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DPC0437 Provas em Espécie  


 

Puoli e Bonizzi  
Sexta feira das 18:20 às 19:55 

 
 
 

 

 

22. 02.19 - Puoli  


Apresentação da matéria e cronograma de aulas  

Provas típicas X atípicas  


No  âmbito  jurídico  dizer  que  algo  é  típico  significa  falar  que  está  especificado  em  lei,  ou 
seja,  sua  definição,  funcionamento  e  características  principais.  Já  aquilo  que  é  atípico, 
embora não esteja vedado, não está previsto na lei.  
A  circunstância  de  haver  um  procedimento  já  consolidado  para  a  produção  de  uma prova 
não  interfere  na  sua  valoração.  Nosso  sistema  é  o  do  livre  convencimento  do  julgador, 
desde  que  devidamente  motivado.  Isso  significa  que  não  trabalhamos  com  uma  tarifação 
do  meio  de  prova,  o  juiz  está  livre  para  formar  seu  convencimento,  somente  deve  indicar 
os motivos de prestigiá-la ou não.  
Recentemente  alguns  dos  exemplos  clássicos  de  provas  atípicas  como ata notarial e prova 
emprestada foram tipificados, o que levou ao esvaziamento do estudo das provas atípicas. 
 

01.03.19 - Bonizzi 
Provas ilícitas  
De  acordo  com  o  professor,  a  prova  ilícita  é  aquela  que  viola  uma  norma,  seja  de  direito 
material ou processual. Ela também pode ser produzida antes ou durante o processo.  
Nas palavras de Dinamarco (página 54 do livro Instituições):  
Provas  ilícitas  são  as  demonstrações  de  fatos  obtidas  por  modos 
contrários  ao  direito,  que  no  tocante às ​fontes de provas [elementos 
externos  ao  processo,  pessoas,  coisas  etc]  quer  quanto  aos  ​meios 
probatórios  [técnicas  destinadas  a  atuar  sobre as fontes de prova]. A 
prova  será  ilícita  -  ou  seja,  antijurídica  e  portanto  ineficaz  a 
demonstração  feita  -  quando  o  acesso  à  fonte  probatória  tiver  sido 
obtido  de  modo  ilegal  ou  quando  a  utilização  da  fonte  fizer  por 
modos ilegais. 
Defeito  na  fonte  de  prova:  interceptação  telefônica,  invasão  de  memória  do  computador, 
quebra de sigilo bancário sem a devida autorização judicial etc… 
- Professor as chama de provas ilícitas per se, materiais  
Defeito  na  produção  (meio)  da  prova: prática de tortura, ameaça ou extorsão na inquirição 
de testemunhas.  

 

- Professor  as  chama  de  provas  colhidas  na  forma  ilícita,  já  que a prova testemunhal 
por si só é admissível, mas circunstâncias as tornam ilícitas.  
Temos  um  núcleo  de  garantias  regido  pela  CF,  desse  modo,  não  é  possível  a  obtenção  de 
provas  que  violem  as  garantias  individuais  (liberdade  e  intimidade,  por  exemplo).  Trata-se 
da  imposição  pela  Constituição  de  um  limite  moral  do  direito  à  prova,  que  norteia  a 
conduta das partes e a atividade do juiz no processo.  
Consequência  ⇒  absoluta  ineficácia  da  prova  realizada  através  delas  (art. 5º, LVI, CF e art. 
369,  CPC). Isso implicaria o juiz “fingir” não conhecer de fatos em razão da origem da prova. 
Mas  a  consequência  vai  além  disso,  pois  o  STF  adota  a  teoria  dos  “frutos  da  árvore 
contaminada”,  ou  seja,  são  consideradas  ineficazes  as  fontes  e  os  meios  probatórios 
obtidos  ou  realizados  em  desdobramento  de  informações  obtidas  ilicitamente.  Por 
exemplo,  seriam  ineficazes  todos  os  testemunhos  prestados  por  pessoas  cujos  nomes 
tivessem sido revelados em uma interceptação telefônica.   
Contaminação  ⇒  se  o  juiz  viu  e  examinou  uma  prova  ilícita,  ele  tem  seu  juízo  alterado, 
tornando seu julgamento tendencioso, mesmo se a prova for destranhada dos autos.  
É  possível  ajuizar  uma  ação  rescisória com base na alegação que o juiz se contaminou com 
a  prova  ilícita?  O  professor  aponta  que  sim,  pois  utilizar  prova  ilícita  é  ofensa 
constitucional.  Também  não  é  uma  alegação  que  preclui,  mesmo  não  sendo  alegado  no 
processo, pode debater na rescisória.   

