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PEA2412 – Automação de Sistemas Elétricos de Potência

Prova 1 – Parte 1 – Aulas 1 a 6

Aula 1 – 03/08

1. SAS – Sistema de Automação de Subestações

Bibliografia:
a. Substation Automation Handbook (2003) – Klaus Peter Brand, Valter Lohman,
Wolfgang Wimmer
b. Sistemas Digitais para Automação, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica –
José Antonio Jardini
c. Power System Relaying – Stanley H. Horowitz , Arun G. Phedlre

Sistema de Supervisão e Controle do Sistema de Potência (SSC)


- Este sistema provê os meios para a coordenação da operação do sistema elétrico, visto
de forma global.
- Este sistema é composto de níveis hierárquicos:

No Brasil:

COSN – Brasília

COSR – NCO – Norte – Centro-Oeste (Brasília)

COSR – NE – Nordeste (Recife)

COSR – SE – Sudeste (Rio de Janeiro)

COSR – S – Sul (Florianópolis)

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No SIN os 5 centros de operação:

- Comandam as (aproximadamente) 50 mil intervenções/dia


- Recebem 10 mil informações/segundo
- Gravam 10x106 registros/dia

A principal tarefa do SSC, além do controle direto, é o gerenciamento energético, o qual


controla não somente o balanço produção/consumo, mas também o caminho do fluxo de
potência na rede de potência, considerando aspectos econômicos, de segurança e de
qualidade.

No SSC está localizado o sistema computacional responsável pelas funções de “alto-nível”


que fornecem as informações para a operação adequada e segura da rede. Algumas
funções são:

- previsão de carga
- programação hidro-energética de reservatório
- fluxo de potência
- estimador de estado
- análise de segurança
- controle de carga frequência
- recomposição do sistema

Para realizar essas funções o SSC tem de adquirir dados (tensões, correntes, fluxos de
potência ativa/reativa, status dos equipamentos, etc) em todos os pontos da rede. Além
disso, ele tem de comandar equipamentos, tais como disjuntores, seccionadores, etc. Essa
função é denominada SCADA (Supervisory Controle and Data Acquisition).

O nível mais baixo do SSC é o sistema de automação da subestação (SAS), responsável


pela aquisição das grandezas a serem monitoradas e pela supervisão e controle dos
equipamentos primários (disjuntores, seccionadoras, etc).

O sistema de automação de subestação integra as funções:


- proteção
- controle
- medição
- análise pós-falta

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Fundamentos do Sistema de Proteção

Componentes

- TI: Transformadores de instrumentação (TP e TC). Fornecem a isolação necessária entre


o sistema de proteção e a rede de potência. Reduzem a magnitude das tensões e
correntes primárias.

- EP: Elemento de proteção. Pode variar desde um relé com uma única função de
proteção até um dispositivo multifuncional.

- CC: Circuito de trip (abertura)

- SA: Serviço auxiliar de alimentação DC (por exemplo, 125V) fornecido através de um


banco de baterias. Fornece a corrente para o circuito de trip e alimentação dos relés. Tem
papel importante na confiabilidade do sistema.

- D e R: Equipamentos de display e registro (oscilógrafo).

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Aula 2 – 10/08

Continuação – Sistemas de Proteção

O objetivo do sistema de proteção é isolar o equipamento defeituoso de forma rápida,


confiável e desegernizando o menor trecho da rede (seletividade).

