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Módulo 1 Volume 1

Adilson Gonçalves
Luiz Manoel Figueiredo

Álgebra I

Z
MDC MDC MDCA B MDC MDC
C
A B

C
A B

MMC MMC MMC MMC


Álgebra I
Volume 1 - Módulo 1 Adilson Gonçalves
Luiz Manoel Figueiredo

Apoio:
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Material Didático
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Adilson Gonçalves
Luiz Manoel Figueiredo EDITORA CAPA
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eletrônico, mecânico, por fotocópia e outros, sem a prévia autorização, por escrito, da Fundação.

G635a
Gonçalves, Adilson.
Álgebra I. v.1 / Adilson Gonçalves. – Rio de Janeiro:
Fundação CECIERJ, 2010.
76p.; 21 x 29,7 cm.

ISBN: 85-7648-130-8

1. Álgebra. 2. Conjuntos. 3. Relações de equivalência.


4. Teorema da divisão de Euclides. 5. Números inteiros.
I. Figueiredo, Luiz Manoel. II. Título.

CDD: 512
2010/1
Referências Bibliográficas e catalogação na fonte, de acordo com as normas da ABNT.
Governo do Estado do Rio de Janeiro

Governador
Sérgio Cabral Filho

Secretário de Estado de Ciência e Tecnologia


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Reitor: Roberto de Souza Salles DO RIO DE JANEIRO
Reitora: Malvina Tania Tuttman
Álgebra I Volume 1 - Módulo 1

SUMÁRIO Aula 1 – Conjuntos _________________________________________________ 1


Adilson Gonçalves / Luiz Manoel Figueiredo

Aula 2 – Relações e relações de equivalência ____________________________ 11


Adilson Gonçalves / Luiz Manoel Figueiredo

Aula 3 – Relação de ordem em um conjunto:


O princípio da boa ordenação dos inteiros ________________________ 23
Adilson Gonçalves / Luiz Manoel Figueiredo
]
Aula 4 – A demonstração por Indução e Teorema da Divisão de Euclides _______ 35
Adilson Gonçalves / Luiz Manoel Figueiredo

Aula 5 – Divisibilidade nos inteiros: o Máximo Divisor Comum _______________ 47


Adilson Gonçalves / Luiz Manoel Figueiredo

Aula 6 – As subestruturas ideais de : MDC e MMC_______________________ 63


Adilson Gonçalves / Luiz Manoel Figueiredo
Conjuntos
AULA 1

Aula 1 – Conjuntos

Meta

Introduzir as noções básicas de conjunto e produto cartesiano de


conjuntos.

Objetivos

Ao final desta aula, você deve ser capaz de:


• Definir as noções básicas de conjunto e subconjunto; união, interseção
e diferença entre dois conjuntos.
• Identificar os conjuntos numéricos: N, Z, Q, R e C.
• Desenvolver os conceitos de par ordenado e produto cartesiano de con-
juntos.

Introdução
As idéias fundamentais da
teoria dos conjuntos foram
O estudo mais rigoroso da teoria dos conjuntos despontou no séc. XIX,
desenvolvidas pelo
com os trabalhos do matemático Georg Cantor. Em um de seus trabalhos, matemático Georg Cantor
(1845 –1918).
ele abalou a comunidade matemática da época, provando que a a cardinali- Muitas de suas idéias geniais
dade infinita do conjunto R, dos números reais, é maior que a cardinalidade não foram aceitas
inicialmente por outros
infinita do conjunto N dos números naturais. matemáticos. No entanto,
A cardinalidade de um conjunto finito é o número de elementos deste tiveram uma influência
profunda na Matemática do
conjunto. Cantor mostrou que há vários tipos de conjuntos infinitos e que século XX.

existem infinitos “maiores” que outros infinitos. O conjunto dos números


racionais Q tem a mesma cardinalidade infinita que N, mas R tem cardina-
lidade maior.
A noção de conjunto desempenha papel fundamental na organização e
no desenvolvimento da Matemática e de suas aplicações. Observe que Q tem mais
elementos que N no sentido
Nesta primeira aula, abordaremos, de maneira resumida e intuitiva, os de que todo número natural
é racional, mas há muitos
fundamentos básicos da teoria dos conjuntos. Uma outra apresentação ele- racionais (na verdade,
mentar para este tópico são as Aulas 1 a 4 da disciplina Matemática Discreta, infinitos racionais) que não
são inteiros. No entanto, N e
pela qual você, aluno, provavelmente já passou. Q têm a mesma
cardinalidade infinita.
Então, segure-se firme. Vamos iniciar uma viagem por uma das áreas
mais bonitas da Matemática: a Álgebra.
1 CEDERJ
Conjuntos
Algebra 1

Conjuntos: uma breve apresentação

Em Matemática, conjuntos e elementos são noções primitivas, assim


como ponto, reta e plano. Entendemos conjunto como uma coleção de obje-
tos. Os objetos que formam um conjunto são chamados elementos do con-
junto.
É conveniente admitir a existência do conjunto vazio, representado pelo
sı́mbolo ∅. Assim, o conjunto vazio é um conjunto sem elementos.
Quando todos os elementos de um conjunto A são também elementos
de um conjunto B, dizemos que o conjunto A está contido no conjunto B,
ou que A é subconjunto de B.
Assim, um conjunto A não é subconjunto de um conjunto B quando
existe algum elemento de A que não é elemento de B. O conjunto ∅ é
Por que o conjunto vazio é
considerado subconjunto de qualquer conjunto.
considerado subconjunto de Dois conjuntos A e B são iguais quando possuem os mesmos elementos,
qualquer conjunto?
Raciocine por absurdo: isto é, todo elemento de A é elemento de B (A ⊂ B) e todo elemento de B
se ∅ não fosse subconjunto de é elemento de A (B ⊂ A). Assim,
algum conjunto A, deveria
haver um elemento de ∅ não
pertencente a A. Porem, ∅ A=B se, e somente se, A ⊂ B e B ⊂ A .
não tem elemento algum!

Assim, todo conjunto é subconjunto de si mesmo. Quando A é um


subconjunto de B, mas não é igual a B, então dizemos que A é subconjunto
próprio de B.
Usaremos as seguintes notações:

• x ∈ A, x é um elemento do conjunto A ou x pertence a A.

• x 6∈ A, x não é elemento do conjunto A, ou x não pertence a A.

• A ⊂ B, o conjunto A é um subconjunto do conjunto B ou A está


contido em B.
Se A ⊂ B, dizemos também que o conjunto B contém o conjunto A e
denotamos B ⊃ A.

• A 6⊂ B. O conjunto A não está contido no conjunto B.

• A & B, o conjunto A é subconjunto próprio de B. Assim,

A&B se, e somente se,A ⊂ B e A 6= B .

CEDERJ 2
Conjuntos
AULA 1

Conjuntos numéricos

Os conjuntos numéricos são os seguintes:

• O conjunto dos números naturais, representado por N, é o conjunto

N = {0, 1, 2, 3, . . .} .

• O conjunto dos números inteiros, representado por Z, é o conjunto

Z = {. . . , −3, −2, −1, 0, 1, 2, 3, . . .} .

• O conjunto dos números racionais, representado por Q, é o conjunto


m
Q={ | m, n ∈ Z e n 6= 0} ,
n
isto é, os números racionais são as frações.

• O conjunto dos números reais representado por R é o conjunto formado


pelos números racionais e irracionais. Números irracionais represen-
tam quantidades que não podem ser expressas na forma de fração, por

exemplo, 2, π etc.

• O conjunto dos números complexos, denotado por C, é o conjunto



C = {a + bi | a, b ∈ R e i = −1} .

Observe que
N&Z&Q&R&C.

Para uma construção detalhada dos conjuntos numéricos, dos números


naturais até os reais, consulte o Módulo 1 da disciplina Pré-cálculo. Os
números complexos foram apresentados no Módulo 3 de Pré-cálculo.

União e interseção entre conjuntos

O conjunto formado pelos elementos que pertencem tanto ao conjunto


A quanto ao conjunto B é chamado interseção de A e B, denotado por A∩B.
Assim,
A ∩ B = {x | x ∈ A e x ∈ B} .

Um elemento de A ∩ B pertence simultaneamente aos conjuntos A e B.

3 CEDERJ
Conjuntos
Algebra 1

O conjunto formado pelos elementos que estão em A ou estão em B é


chamado de união de A e B, denotado por A ∪ B. Assim,
O “ou” da matemática é não
exclusivo, quer dizer, se A ∪ B = {x | x ∈ A ou x ∈ B} .
x ∈ A ou x ∈ B, então x
pode estar em A, pode estar
em B ou pode estar em Quando usamos o conectivo ou ao escrevermos x ∈ A ou x ∈ B, o elemento x
ambos.
Repare que “ou” na
pode estar no conjunto A, ou pode pertencer ao conjunto B. Basta pertencer
linguagem cotidiana é, em a um deles para pertencer à união.
geral, exclusivo. Quando
dizemos “hoje à noite vou ao Para quaisquer conjuntos A e B valem as seguintes propriedades:
cinema ou ao teatro”,
queremos dizer que iremos a
um ou ao outro, mas não a
• A ∩ ∅ = ∅;
ambos.
• A ∪ ∅ = A;

• A ∩ B ⊂ A e A ∩ B ⊂ B;

• A ∪ B ⊃ A e A ∪ B ⊃ B.

Exemplo 1
1. Z ∩ Q = Z e Z ∪ Q = Q.
Intervalos:
você se lembra dos intervalos 2. Q ∪ {números irracionais} = R.
abertos e fechados? A
notação é:
3. (2, 4) ∩ (3, 5) = (3, 4) e (2, 4) ∪ (3, 5) = (2, 5). Observe o diagrama a
(a, b) = {x ∈ R | a < x < b}
[a, b) = {x ∈ R | a ≤ x < b} seguir:
(a, b] = {x ∈ R | a < x ≤ b}
2 3 4 5
[a, b] = {x ∈ R | a ≤ x ≤ b}. (2,4)
(3,5)

(2,4)
U
(3,5)


(2,4) U (3,5)

4. [1, 2] ∩ [2, 5) = {2}.

5. (0, 1) ∩ (0, 12 ) ∩ (0, 13 ) ∩ (0, 14 ) ∩ (0, 15 ) ∩ . . . ∩ (0, n1 ) ∩ . . . = ∅.

Diagramas

Muitas vezes é conveniente representar conjuntos por meio de diagra-


mas geométricos, em que conjuntos são representados por regiões do plano.
Estes diagramas são chamados Diagramas de Venn.

CEDERJ 4
Conjuntos
AULA 1

Por exemplo, dados dois conjuntos A e B tais que A 6⊂ B e B 6⊂ A,


podemos representá-los pelo diagrama a seguir, no qual a área mais escura
representa o conjunto interseção A ∩ B.

A∩B
A B

Fig. 1.1: A interseção A ∩ B é a área mais escura do gráfico

Se A ⊂ B, podemos representá-los pela figura

B A

Fig. 1.2: A ∩ B = A

O conjunto diferença de A e B, denotado por A − B, é o conjunto dos


elementos de A que não pertencem ao conjunto B. Assim,

A − B = {x ∈ A | x 6∈ B} .

O diagrama a seguir representa a diferença A − B.

A B

Fig. 1.3: Diferença entre A e B

5 CEDERJ
Conjuntos
Algebra 1

Exemplo 1
Prove a seguinte igualdade:

(A − B) ∪ (B − A) = (A ∪ B) − (A ∩ B) .

Solução:
Devemos mostrar que todo elemento de (A − B) ∪ (B − A) é também
elemento de (A ∪ B) − (A ∩ B), e vice-versa.
Seja x um elemento de (A − B) ∪ (B − A). Temos x ∈ (A − B) ou
x ∈ (B − A). Vamos analisar cada um destes dois casos separadamente.
Se x ∈ (A − B), então x ∈ A e x 6∈ B. Se x ∈ A, então x ∈ A ∪ B. Se
x 6∈ B, então x 6∈ A ∩ B (se x não está em B, não pode estar na interseção
de B com conjunto algum!). Como x ∈ A ∪ B e x 6∈ A ∩ B, então x ∈
(A ∪ B) − (A ∩ B). Mostramos que

x ∈ (A − B) ∪ (B − A) ⇒ x ∈ (A ∪ B) − (A ∩ B) .

Vamos, agora, demonstrar a recı́proca. Seja x ∈ (A ∪ B) − (A ∩ B).


Assim, x ∈ (A ∪ B) e x 6∈ (A ∩ B). Como x ∈ (A ∪ B), então x ∈ A ou
x ∈ B. Vamos analisar os dois casos separadamente.
Se x ∈ A, como x 6∈ (A ∩ B), então x 6∈ B e, portanto, x ∈ (A − B).
Se x ∈ B, como x 6∈ (A ∩ B), então x 6∈ A e, portanto, x ∈ (B − A).
Assim, concluı́mos que x ∈ (A − B) ou x ∈ (B − A), isto é, x ∈
(A − B) ∪ (B − A), o que completa a demonstração.
A figura a seguir mostra, em um diagrama, o conjunto (A−B)∪(B−A).

A−B B−A

Fig. 1.4: Diagrama de (A − B) ∪ (B − A).

Você achou este exemplo um pouco complicado? Repasse o exemplo


até ter certeza de que entendeu todos os passos. Tente fazê-lo sem olhar a
aula. No fundo, é mais fácil do que parece!
Vamos apresentar um outro exemplo, do mesmo tipo, mas agora com
três conjuntos.

CEDERJ 6
Conjuntos
AULA 1

Exemplo 2
Mostre que, quaisquer que sejam os conjuntos A, B e C, vale o seguinte:

A ∩ (B ∪ C) = (A ∩ B) ∪ (A ∩ C) .

Solução: Vamos começar mostrando que todo elemento do conjunto à es-


querda é também elemento do conjunto à direita da igualdade.
Seja x ∈ A ∩ (B ∪ C). Então, pela definição de interseção, temos que
x ∈ A e x ∈ (B ∪ C), simultaneamente.
Como x ∈ (B ∪ C), então x ∈ B ou x ∈ C. Como x ∈ A temos x ∈ A
e (x ∈ B ou x ∈ C), ou seja, (x ∈ A e x ∈ B) ou (x ∈ A e x ∈ C), ou ainda,
x ∈ A ∩ B ou x ∈ A ∩ C, o que resulta em x ∈ (A ∩ B) ∪ (A ∩ C). Concluı́mos
que
A ∩ (B ∪ C) ⊂ (A ∩ B) ∪ (A ∩ C) .

Vamos agora provar a recı́proca. Suponha que x ∈ (A ∩ B) ∪ (A ∩ C).


Portanto, x ∈ (A ∩ C) ou x ∈ (A ∩ B). Vamos analisar os dois casos.
Se x ∈ (A ∩ C), então x ∈ A e x ∈ C. Logo, x ∈ A e x ∈ (B ∪ C), já
que c ⊂ (B ∪ C). Nesse caso, concluı́mos que x ∈ A ∩ (B ∪ C).
Se x ∈ (A ∩ B), raciocinamos de maneira análoga:

x ∈ (A ∩ B) ⇒ x ∈ A e x ∈ B ⇒ x ∈ A e x ∈ (B ∪ C) ⇒ x ∈ A ∩ (B ∪ C) .

Concluı́mos que

(A ∩ B) ∪ (A ∩ C) ⊂ A ∩ (B ∪ C) ,

o que completa a demonstração.


A figura a seguir mostra, em um diagrama, o conjunto A ∩ (B ∪ C).

A B

Fig. 1.5: O conjunto A ∩ (B ∪ C).

7 CEDERJ
Conjuntos
Algebra 1

Produto cartesiano de conjuntos

Um par ordenado é uma seqüência ordenada de dois elementos. Escreve-


se o par entre parêntesis, como em (a, b). Repare que a ordem dos elementos
no par é significativa. Por exemplo, os pares ordenados de inteiros (1, 2)
e (2, 1) são diferentes. Dois pares ordenados são iguais se têm os mesmos
elementos na mesma ordem, isto é,

(a, b) = (c, d) se, e somente se, a = c e b = d .

Você notou a coincidência de


notação? Se a, b são números Analogamente, uma tripla ordenada de elementos é uma seqüência de
reais, o mesmo sı́mbolo (a, b)
é usado para denotar o 3 elementos em que a ordem é significativa, isto é,
intervalo aberto a < x < b e
o par ordenado (a, b) que,
(a, b, c) = (d, e, f ) se, e somente se, a = d e b = e e c = f .
evidentemente, são duas
coisas inteiramente
diferentes. Isto, em geral, De maneira geral, chamamos de uma n-upla ordenada de elementos
não causa problemas visto
que pelo contexto uma lista ordenada (a1 , a2 , . . . , an ), na qual a ordem é significativa. Duas
normalmente sabemos a
n-uplas são iguais quando possuem os elementos nas mesmas posições:
quais dos dois objetos
estamos nos referindo
(a1 , a2 , . . . , an ) = (b1 , b2 , . . . , bn ) se, e somente se, a1 = b1 , a2 = b2 , . . . , an = bn .

Sejam os conjuntos A e B. O produto cartesiano de A e B, denotado


por A × B, é o conjunto de todos os pares ordenados (a, b), com a ∈ A e
b ∈ B. Assim,
A × B = {(a, b) | a ∈ A e b ∈ B} .

Podemos generalizar esta definição para vários conjuntos. Dados os


conjuntos A1 , A2 , A3 , . . . , An , o produto cartesiano A1 × A2 × A3 × · · · × An
é definido por

A1 ×A2 ×A3 ×· · ·×An = {(a1 , a2 , a3 , . . . , an ) | a1 ∈ A1 , a2 ∈ A2 , . . . , an ∈ An } .

Exemplo 3
Seja A = {1, 2} e B = {3, 4, 5}, então

A × B = {(1, 3), (1, 4), (1, 5), (2, 3), (2, 4), (2, 5)} e
B × A = {(3, 1), (3, 2), (4, 1), (4, 2), (5, 1), (5, 2)}.

Note que, neste exemplo, para estes conjuntos, A × B 6= B × A. O


produto cartesiano de conjuntos não é uma operação comutativa.

CEDERJ 8
Conjuntos
AULA 1

Note, ainda em relação ao exemplo anterior, que o produto cartesiano


de um conjunto A de 2 elementos por um conjunto B de 3 elementos é um
conjunto A × B de 2 × 3 = 6 elementos. Vamos deixar como exercı́cio a prova
da proposição que enunciamos a seguir.
Proposição 1
Se A e B são conjuntos finitos, então

|A × B| = |A| × |B| ,

onde |A| indica o número de elementos de um conjunto A.

Resumo

O conceito de conjunto pertence aos fundamentos. está presente em


todas as formas em que a Matemática se manifesta, sendo especialmente
importante neste curso de Álgebra. Assim, faça uma revisão criteriosa nos
conceitos de união, interseção e produto cartesiano apresentados nesta pri-
meira aula.
Os exemplos apresentados são considerados atividades com roteiro de
solução. Você deve reescrevê-los com suas próprias palavras.
Para você, aluno, que se inscreveu em Álgebra 1, essas noções básicas
de conjunto provavelmente são já bem conhecidas. Assim, procuramos apre-
sentá-las dentro de um princı́pio de revisão dinâmica, onde à revisão dos
conceitos básicos acrescentamos alguns aspectos especı́ficos e procuramos fi-
xar a notação que será utilizada ao longo desta disciplina.
Nos Exemplos 1 e 2 apresentamos demonstrações de duas proposições
básicas envolvendo conjuntos, que você deveria tentar reescrever com suas
palavras.

Atividades propostas

1. Para os conjuntos A = {1, 2, 3, 4} e B = {3, 4, 5, 6}, calcule:

(a) A ∪ B.
(b) A ∩ B.
(c) A − B.
(d) B − A.
(e) A × B.

9 CEDERJ
Conjuntos
Algebra 1

2. Seja A um conjunto. Prove que A − ∅ = A e ∅ − A = ∅.

3. Prove que A ⊂ B se, e somente se, A − B = ∅.

4. Sejam A e B conjuntos não-vazios. Prove que A × B = B × A se, e


somente se, A = B. Por que razão é necessária a condição de A e B
serem não-vazios?

5. Demonstre a igualdade A ∪ (B ∩ C) = (A ∪ B) ∩ (A ∪ C).

6. Mostre que se A e B são conjuntos finitos, então |A × B| = |A| × |B| .

7. Sejam A e B conjuntos quaisquer. Mostre que

|A ∪ B| = |A| + |B| − |A ∩ B| .

8. Escreva os seguintes subconjuntos A ⊂ R, dos números reais, como


união de intervalos:

(a) A = {x ∈ R | x2 > 1 e x2 < 4}.


(b) A = {x ∈ R | x2 ≥ 4 e x2 < 9}.
(c) A = {x ∈ R | x2 ≥ 2 e x2 ≥ 1}.
(d) Escreva A ∩ Z para cada um dos três conjuntos acima descritos.

Auto-avaliação

Você deveria ter sido capaz de resolver todos os exercı́cios propostos. As


respostas, propositadamente, não estão descritas aqui para que você tente,
sozinho, achar o caminho da solução a partir do que é apresentado no próprio
texto.
Se você tiver alguma dificuldade, volte ao texto da aula e tente nova-
mente. Procure também o tutor para esclarecer dúvidas que ainda persistam
e discutir soluções dos exercı́cios propostos.
Os exemplos inclusos na aula são consideradas atividades com roteiro
de solução. Você deve conseguir reproduzı́-los com suas próprias palavras.
Não avance para a próxima aula antes de conseguir fazer todas as ati-
vidades propostas.

CEDERJ 10
Relações e relações de equivalência
AULA 2

Aula 2 – Relações e relações de equivalência

Meta
Abordar relações e relações de equivalências.

Objetivos
Ao final desta aula, você deve ser capaz de:
• Definir os conceitos de relação em um conjunto e entre dois conjuntos.
• Enunciar as propriedades das relações.
• Reconhecer uma relação de equivalência e dar alguns exemplos.

Introdução

Um dos conceitos mais importantes na Matemática é o de relação. Ele


está ligado à idéia de comparação entre objetos, de acordo com algum critério
ou alguma regra.
Podemos citar como exemplo a relação “é mais novo que” no conjunto
dos alunos de uma escola. Outro exemplo é a relação “menor que” (<) no
conjunto dos números inteiros. Ainda no conjunto dos inteiros, temos várias
relações: maior que, ser igual a, ser divisı́vel por, ser múltiplo de etc.
Mas como definimos uma relação? Veja que há duas coisas importantes
Relações que comparam
em uma relação: um conjunto e uma regra de comparação entre os elementos pares de elementos de um
deste conjunto. Uma relação sempre envolve pares de elementos do conjunto são chamadas
relações binárias. Nesta
conjunto. disciplina, trataremos
Se temos uma relação R em um conjunto A, é comum escrever xRy apenas de relações binárias.

quando o elemento x está relacionado ao elemento y, sendo x, y ∈ A. Usamos


o sı́mbolo x 6 R y quando x não está relacionado ao elemento y.
Por exemplo, na relação “<” (“é menor que”) no conjunto Z, temos
2 < 3, 4 < 10, 1 < 100 etc. Familar, não?
Há uma outra maneira, talvez menos intuitiva, de escrever uma relação:
por pares ordenados. Podemos convencionar que o par (x, y) diz que x está
relacionado a y. Assim, dada uma relação em um conjunto A, os “relaciona-
mentos” são pares ordenados (x, y), com x e y pertencentes ao conjunto A,
isto é, uma relação é definida através de um dado subconjunto do produto
cartesiano A × A.
11 CEDERJ
Relações e relações de equivalência
Algebra 1

Relação em um conjunto

A seguir, veremos como podemos definir uma relação.


Definição 1 (Relação em um conjunto)
Uma relação R em um conjunto A é um subconjunto do produto cartesiano
de A por si mesmo:
R ⊂A×A.
Exemplo 2
1. Se A = {1, 2, 3}, a relação < é dada por

R = {(1, 2), (1, 3), (2, 3)} ,

enquanto a relação ≤ é dada por

S = {(1, 1), (1, 2), (1, 3), (2, 2), (2, 3), (3, 3)} .

Podemos, também, descrever R como

R = {(x, y) ∈ A × A | x < y} .

2. No conjunto B = {1, 2, 3, 4, 5, 6}, a relação “x divide y”, é dada por

R = {(1, 1), (1, 2), (1, 3), (1, 4), (1, 5), (1, 6), (2, 2), (2, 4), (2, 6), (3, 3),
(3, 6), (6, 6)} .

Podemos, também, descrever o conjunto R como

R = {(x, y) ∈ B × B | x divide y} .

Em resumo, uma relação em um conjunto A é um conjunto de pares


ordenados (x, y), onde x, y ∈ A. Dizemos que x e y satisfazem a relação, ou
que x está relacionado a y, se o par (x, y) está na relação. Assim, uma relação
é um subconjunto de A × A. Qualquer subconjunto de A × A constitui uma
relação. Se R é uma relação, escrevemos xRy quando (x, y) ∈ R, isto é,

xRy ⇐⇒ (x, y) ∈ R .

É conveniente ampliar a definição que demos de relação, para incluir


relações entre dois conjuntos diferentes.
Definição 2 (Relação entre conjuntos)
Sejam A e B conjuntos. Uma relação entre A e B é um subconjunto de
A × B.

Observe a distinção: um subconjunto de A × A é uma relação em A,


enquanto um subconjunto de A × B é uma relação entre A e B.

CEDERJ 12
Relações e relações de equivalência
AULA 2

Propriedades das relações

Vamos usar termos especiais para descrever certas propriedades que


uma relação pode ter. Vamos considerar uma relação R em um conjunto A.

• Propriedade Reflexiva.

Dizemos que uma relação R é reflexiva quando, para qualquer x ∈ A,


temos xRx. Isto é, todo elemento do conjunto está relacionado a si
mesmo.

• Propriedade Anti-reflexiva.

Dizemos que uma relação R é anti-reflexiva quando, para qualquer x ∈


6 x. Isto é, nenhum elemento do conjunto está relacionado
A, temos x R
a si mesmo.

• Propriedade Simétrica.

Dizemos que uma relação R é simétrica quando, para quaisquer x, y ∈


A, se xRy, então yRx. Isto é, se x estiver relacionado a y, então y está
relacionado a x.

• Propriedade Anti-simétrica.

Dizemos que uma relação R é anti-simétrica quando, para quaisquer


x, y ∈ A, se xRy e yRx, então x = y. Assim, se x e y são elementos
distintos de A, não pode acontecer de x estar relacionado a y e y estar
relacionado a x.

• Propriedade Transitiva.

Dizemos que uma relação R é transitiva quando, para quaisquer x, y, z ∈


A, se xRy e yRz, então xRz. Isto é, se x estiver relacionado a y e y
estiver relacionado a z, então x está relacionado a z.

Vamos a alguns exemplos para tornar estes conceitos mais claros e para
mostrar que muitas relações comuns apresentam várias destas propriedades.

Exemplo 1
A relação = (igualdade) sobre os inteiros. Ela é reflexiva (todo inteiro é igual
a si mesmo), simétrica (x = y ⇒ y = x) e transitiva (x = y e y = z ⇒ x = z).

13 CEDERJ
Relações e relações de equivalência
Algebra 1

Exemplo 2
A relação ≤ (menor ou igual a) sobre os inteiros. Ela é reflexiva (todo inteiro
é menor ou igual a si mesmo), anti-simétrica (x ≤ y e y ≤ x ⇒ x = y) e
transitiva (x ≤ y e y ≤ z ⇒ x ≤ z).

Exemplo 3
A relação < (estritamente menor que) sobre os inteiros. Ela é anti-reflexiva
(nenhum inteiro é menor que si mesmo), não é simétrica (porque x < y
não implica y < x). Na verdade, ela é anti-simétrica. Isto pode causar
estranheza, mas, veja bem: a condição de anti-simetria é

(x < y e y < x) ⇒ x = y .

Esta condição é correta por vacuidade: não há inteiros tais que x < y e y < x,
portanto, a implicação é sempre verdadeira.
A relação < é também transitiva:

(x < y e y < z) ⇒ x < z .

Exemplo 4
Seja A o conjunto das retas no plano e R a relação de perpendicularismo
entre retas. Esta relação é anti-reflexiva (nenhuma reta é perpendicular a si
mesma), simétrica e não é transitiva.

Exemplo 5
Seja A o conjunto das retas no plano e R a relação de paralelismo ou igualdade
entre retas, isto é, xRy quando as retas x e y são iguais ou paralelas. Esta
relação é, claramente, reflexiva, simétrica e transitiva.
Dois triãngulos 4ABC e
4DEF são ditos Exemplo 6
congruentes quando existe
uma correspondência entre Seja A o conjunto dos triângulos. A relação R de congruência de triângulos
seus vértices, tal que a
correspondência entre os
é reflexiva, simétrica e transitiva.
lados e ângulos, determinada
por esta correspondência Exemplo 7
entre os vértices, leva lados e
ângulos em lados e ângulos Considere a relação | (divide) no conjunto dos números inteiros positivos.
congruentes.
Esta relação é anti-simétrica, pois, para x e y números positivos, se x | y e
y | x então x = y.
Por outro lado, a relação | (divide) sobre o conjunto dos números in-
teiros não é anti-simétrica, pois , por exemplo, 2 | −2 e −2 | 2, mas 2 6= −2.
Também não é simétrica, por exemplo, 2 | 6, mas 6 - 2.

CEDERJ 14
Relações e relações de equivalência
AULA 2

Este exemplo mostra que uma relação pode não ser nem simétrica nem
anti-simétrica.

Exemplo 8
Seja R a relação de bijeção definida sobre o conjunto de todos os subconjuntos
finitos. Se S1 e S2 são dois conjuntos finitos, então S1 RS2 quando há uma
relação bijetiva entre S1 e S2 , o que é o mesmo que dizer que S1 e S2 têm o
mesmo número de elementos.
A relação S é claramente reflexiva, simétrica e transitiva. O que é o número de
elementos de um conjunto
finito S? Uma maneira de
Relações de equivalência conhecer este número é
através de bijeções.
Em várias áreas da Matemática, encontramos relações que trazem uma Podemos dizer que um
conjunto S é finito e tem n
certa noção de “quase igualdade” entre objetos distintos. Por exemplo, em elementos quando existe
Geometria, a congruência de triângulos. Triângulos congruentes não são uma bijeção de S com o
conjunto {1, 2, . . . , n}.
iguais, mas têm lados e ângulos correspondentes de mesma medida. Assim,
“funcionam” como se fossem iguais.
Entre conjuntos finitos, a relação de bijeção não é uma igualdade,
mas, para muitas aplicações, conjuntos bijetivos “funcionam” como se fossem
iguais.
Estas relações, assim como a relação de igualdade em um conjunto
numérico, têm a caracterı́stica de serem reflexivas, simétricas e transitivas.
Damos a uma relação com estas propriedades o nome de relação de equi-
valência.

Definição 3 (Relação de equivalência)


Seja R uma relação em um conjunto A. Dizemos que R é uma relação de
equivalência em A quando ela é reflexiva, simétrica e transitiva.

Os exemplos 1 (relação de igualdade nos inteiros), 6 (congruência de


triângulos), 5 (retas iguais ou paralelas) e 8 (relação de ter o mesmo número
de elementos sobre o conjunto de todos os subconjuntos finitos) são exemplos
de relações de equivalência.
Vamos ver mais um exemplo de relação de equivalência.

Exemplo 9
Sejam A e B dois conjuntos não-vazios, e seja f : A −→ B uma dada função.
Vamos definir, usando a função f , uma relação de equivalência ∼f , no con-
junto A, que é o domı́nio de f .

15 CEDERJ
Relações e relações de equivalência
Algebra 1

Definição:

Para x1 , x2 ∈ A, x1 ∼f x2 quando f (x1 ) = f (x2 ) .

Esta relação é de equivalência, pois vale:

1. Reflexividade: x ∼f x, pois f (x) = f (x).

2. Simetria:

x1 ∼f x2 ⇒ f (x1 ) = f (x2 ) ⇒ f (x2 ) = f (x1 ) ⇒ x2 ∼f x1 .

3. Transitividade:

x1 ∼f x2 e x2 ∼f x3 ⇒ f (x1 ) = f (x2 ) e f (x2 ) = f (x3 )


⇒ f (x1 ) = f (x3 ) ⇒ x1 ∼f x3 .

Classes de equivalência

Seja A um conjunto não-vazio e seja ∼ uma relação de equivalência no


conjunto A.

Definição 4 (Classe de equivalência)


Se a ∈ A, chamamos de classe de equivalência do elemento a, denotado por a,
o subconjunto de todos os elementos de A que são equivalentes ao elemento
a, isto é
a = {x ∈ A / x ∼ a} .

Note que, como a ∼ a, por reflexividade, então a ∈ a. Assim, uma


classe de equivalência nunca é vazia.
Por exemplo, na relação de congruência de triângulos, a classe de equi-
valência de um triangulo T é o conjunto de todos os triângulos que são
congruentes a T .
Seja R a relação tem o mesmo número de elementos que, no conjunto
de todos os subconjuntos finitos de Z, por exemplo. Já vimos que R é uma
relação de equivalência (veja o exemplo 8). O que são, neste caso, as classes
de equivalência?
A classe do conjunto vazio é a classe dos conjuntos que não têm nenhum
elemento, portanto, somente ele mesmo.

∅ = {∅}

CEDERJ 16
Relações e relações de equivalência
AULA 2

Em seguida, temos a classe dos conjuntos que têm 1 elemento. Todos


eles estão na mesma classe, e somente eles (os conjuntos de 1 elemento) estão
nesta classe.

{1} = {. . . , {−2}, {−1}, {0}, {1}, {2}, . . .} .

Passamos, então, à classe dos subconjuntos de Z que têm dois elemen-


tos, três elementos etc. Observe que todos os subconjuntos finitos de Z estão
em alguma classe (se um subconjunto tem n elementos, então pertence à
classe dos subconjuntos que têm n elementos!). Note, também, que estas
classes são disjuntas duas a duas.
A próxima proposição irá mostrar o que dissemos anteriormente para
qualquer relação de equivalência R em um conjunto A. Mostraremos que
as classes de equivalência de R são subconjuntos de A, não vazios, disjuntos
dois a dois, cuja união é o conjunto A.
Proposição 1
Seja ∼ uma relação de equivalência em um conjunto não vazio A e sejam
x, y ∈ A. Então, as seguintes afirmações são verdadeiras.

1. Dois elementos são equivalentes se, e somente se, estão na mesma classe
de equivalência:
x ∼ y ⇐⇒ x = y .

2. Duas classes distintas são disjuntas:

x 6= y ⇐⇒ x ∩ y = ∅ .

3. O conjunto A é a união das classes de equivalência da relação:


[
A= x
x∈A

Demonstração.
Sejam x, y ∈ A.
1. Assumimos x ∼ y. Vamos mostrar que x = y.
Se a ∈ x, temos a ∼ x. Da hipótese x ∼ y, segue por transitividade
que a ∼ y. Isso nos diz que a ∈ y.
Assim, x ⊂ y. De modo análogo, pode-se mostrar que y ⊂ x. Dessas
duas inclusões, mostramos que x = y.

17 CEDERJ
Relações e relações de equivalência
Algebra 1

Assumimos x = y. Vamos mostrar que x ∼ y.


Pela reflexividade, x ∼ x, portanto, x ∈ x. Como x = y, então x ∈ y,
e isso nos diz que x ∼ y.

2. Suponha que x 6= y e suponhamos, por absurdo, que x ∩ y 6= ∅. Seja


z ∈ x ∩ y. Assim, z ∈ x implica z ∼ x e z ∈ y implica z ∼ y. Pela simetria,
z ∼ x implica x ∼ z.
Assim, x ∼ z e z ∼ y. Pela transitividade, temos x ∼ y, e de (1) segue
que x = y, contradizendo nossa hipótese.
Daı́, segue que x ∩ y = ∅, quando x 6= y.
[
3. De x ⊂ A para todo x ∈ A, segue que x ⊂ A e do fato de x ∈ x
[ x∈A
para todo x ∈ A, segue que A ⊂ x.
x∈A
[
Logo, dessas duas informações concluı́mos que A = x. 
x∈A

Conjuntos quocientes e partição em um conjunto

Seja ∼ uma relação de equivalência em um conjunto não vazio A e, para


todo a ∈ A, seja a = {x ∈ A | x ∼ a} a classe de equivalência do elemento a.
O conjunto das classes {a | a ∈ A} denotado por P = A/ ∼ = A é
chamado conjunto quociente de A pela relação de equivalência ∼ .
Pela proposição anterior, o conjunto quociente é um conjunto de sub-
conjuntos de A, não vazios, dois a dois disjuntos, e cuja união é o próprio
Você deve ter estudado
conjunto A. Esta é exatamente a noção de partição de um conjunto.
partições de um conjunto na Vamos relembrar a definição de partição de um conjunto.
disciplina Matemática
Discreta, no primeiro
perı́odo do curso (lá, quando
Definição 5 (partição de um conjunto A)
você ainda era um calouro!). Seja A um conjunto não vazio e seja P uma coleção cujos elementos são
subconjuntos de A.
Dizemos que P é uma partição do conjunto A se as seguintes proprie-
dades são satisfeitas:

1. Os elementos de P são não vazios.

2. Quaisquer dois elementos distintos P1 , P2 de P são disjuntos, isto é,


P1 6= P2 em P implica P1 ∩ P2 = ∅

CEDERJ 18
Relações e relações de equivalência
AULA 2

[
3. A = · P (A é união disjunta dos elementos P ∈ P).
P ∈P

Repare
[na notação
Se P = {P1 , P2 , · · · , Pn } for uma partição finita, podemos representar A = · P , usada para
a partição na figura a seguir P ∈P
indicar união disjunta
A

Pn

Pi

P5

P4

P3
P2

P1

Fig. 2.1: Partição de um conjunto

Pela proposição anterior, se ∼ é uma relação de equivalência em um


conjunto não vazio A, então P = A/∼ = A define uma partição no conjunto
A ns qual os elementos dessa partição são as classes de equivalência a, onde
a ∈ A.
Um fato muito interessante é que a recı́proca também é verdadeira, isto
é, dada uma partição P de um conjunto A, fica naturalmente definida uma
relação de equivalência ∼ em A de modo que P = A/∼ = A.
Proposição 2
Seja A um conjunto não vazio e seja P uma partição do conjunto A. Defina
a relação ∼ sobre A por

x ∼ y, se existe P ∈ P tal que x, y ∈ P

1. ∼ é relação de equivalência.

2. A/∼ = P.

Em outras palavras, a relação de equivalência é definida por: dois ele-


mentos se relacionam quando estão no mesmo conjunto da partição.
Demonstração.
1. Vamos mostrar que as propriedades que definem relação de equivalência
são satisfeitas.

19 CEDERJ
Relações e relações de equivalência
Algebra 1

• Reflexividade.
[
x ∼ x pois, x ∈ A = · P então existe P ∈ P tal que x ∈ P .
P ∈P

• Simetria.
Assumimos x ∼ y. Isso nos diz que existe P ∈ P tal que {x, y} ⊂ P e,
como {y, x} = {x, y}, segue que y ∼ x.

• Transitividade.
Assumimos x ∼ y e y ∼ z com x, y, z ∈ A.
Se x ∼ y, então existe P1 ∈ P tal que {x, y} ⊂ P1 .
Se y ∼ z, então existe P2 ∈ P tal que {y, z} ⊂ P2 .
Assim, y ∈ P1 ∩ P2 6= ∅ e como P é uma partição, isso nos diz que, de
fato, P1 = P2 .
Assim, {x, y} e {y, z} estão contidas em P1 = P2 .
Então,
{x, y, z} ⊂ P1 =⇒ {x, z} ⊂ P1 =⇒ x ∼ z .

Isso demonstra que a relação ∼ define uma relação de equivalência


em A.

2. Vamos provar que A = A/∼ = P.


Seja P ∈ P e seja a ∈ P ⊂ A. Vamos mostrar que

P = a = {x ∈ A | x ∼ a} .

Se x ∼ a, então existe P 0 ∈ P tal que {x, a} ⊂ P 0 .


Como a ∈ P ∩ P 0 6= ∅, temos:

P = P 0 =⇒ {x, a} ⊂ P = P 0 =⇒ x ∈ P =⇒ a ⊆ P .

De a ∈ P segue, pela definição de ∼, que y ∼ a para todo y ∈ P e isso


nos diz que P ⊆ a.
De a ⊆ P e P ⊆ a segue que P = a.
Tendo em vista que cada a ∈ A pertence, sempre, a algum P ∈ P (pois
P é uma partição de A), temos, de fato, que

A = A/∼ = P .

CEDERJ 20
Relações e relações de equivalência
AULA 2

Resumo

As noções de Relação e Relação de Equivalência são noções destacadas


na Matemática e, em especial, na Álgebra. É particularmente importante
que você, aluno, domine esses conceitos e tenha um entendimento claro das
propriedades reflexiva, simétrica e transitiva.
Uma relação de equivalência permite partir um conjunto em uma coleção
especial de subconjuntos chamada Partição do Conjunto. O conjuntos das
classes de equivalência determina uma partição e, vice-versa, uma partição
determina uma relação de equivalência em um conjunto, onde os elementos
da partição são, exatamente, as classes de equivalência da relação.
Esse é o recado da Aula 2.

21 CEDERJ
Relações e relações de equivalência
Algebra 1

Atividades Propostas

1. Seja R = {(x, y) | x, y ∈ R} o conjunto dos pontos no plano, represen-


tados por pares ordenados de números reais. Seja Ω o subconjunto de
R2 definido por
Ω = {(x, y) ∈ R2 | xy ≥ 0} .

É fácil ver que Ω é a união do 1o e 3o quadrantes com os eixos cartesianos


(que são as retas x = 0 e y = 0).
Definimos uma relação R no conjunto R dos números reais por

para x, y ∈ R, xRy quando (x, y) ∈ Ω .

Mostre que a relação assim definida é uma relação de equivalência.

2. Discuta a validade das propriedades reflexiva, simétrica e transitiva


para as relações em R, definidas de maneira análoga, através dos con-
juntos

(a) Ω = {(x, y) ∈ R2 | x ≤ 0 e y ≥ 0}
(b) Ω = {(x, y) ∈ R2 | xy ≤ 0}
(c) Ω = {(x, y) ∈ R2 | x2 + y 2 ≤ 1}

Auto-avaliação

Você deveria ter sido capaz de resolver todos os exercı́cios propostos.


Se você tiver alguma dificuldade, volte ao texto da aula ou procure o tutor
antes de avançar para a próxima aula.

CEDERJ 22
Relação de ordem em um conjunto: O princı́pio da boa ordenação dos inteiros
AULA 3

Aula 3 – Relação de ordem em um conjunto:


O princı́pio da boa ordenação dos inteiros

Meta

Estudar relação de ordem em um conjunto, as noções de conjunto limi-


tado superiormente e inferiormente e o princı́pio da boa ordenação.

Objetivos

Ao final desta aula, você deve ser capaz de:

• Listar as propriedades que definem uma relação de ordem.

• Definir a noção de conjunto ordenado e destacar aspectos especı́ficos


nos conjuntos numéricos Z, Q, R e C.

• Definir conjunto limitado superiormente e inferiormente.

• Apresentar o princı́pio da boa ordenação, mostrar sua validade em Z e


mostrar sua não validade em Q e R.

Introdução

Na Aula passada, você viu a definição de relação em um conjunto e


também viu uma classe de relações especialmente importantes, que são as
relações reflexivas, simétricas e transitivas, as chamadas relações de equi-
valência.
Nesta aula, veremos outra classe de relações muito importantes, que
são as relações de ordem. Elas traduzem a noção intuitiva de ordem. Por
exempo, o conjunto dos números inteiros é “ordenado”, de maneira natural,
pela relação “menor ou igual a”. Defiremos relação de ordem em um con-
junto, listando as propriedades que uma relação deve ter para ser de ordem,
e analisaremos essas relações nos conjuntos numéricos Z, Q, R e C.
Apresentaremos o Princı́pio da boa ordenação que tem validade em Z
mas não possui validade em Q ou R e, apresentaremos o exemplo da relação
de ordem lexicográfica em C.

23 CEDERJ
Relação de ordem em um conjunto: O princı́pio da boa ordenação dos inteiros
Algebra 1

Através do princı́pio da boa ordenação em Z, provaremos, na próxima


aula, o chamado princı́pio da Indução, que servirá de base para demonstração
de fórmulas envolvendo números inteiros.
Bom, é um bocado de assunto novo nesta aula! Vamos começar pela
definição de relação de ordem.

Relação de ordem em um conjunto: uma breve apresentação

Seja A um conjunto não vazio e seja R uma relação (binária) entre


pares ordenados de elementos de A. Se a, b ∈ A estão relacionados, nessa
ordem, escrevemos aRb. Caso contrário, escrevemos a 6 Rb.
Começaremos definindo uma ordem parcial. Esta é uma relação refle-
xiva, anti-simétrica e transitiva.
Definição 1 (Ordem parcial de um conjunto A)
Dizemos que R é uma relação de ordem parcial em A se, para todo a, b, c ∈ A,
são válidas as seguintes propriedades:
(1) aRa (Reflexiva)

(2) aRb, bRa =⇒ a = b (Anti-simétrica)

(3) aRb, bRc =⇒ aRc (Transitiva)


Exemplo 3
A relação ≤ no conjunto Z é uma relação de ordem parcial, pois é claramente
reflexiva (x ≤ x), anti-simétrica (x ≤ y e y ≤ x implica x = y) e transitiva (
x ≤ y e y ≤ z implica x ≤ z).
Na verdade, a relação ≤ nos inteiros é um exemplo que vem sempre à mente
quando falamos de ordem. É comum, também, usar-se a notação ≤ para
qualquer relação de ordem parcial em qualquer conjunto.

Assim, dizemos que ≤ é uma ordem parcial em A se, para todo a, b, c ∈ A,


vale que:

1. a ≤ a;

2. a ≤ b, b ≤ a =⇒ a = b;

3. a ≤ b, b ≤ c =⇒ a ≤ c.

Agora, devemos distinguir um tipo especial de relação de ordem. Note


que, se ≤ é uma relação de ordem em um conjunto A, pode acontecer de dois

CEDERJ 24
Relação de ordem em um conjunto: O princı́pio da boa ordenação dos inteiros
AULA 3

elementos em A não estarem relacionados, isto é, pode acontecer de existirem


elementos a, b ∈ A tais que não vale a ≤ b nem b ≤ a.
Se dois elementos em A estão sempre relacionados, então dizemos que
a relação é total (ou linear ).

Definição 2 (Relação total ou linear)


Se uma relação de ordem ≤ em um conjunto A satisfizer a propriedade

4. Para todo a, b ∈ A tem-se a ≤ b ou b ≤ a

então dizemos que a ordem ≤ em A é total ou linear.

Vamos agora dar um exemplo de ordem parcial que não é total.


Exemplo 4
Seja X um conjunto e seja A = P(X) o conjunto das partes de X. Isto é,

A = P(X) = {Y | Y ⊂ X} .

Para relembrar, vamos ver


Claramente, a relação de inclusão em P(X) é uma relação de ordem, pois é: alguns exemplos de conjunto
das partes de um conjunto:

1. Reflexiva: todo subconjunto de X está contido em si mesmo. • Se X = ∅, tem-se


P(X) = {∅} (6= ∅)
possui um elemento
2. Anti-simétrica: se X1 e X2 são subconjuntos de X e vale que X1 ⊂ X2
(que é o conjunto
e X2 ⊂ X1 , então X1 = X2 . vazio).

• Se X = {1}, P(X) =
3. Transitiva: se X1 ⊂ X2 e X2 ⊂ X3 então X1 ⊂ X3 , para X1 , X2 e X3 {∅, {1}} possui
subconjuntos de X. exatamente dois
elementos.

Esta relação de ordem parcial não é, em geral, uma relação de ordem total. • Se
Por exemplo, se X = {1, 2} então X = {1, 2}, P(X) =
{∅, {1}, {2}, {1, 2}}
possui exatamente
A = P (X) = {∅, {1}, {2}, {1, 2}} . quatro elementos.

• Se X = {1, 2, · · · , n}
Os conjuntos X1 = {1} e X2 = {2} ∈ A não estão relacionados por inclusão: mostraremos mais
X1 6⊂ X2 e X2 6⊂ X1 . tarde que P(X)
possui exatamente
2n elementos.
Se A é um conjunto e R é uma relação de ordem parcial em A, dizemos
que o conjunto A é ordenado pela relação R. No exemplo anterior, dizemos
que o conjunto das partes de um conjunto X é ordenado por inclusão.
Se a relação em R em A é total, então dizemos que A é linearmente
ordenado por R.

25 CEDERJ
Relação de ordem em um conjunto: O princı́pio da boa ordenação dos inteiros
Algebra 1

Relação de ordem no conjunto dos números reais

Nesta seção, definiremos a relação de ordem natural nos conjuntos


numéricos Z, Q e R. Mostraremos que, com esta relacão, estes conjuntos
são linearmente ordenados.
Na construção dos números reais, definimos uma ordem total (linear)
≤ em R. Para isto, admitimos a existência de um conjunto especial P ⊂ R
satisfazendo as seguintes propriedades:

1. P é um subconjunto próprio, não vazio, e 0 6∈ P .

2. Para todo x, y ∈ P , tem-se x + y ∈ P e xy ∈ P

3. Para todo x ∈ R ou x = 0, ou x ∈ P , ou −x ∈ P (lei da tricotomia)

P é conhecido como o subconjunto dos números reais positivos.


Definimos a relação ≤ de ordem em R por:

x, y ∈ P, x ≤ y ⇐⇒ x = y ou (y − x) ∈ P .

Em outra palavras, x ≤ y quando x = y ou y − x é positivo.


Tendo em vista propriedades algébricas básicas de reais, por exemplo:

(−x)2 = (−x)(−x) = x2 , ∀x ∈ R

e
12 = 1 .

Podemos provar várias propriedades da ordem em R.


Vamos provar que x2 > 0, ∀x ∈ R, x 6= 0 .
De fato, se x ∈ R e x 6= 0, temos, pela propriedade (2), que, se x ∈ P ,
então x2 = x · x ∈ P .
Se x 6∈ P , pela propriedade (3), temos (−x) ∈ P , logo, pela proposição
2, (−x)(−x) = x2 ∈ P .
Assim, se x ∈ R, x 6= 0, x2 ∈ P , isto é,

x2 > 0, ∀x ∈ R, x 6= 0 .

Em particular,
1 = (1)2 > 0 .

CEDERJ 26
Relação de ordem em um conjunto: O princı́pio da boa ordenação dos inteiros
AULA 3

Partindo de 1 > 0, usando a propriedade (2), podemos provar que todo


natural é positvo:
1 > 0
1 + 1 = 2 ∈ P, 2 > 0
3 = 2+1>0
..
.
n = (n − 1) + 1 > 0
..
.
e isto nos mostra que

{1, 2, 3, · · · , n, · · · } ⊂ P .

Se denotarmos R+ = P = {x ∈ R | x > 0}, o conjunto dos números


reais positivos, e Z+ = {x ∈ Z | x > 0}, o conjunto dos números inteiros
positivos, então vale que

Z+ = Z ∩ P = {1, 2, 3, · · · , n, · · · } .

A ordem lexicográfica em C

Sabemos que
Z⊂Q⊂R⊂C,
onde

C = {a + bi | a, b ∈ R} e i = −1 .

No item anterior definimos uma relação de ordem ≤ em R através de um


subconjunto P ⊂ R, dos números reais positivos, satisfazendo as propriedades
(1), (2) e (3).
Vimos também que, a partir da ordenação do números reais R, ≤, temos
que os conjuntos
Z+ = Z ∩ P Q+ = Q ∩ P
que são, respectivamente, os subconjuntos dos inteiros e racionais positivos,
também são ordenados pela ordem ≤ (restrição da ordem ≤ nos complexos).
Apresentaremos agora uma forma de definir uma ordenação em C,
através da ordem lexicográfica.
Definição 3 (Ordem lexicográfica ≤L em C )
Seja ≤ a ordem definida em R e sejam z1 , z2 ∈ C. Definimos ≤L do seguinte
modo:

z1 = a1 + b1 i ≤L z2 = a2 + b2 i ⇐⇒ a1 ≤ a2 ou (a1 = a2 e b1 ≤ b2 ) .

