Você está na página 1de 13

Revista de Saúde, Paripiranga, Bahia, Brasil, v. 1, n. 2, p. 53-65, jan./jun. 2018. ISSN: 2526-4591 (Versão online)

IMPLANTAÇÃO DO SISTEMA DE INFORMA- ÇÃO DO PROGRAMA NACIONAL DE IMUNIZA- ÇÕES (SI-PNI)

Fabio Luiz Oliveira de Carvalho* Francielly Vieira Fraga* Igor Macedo Brandão* Wellington Pereira Rodrigues** Renan Sallazar Ferreira Pereira***

Resumo

Introdução: A implantação do SI-PNI demonstra a necessidade e importância de um sistema de informação aonde são registradas as doses vacinais aplicadas, movimento de imunológicos utilizados e notificação de agravos, o conhecimento ou não da cobertura vacinal e taxa de abandono trabalhando assim o impacto das ações na comunidade atendida. Objetivo: O trabalho objetiva então, de forma geral, avaliar se após a implantação do sistema o número de faltosos e o das doses desperdiçadas de vacinas diminuíram, ponderando o número de doses administradas, fornecendo dados sobre pessoas vacinadas e dados sobre movimentação de imunobiológicos nas salas de vacinação. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa com Seres Humanos do Centro Universitário UniAges, sob parecer nº 1440215. Método: Trata-se de um estudo, exploratório, transversal, de campo com abordagem qualitativa. A pesquisa de campo é caracterizada por investigações, juntamente com a pesquisa bibliográfica e/ou documental, se realiza pela coleta de dados junto a pessoas, com o recurso de distintas modalidades de pesquisas. Resultados: Em relação à faixa etária, que 1 profissional (16,7%) tem idade entre 26 e 34 anos, enquanto (3;50,0%) apresentam idade entre 43 e 50 anos e (2; 33,3%) apresentam 50 anos ou mais. Na escolaridade, (5; 83,3%) dos entrevistados

53

Revista de Saúde, Paripiranga, Bahia, Brasil, v. 1, n. 2, p. 53-65, jan./jun. 2018. ISSN: 2526-4591 (Versão online)

possuem ensino médio completo e (1; 16,7%) superior completo. Quanto a distribuição dos profissionais de Enfermagem, em que (5; 83,3%) dos entrevistados são auxiliares de enfermagem e (1; 16,7%) dos participantes é enfermeiro. Em relação ao tempo de serviço, verifica-se, que (2; 33,3%) dos participantes têm de 5 a 10 anos de exercício profissional, e (4; 66,7%) têm de 20 anos ou mais de profissão. Todos os profissionais entrevistados foram treinados e também com o tempo de serviço já tem pratica com o manejo das datas, orientações e registro de todas as doses dos vários tipos de vacina. Conclusão: Este sistema foi desenvolvido em parceria com o DATASUS e foi implantado em todos os estados e municípios do país com a proposta, de avaliação regional. O SI-PNI contém dados que são base importante para as informações das salas de vacina, os dados gerados (registro da dose aplicada) é base para a leitura da cobertura vacinal daquele local – Centro de Vacina.

Palavras-chave: Imunização; Cobertura Vacinal; Enfer- magem; Vigilância em Saúde.

* Professor do Centro Universitário AGES. ** Acadêmico do Centro Universitário AGES. *** Professor da Universidade Federal do Tocantins.

54

Revista de Saúde, Paripiranga, Bahia, Brasil, v. 1, n. 2, p. 53-65, jan./jun. 2018. ISSN: 2526-4591 (Versão online)

IMPLEMENTATION OF THE INFORMATION SYSTEM OF THE NATIONAL IMMUNIZATION PROGRAM (SI-PNI)

Fabio Luiz Oliveira de Carvalho Renan Sallazar Ferreira Pereira Francielly Vieira Fraga Igor Macedo Brandão Wellington Pereira Rodrigues

Abstract

Introduction: The implementation of SI-PNI demonstrates the necessity and importance of an information system where the applied doses are registered, the immunological movement used and the notification of the diseases, the knowledge of the vaccination coverage and the abandonment rate, thus working the impact actions in the community served. Objective: The overall objective of this study was to evaluate whether, after the implantation of the system, the number of absentees and the number of wasted doses of vaccines decreased, weighting the number of doses administered, providing data on vaccinated persons and data on the movement of immunobiologicals in vaccination rooms. The study was approved by the Ethics and Research Committee with Human Beings of the UniAges University Center, under opinion no. 1440215. Method: This is an exploratory, transversal, field study with a qualitative approach. The field research is characterized by investigations, along with the bibliographical and / or documentary research, is carried out by the collection of data with people, with the use of different research modalities. Results: In relation to the age group, 1 professional (16.7%) were between 26 and 34 years of age, while (3; 50.0%) presented age between 43 and 50 years and (2; 33.3%), 50 years or more. In school education, (5; 83.3%) of the interviewees have

