ordem dos
Advogados do Brasil OAB”.
Tais previsões violam o “princípio da unicidade da representação judicial dos Estados e do Distrito
Federal”, insculpido no art. 132 da CF/88.
A legislação impugnada, apesar de não ter criado uma procuradoria paralela, atribuiu ao cargo de
Técnico Superior do Detran/ES, com formação em Direito, diversas funções privativas de advogado.
Ao assim agir, conferiu algumas atribuições de representação jurídica do DETRAN a pessoas
estranhas aos quadros da Procuradoria-Geral do Estado, com violação do art. 132, caput, da CF/88.
O STF decidiu modular os efeitos da decisão para:
 manter os cargos em questão, excluídas as atribuições judiciais inerentes às procuradorias;
 declarar a validade dos atos praticados (ex: contestações, recursos etc.) até a data do
julgamento, com base na teoria do funcionário de fato.
ATENÇÃO. Por outro lado, é válido que esses servidores façam a atuação jurídica no âmbito interno
da autarquia, sobretudo em atividades de compliance, tais como conceber e formular medidas e
soluções de otimização, fiscalização e auditoria (exs: interpretar textos e instrumentos legais, elaborar
pareceres sobre questões jurídicas que envolvam as atividades da entidade, elaborar editais, contratos,
convênios etc.). Essas atribuições podem sim ser exercidas pelos Técnicos Superiores do DETRAN,
sem que isso ofenda o princípio da unicidade da representação judicial.
O STF entendeu que não se pode deslocar qualquer atuação técnico-jurídica da autarquia para a PGE,
porque esta não conseguirá fazer frente a essa gama de trabalho, sob pena de ter suas atividades
inviabilizadas.
STF. Plenário. ADI 5109/ES, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 13/12/2018 (Info 927).

Importante!!!
É inconstitucional emenda à Constituição Estadual, de iniciativa parlamentar, que trate sobre
a PGE.
É inconstitucional emenda à Constituição Estadual, de iniciativa parlamentar, que trate sobre as
competências da Procuradoria Geral do Estado. Isso porque esta matéria é de iniciativa reservada ao
chefe do Poder Executivo (art. 61, § 1º, da CF/88).
É do Governador do Estado a iniciativa de lei ou emenda constitucional que discipline a organização
e as atribuições dos órgãos e entidades da Administração Pública estadual.
STF. Plenário. ADI 5262 MC/RR, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 27 e 28/3/2019 (Info 935).

Importante!!!
Viola o art. 132 da CF/88 norma da Constituição Estadual que preveja que a representação
judicial e consultoria jurídica da PGE ficará restrita ao Poder Executivo.
É inconstitucional dispositivo de Constituição Estadual que preveja que a Procuradoria Geral do
Estado ficará responsável pelas atividades de representação judicial e de consultoria jurídica apenas
“do Poder Executivo”.
Essa previsão viola o princípio da unicidade da representação judicial dos Estados e do Distrito
Federal.

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De acordo com o art. 132 da CF/88 as atribuições da PGE não ficam restritas ao Poder Executivo,
abrangendo também os demais Poderes.
STF. Plenário. ADI 5262 MC/RR, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 27 e 28/3/2019 (Info 935).

Importante!!!
Viola o art. 132 da CF/88 norma da Constituição Estadual que preveja que a assistência jurídica
da Administração indireta será exercida por profissionais do corpo jurídico que compõem seus
respectivos quadros.
É inconstitucional dispositivo de Constituição Estadual que preveja que “a representação judicial e
extrajudicial dos órgãos da administração indireta é de competência dos profissionais do corpo
jurídico que compõem seus respectivos quadros e integram advocacia pública cujas atividades são
disciplinadas em leis especificas.”
Essa previsão viola o princípio da unicidade da representação judicial dos Estados e do Distrito
Federal.
O art. 132 da CF/88 atribuiu aos Procuradores dos Estados e do DF exclusividade no exercício da
atividade jurídica contenciosa e consultiva não apenas dos órgãos, mas também das entidades que
compõem a administração pública indireta.
STF. Plenário. ADI 5262 MC/RR, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 27 e 28/3/2019 (Info 935).

Inconstitucionalidade da previsão de procuradores autárquicos.


É inconstitucional dispositivo de Constituição Estadual que cria o cargo de procurador autárquico em
estrutura paralela à Procuradoria do Estado.
Também é inconstitucional dispositivo de constituição Estadual que transforma os cargos de gestores
jurídicos, advogados e procuradores jurídicos em cargos de procuradores autárquicos.
STF. Plenário. ADI 5215/GO, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 27 e 28/3/2019 (Info 935).

Inconstitucionalidade da previsão de procuradores autárquicos e de advogados de fundação.


É inconstitucional dispositivo de Constituição Estadual que preveja que os procuradores autárquicos
e os advogados de fundação terão competência privativa para a representação judicial e o
assessoramento jurídico dos órgãos da Administração Estadual Indireta aos quais vinculados, e que,
para os efeitos de incidência de teto remuneratório, eles serão considerados “procuradores”, nos
termos do art. 37, XI, da CF/88.
STF. Plenário. ADI 4449/AL, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 27 e 28/3/2019 (Info 935).

É constitucional lei estadual que preveja o cargo em comissão de Procurador-Geral da


universidade estadual.
É constitucional lei estadual que preveja o cargo em comissão de Procurador-Geral da universidade
estadual. Esta previsão está de acordo com o princípio da autonomia universitária (art. 207 da CF/88).
STF. Plenário. ADI 5262 MC/RR, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 27 e 28/3/2019 (Info 935).

Importante!!!
É inconstitucional foro por prerrogativa de função para Defensores Públicos.

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É inconstitucional dispositivo da Constituição Estadual que confere foro por prerrogativa de função,
no Tribunal de Justiça, para Procuradores do Estado, Procuradores da ALE, Defensores Públicos e
Delegados de Polícia.
A CF/88, apenas excepcionalmente, conferiu prerrogativa de foro para as autoridades federais,
estaduais e municipais. Assim, não se pode permitir que os Estados possam, livremente, criar novas
hipóteses de foro por prerrogativa de função.
STF. Plenário. ADI 2553/MA, Rel. Min. Gilmar Mendes, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes,
julgado em 15/5/2019 (Info 940).

4.3. Amicus Curiae

Cabimento de amicus curiae em reclamação.


É cabível a intervenção de amicus curiae em reclamação.
STF. Plenário. Rcl 11949/RJ, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 15/3/2017 (Info 857).

Havendo três amici curiae para fazer sustentação oral no STF, o prazo deverá ser considerado
em dobro, dividido entre eles.
Nos processos que tramitam no STF, o amicus curiae pode fazer sustentação oral.
Em regra, o amicus curiae dispõe de 15 minutos para a sustentação oral no STF.
Se houver mais de um amicus curiae, o prazo para sustentação oral no STF será o mesmo?
NÃO. Havendo mais de um amicus curiae, o STF adota a seguinte sistemática: o prazo é duplicado
e dividido entre eles. Assim, em vez de 15, os amici curiae (plural de amicus curiae) terão 30 minutos,
que deverão ser divididos entre eles.
Dessa forma, se são três amici curiae para fazer sustentação oral, o prazo deverá ser considerado em
dobro, ou seja, 30 minutos, devendo ser dividido pelo número de sustentações orais. Logo, cada um
deles terá 10 minutos para manifestação na tribuna.
STF. Plenário. RE 612043/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 4/5/2017 (Info 863).

4.4. Cláusula de Reserva de Plenário

Decisão que deixa de aplicar o art. 25, § 1º, da Lei 8.987/95.


O art. 25, § 1º, da Lei nº 8.987/95 prevê o seguinte: “(...) a concessionária poderá contratar com
terceiros o desenvolvimento de atividades inerentes, acessórias ou complementares ao serviço
concedido, bem como a implementação de projetos associados.”
Se o órgão fracionário de um Tribunal (ex: uma das Turmas do TRT) julga ilegal a terceirização
contratada por uma concessionária do serviço público, afastando a aplicação do art. 25, § 1º, da Lei
nº 8.987/95, esta decisão viola a súmula vinculante 10?
 SIM. O art. 25, § 1º, da Lei nº 8.987/95 permite a terceirização da atividade-fim das empresas
concessionárias do serviço público. Logo, se um órgão fracionário do TRT afasta a aplicação
deste dispositivo, haverá afronta à súmula vinculante 10 por violação à cláusula da reserva de
plenário.
STF. 1ª Turma. Rcl 27.068/MG, rel. orig. Min. Rosa Weber, red. p/ o ac. Min. Luís Roberto, julgado
em 5/3/2018 (Info 896).

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 NÃO. O ato reclamado, ao considerar ilegal a contratação de empregado, por empresa
interposta, para prestar serviços essenciais à atividade fim da tomadora, nos termos da Súmula
331, I, do TST, não declarou expressamente, nem implicitamente, a inconstitucionalidade de
qualquer norma especial de regência aplicável ao caso. É firme a jurisprudência do STF no
sentido de que não se exige reserva de plenário para a mera interpretação e aplicação das
normas jurídicas que emerge do próprio exercício da jurisdição, sendo necessário, para
caracterizar violação à cláusula de reserva de plenário, que a decisão de órgão fracionário
fundamente-se na incompatibilidade entre a norma legal e o Texto Constitucional.
STF. 1ª Turma. Rcl 24284/SP, rel. Min. Edson Fachin, julgado em 22/11/2016 (Info 848).
STF. 2ª Turma. Rcl 26408 AgR, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 07/11/2017.

É nula decisão que deixa de aplicar o art. 94, II, da Lei 9.472/97 sem observar a cláusula de
reserva de plenário.
É nula a decisão de órgão fracionário que se recusa a aplicar o art. 94, II, da Lei nº 9.472/97, sem
observar a cláusula de reserva de plenário (art. 97, da CF/88), observado o art. 949 do CPC/2015.
STF. Plenário. ARE 791932/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 10 e 11/10/2018
(repercussão geral) (Info 919).

Não viola a SV 10 a decisão de Turma do TRT que determina nomeação dos aprovados no
concurso em razão de preterição e diz que não se aplica, ao caso, o art. 25, § 1º, da Lei 8.987/95.
Sociedade de economia mista realizou concurso público para advogado da empresa.
Mesmo havendo aprovados no certame, que ainda estava dentro do prazo de vigência, a empresa
decidiu contratar um escritório de advocacia para realizar os serviços jurídicos.
Diante disso, uma das Turmas do TRT reconheceu que houve preterição dos aprovados e determinou
a nomeação.
Ao assim decidir, a Turma do TRT disse que não se aplicava, ao caso, o art. 25, § 1º, da Lei nº
8.987/95.
Essa decisão da Turma do TRT (órgão fracionário do Tribunal) não viola a SV 10. Isso porque o
enfoque do acórdão do TRT não era a terceirização dos serviços, mas sim a preterição arbitrária
praticada pela Administração Pública.
STF. 1ª Turma. Rcl 29307 AgR/PB, Rel. Min. Alexandre de Moraes, red. p/ o ac. Min. Rosa Weber,
julgado em 4/12/2018 (Info 926).

4.5. Competências Legislativas

Estado-membro pode legislar sobre a concessão, por empresas privadas, de bolsa de estudos
para professores.
É constitucional lei estadual que preveja a possibilidade de empresas patrocinarem bolsas de estudo
para professores em curso superior, tendo como contrapartida a obrigação de que esses docentes
ministrem aula de alfabetização ou aperfeiçoamento para os empregados da empresa patrocinadora.
Essa lei insere-se na competência legislativa do Estado-Membro para dispor sobre educação e ensino,
prevista no art. 24, IX, da CF/88.
STF. Plenário. ADI 2663/RS, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 8/3/2017 (Info 856).

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Municípios podem legislar sobre Direito Ambiental, desde que o façam fundamentadamente.
Os Municípios podem legislar sobre Direito Ambiental, desde que o façam fundamentadamente.
STF. 2ª Turma. ARE 748206 AgR/SC, Rel Min. Celso de Mello, julgado em 14/3/2017 (Info 857).

Importante!!!
Compete aos Municípios legislar sobre meio ambiente em assuntos de interesse local.
O Município tem competência para legislar sobre meio ambiente e controle da poluição, quando se
tratar de interesse local.
Ex: é constitucional lei municipal, regulamentada por decreto, que preveja a aplicação de multas para
os proprietários de veículos automotores que emitem fumaça acima de padrões considerados
aceitáveis.
STF. Plenário. RE 194704/MG, rel. orig. Min. Carlos Velloso, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin,
julgado em 29/6/2017 (Info 870).

É inconstitucional lei estadual que disponha sobre a segurança de estacionamentos e o regime


de contratação dos funcionários.
Lei estadual que impõe a prestação de serviço de segurança em estacionamento a toda pessoa física
ou jurídica que disponibilize local para estacionamento é inconstitucional, quer por violar a
competência privativa da União para legislar sobre direito civil, quer por violar a livre iniciativa.
Lei estadual que impõe a utilização de empregados próprios na entrada e saída de estacionamento,
impedindo a terceirização, viola a competência privativa da União para legislar sobre Direito do
Trabalho.
STF. Plenário. ADI 451/RJ, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 1º/8/2017 (Info 871).

É inconstitucional lei estadual que exija que os supermercados do Estado ofereçam


empacotadores para os produtos adquiridos.
Lei estadual que torna obrigatória a prestação de serviços de empacotamento nos supermercados é
inconstitucional por afrontar o princípio constitucional da livre inciativa.
Lei estadual que exige que o serviço de empacotamento nos supermercados seja prestado por
funcionário do próprio estabelecimento é inconstitucional por violar a competência privativa da
União para legislar sobre Direito do Trabalho.
STF. Plenário. ADI 907/RJ, Rel. Min. Alexandre de Moraes, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso,
julgado em 1º/8/2017 (Info 871).

Inconstitucionalidade de lei estadual que estabeleça exigências nos rótulos dos produtos em
desconformidade com a legislação federal.
É inconstitucional lei estadual que estabelece a obrigatoriedade de que os rótulos ou embalagens de
todos os produtos alimentícios comercializados no Estado contenham uma série de informações sobre
a sua composição, que não são exigidas pela legislação federal.
STF. Plenário. ADI 750/RJ, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 3/8/2017 (Info 871).

É constitucional lei estadual que obrigue plano de saúde a justificar recusa de tratamento.

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É constitucional lei estadual que obrigue os planos de saúde a fornecerem aos consumidores
informações e documentos justificando as razões pelas quais houve recusa de algum procedimento,
tratamento ou internação.
O Mato Grosso do Sul editou uma lei estadual prevendo que, se o plano de saúde recusar algum
procedimento, tratamento ou internação, ele deverá fornecer, por escrito, ao usuário, um comprovante
fundamentado expondo as razões da negativa.
O STF entendeu que essa norma não viola competência privativa da União, considerando que ela
trata sobre proteção ao consumidor, matéria inserida na competência concorrente (art. 24, V, da
CF/88).
STF. Plenário. ADI 4512/MS, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 7/2/2018 (Info 890).

Lei estadual que regule a forma de cobrança do ITCMD pela PGE não viola o CPC.
As disposições legais sobre a forma de cobrança do Imposto sobre Transmissão “Causa Mortis” e
Doação de quaisquer Bens ou Direitos (ITCMD) pela Procuradoria Geral do Estado e de sua
intervenção em processos de inventário, arrolamento e outros de interesse da Fazenda Pública são
regras de procedimento que não violam o Código de Processo Civil.
Neste caso, são normas eminentemente procedimentais, autorizadas pelo art. 24 da CF/88, que prevê
a competência concorrente da União e dos Estados. A possibilidade de a Procuradoria-Geral do
Estado intervir e ser ouvida nos inventários, arrolamentos e outros feitos em nada atrapalha o
processo.
STF. Plenário. ADI 4409/SP, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 6/6/2018 (Info 905).

Importante!!!
É inconstitucional lei estadual que, ao tratar sobre matéria de competência concorrente (art. 24
da CF/88), simplesmente determina que devem ser observadas as regras previstas na lei federal.
A competência para legislar sobre as atividades que envolvam organismos geneticamente
modificados (OGM) é concorrente (art. 24, V, VIII e XII, da CF/88).
No âmbito das competências concorrentes, cabe à União estabelecer normas gerais e aos Estados-
membros editar leis para suplementar essas normas gerais (art. 24, §§ 1º e 2º).
Determinado Estado-membro editou lei estabelecendo que toda e qualquer atividade relacionada com
os OGMs naquele Estado deveria observar “estritamente à legislação federal específica”.
O STF entendeu que essa lei estadual é inconstitucional porque significou uma verdadeira “renúncia”
ao exercício da competência legislativa concorrente prevista no art. 24, V, VIII e XII, da CF/88. Em
outras palavras, o Estado abriu mão de sua competência suplementar prevista no art. 24, § 2º da
CF/88.
Essa norma estadual remissiva fragiliza a estrutura federativa descentralizada, e consagra o
monopólio da União, sem atentar para nuances locais.
Assim, é inconstitucional lei estadual que remete o regramento do cultivo comercial e das atividades
com organismos geneticamente modificados à regência da legislação federal.
STF. Plenário. ADI 2303/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 5/9/2018 (Info 914).

Importante!!!

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Os Municípios detêm competência para legislar sobre assuntos de interesse local, ainda que, de
modo reflexo, tratem de direito comercial ou do consumidor.
É constitucional lei municipal que proíbe a conferência de mercadorias realizada na saída de
estabelecimentos comerciais localizados na cidade. A Lei prevê que, após o cliente efetuar o
pagamento nas caixas registradoras da empresa instaladas, não é possível nova conferência na saída.
Os Municípios detêm competência para legislar sobre assuntos de interesse local (art. 30, I, da CF/88),
ainda que, de modo reflexo, tratem de direito comercial ou do consumidor.
STF. 2ª Turma. RE 1.052.719 AgR/PB, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 25/9/2018 (Info
917).

Lei estadual que fixa piso salarial profissional violando os requisitos da LC federal 103/2000 é
considerada inconstitucional por ofensa ao art. 22, I e parágrafo único da CF/88.
A competência para editar lei fixando o piso salarial das categorias profissionais (art. 7º, V, da CF/88)
é privativa da União por se tratar de direito do trabalho (art. 22, I).
A União editou a LC federal 103/2000 autorizando que os Estados-membros e o DF editem leis
fixando o piso salarial dos profissionais de acordo com suas realidades regionais.
Ocorre que a União exigiu, dentre outros requisitos, que essa lei seja de iniciativa do chefe do Poder
Executivo estadual (Governador).
Se uma lei estadual/distrital de iniciativa parlamentar fixa o piso salarial, essa lei ultrapassa os limites
impostos pela LC federal 103/2000 e, em última análise, viola diretamente o art. 22, I e parágrafo
único, da CF/88, sendo considerada inconstitucional.
Assim, a extrapolação dos limites da competência legislativa delegada pela União aos Estados e ao
Distrito Federal representa a usurpação de competência legislativa da União para legislar sobre direito
do trabalho (art. 22, I e parágrafo único) e, consequentemente, a inconstitucionalidade formal da lei
delegada.
STF. Plenário. ADI 5344 MC/PI, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 11/10/2018 (Info 919).

Viola a CF/88 lei municipal que proíbe o transporte de animais vivos no Município.
Viola a Constituição Federal lei municipal que proíbe o trânsito de veículos, sejam eles motorizados
ou não, transportando cargas vivas nas áreas urbanas e de expansão urbana do Município.
Essa lei municipal invade a competência da União.
O Município, ao inviabilizar o transporte de gado vivo na área urbana e de expansão urbana de seu
território, transgrediu a competência da União, que já estabeleceu, à exaustão, diretrizes para a política
agropecuária, o que inclui o transporte de animais vivos e sua fiscalização.
Além disso, sob a justificativa de criar mecanismo legislativo de proteção aos animais, o legislador
municipal impôs restrição desproporcional.
Esta desproporcionalidade fica evidente quando se verifica que a legislação federal já prevê uma série
de instrumentos para garantir, de um lado, a qualidade dos produtos destinados ao consumo pela
população e, de outro, a existência digna e a ausência de sofrimento dos animais, tanto no transporte
quanto no seu abate.
STF. Plenário. ADPF 514 e ADPF 516 MC-REF/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgados em
11/10/2018 (Info 919).

É inconstitucional lei municipal que institua loteria local.

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É inconstitucional lei municipal que cria concurso de prognósticos de múltiplas chances (loteria) em
âmbito local.
A competência para tratar sobre esse assunto (sistemas de sorteios) é privativa da União, conforme
determina o art. 22, XX, da CF/88.
Sobre o tema, vale a pena lembrar a SV 2: é inconstitucional a lei ou ato normativo estadual ou
distrital que disponha sobre sistemas de consórcios e sorteios, inclusive bingos e loterias.
STF. Plenário. ADPF 337/MA, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 17/10/2018 (Info 920).

São inconstitucionais leis estaduais ou municipais que obriguem o supermercado a manter


empacotador para as compras.
São inconstitucionais as leis que obrigam supermercados ou similares à prestação de serviços de
acondicionamento ou embalagem das compras, por violação ao princípio da livre iniciativa (art. 1º,
IV e art. 170 da CF/88).
STF. Plenário. ADI 907/RJ, Rel. Min. Alexandre de Moraes, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso,
julgado em 1º/8/2017 (Info 871).
STF. Plenário. RE 839950/RS, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24/10/2018 (repercussão geral) (Info
921).

Importante!!!
É inconstitucional lei estadual que obrigue a concessionária a fornecer um carro reserva ao
cliente que está aguardando o conserto do seu veículo.
É inconstitucional lei estadual que impõe às montadoras, concessionárias e importadoras de veículos
a obrigação de fornecer veículo reserva a clientes cujo automóvel fique inabilitado por mais de quinze
dias por falta de peças originais ou por impossibilidade de realização do serviço, durante o período
de garantia contratual.
STF. Plenário. ADI 5158/PE, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 6/12/2018 (Info 926).

Lei estadual pode impor que as agências bancárias instalem divisórias individuais nos caixas de
atendimento.
É constitucional lei estadual ou municipal que imponha sanções às agências bancárias que não
instalarem divisórias individuais nos caixas de atendimento.
Trata-se de matéria relativa a relação de consumo, o que garante ao Estado competência concorrente
para legislar sobre o tema (art. 24, V, da CF/88).
STF. Plenário. ADI 4633/SP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 10/04/2018 (notícia do site).
STF. 1ª Turma. ARE 756593 AgR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 16/12/2014.

É inconstitucional lei estadual que obriga empresas de telefonia e de TV por assinatura a


manterem escritórios regionais e representantes para atendimento presencial de consumidores.
É inconstitucional lei estadual que obriga as empresas concessionárias de serviços de
telecomunicações a manterem escritórios regionais e representantes legais para atendimento
presencial de consumidores em cidades com população superior a 100 mil habitantes, bem como a
divulgarem os correspondentes endereços físicos no site, no contrato de prestação de serviços e nas
faturas enviadas aos usuários.

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Trata-se de matéria relativa a “serviços públicos de telecomunicações”, cuja competência é privativa
da União (art. 21, XI e art. 22, IV, da CF/88).
STF. Plenário. ADI 4633/PR, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 10/04/2018 (notícia do site).

Importante!!!
É inconstitucional lei do Distrito Federal que trate sobre a estrutura e o regime jurídico da
Polícia Civil do Distrito Federal (a competência para isso é da União).
É inconstitucional lei do Distrito Federal que institua, extinga e transforme órgãos internos da Polícia
Civil do Distrito Federal.
Essa lei viola o art. 21, XIV, da CF/88, que fixa a competência da União para manter e organizar a
Polícia Civil do Distrito Federal.
Deve-se reconhecer que o art. 21, XIV, CF/88 trata tanto de competência administrativa quanto
legislativa, sendo a matéria, portanto, atribuída, prioritariamente, à União.
As leis distritais impugnadas, ao criarem cargos em comissão e novos órgãos, também instituíram
novas obrigações pecuniárias a serem suportadas pela União. Ocorre que é vedado ao Distrito Federal
valer-se de leis distritais para instituir encargos financeiros a serem arcados pela União.
Como as leis distritais declaradas inconstitucionais eram muito antigas (2001, 2002 e 2005), o STF
decidiu modular os efeitos da decisão.
STF. Plenário. ADI 3666, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 06/12/2018 (notícia do site).

Importante!!!
É constitucional lei estadual que veda o corte do fornecimento de água e luz, em determinados
dias, pelas empresas concessionárias, por falta de pagamento.
É constitucional lei estadual que proíbe que as empresas concessionárias façam o corte do
fornecimento de água e luz por falta de pagamento, em determinados dias.
Ex: lei do Estado do Paraná proíbe concessionárias de serviços públicos de água e luz de cortarem o
fornecimento residencial de seus serviços por falta de pagamento de contas às sextas-feiras, sábados,
domingos, feriados e no último dia útil anterior a feriado. Também estabelece que o consumidor que
tiver suspenso o fornecimento nesses dias passa a ter o direito de acionar juridicamente a
concessionária por perdas e danos, além de ficar desobrigado do pagamento do débito que originou
o corte.
STF. Plenário. ADI 5961/PR, Rel. Min. Alexandre de Moraes, red. p/ o ac. Min. Marco Aurélio,
julgado em 19/12/2018 (Info 928).

Importante!!!
É constitucional lei estadual que obriga as empresas prestadoras de serviço no Estado a
fornecerem previamente ao consumidor a identificação do profissional que fará o atendimento
na sua residência.
É constitucional lei estadual que obriga as empresas prestadoras de serviços no Estado (exs: empresas
de telefonia, de TV por assinatura, de energia elétrica etc.) a informarem previamente a seus clientes
os dados do empregado que realizará o serviço na residência do consumidor.

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Ex: lei do RJ prevê que as empresas prestadoras de serviços, quando acionadas para realizar qualquer
reparo na residência do consumidor, ficam obrigadas a enviar uma mensagem de celular, pelo menos
1h antes do horário agendado, informando o nome e a identidade do funcionário que irá ao local.
STF. Plenário. STF. Plenário. ADI 5745/RJ, Rel. Min. Alexandre de Moraes, red. p/ o acórdão Min.
Edson Fachin, julgado em 07/02/2019 (Info 929).

É inconstitucional lei estadual que discipline a arrecadação das receitas decorrentes da


exploração de recursos hídricos e minerais.
É inconstitucional lei estadual que discipline a ARRECADAÇÃO das receitas oriundas da exploração
de recursos hídricos para geração de energia elétrica e de recursos minerais, inclusive petróleo e gás
natural.
Há uma inconstitucionalidade formal, considerando que cabe à União legislar sobre o tema (art. 22,
IV e XII, da CF/88).
Por outro lado, a lei estadual pode dispor sobre a fiscalização e o controle dessas receitas, tendo em
vista que é de competência comum aos entes registrar, acompanhar e fiscalizar as concessões de
direitos de pesquisa e exploração de recursos hídricos e minerais em seus territórios (art. 23, XI, da
CF/88).
STF. Plenário. ADI 4606/BA, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 28/2/2019 (Info 932).

Inconstitucionalidade de lei estadual que imponha obrigações contratuais para seguradoras.


É inconstitucional lei estadual que discipline as obrigações contratuais relativas a seguros de veículos
e regras de registro, desmonte e comercialização de veículos sinistrados.
Esta lei estadual viola a competência privativa da União para legislar sobre direito civil, seguros,
trânsito e transporte (art. 22, I, VII e XI, da CF/88).
STF. Plenário. ADI 4704/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 21/3/2019 (Info 934).

É constitucional lei estadual que dispensa multa por quebra da fidelidade nos contratos com as
empresas de telefonia em caso de desemprego superveniente do cliente.
É constitucional lei estadual que obriga as empresas de telefonia fixa e móvel a cancelarem a multa
contratual de fidelidade quando o usuário comprovar que perdeu o vínculo empregatício após a
adesão do contrato.
STF. Plenário. ADI 4908/RJ, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 11/4/2019 (Info 937).

É inconstitucional lei estadual que exija que o pescador, para exercer sua atividade, cadastre-
se em entidade privada (Federação de Pescadores) que cobra taxa por essa fiscalização.
É inconstitucional lei estadual que preveja que o pescador semiprofissional ou esportivo, para o
exercício da atividade, deverá se cadastrar e se habilitar na Federação de Pescadores do Estado.
Também é inconstitucional a norma estadual que afirme que a taxa de cadastro e o fornecimento da
habilitação para exercer a atividade de pescador semiprofissional ou esportivo será definida em
Assembleia Geral da Federação de Pescadores do Estado.
Tais disposições invadem a competência da União para editar as normas gerais sobre pesca. Existe
lei federal que regulamenta, de modo unificado, todo o procedimento de habilitação de pesca com
requisitos nacionais.

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Além disso, a lei não poderia ter delegado a uma entidade de direito privado (Federação dos
Pescadores) o poder de definir o valor da taxa a ser cobrada.
STF. Plenário. ADI 3829/RS, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 11/4/2019 (Info 937).

É inconstitucional lei estadual que crie hipóteses de isenção de pagamento de direitos autorais
fora do rol trazido pela Lei federal nº 9.610/98.
É inconstitucional lei estadual que isenta entidades filantrópicas de recolher as taxas de retribuição
autoral arrecadadas pelo ECAD.
A lei estadual que cria novas hipóteses de não recolhimento de direitos autorais não previstas na Lei
federal usurpa a competência privativa da União para legislar sobre direito civil, direito de
propriedade e para estabelecer regras de intervenção no domínio econômico (art. 22, I, da CF/88).
Além disso, essa lei estadual retira dos autores das obras musicais o seu direito exclusivo de
utilização, publicação ou reprodução das obras ou do reconhecimento por sua criação, afrontando o
art. 5º, XXII e XXVII, da CF/88.
STF. Plenário. ADI 5800/AM, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 8/5/2019 (Info 939).

CE não pode exigir autorização da ALE para que o Governador (ou o Vice) se ausente do país
qualquer que seja o prazo.
A exigência de prévia autorização da assembleia legislativa para o governador e o vice-governador
do Estado ausentarem-se, “em qualquer tempo”, do território nacional mostra-se incompatível com
os postulados da simetria e da separação dos Poderes.
A Constituição Federal, em seu art. 49, III e em seu art. 83, prevê que é da competência do Congresso
Nacional autorizar o Presidente e o Vice-presidente da República a se ausentarem do País quando a
ausência for por período superior a 15 dias.
Logo, afronta os princípios da separação dos Poderes e da simetria a norma da Constituição estadual
que exige prévia licença da Assembleia Legislativa para que o Governador e o Vice-governador se
ausentem do País por qualquer prazo .
Os Estados-membros não podem criar novas ingerências de um Poder na órbita de outro que não
derivem explícita ou implicitamente de regra ou princípio previsto na Constituição Federal.
STF. Plenário. ADI 5373 MC/RR, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 9/5/2019 (Info 939).

É constitucional lei municipal que estabelece que os supermercados ficam obrigados a colocar
à disposição dos consumidores pessoal suficiente nos caixas, de forma que a espera na fila não
seja superior a 15 minutos.
É constitucional lei municipal que estabelece que os supermercados e hipermercados do Município
ficam obrigados a colocar à disposição dos consumidores pessoal suficiente no setor de caixas, de
forma que a espera na fila para o atendimento seja de, no máximo, 15 minutos. Isso porque compete
aos Municípios legislar sobre assuntos de interesse local, notadamente sobre a definição do tempo
máximo de espera de clientes em filas de estabelecimentos empresariais.
Vale ressaltar que essa lei municipal não obriga a contratação de pessoal, e sim sua colocação
suficiente no setor de caixas para o atendimento aos consumidores.
STF. 1ª Turma. ARE 809489 AgR/SP, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 28/5/2019 (Info 942).

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Importante!!!
Lei estadual não pode proibir que as concessionárias de energia elétrica cobrem um valor do
consumidor para a religação do serviço que havia sido suspenso por inadimplemento.
É inconstitucional lei estadual que proíbe que as empresas concessionárias cobrem “taxa” de religação
no caso de corte de fornecimento de energia por atraso no pagamento.
Essa lei estadual invadiu a competência privativa da União para dispor sobre energia, violando,
assim, o art. 22, IV, da CF/88. Além disso, também interferiu na prestação de um serviço público
federal, considerando que o serviço de energia elétrica é de competência da União, nos termos do art.
21, XII, “b”, da CF/88.
Ex: concessionária havia “cortado” (suspendido) o serviço de energia elétrica em razão de
inadimplemento; o consumidor regularizou a situação, quitando os débitos; a concessionária pode
exigir do cliente o pagamento de uma tarifa para efetuar o religamento do serviço; lei estadual não
pode proibir que a concessionária cobre esse valor.
STF. Plenário. ADI 5610/BA, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 8/8/2019 (Info 946).

É inconstitucional lei municipal que preveja que o Poder Executivo poderá conceder
autorização para que sejam explorados serviços de radiodifusão no Município.
É formalmente inconstitucional lei municipal que autoriza o Poder Executivo Municipal a conceder
a exploração do Serviço de Radiodifusão Comunitária no âmbito do território do Município.
O art. 21, XII, “a”, da CF/88 estabelece que a competência para conceder autorização para tais
serviços é da União.
Além disso, o art. 22, IV da CF/88 confere à União a competência privativa para legislar sobre o tema
“radiodifusão”.
STF. Plenário. ADPF 235/TO, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 14/8/2019 (Info 947).

4.6. Comunicação Social

É inconstitucional o art. 25 da Lei 12.485/2017.


A Lei nº 12.485/2011 dispõe sobre a “comunicação audiovisual de acesso condicionado”, mais
conhecida como “TV por assinatura”. Trata-se do marco regulatório da TV por assinatura no Brasil.
Foram ajuizadas ações diretas de inconstitucionalidade impugnando esta lei.
O STF decidiu que apenas um dos dispositivos da Lei é inconstitucional: o art. 25. Os demais são
válidos.
O art. 25 prevê a impossibilidade de oferta de canais que veiculem publicidade comercial direcionada
ao público brasileiro contratada no exterior por agência de publicidade estrangeira.
O STF julgou inconstitucional este art. 25 por violação ao princípio constitucional da isonomia (art.
5º, “caput”). Esse princípio exige que o tratamento diferenciado entre os indivíduos seja
acompanhado de causas jurídicas suficientes para amparar a discriminação, cujo exame de
consistência, embora preserve um pequeno espaço de discricionariedade legislativa, é sempre passível
de aferição judicial por força do princípio da inafastabilidade da jurisdição.
O art. 25 da lei proíbe a oferta de canais que veiculem publicidade comercial direcionada ao público
brasileiro contratada no exterior por agência de publicidade estrangeira, estabelecendo uma completa
exclusividade em proveito das empresas brasileiras e não apenas preferência percentual, sem prazo

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para ter fim e despida de qualquer justificação que indique a vulnerabilidade das empresas brasileiras
de publicidade, sendo, portanto, inconstitucional.
STF. Plenário. ADI 4747/DF, ADI 4756/DF, ADI 4923/DF e ADI 4679/DF, Rel. Min. Luiz Fux,
julgado em 8/11/2017 (Info 884).

4.7. Comunidades Quilombolas

Importante!!!
Constitucionalidade do Decreto 4.887/2003, que regulamenta o procedimento para titulação das
terras ocupadas por remanescentes das comunidades dos quilombos.
O art. 68 do ADCT estabelece que “aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam
ocupando suas terras é reconhecida a propriedade definitiva, devendo o Estado emitir-lhes os títulos
respectivos.”
Em 2003, foi editado o Decreto nº 4.887, com o objetivo de regulamentar o procedimento para
identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação e titulação das terras ocupadas por
remanescentes das comunidades dos quilombos.
O STF entendeu que este Decreto não invadiu esfera reservada à lei. O objetivo do Decreto foi tão
somente o de regular o comportamento do Estado na implementação do comando constitucional
previsto no art. 68 do ADCT. Houve o mero exercício do poder regulamentar da Administração, nos
limites estabelecidos pelo art. 84, VI, da Constituição.
O art. 2º, caput e § 1º do Decreto nº 4.887/2003 prevê como deve ser o critério utilizado pelo Poder
Público para a identificação dos quilombolas. O critério escolhido foi o da autoatribuição
(autodefinição). O STF entendeu que a escolha desse critério não foi arbitrária, não sendo contrária à
Constituição.
O art. 2º, §§ 2º e 3º, do Decreto preconiza que, na identificação, medição e demarcação das terras dos
quilombolas devem ser levados em consideração critérios de territorialidade indicados pelos
remanescentes das comunidades dos quilombos. O STF afirmou que essa previsão é constitucional .
Isso porque o que o Decreto está garantindo é apenas que as comunidades envolvidas sejam ouvidas,
não significando que a demarcação será feita exclusivamente com base nos critérios indicados pelos
quilombolas.
O art. 13 do Decreto, por sua vez, estabelece que o INCRA poderá realizar a desapropriação de
determinadas áreas caso os territórios ocupados por remanescentes das comunidades dos quilombos
estejam situados em locais pertencentes a particulares. O STF reputou válida essa previsão tendo em
vista que, em nenhum momento a Constituição afirma que são nulos ou extintos os títulos
eventualmente incidentes sobre as terras ocupadas por remanescentes das comunidades dos
quilombos. Assim, o art. 68 do ADCT, apesar de reconhecer um direito aos quilombolas, não invalida
os títulos de propriedade eventualmente existentes, de modo que, para que haja a regularização do
registro em favor das comunidades quilombolas, exige-se a realização do procedimento de
desapropriação.
Por fim, o STF não acolheu a tese de que somente poderiam ser consideradas terras de quilombolas
aqueles que estivessem sendo ocupadas por essas comunidades na data da promulgação da CF/88
(05/10/1988). Em outras palavras, mesmo que, na data da promulgação da CF/88, a terra não mais

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estivesse sendo ocupada pelas comunidades quilombolas, é possível, em tese, que seja garantido o
direito previsto no art. 68 do ADCT.
STF. Plenário. ADI 3239/DF, rel. orig. Min. Cezar Peluso, red.p/ o ac. Min. Rosa Weber, julgado em
8/2/2018 (Info 890).

4.8. Conselho Nacional de Justiça

CNJ, no exercício de controle administrativo, pode deixar de aplicar lei inconstitucional.


CNJ pode determinar que Tribunal de Justiça exonere servidores nomeados sem concurso público
para cargos em comissão que não se amoldam às atribuições de direção, chefia e assessoramento,
contrariando o art. 37, V, da CF/88. Esta decisão do CNJ não configura controle de
constitucionalidade, sendo exercício de controle da validade dos atos administrativos do Poder
Judiciário.
STF. Plenário. Pet 4656/PB, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 19/12/2016 (Info 851).

Competência originária e concorrente do CNJ.


A CF conferiu competência originária e concorrente ao CNJ para aplicação de medidas disciplinares.
Assim, a competência do CNJ é autônoma (e não subsidiária). Logo, o CNJ pode atuar mesmo que
não tenha sido dada oportunidade para que a corregedoria local pudesse investigar o caso.
STF. 1ª Turma. MS 30361 AgR/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 29/8/2017 (Info 875).

Utilização no PAD de dados obtidos em descoberta fortuita na investigação criminal.


É possível a utilização de dados obtidos por descoberta fortuita em interceptações telefônicas
devidamente autorizadas como prova emprestada em processo administrativo disciplinar.
STF. 1ª Turma. MS 30361 AgR/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 29/8/2017 (Info 875).

CNJ não pode examinar controvérsia que está submetida à apreciação do Poder Judiciário.
Não cabe ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), cujas atribuições são exclusivamente
administrativas, o controle de controvérsia que está submetida à apreciação do Poder Judiciário.
STF. 1ª Turma. MS 28845/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 21/11/2017 (Info 885).

O prazo de 1 ano previsto no art. 103-B, § 4º, V da CF/88 incide apenas para revisões de PADs,
não se aplicando para atuação originária do CNJ.
A competência originária do CNJ para a apuração disciplinar, ao contrário da revisional, não se sujeita
ao parâmetro temporal previsto no art. 103-B, § 4º, V da CF/88.
STF. 2ª Turma. MS 34685 AgR/RR, rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 28/11/2017 (Info 886).

CNJ pode anular decisão do TJ que, em concurso de cartório, conferiu, na fase de títulos,
pontuação com base em interpretação contrária à Resolução do Conselho.
O CNJ não pode substituir a banca examinadora do concurso na escolha das questões, na correção de
provas e nas atribuições de notas. Assim, ao Conselho é defeso (proibido) substituir o critério
valorativo para escolha e correção das questões pela Banca Examinadora nos concursos públicos.
O CNJ pode, no entanto, substituir, anular ou reformar decisões da banca do concurso que firam os
princípios da razoabilidade, da igualdade, da legalidade, da impessoalidade, da moralidade e da

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publicidade. Isso porque a discricionariedade da banca de concurso não se confunde com
arbitrariedade. Se houver desrespeito aos princípios constitucionais da administração pública, será
possível a plena revisão da decisão pelo Conselho.
Ex: o CNJ pode anular decisão do Tribunal de Justiça que, em concurso de cartório, deu interpretação
equivocada a determinado item do edital, e conferiu pontuação indevida a certos candidatos na fase
de títulos. A pontuação conferida pela Comissão no TJ violava à Resolução do CNJ que regulamenta
os concursos de cartório. Neste caso, o CNJ atuou dentro dos limites constitucionais do controle
administrativo.
STF. 1ª Turma. MS 33527/RJ, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Alexandre de
Moraes, julgado em 20/3/2018 (Info 895).

CNJ pode avocar PAD que tramita no Tribunal se não há quórum suficiente para se atingir
maioria absoluta.
O TRF condenou juiz federal à pena de aposentadoria compulsória. Ocorre que, em virtude de alguns
Desembargadores terem se averbado suspeitos, este juiz foi condenado com um quórum de maioria
simples.
O CNJ reconheceu a irregularidade da proclamação do resultado e anulou o julgamento de mérito
realizado pelo TRF. Isso porque o art. 93, VIII e X, da CF/88 exige quórum de maioria absoluta do
tribunal.
Ocorre que o CNJ, após anular o julgamento de mérito realizado pelo TRF, decidiu avocar o processo
administrativo para que o magistrado fosse julgado diretamente pelo Conselho.
O juiz impetrou MS contra essa avocação, mas o STF afirmou que o CNJ agiu corretamente.
A Constituição, expressamente, confere ao CNJ competência para, a qualquer tempo, avocar
processos de natureza disciplinar em curso contra membros do Poder Judiciário. Assim, não há óbice
para que o CNJ anule o julgamento do Tribunal e inicie lá um outro procedimento.
Uma das causas legítimas de avocação de procedimentos administrativos pelo CNJ é justamente a
falta do quórum para proferir decisão administrativa por maioria absoluta em razão de suspeição,
impedimento ou falta de magistrados.
O CNJ poderia ter devolvido o processo ao TRF2, mas optou por exercer sua competência
concorrente, dentro da discricionariedade conferida pela Constituição, para julgar o processo e evitar
novas questões de suspeição e impedimento.
STF. 1ª Turma. MS 35100/DF, rel. orig. Min. Luiz Fux, red. p/ o acórdão Min. Roberto Barroso,
julgado em 8/5/2018 (Info 901).

CNJ pode determinar que Tribunais de Justiça reduzam o adicional de férias dos magistrados
para 1/3.
O CNJ não pode fazer controle de constitucionalidade de lei ou ato normativo de forma a substituir a
competência do STF.
Contudo, o CNJ pode determinar a correção de ato do Tribunal local que, embora respaldado por
legislação estadual, se distancie do entendimento do STF.
Assim, o CNJ pode afirmar que determinada lei ou ato normativo é inconstitucional se esse
entendimento já estiver pacificado no STF. Isso porque, neste caso, o CNJ estará apenas aplicando
uma jurisprudência, um entendimento já pacífico.

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As leis estaduais que preveem abono de férias aos magistrados em percentual superior a 1/3 são
inconstitucionais. Isso porque essa majoração do percentual de férias não encontra respaldo na
LOMAN, que prevê, de forma taxativa, as vantagens conferidas aos magistrados, sendo essa a Lei
que deve tratar do regime jurídico da magistratura, por força do art. 93 da CF/88.
Logo, o CNJ agiu corretamente ao determinar aos Tribunais de Justiça que pagam adicional de férias
superior a 1/3 que eles enviem projetos de lei para as Assembleias Legislativas reduzindo esse
percentual.
STF. 2ª Turma. MS 31667 AgR/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 11/9/2018 (Info 915).

O fato de o PCA instaurado no CNJ contar com um número elevado de partes interessadas não
significa, necessariamente, violação ao devido processo legal.
Caso concreto: foi instaurado procedimento de controle administrativo (PCA) no CNJ para apurar a
regularidade de 300 serventias judiciais.
O impetrante alega a nulidade do PCA pelo fato de haver um grande número de interessados no
mesmo processo, defendendo a ideia de que deveria ser um procedimento para cada parte.
O STF não concordou com o mandado de segurança impetrado e manteve a decisão do CNJ.
O fato de o PCA instaurado no CNJ contar com um número elevado de partes interessadas não
significa, necessariamente, violação ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa.
O prejuízo à defesa deve ser analisado concretamente, à luz das especificidades do caso.
No caso concreto, tendo em vista que todos os interessados foram intimados para se manifestarem no
processo e o que CNJ enfrentou de maneira detida as teses jurídicas por eles apresentadas, não há que
se falar em anulação do ato impugnado.
Como regra geral, o controle dos atos do CNJ pelo STF somente se justifica nas hipóteses de:
a) inobservância do devido processo legal;
b) exorbitância das competências do Conselho; e
c) injuridicidade ou manifesta irrazoabilidade do ato impugnado.
No caso concreto, não se identifica nenhuma dessas três situações. Logo, não há motivo para a
anulação da decisão do CNJ.
STF. 1ª Turma. MS 28.495/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado
em 13/11/2018 (Info 923).

STF mantém punição aplicada pelo CNJ à juíza envolvida no caso de prisão de adolescente em
cela masculina no Pará.
Deve ser mantida a decisão do CNJ que aplica pena de disponibilidade (art. 42, IV, da LC 35/79) à
magistrada que, mesmo depois de informada que uma adolescente mulher estava presa em uma
mesma cela com homens, demora a tomar as providências necessárias para corrigir essa situação e,
além disso, procura se eximir de reponsabilidade produzindo documento falso com data retroativa,
na tentativa de comprovar que teria adotado providências que, na realidade, não adotou.
STF. 1ª Turma. MS 34490/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso,
julgado em 5/2/2019 (Info 929).

O STF entende que não é possível a revisão do mérito das decisões do CNJ, cujos atos e
procedimentos estão sujeitos apenas ao controle de legalidade daquela Corte.
O STF entende que não é seu papel fazer a revisão do mérito das decisões do CNJ.

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Assim, os atos e procedimentos do CNJ estão sujeitos apenas ao controle de legalidade por parte do
STF.
O mandado de segurança não se presta ao reexame de fatos e provas analisados pelo CNJ no processo
disciplinar.
A LOMAN não estabelece regras de prescrição da pretensão punitiva por faltas disciplinares
praticadas por magistrados. Diante disso, deve ser feita a aplicação subsidiária da Lei nº 8.112/90.
STF. 2ª Turma. MS 35540/DF e MS 35521/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgados em 12/3/2019
(Info 933).

4.9. Conselho Nacional do Ministério Público

Caso tenha avocado o PAD, o CNMP pode aproveitar os atos instrutórios realizados na origem.
Se o CNMP decidir avocar um PAD que está tramitando na Corregedoria local por suspeita de
parcialidade do Corregedor, ele poderá aproveitar os atos instrutórios praticados regularmente na
origem pela Comissão Processante.
Não há motivo para se anular os atos instrutórios já realizados pela Comissão Processante, sem
participação do Corregedor, especialmente se o interessado não demonstra a ocorrência de prejuízo.
O princípio do pas de nullité sans grief é plenamente aplicável no âmbito do Direito Administrativo,
inclusive em processos disciplinares.
STF. 2ª Turma. MS 34666 AgR/DF, rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 29/8/2017 (Info 875).

4.10. Contribuição Sindical

Importante!!!
É constitucional a lei que extinguiu a contribuição sindical obrigatória.
São compatíveis com a Constituição Federal os dispositivos da Lei nº 13.467/2017 (Reforma
Trabalhista) que extinguiram a obrigatoriedade da contribuição sindical e condicionaram o seu
pagamento à prévia e expressa autorização dos filiados.
No âmbito formal, o STF entendeu que a Lei nº 13.467/2017 não contempla normas gerais de direito
tributário (art. 146, III, “a”, da CF/88). Assim, não era necessária a edição de lei complementar para
tratar sobre matéria relativa a contribuições.
Também não se aplica ao caso a exigência de lei específica prevista no art. 150, § 6º, da CF/88, pois
a norma impugnada não disciplinou nenhum dos benefícios fiscais nele mencionados, quais sejam,
subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão.
Sob o ângulo material, o STF afirmou que a Constituição assegura a livre associação profissional
ou sindical, de modo que ninguém é obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado a sindicato (art. 8º, V,
da CF/88). O princípio constitucional da liberdade sindical garante tanto ao trabalhador quanto ao
empregador a liberdade de se associar a uma organização sindical, passando a contribuir
voluntariamente com essa representação.
Não há nenhum comando na Constituição Federal determinando que a contribuição sindical é
compulsória.
Não se pode admitir que o texto constitucional, de um lado, consagre a liberdade de associação,
sindicalização e expressão (art. 5º, IV e XVII, e art. 8º) e, de outro, imponha uma contribuição
compulsória a todos os integrantes das categorias econômicas e profissionais.

59
STF. Plenário. ADI 5794/DF, Rel. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Luiz Fux, julgado em
29/6/2018 (Info 908).

4.11. Controle de Constitucionalidade

Importante!!!
Conversão da MP em lei antes que a ADI proposta seja julgada.
Se é proposta ADI contra uma medida provisória e, antes de a ação ser julgada, a MP é convertida
em lei com o mesmo texto que foi atacado, esta ADI não perde o objeto e poderá ser conhecida e
julgada.
Como o texto da MP foi mantido, não cabe falar em prejudicialidade do pedido. Isso porque não há
a convalidação ("correção") de eventuais vícios existentes na norma, razão pela qual permanece a
possibilidade de o STF realizar o juízo de constitucionalidade.
Neste caso, ocorre a continuidade normativa entre o ato legislativo provisório (MP) e a lei que resulta
de sua conversão.
Ex: foi proposta uma ADI contra a MP 449/1994 e, antes de a ação ser julgada, houve a conversão na
Lei nº 8.866/94.
Vale ressaltar, no entanto, que o autor da ADI deverá peticionar informando esta situação ao STF e
pedindo o aditamento da ação.
STF. Plenário. ADI 1055/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 15/12/2016 (Info 851).

Importante!!!
TJ pode julgar ADI contra lei municipal tendo como parâmetro norma da Constituição
Federal?
Tribunais de Justiça podem exercer controle abstrato de constitucionalidade de leis municipais
utilizando como parâmetro normas da Constituição Federal, desde que se trate de normas de
reprodução obrigatória pelos estados.
STF. Plenário. RE 650898/RS, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso,
julgado em 1º/2/2017 (repercussão geral) (Info 852).

Importante!!!
Na ADI a causa de pedir é aberta.
O STF, ao julgar as ações de controle abstrato de constitucionalidade, não está vinculado aos
fundamentos jurídicos invocados pelo autor.
Assim, pode-se dizer que na ADI, ADC e ADPF, a causa de pedir (causa petendi) é aberta.
Isso significa que todo e qualquer dispositivo da Constituição Federal ou do restante do bloco de
constitucionalidade poderá ser utilizado pelo STF como fundamento jurídico para declarar uma lei
ou ato normativo inconstitucional.
STF. Plenário. ADI 3796/PR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 8/3/2017 (Info 856).

Modulação de efeitos em recurso extraordinário.


É possível a modulação dos efeitos da decisão proferida em sede de controle incidental de
constitucionalidade.

60
STF. Plenário. RE 522897/RN, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 16/3/2017 (Info 857).

Não se admite ADI contra lei que teria violado tratado internacional não incorporado ao
ordenamento brasileiro na forma do art. 5º, § 3º da CF/88.
Em regra, não é cabível ADI sob o argumento de que uma lei ou ato normativo violou um tratado
internacional.
Em regra, os tratados internacionais não podem ser utilizados como parâmetro em sede de controle
concentrado de constitucionalidade.
Exceção: será cabível ADI contra lei ou ato normativo que violou tratado ou convenção internacional
que trate sobre direitos humanos e que tenha sido aprovado segundo a regra do § 3º do art. 5º, da
CF/88. Isso porque neste caso esse tratado será incorporado ao ordenamento brasileiro como se fosse
uma emenda constitucional.
STF. Plenário. ADI 2030/SC, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 9/8/2017 (Info 872).

Se a maioria dos Ministros votou pela procedência da ADI, mas não se obteve maioria absoluta
dos votos, a lei não deverá ser declarada inconstitucional.
Imagine a seguinte situação: é proposta uma ADI contra determinada lei. Cinco Ministros votam pela
inconstitucionalidade da lei. Quatro Ministros votam pela constitucionalidade. Dois Ministros
declaram-se impedidos de votar.
Qual deverá ser a proclamação do resultado? Pode-se dizer que esta lei foi declarada inconstitucional
por maioria de votos?
NÃO. Não foi atingido o número mínimo de votos para a declaração de inconstitucionalidade da lei
(6 votos). Assim, como não foi alcançado o quórum exigido pelo art. 97 da CF/88, entende-se que o
STF não pronunciou juízo de constitucionalidade ou inconstitucionalidade da lei. Isso significa que
o STF não declarou a lei nem constitucional nem inconstitucional. Além disso, esse julgamento não
tem eficácia vinculante, ou seja, os juízes e Tribunais continuam livres para decidir que a lei é
constitucional ou inconstitucional, sem estarem vinculados ao STF.
STF. Plenário. ADI 4066/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 23 e 24/8/2017 (Info 874).

Importante!!!
Efeito vinculante de declaração incidental de inconstitucionalidade.
Se uma lei ou ato normativo é declarado inconstitucional pelo STF, incidentalmente, ou seja, em sede
de controle difuso, essa decisão, assim como acontece no controle abstrato, também produz eficácia
erga omnes e efeitos vinculantes.
O STF passou a acolher a teoria da abstrativização do controle difuso. Assim, se o Plenário do STF
decidir a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo, ainda que em
controle difuso, essa decisão terá os mesmos efeitos do controle concentrado, ou seja, eficácia erga
omnes e vinculante.
Houve mutação constitucional do art. 52, X, da CF/88. A nova interpretação deve ser a seguinte:
quando o STF declara uma lei inconstitucional, mesmo em sede de controle difuso, a decisão já tem
efeito vinculante e erga omnes e o STF apenas comunica ao Senado com o objetivo de que a referida
Casa Legislativa dê publicidade daquilo que foi decidido.
STF. Plenário. ADI 3406/RJ e ADI 3470/RJ, Rel. Min. Rosa Weber, julgados em 29/11/2017 (Info
886).
61
O STF não admite a teoria da transcendência dos motivos determinantes.
O STF não admite a “teoria da transcendência dos motivos determinantes”.
Segundo a teoria restritiva, adotada pelo STF, somente o dispositivo da decisão produz efeito
vinculante. Os motivos invocados na decisão (fundamentação) não são vinculantes.
A reclamação no STF é uma ação na qual se alega que determinada decisão ou ato:
 usurpou competência do STF; ou
 desrespeitou decisão proferida pelo STF.
Não cabe reclamação sob o argumento de que a decisão impugnada violou os motivos (fundamentos)
expostos no acórdão do STF, ainda que este tenha caráter vinculante. Isso porque apenas o dispositivo
do acórdão é que é vinculante.
Assim, diz-se que a jurisprudência do STF é firme quanto ao não cabimento de reclamação fundada
na transcendência dos motivos determinantes do acórdão com efeito vinculante.
STF. Plenário. Rcl 8168/SC, rel. orig. Min. Ellen Gracie, red. p/ o acórdão Min. Edson Fachin, julgado
em 19/11/2015 (Info 808).
STF. 2ª Turma. Rcl 22012/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, red. p/ ac. Min. Ricardo Lewandowski, julgado
em 12/9/2017 (Info 887).

Importante!!!
Alteração da Lei impugnada antes do julgamento da ADI.
O que acontece se a lei impugnada por meio de ADI é alterada antes do julgamento da ação?
Neste caso, o autor da ADI deverá aditar a petição inicial demonstrando que a nova redação do
dispositivo impugnado apresenta o mesmo vício de inconstitucionalidade que existia na redação
original.
A revogação, ou substancial alteração, do complexo normativo impõe ao autor o ônus de apresentar
eventual pedido de aditamento, caso considere subsistir a inconstitucionalidade na norma que
promoveu a alteração ou revogação.
Se o autor não fizer isso, o STF não irá conhecer da ADI, julgando prejudicado o pedido em razão da
perda superveniente do objeto.
STF. Plenário. ADI 1931/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 7/2/2018 (Info 890).

Importante!!!
O Estado-membro não possui legitimidade para recorrer contra decisões proferidas em sede de
controle concentrado de constitucionalidade.
O Estado-membro não possui legitimidade para recorrer contra decisões proferidas em sede de
controle concentrado de constitucionalidade, ainda que a ADI tenha sido ajuizada pelo respectivo
Governador.
A legitimidade para recorrer, nestes casos, é do próprio Governador (previsto como legitimado pelo
art. 103 da CF/88).
Os Estados-membros não se incluem no rol dos legitimados a agir como sujeitos processuais em sede
de controle concentrado de constitucionalidade.
STF. Plenário. ADI 4420 ED-AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 05/04/2018.

62
Cabe ADI contra Resolução do CNMP.
A Resolução do CNMP consiste em ato normativo de caráter geral e abstrato, editado pelo Conselho
no exercício de sua competência constitucional, razão pela qual constitui ato normativo primário,
sujeito a controle de constitucionalidade, por ação direta, no Supremo Tribunal Federal.
STF. Plenário. ADI 4263/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 25/4/2018 (Info 899).

Cabimento de ADI contra Resolução do TSE.


É cabível ADI contra Resolução do TSE que tenha, em seu conteúdo material, “norma de decisão”
de caráter abstrato, geral e autônomo, apta a ser apreciada pelo STF em sede de controle abstrato de
constitucionalidade.
STF. Plenário. ADI 5122, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 3/5/2018 (Info 900).

Não cabe ADI contra decreto regulamentar de lei.


A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) é meio processual inadequado para o controle de
decreto regulamentar de lei estadual.
Seria possível a propositura de ADI se fosse um decreto autônomo. Mas sendo um decreto que apenas
regulamenta a lei, não é hipótese de cabimento de ADI.
STF. Plenário. ADI 4409/SP, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 6/6/2018 (Info 905).

