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CURSO DE ENGENHARIA CIVIL

Régis Coleraus

ANÁLISE DE PUNÇÃO EM LAJES DE CONCRETO ARMADO

Santa Cruz do Sul


2017
1

Régis Coleraus

ANÁLISE DE PUNÇÃO EM LAJES DE CONCRETO ARMADO

Trabalho de conclusão de curso apresentado ao curso de


Engenharia Civil da Universidade de Santa Cruz do Sul –
UNISC para a obtenção do título de Bacharel em
Engenharia Civil.

Orientador: Prof. M.Sc. Christian Donin

Santa Cruz do Sul


2017
2

Régis Coleraus

ANÁLISE DE PUNÇÃO EM LAJES DE CONCRETO ARMADO

Trabalho de conclusão de curso apresentado ao curso de


Engenharia Civil da Universidade de Santa Cruz do Sul –
UNISC para a obtenção do título de Bacharel em
Engenharia Civil.

Orientador: Prof. M.Sc. Christian Donin

Prof. M.Sc. Christian Donin


Professor Orientador - UNISC

Prof.
Professor Examinador - UFSM

Prof.
Professor Examinador - UNISC

Santa Cruz do Sul


2017
3

Dedico este trabalho a meus pais, CLAUDIO e


EUNICE, meus exemplos de vida, persistência e
dedicação.
4

AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente a DEUS, por ter me dado condições, saúde e


perseverança, para que eu chegasse até aqui.
A meus pais CLAUDIO e EUNICE, que nunca me deixaram desanimar, mesmo
nas horas mais difíceis, pois este sonho era nosso, não apenas meu.
A minha irmã CINTHIA que muito me apoiou, ajudou, incentivou, foi minha
âncora nestes quase cinco anos dedicados ao curso.
Ao professor orientador Christian Donin, pelo ser humano que é, pela dedicação,
pelas sugestões e correções, que permitiram uma melhor qualidade e melhor
aprendizado. Tenho consciência que não teria conseguido realizar esse trabalho sem
suas instruções e conhecimentos a mim dispensados.
Aos laboratoristas Rafael Fernando Henn, Henrique Eichner e a laboratorista
Lidiane Kist, por toda ajuda, apoio e incentivo, que muito contribuíram na realização
deste trabalho.
Aos meus colegas de faculdade, aos meus amigos, a toda minha família e a
todas as pessoas que de alguma maneira me entenderam, me aceitaram e tiveram
paciência, enquanto eu me dedicava a esta etapa: MUITO OBRIGADO
5

“Sempre parece impossível até que seja feito.”


(Mandela)
6

RESUMO

O fenômeno da punção se dá quando nos sistemas estruturais não são utilizadas


vigas para apoio das lajes, ocorrendo assim uma grande concentração de esforços,
principalmente cortante e tensões na ligação laje-pilar que podem levar o colapso da
estrutura. Sendo uma ruptura da ligação muito frágil e sem avisos a verificação da
resistência da ligação à punção deve ser feita. O presente trabalho apresenta uma
análise teórica experimental sobre tipos de comportamento de lajes de concreto
armado à punção, além disso, segue método de cálculo conforme a NBR 6118:2014.
Após moldados nove protótipos de lajes com dois diferentes tipos de reforço, foram
submetidos a ensaios e analisados o comportamento de cada tipo de laje. Os dois
tipos de reforços utilizados se mostraram eficientes, tendo suas diferenças no ponto
de vista econômico.

Palavras-chave: Punção; lajes lisas; concreto armado; reforço.


7

ABSTRACT
The punching shear phenomena happens when structural systems are not
reinforced with beams to support the slabs, thus resulting in a concentration of stresses
that can lead to the collapse of the structure. As the slab-pillar connection is very
fragile, the verification of the strength of such connections must be done regularly. This
work discusses the theoretical and experimental analyses of the behavior of punching
shear reinforced concrete slabs, as well as the calculation methodology according to
the Brazilian Standard NBR 6118:2014. Nine prototypes of slabs were built using two
different methods of reinforcement in order to make structural tests and analyze the
behavior of each construction technique. Both reinforcement methods used in this work
proved to be efficient economically speaking.

Keywords: punching shear; flat slabs; reinforced concrete; reinforcement.


8

LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1 – Ruína por punção em laje cogumelo 17


Figura 2 – Desenvolvimento das fissuras na região dos pilares 17
Figura 3 – Superfície de ruína para pilares internos 18
Figura 4 - Superfície de ruina para pilares de canto e extremidade 18
Figura 5 – Superfície crítica e perímetro crítico para pilares internos, externos e de
canto 19
Figura 6 – Perímetro crítico em pilares de extremidade e de canto 20
Figura 7 – Perímetro crítico em pilares internos 20
Figura 8 – Pilares com seção retangular 21
Figura 9 – Definição da altura útil no caso de capitel 22
Figura 10 - Perímetro crítico em pilares de borda 25
Figura 11 – Perímetro crítico em pilares de canto 26
Figura 12 – Disposição da armadura de punção em corte 27
Figura 13 - Representação de laje-lisa e laje-cogumelo 29
Figura 14 – Disposição da armadura de punção 31
Figura 15 – No caso de reforços do topo de pilares com ls > 1,5 . hs + h, os valores
de τR dever ser verificados em duas seções circulares de diâmetros dRi e dRa
33
Figura 16 - Localização e dimensões da seção circular para a determinação do τRno
caso de reforço do topo de pilares com ls > hs 34
Figura 17 – Quadros metálicos constituídos por perfis em um pilar de aço. 35
Figura 18 – Quadros metálicos constituídos por perfis em um pilar de concreto
(armadura da laje não está toda representada) 36
Figura 19 – Formas e posições 37
Figura 20 – Possibilidade de colocação estribos como em vigas 38
Figura 21 – Segmento de perfil metálico de seção i 38
Figura 22 – Elementos com placas de ancoragem nas extremidades 39
Figura 23 – Disposição da armadura de punção em planta 39
Figura 24 – Disposição da armadura de punção em corte 40
Figura 25 – Disposições de armaduras em lajes lisas 40
9

Figura 26 - Armadura contra colapso progressivo 41


Figura 27 – Detalhe reforço tipo estribo 46
Figura 28 – Detalhe reforço tipo conector 46
Figura 29 – Forças atuantes na laje ensaiada 47
Figura 30 - Ensaio de compressão em cp’s de concreto 48
Figura 31 - Ensaio de tração do aço 50
Figura 32 - Confecção das malhas 51
Figura 33 - Malha negativa 51
Figura 34 - Reforço tipo estribo 52
Figura 35 - Estribos posicionados para concretagem 52
Figura 36 - Reforço tipo conector (detalhe) 53
Figura 37 - Conectores soldados na malha 53
Figura 38 - Formas prontas para concretagem 54
Figura 39 - Formas posicionadas para concretagem 55
Figura 40 – Teste de abatimento de cone 56
Figura 41 - Concretagem 56
Figura 42 - Protótipos concluídos 57
Figura 43 – Máquina universal de ensaios – emic – dl30000 58
Figura 44 - Protótipo de apoio 59
Figura 45 - Esquema de ensaio 59
Figura 46 - Laje posicionada para iniciar ensaio 60
Figura 47 – Protótipo após ensaio 61
Figura 48 – Superfícies críticas 62
Gráfico 1 - Força x deslocamento das lajes ensaiadas 71
Gráfico 1 - Comparativo das tensões nos perímetros 74
10

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Valores de k 23
Tabela 2 – Traço do concreto 48
Tabela 3 – Resultados dos ensaios dos cp’s 49
Tabela 4 – Resultados dos ensaios de tração 49
Tabela 5 – Resultados das lajes ensaiadas 72
Tabela 6 – Resultados teóricos 72
Tabela 7 – Tensões solicitantes para o perímetro c 73
Tabela 8 – Tensões solicitantes para o perímetro c’ 73
Tabela 9 - Tensões solicitantes para o perímetro c’’ 73
Tabela 10 – Tensão solicitante e estimativa de ruptura nos perímetros 74
Tabela 11 - Tensão solicitante e tensão resultante de cálculo nos perímetros 75
11

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ............................................................................................. 14

1.1 Área e limitação do tema ........................................................................... 14


1.2 Justificativa ................................................................................................. 14
1.3 Objetivos da Pesquisa ............................................................................... 14

1.3.1 Objetivo Geral ............................................................................................. 14


1.3.2 Objetivo Específicos .................................................................................. 15

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ........................................................................ 16

2.1 Introdução ................................................................................................... 16


2.2 Punção ........................................................................................................ 16

2.2.1 Definição do perímetro crítico ................................................................... 19


2.2.2 Sistemas onde ocorre punção .................................................................. 21
2.2.3 Capiteis ....................................................................................................... 21

2.3 Cálculo ........................................................................................................ 22

2.3.1 Para pilares internos com carregamentos simétricos ............................ 22


2.3.2 Para pilares internos com efeito de momento ......................................... 23
2.3.3 Pilar de extremidade .................................................................................. 24
2.3.4 Para pilares de extremidade com momento ............................................ 25
2.3.5 Pilares de canto .......................................................................................... 25

2.4 Verificações de armadura .......................................................................... 26

2.4.1 Armadura de Cisalhamento ....................................................................... 26

2.5 Normas ........................................................................................................ 27


2.6 Detalhamento e soluções .......................................................................... 28

4.6.1 Lajes sem armadura................................................................................... 29


2.6.2 Lajes com armadura de punção ............................................................... 30

2.7 Reforço no topo de pilares ........................................................................ 32

2.7.1 Quadros Metálicos ..................................................................................... 34


12

2.7.2 Armaduras transversais ............................................................................ 36

2.7.2.1 Estribos verticais ....................................................................................... 37


2.7.2.2 Armaduras especiais tipo conectores ...................................................... 38

2.8 Colapso Progressivo.................................................................................. 41


2.9 Algumas pesquisas .................................................................................... 42

3 METODOLOGIA .......................................................................................... 45

3.1 Determinação dos protótipos de laje........................................................ 45


3.2 Materiais...................................................................................................... 47

3.2.1 Caracterização dos materiais .................................................................... 47


3.2.2 Concreto ..................................................................................................... 47
3.2.3 Ensaios de tração no aço .......................................................................... 49

3.3 Execução dos protótipos ........................................................................... 50

3.3.1 Aço das armaduras .................................................................................... 50


3.3.2 Formas ........................................................................................................ 54
3.3.3 Concretagem .............................................................................................. 54

3.4 Ensaio de punção nos protótipos ............................................................. 57


3.4.1 Mecanismo e equipamento de ensaio ...................................................... 58

3.4.2 Procedimento de ensaio ............................................................................ 60

3.5 Análise teórica ............................................................................................ 61

3.5.1 Definição da tensão solicitante nas superfícies críticas C e C’ para laje


não reforçada........................................................................................................... 62
3.5.2 Definição da tensão solicitante nas superfícies críticas C e C’ para laje
com reforço tipo estribo ......................................................................................... 64
3.5.3 Definição da superfície crítica C’’ na laje com reforço do tipo estribo .. 66
3.5.4 Definição da tensão solicitante nas superfícies críticas C e C’ para laje
com reforço tipo conector ...................................................................................... 67
3.5.5 Definição da superfície crítica C’’ na laje com reforço do tipo conector69

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES .................................................................. 71

4.1 Resultados experimentais .......................................................................... 71


13

4.2 Resultados teóricos .................................................................................... 72

5 CONCLUSÕES E CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................ 76

REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 77
14

1 INTRODUÇÃO

Atualmente com a grande ocupação populacional das grandes cidades o


mercado procura ferramentas construtivas mais eficientes para ter um maior
aproveitamento de áreas úteis em seus projetos, para isso são utilizadas estruturas
como lajes cogumelo e elementos estruturais mais esbeltos. Com isso, necessita-se
o entendimento do comportamento destas estruturas para anteder as condições
dispostas pela norma.
A pesquisa trata de uma análise de punção em lajes de concreto armado,
exibindo cálculos e tipos de detalhamentos de reforço com o propósito de mostrar os
métodos de dimensionamento existentes no mercado e quais os mais utilizados e
quando deve-se optar por determinado tipo de armadura.