55

Revista de Saúde, Paripiranga, Bahia, Brasil, v. 1, n. 2, p. 53-65, jan./jun. 2018. ISSN: 2526-4591 (Versão online)

completed high school and (1; 16.7%) higher education. Regarding the distribution of Nursing professionals, in which (5; 83.3%) of the interviewees are nursing assistants and (1; 16.7%) of the participants are nurses. Regarding the length of service, it is verified that (2; 33.3%) of the participants have 5 to 10 years of professional practice, and (4; 66.7%) have 20 years or more of profession. All professionals interviewed were trained and also with the time of service already has practice with the management of dates, guidelines and registration of all doses of various types of vaccine. Conclusion: This system was developed in partnership with DATASUS and was implemented in all states and municipalities of the country with the proposal of regional evaluation. The SI-PNI contains data that are important basis for the information of the vaccine rooms, the data generated (record of the dose applied) is the basis for reading the vaccination coverage of that location - Vaccine Center.

Keywords: Immunization; Vaccination Coverage; Nur- sing; Health Vigilance.

56

Revista de Saúde, Paripiranga, Bahia, Brasil, v. 1, n. 2, p. 53-65, jan./jun. 2018. ISSN: 2526-4591 (Versão online)

INTRODUÇÃO

O Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI) foi desen- volvido pelo Programa Nacional de Imuniza- ção em parceria com o Departamento de Infor- mática do SUS (DATASUS) com o objetivo de coletar os dados referentes as atividades de vacinas de forma a gerar relatórios e informa- ções individualizadas a partir da instancia lo- cal, isto é, do município. Tais dados podem subsidiar as decisões, definir as ações e me- tas a serem desenvolvidas pela Vigilância em saúde, na área de imunizações, no âmbito de sua gestão (BRASIL, 2003). A implantação do SI-PNI demonstra a ne- cessidade e importância de um sistema de in- formação aonde são registradas as doses va- cinais aplicadas; movimento de imunológicos utilizados e notificação de agravos, o conheci- mento ou não da cobertura vacinal e taxa de abandono trabalhando assim o impacto das ações na comunidade atendida. São registra- das todas as doses das crianças de zero a cinco anos. O instrumento de coleta de dados padrão do Ministério pressupõe pontos críti- cos com base nas normas do PNI, passíveis de escore com a seguinte classificação: ideal de 90 a 100%; bom de 76 a 89%; regular de 50 a 75% e; insuficiente < 50% (BAHIA, 2011). Para que a proteção individual e coletiva seja assegurada, são estabelecidos índices mínimos de coberturas vacinais. As metas na- cionais de vacinação são de 95% para a va- cina pentavalente constituída dos componen- tes DTP+Hib+Hb – (difteria, coqueluche e té- tano + hemófilo influenza tipo b), para tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba), vacina oral contra poliomielite (VOP) e a vacina con- tra hepatite B (HB); 90% para a vacina BCG (Ba- cilo de Calmette-Guerin) e a vacina oral con- tra rotavírus humano (VORH) e 100% para a

57

vacina contra a febre amarela nas áreas endê- micas e limítrofes dessas áreas. Para a vacina contra influenza, a meta nacional foi 70% até o ano de 2006, atualmente expandida para 80% de cobertura na população de 60 anos e mais de idade (BARREIRA, 2015). O trabalho objetiva então, de forma geral, avaliar se após a implantação do sistema o nú- mero de faltosos e o das doses desperdiça- das de vacinas diminuíram, ponderando o nú- mero de doses administradas, fornecendo da- dos sobre pessoas vacinadas e dados sobre movimentação de imunobiológicos nas salas de vacinação. Tendo intuito de diminuir as cri- anças que não retornam para doses seguintes das vacinas, bem como, os desperdícios das doses e o cadastro/controle das pessoas que recebem as vacinas. O centro de vacina é composto por uma equipe de enfermagem treinada para o manu- seio, conservação e administração das vaci- nas. Fazem parte a equipe a recepcionista, au- xiliar de serviços gerais, quatro técnicos de enfermagem e uma enfermeira responsável pela supervisão e treinamento em serviço. A equipe é responsável por todo funcionamento da sala de vacina e trabalham em conjunto para orientar e prestar assistência à clientela com segurança, responsabilidade e respeito, prover periodicamente as necessidades de material e imunobiológicos, manter as condi- ções ideais de conservação, manter os equi- pamentos em boas condições de funciona- mento, acompanhar as doses de vacinas ad- ministradas de acordo com a meta; buscar fal- tosos, divulgar os imunobiológicos disponí- veis, avaliar e acompanhar sistematicamente as coberturas vacinais e, buscar periodica- mente atualização no calendário vacinal.