27 CEDERJ
Relação de ordem em um conjunto: O princı́pio da boa ordenação dos inteiros
Algebra 1

No plano complexo temos:

b1 (a1 , b1 ) b (a2 , b2 )
2
ou

b2 (a2 , b2 ) b1 (a1 , b1 )

a1 a2 a1 = a2

(a, b) ↔ a + bi

Observe que, se a1 , a2 ∈ R, então

a1 = a1 + 0i ≤L a2 = a2 + 0i ⇔ a1 ≤ a2 em R ,

Portanto, a ordem ≤L , quando restrita aos reais, coincide com a ordem


≤ dos reais. Por isso, dizemos que a ordem ≤L nos complexos estende a
ordem ≤ nos reais.

Atividades

1. Verifique que

• 1 + i ≤L 2 • 1 + i ≤L 1 + 2i
• i ≤L 1 + i • 2 ≤L 3
• 1 + i ≤L 2 + i • i ≤L 1

2. Mostre que ≤L define uma relação de ordem linear linear em C.

3. Temos que i = 0 + 1 · i > 0 na relação ≤L lexicográfica de C. Mas,

i2 = i · i = −1 = −1 + 0i < 0 + 0i = 0 .

CEDERJ 28
Relação de ordem em um conjunto: O princı́pio da boa ordenação dos inteiros
AULA 3

Estensão da ordem nos reais para os complexos

Vamos desenvolver um pouco mais esta idéia da estensão da ordem nos


reais para os complexos.
Vimos que a ordem ≤L nos complexos estende a ordem ≤ nos reais.
Isto é muito bom. Veremos, porem, que não é possı́vel definir uma ordem
em C através de um subconjunto P̄ ⊂ C, satisfazendo as condições (1), (2) e
(3), do item anterior, tal que R+ = P̄ ∩ R, como fizemos para R.
Em outras palavras, não é possı́vel estender a ordem ≤ dos reais para
os complexos definindo esta ordem estendida através de um conjunto P̄ ⊂ C
dos “complexos positivos”, como fizemos nos reais.
Isto pode parecer um pouco complicado, mas não é. Para ver que
não podemos definir uma ordem em C, através de um subconjunto P̄ ⊂ C,
satisfazendo as condições (1), (2) e (3), como fizemos para R, tal que R+ =
P̄ ∩ R, basta observar terı́amos:

x 6= 0 ⇒ x2 ∈ P̄ .

Agora, tomando x = i = −1, vemos que x 6= 0 e x2 = −1 ∈ P̄.
Assim, −1 = x2 ∈ P̄ ∩ R = R2 , o que é um absurdo, já que −1 não é
um real positivo.

Subconjuntos limitados inferiormente e superiormente

Seja A, ≤ um conjunto parcialmente ordenado e seja S ⊂ A um sub-


conjunto não vazio de A.
Dizemos que S é um conjunto limitado inferiormente em A se existe
a ∈ A tal que a ≤ x para todo x ∈ S
Analogamente, dizemos que S é um conjunto limitado superiormente
em A se existe b ∈ A tal que x ≤ b para todo x ∈ S
Dizemos que S possui um máximo se existe s ∈ S tal que s ≥ x para
todo x ∈ S. Analogamente, S possui um mı́nimo se existe s ∈ S tal que
s ≤ x para todo x ∈ S.
Se um conjunto tem um máximo, então ele é limitado superiormente e se
possui um mı́nimo, é limitado inferiormente. No entanto, um conjunto pode
ser limitado superiormente e não ter um máximo, como pode ser limitado
inferiormente e não ter um mı́nimo. Nesta situação, os limites inferiores e
superiores do conjunto S não pertencem à S.

29 CEDERJ
Relação de ordem em um conjunto: O princı́pio da boa ordenação dos inteiros
Algebra 1

Vejamos alguns exemplos.


Exemplo 5
1. O intervalo (2, 3) ⊂ R é limitado inferiormente e superiormente, mas
não possui máximo ou mı́nimo. Observe que 2 e 3 não são elementos do
conjunto (2, 3), por isso não são mı́nimo e máximo, respectivamente.

2. O intervalo [2, 3) é limitado inferiormente e superiormente e possui


mı́nimo 2, mas não possui máximo.

3. O conjunto {x ∈ R | x > 0} é limitado inferiormente, não é limitado


superiormente e não possui máximo nem mı́nimo.

4. O conjunto P(X), das partes de um conjunto não vazio X, ordenado


por inclusão, possui mı́nimo ∅ ∈ P(X) e máximo X ∈ P(X).

A próxima proposição mostra que um conjunto não pode ter mais de


um máximo.
Proposição 1
O máximo de um subconjunto não vazio S ⊂ A, se existir, é único.

Demonstração.
Se S não possui um máximo, nada há para demonstrar. Se S possui
dois máximos s1 e s2 , então s1 e s2 pertencem ao conjunto S e

s1 ≤ x, ∀x ∈ S =⇒ s1 ≤ s2 (1)
s2 ≤ x, ∀x ∈ S =⇒ s2 ≤ s1 (2)

De (1) e (2) temos s1 = s2 .

Analogamente, podemos provar que um conjunto não pode possuir mais


de um mı́nimo.

CEDERJ 30
Relação de ordem em um conjunto: O princı́pio da boa ordenação dos inteiros
AULA 3

Princı́pio da Boa Ordenação


Seja A, ≤ um conjunto totalmente ordenado. Dizemos que A, ≤
satisfaz ao princı́pio da boa ordenação se todo subconjunto não vazio S ⊂ A
de A limitado inferiormente possui um mı́nimo.
Por exemplo, o conjunto do números reais, com a ordenação usual, não
satisfaz o princı́pio da boa ordenação. Por exemplo, o subconjunto R+ é
limitado inferiormente mas não possui mı́nimo.
O princı́pio da boa ordenação também não vale para os racionais. Por
exemplo, o conjunto
{x ∈ Q | x2 ≥ 2 e x > 0}
é limitado inferiormente, mas não tem um mı́nimo. O mı́nimo seria o número

2 6∈ Q.
O princı́pio da boa ordenação não vale para os reais nem para os racio-
nais, mas vale para os inteiros, é o que veremos na próxima seção.
Seja Z = {· · · , −m, · · · , −1, 0, 1, 2, · · · , n, · · · } o conjunto dos inteiros
com sua ordem (natural) linear ≤ dada por

·|· · < −m − 1 < −m < −m


{z + 1 < · · · < −2 < −1} < 0 < 1| < 2 < · ·{z
· < n < · ·}·
Z− (inteiros negativos) Z+ (inteiros positivos)

então
Z = Z− ∪ {0} ∪ Z+ .

Vamos assumir em Z, ≤ que o seguinte princı́pio é verdadeiro.

Princı́pio da boa ordenação

Em Z, ≤ todo subconjunto não vazio limitado inferiormente possui


um mı́nimo, também chamado de 10 elemento desse conjunto.

O que significa dizer que adotaremos a propriedade da boa ordenação


de Z como um Princı́pio?
Na verdade, a boa ordenação é fundamental para a demonstração de
várias propriedades muito importantes dos números inteiros. A propriedade
dos inteiros que permite demonstrações por indução, por exemplo, se fun-
damenta no Princı́pio da boa ordenação. Esta, por sua vez, é utilizada na
demonstração do Teorema da Divisão de Euclides e várias propriedades e
fórmulas envolvendo inteiros.

31 CEDERJ
Relação de ordem em um conjunto: O princı́pio da boa ordenação dos inteiros
Algebra 1

Estamos chamando de princı́pio a propriedade da boa ordenação porque


ela será adotada sem demonstração. Na verdade, ela pode ser enunciada como
proposição e demonstrada a partir de uma construção dos números inteiros,
o que está fora do escopo deste texto.

Ínfimo e Supremo

De fato, sendo Z = {· · · , −m, −2, −1, 0, 1, 2, · · · , n, · · · } observamos


que não existe número inteiro entre dois inteiros consecutivos, isto é,

(r, r + 1) ∩ Z = ∅, ∀r ∈ Z .

A ausência dessa caracterı́stica dos inteiros (Z é um conjunto discreto) é


que permite a existência em Q e R de situações onde não é válido o Princı́pio
da Boa Ordenação.
Em Q, o conjunto

S = {x ∈ Q / x > 0 e x2 > 2} = ( 2, ∞) ∩ Q

é limitado inferiormente em Q, mas não possui mı́nimo em Q.


Em R, o conjunto

T = {x ∈ R | x2 < 4 e x > 0} = (−2, 2)

é limitado inferiormente em R, mas não possui mı́nimo em R.


Observe que o intervalo real (−2, 2) não possui mı́nimo porque −2 6∈
(−2, 2), mas −2 é o maior dos limites inferiores de (−2, 2). Isto serve como
motivação para definirmos ı́nfimo e supremo de um conjunto.

Definição 4 (Ínfimo e Supremo)


Seja A, ≤ um conjunto totalmente ordenado e S ⊂ A um subconjunto não
vazio de A, limitado inferiormente em A.
Se existir em A um elemento que é o maior dos limites inferiores de S,
chamamos este elemento de ı́nfimo do conjunto S em A.
Analogamente, se S é limitado superiormente em A e existe em A um
menor limite superior, então este elemento é chamado supremo de S em A.
Exemplo 6
1. O conjunto

T = {x ∈ R | x2 < 4 e x > 0} = (−2, 2)

tem ı́nfimo −2 e supremo 2.

CEDERJ 32
Relação de ordem em um conjunto: O princı́pio da boa ordenação dos inteiros
AULA 3

2. O conjunto

S = {x ∈ R / x > 0 e x2 > 2} = ( 2, ∞)

tem ı́nfimo 2 e não é limitado superiormente,

O conjunto dos números reais R satisfaz uma propriedade muito


importante, que enunciamos a seguir:

Todo subconjunto T ⊂ R, não vazio, limitado inferiormente, possui um


ı́nfimo em R e todo subconjunto não vazio T , limitado superiormente, possui
um supremo em R.

Esta propriedade é chamada propriedade da completude dos números


reais. O conjunto Q, dos números racionais, não possui esta mesma proprie-
dade. Veja o exemplo a seguir.
Exemplo 7
O conjunto

S = {x ∈ Q | x > 0 e x2 > 2} = ( 2, ∞) ∩ Q

é limitado inferiormente, mas S não possui ı́nfimo em Q. O ı́nfimo do inter-


√ √ √
valo real ( 2, ∞) é 2, mas 2 6∈ Q.

Resumo

Nesta aula estudamos uma classe especial de relações chamadas relações


de ordem, que têm como exemplo fundamental a relação ≤ no conjunto dos
números inteiros. Tanto é assim, que usamos a notação ≤ para relações de
ordem em geral.
Neste ponto, observamos algumas diferenças importantes entre os con-
junto dos inteiros e o dos reais, em relação a sua ordenação total por ≤.
O conjunto do números inteiros possui uma propriedade fundamental
chamada princı́pio da boa ordenação, pela qual todo conjunto limitado infe-
riormente possui um mı́nimo.
Para o conjunto dos números racionais e reais não vale o princı́pio da
boa ordenação, mas, para o conjunto R, do número reais, vale um princı́pio
muito importante de completude, pelo qual todo conjunto limitado inferior-
mente possui um ı́nfimo. Por isto, dizemos que o conjunto dos números reais
R é um conjunto linearmente ordenado completo.

33 CEDERJ
A demonstração por Indução e o Teorema da Divisão de Euclides
AULA 4

Aula 4 – A demonstração por Indução e o


Teorema da Divisão de Euclides

Metas

• Demonstrar, a partir da boa ordenação dos inteiros, o Princı́pio da


Indução em suas duas formas.

• Dar exemplos da aplicação da Indução na demonstração de fórmulas


envolvendo inteiros.

• Apresentar o Teorema da Divisão de Euclides como uma importante


aplicação da Indução nos inteiros.

Objetivos

Ao final desta aula, você deve ser capaz de:

• Listar as nove propriedades básicas satisfeitas pelas operações de soma


e produto no conjunto Z dos números inteiros.

• Utilizar uma das duas formas apresentadas do princı́pio da indução na


demonstração de afirmações envolvendo números inteiros.

Introdução
Nesta aula iniciamos uma caminhada que nos levará a uma visão algébrica
dos números inteiros a partir das suas operações de soma e produto, com suas
nove propriedades básicas essenciais.
O Teorema da Divisão de Euclides permite calcular o quociente e o
resto de uma divisão de um número inteiro por um número inteiro não nulo (
o divisor). Este Teorema desempenha um papel fundamental para o entendi-
mento algébrico dos inteiros e sua demonstração é feita usando o argumento
de indução que envolve a relação de ordem (linear) natural de Z. Vimos, na aula passada, que
Z possui a propriedade da
boa ordenação.

35 CEDERJ
A demonstração por Indução e o Teorema da Divisão de Euclides
Algebra 1

Admitiremos que o aluno já esteja familiarizado com o conjunto dos


números inteiros Z, suas operações de soma e produto e com a relação de
ordem linear ≤ em Z. De fato, denotaremos por Z ao sistema Z, +, ·, ≤, dos
inteiros com as operações + e · e a relação ≤.

As nove propriedades básicas de soma e produto em Z


Soma

(1) A soma é uma operação associativa, isto é, para todo a, b, c ∈ Z tem-se

(a + b) + c = a + (b + c) ;

(2) Existe um elemento neutro para a soma, denotado por 0. Isto é, para
todo a ∈ Z tem-se
a +0 = 0+a = a;

(3) Todo número inteiro a ∈ Z, possui um inverso aditivo, isto é, existe x ∈ Z
tal que
x +a = a+x = 0;
O inverso aditivo de a ∈ Z é denotado por −a.
(4) A soma é uma operação comutativa, isto é, para todo a, b ∈ Z tem-se

a+b = b +a.

Produto

(5) O produto é uma operação associativa, isto é, para todo a, b, c ∈ Z tem-se

(ab)c = a(bc) ;

(6) Existe um elemento neutro para o produto denotado por 1. Isto é, para
todo a ∈ Z tem-se
a·1 = 1·a = a;

(7) O produto é uma operação comutativa, isto é, para todo a, b ∈ Z tem-se

ab = ba ;

(8) Os números inteiros não possuem divisores de zero, isto é, para todo
a, b ∈ Z tem-se
ab = 0 =⇒ a = 0 ou b = 0 .

CEDERJ 36
A demonstração por Indução e o Teorema da Divisão de Euclides
AULA 4

Relação entre as operações


(9) Vale a propriedade distributiva do produto em relação a soma, isto é,
para todo a, b, c ∈ Z tem-se

a(b + c) = ab + ac .

Observe que, usando a propriedade comutativa (7) acima, vale também


que, para todo a, b, c ∈ Z tem-se

(b + c)a = ba + ca .

Devido a propriedade (9), dizemos que valem as leis distributivas em


Z, +, · .
Assim, denotamos por Z o sistema (Z, +, ·, ≤), de tal modo que:

• (Z, +, ·) satifaz as nove propriedades acima enunciadas;

• (Z, ≤) satisfaz o princı́pio da boa ordenação.

Mais tarde vamos apresentar outros sistemas (S, +, ·), satisfazendo as


mesmas nove propriedades básicas satisfeitas pelo sistema (Z, +, ·) dos intei-
ros. Esses sistemas serão chamados de Domı́nios de Integridade. Em outras
palavras, um Domı́nio de Integridade (S, +, ·) é um conjunto S, munido de
duas operações +, ·, tal que valem as propriedades (1) a (9) enunciadas acima
para os inteiros.
Estes sistemas formados por um conjunto e uma ou mais operações
neste conjunto que satizfazem certas propriedades são chamados Estruturas
Algébricas. Uma boa parte das disciplinas de Álgebra 1 e Álgebra 2 é de-
dicada ao estudo das estruturas algébricas de anel, domı́nio de integridades,
corpos e grupos.
Mas cada coisa a seu tempo! Vamos voltar aos inteiros resolvendo
alguns exercı́cios.

Atividades 1

1. Mostre que os elementos neutros 0 e 1 são únicos.

2. Prove que o inverso aditivo de cada elemento a ∈ Z é único. Denota-


remos esse inverso por −a.

37 CEDERJ
A demonstração por Indução e o Teorema da Divisão de Euclides
Algebra 1

Duas formas de indução nos inteiros


Antes de começarmos, recordaremos o princı́pio da boa ordenação nos
inteiros:

“Todo subconjunto não vazio S de Z limitado inferiormente


possui um mı́nimo”

Em particular, todo subconjunto não vazio S de Z formado por elemen-


tos não-negativos (isto é, todo elemento é ≥ 0), possui um mı́nimo, uma vez
que este conjunto é limitado inferiormente pelo 0.
Usando a boa ordenação de Z vamos provar a chamada propriedade da
indução em Z em duas formas.

Indução: primeira forma


Teorema 1 (Indução - 1a forma)
Vamos supor que para cada inteiro n ≥ 1, seja dada uma afirmação A(n),
que depende de n. Suponha que valha:

(1) A afirmação A(1) é verdadeira.

(2) Para todo n ∈ Z com n ≥ 1, se A(n) é verdadeira então A(n + 1)


também é verdadeira.

Então, A(n) é verdadeira para todo n ∈ Z com n ≥ 1.

Demonstração:

Seja S o subconjunto de todos os inteiros n > 0 tais que a afirmação


A(n) seja falsa. Assim,

S = {n ∈ Z | n > 0 e A(n) é falsa} .

Observe que A(n) é verdadeira para todo n ∈ Z com n ≥ 1 se, e somente se,
S = ∅.
Assim, provar o Teorema 1 é equivalente a provarmos que S = ∅. Ar-
gumentaremos por redução ao absurdo.
Vamos supor que o Teorema 1 seja falso. Então, existe um inteiro
positivo n > 0 tal que A(n) é falsa, e assim, n ∈ S e S 6= ∅.

CEDERJ 38
A demonstração por Indução e o Teorema da Divisão de Euclides
AULA 4

Mas os elementos s ∈ S são todos maiores que zero (> 0) e portanto,


S é um subconjunto não vazio de Z limitado inferiormente. Pelo princı́pio
da boa ordenação de Z, temos que S possui um primeiro elemento n0 ∈ S.
Assim, n0 ≤ s, para todo s ∈ S e n0 ∈ S, isto é, A(n0 ) é falsa.
Mas pela hipótese (1) do nosso Teorema, A(1) é verdadeira. Logo 1 6∈ S
e segue-se que n0 ≥ 2. Seja k = n0 − 1. Temos k ≥ 1 de k 6∈ S, já que k < n0
e n0 é mı́nimo de S.
Portanto k ≥ 1 e A(k) verdadeira. Mas, pela hipótese (2) do Teorema,
segue-se que A(k + 1) é verdadeira. Como k + 1 = (n0 − 1) + 1 = n + 0, então
A(n0 ) é verdadeira, isto é n0 6∈ S.
Mas n0 ∈ S (lembre-se que n0 é o mı́nimo de S). Daı́ segue que nossa
hipótese de admitir S 6= ∅ nos leva a contradição n0 ∈ S e n0 6∈ S, o que é
um absurdo!
Portanto, S = ∅ e A(n) é verdadeira para todo n ∈ Z com n ≥ 1 como
querı́amos demonstrar.

Observação
Poderı́amos começar em A(0) em vez de A(1) verdadeira, no Teorema 1,
assumindo A(0) verdadeira.

Exemplo 8
Prove que a seguinte afirmação A(n) é verdadeira para todo n ∈ Z com
n ≥ 1:
A(n): A soma dos primeiros n números inteiros positivos é dada pela fórmula

n(n + 1)
1+2+···+n = .
2

Solução:
Vamos usar o Teorema 1.
(1) A fórmula é verdadeira para n = 1.
De fato,
1(1 + 1) 2
1= = = 1.
2 2

(2) Para atender à condição 2 do Teorema, devemos provar que se A(n) é


verdadeiro para algum n ≥ 1, então A(n + 1) tambem é verdadeiro. Vamos
provar isto.

39 CEDERJ
A demonstração por Indução e o Teorema da Divisão de Euclides
Algebra 1

Considere a fórmula A(n) verdadeira, isto é,


n(n + 1)
1+2+···+n = .
2
Vamos provar que a fórmula A(n + 1) também é verdadeira.
De fato,

1 + 2 + · · · + (n + 1) = (1 + 2 + · · · + n) + (n + 1) .

Como estamos considerando A(n) verdadeira, segue que:


n(n + 1) h n i (n + 1)(n + 2)
(1 + 2 + · · · + n) +(n+1) = +(n+1) = (n+1) +1 =
| {z } 2 2 2
=A(n)

o que nos diz que A(n + 1) também é verdadeira.


Assim, a fórmula
n(n + 1)
1+2+···+n =
2
é verdadeira para todo n ∈ Z com n ≥ 1.
Exemplo 9
Prove que seguinte afirmação é verdadeira para todo n ∈ Z com n ≥ 1:
A(n): a soma dos números ı́mpares consecutivos de 1 até 2n − 1 é igual ao
quadrado do número n, isto é,

1 + 3 + 5 + · · · + (2n − 1) = n2 .

Solução:
(1) A fórmula é verdadeira para n = 1, pois 1 = 12 .
(2) Suponha que A(n) é verdadeira. Provaremos que A(n + 1) também é
verdadeira.
De fato,

1 + 3 + 5 + · · · + (2(n + 1) − 1) = 1 + 3 + 5 + · · · + (2n + 2 − 1) =
= 1 + 3 + 5 + · · · + 2n + 1 =
= [1 + 3 + 5 + · · · + (2n − 1)] + (2n + 1) .

Como A(n) é verdadeira, temos:

1 + 3 + 5 + · · · + (2n − 1) +(2n + 1) = n2 + (2n + 1) = n2 + 2n + 1 = (n + 1)2


| {z }
=A(n)

como querı́amos mostrar.

CEDERJ 40
A demonstração por Indução e o Teorema da Divisão de Euclides
AULA 4

Atividades 2

3. Prove, por indução, que as seguintes fórmulas são verdadeiras para todo
n ∈ Z com n ≥ 1:
n(n + 1)(2n + 1)
(a) 12 + 22 + 32 + · · · + n2 =
6
!2
n(n + 1)
(b) 13 + 23 + 33 + · · · + n3 =
2

4. Mostre, por indução sobre n ≥ 1 que:


(a) Todo número inteiro da forma n3 + 2n com n ≥ 1 é divisı́vel por 3.
(b) Todo número inteiro da forma n3 − n com n ≥ 1 é divisı́vel por 24.
(c) Seja Ω = {1, 2, · · · , n} com n ≥ 1 e seja P (Ω) = {B / B ⊂ Ω} o con-
junto das partes de Ω (isto é, o conjunto de todos os subconjuntos de
Ω). Mostre, por indução, que o número de elementos |P (Ω)|, do con-
junto P (Ω) é igual a 2n .

Exemplo 10
Vamos mostrar, através deste exemplo, que a hipótese de que A(1) é verda-
deiro é realmente necessária no Teorema 1.
n(n+1)
Vimos no exemplo 8 que a fórmula A(n) = 1+2+· · ·+n = 2
é verdadeira
para todo n ∈ Z com n ≥ 1.
Agora considere a fórmula β(n):
n(n + 1)
β(n) = 1 + 2 + · · · + n = +1.
2
Como A(n) é verdadeira para todo n ≥ 1 temos que β(n) é falsa para todo
n ≥ 1.
Embora β(1) seja falsa (e portanto não podemos aplicar o Teorema 1), a
condição (2) do teorema é válida. É fácil ver (verifique!) que: se β(n) fosse
verdadeira então β(n + 1) também seria verdadeira.
Portanto, a afirmação β(n), que é falsa, atende a condição (2) do teorema,
mas não atende a condição (1).

Indução: segunda forma

Aqui apresentaremos uma variação da 1a forma do princı́pio da indução


que será útil na demonstração por indução do Teorema da Divisão de Euclides
que demonstraremos em seguida.

41 CEDERJ
A demonstração por Indução e o Teorema da Divisão de Euclides
Algebra 1

Teorema 2 (Indução - 2a forma)


Vamos supor que para cada inteiro n ≥ 0 esteja dada uma afirmação A(n),
dependendo de n e vamos admitir que sejam válidas:

(1) A afirmação A(0) é verdadeira.

(2) Para todo n ∈ Z com n > 0 se A(k) é verdadeira para todo k < n
então A(n) também é verdadeira.

Então A(n) é verdadeira para todo n ∈ Z com n > 0.

Demonstração:

A demonstração segue a mesma linha de argumento usada na demons-


tração do Teorema 1.
Seja S o subconjunto de todos os inteiros n ≥ 0 tais que a afirmação
A(n) seja falsa. Assim,

S = {n ∈ Z | n ≥ 0 e A(n) é falsa} .

Observe que A(n) é verdadeira para todo n ∈ Z com n ≥ 1 se, e somente


se, S = ∅.
Assim, provar o Teorema 2 é equivalente provar que S = ∅.
Vamos argumentar por redução ao absurdo, supondo que o Teorema 2
seja falso. Portanto, existirá um n ∈ Z com n ≥ 0 tal que A(n) é falsa. Nessa
situação n ∈ S e S 6= ∅.
Mas, S é, evidentemente, limitado inferiormente (0 ≤ s, ∀s ∈ S). Pelo
princı́pio da boa ordenação de Z, temos que S possui um primeiro elemento
n0 ∈ S.
Como A(0) é verdadeira, por hipótese do nosso Teorema, temos que
0 6∈ S e n0 ∈ S com n0 ≥ 1.
Assim, para todo k com 0 ≤ k < n0 , temos que k 6∈ S e também temos
que A(k) é verdadeira. Pela nossa hipótese (2), segue que A(n0 ) deve ser
verdadeira. Uma contradição pois n0 ∈ S.
Portanto, supor o Teorema 2 falso nos leva a um absurdo! Logo o
Teorema 2 é verdadeiro como querı́amos demonstrar. 
Vamos utiizar esta segunda forma da indução neste próximo exemplo.

CEDERJ 42
A demonstração por Indução e o Teorema da Divisão de Euclides
AULA 4

Exemplo 11
Os números de Fibonacci são a seqüência de inteiros (F0 , F1 , F2 , . . .), onde

F0 = 1
F1 = 1 e
Fn = Fn−1 + Fn−2 , para n ≥ 2.

Os primeiros números da seqüência são (1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, · · · ).


Vamos mostrar que, para todo n ∈ N, vale que Fn ≤ (1,7)n .

Solução: A afirmação vale para n = 0, pois F0 = 1 ≤ (1,7)0 = 1. A afirmação


também vale para n = 1, pois F0 = 1 ≤ (1,7)1 = 1,7.
Aqui tivemos que considerar os dois casos iniciais n = 0 e n = 1, ao
invés de considerar somente o caso n = 0, porque n = 1 também é definido
de uma maneira diferente da definição geral de Fn .
Suponha agora que a afimação Fn ≤ (1,7)n valha para um certo inteiro
x, x ≥ 2, e para todos os valores k ≤ x. Vamos provar que vale para x + 1.
Como a afirmação vale para n = x e n = x − 1, temos:

Fx ≤ (1,7)x e Fx−1 ≤ (1,7)x−1 . (1)

Por definição,
Fx+1 = Fx + Fx−1 .

Combinado as desigualdades (1) na equação anterior, obtemos:

Fx+1 = Fx + Fx−1
≤ (1,7)x + (1,7)x−1
= (1,7)x−1 (1,7 + 1)
= (1,7)x−1 (2,7)
= (1,7)x−1 (2,89) pois 2,7 < 2,89
= (1,7)x−1 (1,7)2 pois (1,7)2 = 2,89
= (1,7)x+1

portanto, a afirmação é verdadeira para n = x + 1, o que completa a


demonstração. 
Agora é hora de você aplicar a segunda forma de indução para demons-
trar um resultado sobre inteiros.

43 CEDERJ
A demonstração por Indução e o Teorema da Divisão de Euclides
Algebra 1

Atividades 3

5. Mostre, usando indução, que a soma os ângulos internos de um polı́gono


de n lados é 1800 (n − 2).
Sugestão: Trace uma diagonal para separar o polı́gono em dois com
menos número de lados.

O Teorema da Divisão de Euclides


Aqui vamos enunciar e demonstrar o Teorema da Divisão de Euclides
para inteiros não negativos.
Teorema 3 (Teorema da Divisão de Euclides)
Seja n ≥ 0 e d > 0 números inteiros. Então existem inteiros q ≥ 0 e r ≥ 0
tal que 0 ≤ r < d e n = qd + r. Mais ainda, os inteiros q e r são univoca-
mente determinados (n é chamado de dividendo, d é chamado de divisor, q é
chamado de quociente e r é chamado de resto).

Demonstração:
Usaremos indução sobre n ≥ 0. O Teorema 3 é verdadeiro para n = 0
pois,
0= 0·d+0 (q = 0 e r = 0) .

Vamos assumir n > 0. Se n < d, podemos escrever

n=0·d+n (q = 0 e r = n < d) .

Assim, vamos assumir n > 0 e d ≤ n.


Nessa situação teremos:

0 ≤ n− d < n.

Pela nossa hipótese de indução, o Teorema é verdadeiro para k = n − d < n.


Portanto, existem inteiros q1 e r tal que 0 ≤ r < d e n−d = k = q1 d+r.
Daı́, segue que
n = (q1 + 1)d + r ,
provando a primeira parte do Teorema 3 com os inteiros q = q1 + 1 e r.
Agora vamos provar a unicidade dos inteiros q e r.
Suponhamos que

n = qd + r = q 0 d + r 0 ,

CEDERJ 44
A demonstração por Indução e o Teorema da Divisão de Euclides
AULA 4

onde 0 ≤ r < d e 0 ≤ r 0 < d.


Se r 6= r 0 , digamos r > r 0 terı́amos

0 < (q 0 − q)d = r − r 0 < d

e
r − r0 > 0 .
Uma contradição! Logo r = r 0 . Mas de n = qd + r = q 0 d + r, teremos q = q 0
e isto completa a demonstração do Teorema 3. 
Repare que, dados inteiros n e d, podemos escrever n = qd + r de
várias maneiras com q, r inteiros. No entanto, q será o quociente e r o resto
da divisão, apenas na representação em que 0 ≤ r < d.
Exemplo 12
1. A divisão de 10 por 3 tem quociente 3 e resto 1, pois 10 = 3.3 = 1.

2. A divisão de −10 por 3 tem quociente −4 e resto 2, pois −10 = 3(−4) + 2.

3. A divisão de −10 por −3 tem quociente 4 e resto 2, pois −10 = (−3).4 + 2.

Para praticar um pouco, crie, você mesmo, alguns exemplos. Certifique-


se que você não tem dúvidas na determinação do quociente e resto com
inteiros negativos.

Resumo

Esta aula apresentou duas formas do princı́pio da indução, que são


ferramentas básicas muito utilizadas nas demosntrações envolvendo inteiros.
Apresentamos também a demonstração do Teorema da Divisão de Euclides
(Teorema 3). Este estabelece uma propriedade fundamental dos números in-
teiros e será bastante utilizado no desenvolvimento que faremos nas próximas
aulas.

45 CEDERJ
A demonstração por Indução e o Teorema da Divisão de Euclides
Algebra 1

Atividades

1. Prove, por indução, as seguintes fórmulas sobre os inteiros:


n(n+1)
(a) 1 + 2 + . . . + n = 2
, ∀n ≥ 1.
(b) 1 + 4 + · · · + n2 = n(n + 1) 2n+1
6
, ∀n ≥ 1.
h i2
(c) 1 + 8 + · · · + n3 = n(n+1)
2
, ∀n ≥ 1.
(d) 1 + 3 + · · · + (2n − 1) = n2 , ∀n ≥ 1.

2. Prove, por indução, que n3 + 2n é sempre um múltiplo de 3.


n

3. Para n, m ∈ N e n ≥ m, definimos o número binomial m como
 
n n!
= ,
m (n − m)!m!

`n´ onde n! = n(n − 1)(n − 2) . . . 3.2.1 e 0! = 1. Prove, por indução sobre


É comum definir-se m =0
no caso de n < m. n, a fórmula:      
n n n+1
+ =
m−1 m m
4. Em uma fila de supermercado, a primeira pessoa da fila é uma mulher
e a última é um homem. Use o princı́pio da indução para mostrar que
em alguma ponto da fila uma mulher estará diretamente na frente de
um homem.

5. Se n é um número ı́mpar, prove que n3 − n é sempre divisı́vel por 24.

6. Seja Fn o n−ésimo número de Fibonacci, introduzado no Exemplo 11.


Mostre que
       
n n−1 n−2 0
+ + +··· = Fn
0 1 2 n

Note que vários dos últimos fatores da soma acima serão iguais a zero,
n

pois m = 0 se n < m. Por exemplo, para n = 4,
         
4 3 2 1 0
+ + + + = 1 + 3 + 1 + 0 + 0 = 5 = F4 .
0 1 2 3 4

CEDERJ 46
Divisibilidade nos inteiros: o Máximo Divisor Comum
AULA 5

Aula 5 – Divisibilidade nos inteiros: o


Máximo Divisor Comum

Metas

Apresentar através da divisibilidade nos inteiros, a existência de mdc e


o Algoritmo de Euclides.

Objetivos

Ao final desta aula o aluno deve ser capaz de:

• Definir a noção de divisibilidade nos inteiros, e usando a estrutura


ordenada de Z, mostrar a existência do Máximo Divisor Comum.

• Demonstrar a convergência do algoritmo de Euclides no cálculo do


MDC, e demonstrar uma forma equivalente de definir MDC nos in-
teiros.

subsectionIntrodução
O Teorema da Divisão de Euclides (o Teorema3 da aula passada) foi,
historicamente, introduzido e demonstrado, com o objetivo de se calcular o
máximo divisor de 2 números inteiros positivos (o MDC), através do cha-
mado Algoritmo de Euclides. Ele aparece em um dos mais famosos livros da
Matemática, os “Elementos” de Euclides, em Alexandria, no século III a.C.
As demonstrações aparecem nas proposições 1 e 2 do livro 7 dos “Ele-
mentos” que de fato é uma coleção de 13 livros. Três desses livros lidam com
a Teoria dos Números, os demais envolvem temas ligados a números reais e a
Geometria. No livro 7, o primeiro a tratar da Teoria dos Números, encontra-
mos o conceito de números primos e o método para o cálculo do MDC entre
dois números inteiros positivos.
Nessa aula apresentaremos a noção de divisibilidade nos inteiros, mos-
trando a existência de MDC em Z e provando o Algoritmo de Euclides para
o cálculo do Máximo Divisor Comum. Na próxima aula voltaremos a tratar
do tema MDC ligado a uma primeira visão estrutural algébrica de Z.

47 CEDERJ
Divisibilidade nos inteiros: o Máximo Divisor Comum
Algebra 1

Divisibilidade dos inteiros


Inicialmente vamos dar algumas definições envolvendo o conceito de
divisibilidade.
Dizemos que um número inteiro m divide outro número inteiro n, se
existe um inteiro q tal que
n = q ·m.

Nesse caso, dizemos ainda que “m é um divisor de n” ou “n é um múltiplo


de m”. O número q é chamado de quociente de n por m.
Assim, “n é múltiplo de m” se o resto da divisão de n por m é r = 0,
no Teorema da divisão de Euclides,

n = q ·m +0.

Observe que, como

n = q · m ↔ n = (−q)(−m) ↔ (−n) = (−q) · m

segue-se que quando m é divisor de n, então −m tambem é divisor de n e m


é divisor de −n.
Exemplo 13
Os divisores de 12 são os inteiros

±1, ±2, ±3, ±4, ±6, ±12 .

Por outro lado, estes inteiros são também os divisores de −12.

Aqui, é natural estabelecermos uma notação para os conjunto de todos


os divisores de um inteiros, e tambem para os divisores positivos e negativos.
Definição 1
Dado um número inteiro n, definimos

1. D(n) = {m ∈ Z | m é divisor de n}

2. D(n)+ = {m ∈ Z | m > 0 e m é divisor de n}

3. D(n)− = {m ∈ Z | m < 0 e m é divisor de n}

Assim, pela observação que fizemos acima, vale que:

D(n)− = −(D(n)+ ) = {−m ∈ Z | m ∈ D(n)+ }

CEDERJ 48
Divisibilidade nos inteiros: o Máximo Divisor Comum
AULA 5

[
D(n) = D(n)− · D(n)+
isto é, o conjunto D(n) é união disjunta dos subconjuntos D(n)− e
D(n)+ .
Exemplo 14

D(12) = {±1, ±2, ±3, ±4, ±6, ±12}


D(12)+ = {1, 2, 3, 4, 6, 12}
D(12)− = {−1, −2, −3, −4, −6, −12}
Claramente, vale que

D(12)+ = −D(12)− e D(12) = D(12)+ ∪ D(12)−

Exercı́cios

1. Encontre D(60), D(60)+ e D(60)− .

2. Quantos divisores tem um número primo?

Finitude do conjunto dos divisores de um inteiro


A proposição a seguir mostra que um inteiro possui um número finito
de divisores.
Proposição 1
Seja n 6= 0 um dado número inteiro. Então o conjunto D(n) dos divisores de
n é sempre finito.

Demonstração:
É suficiente demonstrarmos que D(n)+ é finito. Isto porque, se isto
for verdade, como D(n)− = D(n)+ , então D(n)− tem o mesmo número de
elementos de D(n)+ e, portanto, tambem é finito. Como D(n) = D(n)+ ∪
D(n)− então D(n) é a união de dois conjuntos finitos, logo, também é finito.
Vamos começar demonstrando um lema.
Lema 1
Seja n um inteiro positivo. Então
(a) 1, n ∈ D(n)+

(b) Se m ∈ D(n)+ então 0 < m ≤ n.

49 CEDERJ
Divisibilidade nos inteiros: o Máximo Divisor Comum
Algebra 1

Demonstração do Lema:
A demonstração de (a) é óbvia pois n = n · 1 = 1 · n. Agora vamos
provar (b): Seja m ∈ D(n)+ . Assim, m > 0 e existe q > 0, tal que n = q · m.
Se q = 1, n = m e se q ≥ 2 e n = q · m ≥ 2 · m = m + m > m. Isto
prova o lema.
Como corolário do Lema, teremos que

D(n)+ ⊆ {m ∈ Z | 1 ≤ m ≤ n} ,

e portanto, D(n)+ é um conjunto finito com número de elementos menor ou


igual a n, já que o conjunto

{m ∈ Z | 1 ≤ m ≤ n}

possui exatamente n elementos.


Como |D(n)| = 2 · |D(n)+ |, temos D(n) finito.

Exercı́cios

1. Dê exemplos em que inteiros positivos n tal que

|D(n)| = n

Quantos inteiros positivos satisfazem esta condição?

O Máximo Divisor Comum (mdc) de dois inteiros


Agora estamos em condição de definir o máximo divisor comum de dois
números a e b.

Definição 2 (mdc)
Dizemos que o número inteiro positivo d é o máximo divisisor comum de dois
números inteiros não nulos a e b, se:

1. d é um divisor comum de a e b, isto é, d divide a e d divide b.

2. d é o maior divisor comum, isto é, se d0 é outro divisor comum de a e


b então d0 ≤ d.

Usamos a notação mdc(a, b) para denotar o máximo divisor comum de a e b.

CEDERJ 50
Divisibilidade nos inteiros: o Máximo Divisor Comum
AULA 5

Podemos expressar as condições da definição anterior de outra forma.


O conjunto dos dividores positivos comuns de a e b é a interseção do conjunto
dos divisores positivos de a e do conjunto dos divisores positivos de b, isto é,

divisores comuns de a e b = D(a) ∩ D(b) .

Observe que este conjunto interseção nunca é vazio, pois

1 ∈ D(a) ∩ D(b) .

O maior dividor comum de a e b é, simplesmente, o máximo do conjunto


dos divisores comuns:

mdc(a, b) = max D(a) ∩ D(b) .

Lembre-se que, pela propriedade da boa ordenação do conjunto dos


números inteiros, todo conjunto finito tem um único máxico, o que assegura
a existência e unicidade do mdc de dois inteiros positivos.
A definição de máximo divisor comum pode ser generalizada, de modo
análogo, para mdc de mais de dois números. Assim, terı́amos: se a1 , a2 , · · · , ak
são números inteiros não nulos, então d = mdc{a1 , a2 , · · · , ak } é o maior in-
teiro divisor comum de a1 , a2 , · · · , ak .

Exemplo 15
Verifique que:

1. mdc(10, 15) = 5

2. mdc(70, 121) = 1

3. mdc(n, n) = n para qualquer inteiro positivo n.

4. mdc(1, n) = 1 para qualquer inteiro positivo n.

5. mdc(p, q) = 1 para quaisquer p e q primos distintos.

Atividades

1. Pense em alguns pares de inteiros e calcule o mdc destes números.

51 CEDERJ
Divisibilidade nos inteiros: o Máximo Divisor Comum
Algebra 1

O algoritmo de Euclides
Sejam a e b dois dados números inteiros positivos. Podemos assumir
a ≥ b (caso contrário, invertemos a ordem dos números).
Se a = b, teremos D = mdc(a, b) = a = b.
Vamos considerar a > b. Pelo Teorema da Divisão de Euclides, existem
números q1 e r1 tais que:
a = q1 · b + r1 ,
onde 0 ≤ r1 < b.
Se r1 = 0 temos a = q1 · b e b é um dos divisores positivos de a. Nesse
caso,
b ∈ D(a)+ ⇒ D(b)+ ⊂ D(a)+ .

Daı́ segue que:

I = D(a)+ ∩ D(b)+ = D(b)+

e teremos
D = mdc(a, b) = max(I) = max(D(b)+ ) = b .

Se r1 6= 0, teremos 0 < r1 < b, a = q · b + r1 . Agora observe que:


Lema 2
Um inteiro d > 0 é divisor comum de a e b se, e somente se, d > 0 é divisor
comum de b e r1 .

Isto é conseqüência das igualdades

a = q · b + r 1 ⇒ r1 = a − q · b .

Assim,

d divide a e b ⇒ d divide a − q · b ⇒ d divide r1 .

Por outro lado,

d divide b e r1 ⇒ d divide q · b + r1 ⇒ d divide a

Portanto, os divisores comuns de a e b são também divisores comuns


de b e r1 e vice-versa, o que resulta em

mdc(a, b) = mdc(b, r1 ) .

CEDERJ 52
Divisibilidade nos inteiros: o Máximo Divisor Comum
AULA 5

Isto é o que faz o algoritmo de Euclides funcionar! Se r1 = 0 então


mdc(a, b) = b. Caso contrário, r1 > 0, e

mdc(a, b) = mdc(b, r1 )

Fazemos um novo passo do algoritmo, agora com os inteiros b e r1 . O


mdc encontrado será também o mdc dos inteiros a e b.
Mas, qual a vantagem do algoritmo se temos que repetir a mesma
operação de novo? A vantagem é que, a cada passo, estamos lidando com
inteiros positivos menores. Portanto, em algum momento, o algoritmo ter-
mina!
Se r1 > 0, o próximo passo é dividir b por r1 , achando quociente q2 e
resto r2 :
b = q 2 · r1 + r 2 .

Se r2 = 0, temos b = q2 · r1 , e nesse caso, como argumentamos anteriormente,

mdc(b, r1 ) = r1 = mdc(a, b),

e paramos o nosso algoritmo nesse estágio.


Se r2 6= 0, teremos b = q2 · r1 + r2 onde 0 < r2 < r1 . Nessa situação
dividimos r1 por r2 , achando quociente q3 e resto r3 :

r1 = q 3 · r2 + r 3

onde 0 ≤ r3 < r2 .
Analogamente ao que mostramos anteriormente, temos:

mdc(a, b) = mdc(b, r1 ) = mdc(r1 , r2 ).

Se r3 = 0, mdc(a, b) = mdc(r1 , r2 ) = r2 , pois r1 = q3 · r2 + 0 = q3 · r2 , e


paramos o algoritmo nesse estágio.
Se r3 > 0, prosseguimos sucessivamente com nosso algoritmo, determi-
nando quocientes q1 , q2 , q3 , · · · , qk , · · · e restos r1 , r2 , r3 , · · · , rk , · · · de modo
que
a = q1 · b + r1 , 0 ≤ r1 < b
b = q 2 · r1 + r 2 , 0 ≤ r 2 < r 1
r1 = q 3 · r2 + r 3 , 0 ≤ r 3 < r 2
.. .. ..
. . .
rk = qk · rk−1 + rk , 0 ≤ rk < rk−1

53 CEDERJ
Divisibilidade nos inteiros: o Máximo Divisor Comum
Algebra 1

Como a seqüência dos restos satisfaz as condições:

b > r1 > r2 > · · · > rk > · · · ≥ 0 ,

partindo de um b fixado, temos que existirá um primeiro ı́ndice k tal que


rk = 0.
Nessa etapa k paramos o algoritmo e teremos que

D = mdc(a, b) = mdc(b, r1 ) = · · · = mdc(rk−2 , rk−1 ) = rk−1

Exemplo 16
Vamos aplicar o algoritmo de Euclides para determinar o mdc de 3600 e 540.

3600 = 6 × 540 + 360


540 = 1 × 360 + 180
360 = 2 × 180 + 0

Quando encontramos resto 0, então o divisor da última divisão é o mdc dos


inteiros. Portanto, mdc(3600, 540) = 180.
Observe que

mdc(3600, 540) = mdc(540, 360) = mdc(360, 180) = 180 .

É comum representar-se estas etapas pelo esquema a seguir:

6 1 2
3600 540 360 180
360 180 0

Em geral, temos um esquema:

q q1 q2 q3 ···
a b r r1 r2 ···
r r1 r2 ···

Quando obtemos um resto igual a zero, o mdc é o último divisor, isto é, o
último número na fila do meio do esquema anterior.

CEDERJ 54
Divisibilidade nos inteiros: o Máximo Divisor Comum
AULA 5

Atividades

1. Mostre que mdc(585, 527) = 1.

2. Sejam a e b inteiros positivos, e vamos supor que existe inteiros s e t


tais que a = b · s + t. Mostre que

mdc(a, b) = mdc(b, t) .

Solução

1. Temos que:

585 = 1 × 527 + 58
527 = 9 × 58 + 5
58 = 11 × 5 + 3
5=1×3+2
3=1×2+1
2=2×1+0

Portanto:

mdc(585, 527) = mdc(527, 58) = mdc(58, 5) = mdc(5, 3) = mdc(3, 2) = mdc(2, 1) = 1

Esquematicamente:

1 9 11 1 1 2
585 527 58 5 3 2 1
58 5 3 2 1 0

2. A demostração é totalmente análoga ao que fizemos na demonstração


do Algoritmo de Euclides para mostrar que mdc(a, b) = mdc(b, r).

55 CEDERJ
Divisibilidade nos inteiros: o Máximo Divisor Comum
Algebra 1

Uma formulação equivalente para o mdc


Nesta seção, vamos provar a uma propriedade importante do mdc de
dois inteiros.
Proposição 2
Sejam a e b dois dados inteiros positivos e seja d = mdc(a, b) o máximo
divisor comum de a e b. Mostre que, se a0 = ad e b0 = db então mdc(a0 , b0 ) = 1.

Demonstração. Seja I 0 = D(a0 )+ ∩ D(b0 )+ . Vamos mostrar que I 0 = {1} e,


portanto, mdc(a0 , b0 ) = max I 0 = 1.
De fato, seja d = max(a, b), e seja k um divisor comum positivo de a0 e
b0 . Assim,
a0 = r 0 · k
b0 = s 0 · k
Daı́ segue que
a
= k · r 0 =⇒ a = (k · d)r 0 (3)
d
b
= k · s0 =⇒ b = (k · d)s0 (4)
d
De (1) e (2) concluimos que k ·d é divisor comum de a e b. Mas d = mdc(a, b).
Logo d ≥ k · d o que implica 0 < k ≤ 1, isto é, k = 1. 

Agora vamos apresentar uma formulação equivalente para o mdc, que


nos será útil nas aulas seguintes. Ela nos diz que mdc(a, b) não só é o maior
divisor comum de a e b, como também é múltiplo de todos os outros divisores
comuns de a e b. Alguns autores usam esta formulação como definição de
mdc.
Proposição 3
Sejam a e b dois números inteiros positivos dados. Então D = mdc(a, b) se,
e somente se,

1. D é divisor comum de a e b

2. Dado um arbitrário divisor comum d de a e b, então d é divisor de D.

Demonstração.
(=⇒)
Seja D = mdc(a, b). Vamos mostrar que D satisfaz as condições (1) e
(2) acima.
A condição (1) é imediata da definição de mdc. Vamos provar a
condição (2).
CEDERJ 56
Divisibilidade nos inteiros: o Máximo Divisor Comum
AULA 5

Seja d um arbitrário divisor comum de a e b. Sem perda de generalidade


podemos assumir d > 0. Vamos mostrar que d divide D.
Pela definição de mdc sabemos que d ≤ D. Se d = D, d é divisor de D.
Agora vamos assumir d < D, e vamos escrever a = q · D e b = q 0 · D.
Pela proposição anterior temos que D = mdc(q, q 0 ) = 1 já que q = Da e
q 0 = Db .
Como D > d, pelo Teorema da Divisão de Euclides, existem inteiros m
e r tais que D = m · d + r com 0 ≤ r < d.
Assim,
(
a = q · D = q(md + r) = (qm)d + qr, 0 ≤ r < d
(∗)
b = q 0 · D = q 0 (md + r) = (q 0 m)d + q 0 r .
Mas d é divisor comum de a e b, e daı́ segue que existe inteiros s e s0 tais que

a = s · d e b = s0 · d.

Usando as igualdades (∗) acima, temos


(
sd = (qm)d + qr =⇒ (s − qm)d = qr
(∗∗) 0 0 0 0 0 0
s d = (q m)d + q r =⇒ (s − q m)d = q r .

Seja t = mdc(d, r), e sejam α e β inteiros definidos por: α = dt , β = rt .


Pelo exercı́cio anterior temos que mdc(α, β) = 1 e d = α · t e r = β · t.
Substituindo em (∗∗) temos:
(
(s − qm)αt = qβt =⇒ (s − qm)α = qβ
0 0 0 0 0 0
(s − q m)αt = q βt =⇒ (s − q m)α = q β .
Como mdc(α, β) = 1, segue que α é divisor de q, e α é divisor de q 0 . Mas
sabemos que mdc(q, q 0 ) = 1, e isto nos diz que α = 1.
Assim,

α = 1 =⇒ d = αt = mdc(d, r) =⇒ d é divisor de r =⇒ d ≤ r

o que é um absurdo. Portanto, r = 0 e D = md, d divisor de D.


(⇐=)
Assumimos as propriedades (1) e (2) para D. Vamos provar que D =
mdc(a, b).
A propriedade (1) nos diz que D é divisor comum de a e b. Seja d ∈
I = D(a)+ ∩ D(b)+ , um divisor comum positivo de a e b. Pela propriedade
(2), d é divisor de D, logo d ≤ D, e D é máximo divisor comum de a e b.
Assim, as propriedades (1) e (2) caracterizam o mdc.

57 CEDERJ
Divisibilidade nos inteiros: o Máximo Divisor Comum
Algebra 1

Atividades

1. Determine os conjuntos D(156) e D(130). Determine d = mdc(156, 136)


e verifique que d é múltiplo de todos os elementos de D(156) ∩ D(130),
isto é, d é múltiplo de todos os divisores comuns de 156 e 130.

2. Verifique que mdc( 156


d
, 130
d
) = 1.

