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REALMENTE É ISSO QUE ESTÁ ESCRITO

Versículos bíblicos que não existem e Versículos


bíblicos Citados de Forma Errada, mas que são usados
em pregações.

É comum observar em conversas entre cristãos, letras


de música, e até mesmo em mensagens de pregações,
os “ditados bíblicos” que não estão na Bíblia.

Você já percebeu como as pessoas gostam de repetir


o que os outros falam?

Não vou lhe dizer que essa prática seja imprópria, mas
é bom analisar o que se ouve, para evitar situações
constrangedoras.
Na famosa igreja de Beréia, os cristãos recebiam de
bom grado as pregações. Mas não as consideravam
verdades bíblicas antes de confrontá-las com as
Escrituras (At 17.11).

A falta de atenção é um dos principais fatores que


levam à má interpretação bíblica no meio do povo de
Deus.
Os membros das igrejas, em muitos casos, fazem uma
leitura rápida do texto e tiram conclusões mais
apressadas ainda, baseados não naquilo que está
escrito, mas sim naquilo que eles acham estar escrito.

O resultado só pode ser altamente negativo, para o


próprio intérprete e para aqueles que por ventura
venham a ouvi-lo sem a devida crítica, tão necessária
para se evitarem erros.

Essa síndrome do papagaio se verifica inclusive nos


diversos versículos “novos” que alguns pregadores
insistem em repetir e começaram a citá-las como
verdade, sem, antes, conferir a sua autenticidade
bíblica.

Nesse artigo gostaria de citar alguns versículos


citados de forma errada e frases que são citadas como
versículos bíblicos.

Vejamos:

1. “Onde está seu coração, ali está o seu tesouro.”

Este “versículo” é tão usado pelos presbíteros, e


citado pelos cristãos em geral, que é difícil encontrar
alguém que identifique sua falsidade. De forma que
podemos considerá-lo até como um “aspirante a
versículo”. Na verdade, a maioria dos evangélicos
acredita que, tão certo quanto o fato de Deus ser
composto por três Pessoas, estas palavras são da
própria Bíblia. A confecção deste texto inverídico deve
ter sido feita após uma leitura desatenta do Sermão da
Montanha, especificamente na parte em que o Mestre
prega sobre o ajuntamento ilícito de riquezas na terra.
Repare a diferença entre o trecho original e o texto
distorcido pelos homens:
“Porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o
teu coração.”
(Mt 6.21)

Os descuidados invertem o dito do Senhor Jesus:


colocam “coração” onde está escrito “tesouro” e põe
“tesouro” onde está escrito “coração”. Isso para que
dê a aparência de que Cristo ensinava que não importa
a quantidade de bens materiais que a pessoa possua:
bastaria ela colocar o coração em Deus que estaria
tudo resolvido.
O que Jesus disse, realmente, é que nós podemos
saber onde está o coração de uma pessoa observando
onde ela ajunta suas riquezas: no céu ou na terra.

Vale lembrar que isso não condena o enriquecimento


material, defendido como uma bênção divina em toda a
Bíblia (Ec 5.19; 1Tm 6.17). O Messias estava apenas
usando um recurso semítico de linguagem, comum na
Bíblia, onde o lado natural era enfraquecido para
enfatizar o lado espiritual. Por exemplo:

a) "Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela


que subsiste para a vida eterna..." (Jo 6.27)
Será que Jesus estava condenando o hábito de
trabalhar pelo sustento material, ou Ele queria apenas
dar importância ao ato de buscar as coisas de Deus?
Outro exemplo do recurso semítico usado por Jesus é
encontrado no Antigo Testamento, onde José diz:

b) "...não fostes vós que me enviastes para cá, e, sim,


Deus…" (Gn 45.8)
Assim, poderíamos concluir que os irmãos de José não
o mandaram para Egito. Mas, quatro versículos antes,
ele havia dito: "Eu sou José, vosso irmão, a quem
vendestes para o Egito." (vs. 4)
Pregando sobre a forma de amar aos semelhantes, o
apóstolo João declara:

c) "Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua,


mas de fato e de verdade." (1Jo 3.18)
Fica claro que João não desejava proibir o uso de
palavras no exercício do amor, mas somente afirmar
que o amor não pode se limitar ao uso delas. De
qualquer forma, não devemos e não podemos criar
textos bíblicos para defender o ajuntamento de
riquezas terrenas, pois a própria se encarrega de fazer
tal defesa em inúmeras outras porções.