1.1 Área e limitação do tema

O estudo será desenvolvido na área de estruturas, mais especificamente sobre


a análise de punção em lajes de concreto armado.

1.2 Justificativa

Com a prática de vários métodos construtivos como o sistema tradicional


estrutural laje, pilar e viga, há outras opções como o uso somente de pilar e laje.
Sistema esse que pode ser usado tanto em lajes lisas como lajes nervuradas
proporcionando ganhos em altura útil.
Quando utilizada a solução da laje apoiada somente sobre o pilar existe uma
grande concentração de tensões cisalhantes na ligação ocasionando o efeito
chamado punção. A punção é um efeito muito importante, pois tem grande capacidade
de afetar a integridade da estrutura por completo.
Para este trabalho serão analisadas normas, estudos de caso, cálculos e
detalhamentos para punção em lajes de concreto armado, visando o melhor conceito
de aplicação para minimizar o efeito da punção.

1.3 Objetivos da Pesquisa

1.3.1 Objetivo Geral

Analisar o comportamento dos tipos de lajes, cálculos e por fim o detalhamento


de armaduras na ligação pilar-laje para minimizar o efeito da punção.
15

1.3.2 Objetivo Específicos

 Revisar bibliograficamente os conceitos sobre punção em lajes de


concreto armado;
 Analisar os principais processos construtivos e detalhamentos de
armaduras para punção em lajes.
 Definir e confeccionar protótipos de lajes com diferentes disposições de
armadura de punção em lajes, assim como, sem estas armaduras.
 Realizar a análise teórica dos protótipos, comparando seus resultados
experimentais e teóricos.
 Apresentar conclusões acerca da eficiência das diferentes disposições de
reforço empregadas, de modo a definir melhor solução a ser utilizada em
projetos de lajes.
16

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1 Introdução

Na construção civil existem vários sistemas construtivos que são aplicáveis,


como, alvenarias autoportantes, concreto armado, wood frame entre outras e também
existe as lajes lisas ou lajes cogumelo que, são sistemas de lajes apoiadas somente
sobre os pilares não utilizando vigas para apoio.
As lajes lisas ou cogumelo tem grandes vantagens como, ganho de pé direito
por não ser necessário o uso de vigas, são mais econômicas que o sistema tradicional
dependendo do caso, facilita a instalação hidráulica da obra.
A resistência à punção da laje pode ser afetada por diversos fatores tais como a
espessura da laje, dimensões e formato do pilar que quanto maior mais área de
contato tendo assim menos força concentrada, armadura de punção e a resistência
do concreto também auxiliam na resistência do conjunto à punção.
Contudo o uso das lajes lisas-cogumelo exige cuidados especiais, pois as cargas
de uso e cargas próprias das lajes são descarregadas em uma pequena área, sendo
essa pequena área o topo do pilar com isso pode ocorrer o fenômeno conhecido por
punção tratado no decorrer deste estudo.

2.2 Punção

Punção é um fenômeno que ocorre sempre em lajes sem vigas e por ser uma
ruptura sem avisos com grande gravidade é importante que seus elementos de
estruturais estejam dimensionados há que se atingir o estado limite último seja o de
flexão e que tenha boa ductilidade para que sofram grandes deformações antes da
ruptura.
Devido à concentração de esforços ocasionados pelo peso próprio da laje e
demais esforços de uso da edificação que são aplicados em uma pequena região,
segundo Araújo (2014) o estado limite último por cisalhamento no entorno de forças
concentradas é onde ocorre uma ruptura inclinada de aproximadamente 26º através
da espessura da laje.
17

Figura 1 – Ruína por punção em laje cogumelo

Fonte: Araújo, 2014. Adaptado pelo autor.

A ruína por flexão acontece por esmagamento do concreto ou pela deformação


plástica excessiva da armadura de tração. Geralmente estes são projetados para que
ocorra ruína por escoamento do aço gerando assim grandes deformações.
Segundo Sheata1 apud Stucchi e Knapp (1993), o comportamento das lajes no
momento do carregamento observado em ensaios é descrito a seguir:

Os danos típicos visíveis nas lajes ensaiadas, anteriormente à ruptura, foram


fissurações radiais, as quais começaram quase que no centro das lajes e se
estenderam na direção do perímetro das mesmas, dividindo assim as lajes
em segmentos radiais.
Momentos antes da ruptura, algumas fissuras tangenciais na região da
punção apareceram, indicando a formação de uma fissuração inclinada
interna causada pela tração diagonal.

Figura 2 – Desenvolvimento das fissuras na região dos pilares

Para carga de utilização Para Carga de ruína


Fonte: LEONHARDT e MÖNNIG, 1978. Adaptado pelo autor.
18

Conforme Carvalho e Pinhiero (2009), a superfície de ruptura para pilares


internos é muito parecida com um tronco de cone conforme a seguir:

Figura 3 – Superfície de ruína para pilares internos

Fonte: Carvalho e Pinhiero, 2009. Adaptado pelo autor.

Já para pilares de extremidade e de canto Carvalho e Pinhiero (2009) sugerem


que como são superfícies mais irregulares por estarem sob influência de efeitos de
torção e flexão tornando assim a análise da ruína de difícil compreensão.
Foram realizados ensaios com cargas assimétricas, Martinelli (2003) constatou
que a ruptura por punção em pilares de canto por punção igual aos casos simétricos
sendo no canto interior do pilar, mas totalmente diferente junto às bordas da laje.
Segundo Takeya (1981) após a realização de ensaios afirma que nos pilares de
extremidade a ruptura é semelhante à dos pilares de canto.
Cada tipo de pilar apresenta ruptura diferente, pilares de extremidade e de canto
sofrem deformações diferentes devido aos efeitos da flexão e torção que são maiores
que nos pilares centrais (CARVALHO; PINHEIRO, 2009).

Figura 4 - Superfície de ruina para pilares de canto e extremidade

Fonte: Carvalho e Pinheiro, 2009. Adaptado pelo autor.

Segundo Regan e Braestrup (1985), as fissuras inclinadas ocorrem de meio a


dois terços da carga de ruína. Após o aparecimento destas fissuras, a condição da
19

laje ainda é estável, podendo ser descarregada e novamente carregada, sem perder
sua resistência.
Para determinar a resistência das lajes carregadas com cargas concentradas
admite-se uma superfície crítica concêntrica ao ponto de carga aplicando-se uma
tensão de cisalhamento nominal que pode muito bem representar os resultados
experimentais disponíveis (ARAÚJO, 2014).

2.2.1 Definição do perímetro crítico

Montoya, Meseguer, & Cabré (2000) sugerem para pilares de canto, externos e
internos as seguintes condições para a definição do perímetro crítico:
Pilares internos: u1= 4πd + 2 (a0 + b0)
Pilares externos: u1= πd + a1 + b1
Pilares de canto: u1= 2πd + a0 + 2b1
E para pilares externos onde os momentos laterais estão equilibrados e a
excentricidade está no interior da laje pode-se admitir uma distribuição uniforme das
tensões tangenciais adaptando o perímetro crítico.

Figura 5 – Superfície crítica e perímetro crítico para pilares internos,


externos e de canto

Fonte: Montoya, Meseguer e Cabré, 2000. Adaptado pelo autor.

Para Araújo (2014) para pilares de canto e de borda o perímetro crítico não é
contado até as bordas da laje.
20

Figura 6 – Perímetro crítico em pilares de extremidade e de canto

Fonte: Araújo, 2014. Adaptado pelo autor.

Araújo (2014) diz que o perímetro crítico que por sua vez é uma distância igual
a 2𝑑 do contorno da área da força aplicada, e levando em conta que a perímetro crítico
é em função do d (altura útil da laje) ela tem o propósito de reduzir o perímetro crítico
𝑢1.

Figura 7 – Perímetro crítico em pilares internos

Fonte Araújo, 2014. Adaptado pelo autor.

Segundo Montoya, Meseguer, & Cabré (2000) para pilares com seção retangular
admitindo que o esforço cortante se concentra nos cantos só é considerado para o
perímetro crítico os componentes mostrados na figura.
21

Figura 8 – Pilares com seção retangular

Fonte: Montoya, Meseguer, & Cabré, 2000. Adaptado pelo autor.

2.2.2 Sistemas onde ocorre punção

A punção ocorre onde existe a ligação laje-pilar, tanto nos pilares de


extremidade, pilares de canto e internos.
Laje lisa – De acordo com a NBR 6118:2014 a definição de lajes lisas se dá por
lajes apoiadas diretamente sobre os pilares sem o uso de vigas.
Laje cogumelo – São lajes apoiadas sobre capitéis em pilares. Capiteis são como
um aumento na seção na parte superior do pilar ajudando na captação das forças
atuantes. Podem ser usados nos pilares para lajes cogumelo capitéis, ábacos ou os
dois, ábaco mais capitel.

2.2.3 Capiteis

Quando existir capitel, devem ser feitas duas verificações nos contornos críticos
C1’ e C2’, como indica a Figura 9.
22

Figura 9 – Definição da altura útil no caso de capitel

Fonte: NBR 6118, 2014. Adaptado pelo autor.

2.3 Cálculo

Para Carvalho e Pinheiro (2009) as tensões solicitantes de cálculo (𝑇𝑠𝑑)


dependem da posição do pilar, seja ele de canto, extremidade ou pilar interno, da sua
geometria e das ações, força normal e momentos fletores.
Determinação das tensões solicitantes pela NORMA 6118:2014.