3. Escolha alguns pares de inteiros a e b e verifique que


 
a b
mdc , =1
mdc(a, b) mdc(a, b)

Divisibilidade como relação de ordem


Usaremos a notação a|b significando “a é divisor de b”.
A relação “é divisor de ”, no conjunto dos números inteiros, satisfaz as
seguintes propriedades:

1. a|a, ∀a ∈ Z∗ (reflexiva).

2. a|b e b|a implica em a = ±b.

3. a|b e b|c implica em a|c (transitividade).

A verificação das propriedades acima é bastante simples e será deixada


como exercı́cio.
Note que não vale a propriedade antissimétrica da relação linear ≤,
natural em Z:
a ≤ b e b ≤ a =⇒ a = b .

No entanto, se a e b são inteiros positivos e a|b e b|a, teremos que a = b.


Portanto, restringindo a relação “a divide b” ao conjunto dos números inteiros
positivos, ela será anti-simétrica:

2’ Se a, b ∈ Z+ , a|b e b|a implica em a = b (anti-simetria).

Mas propriedades de reflexividade, transitividade e anti-simetria carac-


terizam as relações de ordem parcial em um conjunto. Concluı́mos assim que
a relação “a divide b”, no conjuntos dos inteiros positivos, é uma relação de
ordem parcial.

CEDERJ 58
Divisibilidade nos inteiros: o Máximo Divisor Comum
AULA 5

Atividades

1. Verifique que a ordem “a divide b” não é linear (total) em A = Z+ .

2. Entenda a diferença entre as ordens ≤ e “a divide b”. A primeira ≤ é


linear e a segunda não é.

Comentários das atividades

1. Por exemplo, 2 não divide 3 e 3 não divide 2.

2. É fácil entender a diferença através de um grafo simbólico:

(<) (< (d) )


6
6
 

5




2
3



3


2 

1
1

(linear)

Convergência do Algoritmo de Euclides


Nesta seção, vamos adotar uma visão um pouco mais computacional
sobre o Algoritmo de Euclides.
Para calcular o mdc de dois inteiros positivos a e b, poderı́amos fazer
simplesmente o seguinte: listamos todos os divisores positivos de a e b e
determinamos o máximo da interseção.
Um algorı́tmo deste tipo seria o seguinte:
Entrada: Inteiros positivos a e b.
Saı́da: mdc(a, b).
• Para todo inteiro k entre 1 e o mı́nimo de a e b teste se k|a e k|b. Caso
afirmativo inclua k em um conjunto I.

• Retorne o máximo do conjunto I.


59 CEDERJ
Divisibilidade nos inteiros: o Máximo Divisor Comum
Algebra 1

Este é um algoritmo que sempre funciona, no sentido que sempre re-


torna o mdc de dois inteiros a e b. No entanto, é extremamente lento. Ainda
que possa ser melhorado de diversas maneiras, este algoritmo não é prático
para inteiros grandes, uma vez que envolve um número muito grande de
divisões.
O Algoritmo de Euclides tem as vantagens de ser rápido e muito fácil
de ser implementado computacionalmente.
Podemos descrever o Algoritmo de Euclides da seguinte maneira:
Entrada: Inteiros positivos a e b.
Saı́da:mdc(a, b).

• Seja r o resto da divisão de a e b.

• Se r = 0 então o resultado é b e paramos.

• Se r 6= 0 então calculamos mdc(b, r) e retornamos este valor como


resposta.

Este algoritmo é definido por recorrência, isto é, o algoritmo invoca


ele mesmo várias vezes a fim de obter o resultado.
Mais quão rápido converge o Algoritmo de Euclides? Por exemplo,
iniciando com inteiros a e b de 1000 algarismos, quanto passos, no máximo,
seriam necessário para chegarmos ao final do algoritmo?
Este é uma pergunta muito importante quando consideramos aplicações
computacionais práticas que utilizam o Algoritmo de Euclides.
Para respondermos esta pergunta, precisamos da proposição a seguir.

Proposição 4
Sejam a e b inteiros positivos, com a ≥ b, e seja r o resto da divisão de a e
b. Então r ≤ a2 .

Demonstração. Sempre vale que 0 ≤ r < b. Se b ≤ a2 , então r < b ⇒ r ≤ a2 .


a
Caso contrário, b > 2
e o quociente da divisão de a por b é 1:

a=b·1+r ⇒r =a−b.

a
Mas b > 2
⇒ −b < − a2 ⇒ a − b < a − a
2
= a
2
. Portanto r < a2 .
 No algoritmo de Euclides, temos

mdc(a, b) = mdc(b, r) = mdc(r, r1 ) = · · ·

CEDERJ 60
Divisibilidade nos inteiros: o Máximo Divisor Comum
AULA 5

onde, a cada dois passos, trocamos o primeiro elementos de um par pelo resto
da divisão dos dois elementos do par. Observe:

mdc(a, b) = mdc(b, r) = mdc(r, r1 ) = mdc(r1 , r2 ) = mdc(r2 , r3 ) = · · ·

Assim, r ≤ a2 , r2 ≤ r2 ≤ a4 . A cada dois passos o maior número do par


fica reduzido a, no máximo, metade do valor. Na pior hipótese, o livro para
quando encontramos resto 1. Se o algoritmo leva n passos para encontrar
resto r, então
a
r≤ n .
22
Para r = 1 então
a n n 2
n = 1 ⇒ 2
2 = a ⇒ log 2 = log a ⇒ n = log a .
22 2 log 2

Exemplo 1
Se a tem 1000 dı́gitos então a ≤ 101000 . Assim,

2 2000 ∼
n≤ log 101000 = = 6643
log 2 log 2
O algoritmo chega ao resultado em, no máximo, 6643 passos.

Exercı́cios

Resolva os seguintes exercı́cios:

1. Determine, usando o algoritmo de Euclides os seguintes MDC’s:


(i) MDC{24, 138} (ii) M DC{143, 227}
(iii) MDC{306, 657} (iv) M DC{12.378, 3054}

2. Mostre que: Sejam a, b, c inteiros não nulos. Se a divide b e a divide c,


então a divide (b ± c). (vale a recı́proca?)

3. Seja r 6= 0 com r ∈ Z uma raiz inteira do polinômio x2 + ax + b, onde


a, b são inteiros. Mostre que r é divisor de b.

4. Seja a um inteiro ı́mpar. Mostre que a2 − 1 é sempre divisı́vel por 8.

5. Sejam a1 , a2 , · · · , an inteiros positivos. Generalize a noção de MDC de


dois inteiros definindo (de modo similar) MDC{a1 , a2 , · · · , an }.

61 CEDERJ
As subestruturas ideais de Z: MDC e MMC
AULA 6

Aula 6 – As subestruturas ideais de Z: MDC


e MMC

Metas

Nesta aula apresentaremos a noção de ideal de Z. demonstrando o


Teorema dos ideais principais e relacionando ideais MDC e MMC.

Objetivos

• Definir a noção de ideal nos inteiros, dando exemplos;

• Caracterizar, através do Teorema dos ideais principais, os ideais de Z;

• Demonstrar a existência de MDC e MMC em Z, usando o Teorema dos


ideais principais.

Introdução
Na aula anterior, definimos o mdc(a, b) de dois inteiros a e b, mostra-
mos algumas propriedades e apresentamos o Algoritmo de Euclides para a
determinação de mdc(a, b). Nesta aula vamos apresentar uma visão algébrica
de Z através dos chamados ideais de Z. Ideais em um anel são subconjuntos
que possuem certas propriedades, como veremos um pouco a frente, nesta
aula. Podemos dizer que eles representam subestruturas de um anel.
Usando o Teorema da Divisão de Euclides vamos provar que todo ideal
I de Z é principal, isto é, todo ideal I de Z é da forma I = Z · n, para
algum inteiro n. A partir desse fato, de que todo ideal é gerado por um
único elemento (Teorema dos ideais principais), vamos inferir conclusões a
respeito do mdc e mmc de dois inteiros.
Bom, este foi um panorama geral do que acontecerá nesta aula. Agora,
vamos iniciar com a definição de ideal.

63 CEDERJ
As subestruturas ideais de Z: MDC e MMC
Algebra 1

Ideais em Z
Seja n um dado número inteiro. Considere o subconjunto I de Z,
formado por todos os múltiplos inteiros de n.
Usaremos a seguinte notação para esse subconjunto:

I = Z · n = {k · n | k ∈ Z} .

Vamos destacar em seguida, três propriedades essenciais que o subcon-


junto I = Z · n satisfaz.
Propriedades de I = Z · n
(1) 0 ∈ I

(2) Para todo x, y ∈ I, tem-se (x − y) ∈ I

(3) Z · I ⊆ I, isto é, para todo r ∈ Z e para todo x ∈ I, tem-se r · x ∈ I

Vamos demonstrar essas propriedades.


(1) 0 = 0 · n ∈ I = Z · n

(2) Se x = r · n e y = s · n então em I = Z · n, temos:

x − y = r · n − s · n = (r − s) · n ∈ I = Z · n .

(3) Para todo r ∈ Z e x = k · n ∈ I = Z · n, tem-se

r · x = r · (k · n) = (r · k) · n ∈ I .

O conjunto Z · n é um exemplo de ideal de Z. Em geral,


Definição 1 (Ideal de Z)
Um subconjunto I de Z satisfazendo as três propriedades acima é dito uma
substrutura ideal de Z ou, simplesmente, um ideal de Z .

Assim, I ⊂ Z é uma subestrutura ideal de Z se:


1. 0 ∈ I

2. Para todo x, y ∈ I, tem-se (x − y) ∈ I

3. Z · I ⊂ I

Lembrando, novamente, que Z · I ⊂ I é uma maneira resumida de dizer


que para todo r ∈ Z e todo x ∈ I temos rx ∈ I.

CEDERJ 64
As subestruturas ideais de Z: MDC e MMC
AULA 6

Exemplo 17
Nós mostramos, acima, que I = Z · n é um ideal de Z. Assim, {0} = Z · 0 e
Z = Z · 1 são dois ideais de Z chamados de ideais triviais de Z.

O ideal I = Z · n é chamado de ideal principal gerado por n.


Exemplo 18
Sejam a, b ∈ Z e seja J o subconjunto

J = Z · a + Z · b = {m = k · a + s · b | k, s ∈ Z} .

O conjunto J é chamado conjunto gerado por a e b em Z. Vamos provar que


J é um ideal de Z (chamado de ideal gerado por a e b), contendo os ideais
principais Z · a e Z · b.

1. 0 ∈ J, pois 0 = 0 · a + 0 · b ∈ J.

2. Para todo x, y ∈ J, tem-se (x − y) ∈ J


Seja x = r · a + s · b, e seja y = r 0 · a + s0 · b, dois elementos de J. Daı́
segue que

x − y = (r · a + s · b) − (r 0 · a + s0 · b) = (r − r 0 ) · a + (s − s0 ) · b ∈ J .

3. Z · J ⊂ J.
Seja m ∈ Z e x = r · a + s · b ∈ J. Daı́ segue que

m · x = m · (r · a + s · b) = (m · r) · a + (m · s) · b ∈ J .

Alem disso, Z · a ⊂ J, pois r · a = r · a + 0 · b ∈ J para todo r ∈ Z.


Analogamente Z · b ⊂ J.
Assim, o ideal J = Z · a + Z · b contem os ideais principais Z · a e Z · b.

Atividades

1. Verifique qual dos seguintes subconjuntos I ⊂ Z é (ou não) ideal de Z.

(a) I = {m ∈ Z | m é divisor de 24}


(b) I = {m ∈ Z | m é múltiplo de 24}
(c) I = {m ∈ Z | m é múltiplo comum de 18 e 24}
(d) I = {m ∈ Z | (21) · m é múltiplo de 9}

65 CEDERJ
As subestruturas ideais de Z: MDC e MMC
Algebra 1

2. Generalize o Exemplo 17 para:

J = Z·a1 +Z·a2 +· · ·+Z·ak = {m = r1 ·a1 +r2 ·a2 +· · ·+rk ·ak | ri ∈ Z}

mostrando que J é um ideal de Z.


O conjunto J = Z · a1 + Z · a2 + · · · + Z · ak é o ideal gerado por
a 1 , a2 , · · · , ak .

Teorema dos Ideais Principais em Z


Quando definimos ideal de Z, observamos que, para todo n ∈ Z, Z · n
é um ideal de Z. Ideais deste tipo são chamados ideais principais.
Vimos também que, para todo a, b ∈ Z, o conjunto Z · a + Z · b é um
ideal de Z, chamado ideal gerado por a e b. Analogamente, podemos ideais
gerados por um número qualquer de elementos.
Aqui se coloca uma questão: se um ideal é gerado por, por exemplo, 2
elementos, ele pode ser escrito como ideal principal? Por exemplo, Z·30+Z·20
pode ser escrito como Z · n, para algum n?
A resposta é sim. É fácil ver que Z · 30 + Z · 20 = Z · 10. Veja bem,

10 = 30 · 1 + 20 · (−1) ⇒ 10 ∈ Z · 30 + Z · 20 .

Pela propriedade (3) da definição de ideal, se J é ideal e 10 ∈ J então


Z · 10 ⊂ J. Assim, temos que Z · 10 ⊂ Z · 30 + Z · 20.
Por outro lado, se x ∈ Z · 30 + Z · 20 então existem a, b ∈ Z tais que

x = 30a + 20b = 10(3a + 2b) ∈ Z · 10 ⇒ Z · 30 + Z · 20 ⊂ Z · 10 .

A conclusão é que o ideal gerado por 20 e 30 é principal: é o ideal prin-


cipal Z · 10. Observe também que 10 = mdc(20, 30). Isto não é coincidência,
como veremos mais tarde.
O teorema a seguir mostra que o mesmo é verdade para qualquer ideal
de Z. Esta é uma propriedade algébrica importante do anel dos inteiros.
Domı́nios de integridade que têm esta propriedade são chamados Domı́nios
principais. Haverá uma aula dedicada aos domı́nios principais mais tarde.
Mas vamos voltar aos inteiros:

CEDERJ 66
As subestruturas ideais de Z: MDC e MMC
AULA 6

Teorema 1 (Teorema dos Ideais Principais)


Todo ideal de Z é principal

Demonstração:
Seja J um ideal qualquer de Z. Temos que demonstrar que existe d ∈ Z
tal que J = Z · d.
Se J = {0} então J = Z · 0 é principal. Vamos assumir que J 6= {0}.
Observe que, como 0 ∈ J temos:

0, x ∈ J =⇒ 0 − x = −x ∈ J
0, −x ∈ J =⇒ 0 − (−x) = x ∈ J .

Assim,
x ∈ J ⇐⇒ (−x) ∈ J .

Portanto,
J = J − ∪ {0} ∪ J +

onde
J + = {x ∈ J | x > 0} e J − = {x ∈ J | x < 0} .

Vale também que J − = −(J + ).


Assim, J 6= {0} implica J + e J − são não vazios e podemos escolher,
pela boa ordenação de Z, o primeiro (menor) elemento d ∈ J + .
Portanto d = min J + é único inteiro d tal que 0 < d ≤ x, para todo
x ∈ J +.
Vamos provar que J = Z · d.
Primeiramente, d ∈ J + ⊂ J implica Z · d ⊂ J, pela propriedade (3) que
define ideal. Assim, basta provar que J ⊂ Z · d.
Como Z · d é ideal de Z, se provarmos que J + ⊂ Z · d, teremos:

J = J − ∪ {0} ∪ J + ⊂ Z · d .

Seja y ∈ J + . Pela escolha de d, temos 0 < d ≤ y. Se d = y, temos


y ∈ Z · d. Vamos assumir d 6= y. Assim, 0 < d < y. Pelo teorema da divisão
de Euclides, existem q, r ∈ Z tais que

y = q · d + r, 0 ≤ r < d.

Vamos provar que r = 0 e, portanto, y = q · d ∈ Z · d.

67 CEDERJ
As subestruturas ideais de Z: MDC e MMC
Algebra 1

Vamos supor, por absurdo, que r > 0. Então,

y = q · d + r =⇒ r = y − q · d .

Mas y ∈ J e q · d ∈ Z · d ⊂ J implica r = y − q · d ∈ J, pela propriedade (2),


da definição de ideal.
Mas
0 < r < d, r ∈ J =⇒ r ∈ J + e r < d ,
o que contraria a minimalidade de d = minJ + . Assim, essa contradição nos
diz que r = 0 e y = q · d ∈ J.
De Z · d ⊂ J e J ⊂ Z · d, temos J = Z · d, como querı́amos demonstrar.

A demonstração do teorema nos diz que J = Z · a + Z · b = Z · d, onde
d = minJ + , o menor elemento positivo de J.
Da mesma forma, o ideal de J = Z · a1 + Z · a2 + · · · + Z · ak , gerado
por a1 , a2 , · · · , ak , inteiros não nulos, pode ser expresso por

J = Z · a1 + Z · a2 + · · · + Z · ak = Z · d, d = minJ + .

Aqui cabe a pergunta: Qual a relação desse número d = minJ + com os


geradores de J?
Se Z · d = Z · a + Z · b, mostraremos que d = mdc(a, b). Mais geralmente,
se Z · d = Z · a1 + Z · a2 + · · ·+ Z · ak , mostraremos que d = mdc(a1 , a2 , · · · , ak ).
Como o inteiro d = mdc(a, b), satisfaz a igualdade estrutural de ideais
Z · a + Z · b = Z · d, então, d ∈ Z · a + Z · b e, portanto, d = r · a + s · b, para
alguns inteiros r e s. Este fato nos será bastante útil no futuro.
Exemplo 19
mdc(18, 24) = d = 6. Nesse caso, podemos escrever

d = 6 = (−1) · 18 + (1) · 24 (r = −1, s = 1)

ou ainda
d = 6 = (−5) · 18 + (24) · 4 (r = −5, s = 4)
Portanto, os números r e s não são únicos e o número d = mdc(a, b) pode
ser expresso de mais de uma maneira na forma d = ra + sb com r, s ∈ Z.

Atividades

1. Encontre d tal que Z · d = Z · a + Z · b, onde a = 84 e b = 30. Encontre


r, s ∈ Z tal que d = ra + sb.

CEDERJ 68
As subestruturas ideais de Z: MDC e MMC
AULA 6

O mdc(a, b) é o gerador de Z · a + Z · b
Agora vamos provar o seguinte teorema
Teorema 2
Sejam a e b inteiros não nulos dados e seja d > 0 um número inteiro. Então

Z · a + Z · b = Z · d ⇐⇒ d = mdc(a, b) .

Demonstração:
(=⇒) Vamos supor Z · a + Z · b = Z · d e mostrar que d = mdc(a, b).
Lembre-se que na Aula 5 mostramos que o conceito de mdc{a, b} = d
de dois números não nulos a e b é equivalente ao seguinte:

(i) d é um divisor comum de a e b

(ii) Se d0 é um divisor comum de a e b então d0 também é divisor de d.

Vamos usar aqui essa caracterização de mdc.


Primeiro observe que Z·a+Z·b = Z·d implica Z·a ⊂ Z·d e Z·b ⊂ Z·d.
De Z · a ⊂ Z · d implica a ∈ Z · d o que implica que d é divisor de a. De
Z · b ⊂ Z · d implica b ∈ Z · d o que implica d é divisor de b.
Assim, concluimos que d é divisor comum de a e b.
Agora, a segunda parte: seja d0 um divisor comum qualquer de a e b.
Vamos provar que d0 também é divisor de d.
d0 divisor de a =⇒ ∃ q10 ∈ Z tal que a = q10 · d0
d0 divisor de b =⇒ ∃ q20 ∈ Z tal que b = q20 · d0

Assim, Z · a ⊆ Z · d0 e Z · b ⊆ Z · d0 e isso nos diz que


Z · d = Z · a + Z · b ⊆ Z · d0 =⇒ d ∈ Z · d ⊆ Z · d0 =⇒ d ∈ Z · d0 =⇒ ∃ r ∈ Z
tal que d = r · d0 =⇒ d0 também é divisor de d .
Logo d > 0 é de fato o mdc(a, b).
(⇐=) Assumiremos mdc(a, b) = d. Devemos provar que Z · a + Z · b = Z · d.
Usaremos a unicidade do MDC.
Pelo teorema do ideal principal, existe d0 tal que Z · a + Z · b = Z · d0 .
Pela parte 1 dessa demonstração, temos d0 = mdc(a, b) e pela unicidade do
mdc(a, b) temos que d = d0 e Z · a + Z · b = Z · d.

Como observamos antes, uma conseqüência direta que nos será muito
útil é o seguinte:

69 CEDERJ
As subestruturas ideais de Z: MDC e MMC
Algebra 1

Corolário 1
Sejam a e b dois inteiros não nulos e seja d = mdc(a, b). Então existe r, s ∈ Z
tais que d = ra + sb.

O Teorema 2 acima vale para mais de dois números, isto é, dados
inteiros não nulos a1 , a2 , · · · , ak e d = mdc(a1 , a2 , · · · , ak ) temos Z · a1 + Z ·
a2 + · · · + Z · ak = Z · d e existem r1 , r2 , · · · , rk ∈ Z tais que d = r1 · a1 + r2 ·
a2 + · · · rk · ak . A demonstração é análoga à demonstração do Teorema 2.

Atividades

1. Descreva os seguintes subconjuntos J de Z.

(a) J = Z · 36 + Z · 25.
(b) J = Z · 18 + Z · 24 + Z · 21.
(c) J = Z · 105 + Z · 52.

O mmc de dois inteiros


Agora vamor relacionar o mmc de dois inteiros a e b aos ideais gerados
por a e b. Como a interseção de ideais é sempre um ideal, então Z · a ∩ Z · b
é um ideal de Z. Pelo Teorema 1, este ideal é principal. O próximo teorema
nos diz que Z · a ∩ Z · b é o ideal principal gerado por mmc(a, b).

Teorema 3
Sejam a e b dois dados inteiros não nulos e seja M > 0 tal que Z·a∩Z·b = Z·M
(existe tal M > 0, pelo teorema dos ideais principais). Então M é o menor
múltiplo comum positivo de a e b.

Demonstração:
Sejam a e b dois inteiros não nulos e I = Z · a e J = Z · b os ideais
principais gerados, respectivamente, por a e b.
Temos que I ∩J = Z·a∩Z·b é também um ideal de Z (ver Exercı́cio 1).
Pelo teorema dos ideais principais, existe M > 0 tal que
I ∩ J = Z · a ∩ Z · b = Z · M.
Vamos provar que M é o menor múltiplo comum positivo de a e b.

Z · a ∩ Z · b = Z · M =⇒ Z · M ⊂ Z · a e Z · M ⊂ Z · b .

CEDERJ 70
As subestruturas ideais de Z: MDC e MMC
AULA 6

Como M ∈ Z · M , então M ∈ Z · a e M ∈ Z · b, o que implica que


existem r, s ∈ Z tais que M = ra e M = sb, isto é, M é um múltiplo comum
de a e b.
Seja M 0 > 0 um qualquer múltiplo comum de a e b. Vamos provar que
M 0 é múltiplo de M (e portanto M 0 ≥ M ).
De fato, M 0 múltiplo comum de a e b implica que existem r 0 , s0 ∈ Z tais
que M 0 = r 0 · a e M 0 = s0 · b. Portanto,

M0 ∈ Z · a e M0 ∈ Z · b ⇒ M0 ∈ Z · a ∩ Z · b = Z · M ⇒ M0 ∈ Z · M ,

o que implica M 0 = t · M , para algum inteiro t > 0, ou seja, M 0 é múltiplo


de M , o que completa a demonstração.

Embora já estejamos nos referindo ao mı́nimo múltiplo comum de dois
inteiros, vamos fazer uma definição formal.
Definição 2 (Mı́nimo múltiplo comum)
Sejam a e b dois dados inteiros não nulos. Dizemos que M é o mı́nimo
múltiplo comum de a e b, denotado M = mmc(a, b), se M > 0 e M é o
menor múltiplo comum positivo de a e b.

O Teorema 3 mostra a existência do mmc(a, b) (através do teorema dos


ideais principais) como o inteiro positivo M > 0 gerador do ideal Z · a ∩ Z · b,
isto é, Z·a∩Z·b = Z·M . Alem disso, vimos na demonstração do teorema que
o mmc(a, b) não só é o menor múltiplo comum de a e b como também é divisor
de qualquer outro múltiplo comum de a e b. Podemos, assim, caracterizar o
mmc(a, c) pelas seguintes propriedades:

1. M é múltiplo de a e b.

2. Se M 0 é um múltiplo comum de a e b, então M 0 é múltiplo de M .

Alguns autores usam a caracterização acima como definição de mmc(a, b).


Exemplo 20
Sejam a = 6 e b = 9. Temos:

Z · 6 = {· · · , −6, 0, 6, 12, 18, 24, 30, 36, 42, · · ·}


Z · 9+ = {· · · , −9, 0, 9, 18, 27, 36, 45, 54, · · ·}
Z · 6 ∩ Z · 9 = {· · · , −18, 0, 18, 36, 54, · · · } = Z · 18 .

Assim, mmc(6, 9) = 18.

71 CEDERJ
As subestruturas ideais de Z: MDC e MMC
Algebra 1

Atividades

1. Escreva os conjuntos Z · 12 e Z · 15. Determine que Z · 12 ∩ Z · 15 e


verifique mmc(12, 15) = 60.

2. Mostre que a divide b implica em mmc(a, b) = b.

Relação entre o mdc e o mmc de dois inteiros

Podemos sempre determinar o mmc de dois inteiros como no exemplo


acima: escrevendo vários elementos dos conjuntos Z · a e Z · b e determinando
o primeiro elemento da interseção. No entanto, este método é computacio-
nalmente impraticável para inteiros grandes.
Felizmente, há maneiras muito mais rápidas de determinarmos o mmc
de dois inteiros. Há uma relação simples entre o mmc e o mdc de dois inteiros,
que demonstraremos a seguir.
Teorema 4
Sejam a e b inteiros positivos. Então vale que

mmc(a, b). mdc(a, b) = ab

Assim, uma vez calculado o mdc(a, b), que pode ser feito pelo Algoritmo
de Euclides, a fórmula acima fornece facilmente o mmc(a, b).
Retornando ao exemplo anterior, é fácil ver que mdc(6, 9) = 3. Então:
6·9 54
mmc(6, 9) = = = 18
mdc(6, 9) 3

Demonstração do Teorema.
Sejam a e b inteiros positivos, m = mmc(a, b) e d = mdc(a, b).

Lembre-se que o mmc(a, b) é


Como ab é múltiplo comum de a e b, então m divide ab. Logo ab
m
é um
ab ab
divisor de qualquer múltiplo número inteiro. Seja g = m . Vamos provar que g = d, isto é, m = d, o que
comum de a e b.
implica em ab = md.
Vamos mostrar que g = mdc(a, b) mostrando que:
1. g é divisor comum de a e b.

2. Se f é divisor comum de a e b então f | g.

Como vimos, estas duas propriedades demosntram que g = mdc(a, b). Va-
mos, então, prová-las.

CEDERJ 72
As subestruturas ideais de Z: MDC e MMC
AULA 6

ab
1. De m
= g segue que
a m b m
= e = ,
g b g a
a b
o que mostra que g
e g
são inteiros, isto é, g é divisor comum de a e b.

2. Seja f um inteiro tal que f | a e f | b. Vamos mostrar que f | g. Como


a
f
e fb são inteiros, então
   
b a
a|a eb|b
f f
ab
implica em que f
é múltiplo comum de a e b.
Como m = mmc(a, b), então
ab
m| .
f
ab ab
Mas g = m
, logo m = g
e temos que
ab ab
|
g f
isto é
ab ab g
÷ = é um inteiro .
f g f
Portanto f | g, o que completa a demosntração.


Note que se a e b não forem inteiros positivos então a igualdade ab =
mdc(a, b) mmc(a, b0 não é mais válida, uma vez que mdc(a, b) ≥ 0 e mmc(a, b) ≥
0, por definição. No entanto, a igualdade continua válida para |a| e |b|.
Um caso particular interessante do Teorema 4 é quando mdc(a, b) = 1.
Neste caso, vale que
mmc(a, b) = ab .
Definição 3 (Inteiros primos entre si)
Dizemos que dois inteiros a e b são primos entre si, ou que a e b são relativa-
mente primos, quando mdc(a, b) = 1.

Atividades

1. Escolha alguns pares de inteiros positivos a e b, calcule mdc(a, b) e


mmc(a, b). Verifique que mdc(a, b) mmc(a, b) = ab.

2. Mostre que a divide b implica em mmc(a, b) = b.

3. Mostre que se a e b são primos entre si, então mmc(a, b) = ab.

73 CEDERJ
As subestruturas ideais de Z: MDC e MMC
Algebra 1

Mais três teoremas sobre o mdc


Você ainda tem fôlego para mais alguns teoremas? Nesta seção, para
terminar a aula, provaremos mais três teoremas muito interessantes sobre o
mdc.
Teorema 5
a b

Se d = mdc(a, b) então mdc ,
d d
= 1.

Demonstração. Quero provar que ad e db não têm divisor comum. Se f > 1


fosse um divisor comum destes inteiros, então
a b
f| e f|
d d
o que implica em
df | a e df | b .
Portanto, terı́amos que df é divisor comum de a e b. Como f > 1 então
df > d, o que contraria o fato de que d é o maior dividor comum. Assim,
provamos que não há f > 1 divisor comum de ad e db .

O próximo teorema é uma espécie de recı́proca deste último.
Teorema 6
a b

Se c > 0, c | a, c | b e mdc ,
c c
= 1 então c = mdc(a, b).

Demonstração. Sejam a b inteiros positivos e seja d = mdc(a, b).


Como c | a e c | b, então c é um dividor comum de a e b,o que implica
em c | d, isto é, dc é um inteiro.
De
da a db b
= e =
cd c cd d
resulta que dc é um divisor comum de ad e db . Mas ad e db são relativamente
primos por hipótese, seus únicos divisores comuns são ±1, assim
d
=1⇒c=d
c

O próximo teorema nos diz que se um número divide o produto de dois
números e é relativamente primo com um deles então divide o outro.

CEDERJ 74
As subestruturas ideais de Z: MDC e MMC
AULA 6

Teorema 7
Sejam a,b e c inteiros positivos. Se a | bc e mdc(a, b) = 1 então a | c.

Demonstração. Como mdc(a, b) = 1 então m = mmc(a, b) = ab.


Como a | bc (por hipótese) e b | bc então bc é múltiplo comum de a e b.
Assim bc é múltiplo de mmc(a, b) = ab, isto é

ab | bc ,

o que resulta em a | c.


Resumo
Nesta aula definimos ideal em Z e mostramos que o mdc e mmc de dois
inteiros a e b são geradores de certos ideais em Z. O mdc(a, b) gera o ideal
Z · a + Z · b, enquanto que o mmc(a, b) gera o ideal Z · a ∩ Z · b.
Mostramos que em Z todo ideal é principal, o que é uma propriedade
algébrica muito importante dos inteiros.
demonstramos a relação entre o mdc(a, b) e o mmc(a, b) para dois in-
teiros a e b:
mmc(a, b). mdc(a, b) = ab

Em particular, para a e b primos entre si, vale que

mmc(a, b) = ab .

75 CEDERJ
As subestruturas ideais de Z: MDC e MMC
Algebra 1

Exercı́cios
1. Sejam I e J dois dados ideais de Z. Mostre que I ∩ J é um ideal de Z.

2. Generalize o exercı́cio anterior mostrando que

I 1 , I2 , · · · , I k

ideais de Z implica
I1 ∩ I 2 ∩ · · · ∩ I k = I
também é ideal de Z.

3. Generalize o exercı́cio 2 acima mostrando que: se {Ik }k∈N é uma coleção



\
de ideais de Z então I = Ik também é ideal de Z.
k=0

4. Demonstre a generalização do Teorema 2. Isto é, prove que dados


inteiros não nulos a1 , a2 , · · · , ak e d = mdc(a1 , a2 , · · · , ak ) temos Z ·
a1 + Z · a2 + · · · + Z · ak = Z · d e existem r1 , r2 , · · · , rk ∈ Z tais que
d = r 1 · a1 + r 2 · a2 + · · · r k · ak .

CEDERJ 76
Álgebra I Volume 2 - Módulo 2

SUMÁRIO Aula 7 – Ideais maximais e números primos_______________________________ 3


Aula 8 – Fatoração única: o Teorema Fundamental da Aritmética _____________ 11
Aula 9 – Os inteiros módulo n: Uma primeira apresentação _________________ 23
Aula 10 – Propriedades de congruência e critérios de divisibilidade ___________ 33
Aula 11 – O anel dos inteiros módulo n________________________________ 43
Aula 12 – Inversos multiplicativos e divisores de zero em n ________________ 51
Ideais maximais e números primos
AULA 7

Aula 7 – Ideais maximais e números primos

Metas

Nesta aula definiremos ideais maximais e mostraremos como os números


primos estão relacionados com os ideais maximais de Z.

Objetivos

Ao final desta aula você deverá ser capaz de:

• Definir ideais maximais de Z.

• Mostrar que os números primos são os geradores dos ideais maximais


em Z;

• Demonstrar a equivalência de três propriedades que definem o conceito


de números primos.

Introdução
O inteiro 1 só tem um divisor positivo, que é o próprio. Qualquer outro
Os gregos chamavam os
inteiro positivo a > 1 têm pelo menos dois divisores positivos: 1 e a. Um números primos de primeiros
número é chamado primo quando tem exatamente dois divisores positivos. ou indecomponı́veis e os
compostos de secundários ou
Definição 1 (número primo) decomponı́veis. Os romanos
traduziram do grego para o
Um número inteiro a 6= ±1 é um número primo quando só tem dois divisores latim usando a palavra
positivos: 1 e |a|. primos para representar
esses números “primeiros”.

Os números inteiros a 6= ±1 que não são primos são chamados de


números compostos.
Por exemplo, os inteiros 2, 3, 5, 7, 11, 13, 17, 19, 23, 29 são os 10 primei-
ros inteiros primos positivos. Os inteiros −2, −3, −5, −7, −11, −13 · · · são
inteiros primos negativos. Note que ±1 não são
Os primos são as unidades básicas em relação as quais podemos expres- números primos! Os inteiros
ficam assim divididos em 3
sar todos os números inteiros, no sentido de que qualquer inteiro maior que 1 subconjuntos: {±1}, os
inteiros primos e os inteiros
pode ser escrito como produto de fatores primos. Este é o chamado Teorema
compostos.
Fundamental da Aritmética, que veremos mais tarde.
Nessa aula, que serve de preparação para a demonstração do chamado
Teorema Fundamental da Aritmética, mostraremos como os inteiros primos
estão relacionados aos geradores dos ideais maximais de Z.

3 CEDERJ
Ideais maximais e números primos
Algebra 1

Ideais maximais de Z
Vamos iniciar definindo ideal maximal de Z e então relacionando estes
ideais com os inteiros primos.

Definição 2 (Ideal Maximal de Z)


um ideal M de Z é chamado maximal se é ideal próprio de Z (isto é, M & Z)
e M não está contido propriamente em nenhum outro ideal próprio de Z, ou
seja, os únicos ideais de Z contendo M são M e Z.
Lembre-se que {0} e Z são
ideais de Z
Em outras palavras, um ideal M de Z é maximal se

i. M & Z (ideal próprio)

ii. Se I é um ideal de Z, M ⊂ I ⊂ Z, então I = M ou I = Z.

Exemplo 1
O ideal Z · 6 não é maximal. De fato, temos que Z · 6 & Z · 2 & Z, pois

x ∈ Z · 6 ⇒ x = 6q, para algum q ∈ Z

⇒ x = 2(3q) ⇒ x ∈ Z · 2

Assim, Z · 6 ⊂ Z · 2, mas Z · 6 6= Z · 2 (por exemplo, 2 ∈ Z · 2, mas 2 6∈ Z · 6).

Atividades

1. Mostre que
Z·8& Z·4& Z·2& Z.

2. Mostre que o ideal Z·m, onde m é um inteiro composto, não é maximal.

Relação entre ideais maximais de Z e inteiros primos


Seja M ⊂ Z um ideal maximal de Z e seja p ∈ M+ tal que M = Z · p
Lembre-se que
(existe tal p pelo teorema dos ideais principais).
M+ = M ∩ Z + O que podemos dizer a respeito desse número p? A primeira observação
é que, como M & Z e p ∈ M+ , temos p ≥ 2, já que p = 1 nos daria M = Z.
E o que mais poderı́amos dizer à respeito desse número p ≥ 2, gerador
de M?
A primeira resposta vem do seguinte resultado:

CEDERJ 4
Ideais maximais e números primos
AULA 7

Proposição 1
Seja M = Z · p, p ≥ 2, um ideal maximal de Z. Então D(p)+ = {1, p}, isto
é, p é primo.

Demonstração:
Seja M = Z · p, p ≥ 2 um ideal maximal de Z e seja m ∈ D(p)+ um
divisor positivo de p. Vamos provar que m = 1 ou m = p.
De fato, m ∈ D(p)+ nos diz que p = m · k, k > 0 e portanto todo
múltiplo de p é também múltiplo de m, isto é, M = Z · p ⊂ Z · m. Como M
é ideal maximal de Z temos duas possibilidades:

(a) M = Z · p = Z · m ou

(b) Z · m = Z.

Agora

(a) Z · p = Z · m =⇒ m ∈ Z · m = Z · p =⇒ m = s · p, s > 0. Mas


p = m · k e daı́ segue que: m = (sk)m o que implica sk = 1, com
k, s > 0. Portanto s = k = 1 e m = p.

(b) Z · m = Z, m > 0 =⇒ m = 1.

Assim provamos que m = 1 ou m = p e a Proposição 1 está demons-


trada. 
Demonstramos então que todo ideal maximal é gerado por um número
primo. O próximo teorema afirma que também vale a recı́proca: todo ideal
gerado por um número primo é maximal.
Teorema 1
Seja p ≥ 2 um dado número inteiro e seja M = Z · p o ideal principal de Z
gerado por p. Então M = Z · p é ideal maximal de Z se, e somente se, p é
primo.

Demonstração:
(=⇒) Essa parte já foi demonstrada através da proposição 1.
(⇐=) Seja p ≥ 2 um número primo dado, e seja M = Z · p o ideal principal
gerado por p.
Vamos mostrar que M = Z · p é um ideal maximal de Z.
De fato, sabemos que Z · n = Z se, e somente se, n = ±1. Como p ≥ 2,
teremos

5 CEDERJ
Ideais maximais e números primos
Algebra 1

(i) M = Z · p & Z (M é o ideal próprio de Z).

Agora, seja I um ideal contendo M, isto é, Z · p = M ⊂ I ⊂ Z. Vamos


provar a condição (ii) da definição de ideal maximal, a saber, que I = M ou
I = Z (isto é, M é maximal).
Pelo Teorema do Ideal Principal, existe m > 0 tal que I = Z · m.
Estamos assumindo M = Z · p ⊂ I = Z · m. Assim, p ∈ M implica
p ∈ I = Z · m o que implica que existe um k > 0 tal que p = k · m. Assim,
m ∈ D(p)+ = {1, p} (pois estamos assumindo p ≥ 2 primo). Portanto
m ∈ {1, p}.
Se m = 1 temos I = Z · m = Z · 1 = Z. Por outro lado, se m = p temos
I = Z · m = Z · p = M e isto completa a demonstração. 

Atividades

1. Mostre que Z · 5 é um ideal maximal de Z.

2. Mostre que Z · n = Z ⇔ n = ±1.

Propriedades dos números primos


Na aula 6 vimos que se a, b ∈ Z+ e d > 0 tal que Z · a + Z · b = Z · d
então d = mdc(a, b). Em particular, como d ∈ Z · d, então d ∈ Z · a + Z · b,
isto é, existem r, s ∈ Z tais que d = ra + sb. Se o mdc(a, b) = 1, existirão
r, s ∈ Z tais que ra + sb = 1.
Agora vamos demonstrar uma proposição que será usada na demons-
tração do próximo teorema, que prova a equivalência de três condições para
a definição de números primos.

Proposição 2
Seja p ≥ 2 um número primo e seja a ∈ Z+ . Se p não é divisor de a então
mdc(a, p) = 1. Em particular, nessa situação, existem r, s ∈ Z tais que
rp + sa = 1.

Demonstração:
Seja p ≥ 2 um número primo. Assim, D(p)+ = {1, p} e seja d =
mdc(p, a). Pela definição de mdc temos que:

d = max(D(p)+ ∩ D(a)+ ) .

CEDERJ 6
Ideais maximais e números primos
AULA 7

Se p não é divisor de a então p 6∈ D(a)+ e daı́ segue, tendo em vista


que D(p)+ = {1, p}, que

D(p)+ ∩ D(a)+ = {1}

e, portanto, d = max(D(p)+ ∩ D(a)+ ) = 1.


Pela observação feita antes do enunciado dessa proposição, temos que,
se p ≥ 2 primo não é divisor de a ∈ Z+ , então existem r, s ∈ Z tais que
1 = rp + sa. 

Notação para divisibilidade: Usamos a notação d | a quando d é um


divisor de a. Caso contrário, escrevemos d 6 | a.

Agora mostraremos a equivalência de três propriedades que caracteri-


zam números primos.

Teorema 2
Seja p ≥ 2 um número inteiro dado. Então as seguintes condições são
equivalentes:

(i) p é primo, isto é, D(p)+ = {1, p}

(ii) Para todo a, b ∈ Z+ se p|ab então p|a ou p|b

(iii) Se p = mk com m, k ∈ Z+ então m = 1 ou k = 1.

Demonstração: (caminho cı́clico (i)=⇒(ii)=⇒(iii)=⇒(i)).


(i)=⇒(ii) Suponhamos p ≥ 2 primo e a, b ∈ Z+ com p|ab. Vamos mostrar
que p|a ou p|b.
Se p|a então nada há a provar. Suponha que p 6 | a. Pela proposição
anterior, temos que mdc(p, a) = 1 e existem r, s ∈ Z tais que rp + sa = 1.
Multiplicando esta igualdade por b temos p(rb) + s(ab) = b, isto é,
b = (rb)p + s(ab). Se p|ab temos ab = pm, para algum m ∈ Z, e assim
b = (rb)p + (sm)p = (rb + sm)p e isto nos diz que p|b. Portanto, se p 6 | a,
temos p|b.
(ii)=⇒(iii) Vamos assumir agora que para todo a, b ∈ Z+ se p|ab então p|a
ou p|b. Vamos provar (iii).
De fato, sejam m, k ∈ Z+ tais que p = mk. Daı́ segue que p é divisor de
p = mk. Portanto, por (ii), temos que p|m ou p|k. Mas p|m implica p ≤ m
e p = mk ≥ m implica p = m, isto é, k = 1.

7 CEDERJ
Ideais maximais e números primos
Algebra 1

Mas p|k implica p ≤ k e p = mk ≥ k implica p = k, isto é, m = 1 como


querı́amos demonstrar. Logo (ii)=⇒(iii).
(iii)=⇒(i) Vamos supor p ≥ 2 tal que, se p = mk com m, k ∈ Z+ então
m = 1 ou k = 1. Vamos provar que p é primo.
Seja r ∈ D(p)+ . Assim p = rs para algum s ∈ Z+ . Por (iii) temos
r = 1 ou s = 1. Se s = 1, r = p. Logo r = 1 ou r = p e isto nos diz que
D(p)+ = {1, p}, isto é, p é primo. 

Definimos anteriormente um inteiro primo como aquele que satisfaz a


condição (i) do teorema anterior. A equivalência das 3 condições nos mostra
que poderı́amos ter usado qualquer uma delas como definição de número
primo.

Atividades

1. Dê um exemplo de inteiros m, a e b tais que m | ab, mas que m 6 | a


e m 6 | b. Por que este inteiro m deve ser necessariamente um número
composto?

Mais sobre o mdc de dois inteiros

Vimos que, se a e b são dois inteiros e d = mdc(a, b), então existem x


e y tais que xa + yb = d. O valor de d = mdc(a, b) pode ser calculado de
maneira eficiente usando o algoritmo de Euclides. A questão que colocamos
agora é: como calcular estes x e y, dados a e b ?
A resposta é que podemos “inverter” os passos do algoritmo de Euclides
para escrevermos d em termos de a e b. Vamos começar com um exemplo.

Exemplo 2
Calcule, utilizando o algoritmo de Euclides, o mdc de 300 e 135 e e escreva
este inteiro em termos de 135 e 300.

Vamos lá. Usando o algoritmo de Euclides temos:

300 = 2 · 135 + 30
135 = 4 · 30 + 15
30 = 2 · 15 + 0

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Ideais maximais e números primos
AULA 7

Vemos que 15 = mdc(300, 135). Para escrever 15 em função de 300 e 135,


começamos com a penúltima equação:

135 = 4 · 30 + 15 ⇒ 15 = 135 − 4 · 30

Agora substituı́mos 30 pelo valor que podemos obter na primeira equação:

15 = 135 − 4 · 30 = 135 − 4(300 − 2 · 135) = −4 · 300 + 9 · 135

Atividades

1. Determine inteiros x e y tais que 1 = x · 198 + y · 25.

Resumo

Nesta aula abordamos os inteiros primos. Todo inteiro pode ser escrito
como produto de números primos, o que provaremos na próxima aula.
Há várias maneiras de definirmos números primos. O Teorema 2 apre-
senta três propriedades equivalentes que caracterizam os inteiros primos.
Qualquer uma delas poderia ter sido utilizada como definição.
Os ideais próprios de Z que não estão contidos em outro ideal próprio
de Z são os ideais maximais de Z. Vimos que estes são exatamente os ideais
gerados por primos. Esta é uma outra caracterização de primos em Z, esta
mais algébrica. Voltaremos a ela quando estudarmos anéis em geral.

9 CEDERJ
Ideais maximais e números primos
Algebra 1

Exercı́cios
1. Encontre inteiros x e y tais que xa + yb = mdc(a, b), onde:

(a) a = 102 e b = 33.


(b) a = −15 e c = 50.
(c) a = 20 e c = 1.

2. Prove que inteiros consecutivos devem ser primos entre si.

3. Prove que 2a + 1 e 4a2 + 1 são primos entre si.

4. Sejam a, b, c ∈ Z+ inteiros positivos dados. Mostre que

a · mdc(b, c) = mdc(ab, ac)

5. Sejam a, m, n ∈ Z+ inteiros positivos dados. Mostre que

mdc(a, m) = mdc(a, n) = 1 =⇒ mdc(a, mn) = 1 .

6. Seja I = Z · n ⊂ Z um dado ideal de Z onde n ∈ Z. Mostre que

I = Z · n = Z ⇐⇒ n = ±1 .

7. Seja I1 ⊂ I2 ⊂ I3 ⊂ · · · ⊂ In ⊂ · · · uma cadeia de ideais de Z. Mostre


que

[
I= Ij
i=1

é um ideal de Z.

8. Sejam I e J dois dados ideais de Z. Mostre que: se I 6⊂ J e J 6⊂ I


então I ∪ J não é um ideal de Z.

9. Seja p ≥ 2 um dado número primo. Mostre que os únicos múltiplos de


p não nulos que são números primos são p e−p.

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Fatoração única: o Teorema Fundamental da Aritmética
AULA 8

Aula 8 – Fatoração única: o Teorema


Fundamental da Aritmética

Metas

Nesta aula apresentaremos o conjunto dos números primos como pilar


básico na decomposição de números inteiros como produto de primos.

Objetivos

• Demonstrar o Teorema Fundamental da Aritmética (teorema da fa-


toração única);

• Demonstrar, usando o teorema da fatoração única, que o conjunto dos


números primos é infinito;

• Exprimir e relacionar MDC e MMC, usando a fatoração única.

Introdução
Nesta aula demonstraremos o teorema da fatoração única, também co-
nhecido como o Teorema Fundamental da Aritmética. Nesse Teorema os
números primos aparecem como pilar básico, indecomponı́veis, e cada inteiro
pode se decompor como produto de fatores primos. C.F. Gauss, matemático
O conhecimento da decomposição em fatores primos nos permitirá de- alemão do século
XVIII/XIX, foi o primeiro a
monstrar propriedades importantes sobre números inteiros. Essa decom- desenvolver a aritmética
posição é única a menos da ordenação dos fatores primos que entram na como ciência, de modo
sistemático. O enunciado do
decomposição do número. Teorema Fundamental da
Aritmética, como
Observe que se considerássemos 1 como primo, não terı́amos decom- apresentamos aqui, foi
posição única em fatores primos. Por exemplo, 2 = 1·2 = (1)2 ·2 = 13 ·2 = · · · . publicado em 1801, no
famoso livro “Disquisiotores
Considerando que D(n)+ = D(−n)+ , e que p é primo se, e somente se Arithmetcal”.

−p é primo, terı́amos, por exemplo, 6 = 2 · 3 = (−2)(−3). Para simplificar a


nossa abordagem, essencialmente sem perda de generalidade, vamos traba-
lhar com primos p ≥ 2 e fatorar, no Teorema Fundamental da Aritmética,
números inteiros n ≥ 2.

11 CEDERJ
Fatoração única: o Teorema Fundamental da Aritmética
Algebra 1

Como aplicação do teorema da fatoração única, vamos provar que o


conjunto dos números primos é infinito e também explicitar e relacionar MDC
e MMC.

Um pouco de história
Antes de enunciarmos o teorema fundamental vamos fazer as observações
sobre números primos dando uma idéia de que muitas questões envolvendo
números primos ainda estão por ser resolvidas.
Nós vamos provar, usando o Teorema Fundamental da Aritmética
(Teorema 1, a seguir), que o conjunto dos números primos é infinito, usando
um belo argumento devido a Euclides.
Para se ter uma idéia da importância do tema, podemos citar que vários
matemáticos apresentaram, em diferentes épocas, demonstrações sobre a in-
finitude do conjunto dos números primos.
Por exemplo, Kummer (1878), Pólya (1924), Bellman (1947), Washing-
ton (1980), entre outros.
Um outro aspecto a se destacar é a dificuldade de decidirmos se um
número inteiro N , muito grande é ou não primo. Há algoritmos que indicam
se um inteiro é ou não primo, estes algoritmos são conhecidos como testes de
primalidade.
Pierre Fermat, matemático francês do século XVII, conjecturou que os
números da forma Fm = 2m + 1 com m = 2n eram todos primos. Os 5
primeiros números de Fermat são, de fato, primos:

F0 = 3, F1 = 5, F2 = 17, F3 = 257 e F4 = 65.537 .

