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CELIBATO O CALVARIO VERGONHOSO DA IGREJA DE

ROMA

Há bem pouco tempo o mundo inteiro tomou


conhecimento dos últimos fatos ocorridos nas
entranhas da assim-chamada ‘Igreja Católica Romana’,
com a notícia estampada nos principais jornais e
revistas do mundo sobre o escândalo dos padres
pedófilos. O homossexualismo sempre se fez presente
no meio do clero regular (religiosos) e no clero secular
(diocesano), mas sempre abafado pela alta hierarquia
da Igreja de Roma, também não tão ‘santa’ assim.
Não é de agora que a ‘Igreja Católica Romana’ é alvo
das mais severas denúncias de desvios sexuais entre
os componentes de seu clero. O silêncio das
‘conveniências’ tem falado mais alto em determinados
momentos. Há séculos e séculos a Igreja de Roma vem
mantendo ‘segredo’ sobre os casos de contínuos
abusos sexuais entre padres, bispos, cardeais e, até
mesmo papas, envolvendo garotos, rapazes crescidos
e adolescentes. É o homossexualismo correndo solto
nas clausuras, corredores das sacristias e, até mesmo,
em confortáveis motéis.
O homem é um ser-no-mundo. À medida em que se
ausenta do mundo torna-se infiel a si mesmo e ao
Evangelho. Se estiver ausente do esforço dos outros
homens na construção de sua cidade terrena, será
inexistente e marginal para eles. E se quiser construir
para si uma cidade diferente da deles torna-se nocivo
e rejeitado. Se o homem quiser ser aceito, se quiser
ser útil, se quiser existir, deve sair de si mesmo,
integrar-se no mundo, no concreto, no real, no dia-a-
dia. Na medida em que seu suor se misturar ao dos
homens, estes o reconhecerão, lhe darão direito à vida
e crerão na sua mensagem. Ora, é justamente este
quadro que torna o padre católico romano um
marginalizado. A formação que recebeu não lhe
possibilita uma inserção real no mundo. Encontra-se
fora dele. O mundo da técnica o exclui. Ignora a sua
existência. É um homem à parte, indefinido, sem nome
e sem profissão e também não tem família. Fora das
categorias válidas e existentes. Uma espécie de
parasita, que não produz e não constrói na linha da
eficiência material e humana. Não tem um ‘status’
reconhecido. Seu serviço não é requerido por nenhum
quadro social. Sua inserção no mesmo é mais tolerada
do que aceita ou pedida.

