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pegasus lanÇamentos

Apresenta

LAST
BREATH
Jessica Clare & Jen Frederick
equipe
pl

Tradução e Revisão Inicial: Thaty e Carla V.

Revisão Final: Silvia e Marliene

Leitura Final: Luana

Verificação: Luh Campanha; Sónia Campos

Formatação: Sónia Campos

7 Anos de Tradução
REGAN

Nunca soube o que era a miséria até o dia em que fui sequestrada e

vendida por estar no lugar errado, no momento errado. Dois meses

mais tarde, estou em um prostíbulo no Rio quando encontro Daniel

Hays. Ele diz que está aqui para me salvar, mas será que posso confiar

nele? Tudo o que sei, é que ele é duro, irônico e tem uma tendência a

resolver todos os problemas com sua arma. No entanto, ele é a única

segurança em meu mundo e sei que é ruim me apaixonar por ele, mas

não consigo evitar. Ele me promete que irá me proteger até seu último

suspiro, mas não sei se deveria acreditar ou se posso.


DANIEL

Durante os últimos dezoito meses, tive um

objetivo: encontrar a minha irmã sequestrada.

Deixei o exército, transformei-me em um

assassino de aluguel e fiz amizades com

criminosos em todo o mundo. Em cada visita a

um bordel ou a cada carregamento de tráfico de

pessoas, eu a procuro, desesperado para ver seu

rosto.

No Rio, encontro Regan Porter machucada,

mas firme e ainda com sua sanidade intacta,

apesar das suas semanas no inferno.

Deveria deixa-la para trás ou enviá-la para

casa, porque a última coisa que qualquer um de

nós precisamos, é se envolver. Mas cada minuto

que se passa, não consigo deixa-la ir.


Capítulo 1
REGAN

O homem empurra dentro de mim com um grunhido, forçando seu


peso em minhas costas. Fico olhando para a parede e penso em zumbis.
Adoro filmes de terror, mas não me lembro se existem filmes de zumbis
que começam com a letra A. Ataque dos mortos-vivos, talvez? É um título
provável, mas poderia estar inventando.

O homem que está me fodendo aperta a minha bunda e grita algo


em uma língua estrangeira. Português, talvez. Eu o ignoro. Mentalmente
continuo pensando sobre filmes de zumbis. Há Madrugada dos mortos, é
claro. Noite dos Mortos-vivos. Todo mundo quase morto. Terra dos Mortos.
Mas não lembro de um único filme que começa com a letra A. Chegada
dos Mortos? Anarquia dos mortos? Alguém fez um filme chamado A
Chegada dos Mortos, não foi? Com certeza há um Retorno
dos Mortos-vivos, por isso, se estão voltando, precisam
chegar a algum ponto, certo?
Alguém realmente deveria fazer um filme cujo o título começasse
com a letra A. Movo minhas mãos no chão, pensando. Certo, agora não
consigo pensar em nada com a letra B também. Merda. Desisto deste
jogo.

O cliente aperta meus quadris dolorosamente, chamando minha


atenção de volta para ele. — Cadela. — Ele grunhiu, lambendo minha
pele com força suficiente para arder, enquanto entra em mim
novamente. Ele está tentando me machucar, mas nas últimas semanas,
tornei-me surpreendentemente boa em ignorar os homens. Pelo menos, a
partir desse ângulo.

Quando eles empurram seus paus cobertos com látex em minha


boca, é mais difícil ignorar o mundo e manter minha narrativa mental
funcionando. Isso porque geralmente eu mordo. A maioria deles já
aprendeu a não colocar o pau na boca da garota americana porque ela
morde, mas tenho que lembrá-los algumas vezes.

O homem dispara uma série de palavras irritadas na minha nuca e


puxa meu cabelo, eu ainda o ignoro, porque sei que isso irá irritá-lo. Os
homens que me compram querem uma garota que lute. Uma que chore e
chore. Bocetas valem pouco no Rio ou isso foi o que a dona do bordel me
disse, mas pegar uma garota americana cativa que luta contra você e
chora? Isso é algo especial e pagam extra por ela.

E porque pagam mais, faço todo o possível para ignorá-los, mesmo


quando me machucam.

Ele monta em mim, batendo seu corpo no meu de


modo que eu rolo no colchão sujo quase até a beirada, o
qual tem sido minha morada pelas últimas semanas, desde que fui
dormir na Rússia e acordei no Rio com uma ressaca por ter sido
drogada. Agora meus proprietários falam português em vez de russo,
mas ainda prendem meu tornozelo na parede, para que eu não possa
escapar.

Algumas coisas não mudam.

Rigidamente, pressiono a minha bochecha contra o colchão e o


deixo me montar, ignorando a mão que puxa meu cabelo com força. Ele
quer que eu chore e implore por misericórdia, por isso não lhe darei está
satisfação. Volto para meu jogo mental em vez disso. Onde eu estava?
Letra B? Oh, espere, Bride of Re- Animator1. Isso é um filme com a letra
B, com certeza. Continuo para a letra C. C é fácil. Children of the Living
Dead2. O D é fácil também.

O homem sai de mim e me arrasta pelo cabelo, gritando comigo


agora. Ele quer minha atenção e não a darei a ele. Quando ele puxa meu
rosto, gritando, dou-lhe um amplo sorriso com desdém. Foda-se. Não lhe
darei minhas lágrimas.

Chorei muito no início. Nunca entendia o que estava acontecendo,


realmente. O que eu fiz para ser sequestrada e vendida como se não
valesse nada?

Tudo o que sabia era que levei minha companheira de quarto Daisy

1 A Noiva do Reanimador, um filme de terror de 1991.

2 Um filme americano independente para adolescentes.


para trabalhar e voltei para casa para estudar. Peguei emprestado seu
telefone, porque perdi o meu. Então, Daisy me ligaria quando estivesse
pronta para deixar o trabalho.

Uma hora depois de deixá-la, dois homens apareceram na porta.


Dois estranhos, assustadoramente altos em ternos, com olhos frios. Uma
era loiro e enorme, o outro era magro e feio. Ambos tinham o forte
sotaque do Leste Europeu. Imediatamente me arrependi de abrir a porta
do apartamento. Mas já era tarde demais. Eles forçaram a entrada no
meu apartamento, me amarraram, amordaçaram, em seguida, me
arrastaram para seu carro. Trinta minutos depois, fomos para o posto de
gasolina onde Daisy trabalhava e eles a sequestraram também.

Mais tarde, me disseram que o namorado de Daisy se envolveu com


as pessoas erradas e foi por isso que ela estava sendo levada.

Eu? Fui levada porque estava com o telefone da Daisy... e por que
tinha uma boca bonita.

Fomos levadas para um avião particular e em pouco tempo, fui


arrastada de costas e estuprada pelo feio. Yuri. Lutei com ele um pouco,
mas então, ele me drogou me deixando em um estado de estupor. Acho
que não se importava se suas garotas lutassem ou não.

Isso era tudo o que me lembrava. Logo, dois dias mais tarde, saí da
reação da droga e percebi que estava sentindo dor em todo o corpo,
devido as atenções de Yuri. Estava em um pequeno quarto
de hotel e sozinha com dos novos amigos de Yuri, que
também me estuprou.
Odiei a mim mesma por ter permitido que fizesse coisas horríveis
comigo. Não era virgem, mas não era tão experiente com relação ao sexo.
Tive sexo com meu namorado, Mike, e mais ninguém. Agora estava ali,
fazendo sexo com dois homens, contra minha vontade.

Yuri não voltou. Seu amigo sim, no entanto. E depois que me


estuprou mais uma vez, colocou um capuz em minha cabeça, entrei em
um carro e me drogou. Parece que fui sequestrada duas vezes. Uma dos
Estados Unidos e agora esse homem estava me roubando dos
sequestradores originais. A merda estava se acumulando ali.

A próxima coisa que soube, foi que acordei em um bordel na


Rússia, presa à uma parede.

Estava assustada, não apenas por mim, mas pela pobre Daisy, que
era completamente protegida e inocente. Ela estava em algum lugar aí
fora, provavelmente vivendo o mesmo inferno que eu. Ela poderia estar
morta, inclusive.

No início, disse a mim mesma que alguém nos encontraria. Que


Regan Porter, uma americana, estudando da Universidade de Minnesota,
não podia sumir da face da terra e não ter ninguém procurando por ela.
Não a garota que uma vez pensou que seu maior medo era atingir um
cervo enquanto estivesse dirigindo a noite.

Encontrar a mim e Daisy levaria tempo, eu disse a mim mesma. Os


policiais seriam obrigados a procurar por duas garotas
americanas desaparecidas, verdade? Meu namorado, Mike,
não iria desistir de mim. Tampouco minha família e meus amigos.

Assim me agarrei a esperança.

Chorava todo o tempo na primeira semana no bordel e esperei.


Chorava cada vez que um homem me tocava, cada estupro sentia-se
como se fosse o primeiro. Eu tentava me defender quando me tocavam,
porque se cedesse, não seria estupro, certo?

Parei de chorar, uma vez que percebi duas coisas.

Percebi que ninguém viria me salvar. Sem Daisy. Sem Mike.


Ninguém. Deixaram-me ali para apodrecer. Desapareci e nunca ninguém
iria me encontrar.

Percebi também, que os homens que pagavam para me foder


gostavam quando chorava e lutava. Gostavam disso tanto quanto
empurrar seus paus dentro de mim.

Depois disso, aprendi a esconder as minhas emoções, aprendi a me


fechar mentalmente para proteger a minha mente do que os homens
faziam com o meu corpo. Eles podiam ter meu corpo o quanto
quisessem, mas isso seria tudo o que seria entregue a eles. Assim, me
distraia. Reescrevi filmes de terror em minha mente. Tive papeis em
filmes favoritos, mudando atores e atrizes, reproduzindo cenários em
minha mente. Joguei com as letras do alfabeto, nomeei filmes que assisti
e personagens com a letra de seus nomes.

Fiz tudo isso para que pudesse me distanciar do que


estava acontecendo com meu corpo.
Com o tempo, não ficou tão ruim. Eu acho. Se não prestasse
atenção, não me lembraria de seus rostos. Não me lembraria dos homens
me batendo no rosto e gritando para me fazer lutar. Quase me esquecia
que o tornozelo estava preso a uma corrente na parede e eu era uma
prisioneira. Eu vivia dentro da minha cabeça.

E não pensava nos homens. Não eram nada para mim.

Se eles gostassem que lutasse, não lhes dava razão para serem
brutos. A nova Regan não iria lutar, nem sequer prestava atenção.

Às vezes, no entanto, eram mais difíceis de convencer: como agora.

O homem agarrou meu cabelo e me arrastou de joelhos, gritando


obscenidades em meu rosto. Ele me acerta na boca e sinto o gosto de
sangue.

Quero furar seus olhos, mas ele iria gostar disso. Quer que eu lute.
Estou sempre em desvantagem quando se trata destes homens. Se lutar,
iria terminar com o rosto grudado na parede e ele me estuprando mais
forte que antes. A luta nunca era uma resposta.

Geralmente.

O homem inclinou seu rosto feio e queimado de sol. Suas


sobrancelhas são grossas e cheira a suor. — Você. — Diz em inglês. —
Chupe meu pau!

— Não te disseram? — Eu digo. — Eu mordo. — E


bato os dentes. Mordi dois homens antes que tiveram a
ideia e começaram a advertir os clientes.
O homem sorriu feio e levou a mão para trás. Puxou uma pistola,
destravou-a e colocou em minha cabeça.

Minha respiração falhou nos pulmões com o terror.

Não deveria ter uma arma ali. Não entravam com armas de fogo e
não poderia ser machucada pelos clientes. Claro, sempre era um pouco
tarde para que qualquer um pudesse discutir.

— Está com medo agora? — Pergunta. — Chupa meu pau. Sem


morder. Paguei um bom dinheiro. — Ele empurra a pistola contra a
minha cabeça com mais força. A outra mão segura meu cabelo e arrasta
meu rosto para baixo.

Ainda quero viver. As lágrimas que odeio, formam uma piscina em


meus olhos e escorrem por minhas bochechas. — Por favor, não me
mate.

Seu sorriso ficou mais amplo e levou meu rosto a seu pau no qual
colocou outro preservativo.

Não lutei.

Depois dele sair, vomitei o conteúdo do meu estomago


no balde ao lado do meu colchão, olhando a parede e
chorando. Sempre choro depois que eles saem. É a minha libertação.
Tento pensar nos filmes de zumbis e sei que não passei da letra D, mas
minha mente está em estado de choque no momento. A pistola na minha
cabeça, o barulho da trava da arma, engulo seco.

Quando engulo me lembro do seu gosto, uma mistura de suor e


látex que parece queimar no fundo da minha mente e volto a me inclinar
no balde.

Alguém bate na porta uns minutos depois que paro de vomitar pela
segunda vez. Um golpe e logo a porta se abre. — Regan?

É uma das empregadas ali. Alma. Ela é sempre agradável comigo.


Sento-me na posição vertical, afastando o cabelo do rosto. — Olá.

Ela olha ao redor com ansiedade, logo, alisa seu uniforme cinza de
empregada. Ela o usa todos os dias, o que junto com sua atitude
nervosa, me diz que está ali apenas como uma empregada doméstica. —
O Sr. Gomes me enviou. Diz que se encontrará com um amigo muito
especial depois que você se limpar.

— Oh Deus. — Digo com uma voz plana. Eu sei o que isso significa.
O homem que vejo em meus pesadelos.

Não sei seu nome, mas eu o vi na Rússia. Ficou no bordel por umas
semanas e ainda estava tentando em acostumar com os clientes, quando
o conheci. Sr. Gelo.

O Sr. Gelo era diferente.


No primeiro momento, tinha vontade de vê— lo quando entrava no
meu quarto. Parecia americano e melhor ainda, falava com um sotaque
da Nova Inglaterra. Se fosse norte-americano, estaria ali para me salvar,
verdade? O fato dele ser loiro platinado e distante não me incomodava.
Nem tampouco o fato que usava um terno caro e era seguido por guarda-
costas assustadores com corpos maciços e olhos intensos. Olhando
agora, não me parecia muito promissor. Pelo menos, não me sentia tão
insegura. Não me importava com quem andava, desde que me tirasse
dali.

Entrou em meu quarto, um brilho de interesse em seus olhos


enquanto me olhava encolhida no canto.

— Levante-se para que possa olhá-la.

Meu coração acelerou novamente. Estas não eram as palavras que


um homem que estaria ali para salvá-la falaria.

Assim o ignorei. Com medo ou não, não iria deixar nenhum homem
fazer isso comigo

Foi um erro. Um dos guarda-costas adiantou imediatamente,


agarrando-me pelos cabelos e me levantando. Eu gritei, mas ninguém
apareceu correndo para ver o que acontecia. Ninguém se importava com
o que acontecia enquanto estivesse com o Sr. Gelo.

Logo descobri que ninguém se aproximava do Sr. Gelo. Todos


tinham medo dele. Ele colocou nas mãos luvas cirúrgicas, e
logo começou a me examinar como se fosse um cavalo de
corrida. Enquanto seu homem me mantinha de pé, sua
mão se moveu entre as minhas pernas, comprovando minhas coxas,
minhas costelas e meus seios. E então me fez abrir a boca. Para minha
surpresa, tirou uma lanterna do bolso e olhou meus dentes.

— São seus dentes verdadeiros? — Perguntou. — Escova duas vezes


ao dia? Toma banho?

— Vá a merda.

Bateu em meu rosto e segurou meu queixo, sem se importar com o


sangue no meu lábio partido. — Responda.

Não respondi. Tentei mordê-lo no lugar.

Ele bateu no meu rosto novamente e desta vez me deixou tremendo.


— Responda. Você se depila ou fez algum tratamento a laser? —
Levantou meu braço e observou minha axila, logo se inclinou para olhar
meus pelos púbicos novamente. — Loira natural. Isso é bom.

Era como se não fosse uma pessoa real para ele. Era uma boneca
que estava avaliando para comprar. Ou um carro. — Quer fazer um test
drive antes de levar minha bunda para um passeio?

Inclinou-se para trás e me olhou tão frio que soube de imediato que
cometi um erro. Agora, iria me matar.

Foi uma boa vida... por um tempo, de qualquer forma.

Mas o Sr. Gelo observou seu homem e assentiu e o


homem me soltou. Caí no chão com os braços ao redor do
meu corpo, esperando o inevitável estupro.
Não veio. O Sr. Gelo e seu homem conversaram por alguns minutos
em russo, as palavras soando estranhas na boca, ainda que percebi que
ninguém se atreveu a corrigir sua pronuncia. Então o homem se foi e o
Sr. Gelo me olhou com aqueles olhos frios, observando-me.

A dona do bordel russo entrou no quarto uns minutos mais tarde


com o homem que saiu e ela estava claramente nervosa.

— Está. — Disse o Sr. Gelo em inglês. — Gosto dela. Eu a levarei.

— Porra. — Disse no meu canto do quarto. Ele não estava ali para
me salvar. Estava ali para me comprar. Idiota.

— Muito bem. — Disse a mulher. — Você sabe seu preço.

— O preço é muito alto para alguém que me mordeu. — Disse com


uma voz que causava arrepios. — Quase arrancou meu dedo.

A mulher parou no lugar e logo me lançou um olhar assassino.


Seria castigada, eu sabia.

— Você sabe como gosto das minhas garotas. — Disse. Ainda


estavam conversando em inglês, o que significava que queriam que eu
ouvisse. — Limpas e quebradas. Esta, não está limpa e nem quebrada.

— Vamos mantê-la limpa.

— E? — Esperou.

— Sei que podemos enviá-la. — Disse rapidamente a


mulher. — Diga ao Sr. Gomes que em um mês ela estará
mansa como um gatinho.
— Um mês. — Concordou. — Até então, eu quero que ela escove os
dentes três vezes ao dia. Tome suplementos vitamínicos com sua
refeição. Dê banho nela diariamente e se assegure que alguém a depile
duas vezes na semana. Sem bater em seu rosto. Preservativos para cada
cliente. E sem drogas. Nem mesmo se pedir por elas.

A mulher assentiu.

O Sr. Gelo voltou a se endireitar e saiu do quarto. — Voltarei para


ver como está.

Percebi que depois dessa noite, o Sr. Gelo tinha algum fetiche por
loiras. Sorte a minha.

Voltou novamente enquanto estava na Rússia, comprovando meus


dentes e corpo e a cada vez que tentava colocar os dedos na minha boca,
eu o mordia.

Na semana seguinte, no entanto, tudo mudou. Depois de três


semanas no bordel na Rússia, os homens se aproximaram com agulhas
cheias de drogas e um capuz que colocaram na minha cabeça. Fiquei
com medo, pensando que sobrevivi com minha utilidade de uma boceta
americana favorita de todos e agora iriam me matar.

Eu lutei, mas me drogaram antes que soubesse o que estava


acontecendo.

Quando acordei, estava em meu quarto atual, a


corrente prendendo meu tornozelo a uma nova parede e um
sujo colchão no canto para mim. O quarto não eram maior
que um armário, com um piso de cerâmicas rachadas que
se inclinavam para um ralo do lado oposto do quarto e um balde no
canto para minhas necessidades. Havia uma caixa de preservativos nos
pés da cama. Havia rachaduras no teto e não havia janelas. Não vi o sol
por semanas. Perguntava a mim mesma, se algum dia o veria
novamente.

Meus novos proprietários me deram roupas, no entanto, embora


fosse um biquíni com uma bandeira americana coberta com perolas e
lantejoulas que coçavam. Falavam em um idioma diferentes. Ao ouvir
através da porta, descobri que estava agora no Rio de Janeiro.

Um bordel no Rio, dirigido pelo Sr. Gomes. Lembrei deste nome


porque o Sr. Gelo o falou.

Ser o novo brinquedo do Sr. Gelo, aparentemente conseguiu que


fosse enviada para o Rio. Mas uma boceta americana loira era muito
valiosa ali, então nem o Sr. Gelo e nem o Sr. Gomes se importavam quem
a fodessem, sempre e quando não fizessem uma bagunça.

O Sr. Gelo me visitou uma vez, enquanto estava no Rio. Mordi,


cuspi e lutei. Era como se ele não percebesse, no entanto. Ele
simplesmente me olhava com aqueles olhos frios, comprovava meus
dentes e insistia em ver se tinha sido depilada.

Ele esperaria para me quebrar.

Os clientes no Rio não eram diferentes dos cliente russos. Eles


gostavam que uma garota lutasse. Gostavam de bater na
garota antes de fodê-la. Tenho certeza que há homens bons
no mundo que apenas querem se aconchegar e abraçar,
mas estes não frequentam o bordel do Sr. Gomes. Os que vão ali gostam
de ser duros com as garotas e ela estava ali porque o Sr. Gelo queria
quebra-la. Mas não estou quebrada ainda.

Sento-me em posição vertical e Alma vem até mim com uma toalha
e um chuveirinho. Caímos em uma rotina, passo para o canto do quarto,
sobre o ralo, tanto quanto a corrente me deixa ir. Hoje não é dia de
depilação, coloca meu cabelo em uma touca de banho e pega uma
mangueira conectada a pia no quarto. Como um animal, ela me lava com
a mangueira e sinto que um pouco da minha humanidade está morrendo
com este ritual.

Os clientes pagantes não querem tocar uma puta suja. Todos usam
preservativos, não apenas porque o Sr. Gelo diz, mas porque não querem
pegar qualquer doença que eu possa ter. Fodidos!

Uma vez que meu horrível banho termina, ela me entrega uma
toalha, tento ignorar o fato de que a toalha tem o cheiro de outra pessoa,
e procuro não pensar em quantas prostitutas a usaram antes de mim.
Solto o meu cabelo e ela me entrega um biquíni com uma bandeira
americana novamente. Estava descorado e sujo, mas nunca o uso por
muito tempo.

Então, me entrega uma escova de dentes e pasta dental, escovo os


dentes suavemente e logo cuspo na pia. Irônico que agora tenho que
cuspir na pia ao invés de ser nos clientes.

Alma sorri em desculpa e segura a toalha, dobrando-a


e sai do quarto em silêncio.
Sento no colchão, abraçando as minhas pernas ao peito e espero.
Haverá outro homem em breve, aproveito para me deitar e aproveitar o
silêncio enquanto posso. Meu lábio dói, está um pouco inchado onde o
último homem me bateu e passo um dedo na ferida, fazendo uma careta.

Com a cabeça na parede, pensando. Minha mente volta à arma e ao


homem que me forçou, meu estomago se irrita novamente. Engolindo
saliva, me obrigo a pensar nos filmes de zumbis em seu lugar. E. Filmes
que começam com a letra E. Isto vai requerer algum pensamento. Talvez
algo com enemy3 no título.

Reflito sobre isto durante alguns minutos olhando o nada, quando


ouço uma batida na porta. Fico de pé de forma automática. Deus,
esperava que não fosse o homem com a pistola novamente. Não poderia
lidar com ele duas vezes na mesma noite.

Mas quando a porta se abre, não é o Sr. Gelo.

O homem que entrou era inesperado, está acompanhado pelo Sr.


Gomes, o dono do bordel, um homem que eu via apenas uma vez. O Sr.
Gomes me avaliou quando cheguei, como se eu fosse uma propriedade
interessante.

O homem com ele era alto, bonito e usava uma roupa casual. Tinha
o cabelo castanho, olhos intensos e poderia dizer imediatamente por
suas feições, que era americano.

Porra. Não outra vez. Não outro idiota americano. Não


importa que fosse americano, ele estava ali para estuprá-la

3 Significa inimigo em português. Deixei no original, por causa do pensamento e em inglês

começar com a letra E.


como todos os outros antes dele. Só que desta vez, ela iria entender
todas as palavras desagradáveis que iria gritar no seu ouvido.

E depois, quando terminasse comigo e saísse, iria me sentir ainda


mais suja.

Ele me olha de cima abaixo, o olhar deslizando pelo biquíni de


barras e estrelas e não posso evitar. Qual o problema? — Pergunto. — A
boceta americana não é boa o suficiente para você?
Capítulo 2
DANIEL

—Ela morde. — Foi a advertência dada quando apontei a loira com


olhos verdes vidrados no livro de putas do Sr. Gomes. Ele balançou a
cabeça e disse que tinha outras dezenas que eram melhores e todas
dispostas a participar de qualquer atividade perversa que eu quisesse,
não havia nada que suas meninas não fizessem. — Gosto de bocetas que
me lembram minha casa. — Eu disse. Um texano no Rio se encontrava
com uma grande quantidade de mulheres bonitas brasileiras, mas às
vezes queriam um pouco da bandeira estrelada.

Ele concorda com a cabeça, como se isso fizesse sentido para ele,
mas acho que o dinheiro é mais a língua dele. Caminhamos até o
segundo andar e por um estreito corredor mais acima, um lugar sem
janelas neste prédio de tijolos e metal. Não posso chamar
de casa ou mesmo um bordel. É um lugar onde homens sujos e cheios
de dinheiro com profundas perversões pagam para serem satisfeitos.

—Não quero fazer sexo aqui. — Expliquei para o Sr. Gomes. Tenho
algo contra fazer sexo em lugares parecidos como este. Mostro em minha
mão as várias notas de dinheiro, Gomes concorda e não faz mais
perguntas.

Seguimos pelo bordel, Gomes, eu e a cafetina atrás, um grupo


estranho. Ele para na última porta do segundo andar e usa uma chave.

Vi a foto de Regan Porter antes, no livro de putas de Gomes, mas


nada me preparou para a verdade, uma beleza digna de uma capa de
revista. Com certeza não está sendo bem alimentada, seus ossos estão
começando a aparecer nos ombros, nas costelas e nos quadris. Mas não
se pode negar seu aspecto impressionante. Seu cabelo loiro está úmido e
pequenas mechas estão grudadas em sua cabeça perfeita. Seu rosto é
oval, com maças do rosto rosadas e lábios exuberantes, as sobrancelhas
parecem asas e, destacam-se como uma peça de porcelana fina em um
brechó. Mesmo que esteja magra, há curvas deliciosas em seu corpo,
indo da cintura até o quadril arredondado. E aquelas pernas
intermináveis.

Porra. Fecho os olhos e engulo. Nenhum homem decente estaria ali


pensando nessas pernas ao redor da sua cintura. Mas, novamente, não
sou um homem decente. Não sou mais um franco atirador do exército,
não sou mais Daniel Hays, que uma vez foi chamado herói
por matar insurgentes no Afeganistão. Agora sou Daniel
Hays, um mercenário que mata pessoas por dinheiro e
passa seu tempo livre em bordeis e antros como este.
Decência é uma palavra que nem sequer tem mais significado para ele.

Passou-se muito tempo desde que estive com uma mulher. Esta é
minha única desculpa, além de estar me transformando no monstro que
estou caçando. Concentro-me nos hematomas nos joelhos raspados em
vez do chão, na corrente ao redor dos tornozelos. Qualquer excitação
desapareceu ao ver os sinais evidentes de abuso.

Olhando fixamente para Gomes, me pregunto como conseguiu


capturar uma beleza como Regan Porter. Gomes é um perdedor, preso
nas favelas, com uma casa cheia de mulheres, metade das quais faltam
os dentes ou são muito velhas, além de quebradas.

Geralmente ele recebe o que o mercado chama de segunda mão,


mulheres que nenhum outro bordel quer. Mas Regan Porter é linda e
mesmo parecendo um pouco magra, ainda é uma beleza com lábios
rosados e grandes olhos verdes.

— Boas tetas. — Sorrio em benefício de Gomes e estremeço de


repugnância, o que apenas alimenta a minha crença de que estou sujo
como o homem ao meu lado. A escuridão do submundo agora está se
filtrando sob a minha pele como uma mancha de óleo sobre o oceano.
Não deveria querer tocá-la. E se tiver que fodê-la na frente de Gomes
para tirá-la dali? Nem termino este pensamento.

Ainda vejo vida em seus olhos. Se ela está mordendo e cuspindo


insultos mordazes, ainda tem espirito dentro dela e não
quero ser aquele a apagar a última chama. Seus olhos
transmitem ódio e se tivesse uma faca, iria cortar a minha
garganta até o ventre. Olho bem para ela, não porque ela é
muito bonita, mas porque ela ainda está de pé. Não tenho certeza se eu
seria tão forte. Não sei se percebe a minha admiração ou se ela pode
interpretar diversos níveis de luxuria e degradação, mas ela vê algo.
Parece como um fio elétrico e invisível entre nós dois e seus olhos se
abrem quando sente a descarga elétrica.

Durante meses nadei em uma poça de sangue, morte e atos feios,


agarrando-me na sanidade e talvez em minha alma, dizendo a mim
mesmo que salvar estas garotas equilibraria a balança. Para cada vida
que tiro, salvo uma, então tudo se iguala no final. Não acho que dessa
forma chegarei às Portas de São Pedro, mas é a mentira que conto a mim
mesmo, para que possa dormir a noite e olhar no espelho no dia
seguinte. Regan Porter ou será parte da minha tentativa de salvação ou o
sangue que gravará a palavra fracasso em minha lápide.

— Ela parece vivaz. — Digo a Gomes, jogando meu papel de idiota


que está pagando por ato perverso e quer cantar vitória.

Ele olha novamente para Regan, avaliando-a. Ela é valiosa, porque


agora estou disposto a pagar muito por ela e Gomes realmente não
entende porquê.

— Vinte e cinco mil e poderia comprar um harém. Sua boceta não


está forrada em ouro. Deixe-me encontrar algo diferente. — Diz Gomes.

Não sei porque quer segurá-la tanto, mas posso ver que está
indeciso entre o desejo pelo dinheiro e o desejo em manter
Regan no bordel.
— Prefiro comida caseira. — Eu digo. Gomes na verdade não espera
uma resposta ou ao menos não deveria. Compra e venda de carne
humana requer um pouco de descrição, mesmo aqui no Brasil, onde a
prostituição é comum, mas estas casas não são legais. Gomes e a
cafetina olham um para o outro. Digo silenciosamente para a garota: Não
chame atenção sobre si mesma.

O impulso de bater em Gomes é tanto que nem sua mãe o


reconheceria, se me deixasse envolver por esta neblina vermelha e
violenta. Iria acertar com o punho sua boca, apertaria o calcanhar da
minha bota em seu pau, isso seria fenomenal. Estive dentro e fora destas
casas de horrores durante os últimos dezoito meses, procurando a
minha irmã. Ela saiu em sua primeira e única viagem de férias na
primavera e nunca mais voltou. Eu estava na Força Delta, como franco
atirador, quando me deram a notícia. Cheguei em casa para encontrar
minha mãe e meu pai angustiados... porra. Nunca esquecerei a
expressão em seus rostos. Papai era um fazendeiro endurecido que se
agarrava ao legado da família, em nome da terra fez muitos sacrifícios.
Viu muita merda e fez muito mais, mas a perda de seu bebé o derrubou.
Seus olhos pareciam vazios como se a noticia o tivesse deixado seco por
dentro.

Fiquei por uma noite e nas primeiras horas da manhã seguinte, sai
com a caminhonete e disse que não voltaria para casa até que a
encontrasse. E não a encontrei até agora, então não voltei para casa. Não
haverá casa para a qual voltar a menos que a encontre.

Nos meses seguintes em que minha irmã foi


sequestrada em Cancun, resgatei centenas de garotas, seja
no comércio sexual ou no tráfico de mulheres. Estavam traumatizadas,
chorosas e muito gratas. Nenhuma vez, encontrei uma com a boca tão
dura como Regan. Ela parecia como se fosse morder sua mão se
estendesse para ela.

Levei quase dois meses para encontrá-la depois que ela foi vendida
na Rússia. E isso me fez desejar matar Gomes. Mas isso não manteria
Regan segura ou me ajudaria a encontrar minha irmã.

Fazendo um gesto para Regan, tento acelerar a negociação.

— Terminamos de falar por agora. Traga-me uma roupa para ela.


Não posso leva-la para fora com este traje. Porra.

Gomes saiu pela porta e gritou para alguém pegar uma roupa para
Regan.

— Depressa! Busquem um casaco.

Cruzo os braços, olhando como se estivesse a segundos de fechar


este acordo, quando na verdade tenho os dedos na arma dentro do meu
casaco. Podia disparar em Gomes neste momento e quero, mas as
decisões precipitadas, apenas iriam prejudicar a minha situação.
Descobri isto desde o início. Poso matar Gomes, mas dezenas de outros
como ele se levantariam como um exército de ratos. Se quer sair de algo
como isto, precisa encontrar a fonte dos ratos e cortar a maldita cabeça e
logo queimar. Mas voltarei por Gomes. Não serei capaz de dormir à noite
até que saiba que o único buraco que poderá saquear será
a bunda de um demônio no inferno.
A cafetina aparece na porta e entrega nas mão de Gomes, o casaco
fino que nem sequer cobrirá as coxas de Regan. Eu o tiro das mãos de
Gomes. Ele não a tocará novamente.

— Vamos, docinho. — Eu digo, erguendo meus dedos para Regan.


Ela deixa escapar um grunhido selvagem. Quero rir da cara de Gomes,
porque ela resiste a mim, mas não posso deixar de aprovar o seu
espetáculo. Gomes faz um movimento com a cabeça e a cafetina abre as
correntes ao redor do tornozelo. A medida que o ferro cai, vejo a pele
cheia de crostas no lugar. Surpreende-me que não esteja infeccionada.
De repente, meu estômago revira e passo as mãos para os lábios para
dissimular minha reação. Quero jogar uma manta sobre ela, disparar em
todos e levá-la.

Esta é uma maldita farsa. Meu tom é agudo e irritado.

— Vista isso. — Eu o jogo para ela e ela o pega por reflexo, mas é
lenta para vesti-lo, como se estivesse avaliando se sou pior que o
demônio. Gomes acena para a cafetina apressar Regan, mas a impeço
com uma mão. Regan não quer ser tocada por ninguém. Podia ler a
aversão dela em cada linha de seu corpo, quando joguei o casaco para
ela. Não preciso lutar com ela. E na verdade, me sinto mal por ela. Deus,
ela é apenas uma mulher quase da mesma idade da minha irmã, que
tinha vinte anos quando foi levada. Regan tem mais ou menos vinte e
dois anos, foi o que Nick me disse. Nick, que me enviou ali para
recuperá-la.

— Não tenho todo o dia. — Aponto para meu relógio de


pulso. — Considere-se com sorte, matei aqueles que
tiveram a coragem de me dizer não. — Na metade das vezes
ter uma reputação de durão, tira você de situações ruins muito melhor
que duas pistolas. Embora estivesse armado de qualquer forma. Olho
para Regan que ainda estava levando seu tempo. — Bem, pode ficar aqui
acorrentada a uma parede ou vir comigo.

Não era uma alternativa, mas tinha certeza que ela estava pensando
agora em um milhão de alternativas para fugir, uma vez que saísse dali.
Ela inclinou a cabeça levemente, não realmente para mim, mas
reconhecendo alguma decisão que tomou em sua mente. Afasto-me e
saio, fingindo que não me importa se ela me seguirá. Gomes não se
move, mas troca palavras firmes com a cafetina em português, pensando
eu acho, que não irei entender. Mas entendo. A capacidade de aprender
rapidamente idiomas diferentes, é quase um pré-requisito para entrar na
Força delta e passei muito tempo em Portugal e no Brasil.

— Faça com que ela vista o casaco!4 — Diz Gomes, ordenando a


cafetina que ajudasse Regan.

— Não posso. Ela irá me arranhar5. — A cafetina responde. Ela se


nega, com medo de Regan fazer algo com ela. Regan aterroriza todos até
mesmo acorrentada em uma parede. Sua ferocidade é como aço e chama
minha atenção, quase tanto como suas pernas. Algumas das garotas que
resgatei destes lugares estão tão quebradas que não viam outra coisa
além de seu abuso. Algumas voltaram à prostituição, trabalhando por
sua própria conta ou como parte de algum bordel, porque não podiam
funcionar normalmente. Apesar, de que ser normal era algo
que não tinha nem ideia.

4 Está em português no original.

5 Está em português no original.


Um som de pés se arrastou atrás de mim e fiz uma pausa. Os
passos eram leves e não pertenciam a Gomes ou a cafetina.

— Você não me possuirá facilmente. — Regan diz tranquilamente


em minhas costas. Se eu fosse algum cliente cabeça quente, certamente
a machucaria, mas minha resposta não era de ira, mas sim de
resignação. Quero fazê-la entrar em razão e implorar para que facilite
para nós dois durante alguns segundos. Em lugar disso, quero mostrar a
ela como está enganada. Em diferentes circunstancias, se estivéssemos
em um canto escuro de algum bar perto de casa, eu a empurraria contra
a parede e diria a ela que não apenas iria gostar de ser possuída por
mim, como imploraria.

Mas não estávamos sozinhos. Ela não era uma garota universitária
em um bar em Fort Benning, assim que não estariam contra a parede.

Eu não colocaria minha perna entre suas coxas douradas e não


começaria a chupar a delicada pele na base de seu pescoço. Nem sequer
preciso olhá-la para saber que está irritada.

— Mordo e não choro e posso vomitar e urinar sobre você.

Jesus Cristo. Esta garota tem bolas de aço e me estava deixando


louco. — Não posso esperar, boneca. — Digo, esfregando os lados da
escada estreita. E apesar de suas ameaças, Regan está atrás de mim.
Posso ouvir Gomes e a cafetina ao longe no final do corredor. Posso ver a
porta principal e nossa liberdade além.

— Ainda quer esta puta? — Gomes pergunta em voz


alta. — Tenho outras. Esta será um problema para você.
Eu rio, um som tão amargo que Gomes sabe que não estou me
divertindo.

— Você aceitou meu dinheiro, Gomes. Quero esta boceta


americana, então a levarei para casa e você ficará feliz por três meses
com o quanto paguei por ela.

Estamos na porta agora e Regan deixou de me insultar porque está


imóvel e em silêncio, provavelmente planejando sua fuga.

— Quanto tempo acha que a manterá?

Virando-me para Gomes, coloco a mão na porta. Ali na entrada, é


na verdade, onde está o maior perigo. Gomes tem guardas nas portas,
dentro e fora. Está tendo problemas para processar que não quero foder
no seu pequeno lixo.

— Acha que pagarei um quarto para ela e logo virarei as costas


depois de uma noite? — Pelo cenho franzido de Gomes estava claro que
ele pensava que ela voltaria no dia seguinte. Nego com a cabeça. Pelo
dinheiro que lhe dei, deveria assumir que iria foder Regan até a morte. —
Voltará quando estiver cansado dela e pronto para devolvê-la. Não paguei
por apenas uma noite.

— O que fará com ela?

— Por que se importa? — Pergunto com impaciência. Regan está


tremendo sob o casaco, seus braços batendo em um ritmo
rápido. Seus pés provavelmente estão frios sobre a
cerâmica vermelha. Fora está mais quente e assim que saíssem das
favelas, iria conseguir sapatos.

Gomes parecia um pouco doente. — Preciso dela de volta.

Nego com a cabeça.

— Deixe que me preocupe com a volta dela. Deve se preocupar com


o fato de não espalhar sobre seus negócios em alguns lugares perigosos.
Lugares onde a Policia Federal poderia ouvir. Não seja um imbecil e
arruíne isto para nós. E a nós me refiro a você, idiota.

Olho para os dois homens musculosos de pé na frente da porta


principal, que serve como escritório e sala de exposição para Gomes. Tem
um tapete vermelho com manchas por todas as partes. Não sei se sêmen
ou sangue, mas me alegro de calçar sapatos quando negociei com Gomes
trinta minutos antes. Com a mão na maçaneta da porta, olho para todos.

— Terminamos aqui.

Gomes olha para seu gorilas e logo para mim. Há algo sobre mim
que Gomes não gosta ou talvez é porque pensa que está perdendo sua
valiosa peça. Duvidas estão por todo seu rosto e abro minha jaqueta
para mostrar as armas, apenas para o caso. Os gorilas se movem para a
porta do escritório de Gomes e a tensão fica mais pesada, como a fumaça
densa nos bairros mais pobres. Calculo meu curso de ação. Gomes não
está armado. Está usando uma camisa de linho e calça de algodão
Panamá, amassada e úmida ao redor dos tornozelos. O
algodão revelaria todas as armas escondidas na cintura ou
nas costas. Poderia ter uma arma no tornozelo, mas tenho
uma mira boa o suficiente e estaria morto no momento que se inclinasse.
Esqueço a cafetina. Os dois gorilas são minhas únicas preocupações. A
porta de entrada é estreita, como a escada e o lugar parece uma lata de
sardinha. Se um tiroteio explodisse ali estariam em problemas. Sei que
Regan não queria ser tocada, mas precisava enviar-lhe sinais, de alguma
forma, para ficar atrás de mim.

— Preocupa— me você na favela. — Diz Gomes. Move a mão e um


dos gorilas deu um passo adiante. — Ricardo o acompanhará, para se
assegurar que consiga um hotel seguro.

Ou irá disparar nas minhas costas e pegar a loira americana e voltar


ao bordel. Não, não irá acontecer, mas estava ansioso para sair daquele
lugar. Ricardo poderia ser descartado uma vez que saíssemos. Sem
dúvida, havia vários outros gorilas ao longo do caminho que Ricardo
tinha a intenção de acompanhar, mas teriam muitas melhores
probabilidades fora.

— Como quiser. — Respondo e logo abro as portas com força.


Acerto o nariz de Ricardo e ele amaldiçoa. Atrás de mim ouço um som
abafado. Boa garota, logo saio com Regan nos meus calcanhares.
Capítulo 3

REGAN

Não posso dizer se estou feliz ou em choque pelo pânico. Pela


primeira vez em quase dois meses, estou sem aquela horrível corrente no
tornozelo. Estava usando um casaco. Não era quente, mas cobria aquele
biquíni horrível e me fazia sentir humana. Saímos. Deveria estar em
êxtase.

Mas não podia evitar a sensação de que estava em problemas


maiores que antes. Eles nunca me deixaram sair do quarto. Nunca. O
fato de me soltarem e me deixarem sair com este americano de fala
suave, apenas poderia significar uma coisa:

Ele me comprou.

E isso poderia ser muito, muito ruim. Ninguém queria


uma puta por mais de uma noite. Olho sobre o ombro para
Augustina, a cafetina e o Sr. Gomes, mas eles parecem
levemente felizes. Vejo o medo hesitante no rosto de Augustina e o
pânico revira o meu estômago.

Este homem era pior do que o lugar que estava deixando. Sei disso.
Estou começando a suspeitar, pelo olhar de Augustina, que sou uma
mulher morta. Engulo saliva. Ansiei tanto pela liberdade, mas nunca ao
ponto de querer morrer. Quero viver. Escolho viver.

O americano continua respondendo em português ao Sr. Gomes e


eles discutem sobre algo ao descer a escada. Caminho, ignorando o fato
de que o chão está frio contra meus pés descalços e mal estou vestida. O
que acontecerá comigo agora que me venderam outra vez?

Nada bom, com certeza.

Se quiser viver, teria que fugir deste homem. Preciso ficar longe de
todos — Gomes, Augustina e este novo americano bem vestido. De
alguma forma tenho que fugir e correr. Correr até encontrar alguém que
possa me levar à Embaixada dos Estados Unidos mais próxima.

Gomes diz outra coisa e Ricardo dá um passo à frente, um grande


boxeador que trabalha no bordel. Eu tive que atendê-lo antes e o odeio.
Ele não iria conosco, verdade? Mas parece exatamente isso, irá nos
seguir de perto. O idiota americano não parece feliz, também. Abre a
porta do bordel e acerta o nariz de Ricardo.

Não posso evitar. Abafo uma risada. Gosto de ver estes idiotas se
machucarem. Acalma minha alma. Arrancaria seus olhos
se pudesse.
O americano se virá para mim e levanta uma sobrancelha e dou-lhe
um olhar desafiante.

— Irá me matar?

Ele olha para os outros que estão ao redor. Que estão ouvindo cada
palavra que ele diz a mim.

— Hoje não. — Diz.

Isso não me tranquiliza.

Cruzo os braços mais firme contra o peito.

— Onde vamos? — Não passo pela porta da frente, embora possa


ver a rua suja do lado de fora, cada instinto grita para sair correndo por
ali e nunca parar.

— É um ótimo momento para calar a boca e deixar de fazer


perguntas. Agora, vamos. — Faz um gesto para a porta aberta. Havia um
tom duro em sua voz. — Fique perto de mim. Não irá gostar se tiver que
a perseguir.

Suas palavras eram sérias, mas não tinha medo dele. O que pior
poderia acontecer? Ficar presa ali chupando os paus de estranhos? Ou
terminar em uma cova rasa? Eu me sentia como se não tivesse muitas
opções. Realmente não podia ameaçar alguém que não tinha nada a
perder. Há uma hora, temia por minha vida, mas se sair
com este homem, iria perdê-la de qualquer forma. Os
olhares assustados de Augustina em minha direção eram
reais. Ela acha que já estou morta.
Preciso fazer algo. A porta está aberta e tão perto, que é um desafio
que não posso resistir. Dou alguns passos para fora, seguindo o homem
de jaqueta. Ele é alto e limpo. Seria muito bonito se não estivesse em um
bordel brasileiro me comprando. Já que está, ele é claramente um
pervertido.

Assim que dou um passo para fora da porta principal, uma chuva
de sensações me golpeia. As ruas são estreitas, um grupo compacto de
casas ao azar. O ar da noite é fresco e carrega um pouco de cheiro de
lixo. Mas sinto uma brisa levantar meu cabelo e quase sufoco em
lágrimas. Estou fora. Fuga e liberdade estão tão perto que posso senti-las
em minhas mãos. Estremeço, os dedos dos pés tocando a calçada suja,
rachada e cheia de lixo.

— Está com frio, doçura? — O americano coloca uma mão grande


sobre meus ombros, empurrando-me. Ao final da rua, vejo um táxi
esperando e ele me empurra para ele.

Tropeço para frente, com as pernas rígidas e eu me afasto da sua


mão.

— Não me toque.

Quando me viro, vejo Ricardo avançando também e sua mão está


dentro do terno. Mas o americano está me usando, obviamente, como
uma distração. Agora estou plenamente consciente do que está
acontecendo, a mão do americano já está em sua arma e
aponta para Ricardo.
— Não. — Diz o americano baixo, seu intenso olhar no rosto de
Ricardo. — Nem sequer pense nisso, a menos que queira seu cérebro na
calçada. Deixe a arma no chão.

Congelo no lugar, olhando os homens. O primeiro pensamento que


passa por minha cabeça é que se tivesse com uma pistola, teria todo o
poder. Uma arma pode transformar uma pessoa de nada a tudo. E estou
tão cansada de viver do outro lado de uma arma. Um dia, serei eu
segurando a arma e alguém irá chorar e implorar para não os machucar.
E eu pensarei a respeito.

Se quiser fugir, teria de ser mais rápida, no entanto. O americano


era ágil com esta arma e mortal. Movia-se mais rápido do que eu podia
imaginar.

Estarei morta se for com ele.

Ricardo chega lentamente no bolso e deixa sua arma cair no chão, o


olhar no cano da pistola entre seus olhos. A medida que observo, o
americano se inclina para pegá-la, faz algo com a arma e todas as balas
caem no chão. Duas mais e com movimentos rápidos o tambor se separa
do restante e tudo cai em pedaços na calçada. Ricardo foi desarmado.

Fico ali por um momento e logo corro. Corro como se todos os


demônios do mundo estivessem atrás de mim. Não paro no táxi, no qual
o americano quer que eu entre, desço pela rua e entro no bairro pobre.
As casas ali são estreitas e apertadas, as ruas iguais. Perdi-
me no labirinto de ruas, afastando-me do bordel e do
americano. Quando fosse seguro, iria sair.
Lanço-me em um beco, batendo os pés descalços na calçada
rachada.

— Ei! — O americano grita atrás de mim. — Espere!

Eu não olho. Não sou estupida. Viro em uma rua e derrubo uma
lixeira, correndo como nunca fiz antes. Sou livre, meu cérebro ecoa a
cada passo na calçada. Sou livre. Sou livre.

Braços ásperos me prendem pela cintura, arrastando-me de lado e


tirando o fôlego dos meus pulmões. Eu quase sufoco quando um homem
grande, com cheiro de suor pressiona meu corpo contra o dele, movendo
a mão em meu pescoço e me puxando contra ele. Começo a lutar. Um
momento mais tarde, vejo uma arma no meu rosto.

Não é o americano. É alguém diferente.

Duas pistolas na cabeça em uma noite. Se fosse um filme de terror,


estaria gritando como uma estúpida heroína. Uma risada saiu da minha
garganta e termina com um soluço.

O homem que me segura passa a mão por minha garganta de forma


que faz meu estômago revirar. Murmura algo em português e logo diz
algo a um amigo que saiu das sombras. Entendo a palavra Gomes em
sua conversa estrangeira. Estes homens trabalhavam no bordel. Estão
me pegando de volta.

Não estou livre depois de tudo.

Um barulho forte ecoa nos meus ouvidos. Atrás de


mim, o homem cai no chão. Uma segunda explosão e me
viro. Seu amigo cai no chão também. Pisco em estado de choque, o peito
agitado enquanto tento levar o ar para meus pulmões.

O americano avança do outro lado do beco e me olha irritado


enquanto volta a carregar sua arma. Há uma coisa fina e longa no cano.
Um silenciador, talvez. — Acho que deveria agradecer por matá-los para
mim, mas tudo o que realmente quero fazer é apertar o seu pescoço.

— Podemos parar a conversa inútil e sair daqui? Por muito que


goste do ambiente das favelas e tudo, estou cansado e faminto,
realmente gostaria de terminar a noite. Então podemos fazer isso, por
favor? — Sua voz estava carregada de sarcasmo. — Ou precisa visitar
outro beco sem saída mais abaixo, quase nua e descalça?

Olho fixamente para ele por um momento e logo nego com a cabeça.
— Eu... estou bem, obrigada.

— Qualquer outro plano genial para escapar? — Pergunta, tirando o


silenciador da arma e colocando dentro da jaqueta novamente. — Porque
realmente prefiro não passar toda a noite perseguindo seu traseiro,
Regan.

Uma resposta maliciosa se ergue em meus lábios e depois fecho a


boca novamente quando percebe. — Como... como sabe meu nome?

— Sei muito sobre você. Ou acha que gosto de andar pelas favelas
do Rio de Janeiro atrás de loiras por que não posso foder alguém pelas
vias normais? — Ele gesticula. — Vamos. Coloque a cabeça
para funcionar. — O homem estende a mão para mim outra
vez.
Eu me afasto para ele não me tocar, puxando mais o casaco. Olho
os dois homens mortos aos meus pés. Deveria sentir algo por eles,
verdade? Uma espécie de horror por terem morrido justo na minha
frente? Que este homem atirou neles enquanto eu estava ali? Mas tudo
em que posso pensar é que iriam me levar de volta ao bordel.

E este homem sabe meu nome. Ele estava me procurando. Meu


coração acelera no peito. Uma vez. Duas vezes.

Talvez não tenha sido esquecida, depois de tudo.

— Quem é você? — Pergunto, quando passo sobre um corpo sem


vida de um dos homens.

— Eu me chamo Daniel.

DANIEL

Regan está me olhando como se fosse matá-la ou pior


ainda, leva-la a um lugar que fará o bordel de Gomes
parecer a Disneylândia. Não que a culpo. Se estivesse em
seu lugar, estaria correndo na outra direção também. Ela não sabe nada
sobre mim que não seja a merda que joguei diante de Gomes, que era
leva-la a um quarto de hotel onde iria fodê-la com tanta força que não
sobraria nada além de um cadáver. Era pouco provável acreditar que o
único lugar ao qual a levaria seria a Embaixada dos Estados Unidos, em
lugar de perder tempo discutindo com ela, começo a andar. Ações valem
mais que palavras.

O táxi provavelmente está muito longe e mesmo se não estivesse,


levar Regan perto do bordel de Gomes não era uma opção. Estava muito
interessado em seu retorno. Porque estava reconsiderando a venda dela
por mais de uma noite não fazia sentido para mim. Não era como se
Regan fosse a única loira em um raio de cem quilômetros. Nem sequer
estou convencido de que é a única boceta americana ao redor. Ela era
muito insolente e se fosse outra pessoa, poderia levá-la de volta para
Gomes. Esta garota poderia elevar minha reputação entre os
mercenários que gostavam de uma boceta com sabor de casa. Mas não
me pagam para pensar o porquê.

Localizei Regan depois de correr ao redor da Rússia como um idiota,


congelando as bolas até descobri através do cabeça da Bratva, Petrovich,
um criminoso russo que a enviaram para ali. Por acidente Vasily
Petrovich me disse. Isso realmente foi por acidente. Vasily a escondeu na
casa Petrovich, mas alguém a roubou dali e a vendeu para algum cara
rico no Rio. Logo, assim que cheguei no Rio, não estava mais com o
homem rico, mas no bordel de Gomes. Outra semana
desperdiçada. Apenas precisava leva-la até a Embaixada e
então voltar para a parte importante da minha missão:
encontrar minha irmã. Vasily me deu informações em troca
de recuperar Regan, disse que havia um mercado de garotas loiras
americanas indo para o Rio. Uma destas loiras poderia ser minha irmã.

Petrovich sabia que iria chegar a Regan de qualquer forma, já que


Nick era um amigo e Regan era a melhor amiga de sua garota, mas em
lugar disso me deu parte das informações. Deveria estar procurando por
um hacker chamado Imperador, mas sua pequena tarefa ficaria em
segundo plano, até encontrar a minha irmã.

Desconfiada de mim, Regan caminha meio passo atrás. Ou melhor,


deixo que coloque uma distância entre nós. Ela tem medo que algum
homem do saco saia das casas ou dos becos, mais do que de mim, mas
isso pode mudar a qualquer momento. O medo era uma coisa boa. Te
deixa alerta e consciente. A complacência pode matá-lo.

— Como sabe meu nome? — Repete.

— Não me pergunte e não direi nenhuma mentira. — Brinco.

Ela não gosta da minha resposta, mas não direi nada. Quem sabe o
que ela dirá na Embaixada Americana? Se ela for inteligente, contará
tudo, incluindo como um homem alto com jaqueta negra e grandes
armas matou dois brasileiros nas favelas e então posso acrescentar o
exército dos Estados Unidos a um grande número de pessoas que
querem me capturar ou matar. A lista é longa e variada, mas ainda estou
vivo e os que esbarraram comigo, não.

Lutar contra o impulso de olhá-la é mais forte do que


esperava. À medida que subimos pelo morro, vários garotos
assobiam, mas ela os ignora e fica mais perto de mim. Eu a
levo pelas ruas estreitas. Somos guiados apenas pelas luzes das casas e
a luz das ruas que de vez em quando iluminam nosso caminho. A sujeira
e a pobreza parecem a mais singular das misérias. Regan Porter parece a
rocha mais brilhante na mina de diamantes. Não posso afastar os olhos
dela.

Talvez ela foi enviada a mim como um karma. Pode olhar, mas não
tocar. Ou pior ainda, nem sequer deveria pensar nisso.

Apesar de tudo o que passou, Regan é magnifica. Seu cabelo loiro


secou e ficou como uma nuvem ao redor do seu rosto e nem a sujeira,
nem o trauma pode dissimular a perfeição oval do seu rosto, as maças
do rosto altas e os lábios grossos. Minha mão se levanta de própria
vontade, para colocar uma mecha de cabelo atrás da orelha. Ela moveu-
se para trás de mim, com os olhos abertos, o nariz aberto como o de um
Mustang6 selvagem e assustado.

E então meu pau toma conta e meu pensamento se dirige às


imagens de todo aquele cabelo loiro roçando meu peito nu enquanto ela
me monta. E estes lábios carnudos fazendo um círculo perfeito em
meu... oh merda. Sou um maldito idiota. Aperto minha mão, obrigando-
me a retroceder. Tempo e lugar Daniel, tempo e lugar, porra.

— Vamos mais depressa. — Digo. Ela estremece, o que me ajuda a


suprimir meus desejos mal concebidos. Não gosto de mulheres que não
me querem e sobretudo aquelas que tem medo de mim.

Mas não sou o único atraído por ela. Deveria ter


pedido uma sacola de papel para colocar sobre sua cabeça,

6 Uma raça de cavalo. Costumam ser cavalos selvagens.


mas ainda veríamos suas pernas longas, a cintura fina e os seios
empurrando o tecido fino. Era uma boa, que o ar da noite estava quente,
porque entre o biquíni e a toalha que chamamos de casaco, ela não teria
muita proteção contra a natureza. Nem sequer posso tirar minha
jaqueta, porque tenho algumas armas por baixo, mas posso fazer algo
com a sua falta de sapato.

Seus pés estão sujos, tanto do bordel de Gomes como pelas ruas da
favela. Não esperava que corresse pela favela. Pensei que queria chegar
mais rápido ao táxi, ir para a Embaixada e se livrar dele.

Mas agora que estamos caminhando pelas ruas, recebendo todo


tipo de atenção não desejada, não posso deixar de pensar em seus pés
suaves sendo devorados pela terra e pedras. Paro abruptamente, girando
para ficar de frente para ela. Ela solta um leve som, como um animal
ferido. Eu me pergunto o que ela pensa que farei, que iria deitá-la no
chão e montá-la? Exalando um suspiro de frustração, eu me ajoelho
para desamarrar minhas botas e tiro as meias. Empurro o pé na bota de
volta e repito a ação com o outro. Levanto um joelho, faço um gesto para
que levante o pé.

— Irei cobrir seus pés, certo? — Pergunto, tocando meu joelho, para
que ela saiba que quero que coloque o pé contra a minha perna. Olhando
para ela, vejo seus grandes olhos verdes muito abertos e com assombro.
Ou suspeita. — Olha boneca, não tenho nenhum fetiche por meias.

Seus lábios estremecem e seus olhos enchem de


lágrimas. Oh merda. Ela vai começar a chorar e não preciso
disso. Santa merda, não preciso disso. Assim eu volto a agir
como um idiota, por que assim sei que ela vai reagir diferente.

— Estou cansado de ouvir você gemer enquanto caminhamos, mas


se quiser se sentar e chorar, posso calçá-las novamente.

Assim como suspeito, sua postura muda e ela volta à rigidez.


Rapidamente levanta seu pé e pressiona dois dedos contra o meu ombro.
Apesar da jaqueta, a camisa e o colete, posso sentir seu calor. Um calor
que queima um caminho do meu ombro direito até a minha virilha. Eu
odeio a mim mesmo. Realmente odeio.

E fica ainda pior quando ela levanta o pé para colocá-lo suavemente


sobre meu joelho. Meu dedo coça para acariciar a pele delicada atrás dos
ossos do tornozelo. Todo o meu corpo está em chamas. Mereço seu ódio,
porque suas costas não é a única coisa rígida como uma barra de aço.
Há tantas coisas que gostaria de fazer de joelhos entre as coxas de uma
garota bonita. Coisas que eu não fiz em muito tempo.

Cuidadosamente tiro a sujeira do seu pé. Aproveito o momento para


passar um dedo rápido, entre cada dedo do pé. Um dos tornozelos não
tem marcas ao redor dele, mas faço uma rápida checagem em suas
pernas antes de puxar as meias. Do meu bolso eu puxo uma presilha de
plástico que normalmente usaria para contenção, coloco ao redor de sua
panturrilha para segurar a meia. Acima de mim ouço um suspiro e seus
dedos pressionam em meu ombro. Por um momento, acho que ela vai
correr, mas não olho para cima. Nenhuma única vez. Porque se o fizer,
terei que olhar para as suas coxas macias e entre suas
pernas, então para seus seios, quando chegar a seu rosto,
ela verá o desejo em meu olhar e logo terá uma boa razão
para fugir. Assim continuo olhando para seus pés.

— Apenas há uma maneira de apertar as meias ao redor de seus


tornozelos — Explico. Quando ela não se move, aceito como um sim e
aperto as tiras de plástico.

Ela troca os pés sem me avisar. Neste tornozelo as marcas das


algemas são visíveis. Inspeciono a ferida. Parece antiga, dolorida, mas
não infectada. Regan tem muita sorte. Da minha posição vejo as marcas
de mãos sobre suas coxas e qualquer excitação que eu senti morre
rápido. Sofro por esta garota tão abusada e pelo pouco de humanidade
que lhe resta.

Matarei o homem que colocou essas marcas nela. Antes de deixar o


Rio, irei caçá-lo, cortar seu pau e fazêlo comer o mesmo. Um centímetro
de cada vez. Tirarei fotos e enviarei para Regan.

Agilizo a limpeza de seu pé, deslizo a meia, prendendo-a com outra


tira de plástico. Olho para ela, percebendo-a um pouco chateada e
envergonhada. Ela não tem nada para se envergonhar, mas quero que
esteja irritada.

— Você tem um corpo muito bonito, Regan.

— Foda-se. — Diz ela. — Eu o matarei com sua arma antes de


permitir que coloque um dedo em mim.

Nós dois sabemos que ela nunca seria capaz de me


desarmar, mas aceno, como se sua ameaça fosse real.

— Nunca tocarei em você, a menos que permita.


Não é algo que faço por causa dela. Dezoito meses dentro e fora de
bordéis como os de Gomes me fizeram nunca querer sexo sem
consentimento. E dado que os últimos dezoito meses foram passados
caçando e matando pessoas... bem, o único alívio que meu pau tem visto
é a minha mão. Talvez seja por isso que meu pau está constantemente
duro perto de Regan.

— Conversa mole. — Bufa e a facilidade com que me insulta diz que


está mais confortável comigo do que percebe ou esteja disposta a
reconhecer. Isso me diz que ela me seguirá sem muita hesitação.
Voltamos ao nosso caminho, Regan usando minhas meias e eu meus
sapatos. Não é o ideal, mas meus sapatos seriam como barcos para ela.
E não acho que ela esteja pronta para ser carregada.

— Já esteve no Rio antes? — Eu pergunto enquanto caminhamos,


descendo pelo morro. Acho que pelo aumento do ruído podemos
encontrar um táxi em breve.

—Não. — Então, depois de uma breve pausa, ela pergunta com


incredulidade. — Você está tentando jogar conversa fora, para quebrar o
gelo?

— Certo, então você prefere me dizer quanto tempo estava com


Gomes?

Ela fica em silêncio. E tomo isso como um não. Quando chegamos


em uma rua principal, sou capaz de chamar um táxi,
mantenho a porta aberta para Regan. Ela hesita e olha em
volta, pesando suas chances de sobrevivência na favela. Eu
me movo, puxo para trás minha jaqueta para que ela possa
ver a coronha de uma das minhas armas. Ela fecha os olhos em
resignação e entra no táxi. Garota inteligente. Ela será uma daquelas
que se recuperam. Muitas das garotas sequestradas não conseguem.
Seja por que seu tempo em cativeiro as fodeu demais que acabam
voltando para a prostituição. Ou por que suas famílias não aceitam
financiar seu vício em drogas recém-adquirido. Ou por não terem
nenhum outro lugar para ir. Essa é outra lição de merda que aprendi
logo. Segurarei firme essa lembrança para que eu possa colocar uma
arma na minha cabeça na próxima vez, que pensar em falhar.

— Embaixada dos Estados Unidos. — Digo para o motorista,


decidido a voltar, já que o sentimento de injustiça ainda me persegue.
Mantenho uma mão sobre a coronha da arma, observando as ruas,
buscando fontes de problema enquanto rodamos. Percebo que não há
ninguém atrás de nós, mas a sensação de terror ainda me persegue.

Uma mão agarra meu braço e me viro para olhar para Regan, que
está a centímetros do meu corpo. Ah Merda. A proximidade está gerando
alguns sentimentos intensos em uma determinada parte inferior do meu
corpo. Gostaria que minha consciência tivesse mais controle sobre meu
maldito corpo. Limpo a garganta.

— O que foi?

— Você está me levando para a Embaixada? — A voz de Regan é


alta e trêmula, seja pelas lágrimas ou pela risada. Balanço a cabeça com
cautela. Por favor, não deixe que seja lágrimas.
Fica sem fôlego e logo cobre a boca. Lágrimas começam a escorrer
pelo rosto e ela se joga em mim.

— Obrigada. Obrigada. — Ela repete e eu sinto o roce suave de sua


bochecha contra a minha barba de alguns dias. Eu me pergunto se estou
arranhando-a, mas na maior parte do tempo penso em onde devo colocar
minhas mãos quando seu corpo de modelo é pressionado contra mim. Os
seios dela estão queimando um buraco em meu peito e sobre seu ombro
eu posso ver a curva do seu traseiro. A mesma curva que vejo o
motorista de táxi olhar pelo espelho retrovisor, fazendo-me empurrá-la
para o lado. Ele não precisa ver o traseiro dela.

— Olhe para ela novamente e você é um homem morto. — Digo ao


motorista de táxi. Seus olhos voltam imediatamente para as ruas, mas
eu o ouço murmurando em português que se eu não quisesse que ele
olhasse para sua bunda, então deveria ter certeza que ela vestisse mais
roupas.

— Não gosta de tocar uma puta suja? — Regan diz com amargura.

Não entendo suas palavras no início, então percebo que ela ficou
ofendida por tê-la empurrado para longe. Passo a mão por meu cabelo,
claramente frustrado e digo.

— Um homem como eu teria muita sorte se pudesse tocar em você.

Ela bufa.

— Palavras bonitas. Apenas não condizem com suas


ações.
Não posso acreditar nisso! Inacreditável Porra! Há poucos instantes
ela estava com medo de usar as minhas meias, agora está louca porque
eu não pulei sobre ela.

Deveria estar feliz por ela ainda ser uma lutadora, mesmo depois de
tudo que passou. Faz-me ter esperança de que ela voltará para casa e
viverá uma boa vida. Apesar de terem me dito que ela iria precisar de um
novo namorado. Nick, anteriormente conhecido como o temido assassino
Nikolai Andrushko, o homem que me enviou para encontrar Regan, disse
que ela tinha um idiota como namorado. Um que nem sabia que ela
acariciava a si mesma enquanto ele roncava ao seu lado. O tal namorado
não poderia dar a sua garota um orgasmo nem com alguém o instruíndo
na cama com um passo-a-passo. Pelo menos essa foi a minha
interpretação da declaração discreta de Nick, quando disse que o
namorado merecia uma bala na cabeça por não dar prazer a sua mulher.

No meu modo de ver, os homens que não podem dar orgasmos às


suas mulheres não deveriam existir, ainda mais se são deusas como
Regan que estão em suas camas. Eles deveriam ser celibatários, para
que algum irritadinho russo como Nick os colocasse em sono eterno.
Felizmente para esses paus egoístas que não se preocupavam com o
prazer de sua mulher, Nick estava muito ocupado levando a melhor
amiga de Regan de volta para sua casa em Minneapolis para se
preocupar em matar homens que são péssimos na cama.

— Nenhum de nós está pronto para qualquer ação. —


Eu levanto o meu braço e cheiro. — Jesus, estou fedendo.
Preciso de uma porra de chuveiro. — Estou morto de
cansaço e apesar dos pensamentos completamente errados
correndo por minha cabeça, como os de Regan nua abrindo-se para mim
como um banquete no dia de Ação de Graças, estou cansado demais
para fazer qualquer coisa, penso apenas em dormir. Estou acordado há
cerca de 72 horas e preciso descansar um pouco antes de sair
novamente.

— Você é muito metrossexual, não é? — Ela levanta um pé para


mim e mexe os dedos. O movimento é provocante. Meus olhos vão direto
para baixo, para o pé vestido com uma meia de seda preta, seguindo em
direção as coxas e na penumbra do táxi as sombras se tornam
sedutoras. O reflexo da luz se movendo em suas pernas me faz querer
tocá-la e explorar seu corpo... tento me afastar mais uma vez.

— Gosto de coisas agradáveis. Processe-me.

— Por que você não me disse que estava me levando para a


Embaixada? — Ela cutuca meu joelho com o pé. Será que percebe como
paqueradora está sendo? Quer dizer, me tocando com o pé. Isso é uma
merda íntima. É uma coisa boa que eu esteja vestindo uma jaqueta.
Porra.

— Você teria acreditado em mim? — Eu digo sem emoções. Seu pé


se abaixa imediatamente e com um esforço heroíco engulo um gemido.
Bom trabalho, Daniel. Dou a mim mesmo uma palmadinha nas costas.
Ela não tem ideia do que está fazendo, porque está pensando sobre sua
liberdade e a volta para o bom e velho Estados Unidos. E eu sou o saco
de merda com pensamentos sujos sobre uma garota que
estava acorrentada a uma parede em um bordel ainda mais
sujo. E porque não posso ser bom para ela, eu respondo.
— Você não teria acreditado em mim.

— Sim, acho que não. — Sua atenção se distrai ao ver que


chegamos na Embaixada.

— Chegamos. — Digo com alívio, mas ela não faz nenhum esforço
para sair. — Aqui está. — Aceno minha mão para fora da janela. —
Consulado Geral dos Estados Unidos.
Capítulo 4
REGAN

A esperança floresce em meu coração ao ver a Embaixada. Estou


livre, estou a passos de ir para casa. Logo, tudo isso será uma lembrança
ruim e posso voltar à minha vida anterior. Então, quero rir deste
pensamento. Todas as minhas notas estarão detonadas por causa da
minha ausência e sou uma estudante com bolsa de estudos, que
depende de suas notas. Depois pensarei em algo. Talvez Mike me deixe
morar com ele.

Se for capaz de suportar que me toque depois do que aconteceu. Se


ele não mudou e encontrou outra namorada na minha ausência. Gosto
de pensar que está esperando por mim, mas Mike nunca foi
particularmente emocional. Sou mais apegada a ele, do que ele a mim.
Não tenho ilusões ou falsas pretensões sobre nosso relacionamento.

Fico olhando para a Embaixada através da janela suja


do táxi. Uma vez que sair deste carro, tudo voltará à
normalidade. Voltarei ao mundo normal, uma versão
levemente mais suja da garota que o deixou. Por alguma razão, isso me
assusta.

— Você precisa ir. — Daniel diz ao meu lado, com sua voz cheia de
diversão. — Disse que a levaria para a Embaixada e ali está ela. Então
fique mais animada. — Olho para ele, escondendo minha incerteza.

— Obrigada. — Digo, apertando mais meu casaco. — Você não sabe


o que isso significa para mim.

— Posso imaginar.

Sorrio para ele e por um momento noto sua boa aparência. Não sei
qual motivo dele estar no Rio, frequentando prostíbulos sujos, mas sou
grata por ser salva por ele. Impulsivamente, me inclino e beijo seu rosto,
sentindo a barba sob meus lábios. Quero recuar imediatamente ao
toque, mas sei que é a coisa certa a fazer. Porém, percebo que ele gosta
do meu toque. Seu olhar sarcástico suaviza quando ele olha para mim e
diz. — Mantenha-se a salvo, certo?

— Sim. — Respondo. Quando olho novamente para a janela, a


dúvida paralisa minha saída. Eu posso fazer isso. Irei me apresentar
como Regan Porter. Posso dizer: Olá, eu sou uma garota americana que
foi sequestrada em meu país e um bom estranho me salvou de um bordel
no Brasil e realmente, gostaria de ir para casa. — Aperto forte o punho,
respiro e olho para fora, para minha liberdade eminente.

A respiração fica presa na minha garganta.

Na frente da Embaixada está um homem musculoso


que conheço, o guarda-costas do Sr. Gelo. Está escuro lá
fora, mas ele está de pé perto da porta e eu o reconheço. Se ele estivesse
sob a luz, eu veria seus olhos terríveis.

Ele sabe que estou aqui. Alguém avisou ao Sr. Gelo que sua
prostituta favorita, com seus dentes e depilação perfeita desapareceu do
mapa sem sua permissão. Imediatamente sei que se entrar na
Embaixada estarei de volta ao bordel.

Estremeço e e me odeio por isso. Ele não viu o táxi ainda, não sabe
que estou aqui. Penso por um minuto e em seguida, volto para Daniel, o
agradável americano que de alguma forma, por algum motivo, me ajudou
a escapar. Viro-me para ele e dou-lhe um leve sorriso. — Posso fazer
uma pergunta?

— Sim.

Suas palavras me fazem lembrar que Daniel está carregando armas.


Ele matou dois homens esta noite que tentaram me levar de volta ao
bordel. Quem quer que ele seja com certeza não está com o Sr. Gelo. Isso
automaticamente torna-o mais seguro.

— Quem enviou você? — Perguntei antes e ele esquivou-se da


questão.

Sua seriedade retorna. Ele desvia o olhar para o motorista do táxi


como quem percebe que o táxi não é um lugar seguro para falar. Então
responde.

— Um amigo em comum.
Não sei o que isso quer dizer. Não posso pensar em uma única
pessoa que conheceria um assassino frequentador de bordéis. Volto a
olhar a Embaixada, mas o guarda-costas se foi, contudo, sei que o vi. Sei
que ele está lá, esperando por mim.

Enquanto isto, Daniel está tentando não olhar para as minhas


pernas. Tentando e falhando, posso dizer. Claramente sente-se atraído
por mim, vi um flash de apreciação em seu rosto algumas vezes,
rapidamente encoberto por sua determinação de aço. É difícil para ele e o
vejo tentando lutar contra a atração.

Posso usar isso a meu favor? Sexo já não significa nada para mim
agora. Seja o que for que a intimidade poderia significar antes, isso foi
tirado de mim. Posso ter sexo com este homem. Posso usá-lo para me
manter a salvo do Sr. Gelo. Este homem matou dois homens esta noite.
Pode ser perigoso e me defender.

— Disse que não tocará em mim até eu permitir. — Sussurro e em


seguida mordo o lábio de forma deliberada. Observo seus movimentos,
seu olhar cai para minha boca. Sim, definitivamente sente-se atraído. —
Isso é verdade?

— Não sou um monstro, doçura. — Ele diz e parece quase insultado


com a pergunta.

Deslizo um pouco mais perto dele no carro e os meus dedos tocam


na frente de sua jaqueta.

— Então, posso ficar com você?


Daniel parece surpreso por minha sugestão. Não chocado. Apenas
surpreso. Deliberadamente ele tira seu foco de mim e volta seu olhar
para a Embaixada.