Dentro desse contexto existem alguns princípios que o sistema deve respeitar:

1. Confiabilidade: As falhas no sistema de proteção são classificadas:

a. Falha de Segurança (Security): Não existe uma falta dentro da zona de proteção
do relé e ele atua individualmente.
b. Falha de Operação (Dependability): Existe uma falta dentro da zona de proteção
e ela não atua.
 Security e Dependability são objetivos conflitantes

SECURITY ↓ ↔ DEPENDABILITY↑

Exemplo: Um relé de proteção tem as seguintes probabilidades de falha:

“p”: probabilidade de ocorrer falha de segurança


“q”: probabilidade de ocorrer falha de operação

Para aumentar a confiabilidade pode-se pensar em duplicar o sistema de proteção: Proteção


Principal + Proteção Alternada. Neste caso, existem duas alternativas para ligações de trip:

a. Contatos em Série:

b. Contatos em Paraelo:

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Ligação Probabilidades

Falha de Segurança Falha de Operação

Série p2 q(2-q) *

Paralelo
p(2-p) q2

* Ativa Corretamente = (1-q)(1-q) = 1 – 2q + q2

Falha na operação = 1 – (1 – 2q + q2 ) = 2q - q2 = q(2-q)

Os critérios de projeto normalmente priorizam a redução na probabilidade de falha de


operação em detrimento da falha de segurança  normalmente os contatos de proteção
duplicada são colocados em paralelo.

Causas de Falha de Proteção

- Equipamento: relé, transformadores de instrumentação (TP e TC);


Circuito de trip: serviço auxiliar, mecanismo de desarme do disjuntor, disjuntor.

2. Seletividade ou Coordenação de Proteção: É a habilidade do sistema de proteção de


desernegizar o menor trecho possível da rede, isolando somento o equipamento
defeituoso.

Existem dois conceitos associados à seletividade:

a. Zona de Proteção Primária

- O conceito de seletividade é definido em termos de regiões da rede (zona de proteção


primária) para os quais um dado sistema de proteção é responsável.

- O SP (Sistema de Proteção) é considerado seletivo se ele responde às faltas que ocorrem


somente dentro de sua zona de proteção.

- A zona de proteção é definida pela posição dos TCs e disjuntores.

- Disjuntores são instalados no ponto de conexão entre dois equipamentos. Isso permite
que somente o equipamento defeituoso possa ser isolado (eventualmente algum
disjuntor pode ser eliminado por razões econômicas).

- Uma zona de proteção é estabelecida ao redor de cada equipamento. Faltas dentro


dessa zona devem provocar a atuação de todos os disjuntores da zona e só desta.

- Faltas dentro da área de sobreposição de duas zonas provoca a atuação dos disjuntores
destas zonas (porém não existem pontos cegos).

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- A posição das zonas é determinada pela localização dos TCs (transformadores de
corrente).

Disjuntores de tanque vivo, por razões de isolação, não possuem TC. Usa-se um TC
externo.

Exemplo:

Falta em F1: Proteção da barra detecta e abre A e B  Defeito Isolado

Falta em F2: Proteção da barra detecta e abre A e B  Porém a falta alimenta pela linha
 Não existe ponto cego na proteção primária.

Falta em F3: Atua proteção da barra e linha.

b. Proteção de Retaguarda

O Sistema de Proteção Primária pode falhar para atuar. Neste caso, é necessário a
existência de um sistema alternativo que isole o equipamento defeituoso, mesmo
à custa da desenergização de um trecho maior da rede.

As alternativas são:
- Proteção Primária Duplicada;
- Proteção de back-up remota;
- Proteção de back-up local + esquema de falha de disjuntor.

b1. Proteção Primária Duplicada:

- Proteção Principal + Proteção Alternada: Atuam na mesma velocidade


- Comum em sistemas de alta tensão
- Pode-se utilizar os mesmos elementos do sistema de proteção ou pode-se
também duplicá-los. Para linhas de EHV é comum utilizar TCs separados. Utiliza-se
o mesmo TP, porém enrolamento secundário separado. Disjuntores não são
duplicados, porém o sistema de serviço auxiliar pode ser duplicado. Em sistemas
de tensão mais baixa compartilha-se TP, TC e baterias.

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Aula 3 - 11/08

Continuação - Proteção de retaguarda

- Proteção primária duplicada

- Proteção backup remota

- Proteção backup local + falha no disjuntor

Proteção de Back-Up Remota

Caso a proteção primária falhe, um outro sistema de proteção deverá atuar, mesmo às custas
de um trecho maior da rede desenergizado.