Revista de Saúde, Paripiranga, Bahia, Brasil, v. 1, n. 2, p. 53-65, jan./jun. 2018. ISSN: 2526-4591 (Versão online)

MÉTODOS

Trata-se de um estudo, exploratório, trans-

versal, de campo com abordagem qualitativa.

A pesquisa de campo é caracterizada por in-

vestigações em que, juntamente com a pes- quisa bibliográfica e/ou documental, se rea-

liza pela coleta de dados junto a pessoas, com

o recurso de distintas modalidades de pes-

quisa, pesquisa ex-post-facto, pesquisa-ação, pesquisa participante, dentre outras. O muni- cípio de Fátima, de acordo com o IBGE, Censo Demográfico (2010), tem uma população de 17.652 habitantes, sendo 184 crianças de 0 a 1 ano, 1.006 de 1 a 4 anos, 8.994 adultos e 2.232 idosos. Devido ao controle realizado to- dos os meses no SI-PNI, a meta está sendo atingida e a cidade está no nível bom de 76 a 89%. O sistema de informação apresenta a lista de todos os vacinados e os faltosos, com isso a equipe de profissionais e os ACS bus- cam os faltosos, fazendo com que essa lista diminua e a meta vacinal aumente a cada mês.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

O Programa Nacional de Imunização (PNI) é um programa do Ministério da Saúde do Bra- sil, criado em setembro de 1973 e instituciona- lizado pelo decreto nº 78.231 de 12 de agosto de 1976, com o objetivo de promover o con- trole das doenças preveníveis por imunização, estabelecendo normas e parâmetros técnicos para a utilização de imunobiológicos para es- tados e municípios. O PNI passou a coorde- nar, assim, as atividades de imunizações de- senvolvidas rotineiramente na rede de servi- ços e, para tanto, traçou diretrizes pautadas na experiência da Fundação de Serviços de Sa- úde Pública (FSESP), com a prestação de ser- viços integrais de saúde através de sua rede

58

própria, também tem as funções de coordena- ção e supervisão da utilização dos imunobio- lógicos e, ainda, participação na produção dos imunobiológicos produzidos no país (RIBEIRO,

2008)

Antes da criação do PNI, os imunobiológi- cos eram utilizados apenas para o controle de doenças específicas como a febre amarela ou a varíola, mas após sua implantação, a vacina- ção foi incorporada na rotina dos serviços de saúde e o número de doenças contempladas com essa medida de prevenção foi ampliado, sendo que atualmente o PNI disponibiliza 12 vacinas para o calendário básico, são elas:

BCG, hepatite B, vacina oral contra poliomie- lite, vacina tetravalente (DTP + Hib, contra dif- teria, tétano, coqueluche e infecções pelo ha- emophilus influenzae b), antimalárica, tríplice viral (contra sarampo, caxumba e rubéola), trí- plice bacteriana DTP (contra difteria, tétano e coqueluche), dupla bacteriana dt (contra té- tano e difteria), dupla viral (contra sarampo e rubéola), contra influenza, contra rotaví- rus e antipneumocócica (RIBEIRO, 2008). Essas ações possibilitaram a erradicação da poliomielite em 1989, ao controle do sa- rampo, do tétano neonatal e acidental, das for- mas graves de tuberculose, da difteria, e da co- queluche. Há três instituições que divulgam os calendários de vacinação, sendo a primeira o Ministério da Saúde (PNI), que publica calen- dários para crianças, adolescentes e adul- tos/idosos; a segunda é a Sociedade Brasi- leira de Pediatria (SBP), que publica um calen- dário vacinal para crianças e adolescentes; e a terceira a Sociedade Brasileira de Imuniza- ções (SBIm), que publica todos os anos calen- dários atualizados para a vacinação de crian- ças, adolescentes, adultos, mulheres gestan- tes ou não, e mais recentemente o calendário vacinal para o bebê prematuro (MIGOWSKI; REIS, 2007).

