Você está na página 1de 23

Intervenção psicoterapêutica

na doença crónica
2006/2007

Síntese da aula 5 (28/03) e da aula 6 (11/4)


Docentes: Doutora Ana Paula Relvas
Doutora Madalena Lourenço

Trabalho elaborado pelo Grupo 6:

Patrícia Passarinho *** Marta Dores


Dora Gomes *** Carolina Pereira
Família e rede/apoio social
Sumário da aula 5: Sumário da aula 6:

A: Variáveis-chave da família B: Funções da rede social de apoio


- Sistemas de crenças familiares - Funções de apoio; tipos de
apoio; inclusão dos profissionais;
riscos; grupos de auto-ajuda
Aplicação com questões sobre:

C: Instrumentos de avaliação:
- Crenças associadas à saúde/doença
- genograma, ecomapa e mapa
- Relação com os profissionais de de rede
saúde
- Meio social de apoio/recursos Aplicação : Exemplificação de alguns
- História familiar de saúde/doença instrumentos de avaliação
Exercício 1-A
Ponto 4: Finalmente, o psicólogo pensou ainda algumas questões
que poderia colocar à Maria.

Sobre crenças associadas à saúde/doença

Q1: “Como interpreta a sua doença?”

Q2: “Considera que, entre os membros da família, existem visões


diferentes na forma como vêem a doença e o seu tratamento? Se sim,
quais considera serem? Como as interpreta? Tornaram-se conflituosas
e incompatíveis?”

Q3: “Qual a melhor maneira de lidar com a doença, na sua opinião?”


Exercício 1-A (cont.)
Sobre relação com profissionais de saúde:

Q1: “Que informação lhe foi facultada pelos profissionais de saúde?”

Q2: “Qual o papel dos profissionais de saúde e dos membros da sua família,
na sua opinião? Qual o melhor conselho que recebeu? E o pior?”

Q3: “Os profissionais de saúde respondem às suas expectativas? Considera


haver reciprocidade nas suas expectativas? De que modo?”

Sobre o meio social de apoio/recursos:

Q1: “Na sua família, quem é que mais o ajuda a lidar com a sua doença?”
Q2: “Fora do círculo familiar pediu ajuda a alguém? Considera que recebeu a
ajuda de que necessitava?”
Exercício 1-A (cont.)

Sobre a história familiar de saúde/doença

Q1: “Alguém da sua família teve/tem uma(s) doença(s) crónica(s)? Qual(ais)?


Com que idade?”

Q2: “Como é que a família reagiu à(s) doença(s)?”

Q3: “ Quais as maiores dificuldades que enfrentaram? Como é que


ultrapassaram essas dificuldades?”

Enquanto pensávamos este caso, e particularmente nestes quatro


grupos de questões, estávamos, claramente, a pensar na aplicação lata do
modelo Calgary de avaliação da família (MCAF) de análise/intervenção na
doença crónica de Calgary.
Exercício 1-B

Por outro lado, a construção de uma ecocarta seria muito importante neste
caso, uma vez que o Sr. José vive sozinho com a mulher, Maria de 62 anos;
a acrescer têm dois filhos casados e com filhos pequenos a viverem em
cidades diferentes e afastadas; na sua terra quase não têm familiares
próximos, quer devido a falecimento quer pela razão de se terem deslocado
para a “cidade”
e considerando que este instrumento permite uma representação esquemática
do contacto da família com outros, para além da família nuclear, quer da
família alargada quer de sistemas mais amplos; além disso permite um
importante impacto visual sobre os vínculos, o fluxo ou falta de recursos;
traça a natureza das interfaces e pontos de mediação ou pontos a construir,
bem como os recursos a mobilizar ou procurar.
Exercício 1-B (cont).
Ponto 6: O psicólogo pensou então, algumas questões que gostaria de
colocar ao Sr. José quando este voltasse.

Sobre crenças associadas à saúde/doença

Q1: “Porque é que acha que apareceu esta doença?”


Q2: “O que é que considera poder controlar na doença?”

Sobre relação com profissionais de saúde:

Q1: “Qual o apoio mais importante que os profissionais de saúde lhe


poderiam dar, no sentido de o ajudar a enfrentar o sofrimento decorrente
da doença? E a sua família?”