É conveniente que não exista um modo de falha comum entre a proteção primária e a de
backup. Isso é alcançado se o backup estiver em uma SE diferente

- Se E falhar: A e B devem atuar

- Se F falhar: I e J devem atuar

- A e F dão backup remoto para a linha BD

- Seletividade entre a proteção primária e backup é alcançada através de um delay de tempo


(o backup “enxerga” a falta, porém atua com atraso).

Vantagem: imune aos modos de falhas comum

Desvantagem:

- atua com atraso

- desenergiza trecho maior

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Proteção de Backup Local + Falha de Disjuntor

Em algumas situações o backup remoto é inviável e, neste caso, utiliza-se o local:

50 → função de sobrecorrente instantânea

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Circuito de TRIP

Principais Funções de Proteção

a) Detectores de níveis

É o princípio de proteção mais simples. O relé atua quando a grandeza monitorada ultrapassa
um valor ajustado (relés de sobre) ou quando fica abaixo desse valor (relés de sub).

b) Função de sobrecorrente

Essa função é classificada em:

-> ANSI 50: sobrecorrente instantânea (sem atraso intencional)

-> ANSI 51: sobrecorrente temporizada: pode ser subclassificada em:

- tempo definido

- tempo inverso

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Característica “tempo de atuação (TA) x corrente”

IPK = corrente de pick-up: o relé atua quando a corrente ultrapassar esse valor

m = múltiplo da corrente de atuação

Característica de tempo inverso (curvas)

a1) Norma ANSI

nT = multiplicador de tempo (ajuste)

curva inversa: K1 = 0,18, K2 = 5,95, P = 2

curva muito inversa: K1 = 0,0963, K2 = 3,88, P = 2

curva exponencialmente inversa: K1 = 0,00262, K2 = 0,00342

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a2) função de sobre-tensão (ANSI 59) função de sobre-tensão (ANSI 27)

Em condições normais de operação a tensão permanece em uma faixa estreita (+ - 5%).

Subtensões − > indício de faltas na rede

Sobretensões − > falha de reguladores

b) Função diferencial (87)

É um dos princípios de proteção mais sensíveis. Aplica-se a geradores, motores, trafos, barras,
reatores, linhas.

Ligação Diferencial

 Ip 
−  − I e′ 
 r 

 Ip   Ip 
I oP =  − I e  −  − I e′  = I e′ − I e ≅ 0
 r   r 

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 I ′p 
 − I e′ 
 r 

I   I′  I′ + I p
I oP =  p − I e  +  p − I e′  = p − (I e′ + I e ) ≅ 0
 r   r  123 r
>> 0

Função Diferencial Percentual

I&1 I&2

O relé atua quando: τ operação > τ restrição (analogia com um sistema eletromecânico)

Ou: [ ]
K 1 ⋅ I&1 + I&2 > K 2 ⋅ I&1 + I&2( )
I&1 + I&2
⇒ I&1 + I&2 >K⋅
123 1
4224
3
corrente _ de _ operação
corrente _ de _ restrição

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I&1 + I&2

Regia de
atuação K2

Regia de não
atuação
K1

I&1 + I&2
2

Característica do diferencial percentual.

Obs.: Atualmente os reles são equipamentos micro-processados que possibilitam modular a


característica do diferencial, permitindo K1 ≠ K 2 , além da introdução de mais parâmetros
K.

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Aula 4 – 17/08

Funcões de Proteção

1. Detector de Nível
- Sobrecorrente (50/51)
- Sobretensão (59)
- Subtensão (27)

2. Diferencial (87)

3. Comparação de Ângulo
- Direcional de Sobrecorrente (ANSI 67)
- Direcional de Potência Ativa (ANSI 32)

Esta função de proteção compara o ângulo de duas grandezas alternadas.


