EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO DIREITO DO TRABALHO

Autor: Fábio Ferraz

INTRODUÇÃO

O objetivo deste trabalho é aprofundar o estudo da história do trabalho desde os tempos primitivos até a Revolução Industrial, para entender a necessidade e a importância do Direito do Trabalho, que é historicamente recente. Analisaremos a evolução do trabalhador patriarcal, escravo, servil, até o trabalhador "livre", da Revolução Industrial, explorado historicamente de formas diferenciadas.

A pesquisa examina o desenvolvimento do trabalho no decorrer do tempo, pois só assim é possível compreender o valor do Direito do Trabalho, sua dinâmica e sua relevância para as relações trabalhistas. Com o estudo histórico se possibilita um melhor entendimento dos problemas atuais. Como a firma Sérgio Pinto Morais, "é impossível ter o exato conhecimento de um instituto jurídico sem se proceder a seu exame histórico, pois se verifica suas origens, sua evolução, os aspectos políticos ou econômicos que o influenciaram".

DESENVOLVIMENTO

1. SOBRE A ETIMOLOGIA DO TRABALHO

A questão sobre a etimologia da palavra trabalho gera ainda controvérsias, é assunto que causa discussões.

À raiz indo-européia werg atribui-se µidéia de trabalho ou ação produtiva¶ e representa-se no grego érgon, inglês work, µobra¶ e µtrabalhar¶. Tudo leva a crer que não exista uma raiz indo -européia comum e que cada um dos troncos ou ramos ou língua indo-europeus desenvolveu, já isoladamente, já em pares, o conceito. Este se associa ora a uma noção de µação¶, ora à de produ to¶, ora à de µsofrimento, padecimento¶, ora à de µpeso, carga¶.

O latino labor significa labor, fadiga, afã, trabalho, obra e também cuidado, empenho, sofrimento, dor, mal, doença, enfermidade, desventura, desgraça, infelicidade.

Tilgher afirma que os gregos conceberam o trabalho como um castigo e como uma dor (o termo grego pónos significa trabalho, tem a mesma raiz da

palavra latina poena). Lucien Fébvre acredita que veio do sentido de tortura (tripaliare). Para Robertis, a antigüidade não possui uma p alavra que seja equivalente à nossa trabalho, na qual se destacam a fadiga e pena, e também força e altivez.

Mas hoje predomina o entendimento de que provém do neutro latino palum, através do adjetivo tripalis (composto de três paus) de que se deduziu tri palium, designativo de instrumento feito de três paus aguçados, algumas vezes até munidos de pontas de ferro, no qual os agricultores batiam as espigas de trigo ou de milho e também o linho, para debulhar as espigas, rasgar ou esfiar o linho. Era também uma canga que pesava sobre os animais ou um instrumento de tortura, constituído de cavalete de pau, também usado para sujeitar os cavalos no ato de lhes aplicar a ferradura. Mais tarde, ganhou o sentido moral de sofrimento, fadiga, encargo, e depois adquire o sentido de trabalhar, labutar.

2. CONCEITO GERAL DE TRABALHO. CONCEITO ECONÔMICO, FILOSÓFICO E JURÍDICO

2.1 CONCEITO GERAL DE TRABALHO

Num conceito genérico, é "o objetivamente correlativo do impulso, isto é, a aplicação da força impulsiva a qualquer produção ou realização de um fim

porém purificante e libertador. Na visão Evangélica. o trabalho é um castigo. o que. pela razão de o colocar como administrador do universo. O trabalho humano foi sempre visto através de dois conceitos distintos. não acontece. progresso e realiza ção pessoal. na verdade. fator de cultura. da qual esta recebe a própria dignidade específica". e também o conceito de paz social. em sentido amplo. como toda atividade humana que transforma a naturez a a partir de certa matéria dada. explorando e transformando. sendo uma forma de punição aos seus erros e desobediências. de bem-estar coletivo e dominação racional do universo". antes do pecado. um castigo imposto ao homem decaído. a terra e suas riquezas. Tem-se também. o trabalho era alegre e sem fadigas. A outra visão acerca do trabalho entende este como sendo uma penalidade. um ser privilegiado em relação aos demais seres. o trabalho é concebido como "fonte de libertação. pela qual é construída a cada dia a vida do homem. sensatez e liberdade. visto q ue apenas ele pode realizar trabalho com discernimento.humano" (Paul Natorp). a partir da . A primeira vista. A diferença é que. O trabalho dá dignidade ao ser humano. e. O Papa João Paulo II refere -se ao trabalho como "dimensão fundamental da existência humana. através de um esforço consciente. Essa visão não se contradiz à primeira. Na primeira visão. parece que há antagonismo entre os dois conceitos.

quando o homem precisou trabalhar para se satisfazer. como satisfação das necessidades do homem para manter-se e sobreviver. ficando este obrigado a conquistar a natureza.desobediência de Adão e de Eva. tirando dela a matéria-prima de seus produtos manufaturados. torna -se penoso. Este conceito está ligado à idéia de utilidade. 2.2 CONCEITO ECONÔMICO Era indispensável para o homem a satisfação de suas necessidades materiais. conceituado economicamente. "toda energia humana empregada tendo em vista um escopo produtivo". . de acordo com Francesco Nitti. O útil em economia possui o caráter de meio físico para o objetivo final que é satisfazer as necessidades do homem. "é toda energia humana que. O trabalho. em consórcio com os demais fatores de produção ± natureza e capital ± . é empregado com finalidade lucrativa". Ou. para serem transformados em mercadoria (produto) e entrarem em circulação na sociedade.

2. É todo empenho de energia humana voltado para acudir a realização de um fim de interesse do homem".As atividades humanas não consistem apenas em trabalhos manufatureiros. 2. tendo um conc eito muitas vezes impreciso. A atividade do homem é muito ampla. secundário (atividade manufatureira ou industrial) e terciário (serviços de qualquer espécie). mas também material.4 CONCEITO JURÍDICO . técnico ou intelectual. Nesse sentido. rica em manifestações e singularidades. o trabalho pode ser entendido como castigo e também como privilégio. o "trabalho é toda atividade realizada em proveito do homem. no setor primário (rural). Assim. instrumento de transformação útil das riquezas ou ainda como fator de redenção humana.3 CONCEITO FILOSÓFICO O sentido filosófico é às vezes equívoco e ambíguo. em sentido filosófico.

O Direito do Trabalho pode ser definido sob três critérios: objetivista. apesar de não serem errôneos. deve ser valorável e socialmente proveitoso. Não precisa ser necessariamente produtivo. em troca de uma retribuição. essa atividade é destinada à criação de um bem materialmente avaliável. o trabalho precisa ter um conteúdo lícito. ou se obriga a prestar. compreende-se como Direito do Trabalho o conjunto de princípi os e de normas que regulam as relações jurídicas oriundas da prestação de serviço . misto. subjetivista. que considera os sujeitos dessa relação. O conceito jurídico de trabalho supõe que este se apresente como objeto de uma prestação devida ou realizada por um sujeito em favor de outro. dependente. é realizada com intuito de ganho". Por serem os dois primeiros incompletos e insuficientes. Isso ocorre quando uma atividade humana é desenvolvida por uma pessoa física.Para o Direito. Temos assim que trabalho "é toda atividade humana lícita que. que combina os primeiros critérios. isto é. pela própria força de trabalho em favor de outro sujeito. que leva em conta o seu objetivo. sob dependência de outrem. a relação de trabalho. aquele em que alguém coloca suas energias em favor de outra pessoa. trabalhando sob as ordens dela. quando surgir de relação por meio da qual um sujeito presta. O Direito do Trabalho apenas se ocupa do trabalho subordinado.