2.3.1 Para pilares internos com carregamentos simétricos

A solicitação é determinada pela Equação 1:


𝐹
𝜏𝑠𝑑 = 𝑢𝑠𝑑 (1)
.𝑑

Sendo:
(𝑑𝑥 + 𝑑𝑦)
𝑑 = (2)
2

Onde,
𝑑 = altura útil da laje ao longo do perímetro crítico C’;
𝑑𝑥 e 𝑑𝑦 = alturas úteis nas duas direções ortogonais;
𝑢 = perímetro crítico C’;
𝐹𝑠𝑑 = força concentrada de cálculo.
23

2.3.2 Para pilares internos com efeito de momento

Pilares com efeito de momento, são pilares que além da força normal existe um
momento da laje transferida para o pilar quando não existe simetria do conjunto.

𝐹 𝐾 . 𝑀𝑠𝑑
𝜏𝑠𝑑 = 𝑢 𝑠𝑑 + (3)
. 𝑑 𝑊𝑝 . 𝑑

Onde,
𝐾 = o coeficiente da parcela do 𝑀𝑠𝑑 que é transmitido da laje para o pilar por
cisalhamento, dependendo da relação 𝐶1/𝐶2.
Valores de 𝐾 são dispostos na Tabela 1.
Para pilares internos circulares utiliza-se 𝐾 = 0,6.

Tabela 1 – Valores de K

C1/C2 0,5 1 2 3
K 0,45 0,6 0,7 0,8
Onde:

C1 é a dimensão do pilar paralela à excentricidade da força;


C2 é a dimensão do pilar perpendicular à excentricidade da força.
Fonte: NBR 6118, 2014. Adaptado pelo autor.

Os valores de 𝑊𝑝 são relativos ao formato dos pilares e devem ser calculados a


partir das seguintes equações:
Para pilar retangular:
𝐶12
𝑊𝑝 = + 𝐶1 . 𝐶2 + 4 . 𝐶2 . 𝑑 + 16 . 𝑑 2 + 2 . 𝜋 . 𝑑 . 𝐶1 (4)
2

Para pilar circular:


𝑊𝑝 = (𝐷 + 4 . 𝑑)2 (5)

Onde,
𝐷 = o diâmetro do pilar:

𝑊𝑝 pode ser calculado desprezando as curvas do perímetro crítico:


𝑢
𝑊𝑝 = ∫0 |𝑒| . 𝑑𝑙 (6)
24

Onde,
𝑑𝑙 = o comprimento infinitesimal no perímetro crítico u;
𝑒 = a distância de 𝑑𝑙 ao eixo que passa pelo centro do pilar e sobre onde o
momento fletor 𝑀𝑠𝑑 atua.

2.3.3 Pilar de extremidade

Sem momento no plano paralelo à borda livre:


𝐹 𝐾1 . 𝑀𝑠𝑑1
𝜏𝑠𝑑 = 𝑢𝑠𝑑 + (7)
.𝑑 𝑊𝑝1 . 𝑑

Sendo:
𝑀𝑠𝑑1 = (𝑀𝑠𝑑 − 𝑀𝑠𝑑 ∗ ) ≥ 0 (8)

Onde,
𝐹𝑠𝑑 = reação de apoio;
𝑢∗ = perímetro crítico reduzido;
𝑀𝑠𝑑 = momento de cálculo no plano perpendicular à borda livre;
𝑀𝑠𝑑 ∗ = momento de cálculo resultante da excentricidade do perímetro crítico
reduzido 𝑢∗ em relação ao centro do pilar;
𝑊𝑝1 = módulo de resistência plástica perpendicular à borda livre, calculado para
o perímetro 𝑢.
Para os valores de K1 são adotados os mesmos de K na Tabela 1 com C1 e C2
de acordo com a Figura 10.
25

Figura 10 - Perímetro crítico em pilares de borda

Fonte: NBR 6118, 2014. Adaptado pelo autor.

2.3.4 Para pilares de extremidade com momento

𝐹 𝐾1 . 𝑀𝑠𝑑1 𝐾2 . 𝑀𝑠𝑑2
𝜏𝑠𝑑 = 𝑢𝑠𝑑 + + (9)
.𝑑 𝑊𝑝1 . 𝑑 𝑊𝑝2 . 𝑑

Onde,
𝑀𝑠𝑑2 = momento de cálculo no plano paralelo à borda livre;

𝑊𝑝2 = módulo de resistência plástica na direção paralela à borda livre, calculado


pelo perímetro 𝑢.
Para os valores de 𝐾2 são adotados os mesmos de 𝐾 na tabela 1, substituindo
𝐶1/𝐶2 𝑝𝑜𝑟 𝐶2/2 . 𝐶1, com 𝐶1 e 𝐶2 de acordo com a Figura 10.

2.3.5 Pilares de canto

Aos pilares de canto quando não houver momento agindo no plano paralelo à
borda aplicam-se os mesmos critérios dispostos aos pilares de extremidade.
Deve ser feita a verificação do momento fletor de cada borda livre do pilar de
canto, cujo plano perpendicular à borda livre adotada. Usando 𝐶1 e 𝐶2
respectivamente os lados do pilar perpendicular e paralelo à borda livre adotada o
valor de 𝐾 deve ser calculado em função da proporção 𝐶1/𝐶2, conforme Tabela 1,
Figura 11.
26

Figura 11 – Perímetro crítico em pilares de canto

Fonte: NBR 6118, 2014. Adaptado pelo autor.

2.4 Verificações de armadura

Para Araújo (2014) a armadura de punção é desnecessária quando, 𝜏𝑠𝑑 ≤ 𝜏𝑟𝑑1,


𝐹𝑠𝑑,𝑒𝑓
onde 𝜏𝑠𝑑 é a tensão tangencial no perímetro crítico 𝑢1 , dada por 𝜏𝑠𝑑 = .
𝑢1 . 𝑑

A NBR 6118:2014, diz que a tensão resistente 𝜏𝑟𝑑1 é dada por


1
20
𝜏𝑟𝑑 ≤ 𝜏𝑟𝑑1 = 0,13. (1 + √ 𝑑 ) . (100 . 𝜌 . 𝑓𝑐𝑘)3 , MPa onde 𝜌 = √𝜌𝑥 . 𝜌𝑦 .

𝜌𝑥 e 𝜌𝑦 são as taxas de armaduras de flexão da laje nas direções ortogonais x e


y. Para cada direção ortogonal é considerada um taxa de armadura, calculada em
função da armadura existente em uma largura igual à dimensão do pilar mais 3𝑑 para
cada lado ou até a borda da laje, no caso de estar mais próxima.

2.4.1 Armadura de Cisalhamento

Segundo Leonhardt e Mönnig (1978), a armadura de cisalhamento aumenta


pouco a resistência em lajes finas devido à má ancoragem, seguindo o propósito de
que a armadura de cisalhamento tem grande eficácia somente quando for distribuída
em várias barras de pequeno diâmetro e for bem ancorada. O limite proposto é de
𝑑 ≥ 30 cm, com um 𝑑 menor que 30 cm desaconselha-se o uso desta armadura, tendo
que aumentar o 𝑑 ou o perímetro crítico na região do topo do pilar. Destaca-se também
o uso de quadros metálicos ou seguir o método de verificação de Kinnunen – Nylander
que é mais preciso.
27

2.5 Normas

O modelo de cálculo da norma 6118:2014 exige a verificação do cisalhamento


em dois ou mais perímetros críticos.
Primeiro deve ser verificada indiretamente a tensão de compressão diagonal do
concreto através da tensão de cisalhamento no perímetro crítico (C) da carga
concentrada.
Segunda verificação é em torno do perímetro crítico (C’) afastado 2d da carga
concentrada, verificando também através da tensão de cisalhamento a capacidade da
ligação à punção, associada à resistência à tração diagonal.
O perímetro crítico (C’’) só será verificado caso haja armadura transversal.
Definição das tensões solicitantes nos perímetros críticos C e C’ para casos
simétricos:
𝐹𝑠𝑑
𝜏𝑠𝑑 = (10)
𝑢. 𝑑

𝐹𝑠𝑑 é a força dentro do perímetro crítico C ou C’, reduzida da carga distribuída


aplicada na laje.
A tensão máxima resistente do concreto no perímetro crítico:
1
20
𝜏𝑟𝑑 ≤ 𝜏𝑟𝑑1 = 0,13. (1 + √ 𝑑 ) . (100 . 𝜌 . 𝑓𝑐𝑘)3 + 0,10. 𝜎𝑐 (11)

Figura 12 – Disposição da armadura de punção em corte

Fonte: NBR 6118, 2014. Adaptado pelo autor.


28

É necessário efetuar três testes se a armadura de punção for necessária.

 Verificação da tensão resistente de compressão diagonal do concreto no


perímetro crítico C.

𝜏𝑠𝑑 ≤ 𝜏𝑟𝑑2 = 0,27𝛼𝑣 𝑓𝑐𝑑 (12)

 Verificação da tensão resistente no perímetro crítico C’ em trechos com


armadura de punção.

1 𝐴 𝑠𝑤 .𝑓𝑦𝑤 𝑑 .𝑠𝑒𝑛𝛼
20 𝑑
𝜏𝑠𝑑 ≤ 𝜏𝑟𝑑3 = 0,10. (1 + √ 𝑑 ) . (100 . 𝜌 . 𝑓𝑐𝑘 )3 + 0,10. 𝜎𝑐𝑝 + 1,5 𝑆𝑟 . (13)
𝑢 .𝑑

 Verificação da tensão resistente no perímetro crítico C’ em trechos sem


armadura de punção.

1
20
𝜏𝑟𝑑 ≤ 𝜏𝑟𝑑1 = 0,13. (1 + √ 𝑑 ) . (100 . 𝜌 . 𝑓𝑐𝑘 )3 + 0,10. 𝜎𝑐 (14)

2.6 Detalhamento e soluções

De acordo com Carvalho e Pinheiro (2009) a fim de diminuir as tensões e evitar


a possibilidade de puncionamento, os pilares podem ter um engrossamento de sua
seção na região da ligação com a laje, que é chamada de capitel. Outra opção é
aumentar a espessura da laje nessa região, resultando em um engrossamento
chamado de ábaco, pastilha ou “drop panel”. Pode-se também usar os dois
mecanismos simultaneamente, como apresentado na Figura 13 abaixo. Para
quaisquer destas soluções, as lajes sem vigas são chamadas de lajes cogumelo.
29

Figura 13 - Representação de laje-lisa e laje-cogumelo

Fonte: Lima Neto et al., 2013. Adaptado pelo autor.

Carvalho e Pinheiro (2009) afirmam que apesar da laje cogumelo responder bem
mecanicamente, há certa dificuldade na execução dos capitéis e ábacos. Essas
dificuldades estão na não continuidade dos tetos e na execução das fôrmas. Portanto
uma solução mais conveniente seria a utilização de armaduras transversais na região
da laje próxima ao pilar.

4.6.1 Lajes sem armadura

Para Araújo (2014), uma laje apoiada sobre uma pequena área submetida a uma
carga ou reação concentrada não necessita de armadura de punção se a seguinte
condição seja verificada:
𝛽 .𝐹
𝑠𝑑
𝜏𝑠𝑑 = ( 𝑢1 .𝑑 ) < 𝜏𝑟𝑑 (15)

Sendo:
30

𝐹𝑠𝑑 > carga ou reação menos a carga dentro de um perímetro situado a h/2 da
seção da área carregada.
β > Coeficiente de excentricidade;
β = 1 se não houver excentricidade;
β = 1,15 para pilares internos;
β = 1,40 para pilares externos;
β = 1,50 para pilares de canto.

