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1.

Espcex (Aman) 2011 Tinham uma perspectiva biológica do mundo reduzindo,


muitas vezes, o homem à condição animal, colocando o
"Cultivado no Brasil por Machado de Assis, é uma narrativa
instinto sobre a razão. Os aspectos desagradáveis e
voltada para a análise psicológica e crítica da sociedade a
repulsivos da condição humana são valorizados, como uma
partir do comportamento de determinados personagens".
forma de reação ao idealismo romântico.
O texto acima refere-se ao romance (OLIVEIRA, CIenir Bellezi de. Arte literária: Portugal / Brasil.
São Paulo: Moderna, 1999.)
a. sertanejo.
A sociedade é um grande laboratório onde o ser humano é
b. fantástico.
observado agindo por instinto e, portanto desprovido de
c. histórico. livre-arbítrio.
d. realista. Assinale a alternativa que informa o periodo literário a que o
e. romântico. texto se refere, um autor do mesmo período e sua respectiva
obra.

2. FUVEST 2010 a. Realismo, Machado de Assis, Dom Casmurro.

- (...) É uma bela moça, mas uma bruta... Não há ali mais b. Naturalismo. Aluísio Azevedo, O Cortiço.
poesia, nem mais sensibilidade, nem mesmo mais beleza do c. Simbolismo, Cruz e Souza, Missal e Broquéis.
que numa linda vaca turina. Merece o seu nome de Ana
Vaqueira. Trabalha bem, digere bem, concebe bem. Para d. Modernismo, Jorge Amado, Capitães da Areia.
isso a fez a Natureza, assim sã e rija; e ela cumpre. O e. Pós-modernismo, Guimarães Rosa, Grande Sertão:
marido todavia não parece contente, porque a desanca. Veredas.
Também é um belo bruto... Não, meu filho, a serra é
maravilhosa e muito grato lhe estou... Mas temos aqui a
fêmea em toda a sua animalidade e o macho em todo o seu 4. ENEM 2017
egoísmo... — Recusei a mão de minha filha, porque o senhor é...filho de
Eça de Queirós, A cidade e as serras. uma escrava.
— Eu?
Neste excerto, o julgamento expresso por Jacinto, ao falar
de um casal que o serve em sua quinta de Tormes, — O senhor é um homem de cor!... Infelizmente esta é a
manifesta um ponto de Vista semelhante ao do verdade...
Raimundo tornou-se lívido. Manoel prosseguiu, no fim de um
a. Major Vidigal, de Memórias de um sargento de milícias, ao
silêncio:
se referir aos desocupados cariocas do tempo do rei.
— Já vê o amigo que não é por mim que lhe recusei Ana
b. narrador de Iracema, em particular quando se refere a Rosa, mas é por tudo! A família de minha mulher sempre foi
tribos inimigas e a franceses. muito escrupulosa a esse respeito, e como ela é toda a
c. narrador de Vidas secas, principalmente quando eIe sociedade do Maranhão! Concordo que seja uma asneira;
enfoca as relações sexuais de Fabiano e Sinha Vitória. concordo que seja um prejuízo tolo! O senhor porém não
imagina o que é por cá a prevenção contra os mulatos!...
d. Anjo, do Auto da barca do inferno, ao condenar os Nunca me perdoariam um tal casamento; além do que, para
pecados da carne cometidos pelos humanos. realizá-lo, teria que quebrar a promessa que fiz a minha
e. narrador de O cortiço, especialmente quando se refere a sogra, de não dar a neta senão um branco de lei, português
personagens de classes sociais inferiores. ou descendente direto de portugueses!
AZEVEDO, A. O mulato. São Paulo: Escala, 2008.

3. IFSP 2011
Infuenciada pelo ideário cientifista do Naturalismo, a obra
Considere os textos. destaca o modo como o mulato era visto pela sociedade de

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fins do século XIX. Nesse trecho, Manoel traduz uma ao pé de mim, falou da lua e dos ministros, e acabou
concepção em que a recitando-me versos. A viagem era curta, e os versos pode
ser que não fossem inteiramente maus. Sucedeu, porém,
a. miscigenação racial desqualificava o indivíduo.
que, como eu estava cansado, fechei os olhos três ou quatro
b. condição econômica anulava os conflitos raciais. vezes; tanto bastou para que ele interrompesse a leitura e
c. discriminação racial era condenada pela sociedade. metesse os versos no bolso. [...] No dia seguinte entrou a
dizer de mim nomes feios, e acabou alcunhando-me Dom
d. escravidão negava o direito da negra à maternidade. Casmurro. Os vizinhos, que não gostam dos meus hábitos
e. união entre mestiços era um risco à hegemonia dos reclusos e calados, deram curso à alcunha, que afinal
brancos. pegou. [...] Não consultes dicionários. Casmurro não está
aqui no sentido que eles lhe dão, mas no que lhe pôs o vulgo
de homem calado e metido consigo. Dom veio por ironia,
5. PUC-PR 2009
para atribuir-me fumos de fidalgo. Tudo por estar cochilando!
Sobre "Dom Casmurro", de Machado de Assis, leia as Também não achei melhor titulo para a minha narração; se
afirmações a seguir e depois assinale a alternativa não tiver outro daqui até ao fim do livro, vai este mesmo.
CORRETA:
Considere as afirmações abaixo referentes ao trecho,
I. A obra mais conhecida de Machado de Assis tem como articuladas ao romance:
temática o adultério feminino, a exemplo de outras narrativas
suas contemporâneas. I. O narrador já apresenta seu estilo irônico de narrar.
II. O ciúme foi a causa da separação de Bentinho e Capitu, II. O narrador assume uma alcunha que o caracteriza ao
pois o fato de que Ezequiel é filho de Bentinho fica longo do enredo.
comprovado na narrativa. III. Os eventos narrados no trecho inicial desencadeiam o
III. Ao criticar a sociedade de seu tempo, Machado de Assis conflito central da obra.
desnuda as relações interpessoais, sempre egoístas, como IV. O titulo Dom Casmurro não caracteriza adequadamente o
acontece com Bentinho e Capitu. personagem Bentinho.
IV. Capitu, a mulher dissimulada, de olhos de cigana oblíqua,
Estão corretas apenas
não consegue dissimular sua dor, por ocasião da morte de
Escobar. a. I e II.
V. Dom Casmurro é o marco inicial do Realismo brasileiro,
b. I e III.
de que Machado de Assis é o maior representante.
c. II e III.
a. As afirmações I, III e IV estão corretas.
d. II e IV.
b. As afirmações II, III e V estão corretas.
e. III e IV.
c. Somente a afirmação I está correta.

d. Somente a afirmação V está errada.


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e. Nenhuma das afirmações acima está errada.
Abatidos pelo fadinho harmonioso e nostállgico dos
desterrados, iam todos, até mesmo os brasileiros, se
6. ITA 2012 concentrando e caindo em tristeza; mas, de repente, o
cavaquinho de Porfiro, acompanhado pelo violão do Firmo,
O texto abaixo é o início da obra Dom Casmurro, de
romperam vibrantemente com um chorado baiano. Nada
Machado de Assis.
mais que os primeiros acordes da música crioula para que o
Uma noite dessas, vindo da cidade para o Engenho Novo, sangue de toda aquela gente despertasse logo, como se
encontrei no trem da Central um rapaz aqui do bairro, que eu alguém lhe fustigasse o corpo com urtigas bravas. E
conheço de vista e de chapéu. Cumprimentou-me, sentou-se seguiram-se outras notas, e outras, cada vez mas ardentes e

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mais delirantes. Já não eram dois instrumentos que soavam, todas da noite. Usualmente, quando eu perdia o sono, o
eram lúbricos gemidos e suspiros soltos em torrente, a bater da pêndula fazia-me muito mal; esse tiquetaque
correrem serpenteando, como cobras numa floresta soturno, vagaroso e seco parecia dizer a cada golpe que eu
incendiada; eram ais convuisos, chorados em frenesi de ia ter um instante menos de vida. Imaginava então um velho
amor música feita de beijos e soluços gostosos; caricia de diabo, sentado entre dois sacos, o da vida e o da morte, e a
fera, caricia de doer, fazendo estala de gozo. contá-las assim:

AZEVEDO. A. O cortiço. São Paulo: Ática. 1983 (fragmento). — Outra de menos...

No romance O Cortiço (1890), de Aluizio Azevedo, as — Outra de menos...


personagens são observadas como elementos coletivos
— Outra de menos...
caracterizados por condicionantes de origem social, sexo e
etnia. Na passagem transcrita, o confronto entre brasileiros e — Outra de menos...
portugueses revela prevalência do elemento brasileiro, pois
O mais singular é que, se o relógio parava, eu davalhe
a. destaca o nome de personagens brasileiras e omite o de corda, para que ele não deixasse de bater nunca, e eu
personagens portuguesas. pudesse contar todos os meus instantes perdidos. Invenções
há, que se transformam ou acabam; as mesmas instituições
b. exalta a força do cenário natural brasileiro e considera o
morrem; o relógio é definitivo e perpétuo. O derradeiro
do português inexpressivo.
homem, ao despedir-se do sol frio e gasto, há de ter um
c. mostra o poder envolvente da música brasileira, que cala relógio na algibeira, para saber a hora exata em que morre.
o fado português.
Naquela noite não padeci essa triste sensação de enfado,
d. destaca o sentimentalismo brasileiro, contrário a tristeza mas outra, e deleitosa. As fantasias tumultuavam-me cá
dos portugueses. dentro, vinham umas sobre outras, à semelhança de devotas
e. atribui aos brasileiros uma habilidade maior com que se abalroam para ver o anjo-cantor das procissões. Não
instrumentos musicais. ouvia os instantes perdidos, mas os minutos ganhados.

ASSIS, M. Memórias póstumas de Brás Cubas. Rio de Janeiro: Nova

8. UECE 2008 Aguilar, 1992 (fragmento).

Sobre o Realismo, assinale o INCORRETO. O capítulo apresenta o instante em que Brás Cubas revive a
sensação do beijo trocado com Virgília, casada com Lobo
a. O Realismo na Literatura manifesta-se na prosa. A poesia
Neves. Nesse contexto, a metáfora do relógio desconstrói
da época vive o Simbolismo.
certos paradigmas românticos, porque
b. O romance - social, psicológico e de tese - é a principal
a. o narrador e Virgília não têm percepção do tempo em
forma de expressão do Realismo.
seus encontros adúlteros.
c. O romance realista deixa de ser apenas distração e
b. como “defunto autor”, Brás Cubas reconhece a inutilidade
torna-se veículo de crítica a instituições, como a Igreja
de tentar acompanhar o fluxo do tempo.
Católica, e à hipocrisia burguesa.
c. na contagem das horas, o narrador metaforiza o desejo de
d. A escravidão, os preconceitos raciais e a sexualidade são
triunfar e acumular riquezas.
os principais temas, tratados com linguagem clara e direta.
d. o relógio representa a materialização do tempo e
redireciona o comportamento idealista de Brás Cubas.
9. ENEM 2013
e. o narrador compara a duração do sabor do beijo à
Capítulo LIV — A pêndula
perpetuidade do relógio.
Saí dali a saborear o beijo. Não pude dormir; estireime na
cama, é certo, mas foi o mesmo que nada. Ouvi as horas

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10. ENEM 2010 se afirma em:

Capítulo lll a. A personalidade não se desenvolve pelo simples acúmulo


passivo de experiências, desprovido de empenho radical,
Um criado trouxe o café. Rubião pegou na xícara e,
nem, tampouco, pela simples erudição ou pelo privilégio.
enquanto lhe deitava açúcar, ia disfarçadamente mirando a
bandeja, que era de prata lavrada. Prata, ouro, eram os b. A atividade intelectual do indivíduo deve-se fazer
metais que amava de coração; não gostava de bronze, mas acompanhar do labor produtivo do trabalho braçal, sem o
o amigo Palha disse-lhe que era matéria de preço, e assim que o homem se infelicita e desviriliza.
se explica este par de figuras que aqui está na sala: um
c. O sentimento de integração a um mundo finalmente
Meflstófeles e um Fausto. Tivesse, porém, de escolher,
reconciliado, o sujeito só o alcança pela experiência
escolheria a bandeja, - primor de argentaria, execução fina e
avassaladora da paixão amorosa, vivida como devoção
acabada. O criado esperava teso e sério. Era espanhol; e
irracional e absoluta a outro ser.
não foi sem resistência que Rubião o aceitou das mãos de
Cristiano; por mais que lhe dissesse que estava acostumado d. Elites nacionais autênticas são as que adotam, como
aos seus crioulos de Minas, e não queria linguas norma de sua própria conduta, os usos e costumes do país
estrangeiras em casa, o amigo Palha insistiu, profundo, constituído pelas populações pobres e distantes
demonstrando-lhe a necessidade de ter criados brancos. dos centros urbanos.
Rubião cedeu com pena. O seu bom pajem, que ele queria e. Uma vida adulta equilibrada e bem desenvolvida em todos
por na sala, como um pedaço da província, nem o pode os seus aspectos implica a participação do indivíduo na
deixar na cozinha, onde reinava um francês, Jean; foi política partidária, nas atividades religiosas e na produção
degradado a outros serviços. literária.
ASSIS, M. Ouincas Borba. In: Obra completa. V.1. Rio de
Janeiro: Nova Aguilar, 1993 (fragmento).
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Quincas Borba situa-se entre as obras-primas do autor e da
literatura brasileira. No fragmento apresentado, a A figura da prostituta aparece em diversos romances do
peculiaridade do texto que garante a universaIização de sua século XIX. Por exemplo:
abordagem reside I. Em Lucíola, a protagonista Lúcia deixa a prostituição
a. no conflito entre o passado pobre e o presente rico, que depois que se apaixona por Paulo, o que significa que o
simboliza o triunfo da aparência sobre a essência. amor verdadeiro pode regenerar a mulher.
II. Em Memórias póstumas de Brás Cubas, Marcela
b. no sentimento de nostalgia do passado devido à consegue seduzir o jovem Brás Cubas, que lhe dá dinheiro e
substituição da mão de obra escrava pela dos imigrantes. bens materiais, mas ela morre pobre.
c. na referência a Fausto e Meflstófeles, que representam o III. Ao final de O cortiço, Pombinha rompe com o casamento
desejo de eternização de Rubião. e opta pela prostituição, e faz isso, em boa medida, por
vontade própria.
d. na admiração dos metais por parte de Rubião. que
metaforicamente representam a durabilidade dos bens Está(ão) correta(s)
produzidos pelo trabalho.
a. apenas I.
e. na resistência de Rubião aos criados estrangeiros, que
b. apenas I e II.
reproduz o sentimento de xenofobia.
c. apenas I e III.

11. FUVEST 2012 d. apenas II e III.

Tendo em vista o conjunto de proposições e teses e. todas.


desenvolvidas em A cidade e as serras, pode-se concluir
que é coerente com o universo ideológico dessa obra o que

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13. FCMMG 2008 vila, foi-me confiado o mando supremo, até que Sua
Majestade se sirva ordenar o que parecer melhor ao seu real
Assinale a passagem de uma narrativa machadiana que
serviço."
NÃO corresponda ao conto de onde foi extraída:
d. - Nenhum defeito?
a. Teimou, seis ou oito vezes, em levantar os olhos, e da
- Nenhum, disse em coro a assembléia.
única em que o conseguiu fizeram-se-lhe tão vesgos, que
- Nenhum vício?
não via ninguém, ou só uma sombra, um vulto, que lhe
- Nada.
doíam as pupilas ao mesmo tempo em que a face ia ficando
- Tudo perfeito?
verde. -> “O espelho”
- Tudo.
b. Os enfermos, assim curados e supridos, olhavam uns
para os outros, e não viam nada no lugar do órgão
15. PUC-PR 2009
substituto, e que este era inacessível aos sentidos humanos,
não se davam por defraudados, e tornavam aos seus ofícios. Leia o capítulo IV de "Dom Casmurro", de Machado de
-> “O segredo do bonzo” Assis, transcrito integralmente a seguir:

c. – Podes; podes empregar umas quantas figuras


expressivas, a hidra de Lerna, por exemplo, a cabeça de
"José Dias amava os superlativos. Era um modo de dar
Medusa, o tonel da Danaides, as asas de Ícaro, e outras,
feição monumental às ideias; não as havendo, servia a
que românticos, clássicos e realistas empregam sem desar,
prolongar as frases. Levantou-se para ir buscar o gamão,
quando precisam delas. -> “Teoria do medalhão”
que estava no interior da casa. Cosime muito à parede, e
d. O algoz não queria testemunhas. A porta do gabinete vi-o passar com as suas calças brancas engomadas,
fechou-se; Lopo Alves tomou lugar ao pé da mesa, tendo em presilhas, rodaque e gravata de mola. Foi dos últimos que
frente o bacharel, que mergulhou o corpo e o desespero usaram presilhas no Rio de Janeiro, e talvez neste mundo.
numa vasta poltrona de marroquim, resoluto a não dizer Trazia as calças curtas para que lhe ficassem bem
palavra para ir mais depressa ao termo -> “A chinela turca” esticadas. A gravata de cetim preto, com um arco de aço por
dentro, imobilizava-lhe o pescoço; era então moda. O
14. FCMMG 2008 rodaque de chita, veste caseira e leve, parecia nele uma
casaca de cerimônia. Era magro, chupado, com um princípio
Assinale a passagem que NÃO pertence ao conto "O de calva; teria os seus cinquenta e cinco anos. Levantou-se
alienista", de Machado de Assis: com o passo vagaroso do costume, não aquele vagar
a. "- Vós sois a Penélope da nossa república, disse ele ao arrastado se era dos preguiçosos, mas um vagar calculado e
terminar; tendes a mesma castidade, paciência e talentos. deduzido, um silogismo completo, a premissa antes da
Refazei o saco, amigas minhas, refazei o saco até que consequência, a consequência antes da conclusão.
Ulisses, cansado de dar às pernas, venha tomar entre nós o Um dever amaríssimo!".
lugar que lhe cabe. Ulisses é a Sapiência."
Fonte: Machado de Assis, "Dom Casmurro"
b. Quando ela ali entrou, precipitada, o ilustre médico
escrutava um texto de Averróis, os olhos dele, empanados
pela cogitação, subiam do livro ao teto e baixavam do teto ao
Aponte, entre as alternativas, a que for INCORRETA em
livro, cegos para a realidade exterior, videntes para os
relação ao capítulo:
profundos trabalhos mentais.
a. O "dever amaríssimo" assumido por José Dias é o de
c. "Uma Câmara corrupta e violenta conspirava contra os
lembrar Dona Glória - a quem respeita com um misto de
interesses de Sua Majestade e do povo. A opinião pública
veneração e interesse - de que ela havia feito, anos antes, a
tinhaa condenado; um punhado de cidadãos, fortemente
promessa de enviar seu único filho, Bentinho, para estudar
apoiados pelos bravos dragões de Sua Majestade, acaba de
em um seminário. Para reforçar seus argumentos, diz que
dissolver ignominiosamente, e por unânime consenso da

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isto deve ocorrer para que se interrompa o nascente novembro, que nunca me esqueceu. Tive outras muitas,
relacionamento de Bentinho com Capitu, antes que seja melhores, e piores, mas aquela nunca se me apagou do
tarde. espírito. É o que vais entender, lendo."

b. José Dias representa no romance a figura do agregado,


alguém sem recursos que vive de favor na casa de uma
O trecho anterior é do romance "Dom Casmurro", escrito por
família de posses e que, no relacionamento com esta,
Machado de Assis. Nele, o narrador propõe-se a escrever
cumpre pequenas "tarefas" como uma espécie de paga. Em
suas reminiscências e, assim, viver o que viveu. A evocação
relação a Dona Glória e a Bentinho, José Dias tanto é o
da célebre tarde a que o narrador se refere e que nunca se
conselheiro - que simula ilustração e conhecimento - como o
lhe apagou do espírito liga-se
humilde serviçal, sempre prevendo as vantagens que levará
com seus atos. a. à efetiva presença e participação de Bentinho na conversa
c. José Dias terá grande importância no transcurso da ação, da família que decide seu destino futuro.
após a denúncia que faz a Dona Glória dos perigos que a b. ao alerta de José Dias a D. Glória quanto ao cumprimento
amizade de Bentinho e Capitu pode trazer. Na verdade, sua da promessa de tornar Bentinho padre.
atitude é a de quem "joga" com seus "protetores". De um
c. ao destino e à felicidade de Bentinho, preparando-o para o
lado, ele suscita em Dona Glória a necessidade de cumprir a
casamento com Capitu.
promessa. De outro, quando solicitado, oferecerá ajuda a
Bentinho para que ele não vá para o seminário. d. à reunião da família para acertar a viagem de Bentinho e
de José Dias à Europa, como forma de desviá-lo da sedução
d. Pode-se dizer que, a despeito de sua atitude intrometida
de Capitu.
ao aconselhar Dona Glória sobre a necessidade de separar
Bentinho de Capitu - quando os dois ainda eram crianças - e. às ações de D. Glória para preservar a memória da
José Dias é o primeiro a perceber os defeitos da futura família, ao tentar ligar as duas pontas da vida, proposta esta
esposa de Bentinho. Sua observação a respeito dela aponta retomada pelo narrador no início do romance.
para o fato de ser "desmiolada", filha de uma família de
moral condenável e intenções talvez interesseiras em
17. UFPR 2016
relação àquela amizade.
A respeito do narrador do romance Bom-Crioulo, de Adolfo
e. José Dias, descrito com ironia no fragmento citado, é a
Caminha, assinale a alternativa correta.
personificação dos vícios da aristocracia decaída e
empobrecida depois do processo de Independência do Brasil a. O narrador naturalista descreve com objetividade e
no século XIX. Outrora rico e influente - tendo sido sócio do riqueza de detalhes o cenário em que se ambienta o
falecido marido de Dona Glória - José Dias tornou-se, com o romance, como se observa neste trecho: “A lua, surgindo
tempo, uma figura pouco relevante nas rodas sociais de seu lenta e lenta, cor de fogo, a princípio, depois fria e
tempo, razão pela qual vive dos favores que lhe dirige a mãe opalescente, misto de névoa e luz, alma e solidão,
de Bentinho, a quem respeita incondicionalmente, sem lhe melancolizava o largo cenário das ondas, derramando sobre
pedir nada. o mar essa luz meiga, essa luz ideal que penetra o coração
do marinheiro, comunicando-lhe uma saudade infinita dos
que navegam”.
16. PUC-PR 2009
b. O narrador descreve com minúcia o pensamento das
"Fiquei tão alegre com esta ideia, que ainda agora me treme
personagens, desvendando seu refinado sistema de valores
a pena na mão. Sim, Nero, Augusto, Massinissa, e tu,
culturais, como se observa neste trecho: “Estimava
grande César, que me incitas a fazer os meus comentários,
Bom-Crioulo desde o dia em que ele, desinteressadamente,
agradeço-vos o conselho, e vou deitar ao papel as
por um acaso providencial, livrou-a de morrer na ponta de
reminiscências que me vierem vindo. Deste modo, viverei o
uma faca, história de ladrões... [...]”.
que vivi, e assentarei a mão para alguma obra de maior
tomo. Eia, comecemos a evocação por uma célebre tarde de

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c. O narrador evidencia a percepção sofisticada de Amaro, delimitam os seres da roça. Estes são criaturas broncas e
que fica nítida nas referências do marinheiro à cultura grega: rústicas, ainda mais quando comparadas aos homens da
“Aleixo surgia-lhe agora em plena e exuberante nudez, muito capital, requintados e espertos.
alvo, as formas roliças de calipígio ressaltando na meia
b. No romance de cunho realista, o juiz de paz usa a
sombra voluptuosa do aposento, na penumbra acariciadora
autoridade do cargo para lidar com a inocência dos roceiros,
daquele ignorado e impudico santuário de paixões
que lhe trazem os mais cômicos casos. O escrivão, que é
inconfessáveis... Belo modelo de efebo que a Grécia de
corrupto, propõe ao juiz as decisões a tomar; o juiz, apesar
Vênus talvez imortalizasse em estrofes de ouro límpido e
de se surpreender com as intenções de escrivão, acata as
estátuas duma escultura sensual e pujante”.
suas sugestões.
d. O narrador deixa pistas da vingança planejada por Amaro
c. Nessa obra o autor critica as convenções sociais, o
contra Aleixo, como se pode perceber nas referências
casamento, a família, o governo e satiriza figuras como
intertextuais a Otelo, o clássico do ciúme, lido pelo
padres, juízes e políticos.
marinheiro nos seus momentos de ócio: “Aleixo era seu,
pertencia-lhe de direito, como uma coisa inviolável. Daí d. Na peça, Aninha e José amam-se e planejam casar em
também o ódio ao grumete, um ódio surdo, mastigado, brutal segredo, mas José é capturado para tornar-se soldado, a
como as cóleras de Otelo”. favor do governo contra a Revolução Farroupilha.

e. O narrador interpreta o conflito vivido pelo ex-escravo,


justapondo uma percepção animalizante ao lado de outra, 19. UNEMAT 2006
construída por meio de comparações artísticas: “Dentro do
Machado de Assis desmascara certos hábitos de raciocínio,
negro rugiam desejos de touro ao pressentir a fêmea... Todo
de mecanismos de pensamento, de benevolência retórica,
ele vibrava, demorando-se na idolatria pagã daquela nudez
enraizados na cultura brasileira. Cria, assim, mecanismos de
sensual como um fetiche diante de um símbolo de ouro ou
pensamento a que acostumara o povo brasileiro e assinala,
como um artista diante duma obra-prima”.
ironicamente, os seus defeitos. A repetição de certos temas
e episódios como o amor e o adultério, nos Contos
18. ACAFE 2014 machadianos, deve, assim ser compreendida como um todo
coerente organizado e como busca do esforço criador em
Leia o fragmento de texto a seguir, extraído de Juiz de Paz
favor de uma profundidade metafórica do social. Reflita
na Roça, de Martins Pena:
sobre tais afirmativas e assinale a alternativa INCORRETA.

a. No conto A Missa do galo, o suposto enlace amoroso


“ESCRIVÃO, lendo - Diz Francisco Antônio, natural de entre Conceição e Nogueira é ambíguo e sutil. Quanto à
Portugal, porém brasileiro, que tendo ele casado com Rosa suspensão do narrador onisciente, opera dando toda
de Jesus, trouxe esta por dote uma égua. Ora, acontecendo a responsabilidade ao personagem jovem e imaturo.
ter a égua de minha mulher um filho, o meu vizinho José da b. O jogo entre Conceição e Nogueira tem base em
Silva diz que é dele, só porque o dito filho da égua de minha oposições que definem a situação de ambos na sociedade: a
mulher saiu malhado como o seu cavalo. Ora, como os filhos liberdade e a prisão, o sentimento e a razão.
pertencem às mães, e a prova disto é que a minha escrava
Maria tem um filho que é meu, peço a V. Sa. mande o dito c. O conto A Missa do galo, ilustra a busca de definição da
meu vizinho entregar-me o filho da égua que é de minha posição complexa e asfixiante do adolescente dentro da
mulher.” rigidez da
comunidade burguesa e aristocratizante do final do século.

d. A concepção das personagens Aguiar e Serafina sobre o


Sobre o texto é correto afirmar, exceto: que seja amor e casamento no conto Longe dos olhos, recria
o jogo humano do destino incontrolável e da sua relatividade
a. Trata-se de uma sátira aos costumes rurais, revelando os
vivida.
hábitos curiosos, a fala simples e a extrema candura que

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e. O amor machadiano entre Conceição e Nogueira, é AZEVEDO, Aluísio. O Cortiço. 3ª ed. São Paulo: Martin Claret, 2010. p. 90
asséptico, formal e rígido. Como título de propriedade, (fragmento).
representa a invasão de propriedade entre os amantes.
No romance O Cortiço, o personagem português Jerônimo
vai, segundo o narrador, aos poucos, “abrasileirando-se”,
20. UEG 2003 afrouxando seus costumes, o que confirma a filiação da obra
a uma corrente filosófica em voga no mundo ocidental, na
O romance Casa de pensão, de Aluísio Azevedo, é
época (século XIX), a qual defendia que o ser humano
tradicionalmente considerado como pertencente à estética
naturalista. a. nasce bom, mas a sociedade o corrompe.

A esse respeito, é CORRETO afirmar: b. só consegue ser feliz refugiado na natureza.

a. As personagens são sempre remanescentes do meio c. é produto do meio em que vive.


rural e encontram-se desajustadas pelos vícios herdados da d. é produto da sua vontade.
vida no campo.
e. já nasce com o destino traçado.
b. A heroína do romance é concebida como um ser
angelical e ao mesmo tempo demoníaco, resgatando, no
final do século XIX, as convenções do amor cortês. 22. UPF 2016

c. O narrador apresenta-se claramente na primeira pessoa Sobre o conto “O alienista”, que integra os Contos
do singular, justificando, assim, o privilégio que o definitivos, de Machado de Assis, apenas é incorreto afirmar
Naturalismo atribui ao individualismo. que:

d. O meio social é preponderante, visto que sua influência é a. apresenta um narrador onisciente neutro, que não emite
decisiva na conduta e na formação do caráter das juízos sobre o caráter e a ação das personagens.
personagens, haja vista a lascívia que domina o protagonista
b. apresenta, como protagonista, o doutor Simão Bacamarte,
da obra.
hilariante caricatura de médico e de ditador científico.
e. A família é apresentada como uma entidade sagrada,
c. se aproxima, pela longa sequência de ações que expõe,
protegida dos riscos iminentes que determinados
da forma da novela.
comportamentos desviantes podem provocar.
d. tem como desfecho o confinamento solitário e a morte do
alienista, dentro do manicômio que fizera construir.
21. UNEMAT 2015
e. se constitui como um ponto de interrogação acerca das
Capitulo IX fronteiras entre normalidade e loucura.
Passaram-se semanas. Jerônimo tomava agora, todas as
manhãs, uma xícara de café bem grosso, à moda da Ritinha, 23. UPF 2014
e trabalhava dois dedos de parati “pr’a cortar a friagem”.
Leia as seguintes afirmações sobre a obra Quincas Borba de
Uma transformação, lenta e profunda, operava-se nele, dia a Machado de Assis.
dia, hora a hora, reviscerando-lhe o corpo e alando-lhe os
sentidos, num trabalho misterioso e surdo de crisálida. A sua I. O autor realiza uma profunda análise social, revelando
energia afrouxava lentamente: fazia-se contemplativo e ceticismo em relação à sociedade de seu tempo e em
amoroso. A vida americana e a natureza do Brasil relação à espécie humana.
patenteavam-lhe agora aspectos imprevistos e sedutores II. Sofia é uma personagem ambígua, astuciosa e cerebral,
que o comoviam; esquecia-se dos seus primitivos sonhos de que se distancia da fragilidade das heroínas românticas.
ambição, para idealizar felicidades novas, picantes e
violentas; tornava-se liberal, imprevidente e franco, mais III. A afeição de Sofia por Rubião, principalmente no final da
amigo de gastar que de guardar. [...] narrativa, deixa transparecer a preocupação universal diante

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da dor humana. a. 1 - 3 - 4 - 2

Está correto apenas o que se afirma em: b. 2 - 4 - 1 - 3

a. I e III. c. 4 - 2 - 3 - 1

b. II e III. d. 3 - 1 - 2 - 4

c. I e II.
25. PUC-GO 2015
d. I.
CAPÍTULO XVIII
e. II.

24. ACAFE 2015 Rubião e o cachorro, entrando em casa, sentiram, ouviram a


pessoa e as vozes do finado amigo. Enquanto o cachorro
Correlacione a primeira coluna com a segunda coluna,
farejava por toda a parte, Rubião foi sentar-se na cadeira,
considerando os fragmentos de texto retirados das obras
onde estivera quando Quincas Borba referiu a morte da avó
relacionadas para o Concurso Vestibular ACAFE 2015 e os
com explicações científicas. A memória dele recompôs,
respectivos autores.
ainda que de embrulho e esgarçadamente, os argumentos
COLUNA 1 do filósofo. Pela primeira vez, atentou bem na alegoria das
( 1 ) “O feio apaixonado não pensava em outra coisa a não tribos famintas e compreendeu a conclusão: “Ao vencedor,
ser na Maria. No trabalho, nas refeições, no sono, enfim as batatas!”. Ouviu distintamente a voz roufenha do finado
estava preso na gaiola de cana da Maria. Pensou em expor a situação das tribos, a luta e a razão da luta, o
remeter-lhe uma carta, depois um bilhete, em ir na casa dela extermínio de uma e a vitória da outra, e murmurou baixinho:
e apresentar-se como namorado. E assim pensando,
veio-lhe a ideia de mandar o coração de Pãopor-Deus para
ela.” — Ao vencedor, as batatas!
( 2 ) “– Seu José, mestre carpina, / que habita este lamaçal, /
sabe me dizer se o rio / a esta altura dá vau? / Sabe me
dizer se é funda / esta água grossa e carnal?” Tão simples! tão claro! Olhou para as calças de brim surrado
( 3 ) “Sobre a cama estava um exemplar de Última Hora, o e o rodaque cerzido, e notou que até há pouco fora, por
único jornal importante que defendia o presidente. Na assim dizer, um exterminado, uma bolha; mas que ora não,
primeira página, uma caricatura de Carlos Lacerda. O artista, era um vencedor. Não havia dúvida; as batatas fizeram-se
acentuando os óculos de aros escuros e o nariz aquilino do para a tribo que elimina a outra a fim de transpor a montanha
jornalista, desenhara um corvo sinistro trepado num poleiro.” e ir às batatas do outro lado. Justamente o seu caso. Ia
( 4 ) “Era assim, com essa melodia do velho drama de Judá, descer de Barbacena para arrancar e comer as batatas da
que procuravam um ao outro na cabeça do Cônego Matias capital. Cumpria-lhe ser duro e implacável, era poderoso e
um substantivo e um adjetivo... Não me interrompas, leitor forte. E levantando-se de golpe, alvoroçado, ergueu os
precipitado; sei que não acreditas em nada do que vou dizer. braços exclamando:
Di-lo-ei, contudo, a despeito da tua pouca fé, porque o dia da
conversão pública há de chegar.”

COLUNA 2 — Ao vencedor, as batatas!


