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Índice

O Aflorar do Amor de um Sheik

Capítulo Um

Capítulo Dois

Capítulo Três

Capítulo Quatro

Capítulo Cinco

Capítulo Seis

Capítulo Sete

Capítulo Oito

Capítulo Nove

Capítulo Dez

Epílogo

OUTRO LIVRO QUE VOCÊ DEVERÁ GOSTAR

A Amante Roubada do Sheik

Capítulo Um

Capítulo Dois

Capítulo Três

Capítulo Quatro

Capítulo Cinco

Capítulo Seis

Capítulo Sete

Capítulo Oito
Capítulo Nove

Capítulo Dez

Capítulo Onze

Capítulo Doze
O Aflorar do Amor de um Sheik

Por Ella Brooke & Jessica Brooke

Todos os Direitos Reservados. Copyright 2016 Ella Brooke, Jessica Brooke.

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Capítulo Um

Sarah Johnson, pacientemente sentou-se na filial de Dubai do Al-Amad International,


enquanto sorvia seu café turco e aguardava pela reunião de última hora com o rei dos Emirados

Unidos de Varapur. Há 48 horas, ela estava em Praga visitando vários castelos e inspirando-se
para um projeto renascentista para o qual sua irmã a havia arrastado. A assistente pessoal do Rei
Tariq Al-Amad a havia procurado com a promessa de um vantajoso adiantamento, por um simples
encontro com o rei para discutir sua proposta.

Sua fama de “furacão” nos últimos dois anos, deu a ela o aparecimento de inúmeros projetos
no seu caminho, mas mesmo assim, a oferta do Rei Tariq Al-Amad surgiu como uma surpresa. A
última coisa que havia esperado era que o rei do petróleo fosse interessar-se por seu trabalho
com energia alternativa e edifícios sustentáveis.
A pesquisa de Lori sobre o rei revelou que ele era um perspicaz homem de negócios e
governante do pequeno país de Varapur nos Emirados Unidos. Sua família havia governado por
mais de um século e ele era conhecido como um líder bastante tradicional e muito querido. Sarah
não sabia se ela seria capaz de trabalhar com as restrições que um rei, tradicionalista como ele,
viesse a impor. Mas sua oferta a deixara tentada, ao menos, para fazer malabarismos em sua

agenda para comparecer ao encontro.


A oportunidade de construir em Dubai era o sonho de qualquer arquiteto. Apenas a vista
das torres cintilantes dos arranha céus visto do seu assento na primeira classe, já havia sido de
tirar o fôlego. Entretanto, ela ainda não havia comprado totalmente a ideia. Apesar de ser uma
garota do Texas, nascida e criada no calor fumegante de Outubro em uma cidade que esperava
que a maior parte de seu corpo estivesse coberta até as botas, a ideia não parecia muito
atraente.
“Senhorita Johnson, o Rei Al-Amad vai recebê-la agora,” sua assistente avisou. Seu crachá
dizia “Tufa Kabir”. Ela era uma mulher marcante, vestida com um sutil terno azul marinho, tinha em

torno dos seus trinta anos, usava os cabelos presos e um belo lenço verde. Sua maquiagem era

leve e o delineador escuro, contornando as linhas de seus suaves olhos castanhos, os fazia brilhar.
A senhorita Kabir levantou-se e indicou as grandes portas que levavam ao escritório do rei.

A mulher a conduziu para dentro, onde Sarah encontrou o Rei Tarik ainda finalizando sua reunião
anterior.
“Isto é tudo, Ahmed. Faça, contudo, com esta seja a última vez que você me desaponta ou irá
procurar um novo emprego. Estamos claros?” ele ordenou em tom grave e com autoridade.

“Sim, meu rei,” o homem declarou com a sua cabeça curvada.


“Então vá, e não faça com que eu me arrependa de minha decisão.”
O homem virou-se e apressadamente passou por Sarah e Tufa. O Rei Tarik Al-Amad então
levantou-se e pareceu examinar tudo ao redor da sala. Ele facilmente media em torno de 1.90 de
altura a fazia a mesa de mogno a sua frente parecer um brinquedo para crianças. Os ombros
daquele homem eram largos e estavam vestidos em um sedoso terno Armani feito a mão, e que
complementava sua feição bronzeada. Seus cabelos eram escuros como a noite e contornavam sua
face até as maças do rosto numa espessa, mas bem mantida barba.
“Senhorita Johnson, eu agradeço que tenha aceitado encontrar-se comigo. Posso oferecer-lhe

algo antes de começarmos?”


“Outro café seria maravilhoso. E talvez uns biscoitos também? Eu ainda estou sob o efeito
das longas horas de voo.”
“Tufa.” Rei Tariq acenou com a cabeça e a mulher curvou-se antes de preparar o lanche.
“Sente-se,” ele disse apontando para a espaçosa cadeira acolchoada diante dele. O
escritório era sombrio, com piso amadeirado e paredes em tons de cinza reforçado pela luz do sol
que radiava através das janelas e havia ainda, vários móveis em torno da grande mesa de
reuniões.
“Obrigada, Rei Al-Amad. Eu devo dizer, seu convite foi uma surpresa,” disse Sarah,
ajeitando-se na poltrona aveludada.

“Sim, eu suspeitava que um império construído através de... como é que vocês americanos o

chamam, ouro negro? Que tal império explorando um palácio sustentável seria muito pouco
provável.”

“No mínimo,” Sarah acrescentou com um discreto sorriso enquanto Tufa ajeitava o lanche
numa pequena mesa ao lado de sua poltrona. Ela inclinou a cabeça em agradecimento enquanto
Tufa se retirava. Em seguida, sorveu o café com o intenso sabor da divina cafeína.
O rei tomou um longo gole da sua própria caneca fumegante. Ela pode reparar que ele a

estava analisando, demorando-se nos seus longos cabelos vermelho escuro, em sua face clara e
sardenta e na vestimenta social, uma blusa bege e uma saia preta abaixo dos joelhos. Seus olhos
castanhos escuros vagaram sobre ela e enquanto Sarah tinha toda a intenção de manter sua
empreitada comercial puramente profissional, a sensação de seu olhar atento sobre ela provocou
mais que arrepios em sua carne.
“Posso?” Sarah educadamente questionou apontando para seus biscoitos. O rei acenou com
a cabeça e ela deu uma delicada mordida e tomou outro gole de café. A primeira classe a havia
tratado bem, mas ela achava que um pequeno lanche a mão sempre mantinha seus nervos sob
controle. “Para ser bem franca, Rei, eu também estava intrigada que você consideraria uma mulher

para liderar qualquer projeto, e muito menos um que fugisse tanto a regra.”
Tariq levantou sua sobrancelha diante da mulher ruiva a sua frente. “Compreensível. Não,
uma mulher não haveria sido minha primeira ideia. Mas não me considere um tolo tão resistente
que fecharia os olhos para todos os qualificados. Em todas as coisas eu ambiciono pelo sucesso, e
minha pesquisa diz que você é a melhor escolha para as minhas necessidades.”
Havia se passado muito tempo desde que a voz de um homem ressoasse através de seus
ouvidos da forma como esse fazia. “Diga-me. O que sua pesquisa diz ao meu respeito?”
“Graduada da Faculdade de Arquitetura A&M no Texas onde, aos 21 anos, você cursou seu
mestrado. Em seguida, você foi admitida no programa de mestrado em sustentabilidade na
Harvard, e aos 24 anos ganhou o prêmio Gates Internacional Challenge pelo seu design do Johnson

Quick Deploy Habitat por sua sustentabilidade e assistência de moradia de urgência em desastres.”

Rei Tariq posicionou os dedos sobre as têmporas e moveu-se ligeiramente para frente. “Desde
então seus talentos tem sido procurados não apenas pelo seu conhecimento sobre prédios “verdes”

mas, também, pelo seu design de tirar o fôlego.”


“Uau,” Sarah expirou, seus olhos verdes como jade brilharam com uma ponta de malícia,
“Você leu isso numa entrevista para a Vanity Fair?”.
“Não me ridicularize,” ele alertou e ela imaginou se alguma vez já houve tanto fogo nos

olhos dele.
“Eu não estou, mas isso não é nada que uma pesquisa na internet não levantaria. Você diz
que eu sou a melhor, mas o que realmente o faz pensar isso? Um homem do seu calibre procura
por mais do que isso.”
“Seu nome foi trazido a minha atenção. E eu tenho muitos colegas que tem admirado seu
trabalho inovador. Eu tenho pessoalmente trabalhado com o Senhor Gates em diversos negócios e
seu nome estava numa lista curta de pessoas que ele recomendaria para este projeto em
particular. Ninguém mais que eu procurei tem a mistura perfeita de conhecimentos em engenharia e
arquitetura para alcançar a estética e a perfeição funcional que eu exijo. O melhor, senhorita

Johnson, é o que eu procuro e descanse com a certeza de que se eu não acreditasse que fosse
você, eu não estaria desperdiçando o meu fôlego com você, aqui neste momento,” ele disse, em tom
áspero.
“Ele quem exige o melhor em todas as coisas, vai encontrar frustração na maioria delas,”
Sarah brincou.
“Você tem a intenção de me desapontar?” o rei perguntou, encarando-a com seu olhar
flamejante.
“Não, mas eu presumo que foi para isso que aquela surpreendente demonstração de
autoridade, aquela de quando eu entrei pela porta. Para garantir que eu soubesse quem manda
aqui,” ela disse, dando outra pequena mordida no biscoito.

Tariq apertou o maxilar. “Uma mão forte é necessária para uma firme liderança. Eu espero

que todos os que trabalham para mim ou comigo entendam isso.”


“É realmente como a quinta vez em que eu entro nesse cenário. De cultura para cultura,

demonstrações de poder não são muito originais.” Ela não tinha a intenção de curvar-se para ele,
embora ela não estivesse lhe contando um grande segredo ou, seu sorriso não seria tão radiante.
“Mas obviamente que você tem o meu interesse, então me diga, do que se trata este sonho de um
palácio grandioso?”

“Primeiramente há o Contrato de Não Divulgação que ainda precisa ser assinado.”


“Ah sim. Desculpe-me.”
Sarah alcançou sua pasta, retirou os contratos e os deslizou sobre a grande mesa. “Meus
advogados o analisaram e decidiram acrescentar uma cláusula padrão que eu sempre exijo.
Basicamente diz que se eu assumir um projeto e for enganada sobre qualquer uma das taxas de
sustentabilidade e a respeito da tecnologia que está sendo utilizada ou qualquer coisa ilegal, eu
me reservo no direito de denunciar esses achados para as autoridades apropriadas ou para a
mídia. Esta é a minha única condição quando se trata de não divulgação. É aceitar ou largar.”
Ela assistia enquanto a barba ao redor de seu maxilar denunciava outro aperto dos seus

dentes, mas ele virou-se e marcou com uma etiqueta colorida a alteração feita pelo advogado sem
pronunciar uma palavra. Sarah assistia enquanto ele passava os olhos pelo documento, pegar uma
caneta tinteiro, que provavelmente valia mais que o carro de algumas pessoas, e rubricar o item.
“Eu sou um homem de honra, senhorita Johnson, e eu espero que se você encontrar tais
problemas que, da mesma forma, você pessoalmente os traga até mim.”
“É isto que eu amo ouvir. E, por favor, me chame de Lori,” ela disse, sorrindo.
“Como você desejar.”
Ele sorriu de volta e alcançou dentro da gaveta, ao lado de sua perna esquerda, dois pares
de óculos pretos. Sarah os conhecia. Ela já os havia usado em diversos projetos para visualizar
maquetes de design virtual. Ela não estava tão surpresa. Se ele podia arcar com escritórios em

Dubai, dois pares de Holo Glasses não eram nada.

Sarah pegou um elástico de cabelo em sua bolsa e penteou as longas madeixas rubis para
trás num rabo de cavalo. Ela poderia jurar que o rei estava assistindo enquanto a trilha de sardas

aparecia ao longo de seu pescoço, mas ela estava mais perturbada pelo fato de ela parecer não
se importar. A mulher de cabeça vermelha não tinha certeza sobre o que estava acontecendo com
ela, mas alguma coisa a respeito da presença dominante do homem a sua frente fazia os cabelos
de sua nuca arrepiarem-se de prazer.

“Por favor,” ele disse dando a ela um par dos Holo Glasses, “eu acho que isso vai ajudá-la
a entender minha visão.” Ela deslizou o par de óculos pela face, e no centro da mesa apareceu
algum tipo de aparato flutuante. Parecia como uma espécie de ar condicionado externo, coberto
com uma placa hexagonal.
“Isso,” o rei prosseguiu, “é minha empreitada pessoal, financiado com minha própria fortuna,
projetada pelas mais brilhantes mentes que eu pude adquirir. O modelo em escala completa pode,
teoricamente, prover energia a uma moradia padrão americana por cinco anos com baixa
manutenção. Eu o chamo de Módulo de Energia Verde, o M.E.V. de Varapur.”
Os olhos de Lori ficaram selvagens. “Cinco anos? Que diabos está alimentando isto?” Ela

imediatamente pairou as mãos sobre a boca.


“Não se preocupe. Eu honestamente esperava muito mais... felicidade cintilante,” Tariq disse,
sorrindo. Um sorriso largo e luminoso pela primeira vez. “Na sua forma mais rudimentar, é um tipo
de célula de combustível hidrogênio. Entretanto, sua eficácia não vem da fonte de combustível, mas
de um exclusivo microrganismo descoberto em Varapur, há muitos anos atrás.”
“E a energia é provida apenas por um tanque de água salgada por cinco anos?” Sarah
novamente questionou.
A visão da M.E.V. explodiu exteriormente exibindo o funcionamento interno com dois grandes
tanques no centro.
“Água salgada e dióxido de carbono também. O organismo utiliza os dois em um processo

único que pode fornecer, não apenas, altos níveis de energia, mas também, em teoria, a habilidade

de relacionar-se com o equipamento encontrado na maioria das casas. E pesando


aproximadamente 450 kg, é potencialmente um núcleo de energia para veículos elétricos.”

Sarah tirou os óculos e perplexa, olhou para Tariq. “Mas isso não seria cavar nossos próprios
buracos? Se o que você está dizendo for verdade, seria uma imensa revolução no campo da
energia alternativa e eu duvido que alguém esperaria que isso viesse do próprio império do
petróleo.”

“Verdade. É por isso que eu venho confidencialmente financiando esta operação. Se vier a
público, poderia causar um caos nos mercados. Não, eu tenho que ter certeza que a tecnologia
está pronta e encontrar uma validação do conceito que tenha tido tanto investimento pessoal
quanto essa. Eu quero criar um palácio que seja cem por cento alimentado por tecnologia M.E.V.,”
ele concluiu colocando seus dedos junto aos lábios.
“Esta é de fato uma meta ambiciosa.” Sarah murmurou. “Mas eu teria que adiar ou delegar
meus projetos atuais para encontrar tempo...”
“Sua comissão é de cinquenta milhões de dólares,” Tariq interrompeu. “Com vinte milhões
adicionais para doar para qualquer instituição de caridade que você achar adequado.”

“É sério?”
“Eu não tenho tempo para jogos, senhorita Johnson. Por esta comissão o seu tempo é meu e
somente meu até a conclusão de nosso projeto.” Não havia sorriso ou brilho nos seus olhos, apenas
fatos.
“Você está pedindo para me comprar, Rei Al-Amad?”
“Não tente me provocar.” ele retrucou. Mas seus lábios contorceram-se levemente. “Você
sabe o que quero dizer. Minhas demandas serão muitas, mas as recompensas serão justas. Petróleo
é um recurso finito. Não me leve a mal, com a disposição de Allah, haverá o suficiente para servir
as fortunas de Varapur por gerações. Mas a casa do homem que é construída sobre areia irá,
eventualmente, afundar. E eu quero me assegurar de que o mundo estará aqui para que o meu

império possa permanecer.”

Seus olhos escuros olharam profundamente dentro dos dela, não suplicando, mas implorando
para que ela se juntasse a ele.

“Eu tenho algumas regras base,” ela replicou.


“As sobrancelhas de Tariq enrugaram-se, mas ele falou, “Prossiga.”
“Número um, eu entendo que você tem certos costumes. Eu farei o meu melhor para cumpri-
los, mas minha vida privada é somente minha. Eu espero que ela seja respeitada.”

“Acordado.”
“Número dois, quando se trata da minha parte do projeto, eu sou a líder. Eu respondo
apenas a você. As pessoas que trabalharem para mim têm que ser capazes de trabalharem para
uma mulher ou estarão fora. Eu cresci amansando pôneis em Santo Antônio e se eles não entrassem
na linha eu os soltaria no pasto. Eu não me importo o que eles dizem nas minhas costas contanto
que eles façam seus trabalhos.”
“Eu tenho certeza que você é um tição, senhorita Johnson. Eu garantirei que você não terá
problemas com sua equipe. Mas não se esqueça de que você responde a mim.” Seu maxilar
cerrou-se novamente, mas seus olhos mantiveram-se presos aos dela.

“E por último, seria o meu termo no contrato de não divulgação, que você graciosamente
aceitou, portanto Rei Tariq Al-Amad, eu acredito que este seja o início de uma feliz relação de
negócios. Sarah levantou-se e ofereceu a ele um largo sorriso e sua mão direita. Ele aceitou e
beijou a sua mão fazendo cócegas por onde sua barba rija roçava.
“Eu espero que sim. A senhorita Kabir já tomou a liberdade de mandar suas coisas para o
seu quarto no hotel Burj Al Arab.”
“Obrigada, meu rei”, Sarah replicou com uma piscada enquanto se virava para deixar a
sala.
“Outra coisa senhorita Johnson,” ele disse freando ela. “Eu tenho uma inesperada
inauguração esta noite. Eu esperava que você pudesse jantar comigo?”

Sarah calou-se por um instante, e ele continuou com um sorriso malicioso. “Você disse que

conhece nossos costumes aqui de Dubai. Então sabe que é grosseiro recusar este tipo de convite.”
“Ora, uma garota precisa comer, certo?” ela disse exibindo um sorriso nervoso.
Capítulo Dois

Havia um carro esperando por ela quando ela deixou o Burj Al Arab. O único hotel sete
estrelas do mundo, o maior prédio já construído, um dos esplendores de Dubai e ela sequer queria

tentar imaginar quanto seu quarto estava custando. A arquitetura era incrível, para cada parte
dele, parecia haver uma linha ou ângulo que capturava seus olhos e faziam do edifício a mais
pura perfeição.
Sua limusine estava vazia, mas ela não esperava inteiramente que o rei fosse aparecer em

pessoa. Ela entrou no carro, ajeitando seu vestido preto por debaixo de suas pernas. Ela havia
optado por algo longo com gola alta e mangas compridas já que o Rei Al-Amad não havia se
preocupado em dizer a ela onde iriam jantar.
Ela usava seus cabelos para trás e um rabo liso realçado apenas por argolas douradas nas
orelhas e maquiagem casual. Bem, talvez ela estivesse usando um tom de batom um pouco mais
escuro do que ela normalmente usaria. Mas ora, era a sua primeira vez face a face com a
realeza, certo?
O sol poente fundia-se as ondas laranja ardente do lado oposto ao cenário vitrificado,
enquanto um nó crescia em sua barriga. Sarah havia estado em centenas de jantares de negócios,

recebeu cantadas de vários clientes em potencial. Mas havia alguma coisa sobre aquele homem,
alguma coisa implacável nos seus olhos. Ela podia sentir que até mesmo quando ele estava
cedendo nas suas exigências, ele sabia que ainda estava ganhando.
Quando a limusine freou por um instante, Sarah pôde sentir gotículas de suor nas palmas de
suas mãos e agarrou a sua bolsa para pegar um lenço. Era apenas um jantar estúpido.
A porta se abriu e revelou um longo caminho coberto em cada lado, por flores de um tipo
que ela nunca havia visto antes. O sol minguante parecia ter colocado fogo na grama verde e o
púrpuro e vermelho tomaram vida em tons ricos. Ao final do caminho, havia um gazebo e trilhas
que se estreitavam em jardins após jardim de flores e decorações. Algumas pessoas ainda

vagavam pelas trilhas, tirando fotos e apontando para as mais diferentes plantas, mas no gazebo

havia apenas uma mesa posta para dois. Rei Tarik estava aguardando ali, acenando para que ela
viesse e se juntasse a ele.

Sarah aproximou-se dele, a batida do salto alto ecoava pelo ar da noite. “Eu vejo que o
restaurante ao ar livre está aberto esta noite.”
“Eu gosto de comer sob as estrelas. Bem vinda ao Jardim dos Milagres,” ele disse, tomando-a
pela mão. Ela podia sentir seus olhos percorrendo o seu corpo enquanto ela subia as escadas para

a mesa deles.
“Junte-se a mim. O cardápio está servido, estou receoso. Eu espero que goste de comida
mediterrânea.”
“Quem não gosta?” Ela disse com um sorriso recatado. Sarah percorreu seus cabelos com os
dedos, assistindo enquanto os olhos dele acompanhavam sua mão.
A mesa deles já havia sido servida com suco de uva verde, água, uma variedade de folhas
de parreira e falafel. Pequenos pratos com molho de alho e tahini acompanhavam assim como,
picles e cebolas roxa.
Ela pegou um falafel e o mordiscou. “Delicioso.”

“Quando eu exijo o melhor, eu geralmente descubro que não acabo frustrado.” Ele piscou.
“Ah sim, isso pode ter vindo, aham, de um biscoito da sorte,” ela admitiu.
O riso indecente que veio de seu peito foi inesperado, e ressoou pela noite que caía. “Uma
mulher ocidental proferindo filosofia oriental para um rei do Oriente Médio. Eu agora devo ter
ouvido de tudo.”
“E de onde vem a grande sabedoria do Rei Tariq Al-Amad?” ela o provocou.
“Eu tive tutores particulares durante quase toda a minha vida. Meu pai preferia a educação
rigorosa, e não queria a cabeça de seus herdeiros cheia de bobagens ocidentais. Ou orientais.”
Ele riu.
“Bem quando você pede o especial número cinco do restaurante Pe Su Gui Palace´s, você

sabe que há sabedoria ali,” Sarah disse, bebericando o suco de uva verde. Era delicado e fresco

em sua língua e combinava bem com a crocância do falafel.


“Meu irmão, por outro lado, estudou em Oxford durante a faculdade. Nossa mãe estava

convencida de que um de nós deveria ter algum conhecimento sobre o mundo ocidental para
ajudar a liderar a Al-Amad International. Nosso pai nunca acreditou que lidar com perversidades
traria algum bem a ele.”
“Bem nem todas as coisas do Ocidente são perversas, meu rei,” ela disse dando outra

mordida no falafel com seus lábios vermelhos.


“Eu não estou tão convencido disso, tição.”
Sarah deslizou sua língua pelos lábios, só um pouco, o suficiente para pegar uma faísca,
enquanto balançava sua taça de suco entre os dedos. Ela estava agradecida que o ar da noite
estava relativamente fresco em relação ao calor de cedo que agora estava espalhando-se por
suas maças diante do sorriso malicioso que ele estava lhe dando.
“Diga-me, Rei Al-Amad, porque Dubai?” Governante de seu próprio Emirado, um patrimônio
de quase um bilhão de dólares, e que certamente possui inúmeros palácios em Varapur. Porque
centralizar essa experiência num dos locais mais caros da face da terra? ”

“Então, nós iremos vamos falar de negócios, senhorita Johnson?”


“Estou apenas tentando saciar minha curiosidade. Você não negaria isso a mim, negaria?”
Tariq correu a mão pela barba abaixo enquanto se ajeitava na cadeira, descansando os
braços sobre o seu colo.
“Dubai é obviamente um dos mais luxuosos e elegantes países do mundo. Entretanto, o
petróleo, seu único produto apenas contabiliza baixos índices, de apenas um único dígito, para o
seu produto interno bruto. Agora, o país começou a confiar e depender da construção, comércio
exterior e turismo.”
“E um empreendimento comercial, com Al-Amad, que talvez em algum dia mítico perturbe o
império de petróleo não seria recusado num lugar como esse,” Sarah concluiu.

“Precisamente. E eu aprecio certos laços familiares com os governantes que eu posso

influenciar. Dubai se apresenta a vitrine perfeita.”


“Eu posso entender. Construir qualquer coisa de um casebre a arranha-céus, você aprende

um pouco sobre a apresentação adequada,” ela disse.


Os olhos de Tariq brilharam e ele levantou-se, seu terno cinza vestia com perfeição seus
largos ombros. Ele ofereceu o braço a ela. “Venha, quero mostrar-lhe algo.”
A mulher de cabelos vermelhos deu um último gole para acalmar-se antes de tomar seu

braço, e a brisa da noite trouxe a essência da colônia de baunilha com um toque apimentado para
suas narinas. A colônia era discretamente doce, mas possuía notas de apimentadas de alcaçuz,
especiarias e musk que despertavam seus sentidos. O nó em sua barriga apertou um pouco mais e
começou a doer.
Ele a conduziu por um dos caminhos, alto e orgulhoso sem palavras, e em meio ao colorido
mar de flores perenes ela sentiu-se estranhamente diminuída por ele. O click – clack de seus saltos
parecia brinquedinhos de lata tentando acompanhar seus passos largos.
Não muito adiante, o caminho tornou-se uma imensa vitrine de flores em tons de âmbar. Elas
haviam sido distribuídas em camadas de rosas brancas formando um imenso V. Dentro de anéis

onde havia rosas em tons quentes alaranjados, gérberas roxas e calêndulas douradas.
“Isso”, ele disse, apontando com a mão, é o desabrochar de Varapur. Sua “beleza foi
transplantada aqui para que todos que aqui vierem saibam da imponência de meu reino.”
O desabrochar explodia em hastes verdes escuras com toques alaranjados e amarelados,
passando de âmbar até os tons dourados nas extremidades. Eles eram intercalados com flores
roxas e amarelas, cintilando sobre as lâmpadas e o luar.
“Eu irei levar glória assim como essa para todo o mundo.”
“Elas são lindas,” ela suspirou, olhando o orgulho gravado em sua feição.
Ele virou-se para ela, seu olhar estava implacável, mas pincelado com delicadeza. “Eu
encontro a beleza em muitas coisas, senhorita Johnson.”

Suas bochechas coraram enquanto seus olhos jade brilharam para ele. O sheik moveu-se em

sua direção, mas seus olhos viraram-se na direção ao gazebo. Seu olhar endureceu enquanto que
de repente ele começou a gritar em sua língua nativa.

Um servente, por engano, começou a limpar a mesa pensando que eles haviam ido embora.
“Está tudo bem.” Sarah riu, tocando seu antebraço.
Tariq puxou o braço para trás dado que ela o irritou. “Eu digo quando a refeição acaba.”
O momento foi arruinado como se o Príncipe Encantado tivesse derrubado seu sapatinho de

cristal. Ela de que reunir toda a sua força de vontade para não revirar seus olhos diante dele
enquanto se afastava. “E sou eu quem diz quando minha noite termina. Eu ainda estou sofrendo os
efeitos das longas horas de voo e acho que talvez descansar seja, no fim das contas, uma ideia
melhor que jantar. Obrigada pelo falafel, meu sheik.”
Capítulo Três

Sarah fitava a beleza de Dubai do lado de fora da janela da limusine. Ela estava certa de
que nunca havia visto tantas Ferraris em sua vida. Tão pouco havia visto um jipe duplo – dois jipes

unidos lado a lado em um único veículo – descendo pela via expressa. E ela tinha certeza que o
utilitário que acabava de ultrapassá-los estava sendo guiado por um leopardo selvagem.
Se ela pensasse que os últimos dois anos haviam sido uma confusão, as últimas 48 horas
poderiam a ter levado para o mundo de Oz. Ela veio até aqui por um adiantamento de duzentos

mil dólares, e agora ela estava a uma assinatura de distância de cinquenta milhões na sua conta.
Por mais que o dinheiro a fascinasse além de sua imaginação, seus pensamentos ainda estavam
envoltos no sheik. Por alguma razão os flertes, que eram tão incomuns a ela, arrastavam sua mente
para a reunião e o encontro.
Sarah nunca havia tido tempo para os homens durante sua vida. Não que ela fosse uma
freira. Diabos! Ela amava sexo assim como qualquer garota, mas sua educação e a recente vida
de negócios fizeram com que o tempo necessário para um relacionamento deixasse de existir. Mas
algo no fundo do seu ser reagiu diferente a esse homem.
Teria sido seu olhar impenetrável, sua valentia, ou a forma como seu maxilar se contorcia

quando ela sabia que o ele queria era gritar com ela. Ela havia lidado com idiotas e palhaços no
passado; era típico no mundo masculino. Sarah havia visto esse tipo de atuação muitas vezes.
Talvez fosse isso. Pela primeira vez não foi uma atuação. Ele se apoiava nas muletas do
machismo, mas ela podia sentir sua solidez. Entretanto, a forma como ele se referiu ao garçom foi
tão mordaz. Espadas têm suas extremidades por uma razão.
De qualquer forma, ela estava lá para trabalhar e quando assinasse as linhas pontilhadas,
seu tempo pertenceria a ele, como ele disse. E só porque seu cliente acendeu algumas faíscas em
seu ventre, não significava que era algo que ela não pudesse contornar – ou deixar sua
imaginação se divertir um pouco. Ela estava ansiosa para chegar ao quarto do hotel. As longas

horas de voo estavam gritando por um descanso.

De fato ela havia se perdido tanto em seus pensamentos que mal pode notar a cidade de
aço e o luar que desaparecia em meio a sombras e concreto. Através da janela ela podia avistar

o prédio mais alto do mundo contra o horizonte.


“Motorista?” ela disse perguntou através da repartição da limusine. “Nós deveríamos ir para
o Burj Al Arab.”
Um calafrio começou a percorrer sua espinha, enquanto o carro encostava num

estacionamento abandonado, que ela estava certa não pertencer ao único hotel sete estrelas do
mundo. Ela instintivamente puxou a maçaneta da porta, que não se mexia. Não que ela sequer
saberia como pular de um carro em movimento.
“Deixe-me sair!” ela gritava, chutando seu pé contra a parede de vidro da limusine. O carro
mudou de direção e os pneus cantaram no concreto mas continuou se movendo. Ela chutava mais e
mais até suas panturrilhas arderem contra o vidro a prova de balas.
As portas foram destravadas, fazendo um barulho aterrorizante e as sombras da garagem
começaram a moverem-se.
As portas da limusine rapidamente foram abertas e a agitada mulher de cabelos vermelhos

sentiu a palma de sua mão ser esmagada contra alguma coisa. Um pedaço de pano grosso preto
foi amarrado por cima de sua cabeça e ela tentava gritar novamente quando sentiu ser
amordaçada, com fita isolante talvez, enrolada ao redor de sua boca. O homem arrancou seus
sapatos e Sarah sentiu uma a corda sendo enrolada ao redor de seus tornozelos. Com lágrimas
escorrendo de dentro do saco escuro envolto em sua cabeça, ela tentava se lembrar das aulas de
defesa pessoal que havia tido. Ela sabia que estava preparada para escapar qualquer fosse o
plano deles para ela e rezava para não quisessem machucá-la. Sarah tinha que se preparar para
fugir mais tarde e flexionou os tornozelos e pulsos o quanto podia enquanto mantinha o corpo
arqueado e firme.
Outros homens estavam vasculhando sua bolsa e ela pode ouvir seu telefone sendo

despedaçado. Eles não falavam muito, mas ela pode perceber que não era árabe, talvez fosse

hindi. Dentro de poucos minutos, eles a tiraram da limusine e a jogaram no banco de trás de outro
carro. A última coisa que ela sentiu foi um afiado golpe em sua nuca em seguida, foi saudada pela

escuridão.
***

Conforme o mundo retornava, a primeiro pensamento de Lori foi de que elas a haviam
enfiando em uma fornalha. A sala deveria estar a mais de 60ºC. O suor derramava de sua face o

seu vestido colou em seu corpo como uma película aderente. Quando ela tentou se mexer, ela
percebeu que suas mãos haviam sido amarradas a uma cadeira preta e seus tornozelos ainda
estavam presos também.
Ela olhou ao redor o quanto pode com o suor entrando em seus olhos e seus cabelos
escarlates emplastados em seu rosto. A sala parecia ser algum tipo de galpão, apenas chapas de
metal ondulado apoiado sobre vigas de madeira, com uma janela no topo permitindo o sol bater
em sua face. Sarah já podia sentir sua pele começar a pinicar com os raios ardentes.
A arquiteta foi vítima de um sequestro e não fazia ideia de por quanto tempo ela ficaria ali,
mas ela já podia sentir a desidratação consumir suas forças. Ela recostou-se contra suas mãos

amarradas e relaxou os pulsos o máximo que pôde. Seus músculos gritavam em agonia, mas Sarah
havia alcançado cerca de dois centímetros e meio de corda. Ela começou a trabalhar no nó com
uma de suas unhas sem nenhuma ideia do que faria se conseguisse se soltar.
Ela continuou a analisar o local, observando qualquer coisa que pudesse servir como arma
ou rota de fuga. O metal do galpão, apesar de tê-lo transformado num forno, era frágil e
provavelmente poderia ser chutado fora das vigas sem nenhum problema. Mas sem saber onde
ela estava ou quem estava vigiando, ela poderia chamar atenção com todo aquele barulho e
acabar sendo pega, ferida ou morta. O nó começou a desatar um pouco e ela olhou para a porta.
Também não parecia muito resistente, mas era algo que ela poderia passar principalmente se
houvesse alguém vigiando o outro lado.

Sarah trabalhou no nó arredor de seus pulsos pelo o que pareciam horas, mas forma

provavelmente apenas alguns minutos, até que ele afrouxou e liberou um dos pulsos. Ela sentia
ferroadas enquanto o suor pingava da corda em sua outra mão, que logo foi liberada.

Seus pés ainda estavam amarrados. Ela tentou se inclinar para soltá-los, mas sentiu o galpão
girar ao seu redor como uma tempestade, arremessando- a contra a cadeira. Ela esforçou-se para
não vomitar enquanto seu estômago embrulhava. Suas pernas queimavam como se fossem feitas de
magma, a desidratação era pior do que ela imaginava.

Seus ossos arrepiaram quando as portas abriram violentamente e sua cabeça virou-se
subitamente. Um pequeno e magro homem com barba irregular e sem alguns dentes estava
acenando com uma câmera em sua direção. Ele estava gritando com um inglês descontínuo que ela
não pode compreender. Praticamente ele repetia a palavra “vídeo” continuamente, como se ela
devesse saber a que ele se referia.
Sarah juntou as mãos por trás enquanto outro homem adentrava o galpão. Ela era mais alto
que o outro e parecia ter descendência indiana. Ele a olhou de cima abaixo com a respiração
irregular e odor rançoso emanando de cada um de seus poros. O homem menor fechou a porta
por trás deles e ela ouviu os sons de correntes e cadeados.

“Nós não vamos machucá-la,” ele começou, “mas precisamos que você faça um vídeo.”
“Por favor, eu preciso de água,” ela pediu, com voz áspera.
“Chefe disse que você chegaria para fazer um vídeo para nós.”
Deus não eles não podem estar querendo dizer...
O homem indiano segurava um conjunto de notas encardidas, balançando elas em sua cara.
“Pronta.”
“Sem dor, leia,” ecoou o homem mais baixo, mostrando o que parecia ser uma chave de
fenda engordurada. “Sem dor.”
Os olhos de Lori cerraram com lágrimas que não caiam. Ela sequer pôde focar nas notas a
sua frente e não fazia ideia do que este homem queria que ela lesse.

“Leia em voz alta.”

“Não posso,” ela implorava. “Eu não ver. Eu preciso de água. Por favor.”
O homem mais alto disse alguma coisa incompreensível para o outro e eles bateram na

porta.
A porta abriu novamente e eles a deixaram, trancando-a por fora. Ela apenas rezava para
que eles tivessem entendido e iriam, finalmente, lhe dar algo para beber e fazer seu maldito vídeo.
Talvez eles sejam terroristas. Terroristas que querem que eu denuncie a América como o grande

demônio ou algo assim. Por favor, Deus...


Depois veio um grito do outro lado da porta. Línguas que ela nunca havia ouvido antes,
exceto uma grave voz em árabe. A voz comandava as pessoas ao redor como um general e ela a
ouvia, tão familiar, em direção a porta do galpão. Batidas reverberavam contra o antigo galpão
de metal e madeira enquanto ordens crescentes se seguiam.
A porta finalmente chacoalhou com os sons das correntes quebrando e abriu.
Ali estava o Rei Tariq Al-Amad, segurando o pequeno homem choraminguento e repetindo
algo sem parar enquanto apertava tenazmente a garganta do homem. Ele estava vestido com uma
túnica branca, flutuando ao seu redor como penas de um anjo. Sua cabeça estava envolta com um

lenço no mesmo tom de branco que parecia brilhar como uma auréola.
“Lori!” o sheik a chamou. “Allah seja louvado! Você está bem?”
Ele soltou o homem que se contorcia enquanto Sarah tentava levantar-se, mas era segurada
pela corda. “Meu sheik,” ela suspirou.
Ele correu até ela, segurando-a enquanto ela caiu em seus braços.
***

Sarah era cercada de cuidados enquanto dormia em seu quarto no hotel Burj Al Arab em
Dubai. Sarah estava relativamente sem graves machucados. Ela estava urgentemente precisando
de fluidos, e um médico particular estava provendo a ela hidratação intravenosa enquanto ela
dormia. Ela estava desacordada por quase doze horas, mas foi avisado que isso era esperado.

Quando eles descobriram que ela não havia chegado ao hotel, não houve hesitação para

que as buscas começassem. Graças a alguém, no canteiro de obras para onde os homens a
levaram, que os viu e ligou pelo dinheiro da recompensa. O rei e sua equipe de segurança

conseguiram chegar lá antes que pudessem machucá-la ou usá-la de alguma forma, mas Allah o
ajudaria se ele não quisesse assistir a aquela doninha desaparecer antes que ele abrisse a porta
de seu confinamento.
Tariq estava em conflito observando-a enquanto ela dormia. Não era exatamente permitido

para um homem ficar sozinho com uma mulher despida daquela forma e sobre a cama. Talvez
fosse mais apropriado se Tufa a assistisse até que ela acordasse. No entanto ele havia prometido
protegê-la no momento que descobriu que ela havia sido abduzida e não podia deixar de ficar
ao seu lado.
Sua face estava queimada e descascando com lábios rachados que precisavam ser beijados
com gelo. O longo e delicado pescoço que ele havia admirado estava agora rosado pelo sol. Ela
havia passado por tanto por causa dele.
“Tariq?” Sarah suspirou enquanto seus olhos trêmulos abriam levemente.
“Estou aqui,” ele replicou, abaixando-se aos pés da cama.

“Estou no hospital?” ela perguntou, olhando vagamente o soro no seu braço.


“Não, você está no seu quarto, no hotel,” ele disse, tentando manter sua voz baixa. “Eu tinha
um médico particular que está cuidando de você e ele queria lhe injetar fluidos. Você também tem
alguns hematomas e queimaduras do sol, mas, fisicamente, você está bem. Como está se sentindo?”
“Melhor, eu acho. Apenas borrada de medo achando que eu poderia morrer,” ela disse com
lágrimas enchendo os seus olhos.
“Isso foi...” Tariq vacilou, mas manteve sua face firme.
“O que?”
“O homem que a levou,” ele recomeçou, “eles são trabalhadores de uma construção de que
sou sócio. Você estava num campo de trabalho - um que não tem desculpas para existir.”

“Que diabos eles queriam de mim?” Sarah questionou, tentando se sentar.

“Aparentemente eles queriam fazer você “dizer a verdade” sobre as condições em que eles
têm que trabalhar. Eles encontraram uma bela mulher americana a quem o mundo escutaria e

pensaram que você era apenas mais uma de meus empregados.”


“Então eles estão basicamente vivendo em favelas e fizeram refém uma das poucas pessoas
que estaria disposta a ajudá-los.” Ela confrontou enquanto lágrimas escorriam em seu rosto.
“Eles são homens desesperados. Eles vêm procurar trabalho depois não recebem o que foi

prometido, têm seus passaportes ilegalmente confiscados e moram em barracos,” ele continuou.
“Como você pode sustentar isso?” ela acusou.
“Eu não afirmei tal coisa,” Rei Al-Amad disse levantando-se, mas mantendo seu tom de voz.
“Eu fiz uma parceria com essas firmas por que as insenções de taxas e descontos que meus laços
com o governo de Dubai permitem. Em faço isso em parte para ajudar a legitimar os novos
sindicatos e ajudar os trabalhadores.”
“Não parece estar funcionando tão bem, parece?” ela devolveu, apertando com os
hematomas em seus pulsos.
O homem ameaçador murchou e ajoelhou-se ao seu lado e encarou seus olhos verdes. “Não,

não está. Em algum lugar os auditores internos de minha companhia falharam e eu vou
pessoalmente conduzir a resolução desta questão. Enquanto você estava descansando, eu
providenciei que os dormitórios fossem substituídos pelo Johnson Quick Deploy Habitats. Eu presumo
que se eles são bons o suficiente para o Gates moradia de urgência em desastres, eles servirão
bem nossos trabalhadores.”
“Eu enviei a minha equipe pessoal de segurança para garantir que todos tenham seus
passaportes devolvidos e até que eles sejam adequadamente pagos, foram lhes dado vouchers
para alimentação. Talvez eu seja apenas um sócio, mas eu faço questão de sempre manter a
autoridade executiva de que eu preciso para limpar a sujeira dos outros.”
“Soa maravilhoso, ou você poderia estar apenas limpando sua própria sujeira e evitar ser

pego envolvido nessa panela também. Por que eu deveria pensar que você não sabia sobre nada

disso? Ela perguntou, com olhos desafiantes.


Foi a primeira coisa que ela disse que ele deve ter encarado como um menosprezo. “Eu lhe

disse anteriormente. Eu sou um homem honrado. O Islamismo ensina, ensinava até mesmo no tempo
da escravidão que você deve alimentar vestir e abrigar um homem assim como faria a si próprio.
Não dê a ele um fardo excessivo, a não ser que você mesmo ajude a aliviar aquele fardo. Se
Allah gostaria que tratássemos os escravos com tal compaixão, então aqueles que estão

simplesmente tentando alimentar suas famílias deveriam ser tratados da mesma forma.”
Sarah pôde ver a suavidade de seus olhos e pela primeira vez pôde ouvir compaixão e sua
voz, não apenas a grave voz de autoridade ou a serenidade dos negócios.
“E quanto ao homem que me levou?” ela finalmente questionou.
“Eles são cães e covardes, mas esse não é meu reino. Se fosse e os degolaria, ou no mínimo
apodreceriam num calabouço. A polícia de Dubai cuidará disso, mas eu não posso garantir que a
justiça será feita.”
“E quanto ao resto deles? Isso não irá apenas arruinar as vidas dos homens desesperados e
famintos que você estava tentando ajudar primeiramente?” ela sussurrou.

“Talvez, mas independente das circunstâncias, o que eles fizeram foi errado. Eu não vou
permitir que fiquem impunes,” Tariq disse.
“Apenas... você pode apenas pagar o que deve a eles e mandá-los de volta, de onde quer
que eles tenham vindo? Eu não quero um incidente internacional. Eu não quero ficar conhecida
como a pequena arquiteta texana que foi roubada na grande cidade de Dubai, entende?”
“Eles deveriam ser açoitados e você quer que eles sejam pagos?” ele vociferou.
“Não fazer o que é certo por eles foi o que os levou ao desespero em primeiro lugar.”
O sheik desaprovou e virou se para afastar-se da cama, mas o toque da pequena mão
sobre o seu pulso o deteve.
“Você ficaria comigo, só até eu dormir de novo?”
Capítulo Quatro

A chuveirada fria acalmou sua face e pescoço enquanto o calor da água quente vindo da
infinidade de duchas laterais envolvia seu corpo. A suíte que seu anfitrião havia reservado para

ela era maior que o apartamento de muitas pessoas e ostentava um vasto banheiro em mármore
azul e vermelho. O chuveiro era independente e possuía mais duchas que muitos parques
aquáticos, e saiam de instalações douradas – todas sustentadas por uma parede de vidro com
mosaicos de azulejo em tons de azul ao longo do chão.

Ela esfregou vigorosamente sobre sua pele a bucha vegetal e seu sabonete líquido floral
preferido. Sarah esfregava com força e tentava lavar os últimos dois dias, tentando bloquear sua
mente e capturar sua atenção simplesmente aproveitando o banho.
Capturar.
Era algo para o qual ela estava mentalmente tentando se preparar. Ela teve algumas aulas
de sobrevivência e preparação em sequestro. Viajando pelo mundo – principalmente em áreas de
assistência em desastres – tinha seus riscos. Diabos, ela estava verdadeiramente surpresa que
ainda não havia acontecido. Mas agora que esteve face a face com isso, ela sabia que não fazia
ideia de como teria feito para escapar daquele maldito galpão.

Mas depois Rei Al-Amada surgiu como uma força angelical enviada dos céus para salvá-la.
Ele veio a passos largos como um cavaleiro árabe dos tempos antigos, e ela desmaiou direto em
seus braços. Havia sido a desidratação obvio, mas vê-lo segurando um de seus raptores pela
garganta foi a melhor parte de seu dia.
Estimulava seus pensamentos imaginar suas mãos imensas tocando outras partes e causava
ondas de calor através de seu estômago. Ela agarrou a torneira do chuveiro com a intenção de
fazer com que todas as duchas saíssem frias, mas hesitou. Depois de tudo o que ela passou, ela
não poderia colocar o resto de seu dia em cheque. Ela precisava de alívio, da distração que os
pensamentos sobre seu libertador trouxeram.

Sarah alcançou ao invés, a torneira do chuveiro, aumentando a temperatura e ligando o

chuveiro de mão. Ela afundou seu corpo profundamente no vapor das duchas corporal e deixou
que o a ducha de mão massageasse seus seios. Nos olhos de sua mente, ela invocava a imagem de

seu salvador, brilhando na túnica branca enquanto arremessava o homem para o lado.
Ela correu o chuveiro para os músculos tensos de seu estômago, deslizando os dedos da mão
direita vagarosamente através da sua trilha de cachos. Seus dedos ágeis afastaram seus lábios
para fora enquanto um imaginário Rei Tariq Al-Amada rasgava suas vestes, revelando seus

músculos delineados, cobertos em fios de finos pêlos escuros.


“Lori, você está bem!” Ele rosnava enquanto invadia o chuveiro disseminando o cheiro de
terra e suor que se misturava ao cheiro doce de mel que enchia o chuveiro.
O ritmo pulsante da massagem eram seus dedos, cravando seu caminho entre seus seios e
pelo abdômen abaixo. Seus dedos mergulharam fundo massageando entre seus lábios enquanto os
jatos de água roçavam abaixo de seu umbigo e pulsavam cada vez mais perto de seu latejante
feixe de nervos.
Sarah provocou nas suas dobras, apertando suas coxas contra um dedo enquanto ela o
deslizava para frente e para trás sobre o seu canal, imaginando que era a extremidade de seu

amante explorando-a. Quente, fresca umidade cobriam seus dedos enquanto ela se massageava,
permitindo que o chuveiro finalmente atingisse seu alvo.
“Glorificado seja Allah!” O áspero espectro da voz de Tariq soou quando as vibrações
repentinas trouxeram novas sensações através de seu corpo. Ela mal podia morder seus lábios
para conter o grito.
Em sua mente Tariq estava mordendo seu pescoço enquanto a ponta de sua masculinidade
brincava em sua entrada. Ela imaginava sua barba áspera arranhando sua pele, deixando marcas
vermelhas por toda beleza pálida de seus seios enquanto desliza um todo o dedo para dentro.
Um segundo dedo reuniu-se, e em sua fantasia ela era empurrada com força contra a
parede do chuveiro com Al-Amad pressionando sua extensão contra as profundezas de seu canal,

tomando-a, reivindicando-a com paixão e desejo. Ela moveu seus dedos como ela esperava por

seu perímetro dentro dela, gemendo e choramingando o menos que podia.


Seus dentes cerravam-se juntos enquanto ela gemia, sem mais conseguir abafar os sons de

sua garganta. Sarah movimentava seus quadris contra os dedos, sentindo-os deslizar pelas
beiradas e paredes do precioso nervo. Ela se comprimiu com força enquanto movimentava sua
pélvis na corrente de água agonizando seu botão rosado como se fossem os dois dedos de seu
amante de fantasia trabalhando avidamente dentro dela.

Um pequeno som escapou enquanto ela alternava o chuveiro com círculos ágeis, arqueando
seus quadris enquanto os pulsos trabalhavam bem no seu centro para tirar sua tensão, o fogo
crescia dentro dela. Ela estava tão ofegante que o vapor encheu sua boca e suas pernas
impediram os dedos, que imploravam para serem liberados. Em sua mente ela ouviu uma última
palavra.
“Minha.”
O mundo tornou-se branco enquanto ela caia no chão do chuveiro. Uma onda orgástica
varreu seu corpo, relaxando cada músculo que ela sequer havia percebido estar contraído. Sarah
firmou-se contra os trilhos do chuveiro enquanto o mundo girava deliciosamente ao seu redor e as

faíscas de eletricidade dançavam pelo seu corpo.


Ela fechou as torneiras e saiu do chuveiro rapidamente, puxando uma toalha da prateleira
em sua frente. Sarah torceu seus cabelos púrpuros com uma toalha e a firmou no topo de sua
cabeça. O reflexo no espelho ainda mostrava uma face vermelha e o pescoço que se aproximava
da cor de uma lagosta. Mas seu corpo doía menos enquanto ela puxava o roupão de tecido
felpudo por detrás da porta do banheiro.
***

“Senhorita Johnson?” Veio à chamada de uma voz familiar. Tufa estava aguardando na sala
de vestir do lado de fora de seu quarto com alguma coisa que cheirava divinamente. “Eu espero
não estar sendo invasiva. Os funcionários prepararam café da manhã para você.”

Sarah despontou sua cabeça do lado de fora da porta do banheiro enquanto amassava a

toalha envolta de seus cabelos. “Eu tenho funcionários?”


“Sim senhora.” Tufa sorriu. “É uma das amenidades do quarto. Serviços de arrumadeira e

mordomo. Eles prepararam algumas coisas habituais como pães e bolos, mas também algumas
especialidades locais, e é claro o café turco.”
Sarah acenou para ela entrasse enquanto ela empurrava um pequeno Buffet. Havia os pães
e bolos, mas também um tipo de pão com manteiga de maça e geleia, ovos fritos com linguiças

turcas, e ovos mexidos com fatias de pimentão. E os santos sejam louvados se não tivesse biscoitos e
molhos também.
“Eu pensei que talvez que um sabor de casa faria bem também, senhorita Johnson,” Tufa
disse. Sem o lenço na cabeça, Sarah pôde ver que os cabelos de Tufa eram uma sedosa cortina
preta que caiam sobre os ombros.
“Por favor, me chame de Lori.”
“Você então me chamaria de Tufa?”
“Temos um trato.” Ela piscou.
“Eu também lhe trouxe esta loção. É muito boa para tratar queimaduras de sol em peles

claras como a sua. Ela tem Aloe Vera e essência de inhame e ameixa. Vai ajudar com os
hematomas também. Eu posso?” ela perguntou oferecendo a mão em direção ao pulso de Lori.
O roxo mal aparecia alia. Era mais uma marca vermelha na circunferência de seu braço.
“Deve ajudar muito com isso.” Tufa disse dando palmadinhas em seu pulso. “Rei Al-Amad
estará aqui em algumas horas. Ele perguntou que se você planejar permanecer com ele no projeto,
ele traria os memorandos do acordo final para serem assinados.”
“Tudo bem,” ele respondeu de forma simples.
A assistente do sheik curvou-se e virou-se em direção a porta. “Eu a deixarei para que
aproveite seu café da manhã.”
Aproveitar meu café da manhã e decidir meu futuro.