Importante!!!
Procuração com poderes específicos para o ajuizamento de ADI.
O advogado que assina a petição inicial da ação direta de inconstitucionalidade precisa de procuração
com poderes específicos. A procuração deve mencionar a lei ou ato normativo que será impugnado
na ação. Repetindo: não basta que a procuração autorize o ajuizamento de ADI, devendo indicar, de
forma específica, o ato contra o qual se insurge.
Caso esse requisito não seja cumprido, a ADI não será conhecida.
Vale ressaltar, contudo, que essa exigência constitui vício sanável e que é possível a sua regularização
antes que seja reconhecida a carência da ação.
STF. Plenário. ADI 4409/SP, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 6/6/2018 (Info 905).

Importante!!!
Alteração do parâmetro constitucional não prejudica o conhecimento da ADI.
A alteração do parâmetro constitucional, quando o processo ainda está em curso, não prejudica o
conhecimento da ADI. Isso para evitar situações em que uma lei que nasceu claramente
inconstitucional volte a produzir, em tese, seus efeitos.
STF. Plenário. ADI 145/CE, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 20/6/2018 (Info 907).

Importante!!!
Cabe ADI contra recomendação de Tribunal que fixa a competência da Justiça do Trabalho
para autorizar o trabalho de crianças e adolescentes em eventos de natureza artística.
Cabe ADI contra recomendação conjunta de Tribunal de Justiça e de Tribunal Regional do Trabalho
recomendando aos juízes que considerem como sendo da Justiça do Trabalho a competência para
autorizar o trabalho de crianças e adolescentes em eventos de natureza artística.

63
Esta recomendação deve ser considerada como ato de caráter primário, autônomo e cogente, inovando
no ordenamento jurídico, razão pela qual pode ser impugnada por meio de ADI.
STF. Plenário. ADI 5326/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 27/9/2018 (Info 917).

ABERT tem legitimidade para propor ADI.


A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT) possui legitimidade para
propor ADI contra ato normativo que previa que a competência para autorizar o pedido de trabalho
de crianças e adolescentes em espetáculos artísticos seria da Justiça do Trabalho.
A ABERT enquadra-se no conceito de entidade de classe de âmbito nacional (art. 103, IX, da CF/88)
e possui pertinência temática para questionar ato normativo que versa sobre esse tema, considerando
a participação de crianças e adolescentes nos programas de suas associadas.
STF. Plenário. ADI 5326/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 27/9/2018 (Info 917).

Possibilidade de decretação, de ofício, da modulação dos efeitos da decisão proferida em ADI.


Caso o STF, ao julgar uma ADI, ADC ou ADPF, declare a lei ou ato normativo inconstitucional, ele
poderá, de ofício, fazer a modulação dos efeitos dessa decisão.
Ex: no julgamento de uma ADI, o STF decidiu que determinado artigo de lei é inconstitucional. Um
dos legitimados do art. 103 da CF/88 opôs embargos de declaração pedindo a modulação dos efeitos.
Ocorre que o STF considerou que esses embargos eram intempestivos. O STF, mesmo não
conhecendo dos embargos, poderá decretar a modulação dos efeitos da decisão.
STF. Plenário. ADI 5617 ED/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 2/10/2018 (Info 918).

A decisão do Relator que ADMITE ou INADMITE o ingresso do amicus curiae é irrecorrível.


É irrecorrível a decisão denegatória de ingresso no feito como amicus curiae.
Assim, tanto a decisão do Relator que ADMITE como a que INADMITE o ingresso do amicus curiae
é irrecorrível.
STF. Plenário. RE 602584 AgR/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Luiz Fux,
julgado em 17/10/2018 (repercussão geral) (Info 920).

Importante!!!
Coexistência de ADI no TJ e ADI no STF, sendo a ADI estadual julgada primeiro.
Coexistindo duas ações diretas de inconstitucionalidade, uma ajuizada perante o tribunal de justiça
local e outra perante o STF, o julgamento da primeira – estadual – somente prejudica o da segunda –
do STF – se preenchidas duas condições cumulativas:
1) se a decisão do Tribunal de Justiça for pela procedência da ação; e
2) se a inconstitucionalidade for por incompatibilidade com preceito da Constituição do Estado sem
correspondência na Constituição Federal.
Caso o parâmetro do controle de constitucionalidade tenha correspondência na Constituição Federal,
subsiste a jurisdição do STF para o controle abstrato de constitucionalidade.
Viola a igualdade a exigência de que o cargo público seja ocupado por indivíduo com curso de
administração pública mantido por instituição pública credenciada no respectivo Estado.
É inconstitucional lei estadual que, ao criar o cargo de administrador público, exige que ele seja
ocupado por profissional graduado em Curso de Administração Pública mantido por Instituição
Pública de Ensino Superior, credenciada no respectivo Estado.
64
Essa previsão da lei estadual ofende o princípio constitucional da igualdade no acesso a cargos
públicos. Além disso, essa regra também viola o art. 19, III, da Constituição Federal, que proíbe a
criação de distinções ilegítimas entre brasileiros.
STF. Plenário. ADI 3659/AM, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 13/12/2018 (Info 927).

Importante!!!
Não se aplica ao processo objetivo de controle abstrato de constitucionalidade a norma que
concede prazo em dobro à Fazenda Pública.
Não se conta em dobro o prazo recursal para a Fazenda Pública em processo objetivo, mesmo que
seja para interposição de recurso extraordinário em processo de fiscalização normativa abstrata.
Não há, nos processos de fiscalização normativa abstrata, a prerrogativa processual dos prazos em
dobro.
Não se aplica ao processo objetivo de controle abstrato de constitucionalidade a norma que concede
prazo em dobro à Fazenda Pública.
Assim, por exemplo, a Fazenda Pública não possui prazo recursal em dobro no processo de controle
concentrado de constitucionalidade, mesmo que seja para a interposição de recurso extraordinário.
STF. Plenário. ADI 5814 MC-AgR-AgR/RR, Rel. Min. Roberto Barroso; ARE 830727 AgR/SC, Rel.
para acórdão Min. Cármen Lúcia, julgados em 06/02/2019 (Info 929).

Importante!!!
Se for editada MP revogando lei que está sendo questionada por meio de ADI, esta ação poderá
ser julgada enquanto a MP não for votada (enquanto a MP não for votada, não há perda do
objeto).
Determinada lei foi impugnada por meio de ação direta de inconstitucionalidade.
Foi editada medida provisória revogando essa lei.
Enquanto esta medida provisória não for aprovada, será possível julgar esta ADI.
Assim, se chegar o dia de julgamento da ADI, e a MP ainda não tiver sido votada, o STF poderá
apreciar livremente a ação, não tendo havido perda do interesse de agir (perda do objeto).
Isso, porque a edição de medida provisória não tem eficácia normativa imediata de revogação da
legislação anterior com ela incompatível, mas apenas de suspensão, paralisação, das leis antecedentes
até o término do prazo do processo legislativo de sua conversão.
Embora seja espécie normativa com força de lei, a medida provisória precisa ser confirmada.
A medida provisória é lei sob condição resolutiva. Se for aprovada, a lei de conversão resultará na
revogação da norma.
Dessa maneira, enquanto não aprovada a MP, não se pode falar em perda de interesse (perda do
objeto).
STF. Plenário. ADI 5717/DF, ADI 5709/DF, ADI 5716/DF e ADI 5727/DF, Rel. Min. Rosa Weber,
julgados em 27/3/2019 (Info 935).

Possibilidade de conhecimento da ADPF mesmo que a lei atacada tenha sido revogada antes do
julgamento, se persistir a utilidade em se proferir decisão com caráter erga omnes e vinculante.

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Em Fortaleza, foi editada a Lei municipal nº 10.553/2016 proibindo o serviço de transporte em
aplicativos. Foi ajuizada ADPF contra a lei. Antes que a ação fosse julgada, a referida Lei foi
revogada.
Mesmo com a revogação, o STF conheceu da ADPF e julgou o mérito, declarando a Lei nº
10.553/2016 inconstitucional.
O Tribunal considerou que a revogação da Lei atacada na ADPF por outra lei local não retira o
interesse de agir no feito. Isso porque persiste a utilidade da prestação jurisdicional com o intuito de
estabelecer, com caráter erga omnes e vinculante, o regime aplicável às relações jurídicas
estabelecidas durante a vigência da norma impugnada, bem como no que diz respeito a leis de idêntico
teor aprovadas em outros Municípios.
Trata-se da solução mais consentânea com o princípio da eficiência processual e o imperativo
aproveitamento dos atos já praticados de maneira socialmente proveitosa.
STF. Plenário. ADPF 449/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 8 e 9/5/2019 (Info 939).

É cabível ADI contra decreto autônomo que extingue colegiados da Administração Pública.
É cabível ADI contra decreto presidencial que, com fundamento no art. 84, VI, “a”, da CF/88,
extingue colegiados da Administração Pública federal. Isso porque se trata de decreto autônomo, que
retira fundamento de validade diretamente da Constituição Federal e, portanto, é dotado de
generalidade e abstração.
STF. Plenário. ADI 6121 MC/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 12 e 13/6/2019 (Info 944).

4.12. Cotas Raciais em Concurso Público

Importante!!!
Constitucionalidade do sistema de cotas raciais em concursos públicos.
A Lei nº 12.990/2014 estabeleceu uma cota aos negros de 20% das vagas em concursos públicos
realizados no âmbito da administração pública federal, das autarquias, das fundações públicas, das
empresas públicas e das sociedades de economia mista controladas pela União.
O STF declarou que essa Lei é constitucional e fixou a seguinte tese de julgamento:
"É constitucional a reserva de 20% das vagas oferecidas nos concursos públicos para provimento de
cargos efetivos e empregos públicos no âmbito da administração pública direta e indireta.”
STF. Plenário. ADC 41/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 8/6/2017 (Info 868).

Além da autodeclaração, é possível que a Administração Pública adote critérios de


heteroidentificação para analisar se o candidato se enquadra nos parâmetros da cota.
A Lei nº 12.990/2014 estabeleceu uma cota aos negros de 20% das vagas em concursos públicos da
administração pública federal, direta e indireta.
Segundo o art. 2º da Lei, poderão concorrer às vagas reservadas a candidatos negros aqueles que se
autodeclararem pretos ou pardos no ato da inscrição no concurso público, conforme o quesito cor ou
raça utilizado pelo IBGE. Trata-se do chamado critério da autodeclaração.
O STF afirmou que este critério é constitucional. Entretanto, é possível também que a Administração
Pública adote um controle heterônomo, sobretudo quando existirem fundadas razões para acreditar
que houve abuso na autodeclaração.

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Assim, é legítima a utilização de critérios subsidiários de heteroidentificação dos candidatos que se
declararam pretos ou pardos.
A finalidade é combater condutas fraudulentas e garantir que os objetivos da política de cotas sejam
efetivamente alcançados. Vale ressaltar que tais critérios deverão respeitar a dignidade da pessoa
humana e assegurar o contraditório e a ampla defesa.
Exemplos desse controle heterônomo: exigência de autodeclaração presencial perante a comissão do
concurso; exigência de apresentação de fotos pelos candidatos; formação de comissões com
composição plural para entrevista dos candidatos em momento posterior à autodeclaração.
Essa conclusão do STF foi resumida na seguinte tese de julgamento:
"É legítima a utilização, além da autodeclaração, de critérios subsidiários de heteroidentificação,
desde que respeitada a dignidade da pessoa humana e garantidos o contraditório e a ampla defesa".
STF. Plenário. ADC 41/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 8/6/2017 (Info 868).

4.13. CPI

O investigado pode se recusar a comparecer na sessão da CPI na qual seria ouvido?


O investigado pode se recusar a comparecer na sessão da CPI na qual seria ouvido?
SIM NÃO
Ministros Gilmar Mendes e Celso de Mello Ministros Edson Fachin e Cármen Lúcia
O comparecimento do investigado perante a CPI O comparecimento do investigado perante a CPI
para ser ouvido é facultativo. Cabe a ele decidir para ser ouvido é compulsório. Ele tem que
se irá ou não comparecer. comparecer. No entanto, chegando lá, o
Se decidir comparecer, ele terá direito: investigado tem direito:
a) ao silêncio; b) à assistência de advogado; c) a) ao silêncio; b) à assistência de advogado; c)
de não prestar compromisso de dizer a verdade; de não prestar compromisso de dizer a verdade;
d) de não sofrer constrangimentos. d) de não sofrer constrangimentos.
Caso o investigado não compareça, a CPI não Caso o investigado não compareça, a CPI
pode determinar a sua condução coercitiva. poderia determinar a sua condução coercitiva.
Aplica-se para as CPIs o mesmo entendimento
da ADPF 395/DF.
Desse modo, tivemos dois votos favoráveis à tese de que o paciente não estava obrigado a comparecer
à CPI e dois votos contrários.
Em caso de empate, prevalece a decisão mais favorável ao paciente.
Assim, a 2ª Turma do STF concedeu a ordem de habeas corpus para transformar a
compulsoriedade de comparecimento em facultatividade e deixar a cargo do paciente a decisão
de comparecer ou não à Câmara dos Deputados, perante a CPI, para ser ouvido na condição de
investigado.
STF. 2ª Turma. HC 171438/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado 28/5/2019 (Info 942).

4.14. Defensoria Pública

Para que a DPE atue no STJ, é necessário que possua escritório de representação em Brasília.

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A Defensoria Pública Estadual pode atuar no STJ, no entanto, para isso, é necessário que possua
escritório de representação em Brasília. Se a Defensoria Pública estadual não tiver representação na
capital federal, as intimações das decisões do STJ nos processos de interesse da DPE serão feitas para
a DPU.
Assim, enquanto os Estados, mediante lei específica, não organizarem suas Defensorias Públicas para
atuarem continuamente nesta Capital Federal, inclusive com sede própria, o acompanhamento dos
processos no STJ constitui prerrogativa da DPU.
A DPU foi estruturada sob o pálio dos princípios da unidade e da indivisibilidade para dar suporte às
Defensorias Públicas estaduais e fazer as vezes daquelas de Estados-Membros longínquos, que não
podem exercer o múnus a cada recurso endereçado aos tribunais superiores.
STJ. 6ª Turma. AgRg no HC 378.088/SC, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 06/12/2016.
STF. 1ª Turma. HC 118294/AP, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso,
julgado em 7/3/2017 (Info 856).

Inconstitucionalidade de contratação de advogados, sem concurso público, para serem


Defensores Públicos.
É inconstitucional a contratação, sem concurso público, após a instalação da Assembleia Constituinte,
de advogados para exercerem a função de Defensor Público estadual.
Tal contratação amplia, de forma indevida, a regra excepcional do art. 22 do ADCT da CF/88 e afronta
o princípio do concurso público.
STF. 1ª Turma. RE 856550/ES, rel. orig. Min. Rosa Weber, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes,
julgado em 10/10/2017 (Info 881).

Equiparação entre Defensoria Pública e MP.


É inconstitucional dispositivo da Constituição Estadual que concede aos Defensores Públicos a
aplicação do regime de garantias, vencimentos, vantagens e impedimentos do Ministério Público e
da Procuradoria-Geral do Estado.
Os estatutos jurídicos das carreiras do Ministério Público e da Defensoria Pública foram tratados de
forma diversa pelo texto constitucional originário.
Ademais, a equivalência remuneratória entre as carreiras encontra óbice no art. 37, XIII, da CF/88,
que veda a equiparação ou vinculação remuneratória.
STF. Plenário. ADI 145/CE, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 20/6/2018 (Info 907).
Obs: o tema foi analisado tendo como parâmetro a redação originária da Constituição Federal de
1988, ou seja, antes das Emendas Constitucionais 45/2004 e 80/2014.

Importante!!!
É inconstitucional foro por prerrogativa de função para Defensores Públicos.
É inconstitucional dispositivo da Constituição Estadual que confere foro por prerrogativa de função,
no Tribunal de Justiça, para Procuradores do Estado, Procuradores da ALE, Defensores Públicos e
Delegados de Polícia.
A CF/88, apenas excepcionalmente, conferiu prerrogativa de foro para as autoridades federais,
estaduais e municipais. Assim, não se pode permitir que os Estados possam, livremente, criar novas
hipóteses de foro por prerrogativa de função.

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STF. Plenário. ADI 2553/MA, Rel. Min. Gilmar Mendes, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes,
julgado em 15/5/2019 (Info 940).

4.15. Direito Adquirido

É constitucional o art. 38 da Lei 8.880/94, não importando a aplicação imediata desse dispositivo
em violação ao art. 5º, XXXVI, da CF/88.
O art. 38 da Lei nº 8.880/94 previu que a URV deveria ser utilizada como parâmetro de cálculo dos
índices de correção monetária nos dois primeiros meses de implantação do Plano Real.
As pessoas que tinham contratos em vigor e que haviam sido celebrados antes da Lei nº 8.880/94
começaram a questionar a aplicação imediata deste dispositivo. Alegaram que a sua aplicação aos
contratos em vigor seria inconstitucional por violar o direito adquirido (art. 5º, XXXVI, da CF/88).
O STF não concordou com essa tese e decidiu que:
É constitucional o art. 38 da Lei nº 8.880/94 e que a sua aplicação imediata para os contratos em vigor
não violou a garantia do “direito adquirido”, prevista no art. 5º, XXXVI, da Constituição Federal.
Não é possível opor a cláusula de proteção ao direito adquirido ou ato jurídico perfeito em face da
aplicação imediata de normas que tratam de regime monetário, as quais possuem natureza estatutária
e institucional, como é a situação daquelas responsáveis por substituir uma moeda por outra.
As normas que tratam do regime monetário - inclusive, portanto, as de correção monetária -, têm
natureza institucional e estatutária, insuscetíveis de disposição por ato de vontade, razão pela qual sua
incidência é imediata, alcançando as situações jurídicas em curso de formação ou de execução.
STF. Plenário. ADPF 77/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 16/5/2019 (Info 940).

4.16. Direito à Educação

Importante!!!
Universidades públicas podem cobrar mensalidade em cursos de especialização.
A garantia constitucional da gratuidade de ensino não obsta a cobrança por universidades públicas de
mensalidade em cursos de especialização.
STF. Plenário. RE 597854/GO, Rel. Min. Edson Fáchin, julgádo em 26/4/2017 (repercussá o gerál)
(Info 862).

Constitucionalidade das idades mínimas para ingresso na educação infantil e no ensino


fundamental.
São constitucionais a exigência de idade mínima de quatro e seis anos para ingresso, respectivamente,
na educação infantil e no ensino fundamental, bem como a fixação da data limite de 31 de março para
que referidas idades estejam completas.
STF. Plenário. ADPF 292/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 1º/8/2018 (Info 909).

Constitucionalidade das idades mínimas para ingresso na educação infantil e no ensino


fundamental.
É constitucional a exigência de 6 (seis) anos de idade para o ingresso no ensino fundamental, cabendo
ao Ministério da Educação a definição do momento em que o aluno deverá preencher o critério etário.

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STF. Plenário. ADC 17/DF, Rel. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, jugado em
1º/8/2018 (Info 909).
As Resoluções nº 01/2010 e nº 06/2010, ambas emanadas da Câmara de Educação Básica do
Conselho Nacional de Educação (CNE/CEB), ao estabelecerem corte etário para ingresso de crianças
na primeira série do ensino fundamental (6 anos completos até 31 de março do correspondente ano
letivo), não incorreram em contexto de ilegalidade (não violaram a lei). Ao contrário, tais Resoluções
encotram respaldo na interpretação conjunta dos arts. 29 e 32 da Lei nº 9.394/96 (LDB).
O Poder Judiciário não pode substituir-se às autoridades públicas de educação para fixar ou suprimir
requisitos para o ingresso de crianças no ensino fundamental, quando os atos normativos de regência
não revelem traços de ilegalidade, abusividade ou ilegitimidade.
STJ. 1ª Turma. REsp 1412704/PE, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 16/12/2014.

Lei estadual tratando sobre livre organização de entidades estudantis.


É constitucional lei estadual que:
 Assegure, nos estabelecimentos de ensino superior estadual e municipal, a livre organização
dos Centros Acadêmicos, Diretórios Acadêmicos e Diretórios Centrais dos Estudantes.
 Estabeleça que é de competência exclusiva dos estudantes a definição das formas, dos
critérios, dos estatutos e demais questões referentes à organização dos Centros Acadêmicos,
Diretórios Acadêmicos e Diretórios Centrais dos Estudantes.
 Determine que os estabelecimentos de ensino deverão garantir espaços, em suas
dependências, para a divulgação e instalações para os Centros Acadêmicos, Diretórios
Acadêmicos e Diretórios Centrais Estudantis.
Vale ressaltar, no entanto, que esta lei não se aplica para as instituições federais e particulares de
ensino superior considerando que elas integram o “sistema federal”, de competência da União.
Deve-se acrescentar, por fim, que é inconstitucional que essa lei estadual preveja multa para as
entidades particulares de ensino em caso de descumprimento das medidas acima listadas.
STF. Plenário. ADI 3757/PR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 17/10/2018 (Info 920).

4.17. Direito à Informação

Pesquisador tem direito de acesso aos áudios das sessões secretas de julgamento ocorridas no
STM durante a época do regime militar.
O STF deu provimento a recurso em mandado de segurança impetrado por pesquisador que queria
ter acesso aos áudios das sessões de julgamento do STM ocorridas na década de 1970, época do
regime militar.
Entendeu-se que a coleta de dados históricos a partir de documentos públicos e registros fonográficos,
mesmo que para fins particulares, constitui-se em motivação legítima a garantir o acesso a tais
informações.
Ocorre que, mesmo com essa decisão judicial, o STM somente autorizou que o pesquisador tivesse
acesso aos áudios das sessões públicas realizadas (na qual havia leitura do relatório e sustentação oral
dos advogados). O Tribunal se negou, contudo, a fornecer os áudios das sessões secretas, nas quais
os votos dos magistrados eram colhidos.
O impetrante ingressou, então, com reclamação, julgada procedente pelo STF.

70
Ao autorizar a consulta apenas dos registros relacionados com a parte pública das sessões, o STM
violou a decisão do Supremo, que deu acesso amplo aos áudios das sessões.
Além disso, a recusa do STM está em descompasso com a ordem constitucional vigente, que garante
o acesso à informação como direito fundamental.
STF. Plenário. Rcl 11949/RJ, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 15/3/2017 (Info 857).

4.18. Direito à Saúde

Importante!!!
Fornecimento pelo Poder Judiciário de medicamentos não registrados pela ANVISA.
1. O Estado não pode ser obrigado a fornecer medicamentos experimentais.
2. A ausência de registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) impede, como regra
geral, o fornecimento de medicamento por decisão judicial.
3. É possível, excepcionalmente, a concessão judicial de medicamento sem registro sanitário, em caso
de mora irrazoável da Anvisa em apreciar o pedido (prazo superior ao previsto na Lei 13.411/2016),
quando preenchidos três requisitos:
a) a existência de pedido de registro do medicamento no Brasil (salvo no caso de medicamentos órfãos
para doenças raras e ultrarraras);
b) a existência de registro do medicamento em renomadas agências de regulação no exterior; e
c) a inexistência de substituto terapêutico com registro no Brasil.
4. As ações que demandem fornecimento de medicamentos sem registro na Anvisa deverão
necessariamente ser propostas em face da União.
STF. Plenário. RE 657718/MG, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso,
julgado em 22/5/2019 (repercussão geral) (Info 941).

Responsabilidade pelo fornecimento do medicamento ou pela realização do tratamento de


saúde.
Os entes da Federação, em decorrência da competência comum, são solidariamente responsáveis nas
demandas prestacionais na área da saúde e, diante dos critérios constitucionais de descentralização e
hierarquização, compete à autoridade judicial direcionar o cumprimento conforme as regras de
repartição de competências e determinar o ressarcimento a quem suportou o ônus financeiro.
STF. Plenário. RE 855178 ED/SE, rel. orig. Min. Luiz Fux, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin, julgado
em 23/5/2019 (Info 941).

4.19. Direito de Resposta

Sentença que nega direito de resposta por não ter havido ofensa não ofende a decisão do STF
na ADPF 130/DF.
Não cabe reclamação para o STF contra sentença que julgou improcedente pedido de direito de
resposta sob o fundamento de que não houve, no caso concreto, ofensa.
Esta sentença não afronta a autoridade da decisão do STF no julgamento da ADPF 130/DF.
Como a sentença não violou nenhuma decisão do STF proferida em sede de controle concentrado de
constitucionalidade, o que se percebe é que o autor, por meio da reclamação, deseja que o Supremo
examine se a sentença afrontou, ou não, o art. 5º, V, da CF/88.

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Para isso, seria necessário reexaminar matéria de fato, o que não é possível em reclamação, que se
presta unicamente a preservar a autoridade de decisão do STF.
Ademais, isso significaria o exame per saltum, ou seja, "pulando-se" as instâncias recursais do ato
impugnado diretamente à luz do art. 5º, V, CF/88.
STF. 1ª Turma. Rcl 24459 AgR/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 13/12/2016 (Info 851).

4.20. Direitos Políticos

A suspensão de direitos políticos prevista no art. 15, III, da CF, aplica-se tanto para condenados
a penas privativas de liberdade como também a penas restritivas de direitos.
A suspensão de direitos políticos prevista no art. 15, III, da Constituição Federal, aplica-se no caso
de substituição da pena privativa de liberdade pela restritiva de direitos.
Havendo condenação criminal transitada em julgado, a pessoa condenada fica com seus direitos
políticos suspensos tanto no caso de pena privativa de liberdade como na hipótese de substituição por
pena restritiva de direitos. Veja o dispositivo constitucional:
Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão só se dará nos casos de:
III - condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos;
STF. Plenário. RE 601182/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes,
julgado em 8/5/2019 (repercussão geral) (Info 939).

4.21. Direitos Sociais

Importante!!!
É garantida a estabilidade à empregada gestante mesmo que no momento em que ela tenha sido
demitida pelo empregador ele não soubesse de sua gravidez.
A incidência da estabilidade prevista no art. 10, II, do Ato das Disposições Constitucionais
Transitórias (ADCT) somente exige a anterioridade da gravidez à dispensa sem justa causa.
Art. 10. (...) II - fica vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa: (...) da empregada gestante,
desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto.
O único requisito exigido é de natureza biológica. Exige-se apenas a comprovação de que a gravidez
tenha ocorrido antes da dispensa arbitrária, não sendo necessários quaisquer outros requisitos, como
o prévio conhecimento do empregador ou da própria gestante.
Assim, é possível assegurar a estabilidade à gestante mesmo que no momento em que ela tenha sido
demitida pelo empregador ele não soubesse de sua gravidez.
STF. Plenário. RE 629053/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ ac. Min. Alexandre de Moraes,
julgado em 10/10/2018 (repercussão geral) (Info 919).

Não há vedação para a fixação de piso salarial em múltiplos do salário mínimo, desde que
inexistam reajustes automáticos.
Não há vedação para a fixação de piso salarial em múltiplos do salário mínimo, desde que inexistam
reajustes automáticos. Isso não configura afronta ao art. 7º, IV, da CF/88 nem à SV 4.
STF. 1ª Turma. RE 1077813 AgR/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 05/02/2019 (Info 929).
STF. 2ª Turma. ARE 1110094 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 29/06/2018.

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No mesmo sentido é a OJ 71, da SBDI-2 do TST: “A estipulação do salário profissional em múltiplos
do salário mínimo não afronta o art. 7º, inciso IV, da Constituição Federal de 1988, só incorrendo
em vulneração do referido preceito constitucional a fixação de correção automática do salário pelo
reajuste do salário mínimo.”

É indispensável o registro do sindicato no Ministério do Trabalho para poder ingressar em


juízo na defesa de seus filiados.
A legitimidade dos sindicatos para representação de determinada categoria depende do devido
registro no Ministério do Trabalho em obediência ao princípio constitucional da unicidade sindical
(art. 8º, II, da CF/88).
STF. 1ª Turma. RE 740434 AgR/MA, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 19/2/2019 (Info 931).

Importante!!!
É inconstitucional lei que autorize o trabalho de gestantes e lactantes em atividades insalubres.
É inconstitucional a expressão “quando apresentar atestado de saúde, emitido por médico de
confiança da mulher, que recomende o afastamento”, contida nos incisos II e III do art. 394-A da
CLT, inseridos pelo art. 1º da Lei nº 13.467/2017.
Essa expressão, inserida no art. 394-A da CLT, tinha como objetivo autorizar que empregadas
grávidas ou lactantes pudessem trabalhar em atividades insalubres.
Ocorre que o STF entendeu que o trabalho de gestantes e de lactantes em atividades insalubres viola
a Constituição Federal.
O art. 6º da CF/88 proclama importantes direitos, entre eles a proteção à maternidade, a proteção do
mercado de trabalho da mulher e redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de
saúde, higiene e segurança.
A proteção para que a gestante e a lactante não sejam expostas a atividades insalubres caracteriza-se
como importante direito social instrumental que protege não apenas a mulher como também a criança
(art. 227 da CF/88).
A proteção à maternidade e a integral proteção à criança são direitos irrenunciáveis e não podem ser
afastados pelo desconhecimento, impossibilidade ou a própria negligência da gestante ou lactante em
apresentar um atestado médico, sob pena de prejudicá-la e prejudicar o recém-nascido.
Em suma, é proibido o trabalho da gestante ou da lactante em atividades insalubres.
STF. Plenário. ADI 5938/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 29/5/2019 (Info 942).

4.22. Educação

Importante!!!
O ensino religioso nas escolas públicas brasileiras pode ter natureza confessional.
A CF/88 prevê que “o ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários
normais das escolas públicas de ensino fundamental.” (art. 210, § 1º).
Diante disso, nas escolas públicas são oferecidas aulas de ensino religioso, normalmente vinculadas
a uma religião específica. É o chamado ensino religioso confessional.
O PGR ajuizou ADI pedindo que fosse conferida interpretação conforme a Constituição ao art. 33,
§§ 1º e 2º da LDB e ao art. 11, § 1º do acordo Brasil-Santa Sé. Na ação, o PGR afirmava que não é

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permitido que se ofereça ensino religioso confessional (vinculado a uma religião específica). Para o
autor, o ensino religioso deve ser voltado para a história e a doutrina das várias religiões, ensinadas
sob uma perspectiva laica e deve ser ministrado por professores regulares da rede pública de ensino,
e não por pessoas vinculadas às igrejas.
O STF julgou improcedente a ADI e decidiu que o ensino religioso nas escolas públicas brasileiras
pode ter natureza confessional, ou seja, pode sim ser vinculado a religiões específicas.
A partir da conjugação do binômio Laicidade do Estado (art. 19, I) e Liberdade religiosa (art. 5º, VI),
o Estado deverá assegurar o cumprimento do art. 210, § 1º da CF/88, autorizando na rede pública, em
igualdade de condições o oferecimento de ensino confessional das diversas crenças, mediante
requisitos formais previamente fixados pelo Ministério da Educação.
Assim, deve ser permitido aos alunos, que expressa e voluntariamente se matricularem, o pleno
exercício de seu direito subjetivo ao ensino religioso como disciplina dos horários normais das escolas
públicas de ensino fundamental, ministrada de acordo com os princípios de sua confissão religiosa,
por integrantes da mesma, devidamente credenciados a partir de chamamento público e,
preferencialmente, sem qualquer ônus para o Poder Público.
Dessa forma, o STF entendeu que a CF/88 não proíbe que sejam oferecidas aulas de uma religião
específica, que ensine os dogmas ou valores daquela religião. Não há qualquer problema nisso, desde
que se garanta oportunidade a todas as doutrinas religiosas.
STF. Plenário. ADI 4439/DF, rel. orig. Min. Roberto Barroso, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes,
julgado em 27/9/2017 (Info 879).

Importante!!!
Colégios Militares do Exército podem cobrar mensalidade dos seus alunos.
Não viola a Constituição Federal a cobrança de contribuição obrigatória dos alunos matriculados nos
Colégios Militares do Exército Brasileiro.
Os Colégios Militares apresentam peculiaridades que fazem com que eles sejam instituições
diferentes dos estabelecimentos oficiais de ensino, por razões éticas, fiscais, legais e institucionais.
Podem, assim, ser qualificados como instituições educacionais sui generis.
A quota mensal escolar exigida nos Colégios Militares não representa ofensa à regra constitucional
de gratuidade do ensino público, uma vez que não há violação ao núcleo de intangibilidade do direito
fundamental à educação.
Por fim, deve-se esclarecer que esse valor cobrado dos alunos para o custeio das atividades do Sistema
Colégio Militar do Brasil não possui natureza tributária (não é tributo). Logo, é válida a sua instituição
por meio de atos infralegais.
Portanto, são válidos os arts. 82 e 83, da Portaria 42/2008 do Comandante do Exército, que
disciplinam essa cobrança.
STF. Plenário. ADI 5082/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 24/10/2018 (Info 921).

4.23. Emendas Constitucionais

Importante!!!
É possível que a Constituição do Estado preveja iniciativa popular para a propositura de
emenda à Constituição Estadual.

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A iniciativa popular de emenda à Constituição Estadual é compatível com a Constituição Federal,
encontrando fundamento no art. 1º, parágrafo único, no art. 14, II e III e no art. 49, VI, da CF/88.
Embora a Constituição Federal não autorize proposta de iniciativa popular para emendas ao próprio
texto, mas apenas para normas infraconstitucionais, não há impedimento para que as Constituições
Estaduais prevejam a possibilidade, ampliando a competência constante da Carta Federal.
STF. Plenário. ADI 825/AP, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 25/10/2018 (Info 921).

4.24. Exercício Profissional

É constitucional a previsão da lei de que determinadas atividades são privativas de


nutricionistas.
É constitucional a expressão “privativas”, contida no caput do art. 3º da Lei nº 8.234/91, que
regulamenta a profissão de nutricionista, respeitado o âmbito de atuação profissional das demais
profissões regulamentadas.
STF. Plenário. ADI 803/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 28/9/2017 (Info 879).

4.25. Homeschooling

Importante!!!
Não é possível, atualmente, o homeschooling no Brasil.
Não é possível, atualmente, o ensino domiciliar (homeschooling) como meio lícito de cumprimento,
pela família, do dever de prover educação.
Não há, na CF/88, uma vedação absoluta ao ensino domiciliar. A CF/88, apesar de não o prever
expressamente, não proíbe o ensino domiciliar.
No entanto, o ensino domiciliar não pode ser atualmente exercido porque não há legislação que
regulamente os preceitos e as regras aplicáveis a essa modalidade de ensino.
Assim, o ensino domiciliar somente pode ser implementado no Brasil após uma regulamentação por
meio de lei na qual sejam previstos mecanismos de avaliação e fiscalização, devendo essa lei respeitar
os mandamentos constitucionais que tratam sobre educação.
STF. Plenário. RE 888815/RS, rel. orig. Min. Roberto Barroso, red. p/ o acórdão Min. Alexandre de
Moraes, julgado em 12/9/2018 (repercussão geral) (Info 915).

4.26. Imunidade Material

Imunidade material alcança o delito do art. 3º da Lei 7.492/86 (“divulgar informação falsa ou
prejudicialmente incompleta sobre instituição financeira”).
Deputado Estadual que, ao defender a privatização de banco estadual, presta declarações
supostamente falsas sobre o montante das dívidas dessa instituição financeira não comete o delito do
art. 3º da Lei nº 7.492/86, estando acobertado pela imunidade material.
STF. 1ª Turma. HC 115397/ES, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 16/5/2017 (Info 865).

4.27. Imunidade Parlamentar

Importante!!!

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Judiciário pode impor aos parlamentares as medidas cautelares do art. 319 do CPP, no entanto,
a respectiva Casa legislativa pode rejeitá-las (caso Aécio Neves).
O Poder Judiciário possui competência para impor aos parlamentares, por autoridade própria, as
medidas cautelares previstas no art. 319 do CPP, seja em substituição de prisão em flagrante delito
por crime inafiançável, por constituírem medidas individuais e específicas menos gravosas; seja
autonomamente, em circunstâncias de excepcional gravidade.
Obs: no caso de Deputados Federais e Senadores, a competência para impor tais medidas cautelares
é do STF (art. 102, I, “b”, da CF/88).
Importante, contudo, fazer uma ressalva: se a medida cautelar imposta pelo STF impossibilitar, direta
ou indiretamente, que o Deputado Federal ou Senador exerça o seu mandato, então, neste caso, o
Supremo deverá encaminhar a sua decisão, no prazo de 24 horas, à Câmara dos Deputados ou ao
Senado Federal para que a respectiva Casa delibere se a medida cautelar imposta pela Corte deverá
ou não ser mantida.
Assim, o STF pode impor a Deputado Federal ou Senador qualquer das medidas cautelares previstas
no art. 319 do CPP. No entanto, se a medida imposta impedir, direta ou indiretamente, que esse
Deputado ou Senador exerça seu mandato, então, neste caso, a Câmara ou o Senado poderá rejeitar
(“derrubar”) a medida cautelar que havia sido determinada pelo Judiciário.
Aplica-se, por analogia, a regra do §2º do art. 53 da CF/88 também para as medidas cautelares
diversas da prisão.
STF. Plenário. ADI 5526/DF, rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes,
julgado em 11/10/2017 (Info 881).

Deputados Estaduais gozam das mesmas imunidades formais previstas para os parlamentares
federais no art. 53 da CF/88.
São constitucionais dispositivos da Constituição do Estado que estendem aos Deputados Estaduais as
imunidades formais previstas no art. 53 da Constituição Federal para Deputados Federais e Senadores.
A leitura da Constituição da República revela, sob os ângulos literal e sistemático, que os Deputados
Estaduais também têm direito às imunidades formal e material e à inviolabilidade que foram
conferidas pelo constituinte aos congressistas (membros do Congresso Nacional).
Isso porque tais imunidades foram expressamente estendidas aos Deputados pelo § 1º do art. 27 da
CF/88.
STF. Plenário. ADI 5823 MC/RN, ADI 5824 MC/RJ e ADI 5825 MC/MT, rel. orig. Min. Edson
Fachin, red. p/ o ac. Min. Marco Aurélio, julgados em 8/5/2019 (Info 939).

Assembleia Legislativa pode rejeitar a prisão preventiva e as medidas cautelares impostas pelo
Poder Judiciário contra Deputados Estaduais.
É constitucional resolução da Assembleia Legislativa que, com base na imunidade parlamentar formal
(art. 53, § 2º c/c art. 27, § 1º da CF/88), revoga a prisão preventiva e as medidas cautelares penais que
haviam sido impostas pelo Poder Judiciário contra Deputado Estadual, determinando o pleno retorno
do parlamentar ao seu mandato.
O Poder Legislativo estadual tem a prerrogativa de sustar decisões judiciais de natureza criminal,
precárias e efêmeras, cujo teor resulte em afastamento ou limitação da função parlamentar.
STF. Plenário. ADI 5823 MC/RN, ADI 5824 MC/RJ e ADI 5825 MC/MT, rel. orig. Min. Edson
Fachin, red. p/ o ac. Min. Marco Aurélio, julgados em 8/5/2019 (Info 939).

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4.28. Inelegibilidades

A vedação ao exercício de três mandatos consecutivos pelo mesmo núcleo familiar aplica-se
também na hipótese em que um dos mandatos tenha sido para suceder o eleito que foi cassado.
Ao se fazer uma interpretação conjugada dos §§ 5º e 7º do art. 14 da CF/88 chega-se à conclusão de
que a intenção do poder constituinte foi a de proibir que pessoas do mesmo núcleo familiar ocupem
três mandatos consecutivos para o mesmo cargo no Poder Executivo.
Em outras palavras, a CF/88 quis proibir que o mesmo núcleo familiar ocupasse três mandatos
consecutivos de Prefeito, de Governador ou de Presidente.
A vedação ao exercício de três mandatos consecutivos de prefeito pelo mesmo núcleo familiar aplica-
se também na hipótese em que tenha havido a convocação do segundo colocado nas eleições para o
exercício de mandato-tampão.
Ex: de 2010 a 2012, o Prefeito da cidade era Auricélio. Era o primeiro mandato de Auricélio. Seis
meses antes das eleições, Auricélio renunciou ao cargo. Em 2012, Hélio (cunhado de Auricélio) vence
a eleição para Prefeito da mesma cidade. De 2013 a 2016, Hélio cumpre o mandato de Prefeito. Em
2016, Hélio não poderá se candidatar à reeleição ao cargo de Prefeito porque seria o terceiro mandato
consecutivo deste núcleo familiar.
STF. 2ª Turma. RE 1128439/RN, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 23/10/2018 (Info 921).

4.29. Liberdade de Expressão

Importante!!!
Cabe reclamação contra decisão judicial que determina retirada de matéria jornalística de site.
O STF tem sido mais flexível na admissão de reclamação em matéria de liberdade de expressão, em
razão da persistente vulneração desse direito na cultura brasileira, inclusive por via judicial.
No julgamento da ADPF 130, o STF proibiu enfaticamente a censura de publicações jornalísticas,
bem como tornou excepcional qualquer tipo de intervenção estatal na divulgação de notícias e de
opiniões.
A liberdade de expressão desfruta de uma posição preferencial no Estado democrático brasileiro, por
ser uma pré-condição para o exercício esclarecido dos demais direitos e liberdades.
A retirada de matéria de circulação configura censura em qualquer hipótese, o que se admite apenas
em situações extremas.
Assim, em regra, a colisão da liberdade de expressão com os direitos da personalidade deve ser
resolvida pela retificação, pelo direito de resposta ou pela reparação civil.
Diante disso, se uma decisão judicial determina que se retire do site de uma revista determinada
matéria jornalística, esta decisão viola a orientação do STF, cabendo reclamação.
STF. 1ª Turma. Rcl 22328/RJ, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 6/3/2018 (Info 893).

Importante!!!
A incitação de ódio público feita por líder religioso contra outras religiões pode configurar o
crime de racismo.

77
A incitação ao ódio público contra quaisquer denominações religiosas e seus seguidores não está
protegida pela cláusula constitucional que assegura a liberdade de expressão.
STF. 2ª Turma. RHC 146303/RJ, rel. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Dias Toffoli, julgado em
6/3/2018 (Info 893).
Atenção. Compare com RHC 134682/BA, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 29/11/2016 (Info
849).

É inconstitucional norma que proíbe proselitismo em rádios comunitárias.


É inconstitucional o § 1º do art. 4º da Lei nº 9.612/98. Esse dispositivo proíbe, no âmbito da
programação das emissoras de radiodifusão comunitária, a prática de proselitismo, ou seja, a
transmissão de conteúdo tendente a converter pessoas a uma doutrina, sistema, religião, seita ou
ideologia.
O STF entendeu que essa proibição afronta os arts. 5º, IV, VI e IX, e 220, da Constituição Federal.
A liberdade de pensamento inclui o discurso persuasivo, o uso de argumentos críticos, o consenso e
o debate público informado e pressupõe a livre troca de ideias e não apenas a divulgação de
informações.
STF. Plenário. ADI 2566/DF, rel. orig. Min. Alexandre de Moraes, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin,
julgado em 16/5/2018 (Info 902).

Importante!!!
Cabe reclamação contra decisão judicial que determina retirada de matéria jornalística de blog.
Uma decisão judicial determinou a retirada de matéria de “blog” jornalístico, bem como a proibição
de novas publicações, por haver considerado a notícia ofensiva à honra de delegado da polícia federal.
Essa decisão afronta o que o STF decidiu na ADPF 130/DF, que julgou não recepcionada a Lei de
Imprensa.
A ADPF 130/DF pode ser utilizada como parâmetro para ajuizamento de reclamação que verse sobre
conflito entre a liberdade de expressão e de informação e a tutela das garantias individuais relativas
aos direitos de personalidade.
A determinação de retirada de matéria jornalística afronta a liberdade de expressão e de informação,
além de constituir censura prévia. Essas liberdades ostentam preferência em relação ao direito à
intimidade, ainda que a matéria tenha sido redigida em tom crítico.
O Supremo assumiu, mediante reclamação, papel relevante em favor da liberdade de expressão, para
derrotar uma cultura censória e autoritária que começava a se projetar no Judiciário.
STF. 1ª Turma. Rcl 28747/PR, Rel. Min. Alexandre de Moraes, red. p/ ac. Min. Luiz Fux, julgado
em 5/6/2018 (Info 905).
Sobre o mesmo tema: STF. 1ª Turma. Rcl 22328/RJ, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 6/3/2018
(Info 893).

Violam a CF/88 os atos de busca e apreensão de materiais de cunho eleitoral e a suspensão de


atividades de divulgação de ideias em universidades públicas e privadas.
São inconstitucionais os atos judiciais ou administrativos que determinem ou promovam:
 o ingresso de agentes públicos em universidades públicas e privadas;
 o recolhimento de documentos (ex: panfletos);

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 a interrupção de aulas, debates ou manifestações de docentes e discentes universitários;
 a realização de atividade disciplinar docente e discente e a coleta irregular de depoimentos
desses cidadãos pela prática de manifestação livre de ideias e divulgação do pensamento nos
ambientes universitários ou em equipamentos sob a administração de universidades públicas
e privadas.
STF. Plenário. ADPF 548 MC-Ref/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 31/10/2018 (Info 922).

4.30. Liberdade Religiosa

Importante!!!
É constitucional lei estadual que permite o sacrifício de animais em cultos de religiões de matriz
africana.
É constitucional a lei de proteção animal que, a fim de resguardar a liberdade religiosa, permite o
sacrifício ritual de animais em cultos de religiões de matriz africana.
STF. Plenário. RE 494601/RS, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin, julgado
em 28/3/2019 (Info 935).

4.31. Livre Iniciativa

Os Municípios, ao editarem as leis locais regulamentando o transporte de passageiros mediante


aplicativo, deverão observar as regras impostas pela Lei federal nº 13.640/2018.
No exercício de sua competência para regulamentação e fiscalização do transporte privado individual
de passageiros, os municípios e o Distrito Federal não podem contrariar os parâmetros fixados pelo
legislador federal.
Isso porque compete à União legislar sobre “trânsito e transporte”, nos termos do art. 22, XI, da
CF/88.
STF. Plenário. ADPF 449/DF, Rel. Min. Luiz Fux; RE 1054110/SP, Rel. Min. Roberto Barroso,
julgados em 8 e 9/5/2019 (repercussão geral) (Info 939).

São inconstitucionais leis municipais que proíbam o serviço de transporte de passageiros


mediante aplicativo.
A proibição ou restrição da atividade de transporte privado individual por motorista cadastrado em
aplicativo é inconstitucional, por violação aos princípios da livre iniciativa e da livre concorrência.
STF. Plenário. ADPF 449/DF, Rel. Min. Luiz Fux; RE 1054110/SP, Rel. Min. Roberto Barroso,
julgados em 8 e 9/5/2019 (repercussão geral) (Info 939).

4.32. Medida Provisória

Análise dos requisitos constitucionais de relevância e urgência e MP que trate sobre situação
tipicamente financeira e tributária.
O art. 62 da CF/88 prevê que o Presidente da República somente poderá editar medidas provisórias
em caso de relevância e urgência.

79
A definição do que seja relevante e urgente para fins de edição de medidas provisórias consiste, em
regra, em um juízo político (escolha política/discricionária) de competência do Presidente da
República, controlado pelo Congresso Nacional.
Desse modo, salvo em caso de notório abuso, o Poder Judiciário não deve se imiscuir na análise dos
requisitos da MP.
No caso de MP que trate sobre situação tipicamente financeira e tributária, deve prevalecer, em regra,
o juízo do administrador público, não devendo o STF declarar a norma inconstitucional por afronta
ao art. 62 da CF/88.
STF. Plenário. ADI 1055/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 15/12/2016 (Info 851).

Importante!!!
Emenda parlamentar em medida provisória e contrabando legislativo.
Durante a tramitação de uma medida provisória no Congresso Nacional, os parlamentares poderão
apresentar emendas?
SIM, no entanto, tais emendas deverão ter relação de pertinência temática com a medida provisória
que está sendo apreciada. Assim, a emenda apresentada deverá ter relação com o assunto tratado na
medida provisória.
Desse modo, é incompatível com a Constituição a apresentação de emendas sem relação de
pertinência temática com medida provisória submetida à sua apreciação.
A inserção, por meio de emenda parlamentar, de assunto diferente do que é tratado na medida
provisória que tramita no Congresso Nacional é chamada de "contrabando legislativo", sendo uma
prática vedada.
Vale ressaltar, no entanto, que a primeira vez que o STF declarou inconstitucional o contrabando
legislativo foi no julgamento da ADI 5127/DF, em 15/10/2015 (Info 803).
Como antes desse julgamento, a prática do contrabando legislativo era algo muito comum, o STF
decidiu, por razões de segurança jurídica, modular os efeitos da decisão e afirmou o seguinte: todas
as leis que foram aprovadas até 15/10/2015 serão mantidas como válidas (hígidas) mesmo que tenham
sido fruto de contrabando legislativo. Os dispositivos legais aprovados após 15/10/2015 e que tenham
sido resultado de contrabando legislativo deverão ser julgados inconstitucionais.
Seguindo este raciocínio, o STF reconheceu que os arts. 113 a 126 da Lei nº 12.249/2010 foram fruto
de contrabando legislativo (porque inseridos durante a tramitação de uma MP que tratava sobre
assunto diverso), no entanto, declarou que eles deverão ser mantidos como válidos porque aprovados
antes de 15/10/2015.
STF. Plenário. ADI 5012/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 16/3/2017 (Info 857).

Importante!!!
O trancamento da pauta por conta de MPs não votadas no prazo de 45 dias só alcança projetos
de lei que versem sobre temas passíveis de serem tratados por MP.
O art. 62, § 6º da CF/88 afirma que “se a medida provisória não for apreciada em até quarenta e cinco
dias contados de sua publicação, entrará em regime de urgência, subsequentemente, em cada uma das
Casas do Congresso Nacional, ficando sobrestadas, até que se ultime a votação, todas as demais
deliberações legislativas da Casa em que estiver tramitando”.

80
Apesar de o dispositivo falar em “todas as demais deliberações”, o STF, ao interpretar esse § 6º, não
adotou uma exegese literal e afirmou que ficarão sobrestadas (paralisadas) apenas as votações de
projetos de leis ordinárias que versem sobre temas que possam ser tratados por medida provisória.
Assim, por exemplo, mesmo havendo medida provisória trancando a pauta pelo fato de não ter sido
apreciada no prazo de 45 dias (art. 62, § 6º), ainda assim a Câmara ou o Senado poderão votar
normalmente propostas de emenda constitucional, projetos de lei complementar, projetos de
resolução, projetos de decreto legislativo e até mesmo projetos de lei ordinária que tratem sobre um
dos assuntos do art. 62, § 1º, da CF/88. Isso porque a MP somente pode tratar sobre assuntos próprios
de lei ordinária e desde que não incida em nenhuma das proibições do art. 62, § 1º.
STF. Plenário. MS 27931/DF, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 29/6/2017 (Info 870).

O § 11 do art. 62 da CF/88 deve ser interpretado com cautela, não se podendo protrair
indefinidamente a vigência de medidas provisórias rejeitadas ou não apreciadas.
Determinada medida provisória foi editada criando a possibilidade de que empresas instalassem
Centros Logísticos e Industriais Aduaneiros (CLIA), desde que autorizados pela Receita Federal.
Diversas empresas fizeram o requerimento pedindo a instalação desses Centros. Ocorre que, antes
que a Receita examinasse todos os pedidos, a MP foi rejeitada pelo Senado.
O Congresso Nacional não editou decreto legislativo disciplinando as situações ocorridas durante o
período em que a MP vigorou (§ 3º do art. 62 da CF/88).
Diante disso, as empresas defendiam a tese de que os requerimentos formulados deveriam
ser apreciados pela Receita Federal com base no § 11 do art. 62:
“§ 11. Não editado o decreto legislativo a que se refere o § 3º até sessenta dias após a rejeição ou
perda de eficácia de medida provisória, as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos
praticados durante sua vigência conservar-se-ão por ela regidas.”
O STF não concordou e afirmou que os pedidos formulados pelos interessados durante a vigência da
MP 320/2006 não foram sequer examinados. Logo, não se pode dizer que havia ato jurídico perfeito.
O simples fato de ter sido feito o requerimento não significa “relação jurídica constituída”, de sorte
que não se pode invocar o § 11 para justificar a aplicação da medida provisória rejeitada. O mero
protocolo do pedido não constitui uma “relação jurídica constituída” de que trata o § 11.
STF. Plenário. ADPF 216/DF, Rel. Min. Cámen Lúcia, julgado em 14/3/2018 (Info 894).

Importante!!!
É possível editar medidas provisórias sobre meio ambiente?
É possível a edição de medidas provisórias tratando sobre matéria ambiental, mas sempre veiculando
normas favoráveis ao meio ambiente.
Normas que importem diminuição da proteção ao meio ambiente equilibrado só podem ser editadas
por meio de lei formal, com amplo debate parlamentar e participação da sociedade civil e dos órgão
e instituições de proteção ambiental, como forma de assegurar o direito de todos ao meio ambiente
ecologicamente equilibrado.
Dessa forma, é inconstitucional a edição de MP que importe em diminuição da proteção ao meio
ambiente equilibrado, especialmente em se tratando de diminuição ou supressão de unidades de
conservação, com consequências potencialmente danosas e graves ao ecossistema protegido.
A proteção ao meio ambiente é um limite material implícito à edição de medida provisória, ainda que
não conste expressamente do elenco das limitações previstas no art. 62, § 1º, da CF/88.
81
STF. Plenário. ADI 4717/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 5/4/2018 (Info 896).

Importante!!!
Proibição de reedição de medidas provisórias na mesma sessão legislativa.
É inconstitucional medida provisória ou lei decorrente de conversão de medida provisória cujo
conteúdo normativo caracterize a reedição, na mesma sessão legislativa, de medida provisória
anterior rejeitada, de eficácia exaurida por decurso do prazo ou que ainda não tenha sido apreciada
pelo Congresso Nacional dentro do prazo estabelecido pela Constituição Federal.
STF. Plenário. ADI 5717/DF, ADI 5709/DF, ADI 5716/DF e ADI 5727/DF, Rel. Min. Rosa Weber,
julgados em 27/3/2019 (Info 935).

A CF/88 prevê expressamente que é vedada a reedição, na mesma sessão legislativa, de medida
provisória que tenha sido rejeitada.
O STF declarou inconstitucional dispositivo da MP 886/2019, que transferia para o Ministério da
Agricultura a competência para realizar a demarcação de terras indígenas. Essa disposição foi
declarada inconstitucional porque o Congresso Nacional já havia rejeitado uma outra proposta, com
esse mesmo teor, prevista em outra medida provisória (MP 870), editada no mesmo ano/sessão
legislativa (2019).
Assim, o STF entendeu que houve a reedição, na mesma sessão legislativa, de proposta que já havia
sido rejeitada pelo Congresso Nacional, o que violou o § 10 do art. 62 da CF/88:
§ 10. É vedada a reedição, na mesma sessão legislativa, de medida provisória que tenha sido rejeitada
ou que tenha perdido sua eficácia por decurso de prazo. (Incluído pela Emenda Constitucional nº
32/2001).
Nos termos expressos da Constituição Federal, é vedada a reedição, na mesma sessão legislativa, de
medida provisória que tenha sido rejeitada.
STF. Plenário. ADI 6062 MC-Ref/DF, ADI 6172 MC-Ref/DF, ADI 6173 MC-Ref/DF, ADI 6174
MCRef/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgados em 1º/8/2019 (Info 946).

4.33. Ministério Público

Compete ao PGR decidir conflito negativo entre MPE e MPF.


Compete ao Procurador-Geral da República (e não ao STF) decidir conflito negativo de atribuições
entre Ministério Público estadual e Ministério Público Federal.
O PGR decide conflitos de atribuições entre MPE e MPF, seja este conflito positivo ou negativo,
tanto em matéria cível como criminal.
O conflito negativo ocorre quando ambos os órgãos (MPE e MPF) entendem que não possuem
atribuição para atuar no caso; o conflito positivo é o contrário, ou seja, tanto um como o outro
defendem que têm atribuição para a causa.
No caso concreto, o MPE e o MPF divergiram sobre quem teria atribuição para apurar, em inquérito
civil, irregularidades em projeto de intervenção urbana que estaria causando risco de danos ao meio
ambiente e à segurança da população local.
STF. Plenário. Pet 5586 AgR/RS, rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Teori Zavascki, julgado
em 15/12/2016 (Info 851).

82
O art. 127 da CF/88 assegura ao MP autonomia financeira.
É constitucional dispositivo da Constituição Estadual que assegura ao Ministério Público autonomia
financeira e a iniciativa ao Procurador-Geral de Justiça para propor ao Poder Legislativo a criação e
a extinção dos cargos e serviços auxiliares e a fixação dos vencimentos dos membros e dos servidores
de seus órgãos auxiliares.
Também é constitucional a previsão de que o Ministério Público elaborará a sua proposta
orçamentária dentro dos limites estabelecidos pela LDO.
STF. Plenário. ADI 145/CE, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 20/6/2018 (Info 907).

Inconstitucionalidade da norma de CE que equipara remuneração de Delegados a dos


Promotores.
A Constituição do Estado do Ceará previa que os Delegados de Polícia de classe inicial deveriam
receber idêntica remuneração a dos Promotores de Justiça de primeira entrância, prosseguindo na
equivalência entre as demais classes pelo escalonamento das entrâncias judiciárias.
O STF decidiu que essa regra é inconstitucional por violar o art. 37, XIII, da CF/88, que proíbe a
vinculação ou equiparação de quaisquer espécies remuneratórias de pessoal do serviço público.
STF. Plenário. ADI 145/CE, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 20/6/2018 (Info 907).

O Ministério Público pode ajuizar ACP para anular aposentadoria que lese o erário.
O Ministério Público tem legitimidade para ajuizar ação civil pública que vise anular ato
administrativo de aposentadoria que importe em lesão ao patrimônio público.
STF. Plenário. RE 409356/RO, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25/10/2018 (repercussão geral) (Info
921).

4.34. Nacionalidade

Brasileiro, titular de green card, que adquire nacionalidade norte-americana, perde a


nacionalidade brasileira e pode ser extraditado pelo Brasil.
Se um brasileiro nato que mora nos EUA e possui o green card decidir adquirir a nacionalidade norte-
americana, ele irá perder a nacionalidade brasileira.
Não se pode afirmar que a presente situação se enquadre na exceção prevista na alínea “b” do § 4º do
art. 12 da CF/88. Isso porque, como ele já tinha o green card, não havia necessidade de ter adquirido
a nacionalidade norte-americana como condição para permanência ou para o exercício de direitos
civis.
O estrangeiro titular de green card já pode morar e trabalhar livremente nos EUA.
Dessa forma, conclui-se que a aquisição da cidadania americana ocorreu por livre e espontânea
vontade.
Vale ressaltar que, perdendo a nacionalidade, ele perde os direitos e garantias inerentes ao brasileiro
nato. Assim, se cometer um crime nos EUA e fugir para o Brasil, poderá ser extraditado sem que isso
configure ofensa ao art. 5º, LI, da CF/88.
STF. 1ª Turma. MS 33864/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 19/4/2016 (Info 822).
STF. 1ª Turma. Ext 1462/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 28/3/2017 (Info 859).

