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Resenha crítica do livro um discurso sobre as ciências

SANTOS, Boaventura de Souza. Um discurso sobre as ciências. 5. ed. São


Paulo: Cortez,2008.

1.Credenciais do autor
Boaventura de Sousa Santos é doutor em Sociologia do Direito pela
Universidade de Yale. É coordenador científico do Observatório Permanente da
Justiça portuguesa, diretor do Centro de Estudos Sociais da Universidade de
Coimbra e especialista jurídico do curso Bacharelado em Direito na Universidade
de Wisconsin-Madison. É professor titular jubilado da faculdade de Ciências
Econômicas da Universidade de Coimbra.

2. Resumo
O livro apresenta três segmentos principais, intitulado nos tópicos o
paradigma dominante, a crise do paradigma dominante e o paradigma
emergente, este último, por sua vez, é abordado em quatro teses, que são: todo
conhecimento científico-natural é científico-social, todo conhecimento é total e
local, todo conhecimento é autoconhecimento e, por último, todo conhecimento
científico visa constituir-se em senso comum.
Em o paradigma dominante, o autor exterioriza a ideia de que a
racionalidade científica era um modelo totalitário, por não considerar verdadeira
teorias baseadas em experiências imediatas ou em que o processo
metodológico seja baseado em regras diferentes. Nesse sentido, o senso
comum e os estudos humanísticos não eram levados em conta. No entanto, com
predecessores como Francis Bacon, Giambattista Vico e Montesquieu, as
ciências sociais começaram ganhar espaço, produzindo uma metodologia para
o estudo do ser humano.
Na segunda parte do livro, em a crise do paradigma dominante, o autor
expõe a ideia que houve uma interrupção do que é compreendido como modelo
dominante da ciência, e que, em consequência, o mesmo está em crise. A ideia
é defendida com argumentos que a mecânica quântica, a matemática e a
relatividade de Einstein não são modelos absolutamente seguros. A partir desde
ponto, a ciência natural passa a ser questionada.
Na terceira parte do livro, em o paradigma emergente, um novo modelo
que faça as ciências sociais e a racionalidade lógica unificadas começa a emergir
e ganhar espaço. O autor expõe quatro teses para apoiar essa ideia, a primeira
é que todo conhecimento científico-natural é um conhecimento científico-social,
logo ambos são ligados entre si e juntas favorecem o conhecimento com
metodologias pluridisciplinares. A segunda ideia é a que todo conhecimento é
local e total, nesse sentido haverá várias situações de pesquisa quando se
considera diferentes formas de análise, desde modo, a teoria partirá de
diferentes pontos de vista. A terceira tese é que todo conhecimento é
autoconhecimento, neste parte o autor aponta a ideia que o pesquisador e o
objetivo de pesquisa possuem uma relação, e por essa razão, eles não podem
ser separados, uma vez que o novo modelo emergente não apresenta barreiras
entre o científico e social. No último tópico, em todo o conhecimento científico
visa constituir-se em senso comum, é defendido que toda teoria científica parte
ou se constituirá em um senso socialmente produzido em algum momento,
portanto ambas devem estar interligadas.

3. Apreciação crítica
O livro abre espaço a possibilidade de novos modelos metodológicos que
apresentem processos que se enquadram no mundo pós-moderno,
considerando a realidade social e científica. Neste livro, o leitor encontrará
primorosas análises sobre o novo paradigma da ciência, apoiando os métodos
conservadores em exercício conjunto as novas formas de pesquisa das ciências
sociais. A obra, em sua totalidade, é bem desenvolvida e autêntica. O livro pode
ser útil para aqueles que queiram compreender ou aprofundar a nova pauta das
ciências na época vigente.

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