Sarah queria tanto ligar para Lilly e lhe contar tudo. Mas ao mesmo tempo, ela não queria

mergulhar na realidade do que havia acontecido antes de conseguir digerir tudo. Ela
eventualmente teria que contar tudo para sua irmã gêmea, que ficaria irada por ela não ter

ligado imediatamente de qualquer forma. Por agora, no entanto, ela teria que decidir por conta
própria. Ela deixaria o Rei Tariq para trás ou arriscaria tudo pela chance de fazer parte de algo
que poderia mexer com as bases do mundo?”
***

“Como se sente hoje?”


“Muito melhor,” Sarah saudou, enquanto o mordomo – o hotel providenciava um mordomo! –
guiava seu potencial empregador para dentro. Ela não estava o esperando tão cedo, e estava
vestindo apenas uma blusa de alça e shorts largos. Tudo o que estava planejando fazer nas
próximas horas era aninhar-se no indecentemente confortável sofá com uma xícara de chá de
ervas enquanto tentaria atualizar seus e-mails no iPad de ouro 24 quilates da suíte.
iPad de ouro 24 quilates.
Chuveiros maravilhosos ela adorava, mas algumas coisas eram simplesmente demais. A área
de estar da andar de baixo era uma paleta de azuis profundos, vermelhos, e amarelos

acentuados com dourados e marrons e uma janela panorâmica enchia o lugar de luz. Até mesmo
as almofadas eram grandes e fofos quadrados dourados cintilante. Tudo rodeado pela
sensacional vista do oceano azul cristal.
O sheik estava rodeado por várias mulheres jovens que estavam ocupadas com pequenos
pacotes e embrulhos. O próprio Tariq estava carregando uma pasta preta que combinava com o
elegante terno de seda cortado perfeitamente para ele. Ela nunca havia visto antes alguém
talhado tão bem nas proporções de um super herói humano.
Eu imagino se ele percebeu que percorri seu abdômen com minhas mãos? Por algumas horas
apenas.
“Minhas compradoras pessoais,” ele explicou. “Elas compraram para você algumas roupas

extras e um novo telefone. Nós encontramos a carcaça do seu antigo na limusine. O meu pessoal de

tecnologia conseguiu recuperar o chip do seu telefone sem danificá-lo.”


Uma das compradoras trouxe a ela a caixa com o novo telefone e ela a recebeu baixando

a cabeça educadamente. Era o último modelo, claro, e ela estava feliz em ver que não era
banhado a ouro. Não, era ao invés era de um verde surpreendente, mesclado com veios de um
jade claro. Na parte de trás, o favo de mel logo de sua firma de design estava estampado e
gravado com Johnson Designs Incorporated.

“É lindo.”
“Eu acredito que Mariska providenciou-lhe sapatos e uma bolsa combinando,” ele respondeu,
piscando.
Ela sorriu de volta para ele. “Nossa, obrigada, meu sheik.”
Em seguida ela notou como seus olhos estavam demorando-se nela. Aqueles olhos chocolate,
talvez em casa, na face de um Labrador, estavam acesos com fogo novamente. Ele tentava não
olhar fixamente ela sabia, mas ela podia sentir sua escrutínio dançando acima em suas pernas, nas
pontas dos pés em torno de seu estômago vestido translucidamente, e descansando em seu decote
solto.

Sarah sentiu o fogo que ela tentou esmagar no chuveiro acender novamente por debaixo do
desejo em seus olhos. Quando os olhos dele finalmente encontraram os dela, a fome bruta que ela
enxergou ali quase a consumiu.
***

Tal visão nunca havia sido tão bela ou atraente para Tariq. Sarah Johnson aninhada no sofá
com o que seria uma quantidade de roupas que seria considerada indecente por qualquer mulher
islâmica. Suas longas pernas eram macias e brancas, pontilhadas com sardas enquanto as coxas
desapareciam por trás de seus shorts brancos simples. A parte de cima que ela vestia rastejava
acima de seu estômago, deixando um pequeno pedaço de pele que o espiava. E a gola cavada,
que provavelmente davam alívio para a pele marcada pelo sol, deixava ressurgir as sardas

escuras enquanto elas dançavam ao redor dos globos de seus seios fartos e subiam seu pescoço.

O sheik não era tolo com mulheres bonitas. Em seu harém ainda restavam algumas
concubinas que poderiam tentar a alma de qualquer homem. Mas essa mulher, este pequeno tição,

revirou algo dentro dele de uma forma que ele nunca havia sentido antes.
Ele podia sentir o sangue correndo de sua cabeça para lugares ao sul e tinha que travar os
dentes para não rugir para ela. Até sem maquiagem, seus lábios eram carnudos e rosados, e seus
olhos brilhavam sob o sol de Dubai. Quando os seus olhos os encontraram, ela parecia quase

ofegar para ele, o desafiando a fazer alguma coisa.


Em seguida ela piscou e o feitiço estava acabado.
“Perdoe-me, Rei Al-Amad. Eu não o estava esperando tão cedo. Permita que eu me vista e
nós poderemos discutir o memorando.”
***

Eles estavam discutindo detalhes de seu contrato pelas últimas duas horas. Desde que ela
tinha se trocado, com uma blusa de manga comprida azul marinho e calças, ambos podiam se
concentrar mais facilmente. O delicioso aroma de baunilha apimentado e musky que vinha de Tariq
causava um efeito estimulante em Sarah, mas eles estavam progredindo em sua discussão sobre

alguns desacordos na última cláusula.


“Mas você não é uma bioquímica!”
“Eu não ligo. Se o design é meu, eu detenho a palavra final. Eu assino ou não fica na lista de
pendências, Tariq.”
“Você é irritante,” ele disse, apertando os olhos.
“Bem isso é o que leva por contratar uma ruiva do Texas, colega.” Ela piscou. “Veja eu não
estou tentando cortar suas pernas. Mas eu estou liderando um projeto, eu conheço tudo que vai
nele. Cada pedaço de DNA que compõe esta criança terá minha assinatura.”
“Deixe que uma mulher faça disso uma criança,” ele resmungou.
“Não me venha com essa. Você sabe que é apenas uma metáfora. Além disso, nós dois

sabemos que a palavra final será sua. Isso é apenas algo sobre o design para que possamos

seguir adiante.”
Tariq balançou a cabeça, mas rubricou suas alterações. “Está feito, assim diz Rei Tariq Al-

Amad.”
“É um prazer ser uma parceira oficial da Al-Amad International,” ela disse fazendo uma
falsa reverência.
Os dois riram pela primeira vez em algum tempo – ela como uma música que ele nunca

havia ouvido. Ele tinha uma risada crescente que enchia o quarto.
“Eu acho que você deveria me levar para jantar e celebrar.”
“Eu achei que talvez você estivesse um pouco dolorida para aceitar uma noite na cidade.”
Ela franziu um pouco e balançou a cabeça. “Não, não contanto que os seguranças que você
me prometeu estejam com a gente. Eu decidi fazer isso, e eu não viver cheia de medos. Esta não é
quem eu sou não é quem eu quero ser. Além disso, você ainda me deve um jantar apropriado.”
“Vou chamar meu segurança agora.”
Capítulo Cinco

Sarah segurou seus saltos em suas mãos enquanto ela andava atrás de Tariq pelas areias
brancas da ilha particular do Burj Al Arab. Ela havia suspeitado que eles jantariam em um dos

famosos restaurantes do hotel mas presumiu que seria na parte de dentro. Ao invés, estava sendo
escoltada para uma mesa privada na praia, no Majilis Al Bahar enquanto a brisa fresca do
entardecer soprava seu esvoaçante vestido envelope branco.
Seu vestido era conservador para os padrões ocidentais, acentuado com um pendente de

esmeralda e anel combinando. Ela escolheu uma maquiagem suave com apenas alguns toques de
delineador e batom vermelho suave. O sheik estava usando outra túnica branca, sua cabeça
estava coberta por uma ghutra e sapatos canvas nos seus pés.
De longe Sarah podia ver o prédio estilo cabana que abrigava o restaurante e várias
outras mesas ao longo da praia. A areia foi alisada e coberta com uma enorme mesa e cadeiras
de veludo que os aguardava. Assim que eles tomaram seus lugares, as luzes do Burj Al Arab se
acenderam, envolvendo a praia com um brilho quente acompanhado apenas pela luz da lua.
Ela podia ver o reflexo do edifício balançando nas ondas do mar como um gêmeo acenando
de volta do fundo de uma piscina, e no horizonte o restante da cidade se agitava na noite. Ela não

estava certa se o esplendor de Las Vegas poderia ser comparado a essa maravilha de iluminação.
“Há poucas coisas mais bonitas que essa vista,” disse o sheik enquanto sorria para ela do
outro lado da mesa.
“É de tirar o fôlego. Uma maravilha da arquitetura e engenharia.”
“Sim,” ele concordou se virando para o cardápio, “o prédio é adorável também.”
Sarah pôde sentir o sangue subir para as já rosadas bochechas enquanto que o garçom
surgiu à mesa. Ele era um homem magro, em trajes de garçom realçado por uma faixa dourada.
Um fino bigode contornava sua boca e formava um cavanhaque, feições europeias muito distintas.
Ela havia lido que a maioria dos chefs foi importada para Dubai. Talvez eles tenham trazido seus

próprios funcionários também?

“Senhora, o que posso oferecer para beber? Nossa seleção de vinhos e sucos não tem
comparação,” disse o garçom.

“Gostaria de um suco de uva vermelho com gás?”


“Não se prive de nada, você é minha convidada,” Tariq falou.
“Ah não, eu apenas nunca fui muito acostumada. Ou tomei gosto por vinho para ser sincera.
Mas eu adoraria alguma coisa doce e encorpada e que faz cócegas no fundo da garganta.”

“E você sheik?”
“O mesmo que a dama. E prepare alguns petiscos enquanto nós decidimos.”
“Certamente. Eu voltarei num instante.”
“Eu vejo que você usa a mesma voz da sala de reuniões para comandar os serventes,” ela
riu.
“Um governante exige respeito a todo o tempo,” ele proclamou. Depois se moveu para
frente com uma leve piscada. “E devo fazer todos curvarem-se diante de mim.”
Sarah gargalhou, bebericando da taça com água que estava diante dela. A noite estava
fria, mas refrescante, e o cheiro do ar marinho era um alívio para o abafamento de seu quarto de

hotel.
“Obrigada por isso. Por mais assustadoras que as coisas tenham sido, eu não acho que
poderia simplesmente me sentar naquele quarto absurdamente imenso e puxar os cabelos pelos
cantos.”
“Nós não gostaríamos que tal glória seja desperdiçada,” ele disse erguendo sua própria
taça, simulando um brinde.
“Sobre isso...” Sarah começou, correndo seu dedo ao redor da beirada de sua taça.
“Quando nós nos conhecemos, você me olhou como se nunca tivesse visto uma mulher de cabelos
vermelhos antes.”
Rei Tariq parou, procurando as palavras certas enquanto os olhos verdes e surpresos dela

olhavam para ele.

“É verdade que eu já conheci várias pessoas nas caminhadas da vida,” ele começou. “Todos
os formatos, tamanhos e cores. Mas havia uma história do Alcorão, uma sobre a criação da vida.

Fala sobre como Allah fez anjos a partir da luz. Da terra esculpiu o homem, e do fogo sem fumaça
ele criou o Gênio. Eu nunca fui capaz de compreender aquela última descrição que falava de fogo
sem fumaça até eu ver você.”
Sarah piscou os olhos quando a taça de suco foi posta diante dela. Seu coração batia em

seu peito e outros lugares estavam latejando também. Ela tomou de uma só vez o delicioso suco de
sabor adocicado profundo e formigou sua língua enquanto os garçons colocavam diferentes tipos
de apetitosos petiscos sobre a mesa. Havia o tradicional mediterrâneo como hommus e pães pita,
folhas de parreira, e quibes, mas também presunto cru e melão e camarões do tamanho de seu
punho acompanhados por molhos variados.
“Isso é o que você chama de petiscos, meu sheik?” ela provocou.
“Vai definitivamente servir como petiscos para mim, pequeno tição.”
***

King Al-Amad estava terminando sua kafta de cordeiro e assistindo Sarah fitar o mar com

um sorriso de contentação no rosto. Ele cautelosamente tateou a barba, procurando por faíscas de
arroz ou carne que talvez causassem embaraço mais tarde.
“Divida uma sobremesa comigo,” ele ofereceu.
“Eu acho que não posso fazer caber mais nada em mim ainda que minha vida dependesse
disso.”
“Que pena.” Ele sorriu. “Eles fazem um parfait gelado de pistache maravilhoso aqui.”
“Bem”, ela disse levantando uma sobrancelha para ele. “Talvez uma mordida.”
Tariq deixou escapar um grande riso e acenou para o garçom. Ele ordenou que trouxesse
um parfait e duas colheres e acomodou seu olhar de volta para a adorável mulher a sua frente.
Havia ainda algo misterioso para ela, algo desejoso que a chamava para ele.

“Eu devo confessar algo, Lori. Em nosso primeiro encontro, quando eu mencionei que era do

tipo que me aprofundava. Era verdade. Eu talvez tenha tomado conhecimento sobre sua mãe.”
Os olhos de Lori abaixaram, mas ela não os desviou. Apenas suspirou.

“Ela foi pela qual você se interessou por arquitetura sustentável, não foi?”
Sarah fez que sim com a cabeça, limpando a garganta. “Ela era uma guarda nacional, e foi
convocada para trabalhar quando um furacão provocou destruição na América. Tudo e todos
naquela confusão estavam despreparados... desprovidos. Então havia muitas pessoas sem lugar

para ir. Até os hospitais estavam superlotados. Sem vagas nos albergues, sabe?”
Tariq apenas movimentou a cabeça, mas esticou sua mão através da mesa. Ela a segurou
sem hesitar.
“Bem, minha mãe estava trabalhando numa tentativa de retirar uma mãe e seu filho de um
carro esmagado. Alguns dos equipamentos falharam e a feriram, quebrando o seu braço. Não
parecia uma grande coisa, mas como eu disse, não havia abrigo. Então eles improvisaram uma tala
e encontraram um local onde ela pudesse deitar.”
“Mas ao mesmo tempo, o garotinho do acidente de carro tinha uma perna quebrada. Pernas
valem mais que braços, certo? Então a mamãe cedeu seu lugar,” Sarah disse, fungando enquanto

uma lágrima rolava pelo seu rosto. “Então eles a encontraram uma hora mais tarde, morta por um
coágulo que havia ido para seus pulmões. Então eu acho que meio que virei o Batman da
assistência em catástrofes, querendo ter a certeza que ninguém mais morreria só porque não há
lugar para eles irem.”
“É muito admirável. Seu trabalho tem salvado muitas vidas.”
“Mas nunca a que eu queria que tivesse sido salva.”
“Ela estaria muito orgulhosa de você, Lori” ele disse, apertando sua mão.
“Mamão sempre me chamava de Loretta,” ela riu, enxugando a lágrima. “Ela era louca por
música country e me deu esse apelido depois de conhecer uma de suas cantoras favorita.”
“Senhorita Loretta Lynn?”

Os olhos de Lori voltaram-se para ele. “Você conhece música country?”

“Algumas. Meu pai tinha muitos investimentos em cavalos puros sangue ao redor do mundo,”
ele explicou. Nós passávamos muito tempo em Kentucky por causa das corridas, e minha mãe

também era fã desse tipo de música. “Eu não tenho certeza se meu pai aprovava o gosto dela,
mas este era um segredo que eu mantive para ela.”
“Trabalhando de nove as cinco ouvia muita música no rancho, devo admitir. Country não é
minha favorita nem de longe, mas quando eu precisava dela, eu acho que parecia como um

cobertor quente para mim,” ela disse, sorvendo o restante de seu suco de uva. Ela não certeza se o
garçom havia servido vinho no final das contas, pois sentia sua cabeça tão leve.
“Como era seu pai?” ela perguntou.
“Ele era um homem bom. Um forte governante que era amado pelo seu povo e sua família.
Um homem tirado muito cedo do mundo, assim como sua mãe. Eu cheguei ao poder na idade de
vinte e dois anos graças a bala de um covarde.”
“Eu sei. Eu fiz minha pesquisa também. Mas eu gostaria de pensar que ele estaria orgulhoso
de você. Eu vi a convicção em seus olhos quando você disse que iria ajudar aquelas pessoas nos
campos de trabalho. Eu sei que você é um homem bom, Rei Al-Amad.”

“É um desafio ser um homem decente e um forte governante. Minha própria mãe, Allah a
abençoa e a guarde bem, me castigou tanto. Ela era uma mulher simples, uma mulher do harém,”
ele disse.
“Ainda existem haréms?” ela perguntou, num tom inquisitivo, mas sem ser dura.
“Claro que sim, provavelmente não como você os imagina. O harém é a residência das
mulheres do palácio – garotas que servem, mas sim, também concubinas. Mulheres que decidiram
se oferecer como mão direita do sheik com quem talvez ele se deite mais tarde e gere mais
crianças. Nos dias de antigamente eles também tinham muitos escravos e prisioneiros de guerra,
mas nos dias atuais, muitos – que caso contrário seriam expulsos – buscam a proteção de seu
governante.”

“E sua mãe?”

“Meu pai teve uma primeira mulher, e ela não era minha mãe.”
“Mas os sheiks frequentemente não tem muitas esposas?”

“Se ele assim escolher. Meu pai poderia ter escolhido entre milhares de esposas,” ele pausou
para acalmar sua voz.
“Eu não quis dizer...”
“Sheika Aalia foi à primeira rainha de meu pai, e ele a amou muito. Mas Allah, não

abençoou seu útero com a habilidade de gerar uma criança. Por que meu simplesmente não tomou
outra noiva eu nunca entendi, mas ela suplicou ao meu pai que fosse até sua concubina favorita e
gerasse frutos. E assim foi, mas enquanto eu crescia no útero de minha mãe, algo terrível crescia no
de Aalia.”
“O câncer que a impediu de gerar a vida começava a tirar a sua própria. Foi seu desejo
que meu pai elevasse minha mãe como sua irmã esposa para que eles pudessem me criar juntos
com o tempo que ainda a restava. Eu fiz parte de quando ela morreu, e minha mãe foi feita a
próxima Sheika de Varapur. Minha mãe sempre me lembrou de que o amor foi o que fez todas as
coisas possíveis através de Allah.”

“Todos eles me parecem incríveis,” Sarah disse, com um sorriso largo. “Minha tia tentou
ajudar minha irmã e eu, depois que mamãe se foi. Eu estava sempre enterrada nos trabalhos
escolares, mas Lilly era a criança rebelde. Dê a ela alguma coisa, qualquer coisa, e ele se
rebelaria contra aquilo. Quando ela me tirava de casa, geralmente envolvia algum tipo de
confusão. Graças a deus nós conhecíamos a maioria dos policiais da cidade.”
“Lembre-se de que eu tenho um irmão mais novo. Eu posso totalmente ceder à tentação de
ser uma terrível influência,” ele disse como um sorriso de gato Cheshire.
A sobremesa foi servida pouco depois disso, um delicioso retângulo verde de creme gelado
de pistache em quadrados de bolo de avelã com chuviscos de mel de limão. Sarah cortou um
pedaço e levo a boca. Ela não pode evitar gemer enquanto a doçura acariciavam suas papilas.

Tariq assistia por trás de um largo sorriso a sua mais obscena demonstração de prazer. Ele

também escavou um grande pedaço de sobremesa e a deixou cair dentro de sua boca. Ele
sonorizou seu próprio hum de prazer, mas franziu quando ouviu seu pequeno tição dar uma

risadinha. Assim que ele havia começado a pensar nela como seu tição, ele estava incerto.
“Você tem bolo na sua barba,” ela disse com um sorriso luminoso. “Eu posso?”
“Não se pode limpar bolo da barba de um sheik.”
“Ah me faça o favor, é uma sujeirinha bem ali. Deixa-me tirar isso para você.”

Antes que ele pudesse sequer rejeitar sua ridícula idéia pela segunda vez, ela já havia se
movido para a cadeira ao lado da sua e usava um guardanapo sobressalente para escovar sua
barba escura.
***

Sarah tomou sua face gentilmente em suas mãos, aproveitando a oportunidade para
realmente olhá-lo bem de perto. Apesar de todo o seu comando e autoridade, seus traços
escondidos por detrás da barba lembravam os de um menino. Ele apenas tinha feito trinta anos
neste último verão, e ela estava certa que suas pescoçadas eram apenas para manter o fator
intimidação.

Ela alisou sua barba para baixo depois de limpar a última faísca de bolo e o toque áspero
contra suas mãos fizeram cócegas ficando pensamentos de sobre sensações semelhantes em suas
partes de baixo. Suas coxas se apertaram com o pensamento e ela sentiu o calor exaltar-se em
suas bochechas. Os olhos de Tariq permaneceram trancados aos seus enquanto os dedos de Sarah
tocavam o contorno dos lábios dele.
“Talvez este não seja o melhor lugar.” Mas Al-Amad foi liquidado com a pressão suave dos
lábios de Lori contra os seus. Foi tenro e gentil, como o toque de flores sedosas.
“Obrigada, Tariq,” ela disse de forma simples.
Ele a puxou para os seu colo, e ela pôde sentir sua rigidez a pressionando. Mesmo assim ele
não fez nenhum movimento, mas a aninhou em seu peito largo. Seu cerne queimou de desejo, mas

algo no fundo de seu ser precisava ser contido. Tudo nos últimos dias havia se intensificado muito.

Ela se contentava em apenas desaparecer na essência condimentada de baunilha e musk com a


sensação dos músculos fortes por detrás dela.

Ela não tinha certeza de quanto tempo havia ficado daquele jeito, protegida, apenas
ouvindo a batida de seu coração. Mas muito cedo ela sentiu seus lábios no topo de sua cabeça
enquanto ele se virava.
“Vamos agora, eu temo que nossa noite tenha que acabar pequeno tição. Vamos voltar.”
***

A caminhada de volta para o hotel foi quieta, mas feliz e o sheik assistia enquanto o vento
da noite soprava o vestido branco em torno das curvas de Lori. Ela caminhava alguns passos a
frente dele, trilhando os dedos pela areia, o brilho efêmero da cidade a noite brilhava em sua
pele. Ela não tinha certeza do quê naquele abraço a fez sentir-se tão protegida, mas tudo parecia
um milhão de vezes mais leve.
Ela olhou para ele por cima de seu ombro com seus olhos verde claros cintilando sob a luz
da lua e faíscas de fogo dançavam ao redor de sua face. O sorriso em sua face era lúdico, e ele
encontrou seus olhos na mesma sintonia. Ela podia perceber que ele estava tentando entender seu

mistério na noite de hoje – sua intrigante dança entre uma mulher de negócios brusca e uma quase
garota quase ninfa o deixava perplexo. Sarah sabia que ele estava tentando esconder o olhar
malicioso, mas ela não tinha dúvidas na lembrança de seu quadril o pressionando manteve seus
pensamentos impuros.
Quando eles chegaram ao elevador privativo para o quarto dela, ela bocejou e deitou sua
cabeça em seu braço grosso. “Foi uma noite mágica, meu sheik.”
“O prazer foi todo meu,” ele disse enquanto deslizava sua mão larga em seu rosto.
Ela pressionou a face contra o calor de sua mão, sorrindo para ele. Rei Al-Amad abaixou-se
e retribuiu o beijo de logo cedo. O gemido que escapou de sua boca encheu a dele e logo ele
pressionava sua língua contra a sua. A barba em seu pescoço contra sua face queimada era

demais no início, mas o calor que queimava dentro dela a impelia.

As mãos de Lori deslizaram até a curva de seu pescoço musculoso enquanto ela seus seios
eram pressionados contra seu peito. O tecido suave de seu sutiã foi comprimido contra seus

mamilos eriçados provocando solavancos em todo o seu corpo.


O sheik em retorno a pressionava contra a parede do elevador, deslizando sua língua
gentilmente em seu pescoço. Beijos doces faziam cócegas em sua clavícula até alcançar sua jugular
pulsante. Uma enorme mão agarrou a curva firme de seus quadris, trazendo seu cerne junto a sua

coxa.
Sarah chiou enquanto sua mão direita deslizava por baixo das dobras de seu vestido, por
cima de sua calcinha branca de algodão e a sugou.
A repentina onda de calor em seu cerne foi acompanhada pelo magnífico toque de seus
dedos. Ela jogou sua cabeça para trás com um alto choramingo. O frescor do ar condicionado
girava ao seu redor misturando-se ao calor deles enquanto a outra mão de Tariq amassava seus
seios muito cobertos.
Sarah puxou o nó do vestido por trás de sua cintura, deixando o abrir para ele. Os olhos do
sheik queimaram pelo seu corpo abaixo enquanto ela ofegava por debaixo dele, e ele apalpou a

taça que impedia o acesso ao seu monte. Sua barba trilhou pelo vale de seus seios maravilhosos
para reivindicar o pico rígido e ela choramingava seu nome. Ele se vangloriou em sua carne, e a
sensação de seus dentes nela enviaram pulsos de desejo para seu cerne.
Ela mal podia respirar, mas seus pulmões ofegavam por ar enquanto a boca dele devastava
sua delicada pele. A mão entre suas pernas se tornaram mais insistentes, e por trás dos olhos
cerrados, ela sentia seu enorme polegar deslizando pela faixa de sua calcinha. Sua garganta
deixou escapar um gemido enquanto o algodão deslizava por suas coxas abaixo e as rijas cerdas
da barba do sheik trilhavam por seu estômago tenso.
Sarah pensou por um momento, estúpido minuto que talvez ele estivesse ajoelhando para
fazer uma prece em sua intenção, mas em seguida ela sentiu seu corpo deslocar-se. Tariq empurrou

suas pernas para cima de seus ombros como se ela fosse um templo carnal. Antes que ela pudesse

recuperar o fôlego, ela sentiu seus polegares separando seus lábios internos. A língua do sheik,
aveludada e lisa, correram por suas dobras, arrancando um profundo gemido dela. Ela apoiou-se

contra o corrimão do elevador, enganchando suas pernas em seus ombros o máximo que pode.
Um enorme dedo penetrou seu canal, espalhando sua excitação por ele enquanto sentia sua
língua plana sobre sua entrada. A cartilagem rígida de seu nariz enterrava-se nos cachos
escarlates e úmidos, persuadindo seus centro nervoso contra seus lábios e língua. Golpes amplos

lambiam acaloradamente a parte mais sensível de seu cerne enquanto choramingos de prazer
saiam dela.
A tensão de seu corpo espiralava enquanto luzes roxas e rosas dançavam por trás de seus
olhos. Fogo derramava de seu cerne enquanto Tariq esfregava sua barba pela sua carne sensível
somando novas fascinantes sensações que ela nunca havia conhecido antes.
Ela sentiu um segundo dedo golpeá-la, alongando e a enchendo com rapidez enquanto seu
corpo reagia e ele. Sarah chorava e tentava se agarrar a alguma coisa, sentido que iria partir em
duas a qualquer momento.
Finalmente, a carícia da língua dele a separou, enquanto ele sugava seu feixe. As coxas de

Lori trancaram com força a cabeça do sheik, puxando-o para ela. Foi como se um vulcão tivesse
irrompido de seu ventre, enviando ondas elétricas de euforia por todo o seu corpo. Ela estremecia
descontroladamente enquanto gritava obscenidades que mais tarde rezaria para não ficar fora
do céu antes de, finalmente relaxar em torno de Tariq.
Sarah sentiu o elevador reiniciar novamente enquanto tentava permanecer de pé nas pernas
bambas. Ela curvou-se em direção ao corpo másculo do sheik, inalando sua essência de suor e
sexo. Mais alguns minutos para se recuperar e talvez ela devolvesse a gentileza.
As portas do elevador abriram e ela pisou para fora, virando-se para ele.
“Talvez seja melhor que eu vá agora,” ele ofereceu como uma voz ainda carregada em
desejo. Ela podia ver que ele estava lutando contra seus instintos para simplesmente não rasgar as

poucas roupas que restavam e tomá-la exatamente onde estavam.

“Talvez tenha sido um pouco rápido... mas não bem vindo,” ela disse.
“Nós teremos tempo. Não se constroe um palácio em um único dia. Nós temos negócios pela

manhã, mas você almoçará comigo. Eu adoraria mostrar-lhe o bairro de Deira.”


“Temos um encontro, meu sheik.”
Capítulo Seis

A sempre e crescente presença do café turco preencheu a manhã enquanto Sarah repassou
os planos para o palácio do sheik. Ele sempre foi de levantar cedo mas mesmo uma sessão íntima

com o maravilhoso chuveiro do hotel ainda não havia apagado sua frustração pelo toque de Tariq
para que pudesse dormir facilmente.
Mesmo após meia hora de yoga, ela ainda se sentia no limite. Era seis da manhã em Dubai,
mas em casa era em torno de nove da noite. Para que serviam as irmãs, afinal de contas?

O telefone foi atendido no terceiro toque. “Então você finalmente está ligando?”
“Hey Lil,” ela disse, animando-se ao ouvir a voz da irmã. “Desculpe, tem sido... dias intensos.
Eu imaginei que você estaria ocupada, ralando para a sua mostra, de qualquer forma.”
“Sim, na verdade começa em dez minutos, mas eu tenho tempo para distribuir um pouco de
amor. Como está na terra dos sheiks e dos camelos?”
“Não exatamente como você deve estar imaginando, Lil. É Dubai. O banheiro do meu quarto
tem acessórios em ouro sólido.”
“Mentira!”
“Não, um verdadeiro desperdício. Tem mais carros esportivos que camelos, irmã. Mas eu

assinei na linha pontilhada. Eu ficarei por aqui mais alguns dias. E depois, vou para casa por um
período. Ainda existem algumas preliminares antes que eles possam de fator arrebentar o chão.”
“Sério? Deve ter sido um belo de um negócio.”
“Se eu te dissesse pelo telefone, você teria um ataque do coração, mas é mais que o
dinheiro. Tariq está trabalhando em algo super importante, e eu quero ser parte disso,” ela disse,
sentindo uma bola de calor em seu peito.
“Tariq né?”
Ah que droga!
“Bem, ele tem sido legal. Eu esperava que ele fosse um idiota convicto, mas ele tem sido

flexível,” Sarah tentou disfarçar.

“Ah, eu aposto que ele tem. Você deveria disfarçar melhor do que tentar esconder coisas da
sua irmã gêmea.”

“Tudo bem, talvez tenha havido alguns momentos intensos para dizer o mínimo. Eu não sei. É
provavelmente apenas uma chance de ir mais devagar e de fato conversar com alguém.”
“Ponha prá fora,” sua irmã mandou.
“Teve beijos, e. outras coisas.”

“E aí você cedeu?”
“Não na verdade foi ele. Eu poderia que ele não queria, mas... bem ele definitivamente quer
mais, mas vai garantir que seja feito da forma dele.”
“Filhos da mãe metidos são os mais divertidos. Se eles não fossem cheios de bobagens,” sua
irmã provocou.
“É mais do que isso. Quando ele fala sobre as coisas com as quais ele se importa, alguma
coisa meio que me toca.”
“Olha você é uma garota adulta. Eu não vou te encher com bobagens do tipo, o coração
deseja, o coração deseja. Você sabe que não é meu estilo. Você sempre foi a mais esperta de nós

duas então apenas tente ser esperta com esse aí.”


“Eu te amo, você sabe. Agora trate de ir antes que você esteja mais atrasada do que é
aceitável.” Sarah disse.
“Eu também te amo.”
“Com licença, senhorita Johnson,” chamou Jammal, um dos seguranças pessoais que o Rei Al-
Amad havia deixando com ela. “Senhorita Kabir está para vê-la.”
“Obrigada Jammal,” ela respondeu.
“Bom dia, Lori. Rei Al-Amad pediu-me que lhe trouxesse esses dados,” Tufa a cumprimentou
enquanto entrava.
“Bom dia para você também,” ela disse pegando o cartão de memória com sua mão direita.

Ela alcançou uma toalha que estava perto – e senhor deus havia algo naquele quarto que não

tinha sido feito pelos céus – para enxugar as últimas gotas de suor da yoga de sua face. “E muito
obrigada pela loção. Tem ajudado muito. Já não sinto mais minha face em brasas.”

“Eu estou muito contente em ouvir isso. Eu tenho certeza que vai agradar meu sheik também,”
Tufa disse com um discreto sorriso. Sarah esperava que o rubor rastejando através dela pudesse
ser confundido com o esforço físico antes que Tufa continuasse, “Ele não gostaria que você sofresse
qualquer desconforto.”

“Ele é um homem incrível, não é?”


“Rei Tariq é diferente de qualquer homem que eu já tenha conhecido. Ele...” Tufa parou,
curvando sua cabeça.
“O que foi? Está tudo bem.”
“Ele me deu uma das melhores coisas da vida. Ele me deu a liberdade que eu nunca imaginei
que eu poderia ter. Eu era filha de uma costureira no harém quando Sheik Murshid Al-Amad
governava. Tariq e eu éramos amigos, de espécies diferentes, o quanto alguém poderia ser do
filho de um sheik. Numa certa vez eu disse a Tariq que eu sonhava em ver o mundo além do harém,
em ter uma educação como a que ele recebeu.

“Quando eu tinha dezessete anos, Tariq convenceu seu pai de que eu poderia ser mais que
uma costureira. Ele o convenceu a permitir que eu tivesse um professor particular e se pudesse me
superar poderia seguir uma carreira.”
“E o Rei Tariq a aceitou como sua assistente pessoal?”
“Não foi dado!” a mulher de cabelos pretos defendeu, mas depois suavizou.”Eu trilhei meu
caminho degrau acima assim como qualquer funcionário da Al-Amad International.”
“Não Tufa, me perdoe. Eu não quis ofendê-la,” Sarah disse tocando o braço da outra mulher.
“O sheik, ele exige o melhor, mas é um homem justo. E tal rigor é um fardo para ele,” ela
disse, retribuindo o toque no antebraço de Lori e olhando em seus olhos com seus globos escuros
iluminados. “Eu lhe digo isso porque desde que ele tem estado com você, parece que seu fardo

está mais suportável”.

Sarah tinha certeza que todo o sangue de seu corpo estava visível por cima de sua pele.
“Bem, aham, eu provavelmente devo dar uma olhada nesses dados.”

“Certamente. Ele disse que está criptografado, mas a senha é uma cantora sobre a qual
vocês estavam discutindo ontem à noite, primeiro e último nome com letra maiúscula.”
Enquanto Tufa se retirava, Sarah plugava o flash drive em seu laptop. Um caixa de diálogo
apareceu automaticamente solicitando a senha.

LorettaLynn
Um explorador de arquivos apareceu com uma lista de arquivos sobre o dispositivo M.E.V. e
documentos sobre o time com quem ela iria trabalhar. Satisfeita, ela fechou tudo e alongou-se
permitindo que o que Lilly e Tufa lhe falaram assentar. Ela poderia ser esperta com isso, o contrato
foi assinado, e ela não era realmente uma empregada do sheik, certo? Ela era mais uma
consultora, uma parceira. Contanto que ela mantivesse as rédeas do projeto, talvez ela pudesse
deixar-se aproveitar dos beijos quentes de Tariq e ver no que iria dar.
***

Suas reuniões da manhã haviam ido bem. Sarah presumiu que o sheik tenha preparado seu

time de pesquisa e desenvolvimento para estarem sob a liderança de uma mulher, e apesar de
alguns olhares irritados, nada foi dito. Ela tinha que admitir, ele reuniu os melhores. Além de seu
pessoal da Al-Amad International, havia outros consultores de todo o mundo, de engenheiros
elétricos, bioquímicos, e geólogos, até o pessoal de design interior.
Agora ela e o sheik estavam velejando juntos em um abra privativo, um tradicional barco de
madeira coberto que transportava pessoas através de Dubai Creek. Ela sentou-se atrás num dos
bancos que cobria seus ombros dos raios de sol que brilhavam nas ondas das águas azuis
cristalinas.
“Eu estava pensando sobre o problema que Abdul está tendo,” Sarah começou.
Tariq riu enquanto brincava com uma mecha de cabelo que havia caído detrás da orelha de

Sarah. “As maravilhas de Dubai Creek e você ainda está pensando em trabalho. A mulher por trás

de mim.”
“O que eu posso dizer, minha mente vagueia. Mas sim, eu me lembro de alguns relatórios

dizendo que eles têm tido problemas com os cortes de energia. Um dos projetos em que trabalhei
há alguns anos atrás teve problemas semelhantes. Eu vou ver se posso desenterrar a informação e
passar para a equipe dele.”
“Você algum dia cessará em trazer-me boa sorte?”

“Bem, vamos ver,” ela disse entrando em seus braços. Devorar sua boca ali mesmo na abra
não seria uma boa ideia ela sabia, mas o desejo nos olhos dele fez com que fosse difícil resistir.
As claras de ovo que ela comeu no café da manhã não foram suficientes. Seu estômago
estava faminto por mais alguma coisa e rugiam pelo almoço.
“Nós estamos quase lá, meu pequeno tição.”
Logo o barco atracou e eles seguiram pelas ruas de Deira souks. O sheik havia insistido para
que ela provasse os frutos do mar frescos do mercado de peixes de Deira. Lá, o mercado era um
monumento de pedra e vidro repleto de barracas com gelo e peixe de todo o tipo. As cerâmicas
recém-fabricadas brilhavam sob o sol enquanto as pessoas lotavam os corredores. Com seu

comprimento estilo catedral deliciosos camarões e ostras eram abundantes, e todo tipo de
crustáceo que ela pudesse imaginar estavam expostos nas vastas vitrines.
Eles seguiram meio a agitação e barulho do mercado, entre os homens que gritavam o que
Sarah presumiu serem os preços, e às vezes peixes voavam e aterrissavam para terem seus corpos
rapidamente filetados e embrulhados como mágica. Em direção ao centro, cercado por vidros,
estava o restaurante do mercado pronto para servir a mais fresca pesca do dia aos patrões
famintos.
O sheik é claro, foi levado a sua mesa imediatamente, que já estava posta com um esplendor
de provas de frutos do mar e uma variedade de sucos e chás.
“Eu tomei a liberdade de pedir para nós. A primeira visita ao mercado de peixes de Deira

não deve ser restrita a um cardápio.”

Sarah deu um olhar desafiante para Tariq, mas aceitou o assento de bambu entrelaçado que
ele puxou para ela. Havia um verdadeiro banquete sobre a mesa, não havia limites para os

excessos de Dubai até mesmo na hora do almoço. Havia várias pequenas xícaras com sopas
fumegantes filés de peixe e lula frita. Pilhas de patas de caranguejo cozidas estavam no centro da
mesa, servidas sobre camarões rosa, ostras servidas na concha, e o que parecia um prato com
curry – peixe gato talvez?

Ela pegou uma taça servida com chá preto e ergueu-a oferecendo um brinde. “Aqui é para
o meu tamanho do meu jeans; que valha a pena.”
“Você não tem com o que preocupar-se,” ele respondeu. “A saúde e ao nosso futuro.”
“Concordo,” ela disse bebendo de sua taça. O chá era delicioso, de framboesa e menta com
um toque adocicado.
“Você causou uma impressão em nosso time esta manhã. Eu acredito que nossa empreitada
está em boas mãos. O que me lembra, eu gostaria de lhe pedir mais uma coisa. Amanhã a noite
haverá um importante jantar em homenagem ao meu irmão. Eu sou esperado lá,é claro. Eu ficaria
honrado se você estivesse junto ao meu braço.”

Os olhos de Lori abriram em discos de jade. “Eu ficaria honrada, é claro, mas eu não tenho
nada para vestir para um evento como este.”
“Minha querida, nós estamos no coração de um dos bairros mais elegantes de Dubai. Eu
tenho certeza que isso não será um problema.”
“Então primeiro nós comemos, e depois nós compramos? Você sabe como tratar uma dama.”
***

Os degraus de ouro que revestiam Deira Gold Souk cegariam até mesmo o Rei Midas.
Cordas de todos os tamanhos, encrustada com todo o tipo de pedras que o homem poderia retirar
da terra estavam expostas nas janelas das centenas de lojas. Eles circularam entre os vastos arcos
de madeira enquanto os olhos de Lori pulavam entre as diversas mercadorias como se eles

estivessem perdidos num tumba egípcia. Ele estava fascinado em como ela parecia se divertir com

o ócio das mulheres, revestidas em mais ouro do que elas podiam comportar, passando seus
cartões de crédito despreocupadamente.

Não, este pequeno tição estava olhando as mercadorias com intenção, rondando os estojos
com sua língua deslizando para fora apenas para umedecer seus lábios aqui e ali. Ela parecia
mais tentada aos rubis do que aos diamantes, a cor ousada brilhava com suas mechas de fogo.
Eles vagaram pelos azulejos brancos das ruas por aproximadamente vinte minutos quando ela

mergulhou em uma pequena loja.


“O que é isso?” ela chamou por ele.
Ela estava apontando para um pendente em um estojo que estava dentro da vitrine, uma
esmeralda arredondada com um dragão de ouro cravado em seu redor. Estava posicionado em
uma argola de ouro com lágrimas de jade caindo dela. Al-Amad sorriu com descrição abaixo dela.
Jóia de Jinni.
“Isso, meu pequeno tição, é supostamente um vaso para uma Jinni,” ele disse, depositando sua
mão sobre seu ombro.
“Jinni?”

“Um dos Jinni. Aqueles que Allah criou do fogo sem fumaça. Muito parecido com o conto da
Lâmpada Mágica de Aladin, acredita-se que alguns objetos podem capturar um Jinni malicioso. O
fogo do dragão o mantém preso na pedra.”
“Então eu simplesmente tenho que tê-lo, não tenho?” ela ronronou brincalhona. “Quanto?”
“Dez mil em dólares americanos,” o sheik disse pronto para ordenar o vendedor para
embrulhá-lo.
“Eu não posso aceitar!” ela disse e o divertiu ver como suas maças coraram, quase da cor de
suas madeixas de fogo.
“Você pode e você vai,” ele disse, pegando seu cartão de crédito. “Afinal você tem que
estar vestida apropriadamente para o jantar, é mais que um prazer.”

“É demais,” ela disse, mordendo seu lábio inferior.

Ele sorriu. Era hora de pagar a conta. Passando seu cartão para o vendedor, ele esfregou
os ombros dela. “Deixe-me fazer isso para você já que eu quase te custei sua vida. É o mínimo que

posso fazer.”
“Você me salvou. Pessoalmente!”
“E você não teria estado em perigo se meu nome e título não a tivessem exposto a rebeldes
desesperados. Por favor. Afinal de contas, nós somos parceiros, não somos?”

Ela fez que sim com a cabeça e sorriu de volta para ele, e ele percebeu como ela acendeu
todo o mercado, como fogos de artifício diante dele.
“Mas você sequer pechinchou com ele. Onde está a graça em vê-lo manobrar você antes, se
você simplesmente pagar por ele?”
Oh, seu pequeno tição.
Rei Tariq virou os olhos para o estojo onde a joia estava e espiou um bracelete com anel que
combinava. Era uma filigrana de ouro, em torno de cortes arredondados de jade, esmeraldas e
diamantes. Correntes de ouro, saltavam da parte de trás até anéis nos dedos médio e anular. Ele
havia visto coisas semelhantes adornando as dançarinas com véus no harém. Mas no braço de

Sarah Johnson, vestiria como uma rainha.


Ele chamou o vendedor em árabe, ordenando que um bracelete e um par de brincos
combinando fosse incluído no preço. O homem virou-se e se curvou ao seu comando.
“Minha vontade será feita.”
“Certo,” ela gracejou, assistindo enquanto a mulher se apressava para incluir as novas peças,
“mas eu tenho que fazer alguma coisa por você.”
“Nós pensaremos sobre isso depois do jantar, mas é só por uma questão de honra que eu
faço isso agora.”
Ela sorriu. “Normalmente, quando meu pai tentava compensar por alguma coisa, era com
bifes e batatas fritas!”

Ele envolveu seu braço ao redor dela e puxou para perto enquanto gargalhava. Ele vinha

fazendo aquilo frequentemente nos últimos dias, mais do que ele podia se lembrar em muito tempo.
O que ele iria fazer quando ela se fosse de volta para a América. Aquela questão iria chegar

mais tarde. Hoje ainda havia mais compras para serem feitas.
***

O caminho para o mercado de tecidos, o bairro têxtil, era como uma viagem de volta ao
tempo. Esta era a parte de Dubai onde aço e vidro – e ar condicionado – deu lugar para a pedra

gasta e madeira antiga. Os sentidos de Lori estavam em êxtase com as essências exóticas de frutas
e especiarias conforme elas vinham pelas vielas estreitas e esquinas próximas ao distrito das
especiarias.
Por quase toda sua vida, especiarias consistiram do pacote de tempero salgado que vinha
no topo do macarrão instantâneo ou do molho de pato que ela acumulava vinco com os pedidos de
comida chinesa. Mas aqui, ala mal podia acreditar no clamor e algazarra que estavam ainda mais
intensos que no mercado de ouro, já que tanto homens como mulheres negociavam sob o arco íris
de cores e sabores que enchiam as ruas. A rica essência de tabaco e jasmim destacava-se para
ela assim como brisas de mel fresco e incenso. E também algo apimentado e amargo, cúrcuma

talvez, fazia cócegas em seu nariz.


Seu sheik a mantinha agarrada contra seu peito enquanto eles caminhavam em meio a um
turbilhão de pessoas. Seus ombros amplos abriam facilmente caminho entre a multidão, e ela sentia
quase como se estivesse protegida dentro de armadura de músculos. Pelo que ela sabia, havia
vários de seus seguranças ocultados pelas sombras, mas a única coisa e fazia sentir-se
verdadeiramente segura eram seus braços.
O calor do dia os atingia e o seu cheiro misturado ao das especiarias era entorpecente. Os
cantos estreitos e as sombras criadas pelas ruas deram a sua imaginação momentos de divagação
e ela podia sentir o desejo crescendo dentro de si. Ela sabia que também estava causando o
mesmo efeito nele. O movimento da multidão, que parava e seguia, permita a ela, sem qualquer

intenção, momentos de fricção de suas costas contra ele. Sentindo-o rígido e pronto.

As grandes portas de madeira de Deira Souk têxtils os deram boas vindas com o charme
antigo e ruas ainda mais estreitas. Mas as cores claras e vibrantes das sedas e do cashemira

piscavam para ela pelas vitrines das lojas. Vestidos diversos variavam das burcas a envelopes, mas
poucos modelos de coquetel.
“Nosso jantar será fechado e com pessoas variadas. Sinta-se a vontade para ser você
mesma, meu tição,” ele sussurrou em seu ouvido.

Sarah apreciava a paciência do sheik enquanto ela explorava de loja em loja. Qualquer
pessoa poderia passar anos em um lugar como aquele com tanta variedade. Na terceira loja, ela
encontrou uma seda diferente de tudo que já havia tocado. Era leve como gaze, mas lindamente
drapeada e passava de um maravilhoso tom de verde claro para um cada vez mais escuro.
“Este seria perfeito,” ela disse.
“Então nós ficaremos com ele,” Tariq disse simplesmente.
“Mas eu não vejo nenhum vestido feito com ele,” Sarah franziu a testa.
“Não há problema. Daremos um jeito,” Tariq virou-se para uma jovem mulher por trás do
balcão e a chamou em árabe. Ela correu e antes que Sarah pudesse perceber ela estava sendo

levada. A jovem mulher, que falava um pouco de inglês, apresentou-se como Kama e a conduziu
para uma sala de vestir fechada.
“Por favor, remover suas roupas, senhorita?” Kama pediu.
Sarah fez como ela pediu, removendo sua blusa e despindo-se de suas calças azuis. Vestindo
apenas seu sutiã e calcinha, Kama começou a tirar suas medidas. Ela perguntou a Sarah sobre o
estilo do vestido que ela gostaria, para qual evento ele se vestiria, e se ela já possuía acessórios.
Sarah descreveu as peças que havia adquirido do distrito do ouro e jovem desapareceu da sala
de vestir.
Kama já havia saído por algum tempo. Mais do que Sarah esperava quando percebeu a
loja estava estranhamente quieta. A batida que veio quase fez com que seu coração saísse pela

garaganta.

“Lori, eu...” era a voz do Rei Al-Amad, “gostaria de entrar.”


A garganta de Lori ficou repentinamente seca. Ele não estava exatamente pedido mas

também não estava forçando sua entrada. Ele a estava informando-a de seu desejo e lhe dando a
chance de convidá-lo para entrar. Ela poderia vestir suas roupas rapidamente e bancar a tímida.
“Entre,” ela engoliu.
O sheik deslizou a porta e comprimiu sua moldura larga através dela antes de fechá-la por

detrás dele. Seus olhos assolaram o corpo inalterado de Sarah. Os músculos de seu pescoço
contraíram-se enquanto ele movia seu maxilar, faminto enquanto ela estava de pé com suas mãos
em seus quadris e pernas levemente separadas.
“Onde está Kama?”
“Fazendo um intervalo,” ele disse enquanto corria para ela e prensava seus lábios sobre os
dela.
Sarah gemeu em sua boca, avidamente cravando seus dedos por debaixo de sua ghutra e
entre seus cabelos negros. Ela caiu contra o espelho, sentindo o vidro frio contra ela, enquanto os
dedos dele encontravam seu caminho em direção à taça preta de seu sutiã. A sensação de suas

grandes mãos apalpando seus montes pálidos e sardentos, enrijeciam seus mamilos deixando os
evidentes e prontos. Seus polegares brutos apertando o tecido contra sua carne sensível trouxeram
gemidos de seus lábios eu desejo desmedido para seu cerne enquanto ela envolvia suas pernas ao
redor de sua cintura.
Sarah quebrou o beijo, lutando contra os botões de sua camisa branca para expor seu
musculoso tórax. Ela correu os dedos através de seu peito sólido, satisfeito com seus próprios
suspiros de prazer enquanto ela arranhava seus mamilos dourados. Ela curvou-se para frente
beijando seu pescoço largo e os tendões que ali saltavam. As mãos do sheik deslizaram por suas
costas para soltar seu sutiã, libertando seus seios.
Sua mão estava nela novamente, selvagem e faminta. Seu sheik mordia a pele macia e

pinçava avidamente a pele leitosa de seus mamilos. Sarah em retorno mordiscava sua clavícula

tentando não gritar, queimado com o toque dele, finalmente, nela. Seu canal estava em brasas e
ele a virou, com as mãos pressionando com força contra o espelho.