83
4.35. Normas de Constituições Estaduais Examinadas pelo STF

Constituição estadual só pode exigir que o Prefeito (ou o Vice) peça autorização da Câmara
Municipal para viajar se a viagem for superior a 15 dias.
A CE/AP trouxe regra dizendo que se o Prefeito ou o Vice-Prefeito for viajar ao exterior, “por
qualquer tempo”, ele deverá pedir uma licença prévia da Câmara Municipal para a viagem.
O STF considerou inconstitucional a expressão “por qualquer tempo”.
Essa regra de “por qualquer tempo” está em desacordo com o princípio da simetria. Isso porque a
CF/88 somente exige autorização do Congresso Nacional se a ausência do Presidente da República
for superior a 15 dias (art. 49, III).
De igual modo, a Constituição do Estado do Amapá também só exige autorização da Assembleia
Legislativa se a ausência do Governador (ou do Vice) for superior a 15 dias (art. 118, § 1º).
Logo, a exigência de autorização da Câmara Municipal para que o Prefeito possa se ausentar por
períodos menores que 15 dias quebra a simetria existente em relação ao Governador.
STF. Plenário. ADI 825/AP, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 25/10/2018 (Info 921).

CE pode prever que o Estado e os Municípios deverão reservar vagas para pessoas com
deficiência.
É constitucional norma de Constituição Estadual que preveja que “o Estado e os Municípios
reservarão vagas em seus respectivos quadros de pessoal para serem preenchidas por pessoas
portadoras de deficiência.”
Apesar de, em tese, a Constituição Estadual não poder dispor sobre servidores municipais, sob pena
de afronta à autonomia municipal, neste caso não há inconstitucionalidade, considerando que se trata
de mera repetição de norma da CF/88:
Art. 37 (...) VIII - a lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas portadoras
de deficiência e definirá os critérios de sua admissão;
STF. Plenário. ADI 825/AP, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 25/10/2018 (Info 921).

4.36. Ordem Econômica

Lei estadual pode conceder meia-entrada em eventos culturais e desportivos para menores de
21 anos.
É constitucional lei estadual que concede o desconto de 50% no valor dos ingressos em casas de
diversões, praças desportivas e similares aos jovens de até 21 anos de idade.
STF. Plenário. ADI 2163/RJ, rel. orig. Min. Eros Grau, red. p/ o ac. Min. Ricardo Lewandowski,
julgado em 12/4/2018 (Info 897).

4.37. Organização do Estado

Alteração dos limites de um Município exige plebiscito.


Para que sejam alterados os limites territoriais de um Município é necessária a realização de consulta
prévia, mediante plebiscito, às populações dos Municípios envolvidos, nos termos do art. 18, § 4º da
CF/88.

84
STF. Plenário. ADI 2921/RJ, rel. orig. Min. Ayres Britto, red. p/ o ac. Min. Dias Toffoli, julgado em
9/8/2017 (Info 872).

4.38. Perda do Mandato de Deputados e Senadores

Quando a condenação do Deputado Federal ou Senador ultrapassar 120 dias em regime


fechado, a perda do mandato é consequência lógica.
Se o STF condenar um parlamentar federal e decidir que ele deverá perder o cargo, isso acontece
imediatamente ou depende de uma deliberação da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal
respectivamente?
 Se o Deputado ou Senador for condenado a mais de 120 dias em regime fechado : a perda do
cargo será uma consequência lógica da condenação. Neste caso, caberá à Mesa da Câmara ou
do Senado apenas declarar que houve a perda (sem poder discordar da decisão do STF), nos
termos do art. 55, III e § 3º da CF/88.
 Se o Deputado ou Senador for condenado a uma pena em regime aberto ou semiaberto : a
condenação criminal não gera a perda automática do cargo. O Plenário da Câmara ou do
Senado irá deliberar, nos termos do art. 55, § 2º, se o condenado deverá ou não perder o
mandato.
STF. 1ª Turma. AP 694/MT, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 2/5/2017 (Info 863).
STF. 1ª Turma. AP 863/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 23/5/2017 (Info 866).

4.39. Poder Executivo

Importante!!!
Não há necessidade de prévia autorização da ALE para que o STJ receba denúncia criminal
contra o Governador do Estado.
Não há necessidade de prévia autorização da Assembleia Legislativa para que o STJ receba denúncia
ou queixa e instaure ação penal contra Governador de Estado, por crime comum.
Em outras palavras, não há necessidade de prévia autorização da ALE para que o Governador do
Estado seja processado por crime comum.
Se a Constituição Estadual exigir autorização da ALE para que o Governador seja processado
criminalmente, essa previsão é considerada inconstitucional.
Assim, é vedado às unidades federativas instituir normas que condicionem a instauração de ação
penal contra Governador por crime comum à previa autorização da Casa Legislativa.
Se o STJ receber a denúncia ou queixa-crime contra o Governador, ele ficará automaticamente
suspenso de suas funções no Poder Executivo estadual?
NÃO. O afastamento do cargo não se dá de forma automática.
O STJ, no ato de recebimento da denúncia ou queixa, irá decidir, de forma fundamentada, se há
necessidade de o Governador do Estado ser ou não afastado do cargo.
Vale ressaltar que, além do afastamento do cargo, o STJ poderá aplicar qualquer uma das medidas
cautelares penais (exs: prisão preventiva, proibição de ausentar-se da comarca, fiança, monitoração
eletrônica etc.).
STF. Plenário. ADI 5540/MG, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 3/5/2017 (Info 863).

85
STF. Plenário. ADI 4764/AC, ADI 4797/MT e ADI 4798/PI, Rel. Min. Celso de Mello, red. p/ o ac.
Min. Roberto Barroso, julgados em 4/5/2017 (Info 863).

Não há necessidade de prévia autorização da ALE para que o STJ receba denúncia criminal
contra o Governador do Estado.
Não há necessidade de prévia autorização da Assembleia Legislativa para que o STJ receba denúncia
ou queixa e instaure ação penal contra Governador de Estado, por crime comum.
Em outras palavras, não há necessidade de prévia autorização da ALE para que o Governador do
Estado seja processado por crime comum.
Se a Constituição Estadual exigir autorização da ALE para que o Governador seja processado
criminalmente, essa previsão é considerada inconstitucional.
Assim, é vedado às unidades federativas instituir normas que condicionem a instauração de ação
penal contra Governador por crime comum à previa autorização da Casa Legislativa.
Se o STJ receber a denúncia ou queixa-crime contra o Governador, ele ficará automaticamente
suspenso de suas funções no Poder Executivo estadual?
NÃO. O afastamento do cargo não se dá de forma automática.
O STJ, no ato de recebimento da denúncia ou queixa, irá decidir, de forma fundamentada, se há
necessidade de o Governador do Estado ser ou não afastado do cargo.
Vale ressaltar que, além do afastamento do cargo, o STJ poderá aplicar qualquer uma das medidas
cautelares penais (exs: prisão preventiva, proibição de ausentar-se da comarca, fiança, monitoração
eletrônica etc.).
STF. Plenário. ADI 4777/BA, ADI 4674/RS, ADI 4362/DF, rel. orig. Min. Dias Toffoli, red. p/ o
acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 9/8/2017 (Info 872).
STF. Plenário. ADI 5540/MG, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 3/5/2017 (Info 863). STF.
Plenário. ADI 4764/AC, ADI 4797/MT e ADI 4798/PI, Rel. Min. Celso de Mello, red. p/ o ac. Min.
Roberto Barroso, julgados em 4/5/2017 (Info 863).

Importante!!!
Imunidade do art. 51, I, e art. 86 da CF/88 não se estende para codenunciados que não sejam
Presidente da República, Vice ou Ministro de Estado.
A imunidade formal prevista no art. 51, I, e no art. 86, caput, da CF/88 não se estende para os
codenunciados que não se encontrem investidos nos cargos de Presidente da República, Vice-
Presidente da República e Ministro de Estado.
A finalidade dessa imunidade é proteger o exercício regular desses cargos, razão pela qual não é
extensível a codenunciados que não se encontrem ocupando tais funções.
STF. Plenário. Inq 4483 AgR-segundo/DF e Inq 4327 AgR-segundo/DF, rel. Min. Edson Fachin,
julgados em 14 e 19/12/2017 (Info 888).

4.40. Poder Judiciário

Análise da constitucionalidade de resolução que permite reeleição para cargos de direção no


TJ.
É inconstitucional norma do Tribunal de Justiça que permite a reeleição de desembargadores para
cargos de direção após o intervalo de dois mandatos.
86
Esta previsão viola o art. 93, caput, da CF/88, segundo o qual a regulamentação da matéria afeta à
elegibilidade para os órgãos diretivos dos tribunais está reservada a lei complementar de iniciativa do
Supremo Tribunal Federal. Além disso, esta norma afronta o tratamento que foi dado à matéria pelo
art. 102 da LOMAN (LC 35/79), que regulamenta o art. 93 da CF/88.
STF. Plenário. ADI 5310/RJ, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 14/12/2016 (Info 851).

Constitucionalidade do art. 6º, I, da Resolução 146/2012-CNJ.


A Resolução 146/2012 do CNJ dispõe sobre o instituto da redistribuição de cargos efetivos dos
quadros de pessoal dos órgãos do Poder Judiciário da União.
O STF entendeu que é constitucional o art. 6º, I, da referida Resolução, que prevê o seguinte:
“Art. 6º O cargo ocupado somente poderá ser redistribuído se o servidor preencher cumulativamente
os seguintes requisitos:
I – tempo mínimo de 36 meses de exercício no cargo a ser redistribuído;”
O instituto da redistribuição de cargos efetivos tem função de resguardar o interesse da Administração
Pública e não visa a atender às necessidades do servidor.
O prazo de 36 meses previsto no referido dispositivo coincide com o prazo estabelecido no art. 41 da
CF/88 relativo à estabilidade do servidor público, de modo a evidenciar a razoabilidade e a
proporcionalidade da resolução.
STF. Plenário. ADI 4938/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 26/4/2018 (Info 899).

Inconstitucionalidade de norma da Constituição Estadual que vincula vencimentos de escrivães


aos dos juízes.
A Constituição do Estado do Ceará previa que os escrivães de entrância especial teriam seus
vencimentos fixados de modo a não exceder a 80% do que fosse atribuído aos juízes da entrância
inferior, aplicando-se o mesmo limite percentual para os escrivães das demais entrâncias.
O STF decidiu que essa regra é inconstitucional por violar o art. 37, XIII, da CF/88, que proíbe a
vinculação ou equiparação de quaisquer espécies remuneratórias de pessoal do serviço público e
também por violar a iniciativa legislativa do Poder Judiciário (art. 96, II, “b”, da CF/88).
STF. Plenário. ADI 145/CE, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 20/6/2018 (Info 907).

Constitucionalidade da verba “auxílio-voto”, paga aos juízes convocados para atuar nos
processos de 2ª instância do Tribunal.
Foi instituído, no Tribunal de Justiça de São Paulo, o pagamento de uma verba pela atuação em 2ª
instância de magistrados de 1ª instância. Em outras palavras, o juiz era convocado para atuar nos
processos do Tribunal e, em razão disso, recebia uma verba que ficou conhecida como “auxílio-voto”.
O CNJ, em procedimento de controle administrativo (PCA), considerou a verba irregular, por suposta
ofensa ao teto constitucional, e determinou a devolução dos valores recebidos pelos juízes.
O STF cassou a decisão do CNJ. Argumentos:
1) A decisão do CNJ violou o devido processo legal administrativo e os princípios do contraditório e
da ampla defesa. Isso porque os magistrados não foram notificados para apresentação de defesa
escrita, além de não terem participado da instrução processual. A decisão proferida pelo Conselho
surpreendeu a todos os envolvidos. Além disso, o PCA no qual o CNJ decidiu pela irregularidade da
verba foi instaurado para tratar sobre assunto completamente diverso.

87
2) A verba paga aos magistrados de 1ª instância que atuaram nos processos do Tribunal de Justiça foi
regular, considerando que baseada no art. 124 da LC 35/79 (LOMAN). Essa convocação de juízes
para atuar no Tribunal é válida e não viola a CF/88. Como essa convocação de juízes é válida
(compatível com a CF/88), é natural que seja devido o pagamento de um valor como forma de
“recomposição patrimonial dos magistrados, dado o exercício extraordinário de atribuições
transitórias desempenhadas acumuladamente com a jurisdição ordinária”. De igual modo, como se
trata de uma verba prevista em lei, fica afastada qualquer alegação de má-fé. Como a verba em
questão servia para pagar os magistrados por um serviço extraordinário, elas não estavam abrangidas
pelo subsídio.
STF. 2ª Turma. MS 29002/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 7/8/2018 (Info 910).

É inconstitucional o provimento de pessoas para exercerem a função de titular de serventias


judiciais, com caráter privado (serventias judicias privatizadas / não estatizadas), após a CF/88.
É válido ato do CNJ que, ao dar plena aplicabilidade ao art. 31 do ADCT, decide pela invalidade dos
atos administrativos de nomeação de todos os titulares de cartórios privatizados que tenham
ingressado no cargo após 5 de outubro de 1988, data de promulgação da CF em vigor.
As pessoas que assumiram as serventias judiciais depois da CF/1988, em caráter privado, não têm
direito líquido e certo de nelas permanecerem, qualquer que seja a forma de provimento.
Há flagrante inconstitucionalidade a partir do momento em que assumem cargo em serventia que
deveria ser estatizada.
Isso porque é inconstitucional o provimento de pessoas para exercerem a função de titular de
serventias judiciais, com caráter privado (serventias judicias privatizadas / não estatizadas), após a
CF/88.
O art. 31 do ADCT é autoaplicável, de modo que é obrigatória a estatização das serventias judiciais
à medida que elas fiquem vagas.
O prazo decadencial do art. 54 da Lei nº 9.784/99 não se aplica quando o ato a ser anulado afronta
diretamente a Constituição Federal.
STF. 1ª Turma. MS 29323/DF, MS 29970/DF, MS 30267/DF e MS 30268/DF, rel. orig. Min. Marco
Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgados em 12/2/2019 (Info 930).

Juiz do Trabalho Substituto, durante seu afastamento para tratamento de saúde, não tem
direito de continuar recebendo a verba de substituição.
Se o Juiz do Trabalho Substituto está exercendo as funções do Juiz do Trabalho Titular, ele terá direito
de receber um valor a mais denominado “substituição” (art. 656, § 3º da CLT e art. 124 da LOMAN).
Essa verba da substituição não deverá ser paga durante a licença-saúde do Juiz Substituto.
Assim, Juiz do Trabalho Substituto, durante seu afastamento para tratamento de saúde, não tem direito
de continuar recebendo a verba de substituição pelo fato de estar na Titularidade da unidade judiciária.
Esse tipo de verba só pode ser paga enquanto mantido o desempenho da titularidade da unidade
judiciária – condição necessária para seu recebimento.
STF. 2ª Turma. AO 2234 ED/MS, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 19/3/2019 (Info 934).

É válido o provimento de pessoas para exercerem a função de titular de serventias judiciais,


com caráter privado (serventias judicias privatizadas / não estatizadas), antes da CF/88.

88
É válido ato do CNJ que, ao dar plena aplicabilidade ao art. 31 do ADCT, decide pela invalidade dos
atos administrativos de nomeação de todos os titulares de cartórios privatizados que tenham
ingressado no cargo após 5 de outubro de 1988, data de promulgação da CF em vigor.
As pessoas que assumiram as serventias judiciais depois da CF/88, em caráter privado, não têm direito
líquido e certo de nelas permanecerem, qualquer que seja a forma de provimento.
Há flagrante inconstitucionalidade a partir do momento em que assumem cargo em serventia que
deveria ser estatizada.
STF. 1ª Turma. MS 29323/DF, MS 29970/DF, MS 30267/DF e MS 30268/DF, rel. orig. Min. Marco
Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgados em 12/2/2019 (Info 930).
O escrivão que ocupa serventia judicial provida, em caráter privado, antes da CF/88, pode ser mantido
na titularidade da serventia.
O art. 31 do ADCT garante, expressamente, o direito do escrivão nomeado antes da CF/88 de
continuar explorando a serventia. Isso porque este dispositivo afirma que, depois da CF/88, deverão
ser estatizadas as serventias do foro judicial, “respeitados os direitos dos então titulares”.
STF. 1ª Turma. MS 29998/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 28/5/2019 (Info 942).

4.41. Poder Legislativo

Importante!!!
Quando a condenação do Deputado Federal ou Senador ultrapassar 120 dias em regime
fechado, a perda do mandato é consequência lógica.
Se o STF condenar um parlamentar federal e decidir que ele deverá perder o cargo, isso acontece
imediatamente ou depende de uma deliberação da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal
respectivamente?
Se o Deputado ou Senador for condenado a mais de 120 dias em regime fechado : a perda do
cargo será uma consequência lógica da condenação. Neste caso, caberá à Mesa da Câmara ou do
Senado apenas declarar que houve a perda (sem poder discordar da decisão do STF), nos termos do
art. 55, III e § 3º da CF/88.
Se o Deputado ou Senador for condenado a uma pena em regime aberto ou semiaberto : a
condenação criminal não gera a perda automática do cargo. O Plenário da Câmara ou do Senado irá
deliberar, nos termos do art. 55, § 2º, se o condenado deverá ou não perder o mandato.
STF. 1ª Turma. AP 694/MT, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 2/5/2017 (Info 863).
Obs: existem decisões em sentido diverso (AP 565/RO - Info 714 e AP 470/MG - Info 692), mas
penso que, para fins de concurso, deve-se adotar o entendimento acima explicado (AP 694/MT).

Importante!!!
Parlamentar, mesmo sem a aprovação da Mesa Diretora, pode, na condição de cidadão, ter
acesso a informações de interesse pessoal ou coletivo dos órgãos públicos.
O parlamentar, na condição de cidadão, pode exercer plenamente seu direito fundamental de acesso
a informações de interesse pessoal ou coletivo, nos termos do art. 5º, inciso XXXIII, da Constituição
Federal e das normas de regência desse direito.
O parlamentar, na qualidade de cidadão, não pode ter cerceado o exercício do seu direito de acesso,
via requerimento administrativo ou judicial, a documentos e informações sobre a gestão pública,

89
desde que não estejam, excepcionalmente, sob regime de sigilo ou sujeitos à aprovação de CPI. O
fato de as casas legislativas, em determinadas situações, agirem de forma colegiada, por intermédio
de seus órgãos, não afasta, tampouco restringe, os direitos inerentes ao parlamentar como indivíduo.
STF. Plenário. RE 865401/MG, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 25/4/2018 (repercussão geral)
(Info 899).

Importante!!!
A condenação criminal transitada em julgado é suficiente, por si só, para acarretar a perda
automática do mandato eletivo de Deputado Federal ou de Senador?
Se o STF condenar criminalmente um Deputado Federal ou Senador, haverá a perda automática do
mandato ou isso ainda dependerá de uma deliberação (decisão) da Câmara ou do Senado,
respectivamente? A condenação criminal transitada em julgado é suficiente, por si só, para acarretar
a perda automática do mandato eletivo de Deputado Federal ou de Senador?
1ª Turma do STF: DEPENDE.
 Se o Deputado ou Senador for condenado a mais de 120 dias em regime fechado: a perda do
cargo será uma consequência lógica da condenação. Neste caso, caberá à Mesa da Câmara ou
do Senado apenas declarar que houve a perda (sem poder discordar da decisão do STF), nos
termos do art. 55, III e § 3º da CF/88.
 Se o Deputado ou Senador for condenado a uma pena em regime aberto ou semiaberto: a
condenação criminal não gera a perda automática do cargo. O Plenário da Câmara ou do
Senado irá deliberar, nos termos do art. 55, § 2º, da CF/88, se o condenado deverá ou não
perder o mandato.
STF. 1ª Turma. AP 694/MT, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 2/5/2017 (Info 863).
STF. 1ª Turma. AP 968/SP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 22/5/2018 (Info 903).
2ª Turma do STF: NÃO. A perda não é automática. A Casa é que irá deliberar.
O STF apenas comunica, por meio de ofício, à Mesa da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal
informando sobre a condenação do parlamentar.
A Mesa da Câmara ou do Senado irá, então, deliberar (decidir) como entender de direito (como quiser)
se o parlamentar irá perder ou não o mandato eletivo, conforme prevê o art. 55, VI, § 2º, da CF/88.
Assim, mesmo com a condenação criminal, quem decide se haverá a perda do mandato é a Câmara
dos Deputados ou o Senado Federal.
STF. 2ª Turma. AP 996/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 29/5/2018 (Info 904) (obs: o Relator
Edson Fachin ficou vencido neste ponto).

4.42. Presidente da República

Importante!!!
Não é possível que o STF examine questões jurídicas formuladas a respeito da denúncia antes
do seu envio à Câmara dos Deputados para o juízo político de que trata o art. 86 da CF/88.
Imagine que foi formulada denúncia contra o Presidente da República por infrações penais comuns.
O STF deverá encaminhar esta denúncia para a Câmara dos Deputados exercer o seu juízo político.
É possível que, antes desse envio, o STF analise questões jurídicas a respeito desta denúncia, como a
validade dos elementos informativos (“provas”) que a embasaram?

90
NÃO. Não há possibilidade de o STF conhecer e julgar qualquer questão ou matéria defensiva
suscitada pelo Presidente antes que a matéria seja examinada pela Câmara dos Deputados.
O juízo político de admissibilidade exercido pela Câmara dos Deputados precede a análise jurídica
pelo STF para conhecer e julgar qualquer questão ou matéria defensiva suscitada pelo denunciado.
A discussão sobre o valor probatório dos elementos de convicção (“provas”), ou mesmo a respeito da
validade desses elementos que eventualmente embasarem a denúncia, constitui matéria relacionada
com a chamada “justa causa”, uma das condições da ação penal, cuja constatação ou não se dará por
ocasião do juízo de admissibilidade, a ser levado a efeito pelo Plenário do STF após eventual
autorização da Câmara dos Deputados.
STF. Plenário. Inq 4483 QO/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 20 e 21/9/2017 (Info 878).

4.43. Processo Legislativo

É inconstitucional lei estadual que exige prévia autorização da ALE para que os órgãos do
SISNAMA possam celebrar instrumentos de cooperação no Estado.
É inconstitucional, por violar o princípio da separação dos poderes, lei estadual que exige autorização
prévia do Poder Legislativo estadual (Assembleia Legislativa) para que sejam firmados instrumentos
de cooperação pelos órgãos componentes do Sistema Nacional do Meio Ambiente – SISNAMA.
Também é inconstitucional lei estadual que afirme que Fundação estadual de proteção do meio
ambiente só poderá transferir responsabilidades ou atribuições para outros órgãos componentes do
SISNAMA se houver aprovação prévia da Assembleia Legislativa.
STF. Plenário. ADI 4348/RR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 10/10/2018 (Info 919).

Inconstitucionalidade de lei estadual, de iniciativa parlamentar, que imponha atribuições ao


DETRAN.
É inconstitucional lei estadual, de iniciativa parlamentar, que imponha ao DETRAN a obrigação de
publicar, no diário oficial e na internet, a relação de cada um dos veículos sinistrados, seus respectivos
dados, com destinação para os que sofreram desmonte e/ou comercialização das peças e partes.
Essa lei trata sobre “atribuições” de órgãos/entidades da administração pública, matéria que é de
iniciativa privativa do chefe do Poder Executivo (art. 61, § 1º, II, “e”, da CF/88).
A correta interpretação que deve ser dada ao art. 61, § 1º, II, “e” c/c o art. 84, VI, da CF/88 é a de que
a iniciativa para leis que disponham sobre “estruturação e atribuições” dos órgãos públicos é do chefe
do Poder Executivo.
STF. Plenário. ADI 4704/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 21/3/2019 (Info 934).

4.44. Saúde

O programa “Mais Médicos” é constitucional.


O programa “Mais Médicos”, instituído pela MP 691/2013, posteriormente convertida na Lei nº
12.871/2013, é constitucional.
STF. Plenário. ADI 5035/DF e ADI 5037/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min.
Alexandre de Moraes, julgados em 30/11/2017 (Info 886).

Importante!!!

91
Constitucionalidade do ressarcimento ao SUS previsto no art. 32 da Lei 9.656/98.
É constitucional o ressarcimento previsto no art. 32 da Lei nº 9.656/98, o qual é aplicável aos
procedimentos médicos, hospitalares ou ambulatoriais custeados pelo SUS e posteriores a 4.6.1998,
assegurados o contraditório e a ampla defesa, no âmbito administrativo, em todos os marcos jurídicos.
O art. 32 da Lei nº 9.656/98 prevê que, se um cliente do plano de saúde utilizar-se dos serviços do
SUS, o Poder Público poderá cobrar do referido plano o ressarcimento que ele teve com essas
despesas. Assim, o chamado “ressarcimento ao SUS”, criado pelo art. 32, é uma obrigação legal das
operadoras de planos privados de assistência à saúde de restituir as despesas que o SUS teve ao
atender uma pessoa que seja cliente e que esteja coberta por esses planos.
STF. Plenário. RE 597064/RJ, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 7/2/2018 (repercussão geral)
(Info 890).

4.45. Sigilo Bancário

Importante!!!
Requisição pelo MP de informações bancárias de ente da administração pública.
Não são nulas as provas obtidas por meio de requisição do Ministério Público de informações
bancárias de titularidade de Prefeitura para fins de apurar supostos crimes praticados por agentes
públicos contra a Administração Pública.
É lícita a requisição pelo Ministério Público de informações bancárias de contas de titularidade da
Prefeitura, com o fim de proteger o patrimônio público, não se podendo falar em quebra ilegal de
sigilo bancário.
O sigilo de informações necessário à preservação da intimidade é relativizado quando há interesse da
sociedade em conhecer o destino dos recursos públicos.
Diante da existência de indícios da prática de ilícitos penais envolvendo verbas públicas, cabe ao MP,
no exercício de seus poderes investigatórios (art. 129, VIII, da CF/88), requisitar os registros de
operações financeiras relativos aos recursos movimentados a partir de conta corrente de titularidade
da Prefeitura. Essa requisição compreende, por extensão, o acesso aos registros das operações
bancárias sucessivas, ainda que realizadas por particulares, e objetiva garantir o acesso ao real destino
desses recursos públicos.
STJ. 5ª Turma. HC 308.493-CE, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 20/10/2015 (Info
572)
STF. 2ª Turma. RHC 133118/CE, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 26/9/2017 (Info 879).

Dados obtidos com a quebra de sigilo bancário não podem ser divulgados abertamente em site
oficial.
Os dados obtidos por meio da quebra dos sigilos bancário, telefônico e fiscal devem ser mantidos sob
reserva.
Assim, a página do Senado Federal na internet não pode divulgar os dados obtidos por meio da quebra
de sigilo determinada por comissão parlamentar de inquérito (CPI).
STF. Plenário. MS 25940, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 26/4/2018 (Info 899).

4.46. Tribunal de Contas

92
Criação de Procuradoria do Tribunal de Contas e impossibilidade de que tal órgão seja
responsável pela cobrança das multas.
É constitucional a criação de órgãos jurídicos na estrutura de Tribunais de Contas estaduais, vedada
a atribuição de cobrança judicial de multas aplicadas pelo próprio tribunal.
É inconstitucional norma estadual que preveja que compete à Procuradoria do Tribunal de Contas
cobrar judicialmente as multas aplicadas pela Corte de Contas.
A Constituição Federal não outorgou aos Tribunais de Contas competência para executar suas
próprias decisões.
As decisões dos Tribunais de Contas que acarretem débito ou multa têm eficácia de título executivo,
mas não podem ser executadas por iniciativa do próprio Tribunal.
STF. Plenário. ADI 4070/RO, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 19/12/2016 (Info 851).

Prazo prescricional para aplicação de multa pelo TCU.


O prazo prescricional para que o TCU aplique multas é de 5 anos, aplicando-se a previsão do art. 1º
da Lei nº 9.873/99.
Caso esteja sendo imputada ao agente público a conduta omissiva de ter deixado de tomar
providências que eram de sua responsabilidade, tem-se que, enquanto ele permaneceu no cargo,
perdurou a omissão. No momento em que o agente deixou o cargo, iniciou-se o fluxo do prazo
prescricional.
STF. 1ª Turma. MS 32201/DF, rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 21/3/2017 (Info 858).

Auditoria do TCU e desnecessidade de participação dos terceiros reflexamente prejudicados.


Em auditoria realizada pelo TCU para apurar a gestão administrativa do órgão, os terceiros
indiretamente afetados pelas determinações do Tribunal (ex: pensionistas) não possuem direito de
serem ouvidos no processo fiscalizatório.
Não existe, no caso, desrespeito ao devido processo legal.
Nessa espécie de atuação administrativa, a relação processual envolve apenas o órgão fiscalizador e
o fiscalizado, sendo dispensável a participação dos interessados.
O contraditório pressupõe a existência de litigantes ou acusados, o que não ocorre quando o Tribunal
de Contas atua no campo da fiscalização de órgãos e entes administrativos.
O contraditório deve ser garantido pelo órgão de origem, a quem cabe o cumprimento da
determinação do Tribunal de Contas.
STF. 1ª Turma. MS 34224/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 15/8/2017 (Info 873).

Não aplicação do art. 54 da Lei nº 9.784/99 para as fiscalizações realizadas pelo TC na forma
do art. 71, IV, da CF/88.
Em casos de “fiscalização linear exercida pelo Tribunal de Contas”, nos termos do art. 71, IV, da
CF/88, não se aplica o prazo de decadência previsto no art. 54 da Lei nº 9.784/99. Isso porque em
processos de “controle abstrato”, o Tribunal de Contas não faz o exame de ato específico do qual
decorre efeito favorável ao administrado. A Corte está examinando a regularidade das contas do órgão
e a repercussão sobre eventual direito individual é apenas indireta.
STF. 1ª Turma. MS 34224/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 15/8/2017 (Info 873).

Importante!!!
93
A Constituição Federal não proíbe a extinção de Tribunais de Contas dos Municípios.
A Constituição Federal não proíbe a extinção de Tribunais de Contas dos Municípios.
STF. Plenário. ADI 5763/CE, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 26/10/2017 (Info 883).

MPTC não possui legitimidade para propor reclamação no STF.


O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas não possui legitimidade ativa para propor
reclamação no STF alegando descumprimento da decisão do Supremo.
A atuação dos membros do MPTC limita-se, unicamente, ao âmbito dos próprios Tribunais de Contas
perante os quais oficiam.
STF. 2ª Turma. Rcl 24156 AgR/DF e Rcl 24158 AgR/DF, Rel. Min. Celso de Mello, julgados em
24/10/2017 (Info 883).

Competência do TCU para fiscalizar a Fundação Banco do Brasil somente quanto aos recursos
oriundos do Banco do Brasil.
Não compete ao TCU adotar procedimento de fiscalização que alcance a Fundação Banco do Brasil
quanto aos recursos próprios, de natureza eminentemente privada, repassados por aquela entidade a
terceiros, eis que a FBB não integra o rol de entidades obrigadas a prestar contas àquela Corte de
Contas, nos termos do art. 71, II, da CF.
A FBB é uma pessoa jurídica de direito privado não integrante da Administração Pública. Assim, a
FBB não necessita se submeter aos ditames da gestão pública quando repassar recursos próprios a
terceiros por meio de convênios.
Por outro lado, quando a FBB recebe recursos provenientes do Banco do Brasil — sociedade de
economia mista que sofre a incidência dos princípios da Administração Pública previstos no art. 37,
caput, da Constituição Federal, — ficará sujeita à fiscalização do TCU. Isso porque, neste caso, tais
recursos, como são provenientes do BB, têm caráter público.
STF. 2ª Turma. MS 32703/DF, Rel. Min. Dias Tóffoli, julgado em 10/4/2018 (Info 897).

É inconstitucional norma de Constituição Estadual que confira competência ao TCE para


homologar os cálculos das cotas do ICMS devidas aos Municípios.
O ICMS é um imposto de competência estadual. Apesar disso, a CF/88 determina que o Estado deverá
repassar 25% da receita do ICMS aos Municípios. Esse repasse será realizado após cálculos que são
feitos para definir o valor da cota-parte que caberá a cada Município, segundo critérios definidos pelo
art. 158, parágrafo único, da CF/88 e pela lei estadual.
A Constituição do Estado do Amapá previu que seria competência do TCE homologar os cálculos
das cotas do ICMS devidas aos Municípios.
Este dispositivo é inconstitucional.
Sujeitar o ato de repasse de recursos públicos à homologação do TCE representa ofensa ao princípio
da separação e da independência dos Poderes.
STF. Plenário. ADI 825/AP, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 25/10/2018 (Info 921).

É inconstitucional lei estadual ou emenda à Constituição do Estado, de iniciativa parlamentar,


que trate sobre organização ou funcionamento do TCE.
Os Tribunais de Contas possuem reserva de iniciativa (competência privativa) para deflagrar o
processo legislativo que tenha por objeto alterar a sua organização ou o seu funcionamento (art. 96,

94
II c/c arts. 73 e 75 da CF/88). Trata-se de uma prerrogativa que decorre da independência e autonomia
asseguradas às Cortes de Contas.
Assim, é inconstitucional lei estadual ou mesmo emenda à Constituição do Estado, de iniciativa
parlamentar, que trate sobre organização ou funcionamento do TCE.
A promulgação de emenda à Constituição Estadual não constitui meio apto para contornar (burlar) a
cláusula de iniciativa reservada.
STF. Plenário. ADI 5323/RN, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 11/4/2019 (Info 937).

É inconstitucional norma da Constituição Estadual que preveja regra sobre a organização ou


funcionamento do TCE de forma diferente do modelo federal.
O art. 75 da CF/88 estabelece que deverá haver um “espelhamento obrigatório” do modelo de controle
externo do TCU previsto na CF/88 para os Tribunais de Contas dos Estados/DF e para os Tribunais
e Conselhos de Contas dos Municípios. Isso significa que é materialmente inconstitucional norma da
Constituição Estadual que trate sobre a organização ou funcionamento do TCE de forma diferente do
modelo federal. Caso isso ocorra, haverá uma violação ao art. 75 da Carta Maior.
Diante disso, é inconstitucional dispositivo da CE que preveja que, se o TCE reconhecer a boa-fé do
infrator e se este fizer a liquidação tempestiva do débito ou da multa, a Corte deverá considerar
saneado o processo. Esta regra é inconstitucional porque não há previsão semelhante na CF/88.
STF. Plenário. ADI 5323/RN, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 11/4/2019 (Info 937).

É inconstitucional lei estadual ou emenda à Constituição do Estado, de iniciativa parlamentar,


que trate sobre organização ou funcionamento do TCE.
É inconstitucional lei estadual, de origem (iniciativa) parlamentar, que discipline a organização e o
funcionamento do Tribunal de Contas estadual (TCE).
Isso porque os Tribunais de Contas possuem reserva de iniciativa (competência privativa) para
apresentar os projetos de lei que tenham por objetivo tratar sobre a sua organização ou o seu
funcionamento (art. 96, II c/c arts. 73 e 75 da CF/88).
Os Tribunais de Contas, conforme reconhecido pela CF/88 e pelo STF, gozam das prerrogativas da
autonomia e do autogoverno, o que inclui, essencialmente, a iniciativa privativa para instaurar
processo legislativo que pretenda alterar sua organização e funcionamento.
STF. Plenário. ADI 4643/RJ, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 15/5/2019 (Info 940).

4.47. Voto Impresso

Importante!!!
Inconstitucionalidade do voto híbrido previsto no art. 59-A da Lei 9.504/97.
É inconstitucional a lei que determina que, na votação eletrônica, o registro de cada voto deverá ser
impresso e depositado, de forma automática e sem contato manual do eleitor, em local previamente
lacrado (art. 59-A da Lei 9.504/97, incluído pela Lei 13.165/2015).
Essa previsão acaba permitindo a identificação de quem votou, ou seja, permite a quebra do sigilo, e,
consequentemente, a diminuição da liberdade do voto, violando o art. 14 e o § 4º do art. 60 da
Constituição Federal.
Cabe ao legislador fazer a opção pelo voto impresso, eletrônico ou híbrido, visto que a CF/88 nada
dispõe a esse respeito, observadas, entretanto, as características do voto nela previstas.
95
O modelo híbrido trazido pelo art. 59-A constitui efetivo retrocesso aos avanços democráticos
conquistados pelo Brasil para garantir eleições realmente livres, em que as pessoas possam escolher
os candidatos que preferirem.
STF. Plenário. ADI 5889/DF, rel. orig. Min. Gilmar Mendes, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes,
julgado em 6/6/2018 (Info 905).

5. DIREITO DO CONSUMIDOR
5.1. Competências Legislativas

Importante!!!
Os Municípios detêm competência para legislar sobre assuntos de interesse local, ainda que, de
modo reflexo, tratem de direito comercial ou do consumidor.
É constitucional lei municipal que proíbe a conferência de mercadorias realizada na saída de
estabelecimentos comerciais localizados na cidade. A Lei prevê que, após o cliente efetuar o
pagamento nas caixas registradoras da empresa instaladas, não é possível nova conferência na saída.
Os Municípios detêm competência para legislar sobre assuntos de interesse local (art. 30, I, da CF/88),
ainda que, de modo reflexo, tratem de direito comercial ou do consumidor.
STF. 2ª Turma. RE 1.052.719 AgR/PB, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 25/9/2018 (Info
917).

5.2. Responsabilidade Civil e Transporte Aéreo

Importante!!!
Transporte aéreo internacional e aplicabilidade das Convenções de Varsóvia e de Montreal.
Em caso de extravio de bagagem ocorrido em transporte internacional envolvendo consumidor,
aplica-se o CDC ou a indenização tarifada prevista nas Convenções de Varsóvia e de Montreal?
As Convenções internacionais.
Nos termos do art. 178 da Constituição da República, as normas e os tratados internacionais
limitadores da responsabilidade das transportadoras aéreas de passageiros, especialmente as
Convenções de Varsóvia e Montreal, têm prevalência em relação ao Código de Defesa do
Consumidor.
Art. 178. A lei disporá sobre a ordenação dos transportes aéreo, aquático e terrestre, devendo, quanto
à ordenação do transporte internacional, observar os acordos firmados pela União, atendido o
princípio da reciprocidade.
STF. Plenário. RE 636331/RJ, Rel. Min. Gilmar Mendes e ARE 766618/SP, Rel. Min. Roberto
Barroso, julgados em 25/05/2017 (repercussão geral) (Info 866).

Importante!!!
Prazo prescricional em caso de acidente aéreo.
Qual é o prazo prescricional da ação de responsabilidade civil no caso de acidente aéreo em voo
doméstico? 5 anos, segundo entendimento do STJ, aplicando-se o CDC.

96
Qual é o prazo prescricional da ação de responsabilidade civil no caso de acidente aéreo em voo
internacional? 2 anos, com base no art. 29 da Convenção de Varsóvia.
Nos termos do art. 178 da Constituição da República, as normas e os tratados internacionais
limitadores da responsabilidade das transportadoras aéreas de passageiros, especialmente as
Convenções de Varsóvia e Montreal, têm prevalência em relação ao Código de Defesa do
Consumidor.
STF. Plenário. RE 636331/RJ, Rel. Min. Gilmar Mendes e ARE 766618/SP, Rel. Min. Roberto
Barroso, julgados em 25/05/2017 (repercussão geral) (Info 866).

5.3. Plano de Saúde

A Lei 9.656/98 é constitucional, mas não pode ser aplicada para contratos celebrados antes da
sua vigência.
A Lei nº 9.656/98, que disciplina os planos e seguros privados de assistência à saúde, é constitucional.
Este diploma, contudo, não pode ser aplicado para contratos celebrados antes de sua vigência. Assim,
são inconstitucionais os dispositivos da Lei nº 9.656/98 que determinavam a sua aplicação para
contratos celebrados antes da sua edição.
STF. Plenário. ADI 1931/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 7/2/2018 (Info 890).

6. DIREITO DO TRABALHO
6.1. Comissão de Conciliação Prévia

É possível o ajuizamento de reclamação trabalhista mesmo que não se tenha tentado acordo na
Comissão de Conciliação Prévia.
A Comissão de Conciliação Prévia constitui meio legítimo, mas não obrigatório, de solução de
conflitos. Isso significa que é permitido que o empregado ingresse diretamente com a reclamação na
Justiça do Trabalho, mesmo que não tenha buscado previamente a Comissão de Conciliação Prévia.
Deve ser resguardado o acesso à Justiça para os que venham a ajuizar demandas diretamente na
Justiça do Trabalho.
Contraria a CF/88 a interpretação do art. 625-D da CLT que reconheça a submissão da pretensão à
Comissão de Conciliação Prévia como requisito para ajuizamento de reclamação trabalhista.
STF. Plenário. ADI 2139/DF, ADI 2160/DF e ADI 2237/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgados em
1º/8/2018 (Info 909).

A eficácia liberatória geral de que trata o art. 625-E, parágrafo único, da CLT, abrange apenas
os valores que foram discutidos na CCP.
O art. 625-E, parágrafo único, da CLT, fala que o termo de conciliação terá eficácia liberatória geral,
exceto quanto às parcelas expressamente ressalvadas.
O STF conferiu interpretação sistemática ao art. 625-E, parágrafo único, da CLT, para dizer que a
expressão “eficácia liberatória geral” somente se refere àquilo que foi objeto da conciliação. Em
outras palavras, somente diz respeito aos valores que foram discutidos na Comissão de Conciliação
Prévia. Isso não significa que haverá uma quitação geral e indiscriminada de verbas trabalhistas
abrangendo parcelas que não foram objeto de debate na CCP.

97
STF. Plenário. ADI 2139/DF, ADI 2160/DF e ADI 2237/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgados em
1º/8/2018 (Info 909).

PROCEDIMENTO SUMARÍSSIMO. É constitucional a proibição da citação por edital no


procedimento sumaríssimo.
O art. 852-B, II, da CLT, prevê que, nas reclamações enquadradas no procedimento sumaríssimo não
se fará citação por edital, incumbindo ao autor a correta indicação do nome e endereço do reclamado.
O STF decidiu que essa previsão é constitucional. O legislador, ao proibir a citação por edital no
procedimento sumaríssimo, teve por objetivo conferir celeridade e efetividade a este rito.
STF. Plenário. ADI 2139/DF, ADI 2160/DF e ADI 2237/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgados em
1º/8/2018 (Info 909).

6.2. Contribuição Sindical

Importante!!!
É constitucional a lei que extinguiu a contribuição sindical obrigatória.
São compatíveis com a Constituição Federal os dispositivos da Lei nº 13.467/2017 (Reforma
Trabalhista) que extinguiram a obrigatoriedade da contribuição sindical e condicionaram o seu
pagamento à prévia e expressa autorização dos filiados.
No âmbito formal, o STF entendeu que a Lei nº 13.467/2017 não contempla normas gerais de direito
tributário (art. 146, III, “a”, da CF/88). Assim, não era necessária a edição de lei complementar para
tratar sobre matéria relativa a contribuições.
Também não se aplica ao caso a exigência de lei específica prevista no art. 150, § 6º, da CF/88, pois
a norma impugnada não disciplinou nenhum dos benefícios fiscais nele mencionados, quais sejam,
subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão.
Sob o ângulo material, o STF afirmou que a Constituição assegura a livre associação profissional
ou sindical, de modo que ninguém é obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado a sindicato (art. 8º, V,
da CF/88). O princípio constitucional da liberdade sindical garante tanto ao trabalhador quanto ao
empregador a liberdade de se associar a uma organização sindical, passando a contribuir
voluntariamente com essa representação.
Não há nenhum comando na Constituição Federal determinando que a contribuição sindical é
compulsória.
Não se pode admitir que o texto constitucional, de um lado, consagre a liberdade de associação,
sindicalização e expressão (art. 5º, IV e XVII, e art. 8º) e, de outro, imponha uma contribuição
compulsória a todos os integrantes das categorias econômicas e profissionais.
STF. Plenário. ADI 5794/DF, Rel. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Luiz Fux, julgado em
29/6/2018 (Info 908).

6.3. Direitos Sociais

Importante!!!
É inconstitucional lei que autorize o trabalho de gestantes e lactantes em atividades insalubres.

98
É inconstitucional a expressão “quando apresentar atestado de saúde, emitido por médico de
confiança da mulher, que recomende o afastamento”, contida nos incisos II e III do art. 394-A da
CLT, inseridos pelo art. 1º da Lei nº 13.467/2017.
Essa expressão, inserida no art. 394-A da CLT, tinha como objetivo autorizar que empregadas
grávidas ou lactantes pudessem trabalhar em atividades insalubres.
Ocorre que o STF entendeu que o trabalho de gestantes e de lactantes em atividades insalubres viola
a Constituição Federal.
O art. 6º da CF/88 proclama importantes direitos, entre eles a proteção à maternidade, a proteção do
mercado de trabalho da mulher e redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de
saúde, higiene e segurança.
A proteção para que a gestante e a lactante não sejam expostas a atividades insalubres caracteriza-se
como importante direito social instrumental que protege não apenas a mulher como também a criança
(art. 227 da CF/88).
A proteção à maternidade e a integral proteção à criança são direitos irrenunciáveis e não podem ser
afastados pelo desconhecimento, impossibilidade ou a própria negligência da gestante ou lactante em
apresentar um atestado médico, sob pena de prejudicá-la e prejudicar o recém-nascido.
Em suma, é proibido o trabalho da gestante ou da lactante em atividades insalubres.
STF. Plenário. ADI 5938/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 29/5/2019 (Info 942).

6.4. Estabilidade

Importante!!!
É garantida a estabilidade à empregada gestante mesmo que no momento em que ela tenha sido
demitida pelo empregador ele não soubesse de sua gravidez.
A incidência da estabilidade prevista no art. 10, II, do Ato das Disposições Constitucionais
Transitórias (ADCT) somente exige a anterioridade da gravidez à dispensa sem justa causa.
Art. 10. (...) II - fica vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa: (...) da empregada gestante,
desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto.
O único requisito exigido é de natureza biológica. Exige-se apenas a comprovação de que a gravidez
tenha ocorrido antes da dispensa arbitrária, não sendo necessários quaisquer outros requisitos, como
o prévio conhecimento do empregador ou da própria gestante.
Assim, é possível assegurar a estabilidade à gestante mesmo que no momento em que ela tenha sido
demitida pelo empregador ele não soubesse de sua gravidez.
STF. Plenário. RE 629053/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ ac. Min. Alexandre de Moraes,
julgado em 10/10/2018 (repercussão geral) (Info 919).

6.5. FGTS

Prazo prescricional para cobrança em juízo.


O prazo prescricional para a cobrança judicial dos valores devidos relativos ao FGTS é de 5 anos.
Isso porque a verba de FGTS tem natureza trabalhista, devendo ser aplicado o art. 7º, XXIX, da
CF/88.
Antes, entendia-se que esse prazo era de 30 anos.

99
Como houve uma mudança brusca da jurisprudência, o STF, por razões de segurança jurídica,
modulou os efeitos desta decisão. Assim, esse novo prazo prescricional de 5 anos somente vale a
partir do julgamento do STF que alterou a jurisprudência anterior (ARE 709212/DF).
Dessa forma, o STF decidiu que :
 Para aqueles casos cujo termo inicial da prescrição – ou seja, a ausência de depósito no FGTS
– ocorrer após a data do julgamento da ARE 709212/DF, aplica-se, desde logo, o prazo de 5
anos.
 Por outro lado, para os casos em que o prazo prescricional já estava em curso antes do
julgamento da ARE 709212/DF, aplica-se o que ocorrer primeiro: 30 anos, contados do termo
inicial, ou 5 anos, a partir do julgamento da ARE 709212/DF.
O art. 23, § 5º, da Lei nº 8.036/90 e o art. 55 do Decreto 99.684/90, que previam o prazo prescricional
de 30 anos, são inconstitucionais.
STF. Plenário. ARE 709212/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 13/11/2014 (repercussão
geral) (Info 767).
STF. Plenário. RE 522897/RN, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 16/3/2017 (Info 857).

Constitucionalidade do § 18 do art. 20 e dos arts. 29-A e 29-B da Lei nº 8.036/90.


O § 18 do art. 20 e os arts. 29-A e 29-B da Lei nº 8.036/90, introduzidos pela MP 1.951-33/2000
(atual MP 2.197-43), são constitucionais.
STF. Plenário. ADI 2382, ADI 2425 e ADI 2479, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, red. p/ o ac. Min.
Edson Fachin, julgados em 14/3/2018 (Info 894).

6.6. Greve

Compete à Justiça Comum (estadual ou federal) decidir se a greve realizada por servidor
público é ou não abusiva.
A justiça comum, federal ou estadual, é competente para julgar a abusividade de greve de servidores
públicos celetistas da Administração pública direta, autarquias e fundações públicas.
STF. Plenário. RE 846854/SP, rel. orig. Min. Luiz Fux, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes,
julgado em 1º/8/2017 (repercussão geral) (Info 871).

6.7. Terceirização

Importante!!!
Mesmo antes das Leis 13.429/2017 e 13.467/2017, já era lícita a terceirização de toda e qualquer
atividade da empresa, seja ela atividade-meio ou fim, de forma que era inconstitucional a
Súmula 331 do TST.
É lícita a terceirização ou qualquer outra forma de divisão do trabalho entre pessoas jurídicas distintas,
independentemente do objeto social das empresas envolvidas, mantida a responsabilidade subsidiária
da empresa contratante.
Os itens I e III da Súmula 331 do TST são inconstitucionais.
STF. Plenário. ADPF 324/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 29 e 30/8/2018 (Info 913).
STF. Plenário. RE 958252/MG, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 29 e 30/8/2018 (repercussão geral)
(Info 913).
100
6.8. Trabalho por Prazo Determinado

A lei do contrato de trabalho por prazo determinado (Lei 9.601/98) é constitucional.


Ao apreciar medida cautelar em ADI, o STF decidiu que a Lei nº 9.601/98, que dispõe sobre o contrato
de trabalho por prazo determinado, não é inconstitucional.
STF. Plenário. ADI 1764 MC/DF, rel. orig. Min. Sydney Sanches, red. p/ o ac. Min. Cármen Lúcia,
julgado em 11/4/2019 (Info 937).

7. DIREITO ELEITORAL
7.1. Financiamento de Campanha Eleitoral

Inconstitucionalidade da norma que permitia doações anônimas a candidatos.


A parte final do § 12 do art. 28 da Lei nº 9.504/97 prevê a possibilidade de “doações ocultas” de
pessoas físicas a candidatos, ou seja, sem que os nomes dos doadores fiquem registrados na prestação
de contas. Veja: "§ 12. Os valores transferidos pelos partidos políticos oriundos de doações serão
registrados na prestação de contas dos candidatos como transferência dos partidos e, na prestação de
contas dos partidos, como transferência aos candidatos, sem individualização dos doadores."
(Incluído pela Lei nº 13.165/2015).
O STF julgou inconstitucional a expressão “sem individualização dos doadores”, constante da parte
final do § 12 do art. 28 da Lei nº 9.504/97, acrescentado pela Lei 13.165/2015.
Essa parte final do dispositivo suprime a transparência do processo eleitoral, frustra o exercício da
fiscalização pela Justiça Eleitoral e impede que o eleitor exerça, com pleno esclarecimento, seu direito
de escolha dos representantes políticos. Isso viola os princípios republicano e democrático (art. 1º, da
CF/88), além de representar afronta aos postulados da moralidade e da transparência.
STF. Plenário. ADI 5394/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 22/03/2018 (Info 895).

7.2. Fundo Partidário

Análise da constitucionalidade do art. 9º da Lei 13.165/2015.


O art. 9º da Lei nº 13.165/2015 previu o seguinte:
Art. 9º Nas três eleições que se seguirem à publicação desta Lei, os partidos reservarão, em contas
bancárias específicas para este fim, no mínimo 5% (cinco por cento) e no máximo 15% (quinze por
cento) do montante do Fundo Partidário destinado ao financiamento das campanhas eleitorais para
aplicação nas campanhas de suas candidatas , incluídos nesse valor os recursos a que se refere o
inciso V do art. 44 da Lei nº 9.096, de 19 de setembro de 1995.
O STF, ao julgar uma ADI proposta contra esse dispositivo, decidiu:
a) Dar interpretação conforme a Constituição ao art. 9º da Lei nº 13.165/2015, de modo a equiparar
o patamar legal mínimo de candidaturas femininas (hoje o do art. 10, § 3º, da Lei nº 9.504/97, isto é,
ao menos 30% de cidadãs), ao mínimo de recursos do Fundo Partidário a lhes serem destinados, que
deve ser interpretado como também de 30% do montante do Fundo alocado a cada partido, para as
eleições majoritárias e proporcionais, e fixar que, havendo percentual mais elevado de candidaturas
femininas, o mínimo de recursos globais do partido destinados a campanhas lhe seja alocado na
101
mesma proporção. Assim, o montante de recursos para as campanhas de mulheres deve ser
proporcionalmente igual ao número de candidatas, sendo no mínimo 30%;
b) Declarar a inconstitucionalidade da expressão “três”, contida no art. 9º da Lei nº 13.165/2015. A
previsão de recursos mínimos para as campanhas de candidatas não deve ter um prazo determinado
considerando que ela dura até que as desigualdades sejam corrigidas;
c) Declarar a inconstitucionalidade, por arrastamento, do § 5º-A e do § 7º do art. 44 da Lei nº 9.096/95,
que tratam dos recursos específicos para a criação e manutenção de programas de promoção e difusão
da participação política das mulheres.
STF. Plenário. ADI 5617/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 15/3/2018 (Info 894).

Modulação dos efeitos da ADI 5617/DF.


O STF, ao analisar o art. 9º da Lei nº 13.165/2015, decidiu:
a) Dar interpretação conforme a Constituição ao art. 9º da Lei nº 13.165/2015, de modo a equiparar
o patamar legal mínimo de candidaturas femininas (hoje o do art. 10, § 3º, da Lei nº 9.504/97, isto
é, ao menos 30% de cidadãs) ao mínimo de recursos do Fundo Partidário a lhes serem destinados,
que deve ser interpretado como também de 30% do montante do Fundo alocado a cada partido, para
as eleições majoritárias e proporcionais, e fixar que, havendo percentual mais elevado de
candidaturas femininas, o mínimo de recursos globais do partido destinados a campanhas lhe seja
alocado na mesma proporção. Assim, o montante de recursos para as campanhas de mulheres deve
ser proporcionalmente igual ao número de candidatas, sendo de no mínimo 30%;
b) Declarar a inconstitucionalidade da expressão “três”, contida no art. 9º da Lei nº 13.165/2015.
A previsão de recursos mínimos para as campanhas de candidatas não deve ter um prazo
determinado, considerando que ela dura até que as desigualdades sejam corrigidas;
c) Declarar a inconstitucionalidade, por arrastamento, do § 5º-A e do § 7º do art. 44 da Lei nº
9.096/95, que tratam dos recursos específicos para a criação e manutenção de programas de
promoção e difusão da participação política das mulheres.
STF. Plenário. ADI 5617/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 15/3/2018 (Info 894).
Ao declarar inconstitucionais tais dispositivos, surgiu um “problema”: o que fazer com esses
recursos que estavam mantidos em contas bancárias específicas?
Caso mantida na íntegra a decisão do dia 15/03/2018, os partidos não poderiam fazer uso dos recursos
do fundo partidário para as campanhas femininas. Isso iria contrariar o escopo do próprio julgamento,
pois o objetivo do STF foi o de fortalecer as candidaturas de mulheres.
Diante desse impasse, o STF, na sessão de 02/10/2018, resolveu modular os efeitos da decisão tomada
no dia 15/03/2018 e decidiu “aproveitar” tais recursos nas campanhas eleitorais de candidatas
mulheres nas eleições de 2018. Veja como o Supremo determinou a modulação:
Os recursos financeiros de anos anteriores acumulados nas contas específicas mencionadas pelos §§
5º-A e 7º do art. 44 da Lei nº 9.096/95 devem ser adicionalmente transferidos para as contas
individuais das candidatas no financiamento de suas campanhas eleitorais no pleito geral de 2018,
sem que haja a redução de 30% do montante do fundo alocado a cada partido para as candidaturas
femininas.
STF. Plenário. ADI 5617 ED/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 2/10/2018 (Info 918).

7.3. Inelegibilidades

102
A vedação ao exercício de três mandatos consecutivos pelo mesmo núcleo familiar aplica-se
também na hipótese em que um dos mandatos tenha sido para suceder o eleito que foi cassado.
Ao se fazer uma interpretação conjugada dos §§ 5º e 7º do art. 14 da CF/88 chega-se à conclusão de
que a intenção do poder constituinte foi a de proibir que pessoas do mesmo núcleo familiar ocupem
três mandatos consecutivos para o mesmo cargo no Poder Executivo.
Em outras palavras, a CF/88 quis proibir que o mesmo núcleo familiar ocupasse três mandatos
consecutivos de Prefeito, de Governador ou de Presidente.
A vedação ao exercício de três mandatos consecutivos de prefeito pelo mesmo núcleo familiar aplica-
se também na hipótese em que tenha havido a convocação do segundo colocado nas eleições para o
exercício de mandato-tampão.
Ex: de 2010 a 2012, o Prefeito da cidade era Auricélio. Era o primeiro mandato de Auricélio. Seis
meses antes das eleições, Auricélio renunciou ao cargo. Em 2012, Hélio (cunhado de Auricélio) vence
a eleição para Prefeito da mesma cidade. De 2013 a 2016, Hélio cumpre o mandato de Prefeito. Em
2016, Hélio não poderá se candidatar à reeleição ao cargo de Prefeito porque seria o terceiro mandato
consecutivo deste núcleo familiar.
STF. 2ª Turma. RE 1128439/RN, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 23/10/2018 (Info 921).

7.4. Infidelidade Partidária

Análise da constitucionalidade do art. 22-A da Lei 9.096/95.


O art. 1º da Resolução 22.610/2007, do TSE, previa que a criação de novo partido político era
considerada como justa causa para desfiliação, sem perda do mandato, desde que a nova filiação
ocorresse em 30 dias da criação da sigla.
O art. 22-A da Lei nº 9.096/95, introduzido pela Lei nº 13.165, de 29 de setembro de 2015
(minirreforma eleitoral de 2015), excluiu a criação de nova legenda como hipótese de justa causa para
a desfiliação, sem perda de mandato, por infidelidade partidária.
Desse modo, a troca de partido, mesmo decorrente da criação de nova legenda, passou a ser
considerada como hipótese de infidelidade partidária, sujeita à perda do mandato.
Ocorre que, quando a Lei nº 13.165 foi editada, em 29/09/2015, 3 novos partidos haviam acabado de
ser registrados no TSE, de modo que estavam correndo seus prazos de 30 dias para que recebessem
parlamentares detentores de mandato eletivo, ao abrigo da justa causa de desfiliação.
Diante disso, o Min. Roberto Barroso, em decisão monocrática, entendeu que o art. 22-A não poderia
ser aplicado para esses 3 partidos, sob pena de violação da segurança jurídica, na modalidade direito
adquirido, tanto das agremiações recém-criadas quanto dos parlamentares que pretendiam se filiar a
elas. Ele, então, determinou que esses 3 partidos tivessem direito de receber de volta os 30 dias para
que os detentores de mandatos eletivos pudessem se filiar a novas agremiações que tenham sido
registradas no TSE antes da entrada em vigor da lei impugnada.
O Plenário do STF referendou essa medida cautelar.
STF. Plenário. ADI 5398/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 9/5/2018 (Info 901).