O receio da vingança dos deuses. pelo desrespeito aos seus ditames. as práticas primárias de controle são transmitidas oralmente. é natural que se considere que a base geradora do jurídico encontra -se primeiramente nos laços de consangüinidade. assim. nas práticas de convívio familiar de um mesmo grupo social.subordinado e outros aspectos deste último. devido ao amplo quadro de hipóteses possíveis e proposições explicativas distintas. fazia com que o direito fosse respeitado religiosamente. Nasceu espontânea e inteiramente nos antigos princípios que constituíram a família. egípcios Há grande dificuldade de se impor uma causa primeira e única para explicar as origens do direito arcaico. derivando das crenças religiosas universalmente aceitas na idade primitiva desses povos e exercendo domínio sobre as inteligências e sobre as vontades. A sociedade pré-histórica fundamenta-se no princípio do parentesco. 3. como conseqüência da situação econômico-social das pessoas que o exercem. O trabalho na Antigüidade remota: fases arqueológica s. . marcadas por revelações sagradas e divinas. unido por crenças e tradições. num tempo em que inexistiam le gislações escritas. Posteriormente.

Posteriormente. sem o intento de acúmulo. Desenvolvia o seu trabalho de forma primitiva. ferramentas de produção. Quando começou a sentir a necessidade de se defender dos animais e de outros homens. portanto. houve u ma organização social e certa divisão de trabalho. Já era possível obter . cria novos instrumentos de trabalho. Mais tarde aperfeiçoa as armas de caça e pesca. com instrumentos de trabalho rudimentares. contra os animais e contra os seus semelhantes. iniciou-se na fabricação de armas e instrumentos de defesa. fica acima dos outros animais. Era.1 FASES ARQUEOLÓGICAS O homem sempre trabalhou para obter seus alimentos. objetivando apenas a satisfação de suas necessidades imediatas para sobreviver. a partir de um instrumento novo. pesca e luta contra o meio físico. No momento em que o homem desenvolve os utensílios.3. uma economia apropriativa. o homem descobre formas de polir seus instrumentos de trabalho e luta. Dessa forma. Ele caça.

. uma questão de sobrevivên cia. Domestica. Passa o homem a domesticar animais. outros animais.abastecimento para dias. Este se torna chefe e uma espécie de líder militar nos períodos de guerra. Assim. A população se dispersava em pequenos agrupamentos. o homem e sua família trabalhavam para o seu próprio sustento. Até então. torna -se sedentário. inclusive com hierarquização. com organização de comunidades. então. que era nômade. No período paleolítico. e a cooperação era essencial. Dessa forma. agregando aos seus hábitos o pastoreio e a prática da agricultura. Não havia divisão de trabalho. que fixou a vida humana. Surge então o chefe. criando. O homem não mais se contentava em colher os frutos espontâneos da natureza. enquanto as mulheres colhiam os frutos (espontâneos) da natureza. restava tempo para o lazer. assim. principalmente por causa da agricultura. na figura do patriarca. O homem. foi organizada uma divisão de trabalho por sexo: os homens dedicavam -se ao trabalho de maior risco. sua primeira atividade industrial. Trabalhavam conjuntamente. visto que o homem não dominava tecnicamente a natureza. e passou a controlar as leis naturais. Há maior densidade do grupo social. passa a lascar pedras para fabricar lanças e machados. O trabalho consistia em uma simples cooperação.

Os primeiros textos em hieróglifos surgem no período entre 3.000 a.2 O TRABALHO ENTRE OS EGÍPCIOS Há indícios da existência da vida humana no Egito já na Era Neolítica.C.890 a . em 5. havendo a complexidade na elaboração dos produtos econômicos. No Egito.C. O Egito é banhado pelo rio Nilo (as civilizações egípcias se formaram em torno do rio . Conclui-se. Inventou-se a roda. 3. surge para o homem a Era dos Metais e a economia transformativa. As relações se tornam mais complexas. A fusão de metais já não era mais segredo. a fase arqueológica. assim. visto que dispunha de condições geográficas vantajosas. surgindo a necessidade de regras e leis de regulamentação.C.100 e 2. o que resultou na formação das cidades entre 3. A humanidade agora caminha rumo à civilização. fazendo surgir as primeiras civilizações. O povo egípcio da antigüidade era predominantemente dedicado à agricultura.100 a 3.500 a. concomitante à unificação dos povos do Sul e Norte (Baixo e Alto Egito). a urbanização se dá de forma gradual.Finalmente.

. o chamado escambo. ametista. cobre. tornando -o propício à agricultura. também controlados pelo Estado. essencial para o transporte de mercadorias e sofisticação do comércio. que proporcionava a fertil idade do solo. servos da gleba e trabalhadores livres. Ao Estado cumpria a direção e a regulamentação do trabalho rural do país. Foram realizadas grandes obras de irrigação e construídos açudes e diques. marfim e granito para a construção). à prestação de serviços em obras públicas. O Egito era rico em vários materiais (ouro. bem como à navegação fluvial. O comércio era feito à base de trocas.Nilo). bem como um maior desenvolvimento político e econômico. que era feito por escravos. todos obrigados. Os períodos de cheia e recuo d as águas do Nilo são previsíveis e estáveis. Todos esses fatores contribuem para um crescimento mais acelerado da população. quando necessário. Foram realizadas também atividades de importância. A manufatura constituía também um ramo econômico de grande importância. A madeira era importada do Líbano. sem a utilização de moedas. como a fabric ação de tecidos e a construção de navios. sílex.

1 ROMA: A ESCRAVIDÃO A estratificação social é composta por homens livres e escravos. OS PENSADORES GREGOS. O DIREITO HEBREU. A prática escravagista surgiu das guerras. onde os ofícios eram passados de pai para filho. os adversários feridos eram mortos. O TRABALHO NA ANTIGÜIDADE CLÁSSICA. ROMA: A ESCRAVIDÃO. a criação e o comércio do "gado .É aceita a idéia de ter havido também grupos profissionais de artesãos. ao invés de matá los. Nas lutas contra grupos ou tribos rivais. OS COLÉGIOS ROMANOS. no Alto Império. percebeu-se que era mais útil escravizar o derrotado na guerra. aproveitando os seus serviços. MESOPOTÂMIA: O CÓDIGO DE HAMMURABI. 4. A escravidão fo i um fenômeno universal no mundo antigo. a reposição de escravos era confiada principalmente às regras expansionistas. A "LOCATIO CONDUCTIO". O trabalho escravo predominava. Na Roma republicana. 4. Posteriormente.

Isso gerou vários preconceitos sobre o trabalho humano. e 150 d. fadiga. portanto. . A vida de um escravo. do momento da escravização até a morte.. os escravos nos territórios romanos chegaram a dez milhões numa população total de 50 milhões. os escravos chegaram a dois milhões numa população total de seis milhões.. existia também o trabalho livre. Aristóteles afirmava que "a arte de adquirir escravos. durava cerca de dez an os. O trabalho manual ± exaustivo ± era exclusivo dos escravos. nas minas. considerado atividade subalterna. No período imperial. nas oficinas. nas tarefas domésticas. na amamentação. Ao lado do trabalho escravo. é como uma forma da arte da guerra ou da caça".C. servidos e mantidos pelo trabalho dos escravos: no cultivo da terra. desonrosa para os homens válidos e livres. penalidade.humano" predominaram com a captura de prisioneiros em batalha. Calcula-se que na Itália do final do século I a. entr e 50 a. nos favores sexuais. Era tratado como carga.C. Da infância até a morte os romanos livres eram rodeados.. nas práticas públicas.C.