Revista de Saúde, Paripiranga, Bahia, Brasil, v. 1, n. 2, p. 53-65, jan./jun. 2018. ISSN: 2526-4591 (Versão online)

Com a evolução do PNI, a sua abrangência passou a contemplar novas necessidades, como no caso de pessoas que necessitam de imunização diferenciada pelo fato de serem portadores de agravos à saúde que compro- metem o sistema imunológico. Para suprir tais necessidades, o PNI implantou em 1993, os Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE). Na atualidade, existem 38 unidades de imunobiológicos especiais, tendo pelo menos um CRIE em cada estado e no Dis- trito Federal (RIBEIRO, 2008). Os CRIEs, mediante prescrição, realizam profilaxia pré e pós-exposição a determinados grupos de risco; substituição de imunobiológi- cos quando aqueles da rotina não puderem ser utilizados em razão da ocorrência de even- tos adversos e imunização de pessoas imuno- deficientes. Atualmente estão disponíveis nesses centros a vacina antimeningocócica C conjugada, antipneumocócica, vacina penta- valente (DTP + Hib + HVB), DTP acelular, va- cina VIP (Salk), contra varicela, contra hepatite A, contra hepatite B, contra influenza, con- tra Hib, contra febre tifoide. Também estão disponíveis soros homólogos anti-hepatite B, antitetânico, antivaricela zoster e antirrá- bico (RIBEIRO, 2008). O PNI tem como meta operacional vaci- nar 100% das crianças menores de um ano com as vacinas indicadas para faixa etária no calendário básico. Sobretudo para interrom- per a cadeia de transmissão das doenças imu- nopreveníveis são preconizadas metas míni- mas de cobertura para a faixa etária indicada, sendo estas de 95% para pentavalente, antipo- liomielite, hepatite B e tríplice viral; 90% para BCG e 100% para dupla adulta e dTpa em mu- lheres em idade fértil nos municípios de risco para tétano neonatal (BRASIL, 2015).

Apesar da melhoria nas coberturas vaci- nais observada no Brasil, uma parcela das cri- anças continua sem ser vacinadas inadequa- damente, mesmo em locais com ampla dispo- nibilidade de serviços de saúde. Vários estu- dos de avaliação da cobertura vacinal e dos fa- tores relacionados à não-vacinação, realiza- dos em amostras representativas da popula- ção infantil foram desenvolvidos no mundo e no Brasil no sentido de elucidar esta questão. Dentre os fatores de risco para a não-vacina- ção destacam-se: baixa renda, residência em área rural, extremos de idade materna, maior número de filhos, baixa escolaridade materna, maior número de moradores no domicílio, re- sidência há menos de 1 ano na área, falta de conhecimento acerca das doenças prevení- veis por imunização, dificuldades de trans- porte, conflitos trabalhistas motivados pela perda de dias de trabalho para o cuidado dos filhos, ausência de seguro-saúde e presença de doença na criança (SILVA et al, 2015). Entre os instrumentos de política de sa- úde pública, a vacina ocupa, por certo, um lu- gar de destaque. No Brasil, as estratégias de vacinação têm alcançado altos índices de efi- ciência e servido de parâmetro para iniciativas semelhantes em outros países. Exemplos como os das campanhas contra a varíola e a poliomielite, bem como a proximidade da erra- dicação do sarampo em nosso território, de- monstram os bons resultados dos programas de cobertura vacinal coordenados pelo Minis- tério da Saúde (ZANEI, 2015). A vacina é uma técnica milenar, mas a va- cinação, o seu conhecimento e impacto na Sa- úde Pública são recentes, dinâmica e um campo cada vez mais crescente. Com conhe- cimento melhor das patologias e dos benefí- cios da vacinação, há uma tendência para uma melhora da qualidade de vida e, consequente- mente, o aumento da expectativa de vida.

59

Revista de Saúde, Paripiranga, Bahia, Brasil, v. 1, n. 2, p. 53-65, jan./jun. 2018. ISSN: 2526-4591 (Versão online)