Segundo Nylander apud Montoya, Meseguer, & Cabré (2000) após estudos e
ensaios sobre a resistência do concreto armado na punção afirma, que fatores
influenciam na sua resistência como: A deformabilidade da placa que está dependente
a sua armadura de flexão e por suas dimensões, forma e seção de apoio.
A tensão máxima resistente do concreto no perímetro crítico segundo a
instituição espanhola pode ser:
200
𝜏𝑟𝑑 = 0,12 (1 + √ ) . 3√100 . 𝜌 . 𝑓𝑐𝑘 (N/mm²) (16)
𝑑

2.6.2 Lajes com armadura de punção

Ao não cumprir a condição 𝑇𝑠𝑑 < 𝑇𝑟𝑑 é necessário aumentar a seção da laje
ou colocar armadura de punção, mas, a armadura só pode ser adicionada caso a
altura da laje seja maior que 25cm, por isso as placas com menos de 25cm devem
cumprir a condição da equação.
Tensão resistente no perímetro crítico com armadura:
1 𝐴𝑠𝑤 .𝑓𝑦𝑤𝑑 .𝑠𝑒𝑛𝛼
20 𝑑
𝜏𝑠𝑑 ≤ 𝜏𝑟𝑑3 = 0,10. (1 + √ 𝑑 ) . (100 . 𝜌 . 𝑓𝑐𝑘 )3 + 0,10. 𝜎𝑐𝑝 + 1,5 𝑆𝑟 . (17)
𝑢 .𝑑

A área 𝐴𝑠𝑤 da armadura de punção em cada perímetro concêntrico ao pilar, é


dada por:
𝐴𝑠𝑤 (𝜏𝑠𝑑 −0,75 .𝜏𝑟𝑑1 ).𝑢1
= (18)
𝑆 1,5 .𝑓𝑦𝑑 . 𝑠𝑒𝑛 𝛼

Onde α é o ângulo de inclinação da armadura em relação ao plano da laje, 𝑓𝑦𝑑


tensão de escoamento da armadura transversal deve ser no máximo 300 MPa e 𝑠 ≤
31

0,75 . 𝑑 é o espaçamento radial entre os perímetros concêntricos de armadura como


na figura abaixo.

Figura 14 – Disposição da armadura de punção

Fonte: Araújo, 2014. Adaptado pelo autor

A locação da armadura deve ser composta em todos os contornos paralelos ao


perímetro crítico até que a equação seja verificada. Fora do perímetro critico 𝑈𝑛,𝑒𝑓 não
é necessária armadura de punção garantindo que.
𝐹𝑠𝑑,𝑒𝑓
𝜏𝑠𝑑𝑛 = ≤ 𝜏𝑟𝑑1 (19)
𝑈𝑛,𝑒𝑓 . 𝑑

Se a laje fizer parte da estrutura de contraventamento é necessário colocar


𝐹
armadura de punção mesmo que a condição 𝜏𝑠𝑑 < 𝜏𝑟𝑑 , com área mínima de 0,5 . 𝐹 𝑠𝑑 .
𝑦𝑑

Para Montoya, Meseguer, & Cabré (2000) é necessário efetuar 3 testes:

 Verificação da tensão resistente de compressão diagonal do concreto no


perímetro crítico C.

𝜏𝑠𝑑 ≤ 𝜏𝑟𝑑2 = 0,27. 𝛼𝑣 . 𝑓𝑐𝑑 (20)


32

 Verificação da tensão resistente no perímetro crítico C’ em trechos com


armadura de punção.

𝐴45 .𝑓 𝑦𝑑 .√2
(𝜏𝑠𝑑 − 𝜏𝑟𝑑 ) . 𝑢 1 . 𝑑 = . 0,9 . 𝑑 (21)
𝑠

 Verificação da tensão resistente no perímetro crítico C’ em trechos sem


armadura de punção.

𝐹𝑠𝑑 200 3
≤ 0,12 . ( √1 + ) . √100 . 𝜌𝑡 . 𝑓𝑐𝑘 (22)
𝑢2 .𝑑 𝑑

2.7 Reforço no topo de pilares

Conforme Leonhardt e Mönnig (1978), aumentando a área de contato na ligação


laje-pilar tem-se um ganho de 2 . 𝑙𝑠 o diâmetro do cone de punção se a largura do
reforço for 𝑙𝑠 ≤ ℎ𝑠 .
O dimensionamento do reforço do topo do pilar deve ser feito de modo que na
seção circular fora do reforço (𝑑𝑅𝑎 = 𝑑𝑠 + 2 . 𝑙𝑠 + ℎ) não haja perigo de punção sem
armadura de cisalhamento para isso adota-se 𝑙𝑠 > 1,5 . (ℎ𝑠 + ℎ), então se faz uma
verificação a mais na zona circular interna de diâmetro 𝑑𝑅𝑖 na seção reforçada. Junto,
a espessura ℎ𝑠 deve ser adotado de tal forma que, mesmo com 𝑑𝑅𝑖 e ℎ𝑅𝑖 o valor de 𝜏𝑅
seja menor que 𝛾1 . 𝜏011 . Se for adotado um reforço tronco-cônica, só pode ser adotado
o valor ℎ𝑅𝑖 existente na seção circular como altura efetiva (Figura 16).
Se 𝑙𝑠 > ℎ𝑠 mas < 1,5 . (ℎ𝑠 + ℎ), o diâmetro da seção circular determinante será
𝑑𝑟 = 𝑑𝑠 + 2 . ℎ𝑠 + ℎ. Se a seção circular determinante cair dentro do reforço pode-se
utilizar a altura útil a partir do cone inscrito, outra verificação deve ser feita com 𝑑𝑅𝑎 ,
como no caso de 𝑙𝑠 > 1,5 . (ℎ𝑠 + ℎ); caso a seção fique fora do reforço adota-se a
altura útil da laje ℎ para a determinação do 𝜏𝑅 .
33

Figura 15 – No caso de reforços do topo de pilares com 𝒍𝒔 > 𝟏, 𝟓 . (𝒉𝒔 + 𝒉),


os valores de 𝝉𝑹 dever ser verificados em duas seções circulares de diâmetros
𝒅𝑹𝒊 e 𝒅𝑹𝒂

Fonte: Leonhardt e Mönnig, 1978. Adaptado pelo autor.


34

Figura 16 - Localização e dimensões da seção circular para a


determinação do 𝜏𝑅 no caso de reforço do topo de pilares com 𝑙𝑠 > ℎ𝑠

Fonte: Leonhardt e Mönnig, 1978. Adaptado pelo autor.

2.7.1 Quadros Metálicos

Segundo Leonhardt e Mönnig (1978), para reforço de lajes lisas dentro de sua
espessura 𝑑, utiliza-se também quadros metálicos figura 18, fazendo com que a
ruptura por punção não ocorra no pilar e sim ao redor do quadro metálico. Pode então
ser considerada a área do quadro metálico correspondente à área do pilar (verificação
através dos ensaios do EMPA para as Estruturas Metálicas Geilinger, 1973).
𝑄𝑅
O cálculo do quadro metálico deve considerar uma carga linear 𝑞𝑅 = .
𝑢

Somente a armadura existente na largura da área puncionada que, por sua vez deve
estar bem ancorada além do bordo superior da área referida, esta armadura é a
considerada para a percentagem 𝜇.
O uso de quadros metálicos interfere também quando houver aberturas em lajes,
possibilitando quando usado a execução de aberturas maiores próximas aos pilares.
35

Figura 17 – Quadros metálicos constituídos por perfis em um pilar de aço.

Fonte: Leonhardt e Mönnig,1978. Adaptado pelo autor.


36

Figura 18 – Quadros metálicos constituídos por perfis em um pilar de concreto


(armadura da laje não está toda representada)

Fonte: Leonhardt e Mönnig,1978. Adaptado pelo autor.

2.7.2 Armaduras transversais

Esse pode ser o meio mais eficiente na ligação do pilar com a laje para que a
resistência à punção seja elevada, pois aumentar a resistência do concreto, colocar
ábacos ou capitéis, não chegam a uma resistência de um modo significativo e nem
são práticos.
37

As armaduras transversais quando utilizadas devem ser de fácil colocação, não


deve dificultar o posicionamento das armaduras de flexão da laje nem do pilar e
ancoradas de maneira efetiva.

2.7.2.1 Estribos verticais

Segundo Carvalho e Pinheiro (2009), estes são os mais indicados por vários
autores que realizaram ensaios e mostraram um grande aumento na resistência à
punção e a ductilidade da ligação laje e pilar. Esses estribos podem ser utilizados
como em vigas, ou em forma de U.

Figura 19 – Formas e posições

Fonte: Carvalho e Pinheiro, 2009. Adaptado pelo autor.


38

Figura 20 – Possibilidade de colocação estribos como em vigas

Fonte: Carvalho e Pinheiro, 2009. Adaptado pelo autor.

2.7.2.2 Armaduras especiais tipo conectores

Carvalho e Pinheiro (2009) descrevem que armaduras do tipo conectores podem


ser usadas em lajes relativamente finas e que são de fácil colocação, apresentando
bons resultados nos ensaios realizados. São divididos em dois grupos:
• Perfis metálicos com seção I cortados em segmentos e com furos na mesa
inferior para fixação nas formas como mostra a Figura 21.

Figura 21 – Segmento de perfil metálico de seção I

Fonte: Carvalho e Pinheiro, 2009. Adaptado pelo autor.


39

 Pinos com placas para ancoragem soldadas nas duas extremidades ou


chapa de aço na extremidade inferior (Figura 22).

Figura 22 – Elementos com placas de ancoragem nas extremidades

Fonte: Carvalho e Pinheiro, 2009. Adaptado pelo autor.

Segundo Carvalho e Pinheiro (2009) resultados mostram que o reforço com


placas para ancoragem soldadas nas extremidades são as mais indicadas, pois são
mais bem aproveitados no ponto de vista econômico, apesar de os perfis metálicos
apresentarem resultados satisfatórios.
Nos itens 19.5.3.3 e 20.4 da NBR 6118:2014, são destacados que a armadura
de reforço deve ser preferencialmente composta por três ou mais linhas, armadas
radialmente a partir do perímetro do pilar e devem ter as extremidades ancoradas fora
do plano da armadura de flexão correspondente.

Figura 23 – Disposição da armadura de punção em planta

Fonte: Carvalho e Pinheiro, 2009. Adaptado pelo autor.


40

Figura 24 – Disposição da armadura de punção em corte

Fonte: Carvalho e Pinheiro, 2009. Adaptado pelo autor.

Nas lajes lisas sem vigas devem ser respeitadas as disposições de armaduras
mostradas na Figura 25:

Figura 25 – Disposições de armaduras em lajes lisas

Fonte: NBR 6118, 2014.