- Grandeza de Operação
- Grandeza de Polarização

Exemplo

67  (fase): Operação: Corrente


Polarização: Tensão
67N (neutro): Operação: Corrente (In)
Polarização: Corrente (Io)

Uma unidade direcional normalmente associada a uma unidade de sobrecorrente nos casos em
que esta última sozinha não é capaz de discriminar corretamente o ponto de falta.

Exemplo:

Função de Distância

Baseia-se na medida da impedância “vista” pelo relé, isto é, na relação entre uma tensão e uma
corrente:

Z medida = R + jX = V / I

A função responde de acordo com a posição da impedância medida no plano R - x.

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Plano R – x

A zona característica do relé é uma curva fechada como indicado pelo região 2. O relé
ativa quando a impedância medida cair no interior dessa zona.

Tipo de Características

Relé de Distância tipo Mho

Característica Lenh

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Característica Quadrilateral

Característica Impedância

4. Outras Funções

- Frequência (ANSI 81) sobre ou sub;


- Temperatura (ANSI 49)
...

Proteção de Linhas de Transmissão

Funções Aplicáveis

- Função de Sobrecorrente (só para linhas radiais) (50/51)


- Função de Sobrecorrente Diferencial (67)
- Função de Distância (21)
- Teleproteçào (67, 21)
- Diferencial de Linha (87L)

Proteção de Linhas por Sobrecorrente

50  Sobrecorrente instantânea (sem atraso intencional)

51  Sobrecorrente temporizada
- Tempo Independente
- Tempo Inverso

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Característica Tempo de Atuação x Corrente

Curva Inversa: Norma ANSI

TA = MT [K1 + K2 / (mp – 1)]

Ajustes da função 51.

- IPK  Corrente de Atuação (Pick-Up) do relé


- MT  Multiplicador de Tempo.

Na tecnologia eletromecânica enfatizam-se 4 unidades de sobrecorrente:

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- Os relés de fase são capazes de detectar defeitos entre fases (trifásico, dupla-fase,
dupla-fase-terra) ou fase-terra sem compromisso.

- O relé de neutro detecta faltas que envolvem a terra (fase-terra ou duplo fase-terra).
Permite ajustes mais sensíveis.

- No relé digital tanto as proteções de fase quanto de neutro encontram-se na mesma


unidade.

Filosofia de Ajuste das funções 50/51

O relé A deve detectar todos os defeitos entre fases ocorrendo entre a barra 10 e 20
(zona de proteção primária). Deve fornecer backup para a falta entre fases no trecho
20-30. Essas condições devem ser verificadas para todas as situações operativas.

Formas de impor seletividade entre relés A e B:

- Seletividade por Tempo


- Seletividade por Corrente
- Seletividade Lógica

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Ajuste da Função 51

- Neste caso a seletividade é obtida por temporização.

- Característica de tempo independente (pouco utilizada no Brasil)

Ajuste da Corrente de Atuação (IPK)

- O relé não pode atuar para a corrente carga máxima (calculada para a tensão
mínima)(IL máx).

- O relé deve “enxergar” o defeito entre fases mínimo no trecho à jusante (backup),
que é o curto dupla-fase na barra 30 do exemplo.

I51PK > k1*IL máx

Icurto min < k2*I51PK

Onde: 1.5 ≤ k1 ≤ 2.0


2.0 ≤ k2 ≤ 3.0

Ajuste do MT da função 51

Para garantir a seletividade (por tempo), para todas as faltas comuns aos relés A e B,
deverá existir um intervalo de tempo mínimo (∆T) entre o tempo de atuação em A
(mais lento) e o tempo de B.

∆T = tempo de coordenação (critério de projeto).

∆T engloba:

- O tempo necessário para isolação da falta em B;


- Erro de tempo nos relés;
- Margem de Segurança

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∆T = tempo total B + terro + tsegurança

Valor típico ∆T = 0,3 seg *

* Pode-se adotar valores mais elevados caso exista interferência nos dados.
Verificação não frequente dos ajustes (sistema muda).

