Você está na página 1de 187

NÃO FAÇA A PROVA SEM SABER – PARTE 3

PRÉ-EDITAL DPU

SUMÁRIO

1. Direito Penal (Parte Geral)..................................................................................02


2. Direito Penal (Parte Especial).............................................................................54
3. Direito Processual Penal.....................................................................................82
4. Legislação Penal Especial...................................................................................125
5. Direito Penal e Processual Penal Militar...........................................................153
DIREITO PENAL – PARTE GERAL1
DOUTRINA E OUTROS ASSUNTOS “DECOREBAS”

1.1. Vias do Direito Penal (Klaus Roxin):

1ª VIA 2ª VIA 3ª VIA


MEDIDAS DE REPARAÇÃO DO
PENAS
SEGURANÇA DANO

1.2. Direito Penal Coletivo: Possui dois significados: o primeiro diz respeito aos crimes de autoria
coletiva; o segundo, aos crimes que atingem interesses difusos e coletivos.

#IMPORTANTE: O Direito Penal Coletivo possui relação com o Direito Penal na Sociedade de Risco,
teorizado por Ulrich Beck. Este segundo pensamento possui os seguintes aspectos principais
(#LINKSMENTAIS)

→ Transformações sociais, econômicas e tecnológicas.


→ Expansão do Direito Penal.
→ Bens jurídicos supraindividuais.
→ Crimes de perigo abstrato.
→ Direito penal preventivo.
→ Crimes econômicos-tributários, ambientais e os imputáveis a organizações criminosas.
→ Posicionamento crítico: bens são formulados de modo vago e impreciso. Desmaterialização,
dinamização, espiritualização, liquefação do bem jurídico.
→ Delitos de acumulação.

#APROFUNDAMENTO #PARACOMPREENDERMELHOR:
A tipificação de crimes sempre esteve relacionada à proteção de bens jurídicos
inerentes ao indivíduo, sejam estes bens lesionados (crimes de dano) ou expostos
a efetivo perigo (crimes de perigo concreto). Havia, portanto, uma materialização

1 Por Fernanda Evlaine


dos bens jurídicos.

Contudo, as transformações sociais, econômicas e tecnológicas vivenciadas pelo


mundo nas últimas décadas acabaram por influenciar o sistema penal,
especialmente nos tempos atuais de uma sociedade de risco.

Com efeito, Ulrich Beck destaca que a sociedade atual se caracteriza pela
existência marcante desses riscos. Tais perigos não são naturais, mas sim artificiais,
no sentido de que são produzidos pela atividade do homem e vinculados a uma
decisão dele.

Com o passar dos tempos, percebeu-se que a proteção penal, que aguardava o
dano para depois punir, era insuficiente. A concentração da programação punitiva
em novas áreas proporcionou a chamada expansão do direito penal,
caracterizada pela ampliação do âmbito de incidência de leis com conteúdo
punitivo ou endurecimento das já existentes. Exemplos: criminalidade
informática, criminalidade econômica/tributária, criminalidade ambiental e crime
organizado. Dessa forma, a proteção penal passou a abranger bens jurídicos
supraindividuais/coletivos.

O problema é que essa expansão inadequada e ineficaz da tutela penal passa a


abranger bens jurídicos de modo vago e impreciso, ensejando a denominada
desmaterialização (espiritualização, dinamização ou liquefação) do bem jurídico,
em virtude de estarem sendo criados sem qualquer substrato material,
distanciados da lesão perceptível dos interesses dos indivíduos.

#SELIGANOSINÔNIMO: desmaterialização = espiritualização, dinamização ou


liquefação.

Como consequências desse fenômeno, podemos citar os crimes de perigo


abstrato e o direito penal preventivo.
1.3. Funções do Direito Penal:
→ Klaus Roxin – Finalismo dualista: Proteção de bens jurídicos como única função do Direito Penal. O
Direito Penal não serviria para trazer valores éticos ou morais:
● Controle social;
● Garantia.

→Fran Von Liszt: “Direito Penal é a Magna Carta do delinquente”.


● Função ético-social: criadora ou configurador a de costumes.

→ Jellinek: Direito Penal como mínimo ético.


● Educativa (criticada);
● Simbólica.

→ Direito Penal do Terror: Hipertrofia do Direito Penal:


● Motivadora
● Redução da violência estatal
● Promocional

#IMPORTANTE: Vamos relembrar as teorias das Velocidades do Direito Penal (Jesus Maria Silva
Sanchez fala das duas primeiras velocidades)? #VAICAIR

1ª velocidade 2ª velocidade 3ª velocidade 4ª velocidade


Ampla garantia de Redução de Redução de Neopunitivismo. Trata-se
direitos + garantias + penas garantias + penas da atuação do Tribunal
possibilidade de restritivas de privativas de Penal Internacional (TPI),
aplicação de penas direitos liberdade. Ex.: que tem competência
privativas de Direito Penal do para apurar crimes de
liberdade. Inimigo. lesa-humanidade
#ATENÇÃO: (genocídio, crimes contra
Misturam-se a humanidade, crimes de
características da guerra e de agressão).
primeira e segunda
velocidade.
→ Enciclopédias Penais:
● Política criminal;
● Criminologia;
● Césare Lombroso: homem delinquente e o Cretinismo na Lombardia;
● Vitimilogia.
#SELIGANASDIFERENÇAS:
Direito Penal Criminologia Política Criminal
Analisando os fatos humanos Ciência empírica que Trabalha com as
indesejados, define quais estuda o crime, a pessoa estratégias e os
devem ser rotulados como do criminoso, a vítima e o meios de controle
infrações penais, anunciando comportamento da social da
as respectivas sanções. sociedade. criminalidade.
Ocupa-se do crime enquanto Ocupa-se do crime enquanto Ocupa-se do crime
norma. fato. enquanto valor.

→ Divisão do Direito Penal:


● Fundamental (Código Penal) x Complementar (Legislação especial)
● Comum x especial (Ex: Código Penal Militar, crimes de responsabilidade, etc.)
● Geral x local
● Objetivo x subjetivo
● Material x formal

#SELIGA #PEGADINHA: Norma penal interpretativa tem eficácia retroativa, ainda que prejudique.
→ Interpretação analógica ou intra legem: A lei contém uma fórmula casuística seguida de uma
fórmula genérica. #NÃOCONFUNDIR: A interpretação analógica não é sinônimo de analogia (prática
vedada no Direito Penal), quando aplicada em prejuízo do réu.
→ É possível aplicar analogia in bonan partem, salvo leis especiais.

1.4. PRINCÍPIOS:
1) Reserva legal: Art. 1º, CP- Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia
cominação legal. Embora só se fale em crime, o princípio também é aplicado para as contravenções
penais. Logo, aplica-se a todas as infrações penais (crime + contravenção).
→ Fundamentos: (i) Jurídico: a taxatividade (a lei prevê o conteúdo mínimo); (ii) Político: o direito de
defesa; e (iii) Democrático.
→ #ATENÇÃO: STF admite medidas provisórias em matéria penal, se utilizadas para beneficiar o réu.
→ Mandados constitucionais de criminalização (podem ser expressos ou tácitos). Os mandados de
criminalização indicam matérias sobre as quais o legislador ordinário não tem a faculdade de legislar,
mas a obrigatoriedade de tratar, protegendo determinados bens ou interesses de forma adequada e,
dentro do possível, integral. Expressos: quando decorrem explicitamente do texto legal, como no
caso da tipificação de condutas lesivas ao meio ambiente (art. 225, CF). Tácitos: quando decorrerem
de maneira implícita do texto constitucional.

2) Anterioridade: A lei penal deve ser anterior ao fato cuja punição se pretende. A lei penal só é
aplicável aos casos ocorridos após a sua entrada em vigor. OBS: Não há crime se ocorreu durante a
vacatio legis.

3) Alteridade (Klaus Roxin): Não se punem condutas que prejudicam apenas o próprio agente. Ex:
autolesão.

4) Confiança. Quem respeita as regras da vida em sociedade, tem o direito de confiar que as demais
pessoas também respeitarão tais regras. O princípio é considerado um limitador do dever de cuidado.
#OLHAOGANCHO: Tal princípio está intimamente ligado à teoria da imputação objetiva.

5) Adequação social: Não poder ser considerado criminoso o comportamento que, embora tipificado
em lei, não afronte o sentimento social de justiça.

6) Intervenção mínima: A lei só deve prever as condutas estritamente necessárias. Nos dias atuais, o
Direito Penal só é legitimo quando utilizado em casos excepcionais, ou seja, quando outros ramos dos
direitos não forem suficientes na tutela de determinados bens (Direito Penal deve ser a ultima ratio).
#OLHAOGANCHO: É o Princípio da necessidade do Direito Penal, que é o fundamento do Direito Penal
Mínimo.

#ATENÇÃO:
O que se entende por fragmentariedade? Manifesta-se no pleno abstrato, destinando-se ao
legislador.
A palavra “fragmentariedade” emana de “fragmento”: no universo da ilicitude, somente alguns
blocos, alguns poucos fragmentos constituem-se em ilícitos penais. Pensemos em uma visão noturna:
o céu representaria a ilicitude em geral; as estrelas seriam os ilícitos penais.

#SELIGA: FRAGMENTARIEDADE ÀS AVESSAS: É o contrário da fragmentariedade, pois o crime deixa


de existir, pois a incriminação se torna desnecessária.
O que se entende por subsidiariedade? Refere-se ao plano concreto, sendo o destinatário o
aplicador do direito. Fala-se que o direito penal é um executor de reserva. O DP só pode agir no caso
concreto quando o problema não puder ser solucionado pelos demais ramos do Direito.

7) Proporcionalidade:
→ Garantismo negativo (proibição do excesso) e positivo (proibição da proteção insuficiente).

8) Ofensividade ou lesividade: Só há crime quando a conduta é capaz e lesionar, ou ao menos de


colocar em perigo de lesão, o bem jurídico penalmente protegido.

9) Exclusiva proteção do bem jurídico: A única função legitima no DP nos dias atuais é a proteção do
bem jurídico. Qualquer outra fundamentação (vingança, ética, moral, filosófica, religiosa) não pode
servir de substrato para a utilização do DP.

#ATENÇÃO: O que se entende por Teoria Constitucional do Direito Penal? O Direito Penal só é
legítimo quando protege valores consagrados na CF.

10) Responsabilidade penal pelo fato: Adotados o Direito penal do fato, pois analisa-se o do fato
praticado pelo agente, pouco importando suas condições sociais, o que interessa é o que ele fez ou
deixou de fazer. #OLHAOGANCHO: Contrapõe-se ao Direito penal do autor, que é aquele que vai
rotular e estereotipar determinados grupos de pessoas.
#IMPORTANTE: Reincidência possui natureza jurídica de agravante genérica. Será que não é um
resquício do DP do autor? RE 453.000/RS (informativo 700). O STF decidiu, por unanimidade, que é
constitucional, pois seria compatível com o DP do fato, pois praticou um fato e foi condenado e agora
praticou outro fato, o que justifica uma punição mais severa.

11) Proibição do “bis in idem”: Veda a dupla punição pelo mesmo fato. Ninguém pode ser punido duas
vezes pela mesma conduta.
#SELIGANASÚMULA #NÃOSABOTESÚMULA #VAICAIR: Súmula 241 do STJ: A
reincidência penal não pode ser considerada simultaneamente como
agravante e circunstância judicial.

12) Responsabilidade penal subjetiva: Proíbe a responsabilidade penal objetiva, que é a atribuição de
um crime a alguém independentemente de dolo ou culpa. Adota-se o Direito Penal da culpa.
#OLHAOGANCHO: Resquícios da responsabilidade objetiva: rixa qualificada e teoria da “actio libera in
causa”.

13) Insignificância: #VAICAIR


→ Origem: Direito Civil – Roma (“minimus non curat praetor”)/ Direito Penal: 1970 – Klaus Roxin.
→ Natureza jurídica: Causa supralegal de exclusão da tipicidade.
→ Pode ser reconhecida mesmo após o trânsito em julgado.
→ Pode ser reconhecida de ofício.
→ Requisitos:
● OBJETIVOS: Mínima ofensividade da conduta, ausência de periculosidade da ação, reduzido
grau de reprovabilidade e inexpressividade da lesão. #MEMORIZAR
● SUBJETIVOS: Importância do bem para a vítima e condições do agente.

OBS.: O STJ aceita a aplicação do princípio da insignificância ao reincidente, haja vista que a
reincidência não atinge a tipicidade, pois só é aplicada na segunda fase de dosimetria da pena. O STF,
em regra, não aceita a aplicação do princípio da insignificância ao reincidente. Contudo, no HC
114723/MG (2014), concluiu que poderia ser aplicada a insignificância, considerando a TEORIA DA
REITERAÇÃO NÃO CUMULATIVA DE CONDUTAS DE GÊNERO DISTINTO. Assim, a análise dependerá do
caso concreto! #MUITOIMPORTANTE
OBS.2: Os tribunais superiores não têm aceitado a aplicação do princípio da insignificância ao
criminoso habitual. Lembre-se, criminoso habitual é diferente de reincidente, pois o criminoso
habitual pratica rotineiramente infrações penais, vivendo da criminalidade.

OBS.3: PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA IMPRÓPRIO ou BAGATELA IMPRÓPRIA: Decorre da


desnecessidade de aplicação da pena. Não é aplicado no Brasil. Assemelha-se ao perdão judicial.
-Juris e aplicação do princípio da insignificância
Apropriação indébita
APLICA
previdenciária
Sonegação previdenciária APLICA
Estelionato previdenciário NÃO APLICA
Estelionato envolvendo FGTS NÃO APLICA
Estelionato envolvendo seguro
NÃO APLICA
desemprego
Crimes ambientais APLICA
Crimes contra a ordem tributária 2 APLICA
Contrabando NÃO APLICA
Descaminho3 APLICA
Evasão de divisas 4 NÃO APLICA
Tráfico internacional de drogas NÃO APLICA
Tráfico internacional de armas NÃO APLICA
Moeda falsa NÃO APLICA
Falsificação de documento público NÃO APLICA
Crimes Militares 5 NÃO APLICA
Manutenção de rádio comunitária
DIVERGÊNCIA
clandestina6

2
Para o STJ: R$10 mil (art. 20 da lei n° 10.522/2002). Para o STF: R$ 20 mil (valor atualizado pelas Portarias 75 e 132/2012 do
MF).2 Esse parâmetro vale, a princípio, apenas para os crimes que se relacionam a tributos federais, considerando que é baseado no art.
20 da Lei n° 10.522/2002, que trata dos tributos federais.
3
Para o STJ: R$10 mil (art. 20 da lei n° 10.522/2002). Para o STF: R$ 20 mil (valor atualizado pelas Portarias 75 e 132/2012 do
MF).3 Obs: não se leva em consideração os valores correspondentes às contribuições do PIS e da COFINS, já que tais
tributos não incidem sobre bens estrangeiros que tenham sido objeto de pena de perdimento, conforme dicção do art. 2°,
111 da Lei n° 10.86s/o4 (STJ. 5a Turma. AgRg no REsp 1351919/SC, Rei. Min. Moura Ribeiro, julgado em 0311o/2013). Também não
devem ser incluídos os valores de juros e multa.

4 Em caso de crimes tributários, se o valor dos tributos sonegados for inferior a R$ 10 mil é possível a aplicação do
princípio da insignificância. Este entendimento não vale para o presente caso porque a evasão de divisas é crime contra o
sistema financeiro e não delito tributário.
5
O Plenário do STF já assentou a inaplicabilidade do princípio da insignificância à posse de quantidade reduzida de substância
entorpecente em lugar sujeito à administração militar (art. 290 do CPM) (STF. 2• Turma. ARE 856183 AgR, Rei. Min. Dias Toffoli,julgado
em 30/o6/2015). Vai cair!!! Demanda recorrente na DPU!
6 Para o STJ não é possível, o STF aplica em alguns casos, quando houver “baixa potência ”
Crimes contra a Administração
DIVERGÊNCIA
Pública

14) Humanidade: Proibição de criação de tipos penais ou penas que violem direitos humanos.

1.5. Estrutura da lei penal:


→ Sistema da proibição indireta (Binding).
→ Classificação das normas: ● Incriminadoras; ● Não incriminadoras: permissivas (excluem a ilicitude);
exculpantes (excluem culpabilidade ou estabelecem impunidade para certos delitos. Ex.: escusas
absolutórias); interpretativas; de aplicação ou finais; diretivas (princípios); integrativas, de extensão
ou complementares da tipicidade (adequação típica mediata).

1.6. Tempo do crime: Teoria da atividade, ainda que o resultado ocorra posteriormente.
#MEMORIZAR: “luTA”: Tempo + Atividade.
#SELIGANASÚMULA: Súmula 711 do STF: Nos casos de crime continuado,
permanente ou habitual, aplica-se a lei mais grave, se vigente antes de cessada
a continuidade, permanência ou habitualidade.

#SELIGA: Para fins de cálculo da prescrição, aplica-se a teoria do resultado.

1.7. Lugar do crime: Aplica-se a teoria da ubiquidade/ mista.


#MEMORIZAR: “LUta”: Lugar + Ubiquidade.
Crimes à distância ou Crime de espaço Crime Plurilocal
espaço máximo mínimo
a ação ou omissão tanto a conduta como a conduta e o
ocorre em um país e o o resultado ocorrem no resultado ocorrem em
resultado ocorre em mesmo local. locais distintos, mas
outro, gerando um ambos dentro do
conflito de território de um
competência mesmo país.
internacional.

Lembre-se do macete: LUTA


Lugar: Ubiquidade, Tempo: Atividade.

→ Extraterritorialidade: não se aplica em contravenções penais por expressa previsão legal.


→ Para que a sentença caracteriza reincidência no Brasil, ela NÃO precisa ser homologada pelo STJ.

1.8. Solução de antinomias de normas penais:


Especialidade Subsidiariedade Consunção/ absorção
Atua no plano abstrato e Atua no plano concreto. Lei consuntiva é aquela
independe da gravidade que define o todo, o fato
dos crimes. mais amplo. Lei
consumida define a parte,
o fato menos amplo.
#ATENÇÃO: Segundo a
jurisprudência, um crime
não pode ser absorvido
por uma contravenção
penal.

#NÃOCONFUNDIR: #SELIGANADIFERENÇA:

Crime progressivo Progressão criminosa


(crime menos grave = de ação de
passagem):
A intenção do agente é, desde o Há uma mudança no ânimo do
início, cometer o crime mais grave. agente. Ex.: ele deseja inicialmente
Ex.: objetiva cometer um homicídio. causar lesão corporal. Contudo,
Contudo, para se chegar até o durante a execução muda de
homicídio, ocorre primeiro a lesão intenção e acaba cometendo o
corporal. Pela consunção, a lesão homicídio. Pela consunção, a lesão
corporal é absorvida pelo homicídio. corporal é absorvida pelo homicídio.

#SELIGANASÚMULA: Súmula nº 17 do STJ: Quando o falso se exaure no


estelionato, sem mais potencialidade de lesiva, é por este absorvido.

Quais fatos são considerados impuníveis? Na conexão teleológica ou consequencial não são
consideradas “anti” ou “post factum” impuníveis.

E o critério da alternatividade? Há polêmica se esse critério seria conflito de crimes. Vejamos a


seguinte diferença:
Alternatividade própria Alternatividade imprópria
Na alternatividade própria, não há Ocorre quando duas ou mais normas
conflito entre normas penais, o conflito penais disciplinam exatamente o
ocorre na própria norma penal. Ex: mesmo fato. É como se o furto, por
tráfico de drogas. Não há uma exemplo, estivesse disciplinado no art.
pluralidade de normas aparentemente 155 do CP e também em uma lei
aplicáveis. Falta um dos requisitos, por extravagante. O mesmo tipo penal, o
isso há tanta divergência quanto a esse mesmo fato, o mesmo crime em duas
princípio. Não há conflito aparente de ou mais normas penais. Esse princípio
normas. representa uma falta de técnica
legislativa. Na alternatividade imprópria,
não há conflito aparente de normas
penais, o que ocorre é um conflito de
leis no tempo. Se há duas leis tratando
do mesmo fato, a posterior revogou a
anterior, é uma revogação tácita.

#IMPORTANTE:
Qual o juízo competente para julgamento na sucessão de leis penais?

Lei penal benigna


Espécie Que representa mera aplicação Que implica juízo de valor.
matemática
Juízo Competente Juízo de execução Juízo da revisão criminal.
Exemplo Lei A com pena de 2 a 4 anos. Lei Lei A, dispondo sobre a
posterior B cria diminuição de conduta de subtrair coisa
pena quando o agente é menor alheia móvel, é alterada pela
de 21 anos na data do fato. Lei B, que cria causa de
diminuição aplicável se de
Nessa hipótese o juiz pequeno valor a coisa
simplesmente irá pesquisar se o subtraída.
reeducando, por ocasião dos
fatos, preenchia o pressuposto “Pequeno valor” exige mais
da Lei B. Em tal caso, não se do que uma simples
exige juízo de valor. operação matemática,
demandando juízo de valor
sob o caso concreto.

EVOLUÇÃO DOUTRINÁRIA DO DIREITO PENAL

1) Positivismo Jurídico: Surgiu na Alemanha (Binding). Prepondera a cientificidade. Afasta juízo de


valor “ser”. Aplica, ao Direito, técnicas de ciências experimentais. Conceito clássico delito. Respeita
excessivamente o princípio da legalidade e da segurança jurídica. Vejamos os links mentais que
devem ser lembrados na prova:
→ Séc. XIX, Binding, Alemanha.
→ Não se confunde com a Escola Positiva.
→ Conceito Clássico de Crime: Binding e Von Liszt (depois veio o conceito finalista).
● Ação = movimento corporal. Conceito puramente descritivo, naturalista e causal. Valorativamente
nulo. Não se preocupou com o conteúdo da vontade.
● Tipicidade: aspectos objetivos do fato descritos na lei. Deixa de fora todas as circunstâncias
subjetivas.
● Antijuridicidade: valoração negativa da ação.
● Culpabilidade: Limitava-se a comprovar a existência de um vínculo subjetivo entre o autor e o
fato. A diversidade de intensidade faz surgir as formas de culpabilidade dolosa e culposa.
● Formalismo Normativista: afastamento do social e valorativo.

2) Neokantismo Penal: Rudolf Stammler e Gustav Radbruch. “dever ser”. Considerações axiológicas e
materiais. Graduar o injusto de acordo com a gravidade da lesão produzida. Conduta passa a ter um
significado social. Elementos subjetivos do tipo, considerações materiais da ilicitude, etc. Vejamos os
links mentais que devem ser lembrados na prova:
→ Final do século XIX, Rudolf Stammler e Gustav Radbruch.

→ Enquanto os positivistas atribuíam prioridade ao ser, os neokantistas propunham a valorização do


dever ser. Introdução de considerações axiológicas e materiais.

→ Permitiu graduar o injusto de acordo com a gravidade da lesão produzida. A condita passou a ter
significado social.

→ Introdução de elementos valorativos na causalidade (antes física), de elementos subjetivos no tipo


(que antes era basicamente formal), de considerações materiais na ilicitude (que antes era
basicamente formal) e de considerações normativas na culpabilidade (que antes entendida como
relação de causalidade psicológica).

→ Causas supralegais de justificação.

→ Inexigibilidade de conduta diversa no âmbito da culpabilidade.

2) Garantismo Penal/Sistema Cognitivo ou de Legalidade Estrita: Luigi Ferrajoli (Direito e razão).


Sistema garantista ou cognitivo ou de legalidade estrita. Vejamos os links mentais que devem ser
lembrados na prova:
→ Luigi Ferrajoli – Direito e Razão.

→ Modelo universal – meta a ser alcançada.

→ Prevê diversos axiomas, a saber: Nulla poena sine crimine: só há pena se houver havido o crime;
Nullum crimem sine lege (sem lei penal anterior não há crime); Nulla lex (poenalis) sine necessiate (sem
necessidade, não se criam leis penais); Nulla necessitas sine injuria (sem lesão, não há necessidade do
emprego da lei penal); Nulla injuria sine actione (se não há exteriorização da conduta, não há lesão);
Nulla actio sine culpa (não há ação típica sem culpa); Nulla culpa sine judicio (a culpa há de ser verificada
em regular juízo); Nulla acusatio sine accusacione (a acusação não pode ser feita pelo próprio juiz –
#OLHAOGANCHO: sistema acusatório); Nulla accusatio sine probation (a acusação é que deve ser
provada, não a inocência); Nulla probatio sine defensione (sem defesa e contraditório, não há acusação
válida).
4) Funcionalismo Penal/Pós-Finalismo: É um movimento que discute qual é a verdadeira função do
direito penal. Surgiu nos anos 70 na Alemanha. É conhecido também por pós-finalismo. Existem duas
principais linhas do funcionalismo. O funcionalismo de Roxin: Estuda a viabilidade de um direito penal
alternativo, que se afasta da lei (#DICA: não escrever isso em prova), pois há muita flexibilidade.
Existem vários funcionalismos com variadas interpretações. Não existe um único funcionalismo.
Vejamos os links mentais que devem ser lembrados na prova:
→ Alemanha – 1970

→ Pretendia-se abandonar o tecnicismo jurídico no enfoque da adequação típica, possibilitando, ao


tipo penal, desempenhar sua efetiva função de mantenedor da paz e social e aplicador da política
criminal.

→ Questiona a validade do conceito de conduta proposta pelos sistemas clássico e finalista.

→ Possibilitar o adequado funcionamento da sociedade é mais importante do que seguir a risca a letra
fria da lei.

4.1) Funcionalismo Moderado, Dualista ou de Política Criminal – Claus Roxin – Escola de Munique.
Vejamos os links mentais que devem ser lembrados na prova:
→ Finalidades político-criminais, priorizando valores princípios garantistas.

→ Função do Direito Penal: proteção de bens jurídicos.

→ Monografia: Política Criminal e Sistema de Direito Penal.

→ Critério norteador: política criminal.

→ A consagração dogmática a serviço da resolução dos problemas.

→ Características:

● Tipicidade: teoria da imputação objetiva e teoria do domínio do fato.

● Ilicitude: espécie de elemento negativo do tipo.

● Culpabilidade: necessidade de pena com uma finalidade preventiva.

→ Crime = injusto penal + responsabilidade (nesta incluída a culpabilidade).

4.2) Funcionalismo Radical, Monista ou Sistêmico – Gunther Jakobs – Escola de Bohn:

→ O Direito Penal não encontra limites externos. Sua função é a reafirmação da autoridade do Direito
(assegurar os valores éticos e sociais da ação).
→ Influência da teoria dos sistemas de Luhmann: Direito Penal como sistema autônomo,
autorreferente e autopoiético.

→ Teoria da imputação normativa: ● Função preventiva geral positiva da pena; ● Normas jurídico-
penais como objeto de proteção

→ Direito Penal do Inimigo.

Quadro resumo:
Funcionalismo Moderado ou Dualista – Funcionalismo Sistêmico ou Radical -
Roxin Jakobs
O direito penal tem limites impostos O Direito Penal só reconhece os limites
pelo próprio direito penal e demais impróprios pelo próprio direito penal.
ramos do direito.
A função do DP é proteger a sociedade. A função do DP é punir, aplicar a norma.
Tutelar os bens jurídicos. O DP se ajusta A sociedade que deve ajustar-se ao
à sociedade. Direito Penal.
Tem como norte a política criminal Direito Penal do Inimigo

NOVAS PROPOSTAS DOUTRINÁRIAS DE ENFRENTAMENTO DA CRIMINALIDADE MODERNA


1) Direito Intervencionista ou de Intervenção:
→ Alemão Winfried Hassemer.
→ Propõe a manutenção, no Direito Penal, apenas de condutas lesivas a bens jurídicos individuais e
daquelas que causam perigo concreto. As demais (difusas e coletivas, de perigo abstrato), por serem
apenadas de forma mais branda, seriam reguladas por um sistema jurídico diverso (Direito de
Intervenção), com garantias mais flexíveis.

2) Velocidades do Direito Penal: (item já comentado anteriormente).

3) Direito Penal do Inimigo:


→ 1980 – 2000.
→ Gunter Jakobs.
→ Direito Penal do Cidadão x Direito Penal do Inimigo.
→ Inimigo: indivíduo que afronta a estrutura do Estado. A transição do cidadão para o inimigo se dá
por reincidência, habitualidade, delinquência profissional, integração de organizações criminosas. O
indivíduo considerado como “inimigo” é punido de maneira muito mais rigorosa.
Vejamos as principais características dessa teoria: #SELIGANOSLINKSMENTAIS
a) Antecipação da punibilidade com a tipificação de atos preparatórios.
b) Criação de tipos de mera conduta (Ex: art. 135 – omissão de socorro; art. 150 – violação de
domicílio).
c) Criação de tipos de perigo abstrato. Aqui o perigo é absolutamente presumido por lei.
d) Flexibilização do princípio da legalidade, com descrição vaga dos crimes e das penas.
e) Inobservância do princípio da ofensividade e da exteriorização do fato.
f) Preponderância do Direito Penal do autor.
g) Desproporcionalidade de penas.
h) Restrição de garantias penais e processuais (DIREITO PENAL DE 3ª VELOCIDADE).
i) Endurecimento da execução penal, por exemplo, prisão com regime disciplinar diferenciado – RDD.
j) Procedimento de guerra, de intolerância, de repúdio ao inimigo.
Quais são as consequências do Direito Penal do Inimigo
Aumento das penas
Eliminação de direitos e garantias
A tortura como meio de prova, com fundamento no princípio da proporcionalidade. O que vale
mais? A integridade física do inimigo ou a vida de milhares de pessoas?
Antecipação da tutela penal. O DP do inimigo pune os atos preparatórios com a mesma pena do
crime consumado. Ex.: no dia 10 de setembro tudo foi descoberto. Eles são punidos como se tudo
tivesse ocorrido.
#SELIGA: Dá para aplicar o DP do inimigo? Não, sendo o fundamento o art. 5º, caput – isonomia e todo
o rol de direitos fundamentais. Independentemente de quem seja o infrator.

4) Direito Penal como proteção de contextos de vida em sociedade:


→ Gunter Stratenwert.
→ Deixa em segundo plano a proteção de interesses individuais, em prol dos difusos (visão que
contrasta com a de Winfried Hassemer).
→ Antecipa-se a tutela penal, ainda que seja apenas para a proteção do ambiente desejado pelo
legislador.
TEORIA DO CRIME

SISTEMA CLÁSSICO

FATO TÍPICO: CULPABILIDADE


ILICITUDE
- Conduta: movimento
corporal voluntário;
- Imputabilidade
- Resultado naturalístico;
- Dolo normativo ou culpa
- Relação de causalidade; Relação de contrariedade
- inclui a consciência atual
entre o fato e o direito
- Tipicidade. da ilicitude

#SELIGA: Quem é clássico obrigatoriamente é tripartido, já que o dolo e a culpa compõe a


culpabilidade (evitar a responsabilidade penal objetiva). A culpabilidade segue a teoria psicológica,
pois nada mais é do que o vínculo psicológico estabelecido pelo dolo ou pela culpa entre o agente
imputável e o fato típico e ilícito por ele praticado.

SISTEMA NEOCLÁSSICO/ NEOKANTISMO


FATO TÍPICO:
ILICITUDE CULPABILIDADE
- Conduta (teoria
causalista); - Imputabilidade
- Dolo normativo ou culpa -
- Resultado naturalístico; inclui a consciência atual da
- Relação de causalidade; Relação de contrariedade ilicitude
entre o fato e o direito - Exigibilidade de conduta
- Tipicidade. diversa

#SELIGA: No sistema Neokantista, adota-se uma visão psicológica-normativa da culpabilidade. Esta


deixa de ser meramente psicológica e passa a ter um elemento normativo: a exigibilidade de conduta
diversa.
SISTEMA FINALISTA

FATO TÍPICO:
CULPABILIDADE
- Conduta - dolo e culpa (o ILICITUDE
dolo é natural, pois não
contém a consciência da - Imputabilidade
ilicitude); - Potencial consciência da
- Resultado naturalístico; Relação de contrariedade ilicitude
- Relação de causalidade; entre o fato e o direito - Exigibilidade de conduta
diversa
- Tipicidade.

Para o finalismo, conduta é a ação ou omissão humana, consciente e voluntária, dirigida a um fim.
Agora, o dolo compõe conduta, sendo este considerado natural. Na culpabilidade teremos a teoria
normativa pura, sendo considerada “vazia”.
#SELIGA: Quem adota a teoria finalista pode ser bipartido ou tripartido.

4.1 Teorias sobre a conduta:


→ A responsabilidade do garante subsiste enquanto estiver no local, independentemente do fim da
obrigação.
→ Teorias sobre a omissão:
● Naturalística: quem se omite efetivamente produz resultado no mundo dos fatos.
● Normativa: Trata-se da teoria adotada no Brasil. A omissão é não fazer aquilo que a lei impõe.
Movimentos reflexos (que excluem a conduta) não se confundem com ações em curto-circuito,
que são explosões emocionais repentinas (há conduta e crime, em regra). #SELIGANADIFERENÇA
Interessante notar que cada teoria possui um conceito diferente do que seria a conduta, vejamos
resumo:
Teoria Causalista Conduta é um movimento corporal (ação) voluntário
que produz uma modificação no mundo exterior
perceptível pelos sentidos.
Teoria Neokantista Conduta é um movimento corporal (ação ou omissão)
voluntário que produz uma modificação no mundo
exterior perceptível pelos sentidos.
Teoria Finalista Conduta é um comportamento humano voluntário
psiquicamente dirigido a um determinado fim. Por
essa teoria, o dolo e a causa compõe o elemento
“conduta”.
Teoria Social da Conduta é um comportamento humano voluntário
Ação dirigido a um fim socialmente reprovável.
Funcionalismo Conduta aparece como comportamento humano
Moderado (Roxin) voluntário, causador de relevante e intolerável lesão
ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado pela
norma penal.
Funcionalismo Conduta é comportamento humano voluntário
Radical (Jakobs) causador de um resultado evitável, violador do
sistema, frustrando as expectativas normativas.

4.2 Teorias sobre o nexo de causalidade:


→ Equivalência dos antecedentes ou “conditio sine qua non”: causa é todo e qualquer acontecimento
provocado pelo agente, sem o qual o resultado não teria ocorrido como e quando ocorreu. É a regra
geral do art. 13, caput, CP.
→ Causalidade adequada: causa é todo e qualquer comportamento humano eficaz para produzir o
resultado. Juízo estatístico. Identificada pelas regras da experiência. Acolhida pelo CP no caso de
concausa relativamente independente que, por si só, poderia causar o resultado. Aplica-se o art. 13,
§1º, do CP.
→ As concausas supervenientes relativamente independentes que, por si só, não produzem o
resultado por si sós não rompem o nexo causal. O agente responde pelo crime consumado. Ex.: erro
médico e infecção hospitalar. Aplica-se a teoria da equivalência dos antecedentes em relação ao nexo
de causalidade.
→ As concausas supervenientes relativamente independentes que, por si só, produzem o resultado
por si sós rompem o nexo causal. Agente responde por tentativa. Ex.: acidente na ambulância e
incêndio em hospital. Aplica-se a teoria da causalidade adequada.

#RESUMO: Quadro para fixar as concausas relativamente independentes:


Espécie Exemplo Responsabilização
Preexistente Vítima portadora de Não há rompimento do
hemofilia/diabetes. nexo de causalidade e o
agente responde pelo
resultado causado.
Aplica-se o art. 13,
caput, do CP.
Concomitante Vítima, apesar de não ter Não há rompimento do
sido atingida, fica nexo de causalidade e o
assustada e tem um agente responde pelo
colapso cardíaco. Ou resultado causado.
vítima se atira na rua e é Aplica-se o art. 13,
atropelada. caput, do CP.
Superveniente na Morte por infecção Não há rompimento do
modalidade “não por si só hospitalar, erro médico nexo de causalidade e o
produz o resultado” ou omissão de socorro. agente responde pelo
resultado causado.
Aplica-se o art. 13,
caput, do CP.
Superveniente na Morte por conta de um Há rompimento do nexo
modalidade “por si só incêndio no hospital ou de causalidade e o
produz o resultado” por acidente de agente responde pelo
ambulância no trajeto ao seu dolo (apenas os atos
hospital. praticados) e não pelo
resultado. Aplica-se o
art. 13, §1º, do CP.

→ Imputação objetiva: Claus Roxin. Adiciona ao nexo de causalidade a criação de um risco proibido
ou o aumento de um já existente e a realização desse risco no resultado. Só se aplica aos crimes
materiais, pois precisa haver resultado.

4.3. Requisitos da Teoria da Imputação Objetiva:


1) Existência do Risco:
Hipóteses de exclusão:
→ Risco juridicamente irrelevante;
→ Diminuição do risco.

2) Risco Proibido:
Hipóteses de exclusão:
→ Risco permitido (#OLHAOGANCHO: princípio da confiança);
→ Comportamento exclusivo da vítima;
→ Contribuições socialmente neutras;
→ Adequação social;
→ Proibição do regresso;

3) Risco realizado no resultado:


Hipóteses de exclusão:
→Lesão ou curso causal sem relação com o risco proibido.
→ Danos tardios;
→ Danos resultantes de choque;
→ Ações perigosas de salvamento;
→ Comportamento indevido posterior de um terceiro;

4.4 Considerações a respeito da tipicidade: A tipicidade é elemento do fato típico e continua presente
em todo e qualquer crime. A tipicidade penal é formada pela tipicidade formal + tipicidade material. A
tipicidade formal é o juízo de subsunção/adequação entre o fato e a norma. O fato praticado na vida
real se encaixa no modelo de crime previsto pela norma penal. A tipicidade formal não basta, é
preciso a tipicidade material, expressada na lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico penalmente
protegido. O princípio da insignificância exclui a tipicidade material.

Quais são as teorias que explicam a tipicidade?

● Tipo avalorado/tipo meramente descritivo: fato típico não constitui emissão de valor sobre ilicitude.
●Indiciária do tipo/ratio cognoscendi: Trata-se da teoria majoritariamente aceita. Coloca a tipicidade
como ratio cognoscendi, sendo vista, portanto, como indício da ilicitude. Todo fato típico,
presumidamente, também é ilícito, operando-se uma presunção relativa de ilicitude. Qual é o efeito
prático da teoria indiciária? Acarreta a inversão do ônus da prova no tocante as excludentes da
ilicitude.
● Ratio essendi: Fato típico e ilícito seria um elemento só.
● Teoria da tipicidade conglobante (Zaffaroni) = tipicidade legal + antinormatividade.
4.5. Tipo penal: Núcleo do tipo + elementos = tipo fundamental ou básico.
→ Elementos objetivos: juízo de certeza. Ex.: “alguém”.
→ Elemento subjetivo: especial finalidade do agente
→ Elemento normativo: juízo de valor
→ Elemento modal: circunstância de tempo, lugar e modo de execução.
● Circunstâncias: dados que se agregam ao tipo fundamental para aumentar ou diminuir a pena.
Formam o tipo derivado (autônomo).
● Tipo anormal: é o que contém elementos subjetivos e/ou normativos.
● Tipo congruente: perfeita congruência entre a vontade e o fato legalmente descrito.
● Crime obstáculo: legislador antecipa a tutela penal.
● Tipo misto alternativo: de ação múltipla ou conteúdo variado. Ex: tráfico de drogas.

4.6. Dolo e culpa:

#OBS: No Brasil, adota-se tanto a teoria da vontade (dolo direto), como a do assentimento (dolo
eventual).

● No dolo alternativo, o agente responde pelo crime mais grave, consumado ou tentado.
● Dolo eventual – Reinard Frank – Teoria positiva do conhecimento, Segundo o STJ, não é extraído
da mente do autor, e sim das circunstâncias.
● Culpa consciente > teoria da representação.
● Culpa imprópria: o agente, após prever o resultado e desejar a sua produção, realiza a conduta
por erro inescusável (evitável) quanto à ilicitude. Supõe presente erroneamente uma causa de
exclusão da ilicitude (descriminante putativa). Culpa imprópria é na verdade dolo, admitindo
tentativa, mas, por questões de política criminal, é considerado culpa.
● Crime culposo admite coautoria, mas não participação.

4.7. Transição dos atos preparatórios para os executórios:


→ Teoria subjetiva: não diferencia, pois leva em consideração a intenção do agente.
→ Teoria objetiva: Leva em conta a hostilidade ao bem jurídico:
● Objetivo-formal ou lógico-formal (acolhida no Brasil): Ato executório é o que inicia a realização
do núcleo do tipo (verbo).
● Objetivo-material: Realização do núcleo do tipo e também dos atos imediatamente anteriores.
● Objetivo-individual: Realização do núcleo do tipo e também dos atos imediatamente anteriores
de acordo com o plano concreto do agente.
#SELIGA: O exaurimento ocorre em crimes formais. Crime formal é sinônimo de crime de consumação
antecipada.
Qual o ponto em comum entre um crime formal e de mera conduta? Ambos se consumam com a
prática da conduta, por essa razão o STF os chama de crimes sem resultado.
Qual a diferença entre um crime formal e de mera conduta? Nos crimes formais, o resultado
naturalístico, embora desnecessário para a consumação, pode ocorrer. Nos crimes de mera conduta o
resultado naturalístico jamais ocorrerá, pois ele não existe; o tipo não o prevê.

4.8. Teorias sobre a tentativa:


→ Subjetiva, voluntarista ou monista: não diferencia o crime tentado do consumado, já que leva em
conta a intenção do agente. Ex.: crimes de atentado ou de empreendimento.
→ Sintomática: tentativa revela a periculosidade.
→ Objetiva, realística ou dualista: diferencia a tentativa do crime consumado. Em regra, é a adotada
no Brasil. Na Teoria objetiva, a tentativa possui pena reduzida!
→ Contravenções não admitem a modalidade tentada, por expressa disposição legal.
→ Se falta algum elemento objetivo do tipo, não se pode falar em tentativa.

→ O arrependimento e a desistência voluntária: comunicam-se ao partícipe:


● Natureza: Causas de exclusão da tipicidade;
● Não pode ser discutido em HC (STJ), já que demanda dilação probatória.
● São chamados de tentativa qualificada ou abandonada, pois o agente decide livremente deixar
de prosseguir com a execução do crime. #CUIDADO: Não se exige a espontaneidade, mas a mera
voluntariedade.

→ Arrependimento posterior (art. 16, CP): Quanto mais rápida for a reparação do dano (sempre antes
do recebimento da denúncia), maior será a redução da pena. O entendimento majoritário é o de que o
arrependimento posterior é circunstância objetiva comunicável.
4.7. Teorias sobre o crime impossível:
→ Subjetiva
→ Sintomática (indicativa da periculosidade)
→ Objetiva
●Pura
● Temperada ou intermediária: a inidoneidade relativa configura a tentativa; já a absoluta
configura o crime impossível. É a teoria adotada no Brasil.

→ HC não é meio adequado para reconhecer crime impossível, salvo situações teratológicas.
→ Flagrante provocado (e não esperado) é crime impossível. A mesma situação acontece com o
crime putativo por obra do agente provocador.
→ O pagamento do cheque sem fundos antes do recebimento da denúncia faz desaparecer o crime e
a punibilidade.

#NÃOCONFUNDIR:
→ Causas justificantes/descriminantes: afastam a ilicitude.
→ Causas exculpantes/dirimentes/eximentes: afastam a culpabilidade.

EXCLUDENTES DE ILICITUDE

1) ESTADO DE NECESSIDADE:
→ É faculdade perante os particulares e direito subjetivo do réu perante o Estado.
→ Requisitos:
● Risco atual (pode ser causado pelo próprio agente – salvo dolosamente – como o suicida que se
lança ao mar e furta um barco). Doutrina e Jurisprudência admitem o risco iminente.
#IMPORTANTE: SUPOSIÇÃO DE SITUAÇÃO DE PERIGO ATUAL: Para a Teoria Limitada da
Culpabilidade, seria um erro de tipo. Logo, se o erro for escusável, exclui-se a tipicidade. Se o erro for
inescusável, é possível que responda pelo crime culposo, se houver. Por outro lado, para a Teoria
Extremada da Culpabilidade, tal situação se configura como erro de proibição indireto. #ATENÇÃO:
Deve-se ter em mente que o CP adota expressamente a Teoria Limitada da Culpabilidade.
● Que a situação de perigo não tenha sido causada voluntariamente (DOLOSAMENTE) pelo
agente.
● Salvar direito próprio ou alheio.
OBS.: Não pode ser aplicado o estado de necessidade, se for para salvar o que seja ilícito. É
dispensável a autorização do titular do direito ameaçado.

● Inexistência do dever legal de enfrentar o perigo.


OBS.: Por dever legal se entende o dever jurídico de agir, abrangendo todas as hipóteses do art. 13,
§2º, do CF (lei, contrato ou se responsabilizou de alguma forma).

● Inevitabilidade do comportamento lesivo.


OBS.: O estado de defesa é subsidiário.

