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1

FACULDADE DE TECNOLOGIA
SENAI “NADIR DIAS DE FIGUEIREDO”

ANDRÉA DE JESUS ZOCOLO


DEIMISSON SANTOS DA SILVA
SUELI APARECIDA SANTIAGO

EFEITO DO ESTRÔNCIO SOBRE A MORFOLOGIA E


PROPRIEDADES MECÂNICAS DA LIGA DE ALUMÍNIO
AA413

OSASCO
2015
2

ANDRÉA DE JESUS ZOCOLO


DEIMISSON SANTOS DA SILVA
SUELI APARECIDA SANTIAGO

EFEITO DO ESTRÔNCIO SOBRE A MORFOLOGIA E


PROPRIEDADES MECÂNICAS DA LIGA DE ALUMÍNIO
AA413

Projeto Integrador apresentado à


Faculdade de Tecnologia SENAI
“Nadir Dias de Figueiredo” em
Processos Metalúrgicos para a
obtenção do título de Tecnólogo
em Processos Metalúrgicos sob
a orientação técnica dos Prof.
Me. Jefferson Malavazi e
orientação metodológica do
Prof. Marcelo Lopes da Silva.

OSASCO
2015
3

ANDRÉA DE JESUS ZOCOLO


DEIMISSON SANTOS DA SILVA
SUELI APARECIDA SANTIAGO

Projeto Integrador apresentado à Faculdade SENAI de Tecnologia em Processos


Metalúrgicos para obtenção do título de Tecnólogo em Processos Metalúrgicos.
Orientador: Prof. Me. Jefferson Malavazi.

EFEITO DO ESTRÔNCIO SOBRE A MORFOLOGIA E


PROPRIEDADES MECÂNICAS DA LIGA DE ALUMÍNIO
AA413

Orientador: ____________________________________________________
Prof. Me. Jefferson Malavazi

Examinador (a): ___________________________________________________


[Titulação e Nome do Professor Avaliador]

Examinador (a): ___________________________________________________


[Titulação e Nome do Professor Avaliador]

Examinador (a): ___________________________________________________


[Titulação e Nome do Professor Avaliador]

Osasco, ______ de Dezembro de 2015


4

DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho primeiramente a Deus pois Ele


é tudo em minha vida, a minha família, meu marido,
a empresa onde trabalho Panambra Zwick Com. de
Máquinas e Equipamentos Ltda pela compreensão e
apoio nestes três anos, aos professores que sempre
estiveram prontos a ajudar e a essa instituição que
para mim é um exemplo não apenas de ensino mas
de vida...

Andrea de Jesus Zocolo


5

Dedico este trabalho primeiramente a Deus porque


sem ELE eu não teria conseguido, a meus pais, Ivan
e Terezinha, a minha esposa Ana Paula e em
especial a minha filhinha Laura Vitória que nasceu
no decorrer do curso aumentando ainda mais a
minha força, garra e o desejo de vencer. Agradeço a
minha esposa Ana Paula por ter aceitado se privar
de minha companhia pelos estudos, concedendo a
mim a oportunidade de me realizar ainda mais.

Deimisson Santos da Silva


6

Dedico este trabalho primeiramente a Deus a quem


sou devedora por tudo que tenho e tudo que sou,
pois sem ELE não conseguiria a motivação
necessária para permanecer lutando pelos objetivos
alcançados. Agradeço também a minha família,
amigos e professores que incentivaram e auxiliaram
na conclusão deste trabalho que significa mais um
sonho realizado...

Sueli Aparecida Santiago


7

AGRADECIMENTOS

Agradecemos primeiramente à Deus, por direcionar


nossos caminhos e nos dar forças todos os dias para
alcançarmos nossos objetivos. Ao nosso orientador
técnico, Prof. Me. Jefferson Malavazi, pelo auxílio na
elaboração das ligas e obtenção dos corpos de
prova, pela disponibilidade com que sempre nos
orientou e principalmente pela motivação e apoio. Ao
nosso orientador metodológico, Prof. Marcelo Lopes
da Silva pelo apoio e sempre disposto a ajudar e nos
orientar por toda dedicação e apoio durante toda a
elaboração do trabalho escrito. Ao Prof. Reginaldo
Rodrigues De Sousa, por disponibilizarem tempo,
materiais e equipamentos para corte e acabamento
dos corpos de prova. Ao Prof. Wagner Moschella
pelo apoio no inicio do projeto de pesquisa. Ao Prof.
Antônio Claudio Braghetto pela orientação e ajuda
nas preparações metalográficas. Ao Prof. Edson
Togni pelas análises no laboratório de
nanotecnologia obrigado por disponibilizar tempo e
atenção e está sempre disposto a nos atender. Ao
Prof. Pedro Shigueyoshi Nagay pela dedicação e
apoio incondicional nos ensaios mecânicos mesmo
estando afastado da escola se preocupou em nos
orientar proporcionando elaboração e interpretação
dos resultados de tração. Ao colaborador da
empresa Etna Steel Indústria Metalúrgica Ltda
Edson Felix da Silva pelo apoio no corte
metalográfico de alguns corpos de prova. Ao André
Arakaki Alves e Ana Carolina De Couto Parreira, do
Laboratório de Prestação de Serviços da Escola
SENAI Nadir Dias de Figueiredo, pela execução das
análises químicas.
8

EPÍGRAFE

(...) O temor ao Senhor é o princípio de toda a


sabedoria. (Salmos111: 10 Bíblia Sagrada)
9

RESUMO

O objetivo desse projeto foi analisar o efeito do estrôncio como elemento


modificador do silício, alteração da morfologia, condição do aumento de
microporosidades e a formação do eutético secundário consequentemente sua
influência sobre as propriedades mecânicas (tração e dureza). Para isto, foi utilizada
uma liga comercial de alumínio AA413.
Os corpos de prova de tração produzidos foram fundidos em coquilha
confeccionada segundo a norma ASTM B108, com adições crescentes de estrôncio
de 0,005% / 0,009% / 0,019% / 0,027% e 0,037%, e tracionados para avaliação das
propriedades mecânicas. Foram feitas avaliações para definir se variações nas
propriedades mecânicas, estavam relacionadas ao tratamento de modificação.
As superfícies de fratura obtidas no ensaio de tração foram submetidas a
análise fractográfica, por meio de microscopia eletrônica de varredura (MEV). Destas
mesmas amostras foram retirados corpos de prova para análise de micrografia em
microscópio ótico e microscopia eletrônica de varredura.
Com a adição do modificador estrôncio foi verificado por meio de micrografia
alterações morfológicas das partículas de beta-silício (fase  na liga de alumínio
AA413, a formação do eutético secundário, a fase β-Al5FeSi.
Não foi possível observar o aumento das microporosidades em função da
adição crescente de estrôncio, devido a presença significativa de microporosidades
existentes já nos primeiros corpos de prova vazados sem adição de estrôncio.
Não foi efetuada a medição da dureza, pois, o excesso de porosidades
inviabilizou a obtenção de resultados favoráveis.