( ) João Cabral de Melo Neto
( ) Machado de Assis
( ) Franklin Cascaes. Gostava da fórmula, achava-a engenhosa, compendiosa e
( ) Rubem Fonseca eloquente, além de verdadeira e profunda. Ideou as batatas
em suas várias formas, classificou-as pelo sabor, pelo
A sequência correta, de cima para baixo, é: aspecto, pelo poder nutritivo, fartou- -se antemão do

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banquete da vida. Era tempo de acabar com as raízes trabalho, colocando fim ao escravismo e instaurando o
pobres e secas, que apenas enganavam o estômago, triste trabalho assalariado.
comida de longos anos; agora o farto, o sólido, o perpétuo,
comer até morrer, e morrer em colchas de seda, que é
26. FGV-SP 2011
melhor que trapos. E voltava à afirmação de ser duro e
implacável, e à fórmula da alegoria. Chegou a compor de O orador representava a Nação [o Brasil] como um charco
cabeça um sinete para seu uso, com este lema: AO de vinte províncias, estagnadas na modorra paludosa da
VENCEDOR AS BATATAS. mais desgraçada indiferença. Os germens da vida
perdem-se na vasa profunda; à superfície de coágulos de
putrefação, borbulha, espaçadamente, o hálito mefítico do
Esqueceu o projeto do sinete; mas a fórmula viveu no miasma, fermentado ao sol, subindo a denegrir o céu, com a
espírito de Rubião, por alguns dias: — Ao vencedor as vaporização da morte. Os pássaros calados fogem; as
batatas! Não a compreenderia antes do testamento; ao poucas árvores próximas no ar pesado, debruçam-se
contrário, vimos que a achou obscura e sem explicação. Tão uniformes sobre si mesmas num desânimo vegetativo, que
certo é que a paisagem depende do ponto de vista, e que o parece crescer, descendo – prosperidade melancólica de
melhor modo de apreciar o chicote é ter-lhe o cabo na mão. salgueiros. O horizonte limpo, remoto, desfere golpes de luz
oblíqua, reptil, que resvalam, espelhando faixas paralelas,
(ASSIS, Machado de. Quincas Borba. São Paulo: Ática, 2011. p. 38-39.) imóveis, sobre o dormir da lama.

(...)

O fragmento do texto, alegoricamente, fala-nos de luta e


disputa de tribos famintas, do “extermínio de uma e a vitória
E não é o teto de brasa dos estios tropicais que nos oprime.
de outra”. Considerando-se o momento de vida do autor e o
Ah! como é profundo o céu do nosso clima material! Que
seu envolvimento com as questões políticas do País,
irradiação de escapadas para o pensamento a direção dos
pode-se entender sua narrativa como uma análise crítica da
nossos astros! O pântano das almas é a fábrica imensa de
sociedade brasileira, pois (assinale a alternativa correta):
um grande empresário, organização de artifício, tão
a. No Brasil, diferentemente da Europa, entre os anos 1850 longamente elaborada, que dir-se-ia o empenho madrepórico
e 1900, as transformações econômicas, políticas e sociais de muitos séculos, dessorando em vez de construir. É a obra
não impactaram e nem modificaram a estrutura social moralizadora de um reinado longo, é o transvasamento de
consolidada desde a Colônia. um caráter, alagando a perder de vista a superfície moral de
um império – o desmancho nauseabundo, esplanado, da
b. Com o acirramento da campanha abolicionista, a partir de
tirania mole de um tirano de sebo!...
1850, e com o degaste político da Guerra do Paraguai
(1864/1870), o pensamento republicano se fortaleceu e Raul Pompeia, O Ateneu.
capitaneou conjuntamente com a sociedade a luta pelo
fortalecimento da Monarquia.
Considerando-se tanto o contexto histórico em que surge O
c. A sociedade brasileira, em meados do século XIX, apesar Ateneu quanto as opções políticas de seu autor, conclui-se
de alguma mobilidade social e das limitações do mercado de que a crítica áspera proferida pelo locutor do trecho
trabalho, permanecia assentada na desigualdade de classes, dirige-se, finalmente,
no poder pessoal e no ideal de viver do capital, ou seja, dos
a. a D. Pedro I.
esforços e das lutas dos menos favorecidos.
b. ao Barão de Mauá.
d. Por volta de 1850 consolidou-se no País uma burguesia
formada por grandes industriais, comerciantes e intelectuais c. a D. Pedro II.
que, nesse período, alterou sobremaneira as relações de
d. ao Duque de Caxias.

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e. a Floriano Peixoto. e. os artifícios doutrinários realçam o fundamento político
dos fatos históricos.

27. FGV-SP 2011


28. UNIFESP 2011
O orador representava a Nação [o Brasil] como um charco
de vinte províncias, estagnadas na modorra paludosa da As provocações no recreio eram frequentes, oriundas do
mais desgraçada indiferença. Os germens da vida enfado; irritadiços todos como feridas; os inspetores a cada
perdem-se na vasa profunda; à superfície de coágulos de passo precisavam intervir em conflitos; as importuações
putrefação, borbulha, espaçadamente, o hálito mefítico do andavam em busca das suscetibilidades; as suscetibilidades
miasma, fermentado ao sol, subindo a denegrir o céu, com a a procurar a sarna das impor tunações. Viam de joelhos o
vaporização da morte. Os pássaros calados fogem; as Franco, puxavamlhe os cabelos. Viam Rômulo passar,
poucas árvores próximas no ar pesado, debruçam-se lançavam-lhe o apelido: mestre-cuca!
uniformes sobre si mesmas num desânimo vegetativo, que
parece crescer, descendo — prosperidade melancólica de
Esta provocação era, além de tudo, inverdade. Cozinheiro,
salgueiros. O horizonte limpo, remoto, desfere golpes de luz
Rômulo! Só porque lembrava culinária, com a carnosidade
oblíqua, reptil, que resvalam, espelhando faixas paralelas,
bamba, fofada dos pastelões, ou porque era gordo das
imóveis, sobre o dormir da lama.
enxúndias enganadoras dos fregistas, dissolução mórbida de
[...] sardinha e azeite, sob os aspectos de mais volumosa
saúde?
E não é o teto de brasa dos estios tropicais que nos oprime.
(...)
Ah! como é profundo o céu do nosso clima material! Que
irradiação de escapadas para o pensamento a direção dos
nossos astros! O pântano das almas é a fábrica imensa de
Rômulo era antipatizado. Para que o não manifestassem
um grande empresário, organização de artifício, tão
excessivamente, fazia-se temer pela brutalidade. Ao mais
longamente elaborada, que dir-se-ia o empenho madrepórico
insignificante gracejo de um pequeno, atirava contra o infeliz
de muitos séculos, dessorando em vez de construir. É a obra
toda a corpulência das infiltrações de gordura solta,
moralizadora de um reinado longo, é o transvasamento de
desmoronava-se em socos. Dos mais fortes vingava-se,
um caráter, alagando a perder de vista a superfície moral de
resmungando intrepidamente.
um império — o desmancho nauseabundo, esplanado, da
tirania mole de um tirano de sebo!...

POMPEIA, Raul. O Ateneu.


Para desesperá-lo, aproveitavam-se os menores do escuro.
Rômulo, no meio, ficava tonto, esbravejando juras de morte,
No contexto do excerto, o locutor virtualmente polemiza uma
mostrando o punho. Em geral procurava reconhecer algum
premissa ideológica do Naturalismo, ao postular que
dos impertinentes e o marcava para a vindita. Vindita
a. o escapismo dos brasileiros é propiciado pelo clima inexorável.
tropical rigoroso.

b. a influência do meio físico não é determinante para o


No decorrer enfadonho das últimas semanas, foi Rômulo
curso da história.
escolhido, principalmente, para expiatório do desfastio.
c. intenções moralizadoras são incapazes de conter a Mestre-cuca! Via-se apregoado por vozes fantásticas, saídas
decadência dos costumes. da terra; mestre-cuca! Por vozes do espaço rouquenhas ou
d. as verdadeiras transformações históricas não são visíveis esganiçadas. Sentava-se acabrunhado, vendo se se
a curto prazo. lembrava de haver tratado panelas. É algum dia na vida; a
unanimidade impressionava. Mais frequentemente,
entregava-se a acessos de raiva. Arremetia bufando,

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espumando, olhos fechados, punhos para trás, contra os três vezes por dia, o famoso par de braços.
grupos. Os rapazes corriam a rir, abrindo caminho, deixando Naquele dia, enquanto a noite ia caindo e Inácio estirava-se
rolar adiante aquela ambulância danada de elefantíase. na rede (não tinha ali outra cama), D. Severina, na sala da
(Raul Pompecia. O Ateneu.)
frente, recapitulava o episódio do jantar e, pela primeira vez,
desconfiou alguma cousa. Rejeitou a idéia logo, uma
criança! Mas há idéias que são da família das moscas
teimosas: por mais que a gente as sacuda, elas tornam e
Sobre o texto, é correto afirmar: pousam. Criança? Tinha quinze anos; e ela advertiu que
entre o nariz e a boca do rapaz havia um princípio de
a. A atmosfera tensa presente no cotidiano do colégio era
rascunho de buço. Que admira que começasse a amar? E
produto, sobretudo, da marcação cerrada dos inspetores,
não era ela bonita? Esta outra idéia não foi rejeitada, antes
que intervinham nos muitos conflitos.
afagada e beijada. E recordou então os modos dele, os
b. Rômulo, devido às provocações que sofre, perde as esquecimentos, as distrações, e mais um incidente, e mais
certezas sobre si mesmo e assume um comportamento que outro, tudo eram sintomas, e concluiu que sim.
oscila entre angústia e ataques de fúria. (Uns braços, de Machado de Assis)

c. Alguns alunos, por serem muito suscetíveis,


importunavam outros colegas, puxando-lhes o cabelo ou Analise as duas ocorrências:
colocando-lhes apelidos. ... uma criança!
d. A brutalidade física de Rômulo era a única solução que Criança?
encontrava para enfrentar a chacota dos alunos mais fortes.

e. A unanimidade dos alunos em chamar Rômulo de Essas duas passagens mostram que
cozinheiro fazia com que preponderasse sua atitude de a. tanto os sentimentos de D. Severina como a sua razão
entregar-se ao acabrunhamento. mostravam-lhe que Inácio era ainda muito jovem para se dar
às questões do amor.
29. UNIFESP 2007 b. havia duas vozes na consciência de D. Severina: uma lhe
Havia cinco semanas que ali morava, e a vida era sempre a proibia o desejo; outra o mostrava como possibilidade
mesma, sair de manhã com o Borges, andar por audiências c. D. Severina via Inácio como uma criança apenas, o que a
e cartórios, correndo, levando papéis ao selo, ao distribuidor, perturbava muito, por sentir-se atraída por ele.
aos escrivães, aos oficiais de justiça. (...) Cinco semanas de
d. D. Severina rejeitava qualquer possibilidade de uma
solidão, de trabalho sem gosto, longe da mãe e das irmãs;
relação com Inácio, já que não nutria nenhum sentimento
cinco semanas de silêncio, porque ele só falava uma ou
pelo rapaz.
outra vez na rua; em casa, nada.
“Deixe estar, — pensou ele um dia — fujo daqui e não volto e. havia um embate entre a consciência e a educação de D.
mais.” Severina, o qual a impedia de aceitar o amor do rapaz.
Não foi; sentiu-se agarrado e acorrentado pelos braços de D.
Severina. Nunca vira outros tão bonitos e tão frescos. A
30. MILTON CAMPOS 2015
educação que tivera não lhe permitira encará-los logo
abertamente, parece até que a princípio afastava os olhos, Entre as seguintes passagens de O alienista, de Machado
vexado. Encarou-os pouco a pouco, ao ver que eles não de Assis, assinale a que melhor exibe a relativização do
tinham outras mangas, e assim os foi descobrindo, mirando conceito de loucura:
e amando. No fim de três semanas eram eles, moralmente
a. – Suponho o espírito humano uma vasta concha, o meu
falando, as suas tendas de repouso. Agüentava toda a
fim, Sr. Soares, é ver se posso extrair a pérola, que é a
trabalheira de fora, toda a melancolia da solidão e do
razão; por outros termos, demarquemos definitivamente os
silêncio, toda a grosseria do patrão, pela única paga de ver,
limites da razão e da loucura. A razão é o perfeito equilíbrio

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de todas as faculdades; fora daí insânia, insânia e só
insânia.

b. – 3.º que, desse exame e do fato estatístico, resultara


para ele a convicção de que a verdadeira doutrina não era
aquela, mas a oposta, e portanto, que se devia admitir como
normal e exemplar o desequilíbrio das faculdades e como
hipótese patológica todos os casos em que aquele equilíbrio
fosse ininterrupto.

c. Ao cabo de cinco meses estavam alojadas umas dezoito


pessoas; mas Simão Bacamarte não afrouxava; ia de rua em
rua, de casa em casa, espreitando, interrogando, estudando;
e quando colhia um enfermo levava-o com a mesma alegria
com que outrora os arrebanhava às dúzias. Essa mesma
desproporção confirmava a teoria nova; achara-se enfim a
verdadeira patologia cerebral.

d. Enquanto ela comia o ouro com os seus olhos negros, o


alienista fitava-a, e dizia-lhe ao ouvido com a mais pérfida
das alusões: – Quem diria que meia dúzia de lunáticos...

GABARITO: 1) d, 2) e, 3) b, 4) a, 5) a, 6) a, 7) c, 8) a, 9) d,
10) a, 11) a, 12) e, 13) a, 14) a, 15) e, 16) b, 17) e, 18) b, 19)
e, 20) d, 21) c, 22) a, 23) c, 24) b, 25) c, 26) c, 27) b, 28) b,
29) b, 30) b,

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31. MILTON CAMPOS 2014 calada, e definhava a olhos vistos. Um dia, ao jantar, como
lhe perguntasse o marido o que é que tinha, respondeu
Assinale o trecho de O alienista em que melhor se verifica a
tristemente que nada.
instabilidade dos movimentos políticos:

a. A derrota dos Canjicas estava iminente, quando um terço


33. UEMS 2010
dos dragões, – qualquer que fosse o motivo, as crônicas não
o declaram, – passou subitamente para o lado da rebelião. Considerando o tema central do conto “O enfermeiro”, de
Este inesperado reforço deu alma aos Canjicas, ao mesmo Machado de Assis, e o fragmento "Todos os médicos a
tempo que lançou o desânimo às fileiras da legalidade. quem contei as moléstias dele, foram acordes em que a
morte era certa, e só se admiravam de ter resistido tanto
b. Não descrevo o terror do boticário ao ouvir dizer que o
tempo", é correto afirmar que
barbeiro ia à casa do alienista – vai prendê-lo, pensou ele. E
redobraram-lhe as angústias. Com efeito, a tortura moral do a. o autor não deixa claro, na narrativa, qual foi a verdadeira
boticário naqueles dias de revolução excede a toda a causa da morte do coronel.
descrição possível.
b. o personagem protagonista lançou mão deste argumento
c. Simão Bacamarte achou em si os característicos do para aplacar sua consciência.
perfeito equilíbrio mental e moral; pareceu-lhe que possuía a
c. a causa da morte do coronel foram as moléstias que o
sagacidade, a paciência, a perseverança, a tolerância, a
atacavam e não um descuido do enfermeiro.
veracidade, o vigor moral, a lealdade, todas as qualidades
enfim que podem formar um acabado mentecapto. d. o enfermeiro provocou a morte do coronel, pois sabia que
era herdeiro de sua fortuna.
d. A irritação dos agitadores foi enorme. O barbeiro declarou
que iam dali levantar a bandeira da rebelião, e destruir a e. a afirmação apresentada no fragmento isenta o
Casa Verde; que Itaguaí não podia continuar a servir de personagem enfermeiro da culpa da morte do coronel.
cadáver aos estudos e experiências de um déspota.

34. UP 2015
32. MILTON CAMPOS 2014
Lucíola, de José de Alencar, é um romance representativo
Em O alienista, além da sátira à ciência e à política, do Romantismo, mas se aproxima do que viria a ser a
encontra-se também uma caricatura da própria linguagem estética do Realismo. Assinale a alternativa correta no que
retórica, como se vê na seguinte passagem: diz respeito à identificação adequada de traços realistas em
Lucíola.
a. – A cara era um pimentão; todo ele tremia, a boca
escumava; lembra-me como se fosse hoje. Então um
homem feio, cabeludo, em mangas de camisa, chegou-se a
a. Condenação moral da protagonista: enquanto no
ele e pediu água.
Romantismo as heroínas, idealizadas, não se opunham aos
b. Uma vez, por exemplo, compôs uma ode à queda do valores morais vigentes e tinham finais felizes, Lúcia é
Marquês de Pombal, em que dizia que esse ministro era o assassinada como punição por ter sido cortesã.
“dragão aspérrimo do Nada” esmagado pelas “garras
b. Narração em primeira pessoa: para que a dúvida sobre o
vingadouras do Todo”.
verdadeiro caráter da protagonista permaneça após o final
c. – Trata-se de coisa mais alta, trata-se de uma experiência da leitura, opta-se pela narração feita por uma
científica. Digo experiência, porque não me atrevo a personagem que conviveu com Lúcia.
assegurar desde já a minha ideia; nem a ciência é outra
c. Paródia de obra literária consagrada: José de Alencar
coisa, Sr. Soares, senão uma investigação constante.
parodia a linguagem de A Dama das Camélias, de Alexandre
d. Não ousava fazer-lhe nenhuma queixa ou reproche, Dumas Filho, e altera seu desfecho, ao condenar Lúcia
porque respeitava nele o seu marido e senhor, mas padecia à morte.

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d. Inovação no tratamento temporal: os flashbacks que buscaram a idealização do índio como herói nacional, e suas
possibilitam a Paulo recordar detalhes de sua relação com obras tematizavam o amor, a saudade e a subjetividade.
Lúcia dificultam o estabelecimento da ordem cronológica dos
acontecimentos.
Podemos considerar como historicamente coerentes as
e. Crítica à hipocrisia da classe burguesa: a sociedade afirmações feitas em:
carioca representada em Lucíola age de forma contraditória,
a. I, III, IV e V.
estimulando e condenando a prostituição.
b. II, III, IV e V.

35. UFRR 2013 c. II e V.

José de Nicola, para explicar o Realismo, usa uma citação d. I, IV e V.


de Fidelino de Figueiredo, que esclarece sobre esse Estilo
e. II, III e V.
de época:

36. FASEH 2013


“É de todos os tempos o realismo como é a arte. Ele existiu
sempre, porque a imaginação tem Assinale a alternativa CORRETA, considerando as
necessariamente por bases a observação e a experiência, e características do Realismo no Brasil e suas concepções de
porque a arte tem sempre por objeto as realidades da vida”. vida social.

FIGUEIREDO, Fidelino de. apud NICOLA, José de. Literatura Brasileira – das a. Um dos traços mais interessantes do Realismo brasileiro é
origens aos nossos dias. São Paulo; Scipione, 2007. p. 284. a atenta e detalhada caracterização das classes dominantes
como prepotentes e arrogantes.
Diferente de outras manifestações artísticas, a Literatura b. Os romances realistas deram início a um processo de
trabalha com linguagem verbal como matéria prima. Os educação popular, com a participação ativa e responsável de
Movimentos/Estilos literários são produtos de sociedades e padres e de outros clérigos católicos.
épocas que se distinguem peculiarmente. Com base nesta
c. No Realismo, os escritores acreditavam que o
informação, analise as proposições a seguir:
impedimento ao amor era de ordem política, pois sabiam que
não haveria como se impor aos poderes estabelecidos.
I. o Realismo foi um movimento artístico e cultural que se
d. As pesquisas históricas exaltadas pelos escritores
desenvolveu na segunda metade do século XIX, sua
realistas enalteciam o poder transformador das religiões em
principal característica foi a abordagem de temas sociais e a
vista de uma realidade social desregrada.
objetividade da realidade e do ser humano;

II. o Romantismo possuía um forte caráter ideológico e foi


37. MILTON CAMPOS 2015
marcado por uma linguagem política, de denúncia dos
problemas sociais como a miséria, pobreza, exploração, Leia o comentário a seguir, sobre a presença do grotesco
corrupção entre outros; em Machado de Assis.

III. os artistas e escritores realistas iam diretamente ao foco


da questão, reagindo ao subjetivismo do Romantismo;
“Elemento constante da configuração do grotesco literário é
IV. uma das correntes do Realismo foi o Naturalismo, cuja o motivo da ‘ideia fixa’. (...) Dominado pela ideia fixa, o
objetividade estava presente, sem o conteúdo ideológico; personagem afasta-se de ligações de ordem material e
realiza o distanciamento do mundo. A noção do
V. os autores românticos romperam com as tradições
distanciamento do mundo surge, portanto, como traço
árcades, apresentaram novas concepções literárias,
essencial na configuração do grotesco, funcionando como
expressavam suas emoções, desabafos sentimentais, e
elemento catalizador dos outros traços estruturantes.”

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(FREITAS, Maria Eurides P. de. O grotesco na criação de Machado de Assis e miserável. Dizes amém a tudo, não é? Aí tens o lucro, biltre!”
Gregório de Matos. Rio de Janeiro: Presença, 1981. p.17) (...) Daqui a imaginar o efeito do recado é um nada. Tão
depressa ele o recebeu como abriu mão das drogas e voou
à Casa Verde.
Assinale o excerto que melhor exemplifica a ideia fixa sob a
perspectiva do grotesco:
38. MILTON CAMPOS 2015
a. Agora, se imaginais que o alienista ficou radiante ao ver
Assinale o comentário equivocado em relação ao conto O
sair o último hóspede da Casa Verde, mostrais com isso que
alienista, de Machado de Assis:
ainda não conheceis o nosso homem. Plus ultra! era a sua
divisa. Não lhe bastava ter descoberto a teoria verdadeira da a. Os políticos de Itaguaí encarnam o bom senso, rejeitando
loucura; não o contentava ter estabelecido em Itaguaí o sumariamente os argumentos de Simão Bacamarte.
reinado da razão. Plus ultra! Não ficou alegre, ficou b. O conto transcorre, provavelmente, na última década do
preocupado, cogitativo; alguma coisa lhe dizia que a teoria século XVIII, nos anos seguintes a 1789, estando o Brasil
nova tinha, em sim mesma, outra e novíssima teoria. ainda sujeito a Portugal.
b. b) O vigário derreou os cantos da boca, à maneira de c. Verifica-se não apenas uma crítica à psiquiatria, mas
quem não sabe nada ou não quer dizer tudo; resposta vaga, também ao amor cego à ciência e ao determinismo científico
que se não pode repetir a outra pessoa por falta de texto. D. das últimas décadas do século XIX.
Evarista achou realmente extraordinário que toda aquela
gente ensandecesse; um ou outro, vá; mas todos? d. O barbeiro Porfírio, ao assumir a liderança do movimento
Entretanto custava-lhe duvidar; o marido era um sábio, não sedicioso que tencionava derrubar a Casa Verde, acaba por
recolheria ninguém à Casa Verde sem prova evidente de se contradizer e acata as vontades do alienista.
loucura.

c. – Tinha escolhido, preparado, enfeitado o vestuário que 39. MILTON CAMPOS 2015
levaria ao baile da câmara municipal; só hesitava entre um Leia o trecho que inicia o conto O alienista.
colar de granada e outro de safira. (...) Ontem repetiu a
pergunta ao almoço; pouco depois de jantar fui achá-la
calada e pensativa. – Que tem? perguntei-lhe. – Queria levar “As crônicas da vila de Itaguaí dizem que em tempos
o colar de granada, mas acho o de safira tão bonito! – Pois remotos vivera ali um certo médico, o Dr. Simão Bacamarte,
leve o de safira. – Ah! Mas onde fica o de granada? – Enfim, filho da nobreza da terra e o maior dos médicos do Brasil, de
passou a tarde sem novidade. Ceamos, e deitamo-nos. Alta Portugal e das Espanhas. Estudara em Coimbra e Pádua.
noite, seria hora e meia, acordo e não a vejo; levanto-me, Aos trinta e quatro anos regressou ao Brasil, não podendo
vou ao quarto de vestir, acho-a diante dos dois colares, el-rei alcançar dele que ficasse em Coimbra, regendo a
ensaiando-os ao espelho, ora um ora outro. Era evidente a universidade, ou em Lisboa, expedindo os negócios da
demência; recolhia-a logo. monarquia.
d. Crispim empalideceu. Que negócio importante podia ser,
- A Ciência, disse ele a Sua Majestade, é o meu emprego
se não alguma notícia da comitiva, e especialmente da
único; Itaguaí é o meu universo.”
mulher? Porque este tópico dever ficar claramente definido,
visto insistirem nele os cronistas; Crispim amava a mulher, e (ASSIS, Machado de. O alienista. São Paulo: Ática, 2004. p.9)
de, desde trinta anos, nunca estiveram separados um só dia.
Assim se explicam os monólogos que ele fazia agora, e que
os fâmulos lhe ouviam muita vez: - “Anda, bem feito, quem te O discurso direto presente no trecho sugere que
mandou consentir na viagem de Cesária? Bajulador, torpe
a. Simão Bacamarte, com menos de quarenta anos e já com
bajulador! Só para adular ao Dr. Bacamarte. Pois agora
experiência científica em cidades da Europa, tinha tudo para
aguenta-te; anda, aguenta-te, alma de lacaio, fracalhão, vil,
conquistar um cargo junto ao rei.

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b. o tom da narrativa é dado pelo artifício de ficcionalizar as 42. FASEH 2014
peripécias do conto, fundamentadas em aspectos verídicos
Assinale a alternativa em que se percebe uma relação
da história.
CORRETA entre o personagem da obra O alienista e a
c. cabe ao narrador a estratégia de restaurar o passado, respectiva passagem.
trazendo até o leitor as informações que estavam soterradas
a. (Dr. Simão Bacamarte) “Deus engendrou um ovo, o ovo
em antigos manuscritos.
engendrou a espada, a espada engendrou Davi, Davi
d. há um contraste inesperado entre elementos absolutos e engendrou a púrpura, a púrpura engendrou o duque, o
relativos envolvendo a ciência como emprego único e Itaguaí duque, engendrou o marquês, o marquês engendrou o
como universo. conde, que sou eu”.

b. (Vigário Lopes) “Não, senhor. Eu lhe digo como o negócio


40. MILTON CAMPOS 2014 se passou. O defunto meu tio não era mau homem; mas
quando estava furioso era capaz de nem tirar o chapéu ao
Em relação à narrativa O alienista, de Machado de Assis, é
Santíssimo. Ora, um dia, pouco tempo antes de morrer,
CORRETO afirmar:
descobriu que um escravo lhe roubara um boi; imagine como
a. A novela ironiza o conceito de revolução popular, que, na ficou”.
perspectiva do narrador, se mostra incompatível com o
c. (D. Evarista) “Cala a boca, tolo! Benedita, olha aí do lado
poder moderador da razão.
esquerdo; não parece que a costura está um pouco
b. O tema central da novela consiste na disputa pelo poder enviesada? A risca azul não segue até abaixo; está muito
da Casa Verde por parte do cientista Simão Bacamarte e do feio assim; é preciso descoser para ficar igualzinho e ...”
padre Lopes.
d. (Crispim Soares) “Não nos dispersaremos. Se quereis os
c. Fundamentando-se em crônicas verídicas, o narrador nossos cadáveres, podeis tomá-los; mas só os cadáveres;
vale-se de aspectos históricos para evidenciar a não levareis a nossa honra, o nosso crédito, os nossos
autenticidade de seu relato. direitos, e com eles a salvação de Itaguaí”.

d. Prevalece, ao longo da novela, a concepção de que a


loucura assinala pessoas que constroem um mundo paralelo 43. FASEH 2014
de inocência e isolamento.
Assinale a alternativa que apresenta um traço característico
INCORRETO da obra O alienista, de Machado de Assis.
41. FASEH 2014
a. Presença expressiva da ironia.
Assinale a alternativa que caracteriza de forma INCORRETA
b. Análise da conduta humana.
a obra literária O alienista, de Machado de Assis.
c. Opção pelo lirismo comovente.
a. Percebe-se que o autor em sua narrativa busca explorar e
discutir os limites da ciência. d. Ênfase de um humor amargo.

b. Nota-se na narrativa o ímpeto por denunciar os exageros


de uma postura racionalista. 44. FASEH 2014

c. Observa-se que a obra procura instigar o leitor a apreciar Assinale a alternativa que contém informações CORRETAS
de modo crítico certas visões à primeira vista indiscutíveis. sobre a obra literária de Machado de Assis O alienista.

d. Verifica-se que a maior preocupação do autor está a. Há, na obra em questão, passagens que demonstram
relacionada à vontade de entender o Brasil como centro alguns processos típicos da investigação psicológica
indianista. machadiana.

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b. A simplicidade formal e emotiva torna a obra em questão — Como foi?
ainda mais popular aos olhos do leitor moderno.

c. A presença da “temática regional” faz da obra um libelo


— Senta-te.
em favor das pessoas desamparadas no meio rural.

d. As proposições a variar entre o nacionalismo e a


religiosidade incluem preocupações abolicionistas e Rubião obedeceu, dando ao rosto o maior interesse
socialistas. possível, enquanto Quincas Borba continuava a andar.

45. UFJF 2012


— Foi no Rio de Janeiro, começou ele, defronte da Capela
Há meio século, os escravos fugiam com frequência. Eram
Imperial, que era então Real, em dia de grande festa; minha
muitos, e nem todos gostavam da escravidão. Sucedia
avó saiu, atravessou o adro, para ir ter à cadeirinha, que a
ocasionalmente apanharem pancada, e nem todos gostavam
esperava no Largo do Paço. Gente como formiga. O povo
de apanhar pancada. Grande parte era apenas repreendida;
queria ver entrar as grandes senhoras nas suas ricas
havia alguém de casa que servia de padrinho, e mesmo o
traquitanas. No momento em que minha avó saía do adro
dono não era mau; além disso, o sentimento da propriedade
para ir à cadeirinha, um pouco distante, aconteceu espantar-
moderava a ação, porque dinheiro também dói. A fuga
-se uma das bestas de uma sege; a besta disparou, a outra
repetia-se, entretanto. Casos houve, ainda que raros, em
imitou-a, confusão, tumulto, minha avó caiu, e tanto as mulas
que o escravo de contrabando, apenas comprado no
como a sege passaram-lhe por cima. Foi levada em braços
Valongo, deitava a correr, sem conhecer as ruas da cidade.
para uma botica da Rua Direita, veio um sangrador, mas era
Dos que seguiam para casa, não raro, apenas ladinos,
tarde; tinha a cabeça rachada, uma perna e o ombro
pediam ao senhor que lhes marcasse aluguel, e iam
partidos, era toda sangue; expirou minutos depois.
ganhá-lo fora, quitandando. [...]

ASSIS, Machado de. Pai contra mãe. In: ______.Obras completas. Rio de
Janeiro: Nova Aguilar, 1983, p. 137 (adaptado).
— Foi realmente uma desgraça, disse Rubião.

A frase “e nem todos gostavam de...” atribui ao texto um tom — Não.

a. irônico.

b. realista. — Não?

c. melancólico.

d. revoltado. — Ouve o resto. Aqui está como se tinha passado o caso. O


e. desgostoso. dono da sege estava no adro, e tinha fome, muita fome,
porque era tarde, e almoçara cedo e pouco. Dali pôde fazer
sinal ao cocheiro; este fustigou as mulas para ir buscar o
46. PUC-GO 2016 patrão. A sege no meio do caminho achou um obstáculo e
VI derribou-o; esse obstáculo era minha avó. O primeiro ato
dessa série de atos foi um movimento de conservação:
Humanitas tinha fome. Se em vez de minha avó, fosse um
Para entenderes bem o que é a morte e a vida, basta rato ou um cão, é certo que minha avó não morreria, mas o
contar-te como morreu minha avó. fato era o mesmo; Humanitas precisa comer. Se em vez de
um rato ou de um cão, fosse um poeta, Byron ou Gonçalves
Dias diferia o caso no sentido de dar matéria a muitos

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necrológios; mas o fundo subsistia. O universo ainda não — Humanitas é o principio. Há nas coisas todas certa
parou por lhe faltarem alguns poemas mortos em flor na substância recôndita e idêntica, um princípio único,
cabeça de um varão ilustre ou obscuro; mas Humanitas (e universal, eterno, comum, indivisível e indestrutível, — ou,
isto importa, antes de tudo) Humanitas precisa comer. para usar a linguagem do grande Camões:

Rubião escutava, com a alma nos olhos, sinceramente Uma verdade que nas coisas anda,
desejoso de entender; mas não dava pela necessidade a
que o amigo atribuía a morte da avó. Seguramente o dono
da sege, por muito tarde que chegasse à casa, não morria Que mora no visíbil e invisíbil.
de fome, ao passo que a boa senhora morreu de verdade, e
para sempre. Explicou-lhe, como pôde, essas dúvidas, e
acabou perguntando-lhe: Pois essa sustância ou verdade, esse princípio indestrutível
é que é Humanitas. Assim lhe chamo, porque resume o
universo, e o universo é o homem. Vais entendendo?
— E que Humanitas é esse?

— Pouco; mas, ainda assim, como é que a morte de sua


— Humanitas é o princípio. Mas não, não digo nada, tu não avó...
és capaz de entender isto, meu caro Rubião; falemos de
outra coisa.
— Não há morte. O encontro de duas expansões, ou a
expansão de duas formas, pode determinar a supressão de
— Diga sempre. Quincas Borba, que não deixara de andar, uma delas; mas, rigorosamente, não há morte, há vida,
parou alguns instantes. porque a supressão de uma é a condição da sobrevivência
da outra, e a destruição não atinge o princípio universal e
comum. Daí o carácter conservador e benéfico da guerra.
— Queres ser meu discípulo? Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As
batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que
assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra
— Quero. vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas
tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a
nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz,
— Bem, irás entendendo aos poucos a minha filosofia; no nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma
dia em que a houveres penetrado inteiramente, ah! nesse das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a
dia terás o maior prazer da vida, porque não há vinho que alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas
embriague como a verdade. Crê-me, o Humanitismo é o públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a
remate das coisas; e eu, que o formulei, sou o maior homem guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a
do mundo. Olha, vês como o meu bom Quincas Borba está dar- -se, pelo motivo real de que o homem só comemora e
olhando para mim? Não é ele, é Humanitas... ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo
racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que
virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao
— Mas que Humanitas é esse? vencedor, as batatas.

— Mas a opinião do exterminado?

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I-o romance apresentar uma linguagem madura, livre dos
adereços verborrágicos do Romantismo, ao qual se
— Não há exterminado. Desaparece o fenômeno; a
contrapõe, e discutir com refinada ironia as questões
substância é a mesma. Nunca viste ferver água? Hás de
fundamentais inerentes ao ser humano em sua existência
lembrar-te que as bolhas fazem-se e desfazem-se de
terrena.
contínuo, e tudo fica na mesma água. Os indivíduos são
essas bolhas transitórias.