7.5. Lei da Ficha Limpa

Importante!!!

103
É aplicável a alínea “d” do inciso I do art. 1º da LC 64/90, com a redação dada pela LC 135/2010,
a fatos anteriores a sua publicação.
A condenação por abuso do poder econômico ou político em ação de investigação judicial eleitoral,
transitada em julgado, “ex vi” do artigo 22, inciso XIV, da Lei Complementar 64/90, em sua redação
primitiva, é apta a atrair a incidência da inelegibilidade do artigo 1º, inciso I, alínea "d", na redação
dada pela Lei Complementar 135/2010, aplicando-se a todos os processos de registros de candidatura
em trâmite.
STF. Plenário. RE 929670/DF, rel. orig. Min. Ricardo Lewandowski, red. p/ o ac. Min. Luiz Fux,
julgado em 1º/3/2018 (repercussão geral) (Info 892).

7.6. Liberdade de Expressão

Violam a CF/88 os atos de busca e apreensão de materiais de cunho eleitoral e a suspensão de


atividades de divulgação de ideias em universidades públicas e privadas.
São inconstitucionais os atos judiciais ou administrativos que determinem ou promovam:
 o ingresso de agentes públicos em universidades públicas e privadas;
 o recolhimento de documentos (ex: panfletos);
 a interrupção de aulas, debates ou manifestações de docentes e discentes universitários;
 a realização de atividade disciplinar docente e discente e a coleta irregular de depoimentos
desses cidadãos pela prática de manifestação livre de ideias e divulgação do pensamento nos
ambientes universitários ou em equipamentos sob a administração de universidades públicas
e privadas.
STF. Plenário. ADPF 548 MC-Ref/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 31/10/2018 (Info 922).

7.7. Propaganda Eleitoral

Importante!!!
É legítima a Resolução do TSE que proíbe propaganda eleitoral por meio de telemarketing.
É constitucional o art. 25, § 2º, da Resolução 23.404/2014 do TSE, que proíbe a realização de
propaganda eleitoral via “telemarketing", em qualquer horário.
STF. Plenário. ADI 5122, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 3/5/2018 (Info 900).

São inconstitucionais dispositivos da Lei das Eleições que vedavam sátira a candidatos.
O art. 45, II e III da Lei nº 9.504/97 prevê que, depois do prazo para a realização das convenções no
ano das eleições, as emissoras de rádio e televisão, em sua programação normal e em seu noticiário,
não podem:
a) usar trucagem, montagem ou outro recurso de áudio ou vídeo que, de qualquer forma, degradem
ou ridicularizem candidato, partido ou coligação, ou produzir ou veicular programa com esse efeito
(inciso II); e
b) difundir opinião favorável ou contrária a candidato, partido, coligação, a seus órgãos ou
representantes (segunda parte do inciso III).
Os §§ 4º e 5º explicam o que se entende por trucagem e por montagem.
O STF decidiu que tais dispositivos são INCONSTITUCIONAIS porque representam censura prévia.

104
A liberdade de expressão autoriza que os meios de comunicação optem por determinados
posicionamentos e exteriorizem seu juízo de valor, bem como autoriza programas humorísticos,
“charges” e sátiras realizados a partir de trucagem, montagem ou outro recurso de áudio e vídeo,
como costumeiramente se realiza, não havendo nenhuma justificativa constitucional razoável para a
interrupção durante o período eleitoral.
Vale ressaltar que, posteriormente, é possível a responsabilização dos meios de comunicação e de
seus agentes por eventuais informações mentirosas, injuriosas, difamantes. O que não se pode é fazer
uma censura prévia.
São inconstitucionais quaisquer leis ou atos normativos tendentes a constranger ou inibir a liberdade
de expressão a partir de mecanismos de censura prévia.
STF. Plenário. ADI 4451/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 20 e 21/6/2018 (Info 907).

7.8. Recurso Contra a Expedição de Diploma

Compete ao TSE julgar RCED envolvendo Presidente ou Vice-Presidente da República.


O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é o órgão competente para julgar os Recursos Contra Expedição
de Diploma (RCED) nas eleições presidenciais e gerais (federais e estaduais).
STF. Plenário. ADPF 167/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 7/3/2018 (Info 893).

7.9. Título de Eleitor

Importante!!!
É válido o cancelamento do título do eleitor que não comparecer à revisão eleitoral.
É válido o cancelamento do título do eleitor que, convocado por edital, não comparecer ao processo
de revisão eleitoral, em virtude do que dispõe o art. 14, caput, e § 1º da CF/88.
ão válidos o art. 3º, § 4º, da Lei nº 7.444/85 e as Resoluções do TSE que preveem o cancelamento do
título dos eleitores que não comparecerem à revisão eleitoral.
STF. Plenário. ADPF 541 MC/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 26/9/2018 (Info 917)

7.10. Vacância de Cargos Políticos

Importante!!!
Constitucionalidade dos §§ 3º e 4º do art. 224 do Código Eleitoral.
A Lei nº 13.165/2015 (minirreforma eleitoral de 2015) inseriu os §§ 3º e 4º ao art. 224 do Código
Eleitoral.
O § 3º prevê que “a decisão da Justiça Eleitoral que importe o indeferimento do registro, a cassação
do diploma ou a perda do mandato de candidato eleito em pleito majoritário acarreta, após o trânsito
em julgado, a realização de novas eleições, independentemente do número de votos anulados.”
O STF declarou a inconstitucionalidade da expressão “após o trânsito em julgado” e decidiu que basta
a exigência de decisão final da Justiça Eleitoral. Assim, concluído o processo na Justiça Eleitoral (ex:
está pendente apenas recurso extraordinário), a nova eleição já pode ser realizada mesmo sem trânsito
em julgado.
O § 4º, por sua vez, determina que:

105
§ 4º A eleição a que se refere o § 3º correrá a expensas da Justiça Eleitoral e será:
I - indireta, se a vacância do cargo ocorrer a menos de seis meses do final do mandato;
II - direta, nos demais casos.
O STF afirmou que esse § 4º deveria receber uma interpretação conforme a Constituição, de modo a
afastar do seu âmbito de incidência as situações de vacância nos cargos de Presidente e Vice-
Presidente da República, bem como no de Senador da República.
Vale ressaltar que a regra do § 4º aplica-se aos cargos de Governador e Prefeito.
STF. Plenário. ADI 5525/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 7 e 8/3/2018 (Info 893).

Importante!!!
O § 3º do art. 224 do Código Eleitoral aplica-se também para eleições de Prefeitos de Municípios
com menos de 200 mil eleitores e para eleições de Senadores.
É constitucional legislação federal que estabeleça novas eleições para os cargos majoritários simples
— isto é, Prefeitos de Municípios com menos de duzentos mil eleitores e Senadores da República —
em casos de vacância por causas eleitorais.
Nas eleições para cargos majoritários simples não se exige 2º turno de votação.
Assim, o § 3º do art. 224 do CE deve sim ser aplicado mesmo em casos de eleições para Prefeitos de
Municípios com menos de 200 mil eleitores e para Senadores, cargos para os quais não se exige 2º
turno de votação.
STF. Plenário. ADI 5619/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 7 e 8/3/2018 (Info 893).

7.11. Voto Impresso

Importante!!!
Inconstitucionalidade do voto híbrido previsto no art. 59-A da Lei 9.504/97.
É inconstitucional a lei que determina que, na votação eletrônica, o registro de cada voto deverá ser
impresso e depositado, de forma automática e sem contato manual do eleitor, em local previamente
lacrado (art. 59-A da Lei 9.504/97, incluído pela Lei 13.165/2015).
Essa previsão acaba permitindo a identificação de quem votou, ou seja, permite a quebra do sigilo, e,
consequentemente, a diminuição da liberdade do voto, violando o art. 14 e o § 4º do art. 60 da
Constituição Federal.
Cabe ao legislador fazer a opção pelo voto impresso, eletrônico ou híbrido, visto que a CF/88 nada
dispõe a esse respeito, observadas, entretanto, as características do voto nela previstas.
O modelo híbrido trazido pelo art. 59-A constitui efetivo retrocesso aos avanços democráticos
conquistados pelo Brasil para garantir eleições realmente livres, em que as pessoas possam escolher
os candidatos que preferirem.
STF. Plenário. ADI 5889/DF, rel. orig. Min. Gilmar Mendes, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes,
julgado em 6/6/2018 (Info 905).

8. DIREITO FINANCEIRO
8.1. Orçamento Público

106
Cabimento de ADPF contra conjunto de decisões judiciais que determinaram a expropriação
de recursos do Estado-membro.
O Estado do Rio de Janeiro vive uma grave crise econômica, estando em débito com o pagamento de
fornecedores e atraso até mesmo no pagamento da remuneração dos servidores públicos. Os órgãos e
entidades também estão sem dinheiro para custear os serviços públicos.
Diante disso, diversas ações (individuais e coletivas) foram propostas, tanto na Justiça comum
estadual como também na Justiça do Trabalho, pedindo a realização desses pagamentos. Os órgãos
judiciais estavam acolhendo os pedidos e determinando a apreensão de valores nas contas do Estado
para a concretização dos pagamentos.
Neste cenário, o Governador do Estado ajuizou ADPF no STF com o objetivo de suspender os efeitos
de todas as decisões judiciais do TJRJ e do TRT da 1ª Região que tenham determinado o arresto, o
sequestro, o bloqueio, a penhora ou a liberação de valores das contas administradas pelo Estado do
Rio de Janeiro.
O STF afirmou que a ADPF é instrumento processual adequado para esse pedido e deferiu a medida
liminar.
O conjunto de decisões questionadas são atos típicos do Poder Público passíveis de impugnação por
meio de APDF.
STF. Plenário. ADPF 405 MC/RJ, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 14/6/2017 (Info 869).

LC federal deve fixar os valores mínimos a serem aplicados anualmente pela União, Estados,
Distrito Federal e Municípios em ações e serviços públicos de saúde, não podendo norma de
Constituição estadual ou lei orgânica prever esses percentuais.
A LC federal 141/2012 fixa os valores mínimos a serem aplicados anualmente pela União, Estados,
Distrito Federal e Municípios em ações e serviços públicos de saúde.
O art. 11 desta Lei estabelece que as Constituições dos Estados ou as Leis Orgânicas dos Municípios
podem fixar valores mais altos do que o previsto na LC 141/2012 de repasses em prol da saúde.
O STF julgou inconstitucional esse art. 11 da LC 141/2012 porque, segundo o art. 198, § 3º, I, da
CF/88, os percentuais mínimos que os Estados, DF e Municípios são obrigados a aplicar na saúde
devem estar previstos em lei complementar federal editada pelo Congresso Nacional, não podendo
isso ser delegado para os Estados/DF e Municípios.
Além disso, o STF afirmou que são inconstitucionais normas da Constituição Estadual que prevejam
percentuais de aplicação mínima na saúde em patamares diferentes daquele fixado pela Lei
complementar federal.
STF. Plenário. ADI 5897/SC, Rel. Min. Luz Fux, julgado em 24/4/2019 (Info 938).

9. DIREITO INTERNACIONAL
9.1. Exequatur

Possibilidade de concessão de exequatur por decisão monocrática do Ministro do STJ.


É possível a concessão de exequatur de carta rogatória, para fins de citação, por meio de decisão
monocrática de relator no STJ, posteriormente confirmada na Corte Especial, em homenagem aos
princípios da cooperação e da celeridade processual.

107
O STJ, com fundamento no art. 216-T de seu Regimento Interno, vem concedendo, por meio de
decisões monocráticas, exequatur a cartas rogatórias destinadas à citação em território brasileiro das
partes interessadas para que tomem conhecimento de ações que tramitam na Justiça rogante. O STF
entendeu que não há qualquer ilegalidade ou inconstitucionalidade nesta prática.
STF. 2ª Turma. RE 634595, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 3/4/2018 (Info 896).

9.2. Extradição

Procedimento simplificado no caso de o extraditando concordar com o pedido.


Em regra, o simples fato de o extraditando estar de acordo com o pedido extradicional e de declarar
que deseja retornar ao Estado requerente a fim de se submeter ao processo criminal naquele País não
exonera (não exime) o STF do dever de efetuar o controle da legalidade sobre a postulação formulada
pelo Estado requerente.
No entanto, é possível que ocorra uma peculiaridade. É possível que o tratado que rege a extradição
entre o Brasil e o Estado estrangeiro preveja um procedimento simplificado no caso de o extraditando
concordar com o pedido. É o caso, por exemplo, da “Convenção de Extradição entre os Estados
Membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa”. Este tratado internacional estabeleceu
regime simplificado de extradição, que autoriza a entrega imediata do extraditando às autoridades
competentes do Estado requerente, sempre que o súdito estrangeiro manifestar, de forma livre e de
modo voluntário e inequívoco, o seu desejo de ser extraditado. Nesta hipótese, a tarefa do STF será a
de homologar (ou não) a declaração do extraditando de que concorda com a extradição.
STF. 2ª Turma. Ext 1476/DF, rel. Min. Celso de Mello, julgado em 9/5/2017 (Info 864).

É possível extraditar estrangeiro mesmo que ele possua filho e mulher brasileiros.
Neste julgado o STF reafirmou a sua súmula 421 e extraditou um cidadão português mesmo ele
possuindo dois filhos brasileiros com uma companheira, também brasileira.
Súmula 421-STF: Não impede a extradição a circunstância de ser o extraditado casado com brasileira
ou ter filho brasileiro.
STF. 2ª Turma. Ext 1497/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 15/8/2017 (Info 873).

Extradição concedida mesmo com pedido instruído de forma deficiente.


Mesmo que o Estado requerente não junte cópia dos textos legais dos crimes que teriam sido
praticados pelo indivíduo, ainda assim é possível conceder a extradição caso a defesa não impugne o
descumprimento dessa formalidade e o extraditando manifeste concordância em ser prontamente
extraditado.
STF. 2ª Turma. Ext 1512/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 24/10/2017 (Info 883).

Desnecessidade de novo processo de extradição em caso de reingresso de extraditando foragido.


Em caso de reingresso de extraditando foragido, não é necessária nova decisão jurisdicional acerca
da entrega. No entanto, é indispensável que seja emitida uma ordem judicial determinando novamente
a entrega.
Ex: O Governo da Espanha pediu a extradição de seu nacional Miguel, que vivia no Brasil. O STF
deferiu a extradição em 2014. Ocorre que, em 2016, Miguel fugiu da Espanha e voltou para o Brasil,
tendo sido localizado e preso em 2017, em São Paulo. Quando soube da prisão, o Governo da Espanha

108
requereu nova entrega do indivíduo extraditado. Não será necessário novo processo de extradição,
bastando uma ordem do Ministro do STF determinando novamente a entrega.
STF. 2ª Turma. Ext 1225/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 21/11/2017 (Info 885).

Se a vítima do sequestro não foi encontrada, o prazo prescricional não começou a correr.
O crime de sequestro, por ser permanente, não prescreve enquanto não for encontrada a pessoa ou o
corpo.
Assim, se o Estado requerer a extradição de determinado indivíduo pelo crime de sequestro, se a
vítima ou o corpo nunca foi encontrado, não terá começado a correr o prazo prescricional.
STF. 1ª Turma. Ext 1270/DF, Rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso,
julgado em 12/12/2017 (Info 888).

Cabe pedido de extensão da extradição caso se descubra outro delito que tenha sido praticado
pelo extraditando antes da extradição e que não tenha sido mencionado no pedido original.
O estrangeiro que estava no Brasil e foi extraditado para outro país somente pode ser julgado ou
cumprir pena no estrangeiro pelo crime contido no pedido de extradição.
Se o extraditando havia cometido outro crime antes do pedido de extradição, não poderá, em regra,
responder por tais delitos se não constou expressamente no pedido de extradição. A isso se dá o nome
de “princípio da especialidade”.
Ex.: a Alemanha pediu ao Brasil a extradição do alemão mencionando o crime 1; logo, em regra, o
réu somente poderá responder por este delito; se havia um crime 2, praticado antes do pedido de
extradição, o governo brasileiro deveria ter mencionado expressamente não apenas o crime 1, como
também o 2.
Para que o réu responda pelo crime 2, o governo alemão deverá formular ao Estado estrangeiro um
pedido de extensão da autorização da extradição. Isso é chamado de “extradição supletiva”.
No caso concreto, o STF autorizou o pedido de extensão.
É possível o pedido de extensão ou de ampliação nas hipóteses em que já deferida a extradição, desde
que observadas as formalidades em respeito ao direito do súdito estrangeiro (dupla tipicidade,
inexistência de prescrição e demais requisitos).
STF. 1ª Turma. Ext 1363 Extn/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 4/12/2018 (Info 926).

Brasil deve negar a extradição se houver possibilidade concreta de o Estado requerente


condenar o extraditando a prisão perpétua ou a pena de morte.
Brasil deve negar a extradição se houver possibilidade concreta de o Estado requerente condenar o
extraditando a prisão perpétua ou a pena de morte, sanções que são expressamente proibidas pela
Constituição brasileira (art. 5º, XLVII).
Além disso, é possível negar a extradição se houver uma excessiva abertura dos tipos penais no Estado
requerente, o que viola o princípio da legalidade (art. 5º, XXXIX, da CF/88).
As hipóteses previstas na lei nas quais a extradição é proibida podem ser expandidas pela
jurisprudência para atender ao respeito a outros direitos fundamentais do extraditando.
STF. 2ª Turma. Ext 1428/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 7/5/2019 (Info 939).

Se o extraditando concordar com o pedido, a extradição poderá ser autorizada


monocraticamente pelo Ministro do STF em um procedimento simplificado.

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Se o extraditando manifestar expressamente, de modo livre e voluntário, com assistência técnico-
jurídica de seu advogado, concordância com o pedido de sua extradição, será possível que o Ministro
Relator do processo no STF autorize, monocraticamente, a extradição, desde que o extraditando não
tenha cometido crime no território nacional e se preenchidos os demais requisitos.
Quando o extraditando concorda com o pedido, é adotado um procedimento simplificado (mais
célere) no STF, sendo isso chamado de “extradição simplificada”, “entrega voluntária” ou “extradição
voluntária”.
Vale ressaltar que, mesmo com a declaração expressa do extraditando concordando com a extradição,
o Ministro do STF ainda realizará um controle de legalidade do pedido.
STF. 1ª Turma. Ext 1564/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 21/5/2019 (Info 941).
STF. 2ª Turma. Ext 1520, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 13/03/2018.

Importante!!!
Não se deve conceder a extradição se, na época do fato, a conduta imputada ao extraditando
não era punida como crime no Brasil.
Não se deve conceder a extradição se, na época do fato, a conduta imputada ao extraditando não era
punida como crime no Brasil, ainda que, no momento do pedido de extradição, já exista lei tipificando
como infração penal. Isso porque seria uma ofensa à irretroatividade da lei penal brasileira.
Ex: extraditando financiou grupo terrorista em 2013; ocorre que a Lei de Terrorismo somente foi
editada em 2016 (Lei nº 13.260/2016).
STF. 2ª Turma. Ext 1578/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 6/8/2019 (Info 946).

Não se deve conceder a extradição se a conduta do extraditando de financiar grupo terrorista


que pretendia tomar o poder caracteriza-se como crime político.
Não se deve conceder a extradição se a conduta do extraditando de financiar grupo terrorista que
pretendia tomar o poder caracteriza-se como crime político, tendo em vista a vedação prevista no art.
5º, LII, da CF/88.
STF. 2ª Turma. Ext 1578/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 6/8/2019 (Info 946).

Não se deve conceder a extradição se o país requerente vem enfrentando um quadro de


instabilidade política.
Não se deve conceder a extradição se o país requerente vem enfrentando um quadro de instabilidade
política, tendo ocorrido a demissão de juízes e a prisão de opositores do governo. Isso porque, neste
caso, haveria o risco de o extraditando ser submetido a um tribunal ou juízo de exceção (art. 82, VIII,
da Lei nº 13.445/2017).
STF. 2ª Turma. Ext 1578/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 6/8/2019 (Info 946).

10. DIREITO NOTORIAL E REGISTRAL


10.1. Concurso Público

Decisão do STF que cassou ato do CNJ que havia anulado o concurso de cartório do TJ/RJ.

110
CNJ anulou concurso público para cartório no RJ sob o argumento de que o Presidente da Comissão
do concurso possuía relacionamento pessoal com duas candidatas aprovadas que teriam sido
beneficiadas na correção das questões da prova subjetiva.
O STF cassou a decisão do CNJ sob três argumentos principais:
1) CNJ não poderia ter reavaliado os critérios de correção das provas adotados pela comissão;
2) Houve um aditamento no processo administrativo sem que as candidatas tenham tido a
oportunidade de se manifestar sobre ele;
3) Não ficou provado ter havido o alegado favorecimento das candidatas.
STF. 2ª Turma. MS 28775/DF, rel. orig. Min. Dias Toffoli, red. p/ o ac. Min. Ricardo Lewandowski,
julgado em 17/10/2017 (Info 882).

10.2. Juiz de Paz e Remuneração

Modulação dos efeitos em ADI que julgou inconstitucional lei estadual que destinava custas da
habilitação do casamento para os juízes de paz.
Em 1990, o Estado de Minas Gerais editou uma lei, de iniciativa do Governador, determinando que
as custas cobradas nos processos de habilitação de casamento fossem destinadas ao juiz de paz.
Em 2011, o STF julgou essa lei inconstitucional por violar a iniciativa privativa do art. 96, II, “b” e a
vedação contida no art. 95, parágrafo único, II, da CF/88.
Em 2018, estes embargos foram julgados e parcialmente acolhidos.
O STF decidiu que o referido acórdão embargado só produz efeitos a partir de 26 de maio de 2011,
data em que foi publicado no Diário de Justiça.
Assim, a declaração de inconstitucionalidade não afeta as situações em que os juízes de paz tenham
exercido suas atribuições até 26/05/2011. Dito de outra forma, os valores que eles receberam até esta
data foram considerados legítimos.
STF. Plenário. ADI 954 ED/MG, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 20/6/2018 (Info 907).

10.3. Permuta e Reclamação

Candidata aprovada no concurso e que havia escolhido a serventia possui legitimidade para
ajuizar reclamação no STF contra decisão de 1ª instância que afirma que essa serventia não
está vaga, sendo que esse tema já havia sido decidido pelo STF em mandado de segurança.
O CNJ determinou a vacância de uma serventia extrajudicial por violação à regra do concurso público.
O titular da serventia impetrou mandado de segurança no STF questionando o ato do Conselho, tendo
o writ sido julgado improcedente, com trânsito em julgado.
Foi aberto concurso público e determinada candidata aprovada escolheu essa serventia para
investidura.
Ocorre que o antigo titular ajuizou ação declaratória, em 1ª instância, para excluir o oferecimento
desta serventia, tendo o magistrado julgado o pedido procedente para o fim de excluir esse cartório
da lista de serventias vagas e disponíveis aos aprovados no concurso.
Essa candidata aprovada tem legitimidade para questionar essa decisão de 1ª instância mediante
reclamação no STF, considerando que é terceira interessada.
Quanto ao mérito, essa decisão de 1ª instância violou aquilo que o STF decidiu.

111
Ao apreciar o MS, o STF entendeu ser ilícita a remoção por permuta sem concurso público e afirmou
a validade da determinação de vacância exarada pelo CNJ.
Na ação declaratória, o pleito principal deduz não ser possível considerar vago o cartório em questão
para fins de ser preenchido.
Assim, pretende-se burlar aquilo que já foi pacificado pelo STF.
A discussão sobre o mesmo objeto não pode ser levada para as vias ordinárias após o STF ter decidido
o mandado de segurança. Portanto, não é possível a manutenção do ato reclamado, que permitiu a
permanência do autor na serventia extrajudicial.
STF. 1ª Turma. Rcl 31937 AgR/ES, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 13/8/2019 (Info
947).

10.4. Regime Jurídico

Os substitutos interinos dos cartórios extrajudiciais devem receber limitado ao teto do


funcionalismo público (art. 37, XI, da CF/88).
Incide o teto remuneratório constitucional aos substitutos interinos de serventias extrajudiciais.
STF. 2ª Turma. MS 29.039/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 13/11/2018 (Info 923).

10.5. Registro Civil

RCNP pode realizar outros serviços remunerados fora aqueles já previstos na Lei de Registros
Públicos, desde que estejam relacionados com as atividades registrais e o convênio que autoriza
essa prática deve ser fiscalizado pelos órgãos correicionais do Poder Judiciário.
A Lei nº 13.484/2017 inseriu os §§ 3º e 4º ao art. 29 da Lei dos Registros Públicos prevendo o
seguinte:
§ 3º Os ofícios do registro civil das pessoas naturais são considerados ofícios da cidadania e estão
autorizados a prestar outros serviços remunerados, na forma prevista em convênio, em
credenciamento ou em matrícula com órgãos públicos e entidades interessadas.
§ 4º O convênio referido no § 3º deste artigo independe de homologação e será firmado pela entidade
de classe dos registradores civis de pessoas naturais de mesma abrangência territorial do órgão ou da
entidade interessada.
Ao julgar uma ADI proposta contra esses dois dispositivos, o STF decidiu:
 Conceder interpretação conforme a Constituição Federal ao § 3º do art. 29 para dizer que os
“outros serviços remunerados” devem, obrigatoriamente, ter alguma relação com o exercício
das atividades registrais do RCNP. Vale ressaltar, portanto, que a ampliação das competências
do RCPN foi uma inovação constitucional. No entanto, esses novos serviços devem ter relação
com as atividades do RCPN previstas na Lei de Registros Públicos;
 Declarar a nulidade parcial, com redução de texto, da expressão “independe de homologação”
constante do § 4º do mesmo art. 29. A fiscalização prévia e posterior dos convênios pelo Poder
Judiciário é uma exigência constitucional e não pode ser suprimida pela lei.
STF. Plenário. ADI 5855 MC-REF/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 10/4/2019 (Info
937).

112
10.6. Responsabilidade Civil

Importante!!!
O Estado responde, objetivamente, pelos danos causados por notários e registradores.
O Estado responde, objetivamente, pelos atos dos tabeliães e registradores oficiais que, no exercício
de suas funções, causem dano a terceiros, assentado o dever de regresso contra o responsável, nos
casos de dolo ou culpa, sob pena de improbidade administrativa.
O Estado possui responsabilidade civil direta, primária e objetiva pelos danos que notários e oficiais
de registro, no exercício de serviço público por delegação, causem a terceiros.
STF. Plenário. RE 842846/RJ, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 27/2/2019 (repercussão geral) (Info
932).

11. DIREITO PENAL


11.1. Atividade Clandestina de Telecomunicações

Importante!!!
Transmitir sinal de internet como provedor sem autorização da ANATEL configura o crime do
art. 183 da Lei nº 9.472/97?
A conduta de transmitir sinal de internet, via rádio, como se fosse um provedor de internet, sem
autorização da ANATEL, configura o crime do art. 183 da Lei nº 9.472/97?
STJ: SIM. A transmissão clandestina de sinal de internet, via radiofrequência, sem autorização da
ANATEL, caracteriza, em tese, o delito previsto no art. 183 da Lei nº 9.472/97. Nesse sentido: STJ.
5ª Turma. AgRg no AREsp 1077499/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em
26/09/2017.
STF: NÃO. A oferta de serviço de internet é concebida como serviço de valor adicionado e, portanto,
não pode ser considerada como atividade clandestina de telecomunicações, não caracterizando o
crime do art. 183 da Lei nº 9.472/97. Foi o que decidiu a 1ª Turma do STF no HC 127978, Rel. Min.
Marco Aurélio, julgado em 24/10/2017 (Info 883).
STF. 1ª Turma. HC 127978, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 24/10/2017 (Info 883).

11.2. Calúnia Eleitoral

Para configurar o delito de calúnia eleitoral, é necessária a comprovação da lesividade da


conduta e, se o suposto atingido afirma não ter se ofendido, não há prova da materialidade.
O comitê de campanha do candidato Ronaldo foi arrombado e de lá furtados dois computadores.
Em entrevista concedida a um jornal, Ronaldo teria afirmado que o maior suspeito do crime era o
governo.
Em razão das declarações, o Ministério Público eleitoral ofereceu denúncia contra Ronaldo pela
prática de calúnia eleitoral (art. 324 do CE), figurando como suposta vítima Teotônio, Governador e
candidato a reeleição.
O réu se defendeu alegando que apenas emitiu opinião sobre o ocorrido e que não citou o nome do
Governador.

113
Vale ressaltar que Teotônio (suposta vítima) afirmou que não se sentiu pessoalmente ofendido.
Diante disso, o STF absolveu o réu afirmando que, para configurar o delito de calúnia é necessária a
comprovação da lesividade da conduta e que, como o suposto atingido afirma não ter se ofendido
com as declarações, não há prova da materialidade da conduta delituosa.
STF. Plenário. AP 929 ED-2º julg-EI/AL, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 17/10/2018 (Info 920).

11.3. Código de Trânsito

Importante!!!
O art. 305 do CTB é constitucional e não viola o princípio da não autoincriminação.
A regra que prevê o crime do art. 305 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) é constitucional, posto
não infirmar o princípio da não incriminação, garantido o direito ao silêncio e ressalvadas as hipóteses
de exclusão da tipicidade e da antijuridicidade.
STF. Plenário. RE 971.959/RS, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 14/11/2018 (repercussão geral) (Info
923).

11.4. Confisco de Bens

O confisco de bens apreendidos em decorrência do tráfico pode ocorrer ainda que o bem não
fosse utilizado de forma habitual e mesmo que ele não tenha sido alterado.
É possível o confisco de todo e qualquer bem de valor econômico apreendido em decorrência do
tráfico de drogas, sem a necessidade de se perquirir a habitualidade, reiteração do uso do bem para
tal finalidade, a sua modificação para dificultar a descoberta do local do acondicionamento da droga
ou qualquer outro requisito além daqueles previstos expressamente no art. 243, parágrafo único, da
Constituição Federal.
STF. Plenário. RE 638491/PR, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 17/5/2017 (repercussão geral) (Info
865).

11.5. Continuidade Delitiva

Inexistência de continuidade delitiva entre roubo e extorsão.


Não há continuidade delitiva entre os crimes de roubo e extorsão, ainda que praticados em conjunto.
Isso porque, os referidos crimes, apesar de serem da mesma natureza, são de espécies diversas.
STJ. 5ª Turma. HC 435.792/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 24/05/2018.
STF. 1ª Turma. HC 114667/SP, rel. org. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso,
julgado em 24/4/2018 (Info 899).
Não há como reconhecer a continuidade delitiva entre os crimes de roubo e o de latrocínio porquanto
são delitos de espécies diversas, já que tutelam bens jurídicos diferentes.
STJ. 5ª Turma. AgInt no AREsp 908.786/PB, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 06/12/2016.

11.6. Contrabando

Importante!!!

114
A importação de arma de pressão por ação de gás comprimido, ainda que de calibre inferior a
6 mm, configura o crime de contrabando, sendo inaplicável o princípio da insignificância.
Configura CONTRABANDO (e não descaminho) a conduta de importar, à margem da disciplina
legal, arma de pressão por ação de gás comprimido ou por ação de mola.
A importação de arma de pressão está sujeita à autorização prévia da Diretoria de Fiscalização de
Produtos Controlados do Exército Brasileiro e só pode ser feita por colecionadores, atiradores e
caçadores registrados no Exército. Além disso, deve se submeter às normas de desembaraço
alfandegário previstas no Regulamento para a Fiscalização de Produtos Controlados.
Logo, trata-se de mercadoria de proibição relativa, sendo a sua importação fiscalizada não apenas por
questões de ordem tributária, mas outros interesses ligados à segurança pública.
Não é possível aplicar o princípio da insignificância mesmo que a arma de ar comprimido importada
seja de calibre inferior a 6 mm, já que este postulado é incabível para contrabando.
STJ. 5ª Turma. REsp 1428628/RS, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 28/04/2015.
STJ. 6ª Turma. REsp 1.427.796-RS, Rel. Min. Maria Thereza De Assis Moura, julgado em
14/10/2014 (Info 551).
STF. 2ª Turma. HC 131943/RS, Rel. Min. Gilmar Mendes, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin, julgado
em 7/5/2019 (Info 939).

11.7. Corrupção Passiva

Importante!!!
Pratica corrupção passiva o Deputado que concede apoio político à permanência de Diretor da
Petrobrás em troca do recebimento de propina.
Determinado Deputado Federal integrava a cúpula de um partido de sustentação do governo federal.
Como importante figura partidária, ele exercia pressão política junto à Presidência da República a fim
de que Paulo Roberto Costa fosse mantido como Diretor de Abastecimento da Petrobrás.
Como “contraprestação” por esse apoio, o Deputado recebia dinheiro do referido Diretor, quantia
essa oriunda de contratos ilegais celebrados pela Petrobrás.
O STF entendeu que esta conduta se enquadra no crime de corrupção passiva (art. 317 do CP).
Obs: foi a primeira condenação do STF envolvendo a chamada “operação Lava Jato”.
STF. 2ª Turma. AP 996/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 29/5/2018 (Info 904).

11.8. Crimes Contra a Administração Pública.

Receber propina sob o disfarce de doações eleitorais oficiais e tipificação penal.


Determinado Senador solicitou e recebeu de uma construtora R$ 500 mil, valor destinado à sua
campanha política. A quantia foi repassada pela construtora não diretamente ao Senador, mas sim ao
partido político, como se fossem doações eleitorais oficiais. Ao pedir o valor, o Senador teria se
comprometido com a construtora a manter João como Diretor da Petrobrás.
Isso era de interesse da construtora porque João, em nome da estatal, celebrava contratos fraudulentos
com a empresa. O Senador foi reeleito e, com sua influência decorrente do cargo, conseguiu manter
João na Diretoria.
Em um juízo preliminar, para fins de recebimento da denúncia, o STF entendeu que a conduta do
Senador, em tese, configura a prática dos seguintes crimes:

115
 Corrupção passiva (art. 317, caput e § 1º, do CP);
 Lavagem de dinheiro (art. 1º, caput, da Lei nº 9.613/98).
STF. 2ª Turma. Inq 3982/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 7/3/2017 (Info 856).

11.9. Crimes Contra a Dignidade Sexual

Bisavô é considerado ascendente para os fins da causa de aumento do art. 226, II, do CP.
No caso de crimes contra a liberdade sexual (arts. 213 a 216-A) e crimes sexuais contra vulnerável
(arts. 217-A a 218-B), se o autor do delito for ascendente da vítima, a pena deverá ser aumentada de
metade (art. 226, II, do CP).
O bisavô está incluído dentro dessa expressão “ascendente”.
O bisavô está no terceiro grau da linha reta e não há nenhuma regra de limitação quanto ao número
de gerações.
Assim, se o bisavô pratica estupro de vulnerável contra sua bisneta, deverá incidir a causa de aumento
de pena prevista no art. 226, II, do CP.
STF. 2ª Turma. RHC 138717/PR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 23/5/2017 (Info 866).

Importante!!!
Em caso de estupro praticado mediante violência real, a ação penal é pública incondicionada.
A Súmula 608 do STF permanece válida mesmo após o advento da Lei nº 12.015/2009.
Assim, em caso de estupro praticado mediante violência real, a ação penal é pública incondicionada
mesmo após a Lei nº 12.015/2009.
STF. 1ª Turma. HC 125360/RJ, rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes,
julgado em 27/2/2018 (Info 892).

Importante!!!
Legitimidade ativa do Ministério Público e crime de estupro sem lesão corporal.
A Súmula 608 do STF prevê que “no crime de estupro, praticado mediante violência real, a ação
penal é pública incondicionada.”
O entendimento dessa súmula pode ser aplicado independentemente da existência da ocorrência de
lesões corporais nas vítimas de estupro. A violência real se caracteriza não apenas nas situações em
que se verificam lesões corporais, mas sempre que é empregada força física contra a vítima,
cerceando-lhe a liberdade de agir segundo a sua vontade.
Assim, se os atos foram praticados sob grave ameaça, com imobilização de vítimas, uso de força
física e, em alguns casos, com mulheres sedadas, trata-se de crime de estupro que se enquadra na
Súmula 608 do STF e que, portanto, a ação é pública incondicionada.
STF. 2ª Turma. RHC 117978, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 05/06/2018 (Info 905).
A Súmula 608 do STF permanece válida mesmo após o advento da Lei nº 12.015/2009.
Assim, em caso de estupro praticado mediante violência real, a ação penal é pública incondicionada
mesmo após a Lei nº 12.015/2009.
STF. 1ª Turma. HC 125360/RJ, rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes,
julgado em 27/2/2018 (Info 892).

116
11.10. Crimes Contra a Ordem Tributária

Não se pode invocar a teoria do domínio do fato, pura e simplesmente, sem nenhuma outra
prova.
O diretor-geral da empresa de telefonia Vivo foi denunciado pelo fato de que na filial que funciona
no Estado de Pernambuco teriam sido inseridos elementos inexatos em livros fiscais. Diante disso, o
Ministério Público denunciou o referido diretor pela prática de crime contra a ordem tributária (art.
1º, II, da Lei nº 8.137/90).
A denúncia aponta que, na condição de diretor da empresa, o acusado teria domínio do fato, o poder
de determinar, de decidir, e de fazer com que seus empregados contratados executassem o ato, sendo
responsável pelo delito.
O STF determinou o trancamento da ação penal afirmando que não se pode invocar a teoria do
domínio do fato, pura e simplesmente, sem nenhuma outra prova, citando de forma genérica o diretor
estatutário da empresa para lhe imputar um crime fiscal que teria sido supostamente praticado na filial
de um Estado-membro onde ele nem trabalha de forma fixa.
Em matéria de crimes societários, a denúncia deve apresentar, suficiente e adequadamente, a conduta
atribuível a cada um dos agentes, de modo a possibilitar a identificação do papel desempenhado pelos
denunciados na estrutura jurídico-administrativa da empresa.
Não se pode fazer uma acusação baseada apenas no cargo ocupado pelo réu na empresa
STF. 2ª Turma. HC 136250/PE, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 23/5/2017 (Info 866).

Importante!!!
Causa de aumento do art. 12, I, da Lei nº 8.137/90.
O art. 12, I, da Lei nº 8.137/90 prevê que a pena do crime de sonegação fiscal (art. 1º, I, da Lei nº
8.137/90) deverá ser aumentada no caso de o delito “ocasionar grave dano à coletividade”.
A jurisprudência entende que se configura a referida causa de aumento quando o agente deixa de
recolher aos cofres públicos uma vultosa quantia. Em outras palavras, se o valor sonegado foi alto,
incide a causa de aumento do art. 12, I.
A Portaria nº 320, editada pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, prevê que os contribuintes
que estão devendo acima de R$ 10 milhões são considerados “grandes devedores” e devem receber
tratamento prioritário na atuação dos Procuradores.
Diante disso, surgiu uma tese defensiva dizendo que somente as dívidas acima de R$ 10 milhões
poderiam ser consideradas de grande porte, justificando a incidência da causa de aumento do art. 12,
I.
Essa tese não foi acolhida pelo STF e STJ.
Não é razoável dizer que somente deverá incidir a causa de aumento de pena do art. 12, I, se o valor
dos tributos sonegados for superior a R$ 10 milhões, previsto no art. 2º da Portaria nº 320/PGFN. Isso
porque este dispositivo define "quantia vultosa" para fins internos de acompanhamento prioritário
pela Fazenda Nacional dos processos de cobrança, não limitando ou definindo o que seja grave dano
à coletividade.
STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1274989/RS, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 19/08/2014.
STF. 2ª Turma. HC 129284/PE, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 17/10/2017 (Info 882).

117
Importante!!!
O prazo da prescrição da pretensão punitiva fica suspenso durante o parcelamento do débito
tributário.
O que acontece se o réu de um crime contra a ordem tributária aderir ao parcelamento da dívida?
Haverá a suspensão do processo penal. Nos crimes contra a ordem tributária, quando o agente ingressa
no regime de parcelamento dos débitos tributários, fica suspensa a pretensão punitiva penal do Estado
(o processo criminal fica suspenso).
Durante o parcelamento o que ocorre com o prazo prescricional?
Também fica suspenso. O prazo prescricional não corre enquanto estiverem sendo cumpridas as
condições do parcelamento do débito fiscal. É o que prevê o art. 9º, § 1º da Lei nº 10.684/2003.
Se, ao final, o réu pagar integralmente os débitos, haverá a extinção da punibilidade.
STF. 2ª Turma. ARE 1037087 AgR/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 14/8/2018 (Info 911).

11.11. Crimes da Lei de Licitações

O crime do art. 89 da Lei 8.666/93 exige dano ao erário? Critérios para verificação judicial da
viabilidade da denúncia pelo art. 89.
O crime do art. 89 da Lei 8.666/93 exige resultado danoso (dano ao erário) para se consumar?
1ª corrente: SIM. Posição do STJ e da 2ª Turma do STF.
2ª corrente: NÃO. Entendimento da 1ª Turma do STF.
O objetivo do art. 89 não é punir o administrador público despreparado, inábil, mas sim o desonesto,
que tinha a intenção de causar dano ao erário ou obter vantagem indevida. Por essa razão, é necessário
sempre analisar se a conduta do agente foi apenas um ilícito civil e administrativo ou se chegou a
configurar realmente crime.
Deverão ser analisados três critérios para se verificar se o ilícito administrativo configurou também
o crime do art. 89:
1º) existência ou não de parecer jurídico autorizando a dispensa ou a inexigibilidade. A existência de
parecer jurídico é um indicativo da ausência de dolo do agente, salvo se houver circunstâncias que
demonstrem o contrário.
2º) a denúncia deverá indicar a existência de especial finalidade do agente de lesar o erário ou de
promover enriquecimento ilícito.
3º) a denúncia deverá descrever o vínculo subjetivo entre os agentes.
STF. 1ª Turma. Inq 3674/RJ, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 7/3/2017 (Info 856).

Administrador que contrata empresa para reforma de ginásio sem situação de emergência e
que depois faz aditivo para ampliar o objeto pratica, em tese, os delitos dos arts. 89 e 92.
Determinado Deputado Federal, na época em que era Secretário de Estado, contratou, sem licitação,
empresa para a realização de obras emergenciais em um ginásio. Depois de o contrato estar assinado,
o Secretário celebrou termo aditivo com a empresa para que ela fizesse a demolição e reconstrução
das instalações do ginásio.
O parlamentar foi denunciado pelos crimes dos arts. 89 e 92 da Lei nº 8.666/93.
Algumas conclusões do STF no momento do recebimento da denúncia:
1) A declaração de emergência feita por Governador do Estado, por si só, não caracteriza situação
que justifique a dispensa de licitação;
118
2) O crime do art. 89 da Lei de Licitações não é inconstitucional nem viola o princípio da
proporcionalidade;
3) O aditamento realizado descaracterizou o contrato original e, portanto, configura, em tese, a prática
do art. 92;
4) O fato de a dispensa de licitação e de o aditamento do contrato terem sido precedidos de parecer
jurídico não é bastante para afastar o dolo caso outros elementos externos indiciem a possibilidade de
desvio de finalidade ou de conluio entre o gestor e o responsável pelo parecer.
STF. 1ª Turma. Inq 3621/MA, rel. orig. Min. Rosa Weber, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes,
julgado em 28/3/2017 (Info 859).

Se o sotfware adquirido sem licitação tinha mais especificações do que os das concorrentes e
era mais adequado ao seu objeto, não há o crime do art. 89.
Determinado Secretário de Educação fez contratação direta, com inexigibilidade de licitação, com a
empresa "X", por meio da qual adquiriu mil licenças de uso do software "XX" para organizar os
horários e grades escolares da rede de ensino estadual, no valor total de R$ 1 milhão.
O Ministério Público denunciou o Secretário pela prática do crime do art. 89 da Lei nº 8.666/93
argumentando que outras empresas ofereciam softwares diferentes, mas com as mesmas
funcionalidades, por preço menor. Dessa forma, o Parquet alegou que seria possível sim a
concorrência entre as empresas, não sendo caso de inexigibilidade de licitação.
O STF entendeu que não houve crime.
O laudo pericial constatou que o “software” da empresa escolhida tinha mais especificações do que
os das concorrentes e era mais adequado ao seu objeto.
O STF afirmou também que não há nos autos prova de conluio com a empresa escolhida e de
recebimento de qualquer vantagem econômica pelo então Secretário.
Por fim, asseverou que o crime previsto no art. 89 da Lei nº 8.666/1993 exige o dolo, consubstanciado
na vontade livre e consciente de praticar o ilícito penal, que não se faz presente quando o acusado
atua com fulcro em parecer da Procuradoria Jurídica no sentido da inexigibilidade da licitação.
STF. 1ª Turma. Inq 3753/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 18/4/2017 (Info 861).

Importante!!!
Elemento subjetivo.
Para a configuração da tipicidade subjetiva do crime previsto no art. 89 da Lei 8.666/93, exige-se o
especial fim de agir, consistente na intenção específica de lesar o erário ou obter vantagem indevida.
STF. 1ª Turma. Inq 3962/DF, Rel. Min Rosa Weber, julgado em 20/2/2018 (Info 891).

Exige-se descumprimento de formalidades mais violação aos princípios da Administração


Pública.
O tipo penal previsto no art. 89 não criminaliza o mero fato de o administrador público ter
descumprido formalidades. Para que haja o crime, é necessário que, além do descumprimento das
formalidades, também se verifique que ocorreu, no caso concreto, a violação de princípios cardeais
(fundamentais) da Administração Pública.
Se houve apenas irregularidades pontuais relacionadas com a burocracia estatal, isso não deve, por si
só, gerar a criminalização da conduta.

119
Assim, para que ocorra o crime, é necessária uma ofensa ao bem jurídico tutelado, que é o
procedimento licitatório. Sem isso, não há tipicidade material.
STF. 1ª Turma. Inq 3962/DF, Rel. Min Rosa Weber, julgado em 20/2/2018 (Info 891).

Decisão amparada em pareceres técnicos e jurídicos.


Não haverá crime se a decisão do administrador de deixar de instaurar licitação para a contratação de
determinado serviço foi amparada por argumentos previstos em pareceres (técnicos e jurídicos) que
atenderam aos requisitos legais, fornecendo justificativas plausíveis sobre a escolha do executante e
do preço cobrado e não houver indícios de conluio entre o gestor e os pareceristas com o objetivo de
fraudar o procedimento de contratação direta.
STF. 1ª Turma. Inq 3962/DF, Rel. Min Rosa Weber, julgado em 20/2/2018 (Info 891).

Ausência do crime do art. 89 em conduta de Secretário de Estado que compra, sem licitação,
livros didáticos escolhidos por equipe técnica, de fornecedor exclusivo, sem sobrepreço.
Não comete o crime do art. 89 da Lei nº 8.666/93 Secretária de Educação que faz contratação direta,
com base em inexigibilidade de licitação (art. 25, I), de livros didáticos para a rede pública de ensino,
livros esses que foram escolhidos por equipe técnica formada por pedagogos, sem a sua interferência.
Vale ressaltar que havia comprovação, por meio de carta de exclusividade emitida por entidade do
setor, de que a empresa contratada era a única fornecedora dos livros na região.
Além disso, não houve demonstração de sobrepreço.
Diante dessas circunstâncias, o STF absolveu a ré por ausência de “dolo específico” (elemento
subjetivo especial).
STF. Plenário. AP 946/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 30/8/2018 (Info 913).

11.12. Crimes de Responsabilidade dos Prefeitos

Prefeito que utiliza dinheiro destinado a um programa de saúde para pagamento de dívidas da
Secretaria de Saúde com a previdência municipal pratica o crime do art. 1º, III, do DL 201/67.
Configura o crime do art. 1º, III, do DL 201/67, a conduta do Prefeito que utiliza verbas oriundas do
Fundo Nacional de Saúde (vinculadas a determinado programa de saúde) para o pagamento de débitos
da Secretaria Municipal de Saúde junto ao instituto de previdência do Município.
O delito previsto no art. 1º, III, do DL 201/1967 consiste em o administrador público aplicar verba
pública em destinação diversa da prevista em lei. Não se trata, portanto, de desviar em proveito
próprio.
Para a configuração deste crime, é irrelevante verificar se houve, ou não, efetivo prejuízo para a
Administração Pública.
STF. 1ª Turma. AP 984/AP, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 11/6/2019 (Info 944).

11.13. Crime Eleitoral

Candidato que omite, na prestação de contas, recursos utilizados em sua campanha eleitoral.
Candidato que omite, na prestação de contas apresentada à Justiça Eleitoral, recursos utilizados em
sua campanha eleitoral, pratica o crime do art. 350 do Código Eleitoral. Vale ressaltar que o delito de
falsidade ideológica é crime formal. Não exige, portanto, o recolhimento do material não declarado.

120
Caso concreto: Paulo era candidato a Deputado Federal. A empresa de Paulo pagou R$ 168 mil de
materiais gráficos para a campanha, mas o candidato não declarou tais despesas na prestação de contas
apresentada à Justiça Eleitoral.
STF. 1ª Turma. AP 968/SP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 22/5/2018 (Info 903).

11.14. Crimes Funcionais

Importante!!!
Diretor de organização social é considerado funcionário público por equiparação para fins
penais.
O diretor de organização social pode ser considerado funcionário público por equiparação para fins
penais (art. 327, § 1º do CP). Isso porque as organizações sociais que celebram contratos de gestão
com o Poder Público devem ser consideradas “entidades paraestatais”, nos termos do art. 327, § 1º
do CP.
STF. 1ª Turma. HC 138484/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 11/9/2018 (Info 915).

11.15. Crimes Hediondos

Com a revogação do art. 224 do CP pela Lei 12.015/2009, há de ser redimensionada a pena
aplicada ao condenado, subtraindo-lhe o acréscimo sofrido em razão do aumento da pena
previsto no art. 9º da Lei nº 8.072/90, que foi tacitamente revogado.
A causa de aumento prevista no art. 9º da Lei de Crimes Hediondos foi tacitamente revogada pela Lei
nº 12.015/2009, considerando que esta Lei revogou o art. 224 do CP, que era mencionado pelo
referido art. 9º.
Se um indivíduo foi condenado, antes da Lei nº 12.015/2009, pela prática de estupro contra menor de
14 anos com a incidência da causa de aumento do art. 9º da Lei de Crimes Hediondos, esta majorante
deverá ser retirada de sua condenação por força da novatio legis in mellius (art. 2º, parágrafo único,
do CP).
Diante da revogação do art. 224 do CP pela Lei nº 12.015/2009, ainda que o fato delituoso seja
anterior a esta alteração, é o caso de se decotar da pena do condenado o acréscimo baseado no art. 9º
da Lei nº 8.072/90.
STF. Plenário. HC 100181/RS, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes,
julgado em 15/8/2019 (Info 947).

11.16. Crimes Políticos

Para a configuração do crime político exige-se o preenchimento de requisitos objetivo e


subjetivo.
O réu ingressou clandestinamente em uma Usina Hidrelétrica e alterou a posição da chave da bomba
de alta pressão de óleo.
O MPF denunciou o agente pela prática do delito de sabotagem, previsto no art. 15 d Lei de Segurança
Nacional (Lei nº 7.170/83), que consiste em crime político.
O STF entendeu que não houve crime político considerando que:

121
 não houve lesão real ou potencial a um dos bens jurídicos listados no art. 1º da Lei nº 7.170/83
(requisito objetivo); e
 o agente não tinha motivação política (requisito subjetivo).
Além disso, o Tribunal entendeu que se tratava de crime impossível, considerando que essa alteração
da posição da chave não tinha condão de provocar qualquer embaraço ao funcionamento da Usina.
STF. 1ª Turma. RC 1473/SP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 14/11/2017 (Info 885).

11.17. Desacato

Importante!!!
Desacato continua sendo crime.
O crime de desacato é compatível com a Constituição Federal e com o Pacto de São José da Costa
Rica.
A figura penal do desacato não tolhe o direito à liberdade de expressão, não retirando da cidadania o
direito à livre manifestação, desde que exercida nos limites de marcos civilizatórios bem definidos,
punindo-se os excessos.
STF. 2ª Turma. HC 141949/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 13/3/2018 (Info 894).
Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela continua a ser crime,
conforme previsto no art. 331 do Código Penal.
STJ. 3ª Seção. HC 379.269-MS, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Rel. para acórdão Min.
Antônio Saldanha Palheiro, julgado em 24/5/2017 (Info 607).

11.18. Descaminho

Descaminho é crime formal.


O descaminho é crime tributário FORMAL. Logo, para que seja proposta ação penal por descaminho
não é necessária a prévia constituição definitiva do crédito tributário.
Não se aplica a Súmula Vinculante 24 do STF.
O crime se consuma com a simples conduta de iludir o Estado quanto ao pagamento dos tributos
devidos quando da importação ou exportação de mercadorias.
STJ. 6ª Turma. REsp 1.343.463-BA, Rel. para acórdão Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em
20/3/2014 (Info 548).
STF. 2ª Turma. HC 122325, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 27/05/2014.
É dispensada a existência de procedimento administrativo fiscal com a posterior constituição do
crédito tributário para a configuração do crime de descaminho (art. 334 do CP), tendo em conta sua
natureza formal.
STF. 1ª Turma. HC 121798/BA, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 29/5/2018 (Info 904).

11.19. Difamação

Difamação pode ser praticada mediante a publicação de vídeo no qual o discurso da vítima seja
editado.

122
Configura, em tese, difamação a conduta do agente que publica vídeo de um discurso no qual a frase
completa do orador é editada, transmitindo a falsa ideia de que ele estava falando mal de negros e
pobres.
A edição de um vídeo ou áudio tem como objetivo guiar o espectador e, quando feita com o objetivo
de difamar a honra de uma pessoa, configura dolo da prática criminosa.
Vale ressaltar que esta conduta do agente, ainda que praticada por Deputado Federal, não estará
protegida pela imunidade parlamentar.
STF. 1ª Turma. Pet 5705/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 5/9/2017 (Info 876).

11.20. Dosimetria da Pena

Correto conceito de culpabilidade, princípio da não-culpabilidade e vedação ao bis in idem.


Determinado réu foi condenado por furto qualificado por rompimento de obstáculo (art. 155, § 4º, I,
do CP).
O STF considerou incorreta a sentença do juiz que, na 1ª fase da dosimetria da pena, aumentou a
pena-base com fundamento em três argumentos:
a) Culpabilidade. O magistrado afirmou que era patente a culpabilidade do réu considerando que ele
tinha plena consciência da ilicitude de seu ato.
O juiz confundiu os conceitos. Para fins de dosimetria da pena, culpabilidade consiste na reprovação
social que o crime e o autor do fato merecem. Essa culpabilidade de que trata o art. 59 do CP não tem
nada a ver com a culpabilidade como requisito do crime (imputabilidade, potencial consciência da
ilicitude do fato e inexigibilidade de conduta diversa).
b) Antecedentes. O juiz aumentou a pena pelo fato de o agente já responder a quatro outros processos
criminais.
A jurisprudência entende que, em face do princípio da presunção de não culpabilidade, os inquéritos
policiais e ações penais em curso não podem ser considerados maus antecedentes (Súmula 444-STJ
e STF RE 591054/SC).
c) Circunstâncias do crime. O julgador considerou que as circunstâncias do crime eram negativas
porque o crime foi praticado com rompimento de obstáculo à subtração da coisa.
Aqui, o erro do magistrado foi utilizar como circunstância judicial (1ª fase da dosimetria) um
elemento que ele já considerou como qualificadora (inciso I do § 4º do art. 155). Houve, portanto, bis
in idem (dupla punição pelo mesmo fato).
STF. 2ª Turma. HC 122940/PI, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 13/12/2016 (Info 851).

11.21. Falsidade Ideológica

Necessidade de prova de que o Prefeito que assinou documentos do Município tinha ciência
inequívoca de que a declaração era falsa.
Prefeito que assina documentos previdenciários com conteúdo parcialmente falso não deve ser
condenado por falsidade ideológica se não foram produzidas provas de que ele tinha ciência
inequívoca do conteúdo inverídico da declaração. Neste caso, ele deverá ser absolvido, nos termos
do art. 386, III, do CPP, por ausência de dolo, o que exclui o crime.
STF. 1ª Turma. AP 931/AL, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 6/6/2017 (Info 868).

123
11.22. Furto

Importante!!!
Causa de aumento do § 1º pode ser aplicada tanto para furto simples como qualificado.
É legítima a incidência da causa de aumento de pena por crime cometido durante o repouso noturno
(art. 155, § 1º) no caso de furto praticado na forma qualificada (art. 155, § 4º).
Não existe nenhuma incompatibilidade entre a majorante prevista no § 1º e as qualificadoras do § 4º.
São circunstâncias diversas, que incidem em momentos diferentes da aplicação da pena.
Assim, é possível que o agente seja condenado por furto qualificado (§ 4º) e, na terceira fase da
dosimetria, o juiz aumente a pena em 1/3 se a subtração ocorreu durante o repouso noturno.
A posição topográfica do § 1º (vem antes do § 4º) não é fator que impede a sua aplicação para as
situações de furto qualificado (§ 4º).
STF. 2ª Turma. HC 130952/MG, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 13/12/2016 (Info 851).
STJ. 6ª Turma. HC 306.450-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 4/12/2014
(Info 554).

Sistema de vigilância em estabelecimento comercial não constitui óbice para a consumação do


furto.
A existência de sistema de vigilância em estabelecimento comercial não constitui óbice para a
tipificação do crime de furto.
STF. 1ª Turma. HC 111278/MG, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Luiz Roberto
Barroso, julgado em 10/4/2018 (Info 897).
Súmula 567-STJ: Sistema de vigilância realizado por monitoramento eletrônico ou por existência
de segurança no interior de estabelecimento comercial, por si só, não torna impossível a
configuração do crime de furto.

11.23. Homicídio

Dirigir alcoolizado na contramão: reconhecimento de dolo eventual.


Verifica-se a existência de dolo eventual no ato de dirigir veículo automotor sob a influência de
álcool, além de fazê-lo na contramão. Esse é, portanto, um caso específico que evidencia a diferença
entre a culpa consciente e o dolo eventual. O condutor assumiu o risco ou, no mínimo, não se
preocupou com o risco de, eventualmente, causar lesões ou mesmo a morte de outrem.
STF. 1ª Turma. HC 124687/MS, rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado
em 29/5/2018 (Info 904).

