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O legislador começou a abrir espaço na norma (normas gerais, espaços jurídicos

indeterminados, princípios...) para que o juiz exerça uma atividade interpretativa com maior
consistência.

Essa interpretação precisa também vincular o juiz no momento futuro.

O Direito não é seguro. A teoria dos precedentes não vai resolver, em definitivo, o problema
da segurança jurídica.

Paradoxo de Humberto Ávila: “Se a lei não resolve o problema da insegurança, vamos partir
para os precedentes, eles resolverão o problema da interpretação! Não é preciso mais se
preocupar, pois o Direito finalmente será seguro!” Mas isso não é verdade.

Os precedentes fecham mais a discricionariedade do juiz, cria uma melhor concretização da


norma e permite, em razão disso, maior racionalidade. Mas não elimina o papel do juiz de
interpretar.

Os precedentes também são textos e vão depender de interpretação, não podendo ser
aplicados sem a atividade interpretativa.

Dentro de uma interpretação que é tendenciosamente cognitiva, reconhecendo que o juiz está
vinculado primeiramente a lei e depois aos precedentes, o juiz não pode criar sem levar em
consideração o que foi dito antes. Não se pode interpretar de qualquer forma.

A padronização decisória quando aplicada de maneira estática e em massa gera graves


distorções.

Ao discutir a separação de poderes, analisou-se o mandado de injunção. Mostra que o juiz não
pode decidir tudo e em algumas matérias é necessário a intervenção do legislador.

Quando a lei vincula, o precedente não precisa vincular, se não acrescentar algo novo.

Ideia dos precedentes escalonada em 03 modelos.

 Precedentes normativos vinculantes: são precedentes do ponto de vista cultural


 Precedentes normativos formalmente vinculantes: art. 927
 Precedentes normativos formalmente vinculantes fortes: previstos na lei e que são
estabelecidos com um quorum específico e permitem uma impugnação por via direta
(ex. reclamação).
Só teremos uma teoria dos precedentes consistentes se começarmos também a analisar o
julgamento colegiado.

A decisão em irdr é uma decisão que claramente se desdobra (a decisão para o caso concreto e
a decisão para o caso futuro).

Art. 985, Inciso I – casos atuais e pendentes

Inciso II – casos futuros

 E se houvesse um inciso III, para casos passados? Podia servir de fundamento para
uma rescisória? No art. 525, §15º permite-se que decisão declarada pelo STF possa
servir para rescisória. Essa regra se aplica somente nesse caso ou se aplicaria para
outros repetitivos?

Em algumas matérias não é possível a retroatividade, dependendo do direito material.

(O QUE SE DEFENDE, ATUALMENTE, É QUE EXISTE A NORMA LEI E A NORMA PRECEDENTE).

Distinguir: eficácia vinculante da coisa julgada e eficácia da decisão.

É uma questão de fundo teórico. .Precisa ser analisado a partir do problema da segurança
jurídica e da confiança legítima. E são questões que dependem da tese discutida no caso
concreto.

Em controle concentrado deve-se observar o dispositivo da decisão ou o precedente da


decisão firmada? Didier.

Um argumento não enfrentado pode gerar não aplicação do precedente com base na
distinção. Mas também pode fazer uma ressalva de entendimento, aplicar o precedente e abrir
portas para eventuais recursos, que subirão aos tribunais até que eles possam ser rediscutidos
e superados ou não.

O formalismo do 927 é o mesmo exemplo do cinto de segurança. das legislações que


ensejaram uma mudança cultural.
 Embora o 927 tenha rol taxativo, mas permite analogia? O 948 cuida do incidente de
arguição de inconstitucionalidade. É possível dizer que forma precedente de modo
concentrado?

Justiça Multiportas:

Reforçado a partir de 1976, Frank sanders - Multi-door Courthouse System (Sistema de


Múltiplas Portas),

A tentativa de lidarmos com a solução de conflitos de uma forma mais adequada. É errado
pensar que só o poder judiciário pode lidar com os conflitos. A justiça deve ter várias portas e
atender, de forma diferenciada, casos diferenciados, privilegiando a solução adequada.

Ao falar de justiça multiportas, lembra-se muito da 3ª fase das ondas de acesso à justiça.

Parar de pensar naqueles que são os operadores do direito como os destinatários da justiça.
Os destinatários são os consumidores da justiça. O olhar que nos importa para garantir a
justiça adequada é o do consumidor cidadão.

O MP é um agente de transformação social e difusão dos direitos fundamentais e atua com a


ideia de justiça multiportas já há algum tempo.

No direito de família atua para uma conciliação entre as partes, ou palavra no sentido de
tentar compor a situação.

O MP também passou a tirar da esfera judicial uma série de conflitos que dependeria de um
processo, como por exemplo, os TACs.

No novo CPC há uma disciplina extensa, inclusive com deveres para todos aqueles que
participam do processo de buscar a solução consensual do conflito.

Os acordos de leniência e as colaborações premiadas e a importância disso para satisfazer uma


justiça mais adequada.

Justiça restaurativa: essa sim de especial interesse porque busca cumprir as finalidades da
pena, reintegrando aquele individuo em sociedade.