II-o romance apresentar uma linguagem dotada de


resquícios das idealizações românticas, e discutir, de forma
— Bem; a opinião da bolha...
direta, questões relativas ao ser humano em suas relações
com os animais.

— Bolha não tem opinião. Aparentemente, há nada mais


contristador que uma dessas terríveis pestes que devastam
III-A obra machadiana em debate alcançou tanta
um ponto do globo? E, todavia, esse suposto mal é um
popularidade, principalmente devido a sua linguagem
benefício, não só porque elimina os organismos fracos,
acessível, mas profunda, que chama a atenção do leitor, por
incapazes de resistência, como porque dá lugar à
abordar um tema de elevado cunho filosófico ao atribuir
observação, à descoberta da droga curativa. A higiene é filha
características humanas a um animal, o cachorro Quincas
de podridões seculares; devemo-la a milhões de
Borba.
corrompidos e infectos. Nada se perde, tudo é ganho.
Repito, as bolhas ficam na água. Vês este livro? É Dom
Quixote. Se eu destruir o meu exemplar, não elimino a obra,
IV-A obra machadiana em debate alcançou tamanho êxito,
que continua eterna nos exemplares subsistentes e nas
principalmente devido a sua linguagem, em que cada
edições posteriores. Eterna e bela, belamente eterna, como
detalhe deve ser levado em conta, porque guarda sentidos
este mundo divino e supradivino.
múltiplos que conduzem o leitor a reflexões profundas sobre
(ASSIS, Machado de. Quincas Borba. 18. ed. São Paulo: Ática, 2011. p. si mesmo e sobre o mundo.
26-28.)

Marque, abaixo, a alternativa correta:


Com relação à narrativa Quincas Borba, de Machado de
a. I, II e III estão corretas.
Assis, de que faz parte o texto, muitos críticos já afirmaram e
continuam afirmando tratar-se de um dos romances mais b. I, III e IV estão corretas.
significativos das décadas finais do século XIX. Seu prestígio
c. II, III e IV estão corretas.
se estendeu por todo o século XX e o texto persiste como
obra de grande importância até nossos dias. d. II e IV estão corretas.

47. PUC-GO 2015


Dessa forma, podemos afirmar que o êxito alcançado por
esse romance se deve principalmente ao fato de (analise os CAPÍTULO XVIII
itens que se seguem):

Rubião e o cachorro, entrando em casa, sentiram, ouviram a


pessoa e as vozes do finado amigo. Enquanto o cachorro
farejava por toda a parte, Rubião foi sentar-se na cadeira,
onde estivera quando Quincas Borba referiu a morte da avó

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com explicações científicas. A memória dele recompôs, melhor modo de apreciar o chicote é ter-lhe o cabo na mão.
ainda que de embrulho e esgarçadamente, os argumentos
(ASSIS, Machado de. Quincas Borba. São Paulo: Ática, 2011. p. 38-39.)
do filósofo. Pela primeira vez, atentou bem na alegoria das
tribos famintas e compreendeu a conclusão: “Ao vencedor,
as batatas!”. Ouviu distintamente a voz roufenha do finado
expor a situação das tribos, a luta e a razão da luta, o
extermínio de uma e a vitória da outra, e murmurou baixinho: Machado de Assis possui uma obscuridade que fascina o
leitor, na medida em que o desconcerta. A magia de suas
palavras e seus sentidos de mistério agem profundamente,
— Ao vencedor, as batatas! embora a compreensão permaneça desorientada. No
entanto, deve-se ressaltar que a linguagem literária não
expressa tipos, conceitos ou emoções; é um leque de
Tão simples! tão claro! Olhou para as calças de brim surrado interpretações. O que faz a literatura ser literatura é a
e o rodaque cerzido, e notou que até há pouco fora, por literariedade. Literariedade é a elevação da língua à sua
assim dizer, um exterminado, uma bolha; mas que ora não, função máxima, sua plurissignificação, sua polissemia, seu
era um vencedor. Não havia dúvida; as batatas fizeram-se poder de sugestão, estranheza e sua linguagem solitária,
para a tribo que elimina a outra a fim de transpor a montanha mas solidária. Com relação à literatura de Machado de
e ir às batatas do outro lado. Justamente o seu caso. Ia Assis, considerando o texto escolhido, analise as afirmativas
descer de Barbacena para arrancar e comer as batatas da a seguir:
capital. Cumpria-lhe ser duro e implacável, era poderoso e
forte. E levantando-se de golpe, alvoroçado, ergueu os
braços exclamando: I-O escritor buscou, por meio de personagens, transfigurar o
embate entre a essência e a aparência, o caráter relativo da
moral humana, as convenções sociais e os impulsos piores,
— Ao vencedor, as batatas! a normalidade, a loucura e a precariedade da condição
humana.

Gostava da fórmula, achava-a engenhosa, compendiosa e


eloquente, além de verdadeira e profunda. Ideou as batatas II-Machado, em Quincas Borba, exprimiu uma visão
em suas várias formas, classificou-as pelo sabor, pelo pessimista em relação à vida e ao ser humano. Mais do que
aspecto, pelo poder nutritivo, fartou- -se antemão do pessimista ou negativista, a postura do escritor é niilista.
banquete da vida. Era tempo de acabar com as raízes
pobres e secas, que apenas enganavam o estômago, triste
comida de longos anos; agora o farto, o sólido, o perpétuo, III-A “teoria do Humanitismo”, elaborada no romance
comer até morrer, e morrer em colchas de seda, que é Quincas Borba pelo “louco filósofo” Quincas Borba,
melhor que trapos. E voltava à afirmação de ser duro e pretende demonstrar que, na luta pela vida, vence sempre o
implacável, e à fórmula da alegoria. Chegou a compor de mais forte, o mais esperto.
cabeça um sinete para seu uso, com este lema: AO
VENCEDOR AS BATATAS.
IV-Em Machado de Assis, a preocupação fundamental é a
análise dos fatos; as personagens ficam em segundo plano e
Esqueceu o projeto do sinete; mas a fórmula viveu no são apresentadas à medida que afloram à consciência ou à
espírito de Rubião, por alguns dias: — Ao vencedor as memória do narrador. Por essa razão, a narrativa não segue
batatas! Não a compreenderia antes do testamento; ao uma ordem cronológica, mas sim obedece a um
contrário, vimos que a achou obscura e sem explicação. Tão ordenamento interior.
certo é que a paisagem depende do ponto de vista, e que o

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c. “Casa de Excluídos”. Sutilmente, ele deseja abordar
questões do preconceito racial. Entretanto, por trás da
Em relação às proposições analisadas, marque a única
máscara da solidariedade, o verdadeiro objetivo de
alternativa cujos itens estão todos corretos:
Bacamarte era fortalecer as diferenças sociais. É Machado
a. I, II e III. de Assis promovendo a “reflexão imoral”.

b. I, II e IV. d. “Casa de Adúlteros”. Friamente ele focaliza questões


delicadas como o casamento. Todavia, por trás da máscara
c. I , III e IV.
da preocupação moral com as instituições sociais,
d. II, III e IV percebe-se que a real intenção de Bacamarte é ironizar a
fragilidade da mulher romântica. É Machado de
Assis revelando o jogo de interesses nas relações familiares.
48. UNIR 2010

Machado de Assis desenvolve questões recorrentes em


contos e romances. Marque a alternativa que apresenta 50. UNAMA 2007
aspectos também presentes no conto A Cartomante. No conto “O Alienista”, Machado de Assis analisa a medicina
que mais tarde seria chamada de psiquiátrica e concretiza a
a. Busca de ascensão social, figura do agregado, ciúme.
tese da impossibilidade de estabelecer limites entre a
b. Famílias mal compostas, educação frouxa, situação loucura e a razão.
política do Brasil.

c. Mau comportamento das elites, escravidão, esterilidade.


Assinale a alternativa em que o fragmento poético repercute
d. Traição, pais permissivos, negociatas.
a tese machadiana sobre a loucura.
e. Triângulo amoroso, ciúme, incapacidade de enxergar o
a. “Toda noite eu saio a sua procura
destino.
Toda noite eu faço a mesma loucura
Toda noite saio a sua procura
49. UNAMA 2007 Toda noite eu faço a mesma loucura (...)”

A leitura atenta de O Alienista, de Machado de Assis, (JQuest)

possibilita que o leitor identifique o significado da expressão b. “Alma! Que tu não chores e não gemas,
“Casa de Orates”, no texto, e a quem deseja servir Simão Teu amor voltou agora.
Bacamarte quando constrói a “Casa Verde”em Itaguaí. Ei-lo que chega das mansões extremas,
Lá longe a loucura mora! (...)”
(Cruz e Sousa)
A resposta correta às duas questões está em: c. “Mas eu também sei ser careta
a. “Casa de Detenção”. Supostamente, deseja servir à De perto ninguém é normal
polícia. Mas, por trás das atitudes aparentemente éticas, a Às vezes segue em linha reta
real intenção de Bacamarte era se beneficiar com um tipo de A vida que é meu bem, meu mal (...)”
comércio, uma certa troca de favores. É Machado de Assis (Caetano Veloso)
revelando o lado podre da humanidade. d. “Só louco
b. “Casa de Loucos". Aparentemente, ele deseja servir à Amou como eu amei
ciência. Porém, por trás dos atos aparentemente bons, Só louco quis o bem que eu quis
surpreende-se a intenção verdadeira de Bacamarte: atingir a Ah, insensato coração, por que me fizeste sofrer?
glória e ser a pessoa mais importante de Itaguaí. É Machado Porque de amor pra entender
desmascarando a hipocrisia humana. É preciso amar, porque só louco, só louco...”
(Dorival Caymmi)

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51. UNAMA 2009 A leitura das narrativas de O Alienista, de Machado de Assis,
Acauã, de Inglês de Souza, e Manuelzão e Miguilim, de
Leia os fragmentos a seguir:
Guimarães Rosa, permitem avaliar as cinco afirmativas a
seguir, a respeito dos fragmentos dados à leitura.

A revolução triunfante não perdeu um só minuto; guiou para


a Câmara Povo e davam vivas ao “ilustre Porfírio”. Este ia na
I. As três narrativas constroem-se em espaço natural, aberto,
frente, empunhando tão destramente a espada, como se ela
embora com paisagens totalmente diversas, onde se pode
fosse apenas uma navalha um pouco mais comprida. A
ter contato íntimo com a natureza e ainda se povoam
vitória cingia-lhe a fronte de um nimbo misterioso. A
tradições e valores deixados pelos antepassados.
dignidade de governo começava a eurijar-lhe os quadris. O
barbeiro, acompanhado de alguns de seus tenentes, entrava II. Nos contos de Inglês de Souza e de Guimarães Rosa há,
na sala da vereança intimava à Câmara a sua queda. A respectivamente, presença de palavras que nomeiam aves
Câmara não resistiu, entregou-se e foi dali para a cadeia. noturnas e de mau agouro: Acauã e Mutum. Essas palavras,
em ambas as narrativas citadas, dão nomes carregados de
(O Alienista, Machado de Assis)
significação aos lugares onde acontecem as histórias
contadas por esses autores.

Os cabelos do capitão Ferreira puseram-se de pé e duro III. O fragmento de O Alienista expõe a visão pessimista
como estacas. Ele bem sabia o que aquilo era. Aquela voz machadiana sobre a conduta humana: o Boticário, que se
era a voz de cobra grande, da colossal sucuriju, que reside pronunciava “amigo” do Alienista, muda de lado de modo
no fundo dos rios e lagos. Eram os lamentos do monstro em egoísta, para salvar-se da perseguição do novo governo,
laborioso parto (...). Mas a voz, a terrível voz aumentava de mostrando a instabilidade ideológica do homem.
volume. Cresceu mais, cresceu tanto afinal, que os ouvidos
IV. O trecho do conto de Guimarães Rosa se encerra com
do capitão zumbiram, tremeram-lhe as pernas e caiu no
uma cena simbólica: a descoberta de que Miguilim era
limiar de uma porta. Com a queda, espantou um grande
míope, e a possibilidade de uma nova vida em outro lugar.
pássaro escuro que ali parecia pousado, e que voou
cantando. – Acauã, acauã! V. Em Acauã, a aparição do pássaro é tida como prenúncio
de episódio sobrenatural e o trecho desse conto de Inglês de
(Acauã, Inglês de Souza)
Souza exemplifica a presença da ave sombria, pelo canto
agourento.

De repente, chega ao Mutum, um senhor de óculos (Dr.


Lourenço) e a amizade se estabelece (...). Era isto mesmo:
O correto está em
Miguilim era piticego, tinha vista curta, e não sabia. E então
o senhor (que era doutor) tirou os óculos e deu-os a a. I, II, III, IV e V.
Miguilim: “Olha, agora!” Miguilim olhou. Nem não podia
b. I e II, apenas.
acreditar! Tudo era uma claridade, tudo novo e lindo e
diferente, as coisas, as árvores, as caras das pessoas. O c. III e IV, apenas.
Mutum era bonito! - agora Miguilim via claramente. E então
d. III, IV e V, apenas.
veio o convite: - O doutor era homem muito bom, levava o
Miguilim, lá ele comprava uns óculos pequenos, entrava para
a escola, depois aprendia ofício. E, assim, Miguilim teria uma 52. UNB 2011
nova perspectiva na vida: a criança de calça curta ia Olhos de ressaca
penetrar, agora, em um novo mundo.

(Manuelzão e Miguilim, Campo Geral – Guimarães Rosa)

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Tinha-me lembrado a definição que José Dias dera deles, Machado de Assis. Dom Casmurro. In: Obras completas. Rio de Janeiro:
“olhos de cigana oblíqua e dissimulada.” Eu não sabia o que Nova Aguilar, 2008, p.965.
era oblíqua, mas dissimulada sabia, e queria ver se podiam
chamar assim. Capitu deixou-se fitar e examinar. Só me
perguntava o que era, se nunca os vira, eu nada achei A caracterização dos olhos no trecho “com os meus olhos
extraordinário; a cor e a doçura eram minhas conhecidas. longos, constantes, enfiados neles” revela
A demora da contemplação creio que lhe deu outra ideia do
a. o movimento do olhar de Capitu no momento em que
meu intento; imaginou que era um pretexto para mirá-los
estava sendo examinada pelo personagem Bentinho.
mais de perto, com os meus olhos longos, constantes,
enfiados neles, e a isto atribuo que entrassem a ficar b. a análise minuciosa que Bentinho fazia do olhar de Capitu
crescidos, crescidos e sombrios, com tal expressão que... enquanto fixava seus olhos nos dela.

c. a mudança na expressão de Capitu, que, gradativamente,


se foi tornando misteriosa.
Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e
poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. Não d. a intensidade da troca de olhares entre os personagens a
me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade partir do envolvimento afetivo demonstrado por Capitu
do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca?
Vá, de ressaca. É o que me dá ideia daquela feição nova. 53. UPE 2013
Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força
que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da Fragmento do romance Memórias de um Sargento de
praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, Milícias, de Manuel Antônio de Almeida
agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, I Origem, Nascimento e Batismo.
aos cabelos espalhados pelos ombros, mas tão depressa
buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo,
cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e Era no tempo do rei.
tragar-me. Quantos minutos gastamos naquele jogo? Só os
relógios do céu terão marcado esse tempo infinito e breve. A
eternidade tem as suas pêndulas; nem por não acabar
Uma das quatro esquinas que formam as ruas do Ouvidor e
nunca deixa de querer saber a duração das felicidades e dos
da Quitanda, cortando■se mutuamente, chamava■se nesse
suplícios. Há de dobrar o gozo aos bem-aventurados do
tempo ■ O canto dos meirinhos ■; e bem lhe assentava o
céu conhecer a soma dos tormentos que já terão padecido
nome, porque era aí o lugar de encontro favorito de todos os
no inferno os seus inimigos; assim também a quantidade das
indivíduos dessa classe (que gozava então de não pequena
delícias que terão gozado no céu os seus desafetos
consideração). Os meirinhos de hoje não são mais do que a
aumentará as dores aos condenados do inferno. Este outro
sombra caricata dos meirinhos do tempo do rei; esses eram
suplício escapou ao divino Dante; mas eu não estou aqui
gente temível e temida, respeitável e respeitada; formavam
para emendar poetas. Estou para contar que, ao cabo de um
um dos extremos da formidável cadeia judiciária que
tempo não marcado, agarrei-me definitivamente aos cabelos
envolvia todo o Rio de Janeiro no tempo em que a demanda
de Capitu, mas então com as mãos, e disse-lhe — para dizer
era entre nós um elemento de vida: o extremo oposto eram
alguma coisa — que era capaz de os pentear, se quisesse.
os desembargadores. Ora, os extremos se tocam, e estes,
— Você? tocando■se, fechavam o círculo dentro do qual se passavam
os terríveis combates das citações, provarás, razões
— Eu mesmo. principais e finais, e todos esses trejeitos judiciais que se
— Vai embaraçar-me o cabelo todo, isso sim. chamava o processo. Daí sua influência moral.

— Se embaraçar, você desembaraça depois.

— Vamos ver.

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Mas tinham ainda outra influência, que é justamente a que produzidos por autores mais identificados com a estética
falta aos de hoje: era a influência que derivava de suas romântica, possui nuances que lhe configuram uma novela
condições físicas. Os meirinhos de hoje são homens como categorizada como realista.
quaisquer outros; nada têm de imponentes, nem no seu
II. Pelo que se lê no fragmento do livro de Manuel Antônio de
semblante nem no seu trajar, confundem■se com qualquer
Almeida, a palavra “meirinhos”, utilizada repetidas vezes,
procurador, escrevente de cartório ou contínuo de repartição.
evidencia, de forma contundente, as principais
Os meirinhos desse belo tempo não, não se confundiam com
características da época de transição na qual o livro se
ninguém; eram originais, eram tipos, nos seus semblantes
encaixa.
transluzia um certo ar de majestade forense, seus olhares
calculados e sagazes significavam chicana. Trajavam sisuda III. O tema abordado em Memórias de um Sargento de
casaca preta, calção e meias da mesma cor, Milícias (1852), de alguma maneira, anuncia temas, direta ou
sapato afivelado, ao lado esquerdo aristocrático espadim, e indiretamente, os quais virão a ser tratados em obras que se
na ilharga direita penduravam um círculo branco, cuja coadunam mais com a estética literária realista.
significação ignoramos, e coroavam tudo isto por um grave
IV. No fragmento analisado, o narrador comenta sobre as
chapéu armado.
demais personagens com um certo “tom” irônico, atitude
ficcional pouco comum, por exemplo, no romance A
moreninha (1844), de vez em quando.
Colocado sob a importância vantajosa destas condições, o
meirinho usava e abusava de sua posição. Era terrível V. Segundo o que lemos no fragmento analisado, o
quando, ao voltar uma esquina ou ao sair de manhã de sua “cidadão” que, porventura, durante o seu trajeto, encontrasse
casa, o cidadão esbarrava com uma daquelas solenes um “meirinho” teria de arcar com problemas relacionados a
figuras que, desdobrando junto dele uma folha de papel, despesas, envolvendo figuras oficiais.
começava a lê■la em tom confidencial! Por mais que se
fizesse não havia remédio em tais circunstâncias senão
deixar escapar dos lábios o terrível ■ Dou■me por citado. Estão CORRETAS
■ Ninguém sabe que significação fatalíssima e cruel tinham
a. I, II e III.
estas poucas palavras! Eram uma sentença de peregrinação
eterna que se pronunciava contra si mesmo; queriam dizer b. I, III e IV.
que se começava uma longa e afadigosa viagem, cujo termo
c. II, III e IV.
bem distante era a caixa da Relação, e durante a qual se
tinha de pagar importe de passagem em um sem■número d. II, IV e V.
de pontos; o advogado, o procurador, o inquiridor, o e. III, IV e V.
escrivão, o juiz, inexoráveis Carontes, estavam à porta de
mão estendida, e ninguém passava sem que lhes tivesse
deixado, não um óbolo, porém todo o conteúdo de suas 54. UPE 2012
algibeiras, e até a última parcela de sua paciência. Sobre a escola literária Realista, analise as afirmativas a
seguir.
Disponível em:
http://stat.correioweb.com.br/arquivos/educacao/arquivos/ManuelAntniodeAlmeida-emriasdeumSargentodeMilcias0.pdf.
Acesso em: 18/09/2013
I. Fundamentada numa linha de pensamento racionalista e
ao mesmo tempo não racionalista, a escola literária realista
Sobre o texto, analise as afirmativas a seguir: brasileira tem como premissa central criar uma arte tomada
pelos ideários que definiram o pensamento de importantes
autores brasileiros, tanto na poesia quanto na prosa.
I. O livro Memórias de um Sargento de Milícias (1852), de
Manuel Antônio de Almeida, distanciando■se dos textos

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II. Um dos princípios da estética realista é a busca pela Augusto dos Anjos com sua poesia de cunho cientificista.
relação biunívoca entre realidade e fantasia. Isso implica
c. O Naturalismo é considerado uma radicalização do
uma tentativa de conseguir a produção de textos literários,
Realismo, acrescentando-lhe aos princípios e características
identificados com propostas positivistas, cuja base de
uma visão fisiológica da existência.
pensamento é a racionalidade como a faculdade humana
única e legítima para conceber a verdade. d. O Naturalismo prefere retratar em seus textos as camadas
mais baixas da sociedade, sendo esse um dos pontos de
III. No Brasil, a chamada estética naturalista tem em livros, afastamento em relação ao Realismo, que retrata a elite.
como O cortiço, de Aluísio Azevedo, e A carne, de Júlio
Ribeiro, expressiva manifestação. A estética realista se e. Aluísio de Azevedo iniciou o Naturalismo no Brasil, com O
diferencia da estética naturalista em vários pontos, porém o Mulato.
que mais se destaca é que a primeira busca a realidade, e a
segunda almeja lampejos do fantasmagórico. 56. UFAM 2009
IV. No conto “Antes da Missa”, Machado de Assis critica o A obra em que Machado de Assis expõe as desventuras de
comportamento da sociedade brasileira no que diz respeito à Rubião, indivíduo que, tendo herdado uma fortuna, se vê
moralidade. O referido autor pode ser considerado, no Brasil, envolvido por Palha e Sofia, no Rio de Janeiro, vendo-se,
um dos mais importantes autores da estética realista, e o posteriormente, despojado de seus bens, intitula-se:
conto citado, um exemplo dessa estética em sua obra.
a. Quincas Borba
V. Há uma expressiva diferença entre a estética romântica e
b. Memorial de Aires
a realista. No entanto, em ambas, a linguagem, por ser de
natureza literária, encontra-se sempre figurada. Segundo a c. Ressurreição
crítica especializada, Machado de Assis perpassa essas
d. Dom Casmurro
estéticas, sendo de ambas um exímio representante.
e. A Mão e a luva

Estão CORRETAS, apenas, 57. UFAM 2009


a. I, II e III. Assinale a opção que caracteriza a prosa de Bernardo
b. I, III e IV. Guimarães:

c. II, III e IV. a. Ideologicamente, propaga as ideias liberais da época,


afirmando-se ao lado dos oprimidos e agredindo as
d. II, IV e V.
estruturas sociais então vigentes.
e. III, IV e V.
b. Sua cosmovisão contém os germens lançados pelo
cientificismo libertário de Tobias Barreto, de Sílvio Romero e
55. UFAM 2010 da Escola do Recife.

O Realismo e o Naturalismo são movimentos surgidos na c. Tingiu-se de Naturalismo, já que o enredo e os


segunda metade do século XIX, marcada por personagens submetem-se ao destino cego das “leis
transformações econômicas, científicas e ideológicas. Sobre naturais”.
esses dois movimentos, assinale a alternativa incorreta.
d. Seu regionalismo mistura elementos tomados à narrativa
a. Para realistas e naturalistas (em linhas gerais dos oral, os “causos” e as “estórias” do sertão de Minas e Goiás,
movimentos), a neutralidade diante do tema é fundamental, com uma boa dose de idealização.
por isso preferem a narrativa em 3ª pessoa. e. Desnudou as mazelas da vida pública e procedeu a um
b. O Realismo brasileiro teve poucos seguidores. Iniciou-se profundo exame psicológico das personagens, buscando
com Machado de Assis, porém seu expoente máximo foi descobrir o motivo de suas ações.

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carne é fraca!

58. UFAM 2009 QUEIRÓS, E. Obra Completa. 2 vols. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1970.
1:326.
Assinale a opção cujo enunciado, feito a propósito de O
Alienista, de Machado de Assis, se encontra CORRETO: Esse trecho é o pensamento do Padre Amaro Vieira,
protagonista do romance. Observa-se que, nesse texto, o
a. Simão Bacamarte, ao final de suas experiências, se
escritor registra:
convence de que é impossível estabelecer fronteiras entre a
sanidade e a loucura. a. A burguesia degenerada a conduzir a formação dos
b. O boticário Crispim Soares, em que pese ser amigo do padres católicos.
doutor Simão Bacamarte, o alienista, foi duas vezes b. A noção comum de que o pecado da carne é o único
internado na Casa Verde. aceitável entre os religiosos.
c. Dona Evarista, mulher de Crispim Soares, também foi c. A percepção científica de que homens e animais são
internada, em virtude de ter ficado indecisa ao escolher entre diferentes porque educados pela moral religiosa.
dois vestidos.
d. O traço determinista do positivismo de Auguste Comte,
d. O padre Lopes, personagem a quem Simão Bacamarte admitindo a motivação sexual como algo comum a todos.
expunha suas teorias, foi internado ao interceder pela
e. A promiscuidade das vielas obscenas como o pecado a
liberdade do vereador Galvão.
afligir os padres jovens.
e. A Revolta dos Canjicas foi assim chamada porque seu
comandante, o barbeiro Porfírio, tinha o apelido de Canjica.
60. UNIFESP 2007

Havia cinco semanas que ali morava, e a vida era sempre a


59. UEL 2007
mesma, sair de manhã com o Borges, andar por audiências
As questões refere-se ao texto extraído do capítulo IX da e cartórios, correndo, levando papéis ao selo, ao distribuidor,
obra O Crime do Padre Amaro (1880), de Eça de Queirós aos escrivães, aos oficiais de justiça. (...) Cinco semanas de
(1845-1900). solidão, de trabalho sem gosto, longe da mãe e das irmãs;
cinco semanas de silêncio, porque ele só falava uma ou
Então, passeando excitado pelo quarto, levava as suas
outra vez na rua; em casa, nada.
acusações mais longe, contra o Celibato e a Igreja: por que
“Deixe estar, — pensou ele um dia — fujo daqui e não volto
proibia ela aos seus sacerdotes, homens vivendo entre
mais.”
homens, a satisfação mais natural, que até têm os animais?
Não foi; sentiu-se agarrado e acorrentado pelos braços de D.
Quem imagina que desde que um velho bispo diz “serás
Severina. Nunca vira outros tão bonitos e tão frescos. A
casto” a um homem novo e forte, o seu sangue vai
educação que tivera não lhe permitira encará-los logo
subitamente esfriar-se? E que uma palavra latina — accedo
abertamente, parece até que a princípio afastava os olhos,
— dita a tremer pelo seminarista assustado, será o bastante
vexado. Encarou-os pouco a pouco, ao ver que eles não
para conter para sempre a rebelião formidável do corpo? E
tinham outras mangas, e assim os foi descobrindo, mirando
quem inventou isso? Um concílio de bispos decrépitos,
e amando. No fim de três semanas eram eles, moralmente
vindos do fundo dos seus claustros, da paz da suas escolas,
falando, as suas tendas de repouso. Aguentava toda a
mirrados como pergaminhos, inúteis como eunucos! Que
trabalheira de fora, toda a melancolia da solidão e do
sabiam eles da Natureza e das suas tentações? Que
silêncio, toda a grosseria do patrão, pela única paga de ver,
viessem ali duas, três horas para o pé da Ameliazinha, e
três vezes por dia, o famoso par de braços.
veriam, sob a sua capa de santidade, começar a
Naquele dia, enquanto a noite ia caindo e Inácio estirava-se
revoltar-se-lhes o desejo! Tudo se ilude e se evita, menos o
na rede (não tinha ali outra cama), D. Severina, na sala da
amor! E se ele é fatal, por que impediram então que o padre
frente, recapitulava o episódio do jantar e, pela primeira vez,
o sinta, o realize com pureza e com dignidade? É melhor
desconfiou alguma cousa. Rejeitou a idéia logo, uma
talvez que o vá procurar pelas vielas obscenas! — Porque a

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criança! Mas há ideias que são da família das moscas
teimosas: por mais que a gente as sacuda, elas tornam e
pousam. Criança? Tinha quinze anos; e ela advertiu que
entre o nariz e a boca do rapaz havia um princípio de
rascunho de buço. Que admira que começasse a amar? E
não era ela bonita? Esta outra ideia não foi rejeitada, antes
afagada e beijada. E recordou então os modos dele, os
esquecimentos, as distrações, e mais um incidente, e mais
outro, tudo eram sintomas, e concluiu que sim.
(Uns braços, de Machado de Assis)

De início, morar na casa de Borges era solitário e tedioso, o


que levou Inácio a pensar em ir embora. Todavia, isso não
aconteceu, sobretudo porque o rapaz

a. passou a ser mais bem tratado pelo casal após


três semanas.

b. teve uma educação que não lhe permitiria tal rebeldia

c. se pegou atraído por D. Severina, com o passar do tempo.

d. gostava, na realidade, do trabalho que realizava com


Borges.

e. sentia que D. Severina se mostrava mais atenciosa com


ele.

GABARITO: 31) a, 32) b, 33) b, 34) e, 35) a, 36) a, 37) c, 38)


a, 39) d, 40) a, 41) d, 42) c, 43) c, 44) a, 45) a, 46) a, 47) a,
48) e, 49) b, 50) c, 51) d, 52) b, 53) e, 54) d, 55) b, 56) a, 57)
d, 58) e, 59) d, 60) c,

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61. UNIFESP 2007 Lorena de Noronha e Sande, quando aqueles malvados me
riscaram da universidade por eu ter esborrachado, numa
Jerônimo bebeu um bom trago de parati, mudou de roupa e
tarde de procissão, na Sofia, a cara sórdida do Dr. Pais Pita.
deitou-se na cama de Rita.
— Vem pra cá... disse, um pouco rouco.
— Espera! espera! O café está quase pronto!
Ora nesse tempo Jacinto concebera uma ideia... Este
E ela só foi ter com ele, levando-lhe a chávena fumegante da
príncipe concebera a ideia de que o homem só é
perfumosa bebida que tinha sido a mensageira dos seus
“superiormente feliz quando é superiormente civilizado”. E
amores (...)
por homem civilizado o meu camarada entendia aquele que,
Depois, atirou fora a saia e, só de camisa, lançou-se contra o
robustecendo a sua força pensante com todas as noções
seu amado, num frenesi de desejo doído.
adquiridas desde Aristóteles, e multiplicando a potência
Jerônimo, ao senti-la inteira nos seus braços; ao sentir na
corporal dos seus órgãos com todos os mecanismos
sua pele a carne quente daquela brasileira; ao sentir
inventados desde Teramenes, criador da roda, se torna um
inundar-se o rosto e as espáduas, num eflúvio de baunilha e
magnífico Adão quase onipotente, quase onisciente, e apto
cumaru, a onda negra e fria da cabeleira da mulata; ao sentir
portanto a recolher dentro de uma sociedade e nos limites do
esmagarem-se no seu largo e peludo colo de cavouqueiro os
progresso (tal como ele se comportava em 1875) todos os
dois globos túmidos e macios, e nas suas coxas as coxas
gozos e todos os proventos que resultam de saber e de
dela; sua alma derreteu-se, fervendo e borbulhando como
poder... Pelo menos assim Jacinto formulava copiosamente
um metal ao fogo, e saiu-lhe pela boca, pelos olhos, por
a sua ideia, quando conversávamos de fins e destinos
todos os poros do corpo, escandescente, em brasa,
humanos, sorvendo bocks poeirentos, sob o toldo das
queimando-lhe as próprias carnes e arrancando-lhe gemidos
cervejarias filosóficas, no Boulevard Saint-Michel.
surdos, soluços irreprimíveis, que lhe sacudiam os membros,
fibra por fibra, numa agonia extrema, sobrenatural, uma
agonia de anjos violentados por diabos, entre a vermelhidão
cruenta das labaredas do inferno. Este conceito de Jacinto impressionara os nossos
camaradas de cenáculo, que tendo surgido para a vida
intelectual, de 1866 a 1875, entre a Batalha de Sadowa e a
Pode-se afirmar que o enlace amoroso entre Jerônimo e Batalha de Sedan e ouvindo constantemente desde então,
Rita, próprio à visão naturalista, consiste aos técnicos e aos filósofos, que fora a espingarda de agulha
que vencera em Sadowa e fora o mestre-de-escola quem
a. na condenação do sexo e conseqüente reafirmação dos
vencera em Sedan, estavam largamente preparados a
preceitos morais.
acreditar que a felicidade dos indivíduos, como a das
b. na apresentação dos instintos contidos, sem exploração nações, se realiza pelo ilimitado desenvolvimento da
da plena sexualidade. mecânica e da erudição. Um desses moços mesmo, o nosso
c. na apresentação do amor idealizado e revestido de certo inventivo Jorge Carlande, reduzira a teoria de Jacinto, para
erotismo. lhe facilitar a circulação e lhe condensar o brilho, a uma
forma algébrica:
d. na descrição do ser humano sob a ótica do erótico
e animalesco.

62. UNIFESP 2010


suma ciência
Leia o trecho a seguir, de A Cidade e as Serras, de Eça de
X = suma felicidade.
Queirós:
suma potência
Jacinto e eu, José Fernandes, ambos nos encontramos e
acamaradamos em Paris, nas escolas do Bairro Latino –
Considere as afirmações.
para onde me mandara meu bom tio Afonso Fernandes

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sardinha e azeite, sob os aspectos de mais volumosa
saúde?
I. O Realismo surge num momento de grande
(...)
efervescência do cientificismo. No texto, isso se comprova
pelas referências à vida intelectual e ao desenvolvimento da
sociedade do século XIX.
Rômulo era antipatizado. Para que o não manifestassem
II. Um personagem como Fabiano, de Vidas Secas,
excessivamente, fazia-se temer pela brutalidade. Ao mais
conforme descrito no trecho – "Vermelho, queimado, tinha os
insignificante gracejo de um pequeno, atirava contra o infeliz
olhos azuis, a barba e os cabelos ruivos; mas como vivia em
toda a corpulência das infiltrações de gordura solta,
terra alheia, cuidava de animais alheios, descobria-se,
desmoronava-se em socos. Dos mais fortes vingava-se,
encolhia-se na presença dos brancos e julgava-se cabra". –
resmungando intrepidamente.
seria infeliz na ótica de Jacinto, apresentada no texto.
III. "Ora, como tudo cansa, esta monotonia acabou por
exaurir-me também. Quis variar, e lembrou-me escrever um
livro. Jurisprudência, filosofia e política acudiram-me, mas
Para desesperá-lo, aproveitavam-se os menores do escuro.
não me acudiram as forças necessárias." Essas palavras de
Rômulo, no meio, ficava tonto, esbravejando juras de morte,
Dom Casmurro, na obra homônima de Machado de Assis,
mostrando o punho. Em geral procurava reconhecer algum
assinalam uma personagem preocupada com o
dos impertinentes e o marcava para a vindita. Vindita
desenvolvimento da erudição, candidata à felicidade
inexorável.
postulada por Jacinto.