é preciso levar em conta não só a relação entre oferta e procura de escravos. Era um trabalho realizado por conta alheia. não era instituição de direito natural. alguns pensadores gregos ensinaram que a noção de escravo não era ser servo por natureza. e não pessoal. portanto. mas. Quanto às causas da libertação da escravidão. O senhor percebera que o trabalho livre é mais . pelo progresso tecnológico e pela exigência de trabalhadores cada vez mais motivados. A relação de trabalho era estabelecida entre o dominus (sujeito titular de direitos) e a res (coisa).No direito romano predominava a economia rural fundada latifúndios. vieram a se tornar livres. visto que a titularidade dos seus resultados pertencia ao amo. e sem acesso aos bens que ele produzia. muito menos trabalhista. Era exigido do escravo um trabalho produtivo. sobretudo. da qual ele podia usar e abusar e sobre a qual o senhor exercia o direito de vida e morte. considerado um sujeito de direito. Muitos escravos. Não passava de uma mercadoria. Mais tarde. entre o custo dos escravos e o custo de outros tipos de trabalhadores. sem nenhum direito. Não era. e sim por convenção dos homens. além do papel exercido pelo cristianismo. Era uma relação de direito real. posteriormente. O escravo era uma coisa do proprietário.

desse modo. no final das contas. obrigados. os rendeiros podiam ser substituídos de um dia para o outro sem danos relevantes para o senhor. mais produtivos e menos perigosos. a se sustentar. como as rebeliões e a formação de maltas de escravos transformados em delinqüentes. Adam Smith constatou que "o trabalho executado por homens livres. compreende-se como os proprietários chegaram a preferir a libertação dos escravos e a sua transformação em servos da gleba. Também crescia a tendência de os escravos fugirem ou se rebelarem. mas não tinham outro direito senão o de trabalhar nos seus ofícios habituais ou alugando -se a terceiros. Se os escravos constituíam para o proprietário prejuízo certo quando adoeciam. ficaria cada vez mais difícil manter sob controle as grandes massas de "gado humano": as fugas tornaram-se freqüentes e ameaçadoras. envelheci am ou morriam. se juntarmos aos custos da vigilância os da manutenção. a serem com efeito mais fiéis. os trabalhadores rendiam mais quando eram melhor tratados. a pagar a corvéia. . chefiadas pelos colonos. Os escravos ganhavam a liberdade. Foram os primeiros trabalhadores assalariados. Com a passagem do baixo Império à Idade Média e com o enfraquecimento da autoridade central.produtivo do que o trabalho escravo. assim como crescia a tendência de os patrões exercerem uma seleção e controle severíssimos. Dessa forma. O custo para manter os e scravos nos latifúndios tornou-se cada vez mais elevado que o custo da subdivisão dos latifúndios em pequenas propriedades. é mais barato do que o executado por escravos". mas com a vantagem de ganhar o salário.

Mesmo nos tempos medievais a escravidão também existiu e os senhores feudais faziam grande número de prisioneiros. desconfiou delas. o Império. especialmente entre os bárbaros e infiéis. no seu começo.2 Os colégios romanos Eram associações corporativas. Os progressos de certas idéias filantrópicas explicam essa mudança de atitude. quando o Império foi ao ponto de permitir sua livre formação e reunião. principalmente com o descobrimento da América. por tornarem às vezes o aspecto de pequenos clube s e por participarem nas perturbações políticas. a escravidão continuou. submetendo a criação à autorização prévia e impondo à sua atividade limites que a polícia se encarregava de manter. com cotizações regulares. Mas. Até mesmo na Idade Moderna. Os colonizadores espanhóis escravizavam os indígenas e os portugueses também faziam viagens pela costa africana. para celebrar um culto e assegurar funerais decentes. 4. Agrupavam pessoas humildes. Seus objetivos principais eram de ordem religiosa e funerária. reconhecendo sua existência financeira e jurídica. Só se demonstrou maior benevolência no decorrer do século II. mas as . conquistando escravos para trazer para o Novo Continente.

estabelecia a organização do trabalho do homem livre.necessidades econômicas intervin ham também. os colégios se haviam organizado desde o princípio do Império. Assim. 4. Operarum. Mais tarde surgem para organizar a produção romana. escritórios e festas. Tinha por objetivo regular a atividade de quem se comprometia a locar suas energias ou resultado de trabalho em troca de pagamento. Com seus "patronos" honorários. pois começava-se a esperar das corporações a prestação de serviços ou a execução de encomendas. tendo esses passado a ter o trabalho regulamentado. Operis" A locatio conductio é o contrato de arrendamento ou locação de empreitada. Davam assistência a seus membros. Havia três diferentes operações: a locatio rei. foram criados grupos de artesãos que se reuniam para exercer a mesma função. . a locatio operarum e a locatio operis faciendi.3 "Locatio Conductio: Rei. Assim. desempenharam grande papel na formação e na renovação das burguesias municipais. que era rudimentar. Nas províncias ocidentais.

de homens livres. Os serviços eram locados mediante pagamento. É apontada como precedente da relação de emprego moderna. determinado. pela qual o locator se comprometia a prestar determinados serviços durante certo tempo mediante remuneração. O objeto podia ser qualquer coisa corpórea. mediante recebimento de aluguel.A locatio rei era o aluguel (arre ndamento) de coisas. objeto do direito do trabalho.4 Direito Hebreu . Tinham por objeto os serviços manuais não especializados. A locatio operarum (locação de serviços) é a prestação de serviços. ajustada entre conductor e locator. 4. mediante pagamento. sobre promessa de retribuição. A locatio operis faciendi (locação de obra ou empreitada) era a execução de uma obra. Corresponde ao contrato de prestação de serviços. o desfrute ou uso dessa coisa. contrato pelo qual o locator se obrigava a proporcionar ao conductor. na qual o conductor se comprometia a trabalhar sobre uma coisa que lhe confiava o locator. O aluguel devia ser certo. Era a empreitada. O locator entregava ao conductor uma ou mais coisas para que servissem de objeto do trabalho que este comprometeu a realizar para aquel e. não consumível.

a prática da escravidão foi menos dura. pelos hebreus espe rado. se estabelecerá pela graça de Deus. proclama o sentido alimentar do trabalho e também condena a preguiça. 4. mas com o trabalho que cria o espírito da disciplina. colocando como um santo o homem que constrói sua casa. é preciso. A religião se derivou do cristianismo e exerceu enorme influência nos países ocidentais. Se o reino terreno. O reino não é só dádiva. Os hebreus prezavam e valorizavam o trabalho. graças à atuação da lei mosaica e talvez também por já terem sido escravos no Egito.5 Mesopotâmia ± Código de Hammurabi . Proíbe.O Direito hebraico é religioso. que lavra a terra. Todos os homens são iguais perante o Criador. e a religião é monoteísta. entretanto. Exalta o trabalho como arena de virtudes e fator de preservação do ócio. que planta o trigo. São reconhecidos direitos iguais aos homens. ainda. Entre os hebreus. Proíbem-se os maus-tratos aos escravos e assalariados. Foi com a civilização hebréia que o trabalho adquiriu um elevado sentido. que o trabalho seja utilizado como fator de opressão . mas também conquista. prepará -lo não só com a prece.

dotado de princípios gerais.C. As primeiras inscrições cuneiformes aparecem em 3. essa expressão não deve ser entendida no seu sentido moderno (como um documento sistematizado.000 a. os homens livres e os escravos. É o Código de Ur -Nammu. na região da Suméria. apresentava problemas quanto à dificuldade de drenagem e de contenção do avanço da vegetação desértica.C. categorias.C.100 e 2. Em regra.140 e 2. bem como . As cidades já existem entre 3. conceitos e institutos).C. O solo era propício à agricultura e à navegação fluvial... havia carência de minerais (com exceção do cobre) e o solo. A civilização se formou em torno dos rios Tigre e Eufrates. Quando se fala da existência de "códigos" na antiga Mesopotâmia. O primeiro desses "códigos" da antiga Mesopotâmia surge no período entre 2. A estrutura da sociedade transmitida pelo texto do código demonstra que existem duas grandes classes de pessoas.900 a. As cidades mesopotâ micas dependiam do comércio. apesar de bastante fértil.004 a.Tudo indica que há existência de vida humana na Mesopotâmia desde o ano de 7.100 a.

