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TUTORIA DE DIREITO DO TRABALHO I

Regência: Profª. Dra. Maria do Rosário Palma Ramalho


Tutor: Gonçalo Caro
4º Ano – Noite

RESOLUÇÃO DO CASO PRÁTICO


CONFLITO HIERÁRQUICO DE FONTES

• Definir o que são IRCT: Os IRCT na letra do art.1º CT são definidos como
fontes especificas de direito laboral devido à generalidade e abstração das suas
clausulas. Estes instrumentos subdividem-se em duas grandes categorias –
negociais (2º/2 CT) e não negociais (2º/4 CT) consoante sejam ou não o resultado
da negociação de um acordo entre as duas partes na esteira da autonomia coletiva.
• Que instrumentos estão, potencialmente, em conflito?
1. Convenção coletiva STM-ANEM
2. Convenção coletiva ML-STM
3. PCT
4. Convenção coletiva ML-SPM
• Verificação do preenchimento, cumulativo, dos âmbitos:
a) Pessoal: mesmo destinatário
b) Espacial: dentro do âmbito de atuação da associação sindical
c) Temporal: simultaneidade de vigência
d) Material: respeitante à mesma matéria/questão.
• Identificação do tipo de concorrência
1º parágrafo: Convenção coletiva celebrada entre a STM-ANEM é um contrato
coletivo (2º/2, al. a) CT), IRCT negocial (2º/2 CT), celebrada entre uma associação de
empregadores (442º/2) e uma associação sindical (442º/1 CT) ao abrigo da sua
capacidade de exercício (art.56º/3 CRP + art.443º/1, al. a) CT).
Esta convenção estipulava 23 dias uteis de férias, contrariamente ao que dispunha a
norma legal do art.238º CT (22 DIAS UTEIS DE FERIAS).
A norma do 238º CT é uma norma que comporta uma imperatividade mínima, ou seja,
estabelece um nível mínimo de tutela, admitindo o afastamento em sentido mais
favorável ao trabalhador.
CONFLITO LEI-IRCT (3º/1 CT): supletividade das normas face ao IRCT, exceto as
imperativas absolutas.
Uma vez que a matéria das férias está contemplada no art.3º/3, al. h) CT, o IRCT só
prevaleceria se fosse mais favorável ao trabalhador, o que se verifica, in casu através do
aumento do período de férias.
Aplicaríamos a convenção em detrimento da norma legal (23 DIAS UTEIS DE
FÉRIAS).
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TUTORIA DE DIREITO DO TRABALHO I
Regência: Profª. Dra. Maria do Rosário Palma Ramalho
Tutor: Gonçalo Caro
4º Ano – Noite
2º Parágrafo: A convenção de janeiro de 2018 traduz um acordo de empresa (art.2º/3,
al. c) CT) celebrado entre uma associação sindical (442º/1 CT) e uma entidade patronal
vindo dispor 20 dias de férias, contrariamente à norma legal do 238º CT (22 dias de
férias), o que significa que este acordo de empresa não poderá afastar norma legal
imperativa mínima em sentido menos favorável (478º/1, al. a), CT), devendo continuar
a vigorar os 23 dias de férias da convenção de 2016.

3º Parágrafo: A Portaria de Condições de Trabalho de fevereiro de 2018, aplicável a


todos os trabalhadores do setor metalúrgico, prevê um período anual de férias de 24 dias
úteis. Estamos perante um conflito entre um IRCT negocial e um não negocial. O
art.484º do CT ao prever a subsidiariedade dos IRCT não negociais face aos negociais,
significa que continuam a aplicar-se os 23 dias de ferias por se dar prevalência ao acordo
de empresa.

4º Parágrafo: a convenção de março de 2018 traduz um acordo de empresa, celebrado


entre um sindicato e uma entidade patronal, prevendo 25 dias de ferias, dispondo mais
favoravelmente do que a norma imperativa mínima (238º CT).
Assim, neste conflito entre LEI-IRCT (3º/1 CT), prevê-se a supletividade das normas
face ao IRCT, exceto as imperativas absolutas.
Uma vez que a matéria das férias está contemplada no art.3º/3, al. h) CT, o IRCT só
prevaleceria se fosse mais favorável ao trabalhador, o que se verifica, in casu através do
aumento do período de férias.
Aplicaríamos o acordo de empresa de março de 2018 em detrimento da norma legal,
passando os trabalhadores a dispor de 25 dias de férias.
Assim, temos um conflito posterior entre IRCT negociais (Acordo de empresa de março
de 2018 e o contrato coletivo de 2016) pois ambos se aplicam à mesma situação jurídico-
laboral, estando deste modo preenchidos, cumulativamente, os âmbitos de aplicação
(matéria, espacial, temporal e pessoal).
Nesta matéria rege o art.482º, al. a) CT dispondo que o acordo de empresa prevalece
face ao contrato coletivo. Assim prevalecem os 25 dias de férias em detrimento dos 23
estabelecidos no contrato coletivo.
Mesmo que Diogo se desfiliasse do STM, a convenção de 2016 continuava a ser-lhe
aplicável (art.444º/6 CT e 496º/4 CT). Diogo poderá gozar apenas de 23 dias úteis de
férias pois não se lhe aplicará o acordo de empresa que ML celebrou com SPM.

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