Conforme representando na Figura 19, ao menos duas barras inferiores devem


cruzar continuamente sobre os apoios, além de respeitar também as armaduras
contra colapso progressivo.
41

Caso haja a presença de capitéis, as barras inferiores interrompidas devem


penetrar pelo menos 30 cm ou 24 Ø no capitel.
Com relação à ancoragem das armaduras, devem ser respeitadas as condições
propostas pela seção 9 da NBR 6118:2014.

2.8 Colapso Progressivo

Na NBR 6118:2014 para evitar o colapso progressivo e garantir que haja uma
boa dutilidade local, a armadura de flexão inferior que passa pelo perímetro C deve
estar ancorada além do contorno C’ ou além do C”.
𝑓𝑦𝑑 . 𝐴𝑠,𝑐𝑐𝑝 ≥ 1,5 . 𝐹𝑆𝑑 (23)

Onde,
𝐴𝑠,𝑐𝑐𝑝 = somatório das áreas das barras inferiores que cruzam cada uma das
faces do pilar;
𝐹𝑆𝑑 pode ser calculado com 𝛾𝑓 = 1,2.

Figura 26 - Armadura contra colapso progressivo

Fonte: NBR 6118, 2014. Adaptado pelo autor.


42

2.9 Algumas pesquisas

Visando definir a armadura transversal mínima de lajes-cogumelo de concreto


armado, induzindo a uma superfície de ruptura por punção, Vaz, Gomes, & Shehata
(2009) testaram nove lajes de dimensões 1800 mm x 1800 mm x 130 mm. Variando o
número de camadas de armadura de cisalhamento do tipo studs, a suas áreas e o
diâmetro dos studs. O parâmetro k utilizado para a definição da armadura mínima de
punção foi igual à força total da armadura transversal situada dentro do tronco de cone
de ruptura delimitado pela fissura de cisalhamento dividida pela resistência à punção
de laje semelhante sem armadura de cisalhamento. Ocorreu superfície de ruptura
atravessando as camadas de studs quando k foi menor que 0,70, sendo que houve
variação de 0,27 a 1,03 dos valores de k. Sendo próximo do mínimo para lajes com
altura efetiva igual a 90 mm e taxa de armadura de flexão de 1,38% definiu-se o valor
de k igual a 0,60. Foi acrescida uma ordem de resistência para lajes com valor de k
em relação à laje sem armadura transversal de respectivamente 10% e 30%.
As armaduras de cisalhamento são utilizadas para evitar a ruptura na ligação laje
pilar por cisalhamento. Ferreira, Pereira filho, Oliveira, Melo & Oliveira (2013)
realizaram 36 ensaios em ligações internas, armadas com conectores de
cisalhamento do tipo pino de duas cabeças, com resultados teóricos utilizando as
recomendações do AVI 318, NBR 6118, Eurocode 2 além da Teoria da Fissura Crítica
de Cisalhamento. Os resultados satisfatórios vieram do Eurocode 2 e da Teoria da
Fissura Crítica de Cisalhamento, tendo o Eurocode 2 apresentando um desempenho
levemente superior. O ACI 318 demonstrou métodos conservadores e a NBR 6118
demonstrou um alto número de resultados contra a segurança e também mostrou um
baixo coeficiente de variação.
Segundo Sacramento, Ferreira, Oliveira & Melo (2012), o dimensionamento à
punção é muito importante em um projeto de lajes apoiados sobre pilares.
Para verificar a capacidade resistente à punção são utilizados recomendações
de normas de projeto, existe a falta de um artifício teórico capaz de explicar este
fenômeno. Sobre fatores que fazem a diferença na resistência das lajes à punção sem
armadura de cisalhamento, foram feitas comparações entre 74 lajes com resultados
teóricos utilizando as recomendações das normas, EUROCODE 2, NBR 6118 e ACI
318 e também através da TFCC.
43

Os resultados apresentados mostraram que por não limitar parâmetros como a


taxa de armadura de flexão a NBR apresentou resultados próximos aos experimentais
com média de 1,01. O ACI se mostrou um pouco conservador por apresentar uma
média de 37% a resistência das lajes está a favor da segurança. Seu coeficiente de
variação foi de 0,16, elevado para este caso que é o mais simples no
dimensionamento à punção. Por considerar a influência da taxa de armadura diferente
da NBR e o ACI considera apenas a resistência à compressão do concreto o Eurocode
teve um coeficiente de variação de 0,14, menor que o do ACI. Apresentou também
resultados satisfatórios e a favor da segurança com média da relação 𝑃𝑢/𝑉𝑐𝑎𝑙𝑐 de
1,19.
Por Costa (2012) foram ensaiadas e analisadas 8 (oito) lajes cogumelo de
concreto armado quadradas com 1800 mm de lado e 130 mm de espessura,
submetidas a carregamento central, com o objetivo de investigar a influência do índice
de retangularidade do pilar, sendo que a relação entre as dimensões da seção
transversal do pilar (𝑐𝑚á𝑥/𝑐𝑚í𝑛) variou entre 1 e 4, com perímetro mantido constante
e igual a 1000mm. São apresentados e analisados os resultados das cargas de
ruptura, modos de ruptura, deslocamentos verticais, fissuração e deformações do aço
e concreto. São apresentadas comparações dos resultados experimentais com
códigos, normas de projeto e resultados da literatura. Os resultados indicam que à
medida que aumenta o índice de retangularidade, a resistência à punção diminui para
lajes que possuem pilares com o perímetro constante, sugerindo que o combate à
punção pode ser mais efetivo em regiões próximas das extremidades dos pilares,
onde há maior concentração de forças cortantes. É apresentada uma proposta de
inclusão do parâmetro 𝑐𝑚á𝑥/𝑐𝑚í𝑛 nas expressões de cálculo da resistência à punção
das normas ACI (2002), CEB‐FIP (1991), Eurocode2 (2001) e NBR:6118 (2003).
Borges, Melo, Gomes & Reynaldo (2004) propôs um trabalho experimental que
consiste em avaliar o efeito da relação entre os lados do pilar, a influência de furos de
grandes dimensões (dimensões equivalentes à de um pilar), posicionados adjacentes
àquele e a contribuição da armadura de cisalhamento na resistência à punção de lajes
cogumelo de concreto armado utilizadas em casas de força e áreas de montagem de
usinas hidrelétricas. Constata-se que a resistência de uma laje aumenta com o
acréscimo da relação entre os lados do pilar, quando se mantém constante uma das
dimensões deste. Entretanto, se o incremento do perímetro do pilar for relativamente
grande, uma parte deste pode não contribuir efetivamente para a resistência à ruptura.
44

A presença de furos adjacentes ao pilar pode reduzir a resistência última das lajes,
principalmente quando localizados próximos aos extremos do pilar alongado.
Adicionalmente, verifica-se que a resistência última de lajes com furos, pode ser
acrescida com a utilização de armadura de cisalhamento constituída de “studs”,
inclusive, pode até superar a resistência de lajes sem furos e sem armadura de
cisalhamento.
Conforme Santos, Nicácio, Lima, Melo (2014) trata-se da utilização de mantas
de Polímeros Reforçados com Fibra de Carbono (PRFC) como armadura de
cisalhamento. O sistema, denominado Stitch, foi idealizado por Sissakis (2002) e
consiste em se formar um laço completo entre dois furos subsequentes como “pontos
de costura”. O objetivo deste artigo é avaliar a aplicação de adaptações das principais
normas, nacional e internacionais, de dimensionamento à punção de lajes com pilar
interno, sem a atuação de momentos fletores e associadas às limitações do ACI 440
2R:2008, a qual trata do reforço de estruturas com PRFC. Os resultados mostram que
a NBR 6118:2007 apresentou o menor grau de dispersão, com alguns resultados
contra a segurança. O ACI 318:2011 possui uma tendência mais conservadora, e o
EUROCODE 2:2004 e Model Code (2010) possuem resultados intermediários, com
esse ligeiramente mais conservador que aquele.
45

3 METODOLOGIA

Foi realizado um estudo sobre o fenômeno da punção, detalhando o que é


punção, cálculos e sistemas de reforço.
Após o levantamento bibliográfico, desenvolveram-se nove protótipos de lajes
de concreto armado sendo, três lajes somente com uma malha posicionada para
momento negativo servindo como testemunho, mais três lajes com uma malha para o
negativo e com reforço de estribos verticais e outras três com uma malha para o
negativo e mais reforço do tipo conector.
Nessas lajes foram cometidos ensaios de laboratório, com o objetivo de verificar
seu comportamento e a carga suportada pela estrutura até sua ruptura. Com os
resultados obtidos dos ensaios foram realizadas comparações com os modelos de
cálculo da NBR 6118:2014 e feita uma análise teórica.

3.1 Determinação dos protótipos de laje

A determinação dos protótipos de laje para ensaio de punção se deu devido à


limitação do equipamento de ensaio condicionando a definição da geometria do
mesmo, tornando possível a confecção de protótipos com dimensões 60,0cm de
comprimento, 60,0cm de largura e 9,0cm de espessura. A malha de aço foi composta
de aço CA-60 com diâmetro de 5,0mm espaçadas a cada 7,5cm, resultando uma área
de aço (As) de 2,61cm²/m.
Para o reforço de estribo as barras construtivas são de aço CA-60 com diâmetro
de 5,0mm, os estribos são de 6,0cm de largura, 3,0cm de altura e aço CA-60 com
diâmetro de 5,0mm, foram utilizados 3 estribos de cada um dos quatro lados do apoio
espaçados 3,1 cm da parte externa do apoio e 4,7cm entre eles. Como mostra a Figura
27.
46

Figura 27 – Detalhe reforço tipo estribo

Fonte: Autor, 2017.

No reforço do tipo conector foi utilizado pino de 6,0mm soldado em chapas de


aço de 2,5cm de largura e 11,4cm de comprimento por 3,0mm de espessura e também
foram soldadas placas metálicas de 2,0cm de largura, 2,0cm de comprimento por
3,0mm de espessura na parte superior de cada pino. O espaçamento entre os pinos
e a distância do apoio utilizada foi a mesma do outro reforço

Figura 28 – Detalhe reforço tipo conector

Fonte: Autor, 2017.

. A realização do ensaio se deu de forma que a laje de concreto armado fosse


apoiada em todos os lados e uma força foi aplicada no seu centro imitando um pilar,
para que ocorresse o fenômeno da punção. Segue demonstração.
47

Figura 29 – Forças atuantes na laje ensaiada

Fonte: Autor, 2017.

3.2 Materiais

3.2.1 Caracterização dos materiais

Areia natural média: agregado miúdo classificado pela NBR 7211:2009, no qual
os grãos passam pela peneira ABNT 4,75mm e ficam retidos na peneira 0,15mm.
Brita 1: agregado graúdo classificado pela NBR 7211:2009, no qual os grãos
passam pela peneira ABNT 19,00mm e ficam retidos na peneira ABNT 9,50mm.
Cimento Portland CP V-ARI: aglomerante hidráulico de alta resistência inicial,
designado pela NBR 5733:1991. É obtido pela moagem de clínquer Portland, ao qual
é adicionada a quantidade necessária de uma ou mais formas de sulfato de cálcio.
Salientando que a utilização do cimento CP V ARI foi pelo curto espaço de tempo
disponível para a concretagem, ensaio e análise dos protótipos.