enquanto reconstruía suas cidades e ornamentava seus templos. na Suméria. um exímio administrador. incrementando a agricultura e o comércio. Uma de suas primeiras preocupações foi a implantaçã o do direito e da ordem no país. foi o seu . de funcionários que servem os palácios reais e os templos e que possuem uma liberdade limitada. permitiu o culto da religião local. Implantou a noção de direito e ordenou o território sob o seu poder.694 a. Hammurabi governou na Babilônia entre 1792 e 1750 a. Ele foi. Hammurabi não foi apenas um grande conquistador. Como administrador. construiu e manteve canais de irrigação e navegação. foi encontrado o Código de Lipit-Ishtar. aproximadamente em 1.880 -1.C. O Código de Hammurabi foi descoberto na Pérsia. Aos povos conquistados. O documento legal é gravado em pedra negra. retificou o leito do rio Eufrates. no período do apogeu do império babilônico.uma camada intermediária. um rei poderoso e criador do Império Babilônico. na Acádia.. Na cidade de Esnunna. um estrategista excelente. foi descoberto um código editado por volta de 1. Na cidade de Isin.870 a.C. antes de tudo. em 1901. redigido possivelmente em 1. É autor de 282 sentenças que foram reunidas e publicadas em estelas que constituíram o seu Código.930 a. Uma das características que marcaram a personalidade de Hammurabi e fizeram dele uma das maiores figuras de monarca do Oriente Antigo.C.C. Foi promulgado.

por intermédio do rei Hammurabi. eram obrigados à escravidão (§ 117: "Se uma dívida pesa sobre um awilum ± homem livre ± e ele vendeu sua esposa.sentido de justiça. O seu Código seconstitui num extenso prólogo. e a última camada da população babilônica era formada por escravos (equiparados a um bem móvel). A organização da sociedade segue os padrões já estabelecidos no Código de Ur-Nammu. no quarto ano será concedida a sua libert ação"). O legislador quer determinar o tempo máximo de serviço pela dívida. houve preocupação com o direito dos escravos. em seu Código. uma camada de homens dotados de personalidade jurídica. Assim. mas com responsabilidade limitada. Fixou. § 175: "Se um escravo do palácio ou um escravo de um muskênum tomou por esposa a filha de awilum e ela lhe gerou filhos o dono do escravo não poderá reivindicar para a escravidão os filhos da filha de um awilum"). O palácio (muskênum) não tem direito nenhum sobre eles. de quem geralmente a sorte dependia do sentimento humanitário de seus senhores. há um estrato de homens livres. durante três anos trabalharão na casa de seu comprador ou daquele que os tem em sujeição. Os filhos do matrimônio serão livres. O Código também disciplina . seu filho ou sua filha ou (os) entregou em serviço pela dívida. a que um membro da família de awilum pode ser submetido. em razão de dívidas. no qual fica explicitado o conjunto de leis oferecido ao povo da Babilônia pelo deus Samas. por exemplo. e não por decisão deste. Devido à reforma de Hammurabi. limite máximo de tempo de serviço para aqueles que.

. ele deverá restituir um escravo como o escravo". a esposa tomará consigo o seu dote. barbeiros. (§ 176: (.. dividirão em duas partes. pedreiros e barqueiros. § 219: "Se um médico fez uma operação difícil com um escapelo de bronze no escravo de um muskênum e causou-lhe a morte. Hammurabi também regulou a aprendizagem profissional (§ 188: "Se um artesão tomou um filho. e lhe ensinou o seu ofício. o dono do escravo tomará uma metade. ele não poderá ser reclamado". esse filho de criação poderá voltar para a casa de seu pai". mas tudo o que seu esposo e ela adquiriram depois que se uniram. a filh a do awilum tomará a outra metade para seus filhos"). § 189: "Se ele não lhe ensi nou o seu ofício. médicos.).. como seus honorários. § 224: "Se um médico de um boi ou de jumento fez uma operação difícil em um boi ou em um jumento e curou -o. os direitos e obrigações de classes especiais de trabalhadores. como filho de criação. veterinários.como proceder à divisão da herança no matrim ônio de um escravo com a filha de um homem livre. 1/6 (de um siclo) de prata".) "se o escravo morreu. o dono do boi ou do jumento da rá ao médico.

raspou a marca de um escravo que não é seu. dar -lhe-á 8 GUR de cevada por ano". § 257: "Se um awilum contratou um trabalhador rural. cortarão a mão desse barbeiro". § 271: "Se um awilum alugou bois. § 258: "Se um awilum co ntratou um vaqueiro. uma época antiga. ele lhe dará. § 234: "Se um barqueiro calafetou um barco de 60 GUR para um awilum. dar -lhe-á 8 GUR de cevada por ano". ele lhe dará 2 ciclos de prata como seus honorários". um carro e o seu condutor. o Código consagra alguma intervenção na atividade privada. § 228: "Se um pedreiro edificou uma casa para um awilum e lha terminou. Determinando um bom número de salários e preços. por meio da delimitação de preços e salários. sem o consentimento do dono do escravo. Os §§ 257-258 fixam a remuneração anual de dois tipos de trabalhadores rurais.§ 226: "Se um barbeiro. dará 3 parsiktum de cevada por dia". . No que se refere ao domínio econômico. de tabelamento oficial. por cada sar de casa 2 siclos de prata". § 261: "Se um awilum contratou um pastor para apascentar o gado maior ou o gado menor. a legislação de Hammurabi surge como uma ampla experiência. dar-lhe-á 6 GUR de cevada por ano". como seus honorários.

4. O trabalho aprisionava o homem à matéria. onde o proletariado era todo composto de escravos. o trabalhador mereceu tratamento mais suave. algumas atividades (como a fabricação de tecidos) eram praticadas por homens livres. Heródoto assinala o despre zo pelo trabalho que reinava em muitas cidades gregas orientais. . impedindo-o de ser livre. limitando a sua compreensão das coisas mais elevadas. de sujeição do homem ao mundo exterior. de ferramentas agrícolas e de móveis. de facas. Apesar do desprezo pelas artes manuais. de algum modo.Graças ao Código de Hammurabi. Os gregos consideravam o trabalho manual desprezível. sem base teológica ou metafísica. Desprezavam o trabalho dependente e qualquer atividade que comportasse fadiga física ou. Era aviltante. Na Grécia havia fábricas de flautas. a execução de uma tarefa. pelo reconhecimento de alguns direitos civis. mas esses não tinham qualquer amparo nas leis.6 Os pensadores gregos A filosofia grega é a primeira a ter uma preocupação racional.

. I ± Fase Mitológica O conhecimento ainda não tinha base racional. comparada à científica. Entre os trabalhos independentes também existia uma rígida hierarquia de prestígio social: a matemática e a medicina eram apreciadas. Fase Cosmológica e Fase Antropológica. a engenharia e cirurgia desprezadas.Havia duas visões do trabalho: aquele que era o exercício do pensamento era admirado. enquanto o trabalho manual era renegado. As principais fases são: Fase Mitológica. artística. filosófica. porque era envolvido com as atividades materiais. política e jurídica. a pesquisa tecnológica sofre um bloqueio. O conhecimento não tinha fundamentação científica. era expressado por mitos e lendas. Por toda a Antigüidade.

