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Como aproximar gatos que brigam

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Photo credit: Paul Anglada / Foter / CC BY-NC-SA

Por Alexandre Rossi, especialista em comportamento animal.

Princípio da amizade
A lógica do comportamento dos gatos é simples: para serem amigos, um precisa
proporcionar vantagens ao outro. Essas vantagens podem ser em forma de lambidas, de
alimentos, de carinhos, de aconchego para dormir e até de brincadeiras. Mas há um
problema: o gato vê instintivamente seus similares como possíveis fontes de disputas
nas áreas de alimentação, sexo e território. Por esse motivo, quem quer aproximar dois
gatos precisa ter o objetivo de transformar um possível “competidor” em um “amigo”.

Princípio da tolerância
É bastante comum os gatos simplesmente se tolerarem, sem nunca ficarem “amigos”.
Para isso acontecer, basta que um não dê sustos no outro, nem o deixe temeroso de ser
expulso facilmente do território. Nesse tipo de relacionamento acontecem pequenos
desentendimentos, como quando um chega muito perto do outro e recebe algumas
patadas, mas sem perseguições constantes, daquelas que levam um felino a se esconder
do outro por grande parte do tempo.

Técnicas de aproximação
Há dicas específicas para reaproximar gatos que tiveram de ser separados, seja por uma
briga séria ou apenas por desentendimento.

Durante o trabalho de aproximação, é preciso fazer o gato agressor perceber que não
tem poder para afastar o “rival” de seu território e o outro gato compreender que não
precisa fugir para não ser atacado. A melhor maneira de fazer isso e de não prejudicar o
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sucesso da aproximação, evitando sustos e outras sensações desagradáveis, é colocar o
gato mais medroso numa caixa de transporte ou numa gaiola à qual esteja acostumado.
Com esse cuidado, protegemos o felino menos agressivo e menos corajoso de ser
assustado ou afastado por possíveis ataques do outro gato. Impedimos, também, que o
gato atacado fuja, o que seria visto como uma “recompensa” pelo agressor e motivaria
repetições futuras do gesto.

É preciso também fazer o gato agressor perceber que não deve chegar muito perto da
caixa de transporte ou da gaiola. Se ele se aproximar demais ou mostrar clara intenção
de atacar, será punido com um spray de água ou de ar comprimido direcionado ao seu
focinho (costumo utilizar bombinha de CO2, de encher pneu de bicicleta).

Proporcionar bons momentos aos gatos quando estão próximos é fundamental para
que os associem à proximidade entre eles. Alimentá-los nessas ocasiões é uma ótima
estratégia. Mas é comum que em situações de estresse os gatos percam um pouco de
apetite. Por isso, convém que, ao servi-los, estejam sem comer há algumas horas. Ou,
então, podem-se dar petiscos que considerem maravilhosos e que não rejeitem por falta
de apetite. Caso aceitem comer, deverão receber também carinho e brinquedos.

Duração e freqüência do exercício


As tentativas de aproximação poderão ser feitas diversas vezes por dia ou apenas
algumas vezes por semana, dependendo do tempo disponível. O importante é que toda
vez que os gatos se encontrem recebam coisas gostosas e sejam totalmente impedidos
de brigar ou de um afugentar o outro. É preciso, ainda, manter-se atento para não
estressá-los demais. Assim, em pouco tempo, as aproximações poderão se tornar um
evento agradável para eles e deixá-los à espera do próximo encontro.

Finalmente soltos juntos


Só devemos deixar dois gatos soltos juntos quando tivermos segurança de que não
brigarão. Isso acontecerá quando conseguirmos que eles se alimentem um perto do
outro, sem demonstrar estresse ou agressividade, estando um do lado de dentro da
caixa de transporte ou gaiola e o outro, do lado de fora. Ao soltá-los, fique preparado
para inibir prontamente qualquer confronto provocado pelo “agressor”. Só deixe os dois
sozinhos depois de terem permanecido soltos juntos, várias vezes, sem brigas nem
agressões.

Modere suas expectativas


O procedimento de aproximação gradativa é o mais seguro e eficiente que conheço, mas
pode levar meses para chegar ao fim, dependendo dos gatos envolvidos. Em alguns
casos, o equilíbrio das relações precisará de uma contínua influência humana para a
hostilidade não voltar com o tempo. E se a aproximação não evoluir, criam-se dois ou
mais grupos de gatos que se tolerem naturalmente ou que sejam amigos.

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