● Inexigibilidade do sacrifício do interesse ameaçado

OBS.: Teoria unitária: adotada pelo CP. Se o bem jurídico vale igual ou mais, trata-se de causa
justificante, que exclui a ilicitude.
#ATENÇÃO #DPU #CAIUNA2ªFASE: Teoria diferenciada: adotada pelo Código Penal Militar. Se o bem
jurídico vale mais: justificante, excluindo a ilicitude; se o bem jurídico vale a mesma coisa ou menos:
exculpante, excluindo a culpabilidade.

● Requisito subjetivo: conhecimento da situação justificante.


OBS.: Estado de miséria não constitui, genericamente, estado de necessidade.
OBS.2: O reconhecimento do estado de necessidade se comunica aos demais coautores e partícipes.

2) LEGÍTIMA DEFESA:
→ Agressão injusta (pode ser culposa). Não precisa ser fato típico. Pode advir de inimputável. É
possível se provier de multidão e de pessoa jurídica. Pode ser omissiva e comissiva.
→ Atual ou iminente.
#SELIGA: A depender da situação, a legítima defesa antecipada poderá configurar inexigibilidade de
conduta diversa, o que acaba excluindo a culpabilidade.
→ Uso moderado dos meios necessários.
→ Salvar direito próprio ou alheio. Em regra, não cabe de bens jurídicos supraindividuais. Não pode
ser utilizada na infidelidade conjugal.
#SELIGA: É possível a legítima defesa contra conduta amparada por excludente de culpabilidade.

3) ESTRITO CUMPRIMENTO DO DEVER LEGAL:


→ Contempla todas as espécies normativas, quando fala em dever legal.
→ Descriminante penal em branco, havendo necessidade de complementação.
→ Pode ser aplicada aos particulares, e não somente ao funcionário público.

Estrito Cumprimento do Dever


Exercício Regular de Direito
Legal
“Os agentes públicos” “O cidadão comum”
Compulsoriedade – Dever
Obs.: A maioria ensina que o
Facultatividade - Direito
particular também pode invocar
essa descriminante.

#IMPORTANTE: Qual a natureza jurídica dos ofendículos? (i) Ofendículos enquanto não acionados,
configuram o exercício regular de um direito (há polêmica, pois existem doutrinadores que entendem
que os ofendículos ocultados seriam uma espécie de legítima defesa putativa); (ii) Ofendículos
quando acionados, configuram legítima defesa.
CULPABILIDADE

→Não se fala em homem médio, pois a análise, neste momento, passa ser subjetiva.
→ Adota-se a teoria normativa pura da culpabilidade (finalismo), não contendo o elemento
psicológico, que está na conduta.

#LEMBRAR: Pode ser: extrema/ estrita ou limitada: o que muda é apenas o tratamento das
descriminantes putativas (assunto já comentado anteriormente).

→ Teoria funcional da culpabilidade – Jakobs – saber se a pena é ou não necessária.


→ Coculpabilidade: Zaffaroni
● A depender do grau de exclusão social, é defensável a necessidade de se absolver o réu.
● Aplicação do art. 66 do CP: coculpabilidade como atenuante genérica inominada.

→ Coculpabilidade às avessas:
● Seletividade e vulnerabilidade do Direito Penal
● Maior reprovação a pessoas dotadas de elevado poder econômico
● Circunstância judicial desfavorável

→ Menoridade: critério biológico


→ Brasil adota critério biopsicológico
→ Doente mental que pratica crime, em intervalo de lucidez, será considerado imputável.
→ Incapacidade do silvícola: laudo antropológico pode ser dispensável.
→ Incidente de insanidade mental:
● Instauração de ofício ou por provocação
● Juiz baixa portaria com quesitos
● Perícia médica
● Autos apartados
● Suspende o processo, mas não a prescrição

→ Semi-imputáveis: adota-se o sistema vicariante ou unitário.


● Vicariante = substitutivo: o semi-imputável cumpre a pena diminuída ou cumpre medida de
segurança. Contrapõe-se ao sistema do duplo binário.

→ Embriaguez culposa não exclui a imputabilidade penal, diferentemente da embriaguez total fortuita
ou acidental.
#IMPORTANTE: TEORIA DA ACTIO LIBERA IN CAUSA: Se o agente deliberadamente se coloca em um
estado de inimputabilidade, com o objetivo de cometer uma ação ou omissão típica, não poderá
alegar a inconsciência do ilícito, pois a sua consciência existia antes de se colocar no estado de
embriaguez. Para a embriaguez preordenada a teoria é perfeita e “cai como uma luva”: isso porque o
dolo do momento de lucidez é transferido para o momento do crime. Não há crítica nenhuma.

Mas, e para a embriaguez voluntária e culposa?


1ª posição: A teoria da actio libera in causa na embriaguez voluntária e culposa é considerada
responsabilidade objetiva, portanto, inaceitável. Afinal, antecipa-se a análise no momento em que não
havia dolo. #DPU.
2ª posição: Configura-se responsabilidade penal objetiva, mas necessária para a proteção do interesse
público. Essa é uma visão de política criminal, trazendo uma resposta para a sociedade. Bastaria ele se
embriagar para cometer crime. Essa é a posição do CP português.
3ª posição: A teoria é totalmente desnecessária, pois se o ébrio consegue praticar um crime, ele tem
uma vontade residual, um resquício de consciência, o que legitima a responsabilidade penal. Vicenzo
Mazini e Giuliu Battaglin.

#ATENÇÃO: Essa teoria não se aplica à embriaguez fortuita ou acidental, pois não há intenção em
consumir o álcool. Essa teoria vem sendo ampliada modernamente para abarcar qualquer estado de
inconsciência, diversos da embriaguez (ocorre a extensão da teoria da actio libera in causa). Ex. a mãe
quer matar o filho de um ano de idade, mas não tem coragem. Ela sabe que rola muito na cama
dormindo e coloca o filho na cama para ser esmagado enquanto ela dorme. Antes e rolar na cama ela
já tinha o dolo. A imputabilidade dela não será analisada no momento do crime, enquanto ela dormia e
sim no momento anterior, onde existia o dolo.

→ Potencial consciência da ilicitude: também denominada valoração paralela da esfera do profano


(leigo). Sistema intermediário (Welzel): não é necessária uma consciência reflexiva em relação às
circunstâncias, sendo suficiente uma coconsciência de pensamento material, e não de pensamento
expresso. Em suma, basta que o agente, na sua condição “profana” (de leigo), possa saber que aquilo
é ilícito.

→ Na coação moral irresistível, o coator responderá pelo crime praticado pelo coagido e pelo crime
de tortura.
→ Prevalece que o aborto sentimental (estupro) é estado de necessidade, e não inexigibilidade de
conduta diversa.
→ A exigibilidade de conduta diversa é o único elemento que apresenta excludentes supralegais.
→ Art. 45 da Lei de Drogas: causa especial de exclusão da culpabilidade – dependência química. Serve
para qualquer crime.

PRESCRIÇÃO
1. Prescrição da pretensão punitiva (PPP):
→ Propriamente dita: não há trânsito em julgado da condenação para ninguém.
→ Superveniente ou intercorrente: há trânsito para a acusação.
→ Retroativa: há trânsito para a acusação.

2. Prescrição da pretensão executória (PPE): Há trânsito para a acusação e para a defesa.

Ocorre antes de haver sentença condenatória


transitada em julgado para a acusação e, por
isso, usa como parâmetro para a aferição do
Prescrição da pretensão punitiva lapso prescricional o máximo da pena privativa
propriamente dita ou da ação. de liberdade abstratamente cominada ao crime,
segundo a tabela do art. 109 do CP.

Leva em consideração a pena em abstrato!


A prescrição da pretensão punitiva retroativa
tem o mesmo fundamento, as mesmas
características e idênticas consequências da
prescrição superveniente, mas tem por termo
inicial data anterior a sentença condenatória
recorrível.

Prescrição da pretensão punitiva Assim, a prescrição retroativa, atualmente, nos


retroativa. obriga a percorrer novamente apenas o percurso
entre a data do recebimento da denúncia ou
queixa até a sentença penal condenatória
recorrível.

Leva em consideração a pena cominada em


concreto!
Conta-se a prescrição da publicação da sentença
Prescrição da pretensão punitiva condenatória, até a data do trânsito julgado
superveniente ou intercorrente final (para ambas as partes).
Leva em consideração a pena cominada em
concreto!

OBS: Todas as espécies de prescrição da pretensão punitiva eliminam todos os efeitos penais do
crime.

#SELIGANASÚMULA: Súmula 338 – STJ: A prescrição penal é aplicável nas medidas socioeducativas.

1.1. PPP PROPRIAMENTE DITA:

Pena máxima em abstrato Prescrição


Inferior (E NÃO ATÉ) 01 ano 03 anos (Lei nº 12.234/2010)
01 até 02 anos 04 anos
Mais de 02 anos até 04 anos 08 anos
Mais de 04 anos até 08 anos 12 anos
Mais de 08 anos até 12 anos 16 anos
Mais de 12 anos 20 anos

→ Consideram-se as causas de aumento e as causas de diminuição. Leva-se em conta a teoria da pior


das hipóteses: pena máxima cominada ao delito + causa que mais aumenta – causa que menos
diminui.
Contudo, não se considera o aumento oriundo do concurso de crimes, pois cada crime prescreve
isoladamente (art. 119 CP).
→ Não são consideradas agravantes e atenuantes, pois elas não têm o quantum definido por lei.
→ Prescrevem em 2 anos: a pena de multa, quando é a única aplicada, e a pretensão punitiva do crime
do art. 28 da Lei nº 11.343/2006 (consumo próprio de drogas).
→ A pena de morte prescreve em 30 anos (art. 125, I, do CPM).

#IMPORTANTE: Redução pela metade da PPP:


● Menos de 21 anos, ao tempo do crime.
● Maior de 70 anos, ao tempo da sentença.
1.1.1. Causas interruptivas da PPP: As causas interruptivas fazem com que a contagem do prazo
prescricional volte ao zero. Ou seja, inicia-se tudo novamente!

a) Recebimento da denúncia ou queixa (quando o juiz entrega o processo ao escrivão judicial -


independe da imprensa oficial).

● Se o recebimento for posteriormente anulado pelo juiz ou tribunal: não interrompe


● Juiz absolutamente incompetente: não interrompe
● Juiz relativamente incompetente: interrompe
● Recebimento do aditamento: interrompe a prescrição exclusivamente quanto ao novo crime ou
quanto ao novo réu incluído com o aditamento.

b) Publicação da sentença ou acórdão condenatório recorrível:

● Se absolutórios: não interrompem.


● Acórdão meramente confirmatório: não interrompe.
● Se o acórdão aumentar sensivelmente a pena: interrompe.
● Sentença posteriormente anulada: não interrompe.
● Considera-se publicado o acórdão condenatório recorrível na data da sessão pública de
julgamento, e não na data de sua veiculação no Diário da Justiça.

c) Pronúncia:
#SELIGANASÚMULA: Súmula 191 do STJ: A pronúncia é causa interruptiva da
prescrição, ainda que o tribunal do júri venha a desclassificar o crime.

● Se houver recurso da decisão de pronúncia e o tribunal se manifestar no sentido de desclassificação


da infração penal para aquela que não se encontra entre as de competência do júri, a pronúncia não
terá força interruptiva.

d) Decisão confirmatória da pronúncia:


→ #MUITOIMPORTANTE! Causas interruptivas se comunicam no concurso de pessoas e nos crimes
complexos, se objeto do mesmo processo.

→ A prescrição não corre (suspensão do prazo prescricional):


● Enquanto não resolvida, em outro processo, questão de que dependa o reconhecimento da
existência do crime. Trata-se das questões prejudiciais.
● Enquanto o agente cumpre pena no estrangeiro.
● Enquanto não for cumprida a carta rogatória expedida para a citação do réu no estrangeiro (art.
368 do Código de Processo Penal).
● Enquanto operar o sursis processual do art. 89 da Lei 9.099/95.
● Enquanto não comparecer ao processo ou não constituir advogado o acusado citado por edital (art.
366, CPP).

#SELIGANASÚMULA: Súmula 415 do STJ: O período de suspensão do prazo


prescricional é regulado pelo máximo da pena cominada.

1.2. Prescrição Penal Retroativa:


→ Lei nº 12.234, de 05/05/2010: acabou com a prescrição retroativa que ocorria entre o fato e o
recebimento da denúncia. A partir dessa inovação legislativa, o marco temporal é o recebimento da
denúncia.
#DICA: #2ªFASE: MUITO CUIDADO COM QUESTÕES QUE ENVOLVEM O DIREITO INTERTEMPORAL,
PRINCIPALMENTE EM PEÇAS!

→ A prescrição retroativa é muito semelhante à prescrição superveniente ou intercorrente. O que


muda é a direção. As duas pressupõem o trânsito em julgado para o MP, mas não contam desse
trânsito, e sim da data da publicação da sentença condenatória.
→ Pode ser reconhecida de ofício, pois se trata de matéria de ordem pública.
→ É calculada com base na pena concreta.
→ É contada da decisão condenatória para trás (por isso se chama “retroativa”).
→ O juiz não pode reconhecer na sentença condenatória recorrível, pois ainda falta o trânsito para a
acusação.

1.3. Prescrição Superveniente/Intercorrente:


→ Conta-se da publicação da sentença condenatória, até a data do trânsito em julgado final (para
ambas as partes).

2. Prescrição da Pretensão Executória (PPE):


→ Só impede o cumprimento da pena. Mas, atenção: subsistem todos os efeitos secundários da
condenação.
→ O prazo da prescrição executória inicia-se com o trânsito em julgado para a acusação (art.112, I, CP),
mas a efetiva prescrição executória só irá ocorrer se houver ocorrido o trânsito em julgado para
ambas as partes.
→ É interrompida pelo início ou continuação do cumprimento da pena e pela reincidência.
→ Há o aumento de 1/3 do prazo no caso de reincidência. OBS.: Esse aumento no caso de reincidência
não se aplica à PPP, mas somente à PPE.
→ É regulada pelo tempo que resta da pena, no caso de evadir-se o condenado ou revogar-se o
livramento condicional (afinal, pena cumprida é pena extinta!). #ATENÇÃO: Interpretação extensiva
ao abandono do cumprimento de medidas restritivas de direitos.

PRESCRIÇÃO. PRETENSÃO EXECUTÓRIA. PENA RESTRITIVA DE DIREITOS. ABANDONO NO


CUMPRIMENTO. No caso de abandono pelo sentenciado do cumprimento da pena restritiva de
direitos - prestação de serviços à comunidade –, a prescrição da pretensão executória será regulada
pelo tempo restante do cumprimento da medida substitutiva imposta. Com base nesse
entendimento, a Turma concedeu a ordem para declarar extinta a punibilidade do paciente pela
ocorrência da prescrição executória da pena. Ao conferir interpretação extensiva ao art. 113 do CP,
decidiu-se que o abandono no cumprimento da pena restritiva de direitos pode se equiparado às
hipóteses de “evasão” e da “revogação do livramento condicional” previstas no referido artigo, uma
vez que as situações se assemelham na medida em que há, em todos os casos, sentença condenatória
e o cumprimento de parte da pena pelo sentenciado. Precedentes citados: HC 101.255-SP, DJe
7/12/2009; HC 225.878-SP, DJe 25/4/2012. HC 232.764-RS, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura,
julgado em 25/6/2012.

3. Prescrição da Multa:
Espécie de multa Prazo prescricional
Multa cominada isoladamente Prescreve em 02 anos.
Multa cominada cumulativamente Prescreve junto com a pena restritiva
de liberdade.
Multa cominada alternativamente Prescreve junto com a pena restritiva
de liberdade.

→ As causas interruptivas e suspensivas são as da Lei de Execução Fiscal (LEF).

CONCURSO DE PESSOAS

Vejamos os requisitos:
→ Pluralidade de agentes culpáveis.
#ALERTA: Se faltar esse requisito (pluralidade de agentes culpáveis), será caso de autoria imediata.
#ATENÇÃO: Crimes acidentalmente coletivos: podem ser praticados por uma única pessoa, mas a
pluralidade faz surgir uma modalidade mais grave do delito. No caso de crimes plurissubjetivos e
acidentalmente coletivos, basta que um dos agentes seja culpável para que se configure a modalidade
mais grave do delito. Ex.: roubo majorado pelo concurso de pessoas.

→ Relevância causal das condutas.


→ Vínculo subjetivo. Não há participação dolosa em crime culposo e nem participação culposa em
crime doloso. Não se confunde com o mero prévio ajuste. Não se exige liame subjetivo bilateral para a
caracterização do concurso de agentes.
#ALERTA: Se faltar o vínculo subjetivo, não haverá concurso, e sim autoria colateral.

→ Unidade de crime para todos os agentes. Adota-se a teoria unitária ou monista. No ordenamento
brasileiro, a teoria pluralista é exceção (ex: corrupção ativa e passiva).
→ Existência de fato punível (princípio da exterioridade).

→ Teorias sobre coautoria:


● Restritiva objetivo-formal: autor é quem executa o núcleo do tipo. Não explica a autoria mediata.
● Extensiva/subjetiva/unitária: não diferencia autoria e participação.
● Domínio do fato: É autor quem executa o núcleo do tipo ou tem o controle final do fato. Só se
aplica aos crimes dolosos e não elimina a figura do partícipe. OBS.: O STF adotou essa teoria no caso
do Mensalão.
→ Hipóteses de autoria mediata:
● Erro determinado por terceiro (de tipo ou de proibição);
● Coação moral irresistível;
● Obediência hierárquica; e
● Instrumento impunível.

→ É possível autoria mediata em crime próprio, desde que o autor mediato preencha as qualidades
reclamadas no tipo penal.
→ Não se admite autoria mediata em crime de mão-própria ou de conduta infungível. Exceção: Falso
testemunho.
Crime omissivo Crime culposo Crime de mão própria
Admite participação, Admite coautoria, mas Admite participação,
mas não coautoria. não participação. mas não coautoria.
Cada omitente é autor
de sua omissão.

#ATENÇÃO: A participação material é o auxílio.


#SELIGANOSINÔNIMO: Também é denominada cumplicidade.

→ Teorias do partícipe:
Acessoriedade Acessoriedade Acessoriedade máxima ou Hiper ou ultra
mínima limitada extrema acessoriedade:
Basta que o autor Basta que o autor Exige que o autor pratique Exige que o agente
pratique fato pratique fato típico + fato típico + ilícito + pratique fato típico +
típico. ilícito. É a adotada culpável. É a que explica ilícito + culpável e,
no Brasil melhor a autoria mediata, ainda, que seja
não a enquadrando como efetivamente punido.
concurso de agentes.

→ Imunidade parlamentar: exclui a tipicidade.


→ Quem está do lado de fora garantindo a fuga não pode, em regra, ser considerado partícipe de
menor importância.
→ Participação por omissão: dever jurídico de evitar o resultado + passa a aderir subjetivamente à
conduta + relevância da omissão. Ex.: policial conivente com estupro ocorrendo na sua frente.

→ Cooperação dolosamente distinta/desvio subjetivo entre os agentes: se algum dos concorrentes


quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena deste; essa pena será aumentada até
metade, na hipótese de ter sido previsível o resultado mais grave. Exemplo: Ciclano e Fulano decidem
furtar uma casa supostamente vazia, pois os donos estariam viajando. Ciclano fica do lado de fora com
o carro ligado esperado Fulano furtar as coisas. Ocorre que ao entrar na casa, Fulano se depara com a
família toda na casa, e então, decide exterminá-los e subtrair os bens do local, praticando assim,
latrocínio em vez de furto. Nesse caso, Ciclano responderá por furto.

→ Comunicabilidade:
● As elementares sempre se comunicam, desde que sejam de conhecimento de todos os agentes.
● Circunstâncias pessoais não se comunicam (lembrando que as circunstâncias compõem o tipo
derivado; são as qualificadoras, causas de aumento...).
● Circunstâncias reais ou objetivas se comunicam, desde que sejam do conhecimento de todos os
agentes.
● Condições pessoais não se comunicam. Ex.: reincidência.
● Condições reais ou objetivas se comunicam, desde que sejam de conhecimento de todos os
agentes. Ex.: noite.

#ATENÇÃO: O que se entende por autoria colateral e dupla causalidade?


● Autoria colateral: não se sabe ao certo qual conduta causou o resultado. Na dúvida, ambos
respondem por tentativa.
● Dupla causalidade: qualquer uma das condutas, por si só, poderia causar o resultado.

O ESTUDO DO ERRO

1. Erro de tipo:
→ Engloba tanto o erro quanto a ignorância.
→ Erro de tipo acidental apresenta as seguintes espécies:
● Erro sobre a pessoa;
● Erro sobre a coisa: agente responde pela coisa efetivamente atacada. Não há previsão legal;
● Erro sobre a qualificadora;
● Erro sobre o nexo causal ou “aberratio causae”: prevalece que se considera o nexo pretendido;
● Erro na execução ou “aberratio ictus”: o parâmetro é pessoa X pessoa
● Resultado diverso do pretendido/“aberratio delicti”/“aberratio criminis”: o parâmetro é crime X
crime. Não se aplica se o resultado produzido é menos grave do que o pretendido, sob pena de
prevalecer a impunidade.
→ Damásio de Jesus, Júlio Mirabete, Magalhães Noronha e Assis Toledo afirmam que se deve aplicar a
regra do artigo 73 do Código Penal, considerando-se como atingida a pessoa visada, pelo que o
defendente, em que pese o erro, estaria, relativamente ao terceiro neutro, em legítima defesa.

Erro de tipo essencial a) Inevitável escusável ou desculpável.


b) Evitável, inescusável ou indesculpável.
Erro de tipo acidental a) Erro sobre o objeto
b) Erro sobre a pessoa
c) Erro na execução
d) Resultado diverso do pretendido
e) Erro sobre o nexo causal

→ O erro sobre a pessoa ou na execução NÃO tem relevância para efeito de determinação da
competência.
→ Erro de proibição ou sobre a ilicitude do fato: o agente não sabe que a conduta praticada é ilícita.
→ Erro de proibição indireto = descriminantes putativas (causas de exclusão de ilicitude
erroneamente imaginadas pelo agente).

OBS.: No finalismo, o dolo é natural. Adota-se a teoria normativa pura da culpabilidade. Esta se
subdivide em: 1) extrema, estrita ou extremada: discriminantes putativas sempre serão erro de
proibição; 2) limitada: descriminantes putativas podem ser tanto erro de proibição como erro de tipo.
Prevalece que essa é a teoria adotada no Brasil. Desse modo, se o erro do agente recair sobre uma
situação fática que, se existisse, tornaria a ação legítima, será considerado erro de tipo. Contudo, se
incidir sobre a existência ou os limites da causa de justificação, será erro de proibição.

Vejamos de maneira resumida:


ERRO INEVITÁVEL ERRO EVITÁVEL
Exclui o dolo – o agente não tem Exclui o dolo – o agente não tem
consciência do que faz (um dos elementos consciência do que faz.
do dolo).
Exclui a culpa – o resultado é imprevisível (a Pune a culpa, se prevista em lei – o
previsibilidade é elemento da culpa). resultado era previsível.

2. Descriminantes Putativas:
→ Achar que está agindo resguardado por uma causa de exclusão da ilicitude
→ É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas circunstâncias, supõe situação de
fato que, se existisse, tornaria a ação legítima.
→ Não há isenção de pena quando o fato deriva de culpa e o crime é punido como culposo.

3. Erro sobre a ilicitude do fato:


→ Se escusável/inevitável: isenta de pena.
→ Se inescusável/evitável: redução de 1/6 a 1/3.
ERRO DE TIPO ERRO DE PROIBIÇÃO
O agente sabe o que faz, mas pensa que
O agente não sabe o que faz. sua conduta é lícita, quando, na
verdade, é proibida.
É o erro incidente sobre os elementos
É o erro quanto à ilicitude da conduta
objetivos do tipo
Afasta a POTENCIAL CONSCIÊNCIA DA
Trata-se da má interpretação sobre os ILICITUDE, que é requisito da
FATOS. Recai sobre os requisitos ou culpabilidade. Não há erro sobre a
elementos fático-descritivos do tipo, situação de fato, já que essa está
como também sobre requisitos incontestável, mas não há a exata
jurídico-normativos do tipo. compreensão sobre os LIMITES
JURÍDICOS DA LICITUDE da conduta.
Exclui a CULPABILIDADE, se
Exclui sempre o DOLO, se poderia ser
INEVITÁVEL ou ESCUSÁVEL.
evitado, responde pela culpa, caso haja
previsão da forma culposa do delito.
Diminui a pena, se EVITÁVEL ou
INESCUSÁVEL.

Exclui CRIME Exclui PENA

Não se confunde com a ideia de ERRO Não se confunde com a ideia de ERRO
DE FATO DE DIREITO

CAUSALISTAS: quando estão diante de CAUSALISTAS: quando estão diante de


ERRO DE TIPO ESCUSÁVEL afastam a ERRO DE PROIBIÇÃO ESCUSÁVEL
CULPABILIDADE. afastam a CULPABILIDADE.

Para os FINALISTAS, afasta a própria Para os finalistas, afasta a


tipicidade. culpabilidade.
EXEMPLO 01: mulher de Ribeirão Preto,
embarcando para SP, encontra um
EXEMPLO 01: holandês que acreditou
conhecido que dá uma caixinha para
que no Brasil poderia ser usada droga,
levar para o primo doente, onde há
sem ser crime, por isso trouxe a sua
entorpecentes, e não medicamentos,
cota diária.
como erroneamente acreditava a
mulher.
EXEMPLO 02: “turista, oriundo de país
EXEMPLO 02: mulher que levou o carro
em que se admite a poligamia, aqui se
de outra pessoa achando que fosse o
casa novamente, embora ainda sendo
seu.
casado” (Füher)

ARREPENDIMENTO POSTERIOR

Arrependimento Posterior: Art. 16, CP.


→ Crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa.
→ Reparar dano ou restituir a coisa
→ até o RECEBIMENTO da denúncia ou da queixa
→ redução de 1/3 a 2/3
SUBSTITUIÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE POR RESTRITIVA DE DIREITOS E OUTRAS
MODALIDADES DE PENA

1. Substituição da PPL por PRD:


→ Pena privativa de liberdade não superior a 4 anos;
→ Sem violência ou grave ameaça à pessoa;
→ Qualquer que seja a pena, se o crime for culposo;
→ Réu não for reincidente em crime doloso;

#OBS: Conversão socialmente recomendável + ausência de reincidência específica: possibilidade de o


juiz afastar esse requisito.

→ Circunstâncias judiciais favoráveis;


→ Condenação igual ou inferior a 01 ano: multa OU uma pena restritiva de direitos;
→ Condenação superior a 01 ano: aplica-se uma restritiva de direitos + multa ou 02 restritivas de
direitos.
→ Conversão em privativa de liberdade: necessidade de respeito ao saldo mínimo de 30 dias de
detenção ou reclusão.

2. Prestação Pecuniária:
→ 1 a 360 salários-mínimos
→ Tem como destinatários a vítima, dependentes da vítima ou entidade pública ou privada com
destinação social.
→ Dedução do montante de eventual condenação civil, caso as vítimas sejam as mesmas.

3. Perdas de Bens e Valores:


→ Destinada ao Fundo Penitenciário

4. Prestação de serviços à comunidade:


→ Condenações superiores a 6 meses
→ 1h/dia
→ condenação superior a 1 ano: possibilidade de cumprimento em menos tempo, nunca inferior à
metade.

5. Limitação de fim de semana:


→ 5h em casa de albergado no final de semana

6. Multa:
→ Destina-se ao Fundo Penitenciário
→ Dias-multa: 10 a 360
→ Valor do dia multa: 1/30 a 5 vezes o salário mínimo
→ Possibilidade de triplicar (análise da situação financeira da pessoa)
→ Deve ser paga dentro do prazo de 10 dias do trânsito em julgado
→ Doença mental: execução da pena de multa é suspensa
→ Pena privativa de liberdade não superior a 6 meses pode ser substituída pela pena de multa.
→ Concurso formal: aplica-se a pena do crime mais grave, aumentada de 1/6 a metade.
→ Crime continuado: aplica-se a pena do crime mais grave, aumentada de 1/6 a 2/3.

OBS.: nos crimes dolosos contra vítimas distintas, cometidos com grave ameaça ou violência à
pessoa, poderá o juiz, considerando a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a
personalidade, bem como os motivos e as circunstâncias, aumentar a pena de um só dos crimes, se
idênticas, ou a mais grave, se diversas, até o TRIPLO.

7. Suspensão Condicional da Pena (Sursis):


→ Crime não superior a 02 anos
● Suspensão de 2 a 4 anos

→ Sursis etário e humanitário


● Doente
● Maior de 70 anos
● Pena não superior a 4 anos
● Suspensão da pena de 4 a 6 anos

→ Condenado não seja reincidente em crime doloso, salvo se a condenação anterior for à multa
→ Circunstâncias judiciais favoráveis
→ Não caiba substituição por penas restritivas de direitos
→ Não importa se o crime foi cometido ou não mediante violência ou grave ameaça
→ No primeiro ano do prazo, será cumprida prestação de serviços à comunidade ou limitação de final
de semana. Contudo, havendo reparação do dano e circunstâncias judiciais favoráveis, afastam-se
essas medidas.

LIVRAMENTO CONDICIONAL

→ Pena privativa de liberdade igual ou superior a 2 anos


→ Cumprido
● + de 1/3: não for reincidente em crime doloso e tiver bons antecedentes
● + da metade: reincidente em crime doloso
● + de 2/3: crimes hediondos e equiparados (tráfico de drogas, terrorismo, tortura e *tráfico de
pessoas), salvo se reincidente específico em crimes dessa natureza (nessa caso, não terá direito ao
benefício).
→ Comportamento satisfatório
→ Bom desempenho do trabalho que lhe foi atribuído
→ Aptidão para prover a própria subsistência mediante trabalho honesto
→ Penas diversas devem ser somadas para efeito de livramento
*#NOVIDADELEGISLATIVA: Lei 13.344/2016: Em 06 de outubro de 2016, foi editada a Lei 13.344/2016,
que dispõe sobre prevenção e repressão ao tráfico interno e internacional de pessoas e sobre
medidas de atenção às vítimas; altera o art. Art. 83, inciso V, dispondo que: “cumpridos mais de dois
terços da pena, nos casos de condenação por crime hediondo, prática de tortura, tráfico ilícito de
entorpecentes e drogas afins, tráfico de pessoas e terrorismo, se o apenado não for reincidente
específico em crimes dessa natureza”.

EFEITOS DA CONDENAÇÃO

→ Perde de bens
→ Perda do cargo, função pública ou mandato eletivo
● Pena privativa de liberdade igual ou superior a 1 ano, desde que o crime tenha sido cometido
com abuso do poder ou violação de dever para com a Administração Pública
● Pena privativa de liberdade superior a 4 anos: demais casos

→ Incapacidade para o exercício do poder familiar, tutela ou curatela


● Crime doloso
● Punido com reclusão
● Praticado contra o filho, tutelado ou curatelado

REABILITAÇÃO

→ Sigilo sobre processo e condenação


→ Atinge os efeitos da condenação, salvo: perda da função pública, cargo e mandato eletivo; do
poder familiar, tutela ou curatela.
→ Requerida depois de 2 anos da data da extinção da pena, computado o período de prova da
suspensão e do livramento condicional
→ Condições a serem cumpridas nos 02 anos: ● Domicílio no país; ● Bom comportamento; e ●
Ressarcimento do dano.

→ Revogação: condenação definitiva, como reincidente, a pena que não seja de multa.

→ Internação (medida de segurança): prazo mínimo de 1 a 3 anos.

→ Nos crimes conexos, a extinção da punibilidade de um deles não impede, quanto aos outros, a
agravação da pena resultante da conexão.
→ No caso de concurso de crimes, a extinção da punibilidade incidirá sobre a pena de cada um,
isoladamente.

SÚMULAS DE DESTAQUE

Súmula 536-STJ: A suspensão condicional do processo e a transação penal não se aplicam na hipótese
de delitos sujeitos ao rito da Lei Maria da Penha. STJ. 3ª Seção. Aprovada em 10/06/2015, Dje
15/06/2015.
Súmula 527-STJ: O tempo de duração da medida de segurança não deve ultrapassar o limite máximo
da pena abstratamente cominada ao delito praticado. STJ. 3ª Seção. Aprovada em 13/05/2015, DJe
18/05/2015.

Súmula 521-STJ: A legitimidade para a execução fiscal de multa pendente de pagamento imposta em
sentença condenatória é exclusiva da Procuradoria da Fazenda Pública. STJ. 3ª Seção. Aprovada em
25/03/2015, DJe 6/4/2015.

Súmula 567-STJ: Sistema de vigilância realizado por monitoramento eletrônico ou por existência de
segurança no interior de estabelecimento comercial, por si só, não torna impossível a configuração do
crime de furto. #LEMBRAR: Código Penal adota a teoria temperada ou intermediária em que a
inidoneidade meramente relativa configura a tentativa.

Súmula 545-STJ: Quando a confissão for utilizada para a formação do convencimento do julgador, o
réu fará jus à atenuante prevista no artigo 65, III, d, do Código Penal. STJ. 3ª Seção. Aprovada em
14/10/2015, DJe 19/10/2015.

#CONCEITOS IMPORTANTES:

→ Confissão parcial: ocorre quando o réu confessa apenas parcialmente os fatos narrados na
denúncia. Se a confissão, ainda que parcial, serviu de suporte para a condenação, ela deverá ser
utilizada como atenuante (art. 65, III, “d”, do CP) no momento de dosimetria da pena.

→ A confissão qualificada ocorre quando o réu admite a prática do fato, no entanto, alega em sua
defesa um motivo que excluiria o crime ou o isentaria de pena.

→ A confissão qualificada (aquela na qual o agente agrega teses defensivas discriminantes ou


exculpantes), quando efetivamente utilizada como elemento de convicção, enseja a aplicação da
atenuante prevista na alínea “d” do inciso III do art. 65 do CP (STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1.198.354-
ES, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 16/10/2014).
→ O agente confessa na fase do inquérito policial e, em juízo, se retrata, negando a autoria. O juiz
condena o réu fundamentando sua sentença, dentre outros argumentos e provas, na confissão
extrajudicial. Deverá incidir a atenuante? SIM. Se a confissão do agente é utilizada pelo magistrado
como fundamento para embasar a condenação, a atenuante prevista no art. 65, inciso III, alínea “d”,
do CP deve ser aplicada em favor do réu, não importando que, em juízo, este tenha se retratado
(voltado atrás) e negado o crime (STJ. 5ª Turma. HC 176.405/RO, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em
23/04/2013).

→ A confissão é um fato processual que gera um ônus e um bônus para o réu. O ônus está no fato de
que isso será utilizado contra ele como elemento de prova no momento da sentença. O bônus foi
concedido pela lei e consiste na atenuação de sua pena.

→ CONFISSÃO PARCIAL (incide atenuante) ≠ CONFISSÃO DE CRIME DIVERSO (não incide atenuante):
veja agora uma situação um pouco diferente. João, após ameaçar matar a vítima, tomou-lhe o celular
que estava no bolso da calça. Foi denunciado pela prática de roubo (art. 157 do CP). Durante o
interrogatório, o réu admitiu que subtraiu o celular, mas afirmou que fez isso sem violência ou grave
ameaça, aproveitando-se apenas da distração da vítima. Neste caso, o juiz deverá aplicar a atenuante
da confissão espontânea? NÃO. O fato de o denunciado por roubo ter confessado a subtração do
bem, negando, porém, o emprego de violência ou grave ameaça, é circunstância que não enseja a
aplicação da atenuante da confissão espontânea (art. 65, III, "d", do CP). Isso porque a atenuante da
confissão espontânea pressupõe que o réu reconheça a autoria do fato típico que lhe é imputado.
Ocorre que, no caso, o réu não admitiu a prática do roubo denunciado, pois negou o emprego de
violência ou de grave ameaça para subtrair o bem da vítima, numa clara tentativa de desclassificar a
sua conduta para o crime de furto. Nesse caso, em que se nega a prática do tipo penal apontado na
peça acusatória, não é possível o reconhecimento da circunstância atenuante. STJ. 5ª Turma. HC
301.063-SP, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 3/9/2015 (Info 569).

INFORMATIVOS DE DESTAQUE – 2016 E 20157

Caso o Tribunal, na análise de apelação exclusiva da defesa, afaste uma das circunstâncias judiciais
(art. 59 do CP) valoradas de maneira negativa na sentença, a pena base imposta ao réu deverá, como

7
Informativos extraídos do Dizer o Direito.
consectário lógico, ser reduzida, e não mantida inalterada. STJ. 6ª Turma. HC 251.417-MG, Rel. Min.
Rogério Schietti Cruz, julgado em 3/11/2015 (Info 573).

Impossibilidade de aplicação concomitante da continuidade delitiva comum e específica: se


reconhecida a continuidade delitiva específica entre estupros praticados contra vítimas diferentes,
deve ser aplicada exclusivamente a regra do art. 71, parágrafo único, do Código Penal, mesmo que, em
relação a cada uma das vítimas, especificamente, também tenha ocorrido a prática de crime
continuado. STJ. 6ª Turma. REsp 1.471.651-MG, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 13/10/2015
(Info 573).

O fato de o réu ter bons antecedentes pode ser considerado como uma atenuante inominada do art.
66 do CP? NÃO. Não caracteriza circunstância relevante anterior ao crime (art. 66 do CP) o fato de o
condenado possuir bons antecedentes criminais. Isso porque os antecedentes criminais são analisados
na 1ª fase da dosimetria da pena, na fixação da pena-base, considerando que se trata de uma
circunstância judicial do art. 59 do CP. STJ. 6ª Turma. REsp 1405989/SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior,
Rel. p/ Acórdão Min. Nefi Cordeiro, julgado em 18/08/2015 (Info 569).

Não há continuidade delitiva entre os crimes do art. 6º da Lei 7.492/86 (Lei dos Crimes contra o
Sistema Financeiro Nacional) e os crimes do art. 1º da Lei 9.613/1998 (Lei dos Crimes de "Lavagem" de
Dinheiro). Não incide a regra do crime continuado na hipótese, pois os crimes descritos nos arts. 6º da
Lei 7.492/86 e 1º da Lei 9.613/98 não são da mesma espécie. STJ. 6ª Turma. REsp 1405989/SP, Rel. Min.
Sebastião Reis Júnior, Rel. p/ Acórdão Min. Nefi Cordeiro, julgado em 18/08/2015 (Info 569).

Segundo decidiu o STJ, compensa-se a atenuante da confissão espontânea (art. 65, III, "d", do CP)
com a agravante de ter sido o crime praticado com violência contra a mulher (art. 61, II, "f", do CP).
STJ. 6ª Turma. AgRg no AREsp 689.064-RJ, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em
6/8/2015 (Info 568).

Nos casos em que haja condenação a pena privativa de liberdade e multa, cumprida a primeira (ou a
restritiva de direitos que eventualmente a tenha substituído), o inadimplemento da sanção
pecuniária não obsta o reconhecimento da extinção da punibilidade. Em outras palavras, o que
importa para a extinção da punibilidade é o cumprimento da pena privativa de liberdade ou da
restritiva de direitos. Cumpridas tais sanções, o fato de o apenado ainda não ter pago a multa não
interfere na extinção da punibilidade. Isso porque a pena de multa é considerada dívida de valor e,
portanto, possui caráter extrapenal, de modo que sua execução é de competência exclusiva da
Procuradoria da Fazenda Pública (Súmula 521-STJ). Assim, cumprida a pena privativa de liberdade (ou
restritiva de direitos), extingue-se a execução penal e, se restar ainda pendente o pagamento multa,
esta deverá ser cobrada pela Fazenda Pública, no juízo competente, tendo se esgotado, no entanto, a
jurisdição criminal. STJ. 3ª Seção. REsp 1.519.777-SP, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, julgado em
26/8/2015 (recurso repetitivo) (Info 568).

#IMPORTANTE: No caso de crimes conexos que sejam objeto do mesmo processo, havendo sentença
condenatória para um dos crimes e acórdão condenatório para o outro delito, tem-se que a prescrição
da pretensão punitiva de ambos é interrompida a cada provimento jurisdicional (art. 117, § 1º, do CP).
STJ. 5ª Turma. RHC 40.177-PR, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 25/8/2015 (Info 568).

O termo inicial do prazo prescricional da pretensão punitiva do crime previsto no art. 2º, I, da Lei nº
8.137/90 é a data em que a fraude é praticada, e não a data em que ela é descoberta. Isso porque o
referido tipo tem natureza de crime formal, instantâneo, sendo suficiente a conduta instrumental,
haja vista não ser necessária a efetiva supressão ou redução do tributo para a sua consumação,
bastando o emprego da fraude. Assim, o fato de a fraude ter sido empregada em momento
determinado, ainda que irradie efeitos até ser descoberta, não revela conduta permanente, mas sim
crime instantâneo de efeitos permanentes - os quais perduraram até a descoberta do engodo. STJ. 5ª
Turma. RHC 36.024-ES, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 25/8/2015 (Info 568)

#IMPORTANTE: O art. 83 do CP prevê que o condenado por crime hediondo ou equiparado que não
for reincidente específico poderá obter livramento condicional após cumprir 2/3 da pena. Os
condenados por crimes não hediondos ou equiparados terão direito ao benefício se cumprirem mais
de 1/3 da pena (não sendo reincidentes em crimes dolosos) ou se cumprirem mais de 1/2 da pena (se
forem reincidentes em crimes dolosos).
→ O crime de associação para o tráfico de drogas, previsto no art. 35 da Lei 11.343/2006, não é
hediondo nem equiparado. No entanto, mesmo assim, o prazo para se obter o livramento
condicional é de 2/3 porque este requisito é exigido pelo parágrafo único do art. 44 da Lei de Drogas.
Dessa forma, aplica-se ao crime do art. 35 da LD o requisito objetivo de 2/3 não por força do art. 83, V,
do CP, mas sim em razão do art. 44, parágrafo único, da LD.
→ Vale ressaltar que, no caso do crime de associação para o tráfico, o art. 44, parágrafo único, da LD
prevalece em detrimento da regra do art. 83, V, do CP em virtude de ser dispositivo específico para os
crimes relacionados com drogas (critério da especialidade), além de ser norma posterior (critério
cronológico).

→ Uma última observação: se o réu estiver cumprindo pena pela prática do crime de associação para
o tráfico (art. 35), o requisito objetivo para que ele possa obter progressão de regime será de 1/6 da
pena (quantidade de tempo exigida para os "crimes comuns"). Os condenados por crimes hediondos
ou equiparados só têm direito de progredir depois de cumpridos 2/5 (se primário) ou 3/5 (se
reincidente). STJ. 5ª Turma. HC 311.656-RJ, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 25/8/2015 (Info 568).

→ O art. 35 é um crime autônomo. Isso significa que ele pode se consumar mesmo que os delitos
nele mencionados acabem não ocorrendo e fiquem apenas na cogitação ou preparação. Assim, se
João e Antônio se juntam, de forma estável e permanente, para praticar tráfico de drogas, eles terão
cometido o crime do art. 35, ainda que não consigam perpetrar nenhuma vez o tráfico de drogas.

→ Se João e Antônio conseguirem praticar o tráfico de drogas, eles responderão pelos dois delitos, ou
seja, pelo art. 35 em concurso material com o art. 33 da Lei n.° 11.343/2006.

→ Se essa associação for eventual ou acidental, não haverá o crime do art. 35, sendo apenas caso de
concurso de pessoas.

→ Haverá o art. 35 mesmo que as pessoas se associem com a finalidade de praticar um só crime,
dentre os listados acima.

→ Somente haverá o art. 288 do CP (associação criminosa) se as pessoas se associarem com a


finalidade de praticar mais de um crime. Se houver reunião para cometer um só crime, não se consuma
o art. 288 do CP.

A existência de sistema de segurança ou de vigilância eletrônica não torna impossível, por si só, o
crime de furto cometido no interior de estabelecimento comercial. Trata-se de inidoneidade RELATIVA
do meio. Em outras palavras, o meio escolhido pelo agente é relativamente ineficaz, visto que existe
sim uma possibilidade (ainda que pequena) de o delito se consumar. STJ. 3ª Seção. REsp 1.385.621-MG,
Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, julgado em 27/5/2015 (recurso repetitivo) (Info 563).

Se a pena privativa de liberdade foi fixada no mínimo legal, é possível a fixação de regime inicial mais
severo do que o previsto pela quantidade de pena? NÃO. A posição que prevalece no STJ é a de que,
fixada a pena-base no mínimo legal e sendo o acusado primário e sem antecedentes criminais não se
justifica a fixação do regime prisional mais gravoso (STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 303.275/SP, Rel. Min.
Jorge Mussi, julgado em 03/02/2015). Assim, por exemplo, no crime de roubo, o emprego de arma de
fogo não autoriza, por si só, a imposição do regime inicial fechado se, primário o réu, a pena-base foi
fixada no mínimo legal.