08.03.19 - Puoli  
Depoimento pessoal  
O  depoimento  pessoal  é,  em  suma,  o  meio  de  prova  que  tem por fonte as próprias partes 
da ação.  
- Assim,  quem  presta  depoimento  pessoal  são  as  pessoas  físicas  figurantes  como 
partes  no  processo  e  no  caso  de  pessoas  jurídicas,  são  os  seus  representantes 
legais (admite-se também procurador com poderes especiais); 
- O  advogado  da  parte  não  é  legitimado  para  prestar  depoimento  pessoal 
representando seu cliente, tal vedação é da OAB.   
Uma  vez  que  a  parte  tem  de  antemão  interesses  em  jogo,  suas  palavras  costumam  não 
apresentar  o  mesmo  peso  das  demais  provas  testemunhais  (tendência  de  “puxar  a 
sardinha para o seu lado”). 
- Inclusive  por  esta  razão  temos  a  regra  do  art.  385  que  aponta  que  uma  parte  deve 
pedir  o  depoimento  pessoal da outra ou o juiz pode pedir de ofício, nunca o próprio 
advogado da parte pode pedir que seu cliente seja ouvido.  

 

- Além  disso,  esta  é  a  essência  do  art.  371,  que  permite  que  o  juiz  aproveite  as 
versões  “auto  favoráveis”  se  ele  entender  dignas  de  fé,  mas  primordialmente  os 
fatos que a parte afirmar contrariamente ao seu próprio interesse (confissão).  
Uma vez chamada prestar o depoimento pessoal, a parte tem o ​ônus de depor ​(imperativo 
do  próprio  interesse).  Quando  deixa de comparecer ou se nega a responder, há a “pena de 
confesso”,  ou  seja,  acaba  favorecendo  o  adversário  com  relativa  presunção  de  que  as 
alegações feitas por ele são verdadeiras.  
- Para  aplicação  dessa  pena  é  preciso  que  a  parte tenha sido pessoalmente intimada 
para  prestar  depoimento  pessoal  e  advertida  da  pena  de  confesso  (art.  385,  §  1º, 
CPC); 
- Aplica-se  pena  de  confesso  no  caso  em  um  caso  muito  comum,  no  qual  o 
representante  da  pessoa  jurídica  comparecer,  mas  nada  saber  sobre  os  fatos 
controvertidos ou se limitar a responder evasivas (art. 386, CPC); 
- Professor  afirma  que  a  tentativa  de  obtenção  da  pena  de  confesso  é  a  principal 
motivação  para  que  uma  parte  peça  o  depoimento  pessoal  da  outra,  tanto  que  é 
comum  pedir  e  uma  vez  verificado  que  a  pessoa  apareceu,  desistir  de  seu 
interrogatório.  
- Quando  o  juiz,  utilizando  seus  poderes  instrutórios,  determina  o  comparecimento 
pessoal  das  partes  para inquiri-las (art. 139, VIII, CPC), seu não comparecimento não 
acarreta  pena  de  confesso,  mas  junto  com  outros  elementos  probatórios,  pode 
desfavorecer a parte.  
A  parte  tem  tal  ônus,  mas  mesmo  assim,  não  é  obrigada  a  depois  sobre  certos  fatos 
listados no art. 388, CPC, tais como fatos criminosos ou protegidos pelo sigilo da profissão.  
É possível ​depoimento pessoal do MP​?  
O  MP  pode  apresentar  dois  papéis,  o  de  custos  legis  (fiscal  do  ordenamento jurídico) ou o 
de  legitimado  (em  defesa  de  interesses  difusos  como  meio  ambiente,  propaganda 
enganosa  etc).  A  doutrina  tradicional  entende  que  como  não  é  detentor  dos  direitos  que 
estão  sendo  debatidos,  mas  segundo  Dinamarco  (página  727),  ​“sendo  parte  o  MP,  o 
depoimento  pessoal  é  prestado  pelo  promotor  ou  procurador  que  oficiar  no  feito,  tendo 
conhecimento dos fatos.” 
Depoimento pessoal de ​incapazes  
No  caso  de  ser  absolutamente  incapaz,  o  entendimento  majoritário  vem  se  firmando  no 
sentido  de  que  não  há  como  fazer  o  depoimento pessoal. Claramente, por ser incapaz, ele 
não  pode  fazê-lo,  inclusive  porque  não  poderia  confessar.  Mas  o  representante  também 
não  pode  prestar  o  depoimento,  pois,  ele  em  si  não  é  parte,  então  entende-se  que  o 
representante pode ser ouvido na condição de testemunha.  
O relativamente incapaz pode depor por si mesmo acompanhado do seu assistente legal. 