2. “A fé vem pelo ouvir, e ouvir a Palavra de Deus.”

Igual ao versículo anterior, esta frase é


corriqueiramente declarada aqui e ali, sempre que o
assunto tocado é fé. Ele é tão engenhosamente
elaborado que muitos homens e mulheres de Deus o
“soltam” de vez em quando, crendo piamente de que
estão proferindo a Palavra de Deus. Na verdade, o que
a Bíblia ensina é:
“De sorte que a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela
Palavra de Deus.”
(Rm 10.17) [ARC]

O apóstolo dos gentios está afirmando que o “ouvir” é


produzido pela Palavra de Deus, e que é por esse
“ouvir” que vêm a fé. É bem diferente do que os
descuidados fazem a Bíblia parecer ensinar, pois,
conforme a “pérola” pseudo-escriturística que eles
criaram, é o ouvir do homem que gera a fé. Para
entender melhor a diferença entre as versões de Rm
10.17, veja o que diz a Revista e

Atualizada:
“E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela
palavra de Cristo.”
A palavra “ouvir”, empregada em várias traduções, tem
o sentido de “entender”, “compreender” a mensagem
do evangelho, por meio da pregação expositiva, e não
ao mero ato de escutar.

3. “Jovens, vós sois a força da igreja.”

A fim de defender a importância dos cristãos jovens,


um querido e dedicado líder de igreja tinha por
costume citar este “versículo”, a fim de dizer que eles
seriam o motor do Corpo de Cristo. Isso é uma
distorção grosseira e irresponsável da Palavra de
Deus, que afirma algo muito diferente, porém também
honroso acerca dos jovens convertidos do 1º século:

“Jovens, eu vos escrevi, porque sois fortes, e a palavra


de Deus permanece em vós, e tendes vencido o
Maligno.” (1Jo 2.14c)
Oremos fervorosamente para que os jovens da Igreja
Contemporânea também exibam estas três
características, removendo e enterrando o que é velho
(cf. At 5.5,6) para dar lugar às coisas novas do Senhor,
uma nova porção do Espírito que caia como vinho
fresco sobre a Igreja (Lc 5.37-39; Ef 5.18), abundando
em conhecimento da Palavra (Mt 13.51,52; 1Jo
2.20,27), para que esta venha a ter cumprimento: “...e
os jovens terão visões” (At 2.17).

4. “Em verdade, em verdade vos digo: o diabo vem para


matar, roubar e destruir. Mas eu vim para tenhais vida,
e vida em abundância.”

“O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir.


Mas eu vim para que tenhais vida, e vida em
abundância.” (Jo 10.10)

Quem é o ladrão que mata, rouba e destrói? O contexto


clarifica a identidade de tal personagem:

“Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e


salteadores; mas as ovelhas não os ouviram.” (vs. 8)

No vs. 10, Cristo não está especificando uma pessoa


em particular como “ladrão supremo”, que seria
Satanás, mas afirmando um conceito genérico: uma
pessoa que recebe o título de “ladrão” tem por
ocupação a apropriação total do bem alheio, mesmo
que isso inclua roubar, destruir e matar aos outros.
Contrariamente a isso, Jesus não é ladrão, pois Sua
obra é o oposto disso: trazer a vida abundante, que é a
vida eterna, espiritual. Em momento algum o Mestre
cita a existência ou atuação do diabo.