— Você não pode ficar comigo. Aqui é até onde posso ir. Vou deixá-
la. Tenho outro trabalho no Rio. Vá. — Ele passa por mim, chega até a
maçaneta da porta e afirma. — Eles serão bons para você na Embaixada.
Não tem com o que se preocupar.

Pressiono o meu corpo para mais perto dele, deixando meu medo
transparecer através de mim. Essa reação não é falsa. Estou com medo
que ao sair do carro, voltarei ao bordel.

— Por favor, Daniel. Por favor, deixe-me ficar com você por apenas
um pouco mais. — Agarro-me à frente de sua jaqueta e pareço tão
impotente e perdida quanto posso. Ao perceber um pequeno traço de
dúvida, tento uma tática diferente. — Não quero ir para lá com essa
aparência.

Ele observa minha roupa, seus olhos se estreitam enquanto


considera, em seguida, olha para a Embaixada. Inclinando-se em minha
direção pergunta.

— Você está com medo de alguma coisa, doçura?

Concordo com a cabeça, meus olhos arregalados e suplicantes. Não


quero dizer isso em voz alta, porque o motorista de táxi está nos
observando pelo retrovisor. Pelo que sei, ele pode trabalhar
para o Sr. Gelo também. Se o gorila está na embaixada esperando por
mim, ninguém está a salvo, ninguém está seguro.

Exceto, talvez, Daniel.

E Daniel tem armas. Talvez eu possa roubar uma delas enquanto


ele dorme. Talvez eu possa seduzi-lo para dar-me uma ou me ensinar a
matá-los. Neste momento preciso de mais respostas. Quero saber quem o
enviou, assim posso avaliar se estou realmente segura ou se eu saltei
para um novo perigo.

Mas Daniel é o mais viável no momento. Depois de tudo, ele não


pode ser tão mau como o Sr. Gelo, já que não olhou para os meus dentes
nem uma vez.

Daniel parece considerar minha aproximação assustada. E cada


centímetro de proximidade é angustiante. Simplesmente não suporto um
homem me tocando, mas luto para controlar minha bile e continuo
tentando parecer indefesa e inocente. Coloco a mão na frente de sua
jaqueta.

— Eu... podemos ir para um bom quarto de hotel em algum lugar?


Realmente gostaria de um banho e algumas roupas. Então talvez
possamos ir para a Embaixada amanhã de manhã, de acordo? Uma vez
que eu me sinta humana novamente.

Mas minha mente já está girando com novos planos, novas opções.
A Embaixada não é segura. Preciso de alguma outra
maneira de sair deste país. Quando descobrir como Daniel
sabe quem sou, talvez eu possa usar isso a meu favor.
— Tudo bem. — Daniel diz relutante. Cansado esfrega a mão pelo
rosto e confirma. — Merda. Certo. Uma noite e depois voltaremos para a
Embaixada. Eu tenho um cronograma para seguir.

— Uma noite. — Concordo com alívio nítido, me forçando a abraçá-


lo, pressionando meus seios contra ele para deixar meu ponto claro.

Usarei este homem.

Vou flertar e seduzi-lo, chupar seu pau se tiver que fazê-lo. Farei o
necessário para fazê-lo me levar com ele e me manter segura. Se está
disposto a atirar em homens por mim, será uma aposta melhor do que
qualquer um. Além de ser o único homem que tenho disponível no
momento.

Eu me recuso a ser abandonada novamente.

DANIEL

Sei melhor do que isso. Realmente sei que deveria


abrir a porta e levar o traseiro de Regan até à Embaixada.
Deve haver pessoas lá dentro que podem lidar com esta
situação melhor do que eu. Porra, preciso foder alguém. Pareço um
maldito pervertido que mal pode parar de olhar para as pernas dela. A
primeira coisa que farei quando chegar a um quarto é começar a bater
minha cabeça contra o azulejo, na esperança de que algum sentido seja
colocado lá dentro.

Mas ela parece tão assustada e ceder as suas suplicas apesar de


estar no limite e precisar dormir um pouco, irá atrasar a minha busca
por minha irmã e ainda preciso encontrar o hacker de Petrovich.

Estranhamente os três destinos: Regan, minha irmã e o hacker me


trouxeram ao Rio. Pode ser devido à grande movimentação financeira na
economia do Brasil em virtude da Copa do Mundo ou dos Jogos
Olímpicos. Ou pelo aumento da proeminência global geral. O setor
bancário aqui está se tornando enorme, assim como o mercado de
biocombustíveis o que faz com que de alguma forma estranha haja um
aumento correspondente na demanda por carne feminina. Infelizmente,
mais dinheiro significa mais idiotas dispostos a gastarem em coisas
ilegais. Não é um enigma. Aqui sou uma arma. Aponte-me o alvo e eu
atiro.

Quando soube que Naomi poderia estar aqui, alimentei a ideia de


que ela era o hacker. Naomi é mais esperta do que a metade do
continente. Executar um código web de modo sorrateiro seria algo que
ela poderia fazer dormindo. Mas ela é muito inteligente e tenho que
acreditar que ela teria encontrado alguma maneira de
entrar em contato comigo. Nunca busquei aliados, apesar
de saber que ajudaria espalhar a mensagem que Daniel
Hays estava à procura de sua irmã. Mas ela nunca,
nenhuma vez me enviou um e-mail ou uma mensagem ou mesmo um
sinal de fumaça.

Deixar Regan passar a noite comigo não atrasará minha procura,


porque estou precisando desesperadamente dormir. Talvez esteja
realmente com vergonha da sua aparência com aquele fino casaco e
biquíni ainda menor. Vou levá-la de volta para a minha residência
temporária e vesti-la. Nós dois vamos dormir e pela manhã ela estará me
implorando para devolvê-la aos diplomatas norte-americanos. Deste
modo, posso manter minhas mãos longe dela.

— Avenida Nossa Senhora de Copacabana7. — Digo ao motorista.


Ele dá um aceno rápido e nós rodamos novamente. Da Embaixada até o
endereço perto da praia leva menos de quinze minutos. É um belo
passeio de carro. O pavimento e os hotéis altos dão lugar à paisagem
natural e por alguns minutos dirigimos ao longo da baía de Guanabara.
As águas do mar apedrejam as rochas e à distância é possível ver o Pão
de Açúcar que parece um torpedo de pedra prestes a subir aos céus.

Regan tem sua face colada à janela.

— O que é isso? — Ela pergunta, apontando para a montanha.

— É o Pão de Açúcar. Há várias versões sobre a origem do nome.


Uma das mais conhecidas indica os portugueses como responsáveis.
Durante o apogeu do cultivo da cana-de-açúcar no Brasil, após a cana
ser espremida e o caldo fervido, os blocos de açúcar eram

7 As palavras e frases estão em português no original.


colocados em uma forma de barro cônica para transportá-los para
a Europa, denominada pão de açúcar. A semelhança do
penhasco carioca com aquela forma teria originado o nome em
português: Pão de Açúcar8. — Quando noto, estou inclinando-me para
ela, quase sussurrando em seu ouvido. Outra frase em português vem a
minha mente. Eu quero te abraçar agora. Eu quero te tocar.

Endireito-me no assento. O motorista de táxi percebe meu


movimento e sorri.

— A mulher e a sardinha querem-se pequeninas9. — Resmunga


alegremente. Ele tem sorte que está dirigindo e Regan não fala
português.

— O que ele disse?

— Que os teleféricos parecem como latas de sardinha. — Eu minto.


Ele realmente disse que as mulheres e as sardinhas devem ser sempre
pequenas, o que eu acho seja uma referência ao traseiro de Regan, que
ele viu sutilmente em seu espelho retrovisor, mas não vou dizer isso a
ela. Tentando distraí-la, aponto para os fios correndo para a montanha.
— Há os teleféricos que levam ao topo do Pão de Açúcar.

— Ah.

8 As palavras e frases estão em português no original.

9 É um ditado antigo. Para comer sardinha, precisa que seja pequena e as mulheres pequenas

são as melhores, segundo o ditado. A frase está em português no original


Não posso dizer se ela está intrigada ou se não vê a hora de sair
dali. Suponho que o último seria uma aposta melhor. Peço ao motorista
de táxi que nos deixe na esquina, ele não precisa saber onde estamos
hospedados. Sinceramente gostaria que fosse Carnaval, desta forma
Regan vestida em seu biquíni não pareceria tão fora de lugar. Mas com
minhas meias pretas amarradas por tiras de plástico nos tornozelos, um
casaco marrom fina que sequer cobre o biquíni, chamará a atenção.
Contudo, não há nada a fazer, apenas seguir em frente.

— Não há nenhum hotel aqui. — Ela observa com preocupação. Os


edifícios ao longo da Avenida Nossa Senhora de Copacabana não são
nada como a favela. Aqui se parece com qualquer outra área
metropolitana perto de uma praia. Turística e pequena. Em vez de
hotéis, eu sempre fico nestes apartamentos, que são dirigidos por
indivíduos que estão tentando evitar regulamentações governamentais e
taxas extras. Essas pessoas não têm interesse em contar quem são os
seus hóspedes. Pago-lhes em dinheiro e eles ficam ainda mais
entusiasmados em fingir que o lugar esteve vazio durante todo o tempo
que você estava lá.

— Ande como se você possuísse o lugar. — Murmuro sob a minha


respiração quando a levo para os últimos dois complexos de
apartamentos e para um prédio de três andares que abriga três
apartamentos. O meu é o de cima.

Regan observa tudo e anda como uma rainha, de


cabeça erguida, como se as meias pretas, a falta de sapatos
e jaquetas fossem vestimentas normais. Como se os olhares
que recebe fosse por estar incrível e não pouco vestida. Espero que
minha irmã esteja assim. Por muito tempo me preocupei que quando eu
a achasse, ela seria uma viciada em drogas, uma concha vazia, uma
lembrança distante da garota que era. Regan não é assim. Ela está
sorridente, costas retas e olhos claros. Gosto dela, mais do que deveria.

Ninguém diz nada para nós e estamos dentro do apartamento de


um quarto rapidamente.

— Você mora aqui? — Ela olha dentro e ao redor. É um lugar


pequeno. Uma pequena cozinha, uma sala de estar com uma vista
parcial da praia e um pequeno quarto com uma cama queen.

— Alugado. — Respondo. Abro a porta para o banheiro, que contém


um chuveiro e um vaso sanitário de tamanho normal. Aponto para um
conjunto extra de toalhas fornecidas pelo proprietário. — Sinta-se livre
para tomar um banho.

Ela assente e desaparece. A água corre por um longo tempo. Tanto


que eu sou capaz de livrar-me de minha jaqueta, tirar minhas armas e
descartar meus sapatos. Durante o tempo que a água está correndo sem
parar e o vapor está começando a escoar debaixo da porta do banheiro,
estou tentando me manter ocupado, para me desviar do pensamento do
corpo de Regan completamente nu dentro do chuveiro. Fujo da imagem
mental de suas mãos passando por seu lindo corpo, ao longo dos seios
firmes, seios que ela habilmente pressionou contra mim antes e entre
suas pernas. Estou na limpeza de uma segunda arma
quando ela coloca a cabeça para fora da porta. — Estou
surpresa que temos tanta água quente.
— O quê? — Eu pergunto-lhe e isso sai de forma mais acentuada do
que pretendo, porque preciso desligar o meu desejo por ela. Sua cabeça
volta alguns centímetros e tudo o que posso ver são os olhos atrás do
marco da porta. Não é culpa dela que eu seja um idiota sem
autocontrole. — Desculpe. — Levanto-me gesticulando em direção a ela.
— Precisa de alguma coisa?

— Você teria mais do que esta toalha para mim? — Ela pergunta.

— Certo, deveria ter pensado nisso. — Claro. — Ando pelo quarto


até minha mala. Tenho algumas camisas brancas, coletes, cuecas e
calças de algodão. Pego uma camisa. Ela cairá até suas coxas. Talvez
mais tarde possa sair e comprar algo em uma das lojas ao longo da
praia. Eles terão, pelo menos, um vestido de verão.

— Isso é tudo o que tenho. — Eu entrego-lhe, certificando-me de


não olhar para ela. Quando pega, sua mão roça a minha e o contato
acidental envia uma corrente elétrica pela minha espinha. Enrijecendo,
eu rapidamente me afasto. Parecendo ofendida, quase não retiro a mão
rápido o suficiente para evitar uma lesão por esmagamento quando ela
bate a porta.

Na cozinha, esquento um pouco de molho e coloco água para ferver.


Aproveito para comer quando há oportunidade. Geralmente as situações
que te deixam mais vulneráveis são quando você está comendo, cagando
ou dormindo. Ou era mantido em escravidão sexual durante dois meses.
Faço uma pausa. Não, Regan não era vulnerável. Isto era o
que a fazia ser tão atraente. Nos meses que tenho
procurado por minha irmã, vi centenas, talvez milhares, de
garotas e nenhuma delas foi capaz de caminhar com
orgulho e fogo em seus olhos como Regan Porter. A coisa que me atrai
para ela não é apenas a sua aparência, é sua atitude. Eu a admiro. Ela é
uma raridade e decido neste momento que farei todo o possível para me
certificar de que ela retorne em segurança para sua família. Até porque
às vezes os mocinhos precisam ganhar.

Tenho a comida preparada e pronta quando ela finalmente abre a


porta. Seu longo cabelo loiro está enrolado em uma toalha e a camisa
branca fica aberta. Posso ver a sombra de lugares mais íntimos. Forço
meu olhar para seu rosto.

Ela olha especulativamente para mim, como se fosse um cliente em


um açougue escolhendo o melhor tipo de carne. Sou a parte que você
deixa para trás, doçura. Sou velho, duro e tão saboroso como um sapato
de couro.

— Vamos comer. — Faço um gesto para a mesa, empurrando as


peças das minhas armas para o lado. A principal é uma Ruger SR45 que
eu limpei primeiro. Eu tenho-a deitada em uma cadeira ao lado da mesa.
Fácil de agarrar e disparar se necessário.

— Leite? — Ela pergunta, com as sobrancelhas levantadas. —


Temos o quê? Cinco anos?

— Não. Tenho vinte e sete anos, mas ainda preciso disso. — Puxo
uma cadeira para me sentar. Gostaria de saber se ela está usando minha
cueca. Amaldiçoo-me mentalmente. Claro que não. Eu não
lhe dei uma. — Precisa de alguma coisa, ah, lá embaixo?

— Um pão francês? — Ela pergunta.


Pão francês? Isso é um termo especial para a boceta de uma
mulher? Olho para ela com a boca aberta e sinto seu rosto vermelho sob
o meu olhar. É preciso um esforço sobre-humano da minha parte para
não permitir que meu olhar siga a trilha por seu corpo, imaginando até
onde vai.

Com os olhos para baixo, ela gesticula em direção à comida. —


Desculpe. Isto está bom. Não preciso de pão.

Oops. Acho que ela estava falando sobre a comida, sobre descer
para comprar pão. Tento ser mais direto desta vez. — Quis dizer, você
precisa de uma cueca? Esqueci-me de lhe dar uma. Não tenho boxers,
sou mais um homem de cuecas normais. Isso quando uso qualquer uma.
— Este comentário faz com que Regan se transforme em um vermelho
beterraba.

— Não, estou bem. — Ela se move desconfortavelmente na cadeira,


o que me diz que é uma mentira, ela não está muito bem.

— Não quero deixá-la sozinha, mas preciso arrumar algumas


roupas para você. Coma. Eu já volto. — Digo e vou para a porta.

— Não. — Ela se levanta, seu quadril batendo na mesa,


derrubando-a. Molho, macarrão, leite tudo voa. — Oh, merda! — Ela diz
e então de repente a princesa guerreira se rompe. Desaba no chão e
chora. Grita como se estivesse sendo dilacerada. Minha promessa de não
a tocar até que me dê permissão se dissolve como o açúcar
na água e sem perceber, a pego em meus braços e a levo
para o sofá. Tento colocá-la no chão, mas ela agarra-se a mim e tomo
isso como o consentimento necessário.

— Acomodo-a em meu colo, enquanto seguro seu corpo, que


continua tremendo incontrolavelmente contra mim. Há uma tempestade
dentro dela e eu não sei quanto tempo será necessário para abrandá-la.
Enquanto a embalo em meu colo, percebo que o mundo poderia se
incendiar e não a poderia deixa ir. Não neste momento. Não até que ela
não precise mais de mim, porque não me lembro da última vez que me
senti tão bem assim. Talvez, nunca o tenha feito.
Capítulo 5

REGAN

Perdi totalmente o controle.

Pensei que estivesse me segurando bem. Que tivesse enterrado


todas as desgraças tão profundamente, que nada mais poderia me afetar.
Acho que estava errada, porque as coisas mais difíceis foram fáceis de
lidar. Já as menores conseguiram desgastar meus nervos.

Daniel me levou para um belo apartamento. Pelo que vi, era


diferente dos padrões americanos, porém mais limpo que o bordel e mais
privado. Lá dentro somos eu e ele, imediatamente acho que ele irá me
atacar. E está tudo bem, estou pronta para fazer sexo com este homem
enquanto ele me mantiver em segurança. Agradar na cama um homem
que me protege seria brincadeira de criança em relação ao que passei.

Mas Daniel é... Bom. Ele me deixa tomar banho e me


dá roupas limpas para vestir. Nada malicioso, apenas suas
próprias roupas. Está claro que ele não tinha a intenção de
me levar com ele, o que dá credibilidade à sua história
sobre levar-me à Embaixada. No final das contas este homem pode ser
bom e fala a verdade. Ele me deixaria na Embaixada e seguiria sua vida.
Não, ele não me usaria para o sexo, mesmo sentindo-se atraído por mim.

E isso me confunde profundamente. Em minha nova realidade os


homens querem uma transa rápida. Não sei como tratar as pessoas
agradáveis apenas por serem agradáveis. Não mais. Vesti as roupas que
me deu e sentei-me para comer sua comida. Sou uma cadela. Não posso
evitar. Esconder-me atrás dessa atitude de merda é tudo o que tenho.

Mas ele não está tentando me fazer sentir cômoda. Ele não está
olhando meu corpo, ainda que esteja claramente exposto em uma
camiseta fina, não uso sutiã ou calcinha. Até mesmo fez um jantar e me
serviu um copo de leite. E ia sair para me comprar roupas. Ou pão.
Alguma coisa.

— Coma. Eu já volto. — Diz ele.

Eu perco o controle. Estou sendo abandonada novamente. Quero


gritar, quando me levanto derrubo meu prato e todo jantar no processo.
Ele se quebra a meus pés e ali, naquele momento parece que sinto tudo
se quebrar e fragmentar. Sou eu quem está quebrada no chão do
apartamento.

Perco o pouco controle que me resta.

Começo a chorar incontrolavelmente. Tudo se sente como se


estivesse quebrando ao mesmo tempo. Esta noite escapei
do bordel, mas a Embaixada, minha única possibilidade de
liberdade está fora dos planos. A liberdade foi tirada de
mim novamente. E o homem que me salvou está tentando ser bom, mas
ao mesmo tempo quer me foder. Não sei o que pensar.

Assim eu choro.

Como um herói em algum conto de fadas, Daniel me pega em seus


braços e me leva para o sofá. Isso me faz chorar mais, porque o esperado
seria ele me jogar no chão e começar a me foder. Isso eu estou
acostumada. Isso eu sei como lidar. Mas quando ele acaricia meu cabelo,
sussurrando coisas suaves e tranquilas em meu ouvido.

Não posso. Entende?

Deixo escapar grandes soluços. Minhas mãos seguram a sua


camisa e me inclino contra ele, deixando ir todas as dores do meu
coração. Estou com tanto medo e tão perdida. E mesmo com este homem
me segurando, me sinto completamente e totalmente sozinha.

— Doçura, não chore. — Ele murmura enquanto acaricia meu


cabelo. — Ficará tudo bem. Nós vamos levá-la de volta para a Embaixada
na parte da manhã e você estará em um avião para casa em poucos dias.
Eu prometo.

Sua menção à Embaixada só me faz chorar mais. Se eu for lá, o Sr.


Gelo me encontrará. Irá verificar meus dentes, pedirá para me depilar
um pouco mais e quando estiver totalmente quebrada... O quê então?
Tenho visões dele tentando me transformar na fantasia de sua mulher
perfeita. Ostentando-me como um troféu de caça. E, em
seguida, não sei, ele pode querer um boquete da sua escrava perfeita e
bonita, não sou optimista a ponto de dizer que posso aguentar mais uma
queda.

Minhas mãos deslizam sobre Daniel e eu o abraço enquanto ele


acaricia minhas costas. Ocorre-me que estou praticamente em seu colo.
Quero afastar-me, tomar outro banho. Ao mesmo tempo um pensamento
diferente passa por minha mente, desta vez quando pressiono o meu
rosto contra seu pescoço, é para esconder o fato de que minhas lágrimas
estão secando.

Daniel tem armas.

Mantenho minhas mãos em sua cintura, sem deixar de chorar e


fungar, delicadamente tento sentir sua arma. Há uma desmontada em
cima da mesa, mas Daniel parece ser do tipo que teria outra pronta em
todos os momentos. Deve ter outra com ele. Encontrá-la tornou-se o meu
novo objetivo.

Então fungo e me aperto contra ele, notando a ereção na frente de


sua calça. Ele está tentando me confortar, mas seu corpo tem outras
ideias. Finjo não notar, assim deixo o meu seio roçar em seu peito.

— Sinto muito. — Digo com uma voz trêmula. — Não sei o que há
de errado comigo.

Ele bufa.

— Você está brincando comigo? — Seus dedos


acariciam meu rosto úmido. Disfarço da melhor forma que
consigo para não me encolher ao seu toque. Recentemente
todos os toques parecem levar ao sexo violento. — Você passou pelo
inferno e saiu. Acho que está autorizada a uma festa de gritos. Apenas
tente não babar muito em mim.

Uma risada aguada escapa da minha garganta, gosto do bom


humor de Daniel. Minha mão passa por algo duro no cinto, acho que é
sua arma. Sim!

Porém, antes que possa agarrá-la, sua mão cobre a minha, me


impedindo.

— Chore tudo que você quiser doçura, mas as armas ficam comigo.

Eu me afasto dele, enxugando os olhos. O tempo para carinhos


acabou.

— Tem que me dar crédito por tentar.

Daniel ri novamente e balança a cabeça em admiração. — Eu o


faço. — De pé, ajusta-se rapidamente e em seguida faz gestos para a
cozinha. — Vou limpar isso, e então sairei para comprar roupas...

— Não! — Grito novamente e agarro sua calça. O pânico retorna,


pouco importa que esteja me agarrando à frente de sua calça e minha
boca esteja praticamente no nível de sua virilha. Olho para ele,
suplicante. — Não me deixe. Não quero ser deixada. Não preciso de
roupas novas. Estas estão muito boas. — Merda. Estou balbuciando,
mas não posso me controlar. — Dê-me uma calça e ficarei
bem. Eu juro.
Ele olha para mim por um longo momento, passa a mão sobre o
rosto e assente.

— Certo. Pode pegar algumas das minhas coisas e faremos compras


amanhã de manhã. Juntos.

Alívio me percorre.

— Sim. Parece bom. Obrigada.

Mesmo sob meus protestos, Daniel não me deixa ajudá-lo a limpar


a cozinha. Em vez disso, me dá outro prato de comida e um copo de leite,
faz-me sentar no sofá e comer, enquanto ele varre o vidro e enxuga o
chão.

Ele também conversa comigo o tempo todo. Fala sobre o tempo, a


comida diferente aqui no Brasil e a Copa do Mundo. São temas
inofensivos, temas simples, uma conversa que se pode ter com um
motorista de táxi. Eu escuto, mas não ofereço comentários adicionais,
apesar de tudo nunca vi grande parte do Brasil. Estava acorrentada em
um bordel.

Certamente Daniel não gosta muito de silêncio e eu gosto de ouvir


alguma coisa diferente de: abra a boca, vagabunda e cadela. Então, gosto
da conversa. Sua conversa normal faz-me sentir um pouco mais normal,
também.

Quando eu bocejo e enrolo-me na ponta do sofá,


depois de toda a comida, ele faz uma pausa e vem para o
meu lado.
— Vamos. Hora de se deitar.

Fico rígida, mas me levanto. Aqui está. Aqui é onde tenho que pagar
meu sustento.

— Estou pronta.

Vamos para o quarto e a massa que eu comi se transforma em


chumbo no meu estômago. Eu consigo. Eu consigo.

Daniel se move na minha frente e puxa os cobertores de um lado da


cama.

— As janelas não abrem totalmente, então não recomendo escapar


através delas. Além disso, este bairro é uma merda. Mais uma vez, não
recomendo fugir.

Ele me oferece um travesseiro e eu o agarro contra meu peito,


esperando. Isso é para os meus joelhos? Assim não terei mais contusões,
enquanto ele me fode?

— Tudo certo.

Em seguida ele passa por mim e volta para a porta do quarto.

— Estarei na sala. Se você ficar com medo ou precisar de alguma


coisa é só gritar. De acordo?

E então ele fecha a porta.

Ele não quer sexo comigo. Pelo menos, não está noite.
Ele deu-me o quarto. É apenas eu? Estou surpresa... E logo
minha mente começa a correr. Posso empurrar a cama
contra a porta para evitar sua entrada. Ou se a cama for muito pesada,
posso usar a cômoda contra a porta. Posso deixar este quarto totalmente
seguro.

Mas... E se ele tentar sair novamente?

Se ele me deixar?

O pânico volta e acho que vou vomitar. Abro a porta do quarto e


corro para a sala, assustando-o. Ele sentou-se para terminar a limpeza
de suas armas, mas ao me ver se levanta.

— O que está errado?

Não posso explicar o puro alívio que sinto ao vê-lo. Aperto as mãos e
tento pensar em uma desculpa para ele não estar no quarto comigo...
Mas eu não o quero fora da minha vista também.

— Eu... Hm, estou com medo.

— Do escuro? — Ele brinca, sorrindo novamente. — Quer manter a


luz acesa?

— Muito engraçado, idiota. — Eu digo, mas sorrio levemente. — Eu


posso... hm... Posso dormir aqui? — Olho e aponto para o sofá.

Agora ele parece confuso.

— Quer que eu durma na cama e você no sofá?

— Não! — Respondo rapidamente. Se ele estiver na


cama, ele estará no outro quarto. — Eu... Uh, eu quero
estar no mesmo lugar que você. Não no quarto. — Acrescento. — Aqui.
Onde é seguro.

Onde eu posso ver você.

Ele assimila isso e depois assente.

— Certo. Pegue em seu cobertor. Ficarei acordado por um tempo de


qualquer maneira.

Corro de volta ao quarto, arranco o cobertor da cama, assim não


tenho mais um momento longe dele. Envolvo o cobertor ao redor de mim,
apressando-me de volta para a sala. Daniel me olha quando eu volto,
com o rosto impassível, logo retorna a limpeza de suas armas.

Relaxo um pouco mais agora.

Nós não estamos no quarto e quando me deito no sofá, olho a mesa


para que eu possa vê-lo trabalhar. Para que possa manter um olho nele.
Puxo o cobertor apertado ao redor de mim. É macio. É a coisa mais
suave que senti desde que fui sequestrada e imediatamente sinto
vontade de chorar novamente ao sentir este pequeno luxo.

Amanhã descobrirei uma forma de fazer Daniel concordar em ficar


comigo. Não posso ir para a Embaixada. Não posso arriscar. Terei que
descobrir alguma outra maneira de chegar em casa.

Observo Daniel trabalhar até cair no sono, exausta.


Capítulo 6
DANIEL

Sua fragilidade finalmente aparece, pela primeira vez desde que a


resgatei do bordel, parece como se ela pudesse se quebrar. Prefiro a
garota sarcástica e lutadora. Esta vítima com lágrimas nos olhos me
assusta para caralho. Nenhuma das minhas relações passadas me
preparou para ela. Que porra fará com sua irmã? Uma voz zomba de
mim. Tinha esperança de encontrar minha irmã, levá-la para casa onde
a terra, os cavalos e nossa mãe iriam curá-la. Mas, quando olho para a
forma adormecida de Regan, tensa até em seu sono, quando a maioria
das pessoas está completamente relaxada, percebo como é uma ideia
idiota. Será necessário mais do que beber chá doce, sentados na varanda
para ela se recuperar. E Regan está há apenas algumas horas fora da
sua prisão, da dura realidade na qual foi obrigada a viver. Até mesmo
soldados treinados, levam tempo para se recuperar e Regan
definitivamente não tinha qualquer tipo de formação
militar.
Quando fazia parte das Operações Especiais todos nós fomos
treinados para sobreviver à captura e tortura, o que significava que
nossos comandantes fariam nosso treinamento nos sequestrando e
torturando. O treinamento consistia basicamente num grupo de soldados
mais experientes levando-o a uma solitária onde colocariam uma toalha
molhada em seu rosto. Em um primeiro momento a toalha não seria
muita coisa a ser enfrentada, você acha que pode sobreviver a uma
toalha molhada. No entanto, depois de horas imobilizado, sugando o
tecido molhado a cada respiração. Tendo mais e mais água derramada
sobre sua boca, nariz e ouvidos, enquanto você vomita e engole de volta,
torna essa situação, como o inferno. Então, quando se está prestes a
desistir ou achando que se vai morrer, a toalha é arrancada. Mas você
continua preso e começa a tortura com luzes fluorescentes, que ligam e
desligam incessantemente, enquanto ruídos aleatórios são canalizados,
por vezes, pelo que parece horas. Depois ouve seus amigos gritarem no
quarto ao lado, enquanto eles parecem estar sendo torturados ou
violentados. Os gritos são desesperados, implorando por ajuda e
salvação. Mas você não pode fazer nada.

Muitas vezes, são nestes testes mentais que os soldados falham ao


tentar entrar nas Forças Especiais. Muitas pessoas podem nadar, correr
e levar uma mochila pesando sessenta e oito quilos por quarenta e dois
quilômetros. Muitos não conseguem viver a tortura mental e sair dela
ilesos.

Não sei o que Regan passou, prefiro não pensar nisso.


Mas suponho que sofreu mais do que qualquer soldado das
Forças Especiais. Como ela não está catatônica, eu não
faço ideia. Então para minha surpresa, o que a faz perder o controle? A
merda do normal.

Eu não podia dizer mais do que duas palavras ao terminar a minha


formação psicológica. Ao contrário de Regan, porém, eu estava sozinho
no chuveiro do meu apartamento quando tive minha explosão. No dia
seguinte, consegui fingir que não era nada, quando todo mundo estava
me comprando bebidas e me felicitando por me formar. Alguns dos
veteranos, no entanto, ao me oferecer as bebidas, ofereceram um olhar
compreensivo que dizia que minha bravata era uma fachada. Então sim,
o choro torrencial de Regan não era nada, apenas normal dado toda a
sua situação. Espero que ela saiba disso.

Levá-la de volta a Embaixada e coloca-la em um avião para casa,


faria uma diferença e tanto. O primeiro passo para a normalidade era
conseguir roupas reais e sapatos. Era tentador sair agora. O Rio era
como Vegas, aberto a todas as horas da noite. Mas se ela acordar e
descobrir que não estou aqui? Isso parece uma má ideia. Lidaremos com
a coisa das roupas de manhã. Chuto minhas botas, tiro a minha
camiseta e me sento na cadeira dura, feliz pelo descanso muito
necessário. O último pensamento que passa por minha cabeça é que há
uma maldita cama e que não conseguiria usá-la esta noite.
— Você não pode sair. — A voz de Regan é desesperada. Fato que
ela está valentemente tentando não mostrar. Finjo não a perceber
encolhida no canto do sofá, tão longe de mim quanto pode. Ela mantém
os olhos em mim em todos os momentos. É como se ela quisesse me ver
ali e assim se sentirá mais segura, mas posso garantir que não irei
machucá-la, não da forma como foi ferida nas últimas seis semanas.

Coloco tanta suavidade quanto posso em minha voz, estendo a mão


não para tocá-la, mas para mostrar a ela que não quero fazer-lhe mal.
Funcionou com os cavalos no passado e não é como se eu tivesse alguma
ideia melhor.

— Não posso levá-la para baixo. Você destaca-se demais Regan.


Precisamos nos manter discretos até leva-la de volta para a Embaixada.

Ela assente, mas não tenho certeza se estou recebendo uma


concordância. Passo a mão pelo meu rosto. Odeio deixá-la, mas não
tenho escolha. Olho ao redor buscando uma forma de fazê-la sentir-se
mais segura. Meus olhos caem sobre uma das armas que desmontei.
Uma arma. Ela estava me apalpando ontem depois de sua tempestade de
lágrimas, em busca de uma arma. Por um breve momento, pensei que
estivesse me acariciando e tive que lutar contra um tesão completamente
inadequado, provocado por seu corpo suave e sua necessidade de
conforto. Para não mencionar os dedos magros correndo para cima e
para baixo sobre meu abdômen e em todo o cós da minha calça.

— Já disparou uma arma antes?

— Não. — A palavra é trêmula e suave. Vou até a mesa


e remonto minha Ruger. Não é uma boa arma para uma
iniciante. A Glock seria melhor, não gosto delas e mais importante, não
tenho uma comigo, então esta peça terá que servir.

Levanto a arma, entrego-a com o cano virado para frente em


primeiro lugar. Suas mãos rodeiam imediatamente o cabo e seu dedo
está imediatamente no gatilho.

— Nuh-uh, uh. — Puxo seu dedo do gatilho e coloco-o ao longo do


tambor. — Apenas coloque o dedo no gatilho quando for puxá-lo. —
Instruo. Desta vez, seu aceno é acompanhado por alguma compreensão
em seus olhos.

— Vê a trava aqui? É a trava de segurança. — Deslizo o dedo ao


longo da trava de segurança, fazendo-a empurrá-la para cima e para
baixo. — Para cima está travada. Para baixo, não está. — Espero seu
reconhecimento e a vejo virar a trava algumas vezes. Levo a outra mão e
puxo o tambor. — Quando o tambor está carregado, sua arma está
pronta. Você tira a trava de segurança e coloca as duas mãos ao redor do
cabo. — Puxo sua mão esquerda e dobro-a ao redor da sua mão direita.
— A SR45 tem um recuo suave, mas ela ainda vai dar um baque, o que
faz a arma ir para cima após o tiro. Sempre traga sua arma recuada
quando mirar ou vai bater no teto.

— Manter a arma recuada, desengatar a trava de segurança.


Entendi. — Ela esfrega o dedo indicador quase amorosamente ao longo
do lado do tambor e meu pau começa a inchar novamente. Balançando a
cabeça em minha própria resposta, redobro meus esforços
para focar em mostrar a Regan os passos básicos com uma
arma.
Tento puxar a arma de suas mãos, mas ela não libera facilmente.
Tento novamente e prometo a ela.

— Vou devolvê-la. Dê-me apenas um minuto. — Relutante, permite


que retire a arma de suas mãos. Levanto a arma, libero as balas da
câmara, pressiono a liberação do compartimento, que cai na minha mão,
após verificar, empurro a bala de volta. Verifico para garantir que a trava
de segurança ainda está ativa e entrego de volta a arma para ela. Em
seguida, dou quinze passos, o que me coloca à direita na cozinha cerca
de dez passos a partir da porta. — Espere até que seu intruso esteja bem
aqui e em seguida, dispare. Se estiver mais longe, você perderá o alvo.

Ela faz uma careta para mim.

— Porque eu sou uma mulher?

— Porque você nunca disparou uma arma antes. Não importa se é


uma mulher ou um homem. — Digo. — Sairei para comprar algumas
roupas, sapatos e... — Aceno minha mão em direção a seu corpo. —
Outras coisas. Quando voltar, se estiver tudo seguro, vou dizer o meu
nome, esse será o código para abrir a porta. Ao contrário, se perceber
algo estranho ou que esteja em perigo, vou dizer: Querida, estou em casa.
Esse será o código para correr. Vá ao quarto, pegue minha mochila e
saia pela escada de incêndio. Em vez de ir para o andar de baixo, vá até
o telhado e espere lá.

— Pensei que tivesse dito que as janelas não se


abriam. — Ela fala divertida.

— Eu menti.
— E se você não voltar? — Um olhar de medo prevalece em seu
olhar.

Agacho, então ficamos no mesmo nível. — Voltarei para você,


Regan. Não vou deixá-la até que esteja segura. Prometo.

— Porquê?

Essa é pergunta fácil com respostas fáceis, se confiasse nela para


manter a boca fechada, mas não é apenas a minha vida que está em
jogo. É a de Nick, Daisy, sua garota, que também é a melhor amiga de
Reagan. Não sei que história eles querem que diga a ela, por isso até que
possa fazer contato com eles, tenho que manter minha boca fechada.
Mas não quero deixá-la apreensiva.

— Simplesmente você é muito importante para não salvar. — E


realmente acredito em cada palavra que digo. Se estiver ao meu alcance,
não vou deixá-la se machucar novamente. Não enquanto ainda estiver
respirando. Porque sou totalmente estúpido, me inclino ainda mais perto
e dou-lhe um beijo suave em sua têmpora. O ar ao redor de nós fica
pesado com a atração. Eu sei o que está acontecendo, porque posso
sentir minha calça ficando cada minuto mais apertada. Ela fica tensa,
seu medo evidente. Com base nas experiências que viveu recentemente,
isto não é anormal. Esta perceção evoca outro sentimento:
constrangimento. Ignorando a situação que causei e verifico meu
tornozelo onde fica presa uma das minhas armas.

— Por que eu não posso ter essa arma? — Ela


pergunta. — Parece que seria mais fácil para atirar.
— Não. — Eu digo. — Este bebé é um calibre 22 e sua arma é um
calibre 45. Você pode fazer estragos muito maiores com a arma que lhe
dei.

Coloco uma roupa folgada sobre o colete onde ficam as duas facas
que ao lado do meu corpo. Quando viro para Regan vejo que ela está
apontando a maldita arma para mim.

— Você tem intenção de atirar em mim, doçura?

— O quê? — Ela parece confusa e um pouco angustiada.

— Não? Então não aponte a arma para mim. Se não há um alvo,


aponte para o teto ou para o chão. Mas se fiz algo para machucá-la que
somente uma bala vai limpar o ar. Atire.

Ela abaixou a arma.

— Boa garota. — Eu abro a porta. — Qual é o nosso código?

— Seu nome é o código que estamos seguros, Querida, estou em


casa, significa perigo.

— Boa garota. — Eu repito e fecho a porta atrás de mim. Pela porta


fina posso ouvir um soluço abafado, seguido por uma profunda
respiração, então, silêncio. Boa garota penso comigo.

Desço rápido, não quero estar fora por muito tempo. Minha intuição
me diz que Regan precisa de mim rapidamente.

Uma vez na rua, vou para o Copacabana Palace Hotel.


Embora existam dezenas de pequenas barracas ao longo da
praia, acho que será mais fácil conseguir tudo o que preciso em um
único lugar. Mas primeiro... Entro no primeiro beco que vejo, depois
espero mais ou menos uns três segundos. Próximo a mim, vejo um
homem de cabelos escuros, ao redor de seus vinte e tantos anos, o rosto
marcado com espinhas. Quando ele faz uma pausa na entrada do beco, o
alcanço e aperto seu pescoço. Suas mãos tentam alcançar meus dedos,
mas meu aperto não diminui. Com um puxão forte, o arrasto ainda mais
para dentro do beco. Deste modo, fica mais fácil bater sua cabeça contra
a parede. Se ele tivesse uns nove quilos a mais, ainda seria muito mais
forte do que ele e pelo menos, dez centímetros mais alto. Meu antebraço
o impede de respirar por trinta segundos. Quando ele está ficando azul e
sua respiração é mais difícil, eu solto um pouco do meu aperto.

— Por que Gomes a quer tanto de volta?

Ele cospe em minha direção. Isso é nojento. É por isso que odeio
contato físico em lutas. A possibilidade de todos os malditos fluídos como
sangue, urina, cuspe e vómito voar sobre você é muito grande. Pela falta
de resposta, imagino que ele não fale inglês. Pergunto-lhe.

— Fala inglês?

Ele aperta os lábios, numa recusa não-verbal universal para


responder, então eu levanto meu antebraço para evitar mais cuspe na
minha cara novamente. — Não me importo se você fala inglês ou não,
porque se não me der uma boa resposta, irá morrer aqui.

— Engasgue na minha porra! — Ele diz ofegante.


— Não, obrigado. Eu prefiro comer bocetas, a tomar a porra de um
estranho.

— A puta não pertence a você. — Ele finalmente diz, mostrando que


fala inglês muito bem.

— A quem ela pertence?

O homem de Gomes luta inutilmente contra mim. O levanto mais


alto, até que ele mal consegue atingir o chão. Os músculos do meu braço
direito estão tremendo e sei que vou ter de colocar um fim a isso em
breve.

— Não é assunto seu. — É a sua resposta.

Não é assunto meu? Ele está brincando comigo?

— Já que você está me seguindo e tentando me matar, isso meio


que é meu assunto.

Ele tenta balançar a cabeça para frente, tentando acertar uma


cabeçada em mim, mas o antebraço contra sua traqueia impede tal
movimento. Um sorriso maligno se espalha por seu rosto e sei o que ele
vai dizer, mesmo antes de sair de sua boca.

— Aquela puta adorou cada minuto do meu pau dentro dela.

Meu punho esquerdo esmaga sua boca e sinto a quebra gratificante


do maxilar sob a minha mão. Jorros de sangue saem de
sua boca sujando minha camisa. Porra, minha camisa é de
linho. Sangue é difícil sair da roupa. Porra!
Não tenho tempo para perder com esse assassino. Acabou a
brincadeira. Com uma rápida joelhada coloco suas bolas e pau em seu
rim. — Você não vai usar mais isso mesmo. — Digo, referindo-me a seu
pau inútil.

O liberto do meu aperto. Ele cai no chão aos meus pés, gemendo
com sua boca quebrada. Definitivamente o mundo pode ficar sem mais
um estuprador, viro sua cabeça para quebrar seu pescoço com um
movimento rápido.

Minha camisa está coberta com seu sangue e saliva. Porcaria. Não
posso ir para o hotel com isto. Decido ir aos vendedores de rua. Compro
a primeira camisa que posso encontrar. É azul brilhante e pode ser vista
a dez quilômetros no escuro, mas é melhor do que o linho salpicado de
sangue que deixei no beco e que agora envolvia o homem morto.

A coisa toda só levou cerca de cinco minutos e o mais rápido que


posso, estou no hotel. A visita à loja leva mais tempo do que esperava.
Eles querem que eu tome decisões sobre cor e tecido. Padrões ou sólidos.
Não me importo com essa merda, e me atrevo a dizer que Regan não se
importaria também. Após cerca de quinze minutos desse despropósito,
eu compro tudo o que eles recomendam. Pago pelas roupas, sapatos,
roupas íntimas e outras coisas do sexo feminino em dinheiro e ninguém
pisca. Poderia ser porque sou um turista norte-americano estúpido ou
pode ser que o crime é tão comum que ninguém se importa se meu
dinheiro é limpo ou sujo, contanto que seja real.

Levando minhas três sacolas de compras, corro de


volta para Regan. Meu relógio diz que se passou cerca de
uma hora. Parecem dois dias. Ao me aproximar da porta ouço a arma ser
preparada para atirar.

— Daniel aqui. — Digo, em seguida, passo para o lado no caso de


ela atirar através da porta.

Dentro ouço alguns sons abafados e depois uma maldição.


Finalmente, ela diz com resignação.

— Entre. Eu tenho a arma apontada para o teto, porque não sei


como fazer a coisa extravagante com as balas.

Abro a porta, entro abaixado no caso de haver qualquer outra


pessoa com Regan, mas é só ela com um olhar engraçado em seu rosto.
Olhar, que é indecifrável para mim.

— Alguma coisa aconteceu com sua camisa? — Ela aponta para a


minha camisa. Não querendo dizer a ela que Gomes enviou outro homem
atrás de nós, encolho os ombros.

— Gosto de azul, o que posso dizer? — Segurando as três sacolas,


eu pergunto. — Quer olhar as compras?

Ela deixa a arma no chão de frente ao sofá, o cano apontado para a


parede. Garota inteligente. Ela aprende rápido. Gosto de não ter que
repetir várias vezes algo. Ela sabe o que precisa ser feito.

— O que é isso? — Olha dentro das sacolas.


Colocando-as sobre a mesa onde eu estava limpando
minhas armas, pego a Ruger abandonada do chão.
— Coisas para você. Roupas, sapatos e outras merdas. —
Respondo, distraído enquanto tiro as balas e então o carregador. Uma
vez que tudo está de volta vou para o quarto e puxo um colete de nylon
com coldre e guardo minhas duas Ruger dentro dos bolsos no peito.

Quando eu volto para a sala, Regan está olhando todas as coisas. A


noite quase sem dormir e a excursão de manhã cedo me batem. Eu me
estico no sofá e assisto enquanto ela abre as sacolas.

— Isso é muito.

— Imaginei que você poderia dizer na Embaixada que perdeu toda a


sua bagagem, mas não sua sacola de mão. Não tenho certeza quanto
tempo eles levarão para a enviar de volta, então comprei muitas coisas.
Há uma mala para toda essa merda em uma das sacolas.

Imediatamente Regan parece chateada com algo, mas estou muito


cansado para me importar. A adrenalina da minha luta está
desaparecendo rapidamente. Todo o processo até agora, estar caçando-a
há semanas, ficar no puteiro de Gomes não foi um caminho fácil. Matar
o último homem de Gomes comprou-nos um pouco de tempo. Preciso de
um cochilo. Não respondo por mim. Não posso pensar claramente por
estar cansado demais.

— Vou descansar um pouco e em seguida, conversaremos sobre sua


volta à Embaixada. — Minhas pálpebras estão pesadas eu permito que
se fechem. — A propósito. — Eu digo, sonolento. — Há
biscoitos na geladeira. São para o café da manhã.
Capítulo 7
REGAN

Não quero saber sobre o café da manhã que ele deixou para mim.
Não posso comer, não quando diz que me levará para a Embaixada. Isso
não pode acontecer. Preciso agir.

Minha mente está girando a milhão de quilômetros por minuto


enquanto Daniel relaxa no sofá e puxa o cobertor sobre si mesmo. Ele
parece exausto e parte de mim fica irritada, já que ele claramente dormiu
mal me vigiando. Porém, a outra parte está em pânico e não se importa.
Minha mente está gritando para acordá-lo e forçá-lo a me proteger do
mundo.

É triste, como Daniel se tornou a única coisa segura na minha vida.


Com certeza há algo fodido nisso.

As roupas que ele escolheu são bem chamativas,


claramente de acordo com padrões turísticos. Fato que
teria rido antes. Agora, depois de toda merda que vivi, estou
tocando o tecido macio de um vestido de algodão e
apreciando que cobrirá todo meu corpo. Pouco importa quão chamativo
ele é. Há sutiãs e calcinhas também, e algumas sandálias de couro com
aparência hippie. Elas não combinam com o vestuário, então é claro que
ele estava tentando encontrar algo prático para os meus pés. Bem
pensado.

Puxei um sutiã e calcinha, franzindo a testa ao vê-los. Estes não


são estilo vovó, são um pouco sexy, na verdade. Os tecidos do sutiã e
calcinha combinam e são pura e claramente um chamariz para o
romance e não para praticidade. Lanço a Daniel um olhar desconfiado,
mas seus olhos estão fechados e seu rosto está relaxado enquanto ele
dorme.

Ou finge.

Considero a lingerie. Será que ele comprou isso com um motivo em


mente? Ou era a única coisa que ele conseguiu encontrar? Não sei a
resposta, mas não confio mais em homens, então suspeito o pior. Que
Daniel me quer. Contanto que eu possa usá-lo para ficar segura, estou
bem com isso.

Olho seu rosto adormecido e deslizo a calcinha debaixo da minha


roupa e a puxo para cima. Está um pouco apertada no quadril, mas não
me importo. Está limpa, isso é tudo que importa. Não saio da sala para
colocar o sutiã, de jeito nenhum. Deslizo meus braços sob a minha
roupa atual e prendo o fecho nas minhas costas, observando Daniel
enquanto ele dorme. Deveria ir para a o quarto e me trocar,
mas não quero.
A ideia de deixar a sala me assusta. É como, se deixá-lo, ele irá
desaparecer e ficarei sozinha mais uma vez. Então, troco minhas roupas
pelas peças que Daniel trouxe, tirando as etiquetas enquanto as coloco.
Daniel dorme através de tudo isso.

Quando eu estou vestida, sento-me à mesa da cozinha e tento não


entrar em pânico. Estou vestida agora. Estou limpa e vestida. Deveria
estar me sentindo humana, mais relaxada. Em vez disso, estou tremendo
de medo, minha mente esperando o caos. Quando acordar, Daniel me
levará para a Embaixada. Voltar para lá significa que o Sr. Gelo irá me
encontrar e voltarei de onde saí. Se disser a Daniel, porém, irá se
importar? Ele deixou claro que está pronto para se livrar de mim e
apenas piorei as coisas caindo aos pedaços na noite passada. Quero me
chutar por ter uma crise de choro, acho que isso o assustou.

Pense, Regan, pense.

Bato os dedos sobre a mesa, meu olhar repousa sobre sua jaqueta
pendurada em um gancho próximo da mesa, mordo meu lábio, olho para
Daniel e quando noto que ele ainda está dormindo, me aproximo de sua
jaqueta. Procuro nos bolsos, curiosa para ver o que posso encontrar.
Preservativos? Balas? Facas?

Encontro um maço de dinheiro brasileiro, um frasco de algum tipo


de pó branco que parece perigoso, um telefone descartável barato e um
gravador. Certo, isso é interessante. Abro o telefone silenciosamente e
bato na seta para baixo, à procura de mensagens.

Ele tem várias mensagens de números desconhecidos.


Eu leio a mais recente.

R. foi recuperada? Preciso de atualização de status para o Imperador.

Outra do mesmo número deixa-me em pânico.

R. não está na rota para os Estados Unidos. Informe. Estou ficando


impaciente.

Meu coração bate de forma irregular eu peito. Porra. É claro que


Daniel está em uma missão de recuperação. Pelo que vejo, ele deveria
ter-me enviado para casa e alguém está infeliz por que ainda não o fez.
Porra. Aposto que não sou sua única missão. Ele me deixará na
Embaixada e voltará para seu caminho, a menos que eu faça alguma
coisa.

Cuidadosamente fecho o telefone novamente, pensando. Não tenho


muitas opções. Poderia pegar a arma de Daniel e escapar por conta
própria com o dinheiro que ele tem, mas uma mulher americana sozinha
no Rio? Não me sinto segura. Além disso, não posso ir muito longe,
porque não tenho um passaporte ou identidade comigo. Ir para a
Embaixada seria a solução, exceto pelas razões óbvias. Se Daniel está
resgatando garotas americanas de bordéis e acha que não é nada atirar
em homens e ir embora, ele tem conexões melhores do que eu.

Penso nas mensagens. E penso no Sr. Gelo. Daniel é bom com uma
arma. Preciso ficar com ele.

Preciso.
E sei o que devo fazer. Engulo saliva e fecho os olhos, me
preparando. Você pode fazer isso, Regan. Ele é apenas mais um. Tive
muitos desde que fui capturada. A maioria dos estupradores é uma
mistura disforme sem rosto. O que é mais uma foda sem sentido, certo?
Meu estômago está enjoado com o pensamento, no entanto. Daniel foi
nada além de bom para mim. Parece errado usá-lo.

Ainda assim, sei que ele me quer. Vi a forma como ele me olha. Ele
me acha bonita, mas estou fora dos limites por causa da minha história
fodida. Hora de não me deixar fora dos limites para ele. Se for seu
brinquedo favorito, ficará comigo e me protegerá.

Puxo meu novo vestido de verão sobre a minha cabeça e dobro-o


cuidadosamente sobre a mesa. Arrumo meu cabelo e lambo os lábios, em
seguida, aperto meu rosto para dar-lhes um pouco de cor e parecer
saudável. Preciso parecer sexy, carente de desejo e acima de tudo, como
se o quisesse. Como se fosse morrer se não conseguir seu pau nos
próximos minutos.

Posso fazer isso.

Dou a meus mamilos um leve aperto para deixá-los duros. Mesmo


que a última coisa que esteja sentindo agora seja desejo, forço-me a ir
adiante. Sinto algo mais próximo a medo. E ele saberá, assim que me
tocar e sentir como estou seca. Penso por um momento e em seguida,
recolho saliva na minha boca. Quando tenho o bastante, abaixo meus
dedos e empurro-os para a minha calcinha para me deixar
molhada. Isso terá que dar certo. No momento em que ele
chegar lá, eu o terei tão quente que ele não notará... Ou
não vai se importar. A maioria dos homens não se importa.

Eu calmamente me aproximo de Daniel. Ele ainda está dormindo,


sua respiração regular. Seus braços caíram para frente, não segurando o
cobertor sobre seu corpo, então eu o descubro com cuidado, deixando-o
em seus pés. Ele está usando um cinto e calça. Tudo certo. Vou ter que
esfregá-lo, despertá-lo primeiro e depois tirá-lo dele.

Ajoelho-me ao seu lado, alcanço seu pênis antes de hesitar. Preciso


garantir que isto corra bem. Levanto-me e puxo minha calcinha, minha
mente grita para vesti-la novamente porque calcinhas são seguras. Então
eu me sento e levemente coloco a minha mão em seu peito, observando
seu rosto.

Ele se mexe, mas não acorda.

Suavemente, esfrego minha mão ao longo de seu comprimento,


sentindo-o endurecer. Uma pontada de preocupação se arrasta sobre
mim, porque o comprimento flácido de Daniel ainda é bastante
impressionante. Isso vai doer, mas não há nada a ser feito a respeito
agora. Envolvo minha mão e continuo acariciando para cima e para
baixo, ele cresce e fica mais duro ao meu contato.

Ele murmura algo e encontra a minha mão ali. Seu punho se fecha
ao redor do meu pulso, mas não se move. Seus olhos se abrem, e ele me
dá um olhar vago, confuso.

— Que porra é essa? — Ele murmura, tentando


sentar-se.
Eu me inclino e pressiono minha boca na dele, deixando minha
língua passar em seus lábios. Minha mão permanece em seu pau,
empurro a mão em seu ombro, tentando forçá-lo a se deitar no sofá
novamente.

— Eu tenho um problema, Daniel. — Digo na minha voz mais sexy e


me mantenho esfregando seu pau. Pressiono meus seios contra seu
braço e seu pênis incha mais em meu aperto.

De repente, a névoa sai de seus olhos. Ele fica em pé e me joga de


lado, deixando-me trêmula.

— Que porra você está fazendo? — Ele grita.

A realização do que eu estava prestes a fazer me bate. Tentei usar


esse homem como todo mundo me tem usado. Como se ele não fosse
nada.

Como se ele fosse apenas um corpo.

Como se eu fosse apenas um corpo.

Estou doente de horror e não posso fingir por mais tempo. Fico de
pé.

— Sinto muito. — Consigo dizer olhando para sua postura tensa.


Seus punhos estão nos quadris, olhando para mim como um Deus irado.
— Acho que o café da manhã não está me fazendo bem.

Tropeço longe e mal chego ao banheiro antes de


vomitar em todos os lugares.
Capítulo 8
DANIEL

Sonho frequentemente. Geralmente meus sonhos são sobre minha


irmã, Naomi. Estou com ela de férias e às vezes eu a salvo do sequestro.
Mas na maioria das vezes estou de pé na praia quando as ondas vêm e a
levam para o mar, eu nado, nado e grito seu nome, mas ela nunca
responde. Quando tento nadar em direção à costa, o meu pai está lá com
a minha mãe em seus pés, então me viro e mergulho de volta para o
oceano. Quando acordo, estou tentando recuperar o fôlego.

Outras vezes sonho com minhas missões quando eu era um franco


atirador da Delta Force. Sonho que me encontro em um terreno inimigo,
na areia com meu observador ao meu lado. Estou atirando nas pessoas,
independentemente de seu sexo ou idade, como se estivesse em um
videogame. Não sei da minha posição, quem eles são e para minha
própria sanidade, não quero saber, apenas sei que eles são
um perigo para os meus irmãos e estou lá para matá-los
antes que prejudiquem quaisquer membros da minha
unidade. Após esses sonhos eu acordo prendendo a respiração,
esperando para puxar o gatilho.

Este sonho foi muito diferente de todos os meus outros pesadelos.


Neste sonho Regan me está dizendo que a única maneira de poder salvá-
la é fazer sexo com ela. Sem dúvida, esse sonho vai acabar tão mal como
todos os meus outros sonhos, mas não consigo descobrir se transar com
ela é nadar em direção à praia ou de volta ao oceano. Ela continua
dizendo que isso fará com que que tudo dê certo para ela, que será
curada pelo meu pau. Há algo sobre isso que eu sei que é errado, mas a
pressão do corpo dela contra o meu abafa todas essas preocupações. É
um sonho bom para caralho. Então... Eu acordo e percebo que não é um
maldito sonho. Que a garota está acariciando meu pau. Seus olhos estão
mortos e não vou foder um cadáver.

Coloco meu estúpido pau duro em minha calça e a fecho. Mesmo


que esteja irritado como o inferno com ela, ofereço-lhe um copo de água.

Dentro do banheiro vejo Regan inclinada sobre o vaso sanitário, seu


traseiro descansando em seus calcanhares. Ela não está apenas
vomitando. Está chorando e tentando vomitar até a última gota de seu
corpo. Quase sinto vontade vomitar ao lado dela. Uma parte minha quer
gritar com ela, até minha garganta ficar machucada e outra parte, de
forma estupida, quer pegá-la e acalmar seu pranto.

— Aqui está um copo de água. Nós precisamos conversar.

Ela não me responde. Seus ombros estão rígidos e


cada respiração é ofegante. Coloco o copo na pia e minha
mão paira sobre sua cabeça. Aparentemente, o lado que
quer consolá-la ganha. Isso é provavelmente o meu pau falando, então
aperto meus dedos em um punho e volto para sala, fechando a porta
silenciosamente atrás de mim.

Os sons de soluços e suspiros secos são abafados, mas ainda


audíveis. Cada som de sua dor é como uma agulhada em minha pele.
Pego meu telefone do balcão. Ela deve ter olhado para ele, porque estava
no bolso da jaqueta. Estava morto de cansado de voar de Seattle para a
Rússia, da Rússia até o Rio em três dias. Depois correr por mais três
dias para procurar Regan no bordel de Gomes. Neste meio tempo, tive
apenas poucas de horas de sono e esta manhã, após matar o homem de
Gomes e comprar para Regan algumas roupas, pensei que poderia
relaxar e descansar um momento. Teríamos algumas horas antes que o
homem morto de Gomes fosse encontrado.

Pensei que teria tempo para dormir. Precisava de algumas horas,


mas aparentemente meu corpo e mente se fecharam tão completamente
que não percebi o que estava acontecendo. Mas que porra ela estava
tentando fazer me seduzindo? Descarreguei minha raiva em Regan, por
toda a maldita situação. Ela não tinha motivos para tentar fazer sexo
comigo. Não tenho sido nada, além de bom para ela.

Porra. Eu. Literalmente. Fui. Bom.

Saindo para a escada de incêndio, ligo para Petrovich, por que se eu


não fizer, o filho da puta vai me enviar novas mensagens de texto. O que
praticamente arruína a finalidade do telefone descartável.

Porra.
— Eu estou trabalhando e se tiver que parar a cada maldito
segundo para lhe dizer se estou conseguindo alguma merda, então você
não terá nenhum resultado.

— Você parece zangado, Daniel. — A voz quase sem sotaque de


Petrovich responde ao telefone.

— Não zangado. Irritado. Sabe o que é isso em russo?

— Sim. Eu fui a Oxford, não se lembra?

— Não dou a mínima para qual faculdade você foi. Apenas pare de
enviar mensagens. Porra. — Gostaria de poder andar, mas a escada de
incêndio tem apenas cerca de 1,20x1,20. Há apenas espaço suficiente,
para um passo no máximo.

— Acho que devo aparecer por aí. — Reflete.

— Claro venha. O que este lugar precisa com certeza é mais russos.
Não se sentirá fora do lugar. — Eu digo.

Petrovich grunhe. — O Imperador. Lembre-se, ele deve ser


capturado, mas não prejudicado. Deve fazer todo o possível para mantê-
lo seguro.

— Sim, eu sei. — Suspiro e me inclino contra a grade de ferro.


Minha raiva anterior está se esvaindo. Regan está fodida. É claro que ela
fará coisas estúpidas. Apenas preciso de mais paciência. É
o que eu gostaria que oferecessem a minha irmã. — Quem
é esse Imperador afinal?
Há uma pausa, como se ele estivesse tentando pesar se sou digno
da informação, mas sei muito mais sobre Vasily do que o deixa
confortável. Sei o suficiente para chantageá-lo. Por que ele quer o
Imperador não parece grande coisa, quando se relaciona ao fato de que
seu tio, o ex-chefe da Bratva, foi assassinado.

— Você conhece o palácio do Imperador?

— Sim, é o lugar de onde eu recebo a maioria das minhas


comissões. — Então eu entendo. — Você quer a pessoa que criou esta
rede subterrânea. Não por dinheiro. Você não precisa dele.

Ele fica em silêncio, não querendo me dar mais informações, mas


está tudo mais claro agora.

— Você quer algo e acha que o Imperador pode fazê-lo. — Deduzo.


Mas eu sei que estou certo.

— Sim. — Ele resmunga, confirmando tudo. — A pessoa que pode


criar uma rede que facilita o comércio de armas de fogo, drogas, tudo e
não ser pego? Eu o quero.

— Minha irmã poderia fazer isso. — Eu digo a ele. — Não que eu vá


deixar você colocar as mãos sujas sobre ela.

— Encontre-me o Imperador. É por ele que paguei. — Ele desliga e


deixo o zumbido estático vazio no meu ouvido por um minuto. Encontrar
o Imperador. Encontrar minha irmã. Bem, para fazer tudo
o que eu precisava teria que me desfazer de alguma
bagagem. Regan precisava ir, antes de nós nos
prejudicarmos um ao outro. Eu disco um novo número para auxiliar
nessa tarefa.

— Da10. — O sotaque ucraniano duro de Nick é um alívio bem-vindo


aos tons românticos e macios da língua portuguesa. Não posso lidar com
suavidade agora.

— Sua garota é um caso perdido. — Digo a ele.

— Regan não pertence a mim. Ela não é minha. Eu só tenho uma.

Nick é tão literal. Normalmente, isso me faz rir, mas não agora. —
Coloque Daisy no telefone.

— Nyet11.

— Sim, coloque sua namorada no maldito telefone ou me irei


afastar de Regan agora.

Há um barulho no fundo e um grunhido de Nick.

— Olá? — Daisy soa ofegante, mas feliz. Um pouco da minha raiva


me escapa. Não posso arruinar sua felicidade. Daisy já passou por
muito, e sei que ela está esmagada pela culpa. Se não fosse por Daisy,
Regan nunca teria sido sequestrada. Se Daisy não fosse uma virgem,
Regan não teria sido estuprada. Não posso lhe dizer o que está
acontecendo aqui.

— Daisy, querida, essa coisa ucraniana idiota a


mantém feliz? Você sabe que eu estou mais do que disposto

10
Sim
11
Não
a salvá-la, certo? — Tento injetar um pouco de falsa jovialidade em
minha voz.

Ela ri.

— Não, eu amo meu ucraniano idiota. Você é muito texano para


mim. Gosto deles mal-humorados e tensos.

Homem, ela tem Nick preso ao redor de seu dedo, ele se encaixa
nisso a perfeição.

— Você nunca teve um texano. Uma vez que você tiver um gostinho
de grande estado, nunca irá querer deixá-lo.

— Pensei que Montana fosse um grande estado.

— Somos tão impressionantes que todos os melhores slogans são


usados para nos descrever. Montana é um imitador e eles sabem disso.
Além disso, seu lema é usado para descrever por que eles fogem para
copular com gado. Ninguém ao redor para ver.

— Isso é nojento, Daniel.

— Eu sei. É por isso que eu não fui para lá. — Esta conversa foi
apenas para quebrar o gelo, então eu começo a trabalhar. — Tenho uma
boa notícia. Estou com Regan.

Quando Daisy começa a chorar, quero esmagar o telefone em meus


dedos. Estou de volta às lágrimas. Não posso aguentar
mais uma mulher chorando, mesmo que seja por ela estar feliz. Mas as
lágrimas de Daisy não são de alívio. Posso ouvir a culpa, tristeza e a dor
em si.

— Você me ouviu? Estamos a salvo. — Falo para o recetor com mais


força do que pretendo.

— Não levante a voz para ela ou isto será a última coisa que dirá. —
Ouço Nick ameaçar.

— Sim, sim. — Neste ponto, eu daria boas-vindas ao fim da minha


miséria. Viro a minha cabeça de volta para a sala, mas não ouço os sons
de Regan. Hesitante subo pela janela e para o apartamento novamente.
Está totalmente em silêncio.

Merda será que ela se machucou?

— Tenho que ir. — Digo e desligo o telefone.

Em menos de cinco segundos eu estou na porta do banheiro, mas


está aberta e o banheiro está vazio. Uma tosse soa atrás de mim e eu giro
ao redor, arma na mão. É Regan, sentada no canto do sofá, com as mãos
erguidas. Eu abaixo a arma e a guardo em meu colete tático novamente.

— Você parece uma merda. — Digo, por que me faltam palavras


melhores. Minha garganta dói de segurar todos os gritos que eu quero
dar. Antes que ela possa responder, o telefone toca. Nick e Daisy.

— Pegue uma garrafa de água e beba tudo. Mas


lentamente ou ficará seriamente desidratada.
Seus olhos se movem em direção ao lugar onde meu telefone está
tocando. Ignorando os toques incessantes, vou até a geladeira e pego
outra garrafa de água. Paciência. Aconselho-me. Esta garota passou pelo
inferno e precisa de um pouco de paciência. Trate-a como se fosse sua
irmã.

Com uma respiração profunda, eu reúno o meu autocontrole, dou-


lhe um corajoso meio sorriso e entrego-lhe a garrafa. O telefone parou de
tocar, mas em seguida, ele começa novamente.

— É melhor você atender. — Sua voz soa como se alguém tivesse


arranhado com uma lixa. É áspera, rouca e sexy para caralho.

— Sim. – Embora não faça nenhum movimento para atender ao


telefone. Depois de dois toques, o correio de voz atende e um sinal
sonoro me deixa saber que tenho uma mensagem aguardando.

— Sinto muito, por esta manhã. — Ela sussurra e então olha para
as mãos que estão ocupadas em descascar o rótulo da garrafa.

Meu primeiro instinto é dizer que não é grande coisa, mas foi uma
grande coisa. Enorme para caralho é um eufemismo. Então eu não
tentarei esconder a sujeira debaixo do sofá como se não fosse nada.

— Tenho que fazer uma ligação, mas em seguida, você e eu


conversaremos. E vai me dizer porque Gomes continua vindo atrás de
você. Vai me dizer por que não quer que a leve para a Embaixada. Então
falaremos sobre esta manhã.

Ela balança a cabeça novamente e toma um gole de


água, olhando para mim com olhos enormes molhados,
sobre o recipiente de plástico. Como se eu fosse deixá-la do lado da
estrada. Esfregando minha testa, eu tento encontrar um pouco de
paciência.

— Não vou machucá-la, Regan. E não quero que você me use para
isso. — Passo um dedo ao lado do dorso da mão, e quando ela não se
mexe eu a aperto. — Eu estou do seu lado, não importa o quê. Mas não
posso ajudá-la se não permitir que eu saiba o que está acontecendo.
Passei semanas procurando por você e te estou dizendo agora, prefiro
morrer a permitir que algo de ruim aconteça. Então, vamos conversar
quando tudo isso acabar.

Isso faz com que ela solte outro suspiro aguado, então recuo. Não
posso lidar com outro ataque de choro esta manhã. Meus nervos estão
em frangalhos e estou no limite da minha sanidade. Sem dormir, uma
tonelada de culpa de merda e a preocupação com os homens de Gomes
vindo e nos rastreando. Não estava mentindo quando disse a Regan que
morreria antes de deixar que alguém a machucasse novamente. Não
quero ouvir aqueles sons doloridos dela novamente. Nunca mais.

Dentro do quarto, seguro o telefone e vejo que Nick me ligou mais


três vezes. Saio para a escada de incêndio novamente e puxo para baixo
a janela. Esta não é uma conversa que Regan precisa ouvir. Ainda não.

— Regan está bem? — Daisy responde antes do primeiro toque


completar seu ciclo.
— Ela parece bem. Não tive que levá-la a um médico ou qualquer
coisa. — Imaginei que alguém na Embaixada iria cuidar disso.

— Ela pode ir a um quando estiver de volta em Minneapolis. —


Daisy diz. — Por que ela não está na Embaixada? Pensei que o plano
fosse resgatá-la e em seguida, levá-la a Embaixada do Estados Unidos.

— Obrigado Daniel por salvar minha melhor amiga quando não


tinha nada a ver com seu sequestro. — Respondo sarcasticamente.
Quando minhas palavras duras são recebidas com silêncio, eu me sinto
como um idiota. — Olha, desculpe. Os dias tem sido difíceis. Eu a levei
para a Embaixada, mas ela não quis sair do táxi. Ao invés de passar por
uma grande cena por carregá-la quase nua através das portas da frente,
eu a trouxe para casa comigo.

— Quando a levará, então?

— Vou levá-la hoje, mas aqui está o negócio: ela está com medo e
não confia em mim, então o quanto você quer que eu diga a ela?

— Tudo.

— Tudo? Que Nick é um ex-assassino russo e que ela foi


sequestrada porque não sabiam qual garota que ele estava comendo?

— Sim, tudo isso. — Daisy diz categoricamente. — Posso contar a


ela. Coloque-a no telefone.

— Certo.

Volto a sala e entrego o telefone para Regan.


— É para você.

Ela olha para mim como se uma cobra fosse sair do telefone para
mordê-la, mas depois de um momento, estende a mão e pega o telefone
de mim.
Capítulo 9
REGAN

— Oh meu Deus, Regan. É tão bom ouvir a sua voz.

Estou surpresa ao ouvi-la na outra extremidade. — D-Daisy? — Ela


é a última pessoa que eu esperava. Minha mente ainda está de volta no
sofá, onde eu quase tentei estuprar Daniel.

Oh meu Deus. Eu me transformei naqueles idiotas que me usaram.


Estou revoltada comigo mesma e sinto-me tão suja. Engulo de volta a
bile e tento me concentrar no telefone

— Sou eu. — A doce voz de Daisy, chorosa me faz sentir pior. Minha
colega de quarto, a inocente Daisy, foi aquela que enviou Daniel? Não
estou entendendo. Daisy não conhece ninguém, muito
menos um homem que mata as pessoas e frequenta
prostíbulos.
Olho para Daniel, confusa. Seu rosto cansado está cheio de raiva e
duro enquanto cruza os braços e me observa falar ao telefone. Ele está
irritado. Não, está além de irritado. Tentar fodê-lo foi uma má decisão e
agora ele irá me abandonar e o guarda-costas do Sr. Gelo estará lá para
me pegar.

— Graças a Deus. — Daisy está balbuciando no meu ouvido. —


Você está bem? Está machucada? Fale comigo.

Eu não sei o que dizer.

— Eu estou bem. — Todos os meus ferimentos estão no interior.


Fisicamente? Estou em ordem. — Apenas estou... Confusa.

Daniel grunhe e puxa outro telefone do bolso. Quantos aparelhos


este homem tem? Ele começa a digitar mensagens de texto e seus olhos
desviam até mim.

— Diga a ela para começar do início.

Molho meus lábios, eles ainda têm um gosto ruim.

— Daniel diz para começar do início.

— Certo. — Ela exala em voz alta, como se preparando. — Lembra-


se de Nick? O cara ucraniano que estava namorando?

— Sim. — Não o conheci pessoalmente, mas já o vi algumas vezes


no corredor do prédio e a inocente Daisy estava caída pelo
cara.
— Ele é um assassino de aluguel. Ou era. Está deixando tudo por
mim.

Não estou inteiramente certa se eu ouvi direito.

— Ele é o quê?

— Um assassino de aluguel. Matava pessoas para... Viver.

É tão estranho ouvir essas palavras vindas da voz inocente de


Daisy, mas ela não está surtando sobre isso. Aceitou.

— Alguém matou seu mentor e Nick estava caçando-o. É por isso


que estava em Minneapolis. Bem, isso e um outro trabalho. É um pouco
complicado. — Ela está correndo através das palavras, como se elas não
fossem importantes. — Nick estava sendo perseguido pela máfia russa a
Bratva. E... lembra quando você ficou com meu celular? Eles pensaram
que você fosse eu. Queriam me levar para forçar Nick a aparecer. Acho
que eles a mantiveram porquê... — Ela hesitou. — Você é bonita.

Engulo em seco, as lembranças piscando na minha frente. Um


assustador homem loiro enorme aparecendo no apartamento com o feio
Yury. Ele empurrando uma agulha em meu braço, drogando-me,
rasgando minha roupa...

Balanço a cabeça para limpar as lembranças horríveis, mas elas se


escondem ali dentro da minha mente, esperando um momento de
fraqueza. Mantiveram-me porque sou bonita...
— Eu... — Tento pensar no que perguntar. Estou revoltada e ainda
assim eu tenho perguntas. — Como você escapou?

— Nick me salvou. — Diz ela e eu posso ouvir o amor em sua voz, o


murmúrio carinhoso de resposta de um homem nas proximidades. —
Tentamos encontrá-la, mas... — Sua voz oscila.

Ondas de ressentimento invadem meu corpo. Tento enterrá-las,


mas é difícil. Eu me mantenho em silêncio, para não dizer algo que
lamentarei depois.

— Eles te venderam a alguém. — Daisy continua. — E então as


pessoas continuavam vindo atrás de Nick, por isso tivemos de ir para um
esconderijo. E enviamos Daniel para encontrá-la.