Importante: Alguns livros defendem o contrário: A qualificadora “deformidade permanente” do


crime de lesão corporal (art. 129, § 2º, IV, do CP) não é afastada por posterior cirurgia estética
reparadora que elimine ou minimize a deformidade na vítima. Isso porque, o fato criminoso é
valorado no momento de sua consumação, não o afetando providências posteriores, notadamente
quando não usuais (pelo risco ou pelo custo, como cirurgia plástica ou de tratamentos prolongados,
dolorosos ou geradores do risco de vida) e promovidas a critério exclusivo da vítima. STJ. 6ª Turma. HC
306.677-RJ, Rel. Min. Ericson Maranho (Desembargador convocado do TJ-SP), Rel. para acórdão Min.
Nefi Cordeiro, julgado em 19/5/2015 (Info 562).

O delito de estelionato não será absorvido pelo de roubo na hipótese em que o agente, dias após
roubar um veículo e os objetos pessoais dos seus ocupantes, entre eles um talonário de cheques,
visando obter vantagem ilícita, preenche uma de suas folhas e, diretamente na agência bancária, tenta
sacar a quantia nela lançada. A falsificação da cártula não é mero exaurimento do crime antecedente.
Isso porque há diversidade de desígnios e de bens jurídicos lesados. Dessa forma, inaplicável o
princípio da consunção. STJ. 5ª Turma. HC 309.939-SP, Rel. Min. Newton Trisotto (Desembargador
convocado do TJ-SC), julgado em 28/4/2015 (Info 562).

No caso de crime continuado, o art. 71 do CP prevê que o juiz deverá aplicar a pena de um só dos
crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, aumentada, em qualquer caso, de 1/6 a 2/3. O STJ
entende que, em regra, a escolha da quantidade de aumento de pena deve levar em consideração o
número de infrações praticadas pelo agente. Porém, nem sempre será fácil trazer para os autos o
número exato de crimes que foram praticados, especialmente quando se trata de delitos sexuais. É o
caso, por exemplo, de um padrasto que mora há meses ou anos com a sua enteada e contra ela
pratica constantemente estupro de vulnerável. Nessas hipóteses, mesmo não havendo a informação
do número exato de crimes que foram cometidos, o juiz poderá aumentar a pena acima de 1/6 e,
dependendo do período de tempo, até chegar ao patamar máximo. Assim, constatando-se a
ocorrência de diversos crimes sexuais durante longo período de tempo, é possível o aumento da
pena pela continuidade delitiva no patamar máximo de 2/3 (art. 71 do CP), ainda que sem a
quantificação exata do número de eventos criminosos. STJ. 5ª Turma. HC 311.146-SP, Rel. Min. Newton
Trisotto (Desembargador convocado do TJ-SC), julgado em 17/3/2015 (Info 559).

A prescrição da pretensão punitiva do crime de apropriação indébita previdenciária (art. 168- A do


CP) permanece suspensa enquanto a exigibilidade do crédito tributário estiver suspensa em razão de
decisão de antecipação dos efeitos da tutela no juízo cível. Isso porque a decisão cível acerca da
exigibilidade do crédito tributário repercute diretamente no reconhecimento da própria existência
do tipo penal, visto ser o crime de apropriação indébita previdenciária um delito de natureza material,
que pressupõe, para sua consumação, a realização do lançamento tributário definitivo. STJ. 5ª Turma.
RHC 51.596-SP, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 3/2/2015 (Info 556).

Nos crimes tributários materiais (ex: apropriação indébita previdenciária), o pagamento integral do
débito tributário feito após a condenação, mas antes do trânsito em julgado, interfere na
condenação? SIM. O pagamento integral do débito tributário feito após a condenação, mas antes do
trânsito em julgado, acarreta a extinção da punibilidade com base no art. 9º, § 2º da Lei 10.684/2003. E
se o pagamento integral ocorrer após o trânsito em julgado, mesmo assim haveria a extinção da
punibilidade? NÃO. Nos crimes tributários materiais, o pagamento do débito previdenciário após o
trânsito em julgado da sentença condenatória NÃO acarreta a extinção da punibilidade. O art. 9º da Lei
10.684/2003 trata da extinção da punibilidade pelo pagamento da dívida antes do trânsito em julgado
da condenação, uma vez que faz menção expressa à pretensão punitiva do Estado. Após o trânsito em
julgado da condenação, o Estado já exerceu o seu direito de punir (fixar sanção). Começa, a partir daí,
o seu poder de executar a punição, o que é um instituto diferente. STJ. 6ª Turma. HC 302.059-SP, Rel.
Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 5/2/2015 (Info 556).

Caso o réu tenha confessado a prática do crime (o que é uma atenuante), mas seja reincidente (o que
configura uma agravante), qual dessas circunstâncias irá prevalecer? 1ª) Posição do STJ: em regra,
reincidência e confissão se COMPENSAM. Exceção: se o réu for multirreincidente, prevalece a
reincidência. 2ª) Posição do STF: a agravante da REINCIDÊNCIA prevalece. STJ. 6ª Turma. AgRg no
REsp 1.424.247-DF, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 3/2/2015 (Info 555). Obs: multirreincidente é
aquele réu que, quando praticou o novo crime pelo qual está sendo sentenciado, já possuía duas ou
mais condenações transitadas em julgado por outros delitos.
Se o denunciado pelo crime de descaminho fizer o pagamento integral da dívida tributária, haverá
extinção da punibilidade? NÃO. Segundo a posição atual do STJ, o pagamento do tributo devido NÃO
extingue a punibilidade do crime de descaminho. STJ. 5ª Turma. RHC 43.558-SP, Rel. Min. Jorge Mussi,
julgado em 5/2/2015 (Info 555). Por quê? Antes, o STJ entendia que o crime de descaminho era
material. Ocorre que, em 2013, a Corte decidiu rever sua posição e passou a decidir que o descaminho
é delito FORMAL. Essa é a posição que vigora atualmente tanto no STJ como no STF.

O agente levou a vítima (menina de 12 anos de idade) para o quarto, despiu-se e, enquanto retirava as
roupas da adolescente, passou as mãos em seu corpo. Ato contínuo, deitou-se na cama, momento em
que a garota vestiu-se rapidamente e fugiu do local. O crime se consumou. Assim, se o réu praticou
esse fato antes da Lei 12.015/2015, responderá por atentado violento ao pudor com violência
presumida (art. 214 c/c art. 224, “a” do CP) ou, se depois da Lei, por estupro de vulnerável (art. 217-A),
ambos na modalidade CONSUMADO. Para que o crime seja considerado consumado, não é
indispensável que o ato libidinoso praticado seja invasivo (introdução do membro viril nas cavidades
da vítima). Logo, toques íntimos podem servir para consumar o delito. STJ. 6ª Turma. REsp 1.309.394-
RS, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 3/2/2015 (Info 555).

Não é possível o cômputo do período de prova cumprido em suspensão condicional da pena para
preenchimento do requisito temporal objetivo do indulto natalino. O sursis não tem natureza de
pena. Ao contrário, trata-se de uma alternativa à pena, ou seja, um benefício que o condenado recebe
para não ter que cumprir pena. Por essa razão, não se pode dizer que a pessoa beneficiada com sursis
e que esteja cumprindo período de prova se encontre cumprindo pena. Cumprimento de período de
prova não é cumprimento de pena. STF. 1ª Turma. RHC 128515/BA, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em
30/6/2015 (Info 792). STF. 2ª Turma. HC 123698/PE, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 17/11/2015 (Info
808).

É possível que o indulto seja concedido a pessoas que receberam medida de segurança. Sobre o
tema, o STF definiu a seguinte tese: "Reveste-se de legitimidade jurídica a concessão, pelo Presidente
da República, do benefício constitucional do indulto (CF, art. 84, XII), que traduz expressão do poder
de graça do Estado, mesmo se se tratar de indulgência destinada a favorecer pessoa que, em razão de
sua inimputabilidade ou semi-imputabilidade, sofre medida de segurança, ainda que de caráter pessoal
e detentivo." STF. Plenário. RE 628658/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 4 e 5/11/2015 (Info 806).
Não é possível a substituição de pena privativa de liberdade por restritiva de direitos ao condenado
pela prática do crime de lesão corporal praticado em ambiente doméstico (art. 129, § 9º do CP). STF. 2ª
Turma. HC 129446/MS, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 20/10/2015 (Info 804).

É possível aplicar o princípio da insignificância para crimes ambientais. Ex: pessoa encontrada em uma
unidade de conservação onde a pesca é proibida, com vara de pescar, linha e anzol, conduzindo uma
pequena embarcação na qual não havia peixes. STF. 2ª Turma. Inq 3788/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia,
julgado em 1°/3/2016 (Info 816)

PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA: STF INF 756: o STF concluiu que poderia ser aplicado o princípio da
insignificância, considerando a chamada “teoria da reiteração não cumulativa de condutas de
gêneros distintos”. É possível aplicar o princípio da insignificância mesmo havendo condenação
anterior, porque a contumácia de infrações penais que não têm o mesmo patrimônio como bem
jurídico tutelado pela norma penal não pode ser valorada como fator impeditivo à aplicação do
princípio da insignificância.

Em princípio, a incidência da agravante do art. 62, I, do Código Penal é compatível com a autoria
intelectual do delito (mandante). STJ. 5ª Turma. REsp 1.563.169-DF, Rel. Min. Reynaldo Soares da
Fonseca, julgado em 10/3/2016 (Info 580).

É legítima a fixação de regime inicial semiaberto, tendo em conta a quantidade e a natureza do


entorpecente, na hipótese em que ao condenado por tráfico de entorpecentes tenha sido aplicada
pena inferior a 4 anos de reclusão. STF. 2ª Turma. HC 133308/SP, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em
29/3/2016 (Info 819).

LEI DE DROGAS. MAUS ANTECEDENTES: Possibilidade de, no caso concreto, desconsiderar


condenações anteriores datadas há mais de 5 anos para fins de maus antecedentes. Para o
entendimento pacificado no STJ, mesmo ultrapassado o lapso temporal de cinco anos, a condenação
anterior transitada em julgado é considerada como maus antecedentes. Apesar disso, em um caso
concreto, o STJ decidiu relativizar esse entendimento e afirmou que era possível a aplicação da
minorante prevista no § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343/2006 em relação a réu que, apesar de ser
tecnicamente primário ao praticar o crime de tráfico, ostentava duas condenações (a primeira por
receptação culposa e a segunda em razão de furto qualificado pelo concurso de pessoas) cujas penas
foram aplicadas no mínimo legal para ambos os delitos anteriores (respectivamente, 1 mês em regime
fechado e 2 anos em regime aberto, havendo sido concedido sursis por 2 anos), os quais foram
perpetrados sem violência ou grave ameaça contra pessoa, considerando-se ainda, para afastar os
maus antecedentes, o fato de que, até a data da prática do crime de tráfico de drogas, passaram mais
de 8 anos da extinção da punibilidade do primeiro crime e da baixa dos autos do segundo crime, sem
que tenha havido a notícia de condenação do réu por qualquer outro delito, de que ele se dedicava a
atividades delituosas ou de que integrava organização criminosa. Vale ressaltar que o STJ não mudou
seu entendimento acima explicado. A decisão foi tomada com base nas circunstâncias do caso
concreto. STJ. 6ª Turma. REsp 1.160.440-MG, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 17/3/2016 (Info
580)

Se o réu, não reincidente, for condenado, por tráfico de drogas, a pena de até 4 anos, e se as
circunstâncias judiciais do art. 59 do CP forem positivas (favoráveis), o juiz deverá fixar o regime
aberto e deverá conceder a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos,
preenchidos os requisitos do art. 44 do CP. A gravidade em abstrato do crime não constitui
motivação idônea para justificar a fixação do regime mais gravoso. STF. 1ª Turma. HC 130411/SP, rel.
orig. Min. Rosa Weber, red. p/ o acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 12/4/2016 (Info 821).

Para que incida a redução do prazo prescricional prevista no art. 115 do CP, é necessário que, no
momento da sentença, o condenado possua mais de 70 anos. Se ele só completou a idade após a
sentença, não terá direito ao benefício, mesmo que isso tenha ocorrido antes do julgamento de
apelação interposta contra a sentença. Existe, no entanto, uma situação em que o condenado será
beneficiado pela redução do art. 115 do CP mesmo tendo completado 70 anos após a sentença: isso
ocorre quando o condenado opõe embargos de declaração contra o acórdão condenatório e esses
embargos são conhecidos. Nesse caso, o prazo prescricional será reduzido pela metade se o réu
completar 70 anos até a data do julgamento dos embargos. Nesse sentido: STF. Plenário. AP 516
ED/DF, rel. orig. Min. Ayres Britto, red. p/ o acórdão Min. Luiz Fux, julgado em 5/12/2013 (Info 731). STF.
2ª Turma. HC 129696/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 19/4/2016 (Info 822).

Condenações anteriores transitadas em julgado não podem ser utilizadas como conduta social
desfavorável STF. 2ª Turma. RHC 130132, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 10/5/2016 (Info 825).

Não se aplica o princípio da insignificância aos delitos praticados em violência doméstica.


#ATENÇÃODEFENSORIA: É possível compensar a atenuante da confissão espontânea (art. 65, III, "d",
do CP) com a agravante da promessa de recompensa (art. 62, IV). STJ. 5ª Turma. HC 318.594-SP, Rel.
Min. Felix Fischer, julgado em 16/2/2016 (Info 577).

PARTE ESPECIAL8

CRIMES CONTRA A PESSOA

1.1 CRIME DE HOMICÍDIO

→ Homicídio privilegiado: motivo de relevante valor social ou moral, ou sob o domínio de violenta
emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima – redução 1/6 a 1/3.

#NÃOCONFUNDIR:

Homicídio privilegiado Atenuante genérica

Exige-se que o agente se encontre Basta que o agente esteja sob a


sob o domínio de violenta emoção: influência da violenta emoção:
exige-se REAÇÃO IMEDIATA. dispensa-se o requisito temporal.

#ATENÇÃO: O dolo eventual é compatível com o homicídio privilegiado.

→ § 4º No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3, se o crime resulta de inobservância de regra


técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima, não
procura diminuir as consequências do seu ato, ou foge para evitar prisão em flagrante. Sendo doloso o
homicídio, a pena é aumentada de 1/3 se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 ou maior de
60 anos.

→ § 6º A pena é aumentada de 1/3 até a metade se o crime for praticado por milícia privada, sob o
pretexto de prestação de serviço de segurança, ou por grupo de extermínio.

→ Aumenta-se a pena em 1/3 na lesão corporal, nas hipóteses dos §§ 4º e 6º do art. 121.

8 Por Fernanda Evlaine


→ Feminicídio (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015): VI – contra a mulher por razões da condição de
sexo feminino: § 2º - A Considera-se que há razões de condição de sexo feminino quando o crime
envolve: I - violência doméstica e familiar; II - menosprezo ou discriminação à condição de
mulher.

#NOVIDADELEGISLATIVA: VII – contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da
Constituição Federal, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no
exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente
consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição: (Incluído pela Lei nº 13.142, de 2015)

#ATENÇÃO: É possível haver homicídio qualificado praticado com dolo eventual?

• No caso de qualificadoras de meio: NÃO.

• No caso das qualificadoras do motivo fútil e/ou torpe: há divergência:

1ª corrente: SIM. O fato de o réu ter assumido o risco de produzir o resultado morte, aspecto
caracterizador do dolo eventual, não exclui a possibilidade de o crime ter sido praticado por motivo
fútil, uma vez que o dolo do agente, direto ou indireto, não se confunde com o motivo que ensejou a
conduta, mostrando-se, em princípio, compatíveis entre si. STJ. 5ª Turma. REsp 912.904/SP, Rel. Min.
Laurita Vaz, julgado em 06/03/2012.

2ª corrente: NÃO. A qualificadora de motivo fútil é incompatível com o dolo, tendo em vista a ausência
do elemento volitivo. STJ. 6ª Turma. HC 307.617-SP, Rel. Min. Nefi Cordeiro, Rel. para acórdão Min.
Sebastião Reis Júnior, julgado em 19/4/2016 (Info 583). STJ. 6ª Turma. HC 307.617-SP, Rel. Min. Nefi
Cordeiro, Rel. para acórdão Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 19/4/2016 (Info 583).

→ No homicídio culposo, a morte instantânea da vítima não afasta a causa de aumento de pena
prevista no art. 121, § 4º, do CP, a não ser que o óbito seja evidente, isto é, perceptível por qualquer
pessoa.

#SELIGANADICA: No crime de omissão de socorro há presunção de que aquele que se omite não
tenha dado causa à situação.

#OLHAOGANCHO: Caso um dependente químico de longa data morra após abusar de substância
entorpecente vendida por um narcotraficante, este NÃO responderá por homicídio culposo. Em razão
da TEORIA DA IMPUTAÇÃO OBJETIVA, que surgiu para conter os excessos da teoria da conditio sine
qua non: a) criação de um risco proibido; b) o resultado esteja na mesma linha de desdobramento
causal da conduta, c) que o agente atue fora do sentido de proteção da norma.
→ Homicídio Qualificado: Art. 121, § 2º do CP - Se o homicídio é cometido: I - mediante paga ou
promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe; II - por motivo fútil; III - com emprego de
veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa resultar
perigo comum; IV - à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte
ou torne impossível a defesa do ofendido; V - para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou
vantagem de outro crime. Pena - reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos.

→ O reconhecimento da qualificadora da "paga ou promessa de recompensa" (inciso I do § 2º do art.


121) em relação ao executor do crime de homicídio mercenário não qualifica automaticamente o
delito em relação ao mandante, nada obstante este possa incidir no referido dispositivo caso o motivo
que o tenha levado a empreitar o óbito alheio seja torpe.

→ Não incide a qualificadora de motivo fútil (art. 121, § 2º, II, do CP), na hipótese de homicídio
supostamente praticado por agente que disputava "racha", quando o veículo por ele conduzido - em
razão de choque com outro automóvel também participante do "racha" - tenha atingido o veículo da
vítima, terceiro estranho à disputa automobilística.

→ Premeditação qualifica o homicídio? Não. A premeditação, por si só, não qualifica o homicídio por
falta de previsão legal. Segundo Fernando Capez, nossa legislação penal não prevê a premeditação
como circunstância qualificadora do homicídio, pois se entende que ela, muitas vezes, demonstraria
uma maior resistência do agente aos impulsos criminosos, motivo que não justificaria o agravamento
da pena. Em que pese não ser prevista como qualificadora, a premeditação, conforme o caso
concreto, poderá ser levada em consideração para agravar a pena, funcionando como circunstância
judicial (CP, art. 59).
→ Em relação à qualificadora do motivo fútil no crime de homicídio: é excluída pela embriaguez
voluntária ou culposa, se completa; não equivale a motivo injusto; não se confunde com a ausência
de motivos; não pode coexistir com a do motivo torpe em um mesmo ato.

1.2 CRIME DE INFANTICÍDIO:

→ Infanticídio: Tratando-se de delito de infanticídio, dispensa-se a perícia médica caso se comprove


que a mãe esteja sob a influência do estado puerperal, por haver presunção juris tantum de que a
mulher, durante ou logo após o parto, aja sob a influência desse estado.
Considerando que a condição pessoal do "estado puerperal" é elementar do tipo penal e,
portanto, comunica-se ao terceiro coautor ou partícipe. Assim, por exemplo, o pai que ajuda a mãe
puérpera a matar o seu próprio filho, também cometerá o crime de infanticídio.
→ O infanticídio é forma especial de homicídio (#OBS: Para alguns, outra modalidade de privilégio).
Um dos princípios do concurso aparente de normas, o da especialidade, deve estar presente,
ocorrendo que a norma geral (121), seja derrogada pela especial (123). A corrente majoritária admite o
concurso de agentes: participação (quando há simples auxílio) e coautoria (quando outrem pratica
juntamente com a mãe, núcleo do tipo), podemos aí concluir que o estado puerperal é elementar do
tipo, comunicável nos termos do artigo 30 CP.

1.3 CRIME DE LESÃO CORPORAL:

→ Lesão corporal: A lesão corporal culposa de natureza grave no aborto aumenta-se a pena em 1/3;
se a lesão corporal for dolosa de natureza grave, responde o agente por concurso formal de crimes de
aborto e lesão corporal.

→ A pena da lesão corporal será aumentada de 1/3 a 2/3 se essa lesão tiver sido praticada contra
integrantes dos órgãos de segurança pública (ou contra seus familiares), desde que o delito tenha
relação com a função exercida.

#SELIGA: Existe a previsão do perdão judicial, nas lesões corporais, aplicada somente na modalidade
culposa do art.129.

→ Para a configuração da agravante da lesão corporal de natureza grave em face da incapacidade


para as ocupações habituais por mais de trinta dias, não é necessário que a ocupação habitual seja
laborativa, podendo ser assim compreendida qualquer atividade regularmente desempenhada pela
vítima.

#ATENÇÃO: Segundo o STF e o STJ, homicídio qualificado privilegiado (ex: valor moral ou social) não é
hediondo. E o Tráfico Privilegiado? Também não! – novo entendimento do STF. Tese institucional da
Defensoria Pública acolhida pelo Supremo.

→ A qualificadora “deformidade permanente” do crime de lesão corporal (art. 129, § 2º, IV, do CP) não
é afastada por posterior cirurgia estética reparadora que elimine ou minimize a deformidade na
vítima.
→ A qualificadora prevista no § 9º do art. 129 do CP aplica-se também às lesões corporais cometidas
contra HOMEM no âmbito das relações domésticas. STJ. 5ª Turma. RHC 27.622-RJ, Rel. Min. Jorge
Mussi, julgado em 7/8/2012.

#ATENÇÃO: Cuidado pra não confundir, isso não significa que a Lei Maria da Penha aplique-se para
vítimas homens: não se aplica!

→ O juiz, não sendo graves as lesões, pode substituir a pena de detenção pela de multa se as lesões
são recíprocas.

1.4 CRIME DE ABORTO:

→ O crime de aborto pode ser cometido pela própria gestante e por terceiro, sendo, nesse caso, uma
pena para o caso de o terceiro provocar o aborto com o consentimento da gestante e outra para o
caso de o terceiro provocar o aborto sem o consentimento da gestante.

→ Art. 128 - Não se pune o aborto praticado por médico: Aborto necessário: I - Se não há outro meio
de salvar a vida da gestante; (conhecido, doutrinariamente, como aborto terapêutico); Aborto no caso
de gravidez resultante de estupro: II - Se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de
consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal.

1.5 CRIMES DA PERICLITAÇÃO DA VIDA E DA SAÚDE

Crime de condicionamento de atendimento médico-hospitalar emergencial: Art. 135-A. Exigir


cheque-caução, nota promissória ou qualquer garantia, bem como o preenchimento prévio de
formulários administrativos, como condição para o atendimento médico-hospitalar emergencial: Pena
- detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa. Parágrafo único. A pena é aumentada até o dobro
se da negativa de atendimento resulta lesão corporal de natureza grave, e até o triplo se resulta a
morte.

→ Art. 133: Crime de abandono do incapaz: Para a caracterização do delito de abandono de incapaz,
impõe-se, além da existência de transgressão da relação particular de assistência entre o agente e a
vítima, a presença, ainda que por certo lapso temporal, de perigo concreto para esta, sendo prevista,
para o delito, tanto a forma comissiva quanto a omissiva.

1.6 CRIME DE INDUZIMENTO, INSTIGAÇÃO OU AUXÍLIO A SUICÍDIO


→ Art. 122- Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o faça: Pena -
reclusão, de dois a seis anos, se o suicídio se consuma; ou reclusão, de um a três anos, se da tentativa
de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave.
→ O crime de instigação ao suicídio é material, isto é, exige o resultado naturalístico para ser
confirmado.
→ Casos de impunibilidade – Código Penal - Parte Geral. Art. 31 do CP: O ajuste, a determinação ou
instigação e o auxílio, salvo disposição expressa em contrário, não são puníveis, se o crime não chega,
pelo menos, a ser tentado.

#NÃOFAÇAAPROVASEMSABER: Dos crimes contra a vida, são considerados crimes hediondos: •


Lesão corporal dolosa gravíssima (art. 129, § 2º) • Lesão corporal seguida de morte (art. 129, § 3º) •
Homicídio qualificado; • Homicídio qualificado praticado contra integrantes dos órgãos de segurança
pública (ou contra seus familiares), se o delito tiver relação com a função exercida.

CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO

2.1 CRIME DE FURTO:

Figura do FURTO PRIVILEGIADO-QUALIFICADO OU FURTO HÍBRIDO:

#SELIGANASÚMULA: Súmula 511 – STJ: É possível o reconhecimento do privilégio previsto no § 2º do


art. 155 do CP (multa) nos casos de crime de furto qualificado, se estiverem presentes a primariedade
do agente, o pequeno valor da coisa e a qualificadora for de ordem objetiva.

#NOVIDADELEGISLATIVA: Art. 155 – Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel: Pena –
reclusão, de um a quatro anos, e multa. (…) § 6º A pena é de reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos se a
subtração for de semovente domesticável de produção, ainda que abatido ou dividido em partes no
local da subtração. (Incluído pela Lei nº 13330, de 2016)

→ Furto privilegiado: Art. 155, § 2º Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor a coisa furtada, o
juiz pode substituir a pena de reclusão pela de detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar
somente a pena de multa.

Para reconhecimento do crime de furto privilegiado é indiferente que o bem furtado tenha sido
restituído à vítima, pois o critério legal para o reconhecimento do privilégio é somente o pequeno
valor da coisa subtraída.
#NÃOCONFUNDIR: Para efeito da aplicação do princípio da bagatela, é imprescindível a distinção
entre valor insignificante e pequeno valor, uma vez que o primeiro exclui o crime e o segundo pode
caracterizar o furto privilegiado.

#ATENÇÃO: Nos casos de continuidade delitiva o valor a ser considerado para fins de concessão do
privilégio (artigo 155, § 2º do CP) ou do reconhecimento da insignificância é a soma dos bens
subtraídos.

#SELIGANANOSINÔNIMO: Abigeato é furto de gado.

#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA #VAICAIR

→ Incorre no tipo penal previsto no art. 102 da Lei 10.741/2003 (Estatuto do Idoso) – e não no tipo
penal de furto (art. 155 do CP) – o estagiário de instituição financeira que se utiliza do cartão
magnético e da senha de acesso à conta de depósitos de pessoa idosa para realizar transferências de
valores para sua conta pessoal. REsp 1.358.865-RS, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em
4/9/2014 (Informativo nº 547).

→ É possível que o agente seja condenado por furto qualificado (§ 4º) e, na terceira fase da
dosimetria, o juiz aumente a pena em 1/3 se a subtração ocorreu durante o repouso noturno. STJ. 6ª
Turma. HC 306.450-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 4/12/2014 (Info 554).

→ CONFISSÃO PARCIAL E FURTO: O fato de o denunciado por furto qualificado pelo rompimento de
obstáculo ter confessado a subtração do bem, apesar de ter negado o arrombamento, é circunstância
suficiente para a incidência da atenuante da confissão espontânea (art. 65, III, "d", do CP). Isso porque
mesmo que o agente tenha confessado parcialmente os fatos narrados na denúncia, deve ser
beneficiado com a atenuante genérica da confissão espontânea. STJ. 5ª Turma. HC 328.021-SC, Rel.
Min. Leopoldo de Arruda Raposo (Desembargador convocado do TJ-PE), julgado em 3/9/2015 (Info
569).

→ CONFISSÃO DE CRIME PENAL DIVERSO: O fato de o denunciado por roubo ter confessado a
subtração do bem, negando, porém, o emprego de violência ou grave ameaça, é circunstância que
não enseja a aplicação da atenuante da confissão espontânea (art. 65, III, "d", do CP). Isso porque a
atenuante da confissão espontânea pressupõe que o réu reconheça a autoria do fato típico que lhe é
imputado. Ocorre que, no caso, o réu não admitiu a prática do roubo denunciado, pois negou o
emprego de violência ou de grave ameaça para subtrair o bem da vítima, numa clara tentativa de
desclassificar a sua conduta para o crime de furto. Nesse contexto, em que se nega ter praticado tipo
penal apontado na peça acusatória, não é possível o reconhecimento da circunstância atenuante. STJ.
5ª Turma. HC 301.063-SP, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 3/9/2015 (Info 569).

#MUDANÇADEENTENDIMENTO: Causa de aumento do § 1º pode ser aplicada tanto para furto simples
como qualificado.

→ Todos os instrumentos utilizados como dispositivo para abrir fechadura são abrangidos pelo
conceito de chave falsa, incluindo as mixas.

→ A prática do delito de furto qualificado por escalada, destreza, rompimento de obstáculo ou


concurso de agentes indica a reprovabilidade do comportamento do réu, sendo inaplicável o princípio
da insignificância.

→ STJ: aumenta-se a pena se o furto é cometido num estabelecimento comercial, ainda que
fechado e à noite. É IRRELEVANTE o fato de se tratar de estabelecimento comercial ou de residência,
habitada ou desabitada, bem como se a vítima está ou não efetivamente repousando.

#SELIGANASÚMULA: Súmula 567-STJ: Sistema de vigilância realizado por monitoramento eletrônico


ou por existência de segurança no interior de estabelecimento comercial, por si só, não torna
impossível a configuração do crime de furto. STJ. 3ª Seção. Aprovada em 24/02/2016. DJe 29/02/2016.

→ Furto praticado no interior de estabelecimento comercial equipado com mecanismo de vigilância e


de segurança. A existência de sistema de segurança ou de vigilância eletrônica não torna impossível,
por si só, o crime de furto cometido no interior de estabelecimento comercial. Não se pode falar em
absoluta impropriedade do meio. Trata-se de inidoneidade RELATIVA do meio. Em outras palavras, o
meio escolhido pelo agente é relativamente ineficaz, visto que existe sim uma possibilidade (ainda que
pequena) de o delito se consumar. Sendo assim, se a ineficácia do meio deu-se apenas de forma
relativa, não é possível o reconhecimento do instituto do crime impossível previsto no art. 17 do CP
(Info STJ 653)

→ Venda da Res Furtiva - Crime único de furto: A venda do proveito do furto trata-se de pós fato
impunível, pois não há nova violação para o legítimo dono da coisa. Ademais, a alienação do objeto é
mero exaurimento do delito anterior, não tem força para configurar um novo delito autônomo. Por
fim, é caso de aplicação do princípio da concussão.

→ O crime de furto, com arrombamento em casa habitada, absorve os delitos de dano e invasão de
domicílio. Nesse caso, o conflito aparente de normas foi solucionado pelo princípio da consunção.

#NÃOCONFUNDIR: As correntes teóricas que explicam a consumação do furto são:


ABLATIO ILATIO
CONCRECTACIO AMOTIO/APPREHENSIO

O objeto roubado tem


que ser transportado
Consuma-se o crime de roubo para longe do seu
com a inversão da posse do proprietário ou portador,
bem, mediante emprego de ou seja, que a posse seja
violência ou grave ameaça, A coisa deve ser
A consumação se dá pacífica, segura e
ainda que por breve tempo e transportada pelo
pelo simples contato desvigiada da coisa. O
em seguida a perseguição agente, mantendo-se
entre o agente e a coisa agente, então, após a
imediata ao agente e posse mansa e
alheia, dispensando o grave ameaça ou
recuperação da coisa pacífica. TJ/SP
seu deslocamento. violência à pessoa, subtrai
roubada, sendo prescindível a o bem almejado e, para
posse mansa e pacífica ou sua consumação, deve
desvigiada. deslocar a coisa de um
local para o outro,
obtendo a posse tranquila
do objeto.

#MUITOIMPORTANTE: O STF e o STJ adotam a teoria da amotio

(Amotio também chamada de apprehensio)

2.2 CRIME DE ROUBO:

→ Consuma-se o crime de roubo com a inversão da posse do bem, mediante emprego de violência ou
grave ameaça, ainda que por breve tempo e em seguida a perseguição imediata ao agente e
recuperação da coisa roubada, sendo prescindível a posse mansa e pacífica ou desvigiada. STJ. 3a
Seção. REsp 1.499.050-RJ, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 14/10/2015 (recurso repetitivo)
(Info 572).

→ A utilização de arma desmuniciada, como forma de intimidar a vítima do delito de roubo,


caracteriza o emprego de violência, porém, não permite o reconhecimento da majorante de pena.
→ #IMPORTANTE – O aumento na terceira fase de aplicação da pena no crime de roubo
circunstanciado exige fundamentação concreta, não sendo suficiente para a sua exasperação a mera
indicação do número de majorantes. (Súmula 443/STJ)

→ Deve incidir a majorante prevista no inciso III do § 2º do art. 157 do CP na hipótese em que o autor
pratique o roubo ciente de que as vítimas, funcionários da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos
(ECT), transportavam grande quantidade de produtos cosméticos de expressivo valor econômico e
liquidez.

→ Em roubo praticado no interior de ônibus, o fato de a conduta ter ocasionado violação de


patrimônios distintos – o da empresa de transporte coletivo e o do cobrador – não descaracteriza a
ocorrência de crime único se todos os bens subtraídos estavam na posse do cobrador. AgRg no REsp
1.396.144-DF, Rel. Min. Walter de Almeida Guilherme (Desembargador Convocado do TJ/SP), julgado
em 23/10/2014 (Informativo nº 551).

→ Se um maior de idade pratica o roubo juntamente com um inimputável, esse roubo será majorado
pelo concurso de pessoas (art. 157, § 2º do CP).

→ No delito de roubo, se a intenção do agente é direcionada à subtração de um único patrimônio,


estará configurado apenas um crime, ainda que, no modus operandi (modo de execução), seja
utilizada violência ou grave ameaça contra mais de uma pessoa para a obtenção do resultado
pretendido. Ex: Maria estava saindo do banco, acompanhada de seu segurança. João, de arma em
punho, deu uma coronhada no segurança, causando lesão leve, e subtraiu a mala que pertencia a
Maria. O agente praticou um único roubo majorado pelo emprego de arma de fogo (art. 157, § 2º, I do
CP), considerando que somente um patrimônio foi atingido. STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1.490.894-
DF, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 10/2/2015 (Info 556).

→ A causa de aumento de pena referente ao concurso de agentes no crime de roubo (2 ou + pessoas)


não incidirá no furto, visto que, para esse crime, o concurso de agentes é considerado qualificadora.

→ Arma de brinquedo caracteriza violência ou grave ameaça (roubo na modalidade simples), mas não
configura causa de aumento pelo emprego de arma.

→ É possível a condenação simultânea pelos crimes de roubo majorado pelo emprego de arma de
fogo (art. 157, § 2º, I, do CP) e formação de quadrilha armada (art. 288, parágrafo único, do CP), não
havendo aí bis in idem. Isso porque não há nenhuma relação de dependência ou subordinação entre as
referidas condutas delituosas e porque elas visam bens jurídicos diversos.
→ A incidência da causa de aumento consistente em emprego de arma INDEPENDE da comprovação,
por meio de apreensão e perícia, do grau de lesividade da arma utilizada na prática do crime de
roubo. No entanto, se a arma é apreendia e periciada, sendo constatada a sua inaptidão para a
produção de disparos, neste caso, não se aplica a majorante do art. 157, § 2º, I, do CP, sendo
considerado roubo simples (art. 157, caput, do CP).

#OLHAOGANCHO #PROCESSOPENAL: Cabe a defesa o ônus da prova de demonstrar que a arma


empregada para intimidar a vítima é desprovida de potencial lesivo.

Vejamos os seguintes casos hipóteses e suas respectivas tipificações:

SITUAÇÃO 01 SITUAÇÃO 02 SITUAÇÃO 03

VIOLÊNCIA OU VIOLÊNCIA OU GRAVE VIOLÊNCIA OU GRAVE


GRAVE AMEAÇA AMEAÇA CONTRA 01 AMEAÇA CONTRA 05
CONTRA 05 PESSOAS PESSOA + 05 PESSOAS PESSOA + 05
+ 01 SUBTRAÇÃO SUBTRAÇÃO SUBTRAÇÕES

TIPIFICAÇÃO: 01 TIPIFICAÇÃO: 01 TIPIFICAÇÃO: 05


ROUBO ROUBO ROUBOS EM
CONCURSO FORMAL

→ O roubo praticado em um mesmo contexto fático, mediante uma só ação, contra vítimas
diferentes, enseja o reconhecimento do concurso formal de crimes, e não a ocorrência de crime único.

→ Para caracterizar o roubo com aumento de pena pelo emprego de arma, a jurisprudência atual é no
sentido de que é necessário que a arma seja de fogo, não bastando, portanto que ela seja de
brinquedo ou que o agente dissimule portar uma arma (situações que autorizam punir o agente
apenas pelo "caput").

#SELIGANASÚMULA: Súmula 582-STJ: Consuma-se o crime de roubo com a inversão da posse do bem
mediante emprego de violência ou grave ameaça, ainda que por breve tempo e em seguida à
perseguição imediata ao agente e recuperação da coisa roubada, sendo prescindível a posse mansa e
pacífica ou desvigiada.

→ A gravidade do delito de roubo circunstanciado pelo concurso de pessoas e/ou emprego de arma
de fogo não constitui motivação suficiente, por si só, para justificar a imposição de regime prisional
mais gravoso, na medida em que constituem circunstâncias comuns à espécie.
→ O crime de porte de arma é absorvido pelo de roubo quando restar evidenciado o nexo de
dependência ou de subordinação entre as duas condutas e que os delitos foram praticados em um
mesmo contexto fático o que caracteriza o princípio da consunção.

→ Não é possível o reconhecimento da continuidade delitiva entre os crimes de roubo e latrocínio,


pois, apesar de se tratarem de delitos do mesmo gênero, não são da mesma espécie, devendo incidir a
regra do concurso material.

→ Há tentativa de latrocínio quando a morte da vítima não se consuma por razões alheias à vontade
do agente.

#SELIGANATABELA:

SUBTRAÇÃO MORTE RESULTADO


SUBTRAÇÃO MORTE CONSUMADA LATROCÍNIO
CONSUMADA CONSUMADO
SUBTRAÇÃO MORTE TENTADA LATROCÍNIO
CONSUMADA TENTADO ou roubo
com lesão corporal
grave. Depende do
dolo.
SUBTRAÇÃO TENTADA MORTE TENTADA LATROCÍNIO
TENTADO
SUBTRAÇÃO TENTADA MORTE CONSUMADA LATROCÍNIO
CONSUMADO
#SELIGANASÚMULA: SÚMULA 610 - HÁ CRIME DE LATROCÍNIO, QUANDO O
HOMICÍDIO SE CONSUMA, AINDA QUE NÃO REALIZE O AGENTE A SUBTRAÇÃO
DE BENS DA VÍTIMA.

2.3 CRIME DE EXTORSÃO:

→ Extorsão: Art. 158. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito de
obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou deixar
fazer alguma coisa. É prevista causa de aumento de 1/3 até metade para os casos de concurso de 2 ou
mais pessoas ou emprego de arma.
→ Extorsão indireta: exigir ou receber, como garantia de dívida, abusando da situação de alguém,
documento que pode dar causa a procedimento criminal contra a vítima ou contra terceiro.

→ Extorsão mediante sequestro na forma qualificada: se o sequestro dura mais de 24 horas, se o


sequestrado é menor de 18 ou maior de 60 anos, ou se o crime é cometido por bando ou quadrilha.

→ Se a extorsão é cometida em concurso, o concorrente que o denunciar à autoridade, facilitando a


libertação do sequestrado, terá sua pena reduzida de um a dois terços.

#LERNOVAMENTE #NÃOCUSTALEMBRAR: Os crimes de roubo e extorsão, embora sejam de mesma


natureza, são considerados de espécies diferentes. Por essa razão, não é possível reconhecer
continuidade delitiva entre eles, ainda que praticados em conjunto.

#SELIGANASÚMULA: Súmula 96 STJ: O crime de extorsão consuma-se independentemente da


obtenção da vantagem indevida.

#CONCLUSÃO: É crime formal!

#NÃOCONFUNDIR:

EXTORSÃO MEDIANTE A RESTRIÇÃO ROUBO COM RESTRIÇÃO DA


DA LIBERDADE DA VÍTIMA LIBERDADE DA VÍTIMA

Condição necessária para a obtenção da Condição dispensável para a obtenção


vantagem econômica. Ex: a vítima da vantagem econômica. Ex: O agente
precisa dizer a senha do banco para o subtrai, mediante violência, o cartão
agente conseguir a vantagem bancário, que contava com a senha de
econômica. saque anotada no verso. A
participação da vítima para conseguir
a vantagem econômica não é
necessária.

2.4. CRIME DE APROPRIAÇÃO INDÉBITA:

→ Apropriação indébita: Apropriar-se de coisa alheia móvel, de que tem a posse ou a detenção.

→ O "síndico" mencionado no inciso II do § 1º, do art. 168, do Código Penal é o síndico da massa falida
(atualmente denominado "administrador judicial" da falência ou recuperação judicial - Lei no
11.101/2005), e não o síndico de condomínio edilício. Por essa razão, não se aplica esta causa de
aumento para o caso de um síndico de condomínio edilício que se apropriou de valores pertencentes
ao condomínio para efetuar pagamento de contas pessoais. STJ. 5a Turma. REsp 1.552.919-SP, Rel.
Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 24/5/2016 (Info 584).

→ É possível o reconhecimento de crime continuado entre os delitos de apropriação indébita


previdenciária (art. 168-A do CP) e de sonegação de contribuição previdenciária (art.337-A do CP).

#OBS: Apropriação indébita previdenciária está na parte de legislação especial – crimes contra a
ordem tributária.

2.5 CRIME DE ESTELIONATO

→ Estelionato: Art. 171. Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo
ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento. É crime
material. Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor o prejuízo, o juiz pode aplicar a pena
conforme o disposto no art. 155, § 2º (substituir a pena de reclusão pela de detenção, diminuí-la de um
a dois terços, ou aplicar somente a pena de multa).

#SELIGANASÚMULA #NÃOSABOTESÚMULAS #ELASVÃOCAIR:

→ Súmula 554 – STF: o pagamento de cheque emitido sem provisão de fundos, após o recebimento
da denúncia, não obsta ao prosseguimento da ação penal. Obs: para o STF, a referida súmula não se
aplica ao estelionato no seu tipo fundamental (art. 171, caput).

→ Súmula 521 – STF: O foro competente para o processo e julgamento dos crimes de estelionato, sob
a modalidade da emissão dolosa de cheque sem provisão de fundos, é o do local onde se deu a recusa
do pagamento pelo sacado.

→ Súmula 107 STJ: Compete à Justiça Comum Estadual processar e julgar crime de estelionato
praticado mediante falsificação das guias de recolhimento das contribuições previdenciárias, quando
não ocorrente lesão a autarquia federal.

#VIDADEDEFENSOR: Estelionato previdenciário do art. 171, §3º, CP é a cara da DPU. Você, como
Defensor Público, irá defender alguém que esteja acusada por este delito. Por isso, estude-o com
atenção: A pena aumenta-se de 1/3, se o crime é cometido em detrimento de entidade de direito
público ou de instituto de economia popular, assistência social ou beneficência. STF: não se aplica o
princípio da insignificância.

#IMPORTANTE: Qual a natureza jurídica do estelionato previdenciário? STJ e STF fazem a seguinte
distinção:
O estelionato previdenciário (art. Já na hipótese de fraude no interesse
171, §3º) é crime instantâneo de próprio, a situação é diversa,
efeitos permanentes, quando tratando-se de crime permanente.
praticado por terceiro não
beneficiário.

Veja as consequências práticas:

Crime instantâneo de efeitos Crime permanente


permanentes

Inicia-se a contagem do prazo Inicia-se a contagem do prazo


prescricional com o pagamento da prescricional com a supressão do
primeira parcela do benefício. recebimento do benefício indevido.

#OLHAOGANCHO #PROCESSOPENAL: No estelionato, a competência no caso em que o prejuízo


ocorreu em local diferente da obtenção da vantagem: Compete ao juízo do foro onde se encontra
localizada a agência bancária por meio da qual o suposto estelionatário recebeu o proveito do crime
processar a persecução penal instaurada para apurar crime de estelionato no qual a vítima teria sido
induzida a depositar determinada quantia na conta pessoal do agente do delito. A competência não é
do local onde existia a agência da vítima. No caso do estelionato, o crime se consuma no momento da
obtenção da vantagem indevida, ou seja, no instante em que o valor é depositado ("cai") na conta
corrente do autor do delito, passando, portanto, à sua disponibilidade.


→ O delito de estelionato não será absorvido pelo de roubo na hipótese em que o agente, dias após
roubar um veículo e os objetos pessoais dos seus ocupantes, entre eles um talonário de cheques,
visando obter vantagem ilícita, preenche uma de suas folhas e, diretamente na agência bancária, tenta
sacar a quantia nela lançada. A falsificação da cártula não é mero exaurimento do crime antecedente.
Isso porque há diversidade de desígnios e de bens jurídicos lesados. Dessa forma, inaplicável o
princípio da consunção.
STJ. 5a Turma. HC 309.939-SP, Rel. Min. Newton Trisotto (Desembargador
convocado do TJ-SC), julgado em 28/4/2015 (Info 562).