No entanto, Euler provou que F5 = 641×6700417. Portanto, F5 não é primo.


n
Os primos da forma Fn = 22 + 1 são conhecidos como primos de
Fermat. O maior primo de Fermat conhecido até hoje é F4 . Para se ter
uma melhor compreensão das dificuldades aqui envolvidas basta dizer que o
número de Fermat F23471 possui mais de (10)7000 algarismos e foi provado que
não é primo por Keller, em 1984. O número F31 possui mais de 30 bilhões
de algarismos.
Uma questão ainda não resolvida é saber se existem infinitos primos de
Fermat Fn . Também não é conhecido se os números F22 , F24 , F28 são ou não
primos.
Em aulas futuras, voltaremos a fazer mais observações sobre esse tema e

CEDERJ 12
Fatoração única: o Teorema Fundamental da Aritmética
AULA 8

Boas referências sobre os


falaremos dos chamados números de Mersenne, que são os números da forma
primos de Mersenne, são
Mn = 2n − 1. São de especial interesse os números da forma Mp = 2p − 1 http://www.mersenne.org/
prime.htm e
com p primo. Um primo da forma 2p − 1 é chamado um primo de Mersenne.
http://www.utm.edu/research/
M2 = 3, M3 = 7, M5 = 31, M7 = 127, são primos mas, M11 = 23 × 89 é um primes/mersenne/

número composto.
Muitos dos chamados primos gigantes foram obtidos testando os números
de Mersenne. O maior primo conhecido neste momento é um primo de Mer-
senne. Trata-se do número
224036583 − 1
Este é o 41o primo de Mersenne conhecido e tem exatamente 7235733 dı́gitos!
Sua primalidade foi provada em 15 de maio de 2004, parte de um grande es-
forço de trabalho colaborativo pela Internet chamado GIMPS (Great Internet
Mersenne Prime Search).
Marin Mersenne (1588-1648) foi um monge francês, contemporâneo de
Fermat. Ele não foi o primeiro a estudar os número da forma Mn = 2n − 1,
mas entrou na história por afirmar, em 1644, que os números 2n − 1 são
primos para
n = 2, 3, 5, 7, 13, 17, 19, 31, 67, 127 e 257
e compostos para todos os outros inteiros positivos n < 257.
Por esta afirmação, aliás incorreta, o nome de Mersenne ficou associado
aos primos da forma 2n − 1.
Com relação aos números da lista de Mersenne, é fácil ver que para
n = 2, 3, 5, 7, 13 os números 2n − 1 são primos. O fato de que 217 − 1 e 219 − 1
são primos era conhecido antes de Mersenne.
Cerca de 100 anos depois, em 1750, Euler mostrou que 231 − 1 é primo.
Outro século depois, em 1876, Lucas mostrou que 2127 −1 é primo. Um pouco
mais tarde, em 1883, Pervouchine mostrou que 261 − 1 é primo. Portanto,
faltava um inteiro na lista de Mersenne.
No inı́cio do século XX, Powers mostrou que os números 289 −1 e 2107 −1
também são primos. Os inteiros 89 e 107 devem então se acrescentados à lista
de Mersenne. Por volta de 1947, todos os inteiros n < 258 já haviam sido
checados. A lista correta de inteiros n < 258 tal que 2n − 1 é primo é a
seguinte:
n = 2, 3, 5, 7, 13, 17, 19, 31, 61, 89, 107 e 127 .

Como dissemos, o maior primo conhecido hoje é um primo de Mersenne,


o 41o primo de Mersenne: 224036583 − 1.

13 CEDERJ
Fatoração única: o Teorema Fundamental da Aritmética
Algebra 1

Os testes de primalidade tornaram-se bastante úteis em tempos recentes


pela sua aplicação à criptografia. Voltaremos a falar sobre aplicações de
teoria dos números à criptografia mais tarde, quando estudarmos o Teorema
A palavra Criptografia
de Fermat.
deriva do grego “kryptos”,
que quer dizer escondido.
Criptografia quer dizer então O Teorema Fundamental da Aritmética
algo como “escrita
escondida”.
Criptografia é o estudo das Na aula passada, no Teorema 2, vimos que, se p ≥ 2 é um inteiro, então
formas de converter uma as três propriedades a seguir são equivalentes:
informação de sua
apresentação normal para
uma forma em que não
(i) D(p)+ = {1, p} (essa foi a nossa definição inicial de números primos)
possa ser compreendida sem
uma informação especial, (ii) Para todo a, b ∈ Z+ se p|ab então p|a ou p|b
que pode ser uma “chave”
ou “senha”. O processo de
(iii) Se p = mk com m, k ∈ Z+ então m = 1 ou k = 1
conversão é chamada
“encriptação”
Criptografia é amplamente
Agora vamos enunciar o Teorema da Fatoração Única, também conhe-
utilizada em transações
bancárias e troca de cido como Teorema Fundamental da Aritmética.
informações pela Internet e
envolve processos Teorema 1
matemáticos complexos,
(1) Todo inteiro n ≥ 2 pode ser expresso como produto de números pri-
especialmente da área de
Teoria dos Números. mos (não necessariamente distintos) n = p1 .p2 . · · · .pk com pi ≥ 2 primos e
1 ≤ i ≤ k. Mais ainda,
(2) Essa expressão n = p1 .p2 . · · · .pk , como produto de primos é única à
menos de permutação na ordem dos fatores primos.

Demonstração:
(1) Vamos supor que a afirmação é falsa e chegaremos a uma contradição
(absurdo).
Seja S = {m ∈ Z | m ≥ 2 e m não é produto de primos}. Como esta-
mos assumindo que o teorema é falso, temos que S ⊂ Z+ é um subconjunto
não vazio de Z limitado inferiormente pelo inteiro 2. Pelo princı́pio da boa
ordenação de Z, S possui um primeiro elemento m = min S, que é o menor
inteiro maior ou igual a 2, em S.
Como m ∈ S, m ≥ 2 e m não é produto de primos, então, em particular,
m não é primo. Assim, m ∈ S é um número composto m = rt onde 1 < r <
m e 1 < t < m. Portanto, 2 ≤ r e 2 ≤ t e como m é o menor elemento de S,
r < m e t < m temos que r 6∈ S e t 6∈ S. Pela nossa definição de S segue que

r = p1 .p2 . · · · .pk e t = q1 .q2 . · · · .qs

CEDERJ 14
Fatoração única: o Teorema Fundamental da Aritmética
AULA 8

podem ser expressos como produto de primos. Mas, então,

m = rt = p1 .p2 . · · · .pk .q1 .q2 . · · · .qs

também pode ser expresso como produto de primos, logo m 6∈ S. Mas m foi
escolhido pertencendo ao conjunto S, como primeiro elemento de S. Assim,
temos uma contradição e a primeira parte do teorema está estabelecida.
Agora vamos provar a segunda parte do teorema, a unicidade, à menos
de permutação dos fatores primos. Para isto, vamos precisar de um resultado
que enunciaremos como um lema. Provaremos o lema e depois voltaremos à
demonstração da unicidade.

Lema 1
Sejam p1 , p2 , · · · , pk números primos maiores ou iguais a 2. Seja N = p1 .p2 . · · · .pk
e seja q, q ≥ 2 primo tal que q | N , então existe i com 1 ≤ i ≤ k tal que
q = pi .

Demonstração do lema:
Vamos usar indução sobre k, o número de primos na lista p1 , p2 , · · · , pk .
Se k = 1, então N = p1 é primo.

q | N ⇒ q | p1 ⇒ q = 1 ou q = p1

já que p1 é primo. Como q é primo, então q 6= 1 e logo q = p1 .


Suponha que k ≥ 2 e que o lema vale para k − 1. Então
Lembre-se que provamos, na
aula passada, que p primo e
q | N ⇒ q | p1 · (p2 · · · pk ) ⇒ q | p1 ou q | (p2 · · · pk ) . p | ab implica em p | a ou
p | b (parte (ii) do Teorema 2
da Aula 7)
Se q | p1 então, como p1 é primo e q ≥ 1, resulta em q = p1 .
Se q 6 | p1 temos q | (p2 · · · pk ). Nesse caso, pela hipótese de indução
sobre k, temos que existe i com 2 ≤ i ≤ k tal que q = pi . Em todas as
situações q ∈ {p1 , p2 , · · · , pk }, como querı́amos demonstrar. 

Agora, vamos demonstrar a segunda parte (unicidade) do teorema da


fatoração única.
(2) Para mostrar a unicidade, vamos mostrar que, se n ≥ 2, n = p1 .p2 . · · · .pk =
q1 .q2 · · · .qt são duas expressões de n como produto de primos, então k = t e
a ordenação q1 , q2 , · · · , qk=t é uma reordenação de p1 , p2 , · · · , pk .
Vamos demonstrar, por indução sobre t.

15 CEDERJ
Fatoração única: o Teorema Fundamental da Aritmética
Algebra 1

Se t = 1, temos N = p1 .p2 . · · · .pk = q1 com q1 primo, q1 ≥ 2, e


p1 , p2 , · · · , pk primos maiores ou iguais a dois. Nessa situação temos

q1 | N = p1 .p2 . · · · .pk .

Pelo lema, existe i com 1 ≤ i ≤ k tal que q1 = pi . Daı́ segue que, k = t = 1


e N = pi = q.
Suponha que t ≥ 2, que o resultado seja válido para t − 1 e que N =
p1 .p2 . · · · .pk = q1 .q2 · · · .qt . Nesse caso, q1 |N = p1 .p2 . · · · .pk . Pelo lema,
temos que existe i com 1 ≤ i ≤ k tal que q1 = pi .
Como

N = p1 .p2 . · · · .pi−1 .pi .pi+1 . · · · .pk = q1 .(q2 . · · · .qt ) e pi = q1 ,

segue, simplificando, que

p .p . · · · .pi−1 .pi+1 . · · · .pk = q2 .q3 . · · · .qt .


|1 2 {z } | {z }
k−1 fatores t−1 fatores

Como temos apenas (t−1) fatores no lado direito da igualdade, podemos


aplicar nossa hipótese de indução sobre t e teremos que k − 1 = t − 1, o que
implica k = t, e que (q2 , q3 , · · · , qk ) é uma ordenação dos fatores primos
(p1 , p2 , · · · , pi−1 , pi+1 , · · · , pk ). Como pi = q1 temos que q1 , q2 , q3 , · · · , qk é
uma ordenação de p1 , p2 , · · · , pk , o que prova a parte (2). 

Exemplo 3
Podemos escrever o inteiro 12 como produto de fatores primos da seguinte
forma:

12 = 2 · 2 · 3
12 = 2 · 3 · 2
12 = 3 · 2 · 2

Para remover este incômodo de haverem várias ordens possı́veis para os


fatores primos, podemos fixar uma ordenação em especial. Por exemplo, po-
demos fixar que os fatores primos sejam ordenados em ordem não-decrescente.
Desta forma, a fatoração passa a ser única.
No exemplo acima, a única fatoração em que os primos estão em ordem
não-decrescente é 12 = 2 · 2 · 3.

CEDERJ 16
Fatoração única: o Teorema Fundamental da Aritmética
AULA 8

Agora vamos enunciar o teorema da fatoração única em uma versão


especial em que fixamos a ordenação dos fatores primos. A demonstração é
um corolário do Teorema 1.
Teorema 2
Todo número inteiro n ≤ 2 pode ser expresso de modo único como produto
de primos n = p1 .p2 . · · · .pk onde 2 ≤ p1 ≤ p2 ≤ · · · ≤ pk são primos.

Demonstração:
Basta observar que existe uma única ordenação p1 , p2 , · · · , pk quando
p1 ≤ p 2 ≤ · · · ≤ p k . 

Atividades

1. É comum agruparmos os primos iguais na fatoração N = p1 ·p2 · · · pk em


potências. Por exemplo, escrevemos 12 = 22 3, ao invés de 12 = 2 · 2 · 3.
Escreva uma versão do Teorema Fundamental da Aritmética onde os
primos iguais estão agrupados em potência e ordenados em ordem cres-
cente.

A infinitude do conjunto dos números primos


Em seguida provaremos a infinidade do conjunto dos números primos.
A demonstração dada é essencialmente um argumento dado por Euclides nos
Elementos.
Teorema 3
O conjunto dos números primos é infinito.

Demonstração:
Basta demonstrarmos que P + = {p | p primo, p ≥ 2} é infinito.
Por absurdo, vamos supor que P + = {2, 3, · · · , pn } é um conjunto finito.
Seja N = p1 .p2 . · · · .pk o número obtido pelo produto de todos os
elementos de P + . Agora, o mdc(N, N + 1) = 1, já que se m | N e m | N + 1
então m | (N + 1) − N = 1. Assim, como cada pi | N , temos que pi 6 | (N + 1)
para todo 1 ≤ i ≤ k.
Mas N + 1 = q1 .q2 . · · · .qt é produto de primos, pelo teorema da fa-
toração única e cada primo qi é divisor de (N + 1) e qi 6∈ {p1 , p2 , · · · , pk },
contrariando o fato de P + = {p1 , p2 , · · · , pk } ser o conjunto de todos os
primos maiores ou iguais a dois. 

17 CEDERJ
Fatoração única: o Teorema Fundamental da Aritmética
Algebra 1

Atividades

1. Dois primos p e q são chamados primos gêmeos se sua diferença é 2.


Por exemplo 3 e 5 são primos gêmeos. Encontre 6 pares de primos
gêmeos.

O conjunto dos primos gêmeos é infinito? Este é um problema em


aberto na Matemática! Não se sabe se existem ou não infinitos primos
gêmeos.

Números de divisores de um inteiro


Nesta seção, provaremos uma fórmula que permite calcular o número
de divisores de um inteiro, a partir da fatoração deste.
Inicialmente, vamos provar um lema.
Lema 2
Se mdc(b, c) = 1 e d | bc então existem r, t com r ∈ D(b)+ , t ∈ D(c)+ e
mdc(r, t) = 1 tal que d = rt.

Demonstração:
Seja pm | bc onde p ≥ 2 é primo e m ≥ 1. Assim, p | bc, p primo implica
p|b ou p|c. Como mdc(b, c) = 1 então ou p|b ou p|c (exclusivo).
Suponha que p|b. Nesse caso p6 |c. Portanto mdc(p, c) = 1 e isto implica
que mdc(pm , c) = 1. Portanto pm |bc e p|b implica pm |b e mdc(pm , c) = 1.
No caso p|c, terı́amos p 6 | b e a conclusão seria pm |c e mdc(pm , b) = 1.
Assim, partindo de mdc(b, c) = 1 concluı́mos que cada potência de
primos que dividem bc, divide integralmente b ou divide integralmente c (com
exclusividade), isto é,

pm | bc ⇒ (pm | b e p 6 | c) ou (p 6 | b e pm | c) .

Como, pelo teorema da fatoração única d é produto de potência de


primos, e d | bc, essas potências de primos divisores de d serão divisores de bc
e estarão separadas entre aquelas que dividem b e as demais que dividem c.
Assim,
mk mi nl n
r = pm m2 n1 n2 j
1 .p2 . · · · .pk , pi |b e t = q1 .q2 . · · · .ql , qj |c ,
1

mk n1 n2 nl
na fatoração d = pm m2
1 .p2 . · · · .pk .q1 .q2 . · · · .ql = rt, onde mdc(r, t) = 1 e
1

o lema está provado. 

CEDERJ 18
Fatoração única: o Teorema Fundamental da Aritmética
AULA 8

Proposição 1
Sejam a, b, c ∈ Z+ dados inteiros positivos tais que a = bc e mdc(b, c) = 1.
Mostre que Lembre-se que a notação |X|
|D(a)+ | = |D(b)+ | · |D(c)+ | . significa a cardinalidade do
conjunto X, isto é, o número
de elementos do conjunto X
Demonstração:
Pela proposição anterior sabemos que todo d ∈ D(a)+ pode ser escrito
como um produto d = rt, onde r ∈ D(b)+ , t ∈ D(c)+ .
Basta agora mostrar que isto se dá de maneira única: Se d = rt e
d = r 0 t0 , com r, r 0 ∈ D(b)+ e t, t0 ∈ D(c)+ , então r = r 0 e t = t0 . Para
demonstrar isso, precisaremos da hipótese mdc(b, c) = 1.
Suponhamos d | bc, onde mdc(b, c) = 1. Suponha também que d = rt e
d = r t , com r, r 0 | b e t, t0 | c. Assim, teremos
0 0

r | d = rt = r 0 t0 =⇒ r | r 0 t .

Mas
mdc(b, c) = 1 =⇒ mdc(r, t0 ) = 1 =⇒ r | r 0 .
Reciprocamente,

r 0 | d = r 0 t0 = rt =⇒ r 0 |rt e mdc(r 0 , t) = 1

nos dá r 0 | r. Portanto r, r 0 ∈ Z+ e r ≤ r 0 e r 0 ≤ r implica r = r 0 .


Por um raciocı́nio totalmente análogo, podemos concluir que t = t0 .
Assim, cada divisor d de a = bc com mdc(b, c) = 1 pode ser expresso,
de modo único, como produto d = rt com r ∈ D(b)+ , t ∈ D(c)+ . Isto nos diz
que
|D(a)+ | = |D(b)+ | · |D(c)+ | .

2 Seja a ∈ Z+ um dado inteiro positivo expresso como produto de potências


de primos p1 , p2 , · · · , pk ≥ 2 na forma a = pα1 1 .pα2 2 . · · · .pαk k . Mostre que

|D(a)+ | = (1 + α1 )(1 + α2 ) · · · (1 + αk )

(isto nos dá uma fórmula para calcularmos o número de divisores de


a).

Demonstração:
Neste exercı́cio, vamos usar indução sobre k.

19 CEDERJ
Fatoração única: o Teorema Fundamental da Aritmética
Algebra 1

Se k = 1 temos que a = pα1 1 . Nesse caso temos

D(a)+ = {1, p1 , p21 , · · · , pα1 1 = a}

e
|D(a)+ | = (1 + α1 ) .

Assume verdadeiro para (k − 1) fatores primos a = pα1 1 S onde

S = pα2 2 .pα3 3 . · · · .pαk k .

Pelo exercı́cio 1 temos que

|D(a)+ | = |D(pα1 1 )+ | · |D(S)+ | .

Mas |D(pα1 1 )+ | = (1 + α1 ) e, por indução sobre k,

S = pα2 2 . · · · .pα2 k , |D(S)+| = (1 + α2 )(1 + α3 ) · · · (1 + αk ) .

Portanto,

|D(a)+ | = (1 + α1 )(1 + α2 ) · · · (1 + αk )

CEDERJ 20
Fatoração única: o Teorema Fundamental da Aritmética
AULA 8

Exercı́cios
1. Sejam a = pr11 .pr22 . · · · .prss e b = q1t1 .q2t2 . · · · .qktk dois inteiros positivos
expressos como produto de potências de seus respectivos fatores primos
distintos, como na notação acima, com 1 ≤ ri para todo i e 1 ≤ tj para
todo j.
Mostre que podemos sempre representar os dados números a e b usando
o mesmo conjunto de primos:

a = pα1 1 .pα2 2 . · · · .pαk k

e
b = pβ1 1 .pβ2 2 . · · · .pβk k ,
desde que considerarmos αi ≥ 0, βi ≥ 0 para todo i = 1, 2, · · · , k.

2. Sejam a e b dois dados inteiros positivos e denotemos (veja exercı́cio


1):
a = pα1 1 .pα2 2 . · · · .pαk k
e
b = pβ1 1 .pβ2 2 . · · · .pβk k ,
onde αi ≥ 0, βi ≥ 0 para todo i = 1, 2, · · · , k.
Seja γi = min{αi , βi } ≥ 0, i = 1, 2, · · · , k e seja δi = max{αi , βi } ≥
≥ 0, i = 1, 2, · · · , k.
(1) Mostre que mdc(a, b) = pα1 1 .pα2 2 . · · · .pαk k = D
(2) Mostre que mmc(a, b) = ps11 .ps22 . · · · .pskk = M
ab
(3) M = , onde D = mdc(a, b) e M = mmc(a, b)
D
3. Seja I1 ⊂ I2 ⊂ · · · ⊂ In ⊂ · · · uma cadeia ascendente de ideais de Z.
Mostre que existe k ∈ Z+ tal que Ik = Ik+1 = · · · = Ik+m = · · · (toda
cadeia ascendente de ideais de Z, estabiliza).

4. Seja I1 = Z · 2 ⊃ I2 = Z · 4 ⊃ · · · ⊃ In = Z · 2n ⊃ · · · . Verifique que


{I}∞ n=1 é uma cadeia descendente de ideais de Z que não estabiliza, isto
é, uma cadeia infinita descendente de ideais.

21 CEDERJ
Os inteiros módulo n: Uma primeira apresentação
AULA 9

Aula 9 – Os inteiros módulo n: Uma


primeira apresentação

Metas

Nesta aula introduziremos, através da relação de congruência, o con-


junto Z = {0, 1, · · · , (n − 1)}, das classes dos inteiros módulo n.

Objetivos

• Definir a relação de congruência módulo n, em Z, e trabalhar proprie-


dades básicas dessa relação;

• Demonstrar, para inteiro n ∈ Z+ , que o conjunto Zn , das classes de


congruência módulo n, é finito contendo exatamente n classes;

• Interpretar a definição de congruência módulo n através de Ideais prin-


cipais em Z.

Introdução

Iniciamos nessa aula o que chamamos de aritmética modular, onde em


vez de trabalharmos com números inteiros, trabalhamos com classes de in-
teiros módulo n (também chamadas de classes resto módulo n).
Essa aritmética modular está relacionada com fenômenos que se repe-
tem após um certo perı́odo fixo, chamado de fenômenos cı́clicos ou periódicos.
Por exemplo, se você estiver trabalhando com horas, esse perı́odo é igual a
24, e um fenômeno ocorrido 20 horas após o meio dia, de um certo dia, terá
ocorrido às 8 horas da manhã do dia seguinte, já que 12 + 20 = 32 e 32,
módulo 24, é igual a 8.
Nessa aula faremos uma primeira apresentação da congruência módulo
n em Z (que é uma relação de equivalência), mostrando que o conjunto
quociente Zn das classes de equivalência módulo n, n > 0, contém exatamente
n elementos. Apresentaremos ainda, a congruência através das dos ideais
principais em Z, isto é, mostraremos que existe uma relação entre classes de
congruência módulo n e ideais principais de Z.

23 CEDERJ
Os inteiros módulo n: Uma primeira apresentação
Algebra 1

A relação de congruência módulo n em Z


Aqui, vale a pena você recordar o conceito de relação de equivalência
apresentado na aula 2. Uma relação binária em um conjunto A é uma relação
de equivalência nesse conjunto se ela for Reflexiva, Simétrica e Transitiva.
Introduzimos as notações:

• a ∼ b (a é equivalente a b)

• a = {x ∈ A | x ∼ a} (classe de equivalência do elemento A)

• A = A/∼ = {a | a ∈ A} (o conjunto quociente de A pela relação ∼)

Mostramos, ainda na aula 2, que A = {a | a ∈ A} define uma partição


[
do conjunto A, isto é, A = · a (cada a 6= ∅, e A é união disjunta de classes
a∈A
de equivalência).
Após recordar esses conceitos vamos definir uma relação de equivalência
em Z especialmente útil, que é a relação de congruência módulo n, em Z.

Definição 1
Seja n um dado inteiro não negativo, e sejam a, b ∈ Z. Dizemos que a é
congruente a b, módulo n, se a diferença (a − b) é múltiplo inteiro de n.

Utilizamos a notação ≡ (mod n), para a congruência módulo n. A


definição acima pode ser escrita como:

a≡b (mod n) ⇐⇒ ∃ k ∈ Z tal que (a − b) = kn .

Se a não é congruente a b, módulo n, usaremos a notação:

a 6≡ b (mod n) .

Exemplo 4
27 ≡ 13 (mod 7) mas 27 6≡ 13 (mod 5)) já que 27 − 13 = 14 é múltiplo de
7, mas não é múltiplo de 5.

Exemplo 5
108 ≡ 380 (mod 17), pois 108 − 380 = −(272) = (−16) × 17.

Exemplo 6
100 ≡ 1 (mod 9), pois 99 = (100 − 1) = 11 × 9. Observe que, como 9 é
múltiplo de 3, então 100 também é congruente a 1, módulo 3.

CEDERJ 24
Os inteiros módulo n: Uma primeira apresentação
AULA 9

Exemplo 7
100 ≡ 1 (mod 11) e 10 ≡ −1 (mod 11).

Agora vamos provar uma fundamental proposição sobre congruência.


Proposição 1
A relação ≡ (mod n), de congruência módulo n, é uma relação de equi-
valência em Z.

Demonstração:
Sejam a, b, c ∈ Z, e seja n ≥ 0 um dado número inteiro. Temos que
provar que a relação ≡ (mod n) é reflexiva, simétrica e transitiva.

(i) a ≡ a (mod n) (reflexiva).


De fato, (a − a) = 0 = 0 × n.

(ii) a ≡ b (mod n) =⇒ b ≡ a (mod n) (simétrica).


De fato,
a ≡ b (mod n) =⇒ ∃k ∈ Z tal que (a − b) = kn =⇒ ∃(−k) ∈ Z tal que
(b − a) = (−k)n =⇒ b ≡ a (mod n) .

(iii) a ≡ b (mod n), b ≡ c (mod n) =⇒ a ≡ c (mod n) (transitiva).


Ora, temos que
a ≡ b (mod n) =⇒ ∃ k ∈ Z tal que (a − b) = kn e
b ≡ c (mod n) =⇒ ∃ s ∈ Z tal que (b − c) = sn .
Portanto, somando essa duas igualdades temos:
(a − b) + (b − c) = kn + sn =⇒ a − c = (k + s)n
Logo, (a − c) é múltiplo de n.

Atividade

Considere a relação de equivalência ≡ (mod 5) em Z. Mostre que:

1. Os elementos do conjunto {· · · , −10, −5, 0, 5, 10, · · · } são todos equi-


valentes (mod 5).

2. Descreva todas as classes de equivalência (mod 5). Mostre que existem


5 classes de equivalência no total.

Na próxima seção estudaremos exatamente quais são as classes de Z (mod n).

25 CEDERJ
Os inteiros módulo n: Uma primeira apresentação
Algebra 1

As classes de equivalência de Z (mod n)


Vamos estudar as classes de equivalência de da relação ≡ (mod n) e,
em particular, mostrar que existem exatamente n classes de equivalência da
relação de congruência ≡ (mod n).
Inicialmente, vamos ver dois casos especiais: os inteiros 0 e 1. Estes
casos serão considerados à parte, como casos excepcionais.

Inteiros (mod 0)

Se n = 0, a definição de congruência módulo 0, nos diz que:

a≡b (mod 0) ⇐⇒ ∃ k ∈ Z tal que (a − b) = k × 0 = 0 ⇐⇒ a = b .

Assim, congruência módulo 0 nada mais é do que igualdade entre


inteiros.
Nesse caso, as classes a são dadas por:

a = {x ∈ Z | x ≡ a (mod 0)} = {x ∈ Z | x = a} = {a} .

Isto é, a classe a contém apenas o elemento a. Pode, assim, ser identifi-
cada com o conjunto {a}. O conjunto quociente Z/ ≡ (mod 0) pode ser
identificado com Z e é, portanto, infinito.

Inteiros (mod 1)

Se n = 1, a definição de congruência módulo 1 nos diz que:

a≡b (mod 1) ⇐⇒ ∃ k ∈ Z tal que (a − b) = k × 1 = k .

Isto é, a ≡ b (mod 1) se, e somente se, a diferença a − b é um número inteiro.


Mas isto é sempre verdade! Logo

a≡b (mod 1), ∀a, b ∈ Z .

Todo inteiro a é congruente a qualquer outro inteiro b (mod 1) . As classes


a são dadas por:

a = {x ∈ Z | x ≡ a (mod 1)} = Z ,

Assim, só existe uma classe de equivalência, que é o conjunto Z:

0 = 1 = 2 = ··· = m = ··· = Z.

CEDERJ 26
Os inteiros módulo n: Uma primeira apresentação
AULA 9

Vimos então dois casos extremos: As classes de Z (mod 0) são conjun-


tos unitários: a = {a}, enquanto que a classe de qualquer a ∈ Z (mod 1) é
o próprio conjunto Z.
Vamos denotar por Zn o conjunto quociente de todas as classes de
congruência módulo n. Pelo que estudamos acima, temos: De uma forma mais curta,
falamos que Zn é o conjunto
• Z0 = {· · · , {2}, {1}, {0}, {1}, {2}, · · · } das classes (mod n)

• Z1 = {Z}

Observe que, no caso n = 0, temos que Z0 é infinito, e no caso n = 1


temos que Z1 é um conjunto unitário.
Agora vamos provar que para n ≥ 2, Zn possui exatamente n elementos.
Proposição 2
Seja n ≥ 2 um dado número inteiro. Então

Zn = {0, 1, 2, · · · , (n − 1)} .

Em particular, Zn possui exatamente n classes.

Demonstração:
Primeiramente, vamos mostrar que as n classes 0, 1, 2, · · · , (n − 1) são
todas distintas.
Sejam a, b ∈ Z, com 0 ≤ a < b ≤ n − 1. Nesse caso 0 < (b − a) < n
e, portanto, b 6≡ a (mod n).
Como a = b ⇐⇒ a ≡ b (mod n) ⇐⇒ b ≡ a (mod n), então temos que
b 6= a, como querı́amos demonstrar. Assim, as classes

0, 1, 2, · · · , (n − 1)

são todas distintas.


Vamos agora provar que estas são todas as classes (mod n), isto é,

x ∈ Zn ⇒ x ∈ {0, 1, 2, · · · , (n − 1)} .

Seja x ∈ Zn .
Caso 1: x ≥ 0.
Se x ≤ (n − 1) então x ∈ {0, 1, 2, · · · , (n − 1)}.
Assuma x ≥ n. Pelo Teorema da Divisão de Euclides, existe q, r ∈ Z
tais que
x = qn + r, 0 ≤ r ≤ n− 1.

27 CEDERJ
Os inteiros módulo n: Uma primeira apresentação
Algebra 1

Assim, x − r = qn, o que implica em x ≡ r (mod n).


Portanto x = r ∈ {0, 1, 2, · · · , (n − 1)}, pois 0 ≤ r ≤ n − 1 .
Caso 2: x < 0.
Nesse caso sabemos que existe inteiro positivo k tal que x+kn = y ≥ 0.
Como y − x = kn temos que

y≡x (mod n)

e y = x.
Como y ≥ 0, pelo caso 1, y ∈ {0, 1, 2, · · · , (n − 1)}. Como x = y então
x ∈ {0, 1, 2, · · · , (n − 1)}, como querı́amos demonstrar.
Portanto, acabamos de provar que Zn = {0, 1, 2, · · · , (n − 1)} possui
exatamente n classes de congruência módulo n. 

Atividades

Volte à atividade proposta na seção passada, descrever o conjunto Z5 e


mostrar que ele tem 5 elementos. Pela Proposição 2, temos que

Z5 = {0, 1, 2, 3, 4} .

Você pode descrever cada uma destas classes?

CEDERJ 28
Os inteiros módulo n: Uma primeira apresentação
AULA 9

Propriedades da congruência
Agora vamos provar algumas propriedades de congruência que nos serão
úteis na demonstração de critérios de divisibilidade por 3, 5, 9 e 11, que
apresentaremos na próxima aula.
Proposição 3
(i) (10)s ≡ 0 (mod 5), ∀s ≥ 1, inteiro;

(ii) (10)s ≡ 1 (mod 9), ∀s ≥ 1 inteiro. Em particular temos também que


(10)s ≡ 1 (mod 3);

(iii) (10)s ≡ −1 (mod 11), ∀s = 2k + 1 ≥ 1, inteiro ı́mpar

(iv) (10)s ≡ 1 (mod 1)1, ∀s = 2m ≥ 2, inteiro par.

Demonstração:

(i) (10)s = (5 · 2)s = 5(2s 5s−1 ), que é um múltiplo de 5 para todo s ∈ Z


com s ≥ 1. Então (10)s ≡ 0 (mod 5).

(ii) (10)s − 1 = (10 − 1)[(10)s−1 + (10)s−2 + · · · + (10)2 + (10) + 1] .


Portanto (10)s−1 é múltiplo de 9 (e em particular também é múltiplo
de 3).
Assim, (10)s ≡ 1 (mod 9) e (10)s ≡ 1 (mod 3) para todo s ≥ 1.

(iii) Vamos provar que (10)2k+1 ≡ −1 (mod 11) por indução sobre k.
Se k = 0 temos:
(10)2k+1 = 10 = −1 + (11) ≡ −1 (mod 11) .

Agora assumimos (10)2k+1 ≡ −1 (mod 11) como sendo verdadeira e


vamos provar que (10)2(k+1)+1 = (10)2k+3 ≡ −1 (mod 11).
Ora temos que (10)2k+3 = (10)2 × (102k+1 ), mas (10)2 = 1 + 9 × 11
e (10)2k+1 = −1 + 11s, para algum s ∈ Z, pela hipótese de indução.
Assim,
(10)2k+3 = (10)2 × 102k+1 = (1 + 9 × 11)(−1 + s × 11) =
−1 + (s × 11 − 9 × 11 + (99)s × 11) = −1 + (100s − 9) × 11 ≡ −1 (mod 11) .

(iv) Análogo à demonstração de (iii), (10)2m ≡ 1 (mod 11), por indução


sobre m.

29 CEDERJ
Os inteiros módulo n: Uma primeira apresentação
Algebra 1

Atividade

Mostre que (10)2m ≡ 1 (mod 11), ∀m ∈ Z+ . (Sugestão: use indução


sobre m.)

Congruências via ideais principais em Z


Trabalhamos nessa aula com o conceito de congruência módulo n, mos-
trando que o conjunto quociente das classes de congruência é dado por

Zn = {0, 1, · · · , (n − 1)} .

onde cada classe é dada por:

a = {x ∈ Z | x ≡ a (mod n)} = {a + kn | k ∈ Z} .

Seja J = Zn a sub-estrutura de ideal principal do domı́nio Z. Podemos


reescrever a classe a, através de:

a = {kn + a | k ∈ Z} = (Zn) + a = J + a, onde J = Zn .

Portanto, nessa linguagem, temos:

x ≡ a (mod n) ⇐⇒ x ∈ J + a ⇐⇒ (x − a) ∈ J = Zn .

Exemplo 1
Tome n = 5. Temos

J = Z5 = {. . . , −10, −5, 0, 5, 10, . . .} 0 = {. . . , −10, −5, 0, 5, 10, . . .}


1 = {. . . , −9, −4, 1, 6, 11, . . .} 2 = {. . . , −8, −3, 2, 7, 12, . . .}
3 = {. . . , −7, −2, 3, 8, 13, . . .} 4 = {. . . , −6, −1, 4, 9, 14, . . .}

Note que temos

0=J 1=1+J 2=2+J 3=3+J 4=4+J

Atividades
1. Seja J ⊂ Z uma sub-estrutura ideal de Z, isto é, J satisfazendo as três
seguintes propriedades:

(a) 0 ∈ J

CEDERJ 30
Os inteiros módulo n: Uma primeira apresentação
AULA 9

(b) J − J ⊆ J
(c) ZJ ⊆ J.

Defina uma relação binária ∼ em Z do seguinte modo: x, y ∈ Z,

x ∼ y ⇐⇒ (x − y) ∈ J .

(a) Utilize as três propriedades que definem ideal para mostrar que ∼
é uma relação de equivalência em Z.
(b) Verifique que se J = Zn, n ∈ Z+ , a relação de equivalência ∼,
acima definida, é exatamente a relação de congruência módulo n,
em Z.

2. Determine a congruência de 6m + 5, módulo 4, sabendo-se que


m ≡ 1 (mod 4).

3. Sabendo-se que x ≡ y (mod n), mostre que x2 + y 2 ≡ 2(xy) (mod n2 ).

4. Determine a classe 2 em Z3 e em Z5 .

Na próxima aula definiremos soma e produto entre classes e voltaremos


a falar em critério de divisibilidade.

Resumo
Nessa aula destacamos, mais uma vez, a importância de se trabalhar
com o conceito de relação de equivalência, e apresentamos a especial relação
de congruência módulo n, no conjunto Z dos números inteiros. Esse conceito
será mais explorado nas próximas aulas. Apresentamos alguns exemplos de
congruências que serão importantes na demonstração de critérios de divisi-
bilidade. Por fim, Mostramos a relação entre congruência módulo n e ideais
maximais de Z.

31 CEDERJ
Propriedades de congruência e critérios de divisibilidade
AULA 10

Aula 10 – Propriedades de congruência e


critérios de divisibilidade

Metas

Nesta aula apresentaremos propriedades fundamentais de congruência.

Objetivos

• Discutir criticamente as propriedades básicas de congruência;

• Operar com congruência e demonstrar critérios de divisibilidade e cálculos


de resto em divisão nos inteiros.

Introdução
Nesta aula demonstraremos propriedades básicas de congruência que
nos permitirão, nas próximas aulas, definir soma e produto entre classes, e
aplicar esse conceito de congruência para mostrar critérios de divisibilidade
nos inteiros e cálculos de restos de divisão em Z.

Propriedades básicas de congruência


Vamos iniciar demonstrando algumas propriedades básicas importantes
da congruência.

Proposição 1
Seja n ∈ Z+ um dado número inteiro e sejam a e b inteiros tais que
a ≡ r (mod n) e b ≡ s (mod n). Então

(i) (a + b) ≡ (r + s) (mod n)

(ii) a · b ≡ r · s (mod n)

Demonstração:
Temos que

a ≡ r (mod n) =⇒ a = r + k1 n, k1 ∈ Z
b ≡ s (mod n) =⇒ b = s + k2 n, k2 ∈ Z

33 CEDERJ
Propriedades de congruência e critérios de divisibilidade
Algebra 1

Assim,

(a+b) = (r+k1 n)+(s+k2 n) = (r+s)+(k1 +k2 )n ⇒ (a+b) ≡ (r+s) (mod n) .

e
ab = rs + (rk2 )n + (sk1 )n + (k1 k2 )n2 ⇒ ab = rs + tn ,
onde t = (rk2 + sk1 + (k1 k2 )n). Assim,

a·b ≡ r·s (mod n)


Corolário 1
Seja n ∈ Z+ um dado inteiro e sejam a, b ∈ Z. Então

(i) a ≡ 1 (mod n) =⇒ a · b ≡ b (mod n)

(ii) a ≡ −1 (mod n) =⇒ a · b ≡ −b (mod n)

(iii) a ≡ r (mod n) =⇒ ak ≡ r k (mod n), ∀ k ∈ Z+

Demonstração:
(i), (ii) e (iii) são conseqüências imediatas Proposição 1, ı́tem (ii). A
demonstração de (iii) é feita através de indução sobre k. 

Atividade

Demonstre, usando indução sobre k, o ı́tem (iii) do Corolário 1

Cálculo do resto da divisão de um inteiro por 7 e 11


Vamos agora aplicar as propriedades de congruência que já estudamos
para o cálculo do resto da divisão de um inteiro por outro número. O que
é fantástico é que podemos calcular o resto sem efetuar a divisão, melhor
ainda, sem ter que calcular o número que devemos dividir.
No exemplo a seguir, calculamos o resto da divisão de N = 2123509 por 7
e 11. Não precisamos calcular explicitamente 2123509 , que, aliás, é um inteiro
enorme com 37180 dı́gitos!
Exemplo 8
Seja N o (gigantesco) número inteiro dado por N = 2123509 . Vamos calcular
o resto da divisão de N por 7 e por 11.

CEDERJ 34
Propriedades de congruência e critérios de divisibilidade
AULA 10

1. Resto da divisão de N por 7.


Observe que 23 é a menor potência de 2 tal que 23 ≡ 1 (mod 7). Divi-
dindo 123509 por 3 obtemos

123509 = (41169) × 3 + 2 .

Daı́ segue que

N = 2123509 = 23×41169+2 = 23×41169 22 = (23 )41169 (22 ) .

Mas, 23 = 8 ≡ 1 (mod 7). Pelo corolário anterior, ı́tem (iii), temos


que

23 ≡ 1 (mod 7) =⇒ (23 )41169 ≡ 141169 (mod 7)


⇒ (23 )41169 ≡ 1 (mod 7) .

Pelo mesmo corolário, ı́tem (ii), temos que

(23 )41169 ≡ 1 (mod 7) e 4 ≡ 4 (mod 7) ⇒ N = (23 )41169 22


≡ 1 × 4 = 4 (mod 7) .

Portanto, N ≡ 4 (mod 7), isto é, o resto da divisão de N por 7 é 4.

2. Resto da divisão de N por 11.

Basta observar que 25 = 32 ≡ −1 (mod 11), e nesse caso

210 = 25 · 25 ≡ (−1) · (−1) = 1 (mod 11) .

Como 123509 = 12350 · 10 + 9 temos

N = 2123509 = 212350×10+9 = (210 )12350 (29 ) .

Como 210 ≡ 1 (mod 11), temos pelo corolário anterior que

N ≡ 1 × 29 (mod 11) .

Mas, 29 = 25 · 24 , 25 ≡ −1 (mod 11) e 24 = 16 ≡ 5 (mod 11).


Daı́ segue que

N ≡ 29 (mod 11) ⇒ N ≡ 24 25 (mod 11) ⇒ N ≡ (−1)(5) (mod 11)


⇒ N ≡ −5 (mod 11) ⇒ N ≡ 6 (mod 11) .

A resposta é o resto da divisão de N por 11 que é, portanto, igual a 6.

35 CEDERJ
Propriedades de congruência e critérios de divisibilidade
Algebra 1

Note que nos dois exemplos anteriores usamos o truque de encontrar


a menor potência 2n tal que 2n seja congruente a ±1 (módulo o inteiro em
questão). O problema é que nem sempre esta potência existe e nem sempre
ela é pequena. Nestes casos é mais fácil reduzir o problema para um problema
mais fácil e resolvê-lo, como no exemplo a seguir.
Exemplo 9
Calcule o resto da divisão de 31300 por 23.
Solução: As primeiras potências de 3 são:

31 = 3, 32 = 9, 33 = 27 ≡ 4 (mod 23), 34 = 81 ≡ 12 (mod 23), · · ·

Para obter ±1 terı́amos que


Pois é, não obtivemos ±1 nestas primeiras potências. Aqui, ao invés de
até o expoente 11: continuar procurando, podemos usar o 33 ≡ 4 (mod 23), para reduzir o
311 ≡ 1 (mod 3)
problema a um mais fácil.
Como 1300 = 3 · 433 + 1, então

31300 = 33·433+1 = (33 )433 31 ≡ 4433 3̇ = 3 · (22 )433 = 3 · 2866

Não resolvemos o problema, mas caı́mos em problema menor. Podemos agora


usar 25 = 32 ≡ 9 (mod 23). Como 866 = 5 · 173 + 1, temos

N ≡ 3 · 2866 = 3 · 25·173+1 = 3 · 2 · (25 )173 ≡ 2 · 3 · 9173 = 2 · 3 · (32 )173 = 2 · 3347

Aplicamos novamente o 33 ≡ 4 (mod 23). Como 347 = 3 · 115 + 2 então

N ≡ 2·33·115+2 = 2·32 ·(33 )115 ≡ 2·32 ·4115 = 2·32 ·(22 )115 = 32 ·2231 (mod 23)

Aplicando sucessivamente 25 ≡ 9 (mod 23) e 33 ≡ 4 (mod 23) obtemos

N ≡ 32 · 2231 = 32 · 25·46+1 = 32 · 2 · (25 )46 ≡ 2 · 32 · 946 = 2 · 32 · 392 = 2 · 394


= 2 · 3 · (33 )31 ≡ 2 · 3 · 431 = 3 · 2 · (22 )31 = 3 · 263 = 3 · 25·12+3 = 3 · 23 · (25 )12
≡ 3 · 23 · 912 = 23 · 325 = 23 · 33·8+1 = 23 · 3 · (33 )8 ≡ 23 · 3 · 48 = 23 · 3 · 216
= 3 · 219 = 3 · 23·5+4 = 3 · 24 · (25 )3 ≡ 24 · 3 · 93 = 24 · 37 = 24 · 33·2+1
= 24 · 3 · (33 )2 ≡ 24 · 3 · 42 = 3 · 28 = 3 · 25+3 = 3 · 23 · 25 ≡ 3 · 8 · 9 = 8 · 33
≡ 8 · 4 = 32 ≡ 9 (mod 23)

Portanto, o resto de 31300 por 23 é 9.

Uma observação importante sobre este exemplo é que há uma maneira
muito mais simples de achar o mesmo resultado! Aprenderemos mais tarde
que 322 ≡ 1 (mod 23), o que simplifica muito as coisas!
Veremos que ap−1 ≡ 1
(mod p) para todo p primo e
a inteiro tal que36
p 6 | a. Este
CEDERJ
é o Pequeno Teorema de
Fermat
Propriedades de congruência e critérios de divisibilidade
AULA 10

Atividades

Calcule a resto da divisão de N = 3345678 por 7, 11 e 13.


Sugestão: use o seguinte:

33 = 27 ≡ −1 (mod 7), 35 = 243 ≡ 1 (mod 11) e 33 ≡ 1 (mod 13) .

Critérios de divisibilidade
Nesta seção vamos estudar os critérios de divisibilidade. Estes são re-
gras simples que permitem determinar rapidamente se um inteiro N é di-
visı́vel por outro. Provavelmente você viu no ensino fundamental alguns
critérios de divisibilidade. Talvez você ainda não conheça a prova de que
estes critérios funcionam.
Seja N = ar ar−1 ai a1 a0 um número inteiro positivo, escrito na base deci-
mal, onde a0 , a1 , · · · , ar são os algarismos que compõem o número
(0 ≤ ai ≤ 9, i = 0, · · · , r). Então

N = (10)r · ar + (10)r−1 · ar−1 + · · · + (10)i · ai + · · · + (10) · a1 + a0 .

A chave para estes critérios é ver o resto de 10 pelo inteiro que queremos
estabelecer o critério.
Os casos 2, 5 e 10 são particularmente simples, pois estes são divisores
de 10. Como 10 ≡ 0 (mod 2) então

N = (10)r · ar + (10)r−1 · ar−1 + · · · + (10)i · ai + · · · + (10) · a1 + a0


≡ 0 · ar + 0 · ar−1 + · · · + 0 · a1 + a0 = a0 (mod 2)

Assim, N ≡ a0 (mod 2). Portanto

N ≡0 (mod 2) ⇔ a0 ≡ 0 (mod 2)

isto é, quando a0 = 0, 2, 4, 6 ou 8 (lembre-se que 0 ≤ a0 ≤ 9).


Analogamente, como 10 ≡ 0 (mod 5) então

N = (10)r · ar + (10)r−1 · ar−1 + · · · + (10)i · ai + · · · + (10) · a1 + a0


≡ 0 · ar + 0 · ar−1 + · · · + 0 · a1 + a0 = a0 (mod 5)

Assim, N ≡ a0 (mod 5). Portanto,

N ≡0 (mod 5) ⇔ a0 ≡ 0 (mod 5)

37 CEDERJ
Propriedades de congruência e critérios de divisibilidade
Algebra 1

isto é, quando a0 = 0 ou 5.


Como 10 ≡ 0 (mod 10) então, de maneira inteiramente análoga,
N ≡ a0 (mod 10). Assim,

N ≡ 0 (mod 10) ⇔ a0 ≡ 0 (mod 10)

isto é, quando a0 = 0.


Em resumo, provamos que um inteiro N é divisı́vel por 2 quanto termina
em 0, 2, 4, 6 ou 8; divisı́vel por 5 quando termina em 0 ou 5 e divisı́vel por 10
quando termina em 0. Como observamos, estes critérios são fáceis de serem
determinados porque 2, 5 e 10 são divisores de 10. Em um grau de dificuldade
maior estão os inteiros 3, 9 e 11. Temos que:

10 ≡ 1 (mod 3)
10 ≡ 1 (mod 9)
10 ≡ −1 (mod 11)

Usaremos estas congruências para demonstrar os conhecidos critérios


de divisibilidade por 3 e por 11 (deixaremos o 9 como exercı́cio).

Critério de divisibilidade por 3


Proposição 2 (Divisibilidade por 3)
Pr
N é divisı́vel por 3 se, e somente se, a soma i=0 ai dos algarismos que
compõe o número N , em sua expressão decimal, é um múltiplo de 3.

Demonstração:
Escrevemos N = ar · ar−1 · · · ai · · · a1 a0 em expressão decimal. Assim,
r
X
r r−1 i
N = (10) · ar + (10) · ar−1 + · · · + (10) · ai + · · · + (10) · a1 + a0 = ai 10i .
i=0

Utilizando as propriedades de congruência provadas anteriormente,


temos:

10 ≡ 1 (mod 3) ⇒ 10s ≡ 1 (mod 3), ∀ s ≥ 1 inteiro

Logo,
(10)i · ai ≡ ai × 1 = ai (mod 3), ∀i inteiro
e assim
r
X r
X r
X r
X
i
N= ai 10 ≡ ai × 1 = ai (mod 3) =⇒ N ≡ ai (mod 3) .
i=0 i=0 i=0 i=0

CEDERJ 38
Propriedades de congruência e critérios de divisibilidade
AULA 10

Assim
r
X
N é múltiplo de 3 ⇐⇒ N ≡ 0 (mod 3) ⇐⇒ ai ≡ 0 (mod 3)
i=0
r
X
⇐⇒ ai é múltiplo de 3,
i=0

demonstrando o critério de divisibilidade por 3. 


Exemplo 10
O inteiro 349803 é divisı́vel por 3, pois 3 + 4 + 9 + 8 + 0 + 3 = 27 que é
múltiplo de 3.

Atividade

Enuncie e demonstre o critério de divisibilidade por 9.


Sugestão: Siga os mesmos passos da demonstração do critério da divisão
por 3.

Critério de divisibilidade por 11

O critério de divisibilidade por 11 é o seguinte:

Proposição 3 (Divisibilidade por 11)


N = ar ·ar−1 · · · ai · · · a1 a0 é divisı́vel por 11 se, e somente se, a soma alternada
Pr i
i=0 (−1) · ai é um múltiplo de 11.

Exemplo 11
O inteiro 37196791709 é um múltiplo de 11, pois

3 − 7 + 1 − 9 + 6 − 7 + 9 − 1 + 7 − 0 + 9 = 11

é múltiplo de 11.

Demonstração da proposição:
Seja N = ar · ar−1 · · · ai · · · a1 + a0 a expressão decimal de N . Assim,

N = (10)r · ar + (10)r−1 · ar−1 + · · · + (10)i · ai + · · · + (10) · a1 + a0 .

Como 10 ≡ −1 (mod 11), então


(
1, se i é par
10i ≡ (−1)i =
−1, se i é ı́mpar

39 CEDERJ
Propriedades de congruência e critérios de divisibilidade
Algebra 1

Assim,

N = ar · ar−1 · · · ai · · · a1 + a0
≡ a0 + a1 (−1) + a2 .1 + a3 (−1) + a4 .1 + a5 (−1) + · · · + (−1)r · ar (mod 11)
= a0 − a1 + a2 − a3 + a4 − a5 · · ·

Portanto,
r
X
N é múltiplo de 11 ⇐⇒ N ≡ 0 (mod 11) ⇐⇒ (−1)i · ai ≡ 0 (mod 11)
i=0
r
X
⇐⇒ a soma alternada (−1)i · ai é múltiplo de 11 .
i=0

o que demonstra o critério de divisibilidade por 11. 

Atividade

Elabore um exemplo para o critério de divisibilidade acima. Por exem-


plo, multiplique 11 por algum inteiro n e verifique que 11n satisfaz o critério
de divisibilidade por 11.

Um pouco mais sobre divisibilidade


É possı́vel combinar critérios de divisibilidade. Por exemplo, um inteiro
é múltiplo de 55 se, e somente se, é múltiplo de 5 e 11 simultaneamente. O
que garante isso é o seguinte lema simples:

Lema 3
Sejam, p e q primos distintos, o inteiro N é múltiplo de pq se, e somente se,
N é múltiplo de p e q.

Demonstração: Se N é múltiplo de pq, então N = k(pq) para algum k ∈ Z,


logo
N = (kq)p = (kq)p

ou seja, N é múltiplo de p e de q.
Assuma agora que p | N e q | N . Então estes primos estão presentes
na expressão de N como produto de fatores primos, isto é,

N = pi .q j . · · · , com i, j ≥ 1 .

CEDERJ 40
Propriedades de congruência e critérios de divisibilidade
AULA 10

Portanto pq | N . 
É fácil ver que o mesmo acontece para um número qualquer de primos
distintos: um inteiro N é divisı́vel por p1 , p2 , p3 , · · · se, e somente se, N é
simultaneamente divisı́vel por p1 , p2 , p3 , · · · .
Como aplicação deste lema vejamos o seguinte exemplo.
Exemplo 12
Mostre que 98275320 é múltiplo de 55.
Solução: Como 55 = 5.11, basta mostrar que 55 é múltiplo de 5 e 11 simul-
taneamente.
Como o último algarismo de 98275320 é 0 então é múltiplo de 5. Com
relação ao 11, temos que a soma alternada dos algarismos de 98275320 é
9 − 8 + 2 − 7 + 5 − 3 + 2 − 0 = 0, o que mostra que 98275320 é múltiplo de
11.

