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Conquista espanhola das Américas

A conquista e a colonização estabeleceram núcleos de ocupação permanente que


serviram de centros irradiadores de novas expedições de conquista. O foco inicial foi a
ilha de La Española (São Domingos). Fundação de São Domingos em 1496. O afluxo
de milhares de espanhóis permitiu que dela partissem expedições de exploração,
conquista e colonização das ilhas antilhanas e parte de terras do continente.
Conquistas: San Juan de Porto Rico (1508), Jamaica (1509) e Cuba (1511) – Diego
Velásquez.
Cuba acaba superando São Domingo devido à melhor posição estratégica.
Algumas ilhas antilhanas foram abandonadas pelos espanhóis e ocupadas por outras
nações, abrigando piratas e contrabandistas. Partindo das Antilhas ou da Espanha,
houve a conquista da Venezuela e Colômbia (Santa Marta – 1525)
Outro importante centro de irradiação da conquista foi Panamá (1519). Nicarágua
(1522), Costa Rica (1524).
México: terceiro foco de irradiação da Conquista. Fernán Cortés conquista a Nova
Esoanha (1519-1521). A partir daí, houve a conquista de Honduras, El Salvador e
Guatemala. Partindo de Acapulco, os espanhóis anexaram as Molucas e Filipinas.
Avançando para o Norte, houve a conquista da Califórnia e outros locais dos atuais
EUA.
O Peru, conquistado por Francisco Pizarro e Diego de Almagro (1531-1533) constitui
outro foco de irradiação da expansão. Quito (1533), Litoral colombiano (Popayán e
Cali – 1536), Bogotá (1539). Alto Peru (Bolívia), em 1538-1544), Chile, primeira
tentativa com Diego de Almagro (1535-1537), continuada por Pedro de Valdívia (1540-
1553). Precária conquista devido à ferocidade dos araucanos. Do Peru partem
expedições para o Oriente (várias ilhas do pacífico) e Ocidente através do Amazonas,
até o Atlântico (Francisco de Orellana – 1539-1542 e Lope de Aguirre (1559-1561).
Rio da Prata foi outro ponto de dispersão. Buenos Aires e suas duas fundações (1536 e
1580). Assunção do Paraguai (1537).
Reduzida participação da Coroa na Conquista. Iniciativa de particulares mediante o
sistema de capitulações. Eram contratos em que a Coroa concedia permissão para
explorar, conquistar e povoar terras. Graças às capitulações a Coroa pôde construir um
vasto império, sem que tivesse necessidade de despender capitais.
Possibilitava que os espanhóis usassem o título de adelantado, que era concedido ao
capitão de uma expedição vitoriosa e dava o direito de governar as terras conquistadas.
Os Mecanismos da Conquista Colonial

Capítulo 1 – As Formas de Conquista


“la espada, la cruz y el hambre iban diezmando la familla salvaje” (Pablo Neruda).
Elementos pelos quais foi possível a conquista da América:

La Espada
*Desproporção dos armamentos entre as duas partes em luta.
*Concepções táticas e estratégicas elaboradas, contra princípios bastante rudimentares.
*Espanhóis exploram não apenas a vantagem militar, mas a vantagem psicológica que
sabem tirar da situação.
*Uso de cavalos e cachorros pelos espanhóis.
*Outros meios ofensivos e defensivos dos brancos encontravam limitações devidas ao
clima e às condições da região (armas enferrujadas, pólvora úmida, molhada).
*Armamento espanhol (alabarda e escaupil) x armamento indígena.
*Em certos combates, a proporção numérica é de cem, quinhentos, mil índios para um
espanhol. A superioridade do armamento não pode explicar tudo: os espanhóis ao se
baterem contra grandes exércitos puderam contar com a ajuda de numerosos
“colaboradores”, ou seja, índios que aceitavam a dominação espanhola para se
libertarem e até se vingarem da dominação de antigos impérios locais.
*Os espanhóis tinham mais dificuldade contra pequenos exércitos pois não tinham
alianças com as quais contar na luta contra tais tribos.
*Estas zonas de resistência nos revelam a extraordinária capacidade de assimilação que
o mundo indígena manifesta no plano militar para se apropriar dos meios de defesa.
Toda a ciência militar espanhola é assimilada com perfeição e até mesmo ultrapassada
(penso que o espírito guerreiro que os indígenas sempre tiveram favoreceu este
aprendizado rápido) por grupos que estavam saindo da idade da pedra!
*Os espanhóis compreenderam muito depressa que a margem de segurança que lhes
assegurava a técnica militar se tornava muito pequena. A conquista, efetuada pelas
armas devia, portanto, ser mantida por outros meios …