No decorrer enfadonho das últimas semanas, foi Rômulo


escolhido, principalmente, para expiatório do desfastio.
Está correto o que se afirma em
Mestre-cuca! Via-se apregoado por vozes fantásticas, saídas
a. I apenas. da terra; mestre-cuca! Por vozes do espaço rouquenhas ou
esganiçadas. Sentava-se acabrunhado, vendo se se
b. II apenas.
lembrava de haver tratado panelas. É slgum dia na vida; a
c. I e II apenas. unanimidade impressionava. Mais frequentemente,
d. II e III apenas. entregava-se a acessos de raiva. Arremetia bufando,
espumando, olhos fechados, punhos para trás, contra os
e. I, II e III.
grupos. Os rapazes corriam a rir, abrindo caminho, deixando
rolar adiante aquela ambulância danada de elefantíase.
63. UNIFESP 2011 (Raul Pompecia. O Ateneu.)

As provocações no recreio eram frequentes, oriundas do


enfado; irritadiços todos como feridas; os inspetores a cada
passo precisavam intervir em conflitos; as importuações
Indique a alternativa em que os fragmentos selecionados
andavam em busca das suscetibilidades; as suscetibilidades
exemplificam, respectivamente, a manifestação clara do
a procurar a sarna das impor tunações. Viam de joelhos o
ponto de vista do narrador e a opinião do grupo, a propósito
Franco, puxavamlhe os cabelos. Viam Rômulo passar,
de Rômulo.
lançavam-lhe o apelido: mestre-cuca!
a. Cozinheiro, Rômulo! – Vindita inexorável

Esta provocação era, além de tudo, inverdade. Cozinheiro, b. Vindita inexorável. – Cozinheiro, Rômulo!
Rômulo! Só porque lembrava culinária, com a carnosidade c. Mestre-cuca! – Vindita inexorável
bamba, fofada dos pastelões, ou porque era gordo das
enxúndias enganadoras dos fregistas, dissolução mórbida de d. Cozinheiro, Rômulo! – Mestre-cuca!

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e. Mestre-cuca! – Cozinheiro, Rômulo! grupos. Os rapazes corriam a rir, abrindo caminho, deixando
rolar adiante aquela ambulância danada de elefantíase.

64. UNIFESP 2010 (Raul Pompecia. O Ateneu.)

As provocações no recreio eram frequentes, oriundas do


enfado; irritadiços todos como feridas; os inspetores a cada
passo precisavam intervir em conflitos; as importuações Considere as seguintes afirmações.
andavam em busca das suscetibilidades; as suscetibilidades I. A alcunha de mestre-cuca, recebida por Rômulo, advinha
a procurar a sarna das impor tunações. Viam de joelhos o do fato de ter praticado, anteriormente, a arte culinária.
Franco, puxavamlhe os cabelos. Viam Rômulo passar, II. As agressões e humilhações sofridas por Rômulo eram
lançavam-lhe o apelido: mestre-cuca! essencialmente motivadas por sua antipatia.
III. As reações de Rômulo às provocações dos colegas
variavam conforme as circunstâncias.
Esta provocação era, além de tudo, inverdade. Cozinheiro,
Rômulo! Só porque lembrava culinária, com a carnosidade
bamba, fofada dos pastelões, ou porque era gordo das
De acordo com o texto, está correto o que se afirma apenas
enxúndias enganadoras dos fregistas, dissolução mórbida de
em
sardinha e azeite, sob os aspectos de mais volumosa
saúde?
(...)
a. I.

b. II.
Rômulo era antipatizado. Para que o não manifestassem
c. III.
excessivamente, fazia-se temer pela brutalidade. Ao mais
insignificante gracejo de um pequeno, atirava contra o infeliz d. I e II.
toda a corpulência das infiltrações de gordura solta, e. II e III.
desmoronava-se em socos. Dos mais fortes vingava-se,
resmungando intrepidamente.
65. UNIFESP 2011

Amaro lia até tarde, um pouco perturbado por aqueles


períodos sonoros, túmidos de desejo; e no silêncio, por
Para desesperá-lo, aproveitavam-se os menores do escuro. vezes, sentia em cima ranger o leito de Amélia; o livro
Rômulo, no meio, ficava tonto, esbravejando juras de morte, escorregava-lhe das mãos, encostava a cabeça às costas da
mostrando o punho. Em geral procurava reconhecer algum poltrona, cerrava os olhos, e parecia-lhe vê-la em colete
dos impertinentes e o marcava para a vindita. Vindita diante do toucador desfazendo as tranças; ou, curvada,
inexorável. desapertando as ligas, e o decote da sua camisa entreaberta
descobria os dois seios muito brancos.
Erguia-se, cerrando os dentes, com uma decisão brutal de a
No decorrer enfadonho das últimas semanas, foi Rômulo possuir.
escolhido, principalmente, para expiatório do desfastio. Começara então a recomendar-lhe a leitura dos Cânticos a
Mestre-cuca! Via-se apregoado por vozes fantásticas, saídas Jesus.
da terra; mestre-cuca! Por vozes do espaço rouquenhas ou — Verá, é muito bonito, de muita devoção! Disse ele,
esganiçadas. Sentava-se acabrunhado, vendo se se deixando-lhe o livrinho uma noite no cesto da costura.
lembrava de haver tratado panelas. É slgum dia na vida; a Ao outro dia, ao almoço, Amélia estava pálida, com as
unanimidade impressionava. Mais frequentemente, olheiras até o meio da face. Queixou-se de insônia, de
entregava-se a acessos de raiva. Arremetia bufando, palpitações.
espumando, olhos fechados, punhos para trás, contra os — E então, gostou dos Cânticos?

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— Muito. Orações lindas! respondeu. anos. E depois nada obsta que marches um pouco para trás.
Durante todo esse dia não ergueu os olhos para Amaro. Quarenta e três, quarenta e dois, fazem tão pouca
Parecia triste — e sem razão, às vezes, o rosto diferença...
abrasava-se-lhe de sangue. Naturalmente a leitora espera que o marido de Martinha
apareça, depois de ter lido os jornais ou enxugado do banho.
QUEIRÓS, Eça de. O crime do padre Amaro.
Mas é que não há marido, nem nada. Martinha é solteira, e
O trecho em que a ação de uma personagem se demonstra daí vem a alma escura desta bela manhã clara e fresca,
impregnada de determinismo biológico e permite associar o posterior à noite de bodas.
romance de Eça de Queirós ao movimento estético Só, tão só, provavelmente só até a morte; e Martinha
denominado Naturalismo é: morrerá tarde, porque é robusta como um trabalhador e sã
como um pero. Não teve mais que a tia velha. Pai e mãe
a. Erguia-se, cerrando os dentes, com uma decisão brutal de
morreram, e cedo.
a possuir.
A culpa dessa solidão a quem pertence? Ao destino ou a
b. Começara então a recomendar-lhe a leitura dos Cânticos ela? Martinha crê, às vezes, que ao destino; às vezes,
a Jesus. acusase a si própria. Nós podemos descobrir a verdade,
indo com ela abrir a gaveta, a caixa, e na caixa a bolsa de
c. [...] deixando-lhe o livrinho uma noite no cesto da costura.
veludo verde e velha, em que estão guardadas todas as
d. Queixou-se de insônia, de palpitações. suas lembranças amorosas. Agora que assistira ao
e. Durante todo esse dia não ergueu os olhos para Amaro. casamento da outra, teve ideia de inventariar o passado.
Contudo hesitou:
– Não, para que ver isto? É pior: deixemos recordações
66. UNIFESP 2012 aborrecidas.
Flor Anônima

Manhã clara. A alma de Martinha é que acordou escura. Na construção da narrativa, o narrador apresenta uma
Tinha ido na véspera a um casamento; e, ao tornar para realidade não idealizada, o que é comum à estética literária
casa, com a tia que mora com ela, não podia encobrir a realista.
tristeza que lhe dera a alegria dos outros e particularmente
dos noivos.
Martinha ia nos seus... Nascera há muitos anos. Toda a
gente que estava em casa, quando ela nasceu, anunciou
Isso se configura no texto com
que seria a felicidade da família. O pai não cabia em si de
contente. a. a expectativa de Martinha que, ainda velha, nutria
– Há de ser linda! esperanças de poder casar-se e ser feliz com seu marido.
– Há de ser boa! b. a busca que Martinha faz de suas lembranças amorosas,
– Há de ser condessa! guardadas na gaveta, na caixa, na bolsa verde e velha.
– Há de ser rainha!
Essas e outras profecias iam ocorrendo aos parentes e c. a quebra da expectativa da leitora, que esperaria na
amigos da casa. sequência do conto um companheiro para Martinha.
Lá vão... Aqui pega a alma escura de Martinha. Lá vão d. a investigação de tempos passados, que Martinha pensa
quarenta e três anos — ou quarenta e cinco, segundo a tia; fazer para abandonar a tristeza em que vive.
Martinha, porém, afirma que são quarenta e três. Adotemos
e. as profecias dos parentes e amigos da família que
este número. Para ti, moça de vinte anos, a diferença é
traçaram um mundo de encantos para Martinha.
nada; mas deixa-te ir aos quarenta, nas mesmas
circunstâncias que ela, e verás se não te cerceias uns dois

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67. FATEC 2008 realistas mais importantes.

Notícia da atual literatura brasileira – instinto de e. Machado de Assis entende o instinto de nacionalidade na
nacionalidade literatura brasileira como autonomia de idéias em relação a
temas importados, a qual se constrói paulatinamente.

Quem examina a atual literatura brasileira reconhece-lhe


logo, como primeiro traço, certo instinto de nacionalidade. 68. FGV-SP 2011
Poesia, romance, todas as formas literárias do pensamento
O orador representava a Nação [o Brasil] como um charco
buscam vestir-se com as cores do país, e não há negar que
de vinte províncias, estagnadas na modorra paludosa da
semelhante preocupação é sintoma de vitalidade e abono de
mais desgraçada indiferença. Os germens da vida
futuro.
perdem-se na vasa profunda; à superfície de coágulos de
putrefação, borbulha, espaçadamente, o hálito mefítico do
miasma, fermentado ao sol, subindo a denegrir o céu, com a
As tradições de Gonçalves Dias, Porto Alegre e Magalhães
vaporização da morte. Os pássaros calados fogem; as
são assim continuadas pela geração já feita e pela que ainda
poucas árvores próximas no ar pesado, debruçam-se
agora madruga, como aqueles continuaram as de José
uniformes sobre si mesmas num desânimo vegetativo, que
Basílio da Gama e Santa Rita Durão. Escusado é dizer a
parece crescer, descendo – prosperidade melancólica de
vantagem deste universal acordo. Interrogando a vida
salgueiros. O horizonte limpo, remoto, desfere golpes de luz
brasileira e a natureza americana, prosadores e poetas
oblíqua, reptil, que resvalam, espelhando faixas paralelas,
acharão ali farto manancial de inspiração e irão dando
imóveis, sobre o dormir da lama.
fisionomia própria ao pensamento nacional.

(...)

Esta outra independência não tem Sete de Setembro nem


campo de Ipiranga; não se fará num dia, mas E não é o teto de brasa dos estios tropicais que nos oprime.
pausadamente, para sair mais duradoura; não será obra de Ah! como é profundo o céu do nosso clima material! Que
uma geração nem duas; muitos trabalharão para ela até irradiação de escapadas para o pensamento a direção dos
perfazê-la de todo. nossos astros! O pântano das almas é a fábrica imensa de
um grande empresário, organização de artifício, tão
longamente elaborada, que dir-se-ia o empenho madrepórico
Assinale a alternativa que interpreta corretamente o texto. de muitos séculos, dessorando em vez de construir. É a obra
moralizadora de um reinado longo, é o transvasamento de
a. O texto afirma uma literatura nacionalista que tem suas um caráter, alagando a perder de vista a superfície moral de
raízes na Proclamação da Independência, episódio um império – o desmancho nauseabundo, esplanado, da
inspirador de obras de muitas gerações. tirania mole de um tirano de sebo!...
b. Com a metáfora presente em – “As tradições [...] são
(Raul Pompeia, O Ateneu)
assim continuadas pela geração já feita e pela que ainda
agora madruga” – Machado critica a tradição de valorizar o
passado, presente em escritores brasileiros. A visão da história do Brasil como inerte e repetitiva,
marcante no excerto, deve grande parte de sua força literária
c. Há, no texto, uma concepção de literatura que privilegia a
ao fato de o texto empregar, em sua construção,
escolha de temas da História pátria, como é o caso de obras
que exaltam o Sete de Setembro. a. personificações satíricas, que concretizam visualmente as
ideias.
d. Para o autor, as raízes do Realismo remontam às obras
dos autores que ele menciona e cujos textos trazem as teses b. enumeração caótica de elementos díspares.

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c. metáforas que se desdobram, constituindo alegorias. Depois aquietava-se; duzentos que fossem, ou cem, era um
sonho que Deus Nosso Senhor lhe dava, mas um sonho
d. reiteração de afirmações irônicas.
comprido, para não acabar mais.
e. alternância dos discursos direto e indireto.

A lembrança do cachorro pôde tomar pé no torvelinho de


69. FGV-SP 2011 pensamentos que iam pela cabeça do nosso homem. Rubião
Capítulo primeiro / Óbito do autor achava que a cláusula era natural, mas desnecessária,
porque ele e o cão eram dois amigos, e nada mais certo que
ficarem juntos, para recordar o terceiro amigo, o extinto, o
Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo autor da felicidade de ambos. Havia, sem dúvida, umas
princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu particularidades na cláusula, uma história de urna, e não
nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja sabia que mais; mas tudo se havia de cumprir, ainda que o
começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a céu viesse abaixo... Não, com a ajuda de Deus, emendava
adotar diferente método: a primeira é que eu não sou ele. Bom cachorro! Excelente cachorro!
propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para
quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito
ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também Rubião não esquecia que muitas vezes tentara enriquecer
contou a sua morte, não a pôs no intróito, mas no cabo: com empresas que morreram em flor. Supôs-se naquele
diferença radical entre este livro e o Pentateuco. tempo um desgraçado, um caipora, quando a verdade era
que “mais vale quem Deus ajuda do que quem cedo
Tanto por aquilo que narra quanto por seu modo de madruga”. Tanto não era impossível enriquecer, que estava
fazê-lo, o narrador do excerto revela-se um rico.

a. exibicionista, que trata de levar vantagem o tempo todo.

b. espírito de luz, já liberto dos interesses deste mundo.


— Impossível, o quê? exclamou em voz alta. Impossível é a
c. iluminista exacerbado, que estende o desejo de
Deus pecar. Deus não falta a quem promete.
esclarecimento até o Além.

d. membro de uma academia nacional de imortais, da qual


foi o primeiro presidente. Destes comentários críticos sobre diferentes obras de
Machado de Assis, o que se refere ao romance a que
e. materialista desalmado, cujo objetivo principal é destruir a
pertence o texto é:
religião.

70. FGV-SP 2011 a. “Narrado na primeira pessoa, mas por um narrador


Herdeiro já era muito; mas universal... Esta palavra inchava onisciente, dado o seu original ângulo de visão, não se
as bochechas à herança. Herdeiro de tudo, nem uma desenvolve no tempo. Independe dele e evolui segundo os
colherinha menos. E quanto seria tudo? Ia ele pensando. vaivéns da memória do narrador."
Casas, apólices, ações, escravos, roupa, louça, alguns b. “Respira o ambiente da grande família do segundo
quadros, que ele teria na Corte, porque era homem de muito reinado, a sua vida calma e composta, a cordialidade das
gosto, tratava de coisas de arte com grande saber. E livros? relações sociais e a doçura dos costumes. Embora
devia ter muitos livros, citava muitos deles. Mas em quanto atenuada, a influência romântica está presente.”
andaria tudo? Cem contos? Talvez duzentos. Era possível;
c. “Romance de estrutura informal e aberta, tecido de
trezentos mesmo não havia que admirar. Trezentos contos!
lembranças casuais da personagem-autor, que não
trezentos! E o Rubião tinha ímpetos de dançar na rua.
transcende jamais o bom senso burguês.”

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d. “Narrado em terceira pessoa, é rico de humor e de Leia a seguinte indagação, formulada por um crítico e
penetração psicológica. Sua conclusão proclama a historiador da literatura brasileira:
indiferença universal diante da dor humana, o abandono do
homem de qualquer auxílio sobrenatural.”
Não será esse livro uma alegoria do Brasil ou um Brasil em
e. “Apesar de ser o último romance do autor, traz uma miniatura, com sua mistura de raças, o choque entre
novidade: escrito em forma de diário, o narrador observa, brancos, negros e mulatos, a natureza fascinadora e difícil,
como simples comparsa, as personagens principais.” o capitalismo estrangeiro postado na entrada, vigiando,
extorquindo, mandando, desprezando e participando?

71. UFMG 2007 Antonio Candido


Adaptado.
Assinale a alternativa em que, no trecho transcrito de
Quincas Borba, se faz referência a Rubião.

a. Assim, o contato de Sofia era para ele como a O livro a que se aplica a indagação do crítico é
prosternação de uma devota. Não se admirava de nada. Se
um dia acordasse imperador, só se admiraria da demora do
ministério em vir cumprimentá-lo. a. Iracema.

b. Desde o paço imperial, vinha gesticulando e falando a b. Memórias de um sargento de milícias.


alguém que supunha trazer pelo braço, e era a Imperatriz. c. O Ateneu.
Eugênia ou Sofia? Ambas em uma só criatura, ou antes a
d. O cortiço.
segunda com o nome da primeira.
e. Vidas Secas.
c. Era o caso do nosso homem. Tinha o aspecto baralhado à
primeira vista; mas atentando bem, por mais opostos que
fossem os matizes, lá se achava a unidade moral da pessoa. 74. FGV-SP 2012
d. Formado em direito em 1844, pela Faculdade do Recife, Reconheço que [Cotrim] era um modelo. Arguiam-no de
voltara para a província natal, onde começou a advogar; mas avareza, e cuido que tinham razão; mas a avareza é apenas
a advocacia era um pretexto. a exageração de uma virtude e as virtudes devem ser como
os orçamentos: melhor é o saldo que o deficit. Como era
muito seco de maneiras tinha inimigos, que chegavam a
72. UFMG 2007
acusá-lo de bárbaro. O único fato alegado neste particular
Com base na leitura de Quincas Borba, de Machado de era o de mandar com frequência escravos ao calabouço,
Assis, é CORRETO afirmar que o narrador do romance donde eles desciam a escorrer sangue; mas, além de que
ele só mandava os perversos e os fujões, ocorre que, tendo
a. adere ao ponto de vista do filósofo, pois professa a teoria
longamente contrabandeado em escravos, habituara-se de
do Humanitismo.
certo modo ao trato um pouco mais duro que esse gênero de
b. apela à sentimentalidade do leitor no último capítulo, em negócio requeria, e não se pode honestamente atribuir à
que narra a morte de Rubião. índole original de um homem o que é puro efeito de relações
c. apresenta os acontecimentos na mesma ordem em que sociais.
estes se deram no tempo.
Memórias póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis
d. narra a história em terceira pessoa, não participando das
Segundo o narrador, “a avareza é uma exageração” de uma
ações como personagem.
determinada virtude. Trata-se da

a. prodigalidade.
73. FGV-SP 2012
b. parcimônia.

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c. humildade.

d. paciência. 77. ENEM PPL 2014


e. piedade. O mulato

Ana Rosa cresceu; aprendera de cor a gramática do Sotero


75. FGV-SP 2012 dos Reis; lera alguma coisa; sabia rudimentos de francês e
Reconheço que [Cotrim] era um modelo. Arguiam-no de tocava modinhas sentimentais ao violão e ao piano. Não era
avareza, e cuido que tinham razão; mas a avareza é apenas estúpida; tinha a intuição perfeita da virtude, um modo
a exageração de uma virtude e as virtudes devem ser como bonito, e por vezes lamentara não ser mais instruída.
os orçamentos: melhor é o saldo que o deficit. Como era Conhecia muitos trabalhos de agulha; bordava como poucas,
muito seco de maneiras tinha inimigos, que chegavam a e dispunha de uma gargantazinha de contralto que fazia
acusá-lo de bárbaro. O único fato alegado neste particular gosto de ouvir.
era o de mandar com frequência escravos ao Uma só palavra boiava à superfície dos seus pensamentos:
calabouço, donde eles desciam a escorrer sangue; mas, “Mulato”. E crescia, crescia, transformando-se em tenebrosa
além de que ele só mandava os perversos e os fujões, nuvem, que escondia todo o seu passado. Ideia parasita,
ocorre que, tendo longamente contrabandeado em escravos, que estrangulava todas as outras ideias.
habituara-se de certo modo ao trato um pouco mais duro que
esse gênero de negócio requeria, e não se pode — Mulato!
honestamente atribuir à índole original de um homem o que Esta só palavra explicava-lhe agora todos os mesquinhos
é puro efeito de relações sociais. escrúpulos, que a sociedade do Maranhão usara para com
Nas Memórias póstumas de Brás Cubas, de que procede o ele. Explicava tudo: a frieza de certas famílias a quem
excerto aqui reproduzido, reconhece-se o romance que visitara; as reticências dos que lhe falavam de seus
antepassados; a reserva e a cautela dos que, em sua
a. abre a fase chamada de realista da literatura brasileira presença, discutiam questões de raça e de sangue.
b. retrata a decadência e queda da monarquia no Brasil.
AZEVEDO, A. O Mulato. São Paulo: Ática, 1996 (fragmento).
c. inaugura a militância abolicionista do seu autor.
O texto de Aluísio Azevedo é representativo do Naturalismo,
d. revela a opção republicana de Machado de Assis. vigente no final do século XIX. Nesse fragmento, o narrador
expressa fidelidade ao discurso naturalista, pois
e. primeiro representou, no Brasil, o tipo social do arrivista.
a. relaciona a posição social a padrões de comportamento e
à condição de raça.
76. UEMS
b. apresenta os homens e as mulheres melhores do que
Considerando-se os cenários, ou ambientes, em que se
eram no século XIX.
passam os acontecimentos narrados em O crime do padre
Amaro, é CORRETO afirmar que eles c. mostra a pouca cultura feminina e a distribuição de
saberes entre homens e mulheres.
a. parecem distorcidos, porque resultam da mistura de sonho
com realidade. d. ilustra os diferentes modos que um indivíduo tinha de
ascender socialmente.
b. importam apenas à medida que ressoam no interior das
personagens. e. critica a educação oferecida às mulheres e os maus-tratos
dispensados aos negros.
c. representam alegoricamente o drama vivido pelos
personagens Amaro e Amélia.
78. ACAFE 2014
d. são objetivamente descritos e, neles, cada personagem
desempenha seu papel.

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Sobre o contexto histórico e social das escolas literárias (5) Influenciados pelo pensamento evolucionista de Charles
brasileiras, correlacione as colunas seguir. Darwin no Brasil e pelo positivismo de Augusto Comte, o
movimento ficou bastante conhecido por explorar temas
como a homossexualidade, o incesto, o desequilíbrio e a
loucura. Os escritores passaram a retratar em seus
personagens traços de natureza animal, desde impulsos
(1) Proclamada a independência, em 1822, cresce no Brasil
sexuais a comportamentos desregrados e instintivos. A
o sentimento de nacionalismo, buscase o passado histórico,
agressividade, a violência e o erotismo eram considerados
exalta-se a natureza da pátria. De 1823 a 1831, o Brasil
parte da personalidade humana, já que o indivíduo era visto
viveu um período difícil com o autoritarismo de D. Pedro I: a
como fruto do meio em que vivia.
dissolução da Assembleia Constituinte; a Constituição
outorgada; a luta pelo trono português contra seu irmão D.
Miguel; e, finalmente, a abdicação. Segue-se o período
regencial e a maioridade prematura de Pedro II.
( ) Arcadismo

(2) O crescimento de algumas cidades de Minas Gerais, cuja


base econômica era a exploração do ouro, favorecia tanto a ( ) Romantismo
divulgação de ideias políticas quanto o florescimento de uma
literatura cujos modelos os jovens brasileiros foram buscar
em Coimbra, já que a colônia não lhes oferecia cursos ( ) Naturalismo
superiores. E, ao retornarem de Portugal, traziam consigo as
ideias iluministas.
( ) Modernismo

(3) O período era sem dúvida de muita opressão. A igreja


lutava contra os reformadores por meio da Inquisição e ( ) Barroco
instaurava um clima de medo constante em seus fiéis, que
se viam divididos entre o material e o espiritual, o prazer e o
dever. Ao mesmo tempo eram mostradas cenas bíblicas que
remetem ao amor e à compaixão, como os momentos de dor
imensa do sacrifício de Jesus Cristo. A sequência correta, de cima para baixo, é:

a. 5 - 2 - 3 - 1 - 4

b. 4 - 5 - 1 - 3 - 2
(4) A industrialização brasileira, que vinha crescendo desde
o começo do século, foi impulsionada com a Primeira Guerra c. 3 - 4 - 2 - 5 - 1
Mundial e estimulou a urbanização das cidades,
d. 2 - 1 - 5 - 4 - 3
principalmente de São Paulo. A capital paulista, com a
expansão da cafeicultura começou a experimentar um
enorme crescimento econômico. O período foi marcado 79. UPF 2014
também pela chegada em massa de imigrantes,
A literatura _______________ representa frequentemente o
principalmente italianos, muitos dos quais haviam vivido a
indivíduo que, impelido por forte emoção e pelo senso de
experiência da luta de classes em seus países e divulgaram
liberdade, entra em choque com o mundo real que o cerca.
no país ideias anarquistas e socialistas.
A narrativa _______________ representa de modo objetivo
e minucioso personagens, comportamentos e relações
sociais, com a finalidade moral de desvelar os vícios e a

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mediocridade que os caracterizam.

A poesia _______________ busca, pelas associações II) Os escritores de maior destaque dessa fase defendiam
imagísticas, pela sonoridade e pelo ritmo, sugerir um mundo estas propostas: reconstrução da cultura brasileira sobre
superior, que transcenda o mundo apreendido pelos órgãos bases nacionais; promoção de uma revisão crítica de nosso
dos sentidos. passado histórico e de nossas tradições culturais; eliminação
definitiva do nosso complexo de colonizados, apegados a
A poesia _______________, por meio de um estilo
valores estrangeiros. Portanto, todas elas estão relacionadas
exuberante, feito frequentemente de antíteses e paradoxos,
com a visão nacionalista, porém crítica, da realidade
exprime uma visão de mundo contraditória, dividida entre os
brasileira.
valores espirituais cristãos, próprios da Idade Média, e os
valores racionais e sensoriais, próprios do Renascimento. (http://www.brasilescola.com/literatura)

As palavras que preenchem corretamente as lacunas nas As descrições – I e II – caracterizam, respectivamente, as


frases são, respectivamente: escolas literárias conhecidas como:

a. barroca – realista – romântica – simbolista. a. 3ª geração modernista e Realismo.

b. realista – barroca – simbolista – romântica. b. 1ª geração modernista e Pós-modernismo.

c. realista – romântica – barroca – simbolista. c. Naturalismo e 3ª geração modernista.

d. romântica – realista – simbolista – barroca. d. 2ª geração modernista e 1ª geração modernista.

e. romântica – simbolista – realista – barroca. e. Pós-modernismo e 2ª geração modernista.

80. UNESPAR 2011 81. UPF 2014

Analise as afirmações: Sobre autores da literatura brasileira e suas obras, é


incorreto afirmar que:

a. Padre Antônio Vieira é um autor gongórico, ou seja,


I) A literatura quase sempre privilegia o romance quando
aquele que joga com a palavra meramente pela sedução do
quer retratar a realidade, analisando ou denunciando-a. O
jogo, sem preocupação com o desenvolvimento da ideia no
Brasil e o mundo viveram profundas crises nas décadas de
sentido da persuasão.
1930 e 40, nesse momento o romance brasileiro se destaca,
pois se coloca a serviço da análise crítica da realidade. O b. Castro Alves apresenta o amor como sinônimo de
quadro social, econômico e político que se verificava no sensualismo, fazendo poesia dedicada a uma mulher muito
Brasil e no mundo no início da década de 1930 – o próxima.
nazifascismo, a crise da Bolsa de Nova Iorque, a crise c. A obra de ficção de José de Alencar, em conjunto,
cafeeira, o combate ao socialismo – exigia dos artistas uma constitui o panorama histórico do Brasil: do mundo selvagem
nova postura diante da realidade, nova posição ideológica. à miscigenação, e daí ao aspecto social do país no campo e
Na prosa, foi evidente o interesse por temas nacionais, uma na cidade.
linguagem mais brasileira, com um enfoque mais direto dos
fatos marcados pelo Realismo – Naturalismo do século XIX. d. Aluísio Azevedo, na obra O cortiço, ressalta, mais do que
O romance focou o regionalismo, principalmente o dramas individuais, a influência exercida pelo meio sobre o
nordestino, onde problemas como a seca, a migração, os homem.
problemas do trabalhador rural, a miséria, a ignorância foram e. A obra ficcional de Mário de Andrade revela um escritor
ressaltados. preocupado com técnicas narrativas vanguardistas e com a
incorporação de expressões brasileiras.

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c. Postura do narrador emotivo diante das situações e das
personagens.
82. ENEM 1999
d. Concepção pessimista na análise da alma humana.
No trecho abaixo, o narrador, ao descrever a personagem,
critica sutilmente um outro estilo de época: o romantismo. e. Divagação e comentários paralelos à ação.

Naquele tempo contava apenas uns quinze ou dezesseis 84. UPE 2014
anos; era talvez a mais atrevida criatura da nossa raça, e, E viu a Rita Baiana, que fora trocar o vestido por uma saia,
com certeza, a mais voluntariosa. Não digo que já lhe surgir de ombros e braços nus, para dançar. A lua
coubesse a primazia da beleza, entre as mocinhas do destoldara-se nesse momento, envolvendo-a na sua cama
tempo, porque isto não é romance, em que o autor de prata, a cujo refulgir os meneios da mestiça melhor se
sobredoura a realidade e fecha os olhos às sardas e acentuavam, cheios de uma graça irresistível, simples,
espinhas; mas também não digo que lhe maculasse o rosto primitiva, feita toda de pecado, toda de paraíso, com muito
nenhuma sarda ou espinha, não. Era bonita, fresca, saía das de serpente e muito de mulher.
mãos da natureza, cheia daquele feitiço, precário e eterno,
Aluísio Azevedo. O cortiço. Disponível em:
que o indivíduo passa a outro indivíduo, para os fins secretos
http://www.spectroeditora.com.br/fonjic/aluisio/cortico/07.php Acesso em: 05
da criação.
out. 2014.

ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. Rio de Janeiro:


Jackson,1957.
O texto acima constitui um fragmento do romance “O
cortiço”, obra que se inscreve no Naturalismo. Tendo em
vista as características temáticas e estilísticas dessa
A frase do texto em que se percebe a crítica do narrador ao corrente literária, considere as afirmativas a seguir.
romantismo está transcrita na alternativa:

a. ... o autor sobredoura a realidade e fecha os olhos às I. A forma como Rita Baiana é descrita constitui um indício
sardas e espinhas ... de valorização do poder da mulher, um fenômeno social que
b. ... era talvez a mais atrevida criatura da nossa raça ... está associado às teorias cientificistas da segunda metade
do século XIX.
c. Era bonita, fresca, saía das mãos da natureza, cheia
II. O texto de Azevedo põe em relevo o erotismo e a
daquele feitiço, precário e eterno, ...
sexualidade de Rita Baiana, seguindo, assim, o modelo
d. Naquele tempo contava apenas uns quinze ou dezesseis naturalista que analisa o comportamento humano com base
anos ... nos seus aspectos mais biológicos.
III. Rita Baiana, como todo personagem do romance
e. ... o indivíduo passa a outro indivíduo, para os fins
naturalista, está fadada a reagir de uma
secretos da criação.
forma predeterminada, em conformidade com um ambiente
social do qual ela não pode escapar.
83. UNEMAT 2006 IV. Azevedo mostra grande capacidade de retratar
Uma das características narrativas abaixo, NÃO está de agrupamentos humanos, mas seus personagens são reféns
acordo com o estilo machadiano dos contos. do instinto e da herança biológica, e a relação amorosa é
tratada no plano puramente físico.
a. Tratamento irônico das situações.

b. A realidade ficcional é filtrada sob o olhar crítico do


narrador. Estão CORRETAS, apenas:

a. I e II.