Atividades

Mostre que um inteiro N é divisı́vel por primos distintos p1 , p2 , p3 , · · ·


se, e somente se, N é simultaneamente divisı́vel por cada um dos primos
p1 , p2 , p3 , · · · .

Resumo
Nesta aula estabelecemos mais algumas propriedades de congruência e
abordamos os critérios de divisibilidade por 3 e 11. Podemos testar a divisi-
bilidade por produto de primos distintos p1 .p2 .p3 . . . testando a divisibilidade
por cada um deles.

41 CEDERJ
Propriedades de congruência e critérios de divisibilidade
Algebra 1

Exercı́cios
1. Calcule:

(a) 26736730 (mod 7)


(b) 3123400 (mod 11)
(c) 13234500 (mod 19)

2. Mostre que o inteiro N = ar ar−1 · · · a1 a0 é múltiplo de 4 se, e somente


se, o inteiro a1 a0 é múltiplo de 4.
Sugestão: Note que 10r ≡ 0 (mod 4) para r ≥ 2.

3. Generalize o resultado anterior para qualquer potência de 2.

4. Sejam N = ar ar−1 · · · a1 a0 e N1 = ar ar−1 · · · a1 . Mostre que N é di-


visı́vel por 7 se, e somente se, N1 − 2a0 é divisı́vel por 7.
Exemplo: Se N = 3507 então N1 = 350 e N1 − 2a0 = 350 − 2 · 7 =
350 − 14 = 336. Tanto 336 quanto 3507 são divisı́veis por 7.
Embora o resultado acima seja um critério de divisibilidade por 7, não
é nada prático, uma vez que determinar se N1 − 2a0 é divisı́vel por 7 é
quase tão difı́cil quanto determinar se N é divisı́vel por 7.

CEDERJ 42
O anel dos inteiros módulo n
AULA 11

Aula 11 – O anel dos inteiros módulo n

Metas

Nesta aula introduziremos operações de soma e produto de classes de


congruência munindo Zn de uma estrutura de anel comutativo com unidade
multiplicativa 1.

Objetivos

• Definir e operar com soma e produto de classes de congruência;

• definir a noção de anel comutativo com unidade (multiplicativa) apre-


sentando Zn , +, · como um desses modelos de anéis.

Introdução
Nesta aula usaremos propriedades básicas essenciais de congruência
para definir soma e produto de classes de congruência em Zn , e apresentar
Zn , +, · como um modelo de anel comutativo com unidade.

O anel Zn dos inteiros módulo n


Agora vamos introduzir operações de soma e produto de classes de
congruências, mostrando que as definições são “boas”, no sentido de que não
dependem da escolha de representantes das classes de congruência.
Seja n ∈ Z+ um dado inteiro, e sejam a, b duas classes de congruência
módulo n. Nosso objetivo é definir uma soma e produto de classes.
A definição mais natural é

a + b = a + b e a · b = ab .

O problema é que uma classe tem vários (infinitos, na verdade) representantes


possı́veis. Qualquer definição que envolva representantes de uma classe só é
interessante se não depender do representante utilizado. É o que teremos que
garantir para nossas definições de soma e produto.

43 CEDERJ
O anel dos inteiros módulo n
Algebra 1

Observe que se a ≡ a0 (mod n) e b ≡ b (mod n) então


(
a + b ≡ (a0 + b0 ) (mod n)
a · b ≡ (a0 · b0 ) (mod n)

Assim, (a + b) = (a0 + b0 ) e (a · b) = (a0 · b0 ) e temos igualdades de classes


com representantes distintos.
Portanto a classe da soma e a classe do produto não depende da escolha
dos representantes que escolhemos para as respectivas classes. Definimos
então:
Definição 1 (Soma e produto de classes)
Sejam a e b classes em Zn . definimos

a+b=a+b
(a · b) = a · b

Como mostramos que

a = a0 e b = b0 ⇒ (a + b) = (a0 + b0 ) e (a · b) = (a0 · b0 )

então o resultado das operações, soma e produto, com classes não muda se
mudarmos os representantes das classes.
Agora o conjunto Zn está munido de operações soma e produto de
classes. Vamos escrever esse modelo como Zn , +, ·.

As propriedades básicas de Zn, +, ·


Vamos ver aqui que várias propriedades do anel dos inteiros Z, +, ·,
com a soma e produto usuais, se transferem para Zn , +, ·. Mostraremos, em
particular, que Zn , +, · é um anel.
No entanto, há diferenças entre Z e Zn . Para começar, Z, +, · é um anel
infinito, enquanto que Zn , +, · é sempre um anel finito. Veremos também, na
próxima aula, diferenças bastante importantes no que se refere aos chamados
“divisores de zero”.

Propriedades de soma de classes

(1) A soma de classes é associativa, isto é,

(a + b) + c = a + (b + c), ∀ a, b, c ∈ Zn

CEDERJ 44
O anel dos inteiros módulo n
AULA 11

(2) Existe uma classe 0 tal que

a + 0 = 0 + a = a, ∀ a ∈ Zn

(3) Para toda classe a ∈ Zn existe uma classe b = (−a) tal que

a + b = b + a = 0, (isto é, toda classe a possui uma classe inverso aditivo de a)

(4) A soma de classes é comutativa, isto é,

a + b = b + a, ∀ a, b ∈ Zn

Demonstração:
Vamos fazer a demonstração das propriedades em relação à soma.
Sejam a, b, c ∈ Zn .

(1)
a + b = (a + b) =⇒ (a + b) + c = (a + b) + c = [(a + b) + c]

Mas (a + b) + c = a + (b + c) com a, b, c ∈ Z. Logo,

[(a + b) + c] = [a + (b + c)] = a + (b + c) = a + (b + c) .

(2)
a + 0 = [(a + 0)] = a
0 + a = [(0 + a)] = a .

(3)
Seja y = (−a) onde −a é o inverso aditivo de a em Z. Assim,

a + y = (a + y) = (a + (−a)) = 0
y + a = (y + a) = ((−a) + a) = 0 .

(4)
a + b = (a + b) = (b + a) = b + a

já que a + b = b + a em Z.

45 CEDERJ
O anel dos inteiros módulo n
Algebra 1

Propriedades básicas de produto de classes

Sejam a, b, c ∈ Zn .

(5) O produto de classes é associativo, isto é,

(a · b) · c = a · (b · c)

(6) Existe 1 ∈ Zn tal que a · 1 = 1 · a = a (existe unidade multiplicativa


1 em Zn )

(7) O produto de classes é comutativo, isto é,

a·b=b·a

Leis distributivas

(8) (
a · (b + c) = a · b + a · c
(a + b) · c = a · c + b · c

Demonstração:

(5)

a · (b · c) = a · (b · c) = [a · (b · c)] = (a · b) · c = (a · b) · c = (a · b) · c

(aqui usamos a associatividade (a · b) · c = a · (b · c) em Z).

(6)
a · 1 = (a · 1) = a
1 · a = (1 · a) = a .

(7)
a · b = (a · b) = (b · a) = b · a
(aqui usamos a comutatividade a · b = b · a em Z).

(8)

a·(b+c) = a·(b + c) = [a · (b + c)] = (a · b + a · c) = (a · b)+(a · c) = a·b+a·c

(aqui usamos a distributividade a · (b + c) = a · b + a · c em Z).

CEDERJ 46
O anel dos inteiros módulo n
AULA 11

Também temos que:

(a + b) · c = (a + b) · c = [(a + b) · c] = [a · c + b · c] = a · c + b · c

(aqui usamos a distributividade (a + b) · c = a · c + b · c em Z).


Tendo em vista que Zn , +, · satisfaz as 8 propriedades ele é chamado
de um modelo de anel comutativo com unidade (multiplicativa) 1.
Observe que Z, +, · é também um modelo de anel comutativo com uni-
dade 1 ∈ Z, mas que satisfaz ainda uma nova propriedade:

(9) Z não possui divisores de zero, isto é, para todo a, b ∈ Z, a e b diferentes
de zero, tem-se a · b 6= 0.

O modelo Zn , +, · nem sempre satisfaz essa nova propriedade. Vamos


mostrar que apenas se n = p é um número primo o modelo Zp satisfaz a
propriedade 9 e uma propriedade 10 mais forte que a 9.

(10) Seja p ≥ 2 primo. Para todo a ∈ Zp existe uma classe b ∈ Zp tal que
ab = 1.

Isto é, todo elemento não-nulo possui um inverso multiplicativo.


De maneira geral, um conjunto A, +, · com operações de soma + e
multiplicação · é chamado Anel comutativo com unidade quando satisfaz
as propriedades (1) a (8) listadas anteriormente.
O modelo Z, +, · é um anel e provamos acima que Zn , +· é um anel para
qualquer n > 1.
Se, além disso, o anel satisfizer a propriedade (9) então é chamado
Domı́nio de Integridade. Temos que Z é um domı́nio de integridade,
mas, como mostraremos na próxima aula, Zn é domı́nio de integridade se, e
somente se, n é primo.
Se o anel satisfizer a propriedade (10) então é chamado Corpo. O
domı́nio de integridade Z não é corpo, mas Zn é corpo sempre que n é primo.
Tudo isto será demonstrado na próxima aula.

47 CEDERJ
O anel dos inteiros módulo n
Algebra 1

Tabelas de operações em Zn
Vamos construir algumas tabelas se soma e multiplicação das classes
em Zn . Estas tabelas dispõe as classes de Zn nas primeiras linha e coluna e
o resultado das operações do interior da tabela.
Vamos aos exemplos.

Exemplo 13
Tabelas de soma e produto de Z3 = {0, 1, 2}.

+ 0 1 2 · 0 1 2
0 0 1 2 0 0 0 0
1 1 2 0 1 0 1 2
2 2 0 1 2 0 2 1

Soma em Z3 Produto em Z3

Vamos fazer um outro exemplo deste tipo.

Exemplo 14
Tabelas de soma e produto de Z6 = {0, 1, 2, 3, 4, 5}.

+ 0 1 2 3 4 5 · 0 1 2 3 4 5
0 0 1 2 3 4 5 0 0 0 0 0 0 0
1 1 2 3 4 5 0 1 0 1 2 3 4 5
2 2 3 4 5 0 1 2 0 2 4 0 2 4
3 3 4 5 0 1 2 3 0 3 0 3 0 3
4 4 5 0 1 2 3 4 0 4 2 0 4 2
5 5 0 1 2 3 4 5 0 5 4 3 2 1

Soma em Z6 Produto em Z6

Resumo
Nessa aula apresentamos as definições de soma e produto em Zn . Estas
foram induzidas a partir das definições de soma e produto em Z.
As oito produtos básicas das operações de soma e produto em Z se
transferiram para soma e produto em Zn , o que torna Zn um anel comutativo
com unidade, tal como Z.
O que diferencia a estrutura algébrica de Z e Zn são as propriedades
(9) e (10) descritas anteriormente. O anel Z satisfaz a propriedade (9) e é,

CEDERJ 48
O anel dos inteiros módulo n
AULA 11

portanto, um Domı́nio de Integridade, mas não satisfaz a propriedade (10),


isto é, não é corpo.
Para Zn temos duas situações diferentes, dependendo de n. Se n não é
primo, então Zn não é Domı́nio de Integridade e se n é primo então Zn é um
corpo. Tudo isto será demonstrado na próxima aula. Veremos que todo corpo é
domı́nio de integridade. Por
isto dizer que Zn é corpo
Atividades para n primo implica que Zn
também é domı́nio

1. Escreva as tabelas de operações de soma e multiplicação de Zn , para


os seguintes valores de n.

(a) n = 2
(b) n = 5
(c) n = 7
(d) n = 12

2. Seja f : Z6 → Z6 a função definida por f (x) = 2x + 1. Determine

Im(f ) = {f (a) | a ∈ Z6 } ⊂ Z6 .

A função é sobrejetiva? É injetiva?

3. Responda as mesmas perguntas do exercı́cio anterior para a função


f : Z7 → Z7 definida por f (x) = 2x + 1.

49 CEDERJ
inversos multiplicativos e divisores de zero em Zn
AULA 12

Aula 12 – inversos multiplicativos e divisores


de zero em Zn

Metas

Apresentar Zn , +, ., com propriedades especı́ficas que dependem da es-


colha de n.

Objetivos

Ao final desta aula você deve ser capaz de:

• Determinar para que valores de n existem divisores de zero em Zn .

• Determinar quais elementos em Zn possuem inverso multiplicativo e


quais são divisores de zero.

Introdução
Vimos na aula passada que Zn , +, . é um anel comutativo com unidade
1. Para resolvermos equações envolvendo congruências necessitamos de algu-
mas propriedades especı́ficas que nos permitam explicitar as soluções dessas
congruências.
Nessa aula vamos dar continuidade ao estudo da estrutura algébrica
de (Zn , +, ·). Vamos estudar propriedades e situações especiais envolvendo o
produto em Zn .
Os dois conceitos fundamentais introduzidos nesta aula são os de divisor
de zero e o de inverso multiplicativo. Vamos a eles!

Divisores de zero
Vimos estudando divisores de inteiros desde o 1o grau: d é divisor de n
se existe algum inteiro k tal que n = d.k. Se n = 0 então qualquer inteiro d
é divisor de zero no sentido usual da palavra divisor, pois n = d.0.
Em Zn também vale que o produto de qualquer classe a pela classe nula
é a classe nula: a.0 = 0.
Mas aqui existe uma diferença fundamental entre Z e Zn : nos inteiros
o produto de dois números diferentes de zero é um número diferente de zero.

51 CEDERJ
inversos multiplicativos e divisores de zero em Zn
Algebra 1

O mesmo pode não acontecer em Zn . Para certos valores de n existem classes


a 6= 0 e b 6= 0 tais que a.b = 0.
Vamos estudar agora exatamente este tipo de situação. Para começar,
vamos dar uma definição para a expressão “divisor de zero” que se aplica
exatamente a estas situações.

Definição 1 (Divisor de zero)


Uma classe a 6= 0 é chamada divisor de zero em Zn quando existe uma classe
b 6= 0 tal que ab = 0

Observe que, no sentido dado pela definição acima, não há divisores de
zero em Z, pois o produto de inteiros não-nulos é sempre um inteiro não-nulo.
Agora daremos um exemplo mostrando que existem divisores de zero
em Z6 .

Exemplo 15
Observe a tabela de multiplicação de Z6 .

0 1 2 3 4 5
0 0 0 0 0 0 0
1 0 1 2 3 4 5
2 0 2 4 0 2 4
3 0 3 0 3 0 3
4 0 4 2 0 4 2
5 0 5 4 3 2 1

Como 2.3 = 3.2 = 0 então 2 e 3 são divisores de zero em Z6 . Da mesma


forma, 3.4 = 0 mostra que 4 também é divisor de zero. Assim as classes 2, 3
e 4 são divisores de zero em Z6 .

Atividades

1. Encontre os divisores de zero em Z8 .

2. Mostre que Z7 não tem divisores de zero.

3. Mostre que a classe 5 é um divisor de zero em Z10 , mas a classe 5 não


é um divisor de zero em Z6 .

CEDERJ 52
inversos multiplicativos e divisores de zero em Zn
AULA 12

Quando Zn tem divisores de zero?

Vimos que Z6 possui 3 divisores de zero: as classes 2, 3 e 4. Por outro


lado, Z7 não possui divisores de zero. A pergunta natural aqui é a seguinte:
para que valores de n ≥ 2 o anel Zn possui divisores de zero? A próxima
proposição responde a esta pergunta.

Proposição 1
Seja n ≥ 2, um dado número inteiro. O anel Zn possui divisores de zero se,
e somente se, n não é um número primo.

Demonstração.
(⇒) Vamos iniciar provando que Zn possui divisores de zero então n é
composto.
Suponha que Zn possua divisores de zero. Sejam a, b ∈ Zn tais que
ab = 0. Então
Note que as classes a, b não
ab = 0 ⇒ ab ≡ 0 (mod n) ⇒ n | ab são necessariamente
distintas. Por exemplo, Z4
possui um único divisor de
Se n fosse um primo, então n | ab implicaria em n | a ou n | b, isto é, a = 0 zero, que é a classe 2. Neste
ou b = 0, o que contraria a hipótese de que a 6= 0 e b 6= 0. caso, 2 · 2 = 0.

Assim, se existirem divisores de zero em Zn então n não é um número


primo.
(⇐)
Vamos agora provar que se n não é um primo então Zn tem divisores
de zero.
Suponha que n = ab, onde 1 < a, b < n.
Como 1, a, b < n então a 6= 0 e b 6= 0. Como

n = ab ⇒ a · b = n = 0

e, assim, Zn tem divisores de zero. 

Uma outra maneira de escrever a Proposição 1 é a seguinte: Zn não


possui divisores de zero se, e somente se, n é um número primo.

Atividades

Reveja todos os exemplos de Zn com os quais já trabalhamos e verifique


que a Proposição 1 se aplica.

53 CEDERJ
inversos multiplicativos e divisores de zero em Zn
Algebra 1

Inversos multiplicativos em Zn
Nesta seção vamos estudar uma outra propriedade importante com
relação a multiplicação das classes em Zn : a de terem ou não inverso multi-
plicativo.
Vamos voltar a tabela de multiplicação de Z6 . Para a classe 2, não há
uma outra classe b tal que 2 · b = 1. O mesmo vale para as classes 3 e 4.
Por outro lado, observe as classes 1 e 5. Temos

1·1=1 e 5·5=1

As classes 1 e 5 são o que se poderia chamar de “divisores de um”, mas não é


essa a expressão mais usada. É mais comum falarmos que uma classe possui
“inverso multiplicativo”. Vamos escrever a definição exata e depois voltamos
ao Z6 .
Definição 2 (Inverso multiplicativo)
Seja a 6= 0 em Zn . Dizemos que a possui inverso multiplicativo em Zn se
existe uma classe b ∈ Zn tal que

a·b=b·a=1

Uma classe a que possui inverso multiplicativo em Zn é chamada in-


vertı́vel.

Voltando ao Z6 , vimos que as classes {1, 5} possuem inverso multipli-


cativo, ao passo que as classes {2, 3, 4} não possuem inverso multiplicativo.
Neste ponto você deve ter percebido que os elementos de Z6 \{0} que
não possuem inverso multiplicativo são exatamente os 3 divisores de zero de
Z6 . Mostraremos, no próximo Lema, que este é sempre o caso: um divisor
de zero em Zn nunca possui inverso multiplicativo.
Lema 4
Seja a ∈ Zn um divisor de zero. A classe a não possui inverso multiplicativo.

Demonstração.
Suponha que a possua algum inverso multiplicativo b ∈ Zn , isto é a·b =
1.
Como a é divisor de zero em Zn , então existe algum c 6= 0 em Zn , com
tal que
a·c = 0.

CEDERJ 54
inversos multiplicativos e divisores de zero em Zn
AULA 12

Multiplicando ambos os lados desta equação por b, obtemos:



a·c·b = 0·b ⇒ a·b ·c= 0⇒ 1·c = 0⇒c = 0,

o que contradiz o fato de que c 6= 0. 


Muito bem, agora sabemos que os divisores de zero não são inversı́veis.
Mas quem são os inversı́veis? No caso de Z6 , todos os não divisores de zero
(as classes {1, 5}) são inversı́veis. Será que este é sempre o caso?
A próxima proposição dá uma caracterização de todos os elementos
inversı́veis em Zn .

Proposição 2
Seja n ≥ 2. Uma classe a ∈ Zn possui inverso multiplicativo se, e somente
se, mdc(a, n) = 1.

Demonstração.
(⇒)
Suponhamos que a 6= 0 possua um inverso multiplicativo b 6= 0 em Zn .
Assim, a · b = 1. segue que

a · b = 1 ⇒ ab = 1 ⇒ ab ≡ 1 (mod n) ⇒ ab − 1 = kn ⇒ ab − kn = 1 ,

para algum k ∈ Z.
Seja d ≥ 1 um divisor comum de n e a. Então d | a e d | n, logo
)
d | a ⇒ d | ab
⇒ d | (ab − kn) ⇒ d | 1 ⇒ d = 1
d | n ⇒ d | kn

Concluı́mos então que mdc(a, n) = 1.

(⇐)
Suponha agora que mdc(a, n) = 1. Vamos mostrar que a possui inverso
multiplicativo em Zn .
Como mdc(a, n) = 1 então existem r, s ∈ Z tais que ra + sn = 1.
Segue-se que

1 = ra + sn ⇒ 1 = r · a + s · n = r · a + s · 0 = r · a + 0 = r · a ,

onde usamos o fato de que n = 0. De r · a = 1 resulta que a possui inverso


multiplicativo em Zn . 

55 CEDERJ
inversos multiplicativos e divisores de zero em Zn
Algebra 1

Atividades

Construa a tabela de multiplicação de Z12 . Verifique as classes in-


vertı́veis são as classes a, com 1 ≤ a ≤ 11, tais que mdc(a, 12) = 1.

Inversı́veis e divisores de zero em Zn

Já vimos que os divisores de zero em Zn não são inversı́veis e vimos que
os inversı́veis em Zn são exatamente as classes a tais que mdc(a, n) = 1.
Mostraremos agora que os elementos não-nulos de Zn que não são in-
versı́veis são divisores de zero. Já havı́amos observado isto para o anel Z 6 .
Nele, temos:

Z6 = {0, 1, 2, 3, 4, 5} = {0} ∪ {1, 5} ∪ {2, 3, 4}


| {z } | {z }
inversı́veis divisores de zero

Proposição 3
Os elementos não-nulos de Zn que não são inversı́veis são divisores de zero.

Demonstração.
Seja a ∈ Zn não nulo e não invertı́vel. Pela Proposição 2, temos que,
como a não é invertı́vel,

mdc(a, n) = d > 1 .

Como d | a e d | n, existem inteiros e e f tais que a = d.e e n = d.f .


Multiplicando a por f temos

af = def = (df )e = ne ⇒ af = ne ⇒ a · f = e · n = e · 0 = 0

Como n = df e d > 1, então 1 ≤ f < n e assim f 6= 0. De a · f = 0, resulta


que a é divisor de zero. .

Comparando as Proposições 2 e 3 vemos que os divisores de zero em


Zn são exatamente as classes a tais que a 6= 0 e mdc(a, n) > 1.
Assim, provamos que para qualquer n, temos:

Zn = {0} ∪ {a | mdc(a, n) = d > 1} ∪ {a | mdc(a, n) = 1}


↓ ↓
divisores de zero inversı́veis

CEDERJ 56
inversos multiplicativos e divisores de zero em Zn
AULA 12

Atividades

Determine todos os divisores de zero e todos os elementos inversı́veis


em Zn para os seguintes inteiros n:
1. n = 8 2. n = 10 3. n = 12

O corpo Zp
No caso do anel Zp , com p um primo, todos os elementos não-nulos são
inversı́veis, isto é, não há divisores de zero, como mostra o seguinte corolário
da Proposição 2.
Corolário 2
Se p ≥ 2 é um número primo, então todo elemento a 6= 0 em Zp possui
inverso multiplicativo.

Demonstração.
Seja p ≥ 2 um número primo e seja a 6= 0. Temos que

a 6= 0 ⇒ p 6 | a .

Como p é primo e p 6 | a então mdc(a, p) = 1. Pela Proposição 2 segue-se que


a possui inverso multiplicativo. 
Encontramos aqui um anel com uma propriedade especial muito impor-
tante: a de que todo elemento não-nulo possui inverso multiplicativo. Anéis
deste tipo são chamados corpos e possuem grande importância na Álgebra.
Definição 3 (Corpo)
Um anel comutativo com unidade tal que todo elemento não-nulo possui
inverso multiplicativo é chamado um corpo.

Portanto, o anel Zp , +, ·, com p ≥ 2 primo, é um corpo. Este é um


corpo com exatamente p elementos:

Zp = {0, 1, · · · , p − 1} .

Este é, portanto, um corpo com um número finito de elementos, ou


seja, um corpo finito.
O anel Z não é um corpo. Os únicos inteiros não-nulos que possuem in-
verso multiplicativo são os inteiros {+1, −1}. Os outros inteiros não possuem
inverso multiplicativo.

57 CEDERJ
inversos multiplicativos e divisores de zero em Zn
Algebra 1
m
Já o anel Q, dos números racionais, é um corpo. Todo número n
, com
n
m, n 6= 0, possui inverso multiplicativo, a saber, o inteiro m ,pois

m n
× =1
n m

Calculando o inverso multiplicativo de a em Zn

Se mdc(a, n) = 1 então a classe a possui inversa multiplicativa. Mas


como calcular esta inversa?
Vimos que

mdc(a, n) = 1 ⇒ Existem r, s ∈ Z tais que ra + sn = 1

Mas
ra + sn = 1 ⇒ r · a + s · n = r · a + 0 = 1 ⇒ r · a = 1

Assim, r é o inverso multiplicativo de a.

Exemplo 16
Calcule o inverso multiplicativo de 23 em Z61 .

É fácil ver que mdc(23, 61) = 1 porque 23 é primo e 23 6 | 61. Usaremos


o algoritmo de Euclides para determinar os inteiros r, s tais que 23r+61s = 1.
Temos que

61 = 2 × 23 + 15 =⇒ 15 = 61 − 2 × 23
23 = 1 × 15 + 8 =⇒ 8 = 23 − 1 × 15
15 = 1×8+7 =⇒ 7 = 15 − 1 × 8
8 = 1×7+1 =⇒ 1=8−1×7

Os números em negrito são


Invertendo os passos temos:
os substituı́dos a cada passo
pelos valores obtidos nas
1 = 8 − 1 × 7 = 8 − 1 × (15 − 1 × 8) = (−1) × 15 + 2 × 8
divisões sucessivas acima
= (−1) × 15 + 2(23 − 1 × 15) = 2 × 23 − 3 × 15 = 2 × 23 − 3 × (61 − 2 × 23)
= 8 × 23 − 3 × 61

Portanto, 8 é o inverso multiplicativo de 23 em Z61 . Escrevemos também

8 ≡ 23−1 (mod 61) .

CEDERJ 58
inversos multiplicativos e divisores de zero em Zn
AULA 12

Resumo
Nesta aula estudamos duas propriedades relacionadas à multiplicação
de elementos de Zn . Estudamos os divisores de zero e os elementos inversı́veis
em Zn . Aprendemos a reconhecer estes elementos: dado a ∈ Zn , com a 6= 0,
temos que

mdc(a, n) = 1 ⇒ a é invertı́vel em Zn
mdc(a, n) = d > 1 ⇒ a é divisor de zero em Zn

Por fim, aprendemos a calcular efetivamente o inverso multiplicativo de


uma classe a ∈ Zn , com mdc(a, n) = 1, utilizando o algoritmo de Euclides.

Atividades
1. Mostre que se a 6= 0 possui inverso multiplicativo em Zn , então esse
inverso é único.

2. Encontre o inverso multiplicativo de:

(a) 29 em Z121
(b) 15 em Z67 .

59 CEDERJ
Módulo 1 Volume 3
Adilson Gonçalves
Luiz Manoel Figueiredo

Álgebra I

Z
MDC MDC MDCA B MDC MDC
C
A B

C
A B

MMC MMC MMC MMC


Álgebra I Volume 3 – Módulo 1

SUMÁRIO Aula 13 – Pequeno teorema de Fermat __________________________________ 3


Adilson Gonçalves / Luiz Manoel Figueiredo

Aula 14 – A função φ (phi) de Euler_____________________________________ 9


Adilson Gonçalves / Luiz Manoel Figueiredo

Aula 15 – As equações diofantinas lineares _____________________________ 19


Adilson Gonçalves / Luiz Manoel Figueiredo

Aula 16 – A equação diofantina pitagórica x2 + y2 = z2 ___________________ 25


Adilson Gonçalves / Luiz Manoel Figueiredo

Aula 17 – Equações de congruências__________________________________ 33


Adilson Gonçalves / Luiz Manoel Figueiredo

Aula 18 – Sistemas lineares de congruências: o teorema chinês do resto________ 43


Adilson Gonçalves / Luiz Manoel Figueiredo
Pequeno teorema de Fermat
AULA 13

Aula 13 – Pequeno teorema de Fermat

Objetivos
• Apresentar o teorema de Fermat.

Introdução
Nesta aula estudaremos o pequeno teorema de Fermat ou, simples-
mente, teorema de Fermat, que essencialmente diz que todo primo ı́mpar p
divide q p − q onde q é um inteiro qualquer.
Os chineses, desde a antiguidade, já conheciam esta afirmação quando
q = 2. Por exemplo,

p = 3 −→ 3 divide 23 − 2 = 8−2= 6 Não confunda este teorema


5 de Fermat com o chamado
p = 5 −→ 5 divide 2 − 2 = 32 − 2 = 30 “último teorema de Fermat”
p = 7 −→ 7 divide 27 − 2 = 128 − 2 = 126 demonstrado apenas
recentemente (1995), de que,
a equação xn + y n = z n , com
No entanto, foi Fermat quem demonstrou a afirmação p|q p − q, para q n ≥ 3, não tem solução com
inteiro qualquer. x, y, z inteiros não-nulos.

Atividade: Escolha alguns valores de p, primo, e q inteiro qualquer e verifique


que p divide q p − q.

Demonstração do teorema de Fermat


Vamos fazer esta demonstração por indução. O teorema diz que p divide
q p − q, isto é,
q p ≡ q (mod p)
para todo primo p e q inteiro.
Vamos usar a seguinte propriedade P (n):

P (n) : np ≡ n (mod p) .

Claramente P (1) é verdadeira (alguma dúvida?). Vamos mostrar que


P (n) =⇒ P (n + 1). Com isto, pelo teorema de indução finita, teremos
provado que P (n) é verdadeira para todo n ∈ Z. A partir daı́, provaremos
que q p ≡ q (mod p), para todo inteiro q. Vamos então provar a hipótese de
indução
P (n) =⇒ P (n + 1) .

3 CEDERJ
Pequeno teorema de Fermat
Algebra 1

Suponha que P (n) seja verdadeiro, isto é,

np ≡ n (mod p) .

Para provarmos que (n + 1)p ≡ n + 1 (mod p), vamos usar o binômio de


Newton. ! ! !
n + 1 . Note que cada termo
p p p
(n + 1)p = np + np−1 + np−2 + · · · +
1 2 p−1
!
p
i
, i = 1, · · · , p − 1 é um múltiplo de p, portanto:
! ! !
p p p−1 p p−2 p
n + n + n + ··· + n +1 ≡ np + 1 (mod p)
1 2 p−1
| {z }
A fórmula de binômio de múltiplo de p
Newton
! é:
(a + b)p = ap +
p
1
q p−1 b + logo,
(n + 1)p ≡ np
!
p
2
q p−2 b2 + · · · + (mod p) ≡ n + 1 (mod p)
!
p
p−1
q 1 bp−1 + bp . isto é, onde usamos a hipótese de indução np ≡ n (mod p).
p !
X p p−i i
(a + b)p =
i=0
i
a b
Portanto, P (n + 1) é verdadeiro. Pelo teorema de indução finita, P (n)
é verdadeiro para todo n natural, isto é,

np ≡ n (mod p) ,

para todo n ≥ 1.
Para concluir a demonstração, temos que cuidar do caso
p
q ≡ q (mod p), com q inteiro negativo.
Bem, se q < 0 então, evidentemente, (−q) > 0. Assim, q ∈ Z e q < 0,
então o resultado vale para (−q), isto é,

(−q)p ≡ (−q) (mod p) .

Se p é primo ı́mpar, então

(−q)p = (−1)p · q p = −q p

assim,

(−q)p ≡ (−q) (mod p) =⇒ −q p ≡ −q (mod p) =⇒ q p ≡ q (mod p) .

Se p é primo par, então p = 2. Mas o caso p = 2 é bastante simples de


2
ser verificado, pois 0 e 1 são todas as classes (mod 2) e vale que 0 = 0 e
2
1 = 1.

Concluı́mos a prova do pequeno teorema de Fermat. Em seguida, pro-


varemos uma outra versão, ligeiramente diferente, do mesmo teorema.

CEDERJ 4
Pequeno teorema de Fermat
AULA 13

Segunda versão do teorema de Fermat


Nossa primeira versão do teorema de Fermat diz que q p ≡ q (mod p),
para todo inteiro q. Vamos agora considerar dois casos:

i. Se p divide q então p | q p , logo q p ≡ q ≡ 0 (mod p), isto é,


a afirmação q p ≡ q (mod p) é, no fundo, trivial, pois diz apenas que
0 ≡ 0 (mod p).

ii. Se p não divide q então mdc(q, p) = 1, pois p é primo, logo existe


inverso de q mod p, isto é, existe inteiro b tal que ab ≡ 1 (mod p).
Multiplicando ambos os lados de q p ≡ q (mod p) por b, obtemos

q p b ≡ qb (mod p) =⇒ q p−1 (qb) ≡ qb (mod p)

como qb ≡ 1 (mod p), então, substituindo na equação acima, resulta

q p−1 ≡ 1 (mod p) .

Resumindo, podemos dividir o teorema de Fermat em dois casos, se p


divide q então a afirmação q p ≡ q (mod p) é trivial e, se p não divide q então

qp ≡ q (mod p) =⇒ q p−1 ≡ 1 (mod p) .

Provamos, portanto, que


Teorema 1 (teorema de Fermat - Segunda versão)
Se p é primo e q é um inteiro que não é divisı́vel por p então

q p−1 ≡ 1 (mod p) .

Aplicação do teorema de Fermat


Uma aplicação muito interessante do teorema de Fermat é a deter-
minação da classe de q n mod p, onde p é primo e p não divide q.
A idéia aqui é que, se fizermos a divisão do expoente n por p − 1:

n = (p − 1)q + r

então
q n = q q(p−1)+r = q r · q q(p−1) = q r (q p−1 )q .
Como q p−1 ≡ 1 (mod p) então

q n = q r (q p−1 )q ≡ q r · 1q ≡ q r (mod p) .

5 CEDERJ
Pequeno teorema de Fermat
Algebra 1

Mas 0 ≤ r < p−1 (resto da divisão de n por p−1). Assim, q r é uma potência
possivelmente muito menor que q n .

Exemplo 1
Encontre o resto da divisão de 24514 por 7.
Solução:
Dividindo 4514 por 7-1=6, obtemos

4514 = 6 × 752 + 2 .

Portanto,
24514 = 26×752+2 = 22 (2b )752 ≡ 22 (mod 7)

onde usamos 2b ≡ 1 (mod 7).


Assim, o resto da divisão de 24514 por 7 é 22 = 4.

Exemplo 2
Vamos mostrar que 270 + 370 é divisı́vel por 13.
Solução:
Vamos verificar o resto de 270 e 370 por 13 usando o teorema de Fermat.

70 = 5 × 12 + 10

e, logo
270 = 25×12+10 = 210 (212 )5 ≡ 210 (mod 13) .

Analogamente, 370 ≡ 310 (mod 13).


Para calcular 210 mod 13, podemos usar, por exemplo, 25 = 32 ≡ b (mod 13).
Assim,

210 ≡ 25 × 25 ≡ b × b (mod 13) ≡ 3b (mod 13) ≡ 10 (mod 13) .

Para calcular 310 mod 13 podemos usar 33 = 27 ≡ 1 (mod 13). Assim,

310 = (33 )3 · 31 ≡ 3 × 13 ≡ 3 (mod 13) .

Portanto,
270 + 370 ≡ 10 + 3 ≡ 13 ≡ 0 (mod 13) .

Logo, 13 divide 270 + 370 .

CEDERJ 6
Pequeno teorema de Fermat
AULA 13

p sendo primos de Fermat

Uma outra aplicação muito interessante do teorema de Fermat é como


teste de primalidade, isto é, um processo que permite determinar se um dado
inteiro é ou não primo.
O processo funciona assim: sabemos que, se p é primo, então
p−1
q ≡ 1 (mod p), onde p não divide q.
Portanto, dado inteiro n se encontrarmos uma base q tal que
n−1
q 6≡ 1 (mod n) então podemos dizer com certeza que n é composto.
Mas, e se acontecer de q n−1 ≡ 1 (mod n). Isto prova que n é primo?
Leibnitz pensava que sim. Ele usava a base q = 2 como teste de primalidade.
Na verdade, o fato de q n−1 ≡ 1 (mod n) não implica em que n seja
primo.
Por exemplo, com n = 341 e q = 2, temos

2341−1 = 2340 ≡ 1 (mod 341) ,

mas 341 = 11 × 31 não é primo.


Assim, este teste permite identificar números compostos, mesmo que
não saibamos fatorá-los, mas não permite provar que um inteiro seja primo.
Se é assim, então qual a sua utilidade? Ela é útil porque acerta bem mais do
que erra. Vou explicar melhor.
Se bn−1 ≡ 1 (mod n), mas n não é primo, dizemos que n é pseudoprimo
para a base b. Por exemplo, 341 é um pseudoprimo para a base 2.
O teste descrito acima é muito útil porque há muito mais primos que
pseudoprimos. Por exemplo, entre 1 e 106 existem 78498 números primos,
mas somente 245 pseudoprimos para a base 2.
Portanto, se um inteiro n passa no teste para a base 2 então é muito Sabe-se que para cada base q
existem infinitos inteiros n
provável que seja primo. O teste pode ser melhorado se testarmos várias
que são pseudoprimos para a
bases. Por exemplo, usando bases 2 e 3 podemos aumentar em muito a base q.

probabilidade de que um inteiro n que passe no teste seja primo.


R.D. Carmichael foi o
O problema é que existem inteiros que não são primos e que passam no primeiro matemático que
teste para qualquer base. Estes inteiros são chamados números de carmichael. mostrou que estes números
existem.
O menor número de carmichael é 561.

7 CEDERJ
Pequeno teorema de Fermat
Algebra 1

Resumo
Nesta aula vimos o pequeno teorema de Fermat. Na verdade, vimos
duas versões bem próximas deste teorema.
Vimos duas aplicações: como um meio de obter a classe q n mod p,
e como “teste” de primalidade.
Vimos que se um inteiro passa pelo teste com várias bases então é
um primo com forte probabilidade. Se falha o teste então certamente é um
composto.

Exercı́cios:
1. Mostre que se p é um primo e a e b são inteiros então

(a + b)p ≡ ap + bp (mod p) .

2. Calcule o resto da divisão de

a) 3200 por 13
b) 52530 por 7

3. Use o teorema de Fermat para provar que para todo inteiro n, o número

n3 + (n + 1)3 + (n + 2)3

é divisı́vel por 9.

4. O que são pseudoprimos? mostre que 341 é pseudoprimo para a base


2, mas não é pseudoprimo para a base 3.

CEDERJ 8
A função φ (phi) de Euler
AULA 14

Aula 14 – A função φ (phi) de Euler

Objetivos
• Escrever a definição da função phi de Euler e calcular φ(n), para qual-
quer inteiro n;

• Listar as principais propriedades desta função.

Leonhard Euler (1707 -


Introdução 1783) foi um matemático e
fı́sico suı́ço. Muitos
consideram ele e Gauss os
Nesta aula estudaremos a função phi de Euler que recebe este nome em
maiores matemáticos que
homenagem ao matemático suı́ço Euler que foi quem primeiro estudou esta existiram.
Euler foi um dos primeiros a
função.
aplicar o cálculo à Fı́sica.
Essa função também é conhecida como função totiente. Seu nome se pronuncia
“óiler” e não “euler”.

Definição
Definição 1
Para qualquer inteiro positivo n, definimos φ(n) como o número de inteiros Lembre-se que o sı́mbolo #
positivos menores que n e coprimos com n. indica a cardinalidade
(o número de elementos de)
Em outras palavras, um conjunto.

φ(n) = #{x ∈ Z | 1 ≤ x < n e mdc(x, n) = 1}

Exemplo 3
Seja n = 12. Os inteiros positivos menores que 12 e coprimos com 12 são
1, 5, 7 e 11. Assim, φ(12) = 4.

φ(12) = #{1, 5, 7, 11} = 4 .

Exemplo 4
Seja n = 15. Os inteiros positivos menores que 15 e coprimos com 15 são
1, 2, 4, 7, 8, 11, 13 e 14. Assim, φ(15) = 8.

φ(15) = #{x ∈ Z | 1 ≤ x < 15 e mdc(x, 15) = 1}


= #{1, 2, 4, 7, 8, 11, 13, 14} = 8 .

9 CEDERJ
A função φ (phi) de Euler
Algebra 1

Atividade: Verifique que φ(20) = 8 e φ(25) = 20.

Observe que φ(1) = 1 (segue-se da nossa definição).


A tabela abaixo mostra os valores da função φ(n) para os 20 primeiros
inteiros positivos.

n 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20
φ(n) 1 1 2 2 4 2 6 4 6 4 10 4 12 6 8 8 16 6 18 8

Primeiras propriedades: φ(p) e φ(pα )


Vamos demonstrar algumas propriedades que permitirão calcular φ(n)
para qualquer inteiro n, usando-se a decomposição de n em fatores primos.
Vamos começar determinando φ(p) para p primo.

Lema 1
Se p é um primo então
φ(p) = p − 1 .

Demonstração: Por definição, φ(p) é o número de inteiros positivos x menores


que p e coprimos com p. Mas, como p é primo, todo inteiro x, 1 ≤ x < p − 1
é coprimo com p. Assim, φ(p) = p − 1.

Observe essa propriedade na tabela acima:

φ(2) = 2−1=1
φ(3) = 3−1=2
φ(5) = 5−1=4
φ(7) = 7−1=6
..
.

O próximo passo é generalizar essa propriedade determinando o valor


da função em potências de primos, isto é, φ(pα ).

Proposição 1
Seja p primo. Então vale que

φ(pα ) = pα − pα−1 = pα−1 (p − 1)

onde n é um inteiro positivo qualquer.

CEDERJ 10
A função φ (phi) de Euler
AULA 14

Demonstração: Temos que contar quantos inteiros entre 1 e pα são coprimos


com pα . Faremos isso de uma maneira indireta: contaremos quantos inteiros
entre 1 e pα não são coprimos com pα .
Teremos:

φ(pα ) = pα −#{não coprimos com pα } (∗)


| {z } |{z}
coprimos com pα números de inteiros entre 1 e pα

E quem são os inteiros que não são coprimos com pα ? como p é primo, se
mdc(x, pα ) 6= 1, então x deve conter o fator primo p, isto é, p divide x. Por
outro lado, se p | x então, evidentemente, mdc(x, pα ) 6= 1.
Assim, os inteiros não coprimos com pα são exatamente os múltiplos de
p. A questão então é: quantos múltiplos de p existem entre 1 e pα ?
Os múltiplos de p entre 1 e pα são:

1p, 2p, 3p, · · · , pα−1 · p = pα .

Existem, portanto, pα−1 múltiplos de p entre 1 e pα .


Voltando à equação (∗), obtemos

φ(pα ) = pα − pα−1 = pα−1 (p − 1)

Exemplo 5
Temos que φ(9) = 6 pois, os inteiros 1, 2, 4, 5, 7 e 8 são coprimos com 9.
Usando o teorema obtemos:

φ(9) = φ(3α ) = 3α−1 (3 − 1) = 3 × 2 = 6 .

Exemplo 6

φ(125) = φ(53 ) = 53−1 (5 − 1) = 52 · 4 = 100 .

Atividade: Encontre φ(16), φ(25) e φ(49).

Outra propriedade: φ(mn) com mdc(m, n) = 1


Falta ainda uma propriedade para que passemos calcular φ(n) a partir
da decomposição de n em fatores primos.
Desta vez vamos iniciar com alguns exemplos.

11 CEDERJ
A função φ (phi) de Euler
Algebra 1
Exemplo 7
• φ(3) = 2; φ(4) = 2 e

φ(3 × 4) = φ(12) = 4 = 2 × 2 = φ(3) × φ(4) .

• φ(3) = 2 e φ(5) = 4. Temos que

φ(3 × 5) = φ(15) = 8 = 2 × 4 = φ(3) × φ(5) .

• φ(6) = 2 e φ(2) = 1 mas,

φ(2 × 6) = φ(12) = 4 6= φ(6) × φ(2) .

Veja que nos dois primeiros exemplos vale que φ(mn) = φ(m) × φ(n) mas,
isso não se verificou no terceiro. O que deu errado? o que os dois primeiros
exemplos têm em comum é que se trata de φ(mn), com m e n coprimos.
Veja:
φ(3 × 4) = φ(3) × φ(4)
onde 3 e 4 são coprimos e

φ(3 × 5) = φ(3) × φ(5)

onde 3 e 5 são coprimos.


No terceiro exemplo, 2 e 6 não são coprimos.
Atividade: Faça você mesmo mais alguns exemplos de φ(mn), com m e n
coprimos. Você encontrará φ(mn) = φ(m) × φ(n) em todos eles.
Provaremos a seguinte
Proposição 2
Se m e n são coprimos então

φ(mn) = φ(m) · φ(n) .

Demonstração: Sejam m e n inteiros positivos tais que mdc(m, n) = 1 e


sejam
Sm = {x ∈ Z | 1 ≤ x < m e mdc(x, m) = 1}
Sn = {x ∈ Z | 1 ≤ x < n e mdc(x, n) = 1}
Smn = {x ∈ Z | 1 ≤ x < mn e mdc(x, mn) = 1}
Queremos mostrar que #Smn = (#Sm ) · (#Sn ), pois φ(mn) = #Smn ,
φ(m) = #Sm e φ(n) = #Sn . O que vamos fazer é definir uma função

f : Smn −→ Sm × Sn ,

CEDERJ 12
untos
e que
× #B. A função φ (phi) de Euler
AULA 14

isto é, uma função f de Smn no produto cartesiano Sm × Sn . Observe que


#(Sm × Sn ) = #Sm × #Sn .
Em seguida, mostraremos que f : Smn −→ Sm × Sn é bijetiva quando
mdc(m, n) = 1 e, portanto,

#Smn = #(Sm × Sn ) = (#Sm ) × (#Sn ) =⇒ ϕ(mn) = ϕ(m) × ϕ(n) ,

quando mdc(m, n) = 1.
Em resumo, o nosso plano é definir uma função f : Smn −→ Sm × Sn
e mostra que ela é bijetiva se mdc(m, n) = 1. Vamos em frente então!

• A função f :
Definimos
f : Smn −→ Sm × Sn

x 7−→ x, x
onde x ≡ x (mod m) e x ≡ x (mod n).
Esta definição merece alguns esclarecimentos: se x ∈ Smn então
mdc(x, mn) = 1. Portanto, x não tem fatores primos em comum
com mn, logo x não tem fatores comuns com m ou com n, isto é,
mdc(x, m) = mdc(x, n) = 1.
Pode ser que x > m mas x ≡ x, com 1 ≤ x ≤ m. Como mdc(x, m) = 1
então mdc(x, m) = 1 (prove isto!), logo 1 ≤ x ≤ m e mdc(x, m) = 1,
isto é, x ∈ Smn . Assim, existe x ∈ Sm tal que x ≡ x (mod m).
Analogamente, existe x ∈ Sn tal que x ≡ x (mod n). Assim, nossa
definição da função f faz todo o sentido.

• f é injetiva:
Vamos mostrar, por contradição, que f é injetiva. Suponha que não
seja e suponha que existem x, y ∈ Smn tais que f (x) = f (y), isto é,

(x mod m, x mod n) = (y mod m, y mod n) =⇒ x ≡ y (mod m)


e x ≡ y (mod n) (∗)

Suponha que x > y (o caso y > x é análogo). Temos

1 ≤ y, x < mn (pois x, y ∈ Smn ) .

Logo
0 ≤ x − y < mn .

13 CEDERJ
A função φ (phi) de Euler
Algebra 1

De (∗) concluı́mos que x − y ≡ 0 (mod m) e x − y ≡ 0 (mod n) o que


implica m | x − y e n | x − y, isto é, x − y é múltiplo comum de m e n.
Portanto, x − y é múltiplo de mmc(m, n) = mn. Daı́ resulta uma con-
tradição, x − y não pode ser múltiplo de mn, uma vez que
0 ≤ x − y < mn.

• f é sobrejetiva:
Seja (a, b) ∈ Sm × Sn . Devemos encontrar um x ∈ Smn tal que
f (x) = (a, b), isto é,

x≡a (mod m) e x ≡ b (mod n) (∗∗)

Note que, caso exista tal x, teremos

x≡a (mod m) =⇒ x = a + km

para algum k ∈ Z e

Lembre-se que
x≡b (mod n) =⇒ x = b + ln
mmc(m, n) · mdc(m, n) =
= m · n. Se m e n são para algum l ∈ Z.
primos entre si então
mdc(m, n) = 1, logo Igualando as duas equações temos
mmc(m, n) = m · n.

a + km = b + ln =⇒ a − b = ln = km .

Portanto, para encontrarmos x, podemos começar expressando a−b em


termos de n e m. Lembre-se que, como mdc(m, n) = 1 então existem
k 0 , k 00 ∈ Z tais que
1 = k 0 m + k 00 n .
Multiplicando por a − b:

a − b = (a − b)k 0 n + (a − b)k 00 n
a − (a − b)k 00 m = b + (a − b)k 0 n .
| {z } | {z }
k l

Logo existem k, l ∈ Z tais que

a + km = b + ln .

Seja x0 = a + km = b + ln. Então,

x0 = a + km =⇒ x0 ≡ a (mod m)
x0 = b + ln =⇒ x0 ≡ b (mod n) .

CEDERJ 14
A função φ (phi) de Euler
AULA 14

Assim, x0 atende às congruências (∗∗).


O único problema é que x0 pode ser grande demais para estar em Smn ,
isto é, poderı́amos ter x0 > mn. Se este for o caso, seja x tal que
x0 ≡ x (mod mn) e 1 ≤ x ≤ mn.
Como x0 ≡ x (mod mn) então x ≡ x0 ≡ a (mod m). Logo
x ≡ a (mod m) e x ≡ b (mod n) e x ≡ x0 ≡ b (mod n) e, 1 ≤ x ≤ mn.
Resta apenas mostrar que mdc(x, mn) = 1.
Como a e m não tem fatores comuns (pois a ∈ Smn ) e x ≡ a (mod m)
então x e m não tem fatores comuns.
Analogamente, como b e n não tem fatores comuns (pois b ∈ Sn ) e
x ≡ (mod n) então x e n não tem fatores comuns.
Portanto, x e mn não tem fatores comuns (porque x não os tem com
m e com n), isto é, mdc(x, mn) = 1.
Com isto, conseguimos encontrar um x ∈ Smn tal que x ≡ (mod m) e
x ≡ b (mod n) o que completa a demonstração de que f é sobrejetiva.

Demonstramos que f : Smn −→ Sm × Sn é bijetiva e, portanto,


ϕ(mn) = ϕ(m) · ϕ(n) se mdc(m, n) = 1.

Exemplo 8
a) ϕ(20) = ϕ(4 × 5) = ϕ(4) · ϕ(5) = 2 × 4 = 8.
b) ϕ(30) = ϕ(5 × 6) = ϕ(5) · ϕ(6) = ϕ(5) · ϕ(2) · ϕ(3) = 4 × 1 × 2 = 8.

Atividade: Encontre ϕ(100) e ϕ(600).

Juntando tudo
Aplicando as propriedades da função ϕ(m) que demonstramos ante-
riormente, podemos calcular ϕ(n) a partir da decomposição de n em fatores
primos.
Provemos que ϕ(mn) = ϕ(m) · ϕ(n) se mdc(m, n) = 1. Podemos
facilmente estender este resultado:
Proposição 3
Se N1 , N2 , · · · , Nr são inteiros positivos dois a dois primos entre si então

ϕ(N1 · N2 · N3 · ... · Nr ) = ϕ(N1 ) · ϕ(N2 ) · ... · ϕ(Nr ) .

15 CEDERJ
A função φ (phi) de Euler
Algebra 1

Demonstração: Basta aplicar a proposição anterior sucessivamente:


ϕ(N1 · N2 · N3 · ... · Nr ) = ϕ(N1 ) · ϕ(N2 · N3 · ... · Nr ), pois mdc(N1 , N2 , · · · , Nr ) = 1
= ϕ(N1 ) · ϕ(N2 ) · ϕ(N3 · ... · Nr ), pois mdc(N2 , N3 , · · · , Nr ) = 1
..
.
= ϕ(N1 ) · ϕ(N2 ) · ... · ϕ(Nr ) .