Palavras chave: Alumínio. Estrôncio. Modificador. Silício. Microporosidade.


10

ABSTRACT

The objective of this project was to analyze the effect of strontium as the
modifying element of silicon, changes in morphology, the condition of microporosities
and the formation of secondary eutectic consequently their influence on the
mechanical properties (strength and hardness). For this, a commercial aluminum
alloy AA413 was used.
The tensile test specimens were produced in permanent mold castings made in
accordance with ASTM B108, with increasing additions of strontium 0,005% / 0,009%
/ 0,019% / 0,027% and 0.037%, and pulled for evaluation of mechanical properties.
Evaluations were made to determine if variations in mechanical properties were
related to treatment modification.
The fracture surfaces obtained in the tensile test were subjected to
fractographic analysis by scanning electron microscopy (SEM).These same samples
were taken specimens to micrograph analysis in optical microscopy and scanning
electron microscopy.
With the addition of strontium modifier was verified by morphological changes
micrograph of beta-silicon particles ( AA413 phase in aluminum alloy, the formation
of secondary eutectic, the β-phase Al5FeSi.
It was not possible to observe the increase in microporosity due to the
increasing addition of strontium, because of the significant presence of existing
microporosities within the first specimens leaked without adding strontium.
No measurement of hardness was performed, then, the excess porosity
prevented the obtaining favorable results.

Keywords: Aluminum. Strontium. Modifier. Silicon. Microporosity.


11

LISTA DE FIGURAS

Figura 1-Microestrutura das ligas Al-Si: (a) ligas hipoeutéticas, (b) ligas
eutéticas e (c) ligas hipereutéticas ........................................................................ 25
Figura 2- Sequência de solidificação das ligas eutéticas .................................... 26
Figura 3: Micrografia de uma liga Al-Fe 1,5% fundida em areia. Nos
espaçamentos interdendríticos verifica-se a presença do composto
intermetálico Al3Fe. Ampliação 200x ..................................................................... 28
Figura 4- Presença de partículas de -AL5FeSi i em uma liga de Al-7%Si,
resfriado em areia. .................................................................................................. 29
Figura 5- Fase β-Al8Fe2Si com morfologia em escrita chinesa ........................... 30
Figura 6- Estrutura lamelar grosseira da fase beta. ............................................. 32
Figura 7-Estrutura lamelar fibrosa ......................................................................... 32
Figura 8-Liga Al-Si 6% modificada com estrôncio ............................................... 33
Figura 9-Amostra contendo 0,05%Sr. As setas apontam para partículas do tipo
Al2Si2Sr (560x).......................................................................................................... 35
Figura 10-Corpos de prova obtidos em coquilha de aço H13 com a
identificação do local onde foram retiradas as amostras para ensaio
fractográfico e metalográfico e região do ensaio de tração ................................ 37
Figura 11-Microestrutura próxima a superfície. Liga AA413 sem
Modificação,200x..................................................................................................... 42
Figura 12-– Microestrutura próxima à superfície mostrando a fase alfa
circundada pelo eutético (alfa+beta). Liga AA413 sem Modificação -1000x ...... 43
Figura 13-Microestrutura próxima à superfície mostrando as dendritas. Liga
AA413 Modificada com 0,005% de Sr -100x .......................................................... 44
Figura 14-Microestrutura próxima à superfície mostrando o β-Si modificado e o
intermetálico. Liga AA413 Modificada com 0,005% de Sr -1000x ....................... 45
Figura 15-– Microestrutura próximo a superfície. Liga AA4130,009%Sr-100x ... 45
Figura 16-– Microestrutura próximo a superfície. Liga AA413- 0,009%Sr-1000x
.................................................................................................................................. 46
Figura 17-Microestrutura próximo a superfície. Liga AA413 0,027%Sr-100x ..... 46
Figura 18-Microestrutura próximo a superfície. Liga AA413 0,027%Sr-1000x ... 47
Figura 19-– Microestrutura próximo a superfície. Liga AA413- 0,370%Sr-100x. 47
12

Figura 20-– Microestrutura próximo a superfície. Liga AA413- 0,370%Sr-1000x


.................................................................................................................................. 48
Figura 21- Superfície de exame fractográfico ....................................................... 49
Figura 22-Aspecto da fratura próxima à superfície. Liga AA413 sem
Modificação. 70x...................................................................................................... 50
Figura 23-Aspecto da fratura próxima à superfície. Liga AA413 com 0,005% de
Sr.70x ....................................................................................................................... 50
Figura 24-Aspecto da fratura próxima à superfície. Liga AA413 com 0,037% de
Sr.70x ....................................................................................................................... 51
13

LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1--Efeito da modificação sobre as propriedades mecânicas ................. 31


Gráfico 2-- Efeito do estrôncio nas propriedades mecânicas. ............................ 34
Gráfico 3:Resultados obtidos no ensaio de tração da liga AA413 com adições
crescentes de estrôncio ......................................................................................... 41
14

LISTA DE DIAGRAMAS

Diagrama 1-Diagrama de equilíbrio Al-Si .............................................................. 24


Diagrama 2-Diagrama de equilíbrio Al-Fe ............................................................. 27
15

LISTA DE TABELAS

Tabela 1- Comparação das características dos três metais mais utilizados na


indústria ................................................................................................................... 22
Tabela 2- Consumo de produtos transformados de alumínio ............................. 22
Tabela 3- Aplicação de algumas ligas de Al-Si em componentes automotivos 23
Tabela 4-Composição química nominal em % da liga AA413 ............................. 27
Tabela 5- Composições químicas em % da liga AA413 com adições crescentes
de estrôncio. ............................................................................................................ 39
Tabela 6- Resultados obtidos no ensaio de tração da liga AA413 com adições
crescentes de estrôncio ......................................................................................... 40
16

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

AA413 Classificação de uma liga de alumínio silício eutética


AA Aluminum association
ABAL Associação Brasileira de Alumínio
ASTM American Society for Testing and Materials
CP Corpo de prova
GPa Giga Pascal
LE Limite de Escoamento
LR Limite de Resistência
MEV Microscopia eletrônica de varredura
MPa Mega Pascal
N Número
SAE Society of Automotive Engineers
17