Daniel, a quem tratei como merda. A quem tentei usar. E não fiz
nada além de chorar ao seu redor. Dou-lhe um outro olhar cauteloso. —
Ele é um assassino de aluguel também?

— Sim. Ele é um dos amigos de Nick.

— Certo.

— C... certo? Você não tem mais perguntas? — Ela parece confusa,
como se tivesse retratado essa conversa em sua mente um milhão de
vezes e não foi do jeito que pensou.

— Não. — Digo categoricamente. — Eu estou bem.

E entrego o telefone de volta para Daniel.


Ele ergue uma sobrancelha, dando-me um olhar estranho. Em
seguida, pega o telefone de volta, fica de pé, e atende novamente. Sua voz
é baixa.

— Daisy, querida, por que você não coloca Nikolai de volta ao


telefone? — Um momento depois, ele muda para uma língua estrangeira
e começa a cuspir palavras. Eu não entendo a maior parte, mas ouço os
nomes Gomes e Regan misturados com o que deve ser russo. Ou
ucraniano. Eu não conheço qualquer um. Ele está falando de mim e em
outro idioma deliberadamente para que não possa entender o que estão
dizendo.

Aperto as duas mãos e olho para baixo, para meu colo. Estou
tentando, mas a verdade é que estou queimando com amargura por
minha conversa com Daisy. Parece que enquanto estava sendo
comercializada em um bordel, ela estava correndo de volta para os
Estados Unidos com o namorado, o mesmo namorado que nos meteu
nesta confusão.

E porque eles não podiam ser incomodados, fui deixada para trás
para alguém me encontrar.

Tenho certeza de que essa não é a história completa, claro. Se eu


fosse racional, faria sentido para mim. Mas não sou mais racional. Sou
um show de horrores que tenta foder homens, mesmo quando eles não
querem isso e que chora pela rejeição.

Eles a mantiveram porque você é bonita.


Meus dedos estão curvados e luto contra o desejo de arrancar meus
próprios olhos, para marcar-me até que eu não seja mais bonita o
suficiente para ser uma prostituta. Embora a maneira como Daniel olhou
para mim depois que eu tentei... Bem, depois do que aconteceu, talvez
ninguém vá me querer de qualquer maneira.

Aposto que se Daisy tivesse sido vendida a um bordel, ela teria sido
recuperada imediatamente. Seu namorado ucraniano perigoso teria ido
atrás dela. Mas o meu namorado era Mike. Mike não me ajudou.
Ninguém o fez.

Até Daniel. E fui terrível com ele.

Como se soubesse que os meus pensamentos se desviaram na


direção dele novamente, Daniel se vira, diz uma palavra rápida no
telefone e depois fecha-o com um piscar de olhos. É claro que ele ainda
está fervendo, mas não quer descontar em mim.

— Desculpe. — Murmuro. Minha voz rouca. — Eu sei que sou um


caso perdido.

Ele me dá um olhar exasperado e então se dirige para a cozinha.


Enquanto o observo, ele pega uma garrafa de algum tipo de bebida
alcoólica e dois copos. Ele volta para a sala, senta-se na outra
extremidade do sofá, coloca os copos na ponta da mesa e começa a
enchê-los com a bebida.

— Regan, você passou por merdas de maneiras que eu


não posso sequer imaginar. Ninguém está esperando que
esteja cagando margaridas agora. Mas você e eu temos que
trabalhar juntos para você sair daqui, de acordo? Preciso saber o que
está acontecendo para que possa salvar ambos os nossos rabos.

Eu observo-o por um momento e em seguida, ofereço algo que não é


bem um pedido de desculpas.

— Entrei em pânico antes. Foi por isso que eu... Tentei seduzi-lo.
Pensei que você iria me mandar embora. Achei que gostaria. Eu vi você
olhando para mim. E vi a calcinha que me comprou. — Lágrimas enchem
meus olhos e as seguro. — Sinto muito. Não estava pensando, apenas
estava... Desesperada. Não sabia o que fazer. Então, eu apenas... Agi.
Agora eu sou tão má quanto os homens no bordel. — Fungo o meu
nariz, estou uma bagunça, mas não sei o que fazer para melhorar as
coisas. Tentei consertar as coisas e apenas deixei tudo pior.

Daniel sai da sala e volta um momento depois com um rolo de papel


higiênico, e entrega para mim. Eu assuo o nariz e enxugo os olhos
obedientemente.

— Sim. — Ele balança a cabeça. — Você ferrou as coisas. Não vou


mentir, estou mais do que um pouco irritado com a situação. — Ele me
dá um copo da bebida clara. — A verdade é que eu acho que você é linda,
certo? Mas não sou tão cretino assim. Não a tocaria porque eu sei o que
você passou. Está segura comigo. Eu te comprei uma calcinha daquele
jeito porque era o que eles estavam vendendo na loja em que estava e
não queria deixá-la sozinha por mais tempo do que o necessário.
Desculpe-me se lhe enviei um sinal errado. Não estou aqui
para fodê-la, certo? Estou aqui para salvar sua bonita bunda. — Ele
serve sua bebida e levanta o copo num brinde. — Processe-me por isso.

Um meio-sorriso relutante toca minha boca. Eu olho para a minha


bebida e cheiro. Cheira... Estranho. — O que é isso?

— Bebida local. Cachaça. — Ele diz que parece um pouco com o


rum, só que não parece.

— Por que estamos bebendo?

— Porque preciso de uma bebida depois desta manhã de merda. —


Diz ele, servindo-se de outra dose. — E você precisa para relaxar. Agora,
beba.

Encolho os ombros. Ele tem razão. Preciso relaxar. Sinto que estive
em pânico durante as últimas vinte e quatro horas. Inclino o copo e
engulo o seu conteúdo. A princípio o gosto é um pouco como rum, em
seguida, ele explode em algo totalmente diferente e começo a tossir.
Minha garganta está crua de todo o vômito dessa manhã. — Uau.

— Sim, é alguma coisa, certo? — Ele enche o meu copo com outra
dose da cachaça. — Agora, beba novamente, depois vamos conversar.

Tomo a outra dose da cachaça e a queimação começa a flutuar


através dos meus membros. Normalmente, seriam necessárias mais de
duas doses para sentir algo, mas meu estômago está vazio e o álcool é
forte. Estendo meu copo para outra dose e Daniel serve.

— Então? — Ele pergunta. — Está melhor agora?


— Melhor. — Concordo que estou um pouco melhor. — Obrigada.

— Por que não quis conversar com Daisy?

Dou-lhe um olhar cético. — Então, o plano é me embebedar e me


interrogar?

— Bingo. — Diz ele, enchendo meu copo novamente.

Eu tomo mais uma dose e definitivamente estou sentindo meu


corpo relaxar, é como flutuar. Percebo que Daniel vem mantendo o
mesmo copo cheio, enquanto eu estive virando-os. Homem sorrateiro.
Um pensamento me ocorre e eu endureço.

— Você não está me deixando bêbada para...

Os olhos de Daniel aumentam.

— Cristo, não. A fantasia foi um pouco arruinada no momento em


que você saiu de cima de mim e então vomitou.

Eu estremeço.

— Foi ruim.

— Sim. — Ele diz, sem rodeios.

— Ugh. Isso foi nojento da minha parte.

— Sim. Faz sentido, de uma forma fodida, você estava


desesperada. — Ele enche o meu copo antes que eu possa
perguntar. — Quando se está desesperado, você faz merda.
Já estive lá.
Medito em suas palavras, totalmente relaxada, agora que o álcool
está fazendo sua magia.

— Então, o sexo comigo era uma fantasia, hein? — Se ele soubesse.


— Provavelmente é melhor que a fantasia sexual esteja arruinada. —
Confio em você. Não sei se percebeu, mas eu tenho alguns problemas.

Ele bufa.

— Doçura, você é a garota-propaganda dos problemas.

Começo a rir com isso, incapaz de me controlar. Deveria sentir-me


insultada, mas ele está certo. Estou fodida da cabeça aos pés, reconheço.
Então suspiro, olhando para meu copo.

— Pelo menos é somente para o sexo que estou arruinada. Não


estou totalmente arruinada.

— Explique.

Olho para ele e lembro o quão bonito é. Tem essa coisa que os
homens americanos têm a seu favor. Teria caído totalmente por ele se
nós estivéssemos na mesma sala na faculdade.

— Não é como se fosse grande antes, sabe? Nunca tive um orgasmo


com um homem. Com certeza é besteira.

Daniel geme. — Você está me matando aqui, Regan.

— Por quê?

Ele balança a cabeça.


— Vamos mudar de assunto. Por que não conversou com Daisy?

Lambo a borda do meu copo já que ele não vai enchê-lo novamente.
Talvez devesse ficar bêbada até o próximo mês.

— Porque eu não quero ser má com ela.

— Por que seria má com ela?

— Porque ela foi embora. — Sussurro. — Ela foi embora e me


deixou. Todos me deixaram. — Engulo em seco e coloco meu copo para
baixo. Então olho para Daniel. — Você não vai me deixar, não é?

— Não vou, doçura. Tem a minha palavra. — Ele olha para mim
cuidadosamente e em seguida, coloca sua bebida pra baixo. — Mas você
precisa me dizer por que não quer ir para a Embaixada. O que há lá que
a assusta?

— Eu vi um homem. — Eu sussurro. — O guarda-costas do Sr.


Gelo.

— Sr. Gelo? Arnold Schwarzenegger? Gosta... dos filmes de merda


do Batman?

Balanço a cabeça e esfrego meus braços, como se estivessem frios.


Mas estou quente e confortável por causa do álcool mais.

— O homem loiro. O único assustador. Ele compra garotas. Ele me


comprou. E enviou-me ao Rio para ser quebrada. Eles
podiam ser tão rudes comigo quanto quisessem, contanto que não
machucassem meu rosto, usassem preservativos e tivessem certeza que
escovasse os dentes.

— Escovar os dentes? Usar preservativos?

Esfrego um dedo sobre os meus dentes da frente, pensativa.

— Acho que ele tinha um fetiche com higiene. Foi-me visitar no


bordel. Não me fodeu. Colocava luvas cirúrgicas antes de me tocar e me
olhava. Perguntava-lhes se depilava tudo. — Estremeço com a
lembrança. — Ele me assusta.

— Talvez ele seja um germofóbico.

Balanço minha cabeça, lembrando-me do guarda-costas que estava


com ele.

— Todo mundo tem medo dele. Mesmo o Sr. Gomes.

— Então, um homem rico tem uma fixação por você. E a envia para
Gomes? Para quê? Treinamento? Acho que isso explica o uso de
preservativos, uma boa higiene e por que Gomes a quer de volta. — Ele
não parece feliz com esta notícia. — Você disse que o viu na Embaixada?

— Seu guarda-costas. — Estremeço novamente, incapaz de me


controlar e percebo pela primeira vez que estou sentada no sofá sem
nada, apenas com o meu sutiã. Ups.

Daniel percebe o meu tremor e puxa o cobertor para


mim, prendendo-o ao meu redor como se eu fosse uma
criança. — Bom saber. Farei algumas ligações para ver se
consigo descobrir o que está acontecendo. E então teremos que nos
mudar.

— Mudar? — Eu pisco para ele, ainda bêbada da cachaça. —


Porquê?

— Porque eles saberão que estamos na área, uma vez que


descobrirem que matei um dos homens de Gomes.

Ele disse isso tão casualmente. Como se falasse com alguém sobre o
clima.

— Estamos seguros por agora, mas esta noite temos que seguir em
frente.

Eu abraço o cobertor mais perto.

— E irá me levar com você?

— Temo que você seja toda minha até descobrir qual é o problema.
— Ele esfrega o pescoço e parece agitado, mas não por mim. — É uma
maldita confusão, não é?

— Posso ter uma arma?

Ele me dá um olhar especulativo. — Você promete parar de chorar?

— Sim, se me conseguir uma arma. Então posso atirar em você se


ficar irritada.

Por alguma razão, isso o faz rir. — Acho que podemos


lidar com isso.
Capítulo 10
DANIEL

REGAN ainda parece à beira de lágrimas. Sinto falta do exército,


porque há apenas uma pequena gama de emoções que são aceitáveis lá,
particularmente na Força Delta. Na maior parte é apenas fingimento
pretensioso e aceitação cansada da realidade. Os sentimentos de Regan
são difíceis para processar porque a introspeção não é incentivada no
exército. Passei oito anos sufocando os meus sentimentos para que
pudesse me tornar em uma máquina de matar eficiente. Foi um ótimo
treinamento para ser um assassino contratado fora do ambiente militar,
mas uma merda quando se trata de ajudar garotas feridas.

Não há dúvida em minha mente que ela está chateada e com raiva,
mas nunca me permitiria deixá-la, somente para ser roubada
novamente. Então, digo a ela.

— Eles teriam vindo para procurar você, mas Nick


deveria estar morto. Então não podia correr por aqui no
Rio, porque nomes vazam, então ele estaria fugindo novamente, junto
com Daisy. Além disso, Nick é uma pessoa de merda, com nenhuma
paciência, ele nunca teria sido capaz de tirá-la do bordel de Gomes sem
um grande tiroteio.

Eu não sei por que estou explicando isso a ela. Nick não é um
amigo, é um conhecido. Se pressionado, eu diria que ele era um colega.
Parte da ordem fraternal dos caras fodidos que não podem funcionar sem
uma arma. Eu fiquei por perto, por um tempo. Estava sempre à procura
de conexões de qualquer um que pudesse levar-me a minha irmã. Nick
trabalhou com escória desde que ele era criança. Era um assassino
contratado, trabalhando desde os quinze anos de idade. Podia ter vinte e
cinco anos, mas seus olhos diziam que viu e fez coisas diabólicas. Coisas
que os mais homens experientes não sonhavam nem em seus piores
pesadelos. E não estava errado ao me vincular a Nick, porque ajudando-
o a fugir de um chefe da máfia russa me deu minha primeira boa
vantagem em um longo tempo. Uma loira tirada de Cancun foi oferecida
em um leilão no Rio há cerca de dezoito meses. Depois desapareceu,
vendida através dos mesmos canais que Regan foi comercializada. Boom.
Dois pássaros mortos com apenas uma pedra.

Tenho Regan e agora preciso encontrar a minha irmã. Quando o


rosto de Regan perde sua aparência ferida, o nó de tensão na minha
nuca relaxa. Ela não irá chorar. Sirvo-lhe outra bebida, porque o pior
sentimento após estar bêbado é a perda do álcool. E se há alguém que
precisa de um pouco da paz que a garrafa pode trazer, é
Regan.
— Então eles não me esqueceram? — Ela pergunta com a voz mais
forte, os tremores todos, desaparecendo.

— Não, eles me enviaram. Confie em mim. Sou muito melhor, além


de atirar melhor. Sem mencionar muitíssimo mais engraçado. É
suficiente, não é? — Olho para ela e ela ri como o esperado.

— Acho que sim. Quer dizer, eu gosto de Daisy, o que soa estúpido
depois de tudo que já passei. A sensação de ser abandonada por ela dói
mais.

— Doçura, você pode se sentir de qualquer maneira que quiser. —


Apenas não chore, porque suas lágrimas doem mais do que uma faca no
estômago.

Ela balança a cabeça lentamente, como se estivesse tentando


reorganizar seus sentimentos internos em relação à Daisy. Acho que a
traição por alguém próximo é pior do que o abuso constante de
estranhos, verdade?

Sua cabeça está começando a balançar agora. Leve. Poderia beber


toda a garrafa e não sentir nada. É um antigo truque, posso beber quase
como ninguém. Vasily Petrovich, jurava que nenhum ocidental poderia
beber tanto quanto um russo. Logo ele o recém-eleito da família
Petrovich. Assim, apostamos quando estávamos à espera de Nick para
mostrar que podíamos vencer. E venci. De modo que Petrovich me
considerou adequado para recuperar o hacker. Merda, o
que levou todos nós ao Rio? Nego com a cabeça.
Ofereci ajuda a Nick. E assim Regan recaiu sob minha
responsabilidade, porque o novo Nick Anders não é um assassino. Ele é
um estudante de arte. É difícil matar o chefe da Bratva e sair vivo, razão
pela qual Nikolai Andrushko está morto. Morto por Vasily em retribuição
à morte de seu tio. Das cinzas surgiu Nick Anders, um tranquilo, novo-
americano. Então não, Nick não poderia estar nas favelas do Rio à
procura de garotas loiras americanas quando ele deveria estar morto e
Daisy... Bem, não há ninguém menos adequado para fazer o resgate de
sua melhor amiga.

— Está com sono? — Pergunto suavemente. Ela balança a cabeça.


— Vou pegá-la e levá-la para o quarto. — O movimento para cima e para
baixo de sua cabeça poderia ser de consentimento ou poderia ser que ela
estava bêbada demais para segurar a cabeça para cima. Eu a pego e ela
não protesta. Em vez disso, se aconchega em mim, seu rosto suave
pressionando contra a pele exposta da minha camisa. — Preciso levá-la a
um médico e me certificar de que está bem.

Ela me ignora, em vez disso esfrega a ponta do seu nariz no oco do


meu pescoço e estremeço como um maldito pré-adolescente. Preciso tirar
essa tensão do meu corpo. Essa necessidade. É apenas uma acumulação
desesperada de esperma.

— Você cheira bem. — Ela murmura.

Homem, eu não tinha ideia de que a pele no meu pescoço era um


lugar tão sensível. Aumentando o ritmo, deixo-a na cama.
Ela salta um pouco com as molas do colchão, mas não
parece perturbada.
As sacolas de compras não foram todas abertas, então coloco tudo
sobre a mesa e começo a procurar a bolsa nova que comprei para ela.
Quando passo a mão sobre as rendas e cetim dos sutiãs das calcinhas
que a assistente de vendas escolheu, eu paro. É uma coisa sexy, mas
não entendi a lógica de Regan. O que a levou a avaliar as peças e
entender que eu queria fodê-la? Não temos tempo para parar e conseguir
coisas novas. Com sorte, Regan iria tirar isto de sua mente ou ambos
estaremos em apuros. Sim, em sérios problemas.

Quando encontro a bolsa, coloco todas as compras dentro e deixo


sobre a mesa. Tiro o colete, recolho todas as minhas merdas e coloco a
minha bolsa ao lado de Regan. Duas armas estão no colete junto com
uma caixa cheia de munição.

Pego uma das cadeiras, coloco-a sob a maçaneta da porta do


apartamento. Depois de verificar novamente todas as janelas para me
certificar que estão lacradas, deito-me ao lado de Regan. Está quente
dentro do apartamento com todas as janelas e portas fechadas, mas é
melhor estar quente e seguro do que fresco e aberto para qualquer um
entrar.

Meu telefone vibra e o pego. É uma mensagem de Pereya, um


contato que fornece coisas ruins e boas para as pessoas, seu estoque vai
desde suprimentos médicos a armas. Seu negócio está sempre em
expansão.

Informante no Morro dos Macacos. Campo de Futebol.


Alvorecer.
Caralho? Terei que levar Regan a uma das favelas mais perigosas
para obter algumas informações. Estou apostando que se levá-la para o
Palace ela vai fugir, não importa que seja o melhor hotel em todo o Rio. E
o campo de futebol? A última vez que vi, havia marcas de queimaduras
circulares em todos esses campos porque os traficantes gostavam de
colocar suas vítimas de tortura dentro de um anel de pneus, encharcá-
los com gasolina e queimá-los vivos.

Mas se o que Regan diz sobre a Embaixada for verdade, não posso
levá-la para lá. A revelação de que um dos guardas da Embaixada está
trabalhando para algum traficante de pessoas não deveria surpreender-
me, mas surpreende. Duvido que ele seja um fuzileiro naval. Muitas
Embaixadas contratam na maioria das vezes ex-militares que deveriam
passar por uma investigação profunda. Mas o governo muitas vezes
relaxa na avaliação das prestadoras de serviço que executam a
verificação de antecedentes. E merda, fundos falsos são fáceis de
inventar se você tem dinheiro suficiente e uma coisa que parece não
faltar aos traficantes é uma tonelada de dinheiro.

Meu telefone emite um sinal sonoro novamente, desta vez com uma
mensagem de Vasily.

Todos os caminhos levam ao Rio. Estou chegando. Encontre-o. -V

Ótimo! Forço-me a afrouxar minha mão, apenas assim não quebro a


porra do telefone. Um novo chefe da máfia russa em busca de um gênio
da pirataria de computador está chegando ao Rio.
Simplesmente. Maravilhoso. Devemos entrar em um buraco
de alguma favela. Haverá tiroteio. Até que o último homem
caia. Olho para Regan, ou o que resta dela. Mantê-la
comigo não era o plano. Eu iria localizá-la, deixá-la na Embaixada e
então encontraria minha irmã. Mas agora os nossos destinos estão
unidos. Seja o destino, karma ou qualquer coisa vinda do cara lá de
acima. Ele resolveu brilhar sua luz insignificante sobre nós, colocando-
nos juntos. Que assim seja. Nós vamos entrar juntos e sair juntos.

Envio um texto para meu contato no Morro dos Macacos.

Obrigado. Vou precisar de alguns suprimentos. Dólares em efetivo?

Sim.

E então, porque Regan precisa, peço.

Preciso de um médico, do sexo feminino para fazer alguns exames.


Análise de sangue.

Sem problemas.

Nada é um problema para Pereya.

Amanhã tenho que conseguir mais munição, manterei Regan em


segurança, irei me encontrar com o informante para finalmente
encontrar o hacker de Vasily e então salvar minha irmã. Depois vou dar
o fora da América do Sul. Agora, porém, preciso fechar meus olhos. Ou
estarei completamente inútil. Permito-me cochilar, com uma mão na
minha Ruger. Qualquer um que entrar terá sua cabeça explodida. Neste
ponto, não me importo se for o próprio Vasily.
Sons na sala me acordam. Em seu sono, Regan aninhou-se perto de
mim. Sua longa perna nua está sobre a minha. Me espanto que não
acordei quando ela se aconchegou. Meu corpo responde à sua
proximidade e eu fico rígido em um instante. Porra. Não tenho tempo
para isso agora.

Eu me afasto dela e me movimento para fora da cama, levando


Regan comigo, até a borda. Com uma mão, eu cubro sua boca,
balançando-a, com a outra posiciono suas pernas para ficarem firmes na
cama. Aposto que quando acordar ela estará violenta e furiosa por ter
ficado presa.

— Regan é Daniel. — Sussurro. — Há alguém lá fora. Eu a deixarei


aqui, mas precisa ficar em silêncio. Acene se entendeu.

Ela demora alguns segundos, mas então assente. No minuto em que


a solto, ela enrola-se em uma bola fetal.

— Não se preocupe. — Digo a ela. — Apenas rasteje para a


banheira.

Ela nega com a cabeça, desliza para fora da cama e se agacha atrás
de mim. Seus dedos se dobram na parte de trás do meu
colete. Acho que minhas promessas de retornar não são
algo que ela coloque muita fé.
— Vou deixar você ficar, mas não pode segurar em mim. — Eu seria
golpeado no combate mão-a-mão se ela estiver me segurando.

Agachando-me para o chão, rastejo até à entrada. Uma vez que


estou com Regan atrás de mim, alcanço a maçaneta e abro. Ao abrir a
porta o barulho na sala cessa. Um segundo depois, o gesso sobre nossas
cabeças explode. Detritos de gesso caem quando tiros enchem toda a
extensão da parede.

— Banheiro. Agora. — Ordeno. Desta vez Regan não hesita. Ela


pula e corre para o banheiro, enquanto atiro duas vezes. Rolo através da
porta aberta. Ouço um estrondo quando o intruso tropeça em uma mesa.
Sorrio maliciosamente para mim. Atire primeiro e você dá a sua
localização, imbecil. Rastejando para fora ainda de barriga no chão, com
uma Ruger em uma mão e uma faca na outra, vejo um sapato preto.
Aponto minha Ruger e atiro. Quando um grito alto e estridente é liberado
eu sei que atingi uma rótula. Atiro novamente, desta vez levemente para
a direita. Quando um baque ecoa sei que acertei meu alvo no ombro. As
pessoas são previsíveis. Você atira na perna e ele vai curvar-se para
agarrar sua ferida. Seria fácil ter dado um tiro na cabeça para matar,
mas queria esse bastardo vivo.

Ainda agachado, me movo mais para dentro do quarto e mudo para


minha mira laser. O pequeno ponto vermelho nunca deixa de assustar as
pessoas e se a dor for demais, ele tem algo para se concentrar. Meu alvo
está no chão, contorcendo-se e movendo as mãos de seu
ombro para o joelho como se não soubesse que dor ele
deveria tentar comprimir primeiro. Não importa. Uma vez
que responder a algumas perguntas, terei certeza de que
ele não tem que se preocupar com qualquer lesão. Uma rápida olhada ao
redor do interior mostra que a sala está vazia. A janela perto do sofá está
aberta e uma corda está pendurada para baixo. Ele provavelmente está
sozinho, porque ninguém subiu para salvar esse cara quando os tiros
foram disparados. Apesar do silenciador, não há um bom disfarce para o
boom supersônico que uma bala faz quando acionada, para não
mencionar os gritos que ele soltou quando atirei na sua rótula. Isso é
uma merda dolorosa.

Aproximo e pego sua arma, colocando-a no meu colete. Quando vou


até à janela e toco seu ombro ferido, o que o faz soluçar de dor.
Estendendo a mão, eu puxo a corda pendurada na janela. Não há
nenhuma resistência então com alguns movimentos a corda solta e eu a
trago para dentro. Não há sentido em anunciar um arrombamento.

— O Sr. Gomes realmente gosta dessa garota, verdade? — Digo,


enrolando a corda, em seguida, colocando-a dentro de um saco. —
Regan. — Eu chamo. — Preciso que faça um reconhecimento. — Talvez
ela o reconheça.

Regan vem na ponta dos pés para fora.

— Fique na porta. — Este idiota não conseguiria atacar um gatinho,


mas quero ter certeza de que esteja fora do caminho de Regan.
Ajoelhando-me atrás do intruso, levanto sua cabeça pelo cabelo e
empurro-o em uma posição sentada. — Você conhece esse cara?

Com um rugido de raiva, ela corre em direção a nós


dois. Suas mãos estão estendidas como se para repelir o
ataque, mas sua fúria explode. Ela chuta o cara no ventre,
fazendo-o se contrair de dor. Outro chute atinge o joelho e ele começa a
balbuciar em português para que eu faça a porra da mulher parar. Acho
que isso responde a minha pergunta. Ela conhece o cara.

Relutante, acabo com a ação, embora de uma maneira sombria


fosse um pouco divertido.

— Tudo bem Regan, eu preciso fazer a esse idiota algumas


perguntas, então quero que pare.

Ela bufa, mas para. Há sangue em sua perna, provavelmente do


chute na ferida no joelho do intruso.

— É melhor ir se lavar. Não sabe o que ele tem em seu corpo.

Ela olha para o seu corpo e em seguida, estremece. Com um aceno


curto, ela gira e entra no banheiro. Quando ouço a água correr, puxo o
cara na cadeira, forçando as pernas em uma posição dobrada e amarro
suas mãos uma em cada lado.

— Meu Deus do céu! — Ele implora. Não posso ter qualquer


simpatia por este estuprador.

— Não. Nenhum Deus irá ajudá-lo hoje. — Toco o joelho novamente


e ele começa a choramingar. Enquanto chora, eu examino sua arma.

— O que está acontecendo? — Regan pergunta quando


volta. À luz da lua, suas pernas estão expostas e brilhantes
da água do banho e se eu estou olhando para elas, sem dúvida, o nosso
intruso também está.

— Ele tem um Vektor africano SP-1. Uma boa arma. A maioria


desses caras tem AR47 ou outras armas que eles mesmos improvisam
com tubos e um pino de disparo. — Desmonto a arma. — Isto, porém,
mostra que ele é parte de um grupo bem financiado e bem armado. —
Olho para ela. — Vá vestir uma calça.

Ela aceita o comando, se apressa para a bolsa e tira uma calça. Ela
a veste bem na frente de nós dois, o que me mostra o quanto está
assustada. Ela não me deixa longe de seus olhos. Ir para o banheiro foi
um ato extremo de bravura e confiança da parte dela. Ela precisa de
uma recompensa, algo que lhe dê segurança.

Eu viro a Vektor e ofereço-lhe a arma.

— Aqui, pegue uma lembrança de seu tempo no Rio. É uma 9


milímetros com um recuo curto. Não é uma má arma para você. Treze
balas, mas acho que ele perdeu cerca de sete delas.

Voltando ao prisioneiro, passo ao redor da cadeira.

— Assim é como será. Vai nos dizer qual era seu objetivo e então
farei toda a dor ir embora. De acordo?

Ele balança a cabeça.

— Eu sei que Gomes quer a minha garota de volta,


mas isso não vai acontecer, então comece a falar. Ah e em
inglês para a senhora entender, por favor.
— Gomes me enviou para recuperar a garota. E matá-lo.

— E?

Ele encolhe os ombros um pouco e depois se encolhe quando dói o


ombro. — Nada.

— Você é da equipe ou alugado?

— Alugado. — Diz ele e um brilho aparece em seus olhos. Talvez


ache que será capaz de negociar o seu caminho para fora daqui.

— Tem perguntas para ele, Regan?

— Ele gosta de comer o seu próprio pau? Porque é isso que deve
acontecer com ele.

— Você gosta? — Pergunto-lhe.

— Ela é uma prostituta. Posso arranjar-lhe dezenas de outras,


melhores do que ela. — O homem me diz em português.

— Ele está tentando vender-me a ideia de que há outras garotas que


eu posso ter se desistir de você. — Traduzo para Regan.

Então digo. — Em inglês, cabeça de merda. — Eu o chuto na


canela, ele grita e balança a cadeira tentando escapar da dor. — Quer
chutá-lo? — Pergunto para Regan.

— Sim. — Ela diz enfaticamente. Ela quer fazer mais


do que chutá-lo.
— Espere. — Eu puxo a cadeira que usei para fixar a porta da
frente e quebro a perna dela. — Use isto. Não quero que precise tomar
um banho novamente.

Ela segura a perna da cadeira como um taco e bate nele, não


somente no joelho, como eu pensei que iria, mas no rosto. Uma vez, duas
vezes. Eu seguro-a no próximo ataque e ela luta comigo por um minuto,
ofegando como um cão selvagem, até que finalmente encontra a razão.

— Queremos mantê-lo consciente o suficiente para responder a


mais algumas perguntas. — Eu digo.

Voltando-me novamente para o nosso intruso, vejo que ele está


quase desmaiando.

— Doçura, vá na cozinha, me traga uma panela cheia de água e


jogue em seu rosto. Ele precisa acordar. — Acho que essas tarefas irão
ajudá-la a manter o foco. Quando ela retorna da cozinha, sua respiração
está sob controle e nem sequer bateu-lhe com a panela. Ele foi acordado
com a água.

— Ela não gosta muito de você. E não quero mais ninguém além
dela. Quer dizer, vamos lá, onde eu vou encontrar alguém que balança
uma perna de cadeira como Babe Ruth12?

Ele não entende a referência porque me olha fixamente. — O fato de


que você é contratado me incomoda, porque Gomes não é o
tipo de contratar por fora. Ele é mesquinho. E mesmo que
se não fosse, não tem dinheiro para manter um pequeno

12 George Herman ―Babe‖ Ruht Jr – mais conhecido como Babe Ruth, foi um jogador americano

de beisebol. É considerado por muitos um dos melhores jogadores de todos os tempos.


exército cheio de mercenários como você. Quem o contratou?

O intruso não responde, simplesmente olha para o lado. Ele


obviamente teve algum treinamento e está quieto agora porque decidiu
que já me deu toda a informação que vou receber.

— Devo bater nele novamente? — Regan pergunta ansiosa.

— Não. Acho que ele está com muito medo do Sr. Gelo para dar
mais alguma informação e temos que ir.

Ela parece dececionada.

— Você tem alguma coisa no quarto? Por que não faz uma
varredura e se certifica que não estamos deixando nada para trás?

Ela deixa a panela e o bastão de madeira com alguma relutância,


mas vai para o quarto.

Uma vez que vejo que ela está fora de visão, viro e atiro na cabeça
do filho da puta. Duas vezes. O som dos tiros traz Regan correndo de
volta para a sala.

— O que você fez?

— Eu o tirei de sua miséria.

A consternação em seu rosto faz meu interior murchar um pouco. A


ideia em ter sexo com ela ficou apenas na terra da fantasia,
por que com certeza este diamante não iria querer minhas
mãos negras sobre ela. Eu abaixo o homem para o chão e
tiro tudo dos bolsos, incluindo um saco cheio de balas,
uma faca amarrada à sua perna e um cartão com meu endereço. Passo
minhas mãos ao longo das bainhas da calça e camisa, procurando todos
os bolsos ocultos ou segredos, mas não encontro nenhum. Deixando cair
a roupa na banheira, mergulho a pilha inteira com álcool e depois
acendo.

— Por que você está queimando suas roupas? Não deixou pistas em
todo esse lugar? Nem está usando luvas. — Ela levanta as mãos. — Nem
eu. Oh meu Deus, eu vou para a cadeia por isso?

— Não, você não vai porque ninguém sabe que está aqui, doçura. E
não me importo se alguém descobrir que estou aqui, apenas quero que
quando o nosso amigo for encontrado tarde da noite, seja um pouco mais
difícil de identificar.

Na sala, jogo um lençol sobre o homem morto, como se o pano


branco pudesse de alguma forma esconder meus pecados. Todas as más
ações que fiz me marcaram com tinta permanente. A minha alma está
tatuada com os rostos de todos os que eu matei. Gosto de pensar que
foram todas mortes justas. Mas a verdade é que, desde a primeira vida
que você tira, se torna uma pessoa diferente. E homens como eu não
merecem uma mulher como Regan, não importa o quanto eu possa
querê-la. Depois do pensamento deprimente, eu pego nossas bolsas. —
Vamos. Precisamos encontrar uma nova base e depois temos um
compromisso no Morro dos Macacos.
Capítulo 11
REGAN

— Pelo que vejo, boneca, temos três grandes questões. — Daniel diz
enquanto entrega um maço de dinheiro ao motorista de táxi que nos
deixa no meio de uma favela desagradável.

Tenho certeza que o apelido é para me distrair do fato de que fomos


para o meio de um novo inferno. No entanto, ainda caio na armadilha.

— Boneca? Está falando sério?

— Oh, muito sério. — Ele dá um sorriso maroto e pisca. — Cem por


centro.

Faço uma careta e pego minha mochila. Daniel está me provocando


desde que deixamos o apartamento. Sei que está fazendo isso de
propósito. É óbvio. Normalmente ele é compreensivo e
respeita meu espaço, agora ele cutuca com o cotovelo e me
chama de nomes como torta doce e boneca. Imagino que
pensa que estou sentimental e vou surtar. Ou então deve
ser para evitar que eu me apavore e caia em outra crise de choro.

Ele está certo. Tenho que admitir que ainda estou apavorada.
Venho tentando me conter, mas esta noite Daniel executou um homem
no meio de sua sala. Virei as costas por dois minutos e boom! O homem
foi baleado duas vezes na cabeça. Daniel nem sequer piscou.

Eu odiava o homem, com todas as minhas forças. Contudo, ainda


estou chocada até o meu núcleo com a ação que ocorreu no
apartamento. Este é o terceiro homem que morreu nos últimos dois dias,
cada um facilmente despachado por Daniel. Ele não derramou uma gota
de suor ao fazê-lo. Por trás de todos os sorrisos, toda boa intenção e
apelidos para me distrair, ele é um homem perigoso.

E estranhamente, eu confio nele. Acredito que naquela situação


alguém tinha que morrer. Não acho que Daniel iria matar ninguém
levianamente. Ele teve muitas oportunidades, especialmente quando me
salvou. Na ocasião ele tentou argumentar primeiro, a arma foi o último
curso de ação.

O fato de ter que sacar sua arma tantas vezes nas últimas noites
me diz em quanta merda estamos envolvidos.

Daniel olha a favela, com grafites decorando os muros. Estamos no


Morro dos Macacos.

— Lar, doce lar de merda. — Diz ele. — Fique grudada em mim,


boneca. Este é um lugar no qual não irá querer se separar
de mim. Acredite!
— Chega de boneca. — Digo a ele, mas me movo um pouco mais
perto. Seu braço agarra minha cintura, me arrastando contra ele. Estou
a ponto de protestar quando vejo alguns homens à espreita nas sombras
próximas a nós. Muito bem, se preciso me pendurar em Daniel para me
manter segura, com certeza, irei.

— Então, onde vamos? — Pergunto com minha voz mais sexy. Tento
dar a Daniel um olhar aquecido na esperança de que pareça que estamos
caminhando para um encontro. Na esperança de que ninguém nos pare
para perguntar que merda nós estamos fazendo aqui.

Daniel deve ter adivinhado a razão da minha nova atitude porque


ele dá um olhar apreciativo. Sua mão ainda na minha cintura, mas sei
que está sobre a arma que ele colocou debaixo da camisa antes. — Eu te
disse. É uma surpresa... Mas você tem que ser boazinha docinho.

Passamos pelos homens à espreita nas sombras. Faço o meu


melhor para não mostrar minha tensão. Em vez disso jogo junto e
arrasto uma mão na frente da camisa de Daniel.

— Oh, eu posso ser muito boazinha para você, baby. — Digo,


representando o ato. Curiosamente, no entanto, a vontade de vomitar a
cada toque dele está desaparecendo. É como se a cada toque estivesse
me curando da minha vida anterior.

— Porra. — Daniel diz com voz rouca e quero rir de sua expressão.
Parece que o fingimento está ficando um pouco real demais
para ele. Mas continuo acariciando seu peito, parecendo
uma namorada dedicada e safada que não pode esperar para levá-lo para
casa.

Passamos pelos homens sem incidentes e o braço de Daniel solta


minha cintura, poucos minutos depois, um sinal de que o perigo passou,
mas o nosso teatro deve continuar. Nós caminhamos alguns quarteirões,
Daniel diz-me que são chamadas de favelas. As casas são de concreto e
madeira deterioradas, todas mantidas juntas por lixo e grafites pintados
com spray e se empilham umas sobre as outras como baratas. Tenho
certeza que o resto do Brasil é muito bonito, mas, até agora, tudo que vi
são favelas.

— Então? — Eu lhe pergunto enquanto caminhamos. — Não me


disse quais são os três problemas.

— Hmm? — Ele coloca uma mão sobre a minha, distraído, então se


afasta, como se lembrasse que eu não gosto de ser tocada. Mais uma vez,
estou surpresa que Daniel não esteja acionando meu gatilho de vomitar.
Talvez aquela coisa horrível que aconteceu de manhã tenha sido como
uma ferida que precisava ser aberta. É uma imagem mental feia, mas é
tudo o que tenho ultimamente. — Oh sim. Três problemas. Um deles é
que o seu pequeno doce traseiro não tem documentos. O segundo é que
não podemos ir para a Embaixada para conseguir esses documentos, por
razões óbvias. E três é que nosso querido Gomes continua enviando
caras para fora da toca para vir atrás de você. O Sr. Gelo a quer você de
volta. E muito.

— Não sei por quê. Não sou ninguém especial.


— Baby, você é toda especial.

— Você é terrível.

— É um talento meu. — Ele sorri para mim e depois gesticula para


a rua. — Aqui vamos nós.

— Vamos nós? Onde? — Digo, buscando a informação. Olho para o


edifício e tento não entrar em pânico. Honestamente, me lembra o
bordel. É um edifício de tijolo vermelho de três andares estreito. As
janelas têm cordas de roupa penduradas para fora e um ninho de fios
aéreos mostra que o edifício tem eletricidade. — Não ali, verdade?

— Receio que sim. — Daniel diz casualmente. — Vamos nos


esconder bem debaixo de seus narizes por alguns dias. Enquanto isso,
vou puxar algumas conexões e ver o que posso descobrir. Um parceiro
está vindo para cá para nos auxiliar.

Ele não parece com medo do prédio de merda, então, engulo o meu
medo e deixo-o guiar-me. Tenho uma arma na calça e vou usar cada bala
antes de deixar que alguém me arrastar de volta ao bordel novamente.

Nós nos aproximamos do prédio e há música vinda de um


apartamento nas proximidades. A porta está aberta e as pessoas estão
descansando dentro do corredor encardido. Tem cheiro de mijo, merda e
cachorro molhado. Nada agradável. Daniel entra com um sorriso e se
dirige para o homem mais próximo.

— Pereya. — Ele diz e pelo tom de sua voz, é uma


demanda para ver alguém, não uma pergunta.
O homem observa Daniel, sua aparência limpa e olha para mim,
ando de lado mais perto de Daniel, apenas no caso. Em seguida, ele
segura minha mão. Daniel diz algo amigável em português, mas ele abre
sua jaqueta e quando faz isso, revela sua arma.

— Tragam-me Pereya. — Diz ele novamente. — Agora.

Outro homem balança a cabeça e desaparece para dentro do prédio.

Alguns momentos depois, um novo homem sai e ele é todo sorriso.


Usa uma camisa do Manchester United, uma equipe britânica e um boné
de beisebol. Ele tem uma barbicha rala que é tão longa que está
trançada, sorri para Daniel e joga uma mão para cima.

— Meu homem.

— Pereya. Como vão as coisas? — Eles trocam um aperto de mão


intrincado forte como se fossem amigos do peito.

— Não posso me queixar, não posso reclamar. Consegui seu


material. — Pereya me olha de cima abaixo. — Huumm... Doce. — Diz se
referindo a mim.

— Ela é minha. — Daniel diz casualmente, como se eu não fosse


minha própria pessoa. Quero protestar, mas a arrogância de Daniel traz
segurança, então vou deixá-lo assumir a liderança. Ele inclina-se para
Pereya, perguntando. — A doc. também?

Pereya balança a cabeça, toca o lado do nariz com o


polegar e olha em volta.
— Sim? — Daniel diz a pergunta mal formulada.

— Vamos lá, então. — Ele aponta para alguns homens ociosos na


porta e eles saem do caminho. Guarda-costas, talvez. Pereya olha para
Daniel e acena com a cabeça, para um quarto mais atrás.

Daniel pega a minha mão e começa a ir até lá, mas Pereya balança
a cabeça.

— Apenas você, Hays. Sem companhia.

Pânico faz redemoinhos em minha mente, mas Daniel aperta minha


mão e me puxa para mais perto. Ele claramente não gostou dessa ideia
também. — Você não me ouviu, Pereya. Eu disse que ela é minha. Ela
ficará ao meu lado. Tem algum problema com isso?

Pereya me considera e murmura algo em português, em seguida,


encolhe os ombros e nos leva para a sala de volta. É surpreendentemente
limpo, um quarto. Não há janelas e a única luz é uma lâmpada que
cintila sobre nós. Pereya permite-nos entrar no quarto, fecha a porta
atrás de todos nós, e em seguida, puxa um molho de chaves do bolso. Há
uma pequena mesa de madeira em um canto da sala e Pereya se dirige
para lá. Ele arrasta-a para o lado, revelando um alçapão com um
cadeado nele, abre e vira. Sob o piso, há duas caixas militares, também
com cadeados. Ele pula para dentro do forro e abre a primeira caixa. —
Qual é a ordem do dia, Hays?

— Estou pensando num rastreador GPS, se tiver um.


Duas semiautomáticas. Mais balas. Talvez uma boa
granada.
Pereya grunhe e desbloqueia a caixa, revelando um verdadeiro
arsenal armazenado. Meus olhos se arregalam. Viemos aqui para
conseguir mais armas? Quantas mais precisamos? Pereya escava através
da pilha e tira outra arma. Ele a oferece a Daniel, que a inspeciona com
um ar clínico.

O quarto é tranquilo. Opressivamente tranquilo. Molho os lábios,


nervosa quando Pereya tira arma após arma fora da caixa, juntamente
com as caixas de balas e cartuchos.

Daniel olha para mim.

— Você quer alguma coisa, boneca?

— Para que possa fazer você parar de me chamar boneca. — Digo


em voz doce. Então acrescento. — Talvez duas facas. — Quero estar
armada até os dentes.

— Você ouviu a dama. — Daniel diz e pego um sotaque do sul em


sua voz ou faz parte de seu ato, também. — Tem algumas facas?

Pereya puxa para fora algumas pequenas facas das bainhas de


couro. — Para sua namorada. Ela pode deslizá-las em suas botas. — Ele
dá as minhas sandálias feias um olhar cético.

— Você tem botas para ela? - Daniel pergunta.

— Tamanho trinta e sete. — Ofereço


esperançosamente. Eu gosto da ideia de conseguir botas e
enchê-las com armas. — Talvez um jeans também.
Tamanho quarenta e dois.
— Verei o que posso encontrar. — Diz Pereya, jogando as coisas em
uma pilha aos pés de Daniel. — Dê-me até amanhã.

— Doc.? — Daniel pergunta novamente.

— Em breve. — Pereya responde.

— Também precisamos de um lugar para ficar esta noite. — Daniel


diz, tirando um maço de dinheiro do bolso. — Embora acho que não é
necessário dizer que ninguém nos viu aqui.

Pereya nos dá um olhar cético, então encolhe os ombros novamente,


como se ele não se importasse. — Tenho um quarto no andar de cima,
vou tirar minha dama esta noite, mas custará mais.

— Não é um problema. — diz Daniel suavemente, lançando mais


dinheiro para fora do seu esconderijo para Pereya.

Olho em volta neste quarto. Sem janelas. Apenas uma porta. E nós
estamos perto da frente do edifício. Eu aponto para o chão. — Queremos
este quarto.

Pereya olha para mim como se eu fosse louca. — Não há nenhuma


cama aqui, docinho.

— Traga-nos cobertores e travesseiros. — Digo a ele. — Gosto deste


quarto. — Era verdade, eu não me sentiria segura em um quarto cheio
de janelas. Neste lugar, podemos nos barricar para a
noite... E estamos perto da saída se precisarmos escapar.

Daniel me dá um meio sorriso, como se estivesse se


perguntando o que estou pensando, mas não discute. Ele
olha para Pereya, puxa mais algumas notas e em seguida, oferece-as ao
homem. — Acha que dá para nos alojar esta noite?

Pereya pega o dinheiro sem sequer olhar para o montante. Ele


simplesmente embolsa-o e começa a colocar suas armas com cuidado de
volta na caixa, tranca e depois fecha a porta do alçapão com o cadeado.
— Volto em breve com a sua cama. — Ele diz, deixando-nos no quarto.

Quando Pereya retorna ele traz uma mulher mais velha com olhos
bondosos. Ela está carregando uma sacola preta.

— Olá eu sou...

Daniel a corta. — Nenhum nome.

Apertando os lábios, ela balança a cabeça e abre a sacola. — Tirarei


amostras de sangue e urina. Posso ter seus resultados em uma hora.

Não sei se eu estou aliviada ou aterrorizada por ver a médica.


Ambos suponho. Tenho medo de que ela vá encontrar algo no meu
sistema depois de todos os clientes que tive. Mas... Também quero saber.
Então permito que ela me examine cuidadosamente. Não
vacilo quando seu toque torna-se tão invasivo como
qualquer cliente. Ela me faz perguntas pessoais sem
julgamento em seu rosto e leva meu sangue e minha urina.
Daniel fica lá o tempo todo, por que insisti. Não acho que estaria
confortável com um estranho me tocando se ele não estivesse lá. Embora
mantivesse o seu rosto virado por respeito a mim.

Quando a médica termina, sento e espero os resultados. Meus


braços ficam ao redor do meu tronco, como se eu pudesse abraçar o
medo invadindo todo meu ser.

O telefone toca. Daniel ouve, fala algumas palavras ao telefone e


depois desliga.

— Tudo limpo. — Ele me diz.

Quero entrar em colapso com o puro alívio.

— Nada?

— Nada. Nenhuma DST, nenhum bolo no forno. Você está limpa


como a chuva.

Fico olhando para ele. Limpa como a chuva? Eu não peguei


nenhuma doença, mas não significa que serei normal novamente. Ainda
assim, eu estou aliviada além das palavras por não ser um caso de DST
ambulante. Suponho que esta seja uma pequena bênção que devo ao Sr.
Gelo e sua compulsão por higiene.

— Eu lhe disse que eles usavam preservativos. Mesmo quando eu


os machucava.

— Não posso acreditar que Gomes a vendeu. Estúpido,


ganancioso. Se eu não chegar até ele, o Sr. Gelo irá. — Ele
fez sons de desgosto, como se não pudesse acreditar na estupidez.

Meus joelhos ficam fracos, assim deslizo para o chão. — Tem


certeza que este lugar é seguro?

Estou sentada perto de uma carga de armas aos pés de Daniel e ele
está casualmente escolhendo as armas enquanto observo. Olho ao redor
mais uma vez.

— Nenhum pouco. — Diz Daniel. — Nunca se sabe o que o diabo é


capaz.

Eu sei como é isso. — Bom ponto.

Daniel guarda algumas das novas armas em nossas bolsas. —


Então por que quis ficar aqui?

— Duas coisas: sem janelas e perto da porta da frente.

Ele resmunga, sem olhar para mim enquanto organiza seu novo
esconderijo de armas.

— Então prefere estar perto da porta da frente do que ter uma


cama?

— Vejo como todos aqui se parecem. Todos aqui são perigosos. —


Digo. — Se estivesse em um apocalipse zumbi e quisesse ficar segura,
escolheria um quarto sem janelas e fechado no andar térreo. Você não
iria quer estar lá em cima, no caso de uma emergência.

Então ele olha para mim e seu olhar é divertido.


— Apocalipse... Zumbi?

— Sim. — Digo. — O quê? E daí. Eu gosto de filmes de terror. Eles


são subestimados.

Daniel balança a cabeça, sorrindo. Ele não diz mais nada porque
Pereya voltou com uma mulher mal-humorada. Eles nos dão vários
travesseiros, alguns cobertores e alguns lençóis. Não importa para mim.
Eu já dormi recentemente em coisas piores bem. Pego dela e começo a
fazer uma cama no canto da nossa pequena fortaleza, enquanto Daniel e
Pereya conversam um pouco mais. Um saco de comida fast food é
entregue, com alguns refrigerantes.

Então, a porta se fecha, Daniel a tranca e empurra a mesa de


madeira na frente da porta para fazer uma barricada desajeitada. Ele
volta para o meu lado e senta-se na cama improvisada.

Ele me cutuca com o cotovelo.

— Não estava duvidando de você lá atrás. — Diz ele. — Foi


realmente muito inteligente sugerir ficar aqui. Fiquei surpreso, é tudo.

O cutuco de volta com meu cotovelo, uma sombra de meu antigo


espírito brincalhão retornando.

— Em caso de dúvida, assista ao Apocalipse Zumbi.

Daniel ri e isso se transforma em um bocejo. De


repente lembro como estava cansado antes que eu
começasse a ficar louca sobre ele. Vejo sua exaustão, mas
preciso dele saudável e firme sobre os seus pés. Preciso
dele bem para entrar em tiroteios e eliminar quaisquer outros bandidos
ou acabar com quaisquer assassinos que venham em nosso caminho.

— Por que você não dorme?

— Posso programar o relógio. — Diz Daniel. — Eu durmo com luz de


qualquer maneira.

— Posso vigiar, também. — Digo a ele. — Tenho armas, uma faca e


aparentemente, uma granada. — Eu o cutuco novamente, brincando.

— Você acha que poderia atirar em alguém se eles viessem por


aquela porta, doçura? — Não mais boneca por agora, eu vejo. Daniel
continua me provocando. Mas posso ouvir o cansaço em sua voz.

— Claro. — Digo alegremente e ajeito um dos travesseiros sujos,


convidando-o a colocar a cabeça lá. — Vou fingir que quem está atrás de
nós foi infetado com um vírus que os transformou em um monstro
comedor de cérebros.

Ainda assim, ele hesita, claramente dividido.

— Há uma rachadura sob a porta. — Digo, apontando uma


rachadura com vários centímetros. — Vigiarei toda a noite de qualquer
maneira. E gritarei zumbis! Se achar que há qualquer problema. Certo?

Ele esfrega o rosto lentamente, com os olhos cansados.

— Certo. Mas se cansar, me acorde.

— Vá dormir um pouco. — Digo a ele. Estranhamente,


ser mandona com ele está me fazendo sentir um pouco
mais como antes, também. Dê a uma garota um pouco de poder e veja o
melhor acontecer. Bato na cama novamente. — Deixe-me o ajudar!

— Como posso resistir a isso? — Daniel diz e deita-se na cama


improvisada, totalmente vestido. Dentro de dois minutos, ele está
dormindo, apesar do constante barulho do lado de fora. Há pessoas
falando e andando no andar de cima, fico tensa a cada rangido das
tábuas. Daniel dorme com a mão sobre sua arma, então suponho que ele
ainda não se sente totalmente seguro. Mas, precisa dormir em algum
momento.

Tiro minhas sandálias, pego minha arma, certificando-me que a


trava de segurança está no lugar. Rastejo em direção a porta e me deito
no chão, para que possa observar por baixo.
Capítulo 12

DANIEL

Quando acordo quatro horas mais tarde, tenho um tesão furioso e


uma mulher quente enrolada em mim. Infelizmente — ou não — Regan,
mais uma vez se enroscou e está sobre mim. Seria excelente se esse
movimento significasse que ela está atraída por mim. Mas imagino que
seu subconsciente está, provavelmente, gritando para ela segurar firme a
qualquer possibilidade de segurança. Como uma boia em um naufrágio.
Tenho outra coisa para você agarrar doçura, meu sonolento
subconsciente murmura. Como antes, deslizo debaixo dela, mas desta
vez ela se mexe e me agarra mais forte. Seu joelho desliza pelas minhas
pernas para descansar sob minhas bolas, que estão tensas sentindo a
proximidade de sua pele. Esfregue-se nela um pouco, Danny boy. Minhas
bolas e meu pau imploram.

Não posso dar ao meu pau a bofetada que precisa.


Tenho medo de que se chegar perto de tocá-lo, meu pau
não vai descer até encontrar algum lugar quente para se
enfiar. Ou até ganhar uma punheta. Cobiçar esta garota é
errado de tantas formas. Se ela tivesse qualquer ideia sobre os
pensamentos que corriam ao redor do meu cérebro de macaco com
tesão, ela me bateria no rosto com a perna da cadeira. E eu deixaria.

Mesmo estando errado, não posso parar de pensar em seus lábios


macios formando um perfeito O quando ela está pensando. Ou como
suas suaves pernas parecem ser intermináveis. Quando caminhamos
pela rua íngreme até Pereya, meu olhar vagou para sua bunda. Os
globos firmes pressionados contra o tecido da saia de malha enquanto
subia. Fui obrigado a assumir a liderança porque não seria capaz de
andar se eu ficasse olhando para sua deliciosa bunda.

Mas, o que me preocupa de fato é o quebra-cabeça com nome de Sr.


Gelo. Ele obviamente quer Regan de volta e Gomes foi um merda
ganancioso por deixá-la fora de sua vista. Mesmo que fossem vinte e
cinco mil dólares. As pessoas quando estão doentes e se fixam em
determinadas coisas às vezes sem nenhuma boa explicação para isso.
Por exemplo, nos últimos estágios da doença de Alzheimer, a minha avó
só queria beber de um determinado copo plástico. Ela tinha um ataque
se alguém lhe oferecesse algum em outro recipiente. Aparentemente,
Regan é este copo plástico para o rico patrono de Gomes, o Sr. Gelo.

Pensar em Regan sendo maltratada por Gomes e seus amigos é no


mínimo mortificante. A última coisa que precisamos é que Regan
encontre a vara dura em minha calça e olhe para mim pelo resto do
nosso tempo juntos como se fosse um perigo iminente.
Minha ereção diminui, mas sinto-me desajeitado e ansioso.
Emoções individuais que não experimento desde que eu
tinha quatorze anos e estava prestes a tomar a virgindade
de Mary Beth na parte de trás da minha pick-up Ford. Mesmo agora eu
estava mais animado do que qualquer coisa.

Afasto seus dedos que estão em minha cintura. Ela geme em seu
sono.

— Ei, doçura. — Eu digo. Isso só faz com que ela se aconchegue


mais perto, colocando seu nariz e bochecha no ângulo entre o meu
ombro e pescoço, encaixando perfeitamente, como se eu fosse feito para
ela. E a ereção que pensei ter eliminado, volta com fúria total. Merda.
Apenas um esfregar do nariz do caralho me deixa duro. Juro por Deus,
na hora que isso acabar, vou encontrar uma mulher disposta em um bar
em Dallas e vamos foder durante uma semana, até que meu pau esteja
vermelho e esfolado.

Precisando afastá-la de mim, eu uso o apelido que ela odeia e injeto


idiotice nele o quanto posso.

— Boneca, estou pronto para uma carícia da manhã, mas prefiro


uma mão a um joelho. — Então, dou uma tapinha na bunda dela para
dar ênfase. Ela pula de cima de mim como um gato mergulhado em
água.

— O que aconteceu? — Ela pergunta, tirando o cabelo fora de seus


olhos com uma mão, esfregando o local na bunda dela onde eu dei um
tapa com a outra.

Minha mão formiga com o contato em sua bunda. Ela


quer fazer contato novamente. Quero fazer contato com
cada parte dela. Virando, me curvo para recolher os
cobertores, usando a limpeza como uma desculpa para esconder minha
ereção. — Apenas queria te acordar, boneca. Estou pronto para brincar
aqui no chão, mas espero que você não se importe em ficar por cima.
Desde o Afeganistão, meus joelhos estão uma merda.

Estou de costas para ela, então não posso ver seu rosto, mas
suponho que ela esteja fervendo. Pelo menos ela está acordada.

— Por que você diz coisas assim? — Ela pergunta em voz calma.
Que merda. Essa não é a reação que eu esperava. Agora estou me
sentindo pior do que estava antes.

Segurando os finos travesseiros e as roupas de cama na minha


frente, eu a enfrento. Há um olhar de especulação em seus olhos como
se ela estivesse me tentando decodificar. — Eu estava com medo de você
enfiar minhas partes masculinas pela garganta, então eu queria ter
certeza de termos uma separação limpa.

— Agradável... — Seu nariz, o mesmo que se encaixou


perfeitamente no meu pescoço, se enruga para cima. Sua cara me
lembra, estou fedendo. Talvez eu devesse ter deixado ela me cheirar mais
porque isso seria o suficiente para mandar qualquer garota para bem
longe. Eu tenho sujeira, sangue e quem sabe que outros fluidos
corporais de dois homens mortos na minha roupa, e não tomei banho
em... deixe-me contar... três dias, caralho.

Se estivesse com a minha equipe, estaríamos


brincando sobre o cheiro, dizendo que se você não está
maduro como um pêssego podre, então não fez bem o seu
trabalho. Definitivamente amoleci nos anos que eu fiquei
fora. Dormir em uma floresta é bastante comum durante a integração,
cobertores e travesseiros são artigos de luxo. Já com os serviços de um
assassino muito bem pago, me acostumei com camas de penas e
edredons de plumas, para não mencionar chuveiros quentes. Coloco o
pacote sobre a mesa de madeira, olho para baixo, para Regan. E minha
boca grande fala antes que me impeço.

— Você realmente é muito bonita, sabe?

Fico grato, mas surpreso quando ela balança a cabeça e ri, sem
acreditar.

— Sabia que meu namorado Mike disse que eu parecia um potro?


Apenas pernas, sem tronco.

— O tal merda do Mike? O que não podia dar-lhe um orgasmo?


Acreditou no que ele disse?

O rosto de Regan cai. — Nunca deveria ter contado isso. Deve achar
que sou uma estranha.

Encostado na mesa, eu balanço a cabeça em descrença.

— Você é a estranha, porque ele não pode lhe dar um orgasmo? —


Sequer lhe digo sobre as outras coisas que sei. Como ele dormia
enquanto ela se masturbava ao lado dele, como ele não ligou, nem
mesmo uma vez, para descobrir onde ela estava. Nick me disse que tinha
considerado atirar em Mike porque ele estava ocupando
espaço no universo que poderia ter sido entregue a alguém
que realmente fizesse algo útil.
— Não, pelo que disse sobre o orgasmo... — Ela acena para a minha
virilha. — Pelas outras coisas.

Eu não preciso que ela preste atenção nessas outras coisas, porque
essa coisa já está inchando na esperança de que ela preste atenção.
Preciso tê-la fora da vista e da minha mente antes que comece a dizer
que não serei usado. Mas que da próxima vez que meus dedos a tocarem
ela ficará molhada. E será por causa das minhas atenções ao seu
delicioso corpo.

Preocupado que ela possa ser uma distração para mim, olho ao
redor do lugar para procurar um esconderijo para ela. No Morro dos
Macacos todos estão armados, desde os moradores até a polícia que
marcha regularmente através dos becos tentando limpar as favelas. Isso
tudo para que o Rio seja respeitável para o resto do mundo. Regan
poderia facilmente ser atingida por uma bala perdida, então todo o meu
trabalho não valeria nada.

Essa hipótese está fora de questão. Mentalmente, listo meus


próximos passos. Em primeiro lugar, precisamos de identificação e
passaportes para Regan ou ela nunca irá deixar o Rio. Em segundo
lugar, precisamos chegar ao aeroporto e enviá-la para casa. Em terceiro
lugar, preciso encontrar o hacker. Em quarto lugar, preciso encontrar a
minha irmã e então os irmãos Hays entrarão no seu próprio avião e
regressarão ao seu rancho e nunca o deixarão novamente. Mas antes de
tudo eu preciso ir pelo morro e conhecer meu informante, o
que Pereya disse poder ter informações sobre Naomi.
Passando a mão agitada pelo meu cabelo, eu peço a ela.

— Fique aqui. Volto logo.

No andar de cima, encontro Pereya dormindo ao lado de sua


inocente esposa. Minha mão coça a faca, eu coloco a minha mão contra o
meu tornozelo para que eu possa sentir o contorno da bainha contra
minha mão. Pereya me vendeu munições e me deu um lugar para ficar.
Não preciso ameaçá-lo com uma faca na garganta. Pelo menos ainda
não.

Dou-lhe alguns toques alternados no lado de seu rosto e quando


vejo seus olhos se abrirem, eu cubro sua boca. Quando a saliva quente e
a língua batem palma da minha mão, me pergunto por que não uso
luvas com mais frequência. Resistindo à vontade de puxar minha mão,
sussurro em seu ouvido.

— Preciso de mais uma coisa antes de sair.

Pereya acena com a cabeça e eu o solto, passando minha mão


através do tecido da minha calça. Um lenço umedecido cairia bem logo
que Pereya babou por ela.

— Preciso de um bom fabricante de documentos.

— Há muitos deles na favela, mas nenhum que seja bom. Você terá
que ir para Ipanema. Procure um homem pelo nome de Luiz Soto. Ele
pode te ajudar. — Pereya estende a mão e escorrego-lhe
outra nota. É uma dica cara.
— Então, sobre a garota. — Começo a dizer, mas ele segura as
mãos.

— De jeito nenhum. — Ele faz um gesto de enxotar com os dedos. —


Precisa ir. Leve-a para baixo para a Copa. Não há nenhum problema lá.
Há homens da PM pelo Rio.

— Pereya, não posso deixar Regan no Rio sozinha. Mesmo se houver


uma delegacia ao lado. Preciso deixá-la aqui. — Puxo mais notas e
começo a contar o dinheiro. — Quanto?

— Quanto para que? — Regan diz atrás de mim. Viro-me e a


expressão em seu rosto está dizendo que eu a traí.

— Não estou te deixando para trás. — Eu digo, mas as minhas


palavras são desmentidas pelo maço de dinheiro. Sinto-me exposto. É
como se tivesse sido pego no flagra. Imagine um João-ninguém em uma
esquina com a calça ao redor dos tornozelos e os faróis da polícia
brilhando no seu pau molhado pela boca de uma prostituta. O cidadão
diria: Policial, não é o que parece, eu estava mijando e meu pau caiu na
boca desta jovem. Tudo um mal-entendido.

O olhar aflito no rosto dela dizia que esse foi um golpe profundo,
mais duro até do que dei no cara que matei no apartamento que
tínhamos deixado. Xingando, seguro o braço dela e a arrasto pela
escada, disfarçando, para ganhar um pouco de privacidade. Tentando
impedir que Pereya ouça o que direi a ela. Na voz mais
baixa para que posso, conto meu plano.
— Precisamos conseguir documentos e lá fora… — Gesticulo por
cima do ombro em direção à rua. — é mais provável você estar em perigo
do que aqui na casa de Pereya. As pessoas não o enfrentam,
independente do lado que estejam. Pereya tem produto de qualidade.
Então, ele é como o arsenal na Suíça. Você entra, toma o que precisa e
sai. É mais seguro aqui do que em qualquer lugar. Você está segura com
o seu arsenal.

Ela não ouve uma palavra do que eu disse.

— Você está me deixando para trás. — Ela repete.

— Não estou. Eu estou fazendo um desvio e então voltarei.

— Todas essas coisas que você disse antes, eram para me


tranquilizar, certo? Diga à pequena vítima o que ela quer ouvir.

— Não. — Protesto. Percebo que estou fodido em tantos níveis


diferentes. Vai demorar, até para um especialista em negociação, me
tirar dessa bagunça.

— Leve-a para Ipanema. É seguro lá. — Pereya oferece de forma não


solicitada do topo da escada. Com esse comentário, Regan aperta os
lábios e olha para mim.

— Eu tenho uma ideia. Farei algo importante. Mas é em um lugar


verdadeiramente perigoso, e eu não quero ver você se machucar.

Ela não estava convencida. Não há nenhuma maneira


que ela fique com Pereya. Eu posso ver a decisão por todo o
rosto. Com um suspiro, eu cedo. Embalo toda a munição
que comprei de Pereya e coloco o meu colete nos ombros de Regan.
Talvez se todos virem que está armada pensarão duas vezes antes de
apontar uma arma em nossa direção. Talvez.
Capítulo 13
REGAN

Este homem é tão cheio de merda. Não deixarei você para trás,
Regan. Pode confiar em mim, Regan. Tudo mentira. Todas mentiras
estúpidas, ele ainda está tentando me deixar para trás.

— Não é seguro para você ir comigo. — Diz, aqueles olhos azuis me


implorando para entender.

Eu simplesmente olho para ele.

— Não cheguei até aqui para você ser morta.

— E eu não vim até aqui para acabar voltando para um bordel. —


Digo para ele. A raiva consegue o melhor de mim. Antes, eu costumava
ser uma garota legal, nunca discutia com ninguém. Agora estava
constantemente gritando com Daniel. Mas é sua culpa,
porra. Não iria perder meu controle tantas vezes se ele não
quisesse constantemente se livrar de mim.
Ele olha para Pereya, em seguida, de volta para mim e diz
categoricamente. — Não aqui. — Ele chama Pereya por cima do ombro.
— Nós precisamos de nosso quarto novamente. Veja se pode encontrar
jeans e botas para ela. — E com isso, Daniel me agarra pelo braço e leva
de volta onde passamos a noite.

Deixo ele me arrastar. Isso é bom. Sua mão aperta meu braço, mas
se ele está me puxando, não está me deixando para trás. Isso é tudo que
eu peço.

Nós voltamos para o quarto e Daniel fecha a porta, depois se vira e


olha para mim.

— Bom. Precisamos conversar.

Ajusto o pesado colete que cai sobre meus ombros. É volumoso e


não cai direito sobre meus seios, mas eu não vou dizer isso. Mexer no
colete me dá algo para fazer sem olhar para Daniel.

— Fale.

— Este lugar que eu tenho que ir hoje, é uma merda perigosa!

— Ao contrário de todos os outros agradáveis playgrounds seguros


onde você me levou?

— Porra, Regan! Estou falando sério. Preciso conseguir uma


informação de um cara. Ele geralmente fica em um campo
de futebol, o lugar favorito dos gangues para cozinhar os
informantes.
Olho para ele, intrigada.

— Cozinhar informantes? — De alguma forma eu não acho que isto


tem algo a ver com Hot Pockets.

— Sim. Alguém que fode você é levado para o campo de futebol. Lá


eles jogam alguns pneus ao redor da pessoa, encharcam com gasolina e
colocam a coisa toda em chamas. Gera uma fumaça nada agradável que
serve de aviso a todos os outros para não cometerem o mesmo erro.

Engulo em seco. Isso é mais que horrível. E Daniel quer ir para esse
lugar? Sozinho? E se ele nunca mais voltar? E se ele me deixar aqui e
ficar sentada com Pereya por semanas, perguntando o que aconteceu?
Quanto tempo antes de Pereya decidir vender-me pelo maior lance?

— Soa como um lugar de merda. Ainda quero ir. — Afirmo, sentindo


nenhuma segurança.

— Não. — Diz Daniel. — Sou o responsável por mantê-la segura.


Levar você é justamente o oposto. Nós estamos no meio de um território
de gangues rivais por aqui.

— Eu não me importo! — Grito.

— Bem, se você não dá a mínima para a sua vida, eu dou.

Suspiro. Como ele pode dizer isso para mim? Nos últimos dois
meses, tenho lutado com garras e mordidas por cada
centímetro de liberdade. Eu sobrevivi ao inferno. Na
verdade, ainda estou tentando escapar dele. O fato de que a
única pessoa em que posso confiar está secretamente
tentando me abandonar, enche-me de raiva, fúria e mais um pouco de
mágoa. — Você acha que eu não me importo se estou viva ou morta? De
verdade?

Daniel fecha os olhos e respira fundo.

— Regan, você sabe o que estou tentando dizer aqui...

— Não, você está dizendo coisas de merda para se livrar de mim. Eu


sei como você trabalha. Mente e irrita as pessoas para fazê-las ir embora.
Eu não vou embora, apesar de tudo. Lembra-se de sua promessa? — Eu
não vou deixar você, Regan. Vou ficar ao seu lado e protegê-la, Regan. O
que aconteceu com aquilo?

— Isto não envolve levá-la a um palco de matança quando pode se


sentar aqui tranquilamente...

— E o quê? — Grito, batendo meus punhos em seu peito. Eu bato


algumas vezes enquanto nós discutimos, mas ele não responde a minha
agressão. Eu sei que não deveria atingi-lo, apenas estou muito frustrada.
Porra. — O que acontece se você não voltar? Quanto tempo antes de
alguém vender a bonita americana pelo maior lance novamente?

Sua boca se aperta.

— Precisa confiar em mim, Regan.

— Confiar? Agora quem está louco? — Começo a rir


amargamente e ergo minhas mãos no ar. — Você disse que
estava agindo como louca quando quis seduzi-lo no
apartamento. Mas não tenho tanta certeza disso. Posso
garantir que se você tivesse seu pau molhado e satisfeito, iria mover céus
e terra para garantir que eu ficasse ao seu lado, em vez disso, tenta se
livrar de mim. Portanto, agora quem é louco?

Ele me alcança e agarra a frente do colete. Eu tento me afastar, mas


ele está amarrando junto duas cordas no pescoço que irá mantê-lo
fechado.

— Então. — Ele diz categoricamente. — Quer falar sobre confiança?


Que tal falar sobre se jogar em cima de mim, assim que eu fecho meus
olhos para tentar me manipular e mantê-la por perto? Como é que posso
confiar em você depois disso?

Estou chocada com suas palavras, como ele pode transformar a


coisa toda de confiança e ainda me fazer estremecer depois de tudo isso.
No entanto, ele atingiu o alvo. Eu tentei manipulá-lo.

— Mas... Você gosta de mim. — Protesto. — Acha que eu sou sexy.

— Acho. — Ele concorda, amarrando o cordão em um laço e em


seguida, pegando o outro debaixo do braço para que ele possa ajustar a
jaqueta mais apertada no meu corpo. — Acho você bonita, também acho
que minha atração por você é totalmente inadequada e nunca iria me
aproveitar disso. Tenho feito alguma coisa para fazer você se sentir
desconfortável, Regan? Agi de forma inadequada com você?

Além de ficar observando minha bunda e referindo-se a mim como


boneca? Quero apontar isso, mas nós dois sabemos que é
para me irritar e distrair. Ele tem razão. Ele não fez nada e
apenas tem sido bom para mim, mesmo quando não tem
que ser. Se estalasse os dedos, eu estaria de joelhos chupando o seu pau
por gratidão. Porque sei que ele me protegeria sempre.

Quão fodido é isso? E quão fodido é Daniel sendo o bom escuteiro


na situação onde sou a única jogando meu corpo para ele? Não que isso
importe. O sexo está arruinado para mim. Não acho que possa tocar um
homem novamente sem pensar no bordel.

Quando falamos sobre isso, Daniel ficou extremamente chocado por


eu nunca ter um orgasmo. Mostrou claramente seu desgosto quando
tocamos no nome de Mike. É como se meu namorado ou ex não sei ao
certo, tivesse feito algum tipo de desserviço à sociedade. Como se todos
os outros fossem o problema e não a versão antiga de mim. Mas, essa
Regan agora está morta. A versão antiga não se importava ou se
recusava a ver problemas em seu relacionamento diversas vezes. Enfiou
a cabeça na areia para ignorar o mundo, para que sua pequena bolha
não fosse perturbada.

Essa Regan, estava morta.

Daniel termina de amarrar minha jaqueta, quando eu o vejo se


mover. Observo sua estrutura. Ele tem cílios longos e uma mandíbula
forte, e ele é... Realmente atraente.

Pergunto-me brevemente como seria beijá-lo. Realmente beijá-lo.


Pode ser a Síndrome de Estocolmo falando, mas não pode ser pior do que
o que eu já passei. De repente, estou curiosa.

Beija-lo será como beijar os homens no bordel? Será


que vou querer vomitar, se sua boca tocar a minha? Ou
será... Como Daniel? O homem com uma boca bonita que me quer
desesperadamente em sua cama e não me toca, porque ele sabe que eu
tenho limitações.

Molho meus lábios, pensando.

— O quê? — Daniel pergunta e percebo ele olhando para mim


novamente.

De repente, fico nervosa. Fico um pouco mais perto dele e coloco


minha mão em um dos botões de sua camisa enrugada.

— Posso... Posso tentar uma coisa? — Pergunto totalmente insegura


da merda que farei.