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b. I, II e IV.
I. Poemas como Canção do exílio, Navio negreiro: tragédia
c. I e III.
no mar e Idéias íntimas são representações de que o
d. II, III e IV. romantismo brasileiro é uma tendência extremamente
e. III e IV. objetiva. Já o Realismo é uma tendência muito mais emotiva
e idealista como pode ser observado, por exemplo, em obras
como Esaú e Jacó e, sobretudo, em Memorial de Aires,
85. UNIFESP 2016 ambas de Machado de Assis.
O que primeiro chama a atenção do crítico na ficção deste II. As duas escolas apresentam uma visão ideal diante da
escritor é a despreocupação com as modas dominantes e o figura humana. Essa postura explica a excessiva
aparente arcaísmo da técnica. Num momento em que emotividade e a correlação dos personagens ao paralelo
Gustave Flaubert sistematizara a teoria do “romance que ideal provindo dos clássicos.
narra a si próprio”, apagando o narrador atrás da III. O Romantismo tende ao ideal, já o realismo é marcado
objetividade da narrativa; num momento em que Émile Zola por uma visão mais objetiva diante da figura humana e da
preconizava o inventário maciço da realidade, observada nos sociedade. Personagens como o Conselheiro Aires, em
menores detalhes, ele cultivou livremente o elíptico, o Memorial de Aires, exemplificam a distância entre os dois
incompleto, o fragmentário, intervindo na narrativa com movimentos. Enquanto o romantismo tende a amenizar as
bisbilhotice saborosa. diferenças individuais optando pelo apaziguamento das
tensões, o realismo intensifica essas tensões, fato que
A sua técnica consiste essencialmente em sugerir as coisas oportuniza a forte crítica social presente no movimento.
mais tremendas da maneira mais cândida (como os ironistas
do século XVIII); ou em estabelecer um contraste entre a
normalidade social dos fatos e a sua anormalidade
essencial; ou em sugerir, sob aparência do contrário, que o Assinale a alternativa que contém a(s) afirmação(ões)
ato excepcional é normal, e anormal seria o ato corriqueiro. correta(s):
Aí está o motivo da sua modernidade, apesar do seu
arcaísmo de superfície. a. II e III.

b. I e III.
(Antonio Candido. Vários escritos, 2004. Adaptado.)
c. I, II e III.

d. I.
O comentário do crítico Antonio Candido refere-se ao
escritor e. III.

a. Machado de Assis.
87. FUVEST 2015
b. José de Alencar.
E Jerônimo via e escutava, sentindo ir-se-lhe toda a alma
c. Manuel Antônio de Almeida.
pelos olhos enamorados.
d. Aluísio Azevedo.
Naquela mulata estava o grande mistério, a síntese das
e. Euclides da Cunha. impressões que ele recebeu chegando aqui: ela era a luz
ardente do meio-dia; ela era o calor vermelho das sestas da
86. UEMS 2006 fazenda; era o aroma quente dos trevos e das baunilhas,
que o atordoara nas matas brasileiras; era a palmeira virginal
Tecendo um paralelo entre o romantismo e o realismo é e esquiva que se não torce a nenhuma outra planta; era o
correto afirmar que: veneno e era o açúcar gostoso; era o sapoti mais doce que o
mel e era a castanha do caju, que abre feridas com o seu
azeite de fogo; ela era a cobra verde e traiçoeira, a lagarta

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viscosa, a muriçoca doida, que esvoaçava havia muito
tempo em torno do corpo dele, assanhando-lhe os desejos,
acordando-lhe as fibras embambecidas pela saudade da
terra, picando-lhe as artérias, para lhe cuspir dentro do Nos anos que antecedem a Semana de 22, algumas
sangue uma centelha daquele amor setentrional, uma nota publicações literárias marcaram o período que se
daquela música feita de gemidos de prazer, uma larva convencionou chamar de
daquela nuvem de cantáridas que zumbiam em torno da Rita
a. Pós-romantismo, no qual se publicam o romance O
Baiana e espalhavam-se pelo ar numa fosforescência
Ateneu e o livro de poesia Primeiros cantos.
afrodisíaca.
b. Simbolismo, no qual despontam os poetas Jorge de Lima
Aluísio Azevedo, O cortiço.
e Oswald de Andrade.

c. Pré-modernismo, quando despontam os talentos de


Para entender as impressões de Jerônimo diante da Augusto dos Anjos e Lima Barreto.
natureza brasileira, é preciso ter como pressuposto que há d. Neo-parnasianismo, quando se publicam o romance O
a. um contraste entre a experiência prévia da personagem e cortiço e os contos de Sagarana.
sua vivência da diversidade biológica do país em que agora e. Neo-simbolismo, quando Monteiro Lobato e Clarice
se encontra. Lispector dão força aos ideais nacionalistas.
b. uma continuidade na experiência de vida da personagem,
posto que a diversidade biológica aqui e em seu local de 89. UNICENTRO 2010
origem são muito semelhantes.
São características do Realismo
c. uma ampliação no universo de conhecimento da
personagem, que já tinha vivência de diversidade biológica I. apresentar o caráter das personagens, com interpretação
semelhante, mas a expande aqui. científica (psicológica) das emoções e problemas do homem
– um ser atuante, vivo e dinâmico;
d. um equívoco na forma como a personagem percebe e
vivencia a diversidade biológica local, que não comporta os II. explorar os “detalhes”, reunindo-os harmoniosamente,
organismos que ele julga ver. para criar um efeito fiel de uma realidade;

e. um estreitamento na experiência de vida do personagem, III. encarar a vida como ela é, buscando darlhe um sentido
que vem de um local com maior diversidade de ambientes e através dos fatos que se interligam. O momento presente é
de organismos. prioritário. Nele está o ser humano, com seus conflitos e o
relacionamento com o ambiente que o cerca.

88. PUC-CAMPINAS 2015 a. Apenas II está correta.

A cidade do Rio de Janeiro abre o século XX defrontandose b. Apenas III está correta.
com perspectivas extremamente promissoras. Aproveitando
c. Apenas I e II estão corretas.
de seu papel privilegiado na intermediação dos recursos da
economia cafeeira e de sua condição de centro político do d. Apenas II e III estão corretas.
país, a sociedade carioca viu acumular-se no seu interior e. I, II e III estão corretas.
vastos recursos enraizados principalmente no comércio e
nas finanças (...) Uma verdadeira febre de consumo tomou
conta da cidade, toda ela voltada para a "novidade", a 90. UFAM 2009
"última moda"... Assinale a opção que NÃO apresenta de modo correto a
relação entre o personagem e seu criador:
(SEVCENKO, Nicolau. Literatura como missão. Tensões sociais e criação
cultural na Primeira República. São Paulo: Brasiliense. 1985) a. O diretor Aristarco – Raul Pompéia

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b. O português João Romão – Lima Barreto

c. Capitu, a dos olhos de ressaca – Machado de Assis

d. Milkau, o imigrante alemão – Graça Aranha

e. O doutor Cirino – Visconde de Taunay

GABARITO: 61) d, 62) c, 63) d, 64) c, 65) a, 66) c, 67) e, 68)


c, 69) a, 70) d, 71) b, 72) d, 73) d, 74) b, 75) a, 76) d, 77) a,
78) d, 79) d, 80) d, 81) a, 82) a, 83) c, 84) d, 85) a, 86) e, 87)
a, 88) c, 89) e, 90) b,

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91. UFAM 2010 Catumbi. Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos e
prósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos contos e
Daí a pouco, em volta das bicas era um zunzum crescente,
fui acompanhado ao cemitério por onze amigos.
uma aglomeração tumultuosa de machos e fêmeas. Uns,
após outros, lavavam a cara, incomodamente, debaixo do fio Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas.
d’água que escorria da altura de uns cinco palmos. O chão
inundava-se. As mulheres precisavam já prender as saias
entre as coxas para não as molhar; via-se-lhes a tostada A leitura do excerto permite inferir vários traços de caráter do
nudez dos braços e do pescoço, que elas despiam, narrador-personagem. Entre os traços relacionados abaixo,
suspendendo o cabelo todo para o alto do casco; os o único que NÃO é abonado ou confirmado pelo texto é o
homens, esses não se preocupavam em não molhar o pelo, que está em
ao contrário metiam a cabeça bem debaixo da água e
esfregavam com força as ventas e as barbas, fossando e a. exibicionismo.
fungando contra as palmas das mãos. b. populismo.

AZEVEDO, Aluísio de. O Cortiço. São Paulo: Martins Fontes, 1968. c. presunção.

d. irreverência.

Esse fragmento pertence a O Cortiço, obra emblemática do e. vaidade.


Naturalismo. São características desse fragmento, típicas
desse movimento literário, entre outras, 93. ACAFE 2015
a. o idealismo na descrição feminina. Assinale a alternativa correta sobre as diferentes fases e
b. a sensualidade idealizada. escolas da literatura brasileira.

c. a visão da realidade atrelada aos elementos naturais. a. Em alguns romances de José de Alencar, a exemplo de
Iracema e O Guarani, o índio é idealizado, tendo a natureza
d. a fuga à realidade, a partir de um local idealizado, como o
como o pano de fundo, da qual o índio é o herói épico.
cortiço.
b. A poesia modernista, sobretudo a da primeira fase
e. a descrição visando aproximar homens de animais e
(1922-1928), incentiva a pesquisa formal com base nas
destacar aspectos desagradáveis do ambiente.
conquistas parnasianas.

c. A afirmação a seguir se refere ao autor da obra O grande


92. UERJ 2015
sertão: veredas: "Descendente de senhores de engenho, o
Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo romancista soube fundir, numa linguagem de forte e poética
princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu oralidade, as recordações da infância e da adolescência com
nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja o registro intenso da vida nordestina colhida por dentro,
começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a através dos processos mentais de homens e mulheres que
adotar diferente método: a primeira é que eu não representam a gama étnica e social da região".
sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor,
d. O Realismo brasileiro caracteriza-se, na literatura e nas
para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o
artes em geral, pela frequência das antíteses e paradoxos,
escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que
fugacidade do tempo e incerteza da vida, tendo como um
também contou a sua morte, não a pôs no introito, mas no
dos seus representantes o escritor Gregório de Matos –
cabo: diferença radical entre este livro e o Pentateuco.
apelidado de “A Boca do Inferno”. Poeta lírico, satírico,
reflexivo, filosófico, sacro, obsceno, oscilou entre o sagrado
e o profano.
Dito isto, expirei às duas horas da tarde de uma sexta-feira
do mês de agosto de 1869, na minha bela chácara de

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94. UNEMAT 2008 a. do posicionamento crítico de Machado de Assis aos
muitos “ismos” surgidos no século XIX: darwinismo,
O Realismo foi uma escola literária que tinha como proposta
positivismo, evolucionismo.
representar com fidelidade a realidade, com base nos
pressupostos científicos e conceitos da época. b. da admiração de Machado de Assis pelos muitos “ismos”
surgidos no início do século XX: futurismo, impressionismo,
Assinale a alternativa que NÃO está de acordo com essa
dadaísmo.
afirmação.

a. O Cientificismo do século XIX.


c. da capacidade de Machado de Assis em antever os
b. O Positivismo de August Comte. muitos “ismos” que surgiriam no século XIX: darwinismo,
positivismo, evolucionismo.
c. O Determinismo de Tayne.

d. As Vanguardas Européias.
d. da preocupação didática de Machado de Assis com a
e. O conceito de literatura em voga na época. transmissão de conhecimentos filosóficos consolidados na
época.

95. UEL 2005


e. da competência de Machado de Assis em antecipar a
A próxima questão refere-se ao texto a seguir, extraído do
estética surrealista surgida no século XX.
sexto capítulo de Quincas Borba (1892), de Machado de
Assis (1839-1908).
96. UNIPAM 2013

O leitor ideal, de Mário Quintana


“Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As
batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que
assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra
O leitor ideal para o cronista seria aquele a quem bastasse
vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas
uma frase.
tribos dividem em paz as batatas do campo, não chegam a
nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz, Uma frase? Que digo? Uma palavra!
nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma
O cronista escolheria a palavra do dia: “Árvore”, por
das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a
exemplo, ou “Menina”.
alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas
públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a Escreveria essa palavra bem no meio da página, com
guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a espaço em branco para todos os lados, como um campo
dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e aberto para os devaneios do leitor.
ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo
Imaginem só uma meninazinha solta no meio da página.
racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que
virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao Sem mais nada.
vencedor, as batatas.”
Até sem nome.
(ASSIS, Joaquim Maria Machado de. Quincas Borba. Rio de Janeiro: Nova
Sem cor de vestido nem de olhos.
Aguilar, 1997. p. 648-649.)

Sem se saber para onde ia...

O Humanitismo, filosofia criada por Quincas Borba, é Que mundo de sugestões e de poesia para o leitor!
revelador: E que cúmulo de arte a crônica! Pois bem sabeis que arte é
sugestão...

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E se o leitor nada conseguisse tirar dessa obra-prima, b. “... e vale sempre entrar no mundo ungido com os santos
poderia o autor alegar, cavilosamente, que a culpa não era óleos da teologia...” (LXI)
do cronista.
c. “A viagem à Europa é o que é preciso, mas pode fazer-se
Mas nem tudo estaria perdido para esse hipotético leitor daqui a um ou dois anos...” (LXI)
fracassado, porque ele teria sempre à sua disposição, na d. “... que vai pedir para sua mãe terníssima e dulcíssima a
página, um considerável espaço em branco para tomar seus dispensa de Deus.” (XCV)
apontamentos, fazer os seus cálculos ou a sua fezinha...
e. “... uma grande alma, espírito ativo, coração reto, amigo,
Em todo caso, eu lhe dou de presente, hoje, a palavra bom amigo, digno da esposa amantíssima que Deus lhe
“Ventania”. Serve? dera...” (CXXVI)
(QUINTANA, Mário. Porta giratória. São Paulo: Globo, 1988)

98. FUVEST 2010


Esse texto de Mário Quintana classifica-se como [José Dias] Teve um pequeno legado no testamento, uma
apólice e quatro palavras de louvor. Copiou as palavras,
a. romântico, já que o autor pressupõe a existência de um
encaixilhou-as e pendurou-as no quarto, por cima da cama.
leitor ideal.
“Esta é a melhor apólice”, dizia ele muita vez. Com o tempo,
b. realista, já que o autor ironiza a falta de devaneios de adquiriu certa autoridade na família, certa audiência, ao
alguns leitores. menos; não abusava, e sabia opinar obedecendo. Ao cabo,
c. simbolista, já que a imaginação do autor sobrepõe-se ao era amigo, não direi ótimo, mas nem tudo é ótimo neste
que é leitura de fato. mundo. E não lhe suponhas alma subalterna; as cortesias
que fizesse vinham antes do cálculo que da índole. A roupa
d. modernista, já que o autor aborda o tema por meio de durava-lhe muito; ao contrário das pessoas que enxovalham
uma sintaxe liberta de formalismos. depressa o vestido novo, ele trazia o velho escovado e liso,
cerzido, abotoado, de uma elegância pobre e modesta. Era
97. ESPM 2011 lido, posto que de atropelo, o bastante para divertir ao serão
e à sobremesa, ou explicar algum fenômeno, falar dos
CAPÍTULO IV / UM DEVER AMARÍSSIMO
efeitos do calor e do frio, dos polos e de Robespierre.
Contava muita vez uma viagem que fizera à Europa, e
confessava que a não sermos nós, já teria voltado para lá;
José Dias amava os superlativos. Era um modo de dar tinha amigos em Lisboa, mas a nossa família, dizia ele,
feição monumental às ideias; não as havendo, servir a abaixo de Deus, era tudo.
prolongar as frases.
Machado de Assis, Dom Casmurro.
(Machado de Assis, Dom Casmurro)

No texto, o narrador diz que José Dias “sabia opinar


José Dias, caracterizado como o homem dos superlativos, é obedecendo”. Considerada no contexto da obra, essa
uma paródia, uma caricatura da expressão verbal pomposa característica da personagem é motivada, principalmente,
e oca, da subliteratura dos salões. Sua retórica exagerada pelo fato de José Dias ser
configura um discurso redundante, reduto de clichês, lugares
comuns, adjetivos e advérbios inexpressivos (Fernando a. um homem culto, porém autodidata.
Teixeira). Das frases proferidas pela personagem, assinale a b. homeopata, mas usuário da alopatia.
que não necessariamente se enquadra na definição acima:
c. pessoa de opiniões inflexíveis, mas também um homem
a. “Sua mãe é uma santa, seu tio é um cavalheiro naturalmente cortês.
perfeitíssimo.” (XXV)
d. um homem livre, mas dependente da família proprietária.

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e. católico praticante e devoto, porém perverso. Essa reflexão, sob a forma de pergunta, o
autor______________ faz a si mesmo (com toda
propriedade, e por motivos que podemos interpretar como
99. MACKENZIE 2014
pessoais), ao finalizar o romance_____________.
Capítulo III
Assinale a alternativa que completa corretamente as
O zunzum chegava ao seu apogeu. A fábrica de massas lacunas:
italianas, ali mesmo da vizinhança, começou a trabalhar,
a. José de Alencar; Iracema.
engrossando o barulho com o seu arfar monótono de
máquina a vapor. As corridas até à venda reproduziam-se, b. Visconde de Taunay; Inocência.
transformando-se num verminar constante de formigueiro
c. Machado de Assis; Dom Casmurro.
assanhado. Agora, no lugar das bicas apinhavam-se latas de
todos os feitios, sobressaindo as de querosene com d. Lima Barreto; Triste fim de Policarpo Quaresma.
um braço de madeira em cima; sentia-se o trapejar da água e. Guimarães Rosa; Sagarana.
caindo na folha. Algumas lavadeiras enchiam já as suas
tinas; outras estendiam nos coradouros a roupa que ficara
de molho. Principiava o trabalho. Rompiam das gargantas os 101. INSPER 2015
fados portugueses e as modinhas brasileiras. Um carroção Ora, como tudo cansa, esta monotonia acabou por
de lixo entrou com grande barulho de rodas na pedra, exaurir-me também. Quis variar, e lembrou-me escrever um
seguido de uma algazarra medonha algaraviada pelo livro. Jurisprudência, filosofia e política acudiram-me, mas
carroceiro contra o burro. não me acudiram as forças necessárias. Depois, pensei em
fazer uma História dos Subúrbios menos seca que as
Aluísio Azevedo, O Cortiço, 1890
memórias do Padre Luís Gonçalves dos Santos relativas à
cidade; era obra modesta, mas exigia documentos e datas
como preliminares, tudo árido e longo. Foi então que os
bustos pintados nas paredes entraram a falar-me e a
A partir do fragmento de O Cortiço, de Aluísio Azevedo, dizer-me que, uma vez que eles não alcançavam
verifica-se que reconstituir-me os tempos idos, pegasse da pena e contasse
alguns. Talvez a narração me desse a ilusão, e as sombras
a. o autor tenta provar como o meio, a raça e as situações
viessem perpassar ligeiras, como ao poeta, não o do trem,
sociais determinam a conduta do homem e o levam à
mas o do Fausto: Aí vindes outra vez, inquietas sombras...?
condição plena de cidadão.

b. a existência humana é abordada de forma materialista, e MACHADO DE ASSIS. Dom Casmurro.

o homem é encarado como um produto biológico.

c. as personagens são dotadas de livre-arbítrio, o que as Sobre os motivos que levaram o narrador a escrever sua
auxilia a enfrentar as situações externas a elas. autobiografia, verifica-se que
d. a obra é composta sob a influência das ideias da
a. para fugir da monotonia, ele pensou em escrever um livro,
Revolução Constitucionalista.
mas só decidiu por uma autobiografia depois da sugestão
e. ao ser composta por um ambiente ficcional degradado, a dos “bustos pintados nas paredes”.
obra perde seu prestígio literário.
b. ele sempre quis escrever uma História dos Subúrbios,
mas foi convencido a mudar de ideia pela influência do
100. UNEMAT 2010 Fausto, obra-prima de Goethe.

“O primeiro cearense, ainda no berço, emigrava da terra da c. ele desistiu de escrever obras jurídicas, filosóficas e
pátria. Havia aí a predestinação de uma raça?” (p.86). políticas porque, em geral, elas são cansativas e monótonas,
ao contrário das biografias.

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d. para variar, ele resolveu pesquisar, tendo “documentos e a. Enquanto ela comia o ouro com os seus olhos negros, o
datas como preliminares”, a fim de resgatar o passado, que alienista fitava-a e dizia-lhe ao ouvido com a mais pérfida
ele chama de “tempos idos”. das alusões: - Quem diria que meia dúzia de
lunáticos...(IRONIA)
e. ele tinha como referência “as memórias do Padre Luís
Gonçalves dos Santos”, importante obra biográfica brasileira b. Houve um doente poeta que resistiu a tudo. Simão
do século XIX. Bacamarte começava a desesperar da cura, quando teve de
mandar correr matraca para o fim de o apregoar como um
rival de Garção e Píndaro. - Foi um santo remédio, contava a
102. ITA 2016
mãe do infeliz a uma comadre; foi um santo remédio.
O poema abaixo é de José Paulo Paes: (SAGACIDADE)

c. D. Evarista soltou um grito, - balbuciou uma palavra e


atirou-se ao consorte - de um gesto que não se pode melhor
Bucólica
definir do que comparando-o a uma mistura de onça e rola.
Não assim o ilustre Bacamarte; frio como diagnóstico, sem
desengonçar por um instante a rigidez científica, estendeu
O camponês sem terra
os braços à dona que caiu neles e desmaiou.
Detém a charrua
(SENSIBILIDADE)
E pensa em colheitas
Que nunca serão suas. d. O alienista atendeu então; os gritos aproximavam-se,
terríveis, ameaçadores; ele compreendeu tudo. Levantou-se
(Em: Um por todos – poesia reunida. São Paulo:
da cadeira de espaldar em que estava sentado, fechou o
Brasiliense, 1986.)
livro, e a passo firme e tranqüilo, foi depositá-lo na estante.
Como a introdução do volume desconcertasse um pouco a
O texto apresenta linha dos dois tomos contíguos, Simão Bacamarte cuidou de
corrigir esse defeito mínimo, e, aliás, interessante.
a. uma oposição campo/cidade, de filiação (SERENIDADE)
árcade-romântica.

b. um bucolismo típico da tradição árcade, indicado pelo 104. FUVEST 2015


título.
E Jerônimo via e escutava, sentindo ir-se-lhe toda a alma
c. uma representação tipicamente romântica do homem do pelos olhos enamorados.
campo.
Naquela mulata estava o grande mistério, a síntese das
d. um contraste entre o arcadismo do título e o realismo
impressões que ele recebeu chegando aqui: ela era a luz
social dos
ardente do meio-dia; ela era o calor vermelho das sestas da
versos.
fazenda; era o aroma quente dos trevos e das baunilhas,
e. uma total ruptura com a representação realista do homem que o atordoara nas matas brasileiras; era a palmeira virginal
do e esquiva que se não torce a nenhuma outra planta; era o
campo. veneno e era o açúcar gostoso; era o sapoti mais doce que o
mel e era a castanha do caju, que abre feridas com o seu
azeite de fogo; ela era a cobra verde e traiçoeira, a lagarta
103. FCMMG 2008
viscosa, a muriçoca doida, que esvoaçava havia muito
Todas as passagens ilustram as respectivas características tempo em torno do corpo dele, assanhando-lhe os desejos,
do médico Simão Bacamarte, do conto "O Alienista", de acordando-lhe as fibras embambecidas pela saudade da
Machado de Assis, EXCETO: terra, picando-lhe as artérias, para lhe cuspir dentro do
sangue uma centelha daquele amor setentrional, uma nota
daquela música feita de gemidos de prazer, uma larva

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daquela nuvem de cantáridas que zumbiam em torno da Rita nacionalismo ufanista, o sentimentalismo e o Mal do século
Baiana e espalhavam-se pelo ar numa fosforescência são questões pouco relevantes.
afrodisíaca.
IV. Memórias Póstumas de Brás Cubas, também em razão
Aluísio Azevedo, O cortiço. de sua temática e da maneira como é narrado, ilustra as
pretensões de Machado de Assis no que diz respeito à
crítica social que é feita aos costumes e ao comportamento
O efeito expressivo do texto – bem como seu pertencimento da época.
ao Naturalismo em literatura – baseiam-se amplamente no
V. O Realismo emerge no Brasil, sob o seguinte lema: A
procedimento de explorar de modo intensivo aspectos
linguagem romântica consegue retratar a realidade da vida
biológicos da natureza. Entre esses procedimentos
tal qual a vida é. Isso implica dizer que o Realismo precisa
empregados no texto, só NÃO se encontra a
se aproximar da estética romântica, visando alcançar seus
a. representação do homem como ser vivo em interação objetivos literários.
constante com o ambiente.

b. exploração exaustiva dos receptores sensoriais humanos


Estão CORRETAS
(audição, visão, olfação, gustação), bem como dos
receptores mecânicos. a. I, II e IV.
c. figuração variada tanto de plantas quanto de animais, b. I, III e IV.
inclusive observados em sua interação.
c. I, III e V.
d. ênfase em processos naturais ligados à reprodução
d. II, III e IV.
humana e à metamorfose em animais.
e. III, IV e V.
e. focalização dos processos de seleção natural como
principal força direcionadora do processo evolutivo.
106. PUC-CAMPINAS 2016

105. UPE 2011 Considere o texto abaixo.

Considerando a escola literária Realismo, assinale as


afirmativas a seguir:
O universo ficcional de Machado de Assis é povoado pelos
tipos sociais que se mesclavam na sociedade fluminense do
século XIX: proprietários, rentistas, comerciantes, homens
I. Na prosa realista, diferentemente da estética literária que a
pobres mas livres e escravos. Cruzam seus interesses e
antecedeu, uma das características mais evidentes é o
medem-se em seus poderes ou em sua falta de poder. É
desejo e a necessidade do autor de buscar e encontrar, na
essa a configuração das personagens das obras-primas
linguagem verbal, representação fiel à realidade na sua
Memórias póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro. A
concretude mais exata.
tragédia do negro escravizado está exposta em contos
II. Memórias de um Sargento de Milícias é um romance violentos, e o capricho dos senhores proprietários dá o tom a
considerado de transição entre a estética romântica e a narradores como Brás Cubas e Bento Santiago, o Bentinho,
estética realista, todavia as características da estética que contam suas histórias de modo a apresentar com ar de
realista, no desenvolvimento da história, em sua totalidade, naturalidade a prática das violências pessoais ou sociais
são predominantes. mais profundas.

III. No romance O Cortiço, Aluísio Azevedo inaugura no (TÁVOLA, Bernardim da, inédito)
Brasil, as linhas diretrizes que irão nortear toda a escola
literária realista, fazendo notar que o subjetivismo, o

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Também em prosadores românticos do século XIX Vivia longe dos homens, só se dava bem com os animais.
encontram-se exemplos de tipos da sociedade fluminense, Os seus pés duros quebravam espinhos e não sentiam a
que protagonizam situações também típicas de uma quentura da terra. Montado, confundia-se com o cavalo,
exemplar sociedade burguesa. É o que se constata, por grudava-se a ele. E falava uma linguagem cantada,
exemplo, no romance monossilábica e gutural, que o companheiro entendia.

a. O Guarani, de José de Alencar, no qual se consagram os (Graciliano Ramos, Vidas secas)

ideais de coragem e lealdade, com profundas raízes na


aristocracia medieval.
Considere as seguintes afirmações acerca dos textos I, II e
b. Senhora, de José de Alencar, no qual se confrontam os III:
interesses materiais e os ideais sublimes dos personagens
I. Nos três fragmentos o narrador descreve aspectos físicos
envolvidos numa caprichosa trama.
e comportamentais de personagens do sertão brasileiro,
c. Inocência, do Visconde de Taunay, cuja protagonista é a marcados pela vida agreste e miserável.
encarnação da mulher idealizada segundo os códigos
sociais da época. II. Embora publicadas em contextos diferentes, as
respectivas obras se enquadram no mesmo estilo de época:
d. Memorial de Aires, de Machado de Assis, quando o o Realismo.
autor, ainda jovem, aplica-se na análise dos costumes da
Corte. III. Nos três fragmentos revela-se uma concepção
determinista do homem.
e. Esaú e Jacó, de Machado de Assis, no qual o
memorialismo de um velho diplomata recupera figuras da
antiga sociedade do Rio de Janeiro.
Assinale:

a. se apenas a afirmação I estiver correta.


107. MACKENZIE 2012
b. se apenas a afirmação II estiver correta.
Texto I
Uma transformação, lenta e profunda, operava-se nele, dia a c. se apenas a afirmação III estiver correta.
dia, hora a hora, reviscerando-lhe o corpo e alando-lhe os d. se apenas as afirmações I e III estiverem corretas.
sentidos [...]. A vida americana e a natureza do Brasil
patenteavam-lhe agora aspectos imprevistos e sedutores e. se nenhuma afirmação estiver correta.
que o comoviam [...]. E assim, pouco a pouco, se foram
reformando todos os seus hábitos singelos de aldeão 108. UFRGS 2015
português: e Jerônimo abrasileirou-se. (Aluísio Azevedo, O cortiço)
Assinale a alternativa correta sobre a obra de Machado de
Assis.
Texto II
Atravessa a vida entre ciladas, surpresas repentinas de uma a. O primeiro romance publicado por Machado de Assis foi
natureza incompreensível, e não perde um minuto de Dom Casmurro (1899), totalmente integrado à
tréguas. É o batalhador perenemente combalido e exausto, estética romântica, ao pôr em evidência a história de amor
perenemente audacioso e forte [...]. Reflete, nestas entre Bentinho e Capitu.
aparências que se contrabatem, a própria natureza que o b. Brás Cubas, o protagonista do romance Memórias
rodeia. (Euclides da Cunha, Os sertões) Póstumas de Brás Cubas , é um humanista oriundo da
classe trabalhadora, defensor dos direitos dos escravos.

c. Quincas Borba , único romance de Machado de Assis que


Texto III
apresenta narrador em primeira pessoa, é narrado
pelo próprio Quincas.

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d. Várias histórias reúne alguns dos principais contos de Comparando o Simbolismo com outros estilos de época, um
Machado de Assis, entre eles A causa secreta , que narra crítico afirmou:
o prazer mórbido que sente Fortunato ao presenciar o
sofrimento alheio.
I – Ambos os movimentos exprimem o desgosto pelas
e. Helena é um romance da última fase de Machado de soluções racionalistas.
Assis, já integrado ao realismo, na qual se destaca a ironia II – É comum a ambas as correntes a tentação do
que consagrou o autor. esteticismo e do formalismo.

109. UEG 2004


Por meio das palavras “ambos” (I) e “ambas” (II), o crítico faz
A respeito da obra Contos, de Machado de Assis, é possível uma aproximação entre o Simbolismo e, respectivamente, o:
dizer que ela

a. Apresenta contos que revelam a recorrência da


dimensão intimista na prosa machadiana. a. Barroco e o Neoclassicismo.

b. Utiliza a ironia, assim como Drummond, na Antologia b. Naturalismo e o Expressionismo.


poética, e Álvares de Azevedo, especialmente em Macário, c. Classicismo e o Impressionismo.
como apoio para sustentar um posicionamento ideológico
d. Realismo e o Modernismo.
revolucionário.
e. Romantismo e o Parnasianismo.
c. Utiliza recursos narrativos bastante semelhantes aos de
Milton Hatoum, no que diz respeito à posição do narrador e à
coloquialidade dos diálogos na voz das personagens. 112. UPE 2016
d. Com uma sofisticada técnica narrativa, apresenta contos Machado de Assis e Aluísio Azevedo, no mesmo ano, 1881,
arrematados com originalidade, mas que atendem bem à deram início, respectivamente, ao Realismo e Naturalismo
expectativa do leitor típico do século XIX. É o que ocorre, por no Brasil. O primeiro, com Memórias Póstumas de Brás
exemplo, no conto “Noite do almirante”. Cubas e o segundo, com O Mulato, embora o Cortiço é que
e. Em vários contos, apóia-se no humor para quebrar a tenha celebrizado o autor maranhense. Sobre esses
tensão dramática da narrativa e para expressar o movimentos literários, aos quais pertencem os textos, leia o
desencanto do autor com as máscaras sociais que que se segue:
deformam o caráter humano.

Texto 1
110. UNEMAT 2010
Ao verme que primeiro roeu
Assinale a alternativa em que a obra indicada se filia ao as frias carnes do meu cadáver
nacionalismo romântico. dedico como saudosa lembrança
a. Iracema. estas Memórias Póstumas

b. Contos novos.

c. Triste fim de Policarpo Quaresma. Texto 2

d. Inocência. Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo,


e. Dom Casmurro. não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas
alinhadas.

111. FGV-SP 2009

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Um acordar alegre e farto de quem dormiu de uma abrir e fechar de cada instante, um entrar e sair sem tréguas.
assentada sete horas de chumbo. Como que se sentiam Não se demoravam lá dentro e vinham ainda amarrando as
ainda na indolência de neblina as derradeiras notas da calças ou as saias; as crianças não se davam ao trabalho de
última guitarra da noite antecedente, dissolvendo-se à luz lá ir, despachavam-se ali mesmo, no capinzal dos fundos,
loura e tenra da aurora, que nem um suspiro de saudade por detrás da estalagem ou no recanto das hortas.
perdido em terra alheia.

O rumor crescia, condensando-se; o zunzum de todos os


Roupa lavada, que ficara de véspera nos coradouros, dias acentuava-se; já se não destacavam vozes dispersas,
umedecia o ar e punha-lhe um farto acre de sabão ordinário. mas um só ruído compacto que enchia todo o cortiço. [...]
As pedras do chão, esbranquiçadas no lugar da lavagem e
em alguns pontos azuladas pelo anil, mostravam uma
palidez grisalha e triste, feita de acumulações de espumas Analise as afirmativas a seguir:
secas. Entretanto, das portas surgiam cabeças
congestionadas de sono; ouviam-se amplos bocejos, fortes
como o marulhar das ondas; pigarreava-se grosso por toda a I. O texto 1 é a dedicatória de Brás Cubas, que inicia suas
parte; começavam as xícaras a tilintar; o cheiro quente do memórias póstumas. Nessa obra, o autor textual e narrador
café aquecia, suplantando todos os outros; trocavam-se de ironicamente dedica suas memórias aos vermes. Trata-se de
janela para janela as primeiras palavras, os bons-dias; um aspecto inerente à estética romântica, uma vez que nela
reatavam-se conversas interrompidas à noite; a pequenada encontra-se subjacente a ideia de morte.
cá fora traquinava já, e lá dentro das casas vinham choros
II. No texto 2, o narrador descreve o comportamento da
abafados de crianças que ainda não andam. No confuso
coletividade que forma o Cortiço. Notese que nele há o
rumor que se formava, destacavam-se risos, sons de vozes
privilégio do coletivo sobre o individual, elemento peculiar ao
que altercavam, sem se saber onde, grasnar de marrecos,
Romantismo, o que não surpreende o leitor, dado que o
cantar de galos, cacarejar de galinhas. De alguns quartos
autor abraçou tanto a estética romântica quanto a realista.
saíam mulheres que vinham pendurar cá fora, na parede, a
gaiola do papagaio, e os louros, à semelhança dos donos, III. Os dois textos, embora escritos por autores diferentes,
cumprimentavam-se ruidosamente, espanejando-se à luz apresentam as mesmas tendências estéticas. Ambos são
nova do dia. realistas e criticam o comportamento da burguesia que vivia
na ociosidade explorando os menos favorecidos.