→ É atípica a mera declaração falsa de estado de pobreza realizada com o intuito de obter os
benefícios da justiça gratuita. A conduta de firmar ou usar declaração de pobreza falsa em juízo, com
a finalidade de obter os benefícios da gratuidade de justiça não é crime, pois aludida manifestação não
pode ser considerada documento para fins penais, já que é passível de comprovação posterior, seja
por provocação da parte contrária seja por aferição, de ofício, pelo magistrado da causa. STJ. 6a
Turma. HC 261.074-MS, Rel. Min. Marilza Maynard (Desembargadora convocada do TJ-SE), julgado em
5/8/2014 (Info 546).

#NÃOCONFUNDIR #IMPORTANTE:

Estelionato Furto qualificado pela fraude

Quando a vítima ludibriada, tendo o O próprio criminoso, utilizando-se de


consentimento viciado, entrega o bem ao destreza incomum, subtrai a coisa da
criminoso vítima.

2.6 CRIME DE RECEPTAÇÃO:

→ O artigo 180, § 4º, dispõe que "a receptação é punível, ainda que desconhecido ou isento de pena o
autor do crime de que proveio a coisa".

#NOVIDADELEGISLATIVA: Art. 180-A. Adquirir, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito
ou vender, com a finalidade de produção ou de comercialização, semovente domesticável de
produção, ainda que abatido ou dividido em partes, que deve saber ser produto de crime: (Incluído
pela Lei nº 13330, de 2016) Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº
13330, de 2016)

→ O STF entende que o § 1º do art. 180 do CP é CONSTITUCIONAL. O objetivo do legislador ao criar a


figura típica da receptação qualificada foi justamente a de punir de forma mais gravosa o comerciante
ou industrial que, em razão do exercício de sua atividade, pratica alguma das condutas descritas no
referido § 1°, valendo-se de sua maior facilidade para tanto devido à infraestrutura que lhe favorece.
O
crime foi qualificado pelo legislador em razão da condição do agente que, por sua atividade
profissional, merece ser mais severamente punido com base na maior reprovabilidade de sua conduta.
Para o STF, o § 1o do art. 180 pune tanto o agente que atua com dolo eventual como também no caso
de dolo direto. STF. 1a Turma. RHC 117143/RS, rel. Min. Rosa Weber, 25/6/2013.

→ Aquele que adquire o objeto furtado responderá pelo delito de receptação, que é punível nas
modalidades dolosa e até mesmo culposa.
A receptação imprópria consiste na conduta de influir para que terceiro de boa-fé adquira, receba
ou oculte objeto produto de crime. Portanto, comete receptação impróprio o intermediário, isto é,
aquele que não praticou o delito antecedente, porém tem ciência da origem ilícita do bem e procura
convencer um terceiro de boa-fé a adquiri-lo. Perceba que a conduta típica é INFLUIR (art.180, caput, 2
parte), que significa contatar alguém, oferecendo o objeto, sendo assim, conforme entende a
doutrina majoritária, crime FORMAL, pois se consuma no instante em que o bem é ofertado. Se a
proposta tiver sido feita, o crime estará consumado.

→ Receptação dolosa própria, prevista na primeira parte do art. 180 do Código Penal, consiste na
aquisição de coisa que o agente sabe ser produto de crime, ou na prática de conduta equiparada
(receber, transportar, conduzir ou ocultar coisa que sabe ser produto de crime). Portanto, não se
presume a ciência da origem criminosa da coisa pelo agente, devendo ser comprovada.

#NÃOCONFUNDIR: Aquele que oculta objeto furtado para assegurar impunidade do autor do furto
comete crime de favorecimento real.

2.7. DISPOSIÇÕES GERAIS DOS CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO

#VAICAIR #DESPENCAEMPROVA

- Art. 181 - É isento de pena quem comete qualquer dos crimes previstos neste título, em prejuízo: I - do
cônjuge, na constância da sociedade conjugal; II - de ascendente ou descendente, seja o parentesco
legítimo ou ilegítimo, seja civil ou natural.

- Art. 182 - Somente se procede mediante representação, se o crime previsto neste título é cometido
em prejuízo: I - do cônjuge desquitado ou judicialmente separado; II - de irmão, legítimo ou ilegítimo;
III - de tio ou sobrinho, com quem o agente coabita.

#SELIGANAEXCEÇÃO: Art. 183 - NÃO se aplica o disposto nos dois artigos anteriores: I - se o crime é
de roubo ou de extorsão, ou, em geral, quando haja emprego de grave ameaça ou violência à pessoa;
II - ao estranho que participa do crime. III - se o crime é praticado contra pessoa com idade igual ou
superior a 60 anos.

#CAIUEMPROVA #DEFENSORIA #SELIGANASÚMULA

→ Súmula 442 – STJ: é inadmissível aplicar, no furto qualificado pelo concurso de agentes, a
majorante do roubo.
→ Súmula 96 – STJ: “O crime de extorsão consuma-se INDEPENDENTEMENTE da obtenção da
vantagem indevida“

→ Súmula 511 – STJ: “É possível o reconhecimento do privilégio previsto no § 2º. do art. 155 do CP nos
casos de furto qualificado, se estiverem presentes a primariedade do agente, o pequeno valor da coisa
e a qualificadora for de ordem objetiva''

→ Súmula 443 – STJ: "O aumento na terceira fase de aplicação da pena no crime de roubo
circunstanciado exige fundamentação concreta, não sendo suficiente para a sua exasperação a mera
indicação do número de majorantes.".

→ Súmula 174 – STJ: "No crime de roubo, a intimidação feita com arma de brinquedo autoriza o
aumento da pena" (STJ Súmula nº 174 - 23/10/1996 – DJ 31.10.1996 - Cancelada - RESP 213.054-SP –
24/10/2001).

#NÃOFAÇAAPROVASEMSABER: Dos crimes contra o patrimônio, são considerados crimes hediondos:


• latrocínio (art. 157, §3º) • Extorsão qualificada pela morte (art. 158, §2º) • Extensão mediante
sequestro e na forma qualificada (art. 159, caput, §1º, §2º e §3º).

CRIMES CONTRA A HONRA

Calúnia Difamação Injúria


Art. 138 CP Art. 139 Art. 140
Imputa-se fato definido Imputa-se fato desonroso Atribui-se qualidade
como crime determinado determinado em regra negativa
sabidamente falso. não importando se
verdadeiro ou falso
FATO FATO QUALIDADE
DETERMINADO DETERMINADO NEGATIVA
CRIMINOSO. DESONROSO.
SABIDAMENTE FALSO.
Honra Objetiva Honra Objetiva Honra Subjetiva

#NÃOCONFUNDIR: Qual a diferença entre honra objetiva e subjetiva?


HONRA OBJETIVA HONRA SUBJETIVA
Conceito que a sociedade possui a respeito do Conceito que o indivíduo tem de si
indivíduo. próprio.
Reputação pessoal perante 3ºs. - Dignidade / Decoro / Autoestima
É o que a vítima pensa dela mesma.
Crimes tutelados: calúnia, difamação Crimes tutelados: injúria
Pessoa Jurídica: somente pode ser vítima de -
calúnia e difamação – Tem só honra objetiva.
(há divergência)
A pessoa jurídica pode ser vítima de calúnia Inimputável pode ser vítima de
(imputar crime) desde que a falsa imputação injúria?
refira-se a fato definido como crime ambiental. Sim, dede que possua capacidade de
(que é a única previsão de imputação de crime a compreender a ofensa. Ex. Ofender
pessoa jurídica) uma criança
Pessoa jurídica pode ser vítima de difamação. -
CONSUMAÇÃO: (calúnia/ difamação) CONSUMAÇÃO: (Injúria)
Consuma-se quando um 3º toma ciência da Consuma-se quando a ofensa chega
imputação. ao conhecimento do ofendido.
CABE RETRATAÇÃO NÃO CABE RETRATAÇÃO
Cuidado com a difamação, pois no caso
específico é mais restrita – funcionário público.

#IMPORTANTE – Injúria real: Art. 180, §2º § 2º - Se a injúria consiste em violência ou vias de fato, que,
por sua natureza ou pelo meio empregado, se considerem aviltantes: Pena - detenção, de três meses a
um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.
#NÃOCONFUNDIR: Racismo x Injúria qualificada racial:

Injúria qualificada racial Racismo


Afiançável Inafiançável
Prescritível Imprescritível
Ação penal pública condicionada à Ação Pública Incondicionada
representação
DOUTRINA: DOUTRINA:
RACISMO IMPRÓPRIO RACISMO PRÓPRIO

#NÃOCONFUNDIR: Injúria contra funcionário Público x Desacato

Injúria contra funcionário público Desacato


Pode ser praticada na presença ou na ausência Tem que ser praticado na presença do
da vítima ofendido
Ação pública condicionada Ação pública incondicionada
Crime contra a honra Crime contra a Administração Pública

#NÃOCONFUNDIR: Qual a diferença entre calúnia e denunciação caluniosa?


CALÚNIA DENUNCIAÇÃO CALUNIOSA
Honra Administração de Justiça
Regra: Ação privada Ação pública incondicionada
Imputação falsa de crime Pode ocorrer imputação falsa de crime ou
de contravenção penal
Imputação falsa de crime se esgota em si Ofende a honra para movimentar a
mesma. O agente se contenta em macular máquina estatal. Há uma ação penal em
a honra objetiva da vítima. curso

#PONTOSESPINHOSOS:
● Menores e “loucos” podem ser vítimas de calúnia.
● Na calúnia, a regra é a exceção da verdade, exceto quando:

● Deputado que afirma a imprensa que determinada deputada “não merece ser estuprada” pratica,
em tese, o crime de injúria.
#MUITO IMPORTANTE – O STJ, aplicando o entendimento da Corte Interamericana de Direitos
Humanos sobre a matéria, reconheceu a inconvencionalidade do crime de desacato.
● A regra é que os crimes contra a honra sejam de ação penal privada, exceto quando:
a) Injúria real cometida com violência (lesão corporal) – Ação pública incondicionada. OBS: A injúria
real com vias de fato é Ação penal privada.
b) Ação penal pública condicionada à requisição do Ministro da Justiça no caso de crime contra a
honra do Presidente da República ou de chefe de governo estrangeiro.
c) Ação pública condicionada à representação do ofendido na injúria racial e no crime contra a honra
de funcionário público.
#MUITO IMPORTANTE #SELIGANASÚMULA:– Súmula 714 do STF: É concorrente a legitimidade do
ofendido, mediante queixa, e do Ministério Público, condicionada à representação do ofendido, para
a ação penal por crime contra a honra de servidor público em razão do exercício de suas funções.
#ATENÇÃOPARACRÍTICA: Legitimidade concorrente do ofendido mediante queixa e do Ministério
Público. A opção do funcionário gera a preclusão da outra via. A legitimidade é concorrente e
disjuntiva. Embora o STF afirme tratar-se de legitimação concorrente, a doutrina tem entendido que a
hipótese aventada na súmula é de legitimação alternativa9.

CRIMES CONTRA A LIBERDADE INDIVIDUAL

→ Ameaça: Art. 147 - Ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio
simbólico, de causar-lhe mal injusto e grave: Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa. Parágrafo
único - Somente se procede mediante representação.
No crime de ameaça:
Sujeito Ativo Sujeito Passivo
Se for Funcionário público no exercício Deve ter capacidade de discernir a
das funções: Crime de abuso de promessa de mal injusto que é

9
CESPE cobrou essa crítica doutrinária na discursiva da prova da AGU em 2016.
autoridade e a ameaça é elemento proferida contra a sua pessoa.
integrante da figura típica.

→ Sequestro e cárcere privado: Art. 148 - Privar alguém de sua liberdade, mediante sequestro ou
cárcere privado: Pena - reclusão, de um a três anos.

#NÃOCONFUNDIR:
Sequestro Cárcere Privado

Privação sem confinamento da vítima. Privação com confinamento da


vítima
Vítima fica privada em um sítio, chácara. Vítima privada da liberdade em um
quarto, cômodo.
Espécie Gênero
O cárcere privado justifica uma
pena base mais severa do que o
sequestro, pois traz consequências
maiores para a vítima. (art. 59)

→ Art. 149. Redução à condição análoga de escravo. Sintetizando as condutas:

Submeter a vítima a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva

Sujeitá-la a condições degradantes de trabalho;

Restringir, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou
preposto

Cercear o uso de qualquer meio de transporte por parte do trabalhador, com o fim de retê-lo no local
de trabalho

Manter vigilância ostensiva no local de trabalho ou se apoderar de documentos ou objetos pessoais


do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho
#SELIGANADICA: O delito de sequestro fica absorvido pelo de redução a condição análoga de escravo
(apesar de os bens jurídicos serem diversos).

CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA

4. 1.Aspectos relativos à competência:

1) Em se tratando de crime de falsificação, a competência será determinada pelo ente responsável


pela confecção do documento (exceção: falsificação de carteira de arrais-amador, expedida pela
Marinha: competência da JF, e não da Justiça Militar da União – STJ CC 108134-SP, STF HC 106171):

#SELIGANASÚMULA #DPU: Súmula Vinculante 36 – STF: Compete à Justiça Federal comum processar
e julgar civil denunciado pelos crimes de falsificação e de uso de documento falso quando se tratar de
falsificação da Caderneta de Inscrição e Registro (CIR) ou de Carteira de Habilitação de Amador (CHA),
ainda que expedidas pela Marinha do Brasil.

2) Em se tratando de uso de documento falso por terceiro que não tenha sido responsável pela
falsificação do documento, a competência deve ser determinada em virtude da pessoa física ou
jurídica prejudicada pelo uso;

3) Em caso de uso de documento falso pelo próprio autor da falsificação, configurado está um só
delito (o de falsificação), uma vez que nessa hipótese o uso é considerado mero exaurimento da
falsificação anterior, constituindo post factum impunível (consunção), devendo a competência ser
determinada pela natureza do documento;

#JURISPRUDÊNCIA: Julgados importantes sobre competência nos crimes contra a fé pública:

● O uso de passaporte boliviano falso perante empresa privada de aviação é crime de competência da
Justiça Estadual.

● Usar passaporte falso junto à polícia federal: Competência da Justiça federal.

● Utilização de formulários falsos da Receita Federal para iludir particular não atrai, por si só, a
competência da Justiça Federal.

● Uso de documento falso perante a polícia rodoviária federal: Justiça federal

● Falsidade de documento emitido pela união para ludibriar particular: Justiça estadual
4.2 CRIMES EM ESPÉCIE

1) Moeda falsa (Art. 289, CP):


Art. 289 - Falsificar, fabricando-a ou alterando-a, moeda metálica ou papel-moeda de curso legal no
país ou no estrangeiro:
Pena - reclusão, de três a doze anos, e multa.
§ 1º - Nas mesmas penas incorre quem, por conta própria ou alheia, importa ou exporta, adquire,
vende, troca, cede, empresta, guarda ou introduz na circulação moeda falsa.
§ 2º - Quem, tendo recebido de boa-fé, como verdadeira, moeda falsa ou alterada, a restitui à
circulação, depois de conhecer a falsidade, é punido com detenção, de seis meses a dois anos, e multa.
§ 3º - É punido com reclusão, de três a quinze anos, e multa, o funcionário público ou diretor, gerente,
ou fiscal de banco de emissão que fabrica, emite ou autoriza a fabricação ou emissão:
I - de moeda com título ou peso inferior ao determinado em lei;
II - de papel-moeda em quantidade superior à autorizada.
§ 4º - Nas mesmas penas incorre quem desvia e faz circular moeda, cuja circulação não estava ainda
autorizada.
→ Não requer um fim especial de agir.

→ Não se aplica o instituto do arrependimento posterior ao crime de moeda falsa.

#SELIGANASÚMULA: Súmula 73/STJ: A utilização de papel moeda grosseiramente falsificado


configura, em tese, o crime de estelionato, da competência da Justiça Estadual.

→ É de competência da Justiça Federal, tendo em vista ofender os interesses da fé pública da União.

→ Nos casos de prática do crime de introdução de moeda falsa em circulação (art. 289, § 1º, do CP), é
possível a aplicação das agravantes dispostas nas alíneas "e" e "h" do inciso II do art. 61 do CP.

→ A figura privilegiada do crime de moeda falsa (Art. 289, §2º) é processada no JEF e admite
suspensão condicional do processo.

2) Falsificação de Documento Público (Art. 297, CP):

Falsificação de Documento Público Falsidade ideológica


Pune-se aqui o falso material, ou O documento é verdadeiro em sua
seja, aquele que diz respeito à forma, sendo falso o conteúdo.
forma do documento

→ Para os efeitos penais, equiparam-se a documento público o emanado de entidade paraestatal, o


título ao portador ou transmissível por endosso, as ações de sociedade comercial, os livros mercantis
e o testamento particular.

→ Prefeito que, ao sancionar lei aprovada pela Câmara dos Vereadores, inclui artigo que não constava
originalmente no projeto votado pratica o crime de falsificação de documento público. A condição de
prefeito poderá ser utilizada para agravar a pena na terceira fase da dosimetria.

→ A simples omissão de anotação na Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) não configura,
por si só, o crime de falsificação de documento público.

→ Compete à Justiça Federal (e não à Justiça Estadual) processar e julgar o crime caracterizado pela
omissão de anotação de vínculo empregatício na CTPS (art. 297, § 4º, do CP).

→ Falsificação de CNH é de competência da Justiça Estadual.

→ Quando a falsidade é meio para a prática do estelionato, prevalece que somente haverá absorção
se, após a prática do estelionato, não restar ao falso qualquer potencialidade lesiva. Todavia, se o
falso não se exaurir no estelionato, haverá concurso (STJ, súmula 17).

3) Falsificação de Documento Particular (Art. 298, CP):


→ Os cartões de crédito e débito se equiparam a documento particular.

#SELIGANASÚMULA: Súmula 104 – STJ: Compete à Justiça Estadual o processo e julgamento dos
crimes de falsificação e uso de documento falso relativo a estabelecimento particular de ensino.

→ O contrato social de uma sociedade empresária é documento particular. Assim, caso seja
falsificado, haverá o crime de falsificação de documento particular (e não de documento público).

→ O elemento subjetivo é o dolo, mas não se exige fim especial de agir.

4) Falsidade Ideológica (Art. 299, CP):


→ Art. 299 - Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele
inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar
direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante:

→ Na falsidade ideológica, a forma do documento é verdadeira (documento autêntico em seus


requisitos extrínsecos e emanada realmente da pessoa que nele figura como seu autor), mas seu
conteúdo é falso, ou seja, a ideia ou declaração que o documento contém não corresponde à verdade.
#IMPORTANTE – A falsidade ideológica requer fim especial de agir!

→ Se determinado advogado altera clandestinamente a petição inicial que havia protocolizado,


substituindo uma folha por outra, tal conduta NÃO configura os crimes dos arts. 298 e 356 do CP,
considerando que a petição inicial não pode ser considerada documento para fins penais.

→ É atípica a mera declaração falsa de estado de pobreza realizada com o intuito de obter os
benefícios da justiça gratuita.

→ Pratica falsidade ideológica (art. 299 do CP) o candidato que deixa de contabilizar despesas em sua
prestação de contas no TRE.

5) Uso de documento falso (Art. 304, CP):


→ Em regra, a posse e o porte de documento falso, quando este não é efetivamente apresentado, são
fatos atípicos. Logo, se o documento for apreendido em busca domiciliar ou pessoal, não há crime de
uso, pois não houve apresentação.

#ATENÇÃO: O simples porte de CNH falsa é crime de uso, pois se trata de documento de porte
obrigatório (art. 159, § 1º, do CTB).

→ A utilização de documento falso para ocultar a condição de foragido não descaracteriza o delito de
uso de documento falso (art. 304 do CP).

→ O crime de sonegação fiscal absorve o de falsidade ideológica e o de uso de documento falso


praticados posteriormente àquele unicamente para assegurar a evasão fiscal.

→ É possível a condenação pelo crime de uso de documento falso (art. 304 do CP) com fundamento
em documentos e testemunhos constantes do processo, acompanhados da confissão do acusado,
sendo desnecessária a prova pericial para a comprovação da materialidade do crime.

#SELIGANASÚMULA: Súmula 546 – STJ: A competência para processar e julgar o crime de uso de
documento falso é firmada em razão da entidade ou órgão ao qual foi apresentado o documento
público, não importando a qualificação do órgão expedidor.

6) Falsa Identidade (Art. 307, CP):


→ O tipo subjetivo é o dolo, exigindo especial fim de agir consistente na intenção de obter vantagem
(para si ou para outrem) ou causar prejuízo

#SELIGANASÚMULA: Súmula 522 – STJ: A conduta de atribuir-se falsa identidade perante autoridade
policial é típica, ainda que em situação de alegada autodefesa.

Art. 307 – Falsa identidade Art. 304 – Uso de documento falso


Consiste na simples atribuição de falsa Aqui há obrigatoriamente o uso de
identidade, sem a utilização de documento falso.
documento falso.
Ex: ao ser parado em uma blitz, o Ex: ao ser parado em uma blitz, o
agente afirma que seu nome é Pedro agente afirma que seu nome é Pedro
Silva, quando, na verdade, ele é João Silva e apresenta o RG falsificado com
Lima. esse nome, quando, na verdade, ele é
João Lima.

CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

→ Art. 327 - Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem, embora transitoriamente
ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública. § 1º - Equipara-se a funcionário
público quem exerce cargo, emprego ou função em entidade paraestatal, e quem trabalha para
empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada para a execução de atividade típica da
Administração Pública. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000).
Art. 327. (...) § 2º - A pena será aumentada da terça parte quando os autores dos crimes previstos
neste Capítulo forem ocupantes de cargos em comissão ou de função de direção ou assessoramento
de órgão da administração direta, sociedade de economia mista, empresa pública ou fundação
instituída pelo poder público.
→ O advogado que, por força de convênio celebrado com o Poder Público, atua de forma remunerada
em defesa dos hipossuficientes agraciados com o benefício da assistência judiciária gratuita,
enquadra-se no conceito de funcionário público para fins penais.

→ O fato de o agente ter se aproveitado, para a prática do crime, da situação de vulnerabilidade


emocional e psicológica da vítima decorrente da morte de seu filho em razão de erro médico pode
constituir motivo idôneo para a valoração negativa de sua culpabilidade.
#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA: A jurisprudência não admite a aplicação do princípio da
insignificância ao crime de peculato.

→ Secretária de Estado que desvia verbas de convênio federal que tinha destinação específica e as
utiliza para pagamento da folha de servidores não pratica o crime de peculato (art. 312 do CP), mas sim
o delito de emprego irregular de verbas ou rendas públicas (art. 315).

→ Prefeito que ordena a retenção de valores oriundos de empréstimo consignado, e os destina ao


pagamento de despesa do município, pratica, em tese, os delitos dos arts. 312 e 359-C do Código
Penal. STF. 1ª Turma. AP 916/AP, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 17/5/2016 (Info 826).

→ Em todas as modalidades do peculato, e mais do que isso, EM TODOS OS CRIMES FUNCIONAIS, a


ação penal é pública incondicionada.

→ No crime de concussão, a situação de flagrante delito configura-se no momento da exigência da


vantagem indevida (e não no instante da entrega). Isso porque a concussão é crime FORMAL.

→ O funcionário público, lotado em bilheteria de ferrovia estatal, que falsifica e vende bilhetes de
passagem, apropriando- se do respectivo valor, comete crime de peculato.

DIREITO PROCESSUAL PENAL10

INQUÉRITO POLICIAL

#CAIUEMPROVA #DEFENSORIA: No âmbito do inquérito policial instaurado para apuração de crime


contra os costumes, o direito ao contraditório pelo suposto autor é limitadamente assegurado, com
direito exclusivo à participação na colheita de provas periciais.

→ O IP gerido com concentração de poder em uma autoridade única – predomina o procedimento


inquisitivo. Mas o defensor ou o advogado estão autorizados a agir – pode haver atividade defensiva
no inquérito (porém limitada).

→ O indiciamento é ato privativo da autoridade policial, segundo sua análise técnico-jurídica do fato. O
juiz não pode determinar que o Delegado de Polícia faça o indiciamento de alguém.

10 Por Fernanda Evlaine


→ Em regra, a autoridade com foro por prerrogativa de função pode ser indiciada. Existem duas
exceções previstas em lei de autoridades que não podem ser indiciadas: a) Magistrados (art. 33,
parágrafo único, da LC 35/79); b) Membros do Ministério Público (art. 18, parágrafo único, da LC 75/73
e art. 40, parágrafo único, da Lei nº 8.625/93). Excetuadas as hipóteses legais, é plenamente possível o
indiciamento de autoridades com foro por prerrogativa de função. No entanto, para isso, é
indispensável que a autoridade policial obtenha uma autorização do Tribunal competente para julgar
esta autoridade. (Info 825 stf)

→ Do despacho que indeferir o requerimento de abertura de inquérito caberá recurso para o chefe de
Polícia.

→ No inquérito policial instaurado por requisição do Ministro da Justiça, objetivando a expulsão de


estrangeiro, o contraditório é obrigatório.

→ É determinação legal que, em situações visíveis que estejam a margem da lei, o delegado deve
denegar o inquérito. Não pode instaurar inquérito manifestamente ilegal – não há discricionariedade
para isso.

→ Havendo indícios de que membro do MP está envolvido em infração penal, a notícia crime ou os
autos de eventual investigação, serão imediatamente remetidos à Procuradoria Geral, já que o
delegado não pode indiciar membros do MP (Lei Orgânica Nacional do MP).

→ Os vícios do inquérito não contaminam o processo. Poderão excepcionalmente contaminar o


processo, ao retirarem todo o substrato indiciário de sustentabilidade da inicial acusatória, faltando,
assim, justa causa para o exercício da ação.

→ A instauração de inquérito policial não interrompe o prazo para oferecimento de queixa nos crimes
de ação penal privada.

→ É incabível a anulação de processo penal em razão de suposta irregularidade verificada em


inquérito policial - STF. 2ª Turma. RHC 131450/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 3/5/2016 (Info
824).

→ O delegado não pratica desobediência, quando descumpre a ordem do juiz, isto enseja
simplesmente infração administrativa. Pode ser que ele cometa prevaricação, mas na prevaricação ele
teria que ter o dolo na conduta e com o fim especial de agir, depende da situação hipotética.

→ A suspeição de autoridade policial NÃO é motivo de nulidade do processo, pois o inquérito é mera
peça informativa.
→ Não existe crime de Desobediência cometido de um funcionário público para com outro. Crime de
Desobediência é cometido por particular contra a Administração Pública.

→ A acareação pode ocorrer tanto na instrução criminal, quanto no IP.

# IMPORTANTE #CAIUEMPROVA – Prazos do inquérito:

• Estadual: 10 dias réu preso; 30 dias réu solto.


• Federal: 15 + 15 dias réu preso; 30 dias réu solto.
• Militar: 20 dias réu preso; 40 + 20 dias réu solto
• Drogas: 30 + 30 réu preso; 90 + 90 réu solto
• Economia popular: 10 réu preso ou solto
• Eleitoral: 10 dias preso; 30 solto.

Hipótese Réu SOLTO Réu PRESO


Estadual 10 dias 30 dias
Federal 15 + 15 dias 30 dias
Militar 20 dias 40 + 20 dias
Drogas 30 + 30 dias 90 + 90 dias
Economia Popular 10 dias 10 dias
Eleitoral 10 dias 30 solto

#CAIUEMPROVA #DEFENSORIA (DPE/SP 2015): Artigo 2º, § 4o da Lei 12.830/13 (Invest. Crim. conduzida
por Delg. Pol) O inquérito policial ou outro procedimento previsto em lei em curso somente poderá
ser avocado ou redistribuído por superior hierárquico, mediante despacho fundamentado, por motivo
de interesse público ou nas hipóteses de inobservância dos procedimentos previstos em regulamento
da corporação que prejudique a eficácia da investigação.

#CAIUEMPROVA #DEFENSORIA: Uma característica do IP é a INDISPONIBILIDADE: O delegado não é


obrigado a iniciar o IP se entender que não houve crime, nem em tese, CONTUDO, se deu início,
deverá leva-lo até o fim. Assim, mesmo tendo a discricionariedade acima citada, quando REQUISITADO
pelo juiz ou promotor, a autoridade policial deverá iniciar a investigação. REQUISIÇÃO = IMPOSIÇÃO.

→ Arquivamento Implícito (DPE/SP 2015): O arquivamento é afeto ao juiz, após requerimento


fundamentado do MP, sendo vedado ao delegado sua promoção (art. 17 CPP). Instaurado pela
autoridade policial não pode ser por ela arquivado, ainda que não fique apurado quem foi o autor do
delito.
Afora isso, arquivamento ocorre quando MP deixar de incluir na denúncia algum fato investigado ou
algum suspeito, sem expressa justificação (arquivamento implícito), prática rechaçada pela
jurisprudência.

→ Arquivamento indireto: Ocorre quando o MP não oferece a denúncia por considerar a juízo
incompetente.

→ A decisão judicial de arquivamento do inquérito policial com fundamento na atipicidade do fato


praticado produz coisa julgada material, impedindo-se a reabertura das investigações preliminares
mesmo diante do surgimento de novas provas.

→ É irrecusável o pedido de arquivamento de inquérito feito pelo PGR nos feitos de competência
originária, não se aplicando a remessa prevista no art. 28, CPP.

→ INF STJ 565: Inviabilidade de MS impetrado pela vítima para evitar o arquivamento de IP. A vítima
de crime de ação penal pública não tem direito líquido e certo de impedir o arquivamento do inquérito
ou das peças de informação.

→ INF STF 345: A manifestação formulada pelo Procurador-Geral da República, no sentido do


arquivamento de inquérito penal, possui caráter irretratável, não sendo, portanto, passível de
reconsideração ou revisão, ressalvada, no entanto, a hipótese de surgimento de novas provas.

→ A decisão judicial que determina o arquivamento do inquérito policial é, em regra, irrecorrível,


embora caiba recurso de ofício no caso de crime contra a economia popular.

→ Em se tratando de ação pública incondicionada, o pedido de arquivamento do IP pelo Ministério


Público respaldado com a concordância do juiz, somente será desarquivado com novas provas. Na
ação pública incondicionada, o despacho que arquiva o inquérito policial ou peças de informações,
quando solicitadas pelo Ministério Público são irrecorríveis. Sendo assim, uma vez arquivado o
inquérito a pedido do Ministério Público, fica inadmissível a instauração de ação penal mediante
queixa-crime subsidiária.

→ Os dados bancários entregues à autoridade fiscal pela sociedade empresária fiscalizada, após
regular intimação e independentemente de prévia autorização judicial, podem ser utilizados para
subsidiar a instauração de inquérito policial para apurar suposta prática de crime contra a ordem
tributária. STJ. 5ª Turma. RHC 66.520-RJ, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 2/2/2016 (Info 577).

#QUESTÃO: É possível a reabertura da investigação e o oferecimento de denúncia se o inquérito


policial havia sido arquivado com base em excludente de ilicitude?

♣ STJ: NÃO. Para o STJ, o arquivamento do inquérito policial com base na existência de causa
excludente da ilicitude faz coisa julgada material e impede a rediscussão do caso penal. O mencionado
art. 18 do CPP e a Súmula 524 do STF realmente permitem o desarquivamento do inquérito caso
surjam provas novas. No entanto, essa possibilidade só existe na hipótese em que o arquivamento
ocorreu por falta de provas, ou seja, por falta de suporte probatório mínimo (inexistência de indícios
de autoria e certeza de materialidade). STJ. 6ª Turma. REsp 791.471/RJ, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado
em 25/11/2014 (Info 554).

♣ STF: SIM. Para o STF, o arquivamento de inquérito policial em razão do reconhecimento de


excludente de ilicitude não faz coisa julgada material. (Info 796).

MOTIVO DO ARQUIVAMENTO É POSSÍVEL DESARQUIVAR?

1) Ausência de pressuposto SIM


processual ou de condição da ação
penal

2) Falta de justa causa para a ação


penal (não há indícios de autoria ou
SIM
prova da materialidade)

3) Atipicidade (fato narrado não é NÃO


crime)

4) Existência manifesta de causa STJ: NÃO


excludente de ilicitude STF: SIM

5) Existência manifesta de causa NÃO


excludente de culpabilidade

6) Existência manifesta de causa NÃO


extintiva da punibilidade
Exceção: Certidão de óbito falsa
#SÚMULAS:

→ Súmula Vinculante STF nº 14: É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo
aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão
com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa. OBS.:
Havendo denegação de acesso aos autos do Inquérito, caberá Mandado de Segurança, Reclamação
Constitucional – o cabimento de Reclamação não impede o ajuizamento do MS (art. 103-A, §3º, da CF)
e, segundo o STJ, até mesmo Habeas Corpus, já que existe risco indireto à liberdade. Esse HC é
denominado de HC profilático.

→ Súmula 397 STF: O poder de polícia da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, em caso de
crime cometido nas suas dependências, compreende, consoante o regimento, a prisão em flagrante
do acusado e a realização do inquérito.

→ #IMPORTANTE: Súmula 524 do STF: "arquivado o inquérito policial, por despacho do juiz, a
requerimento do promotor de justiça, não pode a ação ser iniciada sem novas provas."

INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA

→ A interceptação de comunicações telefônicas, de qualquer natureza, para prova em investigação


criminal e em instrução processual penal, observará o disposto nesta Lei e dependerá de ordem do juiz
competente da ação principal, sob segredo de justiça.

→ A gravação (tanto ambiental quanto telefônica) feita por um dos interlocutores não recebe
o mesmo tratamento da interceptação (ambiental ou telefônica). Gravação (ambiental ou telefônica):
É realizada por um dos interlocutores e, por isso, não necessita de autorização judicial. Dessa forma, é
considerada pela jurisprudência do STJ e STF como prova lícita mesmo que tenha ocorrido sem prévia
anuência do Poder Judiciário.

Interceptação (ambiental ou telefônica): É realizada por um terceiro estranho à comunicação.


Portanto, necessita de autorização judicial. Caso ocorra sem prévia manifestação do magistrado, será
considerado pela ordem legal como prova ilícita.

→ A título de prova emprestada, a interceptação telefônica pode ser usada em processo civil e
administrativo (STF, Pet. 3683 QO-MG).
#ATENÇÃO: Súmula Vinculante nº 14, dispondo que os defensores têm direito de acesso somente às
provas já documentadas, ou seja, já incorporadas aos autos. Essa mesma prerrogativa não existe em
relação às provas em produção, como, por exemplo, a interceptação telefônica, busca e apreensão
domiciliar, pois isso, evidentemente, tornaria inócua a diligência em andamento.

→ Não se admite a interceptação de comunicações telefônicas quando o fato investigado constitui


infração penal punida, no máximo, com pena de detenção.

→ Não será admitida a interceptação de comunicações telefônicas quando ocorrer qualquer das
seguintes hipóteses: I - não houver indícios razoáveis da autoria ou participação em infração penal
(OBS: não são necessários indícios de materialidade); II - a prova puder ser feita por outros meios
disponíveis; III - o fato investigado constituir infração penal punida, no máximo, com pena de
detenção.

→ A decisão será fundamentada, sob pena de nulidade, indicando também a forma de execução da
diligência, que não poderá exceder o prazo de 15 DIAS, renovável por igual tempo uma vez
comprovada a indispensabilidade do meio de prova. OBS: STF e STJ entendem que é prorrogável
quantas vezes for necessário.

→ Para a instalação de equipamento necessário à captação e à interceptação ambiental de sinais


eletromagnéticos, óticos ou acústicos, a circunstanciada autorização judicial a que se refere o art. 2º,
IV, Lei 9.034/95 (escuta ambiental), pode determinar a realização da diligência no período noturno,
sob pena de se frustrar a finalidade da medida, mormente quando se tratar de local com grande
movimentação durante o dia (Informativo 529 do STF: Inq. 2.424/RJ).

→ As comunicações telefônicas legalmente interceptadas podem ser utilizadas para formação de


prova em desfavor do outro interlocutor, ainda que este seja advogado do investigado – INFO 541.

→ Em processo que apure suposta prática de crime sexual contra adolescente absolutamente
incapaz, é admissível a utilização de prova extraída de gravação telefônica efetivada a pedido da
genitora da vítima, em seu terminal telefônico, mesmo que solicitado auxílio técnico de detetive
particular para a captação da conversa – INFO 543.

→ A interceptação telefônica deve perdurar pelo tempo necessário à completa investigação dos fatos
delituosos. O prazo de duração da interceptação deve ser avaliado pelo Juiz da causa, considerando os
relatórios apresentados pela Polícia. Não se pode exigir que o deferimento das prorrogações (ou
renovações) seja sempre precedido da completa transcrição das conversas, sob pena de frustrar-se a
rapidez na obtenção da prova. Não se faz necessária a transcrição das conversas a cada pedido de
renovação da escuta telefônica, pois o que importa, para a renovação, é que o Juiz tenha
conhecimento do que está sendo investigado, justificando a continuidade das interceptações,
mediante a demonstração de sua necessidade.

→ Os termos da Lei 9.296/996, e consoante diversos precedentes desta Corte Superior, é dispensável
que a transcrição do conteúdo das interceptações telefônicas seja feita por peritos oficiais.

#CAIUEMPROVA #DEFENSORIA:

→ "A ausência de autorização judicial para excepcionar o sigilo das comunicações telefônicas macula
indelevelmente eventual diligência policial de interceptações, ao ponto de não se dever - por causa
dessa mácula - sequer lhes analisar os conteúdos, pois obtidos de forma claramente ilícita. Aliás, não é
válida a interceptação telefônica realizada sem prévia autorização judicial, ainda que haja posterior
consentimento de um dos interlocutores para ser tratada como escuta telefônica e utilizada como
prova em processo penal".
→ DPE/PB 2014: não será admitida quando o fato investigado constituir infração punida, no máximo,
com pena de detenção.

INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA Ausência de autos apartados configura mera irregularidade. STF. 1ª


Turma. HC 128102/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 9/12/2015 (Info 811).

→ A quebra do sigilo de dados telefônicos (registros documentados) não se confunde com a


interceptação telefônica (conhecimento do conteúdo da conversa) e não é abrangida pela Lei
9.296/96. A quebra do sigilo não está submetida à cláusula de reserva de jurisdição e pode ser
determinada por CPI e MP.

→ Pode haver interceptação ainda que não haja inquérito policial instaurado, desde que haja outra
forma de investigação criminal em curso (CPI, investigações pelo MP).

→ Não pode ser deferida no curso de processo cível, comercial, trabalhista, administrativo, etc.
Podem utilizar como prova emprestada do processo criminal.

→ INFO 811 STF: O fato de a interceptação telefônica ter visado elucidar outra prática delituosa não
impede a sua utilização em persecução criminal diversa por meio do compartilhamento da prova.
→ Sigilo profissional do advogado: as conversas entre o advogado e seu cliente devem ser
consideradas inadmissíveis no processo, a não ser que o advogado esteja envolvido com o crime
objeto da investigação (INFO 541, STJ)

→ É subsidiária e excepcional.

→ Art. 2º, Lei 9.296/2996: é ilegal que a interceptação telefônica seja determinada apenas com base
em “denúncia anônima”.

→ INFO 701, STF: Não é ilícita a interceptação telefônica autorizada por juiz aparentemente
competente ao tempo da decisão e que, posteriormente, venha a ser declarado incompetente (teoria
do juiz aparente). A prova obtida poderá ser ratificada.

→ INFO 510, STJ: Não é válida a interceptação telefônica realizada sem prévia autorização judicial,
ainda que haja posterior consentimento de um dos interlocutores.

→ INFO 541, STJ: As comunicações telefônicas do investigado legalmente interceptadas podem ser
utilizadas para formação de provas em desfavor do outro interlocutor, ainda que este seja advogado
do investigado.

→ Excepcionalmente, o juiz poderá admitir que o pedido seja formulado VERBALMENTE, caso em que
a concessão será condicionada à sua redução a termo.

→ Não é necessária a transcrição integral dos diálogos. Basta que sejam transcritos os trechos
necessários ao embasamento da denúncia oferecida e que seja entregue à defesa todo o conteúdo
das gravações em mídia eletrônica.

→ Todo elemento probatório colhido com base em interpretação telefônica autorizada em momento
anterior à lei 9.206/96 é considerado prova ilícita.

DELAÇÃO PREMIADA

→ Confissão delatória: DIREITO PENAL PREMIAL. O delator é denominado também de


COLABORADOR DA JUSTIÇA.

→ STJ: Info 495. Se o réu confessa o crime, mas suas declarações não representam efetiva
colaboração com a investigação policial e com o processo criminal nem fornecem informações
eficazes para a descoberta da trama delituosa, ele não terá direito ao benefício da delação premiada.
• Homologar o acordo não significa dizer que o juiz admitiu como verídicas ou idôneas as
informações prestadas pelo colaborador. Quando o magistrado homologa o acordo, ele apenas afirma
que este cumpriu sua regularidade, legalidade e voluntariedade.

• O STF entendeu que o acordo não pode ser impugnado por terceiro, mesmo que seja uma
pessoa citada na delação. Isso porque o acordo é personalíssimo e, por si só, não vincula o delatado
nem afeta diretamente sua situação jurídica. O que poderá atingir eventual corréu delatado são as
imputações posteriores, constantes do depoimento do colaborador.

• A personalidade do colaborador ou o fato de ele já ter descumprido um acordo anterior de


colaboração premiada não têm o condão de invalidar o acordo atual. Não importa a idoneidade do
colaborador, mas sim a idoneidade das informações que ele fornecer e isso ainda será apurado no
decorrer do processo. STF. Plenário. HC 127483/PR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 26 e 27/8/2015
(Info 796).

→ Forma de registro das declarações do colaborador premiado: Não existe obrigatoriedade legal
absoluta de que as declarações do colaborador premiado sejam registradas em meio audiovisual. O §
13 do art. 4o da Lei nº 12.850/2013 prevê que “sempre que possível, o registro dos atos de colaboração
será feito pelos meios ou recursos de gravação magnética, estenotipia, digital ou técnica similar,
inclusive audiovisual, destinados a obter maior fidelidade das informações”.

→ AUTODENÚNCIA: o sujeito procura a autoridade e fala que foi ele o responsável.


→ DELAÇÃO: É chamar a si a culpa e indicar os outros comparsas – prova testemunhal.

→ Não viola o entendimento da SV 14-STF a decisão do juiz que nega ao réu denunciado com base em
um acordo de colaboração premiada o acesso a outros termos de declarações que não digam respeito
aos fatos pelos quais ele está sendo acusado, especialmente se tais declarações ainda estão sendo
investigadas, situação na qual existe previsão de sigilo, nos termos do art. 7º da Lei nº 12.850/2013. STF.
2ª Turma. Rcl 22009 AgR/PR, rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 16/2/2016 (Info 814).

JUSRISDIÇÃO E COMPETÊNCIA

→ Art. 70. A competência será, de regra, determinada pelo lugar em que se consumar a infração, ou,
no caso de tentativa, pelo lugar em que for praticado o último ato de execução.- TEORIA DO
RESULTADO
→ Competência para a ação penal por crime de falso testemunho é do juízo deprecado.

→ Conexão em processo penal: casos de concurso de pessoas, infrações praticadas para facilitar ou
ocultar outras, prova de uma infração influir na prova de outra.

→ Continência em processo penal: casos de pessoas acusadas pela mesma infração e de concurso
formal de delitos.

→ Competência em crime continuado: prevenção.

→ Competência em casos de conexão e continência: crime mais grave -> maior número de infrações ->
prevenção.

→ Súmula 224 – STJ: Excluído do feito o ente federal, cuja presença levara o Juiz Estadual a declinar
da competência, deve o Juiz Federal restituir os autos e não suscitar conflito.

→ A incompetência, relativa ou absoluta, pode ser reconhecida de ofício pelo juiz de 1º grau. Já o
tribunal só pode reconhecer a incompetência, tanto relativa quanto absoluta, se houver recurso da
acusação ou recurso de ofício.

→ Crime comum + crime eleitoral = julgamento conjunto. Separa = militar e ECA.

→ Compete à justiça estadual processar e julgar agente público estadual acusado da prática do delito
de dispensa ilegal de licitação, não sendo suficiente para atrair a competência da justiça federal a
existência de repasse de verbas em decorrência de convênio da União com o estado-membro.

→ Para que o crime de tráfico internacional de drogas seja julgado pela Justiça Federal deve atender
aos seguintes requisitos: Que o crime esteja previsto em Tratado ou Convenção Internacional e
iniciada a execução no País e internacionalidade territorial do resultado relativamente à conduta
delituosa.

→ "A conexão não determina a reunião dos processos, se um deles já foi julgado" (Súmula 235 STJ).

→ Conflito de atribuições entre membros do MPF e do MPE - Competência: PGR.

→ Conflito de competência entre juízo federal e juízo estadual - Competência: STJ.