5. “Buscai, em primeiro lugar, o reino de Deus e a sua


justiça, e todas as demais coisas vos serão
acrescentadas.”
O texto bíblico não contém a frase "e todas as demais
coisas vos serão acrescentadas” mas, sim, "e todas
estas coisas".

Com certeza, muitos outros versículos “falseados” tem


aparecido pelo mundo afora. Estes são os que conheci
até hoje, sem contar as conclusões totalmente
infundadas que alguns têm feito sobre textos bíblicos,
tais como:

a) Pregar que Jesus levou nossas doenças físicas,


baseando-se em Is 53.4,5, que é uma profecia do
Antigo Testamento, que deveria ser interpretada à luz
do Novo Testamento, em Mt 8.16,17 e 1Pe 2.24;

b) Ensinar que a prosperidade é um direito dos


cristãos, com base nas promessas de Dt 28.1-14,
enquanto as instruções sobre as guerras aos cananeus
são espiritualizadas;

c) Isolar o texto de Dt 6.4 para negar a pluralidade de


Pessoas na unidade de Deus, enquanto o Novo
Testamento ensina que essa unicidade é formada por
“o Pai, a Palavra e o Espírito Santo” (1Jo 5.7, Almeida),
sendo que o próprio Antigo Testamento já deixa isso
implícito (Gn 1.26 c.c. Is 44.24).
Além disso, ouvimos também as frases engraçadas,
que são facilmente identificadas por qualquer
conhecedor mediano das Escrituras:

“A voz do povo é a voz de Deus”

Ouvi um pregador citando essa frase antibíblica e


extrabíblica, oriunda do latim vox populi, vox Dei,
como se fosse bíblica! Quando Jesus andou na terra, a
opinião do povo a seu respeito era variada. Uns o
consideravam pecador (Jo 9.16) ou endemoninhado (Mt
12.24), e outros criam que era um profeta (Mt
16.13,14). Enquanto isso, a voz de Deus ecoava: “Este
é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt
3.17). Seria a voz do povo a voz do Senhor?

“Esforça-te, e eu te ajudarei”

A expressão “Esforça-te” aparece doze vezes na Bíblia,


mas nunca acompanhada da frase “Eu te ajudarei”.
Observe: “Esforça-te, e tem bom ânimo” (Js 1.6,7,9,18;
1 Cr 22.13; 28.20); “Esforça-te, e esforcemo-nos” (1 Cr
19.13); “Esforça-te, e faze a obra” (1 Cr 28.10);
“Esforça-te, e clama” (Gl 4.27). No plural, ela aparece
oito vezes, sem o complemento citado (Nm 13.20; Js
10.25; 23.6; 1 Sm 4.9; 13.28; 2 Cr 15.7; Sl 31.24; Ag
2.4). Apesar disso, não há dúvida de que o Senhor
ajuda os que se esforçam.

“Eu venci o mundo, e vós vencereis”

É claro que através da vitória de Cristo todos os seus


seguidores autênticos, nascidos de Deus (1 Jo 5.4), se
tornam mais do que vencedores (Rm 8.37). Não
obstante, as palavras de Jesus em João 16.33 foram
apenas: “Tenho-vos dito isto para que em mim tenhais
paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo,
eu venci o mundo”. O complemento “e vós vencereis” é
um acréscimo às palavras do Mestre, prática que ele
mesmo proibiu (Ap 22.18).

“Fazei o bem sem olhar a quem”

Essa frase é uma distorção de Gálatas 6.10: “Então,


enquanto temos tempo, façamos bem a todos, mas
principalmente aos domésticos da fé”. O cristão deve
fazer o bem, pois ele tem a bondade, um dos
elementos do fruto do Espírito (Gl 5.22). Mas fazer o
bem “de olhos fechados” pode ser perigoso.

Existem muitas pessoas que dizem ser missionários ou


pastores. Eles sempre contam casos tristes para
aplicar os seus “golpes”, e os irmãos bondosos, por
não olharem a quem estão ajudando, acabam sendo
lesados. Cabe-nos ajudar as pessoas
comprovadamente necessitadas: “Livremente abrirás a
tua mão para o teu irmão, para o teu necessitado, e
para o teu pobre na tua terra” (Dt 15.11).