Critério de Ajuste de MT

- Impondo-se o critério no ∆T para a máxima corrente de falta comum (normalmente


curto trifásico na barra 20) aos dois relés, o critério será atendido para todas as demais
faltas.

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Aula 5 – 18/08

Ajuste da Função 51

- Ajuste de IPK
- Ajuste do Multiplicdor de Tempo (MT)

Iccmáx = Máxima corrente de falta comum aos dois relés (normalmente curto trifásico
na barra 20 com mínima impedância de fonte).

Relé B (já ajustado)

RBTC  Relação do TC
IBPK  Corrente de atuação
MTB  Multiplicador de tempo

Relé A

RATC  ajustado
IAPK  ajustado
MTA  ?

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Tempo de atuação do relé B

Icurto no 2° TC = Iccmáx / RBTC

mb = Icurto no 2° TC / IBPK = Iccmáx / (RBTC * IBPK )

- Equação da curva:

tb = MTB [ K1 + K2 / (mPB – 1) ]

- Tempo de atuação do relé B

tA ≥ tB + ∆T

∆T = tempo de coordenação (critério de projeto)

- Ajuste do MTB

mA = Icurto máx / (RATC * IAPK)

MT A [ K1 + K2 / (mPA – 1) ] ≥ tB + ∆T
MT A ≥ (tB + ∆T) / [ K1 + K2 / (mPA – 1) ]

Exemplo:

Barra 10 Barra 20 Barra 30

IFALTA MIN (bifásico) 1000 800 600

IFALTA MAX (trifásico) 3000 1500 1000

Ajuste do Relé B

Icarga máx = 95
TCB : 100/5
RBTC = 1:20

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Ajuste IBPK
Icarga máx no 2° TC = 95/20 = 4,75A
Icurto min no 2° TC = 600/20 = 30A

IPK > K1 * IL-máx 1.5≤ k1 ≤2.0


Icurto min > k2 * IPK 2.0≤ k2 ≤ 3.0

IBPK = 10A

Ajuste MTB : O relé B não coordena com outra proteção  pode-se utilizar um ajuste
baixo para o multiplicador de tempo.

MTB = 1.0

Hipótese: Curva muito inversa.

Tempos de atuação do relé B:

- curto mínimo:
I curto min no 2° TC = 600/20 = 30A
m= I2° TC / IPK = 30/10 = 3
tBA = [0,0963 + 3,88/(32 – 1)] = 0,581 segundos

- curto máximo:
I curto máx no 2° TC = 1500/20 = 75A
m= I2° TC / IPK = 75/10 = 7,5
tBA = [0,0963 + 3,88/(7,52 – 1)] = 0,166 segundos

Ajuste do Relé A

I carga Max = 95 + 45 = 140A


TCA : 200/5
RATC = 1:40

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Ajuste IAPK
I carga no 2° TC = 140/40 = 3,5A
I curto min no 2° TC = 600/40 = 15A

IAPK = 7A

Ajuste MTA : Coordenação entre A e B para curto trifásico na barra 20 (pior caso).
Curto trifásico na barra 20 (1500A)  tBA=0,166 seg

 tAA ≥ tBA + ∆T
tAA ≥ 0,166 + 0,3  tAA >= 0,466 segundos

Icc = 1500A
tAA ≥ 0,466 seg

m = 1500/(40*7) = 5,36

MTA [ 0,0963 + 3,88/(5,362 – 1)] >= 0,466  MTA ≥ 1,973

Tempo de Atuação da Função 51

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Função 50: Proteção de sobrecorrente de fase instantânea

- Para melhorar o desempenho da função 51 (em termos de redução do tempo de


atuação) associa-se a função 50 (sobrecorrente instantânea).

- A aplicação dessa função torna-se interessante se existe uma substancial diferença


entre as correntes de falta no início e final do trecho.

Ajuste da Função 50

- Agora a coordenação não pode ser obtida através de temporização.

- A corrente de atuação da função 50 deve ter um ajuste superior à máxima corrente


de falta no trecho à jusante.