LISTA DE SÍMBOLOS

Al Alumínio
Ampl Ampliação
Α Solução sólida rica em alumínio com até 1,65% de silício
α-Al8Fe2Si Composto Intermetálico presente nas ligas de Alumínio Silício
Al3Fe Composto Intermetálico presente nas ligas de alumínio ferro
Β Solução sólida rica em silício com até 0,1% de alumínio
β-Al5FeSi Composto Intermetálico presente nas ligas de Alumínio Silício
ºC Grau Celsius
Cu Cobre
Fe Ferro
H13 Nomenclatura referente à classificação de um aço ferramenta
HF Ácido Fluorídrico
Mg Magnésio
Mn Manganês
Ni Níquel
Si Silício
Sn Estanho
Sr Estrôncio
Ti Titânio
Zn Zinco
µm Mícron
18

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ..................................................................................... 19

1 OBJETIVOS DO TRABALHO ........................................................ 20


1.1 OBJETIVO GERAL...................................................................................... 20
1.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ........................................................................ 20

2 O ALUMÍNIO E SUAS LIGAS ........................................................ 21


2.1 DIAGRAMA DE FASE DAS LIGAS AL-SI .................................................. 24
2.2 A LIGA AA413 ............................................................................................. 26
2.3 A FASE -AL5FESI ...................................................................................... 27
2.4 A FASE -AL8FE2SI .................................................................................... 29
2.5 MODIFICAÇÃO DAS LIGAS AL-SI ............................................................. 30
2.6 MODIFICAÇÃO COM O USO DE ESTRÔNCIO ............................................. 32
2.6 SUPERMODIFICAÇÃO ............................................................................... 34

3 MATERIAIS E MÉTODOS .............................................................. 36


3.1 ELABORAÇÃO DA LIGA AA413 ................................................................ 36
3.2 ENSAIOS ..................................................................................................... 37

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES.................................................... 39
4.1 LIGA AA413 ................................................................................................ 39
4.1.1 Composição química ........................................................................... 39
4.1.2 Propriedades mecânicas .................................................................... 40
4.1.3 Metalografia.......................................................................................... 42
4.1.4 Fractografia .......................................................................................... 49

CONCLUSÃO ...................................................................................... 52

SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS ................................... 54

REFERÊNCIAS .................................................................................... 55
19

INTRODUÇÃO

A liga de alumínio AA413 é muito utilizada no setor automotivo (rodas,


componentes de geometria complexa, tampas de motores automotivos em geral,
máquinas, conexões, carcaças de transmissões, coletores de ar e outros). Por suas
propriedades mecânicas, resistência à corrosão e relativa fluidez que facilita sua
fundição, porém está liga apresenta solidificação não pastosa que dificulta a
transmissão de pressão sobre o metal em solidificação promovendo defeitos de
rechupe na forma de grandes vazios concentrados nas regiões de maior massa.
O alumínio por suas favoráveis características físico/químicas (baixa
densidade, boa condutividade elétrica, resistência a corrosão), é usado em
praticamente todo segmento industrial. Consequentemente essas propriedades
fazem do alumínio um dos elementos mais utilizados.
O estrôncio é utilizado como modificador da fase beta silício. A adição desse
elemento químico melhora as propriedades mecânicas, como dureza e resistência à
tração. O silício por sua morfologia acicular grosseira, favorece a propagação de
trincas, porem adicionando o estrôncio ele reage com o silício modificando sua
morfologia para uma morfologia lamelar, sem cantos vivos e consequentemente
reduzindo a nucleação e propagação de trincas [1].
Alguns elementos químicos, como cobre, magnésio, manganês e zinco, são
incorporados à liga com o objetivo de melhorar a tenacidade à fratura e a resistência
à corrosão. O ferro também é um elemento presente nessas ligas. Sua principal
função é reduzir a aderência do alumínio com o molde metálico.
20

1 OBJETIVOS DO TRABALHO

1.1 OBJETIVO GERAL

Analisar o Efeito do estrôncio sobre a morfologia e propriedades mecânicas


da Liga de alumínio AA413.

1.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Analisar a formação do eutético secundário, tendo em vista a adição de


estrôncio na liga de alumínio AA413.

Avaliar as propriedades mecânicas de tração e dureza, considerando os


teores crescentes de estrôncio.

Identificar a procedência das microporosidades existentes nos corpos de


prova, relacionando com os possíveis aumentos dos teores de estrôncio.
21

2 O ALUMÍNIO E SUAS LIGAS

O alumínio, apesar de ser o terceiro elemento mais abundante na crosta


terrestre, é o metal mais jovem usado em escala industrial. Há sete milênios,
ceramistas da Pérsia já produziam seus vasos com um tipo de barro que continha
óxido de alumínio, que hoje conhecemos como alumina. Trinta séculos mais tarde,
egípcios e babilônios usaram outra substância contendo alumínio na fabricação de
cosméticos e produtos medicinais [2].
O aumento no consumo do alumínio é prova o que este metal significa na
indústria moderna. O alumínio segue o ferro/aço entre os metais de maior consumo
anual, sendo o mais importante dos metais não ferrosos. A variedade de usos do
alumínio está relacionada com suas características físico/químicas, com destaque
para seu peso especifico, comparando com outros metais de grande consumo,
resistência a corrosão e condutibilidade elétrica/térmica, além de ser um material
altamente reciclável, uma importante característica para o desenvolvimento
sustentável das indústrias em geral (Tabela 1) [3].
22

Tabela 1- Comparação das características dos três metais mais utilizados na indústria

Propriedades físicas típicas Alumínio Aço Cobre


Densidade (g/cm³) 2,70 7,86 8,96
Temperatura de fusão (°C) 660 1500 1083
Módulo de elasticidade (MPa) 70000 205000 110000
-6 -6 -6
Coeficiente de dilatação térmica (L/°C) 23x10 11,7x10 16,5x10
Condutibilidade térmica a 25°C (Cal/cm/°C) 0,53 0,12 0,94
Condutibilidade elétrica (% IACS) 61 14,5 100

Fonte: ABAL, 2015 [3]

No Brasil, seu consumo é cada vez mais crescente (Tabela 2), e em


indústrias automobilísticas, é cada vez mais utilizado na fabricação de peças para
reduzir o peso do veículo e economizar o consumo de combustível. Essa crescente
utilização em veículos está relacionada principalmente com sua baixa densidade que
além de melhorar o desempenho dos veículos, também os tornam mais leves e
menos poluentes [5]

Tabela 2- Consumo de produtos transformados de alumínio

Unidade: 1000 toneladas

Ano
Tipos de Produtos
2012 2013 2014
Chapas 533,5 579,7 597,8
Folhas 88,6 93,8 94,9
Extrudados 340,7 367,5 334,5
Fios e Cabos 147,7 134,8 129,3
Fundidos 220,8 230,9 172,7
Pó 39,8 34,0 28,6
Usos destrutivos 41,4 40,8 40,4
Outros 28,3 31,0 31,5
TOTAL 1440,8 1512,5 1429,7

