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Ano letivo 2018/2019

QUADRO SÍNTESE – POESIA TROVADORESCA

TÓPICOS CANTIGAS DE AMIGO CANTIGAS DE AMOR CANTIGAS DE ESCÁRNIO E DE MALDIZER


▪ conhecimento da sociedade rural – séc. XII-XIV. ▪ conhecimento da sociedade cortesã – séc. XII- ▪ conhecimento de certos aspetos particulares
VALOR DOCUMENTAL XIV. da sociedade cortesã da Idade Média,
especialmente da boémia jogralesa -
séc. XII-XIV.
▪ poesia autóctone, peninsular, de origem ▪ poesia culta, erudita e importada que sofreu ▪ poesia autóctone, de tradição
popular e caráter tradicional, arcaizante. influência da poesia provençal (originária do sul popular/folclórica que sofreu influência
ORIGEM/INFLUÊNCIA de França). provençal do serventês (designação que
indica que a estrutura da cantiga seguiu
servilmente a melodia de uma canção).
▪ feminino: uma donzela ▪ masculino: o trovador ▪ 1ª pessoa e 3ª pessoa (identificada ou não).

 manifestação do sentimentalismo feminino,  confissão dolorosa de uma angustiante  a grande maioria destas cantigas refere-se à
da psicologia amorosa feminina: experiência passional face a uma mulher vida interna dos jograis, classe desclassificada,
- alegre/feliz; inacessível; o “eu” confessa a sua coita
SUJEITO EMISSOR versando os vícios e os escândalos destes e
- ansiosa/angustiada; (sofrimento) de amor, queixa-se da indiferença e
das suas companheiras, as “soldadeiras”,
- ciumenta; da não correspondência amorosa feminina,
- vingativa. dirige-se a uma dama indiferente aos seus como a embriaguez alcoólica, excessos
lamentos e insensível aos seus apelos, numa venéreos, as rivalidades profissionais, etc.
atitude submissa e dependente, plangente e
suplicante.
▪ masculino: o amigo, o amado. ▪ feminino: a dona, a “senhor fremosa”. ▪ pessoa não identificada, sátira velada
OBJETO DO AMOR/ (cantigas de escárnio)/pessoa identificada,
OBJETO DE CRÍTICA sátira aberta (cantigas de maldizer).
▪ “infançon” (baixa nobreza).
▪ autocaracterização (tendência para o ▪ apresenta-se como: cativo, coitado, aflito, ▪ não caracterizado ou caracterizado como
autoelogio): “louçã”, “velida/louçana”(bela, desesperado, desorientado, servidor, submisso, excomungado, triste, superior na classe social,
CARACTERIZAÇÃO do
formosa), “leda”(alegre), “coitada” (infeliz) enlouquecido, sofredor, etc. ou caracterizado diretamente através do
sujeito poético
“fremosa”, “bem talhada” (elegante), “bem objeto como louco trovador, mentiroso,
parecer”, etc. maçador, etc.

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▪ mentiroso, infiel, traidor, cruel, “fremoso”, ▪ a dona é enaltecida/elogiada ”loada” ▪ a crítica é localizada, individualizada, não
herói, objeto de saudade, cúmplice, amante, bom hiperbolicamente: mulher ideal, divina, perfeita a atingindo problemas de ordem geral:
companheiro. nível físico e psicológico, modelo da beleza e da
virtude.  «cavaleiro famélico», cujas refeições
demasiado frugais (moderadas/simples)
Qualidades físicas: “fremosura”, beldade, corpo revelam a grave crise económica por que
delgado. passavam os infanções.
CARACTERIZAÇÃO do Qualidades morais: bondade, lealdade,  infanção que ostenta falsos meios
“comprida de bem”. materiais;
objeto (do amor/da
Qualidades sociais: “bon sen”(senso comum,  a dama, “ a senhor” que é feia, velha e tola
crítica) juízo), “mui comunal” (sociável, afável), “falar mui (escárnio de amor);
bem”.  trovador que ensandece (enlouquece) ou
Qualidades genéricas: “prez”(provençalismo – “morre de amor” (convencionalismo das
conjunto de boas qualidades, dignidade, mérito), cantigas de amor);
“loor” (honra, reputação, louvor), “grã valor”, a  jograis de nível inferior caracterizados com
melhor. uma linguagem grosseira (p.ex., aumentativo
“jograrom”).
▪ distante, fria, inacessível.
▪ plano de igualdade: sentimento amoroso ▪ vassalagem amorosa do sujeito poético e ▪ relacionamento crítico, visando a denúncia
espontâneo. supremacia do objeto do amor (mulher). dos defeitos:
 crítica dos trovadores e jograis:
Regras do amor cortês: - da vida que levam;
não totalmente declarado, devido ao seu - da falta de arte.
caráter adúltero (amor secreto, clandestino);  censura de vícios e costumes da época: a
com poucas hipóteses de ser vivido a nível avareza, a vaidade, a crença em agoiros, o
físico; casamento por rapto, a homossexualidade,
RELACIONAMENTO  sofrer quando ela quiser; etc.
entre o sujeito e o  comedimento na expressão do sentimento  sátira à soldadeira (mulher a soldo),
objeto amoroso (guardar mesura); dançarina, cantadeira;
 respeitar a sua “prez” (não mencionar o nome  traição dos cavaleiros de Afonso X, na
da amada – “o trobar clus”- sigilo); batalha de Granada;
 ter autodomínio;  entrega dos castelos ao Conde de Bolonha
 fidelidade eterna do “eu”; (D. Afonso III);
 prestar vassalagem.  a cruzada da Balteira (sátira a Maria Peres);
 polémica social;
 paródias e temas e formas da poesia lírica
amorosa.