→ Se o promotor de justiça se recusar a propor a suspensão condicional do processo, mesmo estando


presentes seus pressupostos legais permissivos, o juiz, dissentindo, remeterá a questão ao procurador
geral, aplicando-se, por analogia, o CPP.
TABELA FORO PRIVILEGIADO

CF EXECUTIVO LEGISLATIVO JUDICIÁRIO OUTRAS


1. MPU (PGR);
1. Presidente Membros dos
2. TCU;
2. Vice Presidente Tribunais
3. Comandante
3. Ministros de Estado. Superiores:
1. Senadores das forças
4. Chefe da AGU 1. STF
STF 2. Deputados armadas;
5. Chefe da Casa Civil 2. STJ
(Art. 102 da CF) Federais 4. Chefes em
6. Controlador Geral da 3. TST
missão
União 4. TSE
diplomática
7. Presidente do BACEN 5. STM
permanente.

1. MPU (membros
que atuam no
Tribunal –
Membros dos: chamados de
STJ Governadores Ninguém Tribunais Estaduais procuradores
(Art. 101 da CF) e Federais regionais);
2. Os conselheiros
do Tribunal de
contas do Estado;

Todos os
membros do MP
Prefeitos Deputados Juízes Estaduais de
Estadual
TJ (Art. 29, X, CF) Estaduais 1º Grau
(Promotor/Procur
ador).
TRF Prefeitos Deputados Juízes Federais de 1º Membros do MPU
(Art. 108 da CF) (Súmula 702 – STF) Estaduais Grau (1º Grau)

→ Crimes dolosos contra a vida – competência do Tribunal do Júri. Crimes de menor potencial
ofensivo (de até 2 anos) – competência dos Juizados Especiais Criminais.

→ Infrações ocorridas em navios ou aeronaves serão julgadas pela Justiça Federal. Viagens nacionais
(competência do lugar em que o avião ou navio parar primeiro após a consumação do crime); Viagens
Internacionais (competência do local de saída ou do de chegada).
→ Navios e aeronaves de natureza pública: integram o Brasil independente de onde estejam. Navios e
aeronaves de natura privada: de bandeira brasileira (quando estiverem transitando território nacional
e alto mar), de bandeira estrangeira (apenas quando estiverem transitando o território nacional).

→ Direito de passagem inocente: acoberta eventuais infrações cometidas em navios que estão apenas
transitando em nosso mar territorial e que vão seguir viagem e não aportaram – mas o crime praticado
não deve ter reflexo no território nacional. Também se aplica a aeronaves.

→ Crimes ocorridos no estrangeiro – extraterritorialidade do CP: julgamento na capital do Estado


brasileiro onde por último residiu o infrator; julgamento na capital do Brasil, se nunca residiu no país.

→ Competência material em razão da pessoa – ratione personae – Foro por prerrogativa de função:

→ Algumas autoridades, em que pese não presidirem ministérios, têm status de ministros e integram
a referência interpretativa primária, possuindo prerrogativa de função, sendo julgadas pelo STF: O
Presidente do Banco Central; Chefe da AGU; Controlador Geral da União; Chefe da Casa Civil –
possuem status de ministro e serão julgados no STF.

→ Se um juiz estadual praticar crime federal ele é julgado no TJ – a regra para o juiz é invariável.

→ A competência do TJ e do TRF é excepcionada pela competência do TRE para julgamento dos


crimes eleitorais. O mesmo não ocorre com o STF e com o STJ, que aglutinam competência para julgar
infrações eleitorais.

→ Foro por prerrogativa X Deslocamento: as autoridades com foro por prerrogativa no TJ ou no TRF,
ao praticarem crime fora do Estado ou da região, serão julgadas no seu tribunal de origem.

→ Foro por prerrogativa X Júri: segundo o STF, na súmula 721, as autoridades com foro por
prerrogativa encampado na CF não vão à júri, pois serão julgadas no seu Tribunal de origem. O mesmo
não ocorre quando o privilégio é estabelecido apenas na Constituição Estadual.

→ Cidadão comum. Segundo o STF, na súmula 704, não há ofensa às garantias constitucionais quando
o cidadão comum é julgado originariamente perante tribunal, por ter praticado crime com autoridade
que usufrui da prerrogativa de função.

→ 1ª regra: para os crimes, uma vez encerrado o cargo ou mandato, estará encerrado o foro por
prerrogativa de função.

→ 2ª regra: para as ações de improbidade administrativa, não há foro por prerrogativa em nenhum
momento.
→ Para o STF, a renúncia ao mandato na iminência do julgamento caracteriza abuso do direito de
defesa, e será desconsiderada para efeito do deslocamento da competência.

→ Segundo o STF, quando o réu da improbidade é ministro do STF, a ação tramitará no próprio STF e
não perante o juízo de primeiro grau.

→ Se o prefeito desvia a verba de origem federal e que foi integralizada ao patrimônio do município, a
competência para julga-lo é do TJ. Por sua vez, se a verba foi meramente administrada pelo município
estando sujeita à prestação de contas à órgão federal, a competência será do TRF (Súmulas 208 e 209,
STJ).

→ No júri, os jurados possuem competência funcional para analisar a imputação fática, votando os
quesitos. Ao passo que ao juiz presidente, compete aplicar a lei confeccionando a sentença de forma
vinculada aos quesitos.

→ Os atos decisórios praticados por um juiz relativamente incompetente serão declarados nulos,
todavia, os atos instrutórios, os atos de prova, podem ser aproveitados perante o juízo competente
(art. 567, CPP). Já se a nulidade é ocasionada pela incompetência absoluta, nenhum ato será
aproveitado perante o juízo competente.

→ O magistrado incompetente pode se transformar em competente, desde que o vício não seja
arguido oportunamente. Esse fenômeno é conhecido como prorrogação da competência.

→ Apenas a competência territorial (ratione loci) é relativa e, portanto, admite prorrogação desde
que o vício seja arguido oportunamente.

→ Justiça Especial prevalece sobre a comum. EXCEÇÃO: justiça militar – não se aplicam as regras de
conexão e continência (caso de separação obrigatória de processos).

→ O Júri prevalece sobre os demais órgãos. O júri é o órgão prevalente, julgando os crimes dolosos
contra a vida e todas as infrações comuns eventualmente conexas.

→ O júri não se mistura com a Justiça Especial, exigindo-se a separação de processos.

→ Órgãos da mesma justiça e de mesma hierarquia concorrendo - Ex.: SP – Juiz Estadual de 1º Grau
/Campinas – Juiz Estadual de 1º Grau:

1ª) Prevalece o juiz que atua no local da consumação do crime mais grave (o que vale é a pena em
abstrato);
2ª) Se os crimes têm a mesma gravidade, prevalece o juiz que atua no local da consumação do maior
número de infrações;

3ª) Por sua vez, se os delitos têm a mesma gravidade e a mesma quantidade por comarca, prevalece o
juiz prevento.

→ Compete à Justiça Estadual (e não à Justiça Federal) processar e julgar ação penal na qual se
apurem infrações penais decorrentes da tentativa de abertura de conta corrente mediante a
apresentação de documento falso em agência do Banco do Brasil (BB) localizada nas dependências de
agência da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) que funcione como Banco Postal. STJ. 3ª
Seção. CC 129.804-PB, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 28/10/2015 (Info 572).

→ Compete à justiça federal processar e julgar o crime de redução à condição análoga à de escravo
(art. 149 do CP). O tipo previsto no art. 149 do CP caracteriza-se como crime contra a organização do
trabalho e, portanto, atrai a competência da justiça federal (art. 109, VI, da CF/88). STF. Plenário. RE
459510/MT, rel. orig. Min. Cezar Peluso, red. p/ o acórdão Min. Dias Toffoli, julgado em 26/11/2015 (Info
809).

→ A desclassificação do crime doloso contra a vida para outro de competência do juiz singular
promovida pelo Conselho de Sentença em plenário do Tribunal do Júri, mediante o reconhecimento
da denominada cooperação dolosamente distinta (art. 29, § 2º, do CP), não pressupõe a elaboração de
quesito acerca de qual infração menos grave o acusado quis participar. Assim, não há falar em
ocorrência de nulidade absoluta no julgamento pelo Tribunal do Júri, por ausência de quesito
obrigatório, na hipótese em que houve a efetiva quesitação acerca da tese da desclassificação, ainda
que sem indicação expressa de qual crime menos grave o acusado quis participar.

Afastada pelos jurados a intenção do réu em participar do delito doloso contra a vida em razão da
desclassificação promovida em plenário, o juiz natural da causa não é mais o Tribunal do Júri, não
competindo ao Conselho de Sentença o julgamento do delito, e sim ao juiz presidente do Tribunal do
Júri, nos termos do que preceitua o art. 492, § 1º, primeira parte, do CPP. STJ. 6ª Turma. REsp 1.501.270-
PR, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 1º/10/2015 (Info 571).

→ Compete à Justiça Federal processar e julgar os crimes consistentes em disponibilizar ou adquirir


material pornográfico envolvendo criança ou adolescente (arts. 241, 241-A e 241-B do ECA), quando
praticados por meio da rede mundial de computadores (internet). STF. Plenário. RE 628624/MG, Rel.
Orig. Min. Marco Aurélio, Red. p/ o acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 28 e 29/10/2015
(repercussão geral) (Info 805).
→ Utilização de formulários falsos da Receita Federal para iludir particular é de competência da
Justiça Estadual.

→ ESTELIONATO: Competência no caso em que o prejuízo ocorreu em local diferente da obtenção da


vantagem. O crime se consuma no momento da obtenção da vantagem indevida, ou seja, no instante
em que o valor é depositado ("cai") na conta corrente do autor do delito, passando, portanto, à sua
disponibilidade.

→ Súmula 528-STJ: Compete ao juiz federal do local da apreensão da droga remetida do exterior pela
via postal processar e julgar o crime de tráfico internacional. STJ. 3ª Seção. Aprovada em 13/05/2015,
DJe 18/05/2015

→ Constatado o trânsito em julgado de duas decisões condenando o agente pela prática de um único
crime – a primeira proferida por juízo estadual absolutamente incompetente e a segunda proferida
pelo juízo federal constitucionalmente competente –, a primeira condenação deve ser anulada caso se
verifique que nela fora imposta pena maior do que a fixada posteriormente.

#CAIUEMPROVA #DEFENSORIA:
→ Art.125, § 4º. Compete à Justiça Militar estadual processar e julgar os militares dos Estados, nos
crimes militares definidos em lei e as ações judiciais contra atos disciplinares militares, ressalvada a
competência do júri quando a vítima for civil, cabendo ao tribunal competente decidir sobre a perda
do posto e da patente dos oficiais e da graduação das praças.

→ Até a EC 45/04, que acrescentou esse §4º, a competência era da JM; a partir de então, passou para a
JE comum. Mas ver que, se o crime for de homicídio culposo, permanece a competência da JM.

→ A competência por prerrogativa de função cessa quando encerrado o exercício funcional que a
justificava, ainda que se trate de magistrado ou membro do Ministério Público.

→ Súmula 209 STJ - Compete a Justiça Estadual processar e julgar prefeito por desvio de verba
transferida e incorporada ao patrimônio municipal.

→ (DPE/SP – 2013): Nos casos de conexão de natureza objetiva, em que exista a presença de crimes
para os quais estão previstos ritos processuais diferentes, deverá ser adotado o procedimento mais
abrangente, em observância aos postulados do contraditório e da ampla defesa.
→ O julgamento de contravenções penais não cabe à Justiça Federal de 1º GRAU. Assim, alguém que
tenha foro por prerrogativa de função no TRF, caso pratique alguma contravenção será julgado no
TRF e não ao TJ.

Será facultativa a separação dos processos quando as infrações tiverem sido praticadas em
circunstâncias de tempo ou de lugar diferentes, ou, quando pelo excessivo número de acusados e
para não lhes prolongar a prisão provisória, ou por outro motivo relevante, o juiz reputar conveniente
a separação.

→ STF Súmula nº 706 - É relativa a nulidade decorrente da inobservância da competência penal por
prevenção.

→ Não sendo conhecido o lugar da infração, a competência regular-se-á pelo domicílio ou residência
do réu.

→ O princípio do juiz natural, instituído ratione personae e ratione materiae, configura hipótese de
competência absoluta, inafastável por vontade das partes processuais, somente se admitindo a sua
flexibilização por oportunidade da aplicação de norma constitucional.

→ Na sessão plenária do procedimento do júri popular, quando desclassificado o delito pelo conselho
de sentença para outro de competência do juiz singular, é o próprio juiz presidente do tribunal do júri
aquele que deverá proferir a sentença.

→ A competência fixada pela circunstância de duas ou mais pessoas serem acusadas pela mesma
infração é determinada pela continência

→ CONEXÃO: Concurso de CRIMES!

→ CONTINÊNCIA: Concurso de AGENTES!

→ No que se refere à aplicação das regras de conexão e continência, os institutos da transação penal
e da composição dos danos civis, aplicam-se na reunião de processos tanto perante o juízo comum
quanto o tribunal do júri.

QUADRO RESUMO:

JUSTIÇA FEDERAL DEMAIS “JUSTIÇAS”

Info 715/STF - Conflito de competência e crimes Info 511/STJ - DIREITO PROCESSUAL PENAL.
conexos COMPETÊNCIA. CONTRAVENÇÃO PENAL
A 2ª Turma denegou habeas corpus e reconheceu
a competência da justiça federal para processar e É da competência da Justiça estadual o
julgar crimes de estupro e atentado violento ao julgamento de contravenções penais, mesmo
pudor, conexos com crimes de pedofilia e que conexas com delitos de competência da
pornografia infantil de caráter transnacional. Justiça Federal.

Info 694/STF - Competência: policiamento Info 527/STJ - DIREITO PROCESSUAL PENAL.


ostensivo e delito praticado por civil contra COMPETÊNCIA PARA O JULGAMENTO DE
militar CRIME DE VIOLAÇÃO DE DIREITOS AUTORAIS.

Compete à justiça federal comum processar e Não comprovada a procedência estrangeira


julgar civil, em tempo de paz, por delitos de DVDs em laudo pericial, a confissão do
alegadamente cometidos por estes em ambiente acusado de que teria adquirido os produtos
estranho ao da Administração castrense e no exterior não atrai, por si só, a competência
praticados contra militar das Forças Armadas na da Justiça Federal para processar e julgar o
função de policiamento ostensivo, que traduz crime de violação de direito autoral previsto
típica atividade de segurança pública. no art. 184, § 2º, do CP.
(...)
OBS: o tema ainda é polêmico, havendo decisões Nesse contexto, conforme decisões exaradas
em sentido contrário. neste Tribunal, caracterizada a
transnacionalidade do crime de violação de
direito autoral, deve ser firmada a
competência da Justiça Federal para conhecer
da matéria, nos termos do art. 109, V, da CF.
(...)
Contudo, caso o laudo pericial não constate a
procedência estrangeira dos produtos
adquiridos, a mera afirmação do acusado não
é suficiente para o deslocamento da
competência da Justiça Estadual para a Justiça
Federal.
Precedentes citados: CC 125.286-PR, Terceira
Seção, Dje 1/2/2013, e CC 125.281-PR, Terceira
Seção, DJe 6/12/2012. CC 127.584-PR, Rel. Min.
Og Fernandes, julgado em 12/6/2013. 3ª Seção.

Info 532/STJ - DIREITO PROCESSUAL PENAL. Info 520/STJ - DIREITO PROCESSUAL PENAL.
DEFINIÇÃO DA COMPETÊNCIA PARA APURAÇÃO COMPETÊNCIA PARA PROCESSAR E JULGAR
DA PRÁTICA DO CRIME PREVISTO NO ART. 241 ACUSADO DE CAPTAR E ARMAZENAR, EM
DO ECA. COMPUTADORES DE ESCOLAS MUNICIPAIS,
VÍDEOS PORNOGRÁFICOS, ORIUNDOS DA
Não tendo sido identificado o responsável e o INTERNET, ENVOLVENDO CRIANÇAS E
local em que ocorrido o ato de publicação de ADOLESCENTES.
imagens pedófilo-pornográficas em site de
relacionamento de abrangência internacional, Compete à Justiça Comum Estadual processar
competirá ao juízo federal que primeiro tomar e julgar acusado da prática de conduta
conhecimento do fato apurar o suposto crime de criminosa consistente na captação e
publicação de pornografia envolvendo criança ou armazenamento, em computadores de escolas
adolescente (art. 241 do ECA). Por se tratar de municipais, de vídeos pornográficos oriundos
site de relacionamento de abrangência da internet, envolvendo crianças e
internacional – que possibilita o acesso dos dados adolescentes.
constantes de suas páginas, em qualquer local do
mundo, por qualquer pessoa dele integrante –
deve ser reconhecida, no que diz respeito ao
crime em análise, a transnacionalidade necessária
à determinação da competência da Justiça
Federal.
Compete à Justiça Federal processar e julgar os
crimes consistentes em disponibilizar ou adquirir
material pornográfico envolvendo criança ou
adolescente (arts. 241, 241-A e 241-B do ECA),
quando praticados por meio da rede mundial de
computadores (internet). STF. Plenário. RE
628624/MG, Rel. Orig. Min. Marco Aurélio, Red. p/
o acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 28 e
29/10/2015 (repercussão geral) (Info 805). A
competência territorial é da Seção Judiciária do
local onde o réu publicou as fotos, não
importando o Estado onde se localize o servidor
do site: STJ. CC 29.886/SP, julgado em 12/12/2007.

Info 518/STJ - DIREITO PROCESSUAL PENAL. Compete à Justiça Estadual – e não à Justiça
COMPETÊNCIA PARA PROCESSAR E JULGAR Federal – o julgamento de ação penal em que
ESTELIONATO PRATICADO MEDIANTE FRAUDE se apure a possível prática de sonegação de
PARA A CONCESSÃO DE APOSENTADORIA. ISSQN pelos representantes de pessoa jurídica
privada, ainda que esta mantenha vínculo com
No caso de ação penal destinada à apuração de entidade da administração indireta federal.
estelionato praticado mediante fraude para a Resulta prejuízo apenas para o ente
concessão de aposentadoria, é competente o tributante, pessoa jurídica diversa da União –
juízo do lugar em que situada a agência onde no caso de ISSQN, Municípios ou DF. (STJ, 3ª
inicialmente recebido o benefício, ainda que este, Seção, 2013)
posteriormente, tenha passado a ser recebido em
agência localizada em município sujeito a
jurisdição diversa. Segundo o art. 70 do CPP, a
competência será, em regra, determinada pelo
lugar em que se consumar a infração, o que, em
casos como este, ocorre no momento em que
recebida a indevida vantagem patrimonial. Assim,
embora tenha havido a posterior transferência do
local de recebimento do benefício, a competência
já restara fixada no lugar em que consumada a
infração. CC 125.023-DF, Rel. Min. Marco Aurélio
Bellizze, julgado em 13/3/2013. 3ª Seção.

A Justiça Federal é a competente para processar STJ Súmula 42: Compete à Justiça Comum
e julgar os crimes de roubo praticados contra Estadual processar e julgar as causas cíveis em
carteiro da Empresa Brasileira de Correios e que é parte sociedade de economia mista e os
Telégrafos (ECT) no exercício de sua função, com crimes praticados em seu detrimento.
fulcro no disposto do art. 109, IV, da CF. Segundo
ponderou o Min. Relator, não obstante os
objetos subtraídos pertencerem a particulares,
no momento do cometimento da infração, eles se
encontravam sob a guarda e responsabilidade da
ECT. Logo, o delito de roubo teria atingido, de
forma direta, bens, serviços e interesses da
empresa pública federal. Destacou-se que, tanto
no crime de furto quanto no de roubo, o sujeito
passivo não é apenas o proprietário da coisa
móvel, mas também o possuidor e,
eventualmente, até mesmo o mero detentor.
(STJ, 2011)

Compete à Justiça Federal processar e julgar as Crime de concussão praticado por médico em
ações penais relativas a desvio de verbas hospital credenciado ao SUS. Justiça Estadual.
originárias do Sistema Único de Saúde (SUS),
independentemente de se tratar de valores
repassados aos Estados ou Municípios por meio
da modalidade de transferência “fundo a fundo”
ou mediante realização de convênio. Isso porque
há interesse da União na regularidade do repasse
e na correta aplicação desses recursos, que,
conforme o art. 33, § 4º, da Lei 8.080/1990, estão
sujeitos à fiscalização federal, por meio do
Ministério da Saúde e de seu sistema de
auditoria. Cabe ressaltar, a propósito, que o fato
de os Estados e Municípios terem autonomia
para gerenciar a verba destinada ao SUS não
elide a necessidade de prestação de contas ao
TCU, tampouco exclui o interesse da União na
regularidade do repasse e na correta aplicação
desses recursos. Súmula 208 do STJ. (STJ, 3ª
Seção, 2013)

STJ Súmula 151 - A competência para o processo e Compete à justiça estadual o julgamento de
julgamento por crime de contrabando ou ação penal em que se apure crime de esbulho
descaminho define-se pela prevenção do Juízo possessório efetuado em terra de propriedade
Federal do lugar da apreensão dos bens. do Incra na hipótese em que a conduta delitiva
não tenha representado ameaça à titularidade
do imóvel e em que os únicos prejudicados
tenham sido aqueles que tiveram suas
residências invadidas. Nessa situação, inexiste
lesão a bens, serviços ou interesses da União,
o que exclui a competência da justiça federal,
não incidindo o disposto no art. 109, IV, da CF.
(STJ, 3ª Seção, 2013)

STJ Súmula 122 – Compete à Justiça Federal o Crime cometido contra consulado estrangeiro.
processo e julgamento unificado dos crimes Justiça Estadual.
conexos de competência federal e estadual, não
se aplicando a regra do art. 78, II, "a", do Código
de Processo Penal.

STJ Súmula 165 – Compete à Justiça Federal Crime de dano cometido contra bens
processar e julgar crime de falso testemunho tombados. Se o bem foi tombado por um
cometido no processo trabalhista. Estado-membro, competência da Justiça
Estadual.

Crime de dano cometido contra bens tombados. STJ Súmula 209 - Compete à Justiça Estadual
Se o bem foi tombado pela União, competência processar e julgar prefeito por desvio de verba
da Justiça Federal. transferida e incorporada ao patrimônio
municipal.

STJ Súmula 208 - Compete à Justiça Federal STJ Súmula 73 - A utilização de papel moeda
processar e julgar prefeito municipal por desvio grosseiramente falsificado configura, em tese,
de verba sujeita a prestação de contas perante o crime de estelionato, da competência da
órgão federal. Justiça Estadual.
STJ Súmula 147 - Compete à Justiça Federal A competência para processar e julgar crimes
processar e julgar os crimes praticados contra praticados contra a honra de promotor de
funcionário público federal, quando relacionados justiça do Distrito Federal no exercício de suas
com o exercício da função. funções é da Justiça comum do DF, visto que,
embora organizado e mantido pela União, o
Ministério Público do Distrito Federal e
Territórios não é órgão federal. Isso porque o
MPDFT faz parte da estrutura orgânica do DF,
entidade política equiparada aos estados-
membros (art. 32, § 1º, da CF). (STJ, 3ª Seção,
2012)

Compete à Justiça Federal processar e julgar a Após o cancelamento da súmula 91, o STJ
conduta daquele que, por meio de pessoa jurídica firmou o entendimento, em vários acórdãos,
instituída para a prestação de serviço de de que, quando não há evidente lesão a bens,
factoring, realize, sem autorização legal, a serviços ou interesse da União, autarquias ou
captação, intermediação e aplicação de recursos empresas públicas (art. 109 da CF), compete à
financeiros de terceiros, sob a promessa de que Justiça estadual, de regra, processar e julgar
estes receberiam, em contrapartida, rendimentos crime contra a fauna, visto que a proteção ao
superiores aos aplicados no mercado. Isso meio ambiente constitui matéria de
porque a referida conduta se subsume, em competência comum à União, aos estados, aos
princípio, ao tipo do art. 16 da Lei 7.492/1986 (Lei municípios e ao Distrito Federal (art. 23, VI e
dos Crimes contra o Sistema Financeiro VII, da CF). (STJ, 2011)
Nacional), consistente em fazer “operar, sem a
devida autorização, ou com autorização obtida
mediante declaração falsa, instituição financeira,
inclusive de distribuição de valores mobiliários ou
de câmbio”.

Ademais, nessa hipótese, apesar de o delito haver


sido praticado por meio de pessoa jurídica criada
para a realização de atividade de factoring, deve-
se considerar ter esta operado como verdadeira
instituição financeira, justificando-se, assim, a
fixação da competência na Justiça Federal. (STJ,
3ª Seção, 2013)

Crimes relacionados à apreensão em cativeiro de A questão resume-se em saber se há conexão


animais da fauna exótica: Justiça Federal, por que entre os delitos de moeda falsa e receptação
cabe ao IBAMA autorizar o ingresso e a posse para justificar a competência da Justiça
desses animais no Brasil (STJ). Federal para processá-los e julgá-los. A Seção
entendeu ser competente a Justiça comum
Crime de extração ilegal de recursos minerais. estadual para julgar o feito referente ao crime
de receptação (art. 180, caput, do CP) e a
Crime ambiental relacionado com organismos Justiça Federal, ao crime de moeda falsa (art.
geneticamente modificados. 289, § 1º, do CP), pois não estão presentes
quaisquer causas de modificação de
competência inseridas nos arts. 76 e 77 do
CPP, o que, por consequência, afasta a
aplicação da Súmula n. 122-STJ. (STF, 2011)

Compete à Justiça Federal o julgamento de crime Na espécie, o réu foi surpreendido trazendo
consistente na apresentação de Certificado de consigo, dentro de uma mochila, um tablete
Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV) falso de maconha e certa quantidade de dinheiro
à Polícia Rodoviária Federal. (STJ, 3ª Seção, 2013) aparentemente falso. Sustentou-se que,
embora os fatos tenham sido descobertos na
mesma circunstância temporal e praticados
pela mesma pessoa, os delitos em comento
não guardam qualquer vínculo probatório ou
objetivo entre si – a teor do disposto no art.
76, II e III, do CPP. Logo, deve o processo ser
desmembrado para que cada juízo processe e
julgue o crime de sua respectiva competência.
(STJ, 3ª Seção, 2012)

STJ Súmula 200 - O Juízo Federal competente STJ Súmula 104 - Compete à Justiça Estadual o
para processar e julgar acusado de crime de uso processo e julgamento dos crimes de
de passaporte falso é o do lugar onde o delito se falsificação e uso de documento falso relativo
consumou. a estabelecimento particular de ensino.

STJ Súmula 62: Compete à Justiça Estadual STJ Súmula 140 - Compete à Justiça Comum
processar e julgar o crime de falsa anotação na Estadual processar e julgar crime em que o
Carteira de Trabalho e Previdência Social, indígena figure como autor ou vítima.
atribuído à empresa privada. [SUPERADO]

A competência para julgar o delito do art. 297, §


4º do CP é agora da JUSTIÇA FEDERAL. Nesse
sentido: STJ. 3ª Seção. AgRg no CC 107.283/SP,
Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 13/08/2014.

Compete à Justiça Federal – e não à Justiça Compete à Justiça Comum Estadual processar
Estadual – processar e julgar ação penal referente e julgar acusado da prática de conduta
aos crimes de calúnia e difamação praticados no criminosa consistente na captação e
contexto de disputa pela posição de cacique em armazenamento, em computadores de escolas
comunidade indígena. (STJ, 3ª Seção, 2013) municipais, de vídeos pornográficos oriundos
da internet, envolvendo crianças e
adolescentes.

Nesse contexto, de acordo com o


entendimento do STJ e do STF, para que
ocorra a fixação da competência da Justiça
Federal, não basta que o Brasil seja signatário
de tratado ou convenção internacional que
preveja o combate a atividades criminosas
dessa natureza, sendo necessário, ainda, que
esteja evidenciada a transnacionalidade do
delito. (STJ, 3ª Seção, 2013)

A Seção entendeu que compete à Justiça


estadual processar e julgar os crimes de injúria
praticados por meio da rede mundial de
computadores, ainda que em páginas
eletrônicas internacionais, tais como as redes
sociais Orkut e Twitter. Asseverou-se que o
simples fato de o suposto delito ter sido
cometido pela internet não atrai, por si só, a
competência da Justiça Federal. (STJ, 3ª Seção,
2012)

No crime de publicação de pornografia e não STF Súmula 498 - Compete a justiça dos
tendo sido identificado o responsável e o local estados, em ambas as instâncias, o processo e
em que ocorrido o ato de publicação de imagens o julgamento dos crimes contra a economia
pedófilo-pornográficas em site de popular.
relacionamento de abrangência internacional,
competirá ao juízo federal que primeiro tomar
conhecimento do fato apurar o suposto crime em
face de criança ou adolescente (art. 241 do ECA).
(STJ, 3ª Seção, 2013)

Trata-se de conflito negativo entre o juízo


federal (suscitante) e o juízo estadual da vara
criminal (suscitado) em autos de inquérito
instaurado para apurar a prática de crime de
homicídio culposo ocorrido durante operação
de carregamento de veículos para navio de
bandeira italiana. A Seção conheceu do
conflito e declarou competente para o
processo e julgamento do feito o juízo
estadual. Ressaltou-se que, para a
determinação de competência da Justiça
Federal, não basta que o eventual delito tenha
sido cometido no interior de embarcação de
grande porte. Torna-se necessário que ela se
encontre em situação de deslocamento
internacional ou em situação de potencial
deslocamento. (STJ, 2011)

STJ Súmula 38: Compete à Justiça Estadual


Comum, na vigência da Constituição de 1988, o
processo por contravenção penal, ainda que
praticada em detrimento de bens, serviços ou
interesse da União ou de suas entidades.

Não comprovada a procedência estrangeira de


DVDs em laudo pericial, a confissão do
acusado de que teria adquirido os produtos no
exterior não atrai, por si só, a competência da
Justiça Federal para processar e julgar o crime
de violação de direito autoral previsto no art.
184, § 2º, do CP. (STJ, 3ª Seção, 2013)

→ Súmula 546 – STJ: A competência para processar e julgar o crime de uso de documento falso é
firmada em razão da entidade ou órgão ao qual foi apresentado o documento público, não
importando a qualificação do órgão expedidor. STJ. 3ª Seção. Aprovada em 14/10/2015, DJe 19/10/2015.

→ SÚMULA 48 – STJ: Compete ao juízo do local da obtenção da vantagem ilícita processar e julgar
crime de estelionato cometido mediante falsificação de cheque.

→ SÚMULA 244 – STJ: Compete ao foro do local da recusa processar e julgar o crime de estelionato
mediante cheque sem provisão de fundos.

→ Súmula 702 – STF: “A competência do Tribunal de Justiça para julgar prefeitos restringe-se aos
crimes de competência da Justiça comum estadual; nos demais casos, a competência originária caberá
ao respectivo Tribunal de segundo grau”

→ Súmula 703 – STF: “A extinção do mandato do prefeito não impede a instauração de processo pela
prática dos crimes previstos no art. 1.º do Dec.-lei 201/67”.

→ Súmula 704 – STF: A jurisdição de maior hierarquia prevalece sobre a de menor. Se o cidadão
comum pratica crime com uma autoridade, ambos serão julgados em processo único no Tribunal
competente para julgar a autoridade (que tiver foro por prerrogativa de função).
→ Súmula 122 – STJ: Compete à Justiça Federal o processo e julgamento unificado dos crimes conexos
de competência federal e estadual, não se aplicando a regra do art. 78, II, “a”, do Código de Processo
Penal.

→ SÚMULA VINCULANTE 45: "A competência constitucional do tribunal do júri prevalece sobre o foro
por prerrogativa de função estabelecido exclusivamente pela constituição estadual."

→ SÚMULA 244: Compete ao foro do local da recusa processar e julgar o crime de estelionato
mediante cheque sem provisão de fundos.

→ SÚMULA 107: Compete à Justiça Comum Estadual processar e julgar crime de estelionato praticado
mediante falsificação das guias de recolhimento das contribuições previdenciárias, quando não
ocorrente lesão a autarquia federal.

#OBJETODEQUESTÃO:
→ Crimes da competência do tribunal do júri são definidos pelo local da ação/omissão (teoria da
atividade), para fins de possibilitar uma melhor colheita de provas, já que, mais facilmente localizadas
onde a ação/omissão foi realizada (exceção à teoria do resultado, adotada pelo CPP).

→ Súmula 147 - STJ - Ementa: Compete à justiça federal processar e julgar os crimes praticados contra
funcionário público federal, quando relacionados com o exercício da função.

→ Crime consumado: o juízo competente será o do lugar onde o crime se consumou.

→ Crime tentado: a competência será do lugar onde foi praticado o último ato de execução.

→ Nos crimes contra o sistema financeiro e a ordem econômico-financeira, a legislação ordinária irá
determinar as hipóteses em que a competência para julgamento será federal.

→ #IMPORTANTE – No que tange crimes ambientais, somente haverá competência da Justiça Federal
se, no caso concreto, for comprovado o interesse direto e específico da União ou de suas entidades.
Vejamos alguns exemplos:

● Crime ambiental cometido em terras tradicionalmente ocupadas por indígenas;


● Crime praticado contra animais em lista de extinção do IBAMA;
● Delito perpetrado no interior de Área de Proteção Ambiental instituída pelo IBAMA;
● Delito praticado em águas da união.
PRISÃO DOMICILIAR

→ A falta de estabelecimento penal adequado não autoriza a manutenção do condenado em regime


prisional mais gravoso;

→ Os juízes da execução penal poderão avaliar os estabelecimentos destinados aos regimes


semiaberto e aberto, para qualificação como adequados a tais regimes. São aceitáveis
estabelecimentos que não se qualifiquem como “colônia agrícola, industrial” (regime semiaberto) ou
“casa de albergado ou estabelecimento adequado” (regime aberto) (art. 33, §1º, alíneas “b” e “c”, do
CP);

→ Havendo déficit de vagas, deverá determinar-se: (i) a saída antecipada de sentenciado no regime
com falta de vagas; (ii) a liberdade eletronicamente monitorada ao sentenciado que sai
antecipadamente ou é posto em prisão domiciliar por falta de vagas; (iii) o cumprimento de penas
restritivas de direito e/ou estudo ao sentenciado que progride ao regime aberto; d) Até que sejam
estruturadas as medidas alternativas propostas, poderá ser deferida a prisão domiciliar ao
sentenciado. STF. Plenário. RE 641320/RS, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 11/5/2016 (repercussão
geral) (Info 825).

→ Art. 295. § 2o Não havendo estabelecimento específico para o preso especial, este será recolhido
em cela distinta do mesmo estabelecimento. (Incluído pela Lei nº 10.258, de 11.7.2001) (SE NÃO TEM A
CELA ESPECIAL, SERÁ CABÍVEL A PRISÃO DOMICILIAR).

→ A prisão domiciliar é um tipo especial de prisão que substitui a preventiva quando estão presentes
os requisitos dos arts. 312 e 313, mas, por alguma particularidade do acusado, ele não pode se
submeter ao gravame do cárcere.

#NOVIDADELEGISLATIVA: A Lei nº 13.257/2016 alterou as hipóteses de prisão domiciliar previstas nos


incisos IV, V e VI do art. 318 do CPP. Assim, é importantíssimo que você faça esta observação para
lembrar quando estiver estudando. Hipóteses de prisão domiciliar do CPP:

→ Art. 318. Poderá o juiz substituir a prisão preventiva pela domiciliar quando o agente for: I - maior de
80 (oitenta) anos; II - extremamente debilitado por motivo de doença grave; III - imprescindível aos
cuidados especiais de pessoa menor de 6 (seis) anos de idade ou com deficiência; IV - gestante; V -
mulher com filho de até 12 (doze) anos de idade incompletos; VI - homem, caso seja o único
responsável pelos cuidados do filho de até 12 (doze) anos de idade incompletos
# OBS.: A prisão domiciliar não deve ser concedida quando a prisão preventiva for a única hipótese a
tutelar, com eficiência, situação de evidente e imperiosa necessidade da prisão cautelar.

→ Inexistindo vaga em casa de albergado, mostra-se possível, em caráter excepcional, permitir ao


sentenciado, a quem se determinou o cumprimento da reprimenda em regime aberto, o direito de
recolher-se em prisão domiciliar. Precedentes: STF - HC 95.334/RS, Rel. p/ Acórdão Min. MARCO
AURÉLIO; STJ - REsp 1.112.990/RS, Rel. Min.

EMENDATIO LIBELLI E MATATIO LIBELLI

#ATENÇÃO #IMPORTANTE – EMENDATIO LIBELLI: Por esse instituto, o juiz na pronúncia, sem
nenhuma formalidade prévia (ouvir promotor ou defesa), promoverá, na pronúncia, o enquadramento
nos artigos de lei adequados, em razão de eventuais equívocos existentes na inicial acusatória. Art.
383 CPP

→ EMENDATIO LIBELLI: modificação, pelo juiz, da capitulação jurídica dada ao fato na inicial
acusatória. PROCEDIMENTO: sem ouvir as partes, o magistrado altera o tipo penal, ainda que a pena
do novo delito seja mais grave.

#QUESTÕES: 1) O juiz pode promover a correção no momento que recebe a denúncia? NÃO! Quem
tem poder para enquadrar no artigo de lei correto no momento da deflagração da denúncia é o
promotor (sistema acusatório). A capitulação errada não torna a denúncia inepta. Nesse momento a
capitulação não é importante.

2) O juiz pode promover a correção na pronúncia, ficando comprovado que o caso é de infanticídio?
SIM! O juiz vai pronunciar a ré pelo fato e não pela capitulação. Para isso o juiz não precisa ouvir nem
acusação nem a defesa. EMENDATIO LIBELLI.

→ A emendatio é aplicada tanto na ação pública como na ação privada.

→ Segundo a jurisprudência do STF e do STJ, a sentença é o momento processual oportuno para a


emendatio libelli, a teor do art. 383 do CPP. Portanto, se o magistrado entender que a classificação
do crime feita na denúncia ou queixa foi incorreta, ele não poderá alterar a capitulação jurídica dos
fatos para receber a peça. Vale destacar, contudo, que existe importante corrente doutrinária e
jurisprudencial que afirma ser possível, excepcionalmente, a correção do enquadramento típico logo
no ato de recebimento da denúncia ou queixa em dois casos: a) para beneficiar o réu; ou b) para
permitir a correta fixação da competência ou do procedimento a ser adotado.

→ Nas AÇÕES PENAIS PÚBLICAS, o reconhecimento, pelo juiz, de circunstância agravante na sentença
penal condenatória, não delineada expressamente na peça acusatória, exsurgida da instrução
processual, independe de pedido expresso da parte acusatória e da submissão ao mutatio libelli.

→ Equívoco de enquadramento. Em homenagem ao sistema acusatório, os vícios de enquadramento


de artigo não são corrigidos no momento da admissibilidade da inicial e sim na prolação da sentença,
por meio do instituto da emendatio libelli.

→ Segundo o STF, não cabe ao juiz na fase de recebimento da denúncia, ou de seu aditamento, alterar
a classificação jurídica indicada pelo Ministério Público, que é o titular da ação penal. No caso de o
magistrado não concordar com a definição jurídica do fato, poderá corrigi-la ao proferir a sentença,
ocasião em que poderá haver a emendatio libelli ou a mutatio libelli (arts. 383 e 384 do CPP).

→ MUTATIO LIBELLI: Oportunidade do MP de inclusão de nova circunstância fática em razão de


divergência entre os fatos indicados na inicial e aqueles apurados na instrução processual.
PROCEDIMENTO: abre-se vista ao MP para aditamento da denúncia no prazo de 5 dias. O defensor se
manifestará também em 5 dias. Haverá novo interrogatório e oitiva de testemunhas (máx. 3).

→ É o instituto que permite uma readequação da imputação quando a instrução revela que os fatos
realmente ocorridos são distintos dos narrados na inicial, sendo que as partes irão se manifestar para
que só então o juiz possa pronunciar o réu.

→ Não cabe mutatio na segunda instância.

→ O instituto é aplicável no primeiro grau, afinal é na audiência de instrução que as provas revelam a
nova realidade fática. ADVERTÊNCIA: Para o STF, na súmula 453, não haverá mutatio na fase recursal,
para que não ocorra supressão de instância. Nada impede que o processo seja declarado nulo (Renato
discorda. Ele diz que o réu deve ser absolvido), com a correspondente reconstrução e readequação da
imputação.

#CONCLUSÃO: O juiz não poderá reconhecer qualificadoras ou causas de aumento, que não tenham
sido narradas (os fato, pois pode dar capitulação diversa) na denúncia, sem antes aplicar o art. 384.
PROCEDIMENTO RELATIVO AO TRIBUNAL DO JÚRI

→ Decisão de pronúncia (Júri): prova da materialidade e indícios de autoria. Cabe RESE. A


fundamentação da sentença de pronúncia deve especificar as qualificadoras e causas de aumento.

→ Súmula 191 STJ: A pronúncia é causa interruptiva da prescrição, ainda que o tribunal do júri venha a
desclassificar o crime.

→ O julgamento não será adiado pelo não comparecimento do acusado solto, do assistente ou do
advogado do querelante, que tiver sido regularmente intimado.

→ O assistente somente será admitido se tiver requerido sua habilitação até 5 (cinco) dias antes da
data da sessão na qual pretenda atuar.

→ Serão quesitadas as causas de aumento, de diminuição e qualificadoras.

→ O juiz-presidente proferirá sentença que considerará circunstâncias agravantes e atenuantes


alegadas nos debates.

→ Impronúncia ou absolvição sumária: cabe apelação.

→ Se o interesse da ordem pública o reclamar ou houver dúvida sobre a imparcialidade do júri ou a


segurança pessoal do acusado, o Tribunal, a requerimento do Ministério Público, do assistente, do
querelante ou do acusado ou mediante representação do juiz competente, poderá determinar o
desaforamento do julgamento para outra comarca da mesma região, onde não existam aqueles
motivos, preferindo-se as mais próximas.

→ Não há previsão de desaforamento em razão de dúvida sobre a imparcialidade do juiz.

→ Súmula 712 – STF: É nula a decisão que determina o desaforamento de processo da competência do
júri sem audiência da defesa.

→ INF STJ 524: Não configura ilegalidade a determinação do Juiz-Presidente do Tribunal do Júri que
estabeleça a proibição de retirada dos autos por qualquer das partes, inclusive no caso de réu
assistido pela Defensoria Pública, nos cinco dias que antecedam a realização da sessão de julgamento.

→ No júri, o julgamento não será adiado pelo não comparecimento do acusado solto, do assistente ou
do advogado do querelante, que tiver sido regularmente intimado.

→ Durante os debates as partes não poderão, sob pena de nulidade, fazer referências: I - à decisão de
pronúncia, às decisões posteriores que julgaram admissível a acusação ou à determinação do uso de
algemas como argumento de autoridade que beneficiem ou prejudiquem o acusado; II - ao silêncio do
acusado ou à ausência de interrogatório por falta de requerimento, em seu prejuízo.

→ Súmula 206 STF: É nulo o julgamento ulterior pelo júri com a participação de jurado que funcionou
em julgamento anterior do mesmo processo.

→ INF STJ 564: Anulação da decisão absolutória do júri em razão da contrariedade com as provas dos
autos. Ainda que a defesa alegue que a absolvição se deu por clemência do Júri, admite-se, mas desde
que por uma única vez, o provimento de apelação fundamentada na alegação de que a decisão dos
jurados contrariou manifestamente à prova dos autos (art. 593, III, "d", do CPP).

→ Nos processos do tribunal do júri, não havendo prova do crime ou inexistentes indícios suficientes
de autoria, o juiz deve, fundamentadamente, impronunciar o acusado, decisão à qual se aplica a
qualidade da coisa julgada formal.

#OBJETODEQUESTÃO:

→ Art. 413. O juiz, fundamentadamente, pronunciará o acusado, se convencido da materialidade do


fato e da existência de indícios suficientes de autoria ou de participação. § 1º A fundamentação da
pronúncia limitar-se-á à indicação da materialidade do fato e da existência de indícios suficientes de
autoria ou de participação, devendo o juiz declarar o dispositivo legal em que julgar incurso o acusado
e especificar as circunstâncias qualificadoras e as causas de aumento de pena. #OBS.: O dever de
fundamentação deve estar presente, mesmo que de forma limitada.

→ Nula a sentença de pronúncia por ausência de fundamentação quando não há referência a qualquer
elemento concreto mínimo quanto à autoria do fato e presença das qualificadoras.

→ Se forem relevantes os motivos alegados no pedido de desaforamento, o relator poderá


determinar, fundamentadamente, a suspensão do julgamento pelo júri.

→ NUNCA poderá ser efetivado o desaforamento ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA SENTENÇA


DE PRONÚNCIA

→ Só é possível cogitar o desaforamento a partir do momento que houve a pronúncia.

#CAIUEMPROVA #DEFENSORIA:
→ É, em tese, constitucional uma lei que atribua ao Júri a competência para julgar os crimes contra o
patrimônio, além dos dolosos contra a vida.
→ A decisão sobre a incidência ou não das agravantes e atenuantes alegadas nos debates será do Juiz-
presidente, no momento de prolação da sentença.
→ Caso o Tribunal de Justiça, em sede de apelação, determine a realização de novo júri em razão do
reconhecimento de que a decisão dos jurados fora manifestamente contrária à prova dos autos, não é
possível que se conceda às partes o direito de inovar no conjunto probatório mediante a apresentação
de novo rol de testemunhas a serem ouvidas em plenário.
→ A defesa poderá interpor, no prazo de 20 (vinte) dias, recurso em sentido estrito da decisão que
incluir jurado na lista geral ou desta o excluir, sendo de 2 (dois) dias o prazo para o oferecimento das
respectivas razões.