Rei Al-Amad desceu suas mãos por suas costas abaixo e sobre cada músculo tenso enquanto
ela implorava para ser tocada. Ela pressionou a parte de trás contra suas mãos enquanto ele
fisgava sua calcinha e arrancava por suas longas pernas abaixo. Ele se ajoelhou por trás dela,
segurando suas panturrilhas entre suas mãos fortes e dando leves beijos em suas coxas.

Sarah abriu suas pernas para ele, curvando se para frente. Um dedo grosso tateava entre
suas dobras, macias e molhadas para ele. E ela mordeu seu lábio quando ele o introduziu. A onda
de prazer tentou arrancar um grito dela conforme seu canal era invadido por ele. Pouco depois
ela sentiu sua língua deslizando pelo delicado feixe de nervos e acendendo todo seu sistema
nervoso. Sarah não podia lutar contra os gemidos que vieram em seguida, brutos e necessitados.
“Possua-me, Tariq”, ela implorava. Ela nunca havia ouvido sua própria voz tão cheia de
desespero.
Al-Amad levantou-se por detrás dela, deixando suas calças caírem enquanto se aproximava
dela. Ela pôde ver pelo espelho que ele era grosso e estava pronto para ela, olhando fundo nos

seus olhos ela arqueava sua parte de trás para ele.


“Meu tição,” ele sussurrou enquanto se pressionava para dentro de seu cerne. Ele deslizou
dentro dela devagar, tornando-se único com acesso escorregadio enquanto Sarah gemia.
Ela jogou sua cabeça para trás, seus cabelos de fogo caiam sobre suas costas enquanto ela
pressionava cada vez mais fundo contra o seu comprimento. A tensão e o calor em seu útero eram
comprimidos por cada centímetro dele e a repentina sensação de suas mãos em sua cintura e seios
prepararam seu corpo como nunca havia acontecido antes.
Ele movia os quadris com golpes deliberados, cada um levando arrancando arfadas de puro
prazer de sua boca. A sensação dos dentes dele em seus ombros eriçavam seus nervos e ela nunca
havia se sentido tão possuída antes. Seus dedos grossos acariciavam seu feixe de nervos, e a

tensão de dentro dela desenrolou-se com uma cobra e fagulhas de prazer a inundaram.

Ela estava se movendo ferozmente contra ele, seus músculos internos apertando seu membro
enquanto ele movia-se freneticamente. Ela podia sentir sua respiração quente e irregular em seu

ouvido enquanto ele enterrava sua face em seus cabelos vermelhos e rugiu “Fogo sem fumaça.”
Seu ritmo estava perdido na paixão, prazer e na tempestade de fogo rodopiando diante
dele. Ela sentiu seu sheik tenso e rugia quase um barulho feroz quando seu alívio veio, enchendo-a
completamente. Tariq colapsou no espelho e Sarah no banco logo abaixo, não o sentido mais

dentro dela. Ela virou-se cansada mas feliz e tocou seu abdome latejante enquanto ele ofegava.
Não houve palavras, apenas satisfação. Ela deu a ele um sorriso malicioso mas acenou em
direção a porta com a cabeça. Ele curvou-se de forma peculiar, mas sorrindo, e retirou-se.
Afinal de contas, ela ainda tinha um vestido para ser ajustado.
Capítulo Sete

“Meu sheik, senhor?”


“Continue Abdul,” Tariq disse voltando sua atenção de volta para a reunião. Desde que ele

fez amor com a jovem senhorita Johnson no dia anterior, ele encontrava sua mente vagando mais
frequentemente.
“Sim, como eu estava dizendo, se a aplicação no mundo real do material nos enviados pelo
M.I.T valer, nós talvez tenhamos uma solução.”

“Por que nós não descobrimos isso antes?” Tariq perguntou com olhos sérios.
“Senhor,” Jensen, um dos parceiros de pesquisa de Abdul, intercedeu. “O departamento de
pesquisa colocou o produto na prateleira. Foi considerado muito volumoso para os padrões
originais.”
“E com relação ao status da patente? Nós iremos pagar aos Estados Unidos direitos de
acesso pela glória de Varapur?”
“O departamento jurídico acredita que com tão pouco interesse de terceiros, se houver
algum problema não será difícil de adquirir para o nosso portfolio,” Abdul respondeu. “Eu acredito,
meu sheik, que nós teremos que ir para o laboratório deles para fazer os testes.”

“Isto talvez seja um problema, Abdul. O ministro da energia tem tentado classificar o M.E.V.
como um segredo de estado,” o sheik disse, posicionando os dedos sobre o queixo.
“Ele não é seu tio, senhor?” Jensen questionou.
Tariq o encarou com um olhar cortante. “E eu não estou certo se quero o M.E.V. de Varapur
em um laboratório americano.”
“Nós compreendemos senhor,” Abdul continuou, “mas não tenho certeza se temos espaço na
programação para trazer a pesquisa para nós testarmos. Nós teremos então que... o que era
mesmo, Jensen?”
“Fazer ajustes,” o homem coaxou.

“Sim, ajustes de última hora.”

“Eu quero estar lá pessoalmente. Que quero que nosso departamento legal garanta que
qualquer tentativa do ministério seja bloqueada e eu quero que a senhorita Johnson supervisione

as implantações se ela estiver disponível.”


“Meu sheik eu não tenho certeza se ela está...”
“Isso não foi uma sugestão Abdul. Nós encerramos aqui.”
O homem menor levantou-se e se curvou. Ele retirou-se da sala, seguido pelo seu sócio de

cabelos loiros. Sarah havia levado a eles essa oportunidade, então só se encaixaria se ela se
reunisse a eles. O negócio exigia seu envolvimento, não a memória dela se contorcendo sobre sua
língua ou o reflexo de seus olhos verdes cortantes o perfurando enquanto ele a penetrava tão
prontamente. Tão pouco a fantasia, dela de joelhos a sua frente com seus lábios rosados prontos
para abrigá-lo.
Não aqueles eram apenas necessidades da carne que ele poderia separar dos negócios. Ele
o fez facilmente durante toda a sua vida.
Claro, que ele pagou a mulher na loja de roupas no dia anterior para deixá-los a sós. Ele
não tinha a intenção que as coisas tivessem ido da forma como foram, mas é tão raro que uma loja

no souk estivesse vazia. E a sensação de suas curvas contra ele? Não, ele havia se convencido que
apenas queria alguns minutos com ela para lhe dizer o quanto a desejava.
Mas aí quando ele entrou na sala de vestir ela o desafiou. Ela duvidou que ele a possuiria.
Ele era um sheik e ele tomou o que desejava, e quando ela exibiu diante dele as maravilhas de seu
corpo, a pele alabastro pintada com fagulhas de fogo, queimando por trás do sutiã preto, ele a
tomou.
Allah, o perdoe se ela era um teste da sua força de vontade.
O resto de seu dia juntos foi curto, mas feliz. Não houve conversa sobre sua relação
amorosa, mas também nenhum silêncio ou olhares constrangedores. Ela havia sido capturada pelo
perfume do mercado no caminho de volta e eles pararam por um instante. Uma essência a fez

recordar de casa, algo terroso e bruto. Enquanto ela explorava os perfumes mais leves, Tariq

havia encomendado uma colônia especial feita com a essência que havia chamado à atenção de
Sarah.

Ele esperava que a agradasse aquela noite.


O sheik balançou a cabeça com o pensamento. Ele raramente antes considerou pensar em
agradar os outros. Claro que ele sempre quis satisfazer seu pai, e obviamente sua amada mãe. E
ele sempre havia tratado bem seus empregados, mesmo sendo exigente. Mas à única pessoa em

que ele poderia pensar que ativamente procurou fazer feliz era Tufa. A irmã que ele nunca teve,
mas que sempre procurou uma forma de tocar seu coração.
Estranhamente ela havia primeiramente recomendado Sarah para ele. Se a sugestão tivesse
partido de qualquer outro, apesar de suas alegações anteriores, ele provavelmente a teria
descartado imediatamente. O sheik havia pensado inicialmente que era uma das poucas, mas não
tão veladas, pequenas farpadas. As pequenas brincadeiras que ela sabia que ele a permitia, a
fizeram ganhar seu lugar como assistente dele.
Entretanto, ele manteve o nome de Lori na pilha, talvez para provocar sua querida Tufa, mas
conforme a lista foi se reduzindo, pareceu que ela o havia surpreendido novamente.

O que o lembrou, “Tufa”, ele telefonou, “meu smoking está pronto para hoje?”
***

“Nós precisaremos de pelo menos quatro empreiteiros diferentes apenas para a fundação.
O terreno está em doze acres de deserto,” a mulher ruiva falou ao telefone sobre sua mesa.
“Eu estou ciente da locação. Afinal, fui eu quem comprou a parcela de terra,” crepitou pelo
viva voz.
“Ah, perdoe-me meu sheik. Eu pensei que Mariska o havia escolhido para combinar com seu
roupão,” ela provocou. Ela podia ouvir o rosnado em sua voz até mesmo através do viva voz
distorcido e sorria para si mesma.
“Mas sério, os relatórios mostram alguns resultados interessantes sobre o quanto teremos que

escavar. Eu sei que você quer manter o máximo de mão de obra local, mas nós teremos que

repartir o serviço.”
“Prepare-me uma lista de requisitos. Talvez nós tenhamos algumas subsidiárias que possamos

consolidar para facilitar nossas precisões,” Tariq abrandou.


“Estará na sua caixa de entrada antes da hora do almoço.”
“Eu tenho outra reunião em breve. Falaraemos novamente à noite.”
Quando o telefone ficou mudo e Sarah apertou o botão de desligar. Ela tomou a

oportunidade de operar fora do escritório que havia em seu quarto. Ela nunca se importou muito
com a hegemonia dos escritórios e apesar do requinte do Al-Amad International. Ela
frequentemente sentia que o confinamento prejudicava seus instintos e corrompiam seus desenhos.
Não que ela fosse capaz de se concentrar muito de qualquer forma.
Diabos, ela também não fazia ideia no que tinha dado neles para levá-los a tanto frenesi.
Foi algo que se construiu ao longo do dia, algo primário e carnal. A ventura do dia anterior ainda
a estremecia e provocava ondas de calor através de seu corpo.
O almoço de ontem não poderia durar para sempre, e suas tarefas como homem de
negócios e sheik o prenderam noite adentro. Ela também não esperava que ele viesse até ela.

Poxa, eles não estavam tecnicamente juntos. Sarah não diria que era um flerte. Verdade era uma
explosão de paixão que ela nunca havia sentido antes. Mas sexo de primeira em uma sala de
vestir, não era exatamente uma promessa de noivado, certo?
“Senhorita Johnson. Isto acabou de chegar para você.” Jammal anunciou enquanto trazia a
vestimenta coberta por uma capa.
Jammal não chegava nem perto do tamanho do sheik, mas ainda assim era uma figura
intimidante. Ele media em torno de 1,80m e se ela podia identificar seu sotaque, ele era
originalmente da África do Sul. Ele era quieto, mas educado e ela estava grata por sua presença.
Mas algo a fez querer rir um pouco quando foi ele quem veio trazendo seu vestido.
“Obrigada, eu estarei lá em cima,” ela disse pegando a sacola a correndo paraseu quarto.

O vestido serviu em seu corpo como uma segunda pele, macio e luxuoso. Ela correu as

palmas de suas mãos pela seda verde do vestido sereia que passava em torno de seu pescoço
deixando suas costas longilíneas e seus ombros expostos. O laço assentava logo acima de seu

decote permitindo que uma parte de sua clavícula ficasse de fora. A saia caia sobre suas pernas
como uma cascata, uma fenda modesta começando no joelho foi adornada em vermelho queimado
e pintado a mão uma rosa dourada em direção à curva de seu quadril. Do material que restou
eles criaram uma echarpe, pintada com as mesmas rosas douradas, para seus ombros.

Estava, em uma palavra, perfeito.


Sarah levantou o laço de seu pescoço, retirando o vestido cuidadosamente e o pendurando,
deixando-o pronto para ser vestido – como se ela estivesse mergulhando em um conto de fadas
árabe. Esta era longe de ser apenas um importante encontre de negócios. Claro, comparado a
maioria das pessoas de Dubai, ela fez alguns trocados mas ela foi a primeira escolha do Rei Al-
Amad por uma razão. Ela havia esfregado cotovelos com poderosos do Vale do Silício e
diplomatas sul africanos em mais de uma ocasião. Mas havia algo diferente sobre essa noite e ela
podia sentir algo dentro dela.
Droga, ela não seria capaz de trabalhar mais, então ela decidiu ocupar-se em ficar pronta

para a noite. Sarah já havia marcado um horário no com cabelereiro e maquiador que o Burj Al
Arab e Tufa haviam prometido, para ter certeza que estaria apresentável.
Ele deu mais uma olhada no seu belo vestido.
Talvez eu possa viver um conto de fadas, pelo menos por uma noite.
***

Os elevadores do Burj Al Arab eram um dos mais rápidos do mundo, mas ainda ssim Rei
Tariq desjava que eles se movessem mais rápido. O dia se arrastou e ele não podia focar em
nada exceto na noite com seu pequeno tição. Ele não negava o desejo de exibi-la, mas, além disso,
ele ansiava por sua companhia mais uma vez. O embalava imaginar que eles estavam no elevador
onde a paixão deles enfureceu-se pela primeira vez.

Mas eles estavam simplesmente semelhantes, certo? Era simples, assim, ânsia e desejo dirigido

pela compreensão. Era simples.


Quando as portas se abriram, ele foi recebido por Jammal e Tufa também. O sheik supôs

que veria Sarah descer as escadas, talvez enquanto música suava tocava. Ao invés ela estava
sentada no bar, bebendo água gelada numa taça de vinho.
“Meu sheik,” ela respirou com o fôlego nervoso antes de levantar, “você não deveria deixar
uma dama esperando.”

A visão diante dele não era nada que sua imaginação foi capaz de associar. Seu tição
estava envolta na mais leve seda jade que destacaram seus olhos em um milhão de faíscas
iridescentes. Suas madeixas foram puxadas para trás numa auréola de fogo, aninhados numa
treliça de filigrana de ouro e prata com longas ondas caindo sobre seus ombros como uma deusa
do antigo Olimpo. Suas curvas se destacavam no material, acentuando-se na fenda, onde um
pedaço de coxa espreitava. As sardas que ele tanto adorava, foram levemente camufladas com
uma base suave, mas ainda o provocavam com seu padrão fascinante. Seus olhos foram
delineados com kajal escuro, eternizando seu brilho intenso e seus lábios eram um bordô escuro,
revestidos por um rosa dourado, implorando para serem beijados. A Jóia de Jinni estava ajustada

logo abaixo de sua garganta, acentuado pelo bracelete dourado em sei braço direito com duas
correntes curtas levando aos anéis de jade e rubi em seus dedos.
Apenas uma palavra veio à mente do sheik – uma palavra que o guiaria pelo resto da noite.
Sheika.
“Um sheik é sempre pontual, pequeno tição,” ele disse brincando.
“E um sheik sempre faz com que seu par adivinhe onde eles estão indo? Você ainda não me
contou onde será jantar.”
Tariq tomou o braço dela gentilmente e a levou para a vista panorâmica sobre o mar. O
cheiro dele, estava tentadoramente novo também, o floral adocicado ainda estava lá, mas haviam
novos elementos de baunilha, canela e notas cítricas de limão. Ele baixou até seu ouvido e apontou

para o mar.

“Você vê as ilhas que parecem uma palmeira?”


“Aquilo tem que ter sido feito pelas mãos humanas,” Sarah disse.

“De fato foi, lá é Palm Jumeirah, é onde está Atlantis the Palm, onde nós devemos estar esta
noite.”
“Atlantis? Estou contente que vou uma roupa de sereia,” ela disse virando faça para ele.
Seus lábios estavam tão próximos aos dele, vermelho profundo e dourando cintilando nas

luzes da cidade. Passou pele mente dele, mais de uma vez, que talvez ele não fosse tão necessário
neste evento. Afinal de contas, seu tio estaria lá. Mas não, ele era um governante, e tinha um dever
com sua nação e seus amigos.
“Venha, vamos indo antes que nos atrasemos.”
***

A limusine dirigia-se para Atlantis e o assunto era praticamente relacionado ao trabalho,


infelizmente. Sarah queria muito aconchegar-se nele, mas não se atrevia a danificar as longas
horas de trabalho no seu cabelo e maquiagem. A tentação era enorme, especialmente, com a nova
colônia que ele estava usando. Aparentemente enquanto ela estava comprando perfumes, Tariq

teve sua própria mistura manipulada. Alguma coisa contendo aquele maravilhoso cheiro terroso,
que havia, primeiramente chamado-a para dentro do souk. Ela estava munindo todas as suas
forças para manter-se na conversa de negócios e não devorá-lo vivo.
Ao invés, ela quietou-se com a grande mão envolvendo as suas. Quando ela havia começado
a gostar daquilo. Aconchego e mãos dadas ao invés de esquadros e compassos? Ela sabia que
não iria durar. Ela se despediria de Dubai em alguns dias de qualquer forma, mas apenas esta
noite ela iria se deixar levar.
Atlantis the Palm parecia um verdadeiro palácio. Fogos de artifício estavam explodindo sobre
o hotel enquanto a limusine estacionava e a noite de gala estava sendo coberta por toda a
imprensa, o que Sarah não estava exatamente esperando. Ela não era estranha num tapete

vermelho, mas normalmente ela estava lá como arquiteta não como acompanhante.

“Tariq”, ela disse com certo pânico em sua voz, “eu achei que esse era um jantar de
negócios.”

Seus olhos se abriram um pouco, mas sua voz permaneceu igual. “Eu achei... que este era um
jantar para celebrar o aniversário de vinte e nove anos de meu irmão Sheik Rassid Al-Amad de
Abu Samura. Ele é o governante do país vizinho ao meu.”
“É uma festa de aniversário? Tipo um evento de celebridades coberto pela imprensa?” Ela

perguntou olhando os flashes do lado de fora da janela com trepidação.


“Eu não tive a intenção de enganá-la. Coisas assim são apenas rotina de negócios para
mim.”
Os olhos de Lori alargaram-se de volta para o sheik, mas ela permaneceu calma. Claro, algo
assim era apenas mais um dia no escritório para ele. E ela não estava tão brava assim. Ela apenas
gostaria de ter sido informada como as situações públicas seriam.
“Não eu apenas acho que é um pouco mais de exposição do que eu gostaria.”
“Você não deve se preocupar exceto, com a inveja com a qual irá se deparar.”
Sarah corou, e maldito seja ele por isso.

“Podemos?”
Ela pegou a mão dele enquanto ele saia da limusine e pisava frente aos flashes do tapete
vermelho. Ela manteve sua postura erguida e sorriu alegremente, mas pensamentos sobre o
tabloide vinte e quatro horas giravam em sua cabeça. Sarah tinha a reputação de uma empresa
para manter e funcionários que dependiam dela. Sua atuação era pequena e ela não se
importava em lidar com difamação ou calúnia.
Uma das perguntas dirigidas a ela lhe deu a possibilidade de alguma salvação.
“Senhorita Johnson? Senhorita Johnson sua aparição aqui com o Rei Al-Amad tem alguma
relação com o Johnson Habitats estarem que estão em construção ao redor de Dubai?”
Sarah rapidamente aproximou-se do microfone ávido com seu maior sorriso. “É verdade que

eu tenho trabalhado com o sheik em certos projetos. Graciosamente ele me convidou esta noite, a

tudo tem sido maravilhoso até agora. Embora eu não tenha envolvimento direto, na implantação do
conjunto habitacional, é muito tocante vê-los trazer conforto e o cuidado que todas as pessoas

desse mundo merecem aos trabalhadores de Dubai. Por favor, me deem licença. Obrigada.”
Mais pessoas as chamaram, mas Sarah se apressou de volta para o lado de Tariq enquanto
eles entravam no Atlantis the Palm. Eles foram conduzidos por um longo túnel que mergulhava por
debaixo do mar, um labirinto transparente que se depositava no mar diante deles. O túnel

serpenteava e mergulhava mais em uma pequena escadaria que levava um enorme salão.
“Apresentamos Rei Tariq Al-Amad e sua convidada, Senhorita Sarah Johnson,” chamou o
mestre de cerimônias.
Tariq segurou sua mão formalmente enquanto eles seguiam pelo salão e ele ofereceu seu
braço a ela. Ela deslizou seu braço e juntou-se a ele, observando o cenário ao seu redor. Todo o
salão localizava-se por baixo d’água, com largas vidraças permitindo avistar peixes silvestres e às
vezes, um mergulhador ocasional. O azul intenso do mar lançava um brilho intenso de volta para o
salão que com os chandeliers e arandelas cintilava com luzes brancas.
O espaço estava abarrotado com pessoas; de celebridades a políticos. Sarah apostava que

a média mensal salarial naquele salão poderia alimentar boa parte das nações famintas.
“Ahlan wa sahlan!” Chamou uma voz, “Bem vindos, bem vindos!”
Um homem que era a imagem cuspida de Tariq gritou para eles enquanto partia a multidão.
Ele era igualmente alto, se não maior, mas mais magro com uma barba cuidadosamente aparada.
“Irmão!” ele chamou jubilante, apertando a mão do Rei Tariq e o beijando em cada
bochecha. “E esta deve ser a Senhorita Johnson, quem você elogiou, mas falou muito pouco a
respeito.” “Sheik Rassid é um prazer,” ela apresentou com um largo sorriso e um leve curvar de sua
cabeça.
“Ah, você a treinou bem!” Rassid gargalhou, batendo no ombro de seu irmão.
Rassid sorriu para o olhar feroz formando-se nos olhos de cristal por detrás do kajal escuro.

“Por favor, Lori, estou brincando. Bebam um pouco de champanhe, meus amigos. Aproveitem as

festividades! Eu devo me socializar, mas eu voltarei.”


Sarah de fato rapidamente pegou uma taça de champagne. Era uma das poucas coisas

pela qual ela desenvolveu o gosto após tantas comemorações, e seus nervos precisam de um leve
calmante.
“Rassid é demasiadamente zeloso, eu admito. Ele herdou a liderança há apenas alguns anos
atrás quando nosso primo foi para os braços de Allah. Antes ele era o aparente herdeiro de

Varapur, ele talvez ele ainda esteja um pouco embriagado pelo poder.”
“Eu tenho certeza que tendo um irmão mais velho como você, ele possui ótimas qualidades.”
Eles encontraram seus assentos na mesa exclusiva do Sheik Rassid ao lado de um senhor mais
velho vestido em trajes típicos e ghutra. Já haviam sido servidos alguns hors d’oeuvres, e Sarah
estava agradecida quando um garçom apressadamente colocou alguns em seu prato e serviu com
uma taça de água.
“Tio eu lhe apresento a Senhorita Sarah Johnson,” Rei Tariq disse ao homem de túnica que
meramente a cumprimentou com o que se aproximava de um educado olhar de desconfiança. “Lori,
este é o meu tio Aziz Amara, irmão do Sheik Samira Amara e Ministro da Energia do país de

Varapur.”
“Meu prazer, senhor.”
“Sim, você é a que vai tornar o sonho de Tariq em realidade.”
“Perdão?”
Aziz olhou para ela novamente, de forma inquietante. “Seu grande sonho, da sua jóia de
Varapur, seja lá como ele a chame.”
“Eu não estou certa disso, eu sou apenas uma arquiteta.”
“Se você quiser ver sonhos realizados mulher, então você deveria ver nossas refinarias
ancestrais.”
“Tio,” Tariq o advertiu com um rosnado.

“Se a mulher americana pode fazer tais maravilhas darem certo, talvez então ela possa

fazê-las funcionar para o seu próprio país de coração. Ao invés de gastar sua fortuna construindo
castelos na areia de outro homem!”

Tariq apertou tenazmente o ombro de seu tio. “Aziz, acalme-se. Esse não é nem o lugar,
tampouco a hora para este tipo de conversa.”
“Claro, nós não queremos arruinar o circo de seu irmão,” ele bufou. “Eu esperava que minha
preciosa irmã já tivesse colocado um pouco de bom senso em você a essa altura.”

Sarah já havia se afastado dos dois enquanto eles discutiam, e ela nunca se sentiu tão grata
pela privacidade que realeza podia dispor.
“Não dê atenção a ele, tição,” o sheik sussurrou em seu ouvido. “Nem todos podem enxergar
com clareza como eu posso”. “Deixe-me apresentá-la a pessoas mais educadas.”
Eles socializaram, e ele descobriu que a elite de Dubai realmente possuía mais dinheiro do
que sabiam o que fazer com ele. Com alguns sorrisos na hora certa e favores trocados ela pôde
angariar milhões em doações para várias de suas instituições de caridade para animais. Talvez
houvesse algo mais satisfatório a fazer com seu tempo na terra dos excessos do que apenas trocar
beijos e outras coisas com Tariq. Falando do formoso diabo, ela podia sentir Tariq a observando

de tempo em tempo, e ela gostava de pensar que ele estava impressionado com ela.
“Depenando os bolsos dos convidados do meu irmão, pequeno tição?”
“Apenas realocando fundos extras para os necessitados do mundo.”
“Talvez então, eu a devesse chamar de Robin Hood, então?” Tariq provocou.
“Por favor, eu tenho certeza que eu apenas ganhei alguns trocados esta noite, meu sheik.”
Ele gargalhou gravemente, enviando calafrios por sua espinha e calor para seu cerne. O
jantar seguiu-se não muito após, uma suntuosa refeição de carneiro e arroz de menta que foram
bem com uma segunda taça de champanhe. Para sobremesa, ela escolheu um simples sorbet de
romã com calda de menta, mas sua textura estava divinamente rica como ela nunca havia provado
antes. Ela estava tão envolvida na iguaria gelada que quase não percebeu quando as mãos do

sheik alcançaram as suas.

“Divida uma dança comigo,” ele ordenou quando a música veio numa suave cadência.
Sarah pegou sua mão, varrendo o vestido por detrás dela enquanto levantava e o segui

para a imensa pista de dança. Ali ela a tomou contra si enquanto as luzes diminuíam, permitindo
que o brilho azul do mar entranhasse entre eles. Levou apenas um segundo para que ela sentisse a
inigualável segurança de seus braços, que havia sentido na praia enluarada com mais ninguém,
apenas os dois, abraçados. Com sua cabeça aninhada contra ele, aquela nova e exótica

fragrância jogava com suas narinas, um musk intenso, masculino e terroso que a excitavam como
nunca antes.
Rei Tariq a conduzia sem esforço pela pista de dança como se fossem os únicos existentes
daquela dimensão. Um enorme braço ao redor dela e outro firmemente cruzava suas costas, os
mantinham entrelaçados enquanto eles balançavam juntos. Seus olhos escuros brilharam para ela
flamejavam para ela, não apenas com desejo e paixão, mas com admiração e respeito.
Ela inclinou sua cabeça para cima, em direção a ele, abrindo os lábios como se fosse falar
algo, mas nenhuma palavra foi pronunciada. Seu olhar a penetrava a puxava para ele, e ela
deslizou os dedos pela lapela de seu smoking. Tariq trouxe a cabeça para baixo lentamente para

encontrar seus lábios. Naquele momento o mundo não existia apenas as duas almas se tocando de
uma forma que o universo raramente permitia. Faíscas percorreram seus lábios, além de desejo,
além de paixão, entrelaçando os caminhos de seu coração. Os lábios dele a consumiram e seus
pelos se eriçaram maravilhosamente enquanto ele agarrava-se a ela.
Explosões apareceram por trás dos olhos de Lori como fogos de artifício. Flashes de luzes
que dançavam com o movimento de suas cabeças. Flashes, como aqueles de câmeras.
Droga.
As câmeras da media e paparazzi piscavam e clicavam em torno deles, dando um banho no
conto de fadas de Lori.
Capítulo Oito

Eles partiram da festa de seu irmão logo após a dança. O beijo que eles deram atraiu mais
atenção do que ele poderia suspeitar. Ele amaldiçoou a si próprio pela inconveniência, de outro

ato que ele não intentava, mas manifestou-se assim mesmo – manifestação como nenhuma outra
que ele havia conhecido.
De sua parte, seu pequeno tição não disse nada, apenas assistia a cidade distraidamente
enquanto eles retornavam para o hotel. Ele não pretendia saber o que se passava em sua cabeça,

mas no momento em que seus lábios tocaram-se na pista de dança algo novo havia se formado.
“Aquela não foi minha intenção quando eu lhe pedi para dançar,” ele tentou.
Ela lhe deu um sorriso, mas não alcançou seus olhos. “Está tudo bem. Foi uma noite
maravilhosa, Eu apenas...” ela pausou olhando para fora da janela como se as palavras que
estava procurando estivessem escritas no horizonte. “Talvez, pensasse que eu pudesse ter tudo
muito rápido, mas nós ainda temos trabalho para fazer. Eu vou voltar para os Estados Unidos. E aí
a imprensa nos vê lá, romanticamente? Eu não tenho ideia do que isso fará ao meu negócio, Tariq.”
“Eu sei, não era minha intenção,” foi tudo o que ele pode dizer sob o escrutínio de seus olhos
jade.

“Você deveria ser meu sócio, mas eu me deixei levar por essa fantasia de princesa e sheik. E
agora eu não faço ideia a que tipo de fofoca eu me deixei expor.”
“Eles não vão ousar publicar esse tipo de lixo. Eu jamais permitiria.”
De fato ele também se abriu para um escândalo, um impulso infantil, mas ele sabia que
qualquer outro sheik jamais se permitiria ser humilhado.
“Talvez você possa fazer isso aqui ou em Varapur, Tariq. Mas estava lá, mais do que a
imprensa dos Emirados. Eu tenho certeza sobre aquele tal de Lopez, o que me entrevistou no
tapete vermelho. Ai meu deus, eu usei a frase certos projetos.”
“Vai ficar tudo bem,” ele assegurou, apertando sua mão, “seu talento a destacou nos últimos

anos sem a presença da realeza ao seu lado. Se um beijo pudesse desfazer tudo isso, então tem

que ser um beijo que valha por toda uma vida.”


“Isso é muito amável, mas honestamente, não muito tranquilizador,” ela disse com um riso de

pesar.
“Eu não sou uma fantasia.” Ele esbravejou.
A expressão de Lori suavizou e ela tocou sua face, alisando sua barba suavemente, “Eu
apenas acho que preciso tirar os sapatinhos de cristal por hoje e ter a certeza que a carruagem

não se transforme numa abóbora.”


Ele franziu a testa para ela, mas pôde ver que não conseguiria confortá-la mais aquela
noite. “Além disso,” ela prosseguiu, “nós dois deveríamos dormir um pouco. Poderemos falar sobre
isso amanhã que eu não estiver com duas taças de champanhe ainda dançado na minha cabeça.”
“Combinado.” Junte-se a mim, então, para jantar na minha suíte. “Por favor.”
“Faça com que seja servido bife e batatas e teremos um trato,” ela replicou, deitando a
cabeça em seu peito.
Seu peito chiou com uma gargalhada enquanto ele beijava o topo de sua cabeça. Esta
mulher fez tais coisas com ele com sua essência doce e cabelos demoníacos. Ele almejava apertá-la

contra ele e podia sentir-se pronto por baixo dela, mas castigou aqueles pensamentos. Aquela
noite não seria para os prazeres do corpo, e eles seguiriam separados uma vez nos elevadores
que ele conhecia. Mas na noite seguinte ele não a desapontaria.
***

“A arquiteta do Sheik! Parece que Sarah Johnson talvez esteja construindo algo novo em Dubai,
uma conexão amorosa com o estimado governante de Varapur, Rei Tariq Al-Amad. Ela foi vista
participando, ao lado do sheik, do aniversário de seu irmão mais novo Sheik Rassid Al-Amad, onde a
senhorita Johnson observou estar trabalhando em diversos projetos com o sheik. Porém mais tarde na
noite, nossa câmera os flagrou dividindo um beijo tórrido na pista de dança, vejam vocês mesmos.”
Sarah franziu a testa para a televisão e emperrou o dedo no controle para que descesse

novamente para dentro do armário. Ela de fato, estava em várias colunas sociais, sites de fofoca e

nos usuais programas de notícias de Hollywood, mas não chegava perto de ser tão ruim como ela
imaginava. Até então não havia alegações sobre trilhar seu caminho até a cama para obter

contratos ou em troca de dinheiro, então aquilo era bom. E apesar de odiar ser justa com os
tabloides, eles pareciam estar mais interessados no fundo fiduciário dos jovens que fotografavam
os mergulhadores submarinos do que nas semi celebridades ativistas e sheiks do petróleo beijando
na pista de dança.

O resumo da ópera não havia sido tão ruim.


O barulho de seu telefone tocando indicaram que ela havia se precipitado. “Olá Lilly.”
“Adivinha só, o que estou assistindo no meu canal de fofocas favorito?”
“Celebridades tentando fotografar os golfinhos”? Ela contornou.
“Ah não, não, não, coloca prá fora,” sua irmã comandou. “Espere, não, dias coisas antes.
Onde diabos, você conseguiu aquele vestido finérrimo, e o irmão dele é bonito que nem ele? Agora
fala.”
“Primeiro, o vestido foi feito a mão por uma das lojas em Deira souk. Eles tinham de tudo o
que você imaginar. Foi uma experiência maravilhosa,” ela disse, mordendo o lábio ao se recordar, “

e o irmão dele é muito parecido com ele, mas ele está mais para Bruce Lee que o Rock imenso.
Lilly delirou.
“O que eu posso, dizer, nós dois fomos pegos pelo momento,” Sarah disse. “A noite foi super
legal. Eu consegui um monte de dinheiro para caridade, sem sequer me esforçar depois nós
comemos e jantamos. Eu tomei dois champanhes.”
“Ah, nem você não é tão simplista assim, Senhorita Loretta,” Lilly disse de volta para ela.
Ela sempre a chamava assim quando achava que ela estava sendo tediosa.
“Não, Foi simplesmente mágico,” Sarah continuou. “Eu nunca me senti daquela forma antes.
Quando tudo ao seu redor para e é só você e outra pessoa. Eu não tenho ideia do que fazer
agora.”

“Eu nunca imaginei que chegaria o dia que ouviria você se derreter por um cara. Bom se

você vai escolher um, um sheik do petróleo não é uma forma ruim de começar,” sua irmã gêmea
provocou.

“Estou falando sério!” Ela riu de volta no telefone. “Parte de mim pensa que esse é o maior
erro da minha vida e que eu deveria correr de volta para casa e apenas trabalhar. Mas outra
parte, quer enroscar-se com ele e nunca se deixar ir.”
“Irmã, eu só sei de uma coisa. Você passou a maior parte de sua vida “fazendo o trabalho”

e eu sei que foi bem sucedida nisso. Mas talvez você devesse pelo menos tentar se realizar? Por
outra pessoa além de sua irmã maior, ao menos” Lilly contrabalanceou.
“Você é dois minutos mais velha. Não conta.”
“Mais velha é mais velha, você sabe disso.”
“Quem vive na casa de hóspedes de quem?”
“Ponto. Mas eu gosto de pensar em você com minha Patrona das Artes. Além do mais você
nunca seria feliz comigo tão longe.”
“Eu nunca pensei sobre isso além do que quando Dubai foi mencionado,” Sarah provocou.
“Eu te amo.”

“Eu também te amo, irmã. Boa sorte.”


Sarah desligou o telefone e caiu de novo nos lençóis de seda roxos da cama king size.
Haviam coisas a serem finalizadas com sua equipe antes que ela partisse de Dubai, mas as
reuniões do dia não começariam a tarde e ela sentiu que poderia se mimar com um pouco mais de
descanso. E a trama macia parecia como manteiga suave em sua pele.
***

Tufa atendeu a campainha da suíte real do sheik. Se Sarah considerava seu próprio quarto
luxuoso, a suíte real era ridiculamente insana. A porta de entrada dava para um resplandecente
mármore e escadaria dourada que dividia o saguão e ascendia para o andar de cima. Os pisos
eram um rose antigo e as paredes de cor clara de verniz siena claro acentuados pelo brilho

dourado.

Sarah estiva vestindo um de seus vestidos preferidos, plissado que abraçava seus seios
perfeitamente e deixava o pescoço adornado com uma joia a mostra. O vestido carmesim lhe

renderia uma multa nas ruas, mas ela queria o conforto de ocidente na noite de hoje com o sheik.
Ela combinou lábios e unhas, iluminadas e quentes, mas optou por pouco para cobrir suas sardas.
Ela havia notado a forma como elas encantavam Tariq e decidiu apenas evidenciá-las com um olho
esfumado e cabelos ondulados. Ele completou seu visual com um par de sedutores saltos altos que

ressaltavam suas panturrilhas e todo o resto com contornos perfeitos.


“Boa noite,” a mulher de cabelos escuros lhe deu boas vindas. “Você está, se me permite,
bastante maliciosa.”
“Isto foi um pouco intencional.”
Tufa deu a ela u sorriso intencional. “Mulheres ocidentais. Sua majestade estará com você em
breve. O jantar está quase finalizado. Os serviçais servirão vocês, e exceto o segurança, irão se
retirar pela noite. Você gostaria de um drink enquanto aguarda?”
“Um suco de uva com gás seria perfeito, obrigada.”
Sarah seguiu Tufa através do hall de entrada que era colorida como todos os tons de roxo e

nuances douradas que ela podia imaginar. Havia sofá e poltronas entre mesas de todos os
tamanhos, dispostas diante de uma grande tela de televisão. Por trás, havia outra sala com uma
mesa de jantar oval virada para a vista da cidade. As luzes estavam apagadas e as paredes
decoradas com velas de diferentes tipos que tremulavam com o ar condicionado.
“E eu vou tomar uma limonada,” o sheik avisou enquanto adentrava na sala. “Está tudo do
seu gosto, meu pequeno tição?”
“Limonada?”
Ele estava vestindo uma camisa de algodão branca com calças pretas de linho, e ela
invejava sua habilidade de fazer com que roupas simples caíssem tão bem. Os primeiros dois
botões de sua camisa foram deixados abertos, permitindo que alguns pelos de seu peito ficassem

a mostra. De repente Sarah não estava mais faminta por bife.

“Vai muito bem com carne.”


“Então também vou tomar limonada,” ela disse lambendo seus lábios para ele.

“Eu vou mandar as bebidas e sopa de frango,” Tufa disse, retirando-se.


“Soa perfeito. Você sabe os caminhos para o coração de uma garota texana.”
“E você, minha querida, sabe o caminho para o desejo de qualquer homem.”
Ela corou e sentou-se a mesa cruzando suas pernas propositadamente enquanto o tecido

vermelho escorregava. “Ah isso? Eu espero que você não se importe.”


O olhar que ele lançou era de um lobo faminto, mas ele apenas sentou-se. “Eu jamais
poderia me importar com tanta beleza em minha casa.”
“Tariq,” ela começou, lhe oferecendo a mão. “Eu não sei aonde isso entre nós vai, mas eu
não estou pronta para que acabe.”
“Nem eu, tição... Lori. Há muitas coisas para lidar. Isso eu sei. Nós iremos para caminhos
diferentes amanhã. Vamos comer em sermos felizes um com ou outro esta noite, nossas memórias
nos levará de volta um ou outro.”
Ela inclinou-se e o beijou apenas uma confirmação enquanto suas bebidas e a sopa eram

servidas. Era tudo o que eles podiam esperar por agora e ela sentiu que seria suficiente.
***

Os serviçais haviam ido embora há uma hora, mas eles ainda estavam sentados e
conversando em frente à maravilha da construção humana. Como sheik ele havia crescido entre
estábulos de cavalos árabes e ela havia passado muito tempo de sua juventude amansando
cavalos. Ele a regalou com histórias sobre as tentativas de Rassid em competir com camelos e ela
por sua vez, contava a ele sobre o passado “delinquente” de sua irmã.
“Ela não era uma má pessoa. Metade das vezes que ela se meteu em apuros foi mais por
tentar impedir que alguém se envolvesse em alguma confusão e tentando irritar a Tia Clara. Eu
estava fora participando do programa Whiz Kid e estudando e havia muita tensão entre Lils e

nossa tia. Toda aquela coisa de ‘você não é minha mãe’.”

“Mas ela encontrou seu caminho?”


“Sim, ela tem um talento natural para as artes, um gênio propriamente dito. Ela sempre disse

que estava contente, por eu ser a gêmea inteligente, mas ela rematou seu próprio Mestrado em
Belas Artes e Design. Ela faz trabalhos temporários entre mostras e encomendas. Nós até
chegamos a trabalhar juntas em alguns projetos aqui e ali.”
“Eu não sei se o mundo pode encarar duas mulheres Johnson de uma só vez,” ele balançou a

face levantando sua taça.


Uma pouco de limonada escorreu em sua garganta e ela aproximou-se dele. A mulher de
cabelos vermelhos não pronunciou uma palavra, apenas correu a ponta de sua língua pela trilha
doce e viscosa em seu pescoço. Ela sugou ali, mordiscando o tendão tensionado enquanto ele
gemia com a sensação de sua língua macia e úmida nele. Suas mãos escorregaram por sua camisa,
os polegares abrindo os botões enquanto seu toque macio de ninfa varria seu abdômen rígido.
Ele estava prestes a tomar seus lábios quando os sentiu ao redor de um de seus mamilos e
ele rugiu dentro da sala a luz de velas. O sheik deslizou em sua cadeira sentido seu membro
túrgido e sobrecarregando as calças de linho que o comprimiam. Seu pequeno tição estava

queimando sua pele com seus beijos, arranhando sua pela bronzeada quando ele sentiu seus
dedos longos por baixo do cós sua calça.
Palavras em árabes escaparam de seus lábios escaparam de seus lábios quando ela
apertou a ponta e deslizou delicadamente as mãos para cima e para baixo em seu comprimento.
“Eu quero sentir o seu sabor, meu sheik,” ela ofegou, seu hálito quente e pesado sobre seu
estômago enquanto Sarah ficava de joelhos diante dele.
Ele ergueu as pernas o quanto pôde enquanto livrava-se da vestimenta, permitindo que sua
masculinidade se erguesse nas mãos dela. A ruiva o tocou lentamente, deliberadamente, assistindo
a forma como seu volume contraia-se ao seu toque. Tariq não sabia se ele já havia estado tão
rígido ao toque de qualquer outra mulher quanto para seu pequeno tição.

As mãos dela o circularam, levantando-o e acariciando seus testículos enquanto inalava sua

essência. Ela deixou sua língua subir em toda a sua extensão, provocando sua cabeça até ele
gemer seu nome. Finalmente Sarah o engoliu o máximo que pôde dele.

Tariq gritou alto conforme o calor de sua boca o consumia. Quente, úmida e aveludada
descendendo ao redor dele sugando seus nervos sensíveis com puro prazer. Ele ousou olhar para
baixo e ela o encarava desesperadamente faminta com seus olhos verdes esfumados lampejando
com fogo.

“Eu...” ele tentou, mas não conseguia falar. Ele sentia-se tentado a olhava para sua boca
aberta.
Ela não desviava o olhar , apenas o golpeava mais depressa e o engolia a mais fundo que
podia, torcendo sua cabeça a cada movimento. Tariq gritou quando veio o alívio, que foi algo que
nunca havia sentido antes. Foi como se cada ligamento de seu corpo tivesse sido colocado em uma
catapulta e lançado repentinamente. O inundando com torrentes de prazer.
Sarah o sugou lentamente enquanto o puxava para fora sua boca. Ele ainda não tinha
palavras, mas ela vestiu suas calças e levantou-se.
Ela alcançou seu pescoço e soltou o vestido, deixando-o cair pelo corpo, restando nada,

senão suas sardas.


“Junte-se a mim lá em cima quando puder.”
***

Sarah gargalhou, caindo de costas sobre as cores exuberantes de seda vermelha quando
Tariq a jogou sobre seu imenso leito de quatro postes. Ele subiu para encontra-la mais rápido do
que ela havia esperado e a varreu carregando no colo em direção ao imenso quarto. A cama king
size, possuía um adorno circular no topo ornado com seda e cetim drapeado. Os cabelos dela
irradiavam ao seu redor conforme ela botava fogo no mundo e sentia um repentino olhar hesitante
vindo dos olhos renovados e antes esfomeados do sheik.
Tariq vagou em seu corpo, da base da cama enquanto ela corria um de seus pés pela

extensão de sua perna. Ele atacou como uma pantera, capturando seus pés e o trazendo até a

boca, beijando-o no topo. Pequenos gemidos escaparam de sua garganta para ao toque de seus
lábios e pela forma como suas mãos trilhavam seu caminho em direção a sua panturrilha. Ele pegou

com os lábios o dedão de seu pé e o sugou levemente enquanto movia se para frente, dobrando
sua perna e movendo-se acima da cama. Tariq beijou até sua panturrilha com as unhas já se
movendo ao longo de suas coxas para provocar sua umidade crescente. Ao invés, ele voltou sua
atenção para seu estômago, deslizando suas mãos por sua pele macia e permitindo que sua língua

umedecesse o entorno de seu umbigo.


Sarah choramingou e riu com a mistura de sensações correndo através de sua pele. As
cócegas eram divertidas, mas a sensação de sua língua era tão erótica. Uma fogueira crescia em
seu ventre, e ela a sentia em todos os lugares onde suas mãos se moviam. Seus seios queimavam
conforme suas mãos hábeis os conquistava.
Ela gemia baixo e ofegava por baixo dele, sentindo os músculos densos de seu corpo sobre
o seu enquanto ele cobria suas costelas com beijos. Sua boca prendeu seu mamilo direito, e ela
gritou seu nome. O peso dele sobre ela era delicioso assim como a rigidez que sentia esfregando-
se contra sua pélvis. Sarah envolveu suas pernas ao redor dele, o posicionando em seu centro

enquanto sua boca molhada e quente sugava seu mamilo.


“Faça amor comigo, agora,” ela suplicou.
“Como você desejar.”
Ele impulsionou para frente uma vez, deslizando ao longo dela e enviando solavancos de
puro prazer pelo seu corpo seguido por mais movimentos angulosos que separaram suas dobras. A
extensão de Tariq afundou-se dentro dela, a preenchendo e imergindo em sua ânsia ardente. O
fogo queimava dentro dela com a sensação de sua circunferência em seu interior. Seus testículos
caiam contra ela enquanto ele a penetrava completamente e seus braços agarravam seu pescoço.
Tariq a beijou com profundidade, sua língua a capturando e duelando com a dela enquanto ele
trabalhava com seus quadris dentro dela.

Sarah o recebeu completamente, envolvendo seus dedos em seus cabelos e movendo seu

quadril no mesmo ritmo que o dele. Seu peso sobre ela esmagavam seus seios deliciosamente
enquanto suas mãos agarravam os músculos firmes de seus glúteos enquanto ele investia contra ela.

O beijo deles rompeu-se e Sarah mordeu seu pescoço quando o fogo dentro dela virava
raios. Ele soltou algumas palavras em sua língua nativa o movia-se mais rapidamente. A ponta dele
dentro dela, encontrou o ponto perfeito e ela chorava alto novamente, implorando para que ele
não parasse. O raio a tomou completamente, e seu corpo prendeu-se ao redor do dele enquanto

suas unhas arranhavam suas costas abaixo. Suas pernas se se prenderam as dele e ela sentiu os
portais do prazer abertos diante dela.
Tariq avançou para dentro dela novamente enquanto unhas afiadas deixavam trilhas
rosadas de paixão em suas costas. Os canais internos de Lori sugavam e o libertavam até que
finalmente seu sémen explodia de dentro dele. Seu fôlego veio como um choro, o mantendo preso
como se tudo o que ele tinha tivesse sido dado a ela.
Ela estava agradecida que ele pôde desabar ao seu lado sem esmagá-la completamente.
Os dois ficaram ali, deitados, ofegantes e completos. Sarah deslizou até a curva de seu braço e
puxou a segunda camada do lençol seda para ao redor deles. Tariq virou-se de lado a

embrulhando com seu abraço enquanto ela se aconchegava nele.


“Vamos dormir agora,” ela disse.
“Sim,” ele balançou a cabeça devagar. “Boa noite, pequeno tição.”
Capítulo Nove

Uma batida na porta da suíte principal acordou Lori, cansada e desfocada.


“Senhorita Johnson?” A voz familiar de Tufa ecoava por detrás das portas pesadas. A luz

da manhã irradiava pela janela, mas os braços fortes que a envolveram na noite passada não
estavam mais lá.
“Tariq?” Ela chamou pelo vazio do quarto.
Nada.

Enquanto seus olhos tentavam focar, ela viu um pedaço de papel ao lado da cama com algo
escrito.

Minha mais querida,

Eu fui chamado às pressas essa manhã para uma emergência em Varapur. Tufa irá explicar.

Seu Sheik.

Sarah gemeu e embrulhou os lençóis ao redor de seu corpo nu. “Entre!”


“Bom dia,” ela respondeu, empurrando uma pequena bandeja com café turco fresco e
croissants de queijo. “Meu sheik deseja que eu lhe informe que ele foi chamado urgentemente, mas
que ele tem negócios na próxima semana nos Estados Unidos. Quando nós tivermos todos os
detalhes arranjados, ele gostaria de vê-la lá.”
A mulher de cabelos vermelhos pegou um dos pães oferecidos e suspirou. Essa não era a
manhã seguinte ideal. Apesar do cheiro delicioso de café recém-moído e o untuoso creme de
queijo estarem bons, ela esperava o peito firme de seu amante no lugar.
É assim que seria sempre? Noites com Tariq e manhãs com Tufa?

Ela limpou a garganta esperando esclarecer a mente ao máximo. “Que horas são?” “Quase

sete. Não se preocupe, o serviçais em seu quarto já preparam quase toda sua mala. “Eu espero
que você me desculpe à liberdade de lhe trazer uma muda de roupas para seu voo,” a outra

mulher disse curvando a cabeça.


“Eu acho que posso deixar passar desta vez.” Sarah disse sorrindo de volta para ela. “Eu
vou tomar um banho e estarei lá embaixo em breve.”
“Sim, haverá um carro esperando por você quando estiver pronta,” Tufa disse enquanto ela

parou e deu um passo incerto em direção à cama. “Por favor, perdoe-me, mas eu gostaria de dizer
que têm sido uma experiência verdadeiramente inesquecível vê-la ao lado do Rei Al-Amad.”
Sarah foi até ela e apertou sua mão gentilmente, “Têm sido maravilhoso. E você também
Tufa. Obrigada.”
***

Primeiro ela achou que Jammal estava confuso quando ela e acompanhou até uma enorme
Hummel que foi transformada em limusine preta. A única coisa que brilhava mais que a pintura,
eram as enormes rodas cromadas que fazia a coisa parecer mais um tanque do que um veículo de
luxo.

Graças a deus Tufa havia escolhido calças ao invés de uma saia.