A mais nova experiência de universaliza- ção de uma vacina no Brasil é a vacina da gripe (influenza), primeira campanha nacional de vacinação contra a gripe aconteceu em abril de 1999 e era destinada à população de 65 anos ou mais. A partir do ano de 2000, o Ministério da Saúde incluiu na indicação a faixa etária entre 60 e 64 anos, que atualmente representa um terço da população de 60 anos ou mais, bem como para as crianças de seis meses a menores de cinco anos; trabalhado- res da saúde (tanto da rede pública como par- ticular); povos indígenas; gestantes; puérpe- ras (mulheres até 45 dias após o parto); popu- lação privada de liberdade; funcionários do sistema prisional e portadores de doenças crônicas não transmissíveis ou com outras condições clínicas especiais (respiratórias, cardíacas, renais, hepáticas, neurológicas, dia- béticos, obesos, imunossuprimidos e trans- plantados) (BRASIL, 2012). Desde então, o Ministério da Saúde, os es- tados e os municípios realizam anualmente essa campanha. A campanha nacional de va- cinação contra a gripe é uma das efetivações do compromisso do governo brasileiro com a universalidade, a integralidade e a equi- dade da atenção à saúde na área de imuniza- ções, atendendo, deste modo, aos princípios fundamentais do Sistema Único de Saúde. Com essas medidas o Ministério da Saúde ob- jetiva contribuir com a prevenção de enfermi- dades que interferem no desenvolvimento das atividades rotineiras da população em foco, reduzindo a morbimortalidade por doenças in- fecciosas imunopreviníveis e melhorando a qualidade de vida, o bem-estar e a inclusão so- cial (BRASIL, 2012). O Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações -SI-PNI- foi desenvol- vido em 1993 em parceria com a Coordenação

Nacional do Programa e o DataSUS (Departa- mento de Informática do Sistema Único de Sa- úde). Entre 1994 e 1997, o Sistema foi implan- tado em todas as coordenações estaduais e, desse ano até 2003, é descentralizado para as regionais e municípios. O SI-PNI criado em 1993 é hoje o SI-API, Sistema de Avaliação do Programa de Imunizações. Ele se constitui em um sistema informatizado que consolida os dados nacionais de imunizações, sendo capaz de emitir relatórios a qualquer época, a fim de proporcionar sua análise e a tomada de deci- sões oportunas. O SI-API aperfeiçoou os regis- tros de imunizações na rede pública do País, qualificou os dados nacionais e suas análises, agilizou o fluxo de informações e proporcio- nou aos gestores em todos os âmbitos o con- trole e o melhor gerenciamento de suas ações (BRASIL, 2014). Para o Ministério da Saúde, entende-se sala de vacina como o local destinado ao ar- mazenamento e a administração dos imunobi- ológicos, cujas atividades devem ser desen- volvidas por uma equipe de enfermagem, com treinamento específico no manuseio, conser- vação e aplicação dos imunobiológicos e re- gistro das doses aplicadas (BRASIL, 2014). É de fundamental importância a capacita- ção dos profissionais no manuseio com o pro- grama SI-PNI, para que todos possam cadas- trar as crianças e adultos, controlar todas as doses de todos os tipos de vacina que são ad- ministradas em todos os períodos de funcio- namento e fazer o cadastro de todas as vaci- nas que dão entrada no centro. De acordo com a pesquisa de campo o centro de vacina tem funcionário constante que trabalha com o pro- grama realizando todos os requisitos neces- sários para manter o município com todos os dados atualizados com a secretaria de vigilân- cia sanitária do estado, mantendo a meta de

60

Revista de Saúde, Paripiranga, Bahia, Brasil, v. 1, n. 2, p. 53-65, jan./jun. 2018. ISSN: 2526-4591 (Versão online)

vacinação exigida pelo Ministério da Saúde (BRASIL, 2011).

O centro de vacina trabalha sempre com o

calendário vacinal atualizado e com todas as vacinas disponíveis pelo PNI, a vacinação de rotina orientada pelo calendário nacional de vacinação, é utilizada para a prevenção das doenças imunopreviníveis, no âmbito indivi- dual e, principalmente, coletivo. Deste modo, a vacinação homogênea da população menor

de um (1) ano das vacinas de rotina como tam- bém, nas campanhas são estratégias para o impacto ambiental e a imunidade em massa, interrompendo possibilidades de transmissão das doenças (BRASIL, 2003).

TABELA 1: Distribuição dos profissionais de Enfermagem por faixa etária, Fátima/BA,

2018.

Faixa etária

Nº absoluto

%

26-34

01

16,7

35-42

00

0,0

43-50

03

50,0

51 ou mais

02

33,3

Total

06

100

Fonte: Dados coletados pela pesquisadora,

2018.

Em relação à faixa etária, mostra-se, na Tabela 1, que 1 profissional (16,7%) tem idade entre 26 e 34 anos, enquanto que 03 (50,0%) apresentam idade entre 43 e 50 anos e 02 (33,3%) apresentam 50 anos ou mais.