Seja agora N = pα1 1 · pα2 2 · ... · pαr r , onde p1 , · · · , pr são primos distintos.
Os termos pα1 1 , pα2 2 , ..., pαr r são dois a dois primos entre si. Logo
ϕ(N ) = ϕ(pα α2 αr α1 α2 αr
1 · p2 · ... · pr ) = ϕ(p1 ) · ϕ(p2 ) · ... · ϕ(pr ) .
1

Mas,  
α α α−1 α 1
ϕ(p ) = p − p =p 1− .
p
Logo,      
1 1 1
ϕ(N ) = pα
1
1
1 − · p α2
2 · 1 − · ... · p αr
r 1 − .
p1 p2 pr

Reordenando os termos do produto obtemos:


     
1 1 1
ϕ(N ) = (pα
1
1
· pα
2
2
· ... · pα
r )
r
· 1− · 1− · ... · 1 −
| {z } p1 p2 pr
=N
     
1 1 1
ϕ(N ) = N · 1 − · 1− · ... · 1 − .
p1 p2 pr

Podemos escrever esta expressão de uma forma mais sintética como:


Y  1

ϕ(N ) = N · 1− .
p|N
p
p primo
Q
O sı́mbolo indica o produto e p | N , p primo, sob o sı́mbolo, indica
„ «
que os fatores do produto são os termos 1 − 1 , onde tomamos todos os
p
primos p divisores de N .

Exemplo 9
Tomemos N = 120.
Fatorando 120, obtemos
120 = 23 × 3 × 5 .
Assim,
     
1 1 1 1 2 4
ϕ(120) = 120 · 1 − · 1− · 1− = 120 · · · = 32 .
2 3 5 2 3 5

Equivalentemente, poderı́amos fazer


ϕ(120) = ϕ(23 ×3×5) = ϕ(23 )·ϕ(3)·ϕ(5) = 23−1 (2−1)×(3−1)×(5−1) = 4×2×4 = 32 .

CEDERJ 16
A função φ (phi) de Euler
AULA 14

Resumo
Nesta aula definimos a função ϕ de Euler e obtivemos duas propriedades
desta função que permitem calcular rapidamente o valor de ϕ(N ) e partir da
decomposição de N em fatores primos.
Na próxima aula veremos um teorema muito importante que envolve a
função ϕ(N ): o teorema de Euler.

Exercı́cios
1. Calcule ϕ(N ) para os seguintes valores de N :
a) N = 200

b) N = 500

c) N = 22 × 35 × 74

d) N = (20)5

2. Verifique, para N = 12, N = 15 e N = 20, que vale a fórmula


X
ϕ(d) = n .
d|n

Por exemplo, para N = 12, os divisores positivos são {1, 2, 3, 4, 6, 12}.


A fórmula seria:
X
ϕ(d) = n =⇒ ϕ(1) + ϕ(2) + ϕ(3) + ϕ(4) + ϕ(6) + ϕ(12) = 12
d|12

que é uma sentença verdadeira (verifique!).


Verifique que a fórmula também vale para N = 15 e N = 20.
Na verdade, pode-se demonstrar que esta fórmula vale para todo n
inteiro positivo.

17 CEDERJ
As equações diofantinas lineares
AULA 15

Aula 15 – As equações diofantinas lineares

Meta:
Apresentar o conceito de equações diofantinas e discutir soluções intei-
ras das equações diofantinas lineares.

Objetivos
• Definir o conceito de equações diofantinas e equações diofantinas line-
ares;

• determinar condições necessárias e suficientes para existência das equações


diofantinas lineares;

• resolver, quando possı́vel, equações diofantinas lineares em duas variáveis.

Introdução

O estudo das equações polinomiais com coeficientes inteiros e suas


possı́veis soluções inteiras se reporta aos gregos, no século III d.C.
Diophantes de Alexandria foi o primeiro a tratar sistematicamente des-
sas equações, discutindo existência de suas soluções inteiras e procurando
calcular essas soluções. Por isso, essas equações especiais são chamadas de
equações diofantinas. E entendido que nessas equações estamos interessados
em discutir a existência e a possı́vel determinação de suas soluções inteiras
(as vezes também soluções racionais). Em geral, esse é um problema que
pode ser muito difı́cil de se atacar com sucesso. Uma dada equação diofan-
tina pode não possuir soluções inteiras, como pode também possuir infinitas
soluções inteiras. Por exemplo, x2 + y 2 = 3 não possui soluções inteiras,
x2 + y 2 = 2 possui quatro soluções inteiras (±1, ±1), enquanto que a equação
x2 + y 2 = z 2 possui infinitas soluções inteiras (x, y, z).
Nessa aula, discutiremos a existência e, quando possı́vel, calculare-
mos todas as soluções das equações diofantinas lineares em duas variáveis,
ax + by = c.

As equações diofantinas lineares

Sejam a1 , a2 , · · · , an inteiros não nulos, e seja c um dado número inteiro.

19 CEDERJ
As equações diofantinas lineares
Algebra 1

A equação a1 x1 + a2 x2 + · · · + an xn = c é chamada equação diofantina


linear em n variáveis x1 , x2 , · · · , xn .
O subconjunto S ⊆ Zn = Z
| ×Z×
{z· · · × Z} de todas as n-uplas inteiras
n vezes
(r1 , r2 , · · · , rn ) ∈ Zn , que satisfazem a equação a1 x1 + a2 x2 + · · · + an xn = c
(isto é, a1 r1 + a2 r2 + · · · + an rn = c) é chamado de conjunto solução dessa
equação diofantina linear.
Primeiramente estamos interessados em dar condições necessárias e su-
ficientes para que o conjunto S seja não vazio (isto é, exista solução para a
dada equação diofantina linear). A seguinte proposição responde a pergunta
anterior.
Sejam a1 , a2 , · · · , an inteiros não nulos e seja d ≥ 1, onde
d = mdc(a1 , a2 , · · · , an ) e, seja S o conjunto solução da equação diofantina li-
near a 1 x1 +
+a2 x2 + · · · + an xn = c.
Proposição 1

S 6= ∅ ⇐⇒ d é divisor de c .

Primeiramente observamos que o Teorema 2, da Aula #6, pode ser


generalizado com o seguinte enunciado:

Lema 2 (generalização do Teorema 2 da Aula #6)


Za1 + Za2 + · · · + Zan = Zd , (d ≥ 1) ⇐⇒ d = mdc(a1 , a2 , · · · , an ) . Em
particular, se mdc(a1 , a2 , · · · , an ) = 1 então existem inteiros s1 , s2 , · · · , sn
tais que:
s1 a01 + s2 a02 + · · · + sn a0n = 1 ,
e nessa situação, tem-se:

Za01 + Za02 + · · · + Za0n = Z .

Assumindo o Lema 1 como verdadeiro, vamos então demonstrar a Pro-


posição 1.

Demonstração:
(=⇒) Assume S 6= ∅. Vamos mostrar que d | c (isto é, d é divisor de c).
De S 6= ∅ segue que existe uma solução (b1 , b2 , · · · , bn ) para a equação
diofantina linear a1 x1 +a2 x2 +· · ·+an xn = c.Assim, a1 b1 +a2 b2 +· · ·+an bn = c.
Agora, d | a1 , · · · , an =⇒ d | c .

CEDERJ 20
As equações diofantinas lineares
AULA 15

(⇐=) Assume que d | c . Vamos provar que S 6= ∅.

d = mdc(a1 , · · · , an ) =⇒ d | a1 , · · · , an .

a a a c
Sejam a01 = 1 , a02 = 2 , · · · , a0n = n (todos inteiros) e c0 = ∈ Z . Como
d d d d
d = mdc(a1 , a2 , · · · , an ) segue que mdc(a01 , a02 , · · · , a0n ) = 1. Daı́ segue que:

Za01 + Za02 + · · · + Za0n = Z ,

e daı́ segue que existem inteiros s1 , s2 , · · · , sn tais que

s1 a01 + s2 a02 + · · · + sn a0n = c0 .

Multiplicando por d, temos:

s1 a1 + s 2 a2 + · · · + s n an = c ,

e, portanto, (s1 , s2 , · · · , sn ) ∈ S é uma solução da equação diofantina linear


a1 x1 + a2 x2 + · · · + an xn = c, e S 6= ∅ completando a demonstração da
Proposição 1.

Atividade:

1. Defina a noção de mdc(a1 , a2 , · · · , an ) e demonstre o Lema 1, usado na


demonstração da Proposição 1.

2. Reescreva a demonstração da Proposição 1 para equações diofantinas


lineares ax + by = c, em duas variáveis x e y.

As equações diofantinas lineares em duas variáveis


Agora vamos desenvolver os estudos para analisar as equações diofan-
tinas lineares ax + by = c, em duas variáveis x e y, com a, b 6= 0.
Seja S o conjunto solução (inteiras) de ax + by = c. Pela Proposição 1,
anteriormente demonstrada, temos que:

“O conjunto solução S de ax + by = c é não vazio


se, e somente se, d | c ”, onde d = mdc(a, b) .

21 CEDERJ
As equações diofantinas lineares
Algebra 1

Em seguida, responderemos a seguinte pergunta, onde d = mdc(a, b).


Caso S seja não vazio, como descrever todas as soluções inteiras (x, y)
da equação diofantina linear ax + by = c?

Proposição 2
Seja (x0 , y0 ) ∈ S uma solução particular de ax + by = c. Então S possui
infinitas soluções (x, y) ∈ Z2 , e todas as soluções podem ser descritas em
equações paramétricas inteiras do seguinte modo:
 b

 x = x0 −
 t
d
 a

 y = y0 + t
d
com t ∈ Z .

Demonstração: Primeiramente vamos verificar que os pares (x, y) ∈ Z2 ,


descritos por x = x0 − db t e y = y0 + ad t (t ∈ Z) são soluções de ax + by = c.
De fato,
     
b a ab ba
ax + by = a x0 − t + b y0 + t = (ax0 + by0 ) + − t+ t = c +0 = c.
d d d d

Agora, seja (x, y) ∈ S uma solução genérica de ax+by = ce, seja (x0 , y0 ) ∈ S
uma dada solução particular de ax + by = c. Assim,
(
ax + by = c
ax0 + by0 = c

Diminuindo essas igualdades temos:

a(x − x0 ) + b(y − y0 ) = 0 ,

ou seja,
a(x − x0 ) = (−b)(y − y0 ) .
a b
Seja a0 = e b0 = , onde d = mdc(a, b).
d d
Portanto teremos:

a0 (x − x0 ) = −b0 (y − y0 ) = 0 ,

onde mdc(a0 , b0 ) = 1. Assim, a0 | (y − y0 ) e −b0 | (x − x0 ) e temos:

x − x0 y − y0
0
= = t ∈ Z.
−b a0

CEDERJ 22
As equações diofantinas lineares
AULA 15

Daı́ segue que:


  
0 b


 x = x 0 + (−b )t = x 0 + − t
 d
 

 0 a
 y = y0 + (a )t = y0 +
 t
d
com t ∈ Z como querı́amos demonstrar.

Observação
ab
Seja d = mdc(a, b) e m = mmc(a, b). Sabemos que = m, daı́ segue que
d
b m a m
= e = . Portanto, na Proposição 2, anterior, poderı́amos descrever
d a d b
as soluções (x, y) de ax + by = c do seguinte modo:
 m
 x = x0 − a t

 y=y +mt

0
b
com t ∈ Z .
Exemplo 10
Determine o conjunto S de todas as soluções da equação diofantina linear
12x + 18y = 30.
Solução:
Seja d = mdc(12, 18) = 6. Como d = 6 é divisor de c = 30, temos que o
conjunto solução S é não vazio.
De fato, (x0 , y0 ) = (1, 1) ∈ S é uma solução particular da equação 12x+18y =
30. Assim, o conjunto S de todas as soluções inteiras de 12x + 18y = 30 é
dado por: (x, y) ∈ S:

 x = 1 − 18 t = 1 − 3t

6
 12
 y = 1+ t = 1 + 2t
6

Atividade:

1. Discuta a existência de soluções inteiras da equação diofantina linear


ax = c em uma variável x (a 6= 0 e c inteiros).

2. Resolva, se possı́vel, a equação diofantina 10x + 25y = 20.

23 CEDERJ
As equações diofantinas lineares
Algebra 1

( (x, y) ∈ S das soluções inteiras das


3. Interprete graficamente o conjunto
(a) 12x + 18y = 30
seguintes equações diofantinas .
(b) 10x + 25y = 20

4. Em geral, determinar as soluções de equações diofantinas lineares em


mais de duas variáveis é mais complicado do que em apenas duas
variáveis.
Por exemplo, mostre que (x, y, z) ∈ Z3 descritas parametricamente, em
Z, abaixo, são soluções da equação diofantina 2x + 3y + 5z = 0.

 x = α + 5r

y = α + 5s


z = −α − 2r − 3s

com α, r, s ∈ Z .
(Observe que (α, α, −α) é uma solução).

Resumo
Nesta aula, introduzimos métodos que nos permitem discutir existência
e cálculo de soluções de equações diofantinas lineares. No caso de duas
variáveis, demos a partir de uma solução particular de ax + by = c, uma
descrição paramétrica inteira de todos as soluções inteiras de ax + by = c.

CEDERJ 24
A equação diofantina pitagórica x2 + y 2 = z 2
AULA 16

Aula 16 – A equação diofantina pitagórica


x2 + y 2 = z 2

Meta:
Apresentar a equação diofantina x2 +y 2 = z 2 como um modelo quadrático
contendo infinitas soluções.

Objetivos
• Determinar todas as infinitas soluções inteiras da equação quadrática
diofantina x2 + y 2 = z 2 , em três variáveis x, y e z.

Introdução
As equações diofantinas vem fascinando muitos matemáticos ao longo
de muitos séculos e, um desses matemáticos, foi Pierre de Fermat (1601-
1665), jurista francês, que dedicava grande parte do seu tempo disponı́vel ao
estudo de problemas de Matemática.
Fermat, estudando os escritos de Diophantus, na página onde se tratava
das equações pitagóricas x2 + y 2 = z 2 e suas soluções inteiras, anotou na
margem da página a seguinte afirmação:

“A equação xn + y n = z n , para n > 2,


não possui soluções inteiras não nulas x, y e z”,

e escrevia em seguida que tinha descoberto “uma verdadeiramente maravi-


lhosa demonstração para esta afirmação, mas que a margem era demasiada-
mente estreita para contê-la”.
É senso comum que, de fato, Fermat não possuı́a qualquer demons-
tração daquela afirmação que se convencionou chamar de “o último teorema
de Fermat”, um dos mais celebrados desafios na Matemática em todos os
tempos.
As tentativas para demonstrar esse teorema, foram muitas e, de fato,
deram origem a criação de importantes e belas teorias na Matemática como,

25 CEDERJ
A equação diofantina pitagórica x2 + y 2 = z 2
Algebra 1

por exemplo, a teoria dos anéis e ideais, com destaque para o matemático
alemão E.Kummer, no sec XIX.
Algumas soluções particulares desse teorema foram apresentadas, como
por exemplo, para n = 3 (Euler), n = 4 (Fermat, Leibnitz e Euler) e n = 5
(Dirichilet e Legendre) e para alguns valores de n (primos regulares), por
E.Kummer.
Em 1993, quase 300 anos após a formulação de Fermat, e após a contri-
buição de muitos matemáticos, o matemático inglês Andrew Wiles, anunciou
a demonstração do chamado “último teorema de Fermat”.
Em 1993, aos 40 anos de idade, Andrew Wiles relatou o que sentiu ao
ter tomado conhecimento do grande desafio legado por Fermat: “Parecia tão
simples e, no entanto, nenhum dos grandes matemáticos da história conse-
guira resolvê-lo. Ali estava um problema que eu, menino de 10 anos, podia
entender e a partir daquele momento nunca o deixaria escapar”.
Nessa aula trataremos da equação diofantina pitagórica x2 + y 2 = z 2
e suas infinitas soluções inteiras.

A equação diofantina x2 + y 2 = z 2
Estamos interessados em descrever o conjunto S de todas as soluções
inteiras S = (a, b, c) da equação x2 + y 2 = z 2 .
Assim, S pode ser descrito por:

S = {(a, b, c) ∈ Z × Z × Z | a2 + b2 = c2 } .

Observação
É fácil verificar as seguintes afirmações:
a. (0, ±b, ±b) e (±a, 0, ±a) ∈ S, ∀a, b ∈ Z
b. Se (a, b, c) ∈ S então (±a, ±b, ±c) ∈ S
c. Se k ∈ Z e (a, b, c) ∈ S então (±ka, ±kb, ±kc)

Definição 1
Seja (a, b, c) ∈ S. Dizemos que (a, b, c) ∈ S é uma solução reduzida se
mdc(a, b) = 1 com a, b, c positivos.

Pelas observações anteriores temos que se (a, b, c) ∈ S é uma solução


reduzida então (±ka, ±kb, ±kc) ∈ S, ∀ k ∈ Z .
Em seguida provaremos que todas as soluções (a, b, c) ∈ Z3 de x2 +

CEDERJ 26
A equação diofantina pitagórica x2 + y 2 = z 2
AULA 16

y 2 = z 2 com ab 6= 0 são expressas da forma acima, em função das soluções


reduzidas.
Proposição 1
Seja (a, b, c) ∈ S, com ab 6= 0. Então existe solução reduzida (a0 , b0 , c0 ) e existe
k ∈ Z tal que (a, b, c) é uma das soluções descritas por (±ka0 , ±kb0 , ±kc0 ).

Demonstração: Seja (a, b, c) ∈ S, com ab 6= 0. Assim, a2 + b2 = c2 com a e b


não nulos. Como (s)2 = (−s)2 para todo s ∈ Z temos que |a|2 + |b|2 = |c|2
e (|a|, |b|, |c|) ∈ S com |a|, |b| > 0.
Seja d = mdc(|a|, |b|). Assim, d ≥ 1. Se d = 1, temos que
(|a|, |b|, |c|) ∈ S é uma solução reduzida e, nesse caso, (a, b, c) é uma das
soluções (±a, ±b, ±c) e a Proposição 2 é verdadeira tomando k = 1. Assim,
podemos assumir d ≥ 2.
|a| |b|
Sejam a0 e b0 definidos por a0 = e b0 = . Sabemos que a0 e b0 são
d d
inteiros positivos e que mdc(a0 , b0 ) = 1.
Agora,

|a|2 + |b|2 = |c|2 =⇒ d2 ((a0 )2 + (b0 )2 ) = |c|2

e, portanto, d2 | |c|2 .
Como d2 | |c|2 , segue, pelo teorema fundamental da aritmética, que
|c|
d também divide |c|. Seja c0 o inteiro positivo definido por c0 = . Assim,
d
d2 ((a0 )2 +(b0 )2 ) = d2 (c0 )2 , (a0 )2 +(b0 )2 = (c0 )2 e (a0 , b0 , c0 ) é solução reduzida.
Portanto, (a, b, c) é uma das soluções (±|a|, ±|b|, ±|c|) e como
|a| = da0 , |b| = db0 e |c| = dc0 temos que existe k = d tal que (a, b, c) é
uma das soluções (±da0 , ±db0 , ±dc0 ) e isto demonstra a Proposição 2 com
(a0 , b0 , c0 ) solução reduzida.

Proposição 2
Seja (a, b, c) ∈ S uma solução reduzida. Então

mdc(a, b) = mdc(a, c) = mdc(b, c) = 1 .

Demonstração: Pela definição de solução reduzida, temos a, b, c > 0 e


mdc(a, b) = 1.
Sejam d1 = mdc(a, c) e d2 = mdc(b, c). Vamos provar que d1 = d2 = =
1.

27 CEDERJ
A equação diofantina pitagórica x2 + y 2 = z 2
Algebra 1

Seja p1 ≥ 2 um primo dividindo d1 . Assim, p1 | a e p1 | c. Agora,

a2 + b2 = c2 =⇒ b2 = c2 − a2 .

Como p1 | a e p1 | c temos que p21 | b2 e daı́ segue que p1 | b e, portanto,


p1 | mdc(a, b) = 1, uma contradição. Daı́, segue que d1 = 1. Analogamente
temos que d2 = 1.

Agora, vamos calcular todas as soluções reduzidas (a, b, c) de x2 + y 2 =


= z 2 . A partir dessas soluções reduzidas, temos que o conjunto de todas as
soluções inteiras de x2 + y 2 = z 2 será a união de todas as soluções dos tipos

(±a, 0, ±a), (0, ±b, ±b), ∀ a, b ∈ Z .

e (±ka, ±kb, ±kc), com (a, b, c) solução reduzida e para todo k ∈ Z.

Teorema 1
O conjunto de todas as soluções reduzidas (a, b, c) de x2 + y 2 = z 2 pode ser
descrito do seguinte modo:
 
 a = rs  s2 − r 2

 
 a=


 2 2


 2

 s −r 

b= b = rs
2 ou

 



 s2 + r 2 

 s2 + r 2

 c = 
 c =
 2  2

com r < s inteiros positivos ı́mpares.

Demonstração: Sejam a, b, c > 0 inteiros e (a, b, c) uma solução reduzida


x2 + y 2 = z 2 .
Inicialmente, vamos provar o seguinte:

Lema 3
c deve ser ı́mpar, e temos duas possibilidades?

(i) a ı́mpar, b par e c ı́mpar ou,

(ii) a par, b ı́mpar e c ı́mpar.

CEDERJ 28
A equação diofantina pitagórica x2 + y 2 = z 2
AULA 16

Demonstração: Primeiramente, vamos demonstrar que c deve ser ı́mpar.


Assume, por contradição, que c = 2t é um inteiro par. Portanto,
c2 = 4t2 ≡ 0 (mod 4) é um par, múltiplo de 4.
Como a solução é reduzida temos, pela Proposição 3, que mdc(a, c) =
= mdc(b, c) = 1. Daı́, segue que terı́amos a = 2k + 1 e b = 2s + 1 ı́mpares.
Agora a2 + b2 = c2 nos diz que:

(2k + 1)2 + (2s + 1)2 = 4t4 ≡ 0 (mod 4) .

Mas,
4k 2 + 4k + 1 + 4s2 + 4s + 1 ≡ 2 (mod 4) .

Uma contradição. Portanto c é ı́mpar, em qualquer solução reduzida (a, b, c).


Como a soma de dois números inteiros ı́mpares (ou dois inteiros pares)
é sempre par, temos que em uma solução reduzida (a, b, c) uma das duas vale:

 a = ı́mpar

(i) (a, b, c), com b = par


c = ı́mpar

ou

 a = par

(ii) (a, b, c), com b = ı́mpar .


c = ı́mpar
Como na situação (ii) apenas trocamos os papéis de a e b, vamos resolver
calculando todas as soluções reduzidas (a, b, c), com a ı́mpar, b par e c ı́mpar.
Depois trocamos os papéis de a e b.
A partir de agora, seja (a, b, c) uma solução reduzida de x2 + y 2 = z 2 ,
com a ı́mpar, b par e c ı́mpar.
Agora vamos provar um lema:

Lema 4

mdc(c − b, c + b) = 1 .

Demonstração: Assume d = mdc(c − b, c + b) e suponhamos d ≥ 2. Seja


p ≥ 2 um primo tal que p | d.
Agora, (c − b) e (c + b) ı́mpares nos diz que p ≥ 3 é ı́mpar.

a2 + b2 = c2 =⇒ a2 = c2 − b2 = (c − b)(c + b) .

29 CEDERJ
A equação diofantina pitagórica x2 + y 2 = z 2
Algebra 1

Como p | (c − b) e p | (c + b) temos que p | a2 . Agora, p primo nos diz que


p | a.
Agora, (
c − b = rp
c + b = sp
nos dá 2c = (r + s)p. Como p ≥ 3 é ı́mpar, segue que p | c.
Portanto, p | a e p | c. Uma contradição pois, pela Proposição 3, temos
mdc(a, c) = 1.
Portanto d = mdc(c − b, c + b) = 1. Daı́ segue que a2 = c2 − b2 =
= (c − b)(c + b) com mdc(c − b, c + b) = 1.
Como a é ı́mpar, temos pelo teorema fundamental da aritmética que
(c − b) e (c + b) são inteiros quadrados ı́mpares.
Digamos que existem r, s inteiros ı́mpares tais que c−b = r 2 e c+b = s2
com |s| > |r|.
Portanto, temos que existem r, s inteiros ı́mpares tais que

s2 − r 2 s2 + r 2
b= >0 e c= >0 (s2 > r 2 ) .
2 2
Como a2 = (c − b)(c + b) = r 2 s2 temos que a = |r| · |s| > 0 com r, s ı́mpares.
Assim, as soluções reduzidas com a ı́mpar são as seguintes:



 a = |r| · |s|




 |s|2 − |r|2
b=
2




 |s| + |r|2
2

 c=


2

com |r| > 0, |s| > 0 inteiros ı́mpares com |s| > |r|.
As soluções reduzidas com a par e b ı́mpar são dadas por:

 |s|2 − |r|2

 a =


 2


b = |r| · |s|




 |s|2 + |r|2

 c =
 2

com |r| > 0, |s| > 0 inteiros ı́mpares com |s| > |r| e isto demonstra o teore-
ma 1.

CEDERJ 30
A equação diofantina pitagórica x2 + y 2 = z 2
AULA 16

Observação
As soluções reduzidas (a, b, c) ∈ S da equação pitagórica x2 + y 2 = z 2 pode-
riam ainda ser apresentadas de uma outra forma. Vamos ver como podemos
apresentar essa nova forma das soluções reduzidas.
Como 0 < r < s são números ı́mpares na descrição paramétrica (inteira)
apresentada no teorema 1, podemos então introduzir os inteiros m e n tais
que: (
s + r = 2m
(∗)
s − r = 2n
(observe que s ± r é par).
Daı́, segue que (s + r)(s − r) = 4mn, ou seja,

s2 − r 2
= 2mn (1)
2

Mas resolvendo o sistema (∗) temos s = m+n e r = m−n, com m > n.


Daı́ segue que

s2 + r 2 (m + n)2 + (m − n)2
= = m2 + n2 (2)
2 2
e
rs = (m + n)(m − n) = m2 − n2 (3)

Portanto, utilizando essa nova parametrização inteira, teremos a des-


crição de todas as soluções reduzidas (a, b, c) ∈ S da equação pitagórica
através de 
2 2
 a=m −n

b = 2mn


c = m 2 + n2
com m > n inteiros, onde m e n são distintas paridades, pois a e c são
ı́mpares ou 
 a = 2mn

b = m 2 − n2


c = m 2 + n2
com m e n inteiros de distintas paridades.

Atividades:

31 CEDERJ
A equação diofantina pitagórica x2 + y 2 = z 2
Algebra 1

1. Seja a = pq, onde p e q são primos ı́mpares com q > p. Mostre que:
q 2 − p2 q 2 + p2
(i) a = pq, b = e c= é uma solução inteira reduzida de
2 2
x2 + y 2 = z 2 .
(ii) Aplique a fórmula acima para os seguintes valores de p e q:

a) p = 3 < 5 = q
b) p = 5 < 7 = q

2. Sejam d e c inteiros positivos tais que d2 | c2 . Mostre que d | c.

3. Mostre que: dado um número inteiro positivo a ≥ 3 sempre existe


inteiros positivos b e c tais que a2 + b2 = c2 .

Resumo
Nessa aula, apresentamos as equações diofantinas pitagóricas
x2 + y 2 = z 2 correlacionadas com o mais famoso desafio da Matemática:
“o último teorema de Fermat”, e apresentamos uma forma de apresentar
todas as soluções inteiras (a, b, c) dessa equação.

CEDERJ 32
Equações de congruências
AULA 17

Aula 17 – Equações de congruências

Meta:
Apresentar as equações de congruências do tipo ax ≡ b (mod n).

Objetivos
• Discutir a existência de soluções inteiras das equações de congruências
ax ≡ b (mod n);

• resolver, quando possı́vel, equações de congruências;

• utilizar congruências para discutir a existência de certas equações dio-


fantinas.

Introdução
Equações de congruências são equações onde o sı́mbolo = de igualdade
é substituı́do pelo sı́mbolo ≡ (mod n), de congruência módulo n.
Equações de congruências são muitas vezes utilizadas para discussão e
determinação de soluções inteiras de equações diofantinas.
Estudaremos nessa aula as equações de congruências lineares do tipo
ax ≡ b (mod n).
Estamos interessados em descrever todos os inteiros x ∈ Z, se existirem,
que satisfaçam a equação de congruência ax ≡ b (mod n). Assim, resolver
uma equação de congruência é descrever todas as suas soluções inteiras.

As equações de congruências ax ≡ b (mod n)


Seja n > 0 um dado inteiro e sejam a, b ∈ Z com a 6= 0. Vamos discutir
a existência de soluções inteiras x ∈ Z que satisfazem a congruência ax ≡ b
(mod n).
Observe que x ∈ Z satisfaz a congruência ax ≡ b (mod n) se, e somente
se, existir t ∈ Z tal que

(ax − b) = tn ⇐⇒ ∃ t ∈ Z tal que ax = b + tn .

33 CEDERJ
Equações de congruências
Algebra 1

Assim, a congruência pode ser vista como uma igualdade mais um múltiplo
de n
Nas equações usuais (estudadas no ensino médio) do tipo ax = b, com
a, b ∈ Z e a 6= 0, nem sempre possui soluções inteiras. De fato, a solução
x = ab será inteira (e única) apenas se “a for divisı́vel por b”. Se “a não for
divisı́vel por b” então não existe solução inteira da equação ax = b.
Quando trabalhamos com a congruência ≡ (mod n), em vez da igual-
dade =, na equação ax ≡ b (mod n) o contexto é diferente. Nessa última si-
tuação, pode não existir solução (inteira) de ax ≡ b (mod n), como também
pode existir infinitas soluções inteiras. De fato, vamos ver mais adiante
que : “se a congruência ax ≡ b (mod n) possui uma solução x = x0 ∈ Z
então possui infinitas soluções do tipo x = x0 + tn para todo t ∈ Z” .
Antes de demonstrarmos algumas proposições vamos analisar dois
exemplos.

Exemplo 11
A equação de congruência 2x ≡ 1 (mod 4) não possui soluções inteiras.
Solução:
De fato, suponhamos que x0 ∈ Z é uma solução. Assim, 2x0 ≡ 1 (mod 4), o
que nos diz que: existe t ∈ Z tal que (2x0 − 1) = 4t. Mas isto é um absurdo
pois, (2x0 − 1) é ı́mpar e é igual a 4t que é um inteiro par.

Exemplo 12
A equação 2x ≡ 1 (mod 7) possui infinitas soluções inteiras.
Solução:
Seja S ⊂ Z o conjunto de todas as soluções inteiras da equação de congruência
2x ≡ 1 (mod 7). Vamos determinar S, mostrando que S é um conjunto
infinito.
De fato, como 4 × 2 = 8 ≡ 1 (mod 7) temos que: resolver 2x ≡ 1 (mod 7),
multiplicando por 4, temos

8x ≡ x ≡ 4 (mod 7) ,

e, assim,
S = {x ∈ Z | x ≡ 4 (mod 7)} .

Mas, x ≡ 4 (mod 7) se, e somente se, existe t ∈ Z tal que

x = 4 + 7t ⇐⇒ x ∈ Z.7 + 4 .

CEDERJ 34
Equações de congruências
AULA 17

Portanto, nesse caso, o conjunto S de todas as soluções inteiras de 2x ≡ 1


(mod 7) é dado por:

S = Z.7 + 4 = {x = 4 + 7k | k ∈ Z} .

Em particular, vemos que S é um conjunto com infinitas soluções inteiras.

Atividades:

1. Verifique que as seguintes equações de congruências não possuem soluções


inteiras:

(i) 4x ≡ 5 (mod 6)
(ii) 6x ≡ 8 (mod 9)

2. Determine o conjunto S ⊂ Z de todas as soluções das seguintes con-


gruências:

(i) 3x ≡ 2 (mod 5)
(ii) 5x ≡ 4 (mod 7)
(iii) 4x + 7 ≡ 10 (mod 9)

3. Você conseguiria descobrir por que razão as equações de congruências


do ı́tem 1 não possuem soluções?

Observação
No exemplo 2 vimos que mesmo que a equação usual 2x = 1 não possua
solução inteira, a equação de congruência 2x ≡ 1 (mod 7) possui infinitas
soluções dadas por

S = Z.7 + 4 = {4 + 7k | k ∈ Z} .

No contexto geral se uma equação de congruência ax ≡ b (mod n)


possui uma solução particular x0 ∈ Z então x = x0 + kn para todo k ∈ Z,
também será solução da equação. Para isso, basta substituir:

ax = a(x0 + kn) = ax0 + akn .

Mas x0 , sendo solução particular, satisfaz a congruência ax ≡ b (mod n) e


portanto, existe t ∈ Z tal que ax0 = b + tn.

35 CEDERJ
Equações de congruências
Algebra 1

Substituindo, teremos

ax = ax0 + akn = (b + tn) + akn = b + (t + ak)n =⇒ ax ≡ b (mod n) .

Agora seja dada a equação de congruência ax ≡ b (mod n) com a 6= 0


e seja S o subconjunto de Z de todas as soluções inteiras dessa equação.
Definição 1
S ⊂ Z é chamado de o conjunto solução da equação ax ≡ b (mod n).

O conjunto S pode ser ∅, como vimos no exemplo 1, ou pode ser infinito


como vimos no exemplo 2.
É natural perguntarmos: Quando é que S 6= ∅? A seguinte proposição
faz a primeira abordagem sobre essa questão.
Proposição 1
Seja d = mdc(a, n). Então S 6= ∅ se, e somente se, d | b (d é também divisor
de b).

Demonstração: Seja d = mdc(a, n).


(=⇒) Assumir primeiramente que o conjunto solução S, da equação de con-
gruência ax ≡ b (mod n) seja não vazio.
Assim, existe x0 ∈ S, uma solução inteira da equação ax ≡ b (mod n).
Portanto, existe t ∈ Z tal que ax0 = b + tn. Como d | a e d | n, segue que d
deve também dividir b = ax0 + (−t)n.
(⇐=) Agora vamos assumir que d | b e vamos exibir uma solução x0 ∈ S
(portanto S 6= ∅).
Como d | a, d | b e d | n, podemos definir os números inteiros a0 = a ,
d
b0 = b e n 0 = n .
d d
Agora, pode-se verificar diretamente dividindo a, b e n por d, que:

ax ≡ b (mod n) ⇐⇒ a0 x ≡ b0 (mod n0 ) .

Assim, resolver a equação de congruência, módulo n, ax ≡ b (mod n) é


equivalente a resolver a equação de congruência módulo n0 , a0 x ≡ b0 (mod n0 )
de equação de congruência reduzida.
Como resolver ax ≡ b (mod n) é equivalente a resolver a equação re-
duzida a0 x ≡ b0 (mod n0 ), vamos apresentar uma metodologia de exigir uma
solução x0 dessa última equação reduzida. Mais ainda, após apresentar uma

CEDERJ 36
Equações de congruências
AULA 17

solução particular x0 da equação reduzida, vamos provar que S = Z.n0 + x0 ,


isto é, o conjunto solução de ax ≡ b (mod n) que é o mesmo de a0 x ≡ b0
(mod n0 ) é infinito e expresso por S = Z.n0 + x0 .
Como mdc(a0 , n0 ) = 1 sabemos que existem inteiros r e s tais que
ra0 + sn0 = 1. Determinado o inteiro r, vamos provar que x0 = rb0 é uma
solução particular de a0 x ≡ b0 (mod n0 ).
De fato, de ra0 + sn0 = 1, multiplicando por b0 temos:

ra0 b0 + sn0 b0 = b0 .

Assim, a0 (rb0 )b0 + (−sb0 )n0 e isto nos diz que a0 (x0 ) ≡ b0 (mod n0 ) onde
x0 = rb0 é solução particular de a0 x ≡ b0 (mod n0 ).
Portanto, achando r, como acima, temos x0 = rb0 , solução particular,
e portanto, existe t ∈ Z tal que a0 x0 = b0 + tn0 .
Agora, seja x ∈ S uma solução geral de a0 x ≡ b0 (mod n0 ). Assim,
existe k ∈ Z tal que a0 x = b0 + kn0 . Mas, a0 x0 = b0 + tn0 , daı́ segue que

a0 (x − x0 ) = (k − t)n0 .

Portanto, n0 é um divisor de a0 (x − x0 ). Como mdc(a0 , n0 ) = 1, segue,


pelo teorema fundamental da aritmética, que n0 deve ser divisor de (x − x0 ).
Portanto, (x − x0 ) é múltiplo de n0 e temos que x ∈ Z.n0 + x0 .
Como Z.n0 + x0 ⊂ S, por verificação direta, vemos que o conjunto
solução S é igual ao conjunto Z.n0 + x0 como querı́amos demonstrar.

Agora vamos ver um exemplo.


Exemplo 13
Determinar o conjunto solução S da equação de congruência

12x ≡ 18 (mod 21) .

Solução:
Primeiramente vamos testar se S é não vazio.
Temos que d = mdc(a, n) = 3. Como d = 3 divide 18 = b, temos pela
proposição anterior que S 6= ∅.
Agora vamos determinar S. A equação reduzida a0 x ≡ b0 (mod n0 ) é a se-
guinte: a0 = 12 = 4, b0 = 18 = 6 e n0 = 21 = 7. Então 4x ≡ 6 (mod 7).
3 3 3

37 CEDERJ
Equações de congruências
Algebra 1

Como mdc(a0 , n0 ) = mdc(4, 7) = 1 então existem r = 2 e s = 1 tal que

ra0 + sb0 = 2 × +(−1) × 7 = 1 .

Pela Proposição 1, x0 = rb0 = 2 × 6 = 12 é uma solução particular de


congruência 12x ≡ 18 (mod 21) ou, equivalentemente, de 4x ≡ 6 (mod 7).
Como 12 ≡ 5 (mod 7), podemos escolher x0 = 5 como solução particular da
nossa equação de congruência módulo n0 = 7.
Pela Proposição 1, o conjunto solução S pode ser descrito por:

S = Z.n0 + x0 = Z.7 + 5 = {x = 5 + 7k | k ∈ Z} .

Portanto, a solução da equação de congruência módulo 21 está dada, em


função da congruência módulo 7: S = Z.7 + 5.

E se quiséssemos dar uma outra resposta usando congruências módulo


21, como poderı́amos descrever o conjunto S?
As soluções x dadas acima são da forma x = 5 + 7t. Como 21 = 7 × d =
= 7 × 3, podemos demonstrar t ∈ Z em d = 3 categorias: t = 3k (múltiplo
de d = 3); t = 3k + 1 ou t = 3k + 2. Substituindo em x = 5 + 7t obtemos as
respostas módulo 21:

 5 + 21k
 se t = 3k
x = 5 + 7t = 5 + 7(3k + 1) = 12 + 21k se t = 3k + 1


5 + 7(3k + 2) = 19 + 21k se t = 3k + 2

Portanto, podemos dar uma descrição, alternativa, para o conjunto


solução S, em função da congruência original módulo 21.
[ [
S = Z.21 + 5 • Z.21 + 12 • Z.21 + 19 .

Enquanto, que descrevendo, na forma reduzida, temos uma única classe


solução módulo 5, S = Z.7 + 5, temos descrevendo o mesmo conjunto S
três distintas classes soluções módulo 21, com representantes x0 = 5, x1 = 12
e x2 = 19.
Observe que
[ [
Z.7 + 5 = Z.21 + 5 • Z.21 + 12 • Z.21 + 19

(união disjunta de três classes).

CEDERJ 38
Equações de congruências
AULA 17

Inversão modular e solução da equação ax ≡ b (mod n)


em Zn
Seja Zn = {0, 1, 2, · · · , n − 1}, +, · o Anel comutativo com unidade 1
dos inteiros módulo n.
A equação modular ax ≡ b (mod n) em Z, pode ser interpretada como
uma equação (usual) em Zn . Para isso, basta observar que:

ax ≡ b (mod n) ⇐⇒ a
| · x{z= }b .
| {z }
em Z em Zn

Assim, resolver ax ≡ b (mod n) é equivalente a resolver (achar x) a equação


a · x = b em Zn .
Na Aula 12, vimos pela Proposição 2 que a 6= 0 possui inverso multi-
plicativo, r 6= 0, em Zn , se, e somente se, mdc(a, n) = 1.
Portanto, se ax ≡ b (mod n) for uma equação de congruência reduzida,
isto é, mdc(a, n) = 1, temos que a 6= 0 possui inverso multiplicativo e r 6= 0
em Zn . Assim, r · a = 1.
Agora, para resolver a · x = b, basta multiplicar por r = (a)−1 ambos
os membros dessa igualdade. De fato,

x = r(a · x) = r · b = rb

e x = rb é a única solução em Zn . Voltando para trabalhar com ≡ (mod n),


em Zn , isto significa que x0 = rb é uma solução particular da congruência
ax ≡ b (mod n) e o conjunto solução S ⊂ Z dessa equação reduzida é dado
por
S = x = x0 = Z.n + x0 ,
como já tı́nhamos visto anteriormente na resolução de equações de con-
gruências reduzidas.
Observação
Essa metodologia de resolver a equação de congruência reduzida através de
a · x = b é equivalente aquela desenvolvida na demonstração da Proposição 1.
As dificuldades que aparecem em ambas são essencialmente de mesmo grau.
Na Proposição 1, se mdc(a, n) = 1, temos que achar inteiros r, s ∈ Z tais que
ar + sn = 1 e x0 = rb é uma solução particular com S = Z.n + x0 . Olhando
como uma equação (usual) a · x = b, em Zn , temos que achar r ∈ Zn tal que
a · r = 1 e aı́, x0 = rb ∈ Z é uma solução particular sendo x = x0 = Z.n + x0
a única solução em Zn .

39 CEDERJ
Equações de congruências
Algebra 1

Exemplo 14
Resolver a equação de congruência 243x ≡ 5 (mod 725).
Solução:
Temos que a = 243, b = 5 e n = 725 com mdc(a, n) = mdc(243, 725) = 1.
Pode-se calcular, usando a metodologia usada no exemplo 16 da Aula 12
utilizando o algoritmo da divisão de Euclides.
Os valores r = 182 e s = −61 tais que

ra + sn = 182 × 243 + (−61) × 725 = 1 .

Portanto, x0 = rb = 182 × 5 = 910 é uma solução particular módulo 725.


Mas, módulo 725, podemos escolher x0 = 910−725 = 185 é uma solução par-
ticular da congruência 243x ≡ 5 (mod 725) e a solução geral dessa equação
de congruência reduzida é

S = Z.725 + 185 = {x = 185 + 725k | k ∈ Z} .

Observe que (234)−1 = 182, em Z725 e não seria mais fácil seguir o caminho
de resolver a · x = b com a = 243, b = 5, módulo 725.

Atividade:

1. Calcule os inversos multiplicativos de a nos seguintes casos:

(i) a = 3, Zn = Z10
(ii) a = 4, Zn = Z21
(iii) a = 6, Zn = Z35

2. Use o exemplo 1 acima para resolver as seguintes equações de con-


gruências reduzidas?

(i) 3x ≡ 7 (mod 10)


(ii) 4x ≡ 15 (mod 21)
(iii) 6x − 2 ≡ 11 (mod 35)

3. Sejam a e n os seguintes pares de números dados. Para cada um deles


use o algoritmo de Euclides, utilizado no exercı́cio 16 da Aula 12, para
determinar inteiros r e s tal que ar + ns = 1.

(i) a = 26, n = 14

CEDERJ 40
Equações de congruências
AULA 17

(ii) a = 243, n = 725

4. Seja 10x ≡ 15 (mod 20) a equação de congruência dada.

(i) Determine a solução módulo n0 = n = 4 da equação reduzida


d
2x ≡ 3 (mod 4).
(ii) Escreva as soluções dessa equação módulo 21.

Resumo
Nessa aula apresentamos metodologia para solucionar as equações de
congruências do tipo ax ≡ b (mod n), em Z. Se d = mdc(a, n) divide b,
o conjunto solução S é não vazio e através da equação de congruência reduzida
a0 x ≡ b0 (mod n)0 encontramos as soluções módulo n0 (única) e em seguida
expressamos essas soluções módulo n (d soluções módulo n). Apresentamos
ainda a forma alternativa de se considerar a equação de congruência ax ≡ b
(mod n), em Z, como uma equação (usual) a·x = b, em Zn onde pretendemos
determinar x.

41 CEDERJ
Sistemas lineares de congruências: o teorema chinês do resto
AULA 18

Aula 18 – Sistemas lineares de congruências:


o teorema chinês do resto

Meta:
Apresentar sistemas lineares de congruências e o teorema chinês do
resto.

Objetivos (
x ≡ a (mod m)
• Resolver sistemas lineares de congruências simples do tipo x ≡ a (mod n)
;

(
x ≡ a (mod m)
• resolver sistemas lineares do tipo ,usando uma primeira
x ≡ b (mod n)
versão do teorema chinês do resto;

• resolver sistemas lineares, com n equações e uma incógnita, utilizando


o teorema chinês do resto (versão geral).

Introdução

Sistemas de congruências é um conjunto de equações de congruências


onde se procura soluções inteiras que satisfaçam simultaneamente todas as
equações de congruências do sistema.
Estudaremos nessa aula sistemas lineares de congruência em uma variável
x, do tipo


 x ≡ a1 (mod m1 )


 x ≡ a (mod m )
2 2
.. .. ..


 . . .

 x ≡ a (mod m )
n n

O instrumento principal utilizado na resolução desses sistemas é o fa-


moso teorema chinês do resto, assim chamado por ter sido utilizado pe-
los chineses desde o inı́cio da era cristã e aparecendo no livro - Manual
de Aritmética - do mestre Sun, escrito por volta do sec IV, da nossa era.
Esse teorema tem várias aplicações computacionais aritméticas com grandes
números, utilizando-se várias congruências escolhidas dentro das condições
de aplicabilidade do teorema.

43 CEDERJ
Sistemas lineares de congruências: o teorema chinês do resto
Algebra 1

Os sistemas lineares
Os sistemas lineares mais simples de congruência são do tipo
(
x ≡ b (mod m)
(∗) .
x ≡ b (mod n)

Como resolver esse sistema descrevendo todas as suas soluções inteiras?


Solução:
De x ≡ b (mod m) segue que (x − b) ∈ Z.m e de x ≡ b (mod n) segue
que (x − b) ∈ Z.n. Assim, (x − b) ∈ Z.m ∩ Z.n.
Pelo teorema 6 da Aula 3, temos que:

(x − b) ∈ Z.m ∩ Z.n = Z.M, M = mmc(m, n) .

Portanto, x ≡ b (mod M ) com M = mmc(m, n) nos dão todas as infinitas


soluções do sistema (∗):
S = Z.M + b .

Observação
Se mdc(m, n) = 1, temos que, nesse caso, M = mn e as soluções inteiras do
sistema (∗) são dadas por:

x≡b (mod mn) .

A dificuldade é bem maior se considerarmos o sistema de congruência


do tipo (
x ≡ a (mod m)
(∗∗)
x ≡ b (mod n)
(se a = b caı́mos no caso anterior cuja solução já foi explicitada).
Como resolver esse sistema (∗∗)? Antes de fazermos uma consideração
geral sobre as soluções do sistema (∗∗), vamos dar um exemplo.

Exemplo 15
Resolva o sistema de congruência
(
x ≡ 2 (mod 5)
x ≡ 4 (mod 8)

Solução:

CEDERJ 44
Sistemas lineares de congruências: o teorema chinês do resto
AULA 18

Se x ≡ 2 (mod 5) então existe y ∈ Z tal que

x = 2 + 5y (4)

Substituindo na segunda congruência do sistema temos que x = 2 + 5y ≡ 4


(mod 8) implica
5y ≡ 2 (mod 8) . (5)

Portanto os valores de x são da forma x = 2 + 5y onde y é solução da


congruência (5). Como mdc(5, 8) = 1, essa equação (5) é uma equação
de congruência reduzida e, portanto, teremos soluções y = y0 + 8k onde
y0 = rb = r2 = −6, onde r = −3, s = 2 e −3 × 5 + 2 × 8 = 1. Logo
as soluções y são y ≡ −6 (mod 8), ou seja, y ≡ 2 (mod 8) o que implica
y = 2 + 8k com k ∈ Z.
As soluções x do sistema serão:

x = 2 + 5y = 2 + 5(2 + 8k) = 12 + 40k ,

isto é,
x ≡ 12 (mod 40) .

Assim, S = Z.40 + 12 ⊂ Z é o conjunto de todas as soluções inteiras do


sistema.

Observação
Observe que foi importante, para a solução de congruência, em y, que
mdc(m, n) = 1 e daı́ então construı́mos a solução de congruência módulo
mn = 40, para o sistema dado.
(
x ≡ a (mod m)
Agora vamos mostrar que existe solução do sistema
x ≡ b (mod n)
quando mdc(m, n) = 1.

Teorema 1
Sejam m e n inteiros positivos tal que mdc(m, n) = 1. Então
(
x ≡ a (mod m)
(i) o sistema de congruência possui solução x0 com
x ≡ b (mod n)
0 ≤ x0 < mn

(ii) as soluções do sistema são dadas por x ≡ x0 (mod mn).

Observação
A solução x0 com 0 ≤ x0 < mn é a menor solução não negativa do sistema.

45 CEDERJ
Sistemas lineares de congruências: o teorema chinês do resto
Algebra 1

Demonstração: Se x ≡ a (mod m) então existe y ∈ Z tal que

x = a + my (6)

Substituindo (6) na segunda equação do sistema de congruência temos


x = a + my ≡ b (mod n). Daı́,

my ≡ (b − a) (mod n) (7)

Como mdc(m, n) = 1 essa equação de congruência reduzida possui solução


y0 e as soluções de (7) são dadas por:

y = y0 + nk (8)

com k ∈ Z. Substituindo (8) em (6) temos:

x = a + my = a + m(y0 + nk) = (a + my0 ) + (mn)k ,

com k ∈ Z o que implica

x ≡ (a + my0 ) (mod mn) .

A solução particular a + my0 pode ser escolhida módulo mn, como um valor
x0 , com 0 ≤ x0 < mn, e teremos x ≡ x0 (mod mn), como todas as soluções
do sistema de congruência.

Exemplo 16
Vamos resolver agora um sistema linear de congruência com três equações.
“Resolva o seguinte”:

 x≡1
 (mod 3)
(∗) x≡2 (mod 5)


x≡3 (mod 14)

Solução:
A nossa estratégia poderia ser:
Primeiramente vamos resolver o sistema com as duas primeiras equações.
(
x ≡ 1 (mod 3)
(∗∗)
x ≡ 2 (mod 5)

Então temos:
x≡1 (mod 3) =⇒ x = 1 + 3y, y ∈ Z

CEDERJ 46
Sistemas lineares de congruências: o teorema chinês do resto
AULA 18

e
x = 1 + 3y ≡ 2 (mod 5) =⇒ 3y ≡ 1 (mod 5) .
Daı́ segue as soluções y ≡ 2 (mod 5) (verifique isto, como na atividade pro-
posta).
Assim, y = 2 + 5k, com k ∈ Z daı́,

x = 1 + 3y = 1 + 3(2 + 5k) = 7 + 15k =⇒ x ≡ 7 (mod 15)

nos dá todas as soluções do sistema (∗∗).


Para resolver o sistema (∗), basta agora resolver o sistema
(
x ≡ 7 (mod 15)
x ≡ 3 (mod 14)

Então
x ≡ 7 (mod 15) =⇒ x = 7 + 15y ,
com y ∈ Z. Substituindo em x ≡ 3 (mod 14) temos:

x = 7 + 15y ≡ 3 (mod 14) =⇒ 15y ≡ −4 (mod 14) ≡ 10 (mod 14) ,

isto é, 15y ≡ 10 (mod 14).