11.24. Injúria

Esposa tem legitimidade para propor queixa-crime contra autor de postagem que sugere
relação extraconjugal do marido.
A esposa tem legitimidade para propor queixa-crime contra autor de mensagem que insinua que o seu
marido tem uma relação extraconjugal com outro homem.

124
Se alguém alega que um indivíduo casado mantém relação homossexual extraconjugal com outro
homem, a esposa deste indivíduo tem legitimidade para ajuizar queixa-crime por injúria, alegando
que também é ofendida.
Caso concreto: Roberto insinuou que Weverton teria um relacionamento homossexual extraconjugal
com outro homem. A mulher de Weverton tem legitimidade para ajuizar queixa-crime contra Roberto
pela prática do crime de injúria.
STF. 1ª Turma. Pet 7417 AgR/DF, Rel. Min. Luiz Fux, red. p/ o ac. Min. Marco Aurélio, julgado em
9/10/2018 (Info 919).

11.25. Latrocínio

Importante!!!
Agente que participou do roubo pode responder por latrocínio ainda que o disparo que matou
a vítima tenha sido efetuado pelo corréu.
Aquele que se associa a comparsa para a prática de roubo, sobrevindo a morte da vítima, responde
pelo crime de latrocínio, ainda que não tenha sido o autor do disparo fatal ou que sua participação se
revele de menor importância.
Ex: João e Pedro combinaram de roubar um carro utilizando arma de fogo. Eles abordaram, então,
Ricardo e Maria quando o casal entrava no veículo que estava estacionado. Os assaltantes levaram as
vítimas para um barraco no morro. Pedro ficou responsável por vigiar o casal no cativeiro enquanto
João realizaria outros crimes utilizando o carro subtraído. Depois de João ter saído, Ricardo e Maria
tentaram fugir e Pedro atirou nas vítimas, que acabaram morrendo. João pretendia responder apenas
por roubo majorado (art. 157, § 2º, I e II) alegando que não participou nem queria a morte das vítimas,
devendo, portanto, ser aplicado o art. 29, § 2º do CP. O STF, contudo, não acatou a tese. Isso porque
João assumiu o risco de produzir resultado mais grave, ciente de que atuava em crime de roubo, no
qual as vítimas foram mantidas em cárcere sob a mira de arma de fogo.
STF. 1ª Turma. RHC 133575/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 21/2/2017 (Info 855).

Importante!!!
O que fazer se foi atingido um único patrimônio, mas houve pluralidade de mortes?
Carlos e Luiza estão entrando no carro quando são rendidos por João, assaltante armado, que deseja
subtrair o veículo. Carlos acaba reagindo e João atira contra ele e Luiza, matando o casal. João foge
levando o carro. Haverá dois crimes de latrocínio em concurso formal de ou um único crime de
latrocínio?
STJ: concurso formal impróprio.
STF e doutrina majoritária: um único crime de latrocínio.
STJ. 5ª Turma. HC 336.680/PR, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 17/11/2015.
STF. 1ª Turma. RHC 133575/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 21/2/2017 (Info 855).

11.26. Lavagem de Dinheiro

Condenação por lavagem no “caso Maluf”.

125
Pratica o crime de lavagem de dinheiro o Deputado Federal que encobre (oculta) o dinheiro recebido
decorrente de corrupção passiva, utilizando-se, para tanto, de contas bancárias e fundos de
investimentos situados na Ilha de Jersey, abertos em nome de empresas “offshores”, com o objetivo
de encobrir a verdadeira origem, natureza e propriedade dos referidos aportes financeiros.
STF. 1ª Turma. AP 863/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 23/5/2017 (Info 866).

Lavagem de dinheiro, na modalidade “ocultar”, é crime permanente.


O delito de lavagem de bens, direitos ou valores (“lavagem de dinheiro”), previsto no art. 1º da Lei
nº 9.613/98, quando praticado na modalidade de ocultação, tem natureza de crime permanente.
A característica básica dos delitos permanentes está na circunstância de que a execução desses crimes
não se dá em um momento definido e específico, mas em um alongar temporal. Quem oculta e
mantém oculto algo, prolonga a ação até que o fato se torne conhecido.
Assim, o prazo prescricional somente tem início quando as autoridades tomam conhecimento da
conduta do agente.
STF. 1ª Turma. AP 863/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 23/5/2017 (Info 866).

Culpabilidade de parlamentar que exerce mandato há muitos anos é mais intensa.


Na primeira fase da dosimetria em caso de condenação por lavagem de dinheiro, o órgão julgador
poderá aumentar a pena-base do Deputado Federal que exerce mandato há muitos anos, sob o
argumento de que sua culpabilidade é mais intensa.
A transgressão da lei por parte de quem usualmente é depositário da confiança popular para o
exercício do poder enseja juízo de reprovação muito mais intenso do que seria cabível em se tratando
de um cidadão comum.
STF. 1ª Turma. AP 863/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 23/5/2017 (Info 866).

Reprovabilidade do crime cometido por “homem público” é maior.


Se um Deputado Federal que exerce mandato há muitos anos é condenado, o órgão julgador poderá
aumentar a pena-base atribuindo destaque negativo para a “reprovabilidade”.
A circunstância de o réu ser homem de longa vida pública, acostumado com regras jurídicas, enseja
uma maior reprovabilidade em sua conduta considerando a sua capacidade acentuada de conhecer e
compreender a necessidade de observar as normas.
STF. 1ª Turma. AP 863/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 23/5/2017 (Info 866).

Pena pode ser aumentada se a lavagem de dinheiro ocorreu por meio de várias transações
financeiras envolvendo diversos países.
A pena-base pode ser aumentada, no que tange às “circunstâncias do crime”, se a lavagem de dinheiro
ocorreu num contexto de múltiplas transações financeiras e de múltipla transnacionalidade, o que
interfere na ordem jurídica de mais de um Estado soberano.
STF. 1ª Turma. AP 863/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 23/5/2017 (Info 866).

Pena pode ser aumentada se o crime de lavagem envolveu grandes somas de valores.
Se a lavagem de dinheiro envolveu valores vultosos, a pena-base poderá ser aumentada
(“consequências do crime”) tendo em vista que, neste caso, considera-se que o delito violou o bem
jurídico tutelado de forma muito mais intensa do que o usual.

126
STF. 1ª Turma. AP 863/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 23/5/2017 (Info 866).

Simples fato de ter recebido a propina em espécie não configura lavagem de dinheiro.
O mero recebimento de valores em dinheiro não tipifica o delito de lavagem, seja quando recebido
pelo próprio agente público, seja quando recebido por interposta pessoa.
STF. 2ª Turma. AP 996/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 29/5/2018 (Info 904).

Recebimento de propina em depósitos bancários fracionados pode configurar lavagem.


Pratica lavagem de dinheiro o sujeito que recebe propina por meio de depósitos bancários fracionados,
em valores que não atingem os limites estabelecidos pelas autoridades monetárias à comunicação
compulsória dessas operações.
Ex: suponhamos que, na época, a autoridade bancária dizia que todo depósito acima de R$ 20 mil
deveria ser comunicado ao COAF; diante disso, um Deputado recebia depósitos periódicos de R$ 19
mil para burlar essa regra. Para o STF, isso configura o crime de lavagem. Trata-se de uma forma de
ocultação da origem e da localização da vantagem pecuniária recebida pela prática do crime
antecedente.
STF. 2ª Turma. AP 996/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 29/5/2018 (Info 904).

Não se deve reconhecer a consunção entre corrupção passiva e lavagem quando a propina é
recebida no exterior por meio de transação envolvendo offshore na qual resta evidente a
intenção de ocultar os valores.
Eduardo Cunha foi condenado pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de
divisas, por ter solicitado e recebido dinheiro de uma empresa privada para interferir em um contrato
com a Petrobrás.
A propina teria sido acertada entre o indivíduo chamado “IC”, proprietário da empresa beneficiada,
e “JL”, ex-Diretor Internacional da Petrobrás. O pagamento foi realizado mediante transferências para
contas secretas no exterior.
O STF entendeu que não se podia reconhecer a consunção entre a corrupção passiva e a lavagem,
considerando que não houve simples pagamento da propina para interposta pessoa, mas sim
pagamento mediante utilização de contas secretas no exterior em nome de uma offshore, de um lado,
e de um trust, de outro, e da realização de transação por meio da qual a propina foi depositada e
ocultada em local seguro. Logo, ficou demonstrada da autonomia entre os delitos.
STF. 2ª Turma. HC 165036/PR, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 9/4/2019 (Info 937).

11.27. Lei de Drogas

Importante!!!
Ocorrendo o tráfico de drogas nas imediações de presídio, incidirá a causa de aumento do art.
40, III, da LD, não importando quem seja o comprador.
Se o agente vende a droga nas imediações de um presídio, mas o comprador não era um dos detentos
nem qualquer pessoa que estava frequentando o presídio, ainda assim deverá incidir a causa de
aumento do art. 40, III, da Lei nº 11.343/2006?

127
SIM. A aplicação da causa de aumento prevista no art. 40, III, da Lei nº 11.343/2006 se justifica
quando constatada a comercialização de drogas nas dependências ou imediações de estabelecimentos
prisionais, sendo irrelevante se o agente infrator visa ou não aos frequentadores daquele local.
Assim, se o tráfico de drogas ocorrer nas imediações de um estabelecimento prisional, incidirá a causa
de aumento, não importando quem seja o comprador do entorpecente.
STF. 2ª Turma. HC 138944/SC, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 21/3/2017 (Info 858).

Se o réu, não reincidente, for condenado a pena superior a 4 anos e que não exceda a 8 anos, e
se as circunstâncias judiciais forem favoráveis, o juiz deverá fixar o regime semiaberto.
O condenado não reincidente, cuja pena seja superior a 4 anos e não exceda a 8 anos, tem o direito
de cumprir a pena corporal em regime semiaberto (art. 33, § 2°, b, do CP), caso as circunstâncias
judiciais do art. 59 lhe forem favoráveis. Obs: não importa que a condenação tenha sido por tráfico
de drogas.
A imposição de regime de cumprimento de pena mais gravoso deve ser fundamentada, atendendo à
culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à personalidade do agente, aos motivos, às
circunstâncias e consequências do crime, bem como ao comportamento da vítima (art. 33, § 3°, do
CP)
A gravidade em abstrato do crime não constitui motivação idônea para justificar a fixação do regime
mais gravoso.
STF. 2ª Turma. HC 140441/MG, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 28/3/2017 (Info 859).

A grande quantidade de droga, isoladamente, não constitui fundamento idôneo para afastar a
causa de diminuição de pena do art. 33, § 4º da LD.
Se o réu é primário e possui bons antecedentes, o juiz pode, mesmo assim, negar o benefício do art.
33, § 4º da LD argumentando que a quantidade de drogas encontrada com ele foi muito elevada?
O tema é polêmico.
1ª Turma do STF: encontramos precedentes afirmando que a grande quantidade de droga pode ser
utilizada como circunstância para afastar o benefício. Nesse sentido: não é crível que o réu,
surpreendido com mais de 500 kg de maconha, não esteja integrado, de alguma forma, a organização
criminosa, circunstância que justifica o afastamento da causa de diminuição prevista no art. 33, §4º,
da Lei de Drogas (HC 130981/MS, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 18/10/2016. Info 844).
2ª Turma do STF: a quantidade de drogas encontrada não constitui, isoladamente, fundamento idôneo
para negar o benefício da redução da pena previsto no art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006 (RHC
138715/MS, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 23/5/2017. Info 866).
STF. 2ª Turma. RHC 138715/MS, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 23/5/2017 (Info
866).
Obs: o tema acima não deveria ser cobrado em uma prova objetiva, mas caso seja perguntado, penso
que a 2ª corrente é majoritária.

Importante!!!
Atipicidade da importação de pequena quantidade de sementes de maconha.
Não configura crime a importação de pequena quantidade de sementes de maconha.
STF. 2ª Turma. HC 144161/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 11/9/2018 (Info 915).

128
Não é possível a fixação de regime de cumprimento de pena fechado ou semiaberto para crime
de tráfico privilegiado de drogas sem a devida justificação.
Não é possível a fixação de regime de cumprimento de pena fechado ou semiaberto para crime de
tráfico privilegiado de drogas sem a devida justificação.
Não se admite a fixação automática do regime fechado ou semiaberto pelo simples fato de ser tráfico
de drogas.
Não se admite, portanto, que o regime semiaberto tenha sido fixado utilizando-se como único
fundamento o fato de ser crime de tráfico, não obstante se tratar de tráfico privilegiado e ser o réu
primário, com bons antecedentes.
A gravidade em abstrato do crime não constitui motivação idônea para justificar a fixação do regime
mais gravoso.
STF. 1ª Turma. HC 163231/SP, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes,
julgado em 25/6/2019 (Info 945).

11.28. Lei Maria da Penha

Importante!!!
Impossibilidade de pena restritiva de direitos em caso de contravenção penal envolvendo
violência doméstica contra a mulher.
Cabe substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos em caso de contravenção
penal envolvendo violência doméstica contra a mulher?
NÃO. Posição majoritária do STF e Súmula 588 do STJ.
SIM. Existe um precedente da 2ª Turma do STF (HC 131160, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em
18/10/2016).
STF. 1ª Turma. HC 137888/MS, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 31/10/2017 (Info 884).

11.29. Multa

Importante!!!
MP é quem deve executar a pena de multa e, apenas se ficar inerte por mais de 90 dias, essa
legitimidade é transferida para a Fazenda Pública.
O Ministério Público possui legitimidade para propor a cobrança de multa decorrente de sentença
penal condenatória transitada em julgado, com a possibilidade subsidiária de cobrança pela Fazenda
Pública.
Quem executa a pena de multa?
 Prioritariamente: o Ministério Público, na vara de execução penal, aplicando-se a LEP.
 Caso o MP se mantenha inerte por mais de 90 dias após ser devidamente intimado: a Fazenda
Pública irá executar, na vara de execuções fiscais, aplicando-se a Lei nº 6.830/80.
STF. Plenário. ADI 3150/DF, Rel. para acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 12 e 13/12/2018
(Info 927).
STF. Plenário. AP 470/MG, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 12 e 13/12/2018 (Info 927).

129
OBS: a Súmula 521-STJ fica superada e deverá ser cancelada. Súmula 521-STJ: A legitimidade para
a execução fiscal de multa pendente de pagamento imposta em sentença condenatória é exclusiva da
Procuradoria da Fazenda Pública.

11.30. Prescrição

Importante!!!
Interpretação do art. 112 do CP.
Se o Ministério Público não recorreu contra a sentença condenatória, tendo havido apenas recurso da
defesa, qual deverá ser o termo inicial da prescrição da pretensão executiva? O início do prazo da
prescrição executória deve ser o momento em que ocorre o trânsito em julgado para o MP? Ou o
início do prazo deverá ser o instante em que se dá o trânsito em julgado para ambas as partes, ou seja,
tanto para a acusação como para a defesa?
 Posicionamento pacífico do STJ: o termo inicial da prescrição da pretensão executória é a
data do trânsito em julgado da sentença condenatória para a acusação, ainda que a defesa tenha
recorrido e que se esteja aguardando o julgamento desse recurso. Aplica-se a interpretação
literal do art. 112, I, do CP, considerando que ela é mais benéfica ao condenado.
 Entendimento da 1ª Turma do STF: o início da contagem do prazo de prescrição somente
se dá quando a pretensão executória pode ser exercida. Se o Estado não pode executar a pena,
não se pode dizer que o prazo prescricional já está correndo. Assim, mesmo que tenha havido
trânsito em julgado para a acusação, se o Estado ainda não pode executar a pena (ex: está
pendente uma apelação da defesa), não teve ainda início a contagem do prazo para a prescrição
executória. É preciso fazer uma interpretação sistemática do art. 112, I, do CP. Vale ressaltar
que, com o novo entendimento do STF admitindo a execução provisória da pena, para essa
segunda corrente (Min. Roberto Barroso) o termo inicial da prescrição executória será a data
do julgamento do processo em 2ª instância. Isso porque se estiver pendente apenas recurso
especial ou extraordinário, será possível a execução provisória da pena. Logo, já poderia ser
iniciada a contagem do prazo prescricional.
STF. 1ª Turma. RE 696533/SC, Rel. Min. Luiz Fux, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em
6/2/2018 (Info 890).

11.31. Princípio da Insignificância

É possível aplicar o princípio da insignificância para a conduta de manter rádio clandestina?


É possível aplicar o princípio da insignificância para a conduta de manter rádio comunitária
clandestina?
STJ: NÃO. É inaplicável o princípio da insignificância ao delito previsto no art. 183 da Lei nº
9.472/97, nas hipóteses de exploração irregular ou clandestina de rádio comunitária, mesmo que ela
seja de baixa potência, uma vez que se trata de delito formal de perigo abstrato , que dispensa a
comprovação de qualquer dano (resultado) ou do perigo, presumindo-se este absolutamente pela lei.
Nesse sentido: STJ. 6ª Turma. AgRg no AREsp 740.434/BA, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro,
julgado em 14/02/2017.

130
STF: SIM, é possível, em situações excepcionais, o reconhecimento do princípio da insignificância
desde que a rádio clandestina opere em baixa frequência, em localidades afastadas dos grandes
centros e em situações nas quais ficou demonstrada a inexistência de lesividade.
STF. 2ª Turma. HC 138134/BA, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 7/2/2017 (Info 853).

Crimes tributários e o limite de 20 mil reais.


Qual é o valor máximo considerado insignificante no caso de crimes tributários e descaminho? 20
mil reais (tanto para o STF como para o STJ)
Incide o princípio da insignificância aos crimes tributários federais e de descaminho quando o débito
tributário verificado não ultrapassar o limite de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), a teor do disposto no
art. 20 da Lei n. 10.522/2002, com as atualizações efetivadas pelas Portarias n. 75 e 130, ambas do
Ministério da Fazenda.
STJ. 3ª Seção. REsp 1.709.029/MG, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 28/02/2018 (recurso
repetitivo).
STF. 1ª Turma. HC 127173, Rel. Min. Marco Aurélio, Rel. p/ Acórdão: Min. Roberto Barroso,
julgado em 21/03/2017.
Cuidado. Neste informativo 897, a 1ª Turma do STF afirmou que esse parâmetro de 20 mil reais não
poderia produzir efeitos penais em virtude do princípio da independência das instâncias: Asseverou
que a lei que disciplina o executivo fiscal não repercute no campo penal.
Tal entendimento, com maior razão, deve ser adotado em relação à portaria do Ministério da Fazenda.
STF. 1ª Turma. HC 128063, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 10/4/2018 (Info 897).
Este precedente, contudo, não é a posição majoritária, não sendo recomendável a sua adoção em
provas .

Crimes tributários e o limite de 20 mil reais.


Qual é o valor máximo considerado insignificante no caso de crimes tributários e descaminho? 20
mil reais (tanto para o STF como para o STJ).
Incide o princípio da insignificância aos crimes tributários federais e de descaminho quando o débito
tributário verificado não ultrapassar o limite de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), a teor do disposto no
art. 20 da Lei n. 10.522/2002, com as atualizações efetivadas pelas Portarias n. 75 e 130, ambas do
Ministério da Fazenda.
STJ. 3ª Seção. REsp 1.688.878-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 28/02/2018 (recurso
repetitivo).
STF. 1ª Turma. HC 137595 AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 07/05/2018.
STF. 2ª Turma. HC 155347/PR, Rel. Min. Dias Tóffoli, julgado em 17/4/2018 (Info 898).

(In) aplicabilidade do princípio no caso do crime previsto no art. 34 da Lei 9.605/98.


O princípio da bagatela não se aplica ao crime previsto no art. 34, caput c/c parágrafo único, II, da
Lei 9.605/98:
Art. 34. Pescar em período no qual a pesca seja proibida ou em lugares interditados por órgão
competente:
Pena - detenção de um ano a três anos ou multa, ou ambas as penas cumulativamente.
Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas quem:

131
II - pesca quantidades superiores às permitidas, ou mediante a utilização de aparelhos, petrechos,
técnicas e métodos não permitidos;
Caso concreto: realização de pesca de 7kg de camarão em período de defeso com o uso de método
não permitido.
STF. 1ª Turma. HC 122560/SC, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 8/5/2018 (Info 901).
Obs: apesar de a redação utilizada no informativo original ter sido bem incisiva (“O princípio da
bagatela não se aplica ao crime previsto no art. 34, caput c/c parágrafo único, II, da Lei 9.605/98”),
existem julgados tanto do STF como do STJ aplicando, excepcionalmente, o princípio da
insignificância para o delito de pesca ilegal. Deve-se ficar atenta(o) para como isso será cobrado no
enunciado da prova.

É possível a aplicação do princípio da insignificância para o furto de um galo, quatro galinhas


caipiras, uma galinha garnizé e três quilos de feijão.
Em regra, a habitualidade delitiva específica (ou seja, o fato de o réu já responder a outra ação penal
pelo mesmo delito) é um parâmetro (critério) que afasta o princípio da insignificância mesmo em se
tratando de bem de reduzido valor.
Excepcionalmente, no entanto, as peculiaridades do caso concreto podem justificar o afastamento
dessa regra e a aplicação do princípio, com base na ideia da proporcionalidade.
É o caso, por exemplo, do furto de um galo, quatro galinhas caipiras, uma galinha garnizé e três quilos
de feijão, bens avaliados em pouco mais de cem reais. O valor dos bens é inexpressivo e não houve
emprego de violência. Enfim, é caso de mínima ofensividade, ausência de periculosidade social,
reduzido grau de reprovabilidade e inexpressividade da lesão jurídica.
Mesmo que conste em desfavor do réu outra ação penal instaurada por igual conduta, ainda em
trâmite, a hipótese é de típico crime famélico.
A excepcionalidade também se justifica por se tratar de hipossuficiente. Não é razoável que o Direito
Penal e todo o aparelho do Estado-polícia e do Estado-juiz movimente-se no sentido de atribuir
relevância a estas situações.
STF. 2ª Turma. HC 141440 AgR/MG, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 14/8/2018 (Info 911).

Importante!!!
STF reconheceu o princípio da insignificância, mas, como o réu era reincidente, em vez de
absolvê-lo, o Tribunal utilizou esse reconhecimento para conceder a pena restritiva de direitos,
afastando o óbice do art. 44, II, do CP.
Em regra, o reconhecimento do princípio da insignificância gera a absolvição do réu pela atipicidade
material. Em outras palavras, o agente não responde por nada.
Em um caso concreto, contudo, o STF reconheceu o princípio da insignificância, mas, como o réu era
reincidente, em vez de absolvê-lo, o Tribunal utilizou esse reconhecimento para conceder a
substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, afastando o óbice do art. 44, II,
do CP:
Art. 44. As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as privativas de liberdade,
quando: (...) II – o réu não for reincidente em crime doloso;
Situação concreta: Antônio foi denunciado por tentar furtar quatro frascos de xampu de um
supermercado, bens avaliados em R$ 31,20. O réu foi condenado pelo art. 155 c/c art. 14, II, do CP a
uma pena de 8 meses de reclusão. Foi aplicado o regime inicial semiaberto e negada a substituição
132
por pena restritiva de direitos em virtude de ele ser reincidente (já possuía uma condenação anterior
por furto), atraindo a vedação do art. 44, II, do CP.
Em razão da reincidência, o STF entendeu que não era o caso de absolver o condenado, mas, em
compensação, determinou que a pena privativa de liberdade fosse substituída por restritiva de direitos,
afastando a proibição do art. 44, II, do CP.
STF. 1ª Turma. HC 137217/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ ac. Min. Alexandre de Moraes,
julgado em 28/8/2018 (Info 913).

Possibilidade de aplicar o regime inicial aberto ao condenado por furto, mesmo ele sendo
reincidente, desde que seja insignificante o bem subtraído.
A reincidência não impede, por si só, que o juiz da causa reconheça a insignificância penal da conduta,
à luz dos elementos do caso concreto.
No entanto, com base no caso concreto, o juiz pode entender que a absolvição com base nesse
princípio é penal ou socialmente indesejável. Nesta hipótese, o magistrado condena o réu, mas utiliza
a circunstância de o bem furtado ser insignificante para fins de fixar o regime inicial aberto. Desse
modo, o juiz não absolve o réu, mas utiliza a insignificância para criar uma exceção jurisprudencial
à regra do art. 33, § 2º, “c”, do CP, com base no princípio da proporcionalidade.
STF. 1ª Turma. HC 135164/MT, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ ac. Min. Alexandre de Moraes,
julgado em 23/4/2019 (Info 938).

11.32. Racismo

Importante!!!
A incitação de ódio público feita por líder religioso contra outras religiões pode configurar o
crime de racismo.
A incitação ao ódio público contra quaisquer denominações religiosas e seus seguidores não está
protegida pela cláusula constitucional que assegura a liberdade de expressão.
STF. 2ª Turma. RHC 146303/RJ, rel. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Dias Toffoli, julgado em
6/3/2018 (Info 893).
Atenção. Compare com RHC 134682/BA, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 29/11/2016 (Info
849).

Palestra proferida por Bolsonaro com críticas aos quilombolas e estrangeiros não configurou
racismo.
O então Deputado Federal Jair Bolsonaro proferiu palestra no auditório de determinado clube e ali
fez críticas e comentários negativos a respeito dos quilombolas e de povos estrangeiros.
No trecho mais questionado de sua palestra, ele afirmou: “Eu fui em um quilombola em El Dourado
Paulista. Olha, o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada! Eu acho que nem
para procriador eles servem mais. Mais de um bilhão de reais por ano gastado com eles. Recebem
cesta básica e mais material em implementos agrícolas. Você vai em El Dourado Paulista, você
compra arame farpado, você compra enxada, pá, picareta por metade do preço vendido em outra
cidade vizinha. Por que? Porque eles revendem tudo baratinho lá. Não querem nada com nada.”
O STF entendeu que a conduta de Bolsonaro não configurou o crime de racismo (art. 20 da Lei nº
7.716/89).
133
As palavras por ele proferidas estão dentro da liberdade de expressão prevista no art. 5º, IV, da CF/88,
além de também estarem cobertas pela imunidade parlamentar (art. 53 da CF/88). O objetivo de seu
discurso não foi o de repressão, dominação, supressão ou eliminação dos quilombolas ou dos
estrangeiros.
O pronunciamento do parlamentar estava vinculado ao contexto de demarcação e proveito econômico
das terras e configuram manifestação política que não extrapola os limites da liberdade de expressão.
Além disso, as manifestações de Bolsonaro estavam relacionadas com a sua função de parlamentar.
Inclusive, o convite para a palestra se deu em razão do exercício do cargo de Deputado Federal a fim
de dar a sua visão geopolítica e econômica do País.
Assim, havia uma vinculação das manifestações apresentadas na palestra com os seu
pronunciamentos na Câmara dos Deputados, de sorte que incide a imunidade parlamentar.
STF. 1ª Turma. Inq 4694/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 11/9/2018 (Info 915).

Importante!!!
A Lei nº 7.716/89 pode ser aplicada para punir as condutas homofóbicas e transfóbicas.
1. Até que sobrevenha lei emanada do Congresso Nacional destinada a implementar os mandados de
criminalização definidos nos incisos XLI e XLII do art. 5º da Constituição da República, as condutas
homofóbicas e transfóbicas, reais ou supostas, que envolvem aversão odiosa à orientação sexual ou à
identidade de gênero de alguém, por traduzirem expressões de racismo, compreendido este em sua
dimensão social, ajustam-se, por identidade de razão e mediante adequação típica, aos preceitos
primários de incriminação definidos na Lei nº 7.716, de 08.01.1989, constituindo, também, na
hipótese de homicídio doloso, circunstância que o qualifica, por configurar motivo torpe (Código
Penal, art. 121, § 2º, I, “in fine”);
2. A repressão penal à prática da homotransfobia não alcança nem restringe ou limita o exercício da
liberdade religiosa, qualquer que seja a denominação confessional professada, a cujos fiéis e ministros
(sacerdotes, pastores, rabinos, mulás ou clérigos muçulmanos e líderes ou celebrantes das religiões
afro-brasileiras, entre outros) é assegurado o direito de pregar e de divulgar, livremente, pela palavra,
pela imagem ou por qualquer outro meio, o seu pensamento e de externar suas convicções de acordo
com o que se contiver em seus livros e códigos sagrados, bem assim o de ensinar segundo sua
orientação doutrinária e/ou teológica , podendo buscar e conquistar prosélitos e praticar os atos de
culto e respectiva liturgia, independentemente do espaço, público ou privado, de sua atuação
individual ou coletiva, desde que tais manifestações não configurem discurso de ódio, assim
entendidas aquelas exteriorizações que incitem a discriminação, a hostilidade ou a violência contra
pessoas em razão de sua orientação sexual ou de sua identidade de gênero;
3. O conceito de racismo, compreendido em sua dimensão social, projeta-se para além de aspectos
estritamente biológicos ou fenotípicos, pois resulta, enquanto manifestação de poder, de uma
construção de índole histórico-cultural motivada pelo objetivo de justificar a desigualdade e destinada
ao controle ideológico, à dominação política, à subjugação social e à negação da alteridade, da
dignidade e da humanidade daqueles que, por integrarem grupo vulnerável (LGBTI+) e por não
pertencerem ao estamento que detém posição de hegemonia em uma dada estrutura social, são
considerados estranhos e diferentes, degradados à condição de marginais do ordenamento jurídico,
expostos, em consequência de odiosa inferiorização e de perversa estigmatização, a uma injusta e
lesiva situação de exclusão do sistema geral de proteção do direito.

134
STF. Plenário. ADO 26/DF, Rel. Min. Celso de Mello; MI 4733/DF, Rel. Min. Edson Fachin,
julgados em em 13/6/2019 (Info 944).

11.33. Regime Inicial

Fixada a pena-base no mínimo legal, não é possível a imposição de regime inicial mais severo
do que aquele abstratamente imposto.
Se todas as circunstâncias judiciais são favoráveis, de forma que a pena-base foi fixada no mínimo
legal, então, neste caso, não cabe a imposição de regime inicial mais gravoso.
STF. 2ª Turma. RHC 131133/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 10/10/2017 (Info 881).
Obs: o STJ possui um enunciado nesse sentido:
Súmula 440-STJ: Fixada a pena-base no mínimo legal, é vedado o estabelecimento de regime
prisional mais gravoso do que o cabível em razão da sanção imposta, com base apenas na gravidade
abstrata do delito.

Imposição do regime semiaberto para réu reincidente, condenado a 1 ano e 4 meses de reclusão
pelo furto de uma garrafa de licor.
João, reincidente, foi condenado a uma pena de 1 ano e 4 meses de reclusão, em regime inicial
fechado, pela prática do crime de furto simples (art. 155, caput, do CP).
A defesa postulou a aplicação do regime aberto com base no princípio da insignificância, considerado
o objeto furtado ter sido apenas uma garrafa de licor.
O STF decidiu impor o regime semiaberto.
Entendeu-se que, de um lado, o regime fechado deve ser afastado. Por outro, não se pode conferir o
regime aberto para um condenado reincidente, uma vez que isso poderia se tornar um incentivo à
criminalidade, ainda mais em cidades menores, onde o furto é, via de regra, perpetrado no mesmo
estabelecimento.
A reincidência delitiva do paciente, que praticou o quinto furto em pequeno município, eleva a
gravidade subjetiva de sua conduta.
STF. 1ª Turma. HC 136385/SC, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ ac. Min. Alexandre de Moraes,
julgado em 7/8/2018 (Info 910).

11.34. Teoria do Domínio do Fato

O superior hierárquico não pode ser punido com base na teoria do domínio do fato se não tiver
sido demonstrado o dolo.
A teoria do domínio do fato não permite que a mera posição de um agente na escala hierárquica sirva
para demonstrar ou reforçar o dolo da conduta.
Do mesmo modo, também não permite a condenação de um agente com base em conjecturas. Assim,
não é porque houve irregularidade em uma licitação estadual que o Governador tenha que ser
condenado criminalmente por isso.
STF. 2ª Turma. AP 975/AL, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 3/10/2017 (Info 880).

12. DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL MILITAR

135
12.1. Crime Militar

Militar que inseriu declaração falsa em documento liberando indevidamente embarcação sem
as vistorias necessárias.
Compete à Justiça Militar julgar militar acusado de autorizar a navegação de uma balsa sem a
realização de vistorias necessárias.
Essa conduta caracteriza-se como sendo falsidade ideológica (art. 312 do CPM), sendo crime militar,
nos termos do art. 9º, II, “e”, do CPM.
STF. 1ª Turma. HC 110233/AM, rel. orig. Min. Luiz Fux, red. p/ o ac. Min. Marco Aurélio, julgado
em 10/10/2017 (Info 881).

Configuração de crime militar e licenciamento.


Na configuração de crime militar observa-se a data do evento delituoso, considerado neutro o fato de
o autor estar licenciado.
STF. Plenário. HC 132847/MS, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 26/6/2018 (Info 908).
O fato de o paciente não mais integrar as fileiras das Forças Armadas não tem qualquer relevância
sobre o prosseguimento da ação penal pelo delito tipicamente militar de abandono do posto, visto que
ele, no tempo do crime, era militar da ativa.
STF. 2ª Turma. HC 130793, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 02/08/2016.

12.2. Desacato

Importante!!!
Desacato continua sendo crime.
O crime de desacato é compatível com a Constituição Federal e com o Pacto de São José da Costa
Rica.
A figura penal do desacato não tolhe o direito à liberdade de expressão, não retirando da cidadania o
direito à livre manifestação, desde que exercida nos limites de marcos civilizatórios bem definidos,
punindo-se os excessos.
STF. 2ª Turma. HC 141949/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 13/3/2018 (Info 894).
Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela continua a ser crime,
conforme previsto no art. 331 do Código Penal.
STJ. 3ª Seção. HC 379.269-MS, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Rel. para acórdão Min.
Antônio Saldanha Palheiro, julgado em 24/5/2017 (Info 607).

12.3. Violência Contra Inferior

Réu pode ser condenado por crime de violência contra inferior mesmo que, durante a
tramitação do processo, deixe de ser militar.
Não se exige a manutenção do status de militar como requisito de procedibilidade e de
prosseguimento da ação penal que apura a prática de crime de violência contra inferior (art. 15 do
Código Penal Militar).
STF. 1ª Turma.HC 137741 AgR e AgR-segundo/RS, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 25/6/2019
(Info 945).

136
Não se aplica o princípio da insignificância ao crime de violência contra inferior (art. 175 do
CPM).
Não se aplica o princípio da insignificância para o crime de “violência contra inferior” (art. 175 do
CPM) porque os bens jurídicos tutelados por este tipo penal são a autoridade e a disciplina militares.
A proteção principal não é da vítima que sofre a violência, e sim da própria Instituição Militar, que
vê, nessa conduta, grave afronta aos princípios basilares das Forças Armadas.
Assim, tem-se por inaplicável a insignificância em crime de importante grau de reprovabilidade no
meio castrense.
STF. 1ª Turma.HC 137741 AgR e AgR-segundo/RS, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 25/6/2019
(Info 945).

13. DIREITO PREVIDENCIÁRIO


13.1. Auxílio Acompanhante

Importante!!!
STF determina, de forma cautelar, que não seja pago o adicional de 25% do art. 45 da Lei
8.213/91 para outras espécies de aposentadoria que não seja a por invalidez.
O art. 45 da Lei nº 8.213/91 prevê o auxílio acompanhante de 25% para os beneficiários de
aposentadoria por invalidez que necessitem da assistência permanente de terceiros:
Art. 45. O valor da aposentadoria por invalidez do segurado que necessitar da assistência permanente
de outra pessoa será acrescido de 25% (vinte e cinco por cento).
Em agosto/2018, o STJ decidiu estender esse benefício para os beneficiários das demais espécies de
aposentadoria:
“Comprovadas a invalidez e a necessidade de assistência permanente de terceiro, é devido o
acréscimo de 25% (vinte e cinco por cento), previsto no art. 45 da Lei nº 8.213/91, a todos os
aposentados pelo RGPS, independentemente da modalidade de aposentadoria.” (STJ. 1ª Seção. REsp
1.648.305-RS, Rel. Min. Assusete Magalhães, Rel. Acd. Min. Regina Helena Costa, julgado em
22/08/2018. Recurso repetitivo. Info 634).
Assim, apesar de o art. 45 da Lei nº 8.213/91 falar apenas em “aposentadoria por invalidez”, o STJ
entendeu que se poderia estender esse adicional para todas as demais espécies de aposentadoria
(especial, por idade, tempo de contribuição).
O INSS interpôs recurso extraordinário para o STF discutindo o tema.
A 1ª Turma do STF, no dia 12/03/2019, concedeu efeito suspensivo cautelar ao recurso para
suspender todos os processos, individuais ou coletivos, em qualquer fase e em todo o território
nacional, que versem sobre a extensão do auxílio acompanhante, previsto no art. 45 da Lei nº 8.213/91
para os segurados aposentados por invalidez, às demais espécies de aposentadoria do Regime Geral
da Previdência Social.
O que significa isso? O STF disse que, enquanto ele não julgar o recurso extraordinário, todas as
ações judiciais individuais ou coletivas (em qualquer fase processual) que tratam sobre esse tema
(extensão do adicional de 25% a outras espécies de aposentadoria) devem ficar suspensas. Em outras

137
palavras, o STF determinou que, por enquanto, esse adicional de 25% somente poderá ser pago aos
aposentados por invalidez, conforme prevê a lei.
STF. 1ª Turma. Pet 8002 AgR/RS, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 12/3/2019 (Info 933).

13.2. Benefício de Prestação Continuada

Importante!!!
Estrangeiros residentes no Brasil têm direito ao BPC.
Os estrangeiros residentes no País são beneficiários da assistência social prevista no art. 203, V, da
Constituição Federal, uma vez atendidos os requisitos constitucionais e legais.
STF. Plenário. RE 587970/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 19 e 20/4/2017 (repercussão
geral) (Info 861).

13.3. Segurados

Importante!!!
Exercentes de mandato eletivo que não forem vinculados a regime próprio deverão pagar
contribuição previdenciária ao RGPS.
Incide contribuição previdenciária sobre os rendimentos pagos aos exercentes de mandato eletivo,
decorrentes da prestação de serviços à União, aos Estados e ao Distrito Federal ou aos Municípios,
após o advento da Lei nº 10.887/2004, desde que não vinculados a regime próprio de previdência.
STF. Plenário. RE 626837/GO, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 25/5/2017 (repercussão geral)
(Info 866).

14. DIREITO PROCESSUAL CIVIL


14.1. Ação Anulatória

A decisão judicial homologatória de acordo entre as partes é impugnável por meio de ação
anulatória.
A decisão judicial homologatória de acordo entre as partes é impugnável por meio de ação anulatória
(art. 966, § 4º, do CPC/2015; art. 486 do CPC/1973).
Não cabe ação rescisória neste caso .
Se a parte propôs ação rescisória, não é possível que o Tribunal receba esta demanda como ação
anulatória aplicando o princípio da fungibilidade. Isso porque só se aplica o princípio da fungibilidade
para recursos (e ação anulatória e a ação rescisória não são recursos).
STF. Plenário. AR 2440 AgR/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 19/9/2018 (Info 916).

14.2. Ação Civil Pública

Importante!!!
É possível que as associações privadas façam transação em ação civil pública.

138
A associação privada autora de uma ação civil pública pode fazer transação com o réu e pedir a
extinção do processo, nos termos do art. 487, III, “b”, do CPC.
O art. 5º, § 6º da Lei nº 7.347/85 (Lei da Ação Civil Pública) prevê que os órgãos públicos podem
fazer acordos nas ações civis públicas em curso, não mencionando as associações privadas.
Apesar disso, a ausência de disposição normativa expressa no que concerne a associações privadas
não afasta a viabilidade do acordo. Isso porque a existência de previsão explícita unicamente quanto
aos entes públicos diz respeito ao fato de que somente podem fazer o que a lei determina, ao passo
que aos entes privados é dado fazer tudo que a lei não proíbe.
STF. Plenário. ADPF 165/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 1º/3/2018 (Info 892).

Legitimidade do MP para ajuizar ação pedindo o fornecimento de medicamento.


O Ministério Público é parte legítima para ajuizamento de ação civil pública que vise o fornecimento
de remédios a portadores de certa doença.
STF. Plenário. RE 605533/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 15/8/2018 (repercussão geral)
(Info 911).
O Ministério Público é parte legítima para pleitear tratamento médico ou entrega de medicamentos
nas demandas de saúde propostas contra os entes federativos, mesmo quando se tratar de feitos
contendo beneficiários individualizados, porque se refere a direitos individuais indisponíveis, na
forma do art. 1º da Lei n. 8.625/1993 (Lei Orgânica Nacional do Ministério Público).
STJ. 1ª Seção. REsp 1.682.836-SP, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 25/04/2018 (recurso
repetitivo) (Info 624).

O Ministério Público pode ajuizar ACP para anular aposentadoria que lesão ao erário.
O Ministério Público tem legitimidade para ajuizar ação civil pública que vise anular ato
administrativo de aposentadoria que importe em lesão ao patrimônio público.
STF. Plenário. RE 409356/RO, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25/10/2018 (repercussão geral) (Info
921).

14.3. Ação Coletiva Proposta por Associação

Importante!!!
Para ser beneficiada pela sentença favorável é necessário que a pessoa esteja filiada no
momento da propositura e seja residente no âmbito da jurisdição do órgão julgador.
A eficácia subjetiva da coisa julgada formada a partir de ação coletiva, de rito ordinário, ajuizada por
associação civil na defesa de interesses dos associados, somente alcança os filiados, residentes no
âmbito da jurisdição do órgão julgador, que o fossem em momento anterior ou até a data da
propositura da demanda, constantes da relação jurídica juntada à inicial do processo de conhecimento.
STF. Plenário. RE 612043/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 10/5/2017 (repercussão geral)
(Info 864).
Sobre o mesmo tema, importante relembrar:
O disposto no artigo 5º, inciso XXI, da Carta da República encerra representação específica, não
alcançando previsão genérica do estatuto da associação a revelar a defesa dos interesses dos
associados.

139
As balizas subjetivas do título judicial, formalizado em ação proposta por associação, é definida pela
representação no processo de conhecimento, presente a autorização expressa dos associados e a
lista destes juntada à inicial.
STF. Plenário. RE 573232/SC, rel. orig. Min. Ricardo Lewandowski, red. p/ o acórdão Min. Marco
Aurélio, julgado em 14/5/2014 (repercussão geral) (Info 746).

14.4. Ação Rescisória

Sentença proferida com base no entendimento vigente do STF e que, após o trânsito em julgado,
houve mudança de posição. Cabe rescisória?
Se a sentença foi proferida com base na jurisprudência do STF vigente à época e, posteriormente,
esse entendimento foi alterado, não se pode dizer que essa decisão impugnada tenha violado literal
disposição de lei para fins da ação rescisória prevista no art. 485, V, do CPC/1973.
Desse modo, não cabe ação rescisória em face de acórdão que, à época de sua prolação, estava em
conformidade com a jurisprudência predominante do STF.
STF. Plenário. AR 2422/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25/10/2018 (Info 921).
Obs: o julgado envolvia um caso concreto ocorrido na vigência do CPC/1973. Não se sabe se o
entendimento seria o mesmo se o fato tivesse ocorrido na égide do CPC/2015. Isso por conta da nova
previsão de ação rescisória contida no § 15 do art. 525 do CPC/2015.

É inadmissível a ação rescisória em situação jurídica na qual a legislação prevê o cabimento de


uma ação diversa.
Não cabe ação rescisória para desconstituir decisão judicial transitada em julgado que apenas
homologou acordo celebrado entre pessoa jurídica e o Estado-membro em uma ação judicial na qual
se discutiam créditos tributários de ICMS.
É cabível, neste caso, a ação anulatória, nos termos do art. 966, § 4º do CPC.
É inadmissível a ação rescisória em situação jurídica na qual a legislação prevê o cabimento de uma
ação diversa.
STF. Plenário. AR 2697 AgR/RS, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 21/3/2019 (Info 934).

14.5. Coisa Julgada

CBF não poderia ter editado resolução declarando tanto o Sport como o Flamengo campeões
de 1987 porque já havia uma decisão transitada em julgado considerando vencedor o Sport.
O Sport Club do Recife conseguiu, em 1999, uma decisão judicial transitada em julgado declarando
que ele foi o campeão brasileiro de futebol do ano de 1987.
Ocorre que, em 2011, a CBF editou a Resolução 2/2011 reconhecendo que, além do Sport, o
Flamengo também teria sido campeão brasileiro em 1987.
O Sport não se conformou com esta postura da entidade e ingressou com ação de cumprimento de
sentença pedindo que, em respeito à decisão judicial transitada em julgado em 1999, a CBF fosse
condenada a anular a Resolução e reconhecer o clube pernambucano como o único campeão de 1987.
O STF concordou com o pleito do Sport.
A decisão judicial que conferiu ao Sport o título de campeão brasileiro de 1987 transitou em julgado
e não podia ser alterada por resolução posterior da CBF.

140
A coisa julgada, como manifestação do princípio da segurança jurídica, assume a estatura de elemento
estruturante do Estado Democrático de Direito.
A autonomia das entidades desportivas não autoriza a transformação da CBF em órgão revisor de
pronunciamentos jurisdicionais alcançados pela preclusão.
STF. 1ª Turma. RE 881864 AgR/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 18/4/2017 (Info 861).

14.6. Competência

Competência para julgar ação ordinária contra o CNJ e mitigação da interpretação restritiva
do art. 102, I, “r”, da CF/88.
De quem é a competência para julgar demandas contra o CNJ e o CNMP:
 Ações ordinárias: Juiz federal (1ª instância);
 Ações tipicamente constitucionais (MS, MI, HC e HD): STF.
No entanto, houve um caso concreto no qual o STF conheceu e julgou uma ação ordinária proposta
por sindicato de servidores públicos contra uma decisão do CNJ. Foram invocados dois argumentos
para fixar a competência no STF:
1) O caso concreto discutia os poderes do CNJ para afastar lei inconstitucional. Se o STF não julgasse
a causa, isso significaria conferir à Justiça Federal de 1ª instância a possibilidade de definir os poderes
atribuídos ao CNJ para o cumprimento de sua missão, subvertendo, assim, a relação hierárquica
constitucionalmente estabelecida.
2) Além da ação ordinária proposta pelo Sindicato, diversos servidores impetraram mandados de
segurança contra a decisão do CNJ. Assim, mesmo que a ação ordinária fosse remetida para a Justiça
Federal de 1ª instância, continuariam no STF os mandados de segurança individuais. Desse modo, o
mais recomendável seria a reunião dessas ações a fim de garantir, com a tramitação e o julgamento
conjuntos, a prolação de decisões harmônicas sobre a legitimidade da situação jurídica afetada pelo
CNJ.
Obs: em concursos públicos, é provável que seja indagada apenas a regra geral considerando que este
julgado foi muito específico e baseado no caso concreto; contudo, é importante que você conheça a
existência deste precedente para a eventualidade de ele ser cobrado; vale ressaltar que você somente
deverá adotar o entendimento excepcional se isso for expressamente perguntado.
STF. Plenário. Pet 4656/PB, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 19/12/2016 (Info 851).

STF não é competente para julgar ação proposta por juiz federal pleiteando licença-prêmio.
O art. 102, I, ‘n’, da CF/88 determina que a ação em que todos os membros da magistratura sejam
direta ou indiretamente interessados é de competência originária do STF.
Vale ressaltar, no entanto, que a causa não será da competência originária do STF se a matéria
discutida, além de ser do interesse de todos os membros da magistratura, for também do interesse de
outras carreiras de servidores públicos.
Além disso, para incidir o dispositivo, o texto constitucional preconiza que a matéria discutida deverá
interessar a todos os membros da magistratura e não apenas a parte dela.
Com base nesses argumentos, o STF decidiu que não é competente para julgar originariamente ação
intentada por juiz federal postulando a percepção de licença-prêmio com fundamento na simetria
existente entre a magistratura e o Ministério Público.

141
STF. 2ª Turma. AO 2126/PR, rel. orig. Min. Gilmar Mendes, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin, julgado
em 21/2/2017 (Info 855).

Importante!!!
Não compete ao STF julgar execução individual de sentença coletiva mesmo que tenha julgado
a lide que originou o cumprimento de sentença.
Não compete originariamente ao STF processar e julgar execução individual de sentenças genéricas
de perfil coletivo, inclusive aquelas proferidas em sede mandamental. Tal atribuição cabe aos órgãos
judiciários competentes de primeira instância.
STF. 2ª Turma. PET 6076 QO /DF, rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 25/4/2017 (Info 862).

Tema Polêmico!!!
Ação proposta contra a Administração Pública por servidor que ingressou como celetista antes
da CF/88 e cuja lei posteriormente transformou o vínculo em estatutário.
Compete à Justiça do Trabalho julgar causa relacionada com depósito do Fundo de Garantia do
Tempo de Serviço (FGTS) de servidor que ingressou no serviço público antes da Constituição de
1988 sem prestar concurso.
STF. Plenário. CC 7.950/RN, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 14/09/2016 (Info 839).
Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar demandas propostas contra órgãos da
Administração Pública, por servidores que ingressaram em seus quadros, sem concurso público, antes
da CF/88, sob regime da CLT, com o objetivo de obter prestações de natureza trabalhista.
STF. Plenário. ARE 906491 RG, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 01/10/2015 (repercussão
geral).
Não compete à Justiça do Trabalho julgar controvérsia referente aos reflexos de vantagem
remuneratória, que teve origem em período celetista anterior ao advento do regime jurídico único.
Reconhecido que o vínculo atual entre o servidor e a Administração Pública é estatutário, compete à
Justiça comum processar e julgar a causa.
É a natureza jurídica do vínculo existente entre o trabalhador e o Poder Público, vigente ao tempo da
propositura da ação, que define a competência jurisdicional para a solução da controvérsia,
independentemente de o direito pleiteado ter se originado no período celetista.
STF. Plenário. Rcl 8909 AgR/MG, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Cármen Lúcia,
julgado em 22/09/2016 (Info 840).
STF. 2ª Turma. Rcl 26064 AgR/RS, rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Dias Toffoli,
julgado em 21/11/2017 (Info 885).

Complementação de pensão proposta por pensionista das antigas ferrovias do Estado de São
Paulo.
Compete à Justiça Comum (e não à Justiça do Trabalho) julgar as ações propostas por ferroviários
pensionistas e aposentados das antigas ferrovias do Estado de São Paulo, que foram absorvidas pela
Ferrovia Paulista S/A, sucedida pela extinta Rede Ferroviária Federal, com vistas à complementação
de suas pensões e aposentadorias em face da União.
O STF entendeu que esta é uma causa oriunda de uma relação estatutária. Assim, não há relação de
trabalho que justifique a competência da Justiça laboral.

142
STF. 1ª Turma. Rcl 24990 AgR/SP, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Roberto
Barroso, julgado em 20/3/2018 (Info 895).

Competência da Justiça comum para julgar incidência de contribuição previdenciária


relacionada com complementação de proventos.
Compete à justiça comum (e não à Justiça do Trabalho) o julgamento de conflito de interesses a
envolver a incidência de contribuição previdenciária, considerada a complementação de proventos.
Caso concreto: Estado-membro editou lei instituindo contribuição previdenciária de 11% sobre o
valor da complementação da aposentadoria dos ex-empregados de uma sociedade de economia mista.
Os ex-empregados prejudicados ingressaram com ações questionando essa cobrança. O STF afirmou
que a discussão em tela tem natureza tributária, o que atrai a competência da Justiça comum, uma vez
que no caso não se discutem verbas de natureza trabalhista, mas a incidência de contribuição social
(espécie de tributo).
STF. Plenário. RE 594435/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 24/5/2018 (Info 903).

Configura conflito federativo a ação na qual a União e o Estado-membro, em polos antagônicos,


discutem os limites das competências previstas no art. 177, IV e no art. 25, § 2º da CF/88.
Compete ao STF processar e julgar “as causas e os conflitos entre a União e os Estados, a União e o
Distrito Federal, ou entre uns e outros, inclusive as respectivas entidades da administração indireta”
(art. 102, I, “f”, da CF/88).
O STF confere interpretação restritiva a esse dispositivo e entende que, para se caracterizar a hipótese
do art. 102, I, “f”, da CF/88 é indispensável que, além de haver uma causa envolvendo União e Estado,
essa demanda tenha densidade suficiente para abalar o pacto federativo. Em outras palavras, não é
qualquer causa envolvendo União contra Estado que irá ser julgada pelo STF, mas somente quando
essa disputa puder resultar em ofensa às regras do sistema federativo. Configura conflito federativo a
ação na qual a União e o Estado-membro, em polos antagônicos, discutem se determinado projeto se
enquadra como atividade de transporte de gás canalizado (art. 177, IV, da CF/88) ou fornecimento de
gás canalizado (art. 25, § 2º).
STF. 2ª Turma. Rcl 4.210/SP, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 26/3/2019 (Info 935).

Para os fins do art. 102, I, “n”, da CF/88, o impedimento deve ser afirmado nos autos do
processo cujo deslocamento se pretende.
Existe uma decisão proferida pelo TJ em processo coletivo que beneficia diversos servidores do Poder
Judiciário.
Esses servidores começam a ingressar com execuções individuais pedindo o pagamento dos valores
reconhecidos no acórdão do TJ. João é um deles e ajuíza pedido de cumprimento de sentença. O TJ
remete a execução individual de João para o STF afirmando que mais da metade dos
Desembargadores possui alguma relação de parentesco com outros servidores beneficiados pela
decisão. Logo, para o TJ, a competência para julgar todas as execuções individuais seria do STF, com
base no art. 102, I, “n”, segunda parte, da CF/88.
O STF, contudo, não concordou com a decisão .
O STF não é competente para julgar originariamente a execução de João, pois não há impedimento
dos Desembargadores. Nenhum deles mantêm relação de parentesco com João, servidor que figura
especificamente no processo de execução individual.
143
STF. 1ª Turma. AO 2380 AgR/SE, Rel. Min. Alexandre de Moraes, red. p/ o ac. Min. Roberto
Barroso, julgado em 25/6/2019 (Info 945).

14.7. Embargos de Declaração

Importante!!!
Não cabem embargos de declaração contra decisão de presidente do tribunal que não admite
recurso extraordinário.
Não cabem embargos de declaração contra a decisão de presidente do tribunal que não admite recurso
extraordinário.
Por serem incabíveis, caso a parte oponha os embargos, estes não irão suspender ou interromper o
prazo para a interposição do agravo do art. 1.042 do CPC/2015.
Como consequência, a parte perderá o prazo para o agravo.
Nas palavras do STF: os embargos de declaração opostos contra a decisão de presidente do tribunal
que não admite recurso extraordinário não suspendem ou interrompem o prazo para interposição de
agravo, por serem incabíveis.
STF. 1ª Turma. ARE 688776 ED/RS e ARE 685997 ED/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, julgados em
28/11/2017 (Info 886).

14.8. Execução

Constitucionalidade do art. 741 do CPC/1973 (art. 525, § 1º, III e §§ 12 e 14; e art. 535, § 5º do
CPC/2015).
São constitucionais o parágrafo único do art. 741 e o § 1º do art. 475-L do CPC/1973, bem como os
correspondentes dispositivos do CPC/2015 (art. 525, § 1º, III e §§ 12 e 14; e art. 535, § 5º).
São dispositivos que, buscando harmonizar a garantia da coisa julgada com o primado da
Constituição, vieram agregar ao sistema processual brasileiro um mecanismo com eficácia rescisória
de sentenças revestidas de vício de inconstitucionalidade qualificado, assim caracterizado nas
hipóteses em que:
a) a sentença exequenda (“sentença que está sendo executada”) esteja fundada em uma norma
reconhecidamente inconstitucional, seja por aplicar norma inconstitucional, seja por aplicar norma
em situação ou com um sentido inconstitucionais; ou
b) a sentença exequenda tenha deixado de aplicar norma reconhecidamente constitucional; e
c) desde que, em qualquer dos casos, o reconhecimento dessa constitucionalidade ou a
inconstitucionalidade tenha decorrido de julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) realizado
em data anterior ao trânsito em julgado da sentença exequenda.
STF. Plenário. RE 611503/SP, rel. orig. Min. Teori Zavascki, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin, julgado
em 20/9/2018 (repercussão geral) (Info 916).

14.9. Execução Contra a Fazenda Pública

É válida a penhora realizada sobre bens de sociedade de economia mista que posteriormente
foi sucedida pela União.

144
É válida a penhora em bens de pessoa jurídica de direito privado, realizada anteriormente à sucessão
desta pela União, não devendo a execução prosseguir mediante precatório (art. 100, caput e § 1º, da
Constituição Federal).
STF. Plenário. STF. Plenário. RE 693112-MG, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 09/02/2017
(repercussão geral) (Info 853).

Importante!!!
Obrigação de fazer não está sujeita a precatório.
A execução provisória de obrigação de fazer em face da Fazenda Pública não atrai o regime
constitucional dos precatórios.
Assim, em caso de “obrigação de fazer”, é possível a execução provisória contra a Fazenda Pública,
não havendo incompatibilidade com a Constituição Federal. Ex: sentença determinando que a
Administração institua pensão por morte para dependente de ex-servidor.
STF. Plenário. RE 573872/RS, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 24/5/2017 (repercussão geral)
(Info 866).

14.10. Fazenda Pública em Juízo

Importante!!!
Índices de juros e correção monetária aplicados para condenações contra a Fazenda Pública.
O art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/2009, na parte em que disciplina
os juros moratórios aplicáveis a condenações da Fazenda Pública, é inconstitucional ao incidir sobre
débitos oriundos de relação jurídico-tributária, aos quais devem ser aplicados os mesmos juros de
mora pelos quais a Fazenda Pública remunera seu crédito tributário, em respeito ao princípio
constitucional da isonomia (art. 5º, da CF/88).
Quanto às condenações oriundas de relação jurídica não-tributária, a fixação dos juros moratórios
segundo o índice de remuneração da caderneta de poupança é constitucional, permanecendo hígido,
nesta extensão, o disposto no art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/2009.
O art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/2009, na parte em que disciplina
a atualização monetária das condenações impostas à Fazenda Pública segundo a remuneração oficial
da caderneta de poupança, revela-se inconstitucional ao impor restrição desproporcional ao direito de
propriedade (art. 5º, XXII, da CF/88), uma vez que não se qualifica como medida adequada a capturar
a variação de preços da economia, sendo inidônea a promover os fins a que se destina.
STF. Plenário. RE 870947/SE, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 20/9/2017 (repercussão geral) (Info
878).

14.11. Honorários Advocatícios

Fixação de honorários recursais mesmo quando não há a apresentação de contrarrazões ou


contraminuta.
É cabível a fixação de honorários recursais, prevista no art. 85, § 11, do CPC/2015, mesmo quando
não apresentadas contrarrazões ou contraminuta pelo advogado.

145
STF. Plenário. AO 2063 AgR/CE , rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Luiz Fux, julgado
em 18/5/2017 (Info 865).