 

15.03.19 - Bonizzi 
Confissão 
Segundo  o  art.  389,  CPC,  ocorre  confissão  quando  a  parte  admite  a  verdade  de  fato 
contrário  ao  seu  interesse  e  favorável  ao  do  adversário.  A  confissão  nada  mais  é do que a 
declaração de conhecimento, não é meio de prova e tampouco negócio jurídico.  
A  confissão  pode  vir  em  diversas  formas,  uma  petição,  um  depoimento  pessoal, 
documento  produzido  fora  do  processo  etc.  Ou  seja,  pode  ser  judicial,  extrajudicial, 
espontânea  ou  provocada.  Merece  destaque  a  confissão  judicial  provocada,  que  é  obtida 
quando  a  parte  em  depoimento  pessoal  responde  de  modo  contrário  a  si  própria  alguma 
indagação formulada pelo juiz ou pelo defensor do adversário.  
A  consequência  primordial  da  confissão  é  a  incontrovérsia  dos  fatos  afirmados  por  uma 
das  partes e reafirmados pela outra. Mesmo assim, existem fatos que integram o objeto da 
prova  de  todo  jeito  (mesmo  quando  o  réu  é  revel  ou  ele  não  impugnou  especificamente), 
são  aqueles  do  art.  344,  IV  do  CPC. Ainda sim, se subsistir dúvida, mesmo com a confissão, 
o  magistrado  pode  demandar  provas  adicionais,  seguindo  o  pilar  do  livre  convencimento 
motivado. Além destas hipóteses, a eficácia da confissão é limitada nos seguintes casos:  
- Art.  391  -  limita  a  eficácia  da  confissão  ao  confitente,  não  podendo  prejudicar 
litisconsortes;  
- Art.  391,  §  único  - em matéria de bens imóveis, a confissão de um cônjuges não vale 
sem a do outro  
- Art. 392 - exclusão de eficácia com relação a fatos relativos a direitos indisponíveis  
- Indisponibilidade subjetiva - menor de idade, tutelado e curatelado  
- Nesse  ponto uma polêmica comum é determinar se o Estado em juízo 
poderia  confessar.  Entende-se  que  em  regra  não,  mas  nem  todos  os 
bens  e  direitos  do  Estado  são  objeto  de  uma  indisponibilidade 
absoluta, assim, quando o Estado estiver em situação que particulares 
poderiam  estar.  Mas  em  se  tratando  de  temas  próprios  de  direito 
administrativo  (poder  de  polícia,  desapropriação  etc…)  não  se  admite 
confissão.  
- Indisponibilidade  objetiva  -  matéria  que  não  admite  confissão  (estado  civil, 
integridade física etc) 
Confissão é irrevogável, mas pode ser anulada se incorrer em erro, dolo, coação (art. 393) 
- Tratando-se  de  confissão  extrajudicial,  precisa  ajuizar ação de anulação de negócio/ 
ato jurídico e alegar prejudicialidade  
- Tratando-se de confissão judicial, ajuíza uma anulatória  