3.2.2 Concreto

O concreto era controlado pelo valor do slump test para sua liberação,
respeitando 140,0 ± 20,0mm, o fator a/c inicial era de 0,57, mas o fator a/c médio
utilizado em virtude do slump foi 0,43.
48

Tabela 2 – Traço do concreto

Traço de concreto
1: 2,5: 3,33: 0,43l
Slump test 140 ± 20mm
Cimento 24kg
Areia 60kg
Brita 80kg
Água 12l
Fonte: Autor, 2017.

Foram necessárias cinco betonadas para a conclusão da concretagem, de cada


uma foram retirados quatro CP’s, seguindo a NBR 5738:2015 contendo diâmetro de
10,0cm e 20,0cm de altura, totalizando 20 corpos de prova para que dois deles fosse
testada sua resistência à compressão e outros dois para o módulo de elasticidade.
Após a desmoldagem, tempo de cura e a regularização da superfície, realizou-
se depois de 7 dias o rompimento dos CP’s conforme a NBR 5739:2015.

Figura 30 - Ensaio de compressão em CP’s de concreto

Fonte: Autor, 2017.

Os valores dos ensaios são descritos na tabela abaixo.


49

Tabela 3 – Resultados dos ensaios dos CP’s

CP's Resistência Compressao (MPa) Média


CP1-B1 25,57
CP2-B1 26,64 Betonada 1
25,13
CP3-B1 22,20
CP4-B1 26,10
CP's Resistência Compressao (MPa) Média
CP1-B2 27,17
CP2-B2 25,89 Betonada 2
27,5
CP3-B2 28,60
CP4-B2 28,24
CP's Resistência Compressao (MPa) Média
CP1-B3 26,02
CP2-B3 25,36 Betonada 3
26,08
CP3-B3 25,05
CP4-B3 27,88
CP's Resistência Compressao (MPa) Média
CP1-B4 28,32
CP2-B4 28,20 Betonada 4
27,43
CP3-B4 27,09
CP4-B4 26,13
CP's Resistência Compressao (MPa) Média
CP1-B5 16,99
CP2-B5 16,84 Betonada 4
17,35
CP3-B5 18,42
CP4-B5 17,17
Fonte: Autor, 2017.

3.2.3 Ensaios de tração no aço

Para certificar-se da resistência do aço utilizado nas armaduras, foi realizado


ensaios de tração, os valores de fu e fy das barras de aço no momento da ruptura são:

Tabela 4 – Resultados dos ensaios de tração

CP's τmáx(MPa) Média τesc (MPa) Média


CP1 769,85 764,06
CP2 776,7 772,487 771,96 766,69
CP3 770,91 764,06
Fonte: Autor, 2017.

Os ensaios dos três CP’s foram realizados na Máquina Universal de Ensaios –


EMIC – DL30000, como mostra a figura abaixo.
50

Figura 31 - Ensaio de tração do aço

Fonte: Autor, 2017.

3.3 Execução dos protótipos

Após a definição dos protótipos foram confeccionadas as nove lajes com os


procedimentos descritos no decorrer deste item.

3.3.1 Aço das armaduras

Malhas confeccionadas com aço CA-60 de bitola 5,0mm amarradas com arame
queimado: as malhas para armadura negativa eram de bitola 5,0mm espaçadas a
cada 7,5cm com 56,00cm e ganchos de 2,00cm.
51

Figura 32 - Confecção das malhas

Fonte: Autor, 2017.

Todas as lajes foram armadas para o esforço negativo com uma malha de aço
CA-60 com bitola 5,00 mm espaçados a cada 7,5cm, como na figura 33.

Figura 33 - Malha negativa

Fonte: Autor, 2017.

Três das nove lajes foram reforçadas com estribo de aço CA-60 com bitola de
5,0mm composto por quatro barras construtivas e estribos dispostos a uma distância
entre eles de 4,7cm e distantes 3,1cm da extremidade da carga concentrada, segue
detalhe de um ramo.
52

Figura 34 - Reforço tipo estribo

Fonte: Autor, 2017.

Conforme Carvalho e Pinheiro (2009) os estribos são distribuídos nos quatro


lados do apoio.

Figura 35 - Estribos posicionados para concretagem

Fonte: Autor, 2017.

Para as lajes reforçadas com conetores foram utilizadas conforme sugerido por
Carvalho e Pinheiro (2009), pinos com placas para ancoragem na parte superior e
faixa de placa de aço na parte inferior, ambas soldadas. (Figura 34)
53

Figura 36 - Reforço tipo conector (detalhe)

Fonte: Autor, 2017.

Para as lajes reforçadas com conectores, como não havia malha construtiva os
pinos foram soldados na malha para se manterem na posição desejada na hora da
concretagem, dispostos conforme (CARVALHO; PINHEIRO; 2009).

Figura 37 - Conectores soldados na malha

Fonte: Autor, 2017.

Para o teste experimental foram moldadas nove lajes de concreto armado,


iniciando com a montagem das formas, seguido da confecção das armaduras e após
fez-se a concretagem. Foram realizados os procedimentos descritos a seguir.
54

3.3.2 Formas

Para as formas foi cortado nas dimensões finais dos protótipos compensado
resinado de espessura 14,0mm ligadas através de parafusos, foram confeccionadas
três formas de modo que ficassem em cada forma três lajes de 60,0cm x 60,0cm e
9,00cm de altura.

Figura 38 - Formas prontas para concretagem

Fonte: Autor, 2017.

3.3.3 Concretagem

A concretagem seguiu o traço determinado no item 3.2.2 e o procedimento de


concretagem dos protótipos seguiu os seguintes passos.
Foram dispostas as formas utilizando na parte inferior das formas uma lona preta
sobre superfície regular, portando cada uma delas suas respectivas armaduras.
(Figura 39).
55

Figura 39 - Formas posicionadas para concretagem

Fonte: Autor, 2017.

Depois de feita a pesagem dos materiais e o teste de abatimento do cone


realizado e aceito (Figura 40).
56

Figura 40 – Teste de abatimento de cone

Fonte: Autor, 2017.


Foi realizado o descarregamento do concreto nas formas e logo após o
descarregamento o mesmo foi vibrado e nivelado.

Figura 41 - Concretagem

Fonte: Autor, 2017.


57

Com sete dias de cura e as lajes sendo umedecidas diariamente as formas foram
sacadas e iniciou-se o processo de ensaios dos protótipos.

Figura 42 - Protótipos concluídos

Fonte: Autor, 2017.

3.4 Ensaio de punção nos protótipos

Para a realização dos ensaios foi utilizado a Máquina Universal de Ensaios –


EMIC – DL - 30000, possuindo capacidade de 300kN. O equipamento permite ensaios
de tração e compressão, sendo este ilustrado na Figura a seguir.
58

Figura 43 – Máquina Universal de Ensaios – EMIC – DL30000

Fonte: Autor, 2017.

3.4.1 Mecanismo e equipamento de ensaio

Para a realização dos ensaios de flexão foi necessária uma adaptação do


equipamento de ensaio. Para que ocorra punção é necessário que todos os lados da
laje estejam apoiados para então realizar a simulação, portanto constituiu-se um
protótipo para apoio das lajes. Feito de perfis metálicos de seção I soldados e com
uma barra circular sobre os perfis para apoio das lajes diminuindo assim a área de
contato da laje-apoio.
59

Figura 44 - Protótipo de apoio

Fonte: Autor, 2017.

O esquema a seguir detalha como procedeu ao ensaio dos protótipos.

Figura 45 - Esquema de ensaio

Fonte: Autor, 2017.


60

3.4.2 Procedimento de ensaio

O protótipo de apoio para a laje foi colocado no equipamento de ensaio, depois


alocava a laje de concreto sobre, ajustando o alinhamento posicionando-a de modo
que a força fosse aplicada no seu centro.

Figura 46 - Laje posicionada para iniciar ensaio

Fonte: Autor, 2017.

Após o posicionamento do conjunto laje e apoio inicia-se a aplicação de carga


até que ocorra o colapso da laje de concreto, a figura a seguir mostra a parte inferior
do protótipo após o ensaio.
61

Figura 47 – Protótipo após ensaio

Fonte: Autor, 2017.

3.5 Análise teórica

Neste item é desenvolvida a análise teórica de cálculo conforme a NBR


6118:2014 de dimensionamento de lajes à punção. Definindo tensões solicitantes,
tensões resistentes e estimativas de ruptura.
O modelo de cálculo da NBR 6118:2014 exige a verificação do cisalhamento em
dois ou mais perímetros críticos.
Primeiro deve ser verificada indiretamente a tensão de compressão do concreto
no perímetro crítico (C).
Segunda verificação é a resistência à no perímetro crítico (C’) afastado 2d da
carga concentrada.
O perímetro crítico (C’’) só será verificado caso haja armadura transversal.
62

Figura 48 – Superfícies críticas

Fonte: Autor, 2017.

3.5.1 Definição da tensão solicitante nas superfícies críticas C e C’ para laje não
reforçada

Para pilar interno com carregamento simétrico, onde não existe transferência de
momento da laje para o pilar o efeito de momento é desprezado no cálculo da tensão
solicitante. Segue este caso onde o efeito de momento não é considerado.
Cálculo da tensão resistente:
𝜏𝑟𝑑2 = 0,27𝛼𝑣 𝑓𝑐𝑑 (24)
O coeficiente de resistência do concreto é:
1−𝑓𝑐𝑘
𝛼𝑣 = ( ) (25)
250

1 − 26,4
𝛼𝑣 = ( ) = 0,8944
250
A tensão resistente na face do pilar então:
2,64
𝜏𝑟𝑑2 = 0,27. 0,8944. = 4,55 𝑀𝑃𝑎
1,4
Estimativa de ruptura:
𝜏𝑟2,𝑒𝑠𝑡 = 0,27 . 𝑓𝑐𝑑 (26)
𝜏𝑟2,𝑒𝑠𝑡 = 0,27 . 2,64 = 7,13 𝑀𝑃𝑎

Tendo 𝜏𝑠 ≤ 𝜏𝑟2,𝑒𝑠𝑡 a biela de compressão não é afetada.


Tensão solicitante:
𝐹𝑠
𝜏𝑠 = (27)
𝑢. 𝑑
63

O perímetro na face do pilar é dado por:


𝑢 = 2. (𝑐1 + 𝑐2) (28)
𝑢 = 2. (10 + 10)
𝑢 = 40,0𝑐𝑚
A tensão solicitante será igual a:
81,31
𝜏𝑠 =
40 . 6,75
𝑘𝑁
𝜏𝑠 = 0,301
𝑐𝑚²
𝜏𝑠 = 3,01 𝑀𝑃𝑎

Como 𝜏𝑠 ≤ 𝜏𝑟𝑑2,𝑒𝑠𝑡 , não houve rompimento na face do pilar por punção.