Fonte: Anuário Estatístico ABAL 2014 [6]

O principal uso do alumínio se dá em combinação com outros elementos,


formando ligas com características ainda mais atrativas. Dentre as ligas de alumínio,
as de alumínio com silício são as mais utilizadas na fabricação de peças
automotivas, principalmente por possuírem uma combinação de propriedades
mecânicas, de corrosão e de fundição, que permite a produção de peças de
23

geometria complexa, reduzindo o número de componentes do veículo,


proporcionado maior vida útil do conjunto, e reduzindo também os custos de
manutenção, além disso, tratamentos do metal líquido, como refino e modificação, e
tratamentos térmicos dos componentes também melhoram as propriedades
mecânicas [7].
Mais de 95% dos componentes fundidos de alumínio são produzidos com
ligas de alumínio silício. A Tabela 3 mostra a aplicação de algumas ligas de Al-Si em
componentes automotivos:

Tabela 3- Aplicação de algumas ligas de Al-Si em componentes automotivos

AA SAE Processo Aplicações


B 380 306 Injeção Carcaças, corpos e suportes injetados.
319, 380 326 Coquilha e areia Cabeçotes, carter estrutural.
339, 336 321 Coquilha Pistões e polias.
Rodas e componentes de geometria
413 305 Coquilha
complexa.
Rodas, suportes, componentes de
A356, A357 323 Baixa pressão
suspensão e cabeçotes.

Fonte: Moreira, 2014, p. 11[8].


24

2.1 DIAGRAMA DE FASE DAS LIGAS Al-Si

As ligas Al-Si pertencem a um sistema eutético, binário (Diagrama 1).De


acordo com o diagrama de equilíbrio temos:

Diagrama 1-Diagrama de equilíbrio Al-Si

1500

1300
Líquido

Liquidus
Temperatura em ºC

1100

900 Líquido Líquido 


+ +
da dendrita cristais de 
700
Ponto Eutético
660 577 ºC Solidus
500 12,6 %

 +
300 
+
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90
100 Porcentagem em peso de Silício
Fonte: Malavazi, 2013b, p. 5 (adaptado) [9].

Linha liquidus: acima do qual só existe a fase líquida;


Linha solidus: abaixo do qual só existe a fase sólida;
Fase : solução sólida rica em alumínio com até 1,65% de silício a 577 ºC;
Fase : solução sólida rica em silício com até 0,1% de alumínio;
Ponto Eutético: transformação de metal líquido em duas fases sólidas (+),
na temperatura de 577ºC, com 12,6% de silício;
Ligas Hipoeutéticas: Silício abaixo de 12,6%;
Ligas Hipereutéticas: Silício acima de 12,6%.
25

A microestrutura das ligas de Al-Si hipoeutéticas (Figura 1a) são


caracterizadas pela formação inicial de uma rede de dendritas de fase alfa (α)
seguida da formação do eutético principal Al (α eutético) e Si (β eutético) nos
contornos das dendritas. As ligas eutéticas (Figura 1b), possuem uma microestrutura
com pequena fração volumétrica de dendritas e as ligas hipereutéticas (Figura 1c)
caracterizam-se pela formação de cristais de fase (β-Si) seguido da formação do
eutético (α + β) [9].
Figura 1-Microestrutura das ligas Al-Si: (a) ligas hipoeutéticas, (b) ligas eutéticas e (c) ligas
hipereutéticas

Fonte: Warmuzek, 2004, p. 2 [10]

O eutético é constituído de partículas de silício de elevada dureza e


fragilidade, envolvidas pela matriz de alumínio de baixa dureza e alta ductilidade.
Por esta razão, a maioria das propriedades mecânicas dos fundidos são
determinadas pela microestrutura eutética [9].
A presença de outros elementos de liga, tais como cobre, magnésio e ferro
determinam a formação de eutéticos secundários, como o Al3Fe, β-Al5FeSi,-
Al8Fe2Si em temperaturas abaixo da temperatura do eutético principal [1].
26

2.2 A LIGA AA413

A liga AA413, é uma liga de composição eutética. As ligas eutéticas possuem


um teor de silício entre 11 e 13 % (Tabela 4). O silício aumenta a resistência
mecânica e ao desgaste da liga, bem como diminui o alongamento que a torna ideal
para a fabricação de rodas e componentes de geometria complexa. Devido a sua
elevada fluidez e quase nenhum intervalo de solidificação, são comumente utilizadas
em processos de fundição à gravidade (coquilha e areia) em função da maior
facilidade para direcionar a solidificação e compensar a contração líquida e de
solidificação. Em fundição sob pressão, seu uso se restringe aos produtos de
paredes finas em função de sua maior fluidez [9].
Essas ligas possuem uma solidificação em casca (Figura 2) com pequeno
intervalo de solidificação e pequena fração volumétrica de dendritas, onde a
solidificação se inicia das paredes do molde, progredindo para o centro, e no final da
solidificação, forma-se uma contração, também conhecida como rechupe [9].

Figura 2- Sequência de solidificação das ligas eutéticas

Fonte: MALAVAZI, 2013a, p. 70-74 [12]

Alguns elementos químicos, como cobre, magnésio, manganês e zinco, são


incorporados à liga com o objetivo de melhorar a tenacidade à fratura e a resistência
à corrosão. O ferro também é um elemento presente nessas ligas. Sua principal
função é reduzir a aderência do alumínio com o molde metálico. Em processos de
fundição sob pressão o teor é um pouco mais elevado do que em fundição à
gravidade.
27

Tabela 4-Composição química nominal em % da liga AA413

Processo Si Fe Cu Mg Mn Ni Zn Sn Ti Outros
Sob 1,3 1,0 0,1 0,35 0,5 0,5 0,15 - 0,25
11,0 -13,0
pressão máx máx máx máx máx máx máx máx
Areia ou 0,5 0,1 0,05 0,35 0,05 0,10 0,25 0,20
11,0 -13,0 -
Coquilha máx máx máx máx máx máx máx máx

Fonte: ASM - METALS HANDBOOK, 1992, p. 97 [11]

2.3 A FASE -Al5FeSi

A reciclagem das ligas de alumínio tem se tornado uma prática comum nas
fundições de peças automotivas, principalmente pela economia de energia
associada a ela, porém, o uso destes materiais acaba gerando um aumento no nível
de impurezas, em particular o ferro, que traz um impacto negativo sobre
propriedades mecânicas.
O ferro normalmente se apresenta sob a forma de compostos intermetálicos
em combinação com alumínio, silício e outros elementos (Figura 4). Seu limite de
solubilidade no alumínio líquido é baixo, em torno de 0,03% na temperatura de
650°C.(Diagrama 2)

Diagrama 2-Diagrama de equilíbrio Al-Fe

Al Fe
Fonte: MALAVAZI, 2013, p. 7
28

Com o decréscimo da temperatura, ocorre a redução do limite de solubilidade,


fazendo com o que ferro restante se precipite formando compostos intermetálicos
(Figura 3) nos espaços interdendríticos [9].