Dentro da monstruosidade era tão cintilante como o exterior sugeria. Bancos de couro
branco, ouro acenava seu caminho nas laterais e guarda copos em cristal. O piso era de vidro
cortado a laser com neon em forma de diamantes azuis que combinavam com o violeta que
contornava o teto em cetim.
Janelas escuras circundavam as paredes com monitores LCD no topo mostrando vídeos
aleatórios.
Lilly provavelmente teria vomitado.
A voz que veio do fundo esclareceu o mistério da carruagem. “Senhorita Johnson espero que
não se importe se eu lhe der uma carona até o aeroporto.”

“Sheik Rassid,” ela percebeu. “Seria uma honra.”

A fera circulava enquanto o sheik oferecia a ela uma taça de champanhe, que ela
educadamente recusou.

“Eu estava a caminho. Tariq e eu, íamos divider um jato de volta para ver nossa mãe antes
de eu retornar para Abu Samura, mas como você sabe...” ele disse gesticulando com sua mão. “E
eu devo admitir, eu estava curioso para saber mais sobre a jovem mulher que colocou fogo na
pista de dança na noite anterior.”

Sarah corou num tom mais intense que seus cabelos. “Sheik Rassid eu peço desculpas por
aquilo.”
“Ah não, não é necessário e forma alguma. Eu, na verdade, nunca vi Tariq segurar as mãos
de uma mulher em público muito menos, uma demonstração de afeto como aquela. Você, por um
acaso, é uma feiticeira?” Ele brincou.
“Não, apenas arquiteta, eu juro,” ela riu.
“E uma excelente, eu fui informado. Uma que irá nos ajudar a colocar nosso M.E.V. em um
estojo de jóia apropriado.”
“Nosso M.E.V.”

“Al-Amad International é um negócio de família, que tem meu investimento. Tecnicamente, eu


sou um Vice Presidente, mas eu deixo a administração com meu irmão. Honestamente, eu acho que
ele prefere dessa forma.” Ele piscou para ela.
“Bem há muito trabalho a ser feito. Tudo ainda está em fase de integração, mas seu irmão,
com certeza, possui uma visão e eu quero ser parte disso,” ela respondeu.
“Ele causa esse efeito nas pessoas. E ele merece boas pessoas ao seu redor. Algo me diz
senhorita Johnson, que você é uma dessas pessoas de bem.” Sheik Rassid assegurou.
“Eu espero que sim.”
Um estrondo encheu os ouvidos de Lori a limusine monstruosa foi lançada pelas faixas do
tráfego. O barulho de metal contorcido podia ser ouvido em todo o seu redor enquanto algo

explodia no veículo. Alguma coisa macia e maleável empurrava e a mantiveram no lugar, logo

repentinamente havia desaparecido.


Sarah e o Sheik forma ambos arremessados dos assentos de couro enquanto a massa os

obstruía. Ela pôde sentir algo quente e pegajoso descendo por sua bochecha e uma dor pungente
em seu pulso. Ela tentou rastejar para o lado do air bag, quando ouviu o metralhar da arma de
fogo do lado de fora.
“Fique abaixada!” Rassid gritou ao lado dela.

Sarah caiu de costas contra o couro branco, tentando respirar e cobrindo os ouvidos com
suas mãos. Ela engasgou com a poeira do concreto, e lágrimas escorriam sobre o sangue em suas
maças enquanto o mundo desabava ao seu redor. Não havia nada além do calcário seco em torno
de sua boca e o ressoar de barulhos variados ao redor durante uma eternidade até que um
segurança a arrancou de dentro do Hummer.
“Mova-se, mova-se!” a voz gritava, arrastando ela em direção a um utilitário preto.
As únicas outras vozes, estavam todas gritando em árabe enquanto Rassid demandava
respostas. Sarah não se importava. Ela apenas queria estar longe do desatre em meio ao mar de
carros e segura.

Ela apressou-se para a segurança do novo carro, mas Sarah sabia que a única coisa que a
faria segura, os braços de seu sheik, não estaria lá.
***

“Mãe?” Rei Tariq Al-Amad chamou enquanto as serventes abriam as portas ornadas para os
aposentos de Sheika Samira Amara.
“Tariq seja bem vindo em casa,” ela disse a ele do grande espelho, enquanto penteava seus
longos cabelos negros. “Você parece bem, meu filho.”
“Assim como você. O que me deixa confuso.”
A sheika virou-se para o filho, vestindo um fino robe cor de rosa costurado com tramas roxas
e pretas. Sua expressão também estava confusa assim como as linhas finas em torno de sua boca e

olhos.

“Eu fui informado que você estava doente mãe. Fui chamado para voltar mais cedo de
Dubai por Aziz. Ele disse que você não estava bem da cabeça.”

“Eu acho que é o seu tio que não anda bem da cabeça.” Ela replicou. “Ele tem me
importunado para conversar com você sobre uma empreitada e agora fala como se você estivesse
em algum tipo de liga com o Ocidente contra nosso país.”
Tariq apertou seus olhos e xingou. Ele precisaria ir tão longe como demitir seu próprio tio,

humilhá-lo daquela forma?


“O que eu deveria fazer com ele agora? Degolá-lo. Trancá-lo em uma masmorra como um
comum? Há algum tempo, ele estava sendo apenas um impertinente com essa teimosia, mas agora
ele me envia essas mentiras para me distrair do trabalho? Isso é traição mãe.”
“Talvez ele acredite que uma jovem mulher tenha algo a ver com isso. Senhorita Johnson não
é?”
“Mãe,” Al-Amad advertiu.
“Eu o vi no E!”
“O pai nunca aprovaria que você assistisse a esse lixo ocidental, você sabe,” o sheik

resmungou.
“Esta não é a questão. A questão é que eu vi meu filho beijando uma mulher ocidental como
se ele tivesse encontrado sua princesa. É verdade ou não?” Os olhos dela, assim como os dele, o
perfuravam.
“É verdade. Ela está trabalhando com Al-Amad International em um projeto muito importante.
Nós ficamos muito próximos e é algo além do meu controle.”
“Isso é amor, meu precioso?”
“Eu não sei. Eu sou o sheik de Varapur. Governante! Eu comando tudo o que vejo. Eu tomo o
que é meu, e protejo meu povo. Eu posso dar tanto de mim mesmo para uma só pessoa e ainda ser
esse homem?”

“Especialmente para alguém de fora?” Ele aproximou-se dela, pegando sua mão enquanto

ele se curvava diante da grande penteadeira de mármore.


“Seu pai era um grande governante,” Sheika Samira começou, colocando a mão sobre a

coxa do filho, “e ele amava uma mulher com todo o seu coração. Allah, seja louvado para que
esteja sempre ao seu lado, o desafiou a amar mais do que aquilo. Então Sheik Murshid veio até
mim, e nosso amor criou algo novo e belo que foi você e seu irmão.”
“Quando a Sheika partiu para os braços de Allah Sheik Murshid ergueu alguém que ele

pensava ser apenas uma concubina e as pessoas passaram amá-la por conta do amor que ele
demonstrou por ela. Meu filho, você também tem o coração de seu pai. E quem quer que você
decida tomar também será amada pelo seu povo.”
“Você acredita que sim?” Ele perguntou, olhando dentro de seus olhos avermelhados.
“Com certeza. E se não, você é um sheik, simplesmente lhes corte as cabeças,” ela disse com
um sorriso.
“Sheika!” a garota de dezenove anos correu para dentro dos aposentos de Samira, “Rei Al-
Amad minhas desculpas,” ela disse curvando sua cabeça.
“Fale,” ele comandou.

“As notícias! É seu irmão!”


A televisão no quarto da sheika mostrou imagens do atentado em Dubai. Tariq viu uma
imagem que congelou seu coração, alguém de cabelos vermelhos sendo apressada para longe do
carro destruído de seu irmão.
“Eu preciso retornar para Dubai imediatamente.”
***

Sarah não tinha certeza por quanto tempo ela havia dormido, mas desnecessário dizer que
ela havia perdido seu voo. Enquanto a morfina percorria seu sistema nervoso, ela se perguntava se
isso se tornaria um hábito em suas viagens para Dubai.
Nós pousaremos em dez minutos. A temperatura é de 43ºC, e , senhorita Johnson seus

sequestradores estão vinte minutos atrasados.

Dois quartos privados no Al Garhoud Hospital, onde ambos Sheik Rassid e o Rei Tariq tinha
médicos pessoais foram ocupados. Era, na verdade, o hospital particular mais próximo e Rassid

ordenou que eles fossem levados para lá, para que fossem tratados. Ele foi levado para uma suite
royal mas Sarah foi admitida num quarto regular. Mesmo assim era do tamanho de uma sala de
estar de uma casa americana, havia várias poltronas alaranjadas. O piso era escuro de madeira e
papel de parede claro com desenhos que faziam sua cabeça girar.

Ela estava confortavelmente deitada numa cama hospitalar, com monitores ao seu redor.
Haviam alguns pontos em seu super cílio e alguns medicamentos muito interessantes sendo injetados
em seu corpo. Seu pulso estava enrolado com gelo, graças a deus torcido e não quebrado mas ela
provavelmente usaria uma bandagem por um período.
“Lori?” chamou uma voz profunda.
“Ela olhou com as vistas borradas enquanto um homem aparecia no canto. “Rassid?”
“Não, é o Tariq,” ele disse, e sua sombra a cobria enquanto ele permanecia de pé ao seu
lado.
“Ah! Tariq!” Ela cantarolou.

“Você está bem? Eu nunca devia tê-la deixado,” o sheik disse, tomando sua mão direita entre
as dele.
“O quanto posso estar após ter explodido. Mas o paramédico disse que ele me deu algo
para dor ou ansiedade, é tão bom. Eu estou feliz que você tenha voltado, eu estou sempre segura
com você,” Sarah tentava falar, com um sotaque texano mais aparente do que nunca.
Tariq se abaixou e beijou sua testa.
“O que aconteceu afinal de contas?”
“Isso foi minha culpa” ele disse com pesar.
Esta foi a primeira vez que ele pronunciou aquelas palavras em voz alta. “Boatos sugerem
que foi uma resposta as minhas ações nos campos de trabalho. Aparentemente, nem todos que

lucram com tanta crueldade se importam em ver mudanças no mundo.”

Sarah tentava se sentar mas ela não tinha certeza que seu corpo entendia.
“Você vai ficar bem. Isso é minha responsabilidade e eu não vou deixar que ninguém mais a

machuque, nunca mais,” ele disse, a beijando.


Uma batida forte na porta pesada do quarto e o som de algo contra ela o interrompeu.
“Ela é resiliente,” Aziz Amara disse circulando pelo canto.
“Tio, essa não é a hora para sua insolência. Se você quiser poupar seu pescoço, retire-se. Eu

terei uma palavra com você mais tarde.”


“Ah agora é a única hora. Eu tenho esperado, e rezado para Allah, louvado seja ele, para
que ele o leve de volta ao caminho apropriado,” ele disse, puxando uma longa navalha de metal
de seu cinto. “Mas eu vejo que eu devo ser as mãos dele nisso. Varapur não mais irá sofrer por
causa de um rei tolo.”
“Tio,” Tariq avisou.
“Primeiro você institui essa perigosa missão sobre o sangue da vida de nossa própria nação.
Perseguindo a ilusão satânica de energia ‘verde’,” ele cuspiu nós pés do sheik. “Depois você aloca
o projeto nas mãos de uma mulher. Melhor, sobre as costas de um camelo!” Ele atacou Tariq que

rapidamente esquivou-se para sua direita e chutou uma das cadeiras em sua direção, o afastado
para o fundo do quarto.
“Eu vou ter sua cabeça, Aziz. Pare com isso agora!”
“Eu acreditei que os trabalhadores usariam a americana para desacreditá-lo, você desistiria
disso, mas não. Agora ela se tornou sua prostituta que você ostenta sempre que deseja, semeando
desgraça sobre seu reino.” Aziz arremeteu contra ele, não acertando por pouco, rasgando seu
terno.
Tariq caiu de costas sobre a cama de Lori. Medo e adrenalina estavam a deixando sóbria,
mas o quarto girava conforme ela tentava se mover. Al-Amad levantou-se, protegendo-a com seu
corpo. Os olhos de Aziz estavam obscuros e vazios. Qualquer motivação que ele tinha havia

sumido, e restavam apenas a navalha e Tariq.

“Depois seu irmão idiota tinha que se meter em meu caminho com ela armadura dele!”
Tariq agarrou a bandeja de metal que estava ao lado da cama de Lori e a bateu com toda

sua força sobre a mão de Aziz. Uma cacofonia de metal ressoou seguida pela navalha caindo
sobre o chão.
Sarah oscilou da maca e encolheu-se num canto do quarto enquanto os dois homens lutavam.
Aziz se jogou por cima de Tariq o agarrando pela cintura. Tariq caiu sobre o chão, mas trouxe

suas mãos batendo nas com as mãos nas costas do tio. Aziz tentou prosseguir com um golpe na
cabeça de Tariq, mas o sheik desviou a tempo. O punho de Aziz sendo esmagado contra o chão
pôde ser ouvido.
Pessoas batiam na porta, enquanto chamavam em árabe e inglês, forçando sua entrada.
Sarah tentou levantar-se em direção a porta mas ambos estavam no chão bloqueando a passagem
do quarto.
Tariq o golpeou, impactando seu nariz com um barulho de algo rachando. O velho homem
moveu-se para trás tentando respirar enquanto o sangue corria por sua face. O sheik saiu
debaixo do outro homem, chutando suas costas com suas pernas poderosas, e o puxou liberando a

passagem da porta.
Homens grandes em uniformes táticos pretos apontaram armas para o homem caído. Aziz
podia apenas tossir sangue enquanto eles o arrastaram pelos pulsos.
“O leve embora”, Tariq latiu com desgosto.
Os braços do sheik estavam ao redor de Sarah antes que ela pudesse registrar qualquer
coisa embalando-a nele. “É hora de a levarmos para casa.”
Capítulo Dez

Seu sheik sentou-se numa poltrona acolchoada diante da cama, terminando uma chamada
telefônica e observando ela. Ele vestia apenas um par de calças de algodão e estava

bebericando scotch com soda. A cama no jato particular de Tariq estava quieta literalmente
dormindo no ar. Ele havia insistido em levá-la para casa pessoalmente, e com as drogas ainda
circulando em seu organismo, ela desmaiou momentos depois de embarcar.
“Por quanto tempo eu estive dormindo?”

“Algumas horas. Ainda restam muitas horas de voo, devo dizer.”


“Desculpe-me eu sinto que estou sempre mantendo você em alerta.” Ela alongou-se usando
apenas calcinha e uma blusa. Agora ela se sentia muito mais sóbria com uma dor em seu pulso, mas
alerta e de volta ao mundo.
O sheik riu, mas seu sorriso não alcançou os olhos dela. “O mundo tem sido duro com você
nesses últimos dias, tição. Você merece o descanso.”
Sarah foi para o final da cama. Ela levantou os olhos para ele enquanto ele bebericava
novamente de seu copo.
“E seu tio?” ela perguntou, sem saber se de fato queria ouvir a resposta.

“Ele será enviado para Varapur e executado por traição.” Seu tom era frio e assertivo.
“Executado?” ela questionou.
“Eu não tenho escolha!” Ele levantou se bebendo o que restava em seu copo e o jogando-o
sobre a mesa. “Eu poderia ter trabalhado com ele nas restrições governamentais, mas ele não
apenas tentou me assassinar e matar a mulher que eu amo, mas orquestrou um ato terrorista no
solo de Dubai! Eu sou sheik. Eu vou ter sua cabeça. Essa é a lei.”
Medo tomou a face dela por um momento, mas Tariq sentou-se novamente com as mãos
sobre a têmpora.
“Ele sabia o preço que seus atos cobrariam. Eu me dei conta de quão instável ele se tornou.

Aziz reclamava para minha a mãe o tempo todo sobre meus projetos mais "liberais", mas quando

veio a serviço do reino, eu achei que ele entendeu a minha governança. Ele estava tão cego pelo o
que aquilo poderia ser que ele não podia ver o que de fato era.”

Sarah deu alguns passos em direção a sua cadeira, deslizando suas pernas em cada lado
dele. Ela tocou os lados de seu rosto com ternura, colocando sua testa contra a dele enquanto
acariciava sua barba.
"Será que isso vai ser a reação normal das pessoas? Que você está levando seu país a

perdição e eu sou apenas uma prostituta ocidental em seus braços?", Ela perguntou suavemente.
"Eu não sei. Eu sei que a mudança nunca será fácil. Eu sei que existem conflitos em todo o
meu ser quando se trata de meus sentimentos por você. Mas eu sei que depois de hoje, eu não
posso suportar este mundo sem você. Eu te amo com tudo que há em mim, Sarah Johnson”
"E eu acho que nunca mais serei capaz de me sentir em casa novamente sem você", disse ela.
"Eu também te amo."
Seus beijos começaram em seu queixo descendo suavemente para os lábios. Suas mãos
abraçaram suas costas, enquanto ela aceitou sua boca, sua língua possuindo a dela. Duelando e
aprofundando a paixão, o gosto profundo de uísque ainda permanecia lá.

Ela podia sentir o desejo oferecendo-se para ele enquanto suas mãos agarravam as curvas
por detrás dela. Ele a ergueu, levando-a de volta para a cama e caindo sobre suas costas. As
mãos dela rasgaram sua camisa, deslizando seus seios sobre seu tórax. As palmas das mãos
grossas de Tariq raspavam sobre suas auréolas de seus mamilos entre os seus dedos. Tariq os
beliscou arrancando lamentos de desejo de sua garganta.
Sarah aterrou seu cerne encharcado para baixo contra o comprimento sólido por debaixo
dela. Ela se inclinou mais para baixo, com seus seios balançando enquanto as mãos dele foram
substituídas por sua língua e seus lábios. Ela choramingou ruídos profundos quando umidade, o
calor e seus dentes rasparam sua carne.
Seus quadris foram levantados e de repente ela sentiu o ar fresco através de seu sexo

conforme sua calcinha foi rasgada dela. Haviam-se tornado um pedaço de nada nas mãos de seu

sheik. As calças dele também fizeram o seu caminho até as pernas, permitindo que o seu
comprimento sólido incha-se contra o ventre dela. Ela passou seu membro ao longo de seus finos

cachos em brasas e úmidos, provocando seus lábios com ele.


Ele sacudiu-se contra ela, mas ela estava no controle, passando a pele aveludada ao longo
de sua circunferência até que ela não aguentou mais. Finalmente ela abriu-se, espetando-se na sua
masculinidade. Ambos gemeram de prazer absoluto como eles se tornaram um. Seus lábios mais

íntimos o acolheu quando ela afundou para trazê-lo o mais profundamente que ela podia suportar.
Ele enterrou seu rosto em seu colo de gritando palavras numa língua que ela não podia
compreender.
Sarah revirou seus quadris contra o dele, sentindo sua dureza se movendo ao longo de seus
nervos mais secretos e sensíveis. Ele empurrou para dentro dela, sua pélvis se movendo em uma
batida descontrolada. Ela segurou seu pulso dolorido por cima dela, tentando manter-se distraída
conforme a tensão era criada dentro dela novamente.
Magma estava fervendo dentro dela, correndo através de suas próprias veias com cada
impulso de seu sheik. Palavras inúteis foram se derramando de seus lábios junto com sons primitivos

que ela nunca soube que era capaz de fazer. Seu amante estava devorando suas curvas,
mordendo o ponto de pulsação, e liberando torrentes de calor profundas em seu ventre. Os atritos
perfeitos contra seu feixe de nervos escaldantes rasgaram um orgasmo de dentro dela.
Um grunhido visceral saltou violentamente dela enquanto Tariq a segurava. Ela se agarrou a
ele novamente, enredando os dedos em seus cabelos enquanto seu corpo reivindica o dele. Ela
balançou em seus braços quando sentiu seu próprio gozo ferver dentro dela. Seus lábios se
apoderaram do dele enquanto desabaram para trás, os dentes dela arrebataram seus lábios.
"Quanto tempo mais até o Texas?” Ela perguntou depois de alguns minutos de respiração
ofegante.
"Cerca de 10 horas, mais ou menos.”

"Ótimo," ela disse, rolando sobre ele e começar a beijar seu pescoço novamente.
***

“Cinquenta milhões de dólares?”

Seu avião pousou em Santo Antonio aproximadamente as nove horas da manhã no horário
local. Entretanto, ela optou por hospedar-se no Mokara com o Rei Tariq ao invés de levar a
realeza para casa. Ela prezava a descrição. Eles ainda tinham uma semana antes de sua reunião
no M.I.T. e ela queria ter a chance de mostrar-lhe as redondezas antes de mergulhá-lo na

experiência familiar.
E houve muito tempo para descansarem e, outras coisas antes dela enfrentar fogo com sua
irmã. Agora de volta para casa, na casa de visitas que sua irmã adorava ocupar, ela encontrou o
olhar investigativo de sua irmã gêmea.
“Sim.”
“Tipo, dólares americanos?”
“Sim, Lils.”
“Mentira,” ela declarou.
“Sem mentiras.”

“E mais vinte para qualquer instituição que você quiser?”


“Este é o acordo – assinado, selado, e, bem ainda não entregue. Existem taxas estruturais
num projeto daquele tamanho. Não é muito importante. Mas o detentor as remove.”
“E isso foi antes de você desistir?”
Sarah deu um tapa em sua irmã com a bandagem de seu pulso do outro lado da mesa de
jantar.
"Você disse que ele tinha um irmão bonito certo? Talvez ele precise de uma nova peça para
sua coleção?” Lilly perguntou.
"Sim, ele precisa, de fato, mas não tenho certeza de que ele faz o seu tipo. Eu tinha uma
faísca com Tariq, mesmo antes de ter sido sequestrada por trabalhadores descontentes.” Ela,

finalmente, revelou.

Lilly bateu a cerveja para baixo na mesa e olhou para a irmã com sua boca aberta, "Você o
quê?"

"Havia apenas essa pequena coisa sobre alguns trabalhadores de um dos campos de
trabalho que me sequestraram. Eles queriam que eu gravasse uma fita condenando as condições
de trabalho".
"Por que diabos você não me contou?" Os dentes de Lilly cerraram com tanta força, que sua

irmã teve medo que haveria contas do dentista para serem pagas.
"Porque você iria surtar e se preocupar e não havia nada que você pudesse fazer. Eu fiquei
lá por algumas horas antes que Tariq me encontrasse.”
"Isso não é o que eu esperava quando disse que as coisas haviam sido intensas, Loretta!"
Também não era exatamente o que Sarah estava esperando tanto quando ela aceitou uma
simples reunião em uma suposta terra de luxos.
"Não me venha com Loretta, Lilith. Passe por essa experiência e me diga se você não teria
feito a mesma coisa".
"Eu não... droga, você e seu cérebro gêmeo estúpido."

"Nós duas sabemos que eu tenho um cérebro gêmeo inteligente."


"É por isso que você foi atacada com uma granada? Meu Deus, Lori, você estava em Dubai
por cinco dias. Lá não é nem mesmo uma nação crise."
"Bem, para ser justa, ambos os eventos foram orquestrados pelo tio de Tariq. Então é,
realmente, apenas uma coisa que eu tenho em mente.”
"Sim, e o que é?"
"Amor", ela disse com um sorriso largo e brilhante para Lilly.
"Oh meu Deus, eu vou vomitar."
***
"Vamos, pequeno tição, eu pensei que você disse que seria quem me mostraria as

redondezas," King Al-Amad estalou a parte de trás de seu cavalo Palomino. O sol de Santo

Antonio batia em seus cabelos transformando suas mechas em cobre fundido.


"Sim, bem, eu te dei Fawn porque Tusk aqui é um rabugento maldito", disse Sarah, chutando-

a suas esporas para que o cavalo move-se.


Eles tinham passado a melhor parte dos últimos dois meses em Cambridge, Massachusetts,
conforme a equipe de Abdul lidava com os laboratórios do M.I.T.
Tariq havia sido chamado de volta algumas vezes. Afinal, ele era o governante de um país.

Sarah ficou tentada por suas tecnologias em design de ponta e concordou em ficar. A faculdade
lhe oferecia ótimas acomodações para trabalhar ao lado da equipe M.E.V. e ela pôde aproveitar
brinquedos novos. Foi vantajoso para ela.
Agora, ela estava feliz por estar de volta cavalgando ao longo de uma cerca de madeira
velha que beirava a pastagem de sua propriedade. Esta garota ocidental queria oferecer ao
homem do Oriente Médio o verdadeiro Ocidente. Ela estava vestida com jeans apertados, uma
camisa de brim parcialmente desabotoada com apenas um top branco por baixo, botas de cowboy
de couro e seu cabelo de fogo escondido debaixo de um chapéu de aba larga. Tariq tinha optado
por uma camisa de seda folgada e calças jeans com botas militares e sua ghutra. Ele se queixou

do estilo ocidental, as tão comentadas (suas palavras) botas de cowboy não fazem um sheik.
"O Rancho de seu pai é um lugar simples", disse ele, "mas um lugar de grande beleza. As
colinas de pasto verde e a visão dos cavalos que correm livres sob Allah são magníficos.”
"Esta era minha trilha de montaria favorita quando estava crescendo. Você pode ver
praticamente toda a fazenda de uma parte ou de outra”. “E lá”, disse ela levando-o a um grande
cercado, “é onde temos utilizado para treinar os cavalos. O papai, principalmente agora que está
aposentado, usa a maior parte da terra para a criação de garanhões".
Rei Al-Amad desmontou o Palomino e amarrou seus cavalos nos pesados trilhos de madeira
do antigo curral. Sarah estendeu os braços para ele com um sorriso e ela a retirou sem esforço do
cavalo.

"Portanto, este é o lugar onde você os amansava?" Ele perguntou caminhando para o grande

anel.
"Bem ali," Sarah disse sentando-se sobre os trilhos de madeira, observando enquanto ele

andava. "Eles podem ser teimosos filhos da mãe, mas uma vez que você os conhece, uma vez que
você descobre o que os faz funcionar, eles se entregam."
"Eu sei. Eles são animais magníficos com tal orgulho e lealdade. É preciso uma pessoa muito
especial que eles possam dobrar-se à sua vontade ".

Ela balançou as pernas quando ele se aproximou dela no curral, derrubando seu chapéu
para trás deixando seus cabelos vermelhos cairem ao redor de seus ombros. "Eu também enxergo
tais maravilhas. Maravilhas que deixaram a sua própria marca no meu coração.”
Sarah sentiu o coração parar em seu peito quando o Rei Al-Amad ajoelhou-se no chão. Suas
mãos cobriram sua boca e ela caiu sobre seus pés.
O anel que ele segurava era de ouro branco, entrelaçado com jade e rubis, o centro era
uma opala de fogo com crostas de diamantes e com o mesmo dragão como na Jóia de Jinni. "Tais
maravilhas que seria uma honra para mim chamá-la de Sheika".
Sarah estendeu a mão e Tariq deslizou o anel sobre seu dedo, sentindo que seus pés

deixaram a terra, ele a pegou em seus braços.


"Sim!"Ela murmurou sem fôlego chovendo beijos sobre os seus lábios.
"Minha Sheika, meu fogo sem fumaça", ele respirou, beijando sua boca novamente.
Sarah o arrastou, enxugando as lágrimas que escorriam pelo seu rosto com a palma da mão,
de volta para os seus cavalos. Ela tinha um noivo para apresentar a sua família e um casamento
perfeito para criar.
Epílogo

Rei Tariq Al-Amad e Sarah Johnson posicionaram-se diante da grande entrada para o 'Ubdi
Dayim bin Varapur Dubai Palace apreciando seu trabalho. Mais de um ano de construção havia

passado para a estrutura reluzente de pedra e suor. No centro de tudo isso estava o futuro de sua
pátria.
Dentro do palácio um exército de servos, cozinheiros, arrumadeiras, e qualquer outra pessoa
que Lilly Johnson poderia comandar, estavam se preparando para o grande dia. Quando o

próximo sol se levantasse sobre suas torres, finalmente seria o dia do casamento.
"Sua irmã garante que tudo está pronto?"
Sarah tinha presumido que seu sheik gostaria de se casar em seu trono, em Varapur, mas ele
tinha ordenado o contrário. Este lugar era mais apropriado, ela sabia, e não havia nenhuma outra
maneira. Sua vida juntos haviam surgido a partir desta visão e que para sempre aqui se reunisse,
seria perfeito aos seus olhos.
"Sim, meu sheik, será preparado para o seu corte real. A cerimônia está pronta para
prosseguir", disse Sarah. "Embora, provavelmente ainda haverá alguns floristas circulando durante
a manhã sob os comandos de Lils."

"Ela exige o melhor. É por isso que eu lhe permiti deixá-la fazer isso.”
Sarah revirou os olhos longe de sua vista. "Todos os meios de comunicação também estão
preparados. Pronto para transmitir o nosso casamento de volta para casa."
A beleza de seu palácio foi o cenário perfeito para a oração de Khutba-tun-Nikah para
solenizar o casamento. O pátio que dava para a Meca já estava banhado de cravos brancos e as
flores cor de âmbar de Varapur. Não apenas era o lar de um dos grandes salões do palácio, mas
também continha uma necessidade vital. Ar condicionado.
"Telhas de ardósia do grão-de salão e pilares de mármore foram polidos para espelhar os
acabamentos. E as grandes mesas para a festa de Walima foram entregues e arranjadas.” Eles

eram de madeira sul africana em tons castanho-avermelhado e tão brilhantes que pareciam

derreter os exuberantes azuis, roxos e vermelhos do salão real.


"Tem certeza de que deseja receber o seu povo sem um trono, meu amor?"

"Deve-se aceitar a graciosidade de seus irmãos reais e então construir um trono na sua
terra. Meu trono está sobre a minha terra, meu tição. Meu povo sabe quem os governa."
"Eu amo tanto quando você exala poder, meu rei".
Tariq mordeu-lhe a orelha, amando o jeito que seu riso encheu a noite.

"E a minha mãe?"


"Você sabe que seus aposentos estavam prontos semanas atrás. Sheika Samira está muito
feliz. Seu irmão ainda reclama que o som acústico do cinema não é bom o suficiente."
"Isso é porque não lhe resta nenhuma audição", ele resmungou.
"Eu tenho certeza que Rassid não seria feliz até que todas as trinta e duas salas do palácio
possam ouvi-lo", ela riu.
Ela se inclinou de volta para ele, deixando a varredura do ar do deserto arrefecer em torno
deles. As luzes do palácio começaram a se acender ao longo da estrutura cor de mel como o pôr
do sol, iluminando a estrutura dourada de argila escura polida. As fontes na frente agitavam-se

com o som suave de água conforme elas tomavam vida.


"Meu pai ainda não sabe como usar suas vestes." Sarah riu.
"Eu sou sheik. Vou ordenar para ele seja vestido", Tariq explodiu.
"Você não aprendeu muito sobre cabrestos de San-Na-Ton no último ano, não é? Mas eu
acho que a tia Carla será capaz de ajudá-lo com isso.”
"Eu sei que ele nos abençoou, meu amor. Eu sei disso."
"Bem, ele sabe quando eu tiver meu coração em sintonia com alguma coisa, eu sempre a
consigo."
A grande torre do relógio no centro dos jardins soou como eles banhada pelo brilho da
nova era com o estilo dos tempos antigos. Para muitos este lugar seria talvez outro dispositivo

elétrico berrante no luxo e excesso de Dubai, mas muitos já enxergavam o seu potencial. Esta casa

se tornaria um monumento do bem, acolhendo qualquer que desejava ver suas maravilhas. Havia
começado como um trabalho de amor, uma visão, mas através dessa visão que ele finalmente viu o

amor florescer em sua vida.


"O que você acha minha sheika? Nós construímos algo bom?”, Ele ronronou com risada
profunda que sempre a deixou louca.
"Na verdade nós construímos sim, meu sheik", disse ela, puxando os braços em volta da

pequena protuberância em sua barriga. "Mas eu acredito que nós fizemos algo ainda melhor."

FIM

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Todos os Direitos Reservados. Copyright 2015 Ella & Jessica Brooke

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Capítulo Um

Amy Monroe sorriu para o cartão postal que sua irmã, Alexis, havia enviado. Há mais ou
menos dois anos, sua irmã havia sido raptada pelo Xeique Farzad Yassin e agora ela era xeica. A

foto que ela tinha enviado era de si mesma com o filho, Farid, brincando nos amplos jardins do
palácio. Era uma imagem adorável e, mesmo que a princípio Amy não tivesse ficado empolgada
com o novo rumo da vida da irmã, agora ela estava contente. Não era possível fingir aquele nível
de felicidade e, além disso, Farid era basicamente a criança mais fofa que ela jamais havia

conhecido. Parte dela estava sentindo ciúmes enormes da irmã por ela ter encontrado alguém –
mesmo que da maneira menos convencional possível. Sim, uma parte de Amy também se
preocupava que Alexis tivesse basicamente arruinado sua carreira em direito em troca de romance,
mas, ao mesmo tempo, ela nunca tinha visto a irmã sorrir tanto. Suspirando, ela largou o cartão
postal e as demais fotos e se dirigiu para seu armário.
Fuçando lá dentro, ela puxou um dos onipresentes conjuntos de calça e camisa preta e
passou as mãos por seus cabelos negros, curtos e picados. A cor não era natural e ultimamente ela
se sentia tentada a fazer umas mechas azuis escuras ou roxas. Ela trabalhava numa cafeteria no
campus da Universidade de Boston e mudar a cor provavelmente a faria se sentir mais como parte

da contracultura do campus do que o contrário. Colocando uma faixa para segurar seu cabelo
curto para trás, Amy agarrou sua bolsa e saiu correndo pela porta.
A noite seria longa: hoje ela trabalhava no último turno e fechava à uma da manhã. Sendo
um negócio familiar, o Café Lem’s tinha se desdobrado para conseguir uma licença para vender
álcool. Poder colocar conhaque no café – como os irlandeses – assim como ter uma lista de bandas
universitárias locais que tocavam lá, garantiam que eles sempre fechassem tarde. Amy preferia
assim. Era melhor do que se levantar antes do sol, especialmente nos invernos intermináveis de
Boston.
Teoricamente, depois de se formar ela tinha vindo pra cá para tentar um mestrado em belas

artes, em escrita criativa. Ela largou o curso em pouco tempo e descobriu que, mesmo tendo muitas

ambições, no momento a única coisa apropriada para sua atitude e seu tédio era preparar café e
bolinhos. Não era exatamente o que ela achava que estaria fazendo aos vinte e três anos. Diabos,

considerando que duas meninas do seu círculo de amizades (sem brincadeira!) eram literalmente
rainhas de seus próprios países, ela realmente parecia uma preguiçosa. Não que ela fosse uma,
exatamente, mas ela se sentia de fato uma fracassada, como se ela não tivesse a menor ideia do
que fazer da vida ou mesmo do que queria.

Claramente, não era servir café batizado com álcool para graduandos, mas era o melhor
que ela podia fazer por enquanto.
O fim do seu turno estava se aproximando. Era uma quinta feira, o que significava que hoje
não tinha nenhuma banda, que eram exclusivas de sexta e sábado à noite. Além disso, o semestre
estava apenas começando. As pessoas ainda não estavam desesperadas o suficiente para estarem
digitando seus trabalhos às pressas depois da sexta xícara de café. Elas estariam. Quando as
provas finais chegavam, conseguir um bom assento próximo a uma tomada no Café Lem’s era um
esporte violento. Ainda assim, a noite estava calma e, à exceção de dois clientes regulares que
estavam ao fundo lendo romances russos do tamanho de pesos de portas, ela estava sozinha

quando começou a esfregar a pia e a máquina de cappuccino.


Pelo menos, era o que ela pensava. Quando faltavam vinte minutos para a hora de fechar, o
homem mais lindo que ela jamais tinha visto entrou na loja. Ele era alto, mais de um metro e oitenta,
com ombros largos e a pele morena. Seus olhos eram de um impressionante e profundo verde jade,
e ele tinha uma barba curta. O único pequeno “defeito” em seus traços era uma cicatriz por cima
da sobrancelha esquerda; mas sério, ela tinha certeza que, para uma garota ávida, ele
conseguiria dar um jeito naquilo. Era só contar a estória da “cicatriz de guerra” e ele ficaria ainda
mais charmoso do que antes. Diabos, só os olhos dele já eram o suficiente para Amy se perder
dentro.
“Como posso ajudá-lo?” ela perguntou.

“Dvar,” ele disse, sorrindo para ela e lendo seu crachá. “E você é Amy.”

“Bom, nós sabemos que você sabe ler, ótimo. Então você pode escolher o que quiser.”
“E se o que eu quiser for você?”

Ela corou e revirou os olhos. Ela não saía com um homem há muito tempo. Não que ela não
fosse atraente. Francamente, desde que ela havia feito patinação no gelo (não muito bem, mas
ainda assim), quando era menina, Amy sempre gostava de manter seu corpo em dia. Então ela era
magra, mas também baixa. Amy mal tinha um metro e cinquenta e sete, se é que tanto, e era muito

magrela. Ela nunca tinha sido o tipo de mulher que deixava as pessoas de queixo caído quando
entrava em algum lugar. Isso nunca acontecia. No entanto, da maneira que Dvar olhava para ela,
bem... Ele parecia um homem que tinha se arrastado pelo deserto e encontrado um oásis.
Era um pouco demais, mas ela gostava, Amy admitiu para si mesma enquanto varria a franja
para trás da orelha.
“Isso não está no cardápio, mas nós temos um ‘explosão mocha’ e alguns brownies que
sobraram. E as pessoas adoram nosso pão de sementes.”
Dvar suprimiu o riso. “Sério?”
“Todo mundo aqui é um estudante universitário tentando ser vegano, macrobiótico ou algo do

tipo, então não é tão incomum assim.”


“Eu acho que prefiro algo com mais substância,” ele disse, sua voz como um ronronado
profundo. “O que você tem pra mim?”
“Nós temos um ótimo cappuccino com Bailey’s. Vou fazer um pra você,” ela disse, já
vaporizando o leite.
Amy não conseguiu não corar sob o escrutínio do homem. Sério, ela tinha visto modelos de
cueca menos atraentes. Será que esse era o trabalho dele? Talvez ele fosse algum modelo de
Nova Iorque que, seja lá porque, tinha decidido que era hora de visitar Boston – porque quem não
gostava de montes e mais montes de neve, e lixo que sequer podia ser recolhido. Deus, se ela
tivesse que usar uma pá para liberar seu carro mais uma vez – não que ela o usasse com

frequência, mas ainda assim – ela ia enlouquecer.

Dvar sorriu para Amy enquanto ela terminava de fazer a bebida. Depois ele estendeu a
mão para pegar a xícara, e era óbvio que ele estava enrolando de propósito. Ele não tinha se

enganado quando seus dedos passaram pelos dela ao pegar a bebida.


“Foi um prazer ser servido por tal beldade.”
Amy corou novamente e empurrou suas franjas picadas para longe dos olhos. Deus, agora
ela desejava ter deixado o cabelo com seu tom natural de castanho e com um corte que pelo

menos lembrasse cachos. Caramba, tinha muito tempo desde a última vez que um homem – muito
menos um homem tão bonito assim – tinha prestado atenção nela. Ela nem sempre sentia que tinha
a melhor isca.
“Então pode agradecer com uma boa gorjeta. Uma garota tem que sobreviver.”
Ele sorriu, e foi o sorriso mais luminoso que ela jamais havia visto. De repente, pareceu que
sua teoria sobre ele ser um modelo de verdade não estava assim tão errada. Dvar tirou uma nota
de vinte dólares do bolso de sua jaqueta com a mão livre e colocou-a na jarra de gorjetas. “Eu
não me preocuparia com isso, Amy.”
“Obrigada, mas por mais gentil que você seja, vinte dólares não vão manter o lobos longe

da porta por muito tempo.”


Ele assentiu e deu um passo para trás, e ela quis reclamar um pouco pela perda de contato
e proximidade física. “Ainda assim, cuidado com esses lobos. Você nunca sabe aonde vai encontrá-
los.”
Com isso, o Sr. Alto, Bonito e Sensual saiu pela porta, deixando Amy com sua vida sem graça.
Suspirando, ela terminou de limpar a cozinha e depois pegou o esfregão e o balde. Ainda havia
muita limpeza pela frente.
***

Boston estava gelada.


Isso não era novidade, eles estavam no meio da maior e mais forte onda de frio que a

cidade jamais havia visto. Todo fim de semana parecia receber uma nova nevasca, e todo mundo

estava falando sobre o recorde de queda de neve e como em breve esse seria, literalmente, o
inverno com mais neve de todos os tempos. Enquanto seus dentes batiam em sua caminhada de

volta para o apartamento, Amy apertou o casaco com mais firmeza em volta do corpo. Ela havia
deixado os malditos protetores de orelha na cafeteria e se arrependia de ter cometido um erro
tão bobo. Agora suas orelhas estavam como cubos de gelo e havia no mínimo mais quatro
quarteirões para andar. Ela também não estava indo lá muito rápido. Os montes de neve estavam

altos em suas panturrilhas e ela sentia que afundava, não importa quão leve e ligeira ela tentasse
ser em suas botas.
Argh, ela precisava de férias.
Bom, sua irmã tinha oferecido para recebê-la em uma visita, e o sol do deserto tinha que ser
melhor que aquela lama sem fim.
Sacudindo a cabeça, ela tirou o celular e começou a digitar os longos códigos internacionais
que a conectavam a Alexis. Ela não tinha terminado quando ouviu passos atrás de si. Amy se virou
para olhar e franziu as sobrancelhas. Havia uns quatro caras atrás dela, e todos tinham uma
complexão morena. Alguns tinham barbas grossas e pretas, ou mesmo grisalhas, e pareciam

estrangeiros, um pouco como os homens que ela tinha visto na cerimônia de casamento de sua irmã.
Isso era um pouco estranho.
Franzindo as sobrancelhas apologeticamente, ela se moveu para a beira da calçada
ocupada. “Sinto muito. Aqui estou eu, tomando todo o espaço na rua. Não foi muito legal da minha
parte. Quer saber, podem passar e eu me preocupo com telefonemas mais tarde.”
Os homens sequer se mexeram. Ao invés disso, apenas continuaram olhando para ela como
ela fosse um bife gratuito numa fila de buffet.
Colocando o telefone de volta no bolso, Amy tentou ficar calma. Ela assentiu e voltou para o
meio da calçada. “Bom, então eu vou na frente. De novo, me desculpem por ter tomado tanto
espaço, a culpa foi minha” ela terminou, saindo num passo muito mais apressado do que antes, mas

não era exatamente uma corrida descarada. Ela temia que, se fizesse isso, eles a perseguiriam.

Mesmo assim, quando ela saiu, eles também começaram a andar atrás dela, seus passos firmes e
medidos de acordo com os dela.

Ao passar por uma barbearia cujas janelas eram revestidas de filme, Amy estremeceu por
razões que não tinham nada a ver com o frio. Os quatro homens mal estavam a quinze centímetros
dela agora e seguindo-a passo a passo. Segurando sua bolsa mais perto do corpo, ela decidiu
que tentar ignorá-los não ia ajudar. Eles claramente queriam algo dela, e ela estava morrendo de

medo do que poderia ser. Ela podia adivinhar, e seu estômago se revirava só de imaginar. Havia
apenas dois quarteirões (cheios de neve) até seu apartamento. Inspirando profundamente e
torcendo para que tudo desse certo, ela disparou.
Seus pulmões queimaram e ela desejou que não fosse quase uma e meia da manhã. Deus,
como ela queria ser mais rápida, como ela queria não sentir sua vantagem diminuindo com cada
passo que dava. No primeiro quarteirão os homens estavam logo nos seus calcanhares, tão perto
que um deles agarrou a alça da bolsa de Amy. Ela puxou a bolsa, mas a alça se arrebentou e ela
largou tudo pra trás. Ela substituiria os malditos cartões de crédito depois, desde que ela não se
tornasse uma estatística criminal hoje. O segundo quarteirão não foi tão fácil. Ela estava a uma

distância considerável de seu prédio quando escorregou em um enorme trecho de gelo.


Amy caiu com força, vendo estrelas à sua frente, e foi invadida pela tontura ao bater a
cabeça no concreto.
Quatro pares de mãos estavam sobre ela e ela se contorceu, chutando e gritando com
qualquer tentativa de toque. Mas não foi o suficiente. O homem mais alto, com quase um metro e
noventa e cinco de altura e uma enorme barba grisalha, finalmente conseguiu pregar os braços
dela por trás das costas.
“Me solte!” ela gritou. Arqueando o pescoço, ela olhou em volta, mas a rua estava vazia.
“Me deixem em paz e eu não conto pra ninguém, eu juro.”
O homem maior balançou a cabeça e enfiou algo escuro, como um capuz, sobre o rosto de

Amy, e ela não conseguiu ver mais nada além do tecido negro. “Não, Senhorita Monroe, isso não

vai funcionar. Afinal, nós temos que trazer a nova xeica para o nosso mestre.”
Isso foi tudo que ela ouviu. Depois dessa declaração ameaçadora, algo afiado mordeu sua

pele atrás da orelha e tudo virou escuridão.


Capítulo Dois

O Xeique Dvar Yassin da Jardânia certamente tinha coisas melhores a fazer. Isso não era
mentira, de certa forma. Seus primos, Farzad e Munir, ambos de nações vizinhas, estavam

interessados em montar uma frente organizada contra os mercenários e o exército do Leban. Era
hora de acabar com eles e com a turba que eles instigavam, de uma vez por todas. Dvar não
podia se opor a isso. Afinal, aquela nação beligerante causava mais do que a sua cota de
problemas para a Jardânia, especialmente com suas agressões na fronteira leste. Eles estavam

corrompendo grupos revoltosos dentro das próprias fronteiras da Jardânia e coisas terríveis
estavam acontecendo – atrocidades que ele nunca poderia ter imaginado dentro do seu reino. Ele
tinha participado de uma longa reunião de três dias com seus primos na semana anterior. Parecia
que uma guerra era inevitável a essa altura. Dvar apenas esperava que os Estados Unidos
ficassem do seu lado. Afinal, a esposa de seu primo Munir, Emma, era a filha de um poderoso
senador.
Qualquer coisa que ajudasse, pois os problemas estavam chegando em todas as terras
governadas pela dinastia Yassin, e a situação só piorava.
Mas ele não podia passar a vida trancado na sala de guerra, e ele confiava em seus primos

para lidarem com a questão pelo menos por mais uma semana, o quanto fosse necessário para
consolidar os acordos que ele precisava colocar em prática. Talvez – tá certo, talvez não,
definitivamente – Dvar estivesse morrendo de inveja de seus primos. Ambos tinham encontrado
noivas incríveis e atraentes ao sequestrarem mulheres americanas. Farzad parecia particularmente
feliz com Alexis Monroe e, francamente, tendo espiado sua pequena e bela irmã na cerimônia de
casamento há muitos meses, Dvar conseguia entender por quê. A família inteira era mais do que
impressionante.
Ele havia se apaixonado pela irmã mais nova, Amy, mesmo à distância.
É por isso que, um belo dia, ele se viu sentando em uma mesa no meio da quadra principal

da Universidade de Boston, observando a garota. Ele queria entendê-la um pouco antes de levá-la

de volta com ele para a Jardânia. Até então, ele sabia que ela passava a maior parte do tempo
sozinha. Mesmo tendo largado sua pós-graduação, ela com frequência estava no campus,

passando o tempo na quadra e observando pessoas, ou, mais provavelmente, trancada na


biblioteca. Ela era uma intelectual. Julgando por seu cabelo tingido e piercings – eles nunca
serviriam para uma xeica de verdade – isso o surpreendeu um pouco. O vocabulário dela era
ríspido o suficiente, e ele tinha comprovado isso por si mesmo no casamento. Amy não havia medido

palavras com Farzad, especialmente no que dizia respeito aos métodos de sedução de seu primo.
Ainda assim, esse lado mais quieto e pensativo surpreendeu e deleitou Dvar. Havia algo naquela
pensativa observadora de pessoas que podia ser cultivado, manipulado e encorajado até levá-la
a ter o tipo de elegância e pensamento cuidadoso que destacavam uma verdadeira xeica.
Ela se moveu um pouco e olhou por cima do ombro, e ele levantou o jornal para cobrir o
rosto. Algumas vezes desde que ele havia começado sua vigília, ela quase o havia pego no flagra,
quase o viu olhando para ela. Amy era também esperta, ciente dos seus arredores. É claro, Dvar
havia servido e liderado seu próprio exército por muitos anos. Também não era fácil surpreendê-
lo.

“Maravilha,” ele disse para si mesmo. “Ela vai se sair muito bem.”
***

Hakim, seu emissário de mais confiança, entrou nos alojamentos privados do jatinho
particular. Apertada nos braços do velho homem estava a pequena trouxa praguejante pela qual
Dvar estivera esperando. “Meu xeique, nós estamos com a Senhorita Monroe, como foi pedido. Nós
já estamos voando e estaremos na Jardânia dentro de dez horas.”
Ele sorriu e apontou para a garota. “Muito bem, agora nos deixe.”
“Ela é um pouco difícil, meu senhor.”
Ele riu, genuinamente tocado com a preocupação de Hakim. Mesmo que a espoleta estivesse
xingando pelos cotovelos e tentando chutar tudo que estivesse ao alcance, ela ainda assim mal

tinha um metro e meio, e provavelmente pesava uns quarenta quilos, no máximo “Acho que dou

conta dela.”
“Ela conseguiu machucar o Asaad, senhor.”

“Então talvez ela prefira jogos diferentes,” ele disse, assentindo para Hakim. “Agora, por
favor, vá.”
Hakim hesitou só por um instante antes de fazer uma reverência e se retirar para a ala
principal do jato. O capuz ainda estava sobre a cabeça da garota e suas mãos estavam

amarradas atrás das costas. Dvar aproveitou a situação para fechar a porta, garantindo que esta
estivesse trancada.
“Agora,” ele disse, circundando Amy e passando a mão pelas clavículas dela. Eles tinham
tirado o casaco dela antes de amarrá-la, o que significava que a mesma adorável camiseta preta
– aquela que se esticava convidativamente sobre seus seios bem formados – era o que ele via
agora. Ele podia até sentir a pele dela, macia como manteiga cremosa. “Você está a seis mil
metros de altura. Você não poderia escapar nem que tentasse, e eu não recomendo que você tente
sair desse cômodo. Eu jogo sujo, Senhorita Monroe.”
Ela arfou e ele a viu se encolher mesmo por baixo do capuz preto que estava sob sua

cabeça. “Por que você está fazendo isso?” Ele deu de ombros e puxou o pano preto do rosto dela.
Olhos inteligentes e agudos, azuis como cristal cortado, o encararam de volta. Amy piscou mais
algumas vezes, como se estivesse tentando juntar suas forças. “Eu te conheço, não? E não só da
cafeteria.”
Ele assentiu. “Você tinha muito mais raiva e foco no meu primo Farzad, e na sua percepção
de como ele havia tratado sua irmã.”
Ela o encarou de queixo caído, e ele podia ver o fogo queimando através daquelas
assombrosas profundezas cor de safira. “Você o que? Você está de brincadeira? Eu não curto essa
palhaçada de princesa árabe. Eu quero ir pra casa!” Ela se atirou para frente e tentou chutá-lo.
Dvar tinha que admitir – a menina era rápida. Ele pulou de lado, mal escapando, e depois

se esgueirou para trás dela. Empurrando-a para a cama, ela rolou-a de bruços e prendeu-a entre

seu corpo e o colchão.