— Sim. — Ele está me observando com cautela, mas não se afasta.

Levanto-me na ponta dos pés e pressiono a boca na dele. Ele


endurece, tenso como uma rocha. Separo meus lábios, deixando minha
língua passar em sua boca. Não sinto absolutamente nada. Poderia
muito bem estar beijando uma pedra. Depois de um momento, eu me
afasto, franzindo a testa.

— Por que não me devolve o beijo?

— Estou tentando descobrir sua motivação.

Por alguma razão, isso fere meus sentimentos. Abaixo meus pés e
tento não me sentir estúpida.
— Queria beijá-lo e ver se seria como beijar os homens no bordel.
Seria diferente por ser você? Ou se está totalmente destruído para mim.

Ele geme e fecha os olhos, em seguida, pressiona a testa na minha.


Sua mão vai para minha nuca.

— Você está me matando, Regan. Sabe disso, certo?

— Sinto muito. — Digo em voz baixa.

— Shh. Nada para se desculpar, doçura. Se quer um beijo, eu o


darei. Você teve algum tempo de merda, isso é tudo. — Ele olha para a
porta fechada atrás de nós, em seguida, encolhe os ombros e se vira para
mim. — Um beijo. Nada mais. Você não está pronta e eu não posso ter
uma distração. De acordo?

— Certo. Apenas quero saber... — Paro sem terminar a frase,


porque isso realmente não pode terminar em uma grande frase ou um
grande pensamento.

Quero apenas saber se estou quebrada.

Quero apenas saber se minha cabeça está realmente fodida.

Quero apenas saber se tem um gosto bom.

Quero apenas saber se irei vomitar.

— Certo. Sem ataque repentino, no entanto. Está


pronta? — Sua mão toca minha bochecha. — Sinta-se livre
para me afastar, a qualquer momento, se surtar.
Aceito os termos.

Daniel se inclina e seu nariz toca o meu. Começo a fechar os olhos,


porque cada beijo é normalmente melhor assim, mas temo que se fechá-
los, verei os rostos errados. Então, os mantenho abertos quando sua
boca toca a minha com cuidado. Seus lábios se movem suavemente
sobre os meus e em seguida, ele está chupando meu lábio inferior,
beijando-me com cuidado, seus lábios contra minha boca.

Ele é tão suave que fico surpresa. Esperava que Daniel fosse apenas
conversa e nenhuma suavidade, mas o homem que me beija é
infinitamente gentil. Seus olhos estão fechados, como se me beijar direito
fosse a única coisa que importasse no momento.

E... não estou odiando isso. É bom.

Ele continua pressionando beijos suaves na minha boca e me


entrego, explorando meus sentimentos. Não estou enojada e não quero
vomitar. Se isso diz algo, gostaria que ele me beijasse um pouco mais
forte. Mike nunca foi um grande beijador, ele apenas queria fazê-lo se
fosse levá-lo a algum lugar, eu aceitava isso. Mas Daniel... Acho que
Daniel poderia beijar uma mulher durante horas para ver como isso a
afetaria.

O pensamento envia um arrepio pelo meu corpo.

A boca de Daniel continua acariciando a minha.

— Você está bem?

— Estou bem. — Eu respiro contra seus lábios.


— Você quer língua?

Oh Deus. Por alguma razão, acho que é excitante que ele me


pergunta. Como tudo isso ser totalmente para mim. Com ele dando-me o
que quero, torna seguro. Então respondo com calma.

— Sim. — E espero que o beijo mude.

Um momento depois, a boca de Daniel abre mais contra a minha e


sua língua toca meus lábios fechados, buscando entrada. Rapidamente
avalio e o permito entrar. Não consigo deixar de lado a tensão enquanto
espero que o sentimento invasivo volte a dar ânsia de vómito e repulsa.

Mas sua língua dá voltas suavemente contra a minha, persuadindo-


me, envolvendo-me. É como se a seu modo ele estivesse me perguntando
se quero brincar. E eu percebo que quero. É libertador. Enterro meus
dedos na frente de sua camisa. E o beijo de volta.

E... é incrível, incrível demais.

A língua de Daniel dança contra a minha suavemente a princípio,


depois com pequenos movimentos que parecem pulsar por todo meu
corpo. Ele me beija como se tivesse todo o tempo do mundo para me
saborear e me derreto sob ele. Este não é o beijo faminto de um homem
que está jogando um osso para que possa ter o seu pau chupado. Este
não é um homem que me pretende dominar e mostrar quem manda.
Este é um conhecedor e ele quer me mostrar o quão bem pode fazê-lo. É
um beijo e um convite ao mesmo tempo.

Meu corpo responde ao nosso momento de luxúria.


Minha língua encontra a sua e eu faço um barulho suave
na garganta que vem de pura felicidade e prazer. Não percebi até agora o
quanto eu realmente, realmente gosto de beijar. Perdi a intimidade disso,
mesmo antes de ser sequestrada. Fecho os meus olhos para saborear as
carícias oferecidas pela boca de Daniel e nem sequer percebo isso. Isso
era o que eu sempre precisava.

E me deixa confusa. Não deveria estar totalmente fodida agora?


Vomitando ao toque de Daniel? Mas ele não me toca como os homens do
bordel. Ele está fazendo amor comigo com sua boca.

Eu me afasto, atordoada e percebo que seus olhos estão cheios de


desejo, as pálpebras pesadas com a luxúria que criamos. Como nunca
tinha notado antes que Daniel é tão sexy? Tão masculino? Porra acho
que tenho a Síndrome de Estocolmo. Deve ser isso. Ou... Estou me
apaixonando por Daniel, porque ele é a única coisa constante no meu
mundo.

Tem que ser isto.

Molho meus lábios provando-o em minha boca e digo.

— Não podemos no separar. Toda vez que as pessoas são separadas


em um filme de terror, a garota tem sempre uma morte horrível.

Ele parece surpreso com as minhas palavras e então um lento


sorriso se espalha por seu rosto.

— Cite um filme onde isso acontece.


Eu começo a assinalá-los em meus dedos. — O Segredo da Cabana,
O Abismo do medo, O Ataque dos vermes malditos...

— Está bem, está bem.

— Caça-Fantasmas...

Ele me lança um olhar. — Ninguém morreu em Caça-Fantasmas.

— Scooby Doo...

Daniel joga as mãos para cima. — Está bem. Você pode vir comigo.
— Ele olha meu cabelo. — Precisamos de um boné de beisebol para
cobrir o seu cabelo. Talvez assim não chamaremos tanta a atenção e
ninguém poder dizer de longe que você é uma mulher.

Eu sorrio.

— Pare de tentar se livrar de mim, de acordo?

— Estou tentando salvar sua vida. Desculpe-me por ser cauteloso.


— Diz ele e há uma nota de brincadeira em sua voz.

— Prefiro morrer ao seu lado em um tiroteio do que ter de voltar ao


bordel. — Eu respondo. Sou cem por cento honesta sobre isso. Não
voltarei para aquele lugar. Nunca.

Daniel me dá um olhar firme, então balança a cabeça e diz. — Sabe,


Daisy me enganou.

Isso me parece uma coisa estranha de dizer.

— Enganou?
— Sim. — Sua boca se curva de um lado, ele começa a colocar facas
em meu colete e o ajusta novamente. — Ela me disse que você era doce e
agradável, e que não me daria nenhum problema.

Não posso impedir, mas ri com a forma triste que ele soa. Talvez
fosse doce e agradável antes, mas não sou agora. Estou cansada do
mundo cagando em mim e vou-me levantar.

— Acho que ela não me conhece muito bem.

— Acho que não. — Diz ele com diversão. — Talvez devêssemos nos
conhecer melhor, se vamos ficar colados um ao outro pela próxima
semana. — E seu olhar desliza pela minha boca, como se estivesse
considerando todas as maneiras que gostaria de me conhecer melhor.

E por alguma razão, me sinto bem com sua avaliação.

— Bom, para começar, eu gosto de filmes de terror. E não gosto de


ser deixada para trás.

Daniel ri.

— Doçura, isso eu já sabia.


Capítulo 14
DANIEL

Hora de repensar os planos então. É óbvio que Regan não ficaria.


Pereya encontrou alguns jeans e botas, sem boné. Uma vez fora da casa,
seguro a mão de Regan.

— Fique perto de mim. — Recomendo desnecessariamente. Seu


aperto na minha mão teria quebrado meus dedos se eu fosse mais fraco
ou ela fosse mais forte. Faço uma nota mental de que devemos comer
antes de conseguir os documentos.

— Há uma barra de proteína no bolso da frente. — Eu digo a ela. —


Coma. — Ela definitivamente não tem comida suficiente em sua barriga.
Depois disso, preciso levá-la para fazer uma boa refeição.

— Você está dando ordens agora? Está irritado comigo? — Ela


pergunta, mas procura e encontra a barra de proteína.
Divide-a em duas, me entrega a metade. Enquanto ela
morde em uma extremidade eu coloco toda a minha parte
na boca e engulo antes de responder. Regan pode ser
passiva e agradável, mas hoje seu medo está superando qualquer senso
de preservação que ela poderia ter. Depois do que aconteceu no interior
do quarto que Pereya nos alugou, não tenho forças para lhe dizer que ela
está atrasando-me. Mas, preciso que ela tome algumas precauções
básicas. Puxo agressivamente sua mão, eu a viro para que ela possa ver
que estou falando sério, por um momento, permito a mim o deleite de me
perder em seus olhos verdes profundos. Misteriosos e mais belos do que
as águas do Rio. Estou tão exausto mental, emocional e fisicamente.
Gostaria de mergulhar nestas águas e não voltar por dias. Esta caça sem
fim e cansativa por minha irmã, o medo de encontrá-la um dia em um
saco preto. Saber que escórias como Gelo e Gomes estão sempre
ganhando.

Logo há Regan. Ela é a evidência de que as coisas podem ir ao


inferno e algo de bom ainda pode sobreviver. Resgatá-las é o meu
trabalho, então, não posso foder com isso. Preciso dele. Não, quero
mantê-la segura.

— Não estou irritado com você Regan. Não temos tempo para isso.
Mas estou preocupado. Você precisa seguir minhas instruções em todos
os momentos. Se eu disser salte, você salta. Se eu te disser coma, você
come. Se eu disser para ficar comigo, isso significa que não há mais do
que a distância de uma folha de papel entre nós. Nossa saída daqui
depende de você ouvir. Entendido?

Ela balança a cabeça e um vislumbre da agradável


doçura à qual Daisy se referia anteriormente, aparece. Toda
nossa situação é um mato sem cachorro. E não estou
somente falando sobre a incursão de Regan no mais
profundo das favelas. O mais grave é a minha estúpida atração por ela. E
a necessidade dela em ver se pode ter alguma resposta de mim. Gostaria
de poder-lhe dizer que se eu estivesse mais atraído por ela, não seria
capaz nem de me levantar e caminhar sem traumatizá-la.

— Ouch. — Ouço Regan dizer e percebo que ao contemplar meus


pensamentos eu apertei muito seus dedos.

— Desculpe. — Deixo a sua mão cair e pego o ritmo, apressando


meus passos. Quanto mais cedo sairmos daqui melhor.

Aqui no Morro dos Macacos, as ruas também são estreitas e


curvadas. Nenhum urbanista desenhou estas estradas em padrões
geométricos rigorosos. Em vez disso, as pessoas das favelas construíram
este bairro, colocando tijolo vermelho e barracos de metal e enferrujados
uns acima dos outros como uma criança empilhando latas vazias em
forma de torre.

Aqui do alto você pode ver o Estádio do Maracanã, onde eles estão
se preparando para sediar a Copa do Mundo e onde o futebol olímpico
será disputado em dois anos. Seus reluzentes muros novos brilham
como uma grande esperança branca falsa.

O Rio tentou limpar as favelas, fazendo cair uma chuva de balas


como um escudo. Os senhores das drogas recuaram, mas não morreram.
Ainda há um cheiro acre que permanece aqui nas ruas, o cheiro de balas
usadas, carne queimada e dor. Lá em baixo em Ipanema ou
Leblon, todo mundo tem um sorriso para você. Aqui, até
andar fora de sua porta é um ato de coragem. Sorrir para
um estranho sinaliza a sua vontade de ser derrubado por ser estúpido.

Depois de caminharmos um pouco morro acima, a praça da


comunidade se torna visível. Conseguimos visualizar os grandes
compostos quadrados que abrigavam uma creche, piscina e campo de
futebol para as pessoas sobre o Morro dos Macacos. No entanto, os donos
da boca não permitem que a piscina encha por nenhuma boa razão.
Acho que não pensaram na possibilidade de trazer as pessoas aqui para
se afogar.

O campo de futebol é desprovido de grama, exceto nas bordas. Em


vez disso, é um oval gigante de terra. Nele é que nascem os verdadeiros
jogadores de futebol. Uma coisa que todo mundo aqui em cima concorda
é que aqueles que foram abençoados por São Pelé são intocaveis, seja
pelo traficante ou morador da favela, todos eles adoram os seus deuses
do futebol. Edson Arantes do Nascimento e Manuel Francisco dos Santos,
mais conhecido como Pelé e Garrincha, são mais reverenciados do que a
Virgem Maria.

Faço uma leitura rápida do campo e não percebo ninguém, assim


levo Regan sobre a parede de tijolos que foi marcada e remarcada por
pequenos bandos que exibem a sua força para o ADA, o principal grupo
que corre o Morro dos Macacos.

— Sente-se contra a parede. — Digo a ela, mas não me sento ao


lado dela. Em vez disso fico agachado, observando o terreno em um
padrão sistêmico, pronto para a ação. Espalmo minha
Ruger quase reflexivamente.
— Deveria estar segurando a minha arma? — Regan pergunta.

— Sua arma? — Minha atenção é momentaneamente distraída


quando viro na direção dela. Seu cabelo loiro perdeu o brilho e seu rosto
tem sujeira nele, algumas na testa e algumas na bochecha. Ela está
suja, com mau cheiro, mas não acho que já vi alguém mais atraente em
toda a minha vida. É então que vejo que o desejo de deixar Regan para
trás tinha pouco a ver com o perigo que ela representa para minha
missão. Queria deixá-la com Pereya não porque estou realmente
preocupado com o fato de não poder protegê-la, mas quanto mais tempo
passo com ela, menos quero deixá-la ir.

Ela dá um tapinha sobre o colete que segura sua arma. A mesma


que ela pegou do visitante que eliminamos no apartamento. — Sim, eu
decidi que esta é minha.

— Ainda não, Annie Oakley13 vamos guardar isso para quando


estivermos em apuros. Neste momento, o máximo que tenho que me
preocupar é com meu informante. Preciso olhar ao redor.

— Como saberá quem é? Ele usa uma flor vermelha na lapela?

Sufocando uma risada, eu digo.

— Eu saberei. Ninguém além de informantes e patrulhas estão aqui


tão cedo.

13 Na verdade Phoebe Ann Mosey, foi uma artista do famoso show do Oeste Selvagem de Buffalo Bill,

provavelmente a primeira estrela artista dos Estados Unidos. Em seu show ela mostrava a destreza com as

armas.
Pereya deu a dica e descreveu o informante. Um metro e setenta.
Magro. Provavelmente vai nos delatar depois de entregar a ponta. Eu não
digo a última parte a Regan.

— Por que é que eles não enchem a piscina? — Ela pergunta.

— Um sinal de controle. Encher a piscina seria um ato de desafio e


uma marca que a ADAS está perdendo sua influência sobre o povo
daqui.

— ADAS?

— Cada favela tem sua própria gangue. O Morro dos Macacos é


gerido pela ADA. Eles movimentam armas e drogas, não mulheres, no
entanto.

Regan bufa. — Uau, tão piedoso.

— Todo mundo tem seus limites rígidos. — Encolho os ombros.

— Por que o povo não se revolta? Você disse que todo mundo
andava armado aqui.

— As gangues proporcionam estrutura e algum senso de


estabilidade. Os policiais são tão corruptos quanto os bandidos. Então
um gangue com muito poder e o tipo certo de líder pode proporcionar
uma vida melhor para essas pessoas do que o governo. Se
sua filha é estuprada, o grupo vai promulgar a justiça em
seu nome. O Morro dos Macacos é um dos melhores
lugares. O perigo real para as pessoas que vivem aqui é
com as gangues rivais que estão pressionando para ter mais poder.
Guerras territoriais matam mais pessoas aqui do que qualquer coisa.

— Parece que você aprova as gangues. — Diz ela.

— Eu estava no Exército antes de assumir esse trabalho. Posso


garantir que matei mais pessoas sob a bênção do governo dos Estados
Unidos do que matei no meu próprio trabalho. Acho que há algo sobre a
capacidade de proteger as pessoas que é importante para você, sem
regras ou regulamentos que eu aprecio. Por outro lado, há uma favela
chamada Lágrimas de Deus, ela foi dirigida nos últimos anos por uma
figura sombria com o nome de Mão de faca. Lá, as piscinas estão cheias
e o campo de futebol é de um verde profundo. Eles favorecem as culturas
locais e as estruturas existentes e derrubam as perigosas. Os moradores
da favela usam um medalhão martelado com granito. Eles dizem que se
você machucar um membro da favela, toda sua família, os que são
importantes para você serão mortos em retribuição.

— Isso é brutal. — Afirma Regan.

Eu penso no que gostaria de fazer com as pessoas que


sequestraram a minha irmã e aqueles que prejudicaram Regan, tento
sair dessa linha de pensamento. Essas fantasias se forem percebidas por
Regan de alguma forma, podem assustá-la mais do que a possibilidade
de ter sexo comigo.

— Talvez. — Respondo sinceramente. — Mas eu não


ouvi falar de uma guerra de territórios lá e as pessoas não
andam armadas até os dentes, além do benefício de não ter
a polícia correndo como um furacão de balas e granadas de mão.

Neste instante, uma figura solitária aparece no extremo oposto do


campo de futebol. Estou me movendo antes que Regan possa responder.
Ela me ouviu, porque posso ouvir seus passos perto atrás de mim. E sua
mão descansa levemente na parte de trás da minha camisa, não tão
apertado que ela me segure ou restrinja os meus movimentos, mas o
suficiente para que não nos separemos. Suspeito que a outra mão
repouse sobre a coronha de sua arma.

O informante me vê e se vira para caminhar em direção ao que


parece um antigo supermercado, abandonado. As letras estão na sua
maioria apagadas, mas pelo menos de uma das janelas aparece a banca
que teve uma vez legumes e frutas dentro. Quando entro no prédio, está
vazio, as coisas que estavam antes aqui agora provavelmente foram
distribuídas por várias das casas nas proximidades para
armazenamento. O piso de cerâmica está quebrado e há manchas
escuras, sangue.

Meu informante caminha em direção a uma porta na parte de trás e


fico perto da parede exterior. Nós não confiamos um no outro, mas
somos estranhos forçados a fazer negócios. Nenhuma morte até realizar
a operação. O informante está vestindo um capuz e jeans largo, o traje
universal de um bandido adolescente, não importa o país. Exceto talvez
Ásia Oriental. Esses caras tendem a vestir jeans apertados.

— Aqui. — A mão enluvada do informante tem um


cartão micro SD. A mão está tremendo levemente,
revelando seu nervosismo. Pessoas nervosas tendem a
atirar primeiro e perguntar depois. Quando já é tarde demais.

Tudo sobre o informante grita novato, me pergunto se nós somos


sua iniciação na gangue. As luvas nas mãos são muito grandes, o que irá
impedir a extração suave de uma arma. A calça larga parece
perigosamente perto de cair e o capuz esconde sua vista. Eu me movo
um pouco para a esquerda de modo que o tecido bloqueie parcialmente a
sua visão.

Pegando o cartão SD, eu puxo um smartphone inativo e insiro o


cartão que ele me deu, início o aplicativo, entrego a Regan e peço. —
Leia-o. Alto.

O informante protesta. — Dê-me a pedra.

— Não. — Nego. Eu odeio amadores, realmente odeio esses pedaços


de merda. Eles sempre fodem alguma coisa. — Olha garota vamos
verificar a sua informação e apenas então lhe entrego o combinado.

Sua cabeça se levanta e o capuz cai para trás, revelando uma bela
brasileira. Maçãs do rosto altas, nariz delicado e cabelo loiro. — Como...
— Ela balbucia.

— Voz. — Digo impaciente. — Além disso, seus quadris. — Faço um


gesto em direção a sua cintura. Com um aceno para Regan, repito meu
comando. — Leia-o.

Depois de um momento Regan começa a ler:

— Cabelo louro, fêmea de olhos azuis. Idade 20 anos


na admissão. Aquisição local: Cancun. Data: 16 de março.
Apresentação: Boa saúde. Tem convulsões estranhas. Recusa-se a olhar
as pessoas nos olhos. Possibilidade de automutilação. Amplo
conhecimento de computadores e sistemas de internet. Se ofereceu para
invadir Butterfield Bank, Ilhas Cayman e obter números de contas
bancárias rivais. Desafio foi aceito. Sucedido. Recusou-se a fazer outro
trabalho, a menos que recebesse seu próprio quarto e promessa de não
ser tocada. Pedidos concedidos. Parceria sugerida com a organização AB.
E há algumas trocas de e-mails com IA?

— Irmandade Ariana. — Explico. — Eles trabalham com os cartéis


para mover uma grande quantidade de drogas. Os Estados Unidos têm
uma das mais altas taxas de consumo de drogas ilegais em todo o
mundo.

— Suficiente? — Diz o informante.

Suficiente. Não posso explicar o alívio que passou por mim quando
Regan leu isso. É ela. Minha irmã autossuficiente e extremamente
brilhante.

— Sim, é o suficiente.

Eu puxo o saco de veludo. Dentro está um musgravite14 de dois


quilates, uma pedra que Petrovich me deu em pagamento por derrubar
seu tio. Vale perto de cem mil. Eu pagaria o dobro por esta informação.
O informante mal consegue pegá-lo com os dedos enluvados. Quando ela

14 Uma das pedras mais preciosas no mundo por ser rara.


está olhando para baixo, eu coloco a Ruger contra sua têmpora.

— Daniel. — Ouço Regan dizer em tom chocado, mas a ignoro. Não


entendo como ela pode estar surpresa com as facetas do comportamento
humano. Essa é mais uma prova de que ela não deixou que sua prisão a
arruinasse. Ela ainda se preocupa o suficiente para não querer ver
ninguém ferido. Como eu disse, o perigo real de Regan para mim é
aquele aperto debaixo do meu peito esquerdo. Está começando a bater
novamente. Descobrirei se isso é bom ou realmente muito ruim depois.

— Assim é como isso vai funcionar. Você vai pegar o seu pacote e
voltar para sua base. Pode dizer que nos matou. Pode dizer que nos
torturou. Nem ela ou eu estaremos por perto para contar uma história
diferente. Mas se tentar alguma coisa, vou estourar seus miolos aqui. Eu
não dou à mínima se você é uma mulher. Entendeu?

Ela acena que compreende o que eu digo. Quando se move, minha


arma segue cada passo seu. Fato que ela registra com os olhos
arregalados. — Certo. Usei essa arma muitas vezes antes. Eu não vou
pedir sua arma, porque suspeito que precisará dela, mas estará no chão
com uma bala antes que possa até mesmo chegar a arma do seu bolso
da frente. Então, seja inteligente e viverá pelo menos mais dez minutos.

— Isso é o que você pensa. — Ela zomba e então eu vejo um ponto


vermelho fraco em sua testa antes de tudo ir para o inferno.
REGAN

Foi preciso apenas dois segundos. Em um segundo vejo o rosto da


mulher bonita, perguntando-me por que há um ponto de laser vermelho
na testa. No próximo há um efeito cascata estranho e sua testa explode
em uma onda vermelha de carne desfiada e meu rosto é salpicado com
algo molhado e quente.

— Abaixe-se! — Daniel grita, sua mão esmagando meus ombros


quase antes que eu possa mesmo processar que o cérebro da garota está
no meu rosto.

Bato no chão de cimento sujo e manchado, sinto o ar sair dos meus


pulmões. As armas e facas dobradas em meu colete espetam minhas
costelas e tenho certeza que terei hematomas amanhã, se estiver viva.
Por agora pelo menos. O corpo da garota está caído ao chão nas
proximidades e sangue está escorrendo perto de minha perna. Daniel
não para nem por um momento, ele está serpenteando seu corpo ao
longo do chão, em direção à parede. Uma vez que o meu choque inicial
desaparece, eu o sigo. Ficar tão perto quanto uma folha de papel, ele me
disse.

Chegamos ao lado do edifício e Daniel se agacha atrás


de uma geladeira que é tão velha quanto Nixon. Outro tiro
ecoa enquanto sigo meu caminho pelas laterais até onde Daniel está.
Algo acerta a parede próxima a nós.

Quando Daniel pega a minha mão e me puxa para cima ao lado dele
dou um gemido assustado. Eu colo meu corpo contra o dele, tentando
ficar protegida, tanto quanto possível. Ele empurra a porta da geladeira
aberta para nos dar mais cobertura, tendo que se afastar de mim
momentaneamente. Sou obrigada a agarrar-me a suas costas quando
outro tiro ecoa e a porta da geladeira salta loucamente. Daniel empurra-
a abrindo de novo e desta vez ela fica aberta.

Eles sabem onde estamos e estão nos vigiando.

— O que... o que... — Tento formar uma pergunta que irá abranger


tudo o que está acontecendo, mas estou falhando.

Daniel balança a cabeça, arma na mão, seu olhar à frente da antiga


mercearia tentando ver alguma coisa. — Não sei por que alguém decide
ser informante. Eles nunca ficam vivos.

Viro-me e olho para o corpo da garota, em seguida, toco meus dedos


no rosto. Ainda molhado com seus fluidos. Quero vomitar, mas agora
não é o momento. Engulo em seco e mentalmente seguro a saliva na
boca que pode esperar por um momento mais apropriado para sair.

— Ela é um informante? — Questiono Daniel.

— Era. — Daniel corrige.

Eu olho para ele e puxo a minha própria arma do


coldre. — Você sabia que isso iria acontecer.
— Tinha uma ideia. Como falei, os informantes nem sempre ficam
vivos. É um trabalho perigoso.

— Espero que as informações valham a vida dela. — Digo, ainda


chocada pela morte rápida da garota, tão facilmente. A vida não é nada
aqui nestas favelas. Esse é um lembrete do quanto quero ir para casa.

— Você não tem ideia. — Diz Daniel e há um fervor em sua voz que
me faz pensar. Ele está praticamente tonto desde que recebeu a
informação desta jovem loira. Estou surpresa com a onda de ciúme que
inflama dentro de mim. Esta é a outra mulher que Daniel está
procurando o tempo todo? É por isso que ele concordou em vir me
encontrar, porque está procurando por outra loira? Sua namorada,
talvez?

Estou um pouco envergonhada com o tamanho do ciúme que esse


pensamento evoca em mim. Agora não é o momento para sentir isso.
Posso não ter nunca mais esse momento. Sou um pacote fodido para
Daniel. Um pacote quebrado, que não vai ter utilidade nenhuma para
ninguém.

De repente tudo fica quieto. Mais ninguém está atirando, não


estamos em movimento e ao meu lado, Daniel está tão tenso e em alerta
como sempre.

— É seguro irmos? — Eu sussurro.

— Claro que não. — Daniel me diz e uma pequena


risada escapa de sua garganta. — Eles têm atiradores em
algum lugar. Claramente esperavam por ela e estão
irritados. Temos informações valiosas connosco agora, quando usá-la,
ficarão mais irritados. — Embora quando diz isso, ainda pareça um
pouco emocionado.

— Então o que faremos? — Pergunto.

— Não sei ainda.

— Podemos esperar? — Pelo menos é o que eu acho.

— Atiradores podem esperar por um longo tempo, porra. — Diz


Daniel. — E eles têm toda a vantagem, já que estamos encurralados.

— Então o que faremos? — Pergunto novamente.

— Vamos esperar que eles cometam um erro. — Diz e depois olha


de volta para mim. Um sorriso arrogante passa por seu rosto, o que me
surpreende, já que estamos numa situação tão desagradável. — Porra!
Vamos nos acalmar. Não se mova daqui, não coloque a cabeça para fora
para tomar um tiro e ficará bem.

Ah, claro, fácil para ele dizer. — Você já esteve em tiroteios antes?

Ele acena que sim e sua atenção volta para a parede de tábuas
frágeis da antiga mercearia. A luz do sol derrama dentro através das
rachaduras, está um dia bonito lá fora. Dia perfeito para um bom
tiroteio, suponho.

— Relaxe. — Ele casualmente coloca a arma sobre a


porta da geladeira e atira. Quase imediatamente, há fogo de
retorno. — Sim, ainda estão lá fora.
— Relaxe. Certo. — Pressiono as costas contra a parede, segurando
minha arma. Relaxe, o homem diz. Como se alguém disparando e
matando pessoas literalmente no meu rosto não fosse motivo para me
preocupar. Ainda bem que sou boa em mentalmente ir embora de uma
situação ruim. Eu tive muita prática e os meus pensamentos se voltam
para o meu tema favorito: filmes de terror. As armas não são incomuns,
mas a maioria dos tiroteios é unilateral. O mocinho atira no monstro ou
no canibal de sua escolha. Tiroteios são coisas que eu associo com
Westerns e filmes de ação. — Qual seu filme favorito? — Pergunto a
Daniel.

Neste momento, ele leva sua arma para cima e imediatamente outra
bala passa através das placas. Ele abaixa a arma rapidamente, fazendo
uma careta. É uma coisa boa, termos a geladeira velha para nos proteger
ou estaríamos em pedaços no concreto tal qual a informante. Ele olha
para mim. — Você de verdade está me perguntando isso agora?

— Ei, você foi o único que sugeriu nos acalmarmos.

Ele bufa. — Certo. Certo. — Passa um momento e então ele olha


para mim. — Duro de matar.

Eu deveria saber. — Você poderia ser mais clichê?

— Talvez seja clichê porque é fantástico demais. Falo sério. O cara


inventou a frase yippee ki-yay15, ele é foda. Nós o usávamos para gritar
no exército. Não são muitas as cenas de filmes que
acontecem também no exército. Geralmente é o contrário.

15 . É uma frase que o Bruce Willis fala no filme, inventada por ele, é como: vá para o inferno. Não

tem uma tradução.


Seus olhos se estreitam e ele inclina a cabeça, tentando ouvir algo,
então levanta a arma e atira.

Nenhum fogo de retorno.

— Está quieto. Isto é bom, certo? — Pergunto.

— Significa que eles estão em movimento. Não se preocupe.

Oh claro. Não se preocupe, Regan, ele diz, Nunca deixarei você,


Regan. Quando é que Daniel vai perceber que ele está cheio de merda?

— Ceeeeerto. — Respondo de qualquer forma.

— Duro de Matar — Diz novamente, ficando de pé e tirando os


sapatos enquanto o observo. — Derrotou um pelotão de bandidos com
seus pés descalços. Mesmo no exército, eles permitem que você use
botas. — Ele mexe as sobrancelhas para mim, como um menino
travesso, em seguida, joga o sapato por cima da geladeira na direção da
porta de entrada do antigo supermercado.

Isso traz uma nova rodada de disparos. As balas voam duras e


pesadas sobre nós. Abaixo-me e encolho contra Daniel, meus dedos indo
para sua cintura. É como se ao me segurar nele, estivesse mais segura.

— Um pouco mais à esquerda, doçura. Embora tenha que dizer, o


seu tempo é terrível quando se trata de preliminares.

Oh vamos lá. De verdade? Ele realmente disse isso?


Como se eu fosse cair nele em meio a um tiroteio. — É esse
tempo a única coisa que está poupando-o de conseguir um
punho no pau agora. Afinal, exatamente qual o ponto em jogar seu
sapato lá?

— Isso me mostra que ainda há atiradores na parte de trás do


edifício. Embora não acho que eles vão atacar mais. Significa que eles
estão se movendo para cima. E você? — Ele rosna.

Eu solto o cinto e toco minha arma. — Eu o quê?

— Qual seu filme favorito?

— Oh, estamos ainda falando sobre isso? Esqueci. —


Distraidamente, levanto minha arma e faço a varredura do quarto. Quero
ajudar, se os bandidos atacarem. — A Coisa, na versão de John
Carpenter, 1982.

— Isso é um favorito estranho.

— É brilhante. Ou pensou que eu diria: O Diário da Princesa porque


sou uma garota? — Quero fazer uma careta para ele. — Você é
totalmente um clichê, sabe disso certo? Sua cor favorita deve ser preta e
deve ter uma dúzia de boinas de atiradores para combinar com todas as
golas pretas em seu armário.

Ele bufa e olha para a minha arma tremendo. Estou apontando-a


para as paredes, à espera de uma sombra passar através dos raios de
sol.

— Tentando lembrar das suas aulas de tiro? — Ele


pergunta.
— Agora é um grande momento, você não acha?

— Porra. Apenas não atire nas minhas malditas bolas, certo? Eu


preciso delas para as senhoras.

Penso em algumas dúzias de réplicas irritantes para responder. Mas


as mantenho em pensamento. Idiota! Em vez disso, levanto a arma,
aponto, puxo o gatilho e nada acontece.

— Trava de Segurança. — Ele corrige, olhando ao redor da


geladeira.

— Certo. — Atrapalho-me com a arma, meus dedos estranhamente


instáveis. Encontro a trava, desbloqueio-a e levanto a arma novamente.
Desta vez, ele estronda quando puxo o gatilho e toda a minha mão vibra
do recuo.

Não há nenhum tiro em resposta.

Daniel inclina a cabeça e aguarda. Ele tira seu outro sapato e


aponta na extremidade do quarto.

— Atire nessa direção. Vou jogar o meu outro sapato em um


momento e ver se teremos uma resposta de ambos os lados.

Olho para o outro extremo da sala. Há uma janela alta e a


distância, posso ver as favelas.

— E se eu atirar e atingir alguém? Posso atirar no


teto?
— Sim, porque essa coisa parece tão resistente. — Diz Daniel
sarcasticamente. — A perfeição para terminar um tiroteio é o teto
desabar sobre você.

— Tudo bem, tudo bem. — Murmuro. Quando ele acena uma mão
para me apressar, atiro na parede oposta. Daniel ouve e um momento
depois joga o outro sapato na porta.

Não há nada além do silêncio. Está tão quieto que eu posso


praticamente ouvir a garota morta sangrando no chão a uma curta
distância de nós.

— Parece que eles se foram. — Ele me diz, mas não move um


músculo, então eu também não faço nenhum movimento. Nós ouvimos o
estranho silêncio e não há nada, além do estranho silêncio. — Ou isso ou
eles estão tentando os lados. Você fica aqui e eu vou verificar as coisas.
— Diz ele do chão do armazém.

— Não! — Eu digo furiosa.

— Não é um debate. — Ele graciosamente responde.

— Eu. Vou. Com. Você...

— Não. Você não vai. — Daniel diz, olhando para mim. — Não é
seguro. Agora fique até eu voltar, entendeu?

Retorno seu olhar, igualmente furioso.

Ele desliza ao lado da geladeira e em seguida, esgueira


seu caminho para o lado do edifício. Ele está totalmente
escondido na sombra e se piscasse, o perderia completamente.

Gostaria de saber se é um truque. Se ele vai embora e me deixará


para trás. Um leve tremor começa pelo meu corpo. Será que ele está me
deixando de lado, como todos fizeram? Um nó de ansiedade bloqueia
minha garganta.

Porra. Saio da cobertura e corro atrás dele. Não serei deixada para
trás mais uma vez.

O seu suspiro de irritação bate em mim e vai direto para a minha


cabeça, me fazendo vacilar. O meu medo, no entanto, é maior. Nunca
serei deixada para trás novamente.

Ele aproxima seu corpo e se move ao longo da parede, a arma


engatilhada, pronto para atirar. Então, sigo sua liderança, movendo-me
para o outro lado da porta para que nós estejamos um de cada lado,
pronto para atirar se alguém nos tiver como alvo.

— Então, o filme, A Coisa é sobre o quê? — Ele me pergunta


casualmente. Embora seu olhar não esteja sobre mim. Ele está
constantemente analisando o nosso redor, me pergunto se ele está
tentando me distrair.

— É sobre Kurt Russell sendo fodão. — Mantenho a minha resposta


curta. Estou nervosa e minha voz soa muito alta no silêncio. Isso está me
deixando ainda mais ansiosa. — Fazendo o que fodões fazem.

— Soa como uma grande trama. Como eu não assisti


antes? — Mais uma vez, Daniel é todo sarcasmo e humor.
Quanto mais as coisas ficam perigosas, mais seu humor
fica afiado. Ele se abaixa, o que me surpreende, silenciosamente aponta
para eu fazer o mesmo.

Aceno e ocorre-me que nossa conversa pode ser uma cobertura para
distrair os nossos atiradores... O que significa que eles estão mais perto
do que nunca. Fato que me deixa realmente mais nervosa.

— Tem muito sexo oral, também. — Minto para ver se ele está
prestando atenção. — Muitos e muitos boquetes.

— Se parece com o meu tipo de filme agora. — Diz ele de braços


cruzados. Em seguida, extremamente rápido, ele sai correndo pela porta
da frente e confronta os homens tentando nos matar.

Ouço um tiro sair, ouço algo rachar, como cerâmica sendo


esmagada e então vejo Daniel se virar e disparar sua arma em algo fora
da minha linha de visão.

Uma vez.

Duas vezes.

Um corpo cai no chão aos seus pés.

É tudo um borrão, acontece rápido, não consigo sequer entender a


movimentação. Olho para o homem morto aos pés de Daniel, percebo
que seu pescoço está em um ângulo estranho. Daniel dispara mais um
tiro, coloca a mão em suas costelas, como se as segurasse
firmemente, então dispara mais uma vez. Há um baque fora
da minha linha de visão, mas ainda assim nas
proximidades. Daniel grunhe e guarda as armas no coldre.
— Acabou. Você pode sair agora. — Ele diz.

Sair? Nem sequer tive tempo para pensar em disparar minha arma.
Atordoada, fico de pé, notando que uma das balas atingiu centímetros
acima da minha cabeça. Se estivesse de pé, estaria morta.

— Vamos lá. — Diz Daniel. — Não queremos estar aqui no caso de


seus companheiros voltarem.

Ele não tem que me dizer duas vezes. Corro para seu lado,
passando por cima do homem morto a seus pés. Neste momento Daniel
casualmente pega um de seus sapatos e franze a testa para os buracos
no dedo do pé. Ele o empurra, enquanto olha ao redor para o outro
homem morto a uma curta distância de onde estamos, com um perfeito
buraco de bala no centro da testa.

Jesus. Daniel foi tão rápido.

Ele me puxa pelo braço já que não me movo rápido o suficiente. Nós
deixamos o supermercado para trás, voltando para as favelas. Daniel
olha para mim. — Você está bem?

— Sim. — Ainda estou atordoada, mais com a velocidade com que


tudo aconteceu do que com qualquer outra coisa. Queria ajudar, mas fui
inútil. Menos do que inútil. Pela primeira vez, estou começando a
perceber o que Daniel estava dizendo. Não apenas era a minha vida em
perigo quando fui com ele, mas estou colocando-o em perigo também,
porque ele tem que prestar atenção em mim. Essa
perceção, não é uma sensação boa.
— Você ainda tem aquela granada? — Ele chega em um dos bolsos
laterais da minha jaqueta, puxa-o para fora e meus olhos se
arregalaram. Isto explica o que machucava minhas costelas, ainda bem
que não sabia, ficaria apreensiva se soubesse que eu estava andando
com a barriga em cima de uma granada. Talvez foi por isso que ele não
me disse.

— O que foi? — Eu pergunto a ele e olho ao redor. — Há mais


homens?

— Não. Nós vamos enviar uma mensagem para os nossos amigos. —


Ele puxa o pino e lança a granada como uma bola de beisebol em uma
das janelas do antigo supermercado.

— Qual é a mensagem? — Pergunto quando Daniel agarra meu


braço e começamos a ir embora novamente.

Dois segundos depois, há um grande estrondo e chovem detritos


por todos os lados. Ele olha para mim, um menino em seu momento de
plena alegria. — Nossa mensagem é: Yippee ki-yay, filhos da puta.

— Previsível. — Digo a ele. Mas meu grande sorriso morre quando


ele se encolhe e agarra suas costelas novamente. Então eu percebo...

Daniel foi baleado.


Capítulo 15
DANIEL

— Está ferido? — Ela pergunta.

— Você está se oferecendo para brincar de enfermeira? — Mexo


minhas sobrancelhas lascivamente. — Amo o uniforme. Acho que são os
sapatos brancos que fazem a magia.

— Você pode ficar sério por um minuto? — Ela puxa minha camisa
e viro a cabeça para esconder um estremecimento. Então? Levei um tiro.
Já que estou na posição vertical sendo capaz de andar, deve ter sido
superficial, apenas precisa de um pouco de álcool e supercola e ficarei
bem. A coisa mais urgente é colocar Regan em um lugar seguro.

— Vamos! Vamos encontrar um bom lugar onde você possa me


olhar mais tarde. Quando tivermos mais privacidade. Não sou fã de
demonstração pública de afeto. — A alta adrenalina
bombeia por todo meu corpo. Se ela estivesse disposta, eu a
teria tomado no chão do supermercado.
Ela faz uma carreta, mas segue.

— Você não está sendo engraçado agora.

— Quando você acha que fui engraçado? — Pressiono a mão contra


minha cintura para estancar a ferida, porque estou deixando um rastro
de sangue atrás de mim como migalhas de pão. Espero que isso não
termine connosco empurrados em um forno. Tento descontrair e digo. —
Vamos lá Regan, estou curioso. Quero testar minhas piadas para que
possa conseguir mais risadas no futuro.

Isso soou como algo que minha irmã diria e permito-me uma
pequena risada. Regan não percebe, mas teria sofrido muito mais do que
essa ferida para conseguir a informação que obtivemos.

Minha risada a irrita.

— Não é como se eu tivesse alguma preocupação real pelo seu bem-


estar ou algo do tipo. A não ser claro, o fato de você ser meu bilhete para
fora daqui, por isso, se você está ferido. Eu estou ferrada.

Faço um ar de desdém.

— Se eu achasse que isso fosse verdade, teria uma ferida no meu


coração. Felizmente para nós dois, eu sei que você está brincando.

Ela bufa, o que pede uma piscadela de retorno.

Posso dizer que ela está desenvolvendo um fraquinho


por mim. Pode não ser um sexual, mas ela gosta de mim. O
sorriso no meu rosto morre quando chegamos perto de
Pereya. Nossas bolsas estão empilhadas do lado de fora, o
que significa que ele teve alguém prestando atenção em nós e agora está
nos dizendo para dar o fora daqui.

— O que está acontecendo? — Regan pergunta quando eu agarro


ambas as bolsas sem parar. O movimento faz com que uma das bolsas
esbarre contra o meu lado, e a dor me faz tropeçar e gemer. — Vamos,
você está ferido. Ela puxa meu braço como se ela achasse que
pudéssemos voltar ao quarto de Pereya.

Parando, toco seu rosto e um movimento íntimo para suas ações.

— Nós não somos bem-vindos lá agora. — Ela faz um som


angustiado. — E não estou ferido. De verdade. Juro, se estivesse eu diria
a você.

— Você diria? — Seus grandes, olhos verdes olham para mim com
confiança e... algo mais... desejo?

Dou-me um tapa mental para tirar uma dúzia de pensamentos


inadequados que surgiram com esse simples olhar. Tais como ela
realmente tendo sentimentos além de gratidão, como querendo me beijar
novamente. Merda, se ela precisa de mais prática no quesito beijos, eu
posso ser seu homem.

Contento-me em esfregar o polegar ao longo da sujeira em sua


bochecha.

— Nada vai acontecer com você enquanto eu ainda


estiver respirando. Juro. — Afirmo com sinceridade a ela.
Nós olhamos um para o outro durante o que pareceu uma
eternidade ou pelo menos dois ciclos da lua, antes de ela deixar cair seu
olhar.

— Certo. — Ela diz baixinho.

Sua aceitação provoca uma resposta em um lugar muito acima da


minha linha da cintura. Se não estivéssemos correndo por nossas vidas e
não tivesse a minha irmã para salvar, se tudo fosse diferente, eu pegaria
Regan em meus braços e a levaria para a superfície horizontal mais
próxima para lhe mostrar o quão sincera minhas palavras eram. Não era
a primeira vez que desejava ter conhecido Regan enquanto estava no
exército. Quando era cheio de arrogância, sempre crente que nada
poderia prejudicar aqueles que eu realmente me importava. Esses
sentimentos estão muito longe agora, o peso opressivo da culpa e do
medo me deixaram diferente. Essa minha ligação com Regan me
desconcerta. Assim para recuperar o meu equilíbrio e voltar ao normal,
faço um comentário espertinho e recolho o meu lixo.

— Posso pensar em uma parte de mim que está verdadeiramente


com dor boneca, se você estiver pensando em fazer alguma coisa.

— De verdade, Daniel? Você tem que arruinar o momento?

Sim baby, eu tenho, porque nenhum de nós tem tempo para esta
atração. Dando-lhe um sorriso tenso, vou descendo o morro. Como um
bom soldado, ela me segue. Apesar de toda a merda que
tenho jogado em seu caminho, Regan faz o que digo a ela,
sem questionar. Ninguém nos para no meio do caminho do
Morro dos Macacos. Talvez a notícia do nosso tiroteio se
tivesse espalhado ou talvez nós parecemos perigosos. Empoeirados,
sujos e sangrentos, parecemos duas pessoas que saíram de uma batalha
e não sem medo de tirar do caminho qualquer um que tentasse nos
parar. Pelo menos é assim que espero parecer, porque a verdade é que
Regan e eu estamos fracos como gatinhos agora. Nós precisamos de
comida, chuveiro e dormir. Nessa ordem. Na base da favela, procuro
algum transporte, porque é preciso colocar alguma distância entre nós e
o Morro dos Macacos. Ipanema, Luiz e os documentos estão há cerca de
uma hora de distância para o sudeste. E entre eles estão mais favelas,
morros e florestas.

Olhando de relance para a minha esquerda vejo um modelo Fiat


velho, o flanelinha está longe de ser visto. Puxo o braço de Regan. —
Vamos.

— Você não vai roubar isso, não é?

— Não, vou pegar emprestado. — Pego a minha arma e quebro a


janela do lado do motorista. Entro e abro a outra porta. — Entre.

Balançando a cabeça, ela entra. — Alguém realmente precisa deste


carro, aposto.

— Então, eles deveriam ter pagado a um flanelinha.

— Um o quê?

— Vigia de carro. Pagar alguém para cuidar do seu


carro para que alguns criminosos de merda não venham e
roubem-no.
— Agradável.

— A mesma coisa acontece em determinadas partes da nossa


grande América do Norte. Alguns bairros são totalmente perigosos.

Eu mexo com alguns fios e o carro liga. — Além disso, você está
pronta para caminhar quarenta quilômetros ou prefere comer em uma
hora?

— Dirija então.

Piscando-lhe um grande sorriso, eu piso fundo. Jogando meu


telefone para ela, digo.

— Encontre o pior hotel em Ipanema.

Cinquenta minutos depois, checkamos um hotel chamado Aeroporto


Real. Regan lê em voz alta os comentários enquanto passo pelas ruas
estreitas e acidentadas. — Os tapetes são imundos. Estava com medo até
mesmo de deitar-me sobre os lençóis, então dormi na minha roupa e
quando acordei, estava coberto de mais areia do que você poderia
encontrar na praia.

— Soa perfeito. — Eu digo a ela.

— Não que esteja reclamando porque não estou pagando, mas por
que estamos à procura de algo tão horrível? — Ela tenta entender.

— Porque nós não podemos ir para o Hotel


Copacabana Palace parecendo que travamos uma luta com
uma gangue de drogas no Morro dos Macacos. Este lugar
vai ficar feliz em aceitar o nosso dinheiro sem fazer perguntas.

— Não acredito que merdas como estas existem. Regan diz quando
destrancamos nossa porta do quarto. O corredor fede como se tripas de
peixe tivessem sido derramadas e nunca tivessem sido limpas. Este
quarto tem cheiro de fumaça e pouca ventilação. Eu coloco nossas bolsas
na mesa bamba e confiro o banheiro. Há duas toalhas que parecem tão
finas quanto papel e duas extras na cama. As moscas estão por toda
parte. — Talvez deveria ter-lhe pedido para olhar o segundo pior hotel
daqui.

— Obrigada, gênio.

Jogo uma das toalhas sobre a base do piso do chuveiro.

— Fique de pé sobre elas enquanto toma banho. Vou pegar um


vestido para você poder secar-se com ele. É mais limpo do que qualquer
coisa aqui.

Dentro da bolsa de Regan eu encontro um biquíni, produtos de


higiene pessoal e um roupão. A atendente na loja pensou
em tudo.
Pego em meus braços e levo para o banheiro mas sou
recompensado com um grito.

— Jesus, Daniel. — Regan grita. — Um pouco de privacidade, por


favor?

— Desculpe. — Murmuro.

Coloco as roupas e artigos de higiene no topo do vaso sanitário,


tento sair de lá sem olhar. Mas um gritinho interrompe meu progresso.
Arma na mão, abro a cortina do chuveiro e vejo Regan encolhida no
canto do banheiro, longe da cortina. Com meu coração a mil, eu olho
para o perigo. Pernas finas se estendem para fora de um corpo negro ali
próximo ao chuveiro. Merda, eu não gosto de aranhas também. Olhando
por cima do meu ombro, vejo que Regan ficaria feliz se matasse o inseto
maldito com a minha Ruger. Coloco a arma na parte de trás da minha
calça jeans, pego um monte de papel higiênico e removo a maldita coisa.

— Eu não posso terminar meu banho. — Diz ela.

— Claro que você pode.

— Não, porque eu não posso fechar os olhos agora. Eu tenho que


continuar vigiando. E se houverem mais aranhas?

— Você pode tomar banho com os olhos abertos. — Eu sugiro de


forma inteligente.

— Não, eu não posso. Eu não lavei meu cabelo. Será


que você...? — Ela não termina a sua pergunta, mas eu
posso ver isso claramente em seus olhos. — Por favor, Daniel?

E eu sou incapaz de recusar, embora sei que será uma tortura.


Puxo a arma da calça e coloco-a sobre a beirada da pia. Com a outra
mão, tiro minha camisa sobre a cabeça, mas mantenho minha calça.
Tenho medo, que se não a manter, não serei capaz de manter o meu pau
longe dela.

— Entre, boneca.

Ela faz. Tremendo e sacudindo mesmo sob a água quente.

— Eu sei que estou sendo irracional, mas não me importo. — Ela


diz humildemente.

Coloco um pouco do shampoo de Regan em minha mão.

— Incline a cabeça contra mim. — Eu peço. Ela faz e passo a ter


plena consciência do meu peito nu a alguns centímetros do seu corpo,
também nu. Mesmo que eu tentasse manter meus olhos fora da figura
nua na minha frente, a verdade é que não conseguiria. Essas imagens
jamais serão esquecidas. E agora estou adicionando sensação e cheiro à
equação. Pergunto-me se algum dia, conseguirei fantasiar sobre
qualquer outra mulher.

Meus dedos correm por seu cabelo e pressiono seu couro cabeludo.
Quando ela geme, eu sinto a vibração através de todo meu corpo a tomar
posse do meu pau. Ele tenta arrebentar meu zíper para
chegar até ela, para chamar sua atenção. Ela não para de
fazer esses sons e isso está me deixando tão excitado que mal consigo
ficar parado.

— Você precisa parar, Regan. — Eu praticamente rosno, mais forte


do que pretendo, mas porra, nenhum homem pode ter tanto sofrimento.

— Sinto muito. — Diz ela entre gemidos. — Mas não posso parar. É
uma sensação tão boa.

Eu poderia estragar o momento, como fiz antes, com algum


comentário estúpido, algo sexista ou ainda, algo sexual. Como por
exemplo, sobre ela curvando-se para eu dar-lhe uma sensação tão boa,
como algo que ela nunca experimentou antes. Mas de alguma forma eu
não posso. Eu deixo-a inclinar-se ainda mais contra mim. O que faz
minhas costelas doerem, mas é uma dor doce, que saúdo, isso significa
que ela está me tocando.

— Seu cabelo está limpo, doçura. — Digo a ela com voz rouca. Viro-
a e seus seios rosados são empurrados em meu peito. Foco todas as
minhas forças para manter minhas mãos em seu cabelo e não as deixar
descer por seu corpo. Seguindo o caminho percorrido pela água e
sabonete. Os padrões, criados na superfície de sua sedosa pele, pelas
gotículas de água e sabonete são tão eróticos.

Ela se inclina para trás, confiando implicitamente que vou mantê-la


na posição vertical e eu o faço. Com uma mão na nuca dela para mantê-
la firme, deixo a água limpa cair sobre seu cabelo,
certificando-me de que nada caia em seu rosto. Mais e mais
deixo a água lavar-nos. Neste momento é indiferente que o
jeans molhado, pareça ter mil quilos pendurados no meu
pau duro ou que a última faixa de sabonete desapareceu há cinco
minutos. Talvez ficássemos assim durante horas, uma vez que a água
quente nunca esfriava.

— Tudo bem baby pode sair. — Disse suavemente. Ela volta à


realidade, saindo do seu mundo de pensamentos e lentamente fica
consciente de todo o nosso ato. Quando seus olhos se abrem, a luxúria é
evidente. Exala deles desejo e também necessidade. Quero ser aquele a
dar-lhe prazer. Anseio impacientemente por um sinal. Dê-me um sinal,
baby. Penso. Mas ela permanece em silêncio. Finalmente eu a tiro do
chuveiro e enrolo uma toalha em volta dela, empurrando-a para fora.

Fechando a porta, tiro meu jeans, minha cueca e pego meu pau
pulsando. Eu realmente desejo Regan. Mas a minha palma é o único
alívio que terei neste momento. Passo o chuveiro para o frio, uma mão
encostada na parede, e outra no meu pau.

Não leva muito tempo para ter tudo feito. A água fria não lava a
imagem do corpo de Regan, o olhar de prazer em seu rosto enquanto ela
se inclina para trás, a corrente de água caindo por seu corpo. Na minha
fantasia ela se abaixa e tira o meu jeans. Suas mãos delicadas puxam
meu pau, no exato momento em que faz um som de prazer semelhante a
um zumbido de desejo. Seus olhos são grandes discos verdes e os lábios
rosa me cobrem, em seguida me diz: Você é tão grande. Seus olhos
verdes brilhando e seus lábios rosa se abrindo e me chupando.

Ela nunca deixa de me olhar, nunca deixa de


demonstrar o quanto ama isso. Posso ouvir os sons de seus
gemidos ao redor do meu pau, abafado pela carne em sua
boca, mas ainda audível. Minhas bolas endurecem e uma
tensão familiar aparece na base da minha espinha. Não é a primeira vez.
Afasto-me bruscamente e levanto-a em meus braços. Pressionando-a
contra o azulejo, deixo meu pau entrar em seu calor molhado. Ela grita
em meu ouvido o quanto ama isso. Imagino sua boceta apertada,
molhada e quente. Suas paredes apertando contra mim como se não
pudesse suportar a perda sequer de um centímetro do meu pau fora da
sua boceta.

Cada impulso dentro do seu corpo é como ser abraçado por um


punho quente. Eu solto um gemido de alívio. Minha cabeça cai para trás,
muito pesada para meu pescoço suportar. Toda a minha energia está
focada no sangue correndo através do meu pau quando eu imagino
entrando em Regan mais e mais.

Uma atriz pornô não soaria mais quente, aos gritos da minha Regan
imaginária. Você é tão gostoso. Tão grande. Eu te quero tanto. Goze dento
de mim. E assim eu faço. Gozo dentro dela com longas correntes de
esperma que parecem não ter fim. Infelizmente essa é uma fantasia.
Quem termina o serviço é a minha mão e a água fria que se infiltra em
meus nervos. Termino de limpar, mas sei que tão bom como me senti,
seria cinco mil vezes melhor estar dentro dela. Mas também sei que
minha mão e minha imaginação é o mais próximo que chegarei a estar
dentro dela.
REGAN

Não é justo.

Não importa que Daniel me empurrou para fora do banheiro. Eu


esperava isso, na realidade. Estava sendo egoísta ao pedir que ele me
ajudasse no chuveiro, sabendo que o deixaria louco e sem me preocupar
com isso. Talvez no fundo da minha mente, tenha sido um teste para
empurrá-lo ao limite, para ver quão longe ele aguentaria ir. Quão louco
de desejo ele ficaria antes que rompesse sua palavra e começasse a me
agarrar. Se falhasse como qualquer outro homem, eu podia colocá-lo na
mesma categoria mental que todos os homens caíram agora: utilizáveis,
objetos.

Mas Daniel nunca quebra sua palavra. Ele nunca me toca


sexualmente e quando me jogou para fora do chuveiro fiquei confusa e
um pouco triste por deixá-lo para lá. Gostei de ser tocada por ele. Gostei
de não sentir medo do seu toque. Gostei de não ser forçada a nada, ter
controlado a situação e de apenas receber caricias e ternura. E Deus,
como senti falta de receber afeto e ternura.

Tiro a toalha do meu corpo, dou ao meu cabelo uma massagem


rápida para absorver um pouco da água e em seguida, rastejo de volta
para a cama e puxo os lençóis em volta do meu corpo. Devia colocar
roupas, mas a situação me deixou estranhamente
vulnerável.
É como se não quisesse me vestir, porque parte de mim quer que
Daniel saia do chuveiro e me toque. Mostre-me como é realmente ter
sexo. Mostre-me tudo o que pode ser feito. Porra quero que me toque um
pouco mais, sem compromisso. Gostaria de tudo isso. Mas não posso
pedir. Sou a propaganda perfeita para a Síndrome de Estocolmo, certo?
Deveria odiar o toque de cada homem, no momento, ao invés de cobiçar
um homem que me toca com ternura.

Deveria estar pensando em meu namorado. O pensamento e a culpa


me atingem, fazendo-me encolher debaixo dos lençóis. Não pensei muito
em Mike, recentemente. Será que ele sente minha falta? Lamenta como
se estivesse morta? Não deveria estar morrendo de vontade de voltar
para ele em vez de ter todos esses sentimentos confusos por Daniel?
Mike é um cara de boa aparência. Estamos juntos desde o colegial.
Merda. Escolhi a faculdade e Mike me seguiu.

Mas Mike nunca lhe dá orgasmos. Meus traidores sussurros


cerebrais lembram. E nunca me beijou como Daniel.

Tem que ser Estocolmo, digo a mim mesma. Ouço a água cair no
chuveiro e descubro que Daniel não vai sair tão cedo. Ele não vai sair por
alguns minutos. Posso ligar para Mike e... Deixá-lo saber que estou viva.
Isso é o que uma boa namorada faria.

Pego o telefone de Daniel e disco o número para o apartamento de


Mike. Ele não vai atender a menos que saiba quem o está chamando,
então tento primeiro deixar uma mensagem. Depois de
quatro toques, vai para o correio de voz.
— Oi! Você ligou para Mike e Becca. Deixe uma mensagem após o
bip!

Eu desligo, horrorizada. Mas não totalmente surpresa. Mike e


minha melhor amiga Becca? Mike e minha amiga mais antiga? A única
que estava sempre me dizendo como eu era sortuda de ter um cara tão
bom como Mike?

Como foi fácil para eles ficarem juntos, será que ambos não ficaram
de luto? Tudo o que precisaram foi um vinho, algumas tristes
comiserações mútuas e então, naturalmente claro, porra, foram morar
juntos para me superar?

Eu não deveria estar ferida, mas estou. Mike pode ter pensado que
eu estava morta... Mas não faz sequer dois meses. E ele nunca me
deixou morar com ele, embora namorássemos há anos. — Preciso de
espaço, querida, ele dizia.

Eu aceitei, porque é isso que Regan Porter faz. Ela era uma garota
agradável que aceitava todas as coisas, para deixar todos plenamente
felizes. Mas Becca morar com meu namorado depois de menos de dois
meses... De verdade?

Eu coloco o telefone de lado. Então deito minha cabeça no


travesseiro, olhando para a parede. Não sei o que estou sentindo agora.
Posso sentir-me traída por pessoas que pensam que estou morta? Será
que eles sequer procuraram por mim?

Eu sento quando um gemido baixo toca meus ouvidos.


Era Daniel. Levanto-me da cama, lençóis enrolados ao
redor do meu corpo, na ponta dos pés e vou até a porta do banheiro. A
água ainda está escorrendo, mas ouço seu gemido baixo novamente.

Ele está se masturbando no chuveiro.

Fico fascinada e com um pouco de inveja por isso. Para ele o sexo
não foi arruinado, ainda pode desfrutar tocando a si mesmo. Desde que
fui sequestrada não me masturbei e olha que costumava ser uma
masturbadora campeã, já que o sexo nunca foi realmente tão bom. Eu
não culpo Mike para isso, embora. Bem... Eu permiti isso. Sexo sem
orgasmos? Tudo bem. De verdade! A antiga Regan Porter não se
importava com nada. Ela acabaria com o serviço rapidamente enquanto
o parceiro tirava um cochilo.

Estúpida Regan penso comigo mesma. Agora é muito tarde e você


está com medo de tudo. Medo de aranhas, medo dos homens, medo do
que acontecerá se deixar Daniel fora de sua vista, medo de ser tocada,
medo de ser deixada.

Contudo, estou tão cansada de sentir medo. De não ser amada.

De repente a infelicidade diante da minha vida de merda é pesada


demais para suportar. Volto para a cama, coloco um travesseiro sob a
cabeça, deito-me e enrolo-me nos lençóis fechando os olhos. Gostaria
que o mundo sumisse por alguns dias. Gostaria de não me importar com
Mike e Becca juntos. Desejo...

Desejo estar de volta no banheiro com Daniel.

Imagino-o atrás das minhas pálpebras, seus braços


fortes enquanto ensaboa o seu pau e bate punheta.
Gostaria de poder vê-lo. Não tenho certeza se deveria querer isso, mas
estou cansada de ser a garota agradável. Cansei de fazer o que é certo.
Chega de foder tudo na vida até agora.

A água para e dois minutos depois, a porta do banheiro se abre.

— Regan? — Ele pergunta claramente surpreso ao ver-me na cama.


— Você não quer ir tomar café?

Eu encolho os ombros, sentindo num poço de auto piedade. Então,


sequer abro os olhos.

— Você está bem, boneca? — Ele vem para o lado da cama, a toalha
enrolada na cintura e outra pressionando a ferida em suas costelas, a
mesma que ele me assegurou não ser tão ruim. Você sequer saberia que
o machucado estava lá pela forma como ele agia, exceto pelo vermelho no
branco da toalha.

Sei que ele me chama por este apelido que odeio para me irritar,
mas não tenho energia para morder a isca no momento. Sou um nó
emaranhado de emoções e neste momento a única coisa que parece
subir à superfície é a tristeza. Finalmente Regan Porter, a menina doce,
está totalmente quebrada. Odeio isso.

— O que te incomoda? — Ele pergunta e há um tom de preocupação


em sua voz. Vejo seus olhos percorrendo o quarto, sem dúvida avaliando
uma possível ameaça.

Sinto-me culpada por deixar Daniel em pânico, então


suspiro e peço.
— É estranho se eu disser que acho que preciso de um abraço?

Ele olha para mim com surpresa, depois ri, aquele sorriso malicioso
aparece em seu rosto bonito novamente.

— Você quer que eu deite na cama com você e a abrace Regan?

— Na verdade, isso seria incrível. — Digo a ele e sento-me,


abraçando o lençol nos meus seios. — É estranho querer te abraçar?

— Isso importa? Ninguém está aqui para julgar. — Diz ele,


deslizando uma perna para a cama e em seguida, puxando seu corpo
grande para baixo no lado esquerdo da cama. Ele mantém uma mão na
toalha da cintura e então deita na cama ao meu lado e levanta um braço,
gesticulando que deveria dobrar o meu corpo contra o dele.

E não posso resistir. Foi há muito tempo, desde que alguém me


tocou com bondade, carinho e não por motivos desprezíveis. Deito à
direita dele, colocando meu rosto na curva do seu pescoço, envolvendo
um braço em seus ombros, assim quando ele coloca o braço contra as
minhas costas. Ele está quente e úmido e cheira como o sabonete. É tão
bom. Eu amo a sensação de sua pele pressionando contra a minha e a
mão que afaga carinhosamente meu ombro. Não de uma forma sexual,
mas para me confortar.

Aconchego-me ainda mais contra ele.

— Obrigada.

— Qualquer coisa que você quiser. — Diz ele em voz


baixa.
Não me assusto mais com o toque da sua pele contra minha. Ele
não me faz querer vomitar. Em vez disso, eu relaxo e suspiro enquanto
ele continua acariciando-me com suas magníficas mãos. Tudo é intenso,
sua pele contra a minha, meu corpo pressionado contra o seu. Nós dois
estamos mais ou menos nus debaixo dos lençóis e toalhas, mas não
parece sexual. Pelo menos, ainda não.

Eu realmente não posso esquecê-lo se masturbando no chuveiro.


Está na minha memória toda vez que eu fecho meus olhos.

Abro os olhos suavemente, sentindo-me quente e amada pela


primeira vez em muito tempo. Meu estômago ronca, mas não quero me
mover. Estou me sentindo muito bem. Vejo o pano que ainda está do seu
lado, deslizo minha mão no seu peito e descanso longe de sua ferida. Há
um pouco de contusões e a grande ferida em suas costelas ainda está
sangrando.

— Você tem certeza que está bem?

— Nada que um pouco de supercola não vá resolver. — Ele diz e sua


mão afasta meu cabelo molhado dos ombros.

É tão bom que viro meu rosto contra seu pescoço novamente e o
acaricio antes mesmo de perceber o que estou fazendo.

— Mmm.

Contra mim, Daniel endurece.

— Regan. — Ele murmura. — Boneca...


— Eu sei. — Digo a ele e deixo a minha língua correr contra a pele
quente de seu pescoço. A verdade é que estou relaxada e solta e não
quero perder este momento agradável. A doce e agradável Regan Porter
estaria escandalizada. Ela se desculparia com Daniel e se afastaria como
seria o esperado. Mas, essa é a última coisa que quero fazer. Ele é
quente e delicioso, estou me sentindo bem em seus braços.

Quero continuar me sentindo bem. Então deslizo um pouco mais


perto dele e deixo cair os lençóis dos meus seios.

— Estamos apenas abraçados certo, Daniel? — Digo isso, ao me


inclinar e morder sua clavícula. Oh ele é duro e musculoso em todos os
lugares, tão quente que é como um cobertor confortável de aquecimento.
— Você não me tocará, certo?

— Não, a menos que você me peça. — Ele diz.

Não o farei. Não estou pronta para isso ainda. Mas estou me
sentindo um pouco... Aventureira. Corro minha mão em seu peito
novamente, evitando seu ferimento e admirando o calor de sua pele sob a
minha. Como não há gordura em qualquer lugar. Ele é gostoso,
assassino e tudo mais. Se não estivesse com tanta merda na cabeça,
estaria babando sobre ele cada vez que o visse. É bom eu estar toda
fodida ou pularia nele em todas as chances que tivesse.

Meus mamilos estão pressionados contra sua pele agora e para


minha surpresa, ele parece bem com isso. Há uma
pulsação sensual entre as minhas coxas que me excita.
Estou excitada pelo que parece ser a primeira vez há
tempos e Daniel não está fazendo nada, apenas acariciando meu cabelo e
meus ombros.

Ele é seguro.

E isso é ainda mais excitante. Movo-me contra ele, deixando meus


mamilos roçaram sua pele novamente e inalo bruscamente quando o
movimento envia um choque de sensação deliciosa. Achei que isto nunca
aconteceria com um corpo que pensei estar morto ao sentimento sexual.
Deslizo minha mão fora de seu peito e empurro-a entre as minhas coxas,
curiosa.

Estou molhada.

Bastou tocar Daniel, me aconchegando, acima de tudo sabendo que


ele é seguro, para meu corpo despertar e voltar à vida.

— Eu estou molhada, Daniel. — Digo a ele com uma voz suave,


deslizando os dedos contra a minha boceta, deliciando-me com a
sensação.

Ele geme e o som é como o do chuveiro, o que faz com que meus
músculos internos se apertem mais uma vez. Olho para baixo e a toalha
na cintura está tensa, seu pau responde a meu desavergonhado
movimento contra ele. Ou as minhas palavras. Talvez a ambos.

E ele não vai me tocar. Poderia me esfregar contra ele como uma
gata no cio que e ele não fará nada, apenas me abraçar
porque é isso é o que quero.
Continuo acariciando a carne escorregadia entre as minhas coxas,
pressionando meus seios contra seu lado, lambendo seu pescoço. Meus
quadris estão se movendo em pequenos círculos e movo meus dedos,
deslizando-os profundamente dentro de mim. Gemendo com a
maravilhosa sensação. Oh, o prazer masturbatório, meu amigo há muito
perdido, como eu senti sua falta.

Eu deslizo minha língua ao longo do pescoço de Daniel novamente e


em seguida, mordisco sua orelha, sentindo prazer e um tremor através
dele. Sua mão não se moveu dos meus ombros, mas está me segurando
um pouco mais forte do que antes, mas me mantenho ali com ele e gosto
disso. Minha mão se move mais rápido entre as minhas pernas e eu
balanço para baixo sobre ele, apreciando as sensações que se deslocam
através de mim. Olho para seu colo, a toalha praticamente caindo de
seus quadris agora. Seu pau está grande sob a toalha. Homens como ele
tem uma confiança extrema. Você pode dizer por sua arrogância.

— Você se masturbou no chuveiro, não foi? — Eu pergunto a ele,


esfregando o nariz contra seu pescoço novamente.

— Claro que sim. Ver você fodendo com seus dedos é sexy demais.
— Diz ele em voz baixa, áspera.

— Mmm. — Estou praticamente ronronando com o pensamento e


esfrego meus seios contra ele novamente, segurando a respiração
quando minha boceta aperta meus dedos. Estou trabalhando dentro e
fora dela.

— Você faria isso novamente para mim?


— Quer que eu me masturbe novamente?

— Mmm. Bem aqui nessa cama. — Deslizo meu nariz ao longo seu
pescoço tenso. Ainda mais excitada pelo cheiro dele. — Assim posso ver.
Mas não vou te tocar.

— Cristo. — Ele murmura. Então seus dedos apertam meus


ombros, ao mesmo tempo em que a outra mão arrasta a toalha e agarra
seu pau. Não há pré-sêmen na ponta e admiro a visão dele quando
começa a trabalhar sua mão. Eu vi muitos paus nas últimas semanas,
mais do que gostaria, assim posso dizer, Daniel tem um pau e tanto.
Grosso, carnudo, com uma agradável ponta. O tipo que fica bem lá no
fundo de uma mulher.

Isso me dá um arrepio e meu dedo trabalha mais em minha boceta.

Estou movendo meus quadris freneticamente enquanto monto meus


dedos e vejo Daniel acariciar seu pau rapidamente, trabalhando sua
ereção com um aperto de especialista. Quero gozar, mas preciso de mais.
Coloco a outra mão entre minhas pernas e começo a brincar com meu
clitóris. Pressiono meu rosto em seu pescoço como uma forma de apoio.
Mas ainda não é o suficiente.

— Diga-me Daniel, se eu fizesse sexo com você, eu teria orgasmos?

— Porra! — Sinto os tendões de seu pescoço tenso. — Quer que fale


sacanagem para você

Concordo com a cabeça, em seguida, passo minha


língua contra seu pescoço novamente. Estou em meu
próprio mundo agora, focada na pele de Daniel, nas minhas próprias
mãos e na necessidade de gozar.

— Eu te daria os melhores orgasmos, Regan. Empurraria meu rosto


entre suas coxas cremosas e lamberia sua boceta por horas. Abriria
esses pequenos lábios doces e enterraria minha língua dentro de você até
que estivesse se esfregando nela e então daria ao seu pequeno clitóris
um pouco de atenção. — Suas mãos se movem mais rápido em seu pau e
eu estou fascinada pela maneira como acaricia a ponta, alisando o pré-
sêmen com um movimento rápido, fluido, bombeando sem cessar. —
Provocaria seu clitóris com a ponta da minha língua até que você
estivesse pingando, quente e me molhando o rosto, mostrando o quanto
me quer.

Solto um gemido diante das suas palavras, meus dedos trabalhando


mais rápido na minha boceta. Minha pele está ficando lisa, fazendo
ruídos molhados com a força de minhas ações, mas não me importo.
Preciso gozar. Apenas para provar a mim mesmo que posso.

— E beberia até a última gota do seu gozo. — Diz-me Daniel. Em


sua voz baixa e rouca, que sinto vibrar contra o meu rosto que ainda
está enterrado naquele local seguro em sua garganta. — E então faria
você gozar novamente, apenas para observar seu rosto. E depois de gozar
tantas vezes até gritar meu maldito nome com cada toque, eu colocaria
suas pernas sobre meus ombros e a foderia com força.

A visão me faz tremer e meus dedos deslizam contra


meu clitóris, mais rápido e mais rápido.
— Sim? — Minha voz sai num suave gemido.

— Oh sim. — Daniel diz em uma voz áspera, com a mão


trabalhando seu pau ainda mais forte. — Deus adoraria ver isso. Tocar
toda sua pele lisa, ouvir você gritar meu nome. Ver os seus doces seios
se movendo enquanto gozava dentro de você.

Perco o fôlego com suas palavras.

— E quando você estivesse gritando meu nome, eu me inclinaria e a


beijaria — Diz ele com uma voz suave, deliciosa. — Então você sentiria o
seu gosto em mim.

O pensamento de Daniel inclinando-se e beijando-me com doçura,


misturada com a crueza da descrição do sexo que teríamos é suficiente
para me fazer gozar. Um estremecimento me percorre e percebo que
estou gozando. Mordo meu lábio, o que faz com que a respiração saia
contra sua garganta, mas não me importo. É glorioso e molhado, tenso e
maravilhoso, estou gozando e não é feio. É seguro e delicioso e é com
Daniel.