RECURSOS

→ Decisões irrecorríveis: não reconhece a ilicitude de prova, recebe a denúncia.

→ Recurso de ofício: I - da sentença que conceder habeas corpus; II - da que absolver desde logo o réu
com fundamento na existência de circunstância que exclua o crime ou isente o réu de pena; III - da
decisão que concede reabilitação.

→ O MP não pode desistir de recurso que haja interposto.

→ Cabe RESE (5 dias + 2 para razões) contra decisão: que conclui pela incompetência do juízo; que
julga procedentes as exceções, salvo a de suspeição (cabe apelação); que envolve fiança; que decreta
a prescrição ou outro modo de extinção da punibilidade; que concede ou nega HC; que envolve
suspensão condicional da pena ou livramento condicional; que denega apelação ou a julga deserta;
que decide o incidente de falsidade; que envolve medida de segurança.

→ Caberá APELAÇÃO (5 dias + 8 para razões): I - das sentenças definitivas de condenação ou


absolvição proferidas por juiz singular; II - das decisões definitivas, ou com força de definitivas,
proferidas por juiz singular nos casos não previstos no Capítulo anterior; III - das decisões do Tribunal
do Júri, quando: a) ocorrer nulidade posterior à pronúncia; b) for a sentença do juiz-presidente
contrária à lei expressa ou à decisão dos jurados; c) houver erro ou injustiça no tocante à aplicação da
pena ou da medida de segurança; d) for a decisão dos jurados manifestamente contrária à prova dos
autos.
→ Súmula 713 STF: o efeito devolutivo da apelação (a extensão da apelação) contra decisões do júri é
adstrito aos fundamentos da sua interposição.

→ A apelação no JECRIM tem prazo de 10 dias.

→ Quando forem dois ou mais os apelantes ou apelados, os prazos serão comuns.

→ Nos crimes de competência do Tribunal do Júri, ou do juiz singular, se da sentença não for
interposta apelação pelo Ministério Público no prazo legal, o ofendido ou qualquer das pessoas
enumeradas no art. 31, ainda que não se tenha habilitado como assistente, poderá interpor apelação,
que não terá, porém, efeito suspensivo. O prazo para interposição desse recurso será de 15 DIAS e
correrá do dia em que terminar o do Ministério Público.

→ Embargos Infringentes no CPP: Impostos contra acórdão do TJ ou TRF. Cabíveis quando o TJ ou


TRF estiver julgando: apelação, RESE, Agravo em execução. Não cabem em processos criminais de
competência do TJ ou TRF. Não cabem em revisão criminal. Prazo: 10 dias.

→ A divergência estabelecida na fixação da dosimetria da pena não enseja o cabimento de embargos


infringentes no STF.

→ São cabíveis embargos infringentes contra decisão do STF que tiver condenado o réu em processo
de competência originária daquela Corte, desde que tenha havido, no mínimo, quatro votos
divergentes.

→ Admitem juízo de retratação: RESE, carta testemunhável, agravo em execução.

→ Súmula 355 STF: Em caso de embargos infringentes parciais, é tardio o recurso extraordinário
interposto após o julgamento dos embargos, quanto à parte da decisão embargada que não fora por
eles abrangida. Essa súmula tem aplicação apenas no processo penal.

→ A revisão poderá ser requerida em qualquer tempo, antes da extinção da pena ou após.

→ Prevalece que o MP não tem legitimidade para ajuizar revisão criminal, mesmo que em favor do
acusado. Trata-se de instrumento exclusivo da defesa. MP pode impetrar HC.

→ Cabe revisão criminal no Juizado Criminal.

→ Dar-se-á carta testemunhável (prazo de 48h): I - da decisão que denegar o recurso (salvo
denegação de apelação, que provoca RESE); II - da que, admitindo embora o recurso, obstar à sua
expedição e seguimento para o juízo ad quem.
→ A carta testemunhável não terá efeito suspensivo.

→ Segundo preceito expresso no CPP, todos os prazos do processo devem ser contínuos e
peremptórios, não se interrompendo por férias, domingo ou dia feriado.

→ A contagem do prazo se inicia com o ingresso dos autos na Promotoria. Firmou-se a compreensão
de que o prazo deve começar a fluir, para o Ministério Público, da data da entrada dos autos naquele
órgão

→ O Ministério Público não possui prazo em dobro para recorrer na esfera do processo penal, ao
contrário do que ocorre no processo civil, quando age na condição de parte.

→ Nem sempre a inobservância dos prazos acarreta preclusão, pois, por exemplo, ainda que o
defensor apresente alegações finais por memoriais após o prazo de 05 dias previsto no CPP, sua peça
de defesa deverá ser analisada por se tratar de peça de defesa obrigatória.

→ A decisão judicial que, em sede da ação de habeas corpus, reconheça, de forma expressa, que o
fato investigado evidentemente não constitui crime ou que a punibilidade do agente está extinta por
qualquer razão, é impugnável por meio de recurso em sentido estrito.

→ A decisão que julga o pedido de restituição de coisas apreendidas é impugnável por meio
de apelação.

→ A decisão que decreta ou indefere o sequestro é apelável.

→ A apresentação das razões de apelação fora do prazo legal constitui mera irregularidade, não
caracterizando a intempestividade do recurso.

→ Segundo a jurisprudência, a extensão do recurso de apelação se mede pela interposição e não pelas
razões recursais.

→ O recurso de apelação das decisões do júri é vinculado. Isto significa que o julgamento da apelação
fica condicionado aos motivos da sua interposição. Súmula 713, STF: O efeito devolutivo da apelação
contra decisões do júri é adstrito aos fundamentos da sua interposição.

→ O réu e seu defensor, seja este constituído ou dativo, segundo a jurisprudência pacífica, têm a
prerrogativa de intimação pessoal para o julgamento da apelação, em razão do princípio
constitucional da ampla defesa, não obstante o disposto no art. 392, CPP.

→ No direito processual penal vige o princípio da voluntariedade dos recursos, conforme expresso no
art.574, "caput", CPP, que também é aplicável ao defensor público e ao advogado dativo.
→ O único critério legal para a fixação do valor mínimo da indenização na sentença penal é o prejuízo
sofrido pela vítima, em nada influenciando a situação de pobreza ou hipossuficiência do condenado.
Artigo 387, IV, CPP: Art. 387. O juiz, ao proferir sentença condenatória: (Vide Lei nº 11.719, de 2008) (...)
IV - fixará valor mínimo para reparação dos danos causados pela infração, considerando os prejuízos
sofridos pelo ofendido;

→ SÚMULA Nº 523 STF: NO PROCESSO PENAL, A FALTA DA DEFESA CONSTITUI NULIDADE


ABSOLUTA, MAS A SUA DEFICIÊNCIA SÓ O ANULARÁ SE HOUVER PROVA DE PREJUÍZO PARA O RÉU.

→ Contra a decisão que rejeita a denúncia de crime de menor potencial ofensivo, caberá a
interposição de recurso de apelação.

#NOVIDADE LEGISLATIVA: Nos Juizados Especiais, a oposição de embargos de declaração pode ser
feita oralmente e INTERROMPE o prazo recursal. O Novo CPC alterou a lei dos juizados especiais, que
diziam que os embargos de declaração suspendiam o prazo para outros recursos. Agora, não há mais
diferença entre o regramento dos juizados e do CPC – o prazo é interrompido em ambos.

→ O agravo interposto contra decisão monocrática do Ministro Relator no STF e STJ, em recursos ou
ações originárias que versem sobre matéria penal ou processual penal NÃO obedece às regras no
novo CPC. Isso significa que o prazo deste agravo é de 5 dias, nos termos do art. 39 da Lei nº 8.038/90
(não se aplicando o art. 1.070 do CPC/2015); este prazo é contado em dias corridos, conforme prevê o
art. 798 do CPP (não se aplicando a regra da contagem em dias úteis do art. 219 do CPC/2015). STF.
Decisão monocrática. HC 134554 Rcon, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 10/06/2016 (Info 830). STJ.
3ª Seção. AgRg na Rcl 30.714/PB, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 27/04/2016. STJ. 3ª
Seção. AgRg nos EDcl nos EAREsp 316.129-SC, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em
25/5/2016 (Info 585).

#CAIUEMPROVA #DEFENSORIA:

→ Nas hipóteses de medida de segurança em que há decisão de desinternação e recurso em agravo


de execução interposto pelo Ministério Público, a guia de desinternação será expedida após o trânsito
em julgado da decisão. LEP - Lei 7.210 - Art. 179. Transitada em julgado a sentença, o Juiz expedirá
ordem para a desinternação ou a liberação.
→ O recurso poderá ser interposto pelo Ministério Público, ou pelo querelante, ou pelo réu, seu
procurador ou seu defensor.
→ Os autos poderão ser remetidos ao tribunal “ad quem” se o apelante declarar na petição que
deseja arrazoar na instância superior. (Art. 600/CPP).
→ É possível reexame da prova.
→ Súmula 640 do STF: É cabível recurso extraordinário contra decisão proferida por juiz de primeiro
grau nas causas de alçada, ou por turma recursal de juizado especial cível e criminal.
→ Segundo o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, o recurso especial não se presta ao
exame de suposta afronta a dispositivos constitucionais, sob pena de invasão da competência
reservada ao Supremo Tribunal Federal.
→ Caso o Tribunal de Justiça, em sede de apelação, determine a realização de novo júri em razão do
reconhecimento de que a decisão dos jurados fora manifestamente contrária à prova dos autos, não é
possível que se conceda às partes o direito de inovar no conjunto probatório mediante a apresentação
de novo rol de testemunhas a serem ouvidas em plenário.
→ STJ Súmula nº 169: São inadmissíveis embargos infringentes no processo de mandado de
segurança.

REVISÃO CRIMINAL

→ A Doutrina admite revisão criminal em face da sentença absolutória imprópria, já que, a despeito de
não se tratar de sentença condenatória (como exige o art. 621 do CPP), trata-se de sentença com
efeitos, por vezes, mais graves que os de uma sentença condenatória, pois se aplica medida de
segurança ao “absolvido”.

Assim, aquele que foi absolvido mediante sentença absolutória imprópria TEM INTERESSE DE AGIR
para o manejo da revisão criminal, pois eventual decisão favorável trará algum benefício ao
requerente.

→ Os tribunais superiores não mais têm admitido o manejo do habeas corpus originário como meio de
impugnação substitutivo da interposição de recurso ordinário constitucional.

→ A revisão criminal, que é um dos aspectos diferenciadores do mero direito à defesa e do direito à
ampla defesa, este caracterizador do direito processual penal, tem por finalidade o reexame do
processo já alcançado pela coisa julgada, de forma a possibilitar ao condenado a absolvição, a melhora
de sua situação jurídica ou a anulação do processo.
→ A revisão criminal se presta às hipóteses taxativas do art. 626 do CPP: "Julgando procedente a
revisão, o tribunal poderá alterar a classificação da infração, absolver o réu, modificar a pena ou anular
o processo."

→ O pedido de progressão de regime encontra lastro na Lei de Execuções Penais (art. 66) e deve ser
dirigido ao juiz das execuções por simples petição nos autos:

→ No mandado de segurança impetrado pelo MP contra decisão proferida em processo penal, é


obrigatória a citação do réu como litisconsorte passivo.

→ É incabível a ordem concessiva de habeas corpus quando já extinta a pena privativa de liberdade,
ou contra decisão condenatória somente a pena de multa ou, ainda, em relação a processo em curso
por infração penal a que a pena pecuniária seja a única cominada.

→ Segundo entendimento sumulado do STF, não há crime quando a preparação do flagrante pela
polícia torna impossível a sua consumação.

→ Art. 5º, § 4º - O inquérito, nos crimes em que a ação penal pública depender de representação, não
poderá sem ela ser iniciado.

→ A autoridade policial não pode arquivar inquérito.

→ A sentença penal absolutória que decidir que o fato imputado ao acusado não constitui crime não
impede a propositura da ação civil.

→ Não haverá nulidade quando a defesa não apresenta alegações finais no rito do júri na fase anterior
à pronúncia, pois constitui faculdade a apresentação dessas alegações, já que a defesa pode,
estrategicamente, reservar para plenário suas argumentações para não adiantar a tese defensiva que
pretende utilizar.

→ A nulidade por ilegitimidade do representante da parte poderá ser sanada a qualquer tempo,
mediante ratificação dos atos processuais.

→ A revisão criminal pode ser requerida pelo próprio réu, em qualquer tempo, antes ou após a
extinção da pena.

→ Na revisão criminal, não será devida a justa indenização pelos prejuízos sofridos se o erro da
condenação proceder de ato imputável ao próprio impetrante, como, por exemplo, a confissão.

→ Havendo conexão entre crimes da competência do Juizado Especial e do Juízo Penal Comum,
prevalece a competência deste.
Reunidos então os processos (os de competência comum e o de pequeno potencial ofensivo), o juiz
competente para atuar no julgamento do crime comum deve zelar pela aplicação dos institutos da
transação penal e da composição dos danos civis, ao crime de pequeno potencial ofensivo.

Deverá o Ministério Público, oferecer denúncia em relação aos delitos de competência do juízo
comum e em relação ao crime de menor potencial ofensivo, propor a transação penal, nos termos do
art. 76 da lei 9.099/95.

→ Revisão Criminal: A via adequada para nova tomada de declarações da vítima com vistas à
possibilidade de sua retratação é o pedido de justificação (art. 861 do CPC 1973 / art. 381, § 5º do CPC
2015), ainda que ela já tenha se retratado por escritura pública.

→ O STJ decidiu que o Tribunal pode, a qualquer momento e de ofício, desconstruir acórdão de
revisão criminal que, de maneira fraudulenta, tenha absolvido o réu, quando, na verdade, o
posicionamento que prevaleceu na sessão de julgamento foi pelo indeferimento do pleito revisional.

A publicação intencional de acórdão ideologicamente falso – que não retrata, em nenhum aspecto, o
julgamento realizado – com o objetivo de beneficiar uma das partes, mesmo após o trânsito em
julgado, não pode reclamar a proteção de nenhum instituto do sistema processual (coisa julgada,
segurança jurídica, etc.) – INFO 55.

HABREAS CORPUS

→ Art. 652. Se o habeas corpus for concedido em virtude de nulidade do processo, este será
renovado.

→ STF INF 747: A pessoa, sem ter capacidade postulatória, impetra um HC e este é negado. Essa
mesma pessoa poderá ingressar com recurso contra a decisão? Para se interpor o recurso contra a
decisão denegatória do HC, a capacidade postulatória também é dispensada? 1ª Turma do STF: SIM; 2ª
Turma do STF e STJ: NÃO.

→ STF INF 735: Contra a denegação de habeas corpus por Tribunal Superior prevê a Constituição
Federal remédio jurídico expresso, o recurso ordinário. Diante da dicção do art. 102, II, a, da
Constituição da República, a impetração de novo habeas corpus em caráter substitutivo escamoteia o
instituto recursal próprio, em manifesta burla ao preceito constitucional.
→ Súmula 606 STF: Não cabe habeas corpus originário para o Tribunal Pleno de decisão de turma, ou
do plenário, proferida em habeas corpus ou no respectivo recurso. OBS: a turma decide o HC em
nome do tribunal. O Pleno não é instância superior.

→ STF INF 729: Não se conhece de habeas corpus ou de recurso ordinário em habeas corpus perante o
STF quando, da decisão monocrática de Ministro do STJ que não conhece ou denega o habeas corpus,
o impetrante não interpõe agravo regimental. É necessário que primeiro o paciente esgote, no
tribunal a quo (no caso, o STJ), as vias recursais ainda cabíveis (no caso, o agravo regimental).

#MUDANÇADEENTENDIMENTO #CONSOLIDAÇÃODEENTENDIMENTO: NÃO é cabível habeas corpus


em face de decisão monocrática proferida por Ministro do STF. STF. Plenário. HC 105959/DF, rel. orig.
Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 17/2/2016 (Info 814).

→ Não cabe HC para se discutir se houve dolo eventual ou culpa consciente em homicídio praticado na
direção de veículo automotor. 17/5/2016 (Info 826).

→ Dosimetria da pena e negativa de autoria não são aferíveis por meio de HC, em razão das restrições
ao exame fático e probatório.

→ STF INF 734: A SV 14 (É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos
elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com
competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa) não pode ser
aplicada para os casos de sindicância, que objetiva elucidar o cometimento de infrações
administrativas.

Pela simples leitura da súmula percebe-se que a sindicância não está incluída em seu texto já que não
se trata de procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária.

→ Súmula 344 STF: Sentença de primeira instância concessiva de "habeas corpus", em caso de crime
praticado em detrimento de bens, serviços ou interesses da União, está sujeita a recurso "ex officio".

→ Súmula 208 STF: O assistente do Ministério Público não pode recorrer, extraordinariamente, de
decisão concessiva de "habeas corpus".

→ O habeas corpus não é meio processual adequado para o apenado obter autorização de visita de
sua companheira no estabelecimento prisional. STF. 2ª Turma. HC 127685/DF, Rel. Min. Dias Toffoli,
julgado em 30/6/2015 (Info 792) E 24/5/2016 (Info 827).
#CAIUEMPROVA #DEFENSORIA:
→ Poderá o Ministro Relator, em analogia à lei processual civil, conceder, de forma monocrática, a
ordem pleiteada no habeas corpus impetrado em desfavor de decisão contrária à súmula ou
jurisprudência dominante de Tribunal Superior.
→ Partindo do pressuposto que o HC pode ser impetrado por qualquer pessoa, não há necessidade de
se remeter os autos à Defensoria Pública para ser conhecido pelo Judiciário. Mas apenas uma
observação: na prática forense, se o HC em causa própria estiver incompreensível (pelas mais diversas
razões), o magistrado ordena a remessa dos autos à Defensoria Pública, que a partir daí prestará a
devida assistência jurídica, em respeito à garantia constitucional da ampla defesa.
→ Cessado o alegado constrangimento ilegal, tem-se por prejudicado, por perda de objeto, o habeas
corpus. STJ, REsp 570.839/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em
05/03/2009.
→ STF – Súmula 695: Não cabe habeas corpus quando já extinta a pena privativa de liberdade.
→ STF – Súmula nº 696: Reunidos os pressupostos legais permissivos da suspensão condicional do
processo, mas se recusando o Promotor de Justiça a propô-la, o Juiz, dissentindo, remeterá a questão
ao Procurador-Geral, aplicando-se por analogia o art. 28 do Código de Processo Penal.
→ STJ – Súmula 455: “A decisão que determina a produção antecipada de provas com base no artigo
366 do CPP deve ser concretamente fundamentada, não a justificando unicamente o mero decurso do
tempo”
→ STF – Súmula 693: Não cabe habeas corpus contra decisão condenatória a pena de multa, ou
relativo a processo em curso por infração penal a que a pena pecuniária seja a única cominada.
→ STF – Súmula nº 705: A renúncia do réu ao direito de apelação, manifestada sem a assistência do
defensor, não impede o conhecimento da apelação por este interposta.

PRERROGATIVAS E GARANTIAS DOS DEFENSORES PÚBLICOS RELACIONADAS COM O PROCESSO


PENAL

→ Segundo decidiu o STF, a intimação da Defensoria Pública, a despeito da presença do defensor na


audiência de leitura da sentença condenatória, se aperfeiçoa com sua intimação pessoal, mediante a
remessa dos autos. STF. 2ª Turma. HC 125270/DF, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 23/6/2015 (Info
791). A não observância da intimação pessoal da Defensoria Pública deve ser impugnada
imediatamente, na primeira oportunidade processual, sob pena de preclusão.
→ Para que o Defensor Público represente o assistido no processo penal, é necessário que este
outorgue uma procuração?
• Regra: NÃO. O Defensor Público não precisa de mandato (procuração).
• Exceção: Será necessária a procuração se o Defensor Público for praticar algum dos atos para os
quais a lei exige poderes especiais. O art. 98 do CPP prevê que, para ser proposta exceção de
suspeição do juiz, o defensor precisa de procuração com poderes especiais. O Defensor Público que
faz a defesa do réu precisará de procuração com poderes especiais para arguir a suspeição do juiz?
SIM. É exigível procuração com poderes especiais para que seja oposta exceção de suspeição por réu
representado pela Defensoria Pública, mesmo que o acusado esteja ausente do distrito da culpa. STJ.
6ª Turma. REsp 1.431.043-MG, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 16/4/2015 (Info 560).

→ Juiz negou pedido da Defensoria Pública para adiar audiência de instrução considerando que,
naquela data, o Defensor Público que fazia a assistência jurídica do réu já possuía audiência marcada
em outra comarca. O magistrado, diante da ausência do Defensor, designou defensor dativo para
acompanhar o réu na audiência. O STF entendeu que não houve violação aos princípios da ampla
defesa e do "Defensor Público natural" considerando que:
a) o inciso VI do art. 4º da LC 80/94 não garante exclusividade à Defensoria para atuar nas causas em
que figure pessoa carente;
b) o indeferimento do pedido da defesa não causou prejuízo ao réu, já que o defensor dativo teve
entrevista prévia reservada com o acusado e formulou perguntas na audiência, participando
ativamente do ato processual;
c) a impossibilidade de a Defensoria atuar na comarca não acarreta direito à redesignação dos atos
processuais designados. STF. 2ª Turma. HC 123494/ES, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 16/2/2016
(Info 814).

LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL11

CRIME ORGANIZADO

#IMPORTANTE #ATENÇÃO:

11 Por Fernanda Evlaine


§ 1º Considera-se organização criminosa a associação de 4 (quatro) ou mais pessoas estruturalmente
ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que informalmente, com objetivo de obter,
direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza, mediante a prática de infrações penais
cujas penas máximas sejam superiores a 4 (quatro) anos, ou que sejam de caráter transnacional.

Art. 3º Em qualquer fase da persecução penal, serão permitidos, sem prejuízo de outros já previstos
em lei, os seguintes meios de obtenção da prova:

I - colaboração premiada;

II - captação ambiental de sinais eletromagnéticos, ópticos ou acústicos;

III - ação controlada;

IV - acesso a registros de ligações telefônicas e telemáticas, a dados cadastrais constantes de bancos


de dados públicos ou privados e a informações eleitorais ou comerciais;

V - interceptação de comunicações telefônicas e telemáticas, nos termos da legislação específica;

VI - afastamento dos sigilos financeiro, bancário e fiscal, nos termos da legislação específica;

VII - infiltração, por policiais, em atividade de investigação, na forma do art. 11;

VIII - cooperação entre instituições e órgãos federais, distritais, estaduais e municipais na busca de
provas e informações de interesse da investigação ou da instrução criminal.

Art. 4º O juiz poderá, a requerimento das partes, conceder o perdão judicial, reduzir em até 2/3 (dois
terços) a pena privativa de liberdade ou substituí-la por restritiva de direitos daquele que tenha
colaborado efetiva e voluntariamente com a investigação e com o processo criminal, desde que
dessa colaboração advenha um ou mais dos seguintes resultados:

I - a identificação dos demais coautores e partícipes da organização criminosa e das infrações penais
por eles praticadas;

II - a revelação da estrutura hierárquica e da divisão de tarefas da organização criminosa;

III - a prevenção de infrações penais decorrentes das atividades da organização criminosa;

IV - a recuperação total ou parcial do produto ou do proveito das infrações penais praticadas pela
organização criminosa;

V - a localização de eventual vítima com a sua integridade física preservada.


§ 2º Considerando a relevância da colaboração prestada, o Ministério Público, a qualquer tempo, e o
delegado de polícia, nos autos do inquérito policial, com a manifestação do Ministério Público,
poderão requerer ou representar ao juiz pela concessão de perdão judicial ao colaborador, ainda que
esse benefício não tenha sido previsto na proposta inicial, aplicando-se, no que couber, o art. 28 do
Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941 (Código de Processo Penal).

§ 3º O prazo para oferecimento de denúncia ou o processo, relativos ao colaborador, poderá ser


suspenso por até 6 (seis) meses, prorrogáveis por igual período, até que sejam cumpridas as medidas
de colaboração, suspendendo-se o respectivo prazo prescricional.

§ 4º Nas mesmas hipóteses do caput, o Ministério Público poderá deixar de oferecer denúncia se o
colaborador:

I - não for o líder da organização criminosa;

II - for o primeiro a prestar efetiva colaboração nos termos deste artigo.

§ 5º Se a colaboração for posterior à sentença, a pena poderá ser reduzida até a metade ou será
admitida a progressão de regime ainda que ausentes os requisitos objetivos.

§ 6º O juiz não participará das negociações realizadas entre as partes para a formalização do acordo
de colaboração, que ocorrerá entre o delegado de polícia, o investigado e o defensor, com a
manifestação do Ministério Público, ou, conforme o caso, entre o Ministério Público e o investigado
ou acusado e seu defensor.

§ 10. As partes podem retratar-se da proposta, caso em que as provas autoincriminatórias


produzidas pelo colaborador não poderão ser utilizadas exclusivamente em seu desfavor.

§ 14. Nos depoimentos que prestar, o colaborador renunciará, na presença de seu defensor, ao
direito ao silêncio e estará sujeito ao compromisso legal de dizer a verdade.

Art. 8º Consiste a ação controlada em retardar a intervenção policial ou administrativa relativa à ação
praticada por organização criminosa ou a ela vinculada, desde que mantida sob observação e
acompanhamento para que a medida legal se concretize no momento mais eficaz à formação de
provas e obtenção de informações.

§ 1º O retardamento da intervenção policial ou administrativa será previamente comunicado ao juiz


competente que, se for o caso, estabelecerá os seus limites e comunicará ao Ministério Público.
Art. 10. A infiltração de agentes de polícia em tarefas de investigação, representada pelo delegado
de polícia ou requerida pelo Ministério Público, após manifestação técnica do delegado de polícia
quando solicitada no curso de inquérito policial, será precedida de circunstanciada, motivada e
sigilosa autorização judicial, que estabelecerá seus limites.

§ 3º A infiltração será autorizada pelo prazo de até 6 (seis) meses, sem prejuízo de eventuais
renovações, desde que comprovada sua necessidade.

→ Associação de 4 ou mais pessoas, divisão de tarefas, objetivo de obter vantagem, prática de


infrações (crimes ou contravenções), pena máxima superior a 4 anos ou caráter transnacional.

→ Art. 2º, § 2º As penas aumentam-se até a metade se na atuação da organização criminosa houver
emprego de arma de fogo.

→ § 3º A pena é agravada para quem exerce o comando, individual ou coletivo, da organização


criminosa, ainda que não pratique pessoalmente atos de execução.

→ § 4º A pena é aumentada de 1/6 (um sexto) a 2/3 (dois terços):

I - se há participação de criança ou adolescente;

II - se há concurso de funcionário público, valendo-se a organização criminosa dessa condição para a


prática de infração penal;

III - se o produto ou proveito da infração penal destinar-se, no todo ou em parte, ao exterior;

IV - se a organização criminosa mantém conexão com outras organizações criminosas


independentes;

V - se as circunstâncias do fato evidenciarem a transnacionalidade da organização.

→ A consumação independe da prática de qualquer ilícito pelos agentes, tratando-se de crime de


perigo abstrato.

→ Colaboração premiada: perdão judicial, redução de 2/3 ou substituição por restritiva de direitos.

→ § 3º O prazo para oferecimento de denúncia ou o processo, relativos ao colaborador, poderá ser


suspenso por até 6 (seis) meses, prorrogáveis por igual período, até que sejam cumpridas as medidas
de colaboração, suspendendo-se o respectivo prazo prescricional.

→ STJ: É possível aplicar, simultaneamente, a atenuante da confissão e a causa de diminuição da


colaboração premiada.
Não viola o entendimento da SV 14-STF a decisão do juiz que nega ao réu denunciado, com base em
um acordo de colaboração premiada, o acesso a outros termos de declarações que não digam
respeito aos fatos pelos quais ele está sendo acusado, especialmente se tais declarações ainda estão
sendo investigadas, situação na qual existe previsão de sigilo, nos termos do art. 7º da Lei nº
12.850/2013. STF. 2ª Turma. Rcl 22009 AgR/PR, rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 16/2/2016 (Info 814).

→ Ação controlada: exige comunicação prévia, mas não autorização prévia. Na lei de drogas e na de
lavagem, exige-se autorização prévia.

→ Infiltração de agentes: agente de polícia (proibido particular, ABIN ou SISBIN); exige autorização
judicial; as condutas do agente infiltrado estão protegidas pela excludente de culpabilidade da
inexigibilidade de conduta diversa.

→ Durante a fase investigatória, depende de provocação pelo delegado ou MP.

→ Durante o processo, o juiz pode determinar de ofício.

→ Lei 12.694: em processos ou procedimentos que tenham por objeto crimes praticados por
organizações criminosas, o juiz de primeiro grau poderá decidir pela formação de colegiado para a
prática de qualquer ato processual; decisão fundamentada; o colegiado será formado pelo juiz do
processo e por 2 (dois) outros juízes escolhidos por sorteio eletrônico dentre aqueles de competência
criminal em exercício no primeiro grau de jurisdição; as decisões do colegiado, devidamente
fundamentadas e firmadas, sem exceção, por todos os seus integrantes, serão publicadas sem
qualquer referência a voto divergente de qualquer membro.

O QUE VOCÊ NÃO PODE ESQUECER!

1. Antes da Lei 12.850/13, não existia a previsão de tipo penal incriminador para Organizações
Criminosas. Era inaplicável a Convenção de Palermo para tipificar crime ou cominar pena.

2. A diferença entre o crime de Organização Criminosa e Associação Criminosa está, dentre outras
características, na quantidade de agentes necessários e na necessidade de divisão de tarefas e
organização estruturalmente ordenada.

3. O acordo sobre a colaboração premiada jamais poderá ser feito na presença do Juiz, sob pena de
violação à imparcialidade.
4. O réu que colaborar poderá ter direito aos seguintes benefícios: Redução da pena em até dois
terços; substituição por PRD; não oferecimento da denúncia; e redução da pena até a metade ou
progressão de regime, no caso de colaboração posterior à sentença.

5. O réu que colaborar também renuncia o direito ao silêncio, assumindo o compromisso de dizer a
verdade.

6. Não se pode condenar com base, exclusivamente, no depoimento/confissão do colaborador. É


necessária a colheita de outras provas com base em sua confissão.

7. A infiltração de agentes é medida excepcional e subsidiária. Somente poderá ser decretada após
autorização judicial, que definirá os seus limites. O agente precisa consentir com a infiltração.

8. A lei prevê a possibilidade de interceptação ambiental, que em regra não precisa de autorização
judicial. Não confundir com interceptação telefônica.

9. A ação controlada não requer autorização judicial. Por outro lado, necessita de prévia comunicação
ao juízo competente.

10. O acordo da delação premiada não pode ser impugnado por terceiro (STF).

LEI DE DROGAS

→ No artigo 35, há a previsão de associação para o tráfico àquele que pratica reiteradamente ou
não, qualquer dos crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1º e 34 da lei.

→ A jurisprudência do STJ estabeleceu que não se aplica a causa de diminuição prevista no art. 33, § 4º,
da Lei n. 11.343/2006, aos condenados pelo crime de associação para o tráfico, haja vista que esse fato
evidencia a dedicação à atividade criminosa (cf. EDcl no AgRg no AREsp 438943 / GO EMBARGOS DE
DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL 2013/0381521-5,
publicado em 02/10/2014).

→ Prática do crime de oferecimento de substância entorpecente, sem prejuízo da responsabilização


pela posse ilegal de droga para consumo pessoal, é crime de menor potencial ofensivo.

→ O indivíduo foi preso em flagrante pela prática do crime de tráfico de drogas. O magistrado
concedeu liberdade provisória com a fixação de 2 salários-mínimos de fiança. Como não foi paga a
fiança, o indivíduo permaneceu preso. A Defensoria Pública impetrou habeas corpus e o STF deferiu a
liberdade provisória em favor do paciente com dispensa do pagamento de fiança. Os Ministros
afirmaram que era injusto e desproporcional condicionar a expedição do alvará de soltura ao
recolhimento da fiança. Segundo entendeu o STF, o réu não tinha condições financeiras de arcar com
o valor da fiança, o que se poderia presumir pelo fato de ser assistido pela Defensoria Pública, o que
pressuporia sua hipossuficiência. Assim, não estando previstos os pressupostos do art. 312 do CPP e
não tendo o preso condições de pagar a fiança, conclui-se que nada justifica a manutenção da prisão
cautelar. STF. 1ª Turma. HC 129474/PR, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 22/9/2015 (Info 800)

→ Crimes de tráfico de entorpecentes: circunstâncias inerentes à conduta criminosa não podem, sob
pena de bis in idem, justificar o aumento da reprimenda.

→ STF: A circunstância judicial – mal causado pelo tóxico – valorada negativamente pelo juízo
sentenciante é ínsita à conduta delituosa, incorporada ao próprio tipo penal, não podendo, pois, ser
utilizada como elemento hábil a proporcionar a majoração da reprimenda, sob pena de indesejado bis
in idem.

→ O intuito de obter lucro fácil também está contido na conduta de comercializar a droga, de modo
que não cabe invocá-lo para o fim de majorar a pena-base, ante a possibilidade de, novamente,
incorrer-se em bis in idem.

→ #IMPORTANTE – Tráfico privilegiado: § 4o Nos delitos definidos no caput e no § 1o deste artigo, as


penas poderão ser reduzidas de um sexto a dois terços, vedada a conversão em penas restritivas de
direitos (Resolução do Senado), desde que o agente seja primário, de bons antecedentes, não se
dedique às atividades criminosas nem integre organização criminosa.

→ Ainda que o réu comprove o exercício de atividade profissional lícita, se, de forma concomitante,
ele se dedicava a atividades criminosas, não terá direito à causa especial de diminuição de pena
prevista no art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006 STJ.12/4/2016 (Info 582).

→ OBS: Não há causa de aumento pelo concurso de pessoas.

→ Art. 41. O indiciado ou acusado que colaborar voluntariamente com a investigação policial e o
processo criminal na identificação dos demais co-autores ou partícipes do crime e na recuperação
total ou parcial do produto do crime, no caso de condenação, terá pena reduzida de um terço a dois
terços. OBS: Não há previsão de perdão judicial, como nas organizações criminosas.

→ Art. 42. O juiz, na fixação das penas, considerará, com preponderância sobre o previsto no art. 59
do Código Penal, a natureza e a quantidade da substância ou do produto, a personalidade e a
conduta social do agente.
→ Inquérito policial na lei de drogas: 30 + 30 (preso); 90 + 90 (solto).

→ Art. 46. As penas podem ser reduzidas de 1/3 a 2/3 se, por força das circunstâncias previstas no art.
45 desta Lei, o agente não possuía, ao tempo da ação ou da omissão, a plena capacidade de entender
o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento (semi-
imputabilidade).

→ Art. 53. Em qualquer fase da persecução criminal relativa aos crimes previstos nesta Lei, são
permitidos, além dos previstos em lei, mediante autorização judicial e ouvido o Ministério Público, os
seguintes procedimentos investigatórios:

I - a infiltração por agentes de polícia, em tarefas de investigação, constituída pelos órgãos


especializados pertinentes;

II - a não-atuação policial sobre os portadores de drogas, seus precursores químicos ou outros


produtos utilizados em sua produção, que se encontrem no território brasileiro, com a finalidade de
identificar e responsabilizar maior número de integrantes de operações de tráfico e distribuição,
sem prejuízo da ação penal cabível. Parágrafo único. Na hipótese do inciso II deste artigo, a
autorização será concedida desde que sejam conhecidos o itinerário provável e a identificação dos
agentes do delito ou de colaboradores.

→ Art. 55. Oferecida a denúncia, o juiz ordenará a notificação do acusado para oferecer defesa
prévia, por escrito, no prazo de 10 (dez) dias.

→ Art. 60, § 2º Provada a origem lícita do produto, bem ou valor, o juiz decidirá pela sua liberação.

→ A condenação por porte de drogas para consumo próprio (art. 28 da Lei 11.343/2006) transitada em
julgado gera reincidência. Isso porque a referida conduta foi apenas despenalizada pela nova Lei de
Drogas, mas não descriminalizada (abolitio criminis).

→ Ao usuário não se imporá prisão em flagrante, devendo o autor do fato ser imediatamente
encaminhado ao juízo competente ou, na falta deste, assumir o compromisso de a ele comparecer,
lavrando-se termo circunstanciado e providenciando-se as requisições dos exames e perícias
necessários.

→ Súmula 522 – STF: Salvo ocorrência de tráfico com o exterior, quando, então, a competência será
da Justiça Federal, compete à Justiça dos Estados o processo e o julgamento dos crimes relativos a
entorpecentes.
→ "Conduzir embarcação ou aeronave após o consumo de drogas, expondo a dano potencial a
incolumidade de outrem". Não há previsão, na lei de drogas, da condução de veículo automotor.

→ STJ INF 543: Se o agente leva a droga em transporte público, mas não a comercializa dentro do
meio de transporte, incidirá essa majorante? NÃO. Exige-se que haja efetiva comercialização no
transporte público. É a posição do STF e do STJ.

→ #IMPORTANTE – É possível a utilização de inquéritos policiais e/ou ações penais em curso para
formação da convicção de que o réu se dedica a atividades criminosas, de modo a afastar o benefício
legal previsto no art. 33, § 4º, da Lei n.º 11.343/2006. STJ. 3ª Seção. EREsp 1.431.091-SP, Rel. Min. Felix
Fischer, julgado em 14/12/2016 (Info 596).

→ A natureza e a quantidade da droga podem ser utilizadas para aumentar a pena-base e também
para afastar o tráfico privilegiado?

1ª corrente: SIM. Utiliza-se a mesma regra em finalidades e momentos distintos. STJ.

2ª corrente: NÃO. Isso porque haveria, no caso, bis in idem. STF.

→ STJ INF 541: Não se aplica o princípio da insignificância para o crime de posse/porte de droga para
consumo pessoal (art. 28 da Lei nº 11.343/2006). Para o STJ, não é possível afastar a tipicidade material
do porte de substância entorpecente para consumo próprio com base no princípio da insignificância,
ainda que ínfima a quantidade de droga apreendida. STF tem julgado isolado de 2012 aplicando o
princípio.

→ #IMPORTANTE – MUDANÇA DE ENTENDIMENTO – O STF afastou a hediondez do tráfico


privilegiado.

Na prática, o que muda para o réu condenado por tráfico privilegiado (art. 33, § 4º, da LD)? Podemos
apontar três mudanças principais:

Segundo a posição anterior Conforme o entendimento ATUAL


Não tinha direito à concessão de Passa a ter, em tese, direito à concessão
anistia, graça e indulto. de anistia, graça e indulto, desde que
cumpridos os demais requisitos.
Para a concessão do livramento Para a concessão do livramento
condicional, o condenado não podia condicional, o apenado deverá
ser reincidente específico em crimes cumprir 1/3 ou 1/2 da pena, a depender
hediondos ou equiparados e teria que do fato de ser ou não reincidente em
cumprir mais de 2/3 da pena. crime doloso.
Para que ocorresse a progressão de Para que ocorra a progressão de
regime, o condenado deveria cumprir: regime, o condenado deverá cumprir
2/5 da pena, se fosse primário; e 1/6 da pena.
3/5 (três quintos), se fosse reincidente.

#IMPORTANTE – INF STF 721: Existem precedentes do STF aplicando o benefício do tráfico privilegiado
às mulas.

→ É legítima a fixação de regime inicial semiaberto, tendo em conta a quantidade e a natureza do


entorpecente, na hipótese em que ao condenado por tráfico de entorpecentes tenha sido aplicada
pena inferior a 4 anos de reclusão. STF. 2ª Turma. HC 133308/SP, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em
29/3/2016 (Info 819).

#IMPORTANTE #JURISPRUDÊNCIA DO STJ:

1) O tráfico de drogas é crime de ação múltipla e a prática de um dos verbos contidos no art.
33, caput, é suficiente para a consumação da infração, sendo prescindível a realização de atos de
venda do entorpecente.

2) É possível que a causa de diminuição estabelecida no art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/06 seja fixada em
patamar diverso do máximo de 2/3, em razão da qualidade e da quantidade de droga apreendida.

3) O juiz pode fixar regime inicial mais gravoso do que aquele relacionado unicamente com
o quantum da pena ao considerar a natureza ou a quantidade da droga.

4) A Lei n. 11.343/06 aboliu a majorante da associação eventual para o tráfico prevista no artigo 18, III,
primeira parte, da Lei n. 6.368/76.

5) A incidência de mais de uma causa de aumento prevista no art. 40 da Lei n. 11.343/06 não implica a
automática majoração da pena acima do mínimo (2/3) na terceira fase, pois a sua exasperação exige
fundamentação concreta.

6) O art. 40 da Lei n. 11.343/06 conferiu tratamento mais favorável às causas especiais de aumento de
pena, devendo ser aplicado retroativamente aos delitos cometidos sob a égide da Lei n. 6.368/76.

7) Não acarreta bis in idem a incidência simultânea das majorantes previstas no art. 40 aos crimes de
tráfico de drogas e de associação para fins de tráfico, porquanto são delitos autônomos, cujas penas
devem ser calculadas e fixadas separadamente.
8) Não há bis in idem na aplicação da causa de aumento de pena pela transnacionalidade (art. 40, I, da
Lei n. 11.343/06) com as condutas de importar e exportar previstas no caput do art. 33 da Lei de
Drogas, porquanto o simples fato de o agente trazer consigo a droga já conduz à configuração da
tipicidade formal do crime de tráfico.

9) Configura-se a transnacionalidade do tráfico de drogas com a comprovação de que a substância


tinha como destino ou origem outro país, independentemente da efetiva transposição de fronteiras.

10) Para a incidência da majorante prevista no art. 40, V, da Lei n. 11.343/06 é desnecessária a efetiva
transposição de fronteiras entre estados, sendo suficiente a demonstração inequívoca da intenção
de realizar o tráfico interestadual.

11) A inobservância do rito procedimental que prevê a apresentação de defesa prévia antes do
recebimento da denúncia gera nulidade relativa desde que demonstrados eventuais prejuízos
suportados pela defesa.

12) É dispensável a expedição de mandado de busca e apreensão domiciliar quando se trata de


flagrante de crime permanente, como é o caso do tráfico ilícito de entorpecentes na modalidade
guardar ou ter em depósito.

13) A posse de substância entorpecente para uso próprio configura crime doloso e, quando cometido
no interior do estabelecimento prisional constitui falta grave, nos termos do art. 52 da Lei de
Execução Penal LEP (Lei n. 7.210/84).

14) A comprovação da materialidade do delito de posse de drogas para uso próprio (artigo 28 da Lei
n.11.343/06) exige a elaboração de laudo de constatação da substância entorpecente que evidencie a
natureza e a quantidade da substância apreendida.

15) O laudo pericial definitivo atestando a ilicitude da droga afasta eventuais irregularidades do
laudo preliminar realizado na fase de investigação.

16) O laudo de constatação preliminar da substância entorpecente constitui condição de


procedibilidade para apuração do crime de tráfico de drogas.

→ Para que possa falar em tráfico internacional de drogas, é indispensável que a droga apreendida no
Brasil também seja considerada ilícita no país de origem (ou de destino). Do contrário, ter-se-á mero
tráfico interno, de competência da Justiça Estadual.
→ Não é possível aplicar nenhuma medida socioeducativa que prive a liberdade do adolescente
(internação ou semiliberdade) caso ele tenha praticado um ato infracional análogo ao delito do art. 28
da Lei de Drogas.

→ Superada a antiga Súmula 512 do STJ!

→ É possível que o magistrado, durante a dosimetria da pena, utilize a natureza e a quantidade da


substância apreendida para exasperar a pena-base e, posteriormente, para deixar de aplicar a
minorante do tráfico privilegiado?

STF: Não. Caracteriza bis in idem considerar, na terceira etapa do cálculo da pena do crime de tráfico
ilícito de entorpecentes, a natureza e a quantidade da substância ou do produto apreendido, quando
essas circunstâncias já tiverem sido apontadas na fixação da pena-base, ou seja, na primeira etapa da
dosimetria, para graduação da minorante prevista no art. 33, § 4º, da Lei 11.343/2006. E quanto ao
momento para a consideração da referida majoração na dosimetria da pena? Prevaleceu o
entendimento de que o momento adequado ficaria ao talante do magistrado no caso concreto, ou
seja, poderá recair tanto na primeira fase ou como na terceira fase, obedecendo ao princípio da
individualização da pena (art. 42 da Lei 11.343/06). Atualmente, a partir desse entendimento, dúvidas
não há mais que a consideração da quantidade e natureza da droga apreendida na primeira e terceira
fase da dosimetria revela um bis in idem (acolhido no Pacto de São José da Costa Rica). HC 112776/MS,
rel. Min. Teori Zavascki, 19.12.2013. (HC-112776); HC 109193/MG, rel. Min. Teori Zavascki, 19.12.2013.(HC-
109193)

→ A natureza e a quantidade da droga podem ser utilizadas para aumentar a pena-base e também
para afastar o tráfico privilegiado?