A força de trabalho dos profissionais de

Enfermagem, no Brasil, é, majoritariamente, jo- vem com 63,23% na faixa etária entre 26 a 45 anos, no auge da sua força produtiva e repro- dutiva. (COFEN, 2010). Segundo Oliveira et al. (2009), o investi- mento na formação, no aperfeiçoamento e na

educação permanente dos profissionais que compõem a equipe de enfermagem é de fun- damental importância, devido às constantes mudanças nas normas de vacinação, sendo profissionais com mais de 40 anos a forma- ção é mais amena devido a responsabilidade e aos anos de prática e, também, por serem eles os responsáveis pela imunização nas re- des municipais.

TABELA 2: Distribuição dos profissionais de Enfermagem, conforme grau de escolari- dade, Fátima/BA, 2018.

Escolaridade

N o absoluto

%

Ensino médio completo Ensino médio incompleto Superior completo

05

83,3

00

0,0

01

16,7

Total

06

100

Fonte: Dados coletados pela pesquisadora,

2018.

Em relação ao grau de escolaridade, os dados constantes na Tabela 2 apontam que 05 (83,3%) dos entrevistados possuem ensino médio completo e 01 (16,7%) superior com- pleto, ensino médio incompleto ademais, ne- nhum participante é analfabeto ou possui fun- damental incompleto. Desse modo, a assistência de Enferma- gem envolve diferentes atividades que corres- pondem a vários graus de responsabilidade, o que faz com que a assistência seja prestada por uma equipe composta por trabalhadores de diversos níveis: o enfermeiro, com forma- ção em nível superior e os técnicos e auxilia- res de enfermagem com formação em nível médio, o que aponta a importância do aprimo- ramento profissional.

61

Revista de Saúde, Paripiranga, Bahia, Brasil, v. 1, n. 2, p. 53-65, jan./jun. 2018. ISSN: 2526-4591 (Versão online)

Pode-se perceber que indivíduos com maior escolaridade apresentam melhor índice de capacidade funcional quando comparados com os de pouca escolaridade, fator prepon- derante para o desenvolvimento de práticas com maior consciência e distanciamento de problemáticas de saúde envolvendo os paci- entes e o próprio cuidador (ZANEI, 2015).

TABELA 3: Distribuição dos profissionais de Enfermagem quanto à profissão, Fátima/BA

2018.

Profissão

N o absoluto

%

Auxiliar de enfermagem Técnico de enfermagem Enfermeira

00

0,0

05

83,3

01

16,7

Total

06

100

Fonte: Dados coletados pela pesquisadora,

2018.

A tabela 3 demonstra a distribuição dos profissionais de Enfermagem quanto à profis- são, em que 05 (83,3%) dos entrevistados são auxiliares de enfermagem e 01 (16,7%) dos participantes é enfermeiro. Tais dados corro- boram para os índices nacionais que apontam, no país, 875.545 profissionais de Enferma- gem, sendo que 116.457 (13,4%) são enfer- meiros, 228.030 (26%) são técnicos de enfer- magem e 504.885 (57,5%) são auxiliares de enfermagem. O Programa Nacional de Imunização é complexo, exigindo muita responsabilidade. O manuseio inadequado na aplicação dos imu- nobiológicos pode causar sérios eventos ad- versos. Dessa maneira, é necessário que o profissional responsável pela vacinação tenha uma formação técnica adequada e não ape- nas dedicação. É necessário que seja treinado

até mesmo na administração das vaci- nas orais. É relevante a atuação do enfermeiro em todas as ações de uma sala de vacina, onde é de sua responsabilidade a conservação das vacinas, manutenção do estoque, administra- ção das vacinas, capacitação do profissional e elaboração do arquivo de cartão espelho, o qual tem o controle das doses administradas na rotina diária, garantindo assim a eficácia de uma possível busca ativa aos faltosos (PE- REIRA, 2007).

TABELA 4: Distribuição dos profissionais de Enfermagem quanto ao tempo de serviço, Fá- tima/BA, 2018.

Tempo de serviço

N o absoluto

%

00-04 anos 05-10 anos 11-15 anos 16-20 anos 20 anos ou mais

00

0,0

02

33,3

00

0,0

00

0,0

04

66,7

Total

06

100

Fonte: Dados coletados pela pesquisadora,

2018.