“Isso não foi legal, espoleta.”

Ela se sacudiu embaixo dele, mas ele tinha quarenta e cinco quilos de músculo sobre ela, e
ela não tinha a menor chance de movê-lo. “Sai de cima de mim, caramba!”
Ele sorriu e beijou a garganta dela, deixando sua língua hesitar e banhar o ponto onde o
pulso dela batia. “Não, isso é para depois, minha xeica. Mas isso não significa que a gente não

possa se divertir um pouquinho aqui. Você nunca quis fazer parte do Mile High Club1?”
Ela ficou imóvel como uma estátua por baixo dele. “Eu quero ir pra casa. Eu não quero ser
uma rainha como minha irmã, e eu certamente não pedi pra isso acontecer.”
“Não, eu não acho que você pediu,” ele disse. “Agora, eu vou me levantar, e você não vai se
mexer dessa cama. Se você fizer isso, não vai gostar das consequências.”
Ela concordou embaixo dele. “Você não vai me machucar, vai?”
“Há jogos que eu prefiro, espoleta, mas nada disso é relevante aqui ou agora. Eu não vou te
jogar na cama de novo se você não fugir nem tentar me chutar. Não é uma troca justa? Eu vou ser
educado desde que você também seja.”

“Eu não sei o que ‘educado’ significa pra você em seja lá qual inferno de deserto onde você
nasceu, mas para mim significa que você não sequestra mulheres que estão voltando do trabalho e
as maltrata!” ela disse.
Ele ficou de pé e sorriu para ela, enquanto ela rolava de costas. “Bom, espoleta, cada
família tem seus costumes. Os homens Yassin sabem o que querem. Nós vemos o que queremos e
depois vamos lá e pegamos. Você era algo que eu simplesmente tinha que ter desde o momento
em que eu te vi.”
“Bom, eu não posso dizer que o sentimento é mútuo, seu babaca.”
Ele deu de ombros. “Nós precisamos arrumar coisas melhores pra fazer com essa sua boca,

Amy.”

“Eu acho que tenho muita coisa pra dizer pra você. Eu já te mandei pro inferno?”
Ele deu uma risadinha. Não é à toa que seu primo tinha ficado tão encantado pela irmã

dela, Alexis. Era tanta vivacidade, tanta intensidade... Um desafio maior do que qualquer uma das
mulheres do seu harém. Era definitivamente uma distração digna para tirar sua mente da guerra e
do caos. Dvar riu profundamente mais uma vez e se inclinou sobre ela. Ele não caiu sobre a cama
ou colocou seu peso sobre Amy, apenas se abaixou para poder beijar seus lábios.

Amy fechou os lábios com força e não se mexeu embaixo dele. Isso não duraria muito, não
se ele pudesse fazer algo a respeito. Finalmente, ele estendeu uma mão e apalpou o seio dela. A
pele era macia e flexível sob seu toque, e natural também. Ela era pequena e magrela, mas ele
adorava a sensação do delicado seio dela em sua mão. Através do fino tecido da blusa e do sutiã
dela, ele já conseguia sentir o mamilo endurecendo.
Dvar passou seu polegar ali e ela estremeceu, o mamilo instantaneamente enrijecendo sob
seus cuidados. Ele aproximou a boca da orelha dela. “Nem pense em me morder.”
“Eu não pensei,” ela disse, mas seu tom de voz era fraco e vacilante. Ela tinha pensado sim.
Mais uma vez, ela se mostrou uma lutadora, uma qualidade excelente para uma xeica, para uma

futura mãe da linhagem Yassin. “Eu não gosto disso.”


“Seu mamilo está duro sob o meu toque,” ele disse, enfatizando seu argumento ao esfregar o
mamilo dela com um movimento circular, curtindo a sensação em sua mão. “Você está respirando de
forma entrecortada. Diabos, até suas pupilas estão se dilatando. Você está mais excitada do que
gostaria de admitir.” Ele enfatizou seu argumento beijando-a nos lábios, deixando que seus dentes
mordiscassem a macia pele dela. Ele não a fez sangrar ou qualquer coisa do tipo, mas ele gostava
da sensação do lábio dela, tão macio e vulnerável entre os seus dentes.
Amy inspirou profundamente e estremeceu embaixo dele. Suas pálpebras se agitaram e ela
o avaliou, os olhos semiabertos, sua expressão faminta apesar da raiva.
Ele sorriu novamente e beijou-a, descendo pelo pescoço dela em direção à sua clavícula. Ele

passou os dentes sobre os ombros dela, curtindo a maneira como ela estremecia sob seus toques.

Sua mão ainda estava massageando o seio dela, e ele mal podia esperar para sentir o calor dela
em volta de sua ereção, para se sentir em casa ao enterrar sua carne dentro dela. Mas isso

demoraria um pouco, era melhor deixar que as coisas se estendessem. Não seria divertido se ele
tomasse tudo de uma vez.
Afinal, paciência não era uma das virtudes?
Ainda assim, talvez um pouquinho mais de diversão não fosse fazer mal. Ele beijou os lábios

dela uma última vez e até deixou sua língua invadir a boca dela, se enroscando na dela e lutando
para dominá-la. Mesmo assim, ela se contorceu e lutou por baixo dele, como se Amy não fosse se
render a sequer um beijo de livre e espontânea vontade. Ótimo, ela era tão motivada e cabeça
dura quanto ele. Isso seria uma competição de vontades, e ele mal podia esperar para vencer.
Enquanto a beijava, ele esfregou sua ereção contra os quadris dela, prometendo muito mais
quando eles chegassem em casa, na Jardânia.
Se levantando, ele sorriu para ela. “Eu te vejo em breve, espoleta, e da próxima vez que eu
te ver...”
“Você vai me deixar ir, seu babaca egoísta?” ela exigiu.

“Não, nós vamos brincar de verdade.”

1 Gíria aplicada a pessoas que já mantiveram relações sexuais em um avião em voo.


Capítulo Três

Não havia muito que ela pudesse fazer para ficar confortável. Pelo menos ela tinha se
livrado do capuz preto – que fedia a óleo de patchouli, fumaça de cigarro e alguma outra coisa.

Amy achava que era suor. Deus, quantas outras vítimas ou almas assustadas e sequestradas tinham
sido forçadas a usar aquele negócio? Ainda assim, ela manobrou até ficar sentada e se inclinou na
cabeceira de ébano.
Num avião? Sério? É claro que, se você é um xeique e tem bilhões de dólares, porque não

desperdiçá-los?
Soltando um suspiro profundo e vacilante, ela tentou não chorar. Não era o estilo dela. Ela
era muito mais a favor de gritar com as pessoas, dizendo a elas exatamente o que pensava.
Diabos, chutar certos xeiques sabe-tudo na virilha parecia uma ótima ideia. Ela congelou, pensando
na maneira como ele havia se esfregado nela, a ereção rígida dele contra o seu cerne. Amy
estremeceu e disse a si mesma que o que ela sentia não importava, o que importava era que Dvar
a havia sequestrado, a roubado de sua vida, e ia esperar certas coisas dela.
E ainda assim, uma parte dela não estava tão chateada.
Ela estava desesperadamente entediada e indiferente com sua humilde vida em Boston.

Diabos, ela estava congelando seu maldito traseiro naquele lugar. Talvez ela não tivesse
planejado ser salva do inverno sendo sequestrada e enviada para o Oriente Médio, no deserto
escaldante, mas qualquer coisa tinha que ser melhor que a desolação à qual ela estivera se
agarrando.
A sensação do membro dele, tão duro e pronto contra o corpo dela, era uma memória
provocadora, assim como a sensação do polegar dele, gentil, mas forte em seu mamilo direito.
Deus, ela não podia mentir para si mesma, não completamente, e ela não podia contar uma estória
bonita para si mesma dizendo que não se sentia atraída por Dvar de forma alguma. Ela o havia
achado absurdamente bonito desde o momento em que ele tinha entrado na cafeteria. Só o cheiro

dele e a sensação do corpo dele pressionado contra o seu já faziam com que seus fluidos

começassem a jorrar.
O que diabos estava errado com ela?

É claro, aquelas incríveis maçãs do rosto, os olhos verdes como jade, e os ombros largos
colocariam qualquer mulher heterossexual de joelhos.
Nessa bagunça toda, essa era a parte que mais a deixava com raiva. Tudo que Dvar
precisava ter feito era pedir, e ela teria viajado com ele, teria estado interessada nele. Agora ela

achava que ele a via como uma espécie de brinquedo. Ele a havia adquirido e agora ele
esperava que ela se comportasse, obedecesse, e fosse a sua xeica perfeita.
Até parece.
Ela não ia se curvar para ninguém, nem para um homem tão sexy e, até agora, tão talentoso
quanto Dvar.
Ela estava sentada lá, ruminando sobre quais seriam as suas chances de fuga se ela
simplesmente saísse correndo na pista de pouso do aeroporto, quando a porta se abriu e ela se
encolheu. À sua frente estava o homem alto e de cabelos grisalhos que a havia segurado com mais
força. Era Hakim, não era?

O homem tinha uma bandeja carregada de amendoins, alguns sanduíches e refrigerante. Ele
fez uma pequena reverência e colocou a bandeja na cama do lado direito dela. “Xeica Amy, você
precisa comer.”
Ela revirou os olhos e se inclinou para frente. “Minhas mãos estão um pouco amarradas aqui.
Hakim, certo?”
Ele se curvou novamente. “Sim, minha xeica. Esse é o meu nome. Bom, então, esse é um
problema. Eu não tenho permissão para te soltar. Você pode escapar, mesmo que isso seja tanto
inútil quanto tolo.”
“Sim, eu ouvi. Eu não ia despressurizar a cabine ou algo do tipo a mais de seis mil metros de
altura.”

“E não seria apropriado que a xeica enfiasse a cara na comida,” ele disse, franzindo as

sobrancelhas acanhadamente. “Eu vou chamar meu mestre. Ele pode ser capaz de atender às suas
necessidades.”

Ela corou, pensando na maneira come ele quase havia atendido às suas necessidades alguns
momentos antes. “Claro, eu não quero morrer de fome. Quer dizer, eu não acho que isso vai
acontecer, mas eu estou faminta, Hakim.”
Ele sorriu. “Eu acho que cabe ao Dvar cuidar disso.”

Antes que ela pudesse contestar, o homem tinha ido embora. Ela ficou lá piscando, como se
ele estivesse escondendo sua verdadeira velocidade. Considerando que Hakim havia sido enviado
para capturá-la, Amy de repente se perguntou se haveria algum motivo pra ele ser o encarregado
de realizar favores “sujos” para o xeique. Provavelmente ele era um dos funcionários mais bem
treinados de Dvar – outro motivo pelo qual ela não tinha a menor chance de escapar. Mesmo que
ela conseguisse se livrar das amarras apertadas em seus pulsos e passar, desarmada, pela guarda
de três ou quatro homens enormes, bom, eles estavam mais que certos. Não é como se ela tivesse
um paraquedas extra ou o desejo suicida de despencar milhares de metros até o oceano (será que
tinha tubarões?) embaixo.

Então tudo que ela tinha agora eram câimbras nos braços e uma bandeja cheia de
sanduíches que ela não podia comer. Ah, e um xeique que era incrivelmente gostoso, mas que a
queria à disposição dele. Até parece. Falando nele, Dvar esgueirou-se de volta para o cômodo.
Mais uma vez, era como se todo o ar tivesse saído do corpo de Amy. Ela nunca tinha visto alguém
tão bonito em pessoa antes – os ângulos acentuados do seu rosto e suas maçãs altas, os lábios
apertados, e, como sempre, aqueles brilhantes olhos cor de jade que pareciam ver e absorver tudo
em volta dele. O xeique era observador acima de tudo, isso Amy conseguia sentir em seus próprios
ossos.
“Eu fiquei com fome,” ela disse, empinando o queixo desafiadoramente. Era um gesto fútil
quando ela estava amarrada e não podia machucar sequer um maldito gatinho, mas a fazia se

sentir melhor. Ninguém ia levá-la sem uma briga. Se isso ia acontecer com alguns chutes bem

colocados ou com farpas verbais, não importava. Ela não pertencia ao harém de ninguém.
Dvar assentiu e se sentou do outro lado da cama. A bandeja balançou, mas nada caiu,

mesmo com o deslocamento de peso. O xeique sorriu para ela e passou uma mão por seus cabelos.
Amy ficou parada, mas, francamente, gostou demais da proximidade dele para tentar afastar a
cabeça. Ela não estava com vontade de negá-lo acesso. Além disso, se ela o chateasse, ela ia
passar as próximas dez horas até o Oriente Médio sem nada no estômago e ela não tinha

exatamente comido muito durante seu turno. Por enquanto, entrar no jogo parecia ser a melhor
estratégia.
Mãos grandes e estranhamente calosas – talvez nem todos os xeiques levassem vidas fáceis
de luxo – acariciaram seu cabelo e depois tocaram sua bochecha. Ela estremeceu com aquele
toque e, certamente, não podia ser a sua garganta que estava choramingando. Diabos, ela nunca
tinha choramingado na vida. Amy se recusou a admitir que estivesse fazendo aquilo agora.
“Como eu disse, estou com fome. Então, oh grande e poderoso soberano, o que você vai
fazer a respeito?”
“O que você quer que eu faça, espoleta?”

“Estou com sede,” ela disse.


O sorriso dele se alargou e ela tinha certeza que aquela mesma expressão tinha feito outras
mulheres caírem de joelhos na frente dele. Suplicantes. Ele abriu o refrigerante e deu um longo
gole. Amy lambeu os lábios enquanto o pomo de adão dele subia e descia em sua garganta.
Diabos, ela era tão patética que só a visão de algumas gotas daquele líquido cor de âmbar
pingando da barba e do bigode dele faziam com que sua umidade aumentasse. Ótimo, ela ainda
estava morrendo de sede, e agora nos dois sentidos.
Dvar se inclinou e a beijou. Foi um beijo longo e duradouro, carregado com mais gentileza
do que ela tinha imaginado que ele fosse capaz. Suas ações anteriores tinham sido famintas e
ávidas, ações gananciosas que procuravam apenas tomar e dominar. Agora? Agora ele estava

carinhosamente se banhando na língua dela, envolvendo-a com a dele. Ela quase deu risadinhas

com as cócegas que os pelos faciais dele faziam. A língua e os lábios dele estavam doces, com o
sabor do refrigerante, e ainda um pouquinho frios.

“Está com menos sede agora?” ele perguntou, com o sorriso maliciosamente largo.
Ela bufou. “Não exatamente, Casanova. Eu gostaria de um pouco de refrigerante pra mim!”
Ele assentiu, tomou outro gole e se inclinou na direção dela. Amy viu aonde aquilo estava indo e
cutucou-o com o ombro. “Boa tentativa. Eu não sou um passarinho.”

Ele engoliu e deu de ombros. “Mas você é minha prisioneira. E eu já brinquei disso antes.”
“Ai, eca, essa não é uma brincadeira da qual eu vou participar tão cedo, mesmo com meus
braços amarrados atrás de mim,” ela argumentou.
Ele assentiu e depois abriu o outro refrigerante, um só pra ela. Ela definitivamente apreciou
aquela concessão. Ele encostou a borda na boca dela e deixou que o líquido entornasse para
dentro. Ela deu goles gananciosos e, apesar de seus melhores esforços, o refrigerante cobriu sua
pele, deixando-a doce e pegajosa. Mesmo assim, ela não bebia nada há horas e o líquido gelado
era tudo que ela esperava, aplacando pelo menos uma das sedes que queimava seu corpo.
Dvar puxou a lata de refrigerante de volta e colocou-a na mesa ao lado dele, perto da

outra lata. “Eu acho que você derramou um pouco, espoleta.”


“Eu não posso exatamente me limpar,” ela disse, passando a língua pelos cantos da boca e
esperando que isso fosse o suficiente.
Ele se inclinou para frente e começou a ajudá-la com a situação, lambendo os cantos da sua
boca, a ponta do seu queixo, e indo parar no topo da sua camisa. Algumas gotas tinham descido
até sua clavícula exposta e Dvar lambeu a pele ali langorosamente. Ela se esticou o máximo que
conseguia, o tempo todo lamentando as malditas algemas em seus pulsos. De repente ela queria
muito tocá-lo, sentir a espiral de músculos que, ela sabia, estavam por baixo do terno dele – do
contrário, a roupa não cairia tão bem – ou o cabelo grosso e escuro no topo da cabeça dele.
“Você ainda está com sede?” ele perguntou, finalmente, e ela sentiu falta do contato entre

sua pele e a talentosa – e possivelmente demoníaca – língua dele.

Ela balançou a cabeça. “Mas ainda estou morrendo de fome. O que você pretende fazer a
respeito disso, meu senhor?”

Os olhos dele se estreitaram. “Não fale desse jeito.”


“Ah, me desculpe,” ela disse. “Quero dizer, ‘meu senhooor.’ Eu não devo enunciar tudo,
mestre?”
“Você é insolente,” ele disse, com o tom de voz baixo e ameaçador. Ele segurou o queixo

dela com o polegar e o indicador da mão direita. Ela então percebeu quão maior do que ela ele
era (não que isso fosse difícil), e muito mais forte. Amy não conseguia mexer a cabeça, nem mesmo
um centímetro, não importa o quanto ela tentasse. “Agora,” Dvar disse. “Tente novamente. Me peça
comida com o respeito que o seu xeique merece.”
“Meu xeique,” ela disse, batendo os cílios timidamente. “Eu adoraria que você me desse
alguns amendoins e sanduíches. Seria possível? Seria muito trabalho?”
“Melhor, mas não está ótimo,” ele disse. “Mas nós temos tempo para transformá-la na
reverente xeica que você precisa ser.”
“‘Reverente?’ Você não está colocando o carro na frente dos bois?” ela perguntou.

“Nunca,” ele disse, soltando o queixo dela e pegando o sanduíche.


O cheiro era quase divino para ela, que estava tão faminta, com toques de manteiga de
amendoim e mel, se ela não estava enganada. Dvar pegou o sanduíche em suas enormes mãos,
fazendo-o parecer minúsculo. Se ela não estivesse vendo com os próprios olhos, teria pensado que
eram aperitivos. Mas não eram. Sem querer, Amy corou ao pensar quão grandes deviam ser outras
partes do corpo dele. Ela empurrou esse pensamento para longe. Ela era uma prisioneira,
caramba. Ela não ia cair nessa. Seu plano era simples: esperar o avião aterrissar, correr para a
luz do dia na pista de pouso, e arrumar uma maneira de ligar para sua irmã e pedir pra ela
chamar ajuda.
Simples, fácil.

Então porque é que ela já estava fantasiando a respeito de ficar aqui e deixar que as mãos

grandes e, aham, outras coisas fizessem o que quisessem com ela?


Ele estendeu a mão e interrompeu os pensamentos dela. Ele levou um pedaço partido de

sanduíche até a boca dela e ela deu uma mordida – e talvez, só um pouquinho, ela lambeu os
lábios e gemeu mais do que seria apropriado. Claro, o sanduíche era bom e ajudava sim a
aplacar as chamas da fome rugindo dentro dela, mas não era exatamente um néctar dos deuses.
No entanto, ela gostava de provocar Dvar, tentando-o. Ela podia vê-lo se contorcendo em seu

assento, o contorno da ereção dele se endurecendo através do tecido das suas calças. Os olhos
dele se estreitaram, direcionando uma atenção bem focada nela, as pupilas se dilatando dentro
dos círculos cor de jade.
“Isso é incrível,” ela ronronou, lambendo os lábios novamente e rindo dele, que partia o
próximo pedaço ansiosamente.
Dvar levou a porção até a boca dela novamente e ela deu uma mordida ávida, deixando
seus dentes passarem – não morder, não exatamente – pelo indicador dele. “Cuidado, espoleta.”
Ela engoliu e deu de ombros. “Você sabe que tem uma expressão americana, ‘essa gatinha
tem garras’?”

“Não estou familiarizado, não.”


“Bem, eu prometo que não só tenho garras, mas também uns dentes bem fortes. Você talvez
queira ser bonzinho comigo.”
Ele assentiu e deu outro pedaço pra ela. O primeiro sanduíche já estava pela metade, e ela
não tinha certeza se estava aliviada ou decepcionada. Tudo que Amy sabia era que a atenção e
os esforços do xeique a deixavam confusa. Parte dela estava com medo e frustrada, e só queria ir
para casa o mais cedo possível. No entanto, uma parte mais profunda e atávica dela, algo primal
e estranho para sua mente racional – bem, ela já estava dolorosamente molhada –, queria que ele
fosse mais longe.
Perceber isso a chocou, mas aquilo também a excitava.

Deus, o que estava acontecendo com ela?

Será que ela tinha ficado completamente maluca?


“Você está bem?” ele perguntou, as profundezas cor de jade se colorindo de preocupação.

Ela o avaliou especulativamente. “Você sequer se preocupa com o meu desconforto? Você
fez, tipo, quatro caras me sequestrarem, minhas mãos estão amarradas, e eu estou com medo do
que vai acontecer se eu tiver que ir ao banheiro.”
“A copiloto é mulher; ela pode te ajudar.”

“Que alívio,” ela replicou. “Eu sou só uma posse pra você e nós dois sabemos disso.”
“Você é mais que isso,” ele disse silenciosamente antes de colocar o sanduíche de volta na
bandeja e pegar tudo para levar para a parte principal do avião, longe do quarto privado dela.
“Descanse dessa vez, Amy. Quanto mais você dormir, mais rapidamente nós chegaremos ao nosso
destino.”
“E à minha escravidão sexual, mal posso esperar!”
Ele franziu a sobrancelha e entortou a cabeça. Deus, será que ela era tão transparente com
sua luxúria quanto ele? Era óbvio que ele a queria. Diabos, até um cego perceberia. Será que ele
via que pelo menos parte do seu corpo traidor também ansiava por ele?

“Eu acho que você me quer mais do que demonstra, Amy. Agora, bons sonhos.”
Ela revirou os olhos depois que a porta foi fechada e tentou se acomodar no colchão
embaixo dela. Seus braços já estavam entorpecidos graças à falta de circulação, como se um
milhão de formigas estivessem picando-os. Assim mesmo, ela se viu caindo em um sono irregular. Ela
não foi atormentada por pesadelos de sequestro e tortura; Amy sabia que nada tão drástico
quanto barras ou afogamento simulado estava em seu futuro. Não. Ao invés disso, ela sonhou com
penetrantes olhos cor de jade que olhavam para ela por entre suas pernas, e com a fome que
queimava dentro deles.
Capítulo Quatro

Havia pirâmides imensas do lado de fora da janela.


Havia pirâmides.

O cérebro dela não estava processando isso. Há menos de vinte e quatro horas ela estivera
presa no inverno mais frio jamais registrado em Boston, e agora Amy estava na suíte real do hotel
Mena House no Cairo, Egito, olhando sobre o campo de golfe e diretamente para as pirâmides.
Você sabe, o Rei Tutancâmon, maldições, e múmias antigas? Sim, essas pirâmides. Elas eram imensas,

tão impressionantes que Amy se sentia insignificante ao lado delas, como se não houvesse nada
nela que importasse em comparação com algo que havia durado séculos. O quarto também era
maravilhoso – uma enorme cabeceira circular folheada a ouro de verdade que fazia até a cama
king size parecer pequena, o rico tapete oriental em tons de bronze e vermelho, e a mobília antiga
feita das mais finas sedas. Dizia-se que o Mena House vinha hospedando celebridades e reis por
gerações. Amy acreditava.
O check in tinha sido interessante.
Ela tinha sentido uma vontade desesperada de correr no instante em que a haviam retirado
do avião. Pra falar a verdade, ela tinha feito isso, mas então Hakim – e ela devia chamá-lo de o

maldito Flash1 – a havia agarrado e empurrado com força mais do que suficiente para dentro da
limusine. Ela tinha esperado aterrissar na Jardânia, para começar plenamente sua vida estranha e
um novo capítulo como a rainha de uma terra completamente estrangeira. A última coisa que ela
esperava ver eram os sinais indicando que ela havia chegado ao Egito. Amy se perguntou se
talvez um dos primos de Dvar estava atualmente visitando o reino da Jardânia. Talvez o seu novo
xeique não quisesse enfrentar o escrutínio da família. Talvez ele quisesse encantá-la com um
passeio pelo mais velho país do Velho Mundo. Ou, diabos, talvez ele quisesse sua própria distração
antes de retornar para suas obrigações governantes. Amy não podia ter certeza.
No saguão do Mena House, Hakim a havia segurado firmemente, com uma arma enterrada

discretamente em suas costelas. Tentar pedir ajuda teria sido suicida e uma idiotice absurda, então

Amy manteve a boca fechada. Agora ela era uma imitação fajuta de Julia Roberts em Uma Linda
Mulher, olhando para uma cidade que ela nunca tinha visto exceto em livros de fotografia, e com o

luxo da melhor suíte do hotel empilhado sobre ela.


Ela não tinha palavras.
Mas Dvar parecia ter. Ele caminhou até ela e passou um braço por cima de seu ombro. Ela
tencionou os músculos com o contato inesperado, mas ele cheirava tão bem, a cúrcuma e almíscar, e

ela não conseguia não se sentir atraída por ele também. “É lindo, não é?”
Ela concordou. “Eu não fazia ideia. Eu sabia que elas eram grandes, mas eu não... como é
que dá pra sequer imaginar?”
“Não dá. Eu tinha sete anos a primeira vez que meu pai me trouxe aqui a negócios. Foi
incrível.” Ele se virou e sorriu para ela. “É sempre incrível.”
Amy engoliu em seco. Ele era muito mais alto do que ela, provavelmente uns quarenta
centímetros a mais, então não era como se eles estivessem se encarando olho no olho. Diabos,
estava mais pra olho no peito largo e forte, mas ele estava olhando para baixo, para ela, com
aqueles encantadores olhos verdes, e ela se sentia caindo novamente.

Ela se sacudiu. “Eu preciso de um banho ou algo do tipo. Estou coberta tanto do sal de

rocha2 de Boston quanto de areia do Cairo e isso é uma loucura.”


“Eles têm chuveiros,” ele disse, a voz como um ronronado. “Vou pedir para entregarem

algumas roupas aqui. Você é bonita demais para ficar vestida de barista3.”
“Você conhece a palavra?” ela perguntou, um pouco surpresa.
“Eu mesmo estudei nos Estados Unidos, um tempo em Harvard. Não seja idiota. Além do mais,
quem você acha que inventou o café?” ele observou, se direcionando para a porta. “Aliás, antes
que você tenha ideias, o quarto tem três andares de altura e eu duvido que amarrar os lençóis uns
nos outros vá te levar muito longe. Além disso, Hakim e Nasir estão posicionados em ambos os lados

da porta. O telefone não funciona. Eu pedi que a recepção o desconectasse para mim porque não

quero ser perturbado.”


Ela franziu as sobrancelhas. “Você está falando sério?”

“Muito, Senhorita Monroe. Você é minha agora, e você nunca vai escapar de mim – jamais,”
ele disse, batendo a porta atrás de si ao sair para o saguão principal.
Amy suspirou e testou o telefone, só pra ter certeza. A equipe dele tinha confiscado seu
celular há muito tempo. Fiel à palavra dele, o telefone sequer conectou. Estava completamente

silencioso, não havia nem o maldito tom de discagem. Indo até a varanda, ela avaliou a queda.
Mesmo que ela soubesse como amarrar os lençóis uns nos outros, ainda era alto demais. Além disso,
ela tinha uma política de não basear suas decisões de vida em coisas que tinha visto nos desenhos
do Patolino e do Pernalonga, mesmo porque elas raramente funcionavam, mesmo pra eles.
Ótimo, até agora todos os seus brilhantes planos ou tentativas de fuga tinham sido
completamente frustrados ou acabado como fracassos totais. Que pena que ela não era o

MacGyver4. Diabos, ela até aceitaria ser a versão paródia: McGruber. Amy não era inventiva o
suficiente pra isso. Pelo amor de Deus, ela era uma ex-estudante e uma barista temporária
endividada. Ela não tinha a menor esperança de descobrir uma maneira de escapar. Não é como

se ela fosse uma das garotas nos filmes de James Bond.


Dando de ombros, ela agarrou as fofas toalhas brancas dispostas para ela e foi para o
banheiro. Era tão lindo quanto o resto do quarto, com paredes de mármore e um chuveiro duplo
com duchas a vapor. Tudo brilhava, decorado com o que também pareciam ser folhas de ouro, e
ela presumiu que tudo era feito com aquela aparência só porque qualquer outra coisa seria tão
cara e esbanjadora que não daria nem pra imaginar. Estendendo a mão, ela ligou a água numa
temperatura pouco abaixo de escaldante e tirou sua roupa imunda.
Quando os menores fiapos de vapor começaram a encher o chuveiro, ela entrou. Depois de
tanto tempo amarrada, a água era como o paraíso, as gotas quentes caindo sobre seus braços

ainda formigantes e entorpecidos. Havia marcas, arranhões e linhas vermelhas no local onde as

algemas haviam mordido sua pele. Não havia cortes e ela esperava que, em algumas horas,
ninguém poderia mais ver. As coisas poderiam ter sido piores. Diabos, ela ainda estava morrendo

de medo de que as coisas ficassem muito piores. Como era aquela expressão sobre nenhum porão
no inferno?
Ela pensou que era onde estava atualmente.
Mas o inferno tinha trajes bonitos, o homem mais sexy que ela jamais tinha visto, e chuveiros

de luxo. Era melhor do que as ideias de forquilha e pés de bode que ela tivera antes. Não havia
lagos de fogo aqui, apenas o constante pulsar do chuveiro enquanto a água varria sobre ela,
lavando as dores e o medo do dia para longe.
Amy suspirou e inclinou a cabeça contra o mármore. A sensação era fria, um contraste com o
calor de sua pele ou o calor se acumulando em suas vísceras. Deus, o que diabos ela faria? Ela se
virou para alcançar o xampu e deu um pulo pra trás. Dvar estava lá.
Nu, em toda sua glória.
Ele devia ter entrado de fininho enquanto ela deixava toda a sujeira se desprender dela.
Ela lambeu os lábios ao vê-lo. Mesmo enquanto seu coração batia selvagemente, mesmo ao

estender os braços para cobrir seus seios e esconder sua própria nudez, ela ainda assim não
conseguia tirar os olhos dele. Ele era muito maior do que ela poderia ter imaginado, com relação à
largura. O terno tinha escondido tanto do que havia por baixo... Ele tinha ombros largos, um porte
de jogador de futebol americano, ou seja lá qual fosse o equivalente estrangeiro. Rúgbi, não era?
Ele tinha uma constituição tão poderosa, como se ele sozinho pudesse ter construído aquelas
malditas pirâmides lá fora. Seu peito era perfeitamente esculpido, como o Davi de mármore de
Michelangelo. Ela engoliu com força enquanto a água escoava pelo torso dele e corria em fios
sobre as linhas de seu abdômen, um tanquinho, e ela se perguntou se o homem vivia em uma
academia.
Governantes não eram pra ser homens ocupados, em teoria?

Ela sabia que o presidente americano não se parecia nada com isso.

Bom, talvez fosse alguma estratégia para manter a Jardânia feliz. Talvez as mulheres
ganhassem um bilhete de loteria de vez em quando para dar uma espiada nos “bens” do xeique.

Fazia tanto sentido quanto qualquer outra coisa que ele tinha feito nas últimas vinte e quatro horas.

Dizer que ela tinha caído no buraco do coelho5 era tão pouco em comparação ao que de fato
estava acontecendo que não tinha mais graça.
Ainda assim, a água continuou descendo, para o “caminho da felicidade” de pelos que

levavam aos cachos negros sobre a virilha dele. Seu membro saltava daquele tufo de cabelos,
duro e de dar água na boca. Amy tinha tido a sua cota de amantes na faculdade, mas ela nunca
tinha visto ninguém tão grande. Não eram proporções cômicas ou pornográficas, mas o xeique
certamente não tinha nenhum motivo para sentir vergonha. Aquilo certamente explicava sua atitude
arrogante.
“Eu... isso é privado,” ela disse, finalmente encontrando sua voz, mesmo que soasse pequena
e miúda até para seus próprios ouvidos.
“É mesmo?” ele perguntou, dando um passo à frente e chegando perto o suficiente para que
seu membro se movesse e tocasse a barriga dela. Ela estremeceu com aquela intimidade, mas não

necessariamente odiou o contato. “Você tem que aprender, espoleta, que nada é privado de mim –
não mais.” Ele chegou mais perto, seu membro quente e duro entre eles enquanto ele acariciava a
bochecha dela. “Você é minha.”
***

Dvar não sabia muito bem o que estava fazendo.


Seu plano original tinha sido encontrar um traje apropriado para sua nova xeica e lhe dar
espaço para que ela pudesse digerir os eventos do dia. E então ele recuperou o bom senso. Ele
não precisava que Amy Monroe “concordasse” com nada. Não havia espaço para barganha aqui,
sem negociações. Ele não era um bobo, tolo e sentimental como seus primos. Ele era o rei e

principal general da Jardânia, e ele teria Amy na hora que quisesse. Agora, ele a queria molhada

e de joelhos.
Então ele mandou Hakim buscar as roupas e voltou para o chuveiro. Amy estava tão fora de

si que Dvar e encontrou inclinada na parede de mármore, o azulejo frio pressionando sua testa. Ele
adorou observar aquilo, era um prazer desvalorizado. Tomar o que ele queria era sua prioridade,
claro, mas era possível aprender tanto – especialmente sobre uma amante – apenas observando
as pessoas quando elas eram si mesmas. Ela empurrou seu cabelo picado da testa, e ele pensou

que daria ordens para que ela deixasse aquele maldito cabelo crescer. Ela não era régia o
suficiente ainda, não tinha a aparência de uma xeica. Ele tinha visto as longas madeixas da irmã
dela e, sim, Amy ficaria perfeita com uma juba de cachos negros e naturais caindo pelas costas.
Ainda assim, o resto dela era maravilhoso – a silhueta frágil, os seios pequenos, mas empinados e
com mamilos rosa escuro, e as pernas longas e esguias.
O tempo de ficar olhando tinha acabado.
Ele entrou e se divertiu com a maneira como ela o examinava. Ele se perguntou se ela
estaria molhada só por causa do chuveiro, se ela se sentia excitada pela mera visão dele como ele
se sentia excitado por ela. Ela estava respirando com dificuldade e ele estava hipnotizado pelos

macios montes de carne no peito dela, pela maneira como eles subiam com cada inspiração.
Ela era dele, e era hora de ensiná-la isso.
Depois das palavras gaguejantes dela, ele cruzou o banheiro e pressionou sua ereção
contra ela.
Ah sim, era hora de começar pra valer.
“Então, espoleta, o que você acha que eu vou fazer com você?” ele perguntou, pressionando
seu pênis na pele macia e tentadora da barriga dela. “Como você acha que eu vou te tomar?”
Amy engoliu em seco e seus olhos se lançaram pelo cômodo, e ele se perguntou se ela
estava avaliando suas chances de fuga.
Ele estendeu os braços e prendeu as duas mãos dela contra o frio mármore do chuveiro.

“Você não pode sair, não dessa vez. Eu controlo tudo, então estou só perguntando o que você acha

que vai acontecer. Nós vamos trepar como animais? Será que eu devo de tomar, como dizem os
americanos, de ‘cachorrinho’? Você já experimentou sexo anal? Será que eu devo te dar uma

experiência completamente nova nesse sentido?”


Ele sorriu. “Você é tão pequena, então talvez eu apenas te levante e te faça me cavalgar,
suas pernas enroladas na minha cintura enquanto eu mergulho profundamente no seu cerne. O que
você quer, Amy? Do que você precisa?”

Ela lutou contra a pressão dele, mas ele apenas apertou os pulsos dela ainda mais com os
dedos, provavelmente com força o suficiente para deixar marcas, mas ele não se importava. Ele
tinha que fazer isso, ele precisava que ela entendesse e aceitasse o papel de xeica, e a primeira
regra era que ela sempre estava disponível para seu xeique. Ela vivia para servir as necessidades
dele e as de mais ninguém.
Não hoje.
Nem nunca mais.
“Eu quero que você me solte.”
“Não, espoleta,” ele disse, sua ereção se esfregando nela agora. “Você não quer.”

Ele manobrou um pouco até que apenas uma de suas enormes mãos estivesse segurando
ambos os pulsos dela. Com a mão direita, ele passou os dedos vagarosamente pelos seios dela,
depois por sua barriga até o macio tufo de cabelos escuros no vértice de suas coxas. Eles eram
tão delicados... Ele se perguntou quais outras surpresas macias o aguardavam quando ele
explorasse sua espoleta.
Experimentando, ele entrou com os dedos entre as coxas dela. Amy as fechou com força e o
encarou, seus olhos azuis, tão parecidos com geleiras, encarando-o com uma rebelião fogosa. Ele
só pressionou-a com mais força, deixando sua ereção falar por ele.
“Deixe-me entrar, espoleta. É muito mais fácil assim.”
“Eu...”

Ele forçou as coxas dela a se abrirem e sentiu a umidade ali, sentiu os fluidos dela se

acumulando sobre ele, e soube que não havia a menor possibilidade de aquilo tudo ser apenas
água do chuveiro. Ah sim, ela estava tão excitada quanto ele. Caramba, considerando as rápidas

inspirações com as quais ela estava lutando, Amy estava mais do que ávida pelo que ia acontecer
com ela. Ele correu os dedos pela escorregadia pele dela e depois pelas macias dobras de seu
cerne. A sensação era de veludo em suas mãos, mais uma vez surpreendentemente macio e tenro.
Amy estremeceu e suas pernas pareceram ceder por baixo dela por um momento. Ela só não

caiu na frente dele porque as imensas mãos de Dvar a estavam segurando. Isso seria pra mais
tarde. Ele teria muito tempo para colocá-la de joelhos, a língua maliciosa e brincalhona dela
lambendo a cabeça de sua ereção. Agora? Agora ele só queria senti-la e fazê-la gritar de
prazer, fazê-la se esquecer completamente dos Estados Unidos.
“Você está tão molhada e pronta, espoleta. Você está pronta pra quê?”
Ela ainda estava encarando-o, mas parte dela parecia esperta o suficiente para entender o
que ele queria.
“Você, eu quero você.”
Ele assentiu. “Pode estar certa disso. Você vai resistir?” ele perguntou, mexendo a mão pelas

dobras dela até o sensível feixe de nervos aninhado no meio. Ele pressionou o polegar ali,
movendo-o em círculos grosseiros, e ela soltou um gemido que penetrou diretamente na parte mais
primitiva do cérebro dele. O seu membro se contraiu por conta própria, e ele estava tão
desesperado que simplesmente precisava estar dentro dela.
Dvar não disse nada, mas se moveu novamente, passando os braços pela cintura dela e se
sentindo aliviado quando ela não tentou bater nele ou arranhá-lo com suas mãos, que agora
estavam livres. Ele a levantou como se ela não pesasse nada – e, francamente, o peso dela era
mesmo negligenciável. As pernas dela se enrolaram na cintura dele, e ele deixou sua ereção
escorregar para dentro dela. Ela estava apertada a princípio, e era óbvio, mesmo que ela
provavelmente não fosse virgem – quem era, hoje em dia – que fazia um tempo que ela não

transava. A cabeça dele estava entrando quando ela sibilou.

“Você está bem?”


Ela assentiu e franziu as sobrancelhas. “É só maior do que o normal.”

Ele deu uma risadinha e começou a beijar a garganta dela, deixando-a se acostumar com
tudo. Ele desceu beijando seus ombros até a base da garganta dela, perto da clavícula. Ele passou
a língua pela base do pescoço dela e depois subiu para mordiscar seus lábios, mordendo-os
ocasionalmente, curtindo a sensação da pele delicadamente presa entre seus dentes. Ela gemeu e o

membro dele se contraiu novamente, entrando com mais facilidade dentro dela por causa de seus
fluidos, que escoavam cada vez mais. Centímetro por centímetro, ele escorregou para dentro dela,
sentindo seu calor e pressão, o canal dela tão apertado, quase como se estivesse massageando-o
enquanto ele empurrava sua ereção para o fundo do cerne dela.
Finalmente, ela estava em posição e ele sentiu como se até suas bolas estivessem dentro dela.
Dvar sorriu para os brilhantes olhos azuis dela. “Parece que nós temos o encaixe perfeito,
espoleta.” Ele moveu os quadris tentativamente e ela enterrou as unhas nas costas dele,
arranhando-o com a perfeita mistura entre prazer e dor. “Agora, quais são as palavras mágicas?”
Ela franziu a sobrancelha para ele. “Abracadabra?”

Ele moveu os quadris só um pouquinho, provocando tanto ela quanto ele mesmo. Foi preciso
ter mais autocontrole do que ele se imaginava capaz. Ele queria saqueá-la desesperadamente, se
sentir gozar fundo dentro dela com uma urgência e necessidade animal. Ainda assim, isso era um
jogo. Ele queria que ela pedisse, implorasse. Ele ia quebrar seu sarcasmo e sua desobediência
mesmo que ele morresse de desejo ali mesmo.
“Droga! Que tal ‘abre-te sésamo’?”
Ele a empurrou de leve e riu enquanto ela gemia e estremecia sob os esforços dele. “Eu
acho que algo já está definitivamente aberto, espoleta.”
“Argh, por favor, então!”
“Por favor, o que?” ele provocou, deixando sua voz ficar baixa e rouca, como um ronronar.

“Por favor, me coma, Dvar.”

“Não, esse não é o meu título, e você sabe disso.”


Ela se esfregou nele, mas ele sabia que aquela tentativa patética de gerar fricção não

saciaria as coisas por muito tempo. “Por favor, meu xeique, por favor!”
Ele assentiu, não mais precisando ensiná-la uma lição ou provocá-la. Ele começou de
verdade, seus quadris encontrando seu próprio ritmo frenético contra os dela. Ele empurrou para
dentro dela, seu membro enclausurado no cerne dela, sentindo seus músculos começarem a ondular

e se mover em volta dele. Os fluidos dela estavam escoando livremente agora, facilitando os
movimentos deles. As unhas dela se enterraram na pele dele, seus seios macios e flexíveis contra o
peito dele. Amy levou os lábios até o ombro dele e sentiu seu gosto ali, beijando-o, passando a
língua, até raspando os dentes na pele sensível. O pênis dele deu um espasmo de excitação e
aquilo o fez se mover com mais força e fervor. Ela estava gemendo acima dele, segurando-o como
se a sua própria vida dependesse disso, como se ele fosse um maldito touro em um daqueles
rodeios americanos.
Diabos, talvez ele fosse.
Então ele sentiu: os espasmos em seus testículos, a tensão na boca do estômago. Ele gozou,

atirando sua semente dentro dela, sentindo seu sêmen se misturar com os fluidos dela e com a água
do chuveiro, agora fria. Mas ele manteve o ritmo da melhor forma possível mesmo ao continuar
gozando – ela ainda não tinha sentido o mesmo alívio.
Ele era o chefe e podia ser insensível, mas ele ainda era um xeique que tentava agradar.
Ele passou a mão entre seus corpos e tocou o clitóris dela mesmo enquanto ela enrolava as
pernas mais estreitamente entorno de sua cintura. Dedos ágeis, ainda que calosos, esfregaram
desenhos semicirculares ali, enquanto os quadris dele se elevavam para encontrar os dela. Era
escorregadio e bagunçado e quase violento, mas a paixão voava livre e solta entre eles.
Ele estava adorando.
Ela finalmente gozou, gritando o nome dele e uma coleção de xingamentos que o

impressionou. Ele não a tinha visto gritar assim sequer com seus guardas, e ele pensou que ontem

ela tinha chamado eles de tudo que era possível.


Amy se acalmou e finalmente caiu para frente no ombro dele. Até ele estava cansado,

extenuado a tal ponto que ele sabia que teria que largá-la o mais rapidamente possível.
Ele beijou as pálpebras fechadas dela. “Bem vinda ao Oriente Médio, minha xeica. Bem
vinda ao lar.”

1 Super-herói da DC Comics que combate o crime usando sua velocidade sobre-humana.


2 Mineral utilizado para derreter gelo e neve.
3 Pessoa que prepara e serve bebidas que têm o café-expresso como base.
4 Personagem de uma série americana de ação e aventura que resolvia problemas complexos ao criar coisas a partir de objetos
comuns.
5 Referência ao livro “Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carrol.
Capítulo Cinco

Depois daquilo, Amy foi deixada para finalmente terminar seu banho. Espera, o que era
aquilo, exatamente? Bem, ela sabia o que aquilo era: aquilo era o sexo mais incrível que ela jamais

havia experimentado. Isso não era mistério. A parte que era tão estranha pra ela, tão inesperada,
era que ela tinha se submetido a tudo sem questionar, ela tinha sido perfeitamente complacente. Tá
bom, talvez não completamente. Dvar era muito maior do que ela, com a constituição de um

quarterback1 americano, e ela claramente não teria sido capaz de obrigá-lo a fazer nada que ele

não quisesse. Afinal, o homem tinha segurado ambos os seus braços com uma única mão enorme. As
únicas escolhas reais que lhe haviam sido oferecidas no chuveiro eram as posições. Ainda assim,
talvez ela pudesse ter lutado mais. Ela não se casaria com esse homem, não seria a maldita xeica
dele, ou escrava de prazer, ou seja lá o que mais ele estivesse imaginando que ia acontecer.
É claro, mesmo enquanto terminava de se esfregar, deixando a água escorregar entre suas
coxas, Amy conseguia sentir o calor se espalhando em sua barriga, o desenrolar agradável de
conforto e saciedade. Seu cerne ainda estava formigando e, francamente, ela sabia que grande
parte dela gostaria de nada mais do que ficar aqui – bem, eventualmente na terra dele, a

Jardânia – e ser a rainha dele.


O homem sabia como levá-la às alturas do prazer, mais do que qualquer um dos seus
colegas desastrados.
Nossa, ele era como um maldito deus grego enviado diretamente pra ela.
Mas ele não tinha pedido, diabos; ele tinha apenas carregado ela para outro mundo, alheio
a quaisquer planos de vida que ela pudesse ter. Tá certo, seu maior plano parecia envolver um
monte de firulas ao servir café, mas a questão não era essa. Ela não era Alexis; ela não era sua

irmã, facilmente levada ou enganada até ter síndrome de Estocolmo2. Ela não ia simplesmente cair
na cama com esse xeique, não importa quão surreal o orgasmo tivesse sido.
Suspirando, ela pulou pra fora do chuveiro e se secou. Com cuidado, ela vestiu o grosso

roupão felpudo. Não havia motivo para pensar que Dvar não estava lá fora esperando por ela, e

ela não queria dar a ele a impressão errada de que queria uma segunda rodada. Tá certo, ela
queria, mas ela não precisava que ele soubesse disso. Força de vontade, era disso que ela

precisava. Ela precisava de força de vontade o suficiente para aguentar isso tudo até que

pudesse chamar a atenção da irmã, ou da Interpol3, ou alguma coisa do gênero.


Quando ela passou para o quarto principal, ela revirou os olhos. Seus instintos estavam
certos e Dvar estava deitado no suntuoso colchão, examinando-a com uma fome feral. Pelo menos

ele estava vestido com um simples par de calças de linho e uma camisa branca de abotoar,
também de tecido leve. Ela franziu as sobrancelhas.
“O que?”
“Eu esperava, sei lá, robes e um turbante, talvez?”
“Eu prefiro me vestir como os ocidentais às vezes. Eu fui educado nos Estados Unidos,
espoleta, e eu achei que ia facilitar as coisas pra você.”
Ela bufou. “Porque a sua escolha de guarda-roupa me faz sentir tão melhor a respeito de
ser uma escrava sexual.”
“Você será a xeica, uma rainha. Você é muito mais do que uma adição qualquer ao meu

harém.”
“Você tem um?”
“Ah, sim, mas talvez eu aposente a maioria delas. Você é uma transa bastante irresistível,
Srta. Monroe.”
Ela engoliu em seco e empurrou sua própria fome e necessidade dele para longe. “Muito
bem, vista qualquer coisa. E eu, o que devo vestir?”
Ele sorriu e apontou para o pé da cama. Havia uma diáfana cobertura cor de rosa, como
algodão doce. Não era grossa e pesada como as burcas escuras que ela tinha visto no noticiário
ou mesmo visitando o reino de sua irmã, mas ainda cobriria bastante seu corpo. Franzindo a

sobrancelha, ela caminhou até a roupa e pegou-a. O caftan rosa era transparente.

“Eu não posso sair assim.”


“Ah, essa não é a única coisa para você,” ele disse, mexendo nos lençóis e revelando uma

roupa de duas peças. Um conjunto lilás com calças de gênio (ela se lembrou de vídeos do rapper
M.C. Hammer) e uma bandoleira com cristais de verdade e braceletes dependurados. “Eu resolvi
ser criativo em um dos mercados aqui perto. É um clichê e tanto, mas tantas garotas americanas
sempre quiseram ser aquela princesa no filme da Disney... pensei que você podia me divertir.”

“Quer dizer que mesmo fora da Jardânia você quer que eu faça o papel da garota sem
noção do harém.” Ela olhou para a cama e cruzou os braços sobre o peito. “Eu não vou usar isso
de forma alguma, não tem a menor possibilidade.”
Ele deu de ombros. “Então você vai ver as pirâmides de Giza no seu mais fino roupão de
banho, ou nua. Não me incomoda. Quente como é nesse maldito lugar, talvez você esteja certa de ir
nua. Mas eu não acho que você ia gostar muito, espoleta. Você parece ser modesta demais pra
isso, apesar de gritar muito.”
“Você não pode estar falando sério! Eu não posso sair por aí vestida que nem a Princesa
Jasmim.”

“Ah, você pode e você vai, então pode se aprontar,” ele disse, pulando da cama e saindo do
quarto.
Amy sacudiu a cabeça e começou a se enfiar naquela roupa infernal. Se ela ia ficar presa
aqui, então ela pelo menos precisava de alguma roupa, mesmo que essa não deixasse nada em
aberto para a imaginação.
***

Dvar sorriu para Amy quando ela tomou seu braço estendido. Atrás deles, Hakim e Nasir
ficavam de guarda. “Você está magnífica.”
A mão dele traçou o contorno da barriga dela, sua estreita cintura estava magnificamente
emoldurada pelo cós dourado das calças. Ela era muito mais bonita do que qualquer mulher que

ele jamais havia visto, mais ainda por conta daquele temperamento fogoso que ele mal podia

esperar para domar. Talvez ele estivesse com sorte nesse departamento. Ela eventualmente colocou
as roupas, afinal. Já era alguma coisa.

“Eu sinto que saí diretamente de As 1001 Noites.”