IPK ≥ k1*Icurto máx no trecho à jusante (curto trifásico na barra 20)

k1 = 1,25 – critério de projeto

Ajuste da unidade 50 do relé B

Curto trifásico na barra 30 = 1000A

Icurto no 2° TC = 1000/20 = 50A

I50-BPK ≥ 1,25 * 50 = 62,5A

Ajuste da unidade 50 do relé A

Curto trifásico na barra 20 = 1500A

Icurto no 2° TC = 1500/40 = 37,5A

I50-APK ≥ 1,25 * 37,5 = 46,9A = 47A

- A percentagem do trecho protegido pela função 50 pode ser estimada por:

% = ( I10cc – I20cc ) / (I10cc – I50PK) * 100

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Aula 6 – 24/08

Proteção de Linhas pela Função de Sobrecorrente Direcional (67/67N)

67  Direcional de fase
67N  Direcional de Neutro

- Para redes não radiais ou radiais com circuito em paralelo, somente com as funções
50/51 não é possível alcançar a coordenação entre os relés.

- Nestes casos, associa-se às funções 50/51, unidades direcionais (67) que permitem
que a sobrecorrente atua para faltas em um sentido e são bloqueadas para falta no
sentido contrário.

O princípio direcional foi estabelecido no séc. XIX utilizando teconologia


eletromecânica. Seu princípio consistia em produzir torque (positivo ou negativo) em
uma estrutura de disco de indução, a partir de duas grandezs alternadas (grandeza de
operação e grandeza de polarização).

Φ1(t) = Φ1 cos (wt + Θ)


Φ2(t)= Φ2 cos (wt - α)

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Θ = defasagem entre as grandezas de polarização e operação
Θ Φ = defasagem entre os fluxos

O torque produzido no disco é dado por:

Τ = Φ1 Φ2 sen Θ Φ
Τ = KVI sen (Θ - α)

O torque será máximo quando Θ Φ = 90°

τ - α = 90°
-α = 90° - τ

Τ = KVI sen (Θ + 90° – τ)


Τ = KVI cos (Θ – τ)

- Para a região de τ > 0, a função libera a sobrecorrente para atuar. Na região de τ < 0
ocorre o bloqueio.

- Os relés digitais utilizam o mesmo princípio, mas implementado via software, através
da seguinte condição:

Τ = Re [ Î*op (^Vpol x 1| τ)

Îop = IRop + j IIop


^Vpol = VRpol + j VIpol

(Obs: Î e ^V são vetores, não estou utilizando o Equation para poder disponibilizar o
arquivo na versão para Word 2003)

Para faltas próximas ao relé (que podem levar ao colapso a tensão de polarização), o
software utilzia a tensão de memória.

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2.1. Função Direcional de Fase (67)

- Utilizam-se 3 unidades direcionais, uma para cada fase.


- Para a tensão de polarização existem várias alternativas, a mais utilizada é a conexão
90° ou quadratura.

Elementos direcionais de fase (67)

UNIDADE Grandeza Operação Grandeza Polarização

A ÎA ^VBC

B ÎB ^VCA

C ÎC ^VAB

Unidade da Fase A (67A)

Corrente IA nos vários tipos de falta (ABC, AB, AC, AN)

Hipótese: Ângulo da impedância de linha = 70°

Curto Trifásico

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Curtos Bifásicos

Curtos A-N

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Unidade Direcional de Neutro (67N)

- A grandeza de operação para função 67N é a componente de sequência zero das


correntes de linha: I0 = 1/3(ÎA + ÎB + ÎC)

- Para a grandeza de polarização, normalmente, os relés comerciais permitem a


seleção entre duas alternativas:

a. Vpolarização = - V0 = - 1/3[^VAN + ^VBN + ^VCN]

Faltas F1: Libera o 50/51N


Faltas F2: Bloqueia o 50/51N

Ajuste típico:

-60° ≥ τ ≥ -70°

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b. Usar uma corrente como grandeza de polarização. Normalmente a corrente de
neutro do transformador

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