 

22.03.19 - Puoli  
Prova documental  
Na definição de Carnelutti, documento é uma c​oisa capaz de representar um fato. 
Assim,  documento  nada  mais  é  que  um suporte material portador de símbolos capazes de 
demonstrar  a  ocorrência  de  fatos.  Costumamos  pensar  nos  seguintes  exemplos  de 
documentos:  contratos,  certidões  e  recibos.  No  entanto,  documento  abrange  ampla gama 
de  opções  como  um  vídeo,  fotografia,  planta  de  construção  etc.  Trata-se  de  uma  fonte 
passiva de prova.  
Documento X instrumento  
Documento  é  gênero  a  que  pertencem  os  registros  materiais  de  fatos.  Já  o  instrumento  é 
apenas  uma  espécie  de  documento  preparado  pelas  partes  no  momento  em  que  o  ato 
jurídico  vai  sendo  praticado,  com  objetivo  de  fazer  prova  futura daquele acontecimento. A 
escritura  pública  é  instrumento  do  contrato  de  compra  e  venda,  o  recibo  de  pagamento 
dos  aluguéis  é  instrumento  da  quitação.  Mas  uma  carta,  que  um  contraente  dirige  ao 
outro,  tratando  de  questões  pertinentes  ao  cumprimento  de  um  contrato  anteriormente 
firmado entre eles, seria um documento, mas não um instrumento.  
Documento público X particular  
O  documento  particular  é  aquele elaborado pelos particulares. Ele detém força probatória, 
em  especial,  as  declarações  constantes  do  documento  particular  escrito  e  assinado,  ou 
somente  assinado,  presumem-se  verdadeiras  em  relação  ao  signatário.  Trata-se  de 
enérgica  força  probante,  que  se  exerce,  no  entanto,  apenas  contra  o  signatário  e  não 
perante  a  terceiros.  Isso  quer  dizer  que  o  documento  particular  de  cuja autenticidade não 
se duvida, prova que o seu ator fez declaração que lhe é atribuída (art. 412, CPC).  
Já  o  documento  público  é  proveniente  de  repartições  públicas,  ou  seja  é  elaborado  por 
funcionários  públicos  no  exercício  de  suas  funções,  seguindo  padrões  próprios  para 
lavratura.  O  documento  público  tem  uma  eficácia  probatória  acerca  não  só  de  sua 
formação,  mas  também  dos  fatos  que  o  escrivão,  o  chefe  de  secretaria,  o  tabelião  ou  o 
servidor  declarar que ocorreram em sua presença (art. 405, CPC). Tais agentes públicos são 
dotados  de  fé  pública,  ou  seja,  há  presunção  relativa  de  veracidade  dos  fatos  por  eles 
narrados.   

 

Os  documento  públicos  podem  ser  judiciais  (elaborado  por  escrivão),  notariais 
(proveniente  de  tabeliães  ou  oficiais  de  Registros  públicos)  e  administrativos  (oriundos  de 
outras repartições públicas) 

29.03.19 - Bonizzi  
Ata notarial  
Ela  é  o  registro  escrito  de  informações  levadas  a  um  tabelião,  ou  notário  e  por  ele 
recebidas  no  exercício  de  suas  funções.  Tais  informações  chegam  ao  notário  mediante 
informações  prestadas  oralmente  por algum sujeito, exibição de algum objeto, reprodução 
de  imagens,  exibição  de  página  da  internet  etc.  Ela  se  tornou  especialmente  importante 
tendo  em  vista  que  as  relações  passaram  a  ocorrer  em  meio  eletrônico,  assim  é  possível 
atestar alguma informação que está sendo veiculada na internet.  
 