Execução de honorários sucumbenciais e fracionamento.


Imagine que 30 pessoas, em litisconsórcio ativo facultativo, propuseram uma ação ordinária contra
determinada autarquia estadual. Desse modo, 30 pessoas que poderiam litigar individualmente contra
a ré decidiram se unir e contratar um só advogado para propor a ação conjuntamente. A ação foi
julgada procedente, condenando a entidade a pagar "XX" reais ao grupo de 30 pessoas. Na mesma
sentença, a autarquia foi condenada a pagar R$ 600 mil reais de honorários advocatícios
sucumbenciais ao advogado dos autores que trabalhou no processo. O advogado dos autores, quando
for cobrar seus honorários advocatícios, terá que executar o valor total (R$ 600 mil) ou poderá dividir
a cobrança de acordo com a fração que cabia a cada um dos clientes (ex: eram 30 autores na ação;
logo, ele poderá ingressar com 30 execuções cobrando R$ 20 mil em cada)?
 SIM. É legítima a execução de honorários sucumbenciais proporcional à respectiva fração de
cada um dos substituídos processuais em "ação coletiva" contra a Fazenda Pública (STF. 1ª
Turma. RE 919269 AgR/RS, RE 913544 AgR/RS e RE 913568 AgR/RS, Rel. Min. Edson
Fachin, julgados em 15/12/2015. Info 812).
 NÃO. Não é possível fracionar o crédito de honorários advocatícios em litisconsórcio ativo
facultativo simples em execução contra a Fazenda Pública por frustrar o regime do precatório.
(STF. 2ª Turma. RE 1038035 AgR/RS, rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Dias
Toffoli, julgado em 7/11/2017. Info 884). É a corrente que prevalece.
STF. 2ª Turma. RE 1038035 AgR/RS, rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Dias Toffoli,
julgado em 7/11/2017 (Info 884).

Execução de honorários sucumbenciais e fracionamento.


Imagine que 30 pessoas, em litisconsórcio ativo facultativo, propuseram uma ação ordinária contra
determinada autarquia estadual. Desse modo, 30 pessoas que poderiam litigar individualmente contra
a ré decidiram se unir e contratar um só advogado para propor a ação conjuntamente. A ação foi
julgada procedente, condenando a entidade a pagar "XX" reais ao grupo de 30 pessoas. Na mesma
sentença, a autarquia foi condenada a pagar R$ 600 mil reais de honorários advocatícios
sucumbenciais ao advogado dos autores que trabalhou no processo. O advogado dos autores, quando
for cobrar seus honorários advocatícios, terá que executar o valor total (R$ 600 mil) ou poderá dividir
a cobrança de acordo com a fração que cabia a cada um dos clientes (ex: eram 30 autores na ação;
logo, ele poderá ingressar com 30 execuções cobrando R$ 20 mil em cada)?
 É válido o fracionamento dos honorários advocatícios em litisconsórcio simples facultativo,
por se tratar de cumulação de ações com o mesmo pedido. Posição da 1ª Turma do STF.
 Não é possível fracionar o crédito de honorários advocatícios em litisconsórcio ativo
facultativo simples em execução contra a Fazenda Pública por frustrar o regime do precatório.
Corrente adotada na 2ª Turma do STF.
STF. 1ª Turma. RE 913536/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado
em 24/6/2018 (Info 908).
STF. 2ª Turma. RE 949383 AgR/RS, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 17/5/2016 (Info 826).

146
Importante!!!
Não é possível o fracionamento da execução dos honorários advocatícios decorrentes de uma
única ação proposta contra a Fazenda Pública por vários litisconsortes ativos facultativos.
Não é possível fracionar o crédito de honorários advocatícios em litisconsórcio ativo facultativo
simples em execução contra a Fazenda Pública por frustrar o regime do precatório.
A quantia devida a título de honorários advocatícios é uma só, fixada de forma global, pois se trata
de um único processo, e, portanto, consiste em título a ser executado de forma una e indivisível.
STF. Plenário. RE 919269 ED-EDv/RS, ARE 930251 AgR-ED-EDv/RS, ARE 797499 AgR-
EDv/RS, RE 919793 AgR-ED-EDv/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 7/2/2019 (Info 929).

14.12. Inquérito Civil

O art. 9º-A da Resolução 23/2007, incluído pela Resolução 126/2015, é constitucional.


A Resolução 23/2007-CNMP disciplina, no âmbito do Ministério Público, a instauração e tramitação
do inquérito civil.
A Resolução 126/2015-CNMP alterou a Resolução 23/2007 e determinou que, se após instaurar o
inquérito civil ou o procedimento preparatório, o membro que o preside concluir ser atribuição de
outro Ministério Público, deverá submeter sua decisão ao referendo do órgão de revisão competente,
no prazo de 3 dias.
O STF considerou que esta previsão é constitucional.
Tratando-se de divergência interna entre órgãos do MP cumpre ao próprio Ministério Público decidir
quem terá a atribuição para conduzir a investigação.
O CNMP possui atribuição constitucional para fazer o controle da atuação administrativa do MP (art.
130-A, da CF/88). O STF entendeu que essa Resolução se insere no campo da estruturação
administrativa da instituição. Não viola, portanto, o princípio da independência funcional e da
unidade, insculpidos no § 1º do art. 127 da CF/88.
Além disso, o STF entendeu que não compete ao Poder Judiciário envolver-se na gestão interna do
MP, cabendo, no caso, um juízo de autocontenção.
STF. Plenário. ADI 5434/DF, rel. Min. Alexandre de Moraes, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin, julgado
em 26/4/2018 (Info 899).

14.13. Julgamento por Amostragem do REsp e RE

Importante!!!
A suspensão dos processos em virtude de reconhecimento de repercussão geral (§ 5º do art.
1.035 do CPC) pode ser aplicada para processos criminais.
O § 5º do art. 1.035 do CPC/2015 preconiza:
§ 5º Reconhecida a repercussão geral, o relator no Supremo Tribunal Federal determinará a suspensão
do processamento de todos os processos pendentes, individuais ou coletivos, que versem sobre a
questão e tramitem no território nacional.
O STF fixou as seguintes conclusões a respeito desse dispositivo:

147
a) a suspensão prevista nesse § 5º não é uma consequência automática e necessária do reconhecimento
da repercussão geral. Em outras palavras, ela não acontece sempre. O Ministro Relator do recurso
extraordinário paradigma tem discricionariedade para determiná-la ou modulá-la;
b) a possibilidade de sobrestamento se aplica aos processos de natureza penal. Isso significa que,
reconhecida a repercussão geral em um recurso extraordinário que trata sobre matéria penal, o
Ministro Relator poderá determinar o sobrestamento de todos os processos criminais pendentes que
versem sobre a matéria;
c) se for determinado o sobrestamento de processos de natureza penal, haverá, automaticamente, a
suspensão da prescrição da pretensão punitiva relativa aos crimes que forem objeto das ações penais
sobrestadas. Isso com base em uma interpretação conforme a Constituição do art. 116, I, do Código
Penal;
d) em nenhuma hipótese, o sobrestamento de processos penais determinado com fundamento no art.
1.035, § 5º, do CPC abrangerá inquéritos policiais ou procedimentos investigatórios conduzidos pelo
Ministério Público;
e) em nenhuma hipótese, o sobrestamento de processos penais determinado com fundamento no art.
1.035, § 5º, do CPC abrangerá ações penais em que haja réu preso provisoriamente;
f) em qualquer caso de sobrestamento de ação penal determinado com fundamento no art. 1.035, §
5º, do CPC, poderá o juízo de piso, no curso da suspensão, proceder, conforme a necessidade, à
produção de provas de natureza urgente.
STF. Plenário. RE 966.177 RG/RS, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 7/6/2017 (Info 868).

14.14. Mandado de Segurança

O STF já relativizou o prazo de 120 dias do MS em nome da segurança jurídica.


Em outubro/2004, a parte impetrou mandado de segurança no STF. O writ foi proposto depois que já
havia se passado mais de 120 dias da publicação do ato impugnado. Dessa forma, o Ministro Relator
deveria ter extinguido o mandado de segurança sem resolução do mérito pela decadência. Ocorre que
o Ministro não se atentou para esse fato e concedeu a liminar pleiteada. Em março/2017, a 1ª Turma
do STF apreciou o mandado de segurança.
O que fez o Colegiado? Extinguiu o MS sem resolução do mérito em virtude da decadência?
NÃO. A 1ª Turma do STF reconheceu que o MS foi impetrado fora do prazo, no entanto, como foi
concedida liminar e esta perdurou por mais de 12 anos, os Ministros entenderam que deveria ser
apreciado o mérito da ação, em nome da segurança jurídica.
STF. 2ª Turma. MS 25097/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 28/3/2017 (Info 859).

Início do prazo decadencial do MS em caso de ato praticado em processo administrativo do


qual o interessado seja parte.
Se no curso de um processo administrativo federal é praticado ato contrário aos interesses da parte, o
prazo de 120 dias para impetração de mandado de segurança somente se inicia quando a parte for
intimada diretamente, na forma do § 3º do art. 26 da Lei nº 9.784/99.
O termo inicial para a formalização de mandado de segurança pressupõe a ciência do impetrante, nos
termos dos arts. 3º e 26 da Lei nº 9.784/99, quando o ato impugnado surgir no âmbito de processo
administrativo do qual seja parte.

148
Ex: o Ministro da Justiça negou o pedido de anistia política formulado por João; esta decisão foi
publicada no Diário Oficial; o prazo para o MS não se iniciou nesta data; isso porque, como há um
processo administrativo, seria necessária a intimação do interessado, na forma do art. 26, § 3º da Lei
nº 9.784/99; somente a partir daí se inicia o prazo decadencial do MS.
STF. 1ª Turma. RMS 32487/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 7/11/2017 (Info 884).

Importante!!!
É desnecessária a oitiva do MP se o tribunal já tiver jurisprudência consolidada sobre o tema
discutido.
Em regra, é indispensável a intimação do Ministério Público para opinar nos processos de mandado
de segurança, conforme previsto no art. 12 da Lei nº 12.016/2009.
No entanto, a oitiva do Ministério Público é desnecessária quando se tratar de controvérsia acerca da
qual o tribunal já tenha firmado jurisprudência.
Assim, não há qualquer vício na ausência de remessa dos autos ao Parquet que enseje nulidade
processual se já houver posicionamento sólido do Tribunal. Nesses casos, é legítima a apreciação de
pronto pelo relator.
STF. 2ª Turma. RMS 32.482/DF, rel. orig. Min. Teori Zavaski, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin,
julgado em 21/8/2018 (Info 912).

Importante!!!
Não cabe MS para declarar lei ou ato normativo inconstitucional.
O mandado de segurança não é o instrumento processual adequado para o controle abstrato de
constitucionalidade de leis e atos normativos.
STF. 2ª Turma. RMS 32.482/DF, rel. orig. Min. Teori Zavaski, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin,
julgado em 21/8/2018 (Info 912).

O acórdão concessivo do MS que determina o pagamento retroativo dos valores devidos a


anistiado político deve incluir também os juros de mora e correção monetária.
Não é necessário o ajuizamento de ação autônoma para o pagamento dos consectários legais inerentes
à reparação econômica devida a anistiado político e reconhecida por meio de Portaria do Ministro da
Justiça, a teor do disposto no art. 8º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) e
no art. 6º, § 6º, da Lei 10.559/2002.
STF. 1ª Turma. RMS 36182/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 14/5/2019 (Info 940).

14.15. Precatórios

Importante!!!
Incidem juros da mora entre a data da realização dos cálculos e a da requisição ou do
precatório.
Incidem os juros da mora no período compreendido entre a data da realização dos cálculos e a da
requisição de pequeno valor (RPV) ou do precatório.
STF. Plenário. RE 579431/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 19/4/2017 (repercussão geral)
(Info 861).

149
Obs: cuidado para não confundir com a SV 17: Durante o período previsto no parágrafo 1º (obs: atual
§ 5º) do artigo 100 da Constituição, não incidem juros de mora sobre os precatórios que nele sejam
pagos. O período de que trata este RE 579431/RS é anterior à requisição do precatório, ou seja,
anterior ao interregno tratado pela SV 17.

É constitucional o art. 86 do ADCT da CF/88 inserido pela EC 37/2002.


É harmônica com a normatividade constitucional a previsão do art. 86 do ADCT na dicção da EC
37/2002 de um regime de transição para tratar dos precatórios reputados de pequeno valor, já
expedidos antes da promulgação da Constituição Federal.
STF. Plenário. RE 587.982/RS e RE 796.939/RS, Rel. Min. Edson Fachin, julgados em 27/3/2019
(repercussão geral) (Info 935).

14.16. Reclamação

Atenção Advocacia Pública!!!


Necessidade de esgotamento das instâncias para alegar violação à decisão do STF que decidiu
pela constitucionalidade do art. 71, § 1º, da Lei 8.666/93.
Em 2010, no julgamento da ADC 16, o STF decidiu que o art. 71, § 1º, da Lei nº 8.666/93 é
constitucional.
Várias decisões da Justiça do Trabalho continuaram entendendo de forma diferente do art. 71, § 1º.
Contra essas decisões, o Poder Público ajuizava diretamente reclamações no STF, que era obrigado
a recebê-las considerando que de uma decisão, até mesmo de 1ª instância, que viola o que o STF
deliberou em sede de ADI, ADC ou ADPF, cabe reclamação.
Em 2017, o STF reafirmou o entendimento de que o art. 71, § 1º, da Lei nº 8.666/93 é constitucional
e deve ser aplicado. Isso foi no julgamento do RE 760931/DF, submetido à sistemática da repercussão
geral.
O STF afirmou que a sua decisão no RE 760931/DF “substituiu” a eficácia da tese fixada na ADC
16. Isso significa que agora o Poder Público, se quiser ajuizar reclamação discutindo o tema, deverá
fazê-lo alegando violação ao RE 760931/DF (e não mais à ADC 16).
Qual a desvantagem disso para o Poder Público:
 Em caso de descumprimento de decisão do STF proferida em ADI, ADC, ADPF: cabe
reclamação mesmo que a decisão “rebelde” seja de 1ª instância. Não se exige o esgotamento
de instâncias.
 Em caso de descumprimento de decisão do STF proferida em recurso extraordinário sob a
sistemática da repercussão geral: cabe reclamação, mas exige-se o esgotamento das instâncias
ordinárias (art. 988, § 5º, II, do CPC/2015).
Assim, agora, a Fazenda Pública terá que esgotar as instâncias ordinárias para ajuizar reclamação
discutindo esse tema.
STF. 1ª Turma. Rcl 27789 AgR/BA, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 17/10/2017 (Info 882).

Atenção Advocacia Pública!!!


Necessidade de esgotamento das instâncias para alegar violação à decisão do STF que decidiu pela
constitucionalidade do art. 71, § 1º, da Lei 8.666/93.

150
Em 2010, no julgamento da ADC 16, o STF decidiu que o art. 71, § 1º, da Lei nº 8.666/93 é
constitucional.
Várias decisões da Justiça do Trabalho continuaram entendendo de forma diferente do art. 71, § 1º.
Contra essas decisões, o Poder Público ajuizava diretamente reclamações no STF, que era obrigado
a recebê-las, considerando que de uma decisão, até mesmo de 1ª instância, que viola o que o STF
deliberou em sede de ADI, ADC ou ADPF, cabe reclamação.
Em 2017, o STF reafirmou o entendimento de que o art. 71, § 1º, da Lei nº 8.666/93 é constitucional
e deve ser aplicado. Isso foi no julgamento do RE 760931/DF, submetido à sistemática da repercussão
geral.
O STF afirmou que a sua decisão no RE 760931/DF “substituiu” a eficácia da tese fixada na ADC
16. Isso significa que agora o Poder Público, se quiser ajuizar reclamação discutindo o tema, deverá
fazê-lo alegando violação ao RE 760931/DF (e não mais à ADC 16).
Qual a desvantagem disso para o Poder Público:
 Em caso de descumprimento de decisão do STF proferida em ADI, ADC, ADPF: cabe
reclamação mesmo que a decisão “rebelde” seja de 1ª instância. Não se exige o esgotamento
de instâncias.
 Em caso de descumprimento de decisão do STF proferida em recurso extraordinário sob a
sistemática da repercussão geral: cabe reclamação, mas exige-se o esgotamento das instâncias
ordinárias (art. 988, § 5º, II, do CPC/2015).
Assim, agora, a Fazenda Pública terá que esgotar as instâncias ordinárias para ajuizar reclamação
discutindo esse tema.
É inviável reclamação com fundamento em afronta ao julgado da ADC 16.
STF. 1ª Turma. Rcl 27789 AgR/BA, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 17/10/2017 (Info 882).
STF. 1ª Turma. Rcl 28623 AgR/BA, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 12/12/2017 (Info 888).

Importante!!!
O ato impugnado na reclamação deve ser posterior à decisão paradigma que se alega violada.
Na reclamação fundada no descumprimento de decisão emanada pelo STF, o ato alvo de controle
deve ser posterior ao paradigma.
Ex: em 2016, o Juiz proferiu decisão negando a homologação do acordo de colaboração premiada
celebrado com o Delegado de Polícia sob o argumento de que a autoridade policial não poderia firmar
esse pacto. Em 2018, o STF proferiu decisão afirmando que o Delegado de Polícia pode formalizar
acordos de colaboração premiada na fase de inquérito policial. Não cabe reclamação contra esta
decisão do Juiz de 2016 sob o argumento de que ela teria violado o acórdão do STF de 2018. Isso
porque só há que se falar em reclamação se o ato impugnado por meio desta ação é posterior à decisão
paradigma.
STF. 2ª Turma. Rcl 32655 AgR/PR, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 23/4/2019 (Info 938).

14.17. Recurso Extraordinário

Importante!!!
Possibilidade de apreciação do recurso extraordinário com repercussão geral mesmo que, no
caso concreto, tenha havido prejudicialidade do tema discutido.

151
Determinado indivíduo ingressou com pedido de registro para concorrer às eleições de Prefeito sem
estar filiado a partido político (candidatura avulsa).
O pedido foi indeferido em todas as instâncias e a questão chegou até o STF por meio de recurso
extraordinário. Ocorre que, quando o STF foi apreciar o tema, já haviam sido realizadas as eleições
municipais. Diante disso, suscitou-se que o recurso estava prejudicado.
O STF reconheceu que, na prática, realmente havia uma prejudicialidade do recurso tendo em vista
que as eleições se encerraram. No entanto, o Tribunal decidiu superar a prejudicialidade e atribuir
repercussão geral à questão constitucional discutida dos autos. Isso significa que o STF admitiu o
processamento do recurso e em uma data futura irá examinar o mérito do pedido, ou seja, se podem
ou não existir candidaturas avulsas no Brasil.
Entendeu-se que o mérito do recurso deveria ser apreciado tendo em vista sua relevância social e
política.
STF. Plenário. ARE 1054490 QO/RJ, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 5/10/2017 (Info 880).

14.18. Recursos

Não cabe recurso extraordinário contra decisão do TST que julga PAD.
Não cabe recurso extraordinário contra decisão do TST que julga processo administrativo disciplinar
instaurado contra magistrado trabalhista.
Compete ao STF julgar, mediante recurso extraordinário, as “causas” decididas em única ou última
instância (art. 102, III, da CF/88).
O vocábulo “causa” referido no inciso III do art. 102 da CF/88 só abrange processos judiciais, razão
pela qual é incabível a interposição de recursos extraordinários contra acórdãos proferidos pelos
Tribunais em processos administrativos, inclusive aqueles de natureza disciplinar instaurados contra
magistrados.
STF. 2ª Turma. ARE 958311/SP, rel. org. Min. Teori Zavaski, red.p/ac. Min. Gilmar Mendes, julgado
em 27/02/2018 (Info 892).

Multa do § 2º do art. 557 do CPC/1973 (§ 4º do art. 1.021 do CPC/2015) e Fazenda Pública.


Se o Poder Público for condenado ao pagamento da multa do § 2º do art. 557 do CPC/1973 (§ 4º do
art. 1.021 do CPC/2015), a interposição de outros recursos ficará condicionada ao depósito prévio do
respectivo valor?
CPC/1973: SIM CPC/2015: NÃO
Havendo condenação da Fazenda Pública ao Veja o que diz o CPC/2015:
pagamento da multa prevista no art. 557, § 2º, Art. 1.021 (...)
do CPC 1973, a interposição de qualquer outro § 4º Quando o agravo interno for declarado
recurso fica condicionada ao depósito prévio do manifestamente inadmissível ou improcedente
respectivo valor. em votação unânime, o órgão colegiado, em
O prévio depósito da multa também é devido decisão fundamentada, condenará o agravante a
pela Fazenda Pública. pagar ao agravado multa fixada entre um e cinco
STJ. 2ª Turma. AgRg no AREsp 553.788-DF, por cento do valor atualizado da causa.
Rel. Min. Assusete Magalhães, julgado em § 5º A interposição de qualquer outro recurso
16/10/2014 (Info 551). está condicionada ao depósito prévio do valor da
multa prevista no § 4º, à exceção da Fazenda

152
STF. 2ª Turma. ARE 931830 AgR/PB, Rel. Pública e do beneficiário de gratuidade da
Min. Dias Toffoli, julgado em 21/8/2018 (Info justiça, que farão o pagamento ao final.
912).

14.19. Requisição de Pequeno Valor

Importante!!!
Os Estados-membros/DF e Municípios podem fixar valor referencial inferior ao do art. 87 do
ADCT (RPV), desde que respeitado o princípio da proporcionalidade.
Os Estados-membros podem editar leis reduzindo a quantia considerada como de pequeno valor, para
fins de RPV, prevista no art. 87 do ADCT da CF/88.
É lícito aos entes federados fixar o valor máximo para essa especial modalidade de pagamento, desde
que se obedeça ao princípio constitucional da proporcionalidade.
Ex: Rondônia editou lei estadual prevendo que, naquele Estado, as obrigações consideradas como de
pequeno valor para fins de RPV seriam aquelas de até 10 salários-mínimos. Assim, a referida Lei
reduziu de 40 para 10 salários-mínimos o crédito decorrente de sentença judicial transitada em
julgado a ser pago por meio de RPV. O STF entendeu que essa redução foi constitucional.
STF. Plenário. ADI 4332/RO, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 7/2/2018 (Info 890).

15. DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO


15.1. Ação Rescisória

É constitucional a exigência de depósito prévio para o ajuizamento de ação rescisória.


É constitucional a fixação de depósito prévio como condição de procedibilidade de ação rescisória.
Esse depósito prévio, correspondente a 20% do valor da causa, é previsto no art. 836 da CLT, com
redação dada pela Lei nº 11.495/2007.
O depósito prévio para ajuizamento da ação rescisória é razoável e visa desestimular ações temerárias.
STF. Plenário. ADI 3995/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 13/12/2018 (Info 927).

15.2. Comissão de Conciliação Prévia

É possível o ajuizamento de reclamação trabalhista mesmo que não se tenha tentado acordo na
Comissão de Conciliação Prévia.
A Comissão de Conciliação Prévia constitui meio legítimo, mas não obrigatório, de solução de
conflitos. Isso significa que é permitido que o empregado ingresse diretamente com a reclamação na
Justiça do Trabalho, mesmo que não tenha buscado previamente a Comissão de Conciliação Prévia.
Deve ser resguardado o acesso à Justiça para os que venham a ajuizar demandas diretamente na
Justiça do Trabalho.
Contraria a CF/88 a interpretação do art. 625-D da CLT que reconheça a submissão da pretensão à
Comissão de Conciliação Prévia como requisito para ajuizamento de reclamação trabalhista.
STF. Plenário. ADI 2139/DF, ADI 2160/DF e ADI 2237/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgados em
1º/8/2018 (Info 909).

153
A eficácia liberatória geral de que trata o art. 625-E, parágrafo único, da CLT, abrange apenas
os valores que foram discutidos na CCP.
O art. 625-E, parágrafo único, da CLT, fala que o termo de conciliação terá eficácia liberatória geral,
exceto quanto às parcelas expressamente ressalvadas.
O STF conferiu interpretação sistemática ao art. 625-E, parágrafo único, da CLT, para dizer que a
expressão “eficácia liberatória geral” somente se refere àquilo que foi objeto da conciliação. Em
outras palavras, somente diz respeito aos valores que foram discutidos na Comissão de Conciliação
Prévia. Isso não significa que haverá uma quitação geral e indiscriminada de verbas trabalhistas
abrangendo parcelas que não foram objeto de debate na CCP.
STF. Plenário. ADI 2139/DF, ADI 2160/DF e ADI 2237/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgados em
1º/8/2018 (Info 909).

PROCEDIMENTO SUMARÍSSIMO. É constitucional a proibição da citação por edital no


procedimento sumaríssimo.
O art. 852-B, II, da CLT, prevê que, nas reclamações enquadradas no procedimento sumaríssimo não
se fará citação por edital, incumbindo ao autor a correta indicação do nome e endereço do reclamado.
O STF decidiu que essa previsão é constitucional. O legislador, ao proibir a citação por edital no
procedimento sumaríssimo, teve por objetivo conferir celeridade e efetividade a este rito.
STF. Plenário. ADI 2139/DF, ADI 2160/DF e ADI 2237/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgados em
1º/8/2018 (Info 909).

15.3. Competência

Tema Polêmico!!!
Ação proposta contra a Administração Pública por servidor que ingressou como celetista antes
da CF/88 e cuja lei posteriormente transformou o vínculo em estatutário.
Compete à Justiça do Trabalho julgar causa relacionada com depósito do Fundo de Garantia do
Tempo de Serviço (FGTS) de servidor que ingressou no serviço público antes da Constituição de
1988 sem prestar concurso.
STF. Plenário. CC 7.950/RN, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 14/09/2016 (Info 839).
Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar demandas propostas contra órgãos da
Administração Pública, por servidores que ingressaram em seus quadros, sem concurso público, antes
da CF/88, sob regime da CLT, com o objetivo de obter prestações de natureza trabalhista.
STF. Plenário. ARE 906491 RG, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 01/10/2015 (repercussão
geral).
Não compete à Justiça do Trabalho julgar controvérsia referente aos reflexos de vantagem
remuneratória, que teve origem em período celetista anterior ao advento do regime jurídico único.
Reconhecido que o vínculo atual entre o servidor e a Administração Pública é estatutário, compete à
Justiça comum processar e julgar a causa.
É a natureza jurídica do vínculo existente entre o trabalhador e o Poder Público, vigente ao tempo da
propositura da ação, que define a competência jurisdicional para a solução da controvérsia,
independentemente de o direito pleiteado ter se originado no período celetista.

154
STF. Plenário. Rcl 8909 AgR/MG, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Cármen Lúcia,
julgado em 22/09/2016 (Info 840).
STF. 2ª Turma. Rcl 26064 AgR/RS, rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Dias Toffoli,
julgado em 21/11/2017 (Info 885).

15.4. Participação em Espetáculos Públicos

Importante!!!
Compete à Justiça Estadual (e não à Justiça do Trabalho) autorizar trabalho artístico de
crianças e adolescentes.
Compete à Justiça Comum Estadual (juízo da infância e juventude) apreciar os pedidos de alvará
visando a participação de crianças e adolescentes em representações artísticas.
Não se trata de competência da Justiça do Trabalho.
O art. 114, I e IX, da CF/88 não abrange os casos de pedido de autorização para participação de
crianças e adolescentes em eventos artísticos, considerando que não há, no caso, conflito atinente a
relação de trabalho. Trata-se de pedido de conteúdo nitidamente civil.
STF. Plenário. ADI 5326/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 27/9/2018 (Info 917).

16. DIREITO PROCESSUAL PENAL


16.1. Ação Penal

Empate no julgamento de ação penal.


Verificado empate no julgamento de ação penal, deve prevalecer a decisão mais favorável ao réu.
Esse mesmo entendimento deve ser aplicado em caso de empate no julgamento dos embargos de
declaração opostos contra o acórdão que julgou a ação penal. Terminando o julgamento dos embargos
empatado, aplica-se a decisão mais favorável ao réu.
STF. Plenário. AP 565 ED-ED/RO, Rel. Min. Cármen Lúcia, red. p/ o ac. Min. Dias Toffoli, julgado
em 14/12/2017 (Info 888).

16.2. Arquivamento

Importante!!!
O STF pode, de ofício, arquivar inquérito quando, mesmo esgotados os prazos para a conclusão
das diligências, não foram reunidos indícios mínimos de autoria ou materialidade.
O STF pode, de ofício, arquivar inquérito quando verificar que, mesmo após terem sido feitas
diligências de investigação e terem sido descumpridos os prazos para a instrução do inquérito, não
foram reunidos indícios mínimos de autoria ou materialidade (art. 231, § 4º, “e”, do RISTF).
A pendência de investigação, por prazo irrazoável, sem amparo em suspeita contundente, ofende o
direito à razoável duração do processo (art. 5º, LXXVIII, da CF/88) e a dignidade da pessoa humana
(art. 1º, III, da CF/88).
Caso concreto: tramitava, no STF, um inquérito para apurar suposto delito praticado por Deputado
Federal. O Ministro Relator já havia autorizado a realização de diversas diligências investigatórias,

155
além de ter aceitado a prorrogação do prazo de conclusão das investigações. Apesar disso, não foram
reunidos indícios mínimos de autoria e materialidade. Com o fim do foro por prerrogativa de função
para este Deputado, a PGR requereu a remessa dos autos à 1ª instância. O STF, contudo, negou o
pedido e arquivou o inquérito, de ofício, alegando que já foram tentadas diversas diligências
investigatórias e, mesmo assim, sem êxito. Logo, a declinação de competência para a 1ª instância a
fim de que lá sejam continuadas as investigações seria uma medida fadada ao insucesso e
representaria apenas protelar o inevitável.
STF. 2ª Turma. Inq 4420/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 21/8/2018 (Info 912).
No mesmo sentido: STF. Decisão monocrática. INQ 4.442, Rel. Min. Roberto Barroso, Dje
12/06/2018.

STF, ao receber pedido da PGR para remessa de investigação contra Senador para a 1ª
instância, determinou o retorno dos autos ao MP a fim de que apresente os indícios contra o
investigado.
Em 2016, foi instaurado inquérito no STF para apurar crimes de corrupção passiva (art. 317 do CP)
e de lavagem de dinheiro (art. 1º, V, da Lei nº 9.613/98) que teriam sido praticados por Aécio Neves.
O Delegado de Polícia Federal concluiu as investigações, opinando, no relatório policial, pelo
arquivamento do inquérito sob a alegação de que não foram reunidos indícios contra o investigado.
A Procuradoria-Geral da República afirmou que, após a manifestação do Delegado, surgiram novos
indícios e que, portanto, as investigações deveriam continuar. Afirmou, contudo, que o STF deveria
remeter os autos à 1ª instância para que as investigações continuassem lá, tendo em vista que os
delitos praticados por Aécio Neves teriam sido praticados fora do cargo de parlamentar federal, não
havendo competência do STF.
O STF determinou o retorno dos autos à PGR para que ela conclua as diligências ainda pendentes de
execução, no prazo de 60 dias, e que depois apresente manifestação conclusiva nos autos, apontando
concretamente os novos elementos de prova a serem considerados.
De posse de manifestação mais objetiva da PGR, com provas suficientes para eventual continuidade
das investigações, o STF poderá avaliar se é mesmo o caso de arquivamento ou se a investigação
deve prosseguir e em que condições.
STF. 2ª Turma. Inq 4244/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, red. p/ o ac. Min. Ricardo Lewandowski,
julgado em 20/11/2018 (Info 924).

16.3. Arresto

É possível o arresto prévio de bens de acusados por suposta prática de crime único de corrupção
passiva em concurso de agentes.
Para que seja autorizada a decretação da medida de arresto, não é necessário que fique demonstrado
que o réu está praticando atos concretos de desfazimento de bens. Porém, é imperiosa a demonstração
da plausibilidade do direito e do perigo na demora.
A indisponibilidade dos bens não traz prejuízos desarrazoados ao réu, pois ele terá seus bens
desbloqueados, se absolvido ao fim do processo.
Assim, é possível o arresto prévio de bens de acusados por suposta prática de crime único de
corrupção passiva em concurso de agentes.

156
STF. 1ª Turma. Pet 7.069/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, red p/o acordão Min. Luís Roberto Barroso,
julgado em 13/3/2019 (Info 933).

16.4. Audiência de Custódia

Importante!!!
Decisão proferida em audiência de custódia reconhecendo a atipicidade do fato não faz coisa
julgada.
A decisão que, na audiência de custódia, determina o relaxamento da prisão em flagrante sob o
argumento de que a conduta praticada é atípica não faz coisa julgada.
Assim, esta decisão não vincula o titular da ação penal, que poderá oferecer acusação contra o
indivíduo narrando os mesmos fatos e o juiz poderá receber essa denúncia.
STF. 1ª Turma. HC 157.306/SP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25/9/2018 (Info 917).

16.5. Colaboração Premiada

Se a colaboração do agente não foi tão efetiva ele terá direito apenas a redução da pena, e não
ao perdão judicial.
A colaboração premiada foi tratado com detalhes pela Lei nº 12.850/2013. No entanto, o julgado do
STF envolveu fatos que aconteceram antes da Lei nº 12.850/2013. Desse modo, o julgamento foi feito
com base na colaboração premiada disciplinada pela Lei nº 9.807/99.
A Lei nº 9.807/99 prevê o instituto da colaboração premiada, assegurando ao colaborador a redução
da pena (art. 14) ou até mesmo o perdão judicial (art. 13).
O réu colaborador não terá direito ao perdão judicial, mas apenas à redução da pena, caso a sua
colaboração não tenha tido grande efetividade como meio para obter provas, considerando que as
investigações policiais, em momento anterior ao da celebração do acordo, já haviam revelado os
elementos probatórios acerca do esquema criminoso integrado.
STF. 1ª Turma. HC 129877/RJ, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 18/4/2017 (Info 861).

Importante!!!
Diversos aspectos relacionados com a homologação do acordo.
Natureza jurídica do acordo de colaboração premiada.
A colaboração premiada é um negócio jurídico processual entre o Ministério Público e o colaborador,
sendo vedada a participação do magistrado na celebração do ajuste entre as partes.
Papel do Poder Judiciário no acordo de colaboração premiada.
A colaboração é um meio de obtenção de prova cuja iniciativa não se submete à reserva de jurisdição
(não exige autorização judicial), diferentemente do que ocorre nas interceptações telefônicas ou na
quebra de sigilo bancário ou fiscal.
Nesse sentido, as tratativas e a celebração da avença são mantidas exclusivamente entre o Ministério
Público e o pretenso colaborador.
O Poder Judiciário é convocado ao final dos atos negociais apenas para aferir os requisitos legais de
existência e validade, com a indispensável homologação.
Natureza da decisão que homologa o acordo de colaboração premiada.

157
A decisão do magistrado que homologa o acordo de colaboração premiada não julga o mérito da
pretensão acusatória, mas apenas resolve uma questão incidente. Por isso, esta decisão tem natureza
meramente homologatória, limitando-se ao pronunciamento sobre a regularidade, legalidade e
voluntariedade do acordo (art. 4º, § 7º, da Lei nº 12.850/2013).
O juiz, ao homologar o acordo de colaboração, não emite juízo de valor a respeito das declarações
eventualmente prestadas pelo colaborador à autoridade policial ou ao Ministério Público, nem confere
o signo da idoneidade a seus depoimentos posteriores.
A análise se as declarações do colaborador são verdadeiras ou se elas se confirmaram com as provas
produzidas será feita apenas no momento do julgamento do processo, ou seja, na sentença (ou
acórdão), conforme previsto no § 11 do art. 4º da Lei.
Na decisão homologatória, magistrado examina se as cláusulas contratuais ofendem
manifestamente o ordenamento jurídico.
No ato de homologação da colaboração premiada, não cabe ao magistrado, de forma antecipada e
extemporânea, tecer juízo de valor sobre o conteúdo das cláusulas avençadas, exceto nos casos de
flagrante ofensa ao ordenamento jurídico vigente.
Ex: o Relator poderá excluir ao acordo a cláusula que limite o acesso à justiça, por violar o art. 5º,
XXXV, da CF/88.
Neste momento, o Relator não realiza qualquer controle de mérito, limitando-se aos aspectos formais
e legais do acordo.
Em caso colaboração premiada envolvendo investigados ou réus com foro no Tribunal, qual é o
papel do Relator?
É atribuição do Relator homologar, monocraticamente, o acordo de colaboração premiada, analisando
apenas a sua regularidade, legalidade e voluntariedade, nos termos do art. 4º, § 7º da Lei nº
12.850/2013:
§ 7º Realizado o acordo na forma do § 6º, o respectivo termo, acompanhado das declarações do
colaborador e de cópia da investigação, será remetido ao juiz para homologação, o qual deverá
verificar sua regularidade, legalidade e voluntariedade, podendo para este fim, sigilosamente, ouvir
o colaborador, na presença de seu defensor.
Não há qualquer óbice à homologação do respectivo acordo mediante decisão monocrática. O art. 21,
I e II, do RISTF confere ao Ministro Relator no STF poderes instrutórios para ordenar, de forma
singular, a realização de quaisquer meios de obtenção de provas.
Em caso colaboração premiada envolvendo investigados ou réus com foro no Tribunal, qual é o
papel do órgão colegiado?
Compete ao órgão colegiado, em decisão final de mérito, avaliar o cumprimento dos termos do acordo
homologado e a sua eficácia, conforme previsto no art. 4º, § 11 da Lei nº 12.850/2013: § 11. A
sentença apreciará os termos do acordo homologado e sua eficácia.
Assim, é possível que o órgão julgador, no momento da sentença ou acórdão, ou seja, após a
conclusão da instrução probatória, avalie se os termos da colaboração foram cumpridos e se os
resultados concretos foram atingidos, o que definirá a sua eficácia.
Acordo de colaboração homologado pelo Relator deve, em regra, produzir seus efeitos, salvo se
presente hipótese de anulabilidade.
O acordo de colaboração devidamente homologado individualmente pelo relator deve, em regra,
produzir seus efeitos diante do cumprimento dos deveres assumidos pelo colaborador. Vale ressaltar,

158
no entanto, que o órgão colegiado detém a possibilidade de analisar fatos supervenientes ou de
conhecimento posterior que firam a legalidade do acordo, nos termos do § 4º do art. 966do CPC/2015:
§ 4º Os atos de disposição de direitos, praticados pelas partes ou por outros participantes do processo
e homologados pelo juízo, bem como os atos homologatórios praticados no curso da execução, estão
sujeitos à anulação, nos termos da lei.
Direitos do colaborador somente serão assegurados se ele cumprir seus deveres.
O direito subjetivo do colaborador nasce e se perfectibiliza na exata medida em que ele cumpre seus
deveres.
Assim, o cumprimento dos deveres pelo colaborador é condição sine qua non para que ele possa gozar
dos direitos decorrentes do acordo.
Por isso diz-se que o acordo homologado como regular, voluntário e legal gera vinculação
condicionada ao cumprimento dos deveres assumidos pela colaboração, salvo ilegalidade
superveniente apta a justificar nulidade ou anulação do negócio jurídico.
STF. Plenário. Pet 7074/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 21, 22, 28 e 29/6/2017 (Info 870).

O § 3º do art. 7º da Lei nº 12.850/2013 prevê um limite máximo de duração do sigilo, sendo


possível que ele seja retirado antes do recebimento da denúncia.
O sigilo sobre o conteúdo de colaboração premiada deve perdurar, no máximo, até o recebimento da
denúncia (art. 7º, § 3º da Lei nº 12.850/2013).
Esse dispositivo não traz uma regra de observância absoluta, mas sim um termo final máximo. Para
que o sigilo seja mantido até o recebimento da denúncia, deve-se demonstrar a existência de uma
necessidade concreta. Não havendo essa necessidade, deve-se garantir a publicidade do acordo.
STF. 1ª Turma. Inq 4435 AgR/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 12/9/2017 (Info 877).

Importante!!!
Competência para homologação do acordo de colaboração premiada se o delatado tiver foro
por prerrogativa de função.
Se a delação do colaborador mencionar fatos criminosos que teriam sido praticados por autoridade
(ex: Governador) e que teriam que ser julgados por foro privativo (ex: STJ), este acordo de
colaboração deverá, obrigatoriamente, ser celebrado pelo Ministério Público respectivo (PGR), com
homologação pelo Tribunal competente (STJ).
Assim, se os fatos delatados tiverem que ser julgados originariamente por um Tribunal (foro por
prerrogativa de função), o próprio acordo de colaboração premiada deverá ser homologado por este
respectivo Tribunal, mesmo que o delator não tenha foro privilegiado.
A delação de autoridade com prerrogativa de foro atrai a competência do respectivo Tribunal para a
respectiva homologação e, em consequência, do órgão do Ministério Público que atua perante a Corte.
Se o delator ou se o delatado tiverem foro por prerrogativa de função, a homologação da colaboração
premiada será de competência do respectivo Tribunal.
STF. 2ª Turma. HC 151605/PR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 20/3/2018 (Info 895).

Análise da legitimidade do delatado para impugnar o acordo de colaboração premiada.


Em regra, o delatado não tem legitimidade para impugnar o acordo de colaboração premiada.

159
Assim, em regra, a pessoa que foi delatada não poderá impetrar um habeas corpus alegando que esse
acordo possui algum vício. Isso porque se trata de negócio jurídico personalíssimo. Esse
entendimento, contudo, não se aplica em caso de homologação sem respeito à prerrogativa de foro.
Desse modo, é possível que o delatado questione o acordo se a impugnação estiver relacionada com
as regras constitucionais de prerrogativa de foro. Em outras palavras, se o delatado for uma autoridade
com foro por prerrogativa de função e, apesar disso, o acordo tiver sido homologado em 1ª instância,
será permitido que ele impugne essa homologação alegando usurpação de competência.
STF. 2ª Turma. HC 151605/PR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 20/3/2018 (Info 895).

Importante!!!
Possibilidade de acordo de colaboração premiada ser celebrado por Delegado de Polícia.
O delegado de polícia pode formalizar acordos de colaboração premiada, na fase de inquérito policial,
respeitadas as prerrogativas do Ministério Público, o qual deverá se manifestar, sem caráter
vinculante, previamente à decisão judicial.
Os §§ 2º e 6º do art. 4º da Lei nº 12.850/2013, que preveem essa possibilidade, são constitucionais e
não ofendem a titularidade da ação penal pública conferida ao Ministério Público pela Constituição
(art. 129, I).
STF. Plenário. ADI 5508/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 20/6/2018 (Info 907).

Não há óbice ao compartilhamento de delação premiada, desde que haja delimitação dos fatos.
É possível o compartilhamento, para outros órgãos e autoridades públicas, das provas obtidas no
acordo de colaboração premiada, desde que sejam respeitados os limites estabelecidos no acordo em
relação ao colaborador.
Assim, por exemplo, se um indivíduo celebra acordo de colaboração premiada com o MP aceitando
fornecer provas contra si, estas provas somente poderão ser utilizadas para as sanções que foram
ajustadas no acordo.
STF. 2ª Turma. PET 7065/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 30/10/2018 (Info 922).

Não há óbice ao compartilhamento de delação premiada, desde que haja delimitação dos fatos.
Ainda que remetido a outros órgãos do Poder Judiciário para apuração dos fatos delatados, o juízo
que homologou o acordo de colaboração premiada continua sendo competente para analisar os
pedidos de compartilhamento dos termos de depoimentos prestados no âmbito da colaboração.
STF. 2ª Turma. PET 7065/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 30/10/2018 (Info 922).

Importante!!!
Poder Judiciário não pode obrigar o Ministério Público a celebrar o acordo de colaboração
premiada.
Não existe direito líquido e certo a compelir o Ministério Público à celebração do acordo de delação
premiada, diante das características desse tipo de acordo e considerando a necessidade de
distanciamento que o Estado-juiz deve manter durante o cenário investigado e a fase de negociação
entre as partes do cenário investigativo.
O acordo de colaboração premiada, além de meio de obtenção de prova, constitui-se em um negócio
jurídico processual personalíssimo, cuja conveniência e oportunidade estão submetidos à

160
discricionariedade regrada do Ministério Público e não se submetem ao escrutínio do Estado-juiz. Em
outras palavras, trata-se de ato voluntário, insuscetível de imposição judicial.
Vale ressaltar, no entanto, que o ato do membro do Ministério Público que se nega à realização do
acordo deve ser devidamente motivado. Essa recusa pode ser objeto de controle por órgão superior
no âmbito do Ministério Público (Procurador-Geral de Justiça ou Comissão de Coordenação e
Revisão), por aplicação analógica do art. 28 do CPP (art. 62, IV, da LC 75/93).
Mesmo sem ter assinado o acordo, o acusado pode colaborar fornecendo as informações e provas que
possuir. Ao final, na sentença, o juiz irá analisar esse comportamento processual e poderá conceder
benefício ao acusado mesmo sem que tenha havido a prévia celebração e homologação do acordo de
colaboração premiada. Dito de outro modo, o acusado pode receber a sanção premial mesmo sem a
celebração do acordo caso o magistrado entenda que sua colaboração foi eficaz.
STF. 2ª Turma. MS 35693 AgR/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 28/5/2019 (Info 942).

16.6. Competência

Importante!!!
Competência para julgar crimes ambientais envolvendo animais silvestres, em extinção,
exóticos ou protegidos por compromissos internacionais.
Compete à Justiça Federal processar e julgar o crime ambiental de caráter transnacional que envolva
animais silvestres, ameaçados de extinção e espécimes exóticas ou protegidas por compromissos
internacionais assumidos pelo Brasil.
STF. Plenário. RE 835558/SP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 9/2/2017 (repercussão geral) (Info
853).

Conduta de um dos pedófilos conexa com um grupo maior localizado em outro juízo.
Se o crime do art. 241-A do ECA for praticado por meio do computador da residência do agente
localizada em São Paulo (SP), mesmo assim ele poderá ser julgado pelo juízo de Curitiba (PR) se
ficar demonstrado que a conduta do agente ocorreu com investigações que tiveram início em Curitiba,
onde um grupo de pedófilos ligados ao agente foi preso e, a partir daí, foram obtidas todas as provas.
Neste caso, a competência do juízo de Curitiba ocorrerá por conexão, não havendo ofensa ao princípio
do juiz natural.
STF. 1ª Turma. HC 135883/PR, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de
Moraes, julgado em 6/6/2017 (Info 868).

Competência para julgar Procurador da República.


Compete ao TRF julgar os crimes praticados por Procurador da República, salvo em caso de crimes
eleitorais, hipótese na qual a competência é do TRE.
Vale ressaltar que o Procurador da República é julgado pelo TRF em cuja área exerce suas atribuições,
sob pena de ofensa ao princípio do juiz natural. Ex: o Procurador da República lotado em Recife (PE)
pratica um crime em Brasília. Ele será julgado pelo TRF da 5ª Região (Tribunal que abrange o
Município onde ele atua) e não pelo TRF da 1ª Região (que abrange Brasília).
Imagine agora que João, Procurador da República, é lotado na Procuradoria de Guarulhos (SP), área
de jurisdição do TRF-3. Ocorre que este Procurador estava no exercício transitório de função no MPF

161
em Brasília. O Procurador pratica um crime neste período. De quem será a competência para julgar
João: do TRF3 ou do TRF1?
Do TRF1. A 2ª Turma, ao apreciar uma situação semelhante a essa, decidiu que a competência seria
do TRF1, Tribunal ao qual o Procurador da República está vinculado no momento da prática do crime,
ainda que esse vínculo seja temporário.
STF. 2ª Turma. Pet 7063/DF, rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Ricardo Lewandowski,
julgado em 1º/8/2017 (Info 871).
Obs: houve empate na votação (2x2) e a conclusão acima exposta prevaleceu em virtude de a decisão
ter sido tomada em habeas corpus no qual, em caso de empate, prevalece o pedido formulado em
favor do paciente.

Importante!!!
Competência para julgar caixa 2 conexo com corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
A doação eleitoral por meio de “caixa 2” é uma conduta que configura crime eleitoral de falsidade
ideológica (art. 350 do Código Eleitoral).
A competência para processar e julgar este delito é da Justiça Eleitoral.
A existência de crimes conexos de competência da Justiça Comum, como corrupção passiva e
lavagem de capitais, não afasta a competência da Justiça Eleitoral, por força do art. 35, II, do CE e do
art. 78, IV, do CPP.
STF. 2ª Turma. PET 7319/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 27/3/2018 (Info 895).

Importante!!!
Em caso de conexão entre crime de competência da Justiça comum (federal ou estadual) e crime
eleitoral, os delitos serão julgados conjuntamente pela Justiça Eleitoral.
Compete à Justiça Eleitoral julgar os crimes eleitorais e os comuns que lhes forem conexos.
Cabe à Justiça Eleitoral analisar, caso a caso, a existência de conexão de delitos comuns aos delitos
eleitorais e, em não havendo, remeter os casos à Justiça competente.
STF. Plenário. Inq 4435 AgR-quarto/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 13 e 14/3/2019 (Info
933).

Importante!!!
Quem julga, no Brasil, crime cometido por brasileiro no exterior e cuja extradição tenha sido
negada?
Quem julga, no Brasil, crime cometido por brasileiro no exterior e cuja extradição tenha sido negada?
 STF: Justiça Estadual;
 STJ: Justiça Federal.
O fato de o delito ter sido cometido por brasileiro no exterior, por si só, não atrai a competência da
Justiça Federal.
Assim, em regra, compete à Justiça Estadual julgar o crime praticado por brasileiro no exterior e que
lá não foi julgado em razão de o agente ter fugido para o Brasil, tendo o nosso país negado a extradição
para o Estado estrangeiro. Somente será de competência da Justiça Federal caso se enquadre em
alguma das hipóteses do art. 109 da CF/88.
STF. 1ª Turma. RE 1.175.638 AgR/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 2/4/2019 (Info 936).

162
Compete à Justiça Federal o processamento e o julgamento da ação penal que versa sobre crime
praticado no exterior que tenha sido transferida para a jurisdição brasileira, por negativa de
extradição.
STJ. 3ª Seção. CC 154.656-MG, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 25/04/2018 (Info 625).

16.7. Denúncia

Atenção Ministério Público!!!


Promotor de Justiça que passa a atuar no processo decorrente de desmembramento oriundo do
TJ está livre para alterar a denúncia anteriormente oferecida pelo PGJ.
A PGR ofereceu denúncia contra Paulo e outros réus perante o STJ. Este Tribunal desmembrou o
feito e ficou com o processo apenas da autoridade com foro no STJ, declinando da competência para
que o TJ julgasse os demais. O PGJ (que atua no TJ) ratificou a denúncia.
Ocorre que o TJ também decidiu desmembrar o feito e ficou com o processo apenas da autoridade
com foro no TJ, declinando da competência para que o juízo de 1ª instância julgasse os demais
corréus. O processo de Paulo, que não tinha foro privativo, foi remetido para a 1ª instância.
O Promotor de Justiça que atua na 1ª instância decidiu não ratificar a peça acusatória, oferecendo
nova denúncia incluindo, inclusive, novos réus.
A defesa alegou que o Promotor não poderia ter alterado a denúncia. O STF entendeu que o membro
do MP agiu corretamente e que não há qualquer nulidade neste caso.
É possível o aditamento da denúncia a qualquer tempo antes da sentença final, garantidos o devido
processo legal, a ampla defesa e o contraditório, especialmente quando a inicial ainda não tenha sido
sequer recebida originariamente pelo juízo competente, como ocorreu no caso concreto.
O membro do MP possui total liberdade na formação de seu convencimento (opinio delicti). Assim,
a sua atuação não pode ser restringida ou ficar vinculada às conclusões jurídicas que o outro membro
do MP chegou, mesmo que este atue em uma instância superior. Em outras palavras, o Promotor de
Justiça que passou a ter atribuição para atuar no caso não está vinculado às conclusões do Procurador-
Geral de Justiça que estava anteriormente funcionando no processo.
Desse modo, é irrelevante que outros membros do Ministério Público com atribuição para atuar em
instância superior, em virtude da análise dos mesmos fatos, tenham, anteriormente, oferecido
denúncia de diferente teor em face do réu, uma vez que, conforme ficou reconhecido pelo STJ e pelo
TJDFT, a competência para o processo criminal era da 1ª instância, de forma que o promotor natural
do caso era o Promotor de Justiça que atua na 1ª instância.
Portanto, o fato de o promotor natural — aquele com atribuição para atuar na 1ª instância — não se
encontrar tecnicamente subordinado e apresentar entendimento jurídico diverso, afasta qualquer
alegação de nulidade decorrente de alteração do teor da peça acusatória oferecida contra o réu Paulo.
STF. 1ª Turma. HC 137637/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 6/3/2018 (Info 893).

Princípio do in dubio pro societate.


No momento da denúncia, prevalece o princípio do in dubio pro societate.
STF. 1ª Turma. Inq 4506/DF, rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado
em 17/04/2018 (Info 898).

163
16.8. Embargos Infringentes

Importante!!!
Excepcionalmente, se a Turma, ao condenar o réu, estiver com quórum incompleto, será
possível o cabimento dos embargos mesmo que tenha havido apenas 1 voto absolutório.
Em regra, cabem embargos infringentes para o Plenário do STF contra decisão condenatória proferida
pelas Turmas do STF, desde que 2 Ministros tenham votado pela absolvição. Neste caso, o placar terá
sido 3 x 2, ou seja, 3 Ministros votaram para condenar e 2 votaram para absolver.
Excepcionalmente, se a Turma, ao condenar o réu, estiver com quórum incompleto, será possível
aceitar o cabimento dos embargos infringentes mesmo que tenha havido apenas 1 voto absolutório.
Isso porque o réu não pode ser prejudicado pela ausência do quórum completo.
STF. Plenário. AP 929 ED-2º julg-EI/AL, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 17/10/2018 (Info 920).

16.9. Emendatio Libelli

Caso de emendatio libelli em 2ª instância.


O réu foi condenado a 4 anos de reclusão pela prática do crime previsto no art. 4º, caput, da Lei nº
7.492/86.
O Tribunal, em recurso exclusivo da defesa, reclassificou a conduta para os art. 16 e 22, parágrafo
único, da Lei nº 7.492/86, mantendo, contudo, a pena em 4 anos de reclusão.
Não há qualquer nulidade no acórdão do Tribunal.
Houve, no presente caso, emendatio libelli.
É possível a realização de emendatio libelli em segunda instância no julgamento de recurso exclusivo
da defesa, desde que não gere reformatio in pejus, nos termos do art. 617 do CPP.
Como a pena foi mantida pelo Tribunal, não houve prejuízo ao réu.
STF. 2ª Turma. HC 134.872/PR, Rel. Min. Dias Tóffoli, julgado em 27/3/2018 (Info 895).

16.10. Execução Penal

Não viola a SV 56 a situação do condenado ao regime semiaberto que está cumprindo pena em
presídio do regime fechado, mas em uma ala destinada aos presos do semiaberto.
João foi condenado a pena em regime semiaberto. Diante da falta de vagas em colônia agrícola ou
industrial, ele se encontra cumprindo a reprimenda em um presídio do regime fechado. Vale ressaltar,
contudo, que neste presídio existe uma ala destinada somente aos sentenciados dos regimes
semiaberto e aberto, concedendo-lhes os benefícios próprios destes regimes.
João encontra-se preso justamente nesta ala do presídio.
A situação de João viola a SV 56 ("A falta de estabelecimento penal adequado não autoriza a
manutenção do condenado em regime prisional mais gravoso, devendo-se observar, nessa hipótese,
os parâmetros fixados no RE 641.320/RS.")?
NÃO. Segundo o STF decidiu no RE 641.320, "os juízes da execução penal podem avaliar os
estabelecimentos destinados aos regimes semiaberto e aberto, para qualificação como adequados a
tais regimes. São aceitáveis estabelecimentos que não se qualifiquem como “colônia agrícola,
industrial” (regime semiaberto) ou “casa de albergado ou estabelecimento adequado” (regime aberto)

164
(art. 33, §1º, “b” e “c”, do CP). No entanto, não deverá haver alojamento conjunto de presos dos
regimes semiaberto e aberto com presos do regime fechado."
Assim, os presos do regime semiaberto podem ficar em outra unidade prisional que não seja colônia
agrícola ou industrial, desde que se trate de estabelecimento similar (adequado às características do
semiaberto).
No caso de João, embora o presídio onde ele está não seja efetivamente uma colônia penal agrícola,
esse estabelecimento preenche, na medida do possível, as condições do regime semiaberto, inclusive
dando condições para que internos se ausentem nas ocasiões legalmente previstas.
STF. 2ª Turma. Rcl 25123/SC, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 18/4/2017 (Info 861).

Não cabimento de habeas corpus contra decisão do Ministro do STJ que nega a liminar em ação
cautelar.
Não cabe habeas corpus para o STF contra decisão monocrática do Ministro do STJ que negou o
pedido da defesa formulado em ação cautelar (medida cautelar) proposta com o objetivo de conferir
efeito suspensivo ao recurso especial. Incide, no caso, o óbice previsto na Súmula 691 do STF.
STF. 1ª Turma. HC 138633/RJ, rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes,
julgado em 8/8/2017 (Info 872).

STF mantém seu entendimento de que é possível a execução provisória da pena.


O STF, ao julgar habeas corpus impetrado pelo ex-Presidente Lula, decidiu manter o seu
entendimento e reafirmar que é possível a execução provisória de acórdão penal condenatório
proferido em grau recursal, ainda que sujeito a recurso especial ou extraordinário. A execução
provisória da pena não ofende o princípio constitucional da presunção de inocência (art. 5º, LVII, da
CF/88).
STF. Plenário. HC 152752/PR, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 4/4/2018 (Info 896).

Impossibilidade de transferência do apenado para outro Estado da Federação sob a alegação


de que estaria recebendo tratamento privilegiado.
É inviável a remoção de apenado para outro Estado com fundamento em suposto tratamento
privilegiado. Apenas razões excepcionalíssimas e devidamente fundamentadas poderiam legitimar
essa medida.
STF. 2ª Turma. HC 152.720/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 10/4/2018 (Info 897).

STF decide que Lula deve permanecer cumprindo pena na Superintendência da Polícia Federal
em Curitiba.
A Justiça Federal de Curitiba determinou a transferência do ex-Presidente Lula para que ele cumprisse
pena em um estabelecimento de São Paulo (SP), deixando, assim, a sede da Superintendência da
Polícia Federal de Curitiba (PR), onde se encontra preso.
A Justiça de São Paulo, ao receber essa decisão, determinou que Lula cumprisse a pena no presídio
de Tremembé, interior do Estado.
O STF, contudo, deferiu liminar para:
a) suspender a eficácia das decisões proferidas pelos Juízos da 12ª Vara Federal de Curitiba/PR e pela
Vara de Execução Criminal de São Paulo, que autorizaram a transferência do ex-Presidente das
dependências da Superintendência da Polícia Federal no Paraná;

165
b) assegurar ao ex-Presidente Lula, até ulterior deliberação, o direito de permanecer custodiado na
sala reservada, instalada na referida Superintendência da Polícia Federal no Paraná, na qual
atualmente se encontra.
STF. Plenário. Pet 8312/PR, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 7/8/2019 (Info 946).