Em relação ao tempo de serviço, verifica- se, na Tabela 4, que 02 (33,3%) dos participan- tes têm de 5 a 10 anos de exercício profissio- nal, 04 (66,7%) têm de 20 anos ou mais de pro- fissão, enquanto que de 00 a 04 anos, de 11 a 15 anos e de 16 a 20 anos não tem profissio- nal existente. A prática da vacinação envolve diversos aspectos científicos e técnicos operacionais que envolvem os agentes imunizantes e a pes- soa a ser imunizada, e para isso faz-se neces- sário que a equipe de vacinação esteja ciente

62

Revista de Saúde, Paripiranga, Bahia, Brasil, v. 1, n. 2, p. 53-65, jan./jun. 2018. ISSN: 2526-4591 (Versão online)

desses aspectos, para que possa assumir de- cisões em situações diferentes das previs- tas nos manuais de normas técnicas, estes profissionais são os com faixa etária de mais de 45 anos (VRANJAC, 2008).

TABELA 5: Indicação com a administração das vacinas, Fátima/BA, 2018.

Apresentação

N o absoluto

%

Idade e intervalo entre as doses Sim Não Orientação sobre a vacina administrada Sim Não Orienta o registro do aprazamento Sim Não

06

100

00

0,0

06

100

00

0,0

06

100

00

00

Total

06

100

Fonte: Dados coletados pela pesquisadora,

2018.

Na tabela 5, todos os profissionais entre- vistados foram treinados e, também, com o tempo de serviço já tem pratica com o manejo das datas, orientações e registro de todas as doses dos vários tipos de vacina. Todas es- sas informações são registradas no SI-PNI e no cartão de vacina de cada usuário. Segundo Pedrazzani (2002) seja qual for o modo que um país executa o processo de imu- nização, se o mesmo possui um sistema esta- tístico confiável, a avaliação dos efeitos desse processo na população torna-se muito mais eficiente. Desse modo, se for aplicado um sis- tema de controle informatizado, eficiente e abrangente, esse controle será mais rápido e preciso, com dados muito mais confiáveis.

63

Além desses benefícios, ressalta, também, que a utilização da informática no setor da sa- úde possibilita maior agilidade no armazena- mento e na recuperação de informações e au- menta a qualidade e segurança do processo. Outro benefício importante é o controle epide- miológico muito mais eficiente, pois pode-se ter acesso a todo o histórico hospitalar do pa- ciente, permitindo um diagnóstico mais pre- ciso por parte dos médicos.

CONCLUSÃO

Em contexto geral, a implantação do SI- PNI demonstra a necessidade e importância de um sistema de informação no qual são ca- dastradas todas as pessoas e são registradas as doses vacinais aplicadas; movimento de imunológicos utilizados e notificação de agra- vos; observando que são fornecidos relatórios mensais com todas as vacinas separadas por dose e idade; o conhecimento ou não da co- bertura vacinal e taxa de abandono, traba- lhando assim o impacto das ações na comu- nidade atendida. São registradas todas as do- ses das crianças de zero a quatro anos. Este sistema foi desenvolvido em parceria com o DATASUS e foi implantado em todos os estados e municípios do país com a proposta, de avaliação regional. O SI-PNI contém da- dos que são base importante para as informa- ções das salas de vacina, os dados gerados (registro da dose aplicada) é base para a lei- tura da cobertura vacinal daquele local – Cen- tro de Vacina. Mas para este entendimento é necessário trabalhar o vacinador na interpre- tação deste registro e o impacto desta ação de saúde. A equipe visando resolver o problema com o número de desperdício da BCG passou a ad- ministrar a vacina somente 2 dias semanais,

Revista de Saúde, Paripiranga, Bahia, Brasil, v. 1, n. 2, p. 53-65, jan./jun. 2018. ISSN: 2526-4591 (Versão online)

isso porque tem um percentual anual de des- perdício de 91% em 2013 e 94% em 2014. Após a implantação do SI-PNI o município de Fátima aumentou sua meta tendo uma classi- ficação boa (76% e 89%), isso devido ao ca- dastramento das pessoas com todos os da- dos e doses administradas no dia e as demais agendadas, como também a busca dos falto- sos que acontece com uma parceria entre a equipe do centro, enfermeiras dos PSF e os ACS.

REFERÊNCIAS

BAHIA. Secretaria da Saúde. Superintendência

de Vigilância e Proteção da Saúde. Diretoria de Vigilância Epidemiológica. Coordenação do Programa Estadual de Imunizações. Manual de procedimento para vacinação. / Diretoria de Vigilância Epidemiológica. Salvador: DIVEP,

2011.