Continuação prova testemunhal   
Antigamente  a  prova  testemunhal  era de suma importância, mas hoje, com a evolução dos 
meios eletrônicos (vídeos, gravações e fotos), vem sendo substituída pelos documentos.  
Sobre  quais  fatos  as  testemunhas  podem  falar?  Professor  entende  que  o  objeto  da  prova 
está  restrito  às  alegações  feitas  pelas  partes.  Assim,  uma  sentença  não  pode  dar 
acolhimento  ao pedido com base em um fato que somente foi suscitado em audiência, não 
sendo objeto de debates pelas partes (seria cerceamento de defesa).  
O  direito  material  estabelece  alguns  fatos  que  não  podem  ser  provados por testemunhas, 
como é o caso de casamento (art. 1543,CC), fiança (art. 819, CC), seguro (art. 758, CC).  
Nos  contratos,  em  geral,  a  lei  pede  prova  documental,  independentemente  do  valor  da 
obrigação.  Um  começo  de  prova  escrita  (e-mail,  tratativas,  minutas  de  reuniões)  se  faz 
necessário para então complementar com testemunhas.  
Juiz  indefere  prova  testemunhal  acerca  de  fatos  já  comprovados  por  documentos,  ou  de 
fatos que já foram confessados. 
Trazer  um  perito  para  falar  sobre  aspectos  técnicos  é  uma  figura  muito  comum no direito 
americano,  mas  que  não  é  possível  no  nosso  ordenamento,  exceto  em  juizados  especiais 
(mesmo assim, usado raríssimas vezes).  

05.04.19 - Puoli  
Continuação prova documental  

 

Se de um lado, a lei não tarifa a força das provas, ela exige que para determinados fatos a 
prova seja feita de maneira específica.  
As  provas  mudaram  muito  com  o  desenvolvimento  da  tecnologia,  o  Código  mesmo sendo 
de  2015  traz  alguns  suportes  pouco  usados  nos  dias  de  hoje  tal  como  mensagem 
telegráfica, que deram lugar a mensagens de whatsapp, por exemplo.  
Falsidade do documento  
O  documento  é  idôneo  quando  a  declaração  é  verdadeira  e  a  assinatura  autêntica.  Em 
regra,  estabelecida  a  autenticidade  do  documento,  presume-se  verdadeira  a  declaração 
nele contida.  
Por  isso,  a  não  ser  os  casos  de  vícios  materiais evidentes (rasuras, borrões, emendas), não 
basta  à  parte  impugnar  o  documento  si  produzido.  Pois  no  sistema  do  Código,  só  cessa  a 
fé do documento público ou particular “sendo-lhe declarada judicialmente a falsidade”  
Existem  duas  formas  de  obter  declaração  judicial  de  falsidade:  (i)  ação  declaratória 
autônoma (art. 19, II, CPC) e (ii) incidente de falsidade (art. 430, CPC).  
Espécies de falsidade  
Distingue-se a falsidade de assinatura e a falsidade de documento.  
Juntado  o  documento  por  uma  parte  e  negado  a  assinatura  pelo  outro,  incumbirá  ao 
primeiro  o  ônus  de  provar  a  veracidade  da  firma,  o  que  será  feito  na  própria instrução da 
causa, sem a necessidade de incidente próprio.  
Além da questão da assinatura, o documento pode ser falso em dois sentidos: 
- Declaração intrinsecamente se refere a um fato não verdadeiro  
- Chamada  de  falsidade  ideológica,  que corresponde ao fruto da simulação ou 
de vícios do consentimento (erro, dolo, coação) 
- Enseja  a  anulação  do  ato  jurídico,  o  que  só  pode  ser  pretendido  em  ação 
própria em que busque sentença constitutiva 
- Vício na forma e nos aspectos exteriores da formação do documento 
- Falsidade material 
- A  doutrina  majoritária  afirma  que  estes  vícios  que  podem  ser  alvo  de 
incidente de falsidade  
- Exemplo  do  art.  430,  I:  utiliza  papel  assinado  em  branco e nele se lança uma 
declaração  nunca  formulada,  nem  desejada pelo signatário, se utiliza apenas 
parte  final  de  um  texto,  de  onde  se  extrai  assinatura  da  parte  para  incluí-la 
num  outro  texto.  Nestes  casos  não  é  falsidade  ideológica  porque  o  autor 
nunca quis declarar aquele fato, outra pessoa que o fez.  
- Exemplo  do  art.  430,  II:  não  se  cria  documento novo, mas apenas modificam 
cláusulas, palavras em documento preexistente.  