Verificação no perímetro C’:
Tensão resistente:
1
20
𝜏𝑟𝑑1 = 0,13. (1 + √ 𝑑 ) . (100 . 𝜌 . 𝑓𝑐𝑘 )3 (29)

Para o cálculo de 𝜌 = √𝜌𝑥. 𝜌𝑦, que são as taxas de armaduras ortogonais, nas
direções x e y, respectivamente, como a armadura nos sentidos x e y são espaçadas
𝐴𝑠
iguais o valor de ρ é igual ao 100 . 𝑑, sendo:

ϕ 5.0 mm c/ 7,5 cm
ϕ 5.0 mm = 0,196 cm²
ϕ 5.0 mm a c/ 7,5 cm = 2,61 cm² / m
As 2,61
= ρx = ρy = 100 .6,75 = 0,00387 ≈ 0,387 %
100 . d

Utilizando d igual a 6,75 a tensão resistente é:


1
20 26,4 3
𝜏𝑟𝑑1 = 0,13. (1 + √6,75) . (100 . 0,00387 . 1,4 ) = 0,686 MPa

Estimativa de ruptura:

1
20
𝜏𝑟1,est = 0,13. (1 + √6,75) . (100 . 0,00387 . 26,4)3 = 0,768 Mpa
64

Cálculo da tensão solicitante:


𝐹𝑠
𝜏𝑠 = (30)
𝑢. 𝑑

O perímetro afastado 2d da face do pilar é:


𝑢′ = 2. (𝑐1 + 𝑐2) + 2. 𝜋. 2. 𝑑 (31)

𝑢′ = 2. (10 + 10) + 2. 𝜋. 2.6,75 = 124,82𝑐𝑚

 A tensão solicitante é igual a:

81,31
𝜏𝑠 = = 0,965 𝑀𝑃𝑎
124,82 . 6,75

Como 𝜏𝑠 = 0,965 𝑀𝑃𝑎 ≥ 𝜏𝑟𝑑1 = 0,768 𝑀𝑃𝑎, assim a análise teórica mostra que
deveria haver rompimento por punção no perímetro afastado 2d da face do pilar na
laje não reforçada.

3.5.2 Definição da tensão solicitante nas superfícies críticas C e C’ para laje com
reforço tipo estribo

Cálculo da tensão resistente:


𝜏𝑟𝑑2 = 0,27𝛼𝑣 𝑓𝑐𝑑

O coeficiente de resistência do concreto é:


1 − 𝑓𝑐𝑘
𝛼𝑣 = ( )
250
1 − 26,3
𝛼𝑣 = ( ) = 0,8948
250

A tensão resistente na face do pilar então:


2,63
𝜏𝑟𝑑2 = 0,27. 0,8948. = 4,54 𝑀𝑃𝑎
1,4

Estimativa de ruptura:
65

𝜏𝑟2,𝑒𝑠𝑡 = 0,27 . 𝑓𝑐𝑑


𝜏𝑟2,𝑒𝑠𝑡 = 0,27 . 2,63 = 7,1 𝑀𝑃𝑎

Tendo 𝜏𝑟2 ≤ 𝜏𝑟2,𝑒𝑠𝑡 a biela de compressão não é afetada.


Tensão solicitante:
𝐹𝑠
𝜏𝑠 =
𝑢. 𝑑

O perímetro na face do pilar é dado por:


𝑢 = 2. (𝑐1 + 𝑐2)
𝑢 = 2. (10 + 10)
𝑢 = 40,0𝑐𝑚
A tensão solicitante será igual a:
103,27
𝜏𝑠 =
40 . 6,75
𝑘𝑁
𝜏𝑠 = 0,38
𝑐𝑚²
𝜏𝑠 = 3,8 𝑀𝑃𝑎
Como 𝜏𝑠 ≤ 𝜏𝑟2,𝑒𝑠𝑡 , não houve rompimento na face do pilar por punção.

Verificação no perímetro C’:

Como a laje foi armada com reforço do tipo estribo a verificação é:


Tensão resistente:

20 1 𝑑 𝐴 𝑠𝑤 . 𝑓𝑦𝑤 𝑑 . 𝑠𝑒𝑛𝛼
𝜏𝑟𝑑3 = 0,10. (1 + √ ) . (100 . 𝜌 . 𝑓𝑐𝑘 )3 + 1,5 .
𝑑 𝑆𝑟 𝑢 .𝑑

Para o cálculo de 𝜌 = √𝜌𝑥. 𝜌𝑦, que são as taxas de armaduras ortogonais, nas
direções x e y, respectivamente, como a armadura nos sentidos x e y são espaçadas
𝐴𝑠
iguais o valor de ρ é igual ao 100 . 𝑑, sendo:

As 2,61
= ρx = ρy = 100 .6,75 = 0,00387 ≈ 0,387 %
100 . d

Então a tensão resistente é:


66

1 250
20 26,3 3 6,75 4,704.1. 1,15
𝜏𝑟𝑑3 = 0,10. (1 + √ ) . (100 . 0,00387 . ) + 1,5 .
6,75 1,4 5,06 124,82.6,75

𝜏𝑟𝑑3 = 2,96 𝑀𝑃𝑎


Estimativa de ruptura:

20 1 6,75 4,704.250.1
𝜏𝑟3,𝑒𝑠𝑡 = 0,10. (1 + √ ) . (100 . 0,00387 . 26,3)3 + 1,5 .
6,75 5,06 124,82.6,75

𝜏𝑟3,𝑒𝑠𝑡 = 3,38 𝑀𝑃𝑎


Cálculo da tensão solicitante:
𝐹𝑠
𝜏𝑠 =
𝑢. 𝑑

O perímetro afastado 2d da face do pilar é:


𝑢′ = 2. (𝑐1 + 𝑐2) + 2. 𝜋. 2. 𝑑
𝑢′ = 2. (10 + 10) + 2. 𝜋. 2.6,75 = 124,82𝑐𝑚
A tensão solicitante é igual a:
103,27
𝜏𝑠 = = 1,22 𝑀𝑃𝑎
124,82 . 6,75

Como 𝜏𝑠 ≤ 𝜏𝑟𝑑3 , não houve ruptura por punção no perímetro C’.

3.5.3 Definição da superfície crítica C’’ na laje com reforço do tipo estribo

Quando for necessária armadura transversal, ela deve ser afastada 2d do último
contorno de armadura C’, se estendendo em contornos paralelos a C’, formando um
contorno C’’, até que 𝜏𝑠𝑑 ≤ 𝜏𝑟𝑑1 seja atendida, não sendo mais necessária armadura.
A tensão resistente é:
1
20 26,3 3
𝜏𝑟𝑑1 = 0,13. (1 + √ ) . (100 . 0,00387 . )
6,75 1,4

𝜏𝑟𝑑1 = 0,685 MPa


Estimativa de ruptura:

20 1
𝜏𝑟1,est = 0,13. (1 + √ ) . (100 . 0,00387 . 26,3)3
6,75
67

𝜏𝑟1,est = 0,767 MPa

A tensão solicitante é dada por:


𝐹𝑠
𝜏𝑠 =
𝑢. 𝑑

O perímetro afastado 2d da região armada é:


𝑢′′ = 2. (𝑐1 + 𝑐2) + 2. 𝜋. 4. 𝑑
𝑢′′ = 2. (10 + 10) + 2. 𝜋. 4.6,75 = 209,65𝑐𝑚

Então a tensão solicitante é:


103,27
𝜏𝑠 = = 0,73 𝑀𝑃𝑎
209,65 . 6,75

Portanto, como 𝜏𝑠 ≤ 𝜏𝑟1 a laje não romperia à punção no perímetro C’’.

3.5.4 Definição da tensão solicitante nas superfícies críticas C e C’ para laje com
reforço tipo conector

Cálculo da tensão resistente:


𝜏𝑠 ≤ 𝜏𝑟𝑑2 = 0,27𝛼𝑣 𝑓𝑐𝑑

O coeficiente de resistência do concreto é:


1 − 𝑓𝑐𝑘
𝛼𝑣 = ( )
250
1 − 22,04
𝛼𝑣 = ( ) = 0,912
250
A tensão resistente na face do pilar então:
2,04
𝜏𝑟𝑑2 = 0,27. 0,912. = 3,86 𝑀𝑃𝑎
1,4
Estimativa de ruptura:
𝜏𝑟2,𝑒𝑠𝑡 = 0,27 . 𝑓𝑐𝑑
𝜏𝑟2,𝑒𝑠𝑡 = 0,27 . 2,2 = 5,94 𝑀𝑃𝑎
68

Tendo 𝜏𝑟𝑑2 ≤ 𝜏𝑟2,𝑒𝑠𝑡 a biela de compressão não é afetada.


Tensão solicitante:
𝐹𝑠𝑑
𝜏𝑠 =
𝑢. 𝑑

O perímetro na face do pilar é dado por:


𝑢 = 2. (𝑐1 + 𝑐2)
𝑢 = 2. (10 + 10)
𝑢 = 40,0𝑐𝑚
A tensão solicitante será igual a:
89,44
𝜏𝑠 =
40 . 6,75
𝑘𝑁
𝜏𝑠 = 0,331
𝑐𝑚²
𝜏𝑠 = 3,31 𝑀𝑃𝑎

Como 𝜏𝑠 ≤ 𝜏𝑟2 , não houve rompimento na face do pilar por punção.

Verificação no perímetro C’:

Como a laje foi armada com reforço do tipo estribo a verificação é:


Tensão resistente:

20 1 𝑑 𝐴 𝑠𝑤 . 𝑓𝑦𝑤 𝑑 . 𝑠𝑒𝑛𝛼
𝜏𝑟𝑑3 = 0,10. (1 + √ ) . (100 . 𝜌 . 𝑓𝑐𝑘 )3 + 1,5 .
𝑑 𝑆𝑟 𝑢 .𝑑

Para o cálculo de 𝜌 = √𝜌𝑥. 𝜌𝑦, que são as taxas de armaduras ortogonais, nas
direções x e y, respectivamente, como a armadura nos sentidos x e y são espaçadas
𝐴𝑠
iguais o valor de ρ é igual ao 100 . 𝑑, sendo:
As 2,61
= ρx = ρy = 100 .6,75 = 0,00387 ≈ 0,387 %
100 . d

Então a tensão resistente é:


1 250
20 22,04 3 6,75 6,792. 1,15 . 1
𝜏𝑟𝑑3 = 0,10. (1 + √ ) . (100 . 0,00387 . ) + 1,5 .
6,75 1,4 5,06 124,82.6,75
69

𝜏𝑟𝑑3 = 4,09 𝑀𝑃𝑎


Estimativa de ruptura:

20 1 6,75 6,792.250.1
𝜏𝑟3,𝑒𝑠𝑡 = 0,10. (1 + √ ) . (100 . 0,00387 . 22,04)3 + 1,5 .
6,75 5,06 124,82.6,75

𝜏𝑟𝑑3 = 4,75 𝑀𝑃𝑎

Cálculo da tensão solicitante:


𝐹𝑠
𝜏𝑠 =
𝑢. 𝑑

O perímetro afastado 2d da face do pilar é:


𝑢′ = 2. (𝑐1 + 𝑐2) + 2. 𝜋. 2. 𝑑
𝑢′ = 2. (10 + 10) + 2. 𝜋. 2.6,75 = 124,82𝑐𝑚

A tensão solicitante é igual a:


89,44
𝜏𝑠 = = 1,1 𝑀𝑃𝑎
124,82 . 6,75

Como 𝜏𝑠 ≤ 𝜏𝑟𝑑3 , não houve ruptura por punção no perímetro C’.