Aliás, Paulo diz que proibir o casamento é considerado


diabólico (I Tm 4.1-3). A expectativa normal é de que
os líderes da igreja sejam casados e tenham uma
família exemplar (I Tm 3.1-3; Tt 1.6). “Quem pode
receber isto, receba-o”, disse o Senhor Jesus. Parece
que o Senhor se refere à observação dos discípulos, no
v. 10, e não à indissolubilidade do casamento. Este
verso não glorifica a vida celibatária, mas implica que
somente os que são verdadeiramente eunucos podem
aceitar o pensamento dos discípulos. Aqueles que
podem abandonar todo o desejo de casamento por
causa do reino dos céus podem ser chamados a uma
vida celibatária. Caso não possa fazer isso, o homem
deve casar-se normalmente. Em Mt. 19.12 não se
exorta ao pedido do dom do celibato, admoesta-se,
pelo contrário, a não abraçá-lo sem o dom
correspondente. O que pode estar em jogo aqui é
somente reconhecer e aceitar o dom (“castraram a si
mesmo”), concordar com o dom e colaborar com ele,
mas não obtê-lo à força de oração, conforme declaram
os asseclas papistas.
O desejo de Paulo (I Cor.7.7) de que todos pudessem
ser celibatários frustra-se na maneira como Deus
diversifica seus dons aos crentes (I Cor. 12.4). E com
efeito esta doação sobrenatural é apresentada aqui
também como feita de antemão: “cada um tem
(presente) de Deus o seu próprio dom, um de uma
maneira e outro de outra”. Se nesta situação se
pudesse mudar alguma coisa por meio da oração –
como assim prega a Igreja de Roma – o desejo de
Paulo seria realizável e ele não teria escrito o grande
“mas”, teria, pelo contrário, exigido a oração, como o
fez em I Cor. 12.31, ao falar da concessão de outros
dons: “Portanto, procurai com zelo os melhores dons”.
Se não o faz aqui é porque o dom (carisma) do celibato
é dado de antemão, cabendo apenas reconhecê-lo e
não, evidentemente, tentar conseguí-lo pela oração e
atos de penitência – conforme ensina a Igreja de
Roma, por lei eclesiástica. Por certo que a continência
como fruto do Espírito (Gl. 5.22) pode ser pedida
segundo Gl 5.23, mas ela é também necessária
temporariamente às pessoas casadas ( I Cor. 7.5; Tt.
1.8) e não pode ser colocada no mesmo nível do
celibato vocacional em vista do reino dos céus, o qual
implica até a renúncia aos valores espirituais do
casamento e da família. Das passagens de Mt 19.11 ss
e I Cor 7.7 conclui-se, portanto, que o celibato, por
causa do reino dos céus, não depende da livre vontade
do crente e, em conseqüência, não pode ser ordenado
por lei eclesiástica, mas é um dom de Deus que não é
concedido a todos.
As primeiras justificações dadas no século IV para a
proibição de ainda gerar filho no casamento válido de
padres são marcadas, evidentemente, de ojeriza ao
corpo e ao casamento. Supondo-se que o cân. 33 do
Concílio de Elvira (por volta do ano 304 ou 306) não
deva ser interpretado como o inverso de uma proibição
da abstinência, foi este Concílio (caso contrário, o de
Ancyra, ano 314) que proibiu pela primeira vez a
continuação do casamento após a ordenação:
“Aprouve totalmente… proibir os padres: (eles devem)
conter-se e não gerar filhos” – “Placuit in totum
prohibere episcopis, presbyteris et diaconibus
abstinere se a coniugibus et non generare filios”. O
texto é em si contraditório. Mesmo que não tenha sido
indicada nenhuma fundamentação, a proibição cai sob
o veredito de I Tm 4.2-3.
Na carta do Papa Siríaco a Himério de Tarragona
(10.02.385), há, no entanto, uma clara fundamentação
da proibição: É um “crime” ainda gerar filho muito
tempo depois da ordenação, mesmo “da própria
esposa”; “estejam todos os padres e levitas obrigados,
por uma lei indissolúvel, a consagrar-se à castidade de
coração e de corpo desde o dia da ordenação”… pelo
que o ato da geração é tido como impuro; sejam os
transgressores “afastados do estado sacerdotal e
nunca mais possam celebrar os sagrados mistérios
dos quais eles mesmos se privaram, ao satisfazerem
apetites obscenos”. Numa visão hodierna tal lei já não
pode reclamar nenhuma validade, pois além de
contestável em sua fundamentação, atinge a essência
do casamento, garantido por direito divino, ao querer
retirar dos sacerdotes católicos romanos “o direito ao
corpo em ordem àqueles atos que são próprios da
geração de filhos”( C.I.C.- Codicem Iuris Canonici), cân.
1013, $ 2).