Figura 3: Micrografia de uma liga Al-Fe 1,5% fundida em areia. Nos


espaçamentos interdendríticos verifica-se a presença do composto
intermetálico Al3Fe. Ampliação 200x

Partículas
de Al3Fe

Fonte: MALAVAZI, 2013b, p. 7 [9]

Dentre os possíveis compostos intermetálicos que se formam, a fase (β-


Al5FeSi) é a mais comum nas ligas de alumínio silício, apresentando uma morfologia
em formato de agulhas alongadas quando esta é observada em microscópio óptico,
ou em formato de placas, quando observada em microscópio eletrônico. Esses
compostos além de prejudicarem as propriedades mecânicas também agem como
locais de nucleação de trincas e porosidades, que podem ocasionar em falha e
quebra de componentes em serviço.
29
Figura 4- Presença de partículas de -AL5FeSi i em uma liga de Al-7%Si,
resfriado em areia.

-AL5FeSi

-Al5FeSi Dendrita de Al (α)

Eutético α +β

Fonte: MALAVAZI, 2013a, p.18 [12]

2.4 A FASE -Al8Fe2Si

A fase -Al8Fe2Si é um composto intermetálico que se apresenta com


morfologia em escrita chinesa (Figura 5) menos prejudicial que a fase β-Al5FeSi, que
apresenta morfologia em placas. Sua formação está associada à presença de
óxidos, mas parece ser mais efetiva quando o metal é superaquecido, pois ocorre a
inibição da formação das partículas de β-Al5FeSi, favorecendo a nucleação das
partículas de -Al8Fe2Si [9].
30
Figura 5- Fase β-Al8Fe2Si com morfologia em escrita chinesa

-Al8Fe2Si

Fonte: MALAVAZI, 2013a, p.19 [9]

2.5 MODIFICAÇÃO DAS LIGAS Al-Si

Nas ligas não modificadas, o silício assume formas de placas (Figura 6),
enquanto que em ligas modificas o silício assume uma forma fibrosa (Figura 7). Esta
morfologia aparece composta de pequenas partículas individuais em uma superfície
polida, mas, após o ataque profundo, verifica-se que as partículas são conectadas
formando uma estrutura que lembra um coral. A ductilidade e o alongamento
aumentam substancialmente com a modificação (Gráfico 1), que não só altera a
morfologia das partículas de silício, como também a sua distribuição [5].
31

Gráfico 1--Efeito da modificação sobre as propriedades mecânicas

na liga AA413

Fonte: PEREIRA, J. F; VIANA, L. L; FERREIRA, N. A., 2014, p.49 [14]

O tratamento de modificação é feito através da adição de elementos


modificadores ao banho, poucos minutos antes do vazamento do metal.
O tratamento de modificação tende a destacar a presença dos eutéticos
secundários ricos em ferro, podendo ser pelo maior tamanho das plaquetas de (β-
Al5FeSi) em relação às partículas de silício, como também pelo aumento do tamanho
das células eutéticas que intensificam a segregação intercelular [9].
Adições de estrôncio acima de 0,01% também têm sido mencionadas como
elemento modificador da fase (-Al5FeSi). Alguns estudos propõem que o estrôncio
além de modificar a morfologia da fase (-Si) do eutético, também promove um
aumento nos locais de nucleação e crescimento promovendo uma fragmentação das
fases intermetálicas ricas em ferro [1].
32

Figura 6- Estrutura lamelar grosseira da fase beta.

Fonte: MALAVAZI, 2013a, p.265 [10]

Figura 7-Estrutura lamelar fibrosa

Fonte: MALAVAZI, 2013a, p.266 [10]


33

2.6 MODIFICAÇÃO COM O USO DE ESTRÔNCIO

O Sr se destaca, pelo seu efeito prolongado, facilidade de controle de adição


(devido à baixa reatividade com o ambiente – oxigênio e refratários), facilidade de
estocagem, menor reatividade com refratários e não produção de fumos.
O Sr reage quimicamente com o ar formando espessas camadas de óxidos.
Devido a essa alta reatividade do estrôncio com o ar, sua adição nas ligas Al-Si
pode ser feita na forma de ante-liga (Al-Sr), com as composições mais comuns de
Al-5%Sr, Al-10%Sr e Al-15%Sr. Outra opção é o uso de ligas pré-modificadas que,
pela alta estabilidade do estrôncio, podem ser refundidas.
Ligas com teores de estrôncio superiores ao necessário para uma modificação
ideal são chamadas de supermodificadas.
Alguns estudos mostram também que a modificação das ligas (AlSi) pela
adição de estrôncio é responsável pela aceleração do processo de dissolução de
partículas intermetálicas contendo ferro (β-Al5FeSi) (Figura 8.)O efeito de
fragmentação e homogeneidade do intermetálico por toda a estrutura da liga pode
causar uma melhoria nas propriedades mecânicas [5].

Figura 8-Liga Al-Si 6% modificada com estrôncio

Partículas de fase
-Al5FeSi

Fonte: PEREIRA, J. F; VIANA, L. L; FERREIRA, N. A., 2014, p.42 [14]


34

2.6 SUPERMODIFICAÇÃO

No caso do estrôncio, a literatura é muito escassa, e, em geral, nas poucas


publicações sobre o assunto.
Pode-se perceber um decréscimo das propriedades mecânicas com o aumento
do uso do estrôncio. Pode-se dizer, que a partir de 0,01 – 0,012% Sr, passa a haver
supermodificação (Gráfico 2). Essa supermodificação é caracterizada pelo
engrossamento das partículas de silício, o que acaba sendo responsável por
propriedades mecânicas mais baixas que uma amostra com modificação ideal [5].

Gráfico 2-- Efeito do estrôncio nas propriedades mecânicas.