3.5.5 Definição da superfície crítica C’’ na laje com reforço do tipo conector

Quando for necessária armadura transversal, ela deve ser afastada 2d do último
contorno de armadura C’, se estendendo em contornos paralelos a C’, formando um
contorno C’’, até que 𝜏𝑠𝑑 ≤ 𝜏𝑟𝑑1 seja atendida, não sendo mais necessária armadura.

A tensão resistente é:
1
20 22,04 3
𝜏𝑟𝑑1 = 0,13. (1 + √ ) . (100 . 0,00387 . )
6,75 1,4

𝜏𝑟𝑑1 = 0,646 Mpa


Estimativa de ruptura:
70

20 1
𝜏𝑟1,est = 0,13. (1 + √ ) . (100 . 0,00387 . 22,04)3
6,75

𝜏𝑟1,est = 0,723 Mpa

A tensão solicitante é dada por:


𝐹𝑠
𝜏𝑠 =
𝑢. 𝑑

O perímetro afastado 2d da região armada é:


𝑢′′ = 2. (𝑐1 + 𝑐2) + 2. 𝜋. 4. 𝑑
𝑢′′ = 2. (10 + 10) + 2. 𝜋. 4.6,75 = 209,65𝑐𝑚

Então a tensão solicitante é:


89,44
𝜏𝑠 = = 0,63 𝑀𝑃𝑎
209,65 . 6,75

Portanto, como 𝜏𝑠 ≤ 𝜏𝑟𝑑1 a laje não romperia à punção no perímetro C’’.


71

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES

Este capítulo apresenta os resultados dos ensaios experimentais dos nove


protótipos ensaiados, assim como tabelas e gráficos exibindo comparações entre os
protótipos de laje de concreto, obtendo assim uma melhor compreensão dos
resultados obtidos.

4.1 Resultados experimentais

Após a realização dos ensaios experimentais onde foram coletados dados de


carregamentos aplicados e deslocamentos que as mesmas sofreram com a carga,
verifica-se o gráfico a seguir apresentando o deslocamento de todas as lajes em
função da força aplicada. Segue respectivamente a ordem, as três lajes sem reforço,
lajes reforçadas com estribo e lajes com conectores.

Gráfico 1 – Força x deslocamento das lajes ensaiadas

12000

10000

Laje 1.1
8000
Laje 1.2
Laje 1.3
Força (kgf)

6000 Laje 2.1


Laje 2.2
Laje 2.3
4000 Laje 3.1
Laje 3.2
Laje 3.3
2000

0
0 -5 -10 -15 -20 -25
Deslocamento (mm)

Fonte: Autor, 2017.

A força resistida pelos protótipos e suas devidas resistências do concreto podem


ser verificados na tabela a seguir.
72

Tabela 5 – Resultados das lajes ensaiadas

Lajes sem reforço


Laje Força Máx (kN) Média (kN) fcm (MPa)
Laje 1.1 88,00
Laje 1.2 82,42 81,31 26,40
Laje 1.3 73,52
Lajes com reforço tipo estribo
Laje Força Máx (kN) Média (kN) fcm (MPa)
Laje 2.1 103,10
Laje 2.2 100,00 103,27 26,30
Laje 2.3 106,70
Laje com reforço tipo conector
Laje Força Máx (kN) Média (kN) fcm (MPa)
Laje 3.1 96,88
Laje 3.2 93,93 89,44 22,04
Laje 3.3 77,52
Fonte: Autor, 2017.

4.2 Resultados teóricos

Na análise teórica foram utilizados os parâmetros dos ensaios experimentais


para serem calculadas as tensões resistentes, tensões solicitantes e estimativas de
ruptura. As tensões resistentes foram calculadas utilizando os coeficientes de
minoração, já para as estimativas de ruptura foram utilizados os coeficientes iguais a
um.

Tabela 6 – Resultados teóricos

Lajes sem reforço


Perímetro τrd1(MPa) τr1,est(MPa) τrd2(MPa) τr2,est(MPa) τrd3(MPa) τr3,est(MPa)
C - - 4,55 7,13 - -
C' 0,686 0,77 - - - -
C'' - - - - - -
Lajes com reforço tipo estribo
Perímetro τrd1(MPa) τr1,est(MPa) τrd2(MPa) τr2,est(MPa) τrd3(MPa) τr3,est(MPa)
C - - 4,54 7,1 - -
C' - - - - 2,96 3,38
C'' 0,685 0,767 - - - -
Laje com reforço tipo conector
Perímetro τrd1(MPa) τr1,est(MPa) τrd2(MPa) τr2,est(MPa) τrd3(MPa) τr3,est(MPa)
C - - 3,86 5,94 - -
C' - - - - 4,09 4,75
C'' 0,646 0,723 - - - -
Fonte: Autor, 2017.
73

As tensões solicitantes no perímetro do pilar, na área não reforçada para os


esforços da punção, utilizando o valor de 6,5cm para a altura útil e u igual 40,0cm, são
demonstradas na tabela abaixo.

Tabela 7 – Tensões solicitantes para o perímetro C

Laje F,máx,méd (kN) τsd(MPa)


Laje sem reforço 81,31 3,01
Laje com reforço tipo estribo 103,27 3,8
Laje com reforço tipo conector 89,44 3,31
Fonte: Autor, 2017.

As tensões solicitantes no perímetro afastada 2d da face do pilar encontrada na


seção não armada, para a laje sem armadura de reforço e na região reforçada
utilizando o valor de 6,5cm para a altura útil e u igual 124,82cm, são evidenciadas na
tabela abaixo.

Tabela 8 – Tensões solicitantes para o perímetro C’

Laje F,máx,méd (kN) τs (MPa)


Laje sem reforço 81,31 0,956
Laje com reforço tipo estribo 103,27 1,22
Laje com reforço tipo conector 89,44 1,1
Fonte: Autor, 2017.

A verificação do perímetro C’’ só ocorre quando existe armadura transversal,


neste caso somente dois dos três tipos de laje tem esta armadura, portanto segue na
tabela abaixo as tensões solicitantes no perímetro afastado 2d da região armada, na
área não reforçada para os esforços da punção, utilizando o valor de 6,5cm para a
altura útil e u igual 209,65cm.

Tabela 9 - Tensões solicitantes para o perímetro C’’

Laje F,máx,méd (kN) τs (MPa)


Laje sem reforço - -
Laje com reforço tipo estribo 103,27 0,73
Laje com reforço tipo conector 89,44 0,63
Fonte: Autor, 2017.

No gráfico abaixo encontrar-se o comparativo das tensões solicitantes e


resultantes calculadas em cada perímetro utilizando o modelo de calculo da NBR
6118:2014
74

Gráfico 2 – Comparativo das tensões nos perímetros

5
4.5
4
3.5
3
2.5
2
1.5
1
0.5
0
τsd(MPa) τrd2(MPa) τsd(MPa) τrd3(MPa) τsd(MPa) τrd1(MPa)
Perímetro c Perímetro c' Perímetro c''

Laje sem reforço Laje com reforço tipo estribo Laje com reforço tipo conector

Fonte: Autor, 2017.

A tabela a seguir apresenta os valores das tensões solicitantes de acordo com


os ensaios experimentais e os resultados teóricos de estimativa de ruptura obtidos
com os cálculos verificados com a NBR 6118:2014.

Tabela 10 – Tensão solicitante e estimativa de ruptura nos perímetros

Experimental Teóricos
τsc τsc' τsc'' τr2,est τr1,est τr3,est
Laje
(MPa) (MPa) (MPa) (MPa) (MPa) (MPa)
Laje sem reforço 3,01 0,97 - 7,13 0,768 -
Laje com reforço tipo
3,80 1,22 0,73 7,10 0,767 3,38
estribo
Laje com reforço tipo
3,31 1,10 0,63 5,94 0,723 4,75
conector
Fonte: Autor, 2017.

Mostra em cada perímetro as tensões solicitantes nas lajes e as tensões


resultantes de cálculo a tabela a seguir.
75

Tabela 11 - Tensão solicitante e tensão resultante de cálculo nos


perímetros

Experimental Teóricos
τsc τsc' τsc'' τrd1 τrd2 τrd3
Laje
(MPa) (MPa) (MPa) (MPa) (MPa) (MPa)
Laje sem reforço 3,01 0,97 - 0,686 4,55 -
Laje com reforço tipo
3,80 1,22 0,73 0,685 4,54 2,96
estribo
Laje com reforço tipo
3,31 1,10 0,63 0,646 3,86 4,09
conector
Fonte: Autor, 2017.

A fim de validar o estudo as tabelas anteriores apresentam os resultados obtidos


a partir dos ensaios realizados e modelo de cálculo. Observa-se baixa variação nos
resultados, com valores de ruptura próximos aos reais explicando a ruptura, validando
assim esse estudo.
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5 CONCLUSÕES E CONSIDERAÇÕES FINAIS

Neste trabalho realizou-se uma avaliação da resistência de dois tipos de reforço


de laje à punção, apresentando análises dos resultados encontrados através dos
experimentos e com os resultados obtidos através do modelo de cálculo sugerido pela
NBR 6118:2014. Este capítulo, com base nessas análises traz as principais
conclusões desse estudo.
Para este estudo foram moldados nove protótipos reforçando seis deles, sendo
três com reforço à punção tipo estribo e outras três com reforço do tipo conector as
outras três convieram de testemunho para comparação às lajes reforçadas. Seguindo
as normas vigentes, para a realização deste estudo foram testados todos os materiais
conforme citados durante o trabalho.
Por meio dos ensaios, compararam-se as tensões resistidas experimentalmente
com as tensões de cálculo e teórico de ruptura, onde se obteve números reais
próximos de ruptura. Com base nos resultados pode-se concluir que os modelos
propostos mostraram-se efetivos, com o reforço do tipo estribo sendo o mais eficaz
dentre os testados.
Como sugestão para trabalhos futuros indica-se a execução de protótipos com
variação na disposição e tipos de reforços com o objetivo de encontrar qual a melhor
disposição combinada com o tipo de reforço. Também é indicada a variação da
espessura do protótipo com o intuito de verificar se existe alteração entre tipos de
reforços por conta da espessura.
77

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