para submeter o seu clero à absurda lei eclesiástica


do dever do celibato, devem ser buscadas, de
preferência, nas contradições íntimas dessa lei, que a
fazem parecer questionável em si mesma, uma vez que
contraria o direito divino.
A Igreja de Roma usa como base teológica de suas
argumentações Mt. 19.10-12. Mas, numa exegese mais
acurada, o texto mostra que não se pode exigir o
celibato por lei. Na verdade o que Jesus exprime aqui
é muito menos um conselho do que os pressupostos
para que alguém possa escolher o celibato; “Nem
todos podem receber esta palavra, mas só aqueles a
quem foi concedido” (v.11) . Os resultados da
discussão sobre esta palavra do Senhor podem ser
resumidos da seguinte maneira: na redação final de
Mateus, a palavra do Senhor está associada a um alto
e restrito padrão para o casamento que teria sido o
responsável pelo desencanto dos discípulos – “não
convém casar” (v.10). Daí o Senhor Jesus lhes dizer:
“Nem todos podem receber esta palavra” isto é, a
declaração dos discípulos. Ainda que, às vezes, o
casamento possa não ser o ideal nem todos os homens
são constituídos de forma a poderem se abster. Os vv.
11 e12 querem dizer que há alguns que são capazes de
se conformar com a idéia dos discípulos, não se
casando. E o Senhor Jesus prossegue: “ Porque há
eunucos que assim nasceram do ventre da mãe; e há
eunucos que foram castrados pelos homens; e há
eunucos que se castraram a si mesmos, por causa do
reino dos céus”. A má compreensão destas palavras,
que foram tomadas literalmente nos tempos de
ascetismo, motivou tragédias, de quando em quando,
no decurso da história cristã. As palavras referem-se a
abstenção do casamento por causa do evangelho. O
NT ensina o valor do celibato. João Batista, Paulo e o
próprio Senhor Jesus podem ser citados como
exemplos de celibatários. Tanto Paulo (I Cor. 7.7)
quanto o Senhor Jesus (Mt. 19.12) indicam que
semelhante celibato é um dom de Deus, não dado a
todas as pessoas. Os que recebem o dom devem abrir
mão do casamento, visando maior liberdade e menor
envolvimento mundano para servir a Deus. Isto não
significa que casar-se é pecado, conforme Paulo indica
em I Cor. 7.9, 28, 36, 38.
Esta é a situação de todo membro do clero romano –
quer regular, quer secular.
O costume do celibato teve um desenvolvimento lento,
gradual. Uma olhada nas páginas das Sagradas
Escrituras seria o bastante para se verificar que o
ascetismo anormal já se manifestava no tempo do
apóstolo Paulo, o qual foi condenado por ele: “…alguns
apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos
enganadores, e a doutrinas de demônios, pela
hipocrisia de homens que falam mentira e têm
cauterizada a própria consciência, que proíbem o
casamento, e ordenam a abstinência de alimentos…” (I
Tm 4.1-3), e novamente
Paulo afirma: “Têm, na verdade, aparência de
sabedoria, em culto voluntário, humildade fingida, e
severidade para com o corpo, mas não têm valor algum
contra a satisfação da carne.” (Col. 2.23). Tais práticas
já existiam no Oriente, e eram especialmente
desenvolvidas no Budismo que já possuía monges e
freiras muito antes da era cristã.
Do século quatro em diante o ascetismo tomou forma e
vulto e, dentro de algum tempo, apesar do vigoroso
protesto, veio a se tornar regra geral no clero romano.
No Concílio de Nicéia, em 325, decidiu-se que os
ministros da Igreja não poderiam casar depois de
ordenados. Isto, porém, não impedia a ordenação de
homens que já fôssem casados. O Concílio espanhol de
Elvira (ano 304) criou decretos contra o casamento do
clero. Estes decretos, entretanto, foram de extensão
limitada e quase nenhum esforço mais sério foi feito
para pô-los em vigor. Inocêncio I, ano 417, (Albano),
decretou o celibato do sacerdotes, mas não teve
aceitação geral. Patrício da Irlanda, que morreu em
461, considerado ‘santo’ pela Igreja de Roma, declarou
que o seu avô era padre. Mas a assim- chamada ‘Igreja
Católica Romana’ foi persistente na exigência de um
sacerdócio celibatário, tanto que, no ano de 1079, sob
a mão forte de Gregório VII – Ildebrando di Bonizio – o
celibato foi novamente decretado e foi razoavelmente
posto em vigor, embora aquele papa não pudesse
controlar todos os abusos existentes. Os papas Urbano
II (1088-1099) – Odon de Logery – e Calixto II (1119-
1124) – Guide Borgonha, arcebispo de Viena – lutaram
com determinação contra o concubinato do clero.

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