Convergência entre as ações coletivas e os casos repetitivos:


Diferenças entre ações coletivas e os casos repetitivos:

Ações coletivas Casos repetitivos


O grupo se forma independentemente da Depende do ajuizamento de uma ação
vontade individual para aplicação da tese repetitiva
A decisão é só em benefício Vincula a decisão pro et contra. Para o
provimento ou indeferimento do direito
Permite a ação individual e coletiva Suspensão de todos os processos até a
formulação da tese jurídica. É possível a
suspensão de ações coletivas para
julgamento de tese
Garantias processuais em benefício da
coletividade, por isso, deveria haver
preferência para essa modalidade
Precisa estar com causa no tribunal de 2º
grau

Se não tiver o processo coletivo em 2º grau, suspende o caso individual e julga o processo
coletivo em 1º grau.

Se já tiver processo coletivo em 2º grau, ele deve ser escolhido como caso-piloto para ser
julgado no tribunal.

Precisam-se conjugar os dois, principalmente porque se os processos são suspensos

"Na identificação da macro-lide multitudinária, deve-se considerar apenas o capítulo


substancial do processo coletivo. No ato de suspensãonão se devem levar em conta
peculiaridades da contrariedade (p. ex., alegações diversas, como as de ilegitimidade de
de parte, de prescrição, de irretroatividade de lei, de nomeação de gestor, de
julgamento por Câmaras Especiais e outras que porventura surjam, ressalvada,
naturalmente, a extinção devido à proclamação absolutamente evidente e sólida de
pressupostos processuais ou condições da ação), pois, dada a multiplicidade de
questões que podem ser enxertadas pelas partes, na sustentação de suas pretensões, o
não sobrestamento devido a acidentalidades de cada processo individual levaria à
ineficácia do sistema." (REsp 1110549/RS, Rel. Min. Sidnei Beneti, 2ª turma, Recursos
repetitivos).
é de cinco anos o prazo prescricional para ajuizamento da execução individual em
pedido de cumprimento de sentença proferida em Ação Civil Pública. (REsp
1273643/PR, Rel. Min. Sidnei Beneti, 2ª turma, recursos repetitivos).

Os juros de mora incidem a partir da citação do devedor no processo de conhecimento


da Ação Civil Pública quando esta se fundar em responsabilidade contratual, cujo
inadimplemento já produza a mora, salvo a configuração da mora em momento
anterior.

1. A suspensão abrange todos os processos que se encontrem em fase de liquidação


ou de cumprimento de sentença, nos quais a questão relativa ao termo inicial dos juros
de mora tenha surgido e ainda não tenha recebido solução definitiva;
2. Não há óbice para o processamento de novos pedidos de liquidação ou cumprimento
de sentença, ou para eventuais homologações de acordo;

(REsp 1361800/SP, corte especial, rel. Min. Mauro Campbell, recursos repetitivos)

Sistema de scoring: O “scoring” é um sistema de consulta fornecido ao


mercado de consumo por empresas especializadas, com a finalidade de
auxiliar na análise de concessão de crédito aos consumidores. O
consumidor recebe notas de 0 a 1000 e, quanto menor for a nota, maior é o
risco de inadimplência, de acordo com o sistema.

é “lícita” mas deve respeitar deveres expressos no Código de Defesa do


Consumidor como a veracidade e a clareza de informações sobre os
consumidores, além da privacidade dos dados dos consumidores.
I - O sistema "credit scoring" é um método desenvolvido para avaliação do risco de
concessão de crédito, a partir de modelos estatísticos, considerando diversas variáveis,
com atribuição de uma pontuação ao consumidor avaliado (nota do risco de crédito).
II - Essa prática comercial é lícita, estando autorizada pelo art. 5º, IV, e pelo art. 7º, I,
da Lei n. 12.414/2011 (lei do cadastro positivo).
III - Na avaliação do risco de crédito, devem ser respeitados os limites estabelecidos
pelo sistema de proteção do consumidor no sentido da tutela da privacidade e da
máxima transparência nas relações negociais, conforme previsão do CDC e da Lei n.
12.414/2011.
IV - Apesar de desnecessário o consentimento do consumidor consultado, devem ser a
ele fornecidos esclarecimentos, caso solicitados, acerca das fontes dos dados
considerados (histórico de crédito), bem como as informações pessoais valoradas.
V - O desrespeito aos limites legais na utilização do sistema "credit scoring",
configurando abuso no exercício desse direito (art. 187 do CC), pode ensejar a
responsabilidade objetiva e solidária do fornecedor do serviço, do responsável pelo
banco de dados, da fonte e do consulente (art. 16 da Lei n. 12.414/2011) pela
ocorrência de danos morais nas hipóteses de utilização de informações excessivas ou
sensíveis (art. 3º, § 3º, I e II, da Lei n. 12.414/2011), bem como nos casos de
comprovada recusa indevida de crédito pelo uso de dados incorretos ou desatualizados.

(REsp 1419697/RS, 2ª seção, rel. min. Paulo de tarso sanseverino, recursos repetitivos)

Decisão do STF no MSC nº 34.070/DF