1ª corrente: SIM. Utiliza-se a mesma regra em finalidades e momentos distintos. STJ.

2ª corrente: NÃO. Isso porque haveria, no caso, bis in idem. STF.

→ É o réu que deve provar que a droga apreendida seria para consumo próprio? STF: Não. Cabe à
acusação.

→ O crime de porte de drogas para uso próprio é contado para fins de reincidência? STJ: Sim.

→ Por qual crime responde o agente que se autofinancia para o tráfico? Se o agente financia ou
custeia o tráfico, mas não pratica nenhum verbo do art. 33: responderá apenas pelo art. 36 da Lei de
Drogas. Se o agente, além de financiar ou custear o tráfico, também pratica algum verbo do art. 33:
responderá apenas pelo art. 33 c/c o art. 40, VII da Lei de Drogas (não será condenado pelo art. 36).
STJ. 6ª Turma. REsp 1.290.296-PR, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 17/12/2013 (Info
534).

→ INF 745 STF: Não é possível o deferimento de indulto o réu condenado por tráfico de drogas (por
ser equiparado a crime hediondo), ainda que tenha sido aplicada a causa de diminuição prevista no art.
33, § 4º, da Lei 11.343/2006 (traficante privilegiado).

→ Segundo o STF e o STJ, homicídio qualificado privilegiado (ex: valor moral ou social) não é
hediondo. E o Tráfico Privilegiado? Com o novo posicionamento do STF o tráfico privilegiado NÃO é
mais considerado crime hediondo.

→ DOSIMETRIA DA PENA EM TRÁFICO DE DROGAS: a quantidade da droga não pode ser usada para
aumentar a pena-base do réu e também para afastar o tráfico privilegiado, ou para, reconhecendo-se
o direito do benefício, conceder ao réu uma menor redução de pena. Haveria bis in idem. Contudo, é
possível utilizar a NATUREZA da droga para majorar a pena base e a QUANTIDADE para afastar o
privilégio.

→ O crime de associação para o tráfico de drogas, previsto no art. 35 da Lei 11.343/2006, não é
hediondo nem equiparado. No entanto, mesmo assim, o prazo para se obter o livramento condicional
é de 2/3 porque este requisito é exigido pelo parágrafo único do art. 44 da Lei de Drogas.

CRIMES HEDIONDOS

1. Prisão temporária em crimes hediondos:

Lei 7.960/89: Lei 8072/90, tratando da prisão


temporária:
O prazo da prisão temporária é de 05 O prazo é de 30 dias + 30 dias.
dias + 05 dias.
Crime previsto somente nesta lei, e que Crime previsto na lei 7.960 e
não está previsto também na lei dos repetido na lei dos crimes
crimes hediondos, o prazo da prisão hediondos, o prazo da prisão
temporária é de 05 dias. temporária é de 30 dias prorrogáveis
por mais 30 dias.
2. Livramento condicional em crimes hediondos:

PRIMÁRIO + BONS REINCIDENTE EM CRIME CRIMES HEDIONDOS


ANTECEDENTES DOLOSO OU EQUIPARADOS
2/3 da pena, se não for
1/3 da pena ½ da pena
reincidente especifico.

→ Segundo a corrente majoritária, reincidente específico em crimes hediondos é aquele que pratica
dois crimes do gênero hediondo ou equiparado. (Ex: Estupro + Latrocínio).

O QUE VOCÊ NÃO PODE ESQUECER


1) No Brasil adota-se o sistema legal, assim, hediondos são somente os crimes previstos
expressamente em Lei como tal.

1.1) Todos os crimes hediondos estão previstos no CP, salvo o genocídio, que encontra previsão na Lei
nº 2.889/56 e o terrorismo, que se encontra previsto na Lei 13.260/16. Assim, não cabe crime hediondo
militar.

2) Conforme precedente recente do STF, o tráfico privilegiado (art. 33, §4º da Lei 11.343/06) não é mais
considerado crime hediondo. Superada a Súmula 512 do STJ.

2.1) Homicídio qualificado privilegiado também não é considerado hediondo.

3) A Lei dos crimes hediondos veda a concessão de: a) anistia, graça e indulto; e b) fiança. OBS: Tortura
é a única exceção, pois admite indulto.

4) É possível a concessão de liberdade provisória sem fiança.

5) É inconstitucional o cumprimento de pena em regime integralmente fechado. Assim como é


inconstitucional a fixação automática de regime inicial fechado para cumprimento de pena.

6) É possível a aplicação de penas restritivas de Direito.

7) Progressão de regime:

7.1) Crime cometido antes da Lei 11.464/07: o período é de 1/6. (Súmula 471 STJ).

7.2) Crime cometido após a Lei 11.464/07: o período é de 2/5 se o réu for primário e 3/5 se for
reincidente específico.
8) Pode haver a realização do exame criminológico, entretanto, ele não é obrigatório para a
progressão de regime e deve ser devidamente fundamentado. (Súmula Vinculante 26).

9) O tempo da prisão temporária é de 30 dias prorrogáveis por mais 30 dias.

10) A Lei dos Crimes Hediondos traz hipótese de delação premiada. No crime de extorsão mediante
sequestro, o coautor que denunciar a "quadrilha ou bando", facilitando a libertação do sequestrado,
será beneficiado com causa de diminuição de pena, que variará de 1/3 a 2/3.

CRIMES AMBIENTAIS

1. Penas restritivas de Direito aplicadas as pessoas físicas:

Assim como no CP, as penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as privativas de
liberdade para as pessoas físicas, tendo a mesma duração da pena constituída. Essa regra só não vai
valer para a pena de interdição temporária de direitos, que tem um prazo diferenciado.

Art. 8º As penas restritivas de direito são:


I - prestação de serviços à comunidade;
II - interdição temporária de direitos;
III - suspensão parcial ou total de atividades;
IV - prestação pecuniária;
V - recolhimento domiciliar.

2. Penas aplicadas as pessoas jurídicas:

Art. 21. As penas aplicáveis isolada, cumulativa ou alternativamente às pessoas jurídicas, de


acordo com o disposto no art. 3º, são:

I - multa;

II - restritivas de direitos;

III - prestação de serviços à comunidade.

a) Multa: O quantitativo da multa será determinado pela gravidade da conduta e pela situação
financeira da empresa, por aplicação dos arts. 18 e 6º, III, da LCA. Se aplicada no patamar máximo, e
revelar-se ineficaz, poderá ser aumentada em até três vezes, tendo em vista o valor da vantagem
econômica auferida.

b) Penas Restritivas de Direito: No que diz respeito as penas restritivas de Direito, estas se dividem
em:

c) Prestação de serviços a comunidade:

Art. 23. A prestação de serviços à comunidade pela pessoa jurídica consistirá em:

I - custeio de programas e de projetos ambientais;

II - execução de obras de recuperação de áreas degradadas;

III - manutenção de espaços públicos;

IV - contribuições a entidades ambientais ou culturais públicas.

3. Pontos fundamentais sobre a matéria:

1) A Jurisprudência não adota mais o sistema da dupla imputação, ou, imputação paralela. Assim, é
possível a responsabilização da pessoa jurídica independentemente da responsabilização da pessoa
física que agia em seu nome.

*É possível a responsabilização penal da pessoa jurídica por delitos ambientais independentemente da


responsabilização concomitante da pessoa física que agia em seu nome. A jurisprudência não mais
adota a chamada teoria da "dupla imputação". STJ. 6ª Turma. RMS 39.173-BA, Rel. Min. Reynaldo
Soares da Fonseca, julgado em 6/8/2015 (Info 566). STF. 1ª Turma. RE 548181/PR, Rel. Min. Rosa Weber,
julgado em 6/8/2013 (Info 714).
2) Conforme o entendimento mais atual, é possível a aplicação do princípio da insignificância aos
crimes ambientais. Deve-se ter em mente o posicionamento do STF que afirma que a análise deve ser
feita com base no caso concreto e suas peculiaridades.

3) No CP é admitida a substituição da pena privativa de liberdade de crimes com pena de até 4 anos
(nos crimes dolosos). No caso de crimes dolosos aqui, a pena deve ser inferior a 4 anos. Além disso, a
culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do condenado, bem como os
motivos e as circunstâncias do crime indicarem que a substituição seja suficiente para efeitos de
reprovação e prevenção do crime.

4) A reincidência nos crimes ambientais, por si só, não é suficiente para impedir que o agente tenha
direito à substituição de pena.

5) As penas restritivas de direito aplicáveis às pessoas físicas são: Prestação de serviços à comunidade;
interdição temporária de direitos; suspensão parcial ou total de atividades; prestação pecuniária e
recolhimento domiciliar.

6) Já as penas aplicáveis às pessoas jurídicas são: multa; penas restritiva de direito e prestação de
serviços à comunidade.

6.1) As penas restritivas de direito aplicáveis às pessoas jurídicas são: suspensão parcial ou total de
atividades; interdição temporária de estabelecimento, obra ou atividade; proibição de contratar com o
Poder Público, bem como dele obter subsídios, subvenções ou doações.

7) Todos os crimes são de ação pública incondicionada.

8) Para que haja a transação penal, é necessária uma prévia composição do dano ambiental atestada
pelo laudo competente, ressalvada a impossibilidade de fazê-lo.

9) A suspensão condicional da pena pode ser aplicada nos casos de condenação a pena privativa de
liberdade não superior a três anos.

10) Somente haverá competência da Justiça Federal se, no caso concreto, for comprovado o
interesse direto e específico da União ou de suas entidades. Atenção ao que diz a Jurisprudência!

LAVAGEM DE DINHEIRO
→ A lavagem de dinheiro consiste num complexo de operações, composto de três fases (ocultação,
dissimulação, integração), realizados com a finalidade específica de mascarar a origem ilícita de
determinados bens, tornando-os aparentemente lícitos.

→ STF: A simples movimentação de bens com o intuito de utilizá-los, mas sem o dolo de ocultá-los,
não configuraria delito autônomo.

→ É crime formal, assim, basta a prática da ação típica para a sua consumação.

→ A Lei brasileira de lavagem é considerada uma Lei de terceira geração ao combate da lavagem de
capitais:

● 1ª Geração: Somente o tráfico poderia configurar como infração Penal antecedente.


● 2ª Geração: Amplia-se o rol de crimes antecedentes, porém este continua sendo taxativo.
● 3ª Geração: Qualquer infração penal pode ser antecedente do crime de lavagem. A Doutrina
majoritária entende que até mesmo Contravenções Penais podem configurar infração antecedente.

→ #IMPORTANTE – JUSTA CAUSA DUPLICADA: Significa que não basta demonstrar a presença de
lastro probatório quanto à ocultação de bens, direitos ou valores, sendo indispensável que a denúncia
também seja instruída com suporte probatório demonstrando que tais valores são provenientes,
direta ou indiretamente, de infração penal (art. 1º, caput, da Lei 9.613/98, com redação dada pela Lei
12.683/12). Ou seja, requer-se lastro probatório mínimo quanto à lavagem e quanto à infração
antecedente.

→ O Bem jurídico tutelado na lavagem de dinheiro, conforme entendimento majoritário, é a ordem


econômica financeira.

→ Disposições especiais relativas à lavagem de dinheiro:


● Não se aplica a suspensão condicional do processo.
● Admite a delação premiada.
● Aplicam-se subsidiariamente as disposições do CPP.

→ #IMPORTANTE – Segundo o entendimento do STF, a autolavagem (self laudering) é passível de


punição, ou seja, não se precisa necessariamente lavar dinheiro de terceiro para ser punido.

→ Teoria da cegueira deliberada, teoria do avestruz ou willfull blindness doctrin:


A teoria da cegueira deliberada, também denominada teoria do avestruz, de origem norte-americana,
está no âmbito dos crimes de lavagem de capitais e visa tornar típica a conduta do agente que tem
consciência sobre a possível origem ilícita dos bens ocultados por ele ou pela organização criminosa a
qual integra, mas, mesmo assim, deliberadamente, cria mecanismos que o impedem de aperfeiçoar
sua representação acerca dos fatos. Ao evitar a consciência quanto à origem ilícita dos valores,
assume os riscos de produzir o resultado, daí porque responde pelo delito de lavagem de capitais a
título de dolo eventual.

→ O processo do crime de lavagem independe do processo e julgamento da infração penal


antecedente.

Infração penal antecedente: Lavagem de capitais:


Basta que seja demonstrada a prática Passará a ser punido o crime de
de uma conduta típica e ilícita. lavagem de capitais.
Absolvição com base na atipicidade ou Não será punível o crime de lavagem
licitude de capitais
Absolvição com base em causa Será punível o crime de lavagem
excludente da culpabilidade de capitais
Extinção da punibilidade Não impede a condenação quanto
ao crime de lavagem de capitais,
salvo em se tratando da anistia e da
abolitio criminis, hipóteses em que o
fato antecedente deixa de ser
considerado infração penal.

CRIMES CONTRA O SISTEMA FINANCEIRO E O MERCADO DE CAPITAIS

1. Pontos principais:

→ O SFN é o conjunto de órgãos, entidades e empresas, que atuam na regulamentação, controle e


fiscalização das atividades relacionadas com a circulação de moeda e de crédito em nosso país. Trata-
se de bem jurídico transindividual.

→ A factoring não integra o Sistema Financeiro Nacional nem necessita de autorização do Banco
Central para funcionar.
● #IMPORTANTE – Caso uma empresa de factoring realize, sem autorização legal, a captação,
intermediação e aplicação de recursos financeiros de terceiros, sob a promessa de que estes
receberiam, em contrapartida, rendimentos superiores aos aplicados no mercado, tal empresa deverá
ser submetida aos tipos penais dos crimes contra o SFN.

→ Os crimes contra o SFN admitem delação premiada.

→ Os crimes contra o SFN possuem hipótese específica de prisão preventiva em razão da magnitude
da lesão causada.

→ TODOS os crimes contra o SFN tem como elemento subjetivo o dolo.

2. Crimes em espécie:

Listemos os crimes mais comumente cobrados, vejamos:

Art. 4º Gerir fraudulentamente instituição financeira:


Pena - Reclusão, de 3 (três) a 12 (doze) anos, e multa.
Parágrafo único. Se a gestão é temerária:
Pena - Reclusão, de 2 (dois) a 8 (oito) anos, e multa.

Art. 6º Induzir ou manter em erro, sócio, investidor ou repartição pública competente, relativamente
a operação ou situação financeira, sonegando-lhe informação ou prestando-a falsamente:
Pena - Reclusão, de 2(dois) a 6 (seis) anos, e multa

Art. 16. Fazer operar, sem a devida autorização, ou com autorização obtida mediante declaração
(Vetado) falsa, instituição financeira, inclusive de distribuição de valores mobiliários ou de câmbio:
Pena - Reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.

Art. 22. Efetuar operação de câmbio não autorizada, com o fim de promover evasão de divisas do
País:
Pena - Reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa.
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem, a qualquer título, promove, sem autorização legal, a
saída de moeda ou divisa para o exterior, ou nele mantiver depósitos não declarados à repartição
federal competente.
→ Gestão fraudulenta: O agente administra a instituição financeira (ou entidade equiparada)
praticando atos fraudulentos, ou seja, atos que podem gerar engano e prejuízos aos sócios, clientes,
investidores e empregados da instituição, ou, então, aos órgãos de fiscalização. Ex.: omissão
intencional nos registros contábeis de empréstimos efetuados pelo banco.

→ Gestão temerária: O agente administra a instituição financeira (ou entidade equiparada) praticando
atos excessivamente arriscados, irresponsáveis, inconsequentes. Ex.: empréstimo de vultosos valores
a empresa já inadimplente e em situação pré-falimentar.

● A gestão fraudulenta e temerária são crimes próprios. Somente podem ser praticados por
responsável pela gerência de instituição financeira, ou seja, pelas pessoas elencadas no art. 25 da Lei
7.492/86. Nesse caso, é crime próprio. Assim, o agente deverá ser: controlador ou administrador de
instituição financeira (diretores e gerentes) e aqueles a esses equiparados (interventor, liquidante ou
síndico). Podem ser responsabilizados aqueles que atuam por procuração em nome destas pessoas.

● Considerando que a qualidade do sujeito ativo é elementar do delito, embora pessoal, comunica-
se aos partícipes e coautores. Logo, é perfeitamente possível que indivíduo não previsto no rol legal
taxativo do art. 25 figure como sujeito ativo, desde que configurado o concurso de agentes.

→ A sonegação de informação ou prestação de informação falsa configura crime comum segundo a 6ª


Turma do STJ e parte do entendimento Doutrinário. O crime admite a forma tentada.

→ O agiota não pratica o crime previsto no art. 16 da referida Lei (operação sem autorização), pois ele
trabalha utilizando valores próprios, sem a captação de recursos de terceiros.

→ Evasão de divisas:

#JURISPRUDÊNCIA:
→ #IMPORTANTE – A absolvição quanto ao crime de emissão, oferecimento ou negociação de títulos
fraudulentos (art. 7º da Lei nº 7.492/86) não ilide a possibilidade de condenação por gestão
fraudulenta de instituição financeira.

→ Não há continuidade delitiva entre os crimes do art. 6º da Lei 7.492/86 (Lei dos Crimes contra o
Sistema Financeiro Nacional – Crime de sonegação de informação ou prestação de informação falsa) e
os crimes do art. 1º da Lei 9.613/1998 (Lei dos Crimes de "Lavagem" de Dinheiro). Não incide a regra do
crime continuado na hipótese.

→ Podem ser sujeitos ativos do crime previsto no art. 6º da Lei 7.492/86 (Crime de sonegação de
informação ou prestação de informação falsa) pessoas naturais que se fizeram passar por membro ou
representante de pessoa jurídica que não tinha autorização do BACEN para funcionar como instituição
financeira.

→ Configura o crime do art. 6º da Lei nº 7.492/86 – e não estelionato do art. 171 do CP – a falsa
promessa de compra de valores mobiliários feita por falsos representantes de investidores
estrangeiros para induzir investidores internacionais a transferir antecipadamente valores que diziam
ser devidos para a realização das operações.

→ Nos casos de evasão de divisas praticada mediante operação do tipo "dólar-cabo", não é possível
utilizar o valor de R$ 10 mil como parâmetro para fins de aplicação do princípio da insignificância.

→ Na fixação da pena do crime de evasão de divisas (art. 22, parágrafo único, da Lei nº 7.492/86), o
fato de o delito ter sido cometido por organização criminosa complexa e bem estrutura pode ser
valorado de forma negativa a título de circunstâncias do crime.

CRIMES CONTRA A HUMANIDADE

→ Os crimes contra a humanidade também conhecidos como crimes lesa-humanidade, são infrações
previstas em Direito Internacional, julgados por Tribunais Internacionais. Em muitos casos, possuem
tipos penais internos que lhe são análogos, mas independem da criminalização interna para sua
caracterização.

→ Conceituam-se como atos de violação grave de direitos humanos, realizado em um quadro de


ataque generalizado ou sistemático contra a população civil.

→ Requisitos dos crimes contra a humanidade:


a) Exige intencionalidade especial – a “mens rea” – que se caracteriza não apenas pelo dolo mas,
também pela potencial consciência da ilicitude e, “in casu”, omissão do agente.
b) O ataque deve ser dirigido a uma população civil.

→ Os autores de crimes de guerra, de genocídio, crimes contra a paz e a humanidade não são
equiparados aos criminosos políticos, pois tais delitos constituem uma violação não só às normas do
direito interno, mas também, às normas do direito internacional.

→ #IMPORTANTE – A cláusula Martens visa proteger a população civil dos crimes contra a
humanidade. Em uma guerra, os beligerantes devem ter em mente que o conflito não deve envolver a
população civil.

→ Segundo o entendimento majoritário, são imprescritíveis.

CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA

1. Pontos Principais:
→ A competência para o processamento e julgado dos crimes será definida pelo ente tributante.
Nesse caso, será de competência da Justiça Federal quando:

a) Se o objeto do crime for tributo federal;

b) Se na mesma conduta forem sonegados tributos estaduais e federais, nos termos do entendimento
Sumulado pelo STJ.
Súmula 122 – STJ: Compete à Justiça Federal o processo e julgamento unificado
dos crimes conexos de competência federal e estadual, não se aplicando a regra
do art. 78, II, “a”, do Código de Processo Penal.

c) Se utilizados documentos material e ideologicamente falsificados perante o Poder Judiciário Federal


e a Secretaria da Receita Federal.

→ Natureza das infrações: No art. 1º da Lei 8.137/90 estão previstos os crimes materiais contra a
ordem tributária, pois nestes existe uma conduta instrumental, que é a fraude, e uma conduta final,
que é a supressão ou alteração do tributo. Não basta que o agente cometa as condutas previstas, pois
elas também exigem o resultado de supressão ou redução de tributo.

OBS: Se o agente sonegar tributos diversos em uma única conduta, restará caracterizado crime único!
→ O delito contra a ordem tributária absorve o estelionato, por ser este um crime meio.

→ O crime de sonegação fiscal absorve o de falsidade ideológica e o de uso de documento falso


praticados posteriormente àquele unicamente para assegurar a evasão fiscal.

→ Denúncia no crime de sonegação fiscal deve descrever a conduta do denunciado, não bastando
apontar sua condição de sócio ou administrador, sob pena de ser inepta.

→ #IMPORTANTE – Insignificância nos crimes tributários:

● É cabível a sua aplicação.


● Qual é o valor máximo considerado insignificante no caso de crimes tributários?
STJ: 10 mil reais.
STF: 20 mil reais.

● Esse parâmetro vale, a princípio, apenas para os crimes que se relacionam a tributos federais,
considerando que é baseado no art. 20 da Lei n. 10.522/2002, que trata dos tributos federais.
● No cálculo do tributo não deve ser incluído os juros e multa.

● Se o agente for criminoso habitual, restará prejudicada a aplicação do princípio da insignificância.

#MUITO IMPORTANTE

Súmula Vinculante 24: Não se tipifica crime material contra a ordem tributária,
previsto no art. 1º, incisos I a IV, da Lei nº 8.137/90, antes do lançamento definitivo do
tributo.

→ OBS: A Súmula NÃO se aplica ao descaminho, pois este é crime formal.

A Súmula Vinculante 24 pode ser aplicada para fatos ocorridos antes da sua
vigência?

SIM. Segundo a 1ª Turma do STF. A súmula vinculante não é lei nem ato normativo,
de forma que a SV 24-STF não inovou no ordenamento jurídico. O enunciado
apenas espelhou {demonstrou) o que a jurisprudência já vinha decidindo.

STF. 1ª Turma. RHC 122774/RJ, Rei. Min. Dias Toffoli, julgado em 19/5/2015 (lnfo
786).

2. Pagamento e parcelamento do crédito tributário:

→ Nesse caso, parcelamento do crédito tributário acarreta a suspensão da pretensão punitiva, não
podendo haver o oferecimento da denúncia nesse meio tempo. Acarreta também a suspensão do
prazo prescricional.
→ O pedido de parcelamento deve ser feito antes do recebimento da denúncia.

→ O pagamento integral possui outros efeitos, vejamos:


a) Pagamento integral antes da condenação: Extingue a punibilidade.
b) Pagamento integral depois da condenação, mas antes do trânsito em julgado: Extingue a
punibilidade.
c) Pagamento integral depois do trânsito em julgado: NÃO irá interferir no crime. A condenação
persiste. Isso porque a punição já foi imposta e o art. 9º da Lei 10.684/2003 fala em extinção da
punibilidade, e não extinção da executoriedade. (STJ, HC 302.059-SP, Info 556).

#JURISPRUDÊNCIA:

→ Nos crimes de sonegação tributária, apesar de a jurisprudência do STF condicionar a persecução


penal à existência do lançamento tributário definitivo, o mesmo não ocorre quanto à investigação
preliminar, que pode ser realizada.

→ Antes da constituição definitiva do crédito tributário não existe crime de sonegação. Logo, não é
lícito que a autoridade policial inicie investigação para apurar esse fato e não é possível que o juiz
decrete medidas cautelares penais.

→ A constituição do crédito tributário após o recebimento da denúncia não tem o condão de


convalidar a ação penal que foi iniciada em descompasso com as normas jurídicas vigentes e com a
SV24 do STF.
→ Se o contribuinte deixa de apresentar declaração ao Fisco com o fim de obter a redução ou
supressão de tributo e consegue atingir o resultado almejado, tal conduta consubstancia crime de
sonegação fiscal, na modalidade do inciso I do art. 1º da Lei nº 8.137/90.

→ Em se tratando de infrações penais contra a ordem tributária, a extensão do dano causado pode
ser invocada na 1º fase da dosimetria como critério para exasperação da pena-base, sem que tanto
implique bis in idem.

→ Se o estrangeiro está respondendo a ação penal por crime tributário no exterior, ele poderá ser
extraditado mesmo que ainda não tenha havido a constituição do crédito tributário no país
requerente.

→ O fato de o réu ter omitido o seu nome do quadro societário da empresa com o objetivo de
esconder que era ele quem realmente administrava a empresa pode configurar aumento de pena na
primeira fase da dosimetria sem caracterizar bis in idem.

→ O termo inicial do prazo prescricional da pretensão punitiva do crime previsto no art. 2º, I, da Lei nº
8.137/90 é a data em que a fraude é praticada, e não a data em que ela é descoberta.

CRIMES DE TORTURA

A Convenção contra a Tortura e outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes,


ratificada pelo Brasil em 28 de setembro de 1989, assim define a "tortura" em seu art. 2º:

“entender-se-á por tortura todo ato pelo qual são infligidos intencionalmente a uma pessoa penas ou
sofrimentos físicos ou mentais, com fins de investigação criminal, como meio de intimidação, como
castigo pessoal, como medida preventiva, como pena ou com qualquer outro fim. Entender-se-á
também como tortura a aplicação, sobre uma pessoa, de métodos tendentes a anular a
personalidade da vítima, ou a diminuir sua capacidade física ou mental, embora não causem dor
física ou angústia psíquica”.

Portanto, para a Convenção, temos as seguintes características:

● Elemento subjetivo: dolo. A tortura culposa não é punível.

● Finalidade específica: Não há finalidade específica.

→ Nada justifica a tortura, nem mesmo circunstâncias excepcionais.


→ Sobre o sujeito ativo da tortura, temos que:

● Sujeito ativo 1: Empregados ou funcionários públicos que, no exercício de sua função, ordenem a
prática de ato de tortura ou ainda instiguem ou induzem a ele, cometem-no diretamente ou, podendo
impedi-lo, não o façam.

● Sujeito ativo 2: As pessoas que, por instigação dos funcionários ou empregados públicos em
apreço, ordenem sua prática, instiguem ou induzem a ela, cometem-no diretamente ou nele sejam
cúmplices.

● CONCLUSÃO: Para a Convenção Interamericana, o particular pode ser sujeito ativo de tortura sem
que esteja em concurso com um agente público.

→ #IMPORTANTE – No Brasil, a Lei de Tortura (Lei 9.455/97) destoa dos Tratados Internacionais em
dois pontos:
1o – No Brasil o crime de tortura pode figurar como torturador qualquer pessoa, não exigindo a lei a
condição de autoridade do agente. O crime de tortura é tratado como crime comum.
2o – O crime de tortura, em regra, está rotulado nos Tratados como imprescritível. No Brasil, a CF não
prevê a imprescritibilidade deste crime. (art. 5o , XLII e XILV da CF).

No que fiz respeito à Lei de Tortura, o tema é disciplinado da seguinte forma:

1) QUANTO AO SUJEITO (ATIVO E PASSIVO)

Art. 1o, I Sujeito ativo: comum


Sujeito passivo: comum
Art. 1o, II Sujeito ativo: próprio (guarda,
poder, autoridade)
Art. 1o, § 1º Sujeito ativo: comum
Sujeito passivo: próprio (pessoa
presa ou submetida e medida de
segurança)

2) QUANTO À CONDUTA DO AGENTE


Art. 1o, I Constranger + violência ou grave
ameaça sofrimento físico e mental.
Art. 1o, II Submeter
Violência ou grave ameaça
Intenso sofrimento físico e mental
Art. 1o, § 1º Submeter
Ato não previsto em lei ou não
resultante de medida legal.

3) QUANTO À VOLUNTARIEDADE (ELEMENTO SUBJETIVO)

Art. 1o, I Dolo + fim especial – a), b) e c)


Art. 1o, II Dolo + fim especial (aplicar castigo
ou medida de caráter preventivo)
Art. 1o, § 1º Dolo sem fim especial

→ O crime de tortura não admite fiança, mas admite liberdade provisória.

DIREITO PENAL MILITAR 12

PRINCIPAIS DIFERENÇAS ENTRE O CPM E O CP

1. Adoção da Teoria Psicológica –normativa da culpabilidade:

→ A estrutura do CPM ainda é causalista, com influência psicológico-normativa, mesclando a Teoria


Clássica e a Teoria Neoclássica, sem a influência finalista trazida pela reforma de 1984.

12 Por Fernanda Evlaine e Bruna Daronch


→ Na visão da Teoria Clássico-Neoclássica (psicológico-normativa), dolo e culpa são espécies de
culpabilidade. Este é o entendimento presente no CPM. Já no finalismo, dolo e a culpa foram
transportados para o fato típico.

#QUADRO RESUMO
Teoria Psicológica da Teoria Psicológica-Normativa Teoria Normativa Pura da
Culpabilidade da Culpabilidade Culpabilidade
Base Causalista Base Neokantista Base Finalista
Culpabilidade: espécies Culpabilidade: –
a) Dolo Não tem espécies
b) Culpa
Culpabilidade: Culpabilidade: Faz com que o dolo e a culpa,
● Imputabilidade ● Imputabilidade que pertenciam à
● Exigibilidade de conduta culpabilidade, migrem para o
diversa FATO TÍPICO, no qual, o dolo é
● Culpa constituído de:
●Dolo normativo: 1) Consciência
1) Consciência 2) Vontade
2) Vontade ● É um dolo despido do
3) Consciência atual da elemento normativo é o
ilicitude (elemento chamado DOLO NATURAL.
normativo). ● O elemento normativo
fica na própria culpabilidade
como potencial consciência da
ilicitude.
Culpabilidade tem como
elementos:
1) Imputabilidade
2) Exigibilidade de conduta
diversa
3) POTENCIAL consciência da
ilicitude.
#RELEMBRE: A teoria normativa pura da culpabilidade se subdivide em outras duas: Extrema/estrita e
Limitada. Para ambas, os elementos da culpabilidade são os mesmos, mudando, tão somente, o
tratamento conferido às descriminantes putativas. O CP adota a Teoria Limitada da Culpabilidade!
(Não confunda com o CPM!).

2. Teoria diferenciadora do Estado de Necessidade13:


→ Outra grande diferença entre o Código Penal e o Código Penal Militar é a adoção do CPM pela
teoria diferenciadora do Estado de Necessidade, vejamos:

Teoria diferenciadora Teoria Unitária


Adotada pelo CPM Adotada pelo CP
Justificante Exculpante Justificante –
Nesse caso, o bem Nesse caso, o bem Nesse caso, o bem A teoria unitária não
protegido vale protegido vale protegido vale mais ou adota o estado de
mais que o bem menos ou a mesma a mesma coisa que o necessidade
jurídico coisa que o bem bem jurídico exculpante.
sacrificado. jurídico sacrificado. sacrificado.
→ Exclui a → Exclui a → Exclui a ilicitude. → Exclui a pena de
ilicitude. culpabilidade. 1/3 a 2/3.
#OLHAADICA:
exCulpante
Culpabilidade.

+ – ou = + ou = –

→ Para a teoria unitária, adotada pelo nosso Código Penal, todo estado de necessidade é justificante,
ou seja, tem a finalidade de eliminar a ilicitude do fato típico praticado pelo agente.

3. Erro de fato e erro de direito:


→ Enquanto no CP temos o erro de tipo e o erro de proibição, no CPM o assunto é tratado como erro
de fato e erro de direito.

13
Caiu na segunda fase do último concurso da DPU (2015).
Analisemos primeiro o erro de fato vs erro de tipo:

CPM CP
Erro de fato Erro sobre elementos do tipo

Art. 36. É isento de pena quem, ao Art. 20 - O erro sobre elemento


praticar o crime, supõe, por erro constitutivo do tipo legal de crime
plenamente escusável, a inexistência de exclui o dolo, mas permite a punição
circunstância de fato que o constitui ou por crime culposo, se previsto em lei.
a existência de situação de fato que
tornaria a ação legítima.

Erro culposo Descriminantes putativas

§ 1º - Se o erro deriva de culpa, a este § 1º - É isento de pena quem, por erro


título responde o agente, se o fato é plenamente justificado pelas
punível como crime culposo. circunstâncias, supõe situação de
fato que, se existisse, tornaria a ação
legítima. Não há isenção de pena
quando o erro deriva de culpa e o
fato é punível como crime culposo.

Erro provocado Erro determinado por terceiro


§ 2º - Se o erro é provocado por terceiro, § 2º - Responde pelo crime o terceiro
responderá este pelo crime, a título de que determina o erro.
dolo ou culpa, conforme o caso.

→ O que se verifica no cotejo desses dispositivos é que o CP distingue o dolo da consciência da


ilicitude, pois o erro dos elementos constitutivos do tipo exclui o dolo, ao passo que o erro sobre uma
causa de justificação exclui a culpabilidade ("é isento de pena"), por não haver consciência da ilicitude
(o agente crê que sua ação é legítima).

→ No CPM, não há essa distinção, excluindo-se a culpabilidade em ambos os casos, indistintamente.


CPM CP
Erro de direito Erro sobre a ilicitude do fato

Art. 35. A pena pode ser atenuada ou Art. 21 - O desconhecimento da lei é


substituída por outra menos grave inescusável. O erro sobre a ilicitude do
quando o agente, salvo em se tratando fato, se inevitável, isenta de pena; se
de crime que atente contra o dever evitável, poderá diminuí-la de um sexto
militar, supõe lícito o fato, por a um terço.
ignorância ou erro de interpretação da
Parágrafo único - Considera-se evitável
lei, se escusáveis.
o erro se o agente atua ou se omite sem
#ATENÇÃO para a exceção: “salvo em a consciência da ilicitude do fato,
se tratando de crime que atente contra quando lhe era possível, nas
o dever militar”. circunstâncias, ter ou atingir essa
consciência.

#ATENÇÃO: O art. 21, parágrafo único, do CP prevê a hipótese de o agente atuar com dolo, mas sem
consciência da ilicitude. Enquanto que o CP permite a isenção de pena por erro de proibição (exclui a
culpabilidade), no CPM, permite-se, no máximo, a redução da pena.

4. Prescrição no CPM:
O Código Penal Militar, ao contrário do Código Penal, somente prevê duas causas interruptivas
de prescrição. Vejamos o que dispõe o art. 125, §5º:

Código Penal Militar:


Art. 125. A prescrição da ação penal, salvo o disposto no § 1º deste artigo, regula-
se pelo máximo da pena privativa de liberdade cominada ao crime, verificando-
se:
§ 5º O curso da prescrição da ação penal interrompe-se:
I - pela instauração do processo;
II - pela sentença condenatória recorrível.
Por outro lado, o Código Penal disciplina de maneira diversa, vejamos:
Código Penal:
Art. 117 - O curso da prescrição interrompe-se:
I - pelo recebimento da denúncia ou da queixa;
II - pela pronúncia;
III - pela decisão confirmatória da pronúncia;
IV - pela publicação da sentença ou acórdão condenatórios recorríveis;
V - pelo início ou continuação do cumprimento da pena;
VI - pela reincidência.

PONTOS ESPECIAIS

1. Confissão espontânea nos crimes militares:


Nos crimes militares, as atenuantes estão previstas no art. 72 do Código Penal Militar. Dentre elas está
a confissão espontânea. Ocorre que a confissão no CPM é tratada de forma diferente e mais rigorosa
do que no Código Penal comum. Compare:

Código Penal Código Penal Militar


Art. 65. São circunstâncias que Art. 72. São circunstâncias que sempre
sempre atenuam a pena: III - ter o atenuam a pena: III - ter o agente: d)
agente: confessado espontaneamente,
d) confessado espontaneamente, perante a autoridade, a autoria do
perante a autoridade, a autoria do crime, ignorada ou imputada a
crime; outrem;.

Exige apenas a espontaneidade Além da espontaneidade, exige que o


crime estivesse com sua autoria
ignorada ou sendo imputada a
outrem.

#IMPORTANTE: NÃO é possível aplicar a regra do art. 65, III, "d", do Código Penal comum para os
crimes militares.
3. Prescrição virtual em crimes militares:

→ A prescrição em perspectiva (ou prescrição virtual) não é admitida nos crimes militares, assim como
ocorre também nos crimes comuns.

4. Lugar e Tempo do Crime:

→ Atenção! Assim como no CP, o CPM também adota a Teoria da Atividade para definir o tempo do
crime.

#LEMBRARDADICA: LUTA => Lugar Ubiquidade Tempo Atividade.

Mas, cuidado: em relação ao LUGAR do crime, há de se fazer uma distinção:

CRIME COMISSIVO CRIME OMISSIVO


TEORIA DA UBIQUIDADE TEORIA DA ATIVIDADE
(local da atividade ou do resultado) (local em que deveria se realizar a
ação omitida)

5. Aplicação da Lei Penal Militar no Espaço (Territorialidade e extraterritorialidade): O CPM disciplina


os dois fenômenos no art. 7º, o qual afirma: “Aplica-se a lei penal militar, sem prejuízo de convenções,
tratados e regras de direito internacional, ao crime cometido, no todo ou em parte no território
nacional, ou fora dele, ainda que, neste caso, o agente esteja sendo processado ou tenha sido julgado
pela justiça estrangeira”.

5.1) Território nacional por extensão: Aeronaves e navios brasileiros, onde quer que se encontrem,
sob comando militar ou militarmente utilizados ou ocupados por ordem legal de autoridade
competente, ainda que de propriedade privada, sendo ressalvada a ampliação aeronaves ou navios
estrangeiros.

Para a Lei Militar, navio é toda embarcação sob comando militar.

2.2) Territorialidade: O CPM aplica-se em todo o território nacional, considerando como parte
integrante deste o solo, o subsolo, o espaço aéreo e o mar territorial brasileiro. Aplica-se também a lei
penal militar ao crime praticado abordo de aeronaves ou de navios estrangeiros, desde que em lugar
sujeito à administração militar, bem como o crime atente contra as instituições militares.

#IMPORTANTE: No Direito Penal Comum, a extraterritorialidade é exceção. Já no Direito Penal Militar,


esta extraterritorialidade é regra geral. Isso significa que:
TODO AQUELE QUE, INDEPENDENTEMENTE DA NACIONALIDADE E DO LUGAR DO ATO CRIMINOSO,
PRATICAR CRIME MILITAR TIPIFICADO NO ART. 9º DO CPM SERÁ PUNIDO PELA LEGISLAÇÃO
BRASILEIRA.

O que define a aplicação do CPM é a tipificação do crime no art. 9º, pouco importando onde foi
praticado e por quem foi praticado. No caso de prática de crime por integrante das Forças Armadas
(Exército, Marinha ou Aeronáutica), cabe o julgamento à Justiça Militar da União (art. 91, CPPM). No
caso de crime praticado por Policial Militar ou membro do Corpo de Bombeiros, cabe o julgamento à
Justiça Militar dos Estados (art. 125, §4º, CF).

6. Prisão por crime militar próprio:

→ O autor de um crime militar próprio pode ser preso mesmo sem flagrante delito!

LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de
autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente
militar, definidos em lei;

7. Penas acessórias:

→ As penas acessórias são cumuladas com as penas principais. O CPM não passou pela reforma de 84,
pelo que a aplicação da pena acessória pressupõe a pena principal. Em outras palavras, as penas
acessórias não são penas alternativas aplicadas em substituição às penas privativas de liberdade.

→ O artigo 98 do CPM regra um rol taxativo de penas acessórias, quais sejam:

● Para oficiais: (i) perda de posto e patente, (ii) indignidade para o oficialato e (iii) incompatibilidade
com o oficialato.

● Para praças: exclusão das forças armadas.


● Para civis: (i) perda da função pública e (ii) inabilitação para o exercício de função pública (incluem-
se os militares inativos, reformado e da reserva, que prestam tarefa por tempo certo, tratados
como civil)

● Suspensão: (i) poder familiar, tutela ou curatela (no direito penal comum é um efeito específico da
condenação) e (ii) direitos políticos (no direito penal comum é efeito da condenação).

#OBS: O rol de penas acessórias, no direito penal comum, seriam efeitos da condenação.

→ Dispõe o art. 130 que:

Imprescritibilidade das penas acessórias

Art. 130. É imprescritível a execução das penas acessórias.

8. Declaração de indignidade para o oficialato:

Indignidade para o oficialato


Art. 100. Fica sujeito à declaração de indignidade para o oficialato o militar condenado, qualquer que
seja a pena, nos crimes de traição, espionagem ou cobardia, ou em qualquer dos definidos nos arts.
161, 235, 240, 242, 243, 244, 245, 251, 252, 303, 304, 311 e 312.

→ No campo penal militar, o conceito de indigno para o oficialato é legal, estando previsto no art. 100
do Código Penal Militar (CPM).

→ A declaração de indignidade é pena acessória (art. 98, II, CPM) – imprescritível (art.130, CPM), e a
ela ficam sujeitos os oficiais condenados, qualquer que seja a pena, nos crimes de traição, espionagem
ou covardia (arts. 355 a 367 – tempo de guerra) ou em qualquer dos definidos nos artigos:

● 161 (desrespeito a símbolo nacional); 235 (pederastia ou outro ato de libidinagem); 240 (furto
simples); 242 (roubo simples); 243 (extorsão simples); 244 (extorsão mediante sequestro); 245
(chantagem); 251 (estelionato); 252 (abuso de pessoa); 303 (peculato); 304 (peculato mediante
aproveitamento de erro de outrem); 311 (falsificação de documento) e; 312 (falsidade ideológica).

9. Perdão Judicial:
→ Em regra, não há previsão de perdão judicial no CPM: a única exceção refere-se à receptação
culposa.

10. Sursis:

→ Art. 84 - A execução da pena privativa da liberdade, não superior a 2 (dois) anos, pode ser suspensa,
por 2 (dois) anos a 6 (seis) anos, desde que: I - o sentenciado não haja sofrido no País ou no
estrangeiro, condenação irrecorrível por outro crime a pena privativa da liberdade, salvo o disposto no
1º do art. 71; II - os seus antecedentes e personalidade, os motivos e as circunstâncias do crime, bem
como sua conduta posterior, autorizem a presunção de que não tornará a delinquir.

→ Art. 88. A suspensão condicional da pena não se aplica: II - em tempo de paz: a) por crime contra a
segurança nacional, de aliciação e incitamento, de violência contra superior, oficial de dia, de serviço
ou de quarto, sentinela, vigia ou plantão, de desrespeito a superior, de insubordinação, ou de
deserção.

→ A suspensão não se estende às penas de reforma, suspensão do exercício do posto, graduação ou


função ou à pena acessória.

11. Livramento condicional:

→ Art. 89. O condenado a pena de reclusão ou de detenção por tempo igual ou superior a dois anos
pode ser liberado condicionalmente, desde que: I - tenha cumprido: a) metade da pena, se primário; b)
dois terços, se reincidente; II - tenha reparado, salvo impossibilidade de fazê-lo, o dano causado pelo
crime; III - sua boa conduta durante a execução da pena, sua adaptação ao trabalho e às circunstâncias
atinentes a sua personalidade, ao meio social e à sua vida pregressa permitem supor que não voltará a
delinquir.

→ Se o condenado é primário e menor de vinte e um ou maior de setenta anos, o tempo de


cumprimento da pena pode ser reduzido a 1/3.

COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA MILITAR E CRIME MILITAR PRÓPRIO E IMPRÓPRIO

É também chamada de Justiça Castrense. Diferenciemos a JM da União da JM dos Estados:


1. Classificação dos crimes militares:

→ Crime propriamente militar: É o crime que só pode ser praticado por militar, pois consiste na
violação de deveres que lhe são próprios. Trata-se da infração específica e funcional do militar.

EXEMPLO: Deserção (mais de 8 dias), dormir em serviço, desobediência militar, embriaguez em


serviço.

Atenção: O autor de um crime militar próprio pode ser preso mesmo sem
flagrante delito!

LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e
fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de
transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei;

→ O cidadão civil pode praticar crime militar próprio?

Para a doutrina, o civil não pode praticar um crime propriamente militar.


Para o STF, como “militar” é uma elementar dos crimes propriamente militares, comunica-se ao civil,
desde que agindo em concurso de agentes com o militar (da mesma forma como a qualidade de
servidor público é extensivo no caso de crime de peculato).

→ Crime impropriamente militar: Apesar de ser um crime comum em sua natureza, cuja prática é
possível a qualquer cidadão, civil ou militar, passa a ser considerado militar porque praticado em
certas condições. Ele pode ser praticado tanto pelo civil como pelo militar.