Como 1 × 15 + (−1) × 14 = 1, temos r = 1 e s = −1 e, como solução para
esta última equação de congruência reduzida:

y0 = 1 × 10 = 10 e y ≡ 10 (mod 14)

o que implica y = 10 + 14k. Substituindo em x = 7 + 15y temos:

x = 7 + 15y = 7 + 15(10 + 14k) = 157 + (14 × 15)k

Assim, x0 = 157 é o menor inteiro não negativo que satisfaz simultaneamente


as três equações de congruência do sistema e o conjunto de todas as soluções
do sistema é dado por

x ≡ x0 (mod 3 × 5 × 14) ≡ 157 (mod 210) .

Agora vamos apresentar a versão mais geral do teorema chinês do resto,


para um sistema com n equações de congruências.
Teorema 2 (Teorema chinês do resto)
Sejam m1 , m2 , · · · , mn inteiros positivos tal que mdc(mi , mj ) = 1 para todo
i 6= j. Então

47 CEDERJ
Sistemas lineares de congruências: o teorema chinês do resto
Algebra 1

(i) o sistema de congruência




 x ≡ a1 (mod m1 )


 x≡a (mod m2 )
2
(∗) . . ..

 .
. .
. .


 x≡a (mod mn )
n

possui uma solução x0 , com 0 ≤ x0 < (m1 .m2 . . . . .mn )

(ii) as soluções do sistema são dadas por


x ≡ x0 (mod m1 .m2 . . . . .mn ) .

Demonstração: Vamos usar indução sobre n. Se n = 1 o sistema possui uma


única equação e portanto, a equação já nos dá as soluções do sistema.
Agora, vamos assumir n ≥ 2 e vamos supor que o teorema é válido para
qualquer sistema com as hipóteses relativamente primos dos m0i s, contando
com (n − 1) equações. A partir daı́, provaremos o teorema para o nosso
sistema com n equações de congruências.
Portanto, estamos assumindo que o sistema


 x ≡ a1 (mod m1 )


 x ≡ a (mod m )
2 2
(∗∗) .. .. ..


 . . .

 x≡a
n−1 (mod mn−1 )
com mdc(mi , mj ) = 1 se i 6= j, possui uma solução a e que todas as soluções
de (∗∗) são da forma x ≡ a (mod t), onde t = m1 m2 · · · mn−1 .
Agora, escrevemos um sistema (∗∗∗) com duas equações, cujas soluções
são as mesmas do sistema original (∗):
(
x ≡ a (mod t)
(∗ ∗ ∗)
x ≡ an (mod mn )
com mdc(t, mn ) = 1.
Como mdc(t, mn ) = 1, temos pelo Teorema 1 (Teorema chinês dos
restos para duas equações), que (∗ ∗ ∗) admite uma solução x0 , com 0 ≤ x0 <
tmn = m1 m2 · · · mn e todas as soluções x desse sistema é dada por
x ≡ x0 (mod tmn ) ≡ x0 (mod m)
onde m = tmn = m1 m2 · · · mn .
Como as soluções de (∗) e (∗ ∗ ∗) são as mesmas, o teorema está
demonstrado.

CEDERJ 48
Sistemas lineares de congruências: o teorema chinês do resto
AULA 18

Atividades:

1. Determine todas as soluções do sistema linear de congruência



 x ≡ 1 (mod 13)

x ≡ 4 (mod 15)


x ≡ 8 (mod 19)

Determine ainda, a menor solução x0 (não negativa) disse sistema.

2. (i) Observe que o sistema de congruência


(
x ≡ 5 (mod 12)
x ≡ 21 (mod 8)

possui soluções embora mdc(12, 8) = 4 6= 1.


(ii) Calcule essas soluções, e entenda criticamente porque alguns sis-
temas sem a hipótese do mdc = 1 ainda podem ter soluções.

3. Verifique que a menor solução positiva do sistema



 x ≡ 1 (mod 3)

x ≡ 4 (mod 5)


x ≡ 2 (mod 7)

é 79.

4. Calcule o resto da divisão de N = 26754 por 105 (relacione com o


exercı́cio 3).

Uma aplicação: computação aritmética com grandes


números
Vamos supor que a capacidade máxima de nossa máquina computacio-
nal é 100 e que gostarı́amos dar condições para que ele calculasse o produto
X dos números N1 = 3456 e N2 = 7982.
Vamos escolher os seguintes números, dois a dois relativamente pri-
mos, m1 = 89, m2 = 95, m3 = 97, m4 = 98, m5 = 99 para, através de con-
gruências módulo mk , (k = 1, 2, 3, 4, 5) operarmos dentro da capacidade da
nossa máquina que é C = 100.

49 CEDERJ
Sistemas lineares de congruências: o teorema chinês do resto
Algebra 1

Calculo restos de divisão


3456 ≡ 74 (mod 89) 7982 ≡ 61 (mod 89)
3456 ≡ 36 (mod 95) 7982 ≡ 2 (mod 95)
3456 ≡ 61 (mod 97) 7982 ≡ 28 (mod 97)
3456 ≡ 26 (mod 98) 7982 ≡ 44 (mod 98)
3456 ≡ 90 (mod 99) 7982 ≡ 62 (mod 99)
Multiplicando essas congruências teremos que X = 3456 × 7982 satisfaz
as seguintes congruências:


 x ≡ 74 × 61 ≡ 64 (mod 89)


 x ≡ 36 × 2 ≡ 72 (mod 95)


(∗) x ≡ 61 × 28 ≡ 59 (mod 97)




 x ≡ 26 × 44 ≡ 66 (mod 98)

 x ≡ 90 × 62 ≡ 36 (mod 99)

Usando o teorema do resto chinês, pode-se resolver o sistema (∗) cuja


solução geral
X ≡ X0 (mod m) ,

com m = 89 × 95 × 97 × 98 × 99 e

X0 = 27.585.792 ,

com 0 ≤ X0 < m.
O valor de m é m = 7.956.949.770, e X0 é a menor solução positiva
0 < X0 < m. Como 0 < (3456) × (7982) < 108 < m temos que

X0 = 3456 × 7982 = 27.585.792 .

Atividades:

1. Resolva, usando o teorema do resto chinês, o seguinte sistema:




 x ≡ 10 (mod 13)

 x≡5 (mod 11)


 x≡3 (mod 6)

x≡1 (mod 5)

2. Mostre que a menor solução inteira de X no exemplo 1 é também


solução do seguinte problema:

CEDERJ 50
Sistemas lineares de congruências: o teorema chinês do resto
AULA 18

”Um grupo de 13 ladrões assaltaram um cofre com x moedas de ouro.


Quando eles fizeram a divisão, equitativamente de todas as moedas
entre eles, sobraram 10 moedas. Isso deu motivo a uma briga entre
eles e dois dos ladrões morreram. Eles tornaram a dividir,
equitativamente entre eles, todas as moedas e sobraram 5 moedas de
ouro. Brigaram outra vez e cinco ladrões morreram. Dividiram,
equitativamente todas as moedas e sobraram 3 moedas. Mais uma
última briga e morreu mais um ladrão. Repetiram a divisão de todas
as x moedas, equitativamente entre eles, e sobrou apenas uma moeda.
Sabendo-se que x < m = 5 × 6 × 11 × 13, calcule x”.

Resumo
Nesta aula apresentamos métodos que nos permite resolver alguns sis-
temas de congruências lineares, através do famoso teorema do resto chinês.
Esse teorema, conhecido há mais de dois mil anos, nos ajuda a fazer operações
com grandes números, através de adequadas congruências que se ajustam
dentro das hipóteses do teorema chinês dos restos.

51 CEDERJ
Hernando Bedoya Volume 4
Ricardo Camelier

I SBN 85 - 7648 - 313 - 0

9 788576 483137
Álgebra I
Álgebra I Volume 4

SUMÁRIO Aula 19 – Uma introdução histórica_____________________________ 7


Hernando Bedoya / Ricardo Camelier

Aula 20 – As primeiras equações polinomiais______________________ 15


Hernando Bedoya / Ricardo Camelier

Aula 21 – Teoria dos anéis – 1ª parte ___________________________ 23


Hernando Bedoya / Ricardo Camelier

Aula 22 – Teoria dos anéis – 2ª parte ___________________________ 31


Hernando Bedoya / Ricardo Camelier

Aula 23 – Subanéis e ideais __________________________________ 43


Hernando Bedoya / Ricardo Camelier

Referências ______________________________________________ 55
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POLINOMIAIS
-ETA DA AULA
!PRESENTARALGUNSPROBLEMASCLÉSSICOSQUE
MOTIVARAMASESTRUTURASALGÏBRICASMODERNAS
objetivos

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ETERCEIROGRAUS
­LGEBRA)\!SPRIMEIRASEQUA ÜESPOLINOMIAIS

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QUEMOTIVOUUMGRANDEDESENVOLVIMENTODA­LGEBRA

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­LGEBRA)\!SPRIMEIRASEQUA ÜESPOLINOMIAIS

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-OSTREQUEAEQUA¥ÎOSETRANSFORMAEM

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ONDE OS NOVOS COElCIENTES P E Q SÎO CALCULADOS EM FUN¥ÎO DOS


COElCIENTESORIGINAISA B CED

! EQUA¥ÎO  Ï MAIS SIMPLES QUE A EQUA¥ÎO  MAS AINDA NÎO
PODEMOSRESOLVÐ LADIRETAMENTE/TRUQUE AGORA ÏAPLICARASUBSTI
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MAISUMAVEZ QUEESTAFØRMULAÏDADAEMFUN¥ÎODOSCOElCIENTESA B
CEDUTILIZANDOOSOPERADORESARITMÏTICOS ˆ 8 ÷EOSOPERADORESRAIZ
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QUADRADA ERAIZCÞBICA  !SOLU¥ÎODAEQUA¥ÎOCÞBICAFOIOBTIDA
PELAPRIMEIRAVEZPELOMATEMÉTICOITALIANODEL&ERRONOSÏCULO86)!INDA
NO SÏCULO 86) O MATEMÉTICO FRANCÐS 6IÒTE DESCOBRIU QUE O PROBLEMA
DA TRISEC¥ÎO DO ÊNGULO VISTO NA !ULA  Ï EQUIVALENTE A UMA EQUA¥ÎO
CÞBICA

!EQUA¥ÎOGERALDEQUARTOGRAUÏDADAPOR

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PODE SER RESOLVIDA EM FUN¥ÎO DOS COElCIENTES AI UTILIZANDO APENAS OS
OPERADORESARITMÏTICOS n X ÷EOOPERADORRAIZQUADRADA3UASOLU¥ÎO

FOI OBTIDA PELA PRIMEIRA VEZ PELO MATEMÉTICO ITALIANO &ERRARI TAMBÏM DO
SÏCULO86)

/PROBLEMAGERALQUESECOLOCAVA ENTÎO ERAODERESOLVERAEQUA¥ÎO


POLINOMIALDEGRAUN

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EMFUN¥ÎODOSCOElCIENTESUTILIZANDO
APENAS OS OPERADORES ARITMÏTICOS n 8 ÷ E OS OPERADORES DE
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RAIZ$IZEMOS QUANDOISSOÏPOSSÓVEL QUEAEQUA¥ÎO
 N

Ï SOLÞVEL POR RADICAIS !PØS A SOLU¥ÎO POR RADICAIS DAS EQUA¥ÜES DE
TERCEIRO E QUARTO GRAUS NO SÏCULO 86) UM GRANDE OBJETIVO DA £LGEBRA
PASSOU A SER A SOLU¥ÎO POR RADICAIS DA EQUA¥ÎO GERAL DE QUINTO GRAU
$EVIDOÌGRANDEDIlCULDADEDESSEPROBLEMA OSMATEMÉTICOSCOME¥ARAMA
PENSARNAIMPOSSIBILIDADEDETALSOLU¥ÎO3OMENTENOSÏCULO8)8OMATEMÉTICO
NORUEGUÐS!BELEOMATEMÉTICOFRANCÐS'ALOISCONSEGUIRAMPROVARTALFATO
&OIDESTEEMPREENDIMENTOQUESURGIRAMOSCONCEITOSDEGRUPO ANEL CORPO
EDIMENSÎO QUEPOSSIBILITARAMCONTROLARMUITOSASPECTOSDEUMPROCESSO
DECÉLCULOSEMANECESSIDADEDEFATODEEFETUARESTESCÉLCULOS

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­LGEBRA)\!SPRIMEIRASEQUA ÜESPOLINOMIAIS

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EQUA ÎOGERALDEQUARTOGRAUNAEQUA ÎODEQUARTO
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OSCOElCIENTESP QEREMFUN ÎODOSCOElCIENTESA B C DEE

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21
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4EORIADOSANÏISnAPARTE
-ETA DA AULA
$ESCREVERAESTRUTURAALGÏBRICA
DEANELCOMOUMAGENERALIZA ÎO
DEDETERMINADASPROPRIEDADES
DOSNÞMEROSINTEIROS
objetivos

!OlNALDESTAAULA VOCÐDEVERÉSERCAPAZDE
s)DENTIlCARASPROPRIEDADESQUECARACTERIZAMUMANEL
s!PRESENTAREXEMPLOSDEANÏIS
s!PLICAROSAXIOMASDEANELPARAJUSTIlCARAUNICIDADEDEALGUNS
DESEUSELEMENTOS

0RÏ REQUISITO
6OCÐPRECISARÉDASPROPRIEDADESDOANEL
DOSINTEIROSMØDULON
­LGEBRA)\4EORIADOSANÏISnAPARTE

).42/$5£²/ .ESTAAULA VAMOSDARINÓCIOAOESTUDOFORMALDAESTRUTURAALGÏBRICACHAMADA


ANEL 6AMOS FAZER ISTO REVENDO ALGUMAS PROPRIEDADES JÉ BEM CONHECIDAS
DOSNÞMEROSINTEIROS QUESERÎOGENERALIZADASPARAMUITASOUTRASSITUA ÜES
!PROVEITE

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DOSANÏISEDESCREVERTIPOSESPECIAISDEANÏIS
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s#ONHECERALGUMASPROPRIEDADESOPERATØRIASDOSANÏIS
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ÌOPERA ÎODEMULTIPLICA ÎO
s!PRENDERASESTRUTURASALGÏBRICASDEDOMÓNIODEINTEGRIDADEECORPOS
s!NALISAREXEMPLOSDEDOMÓNIOSDEINTEGRIDADEECORPOS

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­LGEBRA)\4EORIADOSANÏISnAPARTE

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(⇒) Se >ÊÊ ∈Ê<˜Êé invertível, então existe LÊ ∈ <˜, tal que >°LÊ = 1,
ou seja, >ÊLÊ= 1, o que significa que ab = 1(modn), e daí segue que ab − 1
= kn, assim, ab − kn = 1.
Se d = mdc(a,n), então d⏐a e d⏐n; logo, d ⏐(ab − Kn), ou seja, d⏐1.
Portanto, d =1.
(⇐) Se mdc (a,n) = 1, então, pela propriedade do MDC, existem inteiros
r e s, tal que ra + sn = 1. Logo, ar − 1 = (−s)n, ou seja, ar = 1(modn). Desta
forma, ar − 1 e daí a . r = 1, ou seja, a é invertível.□

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­LGEBRA)\4EORIADOSANÏISnAPARTE

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!TIVIDADE

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CONTIDASNUMANEL CONHECIDAS
PORSUBANELEIDEAL
objetivos

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s2ECONHECERASESTRUTURASALGÏBRICASSUBANELEIDEAL
s)DENTIlCARASPROPRIEDADESQUECARACTERIZAMUMSUBANELEUMIDEAL
s!PRESENTAREXEMPLOSDESUBANÏISEIDEAIS
s!PRESENTAREDEMONSTRARALGUMASPROPRIEDADESOPERATØRIASDOS
SUBANÏIS

0RÏ REQUISITOS
6OCÐVAIPRECISARDOSCONHECIMENTOSSOBREANÏIS
DESENVOLVIDOSNAS!ULASE6OCÐTAMBÏM
VAIPRECISARDOSCONCEITOSDEIDEALDE:EDOS
ANÏISDOSINTEIROSMØDULON
­LGEBRA)\3UBANÏISEIDEAIS

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DESTASESTRUTURAS$EFORMAANÉLOGA ESTUDANDOOCONCEITODESUBANELEIDEAL
PODEREMOSCOMPREENDERMELHORAESTRUTURAALGÏBRICADEANEL.ESTAAULA VOCÐ
SERÉAPRESENTADOAESTASDUASSUBESTRUTURASDEUMANEL

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DE ANEL NÎO ESTÉ SENDO CONSIDERADO OU SEJA NÎO ESTAMOS EXIGINDO A EXISTÐNCIA
DO ELEMENTO NEUTRO DA MULTIPLICA ÎO 2EVEJA A DElNI ÎO DE ANEL NA !ULA  E AS
OBSERVA ÜESQUESESEGUEM
,EMBRE QUE NOS CASOS DAS ESTRUTURAS DE ESPA O VETORIAL E DE GRUPO TEMOS UM
CRITÏRIOSIMPLESPARADETERMINARSEUMSUBCONJUNTONÎO VAZIOÏUMSUBESPA OOU
UMSUBGRUPO6AMOSESTABELECER TAMBÏM UMCRITÏRIOSIMPLESPARADETERMINARSE
UMSUBCONJUNTONÎO VAZIODEUMANELÏUMSUBANEL

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­LGEBRA)\3UBANÏISEIDEAIS

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­LGEBRA)\3UBANÏISEIDEAIS

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$EMONSTRA ÎO


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$ElNI ÎO

Seja ­]Ê+]ʖ® um anel. Um subconjunto não-vazio I, I ⊂ , é chamado


de um ideal de A se satisfaz as seguintes propriedades:

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­LGEBRA)\3UBANÏISEIDEAIS

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 3EJAM , E - SUBANÏIS DE UM ANEL ­]Ê+]ʖ® 0ROVE QUE ,Ê ∩ - TAMBÏM Ï UM
SUBANELDE!

3EJAUMANELE>Ê∈ -OSTREQUE>€ÊrÊO̖>⏐ÌÊ∈ PÏUMIDEALDE

 3EJA  UM ANEL E >]Ê LÊ ∈  -OSTRE QUE >]L€Ê rÊ O̖>³Ã–L⏐Ì]ÃÊ ∈ P Ï UM
IDEALDE

3EJAMUMANELEUMIDEALDE-OSTREQUEÊrÊSE ESOMENTESE CONTÏM


UMELEMENTOINVERTÓVELDE

3EJAM UMANELE UMIDEALDE -OSTREQUE ÏUMCORPOSE ESOMENTE


SE OSSEUSÞNICOSIDEAISSÎOOäPEOPRØPRIO

2%35-/

/SCONCEITOSDESUBANELEIDEALSÎOESTRUTURAIS/SSUBANÏISTÐMUMAESTRUTURA
MAISRÓGIDAQUANDOOANELÏUMDOMÓNIODEINTEGRIDADE/CONCEITODEIDEALDE
UMANELÏUMAGENERALIZA ÎODOCONCEITODEIDEALDE<EVOLTAREMOSAUTILIZÉ LO
NAPRØXIMAAULA

# % $ % 2 *

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!TIVIDADE

<ÏUMSUBCONJUNTONÎO VAZIODE+EÏFECHADOPARAASUBTRA ÎOEOPRODUTO
LOGO PELA0ROPOSI ÎO <ÏUMSUBANELDE+!LÏMDISSO <ÏUMSUBANELCOM
UNIDADE POIS£Ê∈ <

1ÏUMSUBCONJUNTONÎO VAZIODE2EÏFECHADOPARAASUBTRA ÎOEOPRODUTO
LOGO PELA0ROPOSI ÎO +ÏUMSUBANELDE , +Ï TAMBÏM UMSUBANELCOM
UNIDADE POIS£Ê∈ +

Ó<ÏUMSUBCONJUNTONÎO VAZIODE<EÏFECHADOPARAASUBTRA ÎOEOPRODUTO
POIS

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3Ó>–ÓLÊrÊÓ­Ó>L®Ê∈ Ó<

,OGO PELA0ROPOSI ÎO Ó<ÏUMSUBANELDE </BSERVEQUE Ó<ÏUMSUBANEL


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˜<ÏUMSUBCONJUNTONÎO VAZIODE<EÏFECHADOPARAASUBTRA ÎOEOPRODUTO
POIS

3˜>q˜LÊrʘ­>qL®Ê∈ ˜<

3˜>–˜LÊrʘ­˜>L®Ê∈ ˜<

,OGO PELA0ROPOSI ÎO ˜<ÏUMSUBANELDE </BSERVEQUE ˜<ÏUMSUBANEL


SEMUNIDADE POIS£Ê∉ ˜<

# % $ % 2 * 
­LGEBRA)\3UBANÏISEIDEAIS

!TIVIDADE

-ÏUMSUBCONJUNTONÎO VAZIODEEÏFECHADOPARAASUBTRA ÎOEOPRODUTO POIS

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UNIDADE POIS
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!TIVIDADE

˜<ÏUMSUBCONJUNTONÎO VAZIODE<EÏFECHADOPARAAADI ÎOEOPRODUTO POIS

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3>–L∈,E>–L∈- E PORTANTO >–L∈,∩-

,OGO PELA0ROPOSI ÎO ,∩-ÏUMSUBANELDE

# % $ % 2 *

!TIVIDADE&INAL

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PRODUTO POIS

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!TIVIDADE&INAL

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EOPRODUTO POIS

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,OGO >]L€ÏUMIDEALDE

!TIVIDADE&INAL

⇒ #OMOÊrÊ ENTÎOÏIMEDIATOQUE£Ê∈ ÊrÊ

⇐ #OMO£Ê∈  ENTÎO PARATODO>Ê∈  TEMOS>ÊrÊ>–£Ê∈ ,OGO ÊrÊ

# % $ % 2 * 
­LGEBRA)\3UBANÏISEIDEAIS

!TIVIDADE&INAL

⇒ 3EJA)UMIDEALDE COM  ≠ OäP%NTÎO EXISTE > ∈ COM > ≠ ä#OMO > ≠


äE ÏUMCORPO ENTÎOEXISTE >q£E £ÊrÊ>q£–> ∈ ,OGO PELA!TIVIDADE&INAL
TEMOSÊrÊ OUSEJA PROVAMOSQUESEÏUMIDEALDEE≠ OäP ENTÎOAÞNICA
POSSIBILIDADEQUERESTAÏÊrÊ!SSIM SØTEMOSIDEAISTRIVIAIS

⇐ 3EJA>∈COM>≠ ä1UEREMOSMOSTRARQUEOELEMENTO>ÏINVERTÓVEL0ELA
!TIVIDADE&INAL >€ÏUMIDEALDE #OMO >Ê ≠ ä ENTÎO >€Ê ≠ OäP ECOMO
PORHIPØTESE SØADMITEOSIDEAISTRIVIAIS ENTÎO SEGUEQUE>€ÊrÊ0ORTANTO
£∈Êrʐ>€ LOGO EXISTEÌ∈>TALQUE£ÊrÊ̖> ISTOÏ OELEMENTO>ÏINVERTÓVEL
0ORTANTO ÏUMCORPO

# % $ % 2 *
Álgebra I

Referências
Aula 22

Você vai gostar de acompanhar os assuntos tratados aqui no livro:

HEFEZ, Abramo. Curso de Álgebra. Rio de Janeiro: IMPA, 1997. Coleção Matemática
Universitária, v. 1.

Aula 23

HEFEZ, Abramo. Curso de Álgebra. Rio de Janeiro: IMPA, 1993. Coleção Matemática
Universitária, v.1.

56 CEDERJ
Hernando Bedoya Volume único
Ricardo Camelier

Álgebra II
Álgebra II Volume único

SUMÁRIO Aula 1 – Anéis quocientes ______________________________________ 7


Hernando Bedoya / Ricardo Camelier

Aula 2 – Homomorfismos _____________________________________ 15


Hernando Bedoya / Ricardo Camelier

Aula 3 – Teorema do homomorfismo _____________________________ 29


Hernando Bedoya / Ricardo Camelier

Aula 4 – Divisibilidade em anéis ________________________________ 39


Hernando Bedoya / Ricardo Camelier

Aula 5 – Introdução aos polinômios ______________________________ 51


Hernando Bedoya / Ricardo Camelier

Aula 6 – Operações com polinômios _____________________________ 65


Hernando Bedoya / Ricardo Camelier

Aula 7 – Anéis de polinômios ___________________________________ 75


Hernando Bedoya / Ricardo Camelier

Aula 8 – Divisão de polinômios _________________________________ 89


Hernando Bedoya / Ricardo Camelier

Aula 9 – Propriedades da divisão de polinômios ____________________ 103


Hernando Bedoya / Ricardo Camelier

Aula 10 – Sobre raízes de polinômios ___________________________ 121


Hernando Bedoya / Ricardo Camelier

Aula 11 – Polinômios irredutíveis ______________________________ 137


Hernando Bedoya / Ricardo Camelier

Aula 12 – Introdução aos grupos _______________________________ 153


Hernando Bedoya / Ricardo Camelier

Aula 13 – Mais exemplos de grupos ____________________________ 165


Hernando Bedoya / Ricardo Camelier

Aula 14 – Subgrupos e grupos cíclicos ___________________________ 185


Ricardo Camelier

Aula 15 – O Teorema de Lagrange ______________________________ 199


Ricardo Camelier
Aula 16 – Classes laterais e o grupo quociente ____________________ 213
Hernando Bedoya / Ricardo Camelier

Aula 17 – Subgrupos normais _________________________________ 231


Hernando Bedoya / Ricardo Camelier

Aula 18 – Homomorfismos de grupos ___________________________ 247


Hernando Bedoya / Ricardo Camelier

Referências _____________________________________________ 263


1
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!NÏISQUOCIENTES
-ETADAAULA
!PRESENTARODESENVOLVIMENTODA
ESTRUTURAALGÏBRICADEANELQUOCIENTE
objetivos

!OlNALDESTAAULA VOCÐDEVERÉSERCAPAZDE
s!PRESENTARARELA ÎODECONGRUÐNCIAMØDULO)
s)DENTIlCAROSPASSOSQUELEVAMÌCARACTERIZA ÎODEUMANELQUOCIENTE
s!PRESENTAREDEMONSTRARASPRIMEIRASPROPRIEDADESOPERATØRIASDACONGRUÐNCIA
MØDULO)

0RÏ REQUISITOS
6OCÐVAIPRECISARDOSCONHECIMENTOSSOBREANÏISEIDEAIS
DESENVOLVIDOSNAS!ULASADOCURSODE­LGEBRA)6OCÐTAMBÏMVAI
PRECISARDOSCONCEITOSDEIDEALDE<EDOSANÏISDOSINTEIROSMØDULO˜
DOSEUCURSODE­LGEBRA)
­LGEBRA))\!NÏISQUOCIENTES

).42/$5£²/ "EM VINDOAOCURSODE­LGEBRA))!QUIVAMOSESTUDARDUASIMPORTANTESEBELÓSSIMAS


ESTRUTURASALGÏBRICASOSANÏISEOSGRUPOS%STASTEORIASTÐMRAÓZESEMPROBLEMAS
MUITOLONGÓNQUOSQUERELATIVAMENTEHÉPOUCOTEMPOFORAMRESOLVIDOS
.ESTAAULA VAMOSCOPIARACONSTRU ÎODOSANÏISDOSINTEIROSMØDULO˜ VISTO
NOSEUCURSODE­LGEBRA) PARAOCASOGERALDEUMANELEDEUMIDEALÊDE
0ORTANTO ÏUMABOAIDÏIAREVERASAULASDAQUELECURSO6OCÐPERCEBERÉUMA
IDÏIAQUEÏRECORRENTENAMATEMÉTICAACONSTRU ÎODEUMAESTRUTURAABSTRATA
GERALSEGUINDOOSPASSOSDEUMEXEMPLOPARTICULARMUITOIMPORTANTE

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$ElNI ÎO

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0ROVEAPROPRIEDADETRANSITIVADACONGRUÐNCIAMØDULO)

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Podemos, agora, completar nossa construção. Segue que (A/I, +, –) é


um anel, chamado de anel quociente, ou anel das classes residuais módulo I,
cujo zero é dado por 0 e cuja unidade é dada por 1.

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Sejam (Z, +, °) o anel dos inteiros e I o ideal de Z dado por

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2
AULA
Homomorfismos
Meta da aula
Apresentar o conceito de homomorfismo de anel
e suas propriedades básicas.
objetivos

Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:


• Reconhecer um homomorfismo entre anéis.
• Apresentar e demonstrar as primeiras propriedades
dos homomorfismos.

Pré-requisitos
Você vai precisar dos conhecimentos sobre anéis e ideais,
desenvolvidos nas Aulas 21 a 23 do curso de Álgebra I.
Álgebra II | Homomorfismos

INTRODUÇÃO As funções consideradas naturais entre duas estruturas algébricas do mesmo


tipo, como os anéis, são aquelas que preservam as operações, ou seja,
transformam uma soma de elementos no anel domínio na soma de suas
imagens e transformam um produto de elementos no anel domínio no produto
de suas imagens. Essas funções, chamadas de homomorfismos, serão o objeto
do nosso interesse nesta aula.
Apesar de o conceito de
homomorfismo ser muito
natural, ele surgiu de forma
muito gradual. O con-
HOMOMORFISMO DE ANÉIS
ceito de homomorfismo
de grupos surgiu, pela
primeira vez, em torno de Definição 1
1830, o de homomorfismo
de corpos em torno de 1870
e o de homomorfismo de Dados dois anéis A e B, uma função A  B é chamada de um
anel somente em 1920.
homomorfismo (de anéis) se para todo a, b  A , vale:

H1. (a + b) = (a) + (b);


H2. (a . b) = (a) . (b);
H3. (1A) = 1B (ou, simplesmente, (1) = 1).

Definição 2

Um homomorfismo A  B é chamado de um isomorfismo se


for, também, uma bijeção. Nesse caso, dizemos que A e B são isomorfos
e denotamos A  B.
Lembre que dois conjuntos A e B têm o mesmo número de
elementos, ou seja, eles têm a mesma cardinalidade, se existe uma bijeção
entre A e B. Assim, se A e B são isomorfos, então eles têm exatamente o
mesmo número de elementos. Isso acontece porque se A  B é um
isomorfismo, então, em particular, é uma bijeção entre A e B.

Definição 3

O núcleo de um homomorfismo de anéis A  B é o conjunto


N( ) = {x  A (x) = 0B},

onde 0B é o elemento neutro do anel B.

16 CEDERJ
Vejamos agora dois dos exemplos mais simples de homomorfismo

2
de anéis.

AULA
Exemplo 1
O exemplo mais simples de todos é o homomorfismo identidade.
Dado um anel A, o homomorfismo identidade é definido pela função
identidade em A, ou seja, id : A  A, id(a) = a. Vamos verificar que a
identidade é, de fato, um homomorfismo de anéis. Para isso, precisamos
verificar os três axiomas de homomorfismos. Sejam a, b  A, então

H1. id(a + b) = a + b = id(a) + id(b);


H2. id(a . b) = a . b = id(a) . id(b);
H3. id(1A) = 1A.

Assim, id é um homomorfismo. Mais ainda, o homomorfismo


identidade é bijetor, portanto, ele é também um exemplo de um
isomorfismo. Vamos calcular seu núcleo. Nesse caso, N(id) = {x A
id(x) = 0A}. Ou seja, queremos resolver a equação id(x) = 0A. Como id(x)
= x, a equação se transforma em x = 0A, ou seja, sua única solução é
x = 0A, portanto, N(id) = {0A}.

Exemplo 2
Seja n  Z, n > 1. Considere a função : Z  Zn definida por
(a) = a , onde a é classe residual módulo n do inteiro a. Vamos verificar
que é um homomorfismo de anéis. De fato, dados a, b  Z, então

H1. (a + b) = a + b = > + b = (a) + (b);


H2. (a . b) = a . b = > . b = (a) . (b);
H3. (1) = 1 = 1Zn.

Assim, é um homomorfismo. Mais ainda, o homomorfismo é


sobrejetor, pois, dado k  Zn , então (k) = k. No entanto, não é injetor,
pois (0) = 0 e (n) = n = 0, ou seja, (0) = (n) com n  0. Portanto,
não é um isomorfismo.
Vamos calcular, agora, o núcleo de . Nesse caso, N(  = {x  Z
(x) = 0}. Ou seja, queremos resolver a equação (x) = 0. Como (x) = x , a
equação se transforma em x = 0, e suas soluções são os inteiros múltiplos
de n, portanto, N(  = nZ = {kn k  Z}.
Vamos, agora estudar uma série de propriedades fundamentais
sobre os homomorfismos.

CEDERJ 17
Álgebra II | Homomorfismos

Proposição 1

Seja A  B um homomorfismo de anéis. Temos:


1. (0A) = 0B (ou, simplesmente, (0) = 0).
2. (– a) = – (a) para todo a  A.
3. (a – b) = (a) – (b), para todo a, b  A.
4. (A) é um subanel de B, onde o conjunto imagem de A, (A),
é definido por (A) = { (a) a  A}.
5. Se A' é um subanel de A, então (A') é um subanel de (A).
6. Se B' é um subanel de B, então (B') é um subanel de A,
onde o conjunto imagem inversa de B, (B') é definido por (B') =
{a  A (a)  B'} .
7. Se I é um ideal de A, então (I) é um ideal de (A).
8. Se J é um ideal de B, então (J) é um ideal de A.
9. N( ) é um ideal de A.
10. Se é um isomorfismo (ou seja, é uma função bijetora),
então  B  A é um homomorfismo de anéis e, portanto, é também
um isomorfismo.

Demonstração

Algumas das demonstrações deixaremos como atividade para


você. Demonstraremos algumas delas.
1. Temos
0 + (0) = (0)
= (0 + 0)
= (0) + (0),
e, cancelando (0) nos dois lados (lembre da lei do cancelamento),
segue que
(0) = 0.

2. Aplicando, inicialmente, a propriedade anterior, temos


0 = (0)
= (a)+ (– a))
= (a) + (– a),

para todo a  A. Logo, pela unicidade do elemento simétrico, segue


que (– a) = – (a).

18 CEDERJ
3. Temos

2
(a – b) = (a + (– b))

AULA
= (a)+ (– b),
= (a)+ (– (b)), pela propriedade 2
= (a) – (b).

4. Como A  , segue que (A)  . Agora, dados (a), (b) 


(A) e aplicando a propriedade 3, temos que

(a) – (b) = (a – b)  (A),


e, também,
(a) . (b) = (a . b)  (A).

Assim, pela Proposição 1 da Aula 5, segue que (A) é um


subanel de B.

Tente você, agora, provar a próxima propriedade.

ATIVIDADE

1. Demonstre a propriedade 5, ou seja, prove que se A' é um subanel de A,


então (A') é um subanel de (A).
______________________________________________________________
______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________

CEDERJ 19
Álgebra II | Homomorfismos

6. Como (0A) = 0B e 0B B', então 0A   (B') e, portanto,


 (B')  . Agora, dados a, b   (B'), então (a), (b)  B'
e segue que

(a – b) = (a) – (b)  B',

pois B' é subanel de B. Portanto, a – b   (B'). Também temos

(a . b) = (a) . (b)  B',

pois B' é subanel de B. Portanto, a . b   (B'). Assim, provamos que


 (B') é um subanel de A.

É sua vez de praticar novamente.

ATIVIDADE

2. Demonstre a propriedade 7, ou seja, prove que se I é um ideal de A, então


(I) é um ideal de (A).
______________________________________________________________
______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________

8. Como 0B  J e (0A) = 0B , então 0A   (J), e, portanto,


 (J)  . Agora, dados a, b   (J) , então (a), (b)  J e, assim,
segue que

(a + b) = (a) + (b)  J,

pois J é um ideal de B. Portanto, a + b   (J). Por outro lado, sejam


a  A e b   (J), então vale que (a)  (A) e (b)  J, e, como J é
ideal de B e (A)  B, temos (a) . (b)  J. Portanto,

20 CEDERJ
(a . b) = (a) . (b)  J,

2
AULA
ou seja, a . b   (J). Assim, concluímos que  (J) é um ideal de A.

9. Para mostrar que o núcleo é um ideal, usamos a propriedade


anterior. De fato,
N( )  {x  A (x) = 0B}
  ({0B }),

e, como {0B } é um ideal de B, segue, pela propriedade 8, que N( ) é um


ideal de A.

Assim, concluímos a demonstração da Proposição 1. Veja que


deixamos as propriedades 5, 7 e 10 como atividades a serem desenvolvidas
por você.

ATIVIDADE

3. Demonstre a propriedade 10 da Proposição 1, ou seja, prove que se é um


isomorfismo (ou seja, é um homomorfismo bijetor), então  B  A é um
homomorfismo de anéis.

_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
______________________________________________________________
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________
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________________________________________________________________
________________________________________________________________
________________________________________________________________
________________________________________________________________

CEDERJ 21
Álgebra II | Homomorfismos

Os homomorfismos são ricos em propriedades, e agora vamos


ver algumas dessas propriedades relacionadas ao núcleo. As primeiras
duas propriedades que seguem devem trazer à lembrança as proprieda-
des equivalentes para o núcleo de uma transformação linear e para um
homomorfismo de grupos.

Proposição 2

Seja A  B um homomorfismo de anéis e N( ) o núcleo de .


Então,
1. (a) = (b) se e somente se b – a  N( ).
2. é injetora se e somente se N( ) = {0}.
3. Se A é um corpo, então é injetora.

Demonstração

1. () Suponhamos que (b) = (a) e vamos mostrar que b – a


 N( ).
De fato, (a) = (b) implica que (b) – (a) = 0. Assim, (b – a)
= (b) – (a) = 0, ou seja, b – a  N( ).
() Reciprocamente, suponhamos que b – a  N( ) e vamos
mostrar que (a) = (b).
De fato, se b – a  N( ), então (b – a) = 0. Assim, (b) – (a) =
(b – a) = 0, ou seja, (a) = (b).
2. () Suponhamos, primeiramente, que é injetora. Vamos
mostrar que N( ) = {0}.
De fato, se é injetora, considere a  N( ). Então (a) = 0, e
como (0) = 0, segue que (a) = (0). Como é injetora, temos a = 0.
Assim, N( ) = {0}.
() Reciprocamente, suponha que N( ) = {0}. Vamos mostrar
que é injetora.
Se (a) = (b), então, pela propriedade anterior, temos que
b – a  N( ). Como estamos supondo que N( ) = {0}, segue que
b – a = 0, ou seja, a = b , o que prova que é injetora.
3. Suponhamos que A é corpo e seja a  A com a  0. Então
existe a, o inverso multiplicativo de a, que satisfaz a . a = 1A. Assim,

22 CEDERJ
(a) . (a–1) = (a . a –1), pois é homomorfismo

2
= (1A)

AULA
= 1B , pois é homomorfismo.

Portanto, concluímos que (a) é invertível e, em particular, (a)  0.


Logo, a  N( ) para todo a  A com (a)  0, o que nos leva a concluir que
N( ) = {0}. Pela propriedade anterior, segue que é injetora.

Exemplo 3
Vamos descrever um homomorfismo muito importante, chamado
homomorfismo canônico (ou homomorfismo projetor). Seja A um anel
e I um ideal de A. Seja  A  A/I, definida por (a) = > , onde > = a
+ I  A/I é a classe residual de a  A módulo I. Vamos verificar, agora,
que  é um homomorfismo de anéis. De fato, sejam a, b  A, então

H1. (a + b) = a + b = > + b = (a) + (b);


H2. (a . b) = a . b = > . b = (a) . (b);
H3. (1A) = 1 A = 1A/I .

Assim,  é um homomorfismo. Mais ainda, o homomorfismo  é


sobrejetor, pois para qualquer >  A/I temos que (a) = > . Chamamos
 A  A/I de homomorfismo canônico.
Vejamos, agora, como se comportam os homomorfismos sob a
operação de composição de funções.

Proposição 3

Sejam g : A  B e B  C dois homomorfismos de anéis.


Então:
a) A composição  g : A  C é um homomorfismo de anéis;
b) Se A  B e B  C, então A  C , isto é, se A é isomorfo a B e B
é isomorfo a C, então A é isomorfo a C.

A demonstração desta proposição faz parte das Atividades


Finais da aula.

CEDERJ 23
Álgebra II | Homomorfismos

Para terminar esta aula, queremos enfatizar para você que os


anéis isomorfos têm propriedades idênticas, e eles diferem apenas na
apresentação de seus elementos. O que importa é que o isomorfismo
preserva todas as propriedades entre tais anéis.
A Atividade Final é um desafio para você. Lembre-se de consultar
os resultados apresentados. Leia várias vezes as demonstrações das
propriedades e tente imitá-las. Tenha sempre papel e lápis à mão e, se
for preciso, apague e reescreva quantas vezes for necessário. Achamos
que se você entendeu bem esta aula, então terá capacidade de sobra para
resolver essas atividades. Vamos lá!

ATIVIDADES FINAIS

1. Sejam A um anel e a  A – {0}. Defina a função a A  A por a (x) = a . x.

a. Mostre que a é sobrejetora se e somente se a é invertível.

___________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________

b. Mostre que se A é um domínio de integridade, então a é injetora.

____________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________

c. a é um homomorfismo?

____________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________

2. Prove a Proposição 3.

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24 CEDERJ
2
RESUMO

AULA
Nesta aula, foram apresentados os seguintes resultados:

i. O conceito de homomorfismo entre dois anéis A e B, ou seja, uma função A


 B que para todo a, b  A,

satisfaz:

H1. (a + b) = (a) + (b);

H2. (a . b) = (a) . (b);

H3. (1A) = 1B (ou, simplesmente, (1) = 1).

ii. O conceito de isomorfismo, ou seja, um homomorfismo que também é uma


bijeção.

iii. As propriedades apresentadas e demonstradas servem para verificar que os


homomorfismos preservam algumas estruturas dos anéis.

iv. O conceito de núcleo de um homomorfismo, ou seja, o núcleo do homomorfismo


A  B é o conjunto N( )  {x  A (x) = 0B} . Algumas propriedades importantes
dos homomorfismos são verificadas pelo comportamento do seu núcleo.

v. O homomorfismo projetor, ou seja, dado o anel A e I um ideal de A, é definido


por  A  A/I, (a) = > (lembre que > = a + I  A/I).

RESPOSTAS

Atividade 1

Como A'  , segue que (A')  . Agora, dados (a), (b)  (A'), temos,
aplicando a propriedade 3,

(a) – (b) = (a – b)  (A'),

e, também,

(a) . (b) = (a . b)  (A').

Assim, pela Proposição 1 da Aula 5, segue que (A') é um subanel de (A).

CEDERJ 25
Álgebra II | Homomorfismos

Atividade 2

Como 0A  I e 0B = (0A), então 0B  (I), e, portanto, (I)   . Agora, dados


(a), (b)  (I) então segue que

(a) + (b) = (a + b)  (I),

 (I) . Vamos considerar, agora, (a)  (A)


ou seja, (a) + (b) e (b)  (I),
então, como a  A, b  I I é ideal, temos a . b  I. Portanto,

(a) . (b) = (a . b)  (I),

ou seja, (a) . (b)  (I). Assim, concluímos que (I) é um ideal de (A).

Atividade 3

Dados x, y  B, sejam a = –1 (x) e b = –1 (y), ou seja, (a) = x e (b) = y. Como


é um homomorfismo, sabemos que

(a + b) = (a) + (b) e (a . b) = (a) . (b).

Temos, então, que

–1 (x + y) = –1 ( (a) + (b)), pela escolha de x e y

= –1 ( (a + b)), pois é homomorfismo

= a + b, pois –1   id

= –1 (x) + –1 (y).

Lembre que id representa a função identidade. Temos, também,

–1 (x . y) = –1 ( (a) . (b)), pela escolha de x e y

= –1 ( (a . b)), pois é homomorfismo

= a . b, pois –1   id

= –1 (x) . –1 (y).

Finalmente, como (1A) = 1B e é bijetora, segue que –1 (1B) = 1A. Concluímos,


assim, que –1 : B  A é um homomorfismo.

26 CEDERJ
Atividade Final 1

2
AULA
a. () Suponha que a é sobrejetora. Vamos mostrar que a é invertível.

De fato, como a é sobrejetora, existe a'  A tal que a (a') = 1A, isto é, a . a' = 1A.
Logo, a' é o elemento inverso de a, isto é, a é invertível.

() Reciprocamente, suponha que a é invertível. Vamos mostrar que a é


sobrejetora.

Seja b  A um elemento qualquer. Temos que

a (a. b) = a . (a. b), pela definição de a

= (a . a) . b

= 1A . b, pois a é invertível

= b.

Mostramos, assim, que para qualquer que seja b  A, existe x = a-1 . b tal que
a (x) = a. Portanto, concluímos que a é sobrejetora.

b. Vamos mostrar que é injetora. Suponhamos que a (x) = a(y), isto é,


a . x = a . y. Logo, a . x – a . y = 0 e, portanto, a . (x – y ) = 0. Como A é domínio de
integridade e a  0, segue que x – y = 0, isto é, x = y, o que prova que a é injetora.

c. a é homomorfismo somente no caso em que a = 1A , pois

a (x . y) = a . (x . y )

a (x) . a (y) = a2 . (x . y ).

Para serem iguais, é necessário que a = a2, isto é, a = 1A.

CEDERJ 27
Álgebra II | Homomorfismos

Atividade Final 2

Vamos verificar os axiomas de homomorfismo para a composição  g. Dados


a, b  A, temos

H1.

( g)( a + b) = (g ( a + b)), pela definição de composição

= (g (a) + g (b)), pois g é homomorfismo;

= (g (a)) + (g (b)), pois é homomorfismo;

H2.

( g)( a . b) = (g ( a . b)), pela definição de composição

= (g (a) . g (b)), pois g é homomorfismo;

= (g (a)) . (g (b)), pois é homomorfismo;

H3.

( g)(1A) = ( g (1A)), pela definição de composição

= (1B), pois g é homomorfismo;

= 1C , pois é homomorfismo.

Assim, provamos que a composição g é um homomorfismo de anéis.

b. Suponhamos que A é isomorfo a B e B é isomorfo a C. Queremos provar que


A é isomorfo a C. Como A  B e B  C, então existem isomorfismos g A  B
e B  C. Como e g são homomorfismos, então, pelo item a), g A  C
também é um homomorfismo. Agora, você sabe que se e g são funções bijetoras,
então a composição g também é bijetora. Portanto, concluímos que g A 
C é um homomorfismo bijetor, ou seja, g A  C é um isomorfismo de anéis.
Assim, concluímos que A  C .

28 CEDERJ
3
AULA
Teorema do homomorfismo
Metas da aula
Apresentar o teorema do homomorfismo de anéis e
sua demonstração. Realizar outra demonstração
do teorema do resto chinês.
objetivos

Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:


• Demonstrar o teorema do homomorfismo.
• Demonstrar que os anéis Zn e Z /nZ são isomorfos.

Pré-requisitos
Você vai precisar dos conhecimentos sobre
anéis e ideais, desenvolvidos nas Aulas 21 a 23 de
Álgebra I, e Aulas 1 e 2 deste curso.
Álgebra II | Teorema do homomorfismo

INTRODUÇÃO Todo homomorfismo gera um isomorfismo entre um anel quociente e o anel


imagem do homomorfismo. Esse importante resultado será o tema desta aula.
Como aplicação, vamos rever o teorema do resto chinês, visto no seu curso de
Álgebra I, obtendo, agora, uma nova demonstração.
Vamos começar revendo a definição de isomorfismo de anéis, apresentada
na aula anterior.

DEFINIÇÃO 1

Um homomorfismo A  B é chamado de um isomorfismo se


for, também, uma bijeção. Nesse caso, dizemos que A e B são isomorfos
e denotamos A  B.
O resultado principal desta aula, o teorema do homomorfismo,
é similar a um resultado correspondente sobre os homomorfismos de
grupos, apresentado no curso de Álgebra I.
Lembre, da aula anterior, que dado o homomorfismo de anéis
A  B, então o conjunto imagem de A, (A), é um subanel de B e o
núcleo de , N( ), é um ideal de A.

TEOREMA DO HOMOMORFISMO DE ANÉIS

Dado um homomorfismo A  B entre os anéis A e B,


então existe um isomorfismo de anéis  : A/N ( )  A que satisfaz
   S, onde S A  A/N ( ) é o homomorfismo canônico.
Representamos esse resultado pelo seguinte esquema.

A A  B




A/N ( )

A/N ( )  A

É de suma importância que você acompanhe passo a passo todas


as etapas desta demonstração. Ela é longa e será dividida em várias
etapas para facilitar a sua compreensão. Para que você não se perca
na argumentação, leia e releia com atenção cada uma de suas etapas.
Certifique-se de que você entendeu cada passagem e faça suas próprias
anotações, justificando as passagens que você considera mais difíceis.
Vamos lá então!
30 CEDERJ
Demonstração

3
AULA
Vamos dividir a demonstração em alguns passos.
1o Passo: Vamos definir uma função  : A/N( )  A! segundo
o diagrama anterior.
Para isso, definimos (a )  (a) para todo a  a + N( )  A/N( ).
Então, precisamos provar que  é, de fato, uma função bem definida,
o que significa mostrar que se a  b, então (a )  (b), ou seja, se
a  b, então (a)  (b). Suponhamos, então, que a  b. Da aula anterior,
sabemos que N( ) é um ideal de A, logo, a – b  N( ) e, portanto,
(a – b)  0B. Assim,

(a) – (b)  (a – b)  0B,


ou seja,
(a)  (b),
ou, equivalentemente, pela definição de , que (a )  (b). Concluímos,
assim, que  é, de fato, uma função de A/N ( ) em (A).

2o Passo: Vamos mostrar que  é um homomorfismo. Para isso, basta


verificar que  satisfaz os axiomas de homomorfismo vistos na Aula 2.
Se a , b  A/N ( ), temos:

H1.
(a + b)  (a + b)
 (a + b) pela definição de 
 (a) + (b) pois é homomorfismo
 (a) + b pela definição "
H2.
(a . b)  (a . b)
 (a . b) pela definição de 
 (a) . (b) pois é homomorfismo
 (a) . (b) pela definição "
H3.
(1A)  (1A) pela definição de 
 1A pois é homomorfismo.

Concluímos, assim, que a função  é um homomorfismo entre


os anéis A/N ( ) em (A).

CEDERJ 31
Álgebra II | Teorema do homomorfismo

3o Passo: Vamos provar, agora, que  é uma função bijetora.


Vamos começar provando que ela é injetora. Pela Proposição 2, item 2,
da Aula 7, basta mostrar que N ()  #0A$. Seja a  N(), então, pela
definição de , (a)  (a )  0B, ou seja, a  N( ). Portanto, a  a %
N( )  0A. Isso prova que N ()  #0A$.
Caso você ache essa argumentação muito abstrata, vamos
apresentar a demonstração clássica de injetividade, que consiste em
provar que se (a)  b, então a  b. De fato, se (a )  b , temos
que (a)  b, pela definição de , logo (a)  b  0. Daí,

(a – b)  (a)  (b)  0,

e isso significa que a – b  N( ), ou seja, a  b. Pois, lembre


que a  A/N( ).
Finalmente,  é uma função sobrejetora, pois dado y  (A)
arbitrário, então existe a  A tal que y  (a) e, como (a )  a,
segue que y  (a).

Concluímos, assim, que a função  A/N ( )  A, definida por


(a)  a, é um homomorfismo bijetor, ou seja, é um isomorfismo e,
portanto, temos A/N ( )  A.

Esperamos que você tenha apreciado a demonstração desse belo


teorema. Uma conseqüência imediata do Teorema do Homomorfismo é:

Corolário 1

Se A  B é um homomorfismo sobrejetor, então A/N ( ) e B


são anéis isomorfos, isto é, A/N ( )  B.

Demonstração

Como é sobrejetora, temos (A)  B e, pelo teorema do


homomorfismo, temos A/N ( )  A. Portanto, concluímos que
A/N ( )  B.