Quando acabo, ele está acariciando seu pau ainda, mas o aperto é
tão tenso que sei que ele está esperando por algum sinal para deixar-se
ir. Acho que se lhe disser para parar agora, ele o faria. Mas não quero
isso. Quero ver. Então tiro os dedos molhados de minha boceta e coloco
contra seus lábios.

Ele geme forte e então goza. Seus quadris empurram


enquanto sua língua lambe meus dedos, me prova e eu vejo
o sêmen explodir de seu pau, caindo em seu estômago e virilha.

Eu suspiro com prazer, sentindo-me sensual e melhor do que há


muito tempo.

— Obrigada, Daniel. — Murmuro, limpando-o com o lençol. Sua


mão não deixou meu ombro.

Daniel é totalmente seguro. E quero-o mais do que qualquer coisa.

Meu estômago ronca, lembrando-me que não como uma refeição


normal há muito tempo. Enrolo o lençol que usei para limpar seu
esperma, saio da cama e me afasto.

— Devemos nos vestir. Estou morrendo de fome. — Na verdade,


estou me sentindo muito bem no momento. Meu coração ainda está
batendo forte com os tremores do meu orgasmo, mas me sinto bem e
solta. A sensação entre as minhas pernas é boa porque era isso que
queria.

Não estou quebrada depois de tudo, talvez um pouco danificada.


Mas não quebrada. Essa conclusão me faz sentir viva.

Daniel, pobre homem, parece um pouco atordoado por meu humor


ter mudado rapidamente.

— Café da manhã? Agora? — Ele parece disposto a tirar uma


soneca.
Aceno e arrasto minha mochila para o meu lado da cama, pegando
uma camiseta e sutiã e puxando-os por cima da minha cabeça, um de
cada vez.

— Estou faminta. Qual é a nossa agenda para hoje?

Quando eu finalmente tiro minha cabeça para fora da camiseta,


vejo Daniel confuso, até que balança as pernas para o lado da cama. —
Café da manhã. Então farmácia. Então nos encontraremos com Luiz
para pegar os nossos documentos. E vamos alugar um novo quarto.

Mordo meu lábio, pensando que talvez deveríamos comprar


preservativos. O pensamento não me faz querer vomitar como um dia
atrás. Porque, num futuro próximo, acho que vou querer que Daniel me
toque.
Capítulo 16
DANIEL

Regan está tranquila enquanto encomendo o café da manhã, no


lugar mais limpo que posso encontrar a uma curta distância. Talvez ela
esteja pensando sobre o que aconteceu no quarto de hotel sujo. É tudo o
que posso pensar. Seu cheiro está na minha pele e está fixando em todos
os poros do meu corpo. Não sei se me arrependerei de ter vivido essa
experiência. Será o suficiente se isso for tudo que levarei comigo quando
nos separarmos? Terá que ser.

— Isto é muito, hum, extraordinário. — Diz ela, com um pouco de


ovos mexidos em sua boca.

Pensei que algo familiar pudesse ser atraente agora. Passo os meus
ovos no molho quente. Costumava amar o tempero das salsichas, mas
neste momento tudo o que eu sinto é o cheiro da boceta de Regan, de
quando ela pressionou os dedos contra meus lábios. A
única coisa que realmente quero comer agora está sentada
de frente para mim, suas pernas dobradas para o lado.
Consumir alimentos é opcional neste momento. Meu corpo
sabe que precisa de combustível, por isso como proteína e carboidratos o
mais rápido possível. Mas, minha cabeça está de volta no quarto do hotel
e nós não estamos nos masturbando mutuamente. Oh não, estou
transando com ela. Estou entrando profundamente dentro de sua boceta
e sinto seu creme liso lubrificar cada impulso.

— Como você conheceu Daisy e Nick? — A pergunta de Regan me


tira da minha fantasia e levo minha atenção de volta para a mesa e sua
pergunta. Seja um ser humano e tenha essa conversa. Digo mentalmente.

— Ah, através de amigos. — Digo vagamente me perguntando se


posso evitar o assunto de Vasily Petrovich para sempre. A Rússia é um
dos principais exportadores de tráfico humano. — Você?

— Daisy respondeu a meu anúncio para companheira de quarto.


Ela tinha acabado de sair da fazenda. Estava preocupada com ela. Não
saía de sua cidade há anos porque seu pai tinha agorafobia. Ela saiu de
casa com vinte anos. — Regan ri um pouco com a lembrança, colocando
uma mecha de cabelo atrás da orelha delicada. Se fosse um soldado e
estivesse em casa por uma semana ou duas de licença e a conhecesse,
eu teria ficado em casa com ela. Merda, teria que lutar contra alguns dos
meus companheiros de equipa para chegar até ela. E agora eu tinha um
gosto dela. Eu ouvi seus ruídos sensuais enquanto ela ficava animada,
os sons molhados macios enquanto os dedos trabalhavam em sua
boceta, os gemidos de alívio e satisfação quando ela gozou e eu gozei
novamente.

— Daisy parece... Confiante. — Daisy e Nick eram


perfeitos um para o outro. Ele era um psicopata louco e ela
não fazia ideia que ele não era nenhum pouco normal.
Lembro-me vagamente de dar a Nick conselhos sobre namoro uma vez.
Se lhe falassem que ele estaria assim hoje, iria rir a grandes
gargalhadas.

— Sim, acho que sim. — Regan suspira e em seguida, empurra seus


ovos em volta do seu prato um pouco. — Eu liguei para o meu namorado
quando estava no chuveiro.

Namorado? Ah, certo, Mike que não segura por mais de cinco
segundos. Isso é broxante. Estou fantasiando com cinquenta maneiras
que poderia fazer Regan gozar e ela está preocupada com o cara que
nunca lhe deu um orgasmo.

— Tudo certo. O telefone não pode ser rastreado. — Pergunto-me se


ela se preocupou com isso. — Você deve ligar para os seus pais.

— O que posso dizer a eles? Estou aqui no Brasil, mas estou


fugindo porque um cara loiro louco tem fetiche por olhos verdes e está
me impedindo de voar para casa? E a propósito, Mike já me trocou por
Becca.

— Então, parece que ele não foi fiel. — Tento esconder a minha
satisfação pelo fato de Mike não estar bem na foto. Pergunto-me se
deveria matá-lo apenas por ser um babaca. Acho só pode haver um
número mínimo de babacas, assim estaria fazendo um favor ao mundo.

— Sim. — Ela responde com tristeza.

Gostaria de saber se ela está triste sobre Mike e Becca


ou seus pais? Por fim, a garota tem muito a lamentar. Ela
tem o direito de ficar irritada com qualquer e todas as
coisas. Faço o que posso e continuo comendo. É isso ou pegar um avião
e atirar nas bolas de Mike.

— Estou na faculdade, sabe. Estou trabalhando para conseguir


meu CPP.

Comendo meu último pedaço do meu chouriço, olho com


desaprovação para o prato quase intocado de Regan. Me pergunto se ela
não gosta da comida ou da cafeteria. Que pena. Ela precisa de
combustível. — Comece a comer. Temos lugares para ir.

Ela franze a testa, mas mecanicamente começa a comer novamente.

Eu me inclino para trás em minha cadeira e estico as pernas.


Homem estou cansado. Regan e eu precisamos chegar ao Luiz, então
precisamos de um pouco de sono. Ou naõ sei o que farei na próxima vez
que ela lamber meu pescoço. Meus dedos enrolam em minha xícara de
café quando penso sobre isso. Seu corpo molhado, seus dedos
encharcados por sua boceta contra os meus lábios. Isso não era apenas
sexo, mas o melhor encontro sexual que tive há muito tempo.

— E você? — Ela aponta para mim. — Você sempre quis ser um


maníaco de arma em punho?

— Não. Pensei em voltar para casa depois que eu saísse do exército


e ajudar meu pai no rancho.

— Então, por que não fez isso?

— Porque estava de cabeça quente. Entrei em uma


briga no meu último ano com um cara e quebrei algumas
costelas. O babaca estava tirando sarro da minha irmã. O juiz me disse
que poderia ter uma mancha em meu registro ou poderia me alistar por
quatro anos. Escolhi o alistamento. Meu pai ficou muito chateado e
trocamos algumas palavras iradas sobre não ser bom o suficiente para
tocar o rancho e ele ser um maníaco por controle. Acabei ficando no
exército. Depois... — Paro. — Então algo aconteceu e eu não fui capaz de
ir para casa. Mas uma vez que o problema esteja resolvido, voltarei para
o rancho e não sairei de lá. — Mudo de assunto porque estou falando de
mim. — O que é um CPP?

— É um programa de certificação bastante intensivo para trabalhar


em contabilidade e recursos humanos. Uma vez que estiver certificada,
tenho uma oferta de trabalho permanente de uma empresa que presta
serviços de folha de pagamento para empresas Fortune 500.

— E então? Quando fizer isso?

Ela encolhe os ombros. — Nada. Eu não serei capaz de fazer o teste


a tempo, o que significa que todas as minhas aulas de preparação serão
desperdiçadas, o que significa que não serei capaz de iniciar o meu
trabalho, o que significa... Nem sei mais.

— Este é uma porra de mundo, doçura. Que você ainda esteja


respirando deve ser contado como uma vitória.

— Sim... Como faço para voltar a isso?

— Para o quê? Para seu namorado imprestável? Seu


trabalho do qual fala com tanto entusiasmo como de um
pastor de cabras? — Eu estou ficando com raiva e não
posso nem identificar a causa real. Será que é porque estou irritado por
ela ainda se importar o suficiente com seu namorado para entrar em
contato com ele? Ou porque ela realmente ligou para ele? Ou porque ela
não se importa em ficar com um cara que sequer pode dar-lhe um
orgasmo? Será que ela está pensando em voltar para Minneapolis,
ocupar um posto de trabalho e se converter em um zumbi em menos de
três anos? Ou por ela ser tão bonita e quase faz minhas bolas caírem?

Mesmo que a minha calma externa não corresponde a minha


explosão interna, Regan ainda parece surpresa, mas ela fala
rapidamente.

— Você sabe, já passei por muita merda e ainda estou de pé,


poderia me inspirar nas duras palavras inspiradoras da Morte de Robin
Williams. Poderia as absorver.

— É Bruce Willis e eu sei. — Sorrio porque não estou com raiva e


sua confusão entre Bruce Willis e Robin Williams é engraçado. — Vamos,
Lutadora.

— Lutadora. Eu gosto disso. Pode me chamar assim.

— Pequena Lutadora? Ou Boneca Lutadora? — Eu provoco. Pago a


conta e faço um gesto para Regan sair na minha frente.

— Você está olhando para minha bunda? É por isso que sempre
quer que eu vá primeiro? — Ela fala, o que quer dizer que minhas
palavras imprudentes podem tê-la machucado.
— Você tem uma bela bunda, pequena lutadora. — Assobio. — É
redonda e arrebitada como um pedaço suculento de frutas brasileiras.

— No entanto, você nem sequer tentou provar. Talvez não goste de


frutas brasileiras? — Ela balança na minha frente, a bunda se movendo
para frente e para trás, parecendo uma verdadeira nativa do Rio. Todas
as mulheres no Rio parecem ter um traseiro especial. O que faz as
pessoas serem quase obrigadas a observar. Mas agora meus olhos estão
colados nesse traseiro de Minnesota e minha cabeça está sofrendo ao
ouvi-la falar sobre isso. Realmente não sei o que fazer com ela.

— Eu amo frutas. — Digo. — Apenas não gosto de comer onde não


sou convidado.

— Que tipo de convite precisa, então? Um especial gravado com


letras de ouro?

Quero puxá-la de lado, talvez empurrá-la contra uma das paredes


de concreto dos edifícios que revestem a Rua Visconde de Pirajá e testar
esse convite. Ela ri e em seguida, estala os dedos.

— É melhor fechar a boca baby ou irão entrar moscas.

Fecho minha boca e me apresso para alcançá-la. Quem disse que


precisava dormir quando voltarmos do encontro com Luiz? Estou
pensando em uma dúzia de outras coisas que poderia fazer em uma
cama macia, quente entre alguns frescos e limpos lençóis.

Assobio e pisco para Regan e ela me dá um


grande sorriso em troca. A vida é fácil quando você não
pensa em nada, apenas no momento. Temos que conseguir
documentos para Regan e então vamos para um quarto de hotel decente.

— Este é um lugar muito bonito. — Diz ela, enquanto caminhamos


para baixo em uma avenida cheia de lojas de marcas de luxo. — Quer
dizer, acho que essas são lojas mais agradáveis do que as que temos em
Minneapolis.

— Ipanema é o segundo bairro mais rico no Rio.

— E nós vamos encontrar um falsificador aqui? — Ela pergunta.

— Talvez, se pagarmos bem. — Paro no endereço que Pereya me


deu. É uma galeria.

— Aqui? — Ceticismo escorre em suas palavras.

Abrindo a porta, damos um passo para dentro, o ar condicionado


está muito fresco para a nossa pele. Regan treme visivelmente e eu jogo
um braço ao redor dela instintivamente. Ela se inclina para meu abraço.
Pelo calor, me forço a lembrar, mas estou bem satisfeito mesmo assim.

— Tudo bem? — Uma mulher ágil, alta caminha em nossa direção,


o cabelo escuro preso em uma trança pesada, parecendo uma cobra em
seu ombro.

— Simplesmente incrível. — Minto. — Olha, poderia cantar uma


grande canção e dançar. — Completo as palavras de código. — Mas,
preciso ver Luiz. Pereya me enviou.

Um brilho especulativo aparece nos olhos dela e diz.

— Espere aqui.
— É este o lugar? — Regan sussurra após a morena esguia
desaparecer.

— Espero que sim. — Esforço-me para não seguir a morena na


parte de trás. Deslocando nossas malas pesadas sobre um ombro, tento
relaxar. A obra de arte na parede é impressionante, mas claramente
dirigida para gostos turísticos com ângulos icônicos do Pão de Açúcar e
do Cristo Redentor. No centro da sala, sobre um pedestal está uma
escultura de vidro que se parece com um pedaço futurista de kryptonita,
apenas não é vidro verde, apenas claro. Após um momento, aparece
alguém nas nossas costas. Luiz é um homem pequeno, mal chegando ao
meu peito. Ou talvez ele fosse mais alto, mas passasse tanto tempo
inclinado sobre a mesa, que a sua altura natural reduziu cerca de dez
centímetros a frente de seus ombros.

— O que você precisa?

— Cartões de crédito, passaporte.

— Para quem? — Ele pergunta.

— Duas loiras.

— Esta aqui? — Ele aponta para Regan.

— Sim, e mais uma.

— Você tem uma foto?

— Tenho. Ela tem vinte anos. — Falo com cautela.


Puxando a minha carteira, pego a imagem que tenho mantido em
um envelope de papel vegetal em um bolso interior. Mantive essa imagem
comigo por muito tempo, apenas para esta finalidade. Quando comecei
no trabalho mercenário, não percebi o quão importante eram identidades
falsas. Mudar seu nome, te fazer entrar em todos os países com
facilidade é algo necessário na minha linha de trabalho. Tenho dezenas
de identidades, mas nenhuma para Regan. Tenho algumas identidades
roubadas que carrego para minha irmã, mas aproveito para ter algo feito
para ela, enquanto estou aqui.

Luiz confirma e tira a foto com uma pinça. E posso dizer por sua
meticulosidade que os nossos papéis serão impecáveis.

— Levará duas semanas.

Regan se mantém em silêncio, mas fica tensa.

— Duas semanas? — Depois de um breve silêncio ela diz.

— Amanhã. — Digo implacavelmente e puxo um maço de dinheiro


para adoçar minha demanda.

Luiz nega com a cabeça. — O trabalho detalhado leva tempo.

Regan mostra sua angústia, mostro o dinheiro para Luiz. E


reafirmo.

— Amanhã.
Na sua hesitação, puxo minha arma, aponto para a escultura de
vidro do Pão de Açúcar no centro da sala e repito.

— Amanhã!

Luiz olha para mim, com os olhos fixos nas minhas costas enquanto
lhe dou o dinheiro.

— Amanhã, então. — Ele sinaliza para Regan ir a um espaço vazio


da parede branca e tira uma foto.

Coloco minha arma no coldre, o dinheiro na sua mão, aponto para a


porta com a minha cabeça e levo Regan para fora.

— Por que não fica pronto agora? — Parece que ela não quer sair
sem os documentos, mas não quero irritar Luiz. Arrasto-a para fora do
escritório do falsificador e para a rua. Ela parece infeliz e sinto falta de
seu sorriso iluminado desta manhã.

— Vamos pegar nossas coisas e em seguida, procurar um hotel


melhor. Sinto que preciso de outro banho depois de me deitar naqueles
lençóis.

— Quem é a garota? — Diz ela.

— A garota? — Não tenho certeza se entendi. — Que garota?

Afinal ela é a única garota que está comigo.

— A outra garota. A que você tinha uma foto na sua


carteira? Quem é ela?
— Minha irmã.
Capítulo 17

REGAN

Sua irmã.

Algumas coisas se encaixam no lugar. Meu cérebro de repente vê as


coisas com novo sentido. Ele tem uma irmã, uma jovem, bonita e loira
que foi vendida como escrava, assim como eu. É por isso que está
caçando loiras. É por isso que ele entrou e saiu de bordéis em favelas e
conhece pessoas como Luiz e Pereya.

É por isso que ficou tonto quando pegamos as informações do


delator.

Quero rir de alívio. Tentei tanto não pensar na loira misteriosa que
ele estava tão animado com a ideia de encontrar. Tive crises de ciúme
mentais, para rapidamente me socar também mentalmente. Que direito
tenho de ficar com ciúmes de alguém como Daniel? Ele não
é meu. Apenas é meu salvador, o qual estou forçando a
ficar comigo.
Mas... Ainda assim, estou feliz que sua irmã não seja uma rival por
sua atenção.

Deixamos a galeria de arte de Luiz e entramos nas ruas de


Ipanema, misturando-nos a multidão. Olho para Daniel e ele está cheio
de energia acumulada. Se um assassino tiver que ser vertiginoso, seria
como Daniel. Pergunto-me se é porque ele está perto de resgatar sua
irmã... ou perto de se livrar de mim? Ou ambos?

Eu não sei como me sinto sobre essa nova linha de pensamento.

A conversa no café da manhã me deixou um pouco incomodada.


Não sei como voltar para a minha antiga vida e fingir que nada
aconteceu. Era uma estudante com bolsa de estudos, que tinha uma
empresa programada para trabalhar. Empresa que pagou por grande
parte da minha escolaridade. Inclusive uma das razões pelas quais
escolhi meu curso foi um emprego garantido no final da faculdade, além
de alguém disposto a pagar pela maioria das aulas, desde que eu me
mantivesse na média. Agora claro estamos na metade do semestre, eu
perdi dois meses, o que significa que serei banida de todos os meus
cursos a menos que os deixe. De qualquer forma, estou ferrada.

Mas eu estou viva, como Daniel apontou. Deveria agradecer ao


invés de antecipar problemas.

Conforme caminhamos de volta para a parte mais pobre da cidade,


as ruas começam a ficar sujas. Não há muitas pessoas
passeando pelas zonas comerciais e há algumas pessoas
nas portas de lojas de aparência degradada. Quando
estávamos nas ruas de Ipanema, ainda voltando para o
hotel Daniel agarra minha bunda e diz com forte sotaque do Texas.

— Porra boneca. Não posso lhe dizer como que isso é bom.

Assustada, eu salto a seu toque, afastando-me alguns pés.

— O que você está fazendo? Que merda! — Seu toque tão insensível
e fora de hora, deixou-me nervosa e trouxe à tona más recordações.

— Acho que não posso esperar para tocar você novamente. — Diz
ele e seus braços estão em volta de mim novamente.

Antes que eu possa protestar, ele me arrasta alguns metros para o


beco e me empurra contra a parede. Sua boca pressiona a minha.

Uma avalanche de más recordações cai sobre mim enquanto sua


língua pressiona em minha boca. Esta agressividade não é Daniel. Ele
sempre me deixa assumir a liderança e a diferença de seu toque é como
noite e dia. Ansiava por mais de seu toque e queria explorar mais... Até
agora. Agora, quero que ele saia de mim antes de sufocar sob os
pensamentos que se aglomeram em minha mente. Lembranças de
homens com armas e corpos suados, forçando minha boca aberta, me
empurrando para baixo sobre um colchão sujo...

Começo a gemer e empurro em vão o peito de Daniel, mas ele me


pressiona contra a parede do edifício. Estou presa contra seu corpo
quando ele agarra minha perna e a puxa para seu quadril, praticamente
me envolvendo ao redor dele enquanto me esforço para sair
do seu agarre.
— Estamos sendo vigiados. — Ele murmura contra a minha boca.
— Pare de lutar. — E então volta a me beijar.

Meus punhos param de bater em seu peito quando percebo que este
é um ato. Que preciso jogar junto. Com meus olhos abertos, olho para o
rosto duro de Daniel. Seus olhos são fendas e ele está olhando para uma
porta próxima, mesmo quando sua boca esmaga a minha.

Não respondo. Não posso. Isto é muito parecido com os tempos no


bordel. Não há nenhuma vantagem delicada para mim. Preciso sentar-
me calmamente e aceitar. Preciso confiar em Daniel.

Mas não posso impedir as lágrimas de brotarem dos meus olhos e


cair por meu rosto ou a saliva se acumular na minha boca. Vou vomitar
se isso continuar por muito mais tempo. Calma, digo a mim mesma. Não
é como antes. Não é. Mas ao mesmo tempo, lembro-me da arma
pressionada na minha cabeça e a terrível sensação de inutilidade ao cair
de joelhos na frente do homem que me comprou.

— Merda. — Daniel diz contra a minha boca. — Não fique assim,


lutadora. Apenas se segure em mim. — Ele coloca a minha perna contra
seu quadril novamente e aperta contra meu corpo, eu sinto algo me
cutucar e percebo que ele puxou uma arma do coldre e prendeu-a contra
a minha perna.

Quando acho que não posso suportar por mais tempo, ele levanta a
boca da minha e observa a rua com seu olhar clínico.
Engulo em seco e limpo a boca com a palma da minha mão
repetidamente, tentando esfregar os sentimentos evocados pela
semelhança das antigas situações.

— Não vejo mais o atacante, mas não quero correr riscos. — Diz
Daniel. Ele me dá um beijo rápido na testa. — Vamos. Nós temos que ir.
— Ele deixa cair a minha perna e gesticula para que eu vá para o beco.

Tremendo, eu o faço, dando alguns passos à frente dele enquanto


ele observa cuidadosamente atrás de nós. Minha sensação de bem-estar
anterior se foi totalmente. Eu estava me sentindo tão bem esta manhã.
Quase normal. E agora, puf, a sensação se foi novamente.

Eu quero enrolar-me e chorar, como depois de todas as vezes que


fui estuprada, mas não temos tempo para isso. Nós estamos em perigo,
posso dizer pela tensão nos ombros de Daniel e a forma como sua boca
está apertada em uma linha de raiva. Sufoco os sentimentos negativos e
deixo Daniel me conduzir.

Eventualmente, ele aponta em frente e me conduz através de outro


beco. Estamos de volta ao hotel, mas pela entrada traseira, onde a roupa
limpa é entregue e caminhões de alimentos trazem pacotes.

Nós passamos pelos salões de trás do hotel, até a escada de


incêndio e eventualmente de volta para o nosso quarto. Os corredores
estão vazios, mas Daniel aperta-se contra a parede ao lado da porta, com
cuidado empurrando-me atrás dele. É claro por sua postura assassina
que ele espera problemas em nosso quarto, então espero
por seu sinal, puxando a arma que agora carrego comigo
em todos os momentos. Faz-me sentir um pouco melhor
segurá-la, sabendo que já não é uma opção qualquer
homem me forçar contra outro colchão sujo no futuro. Com exceção de
Daniel, é claro.

Sempre posso atirar em alguém para me defender, certo? Ou em


você mesma, meu cérebro me recorda, mas esta não é uma opção. Eu me
nego a me prostituir novamente.

— Espere aqui. — Daniel diz em um sussurro baixo. — Vou entrar.


Atire em qualquer um que saia desta porta que não seja eu. Se estiver
tudo certo, vou chamá-la de pequena lutadora. Entendeu?

— Entendi. — Engasgo com uma voz baixa, quando ele se dirige


através da porta, arma na mão.

Há um longo momento de silêncio e quase não respiro, esperando


ouvir algo, qualquer coisa. Um momento depois, Daniel diz.

— Tudo certo, pequena lutadora. Vamos, entre.

Libero a respiração que estava segurando e entro no quarto.


Imediatamente, percebo que o quarto foi saqueado. Minhas roupas foram
separadas e espalhadas pelo quarto, a cama foi derrubada. Graças a
Deus, Daniel levou as armas connosco. Ele se recusou a deixá-las fora
de sua vista e vejo agora que tinha razão.

Engulo em seco com a visão. — Foi bom termos saído para o café da
manhã, certo? — Tento não pensar no que teria acontecido se mw
tivessem encontrado na cama com Daniel, esfregando-me
contra ele. Nós poderíamos ter sido mortos.
— Parece que seu amigo não desistiu de você ainda. — A boca de
Daniel se aperta em uma linha dura, claramente irritado. Estou me
tornando muito familiarizada com suas emoções e reações. — Porra.
Ainda temos a nossa munição connosco, mas parece que você usará essa
roupa por um tempo.

— Pelo menos as tenho. — Concordo.

— Você está bem? — Ele me pergunta.

Meu lábio inferior treme, mas aceno. — Eu estou bem. — Digo


baixinho. Mas não estou. Não há nenhum ponto fodido em minha cabeça
que está. Mas, neste momento, isso pouco importa.

— Vamos. — Diz Daniel. — Arrume suas coisas novamente e vamos


para um novo hotel. Mudança de planos. Estamos indo para o melhor
hotel que o dinheiro pode pagar. Eles saberão onde estamos de qualquer
forma, poderíamos muito bem nos esconder em plena vista. Assim vão
ter que trabalhar muito mais para tentar roubar o seu rabo na avenida
principal.

— Certo. — Eu digo ainda em voz baixa.

— Tem certeza que não sabe porque Gelo a quer? Pode ser um
cavalo no jogo ou algo?

— Nem sequer sei o que isso é.

— Não importa. Eu estou sendo um idiota. Esta merda


não está fazendo sentido e estou ficando irritado tentando
descobrir algo importante. — Ele passa as mãos pelo cabelo curto e
sopra uma respiração pesada. — Porra. Vamos.

Arrumo minhas coisas rapidamente, coloco a minha arma de volta


no meu cinto e tento manter a calma enquanto Daniel grava algo em seu
telefone. Quando estou pronta, aceno para ele e saímos do quarto. Assim
que voltamos para as ruas, Daniel chama um táxi e coloca um braço em
volta dos meus ombros, como se fossemos um casal. Não o afasto,
embora esteja me sentindo estranha agora. Não quero ser tocada, não
neste momento, mas não digo a Daniel para tirar as mãos de mim.

Nós entramos no táxi. Daniel diz ao motorista um endereço em


português e em seguida, coloca o braço sobre meus ombros novamente.

— Não posso acreditar que finalmente somos Sr. e Sra. Parker. —


Diz ele, num arrastado falso sotaque do Texas. Estou começando a
conhecer essa sua voz: vamos fingir.

— Sim, baby. — Digo de forma rápida e pressiono um beijo na


bochecha, embora a minha voz soe um pouco mais instável do que eu
gostaria.

Percebo como Daniel mantém um fluxo constante de conversa


comigo e o motorista de táxi. Ele está no papel de um jovem turista
recém-casado com grande desenvoltura, em alguns momentos, me
acariciando de forma leve tão diferente do outro beijo, o qual reagi tão
mal. Faço minha parte, mas tenho certeza que está claro
para Daniel e o taxista que estou a quilômetros de
distância. Em uma lembrança ao longe.
Chegamos ao hotel, fizemos o check-in e vamos de cabeça erguida
para o nosso quarto. O tempo todo Daniel está sussurrando no meu
ouvido sobre passeios turísticos e as praias de nudismo no Brasil,
mantendo sempre a mão em minha cintura. Ele a repousa perto da
minha arma, um lembrete de que apesar das pessoas sorridentes e
aparência permissiva deste hotel, nós não estamos mais seguros do que
estávamos antes.

O quarto é lindo. Tem uma cama king-size com lençóis, uma pilha
de toalhas felpudas e uma bela vista da cidade a partir da varanda. O
banheiro é maior do que o meu antigo apartamento.

À medida que entramos no quarto, Daniel tranca a porta atrás de


nós, move uma cômoda na frente da porta e em seguida, puxa as
cortinas fechadas. Vira-se para olhar para mim e diz com calma. —
Então, quer conversar sobre o que está te incomodando?
DANIEL

Regan vira-se calmamente. Seu rosto está... Envergonhado? Está


com vergonha? Não tenho certeza do motivo. Ela não precisa se sentir
assim. Porra estou muito confuso.

— Sinto muito. — Ela murmura.

— Você não tem nada para se desculpar. Estou tentando entender,


para não cometer o mesmo erro novamente. — Tento explicar a ela.

Vejo como ela anda ao redor do quarto, abrindo portas e gavetas


para procurar algo. Ou pelo menos para não olhar para mim. Deixo
nossas bolsas no chão e vou para o minibar. Dentro encontro uma
garrafa de vodka. Perfeito. Pegando o saco da farmácia com a supercola
que comprei antes de ir para o hotel, vou para o banheiro.

— O que você está fazendo?

— Estou fazendo uma bagunça. — Brinco, derramando a garrafa de


álcool sobre a ferida aberta que agora está sangrando novamente. —
Porra isso dói.

— Aqui, deixe-me ajudá-lo. — Ela empurra minha mão.

Entregando-lhe a garrafa de vodka, eu tiro a minha


camisa e deixo a arma contra a pia. Observando-a pelo
espelho. Seu lábio inferior está preso entre os dentes
enquanto ela puxa um pouco a pele aberta da ferida. — Parece ruim. —
Ela comenta.

— Parece pior do que realmente é. — Aponto em direção à garrafa.


— Coloque sobre a ferida e em seguida, cole.

— Isso é realmente seguro?

— Sim. Fiz todo o tempo em combate.

Na verdade, tínhamos Derma Bond, uma cola de grau médico, por


lá, mas a única diferença real é que o Derma Bond queimava menos e
era mais forte. Aqui a supercola fará o trabalho.

— Certo. — Ela aperta os dentes, como se o álcool derramado


queimasse toda a ferida aberta, mas eu sofri pior, então jogo minha
cabeça para trás e mordo o interior da minha bochecha enquanto ela
deixa meu lado em chamas. Em seguida, um ar frio atinge minha ferida,
me fazendo olhar para baixo. Ajoelhada, Regan sopra pequenos jatos de
ar frio, criando uma sensação de alívio imediato. No entanto, a visão dela
abaixada tão perto da minha virilha está deixando outra coisa em
chamas. Eu pego a gaze e começo a limpar a ferida para que possamos
colá-la. Ela precisa ficar de pé antes que eu faça uma sugestão
inadequada.

Ela se inclina nos calcanhares, enquanto digo.

— Quer me colar? — Mostro a embalagem a ela.


Assentindo, ela puxa a tampa. — Coloque uma linha fina
em ambos os lados da ferida, pressione e logo estaremos
prontos para outra. — Digo tentando trazer um pouco de humor a nossa
situação de merda.

Cuidadosamente, ela espalha a cola no lugar, em seguida, aperta a


carne junta. Assobio um pouco quando a cola arde. Coloco uma tira de
gaze sobre a ferida e entrego-lhe a fita. Quando ela enrola a fita ao redor
da minha cintura, seus seios tocam meu peito. Isso combinado ao toque
de suas mãos macias é o suficiente para me deixar semiduro. Para
piorar, na terceira passagem da fita, o braço roça um pouco perto demais
da minha virilha e o meu pau passa de semiduro para madeira sólida.

— Desculpe. — Digo entre os dentes. — Adrenalina. — Uma mentira


total, mas depois de Regan se assustar no beco, trabalharei duro para
não fornecer mais imagens para seus pesadelos. — Deixe-me terminar.
— Ofereço para tirar a fita dela.

— Não, eu faço isso. — Diz ela, mas nos próximos dois passos
procura ter certeza que está bem longe do meu pau. Não importa.
Apenas sua proximidade está me deixando tonto com a excitação e
desejo. — Vai funcionar? — Pergunta ela, finalmente.

— Sim. — Eu digo e em seguida, saio do banheiro. Sento-me no sofá


desejando que tivesse pelo menos jogado um pouco de vodka na minha
garganta, ao invés das minhas feridas. Preciso de alguma coisa, então
não pensarei em fazer sexo com Regan a cada cinco segundos.

Quando ela vem logo atrás de mim, o grande quarto


que reservei para nós se torna pequeno demais. Eu teria
conseguido dois quartos se ela estivesse a salvo, mas não
poderia protegê-la com ela fora da minha vista. Talvez ela esteja
preocupada que teremos de dormir na mesma cama.

— Não se preocupe. — Eu asseguro. — Este sofá está bom. Você


pode ficar com a cama.

Com ar ausente, ela balança a cabeça e em seguida, senta-se no


lado da cama, saltando um pouco como se não tivesse certeza se quer se
sentar ou dançar. Tento não me preocupar com isso, fecho meus olhos e
deixo o cansaço dos últimos dias me levar.

— Conte-me sobre a sua irmã. — Diz ela.

Eu optaria por fazer fantoches com as minhas meias, porque a


história de Naomi vai dar Regan uma razão legítima para me odiar, mas
ela provavelmente merece ouvir tudo isso.

— Ela é sete anos mais jovem do que eu. E um gênio. Quando


estava na escola primária, poderia pensar bem à frente de mim. Fui até
ela para conseguir ajuda em matemática e não o contrário. Ela pulou
todos os anos de formação com suas boas notas. Formou-se no colegial,
quando tinha quatorze anos e em seguida, começou a fazer aulas na
faculdade. Não tenho certeza se ela é realmente autista ou se a falta de
socialização com crianças da mesma idade a machucava, mas ela é
realmente desajeitada socialmente. Tem grande dificuldade em se
relacionar com pessoas, mas é muito doce, Regan. — Minha voz está
cheia de dor quando penso no que aconteceu em seguida.
— Eu queria que ela se divertisse um pouco, sabe?
— Você não pode achar que o que aconteceu com ela é sua culpa. —
Diz Regan.

— De verdade? Talvez você devesse reservar seu julgamento até que


termine a história. — Digo. Fico de pé e vou até o minibar. Preciso de um
pouco de álcool para terminar esta história. Há mais de seis garrafas de
álcool no interior. Eu tiro o Jack Daniels e tomo em um único gole.
Regan foi para o sofá e se aconchegou na almofada. Com um suspiro,
jogo a cabeça para trás e abro a garrafa de rum. Rolando a pequena
garrafa entre as minhas mãos termino a história. — Então, eu lhe disse
para sair e fazer alguma coisa normal. Ela estava estudando no MIT,
uma espécie de teoria das cordas de merda que é mais complicado do
que a forma como o F16 é construído. Durante uma de nossas chamadas
pelo Skype, ela me disse que alguns colegas estavam pensando, na
primavera ir para Cancun e eu incentivei a ir. Não, melhor que isso. Eu
paro e bebo a garrafa, jogando o recipiente vazio na mesa de café. Nunca
haverá álcool o suficiente para fazer a dor dessa memória ir embora. —
Eu forcei a ir. Disse que ela estava desperdiçando sua vida na escola,
que o mundo real estava passando por ela, precisava sair e viver. —
Estas últimas palavras saem com tanta amargura e ódio, que Regan se
afasta. — Ela foi, e no segundo dia foi sequestrada. Recebi uma ligação
de um dos membros da cruz vermelha, a linha da família que podem
usar para informá-lo de uma emergência, voei em vinte horas para casa.
Quando cheguei ao rancho, minha mãe parecia ter mais de cinquenta
anos e mal conseguia levantar-se da cadeira para me
cumprimentar. Meu pai não quis sequer que eu pisasse na
varanda da nossa casa. Ele me disse para encontrá-la e não
voltar para casa até que o fizesse.
— Oh Daniel. — Regan se inclina e começa a massagear meus
ombros, o que claro me faz sentir muito melhor do que mereço no
momento. — Você tem salvado garotas durante os últimos dezoito
meses?

Sim. Mas, também mato pessoas.

— Todas as vezes que entrava em uma dessas casas ou parava um


caminhão que transportava a porra de um monte de garotas
sequestradas, não sabia se sentia alívio ou deceção por não ver seu
rosto. Até poucos dias atrás, acreditava que ela estava morta. — Inclino-
me sobre os joelhos, usando minhas mãos para segurar minha cabeça.
— E agora eu estou me sentindo tão aliviado que não posso nem mesmo
dizer-lhe, Regan.

— Precisa chorar? — Ela murmura.

— O quê? — Eu levanto minha cabeça.

— Chorar? Você sabe, como uma forma de deixar ir. Eu e a minha,


eu acho, ex-melhor amiga Becca usávamos essa tática para lidar com as
coisas.

— Sinceramente, do fundo do meu coração, espero que você saiba


que eu não sou Becca.

Ela sorri, um pouco triste.

— Odeio que você tenha me encontrado naquela casa.


Odeio ser uma maldita vítima.
Viro-me para ela rapidamente, seguro seus dois braços para deixar
meu ponto claro.

— Você não é uma vítima Regan. Você é a porra de uma


sobrevivente. Tem mais vida dentro de você do que a metade das pessoas
caminhando por aí. Essas que supostamente vivem suas vidas normais.
— Balanço seu corpo para que ela perceba isso. — Você não é uma
vítima.

Não acho que ela entendeu, porque continua sua história, como se
não tivesse a interrompido.

— Mais cedo no beco. — Ela aponta em uma vaga direção atrás


dela. — Eu me assustei porque você se pressionou contra mim sem
nenhum motivo aparente. Senti como se estivesse de volta naquele
quarto. — Sua respiração parece como se ela estivesse segurando
algumas lágrimas, mas não a incentivo chorar, porque não sei se posso
lidar com suas lágrimas neste momento. — E se eu não puder fazer sexo
como uma pessoa normal? E se tudo o que puder fazer é masturbação
mútua?

Suas palavras estão evocando imagens eróticas selvagens que tenho


certeza que ela não iria apreciar. Engolindo em seco, empurro o meu
desejo para longe e tento falar normalmente.

— Acho que irá superar isso. — Digo e realmente acredito nisso. Se


alguém pode fazê-lo é Regan.

— Eu queria tanto você nesta manhã. — Ela admite.


— Quer dizer, você me viu. Realmente queria você. Estava
fantasiando sobre você me tocando, se esfregando em mim, seu pau
dentro de mim.

Oh Cristo. Esta conversa sobre sexo está fazendo meu pau se


levantar. Mas e se... Um pensamento me ocorre. Um pensamento muito
egoísta. Um gerado pelo meu pau, mas não posso impedir. Não posso,
porra me conter. Levantando eu digo. — Use-me.

— O que você quer dizer? — Ela parece perplexa, mas intrigada.

Abro minha calça e em seguida, deito na cama.

— Quer vir aqui e me usar? Faça o que quiser comigo. Diga-me o


que quer que faça e farei. Se tudo que você quiser é que fique aqui
parado, enquanto me sente, então isso é o que farei. Se quiser subir em
mim e montar-me, tudo certo. Merda, você pode até mesmo amarrar
minhas mãos. — Estremeço com o pensamento. — Usa-me.

— Mas e se eu surtar e deixá-lo na mão? — Ela parou e ficou de pé


na beirada da cama, brincando com a barra de sua camiseta como se
quisesse rasgá-la. Rasgue-a, pode fazê-lo baby.

— Então eu termino sozinho. Você está bem com isso, certo?

Ela confirma que sim.

— Então, tudo bem. Não vou me mover a menos que me diga para
fazer. — Estico meus braços para deixar meu ponto claro.
— Mas e se eu ficar sobre você e então quiser transar e logo depois
não conseguir me soltar? — Ela coloca um joelho no lado da cama.

— Você está dizendo que enquanto estivermos fodendo, com sua


boceta molhada revestindo cada centímetro do meu pau, se mudar de
ideia e sentir que estamos indo muito rápido, duro e áspero e ficar
enjoada?

A conversa suja faz o olhar em seus olhos mudar. Sua respiração


fica mais rápida e um pouco mais alta.

— Então... Você me fala e eu termino com a mão. Ou eu me


masturbo com você observando cada movimento em meu pau. Posso
fazer todo o serviço no banheiro também. Você decide Regan.

— Mas isso parece tão injusto com você. — Ela diz. Desta vez ela
está totalmente na cama, ajoelhada ao meu lado. Meu pau está tão duro
que eu poderia pendurar um peso de vinte e dois quilos nele.

— Fazer você se sentir bem é um privilégio, não uma obrigação


Regan. Ouve o que estou dizendo? Não importa o que aconteceu, acredite
que ficar perto da sua boceta é a porra de um privilégio. Entendeu?

Essa é uma merda importante, então faço com que ela repita. —
Diga Regan. Repita comigo: fazer-me sentir bem é um privilégio, porra.

Ela ri, mas repete as minhas palavras. — Fazer-me sentir bem é um


privilégio.

— Não. — Corrijo-a. — Faltou você falar uma parte


importante. Faltou o: porra. — Diga novamente.
— Fazer-me sentir bem é um privilégio, porra.

Como uma catarse, ela grita. Então cai na cama ao meu lado e nós
dois rimos. É o alívio do estresse ou talvez humor real, mas posso dizer
que ambos nos sentimos melhor.

— Seria difícil para você ter que parar? Iria querer continuar? — Ela
pergunta, rolando para o lado dela. Sua cabeça repousa sobre um dos
meus braços estendidos. Tenho cuidado para não me mover como
prometi.

— Não faço sexo há muito tempo, baby. Posso aguentar mais alguns
dias sem. — Digo ironicamente, sabendo que sua próxima pergunta será
quanto tempo. Porque essa é Regan: sempre questionando. Ela deveria
ser uma repórter, investigadora ou algo do tipo, em vez de uma
contadora.

— Quanto tempo?

Eu sorrio. Ali estava! Estava certo.

— Não pode aguentar para perguntar, não é?

— Se você sabia que iria perguntar, por que não falou de uma vez?
— Ela sorri.

Encolho os ombros, afundo na cama um pouco mais. Ela se


aproxima de mim, com a cabeça agora descansando no
meu ombro e sua mão esquerda distraidamente acariciando
meu peito.
— Faz... — Eu me tento lembrar. — Alguns anos? Foi durante a
minha última licença. Fui a um bar em San Antônio, lá uma mulher se
ofereceu para me ensinar alguns movimentos, aceitei sua oferta. E sim,
antes que você pergunte, ela me ensinou algumas coisas.

— Eu não sei o que perguntar primeiro. Quanto tempo tem isso e o


que ela te ensinou?

— Ela me ensinou a ouvir a minha parceira e que fazê-la feliz me


traria bons momentos também. Quanto a outra pergunta... — Passo a
mão livre em toda a minha boca, preciso ganhar tempo para dar essa
resposta. — Depois que minha irmã foi sequestrada e comecei a ver mais
sobre o que acontece com essas garotas traficadas e perdi um pouco o
interesse.

— Quanto a mim, parece que... — Ela fala.

— Que estou sempre duro?

— Sim isso.

— Não sei como explicar. Você me excita como ninguém jamais me


excitou.

— Você realmente me deixaria te amarrar?

Tudo o que ouço, é a genuína curiosidade e quero alimentá-la até


que essa curiosidade se transforme em desejo, em querer,
em necessidade desenfreada e hque ela se satisfaça apenas
comigo.
— Sim, mas serei honesto, eu seria capaz de sair de qualquer
restrição que poderia pensar, por isso, amarrar-me será ilusão.
Consegue confiar em mim? — Prendo a respiração, porque nada disso
vai funcionar a menos que ela esteja totalmente a favor da situação.
Regan tem que ser capaz de abraçar suas próprias reações, mas ainda
mais, ela tem que acreditar que está segura comigo.

Seu olhar abaixa e ela fica em silêncio. Tudo o que eu posso ouvir, é
a minha própria respiração pesada que soa como a estática dura em
uma onda de rádio.

— Não sei se posso confiar em você. — Diz finalmente. — Esse é um


problema para mim, não sei o que serei capaz, não até que eu faça.

Percebo que Regan não precisa confiar em mim. Ela precisa saber
que eu confio nela e ficarei bem com tudo o que fizer. Preciso me
entregar plenamente e deixá-la fazer o que eu sugeri antes ou seja deixá-
la me usar, me possuir.

— Aqui está a minha promessa: não ficarei com raiva do que


fizermos ou deixarmos de fazer no quarto.

Ela morde o lábio e em seguida, passa a mão sobre meu corpo e é


mais erótico do que se tivesse realizado uma dança.

— Não sei o que eu deveria fazer. Deveria tirar a roupa?

Se fosse por mim, a resposta seria: Sim, por favor. No


entanto, este show é dela. Então dou uma resposta
adequada.
— O que você quiser Regan.

Ela passa os dedos na parte inferior da sua camisa e então me olha


por entre seus cílios. Ela emana um ar de mistério e timidez, mas sei que
neste momento é apenas a falta de confiança em si. Dou-lhe o meu
sorriso imprudente, como se o que ela faz não fosse importante ou
significativo. Como se fosse uma situação de pegar ou largar. E como se
não morresse por um toque seu.

Por outro lado, ofereço algumas sugestões. Assim, tiro o foco dela.

— Pode me beijar. Poderia me deixar beijar sua boceta doce. Ou


pode se esfregar contra mim. — Ou tudo isso.

— Estou um pouco molhada. — Ela admite.

Eu também.

— Venha então e deixe-me beijá-la entre as pernas, ficará ainda


mais molhada. Gostaria disso, não é? Gostaria da minha língua
lambendo toda sua boceta? — Forço-me a lembrar das restrições
invisíveis contra os meus braços. Quero virá-la e enterrar meus dedos, a
língua em sua boceta quente e molhada, porém prometi a ela que não
iria me mover até que me permitisse.

Mas ainda posso falar.

— Pensei que eu estivesse no comando? — Ela zomba


reclamando, mas posso dizer que está mais confortável.
— Você está, doçura. Estou apenas jogando algumas ideias.

Regan puxa a blusa e depois joga uma perna sobre mim de modo
que está montando meu abdômen. Sua calcinha úmida se esfrega contra
minha pele nua. Minhas mãos se enterram no colchão enquanto luto
contra o desejo de agarrar a sua bunda. Isto é muito mais difícil do que
qualquer coisa que já fiz antes. Minha única saída agora é minha boca,
então deixo as palavras voarem.

— Ah, sim. Posso sentir você, doçura. Posso sentir como está
excitada. Se vier um pouco mais para cima poderia colocar um dos seus
seios em minha boca. Adoraria chupar um de seus seios até que o
mamilo fique bem duro. Acha que sentiria isso entre suas pernas? Não
posso esperar até que minha boca esteja em você e eu possa lamber e
chupar cada centímetro da sua pele, pelo menos duas vezes.

Ela passa as mãos sobre meu peito, alisando as mãos ao longo dos
meus peitorais planos e em seguida, para baixo em meu abdômen.
Nunca fui de ir à academia. Malho porque me ajuda a sobreviver em
missões, mas agora estou muito feliz com meu corpo, tudo pela plena
adoração que Regan demonstra ao acariciar cada centímetro. Excita-me,
que meu corpo a satisfaz.

— Diga-me o que você quer. — Imploro a ela. — Você está me


matando Regan.

— Pode me olhar novamente?

Concordo com a cabeça ansioso. Ela coloca três dedos


contra meus lábios e eu chupo-os avidamente em minha
boca, cobrindo cada dedo com a minha língua. Com um pop, ela puxa os
dedos que estou tão relutante em deixar ir. Meus olhos observam os
dedos brilhantes até que desaparecem em sua calcinha.

— Tire sua calcinha, baby. Deixe-me ver você tocar sua boceta.

Com o peito agitado, Regan faz como eu digo. Ela desliza para trás
entre as minhas pernas e empurra sua calcinha, quando ela levanta vejo
os pelos suaves e a carne rosa escura de sua boceta. Molhos meus lábios
e salivo quando me lembro o quão bom é seu gosto. Preciso de mais do
que isso. Preciso me divertir com ela.

Então, ela está de volta ao meu peito, um pouco mais acima do que
antes.

— Sou muito pesada para você? — Ela suspira quando coloca os


três dedos que chupei entre suas pernas.

— Nem um pouco. — Seu peso leve não é o que está me matando


agora. É a minha incapacidade de tocá-la. — Mas se você chegar um
pouco mais alto, posso ajudá-la. Posso chupar seu clitóris e fazê-la
gozar.

Seus dedos oscilam quando ela pensa em minhas palavras.


Mordendo o lábio, me olha indecisa e em seguida, assente. Abstenho-me
de comemorar, esta foi a melhor jogada do momento. Ficando de joelhos,
ela para a poucos centímetros da minha boca, me fazendo mover para
baixo.

— Segure a cabeceira da cama para se estabilizar. —


Digo. Ela o faz, mas sua boceta está cerca de um
centímetro acima. Acho que está com medo de quebrar meu rosto ou
algo assim, mas se alguma coisa se quebrar agora, é meu pau, porque
ele está tão duro que um vento forte poderia destruí-lo. — Baby, mais
para baixo. Sente-se em mim.

— Não vou sufocar você? — Ela se preocupa, mas desce até que sua
boceta suculenta está descansando bem acima da minha boca.

— Oh Baby, apenas sinta. — Dou-lhe uma longa lambida entre seus


dedos, esfregando o topo de seu osso púbico por todo o caminho até sua
pequena e suculenta buceta.

— Ohhhhh. — Ela suspira forte.

— Esta boceta é tão bonita. É como as flores brancas e cada vez que
afasto uma dobra com a minha língua, eu encontro mais sabor do que
antes.

Eu diria a ela mais, mas estou muito ocupado passando a língua


dentro dela, deixando-a excitada, chupando cada lábio da boceta e em
seguida, seu clitóris. Posso ouvi-la ofegante acima de mim, cada
respiração acelerada, me diz o quanto ela quer isso, mesmo que não
possa ouvi-la, posso ver a evidência visível da sua excitação no quão
molhada ela está. Passo minha língua em seu clitóris até que ela se move
sobre mim, as coxas apertadas contra meu rosto. Ela segura meu cabelo,
alternando entre puxar meu cabelo e empurrar meu rosto para mais
perto da sua boceta.
Adoro isso. Adoro seu toque feroz e seus esforços físicos. Ela se
soltou de tal forma, que perdeu o controle de seus sentidos e se deixou ir
completamente.

Rasgarei membro por membro de qualquer um que tentar ficar


entre Regan e eu. A partir de agora o único homem que provará o néctar
entre as suas pernas sou eu. O único pau que vai agradá-la, a partir
deste momento e até que eu morra, é o meu.

Como sua boceta como um homem faminto. Lambendo sua


excitação e ouvindo seus sons de seu prazer quando ela goza. Meus
braços estão pesados com o desejo de tocá-la e meu pau está pulsando
de necessidade, mas a promessa que fiz a ela é tão forte como meu
desejo. Nunca iria machucá-la, nunca quebraria minha promessa. Não
nesta vida, nem na próxima.

Quando o seu orgasmo a deixa fraca, ela desmorona contra a


cabeceira e então lentamente desliza para baixo até que fica sobre mim.

— Posso-te abraçar? — Sussurro contra seu ouvido.

— Por favor. — Diz ela. Eu a abraço com tanta força que ela geme.

— Desculpe. — Esforço-me para soltar meu agarre, mas não a deixo


ir.
Capítulo 18
REGAN

As mãos de Daniel descem e sobem em minhas costas, seus


movimentos lentos e suaves. Estou deitada sobre ele, minhas pernas em
seus quadris, meus seios em seu peito e ele está em silêncio acariciando
as minhas costas e ignorando completamente o tesão furioso,
pressionado contra minha boceta. Nós dois estamos ignorando-o. Acho
que mais cedo ou mais tarde, o tema precisa ser abordado. Somente...
Não agora. Estou me sentindo muito bem para pensar em algo além do
que nós fizemos.

Seus dedos dançam ao longo da minha coluna como um leve toque.

— Quebrei você? — Ele pergunta e ouço uma nota de provocação


em sua voz.

Rio um pouco, mas a verdade é que estou me sentindo


um pouco atordoada. Essa é a primeira vez que eu recebi
sexo oral e foi tão bom como deveria ser. Sentei no rosto de
Daniel e ele agiu como se estivesse dando-lhe um presente.
Imediatamente penso em Mike e como fiz sexo oral nele, inúmeras vezes,
mas ele nunca fez nada em retorno. Não sou um grande fã de boceta, ele
dizia e ao invés de dar prazer a sua namorada ele reclamava sobre o
cheiro, como se eu estivesse doente. As poucas vezes que implorei para
ele fazê-lo, o idiota disse que os caras que afirmam gostar de comer uma
boceta eram mentirosos. Terminava fazendo piadas sobre atum.

Sento-me, com uma careta em meu rosto enquanto olho para


Daniel.

— O quê? — Ele pergunta.

— Você gostou disso?

Seus olhos se estreitam e agora ele está franzindo a testa, como se


não estivesse totalmente certo de ter entendido a pergunta. — Está
perguntando se gostei de chupar sua boceta? Isso não é óbvio?

— Basta responder à pergunta Daniel.

— Poderia chupá-la por horas e nunca me cansar do seu sabor. —


Daniel diz-me. Seus dedos tocam a minha coluna novamente. — Amei o
seu sabor em minha língua e a forma como estremeceu quando toquei
seu clitóris. Então sim, eu adorei, porra.

Estremeço um pouco com a intensidade do seu olhar.

— Sinto muito, acho que foi uma pergunta boba.

— Não é boba Regan. — Ele me diz.

— Mike nunca fez... ele...


— Podemos não falar sobre Mike quando você está deitada sobre
mim? — Sua mão para de se mover ao longo da minha espinha e o olhar
sobre o seu rosto me faz perceber que eu feri seus sentimentos.

Preciso melhorar isso. Então me deito sobre ele e enrolo-me contra


seu peito duro, meu rosto pressionado contra o seu coração.

— Sinto muito. Mike foi minha única experiência real... Antes. E


estou começando a perceber agora que não era muito bom.

Com um tapinha nas minhas costas, diz um simples.

— Tudo bem.

— Já teve sexo ruim? — Pergunto-lhe. Minha cabeça está


deliciosamente confortável em seu peito e seu mamilo está a um
centímetro ou dois do meu rosto. Levanto meus dedos e começo a traçar
círculos ao redor dele. Daniel tem uma camada de pelos em todo o seu
peitoral, mas eu gosto. É uma sensação quente e um pouco áspera
contra a minha bochecha.

— Merda, sim. Quem não teve? — Seus dedos se movem ao longo


da minha espinha novamente e depois de um momento, ele dizia. — Uma
vez estive com uma garota, uma coelhinha de base, ela me chamou pelo
nome do meu sargento o tempo todo. Estávamos ambos muito bêbados,
mas admito que isso broxou meu pau. Nunca toquei nela novamente.

— Porque seus sentimentos foram feridos? Oh, Pobre


Daniel.
— Não, porque o sargento em questão tinha hábitos sexuais
estranhos. Além disso, o homem tinha setenta anos, pernas tortas,
dentaduras e o pior bafo. Fiquei insultado que ela tenha nos confundido.

Eu ri com isso, porque imaginar uma garota confundindo este


homem incrivelmente lindo com sua descrição, parece bastante absurdo.
— Talvez ela estivesse muito, muito, muito bêbada.

— Merda espero que sim. Ele tinha sobrancelhas que pareciam


taturanas bizarras prestes a rastejar fora do seu rosto.

Estou rindo muito agora, toda a tensão desapareceu.

Ele, no entanto, parece muito descontente com a lembrança. Mas


mesmo assim, ele ri sob mim, claramente satisfeito com a minha
gargalhada.

— Porra Regan, você tem a risada mais bonita que já ouvi. Acho que
preciso ouvi-la mais vezes. — Seus dedos acariciam a minha bochecha,
enquanto ficamos ali nos olhando.

Minha risada para, sinto-me relaxada e bem... ainda mais ciente do


pau de Daniel pressionando contra mim. Ele está ignorando-o, mas é
óbvio que ele me quer. E de repente, eu o quero também. Quero ver se
posso ter sexo com este homem, sem pânico. O sexo oral com ele foi
incrível, mas agora estou me sentindo gananciosa e quero mais. Seria
bom me deitar de costas e ter sexo quente e suado com ele? Minha
coragem vacila, me lembrando que se montar Daniel, será
mais seguro para me levantar, mais fácil de fugir.
Mas... também me pergunto como seria se Daniel estivesse no
comando. Será que perderia o controle no momento em que se deitasse
sobre mim? Ou estaria muito ocupada com os melhores orgasmos da
minha vida?

Quero tentar? Meus dedos deslizam para longe do seu mamilo e


move-se para sua boca e traço seus lábios com os meus dedos.

Ele inala forte e sua língua toca meus dedos. Um gemido escapa.

— Ainda posso saboreá-la em seus dedos.

— Você gosta? — Pergunto suavemente.

— Deixa meu pau mais duro do que uma rocha. — Ele diz, sua voz
rouca.

Movo um pouco meus quadris, balançando-os contra sua ereção.

— Posso sentir. — Minha voz está ficando sem fôlego com a minha
excitação. — Você tem preservativos?

— Sim. — Não há palavras bonitas, sem questionamento se tenho


certeza ou não. Apenas uma afirmação sólida. É segura. Por alguma
razão, me faz sorrir. Tudo é sempre seguro com Daniel. Quando estou
com ele, é mais difícil me perder. Ele me tem. E gosto disso.

Assim sento-me um pouco e me inclino para frente até que meus


lábios possam alcançar os seus. Eu o beijo, porque eu
gosto de beijar este homem. Minha boca cobre a dele, em
um beijo suave e totalmente controlado por mim. Seus
lábios roçam o meu, sua língua se movendo contra a minha
e é incrivelmente bom. Tão bom que quero ir um pouco além.

Saio de cima dele e com minhas mãos arrasto seus ombros,


tentando puxá-lo para cima de mim. Mas Daniel se levanta e me dá um
olhar cauteloso.

— Regan, você tem certeza...

Concordo.

— Continue me beijando, de acordo? Eu o deixarei saber se me


assustar.

— Certo. — Ele muda seu peso e em seguida, seu peito está


pressionando o meu e sua boca cobre a minha novamente.

Posso sentir o velho medo piscando na parte de trás da minha


mente e o desejo de começar a pensar em filmes de terror. Mas então, a
língua de Daniel toca a minha, de uma forma deliciosa e o meu próprio
prazer retorna. Faço um leve ruído de protesto quando a boca dele se
afasta da minha, mas está apenas pressionando beijos leves ao longo do
meu queixo, fazendo cócegas com seu toque. E isso é muito bom
também. É terno e amoroso e nada como as experiências horríveis que
tive no passado.

— Você é tão bonita, Regan. Tão linda que me deixa louco, caralho.
— Suas mãos deslizam sobre meu corpo, me acariciando e sua perna se
move entre as minhas. Seus movimentos são lentos e
suaves, claramente projetados para não me assustar e
aprecio sua consideração. É como se soubesse que este é
um grande momento para mim e tudo poderia acontecer:
eu mostrar medo do sexo para sempre ou reviver o trauma do passado
do prostíbulo.

Quero seguir em frente. Mais do que isso, quero seguir em frente


com ele. Inclino a minha cabeça para trás, expondo meu pescoço para a
boca dele e é tão bom quando ele raspa os dentes ao longo da minha pele
sensível. Suspiro quando a boca dele agarra a minha orelha e ele dá
pequenas lambidas e levemente me chupa. Um gemido se levanta da
minha garganta e meus mamilos doem, minha orelha é um ponto fraco.

— Gosta disso? — Ele murmura em meu ouvido quando o seguro.


— Quer a minha língua deslizando por toda essa pequena e doce orelha,
assim como eu fiz com a sua boceta?

Daniel gosta de falar sujo e é um pouco louco, quão erótico isso soa.
Por alguma razão, a descrição do que ele quer fazer comigo, é tão eficaz
como seus toques no meu corpo. Eu me agarro a ele, enterrando os
dedos em seu cabelo curto enquanto dá a minha orelha o mesmo
tratamento que deu ao meu clitóris há pouco tempo, isso está me
deixando tão louca como antes.

— Posso tocar seus seios, Regan? — Uma mão passa ao meu lado,
mesmo quando sua boca continua fazendo amor com a minha orelha. —
Não o farei se não quiser.

Mas eu quero. É o suficiente ele pedir e é o suficiente que sua boca


se mantenha mordiscando e chupando minha orelha para
me lembrar que se trata de me fazer sentir bem, não me
obrigar. Pressiono sua mão em meu peito, dando-lhe incentivo
silencioso.

Seu gemido de prazer está em meu ouvido logo em seguida. — Tem


os mais doces e pequenos seios Regan. Aposto que eles enchem a minha
boca. Aposto que seus mamilos são tão suculentos quanto sua boceta.
Estou certo?

Suspiro e aceno, gemendo algum tipo de resposta na minha


garganta. O implacável assalto de Daniel está me lembrando dos velhos
tempos. Tempos em que Mike e eu estávamos no início e não dormíamos
juntos. De volta, quando os preliminares eram divertidas e não trinta
segundos de apertar e morder antes de Mike decidir que queria sexo.
Quando era sobre mim. Sobre meu prazer.

E gosto disso. Gosto tanto que quando a cabeça de Daniel desliza


para baixo e lambe meu mamilo, começo a gemer seu nome em voz alta.

— Oh Deus, Daniel.

— Isso mesmo, pequena lutadora. — Ele murmura contra a ponta


do meu seio. — Sou eu Daniel. Somente Daniel, e amo seu corpo. Quero
colocar a minha boca sobre ele todo. — Ele morde o mamilo, me
provocando com o que ele quer fazer. — Você quer isso?

— Sim. — Digo agarrada a ele. Quando Daniel move suas atenções


do meu pescoço e orelha para baixo para os meus seios, é tão bom
quanto quando ele estava lambendo minha boceta. Ele dá
atenção a cada um deles, roçando os dedos sobre a minha
pele e me provocando, em seguida, devorando os meus
mamilos com beijos e mordidas. Apenas quando acho que não posso
suportar por mais tempo, ele se move para o meu outro seio e dá-lhe a
mesma atenção, seus dedos brincando com o mamilo dolorido que
deixou para trás.

No momento em que ele volta a me beijar novamente, estou


selvagem de necessidade, ofegando seu nome e meus quadris estão
balançando contra ele. Preciso ter sexo com ele.

— Preservativo. — Eu sussurro.

— Volto já. — Ele me beija novamente por tanto tempo e com tanta
força que está na ponta da minha língua para dizer-lhe para esquecer o
preservativo e entrar em mim. Não tenho tempo, rapidamente ele sai da
cama e vai até o outro lado do quarto para sua calça. Levanto-me em
meus cotovelos e observo ele puxar de sua carteira um preservativo, em
seguida, verificar cuidadosamente a data de validade.

— Ufa. Na data certa.

Por alguma razão, isso parece engraçado.

Um homem tão sexy e perigoso como Daniel tem um preservativo


em sua carteira por tanto tempo que está perto de vencer. Abafo minha
risada, mas ele ouve-o de qualquer maneira.

— Não é o que um homem quer ouvir quando ele está prestes a ter
sorte, doçura. — Daniel diz-me, rasgando o pacote.
— Sinto muito. — Digo, tentando abafar minha risada, mas não
consigo. Daniel é a última pessoa no mundo que teria um ego reduzido.

Ele coloca o preservativo em sua ereção e volta para a cama, com


cuidado ao se aproximar de mim. Seus movimentos lentos e firmes,
calculados para me manter segura. Ele abaixa seu corpo ao meu lado
novamente, se inclina e segura a parte de trás do meu pescoço enquanto
começa a me beijar mais uma vez.

Respondo ao seu beijo com uma fome própria e logo estamos


fazendo tudo novamente e já quase esqueci o sexo, exceto pela sensação
de seu pau pressionando contra meu quadril e a dor dentro de mim que
precisa ser saciada.

Um momento depois, Daniel se move para trás e sobre mim, separo


as pernas, acolhendo-o entre elas. Seu peso se instala lá e ele me beija
por mais um momento, em seguida, coloca uma coxa ao redor de meus
quadris. Ainda assim, me beija e ainda, está tudo certo.

— Ainda pode desistir, pequena lutadora. — Ele murmura contra os


meus lábios.

— Está tudo bem, eu juro. — Quero muito isso.

Ele me dá um beijo leve e então a cabeça do seu pau pressiona na


abertura do meu sexo. Daniel empurra para dentro e seguro a respiração
quando uma multidão de lembranças desagradáveis passam pela minha
cabeça. Oh merda. Oh merda.

Mas então ele se inclina e beija-me novamente, as


mãos acariciam meu cabelo. Ele sussurra coisas suaves e
sujas em meu ouvido e lembro que é Daniel. Meu corpo tenso relaxa sob
ele. Começo a corresponder seu beijo, lentamente, hesitante.

Posso sentir seu corpo tremendo por controle, seus músculos


tensos enquanto paira sobre mim, sem mover um músculo, exceto para
beijar minha boca. Ele não fará nada até que esteja claro que estou bem
com isso, traço meus dedos sobre sua bochecha, seu ombro e braço,
tentando deixá-lo saber que está tudo bem. Que estou bem.

— Está tudo bem, Daniel. — Sussurro, quando ele ainda não se


move.

Mas ele apenas se move para meu pescoço e começa a beijar e


chupar minha orelha novamente, sua língua fazendo coisas deliciosas
nesta área sensível e eu começo a gemer e a me contorcer debaixo dele.
Sua pele está lisa com suor e minhas narinas são preenchidas com seu
morno e delicioso aroma. É Daniel. Tudo Daniel.

Ele dá na minha orelha uma mordida suave, me fazendo gemer.


Sinto um pulso de desejo profundo em meu núcleo novamente. Ele se
move um pouco e seu pau se move dentro de mim, pouco, mas tão bom.
Levanto meus quadris contra ele, indicando que quero mais.

Ele me dá mais, então. Seus quadris se movem em um movimento


de balanço lento e constante, meus braços ao redor de seu pescoço
segurando-o enquanto ele continua lambendo e chupando a minha
orelha. Em pouco tempo, estou gemendo sob seu ataque.
Agarro Daniel com um toque de desespero. Meu pulso está
acelerado por todo meu corpo e meus seios doem de
necessidade, mas as investidas de Daniel são como um
relógio, lento e constante. É tão bom. Sei que se ele acelerasse, estaria
muito mais perto de um orgasmo.

Mas ele é indiferente, mesmo quando peço e eu começo a me mexer


debaixo dele, tornando-me mais selvagem quando a necessidade cresce
dentro de mim. Ainda assim, ele continua esse movimento lento e
constante, empurrando dentro de mim, arrastando-se muito lentamente
e em seguida, empurrando fundo novamente. Todo o tempo lambe o
lóbulo da minha orelha e pressiona beijos, murmurando todas as coisas
sujas que quer fazer comigo.

— Alguma vez teve um orgasmo com um homem dentro de você,


Regan? Gozou tão forte que praticamente chupou o pau para dentro de
você, porque seu aperto e tão firme que não consegue soltá-lo? — Ele
sussurra em meu ouvido e lambe minha orelha com a ponta da língua.
Estou tremendo de necessidade e minha resposta a ele é apenas um
baixo gemido de seu nome.

— Acho que isso é um não. — Ele murmura. — Acho isso uma


verdadeira vergonha. Porque quero que me aperte com tanta força, que
você verá as malditas estrelas, pequena lutadora.

Ele estava pronto para gozar? Era uma dica para me apressar e ter
um orgasmo? Sabia muito bem prever o tempo de Mike, mas Daniel é um
desconhecido para mim. Ainda assim, respeitosamente seguro minha
respiração e aperto meus músculos internos ao redor dele, começando
minha cena, para que ele possa terminar.

— Não, não. — Ele me diz. — Quero a coisa real.


Meu prazer subitamente desaparece.

— Daniel, eu não sei...

— Eu sei. — Diz ele e movimenta seus quadris, entrando com mais


força. Seus dedos encontram meu clitóris e o acaricia, assim ele se afasta
e empurra dentro de mim novamente. Meu corpo inteiro aperta, estou
assustada com o prazer que percorre meu corpo. Suspiro, meus olhos se
arregalando. As sensações que ele está enviando através de mim agora
são tão intensas, quase assustadores. — Daniel...

— Shhh, eu estou com você, pequena lutadora. — Ele murmura e


começa o movimento lento e constante novamente, seu polegar tocando
meu clitóris com cada movimento. Não sou capaz de ficar quieta e
desfrutar do passeio por mais tempo. Estou ficando louca debaixo dele,
meus quadris se movendo para receber cada estocada e empurrando seu
polegar com mais força contra meu clitóris, nossos corpos batendo com a
força de cada impulso.

Estou desesperada, gemendo, parece que um grito irá escapar da


minha garganta quanto mais me movimento contra sua ereção. Está
muito bom, não quero que ele pare e agarro-me a Daniel, ofegando seu
nome, minhas unhas cravadas em seus ombros.

— Assim Regan, doçura. Isso boneca. Vamos pequena lutadora.


Porra você é tão doce. Goze para mim doçura. — Sua voz é um grunhido
de necessidade e suas investidas estão ficando mais
ásperas, apesar de suas contidas e lentas estocadas.
Tento empurrar a mão do meu clitóris porque está começando a ser
demais, mas ele não deixa. Sabe que estou quase lá e quando chegar
será brutal. E estou com um pouco de medo. Meus gemidos parecem
assustados.

— Shhh, Regan, estou com você. — Ele me diz, mesmo quando


mergulha fundo. — Eu estou aqui e tenho você.

Com um soluço, estou ali. Tenho um orgasmo tão forte que de fato,
vejo as estrelas. Cada músculo do meu corpo estremece em uma linha
tensa e sinto como se eu estivesse me expandindo e explodindo ao
mesmo tempo. Minha respiração escapa em um leve grito e posso sentir
minha boceta apertar o pau de Daniel, ecoando as contrações de meus
músculos enquanto gozo com força. Daniel diz algo no meu ouvido e
seus movimentos são ásperos, percebo que ele está gozando também.

Ele goza e ainda me segura.

Quando posso respirar novamente Daniel deita sobre mim e logo se


afasta como se tivesse sido queimado. Um segundo depois, ele me rola
para cima dele, arrastando meu corpo flácido sobre o dele. Mais uma vez
ele começa a acariciar minhas costas. — Sinto muito. Não estava
tentando assustá-la.

— Estou... estou bem. — Digo e fico horrorizada ao ver que estou


chorando. Mas estou. Não sei se é a intensidade do meu êxtase estar
com Daniel ou outra coisa, mas estou chorando e me sinto
bem. — De verdade. Não sei por que estou chorando.

Ele acaricia meu ombro.


— Por que foi muito ruim? Se foi pode me bater. Sei que estou
enferrujado.

Por alguma razão, isso me faz rir através das minhas lágrimas.

— Não, foi b-bom. — Digo através das minhas lágrimas. —


Obrigada. Acho que... estou deixando tudo sair. — E estremeço quando
respiro fundo.

Mas eu sei porque estou chorando.

Estou chorando porque estou apaixonada por Daniel e eu


absolutamente, definitivamente não deveria estar.
Capítulo 19
DANIEL

Regan chorar depois do sexo é tão bom quanto uma vara no


traseiro. Acaricio sua pele, meio sem jeito com uma mão, enquanto retiro
o preservativo com a outra. Com um toque, dou um nó e o jogo no lixo.
Reflito através da minha memória recente, buscando, tentando entender
se houve um ponto em que a obriguei a continuar. Parecia que ela estava
adorando. Sua boceta estava me apertando tão forte que pensei que meu
pau iria explodir, mas seria um homem com uma morte feliz. Por causa
da minha própria sanidade, aceito que as lágrimas são como ela disse:
deixar tudo sair. Acaricio suas costas, apreciando a sensação de seu
corpo sobre o meu. Luxúria ainda percorre meu corpo. Não foi suficiente
o tempo que tivemos. Precisava dela me montando até que não houvesse
qualquer emoção, fluido ou sentido em nossos corpos. Até termos fodido
um ao outro, de um modo tão duro e por tanto tempo, que poderíamos
apenas derreter na cama depois. Sermos então, dois seres
disformes, drenados pelo maravilhoso sexo. O mundo exterior poderia ir
para o inferno desde que eu pudesse ficar aqui, dentro dela.

Estava correndo por meses, entrando em cada refúgio e prostíbulo


entre a Europa, Ásia e América. Agora tudo o que quero fazer é segurar
Regan. Certo abraçá-la e dormir com ela, mas ambos com muito
significado. Será difícil deixá-la ir, porque no pouco tempo que nos
conhecemos, percebo que ela se encaixa comigo melhor do que outro
alguém que conheça. Ela é imperturbável pela minha boca espertinha e
de fato, devolve na mesma medida. Ela é mais forte que qualquer um e
não me acha um idiota. Além disso, é mais quente do que o sol no
deserto.

— Você deveria ir para o Texas. — Deixo escapar porque a minha


boca ainda está sendo comandada pela cabecinha que está se levantando
mais a cada momento. De repente eu quero derramar algumas lágrimas.
Por que não comprei mais preservativos na Farmácia? Merda! Existe
uma maneira de fechar um pau? Não, eu iria acabar explodindo,
literalmente, por causa de todo o esperma represado.

— Sim? — Pergunta ela, enxugando a umidade em suas bochechas.