“Mente vazia é oficina do diabo”

De fato, a pessoa que não ocupa a sua mente com as


“coisas que são de cima” (Cl 3.1,2) acaba ficando
vulnerável aos ataques do adversário. Como ser
espiritual, ele tem influência sobre a mente dos
incrédulos (2 Co 4.4; Ef 6.17). Segue-se que a frase é
apenas apropriada para ilustrar o papel do diabo como
tentador, não devendo ser usada com um versículo
sagrado.

“Não cai uma folha de uma árvore sem a vontade de


Deus”
A Bíblia mostra claramente que Deus é o Controlador
da natureza. Em Isaías 40.12-31, vemos como tem o
Universo em sua mão e faz o que lhe apraz. Apesar
disso, a frase em questão não é um versículo bíblico!

“O cair é do homem, mas o levantar é de Deus”

É comum o uso dessa frase para animar irmãos que


fracassam na fé. Quem a usa, tenta demonstrar que a
pessoa caída não precisa se preocupar. Deus a
levantará em tempo oportuno. Entretanto, se o homem
não tomar uma posição, levantando-se, tal como o filho
pródigo, Deus não o socorrerá (Lc 15.17-24).

O texto de Tiago 4.8 mostra que o primeiro passo deve


ser dado pelo homem. A Bíblia não diz: “Quando Deus
se chegar a ti, chega-te para ele”. O homem precisa
querer, desejar se chegar a Deus. Em toda a Escritura,
observa-se que Deus convida o homem a se levantar,
pois o cair é do homem, e o levantar também é do
homem (Pv 24.16; Ef 5.14)!

“O dinheiro é a raiz de todos os males”

Às vezes, por não ler a Bíblia com atenção, alguns


pregadores caem no erro de omitir parte dos
versículos bíblicos, gerando confusão. O dinheiro é
importante e precisamos dele para a nossa
manutenção. O errado é pôr o coração nele (Mt 6.19-
21). Paulo não condenou o dinheiro, mas sim a
ganância e a avareza: “Porque o amor do dinheiro é a
raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns
se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos
com muitas dores” (1 Tm 6.10).

“Quem não vem pelo amor, vem pela dor”


É verdade que muitas pessoas, depois de passar por
uma dolorosa experiência, entendem a vontade de
Deus (Dn 4.30-37; At 9). Entretanto, isso não é uma
regra. Existem pessoas que nem mesmo pela dor se
arrependem. Por isso, a Palavra de Deus alerta: “O
homem que muitas vezes repreendido endurece a
cerviz, será quebrantado de repente sem que haja
cura” (Pv 29.1).
Outras pepitas igualmente valiosas, que merecem ser
estudadas:

…Na presença de Deus até a tristeza salta de alegria


(No seu pescoço reside a força; diante dele até a
tristeza salta de prazer. Jó 41:22)
…Elias subiu ao céu na carruagem de fogo (sucedeu
que, indo eles andando e falando, eis que um carro de
fogo, com cavalos de fogo, os separou um do outro; e
Elias subiu ao céu num redemoinho. 2 Reis 2:11)
…Jesus tomou as chaves do inferno de satanás (E o
que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo
o sempre. Amém. E tenho as chaves da morte e do
inferno. Apocalipse 1:18)

A falta de atenção é um dos principais fatores que


levam à má interpretação bíblica no meio do povo de
Deus.

Os membros das igrejas, em muitos casos, fazem uma


leitura rápida do texto e tiram conclusões mais
apressadas ainda, baseados não naquilo que está
escrito, mas sim naquilo que eles acham estar escrito.

O resultado só pode ser altamente negativo, para o


próprio intérprete e para aqueles que por ventura
venham a ouvi-lo sem a devida crítica, tão necessária
para se evitarem erros.

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