Pandora. Ao desejar riqueza. É uma nova condição do homem. Prometeu. para sustentar os seus inúmeros caprichos. como castigo. Pandora abre a caixa proibida. está obrigado a se defender do tormento de Zeus. Sua primeira obra. a mulher leva o homem a trabalhar. "Erga kai homérai" (Trabalho e os Dias). Os deuses ficam irados. Por isso o trabalho torna -se necessário. Um titã. pestes. roubou o fogo do Divino Olimpo e criou o primeiro homem. Assim é explicada a origem dos males da humanidade. Para Hesíodo.Hesíodo foi o primeiro filósofo a tentar explicar o trabalho huma no com significado ético. "Theogonía" (Gênese dos Deuses) narra a estória da criação do homem. O trabalho agradava aos deuses e fazia os homens independentes e afamados. e sobretudo a morte. Em outra obra. filha predileta de Zeus. a Prometeu. como a única esperança dos . mas nunca deveria ser aberta. doenças. para dissuadir o irmão das práticas desonestas. A ela foi entregue uma caixa que conteria coisas maravilhosas. guerras. Exalta a Justiça. enviam uma mulher encantadora. Este. Hesíodo dedica a primeira parte do poema a dois mitos que realçam acima de tudo a necessidade do trabalho duro e honesto. Opunha à humanidade agitada pela luta e pela conquista uma outra que se fundasse na justiça e no trabalho. e. Hesíodo estabelece um elo entre o fardo do trabalho e o surgimento da mulher: esta é a responsável pelo surgimento do trabalho. agora. Dela saíram todas as desgraças. a alma nos impulsiona ao trabalho. Cheia de curiosidade e querendo dar maravilhas aos homens.

Por ter descrito a vida do campo com realismo. As mais importantes para o estudo do trabalho são a Idade do Ouro e a Idade do Ferro.C.) Atenas tornou-se o centro da vida social. Dispunham de todos os frutos da natureza em abundância. educação dos filhos. vivendo seu período de esplendor. surge a raça humana. só dispõem de um recurso: trabalhar a terra com as próprias mãos. Na última. Hesíodo foi chamado o primeiro poeta do trabalho. Viviam em paz e alegres. Naturalista ou Período pré -socrático (séc. política e cultural da Grécia. VII a. II ± Fase Cosmológica. superstição. Na primeira. É a época de maior florescimento da democracia. . Na segunda parte é didático: estabelece normas de agricultura. os homens não precisavam trabalhar. com seres violentos. Estes. com inúmeros bens e riquezas.homens. O autor ainda trata o trabalho como uma decadência experimentada pelo homem em cinco etapas: Idade do Ouro. atividad e necessária à coexistência humana. para entrar em contato com os deuses. do Bronze. da Prata. dos Semideuses e do Ferro. O trabalho é um antídoto à violência.

A filosofia volta-se para questões morais. Platão. mas só entre os que dispõem de meios suficientes para ser independentes. que era submetida às outras. o poeta. considera va o ócio essencial à sabedoria. entre aqueles que têm que trabalhar para ganhar a vida. o político. o agricultor e o artesão. À esta classe produtora (agricultores e artesãos). Os maiores nomes dessa fase são Platão e Aristóteles. graduando -as em nove níveis decrescentes: o filósofo. o bom rei. Os que são feitos de ouro servem para guardiães. os de prata devem ser soldados. a melhor feita de ouro. e os restantes devem encarregar-se dos trabalhos manuais. o adivinho. Chega a apresentar uma class ificação ético-prática das profissões. a segunda de prata e o rebanho vulgar de cobre e ferro. o demagogo e o tirano. pelo desprezo que Platão tinha pelo trabalho manual. à igualdade e à justiça. portanto. com a organização social e com os problemas humanos ligados ao direito. que não será encontrada. como a maioria dos filósofos gregos. Platão imaginou o Estado ideal dividido em três classes. cabe a manutenção econômica do Estado. ou entre os que o Estado livrou de . o desportista. se preocupando com o homem. Deus criou três espécies de homens.

em vida. ou outro animal sociável. A reflexão e o trabalho do pensamento são tomados como uma purificação intelectual. nenhum destes é sábio em função de sua arte". para viver em companhia dos deuses. a poesia. O trabalho é por ele considerado como uma oposição à sabedoria.preocupações quanto à sua subsistência. Para ele. que permite ao espírito humano conhecer a verdade invisível. O filósofo afirma que "os trabalhadores da terra e os outros op erários conhecem só as coisas do corpo. despr ezando os trabalhadores. A alma do filósofo que. se libertou da escravidão da carne. transformar -seá num fantasma a assombrar o sepulcro. os propósi tos do governo são essenciais para determinar -se qual o trabalho de cada homem. ou entrará no corpo de um animal. . imutável. sabedoria implica conhecimento em si mesmo. pois. O mestre chegou a dizer: "Não vais querer dar tua filha como esposa a um mecânico ou engenheiro!". um burro. somente o verdadeiro filósofo vai para o céu. um lobo ou gavião. Aquele que foi virtuoso sem ser filósofo se transformará numa vespa. Mas a alma impura. universal e necessária. Assim. Seu trabalho tem que ser decidido ou pelos próprios gostos ou pelo juízo do Estado quanto às suas aptidões. que amou o corpo. para o mundo invisível. Platão também fala que a justiça consiste em cada homem dedicar -se a seu trabalho. depois da morte. partirá. como por exemplo. Ele considera algumas atividades perniciosas. abelha ou formiga. Se.

pois isso não lhes permitiria momento de ócio. mas os agricultores deveriam ser escravos de uma outra raça. ardentes e inteligentes. Aristóteles também possui o amor dos gregos pela perfeição estática e preferência mais para a contemplação do que para a ação. pois tal vida é ignóbil e inimiga da virtude". e sim por natureza. portanto. Há homens que nasceram para comandar e há outros que nasceram para ser mandados. Eles exerciam atividade inferior. homens que combinem a mentalidade aristocrática com o amor do saber e das artes.Aristóteles tinha um pensamento a respeito do trabalho humano que não divergia muito de seu mestre Platão. os escravos deveriam ser de raças meridionais. Para ele. inteligentes. eram vis. Para e le. pois seria inconveniente que fossem ardente s. Ele não reconhecia direitos humanos par a os escravos (mas não lhes negava a natureza humana). o objetivo do Estado é produzir cavalheiros cultos. Achava qualquer trabalho manual próprio dos escravos. não exerciam atividades para o espírito. alguns homens não são escravos por convenção. são ardentes. para . Os homens que trabalhavam para viver não deviam ser admitidos à cidadania. O filósofo chegou a afirmar que. Só os gregos são. Para Aristóteles. diz ele. Sua doutrina da alma ilustra este aspecto de sua filosofia. ao mesmo tempo. as raças meridionais. Também não deveriam ser lavradores. "Os cidadãos não deveriam dedicar -se ao artesanato ou ao comércio. as atividades mecânicas eram opressoras da inteligência. Os cidadãos deviam possuir propriedades. As raças nórdicas.

o último. os afazeres (ascolía). encontramos a compreensão da importância do trabalho na vida da sociedade. . Para esses filósofos. Entre os sofistas. Assim. está reservado aos seres humanos livres. que agradaria aos deuses. o jogo (paidía).conseguir cultura. tediosos e degradantes. Para ele. Os três primeiros tipos de atividades são acessíveis a todos os homens. que é uma forma superior de jogo. envolvendo apenas força física. Mostram o valor social e religioso do trabalho. criando riquezas e tornando os homens independentes. que são por isso impostos aos escravos e às mulheres. O grande pensador tenta uma classificação das atividades humanas em quatro categorias: o trabalho cansativo (pónos). O trabalho não tinha o significado de realização pessoal. era certo que nenhum homem livre aceitaria fazer trabalhos desagradáveis. a escravidão de uns era necessária para a virtuosidade de outros. Platão e Aristóteles entendiam que o trabalho tinha um sentido pejorativo. Qualquer produção de objetos materiais representava para eles uma atividade de segunda ordem comparada à produção de idéias. era necessário ser rico e ocioso e que isso não seria possível sem a escravidão. o gosto cultivado (skolé).