— Sim. — Agora que já expressei a ideia, aprecio totalmente. Posso


ver Regan em meu rancho, vestindo minhas velhas camisas de trabalho
amarrada sob os seios como uma líder de torcida do Dallas Cowboys.
Sua barriga lisa descoberta ao sol e seu jeans baixo apertado nos
quadris. Montaríamos pelo pasto e assistiríamos ao pôr-do-
sol, até que apenas as estrelas e a meia-noite profunda do
céu noturno nos cobrissem. Eu a deitaria em um cobertor e
nós faríamos amor entre a relva crescendo selvagem nos
campos. — Pode aprender a cavalgar. Minha mãe faria uma xícara de
chá doce e carne assada. Depois do jantar, nós caminharíamos até a
lagoa e ouviríamos os grilos dizer uns aos outros segredos sobre o dia.
Mais tarde, à noite, a levaria para a casa do antigo capataz e lhe daria
prazer até que o sol surgisse no dia seguinte.

— Parece muito bom. — Ela coloca a cabeça sob meu queixo e puxo
as cobertas para que ela não sinta frio por causa do ar condicionado. —
Talvez você possa vir a Minneapolis. É tão frio quanto o Ártico, mas sem
os pinguins bonitos.

— Parece irresistível. Mas você, por mais piegas que isso possa ser,
é tudo que eu preciso.

— Seu pau está tentando empurrar seu caminho para o buraco


errado. — Ela mexe seu traseiro um pouco, como se ela não fosse
totalmente avessa aos sentimentos que isso evoca.

— Não posso evitar. Você está nua, deitada em cima de mim. Nós
fizemos sexo de explodir o mundo e meu pau não é idiota. Ele sabe que
há um pequeno lugar, apertado, molhado e quente para ele. — Eu a
desloco um pouco e esfrego meu pau ao longo de sua fenda cada vez
mais molhada. Nós dois gememos. — Apenas o ignore. — Digo, entre
gemidos. Mas seguro sua bunda com as duas mãos, permitindo que
meus dedos separem os lábios de sua boceta, de modo que seus sucos
suculentos se espalhem ao longo do meu pau.
— Ignorar o quê? — Ela suspira e não existem quaisquer lágrimas
nos olhos, apenas uma névoa crescente de luxúria.

— Nada, lutadora. Isso não é meu pau esfregando em sua boceta.


Você não está ficando mais molhada a cada minuto. Não estou
segurando sua bunda em minhas mãos. — Apoio meus calcanhares no
colchão, empurro meus quadris para cima e a cabeça do meu pau passa
pela entrada da sua boceta nua. Meus olhos se fecham. — Ah doçura! —
Começo a gemer. Meus dedos pressionam sua carne, abrindo-a ainda
mais. Sei que isto é errado, mas não sou capaz de parar, bombeio dentro
dela superficialmente. Cada vez meu pau mergulha um pouco mais
fundo em seu canal liso e quente. — Você já brincou de: Eu nunca? —
Pergunto. — Porque eu nunca senti algo tão bom, como entrar em sua
pequena boceta apertada sem preservativo.

Ela está ofegante agora. Ambos estamos.

— É uma sensação incrível. Juro que posso sentir cada veia em seu
pau. Sinto você, enorme.

Suas palavras me fazem inchar mais do que eu já estive.

— Não tenho um maldito preservativo. — Amaldiçoo, mas ela não


sai e não tenho força em mim para parar. Pior ainda, ela me aperta forte
e sinto disparar um caminhão de sêmen logo em seguida. — Sei que isso
soa estúpido, mas juro que estou limpo. Fazemos exames regularmente
no exército para tudo. — Fica implícito sobre ela. Nós dois
sabíamos que ela estava limpa após a visita a médica
depois do resgate.
Ela assente e em seguida, aperta novamente.

— Sim. — Ela geme, o som sai como um suspiro ofegante,


puramente sexual.

Levanto-me, e me sento, deixando meu pau entrar profundamente


em Regan. Ela solta um leve grito. Sua testa toca a minha e a beijo,
fodendo-a com a minha língua e meu pau. Ela responde faminta. Desta
vez estamos frenéticos, loucos, nossos corpos batendo um contra o outro
como se estivéssemos em uma corrida para ver quem pode levar o outro
à loucura primeiro. As palmas de suas mãos estão arranhando meus
ombros, mas a dor é bem-vinda. Mostra, como ela está desesperada por
mim.

Empurro dentro dela com estocadas longas e fortes. Levantando-a


levemente e em seguida, puxando-a de volta para baixo.

— Mais forte, foda-me com mais força, Daniel. — Ela geme em


minha boca. A provocação, a súplica ou o que seja, entra em meu
cérebro embaçado, eu a viro de costas no colchão, dobro as pernas para
que seu traseiro fique para cima. No próximo movimento, empurro
dentro dela novamente, batendo forte enquanto ela aperta meus ombros
e suas unhas raspam os lados das minhas coxas. Ela está me marcando
e adoro isso.

— Você está tão quente, tão bonita. Sua boceta me engole com
tanta fome. — A tensão do meu orgasmo reúne-se na base
da minha espinha e estou pronto para gozar dentro dela. —
Você vem comigo, Regan? — Pergunto a ela. — Goza comigo agora.

Levanto uma de suas pernas por cima do meu ombro de modo que
possa apertar seu clitóris entre meus dedos. Preciso que ela compartilhe
este momento comigo. Meus dedos a seguram, provocam e beliscam seu
clitóris quando a acaricio com rapidez e golpes duros. Ela está gemendo
agora, mas é claramente de prazer. Sua cabeça está se movendo para os
lados sobre a cama até que seu orgasmo a atinge, tencionando todo seu
corpo enquanto ela se inclina para cima. Seu clímax faz com que sua
boceta aperte meu pau e é preciso uma força sobre-humana para sair
dela. Tiro meu pau latejante e jatos caem em todo seu estômago e seios.
Sinto que gozei por horas e quando o nevoeiro vermelho quente de
luxúria evapora, vejo que ela está coberta com minha porra. Os traços de
sêmen branco leitoso parecem uma arte abstrata em sua pele ruborizada
e eu me sinto mais surpreendente do que a porra de Picasso.

Não posso deixar de espalhá-lo ao redor, esfregando-o em sua


pélvis, seu estômago e até a parte inferior dos seios.

— Você fica bem com minha porra.

Ela mal tem a energia para mostrar a língua para mim, mas
consegue um pequeno bufo. Seu rosto está voltado para o lado do
colchão e está tentando recuperar o fôlego. Eu também. Caio ao seu
lado, ainda esfregando meu sêmen em sua pele.

— Você é um animal. — Ela sussurra, mas não é um


insulto. É uma simples observação e há verdade nisso.
— Sem dúvida, lutadora. — Eu a puxo para perto de mim e desta
vez o nosso beijo é lento e exploratório, em vez de uma união frenética de
boca, dentes e língua. Seus lábios são pétalas macias e tem gosto de
casa, melhor do que o chá doce e o assado da minha mãe. Poderia viver
apenas com seu gosto e nada mais.

Uma batida na porta interrompe nossa sessão de carinho após o


sexo.

— Ignore. — Digo. Estou mais interessado em ter a língua de Regan


na minha boca do que comida na minha barriga. Acho que é o serviço de
quarto, embora não me lembre de ter pedido um. Um pensamento me
invade e me sento abruptamente. Ninguém deveria saber que estamos
aqui. Salto da cama e pego minha Ruger da mesinha ao lado. — Vá para
debaixo da cama. — Ordeno em voz baixa. Ela assente e desliza para fora
da cama, mas não antes de agarrar a outra arma.

— Não atire em mim. — Digo com um sorriso, tentando aliviar um


pouco seu medo.

De pé ao lado da porta, minhas costas contra a parede, eu digo à


persistente pessoa para ir embora.

— Nós não precisamos de nada.

— Abra a porta. — Ordena uma voz profunda em russo.

Oh, porra. Vasily Petrovich. Justamente o que não


preciso.
— Acalme-se. Mantenha seus cavalos presos. — Não tenho ideia se
essa expressão ocidental traduz o que quero, mas acho que ele entenderá
a mensagem.

Cruzando o quarto, agacho ao lado de Regan, que está ajoelhada ao


lado da cama, a arma presa nas duas mãos. Chego mais perto e empurro
a trava de segurança de volta.

— Que língua você estava falando? — Ela me olha com


desconfiança. Seguro sua bochecha na minha mão, procuro as palavras
certas para dizer, mas antes que possa tirar alguma coisa, a porta é
arrombada. Regan levanta a arma, solta a trava de segurança e dispara
duas vezes.

— Filho da puta! — Grita Petrovich, que mergulha para o lado.

Seguro as mãos de Regan para cima e tiro sua arma. É então que
percebo que ambos estamos nus e ela provavelmente está pegajosa do
meu gozo.

— Porra. — Pego Regan lutando em meus braços e vou para o


banheiro. Abro o chuveiro na água quente e em seguida, a sento no vaso
sanitário. Seu corpo está tremendo, com medo, não desejo, mas ela não
está chorando.

— Aquele homem lá fora... — Ela aponta com um braço trêmulo em


direção a Petrovich, cujos gemidos de dor pararam.

— Deve tê-lo atingido, lutadora.


Tento levantá-la para o chuveiro, mas ela está mole. É como tentar
segurar um polvo. Eu a levo para dentro do boxe, mas ela luta por todo o
caminho.

— Temos que sair agora. — E então a compreensão cai sobre ela


enquanto ela me olha sob o jato do chuveiro. Não posso dizer se há
lágrimas misturadas com a água, mas a expressão no rosto dela está me
matando.

— Você o conhece. — Sua voz está morta. Zero inflexão.

— Deixe-me explicar.

Ela recua até que suas costas atingem a parede de azulejos. Sua
cabeça está balançando para frente e para trás, como se pudesse afastar
esse pensamento. — Não. Não! Você é um deles.

Seu corpo está tenso e ela parece prestes a vomitar. — Deixei você
me tocar. Confiei em você. — Suas últimas palavras são um grito para
mim, mas não é o volume que me faz estremecer, é a dor subjacente a
cada som.

— Regan, por favor. — Caio de joelhos, indiferente que a água está


saindo pela porta do banheiro. — Apenas o conheço porque ele tinha
uma pista para mim. Ele me enviou a você. Para salvá-la. Eu juro.

— Como sei que você não é parte de tudo? Irá me vender também?

— Não! Nunca. — Chego mais perto, mas ela segura as


mãos como se fosse o diabo que estava ali para roubar sua
alma. — Sou Daniel Hays. Sou um ex-soldado do Texas.
Minha irmã foi sequestrada. Eu não menti para você. Nem uma vez, juro.
— Levanto minhas mãos no ar.

Suas próximas palavras me matam.

— Foi ele que me vendeu.

E o meu coração se parte. Inclino e beijo seus pés. — Sinto muito,


lutadora. Eu sinto tanto. — Com meu rosto sobre o azulejo frio e minhas
mãos em ambos os lados de seus pés, espero que me perdoe. Preciso que
ela me perdoe.

— Onde está o outro homem? — Seu corpo está tremendo tanto,


uma fúria que não pode ser contida. Ela desliza para baixo na parede até
que fica sentada. Sua voz é baixa e dura. — Ele me estuprou antes de me
entregar a eles.

— Eu o matei Regan. Quebrei seu pescoço e o deixei atrás de um


posto de gasolina. Teria feito com que fosse mais doloroso, se soubesse
disso. — Sento-me ao lado dela. A água quente do chuveiro é quase
gelada no momento em que atinge os nossos pés.

Quando ela ouve que Yury está morto, relaxa um pouco. Seu olhar
ferido diminuiu um pouco também. Mas meu coração continua partido
por ela.

Gesticulando em direção à sala, ela pergunta com incredulidade. —


Você realmente conhece os amigos dele?

— Quem? Yuri?
— Não, o comerciante de escravos.

— Eu o conheço. O conheci há alguns meses. Sei dele há mais


tempo, no entanto. — Então, digo-lhe tudo. — Procuro por minha irmã
há muito tempo Regan, então me envolvi com algumas pessoas que
ganham dinheiro matando bandidos.

— Assassinos de aluguel?

— Mercenários. Assassinos. Eu precisava encontrar Naomi de


qualquer forma. Comecei a ajudar as pessoas, alcançando-os se achasse
que tinham algum código de ética ou se sentia que poderia ser capaz de
confiar neles. Nick era um desses homens. Era muito cuidadoso com os
trabalhos que assumia. Sempre pesquisou sobre os seus clientes e era
muito bom no que fazia, por isso me conectei com ele. Quando você e
Daisy foram sequestradas, sabia que era a oportunidade de fazê-lo um
sócio com uma dívida comigo. — Ela continua me ouvindo, o que tomo
como um bom sinal. — Petrovich o cabeça da Bratva era um mafioso
poderoso, mas sua pouca cabeça estava levando a organização para o
chão. Vasily Petrovich se aproximou de mim. Disse que iria nos ajudar se
eu matasse o tio e me certificasse de que não pudesse ser rastreado até
ele. Nick, Daisy e eu cuidamos de Sergei Petrovich. Vasily me deu suas
informações e em seguida, sugeriu que havia muitas loiras transportadas
da Rússia para Rio. Achei que talvez Naomi estivesse aqui, também. O
resto você conhece. — Passo minha mão em minha cabeça.

— O que ele está fazendo aqui, então?


— Há algo aqui que ele quer também. — Imagino o que seja, mas
acho que Regan teve revelações suficientes no momento, então, não
informo isso a ela.

— Não quero ficar perto dele. — Desconfiança assume como sua


emoção atual, substituindo o medo que a aterrorizava antes.

— Tudo bem. Vou levá-lo então até a praia e descobrir o que ele
quer. — Ela concorda com essa nova perspetiva. — Nós estamos bem? —
Pergunto.

Não há nada além do silêncio, depois a mão dela desliza sobre a


minha.

— Não posso voltar para lá Daniel...

Levanto-me de joelhos e falo com a máxima certeza que pode existir.

— Regan, juro, pela vida da minha irmã, você não irá voltar. Mesmo
que tenha que atirar por toda a costa sul para mantê-la segura. Você
nunca voltará para aquele lugar.

O lábio inferior de Regan treme, mas ela sufoca sua emoção e em


seguida, espelha a minha pose. Suas mãos pequenas rastejam para cima
ao redor do meu pescoço. ]

— Eu acredito em você, Daniel.

Quero beijá-la, mas sei que seria algo muito tolo a


fazer neste momento. Em vez disso, aperto um de seus
braços. Levantando-a em seus pés e digo a ela para tomar banho.

— Vou pegar algumas roupas. — Dobro uma toalha em volta da


minha cintura e deixo o banheiro para que Regan possa se limpar.

Encontro Vasily sentado no sofá, uma toalha branca enrolada em


sua mão esquerda.

— Ela está bem? — Ele empurra o queixo para o banheiro. Passo


sobre as bolsas e retiro algumas roupas para nós.

— Não graças a você. — Não percebi que Vasily estava diretamente


envolvido na venda de Regan, embora soubesse que ele a sequestrou.
Este fato significava que ele continuou as vendas no esquema de seu tio.
O fato faz-me querer pegar minha arma e atirar em seu rosto, até por
que os meios não justificam o fim. Antes que fique tentado demais a fazê-
lo, volto ao banheiro. Regan está se secando e tento dar um pouco de
privacidade a ela, mas o banheiro é pequeno demais para evitar ter
alguns vislumbres de seu corpo. E claro, o meu corpo reage de forma
previsível e a toalha em volta da minha cintura levanta.

— Sinto muito. — Murmuro.

— Vou tomar isso como um elogio. — Ela suspira. — Meu medidor


de indignação está desgastado. Estou exausta.

Vestimo-nos às pressas enquanto ignoro completamente minha


ereção.

Regan nos leva para fora do banheiro, mas para com


uma respiração forte. Vasily tirou a camisa e colocou o
cinto na cama. Ele está ajoelhado com as mãos atrás da cabeça.

— O que está fazendo? — Ela exige.

— Restituição. — Vasily não se vira, ele mal se move.

— Ele quer que você o golpeie com o cinto. — Ofereço de forma


solícita.

— Ele acha que se bater nele estaria perdoado por ter me vendido?
— Ela grita.

— Imagino que sim?

Regan vai até a cama e pega o cinto. Nós simplesmente esperamos.


Ela passa o cinto por seus dedos e em seguida, manipula a fivela em sua
mão, talvez para avaliar o tamanho do estrago.

— Enrole a extremidade ao redor de sua mão. — Instrui Vasily. — E


Golpeie com a toda força de seu braço.

Isto é surreal. Vasily está dando instruções a Regan sobre a melhor


forma de puni-lo. Olhando em volta, vejo o sofá e vou em direção a ele.
Toda esta cena parece como algo saído de um filme ruim. Um muito
ruim. Regan segue suas instruções, enrolando a extremidade ao redor de
sua mão. Ela movimenta o cinto para cima e para baixo algumas vezes.
Acho que não consigo deixar de piscar, mas Vasily não. Ele permanece
imperturbável. O braço de Regan sobe para finalmente
golpeá-lo e nós ouvimos um assobio quando o cinto voa
através do ar. Vasily não se move um centímetro, quando
abaixa o cinto, a fivela cai inofensivamente ao lado do corpo de Vasily.
Regan joga o cinto na cama.

— Viva com a culpa, não te absolvo. — Ela diz furiosamente.

— Não era para ser vendida. — Diz Vasily. — Você deveria estar em
uma casa segura até que Daniel pudesse chegar até você, mas... — Ele
faz uma pausa. — Algo deu errado. Alguém em quem eu confiava me
traiu.

Isso era demais para Regan ouvir. Ela desaba no sofá ao meu lado.
Capítulo 20
REGAN

Fui da felicidade extrema à miséria completa novamente. O


maravilhoso e incrível Daniel por quem caí de amores. O único que me
salvou do bordel, na realidade está trabalhando com um dos homens que
me vendeu.

Ele me diz que posso confiar nele. Eu o faço. Mas também é difícil.
Toda vez que vejo o russo, revivo meu sequestro, revejo a cena em meu
apartamento. Lembro de ter sido amarrada, amordaçada por isso não
podia gritar. Vejo o rosto de Yury enquanto ele grunhia e suava sobre
mim.

Mas Daniel matou Yury. Pelo menos isso.

E agora me sinto retrocedendo.

Olho para o rosto do grande homem loiro. Ele está


esperando, ainda de joelhos no chão e olhando para frente.
É como se esperasse que mudasse de ideia e dissesse oh
sim, mas na verdade, não posso bater nele. Como ele espera que eu
pegue o cinto e bata nele de repente?

Como ele espera que desça a seu nível? Eu não vou.

Eu me nego.

— Então você quer dizer eu não deveria ser vendida? — Minha voz é
maçante até mesmo aos meus ouvidos. — Tudo foi um grande erro de
merda que aconteceu, é isso?

A mão de Daniel toca minha bochecha. Sua preocupação é evidente


quando pergunta. — Você está bem Regan?

Meu instinto me diz para afastá-lo, para me proteger, mas pela


primeira vez em muito tempo, eu o ignoro e inclino-me ao toque. Se não
puder confiar em Daniel, não resta nada. — Estou bem. — Afirmo.

— Você deve ter a restituição. — O loiro grandalhão diz, nos


interrompendo.

Olho para ele e ele não se moveu. Seus traços são mais duros e de
alguma forma mais cruéis do que Daniel jamais poderia ser, é
impassível. Ele ainda está esperando.

— Qual é seu nome? — Pergunto.

— Vasily Petrovich, da Bratva Petrovich. — Ele diz. Sua voz é uma


das mais roucas que já ouvi e seu sotaque leve, familiar e
odiado.
— Bem, Vasily... — Hesito por um momento. Olho para Daniel e ele
parece tão desconfortável quanto eu vendo Vasily nesta posição. — Eu...
Perdoo você.

Quando você pensa que a situação acabaria o grande russo


endurece seu corpo e diz. — Você não me pode perdoar sem retaliação.

— Não. — Digo, negando-lhe o que ele quer. — Eu o perdoo.


Seguiremos em frente. — Não queria dizer isso, é claro, suponho que a
dor faz mais sentido para ele do que a misericórdia, mas não é
misericórdia que estou oferecendo, não realmente. Estou fodendo com
sua mente. Nem sequer me sinto culpada por isso. Sei que ele vai ficar
mais fodido com o perdão do que com o chicote.

Vasily não se move.

Levanto-me do meu assento e fico na frente do grande e assustador


russo que ainda está ajoelhado no chão, à espera de uma surra que
nunca chegará. Dou-lhe uma bofetada no rosto.

— Satisfeito? Podemos começar novamente a partir daqui.

Ele recua ante minha mão, o que me surpreende.

Daniel avança em seguida, puxando-me para longe. Talvez tenha


adivinhado meu jogo e não aprova. Não o culpo nem um pouco, é algo
como Regan Porter cutucando um urso ferido com uma vara. — Vasily
não é um homem que aperta mãos ou coisas assim, ele não
gosta de ser tocado. — Daniel me diz.
— Oh. — Penso como é bom saber desta informação, agora tenho
algo contra ele. Não vou esquecer disso. — Certo. — Digo suavemente.

Daniel se move para o outro lado da cama e pega sua arma,


verificando o clipe e começa a armar-se mais uma vez. Ele lança um
olhar rápido para Vasily, que não se moveu e exasperação cruza seu
rosto. — Levante-se, homem! Você está me envergonhando e Regan não
quer bater em você. — Daniel diz exasperado.

Vasily parece bastante descontente, o que me faz muito feliz.


Lentamente, ele se levanta e retorna à sua altura máxima. Daniel é alto,
mas este homem é praticamente um gigante. Esqueci o quanto era
grande e assustador. E ele queria que eu o chicoteasse? Homem
estranho. Ando um pouco mais perto de Daniel, indo para minha própria
arma, mas Daniel puxa-a fora do meu alcance antes que possa agarrá-la.
Ele apenas levanta uma sobrancelha para mim, como se perguntando
em quem pretendo atirar.

Faço uma careta para ele. Argh, controlador. Chego mais perto,
passo meus braços por ele até que consiga puxar a minha arma de suas
mãos. — Não vou mais atirar. — Murmuro, certificando-me que a trava
de segurança esteja acionada antes de colocá-la em meu cinto. O
silenciador parece furar meu quadril, mas não me importo.

Vasily olha para mim mais uma vez e em seguida, pega o cinto. Ele
claramente medita sobre algo, em seguida, lentamente começa a passá-lo
através da calça.
— Porra. — Daniel diz a ele, mas sua voz é suave, quase afetuosa.
— Coloque sua camisa e me diga como nos encontrou.

— Coloquei um rastreador em você uma vez que descobri que a


garota não foi deixada na Embaixada. — Diz Vasily. À medida que ele
puxa o cinto, seu ombro se torce e percebo o que deveria ter notado o
tempo todo. As costas de Vasily eram um enorme emaranhado de
cicatrizes. A surra que ele queria que lhe desse, não seria a primeira e a
julgar por sua atitude, não seria a última.

Certo. Sua escolha.

— Um rastreador? Obrigada pela porra da grande confiança. — Diz


Daniel, muito descontente.

— Não confio em ninguém agora. — Vasily diz em inglês carregado.


— A própria Bratva está podre por dentro. O melhor assassino que
conheci desertou para ir viver com uma mulher. Mandei assassinar meu
tio porque ele não poderia ser confiável. Não, camarada, não confio em
ninguém no momento.

Daniel bufa e tira uma bala de suas armas.

— Merda. Você tinha que aparecer agora? Regan e eu estávamos


ocupados. — Bufa, ainda descontente.

— Isso é óbvio. — Vasily diz com sua voz fria e profunda. Em


seguida, ele praticamente grita algo em russo que
obviamente não entendo.
— Foda-se. — Fala Daniel e fica tenso sob meus braços. — E fale
em inglês é rude com Regan, porra.

Como se fosse possível, os olhos de Vasily ficam ainda mais frio. O


olhar focado somente em mim e então, como se eu não existisse, olha
novamente para Daniel. — Você deveria mandá-la de volta para Nick.

— Não farei isso.

— Meus planos não envolvem arrastar uma mulher por aí.

— Mude-os.

O olhar de Vasily é tão sinistro que me deixa ansiosa.

— Você aceitaria colocá-la em perigo, simplesmente porque deseja


uma foda fácil, camarada?

Daniel está praticamente vibrando com a tensão e suponho que


Vasily está sendo deliberadamente um idiota para conseguir o que quer.
Ou ele é realmente muito idiota. De qualquer maneira, este é um ponto
sensível para Daniel. Espero que ele diga que eu decidi não ir para a
Embaixada por vontade própria, se alguém tem culpa desta escolha, sou
eu.

— Ela fica, então pense em algo. — E se senta na beirada da cama,


me arrastando contra ele no processo.

Inclino-me e pressiono meus seios ao lado do rosto de


Daniel enquanto me agarro a ele. Um sentimento de
orgulho e poder vibram em cada célula do meu corpo. E
não sinto medo. Daniel está do meu lado. Ele poderia
vender-me para Vasily, uma vez que aparentemente o conhecia e já
trabalharam juntos antes. Mas está protegendo meus segredos. Está me
protegendo.

E isso me faz querer jogá-lo na cama e foder com ele mais uma vez.
Engraçado como alguém leal que lhe oferece proteção, pode ser um
afrodisíaco.

Vasily está me observando com uma expressão de desgosto e de


repente, me sinto suja novamente. O quê, ele pensa que não sou boa o
suficiente para Daniel? Porque sou uma prostituta suja?

Espero que diga alguma coisa, mas ele apenas puxa sua camiseta
sobre a cabeça. Músculos enormes flexionam quando ele faz isso. Em
seguida, começa a abotoá-la com os dedos lentos e cuidadosos.

— O que é tão importante que não podia esperar mais algumas


horas? — Daniel quer saber.

— Mandei alguém vir ao Rio para pegar o hacker de Hudson. Este


cidadão me disse: sim, vou pegar o hacker e fazer um favor a Nick. Veja,
agora sei que o favor de Nick foi realizado. Mas, meu hacker ainda não
foi encontrado.

O rosto de Vasily parece uma pedra fria, dura e sem expressão, mas
continua com sua brilhante colocação. — E você ainda quer saber
porque eu não confio em ninguém.

— Foda-se, cara. Estava chegando a isso. Nós


estávamos ocupados durante os últimos dias recebendo
tiros em nossas bundas. Há mais acontecendo com Regan
do que o planejado. Ela tem alguns perseguidores idiotas em seu
caminho, sem contar que alguém matou meu informante bem na minha
frente. Estamos fazendo todo o possível para manter nossas bundas
vivas. — Responde Daniel.

— Aos meus olhos, parece que você está fazendo todo o possível
para foder sua bunda. — Diz Vasily me lançando um olhar breve,
voltando seu foco em Daniel. — Tem certeza de que deseja que ela saiba
de todos os nossos planos? Poderia ser uma isca.

— Ela não será uma isca.

— Uma espiã, então. Enviada para seduzi-lo e derrubar tudo de


dentro para fora.

— Estou bem aqui, posso ouvir tudo o que você está dizendo.

Daniel fica rígido em meus braços novamente e posso dizer que ele
está cada vez mais irritado com as palavras de Vasily. — Ela não será
uma maldita isca. Nem uma espiã sexual ou o que quiser. Porra!

— É melhor que não, eu espero que não camarada, porque você


está claramente caído por seus truques.

Agora eu gostaria de bater nele. Deveria tê-lo feito quando tive a


chance. Vasily era um Idiota com I maiúsculo. Ele ajusta os punhos da
camisa e olha para Daniel.

— Agora você está pronto? Ou devo esperar mais um


momento?
— Sim, quando você chegou aqui matou qualquer clima. — Daniel
diz com a voz seca. — E Regan é confiável. Não deixarei você dizer nada
sobre ela, certo? Ela é uma lutadora e está comigo. E não sairá do meu
lado.

Deus. Amo ouvi-lo dizer essas coisas. Continue assim e vou atacá-lo
assim que o tiver sozinho.

— Então você quer levá-la para o complexo de Hudson? — Bufa


Vasily. — É, como dizem os americanos, seu funeral.

— Você sabe onde Hudson está? — Daniel parece um pouco


surpreso. — Como descobriu?

— Enquanto você estava transando, cobrei alguns favores. — A


expressão de Vasily é totalmente fria e ele nos lança outro olhar.
Definitivamente me culpando. Simplesmente maravilhoso! — Não é difícil
encontrar pessoas que tenham visto a descrição de um homem pálido
como a neve, com um fetiche por mulheres loiras da América do Norte,
que se arma com dezenas de mercenários.

Essa informação me faz arrepiar dos pés à cabeça.

— O que... você... disse? Pálido como a neve?

O olhar de Vasily move-se para mim, os olhos fendas.

— Sim.

Meu coração começa a bater de forma irregular no


meu peito e sinto minha pele formigar com um medo muito
familiar. O pânico toma conta de cada fibra do meu ser. Molho meus
lábios e em seguida, gesticulando pergunto.

— Cabelo curto, loiro, quase branco? Olhos claros e pele pálida?


Mais ou menos dessa altura? — Faço um gesto com as mãos alguns
centímetros acima da minha cabeça. — Veste ternos claros e usa óculos
de sol dentro de casa?

— Você conhece este homem?

— Este é o Sr. Gelo. — Sussurro com os lábios dormentes. — Ele me


quer de volta somente depois de já estar... Quebrada. Ele estava na
Embaixada, quando fomos lá da primeira vez. Esperava alguém me
deixar lá. Eu acho.

Percebendo minha apreensão, o braço de Daniel aperta minha


cintura. — Ele não a terá. Eu juro.

— Então. — Vasily diz. — Vamos deixá-la aqui e nós dois faremos


uma visita a Hudson. Nós recuperamos esse hacker e saberemos mais
informações sobre a sua irmã. No fim, todos ficam felizes.

— Não! — Grito e agarro-me a Daniel. Desta vez, estou apertando


seu rosto contra meus seios, mas não me importo. — Espere, Daniel
você... Você não me pode deixar aqui. Precisa me levar com você. Não me
abandone.

A voz de Daniel é abafada contra meus seios. —


Doçura, você sabe que eu não iria pedir-lhe para ficar para
trás se não fosse seguro, mas...
— Não! Você não vai me abandonar.

— Regan...

— Vou com você.

Vasily estar aqui me deixava nervosa novamente e tenho a sensação


de que vou me agarrar a Daniel mais forte do que o normal. Mesmo o
pensamento de Daniel sair da sala por cinco minutos e ficar sozinha com
Vasily é suficiente para fazer a minha pele formigar com arrepios.

— Você... não pode me deixar para trás... não pode. Você prometeu.

Daniel suspira. — Eu sei, doçura. Eu sei. Vamos pensar em alguma


coisa. Isso, merda… Não é seguro, de acordo?

— Eu vou. — Digo de forma teimosa.

— Caso não tenha ficado claro, você não foi convidada. — Vasily diz
para mim.

— Se você me deixar aqui, vou segui-lo. — Digo, lutando contra o


pânico que está subindo à superfície da minha mente.

Daniel não pode me deixar para trás. Não depois de tudo. Ele não
pode. Se o fizer, sei que virarei uma esquina e ficarei cara a cara com o
Sr. Gelo à espreita, esperando por mim.

— Você ouviu a garota. — Diz Daniel. — Ela vai


connosco.

Vasily diz outra frase em russo e Daniel vira-se para


ele. Eles parecem prontos para brigar, olhando um para o
outro. Depois de um momento tenso, porém, Vasily joga as mãos para
cima, admitindo a derrota.

Daniel olha pela mira do rifle, escaneando o composto a nossa


frente. — Trinta e um. — Diz ele. — O que significa que haverá mais lá
dentro.

Nós três estamos em uma das casas no Morro dos Macacos.


Paramos na galeria de Luiz, pegamos nossos documentos e depois
voltamos para as favelas. Mas somente após novas tentativas de ambos
os homens de me convencerem a não vir.

Eu recusei. Não vou sair do lado de Daniel. Apenas me sentirei


segura quando ele me levar de volta para minha casa em Minneapolis
então, pouco importa se estamos indo a um lugar perigoso. Para mim,
todos os lugares são perigosos.

Uma vez nas favelas, Daniel pagou a alguém para termos uma casa
por algumas horas. Vasily vigia a porta, com uma enorme arma no alto
enquanto ele cobre o corredor. Estou agachada ao lado de Daniel na
janela, um pedaço de papel na mão enquanto marco um X
no esboço do composto de Hudson. Tenho um X em cada lugar que
Daniel encontrou um soldado. Meu trabalho está repleto de X.

— Trinta e dois. — Murmura Daniel. — Um escondido na escada.


Porra, o homem tem um exército com ele. Filho da puta paranoíco.

Faço uma marca no meu papel e olho para Daniel. Ele ainda está
apertando os olhos para baixo na mira de seu rifle, monitorando as
coisas. — Então o que isso quer dizer?

— Isso significa que nós não chegaremos a lugar nenhum perto


dele.

Levanto as sobrancelhas e olho para fora da janela, vendo as


paredes do lugar. Não é exatamente bonito, nem discreto. As paredes são
feitas de blocos de concreto enormes e as portas duplas abertas apenas
para permitir um caminho ocasional. Os topos das paredes estão cheios
de arame farpado e Daniel chegou a dizer que eles têm um atirador de
elite no telhado, como nós.

— Então por que não começamos a atirar? Atiramos no máximo de


homens que pudermos e depois buscamos alguém que esteja no
comando destes caras?

Vasily murmura algo irônico em russo atrás de mim e tenho certeza


que ele está me chamando de idiota.

— Não podemos fazê-lo, lutadora. — Diz Daniel,


finalmente abaixando seu rifle e olhando para mim. —
Poderia derrubar um ou dois antes que eles nos percebam,
mas então descobririam de onde estamos atirando, subiriam o morro
atrás de nós. É muito perigoso.

— Por que não vamos sorrateiramente durante a noite, então?


Poderíamos usar alguns cobertores e algumas escadas, atiraríamos um
cobertor sobre o arame farpado e subiríamos. Vi isso num filme uma vez.

— Se ele tem trinta homens do lado de fora, terá mais trinta dentro.
— Vasily fala. — Ele está nos esperando. E está pronto. Precisamos de
um novo plano.

Daniel passa a mão pelo rosto, parecendo tão frustrado como me


sinto. Quero entrar, armas em punho, atirar no Sr. Gelo, desfigurar
ainda mais seu feio e pálido rosto até que ele não possa nunca mais se
levantar. Mas se dois assassinos profissionais estão dizendo que é muito
perigoso, então talvez seja. — Então o que faremos? — Pergunto.

— Lágrimas de Deus. — Diz Vasily.

— Porra. De jeito nenhum. — Daniel retruca. — Não levarei Regan


lá.

— O que é Lágrimas de Deus? — Pergunto. Meu olhar se move entre


Vasily e Daniel. — O que é?

— Lembra que eu te disse sobre a favela que é controlada pelos


mercenários? A única que ninguém se mete?

— É Lágrimas de Deus?
— Eles me devem um favor. — Vasily diz. — Este pode ser o favor.

— Porra, não, Vasily.

— Porquê? — Pergunto novamente.

Daniel me lança um olhar sério e ele parece um pouco irritado.

— Ninguém vai para a Lágrimas de Deus sem ser verificado ao longo


do caminho. Eles levam suas armas, tomam suas roupas e o revistam.
Todos, sem exceção. Não farei isso com você. Porra. Pensaremos em
outra solução. Alguma outra opção.

Vasily diz algo duro para Daniel.

Engulo, tentando imaginar ser revistada por um bando de


mercenários. Andar em um lugar como esse nua e vulnerável. Mas há
duas pessoas sendo mantidas em cativeiro, a irmã de Daniel e o hacker.
Daniel me disse que onde quer que encontremos o hacker, vamos
encontrar Naomi. Não consigo parar de pensar sobre isso. Talvez ela
esteja sofrendo as mesmas coisas que passei. Hudson gosta de suas
cadelas quebradas. Tento imaginar uma garota como a irmã de Daniel,
mas quebrada e estremeço internamente, em seguida, forço um olhar
calmo em meu rosto.

— Posso fazer isso.

— Não, lutadora...
— Não, Daniel. Disse que viria com você. Tenho que aceitar o bom e
o ruim. Posso ser revistada por alguns caras, juro.

Sua mandíbula se aperta e posso dizer que ele não gosta da ideia. É
um plano que nos deixa vulneráveis. Estaremos nus e à mercê dos
bandidos se tentarmos qualquer coisa. Se eles decidirem se desfazer de
nós, estamos fodidos.

Mas confio em Daniel. Então forço um sorriso e me obrigo a seguir


em frente.

— Vamos.
Capítulo 21
DANIEL

— Não há jeito de entrar. — O desânimo de Regan ecoa a minha


própria frustração interna. É um sinal. Se você acredita em sinais,
advertências ou símbolos, a falta de uma entrada para a favela Lágrimas
de Deus, dizia claramente isto. Passo a mão ao longo dos muros de
cimento e as barreiras de metal que estão no caminho onde a entrada
deveria ser.

— O que você sabe sobre este grupo? — Dirijo-me a Petrovich. Ele


está de pé, levemente afastado de nós. As mãos em seus quadris,
olhando para o céu como se Jesus fosse curvar-se do seu lugar e abrir as
paredes de metal para nós.

— Eles são leais, homens de palavra. — Responde e em seguida,


aponta para a inscrição em português sobre o portão.

— O que diz? — Pergunta Regan.


— Apocalipse 21: 4. É um capítulo da Bíblia. E Deus enxugará
todas as lágrimaa de seus olhos, não haverá mais morte, nem pranto,
nem clamor, nem haverá mais nenhuma dor.

— Isso parece bom. No entanto, talvez fosse mais reconfortante se


não houvesse um punhal pontuando o fim da frase. — Regan diz
ironicamente. Dou-lhe um sorriso rápido. Essa é minha garota.

Retiro minha arma e aponto para o punhal. — O que você está


fazendo? — Pergunta Regan.

— Conseguindo atenção de alguma forma.

Antes que possa atirar, uma porta aparece na parede a minha


esquerda e um grande homem sai. Sua herança é indeterminada, o que
provavelmente faz dele um verdadeiro brasileiro. Nativos brasileiros são
um caldeirão de heranças, que formam um mix de harmonia fantástica.
Competem em miscigenação com afros americanos, asiáticos e etc.
Contudo, a única coisa que realmente importa sobre esse estranho, é o
seu tamanho extragrande, além de seu armamento, claro.

Ele tem cintos de metralhadoras presas sobre o peito como


suspensórios. Em seus braços há protetores de pulso de couro, como
bainhas para facas. Ele tem uma AK amarrada nas costas e um cinto de
arsenal com mais armas, outras facas e mais munição.

O mundo ideal é claramente reforçado com bom armamento.

Mas todo o show de exposição destas armas, só pode


significar uma coisa: este homem é um dos caras maus.
Coloco minha arma no coldre, casualmente tento esconder
Regan atrás de mim, deixo minhas mãos expostas em pleno ar.

— Estamos aqui para ver o Fio da Navalha.

— Declare seu negócio. — Quando diz isso, cruza aqueles braços


enormes em seu peito, o movimento empurra os punhos das facas de
pulso em minha direção. Um rápido cálculo mental me faz acreditar que
posso retirar uma das facas, posso fixá-la em seu peito e imobilizá-lo em
cerca de dez segundos, isto é, se a lâmina for longa o suficiente para o
trabalho. Atrás de mim, sinto Regan se aproximar ainda mais do meu
corpo.

— Estamos aqui para fazer um negócio.

— Nós não comerciamos carne. — Ele rosna.

Uma ideia ilumina minha mente. Ele acha que estamos aqui para
negociar Regan para... Alguma coisa. Puxo-a para o lado. — Não, ela está
comigo. O meu amigo russo vai retirar algum dinheiro para que você
possa ver que estamos interessados em informações e alguns outros
serviços. Nós pagaremos pelo trabalho. — O guarda não ficou muito feliz
quando Petrovich coloca a mão no bolso do terno.

O russo mal-humorado entrega um bolo de dinheiro para o guarda.


Ele não contou a quantia que lhe demos, apenas virou as notas em sua
mão, como se pudesse contar apenas pelo peso das notas. Talvez
devêssemos ter trazido ouro. Sem uma palavra, ele desaparece dentro e
fecha a porta.
— Agradáveis os amigos que você tem, Petrovich. — Brinco.

— Estou associado a você, não estou? — Ele retruca.

Regan abafa uma risada em sua situação de semi-histería.

Um minuto se passa. Ou talvez cinco. Decido atravessar a rua e


sentar-me na calçada. Regan me segue. Nós não iremos embora até
falarmos com o líder da favela. Petrovich está de frente à porta, como se
fosse um soldado aguardando ordens.

— Ele é tão estranho. — Observa Regan.

— Sim.

— Bem, acho que ele realmente queria que eu o chicoteasse.

— Sim.

— Todos os seus amigos são fodidos?

— Sim.

Ela fica em silêncio durante um minuto.

— Acho que sei por que você gosta de mim então.

Isso traz um sorriso ao meu rosto.

— Lutadora, você é a menos fodida de todas as pessoas que


conheço. É como a régua para a normalidade em uma
amostra completa de loucos.
— Você nem sempre foi parte deste submundo. — Ela aponta para a
favela.

Inclinando-me para trás em meus cotovelos, levanto meu rosto para


o céu. O sol é mais quente aqui, mais intenso. Seus raios são como
toques de calor. Se não fosse pelo sequestro, por minha irmã
desaparecida e pelo russo grosseiro a alguns metros de distância,
poderia fingir que estava deitado na praia tomando uma bebida frutada
enfeitada com um guarda-chuva, com Regan em um pequeno biquíni,
seu corpo brilhando com bronzeador que passaria por cada centímetro
de sua pele. — Sabe por que os maus vencem?

— Não. — Ela soa tão abatida como eu me sinto, olhando para o


composto de Hudson.

— Porque eles vivem nestes compostos da porra. Quando terminar


aqui, vou comprar minha própria ilha. Você, minha irmã e eu viveremos
lá, tomaremos bebidas de frutas com pequenos guarda-chuvas. Vou
grelhar alguns bifes e depois que nós comermos, você e eu vamos entrar
e fazer amor, enquanto Marvin Gaye nos faz serenatas.

— Gosto quando você pensa nestas coisas.

Antes que eu decida pegar minha arma e começar a fazer buracos


nas paredes na minha frente, o guarda sai e nos faz gestos para entrar. A
porta se abre para uma pequena sala com uma mesa. Não há janelas
aqui e o espaço é escuro e fresco, iluminado apenas por
algumas lâmpadas. Há outros dois guardas de pé, na frente
da única saída. Agradável. Minha arma provoca contrações
musculares em minha mão. O primeiro guarda entrega o bolo de
dinheiro de volta para Petrovich.

— Dispa-se. — Levanto uma sobrancelha para Regan, que me dá


um sorriso amarelo em resposta.

Quando as mãos vão para a sua blusa, o guarda grita.

— Pare. — Congelamos.

— Não você. — Ele acena a mão para Regan. — Fique lá. — Ele
ordena, mas Regan não se move. Seus dedos vão para o cós da minha
calça.

— Não deixarei Daniel. — Diz ela.

— Sinto muito. — Encolho os ombros. — Nós somos como um


pacote.

Ele estala os dedos e um dos homens que estava de guarda na porta


se vai. Poucos minutos depois, ele retorna com uma mulher que aparece
com um pano dobrado em suas mãos. Ela se aproxima de Regan e diz. —
Você vem comigo, pode vestir isso. Comprometo-me a devolver sua roupa
depois.

Regan parece relutante, mas tirar a roupa na frente destes três


homens seria mais traumático do que sermos separados.

— Não sairei sem você. Prometo. — Digo a ela que


então me solta, mas com grande relutância.
Quando Regan sai da sala, Petrovich e eu nos despimos
rapidamente. O guarda que trouxe a mulher nos revista. Não tenho
certeza se alguma pessoa consegue esconder uma arma em seu pau ou
na bunda, e acho que também não quero saber, mas os guardas aqui são
mais invasivos do que um agente penitenciário. Espero que Regan não
esteja sofrendo o mesmo tipo de inspeção.

— Exagerado, não acha? — Petrovich afirma e há uma grande


quantidade de armas no lugar, mesmo connosco nu. O homem de
joelhos na minha frente poderia ter sua traqueia esmagada pela minha
perna. Mesmo ainda estando nus.

Espero que não chegue a isso, no entanto. Entregam-nos um pano


grosso solto. Sabe quando dizem para vestir um saco de farinha, bem em
nosso caso não é metáfora. As nossas mãos estão presas atrás das
costas com algemas de plástico modernas, suspeitamente parecidas com
as que usamos no exército. Somos escoltados para fora da pequena sala
e para a rua. Posso ver que a estrada principal para a favela foi
bloqueada com uma fileira de três casas. Elas servem como portões de
segurança. Quem está no comando aqui é paranoíco o suficiente para
montar uma fortaleza, visando a merda de uma guerra épica. Regan está
esperando por nós, vestindo um saco que se estende para além dos
joelhos, ele é folgado e semelhante ao nosso. O comprimento do saco é
tão longo que não permite muito movimento. Você teria que levantar o
material para correr ou se livrar um pouco da restrição.

À medida que subimos a estrada íngreme e sinuosa,


as pessoas espreitam para fora das janelas e portas. Nós
somos uma pálida imitação do Carnaval. Não há carros
alegóricos, apenas estrangeiros quase nus sendo escoltados por guardas
armados. Contenho-me para não acenar aos moradores. No topo do
morro, as casas estão caindo aos pedaços e no chão há uma grande
extensão de cascalho cheio de marcas de queimaduras. Há também uma
enorme laje, algo parecido a um altar entre marcas de queimaduras. Um
altar de sacrifícios suponho. Existem pilhas de madeira colocadas
precisamente juntas, de diversos tamanhos. Havia rumores sobre esta
favela de queimarem seus inimigos como em uma fogueira. Neste
momento, apenas gostaria de chutar as bolas de Petrovich por nos trazer
até aqui e colocar Regan em perigo.

De repente um homem vestindo uma simples camisa de algodão


com botão se dirige até onde estamos, suas mangas enroladas para
mostrar tatuagens nos braços, ele usa também uma calça folgadas de
algodão e está abertamente desarmado. Não conseguimos identificar seu
rosto, já que os raios de sol bloqueiam nossa visão. Isso, somente até que
ele se aproxima.

— Jesus Cristo. Rafe Mendoza? Que porra é essa? — Estou


atordoado ao ver um dos membros da minha unidade da Delta Force na
minha frente. Aparentemente Mendoza está tão surpreso quanto eu,
porque ele não diz nada por um momento e em seguida, estende a mão
para me cumprimentar. Quando percebe que estou amarrado como um
peru no dia de Ação de Graças, ele sem jeito me bate nas costas.

— Hays, que porra está fazendo no meu pequeno


feudo?
Empurro um ombro em direção a Petrovich, que está em silêncio,
observando toda a conversa.

— Estou envolvido em alguma merda grande. Ele diz que você lhe
deve um favor.

Mendoza observa o russo.

— Não o conheço.

— Não você, mas sim um de seus tenentes. Ajudei-o durante uma


briga corpo a corpo no Dubai há cerca de seis meses. — Explica
Petrovich.

Ele assente e em seguida, se volta para um garoto que baseado pelo


tamanho mal saiu da puberdade.

— Confirme com Fetler. — Pede ao garoto que corre, então Mendoza


vira-se para mim.

— E a garota? — Pergunta Mendoza.

— Ela está comigo. — Respondo.

— Adorável grupo você tem aí. — Ele brinca.

— Cada turma precisa, de pelo menos, um russo e uma bela gata.


— Estico-me para aliviar a tensão nas costas. Nós não morreremos hoje.
Não há necessidade de mais conversa fiada, porque o
garoto retorna e sussurra algo para Mendoza.
— Fetler confirma sua versão. — Diz ele a Petrovich. — Que fique
claro que castro quem prejudica aos que pertencem a mim.

Petrovich acena rigidamente. — Não acontecerá nada com vocês por


minhas mãos.

Seguimos Mendoza, passando pelas marcas de queimaduras, por


um campo aberto, até chegarmos ao último edifício do morro. De fora o
prédio parece menor, mas por dentro eu vejo que é puramente uma
ilusão. Há uma dúzia de pessoas aqui. Em uma sala, parece que eles
estão dobrando e enchendo envelopes. Em outro há um banco de
computadores. Mendoza leva-nos a um novo quarto que parece ser
algum tipo de escritório. Existem várias cadeiras de madeira ao redor de
uma mesa retangular e outra mesa bem no final da sala.

— Solte-os. — Ele ordena ao guarda que nos seguiu do portão da


frente até aqui. O plástico ao redor dos nossos pulsos são cortados e
Mendoza faz gestos para nós sentarmos.

— O que traz você para a nossa bela cidade? — Ele pergunta. Conto
toda a história. Quando chego à parte onde Regan estava no bordel de
Gomes, Mendoza me para.

— Silva, traga Gomes aqui.

Ele acena para eu continuar.

— Não há muito mais. Gomes trabalha para Hudson,


que deve ter sessenta homens guardando-o em todos os
momentos. O hacker de Petrovich está lá dentro. — Não
digo o que realmente sei. Ou melhor, não estou disposto a
reconhecer que Naomi deve ser o Imperador, hacker que Petrovich está
desesperado para colocar as mãos e ela provavelmente deve estar sendo
controlada por Hudson. Não quero que Petrovich saiba que o seu hacker
é uma mulher e minha irmã. Essa luta será para mais tarde. Neste
momento apenas preciso tirá-la de lá.

— Não temos a mão-de-obra para atirar contra um contratado do


governo dos Estados Unidos que fornece serviços de segurança para a
Embaixada. — Mendoza admite severamente. — Perdi um dos meus
próprios para ele. Enviamos homens para encontrar o nosso informante,
mas eles voltam sem nada. Sei pouco sobre ele, nem mesmo onde as
garotas são mantidas. Não agi sobre esse merda por causa dos seus
laços militares, mas...

— É hora de derrubá-lo. — Declaro e Mendoza dá-me um aceno


curto. O poder de Mendoza está em cheque. Então, Hudson deve cair.

— Talvez não precisemos de mão-de-obra. — Petrovich sugere. —


Apenas precisamos entrar. Somente Daniel e eu. A partir daí, podemos
libertar uma mulher e um homem.

— Vasily está certo. Encontrar Naomi é o nosso maior desafio. Nós


podemos lutar para sair.

— O que você sabe de Hudson, então? — Pergunta Mendoza.

— Ele é um empreiteiro militar dos Estados Unidos, rico e com uma


coisa por loiras norte-americanas. Provavelmente tem
controle sobre o Imperador.
Neste Mendoza questiona.

— O Imperador? Do palácio do imperador?

Petrovich acena com a cabeça rigidamente. — Ele é meu.

Contenho-me para não bater nele. Naomi pertence a si mesma.


Pertence à família Hays. Não a um louco russo.

Mendoza assobia. — Ele deve estar fazendo uma fortuna com todo
o dinheiro ilegal que está movendo através dessa rede.

— Não estou interessado no dinheiro. — Diz Petrovich. — Preciso do


conhecimento.

— Precisamos de mais informações. — Digo. Não gosto de ouvir


Naomi ser referida como um homem, especialmente um que Petrovich
quer. — Nós não temos tempo.

Mendoza balança a cabeça e em seguida, pega um telefone em sua


mesa. Ele está muito longe para nós ouvirmos, mesmo que eu tente.
Todos nós estamos tentando ouvi-lo.

— O que ele está dizendo? — Pergunta Regan. Mas meu português é


muito fraco e é rápido para que possa entender.

— Não tenho certeza, mas ele mencionou algo sobre a Embaixada.

Quando Mendoza retorna até onde estamos, diz.

— Alguém virá aqui e será capaz de fornecer alguma


luz para nós. Até então, vamos comer.
Uma variedade de frutas frescas, carnes e queijos são colocadas em
estilo buffet em outra sala, logo após a área de cascalho e as marcas de
queimadura.

— O que você tem feito aqui? — Pergunto a Mendoza enquanto


estamos na frente das grandes janelas.

— Segurança.

— Ouvi dizer que você estava fazendo o trabalho freelance depois


que saiu do exército.

— Ouvi o mesmo de você. — Ele responde.

— Minha irmã foi sequestrada. Precisava encontrá-la. Ganhar


dinheiro matando bandidos durante a tentativa de reunir informações
parecia ser um bônus. — Respondo.

— Para mim foi sobre dinheiro. Preciso dele para construir meu
exército aqui. — Ele aponta para a janela. Uma multidão de crianças e
jovens se movem para baixo em direção a um campo com gramado que
não tinha visto inicialmente. — Essas pessoas são a minha família. Você
sabia que no Império Romano os cidadãos podiam andar por toda a terra
sem sofrer nenhum dano? Mesmo no poderoso império, sabe-se que o
menor dos cidadãos era tão importante para o império que se um fosse
mutilado, o terror iria cair sobre a cabeça do infrator e de sua família.
Quero isso para meu povo. Quero que eles possam caminhar por
qualquer rua no Brasil, na África ou os Estados Unidos.
Quero que todos saibam que se um dos meus for ferido,
toda a mão de Deus vai chover como vingança sobre eles e
suas famílias. Hudson é uma mancha em nosso registro e esta é a
oportunidade perfeita para fazer uma demonstração de poder. Então, vou
ajudá-lo e em seguida, um dia você poderá devolver o favor.

— Sem problema.

Uma movimentação lá fora chama a minha atenção para as portas


da frente. O jogo de futebol parou e as crianças estão em uma linha solta
quando um homem é trazido ao campo. Ele está amarrado na laje de
granito. Muitas das crianças dispersam, mas algumas mais velhas
permanecem.

— Regan nós precisamos de uma identificação. — Mendoza pede.

Nós saímos para o sol em direção a laje. Ao chegarmos, notamos o


homem firmemente amarrado, completamente nu e com uma coleira ao
redor do seu pau, puxando-o para baixo entre as suas pernas.

— É Gomes. — Regan diz sem fôlego.

Mendoza acena para um de seus soldados que mantém um objeto


em forma de chicote na mão.

— Identidade confirmada. — Diz aos garotos.

Ao aceno de cabeça, o chicote sobe e estala entre as pernas de


Gomes. Petrovich e eu não somos imunes à cena e fazemos uma careta.
Enquanto isso, todos ficam lá, simplesmente olhando como
se fosse uma ocorrência normal, como qualquer outro
sábado. Os gritos de Gomes ecoam pelo pátio, assustando
pássaros e outros pequenos animais na folhagem. Com um
olhar para trás, constato que cinco ou mais garotos deixados no campo
de futebol ainda estão imóveis, como se estivessem em uma aula. O
nome da matéria poderia ser: Como dominar um império mercenário. Lição
1: Tortura.

— Faça suas perguntas. — Ordena Mendoza. Regan e Petrovich


olham para mim. Coço a cabeça, me inclino, mas não muito perto,
porque não quero que o chicote me acerte acidentalmente nas bolas.

— Gomes, amigo, você parece muito desconfortável.

Ele está chorando; lágrimas e catarro estão escorrendo por todo seu
rosto. É feio olhar para ele. — Deixe-me ir, ele implora. — Eu não sei de
nada.

— A verdade amigo, isso é uma mentira.

Eu dou um aceno para Mendoza, que retransmite a ordem


silenciosa para seu homem do chicote. O couro passa através do ar e
agora que estou mais perto vejo que há uma bola de granito no final. Faz
outro baque quando o acerta na pequena coluna de carne fazendo pouco
para amortecer o impacto. Mesmo que esteja esperando o golpe, ainda
estremeço, mas talvez seja pelo grito estridente que sai da boca Gomes.

Porém, é a punição certa se você acredita no conceito olho por olho.


Gomes é um sádico e Mendoza o faz pagar como um. Gomes está
mansinho agora.

— Porquê Regan? — Pergunto.


Ele se vira um pouco, seus olhos desfocados pela dor. — Hudson
gosta de loiras. Elas o fazem lembrar-se de sua esposa. Mas, esta de
boca grande... Hudson enviou-a para treiná-la.

— Então?

Ele abre a boca e depois fecha.

— Má escolha. — Pontuo e olho para Mendoza. A bola cai


novamente e desta vez estou preparado. Não acho que Gomes esteja.
Esperamos até que a dor e gritos diminuam e pergunto-lhe novamente.
— O que acontece quando as meninas são treinadas?

— Elas voltam para seu composto. Elas servem como suas


companheiras até... — Gomes para, mas todos nós podemos terminar a
frase para ele.

Mendoza acena a mão, os homens desaparecem e as crianças


voltam a chutar sua bola de futebol.

— Aí está seu caminho. — Diz com um olhar significativo em


direção a Regan.

— Não. — Eu balanço minha cabeça. — Não vai acontecer. Vamos


pensar em outra coisa.

— Não há nenhuma outra maneira. — Argumenta Petrovich.

Olho para Regan, porque agora ela é a única coisa que


importa. Não quero deixar a minha irmã nas mãos de
Hudson, mas não posso enviar Regan de volta para ser
estuprada novamente. Não vou. De jeito nenhum. Tenho que descobrir o
que fazer.
Capítulo 22
REGAN

Daniel está com uma expressão horrível no rosto. Seu olhar de puro
desespero mostra um homem que está encurralado e não tem mais
nenhuma saída.

Ele pode enviar-me para o inferno, de volta a Hudson na esperança


de resgatar sua irmã ou ele pode esquecê-la. De qualquer maneira, ele
está arrasado. Ele balança a cabeça novamente para Mendoza.

— Foda-se! Esqueça homem. Consegui tirar Regan de lá, de jeito


nenhum vou enviá-la de volta para aquele sádico.

O grande russo Vasily, apenas olha para mim, como se esperasse


que interferisse. Para ele, sou apenas outra peça do jogo, que obviamente
é útil apenas de costas na cama. Ele não está errado, porém. Sou a
única atrapalhando tudo ali. Sou a única a atrasar Daniel.
Se não fosse por mim, ele já teria recuperado sua irmã?

— Quanto tempo? — Pergunto.


— Regan, não. — A voz de Daniel fica furiosa. — Não a mandarei de
volta para ser estuprada...

Vou até seu lado e seguro seu braço, tentando acalmá-lo. Ele está
totalmente perturbado pela minha sugestão e sei que ele a odeia.

— Nós não viemos até aqui para desistir, Daniel. Posso fazer isso.

Afinal, o que é mais um estupro na minha rotina diária? Não digo


isso em voz alta, porque sei que se o fizer, Daniel vai desligar
completamente. Quero fazer isso por ele. Para ele e por sua irmã sem
rosto que está presa no mesmo inferno que eu estava há um tempo. Não
posso deixá-la ficar ali, como não posso deixar Daniel desistir.

— Lutadora, não. — Daniel diz-me com uma voz suave. Ele toca a
minha bochecha, ignorando a careta que Vasily está fazendo. — Você
não tem que...

— Eu sei. — Digo suavemente e mordo a ponta do polegar que


acaricia meu lábio. — Mas você irá me buscar, não é?

— Morreria antes de sair de lá sem você. — Daniel diz e a


intensidade em seus olhos me diz que é verdade.

— Então vamos logo com isso. — Digo. Volto para Mendoza. Ainda
estou surpresa ao ver que o homem que controla este composto
estranho, cheio de famílias e crianças, é jovem e bonito, ele mais do que
qualquer um poderia estar na capa de uma revista GQ.
Bem, talvez mais como Armas e Munições, mas ele ainda é
bonito. É grande, com músculos e profundamente
bronzeado, cabelo escuro. Seus olhos são esse tom fascinante de âmbar
que vi apenas em modelos.

Minha amiga Becca iria comê-lo.

Oh! Foda-se Becca.

Mendoza olha-me por um longo momento, esperando para ver se


vou desmoronar. Quando mostro em meu olhar, calma e certeza, ele
responde. — Um dia, no máximo.

— Um dia? — Daniel explode. — Um dia inteiro? Não.


Absolutamente não...

— Qual é o plano? — Petrovich interrompe, evidenciando seu forte


sotaque e sua completa calma. — Enviá-la com veneno?

Engulo em seco. Devo matar alguém? — Não sabia que poderia


fazer isso.

Mendoza nega com um simples acenar de sua mão. — Podemos


colocar um GPS nela e enviá-la. Mesmo imobilizada, ela será colocada
em um local que não foi descoberto através das minhas varreduras.
Mandei fornecedores, técnicos, pessoas que limpam piscina, mas não
pude localizar os quartos seguros. Suponho que estejam lá em baixo,
mas não fomos capazes de chegar até eles. Temos a tecnologia para fazer
um mapa baseado nos movimentos de Regan. — Mendoza sorri para
mim e eu devolvo um sorriso fraco. — Queria usá-lo já faz
algum tempo, mas estava esperando o momento certo.
Vamos entrar, buscar as mulheres e o homem que você deseja recuperar,
sair e destruir todo o nosso rastro.

Eu concordo com o plano.

— Então entro e tento chegar ao máximo de lugares aos quais


estiver autorizada. Procuro uma loira americana chamada Naomi, depois
procuro por um hacker e me sento linda e formosa esperando por
resgate. Posso fazer isso.

Olho para Daniel, mas seu rosto é como gelo. Ele não está feliz, mas
sabe que não tem opção.

— Mas se você me enviar com Gomes, como sabemos que ele não
avisará aos outros que é uma armadilha?

— Ele tem um carro, não é? — Diz Mendoza. — Nós enviamos você


em seu carro com uma nota. Gomes disse que amanhã é o aniversário de
Hudson. Nós enviaremos você como um presente.

Estremeço ao pensar.

— Tudo bem. — Respondo.

— Quando faremos isso? — Pergunta Vasily. — Cada hora que


perdermos é outra hora, ele pode descobrir o que estamos fazendo e
escapar.

— Começamos pela manhã. — Diz Daniel. — Quanto


mais cedo conseguirmos, mais cedo tiro Regan de lá.
Concordo com o plano, mas escondo o tremor em minhas mãos.
Estou apavorada, mas é um risco que temos que correr. — Faremos isso.

DANIEL

O plano é simples, mas perfeito. Há tantas coisas que pode dar


errado, mas se não a deixarmos ir... Deveria ter outra maneira, mas os
homens de Mendoza tentaram mais do que uma vez e não puderam
encontrar o quarto secreto, enviar Regan com um rastreador GPS pode
ser a nossa única chance.

Tento não fazer amor com ela nessa noite como se fosse a nossa
última vez juntos. Então, movo a minha mão sobre a curva da sua
cintura, para baixo sobre seu traseiro e no vinco escondido entre as suas
pernas. Memorizo o caminho apenas porque é bonito e erótico, cada
homem deveria ter uma lembrança física como essa.

Mergulho a cabeça em seu seio e chupo, mordendo a carne macia


enquanto ela agarra meu cabelo e chama meu nome como uma bênção.
Fecho meus olhos e tento gravar este momento em minha mente. Porque
a trilha sonora da minha vida deve ser apenas os gritos de Regan.
Suaves de excitação primeiro, seguido por gritos de
conclusão.
— Daniel. Daniel. Daniel. — Ela geme enquanto me movimento
entre as suas pernas. Levo o meu tempo, lambendo-a em movimentos
lentos longos. Seu sabor é tão bom. Seu gosto em minha língua é um
afrodisíaco. Meu pau fica mais duro, incha mais quando cada gota de
seu prazer bate em minha boca.

Enterro meu nariz em sua deliciosa boceta e respiro fundo. Este é o


único cheiro que quero na minha cabeça. Dentro do seu canal há mais
de sua essência e eu lanço a minha língua para dentro, tentando devorá-
la. Meus dedos esticam sua abertura para que cada centímetro da carne
delicada seja exposta ao meu apetite voraz. Minha língua, lábios e dentes
trabalham em sua boceta e clitóris até que ela os molha com sua
excitação.

— Goze na minha língua. — Eu falo. Suas coxas tremem com a


força de seu orgasmo quando ela obedece. Avidamente recolho cada gota
do seu gozo. Meu pau está molhado porque quase gozei. Passo o pré-
sêmen para baixo e em seguida levo a mão perto do seu rosto. — Lambe.

Ela faz mais do que lambê-lo. Ela chupa cada dedo e passa a língua
na palma da minha mão. Estou gemendo e ofegando, com a forma como
ela passa a porra da língua na palma da minha mão me fazendo querer
subir nela. Com enorme esforço, me afasto para que possa deslizar dois
dedos dentro dela, retiro sua umidade e passo em meu pau.

— Eu quero você toda em mim. — Sussurro. Esfrego a ponta do


meu pau contra sua abertura, tocando seu pequeno clitóris
até que seu corpo quente está tremendo de desejo. Deslizo
lentamente para dentro dela, meus dentes apertados,
apreciando cada aperto de sua boceta contra meu pau. Os
tendões de seu pescoço se destacam, acentuados quando ela inclina a
cabeça para trás, em resposta ao meu primeiro impulso dentro dela. Saio
quase totalmente, em seguida, superficialmente bombeio para que ela
tome apenas a ponta. É uma provocação para nós dois, mas quero que
esta noite dure para sempre.

— Deus, Daniel. — Ela quase soluça e quase começo a rir, em


seguida, levanta-se em seus cotovelos para me prender com um olhar. —
Pare de me torturar, porra.

Coloco a mão em sua pélvis e entro nela com um movimento rápido


até que eu estou totalmente encaixado. Ela se inclina para trás com um
grito.

— É assim que você quer? — Minha voz é tão dura e áspera que mal
me reconheço.

— Sim. — Ela geme. — Quero que seja mais forte, mais rápido.
Quero mais.

Meus quadris se movem com tanta força que ela está deslizando
sobre o colchão. Suas mãos e pés estão lutando para se segurar,
procurando alguma forma de empurrar para trás. Agarro-a pelos quadris
e a puxo para mim. Pode ter começado com doçura, mas o meu
autocontrole deixou-me, e há apenas uma maneira de sair deste
redemoinho. Suas mãos agarram-se a meus pulsos. Como se houvesse
uma britadeira através da minha espinha, empurro para
dentro dela implacavelmente. Meus dedos estão deixando
hematomas em sua pele, mas a maneira como ela está
arranhando meus braços diz que ela está comigo em todo o caminho.

— Estou perto. Muito perto. — Diz gemendo. Mantenho meu ritmo,


forte, rápido e constante até que ela explode. Então aumento o ritmo, a
mão apoiada em sua cabeça, as duas pernas sobre meus ombros,
martelo furiosamente em sua boceta apertada, cada vez mais molhada
até que meu orgasmo vem.

— Tenho você. — Eu grito. — Deixe ir.

Quando acabo, desmorono ao seu lado, puxando-a em meus


braços. Nós acariciamos nossas costas, braços e todos os membros um
do outro. Ainda sob a névoa do orgasmo, deixamos beijos suaves sobre a
pele disponível para nós.

— Eu te amo. — Ela sussurra entre carícias. — Não importa o que


acontecerá amanhã, teremos isso. Aperto seu corpo mais perto para que
possa sentir seu coração contra o meu.
REGAN

Aparentemente sou muito boa em mentir para mim mesma. Disse


que depois que saísse do bordel, nunca outro homem me tocaria.
Mentira.

Disse a mim mesma que nunca ficaria vulnerável novamente.


Mentira. Estou vulnerável cada vez que Daniel olha para mim com
aquele sorriso malicioso no rosto e meu coração pula em resposta.

Disse a mim mesma que nunca voltaria para o bordel. Mas aqui
estou eu, oferecendo-me para ir à casa do Sr. Gelo, porque é onde Naomi
está e tenho que tirá-la de lá. Sei que Daniel não me julgaria se me
acovardasse. Ele não quer que eu vá. Mas preciso ir. Se não por Naomi,
por todas as outras garotas que foram sequestradas e desapareceram
atrás daquelas paredes. Não é apenas por Daniel.

Mas... Não vou mentir para mim mesma outra vez.

Passo as minhas mãos por toda sua coluna, apreciando a sensação


da pele suada contra a minha própria. Nos braços de Daniel, estou
segura. Nos braços de Daniel, o mundo está a salvo.

E estou deixando os seus braços para cair nas mãos do inimigo


amanhã. Estremeço e enterro meu rosto em seu pescoço, respirando seu
suor.
— Você está bem? — Daniel pergunta, passando a mão pelo meu
braço.

— Se as coisas forem mal amanhã. — Pergunto em voz baixa. —


Você irá me encontrar, certo? Custe o que custar?

Ele separa nossos corpos, se apoia nos cotovelos olhando para mim,
todo o relaxamento se foi de seu corpo. Ele está praticamente vibrando
tensão agora. — Nada dará errado, Regan.

— Apenas... — Engulo em seco. — Hudson não está bem da cabeça.


Não acho que poderia ficar dois meses com ele. Vivi por dois meses no
bordel, mas não acho que poderia fazê-lo com ele. Se você não puder me
resgatar, vou descobrir uma maneira...

— Uma maneira de quê? — A voz de Daniel é dura.

— Para fazê-los atirar em mim. — Digo. Mas minha voz é baixa, em


face da sua ira.

— Não. — Ele rosna, agarra meu queixo em sua mão e me obriga a


olhar para ele quando eu desvio os olhos. — Acha que eu não irei atrás
de você? Acha que deixaria aquele filho da puta tocar em um fio de
cabelo de sua cabeça enquanto ainda respirar? Você não fará nada, além
do que nós planejamos Regan, porque juro que irei salvá-la como a porra
de um cavaleiro de armadura brilhante. E não acredite em outra coisa
até que coloquem meu cadáver aos seus pés, tudo bem? O pensamento
de você se matar porque não tem qualquer esperança me
deixa muito irado e não serei capaz de deixá-la ir lá se isso
estiver em jogo.
— Tudo bem. — Digo suavemente. — Tudo bem.

— Não. Nada está bem. — Há uma possessividade feroz em seus


olhos quando ele me puxa para perto e começa a pressionar beijos febris
a minha pele. — Você é minha, Regan Porter. Não decide se morre ou
não. Porque se fizer isso, me irá destruir, também.

— Foi apenas uma sugestão. — Digo e arrasto os dedos pelo seu


cabelo bagunçado. — Eu não quero fazer isso.

Bem, aí vou eu mentindo para mim mesma novamente.


Capítulo 23
REGAN

Pela manhã, fui amarrada como o presente que deveria ser. Uma
das mulheres da favela me chamou e me deu uma troca de roupa branca
desgastada, praticamente transparente. Por baixo, estou usando uma
calcinha rendada e sutiã branco. Não sei como eles conseguiram essas
coisas em um curto período de tempo, mas o povo de Mendoza é
incrivelmente eficiente. Uma vez que estou vestida, a mulher prende meu
cabelo, corrige a minha maquiagem e em seguida, coloca um rastreador
GPS do tamanho de uma pérola na costura do meu sutiã. É totalmente
invisível, mas posso senti-lo e isso me deixa ansiosa. Gostaria de ter
minha arma, mas claro, não estou autorizada a isso. Nem mesmo uso
sapatos.

Quando coloco a cabeça para fora do carro, Mendoza, vários de seus


homens e Vasily Petrovich estão esperando. Eles estão
todos armados até os dentes. Daniel está agachado no
chão, passando a mão pelo cabelo uma e outra vez e ele fica
de pé quando me vê. Ele se aproxima com sua expressão sombria no
rosto.

— Como estou? — Mantenho a minha voz leve para que ele não
saiba que estou assustada.

— Como uma lutadora. — Daniel diz-me sério. Sua mão passa pelo
meu braço e ele fica me olhando, se certificando de que ainda estou bem.

Forço um sorriso em meu rosto. — Esse não é o objetivo aqui,


Daniel. Eu deveria estar sexy.

— Regan. — Ele diz e segura a minha nuca, arrastando-me contra


ele. Meus seios esmagam o colete que está cheio de armas. Enquanto me
arrumava, ele também o fazia. — Olha, apenas porque a estamos
enviando lá dentro não significa que precisa fazer o que aquele bastardo
sádico quiser, de acordo? Você luta com ele se a tocar.

— Daniel, você sabe que eu não posso. Fui enviada para Gomes
porque me queria obediente. Se não for obediente, ele não vai me
manterá perto.

— Eu não me importo. — Daniel diz, sua voz rouca de raiva mal


contida. Ele pressiona a testa na minha. — Não estou te mandando lá
para que se machuque. Não posso...

Silencio-o com um beijo que vai arruinar meu gloss. É rápido, mas
adoro a sensação da boca de Daniel nos meus lábios.
— Eu sei. — Respiro contra sua boca quando me afasto. — Daniel,
eu te amo. Confio em você. Sei que irá me buscar. Sei que sim.

Seu olhar está completamente atormentado.

— Regan...

— E quando o fizer. — Murmuro contra sua boca, desejando que


tivesse tempo para beijá-lo corretamente. — Vamos encontrar aquela ilha
privada e você poderá passar todo o tempo que quiser me excitando.
Prometo.

— Porra, lutadora. Não me deixe com tesão agora.

Começo a rir.

— Hora de ir. — Vasily diz em sua voz sem emoções atrás de nós.
Por um momento, o arrogante Daniel parece um assassino. Mas solta-me
com outro beijo rápido em minha testa.

O carro de Gomes está na frente do complexo e é um carro esporte


altivo, com uma pintura vermelho cereja. Sim, seremos notados. Gomes
está sentado atrás do volante e está suando aterrorizado.

— Podemos confiar nele?

Mendoza abre a mão, revelando um pequeno frasco. — Ele foi


envenenado e sou o único com o antídoto. Mas será vigiado. Qualquer
sinal de traição e isso irá pelo ralo.

— Criativo. — Murmuro. Outra gota de suor desce do


nariz de Gomes, enquanto observo.
Vasily me dá algo. É uma nota. Um cartão de aniversário. Bufo e
dobro o envelope contra mim.

— Devo... sabe... Fazer algo, se tudo der errado? Preciso de um


plano de back-up?

— Não. — Daniel diz categoricamente. — Isso não importa, porque


vou atrás de você de qualquer maneira.

Sorrio para isso.

— Combinado.

Testamos o rastreador para nos certificar de que está funcionando e


então não há mais tempo a perder. Respiro fundo, entro na parte de trás
do carro e Gomes sai do complexo.