32 CEDERJ
Corolário 2

3
AULA
Seja n  Z, n & 0. Então os anéis Z/nZ e Zn são isomorfos, isto
é, Z/nZ  Zn .
A demonstração deste corolário você vai realizar, agora, como
sua primeira atividade desta aula.

ATIVIDADE

1. Nesta atividade, você vai demonstrar o Corolário 2. Para isso, seja Z  Zn


a função dada por a  a , onde a é a classe residual de a módulo n. Mostre
que:

a) é um homomorfismo sobrejetor;

b) N( )  nZ;
c) Z/nZ  Zn.

Agora, vamos utilizar o corolário anterior para provar o teorema


do resto chinês.

TEOREMA DO RESTO CHINÊS

Sejam m, n  Z, m, n & 0, tais que mdc(m, n) = 1. Então os anéis


Zmn e Zm X Zn são isomorfos.

Lembre que Zmn  #[a]mn a  Z } e Zm X Zn  #[a]m , [a]n)


[a]mn  Zm e [a]n  Zn }. Lembre, também, que dois inteiros m e n com
mdc(m, n) = 1 são chamados de primos relativos (ou, primos entre si), o que
significa que m e n não têm divisor primo comum.

Demonstração

Consideremos a função Z  Zm X Zn definida por a 


[a]m , [a]n), onde [a]m e [a]n denotam as classes residuais de a  Z,
módulo m e módulo n, respectivamente.

CEDERJ 33
Álgebra II | Teorema do homomorfismo

1o Passo: provar que f é um homomorfismo de anéis.


A demonstração desse fato é mais uma atividade proposta
para você.

ATIVIDADE

2. Prove que função Z  Zm X Zn, definida por a  [a]m , [a]n), é


um homomorfismo de anéis.

Veja que propriedades você deve provar e tente adaptar as provas parecidas
que já fizemos.

2o Passo: vamos mostrar que N( )  mnZ, onde N( ) é o núcleo


de .
Vamos começar pela primeira inclusão: N( ) ' mnZ. Se
a  mnZ, então a é múltiplo de mn, isto é, mn a (lembre que
esse símbolo significa mn divide a). Como m mn e n mn, temos
que m a e n a , ou seja, [a]m  [0]m e [a]n  [0]n. Assim, a 
[a]m , [a]n)  [0]m , [0]n)  0Zm x Zn . Isso significa que a  N( ).
Vamos provar, agora, a segunda inclusão: N( )  mnZ.
Seja a  N( ), então a  [a]m , [a]n)  0Zm x Zn  [0]m , [0]n). Daí,
segue que [a]m  [0]m e [a]n  [0]n. Logo, m a e n a . Como m a,
n a e mdc(m,n)   então, por propriedade conhecida do seu curso
de Álgebra I, segue que m a, ou seja, a é múltiplo de mn. Portanto, a
 mnZ.
Concluímos assim, que N( )  mnZ.

3o Passo: vamos provar que Zmn  (Z).


Nos passos anteriores mostramos que : Z  Z m X Z n é
um homomorfismo com núcleo N( )  mnZ. Pelo Teorema do
Homomorfismo, segue que Z/mnZ  (Z). Agora, pelo Corolário 2,
segue que Zmn  Z/mnZ. Logo, pela Proposição 3 da Aula 7, segue que
Zmn  (Z).

34 CEDERJ
4o Passo: para finalizar, vamos mostrar que Z)  Zm X Zn.

3
Como Zmn e f(Z) são isomorfos, então Zmn e Z) têm o mesmo

AULA
número de elementos. Sabemos que Zmn tem m . n elemento, portanto,
Z) também tem m.n elementos. Mas, Z)  Zm X Zn. Como
Zm X Zn também tem m.n elementos, concluímos que Z)  Zm X Zn.
Dos passos anteriores, concluímos que Zmn  Zm X Zn sempre
que mdc(m,n)  1.

ATIVIDADE FINAL

Sejam n, K  Z, n, K & 0. Seja ZKn  Zn definida por [a]Kn )  [a]n, onde [a]Kn
e [a]n são as classes residuais de a, módulo kn e módulo n, respectivamente.

a) Mostre que é um homomorfismo de anéis.

b) Mostre que N( )  nZKm  #n . [x]Kn [x]Kn  ZKn }.

c) Mostre que é sobrejetora e conclua que os anéis ZKn / nZKn e Zn são isomorfos,
isto é, ZKn /nZKm  Zn.

RESUMO

Nesta aula, você viu o importante teorema do homomorfismo, muitas vezes


também chamado de teorema do isomorfismo. Esse teorema afirma que dado um
homomorfismo de anéis A  B, então os anéis A/N ( ) e A são isomorfos.
Ele é um mecanismo de criação de isomorfismos e, assim, uma importantíssima
ferramenta de comparação de anéis. Fizemos uma bela aplicação desse teorema
quando provamos o teorema do resto chinês, que afirma que os anéis Zmn e Zm
X Zn são isomorfos sempre que mdc(m,n) = 1.

CEDERJ 35
Álgebra II | Teorema do homomorfismo

RESPOSTAS

Atividade 1

a) Para mostrar que é homomorfismo, sejam a, b  Z, então

H1. (a + b)  a + b  a + b  (a) % (b);

H2. (a . b)  a . b  a . b  (a) " (b);

H3. ()    Zn ,

ou seja, é um homomorfismo. Mais ainda, é um homomorfismo sobrejetor, pois,


dado a  Zn , temos (a)  a com a  Z.

b) Para provar que os dois conjuntos são iguais, seja

a  N(  ( (a)  0

( a  0
( a ) 0 (mod n)

( n a

( a  nZ.

Assim, concluímos que N(   nZ.

c) Sabendo que : Z  Zn é um homomorfismo sobrejetor, segue, agora,


diretamente do corolário 1, que Z /N(   Zn. E, como N(   nZ, então, concluímos
que Z /nZ  Zn.

Atividade 2

Precisamos verificar que : Z  Zm x Zn, definida por a  [a]m , [a]n), satisfaz
os três axiomas de homomorfismo.

H1.

ƒ(a + b) = ([a + b]m , [a + b]n), para todo a, b  Z

 ([a]m + [b]m , [a]n + [b]n)

 ([a]m + [a]n ) + [b]m + [b]n)

 a + b*

36 CEDERJ
H2.

3
AULA
ƒ(a . b) = ([a . b]m , [a . b]n), para todo a, b  Z

 ([a]m . [b]m , [a]n . [b]n)

 ([a]m , [a]n ) + ([b]m , [b]n)

 a . b*

H3. ƒ(1) = ([1]m , [1]n)  Zm X Zm .

Assim, concluímos que ƒ é um homomorfismo de anéis.

Atividade Final

a) Vamos verificar que f satisfaz os axiomas de homomorfismo. Sejam a, b  Z, então

H1.

ƒ([a]Kn . [b]Kn)  ƒ([a + b]m ), para todo a, b  Z

 [a + b]n , pela definição de ƒ


 [a]n + [b]n
 a + b*

H2.

ƒ([a]Kn . [b]Kn)  ƒ([a . b]Kn ) para todo a, b  Z

 [a . b]n , pela definição de ƒ


 [a]n . [b]n
 a . b*

H3.

ƒ(1ZKn)  ƒ([1]Kn )

 [1]n ! pela definição de ƒ


 1Zn .

Assim, concluímos que ƒ é um homomorfismo de anéis.

CEDERJ 37
Álgebra II | Teorema do homomorfismo

b) Vamos calcular o núcleo de ƒ. Sabemos que N( )  {[a]Kn  ZKn ([a]Kn )  0Zn


 [0]n }. Temos
([a]Kn )  [0]n ( [a]n  [0]n

( a  nt, t  Z

( [a]Kn  n. [t]Kn

( [a]Kn  nZKn.

Portanto, concluímos que N(   nZKn  #n . [x]Kn [x]Kn  ZKn }.

c) Para mostrar que : ZKn  Zn é sobrejetora, basta observar que dado [a]n 
Zn, então ([a]n )  [a]n . Agora, pelo Teorema do Homomorfismo, concluímos que
ZKn/ N(   Zn e, como N(   nZKn , temos ZKn / nZKn  Zn.

38 CEDERJ
4
AULA
Divisibilidade em anéis
Meta da aula
Apresentar a teoria básica de divisibilidade em
anéis e o conceito de máximo divisor comum.
objetivos

Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:


• Operar com as propriedades básicas de divisibilidade.
• Operar com o conceito de máximo divisor comum.
• Demonstrar propriedades do máximo divisor comum.

Pré-requisito
Você vai precisar dos conhecimentos sobre anéis e ideais,
desenvolvidos nas Aulas 21 a 23 do curso de Álgebra I,
e das Aulas 1 e 2 deste curso.
Álgebra II | Divisibilidade em anéis

INTRODUÇÃO Nesta aula, vamos imitar a teoria de divisibilidade desenvolvida para os números
inteiros, agora, no contexto dos anéis. A sensação que você deve ter é a de
uma repetição da construção dos conceitos de divisibilidade desenvolvidos no
curso de Álgebra I.
Vamos começar apresentando a noção de divisor em um anel.

Definição 1

 A . Dizemos que a divide b, e denotamos


Sejam A um anel e a, b
a b, se existe um elemento c A tal que b = c . a. Nesse caso, dizemos
também que a é um divisor de b, ou que a é um fator de b, ou que b é
um múltiplo de a, ou, ainda, que b é divisível por a.
Se não existe um elemento c tal que b = c . a, diremos que a não
divide b, o que denotamos por a , b.

Exemplo 1
No anel dos inteiros Z, temos:
i. 4 12, pois 12 = 3.4;
ii. (–5) 35, pois 35 = 7. (–5);
iii. 4 11, pois não existe c  Z tal que 11 = c . 4.

Exemplo 2
-
No anel Q dos números racionais, temos 4 7, pois 7 = .4
- /
e  Q.
/

Exemplo 3
No anel Z8 = {0, 1, 2, 3, 4, 5, 6 , 7 } dos inteiros módulo 8,
temos:
i. 2 6, pois 6 = 3 . 2;
ii. 5 2, pois 2 = 2 . 5.
iii. 4 7, pois você pode facilmente verificar que não existe c 
Z8 tal que 7 = c . 4.

Veremos, agora, uma seqüência de propriedades de divisibilidade


num anel A. Observe que elas são semelhantes às propriedades sobre
divisibilidade dos números inteiros.

40 CEDERJ
Proposição 1

4
AULA
Sejam a, b, c, d,... elementos de um anel A. Então:
1. a a e a 0A, onde 0A é o elemento neutro da adição de A.
2. Se u é um elemento invertível em A, então u a. Em particular,
1A a, onde 1A é o elemento neutro da multiplicação de A.
3. Se a b e b c, então a c.
4. Se a b, então a b . c.
5. Se a b e a c, então a (b + c) e a (b – c).
6. Se a b e a c, então a (x . b + y . c), para todo x, y  A.
7. Se a b e c d, então a . c b . d.
8. Se a (b + c) e a c, então a c.

Demonstração

Lembre que costumamos denotar 0A por 0 e 1A por 1, sempre


que não houver risco de confusão.
1. Como 0 = 0 . a para todo a, então, da definição de divisibilidade,
concluímos que a 0 . E, também, como a = 1 . a, concluímos que a a.
2. Temos que
a=a.1
= a. (u–1. u), pois u é invertível
= (a . u–1) . u.

Como a . u–1  A, concluímos que a é múltiplo de u, o que significa


que u a. Em particular, como 1 é um elemento invertível de A, então
1 a. Essa última afirmação também pode ser facilmente verificada de
modo direto, pois a = a . 1.
3. Supondo que a b e b c, então existem elementos s, t  A tais
que b = s . a e c = t . d. Logo,
c=t.b
= t . (s . a), pois b = s . a
= (t . s) . a.
Como t . s  A, concluímos que c é múltiplo de a, o que prova
que a c.

Observe que nas provas das propriedades usamos somente a


definição de divisibilidade e as propriedades de anel já conhecidas. Tente,
agora, montar argumentos semelhantes para demonstrar a propriedade 4.
Esta será a sua primeira atividade desta aula.
CEDERJ 41
Álgebra II | Divisibilidade em anéis

ATIVIDADE

1. Prove que se a b, então a b . c.

Continuaremos, agora, com as demonstrações das outras


propriedades. Observe, primeiramente, que a propriedade 5 é
um caso particular da propriedade 6. Portanto, vamos primeiro
provar a propriedade 6 e, depois, tirar como conseqüência a validade
da propriedade 5. Observe que este tipo de argumento, ou seja, provar
uma propriedade mais geral e tirar um caso particular como conseqüência,
é muito comum na matemática.

6. Supondo que a b e a c, então existem elementos s, t  A


tais que b = s . a e c = t . a. Assim, para todo x, y  A, temos que
x . b + y . c = x . (s . a) + y . (t . a), pois b = s . a e c = t . a
= (x . s) . a + (y . t) . a
= (x . s + y . t) . a.

Como x, y, s, t  A e A é um anel, então x . s + y . t  A. Portanto,


temos que x . b + y . c é múltiplo de a, o que prova que a (x . b + y . c).
Vamos concluir a prova da propriedade 5.
5. Observe que, na propriedade 6, tomando x = y = 1, obtemos
que a (b + c). Agora, tomando x = 1 e y = –1, obtemos a (b – c).
A próxima propriedade (a 7a) será mais uma atividade para você.
Tente imitar os argumentos usados anteriormente.

ATIVIDADE

2. Prove que se a b e c d, então a . c b . d.

42 CEDERJ
Vamos, agora, demonstrar a última propriedade.

4
AULA
8. Supondo que a (b + c) e a b, então existem elementos s, t 
A tais que b + c = s . a e b = t . a. Logo,
c = (b + c) – b
= s . a – t . a, pois b + c = s . a e b = t . a
= (s – t) . a

Como s – t  A, concluímos que c é múltiplo de a, o que prova


que a c.

Lembre que no anel Z dos números inteiros vale uma propriedade


que diz que se a b e b a, então b = a ou b = – a. Agora, observe que 1
e –1 são os únicos elementos invertíveis de Z e que Z é um domínio de
integridade. Lembre, também, que um domínio de integridade é um anel
que não tem divisores de zero, isto é, não existem elementos não-nulos a e b
tais que a . b = 0. Isso nos dá a motivação para a próxima propriedade.

Proposição 2

Sejam a e b dois elementos de um domínio de integridade A.


Então, a b e b a se, e somente se, existir um elemento invertível
u  A , tal que b = u . a.

Demonstração

() Supondo que a b e b a, vamos mostrar que existe um


elemento invertível u  A, tal que b = u . a.
Como a b e b a, então existem elementos u e t em A, tais que
b = u . a e a = t . b.
1o caso: b = 0. Nesse caso, temos a = t . b = t . 0 = 0, o que prova
que b = a = 1 . a. Veja que, nesse caso, podemos escolher u = 1, concluindo
que b = 1 . a, sendo 1 um elemento invertível.
2o caso: b  0. Nesse caso, temos
b=u.a
= u . (t . b), pois a = t . b
= (u . t) . b.

CEDERJ 43
Álgebra II | Divisibilidade em anéis

Como A é um domínio de integridade e b  0, vale a lei do


cancelamento em A (veja a Proposição 2 da Aula 4) para o elemento
b, ou seja,
(u . t) . b = 1 . b e b  0  u . t = 1.

Como u . t = 1 e t  A, concluímos que o elemento u é invertível.


Daí, segue que b = u . a com u invertível em A.
() Agora, supondo que b = u . a, com u invertível em A, vamos
provar que a b e b a.
Como b = u . a, temos que b é múltiplo de a, ou seja, a b. Agora,
sendo u um elemento invertível de A, temos que
b = u . a  a = u–1 . b.

Como u–1  A, já que u é invertível, concluímos que a é múltiplo


de b, ou seja, b a.

Em particular, você pode obter outra demonstração para a


propriedade dos números inteiros mencionada anteriormente. Esta será
sua próxima atividade.

ATIVIDADE

3. Use a Proposição 2 para provar que se a e b são dois números inteiros,


tais que a b e b a, então b = a ou b =  a.

Definição 2

Dois elementos, a e b, de um anel A são chamados de elementos


associados se existir um elemento invertível u  A tal que b = u . a.

Assim, podemos reescrever a Proposição 2 nessa nova linguagem.

44 CEDERJ
Proposição 3

4
AULA
Em um domínio de integridade A, dois elementos a e b são
associados se, e somente se, a b e b a.
Vamos, agora, estender para um anel qualquer o conceito de máximo
divisor comum, já conhecido do seu estudo do anel dos inteiros Z. Daremos
inicialmente a definição para dois elementos de um anel.

Definição 3

Sejam dois elementos, a e b, de um anel A; dizemos que um


elemento, d  A, é um máximo divisor comum de a e b se:
MDC1. d é um divisor comum de a e b, isto é, d a e d b;
MDC2. todo divisor comum q de a e b também é divisor de d,
isto é, se q a e q b, então q d.
Nesse caso, dizemos, simplesmente, que d é um mdc de a e b e
denotamos d = mdc(a, b).

A relação imediata que temos para dois máximos divisores


comuns de a e b está contida na próxima propriedade.

Proposição 4

Sejam dois elementos, a e b, de um anel A com máximo divisor


comum d. Um elemento d1  A é um máximo divisor comum de a e b
se, e somente se, d1 d e d d1.

Demonstração

() Estamos supondo que d1 é um mdc de a e b. Então, em


particular, d1 a e d1 b, isto é, d1 é um divisor comum de a e b. Como
d é um mdc de a e b, então temos que, por MDC2, d1 d.
Por outro lado, como d é um mdc de a e b, então, por MDC1
compreendemos que d a e d b. E, agora, como d1 é um mdc de a e
b, então, por MDC2, temos d d1.
() Estamos supondo, agora, que d1 d e d d1. Queremos
concluir que d1 é um mdc de a e b.

CEDERJ 45
Álgebra II | Divisibilidade em anéis

Como d é um mdc de a e b, então d a e d b. Agora, como


d1 d, temos, pela Proposição 1.3, que d1 a e d1 b, ou seja,

d1 d e d a  d1 a e
d1 d e d1 b  d1 b,

portanto d1 é um divisor comum de a e b. Agora, dado qualquer


divisor q de a e b temos, por MDC2, que q d. Da hipótese, temos que
d d1. Assim, temos:

q d e d d1  q d1,

ou seja, todo divisor q de a e b também é divisor de d1. E, com


isso, concluímos que d1 também é um mdc de a e b.

Num anel, elementos que se comportam do mesmo modo quanto


à divisibilidade são chamados de elementos associados. A seguir veremos
sua definição formal.

Veja, agora, como fica a relação entre dois máximos divisores


comuns de dois elementos num domínio de integridade.

Proposição 5

Sejam dois elementos, a e b, de um domínio de integridade A com


máximo divisor comum d. Um elemento, d1  A, é um máximo divisor
comum de a e b se, e somente se, d1 é associado a d.

Demonstração

() Estamos supondo que d1  A é um máximo divisor comum de


a e b e queremos provar que d1 é associado a d. Pela Proposição 3, temos
que d1 d e d d1, agora, pela Proposição 4, já que A é um domínio de
integridade, segue que d1 e d são elementos associados.
()Supondo, agora, que d1 é associado a d, então, pela Proposição
4, já que A é um domínio de integridade, temos d1 d e d d1. Depois,
pela Proposição 3, segue que d1 é um máximo divisor comum de a e b.

46 CEDERJ
4
ATIVIDADE FINAL

AULA
Mostre que a relação binária no anel A, definida por a ~ b ( a é associado a b,

é uma relação de equivalência.

RESUMO

Nesta aula, vimos o conceito de divisibilidade num anel A, em que dizemos que
a divide b quando existe um elemento c  A, tal que b = c . a. Em seguida, vimos
muitas propriedades de divisibilidade, todas elas generalizações de propriedades
semelhantes aos números inteiros. Depois, vimos o conceito de máximo divisor
comum, que é um divisor comum que é múltiplo de todos os demais divisores
comuns, e de elementos associados, onde a e b são associados se existir elemento
invertível u  A, tal que b  u . a.

CEDERJ 47
Álgebra II | Divisibilidade em anéis

RESPOSTAS

Atividade 1

Se a b, então existe S  A, tal que b = s . a. Assim,

b . c = (s . a) . c, pois b = s . a

= s . (a . c)

= s . (c . a)

= (s . c) . a, múltiplo de a,

o que prova que a b . c.

Atividade 2

Se a b e c d, então existem elementos s e t no anel A, tais que b = s . a e d = t . c.


Logo,

b . d = (s . a) . (t . c), pois b = s . a e d = t . c.

= (s . t) . (a . c), múltiplo de a . c,

o que prova que a . c b . d.

Atividade 3

Pela Proposição 2, como a b, b a e Z é um domínio de integridade, então b = u . a


com u invertível em Z . Como os únicos elementos invertíveis em Z são 1 e –1, segue
que b = a ou b = – a.

Atividade Final

A relação é reflexiva, isto é, a ~ a , pois a = 1A . a e o elemento 1A é invertível.

A relação é simétrica, isto é, a ~ b  b ~ a, pois

48 CEDERJ
a ~ b  existe elemento invertível u  A, tal que b  u . a.

4
AULA
 a  u–1 . b  e u–1 é um elemento invertível

 b ~ a.

A relação é transitiva, isto é, a ~ b e b ~ c  a ~ c, pois

a ~ b e b ~ c  b  u . a e c  v . b com u e v elementos invertíveis

 c  v . b = (v . u) . a com v . u um elemento invertível

 a ~ c.

Assim, a relação “~” sendo reflexiva, simétrica e transitiva, faz dela uma relação
de equivalência.

CEDERJ 49
5
AULA
Introdução aos polinômios
Meta da aula
Apresentar o conceito de um polinômio com coeficientes num anel A.
objetivos

Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:


• Reconhecer um polinômio sobre um anel A.
• Determinar o grau de um polinômio.
• Determinar se um escalar é uma raiz de um polinômio.

Pré-requisitos
Você vai precisar dos conhecimentos sobre anéis e ideais,
desenvolvidos nas Aulas 21 a 23 do curso
de Álgebra I, e da Aula 1 deste curso.
Álgebra II | Introdução aos polinômios

INTRODUÇÃO Como todo estudante, você já deve ter visto expressões como

x + x2, 5 + x3, 17 + x2 + 2x3.

Essas expressões são conhecidas como polinômios, mais exatamente, polinômios


de uma variável. Nesses exemplos, os coeficientes que aparecem pertencem
ao corpo dos números reais.
Nesta aula, começaremos a estudar essas expressões num contexto mais geral,
o que permitirá considerar os coeficientes dos polinômios pertencendo a um
anel qualquer. Assim, nosso estudo abrangerá expressões tais como

3 x + 5 x2 com 3, 5 Z4 , por exemplo.

Para estudarmos essas expressões, definiremos as operações de soma e produto


de polinômios e veremos, nesse contexto, que o conjunto dos polinômios forma
um anel, chamado um anel de polinômios.
Considere (A, +, .) um anel. Lembre que isso significa um anel comutativo e
com unidade (1A  A). No que se segue, a letra x denotará uma variável ou
um símbolo.

DEFINIÇÃO 1

Um polinômio na variável x com coeficientes no anel A é uma


soma da forma
a0 + a1x + a2x2 + a3x3 + ...

onde cada ai  A e ai = 0 para todo i suficientemente grande


(e isso significa que existe n  N tal que ai = 0 para todo i > n).
Os escalares ai são chamados de coeficientes do polinômio. Assim,
a0 é o coeficiente constante;
a1 é o coeficiente do termo linear x;
a2 é o coeficiente do termo quadrático x2;
a3 é o coeficiente do termo cúbico x3.

Como temos os coeficientes a 1 = 0 para todo i > n,


2 3
podemos denotar o polinômio a0 + a1x + a2x + a3x + ... por

f(x) = a0 + a1x + a2x2 + a3x3 + ... + anxn.

52 CEDERJ
Exemplo 1

5
Isso significa que o polinômio 1 + 2x + 3x2 + 1x3 + 0x4 + 0x5 +

AULA
0x6 + ... será denotado por

1 + 2x + 3x2 + x3 ou f(x) = 1 + 2x + 3x2 + x3.

O polinômio cujos coeficientes são todos iguais a zero,

0 + 0x + 0x2 + 0x4 + 0x5 + 0x6 + ...,

chamado polinômio nulo, será denotado simplesmente por 0.


Observe, também, no caso a seguir, que a falta do termo x2 em

f(x) = 4 + 2x – 7 x3
3
significa que o coeficiente de x2 é igual a zero, isto é, a2 = 0.

DEFINIÇÃO 2

Denotamos o conjunto dos polinômios sobre o anel A por

A[x] = {Polinômios na variável x com coeficientes em A}


= {a0 + a1x + a2x2 + a3x3 + ... + anxn ai  A e n  N}.

Exemplo 2
Temos
Z [x] = {a0 + a1x + a2x2 + a3x3 + ... + anxn ai  Z e n  N};
Q [x] = {a0 + a1x + a2x2 + a3x3 + ... + anxn ai  Q e n  N};
R [x] = {a0 + a1x + a2x2 + a3x3 + ... + anxn ai  R e n  N};
C [x] = {a0 + a1x + a2x2 + a3x3 + ... + anxn ai  C e n  N};
Zm [x] = { + x + x2 + x3 + ... + xn  Zm e n  N} .
a0 a1 a2 a3 an ai

CEDERJ 53
Álgebra II | Introdução aos polinômios

Assim, temos também

p(x) = 1 + 2x + 3x2 + x3  Z[x];

7 3 7
f(x) = 4 + 2x –
3
x  Q[x], mas f(x)  Z[x], pois 3
 Z;

g(x) = (3 +0 2) – (1 + 0 2) x3  R[x], mas g(x)  Q[x], pois


3 +0 2  Q;

h(x) = (2 – i)x + (4 + 1)x4  C[x], mas h(x)  R[x], pois 2 – i


 R.

Lembre que C representa o corpo dos números complexos, ou


seja,
C = {a + bi a, b  C e i =0 –1}.

Algumas observações são muito importantes:

1. A  A[x]. Os elementos do anel A, em A[x], fazem o papel dos


polinômios constantes, f(x) = a0 (com a1 = 0 para todo i > 0).

2. Se A e B são anéis e A  B, então A[x]  B[x].

Esta última observação consiste na sua primeira atividade.

ATIVIDADE

1. Prove que se A e B são anéis e A  B, então A[x]  B[x].

Na teoria dos polinômios, o último termo não-nulo exerce um


papel importante. É esse termo que vamos estabelecer na próxima
definição.

54 CEDERJ
DEFINIÇÃO 3

5
AULA
Seja A um anel e f(x) um polinômio em A[x] tal que

f(x) = a0 + a1x + a2x2 + a3x3 + ... + anxn com an  0 e n 1 0.

Neste caso, dizemos que o polinômio f(x) tem grau n e denotamos


gr( f ) = n. O coeficiente an é chamado de coeficiente líder. Em particular,
quando o coeficiente líder for igual a 1,

f(x) = a0 + a1x + a2x2 + a3x3 + ... + xn, an = 1,

dizemos que f(x) é um polinômio mônico. Observe, também, que


não estamos definindo o grau do polinômio nulo.

Exemplo 3
a) O polinômio
f(x) = 1 + 2x + 3x2 + x3  Z[x]

tem grau 3, gr( f ) = 3. Observe que f(x) é um polinômio mônico

b) O polinômio
p(x) = 3 + 4x2 + 5x4  Z7[x]

tem grau 4, gr(p) = 4. Observe que p(x) não é um polinômio


mônico.

c) O polinômio

g(x) = (1 – i)x + 2ix3 + x5  C[x]

tem grau 5, gr(g) = 5. Observe que g(x) é um polinômio mônico.

Vamos estudar, agora, a igualdade de dois polinômios.

CEDERJ 55
Álgebra II | Introdução aos polinômios

DEFINIÇÃO 4

Sejam f(x) e g(x) dois polinômios em A[x], digamos,

f(x) = a0 + a1x + a2x2 + a3x3 + ... + anxn.


e
g(x) = b0 + b1x + b2x2 + b3x3 + ... + bmxm.

Dizemos que os polinômios f(x) e g(x) são iguais, e denotamos


f(x) = g(x), se
ai = bi para todos os valores de i.

Em particular, observe que se gr (f) = n e gr(g) = m, então


n = m. Assim, dois polinômios são iguais, se eles tiverem o mesmo grau
e se seus coeficientes correspondentes forem iguais.

Exemplo 4
Os polinômios

f(x) = 1 + 2x + 3x2 + x3  Z[x]


e
g(x) = 1 + 2x – 3x2 + x3  Z[x]

não são iguais, pois a2 = 3  –3 = b2. Já os polinômios

p(x) = 1 + 3x2 + x3  Z[x]


e
q(x) = 1 + 0x + 3x2 + x3  Z[x]

são iguais, pois todos os seus coeficientes correspondentes são iguais.

Você provavelmente já conhece os conceitos de valor de um


polinômio e raiz ou zero de um polinômio. Vamos, então, relembrá-los.

56 CEDERJ
DEFINIÇÃO 5

5
AULA
Dados um polinômio f(x) = a0 + a1x + a2x2 + a3x3 + ... + anxn 
A[x] e um escalar 2  A, dizemos que

f(2) = a0 + a12 + a222 + a323 + ... + an2n

é o valor de f em 2. Como A é um anel e, portanto, fechado sob


as operações de adição e multiplicação, então temos

f(2) = a0 + a12 + a222 + a323 + ... + an2n  A.

No caso em que f(2) = 0, dizemos que 2 é uma raiz de f ou um


zero de f em A.

Exemplo 5
Seja f(x) = 3 + 2x – 5x3  Z[x]. O valor de f(x) em 2 = 2 é

f(2) = 3 + 2 . 2 – 5 . 23
= 3 + 4 – 40
= – 33.

Então, temos f(2) = – 33 e, em particular, 2 = 2 não é uma raiz


de f(x). Agora, para 2 = 1 temos o valor

f(1) = 3 + 2 . 1 – 5 . 13
=3+2–5
= 0.
Portanto, já que 1  Z, 2 = 1 é uma raiz de f(x) em Z.

Exemplo 6
Seja g(x) = 1 + 2x + 2x2  Z3 [x], onde Z3 = { 0, 1, 2} é o anel
das classes residuais módulo 3. Os valores que g(x) assume em Z3 são:

g(0) = 1 + 2 . 0 + 2 . 02
=1+0+0
= 1 Z3 ;

CEDERJ 57
Álgebra II | Introdução aos polinômios

g(1) = 1 + 2 . 1 + 2 . 12
=1+2+2
=5
=2  Z3 ;

g(2) = 1 + 2 . 2 + 2 . 22
=1+4+8
= 13
=1  Z3 ;

Como g( 0)  0, g(1)  0 e g(2)  0, então o polinômio g(x) = 1


+ 2x + 2x2  Z3 [x] não tem raiz em Z3. Observe que 3 = 0, 1, 2 são as
únicas possibilidades de raiz em Z3 e, uma vez descartadas estas, podemos
concluir que o polinômio não tem raízes em Z3.

Exemplo 7
Seja h(x) = 1 + x2  R[x]. O valor de h(x) no escalar 2 Ré
dado pela expressão
h(2) = 1 + 22
= 22 + 1  R.

Sabemos que, dado 2  R , então 22 1 0. Assim,

22 + 1 > 0,

isto é, a expressão 22 + 1 terá sempre um valor positivo e, portanto,


nunca será igual a zero para qualquer que seja o valor de 2  R. Assim,
concluímos que h(2)  0 para todo 2  R e isso significa que o polinômio
h(2) = 1 + x2 R[x] não possui raiz em R. Dizemos que h(x)  R[x] não
tem raízes reais.
Por outro lado, temos
RC
e, portanto,
R[x]  C[x].

58 CEDERJ
Agora, dado i  C, i = 0 –1, temos

5
h(i) = 1 + i2

AULA
= 1 + (–1)
= 0,
ou seja, 2 = i é uma raiz de h(x) = 1 + x2 em C. Dizemos que i
é uma raiz complexa de h(x). Veja, também, que 2 = – i é outra raiz
2
complexa de h(x) = 1 + x , já que
h(–i) = 1 + (–i)2
= 1 + (–1)
= 0.
Observe que o exemplo anterior teve o propósito de ressaltar o
fato de quando falamos em raiz de um polinômio, devemos especificar
o anel com o qual estamos trabalhando. Mais especificamente, dizer,
simplesmente, “o polinômio h(x) = 1 + x2 não tem raiz”, consiste numa
afirmação incompleta, pois vimos que este polinômio não tem raízes
reais, mas tem raízes complexas.
Vamos ver, agora, uma propriedade muito simples, porém muito
importante sobre raízes nulas de um polinômio.

Proposição 1

Seja o polinômio f(x) = a0 + a1x + a2x2 + a3x3 + ... + anxn 


A[x] com raiz nula, isto é, com f(0) = 0. Então o coeficiente constante é
igual a zero, ou seja, a0 = 0, e f(x) é da forma

f(x) = a1x + a2x2 + a3x3 + ... + anxn .

Demonstração

De f(0) = 0 segue que


a0 + a1 . 0 + a2 . 02 + a3 . 03 + ... + an . 0n = 0,

o que nos dá
a0 = 0.

Portanto, ƒ(x) = a1x + a2x2 + a3x3 + ... + anxn .

CEDERJ 59
Álgebra II | Introdução aos polinômios

ATIVIDADES FINAIS

1. Seja f(x) = x2 – 2  Q[x]. Use o fato de 0 2  Q para mostrar que f(x) não tem
raízes racionais. Verifique que f(x) possui raízes reais e encontre essas raízes.

2. Determine o polinômio f(x)  R[x] , de 3o grau, que apresenta uma raiz nula
e satisfaz a condição f(x – 1) = f(x) + (2x)2 para todo x real.

3. Com o auxílio do polinômio obtido no exercício anterior, calcule a soma 22 +


42 + ... + (2n)2, onde n 1 1 é um número natural.

RESUMO

O conceito de polinômio em uma variável é dado por:

f(x) = a0 + a1x + a2x2 + a3x3 + ... + anxn ,

com coeficientes a0 , a1 , a2 , ... , an num anel A. O grau de um polinômio é o


maior valor de n tal que an  0. O conceito de raiz de um polinômio é um escalar
2  A tal que f(2) = 0.

60 CEDERJ
5
AULA
RESPOSTAS

Atividade 1
Dado o polinômio
f(x) = a0 + a1x + a2x2 + a3x3 + ... + anxn  A[x],

então os coeficientes a1  A para i = 0, 1, ... , n. Como A  B, então cada


a1  B, e isto significa que

f(x) = a0 + a1x + a2x2 + a3x3 + ... + anxn  B[x].

Portanto, provamos que A[x]  B[x].

Atividade Final 1

Veja que

f(x) = 0 ( x2 – 2 = 0
( x2 = 2
0
( x = 4 2

Assim, as única raízes de f(x) são os números reais 02 e – 0 2. Como 0 2  Q,


então f(x) não tem raízes racionais. Mas f(x) tem duas raízes reais, a saber, e.

Atividade Final 2

Como o polinômio f(x) é de grau 3, então podemos escrever

f(x) = ax3 + bx2 + cx + d com a, b, c, d  R e a  0.

Como f(0) = 0, temos, pela Proposição 1, que d  0 e, assim,

f(x) = ax3 + bx2 + cx.

CEDERJ 61
Álgebra II | Introdução aos polinômios

Agora, substituindo x  0 em f(x – 1) = f(x) + f(2x)2, obtemos

f(–1) = f(0) + (2 . 0)2

=0+0

= 0,

isto é, f( ) = 0 . Portanto, –1 também é uma raiz de f(x).

Substituindo x = 1 em f(x  ) = f(x) + (2x)2 , obtemos

f(0) = f(1) + (2 . 1)2,

o que nos dá

f(1) = f(0) – 22

=0–4

= – 4,

isto é, f(1) = – 4. Finalmente, substituindo x  5 em f(x  ) = f(x) + (2x)2,


obtemos

f(2  ) = f(2) + (2 . 2)2 ,

o que nos dá

f(2) = f(1) + 42

= – 4 – 16

= – 20,

isto é, f(2) = – 20. Agora, substituindo f(–1) = 0, f(1) = – 4 e f(2) = –20 em f(x) =
ax3 + bx2 + cx, obtemos o sistema linear

–a+b–c=0

a+b+c=–4

8a + 4b + 2c = – 20,

cuja solução, usando as técnicas já aprendidas no curso de Álgebra Linear II, é

a = – 4, b = – 2 e c = – 2 .
3 3

62 CEDERJ
Portanto, temos

5
4 3 2

AULA
f(x) = – x – 2x2 – x.
3 3

Atividade Final 3

De f(x  ) = f(x) + (2x)2 temos a expressão (2x)2 = f(x  )  f(x) que usaremos
na soma 22 + 42 + ... + (2n)2. Temos:

22 + 42 + ... + (2n)2 = (2 . 1)2 + (2 . 2)2 + ... + (2 . n)2

= (f(0) – f(1)) + (f(1) – f(2)) + ... + (f(n – 1) – f(n))

= f(0) – f(n).

4 3
Agora, usando a expressão f(x) = – x – 2x2 – 2 x obtida na atividade anterior,
3 3
temos:

22 + 42 + ... + (2n)2 = f(0) – f(n)

4 3 2
= 0 – (– n – 2n2 – n)
3 3
= 4 n3 + 2n2 + 2 n.
3 3

CEDERJ 63
6
AULA
Operações com polinômios
Meta da aula
Apresentar as operações de adição e multiplicação de polinômios com
coeficientes num anel A.
objetivos

Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:


• Calcular a soma de dois polinômios sobre um anel A.
• Calcular o produto de dois polinômios sobre um anel A.
• Determinar o grau do polinômio soma.
• Determinar o grau do polinômio produto.

Pré-requisitos
Você vai precisar dos conhecimentos sobre anéis e
ideais, desenvolvidos em Álgebra I, e da introdução aos
polinômios, na Aula 5.
Álgebra II | Operações com polinômios

INTRODUÇÃO Lembra-se da aula passada? Vimos que se A é um anel, e isso significa um


anel comutativo e com unidade (1A  A), então denotamos o conjunto dos
polinômios sobre o anel A por A[x], isto é,

A[x] = {polinômios na variável x com coeficientes em A}


= { a0 + a1x + a2x2 + a3x3 + ... + anxn ai  A e n  N}.

Nesta aula, vamos definir as operações de adição e multiplicação em A[x], ou


seja, a soma e o produto de polinômios. Depois, veremos como o grau de um
polinômio se comporta perante estas operações.

DEFINIÇÃO 1

Sejam f(x) e g(x) dois polinômios em A[x], digamos,

f(x) = a0 + a1x + a2x2 + a3x3 + ... + anxn


e
g(x) = b0 + b1x + b2x2 + b3x3 + ... + bmxm.

Podemos supor, sem perda de generalidade, que m 6 n. Definimos


as operações de adição e multiplicação de polinômios como segue.

1. Adição de polinômios. O polinômio soma f(x) + g(x) é


definido por

f(x) + g(x) = (a0 + b0) + (a1 + b1)x + (a2 + b2)x2 + ... + (am + bm)xm + am +1 xm + n
... + anxn
= c0 + c1x + c2x2 + c3x3 + ... + cnx n,

onde os novos coeficientes são dados por cK = aK + bK para cada


k = 1, 2, ..., n. Observe que bK = 0 para todo k > m.

Assim, para somarmos dois polinômios, simplesmente somamos


os seus coeficientes correspondentes.

2. Multiplicação de polinômios. O polinômio produto f(x) . g(x)


é definido por
f(x) . g(x) = c0 + c1x + c2x2 + c3x3 + ... + cm +1 xm + n,

66 CEDERJ
onde os coeficientes cK são definidos por

6
c0 = a0b0;

AULA
c1 = a0b1 + a1b0;
c2 = a0b2 + a1b1 + a2b0;
c3 = a0b3 + a1b2 + a2b1 + a3b0;
...

cK = a0bK + a1bK – 1 + a2bK – 2 + ... + aKb0, para todo


k 6 m + n,

e onde estamos considerando que bK = 0 para todo k > m e aK = 0


para todo k > n. Esta regra diz, simplesmente, que para formarmos o produto
f(x) . g(x), fazemos o produto de cada termo de f(x) por cada termos de g(x),
usando a regra

(aixi) . (bixi) = aibj xi + j, para todo i, j 1 0

e, depois, agrupamos todos os termos que têm a mesma potência


em x. Observe que a formação dos coeficientes cK segue, simplesmente,
a aplicação da lei distributiva.
Vejamos alguns exemplos.

Exemplo 1

Sejam f(x) = 3 + 2x – x2 e g(x) = 1 + 2x2 dois polinômios em


R[x]. O polinômio soma f(x) + g(x) é dado por

f(x) + g(x) = (3 + 2x – x2) + (1 + 2x2)


= (3 + 1) + (2 + 0)x + (–1 + 2)x2
= 4 + 2x + x2.

Já o polinômio produto f(x) . g(x) é obtido como segue:

f(x) . g(x) = (3 + 2x – x2)(1 + 2x2)


= (3 + 2x – x2) . 1 + (3 + 2x – x2) . 2x2 ; aplicando a lei
distributiva
= (3 + 2x – x2) + (6x2 + 4x3 – 2x4) . 2x2 ; aplicando a lei
distributiva
= 3 + 2x – 5x2 + 4x3 – 2x4 ; aplicando a soma de
polinômios.

CEDERJ 67
Álgebra II | Operações com polinômios

Vamos observar, no caso geral, que os polinômios f(x) + g(x) e


f(x) . g(x) são, de fato, polinômios em A[x]. Como A é um anel e aK , bK
 A, então os coeficientes cK = aK + bK do polinômio soma f(x) + g(x)
pertencem a A, garantindo que f(x) + g(x)  A[x]. Da mesma forma,
cada coeficiente
cK = a0bK + a1bK – 1 + a2bK – 2 + ... + aKb0

do polinômio produto f(x) . g(x) pertence a A, mais uma vez,


garantindo que f(x) . g(x)  A[x].

ATIVIDADE

1. Calcule a soma e o produto dos polinômios f(x) = 2 + 2x2 + x3


1
e g(x) = 1 + 2x, em Z3[x].

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____________________________________________________________
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Concluiremos esta aula estudando o comportamento do grau dos


polinômios soma e produto. Para isso, vamos considerar que no anel
A não ocorra que o produto de dois elementos não-nulos seja nulo,
ou seja, que A é um domínio de integridade. Isso significa que dados
a, b  A com a  0 e b  0, então a . b  0, o que, em outras palavras,
significa que o anel A não tem divisores de zero. Lembre, também, que
o grau do polinômio

f(x) = a0 + a1x + a2x2 + a3x3 + ... + anxn, com a0  0 e n 1 1,

é igual a n, o que denotamos por gr ( f ) = n. Observe, no Exemplo


1, que o grau do polinômio soma f(x) + g(x) é igual a 2 e que o grau do
polinômio produto f(x) . g(x) é igual a 4.

68 CEDERJ
Proposição 1

6
AULA
Seja A um domínio de integridade e sejam os polinômios f(x), g(x)
 A[x], cujos graus são gr(f) = n e gr(g) = m, com m 6 n. Então
1. gr(f + g) 6 n = max {gr(f), gr(g)};
2. gr(f . g) = n + m = gr(f), gr(g).

Demonstração
Sejam os polinômios f(x) e g(x) dados por

f(x) = a0 + a1x + a2x2 + a3x3 + ... + anxn, com an  0,


e
g(x) = b0 + b1x + b2x2 + b3x3 + ... + bmxm, com bm  0.

1. Assim, o polinômio soma é dado por


f(x) + g(x) = (a0 + b0) + (a1 + b1)x + (a2 + b2)x2 + ... + (am + bm)xm
+ am + 1 xm + 1... + anxn
= c0 + c1x + c2x2 + c3x3 + ... + cnxn,

onde os novos coeficientes são dados por cK = aK + bK para cada


k = 1, 2, ... , n. Observe que bK = 0 para todo k > m.

Como m 6 n, então bK = 0 e aK = 0 para todo k > n, o que


nos leva a cK = aK + bK = 0 para todo k > n, e isto mostra que

gr(f + g) 6 n = max {gr(f), gr(g)}.

Observe que no caso de m < n, temos então bn = 0, o que nos dá

cn = an + bn = an  0,

ou seja, concluímos que, neste caso, gr(f + g) = n, ou seja, vale a


igualdade.

CEDERJ 69
Álgebra II | Operações com polinômios

2. Agora, o polinômio produto é dado por

f(x) . g(x) = c0 + c1x + c2x2 + c3x3 + ... + cm +nxm + n

onde os coeficientes são dados por cK = a0bK + a1bK – 1 + a2bK – 2 +


... + aKb0. Em particular, temos

cm + n = a0bm + n + a1bm + n – 1 + ... + an – 1bm + 1 + an bm + an + 1bm – 1 +...


+ am + nb0
= a0 . 0 + a1 . 0 + ... + an – 1 . 0 + an bm + 0 . bm – 1 ... + 0 . b0
= an bm  0,

pois bK  0 para todo k > m, aK = 0 para todo k > n e an bm  0


porque an  0, bm  0 e A é um domínio de integridade. Assim, concluímos
que gr(f . g) = n + m.

Observe que na prova de gr(f + g) 6 max{gr(f), gr(g)}, na Propo-


sição 1, não usamos a hipótese de A ser um domínio de integridade. Assim,
esta propriedade vale para um anel A qualquer. Já não é o caso da segunda
parte, gr(f . g) = gr( f ) + gr( g ), em que usamos explicitamente a hipótese de
A ser um domínio de integridade. Portanto, esta propriedade não é válida
quando A não for um domínio de integridade. Veja a Atividade Final 2.

Exemplo 2

Sejam os polinômios f(x) = 1 + x e g(x) = x em Z2[x]. Vamos


calcular a soma e o produto destes polinômios e, também, seus graus.
Para o polinômio soma, temos

f(x) + g(x) = (1 + x) + x
= (1 + 0) + (1 + 1)x
= 1 + 2x
= 1 + 0x; pois 2 = 0 em Z2
=1  Z2[x]

Veja que gr(f + g) = 0 < 1 = max{gr(f), gr(g)}.

70 CEDERJ
Para o polinômio produto, temos

6
AULA
f(x) . g(x) = (1 + x) . x
= 1 . x + x . x; aplicando a lei distributiva
= x + x2  Z2[x]

Observe que gr(f . g) = 2 = 1 + 1 = gr(f) + gr(g). Com isso,


concluímos o Exemplo 2.

ATIVIDADES FINAIS

1. Calcule a soma e o produto, e seus respectivos graus, dos polinômios f(x) = 3x


+ 2x2 e g(x) = 1 + x, em Z[x].

2. Encontre um exemplo de um anel A e de polinômios f(x), g(x)  A[x], para os


quais não vale a igualdade gr(f . g) = gr(f) + gr(g). Observe que A não pode ser
um domínio de integridade.

CEDERJ 71
Álgebra II | Operações com polinômios

RESUMO

A soma e o produto dos polinômios


f(x) = a0 + a1x + a2x2 + a3x3 + ... + anxn
e
g(x) = b0 + b1x + b2x2 + b3x3 + ... + bmxm,

supondo m 6 n, são dados por

f(x) + g(x) = (a0 + b0) + (a1 + b1)x + (a2 + b2)x2 + ... + (am + bm)xm + am + 1xm + 1... + anxn
= c0 + c1x + c2x2 + c3x3 + ... + cnxn
e
f(x) . g(x) = c0 + c1x + c2x2 + c3x3 + ... + cm + nxm + n,

onde os coeficientes cK são definidos por


c0 = a0b0 ;
c1 = a0b1 + a1b0 ;
c2 = a0b2 + a1b1 + a2b0;
c3 = a0b3 + a1b2 + a2b1 + a3b0 ;
...

cK = a0bK + a1bK – 1 + a2bK – 2 + ... + aKb0 , para todo k 6 m + n.

Valem as propriedades gr(f + g) 6 max{gr(f), gr(g)} e gr(f . g) = gr(f) + gr(g), sendo


que esta última apenas quando o anel A é um domínio de integridade.

RESPOSTAS COMENTADAS

Atividade 1

Para o polinômio soma, temos

f(x) + g(x) = (2 + 2 x2 + x3) + (1 + 2 x)


= (2 + 1 ) + (0 + 2 )x + (2 + 0 )x2 + (1 + 0 )x3
= 3 + 2 x + 2 x2 + x3
= 0 + 2 x + 2 x2 + x3; pois 3 = 0 em Z3
= 2 x + 2 x2 + x3  Z3[x].

72 CEDERJ
Calculando o polinômio produto, temos

6
AULA
f(x) . g(x) = (2 + 2 x2 + x3) + (1 + 2 x)
= (2 + 2 x2 + x3) . 1 + (2 + 2 x2 + x3) . 2 x; aplicando a lei distributiva
= (2 + 2 x2 + x3) + (4x + 4 x3 + 2 x4); aplicando a lei distributiva
= (2 + 0 ) + (0 + 4 )x + (2 + 0 )x2 + (1 + 4 )x3 + (0 + 2 )x4 ; aplicando a soma
de polinômios
= 2 + 4 x + 2 x2 + 5 x3 + 2 x4
= 2 + 1 x + 2 x2 + 2 x3 + 2 x4; pois 4 = 1 e 5 = 2 em Z3
= 2 + x + 2 x2 + 2 x3 + 2 x4 Z3[x].

Atividade Final 1

Para o polinômio soma, temos

f(x) + g(x) = (3x + 2x2) + (1 + x)


= (0 + 1) + (3 + 1)x + (2 + 0)x2
= 1 + 4x + 2x2  Z[x].

Veja que gr(f + g) = 2 = max {gr(f), gr(g)}.

Calculando o polinômio produto, temos

f(x) . g(x) = (3x + 2x2)(1 + x)


= (3x + 2x2). 1 + (3x + 2x2) . x; aplicando a lei distributiva
= (3x + 2x2) + (3x2 + 2x3); aplicando a lei distributiva
= (3 + 0)x + (2 + 3)x 2 + (0 + 2)x 3; aplicando a soma de
polinômios
= 3x + 5x2 + 2x3  Z[x].

Observe que gr(f . g) = 3 = 2 + 1 = gr(f) + gr(g).

Atividade Final 2

Sejam os polinômios f(x) = 1 + 2 x e g(x) = 2 x em Z4[x]. Calculando o polinômio


produto, temos

f(x) . g(x) = (1 + 2 x) . 2 x
= 1 . 2 x + 2 x . 2 x; aplicando a lei distributiva
= 2 x + 4 x2
= 2 x + 0 x2; pois 4 = 0 em Z4
= 2 x  Z4[x].
CEDERJ 73
Álgebra II | Operações com polinômios

Veja que gr(f . g) = 1 < 2 = 1 + 1 = gr(f) + gr(g). Observe que Z4 não é um domínio
de integridade, pois contém divisores de zero (2 . 2 = 0 ).

74 CEDERJ
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SOBREOSPOLINÙMIOSDAS!ULASA
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COM COElCIENTES NUM ANEL ! DENOTADO POR !;Ý= MUNIDO DAS OPERA ÜES
ANTERIORES ÏTAMBÏMUMANEL
.ESTA AULA VAMOS TRATAR O PROBLEMA DA DIVISÎO DE UM POLINÙMIO POR
OUTRO POLINÙMIO 6EREMOS QUE ESTA DIVISÎO NOS DÉ INFORMA ÎO SOBRE
ASRAÓZESDEUMPOLINÙMIO
6AMOS INICIAR REVENDO DO SEU CURSO DE %NSINO -ÏDIO O ALGORITMO DA
DIVISÎO DE POLINÙMIOS $EPOIS VAMOS ENUNCIAR E PROVAR A PROPRIEDADE
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