Apesar de considerar o saber como fundamento da virtude. como finalidade última. sem qualquer distinção valorativa entre a atividade intelectual e manual. CRISTIANISMO A dignificação do trabalho vem com o Cristianismo. na época. Pródico enalteceu o valor de qualquer trabalho. 5. Não há progresso sem estudo e sem fadiga. favoráveis à escravidão e contrários aos princípios da dignidade do trabalho e . Também condenava a acumulação de riquezas e a exploração dos menos afortunados. A palavra de Cristo deu ao trabalho um alto sentido de valorização. Tais ensinamentos eram. defendia o trab alho pelo seu alto sentido. que ganha justa e inegável sublimação. Sócrates também acentuou a dignidade do trabalho. ação e reflexão. que. O Cristianismo trouxe um novo conceito de dignidade humana ao pugnar pela fraternidade entre os homens. pensamento e práxis.Protágoras condenava o dualismo entre trabalho manual e intelectual. Porque nada do que é bom e belo concederam os deuses aos homens sem esforço e sem estudo. A virtude é trabalho. contrapondo-se aos pensamentos grego e romano. confere dignidade à vida. Para Xenofonte. revolucionários. o trabalho é a retri buição da dor mediante a qual os deuses nos vendem os bens. com o reconhecimento expresso da dignidade humana de todo e qualquer trabalhador.

pois eles constituíam imagem viva do Criador. . condenasse a sua insubordinação e justificasse a existência deles e até lhes tornasse cruel a condição. O abade de Saint -Michel escreveria: "Não foi a natureza que fez os escravos. O que na filosofia pagã era imputado à natureza.das ocupações. disseminando as artes. Apesar de não condenarem a prática escravagista. diferenciando-o dos outros animais. o saber e exaltando as v irtudes. Isidoro de Sevilha afirma que "a escravidão é uma punição imposta à hu manidade pelo pecado do primeiro homem". por influência principalmente de Santo Agostinho e São Tomás de Aquino. A verdade cristã foi de grande importância para modificar a ótica até então existente sobre o problema da escravidão entre os homens. A Igreja passou a exercer grande influência civilizadora. O trabalho torna se um meio: o da elevação do homem a uma posição de dignidade. e consideravam todos os homens iguais. defendiam tratamento digno e caridoso para os escravos. será na filosofia cristã imputado ao pecado original. ainda que ela própria usasse escravos. mas a culpa". A escravidão sofre mudanças. A Igreja exerceu uma notável ± e não determinante ± ação no sentido da escassez da escravidão.

A Bíblia fornecia. o filho de Noé que fora amaldiçoado pelo pai por ter zombado de sua nudez. todo trabalho é útil. Santo Agostinho mostra que o trabalho não seria apenas um meio de impedir que o ócio criasse campo propício para os vícios. Jesus era um artesão. Para ele. e o ócio assume uma conotação negativa. Santo Agost inho supõe que seriam descendentes de Cam. pecaminosa. reprovável. São Paulo afirmou que "quem não traba lha não tem direito de comer".O trabalho é resgatado. O pecado era. Valoriza -se o trabalho como um corretivo. pois vivem do trabalho das suas mãos. São Benedito escreve que os monges "agora são verdadeiros monges. Para justificar a escravidão dos negros. antídoto ao ócio. Mas também afirmava ser legítima a escravidão. . um argumento racista em favor da escravidão. a pior escravidão: ele tornava os homens escravos de suas paixões. na verdade. como os nossos pais e os apóstolos". Dizia que a escravidão era conseqüência do pecado. assim. que é inimigo da alma. os seus apóstolos eram pescadores.

Reputavam legítima a escravidão. "foi a palavra de Cristo que deu ao trabalho um alto sentido de valorização. cansaço. o que confere ao trabalho valor e dignidade (Cristo passou a maior parte de sua vida terrena numa oficina de carpinteiro. São Tomás de Aquino refere-se ao trabalho como um bonum arduum. podendo administrá -las. dispêndio de energia. Cristo quer que as preocupações materiais não se sobreponham às espirituais. não podendo ser superada de modo natural. não tendo consistência as alegações dos que afirmam que Jesus condenava o trabalho material. Como afirma Segadas Vianna. através da resigna ção cristã de quem é escravo e da caridade fraterna do amo. Deus criou as coisas e deu ao homem o direito de usá-las para satisfazer suas próprias necessidades. Inaugurou-se uma nova postura do trabalho humano. .Santo Agostinho e São Tomás acreditavam na escravidão como conseqüência do pecado original. Assim. Bonum porque é fator de transformação da natureza e instrumento de produção de bens e serviços. Para ele. A própria Igreja e os eclesiásticos possuíam escravos. mas somente sobrenatural. mas com tratamento digno. fundada no ensinamento de Cristo: "amai-vos uns aos outros". Neste mundo. aceitavam a escravidão. Arduum porque o seu exercício provoca fadiga. o homem teria de ganhar o pão com o suor de suas próprias mãos e seria com o seu esforço que ele deveria viver para ser digno". dedicando-se ao trabalho manual).

o trabalho sempre foi prática obrigatória. trazida pelo Cristianismo: ganhar para ter o que repartir. SERVILISMO Após a escravidão. da limpeza da cozinha. . Nas ordens religiosas do período. como aqueles para os quais. segue-se o servilismo. como antídoto aos males do tédio e forma de prover as necessidades do grupo monástico. na humildade.Surge uma nova visão a respeito do trabalho. Felice Battaglia esclarece que os monges de Tebalda eram trabalhadores. trabalhar para ter o que compartilhar com o necessitado. apesar da escravidão não ter sido completamente abolida. A servidão é uma característica das sociedades feudais. ele afirma "não há nenhuma distinção entre o trabalho intelectual e o trabalho manual. 6. o trabalho qualificado e o trabalho inferior: os irmãos devem servir -se entre si. pois a comunidade está organizada de modo a que nenhum fique isento dos ofícios mais humildes. se adquire mérito e caridade". por exemplo.

não dispunha de liberdade. em que o indivíduo. com o dever de combater para defender a comunidade. o trabalho produtivo era relegado ao último degrau da hierarquia social. Havia muitos pontos comuns entre a servidão e a escravidão. O senhor podia mobilizá-los obrigatoriamente para a guerra e também cedia seus servos aos donos das pequenas fábricas e oficinas existentes. Cada propriedade feudal tinha um senhor. . Foi um tipo de trabalho organizado. O trabalho servil significou uma forma mais branda do escravagismo. submetidos a um regime de estrita dependência do senhor feudal. A estratificação social da sociedade feudal era assim dividida: a aristocracia (bellatores). Sujeitavam -se à abusivas restrições. os clérigos e monges (oratores). os camponeses (laboratores). com o dever de rezar. Mais uma vez. Dois ou três dias por semana. com o dever de trabalhar para criar riquezas e nutrir a comunidade inteira. O camponês vivia em uma situação miserável. visto que seus senhores eram os donos da terra e de todos os direitos. inclusive de deslocamento. Trabalhava longa e arduamente em suas faixas de terra espalhadas e conseguia arrancar do solo apenas o suficiente para uma vida miserável.A maioria das terras agrícolas na Europa estava dividida em área s conhecidas como feudos. sem ter a condição jurídica de escravo.