Tratamento de modificação
Alongamento x %Sr

Fonte: FURLAN, T. S. 2008, p.114 [5]


35

O estrôncio, quando presente em quantidades superiores às necessárias para


promover a modificação, não se encontra associado a partículas de silício, podendo
reagir e formar partículas de Al2Si2Sr(Figura 9) que diminuem a eficiência da ante-
liga e diminuem o super-resfriamento para a nucleação.
Autores que estudam a supermodificação por estrôncio, em geral, usaram
quantidades muito superiores a 0,010% - 0,012%Sr. Isso poderia ser explicado
porque, nesses teores, apesar de haver perdas nas propriedades mecânicas do
material, não há uma mudança microestrutural tão radical.
Há estudos que mostram que com o uso de 3%Sr há formação de uma nova
fase facetada, de composição, 30,4% Al, 32,5%Si e 36%%Sr e mesmo para ligas
contendo 0,03%Sr ou mais, há formação de intermetálicos facetados de composição
40%Al, 25%Si e 35%Sr. [5].

Figura 9-Amostra contendo 0,05%Sr. As setas apontam para partículas


do tipo Al2Si2Sr (560x)

Fonte: FURLAN, T. S. 2008, p.70[5]


36

3 MATERIAIS E MÉTODOS

3.1 ELABORAÇÃO DA LIGA AA413

Para elaboração da liga AA413, foi utilizado um forno elétrico para fusão da
carga, com capacidade de 300 kg.
Os corpos de prova foram vazados em coquilha de aço H13, fabricado
conforme norma ASTM B 108 [13], foi utilizada uma temperatura em torno de 300ºC
para pré-aquecimento da coquilha.
A temperatura de vazamento foi de 730 ºC. Após o vazamento dos 10
primeiros corpos de prova (sem tratamento de modificação), foram feitas adições
crescentes de uma ante liga de Al-10%Sr ao banho (com tratamento de modificação)
com proporções de:
 0,005%;
 0,009%;
 0,019%;
 0,027% e
 0,037% de Sr,
Após a dissolução da mesma, vazaram-se 10 corpos de provas para cada
percentual de adição de Sr. (Figura 10)
37

3.2 ENSAIOS

Para o ensaio de tração, foram utilizados cinco corpos de prova para cada
adição de Sr incluindo os cinco primeiros corpos de prova sem tratamento de
modificação totalizando trinta corpos de prova. O ensaio foi realizado em máquina
Universal, Marca – ZWICK ROEL Modelo - ALLROUNDLINE Z050 – Capacidade
50KN. As amostras para fractografia e metalografia foram obtidas dos corpos de
prova ensaiados.

Figura 10-Corpos de prova obtidos em coquilha de aço H13 com a identificação do local onde
foram retiradas as amostras para ensaio fractográfico e metalográfico e região do ensaio de
tração

Local onde foram


retiradas as amostras para
ensaio metalográfico.

Local onde foram


retiradas as amostras
para ensaio fractográfico.

Local onde foram


realizados os ensaios de
tração.

Fonte: Os autores, 2015.


38

Para o ensaio metalográfico, cortou-se uma amostra de cada grupo dos corpos
de prova vazados conforme o intervalo de adições crescentes de Sr incluindo a
amostra do 1 º vazamento sem Sr. O lixamento foi feito manualmente em lixadeira
semiautomática Arotec.
Utilizou-se uma sequencia de lixas de #120 a #2400 ,onde as amostras foram
giradas a 90º em cada troca de lixa com o objetivo de ter controle sobre a remoção
dos riscos causados pela lixa anterior. O lixamento foi feito com irrigação de água
constante e a cada troca de lixa lavou-se a amostra em água corrente para remover
resíduos das lixas anteriores. Após o término do lixamento, a amostra foi lavada com
água corrente e passou-se para etapa de polimento.
O polimento foi feito em politriz semi automática, Arotec. Utilizou-se pasta de
diamante, de 6 m a 1m; seguida de sílica coloidal de 0,06 m para polimento final.
Após o polimento, as amostras foram atacadas com solução de HF (ácido
fluorídrico) 0,5%, a temperatura ambiente, por 15 segundos por esfregamento, para
destacar as microporosidades e verificar sua morfologia e distribuição ao longo da
estrutura.
Para o registro fotográfico da microestrutura foi utilizado microscópio óptico
Olympus e Microscópio Eletrônico de Varredura, da Zeiss.
39

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES

4.1 LIGA AA413

4.1.1 Composição química

Na tabela 5 são apresentadas as composições químicas, analisadas via


espectrômetro de emissão ótica, das ligas obtidas. Como pode-se verificar, já na
primeira adição se atingiu a porcentagem de estrôncio necessária para promover a
modificação.

Tabela 5- Composições químicas em % da liga AA413 com adições crescentes de estrôncio.

AA413 Si Fe Cu Mg Mn Zn Sn Ti Sr Al

Sem adição
13,000 0,773 0,165 0,024 0,012 0,474 0,014 0,008 0,0 85,130
Sr

0,002 %Sr 12,625 0,750 0,163 0,021 0,012 0,487 0,007 0,007 0,005 85,871

0,004 %Sr 12,726 0,824 0,135 0,018 0,010 0,440 0,002 0,004 0,009 85,793

0,008 %Sr 12,253 0,664 0,248 0,030 0,009 0,509 0,014 0,009 0,019 86,123

0,016 %Sr 12,928 0,757 0,143 0,015 0,010 0,447 0,000 0,002 0,027 85,616

0,024 %Sr 12,361 0,824 0,164 0,018 0,009 0,467 0,007 0,006 0,037 86,043

Fonte: Os autores, 2015.


40

4.1.2 Propriedades mecânicas

Na tabela 6 são apresentados os resultados dos testes de tração. É possível


destacar um aumento na resistência a tração e no módulo de elasticidade dos copos
de prova com adição de 0,005% e 0,009% de Sr e uma queda gradativa nas demais
adições com 0,019% /0,027% e 0,037 % de Sr.

Tabela 6- Resultados obtidos no ensaio de tração da liga AA413 com adições crescentes de
estrôncio

CP Limite de Limite de Alongamento Módulo de


Resistência Escoamento Elasticidade
(MPa) (MPa) (%) (GPa)

SA 150 66 0,2 55

0,005% Sr 193 109 2,3 70

0,009% Sr 172 69 2 73

0,019% Sr 155 70 2 49

0,027% Sr 152 70 2 63

0,037% Sr 122 59 1 46

Fonte: Os autores, 2015.

O gráfico 3 mostra os resultados da média de 5 corpos de prova de cada


adição, resistência à tração, para liga AA413 com e sem tratamento de modificação.
O gráfico 4 mostra os resultados da média de 5 corpos de prova de cada adição,
alongamento para liga AA413 com e sem tratamento de modificação.
41

Gráfico 3:Resultados obtidos no ensaio de tração da liga AA413 com adições crescentes de
estrôncio

Fonte: Os autores, 2015.