“Então você pode ser a minha Sherazade pessoal. Quais estórias você vai me contar essa
noite, minha querida?”
“O conto do xeique que não entendia que ele não estava no controle de tudo,” ela soltou.

Ele riu. “Isso não vai me interessar muito. Eu prefiro ouvir as suas fantasias mais obscuras,
Srta. Monroe.”
As bochechas pálidas dela coraram com um lindo tom de escarlate que destacava suas
belas maçãs do rosto. Ah, era divertido jogar com essa aqui. Isso o surpreendeu. Durante suas
observações, ele tinha percebido que ela era muito áspera com a maioria das pessoas que a
incomodavam, mesmo no trabalho. Caramba, ela tinha passado a maior parte de seu tempo juntos
insultando ou ofendendo (bem inutilmente) seus homens. Havia um lado mais meigo e frágil ali, e ele
queria explorá-lo também.
Diabos, quem ele achava que estava enganando? Ele queria explorar qualquer coisa que

Amy tivesse a oferecer.


“Será que também preciso te lembrar,” ele disse, “que Hakim e Nasir são muito bons no que
fazem. Eles são guardas excelentes e os melhores atiradores da Jardânia. Se você sequer pensar
em fugir ou alertar alguém, eles vão atirar.”
“Você está falando sério?”
Ele balançou a cabeça. “Espoleta, são balas de borracha para controle de multidões ou um

taser4 em um dos casos. Então você pode escolher seu veneno. Só não tente bancar a heroína. Não
há nada além de luxo e sexo fenomenal aqui. A maioria das mulheres mataria para estar no seu
lugar,” ele sorriu para ela enquanto eles pegavam o elevador para a limusine que os aguardava.

“Afinal, eu sou um dos solteirões mais ricos e cobiçados do mundo.”

“Bem, talvez eu não queira nada com o dinheiro de petróleo dos Yassin,” ela disse, sua
mandíbula apertada.

As portas se fecharam e ele tentou ignorar a maneira como Hakim chegou mais perto dele.
Dvar estava quase certo que, apesar do tom de voz e das palavras duras, Amy não começaria a
chutar ou fazer qualquer coisa que pudesse machucá-los. Quase.
“Então eu acho que você já está bastante apegada ao sexo.”

“Você é um porco.”
“Você gosta,” ele disse simplesmente.
A descida no elevador foi curta, assim como a ininterrupta transição para a limusine. Hakim e
Nasir se sentaram na frente, e ele tomou o banco de trás com Amy.
“Você fez bem,” ele disse. “Veja, se você apenas ficar em silêncio e permitir que tudo corra
normalmente, então você vai curtir o estilo e as maravilhas do Cairo. A cidade inteira está à sua
disposição. Você pode ter o que quiser, sabe, você só precisa pedir.”
Ela o encarou, empurrando a franja picada para trás da orelha. “Será que você tem um
celular? Eu adoraria um.”

“Não, e você sabe que nenhuma comunicação vai acontecer por um tempo durante o período
de adaptação.”
“Isso é um eufemismo,” ela bufou. “Não podemos estar tão longe das pirâmides. Eu consigo
vê-las na nossa varanda.”
“É verdade,” ele disse, colocando um braço em volta do ombro dela.
Amy ficou tensa, mas ele observou enquanto ela olhava para Nasir, que a encarava de
perto. Ele era um guarda-costas muito bom, no final das contas. Ela então relaxou, e talvez a ideia
estivesse finalmente entrando na sua cabeça dura, a ideia de que não havia mais necessidade de
lutar contra isso, de que a vida dela estava destinada a isso.
“É legal, pelo menos,” ela murmurou enquanto a limusine saltitava pela poeirenta estrada

desértica que os levava ao principal caminho de areia até as pirâmides. Eles teriam que tomar

camelos para atravessar a areia grossa, mas eles ainda tinham alguns minutos no carro. “Eu nunca
andei de limusine antes.”

“Eu pensei que tinha, com a sua irmã.”


“Eu não visitei a Alexis muitas vezes. Eu nunca estive numa limusine antes. Eu nunca fiz o tipo
‘garota de luxo’ antes.”
“Sério?”

Ela bufou. “Você sequer conversou com seu primo Farzad sobre qualquer coisa a respeito da
nossa família? Meu pai se separou da minha mãe quando eu tinha uns oito anos e nós passamos
aperto com tudo. Alexis fez um monte de empréstimos para pagar a escola de direito. Não importa
agora, mas nós tivemos muitos jantares de comida congelada quanto éramos crianças e Natais com
meias e calcinhas úteis de presente porque não sobrava nenhum dinheiro para brinquedos.”
“Ah.”
“Exatamente, e agora eu sou barista, então eu me viro, mas eu não frequento bailes de gala
ou ando em carros enormes, sabe?”
Ele assentiu e não conseguiu encontrar as palavras que queria. Ele tinha ficado intrigado

pela beleza e determinação de Amy nas poucas vezes em que a tinha espiado ao visitar o palácio
do primo. Ele tinha ficado mais encantando e certo de que a queria quando ele e sua equipe a
tinham perseguido durante a semana anterior, em Boston. Ainda assim, uma vez que a irmã de Amy
era uma advogada licenciada, ele sempre tinha presumido que a família dela tinha dinheiro.
Francamente, o fato de a infância dela soar dura e solitária o deixou extremamente chocado.
“Eu sinto muito que o seu pai-”
“Meu pai,” ela cortou, “é um grande babaca. Ele sequer foi ao casamento da Alexis porque
a nova esposa dele não estava a fim de viajar. Ele teve uma crise de meia idade, fugiu pra sei lá
onde, e de vez em quando envia um cartão de aniversário – geralmente no dia errado. Ele foi, e
ainda é, um baita idiota.”

“Ainda assim, eu ia dizer que eu entendo as dores de se crescer sem pai.”

Ela franziu a sobrancelha. “O que?”


“Meu pai foi morto em uma batalha quando eu tinha apenas doze anos. Ele era um general,

como eu, e levava a sério suas obrigações para com o povo da Jardânia. Alguns xeiques apenas
bolam estratégias, mas ele achava que era seu dever fazer tudo que pudesse durante a batalha
para proteger seus cidadãos. Um daqueles malditos vira-latas do Leban atirou nele.”
“Eu sinto muito.”

“Foi a algum tempo atrás, bastante tempo,” ele disse, suspirando.


Mesmo então, a mão dele foi para o bolso das calças. Para qualquer lugar que fosse, ele
carregava a medalha mais prezada de seu pai. A lua crescente prateada era um símbolo do seu
alto ranque no exército antes de sua morte, como era costume na Jardânia. Aquele objeto colocava
os pés de Dvar no chão, o ligava a um pai que estava se esvaindo de sua memória. As lembranças
tinham se desbotado depois de quase duas décadas, é claro, mas ele também temia ver seu pai
apenas através dos olhos ingênuos de um jovem menino. Ele não se lembrava do homem como ele
tinha sido, e Dvar apenas desejava que eles tivessem tido tempo para todas as conversas que pais
e filhos deviam ter, que ele tivesse orientações para o trono. Havia dias em que ele não tinha a

menor ideia do que estava fazendo.


Tá certo, quase todos os dias.
Ele sempre sentia que seu pai teria sabido, que seu pai teria feito tudo de uma maneira
muito melhor.
“Você é xeique desde os doze anos?”
Ele assentiu. “De certa forma. O título é meu desde aquela época, mas um conselho de
generais governou o país até eu fazer vinte e um. Eu não teria tido a menor ideia do que fazer.
Mas pelos últimos onze anos sim, eu estive oficialmente no comando da Jardânia e trabalhei para
mantê-la a salvo. Às vezes parece quase impossível. Mas chega de assuntos deprimentes, Srta.
Monroe. Me diga: o que você acha de limusines?”

Ela sorriu para ele. “O couro é a coisa mais macia e incrível que eu jamais toquei. Eu queria

ter dinheiro pra andar numa dessas o tempo todo.”


Ele deu uma risadinha enquanto a limusine parava no estacionamento e pulou pra fora.

Dando a volta rapidamente, ele abriu a porta dela antes mesmo que Hakim pudesse fazê-lo,
afinal, Dvar sabia ser um cavalheiro com algumas coisas. O queixo dela caiu com a oferta, e ele
teria de se lembrar de demonstrar cavalheirismo com mais frequência. Ela certamente gostava
daquilo. “Amy, sua carruagem a aguarda.”

Ela avaliou o camelo e sua modesta manta. Bom, não era exatamente uma sela, mas ia ter
funcionar. Talvez “montar” fosse o melhor eufemismo. “Você só pode estar brincando.”
***

“Uau,” ela disse. Ele adorava observá-la.


Não era estranho? Com a maioria de seu harém, ele precisava sentir enquanto elas o
tocavam, sentir suas carícias e seu desejo. Ele desesperadamente queria isso de Amy também, mas
ele ficava igualmente contente em observá-la, em ver a felicidade e a intensa curiosidade se
espalharem por seu rosto. Ah, diabos. Dvar podia ser completamente honesto a respeito de tudo.
Às vezes ele era um amante totalmente egoísta. Com Amy, no entanto, ele já se via prometendo a

dar a ela qualquer prazer que pudesse, contanto que ele pudesse ver o brilho em seus olhos cor
de safira, o espanto em seu olhar.
Ele assentiu e pegou a mão dela. Eles estavam entrando no profundo túnel de uma das
pirâmides em direção à câmara interior. Ele já tinha ido lá mais de uma vez e sabia que havia
riquezas e joias. Por outro lado, não havia mais o mofo tóxico – do tipo que havia contaminado os

participantes da escavação original de Carter5 em busca de Tutancâmon – nem maldições tolas.


Mas Dvar conseguia entender que, para os não iniciados, estar dentro de túneis e cavernas que
tinham estado fechados e escondidos por milhares de anos era, de certa forma, incompreensível.
Amy definitivamente parecia intrigada por isso tudo enquanto agarrava a mão dele com

força e levantava sua lanterna.

“Isso é incrível!” ela exclamou, inspirando profundamente para se estabilizar. O guia havia
parado e estava explicando como se comportar dentro da tumba quando. Eles estavam em uma

parte do túnel que - até ele podia ver na opaca luz – estava prestes a se abrir extensamente. “Eu
também nunca viajei muito; só pra ver Alexis ou meu sobrinho, Farid, obviamente.”
“Isso é só o começo, espoleta,” ele disse, passando a mão pela delicada pele de porcelana
do pescoço dela e se deleitando com a maneira como ela tremeu sob seu toque.

“É o que você diz e uau!” ela disse, enquanto eles entravam, em fila, na câmara da tumba.
A única coisa que havia lá agora era o sarcófago com a tampa removida. Geralmente isso
não era parte do tour, mas ele havia pago uma grande quantia para que ela pudesse ver o
interior por um momento, ver a múmia lá dentro. Caso não permanecesse bem protegida, a múmia
nunca duraria exposta ao ar aberto. Mas regras existiam para serem quebradas com a
quantidade certa de influência – ele sempre havia acreditado nisso.

Amy circundou o enorme caixão de pedra, os hieróglifos e as luminosas pinturas de Anubis6


ainda visíveis nele. Lá dentro, o corpo encolhido não era exatamente uma visão que inspirava
assombro, mas ainda assim ela se inclinou pra frente o máximo que o guia permitiu. Era como se

todo o seu corpo estivesse vibrando enquanto ela pulava pra cima e para baixo nas pontas dos
pés. Se ele soubesse que apelar para o gosto dela por história a teria feito relaxar tanto, ele teria
feito isso muito antes.
“Há quanto tempo ele está aqui?”
“Ramsés III foi colocado na tumba por volta de três mil anos antes de Cristo,” o guia explicou.
Ela sacudiu a cabeça. “Cinco mil anos? Isso é impressionante, eu não consigo nem imaginar.
Que viagem.”
Ele sorriu e caminhou para frente, puxando-a para perto dele. “Ora, ora, quem diria que
você ficaria tão entusiasmada com homens mortos?”

Ela bufou e, talvez ela não tivesse sequer percebido, mas a Srta. Monroe estava claramente

se aconchegando nele. Ah sim, aquelas defesas – aquela maldita teimosia – estavam se


esvanecendo rapidamente. “É simplesmente surreal. Eu só tinha visto isso na televisão ou em livros

do colégio. É como se tudo que eu vi numa revista National Geographic estivesse de fato aqui e é
muito mais vívido e interessante do que Boston.”
“Muitas coisas são,” ele disse, puxando-a para seu peito. “Venha, se você ficou tão animada
com uma múmia, imagine então o que você vai sentir ao ver os tesouros.”
***

Era um país diferente e uma cultura diferente, mas Amy estava convencida de que, talvez,
algumas coisas permaneciam constantes nas terras desérticas. Afinal, enquanto andava pelo museu,
avaliando todos os artefatos da tumba do Rei Tutancâmon em exposição, ela estava convencida de
que, fosse um rei egípcio de milênios atrás ou um atual barão do petróleo, o amor pela riqueza
ostensiva era o mesmo. Aqui, tudo era feito de ouro. Havia cadeiras, estátuas de águia e de
pantera, emblemas do cajado do pastor. Tudo de ouro. Era quase o suficiente para fazer uma

garota desdenhar o toque de Midas7.


Mas isso não era tudo. A coleção também era mais do que completa.

Ela passou por um mostrador de vidro e ficou impressionada com os vasos canopos. Pelo
menos esse era o nome escrito na etiquetazinha. Olhando mais de perto, ela fez uma careta. Esses
simples vasos de pedra decorados com tampas douradas que representavam uma variedade de
seres – de chacais a macacos a falcões – continham o que havia sobrado dos órgãos secos
extraídos do antigo menino rei.
“Hum, então isso é tudo que sobra no final?”
Dvar riu atrás dela. Estranhamente, ela estava começando a amar aquele som. Ela gostava
do ribombar rico que saía do peito dele, ainda mais quando ele estava próximo à orelha dela,
com seu hálito fazendo cócegas e provocando-a. Um calor se espalhou pela barriga dela e de

repente sua calcinha pareceu terrivelmente molhada. Deus, o xeique era sexo ambulante, não era?

Ela fechou os olhos e respirou profundamente algumas vezes. Amy não estava interessada
em ser paparicada ou em ganhar passeios VIP. Não era o que ela queria. Ela queria ir para casa,

de volta para sua vida entediante em um apartamento minúsculo onde nada interessante jamais
acontecia. Ela queria sua liberdade e suas escolhas. Não importava que, só de voltar para os
Estados Unidos, ela teria que voltar para sua vida de servir café; não muito. O que importava era
que ele não ia fazer escolhas por ela, soltando decretos que mudariam a estrutura da vida dela

para sempre.
Isso já tinha acontecido com ela antes.
O pai dela tinha feito isso. Um belo dia ele se levantou e foi embora.
Ela não permitiria aquilo novamente, nunca mais.
Dvar riu novamente e o clitóris dela latejou. Desesperadamente, Amy tentou esmagar
qualquer luxúria que pudesse surgir dentro dela. “Às vezes sim, mas considerando que estamos
aqui vendo três salas cobertas com as riquezas com as quais ele foi enterrado, além de um
sarcófago e tanto, eu não acho que foi tão ruim.”
“Eu só quis dizer que, no final das contas, tudo o que sobrou de Tutancâmon cabe em mais

ou menos quatro vasos e está enrolado em bandagens num caixão grande e chique,” ela disse,
franzindo a sobrancelha pra Dvar.
Ele deu de ombros. “É um caixão folheado a ouro e é um dos tesouros mais famosos do
mundo. Ser conhecido, esse é um objetivo. Ele pode ter morrido com apenas dezoito anos e não ter
feito muitas coisas importantes na vida, mas o que importa é ser lembrado pela história.”
Ela franziu a sobrancelha. “Seu pai tem monumentos em homenagem a ele?”
Ele assentiu e pareceu ficar mais ereto com aquela pergunta. “Tem um pilar de mármore
para ele nos jardins. O pai era mais do que impressionante. Ele está em todos os livros de história
da Jardânia, assim como meu avô e meu bisavô, todos grandes líderes.”
“Até agora você fez o que?” ela perguntou, seu tom de voz endurecendo. Tinha que ser

assim. Se ela se permitisse, ela se apaixonaria por Dvar e nunca mais teria seu livre arbítrio ou sua

liberdade novamente. “Sequestrou uma garota e esperou que seus primos o ajudassem a resolver
a crise com a invasão do Leban?”

“É uma situação política espinhosa. Há rumores de que eles têm armas nucleares. O que você
sugere que façamos? Nós temos que pensar nas coisas direito, e eu não sou só um sequestrador de
mulheres. Talvez isso ainda te surpreenda, mas as meninas do harém estão lá como convidadas e
algumas delas imploraram para ser incluídas. Elas sabem o que significa.”

“E o que significa?” ela exigiu, circundando-o com as mãos nos quadris e o queixo empinado
na direção dele. “O que elas poderiam querer com uma vida dessas?”
“É uma oportunidade. Um estipêndio é enviado às famílias delas e nada falta às minhas
meninas. É algo que muitas desejariam ter.”
Ele estava se aproximando e ela o estapeou com força na bochecha. “Então elas são suas
putas? Bem literalmente! Eu não sou assim, e eu não vou ser sua puta. Pode esquecer. Só porque eu
não sou rica e cresci na pobreza... Eu tenho mais respeito próprio do que isso.”
Ele esfregou o maxilar e a agarrou grosseiramente pelo cotovelo. O coração dela pulou
para a garganta e ela percebeu que tinha ido longe demais. Hakim e Nasir já estavam correndo

em sua direção, as mãos entrando nos bolsos dos casacos. Dvar balançou a cabeça.
“Não, a Srta. Monroe e eu tenho uma conta para acertar. Venha comigo, espoleta. Disciplina
nunca foi tão importante.”
Com isso, ele a arrastou para fora da sala em direção a um pequeno corredor lateral do
museu. Era escuro e mofado, e ela imaginou que o lugar era às vezes usado como depósito
improvisado, especialmente por causa das caixas de papelão espalhadas em volta dela.
“Isso não foi inteligente,” ele disse. Ele apertou os dentes e seus olhos cor de jade queimaram
com fogo. “Você não faz seu xeique de bobo.”
“Você não é meu xeique,” ela cuspiu de volta, incapaz de se curvar completamente perante
a ele. Teria sido uma jogada mais esperta se ela implorasse por proteção ou perdão ou qualquer

outra coisa. Ela nunca tinha sido uma garota tão esperta. As mulheres da família Monroe sempre

falavam o que pensavam. “Você é meu maldito sequestrador, e eu nunca vou me esquecer disso.”
Ele assentiu e empurrou-a contra a parede. As mãos dela bateram de palmas abertas na

parede. “Então você precisa ser punida.”


“O que? Aqui?”
“É um tour privado e ninguém vai ousar nos interromper. Você sabe que Hakim e Nasir vão
garantir que isso não aconteça.”

“Eu vou gritar,” ela disse.


“Ninguém vai vir,” ele disse com toda a certeza, sua voz soando com uma clareza de ferro.
“Você pertence a mim agora, espoleta, e eu serei respeitado,” ele disse. Dvar reforçou seu
argumento manobrando a mão direita por baixo do tecido do caftan dela e depois alcançando o
cós de suas calças de harém. “Eu acho que você precisa entender que eu controlo tudo na sua vida
agora, eu controlo quando você sente prazer e quando você sente dor.”
“Eu...”
Dvar sequer a avisou, ele apenas se inclinou para frente e ela podia sentir a ereção dele
pressionando contra as suas costas, enquanto as mãos dele passavam por seus pelos púbicos e

alcançavam suas dobras. Apesar da pressão em seu corpo e da ira na voz dele, ele era gentil em
seu toque, seus dedos traçando padrões delicados pela pele macia ali. Ela já estava molhada,
tinha estado desde que ele tinha sussurrado em seu ouvido, tão perto dela. Foi muito fácil para ele
escorregar os dedos pela superfície, provocando-a e atormentando-a de uma maneira bem
diferente.
Ela estremeceu e tentou se afastar da parede. Ele a pressionou com mais força e ela sentiu a
força dos músculos do peito dele enquanto ele se inclinava sobre ela, prendendo-a sob seu peso.
“Por favor.”
“Não. Você está tão pronta, você está tão molhada, Srta. Monroe,” ele ronronou na orelha
dela.

Por um momento, ele capturou o lóbulo da orelha dela entre seus dentes. Dvar brincou com

ele, roçando contra ele enquanto seus dedos exploravam os profundos entalhes das dobras dela.
Ele soltou a orelha dela e, apesar do medo que fazia seu coração bater depressa, ela gemeu com

a perda de contato. Deus, parecia que o coração dela ia explodir do peito. Ela estava morrendo
de medo, e ainda assim ela mesma conseguia admitir, com muita clareza, que nunca tinha estado
tão excitada em toda a sua vida. Esse homem poderoso e dominante – diabos, esse deus vivo – a
queria, e ela também o queria desesperadamente.

“Então faça alguma coisa a respeito, caralho,” ela cuspiu, seu corpo ainda tremendo sob o
dele.
“Eu vou fazer,” ele prometeu.
Ao dizer isso, dois dedos grossos escorregaram para dentro do canal dela, movendo
facilmente para dentro e para fora, escorregadios com os fluidos dela. O polegar ligeiramente
caloso dele encontrou o botão de prazer dela. A princípio ele apenas deixou o dedo ali e se
concentrou em mergulhar os outros dedos nela. Os músculos dela se contraíram deliciosamente em
seu cerne, e ela saboreou a sensação dos dedos dele, tão grossos e satisfatórios, em sua parte
mais interna.

“Preciso de mais,” ela disse, arfando.


“Posso dar um jeito, espoleta,” ele disse.
Ela o sentiu pressioná-la com mais força, seus quadris flexionando um pouco no ritmo dos
fortes movimentos de sua mão. Os nervos dela formigaram como se estivessem pegando fogo,
como se tudo estivesse queimando dentro dela ao mesmo tempo. Então ele começou a esfregar seu
nó de nervos com um toque áspero. Ela se agarrou contra ele e sentiu suas pernas cedendo
embaixo de si. O fogo estava crescendo através dela como se fosse uma chama de alarme
máximo. Seus músculos estavam estremecendo por baixo dela, e ela teria caído se os quadris
poderosos de Dvar não estivessem mantendo-a pregada na parede.
A mão dele estava se movendo rápida e furiosamente agora, e ela fechou os olhos,

sobrecarregada pelas sensações, todas elas – havia o cheiro dele, de almíscar com um leve toque

de cúrcuma; o corpo dele, pesado e denso, empurrando contra ela; e a umidade fluindo de seu
cerne. Era muita coisa ao mesmo tempo, e o fogo florescendo através dela como se cada toque

dos dedos dele fosse o mesmo que jogar gasolina em uma grande pira incandescente.
Finalmente, os dedos dele entraram fundo no centro dela e ela gozou, faíscas crepitando por
todo o seu corpo, luzes explodindo por trás de seus olhos. Ela afrouxou nos braços dele mesmo
enquanto ele esfregava os quadris nela mais uma vez, a ereção dele bem óbvia contra as suas

costas.
“Você é minha agora, espoleta, diga.”
“Vá para o inferno.”
Ele riu e se afastou.
Ela quase tropeçou – afinal, suas pernas pareciam gelatina – mas conseguiu ajustar suas
calças e seu caftan. Sua calcinha estava encharcada, mas ela ia ter que aguentar até que tivesse
permissão para trocá-la. Ela estava prestes a se virar para encará-lo quando ele a surpreendeu,
empurrando-a e prendendo-a novamente na parede.
Sem pedir, ele deu dois tapas fortes e doloridos em seu bumbum. Aquilo com certeza

deixaria marcas, e seria difícil se sentar pelos próximos dias. Ela mordeu o lábio e tentou segurar
as lágrimas que ameaçavam se acumular em seus olhos.
“Minha,” ele praticamente rosnou, “você sabe disso agora.”
Com isso, ele se foi, deixando ela para se recompor, uma tarefa na qual Amy parecia estar
falhando rapidamente.

1 Posição ofensiva do futebol americano.


2 Distúrbio no qual uma pessoa, submetida a um tempo prolongado de intimidação, passa a ter simpatia e até mesmo sentimento de
amor ou amizade perante o seu agressor.
3 Organização internacional de polícia criminal.
4 Arma de eletrochoque.
5 Howard Carter, arqueólogo e egiptólogo britânico.
6 Deus egípcio antigo dos mortos e moribundos, sempre representado com cabeça de chacal. Era sempre associado com
a mumificação e a vida após a morte na mitologia egípcia.
7 Personagem da mitologia grega que tinha o dom de transformar tudo o que tocava em ouro.
Capítulo Seis

“Ela ainda é insolente, meu senhor,” Hakim disse.


Dvar assentiu e deu um gole em sua bebida, uma dose dupla de bourbon, no bar do Mena

House. “Ela é mesmo, mas acho que ela está começando a aprender.”
“Há meninas melhores, se você me permite dizer,” Hakim respondeu, passando a mão por
sua barba grisalha. “No harém tem um monte de garotas que são lindas e obedientes, que
entendem os costumes da Jardânia e que ficariam felizes em honrá-lo como você merece.”

“Essa é uma maneira de criticar minha escolha de xeica?” ele perguntou.


“Não, meu senhor, mas é uma maneira de dizer que você sempre dificulta as coisas para si
mesmo, mais do que é absolutamente necessário. Isso é algo que você quer fazer? Você realmente
quer ser rejeitado e insultado?”
“Eu não acho que os insultos são verdadeiros. Eles parecem ser mais um passatempo do que
qualquer outra coisa para ela. Eu entendo a necessidade de rebelião. A princípio eu também não
aceitei bem a academia militar e o treinamento. Se ser um pouco ríspida a ajuda a se ajustar à sua
nova vida e me dá uma desculpa para espancar aquele delicioso bumbum dela, então quem sou
eu para discutir?”

“Ainda assim, há tantas outras coisas na sua mente – os rebeldes, a guerra fermentando com
o Leban – talvez uma consorte mais agradável seria mais fácil, sobrecarregaria menos sua mente.”
“Eu acho que a briga é exatamente o que eu estou precisando, meu velho amigo,” ele disse
enquanto terminava sua bebida. “Ela é tudo que eu sempre quis em uma mulher.”
“Ela não é da Jardânia.”
“E eu sabia que você se agarraria a isso. Eu imaginei que esse era o argumento. Por
enquanto, ter noivas americanas não incomoda nenhum dos meus primos. Talvez elas sejam feitas
de um material mais resistente do que muitos de nós imaginávamos. Eu acho que, estranhamente, o
desafio alivia minhas preocupações por um tempo. Se ela fosse muito dócil, não haveria desafio, e

o medo de o Leban ter bombas atômicas roeria minha alma.”

“Muito bem, mas e se ela nunca relaxar? E se ela sempre o odiar?”


Ele deu uma risadinha ao pedir mais uma dose dupla para o barman. “Ora, Hakim, é essa a

sua maneira de dizer que está preocupado comigo? Não se preocupe. Eu sou feito de um material
mais resistente, e algumas caras feias e birras da Srta. Monroe não vão me desencorajar em
absoluto.”
“Ainda assim, é difícil ser rejeitado com tanta frequência.”

Ele bufou e deu um gole em sua nova bebida. “Me dê um pouco de crédito. Eu consigo
derreter a resistência da maioria das mulheres.”
Hakim levantou uma sobrancelha. “Não estou questionado sua proeza, meu xeique, mas
meramente lembrando-o que fazer uma mulher gozar algumas vezes não é a mesma coisa que
construir um compromisso para a vida toda. Você não pode esperar manter sua xeica na mira de
uma arma ou de um taser para sempre. Eventualmente, ela terá que se adaptar aos rigores da
vida no palácio e fazer o que se espera dela como esposa do chefe de estado. Eu não duvido da
sua habilidade de dar-lhe prazeres carnais, mas eu me preocupo sim com vocês alcançando a
conexão correta.”

“O amor é um conto de fadas, algo para crianças.”


“Seus pais certamente não pensavam assim. Mesmo com o harém, Danae era a preferida
dele e todos sabiam disso.”
“Ah, acredite em mim,” ele disse, dando outro gole e se inclinando contra o balcão do bar,
“Amy é muito mais do que a minha preferida agora.”
“É claro, meu xeique, mas agora você tem que garantir que ela sinta o mesmo, sem pressão.”
“Não, nenhuma – apenas o futuro da linhagem real e da legitimidade do meu reino. Por que
eu deveria me preocupar com isso?” Dvar bufou, colocando o copo vazio no balcão e se
levantando. “Falando nisso, eu prometi encontrá-la no restaurante, então acho melhor irmos
andando, para quando o Nasir a trouxer. Não acha?”

Hakim estendeu a mão e segurou o braço de Dvar. Se qualquer outro homem de sua guarda

tivesse feito isso, teria sido executado, mas Hakim era seu guarda-costas pessoal desde que Dvar
era criança, e o velho homem tinha assumido uma posição de mentor para ele depois da morte

repentina de seu pai. Talvez isso o tivesse tornado mais familiar do que ele deveria ser, mais
petulante, mas Dvar não podia voltar atrás agora. Na maior parte do tempo, ele não queria voltar
atrás.
Exceto quando o velho homem o estava assediando, agindo de forma paternalista e

condescendente.
“Meu xeique, apenas tenha cuidado. Faça isso do jeito certo.”
“Eu sempre faço, Hakim,” ele disse, finalmente se afastando e ajeitando sua lapela. “Vamos?”
***

Ele tinha tomado providências para que parte da sua equipe se juntasse a eles no Cairo.
Uma das suas mulheres preferidas do harém (ela tinha feito parte do harém de seu pai e era
mentora das meninas, ela não dormia com ele) agora estava aqui, com uma seleção de roupas e
joias para sua futura esposa. Phedre era sábia e confiável. Ela também tinha um ótimo gosto para
moda. Ele não tinha a menor dúvida de que Amy estaria resplandecente quando entrasse.

Dvar se agitava em sua cadeira e reajustava o assento. A sala de jantar Khan El Khalili do
Mena House era primorosa. Parecia mais um pátio coberto do que qualquer outra coisa. Então,
mesmo havendo um teto sobre as mesas, não havia paredes confinando-as. Ao invés disso, havia
cortinas de miçanga preta caindo do dossel até o chão de azulejos embaixo. Através delas, mesmo
ao entardecer, podia-se ver as imensas pirâmides. A impressionante maravilha do mundo antigo
estava lá, pronta para receber olhares mesmo enquanto eles comiam. Ele esperava que Amy
gostasse disso, ela tinha ficado arrebatada com tudo até agora.
Falando naquela garota diabólica, ele não conseguiu segurar um largo e, sim, ávido sorriso
quando ela atravessou a multidão no restaurante. Ela não estava vestida em nada excessivamente
árabe ou exclusivo da cultura dele. Dessa vez, Phedre havia escolhido o clássico vestidinho preto.

Era um modelo justo de cetim que abraçava bem as curvas discretas dela. O corte era alto nas

coxas e tinha um decote de coração. Ficava fabuloso, combinando com o grande colar de ouro e
ametista no pescoço dela.

Seus olhos estavam delineados artisticamente com bastante kohl1, o que os fazia brilhar
como as mais raras e belas safiras. “Me desculpe. Aparentemente eu ganhei uma transformação
de Barbie e ninguém me contou.”
Ele deu uma risadinha ao se levantar e puxar a cadeira para ela. “Essa é uma das

vantagens.”
Ela contorceu o rosto levemente ao se sentar, soltando um silvo de dor, e o coração dele se
encheu de uma aflição profunda quando ele percebeu que talvez tivesse batido nela com mais
força do que era necessário. Ele teria que dar um jeito nisso depois do jantar. Era a coisa certa a
se fazer. Ela era sua xeica e era seu dever proteger e cuidar dela da melhor maneira possível,
mesmo que ela precisasse aprender seu lugar. Amy ainda precisava da segurança dos seus braços
no final do dia.
“Então eu fui a Princesa Jasmim e agora eu me sinto um pouco como a Barbie,” ela disse
novamente, gesticulando para a grande joia em seu pescoço. “Será que eu quero saber do que

você vai me vestir da próxima vez?”


“Eu tenho tantas ideias, Srta. Monroe.”
“Se elas envolvem couro, nós vamos ter muitos problemas,” ela disse, e enquanto ela falava
seu nariz se enrugava da maneira mais deliciosa e convidativa. Era quase adorável. “Eu não vou
ser nenhuma amante de fetiche.”
Ele riu enquanto o garçom servia a champanhe e o pão sírio para eles. Havia também húmus
e uma coleção de azeitonas e outros aperitivos frios para eles começarem. Ele havia feito o pedido
dela com antecedência – hamam mahshi – e estava curioso para ver como ela ia reagir.
Ele se viu rindo tanto com ela, e não era apenas o choque com sua atitude americana, ou

sua insistência em desafiá-lo a todo momento. As coisas eram fáceis com ela. Francamente, com as

coisas graves que estavam acontecendo em seu país, ele sentia que havia anos desde a última vez
que tinha rido tanto. Era bom para sua alma ser tão livre, tão leve. Estendendo a mão, ele serviu

champanhe para ela e fez o mesmo para si.


“Ainda assim, você está notável essa noite. Você devia aceitar os elogios que consegue
receber, espoleta.”
Ela suspirou e balançou a cabeça. “Você só está me amaciando para transar de novo.”

“Não,” ele disse, sua voz honesta enquanto ele pegava um pedaço de pão sírio e passava
no húmus. “Eu acho que você precisa de mais amor e carinho do que isso.”
“O que você sabe sobre isso? Meu bumbum está mais do que machucado. Eu não consigo
vê-lo muito bem, mas a sensação é como se ele estivesse pegando fogo.”
“Talvez ele possa se igualar à maneira que eu te faço sentir por dentro também,” ele
respondeu, sorrindo ao colocar o pão na boca.
“Por dentro, eu concordo que sou quente de outra maneira,” ela disse, corando, e ele adorou
aquela onda vermelha em suas bochechas pálidas. “Sério, qual é?”
“Eu estou com fome, você está com fome, então nós comemos.”

“Não foi o que eu quis dizer.”


“Mas é a resposta lógica perfeita para essa pergunta. Você quer que eu te tranque no seu
quarto e te traga pão e bolachas? Talvez uma garrafa d´água?”
“Eu sou uma prisioneira,” ela ressaltou. “Por mais legal que Phedre seja, ela estava lá
parcialmente como seus olhos e ouvidos. Da mesma forma, eu dou um passo pra fora da porta e lá
está Nasir e seu taser. Então eu não entendo porque você está sendo tão legal comigo. Eu estou
aqui quer queira quer não.”
“Não tem por que tratá-la como uma prisioneira.”
Olhos azuis chamejaram perigosamente. “Eu sou uma prisioneira, então você não está me
tratando como nada.”

“O que eu quero dizer é que me importo muito com você; eu não a teria escolhido se não me

importasse, então porque você simplesmente não aceita que quero fazer coisas legais para você?
Eu te levei em um tour VIP pelas descobertas arqueológicas mais incríveis que o homem já fez. Eu

tenho algo planejado para depois do jantar – não é sexual, então nem precisa começar – e você
não faz ideia do que mais eu tenho na manga.”
“Eventualmente você vai me enfiar numa torre na Jardânia, então de que importa o que
você me mostrar agora?”

“Você acha que sua irmã é uma prisioneira do meu primo Farzad?”
“Não, mas ela quer estar lá. Ela voltou de livre e espontânea vontade depois que descobriu
que estava grávida. Eu não quero que essa seja a minha vida. Eu só quero ir pra casa. Era uma
vida modesta e bastante ruinzinha, mas era minha e eu a criei completamente sozinha.”
“Ser independente é importante para você, não é?”
“Não seria para qualquer um?” ela retrucou, enfiando um pouco de pão e húmus na boca.
“É extremamente importante para mim. Qualquer outra coisa pode ser perdida a qualquer
momento. Se eu depender das pessoas, elas podem foder com a minha vida, ou ir embora, ou
morrer.”

Ele fez uma pausa e esfregou a mão pela curta barba. “Sim, eu consigo ver como isso seria
difícil. Doeu por anos depois que meu pai se foi.”
“Como se respirar fosse uma tarefa,” ela completou, e era quase como se ela estivesse lendo
os pensamentos dele. Sinistro.
“Sim, mas nós sobrevivemos. Você não pode passar a vida inteira sozinha, lutando apenas
por si mesma. E uma família?”
“Mamãe é ótima, e Alexis e meu sobrinho Farid também são incríveis. Nós não fomos sempre
próximas, mas Alexis e eu estamos nos entendendo ultimamente, e eu não preciso ser mantida como
escrava sexual de um xeique para me sentir preenchida. Pare de se achar.”
Ele suspirou. Ela quase havia cedido. A hesitação dela em se conectar e a dor que ela sentia

com a traição de seu pai era real. Aquilo era algo que ela claramente não compartilhava com

todo mundo, e explicava porque ela parecia estar se fechando em uma concha, parecia estar
tentando ignorar todas as tentativas que ele fazia de envolvê-la.

“É claro que o sexo é parte disso, Amy, mas vamos dizer que eu também me importo com
você. Eu e minha equipe te observamos por uma semana, e você estava se afogando. Não era
nada mais do que uma monotonia de zumbi: servir o próximo cliente, descansar, e pagar o
aluguel.”

“É temporário,” ela se defendeu, mesmo que tivesse desviado os olhos, abaixando-os para
suas mãos. “Eu só tenho que descobrir o que fazer, agora que não vou mais cursar o mestrado em
belas artes.”
“O que é isso?”
“Teria sido um mestrado em escrita criativa,” ela admitiu.
“E qual foi o seu curso na graduação?”
“Qual foi o seu?”
“Administração, depois que eu passei pelo serviço militar na Jardânia. Eu tinha que aprender
a governar um país tanto do campo de batalha quanto da sala de reuniões. Isso não era

negociável. Agora, o que você era antes de tentar a escrita criativa?”


Ela suspirou e continuou focada principalmente em suas próprias mãos. “Na verdade, eu
estudei história, com especialização nas Cruzadas. Era algo que eu realmente amava na
Universidade Americana. Eu acho, não sei, já que fiz algumas matérias de inglês... eu nem sei. Eu
queria escrever um romance histórico de ficção sobre as guerras.”
Ele franziu as sobrancelhas. Interessante. Então Amy sabia mais do que demonstrava sobre a
história de pelo menos parte do mundo árabe. “O livro teria sido sobre o que?”
“Por que você se importa? Eu era péssima, então eu larguei.”
“Talvez você não fosse péssima. Talvez você fosse apenas muito crítica consigo mesma, da
mesma maneira que é comigo.”

Ela segurou um sorriso e voltou a olhar pra ele. Ainda bem que um pouco de alegria tinha

voltado àqueles olhos. “Você é o pior de todos. Eu tenho o bumbum machucado pra provar isso,”
ela concluiu. “De qualquer forma, era tão autoindulgente e tolo.”

“Vamos ver.”
“Ia ser sobre uma garota tipo a Joana D’Arc, uma menina que finge ser um cavaleiro de
verdade para lutar nas Cruzadas, e então ela é capturada pelo general inimigo.”
Ele riu e ficou aliviado quando o garçom trouxe seus pratos e os colocou na mesa. “Então eu

poderia contribuir com a pesquisa. Afinal, eu tenho a minha cota de antiguidades árabes pelo
palácio. Ele existe há mil anos e está na minha linhagem familiar há quase trezentos.”
“Impressionante,” ela disse, e depois franziu as sobrancelhas para o prato. “O que é isso?
Parecem três pintinhos com risoto.”
“É uma mistura de trigo com cebolinha e outras ervas. Na verdade é pombo recheado,
hamam mahshi. É uma iguaria aqui, e é extraordinariamente macio. Eu prometo que você vai
gostar.”
Ela deu de ombros. “Bom, já que estamos no Cairo, né?” Amy examinou a carne mais uma
vez antes de pegá-la com os dedos e trazê-la à boca. “Não sei se quero fazer isso.”

“Não seja uma, er, franga,” ele disse, tirando com a cara dela. Para encorajá-la, Dvar
colocou um pedaço da carne branca na boca. Estava úmida e deliciosa, como sempre. “Viu? Eu
sobrevivi. Você não está com medo de fazer algo que eu acabei de fazer, está, espoleta? Você
não está tentando me mostrar que esse grande xeique malvado não pode te dar ordens?”
Com os olhos azuis queimando, ela enfiou um enorme pedaço na boca. Foram necessários
alguns goles de água e até um de champanhe, assim como algumas mastigadas concentradas antes
que ela conseguisse engolir um naco daquele tamanho. Depois de mais alguns goles, ela conseguiu
respirar normalmente de novo. Ela também não parecia mais com um esquilo, com as bochechas
cheias de comida.
“O veredito, Srta. Monroe?”

“Pra falar a verdade, isso foi muito bom. É muito mais suculento do que qualquer frango que

eu jamais comi.”
“Bom, não é exatamente o mercado de Boston, então não seja tão plebeia. Seria excelente

de qualquer forma, os chefs aqui são fabulosos.”


“Eu tenho um pressentimento que aqui tem o melhor de tudo, estou certa, Dvar?”
Ele assentiu e estendeu a mão, pegando a mão esquerda dela na sua e apertando-a de
leve. Ele ficou feliz que ela o deixou fazer aquilo, mas ele teria feito de qualquer maneira. “Você

não tem ideia de quão certa está.”


***

O mercado de Khan El-Khalili era diferente de qualquer lugar que Amy jamais havia
conhecido. Ela já tinha experimentado tanta vertigem nas últimas trinta e seis horas, das ruas cheias
de neve e sal de Boston para a multidão de corpos se empurrando em volta dela no calor. Ela
tinha trocado de roupa, vestindo uma simples calça jeans e uma camisa preta, mas, por causa da
insistência de Dvar, havia colocado o caftan rosa por cima para ficar mais modesta. Não era
exatamente um pedido, não quando o taser estava por perto, mas ela estava feliz com as roupas
confortáveis por baixo.

O mercado era na verdade uma série de velhos prédios de pedra, completos com minaretes
e parapeitos intricados. Havia mercadores por todos os lados, mesmo à noite – eles usavam
holofotes e lanternas para encorajar os compradores. Em alguns casos, os estandes eram simples
cobertores estendidos no chão, com sacos de ervas ou temperos em cima. Mulheres com robes
longos e rústicos, e com as bochechas marcadas com fuligem e cinzas, tentavam conseguir os
melhores preços para seus artigos. Alguns dos estandes eram enormes e impressionantes. Os olhos
dela se escancararam quando eles pararam no vendedor de candelabros. Eles não se pareciam
nada com modelos de cristal do mundo ocidental. Ao invés disso, eles eram feitos de lindos globos
de vidro soprado que brilhavam como planetas ou estrelas na noite. Alguns eram ainda mais
detalhados, com apenas uma fonte luz e com o topo do globo coberto por grades de metal. Eles

faziam-na lembrar das velhas lâmpadas a gás em filmes de época, mas eles não eram de alumínio

ou algo simples. Não. Eles eram esculpidos com desenhos geométricos fascinantes, e ás vezes
tinham brilhantes tons de azul.

Havia também estandes com mais roupas e objetos que a faziam pensar em Sherazade ou
na Princesa Jasmim. Havia bandoleiras e calças de gênio em tons de carmesim vivo, verde neon, ou
nos azuis mais claros. No entanto, as roupas tinham um tecido fino que passava por cima da
barriga e do colo, mas ainda transparente para permitir que a bandoleira de joias por baixo

pudesse brilhar e ser o centro das atenções.


Tudo também tinha um cheiro tão diferente. Na verdade, o mais correto seria dizer que tudo
tinha um cheiro, ponto. Ela nunca tinha percebido o quão higienizado e artificial era o mundo do
shopping, tão hermeticamente fechado. Aqui? Aqui ela sentia o cheiro de carne cozinhando com
páprica em um estande de comida de rua, misturado com o almíscar e o suor de dezenas de
corpos e um toque de açafrão e lavanda que vinha de uma banca de temperos. Não havia oito
minutos que eles tinham passado pela seção de carnes do mercado e o cheiro tinha sido pungente,
opressor, e alguns dos cortes pareciam ter passado um pouco da data.
Era um arranjo real, vivo, e ela estava chocada com o quanto amava tudo aquilo.

Depois de meses à deriva, sem saber qual seria seu próximo passo, se sentir tão conectada
com o pulso da humanidade que crescia entorno dela era completamente diferente.
Dvar estava sorrindo largamente com isso, e talvez ela não devesse mostrar seu
encantamento no rosto com tanta evidência. Por outro lado, quantas vezes ela havia estudado isso?
Com qual frequência ela tinha lido estórias sobre locais longínquos e mercados de beduínos? Com
qual frequência ela tinha ouvido falar das maravilhas e dos esplendores do Oriente Médio e suas
rotas de comércio? Talvez, parte daquilo fosse realmente o que estava faltando no seu projeto, na
sua obra prima. Ela tinha a teoria – toda a história sobre as Cruzadas e as duas culturas
envolvidas – que, por quatro anos, havia sido atulhada em seu cérebro, mas ela não tinha um
quadro de referência de verdade.

Ela nunca tinha sentido o cheiro do suor de cem corpos se esfregando no mercado.

Ela nunca tinha visto o esplendor de tanta prata fulgurante na pequena loja onde eles
haviam parado. Todas as joias estavam expostas, mas um homem vigilante com seu próprio taser no

quadril os observava de seu banquinho. Dvar parou e apontou para a ampla gama de itens.
“Você pode escolher o que quiser, espoleta. Apenas uma coisa, então escolha sabiamente.”
Ela revirou os olhos. “Ainda está tentando me comprar?” As palavras eram duras, mas o tom
era brincalhão quando ela entortou o canto direito da boca em um meio sorriso.

Ele deu de ombros. “Estou honrando minha xeica. Escolha o que desejar, meu amor.”
Ela ficou um pouco surpresa com o carinho. Ela não achava que Dvar pudesse estar falando
sério. Pra falar a verdade, ele mal a conhecia. Ainda assim, a maneira como ele tinha falado
“amor” havia sido gentil, e tinha feito seus joelhos fraquejarem. Deus, o que estava acontecendo
com ela? Será que ela sequer queria tentar ligar para a irmã e pedir ajuda assim que encontrasse
um telefone?
Amy não tinha mais tanta certeza.
Ainda assim, ela ofereceu um sorriso doce, se recuperando rapidamente do choque das
revelações dele. O mercado tinha grandes pulseiras de prata filigrana com lindas gemas de

turquesa, jade e ametista no centro. Havia cruzes cópticas que terminavam com desenhos
semelhantes a estrelas e picos em cada lado, algumas adornadas com miçangas amarelas e
vermelhas também. Os colares eram peças enormes, às vezes com dois ou três centímetros de
espessura, e compostos de fileiras alternadas de prata e grossas miçangas turquesa. Eles eram
feitos para ecoar os padrões das joias de Tutancâmon, mesmo que não fossem reais. Até alguns
dos pingentes ecoavam a herança daquela terra antiga, com falcões e escaravelhos de jaspe
vermelha.
Ainda assim, nada daquilo era exatamente o que ela estava procurando. Enquanto o seu...
Espera, qual era a palavra? Seu sequestrador? Amante? Ah, foda-se. Enquanto Dvar estava
olhando simples pingentes de prata que tinham um estilo muito mais ocidental e bem mais discreto,

a atenção dela finalmente foi atraída para um pingente longo que terminava em um grande olho

aberto. Um destaque com algum tipo de pedra azul tinha sido adicionado para dar a impressão
de que o olho via tudo, ao mesmo tempo em e moldurava o olho com um pouco de seu próprio

kohl.
“O que é aquilo?” ela perguntou, apontando para o pingente.
Tanto o vendedor, o homenzinho loquaz e rotundo, quanto Dvar a encararam. O homem ficou
ávido, se aproximando dela e falando em um árabe rápido. Dvar franziu as sobrancelhas e olhou

para o colar como se ele fosse tão espalhafatoso quanto um objeto feito para enganar turistas. Ele
passou as mãos pelo metal e pelo contorno dourado, aquele estranho metal azul em volta do olho.
“É um olho mal. Você sabe o que é isso?”
“Não.”
“É um amuleto geralmente dado a crianças pequenas para afastar espíritos malignos, mas é
também usado por adultos que o escolhem como uma maneira de manter a má sorte longe. É tudo
baseado em contos da carochinha e superstições. Você não gostaria de algo menos gauche? Como
eu disse, você pode escolher qualquer coisa aqui ou, diabos, a gente pode ir a um dos vendedores
de ouro também.”

Ela balançou a cabeça. “Não, tem algo de especial nele.” E como isso, Amy o pegou e
prendeu o fecho em volta do pescoço. O pingente se dependurava longamente e o olho balançava
embaixo, entre seus seios e por cima das joias de ametista que ela ainda não havia tirado.
Dvar balançou a cabeça ao colocar a mão do bolso e tirar de lá as coloridas notas
estrangeiras. Ele disse algo concisa e rapidamente em árabe, antes de passar o braço envolta dos
ombros dela e guiá-la até a banca de kebabs, aquela que estava cozinhando a carne com o
cheiro incrível e que fazia cócegas em seu nariz com toques de páprica.
Talvez um pombo fosse pequeno demais para segurar sua fome até o dia seguinte; seu
estômago já estava roncando.
Ele franziu as sobrancelhas para o olho azul aninhado no peito dela. “Você realmente acha

que precisa de boa sorte?”

Ela assentiu. “Eu fui sequestrada por um xeique nefário, afinal; um homem que faz o que
bem quer comigo em museus públicos. Eu nuca sei contra o que terei de lutar.”

Ele sorriu enquanto os dois passavam por um beco estreito e depois escorregou a mão por
baixo do caftan e da camisa dela. Mãos ásperas estavam sobre o seu seio direito, apalpando, e
ela parou, gemendo um pouco. Era a sensação mais incrível que jamais havia sentido. O toque
dele, mesmo algo tão básico, a deixava selvagem e desejosa, fazia com que seus ossos se

transformassem em gelatina e seus músculos fraquejassem.


Ela o queria.
Ela o queria desde o momento que o tinha visto na cafeteria, com os olhos de jade brilhando
para ela e aquela barba curta, mas, de alguma forma, iminentemente lambível. Ainda assim, isso
aqui não era a ala privada de um museu e ela não estava pronta para ser presa – mesmo com o
dinheiro dele – e enfiada em uma prisão estrangeira por atentado ao pudor. Se inclinado na
direção dele, ela o beijou na bochecha.
“Isso fica pra depois,” ela sussurrou. “Vamos achar comida agora.”
“Você realmente está com fome é de comida?” ele ronronou, a voz dele naquele ribombar

profundo que fazia um calor subir pelo abdômen dela e seu cerne mais interno se contrair de
necessidade.
“Não, nunca, Dvar. Me leve de volta para o Mena House. Eu acho que você me prometeu um
cuidado especial,” ela disse, sua voz mais ofegante do que nunca.
Diabos, ela era uma Monroe, afinal, não era?
***

Ela estava estendida, nua, diante dele. Não era mais um choque. Ele a tinha visto por
completo no chuveiro naquela manhã e a tinha devastado. No entanto, algo estava diferente dessa
vez, algo muito mais delicado e vulnerável. Os lençóis de seda eram divinos contra a pele dela,
especialmente o tecido dolorido de seu bumbum. A enorme cabeceira dourada brilhava sob a

fraca luz da lua.