IV. O texto 1 tem por narrador a personagem principal que


Daí a pouco, em volta das bicas, era um zunzum crescente;
conta a sua própria história e o faz com a “tinta da galhofa e
uma aglomeração tumultuosa de machos e fêmeas. Uns,
a pena da melancolia”, utilizando-se de um gracejo de tom
após outros, lavavam a cara, incomodamente, debaixo do fio
cômico, próximo do humor negro de origem inglesa.
de água que escorria da altura de uns cinco palmos. O chão
inundava-se. V. No texto 2, o relato é de um narrador observador que
apresenta os acontecimentos de um ponto de vista neutro,
porque não se envolve nem faz parte da história narrada.
As mulheres precisavam já prender as saias entre as coxas Seu discurso volta-se para a análise dos elementos
para não as molhar; via-se-lhes a tostada nudez dos braços deterministas e das patologias sociais, o que faz de O
e do pescoço, que elas despiam, suspendendo o cabelo todo Cortiço um texto naturalista.
para o alto do casco; os homens, esses não se
preocupavam em não molhar o pelo, ao contrário, metiam a
cabeça bem debaixo da água e esfregavam com força as Está CORRETO apenas o que se afirma em
ventas e as barbas, fossando e fungando contra as palmas
da mão. As portas das latrinas não descansavam, era um a. I e II.

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b. IV e V. Eça de Queirós fez parte da chamada geração de 1870, que
lutou ferrenhamente contra a ordem social lisboeta,
c. I, II e III.
passional e romântica, liderada, politicamente, pela
d. II e III. monarquia, pela burguesia e pelo clero.
e. I, II e IV. Além dele, foram figuras importantes dessa geração

a. Camilo Castelo Branco, Antônio Feliciano de Castilho e


113. UFAL 2010 Oliveira Martins.
Leia as informações a seguir: b. Antero de Quental, Oliveira Martins e Teófilo Braga.

c. Júlio Dinis, Alexandre Herculano e Antero de Quental.

d. Antônio Feliciano de Castilho, Camilo Castelo Branco e


Teófilo Braga.
I. Pela reflexão acerca das minúcias dos atos humanos, sua
obra nega a ideia de absoluto, visto que não é possível julgar e. Alexandre Herculano, Oliveira Martins e Júlio Dinis.
a generalidade da condição humana pelas atitudes isoladas.

115. ENEM - 3 APLICACAO 2014

II. Afirma-se que os romances da fase de maturidade E vejam agora com que destreza, com que arte faço eu a
desprezam qualquer arrebatamento romântico em nome de maior transição deste livro. Vejam: o meu delírio começou
uma expressão lúcida da existência humana. em presença de Virgília; Virgília foi o meu grão pecado de
juventude; não há juventude sem meninice; meninice supõe
nascimento; e eis aqui como chegamos nós, sem esforço, ao
III. Explora recursos sofisticados de construção narrativa dia 20 de outubro de 1805, em que nasci. Viram?
(digressões, gradações, comparações, reiteração do sentido)
ASSIS, M. Memórias póstumas de Brás Cubas. Rio de Janeiro: Nova
quase sempre na busca das múltiplas possibilidades de
Aguilar, 1974 (fragmento).
interpretação.
A repetição é um recurso linguístico utilizado para promover
a progressão textual, pois indica entrelaçamento de ideias.
IV. Utilizando o humor e a ironia, registra os desvios da No fragmento de romance, as repetições foram utilizadas
conduta humana, a loucura, a hipocrisia nas relações sociais com o objetivo de
e a descrença nos valores essencialmente humanos. a. marcar a transição entre dois momentos distintos da
narrativa, o amor do narrador por Virgília e sua nascimento.

b. ornar mais lento o fluxo de informações, para finalmente


conduzir o leitor ao tema principal.
Referem-se a Machado de Assis:
c. reforçar, pelo acúmulo de afirmações, a ideia do quanto é
a. apenas os itens I e III. grande o sentimento do narrador por Virgília.

b. todos os itens. d. representar a monotonia, caracterizadora das etapas da


vida do autor: a juventude e a velhice.
c. apenas o item IV.
e. assegurar a sequenciação cronológica dos
d. apenas I, II e III.
fatos representados e a precisão das informações.
e. apenas II e IV.

116. FATEC 2012


114. UNIFESP 2003

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Em 2009, a Escola Estadual D. Pedro I, na aldeia Betânia, estereótipo indígena presente nas obras do Indianismo,
onde vivem cinco mil ticunas (estima-se que haja 32 mil primeira fase do período literário cuja preocupação era a
ticunas vivendo no Alto Solimões, entre a Amazônia valorização das raízes históricas brasileiras e, por
brasileira, a colombiana e a peruana), ficou na rabeira do consequência, da soberania nacional.
Enem, o Exame Nacional do Ensino Médio. O colégio,
frequentado por 600 jovens representantes da etnia,
ostentou o último lugar. Assinale a alternativa que nomeia esse período.

“Há dois ou três anos, todos os professores eram de fora da


a. Barroco.
aldeia, A Organização Geral dos Professores Ticuna
Bilíngues foi formando professores indígenas, e o quadro b. Classicismo.
mudou. Nossa escola é muito boa. Tem um ponto de
c. Romantismo.
internet. Há dois anos, temos eletricidade. Nosso problema é
a língua. Das regiões de Tefé a Tabatinga, predomina a d. Realismo.
etnia ticuna. Eu acho que justifica lutar por uma universidade e. Naturalismo.
ticuna”, diz Saturnino, um dos poucos fluentes em português
na aldeia Betânia.
117. UNICENTRO 2011

Compreende-se que o ponto da lição era difícil, e que o


São índios. Mas não adoram o Sol, a Lua, as estrelas, os Raimundo, não o tendo aprendido, recorria a um meio que
animais, as árvores. Praticam, sim, com afinco, a religião lhe pareceu útil para escapar ao castigo do pai. Se me tem
batista, imposta por um missionário americano, o pastor pedido a coisa por favor, alcançá-la-ia do mesmo modo,
Eduardo – provavelmente, Edward – que passou por ali, pelo como de outras vezes, mas parece que era lembrança das
Alto Solimões, a região mais isolada da Amazônia, no outras vezes, o medo de achar a minha vontade frouxa ou
amanhecer dos anos 60. São brasileiros, amazonenses, cansada, e não aprender como queria, — e pode ser mesmo
porém não assistem à novela das oito nem ouvem sertanejo que em alguma ocasião lhe tivesse ensinado mal,— parece
universitário. Eles se ligam na TV colombiana e escutam que tal foi a causa da proposta. [...]
música importada do país vizinho, que ecoa estrondosa dos
casebres de madeira. O único sinal de que devem passear Não queria recebê-la, e custava-me recusá-la. Olhei para o
de vez em quando pela Globo é o penteado do Neymar mestre, que continuava a ler, com tal interesse, que lhe
enfeitando as cabeleiras escorridas e negras. Não falam pingava o rapé do nariz.
português fluentemente. As crianças nem sequer entendem. — Ande, tome, dizia-me baixinho o filho. [...]
A língua dos bate-papos animados é o ticuna. No entanto, — Tome, tome...
são obrigados a aprender matemática, química, física, Relancei os olhos pela sala, e dei com os do Curvelo em
história, geografia etc. na língua-pátria. Uma situação nós; disse ao Raimundo que esperasse. Pareceu-me que o
insólita: na língua que não dominam, o português, os jovens outro nos observava, então dissimulei; mas daí a pouco
precisam ler e escrever – e prestar exames. E, na língua que deitei-lhe outra vez o olho, e — tanto se ilude a vontade!
dominam, o ticuna, também encontram limitações na leitura — não lhe vi mais nada. Então cobrei ânimo.
e na escrita, por tratar-se de uma língua de tradição oral. — Dê cá...
Assim caminha a juventude ticuna: soterrada numa salada
ASSIS, Machado de. Conto de Escola. Contos. São Paulo: Ática. 1989. p. 34.
de identidades.
( Série Bons Livros).

Tem comprovação no texto a ideia de

a. valorização da amizade.
A informação – “São índios. Mas não adoram o Sol, a Lua,
b. fragilidade dos valores éticos.
as estrelas, os animais, as árvores.” – é uma negativa ao

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c. preconceito diante do oprimido. Os tanoeiros do brejo,
Os vigias da noite silenciosa,
d. ruptura com as relações sociais.
Malham nos aguaçais.
e. desrespeito à figura paterna e professoral. 15 Pouco a pouco, porém, a muralha de treva
Vai perdendo a espessura, e em breve se adelgaça
Como um diáfano crepe, atrás do qual se eleva
118. FGV-SP 2011
A sombria massa
Capítulo primeiro / Óbito do autor Das serranias. [...]
Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo
BANDEIRA, Manuel. Paisagem noturna.
princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu
nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja Disponível em: <http://www.jornaldepoesia.jor.br/manuelbandeira01.html >.

começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a Acesso em: 9 nov.2014.

adotar diferente método: a primeira é que eu não sou Embora Manuel Bandeira seja o autor da primeira geração
propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para modernista, propondo uma poética libertadora e
quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito transgressora,
ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também muitas vezes, retoma perfis poéticos de outras tradições
contou a sua morte, não a pôs no intróito, mas no cabo: literárias, como ocorre em relação ao
diferença radical entre este livro e o Pentateuco.

Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas.


a. Simbolismo, através de versos que reproduzem a
atmosfera crepuscular e obscura, como em “A sombra
Contribui decisivamente para o efeito expressivo do texto o imensa, a noite infinita enche o vale.../ E lá do fundo vem a
fato de o narrador exagerar em sua voz/ Humilde e lamentosa/ Dos pássaros da treva.” (v. 1-4).
a. construção verbal paratática. b. Realismo, pois, ainda que em versos, o eu poético
b. estruturação argumentativa antitética. assume postura crítica e niilista diante da estrutura social,
metaforizada através da paisagem noturna: “Em nós,/ — Em
c. utilização de elipses e zeugmas. noss’alma criminosa,/ O pavor se insinua...” (v. 4-6).
d. exploração de recursos sonoros. c. Arcadismo, diante da valorização de elementos da
e. mistura de variedades linguísticas. natureza e da preferência por imagens bucólicas, como em
“Um carneiro bale/ Ouvem-se pios funerais.” (v. 7-8).

119. UEFS 2015 d. Romantismo, por meio de versos que reproduzem a


idealização dos sentimentos e evasão através da morte,
Paisagem noturna
representados por “Os vigias da noite silenciosa,/ Malham
nos aguaçais.” (v. 13-14).
A sombra imensa, a noite infinita enche o vale ... e. Parnasianismo, na medida em que apresenta uma
E lá do fundo vem a voz preocupação formal, através de métricas regulares, seleção
Humilde e lamentosa vocabular e temática voltada para a reflexão sobre um
Dos pássaros da treva. Em nós, elemento da natureza, como em “Pouco a pouco, porém, a
5 — Em noss’alma criminosa, muralha de treva/ Vai perdendo a espessura, e em breve se
O pavor se insinua ... adelgaça/ Como um diáfano crepe, atrás do qual se eleva/ A
Um carneiro bale. sombria massa/ Das serranias.” (v. 15-19).
Ouvem-se pios funerais.
Um como grande e doloroso arquejo
10 Corta a amplidão que a amplidão continua . . . 120. FGV-RJ 2013
E cadentes, metálicos, pontuais, CAPÍTULO 73 - O Luncheon*

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b. II, apenas.
O despropósito fez-me perder outro capítulo. Que melhor
c. I e II, apenas.
não era dizer as coisas lisamente, sem todos
estes solavancos! Já comparei o meu estilo ao andar dos d. II e III, apenas.
ébrios. Se a ideia vos parece indecorosa, direi que ele e. I, II e III.
é o que eram as minhas refeições com Virgília, na casinha
da Gamboa, onde às vezes fazíamos a nossa
patuscada, o nosso luncheon. Vinho, frutas, compotas. GABARITO: 91) e, 92) b, 93) a, 94) d, 95) a, 96) d, 97) c, 98)
Comíamos, é verdade, mas era um comer virgulado de d, 99) b, 100) a, 101) a, 102) d, 103) c, 104) e, 105) a, 106)
palavrinhas doces, de olhares ternos, de criancices, uma b, 107) c, 108) d, 109) e, 110) a, 111) e, 112) b, 113) b, 114)
infinidade desses apartes do coração, aliás o b, 115) a, 116) c, 117) b, 118) b, 119) a, 120) b,
verdadeiro, o ininterrupto discurso do amor. Às vezes vinha o
arrufo temperar o nímio adocicado da situação.
Ela deixava-me, refugiava-se num canto do canapé, ou ia
para o interior ouvir as denguices de Dona Plácida.
Cinco ou dez minutos depois, reatávamos a palestra, como
eu reato a narração, para desatá-la outra vez.
Note-se que, longe de termos horror ao método, era nosso
costume convidá-lo, na pessoa de Dona Plácida, a
sentar-se conosco à mesa; mas Dona Plácida não aceitava
nunca.

Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas.


(*) Luncheon (Ing.): lanche, refeição ligeira, merenda.

Considere as seguintes afirmações sobre o excerto das


Memórias póstumas de Brás Cubas, obra
fundamental da literatura brasileira:

I Depois de haver comparado seu estilo ao andar dos ébrios,


o narrador resolve compará-lo
também ao “luncheon”, penitenciando-se, assim, dos vícios
que praticara em vida – entre eles, o
do alcoolismo.
II Nas comparações com o “luncheon”, presentes no excerto,
o narrador revela ser o capricho (ou
arbítrio) o móvel dominante tanto de seu estilo quanto das
ações que relata.
III Na autocrítica do narrador, realizada com ingenuidade no
excerto, oculta-se a crítica do realista
Machado de Assis ao Naturalismo dominante em sua época.

Está correto o que se afirma em

a. I, apenas.

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91. UFAM 2010 Catumbi. Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos e
prósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos contos e
Daí a pouco, em volta das bicas era um zunzum crescente,
fui acompanhado ao cemitério por onze amigos.
uma aglomeração tumultuosa de machos e fêmeas. Uns,
após outros, lavavam a cara, incomodamente, debaixo do fio Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas.
d’água que escorria da altura de uns cinco palmos. O chão
inundava-se. As mulheres precisavam já prender as saias
entre as coxas para não as molhar; via-se-lhes a tostada A leitura do excerto permite inferir vários traços de caráter do
nudez dos braços e do pescoço, que elas despiam, narrador-personagem. Entre os traços relacionados abaixo,
suspendendo o cabelo todo para o alto do casco; os o único que NÃO é abonado ou confirmado pelo texto é o
homens, esses não se preocupavam em não molhar o pelo, que está em
ao contrário metiam a cabeça bem debaixo da água e
esfregavam com força as ventas e as barbas, fossando e a. exibicionismo.
fungando contra as palmas das mãos. b. populismo.

AZEVEDO, Aluísio de. O Cortiço. São Paulo: Martins Fontes, 1968. c. presunção.

d. irreverência.

Esse fragmento pertence a O Cortiço, obra emblemática do e. vaidade.


Naturalismo. São características desse fragmento, típicas
desse movimento literário, entre outras, 93. ACAFE 2015
a. o idealismo na descrição feminina. Assinale a alternativa correta sobre as diferentes fases e
b. a sensualidade idealizada. escolas da literatura brasileira.

c. a visão da realidade atrelada aos elementos naturais. a. Em alguns romances de José de Alencar, a exemplo de
Iracema e O Guarani, o índio é idealizado, tendo a natureza
d. a fuga à realidade, a partir de um local idealizado, como o
como o pano de fundo, da qual o índio é o herói épico.
cortiço.
b. A poesia modernista, sobretudo a da primeira fase
e. a descrição visando aproximar homens de animais e
(1922-1928), incentiva a pesquisa formal com base nas
destacar aspectos desagradáveis do ambiente.
conquistas parnasianas.

c. A afirmação a seguir se refere ao autor da obra O grande


92. UERJ 2015
sertão: veredas: "Descendente de senhores de engenho, o
Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo romancista soube fundir, numa linguagem de forte e poética
princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu oralidade, as recordações da infância e da adolescência com
nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja o registro intenso da vida nordestina colhida por dentro,
começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a através dos processos mentais de homens e mulheres que
adotar diferente método: a primeira é que eu não representam a gama étnica e social da região".
sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor,
d. O Realismo brasileiro caracteriza-se, na literatura e nas
para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o
artes em geral, pela frequência das antíteses e paradoxos,
escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que
fugacidade do tempo e incerteza da vida, tendo como um
também contou a sua morte, não a pôs no introito, mas no
dos seus representantes o escritor Gregório de Matos –
cabo: diferença radical entre este livro e o Pentateuco.
apelidado de “A Boca do Inferno”. Poeta lírico, satírico,
reflexivo, filosófico, sacro, obsceno, oscilou entre o sagrado
e o profano.
Dito isto, expirei às duas horas da tarde de uma sexta-feira
do mês de agosto de 1869, na minha bela chácara de

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94. UNEMAT 2008 a. do posicionamento crítico de Machado de Assis aos
muitos “ismos” surgidos no século XIX: darwinismo,
O Realismo foi uma escola literária que tinha como proposta
positivismo, evolucionismo.
representar com fidelidade a realidade, com base nos
pressupostos científicos e conceitos da época. b. da admiração de Machado de Assis pelos muitos “ismos”
surgidos no início do século XX: futurismo, impressionismo,
Assinale a alternativa que NÃO está de acordo com essa
dadaísmo.
afirmação.

a. O Cientificismo do século XIX.


c. da capacidade de Machado de Assis em antever os
b. O Positivismo de August Comte. muitos “ismos” que surgiriam no século XIX: darwinismo,
positivismo, evolucionismo.
c. O Determinismo de Tayne.

d. As Vanguardas Européias.
d. da preocupação didática de Machado de Assis com a
e. O conceito de literatura em voga na época. transmissão de conhecimentos filosóficos consolidados na
época.

95. UEL 2005


e. da competência de Machado de Assis em antecipar a
A próxima questão refere-se ao texto a seguir, extraído do
estética surrealista surgida no século XX.
sexto capítulo de Quincas Borba (1892), de Machado de
Assis (1839-1908).
96. UNIPAM 2013

O leitor ideal, de Mário Quintana


“Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As
batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que
assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra
O leitor ideal para o cronista seria aquele a quem bastasse
vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas
uma frase.
tribos dividem em paz as batatas do campo, não chegam a
nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz, Uma frase? Que digo? Uma palavra!
nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma
O cronista escolheria a palavra do dia: “Árvore”, por
das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a
exemplo, ou “Menina”.
alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas
públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a Escreveria essa palavra bem no meio da página, com
guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a espaço em branco para todos os lados, como um campo
dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e aberto para os devaneios do leitor.
ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo
Imaginem só uma meninazinha solta no meio da página.
racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que
virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao Sem mais nada.
vencedor, as batatas.”
Até sem nome.
(ASSIS, Joaquim Maria Machado de. Quincas Borba. Rio de Janeiro: Nova
Sem cor de vestido nem de olhos.
Aguilar, 1997. p. 648-649.)

Sem se saber para onde ia...

O Humanitismo, filosofia criada por Quincas Borba, é Que mundo de sugestões e de poesia para o leitor!
revelador: E que cúmulo de arte a crônica! Pois bem sabeis que arte é
sugestão...

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E se o leitor nada conseguisse tirar dessa obra-prima, b. “... e vale sempre entrar no mundo ungido com os santos
poderia o autor alegar, cavilosamente, que a culpa não era óleos da teologia...” (LXI)
do cronista.
c. “A viagem à Europa é o que é preciso, mas pode fazer-se
Mas nem tudo estaria perdido para esse hipotético leitor daqui a um ou dois anos...” (LXI)
fracassado, porque ele teria sempre à sua disposição, na d. “... que vai pedir para sua mãe terníssima e dulcíssima a
página, um considerável espaço em branco para tomar seus dispensa de Deus.” (XCV)
apontamentos, fazer os seus cálculos ou a sua fezinha...
e. “... uma grande alma, espírito ativo, coração reto, amigo,
Em todo caso, eu lhe dou de presente, hoje, a palavra bom amigo, digno da esposa amantíssima que Deus lhe
“Ventania”. Serve? dera...” (CXXVI)
(QUINTANA, Mário. Porta giratória. São Paulo: Globo, 1988)

98. FUVEST 2010


Esse texto de Mário Quintana classifica-se como [José Dias] Teve um pequeno legado no testamento, uma
apólice e quatro palavras de louvor. Copiou as palavras,
a. romântico, já que o autor pressupõe a existência de um
encaixilhou-as e pendurou-as no quarto, por cima da cama.
leitor ideal.
“Esta é a melhor apólice”, dizia ele muita vez. Com o tempo,
b. realista, já que o autor ironiza a falta de devaneios de adquiriu certa autoridade na família, certa audiência, ao
alguns leitores. menos; não abusava, e sabia opinar obedecendo. Ao cabo,
c. simbolista, já que a imaginação do autor sobrepõe-se ao era amigo, não direi ótimo, mas nem tudo é ótimo neste
que é leitura de fato. mundo. E não lhe suponhas alma subalterna; as cortesias
que fizesse vinham antes do cálculo que da índole. A roupa
d. modernista, já que o autor aborda o tema por meio de durava-lhe muito; ao contrário das pessoas que enxovalham
uma sintaxe liberta de formalismos. depressa o vestido novo, ele trazia o velho escovado e liso,
cerzido, abotoado, de uma elegância pobre e modesta. Era
97. ESPM 2011 lido, posto que de atropelo, o bastante para divertir ao serão
e à sobremesa, ou explicar algum fenômeno, falar dos
CAPÍTULO IV / UM DEVER AMARÍSSIMO
efeitos do calor e do frio, dos polos e de Robespierre.
Contava muita vez uma viagem que fizera à Europa, e
confessava que a não sermos nós, já teria voltado para lá;
José Dias amava os superlativos. Era um modo de dar tinha amigos em Lisboa, mas a nossa família, dizia ele,
feição monumental às ideias; não as havendo, servir a abaixo de Deus, era tudo.
prolongar as frases.
Machado de Assis, Dom Casmurro.
(Machado de Assis, Dom Casmurro)

No texto, o narrador diz que José Dias “sabia opinar


José Dias, caracterizado como o homem dos superlativos, é obedecendo”. Considerada no contexto da obra, essa
uma paródia, uma caricatura da expressão verbal pomposa característica da personagem é motivada, principalmente,
e oca, da subliteratura dos salões. Sua retórica exagerada pelo fato de José Dias ser
configura um discurso redundante, reduto de clichês, lugares
comuns, adjetivos e advérbios inexpressivos (Fernando a. um homem culto, porém autodidata.
Teixeira). Das frases proferidas pela personagem, assinale a b. homeopata, mas usuário da alopatia.
que não necessariamente se enquadra na definição acima:
c. pessoa de opiniões inflexíveis, mas também um homem
a. “Sua mãe é uma santa, seu tio é um cavalheiro naturalmente cortês.
perfeitíssimo.” (XXV)
d. um homem livre, mas dependente da família proprietária.

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e. católico praticante e devoto, porém perverso. Essa reflexão, sob a forma de pergunta, o
autor______________ faz a si mesmo (com toda
propriedade, e por motivos que podemos interpretar como
99. MACKENZIE 2014
pessoais), ao finalizar o romance_____________.
Capítulo III
Assinale a alternativa que completa corretamente as
O zunzum chegava ao seu apogeu. A fábrica de massas lacunas:
italianas, ali mesmo da vizinhança, começou a trabalhar,
a. José de Alencar; Iracema.
engrossando o barulho com o seu arfar monótono de
máquina a vapor. As corridas até à venda reproduziam-se, b. Visconde de Taunay; Inocência.
transformando-se num verminar constante de formigueiro
c. Machado de Assis; Dom Casmurro.
assanhado. Agora, no lugar das bicas apinhavam-se latas de
todos os feitios, sobressaindo as de querosene com d. Lima Barreto; Triste fim de Policarpo Quaresma.
um braço de madeira em cima; sentia-se o trapejar da água e. Guimarães Rosa; Sagarana.
caindo na folha. Algumas lavadeiras enchiam já as suas
tinas; outras estendiam nos coradouros a roupa que ficara
de molho. Principiava o trabalho. Rompiam das gargantas os 101. INSPER 2015
fados portugueses e as modinhas brasileiras. Um carroção Ora, como tudo cansa, esta monotonia acabou por
de lixo entrou com grande barulho de rodas na pedra, exaurir-me também. Quis variar, e lembrou-me escrever um
seguido de uma algazarra medonha algaraviada pelo livro. Jurisprudência, filosofia e política acudiram-me, mas
carroceiro contra o burro. não me acudiram as forças necessárias. Depois, pensei em
fazer uma História dos Subúrbios menos seca que as
Aluísio Azevedo, O Cortiço, 1890
memórias do Padre Luís Gonçalves dos Santos relativas à
cidade; era obra modesta, mas exigia documentos e datas
como preliminares, tudo árido e longo. Foi então que os
bustos pintados nas paredes entraram a falar-me e a
A partir do fragmento de O Cortiço, de Aluísio Azevedo, dizer-me que, uma vez que eles não alcançavam
verifica-se que reconstituir-me os tempos idos, pegasse da pena e contasse
alguns. Talvez a narração me desse a ilusão, e as sombras
a. o autor tenta provar como o meio, a raça e as situações
viessem perpassar ligeiras, como ao poeta, não o do trem,
sociais determinam a conduta do homem e o levam à
mas o do Fausto: Aí vindes outra vez, inquietas sombras...?
condição plena de cidadão.

b. a existência humana é abordada de forma materialista, e MACHADO DE ASSIS. Dom Casmurro.

o homem é encarado como um produto biológico.

c. as personagens são dotadas de livre-arbítrio, o que as Sobre os motivos que levaram o narrador a escrever sua
auxilia a enfrentar as situações externas a elas. autobiografia, verifica-se que
d. a obra é composta sob a influência das ideias da
a. para fugir da monotonia, ele pensou em escrever um livro,
Revolução Constitucionalista.
mas só decidiu por uma autobiografia depois da sugestão
e. ao ser composta por um ambiente ficcional degradado, a dos “bustos pintados nas paredes”.
obra perde seu prestígio literário.
b. ele sempre quis escrever uma História dos Subúrbios,
mas foi convencido a mudar de ideia pela influência do
100. UNEMAT 2010 Fausto, obra-prima de Goethe.

“O primeiro cearense, ainda no berço, emigrava da terra da c. ele desistiu de escrever obras jurídicas, filosóficas e
pátria. Havia aí a predestinação de uma raça?” (p.86). políticas porque, em geral, elas são cansativas e monótonas,
ao contrário das biografias.

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d. para variar, ele resolveu pesquisar, tendo “documentos e a. Enquanto ela comia o ouro com os seus olhos negros, o
datas como preliminares”, a fim de resgatar o passado, que alienista fitava-a e dizia-lhe ao ouvido com a mais pérfida
ele chama de “tempos idos”. das alusões: - Quem diria que meia dúzia de
lunáticos...(IRONIA)
e. ele tinha como referência “as memórias do Padre Luís
Gonçalves dos Santos”, importante obra biográfica brasileira b. Houve um doente poeta que resistiu a tudo. Simão
do século XIX. Bacamarte começava a desesperar da cura, quando teve de
mandar correr matraca para o fim de o apregoar como um
rival de Garção e Píndaro. - Foi um santo remédio, contava a
102. ITA 2016
mãe do infeliz a uma comadre; foi um santo remédio.
O poema abaixo é de José Paulo Paes: (SAGACIDADE)

c. D. Evarista soltou um grito, - balbuciou uma palavra e


atirou-se ao consorte - de um gesto que não se pode melhor
Bucólica
definir do que comparando-o a uma mistura de onça e rola.
Não assim o ilustre Bacamarte; frio como diagnóstico, sem
desengonçar por um instante a rigidez científica, estendeu
O camponês sem terra
os braços à dona que caiu neles e desmaiou.
Detém a charrua
(SENSIBILIDADE)
E pensa em colheitas
Que nunca serão suas. d. O alienista atendeu então; os gritos aproximavam-se,
terríveis, ameaçadores; ele compreendeu tudo. Levantou-se
(Em: Um por todos – poesia reunida. São Paulo:
da cadeira de espaldar em que estava sentado, fechou o
Brasiliense, 1986.)
livro, e a passo firme e tranqüilo, foi depositá-lo na estante.
Como a introdução do volume desconcertasse um pouco a
O texto apresenta linha dos dois tomos contíguos, Simão Bacamarte cuidou de
corrigir esse defeito mínimo, e, aliás, interessante.
a. uma oposição campo/cidade, de filiação (SERENIDADE)
árcade-romântica.

b. um bucolismo típico da tradição árcade, indicado pelo 104. FUVEST 2015


título.
E Jerônimo via e escutava, sentindo ir-se-lhe toda a alma
c. uma representação tipicamente romântica do homem do pelos olhos enamorados.
campo.
Naquela mulata estava o grande mistério, a síntese das
d. um contraste entre o arcadismo do título e o realismo
impressões que ele recebeu chegando aqui: ela era a luz
social dos
ardente do meio-dia; ela era o calor vermelho das sestas da
versos.
fazenda; era o aroma quente dos trevos e das baunilhas,
e. uma total ruptura com a representação realista do homem que o atordoara nas matas brasileiras; era a palmeira virginal
do e esquiva que se não torce a nenhuma outra planta; era o
campo. veneno e era o açúcar gostoso; era o sapoti mais doce que o
mel e era a castanha do caju, que abre feridas com o seu
azeite de fogo; ela era a cobra verde e traiçoeira, a lagarta
103. FCMMG 2008
viscosa, a muriçoca doida, que esvoaçava havia muito
Todas as passagens ilustram as respectivas características tempo em torno do corpo dele, assanhando-lhe os desejos,
do médico Simão Bacamarte, do conto "O Alienista", de acordando-lhe as fibras embambecidas pela saudade da
Machado de Assis, EXCETO: terra, picando-lhe as artérias, para lhe cuspir dentro do
sangue uma centelha daquele amor setentrional, uma nota
daquela música feita de gemidos de prazer, uma larva

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daquela nuvem de cantáridas que zumbiam em torno da Rita nacionalismo ufanista, o sentimentalismo e o Mal do século
Baiana e espalhavam-se pelo ar numa fosforescência são questões pouco relevantes.
afrodisíaca.
IV. Memórias Póstumas de Brás Cubas, também em razão
Aluísio Azevedo, O cortiço. de sua temática e da maneira como é narrado, ilustra as
pretensões de Machado de Assis no que diz respeito à
crítica social que é feita aos costumes e ao comportamento
O efeito expressivo do texto – bem como seu pertencimento da época.
ao Naturalismo em literatura – baseiam-se amplamente no
V. O Realismo emerge no Brasil, sob o seguinte lema: A
procedimento de explorar de modo intensivo aspectos
linguagem romântica consegue retratar a realidade da vida
biológicos da natureza. Entre esses procedimentos
tal qual a vida é. Isso implica dizer que o Realismo precisa
empregados no texto, só NÃO se encontra a
se aproximar da estética romântica, visando alcançar seus
a. representação do homem como ser vivo em interação objetivos literários.
constante com o ambiente.

b. exploração exaustiva dos receptores sensoriais humanos


Estão CORRETAS
(audição, visão, olfação, gustação), bem como dos
receptores mecânicos. a. I, II e IV.
c. figuração variada tanto de plantas quanto de animais, b. I, III e IV.
inclusive observados em sua interação.
c. I, III e V.
d. ênfase em processos naturais ligados à reprodução
d. II, III e IV.
humana e à metamorfose em animais.
e. III, IV e V.
e. focalização dos processos de seleção natural como
principal força direcionadora do processo evolutivo.
106. PUC-CAMPINAS 2016

105. UPE 2011 Considere o texto abaixo.

Considerando a escola literária Realismo, assinale as


afirmativas a seguir:
O universo ficcional de Machado de Assis é povoado pelos
tipos sociais que se mesclavam na sociedade fluminense do
século XIX: proprietários, rentistas, comerciantes, homens
I. Na prosa realista, diferentemente da estética literária que a
pobres mas livres e escravos. Cruzam seus interesses e
antecedeu, uma das características mais evidentes é o
medem-se em seus poderes ou em sua falta de poder. É
desejo e a necessidade do autor de buscar e encontrar, na
essa a configuração das personagens das obras-primas
linguagem verbal, representação fiel à realidade na sua
Memórias póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro. A
concretude mais exata.
tragédia do negro escravizado está exposta em contos
II. Memórias de um Sargento de Milícias é um romance violentos, e o capricho dos senhores proprietários dá o tom a
considerado de transição entre a estética romântica e a narradores como Brás Cubas e Bento Santiago, o Bentinho,
estética realista, todavia as características da estética que contam suas histórias de modo a apresentar com ar de
realista, no desenvolvimento da história, em sua totalidade, naturalidade a prática das violências pessoais ou sociais
são predominantes. mais profundas.

III. No romance O Cortiço, Aluísio Azevedo inaugura no (TÁVOLA, Bernardim da, inédito)
Brasil, as linhas diretrizes que irão nortear toda a escola
literária realista, fazendo notar que o subjetivismo, o

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Também em prosadores românticos do século XIX Vivia longe dos homens, só se dava bem com os animais.
encontram-se exemplos de tipos da sociedade fluminense, Os seus pés duros quebravam espinhos e não sentiam a
que protagonizam situações também típicas de uma quentura da terra. Montado, confundia-se com o cavalo,
exemplar sociedade burguesa. É o que se constata, por grudava-se a ele. E falava uma linguagem cantada,
exemplo, no romance monossilábica e gutural, que o companheiro entendia.

a. O Guarani, de José de Alencar, no qual se consagram os (Graciliano Ramos, Vidas secas)

ideais de coragem e lealdade, com profundas raízes na


aristocracia medieval.
Considere as seguintes afirmações acerca dos textos I, II e
b. Senhora, de José de Alencar, no qual se confrontam os III:
interesses materiais e os ideais sublimes dos personagens
I. Nos três fragmentos o narrador descreve aspectos físicos
envolvidos numa caprichosa trama.
e comportamentais de personagens do sertão brasileiro,
c. Inocência, do Visconde de Taunay, cuja protagonista é a marcados pela vida agreste e miserável.
encarnação da mulher idealizada segundo os códigos
sociais da época. II. Embora publicadas em contextos diferentes, as
respectivas obras se enquadram no mesmo estilo de época:
d. Memorial de Aires, de Machado de Assis, quando o o Realismo.
autor, ainda jovem, aplica-se na análise dos costumes da
Corte. III. Nos três fragmentos revela-se uma concepção
determinista do homem.
e. Esaú e Jacó, de Machado de Assis, no qual o
memorialismo de um velho diplomata recupera figuras da
antiga sociedade do Rio de Janeiro.
Assinale:

a. se apenas a afirmação I estiver correta.