Aperto o envelope, meus dedos trêmulos, alternadamente observo


as ruas e Gomes durante nosso caminho através da favela. Ele está
suando como louco e estou preocupada que dê algo errado. Isso tem que
funcionar, apesar de tudo. Precisa dar certo.

Mais breve do que gostaria, vejo um composto familiar à distância.


O pânico aumenta dentro de mim. Borbulha em minhas veias. Posso
fazer isso. Posso fazer isso. Naomi, eu acho. Naomi e um hacker. Preciso
localizar ambos. Na verdade, tudo que importa é Naomi, mas se Hudson
estiver prendendo o hacker contra a sua vontade, quero salvar o homem
também.
Gomes vai para um portão lateral próximo a uma porta maciça à
frente, mas os portões ainda não se abrem. Dois soldados se aproximam
com suas armas em punho.

— Precisa sair. — Gomes diz-me com a voz trêmula.

— Sim. — Digo calmamente e abro a porta.

Um homem aponta sua arma para mim enquanto outro se


aproxima. Meu coração para. Minha mão treme enquanto seguro o
cartão de aniversário. Mas não digo uma palavra. O homem segura o
cartão de aniversário e olha para Gomes. Em seguida, ele balança a
cabeça e me olha. Ele diz algo para mim em português, faz-me uma
pergunta, eu acho.

Entro em pânico.

— Eu... Não sei. — Digo, minha voz fina e estremeço quando ele
repete novamente. Não é difícil agir com medo na frente desses homens.
Estou aterrorizada.

Ele diz algo novamente e em seguida, começa a me revistar,


tomando seu tempo apertando a minha bunda e seios. Estremeço e
suporto seu toque, mantenho os olhos fechados, mas as lembranças
horríveis piscam em minha mente. Eu posso fazer isso. Eu posso fazer
isso.

Naomi. Repito, em minha mente. Devo salvar Naomi.

O homem aperta minha bunda e ri quando salto, em


seguida, me entrega o cartão de volta. Ele aponta para
frente e o portão se abre. Apenas então percebo a música de festa.

Claro. É sua festa de aniversário.

O guarda me leva e olho com espanto as pessoas ao redor de nós.


Há balões, homens em ternos e garotas em biquínis em todos os lugares.
E armas. Em todos os lugares, existem armas e homens armados. É
realmente estranho ver alguém segurando um rifle ao lado do ponche,
mas dado o aniversariante, isso não me surpreende.

Em uma mesa sob um guarda-chuva perto da piscina, está o Sr.


Gelo. Ele é um pedaço de gelo entre o mar de cor, sinto meu estômago
revirar ao vê-lo.

O guarda me leva diretamente a ele e todos os olhos se voltam em


nossa direção. Oh Deus me sinto tão completamente exposta. Será que
eles sabem que eu tenho o rastreador?

Oh Deus. Oh Deus. Hudson fica em pé, seu cabelo claro brilhando


ao sol da tarde. Veste um terno azul claro, tão claro que parece quase
branco, sua gravata é do mesmo tom. Seus óculos de sol são o único
toque de cor em qualquer lugar. Ele diz algo que não entendo ao seu
guarda e em seguida, olha para mim.

Com a mão trêmula, eu seguro o cartão de aniversário, minha


cabeça inclinada.

Hudson pega o cartão, abre e o lê, em seguida, joga-o


de lado. Ele dá um passo mais perto e sua mão roça minha
bochecha. Até seus dedos são frios. Faço um esforço
enorme para não me distanciar, mas mantenho o meu olhar abatido.

— Então, pequena mordedora. — Ele diz. — Você está finalmente


pronta para ser minha agora?

— Sim, senhor. — Respondo. Mas, odeio as palavras. Ele não é meu


mestre.

Ele coloca um dedo embaixo do meu queixo e inclina a cabeça para


trás, observando meu rosto. Meus cílios vibram, mas mantenho o olhar
para baixo e deixo um arrepio ou dois me percorrer para que ele saiba
que estou com medo. Depois de um momento, ele resmunga sua
aprovação. — E você aprendeu os jogos que gosto?

Jogos?

Pânico me percorre. Jogos? Quais jogos? Gomes me deveria ensinar


jogos? Que tipo de jogos doentes que esse homem gosta?

Minha expressão deve ficar clara em minha reação. Ele se vira e


volta para sua mesa, dizendo algo em uma voz agradável. Em seguida,
ele gesticula ao seu guarda.

— Leve-a para o meu quarto. Deixe-a pronta.

O guarda me agarra pelo braço e antes que possa perguntar que


porra isso quer dizer, sou arrastada para dentro da casa. Tenho um
vislumbre de uma mansão, ela é repleta de vasos com
plantas, pisos tão frios quanto o seu dono. Sou arrastada e
levada para um conjunto de escadas até um corredor.
Passando mais algumas portas, chego a um quarto. O
guarda vira à direita no quarto e vai para uma porta no fundo da sala.

— Para onde estamos indo? — Gaguejo. — Olá?

Claro, o guarda não responde. Em vez disso, ele abre a porta do


armário.

Exceto, que não é um armário. É a entrada para outro quarto. Um


guarda está guardando o local, fumando um cigarro e folheando uma
revista. Ele me vê e os dois guardas iniciam uma conversa. Novos olhares
com luxúria são direcionados a mim, então passamos por ele.

Depois de outra porta, há um corredor estreito e um conjunto de


escadas. A casa de Hudson é um labirinto, e é quase como se estivesse
sendo levada através de um túnel secreto ou algo assim. Espero que
Daniel saiba onde encontrar-me, porque estou mais assustada a cada
momento.

O novo guarda continua me guiando, em seguida, abre uma porta


delimitada como PRIVADO.

Esse cômodo... É uma sala de sexo. Na parte de trás da sala, há


uma cruz com algemas, um cavalo de madeira e todos os tipos de
apetrechos de sexo. É horrível. O meu suspiro de medo faz com que o
guarda ria, ele me empurra para dentro. — Tire a roupa.

— Eu... o quê? — Eu me agarro a roupa que estou usando.

— Você tira a roupa. — Ele repete, apontando a arma


em minha direção.
Oh Deus, o GPS. Daniel saberá onde estou? — Despir-me? —
Repito, tentando ganhar tempo.

— Você. Tira. A. Roupa.

Quando o homem vem em minha direção decido começar sozinha.


Aceno e passo a remover minhas roupas. Olho para o guarda, mas ele
não está prestando atenção em mim. Em vez disso, ele está indo para o
outro lado da sala enquanto fico nua.

Removo tudo e arrumo as roupas juntas. Mantenho a calcinha e o


sutiã com roupa para que ele não encontre o GPS. Olho para a porta.
Poderia ser capaz de escapar antes de ele atirar em mim? Mas e depois?
Então Naomi estará perdida. Prendo minha respiração e puxo a roupa
contra meu peito.

O guarda retorna um momento depois com algemas. Pega as


roupas das minhas mãos, aperta uma algema em volta do meu pulso e
me arrasta em direção a um poste de metal no centro da sala. Existem
alguns círculos de ferro no topo do poste ele aperta a outra extremidade
das algemas através dele, me prendendo lá.

— Fique. — Ele me diz. — Bom cachorro. — E ri na minha cara.

Ele ainda está rindo quanto me deixa neste quarto horrível. Estou
nua, algemada a uma barra e cercada por brinquedos sádicos que são
claramente voltados para o prazer de uma das partes que obviamente
não serei eu. Há ponteiras, chicotes e coisas que sequer sei
para que servem. Contudo, não parece bom.
Estou nua e presa, nem sequer tenho meu GPS mais. Não há
nenhum sinal de Naomi. Não há nenhum sinal de ninguém. Estou presa
nesta sala de tortura sozinha.

Minha coragem me abandona, e começo a soluçar.

O tempo passa e continuo gritando até ficar rouca, até que os


soluços queimam em meu peito. É feio e doloroso. Mas não consigo
parar. É como se toda a pressão construída durante as últimas semanas
explodisse aqui nesse lugar e trouxesse minhas lágrimas. Estraguei
tudo. Deveria estar encontrando a irmã de Daniel e o hacker, lidando
com as coisas. Em vez disso, estou nua e algemada no porão do sexo de
um sádico.

Então eu choro.

E choro.

Há uma batida na porta, o que me leva fora das minhas lágrimas e


me envia de volta para ao puro terror. Viro tanto quanto a barra deixa,
meu pulso agora cru bate contra a algema acima da minha
cabeça.

A porta se abre e um momento depois uma mulher


entra. Ela usa um boné de beisebol. Faz uma careta em
minha direção, fecha a porta e caminha em direção a mim. — Por favor,
faça silêncio. Estou trabalhando. Essas são as regras.

Pisco para tirar minhas lágrimas dos olhos, mas continuo


assustada.

— O... o quê?

— Silêncio. Disse a Hudson que, se ele quer que eu seja o


Imperador, tenho que ter silêncio. O silêncio faz com que os átomos
fiquem felizes. Se os átomos estão felizes, minhas funções cerebrais estão
em um padrão ainda mais alto. — Ela cruza os braços e olha para mim.
— Você está deixando meus átomos muito infelizes.

— Eu... Desculpe-me? — Torço meu corpo na algema. Essa garota é


estranha, mas ela também tem a minha idade e eu tenho um palpite. —
Você é... Você é Naomi?

— Eu disse a ele. — Diz ela enquanto passa suas mãos suaves ao


longo da aba do seu boné surrado, uma e outra vez. — Se ele quer que o
Imperador trabalhe, deve haver silêncio e todos os alimentos devem ser
marrons ou verdes, mas não os dois em conjunto. Essas são as regras e
ele disse que estava bem. E agora você está aqui, fazendo todo esse
ruído. — Seus dedos vibram na borda do boné, agitados. Ela não
encontra o meu olhar curioso. — E eu não posso pensar!

Fungo forte.

— Pararei de chorar, se você me deixar sair daqui.


— De verdade? — Seus olhos vão para o meu rosto e em seguida,
com a mesma rapidez olha para longe novamente.

— Sim, com certeza.

Ela considera a barra que estou algemada e seus dedos deslizam ao


longo da aba do boné uma e outra vez enquanto ela pensa. Em seguida,
ela diz. — Terei que prendê-la em outro lugar. Essas são as regras.

— Tudo bem. — Digo rapidamente. Qualquer coisa deve ser melhor


do que ficar algemada aqui. — Se me prender em outro lugar e me der
algo para vestir, prometo que vou parar de chorar.

— Bom. — Ela balança a cabeça e seus dedos passam na borda de


seu boné novamente. — Eu voltarei.

— Não, espere. — Eu digo, mas ela se foi tão rapidamente como


veio. Luto com o desejo de começar a gritar novamente, meu terror sobre
estar sozinha retorna como uma onda. Engasgo com soluços pelo que
parece uma eternidade.

Mas então ela retorna e tem uma camisola com ela.

— Aqui. — Diz e oferece a mim.

Balanço a algema sobre a minha cabeça.

— Podemos nos livrar disso antes?

— Sim, claro. — Ela me dá a camisola e vai para a


parede mais distante, arrancando uma chave de um
gancho com uma perícia que me faz pensar quantas outras
mulheres ela viu nesta sala. Ela volta, pega um dos bancos sexuais
estranhos, sobe e abre as algemas. — Agora ficará quieta para que eu
possa trabalhar?

Aperto meu pulso contra meu peito, uma vez que estou livre. Sinto
vontade de chorar novamente, mas não vai servir a qualquer propósito.
— Ficarei quieta. Você é Naomi?

Ela pisca para mim, desce do banco e depois encolhe os ombros.

— A maior parte do tempo. Às vezes eu sou o Imperador.

Puxo a camisola sobre a minha cabeça. É uma camisa do Mickey


Mouse e estou tentando não ficar admirada por haver algo tão limpo e
infantil neste lugar bizarro. É bom vestir alguma coisa. — O Imperador?
O outro hacker? Espere, você é um hacker?

— Eu sou o hacker. — Ela concorda e seus olhos desviam para a


porta novamente, como se ela não gostasse de olhar para mim. — Mas
não posso contar qualquer coisa, se não estiver tranquila.

— Desculpe. — Digo e torço minhas mãos. Sinto-me insegura e


frágil, mas animada tudo de uma vez. — Daniel me enviou — murmuro,
em voz baixa. — Ele virá aqui para buscá-la.

— Oh, não. — Diz ela. Ansiedade cintila em seu rosto. — Ah não.


Isso não é bom. Ele não pode vir aqui.

— Espera, por que não pode vir aqui? Você quer ficar?
— Estou chocada.
Naomi olha para mim, em seguida nega, o olhar desviando
novamente.

— Não seja ridícula. É claro que eu quero sair. Mas ele não pode vir
aqui. É perigoso.

Mordo meu lábio.

— Não tenho nenhuma maneira de dizer-lhe para não vir. Eu tinha


um GPS, mas foi-se com minhas roupas.

Ela assente com ar ausente e puxa minha manga.

— Logo nos ocorrerá algo. Venha comigo.


Capítulo 24
DANIEL

Deixar Regan voltar para Hudson foi a pior coisa que fiz. Petrovich e
Mendoza literalmente seguraram-me para garantir que não iria me
arrastar atrás de Gomes, para socá-lo até que seu rosto ficasse em carne
viva. Como o que estava dentro de sua calça agora.

— Está na hora. — Petrovich entrega-me uma calça preta, uma


camisa branca e um colete. Estes são os nossos uniformes. O GPS que
Regan tem vai nos alertar para a sua localização e espero que revele
também a localização da minha irmã. Petrovich ainda está à procura de
seu hacker. Ele acha que está no porão. Realmente não dou a mínima.

— Devo colocar minha arma no fundo da bandeja?

— Não há armas. — Mendoza me lembra.

Apenas os guardas cuidadosamente controlados e


selecionados por Hudson têm permissão para ter armas.
Mesmo aqueles que trabalham na cozinha são previamente
selecionados já que ficam próximos a facas e objetos pesados, mas acho
que a equipe reserva não é assim tão inteligente. Em algum ponto,
Petrovich e eu teremos que desarmar dois guardas, pegar suas armas e
encontrar Regan.

Entrar no composto de Hudson é ridiculamente fácil se você não


tem armas e se veste como funcionários. Mendoza fez isso antes, em um
momento em que ele não estava disposto a nivelar o lugar para encontrar
sua garota perdida. Mas com as informações que obteve e agora com as
lacunas preenchidas, tem como resolver essa merda. Nós somos os
únicos tomando todos os riscos.

— Você come está merda? — Petrovich pergunta, farejando os


quadrados de atum cru espetados em um palito.

— Nós não podemos viver apenas de sopa. — Brinco, pegando


minha própria bandeja. — Vamos circular, nos encontrar aqui e então
decidir nossos objetivos.

Ele balança a cabeça, cheira o atum e com uma cara de nojo sai
para o pátio.

Petrovich e eu nos disfarçando de garçons é totalmente tolo. Já


posso ver os homens de Hudson nos olhando com desconfiança. Se fosse
só eu, talvez não fosse um problema, mas Petrovich é como um urso em
forma de homem. Sua expressão séria, a cara de poucos amigos e a falta
de humor também não ajuda o disfarce.

Dentro, nos cantos da sala conto oito homens de


Hudson parados e mais dois em cada entrada. Suas armas
não são visíveis, mas os olhos atentos e cuidadosos denunciam que são
além de convidados. Os guardas ao fundo da sala são menos atentos, os
olhos vagando pelos corpos malvestidos das mulheres. A ideia da festa
para Hudson é uma proporção de um homem para cada duas
prostitutas. Meu palpite é que vários dos convidados são realmente
empresários, embora eu veja cortes de cabelo familiares a militares. O
dinheiro, bebidas e falta de controle sobre o pau são motivos de queda
para muitas carreiras.

— Os homens na parte de trás. — Sinalizo a Petrovich nossos alvos


mais fáceis quando nos encontramos na sala onde todas as bandejas de
comida são entregues aos garçons.

Ele assente e diz. — Há também quatro fora. Primeiro despache os


dois das portas. Eu providencio a distração para nossa próxima ação.

Pego minha bandeja e vou em direção ao fundo da sala principal da


festa. As portas francesas estão abertas e há um fluxo quase constante
de pessoas que se deslocam para a parte traseira, onde a piscina está. As
mulheres estão ficando nuas e conduzindo a multidão para fora. É
relativamente fácil chegar atrás do guarda na porta. Ainda mais fácil de
espetar em seu pescoço o garfo que peguei de uma mesa próxima. Ele cai
para trás, mas a sua queda passa despercebida quando a voz alta de
Petrovich grita.

— Bomba. Há uma bomba caseira.

Os convidados imediatamente começam a gritar e


correr em diferentes direções, afinal ninguém tem certeza
de onde a suposta bomba está localizada. Viro o pescoço do
guarda e o deixo caído no chão. Momentos depois, sua jaqueta está ao
redor dos meus ombros e o peso familiar de uma semiautomática está na
minha mão. Acerto outro guarda no canto com uma cotovelada no nariz.
Dois a menos, um milhão a mais para cair. Durante o tumulto, vejo
Petrovich lutar com um guarda do outro lado da sala. Eu tenho munição
e duas armas. É o bastante por agora. Com um empurrão da minha
cabeça, indico que estou indo para as salas privadas do composto
Hudson. Pego o telefone do bolso e sigo o rastreador GPS. O sinal indica
um metro e meio a frente, a mesma direção que Mendoza informou.

O sinal indica a noroeste de minha posição, mas quando olho para


o noroeste, vejo apenas um gramado bem cuidado. A casa não se estende
para o local indicado. Deve ser um porão então. Porra. Gostaria de ter
um mapa dessa porra de lugar. O rastreador não indica a profundidade,
apenas o local. Regan foi levada para o norte e em seguida, voltou, mas o
espaço privado da casa é muito fechado. Vou ter que encontrar outra
maneira de entrar. Na cozinha, eu encontro o caos. As pessoas estão
gritando e correndo em várias direções. Pego um garçom pelo colarinho
quando ele tenta passar por mim.

— Onde fica a adega?

Ele encolhe os ombros e se mexe como uma minhoca no anzol.


Inútil.

— Onde está a porra do porão? — Grito, mas ninguém responde ao


louco texano.

Metodicamente, começo a abrir as portas para


localizar uma entrada secreta. Quando chego à adega vejo
escadas que levam a outra sala. Bingo. Desço as escadas correndo,
passo por caixas de madeira e prateleiras com queijo e barris de vinho.
Tem cheiro fresco, como se houvesse circulação regular de ar aqui
embaixo. As grossas paredes de tijolo mascaram a desordem no andar de
cima e eu posso ouvir a água e o zumbido de eletricidade e não muito
mais.

Percorro a adega o mais silenciosamente possível, observando que


seu tamanho supera a casa que fica na parte superior. O quarto tem algo
próximo a trinta metros e não há nada além de pilhas de alimentos e
garrafas de vinho contra a parede.

Mas o frescor do ar aqui não se encaixa com a estrutura do quarto.


Acima de mim vejo que as condutas de ar e os cabos elétricos não
terminam na parede de tijolos, mas, na verdade, continuam além.
Começo a tocar para encontrar uma abertura. Entre dois barris de vinho
e caixas de alguma coisa, encontro uma rachadura vertical no tijolo.
Para a esquerda, no chão há uma depressão. Encaixo meu pé na
depressão e pressiono para baixo. Seguro minha respiração, me inclino
contra os tijolos e sou recompensado com um som de desbloqueio. Abro
com um leve empurrão a porta bem lubrificada e escondida. O zumbido
da eletricidade é mais alto agora e me pergunto se o covil do hacker está
posicionado aqui em baixo. Isso explicaria o condutor, o ar bem-
distribuído e o barulho.

Tenho uma arma em cada mão enquanto caminho


silenciosamente pelo corredor, meu ombro colado na
parede de tijolos à minha direita.
— Estou com fome. — Ouço uma voz feminina. A voz é abafada,
mas não soa como Regan.

— O que você quer?

— Cerveja sem álcool para mim. Para mim e minha nova amiga.
Acho que ela precisa de uma cerveja.

— Hudson não vai gostar de tê-la trazido aqui.

— O choro me estava incomodando. Não estava incomodando?


Como é que vou trabalhar quando ela está chorando?

Deus, aquela voz. Conheço essa voz.

— Você vai ser a única chorando se ele a colocar no armário. A


última vez que ele o fez você não parou de chorar por dias. — A voz
masculina diz.

— E ele perdeu várias centenas de milhões de dólares, então acho


que não voltarei para o armário em breve. Isso não faria sentido.

Oh Jesus. Deslizo meu corpo para baixo. É Naomi. O alívio que


sinto ao ouvir a voz dela está minando toda a minha energia. Quero me
deitar sobre o concreto e chorar como um bebé.

— Dizer que Hudson toma decisões racionais é o seu primeiro erro.


Que seja. É o seu problema. — Há uma pausa, seguido de uma ordem.
— O Imperador quer cerveja. Peça duas. — Outra pausa. —
Que merda está acontecendo ali em cima? — Rastejo mais
perto até que chego à porta. As vozes são cristalinas agora.
Coloco as armas de volta no bolso. Minha irmã está nesse
quarto, talvez até Regan. Não posso correr o risco de atirar em qualquer
uma delas. — Tudo bem. — Ele parece irritado. — Vou subir. — Há um
farfalhar. — Algo está acontecendo lá em cima. Fiquem aí.

— Aonde mais eu iria? — Não há nenhum sarcasmo na pergunta.


Não, Naomi realmente não sabe.

— Não fique vagando novamente, não importa quem esteja


chorando. — A voz e os passos estão chegando mais perto de mim. Não
sei quem mais está na sala, então fico agachado.

Quando a porta se abre pulo sobre o cara, acertando minha mão em


seu nariz. O som da cartilagem se quebrando em seu crânio é
extremamente gratificante. Ele tropeça para trás, ao mesmo tempo em
que o empurro para baixo. Fico em cima dele com uma mão em sua
traqueia, meu joelho esquerdo em suas bolas e retiro uma das armas
com a mão que resta. Quando olho no quarto vejo Regan em uma
cadeira, amordaçada, com os pés e pulsos amarrados, seus olhos estão
arregalados, com medo e um pouco irritada. Melhor, muito irritada.
Atrás de uma cadeira de computadores está minha irmã Naomi,
parecendo apenas levemente mais velha do que dezoito meses atrás,
pálida como se ela nunca visse a luz do dia.

Não há mais ninguém aqui.

— Olhem para o outro lado. — Digo as garotas, que obviamente não


me ouvem. — Porra. — Coloco meu cotovelo na traqueia do
homem, deixando-o sem oxigênio pela segunda vez fazendo-
o ficar desacordado. Não posso deixá-lo aqui no meio do
corredor. Arrasto-o para longe dos olhares curiosos de ambas e dou um
tiro na cabeça e outro no peito.

— Ele era de Massachusetts. — Minha irmã diz atrás de mim.

— Nem sei por que isso é importante. — Não espero por sua
resposta, finalmente arrasto-a em meus braços. — E eu não quero ouvir
como você não gosta de ser tocada. Isso não funcionará comigo hoje.

Ela está rígida em meus braços, mas não me importo. Alívio,


tristeza, alegria tudo me lava como em um chuveiro de emoções
desconfortáveis, mas suporto todas elas, porque sou extremamente grato
por vê-la viva. Aperto-a com força e depois sigo para Regan. Seus olhos
estão brilhando. Talvez se minha irmã não estivesse aqui e também não
houvesse um corpo morto a uns dez metros de distância, eu faria algo
mais do que enterrar minha cabeça na curva de seu pescoço. Finalmente
agradecendo a todos os deuses por mostrar-me alguma porra de
misericórdia.

— Será que isso ajuda? — Há um toque no meu ombro e eu viro


para ver Naomi segurando uma longa faca. Presumo que ela pegou o
objeto do homem morto. Com um aceno curto, começo a trabalhar nas
amarras de Regan. No minuto em que está livre, ela se joga em meus
braços, permitindo que as lágrimas caiam livres por seu lindo rosto.
Tenho certeza que algumas delas são minhas.
REGAN

Foi ideia de Naomi me amarrar e manter-me ao seu lado. Acho que


os guardas estavam acostumados aos seus comportamentos estranhos.
Foi bizarro. Nós simplesmente entramos em sua sala de trabalho, ela me
sentou e começou a me amarrar. Tudo feito em um complexo conjunto
de nós, verificados uma e outra vez, com suaves resmungos e queixas.
Contudo, as amarrações não eram firmes e os olhares que ela me
continuava enviando diziam que tudo isso era uma cena.

Mas, em seguida, a porta se abriu e Daniel estava lá. Mal notei que
sem esforço nenhum executou um homem em questão de segundos.
Tudo que me importava era que ele estava aqui e veio me buscar. Para
minha vergonha, eu caio no choro novamente. Disse que seria forte, que
poderia entrar aqui e resgatar Naomi e fazer tudo o que era preciso. Ser
finalmente a lutadora que Daniel acha que sou.

Mas eu simplesmente continuo chorando. Estava tão


completamente aterrorizada e vê-lo traz tudo à tona novamente.

Giro meus braços em minhas contenções. Esperando ansiosa


enquanto Daniel abraça sua irmã. Vejo o alívio e felicidade em seu rosto
quando ele a puxa para perto. Eu conheço esse olhar, ele
cumpriu seu objetivo. Ele encontrou sua irmã que estava
ausente por tanto tempo. Pode ir para casa agora.
Isso me assusta demais. Se Daniel acabou sua missão, o que isso
significa para mim? Será que ele vai me mandar para casa com um
tapinha nas costas e algumas boas lembranças?

Agora, no entanto, não é o momento de pensar sobre isso. Tão


rapidamente quanto ele pode, vem até mim e sua faca rasga em
segundos os cuidadosos nós feitos por Naomi. Então, ele me arrasta em
seus braços e enterra o rosto no meu pescoço. Sinto um tremor vindo do
seu corpo e percebo, com espanto, que ele estava tão assustado por mim
quanto estava por sua irmã.

E minhas lágrimas começam novamente.

— Sinto muito. — Digo, encolhendo-me contra Daniel. — Estava


tentando ser uma lutadora, mas eles levaram minha roupa e me
algemaram na sala, eu não pude... — Um soluço quebrado escapa da
minha garganta.

— Shhh. — Ele me acalma e acaricia meu cabelo. — Você é a garota


mais corajosa que eu conheço. Não há nada para se desculpar Regan.

Seguro-me nele, em seguida, começo a pressionar beijos frenéticos


em seu rosto, sua garganta, em qualquer lugar que possa encontrar pele.
Estou tão aliviada de vê-lo. Sabia que ele iria voltar por mim, mas saber
e sentir, são duas coisas completamente diferentes. Nos longos minutos
em que estava presa, nua, na masmorra do sexo de Hudson, temia que
minha sorte tivesse acabado. Que não haveria felizes para
sempre para mim.
Naomi faz um barulho descontente com a nossa demonstração de
afeto, o que faz com que de modo relutante Daniel se afaste. Mas mesmo
assim ele me arrasta e me deixa o mais próximo possível do seu corpo.
Suas mãos seguram a minha apertada. Então, ele me solta e oferece-me
uma arma, o que me deixa quase tão feliz como reencontrá-lo.

Daniel se volta para Naomi e olha um pouco mais para sua irmã.
Ela se encolhe, franzindo o nariz ao toque quando ele a abraça
novamente. À procura por contusões ele pergunta.

— Você está bem, Naomi? Está ferida?

Ela levanta um dedo.

— Eu tenho um corte de papel.

Ele ri e por um momento ele parece tão aliviado que quero rir
também.

— Não, quero dizer, esses imbecis te machucaram? Eles te


tocaram?

— Não sei por que você está desvalorizando o meu corte do papel. —
Naomi diz, desapontada. — É um corte profundo.

Daniel se inclina e dá-lhe um beijo áspero na bochecha.

— Eu te amo, sua doente. Você sabe disso, certo?

— Eu estou bem. — Ela diz com uma voz mais suave.


— Se é isso que você está perguntando. Ninguém me
machucou. — Responde ainda mais suavemente, enquanto
começa a arrumar a roupa de Daniel, ajusta o colarinho e alisa uma
ruga em sua manga.

— Graças a Deus. — Ele parece visivelmente se acalmar por um


momento e então olha para mim. — Vamos. — Diz ele. — Precisamos
sair daqui. Temos mais um homem para encontrar e então sairemos
desta fazenda de perus.

— Esta não é uma fazenda de perus. — Naomi diz, um sulco de


preocupação em sua testa. Seus dedos dançam ao longo da aba do seu
boné novamente, aparentemente uma reação nervosa. — Este é um
composto extremista. E se eles descobrirem que eu escapei, irão matar a
mamãe e o papai. Não posso sair.

— Eles não irão matar ninguém, Naomi. Eu juro. — As palavras de


Daniel são tão confiantes, que mesmo eu acredito nelas. — Agora,
vamos. Nós temos que sair daqui.

Naomi hesita. Ela se volta para sua mesa e começa a endireitar as


coisas, como se um quarto arrumado fosse acalmar a ansiedade que está
sentindo. — Não posso sair. Eu não posso. Todo mundo se machuca, se
eu sair.

Daniel lança a sua irmã um olhar exasperado quando ela se senta


novamente e em seguida, move-se para o meu lado. — Você está bem,
lutadora?

Concordo com a cabeça, incapaz de fazer muito mais


do que isso.
— Bom. Certo. Fique aqui e atire em qualquer um que passe por
aquela porta, a menos que seja eu ou Petrovich. Merda! Atire em
Petrovich se quiser. Eu não dou a mínima. Mantenha ambas em
segurança, não se preocupe com Petrovich. Tudo o que ele se preocupa é
em encontrar o hacker.

— Aqui. — Naomi responde de sua mesa. Ela levanta a mão, como


se estivéssemos em uma sala de aula.

Antes que Daniel possa dizer algo em resposta, uma forma maciça
cobre toda a porta. Nós reactivamente apontamos nossas armas. Depois
percebemos que é Petrovich e por um breve momento, meu dedo coça
para apertar o gatilho. O russo tem sangue por todo seu rosto e veste o
mesmo uniforme ridículo de garçom que Daniel.

Exceto que em seu corpo enorme, está apertado sobre os braços,


parece que ele foi espremido dentro dele. Esse não é um bom disfarce.
Ele tem uma arma na mão e há um olhar selvagem em seus olhos.

— Precisamos sair agora. — Diz ele, em uma voz sinistra, profunda.

— Bye Bye. — Naomi diz de sua estação de trabalho, mas sua voz é
triste.

— Você encontrou o hacker? — Pergunta Vasily.

— Aqui. — Naomi diz novamente e levanta a mão.

Ela não olha de um para o outro homem e volta a


digitar.
— Naomi é o Imperador. — Sussurro para Daniel, aproximando-me
dele quando Petrovich empurra o seu caminho para o quarto. — Ela é o
hacker. Eles são a mesma pessoa.

— Eu sei. — Ele suspira.

— Então ela é minha. — Vasily diz em uma voz satisfeita. Para


Naomi, ele diz. — Você vem comigo.

— Espere um maldito minuto. — Daniel começa.

Naomi se levanta, olha Petrovich naquele jeito estranho. Olhando-


mas-não-olhando, se estica, endireita sua gola e responde. — Não vou
com você.

DANIEL

— Caralho podemos falar sobre isso mais tarde? — De modo


nenhum, minha irmãzinha vai com esse fodido do Petrovich. O matarei
se eu tiver que fazê-lo, mas agora preciso de seus músculos
para sair.
— Há um caminhão de um fornecedor que foi abandonado durante
a confusão. Vamos agora. — Ordena Petrovich.

— Vamos. — Gesticulo em direção às mulheres, que depois de uma


pausa, se arrastam atrás de Petrovich. Nós corremos para o espaço da
adega abaixo da cozinha. Petrovich é o primeiro a subir a escada. Ele
dispara dois tiros e depois amaldiçoa. Quando ele se abaixa, percebo que
está sem balas.

— Dê-lhe sua arma. — Ordena a Regan.

— O quê? — Ela agarra a arma apertada entre as duas mãos. —


Não!

— Dê-me a porra da arma, mulher estúpida. — Petrovich agarra a


arma, mas Regan resiste.

— Não a chame estúpida, seu idiota. — Subo os últimos degraus


com Naomi, tiro Regan da frente. — Aqui, pegue a minha arma. Você é o
estúpido que ficou sem balas. Porra. — Regan franze seu nariz e
relutantemente me dá sua arma. — Obrigado, lutadora. — Dou-lhe um
rápido beijo nos lábios e empurro Petrovich para a frente, usando-o como
um escudo. Não me importa se seu corpo de urso fique cravado de balas.
Apenas quero colocar minhas garotas do lado de fora deste fodido lugar.

Dois dos homens de Hudson estão atrás da ilha de cozinha e


disparam uma série de rodadas quando a cabeça de Petrovich espreita
para fora.
— Ebanatyi pidaraz16. — Ele ruge e mergulha para sair do alvo,
disparando cinco tiros rapidamente. Ouço fogo de retorno e mantenho
Regan perto. Atrás de mim, ouço as respirações duras de Naomi quando
sua ansiedade aumenta.

— Filho da puta do caralho. — Ela traduz desnecessariamente ou


talvez para o benefício de Regan e então começa a balançar em seus
calcanhares. — Muito alto. — Ela diz repetidamente, com as mãos sobre
os ouvidos.

— Porra. Porra. Porra.

Grito os últimos palavrões em voz alta. Tenho que tirá-las daqui.


Regan chora, mas coloca um braço confortante ao redor dos ombros de
Naomi. Não tenho tempo para contar a Regan que Naomi não é uma fã
de toques antes de Naomi soltar um grito agudo.

— Ah Merda. Sinto muito, Naomi. — Regan diz, soltando Naomi


imediatamente. Minha irmã está balançando para frente e para trás em
seus pés, as mãos sobre os ouvidos.

Petrovich está olhando para nós como se nós fossemos uma trupe
de circo. Uma realmente ruim que ele gostaria de atirar para nos livrar
da nossa miséria.

Foda-se esta merda.

— Fiquem aqui. — Peço e então mergulho em direção


a Petrovich. Mais rodadas são disparadas e sinto fogo em
minhas costelas. Porra. Minha ferida se abriu. Posso sentir

16
Filho da puta do caralho
pedaços de cerâmica e pedaços de gesso chovendo sobre nós. — O que
eu não daria por alguns C4 agora. — Brinco com Petrovich, que apenas
resmunga. — Você tem um plano? — Pergunto.

— Atirar. Matar. Sair. — Responde Petrovich.

— Bom plano. Em dois? — Aponto para cima.

Ele balança a cabeça em entendimento.

— Um. Dois. — Nós dois saltamos sobre o balcão. Os homens de


Hudson ainda estão olhando para os lados e é tarde demais para eles,
porque na minha contagem, eu atiro em um deles na cabeça. Petrovich
atira no outro homem na entrada. Por um momento, há somente o
silêncio. Somente os ecos das balas.

— Agora. — Gesticulo para as garotas com minha arma, mas Naomi


não se move e Regan parece incerta sobre seguir o meu comando
deixando Naomi para trás. Se eu não a amasse já, meu coração cairia
por ela agora quando vejo o cuidado que Regan está mostrando por
Naomi. Sim, Regan nunca se livrará de mim.

Minha ferida está doendo como uma cadela, corro em direção a


Naomi, mas Petrovich chega antes. Ele a pega e a joga por cima do
ombro como se ela fosse um saco de arroz.

— Vamos, porra.

Não espero por um outro convite. Agarro a mão de


Regan, disparamos para fora da casa. A van do fornecedor
ainda está lá, as portas completamente abertas e o tapume
de metal crivado de balas. Eu jogo Regan dentro e Petrovich faz o mesmo
com Naomi. Nós fechamos as portas e em seguida a cabeça de Petrovich
se abaixa. Ele mexe com algo antes de chegar ao lado do motorista e ligar
o carro.

— Tampa do distribuidor? — Pergunto.

Ele balança a cabeça, dá ré na van e faz a volta. As garotas voam


para trás contra seus assentos. — Deitem-se. — Grito a ambas. Regan
puxa Naomi para baixo quando, no mesmo momento que me inclino para
fora da porta para atirar nos guardas em frente ao portão que está se
fechando. — Não pare esta merda de carro!

Petrovich resmunga, mas não desacelera. Tenho seis balas. Há três


guardas. A van está balançando como um bêbado tentando andar sobre
os trilhos do trem. Levantando a arma, vejo o primeiro guarda, aquele
quase de cócoras. Atiro em sua rótula e ele tomba. O carro balança
enquanto Petrovich o atropela.

O guarda no portão é o próximo. Ele recebe dois tiros. Um na testa.


Poof, outro no peito apenas por garantia. O terceiro guarda está do lado
de Petrovich, o que me obriga a levar minha bunda para fora da van e
sentar-me na janela para que eu possa matá-lo por cima. Uma bala me
acerta no ombro, o que faz meu primeiro tiro ir errado. Seguro-me e os
dois tiros seguintes o acertam. Exatamente no mesmo momento em que
Petrovich bate nos portões já fechados. A força me joga para a frente, eu
teria caído para fora da janela da van se não fosse Petrovich
e Regan me segurando para dentro do carro.
— Obrigado, lutadora.

Regan me dá um sorriso fraco. Virando-me, vejo Naomi enrolada em


uma bola no chão. A única coisa que importa é que ela está viva. Santo
inferno. Estamos todos bem. Petrovich dirige como um louco para a
favela Lágrimas de Deus e ainda assim parece que leva muito tempo.

— Acho que abri minha ferida. — Digo a Regan.

Ela olha preocupada para mim. — Deixe-me ver Daniel.

— Não, não é nada. — Apesar de sentir-me um pouco tonto. É o


resultado de ser chicoteado para fora da van. Talvez tenha batido minha
cabeça e não me lembro. — Quero que você saiba que você foi incrível lá
atrás.

— Certo. — Ela bufa. Apressa-se em dizer. — Eu não daria a arma


para Petrovich.

— Você cuidou da minha irmã mesmo com toda a merda


acontecendo. Obrigado. — Digo a ela. — Agora venha aqui e me beije
como o herói que eu sou.

Isso coloca um sorriso em seu rosto e ela sobe no meu colo. Ignoro a
queimadura feroz da ferida antiga e da nova aquisição em meu ombro,
porque quem se importa com isso? Eu tenho Regan Porter em meu colo.
Lutadora. Sobrevivente. Um ser humano foda. — Eu já te disse que eu te
amo?

— Ainda não. — Ela responde timidamente.


— Amo você, doçura. — Eu falo. Puxando-a ainda mais perto,
separo os seus lábios com os meus. Sua língua passa sobre a minha,
enviando eletricidade até a minha virilha. Ela se move contra mim e eu
deleito-me com a sensação de seus pequenos seios esfregando contra
meu peito. Passa por meus olhos as lembranças da nossa noite juntos,
como um maravilhoso filme. Minhas mãos caem em seu traseiro e a puxo
para mim.

— Ow. — Reclamo quando sua mão pressiona contra o meu ombro.


Ela começa a se afastar, mas a puxo de volta para baixo. Não me canso
dela. Quero levantar a camisa e cobrir a ponta do seu seio com a minha
língua, chupar todo seu mel até estar cheio dela.

— Uhh. — Reclamo novamente, agora a dor no meu ombro fica mais


aguda. Deslocando-a para o lado, eu consigo tirar sua mão do local e o
alívio é imediato. Mas não posso parar de beijá-la. Não me importo que
Petrovich está muito perto de mim. Meu único pensamento é trazê-la
mais perto. Suas mãos suaves estão cobrindo meu rosto e tenho seu
doce traseiro em minhas palmas. Tento abrir os olhos para olhar para
ela, para ver o seu olhar cheio de luxúria enquanto ela roça em mim,
mas há uma névoa que está obscurecendo a minha visão. A pressão dos
seus lábios está diminuindo e ela está chamando meu nome. Esforço-me
para responder. Minha boca está aberta, mas nenhum som sai.
Capítulo 25

REGAN

Não há sentimento pior no mundo do que beijar um homem e


perceber que ele está completamente mole embaixo de você.

Não entendo o que está acontecendo com Daniel. Nós estamos nos
beijando, mãos, braços e línguas, um sobre o outro, vivendo a adrenalina
de escapar do composto de Hudson. Mas então seus lábios param e ele
fica mole e estou confusa. Sento-me e percebo que o brilho nos seus
olhos passou para vítreo.

— Daniel? — Quando seus olhos rolam para trás, eu grito. Em


completo desespero. — Daniel? Daniel?

Não há nenhuma resposta. Deslizo de seu colo e quase grito ao ver


o sangue ao lado de sua camisa e em um novo local em seu ombro. —
Oh meu Deus, ele tem a porra de uma ferida?

— Excessivamente alto, muito alto. — Naomi chora


atrás de nós na van. As mãos estão pressionadas sobre os
ouvidos e ela se encolhe em uma pequena bola sobre o assoalho. —
Muito alto!

— Porra, calem todos a boca. — Vasily grita para nós. — Eu estou


dirigindo!

Quero confortar Naomi, mas estou com medo por Daniel. Seu rosto
está tão pálido. Rasgo sua camisa, agora manchada de sangue, para ver
qual é o dano. Há um ponto em seu ombro que está vazando sangue,
mas é a ferida na altura das costelas que está pior. Parece que ele foi
atingido pela segunda vez e há sangue por toda parte. Engasgo um
soluço e começo a rasgar sua camisa para cima, pressionando o tecido
contra as feridas para estancar o sangue. Estou coberta com o sangue de
Daniel. Rasgo a camisola que estou vestindo, é a única coisa que uso,
mas no momento é tudo o que tenho.

Então, foda-se com isso não importa se estou nua. Dezenas de


homens me viram e tocaram meu corpo. O único que importa é Daniel
sobreviver.

— Muito alto. — Naomi diz novamente.

Vasily murmura uma maldição e olha no espelho retrovisor


enquanto outra bala nos atinge. — Estamos sendo seguidos.

— É claro que estamos sendo seguidos. — Eu digo. Minhas mãos


estão escorregadias com o sangue de Daniel enquanto tento conter o
sangramento. Mas o sangue está em toda parte, o que faz
meu próprio pânico aumentar. — Você roubou a porra do
Imperador debaixo de seu nariz. Hudson não vai jogar as
mãos para cima e dizer. — Oh tudo bem, sem problemas pode levá-la!

O grande russo me lança um olhar sujo.

— Acorde ele. Precisamos dele para atirar.

— Foda-se. — Eu digo. — Ele está ferido.

— Ficaremos todos feridos a menos que alguém cuide deles. — Ele


diz para mim.

Olho para Naomi, mas ela é uma bagunça. Não sei o que fazer.
Acordar Daniel e esperar que ele não sangre? Ou segurar Daniel e
esperar que não levemos um tiro?

— Podemos voltar para Lágrimas de Deus?

— Se não atirarmos neles, irão atirar em nossos pneus. Então, não


iremos a lugar nenhum. — Grita Vasily. Então me mostra a sua arma.

— Certo! Certo, porra! — Eu pego a arma dele. — Naomi! — Eu


grito, embora internamente estremeça ao fazê-lo. — Venha colocar as
mãos nas feridas de Daniel por um tempo.

— Sujo. — Ela geme, com as mãos sobre os ouvidos.

— Quanto mais cedo você fizer isso, mais cedo chegaremos a algum
lugar seguro e tranquilo. — Digo a ela, destravando a arma e indo para a
parte de trás da van.

Neste momento eles atiram em nós novamente. Paro


momentaneamente quando a janela se quebra. Vasily
amaldiçoa novamente e Naomi grita, mas ela vai para o
lado de Daniel. Certo! Bom o bastante. Ignoro o vidro no assoalho e
rastejo para frente. Cuidarei das minhas feridas mais tarde. Minhas
pegajosas mãos ensanguentadas dificultam segurar a arma, mas eu
levanto-a, mesmo que a van sacuda e disparo. Dois tiros.

Eles não acertam nada, mas estou satisfeita ao ver o carro de


Hudson desviar em reação. Se puder mantê-lo desequilibrados, posso
ganhar tempo.

— Dirija mais rápido, porra. — Grito com Vasily e quando ele


acelera, meu corpo bate contra o lado da van. Bem, tive meu desejo
atendido, pelo menos. Estremeço quando mais vidro atinge meus pés,
mas levanto a arma novamente. Se eu puder acertar o para-brisa...

Mordo meu lábio, uso as duas mãos para segurar a arma e começo
a atirar. A arma ricocheteia descontroladamente com cada tiro e quase a
perco o tempo todo. Toda vez. Então, para minha surpresa, minha sorte
muda e acerto um espelho lateral do carro que voa, o carro de Hudson
desvia descontroladamente novamente.

— Continue atirando. — Vasily me diz. Como se não soubesse.

Disparo mais uma vez, apontando para baixo, em vez de do nível


dos olhos como antes. Antes todos os tiros foram em vão, então tento
uma tática diferente.

Blam! Desta vez o para-brisa se quebra e vejo seu carro perder o


controle.

— Sim! — Eu grito.
— Muito alto! — Naomi grita para mim.

— Desculpe. — Murmuro e levanto a arma novamente. Eles ainda


estão nos seguindo, mas não estão tão perto agora e estão costurando
através da estrada estreita para tentar nos alcançar. Merda, o gatilho
estala na minha mão. — Estou sem balas. — Grito para Vasily.

— Estamos quase lá. — Ele responde de volta. — Aguente.


Entramos de uma vez!

Nem sequer tenho tempo para perguntar o que isso significa, por
que ele vira a van numa esquina tão drasticamente que todo o meu corpo
é arremessado contra a parede oposta do carro. Bato em um armário de
armazenamento que treme todo o conteúdo dentro. Isso me dá uma ideia
e solto a arma, abro o armário trancado e começo a retirar talheres e
jogo-o para fora da janela. Talvez nos dê um pouco de tempo ou
distância se conseguir bater no carro de Hudson.

Eles atiram novamente, mas estão desviando loucamente... e nós


também. Bato na parede novamente e vejo estrelas quando minha cara
colide contra a porta. Isso vai doer na parte da manhã. Mas por agora,
com a adrenalina bombeando pelo meu corpo eu nem sequer faço uma
pausa. Cada punhado de garfos faz o carro dos capangas de Hudson
balançar descontroladamente para o lado oposto. Então Vasily pisa no
freio e colido com a lateral da van novamente. Jesus. Vou estar
completamente roxa até o fim dessa viagem.

— Chegamos. — Diz Vasily.


Olho com puro horror quando a van para, mas os capangas de
Hudson ainda estão nos seguindo. — Ele ainda está atrás de nós. —
Grito. — Vasily!

— Bom. — Ele diz com a voz mais brutal que eu já ouvi.

O carro de Hudson para logo atrás de nós e antes que possa exigir
que Vasily ligue a van novamente, tiros ecoam por nós. As janelas
restantes no carro de Hudson se quebram e alguém grita algo em
português. Vejo mãos levantadas no ar.

Hudson está se rendendo.

Um soluço de alívio escapa e rastejo de volta para a frente da van,


para Daniel. Naomi está ao seu lado, com as mãos pressionando suas
feridas. Ele ainda está respirando, mas parece tão pálido.

— Precisamos de um médico, Vasily. — Digo a ele, mas ele não sai


do assento do motorista. Quando olho em volta há homens, muitos
homens armados, que foram até o carro de Hudson. É Mendoza e seus
homens.

Oh, graças a Deus. Empurro a porta do passageiro aberta e


praticamente caio no concreto, nua, ensanguentada, arranhada e
chorando. — Mendoza. — Grito. — Daniel precisa de um médico! Ele
levou um tiro!

Ele corre para mim, gritando ordens para seus


homens. Alguém me dá uma camisa e tento ficar de pé,
mas a dor me apunhala. Caio no chão e olho para as
minhas solas dos pés, brilhando em vermelho e com cacos
de vidro. Dói tanto. — Daniel. — Digo quando alguém tenta me ajudar a
levantar. — Ajudem Daniel!

Então, há homens arrastando-o para fora da van, aparece outro


homem esperançosamente um médico. Mendoza joga a camisa sobre
meu corpo nu quando eu abraço um dos meus pés cheios de vidro.

— Vamos. — Mendoza me diz. — Vista a camisa. Quero você e


Daniel na enfermaria.

Aceito o auxílio e deslizo meus braços na camisa, fechando-a sobre


meu corpo. Mendoza me pega em seus braços e quero gritar para ele não
me tocar, mas não posso andar e quero ficar com Daniel mais que tudo.
Viro meu pescoço e vejo que eles me levaram para dentro, que é onde
quero estar. À distância percebo Hudson cercado por dezenas de homens
armados, com as mãos atrás da cabeça. Bom.

Assim que entramos pela porta do composto, eu ouço um arranque


do motor. Assustada, eu viro ao mesmo tempo em que Mendoza o faz e
nós assistimos a van sair do complexo, apesar do número de pessoas no
pátio.

Eu olho em volta. Naomi está longe de ser vista.

E Vasily também.

O amigo de Daniel sequestrou a sua irmã novamente. Ah não. Meu


coração se afunda.

— Precisamos de uma transfusão de sangue. —


Alguém grita lá na frente e eu esqueço tudo, menos Daniel.
Agarro os ombros de Mendoza, não relaxo até que eu esteja na clínica
com Daniel.

E então fico impotente, não posso fazer nada, apenas ver o médico
de Mendoza trabalhar no homem que eu amo.
Capítulo 26
DANIEL

— Sargento Hays, você tem uma ligação da Cruz Vermelha.

Olho para cima da mesa de piquenique, onde eu tenho um dez e


cinco. Rubens, uma cara das tropas do meu time tem uma carta de
quatro. Eu bato ou fico?

— Espere. — Eu digo. — Você disse Cruz Vermelha?

O cabo que entrega a notícia acena rigidamente. Uma ligação da


Cruz Vermelha é uma ligação de emergência, um número especial que se
conecta com as famílias das tropas dos soldados distribuídos, não
importa onde eles estão. Eu nunca tive uma nos oito anos em que estive
no exército, nem mesmo quando estava em ação e meu velho teve um
ataque cardíaco. Foi um leve, mas eu soube sobre ele por um e-mail
quatro dias depois que voltei da missão em Beirute. Estava
ajudando os libaneses a pegar um dos líderes da Al Qaeda
enquanto meu velho tinha uma parada cardíaca. O Exército
dos Estados Unidos aprecia o uso de sua terra no
Afeganistão para lançar todos os tipos de missões das Forças Especiais.

— Estou fora. — Digo ao outro atirador atribuído também da minha


equipe. Ele tem um oito. — Porra.

— Fora. — Rubens enfileira e arrasta os cigarros que estamos


usando como moeda. Três deles quebram deixando um rastro de tabaco
na superfície de madeira. — Sargento?

Olho em volta. Nada de bom vem de uma ligação da Cruz Vermelha,


mas pego o telefone como se ele pesasse mais do que uma metralhadora.

— Sua irmã foi sequestrada. Você precisa voltar para casa e


encontrá-la. — A voz do meu pai está rouca, como se ele tivesse passado
a noite inteira chorando ou mais provavelmente, gritando com as
pessoas. Cambaleio em meus pés, procurando uma cadeira e não
encontro. Deslizo no chão.

— Quando? — Pergunto. Preciso de detalhes, mas há silêncio na


outra extremidade. Finalmente, meu pai suspira.

— Dois dias atrás.

— Dois malditos dias? E você está ligando agora? — Grito no


telefone. Meu coração está batendo tão forte e rápido agora que temo que
vá saltar para fora do meu peito. É minha culpa. Tudo minha culpa,
porra. Eu a encorajei a sair de viagem nas férias de primavera. Quase a
intimidei a ir dizendo que precisava passar mais tempo com
as pessoas de sua própria idade.
— Você precisa voltar para casa, Daniel. — É a voz da minha mãe,
tão baixa que mal posso ouvi-la. Ela está chorando e as lágrimas me
lembram de Naomi. — Daniel, venha para casa. — Mais lágrimas. Muitas
lágrimas.

— Salve-me Daniel.

Ouço essas palavras em milhares de rostos. A busca por Naomi


começou em Cancun, mas levou-me a vários lugares. Das Filipinas para
Dubai, então para a Rússia, dali para Londres. Onde olho, vejo garotas
sendo vendidas em todos os lugares. Suas bocas vermelhas e mãos
minúsculas chegam a mim, mas antes que eu possa alcançá-las alguém
dispara uma arma, uma por uma elas caem. Viro-me para parar o
atirador, mas ninguém está lá. Um peso se arrasta para baixo pelo meu
braço e quando olho para baixo, vejo uma arma ainda quente dos tiros
disparados. Jogo-a fora com um grito.

Algo queima em meu ombro e na minha cintura. Eu estou


queimando. É o fogo do inferno, eu acho. Estou no inferno, estou
queimado pelo meu fracasso. Pelos meus pecados.

— Daniel. Pare. — É Regan.

— Lutadora. Espere por mim. — Digo a ela. — Vou busca-la.

Umidade cai sobre meu rosto. — Você prometeu não me deixar. —


Ela grita. Seus gritos são tão altos. Vejo Hudson acima dela, a mão com
um chicote para atacá-la novamente. Agarrando-o,
afastando-o dela. Mas há outro homem e outro, não posso
alcançá-la.
— Regan. — Grito. — Estou chegando. Espere.

Braços tentam me segurar, mas tenho que chegar até ela. Não vou
deixá-la para trás. Tenho que manter a minha promessa.

— Não venha para casa até que você a encontre.

O rosto severo do meu pai aparece ao meu lado. Minha mãe


encontra-se em pedaços a seus pés. Alguém está sacudindo meu braço.

— Estou indo, Regan, espere por mim. — Eles me imobilizam, mas


não ficarei preso. — Não vou embora sem você! — Grito. E em seguida,
um golpe em meu rosto deixa tudo preto.
Capítulo 27
REGAN

Aperto as mãos de Daniel na minha pelo que parece séculos. Ele


está dormindo, devido às drogas pesadas que lhe deram e não está ciente
de que não deixei o seu lado. Ainda seguro a sua mão de qualquer
maneira. Eles bombeiam sangue para ele e sua cor está melhor, suas
feridas estão costuradas, eles me asseguraram que ficaria bem. Mas não
acredito que ficará bem até que acorde, que sorria e me chame de
lutadora. Apenas então, saberei que ele está bem.

Então, descobrirei como contar-lhe que sua irmã foi levada


novamente.

Vasily simplesmente desapareceu. Mendoza enviou alguns homens


para caçá-lo e tentar pará-lo, mas ele e Naomi
desapareceram sem deixar vestígios. Mendoza acha que
Daniel saberá onde Vasily levou Naomi, apenas posso esperar que sim.

Preocupo-me que ele fique furioso comigo porque não fiz o suficiente
para impedir Vasily de levá-la novamente. E me preocupo que Daniel
olhe para mim com ódio, porque ainda estou aqui e Naomi foi embora
novamente.

Assim, em tempos de merda como esse, eu sento e me preocupo.

Regularmente um dos médicos da favela vem verificar Daniel. Ele


tem uma nova contusão em seu rosto, cortesia de Mendoza para fazê-lo
parar de gritar. O médico sorri para mim. Acho que está impressionado
por eu não ter saído. Ele verifica os sinais vitais de Daniel, muda o IV e
começa a sair novamente.

— Acha que ele acordará logo? — Pergunto suavemente.

O médico não parece preocupado. — Em breve. Como estão seus


pés?

— Estão bem. — Digo categoricamente. Tenho hematomas por todo


corpo e meus pés estão rasgados por todo o vidro que pisei, mas é coisa
pequena. Daniel é tudo o que importa. — Quanto... Em breve é?

O médico encolhe os ombros e se vira para sair. Ele parece tão


indiferente. Talvez tenha remendado buracos de bala com muita
frequência. Ele simplesmente responde.

— Em breve.

Então sai novamente.


Pressiono minha boca na mão de Daniel. Ele está tão vulnerável na
cama, falta a vibração que estou tão acostumada a ver. Nunca percebi
até agora como Daniel é uma força viva e no quanto me dói não ver seu
sorriso malicioso. Em vez disso, estou aqui, ouvindo cada respiração e
esperando que não seja a última.

— Você prometeu que não me iria deixar. — Murmuro contra sua


mão. — Você prometeu, Daniel.

Ele não responde. Claro que não. Pressiono outro beijo na parte de
trás da sua mão, pensando. Então, sorrio.

— Se este fosse um filme de terror, você e eu estaríamos mortos,


sabe. — Faço uma pausa, como se imaginando sua resposta indignada,
então aceno. — É verdade. Os filmes de terror seguem os estereótipos
básicos e esses sempre são banais. A primeira a morrer é sempre a loira
safada. Bandidos adoram uma boa loira safada. — Eu imagino sua
risada e passos meus dedos ao longo de sua pele. — Elas geralmente
morrem gritando e correndo pela floresta, durante a corrida, pois
usavam sapatos de salto alto ridículos. E você claro seria o estereótipo do
idiota arrogante. Aqueles que morrem muito rápido, também. Você é
muito competente, muito bom no que faz, também bonito. Acho que os
roteiristas de cinema tornaram sua missão pessoal matar homens como
você. — Aperto os dedos nos braços cruzados. — O que é irônico, porque
nós dois sabemos que mataria qualquer um ou qualquer coisa que
tentasse passar por você e faria isso com um sorriso de
merda.

— Quem sobrevive nestes filmes afinal?


Minha cabeça se levanta com a pergunta, meu coração quase para
de bater no meu peito.

Os olhos de Daniel são como fendas em seu rosto, mas ele está
sorrindo para mim e a mão na minha aperta brevemente. — Ei lutadora.

— Oi. — Digo e minha visão borra e mais lágrimas escorrem pelo


meu rosto. Estou tão aliviada. Os médicos disseram que ele ficaria bem,
mas não confio na palavra de mais ninguém. Toda minha confiança está
em Daniel.

Ele é tudo em quem confio e tudo que eu preciso.

— Ei, ei. — Sua voz é suave e ele tenta segurar minhas bochechas
molhadas. — Por que você está chorando, lutadora?

Balanço a cabeça, dispensando as minhas lágrimas.

— Apenas um pouco emocional eu acho.

Ele olha ao redor do quarto, atordoado. — Naomi?

Congelo por um momento. Não quero dizer o que aconteceu. Não


agora, não quando sei que ele iria sair desta cama, tirar suas IV e ir
atrás dela. Quando precisa descansar. — Ela está lá fora. — Ouço-me
dizer e espero que ele não fique muito irritado com a mentira mais tarde.

Ele balança a cabeça e relaxa de volta na cama, aqueles olhos


sonolentos olhando para mim.

— Você parece cansada, lutadora.


Encolho os ombros. Estou cansada porque não dormi desde que
Daniel foi baleado. Mas isso não é necessário, então não falo a ele.

— Ficarei bem.

— Quantas vezes atiraram em mim?

— Uma vez no ombro e uma vez no lado. Eles disseram que teve
sorte por não atingir quaisquer órgãos. — Estremeço, minha respiração
fica presa nas palavras. — Deve ficar bem em poucos dias. Perdeu muito
sangue.

— Mmm. — Seus olhos estão se fecham novamente e ele parece


exausto.

Beijo sua mão novamente. — Durma, Daniel. Não vou a lugar


nenhum.

Ele desliza a mão para fora da minha e dá um tapinha ao seu lado


da cama. — Venha deitar-se ao meu lado. Dormirei melhor com seu
corpo contra o meu.

Não deveria. Há tubos e IV, ele está muito machucado, mas eu não
posso resistir. Rastejo na cama ao seu lado e espero que ele não perceba
que meus pés estão enfaixados e cobertos com grandes e macias meias
brancas. Mas seus olhos estão fechados, quando me deito ao lado dele,
minha bunda inclinando-se para fora da borda da cama, ele coloca um
braço em volta de mim e aperta o rosto contra meu
pescoço.

— Mmm, você cheira bem. — Ele me diz.


— E você precisa dormir, cão safado. — Digo a ele em voz baixa.

Ele ri, mas fica em silêncio novamente. Aconchego perto e ouço o


som de sua respiração por longos segundos, pelo menos por agora,
temos um pouco de paz.

Então, depois de um momento, diz ele, sonolento. — Quem


sobrevive?

— Hum?

— No um filme de terror. Quem sobrevive?

— Oh. — Penso por um momento. — A garota inocente. A virgem.

Ele bufa como se isso fosse ridículo. — Eu ficaria com você em


qualquer filme de terror.

Sorrio e deslizo ainda mais perto.

— Durma.

Ele o faz comigo ao seu lado.


DANIEL

Estou muito bem no primeiro dia, mas no segundo, as drogas que


o médico de Mendoza me deu estão mascarando a minha dor, pelo
menos, a dor no ombro. O local onde Regan dá doces beijos e acaricia
com seus dedos está deixando-me louco.

— Lutadora, preciso que você suba em mim, agora. — A dor na


minha calça irá me matar se eu não tiver alívio.

— Cale-se, não faremos sexo aqui.

— Como pode dizer isso? — Lamento. — Sou um homem ferido.


Precisa ajudar e me chupar.

— Não tenho certeza se uma chupada é considerada socorro a um


enfermo. — Diz ela, mas há um leve sorriso nos cantos da sua boca.
Acho que ela poderia ser convencida a isso. Com um pouco de persuasão
talvez.

— Meu pau está tão duro agora que, se você não o cobrir com sua
boceta, ele vai quebrar. Não acho que queira ser responsável por esse
tipo de dano. — Meu braço direito não está ferido, então uso para
segurar seu seio. O mamilo fica duro sob meus dedos e Regan morde o
lábio. Sim, definitivamente ela pode ser convencida. Deslizo minha mão
em torno de suas costas e puxo-a para baixo. Ela resiste no
começo, mas com um puxão firme tenho sua boca contra a
minha. — Finja que sou a Bela Adormecida. — Sussurro contra seus
lábios e ela está rindo até que deslizo minha língua em sua boca.

Ela geme suavemente em resposta. Mergulho minha língua dentro


de sua boca da mesma forma que estaria entrando em sua boceta
quente.

— Suba em mim, lutadora. — Com a mão boa aperto sua bunda e


puxo-a para cima de mim, mas suas roupas estão no caminho para o
paraíso.

Felizmente, ela está usando uma saia folgada que facilmente está
fora do caminho. Há um som de algo se rasgando, mas pouco me
importo. O cobertor fino cobrindo minha metade inferior some e em
seguida, sua boceta quente está deslizando contra a rocha dura entre
minhas pernas, meu pau muito, muito duro. A umidade lubrifica seu
caminho e meu corpo está envolto em chamas. Estou ardendo de desejo
por ela.

— Jesus eu preciso tanto de você no meu pau agora. — Segurando


meu pau dolorido em minha mão, centralizo em sua entrada e ela desliza
para baixo lentamente. Não posso tirar meus olhos de nossa carne se
juntando.

Quando sinto seu calor quente e molhado me envolvendo, solto a


cabeça para trás. Suas duas mãos se apoiam uma em cada lado da
minha cabeça. Seus quadris sobem e descem lentamente
sobre meu pau. Ela me tortura quando tira sua boceta do
meu pau quase completamente antes de deslizar de volta
para baixo em leves movimentos tortuosos. É como se ela
me quisesse matar, porra, mas se era para morrer assim, que seja.
Então, aleluia, porra.

Com a minha mão boa aperto seu quadril enquanto tento apressá-
la, mas ela não faz nada.

— Ouça Bela Adormecida. — Ela sussurra. — Se quer que eu salve


do vilão Bolas Azuis, então você precisa me deixar comandar esse show.

— Sim, senhora. — Digo, porque o que mais poderia dizer quando o


amor da sua vida está, basicamente, dizendo que vai fodê-lo até a morte
e depois trazê-lo de volta à vida? — Porra, eu te amo.

— Eu também te amo. — Ela responde e aperta sua boceta para


pontuar suas palavras.

Estou ofegante pelo que ela está fazendo com meu corpo. A parede
lisa da sua boceta contra a pele nua e sensibilizada do meu pau está me
matando. Literalmente. Sinto cada pequena coisa e é glorioso. O céu não
será tão bom. Merda, isto é o céu. Estar dentro da boceta apertada da
mulher que você ama mais do que a própria vida é algo próximo ao céu,
com certeza. Nada jamais foi tão bom e suspeito que nada mais será.
Sempre a perseguirei, tentando entrar em sua boceta mesmo quando
tivermos oitenta anos.

Coloco meu pé contra o colchão fino para empurrar para cima um


pouco e sou recompensado com um gemido ofegante.

— Assim. — Ela geme. Gostaria de poder virá-la e


assumir, mas não posso. Não na minha triste condição. Em
vez disso coloco minha mão entre nós e encontro sua
pequena protuberância de prazer. Eu belisco-o levemente e acaricio ao
mesmo tempo. — Oh meu Deus, Daniel. — Ela grita.

Rolo seu clitóris entre meus dedos e empurro meus quadris para
cima. Se pudesse segurar o sentimento para sempre, o faria, mas nós
dois estamos perseguindo um furacão de prazer. Ignorando a dor, uso
minha mão esquerda para puxar sua cabeça para baixo para que
possamos tocar nossas bocas ao mesmo tempo que meu pau está dentro
dela.

Estamos golpeando um ao outro quando seu orgasmo a atinge.


Suas paredes se fecham ao redor de mim como uma onda, apertando e
soltando. Sua boceta é como uma luva quente e estou completamente
sob seu controle. Seu pulsar puxa meu próprio orgasmo a partir da base
das minhas costas.

— Gozarei dentro de você em três segundos. Levante-se, se não


quiser que meus nadadores a ataque. — É o único aviso que posso dar,
mas Regan morde o lábio inferior e me olha direto nos olhos.

— Eu quero isso. — Expludo a seu comando. Minha semente


quente jorra em jatos para dentro dela, ela joga a cabeça para trás
quando um segundo clímax a atinge. Nós finalmente paramos de nos
mover e ela cai sobre mim ainda com cuidado para evitar meu ombro
ferido.

— Você me faz sentir tão bem Regan Porter. —


Murmuro, passando a mão pela nuvem de cabelo loiro. —
Você é a porra de uma estrela de rock.
Ela ri contra o meu pescoço.

— Não, de verdade, você é. — Eu viro minha cabeça e sem jeito beijo


sua bochecha. — A melhor de todas.

— De verdade? — Ela pergunta e sinto que a questão não é


realmente retórica.

— Merda, eu juro. — Puxo-a para baixo rápido contra mim, porque


ter seu corpo junto ao meu vale qualquer dor. A ferida de bala no meu
ombro não irá manter-nos afastados. Nada, nunca irá nos afastar
novamente. — Precisarei de uma dose diária disso, a fim de me
recuperar totalmente. Talvez duas doses por dia.

Mesmo que não me importe que ela esteja descansando em cima de


mim, Regan se contorce para o meu lado, evitando ambas as feridas.

— O que acontecerá agora? — Ela pergunta.

— Nós vamos para casa. Você, eu e Naomi.

Ela não responde, o que me preocupa.

— Ou posso ir para Minnesota com você. — Simplesmente não irei


deixá-la. — Odeio dizer isso, mas está presa comigo boneca. Eu a
seguirei onde for e se não me deixar entrar em sua casa, me sentarei na
varanda.

— Não, deixarei você rastejar pela porta do cachorro.

— Isso é bom o suficiente para mim. — Digo a ela,


dando-lhe um abraço apertado. Nós adormecemos assim ou
pelo menos eu durmo. Quando acordo, Mendoza está sobre mim.
Rapidamente olho para baixo para ter certeza que o corpo de Regan está
coberto. Está, graças a Cristo. Não acho que ela ficaria confortável se
Mendoza a visse nua.

— O que está acontecendo? — Sussurro, tentando não a acordar.

— Julgamento. — Ele responde melancolicamente.

Aceno e tiro Regan do meu braço. Ela murmura baixinho, mas não
acorda. Mendoza me joga uma calça e uma camisa de botão.

— Precisa de ajuda para se vestir?

— Não, eu consigo.

Ele me dá um aceno e sai. Com algum esforço, visto a calça. Ela


tem uma cintura elástica que deixa muito mais fácil vesti-la. Os botões
da camisa apresentaram um obstáculo maior, mas como não sou capaz
de levantar o braço esquerdo, não havia nenhuma maneira que puxasse
uma camisa sobre a minha cabeça. Decido deixá-la aberta. Não é como
se fosse jantar na praia. Assistirei uma execução. Na porta, paro e olho
para trás, para Regan. Suas mãos estão dobradas sob sua bochecha
como uma colegial, mas Regan ela não é colegial. Sua inocência foi
roubada. Não tenho certeza se estou fazendo a escolha certa, mas sei que
não é uma decisão que possa tomar por ela.

— Regan. — Balanço seu ombro levemente. Seus olhos


sonolentos piscam abertos e ela me dá o sorriso mais doce
do mundo. E tudo em mim se rebela com o que eu estou prestes a fazer.

— Ei, querido. — Ela diz, passando a mão no meu queixo. Viro-me e


pressiono um beijo em sua mão. Minha expressão sombria a alerta que
há algo acontecendo e que pode não gostar. — O que está errado?

Passo minha mão em sua testa, suavizando as linhas de expressão


que apareceram, mas não posso ficar. Mendoza me espera.

— Lutadora, Mendoza está pronto para julgar Hudson. Pode ficar


aqui sem ver a cena ou pode sair e assistir. De qualquer modo, tudo
acabará em breve. No entanto, você decide.

Sua mão cai e ela vira o rosto. Posso ouvir uma cruz sendo
martelada e preparada para a execução. Logo eles estarão batendo em
carne e osso.

— Se ficar dentro de casa, irá querer isso. — Coloco duas almofadas


de espuma de ouvido na palma da mão. — Abafará um pouco o som,
mas não todo o barulho. Também pode ir até a base do morro. Lá há um
barraco que tocará música muito alta. — Até onde vi, nem todos no
paraíso de Mendoza concordam com seus métodos ou talvez eles
concordem, mas não querem fazer parte dele. Eu fui chamado. Mendoza
me deu a opção de atirar em Hudson ou submetê-lo ao que Mendoza
chama de julgamento. Pela tortura de Regan, o rapto de minha irmã e
pela minha própria sanidade, escolhi o julgamento. Talvez esta seja uma
decisão que Regan deveria ter tomado, mas Mendoza veio
até mim e escolhi por nós. Ela pega as almofadas de
espuma e fecha a mão ao redor delas.
— Será ruim?

— Sim. — Não esconderei nada dela. – Uma cena típica para dar
pesadelos se assistir.

Ela me dá um sorriso triste. Lembrando dos últimos meses de


merda.

— Já terei pesadelos. Talvez ver a execução não se torne mais um


deles. Quem sabe até mate alguns dos meus demônios.

Nego com a cabeça. — Não sou psicólogo. Sou um soldado. Não sei
se isso irá matar alguns demônios ou fará uma marca da qual não
consiga se livrar. Algumas coisas... — Faço uma pausa e penso no meu
tempo no Afeganistão, algumas das missões em que estive como agente
secreto e todos os olhos assombrados que eu vi nas garotas que resgatei.
— Algumas coisas não podem ser esquecidas.

— Você estará lá?

Eu concordo. — Tenho pesadelos também. Ele comanda alguns


deles. Mas não lamento vê-lo morrer.

— Nem eu. — Ela coloca a mão na minha, e eu sinto uma névoa


entre nós. — Vamos.
Capítulo 28

REGAN

Daniel me avisou que seria ruim. Mas deveria ter adivinhado que
me estava tentando proteger, depois do que passamos juntos, deveria ter
entendido a dica de que seria muito ruim. Algo muito ruim mesmo.

Vejo uma cruz no centro do pátio e isso é o suficiente para recuar.

— Eles irão...

— Sim. — Daniel responde categoricamente.

— Oh. — Meu estômago parece um pouco fraco com o pensamento


e vejo pessoas próximas da parte inferior da cruz. Elas estão aqui
reunidas para isso, há pessoas em toda parte. É como se
toda a favela quisesse ver. Os homens de Mendoza estão
armados e sérios quando eles fazem um anel de proteção
para que ninguém atravesse e chegue até o local propriamente dito.

Hudson está de pé nas proximidades, duro como uma tábua,


olhando para longe. Há dois homens armados de pé ao lado dele, mas ele
está calmo. E continua calmo quando começam a levá-lo para frente. Há
outro homem ajoelhado perto da base da cruz. Suas mãos estão
amarradas atrás das costas e sua cabeça está inclinada. Acho que deve
estar chorando porque seus ombros estão tremendo. Mendoza está sobre
ele, um fogo atrás dele ilumina toda a cena macabra.

— Recite seus crimes. — Ele instrui ao homem no chão.

— Carl Hudson cometeu atos... — O homem fala, mais que


sussurra… as palavras saem entre soluços.

— Mais alto. — Ordena Mendoza.

O homem amarrado começa novamente. — Carl Hudson cometeu


atos de depravação pelos quais será punido. Ele roubou trinta e quatro
mulheres, estuprou-as e passou-as a seus clientes até que fossem
mortas. Duas dessas mulheres pertenciam à favela Lágrimas de Deus.
Essas pessoas pertenciam a Rafael Mendoza e tinham sua proteção.
Tocar em qualquer um do povo de Mendoza significa morte. Mas pelas
outras trinta e duas mulheres, exigimos mais do que uma execução.
Mendoza e a Lágrimas de Deus exigem julgamento

Mendoza levanta os braços ao seu povo.


— Nós concordamos que Carl Hudson deveria morrer por seus
pecados e ser julgado por Cristo Redentor em seu destino final?

— Sim! — A multidão grita de volta.

Odeio o homem, mas não tenho certeza se posso vê-lo pregado a


uma cruz e queimado. Engulo em seco e minha mão agarra a de Daniel.

Ele me puxa contra ele. Arrasta-me contra seu corpo e coloca meu
rosto contra seu pescoço, me segurando lá. No meu ouvido, ele
murmura.

— Nem sempre tem que ser forte, lutadora.