O gráfico 3 apresenta um pico de aumento no limite de resistência e limite de


escoamento para os corpos de prova com 0,005% de Sr, isso se dá por conta da
modificação da morfologia do -Si.
Com relação ao alongamento, o gráfico apresenta um aumento considerável
na liga modificada com 0,005% de Sr, o que é esperado devido à alteração da
morfologia da fase -Si de plaquetas grosseiras para bastonetes finos e da
distribuição uniforme dos intermetálicos, entretanto pode se observar que o
alongamento das demais adições cai e se mantem até com o teor de 0,037% Sr e
cai novamente.
Segundo FURLAN, T. S. 2008, p.67 [5], essa queda nas propriedades em
geral é dada pelo aumento do uso do estrôncio (Gráfico 2) e de acordo com essa
porcentagem de 0,037%Sr é possível afirmar que houve indícios de
supermodificação.
42

4.1.3 Metalografia

As figuras 11 e 12 mostram o aspecto microestrutural, próximo a superfície,


da liga AA413 sem modificação.

Figura 11-Microestrutura próxima a superfície. Liga AA413 sem


Modificação,200x

Dendrita de Al (α)

Fonte: Os autores, 2015.

Observa-se na figura 11 uma distribuição uniforme das agulhas de silício não


modificado envolvidas pela matriz. Microestrutura característica das ligas de Al-Si
eutéticas (Figura 1b)
43

Figura 12-– Microestrutura próxima à superfície mostrando a fase alfa circundada pelo
eutético (alfa+beta). Liga AA413 sem Modificação -1000x

-Si

Fonte: Os autores, 2015.

A figura 12 apresenta partículas de β-Si que normalmente se apresentam na


forma de plaquetas grossas, lamelar ou acicular, de caráter duro e frágil de acordo
com a literatura (Figura 6).
44

As figuras 13, 15, 17 e 19, apresentaram formação de rede de dendritas de


fase α formadas nos primeiros momentos da solidificação, porém conforme o
diagrama de Al-Si estável não é previsto formação de dendritas, entretanto por
causa do super-resfriamento, se obtém uma pequena fração volumétrica de
dendritas.

Figura 13-Microestrutura próxima à superfície mostrando


as dendritas. Liga AA413 Modificada com 0,005% de Sr -
100x

Dendritas de Al

Fonte: Os autores, 2015.


45

Figura 14-Microestrutura próxima à superfície mostrando o


β-Si modificado e o intermetálico. Liga AA413 Modificada
com 0,005% de Sr -1000x

-Si
Modificado

-Al5FeSi

Fonte: Os autores, 2015.

Foi possível verificar formação do eutético secundário, a fase β-Al5FeSi.O ferro


traz um impacto negativo sobre propriedades mecânicas, normalmente se apresenta
sob a forma de compostos intermetálicos em combinação com alumínio, silício e
outros elementos como mostra a figura 14.

Figura 15-– Microestrutura próximo a superfície. Liga AA4130,009%Sr-100x

Dendritas de Al

Fonte: Os autores, 2015


46

Figura 16-– Microestrutura próximo a superfície. Liga AA413- 0,009%Sr-1000x

-Si
Modificado

-Al5FeSi

Fonte: Os autores, 2015.

A figura 16 permite a observação da alteração da morfologia da fase -Si de


plaquetas grosseiras para bastonetes finos e uma distribuição uniforme dos
intermetálicos, o que segundo a literatura, (Figura 7) é possível afirmar que houve
modificação.

Figura 17-Microestrutura próximo a superfície. Liga AA413


0,027%Sr-100x

Dendritas de Al

Fonte: Os autores, 2015.


47

Figura 18-Microestrutura próximo a superfície. Liga AA413


0,027%Sr-1000x

-Si
Modificado

-Al5FeSi

Fonte: Os autores, 2015.

A figura 18 apresenta alteração da morfologia da fase -Si de plaquetas


grosseiras para bastonetes finos e uma distribuição uniforme dos intermetálicos de
acordo com a teoria (Figura 7).

Figura 19-– Microestrutura próximo a superfície. Liga AA413- 0,370%Sr-100x

Fonte: Os autores, 2015.


48

Figura 20-– Microestrutura próximo a superfície. Liga AA413- 0,370%Sr-1000x

-Si modificado

-Al5FeSi

Fonte: Os autores, 2015.

A figura 20 apresenta alteração da morfologia da fase -Si de plaquetas


grosseiras para bastonetes finos e uma distribuição uniforme dos intermetálicos.
49

4.1.4 Fractografia

A figura 21 mostra a superfície de exame fractográfico. Para o registro


fotográfico da microestrutura foi utilizado Microscópio Eletrônico de Varredura, da
Zeiss. Observe que já no aspecto visual é possível destacar as microporosidades
obtidas provavelmente pela falha no processo de obtenção da liga, ou seja, o
material efetivamente não foi desgaseificado ou a desgaseificação não foi eficaz.

Figura 21- Superfície de exame fractográfico

Fonte: Os autores, 2015.

As figuras 22,23 e 24 mostram o aspecto da fratura da liga AA413 sem


modificação e com modificação de 0,005% e 0,037% de Sr. Aspecto
predominantemente frágil. Destaca-se uma quantidade significativa de
microporosidades. Em muitos casos isso ocorre devido à ação combinada do gás e
contração de solidificação ocorrendo nas regiões interdendríticas que são as últimas
a se solidificarem.
50
Figura 22-Aspecto da fratura próxima à superfície. Liga
AA413 sem Modificação. 70x

Fonte: Os autores, 2015.

Fonte: Os autores, 2015.

Figura 23-Aspecto da fratura próxima à superfície. Liga


AA413 com 0,005% de Sr.70x

Fonte: Os autores, 2015.


Figura 24-Aspecto da fratura próxima à superfície. Liga 51
AA413 com 0,037% de Sr.70x

Fonte: Os autores, 2015.