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▪ o emissor revela-se desejoso de poder ▪ permanente exaltação/superlativação das ▪ abdica da função social e corretiva, não
ver/encontrar o “amigo”, vendo nele a qualidades da mulher (a cantiga de amor é um pretendendo orientar/transmitir uma
possibilidade de ser feliz, de amar e ser amado. louvor + uma queixa + um apelo). corrente de opinião, mas apresentar uma
▪ vassalagem amorosa, submissão, sujeição, crítica individual e subjetiva, caindo, muitas
ATITUDE DO SUJEITO
dependência absoluta. vezes, na injúria.
POÉTICO perante o
▪ o trovador imaginava a “dona” como um
objeto (do amor/da
“suserano” a quem servia numa atitude submissa
crítica)
de vassalo.
▪ no jogo amoroso, ele serve a “senhor”, inclina-
se perante os seus caprichos, submete-se à
vontade dela, depende dela.
▪ papel da natureza: ▪ a natureza convencionalizada: ▪ a vida social da época.
- amiga e confidente;  a descrição das flores de maio, da brisa da
- hostil; primavera e do cantar do rouxinol;
- comparticipante;  o ambiente cortesão.
- cenário.
CENÁRIO
▪ elementos da natureza:
 o campo (a fonte, o rio, as flores dos pinheiros,
a montanha, a ermida, a alvorada);
 o mar;
 o baile,
 a casa.
▪ ora triste, preocupada, ansiosa, ora alegre. ▪ excessivamente triste, fatal, dramática e
desesperada.
▪ expressão da coita de amor devido a uma
paixão infeliz, a um amor não correspondido, à
saudade, à impossibilidade de ver a amada.
ATMOSFERA
▪ drama psicológico de um sofredor.
SENTIMENTAL
▪ tom dramático, de tensão contínua,
DOMINANTE
plangente/lastimoso (queixume permanente,
plangência excessiva), suplicante/apelativo, que
se torna comprazimento (prazer pessoal, agrado)
na dor (atitude masoquista) e que culmina na
aspiração a morrer de amor.
▪ o sentimento amoroso: ▪ o sentimento amoroso: ▪ a sátira:
 a alegria de amar e de ser amada;  a coita de amor;  pessoal;
TEMÁTICA  a tristeza da ausência do amigo;  o amor infeliz.  social: moral e religiosa;
 a saudade do passado, o ciúme;  política.
 a vingança, etc.

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▪ simples, espontânea, repetitiva. ▪ complexa, rebuscada, artificial; ▪ expressando o modo de viver e de sentir de
▪ predomínio da parataxe (justaposição de frases ▪ predomínio da hipotaxe; ambientes dissolutos, documentando os
coordenadas sem uso de conjunção). ▪ o drama psicológico do sujeito poético exprime- meios populares do tempo, os cantares de
se por processos retóricos que acentuam o seu escárnio apresentam uma linguagem bem
estado sentimental: antíteses, perífrases, trabalhada, repleta de ambiguidades, ironia e
LINGUAGEM
hipérboles, metáforas, interrogações retóricas, de duplo sentido; por sua vez, nos de maldizer
anáforas, etc. predomina a zombaria, com a utilização de
expressões licenciosas (indecentes) ou de
baixo calão, de termos obscenos e uma
linguagem mais agressiva.
▪ apresenta vestígios de uma poesia tradicional: ▪ cantiga de mestria (poema formado por várias ▪ cantiga de mestria
 refrão (concretiza o estado de alma do estrofes, em geral três ou mais, sem refrão). ▪ cantiga de refrão
emissor). ▪ dobre (repetição de um ou mais vocábulos no
 impera o princípio designado de paralelismo mesmo lugar de cada copla).
(apesar de aparência simples, revela grande ▪ mordobre (emprego de formas diferentes do
sabedoria e técnica requintada): mesmo verbo no mesmo lugar em cada copla).
- perfeito (número de estrofes par) ▪ encavalgamento (o conteúdo ideológico de um
consubstancia-se no leixa-prem, isto é, deixa- verso termina no verso seguinte).
toma ou larga-pega, que consiste num processo ▪ finda (estrofe curta que serve de fecho aos
de articulação estrófica, à maneira das pensamentos anteriormente desdobrados).
ESTRUTURA/ARTIFÍCIOS desgarradas populares, em começar cada estrofe ▪ atafinda (ligação ideológica de estrofe para
POÉTICOS repetindo o último verso de uma estrofe anterior estrofe).
– o 2º verso da 1ª estrofe é retomado no 1º verso
da 3ªestrofe ao mesmo tempo que o o 2º verso
da 2ª estrofe é repetido no 1º da 4ª estrofe;
- imperfeito (acontece quando o esquema do
leixa-prem não se repete rigorosamente);
- anafórico (com anáforas);
- semântico (com repetição de ideias);
- cantiga de mestria (rara) – sem refrão.
A técnica paralelística é a principal característica
formal, favorecendo a memorização necessária
ao canto.

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