Aceno, inalando o aroma dele, com os braços em volta do pescoço.


Ficarei ali, porque não há outro lugar para estar. Estou lá quando o som
de um martelo acerta a carne de Hudson que começa a gritar. Estou lá
quando o martelo bate uma e outra vez e em seguida, os gritos ficam
mais alto e o crepitar do fogo começa. Fumaça enche o ar. Inalo o cheiro
de Daniel, tentando abafar o cheiro de carne queimada e escondo meu
rosto contra ele, deixando-o ser forte aqui.

Depois de um tempo a gritaria cessa e Daniel toca minha bochecha.

— Acabou. Vamos para dentro, lutadora.

Não olho para trás. Não preciso vê-lo. Realmente será mais um
cenário dos meus pesadelos.

Nós voltamos para o quarto de Daniel, na enfermaria.


Ele se senta na beirada da cama e Mendoza nos segue.
Sento em uma cadeira ao lado da cama de Daniel, mas não
fico perto. A última coisa que ele quer é uma namorada grudenta
enquanto fala com seu antigo companheiro de exército. Mesmo que eu
queira ser pegajosa. Quero enterrar-me ao lado de Daniel para que ele
me segure enquanto tento processar o que aconteceu.

Hudson não nos incomodará mais. Ele não virá atrás de mim ou irá
querer verificar meus dentes. Não vai esperar que esteja quebrada. Mais
nenhuma garota irá desaparecer em seu porão e nunca reaparecer. Ao
fazer isso, protegemos muitas garotas e fizemos justiça a tantas outras.

Eu deveria sentir-me aliviada, mas apenas consigo ouvir seus gritos


em minha mente. Fiquei presa ao momento que ele foi pregado na cruz.
E não me sinto bem com isso. Posso tentar ser forte e ser uma lutadora,
mas não sei como ser tão forte para assimilar isso. Não consigo ser o que
Daniel precisa que eu seja se ficarmos juntos. Esse pensamento me
preocupa.

Mendoza ajusta o cinto carregado com suas armas. Para ele não é
nada andar por aí armado até os dentes. Não significa absolutamente
nada viver em uma favela onde as pessoas sequer piscam os olhos
quando um inimigo é pregado a uma cruz e queimado vivo. Para eles é
segurança. Para mim é tortura pornô.

— Como estão os buracos de bala? — Mendoza pergunta enquanto


Daniel dá um tapinha ao seu lado, fazendo uma careta.

— Bem, eles ainda não melhoraram como mágica. —


Daniel responde.
— Talvez seja porque você estava tendo atividades um pouco
vigorosas demais em sua cama, não é? — Ele sorri para Daniel e meu
rosto fica vermelho.

— Ela estava beijando minhas feridas. — Daniel diz facilmente. —


Não seja um porco, está falando isso porque um lado da sua cama está
frio.

— Inferno sim! — Mendoza diz e fico envergonhada mais uma vez.


Coloco as pernas debaixo de mim na cadeira e tento fingir que Mendoza e
todos os seus homens não me viram nua recentemente. Eles não são
seguros, como Daniel e continuam me deixando ansiosa, mesmo sendo
agradáveis.

— Então. — Daniel diz casualmente, olhando para Mendoza e


depois para mim. — Quando alguém vai me dizer o que aconteceu com a
minha irmã?

Congelo no meu lugar, minha ansiedade aumentando. A voz de


Daniel está calma, mas ele está à procura de sua irmã há dois anos.
Como é que se sentirá uma vez que souber que eu deixei Vasily levá-la?
Não sei o que farei se ele me olhar com indiferença. Preciso de Daniel.
Preciso dele assim como eu preciso de ar. Eu sei que isso não é saudável,
mas não me importo. Apenas preciso dele e pronto.

Passo as mãos pelo cabelo, ansiosa. Escondi onde Naomi esteve nos
últimos dias. A cada vez que Daniel começava a olhar ao
redor de seu quarto ou fazer perguntas eu o distraia.
Guardei o segredo usando beijos e carícias. Não é que odeie
seus beijos, Deus, eu os amo muito, mas sei que usei exatamente os
truques que Daniel tanto odeia.

Não quero que ele a abandone? Use corretamente seu pau.

Foi desesperado, errado e estúpido da minha parte, mas não sabia


como o fazer de outra forma. Estou apavorada porque não sei o que
acontecerá agora. Em nossa lista estava a pegar nossos documentos e
Naomi. Então, acrescentamos — derrubar Hudson — a essa lista.

Agora, eu não tenho os documentos.

Hudson está morto e Naomi foi embora novamente.

Não há nenhuma razão para Daniel me manter ao seu lado a menos


que seja para sexo. Não importa o quanto eu o amo e quão queira
desesperadamente estar com ele. Ainda estou com a cabeça confusa e sei
que se ele me enviar de volta para casa, vou me quebrar em um milhão
de pequenos pedaços.

Daniel diz que me ama e diz palavras doces, mas no final do dia,
sou apenas uma boceta para ele? O que acontecerá quando ele tiver que
procurar sua irmã novamente e for perigoso? Ele é um franco-atirador,
um assassino. Trabalha com homens perigosos. Não há lugar para uma
garota como eu, porque eu sou... bem... eu.

Mas se eu for uma boa foda, talvez ele me mantenha. Talvez.

Ainda assim, olho para o rosto duro de Daniel


enquanto ele espera que eu ou Mendoza responda. Não
aguento mais e desmorono. Chorando, soluços e mais
soluços escapam da minha garganta e estou na merda novamente. Não
sou a lutadora que Daniel quer que eu seja.

Estou com medo dele me abandonar, agora que o amo.

DANIEL

Mendonza parece tão assustado quanto qualquer homem pode estar


quando confrontado com o terror que é uma mulher chorando. Ele sai de
lá, como se o próprio Deus estivesse prestes a jogar um raio sobre nós.
Eu? Fico com Regan, mesmo que ela esteja chorando e soluçando. Pelo
menos eu a tenho. Pelo menos estamos ambos vivos. Minha irmã está
segura e vamos para casa.

— Tenho que dizer-lhe. — Confesso em voz baixa, tentando fazê-la


rir. — Tenho as ereções mais inapropriadas quando você está chorando.
Realmente não sei o que é tudo isso, mas eu aceito.

Acho que isto seja o alívio do estresse. Não há nenhuma razão para
chorar. Aos doze anos eu fiz para minha mãe um cartão caseiro do Dia
dos Namorados, isso claro entre a minha sessão de masturbação e o café
da manhã. Quando entreguei o cartão, ela chorou e eu tive
que acariciá-la desajeitadamente até que meu pai me
resgatou. Abençoado seja. Ele me levou ao celeiro e tentou
explicar um pouco sobre as mulheres. Ou pelo menos a minha mãe.

— Fique feliz, ela está chorando. — Disse ele. — Isso acontece


quando você sabe que elas ainda sentem algo por você. O momento em
que elas olharem para você com os olhos secos é quando as perdeu.

Quando seu choro continua inabalável, a puxo para o meu colo e


tento beijar as lágrimas. Não estava mentindo sobre a ereção. Ela surgiu
quase imediatamente quando seu traseiro aterrissou nas minhas coxas.
Talvez fosse a proximidade de sua boceta com o meu pau. Ou talvez
fosse porque eu era um filho da puta sujo. Poderia ser ambos.

Eu a movi um pouco para que ela não sentisse a pressão da minha


ereção contra seu traseiro, enquanto soluçava. Então a abracei,
simplesmente me deleitando na maravilha que tínhamos. Quando seus
soluços diminuíram, inclinei sua cabeça para trás e cobri sua boca com
a minha, dando-lhe o conforto que não sabia colocar em palavras. Depois
de uma fraca tentativa para me beijar de volta, Regan afasta a boca.

— Tenho que te dizer uma coisa. — Ela sussurra.

— Diga doçura, por que não posso imaginar nada que seja mais
importante do que a gente se beijar. — Faço piada, mas um fio de medo
segue seu caminho pela minha espinha porque algo está realmente
incomodando Regan.

— Não quero me separar de você. — Ela sobe ainda mais no meu


colo, chega até que sua bunda está embalando o meu pau
semirrígido. O rapaz, em contato com sua deliciosa bunda cresce mais,
não dando a mínima atenção para o momento. O que me deixa triste e
preocupado.

— Nós não vamos. — Asseguro a ela. — Meu pau iria cair se tivesse
que passar mais do que algumas horas longe de você, por isso, confie em
mim, vou mantê-la mais perto do que moscas na merda.

Sua expressão continua abatida, então desisto de fazer uma piada


horrível após a outra na esperança de que uma delas a deixe menos
abatida. — Tetas doces, não há nada que possa dizer que irá me
perturbar, a menos que diga que está me deixando. — Ignoro meus
instintos e sigo ao redor como um cão de rua, que uma vez alimentado
espera que o alimente novamente.

— Tetas doces? — Ela recua e ofensa está escrita por todo o rosto.
Finalmente uma resposta não chorosa.

— Eu estava tentando fazê-la parar de chorar, não a insultar. Como


posso fazer isso?

— Certo, mas nunca me chame de seios doce novamente. — Por um


momento pensei que tínhamos avançado, dissipando a nuvem negra. Até
seu rosto enrugar novamente.

Impaciente, sento-a em minhas pernas. — Regan, vamos encontrar


Naomi e dar o fora daqui. Estou pronto para comer um churrasco e
beber uma cerveja Shiner Bock. Acha que eles têm Shiner
Bock em Minneapolis? Porque se não tiverem terá que que
me segurar enquanto eu choro.
Ao ouvir o nome de Naomi, faz as lágrimas recomeçarem e o fio de
medo que senti antes se transformou em uma pesada capa de pavor. —
Certo, Naomi, está bem?

— Não vi o que aconteceu-. — Ela soluça. — Estava tão preocupada


com você e a próxima coisa que sei é que tanto Naomi quanto aquele
idiota do Petrovich se foram. Mendoza diz que olhou em todos os lugares,
mas entre o tiroteio do lado de fora do portão, você à beira da morte e a
crucificação de Hudson, eu perdi o controle. — Os soluços ruidosos
deixaram algumas das suas palavras um pouco difíceis de entender e por
um momento fico distraído com a enorme quantidade de água salgada
saindo de seu corpo. Ela ficará desidratada antes do tempo. Então suas
palavras afundam. Aquele show de horrores tem a minha irmã como
protagonista. Com um rugido, grito para Mendoza. Levanto-me, mas
Regan ainda se agarra a mim, o que me impede de ir para a porta.

Mendoza encontra-me na entrada do quarto da enfermaria, mas não


entra mais do que o necessário.

— Desculpe. — Ele levanta as mãos. — Fico nervoso com mulheres


chorando. Sou muito bom em matar pessoas e colocar medo nos
corações de muitos. Mas, não tão bom com a coisa de oferecer conforto.

— Porra cara, onde está minha irmã? — Eu grito.

Ele balança a cabeça.

— Nenhuma ideia. Como sua garota disse, foi caótico,


eu estava mais interessado em matar os homens de
Hudson e capturá-lo do que prestar atenção se o russo não
fugiria com sua irmã. — Com um estalar de dedos ele chama um garoto
que tem envolvido em si um cinto de munição. Eu faço uma careta e
Mendoza encolhe os ombros. — Crianças. — Diz ele. — O que se pode
fazer? — O garoto lhe entrega uma bandeja com comida que Mendoza
nos entrega. — Coma. Tenho um avião de carga que irá levá-lo para a
Costa Rica. De lá, você será capaz de chegar em casa. Tem seus
documentos?

Concordo.

— Obrigado.

— Desculpe por sua irmã. — Na porta, ele faz uma pausa e diz não
com desejo em sua voz. — Você tem uma garota boa. Segure-a firme.

Então o grande rei da favela quer uma rainha para lhe fazer
companhia na cama. Interessante. Não penso na falta de perspetivas
românticas de Mendoza porque tenho outras preocupações. Na bandeja
há um jarro de água, juntamente com dois pratos de comida saudável e
alguns pães de queijo. Regan está silenciosa e as lágrimas continuam
caindo.

Coloco a bandeja na cama e puxo a mesa à sua frente.

— Pão de queijo. — Eu ofereço-lhe um. — Eles são queijo e farinha.


Acredite em mim, esta é uma das melhores coisas que já foram feitas.
Jesus deve ter entregado a receita para os colonos originais do Rio. Só
pode ser isso.

Ela me dá um sorriso aguado triste e leva o pão de


queijo a boca. Porque são pães de queijo e são
absolutamente deliciosos, mesmo triste, Regan não consegue impedir um
gemido de prazer.

— Não é bom? — Eu digo, comendo um. — Uma crosta crocante por


fora e prazer celestial por dentro, porra. — Espero até que ela engula um
inteiro antes de entregar-lhe um copo de água. — Lutadora, estamos
juntos. Não é sua culpa que Vasily fugiu com minha irmã. Além disso,
sei onde ele mora.. Então, nós vamos comer e em seguida, vamos para a
Costa Rica.

— Quero ir com você. — Diz ela, comendo outro pão de queijo.

— Claro. — Inclino-me e dou-lhe um beijo rápido. — Gostaria de


voltar para Minneapolis e mexer com os sistemas de folha de pagamento
também?

Finalmente recebo uma risada dela. — Você realmente não está com
raiva de mim?

— Cristo, não. — Coloco minha comida na mesa e olho para ela com
surpresa. — Esse é o motivo das lágrimas? Achou que eu ficaria louco
por causa da Naomi? — Ela me dá um leve aceno de cabeça. — Olha,
Naomi não era sua responsabilidade. Se for culpar alguém, sou eu
porque levei um tiro. Vasily não irá machucá-la. — Espero que não, pelo
menos. Meu medo inicial era de que Naomi estivesse vagando pelas ruas
do Rio, o que não seria bom. Ela não fica bem em novos lugares, luzes
brilhantes, desordem ou multidões. Que é basicamente o
que é o Rio.

— Senti-me terrível e achei que você iria me deixar.


Deixo o copo de água, seguro o rosto de Regan com uma mão e
empurro a mesa com a outra. — Não deixarei você, lutadora. O que eu
disse antes? Terá que me matar antes de se livrar de mim. — Paro e em
seguida, digo. — Parecia muito menos assustador na minha cabeça.

Rindo, ela passa um dedo ao longo da minha ereção proeminente.


Calça de linho fino pouco pode esconder o que está acontecendo,
especialmente quando estou sem cueca.

— Seus pensamentos assustadores me fazem sentir segura. — Sua


voz tem certo tom de provocação e uma mancha de umidade aparece no
tecido.

— Tenho muito mais de onde isso veio. — Eu a coloco sobre mim,


quando minha língua entre em sua boca, sei que nada será melhor. Ela
estremece sob minhas mãos e geme contra a minha boca. — Pode
sempre usar saias? — Pergunto, empurrando o tecido para que eu possa
encontrar o verdadeiro paraíso na terra. Minha mão mergulha entre suas
pernas e fico ainda mais duro, maior, mais grosso, quando percebo que
ela está encharcada e completamente nua para mim.

— É impossível no frio de Minnesota. — Ela suspira. — Haverá


momentos em que não poderei usá-las.

— Então teremos que viver em algum lugar mais quente. —


Puxando a minha calça para baixo o suficiente para o meu pau saltar
livre, coloco-a para que sua entrada molhada e quente
esteja junto ao meu pau. O primeiro impulso é sempre tão
incrível. Quando sua boceta me recebe com um abraço apertado da mais
incrível seda.

Gostaria de poder beijá-la com menos ferocidade, uma voz na parte


de trás da minha mente me diz que deixarei marcas na pele de Regan.
Estremeço, então fico ainda mais duro com a ideia de Regan mostrando
os sinais de minha posse. Espero que deixe sua marca no meu corpo
também. Aperto a bochecha de sua bunda em uma mão e empalo-a
completamente.

— Nunca irei deixá-la. — Digo a ela, o desejo deixa minha voz


rouca. — Nem por um dia, uma hora ou um minuto. Sempre estarei com
você.

Ela envolve seus braços e pernas ao redor de mim.

— Sempre lutarei para estar ao seu lado.

— Isso é mais do que qualquer homem pode pedir. — Respondo.


Terminei com a coisa de falar. Esmago sua boca com a minha. Então a
fodo. Fodo-a forte com a minha língua e meu pau, até que sinto os
espasmos de sua boceta excitada me apertando. Sugando-me. Controlo-
me apenas por uma fina linha, mas quando meu corpo começa a entrar
no dela e seus gritos de: Oh meu Deus, Daniel, sim e mais forte, me levam
ao êxtase e vejo que ela está bem ali comigo.

Retiro-me no último minuto e vejo minha porra na dobra da saia


embolada entre nós, em sua cintura.
— Deus. — Assobio, deitando-me. — Um dia destes temos que usar
um preservativo ou você pode tomar pílula.

Ela esfrega o rosto contra meu peito.

— Talvez, nenhum dia? O que você acha?

Aperto-a com força contra mim. Um bebé com Regan? Depois que
minha irmã foi sequestrada, não havia vida em mim. Tinha apenas um
objetivo e ter uma família, me estabelecer não fazia parte do meu futuro.
Não tinha certeza se merecia um futuro, mas agora tenho Regan. Ela me
pegou pelas bolas e se ela quiser me levar pelo pau, então fico feliz em
segui-la. Seja onde for. Se for um bebé que ela quer, então merda sim.
Terei uma família com ela. A vida está ficando melhor e melhor.

— Sim, eu gostaria disso.

Finalmente me levanto, porque nós temos que ir.

— Coma. — Digo a ela e então eu me arrasto para minha bolsa.


Dentro, há roupas que podemos viajar. Uma calça de algodão, cueca e
uma camisa de botão. No fundo temos armas, munições, facas e um
telefone, tudo que deixarei para Mendoza. A luz de notificação no telefone
pisca e noto que há uma mensagem para mim.

Seguro o telefone, digito o código para recuperar a mensagem. É


Naomi e porque é ela, não há nenhuma saudação. Saudações são
supérfluas em sua opinião.

Vasily me levou a um passeio pela Rússia. Ele diz que


existem lugares tão brancos na Rússia e há pouquíssimas
pessoas. Eu gosto disso. Além disso, ele quer que eu faça algo. Segundo
Vasily ajudará algumas pessoas. E por pessoas, acho que quer dizer que
isso o ajudará também, mas diz que pode também recompensar as coisas
ruins que fiz para Hudson. Estou em desequilíbrio, então vou com ele.
Vasily diz que tenho que ligar para você ou irá me seguir até a Rússia.
Não. Não me siga, gosto daqui. E gosto do fato de que Vasily é quieto.
Resmunga a maior parte do tempo, mas estou descobrindo o que significa.

Ela desenha um suspiro e pausas.

Eu te amo, Daniel. Roubei todo o dinheiro que depositaram no banco


falso que criei no Palácio do Imperador e converti-o em francos e em
seguida, dividi em cinco contas diferentes nos Estados Unidos. Era muito
para apenas uma conta. Enviei os detalhes por e-mail. Tive que dar um
pouco a Vasily ou ele não me permitiria acesso à internet. Mas consegui
salvar alguns para você e Regan. Também para a mamãe e papai se eles
precisarem. O dinheiro vem de pessoas más, então não fique com raiva.
Quando o dinheiro vem de pessoas ruins, isso é como uma redistribuição.
Como uma recompensa.

Isso era tudo. Naomi não diz adeus.

— É Naomi? — A voz de Regan é tão esperançosa que fico feliz em


poder dizer que sim.

— Ela diz oi e que ela converteu o dinheiro da droga em dinheiro


real e ela acha que gosta da Rússia. — Sinto-me um pouco
atordoado. Manterei o telefone comigo. Então me lembro.
— Um minuto. — Digo a Regan. — Preciso ligar para Petrovich.

O telefone toca apenas uma vez. É como se Petrovich estivesse


esperando a minha ligação e falo antes que ele possa dizer uma palavra.

— Então você sequestrou minha irmã. Dê-me uma razão pela qual
não deveria caçá-lo como um cão. Ou melhor ainda, revelar à sua Bratva
que está envolvido no assassinato de seu tio.

Petrovich fica em silêncio, talvez não esperasse que eu jogasse isso


de volta em sua cara. Mas foda-se a honra. Minha família está em jogo.

— Juro pela alma da minha mãe que nenhum dano será causado a
sua irmã. Eu a protegerei como se ela fosse minha própria irmã, gerada
no ventre da minha querida mãe. Cada mágoa que ela sofrer, será pago
em dobro por aquele que o causar. Ela irá me ajudar e depois a
devolverei segura para o seio da sua família.

Além dele, há um murmúrio e em seguida, um argumento rápido.

— Sim Naomi, irei devolvê-la. — Então ele está de volta na linha


comigo e com uma voz dura diz. — Levarei Naomi somente quando ela
desejar. Prometi-lhe isso.

Antes que eu possa dizer qualquer outra coisa, ele desliga.

— Ela ficará bem? — Pergunta Regan.

Aceno e respiro fundo. — Sim, quando ele jura por sua


mãe morta, então sabemos que ficará tudo bem.
— Então porque é que o telefone está amassado em sua mão?

Olho para baixo e vejo o telefone quebrado, as pontas quebradas


fizeram a palma da minha mão sangrar. Jogo-o de lado, envolvo meus
braços ao redor de Regan, ela se tornou meu porto seguro. Seu pescoço
tem um cheiro quente e reconfortante. A raiva na minha cabeça sobre o
conhecimento de que minha querida irmã está nas mãos de Petrovich
diminui um pouco.

— Acho que tenho que confiar nele. Teria uma arma muito grande
em sua cabeça, se entrasse numa batalha com uma das mais poderosas
famílias do crime russo, então tenho que acreditar em suas promessas.
Petrovich assumiu o controle de sua Bratva, ajudando-nos a matar
Sergei. Se o resto de sua organização soubesse que ele fez isso, estaria
morto. Além disso… — Esfrego minha testa. — Ele realmente acredita na
honra e na família, por isso Sergei está morto. Sergei estava levando a
família Petrovich à ruína e Vasily precisava impedi-lo.

— Vou para a Rússia com você. — Regan oferece.

— Sabe, lutadora? Este idiota que fala com você está cansado. Ele
precisa de algum descanso e se recuperar. — O pensamento de ir para a
Rússia e lidar com Petrovich novamente, mentalmente me esgota. Sei
que Naomi está segura. E que ela tem algum bug sobre o tal novo
projeto, o que significa que estaria lutando contra os dois para trazê-la
para casa. E por agora, estou apenas cansado de tudo. Quero puxar
Regan em meus braços e transar com ela por dias e não
precisar de me preocupar com qualquer outra coisa do que
ficar sem preservativos.
— Descanso e recuperação. Certo. Soa bom. — Regan diz, afastando
uma mecha de cabelo da minha testa, em um gesto possessivo que
adoro. — Apenas quero que saiba que eu estou com você. Somos uma
equipe agora, certo?

Aperto-a com força e beijo sua testa. — Nós somos uma equipe.

— Então... O que está equipe fará agora?

Com esforço me levanto pego minha mochila e seguro sua mão na


minha. — Vamos para casa Regan.
Capítulo 29
REGAN

Seguro a mão de Daniel quando saímos do táxi e nos aproximamos


do prédio de apartamentos decadentes. Está...vazio. — Você tem certeza
que este é o lugar certo?

— É o endereço que Nick me enviou, sim. — Ele verifica seu telefone


novamente, em seguida, encolhe os ombros. — Ele é ucraniano. Talvez
ache que isso é algo muito bom.

Enrugo meu nariz, mas na realidade, não é assim tão mau. É limpo,
o telhado está inteiro e não há lixo nas ruas. Isso automaticamente torna
melhor do que a maioria das favelas. — Pensei que seria... Não sei. Eu
não posso imaginar Daisy aqui. – A doce, adorável e pequena Daisy com
seus olhos azuis e tão inocentes que ficavam arregalados
cada vez que algo se quebrava no nosso antigo
apartamento.
— Ele disse que era um apartamento no último andar. — Diz Daniel
e solta a minha mão para colocar ambas as bolsas por cima do ombro.
Em seguida, ele pega minha mão novamente, porque sabe que eu preciso
do seu toque. Seu toque me faz sentir-me viva.

Nós estávamos fora do Rio há cerca de dois dias. Nos dois dias de
viagem, ficamos em quartos de hotel. Não sei onde nós já fomos, tudo
que sei é que não era uma linha reta. Algo sobre não ser óbvio e evitar as
pessoas erradas. Não questiono. Daniel conhece o lado escorregadio da
lei melhor do que ninguém e confio nele para me manter segura. Ainda
tenho pesadelos, apesar de tudo. É como se agora que sei que Hudson
está morto, ele esteja assombrando meus sonhos. Daniel me segura e me
diz que é normal depois do que eu passei. Ele nunca me deixa sozinha.

Ele é exatamente o que eu preciso para me sentir inteira


novamente.

Entramos e quando passamos pelo hall de entrada do prédio de


Daisy ela desce a escada correndo para mim, com os braços estendidos.

— Regan! — Ela grita em um tom feliz e estridente, me abraça antes


que eu possa dizer que eu não gosto de ser tocada por ninguém, apenas
por Daniel.

— Daisy… — Daniel diz. — Não faça isso...

Mas tudo bem. É apenas Daisy. A frágil Daisy que deveria cantar no
coro da igreja e dizer pequenas orações antes de dormir. A
mesma que se apaixonou por um assassino e me colocou
nesta confusão. Deixo a amargura de lado e a abraço de
volta. Não é culpa de Daisy que isso aconteceu. E não estou feliz por ter
sedi vendida como escrava, mas enquanto tiver Daniel tudo está bem.
Daniel é tudo que importa.

Ele me lança olhares vagamente preocupados enquanto eu abraço


Daisy por um longo momento. Verificando se eu estou bem. Aceno para
ele e abraço Daisy de volta. Ela cheira como algo limpo e fresco, tão
saudável como sempre e eu me sinto um pouco melhor sabendo que
através de tudo isso, Daisy permaneceu tão inocente e tão linda como ela
sempre foi. Estou feliz e quero dizer isso.

— É bom vê-la. — Digo a ela suavemente.

Ela se afasta, lágrimas transbordando em seus olhos grandes.

— Estava tão preocupada com você. Mas Nick disse que enviou
Daniel e ele é o melhor que existe, então...

— Daniel é o melhor que existe. — Concordo e bato em Daniel


quando o vejo fazer uma careta lasciva com o canto do meu olho.

— Vamos subir.

Daisy está tão animada que praticamente pula como um


cachorrinho.

— Nick fez o jantar.

— Oh merda. — Daniel diz com um sorriso. — Agora,


isso eu tenho que ver.
Subimos pela escada principal do prédio. Daisy diz que o elevador
está preso no momento. Aparentemente Nick estava tentando consertar a
fiação, ficou irritado quando tomou choque, pegou uma marreta e
destruiu tudo. Daisy parece um pouco descontente com a situação e vejo
que Daniel está sufocando uma risada atrás dela. — Ele não é muito
bom com consertos. — Ela diz, o rosto brilhante.

— E você o deixou fazer o jantar? — Pergunto, tentando eu mesma


não rir. É tão bom ter Daniel atrás de mim, sua mão nas minhas costas
para me deixar saber que está aqui, com Daisy tagarelando na minha
frente. A mancha que o Rio deixou em mim está caindo como se nunca
tivesse existido.

— Ele insiste em ajudar. — Daisy diz com um encolher de ombros.


— É tão fofo. Um dia, cheguei da aula e ele estava fazendo
hambúrgueres. Não sei como ele aprendeu a fazer hambúrgueres, ficou
horrível. — Ela ri mesmo agora, enquanto pensa nisso.

Daisy nos dá um rápido passeio no prédio enquanto caminhamos.


Houve danos causados pela água no andar superior, então a maioria
desses apartamentos ainda está sendo reformado. Eles estão refazendo o
andar inferior, ela e Nick estão no segundo andar, juntamente com um
apartamento para seu pai se ele quiser visitar. Ele não deixa muito sua
fazenda, Daisy me diz, mas o fato dele ter deixado tudo para trás o deixa
feliz.

— E há um apartamento para você. — Diz ela,


puxando uma chave fora do anel de chaves, segurando-a
para mim.
— Para mim? — Estou surpresa. — Porquê?

— Perdemos o outro apartamento. — Ela diz com uma voz


envergonhada. — No momento em que voltei, havia um aviso de despejo.
Tudo o que pude fazer foi pegar tudo e por isso nos mudamos para cá.

— Oh. — Digo e minha voz saiu mais fina do que gostaria. Claro
que perdemos nosso apartamento. Eu raspei minha poupança antes de
Daisy se mudar para pagar a minha parte. Mas por alguma razão, pensei
que meu apartamento estaria sempre lá, esperando por mim, para voltar
a ele quando estivesse pronta.

Isso não acontecer estremece todo o meu ser. O mundo continuou a


andar enquanto estava fora. O mundo não parou. Continuou como se eu
nunca tivesse existido.

Penso em Mike e Becca, engulo em seco.

— Está tudo bem, tetas doces? — Daniel diz no meu ouvido, seu
hálito quente enquanto ele se inclina.

Daisy se vira e dá-nos um olhar horrorizado.

— Do que você a chamou?

Por alguma razão, explodo em risadas. Talvez seja a expressão


horrorizada de Daisy ou o fato de que Daniel é tão impertinente por me
chamar assim na frente dela, mas eu o perdoo. Histérica, a
risada boba continua e tenho que segurar minhas costelas
de tanto que estou rindo. Daniel ri e seus dedos acariciam
minha bochecha carinhosamente, enquanto Daisy olha para mim como
se estivesse louca.

Finalmente me controlo e limpo as lágrimas dos meus olhos, ainda


rindo.

— É uma piada. — Digo a ela que parece pronta para apontar um


dedo na cara de Daniel.

— Eu vou... ver Nick e o jantar. — Ela me diz e estende a mão para


envolver meus dedos ao redor da chave que me deu. — Porque você não
vai para o seu apartamento? Não tenha pressa. Vamos manter o jantar
quente para você.

O olhar em seu rosto é amável, doce e tão totalmente Daisy que


quero abraçá-la mais uma vez.

Não o faço, mas acho que ela entenderia o motivo.

— Obrigada, Daisy.

— Estamos no 2A. — Ela me diz. — Venha quando estiver pronta.

Então Daisy entra no final do corredor e fico sozinha com Daniel e


minha nova chave do apartamento. Olho para a chave por um momento,
então olho para Daniel. — Tetas doces novamente, hein? — Meus lábios
se contorcem de tanto rir.

— Ótimo início de conversa, não é? — Ele fala.


— Preciso de um apelido para você também. — Murmuro quando
coloco a chave na porta. — Como: Pau doce ou porco e feijão.

— Posso votar? — Ele pergunta. — Porque prefiro: Pau Grande,


como Daniel seu pau é tão grande.

Começo a rir e empurro a porta, tentando não rir novamente. Então


fico em silêncio enquanto olho para o novo apartamento. Daisy pensou
em tudo, devo dizer. O novo apartamento, apesar de um layout
levemente diferente e um teto mais alto, está configurado como meu
antigo. Ela deve ter desembalado tudo e então colocou as coisas como
eram. Até o meu pote de biscoitos está em cima do balcão, meus cartazes
de filmes de terror classe B estão nas paredes. Há a porcaria do futon
que tinha no lugar de um sofá, também os meus DVDs estão alinhados
na sua ordem familiar.

É como andar em um sonho. — São as minhas coisas. Tudo isso.


— As malditas lágrimas caem dos meus olhos quando vejo cada detalhe.

— Isso foi bom por parte da Daisy. — Daniel diz em voz baixa atrás
de mim. Ele coloca nossas bolsas no chão, coloca a arma atrás da calça,
então começa a passar por todo o apartamento, para verificar, enquanto
fico congelada na soleira da porta.

É um processo de segurança nosso e um que normalmente não me


importo, especialmente não depois do Rio, mas parece estranho neste
novo lugar com minhas antigas coisas.
— Tudo limpo. — Ele me diz um momento mais tarde e em seguida,
passa por mim para fechar a porta e trancá-la.

Entro, ainda em transe. Há na minha mesa de café, uma antiga


fotografia minha e de Mike no casamento de um amigo. Olho para seu
rosto. Curiosamente, não sinto nada por ele. Talvez uma pontada de
irritação por estar morando com Becca, mas não há nenhum amor
perdido, sem tristeza.

Os braços de Daniel se movem ao redor da minha cintura e ele olha


sobre o meu ombro.

— É muito ruim se eu disser que o cara parece uma merda?

Começo a rir novamente.

— Você parece com ciúmes.

— Sou ciumento. — Ele admite, seus braços apertando minha


cintura. — Ele deveria ter fodido seus miolos e lhe dado um milhão de
orgasmos, gritando por mais e mais, mas tudo o que ele fez foi pensar em
si mesmo. — Daniel soa totalmente descontente.

Coloco a foto de lado e me viro nos braços de Daniel, envolvendo-o.

— Não há necessidade de ter ciúmes. Ele nunca me deu um


orgasmo. Você me deu mais orgasmos na noite passada do que ele fez
em todos os anos que estivemos juntos.

— Estou bastante impressionado. — Ele brinca,


fingindo considerar isso.
— Muito impressionante. — Concordo e de repente me sinto
brincalhona. Pensar que um homem tão lindo, sexy e perigoso como
Daniel está com ciúmes do meu antigo namorado é... doce. Daniel é mil
vezes melhor para mim do que Mike algum dia foi. Não há comparação.
E quero mostrar-lhe como eu o acho sexy. — Alguma vez foi chupado
enquanto estava sentado em um futon sentado debaixo de um cartaz do
filme: O Ataque dos Tomates Assassinos?

— O Ataque dos Tomates Assassinos? Isso é um filme real?

— Oh, é real. Eu tenho em DVD. Ele e a sequência.

— Você está falando sério. Eles fizeram uma sequência do filme?

— Eles fizeram. — Digo a ele, empurrando-o para trás na direção do


futon. — Você prefere vê-lo a ser chupado?

— Cristo, não. — Ele me diz. — Mas não quer ver Daisy e Nick?

— Depois. — Digo a ele, colocando um tom sensual na minha voz.


— Mas agora, quero seu pau em meus lábios e na minha boca.

Ele geme, e sei que ganhei este round. Fico muito feliz quando ele
senta no futon, tira a arma da calça e coloca ao lado na mesinha de café.
A mesma que comprei em um bazar. Ele me olha com olhos ávidos
quentes.

— Eu te amo. — Digo a ele quando fico de joelhos na


sua frente, abrindo suas pernas.

— Eu te amo mais do que qualquer coisa. — Ele me


diz e está tão sério por um momento, tão intenso, que sinto
um arrepio percorrer meu corpo. Então, dou-lhe outro olhar
impertinente e abro sua calça.

— Isso também me ama, obviamente.

— Merda sim, ama. — Ele me diz. — O filho da puta não se cansa


de você.

— Mmm. — Ele já está duro, coloco minhas mãos ao redor de sua


ereção, admirando-o. — Acho que aceitaria estragar o meu jantar por ele.

Seus olhos brilham enquanto ele me observa a inclinar. Sua mão


vai para o meu cabelo, acariciando-o depois volta ao meu rosto.

— Este é o angulo perfeito para ver você me chupar.

Mesmo que falemos sujo na cama o tempo todo, as palavras


acendem um gatilho negativo de lembranças e minha mente volta ao
bordel. Para o desprezível homem apontando a arma na minha testa.
Fecho meus olhos e engulo em seco. Essas lembranças não
desapareceram. Não sei se sumirão um dia.

Mas, em seguida, a mão de Daniel está acariciando meu rosto, seu


toque é amoroso.

— Deus, você é linda.

Suas palavras, somadas ao seu toque, me fazem voltar ao aqui e


agora. Abro os olhos e o belo rosto de Daniel está diante de
mim, o calor de suas mãos me aquecendo. Inclino-me e passo a língua
na ponta do seu pau, então agora o gosto de Daniel está na minha
língua.

Posso ter novas lembranças, a partir de agora. Passo a língua pela


ponta em golpe rápido e olho para ele quando sua mão segura meu
cabelo.

— Você está tentando me distrair, baby? — Digo a ele.

— Porra, não. — Ele levanta as mãos no ar, como se dissesse que


não iria mais me tocar. — Essa é a última coisa que quero.

Coloco a ponta na minha boca novamente, sinto ele estremecer,


como se minha risada provocasse tremores em sua pele. Minha mão
aperta a base do seu pau, minha intenção é provoca-lo com a minha
língua enquanto minha mão sobe e desce.

Fico satisfeita quando sua cabeça cai para trás, com corpo inteiro
tenso e seu pau parece inchar ainda mais em minhas mãos. Ele está
muito duro, pré-sêmen vaza mais rápido do que posso lamber. Adoro
isso, porra. Adoro deixá-lo assim. Amo assistir o prazer em seu rosto.

— Eu quero tanto colocar minhas mãos em você agora. — Daniel diz


enquanto me inclino e chupo ele todo em minha boca, tomando cuidado
com meus dentes. — Basta tirar a blusa e deixar seus seios livres,
enquanto você chupa rápido meu pau.

Ele não está me tocando. Está apenas oferecendo


oportunidades adequadas à minha situação. Talvez ele
perceba que neste momento não conseguiria lidar com a
intimidade de ser tocada. Isto me faz amá-lo ainda mais. Mostro meu
amor chupando-o profundamente e com tanta força que minhas
bochechas ficam ocas.

É delicioso de ouvir seu gemido de prazer. É delicioso redobrar


meus esforços para deixá-lo insano. Pratico todas as habilidades que
conheço, chupando-o com a boca, usando as duas mãos na base do seu
pau, bombeando-o com os meus movimentos rítmicos.

— Cristo, mais rápido. Você é tão boa nisso. — Ele diz e afundo a
cabeça de seu pau na minha garganta, mas afasto quando a ânsia de
vómito aparece.

Não respondo, minha boca está cheia de seu pau. E meus sentidos
estão cheios de Daniel. O seu sabor salgado, a sua pele quente, os pelos
da virilha fazendo cócegas em minhas mãos, o prazer em seu rosto a
cada toque da minha boca. Não há nada mais além do prazer dele por
mim.

Fico dececionada quando ele me pega e coloca no futon.

Bem, quase.

Quando ele mergulha em mim, grito de prazer e me agarro a ele


como uma mulher selvagem. Seus golpes batem em mim contra o futon,
estamos batendo contra a parede e não importa nem um pouco, porque
nós dois estamos muito próximos de gozar e estou tão feliz que acho que
posso explodir.
Nós não conseguimos voltar para o apartamento de Daisy por mais
de uma hora. E estamos bem com isso. De alguma forma, acho que
Daisy já esperava.

DANIEL

Fazer amor com Regan em um lugar onde não temos de manter um


olho na porta e um pé no chão, é ao mesmo tempo estranho e
surpreendente. Não posso esperar para ir para a cama com ela e para
então, ser capaz de acordar e fazer sexo pela manhã. Depois podemos
voltar a dormir para acordar novamente e fazer sexo no meio da manhã.
Quando sugeri que ficássemos no pequeno futon e fingi que adormeci,
ela balançou a cabeça. Daisy está nos esperando. Bem, foda-se Daisy
penso. Acredito que a minha opção (ficarmos para foder) era melhor, mas
puxo minha calça e junto-me à garota fazendeira e a seu grosseiro
ucraniano para o jantar. Pelo menos eles têm comida. Na cozinha, as
garotas estão fazendo bebidas que contêm bastões de doces. Não me
importo com uma bebida frutada de vez em quando, mas tenho um
limite bem claro e tiro os bastões de doces da minha
bebida.
Nick, em um raro ataque de perspicácia, me convida para ir ao
telhado. Em teoria, é uma boa ideia. Sair e conseguir uma nova
perspetiva e deixar as garotas à vontade. A temperatura destaca-se
abaixo de zero, o que faz minhas bolas praticamente voarem para dentro
do meu corpo em busca de calor. Espero que elas voltem ao seu devido
lugar quando virem Regan novamente. Nick o ucraniano, é
aparentemente insensível ao frio, porque ele usa uma camisa de algodão
fina parecendo estar apreciando a brisa Ártica. Eu, por outro lado, estou
bebendo minha Shiner Bock o mais rápido possível para conseguir
algum calor em minhas veias.

Nick não fala, apenas olha fixamente e impassivelmente à distância.


Pergunto-me se ele sabe da situação na Rússia ou como ele se sente
sobre a situação atual na Ucrânia, mas não temos esse tipo de
relacionamento, então, ao invés de palavras, admiramos a paisagem
noturna. A noite está sem nuvens e lua ilumina o céu o suficiente para
que você possa ver o tom azul-escuro e preto. É estranho ver Nick sem
uma arma. Ele era um assassino rigoroso, metódico e bem-sucedido. Se
ele pegasse um trabalho, a outra pessoa estava morta. O único projeto
que ele não completou foi o último porque deixou tudo para resgatar
Daisy na Rússia. Agora ele é um estudante de arte e um arrendatário. O
mundo virou de cabeça para baixo.

— Irá conversar com os seus pais? — Nick fala pensativo, como se


estivesse preocupado comigo.

— Amanhã, será a primeira coisa que farei. —


Respondo e depois franzo a testa. Porra, sem sexo no meio
da manhã então. Talvez tenhamos sexo quando acordarmos
e possa fodê-la no chuveiro. Isso pode me segurar até tê-la novamente na
hora do almoço. — Porquê? Você teve problemas com o papai Miller?

Nick acena com a cabeça. — Ele não gosta das pessoas.

— Vocês dois tem muitas afinidades então, são como BFF, porque
convenhamos você não gosta de pessoas também. — Afirmo.

— Ah, bem... É verdade. — É claro que Nick me leva a sério.


Enquanto aprecio sua preocupação, não tenho preocupações sobre
conhecer os pais de Regan. O meu maior problema é o que farei comigo
mesmo agora que não estou focado em procurar por minha irmã.
Felizmente, não tenho que decidir isso hoje ou amanhã, nem mesmo na
próxima semana. Tomo minha garrafa e pego outra. Uma coisa positiva
sobre o frio é que colocar suas garrafas na neve mantém a cerveja boa e
fria. Cerca de quatro minutos de silêncio depois, depois de ter esquecido
completamente sobre o assunto, Nick pergunta. — BFF?

— Melhores amigos para sempre. — Explico.

Nunca deixa de surpreender-me como Nick é inapto no quesito da


interação social, mas dado que ele passou a maior parte do tempo
matando pessoas, acho que fazia sentido erguer barreiras emocionais. O
exército está cheio de pessoas que matam, mas de alguma forma
distorcida, somos como uma família. Um atirador de elite nunca está
sem seu olheiro e até mesmo as equipes de reconhecimento são
compostas de quatro a cinco membros. De repente, percebo
que parte da carga emocional dos últimos dezoito meses
que assumi foi devido ao fato de que estava sozinho
durante a maior parte do tempo. Durante meu período
como um mercenário, tentei criar conexões com outros como Nick,
porque quando perdi minha equipe, foi como perder a minha família.
Regan fala sobre deixá-la, mas não posso viver sem Regan. Se ela me
deixasse, não seria nada. Poderia muito bem dar um tiro na cabeça
porque me afastar dela significaria que já estava morto por insuficiência
cardíaca.

— Vasily Petrovich está com a sua irmã. — Comenta Nick.

— Sim. Ameacei denunciá-lo à Bratva se ele a machucar.

— Ou nós poderíamos matá-lo. — Nick oferece indiferente como se


ele estivesse perguntando se eu quero um cigarro.

Penso que se você foi criado para matar antes mesmo de aprender a
alimentar-se, então é assim que age. Mas afinal quem sou eu para falar
sobre o assunto? Meu último trabalho para Nick foi matar um cirurgião
que trabalhava em Seattle e estava tirando órgãos de pessoas doentes e
vendendo-os no mercado negro. Tudo para que ele pudesse sair do
negócio. Fiz como um presente de casamento para ele e Daisy, embora
eles não estejam casados ainda.

— Por alguma razão realmente confio nele. Além disso, você não
tem permissão para voltar para a Europa Oriental, lembra-se?

Nick encolhe os ombros.

— Para matar Petrovich, pode valer à pena.


Sento-me, estico minhas pernas, tomo minha segunda cerveja, mas
não abro outra. Tenho planos para hoje à noite com Regan que exigem
sobriedade.

— Estou cansado disso, Nick. Cansado de matar pessoas,


adormecer com a arma no meu peito, não tendo certeza se vou acordar
no meio de um tiroteio. Estou cansado de fechar os olhos e ver respingos
de sangue. Quero ir dormir na mesma cama todas as noites e acordar de
manhã. Quero fazer amor com Regan em um verdadeiro colchão com
lençóis macios. — Do telhado posso ver o horizonte de Minneapolis e os
contornos do aeroporto para o sul. Entendo porque Nick escolheu este
lugar. Sinais sutis de melhorias estão em toda parte. Em alguns anos,
este lugar valerá uma fortuna, mas não quero viver na cidade,
convivendo com uma centena de queixas diárias ou pintando quadros,
com um monte de tinta preta e vermelha. Essa cena não me interessa.
Quero ir para casa, mostrar a Regan a terra que o meu bisavô deixou.
Ela verá os potros nascendo e as rosas azuis saindo da terra. Viro e olho
para Nick para ver se ele ouviu e digo. — Estou cansado dever tanta
morte.

— Da17, eu também estou. — Ele levanta uma garrafa de vodka. —


Mas o que você fará agora?

— Não sei, cara. Tem algum conselho para mim? — É uma piada,
uma referência a quando Nick me pediu conselhos de namoro quando ele
estava perseguindo Daisy. Mas Nick não sabe brincar,
então ele pensa e bebe um quarto da vodka.

17
Sim
— É mais fácil puxar o gatilho para derrubar alguém do que saber o
que vai trazer felicidade no futuro. — Nick finalmente declara.

— Sei que Regan me faz feliz. Ficarei com isso. Por enquanto,
porém, por que você não me deixa dar uma olhada em sua lista de coisas
a fazer.
Capítulo 30
REGAN

Agora que estamos de volta em Minneapolis, tenho uma lista de


coisas para fazer. Ir ao médico e tomar pílula para que Daniel e eu
possamos fazer sexo delicioso e intenso sem preocupações. Eu também
quero fazer exames para doenças venéreas novamente, porque sou
paranoíca. Quero ter certeza de estar limpa, incluindo gravidez. Na
verdade, esse fato me deixa um pouco triste, mas agora não é o momento
para começar uma família.

Também me inscrevi para sessões de aconselhamento porque ainda


tenho ataques de pânico quando Daniel sai da sala por qualquer período
de tempo e ainda tenho pesadelos. Sei que não estou totalmente bem da
cabeça. A psicóloga entende e ela é solidária. Daniel vai comigo para o
aconselhamento e é bom. É um passo na direção certa.

Quero voltar para a faculdade e para minha carreira,


mas a psicóloga não acha que é uma boa ideia e eu fiquei
surpresa quando Daniel concordou. Eles querem me dar
um tempo para me acostumar ao normal novamente.
Normal, sem tantas pessoas, ou seja, já que as pessoas ainda me deixam
ansiosa. É estranho pensar, mas tento ser normal novamente. Vejo
muitos filmes de terror com Daniel e pintamos o nosso apartamento para
termos algo que fazer.

Visitei meus pais, fomos emotivos e desajeitados como pensei que


seríamos.

Não lhes disse que passei dois meses em um bordel. Acho que iria
quebrá-los, quase tanto quanto chegou perto de me quebrar. Então
contei uma mentira. Tirei umas férias de improviso com a minha colega
de quarto Daisy para Cancun, bati com a cabeça durante o mergulho do
penhasco e Daisy pensou que me afoguei. Acordei em um hospital com
amnésia e apenas agora fiquei melhor. E Daniel estava na cama ao meu
lado com uma doença tropical e nós nos apaixonamos.

É tudo muito Os Dias de nossas vidas e não sei se os convenci, mas


é mais agradável do que a verdade.

No entanto, eles estão preocupados com minha saúde. Eles querem


que eu volte para casa para me cuidar. Não posso, no entanto. Não sou
mais sua garotinha. Nós ficamos com eles por alguns dias, mas fiquei
inquieta. É claro que eles não entendem, nem entendem por que Daniel
precisar verificar o quarto antes de eu entrar e porque isso me deixava
mais segura.

Minha nova melhor amiga Daisy está sempre ao meu


lado. Quando Daniel e Nick estão ocupados trabalhando no
prédio, vamos às compras, trocamos confidências ou
fazemos o que precisa ser feito. Não estou sozinha nem por
um segundo e isso me faz sentir bem. Não sei se Daniel pediu a ela para
ser minha sombra ou se ela sente que estou com medo de ser
abandonada, mas aprecio de qualquer maneira. Sua atenção acabou
com o ressentimento que tinha por ela.

Um dia, reuni minha coragem e me convidei para ir visitar Mike e


Becca. Não fui com Daniel, tinha medo dele atirar em Mike porque não
pode suportá-lo por ser, bem, Mike. E também por ser egoísta e se juntar
com a minha melhor amiga. Não acho que a culpa é de Mike tanto
quanto não é minha, embora. Aceitava tudo antes. Agora não é mais
assim.

Daisy foi comigo, porque não gosto de ir a qualquer lugar sem


alguém comigo. Nós fomos até o prédio de Mike, com o qual estou
intimamente familiarizada. Lembrei-me de todas as vezes que dirigi até
aqui depois de um jogo de futebol ou para uma transa rápida e algum
afago porque Mike estava cansado e não queria sair. Como aceitava isso?

— Você tem certeza que quer fazer isso? — Daisy pergunta pela
centésima vez quando caminhamos para o prédio e seguimos para o
elevador.

— Tenho certeza. — Digo a ela. — Mike merece um encerramento


também, você não acha?

— Sim. — Daisy diz e ela parece perturbada. É uma boa amiga.


Aperto sua mão para que saiba que está tudo bem e nós
vamos até ao quinto andar, onde Mike viveu durante os
últimos anos. Batemos à sua porta, apesar de ter uma
chave reserva do apartamento. Está colada no fundo do
meu pote de biscoitos. Era apenas para emergências, apesar de tudo.
Como no caso do apartamento de Mike precisar de algum cuidado
quando ele estivesse fora da cidade com os amigos.

Cara, eu realmente era um capacho antes. Definitivamente minha


vida não é mais assim. Sorrio para mim mesma com o pensamento.
Pergunto-me o que Mike pensará de mim agora.

Ele atende a porta. Estou um pouco dececionada por não ser Becca,
porque não precisaria de uma grande conversa inicial. Mas Mike parece
absolutamente chocado ao me ver.

— Meu Deus. Regan. — Ele começa a chorar e estende a mão para


abraçar-me.

Tenho que admitir, este não é o jeito que imaginei que seria sua
receção. Bato levemente em suas costas sem jeito e dou a Daisy um
olhar indefeso quando Mike abraça meus ombros. Ele está muito grato
por me ver viva novamente, diz entre soluços. Ele pensou que eu
estivesse morta.

Então se afasta e tenta me beijar. Claro, eu recuo.

— Não. — Digo. Não quero ser beijada por ele, nunca mais.

Ele parece chocado e me afaste dele.

— O que está errado? Baby, você está bem?


— O que está errado? Mike, eu sei que você está com Becca. —
Posso ver de onde estou de pé a sua merda espalhada por todo balcão da
cozinha.

Ele balança a cabeça e seu rosto fica um pouco mais pálido. Noto
que ele começa a fechar a porta do apartamento atrás dele, bloqueando
nossa visão e luto contra a vontade de rir quando a pequena e doce
Daisy faz uma careta com este movimento.

— Não baby. Isso foi... você sabe algo... para nos confortarmos.

— Uh-huh. — Digo categoricamente. — Quão rápido vocês


começaram a confortar um ao outro? Estou curiosa. Foi um dia ou dois
depois que fui sequestrada ou você esperou uma semana inteira?

A julgar pelo rubor feio que cruza seu rosto, não estou longe da
marca. Ele está envergonhado.

— Não foi assim, Regan. Eu estava... tão chateado quando você


desapareceu. — Ele aperta meu ombro. — E continuei bebendo, Becca
veio conversar. E ela... bem, não foi mais embora.

— Você faz parecer que Becca pulou em seu pau.

Ele balança a cabeça novamente e tenta acariciar meu braço, mas


eu bato em sua mão.

— Baby, você sabe que eu amo você e apenas você. —


Ele sorri para mim em meio às lágrimas. — Você está...
está bem?
— Melhor do que você. — Digo e estou surpresa ao descobrir que é
verdade. Ele tem meleca escorrendo pelo rosto e está uma bagunça. Sua
camisa está suja, manchada com café da manhã. Parece que não faz a
barba há uma ou duas semanas e seu cabelo está oleoso. Ele parece
estar na merda.

O que é irônico já que eu sou a única que passou pelo inferno, não
ele. Mas quando seus olhos me olham novamente, encontro-me batendo-
lhe no ombro.

— Não acho que você quis falar mal dela, Mike. — Digo. — Tenho
certeza de que você estava sofrendo e solitário. Todas as coisas sempre
foram focadas em você.

— O quê? — Diz ele, como se não me ouvisse direito.

— Você sequer procurou por mim, Mike? Ou ouviu que estava


desaparecida, jogou as suas mãos para o céu e começou a foder minha
melhor amiga?

Seus olhos vão de frente e para trás. Do meu rosto impassível para
o olhar de Daisy, ele continua procurando por simpatia. Não encontrará
nenhuma.

— Por que você está me culpando? — Ele diz com uma voz triste. —
Fiz tudo que podia. A polícia disse que iria lidar com isso.

— Tenho certeza que sim. — Digo. E talvez em sua


mente, Mike pense que fez tudo. Talvez ele possa ir dormir
à noite sabendo que fez alguns telefonemas e estava
apropriadamente triste por sua namorada que desapareceu. Talvez isso
seja tudo o necessário para Mike.

Então penso em Daniel. Ele procurando pelas ruas infernais e


cavando através de bordéis durante um ano e meio, à procura de Naomi.
Penso em tudo o que passamos juntos. E sei que se desaparecesse ele
rasgaria o mundo para tentar encontrar-me.

Ele nunca pararia.

E... sorrio. Estou com o homem certo. Posso ter passado pelo
inferno para chegar ao seu lado, mas estou onde preciso estar.

Mike retorna meu sorriso hesitante, mas está claramente confuso.

— Você quer entrar, querida?

— Não. — Digo a ele. — Não sou sua querida mais. Becca é agora.
— Aperto sua mão. — Espero que vocês dois sejam muito felizes juntos.

— Mas... não. — Começa Mike. — Regan, eu quero você...

Balanço minha cabeça. — Estou aqui para dar-lhe um


encerramento, Mike. — Dou a sua mão um leve aperto. — Você e eu
acabamos. Eu segui em frente e você, também.

Ele começa a chorar novamente e a expressão no rosto de Daisy


passou de cara feia para horrorizada novamente, o que vou rir mais
tarde, quando contar a Daniel tudo sobre isso.

— Mas, Regan, eu te amo, não amo a Becca.


— Então sugiro que você termine com ela, também. — Digo
suavemente e dou-lhe um abraço impulsivo. Afasto-me antes que ele
possa me abraçar novamente. — Adeus, Mike.

Ouço seu choro de adeus enquanto Daisy e eu caminhamos pelo


corredor. Ele não corre atrás de mim. Mike não é esse tipo de cara. E
antes, eu não era o tipo de garota que precisava de um cara assim.

Acho que nós dois mudamos.

DANIEL

Regan me disse que visitou Mike e que ele está feliz que ela tenha
seguido em frente. Não dou a mínima para o estado mental de Mike e
ainda acho que estaria fazendo um favor ao mundo, matando-o como o
cão inútil e doente que ele é, mas acho que Regan não ficaria bem com
isso. Tudo o que realmente importa é que ela está feliz.

Fomos visitar seus pais novamente. Eles ainda me


tratam como se eu fosse um Deus, como se me apaixonar
enquanto ela tinha amnésia fosse uma grande coisa. A
única coisa boa sobre a visita a seus pais era que eles nos
davam uma tonelada de alimentos. Às vezes comíamos por dias. Talvez
devesse fazer uma aula de culinária. Regan não é a melhor cozinheira e
nem eu sou. Um de nós terá que aprender a operar o fogão para outra
coisa que não seja aquecer sopa.

Cometi o erro de me queixar do frio, o que levou seu pai a me dar


um velho casaco que me fez parecer um mashmallow. Mais tarde
naquela noite, assistimos Caça-Fantasmas, que era, segundo Regan,
uma espécie de filme de terror. Ela me pediu para colocar o casaco e
enfiou dois pedaços de papel na minha cabeça para imitar o chapéu da
criatura. Eu fiz isso porque ela estava rindo tanto que havia lágrimas de
felicidade nos olhos. Faria qualquer coisa para manter aquele sorriso em
seu rosto. Mas concordou que precisava de roupas mais quentes, então
no dia seguinte, fomos a um dos bancos onde Naomi depositou o
dinheiro que roubou dos traficantes de drogas.

Regan ficou chocada com a quantidade. Eu meio que esperava.


Naomi era tratada assim, principalmente porque ela era muito valiosa.

— Você pode ser uma dondoca. — Brinco quando nós deixamos o


banco. Apenas queria dinheiro suficiente para comprar o meu próprio
casaco, que não parecesse que estava andando por aí usando dois
travesseiros costurados juntos, mas a quantidade de dinheiro me fez
pensar que poderia comprar uma ilha.

— Isso soa terrível. — Diz ela. — Eu ficaria louca sentada sem fazer
nada.
— Pelo lado positivo, é uma boa coisa que você saiba contabilidade.

— Não acho que a minha calculadora algum dia já somou estas


quantias. — Ela responde com descontentamento.

Beijando sua testa, coloco um braço ao redor do seu ombro


enquanto nós caminhamos para o estacionamento. — Basta pensar, você
pode colocar um adesivo em sua mochila que diz: Minha outra bolsa é
Hermes.

Ela me dá um soco no estômago, mas o casaco me protege


completamente. Huh, talvez isso seja bom para alguma coisa.

Mantenho-me ocupado fazendo o trabalho de faz-tudo para Nick.


Para um cara que poderia ficar por horas sem se mover, ele está
mostrando surpreendentemente pouca paciência com as coisas
mundanas em todo o prédio.

— Realmente acha que ser um senhorio é a ocupação certa para


você? — Digo depois de Nick recuar enquanto ele pisa para fora do
apartamento do primeiro andar para tirar água. Estávamos tentando
consertar a pia, mas aparentemente, fizemos algo errado. Sou muito bom
em quebrar merdas, disparar armas e cuidar do gado, mas fiação e
encanamento? Isso é como tentar descobrir o funcionamento interno de
uma mente feminina. É preciso tempo e paciência, nem Nick está
exibindo, nem estou interessado em exercer.

Regan está afastada da universidade tentando


argumentar se deveria ser autorizada a fazer os testes e
obter seu diploma, em vez de passar um semestre inteiro
tendo aulas novamente. Uma coisa sobre a vida em um mundo com
regras, você não pode segurar uma arma na cabeça de alguém e forçá-los
a fazer sua vontade. Ou acho que poderia, mas Regan não permitiria
isso. Viro a chave na minha mão. É pesada e o fim dela causaria uma
série de prejuízos. Eu poderia matar um homem com um golpe bem
colocado. Definitivamente incapacitar alguém gravemente com o joelho
ou o cotovelo. Balanço para fora meu braço para testar a resistência do
ar contra a ferramenta de aço pesado.

— O que você está fazendo?

Levanto os olhos e vejo Regan na porta que foi entreaberta por Nick.

— Hum, nada? — Minto, saindo da minha posição agachada onde


estava com um inimigo imaginário ajoelhado sob a mira da minha nova
arma. Culpa me bate. Deixo a chave atrás de mim no balcão e vou em
direção a ela.

— Parece que você estava praticando algum tipo de movimento


assassino. — O ceticismo é claro em seu rosto e voz.

Puxando Regan em meus braços, eu coloco beijos molhados ao


longo da sua garganta.

— Você nunca sabe quando precisarei protegê-la de uma aranha ou


barata. Não posso permitir que minhas habilidades enferrujem.

Inclinando a cabeça de lado, ela me dá o maior acesso


à pele sensível em seu pescoço. E estremece quando eu
chego ao local escondido atrás da orelha. Seus braços
deslizam ao redor de mim e o reparo da casa passa a ser
substituído pela sensação de seu corpo exuberante contra o meu. Regan
está comendo regularmente desde que deixamos o Brasil e parece bom
para ela, para não mencionar o quanto gosto da sensação de suas curvas
em minhas palmas.

— Deus, você é tão gostosa. Vamos lá para cima. — Sem esperar


por uma resposta, a levanto sobre meu ombro e aperto uma bochecha de
sua bunda deliciosa.

— Meu sangue está indo todo para a minha cabeça. — Ela reclama.

— Não se preocupe. Em breve estará entre suas pernas. — Esta é


uma boa posição, porque ela não pode ver a minha expressão
presunçosa.

— Certo bebezão.

— Pensei que nós tínhamos concordado que você iria me chamar de


Daniel Pau Grande.

Minha recompensa são mais alguns socos, os mesmos socos que


viram carícias uma vez que estamos no interior do quarto e minha
cabeça está entre suas pernas. Suas mãos seguram meus ombros
enquanto me concentro no gosto e cheiro de sua vagina fantástica.

Quando eu finalmente entro nela, ela me recompensa com um


sorriso sonhador e uma observação ofegante.

— Você tem um pau enorme, Daniel.


— Está ficando maior a cada elogio. — Respondo apertando seus
quadris e entrando forte em seu doce calor.

— É enorme. Maior do que um elefante.

Gargalho enquanto permito que ela me vire e monte-me como se eu


fosse um cavalo selvagem. Sexo com Regan é glorioso, divertido, intenso
e apaixonado.

Depois do nosso sexo selvagem, Regan faz redemoinhos com seu


dedo indicador nos pelos do meu peito. Se eu tivesse qualquer força no
corpo isto poderia ser um preliminar, mas ela acabou comigo.

— Você parece inquieto ultimamente.

— Acho que precisamos de uma cama maior. Não há espaço


suficiente aqui para realmente fazer tudo o que estou fantasiando.

Ela puxa alguns pelos.

— Estou falando sério. Estou preocupada. Não acho que ser um faz-
tudo é o que você quer fazer para o resto da sua vida.

Rolo-a e coloco os braços acima da sua cabeça.

— Se o resto da minha vida eu passar com você, então está tudo


bem. Essa é uma única coisa que tem importância.

— Então rápido. Você deve manter seu pau dentro de


mim. — Sua voz é brincalhona, mas seus olhos contam
uma preocupação que eu não consigo dissipar. — Você
quer ir para casa?
— Eu estou em casa. — Não estou deliberadamente mentindo a
Regan. É a verdade. Minha casa é com ela. — Contanto que você me
ame, estou completo. — Parece que ela quer protestar ou discutir um
pouco mais, mas tenho outras ideias.

Pego-a em meus braços e a levo para o chuveiro, onde mostro-lhe


como é bom ter um lar. Não importa que não possa ir para casa até que
Naomi tenha resolvido suas coisas na Rússia, porque não iria deixar
Regan de qualquer maneira. Nem por toda a terra no rancho do Texas.

No dia seguinte, eu estou de volta à pia. Nick na aula de arte. Estou


recebendo um monte de ordens dele, xingo em ucraniano e chuto os
tubos. Quando as pias do banheiro são conectadas, resolvo tudo.
Adiciono um tubo em U e ligo o triturador de lixo e está pronto. Regan
está errada. Estou pegando o jeito em ser um faz-tudo e não me importo.
Estou tão envolvido em meu trabalho que não ouço uma porta se abrir
ou os passos dentro apartamento. Nem sequer percebo que não estou
sozinho até que eu me arrasto um pouco para fora debaixo da pia para
ver o meu pai em pé ao lado de Regan, parecendo cerca de trinta anos
mais velho da sua idade real.

— Papai. — Digo com cautela, tirando as luvas de couro de trabalho


e jogando-as na pia. — Você está muito longe do rancho. — Eu não me
lembro da última vez que o meu pai deixou o Texas. Pisco algumas vezes
para ter certeza que não estou tendo alucinações.

— Foi um voo direto de Dallas. — Diz ele e olha ao


redor da sala para tudo, menos para mim. Aproveito a
oportunidade e olho interrogativamente para Regan, mas ela apenas
sorri misteriosamente. — Bom lugar.

— Não é meu. — Posso ser grosso, se é disso que se trata. Regan


levanta as mãos como se não acreditasse em mim e dá um sorriso
brilhante para meu pai. Ela fica mais atraente assim do que mil líderes
de torcida do Dallas Cowboys, aquele sorriso derreteu meu pai como a
gordura do toucinho na frigideira. Ele pisca algumas vezes em silêncio,
parecendo atordoado e então ela tem misericórdia dele, caminha até mim
e mata-me com o mesmo olhar.

Felizmente estou ficando imune a esse sorriso, há um bom tempo.

— Papai, é bom vê-lo. Mamãe está com você?

Ele balança a cabeça.

— Sua irmã... — Ele para e limpa a garganta. A menção de Naomi


me deixa duro como uma tábua. — Sua irmã ligou e disse que está
trabalhando em um projeto e que ainda não pode voltar para casa.

— Ela disse que estava fazendo uma boa ação... — Digo a ele parte
do meu acordo com Vasily. Às vezes ele tem que lembrá-la do seu
trabalho, ela se perde em seu próprio mundo, uma grande parte do
tempo.

Meu pai balança a cabeça.

— Sim.

Então não há mais nada a dizer um ao outro, quando


Regan joga suas mãos para cima e grita. — Pelo amor de
Deus. Vocês dois são impossíveis, Naomi me ligou e perguntou por que
não tínhamos ido para a fazenda e eu disse que você não podia ir para
casa até que ela voltasse. Ela me falou que não sabia quando iria voltar.
Então, liguei para seus pais. Daniel, seus pais querem que você volte
para casa.

Uma onda de emoção passou por mim e cambaleei um passo, grato


por Regan estar bem ao meu lado.

— Isso é verdade?

Meu pai acena, olha para baixo no início e depois com os olhos
cheios de lágrimas, olha para mim.

— Nós sentimos sua falta, meu filho. Sua mãe, ela precisa de você
em casa.

É difícil falar porque estou embargado pelas emoções, mas depois


de um minuto olho para Regan e pergunto.

— Você quer conhecer minha casa?

Ela dá um sorriso, que para meu coração e me diz.

— Estou com você até o último suspiro.


Capítulo 31
REGAN

Dirigimos de Minnesota ao Texas para que eu pudesse pegar


minhas caixas de DVD, minhas roupas e minha caminhonete. Daisy
chora muito ao nos despedirmos, prometendo ir nos visitar. Nick parece
tão estoico e ucraniano como sempre, embora ele e Daniel troquem um
rápido abraço de homens.

Era estranho, mas não estou triste por deixar Minnesota. É um


adeus justo. Estou transferindo minhas horas de faculdade para uma
universidade local. Não tenho rancor em Minnesota assim posso voltar
para visitar. Se Daniel for para o Texas, lá é onde quero estar.

Dirigimos por alguns dias, parando para descansarmos, tirando


fotos ao lado da placa de Bem-vindos em poses divertidas.
Caímos em algumas armadilhas para turistas, comemos em
lanchonetes gordurosas, estacionamos a van e fizemos
amor no banco apertado de trás quando não aguentamos
mais. E o mais divertido é que eu estava viajando. Cada dia que acordo e
vejo o rosto de Daniel ao meu lado na cama fico grata por ele. Por tudo o
que ele representa para mim. Mesmo diante das dificuldades ele nunca
desistiu de nós. Até diante daqueles momentos em que estou necessitada
e exigente. Mesmo assim, ele está ali, sendo meu tudo. Nem todo homem
teria uma relação séria com uma garota danificada. Com alguém recém-
saído de um prostíbulo. Mas Daniel nunca me fez sentir suja ou usada,
ele me fazia sentir bela e amada.

Então, se ele queria ir para o Texas e ajudar seus pais na fazenda?


Vamos para o Texas. Sem dúvida nenhuma.

Apesar do Texas não ser definitivamente o que eu esperava. Pensei


que veria cowboys e vacas por todos os lados, mas me surpreendi ao ver
que é uma planície. Planícies por quilômetros e quilômetros de distância.
Existem algumas árvores atarracadas, mas em geral, é tudo gramado.
Daniel diz que no oeste do Texas para onde estamos indo é muito
diferente do leste, que não tem nada além de árvores.

A fazenda Hays fica no meio do nada. Fico surpresa quando


entramos numa estrada e vejo um portão de metal grande com um H
lateralmente separado por um D. — Essa é a nossa marca, Daniel diz e
há um pouco de orgulho em sua voz. É fascinante.

— E o que exatamente marcam? — Pergunto-lhe quando nós


passamos pelo portão.

— Bem, marcamos touros, bezerros ou loiras que não


se comportam. — Ele arqueia suas sobrancelhas e eu bufo.
— Acho então que deveria me comportar melhor. — Eu digo com
uma voz sensual, amando o fato dele gemer e agarrar meu joelho.

— Melhor parar — Ele me diz — Porque não posso ter uma madeira
em minha calça quando abraçar minha mãe.

Estou rindo quando o carro vai para a entrada grande do


estacionamento em frente à casa da fazenda. É uma monstruosidade de
madeira e pedra e tem uma longa varanda em volta da casa. Em
qualquer outro estado seria chamada de mansão. Aqui chamam de casa.

Assim que saio do carro, duas pessoas saem na em minha direção.


É o pai de Daniel e uma mulher com cabelos grisalhos que deve ser sua
mãe. Ela está chorando e os braços estão estendidos antes mesmo que
ela esteja fora da varanda. Então quando ela finalmente abraça Daniel,
chora mais ainda. Seu pai também o abraça e eles estão perdidos em seu
próprio pequeno mundo por um tempo.

Então, a mãe de Daniel se separa, enxugando suas bochechas e se


dirige para mim com os braços estendidos.

— Oh meu Deus. Você deve ser Regan. Ela é tão linda, Daniel. — E
ela me envolve em um abraço caloroso antes que possa me afastar.

Seu toque me faz endurecer por um momento, mas então, uma das
mãos de Daniel aperta meus ombros em sinal de conforto e fico bem.

— Mamãe, eu disse a você...

— Oh. — Ela suspira, suas mãos se afastando. — Eu


sinto muito...
— Está tudo bem. — Eu digo rapidamente, antes que alguém possa
falar. — Estou bem.

Ela me dá um sorriso doce. — Estava tão animada para ver minha


nova filha.

Nova filha? Existe algo que eu não saiba? Dou a Daniel um olhar
suspeito, mas ele então me puxa para um beijo. — Eu disse a ela que
éramos um casal. Acho que ela recebeu isso como se fossemos nos casar.

— Oh. — Eu digo, assustada. — Casar... como... Agora?

Daniel ri. — Talvez não agora, mas... em breve? – Há uma pergunta


em seus olhos, estou surpresa e satisfeita ao mesmo tempo.

— Talvez quando eu receber uma proposta real. — Eu o provoco, a


felicidade saindo da minha voz.

— Exigente agora lutadora? — Diz ele, com um sorriso no rosto.

Sua mãe está felicíssima e seu pai tem esse olhar paciente em seu
rosto que me faz lembrar muito de Daniel em seus momentos mais
calmos e assim, estamos em casa.

Horas mais tarde, estou rastejando para cama com Daniel. A


casa da fazenda é bem ampla, como nunca vi antes. Daniel e eu ficamos
em uma pequena casa separada, conectada à casa principal por uma
passarela coberta na parte de trás. Há um quarto, um
banheiro luxuoso e até mesmo uma pequena cozinha. Do
outro lado da nossa pequena casa há uma piscina e ao
longe estão os estábulos. Daniel me diz que a casa foi
construída para o capataz, mas até agora não foi usada. É perfeita na
verdade. Estamos longe o suficiente de sua família, mas perto o
suficiente para passarmos tempo com eles.

O dia foi agitado. Conheci a fazenda, as centenas de touros, o


celeiro e os estábulos. É como se fossem donos de uma pequena ilha de
terras.

Gosto disso. É como uma mini-fortaleza, mas em vez de homens


armados, há gado. Isso me faz sentir segura.

Daniel parece estar feliz também. Há uma luz em seus olhos que eu
nunca vi no Rio e quando ele olha para mim, não para de sorrir. Eu sei o
que é, sua missão está completa. Ele encontrou Naomi e mesmo que ela
não volte para casa, está segura. Ele está em casa com a sua família. Ele
tem a mim.

— Amanhã. — Ele arrasta meu corpo contra o dele e começa a


pressionar beijos no meu pescoço. — Amanhã, vamos andar a cavalo e
vou mostrar-lhe as ovelhas recém-nascidas. Irá gostar delas. Pequenas
coisinhas bonitas. — Sua mão desliza para meu seio.

— Mmm. — Passo os dedos por seu cabelo. — Você está pensando


em me transformar em uma fazendeira? Porque estou te avisando, estou
muito longe disso e mais perto de Los Angeles. Você pode se decepcionar
rapidamente.

Ele ri e aperta meu mamilo entre os dedos, me


distraindo.
— Lutadora, nunca ficarei decepcionado com você.

Por alguma razão, isso traz lágrimas aos meus olhos. — Não? —
Minha voz sai um pouco mais suave do que eu queria. Daniel pensa que
eu sou forte, mas lá vou eu com as lágrimas novamente.

— Nunca. — Ele diz fervorosamente e rola sobre mim. Em seguida,


me olha, seus dedos acariciando meu queixo.

— Como poderia me decepcionar com você, Regan? Está um pouco


danificada? Nós dois estamos mais fodidos do que o normal, mas
seremos fodidos juntos. E um dia, teremos uma família e Naomi voltará
para casa, e todos nós vamos administrar essa terra juntos.

Concordo, porque é bonito. — Juntos.

— Até meu último suspiro. — Daniel murmura novamente. —


Nunca sairei do seu lado. Nunca.

E sei que é verdade.