16.11. Foro por Prerrogativa de Função

Arquivamento da investigação com relação à autoridade com foro privativo e remessa dos autos
para a 1ª instância para continuidade quanto aos demais.
Se o STF entende que não há indícios contra a autoridade com foro privativo e se ainda existem outros
investigados, a Corte deverá remeter os autos ao juízo de 1ª instância para que continue a apuração
da eventual responsabilidade penal dos terceiros no suposto fato criminoso.
STF. 1ª Turma. Inq 3158 AgR/RO, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Rosa Weber,
julgado em 7/2/2017 (Info 853).

Importante!!!
Simples menção do nome de autoridade detentora de prerrogativa de foro não obriga a remessa
da investigação ao Tribunal.
A simples menção ao nome de autoridades detentoras de prerrogativa de foro, seja em depoimentos
prestados por testemunhas ou investigados, seja em diálogos telefônicos interceptados, assim como a
existência de informações, até então, fluidas e dispersas a seu respeito, são insuficientes para o
deslocamento da competência para o Tribunal hierarquicamente superior.
Assim, por exemplo, não é porque um dos investigados mencionou o nome de uma autoridade com
foro privativo, que deverá haver o deslocamento da competência.
Somente deverá haver a remessa da investigação para o foro por prerrogativa de função se ficar
constatada a existência de indícios da participação ativa e concreta do titular da prerrogativa em
ilícitos penais.
STF. 2ª Turma. Rcl 25497 AgR/RN, rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 14/2/2017 (Info 854).

Excepcionalmente, o STF mantém no Tribunal a apuração dos fatos envolvendo pessoas sem
foro por prerrogativa de função caso o desmembramento cause prejuízo às investigações.
Em regra, o STF entende que deverá haver o desmembramento dos processos quando houver corréus
sem prerrogativa. Em outras palavras, permanece no STF apenas a apuração do investigado com foro
por prerrogativa de função e os demais são julgados em 1ª instância.
No entanto, no caso envolvendo o Senador Aécio Neves, sua irmã, seu primo e mais um investigado,
o STF decidiu que, no atual estágio, não deveria haver o desmembramento e a apuração dos fatos
deveria permanecer no Supremo para todos os envolvidos. Isso porque entendeu-se que o
desmembramento representaria inequívoco prejuízo às investigações.
STF. 1ª Turma. Inq 4506 AgR/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de
Moraes, julgado em 14/11/2017 (Info 885).

Haverá mudança de competência para julgar o recurso se, após a interposição, houve a
diplomação do réu como Deputado Federal.

166
Se, após a interposição de recurso especial contra a condenação criminal, o réu foi diplomado
Deputado Federal, a competência para julgar este recurso passa a ser do STF.
STF. 1ª Turma. RE 696533/SC, Rel. Min. Luiz Fux, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em
6/2/2018 (Info 890).

Importante!!!
Restrição ao foro por prerrogativa de função.
As normas da Constituição de 1988 que estabelecem as hipóteses de foro por prerrogativa de função
devem ser interpretadas restritivamente, aplicando-se apenas aos crimes que tenham sido praticados
durante o exercício do cargo e em razão dele.
Assim, por exemplo, se o crime foi praticado antes de o indivíduo ser diplomado como Deputado
Federal, não se justifica a competência do STF, devendo ele ser julgado pela 1ª instância mesmo
ocupando o cargo de parlamentar federal.
Além disso, mesmo que o crime tenha sido cometido após a investidura no mandato, se o delito não
apresentar relação direta com as funções exercidas, também não haverá foro privilegiado. Foi fixada,
portanto, a seguinte tese:
O foro por prerrogativa de função aplica-se apenas aos crimes cometidos durante o exercício do cargo
e relacionados às funções desempenhadas.
STF. Plenário. AP 937 QO/RJ, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 03/05/2018 (Info 900).

Marco para o fim do foro: término da instrução.


Após o final da instrução processual, com a publicação do despacho de intimação para apresentação
de alegações finais, a competência para processar e julgar ações penais não será mais afetada em
razão de o agente público vir a ocupar outro cargo ou deixar o cargo que ocupava, qualquer que seja
o motivo.
STF. Plenário. AP 937 QO/RJ, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 03/05/2018 (Info 900).

A prerrogativa de foro de membro do Ministério Público é preservada quando a possível


participação deste em conduta criminosa é comunicada com celeridade ao PGJ.
Se uma pessoa sem foro por prerrogativa está sendo interceptada por decisão do juiz de 1ª instância
e ela liga para uma autoridade com foro (ex: Promotor de Justiça), a gravação desta conversa não é
ilícita. Isso porque se trata de encontro fortuito de provas (encontro fortuito de crimes), também
chamado de serendipidade ou crime achado.
Se após essa ligação, o Delegado ainda demora três dias para comunicar o fato às autoridades
competentes para apurara a conduta do Promotor, este tempo não é considerado excessivo, tendo em
vista a dinâmica que envolve as interceptações telefônicas.
Assim, o STF decidiu que a prerrogativa de foro de membro do Ministério Público é preservada
quando a possível participação deste em conduta criminosa é comunicada com celeridade ao
Procurador-Geral de Justiça.
Tais gravações, por serem lícitas, podem servir como fundamento para que o CNMP aplique sanção
de aposentadoria compulsória a este Promotor.
STF. 1ª Turma. MS 34751/CE, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 14/8/2018 (Info 911).

167
Regras para a aplicação da decisão do STF na AP 937 QO/RJ aos processos em curso no
Supremo.
Com a decisão proferida pelo STF, em 03/05/2018, na AP 937 QO/RJ, todos os inquéritos e processos
criminais que estavam tramitando no Supremo envolvendo crimes não relacionados com o cargo ou
com a função desempenhada pela autoridade, foram remetidos para serem julgados em 1ª instância.
Isso porque o STF definiu, como 1ª tese, que “o foro por prerrogativa de função aplica-se apenas aos
crimes cometidos durante o exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas”.
O entendimento acima não se aplica caso a instrução já tenha se encerrado. Em outras palavras, se a
instrução processual já havia terminado, mantém-se a competência do STF para o julgamento de
detentores de foro por prerrogativa de função, ainda que o processo apure um crime que não está
relacionado com o cargo ou com a função desempenhada. Isso porque o STF definiu, como 2ª tese,
que “após o final da instrução processual, com a publicação do despacho de intimação para
apresentação de alegações finais, a competência para processar e julgar ações penais não será mais
afetada em razão de o agente público vir a ocupar outro cargo ou deixar o cargo que ocupava, qualquer
que seja o motivo.”
STF. 1ª Turma. AP 962/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado
em 16/10/2018 (Info 920).

Se os fatos criminosos que teriam sido supostamente cometidos pelo Deputado Federal não se
relacionam ao exercício do mandato, a competência para julgá-los não é do STF.
Se os fatos criminosos que teriam sido supostamente cometidos pelo Deputado Federal não se
relacionam ao exercício do mandato, a competência para julgá-los não é do STF, mas sim do juízo de
1ª instância.
Isso porque o foro por prerrogativa de função aplica-se apenas aos crimes cometidos durante o
exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas (STF AP 937 QO/RJ, Rel. Min. Roberto
Barroso, julgado em 03/05/2018).
A apropriação indébita se consuma no ato da inversão da propriedade do bem. Se a inversão da
propriedade ocorreu com a transferência dos recursos da conta bancária da empresa vítima, com sede
em Brasília/DF, efetuada pelo Diretor da entidade, tem-se que a competência para apurar este delito
é do juiz de direito de 1ª instância do TJDFT.
STF. 1ª Turma. Inq 4619 AgR-segundo/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 19/2/2019 (Info 931).

Importante!!!
STF é competente para julgar crime eleitoral praticado por Deputado Federal durante a sua
campanha à reeleição caso ele tenha sido reeleito.
Pedro, Deputado Federal, recebeu doação ilegal de uma empresa com o objetivo de financiar a sua
campanha para reeleição. Esta doação não foi contabilizada na prestação de contas, configurando o
chamado “caixa 2” (art. 350 do Código Eleitoral).
Pedro foi reeleito para um novo mandato de 2019 até 2022.
O STF será competente para julgar este crime eleitoral?
SIM. O foro por prerrogativa de função aplica-se apenas aos crimes cometidos durante o exercício do
cargo e relacionados às funções desempenhadas.

168
O STF entende que o recebimento de doação ilegal destinado à campanha de reeleição ao cargo de
Deputado Federal é um crime relacionado com o mandato parlamentar. Logo, a competência é do
STF.
Além disso, mostra-se desimportante a circunstância de este delito ter sido praticado durante o
mandato anterior, bastando que a atual diplomação decorra de sucessiva e ininterrupta reeleição.
STF. Plenário. Inq 4435 AgR-quarto/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 13 e 14/3/2019 (Info
933).

Importante!!!
A prorrogação do foro por prerrogativa de função só ocorre se houve reeleição, não se
aplicando em caso de eleição para um novo mandato após o agente ter ficado sem ocupar função
pública.
Prefeito cometeu o crime durante o exercício do mandato e o delito está relacionado com as suas
funções: a competência para julgá-lo será, em regra, do Tribunal de Justiça.
Se esse Prefeito, antes de o processo terminar, for reeleito para um segundo mandato (consecutivo e
ininterrupto), neste caso, o Tribunal de Justiça continuará sendo competente para julgá-lo.
Por outro lado, se o agente deixar o cargo de Prefeito e, quatro anos mais tarde, for eleito novamente
Prefeito do mesmo Município, nesta situação a competência para julgar o crime será do juízo de 1ª
instância. A prorrogação do foro por prerrogativa de função só ocorre se houve reeleição, não se
aplicando em caso de eleição para um novo mandato após o agente ter ficado sem ocupar função
pública. Ex: em 2011, Pedro, Prefeito, em seu primeiro mandato, cometeu o crime de corrupção
passiva. Pedro foi denunciado e passou a responder um processo penal no TJ. Em 2012, Pedro
disputou a campanha eleitoral buscando a reeleição.
Contudo, ele perdeu. Com isso, Pedro ficou sem mandato eletivo. Vale esclarecer que o processo
continuou tramitando normalmente no TJ. Em 2016, Pedro concorreu novamente ao cargo de Prefeito
do mesmo Município, tendo sido eleito. Em 01/01/2017, João assumiu como Prefeito por força dessa
nova eleição. O processo de Pedro não será julgado pelo TJ, mas sim pelo juízo de 1ª instância.
STF. 1ª Turma. RE 1185838/SP, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 14/5/2019 (Info 940).

É inconstitucional foro por prerrogativa de função para Procuradores do Estado, Procuradores


da ALE, Defensores Públicos e Delegados de Polícia.
É inconstitucional dispositivo da Constituição Estadual que confere foro por prerrogativa de função,
no Tribunal de Justiça, para Procuradores do Estado, Procuradores da ALE, Defensores Públicos e
Delegados de Polícia.
A CF/88, apenas excepcionalmente, conferiu prerrogativa de foro para as autoridades federais,
estaduais e municipais. Assim, não se pode permitir que os Estados possam, livremente, criar novas
hipóteses de foro por prerrogativa de função.
STF. Plenário. ADI 2553/MA, Rel. Min. Gilmar Mendes, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes,
julgado em 15/5/2019 (Info 940).

16.12. Habeas Corpus

Possibilidade de decisão do HC de forma monocrática pelo Ministro Relator.

169
É possível que o Ministro Relator do STJ ou do STF decida monocraticamente o habeas corpus nas
hipóteses autorizadas pelo regimento interno?
 Precedente divulgado no Info 857: NÃO. Cabe ao colegiado o julgamento de habeas corpus.
 Posição amplamente no STF: SIM. O Ministro Relator pode decidir monocraticamente habeas
corpus nas hipóteses autorizadas pelo regimento interno, sem que isso configure violação ao
princípio da colegialidade. Nesse sentido: STF. 1ª Turma. HC 137265 AgR, Rel. Min. Roberto
Barroso, julgado em 07/03/2017; STF. 2ª Turma. HC 131550 AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes,
julgado em 15/12/2015.
STF. 1ª Turma. HC 120496/MS, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 14/3/2017 (Info 857).

Não se admite habeas corpus para reexame dos pressupostos de admissibilidade de recurso
interposto no STJ.
Não cabe habeas corpus para reexame dos pressupostos de admissibilidade de recurso interposto no
STJ.
Ex: o STJ deu provimento ao recurso interposto pelo MP e, com isso, piorou a situação do réu; a
defesa impetra HC no STF contra o acórdão alegando que o STJ, no recurso especial, reexaminou
provas, o que é vedado pela Súmula 7 da Corte (A pretensão de simples reexame de prova não enseja
recurso especial.). Esse HC não será conhecido pelo STF porque o impetrante busca questionar os
pressupostos de admissibilidade do Resp.
STF. 2ª Turma. HC 138944/SC, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 21/3/2017 (Info 858).

Não cabimento de habeas corpus contra decisão monocrática de Ministro do STJ.


Em regra, não cabe habeas corpus para o STF contra decisão monocrática do Ministro do STJ que
não conhece ou denega habeas corpus que havia sido interposto naquele Tribunal. É necessário que
primeiro o impetrante exaure (esgote), no tribunal a quo (no caso, o STJ), as vias recursais ainda
cabíveis (no caso, o agravo regimental).
Exceção: essa regra pode ser afastada em casos excepcionais, quando a decisão atacada se mostrar
teratológica, flagrantemente ilegal, abusiva ou manifestamente contrária à jurisprudência do STF,
situações nas quais o STF poderia conceder de ofício o habeas corpus.
STF. 1ª Turma. HC 139612/MG, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 25/4/2017 (Info 862).

Não cabimento de HC contra ato de Ministro do STF.


Não cabe habeas corpus se a impetração for ajuizada em face de decisões monocráticas proferidas
por Ministro do Supremo Tribunal Federal.
STF. Plenário. HC 115787/RJ, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Dias Toffoli, julgado em
18/5/2017 (Info 865).

Não cabimento de habeas corpus contra decisão monocrática de Ministro do STJ.


Em regra, não cabe habeas corpus para o STF contra decisão monocrática do Ministro do STJ que
não conhece ou denega habeas corpus que havia sido interposto naquele Tribunal. É necessário que
primeiro o impetrante exaure (esgote), no tribunal a quo (no caso, o STJ), as vias recursais ainda
cabíveis (no caso, o agravo regimental).

170
Exceção: essa regra pode ser afastada em casos excepcionais, quando a decisão atacada se mostrar
teratológica, flagrantemente ilegal, abusiva ou manifestamente contrária à jurisprudência do STF,
situações nas quais o STF poderia conceder de ofício o habeas corpus.
STF. 2ª Turma. HC 143476/RJ, rel. orig. Min. Gilmar Mendes, red. p/ o ac. Min. Ricardo
Lewandowski, julgado em 6/6/2017 (Info 868).

Não cabe HC para pedir autorização de visita.


Não cabe habeas corpus para tutelar o direito à visita em presídio.
STF. 1ª Turma. HC 128057/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes,
julgado em 1º/8/2017 (Info 871).

Importante!!!
Não cabe habeas corpus para discutir processo criminal envolvendo o art. 28 da LD.
O art. 28 da LD não prevê a possibilidade de o condenado receber pena privativa de liberdade. Assim,
não existe possibilidade de que o indivíduo que responda processo por este delito sofra restrição em
sua liberdade de locomoção.
Diante disso, não é possível que a pessoa que responda processo criminal envolvendo o art. 28 da LD
impetre habeas corpus para discutir a imputação.
Não havendo ameaça à liberdade de locomoção, não cabe habeas corpus.
Em suma, o habeas corpus não é o meio adequado para discutir crime que não enseja pena privativa
de liberdade.
STF. 1ª Turma. HC 127834/MG, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de
Moraes, julgado em 05/12/2017 (Info 887).

Não cabe HC para obter direito à visita íntima.


O habeas corpus não é o meio adequado para se buscar o reconhecimento do direito a visitas íntimas.
Isso porque não está envolvido no caso o direito de ir e vir.
STF. 1ª Turma. HC 138286, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 5/12/2017 (Info 887).

Importante!!!
É cabível habeas corpus para questionar a imposição de medidas cautelares diversas da prisão.
O habeas corpus pode ser empregado para impugnar medidas cautelares de natureza criminal diversas
da prisão.
STF. 2ª Turma. HC 147426/AP e HC 147303/AP, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgados em 18/12/2017
(Info 888).

Importante!!!
É possível a impetração de habeas corpus coletivo.
O STF admitiu a possibilidade de habeas corpus coletivo.
O habeas corpus se presta a salvaguardar a liberdade. Assim, se o bem jurídico ofendido é o direito
de ir e vir, quer pessoal, quer de um grupo determinado de pessoas, o instrumento processual para
resgatá-lo é o habeas corpus, individual ou coletivo.

171
A ideia de admitir a existência de habeas corpus coletivo está de acordo com a tradição jurídica
nacional de conferir a maior amplitude possível ao remédio heroico (doutrina brasileira do habeas
corpus).
Apesar de não haver uma previsão expressa no ordenamento jurídico, existem dois dispositivos legais
que, indiretamente, revelam a possibilidade de habeas corpus coletivo. Trata-se do art. 654, § 2º e do
art. 580, ambos do CPP.
O art. 654, § 2º estabelece que compete aos juízes e tribunais expedir ordem de habeas corpus de
ofício. O art. 580 do CPP, por sua vez, permite que a ordem concedida em determinado habeas corpus
seja estendida para todos que se encontram na mesma situação.
Assim, conclui-se que os juízes ou Tribunais podem estender para todos que se encontrem na mesma
situação a ordem de habeas corpus concedida individualmente em favor de uma pessoa.
Existem mais de 100 milhões de processos no Poder Judiciário, a cargo de pouco mais de 16 mil
juízes, exigindo do STF que prestigie remédios processuais de natureza coletiva com o objetivo de
emprestar a máxima eficácia ao mandamento constitucional da razoável duração do processo e ao
princípio universal da efetividade da prestação jurisdicional.
Diante da inexistência de regramento legal, o STF entendeu que se deve aplicar, por analogia, o art.
12 da Lei nº 13.300/2016, que trata sobre os legitimados para propor mandado de injunção coletivo.
Assim, possuem legitimidade para impetrar habeas corpus coletivo:
 o Ministério Público;
 o partido político com representação no Congresso Nacional;
 a organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em
funcionamento há pelo menos 1 (um) ano;
 a Defensoria Pública.
STF. 2ª Turma. HC 143641/SP. Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 20/2/2018 (Info 891).

Em regra, não cabe habeas corpus contra decisão transitada em julgado.


É cabível habeas corpus contra decisão judicial transitada em julgado?
1ª) SIM. Foi o que decidiu a 2ª Turma no RHC 146327/RS, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em
27/2/2018 (Info 892).
2ª) NÃO. É a posição majoritária no STF e no STJ. Vale ressaltar que se houver alguma ilegalidade
flagrante, o Tribunal poderá conceder a ordem de ofício.
STF. 2ª Turma. RHC 146327/RS, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 27/2/2018 (Info 892).

Importante!!!
Relator pode determinar, de forma discricionária, que HC seja julgado pelo Plenário do STF
(e não pela Turma).
A competência para julgar determinados habeas corpus é de uma das duas Turmas do STF (e não do
Plenário). Ex: HC contra decisão do STJ, em regra, é de competência de uma das Turmas do STF.
O Ministro Relator do HC no STF, em vez de submetê-lo à Turma, pode levá-lo para ser julgado pelo
Plenário?
SIM. Essa possibilidade encontra-se prevista no art. 6º, II, “c” e no art. 21, XI, do RI/STF.
Para fazer isso, o Relator precisa fundamentar essa remessa? É necessário que o Relator apresente
uma justificativa para que o caso seja levado ao Plenário?

172
NÃO. É possível a remessa de habeas corpus ao Plenário do STF, pelo relator, de forma
discricionária, com fundamento no art. 6º, II, “c” e no art. 21, XI, do RI/STF.
STF. Plenário. HC 143333/PR, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 11 e 12/4/2018 (Info 897).

A superveniência da sentença condenatória faz com que o habeas corpus impetrado


anteriormente fique prejudicado.
A superveniência de sentença condenatória que mantém a prisão preventiva prejudica a análise do
habeas corpus que havia sido impetrado contra o título originário da custódia.
Se, após o habeas corpus ser impetrado contra a prisão preventiva, o juiz ou Tribunal prolata
sentença/acórdão condenatório e mantém a prisão anteriormente decretada, haverá uma alteração do
título prisional e, portanto, o habeas corpus impetrado contra prisão antes do julgamento não deverá
ser conhecido.
STF. Plenário. HC 143333/PR, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 11 e 12/4/2018 (Info 897).

Não cabe recurso contra a decisão do Ministro Relator que, motivadamente, defere ou indefere
liminar em HC.
Não se admite agravo regimental contra decisão do Ministro Relator que, motivadamente, defere ou
indefere liminar em habeas corpus.
STF. 2ª Turma. HC 157.604/RJ, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 4/9/2018 (Info 914).

Cabe sustentação oral no agravo regimental interposto contra a decisão monocrática do


Ministro do STF que negou seguimento ao habeas corpus.
Cabe sustentação oral no agravo regimental interposto contra a decisão monocrática do Ministro do
STF que negou seguimento ao habeas corpus.
Fundamento: aplicação, por analogia, da regra do § 3º do art. 937 do CPC/2015.
STF. 2ª Turma. HC 152676/PR, Rel. Min. Edson Fachin, red. p/ ac. Min. Gilmar Mendes, julgado em
9/4/2019 (Info 937).

16.13. Impedimentos

A participação de magistrado em julgamento de caso em que seu pai já havia atuado é causa de
nulidade absoluta.
A participação de magistrado em julgamento de caso em que seu pai já havia atuado é causa de
nulidade absoluta, prevista no art. 252, I, do CPP.
STF. 2ª Turma. HC 136015/MG, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 14/5/2019 (Info 940).

16.14. Indulto

O indulto da pena privativa de liberdade não alcança a pena de multa se o condenado parcelou
este valor para ter direito à progressão de regime.
O indulto da pena privativa de liberdade não alcança a pena de multa que tenha sido objeto de
parcelamento espontaneamente assumido pelo sentenciado.
O acordo de pagamento parcelado da sanção pecuniária deve ser rigorosamente cumprido sob pena
de descumprimento de decisão judicial, violação ao princípio da isonomia e da boa-fé objetiva.

173
STF. Plenário. EP 11 IndCom-AgR/DF, rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 8/11/2017 (Info 884).

O Decreto nº 9.246/2017, que concedeu indulto natalino de 2017, é constitucional.


O Decreto nº 9.246/2017, que concedeu indulto natalino, é constitucional.
O indulto é um mecanismo de freios e contrapesos exercido pelo Poder Executivo sobre o Judiciário,
sendo consentâneo com a teoria da separação dos poderes.
O indulto não faz parte da doutrina penal, não é instrumento consentâneo à política criminal.
Trata-se, como já explicado, de legítimo mecanismo de freios e contrapesos para coibir excessos e
permitir maior equilíbrio na Justiça criminal.
O indulto é considerado um ato discricionário e privativo do Presidente da República.
O decreto de indulto não é imune ao controle jurisdicional, no entanto, suas limitações se encontram
no texto constitucional (art. 5º, XLIII, da CF/88).
É possível a concessão de indulto para crimes de corrupção (em sentido amplo) e lavagem de dinheiro.
Isso porque não há vedação na Constituição Federal.
O parecer oferecido pelo Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP) acerca
dos critérios de concessão do indulto não vincula o Presidente da República.
STF. Plenário. ADI 5874/DF, rel. orig. Min. Roberto Barroso, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes,
julgado em 9/5/2019 (Info 939).

16.15. Inquérito Policial

Possibilidade de reabertura de inquérito policial arquivado por excludente de ilicitude.


O arquivamento de inquérito policial por excludente de ilicitude realizado com base em provas
fraudadas não faz coisa julgada material.
STF. Plenário. HC 87395/PR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 23/3/2017 (Info 858).
Obs1: o STF entende que o inquérito policial arquivado por excludente de ilicitude pode ser reaberto
mesmo que não tenha sido baseado em provas fraudadas. Se for com provas fraudadas, como no caso
acima, com maior razão pode ser feito o desarquivamento.
Obs2: ao contrário do STF, o STJ entende que o arquivamento do inquérito policial baseado em
excludente de ilicitude produz coisa julgada material e, portanto, não pode ser reaberto. Nesse sentido:
STJ. 6ª Turma. RHC 46.666/MS, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 05/02/2015.

Importante!!!
Não é necessária, mesmo após a Lei 13.245/2016, a intimação prévia da defesa técnica do
investigado para a tomada de depoimentos orais na fase de inquérito policial.
Não é necessária a intimação prévia da defesa técnica do investigado para a tomada de depoimentos
orais na fase de inquérito policial. Não haverá nulidade dos atos processuais caso essa intimação não
ocorra.
O inquérito policial é um procedimento informativo, de natureza inquisitorial, destinado
precipuamente à formação da opinio delicti do órgão acusatório.
Logo, no inquérito há uma regular mitigação das garantias do contraditório e da ampla defesa. Esse
entendimento justifica-se porque os elementos de informação colhidos no inquérito não se prestam,
por si sós, a fundamentar uma condenação criminal.

174
A Lei nº 13.245/2016 implicou um reforço das prerrogativas da defesa técnica, sem, contudo, conferir
ao advogado o direito subjetivo de intimação prévia e tempestiva do calendário de inquirições a ser
definido pela autoridade policial.
STF. 2ª Turma. Pet 7612/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 12/03/2019 (Info 933).

16.16. Interceptação Telefônica

Renovação das interceptações.


A Lei nº 9.296/96 prevê que a interceptação telefônica "não poderá exceder o prazo de quinze dias,
renovável por igual tempo uma vez comprovada a indispensabilidade do meio de prova." (art. 5º).
A interceptação telefônica não pode exceder 15 dias. Contudo, pode ser renovada por igual período,
não havendo restrição legal ao número de vezes para tal renovação, se comprovada a sua necessidade.
STF. 2ª Turma. HC 133148/ES, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 21/2/2017 (Info 855).

Importante!!!
Crime achado.
O réu estava sendo investigado pela prática do crime de tráfico de drogas.
Presentes os requisitos constitucionais e legais, o juiz autorizou a interceptação telefônica para apurar
o tráfico.
Por meio dos diálogos, descobriu-se que o acusado foi o autor de um homicídio.
A prova obtida a respeito da prática do homicídio é LÍCITA, mesmo a interceptação telefônica tendo
sido decretada para investigar outro delito que não tinha relação com o crime contra a vida.
Na presente situação, tem-se aquilo que o Min. Alexandre de Moraes chamou de “crime achado”, ou
seja, uma infração penal desconhecida e não investigada até o momento em que, apurando-se outro
fato, descobriu-se esse novo delito.
Para o Min. Alexandre de Moraes, a prova é considerada lícita, mesmo que o “crime achado” não
tenha relação (não seja conexo) com o delito que estava sendo investigado, desde que tenham sido
respeitados os requisitos constitucionais e legais e desde que não tenha havido desvio de finalidade
ou fraude.
STF. 1ª Turma. HC 129678/SP, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes,
julgado em 13/6/2017 (Info 869).

“Denúncia anônima” e quebra de sigilo.


Segundo a jurisprudência do STJ e do STF, não há ilegalidade em iniciar investigações preliminares
com base em "denúncia anônima" a fim de se verificar a plausibilidade das alegações contidas no
documento apócrifo.
A Polícia, com base em diligências preliminares para atestar a veracidade dessas “denúncias” e
também lastreada em informações recebidas pelo Ministério da Justiça e pela CGU, requereu ao juízo
a decretação da interceptação telefônica do investigado.
O STF entendeu que a decisão do magistrado foi correta considerando que a decretação da
interceptação telefônica não foi feita com base unicamente na "denúncia anônima" e sim após a
realização de diligências investigativas e também com base nas informações recebidas dos órgãos
públicos de fiscalização.
STF. 2ª Turma. RHC 132115/PR, Rel. Min. Dias Tóffoli, julgado em 6/2/2018 (Info 890).
175
Renovação das interceptações.
A Lei nº 9.296/96 prevê que a interceptação telefônica "não poderá exceder o prazo de quinze dias,
renovável por igual tempo uma vez comprovada a indispensabilidade do meio de prova." (art. 5º).
A interceptação telefônica não pode exceder 15 dias. Contudo, pode ser renovada por igual período,
não havendo restrição legal ao número de vezes para tal renovação, se comprovada a sua necessidade.
STF. 2ª Turma. RHC 132115/PR, Rel. Min. Dias Tóffoli, julgado em 6/2/2018 (Info 890).

Importante!!!
É inconstitucional Resolução do CNJ que proíbe o juiz de prorrogar a interceptação telefônica
durante o plantão judiciário ou durante o recesso do fim de ano.
A Resolução 59/2008 do CNJ disciplina e uniformiza o procedimento de interceptação de
comunicações telefônicas e de sistemas de informática e telemática nos órgãos jurisdicionais do Poder
Judiciário.
Foi proposta uma ADI contra esse ato normativo.
O STF decidiu que essa Resolução é constitucional, com exceção do § 1º do art. 13, que prevê o
seguinte: “§ 1º Não será admitido pedido de prorrogação de prazo de medida cautelar de interceptação
de comunicação telefônica, telemática ou de informática durante o plantão judiciário, ressalvada a
hipótese de risco iminente e grave à integridade ou à vida de terceiros, bem como durante o Plantão
de Recesso previsto artigo 62 da Lei nº 5.010/66”.
Em relação ao § 1º do art. 13 da Resolução 59/2008, o CNJ extrapolou sua competência normativa,
adentrando em seara que lhe é imprópria. Essa previsão violou:
a) a competência dos Estados para editar suas leis de organização judiciária (art. 125, § 1º, da CF/88);
b) a competência legislativa na União para a edição de normas processuais (art. 22, I);
c) a norma constante do art. 5º, XXXV, da CF, no que respeita à inafastabilidade da jurisdição.
STF. Plenário. ADI 4145/DF, Rel. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes,
julgado em 26/4/2018 (Info 899).

Constitucionalidade da Resolução 36/2009-CNMP.


É constitucional a Resolução 36/2009 do CNMP, que dispõe sobre o pedido e a utilização de
interceptações telefônicas, no âmbito do Ministério Público, nos termos da Lei nº 9.296/96.
A norma foi editada no exercício das atribuições previstas diretamente no art. 130-A, § 2º, I e II, da
CF/88.
A Resolução apenas regulamentou questões administrativas e disciplinares relacionadas ao
procedimento de interceptação telefônica, sem adentrar em matéria de direito penal, processual ou
relativa a nulidades.
Não foram criados novos “requisitos formais de validade” das interceptações. Tanto isso é verdade
que a inobservância dos preceitos contidos na resolução não constitui causa de nulidade, mas sim
motivo para a instauração de procedimento administrativo disciplinar contra o agente público infrator,
pois consistem em regras ligadas aos deveres funcionais de sigilo na atuação ministerial.
A independência funcional do MP foi preservada. A resolução não impõe uma linha de atuação
ministerial, apenas promove a padronização formal mínima dos ritos adotados nos procedimentos
relacionados a interceptações telefônicas, em consonância com as regras previstas na Lei nº 9.296/96.
STF. Plenário. ADI 4263/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 25/4/2018 (Info 899).
176
16.17. Interrogatório

Importante!!!
Inconstitucionalidade da condução coercitiva para interrogatório.
O CPP, ao tratar sobre a condução coercitiva, prevê o seguinte:
Art. 260. Se o acusado não atender à intimação para o interrogatório, reconhecimento ou qualquer
outro ato que, sem ele, não possa ser realizado, a autoridade poderá mandar conduzi-lo à sua presença.
O STF declarou que a expressão “para o interrogatório”, prevista no art. 260 do CPP, não foi
recepcionada pela Constituição Federal.
Assim, caso seja determinada a condução coercitiva de investigados ou de réus para interrogatório,
tal conduta poderá ensejar:
 a responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade;
 a ilicitude das provas obtidas;
 a responsabilidade civil do Estado.
Modulação dos efeitos: o STF afirmou que o entendimento acima não desconstitui (não invalida) os
interrogatórios que foram realizados até a data do julgamento, ainda que os interrogados tenham sido
coercitivamente conduzidos para o referido ato processual.
STF. Plenário. ADPF 395/DF e ADPF 444/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgados em 13 e
14/6/2018 (Info 906).

Importante!!!
O interrogatório é o último ato da instrução também nas ações penais regidas pela Lei nº
8.038/90.
Nos processos criminais que tramitam perante o STF e o STJ, cujo procedimento é regido pela Lei nº
8.038/90, o interrogatório também é o último ato de instrução.
Apesar de não ter havido uma alteração específica do art. 7º da Lei 8.038/90, com base no CPP,
entende-se que o interrogatório é um ato de defesa, mais bem exercido depois de toda a instrução,
porque há possibilidade do contraditório mais amplo.
Assim, primeiro devem ser ouvidas todas as testemunhas arroladas pela acusação e pela defesa para,
só então, ser realizado o interrogatório.
STF. 1ª Turma. AP 1027/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Luís Roberto Barroso,
julgado em 2/10/2018 (Info 918).

16.18. Julgamento por Amostragem de REsp e RE

Importante!!!
A suspensão dos processos em virtude de reconhecimento de repercussão geral (§ 5º do art.
1.035 do CPC) pode ser aplicada para processos criminais.
O § 5º do art. 1.035 do CPC/2015 preconiza:
§ 5º Reconhecida a repercussão geral, o relator no Supremo Tribunal Federal determinará a suspensão
do processamento de todos os processos pendentes, individuais ou coletivos, que versem sobre a
questão e tramitem no território nacional.

177
O STF fixou as seguintes conclusões a respeito desse dispositivo:
a) a suspensão prevista nesse § 5º não é uma consequência automática e necessária do reconhecimento
da repercussão geral. Em outras palavras, ela não acontece sempre. O Ministro Relator do recurso
extraordinário paradigma tem discricionariedade para determiná-la ou modulá-la;
b) a possibilidade de sobrestamento se aplica aos processos de natureza penal. Isso significa que,
reconhecida a repercussão geral em um recurso extraordinário que trata sobre matéria penal, o
Ministro Relator poderá determinar o sobrestamento de todos os processos criminais pendentes que
versem sobre a matéria;
c) se for determinado o sobrestamento de processos de natureza penal, haverá, automaticamente, a
suspensão da prescrição da pretensão punitiva relativa aos crimes que forem objeto das ações penais
sobrestadas. Isso com base em uma interpretação conforme a Constituição do art. 116, I, do Código
Penal;
d) em nenhuma hipótese, o sobrestamento de processos penais determinado com fundamento no art.
1.035, § 5º, do CPC abrangerá inquéritos policiais ou procedimentos investigatórios conduzidos pelo
Ministério Público;
e) em nenhuma hipótese, o sobrestamento de processos penais determinado com fundamento no art.
1.035, § 5º, do CPC abrangerá ações penais em que haja réu preso provisoriamente;
f) em qualquer caso de sobrestamento de ação penal determinado com fundamento no art. 1.035, §
5º, do CPC, poderá o juízo de piso, no curso da suspensão, proceder, conforme a necessidade, à
produção de provas de natureza urgente.
STF. Plenário. RE 966.177 RG/RS, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 7/6/2017 (Info 868).

16.19. Medida de Segurança

Pessoa que havia recebido medida de segurança, mas que, no recurso, teve extinta a
punibilidade por prescrição não pode permanecer internada no hospital de custódia.
É inconstitucional a manutenção em Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico –
estabelecimento penal – de pessoa com diagnóstico de doença psíquica que teve extinta a
punibilidade. Essa situação configura uma privação de liberdade sem pena.
STF. 2ª Turma. HC 151523/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 27/11/2018 (Info 925).

16.20. Nulidades

"Denúncia anônima" e interceptação telefônica.


Após receber diversas denúncias de fraudes em licitações realizadas no Município, o Ministério
Público Estadual promoveu diligências preliminares e instaurou Procedimento Investigativo.
Segundo a jurisprudência do STJ e do STF, não há ilegalidade em iniciar investigações preliminares
com base em "denúncia anônima" a fim de se verificar a plausibilidade das alegações contidas no
documento apócrifo.
Após confirmar a plausibilidade das "denúncias", o MP requereu ao juízo a decretação da
interceptação telefônica dos investigados alegando que não havia outro meio senão a utilização de tal
medida, como forma de investigação dos supostos crimes.
O juiz acolheu o pedido.

178
O STJ e o STF entenderam que a decisão do magistrado foi correta considerando que a decretação da
interceptação telefônica não foi feita com base unicamente na "denúncia anônima" e sim após a
realização de diligências investigativas por parte do Ministério Público e a constatação de que a
interceptação era indispensável neste caso.
STJ. 6ª Turma. RHC 38.566/ES, Rel. Min. Ericson Maranho (Des. Conv. do TJ/SP), julgado em
19/11/2015.
STF. 2ª Turma. HC 133148/ES, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 21/2/2017 (Info 855).

A investigação criminal contra Prefeito deverá ser feita com o controle jurisdicional do TJ.
Declarações colhidas em âmbito estritamente privado sem acompanhamento de autoridade
pública não apresentam confiabilidade.
A denúncia contra Prefeito por crime em licitação municipal deve indicar sua participação ou
conhecimento acerca dos fatos.
Em caso de denúncia envolvendo crime do DL 201/67 e delito diverso, deverá ser assegurada a
defesa prévia para ambas as imputações.
Neste julgado, podemos destacar quatro importantes conclusões:
I – O prefeito detém prerrogativa de foro, constitucionalmente estabelecida. Desse modo, os
procedimentos de natureza criminal contra ele instaurados devem tramitar perante o Tribunal de
Justiça (art. 29, X, da CF/88). Isso significa dizer que as investigações criminais contra o Prefeito
devem ser feitas com o controle (supervisão) jurisdicional da autoridade competente (no caso, o TJ).
II – Deve ser rejeitada, por ausência de justa causa, a denúncia que, ao arrepio da legalidade, baseia-
se em supostas declarações, colhidas em âmbito estritamente privado, sem acompanhamento de
qualquer autoridade pública (autoridade policial, membro do Ministério Público) habilitada a
conferir-lhes fé pública e mínima confiabilidade.
III – A denúncia contra Prefeito por crime ocorrido em licitação municipal deve indicar, ao menos
minimamente, que o acusado tenha tido participação ou conhecimento dos fatos supostamente ilícitos.
O Prefeito não pode ser incluído entre os acusados unicamente em razão da função pública que ocupa,
sob pena de violação à responsabilidade penal subjetiva, na qual não se admite a responsabilidade
presumida.
IV – Se o réu é denunciado por crime previsto no art. 1º do DL 201/67 em concurso com outro delito
cujo rito segue o CPP, ex: art. 312 do CP, art. 90 da Lei nº 8.666/93, o magistrado ou Tribunal, antes
de receber a denúncia, deverá dar oportunidade para que o denunciado ofereça defesa prévia. Não
pode a defesa prévia ser concedida apenas para a imputação referente ao art. 1º do DL 201/67. A
defesa prévia antes do recebimento da denúncia é prevista no art. 2º, I, do DL 201/67, que é
considerado procedimento especial e, portanto, prevalece sobre o comum.
STF. 1ª Turma. AP 912/PB, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 7/3/2017 (Info 856).

Importante!!!
Situação na qual não houve violação ao Princípio do Promotor Natural.
Não viola o Princípio do Promotor Natural se o Promotor de Justiça que atua na vara criminal comum
oferece denúncia contra o acusado na vara do Tribunal do Júri e o Promotor que funciona neste juízo
especializado segue com a ação penal, participando dos atos do processo até a pronúncia.

179
No caso concreto, em um primeiro momento, entendeu-se que a conduta não seria crime doloso contra
a vida, razão pela qual os autos foram remetidos ao Promotor da vara comum. No entanto, mais para
frente comprovou-se que, na verdade, tratava-se sim de crime doloso.
Com isso, o Promotor que estava no exercício ofereceu a denúncia e remeteu a ação imediatamente
ao Promotor do Júri, que poderia, a qualquer momento, não ratificá-la.
Configurou-se uma ratificação implícita da denúncia.
Não houve designação arbitrária ou quebra de autonomia.
STF. 1ª Turma. HC 114093/PR, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de
Moraes, julgado em 3/10/2017 (Info 880).

Havendo mais de um advogado constituído, não há nulidade na intimação de apenas um deles


que, no entanto, já estava morto, mas cujo falecimento não foi comunicado ao juízo.
Não há nulidade se o réu possui mais de um advogado constituído nos autos e a intimação para a
sessão de julgamento ocorre em nome de apenas um dos causídicos que, no entanto, já havia falecido,
mas cuja morte não tinha sido comunicada ao Tribunal.
Vale ressaltar que, neste caso, não havia pedido da defesa para que todos os advogados fossem
intimados ou para que constasse o nome de um causídico em específico nas publicações.
Assim, estando o réu representado por mais de um advogado, basta, em regra, que a intimação seja
realizada em nome de um deles para a validade dos atos processuais, salvo quando houver
requerimento expresso para que as publicações sejam feitas de forma diversa.
STJ. 5ª Turma. HC 270.534/SC, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 07/03/2017.
STF. 1ª Turma. HC 138097/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado
em 23/10/2018 (Info 921).
Cumpre esclarecer, no entanto, que, se, no processo estivesse atuando apenas um advogado, neste
caso, haveria nulidade:
A intimação do julgamento da apelação em nome do advogado falecido do réu, único causídico
constituído nos autos, configura cerceamento de defesa apto a ensejar a nulidade absoluta, já que
impossibilitou a interposição de recurso pela defesa.
STJ. 5ª Turma. HC 307.461/CE, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 14/08/2018.
STJ. 6ª Turma. HC 301.274/CE, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, julgado em 23/10/2018.

É nulo o interrogatório travestido de entrevista realizado pela autoridade policial com o


investigado, durante a busca e apreensão em sua residência, sem assistência de advogado e sem
a comunicação de seus direitos.
É nula a “entrevista” realizada pela autoridade policial com o investigado, durante a busca e apreensão
em sua residência, sem que tenha sido assegurado ao investigado o direito à prévia consulta a seu
advogado e sem que ele tenha sido comunicado sobre seu direito ao silêncio e de não produzir provas
contra si mesmo.
Trata-se de um “interrogatório travestido de entrevista”, havendo violação do direito ao silêncio e à
não autoincriminação.
STF. 2ª Turma. Rcl 33711/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 11/6/2019 (Info 944).

16.21. Prisão

180
Importante!!!
Advogado condenado em 2ª instância ainda tem direito à prisão em sala de Estado-maior?
A prerrogativa conferida ao advogado da prisão em sala de Estado-Maior (art. 7º, V, da Lei nº
8.906/94) continua existindo mesmo que já estejamos na fase de execução provisória da pena?
 Redação literal da Lei: SIM. O art. 7º, V, afirma que o advogado terá direito de ser preso em
sala de Estado-Maior até que haja o trânsito em julgado.
 STJ: NÃO. A prerrogativa conferida aos advogados pelo art. 7º, V, da Lei nº 8.906/94, refere-
se à prisão cautelar, não se aplicando para o caso de execução provisória da pena (prisão-
pena). STJ. 6ª Turma. HC 356.158/SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em
19/05/2016.
 STF: ainda não tem posição expressa sobre o tema. No entanto, a Corte não admite reclamação
contra decisões dos Tribunais que determinam a prisão dos advogados condenados em 2ª
instância em unidades prisionais comuns.
(STF. 2ª Turma. Rcl 25111 AgR/PR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 16/5/2017. (Info 865).

Réu pronunciado e que aguarda Júri há 7 anos preso, sem culpa da defesa, deverá ter direito à
revogação da preventiva.
Em um caso concreto, os réus, embora pronunciados, estavam aguardando presos há 7 anos serem
julgados pelo Tribunal do Júri.
Diante disso, o STF concedeu ordem em “habeas corpus” para revogar prisão preventiva em razão do
excessivo prazo de duração da prisão. Além disso, determinou que o STJ julgue recurso especial
interposto contra o acórdão que confirmou a sentença de pronúncia referente no prazo máximo de dez
sessões (entre ordinárias e extraordinárias), contado da comunicação da decisão.
Em nosso sistema jurídico, a prisão meramente processual do indiciado ou do réu reveste-se de caráter
excepcional, mesmo que se trate de crime hediondo ou de delito a este equiparado. O excesso de
prazo, quando exclusivamente imputável ao aparelho judiciário – não derivando, portanto, de
qualquer fato procrastinatório causalmente atribuível ao réu –, traduz situação anômala que
compromete a efetividade do processo.
Além de tornar evidente o desprezo estatal pela liberdade do cidadão, frustra uma prerrogativa básica
que assiste a qualquer pessoa: o direito à resolução do litígio sem dilações indevidas (art. 5º, LXXVIII,
da CF/88).
Ademais, a duração prolongada, abusiva e irrazoável da prisão cautelar ofende, de modo frontal, o
postulado da dignidade da pessoa humana, que representa significativo vetor interpretativo,
verdadeiro valor-fonte que conforma e inspira todo o ordenamento constitucional.
STF. 2ª Turma. HC 142177/RS, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 6/6/2017 (Info 868).

Há excesso de prazo em caso de réu preso há mais de quatro anos sem ter sido sequer realizado
seu interrogatório.
Em um caso concreto, o réu foi preso preventivamente pela suposta prática de delitos previstos na
Lei nº 11.343/2006 (Lei de Drogas).
Ocorre que já se passaram mais de quatro anos desde a prisão preventiva sem haver, sequer, audiência
de interrogatório.

181
Diante disso, o STF entendeu que havia flagrante excesso de prazo na segregação cautelar e, por essa
razão, concedeu habeas corpus para determinar a soltura do paciente.
Embora a razoável duração do processo não possa ser considerada de maneira isolada e
descontextualizada das peculiaridades do caso concreto, diante da demora no encerramento da
instrução criminal, sem que o paciente, preso preventivamente, tenha sido interrogado e sem que
tenham dado causa à demora, não se sustenta a manutenção da constrição cautelar.
STF. 2ª Turma. HC 141583/RN, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 19/9/2017 (Info 878).

Prisão domiciliar em caso de mulher com filho até 12 anos de idade incompletos.
O Marco Legal da Primeira Infância (Lei nº 13.257/2016), ao alterar as hipóteses autorizativas da
concessão de prisão domiciliar, permite que o juiz substitua a prisão preventiva pela domiciliar
quando o agente for gestante ou mulher com filho até 12 anos de idade incompletos (art. 318, IV e V,
do CPP).
STF. 1ª Turma. HC 136408/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 5/12/2017 (Info 887).
STF. 2ª Turma. HC 134069/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 21/6/2016 (Info 831).

Prisão domiciliar humanitária.


O art. 318, II, do CPP é chamado de prisão domiciliar humanitária.
Em um caso concreto, o STF entendeu que deveria conceder prisão humanitária ao réu tendo em vista
o alto risco de saúde, a grande possibilidade de desenvolver infecções no cárcere e a impossibilidade
de tratamento médico adequado na unidade prisional ou em estabelecimento hospitalar — tudo
demostrado satisfatoriamente no laudo pericial. Considerou-se que a concessão da medida era
necessária para preservar a integridade física e moral do paciente, em respeito à dignidade da pessoa
humana (art. 1º, III, da CF).
STF. 2ª Turma. HC 153961/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 27/3/2018 (Info 895).

É ilegal a decisão judicial que, ao decretar a prisão preventiva, descreve a conduta do paciente
de forma genérica e imprecisa.
Para a decretação da prisão preventiva, o art. 312 do CPP exige a prova da existência do crime. O
decreto prisional é, portanto, ilegal se descreve a conduta do paciente de forma genérica e imprecisa
e não deixa claro, em nenhum momento, os delitos a ele imputáveis e que justificariam a prisão
preventiva.
A liberdade de um indivíduo suspeito da prática de infração penal somente pode sofrer restrições se
houver decisão judicial devidamente fundamentada, amparada em fatos concretos, e não apenas em
hipóteses ou conjecturas, na gravidade do crime ou em razão de seu caráter hediondo.
O juiz pode dispor de outras medidas cautelares de natureza pessoal, diversas da prisão, e deve
escolher aquela mais ajustada às peculiaridades da espécie, de modo a tutelar o meio social, mas
também dar, mesmo que cautelarmente, resposta justa e proporcional ao mal supostamente causado
pelo acusado.
No caso concreto, o STF entendeu que o perigo que a liberdade do paciente representaria à ordem
pública ou à aplicação da lei penal poderia ser mitigado por medidas cautelares menos gravosas do
que a prisão.
Além disso, os fatos imputados ao paciente ocorreram há alguns anos (2011 a 2014), não havendo
razão para, agora (2018), ser decretada a prisão preventiva.

182
Diante disso, o STF substituiu a prisão preventiva pelas medidas cautelares diversas de: a)
comparecimento periódico em juízo; b) proibição de manter contato com os demais investigados; c)
entrega do passaporte e proibição de deixar o País sem autorização do juízo.
STF. 2ª Turma. HC 157.604/RJ, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 4/9/2018 (Info 914).

16.22. Prisão Preventiva

Importante!!!
Descumprimento de colaboração premiada não justifica, por si só, prisão preventiva.
Não se pode decretar a prisão preventiva do acusado pelo simples fato de ele ter descumprido acordo
de colaboração premiada.
Não há, sob o ponto de vista jurídico, relação direta entre a prisão preventiva e o acordo de
colaboração premiada. Tampouco há previsão de que, em decorrência do descumprimento do acordo,
seja restabelecida prisão preventiva anteriormente revogada.
Por essa razão, o descumprimento do que foi acordado não justifica a decretação de nova custódia
cautelar.
É necessário verificar, no caso concreto, a presença dos requisitos da prisão preventiva, não podendo
o decreto prisional ter como fundamento apenas a quebra do acordo.
STF. 1ª Turma. HC 138207/PR, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 25/4/2017 (Info 862).

Importante!!!
Prisão domiciliar para gestantes, puérperas, mães de crianças e mães de pessoas com
deficiência.
O STF reconheceu a existência de inúmeras mulheres grávidas e mães de crianças que estavam
cumprindo prisão preventiva em situação degradante, privadas de cuidados médicos pré-natais e pós-
parto. Além disso, não havia berçários e creches para seus filhos.
Também se reconheceu a existência, no Poder Judiciário, de uma “cultura do encarceramento”, que
significa a imposição exagerada e irrazoável de prisões provisórias a mulheres pobres e vulneráveis,
em decorrência de excessos na interpretação e aplicação da lei penal e processual penal, mesmo diante
da existência de outras soluções, de caráter humanitário, abrigadas no ordenamento jurídico vigente.
A Corte admitiu que o Estado brasileiro não tem condições de garantir cuidados mínimos relativos à
maternidade, até mesmo às mulheres que não estão em situação prisional.
Diversos documentos internacionais preveem que devem ser adotadas alternativas penais ao
encarceramento, principalmente para as hipóteses em que ainda não haja decisão condenatória
transitada em julgado. É o caso, por exemplo, das Regras de Bangkok .
Os cuidados com a mulher presa não se direcionam apenas a ela, mas igualmente aos seus filhos, os
quais sofrem injustamente as consequências da prisão, em flagrante contrariedade ao art. 227 da
Constituição, cujo teor determina que se dê prioridade absoluta à concretização dos direitos das
crianças e adolescentes.
Diante da existência desse quadro, deve-se dar estrito cumprimento do Estatuto da Primeira Infância
(Lei 13.257/2016), em especial da nova redação por ele conferida ao art. 318, IV e V, do CPP, que
prevê:
Art. 318. Poderá o juiz substituir a prisão preventiva pela domiciliar quando o agente for:

183
IV - gestante;
V - mulher com filho de até 12 (doze) anos de idade incompletos;
Os critérios para a substituição de que tratam esses incisos devem ser os seguintes:
REGRA. Em regra, deve ser concedida prisão domiciliar para todas as mulheres presas que sejam:
 Gestantes;
 puérperas (que deram à luz há pouco tempo);
 mães de crianças (isto é, mães de menores até 12 anos incompletos); ou
 mães de pessoas com deficiência.
EXCEÇÕES:
Não deve ser autorizada a prisão domiciliar se:
 a mulher tiver praticado crime mediante violência ou grave ameaça;
 a mulher tiver praticado crime contra seus descendentes (filhos e/ou netos);
 em outras situações excepcionalíssimas, as quais deverão ser devidamente fundamentadas
pelos juízes que denegarem o benefício.
Obs1: o raciocínio acima explicado vale também para adolescentes que tenham praticado atos
infracionais.
Obs2: a regra e as exceções acima explicadas também valem para a reincidente. O simples fato de
que a mulher ser reincidente não faz com que ela perca o direito à prisão domiciliar.
STF. 2ª Turma. HC 143641/SP. Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 20/2/2018 (Info 891).

Liberdade provisória para preso em flagrante com pequena quantidade de maconha.


Deve ser concedida a liberdade provisória a réu primário preso preventivamente sob a imputação de
tráfico de drogas por ter sido encontrado com 887,89 gramas de maconha e R$ 1.730,00.
O STF considerou genéricas as razões da segregação cautelar do réu.
Além disso, reconheceu como de pouca nocividade a substância entorpecente apreendida (maconha).
Reputou que a prisão de jovens pelo tráfico de pequena quantidade de maconha é mais gravosa do
que a eventual permanência em liberdade, pois serão fatalmente cooptados ou contaminados por uma
criminalidade mais grave ao ingressarem no ambiente carcerário.
STF. 1ª Turma. HC 140379/RJ, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado
em 23/10/2018 (Info 921).

A prisão cautelar, portanto, constitui medida de natureza excepcional e não pode ser utilizada
como instrumento de punição antecipada do réu.
Para a decretação ou manutenção da prisão cautelar é necessário demonstrar o cumprimento dos
requisitos previstos no art. 312 do CPP.
A liberdade de um indivíduo suspeito da prática de infração penal somente pode sofrer restrições se
houver decisão judicial devidamente fundamentada, amparada em fatos concretos, e não apenas em
hipóteses ou conjecturas.
A prisão cautelar, portanto, constitui medida de natureza excepcional e não pode ser utilizada como
instrumento de punição antecipada do réu.
STF. 2ª Turma. HC 152676/PR, Rel. Min. Edson Fachin, red. p/ ac. Min. Gilmar Mendes, julgado em
9/4/2019 (Info 937).

184
16.23. Progressão de Regime

Importante!!!
Data da prisão preventiva como marco inicial do tempo para a progressão de regime.
Se o condenado estava preso preventivamente, a data da prisão preventiva deve ser considerada como
termo inicial para fins de obtenção de progressão de regime e demais benefícios da execução penal,
desde que não ocorra condenação posterior por outro crime apta a configurar falta grave.
STF. 1ª Turma. RHC 142463/MG, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 12/9/2017 (Info 877).

Súmula 715 do STF continua sendo válida.


O art. 75 do Código Penal prevê que o tempo de cumprimento das penas privativas de liberdade não
pode ser superior a 30 anos. Isso significa que, se o réu for condenado a uma pena de 100 anos de
reclusão, o limite máximo de cumprimento da pena será 30 anos.
Vale ressaltar, no entanto, que, no cálculo dos benefícios da execução penal, deverá ser considerada
a pena total aplicada.
Assim, ao se calcular o requisito objetivo da progressão de regime, o juiz deverá considerar o total da
pena imposta (e não o limite do art. 75 do CP). Ex: 1/6 de 100 anos (pena total) e não 1/6 de 30 anos.
Existe um enunciado que espelha essa conclusão:
Súmula 715-STF: A pena unificada para atender ao limite de trinta anos de cumprimento,
determinado pelo art. 75 do Código Penal, não é considerada para a concessão de outros benefícios,
como o livramento condicional ou regime mais favorável de execução.
STF. 1ª Turma. HC 112182, Rel. Min. Marco Aurélio, Relator p/ Acórdão Min. Roberto Barroso,
julgado em 03/04/2018 (Info 896).

O juiz da execução criminal tem a faculdade de requisitar o exame criminológico e utilizá-lo


como fundamento da decisão que julga o pedido de progressão.
Nada impede que o magistrado das execuções criminais, facultativamente, requisite o exame
criminológico e o utilize como fundamento da decisão que julga o pedido de progressão.
STF. 2ª Turma. Rcl 27616 AgR/SP, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 9/10/2018 (Info
919).

16.24. Provas

Antecipação da prova testemunhal pela gravidade do crime e possibilidade concreta de


perecimento.
A antecipação da prova testemunhal prevista no art. 366 do CPP pode ser justificada como medida
necessária pela gravidade do crime praticado e possibilidade concreta de perecimento, haja vista que
as testemunhas poderiam se esquecer de detalhes importantes dos fatos em decorrência do decurso
do tempo.
Além disso, a antecipação da oitiva das testemunhas não traz nenhum prejuízo às garantias inerentes
à defesa. Isso porque quando o processo retomar seu curso, caso haja algum ponto novo a ser
esclarecido em favor do réu, basta que seja feita nova inquirição.
STF. 2ª Turma. HC 135386/DF, rel. orig. Min. Ricardo Lewandowski, red. p/ o ac. Min. Gilmar
Mendes, julgado em 13/12/2016 (Info 851).

185
Ordem de inquirição das testemunhas.
Segundo a redação atual do art. 212 do CPP, quem primeiro começa fazendo perguntas à testemunha
é a parte que teve a iniciativa de arrolá-la. Em seguida, a outra parte terá direito de perguntar e, por
fim, o magistrado.
Assim, a inquirição de testemunhas pelas partes deve preceder à realizada pelo juízo.
Em um caso concreto, durante a audiência de instrução, a magistrada primeiro inquiriu as testemunhas
e, somente então, permitiu que as partes formulassem perguntas.
O STF entendeu que houve violação ao art. 212 do CPP e, em razão disso, determinou que fosse
realizada uma nova inquirição das testemunhas, observada a ordem prevista no CPP.
STF. 1ª Turma. HC 111815/SP, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Luiz Fux, julgado
em 14/11/2017 (Info 885).

Indeferimento de todas as testemunhas da defesa sob o argumento de que seriam protelatórias:


constrangimento ilegal.
Na fase de defesa prévia, o réu arrolou uma série de testemunhas, mas o juiz negou a oitiva afirmando
que o requerimento seria protelatório, haja vista que as testemunhas não teriam, em tese, vinculação
com os fatos criminosos imputados.
O STF entendeu que houve constrangimento ilegal.
O direito à prova é expressão de uma inderrogável prerrogativa jurídica, que não pode ser,
arbitrariamente, negada ao réu.
O princípio do livre convencimento motivado (art. 400, § 1º, do CPP) faculta ao juiz o indeferimento
das provas consideradas irrelevantes, impertinentes ou protelatórias. No entanto, no caso concreto
houve o indeferimento de todas as testemunhas de defesa.
Dessa forma, houve ofensa ao devido processo legal, visto que frustrou a possibilidade de o acusado
produzir as provas que reputava necessárias à demonstração de suas alegações.
STF. 2ª Turma. HC 155363/RJ, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 8/5/2018 (Info 901).