BARREIRA IAA. Contribuição da história da en- fermagem brasileira para o desenvolvimento da profissão. Revista de Enfermagem da EEAN, Rio de Janeiro 2009. Disponível em: http://www.revistaenferma- gem.eean.edu.br/. Acesso em: 26 nov. 2015.

BRASIL.Manual de Normas de Vacinação.3ª ed. Brasília, junho de 2001.

BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Atenção Básica. Brasília: Ministério da Sa- úde, 2012. 112 p

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigi- lância em Saúde. Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. Manual de Nor- mas e Procedimentos para Vacinação / Minis- tério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Sa- úde, Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. – Brasília: Ministério da Saúde,

2014.

BRASIL. Ministério da Saúde. Revista do Sis-

tema Único de Saúde do Brasil. Epidemiologia e Serviços de Saúde. v.12, n. 3, julho/set, p.147- 153. 2003b. Disponível em: http://sci-

truc.htm. Acesso em: 26 nov. 2015.

BRASIL. Secretaria de Vigilância em saúde. Programa Nacional de Imunizações 30 anos. Brasília: Ministério da Saúde, 2003.

COFEN - Conselho Federal de Enfermagem 2010. Disponível em: <http://www.portalco- fen.gov.br>. Acesso em: 22 dez. 2015.

IBGE. Censo demográfico 2010. Disponível em:

<http://www.censo2010.ibge.gov.br/amostra>.

Acesso em: 25 out. 2015.

MIGOWSKI, E. Vacinas.In: MIGOWSKI, E.Vaci- nas: riscos e benefícios um guia prático e rá- pido. São Paulo: BBS Editora, 2007. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Coordenação-Geral do Programa Nacional de Imunizações. Manual de rede de frio / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilân- cia em Saúde, Departamento de Vigilância Epi- demiológica, Coordenação-Geral do Programa Nacional de Imunizações; elaboração Cristina Maria Vieira da Rocha et al.– 4 ed. – Brasília:

Ministério da Saúde, 2011.

OLIVEIRA VC, Guimarães EAA, Guimarães IA, Januário LH, Pinto IC. Prática da enfermagem na conservação de vacinas. Acta paul.enferm, São Paulo, v.22, n.6, p.814-18, 2009.

PEDRAZZANI, Elisete Silva et al. Revista Latino- Americana. Vol. 10. 6. Ed. 2002. Implementa- ção de um banco de dados em vacinação: ex- periência desenvolvida em um projeto de inte-

64

Revista de Saúde, Paripiranga, Bahia, Brasil, v. 1, n. 2, p. 53-65, jan./jun. 2018. ISSN: 2526-4591 (Versão online)

gração. Disponível em: < http://www.revis-

tas.usp.br/rlae/article/view/1725 >. Acesso em:

05 jun. 2013.

PEREIRA, M.A.D.; Barbosa, S.R.S. Revista Meio Ambiente Saúde 2007; 2(1): 76-88. Disponível em: www.scielo.br/pdf/sausoc/v13n1/08. Acesso em: 14 dez. 2015.

RIBEIRO, M.C.S.Programa Nacional de Imuniza- ção PNI.In: DAVID, R.; ALEXANDRE, L.B.S.P. Va- cinas: Orientações Práticas. São Paulo: Marti- nari, 2008.

SILVA MK, GONZAGA F, VERDI M. Marco con- ceitual para a prática assistencial de enferma- gem enquanto processo educativo em sa- úde. Revista Brasileira de Enfermagem 2002; 45:54-60. Disponível em: http://www.sci- elo.br/revistas/reben/pinstruc.htm. Acesso em:

26 nov. 2015.

VRANJAC, A. Norma técnica do programa de imunização. São Paulo: CVM, 2008. Disponível em: <http: www.casadevacinasgsk.com.br.> acesso em 09 de maio de 2015.

ZANEI, Suely SuekoViski; IDE, Cilene Aparecida Costardi.Mobilidade ocupacional: expressões desse processo na enfermagem. Rev. Esc. En- ferm. USP. 2005, vol.34, n.1, pp. 64-75. Disponí- vel em: <http://www.sci-

elo.br/pdf/reeusp/v34n1/v34n1a09.pdf>.

Acesso em: 20 dez. 2015.

ZANEI, Suely SuekoViski; IDE, Cilene Apare- cida Costardi.Mobilidade ocupacional: expres- sões desse processo na enfermagem. Rev. esc. enferm. USP. 2005, vol.34, n.1, pp. 64-75. Disponível em: <http://www.sci-

elo.br/pdf/reeusp/v34n1/v34n1a09.pdf>.

Acesso em: 20 dez. 2015.

65