Ela adorava.
O luar causava um jogo intrincado de luz refletida e sombras que brincavam nas maçãs do

rosto de Dvar, fazendo com que elas se elevassem ainda mais e parecessem mais pronunciadas.
Era como se ele tivesse sido esculpido em mármore, moldado pelas mãos mais experientes. Ela tinha
pensando isso da primeira vez que o havia visto e não conseguia refrear sua mente de fazer
comparações com o David de Michelangelo, mesmo que Dvar fosse muito mais bem dotado. Ainda

assim, ele era perfeito; como se Deus – ou o destino, ou o universo – o tivesse criado como um
projeto especial para superar todos os outros homens que existiam.
Missão cumprida.
Afinal, ela não queria nada mais do que lamber cada pedacinho dele, passar sua língua
pelas ondulações de seu abdômen. Diabos, ela queria contar cada um de seus músculos. Era
possível ter um tanquinho de dez? Ela podia se perder no corpo dele, no estreito corte de seus
quadris ou na maneira que os pelos desciam do seu osso púbico para o tufo de cabelo grosso e
escuro sobre seu membro.
Mas não estava certo.

Aquilo tudo a incomodava. Ela estava se apaixonando por ele. Ela percebia que estava
genuinamente curtindo a companhia dele, gostando das piadas que ele fazia, simpatizando com
suas próprias perdas e responsabilidades. Ela conseguia até admitir que, de certa forma, era
divertido ser a Cinderela dele, permitindo que ele a banhasse de presentes e viagens. Ela podia
chegar a amar isso.
Não era como se ela nunca fosse ver a irmã ou o sobrinho. Diabos, ela os veria até mais
sendo a rainha de uma nação vizinha e aliada do que morando em outro continente. Farzad e
Dvar eram primos próximos, então é claro que a família dela aprovaria.
Era só que... Esse não era seu plano, ou suas regras, e ela não queria abrir mão daquele
controle.

O melhor que ela podia fazer era tirar as roupas voluntariamente e esperar para ver o que

ele ia fazer com a babosa que tinha nas mãos, o que a palavra “cuidado” significava pra ele.
Dvar engatinhou sobre as mãos e os joelhos pela cama monstruosa. Suas mãos seguravam

um pedaço de pano e a garrafa de babosa, mas mesmo se movendo daquela maneira estranha,
ele era a encarnação da graciosidade. Ela tinha vislumbres de uma pantera ou algum outro
predador poderoso perseguindo-a pela seda, e o colchão embaixo dela já estava úmido com seus
próprios fluidos.

Ele parou então e colocou a garrafa e o pano na mesa de cabeceira ao lado dela. Então
ele passou por cima dela, deixando que sua ereção se movesse à sua frente e tocasse a pele
sensível de sua barriga, até entrando um pouquinho em seu umbigo.
Ela deu uma risadinha e se contorceu enquanto ele reajustava sua posição e sentava ao lado
dela. A babosa estava de volta nas mãos dele e ele esfregou uma na outra, espalhando a
pomada verde.
“Você nunca devia usar roupas,” ele disse. “Você fica incrível sem elas. Como se você tivesse
sido feita para ficar nua, sem brincadeira.”
“Eu acho que você está brincando um bocado, meu senhooor,” ela disse, esticando o título

mais uma vez como já havia feito antes. Ela sabia que aquilo o irritava, mas Amy estava
começando a entender que, mesmo com toda aquela conversa rude, Dvar parecia gostar quando
ela retrucava. O homem era um paradoxo. “Eu sei que eu não sou uma gostosona. Eu sou um pouco
magrela demais, antes de qualquer coisa.”
“Você é radiante,” ele disse, e havia uma reverência em seu tom de voz que novamente a
confundiu, assim como quando ele a havia chamado de seu “amor.” Talvez ela fosse (ou estivesse
começando a ser) mais importante pra ele do que até ele imaginava. “Agora,” ele comandou, sua
voz profunda e retumbante, “vire de bruços.”
“O que você vai fazer se eu me recusar?” ela provocou. “Sua mão já está coberta – as
duas, pra falar a verdade. Você não pode me agarrar agora, Dvar.”

“Estou mandando, minha rainha.”

Ela suprimiu o riso e rolou de barriga para baixo, assobiando um pouco ao sentir a frieza
das mãos dele. Ele as estava passando pelas nádegas dela, esfregando a babosa nas marcas

machucadas que as próprias mãos dele haviam deixado mais cedo.


“Você está bem vermelha aqui, caramba.”
“Dá pra ver as enormes silhuetas vermelhas das suas mãos?” ela perguntou, seu tom se
elevando de forma mais dura.

Quando ele tinha feito aquilo, ela tinha se assustado e lágrimas subiram aos seus olhos. Ela
sabia muito bem que havia um preço a se pagar por desobedecê-lo, por tentar ser ela mesma, ser
dona do próprio nariz. Ela simplesmente não tinha o menor interesse em ter medo daquilo. Ela
sofreria as consequências uma dúzia de vezes antes de se transformar em uma donzela murcha,
caramba.
“Não,” ele disse, seu próprio tom de voz duro como diamante, mesmo enquanto ele
continuava seus cuidados. As grandes mãos dele causavam uma sensação incrível no bumbum dela,
massageando-o com o maior carinho e atenção. Enquanto os pontos onde ela havia apanhado
ainda queimavam, eles agora tinham voltado ao normal pela refrescante babosa. “Só está um

pouco marcado, mas você vai estar bem pela manhã. Além disso,” ele disse, se inclinando para
provocar o lóbulo da orelha dela novamente, “se eu não tivesse te batido, então você não teria
isso agora.” Ele ressaltou seu argumento limpando uma das mãos nos lençóis e depois movendo-a
para baixo dos quadris de Amy para tocar seus pelos púbicos. “Ora. Você não pode me dizer que
isso não vale à pena. Eu estou aqui agora, minha xeica, e eu estou pronto para reverenciar seu
corpo. Tudo que você tem que fazer é me dizer o que você quer que eu faça.”
Ela estremeceu sob o toque dele, mas então, de repente, rolou de costas para olhá-lo, para
encará-lo nos olhos. Aquelas profundezas cor de jade quase brilhavam como esmeraldas à luz da
lua. Ela perdeu o fôlego. Caramba. Isso seria mais fácil se ele não fosse tão bonito. “Apenas deite
comigo. Eu só quero que você me abrace.”

Ele assentiu e limpou as duas mãos nos lençóis. Dvar deitou no colchão ao lado dela e abriu

os braços. Ela se aconchegou, seu traseiro contra os quadris dele, enquanto a ereção dele
pressionava contra ela. O membro dele se contraiu um pouco e ela não era boba: ela sabia que

ele com certeza queria mais, que tinha um tempinho desde o banho e que ele não tinha gozado no
museu, como ela.
Mas era disso que ela precisava – da intimidade.
Ela aninhou o queixo no ombro dele e bocejou. “Obrigada. Eu me sinto melhor.”

Ele beijou a testa dela e assentiu, a cabeça dele apoiada na dela. “Qualquer coisa por
você, espoleta.”
Ela então adormeceu, acreditando que a maior parte disso era verdade.

1 Cosmético a base de galena moída e outros ingredientes, usado como rímel principalmente pelas mulheres do Oriente
Médio, norte da África, África subsaariana e sul da Ásia.
Capítulo Sete

A mão dela era macia e quente na dele enquanto os dois encaravam a grande porta
francesa que ia do chão ao teto e os separava da varanda do palácio. Era o amplo estrado de
onde ele fazia seus discursos e suas promessas para seu povo. Agora era hora de fazer mais uma.
Algo havia mudado na noite anterior no Cairo; algo tinha acalmado Amy e ela não o olhava mais

com fúria. Ela tinha parado de examinar telefones e atendentes de balcão com melancolia. Era
mais do que isso, até. Era diferente pra ele também. Ele sempre tinha sido um homem que podia
tomar ou largar suas mulheres. Enquanto o harém tinha seus prazeres, particularmente com Kamala
– que era adorável e tinha uma língua tão incrível e delicada – mesmo então, ele nunca sentia que
essas mulheres o afetavam.
Ele tinha escolhido Amy porque ela o interessava, porque ela era linda e feroz, mas ela
estava destinada a ser, como ele havia dito a Hakim, nada mais que uma distração. Uma rainha,
sim, mas ele não estava esperando um amor profundo até a alma.

Apenas dois dias haviam se passado com ela. Ele ainda não ia dizer que era exatamente
isso que estava sentindo.
Mas era algo.
Ele nunca tinha dormido tão bem quanto ao segurá-la em seus braços. Os pesadelos que o
haviam atormentado desde a morte de seu pai não tinham incomodado na noite anterior. E na
manhã seguinte ele não podia ter prazer maior do que assistir os raios dourados do sol nascente
brincarem sobre os cabelos negros e a pele pálida dela. Ela estava se tornando mais do que um
desejo ou uma obsessão para ele, e ele queria desesperadamente que seu povo entendesse isso.
Mais do que seus sentimentos ou os de seu povo, no entanto, ele esperava que ela também
estivesse mudando. Ele esperava que ela também quisesse fazer isso dar certo, ao invés de estar

apenas aguardando o momento certo para tentar escapar. Ele não podia ter certeza, mas o

contentamento naquelas profundezas cor de safira tinha parecido tão real e tranquilizador
naquela manhã. Ele não acreditava que ela pudesse esconder aquilo, que ela tivesse aquele tipo

de habilidade. Ele se agarrava a isso porque queria sua rainha a seu lado, tão comprometida com
tudo quanto ele era.
“Estamos esperando? Pensei que as câmeras e os conselheiros do governo e o resto todo
estivessem aqui esperando por nós,” ela disse com a voz hesitante.

Ele estendeu a mão e empurrou o cabelo dela do rosto. Às vezes suas franjas negras,
pontudas e bagunçadas, caíam em seus olhos. O cabelereiro real teria que dar um jeito de
consertar aquilo. Os olhos dela eram profundos como o oceano e nunca deviam ser escondidos do
mundo. Eles eram tão régios quanto ela viria a ser.
“Você não tem nada a temer. Meu povo vai te amar. Eles viram o quanto Omai e as outras
terras se deram bem com suas noivas americanas. Eles sabem que você vai servi-los bem.”
Ela assentiu. “É muita gente. Eu nunca esperei ser o tipo de pessoa que atrai multidões.”
“Confie em mim, espoleta, você parece o tipo de mulher que pode fazer isso e lançar dez mil
navios,” ele respondeu, beijando-a na bochecha. “Você está pronta, não está, Srta. Monroe?”

Ela suspirou e baixou os olhos para os azulejos do chão do palácio, aparentemente


hipnotizada pelos padrões geométricos e pelos intricados triângulos azuis e dourados ali. “Você
não quer dizer ‘Xeica Yassin?’”
“Você não é oficial ainda, mas vai ser, e será glorioso.”
Ela suspirou e olhou para ele, mas mesmo ele não conseguia deixar de reparar no olhar
lacrimoso dela. “Apenas me prometa que eu não vou me perder, que você não vai me dispensar
quando eu deixar de ser novidade, e eu vejo aonde essa aventura vai me levar.”
Ele se segurou para não dar um largo sorriso. Essa era a melhor notícia que ele tinha
escutado em meses, especialmente com os perigos que ameaçavam sua nação, que estava a um
passo da guerra. “Bem, eu suponho que tentar – e parar de insistir que eu sou seu maldito

sequestrador – seja um começo.”

“Não é? Não deixe isso tudo lhe subir à cabeça, Dvar.”


“Eu nunca deixo,” ele disse, pegando o braço dela no seu e guiando-a para a varanda.

A multidão era de centenas abaixo dele, todos os seus súditos leais em seus robes e burcas
mais finos, todos eles aplaudindo no instante em que ele e Amy alcançaram a balaustrada. Ele
pegou a mão dela com a sua e levantou ambas sob suas cabeças, como se eles fossem os
vencedores de uma corrida. Talvez, se isso desse certo, essa seria uma vitória ainda maior:

encontrar amor e consolo um no outro em um mundo tão difícil.


Beijando Amy nos lábios, ele soltou sua mão e caminhou até o pódio. Ele havia preparado
uma curta declaração, afinal ele precisava fazer com que seus súditos compreendessem a alegria
que ele tinha trazido para eles. Falando em árabe, ele disse:
“Meu povo, a Jardânia sempre foi uma nação forte, uma nação orgulhosa.” Os aplausos da
multidão e os próprios olhos da sua espoleta concentrando-se nele com tanta atenção encorajaram
Dvar a continuar. “Nós somos um feixe de esperança e progresso para nossos vizinhos, uma terra
que vem mantendo a paz desde os sacrifícios de meu pai. Nós sempre resistimos e, mesmo com as
coisas ficando difíceis mais uma vez, eu trouxe um grande presente dos Estados Unidos. Essa é Amy

Monroe, futura Xeica Yassin da Jardânia e, um dia, a mãe dos meus filhos, do próximo xeique.
Acolham-na com o mesmo calor com o qual vocês me acolheram depois da morte de meu pai,
acolham-na em nosso rebanho.”
Ele sorriu e desceu do pódio, andando da direção de Amy e trazendo-a de volta para ficar
ao lado dele como a rainha que ela era. “Sua Xeica!”
A multidão rugiu, aplaudindo ruidosamente abaixo deles. Alguns dos homens removeram seus
turbantes e abanaram-nos no ar em sinal de aceitação, tentando disfarçar seu entusiasmo. Ao lado
dele, o rosto de Amy era tão expressivo: o queixo dela estava caído e seus brilhantes olhos azuis
reluziam no sol do final da tarde.
Ela devia estar tão impressionada quanto ele, especialmente com o calor de seu povo se

estendendo até ela.

Dvar se inclinou e deu um longo beijo nela, sua língua se enroscando com a dela. Se
afastando, ele sorriu para ela, cutucando-a levemente com sua barba bem aparada. “Bem vinda

ao lar, espoleta.”
***

Amy ficou aliviada quando as festividades da tarde acabaram. Ela presumiu que, logo
depois de sua recepção surpreendentemente calorosa, ela seria levada diretamente para o quarto

que compartilharia com o xeique. No entanto, Dvar tinha franzido a sobrancelha de forma
apologética e disse que tinha uma conferência por telefone com seus primos sobre a crescente crise
do Leban. Phedre a levaria para os quartos do harém e faria o possível para acomodá-la com
uma roupa apropriada para a noite. Phedre também a apresentaria para o resto do harém. Ele
estava com tanta pressa que ela sequer teve a chance de perguntar sobre isso. Ela seria mais uma
dentre tantas? Mesmo que ela fosse a rainha e a pretensa mãe de seus futuros filhos um dia, ela
teria que competir por atenção num mar de mulheres núbeis vestidas em caftans minúsculos e calças
de gênio?
Ela simplesmente não sabia e aquilo a aterrorizava.

Ainda assim, ela sorriu enquanto a mulher mais velha a guiava pelos corredores longos e
sinuosos que levavam aos quartos do harém. Phedre era adorável, mesmo que seu cabelo tivesse
ficado quase completamente grisalho na velhice. Era um cabelo longo, que descia pelas suas costas
até os quadris em uma trança longa e grossa. O nariz dela era agudo e ligeiramente adunco, e
seus olhos castanhos eram calorosos e gentis.
“Então,” Amy disse, surpresa ao perceber que não estava mais tentando lutar contra aquilo.
Ela não pensava mais em se virar e sair correndo para salvar sua vida e sua liberdade, ela
não olhava mais ao redor procurando um telefone ou outro meio de comunicação. Certamente, sua
irmã Alexis a veria no noticiário em breve, de qualquer forma. Ainda assim, depois da noite
anterior e da segurança que ela havia sentido ao dormir nos braços de Dvar, ela não queria fugir.

Adicionando a isso as estimas calorosas daquele povo e a beleza tanto da Jardânia quanto do

palácio, então era como um conto de fadas. Mas grande parte dela não acreditava nisso. Ela
sabia que não ia durar. Afinal, Amy não era esse tipo de garota. Coisas felizes não aconteciam

com ela. Ela era a garota abandonada e sozinha, a garota que enrolava e que não tinha um
plano de vida.
Ainda assim, ela podia seguir com o fluxo. Ela podia tentar. Mesmo que durasse só um pouco,
mesmo que fosse uma glória efêmera como no filme A Lenda dos Beijos Perdidos, ela ia tentar. Ela

se permitiria ser feliz, mesmo se apenas por um tempo. Afinal, uma voz fria e fina lhe disse, se
enrolando no aperto de suas vísceras, você nunca teve planos ou um futuro de verdade pra início de
conversa.
Phedre percebeu que Amy tinha se perdido em pensamentos e se voltou para encará-la,
seus grandes olhos castanhos repletos de preocupação. “Então o que? Minha xeica, se você me
permite, você parece preocupada. Eu não entendo como isso pode ser. Todos estão encantados com
a sua presença aqui. Pra ser sincera, faz anos que não vejo Dvar sorrir assim.”
“Ele está sempre brincando comigo. Ele é tão jovial que eu não posso acreditar que ele seja
reservado.”

“Ele é assim com você,” ela ressaltou. “Conosco, minha xeica, ele é muito mais reservado. Eu
vejo como ele sorri com você, e eu fico feliz que ele tenha isso. Eu tentei ajudá-lo e confortá-lo o
máximo que pude desde que seus pais se foram.”
“A mãe dele?”
“Ela morreu alguns depois do pai dele, basicamente definhou...”
“Puxa vida,” Amy disse, e as duas recomeçaram a andar. “Mas eu não entendo.”
“Não?”
“Não, quero dizer, claramente ela deve ter amado o pai dele, eu imagino, se você diz que
ela morreu por causa de um coração partido.”
“Sim, basicamente,” a outra mulher disse virando à direita. Talvez fosse bom que Amy não

estivesse tentando fugir. Afinal, mesmo que ela escapasse, ela nunca conseguiria achar o caminho

pelas passagens labirínticas do palácio. “Mas porque você duvidaria disso?”


Amy corou, sentindo o sangue correr rapidamente por suas bochechas. “Bom, ele ainda

visitava o harém, não visitava?”


Se Phedre sentia alguma vergonha por fazer parte daquilo, ela não disse nada a respeito.
“Sim, mas isso é diferente. O xeique e eu ocasionalmente tínhamos relações físicas, até a sua morte,
mas era só isso. Ele amava sua rainha, mas precisava de alívio de outras maneiras.”

“Mas isso não é amor! Nos Estados Unidos nós nunca fazemos isso.”
“Não existem casos ou casamentos abertos ou poliamor?”
“Ora vamos, isso não é a mesma coisa. Você fala de um casamento de verdade, mas aí ele
pode dar um pulo do outro lado do corredor, onde tem um punhado de beldades, e escolher
qualquer uma que quiser, como se estivesse num maldito buffet!”
Phedre riu. “Eu entendo porque Dvar se diverte tanto com você. Você tem um fogo tão forte
correndo por dentro... Você não entende nada dos nossos costumes, mas você acha que sabe. Se
essa raiva é a respeito do seu xeique e do que você teme que Dvar faça, até onde eu saiba, ele
ainda não decidiu como vão ser seus arranjos.”

“Então isso me faz sentir tão melhor. Ele me roubou da minha casa, e eu sinceramente estou
intrigada demais com o que ele tem a oferecer para dizer não completamente; mas, ao mesmo
tempo, como ele pode dizer que eu sou importante quanto ele tem dúzias de mulheres babando
atrás dele toda noite?”
“Isso é algo que vocês vão ter que resolver juntos,” Phedre disse, fazendo uma última virada.
Elas pararam na frente de uma porta enorme, que tinha pelo menos quatro metros de altura
e era entalhada na madeira mais densa. A porta era folheada a ouro e Amy de repente sentiu
que precisava falar a senha correta para poder ter uma consulta particular com o Mágico de Oz.
“Uau, eu vim parar nas 1001 Noites de verdade, ou no mundo ideal do Aladim? Eu... nossa!”
Phedre sorriu. Era um gesto de esfinge que não disfarçava seus verdadeiros sentimentos, não

de verdade. “Agora você entende porque as mulheres largam suas famílias e vêm pra cá tão

jovens e esperançosas. Quarenta anos atrás, eu me senti como você quando vi com meus próprios
olhos. É surreal e maravilhoso.” Ela estendeu a mão e abriu as grandes portas com um empurrão.

“Benvinda ao harém, minha xeica.”


Amy arfou ao ver o enorme teto em arco. Era cheio de mosaicos, e teria caído muito bem em
uma mesquita ou nas antigas torres que ela tinha visto no Cairo. As sedas mais brilhantes estavam
penduradas no teto, criando um lindo dossel para um espaço tão grande quanto vários campos de

futebol. De um lado havia uma série de penteadeiras antigas, todas feitas de mármore branco e
enormes espelhos. Do outro havia uma coleção de travesseiros macios, também feitos de sedas e
cetins tão brilhantes quanto um arco-íris. Finalmente, havia uma coleção de camas – de solteiro, mas
ainda assim adoráveis –, cada uma com seus próprios postes e também dosséis. Devia haver duas
dúzias delas espalhadas por um dos lados do quarto, e agora ela sabia que havia vinte e três
mulheres (Phedre era obviamente como uma mãe para Dvar) competindo com ela. Vinte e três
mulheres que poderiam um dia dar prazer a ele caso ela não conseguisse.
E mesmo que ela o conhecesse há apenas dois dias, sua garganta queimou e seus olhos se
encheram de lágrimas. Ela era pequena e leve, uma menina pálida com um cabelo que ela mesma

tinha tingido e cortado em nome da experimentação dos vinte e poucos anos. Ela não podia
competir com essas beldades exóticas e roliças, com curvas que se estendiam por dias e seios tão
bem ressaltados pelas sedas que elas usavam.
Amy era sem graça, afinal, e não havia nada que ela pudesse fazer para vencer contra
essas mulheres.
Quando ele quisesse vir aqui, ele viria.
Uma mão gentil estava em seu ombro e os olhos escuros de Phedre a observaram repletos
de ansiedade. “Você está bem, minha xeica?”
Ela assentiu. “Eu simplesmente não fazia ideia de que as coisas aqui eram tão intrincadas,
tão bonitas.” Amy tinha tentado dar a entender que estava falando apenas dos arranjos, mas ela

estava bastante certa de que não havia enganado Phedre, e enxugar os olhos não tinha ajudado

muito a esconder seus verdadeiros sentimentos.


Uma garota alta, que não podia ter mais de dezenove ou vinte anos e que era, no mínimo,

uma cabeça mais alta que Amy, se aproximou a passos largos. Ela tinha um peito amplo e largo
que mal cabia dentro de sua bandoleira. Seu rosto em forma de coração era marcado por um
nariz estranhamente aquilino e olhos frios e cinzentos que a encararam de cima.
“Sim, nós somos lindas, não somos, rainha?” a voz da garota estava revestida de desprezo.

Amy se ergueu o mais alto que conseguia (está certo, não era muito) e colocou as mãos nos
quadris. “Quem é você?”
“Meu nome é Kamala, minha rainha, e eu sou a favorita do harém. Eu fui treinada como
acrobata em minha juventude e o xeique sempre favoreceu minha flexibilidade.” Ela sibilou essa
última palavra, e Amy suprimiu o impulso – aquele desejo intenso – de estapear a outra mulher. Isso
talvez enfurecesse Dvar, mas, pior ainda, talvez fizesse com que os outros tivessem pena daquela
vadia. Isso não podia acontecer. “Então, como posso ajudá-la, minha rainha? Você precisa de um
vestido melhor? Ou talvez você queira ajuda com essas pontas duplas?”
Ela balançou a cabeça e enrolou as mãos em punhos ao lado do corpo. “Na verdade, eu

tenho Phedra, que com certeza pode me ajudar.” Com isso, ela caminhou para as penteadeiras e
esperou que a mulher mais velha se juntasse a ela. Quando Amy falou novamente, suas palavras
saíram rápida e furiosamente, e ela não conseguiu manter sua voz tão uniforme quanto gostaria.
“Quem é ela? Não é possível que ela seja a preferida de Dvar. Não é possível. Ela é fria e cruel e
parece uma maldita cobra, até eu consigo sentir.”
Phedre balançou a cabeça. “Ela é certamente a favorita, e ela não mentiu a respeito de
seus, como ela disse, talentos.”
Seus ombros caíram e ela se sentiu grata pela gentileza de Phedre, feliz pela outra mulher
que a abraçava e ninava. “Ela é a favorita?”
“Ela era antes de você chegar, e ela não é feliz. Ignore o que ela diz. Há um ditado aqui

que diz ‘apenas corações envenenados podem criar palavras tão venenosas’. É ciúmes, minha

querida, então não preste atenção.”


Amy suspirou e olhou para seu pálido reflexo no espelho. Ela parecia cansada e exaurida

do estresse e das viagens dos últimos dias. Havia grandes olheiras cinzentas abaixo de seus olhos,
e ela não se parecia nada com a outra garota, com sua pele morena e seus olhos lindamente
delineados. “Talvez isso não vá durar sequer o tempo de uma piscada.”
“Ou você devia confiar em mim,” Phedre disse, pegando um pente e algumas embalagens de

maquiagem. “Kamala era sem graça quando chegou aqui, e eu a ajudei a descobrir como melhor
utilizar seus dotes femininos. É assim que as coisas são, e eu vou te treinar.”
“Por quê? Não é inevitável, já que Kamala é a favorita?”
“Ela é uma valentona e é cruel com todas as meninas aqui. Não tem nada que eu gostaria
mais do que vê-la humilhada e mandada embora,” ela continuou, pegando um brilhante pente de
prata encravado com rubis e diamantes. O pente tinha o formato de um falcão e Amy sorriu, se
lembrando de sua recente viagem ao Cairo. “Minha rainha, quando eu terminar com você, nenhuma
mulher chegará aos seus pés. Será minha honra e meu prazer.”
Capítulo Oito

O jardim estava disposto com tudo que ele podia imaginar. Na noite seguinte, depois de um
longo dia de reuniões, Dvar tinha preparado tudo para um piquenique perfeito com sua rainha. O

próprio jardim era um lugar ideal. Ele continha adoráveis gavinhas dependuradas de madressilva
e hera. Havia lindas estátuas de querubins e anjos feitas de mármore. Ressaltando tudo aquilo
havia uma fonte central que se iluminava à noite e mudava de cores continuamente, do azul para o
rosa para o lilás e de volta para o azul. No entanto, o destaque principal era a miríade de

arbustos de rosas. Eles tinham feito parte da coleção premiada de sua mãe. Cada um tinha uma
coleção diferente de flores e ele estava cercado de explosões de pétalas vermelho sangue,
laranja e brancas. Algumas eram roxas ou até escuras, quase pretas, especialmente à luz da lua.
Para o jantar, ele tinha arrumado algo simples, apenas alguns pães sírios e tâmaras. A carne
era pernil de cordeiro, fácil de colocar entre o pão e fazer um sanduíche para levar à boca.
Quando Amy entrou no jardim, ele precisou de todas as suas forças para não comê-la ali
mesmo. Ela estava usando uma roupa que ele tinha comprado pra ela pessoalmente no mercado:
calças de harém vermelhas que combinavam com uma bandoleira cravada de rubis e diamantes.
Havia uma fina camada de tecido que cobria sua barriga, tecnicamente cobrindo aquela área,

mas ele conseguia ver a linda extensão de pele branca por baixo da roupa facilmente. Ele ficou
intrigado e deleitado com o botão azul safira no umbigo dela.
Julgando por aquilo e pelos barretes e presilhas no cabelo dela – o longo cabelo dela – ele
presumiu que Phedre tinha ajudado com as suas escolhas de moda e com as extensões adicionadas
ao seu visual.
Ele aprovava.
Diabos, julgando pela maneira como seu pênis endureceu e pressionou contra o tecido de
suas calças, ele tinha certeza, definitivamente, que ele inteirinho mais do que aprovava.
Os largos contornos de kohl nos olhos dela, os cílios longos e luminosos em volta de suas

profundezas cor de safira, e os lábios dela que estavam vermelhos como sangue complementavam

o look ainda mais. Ele mal podia esperar para ter aqueles lábios enrolados na sua ereção. O
toque final era a simples corrente de prata descendo pelo pescoço dela, com seu cintilante amuleto

azul, o olho mal, encaixado cuidadosamente entre seus seios.


Ele finalmente ficou de pé, torcendo para que ela não notasse o quão entusiasmado ele
estava em vê-la. Ela tinha passado a noite anterior com o harém uma vez que a sessão de
planejamento dele tinha se estendido, e um dia sem ela parecia tempo demais. Era como se ele

tivesse corrido uma maratona e pudesse finalmente – só agora, depois de vinte e seis milhas –
beber a bendita água em volta dele. Dvar lhe deu um abraço apertado enquanto sorria.
“Minha xeica, você está adorável. Verdadeiramente quente, como uma espoleta deveria ser.”
Ela elevou os olhos para ele e ele percebeu aquele delicioso rubor cobrindo as pálidas
bochechas dela. “Que bom que você gosta. Eu... esse lugar inteiro é incrível. Eu sinto que cada
cômodo é mais lindo que o anterior.”
Ele riu ao guiá-la para o cobertor. Atrás deles, a fonte se ascendeu com a luz roxa,
complementando o brilho nos olhos dela magnificamente. “Você viu tão pouco. Quando as coisas se
acalmarem, eu mal posso esperar para te levar aos estábulos, para que você possa ver como os

meus cavalos árabes premiados são lindos. Meu tio criou muitos, e eu aprendi o hábito com meu
primo, Munir. Você vai gostar deles.”
“Eu, ah, não sei montar,” ela disse, olhando para baixo e se assentando no cobertor. “Isso
não vai ser um problema, vai?”
Ele sorriu. “Eu acho que não. Afinal, espoleta, eu tenho a sensação de que há poucas coisas
que você não consiga dominar. Você certamente conquistou os corações do meu povo e o meu.”
Ela assentiu e ele observou a garganta dela se movendo quando ela engoliu em seco. “Eu
acho.”
Franzindo a sobrancelha, ele abriu a cesta e colocou a comida no cobertor. Ele também
pegou um champanhe e serviu uma taça para ela. “Você parece preocupada. Qual é o problema,

Amy?”

Ela piscou e ele percebeu que devia ser porque ele tinha usado o nome dela. Agora parecia
errado provocá-la com Srta. Monroe – afinal, logo era pertenceria a ele legalmente, uma vez que

a cerimônia fosse arranjada. Ela seria Xeica Yassin e seu nome antigo não cabia mais aqui entre
eles.
“Não é nada.”
Ele deu um gole na sua própria bebida, se divertindo com as cócegas que as bolhas faziam

no seu nariz. “Você não está com fome? É uma refeição simples, e eu prometo que guardei o
pombo para outra noite.” Ele gesticulou para o cordeiro, que estava bem assado e praticamente
caindo do osso. “Você não tem nada contra isso, certo?”
Ela riu um pouco, parte do seu brio e do seu bom humor usual retornando. “Não é isso. E só
pra você ficar sabendo, eu dei conta do pombo muito bem. Eu comi um completamente sozinha e foi
a carne mais suculenta que eu jamais experimentei.”
Ele sorriu e se aproximou dela. “Há outras coisas ainda mais suculentas para a sua boca, eu
prometo.”
Ela deu uma risadinha. “Eu acho que percebi isso.” Amy bebericou sua bebida e depois

comeu alguns pedaços de pão sírio. “É só que conhecer o harém foi mais surpreendente do que eu
poderia ter imaginado. Elas são tão lindas e eu não sei... eu nem sei quanto tempo isso vai durar.”
Abaixando sua bebida, ele estendeu a mão e acariciou a bochecha dela. “Eu não peço a
qualquer uma para ser minha esposa e me ajudar a liderar meus súditos. Isso aqui é pra valer.”
“E eu estou disposta a ver aonde isso vai dar. Eu não tinha nada mais acontecendo em casa
e os últimos dias têm sido pra lá de incríveis, mas eu sei que nada dura para sempre. Meus pais
não duraram.”
As narinas dele se dilataram e ele balançou a cabeça. “Eu não sou assim.”
“Você tem vinte e três mulheres a menos de setenta metros daqui, todas dispostas e capazes
de servi-lo em todas as suas necessidades. Aquela Kamala não tentou esconder nada, de forma

alguma.”

Dvar levou aquilo em consideração. Havia coisas que ele adorava fazer com Kamala, ou
pelo menos havia adorado. Aquela menina estava sempre disposta a tentar de tudo e ela era tão

flexível, graciosa e ávida. Ele ia sentir falta daquilo, mas ele nunca teria previsto que sua noiva
americana teria tanta aversão a um harém, considerando que arranjos abertos eram melhores do
que o divórcio.
Pegando ambas as mãos dela com a sua, ele as apertou com força. “Te incomoda tanto

assim? O que eu e Kamala temos? Eu nunca a considerei como uma igual.”


“Então talvez eu seja apenas um número divertido de judô verbal e uma reprodutora, se é
que nós vamos chegar a isso.”
“Não, não é isso de forma alguma.”
“Então podemos tentar só nós dois? Podemos construir alguma coisa antes? Eu sei que um
harém é tradição, e você teve anos pra aproveitar todas as vantagens dele, mas é muito
importante pra mim que eu seja a única mulher a quem você recorre. Parece justo?”
Ele inspirou profundamente e sentiu seu maxilar se apertando. Quando ele falou, sua voz
estava baixa e deliberada. “Você não vai colocar limites no nosso relacionamento. Eu estou no

comando, espoleta, e eu achei que você sabia disso.”


“Você sabe que a minha irmã vai me visitar em breve. Nós acabamos de aparecer no

noticiário da Al Jazira1 e eu sei que a Alexis vai ligar para checar como eu estou. Mesmo que você
não me deixe atender, ela e Farzad estarão aqui em breve para ver com os próprios olhos. Se
você não tentar fazer de mim uma prioridade, eu vou embora com eles. Eu juro. Dê um ano, e se
não for o suficiente, se você ainda precisar de Kamala ou do resto do harém, então nós veremos.”
“Você ainda está colocando condições.”
“Não me importa. Eu vou te largar se você mantiver o harém.”
“É tradição.”

Os olhos dela estavam queimando com fogo azul. “Se você me quer, então você tem que me

mostrar.”
Ah, ele ia mostrar a ela...

Dvar empurrou toda a comida para fora do cobertor, não se importando se alguma coisa
fosse parar na fonte ou em meio aos arbustos de rosas. Ele agarrou Amy e ela tentou se afastar,
mas ela pertencia a ele, caramba, e ele tinha sido absurdamente paciente ao esperar tanto, não
pulando em cima dela no segundo em que ela tinha entrado no jardim.

Ela se contorceu por baixo dele, mas ele a segurou, prendeu os pulsos dela acima da
cabeça e a segurou ali. Os quadris dele estavam se esfregando nos dela, e quando ela parou de
se mexer ele soube que ela tinha sentido a sua ereção se aninhando nela; que ela tinha sentido a
paixão se agitando dentro dele.
Ele se inclinou para baixo e raspou os dentes pela pele do pescoço dela, e Amy estremeceu
e gemeu embaixo dele. Ela não estava mais lutando ativamente para se livrar dele. Ele raspou
novamente, dessa vez traçando seu caminho para a depressão na clavícula dela. Sua longa língua
arqueou para fora e ele começou a lamber a pele macia ali, sentindo o gosto dela, aquele sabor
de oleandro e especiarias, de verão ameno e de um frescor verde. Ela era divina.

E ela era dele.


Só dele.
“Agora, estamos seguindo as regras de quem?” ele perguntou.
Ela o encarou enquanto ele segurava seus pulsos. “Minhas.”
Ele se esfregou nela quase dolorosamente, sua ereção provocando o cerne dela através do
tecido de suas roupas. “Não. Regras de quem, espoleta? Você sabe quais. Diga!” ele enfatizou seu
argumento sugando o ombro dela com força, deixando um chupão, a pele dela ficando roxa sob
os lábios dele. “Diga!”
Ela choramingou, seus olhos azuis encobertos por pálpebras pesadas. “Suas regras, Dvar.
Somente suas.”

Ele passou a mão por baixo do tecido da bandoleira e encontrou o mamilo direito dela. Ele

podia imaginar aquele pico rosa escuro embaixo da sua mão. Ele massageou o seio dela e
pressionou os dedos contra o mamilo, fazendo com que ele se elevasse, pontudo. Amy gritou e se

agarrou nele, mas não com desespero – com necessidade. Era puro e animalesco, e ele também
não conseguia segurar seu desejo.
O tempo que eles levaram para se livrar de suas roupas pareceu eterno. Mas logo ela
estava deitada na frente dele, nua da cintura pra baixo, seus lindos cachos escuros como uma

floresta convidativa na frente dele. Ele se inclinou e beijou o vértice das coxas dela, enquanto suas
mãos brincavam e agarravam os seios dela.
Voltando a se sentar, ele sorriu para ela. “Você pertence a quem?”
“Você, só você,” ela disse, estendendo a mão e escorregando seus dedos delicados e
habilidosos pela ereção dele.
“Eu preciso de você dentro de mim, Dvar, por favor.”
Ele obedeceu. Tempo demais havia se passado desde aquele banho, afinal. Ele se posicionou
por cima dela e escorregou seu membro pelas macias dobras dela. Ele sibilou ao sentir o calor e
aquele maravilho encaixe apertado que parecia massagear sua ereção enquanto ele entrava,

centímetro por centímetro. Era um encaixe incrível, como se ela tivesse sido feita para ele. Os
quadris dele se mexiam por conta própria, sua paixão atávica se espalhando por ele. Ele tentou ir
devagar, fazer amor com ela, mas foi mais rápido do que isso, cheio de fome e urgência.
Para ela a sensação era fantástica, e ele deixou uma mão descer para os quadris dela e
apertá-los enquanto a outra tocava o clitóris. Amy sibilou e afundou as unhas o melhor que podia
nas escápulas dele, por baixo da camisa. Ele gostava daquela pontada de dor, da insinuação de
algo mais no aperto dela. Ela balançou com ele, suas pernas enroladas em sua cintura.
O ritmo entre eles aumentou e ele sentiu suas bolas se contraírem em antecipação. Ela se
inclinou para cima e o beijou, a língua dela se enrolando com a dele. Era agora.
Ele gozou então, entornando dentro dela, sentindo as espirais de prazer se lançarem através

de seu corpo até ele desabar no cobertor abaixo. Ela ficou deitada ao lado dele, gritando com o

próprio prazer e estremecendo ao seu lado. Eventualmente, depois que os dois haviam terminado,
ele a pegou nos braços e a abraçou com força. Beijando o topo da cabeça dela e desviando por

pouco do pente de falcão que ela usava - aquele cujos rubis contrastavam com seus cabelos,
fazendo-os brilhar como ébano –, Dvar falou.
“Eu te amo.”
Ai, Alá, aquilo realmente tinha saído da sua boca?

Ele piscou alertado, assim como ela, como se um balde de água gelada tivesse sido jogado
sobre eles. Era muito difícil de acreditar, de entender. Ele amava apenas sua família. Sim, ele tinha
se divertido com mulheres, ou ficado encantado com seus talentos, mas essa saciedade era
completamente diferente e muito mais real.
Olhos azuis, grandes e assustados, o encararam. Amy mordeu o lábio e hesitou antes de
falar. “Eu não compreendo.”
“Eu te amo, e você está certa, não há mais ninguém. Não vai acontecer mais nada com o
harém, nunca mais.”
“Eu…”

Ele a beijou novamente, mas ela ainda estava embaixo dele. Se afastando, ele passou uma
mão pelo cabelo dela. Era tão macio e sedoso ao toque, e ele teria que recompensar Phedre muito
bem pela transformação que ela tinha feito. “Diga algo.”
“Eu gosto de você e eu vou tentar. Eu fico muito agradecida que você concorde a respeito
do harém, mas isso é tudo que eu tenho a oferecer agora.”
Ele assentiu e a puxou para perto, sentindo seu corpo magro e rijo contra o seu. Não era
tudo que ele queria, mas teria que ser o suficiente por enquanto porque ele não ia deixar sua
espoleta ir.
Nunca.
1 Maior emissora de televisão jornalística do Catar e a mais importante rede de televisão do mundo árabe.
Capítulo Nove

Seis semanas depois


Dvar franziu a sobrancelha para seu primo Farzad através da ligação no Skype. “Essa

informação sobre as forças do Leban é precisa?”


Seu primo suspirou e passou uma mão pelo cabelo escuro e rebelde. “Sim, meus melhores
espiões a revisaram, e não há a menor sombra de dúvida sobre o que está acontecendo. Eles
estão se mobilizando e logo estarão na sua fronteira leste como um enxame, se aliando com os

rebeldes. Eu lhe enviarei tropas em breve, e eu e Alexis visitaremos na semana que vem para
ajudar a colocar as coisas no lugar. Minha esposa talvez esteja um pouco irritada por você ter
monopolizado a irmã dela por tanto tempo.”
“Eu não monopolizei nada,” ele disse, sorrindo para o primo. “Eu tenho estado ocupado e
Amy também queria curtir o período de lua de mel.”
“Posso dizer que você é um grande imitador por ter pego sua própria noiva americana?”
Dvar riu, longamente e com vontade. “Então você também é, já que seguiu os passos de
Munir. Mas essas mulheres americanas, elas são uma coisa, não são?”
“Elas são difíceis, mas elas valem à pena.”

Dvar assentiu. “Eu concordo plenamente, mas você acha que nós damos conta do exército do
Leban? Se a informação de Munir estiver correta, então talvez eles tenham recursos nucleares
também.”
“Primo, em três séculos, você já viu alguém foder com o Império Yassin?”
Ele deu de ombros. “Eu retiro o que disse. Eu só queria…”
“Eu também sinto falta do meu tio e do meu pai. Eu entendo,” Farzad ecoou.
“Então nos vemos em uma semana, e vamos fazer todos os que nos desafiam se
arrependerem.”
“Parece um bom plano.”

“Seria um bom plano apenas se tivesse alguns passos mais detalhados,” Dvar disse, taciturno.

“Nesse momento, tudo o que eu tenho é ‘dar uma surra no Leban’, mas não tenho um mapa de
como de fato chegar lá.”

“Então fique aliviado que há duas cabeças e talvez a ajuda daquelas fogosas irmãs
Monroe.”
“Sério, você permite que uma mulher planeje com você?”
“Eu conheço bem a minha mulher. Te vejo no domingo,” seu primo respondeu, deixando a

ligação cair.
Dvar suspirou e beliscou o osso do nariz com os dedos. Sua cabeça estava latejando e suas
palmas suavam. Tudo parecia mais possível com o apoio e as piadas de seu primo, mas na fria luz
do dia e na extensão solitária da sua sala de reuniões, as coisas eram mais opressivas. Ele não
podia deixar oito milhões de pessoas sofrerem por causa da crueldade do Leban, mas ele não era
o líder que seu pai tinha sido. Mesmo então, da última vez que o Leban havia invadido, eles tinham
perdido seu rei.
Ele balançou a cabeça, preocupado com o que seria feito da sua terra.
Além disso, ele tinha mais a perder a essa altura. Não havia apenas o seu reino ou o seu

povo, com o qual ele se preocupava muito, mas também Amy, que ainda estava resistindo a alguns
dos arranjos, mas que logo seria oficialmente sua xeica. Faltava apenas um mês para o casamento,
já que tantos dignitários e outras coisas tinham de ser trazidos para o evento. Ele mal podia
esperar pelo dia que ela seria dele oficialmente, quando o seu anel estaria no dedo dela e o mulá
os uniria frente a Alá e a todos os demais.
“Senhor,” Hakim disse, entrando na sala. “Eu trouxe o almoço. Tem algo mais que eu possa
fazer para ajudá-lo?”
Ele assentiu e considerou a oferta. “Eu vou comer.”
“Isso seria uma novidade. Você parece ter perdido o apetite.”
“Essa guerra que se aproxima – acaba com a digestão de qualquer um.”

“Então você precisa das suas forças,” Hakim retrucou. “O que pode te ajudar a relaxar?”

Ele sorriu. “A espoleta é boa pra isso.”


“Você não pode transar o tempo todo, meu xeique, mas talvez um longo dia com ela fosse

bom. Talvez você possa finalmente mostrar os estábulos e os cavalos para ela hoje.”
“Você é brilhante! Eu sabia que tinha um bom motivo pra te manter por perto,” Dvar
retrucou.
“Eu achei que era por causa da minha belíssima aparência, meu xeique.”

“Dificilmente,” ele disse, se levantando. “Eu volto em breve.”


Com isso, ele se apressou pelos corredores. Levou um tempo para chegar à ala onde ficava
o harém. Às vezes, mesmo com suas preocupações a respeito das outras mulheres, Amy se
confortava passando o tempo com Phedre. Ele passou pelas portas duplas e ignorou a multidão de
mulheres se aglomerando à sua volta. Elas sentiam falta dele, mas a essa altura da sua vida, ele
não sentia falta delas. Ele era especialmente cuidadoso em relação à Kamala, e seus olhos se
estreitaram quando ela se aproximou dele. Ela não manteve a distância respeitosa das outras.
Ao invés disso, ela se inclinou contra ele, pressionando seus seios contra o peito dele de uma
maneira óbvia e desesperada. “Nós sentimos sua falta.”

“Eu não duvido,” ele disse, colocando as mãos nos ombros dela e empurrando-a para longe.
Ela tropeçou um pouco e uma carranca dura marcou seu rosto por um instante antes que ela
conseguisse recuperar sua pose. “Se você jamais precisar de qualquer coisa, meu senhor, então
você sabe onde me achar.”
“Eu sei onde você esteve pelas últimas seis semanas, Kamala. Não é como se eu pudesse me
esquecer.”
Algumas das outras garotas deram risadinhas, e ele ficou satisfeito quando as bochechas
dela enrubesceram de vergonha e raiva. Ela girou sobre os calcanhares e correu para o outro
lado do cômodo.
Kamala ainda falou por cima do ombro ao se retirar. “Você vai me querer eventualmente,

Dvar. Um leopardo nunca muda suas manchas.”

Enrolando as mãos em punhos ao lado do corpo, ele a ignorou. Ele nunca voltaria para ela,
não importa o que suas mãos e língua pudessem oferecer. Ele estava apaixonado e adorava sua

futura esposa. Kamala podia apodrecer no inferno se dependesse dele, mesmo que os quadris
dela fossem tão convidativos enquanto ela rebolava pra longe. Dvar se esgueirou pelo grupo até
encontrar Amy perto das penteadeiras. Ela parecia estranhamente pálida, mesmo para uma
americana, e ele se perguntou se ela tinha dormido mal na noite anterior.

Ele estendeu o braço e agarrou seus ombros, e ela pulou nos braços dele.
O que diabos está acontecendo?
“Você está bem, espoleta?”
Ela assentiu e olhou para ele. Ela estava suada também. “Sim, que surpresa. Pensei que você
estava conversando com Farzad.”
“Eu estava. Ele e a família estarão aqui em uma semana. Sua irmã tem reclamado. Talvez nós
estejamos sendo amorosos demais.”
Ela corou e mordeu o lábio, sua mão desviando um pouco em direção aos quadris. Aquele
era um convite que ele adoraria aceitar, mas só depois que eles cavalgassem. “Eu adoraria vê-la.

Eu acho que nós estivemos meio ocupados ultimamente...”


Ele se inclinou e beijou-a, já endurecendo ao sentir o gosto dela em sua língua. “Estivemos
mesmo, espoleta. Falando em estar ocupado, eu estava me perguntando se você gostaria de ir
cavalgar comigo?”
“Eu não sei se tenho coordenação suficiente para isso.”
“Você consegue. Eu vou preparar a égua mais velha e gentil para você, ou pensar em uma
alternativa. Eu tenho mais algumas coisas para fazer com meus generais.”
“Sem boas novas de Farzad, então?”
“Nenhuma,” ele disse, frustrado. “Mas vai haver. Nós vamos dar um jeito.”
“Ótimo. Eu mesma estava indo para o mercado. Eu... Phedre e eu íamos ver joias.”

“Você pode ter acesso às joias da coroa se quiser.”

“Mas eu estou com vontade de tomar um ar,” ela acrescentou, com o tom ainda hesitante.
“Tem alguma coisa errada?”

“Não,” ela disse, beijando-o novamente. “E não, não tem nada a ver com te deixar. Eu
prometi tentar, e você tem sido maravilhoso.”
“Sim, eu tenho. Nunca houve reclamações.”
Ela revirou aqueles seus olhos azuis como gelo. “Não deixe que as coisas subam à sua

cabeça, Casanova.”
Ele colocou os quadris contra as costas dela. “Ah, outras coisas sempre ‘sobem’ por você,
querida.”
Amy riu e o beijou mais uma vez. “Nós estaremos de volta as três, e aí podemos ir cavalgar,
mesmo tendo certeza que vou cair.”
“Ótimo,” ele respondeu, acariciando a bochecha dela. E ele não tinha apenas imaginado
que ela estava suada, não quando a sua mão tinha voltado escorregadia. “Você tem certeza que
está bem? Você não está com febre, está?”
“Não, só animada e agitada nessa temperatura quente, você sabe como é.”

Ele assentiu e voltou apressadamente para o escritório, preocupado que ela estivesse
escondendo algo dele, mas ele simplesmente não tinha certeza do que.
***

Amy não estava se sentindo bem ultimamente. Ela não sabia exatamente o que estava
acontecendo, mas ela se sentia exausta quase o tempo todo. Talvez fosse apenas um ajuste dos
invernos gelados e enjoativos de Boston para as temperaturas quentes e abafadas que chegavam
a cinquenta e um graus Celsius nas terras desérticas que a cercavam. Ainda assim, depois de uma
noite incrível com Dvar – e todas as noites eram incríveis – ela se encontrou esgotada e exausta
como nunca.
Mancando um pouco para o quarto do harém, ela se sentou em um macio travesseiro laranja

e acenou para Phedre. A mulher mais velha estava resplandecente naquele dia, vestindo um caftan

cor de berinjela cravejado com cristais Swarovski.


“Minha xeica, como posso ajudá-la hoje?”

“Você pode me dizer se há algum médico que eu possa ver.”


“Há um médico real.”
“Eu digo na cidade. Eu não me sinto bem, mas não quero preocupar Dvar se for apenas uma
insolação.”