La Cruz
*Um conjunto surpreendente de circunstâncias de ordem religiosa contribuiu para tornar
a tarefa mais fácil para os espanhóis. A sua chegada foi precedida por toda uma série de
sinais e de profecias que asseguram a chegada iminente de novos deuses, … ou de
calamidades. (Cf. Leopold Zea. Ideas y presagios del descubrimiento de
América. México, Fondo de Cultura Econômica, 1991.)
*A falência das religiões indígenas ajudou a penetração da cruz. Na América, a
autoridade religiosa e a autoridade política estavam freqüentemente confundidas em
uma mesma pessoa física. Basta que a classe dirigente ceda e aceite os sinais da nova
religião, para que as massas a sigam.
*A evangelização resultou muitas vezes em fracasso, porque a violência domina
também a evangelização. Como oferecer uma religião de amor, quando se considera que
“ninguém pode duvidar que a pólvora contra os infiéis é como incenso para o Senhor”?
*A evangelização na América foi uma forma complementar de agressão. Pois trata-se
de agressão quando se tende a modificar, sob o pretexto da religião, hábitos que
remontam às origens de um povo (se os hábitos não contradizem nenhum princípio
bíblico não vejo porque mudá-los; cuidado para não confundir tradição com princípios
bíblicos; se se entender que algo precisa ser mudado em uma determinada cultura, isso
deve ser ensinado e deixado para que o povo decida; todavia, nada ou praticamente nada
deve ser imposto a qualquer cultura – opinião pessoal minha).
*Evangelização se transforma em elemento complementar da espada. Juntas
constituirão as preliminares da conquista e da dominação (desestruturação de todos os
sistemas: político, moral, cultural, religiosos).
*Religião cristã não podia aspirar substituir as antigas religiões americanas nas quais se
fundem os poderes político e sagrado (enquanto que a religião cristã tinha uma suposta
divisão dos domínios temporal e espiritual.
*Os índios organizaram sua defesa face à religião que lhes era imposta. Uma
representação do universo é destruída; outra nova é imposta; esta última carregará
consigo os fragmentos da que a havia precedido.

El Hambre (a fome)
*Não se deve tomar esta palavra no sentido próprio (e sim no sentido figurado?)
*Ritmos de trabalho; tipos de cultura; tipos de vida: tudo foi mudado,
consideravelmente modificado.
*Imposição de um sistema de tributo novo é grave – porque a carga fiscal é mais
pesada. Mais do que a carga fiscal é a desordem, a injustiça na percepção da carga que
constituem os elementos perturbadores.
*Para uma melhor exploração dos índios, teria sido preciso não quebrar sua ordem. Um
mundo inteiro desestruturado. Mas seria injusto dizer que esta reviravolta foi
inteiramente premeditada, que serviu de instrumento para governar, possuir, espoliar.
Foi sobretudo o resultado do encontro de dois mundos por demais diferentes. Quando as
diferenças são grandes demais (política, social, econômica, cultura, etc.), não se dá
aculturação mas somente predominância de uma cultura sobre a outra.
*Causas das mortes dos indígenas (a metade, senão dois terços dos índios desapareceu
em cerca de 50 anos:
- Indígenas desprovidos de imunização contra certas doenças (insignificantes para os
brancos – um resfriado pode significar a morte).
- Assassinatos premeditados, mortes deliberadas, genocídio;
- Transferência da população da costa para os planaltos, acarretando modificações no
tipo de vida
- Mudanças de ritmos de trabalho
- Mudanças de tipo higiênico
- Alguns índios se prendem à maior “liberdade” que passaram a desfrutar: bebidas
embriagadoras. A embriaguez era proibida e punida. A ruptura da ordem arcaica
significa a “liberdade” de se embriagar (alcoolismo causa bastante significativa da
queda demográfica)
*Desestruturação é um elemento determinante da conquista.