107. MACKENZIE 2012
b. se apenas a afirmação II estiver correta.
Texto I
Uma transformação, lenta e profunda, operava-se nele, dia a c. se apenas a afirmação III estiver correta.
dia, hora a hora, reviscerando-lhe o corpo e alando-lhe os d. se apenas as afirmações I e III estiverem corretas.
sentidos [...]. A vida americana e a natureza do Brasil
patenteavam-lhe agora aspectos imprevistos e sedutores e. se nenhuma afirmação estiver correta.
que o comoviam [...]. E assim, pouco a pouco, se foram
reformando todos os seus hábitos singelos de aldeão 108. UFRGS 2015
português: e Jerônimo abrasileirou-se. (Aluísio Azevedo, O cortiço)
Assinale a alternativa correta sobre a obra de Machado de
Assis.
Texto II
Atravessa a vida entre ciladas, surpresas repentinas de uma a. O primeiro romance publicado por Machado de Assis foi
natureza incompreensível, e não perde um minuto de Dom Casmurro (1899), totalmente integrado à
tréguas. É o batalhador perenemente combalido e exausto, estética romântica, ao pôr em evidência a história de amor
perenemente audacioso e forte [...]. Reflete, nestas entre Bentinho e Capitu.
aparências que se contrabatem, a própria natureza que o b. Brás Cubas, o protagonista do romance Memórias
rodeia. (Euclides da Cunha, Os sertões) Póstumas de Brás Cubas , é um humanista oriundo da
classe trabalhadora, defensor dos direitos dos escravos.

c. Quincas Borba , único romance de Machado de Assis que


Texto III
apresenta narrador em primeira pessoa, é narrado
pelo próprio Quincas.

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d. Várias histórias reúne alguns dos principais contos de Comparando o Simbolismo com outros estilos de época, um
Machado de Assis, entre eles A causa secreta , que narra crítico afirmou:
o prazer mórbido que sente Fortunato ao presenciar o
sofrimento alheio.
I – Ambos os movimentos exprimem o desgosto pelas
e. Helena é um romance da última fase de Machado de soluções racionalistas.
Assis, já integrado ao realismo, na qual se destaca a ironia II – É comum a ambas as correntes a tentação do
que consagrou o autor. esteticismo e do formalismo.

109. UEG 2004


Por meio das palavras “ambos” (I) e “ambas” (II), o crítico faz
A respeito da obra Contos, de Machado de Assis, é possível uma aproximação entre o Simbolismo e, respectivamente, o:
dizer que ela

a. Apresenta contos que revelam a recorrência da


dimensão intimista na prosa machadiana. a. Barroco e o Neoclassicismo.

b. Utiliza a ironia, assim como Drummond, na Antologia b. Naturalismo e o Expressionismo.


poética, e Álvares de Azevedo, especialmente em Macário, c. Classicismo e o Impressionismo.
como apoio para sustentar um posicionamento ideológico
d. Realismo e o Modernismo.
revolucionário.
e. Romantismo e o Parnasianismo.
c. Utiliza recursos narrativos bastante semelhantes aos de
Milton Hatoum, no que diz respeito à posição do narrador e à
coloquialidade dos diálogos na voz das personagens. 112. UPE 2016
d. Com uma sofisticada técnica narrativa, apresenta contos Machado de Assis e Aluísio Azevedo, no mesmo ano, 1881,
arrematados com originalidade, mas que atendem bem à deram início, respectivamente, ao Realismo e Naturalismo
expectativa do leitor típico do século XIX. É o que ocorre, por no Brasil. O primeiro, com Memórias Póstumas de Brás
exemplo, no conto “Noite do almirante”. Cubas e o segundo, com O Mulato, embora o Cortiço é que
e. Em vários contos, apóia-se no humor para quebrar a tenha celebrizado o autor maranhense. Sobre esses
tensão dramática da narrativa e para expressar o movimentos literários, aos quais pertencem os textos, leia o
desencanto do autor com as máscaras sociais que que se segue:
deformam o caráter humano.

Texto 1
110. UNEMAT 2010
Ao verme que primeiro roeu
Assinale a alternativa em que a obra indicada se filia ao as frias carnes do meu cadáver
nacionalismo romântico. dedico como saudosa lembrança
a. Iracema. estas Memórias Póstumas

b. Contos novos.

c. Triste fim de Policarpo Quaresma. Texto 2

d. Inocência. Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo,


e. Dom Casmurro. não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas
alinhadas.

111. FGV-SP 2009

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Um acordar alegre e farto de quem dormiu de uma abrir e fechar de cada instante, um entrar e sair sem tréguas.
assentada sete horas de chumbo. Como que se sentiam Não se demoravam lá dentro e vinham ainda amarrando as
ainda na indolência de neblina as derradeiras notas da calças ou as saias; as crianças não se davam ao trabalho de
última guitarra da noite antecedente, dissolvendo-se à luz lá ir, despachavam-se ali mesmo, no capinzal dos fundos,
loura e tenra da aurora, que nem um suspiro de saudade por detrás da estalagem ou no recanto das hortas.
perdido em terra alheia.

O rumor crescia, condensando-se; o zunzum de todos os


Roupa lavada, que ficara de véspera nos coradouros, dias acentuava-se; já se não destacavam vozes dispersas,
umedecia o ar e punha-lhe um farto acre de sabão ordinário. mas um só ruído compacto que enchia todo o cortiço. [...]
As pedras do chão, esbranquiçadas no lugar da lavagem e
em alguns pontos azuladas pelo anil, mostravam uma
palidez grisalha e triste, feita de acumulações de espumas Analise as afirmativas a seguir:
secas. Entretanto, das portas surgiam cabeças
congestionadas de sono; ouviam-se amplos bocejos, fortes
como o marulhar das ondas; pigarreava-se grosso por toda a I. O texto 1 é a dedicatória de Brás Cubas, que inicia suas
parte; começavam as xícaras a tilintar; o cheiro quente do memórias póstumas. Nessa obra, o autor textual e narrador
café aquecia, suplantando todos os outros; trocavam-se de ironicamente dedica suas memórias aos vermes. Trata-se de
janela para janela as primeiras palavras, os bons-dias; um aspecto inerente à estética romântica, uma vez que nela
reatavam-se conversas interrompidas à noite; a pequenada encontra-se subjacente a ideia de morte.
cá fora traquinava já, e lá dentro das casas vinham choros
II. No texto 2, o narrador descreve o comportamento da
abafados de crianças que ainda não andam. No confuso
coletividade que forma o Cortiço. Notese que nele há o
rumor que se formava, destacavam-se risos, sons de vozes
privilégio do coletivo sobre o individual, elemento peculiar ao
que altercavam, sem se saber onde, grasnar de marrecos,
Romantismo, o que não surpreende o leitor, dado que o
cantar de galos, cacarejar de galinhas. De alguns quartos
autor abraçou tanto a estética romântica quanto a realista.
saíam mulheres que vinham pendurar cá fora, na parede, a
gaiola do papagaio, e os louros, à semelhança dos donos, III. Os dois textos, embora escritos por autores diferentes,
cumprimentavam-se ruidosamente, espanejando-se à luz apresentam as mesmas tendências estéticas. Ambos são
nova do dia. realistas e criticam o comportamento da burguesia que vivia
na ociosidade explorando os menos favorecidos.

IV. O texto 1 tem por narrador a personagem principal que


Daí a pouco, em volta das bicas, era um zunzum crescente;
conta a sua própria história e o faz com a “tinta da galhofa e
uma aglomeração tumultuosa de machos e fêmeas. Uns,
a pena da melancolia”, utilizando-se de um gracejo de tom
após outros, lavavam a cara, incomodamente, debaixo do fio
cômico, próximo do humor negro de origem inglesa.
de água que escorria da altura de uns cinco palmos. O chão
inundava-se. V. No texto 2, o relato é de um narrador observador que
apresenta os acontecimentos de um ponto de vista neutro,
porque não se envolve nem faz parte da história narrada.
As mulheres precisavam já prender as saias entre as coxas Seu discurso volta-se para a análise dos elementos
para não as molhar; via-se-lhes a tostada nudez dos braços deterministas e das patologias sociais, o que faz de O
e do pescoço, que elas despiam, suspendendo o cabelo todo Cortiço um texto naturalista.
para o alto do casco; os homens, esses não se
preocupavam em não molhar o pelo, ao contrário, metiam a
cabeça bem debaixo da água e esfregavam com força as Está CORRETO apenas o que se afirma em
ventas e as barbas, fossando e fungando contra as palmas
da mão. As portas das latrinas não descansavam, era um a. I e II.

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b. IV e V. Eça de Queirós fez parte da chamada geração de 1870, que
lutou ferrenhamente contra a ordem social lisboeta,
c. I, II e III.
passional e romântica, liderada, politicamente, pela
d. II e III. monarquia, pela burguesia e pelo clero.
e. I, II e IV. Além dele, foram figuras importantes dessa geração

a. Camilo Castelo Branco, Antônio Feliciano de Castilho e


113. UFAL 2010 Oliveira Martins.
Leia as informações a seguir: b. Antero de Quental, Oliveira Martins e Teófilo Braga.

c. Júlio Dinis, Alexandre Herculano e Antero de Quental.

d. Antônio Feliciano de Castilho, Camilo Castelo Branco e


Teófilo Braga.
I. Pela reflexão acerca das minúcias dos atos humanos, sua
obra nega a ideia de absoluto, visto que não é possível julgar e. Alexandre Herculano, Oliveira Martins e Júlio Dinis.
a generalidade da condição humana pelas atitudes isoladas.

115. ENEM - 3 APLICACAO 2014

II. Afirma-se que os romances da fase de maturidade E vejam agora com que destreza, com que arte faço eu a
desprezam qualquer arrebatamento romântico em nome de maior transição deste livro. Vejam: o meu delírio começou
uma expressão lúcida da existência humana. em presença de Virgília; Virgília foi o meu grão pecado de
juventude; não há juventude sem meninice; meninice supõe
nascimento; e eis aqui como chegamos nós, sem esforço, ao
III. Explora recursos sofisticados de construção narrativa dia 20 de outubro de 1805, em que nasci. Viram?
(digressões, gradações, comparações, reiteração do sentido)
ASSIS, M. Memórias póstumas de Brás Cubas. Rio de Janeiro: Nova
quase sempre na busca das múltiplas possibilidades de
Aguilar, 1974 (fragmento).
interpretação.
A repetição é um recurso linguístico utilizado para promover
a progressão textual, pois indica entrelaçamento de ideias.
IV. Utilizando o humor e a ironia, registra os desvios da No fragmento de romance, as repetições foram utilizadas
conduta humana, a loucura, a hipocrisia nas relações sociais com o objetivo de
e a descrença nos valores essencialmente humanos. a. marcar a transição entre dois momentos distintos da
narrativa, o amor do narrador por Virgília e sua nascimento.

b. ornar mais lento o fluxo de informações, para finalmente


conduzir o leitor ao tema principal.
Referem-se a Machado de Assis:
c. reforçar, pelo acúmulo de afirmações, a ideia do quanto é
a. apenas os itens I e III. grande o sentimento do narrador por Virgília.

b. todos os itens. d. representar a monotonia, caracterizadora das etapas da


vida do autor: a juventude e a velhice.
c. apenas o item IV.
e. assegurar a sequenciação cronológica dos
d. apenas I, II e III.
fatos representados e a precisão das informações.
e. apenas II e IV.

116. FATEC 2012


114. UNIFESP 2003

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Em 2009, a Escola Estadual D. Pedro I, na aldeia Betânia, estereótipo indígena presente nas obras do Indianismo,
onde vivem cinco mil ticunas (estima-se que haja 32 mil primeira fase do período literário cuja preocupação era a
ticunas vivendo no Alto Solimões, entre a Amazônia valorização das raízes históricas brasileiras e, por
brasileira, a colombiana e a peruana), ficou na rabeira do consequência, da soberania nacional.
Enem, o Exame Nacional do Ensino Médio. O colégio,
frequentado por 600 jovens representantes da etnia,
ostentou o último lugar. Assinale a alternativa que nomeia esse período.

“Há dois ou três anos, todos os professores eram de fora da


a. Barroco.
aldeia, A Organização Geral dos Professores Ticuna
Bilíngues foi formando professores indígenas, e o quadro b. Classicismo.
mudou. Nossa escola é muito boa. Tem um ponto de
c. Romantismo.
internet. Há dois anos, temos eletricidade. Nosso problema é
a língua. Das regiões de Tefé a Tabatinga, predomina a d. Realismo.
etnia ticuna. Eu acho que justifica lutar por uma universidade e. Naturalismo.
ticuna”, diz Saturnino, um dos poucos fluentes em português
na aldeia Betânia.
117. UNICENTRO 2011

Compreende-se que o ponto da lição era difícil, e que o


São índios. Mas não adoram o Sol, a Lua, as estrelas, os Raimundo, não o tendo aprendido, recorria a um meio que
animais, as árvores. Praticam, sim, com afinco, a religião lhe pareceu útil para escapar ao castigo do pai. Se me tem
batista, imposta por um missionário americano, o pastor pedido a coisa por favor, alcançá-la-ia do mesmo modo,
Eduardo – provavelmente, Edward – que passou por ali, pelo como de outras vezes, mas parece que era lembrança das
Alto Solimões, a região mais isolada da Amazônia, no outras vezes, o medo de achar a minha vontade frouxa ou
amanhecer dos anos 60. São brasileiros, amazonenses, cansada, e não aprender como queria, — e pode ser mesmo
porém não assistem à novela das oito nem ouvem sertanejo que em alguma ocasião lhe tivesse ensinado mal,— parece
universitário. Eles se ligam na TV colombiana e escutam que tal foi a causa da proposta. [...]
música importada do país vizinho, que ecoa estrondosa dos
casebres de madeira. O único sinal de que devem passear Não queria recebê-la, e custava-me recusá-la. Olhei para o
de vez em quando pela Globo é o penteado do Neymar mestre, que continuava a ler, com tal interesse, que lhe
enfeitando as cabeleiras escorridas e negras. Não falam pingava o rapé do nariz.
português fluentemente. As crianças nem sequer entendem. — Ande, tome, dizia-me baixinho o filho. [...]
A língua dos bate-papos animados é o ticuna. No entanto, — Tome, tome...
são obrigados a aprender matemática, química, física, Relancei os olhos pela sala, e dei com os do Curvelo em
história, geografia etc. na língua-pátria. Uma situação nós; disse ao Raimundo que esperasse. Pareceu-me que o
insólita: na língua que não dominam, o português, os jovens outro nos observava, então dissimulei; mas daí a pouco
precisam ler e escrever – e prestar exames. E, na língua que deitei-lhe outra vez o olho, e — tanto se ilude a vontade!
dominam, o ticuna, também encontram limitações na leitura — não lhe vi mais nada. Então cobrei ânimo.
e na escrita, por tratar-se de uma língua de tradição oral. — Dê cá...
Assim caminha a juventude ticuna: soterrada numa salada
ASSIS, Machado de. Conto de Escola. Contos. São Paulo: Ática. 1989. p. 34.
de identidades.
( Série Bons Livros).

Tem comprovação no texto a ideia de

a. valorização da amizade.
A informação – “São índios. Mas não adoram o Sol, a Lua,
b. fragilidade dos valores éticos.
as estrelas, os animais, as árvores.” – é uma negativa ao

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c. preconceito diante do oprimido. Os tanoeiros do brejo,
Os vigias da noite silenciosa,
d. ruptura com as relações sociais.
Malham nos aguaçais.
e. desrespeito à figura paterna e professoral. 15 Pouco a pouco, porém, a muralha de treva
Vai perdendo a espessura, e em breve se adelgaça
Como um diáfano crepe, atrás do qual se eleva
118. FGV-SP 2011
A sombria massa
Capítulo primeiro / Óbito do autor Das serranias. [...]
Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo
BANDEIRA, Manuel. Paisagem noturna.
princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu
nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja Disponível em: <http://www.jornaldepoesia.jor.br/manuelbandeira01.html >.

começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a Acesso em: 9 nov.2014.

adotar diferente método: a primeira é que eu não sou Embora Manuel Bandeira seja o autor da primeira geração
propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para modernista, propondo uma poética libertadora e
quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito transgressora,
ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também muitas vezes, retoma perfis poéticos de outras tradições
contou a sua morte, não a pôs no intróito, mas no cabo: literárias, como ocorre em relação ao
diferença radical entre este livro e o Pentateuco.

Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas.


a. Simbolismo, através de versos que reproduzem a
atmosfera crepuscular e obscura, como em “A sombra
Contribui decisivamente para o efeito expressivo do texto o imensa, a noite infinita enche o vale.../ E lá do fundo vem a
fato de o narrador exagerar em sua voz/ Humilde e lamentosa/ Dos pássaros da treva.” (v. 1-4).
a. construção verbal paratática. b. Realismo, pois, ainda que em versos, o eu poético
b. estruturação argumentativa antitética. assume postura crítica e niilista diante da estrutura social,
metaforizada através da paisagem noturna: “Em nós,/ — Em
c. utilização de elipses e zeugmas. noss’alma criminosa,/ O pavor se insinua...” (v. 4-6).
d. exploração de recursos sonoros. c. Arcadismo, diante da valorização de elementos da
e. mistura de variedades linguísticas. natureza e da preferência por imagens bucólicas, como em
“Um carneiro bale/ Ouvem-se pios funerais.” (v. 7-8).

119. UEFS 2015 d. Romantismo, por meio de versos que reproduzem a


idealização dos sentimentos e evasão através da morte,
Paisagem noturna
representados por “Os vigias da noite silenciosa,/ Malham
nos aguaçais.” (v. 13-14).
A sombra imensa, a noite infinita enche o vale ... e. Parnasianismo, na medida em que apresenta uma
E lá do fundo vem a voz preocupação formal, através de métricas regulares, seleção
Humilde e lamentosa vocabular e temática voltada para a reflexão sobre um
Dos pássaros da treva. Em nós, elemento da natureza, como em “Pouco a pouco, porém, a
5 — Em noss’alma criminosa, muralha de treva/ Vai perdendo a espessura, e em breve se
O pavor se insinua ... adelgaça/ Como um diáfano crepe, atrás do qual se eleva/ A
Um carneiro bale. sombria massa/ Das serranias.” (v. 15-19).
Ouvem-se pios funerais.
Um como grande e doloroso arquejo
10 Corta a amplidão que a amplidão continua . . . 120. FGV-RJ 2013
E cadentes, metálicos, pontuais, CAPÍTULO 73 - O Luncheon*

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b. II, apenas.
O despropósito fez-me perder outro capítulo. Que melhor
c. I e II, apenas.
não era dizer as coisas lisamente, sem todos
estes solavancos! Já comparei o meu estilo ao andar dos d. II e III, apenas.
ébrios. Se a ideia vos parece indecorosa, direi que ele e. I, II e III.
é o que eram as minhas refeições com Virgília, na casinha
da Gamboa, onde às vezes fazíamos a nossa
patuscada, o nosso luncheon. Vinho, frutas, compotas. GABARITO: 91) e, 92) b, 93) a, 94) d, 95) a, 96) d, 97) c, 98)
Comíamos, é verdade, mas era um comer virgulado de d, 99) b, 100) a, 101) a, 102) d, 103) c, 104) e, 105) a, 106)
palavrinhas doces, de olhares ternos, de criancices, uma b, 107) c, 108) d, 109) e, 110) a, 111) e, 112) b, 113) b, 114)
infinidade desses apartes do coração, aliás o b, 115) a, 116) c, 117) b, 118) b, 119) a, 120) b,
verdadeiro, o ininterrupto discurso do amor. Às vezes vinha o
arrufo temperar o nímio adocicado da situação.
Ela deixava-me, refugiava-se num canto do canapé, ou ia
para o interior ouvir as denguices de Dona Plácida.
Cinco ou dez minutos depois, reatávamos a palestra, como
eu reato a narração, para desatá-la outra vez.
Note-se que, longe de termos horror ao método, era nosso
costume convidá-lo, na pessoa de Dona Plácida, a
sentar-se conosco à mesa; mas Dona Plácida não aceitava
nunca.

Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas.


(*) Luncheon (Ing.): lanche, refeição ligeira, merenda.

Considere as seguintes afirmações sobre o excerto das


Memórias póstumas de Brás Cubas, obra
fundamental da literatura brasileira:

I Depois de haver comparado seu estilo ao andar dos ébrios,


o narrador resolve compará-lo
também ao “luncheon”, penitenciando-se, assim, dos vícios
que praticara em vida – entre eles, o
do alcoolismo.
II Nas comparações com o “luncheon”, presentes no excerto,
o narrador revela ser o capricho (ou
arbítrio) o móvel dominante tanto de seu estilo quanto das
ações que relata.
III Na autocrítica do narrador, realizada com ingenuidade no
excerto, oculta-se a crítica do realista
Machado de Assis ao Naturalismo dominante em sua época.

Está correto o que se afirma em

a. I, apenas.

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121. Espcex (Aman) 2013 conseqüente descrença numa possibilidade de melhora
se transforma em duas atitudes artísticas: a forma irônica e o
Leia a estrofe que se segue:
conteúdo humorístico.
Visões, salmos e cânticos serenos
d. O tema da antecipação ou da premonição, em relatos
Surdinas de órgãos flébeis, soluçantes...
diretos e lineares, compõe a ironia dada ao tratamento com
Dormências de volúpicos venenos
o trágico e, ao mesmo tempo, opera pela negatividade da
Sutis e suaves, mórbidos, radiantes...
cartomante.
Quanto às suas características, pode-se afirmar que, nesses
e. A ambigüidade artística na narrativa de A cartomante
versos, destaca-se
reside na descrição da personagem-título e na ironia do
a. a valorização da forma como expressão do belo e a busca destino que, intransponível, brinca com as criaturas.
pela palavra mais rara – Parnasianismo.

b. a linguagem rebuscada, jogos de palavras e jogos de 123. PUC-PR 2016


imagens, característica do cultismo – corrente do Barroco.
Alfredo Bosi, em sua História concisa da literatura brasileira,
c. a incidência de sons consonantais (aliterações) diz a respeito de Inocência, de Visconde de Taunay:
explorando o caráter melódico da linguagem – Simbolismo.

d. o pessimismo da segunda geração romântica, marcada “Por temperamento e cultura, o Visconde de Taunay tinha
por vocábulos que aludem a uma existência mais depressiva condições para dar ao regionalismo romântico a sua versão
– Romantismo. mais sóbria. Homem de pouca fantasia, muito senso de
observação, formado no hábito de pesar com a inteligência
e. a lírica amorosa marcada pela sensualidade explícita que
as suas relações com a paisagem e o meio (era engenheiro,
substitui as virgens inacessíveis por mulheres reais, lascivas
militar e pintor), Taunay foi capaz de enquadrar a história de
e sedutoras – Naturalismo.
Inocência (1872) em um cenário e em um conjunto de
costumes sertanejos onde tudo é verossímil. Sem que o
122. UNEMAT 2006 cuidado de o ser turve a atmosfera agreste e idílica que até
A narrativa machadiana, ao tomar o quadro nacional por hoje dá um renovado encanto à leitura da obra". (BOSI, Alfredo.
referência, espelha a situação do próprio país que oscila História concisa da literatura brasileira. 2003, p. 144 -145).

entre o retrógrado e o modernamente burguês; assumindo


nessa direção, uma ficção irônica com relação à forma Com base no trecho acima, é possível dizer que:
artística do homem do seu tempo e do seu país. Reflita
sobre tais perspectivas e assinale a alternativa a. Visconde de Taunay, com Inocência, é o introdutor do
INCORRETA em relação aos Contos machadianos. realismo no Brasil.

b. O romantismo de Visconde de Taunay é, de certa forma,


a. A ironia machadiana no conto Almas Agradecidas é uma
um “realismo mitigado”.
disposição de espírito provocada pela reflexão sobre
as contradições da alma humana e do convívio social entre c. Por sua pouca fantasia, Inocência não pode ser
Magalhães e Oliveira. classificada como obra do romantismo.

b. A ironia em Conto de Escola recorre ao período da d. O senso de observação de Visconde de Taunay em


Regência entre a renúncia de D. Pedro I e o golpe Inocência o leva às portas do naturalismo.
conservador que proclamou a maioridade de D. Pedro
e. A fantasia, aliada ao senso de observação, tornam esta
II, aparecendo metaforizado na função do velho e rabugento
obra o melhor representante do regionalismo
professor e seu aluno e filho Raimundo.
ultrarromântico.
c. Em O Caso da Vara, a visão negativista do mundo e do
homem, pela qual tudo é maldade e sofrimento e a
124. UERJ 2015

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Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo c. Os desnarigados de Diogo Meireles continuaram a
princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu prover-se dos mesmos lenços de assoar. O que tudo deixo
nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja relatado para glória do bonzo e benefício do mundo.
começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a
d. A alma de Custódio caiu de bruços. Subira pela escada de
adotar diferente método: a primeira é que eu não
Jacó até o céu, mas em vez de descer como os anjos no
sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor,
sonho bíblico, rolou abaixo e caiu de bruços.
para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o
escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que
também contou a sua morte, não a pôs no introito, mas no 126. FAAP 1997
cabo: diferença radical entre este livro e o Pentateuco.
Eça de Queirós só não escreveu:

a. O Primo Basílio.
Dito isto, expirei às duas horas da tarde de uma sexta-feira b. O Crime do Padre Amaro.
do mês de agosto de 1869, na minha bela chácara de
Catumbi. Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos e c. A Ilustre Casa de Ramires.
prósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos contos e d. A Cidade e as Serras.
fui acompanhado ao cemitério por onze amigos.
e. Euríco, o Presbítero.
Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas.

127. UNIFESP 2011

Pode-se apontar, no texto, a contradição, que repercute na (...) Um poeta dizia que o menino é o pai do homem. Se isto
obra a que ele pertence, entre é verdade, vejamos alguns lineamentos do menino.

a. o discurso ostensivamente racional e as alegações


incompatíveis com a esfera da razão. Desde os cinco anos merecera eu a alcunha de “menino
diabo”; e verdadeiramente não era outra coisa; fui dos mais
b. o tom elevado, solene, e o vocabulário de caráter
malignos do meu tempo, arguto, indiscreto, traquinas e
oral-popular.
voluntarioso. Por exemplo, um dia quebrei a cabeça de uma
c. a evidente filiação do narrador ao Espiritismo e sua escrava, porque me negara uma colher do doce de coco que
referência ao Velho Testamento. estava fazendo, e, não contente com o malefício, deitei um
punhado de cinza ao tacho, e, não satisfeito da travessura,
d. o caráter clássico da erudição do narrador e o romantismo
fui dizer à minha mãe que a escrava é que estragara o doce
de sua demanda de originalidade.
“por pirraça”; e eu tinha apenas seis anos. Prudêncio, um
e. a frieza analítica da argumentação e a intensidade moleque de casa, era o meu cavalo de todos os dias; punha
emocional do conteúdo nela veiculado. as mãos no chão, recebia um cordel nos queixos, à guisa de
freio, eu trepava-lhe ao dorso, com uma varinha na mão,
125. FCMMG 2008 fustiga - va-o, dava mil voltas a um e outro lado, e ele
obedecia, – algumas vezes gemendo – mas obedecia sem
Os excertos dos contos de Machado de Assis fazem dizer pala - vra, ou, quando muito, um – “ai, nhonhô!” – ao
referências aos respectivos títulos, EXCETO: que eu retorquia: “Cala a boca, besta!” – Esconder os
a. A chinela vinha a ser pura metáfora; tratava-se do coração chapéus das visitas, deitar rabos de papel a pessoas graves,
de Cecília, que ele roubara. puxar pelo rabicho das cabeleiras, dar beliscões nos braços
das matronas, e outras muitas façanhas deste jaez, eram
b. A coisa mais árdua do mundo, depois do ofício de mostras de um gênio indócil, mas devo crer que eram
governar, seria dizer a idade exata de D. Benedita. também expressões de um espírito robusto, porque meu pai
tinha-me em grande admiração; e se às vezes me

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repreendia, à vista de gente, fazia-o por simples formalidade: terra, picando-lhe as artérias, para lhe cuspir dentro do
em particular dava-me beijos. sangue uma centelha daquele amor setentrional, uma nota
daquela música feita de gemidos de prazer, uma larva
daquela nuvem de cantáridas que zumbiam em torno da Rita
Não se conclua daqui que eu levasse todo o resto da minha Baiana e espalhavam-se pelo ar numa fosforescência
vida a quebrar a cabeça dos outros nem a esconder-lhes os afrodisíaca.
chapéus; mas opiniático, egoísta e algo contemptor dos
Aluísio Azevedo, O cortiço.
homens, isso fui; se não passei o tempo a esconder-lhes os
chapéus, alguma vez lhes puxei pelo rabicho das cabeleiras.
(Machado de Assis. Memórias póstumas de Brás Cubas.) Em que pese a oposição programática do Naturalismo ao
Romantismo, verifica-se no excerto – e na obra a que
pertence – a presença de uma linha de continuidade entre o
movimento romântico e a corrente naturalista brasileira, a
É correto afirmar que saber, a

a. se trata basicamente de um texto naturalista, fundado no a. exaltação patriótica da mistura de raças.


Determinismo.
b. necessidade de autodefinição nacional.
b. o texto revela um juízo crítico do contexto escravista da
c. aversão ao cientificismo.
época.
d. recusa dos modelos literários estrangeiros.
c. o narrador se apresenta bastante sizudo e amargo, bem
ao gosto machadiano. e. idealização das relações amorosas.

d. o texto apresenta papéis sociais ambíguos das


personagens em foco. 129. FEI 2016

e. os comportamentos desumanos do narrador são Leia os primeiros parágrafos do livro Terra sonâmbula, do
sutilmente desnudados. escritor moçambicano Mia Couto:

“Naquele lugar, a guerra tinha morto a estrada. Pelos


128. FUVEST 2015 caminhos só as hienas se arrastavam, focinhando entre
cinzas e poeiras. A paisagem se mestiçara de tristezas
E Jerônimo via e escutava, sentindo ir-se-lhe toda a alma
nunca vistas, em cores que se pegavam à boca. Eram
pelos olhos enamorados.
cores sujas, tão sujas que tinham perdido toda a leveza,
esquecidas da ousadia de levantar asas pelo azul. Aqui, o
céu se tornara impossível. E os viventes se acostumaram ao
Naquela mulata estava o grande mistério, a síntese das
chão, em resignada aprendizagem da morte.
impressões que ele recebeu chegando aqui: ela era a luz
ardente do meio-dia; ela era o calor vermelho das sestas da A estrada que agora se abre a nossos olhos não se
fazenda; era o aroma quente dos trevos e das baunilhas, entrecruza com outra nenhuma. Está mais deitada que os
que o atordoara nas matas brasileiras; era a palmeira virginal séculos, suportando sozinha toda a distância. Pelas bermas
e esquiva que se não torce a nenhuma outra planta; era o apodrecem carros incendiados, restos de pilhagens. Na
veneno e era o açúcar gostoso; era o sapoti mais doce que o savana em volta, apenas os embondeiros contemplam o
mel e era a castanha do caju, que abre feridas com o seu mundo a desflorir.
azeite de fogo; ela era a cobra verde e traiçoeira, a lagarta
Um velho e um miúdo vão seguindo pela estrada. Andam
viscosa, a muriçoca doida, que esvoaçava havia muito
bambolentos como se caminhar fosse seu único serviço
tempo em torno do corpo dele, assanhando-lhe os desejos,
desde que nasceram. Vão para lá de nenhuma parte, dando
acordando-lhe as fibras embambecidas pela saudade da
o vindo por não ido, à espera do adiante. Fogem da guerra,

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dessa guerra que contaminara toda a sua terra. Vão na com isso, a tese determinista, e naturalista, de que o meio, a
ilusão de, mais além, haver um refúgio tranquilo. Avançam raça e a hereditariedade moldam o indivíduo.
descalços, suas vestes têm a mesma cor do caminho. O
b. o enredo foca uma relação homossexual entre um negro e
velho se chama Tuahir. É magro, parece ter perdido toda a
um branco, que a narrativa pontua, em alguns momentos,
substância. O jovem se chama Muidinga. Caminha à frente
como caso patológico, apresentando um desfecho trágico.
desde que saíra do campo de refugiados. Se nota nele um
leve coxear, uma perna demorando mais que o passo. c. o enredo ilustra e compara reações e desejos de Amaro
Vestígio da doença que, ainda há pouco, o arrastara quase com os dos animais, metaforizando, como exemplo de
até à morte. Quem o recolhera fora o velho Tuahir, quando romance naturalista, a obediência instintiva às “leis
todos outros o haviam abandonado. O menino estava já sem naturais”.
estado, os ranhos lhe saíam não do nariz mas de toda a d. o título e o enredo do romance apresentam, ao mesmo
cabeça. O velho teve que lhe ensinar todos os inícios: andar, tempo, ironia e discriminação por marcar um preconceito e
falar, pensar. Muidinga se meninou outra vez. Esta segunda caracterizar Amaro como violento, baderneiro e criminoso.
infância, porém, fora apressada pelos ditados da
sobrevivência. Quando iniciaram a viagem já ele se e. o tratamento repressivo dispensado aos marinheiros que
acostumava de cantar, dando vaga a distraídas brincriações. quebravam a disciplina imposta pelos comandantes é
No convívio com a solidão, porém, o canto acabou por salientado amplamente, inclusive os castigos corporais.
migrar de si. Os dois caminheiros condiziam com a estrada,
murchos e desesperançados” 131. PUC-RS 2016
(COUTO, M. Terra Sonâmbula. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p.
Leia o excerto abaixo, retirado da obra As vítimas algozes,
09).
de Joaquim Manuel de Macedo.
A linguagem, a estrutura e o conteúdo sugerem que se trata
de um fragmento de um romance
Havia no terreiro cães a velar; mas o homem compra os
a. romântico.
cães como compra homens; a uns, pedaços de carne; aos
b. contemporâneo. outros, mais ou menos moedas de ouro. Simeão comprara
c. barroco. os cães e um negro escravo da cozinha, e entrava todas as
noites na casa de João de Sales. A casa de João de Sales
d. clássico.
estava pois de noite à mercê das intenções e de quaisquer
e. naturalista. projetos de Simeão; mas que casa há aí, onde haja escravos
e sobretudo escravas, cuja segurança não esteja exposta às
consequências do instinto animal e da boa ou má vontade do
130. UFES 2009
elemento escravo? Simeão era, pois, durante duas horas em
O Naturalismo fundamentou-se na ideia, extraída do cada noite mais do que o amante da mucama, o árbitro das
pensamento científico da época, de que o homem é um vidas e da fortuna de João de Sales e de sua família. Ainda
produto do meio, da hereditariedade e do momento. Partindo bem que Simeão, o escravo, ali ia somente como animal que
de tal princípio, procurava fazer da ficção uma forma de o instinto arrasta em procura da sua igual; se fora ladrão ou
estudar e diagnosticar leis que regiam o comportamento de assassino tinha tido abertas a janela da sala e a porta da
pessoas e grupos na esfera social em que atuavam. cozinha.
Bom-Crioulo , romance de Adolfo Caminha, publicado em
Com base no excerto, assinale a única alternativa
1895, coloca em cena questões incômodas para a moral
INCORRETA:
vigente e instituições do Estado. Com base no exposto, é
INCORRETO afirmar, sobre Bom-Crioulo , que a. Apesar de Macedo ser um autor da escola romântica, o
excerto apresenta algumas marcas do realismo: tipificação
a. o personagem Aleixo, que dá título ao romance, escravo
social, sentido de observação e de experiência.
fugitivo, tornou-se um marinheiro violento, justificando-se,