Importante!!!
Busca e apreensão ordenada contra o marido da Senadora, mas cujo cumprimento ocorreu no
imóvel funcional onde ambos residem: deve-se observar as regras de foro privativo.
Paulo Bernardo era investigado e o juiz de 1º grau determinou, contra ele, busca e apreensão. Ocorre
que Paulo Bernardo residia com a sua esposa, a Senadora Gleisi Hoffmann, em um imóvel funcional
cedido pelo Senado.
Desse modo, a busca e apreensão foi realizada neste imóvel funcional.
O STF entendeu que esta prova foi ilícita (art. 5º, LVI, da CF/88) e determinou a sua inutilização e o
desentranhamento dos autos de todas as provas obtidas por meio da referida diligência.
O Supremo entendeu que a ordem judicial de busca e apreensão foi ampla e vaga, sem prévia
individualização dos bens que seriam de titularidade da Senadora e daqueles que pertenciam ao seu
marido.
Diante disso, o STF entendeu que o juiz, ao dar essa ordem genérica, acabou por também determinar
medida de investigação contra a própria Senadora. Logo, como ela tinha foro por prerrogativa de
função no STF (art. 102, I, “b”, da CF/88), somente o Supremo poderia ter ordenado qualquer medida

186
de investigação contra a parlamentar federal. Isso significa que o juiz de 1ª instância usurpou uma
competência que era do STF.
Reconheceu, por conseguinte, a ilicitude da prova obtida (art. 5º, LVI, da CF/88) e de outras
diretamente dela derivadas.
STF. 2ª Turma. Rcl 24473/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 26/6/2018 (Info 908).

Importante!!!
São ilegais as provas obtidas por policial militar que, designado para coletar dados nas ruas
como agente de inteligência, passa a atuar, sem autorização judicial, como agente infiltrado em
grupo criminoso.
Determinado policial militar foi designado para participar, nas ruas, à paisana, de passeatas e
manifestações, a fim de coletar dados para subsidiar a Força Nacional de Segurança em atuação
estratégica diante dos movimentos sociais e dos protestos ocorridos no Brasil em 2014. Para essa
atividade, não se exigia prévia autorização judicial.
No curso de sua atividade originária, o referido policial, percebendo que algumas pessoas estavam se
reunindo para planejar a prática de crimes, aproximou-se desses suspeitos, ganhou a sua confiança e
infiltrou-se no grupo participando das conversas virtuais e das reuniões presenciais dos envolvidos.
Assim, o policial ultrapassou os limites da sua atribuição original e passou a agir como agente
infiltrado.
Ocorre que a infiltração de agentes somente pode acontecer após prévia autorização judicial, o que
não havia no caso.
Diante disso, o STF declarou a ilicitude e determinou o desentranhamento da infiltração realizada
pelo policial militar e dos depoimentos por ele prestados em sede policial e em juízo, nos termos do
art. 157, § 3º, do CPP.
STF. 2ª Turma. HC 147837/RJ, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 26/2/2019 (Info 932).

Lei estadual pode exigir que a perícia feita em vítima do sexo feminino seja feita por legista
mulher, mas desde que isso não importe retardamento ou prejuízo da diligência.
Lei estadual previu que se a vítima do estupro for pessoa do sexo feminino menor de 18 anos, esta
vítima deverá ser examinada, obrigatoriamente, por uma legista mulher, que irá fazer a perícia.
O STF concedeu medida cautelar em ADI para dar interpretação conforme a Constituição a esse
dispositivo. Segundo o STF, as crianças e adolescentes do sexo feminino vítimas de violência deverão
ser, obrigatoriamente, examinadas por legista mulher, mas desde que isso não importe retardamento
ou prejuízo da diligência.
É preciso conciliar a proteção de crianças e adolescentes mulheres vítimas de violência e o acesso à
Justiça. Embora essa norma estadual vise proteger as vítimas de estupro na realização da perícia, o
efeito resultante foi contrário, porque peritos homens estavam se recusando a fazer o exame nas
menores de idade em razão da Lei. Dessa forma, as investigações não tinham prosseguimento.
Vale ressaltar, por fim, que o Estado-membro tinha competência legislativa para editar esta norma
(não há inconstitucionalidade formal). Isso porque esta Lei estadual não trata sobre direito processual
penal (art. 22, I, da CF/88), mas sim sobre procedimento em matéria processual, assunto que é de
competência concorrente (art. 24, XI, da CF/88).
STF. Plenário. ADI 6039 MC/RJ, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 13/3/2019 (Info 933).

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A determinação de busca e apreensão nas dependências da Câmara dos Deputados ou do
Senado Federal pode ser decretada por juízo de 1ª instância se o investigado não for
congressista.
A Constituição, ao disciplinar as imunidades e prerrogativas dos parlamentares, não conferiu
exclusividade ao STF para determinar medidas de busca e apreensão nas dependências da Câmara
dos Deputados ou do Senado Federal.
Assim, a determinação de busca e apreensão nas dependências do Congresso Nacional, desde que
não direcionada a apurar conduta de congressista, não se relaciona com as imunidades e prerrogativas
parlamentares. Isso porque, ao contrário do que ocorre com as imunidades diplomáticas, as
prerrogativas e imunidades parlamentares não se estendem aos locais onde os parlamentares
exercem suas atividades nem ao corpo auxiliar.
O fato de o endereço de cumprimento da medida coincidir com as dependências do Congresso
Nacional não atrai, de modo automático e necessário, a competência do STF. É necessário examinar,
no caso concreto, se a investigação tinha congressista como alvo.
O STF não detém competência exclusiva para apreciação de pedido de busca e apreensão a ser
cumprida no Congresso Nacional.
STF. Plenário. Rcl 25537/DF e AC 4297/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgados em 26/6/2019 (Info
945).

Duplo juízo de validade de uma mesma prova.


Eventual nulidade decorrente da inobservância da prerrogativa de foro não se estende aos agentes que
não se enquadrem nessa condição.
Ex: Polícia Federal investiga 5 pessoas que não têm foro por prerrogativa de função; ocorre que havia
indícios da participação de 3 Senadores; logo, essa investigação criminal deveria ter a supervisão do
STF, a quem competiria autorizar as medidas cautelares; isso, contudo, não acontece; o juiz de 1ª
instância autoriza a interceptação telefônica das 5 pessoas formalmente investigadas; essa
interceptação será considerada nula em relação aos 3 Senadores (por usurpação da competência do
STF), mas será válida para os 2 investigados sem foro.
Assim, a usurpação da competência do STF não contamina os elementos probatórios colhidos no que
se refere aos investigados que não possuem foro por prerrogativa de função. Podem ser utilizadas
contra eles.
STF. Plenário. Rcl 25537/DF e AC 4297/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgados em 26/6/2019 (Info
945).

Mesmo que haja usurpação da competência do STF, os elementos informativos colhidos e que
não precisavam de autorização judicial são válidos.
Ex: Polícia Federal investiga 5 pessoas que não têm foro por prerrogativa de função; ocorre que havia
indícios da participação de 3 Senadores; logo, essa investigação criminal deveria ter a supervisão do
STF, a quem competiria autorizar as medidas cautelares; isso, contudo, não acontece; a Polícia ouve
uma série de testemunhas sobre o caso; esses depoimentos não serão anulados; isso porque se a prova
produzida não precisava de autorização judicial (como é o caso da mera oitiva de testemunhas), não
há motivo para que ela seja anulada.

188
Em suma: mesmo que tenha sido usurpada a competência do STF para supervisionar o inquérito, não
deverão ser desconstituídos (anulados) os atos de investigação que não precisavam de autorização
judicial, como é o caso da tomada de depoimentos.
Por outro lado, as provas que foram colhidas sem autorização do STF (com decisão apenas do juízo
de 1ª instância) deverão ser anuladas, mas essa anulação se aplica somente para os agentes detentores
de foro por prerrogativa (tais provas continuam válidas para os processos envolvendo os investigados
sem foro).
STF. Plenário. Rcl 25537/DF e AC 4297/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgados em 26/6/2019 (Info
945).

16.25. Queixa-Crime

O proprietário da rádio não pode ser processado criminalmente por ofensas proferidas por
radialista pelo simples fato de ser o titular da empresa e inimigo político do ofendido.
Em um programa de maior audiência da rádio, o apresentador proferiu uma série de acusações contra
determinado político, afirmando que ele desviou dinheiro público na construção da escola, que se
trata de um corrupto, de um ladrão etc.
O ofendido ajuizou queixa-crime contra o radialista e contra o proprietário da rádio afirmando que
todos sabem que o dono deste meio de comunicação é seu inimigo político, de forma que é intuitivo
crer que foi o sócio-proprietário da rádio quem orientou e ordenou que o apresentador proferisse as
agressões verbais contra o querelante.
Em uma situação semelhante a este, o STF rejeitou a queixa-crime afirmando que o querelante não
individualizou, minimamente, a conduta do querelado detentor de prerrogativa de foro e lhe imputou
fatos criminosos em razão da mera condição de sócio-proprietário do veículo de comunicação social,
o que não é admitido.
A mera posição hierárquica do querelado como titular da empresa de comunicação não é suficiente
para o recebimento da queixa-crime. Seria necessário que o querelante tivesse descrito e apontado
elementos indiciários que evidenciassem a vontade e consciência do querelado de praticar os crime
imputados. Não tendo isso sido feito, a queixa-crime deve ser rejeitada por manifesta ausência de
justa causa.
STF. 1ª Turma. Pet 5660/PA, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 14/3/2017 (Info 857).

16.26. Reclamação

Reclamação não é atalho processual destinado a submeter o processo ao STF per saltum. A
regra prevista no art. 654, § 2º, do CPP não dispensa a observância do quadro de distribuição
constitucional das competências para conhecer do “habeas corpus”.
Neste julgado, duas conclusões devem ser destacadas:
I - A reclamação ao STF somente é cabível se houver necessidade de preservação da competência da
Corte ou para garantia da autoridade de suas decisões (art. 102, I, “l”, da CF/88). A reclamação não
se destina a funcionar como sucedâneo recursal ("substituto de recurso") nem se presta a atuar como
atalho processual destinado a submeter o processo ao STF “per saltum”, ou seja, pulando-se todas as
instâncias anteriores. As competências originárias do STF se submetem ao regime de direito estrito,

189
não admitindo interpretação extensiva. Em outras palavras, o rol de competências originárias do STF
não pode ser alargado por meio de interpretação.
II - A regra prevista no art. 654, § 2º, do CPP não dispensa a observância do quadro de distribuição
constitucional das competências para conhecer do “habeas corpus”. Assim, somente o órgão
jurisdicional competente para a concessão da ordem a pedido pode conceder o “writ” de ofício. Em
outras palavras, o Tribunal pode conceder habeas corpus de ofício, mas para isso acontecer é
necessário que ele seja o Tribunal competente para apreciar eventual pedido de habeas corpus
relacionado com este caso.
STF. Plenário. Rcl 25509 AgR/PR, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 15/2/2017 (Info 854).

Importante!!!
O ato impugnado na reclamação deve ser posterior à decisão paradigma que se alega violada.
Na reclamação fundada no descumprimento de decisão emanada pelo STF, o ato alvo de controle
deve ser posterior ao paradigma.
Ex: em 2016, o Juiz proferiu decisão negando a homologação do acordo de colaboração premiada
celebrado com o Delegado de Polícia sob o argumento de que a autoridade policial não poderia firmar
esse pacto. Em 2018, o STF proferiu decisão afirmando que o Delegado de Polícia pode formalizar
acordos de colaboração premiada na fase de inquérito policial. Não cabe reclamação contra esta
decisão do Juiz de 2016 sob o argumento de que ela teria violado o acórdão do STF de 2018. Isso
porque só há que se falar em reclamação se o ato impugnado por meio desta ação é posterior à decisão
paradigma.
STF. 2ª Turma. Rcl 32655 AgR/PR, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 23/4/2019 (Info 938).

Deve ser aplicado o art. 798 do CPP (contagem dos prazos de forma contínua) em caso de
recurso contra decisão que julgou reclamação em matéria penal
A contagem de prazos no contexto de reclamações cujo ato impugnado tiver sido produzido em
processo ou procedimento de natureza penal submete-se ao art. 798 do CPP, ou seja, os prazos são
contados de forma contínua (e não em dias úteis).
STF. Plenário. Rcl 23045 ED-AgR, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 9/5/2019 (Info 939).

O filho da vítima do homicídio, mesmo que não tenha sido assistente de acusação, tem
legitimidade para ajuizar reclamação contra decisão do TJ que absolveu o réu, se outro
membro da família havia sido assistente de acusação.
Em regra, é incabível, por ilegitimidade ativa ad causam, o manejo de reclamação por quem não tenha
sido parte no processo subjetivo que tramitou perante o STF.
No entanto, em um caso específico, o STF abriu uma exceção para esse entendimento.
Um dos filhos da vítima do homicídio figurou no processo criminal como assistente de acusação.
O acusado foi condenado. Ocorre que, em revisão criminal, o réu foi absolvido pelo Tribunal de
Justiça. Diante disso, um outro filho da vítima, com a mesma advogada que assistiu a família durante
o processo, ajuizou reclamação no STF contra esse acórdão do TJ.
O STF reconheceu a legitimidade do autor da reclamação afirmando que se mostra inequívoco o
interesse da família da vítima no deslinde do caso. Não se pode, por excessivo apelo formal, afastar
a relação de pertinência subjetiva do autor da reclamação que, como filho da vítima, atua também na
qualidade de representante dos interesses da família.
190
Assim, o filho da vítima do homicídio, mesmo que não tenha sido assistente de acusação no curso da
ação penal, tem legitimidade para ajuizar reclamação contra decisão do Tribunal de Justiça que
absolveu o réu no julgamento de revisão criminal, alegando que esta decisão violou a autoridade de
acórdão do STF.
STF. 1ª Turma. Rcl 29621 AgR/MT, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25/6/2019 (Info 945).

16.27. Recursos

Não é possível a interposição de recurso por e-mail.


O art. 1º da Lei nº 9.800/99 prevê que "é permitida às partes a utilização de sistema de transmissão
de dados e imagens tipo fac-símile ou outro similar, para a prática de atos processuais que dependam
de petição escrita."
É possível a interposição de recurso por e-mail, aplicando-se as regras da Lei nº 9.800/99?
NÃO. A ordem jurídica não contempla a interposição de recurso via e-mail.
O e-mail não configura meio eletrônico equiparado ao fax, para fins da aplicação do disposto no art.
1º da Lei nº 9.800/99, porquanto não guarda a mesma segurança de transmissão e registro de dados.
STJ. 6ª Turma. AgRg no AREsp 919.403/DF, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em
13/09/2016.
STF. 1ª Turma. HC 121225/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 14/3/2017 (Info 857).

Situações nas quais não se aplica a regra do art. 580 do CPP.


O art. 580 do CPP afirma que, no caso de concurso de agentes, a decisão favorável que um dos réus
conseguir no julgamento do seu recurso poderá ser aproveitada pelos demais acusados, salvo se a
decisão tiver se fundamentado em motivos que sejam de caráter exclusivamente pessoal.
Esse dispositivo não pode ser aplicado quando:
a) o réu que estiver requerendo a extensão da decisão não participar da mesma relação jurídico-
processual daquele que foi beneficiado. O requerente será, neste caso, parte ilegítima;
b) se invoca extensão da decisão para outros processos que não foram examinados pelo órgão
julgador. Isso porque, neste caso, o que o requerente está pretendendo é obter a transcendência dos
motivos determinantes para outro processo, o que não é admitido pela jurisprudência do STF.
STF. 1ª Turma. HC 137728 EXTN/PR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 30/5/2017 (Info 867).

Tempestividade do recurso interposto antes da decisão recorrida ter sido publicada.


Não é extemporâneo recurso interposto antes da publicação do acórdão.
Sob o ângulo da oportunidade, a publicação do acórdão impugnado é elemento neutro, podendo a
parte, ciente da decisão proferida, protocolar o recurso.
Assim por exemplo, admite-se a interposição de embargos declaratórios oferecidos antes da
publicação do acórdão embargado e dentro do prazo recursal.
STF. 1ª Turma. HC 113826, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 10/4/2018 (Info 897).

Importante!!!
Cabem embargos infringentes para o Plenário do STF contra decisão condenatória proferida
em ação penal de competência originária das Turmas do STF se 2 Ministros votaram pela
absolvição.
191
Cabem embargos infringentes para o Plenário do STF contra decisão condenatória proferida em sede
de ação penal de competência originária das Turmas do STF.
O requisito de cabimento desse recurso é a existência de dois votos minoritários absolutórios em
sentido próprio.
Voto absolutório em sentido próprio: significa que o Ministro deve ter expressado juízo de
improcedência da pretensão executória.
STF. Plenário. AP 863 EI-AgR/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 18 e 19/4/2018; HC
152707/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 18 e 19/4/2018 (Info 898).

Importante!!!
MP não tem direito a prazo em dobro no processo penal.
O prazo para interposição de agravo regimental no STF, em processos criminais, é de 5 dias corridos
(não são dias úteis, como no CPC).
O MP e a Defensoria Pública possuem prazo em dobro para interpor esse agravo?
 MP: NÃO. Em matéria penal, o Ministério Público não goza da prerrogativa da contagem dos
prazos recursais em dobro. Logo, o prazo para interposição de agravo pelo Estado-acusador
em processo criminal é de 5 dias.
 Defensoria Pública: SIM. Mesmo em matéria penal, são contados em dobro todos os prazos
da Defensoria Pública. Logo, o prazo para a Defensoria Pública interpor agravo regimental é
de 10 dias.
STF. 1ª Turma. HC 120275/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 15/5/2018 (Info 902).

Inexistência de reformatio in pejus na manutenção da condenação, mas com base em


fundamentos diversos da sentença.
Não caracteriza reformatio in pejus a decisão de tribunal de justiça que, ao julgar recurso de apelação
exclusivo da defesa, mantém a reprimenda aplicada pelo magistrado de primeiro grau, porém com
fundamentos diversos daqueles adotados na sentença.
Não viola o princípio da proibição da reformatio in pejus a reavaliação das circunstâncias judiciais
em recurso de apelação penal, no âmbito do efeito devolutivo, desde que essa não incorra em aumento
de pena.
Não há falar em reformatio in pejus se os motivos expendidos pelo julgador em sede de apelação
exclusiva da defesa não representaram advento de situação mais gravosa para o réu.
STF. 1ª Turma. RHC 119149/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 10/2/2015 (Info 774).
STF. 1ª Turma. HC 126457/PA, Rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de
Moraes, julgado em 6/11/2018 (Info 922).
Esse é também o entendimento do STJ: STJ. 5ª Turma. HC 330.170/RS, Rel. Min. Ribeiro Dantas,
julgado em 20/09/2016.

16.28. Remição de Pena

Importante!!!
Trabalho cumprido em jornada inferior ao mínimo legal pode ser aproveitado para fins de
remição caso tenha sido uma determinação da direção do presídio.

192
Segundo o art. 30 da LEP, a jornada diária de trabalho do apenado deve ser de, no mínimo, 6 horas
e, no máximo, 8 horas.
Apesar disso, se um condenado, por determinação da direção do presídio, trabalha 4 horas diárias
(menos do que prevê a Lei), este período deverá ser computado para fins de remição de pena.
Como esse trabalho do preso foi feito por orientação ou estipulação da direção do presídio, isso gerou
uma legítima expectativa de que ele fosse aproveitado, não sendo possível que seja desprezado, sob
pena de ofensa aos princípios da segurança jurídica e da proteção da confiança.
Vale ressaltar, mais uma vez, o trabalho era cumprido com essa jornada por conta da determinação
do presídio e não por um ato de insubmissão ou de indisciplina do preso.
STF. 2ª Turma. RHC 136509/MG, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 4/4/2017 (Info 860).

Importante!!!
Não é possível a remição ficta da pena.
Não se admite a remição ficta da pena.
Embora o Estado tenha o dever de prover trabalho aos internos que desejem laborar, reconhecer a
remição ficta da pena, nesse caso, faria com que todas as pessoas do sistema prisional obtivessem o
benefício, fato que causaria substancial mudança na política pública do sistema carcerário, além de
invadir a esfera do Poder Executivo.
O instituto da remição exige, necessariamente, a prática de atividade laboral ou educacional. Trata-
se de reconhecimento pelo Estado do direito à diminuição da pena em virtude de trabalho efetuado
pelo detento. Não sendo realizado trabalho, estudo ou leitura, não há que se falar em direito à remição.
STF. 1ª Turma. HC 124520/RO, rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ ac. Min. Roberto Barroso, julgado
em 29/5/2018 (Info 904).
STJ. 5ª Turma. HC 421.425/MG, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 27/02/2018.
STJ. 6ª Turma. HC 425.155/MG, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 06/03/2018.

16.29. Sentença

Princípio da correlação (congruência), causa de aumento e emendatio libelli.


O princípio da congruência preconiza que o acusado defende-se dos fatos descritos na denúncia e não
da capitulação jurídica nela estabelecida.
Assim, para que esse princípio seja respeitado é necessário apenas que haja a correlação entre o fato
descrito na peça acusatória e o fato pelo qual o réu foi condenado, sendo irrelevante a menção
expressa na denúncia de eventuais causas de aumento ou diminuição de pena.
Ex: o MP ajuizou ação penal contra o réu por sonegação fiscal (art. 1º, I, da Lei nº 8.137/90). Na
denúncia, o MP não pediu expressamente que fosse reconhecida a majorante do art. 12, I.
Pediu-se apenas a condenação do acusado pelo crime do art. 1º, I. No entanto, apesar disso, na
exordial o membro do MP narrou que o réu sonegou tributos em montante superior a R$ 4 milhões.
O juiz, na sentença, ao condenar o réu, poderá reconhecer a incidência da causa de aumento de pena
prevista no art. 12, I, porque o fato que ela representa (vultosa quantia sonegada que gera dano à
coletividade) foi narrado, apesar de não haver menção expressa ao dispositivo legal.
STF. 2ª Turma. HC 129284/PE, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 17/10/2017 (Info 882).

193
16.30. Suspeição

Arguição de suspeição de Rodrigo Janot em relação a Michel Temer.


É possível a arguição de suspeição de membros do Ministério Público, inclusive do Procurador-Geral
da República nos processos que tramitam no âmbito do STF.
O STF entendeu que o então Procurador-Geral da República Rodrigo Janot não era suspeito para
investigar e denunciar Michel Temer. Entendeu-se que o fato de o PGR dar entrevistas falando sobre
o caso, requerer que o inquérito fosse dirigido para determinado Delegado e ainda que um
determinado Procurador, em tese, tenha orientado o advogado do réu acerca da colaboração premiada
não caracterizam hipóteses de suspeição.
STF. Plenário. AS 89/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 13/9/2017 (Info 877).

16.31. Suspensão Condicional do Processo

O acusado que responde a outro processo não tem direito ao benefício, sendo essa previsão
constitucional.
De acordo com o art. 89 da Lei nº 9.099/95, a suspensão condicional do processo é instituto de política
criminal, benéfico ao acusado, que visa a evitar a sua sujeição a um processo penal, cujos requisitos
encontram-se expressamente previstos na norma em questão.
É constitucional a norma do art. 89 da Lei nº 9.099/95, que estabelece os requisitos para a concessão
do benefício da suspensão condicional do processo, entre eles o de não responder o acusado por outros
delitos.
Assim, a existência de ações penais em curso contra o denunciado impede a concessão do sursis
processual por força do art. 89 da Lei nº 9.099/95.
STF. 1ª Turma. AP 968/SP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 22/5/2018 (Info 903).
STF. 2ª Turma. RHC 133945 AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 21/06/2016.

16.32. Sustentação Oral

Atenção Ministério Público!!!


Sustentação oral do MP pode discordar do parecer oferecido por outro membro do Parquet.
A sustentação oral do representante do Ministério Público que diverge do parecer juntado ao processo,
com posterior ratificação, não viola a ampla defesa.
STF. 1ª Turma. HC 140780/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 30/10/2018 (Info 922).

16.33. Tribunal do Júri

Validade das alegações finais feitas nos debates orais e ausência de inovação dos fatos no
plenário.
A defesa sustentava a nulidade absoluta do processo, em razão da ausência das alegações finais por
abandono da causa pelo advogado.
Sustentava, também, a violação ao devido processo legal, diante da modificação da tese acusatória
em plenário, sem que tivesse sido oportunizado o exercício do contraditório.

194
O STF entendeu não ter ocorrido nulidade processual, tendo em vista que, na audiência de instrução,
a defesa técnica postulou a impronúncia.
Além disso, afirmou haver correlação entre o que foi arguido pelo Estado-acusador em plenário e a
pronúncia. Em outras palavras, o MP pediu a condenação do réu justamente pelos fatos que
constavam na pronúncia.
STF. 1ª Turma. HC 129.263/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 15/5/2018 (Info 902).

Em caso de condenação pelo Tribunal do Júri, é possível a execução provisória da pena mesmo
antes de o Tribunal julgar a apelação interposta pela defesa?
Em caso de condenação pelo Tribunal do Júri, é possível a execução provisória da pena mesmo antes
de o Tribunal julgar a apelação interposta pela defesa?
1ª corrente: SIM.
É possível a execução da condenação pelo Juiz Presidente do Tribunal do Júri, independentemente
do julgamento da apelação ou de qualquer outro recurso, em face do princípio da soberania dos
veredictos.
Assim, nas condenações pelo Tribunal do Júri não é necessário aguardar julgamento de recurso em
segundo grau de jurisdição para a execução da pena.
STF. 1ª Turma. HC 140449/RJ, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso,
julgado em 6/11/2018 (Info 922).
STF. 1ª Turma. HC 118770 ED, Redator do acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 04/06/2018.
2ª corrente: NÃO.
Não é possível a execução provisória da pena em face de decisão do júri sem que haja o exaurimento
em grau recursal das instâncias ordinárias, sob pena de macular o princípio constitucional da
presunção de inocência.
A execução provisória da pena somente é admitida se o recurso pendente de julgamento não tiver
efeito suspensivo.
STF. 2ª Turma. HC 136223, Rel. Min. Dias Toffoli, Segunda Turma, julgado em 25/04/2017.
STJ. 5ª Turma. HC 438088, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 24/05/2018.
STJ. Presidente Min. Laurita Vaz, em decisão monocrática no HC 458.249, julgado em 12/07/2018.

A soberania relativa do veredito do conselho de sentença não permite o agravamento da pena


com base em novo julgamento pelo júri em consequência de recurso exclusivo da defesa.
Se a condenação proferida pelo júri foi anulada pelo Tribunal em recurso exclusivo da defesa, isso
significa que deverá ser realizado um novo júri, mas, em caso de nova condenação, a pena imposta
neste segundo julgamento não poderá ser superior àquela fixada na sentença do primeiro júri.
Em outras palavras, se apenas o réu recorreu contra a sentença que o condenou e o Tribunal decidiu
anular a sentença, determinando que outra seja prolatada, esta nova sentença, se também for
condenatória, não pode ter uma pena superior à que foi aplicada na primeira. Isso é chamado de
princípio da ne reformatio in pejus indireta, que tem aplicação também no Tribunal do Júri.
A soberania do veredicto dos jurados (art. 5º, XXXVIII, “c”, da CF/88) não autoriza a reformatio in
pejus indireta.
STF. 2ª Turma. HC 165376/SP, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 11/12/2018 (Info 927).

Críticas ao princípio do in dubio pro societate na fase da pronúncia.

195
Na fase de pronúncia deve-se adotar a teoria racionalista da prova, na qual não deve haver critérios
de valoração das provas rigidamente definidos na lei, no entanto, por outro lado, o juízo sobre os fatos
deve ser pautado por critérios de lógica e racionalidade, podendo ser controlado em âmbito recursal
ordinário.
Para a pronúncia, não se exige uma certeza além da dúvida razoável, necessária para a condenação.
Contudo, a submissão de um acusado ao julgamento pelo Tribunal do Júri pressupõe a existência de
um lastro probatório consistente no sentido da tese acusatória. Ou seja, requer-se um standard
probatório um pouco inferior, mas ainda assim dependente de uma preponderância de provas
incriminatórias.
STF. 2ª Turma. ARE 1067392/CE, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 26/3/2019 (Info 935).

Decisão do TJ que, em revisão criminal, absolve o réu sob a alegação de que a condenação é
contrária à evidência dos autos viola acórdão do STF que havia restaurado condenação
proferida pelo Tribunal do Júri.
João foi denunciado por homicídio doloso. Foi condenado pelo Tribunal do Júri. Contra esta sentença,
a defesa interpôs apelação e o TJ deu provimento ao recurso, absolvendo o réu por entender que a
decisão dos jurados foi manifestamente contrária à prova dos autos. Isso porque só havia uma única
testemunha contra o réu e o TJ entendeu que isso não seria suficiente para a condenação. Contra o
acórdão do TJ, o Ministério Público interpôs recurso extraordinário. O STF deu provimento ao
recurso do MP para restaurar o veredicto condenatório prolatado pelo Tribunal do Júri. Para o STF,
analisar se um único depoimento é suficiente ou não para a condenação é uma matéria que cabe aos
jurados no Tribunal do Júri e que não pode ser reformado pelo TJ.
Ocorre que, em revisão criminal, o TJ voltou a absolver o réu utilizando novamente como fundamento
o argumento de que a condenação é contrária à evidência dos autos.
Essa decisão do TJ na revisão criminal viola aquilo que o STF decidiu no recurso extraordinário,
razão pela qual deve ser julgada procedente reclamação contra o acórdão do TJ.
STF. 1ª Turma. Rcl 29621 AgR/MT, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25/6/2019 (Info 945).

16.34. Uso de Armas de Menor Potencial Ofensivo

A Lei 13.060/2014, que disciplina o uso dos instrumentos de menor potencial ofensivo pelos
agentes de segurança pública, é constitucional.
A Lei nº 13.060/2014, que disciplina o uso dos instrumentos de menor potencial ofensivo pelos
agentes de segurança pública, é constitucional, tanto sob o aspecto formal como material.
STF. Plenário. ADI 5243/DF, rel. orig. Min. Alexandre de Moraes, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin,
julgado em 11/4/2019 (Info 937).

17. DIREITO TRIBUTÁRIO


17.1. Cofins

Portaria nº 655/93 e parcelamento de débitos de COFINS.


Não viola o princípio da isonomia e o livre acesso à jurisdição a restrição de ingresso no parcelamento
de dívida relativa à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, instituída pela

196
Portaria nº 655/93, dos contribuintes que questionaram o tributo em juízo com depósito judicial dos
débitos tributários.
STF. Plenário. RE 640905/SP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 15/12/2016 (repercussão geral) (Info
851)

Instituições financeiras e majoração de alíquota da COFINS.


É constitucional a majoração diferenciada de alíquotas em relação às contribuições sociais incidentes
sobre o faturamento ou a receita de instituições financeiras ou de entidades a elas legalmente
equiparáveis.
STF. Plenário. RE 656089/MG, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 6/6/2018 (repercussão geral) (Info
905).

17.2. Contribuição Previdenciária

Importante!!!
Mesmo antes da EC 20/98, a contribuição social a cargo do empregador incidia sobre quaisquer
ganhos habituais do empregado.
A contribuição social a cargo do empregador incide sobre ganhos habituais do empregado, quer
anteriores ou posteriores à Emenda Constitucional 20/1998.
STF. Plenário. RE 565160/SC, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 29/3/2017 (repercussão geral)
(Info 859).

A contribuição social do empregador rural sobre a receita bruta, prevista no art. 25 da Lei
8.212/91, com redação dada pela Lei 10.256/2001, é constitucional.
É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física,
instituída pela Lei nº 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de
sua produção.
STF. Plenário. RE 718874/RS, Rel. Orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes,
julgado em 29 e 30/3/2017 (repercussão geral) (Info 859).

Não deve haver modulação de efeitos na decisão que declarou que a contribuição social do
empregador rural sobre a receita bruta é constitucional.
É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física,
instituída pela Lei nº 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de
sua produção (RE 718874/RS, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 29 e 30/3/2017.
Repercussão geral. Info 859).
O STF rejeitou os embargos de declaração opostos contra esta decisão e declarou que o entendimento
deve ser mantido mesmo após a edição da Resolução 15/2017 do Senado Federal. Além disso, o STF
entendeu que não deveria haver modulação dos efeitos da decisão.
STF. Plenário. RE 718874 ED-primeiros a oitavos/RS, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em
23/5/2018 (Info 903).

17.3. Contribuições

197
É legítima a majoração de alíquota do Finsocial devido por empresa exclusivamente prestadora
de serviços.
Se uma empresa se autoqualificou como prestadora de serviços, a ela deverá ser aplicada a majoração
de alíquota estabelecida para o cálculo da contribuição ao Finsocial.
STF. Plenário. RE 193924 ED-EDv/DF, rel. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Alexandre de
Moraes, julgado em 16/5/2018 (Info 902).

Constitucionalidade da contribuição adicional de 2,5% sobre a folha de salários para as


instituições financeiras (Lei 7.787/89).
É constitucional a contribuição adicional de 2,5% (dois e meio por cento) sobre a folha de salários
instituída para as instituições financeiras e assemelhadas pelo art. 3º, § 2º, da Lei nº 7.787/89, ainda
que considerado o período anterior à EC 20/98.
STF. Plenário. RE 599309/SP, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 6/6/2018 (repercussão
geral) (Info 905).

17.4. CSLL

A CSLL é constitucional.
É constitucional a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL), instituída pela Lei nº 7.689/88,
sendo também constitucionais as majorações de alíquotas efetivadas pela Lei nº 7.856/89, por
obedecerem à anterioridade nonagesimal.
Por sua vez, a ampliação da base de cálculo, conforme o art. 1º, II, da Lei nº 7.988/89, a fim de se
compatibilizar com a anterioridade nonagesimal, só pode ser efetivada a partir do ano base de 1990.
STF. Plenário. RE 211446 ED-ED/GO, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 20/9/2018 (Info 916).

É constitucional a limitação do direito de compensação de prejuízos fiscais do IRPJ e da base


de cálculo negativa da CSLL.
É constitucional a limitação do direito de compensação de prejuízos fiscais do Imposto de Renda
sobre Pessoa Jurídica (IRPJ) e da base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro
Líquido (CSLL).
São constitucionais os arts. 42 e 58 da Lei nº 8.981/95 e os arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/95.
STF. Plenário. RE 591340/SP, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes,
julgado em 27/6/2019 (repercussão geral) (Info 945).

17.5. Depositário Infiel de Débitos Tributários

Inconstitucionalidade da Lei nº 8.866/94.


É inconstitucional a Lei nº 8.866/94, que estabelece a possibilidade de prisão do depositário infiel de
débitos tributários.
Esta é uma ferramenta desproporcional de aumento de arrecadação, que viola os princípios do devido
processo legal, do contraditório, da ampla defesa e as súmulas vinculantes 28 e 25.
STF. Plenário. ADI 1055/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 15/12/2016 (Info 851).

198
17.6. Direito Financeiro

É inconstitucional norma estadual que destina recursos do Fundo de Participação dos Estados
para um determinado fundo de desenvolvimento econômico.
São inconstitucionais as normas que estabelecem vinculação de parcelas das receitas tributárias a
órgãos, fundos ou despesas, por desrespeitarem a vedação contida no art. 167, IV, da Constituição
Federal.
Caso concreto: STF julgou inconstitucional o art. 226, § 1º da Constituição do Estado do Rio de
Janeiro, que criou o Fundo de Desenvolvimento Econômico e a ele destinou recursos provenientes
do Fundo de Participação dos Estados.
STF. Plenário. ADI 553/RJ, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 13/6/2018 (Info 906).

17.7. ICMS

Constitucionalidade de regime tributário opcional com redução da base de cálculo


condicionada à renúncia ao regime de apuração normal de créditos e débitos.
No Rio Grande do Sul foi editada uma lei prevendo que as empresas transportadoras teriam duas
opções de tributação do ICMS:
1ª) poderiam continuar com o sistema normal de créditos e débitos inerente ao ICMS;
2ª) poderiam aderir a um regime tributário opcional no qual teriam a redução da base de cálculo para
o percentual de 80%, condicionada ao abandono do regime de apuração normal de créditos e débitos.
O STF entendeu que não é inconstitucional lei estadual que permita que o contribuinte opte por um
regime especial de tributação de ICMS com base de cálculo reduzida, mediante expressa renúncia ao
aproveitamento de créditos relativos ao imposto pago em operações anteriores, ainda que
proporcional. Esta norma não viola o princípio da não cumulatividade.
Assim, se a empresa contribuinte optar pelo sistema da base de cálculo reduzida, não terá direito ao
creditamento de ICMS.
STF. 1ª Turma. AI 765420 AgR-segundo/RS, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Rosa
Weber, julgado em 21/2/2017 (Info 855).

Inconstitucionalidade de lei estadual que concede isenção de ICMS para empresas


patrocinadoras de bolsas de estudo.
É inconstitucional lei estadual que concede, sem autorização de convênio interestadual, dedução de
ICMS para empresas que patrocinarem bolsas de estudo para professores.
O Estado-membro só pode conceder isenção de ICMS se isso tiver sido combinado com os demais
Estados-membros/DF por meio de um convênio. É o que prevê o art. 155, § 2º, XII, “g”, da CF/88 e
o art. 1º da LC 24/75.
STF. Plenário. ADI 2663/RS, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 8/3/2017 (Info 856).

Inconstitucionalidade de lei estadual que concede vantagens no parcelamento do ICMS para


empresas que aderirem a programa de geração de empregos.
É inconstitucional lei estadual que concede, sem autorização de convênio interestadual, vantagens no
parcelamento de débitos do ICMS para empresas que aderirem a programa de geração de empregos.

199
O Estado-membro só pode conceder benefícios de ICMS se isso tiver sido previamente autorizado
por meio de convênio celebrado com os demais Estados-membros e DF, nos termos do art. 155, § 2º,
XII, “g”, da CF/88 e o art. 1º da LC 24/75.
A concessão unilateral de benefícios de ICMS sem previsão em convênio representa um incentivo à
guerra fiscal.
STF. Plenário. ADI 3796/PR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 8/3/2017 (Info 856).

Importante!!!
É válida lei estadual que dispõe acerca da incidência do ICMS sobre operações de importação
editada após a vigência da EC 33/2001, mas antes da LC 114/2002.
É válida lei estadual que dispõe acerca da incidência do ICMS sobre operações de importação editada
após a vigência da EC 33/2001 (12/12/2001), mas antes da LC federal 114/2002, visto que é plena a
competência legislativa estadual enquanto inexistir lei federal sobre norma geral, conforme art. 24, §
3º, da CF/88.
Nesse sentido, o STF julgou válida lei do Estado de SP, editada em 21/12/2001, que prevê a incidência
de ICMS sobre importação de veículo por pessoa física e para uso próprio. Não há
inconstitucionalidade uma vez que a lei foi editada após a EC 33/2001, que autorizou a tributação.
STF. 2ª Turma. ARE 917950/SP, rel. orig. Min. Teori Zavascki, red. p/ ac. Min. Gilmar Mendes,
julgado em 5/12/2017 (Info 887).

É inconstitucional norma de Constituição Estadual que confira competência ao TCE para


homologar os cálculos das cotas do ICMS devidas aos Municípios.
O ICMS é um imposto de competência estadual. Apesar disso, a CF/88 determina que o Estado deverá
repassar 25% da receita do ICMS aos Municípios. Esse repasse será realizado após cálculos que são
feitos para definir o valor da cota-parte que caberá a cada Município, segundo critérios definidos pelo
art. 158, parágrafo único da CF/88 e pela lei estadual.
A Constituição do Estado do Amapá previu que seria competência do TCE homologar os cálculos
das cotas do ICMS devidas aos Municípios.
Este dispositivo é inconstitucional.
Sujeitar o ato de repasse de recursos públicos à homologação do TCE representa ofensa ao princípio
da separação e da independência dos Poderes.
STF. Plenário. ADI 825/AP, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 25/10/2018 (Info 921).

17.8. Imunidade Tributária

Importante!!!
A imunidade tributária subjetiva é aplicada se a entidade imune for contribuinte de fato?
A imunidade tributária subjetiva aplica-se a seus beneficiários na posição de contribuinte de direito,
mas não na de simples contribuinte de fato, sendo irrelevante, para a verificação da existência do
beneplácito constitucional, a repercussão econômica do tributo envolvido.
 Se a entidade imune for contribuinte de direito: incide a imunidade subjetiva .
 Se a entidade imune for contribuinte de fato: não incide a imunidade subjetiva .

200
STF. Plenário. RE 608872/MG, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 22 e 23/2/2017 (repercussão
geral) (Info 855).

Importante!!!
Os requisitos para o gozo de imunidade devem estar previstos em lei complementar.
Os requisitos para o gozo de imunidade hão de estar previstos em lei complementar.
STF. Plenário. ADI 2028/DF, ADI 2036/DF, ADI 2228/DF, rel. orig. Min. Joaquim Barbosa, red. p/
o ac. Min. Rosa Weber, julgados em 23/2 e 2/3/2017 (Info 855).
STF. Plenário. RE 566622/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 23/2/2017 (Info 855).

Importante!!!
Os livros eletrônicos gozam de imunidade tributária.
A imunidade tributária constante do art. 150, VI, “d”, da Constituição Federal (CF), aplica-se ao livro
eletrônico (“e-book”), inclusive aos suportes exclusivamente utilizados para fixá-lo.
STF. Plenário. RE 330817/RJ, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 8/3/2017 (repercussão geral) (Info
856).

Importante!!!
Os componentes eletrônicos que fazem parte de curso em fascículos de montagem de placas
gozam de imunidade tributária.
A imunidade da alínea “d” do inciso VI do art. 150 da CF/88 alcança componentes eletrônicos
destinados, exclusivamente, a integrar unidade didática com fascículos.
STF. Plenário. RE 595676/RJ, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 8/3/2017 (repercussão geral)
(Info 856).

Empresa privada com finalidade lucrativa e que for arrendatária de imóvel público não goza
de imunidade tributária.
A imunidade recíproca, prevista no art. 150, VI, “a”, da Constituição Federal, não se estende a
empresa privada arrendatária de imóvel público, quando seja ela exploradora de atividade econômica
com fins lucrativos. Nessa hipótese é constitucional a cobrança do IPTU pelo Município.
Ex: a União, proprietária de um grande terreno localizado no Porto de Santos, arrendou este imóvel
para a Petrobrás (sociedade de economia mista), que utiliza o local para armazenar combustíveis.
Antes do arrendamento, a União não pagava IPTU com relação a este imóvel em virtude da imunidade
tributária recíproca. Depois que houve o arrendamento, a Petrobrás passa a ter que pagar o imposto.
STF. Plenário. RE 594015/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 6/4/2017 (repercussão geral)
(Info 860).

Se uma pessoa jurídica de direito público faz contrato de cessão de uso de imóvel com empresa
privada, esta última não goza de imunidade e deverá pagar IPTU.
Incide o IPTU, considerado imóvel de pessoa jurídica de direito público cedido a pessoa jurídica de
direito privado, devedora do tributo.
Ex: a União celebrou contrato de concessão de uso de imóvel com uma empresa privada por meio da
qual esta última poderia explorar comercialmente determinado imóvel pertencente ao patrimônio

201
público federal. A empresa privada queria deixar de pagar IPTU alegando que o imóvel gozaria de
imunidade tributária. O STF não aceitou a tese e afirmou que não incide a imunidade neste caso.
STF. Plenário. RE 601720/RJ, rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Marco Aurélio, julgado
em 6/4/2017 (repercussão geral) (Infos 860 e 861).

Não se pode aplicar a imunidade tributária recíproca se o bem está desvinculado de finalidade
estatal.
A INFRAERO (empresa pública federal) celebrou contrato de concessão de uso de imóvel com uma
empresa privada por meio da qual esta última poderia explorar comercialmente um imóvel
pertencente à INFRAERO. Vale ressaltar que esta empresa é uma concessionária de automóveis.
A empresa privada queria deixar de pagar IPTU alegando que o imóvel gozaria de imunidade
tributária. O STF não aceitou a tese e afirmou que não incide a imunidade neste caso.
A atividade desenvolvida pela empresa tem por finalidade gerar lucro.
Se fosse reconhecida a imunidade neste caso, isso geraria, como efeito colateral, uma vantagem
competitiva artificial em favor da empresa, que teria um ganho em relação aos seus concorrentes.
Afinal, a retirada de um custo permite o aumento do lucro ou a formação de preços menores, o que
provoca desequilíbrio das relações de mercado.
Não se pode aplicar a imunidade tributária recíproca se o bem está desvinculado de finalidade estatal.
STF. Plenário. RE 434251/RJ, rel. orig. Min. Joaquim Barbosa, red. p/ o ac. Min. Cármen Lúcia,
julgado em 19/4/2017 (Info 861).

O maquinário para impressão de livros não goza de imunidade tributária.


A imunidade tributária prevista no art. 150, VI, “d”, da Constituição Federal, não abarca o maquinário
utilizado no processo de produção de livros, jornais e periódicos.
A imunidade tributária visa à garantia e efetivação da livre manifestação do pensamento, da cultura
e da produção cultural, científica e artística. Assim, é extensível a qualquer material assimilável a
papel utilizado no processo de impressão e à própria tinta especial para jornal, mas não é aplicável
aos equipamentos do parque gráfico, que não são assimiláveis ao papel de impressão, por não
guardarem relação direta com a finalidade constitucional do art. 150, VI, “d”, da CF/88.
STF. 1ª Turma. ARE 1100204/SP, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de
Moraes, julgado em 29/5/2018 (Info 904).

Importante!!!
As Caixas de Assistência de Advogados gozam de imunidade tributária recíproca.
As Caixas de Assistência de Advogados encontram-se tuteladas pela imunidade recíproca prevista no
art. 150, VI, “a”, da Constituição Federal.
A Caixa de Assistência dos Advogados é um “órgão” integrante da estrutura da OAB, mas que possui
personalidade jurídica própria. Sua finalidade principal é prestar assistência aos inscritos no
respectivo no Conselho Seccional (art. 62 da Lei nº 8.906/94).
As Caixas de Assistências prestam serviço público delegado e possuem status jurídico de ente
público. Vale ressaltar ainda que elas não exploram atividades econômicas em sentido estrito com
intuito lucrativo. Diante disso, devem gozar da imunidade recíproca, tendo em vista a impossibilidade
de se conceder tratamento tributário diferenciado a órgãos integrantes da estrutura da OAB.
STF. Plenário. RE 405267/MG, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 6/9/2018 (Info 914).
202
Os imóveis vinculados ao Programa de Arrendamento Residencial (PAR) estão sujeitos ao
regime de imunidade tributária recíproca (art. 150, VI, “a”, da CF/88).
Os bens e direitos que integram o patrimônio do fundo vinculado ao Programa de Arrendamento
Residencial (PAR), criado pela Lei nº 10.188/2001, beneficiam-se da imunidade tributária prevista
no art. 150, VI, “a”, da Constituição Federal.
STF. Plenário. RE 928902/SP, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 17/10/2018 (repercussão
geral) (Info 920).

Não é possível que o CEBAS seja negado em razão do descumprimento de requisitos que não
estejam previstos em lei complementar.
O certificado de entidade beneficente de assistência social é submetido à renovação periódica a partir
da demonstração dos requisitos previstos em legislação complementar vigente em cada época.
O art. 2º, IV, do Decreto nº 752/1993 (atualmente revogado), que fazia exigências para a concessão
ou renovação do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, é inconstitucional porque os requisitos
para o gozo de imunidade hão de estar previstos em lei complementar (STF. Plenário. ADI 2028/DF,
ADI 2036/DF, ADI 2228/DF, rel. orig. Min. Joaquim Barbosa, red. p/ o ac. Min. Rosa Weber,
julgados em 23/2 e 2/3/2017).
Assim, o ato que negou a renovação de CEBAS com base no art. 2º, IV, do Decreto nº 752/1993
violou direito líquido e certo da entidade.
STF. 1ª Turma. RMS 24065/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 12/3/2019 (Info 933).

17.9. IPI

O art. 2º da Lei 8.393/91 era constitucional.


Surge constitucional, sob o ângulo do caráter seletivo, em função da essencialidade do produto e do
tratamento isonômico, o art. 2º da Lei nº 8.393/91, a revelar alíquota máxima de Imposto sobre
Produtos Industrializados - IPI de 18%, assegurada isenção, quanto aos contribuintes situados na área
de atuação da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste - SUDENE e da Superintendência
de Desenvolvimento da Amazônia - SUDAM, e autorização para redução de até 50% da alíquota,
presentes contribuintes situados nos Estados do Espírito Santo e do Rio de Janeiro.
Obs: o art. 2º da Lei nº 8.393/91 encontra-se atualmente revogado. Dessa forma, este julgamento do
STF refere-se a casos concretos ocorridos na época em que vigia essa norma.
STF. Plenário. RE 592145/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 5/4/2017 (repercussão geral)
(Info 860).

Empresas que adquirem insumos, matéria prima e material de embalagem de indústrias da


ZFM possuem direito ao creditamento de IPI mesmo que a venda tenha ocorrido sob o regime
de isenção.
Há direito ao creditamento de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na entrada de insumos,
matéria-prima e material de embalagem adquiridos junto à Zona Franca de Manaus sob o regime da
isenção, considerada a previsão de incentivos regionais constante do art. 43, § 2º, III, da Constituição
Federal, combinada com o comando do art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias.

203
STF. Plenário. RE 592891/SP, Rel. Min. Rosa Weber e RE 596614/SP, rel. Min. Marco Aurélio, red.
p/ ac. Min. Edson Fachin, julgados em 24 e 25/4/2019 (repercussão geral) (Info 938).

17.10. ISS

Atenção PGM!!!
Incide ISSQN sobre o serviço prestado pelos planos de saúde.
O STF, ao julgar embargos de declaração opostos contra acórdão prolatado no dia 29/09/2016, alterou
a redação da tese fixada para excluir a menção que era feita ao seguro-saúde. Assim, a tese do RE
651703/PR passa a ser a seguinte:
As operadoras de planos de saúde realizam prestação de serviço sujeita ao Imposto Sobre Serviços
de Qualquer Natureza - ISSQN, previsto no art. 156, III, da CF/88.
STF. Plenário. RE 651703/PR, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 29/09/2016 (repercussão geral)(Info
841).
STF. Plenário. RE 651703 ED-primeiros a terceiros/PR, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 28/2/2019
(Info 932).

É inconstitucional lei municipal que crie restrições não previstas no art. 9º, §1º, do DL 406/68
para que sociedades de advogados tenham direito ao regime do ISSQN Fixo.
É inconstitucional lei municipal que estabelece impeditivos à submissão de sociedades profissionais
de advogados ao regime de tributação fixa em bases anuais na forma estabelecida por lei nacional.
STF. Plenário. RE 940769/RS, Rel. Edson Fachin, julgado em 24/4/2019 (repercussão geral) (Info
938).

17.11. ITR

Importante!!!
Progressividade das alíquotas do ITR.
É constitucional a progressividade das alíquotas do ITR previstas na Lei nº 9.393/96 e que leva em
consideração, de maneira conjugada, o grau de utilização (GU) e a área do imóvel.
Essa progressividade é compatível com o art. 153, § 4º, I, da CF/88, seja na sua redação atual, seja na
redação originária, ou seja, antes da EC 42/2003.
Mesmo no período anterior à EC 42/2003, era possível a instituição da progressividade em relação às
alíquotas do ITR.
STF. 1ª Turma. RE 1038357 AgR/ SP, Rel. Min Dias Tóffoli, julgado em 6/2/2018 (Info 890).

17.12. PIS/COFINS

O valor pago a título de ICMS não deve ser incluído na base de cálculo do PIS/PASEP e
COFINS.
O Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) não compõe a base de cálculo para a
incidência da contribuição para o PIS e da COFINS.

204
STF. Plenário. RE 574706/PR, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 15/3/2017 (repercussão geral)
(Info 857).
Obs: o STJ possui entendimento em sentido contrário: STJ. 1ª Seção. REsp 1.144.469-PR, Rel. Min.
Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. para acórdão Min. Mauro Campbell Marques, julgado em
10/8/2016 (recurso repetitivo) (Info 594).

PIS e alteração da base de cálculo para instituição financeira.


São constitucionais a alíquota e a base de cálculo da contribuição ao Programa de Integração Social
(PIS), previstas no art. 72, V, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), destinada
à composição do Fundo Social de Emergência (FSE), nas redações da Emenda Constitucional
Revisional 1/1994 e das Emendas Constitucionais 10/1996 e 17/1997, observados os princípios da
anterioridade nonagesimal e da irretroatividade tributária.
STF. Plenário. RE 578846/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 6/6/2018 (repercussão geral) (Info
905).

É válida a cobrança da contribuição para o PASEP das empresas estatais, ao passo que as
empresas privadas recolhem para o PIS, tributo patrimonialmente menos gravoso.
Não ofende o art. 173, § 1º, II, da Constituição Federal a escolha legislativa de reputar não equivalente
a situação das empresas privadas com relação às sociedades de economia mista, às empresas públicas
e suas respectivas subsidiárias exploradoras de atividade econômica, para fins de submissão ao
regime tributário das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de
Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP), à luz dos princípios da igualdade tributária e
da seletividade no financiamento da Seguridade Social.
STF. Plenário. RE 577494/PR, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 13/12/2018 (repercussão geral)
(Info 927).

17.13. Prescrição

Prazo prescricional e tributo declarado inconstitucional.


Caso concreto: STF decidiu que determinada contribuição tributária era inconstitucional. Não houve
modulação dos efeitos.
Contribuinte ajuizou ação pedindo a repetição do indébito, ou seja, a restituição dos valores pagos.
O debate envolve o prazo prescricional para essa pretensão.
No momento em que o contribuinte ajuizou a ação, o entendimento do STJ era no sentido de que o
prazo prescricional tinha início a partir da data da declaração de inconstitucionalidade da exação pelo
STF no controle concentrado, ou de resolução do Senado Federal, no controle difuso.
Ocorre que, durante o curso da ação, o STJ promoveu revisão abrupta de sua jurisprudência para
considerar que, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o transcurso do prazo
prescricional ocorre a partir do recolhimento indevido, independentemente da data da decisão do STF
ou da Resolução do SF (REsp 435.835/SC).
Com a aplicação do novo entendimento do STJ, o contribuinte – que já estava com a sua ação em
curso – teria seu pedido rejeitado por força da prescrição.
O STF, contudo, não concordou com a aplicação imediata do novo entendimento do STJ aos
processos em curso. Para o Supremo, isso representa retroação da regra de contagem do prazo

205
prescricional às pretensões já ajuizadas, em afronta ao princípio da segurança jurídica e aos
postulados da lealdade, da boa-fé e da confiança legítima, sobre os quais se assenta o próprio Estado
Democrático de Direito.
A modificação na jurisprudência em matéria de prescrição não pode retroagir para considerar
prescrita pretensão que não o era à época do ajuizamento da ação, em respeito ao posicionamento
anteriormente consolidado.
Toda inflexão jurisprudencial que importe restrição a direitos dos cidadãos deve observar certa regra
de transição para produção de seus efeitos, levando em consideração os comportamentos então tidos
como legítimos, porquanto praticados em conformidade com a orientação prevalecente, em
homenagem aos valores e princípios constitucionais.
STF. 2ª Turma. ARE 951533/ES, Rel. Min. Gilmar Mendes, red. p/ o ac. acórdão o Min. Dias Toffoli,
julgado em 12/6/2018 (Info 906).

17.14. Taxas

Base de cálculo da taxa municipal de fiscalização e funcionamento.


As taxas municipais de fiscalização e funcionamento não podem ter como base de cálculo o número
de empregados ou ramo de atividade exercida pelo contribuinte.
STF. 2ª Turma. ARE 990914/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 20/6/2017 (Info 870).
A taxa de fiscalização e funcionamento pode ter como base de cálculo a área de fiscalização, na
medida em que traduz o custo da atividade estatal de fiscalização.
STF. 1ª Turma. RE 856185 AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 04/08/2015.

Importante!!!
Inconstitucionalidade de taxa de combate a sinistros instituída por lei municipal.
É inconstitucional taxa de combate a sinistros instituída por lei municipal.
A prevenção e o combate a incêndios são atividades desenvolvidas pelo Corpo de Bombeiros, sendo
consideradas atividades de segurança pública, nos termos do art. 144, V e § 5º da CF/88.
A segurança pública é atividade essencial do Estado e, por isso, é sustentada por meio de impostos (e
não por taxa).
Desse modo, não é possível que, a pretexto de prevenir sinistro relativo a incêndio, o Município venha
a se substituir ao Estado, com a criação de tributo sob o rótulo de taxa.
Tese fixada pelo STF: “A segurança pública, presentes a prevenção e o combate a incêndios, faz-se,
no campo da atividade precípua, pela unidade da Federação, e, porque serviço essencial, tem como a
viabilizá-la a arrecadação de impostos, não cabendo ao Município a criação de taxa para tal fim.”
STF. Plenário. RE 643247/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 1º/8/2017 (repercussão geral)
(Info 871).

18. ESTATUTO DE CRIANÇA E DO ADOLESCENTE


18.1. Participação em Espetáculos Públicos

Importante!!!

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Compete à Justiça Estadual (e não à Justiça do Trabalho) autorizar trabalho artístico de
crianças e adolescentes.
Compete à Justiça Comum Estadual (juízo da infância e juventude) apreciar os pedidos de alvará
visando a participação de crianças e adolescentes em representações artísticas.
Não se trata de competência da Justiça do Trabalho.
O art. 114, I e IX, da CF/88 não abrange os casos de pedido de autorização para participação de
crianças e adolescentes em eventos artísticos, considerando que não há, no caso, conflito atinente a
relação de trabalho. Trata-se de pedido de conteúdo nitidamente civil.
STF. Plenário. ADI 5326/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 27/9/2018 (Info 917).

18.2. Recolhimento Compulsório de Criança

São constitucionais os dispositivos do ECA que proíbem o recolhimento compulsório de


crianças e adolescentes, mesmo que estejam perambulando nas ruas.
São constitucionais o art. 16, I, o art. 105, o art. 122, II e III, o art. 136, I, o art. 138 e o art. 230 do
ECA.
Tais dispositivos estão de acordo com o art. 5º, caput e incisos XXXV, LIV, LXI e com o art. 227 da
CF/88.
Além disso, são compatíveis com a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), a
Convenção sobre os Direitos da Criança, as Regras de Pequim para a Administração da Justiça de
Menores e a Convenção Americana de Direitos Humanos.
STF. Plenário. ADI 3446/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 7 e 8/8/2019 (Info 946).

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