EXEMPLO: Civil entra em uma instituição das forças armadas e roubar armamento.

DICA: Quando estiver na dúvida se o crime é militar ou não (no caso de crime que
está previsto na lei comum. ex: roubo por militar), deve-se analisar o art. 9º do CPM,
que define quais são os crimes militares próprios (em tempo de paz), em seu inciso I,
e os impróprios, em seu inciso II:

Art. 9º Consideram-se crimes militares, em tempo de paz:

Crimes militares próprios:

I - os crimes de que trata este Código, quando definidos de modo diverso na lei
penal comum, ou nela não previstos, qualquer que seja o agente, salvo disposição
especial;

Crimes militares impróprios:

II - os crimes previstos neste Código, embora também o sejam com igual


definição na lei penal comum, quando praticados:

a) por militar em situação de atividade ou assemelhado, contra militar na mesma


situação ou assemelhado;

b) por militar em situação de atividade ou assemelhado, em lugar sujeito à


administração militar, contra militar da reserva, ou reformado, ou assemelhado,
ou CIVIL;

c) por militar em serviço ou atuando em razão da função, em comissão de


natureza militar, ou em formatura, ainda que fora do lugar sujeito à
administração militar contra militar da reserva, ou reformado, ou CIVIL;
d) por militar durante o período de manobras ou exercício, contra militar da
reserva, ou reformado, ou assemelhado, ou CIVIL;

e) por militar em situação de atividade, ou assemelhado, contra o patrimônio sob


a administração militar, ou a ordem administrativa militar;

III - os crimes praticados por militar da reserva, ou reformado, ou por CIVIL,


contra as instituições militares, considerando-se como tais não só os
compreendidos no inciso I, como os do inciso II, nos seguintes casos:

a) contra o patrimônio sob a administração militar, ou contra a ordem


administrativa militar;

b) em lugar sujeito à administração militar contra militar em situação de atividade


ou assemelhado, ou contra funcionário de Ministério militar ou da Justiça
Militar, no exercício de função inerente ao seu cargo;

c) contra militar em formatura, ou durante o período de prontidão, vigilância,


observação, exploração, exercício, acampamento, acantonamento ou manobras;

d) ainda que fora do lugar sujeito à administração militar, contra militar em


função de natureza militar, ou no desempenho de serviço de vigilância, garantia e
preservação da ordem pública, administrativa ou judiciária, quando legalmente
requisitado para aquele fim, ou em obediência a determinação legal superior.

Parágrafo único. Os crimes de que trata este artigo, quando dolosos contra a vida
e cometidos contra civil, serão da competência da justiça comum.
II. Crimes que NÃO são crimes militares:

1. O abuso de autoridade: “O abuso de autoridade praticado pelo militar em serviço NÃO É CRIME
MILITAR, pois não está previsto no CPM, mas na lei 4.898”. Por isso, deve ser julgado pela Justiça
Comum.

#SELIGANASÚMULA: Súmula 172 do STJ – Compete à Justiça Comum processar e julgar militar por
crime de abuso de autoridade, ainda que praticado em serviço.

A Justiça competente será federal ou estadual a depender do agente. EXEMPLO: Se o militar é um


soldado das Forças Armadas, é considerado um funcionário público federal e, portanto, deve ser
julgado perante a Justiça Federal; se praticado por um PM, deve ser julgado pela Justiça Estadual.

OBS: Se, além de ter praticado abuso de autoridade, o militar também houver praticado lesão corporal
em serviço, quem vai julgar?

A lesão corporal é crime militar, enquanto o abuso de autoridade é crime comum. Haverá separação
de processos. Assim, o crime de abuso será julgado pela Justiça Comum, enquanto o crime militar será
julgado pela Justiça Militar.

#SELIGANASÚMULA: Súmula 90 do STJ – Compete à Justiça Estadual Militar processar e julgar o


policial militar pela prática do crime militar, e à comum pela prática do crime comum simultâneo
aquele.
2. Promover ou facilitar a fuga de estabelecimento:
#SELIGANASÚMULA: Súmula 75 do STJ – Compete à Justiça Comum Estadual processar e julgar o
Policial Militar por crime de promover ou facilitar a fuga de preso de estabelecimento penal.

ATENÇÃO – Deve-se ficar atento à natureza do estabelecimento penal do qual o cidadão fugiu:
a) Se o preso estiver em estabelecimento penal de natureza comum (penitenciária, presídio), o crime
será comum (previsto no art. 351 do CP) a competência será da Justiça Comum Estadual.
Art. 351 do CP - Promover ou facilitar a fuga de pessoa legalmente presa ou submetida à medida de
segurança detentiva:

b) No entanto, se esse estabelecimento penal for de natureza militar, o delito será considerado
militar, recaindo a competência sobre a Justiça Militar (art. 178 do CPM).

Art. 178 do CPM. Promover ou facilitar a fuga de pessoa legalmente presa ou submetida a medida de
segurança detentiva:

3. Crime de tortura: está previsto na lei de tortura (9455/97) e, portanto, é um crime comum.

#ATENÇÃO! Crime de tortura praticado contra brasileiro no exterior: trata-se de hipótese de


extraterritorialidade incondicionada (art. 2° da Lei 9·455/97). No Brasil, a competência para julgar
será da Justiça Estadual.

4. Crime do Estatuto do Desarmamento: Todos os crimes previstos no estatuto do desarmamento (Lei


10826/2003) como o porte ilegal de armas de fogo, disparo de arma de fogo etc., são crimes comuns.

5. Crime de pedofilia: está previsto no ECA e, portanto, é um crime comum.

6. O homicídio doloso praticado por militar contra civil: mesmo que o crime seja praticado em
serviço, é julgado pelo Tribunal do Júri (antes da lei 9299/96, era considerado um crime militar).

O art. 9º, parágrafo único, incluído pela lei 9299/96, define que:

Art. 9º, Parágrafo único do CPM. Os crimes de que trata este artigo, quando dolosos contra a vida e
cometidos contra civil, serão da competência da justiça comum.
#IMPORTANTE: Havendo a desclassificação pelos jurados de homicídio doloso para culposo, a
competência será da Justiça Militar (e não do Juiz-Presidente).

7. Crime doloso cometido por militar contra civil com arma da corporação: Justiça Estadual.

Antes da Lei 9299/96, crime cometido com arma da corporação, mesmo não estando o militar em
serviço, era considerado crime militar (gerava seriíssimas críticas). Essa lei acabou revogando esse
crime (que era previsto no art. 9º, III, f, do CPM). Por isso, hoje entende-se que o crime cometido com
arma da corporação será julgado pela Justiça Estadual. Ex: O policial está de férias e pratica um crime
com a arma da corporação.

OBS: A Súmula 47 do STJ está superada! Compete à Justiça Militar processar e julgar crime cometido
por militar contra civil, com emprego de arma pertencente à corporação, mesmo não estando em
serviço.

#IMPORTANTE:
A Justiça militar julga crimes contra a vida em dois casos:
a) Crime de militar da ativa contra militar da ativa;
b) Crime de civil contra militar da ativa:
#LEMBRAR: Só a Justiça Militar da União julga civil.

8. Crimes da Lei de Licitações: Compete à Justiça Comum Federal - e não à Justiça Militar - processar e
julgar a suposta prática, por militar da ativa, de crime previsto apenas na Lei nº 8.666/93 (Lei de
Licitações), ainda que praticado contra a administração militar. STJ. 3ª Seção. CC 146.388-RJ, Rel. Min.
Felix Fischer, julgado em 22/6/2016 (Info 586).

#OBS: O crime licitatório não está previsto no Código Penal Militar, e, embora supostamente
praticado por militar da ativa contra a administração militar, não encontra respaldo para se atribuir a
competência para a Justiça Castrense, uma vez que o art. 9º, inciso II, alínea "e", exige que o crime
esteja expressamente previsto no Código Penal Militar. Também não se poderia aplicar o disposto no
inciso III do art. 9º considerando que, no exemplo dado, o agente não é militar da reserva, reformado
nem civil. E por que a competência é da Justiça Federal comum? Porque o crime foi cometido contra
bem e serviço do Exército, que é um órgão da União. Logo, amolda-se na hipótese prevista no art. 109,
IV, da CF/88.

#SELIGANASÚMULA: Súmula Vinculante 36 – STF: Compete à Justiça Federal comum processar e


julgar civil denunciado pelos crimes de falsificação e de uso de documento falso quando se tratar de
falsificação da Caderneta de Inscrição e Registro (CIR) ou de Carteira de Habilitação de Amador (CHA),
ainda que expedidas pela Marinha do Brasil.

III. Quanto à existência de competência além da criminal:

a) A Justiça Militar da União somente tem competência criminal.


Assim, a ação anulatória de punição disciplinar aplicada ao militar das Forças Armadas deve ser
intentada na Justiça Federal.

b) A Justiça Militar Estadual tem competência para julgar as ações judiciais contra atos disciplinares
militares. A JM Estadual teve sua competência ampliada pela Emenda Constitucional 45, que definiu:
Art. 124, § 4º da CF - Compete à Justiça Militar estadual processar e julgar os policiais militares e
bombeiros militares nos crimes militares, definidos em lei, cabendo ao tribunal competente decidir
sobre a perda do posto e da patente dos oficiais e da graduação das praças.

EXEMPLOS: ação anulatória e habeas corpus contra punição disciplinar.

#ATENÇÃO: A CF diz que não cabe habeas corpus contra a punição disciplinar, mas, na verdade, não
cabe habeas corpus apenas contra o mérito da punição disciplinar, cabendo contra a legalidade (ex:
no caso em que um cabo prende outro cabo, há ilegalidade).

A ação de improbidade administrativa contra o PM é da competência da Justiça Comum, porque não


é considerada uma ação judicial contra ato disciplinar. Essa ação de improbidade deverá ser julgada
pela justiça comum.

Da mesma forma, não é possível ajuizar ação de reparação civil por crime militar na Justiça Militar
Estadual ou da União.
#ATENÇÃO: A Justiça Militar Estadual tem competência para julgar as ações judiciais contra atos
disciplinares militares.

IV. Quem pode ser julgado pela Justiça Militar?

a) A Justiça Militar da União pode julgar tanto MILITARES quanto CIVIS.


a.1) Militar: Para a Justiça Militar da União, é o militar da ativa das Forças Armadas. O militar
reformado ou da reserva não é considerado militar, para esses fins.

Militar da ativa é o militar vinculado às Forças Armadas (mesmo que esteja de férias, ou em repouso
semanal).

a.2) Civil: Para a Justiça Militar da União, são civis as pessoas comuns, os militares estaduais e os
militares da reserva (aposentado) e reformados (aposentadoria por invalidez) das Forças Armadas.

b) A Justiça Militar Estadual só julga MILITARES dos Estados, não julgando civis:
Os militares dos Estados são os policiais militares (PM), Corpo de Bombeiro e os Policiais Rodoviários
Estaduais.

#ATENÇÃO: Militar da reserva ou reformado não será julgado pela Justiça Militar do Estado, porque é
considerado civil.

A condição de militar do Estado tem que ser aferida de acordo com o tempus delicti (no tempo do
delito). Ainda que depois o militar se aposente ou venha a ser excluído, continuará sendo julgado pela
Justiça Militar, se o era à época do crime. #LEMBRAR: No TEMPO, aplica-se a teoria da ATIVIDADE
(“luTA”).

#ATENÇÃO: O guarda metropolitano não é considerado militar.


O soldado PM voluntário também não é considerado militar. Ele é um soldado que presta serviço
meramente administrativo. Não exerce atividades ostensivas.

#DESDOBRAMENTO:
Ao contrário da Justiça Militar da União, que pode julgar civis, a Justiça Militar do Estado jamais
poderá julgar civil. Assim:

Se o crime for praticado em coautoria por um militar e um civil, como o civil não pode ser julgado na
Justiça Militar Estadual, deverá haver a separação dos processos. Ex: Civil e militar praticam estupro
no estabelecimento militar estadual.
A súmula 53 do STJ trata dessa separação:
#SELIGANASÚMULA: Súmula 53 – STJ. Compete à Justiça Comum Estadual processar a julgar civil
acusado de pratica de crime contra instituições militares estaduais.

Outro exemplo de aplicação dessa súmula é o caso do civil que subtrai armamento de militar. O civil
pode ser julgado na Justiça Militar da União pelo furto contra a União. Mas se o civil houver praticado
crime contra a corporação estadual deverá ser julgado pela Justiça Comum Estadual.

V. Competência territorial da Justiça Militar Estadual:

A competência territorial da Justiça Militar Estadual é definida pelo local onde o policial desempenha
suas funções, independentemente do Estado da federação onde o crime veio a consumar‐se. Ou seja,
será competente sempre a Justiça Militar da corporação do PM que cometeu o crime:

#SELIGANASÚMULA: Súmula 78 do STJ – Compete à Justiça Militar processar e julgar policial de


Corporação Estadual, ainda que o delito tenha sido praticado em outra unidade federativa.

VI. Quanto ao órgão jurisdicional:

• Na Justiça Militar da União só há um órgão jurisdicional: o militar é julgado por um Conselho de


Justiça, que é composto por um juiz-auditor (juiz civil concursado) e 04 militares (todos oficiais).

• Na Justiça Militar Estadual há dois órgãos jurisdicionais:


a) Juiz de direito do juízo militar – irá julgar singularmente: os crimes militares cometidos contra civis e
as ações judiciais contra atos disciplinares de militares.
b) Conselho de Justiça (composto por 04 militares oficiais + juiz de direito do juízo militar) – irá julgar
os demais crimes militares.
VII. Quanto ao julgamento dos recursos:

• Quem exerce as funções de juízo ad quem na Justiça Militar da União é o STM (Superior Tribunal
Militar).

Apesar de ele ser um Tribunal Superior, com sede em Brasília, vai atuar como tribunal de segunda
instância (vai julgar recursos em sentido estrito, apelação e correições parciais).

• Na Justiça Militar Estadual, o juízo ad quem será o TJM, onde houver, ou o próprio TJ.

Somente três Estados possuem TJM: MG, SP e RS – no PR existe previsão legal do TJM, mas ele ainda
não foi implementado.

VIII. Atuação do MP:

• Na Justiça Militar da União, quem atua como Ministério Público é o Ministério Público Militar (que
faz parte do MPU, juntamente com o MPF, MPT, MPDFT e MPM).

• Na Justiça Militar do Estado, quem atua como Ministério Público é o Ministério Público Estadual,
pois não há MP específico.

IX. Aberratio Ictus e fixação da competência:

Cuidado para não confundir: No caso de aberratio ictus (erro na execução), somente no que concerne
ao direito penal material leva-se em consideração a vítima virtual (quem se queria matar).

#ALERTA para nunca mais esquecer: A competência é matéria de direito processual sempre fixada
com base em critérios objetivos, pouco importando a intenção do agente. Assim, a competência deve
ser definida pela VÍTIMA REAL.

DIREITO PENAL MATERIAL DIREITO PROCESSUAL PENAL


Leva-se em conta a vítima VIRTUAL Leva-se em conta a vítima REAL

→ Importante: E caso haja conexão de um crime eleitoral com um crime contra a vida, o que
aconteceria?
A questão é bastante controversa, mas a corrente majoritária afirma que como ambas a competência
vem previstas na Constituição, o ideal é que o crime eleitoral seja julgado pela Justiça Eleitoral,
enquanto que o crime contra a vida seja julgado pelo Tribunal do Júri. Dessa forma, somente a
separação dos processos garantiria o respeito a ambas as regras fixadas pela CF.

JURISPRUDÊNCIA SOBRE CPM

→ CONDENAÇÃO CRIMINAL E PERDA DO CARGO DE OFICIAL E PRAÇA:

● Se um praça (exs: soldados, cabos) for condenada por crime militar com pena superior a 2 anos,
receberá, como pena acessória, a sua exclusão das Forças Armadas mesmo sem que tenha sido
instaurado processo específico para decidir essa perda?
SIM. A pena acessória de perda do cargo pode ser aplicada a PRAÇAS mesmo sem processo específico
para que seja imposta. Trata-se de uma pena acessória da condenação criminal.

● E se um OFICIAL for condenado?


Neste caso, será necessário um processo específico para que lhe seja imposta a perda do posto e da
patente (art. 142, § 3º, VI e VII, da CF/88). Para que haja a perda do posto e da patente do Oficial
condenado a pena superior a 2 anos, é necessário que, além do processo criminal, ele seja submetido
a novo julgamento perante Tribunal Militar de caráter permanente para decidir apenas essa perda.
STF. Plenário. RE 447859/MS, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 21/5/2015 (Info 786).

#RELEMBRE: A perda de posto e patente resulta da condenação a pena privativa de liberdade por
tempo superior a dois anos, e importa a perda das condecorações.

→ DESCUMPRIMENTO DE MISSÃO: A ausência injustificada nos dias em que o militar tenha sido
designado para a função específica de comando de patrulhas configura o crime de descumprimento
de missão. STJ. 6ª Turma. REsp 1.301.155-SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 22/4/2014 (Info
540).

→ INCITAMENTO À DESOBEDIÊNCIA (ART. 155 DO CPM) O militar que distribui panfletos com críticas
ao salário e à excessiva jornada de trabalho não comete o crime de incitamento à desobediência
(CPM, art. 155) e, tampouco, o de publicação ou crítica indevida às Forças Armadas (CPM, art.166).
STF. 2ª Turma. HC 106808/RN, rel. Min. Gilmar Mendes, 9/4/2013. (Info 701)
→ EXTORSÃO MEDIANTE SEQUESTRO (ART. 244 DO CPM) Para que se configure a extorsão mediante
sequestro prevista no art. 244 do Código Penal Militar, NÃO É necessário que a privação da liberdade
da vítima se estenda por longo intervalo de tempo. STJ. 5ª Turma. HC 262.054-RJ, Rel. Min. Jorge
Mussi, julgado em 2/4/2013 (Info 518).

→ DESERÇÃO (ART. 187 DO CPM) E PRAZO PRESCRICIONAL: O crime de deserção (art. 187 do CPM) é
permanente, e a prescrição se inicia com a cessação da referida permanência, ou seja, com a captura
ou a apresentação voluntária do militar. STF. 2ª Turma. HC 112511/PE, rel. Min. Ricardo Lewandowski,
2/10/2012.

→ PERÍODO DE GRAÇA E CONFIGURAÇÃO DO CRIME DE DESERÇÃO: Eventual equívoco na lavratura


do Termo de Deserção apenas tem o condão de afastar a tipicidade da conduta quando, a partir dele,
as forças armadas excluírem o militar durante o período de graça. A literalidade do art. 452 do CPPM
deixa claro que o Termo de Deserção tem o caráter de instrução provisória e destina-se a fornecer os
elementos necessários à propositura da ação penal, não significando prova definitiva, que será
formada durante a instrução, sob o crivo do contraditório e da ampla defesa. STF. 2ª Turma. HC
126520/RJ, Rei. Min. Teor i Zavascki, julgado em 5/5/2015 (lnfo 784).

→ PRESCRIÇÃO NA DESERÇÃO: Como ocorre a prescrição no caso do crime de deserção:


• Se o agente praticou a deserção, mas depois foi reincorporado ao serviço militar: no dia em que
ele reapareceu, inicia-se o prazo prescricional, nos termos do art.125 do CPM;
• Se o desertor ainda não foi capturado nem se apresentou à corporação: aplica-se a regra especial
prevista no art. 132 do CPM. Esse artigo determina que, mesmo o agente não reaparecendo, haverá
prescrição quando ele completar 45 anos (se não tiver patente de oficial); se for oficial, a prescrição
ocorre quando atingir 60 anos.

#IMPORTANTE: O STF entende que o art. 132 do CPM é compatível com a CF/88. STF. 1ª Turma. (Info
774).

→ ATO LIBIDINOSO (ART. 235 DO CPM): AÇÃO PENAL E PRESCRIÇÃO:


I – O crime militar de “ato de libidinagem” é de ação penal pública incondicionada.
II – Embora o CPM faça referência expressa somente à sentença penal, o acórdão condenatório que
reforma a sentença absolutória também tem o condão de interromper lapso prescricional.
III – Nos crimes contra os costumes, o depoimento da vítima ganha maior importância, de forma que a
narrativa firme e harmônica da vítima possui significativo valor probatório. STF. 2ª Turma. HC
109390/MS, rel. Min. Gilmar Mendes, 18/9/2012.

→ CONSUMO DE SUBSTÂNCIA ENTORPECENTE (ART. 290 DO CPM) Militar que, no interior de


estabelecimento sujeito à administração castrense, inala tolueno (principal componente da “cola de
sapateiro”), responde pelo delito do art. 290 do CPM e não pelo crime do art. 28 da Lei n.° 11.343/2006.
STF. 1ª Turma. RHC 98323/MG, rel. Min. Marco Aurélio, 6/3/2012.

→ VIOLAÇÃO DE SIGILO FUNCIONAL (ART. 326 DO CPM): É possível que o militar responda pelo art.
326 do CPM e pelo art. 37 da Lei de Drogas, sem que isso configure bis in idem. STF. 2ª Turma. RHC
108491/MG, rel. Min. Gilmar Mendes, 28/2/2012.

→ ABANDONO DE POSTO: O fato de abandonar o serviço e praticar a deserção, dentro de um mesmo


contexto fático, não implica duas ações autônomas, incidindo, na hipótese, o fenômeno da absorção
de um crime por outro, uma vez que o abandono afigurou-se meio necessário à consecução do delito
de deserção. STF. 2ª Turma. RHC 125112/RJ, Rei. Min. Gilmar Mendes, julgado em 10/2/2014 (lnfo 774).

→ DELITO DE PEDERASTIA E CONSTITUCIONALIDADE: O tipo penal do art. 235 do CPM continua


sendo crime mesmo com a CF/88. No entanto, devem ser consideradas incompatíveis com a CF/88 as
expressões empregadas que falem em homossexualismo. Isso porque o crime em tela se configura
tanto quando o militar pratica relação sexual com alguém do mesmo sexo, como também de sexo
diferente, não devendo haver distinção de tratamento.

#OLHAOGANCHO: Tal julgado tem relação com a teoria do impacto desproporcional (tema que pode
ser cobrado em direitos humanos).
De maneira muito interessante, a teoria do impacto desproporcional foi utilizada no voto do
Eminente Ministro Luís Roberto Barroso como um argumento contrário à recepção do crime de
pederastia: “Torna-se, assim, evidente que o dispositivo, embora em tese aplicável indistintamente a
atos libidinosos homo ou heterossexuais, é, na prática, empregado de forma discriminatória,
produzindo maior impacto sobre militares gays. Esta é, portanto, uma típica hipótese de
discriminação indireta, relacionada à teoria do impacto desproporcional (disparate impact),
originária da jurisprudência norte-americana. Tal teoria reconhece que normas pretensamente
neutras podem gerar efeitos práticos sistematicamente prejudiciais a um determinado grupo, sendo
manifestamente incompatíveis com o princípio da igualdade”.
#LEMBRAR: A teoria do impacto desproporcional, adotada no Brasil, permite que se constatem
violações ao princípio da igualdade quando os efeitos práticos de determinadas normas, de caráter
aparentemente neutro, causem dano excessivo, ainda que não intencional, aos integrantes de
determinados grupos vulneráveis. Logo, percebe-se que a teoria do impacto desproporcional é a
manifestação clara e evidente de uma discriminação indireta.

→ Compete à Justiça Militar julgar a conduta de civil que saca indevidamente valores oriundos de
pensão militar.

Compete à Justiça Militar julgar a conduta de ex-militar acusado do crime de “apropriação de coisa
havida acidentalmente” (art. 249 do CPM) pelo fato de ele, mesmo depois de desincorporado das
fileiras, ter continuado sacando o soldo que era depositado por engano em sua conta. STF. 2ª Turma.
HC 136539/AM, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 04/10/2016 (Info 842).

DIREITO PROCESSUAL PENAL MILITAR 14

INQUÉRITO POLICIAL

a) Conceito: Trata-se do procedimento administrativo, inquisitório e preparatório, presidido pela


Polícia Judiciária Militar, cujo objetivo é a identificação de fontes de prova e colheita de elementos
informativos quanto à autoria e à materialidade de crimes militares, a fim de que o titular da ação
penal possa ingressar em Juízo.

A Polícia Militar não exerce apenas a função ostensiva, já que possui essa função investigativa.

Segundo o art. 8º do CPPM, compete à Polícia Judiciária Militar: (i) apurar os crimes militares, bem
como os que, por lei especial, estão sujeitos à jurisdição militar, e sua autoria; (ii) prestar aos órgãos e
juízes da Justiça Militar e aos membros do Ministério Público as informações necessárias à instrução e

14 Por Fernanda Evlaine e Bruna Daronch


julgamento dos processos, bem como realizar as diligências que por eles lhe forem requisitadas; (iii)
cumprir os mandados de prisão expedidos pela Justiça Militar; (iv) representar a autoridades
judiciárias militares acerca da prisão preventiva e da insanidade mental do indiciado; (v) cumprir as
determinações da Justiça Militar relativas aos presos sob sua guarda e responsabilidade, bem como as
demais prescrições deste Código, nesse sentido; (vi) solicitar das autoridades civis as informações e
medidas que julgar úteis à elucidação das infrações penais, que esteja a seu cargo; (vii) requisitar da
polícia civil e das repartições técnicas civis as pesquisas e exames necessários ao complemento e
subsídio de inquérito policial militar; (viii) atender, com observância dos regulamentos militares, a
pedido de apresentação de militar ou funcionário de repartição militar à autoridade civil competente,
desde que legal e fundamentado o pedido.

Em regra, essas atribuições da Polícia Judiciária Militar são exercidas pelos Comandantes (antigos
ministros) das Organizações Militares (OM’S), segundo art. 7º do CPPM. Contudo, esses Comandantes
podem delegar suas atribuições a um encarregado (como se fosse o “Delegado da Polícia Civil ou da
Polícia Federal”), segundo art. 7º, §1º, CPPM.

#ATENÇÃO: Este encarregado deve ser Oficial de posto mais elevado do acusado e deve estar na
ativa, segundo art. 7º, §2º, CPPM.
#FIQUE LIGADO: Se os Oficiais estiverem no mesmo posto, o encarregado deve ser o Oficial mais
antigo, segundo art. 7º, §3º, CPPM.

b) Prazo para a conclusão do IPM (art. 20, CPPM):


Réu solto Réu preso
40 dias, prorrogáveis por mais 20 dias 20 dias improrrogáveis, contados da
(40+20). ordem de prisão (somente 20).

c) Incomunicabilidade do investigado preso: Salienta-se, contudo, que o art. 17 do CPPM não foi
recepcionado pela Constituição Federal de 1988, tendo em vista que sequer em estado de defesa essa
medida de incomunicabilidade é viável.

d) Detenção do investigado:
Art. 18. Independentemente de flagrante delito, o indiciado poderá ficar detido, durante as
investigações policiais, até trinta dias, comunicando-se a detenção à autoridade judiciária
competente. Esse prazo poderá ser prorrogado, por mais vinte dias, pelo comandante da Região,
Distrito Naval ou Zona Aérea, mediante solicitação fundamentada do encarregado do inquérito e por
via hierárquica.

Segundo o art. 18, a detenção é feita sem a prévia análise da autoridade competente,
independentemente de flagrante. Aparentemente, este dispositivo não foi recepcionado pela CF/1988.
No entanto, deve-se ater a um “pequeno” detalhe:

Art. 5º. [...] LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada
de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente
militar, definidos em lei;

Portanto, diante do art. 5º, inciso LXI, da CF, ainda que não haja flagrante delito ou prévia autorização
judicial, a prisão do militar, sem autorização judicial, poderá ocorrer nos casos de transgressão
militar, transgressão disciplinar ou crimes propriamente militares. Isso ocorre, por exemplo, no
crime de deserção.

No caso de crimes impropriamente militares, não é cabível a detenção do art. 18 do CPPM, já que a CF
não permite tal atitude.

e) Suficiência do auto de prisão em flagrante delito: Trata-se de uma peculiaridade do CPPM, já que
não existe no CPP.
Art. 27. Se, por si só, for suficiente para a elucidação do fato e sua autoria, o auto de flagrante delito
constituirá o inquérito, dispensando outras diligências, salvo o exame de corpo de delito no crime
que deixe vestígios, a identificação da coisa e a sua avaliação, quando o seu valor influir na aplicação
da pena. A remessa dos autos, com breve relatório da autoridade policial militar, far-se-á sem demora
ao juiz competente, nos termos do art. 20.

f) A inexistência do “arquivamento indireto” na Justiça Militar:


CPP CPPM
Se o Juiz não concorda com a arguição Ao contrário do CPP, o CPPM prevê o
de incompetência feita pelo MP, deve cabimento de recurso contra a decisão
tratar esse pedido como espécie de do Juiz que não acolhe a arguição de
arquivamento indireto, aplicando-se, incompetência.
por analogia, o art. 28 do CPP.
Considerando a existência de recurso,
Desse modo, não há previsão de entende-se que no CPPM a figura do
qualquer recurso contra a decisão do arquivamento indireto não incide.
Juiz.
Imagine que o Promotor solicite a Art. 146. O órgão do Ministério Público
declinação da competência ao invés de poderá alegar a incompetência do juízo,
oferecer a denúncia. Em razão disso, a antes de oferecer a denúncia. A
doutrina aduz que esse ato é de arguição será apreciada pelo auditor,
arquivamento indireto (não se em primeira instância; e, no Superior
oferece denúncia, pois requer que isso Tribunal Militar, pelo relator, em se
seja feito no órgão competência). Se o tratando de processo originário. Em
Juiz não concordar e achar que possui ambos os casos, se rejeitada a
competência para o julgamento do arguição, poderá, pelo órgão do
crime, ele deve aplicar as disposições Ministério Público, ser impetrado
do art. 28 do CPP, remetendo os autos recurso, nos próprios autos, para
ao Procurador de Justiça. aquele Tribunal.

Mais uma vez, entende-se que o


recurso é inominado e será julgado
pelo STM (no caso de JMU) ou pelo
respectivo Tribunal de Justiça Militar
(se houver auditoria militar, como
ocorre no RS) ou, ainda, pelo Tribunal
de Justiça (nas demais localidades).

PONTOS PRINCIPAIS
1. Aplicação da Lei Processual Penal Militar:

As regras procedimentais estão contidas no CPPM tanto em tempo de guerra quanto em tempo de
paz. Assim, pode-se dizer que não há regras criadas para regime excepcional, como no caso de guerra
declarada.
Art. 1º O processo penal militar reger-se-á pelas normas contidas neste Código, assim em tempo de paz
como em tempo de guerra, salvo legislação especial que lhe for estritamente aplicável.

No caso de conflito entre as normas do CPPM e os tratados e convenções internacionais, prevalecerão


essas últimas (art. 1º, §1º, CPP).

O CPPM deve ser interpretado no sentido literal de sua expressão. Todavia, para beneficiar o acusado,
é admite a intepretação extensiva, desde que não afronte os princípios processuais penais militares,
que têm como parâmetros maiores a preservação da hierarquia e disciplina.

Nos casos omissivos, aplicam-se: (i) CPPM; (ii) jurisprudência; (iii) usos e costumes MILITARES; (iv)
princípios gerais de Direito; (v) analogia.

2. Emendatio Libelli no CPPM:

→ No sistema do CPPM o emendatio libelli NÃO pode ocorrer sem a chance de oportunizar ao réu
possibilidade de defesa, bem como sem que o MPM tenha formulado suas alegações escritas
requerendo a nova capitulação jurídica do fato.

Atenção: No CPP, o emendatio libelli pode ocorrer sem que seja dada a parte oportunidade de se
manifestar, já que se entende que o réu defende-se dos fatos e não da capitulação jurídica.

Código de Processo Penal Militar

Definição do fato pelo Conselho

Art. 437. O Conselho de Justiça poderá:


a) dar ao fato definição jurídica diversa da que constar na denúncia, ainda que,
em consequência, tenha de aplicar pena mais grave, desde que aquela
definição haja sido formulada pelo Ministério Público em alegações escritas e
a outra parte tenha tido a oportunidade de respondê-la;

Código de Processo Penal

Art. 383. O juiz, sem modificar a descrição do fato contida na denúncia ou


queixa, poderá atribuir-lhe definição jurídica diversa, ainda que, em
consequência, tenha de aplicar pena mais grave. (Redação dada pela Lei nº
11.719, de 2008).

3. Questão prejudicial:

→ Não há que se falar em suspensão obrigatória no Processo Penal Militar no que tange o estado civil
das pessoas. Vejamos o que dispõe o CPPM:

Estado civil da pessoa


Art. 123. Se a questão prejudicial versar sobre estado civil de pessoa envolvida no processo, o juiz:
a) decidirá se a arguição é séria e se está fundada em lei;

Alegação irrelevante
b) se entender que a alegação é irrelevante ou que não tem fundamento legal, prosseguirá no feito;

Alegação séria e fundada


c) se reputar a alegação séria e fundada, colherá as provas inadiáveis e, em seguida, suspenderá o
processo, até que, no juízo cível, seja a questão prejudicial dirimida por sentença transitada em
julgado, sem prejuízo, entretanto, da inquirição de testemunhas e de outras provas que independam
da solução no outro juízo.

→ Ou seja, a alegação, segundo o CPPM, poderá ser considerada irrelevante ou séria e fundada.
Somente, na segunda hipótese, é que haverá a suspensão do processo.

4. Interrogatório no CPPM:
CPP (art. 400) CPPM (art. 302)
O art. 400 do CPP foi alterado pela Lei nº O art. 302 do CPPM estabelece que
11.719/2008 e, atualmente, o interrogatório o acusado será qualificado e
deve ser feito depois da inquirição das interrogado antes de ouvidas as
testemunhas e da realização das demais testemunhas.
provas. Em suma, pela previsão do CPPM, o
Em suma, o interrogatório passou a ser o interrogatório é o primeiro ato da
último ato da audiência de instrução instrução.
(segundo a antiga previsão, o interrogatório
era o primeiro ato).

#ATENÇÃO #DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA: Apesar da disposição do CPPM, o STF entende ser mais


condizente com o contraditório e a ampla defesa a aplicação da nova redação do art. 400 do CPP ao
processo penal militar. Todavia, fixou também, por questões de segurança jurídica, que a tese fixada
(interrogatório como último ato da instrução no processo penal militar) só se tornou obrigatória a
partir da data de publicação da ata do julgamento (10/03/2016). Os interrogatórios anteriores ao
julgamento são válidos.

#APROFUNDAMENTO: O CPPM não prevê expressamente a possibilidade de interrogatório por meio


de carta precatória, mas é possível a sua realização pela aplicação subsidiária do CPP.15

5. Menagem:

→ A menagem (“homenagem”, juramento prestado por alguém), é uma medida cautelar que evita o
recolhimento provisório do acusado, substituindo a prisão cautelar. É prevista no art. 263 e seguintes
do CPPM:

Competência e requisitos para a concessão

15
STF. 1ª Turma. HC 115189/AM, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 3/5/2016 (Info 824)
Art. 263. A menagem poderá ser concedida pelo juiz, nos crimes cujo máximo da pena privativa da
liberdade não exceda a quatro anos, tendo-se, porém, em atenção a natureza do crime e os
antecedentes do acusado.

Lugar da menagem

Art. 264. A menagem a militar poderá efetuar-se no lugar em que residia quando ocorreu o crime ou
seja sede do juízo que o estiver apurando, ou, atendido o seu posto ou graduação, em quartel, navio,
acampamento, ou em estabelecimento ou sede de órgão militar. A menagem a civil será no lugar da
sede do juízo, ou em lugar sujeito à administração militar, se assim o entender necessário a
autoridade que a conceder.

Cassação da menagem

Art. 265. Será cassada a menagem àquele que se retirar do lugar para o qual foi ela concedida, ou
faltar, sem causa justificada, a qualquer ato judicial para que tenha sido intimado ou a que deva
comparecer independentemente de intimação especial.

Esquema da menagem:

Liberdade Prisão
Em residência para Militar Em quartel para Militar
Em cidade para Civil Em lugar sujeito a administração
militar para civil

6. Rito Processual Ordinário no CPPM:

#LEMBRAR: Inaplicação da Lei 9.099/95 na Justiça Militar: O art. 90-A da Lei 9.099/95 aduz que o rito
dos Juizados não é aplicável à Justiça Militar, pois a os benefícios de composição civil dos danos, de
transação penal e de suspensão condicional do processo seriam incompatíveis com os princípios da
hierarquia e da disciplina.

1. Recebimento da denúncia:

Início do processo ordinário


Art. 396. O processo ordinário inicia-se com o recebimento da denúncia.

#OBS: O recebimento da denúncia é uma decisão monocrática do Juiz-auditor.

2. Instalação do Conselho:

São adotadas as providências do art. 399: sorteio ou conselho, instalação do Conselho, Citação do
acusado e do procurador militar e intimação das testemunhas arroladas e do ofendido.

OBS: Vem o primeiro ato que é o interrogatório do Réu. No CPPM, não temos uma audiência única
(como no processo comum).

→ O conselho de Justiça é composto por 4 juízes militares e um juiz togado (auditor). Art. 400 CPPM.
O juiz auditor conduz o interrogatório (sistema presidencialista).

→ O interrogatório é designado com pelo menos 7 dias após a instauração do conselho.

3. Interrogatório:

Designação para a qualificação e interrogatório

Art. 402. Prestado o compromisso pelo Conselho de Justiça, o auditor poderá, desde logo, se
presentes as partes e cumprida a citação prevista no art. 277, designar lugar, dia e hora para a
qualificação e interrogatório do acusado, que se efetuará pelo menos sete dias após a designação.

4. Prova da acusação:

Precedência na inquirição

Art. 417. Serão ouvidas, em primeiro lugar, as testemunhas arroladas na denúncia e as referidas por
estas, além das que forem substituídas ou incluídas posteriormente pelo Ministério Público, de acordo
com o § 4º deste artigo. Após estas, serão ouvidas as testemunhas indicadas pela defesa.

5. Prova de Defesa:

→ No rito do CPPM não há resposta à acusação. Assim, as testemunhas de defesa deverão ser
arroladas em até 05 dias após a oitiva da última testemunha de acusação.

#ATENÇÃO: O acusado preso tem direito a sempre ser intimado PESSOALMENTE de todos os atos
(pelo menos 03 dias de antecedência).
Notificação prévia

Art. 421. Nenhuma testemunha será inquirida sem que, com três dias de antecedência pelo menos,
sejam notificados o representante do Ministério Público, o advogado e o acusado, se estiver preso.

Até o presente momento temos o seguinte:

Recebimento da denúncia

Providências do art. 399

Interrogatório (art. 402)

Após 07 dias da instauração do conselho – Em até 48 horas, pode opor exceções (art. 408 CPPM).

Prova da acusação

Prova de Defesa

Em até cinco dias:


6. Diligências:

→ Terminadas as inquirições temos a realização de diligencias. O juiz irá deferir as diligências que
surgirem da instrução após a última testemunha de defesa (em 05 dias para cada parte).

7. Alegações Finais:

→ As alegações finais serão escritas (art. 428 CPPM) em 08 dias sucessivamente MP, assistente (se
houver após o MP) e defesa.

→ No caso de mais de 05 acusados, 12 dias se tiverem advogados diferentes. Se recebidas fora do


prazo, o auditor mandará desentranhar as alegações finais dos autos.

#IMPORTANTE: As alegações finais escritas da defesa não são obrigatórias, pois haverá oportunidade
de sustentação oral na sessão de julgamento.

8. Saneamento do processo:
→ O Juiz Auditor poderá ordenar diligências para sanar nulidade ou suprir falta prejudicial ao
esclarecimento da verdade. (art. 430).

9. Sessão de Julgamento:

→ Na sessão de julgamento todos os juízes devem estar presentes para que o presidente declare
aberta a sessão e mande apresentar o acusado.

● Sustentação oral da acusação e da defesa;

● Pronunciamento dos juízes: Quem vota primeiro é o auditor e depois os militares em ordem
inversa de hierarquia.

● Voto médio (Quando for o caso).

Diversidade de votos

Art. 435, Parágrafo único. Quando, pela diversidade de votos, não se puder constituir maioria para a
aplicação da pena, entender-se-á que o juiz que tiver votado por pena maior, ou mais grave, terá
virtualmente votado por pena imediatamente menor ou menos grave.

● Emendatio Libelli (Quando for o caso)

#OBS: O CPPM não prevê o Mutatio Libelli, mas a Doutrina entende ser possível a sua aplicação.

● Promulgação da sentença.

Qual a medida a ser tomada em face do indeferimento do pedido de habilitação do assistente de


acusação?

CPP CPPM
Não há previsão legal de recurso Há previsão de cabimento de recurso
adequado. Por isso, admite-se a inominado.
impetração de MS.

Art. 65. [...] §2º O recurso do


despacho que indeferir a
assistência não terá efeito
suspensivo, processando-se em
autos apartados. Se provido, o
assistente será admitido ao
processo no estado em que este se
encontrar.

JURISPRUDÊNCIA SOBRE CPPM

→ É ilegal Portaria expedida por Juiz-Auditor Militar na qual ele afirma que os pedidos de
arquivamento de procedimento investigatório criminal instaurados pela Procuradoria de Justiça
Militar não devem ser recebidos ou distribuídos pela Justiça Militar.

→ CORREIÇÃO PARCIAL: É incabível o manejo de correição parcial para rever decisão que declarou
extinta a punibilidade do réu pelo reconhecimento da prescrição. A correição de processos findos
somente é possível para verificar eventuais irregularidades ou falhas administrativas a serem
corrigidas no âmbito da Justiça Militar.

DESERÇÃO GERAL vs ESPECIAL

→ Deserção

Art. 187. Ausentar-se o militar, sem licença, da unidade em que serve, ou do lugar em que deve
permanecer, por mais de oito dias:

Pena - detenção, de seis meses a dois anos; se oficial, a pena é agravada.

→ A deserção genérica do (art. 187 CPM) - ausência por MAIS de 08 dias. O sujeito falta, e é lavrada
parte de ausência no dia da falta (D).

→ Neste dia (D), o quartel toma providências para localizar o faltoso. No dia seguinte, 0h, começa a
contar o período de graça (08 dias). A deserção se consuma quando se ausenta por mais de 08 dias.

#MACETE:
OBS: No caso do exemplo, a deserção só se consuma no dia 22, após o fim do período de graça!

#LEMBRAR: A deserção é crime permanente.

→ Deserção especial:

Art. 190. Deixar o militar de apresentar-se no momento da partida do navio ou aeronave, de que é
tripulante, ou do deslocamento da unidade ou força em que serve: (Redação dada pela Lei nº 9.764,
de 18.12.1998)
Pena - detenção, até três meses, se após a partida ou deslocamento se apresentar, dentro de vinte e
quatro horas, à autoridade militar do lugar, ou, na falta desta, à autoridade policial, para ser
comunicada a apresentação ao comando militar competente. (Redação dada pela Lei nº 9.764, de
18.12.1998)
§ 1º Se a apresentação se der dentro de prazo superior a vinte e quatro horas e não excedente a cinco
dias:
Pena - detenção, de dois a oito meses.
§ 2o Se superior a cinco dias e não excedente a oito dias: (Redação dada pela Lei nº 9.764, de
18.12.1998)
Pena - detenção, de três meses a um ano.
§ 2o-A. Se superior a oito dias: (Incluído pela Lei nº 9.764, de 18.12.1998)
Pena - detenção, de seis meses a dois anos.
→ Neste caso, a lavratura do auto será imediata.

→ Atenção aos efeitos do termo de deserção:

● O termo de deserção tem o caráter de instrução provisória. O termo de deserção serve para
colher os elementos para a propositura para a ação penal (Substitui o IPM).

● Não existe inquérito na deserção.

● O Crime é permanente. Feita a lavratura, consumou o delito. Assim, a prisão se justifica porque é
crime propriamente militar, permanente e independe de ordem judicial.

CPPM:

Art. 451. Consumado o crime de deserção, nos casos previsto na lei penal militar, o comandante da
unidade, ou autoridade correspondente, ou ainda autoridade superior, fará lavrar o respectivo termo,
imediatamente, que poderá ser impresso ou datilografado, sendo por ele assinado e por duas
testemunhas idôneas, além do militar incumbido da lavratura. (Redação dada pela Lei nº 8.236, de
20.9.1991)
§ 1º A contagem dos dias de ausência, para efeito da lavratura do termo de deserção, iniciar-se-á a zero
hora do dia seguinte àquele em que for verificada a falta injustificada do militar. (Redação dada pela
Lei nº 8.236, de 20.9.1991)
§ 2º No caso de deserção especial, prevista no art. 190 do Código Penal Militar, a lavratura do termo
será, também, imediata. (Redação dada pela Lei nº 8.236, de 20.9.1991)
Art. 452. O termo de deserção tem o caráter de instrução provisória e destina-se a fornecer os
elementos necessários à propositura da ação penal, sujeitando, desde logo, o desertor à prisão.
(Redação dada pela Lei nº 8.236, de 20.9.1991)