assim como a circulação monetária. ceifada e semeada primeiro. Eram quase ilimitadas as imposições do senhor feudal ao camponês. gozar e dispor da forma que quisesse. se uma viúva desejava casar-se outra vez. como por exemplo. inexistiam governos fortes centralizados. podendo o proprietário usar. ficavam presos às glebas que cultivavam. sistemas legais organizados ou qualquer comércio intenso. Assim. Ao servo era proibido recorrer a juízes contra os senhores feudais. Havia impostos a vários títulos. Os servos tinham que entregar parte da produção rural aos senhores feudais em troca da proteção que recebiam e do uso da terra. Jamais se pensou em termos de igualdade entre senhor e servo. Na época. Havia muitas limitaçõ es. O direito de propriedade era inteiramente respeitado. A economia era baseada basicamente na ag ricultura e na pecuária. . A terra do senhor tinha que ser arada. com uma única exceção: no caso de querer se apossar do arado e dos animais que o servo possuía.tinha que trabalhar a terra do senhor. sem pagamento. e pesava-lhes a obrigação de entregar parte da produção rural como preço pela fixação na terra e pela defesa dada pelos senhores. tinha que pagar uma multa ao senhor.

deixava as classes trabalhadoras à mercê das classes parasitárias. A relação se estabelecia entre o senhor feudal e o servo. obrigando -o a voltar. posteriormente. o vestuário. Na época. O servo estava vinculado perpetuamente à terra e podia cultivá-la. O uso da terra era retribuído com produtos da agricultura. considerado por alguns como "um acessório da terra pertencente ao dominus". o servo era também vendido. desde que pagasse um tributo ao senhor. Quando o senhor vendia a terra. e. o trabalho era considerado um castigo. a habitação. Os nobres não trabalhavam. o senhor o perseguia. e concedia a terra não a quem cultivava. em troca de proteção.O homem trabalhava em benefício exclusivo do senhor da terra. . Quando fugia. com dinheiro. Os seus filhos eram também servos e o juramento de fidelidade era transmitido de geração a geração. tirando como proveito próprio a alimentação. muitas vezes ilusória. O sistema feudal repousava sobre uma organização que. com serviços. mas aos capazes de dela se apoderarem.

Morriam muitas pessoas. As grandes perturbações. sendo atribuído maior valor ao serviço dos que continuavam vivos. A Peste Negra também foi um grande fator para a liberdade. o crescimento das cidades. o senhor feudal percebeu que o trabalho livre é mais produtivo. davam oportunidade à fuga dos escravos e também à alforria. Era melhor deixar de lado o trabalho tradicional. Sabia que o trabalhador que deixava sua terra para cultivar a terra do senhor o fazia de má vontade. CORPORAÇÕES DE OFÍCIO O corporativismo foi o resultado do êxodo rural dos trabalhadores para as cidades e da ativação do movimento comercial da Idade Média. Suas raízes mais remotas estão nas organizações orienta is. proporcionaram ao servo meios para rompe r os laços que mantinha com o senhor feudal. sem produzir o máximo. O progresso das cidades e o uso do dinheiro deram aos artesãos uma oportunidade de abandonar a agricultura e viver de seu ofício.A servidão começou a desaparecer no final da Idade Média. decorrentes das epidemias e das Cruzadas. 7. Além disso. que se uniam em . a introdução de uma economia monetária. O extremo poder dos nobres sobre os servos determinou o êxodo para as cidades. O trabalhador camponês valia mais do que nunca. O crescimento do comércio. causando uma aglomeração de trabalhadores. podia pedir e receber mais pelo seu trabalho. nos collegia de Roma e nas guildas germânicas.

mas não gozava de inteira liberdade. Nas corporações de artesãos agrupavam -se todos os artesãos do mesmo ramo em uma localidade. por ter o trabalhador um pouco mais de liberdade. Assim foram se formando as Corporações. O sistema significava uma forma mais branda de escravização do trabalhador. O homem. em torno do século X. A necessidade de fugir dos campos levava à concentração de massas de população nas cidades. Este não podia exercer seu ofício livremente. Apesar de significar um avanço em relação ao servilismo. o corporativismo foi um sistema de enorme opressão. passa a exercer a sua atividade em forma organizada. Os objetivos eram os interesses das Corporações. de modo a controlar o mercado e a concorrência. assim. As Corporações regulavam a capacidade produtiva e a técnica de produção. era necessário que estivesse inscrito em uma Corporação. .defesa de seus direitos. bem como garantir os privilégios dos mestres. As Corporações eram grupos de produtores. Além disso. principalmente naquelas que tinham conseguido manter -se livres. organizados rigidamente. foi simplesmente uma forma menos dura de despojar o trabalhador. Assim. a vida econômica medieval ressurgia de forma intensa.

muitas . Os mestres eram os proprietários das oficinas e que já tinham passado pela prova da "obra mestra". para evitar sua influência e também p ara amenizar a sorte dos aprendizes e trabalhadores. Além disso. Os aprendizes (trabalhavam a partir de 12 ou 14 anos) estavam submetidos à pessoa do mestre. os trabalhadores tinham a proteção de socorros em casos de doenças. Os pais dos aprendizes pagavam taxas. Havia três categorias de membros: os mestres. entretanto. Tinham sob suas ordens os trabalhadores. e a eles era imposto um duro sistema de trabalho. O mestre poderia impor -lhe inclusive castigos corporais.Cada Corporação estabelecia as suas próprias leis profissionais. Equivalem aos empregadores de hoje. Além do salário. Eram jovens trabalhadores que aprendiam o ofício. mediante rigorosos contratos nos quais o motivo não era simplesmente a "locação de trabalho". Possuíam um estatuto com algumas normas disciplinando as relações de trabalho. os companheiros e os aprendizes. e recebia privilégios concedidos pelos reis. os próprios reis e imperadores sentiram a necessidade de restringir os direitos das corporações. Mais tarde. estabeleciam uma rígida hierarquia.

Os companheiros eram trabalhadores qualificados. Apesar de o ajudante de artesão objetivamente ser um operário dependente. chegando até a 18 horas no verão. não para proteger os aprendizes e companheiros. As Corporações tiveram grande importância para o surto do moderno capitalismo. A jornada de trabalh o era extensa. O . desde que fosse companheiro. para o mestre ensinar seus filhos. Se o aprendiz superasse as dificuldades dos ensinamentos. que vendia a seu mestre a força de seu trabalho. e além de ter que pagar para realizá -lo. livres. Normalmente. Não era exigido qualquer exame dos filhos dos mestres. passava a esta condição. ele tinha. O comércio então já era realizado por meio de d inheiro. Quem se casasse com a filha de mestre ou casasse com a viúva do mestre. pas sava ao grau de companheiro. terminava com o pôr-do-sol. O companheiro só passava a mestre se fosse aprovado no exame de "obra mestra". porém. instrumentos de crédito e sistemas de contabilidade ainda imperfeitos. que dispunham de liberdade pessoal e recebiam salário salários dos mestres. a real esperança de estabelecer -se autonomamente ao cabo de alguns anos. mas para qualidade do trabalho. a prova era muito difícil.vezes elevadas.

realizado em ambiente patriarcal. e o direito só atua em ambiente de igualdade. Outras causas de extinção das Corporações foram a liberdade de comércio e o encarecimento dos seus produtos. Não havia relação entre empregado e empregador. escravo. por serem consideradas incompatíveis com o ideal de liberdade do homem. sem visar acúmulo.sistema salarial tornava-se regra e a produção começou a centralizar-se em grandes grupos incorporados. de normatizar as normas de trabalho. 8. Em muitos casos os salários eram fixados pela autoridade pública da ci dade ou pela autoridade eclesiástica. Com a Revolução Francesa as Corporações de Ofício foram suprimidas. Cada grupo familiar buscava suas necessidades. No trabalho servil ou escravo. O trabalho passava de uma geração para outra. Não havia necessidade de interferir. O direito do trabalho é produto da história recente da . havia trocas. sendo severas as penas contra a especulação ou manobras fraudulentas. REVOLUÇÃO INDUSTRIAL. LIBERALISMO. OUTRAS CAUSAS DO APARECIMENTO DO DIREITO DO TRABALHO Revolução Industrial Anteriormente à Revolução Industrial o trabalho era basicamente servil. o que havia era arbítrio. não há liberdade.