“Se você achasse que era apenas uma insolação, então você não estaria pedindo um médico
particular só pra você.”
“A guerra está se aproximando, e se for alguma coisa séria eu vou contar pra ele, mas, do
contrário, a mente dele precisa estar clara para planejar.”
Phedre mordeu o lábio inferior e considerou-a. “Pode ser, mas eu devo aconselhá-la a não
manter segredos em um relacionamento, minha xeica.”
“Eu só preciso saber por que estou tão cansada e...” ela parou então, sentindo a náusea
subir através dela, e saiu correndo para o banheiro.
Amy chegou lá bem em tempo de vomitar várias vezes na cabine fechada. Ela regurgitou

até sua garganta começar a arder, até os músculos do seu peito ficarem doloridos com o esforço.
Cansada, ela deixou sua cabeça pesar na porcelana fria e começou a chorar.
Quase dois meses haviam se passado desde a sua última menstruação.
Por um tempo, ela sequer tinha pensado que essa irregularidade era um sinal de que algo
estava errado. Ela tinha passado por situações muito estressantes, jogada em um ambiente novo.
Além disso, no passado, quando ela tinha sido patinadora, isso acontecia o tempo todo. Ela era tão
magra que não tinha regularidade nenhuma, mas isso? Isso explicava tudo – a exaustão, a náusea,
e a maneira como ela se sentia mal.
Ai, Deus.
Ela não estava pronta.

Ela sequer tinha certeza de que ia ficar aqui, de que Dvar conseguiria manter sua promessa

a longo prazo para fazer dela a número um do harém. Mesmo com um filho, não havia garantia
de que ela não terminaria como sua mãe: abandonada e jogada fora como lixo. O filho dela seria

o herdeiro, mas ela não.


Eles mal tinham começado a se conhecer, e era inevitável que o Leban e a Jardânia
entrassem em guerra.
Meu Deus, o que eu vou fazer?

Braços cuidadosos e macios envolveram-na; ela enterrou o rosto no ombro de Phedre e


chorou, deixando as lágrimas fluírem. A outra mulher balançou-a, acalmando-a e tentando ajudar
Amy a estancar as lágrimas.
“Eu conheço alguém. Nós vamos assim que você tiver forças.”
Ela assentiu e seguiu Phedre para as penteadeiras. Ela precisava começar seu dia. Afinal,
ela podia estar errada, mas Amy não achava isso.
***

“Sabe,” Kamala ronronou, se sentando ao lado dela frente aos espelhos. “Você parece
ainda mais pálida do que de costume. Isso é muito impressionante para uma americana como você.”

Ela examinou a garota ao seu lado. Sua blusa, se é que aquele fino pedaço de seda podia
ser chamado disso, tinha um decote generoso demais. Era quase pornográfico. “Bom, deve ser o
que Dvar prefere,” ela disse friamente.
“Você sabe que é só um interesse temporário, que ele só está fazendo o que os primos
fizeram.” Kamala chegou mais perto dela. “Ele nunca permanecerá fiel a você. Ele nunca desejará
um mestiço como próximo xeique herdeiro.”
Amy a estapeou com força, feliz em ver o vergão já inchando no rosto da outra menina.
“Meu sobrinho, Farid, é o herdeiro de Omai e ele é meio americano. É um ponto forte, não uma
fraqueza.”
Kamala esfregou a bochecha. “Aproveite enquanto está no topo, sua vadia americana. Não

vai durar muito.”

Amy assistiu enquanto ela saía correndo e sorriu para si mesma. Era o único raio de luz em
um dia completamente horrível.
***

“Bem, minha querida, o exame de sangue veio positivo,” o médico disse.


Ele era um homenzinho encarquilhado, com uma longa barba branca e ombros ligeiramente
encurvados. Amy não sabia de onde Phedre o conhecia, mas ela estava contente por isso. Ele tinha

maneiras excelentes, e foram apenas a sua doce gentileza e as mãos de Phedre segurando as
suas que mantiveram os pés de Amy no chão. Fora isso, a cabeça dela estava girando e ela
estava nauseada de uma maneira que, ela suspeitava, não tinha nada a ver com os enjoos matinais
da gravidez.
“O que eu faço agora?” ela perguntou.
“Nós gostaríamos de fazer um ultrassom rápido agora, só pra ver como as coisas estão,” ele
disse. “O feto vai ser pequenininho, pouco diferenciado, mas vamos só checar pra ver como ele
está.”
Ela assentiu e sua garganta estava seca demais para falar, para dizer qualquer coisa.

Depois que ele saiu da sala, ela tirou o xale e a blusa. Deitando-se na mesa de exame, Amy
descansou a cabeça no travesseiro. Então ela inspirou profundamente, lembrando a si mesma para
não surtar ou hiperventilar. No mínimo, isso devia ser terrível para o bebê.
As mãos de Phedre não haviam largado as suas, e ela as agarrou com tanta força que
quase temeu estar machucando a outra mulher. Naquele momento, a velha amante do harém era
sua única conexão com a realidade e a sanidade.
“Shh, minha xeica, vai dar tudo certo.”
“Eu só... eu ainda nem sei se Dvar me quer. Eu nem sei se ele vai voltar para Kamala ou se
eu vou ficar. Tem dias que tudo que eu quero é ir para casa. E tem outros que ele me abraça
apertado e é o êxtase mais incrível que eu jamais conheci.”

“Apenas descanse e considere os fatos. Aí você pode tomar suas decisões.”

“Mesmo se eu não tiver ideias claras a respeito do que isso seja?”


Phedre suspirou, mas não pôde dizer mais nada uma vez que o velho médico entrou pela

porta com uma máquina de ultrassom, desajeitada e que parecia ter sido feita na década de 80.
Ele montou-a e depois passou gel por sua ponta arredondada.
“Agora, Srta. Monroe, isso vai ser bastante frio,” ele disse.
Ela sibilou um pouco com a mordida gelada do gel e então, espontaneamente, virou o rosto

para o monitor. Ainda não havia muito para se ver. A imagem era incrivelmente embaçada e,
novamente, a máquina era consideravelmente velha. No entanto, ela podia distinguir a curvatura
redonda do pequeno corpo em desenvolvimento e a grande cabeça. Pequenos olhos negros
estavam começando a se formar.
Seu filho.
Não, é nosso filho; do Dvar e meu. Há algo realmente nos unindo, pelo menos eu espero.
Lágrimas subiram aos seus olhos e ela sentiu-as correndo por suas bochechas. Aquela era a
imagem mais linda que ela jamais tinha visto.
Capítulo Dez

O cavalo era enorme.


Ele era alto – ficava acima até da grande silhueta de Dvar –, e ela observou enquanto o

monstro gigante chutava com suas patas traseiras. Sua crina escura esvoaçava e ele relinchou alto
ao lado dela. Ele tinha uma sela, que ela notou ser grande e parecida com algo saído de um
antigo filme de bangue-bangue. Pelo menos parecia grande o suficiente para uma cavalgada
confortável, mesmo que ela estivesse morrendo de medo de ser jogada longe.

Ela tinha prometido que ia montar, e agora não podia desistir. Não devia afetar nada. Dvar
prometeu que ela não ia cair, que ele ia encontrar o cavalo mais calmo e ágil para ela montar.
Encarando esse gigante, ela tinha a sensação de que isso não era verdade, nem um pouco. O
árabe diante dela podia até ser maravilhoso, mas ela não tinha certeza de que ele era muito
amigável.
Estendendo a mão, ela deu um pulo quando ele relinchou de novo.
Ao lado dela, Dvar riu e acariciou o ombro do cavalo. “Esse é o Tornado, e ele é o cavalo
mais bem treinado do nosso estábulo. Eu mesmo o domei quando ele ainda era um potro e tinha
acabado de ser castrado.”

Ela se encolheu um pouco, mas finalmente tocou a bochecha dele. Era macio como veludo sob
suas mãos. O cavalo soltou o ar pelo nariz e Amy, mesmo assustada como estava e com o coração
ainda martelando, não conseguiu segurar um sorriso. “Ele é lindo, mas você jura que ele não é
louco? Eu não sei se topo montar sozinha.”
Sem perceber, ela passou a mão por cima da barriga. Talvez ela não fosse exatamente
montar sozinha.
“Você não vai. Eu decidi fazer um evento em grupo hoje. Depois eu te ensino na velha égua
por si mesma, mas hoje eu estou no controle,” ele disse, oferecendo suas mãos com os dedos
entrelaçados para ajudá-la a subir no cavalo.

Amy examinou o monstro mais uma vez e pisou nãos mãos dele. Ela confiava nele para a

maioria das coisas, afinal; confiava no julgamento dele. Ela só não confiava nele plenamente no
que dizia respeito a seu coração, e isso era muito mais complicado agora que ela tinha o filho

deles dentro dela, agora que os riscos eram mais altos do que nunca. Ela levantou a perna e
passou por cima do cavalo. Logo ela sentiu uma brisa por trás de suas costas e o cavalo se moveu
um pouco sob o peso de Dvar.
Braços fortes e capazes a envolveram pela cintura e depois passaram por baixo para

pegar as rédeas. Ele estalou a língua uma vez e bateu os calcanhares com força na barriga do
cavalo. E lá foram eles, trotando pela areia.
***

Talvez ele tivesse outros motivos.


Sim, ele queria ensiná-la a montar. Os árabes eram uma raça fabulosa, uma das raças mais
valorizadas do mundo, e eles eram incríveis de cavalgar. Ele queria que sua xeica os amasse tanto
quanto ele amava, que ela sentisse a liberdade da fuga. Eles trotaram juntos pela areia, a poeira
em torvelinhos atrás deles. Ele adorava a maneira como o cabelo dela, ainda comprido com as
extensões, esvoaçava atrás dela, uma cortina rica e escura de ébano que esvoaçava no nariz dele.

Hoje ela cheirava a baunilha e romã.


A vantagem – e motivo oculto – disso era que ele adorava sentir seus quadris contra os
dela. Toda vez que o cavalo se movia, seus quadris impulsionavam para frente, caindo ritmicamente
com a marcha poderosa do animal. Isso permitia que ele empurrasse sua extensão contra os
quadris de sua amante, sua xeica, e era ainda mais incrível do que a velocidade e o poder
embaixo dele.
Depois de um longo trote, ele fez com que Tornado diminuísse a velocidade para um passo
lento, e então inclinou para frente e beijou o pescoço de Amy. “Eu pensei que, depois de meia hora,
você ia gostar de um descanso. Como você se sente?”
“Eu acho que minhas pernas parecem gelatina, e eu também tenho bastante certeza, meu

senhooor, que minha bunda vai estar cheia de roxos mais tarde.”

“Você sabe que isso foi só um trote, certo? Nós não estávamos galopando pelos campos, nem
correndo.”

“Não importa. Eu sou uma garota da cidade, nascida e criada, e não é como se eu tivesse
prática. É uma experiência completamente diferente, sair fazendo ‘tum, tum, tum,’” ela bufou. Amy
reforçou seu argumento olhando por cima do ombro, os olhos azuis cheios de alegria. “Foi um
pouco demais. Sabe, você definitivamente me deve uma massagem com babosa essa noite.”

Ele se inclinou e beijou o pescoço dela. “Isso é mais do que possível, espoleta. O prazer será
todo meu. Quem disse que eu não arranjei essa coisa toda só pra te namorar?”
Ela sorriu e empurrou as costas contra ele com a maior força que conseguia. “Eu acho que
você fez isso sim. Você com certeza parece entusiasmado o suficiente.” A voz dela se tornou um
ronronado baixo quando ela disse isso, fazendo o sangue bombear furiosamente pelas veias dele.
As coisas que essa mulher fazia com ele.
“Bom, você definitivamente parece melhor,” ele disse enquanto davam mais uma volta pelo
ringue. “Você parece mais animada. Você estava tão suada essa manhã, eu fiquei realmente
preocupado.” Ele enrugou a sobrancelha e perguntou. “Você se divertiu no mercado?”

Os olhos dela estavam fixos no percurso à frente dele, mas ele sentiu o corpo dela congelar
contra o seu. “Hein?”
“O mercado? Você e Phedre foram comprar joias, como você disse, certo? Eu sei que Hakim
as levou e as assistiu do mercado. Você gostou?”
“Eu não achei nada,” ela disse depois de uma longa pausa, “que fosse tão maravilhoso ou
útil, eu espero, como o meu amuleto de proteção contra o olho mal.”
Ele revirou os olhos. “É um pingente tão simples, não é verdadeiramente digno da minha
rainha. Você não gostaria de outra coisa? Minha mãe tem o mais lindo colar de diamantes no
cofre.”
Os ombros de Amy caíram. “Significa o suficiente para mim que ele vai me proteger e trazer

sorte à nossa família.”

“Nossa família?”
“Sim, você sabe, você e eu, mas também, ah, minha irmã, Farzad, e Farid, e todo mundo, com

a chegada da guerra. Francamente, eu acho que nós vamos precisar de toda sorte que
conseguirmos. Quem diabos rejeita sorte?”
“Eu nunca tive superstições em alta conta,” ele disse, agarrando as rédeas com mais força.
“Eu sempre gostei de pensar que eu faço a minha própria sorte. Meu pai sempre dizia que

fatalismo é inútil.”
“Então isso é estúpido. Eu não sou a Poliana, mas eu acredito que às vezes o destino – ou a
sorte, ou o universo, pode escolher seu eufemismo – pode estar cuidando de nós, também; nós
podemos contar com eles.”
Ele bufou e cutucou o pescoço dela com o nariz. “Agora, espoleta, só falta você me dizer
que existem anjos da guarda e santos, ou seja lá no que vocês cristãos acreditam, olhando por
todos nós.”
“Coloque mais desprezo nessa frase,” ela disparou.
Ele puxou as rédeas e o cavalo parou. Agarrando os ombros dela, ele a girou para que ela

o encarasse. “Só existe a sorte que nós fazemos. Eu não caio nas vicissitudes de nada mais.”
“Então,” ela disse, seus olhos cor de safira soltando faíscas enquanto sua mão direita
brincava com a corrente do seu colar. “Você está sendo um babaca e um idiota teimoso. Que
surpresa! Às vezes não tem problema pedir um pouco de ajuda.”
“E eu não acredito num homem por trás da cortina. Aliás-” ele começou.
Então o cavalo soltou um guincho assustador e deu ré. O movimento imediatamente o jogou
na areia. Horrorizado, Dvar assistiu enquanto Amy girava e agarrava a crina com as mãos. Ela
gritou, soltando um guincho de furar os ouvidos, enquanto o cavalo disparava pelo percurso. Ele
não foi longe antes de dar ré mais uma vez e colapsar. Dessa vez ela foi lançada e bateu com
força nas grades do circuito.

Ele começou a se levantar, mas parou instantaneamente ao ver as familiares e terríveis

espirais de escamas pretas e marrons. Era a víbora palestina, a mais mortal de todas as víboras
da Jardânia, uma cobra com veneno o suficiente para derrubar um cavalo de corrida em menos

de um minuto. Respirando o mais devagar possível e se movendo em passos curtos e leves, Dvar
alcançou o coldre em seu quadril e pegou a arma que carregava consigo, sua pistola de serviço
preferida, do seu treinamento militar.
Em tempos de guerra e intriga, era tolice não andar com ela, e o xeique ficou tão aliviado

de tê-la agora.
Ele a puxou rapidamente e soltou a trava de segurança. A víbora cheirou o ar com a língua,
tão enrolada em si mesma que ele sabia o que aquela postura significava. Ela então deu o bote e
ele mirou, puxando o gatilho. O animal estourou com o choque da bala, e suas duas metades
caíram na areia diante de Dvar.
Passando rapidamente pela bagunça, ele correu para o acidente.
Ele olhou para Tornado e era óbvio que o cavalo estava morto. O peito do animal não se
movia nem um pouquinho, e seus olhos já estavam vidrados com o puxão da morte. As moscas, de
alguma forma, pareciam sentir isso, e vieram descendo do céu. Ele passou por isso tudo e se

encaminhou para o seu amor.


Ela estava respirando, com inspirações lentas e superficiais, mas já era alguma coisa. Ele
podia das um jeito. Se ela tivesse se machucado tanto que tivesse morrido...
Não, ele nunca pensaria nisso.
Ele não tinha a menor vontade de viver com uma dor tão dilacerante, ser separado dela
dessa maneira.
Se ajoelhando, Dvar a pegou em seus braços. Havia um corte feio em sua têmpora direita.
Sangue jorrava abundantemente da ferida, se emaranhando no cabelo dela e marcando sua pele
de porcelana.
“Espoleta! Você está bem?” ele pegou o braço dela e sentiu o pulso, fraco e entrecortado, e

ele imaginou que ela ainda estivesse em choque. Ele a sacudiu com mais força, desesperado para

despertá-la. Ela precisava recobrar a consciência. Se ela entrasse em choque completamente, ela
talvez nunca saísse dele. “Amy!”

Ela piscou para ele, claramente aturdida, e seus olhos azuis estavam obscurecidos pela
confusão e pelo medo. Foi o suficiente para fazer o coração dele bater com tanta força contra o
peito que ele podia imaginar seu esterno quebrando por causa da pressão crescendo dentro dele.
Ele esfregou a bochecha dela e ignorou a maneira como sua mão voltou coberta de sangue

pegajoso. “Amy, você consegue me ouvir?”


Ela gemeu e então seus olhos reviraram para trás.
Em pânico, ele a pegou em seus braços e rapidamente a carregou como uma noiva para o
cocho. Pingando água no rosto dela, pelo menos ele conseguiu limpar as pegajosas sardas
vermelhas do rosto dela. Depois de molhá-la algumas vezes, ela se sentou e cuspiu, seus olhos
ainda fora de foco, mas ela parecia mais acordada do que antes. Pelo menos, dessa vez, ela
falou.
“Dvar? O que… minha cabeça dói tanto.”
“Eu sei, e eu vou te levar para os estábulos. Eles podem nos ajudar.”

“Estábulos? Eu não me lembro do que estávamos fazendo,” ela disse, procurando em volta
selvagemente com os olhos, virando a cabeça até ver o enorme corcel morto atrás dela. “Ai, meu
Deus!”
“Não pense nisso,” ele disse, apertando-a com mais força. “Você está bem. Nós estamos bem,
e vamos te levar ao médico. Não foi uma queda tão feia.”
“Dói tanto, e eu estou preocupada com o bebê,” ela disse, explodindo em lágrimas e se
enrolando no ombro dele.
As mãos dele congelaram, e por um momento Dvar ficou chocado demais para processar o
que estava acontecendo.
Um bebê? Ela está grávida? Desde quando, caralho?

Ele empurrou a raiva e o choque para longe de sua mente, agarrou-a novamente e correu

para os estábulos. Sua xeica e seu filho precisavam de um médico. E precisavam agora.
***

Tudo era um borrão de luz, som e cor. Pelo menos, era o que Dvar sentia. O mundo era
plano e agudo ao mesmo tempo, e enquanto esperava sentado na ala privada do hospital, ele não
conseguia pensar em nada mais que em sua xeica e seu filho. Há quanto tempo ela estava
grávida? Não podia ser muito. Afinal, não dava pra perceber ainda e eles só se conheciam há

sete semanas. Mas uma queda? Será que isso ia matar a criança? Será que ia machucar Amy
permanentemente? Será que ele conseguiria viver se eles perdessem a criança?
Ele não tinha certeza.
Ele não tinha certeza de nada.
Afinal, como é que alguém podia ficar tão apegado a algo que sequer sabia que existia?
Normalmente, ele a teria abrigado em uma ala segura do palácio, mas ele não podia. As
instalações no hospital local, em Ahmud, eram de última geração, parte da Universidade de
Pesquisa da Jardânia. Ele queria que todos os especialistas disponíveis estivessem presentes para
esse caso, e ele estava ao telefone na maldita sala de espera contatando alguns dos melhores

obstetras americanos, colocando-os em espera caso Amy e o bebê precisassem deles também.
Finalmente, depois do que pareceu uma eternidade, um dos médicos saiu e tossiu para ele.
“Meu xeique, eu posso atualizá-lo com relação à situação de sua noiva.”
Ele olhou para cima e sua garganta estava seca como se a poeira do deserto a estivesse
cobrindo completamente. “O que está acontecendo?”
“Meu xeique, a queda resultou em uma concussão leve para a xeica. Nós aconselhamos que
ela passe a noite aqui, sob observação, mas tanto ela quanto o bebê ficarão bem. Nós apenas
achamos que cavalgadas e outras atividades extenuantes devem ser evitadas pelos próximos sete
meses, mais ou menos.”
“Há quanto tempo ela está grávida?”

“Aproximadamente seis semanas. Parabéns, meu xeique,” o médico concluiu, fazendo uma

reverência eficiente. “Que a linhagem dos Yassin continue a crescer e prosperar com a nova vida
crescendo dentro dela. Agora, se você vier comigo, você poderá ver os dois.”

“Obrigado, doutor, e considere dobrado o seu orçamento para esse ano.”


“Meu xeique, é muita generosidade, mas nós apenas fizemos o que teríamos feito para
qualquer paciente.”
Ele assentiu ao ser conduzido para o quarto. “Então espero que vocês continuem fazendo.”

“Nós faremos. Agora, só alguns minutos – sua xeica precisa descansar e recuperar as
forças,” o médico disse, sorrindo para ele.
Dvar assentiu bruscamente e andou vagarosamente para a cadeira ao lado esquerdo de
Amy. Hesitante, com medo de que ela o estivesse rejeitando e de que fosse por isso que ela havia
escondido a gravidez, ele estendeu o braço e pegou a mão dela. Em sua ansiedade, ele tinha
certeza de que estava agarrando com mais força do que deveria, com mais força do que seria
considerado educado. Ele só não queria que ela fosse embora. Ele podia ordenar aquilo, é claro, e
ela ficaria, mas ele queria que ela ficasse por vontade própria.
Porque ela o amava, como ele amava ela.

“Precisamos conversar, espoleta.”


Ela suspirou e seus olhos estavam repletos de lágrimas; gotas frias e úmidas caindo do gelo
de seus orbes azuis. “Eu sei. Eu só descobri sobre o bebê essa tarde. Phedre e eu fomos a um
médico depois que eu vomitei e percebi que não tinha menstruado. Eu tinha pensado que era por
causa da mudança de ambiente.”
“Mas você sabia quando fomos cavalgar essa tarde. Por que não me contou?”
Ela engoliu em seco e olhou para baixo, para suas mãos unidas. “Foi tão repentino, e eu não
pensei que a cavalgada fosse ser perigosa ou difícil. Como é que eu ia saber que cobras iam
surgir do nada?”
“Você devia sabre que andar a cavalo e fetos não são compatíveis.”

“Eu só estava chocada. Eu não tinha certeza do que fazer ou do que eu queria.”

“A Jardânia não tem as mesmas regras que os Estados Unidos,” ele disse asperamente. “Nós
não ‘nos livramos’ de problemas sem mais nem menos.”

“Eu nunca faria isso!” ela gritou, seus olhos azuis agora queimando de raiva. “Eu só estava
com medo de te contar. Eu não quero que você nos rejeite.”
“Você será minha xeica em uma cerimônia em alguns meses. Por que eu rejeitaria vocês?”
“Porque eu não... eu sou só eu, e você sempre pode mudar de ideia.”

Ele balançou a cabeça e colocou a mão sobre a barriga dela, sobre a criança crescendo
entre eles. “Eu nunca te mandaria embora. Diabos, se você se lembra bem, eu viajei um mundo de
distância para trazê-la para o meu próprio mundo. Mesmo considerando o nosso primeiro fim de
semana juntos, toda a paixão que nós compartilhamos, eu nunca te quis tanto quanto agora. Eu não
sei como você pode duvidar disso.”
Ela fungou e esfregou os olhos. “Eu agradeço por isso, mesmo. Eu sinto muito que escondi
minha gravidez, e eu não farei nada que coloque nossa criança em risco novamente. Ela é tão
importante para mim quanto para você.”
“Não parece, ainda.”

“Eu pensei que a cavalgada ia ser com uma égua velha e tranquila. Eu não achei que fosse
ser complicado.”
“Então eu agradeço a sua cautela, Amy,” ele disse, se inclinando e beijando-a longa e
demoradamente, e ele adorou o gosto da sua língua sobre a dela. Ela era voraz em seus beijos,
gananciosa a faminta, e ele gostou muito daquilo.
Ele só se preocupava que não fosse o suficiente, e aquela preocupação ainda o
atormentava quando ele saiu do quarto para dar à sua futura esposa e seu filho o descanso que
eles tanto precisavam.
Capítulo Onze

Não havia nada mais reconfortante do que sentir os braços de sua irmã em volta dela. Amy
relaxou no abraço de Alexis. Elas se pareciam, de certa forma: tinham os mesmos traços

acentuados e aquilinos, os mesmos olhos cortantes, e o cabelo escuro. Amy tingia o seu num tom
artificial de preto monocromático – ou, mais precisamente, tinha tingido, até que Phedre e as
extensões a tinham transformado. Agora as únicas grandes diferenças entre Amy e sua irmã mais
velha eram a estatura e a cor. Ela ainda estava pálida e exaurida dos repetitivos invernos de

Boston, enquanto sua irmã tinha se bronzeado graças aos muitos anos vivendo sob o sol de Omai.
Ela também era mais redonda, cheia de curvas macias por causa da gravidez de seu filho, Farid,
que agora estava fazendo um ano.
Falando no homenzinho em questão, seu sobrinho pulou na cama, apesar dos protestos de
Alexis, e sentou no colo de Amy. Aqueles enormes olhos verdes – aquela perturbadora cor de jade
– deviam ser a marca registrada da dinastia Yassin porque eles lembravam-na de Dvar.
Amy lutou contra as lágrimas. Ela tinha estragado tudo. Além de ter que competir com as
outras mulheres do harém, mais bonitas, ela agora tinha que superar o fato de que havia
arruinado a confiança do seu noivo.

Farid não falava ainda, ele era muito pequeno, mas ele choramingou um pouco e acariciou a
bochecha dela. Ela suspirou e beijou o topo da cabeça do sobrinho. Deus, em menos de oito meses
ela teria seu próprio filho – se era menino ou menina ninguém sabia ainda – e ela teria que cuidar
dele. Jesus, sete semanas atrás ela mal estava sobrevivendo como barista. Mesmo com os recursos
do seu futuro marido, e Phedre, e as outras mulheres em volta para ajudá-la, como ela poderia
estar pronta?
“Amy, nós soubemos que o bebê está bem. Como está a sua cabeça?”
Ela suspirou e esfregou-a, sentindo as bandagens com pesar. “Ainda dói quando eu encosto
e eu me sinto tonta. No entanto, depois de passar a noite aqui, o médico tem certeza que não tem

nada errado comigo. Não há nenhum hematoma subdural ou qualquer coisa perigosa.”

Sua irmã suspirou de alívio e abraçou tanto ela quanto Farid. “Fico tão feliz. Você não faz
ideia de como eu estava preocupada. Farzad… todos nós entramos no avião o mais rápido

possível e ainda assim pareceu uma eternidade até chegar aqui. Eu não conseguiria descansar até
ter você nos meus braços.”
“Para ver com os próprios olhos? Eu sou uma garota Monroe. Nós somos duronas.”
“Exatamente, e eu nem estou aqui para dizer ‘eu avisei.’”

“Sobre cavalgar e gravidez? Porque eu não contei isso pra você, mas eu provei
definitivamente que essa é uma péssima ideia, com certeza.”
“Não, eu quero dizer, você tinha muito a dizer quando eu engravidei durante o curso de
direito.”
Ela suspirou. “Talvez esses xeiques Yassin realmente cheguem de fininho, você nunca sabe. Eu
só... eu tenho medo dele não se importar de verdade.”
“Por que você pensaria isso? Você devia ter ouvido ele no telefone com Farzad. Ele estava
em pânico que você e o bebê pudessem ter se machucado. Definitivamente, você é a única coisa na
qual ele tem pensado nos últimos dois dias.”

Ela assentiu e acariciou o cabelo lustroso e escuro do sobrinho. “Mas talvez ele só se importe
porque agora eu lhe dei um herdeiro. Talvez essa seja a única coisa que importa pra ele.”
“Por que você pensaria isso? Deus, eu vi os olhos de Dvar quando chegamos aqui. Ele estava
desolado e isso foi depois dele descobrir que vocês dois estavam bem. Eu acho que ele só estava
preocupado que algo terrível pudesse ter acontecido com você.”
“Bem, claro por que... eu simplesmente não sou uma menina de harém, tá bom? Você não
entende. Tem uma mulher aqui que mal é uma mulher, talvez dezenove anos, se tanto, e ela era a
favorita de Dvar e ele não prometeu que nunca vai visitar o harém. Agora eu vou ser uma
bagunça gorda e grávida, e quão mais fácil não vai ser para ele voltar para alguém mais jovem,
núbil, e da própria cultura dele? Quero dizer, em comparação com Kamala eu podia muito bem ser

comida de cachorro.”

Os olhos de sua irmã se estreitaram. “Eu também me senti assim. Uma das mulheres do harém
de Farzad tentou seduzi-lo e eu fiquei com a impressão errada. Isso me custou uns bons meses

solitários, grávida e passando dificuldades em casa. Não valeu à pena. Se você está realmente
preocupada com o harém, então você precisa fazê-lo entender isso. Mas eu encontrei o Dvar mais
de uma vez. Eu não necessariamente aprovo o plano dele de roubar minha irmã.”
“Como se essa também não fosse uma marca registrada dos Yassin.”

“Verdade, mas ele não vai voltar para uma garota do harém. Se essa Kamala fosse tão
ótima, então ela seria a próxima xeica, e ele estaria feliz com o herdeiro que ela estaria
carregando. Você não perde pra ela.”
“Eu sinto isso. Eu sou baixinha e pálida e tão comum, e ele ainda não prometeu que nunca
mais vai amar outra garota de harém. Eu não sei mais o que estou fazendo,” Amy disse, as
lágrimas se formando em seus olhos. Desde que ela havia descoberto que estava grávida, ela
sentia que a única coisa que fazia era chorar. Nem era por causa das mudanças hormonais. Era o
medo de que sua família, que mal havia começado, pudesse ser destruída tão facilmente pelas
curvas matadoras e pelos olhos sedutoras de Kamala. “Eu nem sei mais o que eu sinto.”

“Então você precisa conversar com ele e encontrar um pouco de paz nisso tudo porque ele
te ama e eu vejo isso, mesmo que você não veja,” sua irmã insistiu, beijando-a na bochecha.
***

“Você parece um morto-vivo,” Farzad disse, entregando uma xícara de chá pra ele.
Dvar pegou-a e tomou o líquido avidamente, apenas ligeiramente irritado quando algumas
gotas caíram em sua barba curta. “Obrigado, é o que trinta e seis horas sem dormir fazem com
você. Eu também me sinto como um morto-vivo, então essa é uma vantagem.”
“Então se prepare para se sentir pior ainda. O exército do Leban está se mobilizando na
minha fronteira e na sua. Na próxima semana, eles vão lanças uma guerra em duas frentes. Eu já
tenho o compromisso do primo Munir e do exército americano. Nós estamos preparando nossas

próprias forças para uma guerra em solo e logo será hora de atacar.”

“Então eu irei para as linhas de frente, mesmo com a minha noiva grávida. Entendi.”
“Você pode dar um pulo em casa, mas é hora de acabar com essa batalha de uma vez por

todas. Eu estou cansado da intriga e dos rebeldes. Estou cansado de tudo isso. Nós precisamos
acorrentar esses cachorros do Leban, eliminar cada um deles.”
“Eu concordo. Eu só... eu perdi meu pai para a guerra, e eu me preocupo. Eu não quero
deixar meu filho ou filha dessa maneira também.”

“Nós temos quatro nações poderosas enfrentando o Leban. Em alguns abençoados meses,
isso tudo terá terminado e nós teremos a vitória que precisamos tão desesperadamente.”
“Eu espero que sim, meu primo, e eu espero que o custo não seja alto demais,” ele disse,
olhando para o quarto onde sua querida espoleta estava, se recuperando e se consolando com
sua irmã. “Essas são todas as boas novas? Por favor, me diga que não há nada mais grave no
horizonte do que uma guerra aberta.”
“Se pelo menos fosse só isso,” Farzad disse, se levantando e caminhando de um lado para o
outro.
“O que?”

Ele suspirou. “Meus informantes, assim como a CIA, indicam que há um espião em sua própria
casa, primo, que alguém na sua equipe – um de seus melhores amigos – deve estar vazando
informações para o Leban.”
“Isso é impossível.”
Ele suspirou e levantou as mãos, as palmas abertas. “É de mau gosto atirar no mensageiro.
Eu só quis dizer que você deve ter cuidado e trabalhar com mais afinco. Tudo é possível, e você
tem que se acostumar com o fato de que há uma cobra no seu seio, alguém se escondendo no seu
meio que quer prejudicar não apenas a Jardânia, mas muito provavelmente sua família.”
“Então, mesmo parecendo impossível, eu vou começar a investigar isso,” ele disse, fechando
os punhos ao lado do corpo. “Nada vai machucar minha família. Nada.”
***

Seis meses e meio depois...


“Você tem que continuar comendo, espoleta,” ele disse, entregando a ela a salada fresca e o

frango que o médico havia recomendado.


Amy tinha desenvolvido diabetes gestacional e tinha de ser alimentada regularmente para
não entrar em hiperglicemia e para que o bebê não entrasse em coma por causa do excesso de
açúcar no sangue. Eles ainda não tinham perguntado pelo sexo. Ele queria muito saber, mas ela

era tradicional e tinha insistido que seria muito mais divertido se fosse uma surpresa. Mas não
saber estava matando Dvar, e era também um sentimento agridoce, de certa forma. Ele nem devia
estar pensando nisso, mas ele estava extremamente preocupado que a criança pudesse morrer. O
bebê era grande demais e com certeza nasceria prematuramente – talvez uma semana ou duas –
graças à diabetes. Mas era mais que isso. Se ele perdesse sua criança, se os pulmões dela não
funcionassem por causa da doença, se qualquer coisa desse errado... Bom, Dvar só queria saber o
maldito sexo de uma vez.
Amy mastigou seu filé de frango fracamente e até mordeu a maçã que tinha sido dada a
ela. “Eu sei, mas é tão difícil...”

Ele se inclinou e beijou a testa dela enquanto afastava o cabelo da sua pele suada. “Eu sei,
mas quanto mais você comer, melhor você vai ficar – é pelo bem do bebê e pelo seu. Só falta mais
um mês e o Dr. Rashid tem certeza que você vai aguentar.”
Sua esposa fez uma carranca e se voltou para a comida. Fazê-la comer era sempre uma
luta. Se ele estivesse num clima mais brincalhão, ele teria chamado aquilo de “a luta eterna”, mas
ele nunca brincava, hoje em dia. Ainda assim, ela tentava muito, independentemente de quão
doente ou exausta estivesse. É só que o cabelo de sua espoleta estava murcho e sem graça, seus
olhos sempre pesados de sono, e sua respiração entrecortada. Com frequência, ela também ficava
tonta. Era uma luta montanha acima, mas ela havia lutado como uma leoa por mais de seis meses.
Ele sabia que ela aguentava continuar, ou, pelo menos, ele esperava que ela aguentasse.

Ela finalmente terminou a salada, mesmo que houvesse mais folhas verdes no prato do que

ele gostaria. “Viu, eu comi tudo, como prometido.”


“Quase. Você sabe que eu tenho que ir embora daqui a alguns dias, de volta para o front. E

eu não quero.”
Ela pegou a mão dele e colocou-a sobre sua barriga, que mesmo agora não estava nem de
perto tão redonda quanto ele gostaria, não com a doença dela e sua dificuldade em se alimentar.
“Nós não nos importamos. Nós sabemos que você é necessário.”

“Meu pai também era,” ele disse, apertando o maxilar.


Ela suspirou e beijou-o de forma casta. Ele sentia falta dessa parte do relacionamento deles.
Agora eram apenas suaves beijos roubados e longas noites apenas abraçando-a, esperando que
ela continuasse respirando até o alvorecer. Ele sentia falta da avidez física de seus primeiros dias,
mas não o suficiente para voltar para o harém. Essa mulher, a única que ele amava, estava
fazendo tanto para trazer o filho deles para o mundo. Como ele poderia não amá-la por isso?
Nenhuma criança como Kamala ou qualquer outra mulher do harém poderia sequer sonhar em se
comparar a isso.
“Você não é o seu pai. Você vai voltar para casa, para nós. Eu tenho toda a fé do mundo

em você,” ela disse, seu tom de voz calmo e claro.


“Você acha isso, mas toda vez que eu estou lá, eu só quero estar aqui. Eu preciso acabar
com aqueles bastardos do Leban ao leste, mas eu só quero abraçar minha esposa e meu filho,
como estou fazendo agora,” ele disse, apertando-a com força em seus braços para reforçar seu
argumento. “Eu voltarei o mais rápido que puder, amor, e depois disso eu não vou embora até ele
ou ela chegar.”
“Parece ótimo,” ela respondeu, chiando um pouco e mordendo o lábio inferior.
“O que foi?” ele perguntou, bem familiarizado com os humores e as expressões de sua
espoleta depois de tantos meses.
“Nada.”

“Tem alguma coisa sim. Eu vou perguntar a Phedre. Ela é mais honesta que você.”

“Você quer dizer,” Amy replicou, apertando os lábios, “que ela está mais disposta a te
contar tudo.”

“Minha espiã mais leal... Então, porque você está chateada? É porque Kamala entrou aqui
atrás de Phedre como um maldito cachorrinho?”
Amy balançou a cabeça muito forçadamente para parecer sincera. “Não, de forma alguma.”
“Eu acho que é.”

“Tá bom, eu fico cansada com o ar mandão que ela joga pra cima de mim. Às vezes, mesmo
com tudo que nós passamos, eu tenho medo de você me mandar embora ou me manter como uma
reprodutora, e apenas amar as meninas do harém. Elas são mais bonitas e são do Oriente Médio e
sabem tudo da sua cultura, e eu estou tendo dificuldades de aprender tudo como se estivesse na
escola.”
Ele suspirou. “Você é a mãe do meu filho.”
“Mas eu sou mais que isso. Eu te amo, e eu espero que você me ame também depois de tanto
tempo juntos, mas eu tenho medo de estar errada.”
Dvar deu uma risadinha e continuou rindo com mais força quando ela deu um soco fraco no

ombro dele. “Não, continue fazendo isso.”


“Eu estou abrindo minha alma e todas as minhas inseguranças para você, e você está rindo?”
“Estou rindo porque é ridículo. Eu nunca te deixaria, e, francamente, agora que eu descobri
que Kamala está te incomodando tanto, eu vou mandá-la de volta para as terras dos beduínos. Ela
não cabe aqui.” Ele se inclinou e beijou-a, deixando sua língua dançar e massagear a dela. “Ela
nunca vai caber aqui. A única mulher que eu quero é você.”
“Mas por causa do bebê-”
“Eu sempre quis você,” ele enfatizou, beijando-a novamente. “Agora descanse para poder
comer a próxima rodada. Você sabe que o Dr. Rashid te colocou num cronograma rígido.”
“Eu sei. Se eu perder, pode ser um desastre para o açúcar dele e o meu,” ela disse,

agarrando a barriga. “Eu farei qualquer coisa para protegê-lo, eu prometo.”

“E é por isso que eu te amo,” ele disse, saindo do quarto e indo de encontro ao Dr. Rashid,
que o esperava.

Ele era um homem jovem, só um pouco mais velho que Dvar, mas era também um prodígio.
Ele tinha entrado na universidade aos dezenove anos e trabalhava em Londres como um dos
melhores especialistas em cuidado neonatal intensivo e gravidez de risco. Ele tinha sido trazido
especificamente para atender a xeica vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana, desde

que o diagnóstico de diabetes tinha aparecido no terceiro mês de gravidez. Ele tinha descendência
muçulmana, mas tinha sido criado por uma mãe britânica, então ele mantinha o rosto
completamente barbeado, o que o fazia parecer ainda mais jovem.
“Como ela está realmente?” ele perguntou.
“Meu xeique, o bebê está tão grande que espero que ela entre em trabalho de parto a
qualquer minuto, mesmo com um mês de antecedência. Você precisa atrasar sua visita às linhas de
frente.”
“Considere feito. E os pulmões do bebê?”
“Serão bons o suficiente. Ele ou ela talvez precisará de tubos e de uma incubadora pelo

primeiro mês ou dois de vida, mas tudo dará certo. Apenas não a deixe.”
Ele olhou para o quarto de sua xeica. “Acredite em mim, nada me faria deixá-la.”
***

Ela acordou com o sol do final da tarde infiltrando pelas grossas cortinas atrás dela.
Piscando ao acordar, ela viu Hakim, facilmente distinguível por seu cabelo grisalho e sua altura,
segurando uma bandeja carregada de frutas e verduras, assim como salmão fresco para o jantar.
“Não precisava. Eu tenho certeza que Phedre podia ter feito isso.”
“Minha xeica, é claro que eu preciso.”
Ela franziu a sobrancelha, mas se sentou da melhor maneira possível. “Não tem problema, e
eu imagino que você tenha que examinar um monte de informações e reuniões e planos para a

linha de frente.”

Ele assentiu, mas puxou um pano e ela franziu a sobrancelha. Não era o estilo dele, andar
por aí carregando lenços. “Eu tenho uma missão mais urgente, Amy.”

Ela piscou. Ele nunca tinha chamado ela disso antes. Tinha sido “Srta. Monroe” até o
casamento, e agora era sempre em deferência ao seu título de xeica. “O que está acontecendo?”
“É só que o general do Leban quer conhecê-la,” ele bufou, colocando uma mão sobre a
boca dela antes que ela pudesse gritar e enfiando o pano sobre seu rosto. Ela sentiu um cheiro

cortante e enjoativo que queimou seu nariz.


Depois nada além de escuridão.
Capítulo Doze

“Ah, Xeica Yassin, é um prazer conhecer você.”


A voz que assaltou seus ouvidos era dura e fria; como algo revestindo tudo em sua mente

turva. Amy se sentou da melhor maneira possível, mas sibilou quando amarras morderam seus
braços, algemas que a mantinham presa nas armações de ferro da cama, e com os braços e
pernas abertos – mas vestida, graças a Deus. Sua garganta estava seca e sua visão nadava. Ela
não tinha certeza de quando havia comido pela última vez e aquilo a assustava. Se ela não

comesse, a hiperglicemia a dominaria. Pior ainda, seu bebê poderia entrar em coma por estar com
níveis inapropriados de açúcar no sangue.
“Quem é você?”
“Eu sou o general das forças do Leban. Seu marido e os primos dele estão dizimando meus
homens e nós estamos perdendo; eu posso ver a maré virando, a não ser que eu jogue uma boa
mão.”
“Eu não… o que?” ela piscou. “A última coisa que eu me lembro é do Hakim entrando com a
comida e com clorofórmio, e o que diabos está acontecendo?”
“Hakim tem sido um agente duplo muito leal. Eu não queria recorrer a isso,” ele disse,

acariciando uma barba espessa e imunda que estava emaranhada de poeira. “Mas recorri. Seu
marido tem uma escolha. Ele pode se render ao Leban e recuperar a esposa e o filho, ou ele pode
receber a sua cabeça numa caixa.”
“Você não pode fazer isso! Eu não importo, mas nossa criança sim. Por favor, eu tenho
diabetes e se eu não comer, o bebê vai morrer de qualquer forma.”
“Então,” ele disse, seus dentes amarelos brilhando na luz, “vamos esperar, xeica, que seu
marido responda rápido,” ele disse, batendo a porta do quarto atrás de si, e ela já podia ouvir o
clique da fechadura.
Ela se inclinou contra a cabeceira e usou todas as suas forças para tentar escapar, quase

arrancando os ombros das articulações com seus esforços. Nada aconteceu. Gemendo, ela relaxou

de volta no colchão. Desse jeito ela não podia nem alcançar seu filho, não podia nem reconfortá-lo.
“Seu pai virá, meu bem. Você vai ver,” e ela tentou ignorar o tom oco e fraco de sua voz.

Sim, Dvar viria, mas será que seria tarde demais?”


***

“Onde ela está?” ele exigiu, correndo pela extensão da sua sala de guerra até Hakim.
Ele tinha chegado uma hora antes para alimentar sua amada e ela tinha sumido. Ele também

havia encontrado Phedre desacordada no corredor. Ela disse que Hakim havia feito aquilo, que ele
tinha empurrado a rainha para seus subordinados e ela não tinha a menor ideia de onde Amy
estava agora.
Agora ele tinha as lapelas do robe de Hakim entre suas mãos e estava pressionando o outro
homem com força contra a parede de mármore do palácio. Algo estalou e ele deu um sorriso
largo, um sorriso feral, feliz com a dor. Ele estava sofrendo, então Hakim, o traidor, precisava
sofrer também.
“Onde está a minha esposa?”
Hakim, alguém que ele tinha acreditado ser um amigo confiável, rosnou para ele. A

expressão era tão estranha no rosto de seu assim chamado velho amigo que ele mal a reconheceu.
“Eu passei todos esses anos sendo o ‘motoboy’ de uma criança fraca, alguém que só trouxe
vergonha para seu pai. Você pode fazer o que ele teria feito e salvar seu país, ser um herói, ou
você pode trocar a Jardânia, entregá-la para controle total do Leban. Você quer aquela vadia
americana ou você quer o seu povo?”
“O que?”
“O general Hassad está com ela, e ele vai deixá-la passando fome até você se render a
ele. Então faça sua escolha.”
Ele examinou o outro homem, aquele que ele tinha visto como uma figura paterna desde que
seu próprio pai havia perecido nessas guerras intermináveis. Fechando o punho, ele deu um soco

forte em Hakim, curtindo o estalo do osso ao quebrar o nariz do traidor. Seu punho voltou

salpicado de sangue. “Minha escolha é minha família. Agora, vamos ao Hassad. Ele vai se
arrepender de tudo isso.”

Talvez não fosse a escolha que seu pai faria, tentar salvar sua família, mas era o que
importava para ele, caramba, e ele não ia perdê-los agora. Puxando seu telefone, ele ligou para
os dois primos e soltou uma rápida série de ordens. Eles iam levar a briga para o Leban e acabar
com essa guerra e com esse tumulto de uma vez por todas.
***

Ele entrou facilmente pelas portas do palácio de Hassad. Seus homens e seus primos estavam
enfrentando o exército, até as forças armadas dos Estados Unidos estavam com eles. Ele se sentia
como um caubói daqueles filmes de bangue-bangue que seu pai tanto gostava. Havia guardas
perseguindo-o, mas pegar sua pistola nove milímetros e atirar nos lacaios foi um trabalho rápido.
Correndo pelas escadas do palácio, ele procurou pelo quarto mais bem vigiado e encontrou-o
rapidamente. Havia dez homens em volta.
Ele se escondeu atrás de uma pilastra e jogou uma granada, contando até dez até que ela
explodisse e espalhasse a guarda por toda parte. Dvar passou por cima dos pedaços de corpos e

entrou correndo no quarto. Ele teve vontade de vomitar ao ver Amy, pálida e abatida, desmaiada
na cama. Ela estava respirando, mas lenta e irregularmente. Pairando sobre ele estava Hassad,
com sua barba emaranhada e um cigarro entre os dentes.
“Ora, ora, Dvar, você é um tolo. Eu pensei que você se encontraria comigo diplomaticamente,
cederia às minhas demandas. Ao seu redor, seus homens estão morrendo e as vidas de seus primos
estão em risco. Você acha que pode ter sua rainha de volta? Já se passaram dois dias e eu não a
alimentei, nem sequer lhe dei água. Você acha que seu fedelho sequer está vivo?”
“Solte-a, Hassad. Abra as algemas e eu te levarei a julgamento.”
“Eu acho que não,” Hassad disse, sua mão direita se aproximando da pistola em seu quadril.
Dvar foi mais rápido, deixando sua arma ressoar com um tiro retumbante que ecoou pelo

quarto. O buraco era estranhamente limpo, atravessando o torso do general, e uma bagunça

sangrenta já se espalhava por seu robe branco e seu peito. Ele começou a gorgolejar sangue e
caiu de joelhos.

Dvar correu para a cama, e só se permitiu tempo o suficiente para chutar o general
agilmente nas costelas, apressando sua jornada para o inferno. Era mais do que satisfatório vê-lo
desmoronar no chão e nunca mais se mexer. Estendendo a mão, ele acariciou o rosto de sua
amada.

“Amy, por favor, estou aqui.”


Ela piscou para ele e falou com um sussurro, chiando pesadamente. “O bebê, eu não sinto
mais os chutes... estou com tanto medo.”
Ele assentiu e beijou-a. “Não se preocupe, amor, ele está salvo agora. Eu prometo.”
E isso foi tudo que ele teve tempo de dizer antes que ela desmaiasse novamente, e ele
começou a procurar a chave.
***

Quando ela acordou, estava gritando.


A dor dos últimos dias era demais. Amy se sentou ereta, radiante que as visões de seu

marido salvando-a não tinham sido apenas alucinações. Ela olhou para baixo e encarou sua
barriga reta.
O que diabos...
Em pânico, ela passou a mão no abdômen e estremeceu. Ela não sentiu nada. Estava lisa e
muito menor do que ela lembrava. Ela não conseguia sentir seu bebê chutando ou se movendo. Ele
tinha morrido? Pelo amor de Deus, o que estava acontecendo?
Ela ficou de pé, se sentindo vacilar, mas persistiu mesmo quando foi assaltada por uma
vertigem. Ao chegar à porta do quarto, tanto Dvar quanto Phedre correram até ela. Cada um a
segurou por baixo de um dos braços, apoiando-a e mantendo-a ereta.
“Onde está o bebê? Eu... ele morreu?”

Phedre riu. “Não, está tudo bem. Você estava tão doente que logo que voltou para o palácio

o Dr. Rashid te anestesiou e fez uma cesariana de emergência. Você esteve apagada por alguns
dias desde então, mas o bebê está na ala especial, numa incubadora. Os pulmões estão bem, mas

ele precisa de descanso e comida.”


“O que... o coma doeu?” ela perguntou.
Phedre então a entregou completamente para Dvar e ela relaxou no abraço do marido. “Eu
acho que você precisa ver esse milagre por si mesma, minha xeica.”

Ela olhou para Dvar, para aqueles olhos de jade que pareciam dominar o mundo inteiro e o
coração dela. “O bebê está bem?”
“Nosso filho, Hamzah, está bem. Nosso leãozinho é forte. Ele não entrou em coma, e ele só
precisa de mais alguns dias como prematuro, mas ele está bem. Forte como a mãe dele.”
Lágrimas subiram aos seus olhos e ela beijou Dvar, curtindo o gosto dele e o almíscar que
era tanto dele quanto do seu perfume caro. O cárcere com o general tinha parecido eterno,
mesmo que tivessem sido apenas alguns dias de pânico. Agora eles estavam seguros, e estavam
juntos.
Tudo o mais era pequeno e sem importância. Eles tinham um ao outro.

Ao entrarem no berçário, ela começou a chorar abertamente, radiante ao ver seu pequeno e
lindo filho, o cabelo escuro já espesso em sua cabecinha. Estendendo a mão, ela o acariciou
através das janelas da incubadora, ao mesmo tempo se inclinando contra o marido. “Ele é
perfeito.”
“Ele é.”
“E eu o amo.”
Dvar suspirou e beijou-a. Era um beijo que prometia muito mais por vir à noite, muito mais
coisas que fariam seus olhos revirarem e a deixariam sem fôlego. “E eu amo vocês dois, minha
xeica. Bem vinda ao lar.”
FIM

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