Nesse caso, a presença exagerada de microporosidades apresenta indícios


de falha no processo de obtenção. Constatou-se que efetivamente o material não foi
desgaseificado, o que provocou o surgimento de porosidades com consequente
perda dos valores de resistência a tração e alongamento devido aos espaços vazios
impossibilitando a correlação do aumento de porosidade devido a adição de
estrôncio em quantidades superiores ao necessário.
52

CONCLUSÃO

O estudo do efeito do estrôncio sobre a morfologia e propriedades mecânicas


da liga de alumínio AA413, permite concluir que, foi possível observar alterações
tanto morfológicas quanto mecânicas na liga de acordo com as adições crescentes
de Estrôncio.
Com relação aos objetivos específicos, a modificação da morfologia das
partículas de beta-silício (fase de lamelar para fibrosa, foi obtida com sucesso.
Conforme análises micrográficas, podem-se observar comparativamente que os
corpos de prova com adição de 0,005% de estrôncio já apresentaram modificações
sendo observadas essas modificações em todas as adições subsequentes.
Foi possível verificar formação do eutético secundário, a fase β-Al5FeSi (Figura
14).
Com relação as propriedades mecânicas, a liga A413 apresentou um aumento
no limite de resistência e escoamento, o que se pode concluir que está associado a
alteração da morfologia do β-Si e da fragmentação e homogeneidade do
intermetálico (β-Al5FeSi) por toda a estrutura da liga. As adições crescentes de
estrôncio, até uma determinada porcentagem, foram favoráveis com relação ao
ensaio de tração. A adição de 0,005% e 0,009% em comparação ao CP sem adição
ocorreu um aumento na resistência a tração e no módulo de elasticidade, (Gráfico
3). Com relação ao alongamento, verifica-se um aumento considerável na liga
modificada, o que é esperado devido à alteração da morfologia da fase -Si de
plaquetas grosseiras para bastonetes finos e da distribuição uniforme dos
intermetálicos. Entretanto pode se observar que o alongamento com o teor de
0,037% Sr está menor que a liga sem adição. Segundo FURLAN, T. S. 2008, p.67
[5],essa queda nas propriedades, em geral, é dada pelo aumento do uso do
estrôncio (Gráfico 2), sendo possível afirmar que houve indícios de
supermodificação.
Não foi efetuada a medição da dureza, pois, o excesso de porosidades
inviabilizou a obtenção de resultados favoráveis.
Com relação a Identificar a procedência das microporosidades existentes nos
corpos de prova, com os possíveis aumentos dos teores de estrôncio, não foi
53

possível correlacionar, pois, constatou-se que efetivamente o material não foi


desgaseificado. A obtenção dos primeiros corpos de prova constatou-se uma
quantidade significativa de microporosidades, o mesmo ocorrendo com os corpos de
prova subsequentes.
54

SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS

Com base nas dificuldades encontradas no decorrer do trabalho referente à


obtenção das amostras, recomenda-se sugestões para trabalhos futuros
relacionados com o modificador estrôncio:

a- Refazer o trabalho com intuito de Identificar a procedência das microporosidades


existentes nos corpos de prova, relacionando com os possíveis aumentos dos
teores de estrôncio.

b- Após a fusão da carga, retirar amostra e analisá-la em um espectômetro para


controle da composição química antes do vazamento. Isso permitirá um maior
controle sobre eventuais acertos de composição química antes do vazamento.

c- Observar o tratamento do alumínio, no vazamento e desoxidação, com


tratamentos com fluxos de proteção e limpeza.

d- Desgaseificação do alumínio líquido, atentando os para ferramentas de limpeza


e manuseio do metal.

e- Tratando-se de adições crescentes de estrôncio, seria ideal realizar vazamentos


para cada adição, ou seja, obter corpos de prova separadamente para cada
adição, isso implicaria em uma programação de vazamentos um após o outro
em dias diferentes. O processo de obtenção da liga seria refeito do início ao fim
para cada vazamento.
55

REFERÊNCIAS

[1] FUOCO, R; CORRÊA, E. R. Evolução da microestrutura das ligas Al-Si


durante a solidificação. Trabalho apresentado no CONAF 2009, organizado
pela ABIFA – Associação Brasileira de Fundição, entre 22 e 25 de setembro
de 2009, São Paulo, 2009.

[2] ABAL - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ALUMÍNIO. História do Alumínio.


Disponível em: <http://www.abal.org.br/aluminio/historia-do-aluminio/>.
Acesso: 18 ago. 2015.

[3] ______. Características Químicas e Físicas. Disponível em:


<http://www.abal.org.br/aluminio/caracteristicas-quimicas-e-fisicas/>. Acesso:
18 ago. 2015.

[4] ______. Mercado de alumínio deve crescer 5,2% em 2014. Disponível em:
<http://www.abal.org.br/conexao-abal/noticias/?id=152&bo=80>. Acesso: 07
set. 2014c.

[5] FURLAN, T. S. Influência do teor de estrôncio na modificação da


ligaA356. Dissertação (Mestrado em Engenharia). Escola Politécnica da
Universidade de São Paulo. Departamento de Engenharia Metalúrgica e de
Materiais. São Paulo, 2008.

[6] ABAL - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ALUMÍNIO. Anuário estatístico-


ABAL 2014. Disponível em: <http://www.abal.org.br/biblioteca-publicacoes-
anuario-estatistico-abal-2014/>. Acesso: 03 set. 2015.

[7] REVISTA DO ALUMÍNIO. Transporte -Resistência e economia. Edição 12 -


Terceiro Trimestre 2007. Disponível em:
<http://www.revistaaluminio.com.br/recicla-inovacao/12/artigo210564-1.asp>.
Acesso: 01 set. 2015.
56

[8] MOREIRA, M. F. Ligas de alumínio para fundição: Relações entre o


processo de fundição e a microestrutura. Apresentação desenvolvida para
aula didática. Disponível em:
<http://www.pmt.usp.br/pmt2402/Ligas%20de%20alum%C3%ADnio%20fundid
as.pdf>. Acesso:01 set. 2015.

[9] MALAVAZI, J. Formação dos compostos intermetálicos na liga AlSi7


fundida à gravidade. Artigo apresentado na CONAF 2011, realizado entre 04
e 07 de setembro de 2011, São Paulo, 2011.

[10] WARMUZEK, M. Aluminum-Silicon Casting Alloys: Atlas of


Microfractographs. ASM Internacional. May, 2004.

[11] ASM – METALS HANDBOOK. Properties and Selection: Nonferrous Alloys


and Special Purpose Materials, 1992, v. 2, 2nd ed.

[12] ________. Fundição do alumínio. Apresentação desenvolvida para aula


didática em curso Superior de Tecnologia em Processos Metalúrgicos.
Disciplina Fundição. Trabalho não publicado, Osasco, Maio de 2013a, rev. 2.

[13] ASTM - American Society for Testing and Materials. Standard Specification
for Aluminum Alloy Permanent Mold B108 – 03a, Sept, 2003.

[14] PEREIRA, J. F; VIANA, L. L; FERREIRA, N. A. Efeito do tratamento de


modificação sobre a morfologia de compostos intermetálicos de fase
β-al5fesi em ligas de Al-Si. Projeto integrador desenvolvido em curso
Superior de Tecnologia em Processos Metalúrgicos. Trabalho não publicado,
Osasco, dezembro de 2014.