Q2: “Como é que a família se adaptou à entrada dos profissionais de saúde


na sua rede social?”
Exercício 1-B (cont).
Sobre o meio social de apoio/recursos:

Q1: “Em que medida é que a rede social de apoio os ajuda?”

Q2: “Qual(ais) a(s) pessoa(s) que considera com maior disponibilidade para
cuidar de si?”

Sobre a história familiar de saúde/doença:

Q1: “Alguém da família teve uma doença crónica? Qual a doença? Quem é
que teve? Com que idade?”

Q2: “Que tipo de apoio financeiro ou material receberam de instituições


ou dos serviços de apoio social?”
Metáfora:
caixa de
ferramentas

Bob,
o construtor
Funções da rede social de apoio (1)
Funções da rede:

• A rede é então um nicho onde os sujeitos podem expressar sentimentos e


buscar conforto. Também é um meio de obterem informação e vários
tipos de apoio (instrumental, emocional, financeira, etc.)

Æ Reciprocidade: o sujeito deve ter oportunidade de dar retorno ao apoio


que recebe da rede, para que não se sinta “incompetente” ou
“dependente”

Æ Os que recebem cuidados da rede não devem sentir-se diminuídos por


receberem ajuda da rede, provocando alterações na auto-estima

Æ Por vezes o sistema de saúde exige ao cuidador e aos familiares tarefas


que as pessoas não sabem/não aprenderam a executar. Assim, as pessoas
sentem-se incompetentes e humilhadas
Funções da rede social de apoio (2)
Tipos de apoio:

• Emocional (empatia e compreensão), informativo (dados relativos à


doença e à adaptação) e instrumental (serviços ou tarefas)

Inclusão dos profissionais:

• Incorporação na rede de novas pessoas que passam a jogar um papel


determinante. O seu papel é a de ser uma fonte de apoio importante.

Papel dos grupos de auto-ajuda:

• O contacto com pessoas que estiveram em situações semelhantes facilita


o acesso a soluções; têm papel na quebra do isolamento/ exclusão; a
partilha de sentimentos leva a uma normalização das reacções perante o
diagnóstico
Instrumentos de avaliação: Genograma (1)

• Técnica de papel e lápis

• Forma gráfica de desenhar a árvore familiar, registando informação


relevante acerca dos membros e relações

• A recolha desta informação não deve ser feita de uma forma intrusiva
nem linear

• Perceber como é que a família se organiza para lidar com os aspectos


emocionais e práticos da doença

• Pesquisar o papel que cada membro tem (ex: cuidador)

• Perceber se há diferenças ou semelhanças a atravessar diferentes


doenças (no caso de doenças crónicas múltiplas)
Instrumentos de avaliação: Genograma (2)

• Segredos são usualmente disfuncionais nas doenças crónicas

• Pesquisar a relação com famílias de origem (conflitos e consensos)

• Obtemos a história transgeracional da família em termos de doença,


crise e perda
- hierarquias, papéis e fronteiras
- coincidências ao longo de gerações (ex: datas, doenças e idades)
- resposta à adversidade
- áreas de vulnerabilidade e de força
- pesquisa os padrões de adaptação e de coping
- mobilizar capacidades antigas para lidar com a situação actual
Instrumentos de avaliação: Genograma (3)
Instrumentos de avaliação: Ecomapa (1)
• Foi criado por Ann Hartman para traduzir graficamente a
multiplicidade de sistemas que envolvem o cliente e a forma como o
agregado interage com os sistemas envolventes

• Chama a importância para a interacção em diferentes níveis: relação


com os níveis de Broffenbrenner

• Dá para inferir o enquadramento ecológico: mapeamento do sistema


ecológico no qual se inscreve o cliente (Hartman)

• Mutualidade relacional: carácter transaccional dos problemas; o todo


é mais que a soma das partes

• Hartman defende que as ligações não devem ser delineada na


presença do cliente, mas outros autores discordam
Instrumentos de avaliação: Ecomapa (2)