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b. Percebe-se que Simeão tem total consciência do seu desfecho de Casa de pensão, de Aluísio Azevedo, mostra,
poder sobre a casa de João de Sales. na obra, um apaixonamento perante fatalidades da condição
humana, o ambiente social e os males sociais. Esse
c. No trecho, o narrador apresenta uma crítica negativa ao
apaixonamento, que domina toda a narrativa, é uma
homem, capaz de subornar para atingir seus objetivos.
evidência das características românticas da obra.
d. Ao comparar homem e cão, o narrador iguala o ser
b. A viagem das chuvas e outros contos, tal como a obra de
racional e o irracional, reduzindo-os a elementos facilmente
Lima Barreto e a de Aluísio Azevedo, mostra o homem
corrompíveis.
corrompido pelo meio social em que vive. O realce que se dá
e. A comparação entre animal e escravo permite-nos ao espaço, nos contos de Jesus de Aquino Jaime, comprova
analisar o contexto social daquela época. essa afirmação.

c. Assim como Lima Barreto denuncia, em seus contos, a


132. UNEMAT 2006 miséria social do homem da cidade, Guimarães Rosa
denuncia, em Manuelzão e Miguilim, a miséria física, moral e
“Homem de pouca fantasia, muito senso de observação,
social do homem do sertão.
formado no hábito de pesar com a inteligência as suas
relações com a paisagem e o meio (era engenheiro, militar e d. A obra de Lima Barreto apresenta uma crítica à
pintor), Taunay foi capaz de enquadrar a história de sociedade brasileira. Em “A nova Califórnia” e “O homem
Inocência (1872) em um cenário e em um conjunto de que sabia javanês”, as personagens, oscilando entre o que
costumes sertanejos onde tudo é verossímil” são e o que aparentam ser, são impulsionadas pela ambição
e pelo desejo de vencer a qualquer preço.
(BOSI, 1998, p.160).
e. O tom jornalístico da prosa de Carlos Heitor Cony, em
Pessach: a travessia, e a objetividade da prosa naturalista
Essa verossimilhança se dá por que: de Aluísio Azevedo, em Casa de pensão, são percebidos no
ponto de vista dos narradores que aparecem na 3ª pessoa,
a. os diálogos são forçados a se enquadrarem no universo
em ambas as obras.
sertanejo idealizado.

b. a narrativa funciona como recurso didático para


134. ACAFE 2014
compreensão da natureza matogrossense.
Considerando o contexto histórico descrito no texto a seguir,
c. o interesse do escritor está voltado para o requinte do
assinale a alternativa correta quanto à produção literária no
tema.
Brasil.
d. a prosa narrativa tem o cuidado de retratar um cenário
inventado.

e. as imagens interpretam a natureza como elemento da “Na Europa, a segunda Revolução Industrial promovera
cultura e emblema da nação. modificações profundas. Inovações tecnológicas
desenvolveram a produção em massa de bens diversos. As
cidades cresceram muito (em detrimento do campo), e
133. UEG 2003 formou-se um proletariado que logo começou a organizar-se
Analise as afirmações acerca das obras indicadas para o politicamente. E, dentro desse contexto, as artes mudaram:
vestibular 2003/2 da UEG e assinale a alternativa a belle époque assiste a uma sucessão de movimentos
CORRETA: artísticos revolucionários.”

a. “Tinha visto seu filho, representado na mesa do (LAFETÁ, 1982, p. 99)

necrotério, com o tronco, o corpo em sangue. E por debaixo,


em letras garrafais: ‘Amâncio de Vasconcelos, assassinado
por João Coqueiro no Hotel Paris, em tanto de tal’.” Esse

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a. Na literatura rompeu-se com a tradição clássica, imposta d. É narrado em primeira pessoa, e o enredo apresenta a
pelo período árcade, e apresentaram-se novas concepções ascensão de Palha, às custas de Rubião, apaixonado por
literárias, dentre as quais podem ser apontadas: a Sofia, que mantém a conveniência do triângulo amoroso.
observação das condições do estado de alma, das emoções,
e. É narrado em terceira pessoa, e Rubião, criador da
da liberdade, desabafos sentimentais, valorização do índio, a
filosofia do Humanitismo e apaixonado por Sofia, enlouquece
manifestação do poder de Deus através da natureza
e morre na indigência.
acolhedora ao homem, a temática voltada para o amor, para
a saudade, o subjetivismo.
136. ITA 2013
b. Os escritores brasileiros abordaram a realidade social do
país, destacando a vida nos cortiços, o preconceito, a As personagens desta obra, que anunciam um movimento
diferenciação social, entre outros temas. O homem é literário posterior, são quase caricaturas de tipos do estrato
encarado como produto biológico passando a agir de acordo socioeconômico médio da sociedade da época – o mestre de
com seus instintos, chegando a ser comparado com os rezas, a cigana, o barbeiro, dentre outras. Elas agem
animais (zoomorfização). conforme as necessidades de sobrevivência, sem
moralismos ou escrúpulos. As personagens, de certa forma,
c. O romance focou o regionalismo, principalmente o
representam aspectos da cultura brasileira, entre os quais se
nordestino, onde problemas como a seca, a migração, os
destaca o “jeitinho brasileiro”. Trata-se de:
problemas do trabalhador rural, a miséria, a ignorância foram
ressaltados. Além do regionalismo, destacaram-se também a. O cortiço, de Aluísio Azevedo.
outras temáticas; surgiu o romance urbano e psicológico, o
b. O Ateneu, de Raul Pompéia.
romance poético-metafísico e a narrativa surrealista.
c. Macunaíma, de Mário de Andrade.
d. As características comuns às obras literárias brasileiras
desse período são: a ruptura com a linguagem pomposa d. Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio
parnasiana; a exposição da realidade social brasileira; o de Almeida.
regionalismo; a marginalidade exposta nas personagens e e. Memórias sentimentais de João Miramar, de Oswald de
associação aos fatos políticos, econômicos e sociais. Andrade.

135. UFES 2009 137. ACAFE 2012


Neste ano de 2008, completam-se 100 anos da morte de Segundo Graça Proença em seu livro História da Arte: “Na
Machado de Assis. O seu romance Quincas Borba, última década do século XIX, surgiu um movimento que
publicado em 1892, narra as desventuras de um reuniu as mais diversas tendências: as ideias da
personagem discípulo e herdeiro do louco filósofo Quincas industrialização, do movimento das artes e ofícios, da arte
Borba. Sobre o romance Quincas Borba, é CORRETO oriental, das artes decorativas e das iluminuras medievais.”
afirmar: Sobre essa citação é correto afirmar:
a. É narrado em terceira pessoa e utiliza as relações a. É o Movimento Impressionista.
econômico-sociais do Brasil do século XIX como pano de
fundo para a relação Rubião / Palha. b. É o Movimento da Art Nouveau.

b. É narrado em primeira pessoa, e Quincas Borba, c. É o Movimento Futurista.


apaixonado por Sofia, cria o lema “Aos vencedores as d. É o Movimento Realista.
batatas”.

c. É narrado em terceira pessoa e utiliza a figura de Brás 138. UPE 2012


Cubas como uma metáfora das recentes relações
capitalistas que estavam se firmando no Brasil no século Sobre as obras Dom Casmurro e Memórias Póstumas de
XIX. Brás Cubas, analise as afirmativas a seguir.

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e. I, II e V.

I. Nos dois romances, o processo narrativo das memórias


ficcionais revela uma forma de desconstrução linear, uma GABARITO: 121) c, 122) d, 123) b, 124) a, 125) d, 126) e,
das linhas de produção seguida pelo autor, já que as dúvidas 127) b, 128) b, 129) b, 130) a, 131) b, 132) e, 133) d, 134) d,
lançadas sobre a apresentação do passado e o cunho 135) a, 136) c, 137) b, 138) e,
autobiográfico mostram ambiguidades e impressões próprias
de quem não tem compromisso com a realidade das
histórias.

II. A ausência da linearidade narrativa e o caráter atemporal


das obras machadianas em questão revelam as
idiossincrasias de um autor realista, que iniciou sua
produção literária ainda na época romântica, embora não
tenha sido um grande representante dessa fase, pois suas
obras já anunciavam um distanciamento do sentimentalismo
romântico.

III. Em Memórias Póstumas de Brás Cubas, o narrador,


mesmo morto e enterrado, escreve sua autobiografia,
seguindo uma linha de raciocínio direta e objetiva, como
também o fez Bento Santiago, narrador de Dom Casmurro,
ao relatar as histórias de sua infância, vivenciada na Rua de
Matacavalos, e a sua paixão pelos ‘olhos de ressaca da
cigana oblíqua’, Capitu, seu grande amor.

IV. A visão irônica da vida, a exemplo do que se lê na


dedicatória das Memórias Póstumas, em: “ao verme que
primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver”, e os traços
psicológicos, como a hipocrisia, o interesse por ascensão
social e a ingratidão, são marcas recorrentes do realismo
machadiano, que também se reconhecem em seus
romances românticos.

V. Brás Cubas e Bento Santiago, o primeiro, narrador das


Memórias Póstumas, e o segundo, narrador de Dom
Casmurro, demonstram um domínio na narrativa, que
envolve o leitor a ponto de fazê-lo tomar partido quanto à
traição de Capitu, relatada por Bento, e ao jogo de interesse
e de sedução de Marcela, narrado por Brás Cubas.

Está CORRETO apenas o que se afirma em

a. I, II e III.

b. I, II e IV.

c. II, III e V.

d. I, IV e V.

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121. Espcex (Aman) 2013 conseqüente descrença numa possibilidade de melhora
se transforma em duas atitudes artísticas: a forma irônica e o
Leia a estrofe que se segue:
conteúdo humorístico.
Visões, salmos e cânticos serenos
d. O tema da antecipação ou da premonição, em relatos
Surdinas de órgãos flébeis, soluçantes...
diretos e lineares, compõe a ironia dada ao tratamento com
Dormências de volúpicos venenos
o trágico e, ao mesmo tempo, opera pela negatividade da
Sutis e suaves, mórbidos, radiantes...
cartomante.
Quanto às suas características, pode-se afirmar que, nesses
e. A ambigüidade artística na narrativa de A cartomante
versos, destaca-se
reside na descrição da personagem-título e na ironia do
a. a valorização da forma como expressão do belo e a busca destino que, intransponível, brinca com as criaturas.
pela palavra mais rara – Parnasianismo.

b. a linguagem rebuscada, jogos de palavras e jogos de 123. PUC-PR 2016


imagens, característica do cultismo – corrente do Barroco.
Alfredo Bosi, em sua História concisa da literatura brasileira,
c. a incidência de sons consonantais (aliterações) diz a respeito de Inocência, de Visconde de Taunay:
explorando o caráter melódico da linguagem – Simbolismo.

d. o pessimismo da segunda geração romântica, marcada “Por temperamento e cultura, o Visconde de Taunay tinha
por vocábulos que aludem a uma existência mais depressiva condições para dar ao regionalismo romântico a sua versão
– Romantismo. mais sóbria. Homem de pouca fantasia, muito senso de
observação, formado no hábito de pesar com a inteligência
e. a lírica amorosa marcada pela sensualidade explícita que
as suas relações com a paisagem e o meio (era engenheiro,
substitui as virgens inacessíveis por mulheres reais, lascivas
militar e pintor), Taunay foi capaz de enquadrar a história de
e sedutoras – Naturalismo.
Inocência (1872) em um cenário e em um conjunto de
costumes sertanejos onde tudo é verossímil. Sem que o
122. UNEMAT 2006 cuidado de o ser turve a atmosfera agreste e idílica que até
A narrativa machadiana, ao tomar o quadro nacional por hoje dá um renovado encanto à leitura da obra". (BOSI, Alfredo.
referência, espelha a situação do próprio país que oscila História concisa da literatura brasileira. 2003, p. 144 -145).

entre o retrógrado e o modernamente burguês; assumindo


nessa direção, uma ficção irônica com relação à forma Com base no trecho acima, é possível dizer que:
artística do homem do seu tempo e do seu país. Reflita
sobre tais perspectivas e assinale a alternativa a. Visconde de Taunay, com Inocência, é o introdutor do
INCORRETA em relação aos Contos machadianos. realismo no Brasil.

b. O romantismo de Visconde de Taunay é, de certa forma,


a. A ironia machadiana no conto Almas Agradecidas é uma
um “realismo mitigado”.
disposição de espírito provocada pela reflexão sobre
as contradições da alma humana e do convívio social entre c. Por sua pouca fantasia, Inocência não pode ser
Magalhães e Oliveira. classificada como obra do romantismo.

b. A ironia em Conto de Escola recorre ao período da d. O senso de observação de Visconde de Taunay em


Regência entre a renúncia de D. Pedro I e o golpe Inocência o leva às portas do naturalismo.
conservador que proclamou a maioridade de D. Pedro
e. A fantasia, aliada ao senso de observação, tornam esta
II, aparecendo metaforizado na função do velho e rabugento
obra o melhor representante do regionalismo
professor e seu aluno e filho Raimundo.
ultrarromântico.
c. Em O Caso da Vara, a visão negativista do mundo e do
homem, pela qual tudo é maldade e sofrimento e a
124. UERJ 2015

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Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo c. Os desnarigados de Diogo Meireles continuaram a
princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu prover-se dos mesmos lenços de assoar. O que tudo deixo
nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja relatado para glória do bonzo e benefício do mundo.
começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a
d. A alma de Custódio caiu de bruços. Subira pela escada de
adotar diferente método: a primeira é que eu não
Jacó até o céu, mas em vez de descer como os anjos no
sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor,
sonho bíblico, rolou abaixo e caiu de bruços.
para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o
escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que
também contou a sua morte, não a pôs no introito, mas no 126. FAAP 1997
cabo: diferença radical entre este livro e o Pentateuco.
Eça de Queirós só não escreveu:

a. O Primo Basílio.
Dito isto, expirei às duas horas da tarde de uma sexta-feira b. O Crime do Padre Amaro.
do mês de agosto de 1869, na minha bela chácara de
Catumbi. Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos e c. A Ilustre Casa de Ramires.
prósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos contos e d. A Cidade e as Serras.
fui acompanhado ao cemitério por onze amigos.
e. Euríco, o Presbítero.
Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas.

127. UNIFESP 2011

Pode-se apontar, no texto, a contradição, que repercute na (...) Um poeta dizia que o menino é o pai do homem. Se isto
obra a que ele pertence, entre é verdade, vejamos alguns lineamentos do menino.

a. o discurso ostensivamente racional e as alegações


incompatíveis com a esfera da razão. Desde os cinco anos merecera eu a alcunha de “menino
diabo”; e verdadeiramente não era outra coisa; fui dos mais
b. o tom elevado, solene, e o vocabulário de caráter
malignos do meu tempo, arguto, indiscreto, traquinas e
oral-popular.
voluntarioso. Por exemplo, um dia quebrei a cabeça de uma
c. a evidente filiação do narrador ao Espiritismo e sua escrava, porque me negara uma colher do doce de coco que
referência ao Velho Testamento. estava fazendo, e, não contente com o malefício, deitei um
punhado de cinza ao tacho, e, não satisfeito da travessura,
d. o caráter clássico da erudição do narrador e o romantismo
fui dizer à minha mãe que a escrava é que estragara o doce
de sua demanda de originalidade.
“por pirraça”; e eu tinha apenas seis anos. Prudêncio, um
e. a frieza analítica da argumentação e a intensidade moleque de casa, era o meu cavalo de todos os dias; punha
emocional do conteúdo nela veiculado. as mãos no chão, recebia um cordel nos queixos, à guisa de
freio, eu trepava-lhe ao dorso, com uma varinha na mão,
125. FCMMG 2008 fustiga - va-o, dava mil voltas a um e outro lado, e ele
obedecia, – algumas vezes gemendo – mas obedecia sem
Os excertos dos contos de Machado de Assis fazem dizer pala - vra, ou, quando muito, um – “ai, nhonhô!” – ao
referências aos respectivos títulos, EXCETO: que eu retorquia: “Cala a boca, besta!” – Esconder os
a. A chinela vinha a ser pura metáfora; tratava-se do coração chapéus das visitas, deitar rabos de papel a pessoas graves,
de Cecília, que ele roubara. puxar pelo rabicho das cabeleiras, dar beliscões nos braços
das matronas, e outras muitas façanhas deste jaez, eram
b. A coisa mais árdua do mundo, depois do ofício de mostras de um gênio indócil, mas devo crer que eram
governar, seria dizer a idade exata de D. Benedita. também expressões de um espírito robusto, porque meu pai
tinha-me em grande admiração; e se às vezes me

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repreendia, à vista de gente, fazia-o por simples formalidade: terra, picando-lhe as artérias, para lhe cuspir dentro do
em particular dava-me beijos. sangue uma centelha daquele amor setentrional, uma nota
daquela música feita de gemidos de prazer, uma larva
daquela nuvem de cantáridas que zumbiam em torno da Rita
Não se conclua daqui que eu levasse todo o resto da minha Baiana e espalhavam-se pelo ar numa fosforescência
vida a quebrar a cabeça dos outros nem a esconder-lhes os afrodisíaca.
chapéus; mas opiniático, egoísta e algo contemptor dos
Aluísio Azevedo, O cortiço.
homens, isso fui; se não passei o tempo a esconder-lhes os
chapéus, alguma vez lhes puxei pelo rabicho das cabeleiras.
(Machado de Assis. Memórias póstumas de Brás Cubas.) Em que pese a oposição programática do Naturalismo ao
Romantismo, verifica-se no excerto – e na obra a que
pertence – a presença de uma linha de continuidade entre o
movimento romântico e a corrente naturalista brasileira, a
É correto afirmar que saber, a

a. se trata basicamente de um texto naturalista, fundado no a. exaltação patriótica da mistura de raças.


Determinismo.
b. necessidade de autodefinição nacional.
b. o texto revela um juízo crítico do contexto escravista da
c. aversão ao cientificismo.
época.
d. recusa dos modelos literários estrangeiros.
c. o narrador se apresenta bastante sizudo e amargo, bem
ao gosto machadiano. e. idealização das relações amorosas.

d. o texto apresenta papéis sociais ambíguos das


personagens em foco. 129. FEI 2016

e. os comportamentos desumanos do narrador são Leia os primeiros parágrafos do livro Terra sonâmbula, do
sutilmente desnudados. escritor moçambicano Mia Couto:

“Naquele lugar, a guerra tinha morto a estrada. Pelos


128. FUVEST 2015 caminhos só as hienas se arrastavam, focinhando entre
cinzas e poeiras. A paisagem se mestiçara de tristezas
E Jerônimo via e escutava, sentindo ir-se-lhe toda a alma
nunca vistas, em cores que se pegavam à boca. Eram
pelos olhos enamorados.
cores sujas, tão sujas que tinham perdido toda a leveza,
esquecidas da ousadia de levantar asas pelo azul. Aqui, o
céu se tornara impossível. E os viventes se acostumaram ao
Naquela mulata estava o grande mistério, a síntese das
chão, em resignada aprendizagem da morte.
impressões que ele recebeu chegando aqui: ela era a luz
ardente do meio-dia; ela era o calor vermelho das sestas da A estrada que agora se abre a nossos olhos não se
fazenda; era o aroma quente dos trevos e das baunilhas, entrecruza com outra nenhuma. Está mais deitada que os
que o atordoara nas matas brasileiras; era a palmeira virginal séculos, suportando sozinha toda a distância. Pelas bermas
e esquiva que se não torce a nenhuma outra planta; era o apodrecem carros incendiados, restos de pilhagens. Na
veneno e era o açúcar gostoso; era o sapoti mais doce que o savana em volta, apenas os embondeiros contemplam o
mel e era a castanha do caju, que abre feridas com o seu mundo a desflorir.
azeite de fogo; ela era a cobra verde e traiçoeira, a lagarta
Um velho e um miúdo vão seguindo pela estrada. Andam
viscosa, a muriçoca doida, que esvoaçava havia muito
bambolentos como se caminhar fosse seu único serviço
tempo em torno do corpo dele, assanhando-lhe os desejos,
desde que nasceram. Vão para lá de nenhuma parte, dando
acordando-lhe as fibras embambecidas pela saudade da
o vindo por não ido, à espera do adiante. Fogem da guerra,

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dessa guerra que contaminara toda a sua terra. Vão na com isso, a tese determinista, e naturalista, de que o meio, a
ilusão de, mais além, haver um refúgio tranquilo. Avançam raça e a hereditariedade moldam o indivíduo.
descalços, suas vestes têm a mesma cor do caminho. O
b. o enredo foca uma relação homossexual entre um negro e
velho se chama Tuahir. É magro, parece ter perdido toda a
um branco, que a narrativa pontua, em alguns momentos,
substância. O jovem se chama Muidinga. Caminha à frente
como caso patológico, apresentando um desfecho trágico.
desde que saíra do campo de refugiados. Se nota nele um
leve coxear, uma perna demorando mais que o passo. c. o enredo ilustra e compara reações e desejos de Amaro
Vestígio da doença que, ainda há pouco, o arrastara quase com os dos animais, metaforizando, como exemplo de
até à morte. Quem o recolhera fora o velho Tuahir, quando romance naturalista, a obediência instintiva às “leis
todos outros o haviam abandonado. O menino estava já sem naturais”.
estado, os ranhos lhe saíam não do nariz mas de toda a d. o título e o enredo do romance apresentam, ao mesmo
cabeça. O velho teve que lhe ensinar todos os inícios: andar, tempo, ironia e discriminação por marcar um preconceito e
falar, pensar. Muidinga se meninou outra vez. Esta segunda caracterizar Amaro como violento, baderneiro e criminoso.
infância, porém, fora apressada pelos ditados da
sobrevivência. Quando iniciaram a viagem já ele se e. o tratamento repressivo dispensado aos marinheiros que
acostumava de cantar, dando vaga a distraídas brincriações. quebravam a disciplina imposta pelos comandantes é
No convívio com a solidão, porém, o canto acabou por salientado amplamente, inclusive os castigos corporais.
migrar de si. Os dois caminheiros condiziam com a estrada,
murchos e desesperançados” 131. PUC-RS 2016
(COUTO, M. Terra Sonâmbula. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p.
Leia o excerto abaixo, retirado da obra As vítimas algozes,
09).
de Joaquim Manuel de Macedo.
A linguagem, a estrutura e o conteúdo sugerem que se trata
de um fragmento de um romance
Havia no terreiro cães a velar; mas o homem compra os
a. romântico.
cães como compra homens; a uns, pedaços de carne; aos
b. contemporâneo. outros, mais ou menos moedas de ouro. Simeão comprara
c. barroco. os cães e um negro escravo da cozinha, e entrava todas as
noites na casa de João de Sales. A casa de João de Sales
d. clássico.
estava pois de noite à mercê das intenções e de quaisquer
e. naturalista. projetos de Simeão; mas que casa há aí, onde haja escravos
e sobretudo escravas, cuja segurança não esteja exposta às
consequências do instinto animal e da boa ou má vontade do
130. UFES 2009
elemento escravo? Simeão era, pois, durante duas horas em
O Naturalismo fundamentou-se na ideia, extraída do cada noite mais do que o amante da mucama, o árbitro das
pensamento científico da época, de que o homem é um vidas e da fortuna de João de Sales e de sua família. Ainda
produto do meio, da hereditariedade e do momento. Partindo bem que Simeão, o escravo, ali ia somente como animal que
de tal princípio, procurava fazer da ficção uma forma de o instinto arrasta em procura da sua igual; se fora ladrão ou
estudar e diagnosticar leis que regiam o comportamento de assassino tinha tido abertas a janela da sala e a porta da
pessoas e grupos na esfera social em que atuavam. cozinha.
Bom-Crioulo , romance de Adolfo Caminha, publicado em
Com base no excerto, assinale a única alternativa
1895, coloca em cena questões incômodas para a moral
INCORRETA:
vigente e instituições do Estado. Com base no exposto, é
INCORRETO afirmar, sobre Bom-Crioulo , que a. Apesar de Macedo ser um autor da escola romântica, o
excerto apresenta algumas marcas do realismo: tipificação
a. o personagem Aleixo, que dá título ao romance, escravo
social, sentido de observação e de experiência.
fugitivo, tornou-se um marinheiro violento, justificando-se,

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b. Percebe-se que Simeão tem total consciência do seu desfecho de Casa de pensão, de Aluísio Azevedo, mostra,
poder sobre a casa de João de Sales. na obra, um apaixonamento perante fatalidades da condição
humana, o ambiente social e os males sociais. Esse
c. No trecho, o narrador apresenta uma crítica negativa ao
apaixonamento, que domina toda a narrativa, é uma
homem, capaz de subornar para atingir seus objetivos.
evidência das características românticas da obra.
d. Ao comparar homem e cão, o narrador iguala o ser
b. A viagem das chuvas e outros contos, tal como a obra de
racional e o irracional, reduzindo-os a elementos facilmente
Lima Barreto e a de Aluísio Azevedo, mostra o homem
corrompíveis.
corrompido pelo meio social em que vive. O realce que se dá
e. A comparação entre animal e escravo permite-nos ao espaço, nos contos de Jesus de Aquino Jaime, comprova
analisar o contexto social daquela época. essa afirmação.

c. Assim como Lima Barreto denuncia, em seus contos, a


132. UNEMAT 2006 miséria social do homem da cidade, Guimarães Rosa
denuncia, em Manuelzão e Miguilim, a miséria física, moral e
“Homem de pouca fantasia, muito senso de observação,
social do homem do sertão.
formado no hábito de pesar com a inteligência as suas
relações com a paisagem e o meio (era engenheiro, militar e d. A obra de Lima Barreto apresenta uma crítica à
pintor), Taunay foi capaz de enquadrar a história de sociedade brasileira. Em “A nova Califórnia” e “O homem
Inocência (1872) em um cenário e em um conjunto de que sabia javanês”, as personagens, oscilando entre o que
costumes sertanejos onde tudo é verossímil” são e o que aparentam ser, são impulsionadas pela ambição
e pelo desejo de vencer a qualquer preço.
(BOSI, 1998, p.160).
e. O tom jornalístico da prosa de Carlos Heitor Cony, em
Pessach: a travessia, e a objetividade da prosa naturalista
Essa verossimilhança se dá por que: de Aluísio Azevedo, em Casa de pensão, são percebidos no
ponto de vista dos narradores que aparecem na 3ª pessoa,
a. os diálogos são forçados a se enquadrarem no universo
em ambas as obras.
sertanejo idealizado.

b. a narrativa funciona como recurso didático para


134. ACAFE 2014
compreensão da natureza matogrossense.
Considerando o contexto histórico descrito no texto a seguir,
c. o interesse do escritor está voltado para o requinte do
assinale a alternativa correta quanto à produção literária no
tema.
Brasil.
d. a prosa narrativa tem o cuidado de retratar um cenário
inventado.

e. as imagens interpretam a natureza como elemento da “Na Europa, a segunda Revolução Industrial promovera
cultura e emblema da nação. modificações profundas. Inovações tecnológicas
desenvolveram a produção em massa de bens diversos. As
cidades cresceram muito (em detrimento do campo), e
133. UEG 2003 formou-se um proletariado que logo começou a organizar-se
Analise as afirmações acerca das obras indicadas para o politicamente. E, dentro desse contexto, as artes mudaram:
vestibular 2003/2 da UEG e assinale a alternativa a belle époque assiste a uma sucessão de movimentos
CORRETA: artísticos revolucionários.”

a. “Tinha visto seu filho, representado na mesa do (LAFETÁ, 1982, p. 99)

necrotério, com o tronco, o corpo em sangue. E por debaixo,


em letras garrafais: ‘Amâncio de Vasconcelos, assassinado
por João Coqueiro no Hotel Paris, em tanto de tal’.” Esse

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a. Na literatura rompeu-se com a tradição clássica, imposta d. É narrado em primeira pessoa, e o enredo apresenta a
pelo período árcade, e apresentaram-se novas concepções ascensão de Palha, às custas de Rubião, apaixonado por
literárias, dentre as quais podem ser apontadas: a Sofia, que mantém a conveniência do triângulo amoroso.
observação das condições do estado de alma, das emoções,
e. É narrado em terceira pessoa, e Rubião, criador da
da liberdade, desabafos sentimentais, valorização do índio, a
filosofia do Humanitismo e apaixonado por Sofia, enlouquece
manifestação do poder de Deus através da natureza
e morre na indigência.
acolhedora ao homem, a temática voltada para o amor, para
a saudade, o subjetivismo.
136. ITA 2013
b. Os escritores brasileiros abordaram a realidade social do
país, destacando a vida nos cortiços, o preconceito, a As personagens desta obra, que anunciam um movimento
diferenciação social, entre outros temas. O homem é literário posterior, são quase caricaturas de tipos do estrato
encarado como produto biológico passando a agir de acordo socioeconômico médio da sociedade da época – o mestre de
com seus instintos, chegando a ser comparado com os rezas, a cigana, o barbeiro, dentre outras. Elas agem
animais (zoomorfização). conforme as necessidades de sobrevivência, sem
moralismos ou escrúpulos. As personagens, de certa forma,
c. O romance focou o regionalismo, principalmente o
representam aspectos da cultura brasileira, entre os quais se
nordestino, onde problemas como a seca, a migração, os
destaca o “jeitinho brasileiro”. Trata-se de:
problemas do trabalhador rural, a miséria, a ignorância foram
ressaltados. Além do regionalismo, destacaram-se também a. O cortiço, de Aluísio Azevedo.
outras temáticas; surgiu o romance urbano e psicológico, o
b. O Ateneu, de Raul Pompéia.
romance poético-metafísico e a narrativa surrealista.
c. Macunaíma, de Mário de Andrade.
d. As características comuns às obras literárias brasileiras
desse período são: a ruptura com a linguagem pomposa d. Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio
parnasiana; a exposição da realidade social brasileira; o de Almeida.
regionalismo; a marginalidade exposta nas personagens e e. Memórias sentimentais de João Miramar, de Oswald de
associação aos fatos políticos, econômicos e sociais. Andrade.

135. UFES 2009 137. ACAFE 2012


Neste ano de 2008, completam-se 100 anos da morte de Segundo Graça Proença em seu livro História da Arte: “Na
Machado de Assis. O seu romance Quincas Borba, última década do século XIX, surgiu um movimento que
publicado em 1892, narra as desventuras de um reuniu as mais diversas tendências: as ideias da
personagem discípulo e herdeiro do louco filósofo Quincas industrialização, do movimento das artes e ofícios, da arte
Borba. Sobre o romance Quincas Borba, é CORRETO oriental, das artes decorativas e das iluminuras medievais.”
afirmar: Sobre essa citação é correto afirmar:
a. É narrado em terceira pessoa e utiliza as relações a. É o Movimento Impressionista.
econômico-sociais do Brasil do século XIX como pano de
fundo para a relação Rubião / Palha. b. É o Movimento da Art Nouveau.

b. É narrado em primeira pessoa, e Quincas Borba, c. É o Movimento Futurista.


apaixonado por Sofia, cria o lema “Aos vencedores as d. É o Movimento Realista.
batatas”.

c. É narrado em terceira pessoa e utiliza a figura de Brás 138. UPE 2012


Cubas como uma metáfora das recentes relações
capitalistas que estavam se firmando no Brasil no século Sobre as obras Dom Casmurro e Memórias Póstumas de
XIX. Brás Cubas, analise as afirmativas a seguir.

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e. I, II e V.

I. Nos dois romances, o processo narrativo das memórias


ficcionais revela uma forma de desconstrução linear, uma GABARITO: 121) c, 122) d, 123) b, 124) a, 125) d, 126) e,
das linhas de produção seguida pelo autor, já que as dúvidas 127) b, 128) b, 129) b, 130) a, 131) b, 132) e, 133) d, 134) d,
lançadas sobre a apresentação do passado e o cunho 135) a, 136) c, 137) b, 138) e,
autobiográfico mostram ambiguidades e impressões próprias
de quem não tem compromisso com a realidade das
histórias.

II. A ausência da linearidade narrativa e o caráter atemporal


das obras machadianas em questão revelam as
idiossincrasias de um autor realista, que iniciou sua
produção literária ainda na época romântica, embora não
tenha sido um grande representante dessa fase, pois suas
obras já anunciavam um distanciamento do sentimentalismo
romântico.

III. Em Memórias Póstumas de Brás Cubas, o narrador,


mesmo morto e enterrado, escreve sua autobiografia,
seguindo uma linha de raciocínio direta e objetiva, como
também o fez Bento Santiago, narrador de Dom Casmurro,
ao relatar as histórias de sua infância, vivenciada na Rua de
Matacavalos, e a sua paixão pelos ‘olhos de ressaca da
cigana oblíqua’, Capitu, seu grande amor.

IV. A visão irônica da vida, a exemplo do que se lê na


dedicatória das Memórias Póstumas, em: “ao verme que
primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver”, e os traços
psicológicos, como a hipocrisia, o interesse por ascensão
social e a ingratidão, são marcas recorrentes do realismo
machadiano, que também se reconhecem em seus
romances românticos.

V. Brás Cubas e Bento Santiago, o primeiro, narrador das


Memórias Póstumas, e o segundo, narrador de Dom
Casmurro, demonstram um domínio na narrativa, que
envolve o leitor a ponto de fazê-lo tomar partido quanto à
traição de Capitu, relatada por Bento, e ao jogo de interesse
e de sedução de Marcela, narrado por Brás Cubas.

Está CORRETO apenas o que se afirma em

a. I, II e III.

b. I, II e IV.

c. II, III e V.

d. I, IV e V.

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