 

Ônus  da  prova  em  falsidade  documental  é  tratada  no  art.  429,  CPC,  se  tratar  de  falsidade 
de  documento  ou  de  preenchimento  abusivo,  à  parte  que  a arguir e quando se impugna a 
autenticidade, a parte que produziu o documento.  
Arguição de falsidade  
Ela  pode  ser  uma  simples  matéria  de  defesa,  mas  pode  também  constituir  um  incidente 
em que a falsidade se torne questão principal a ser solucionada.  
- Consiste  incidente  de  falsidade  quando  arguido  como  questão  principal,  numa 
verdadeira  ação  declaratória  incidental,  o  juiz  além  de  solucionar  a  lide  pendente, 
terá que declarar a falsidade  
- O  incidente  ocorre  nos  próprios  autos,  uma  vez  que  deve  ser  suscitado  na 
contestação,  na  réplica  ou  em  quinze  dias  da  juntada  do  documento  ao  processo. 
Admitido  o  incidente,  o  juiz  mandará  a  parte  que  produziu  o  documento  a 
responder  no prazo de quinze dias, este por sua vez pode responder ou silenciar (se 
presume  que  está  insistindo  na  validade  do  documento).  O  juiz  pode  determinar  a 
produção de prova pericial caso a questão permaneça controvertida. 
- Uma  vez  que  se  trata  de  um  incidente,  a  falsidade  será  apreciada  nos  motivos  da 
sentença  e  não  em  seu  dispositivo,  sendo  assim,  não  fará  coisa  julgada  (art.  504,  I, 
CPC).  
 
Documento eletrônico  
O documento eletrônico é aquele que resulta do armazenamento de dados em arquivo 
digital.  
O problema do seu uso no processo judicial liga-se à sua autenticidade e integridade, uma 
vez que ele não é assinado por seu autor (com o caneta) e mais suscetível de sofrer 
alterações. Em decorrência desta problemática, criaram-se maneiras de checar a 
autenticidade (ex: certificado e assinatura digital) 
Mesmo assim, o documento eletrônico desacompanhado da certificação digital não perde 
sua eficácia probatória. Depende da impugnação da outra parte e da apreciação do juiz.  
 
Exibição de documento 
A  exibição  de  documento  ou  coisa  pode  ser  formulada  por  uma das partes contra a outra, 
bem como determinada de ofício pelo juiz, caso este entenda necessário. 
Qualquer  que  seja  a  forma,  a  finalidade  da  exibição  é  constituir  prova  a  favor  de  uma das 
partes.  Pode  ser  prova  direta,  quando  se  trata,  por  exemplo,  da  exibição  de  um  contrato; 
ou  prova  indireta,  quando,  por  exemplo,  se  requer  a  exibição  de  um  veículo  acidentado 
para submetê-lo à perícia. 

 

Deferida  a  exibição,  procede-se  à  intimação  da  parte  contrária,  que  pode  adotar  três 
atitudes  distintas:  fazer  a  exibição,  permanecer  inerte  ou  responder  negando  a  existência 
do  documento  ou  da  coisa  ou o dever de fazer a exibição. Feita a exibição, o procedimento 
encerra-se.  Permanecendo  inerte  ou  negando  a  existência  do  documento  ou  da  coisa  ou 
negando  o  dever  de  apresentá-lo,  o  juiz  decidirá  o  pedido,  depois  de  permitir  ao 
requerente  provar  que  as  alegações  do  requerido  não  correspondem  à  verdade  (art.  398, 
CPC) 
Julgando  procedente  o  pedido  de  exibição,  o  juiz  admitirá  como  verdadeiros  os  fatos  que, 
por  meio  do  documento  ou  da  coisa,  a  parte  pretendia  provar.  Trata-se  de  decisão 
interlocutória, que desafia agravo de instrumento.  
Nos  termos  do  art.  400,  parágrafo  único,  “sendo  necessário,  o  juiz  pode  adotar  medidas 
indutivas,  coercitivas,  mandamentais  ou  sub-rogatórias  para  que  o  documento  seja 
exibido”. 

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