ESCRITÓRIO
RESTAURANTE
COLEGAS
BAR
CENTRO
DE SAÚDE

AMIGOS
MÉDICO
ESPECIALISTA
NATAÇÃ0

YOGA
ESCOLA
FUTEBOL
Instrumentos de avaliação: Mapa de Rede (1)

• A exploração da rede social do cliente é uma actividade enriquecedora


e terapêutica, pois fornece-nos uma gestalt do nosso campo relacional.
O mapa contém 4 quadrantes: amizades, família, colegas de
trabalho/escola e relações comunitárias (vizinhos/instituições)

• “Definida como o campo relacional total do sujeito, a rede social


integra todos aqueles que, da massa anónima da sociedade, ele
reconhece e qualifica como significativos” (Sluzki)

• “Rede social pessoal como nicho interpessoal da pessoa, constituindo


uma das chaves para a experiência individual de identidade” (Sluzki)

• Os vínculos são elementos básicos da identidade e podem ser tanto


com pessoas com quem temos relações positivas ou conflituosas, o que
faz com que a rede possa ser fonte de resiliência ou stress
Instrumentos de avaliação: Mapa de Rede (2)

• Permite construir uma narrativa sobre o apoio social, efectivo e


potencial de que o sujeito pode usufruir, já que este instrumento
fornece uma visão da teia relacional que envolve o sujeito

• “Os vínculos interpessoais são vitais, logo, quando a rede social é muito
ténue, perdas que parecem triviais transformam-se em aspectos centrais
e o seu efeito amplifica-se como se estivesse numa caixa de ressonância”

• Instrumento útil para a análise, compreensão, intervenção e


investigação no âmbito das redes sociais

• O mapa de rede deve ser complementado com o I.A.R.S.P – R,


instrumento de avaliação da rede social pessoal. Avalia as características
estruturais, características funcionais e os atributos do vínculo
Instrumentos de avaliação: Mapa de Rede (3)
Relação entre rede social e saúde e rede social e doença crónica:

• Estudos de Durkheim, indicam que há maior probabilidade de suicídio


nos sujeitos socialmente isolados. Estudos com doentes mentais indicam
que estes têm normalmente redes com menos de 10 elementos
(pequenas)

• A presença de figulares familiares (e de outros elementos da rede) é


importante no sentido de fornecer mecanismos para lidar com o stress.
Esses mesmos elementos podem dar feedack ao doente crónico sobre os
cuidados que o mesmo deve ter consigo e com a sua saúde

• A doença crónica pode restringir a mobilidade do doente crónico,


reduzindo-lhe a oportunidade de contactos sociais e isolando-o. No
entanto também pode ajudar a criar novas redes, como no caso em que
há contacto dos doentes e dos familiares com os grupos de auto-ajuda
Instrumentos de avaliação: Mapa de Rede (4)

FAMÍLIA
AMIGOS SARA
ANA GABRIEL TIA
RITA GRAÇA

EVA

DR. LEANDRO RAFAEL


MADALENA
IVO
YOGA

CLÍNICA 2 CLÍNICA1 LURDES

CENTRO
INSTITUIÇÕES
DE SAÚDE GLÓRIA COLEGAS DE
TRABALHO
VIZINHOS
Bibliografia
Alarcão, M., & Sousa, L. (2006). Rede social pessoal: Do conceito à avaliação.
Entregue para publicação.

Hartman, A. (1995). Diagrammatic assessment of family relationships. Families in


society, 76, 2, ProQuest Psychology Journals, 111.

Navarro-Gongóra, J., & Doherty, W. J. (1992). Familia y enfermedad: Problemas


y técnicas de intervención. Psychologica, 31, 63-83.

Rolland, J. (1994). Families, illness and disability. An integrative model (pp. 76-88).
New York: Basic Books.

Sluzki, C. (1996). La red social: Frontera de la practica sistemica. Barcelona: Gedisa.

Sousa, L., Mendes, A., & Relvas, A. P. (2007). Enfrentar a velhice e a doença
crónica. Lisboa: Climepsi.

Wright, L. M., & Leahey, M. (2002). Enfermeiras e Famílias. Um guia para


avaliação e intervenção na família (3ª ed.). São Paulo: Editora Roca.