Na crise das novas relações de classe. quando a sociedade passou por modificações significativas. Causas do surgimento do Direito do Trabalho: Vícios e conseqüências da liberdade econômica e do Liberalismo Político. com o esforço de libertação das normas estatais. Liberdade de empresa. forma-se e se adensa o novo sistema de pensamento cultural e econômico: o pensamento liberal. liberdade de contrato e liberdade individual são os o bjetivos. . A nãointervenção do Estado na esfera econômica e social é uma das principais características do liberalismo clássico. No século XIX.humanidade. sobretudo graças ao direito das eleições democráticas da Constituição de 1973 e à ditadura revolucionário plebéia dos jacobinos. sucedem fatos. a mudança da história européia no sentido da imposição dos direitos humanos e da democracia. O liberalismo constitui a corrente ideológica que melhor expressa as aspirações da nova ordem burguesa. O marco principal é a Revolução Industrial. A Revolução Francesa viera a possibilitar. a mecanização do trabalho humano em setores impor tantes da economia. ingredientes sociais que propiciaram o surgimento do direito do trabalho.

do lucro e da mais -valia sobre a renda. aliás. força suficiente para impelir seus representantes em direção à prática . Adam Smith será o maior teórico dessa nova economia impregnada de Iluminismo e da nascente sociedade industrial marcada pela mecanização. Classe que já possuía. Jean-Jacques Rousseau. os interesses da nova classe industrial. do egoísmo sobre a caridade.O século XVIII representou para a história da humanidade um momento novo. Destacaram-se Adam Smith. entre outros. Pregaram a separação dos poderes e a insurreição. Locke. da moeda sobre a troca. rejeitando o direito divino dos Reis e a Religião de Estado. no qual a primazia pela razão elegeu o homem e suas virtudes como responsáveis pelo progresso material e técnico e pela descoberta de que essa nova experiência só podia alcançar seus objetivos se a liberdade de viver e pensar fosse o leito do novo caminho. A liberdade veio como uma reação ao Absolutismo Monárquico. Smith e seus sucessores apenas sistematizaram. laissez-passer (a intervenção do Estado na economia) opunha-se à idéia de que a economia se faz por si mesma. Montesquieu e Voltaire. O laissez-faire. A riqueza das nações (1776) decretará definitivamente a superioridade da indústria sobre a agricultura. Opunham-se os liberais ao Absolutismo. ao contrário do Mercantilismo. Os filósofos atacavam duramente as instituições do Antigo Regime. em forma de teoria "científica".

O papel do Estado deveria ser passivo. Teoricamente livre. Representado pela associação entre razão e liberdade. Essa nova sociedade deveria ser liberta da religião e do Estado. de mero espectador da luta pela vida em sociedade. no controle dos conflitos sociais e na expansão imperial em busca de novos mercados para suas fábricas. Pretendia-se liberdade social. nas associações de classe. . Ao Estado competia somente resguardar a Ordem Pública. a recusar uma jornada que muitas vezes se estendia durante quinze horas. contrário a qualquer forma de privilégio que não decorresse da avaliação da ação produtiva dos homens. tendo retribuição miserável. Surgia uma concepção de direito contrária aos interess es do proletariado. As críticas se constituíram na base ideológica de um novo projeto de sociedade.política. definido pelo direito natural e pela liberd ade. Mas a liberdade de contratar não dava meios ao operário. premido pela fome. O trabalho livre era considerado como uma das mais marcantes comprovações da liberdade do indivíduo. o operário tornava -se cada vez mais dependente do patrão. o Século das Luzes inaugurou uma nova forma de ver a humanidade. onde a igualdade foi a reação ao domínio aristocrático das sociedades. nos aparelhos de Estado. A igualdade levava a um afastamento do Estado também no plano econômico.

Implicava também o controle das relações de trabalho. mas sobretudo na "liberdade do homem em sociedade". era essencial aos negócios. Os objetivos sociais passam a ser entendidos como a soma dos objetivos individuais. não só na liberdade de empresa. ou melhor. As novas relações seriam reguladas por me io do contrato social. O operário não passava de um simples m eio de produção. com o crescimento das forças dos privilegiados da fortuna e a servidão e a opressão dos mais débeis. sem interferência do Estado. a µliberdade¶ da mão -de-obra para os novos empreendimentos prosperarem. as suas . A questão não se limitava apenas à repressão das reivindicações dos assalariados. Até porque a mobilidade. mais precisamente no mercado de trabalho. e não mais pelos valores fixados rigidamente pelas Corporações de Ofício. A liberdade e a igualdade permitiam que se instituísse uma nova forma de escravidão. Pressupunham os ideólogos do liberalismo que todos os cidadãos deviam ser "iguais perante a lei" ± o que certamente era difícil numa sociedade que tendia cada vez mais a separar os proprietários (capital) dos não-proprietários (trabalho). da vida das fábricas e da produção pelo governo.O laissez-faire está no cerne da regulamentação das novas atividades industriais. O individualismo define a nova ética. O capitalista livre mente podia impor. O individualismo levava a uma exploração do mais fraco pelo mais forte. Quando eclode a Revolução Industrial a classe manufatureira parte para o combate à legislação protecionista (mercantilista) que remontava ao feudalismo.

O individualismo teria que passar a um plano secundário para que o inter esse social tomasse realce. . Em curto tempo. Aumentava a legião dos empobrecidos. O Estado não podia servir somente para as finalidades individuais. A intervenção do Estado é negativa". na convicção liberal de que seu papel não devia ir além da ordem p ública. as relações econômicas se auto regulamentam. concentração da riqueza nas mãos de poucos. estavam os mais ricos cada vez mais ricos e os mais pobres cada vez mais pobres. A submissão da vontade do mais fraco levou à prática de injustiças. Revolução Industrial. O mais forte subjuga o mais fraco. A própria dignidade humana estava rebaixada diante da opressão econômica. Havia mera igualdade jurídica. O homem naturalmente escolhem como viver em sociedade.condições ao trabalhador. O homem é livre. podendo os cidadãos conduzir -se como melhor lhes aprouvesse. Jonh Locke afirma: "ao Estado não cabe interferir. O legislador precisava tomar medidas para garantir uma igualdade jurídica que desaparecia diante da desigualdade econômica. Imaginava-se que as pessoas podiam auto regulamentar seus interesses pelas regras do Direito Natural. enquanto o Estado assistia inerte. A desprotegida massa operária sofria. O Estado não deveria interferir.

Antes da indústria. O trabalho. Os camponeses ficavam inativos muitos meses por ano. aquilo que antes era fabricado em pequenas quantidades. Quando existia. antes de qualquer outra região. Consistiu num movimento de mudança econômica. como diz Marx. passou a ser um esforço cruel para o corpo do operário e preocupação estressante para sua mente. Foi na Inglaterra.Foi um fenômeno de mecanização dos meios de produção. milhões de camponeses e artesãos se transformaram em trabalhadores "subordinados". que surgiram as primeiras máquinas. como até os operários e os escravos se limitavam a trabalhar não mais de quatro ou cinco horas por dia. O trabalho artesanal foi substituído pelas máquinas. social. . as primeiras fábricas e os primeiros operários. A Revolução Industrial representa o momento decisivo da vitória do capitalismo. mas das regras empresariais e dos ritmos da máquina. política e cultural. dos quais o operário não passava de uma engrenagem. servil e corporativo pelo trabalho assalariado em larga escala. deformava os músculos e o cérebro. que passaram a produzi r em grande quantidade. reduzia os trabalhadores a desocupados e estes a "sub -proletariado": trapos ao vento. com a chegada da indústria. por volta do fim do século XVIII. não apenas os nobres não trabalhavam de fato. os tempos e os lugares de trabalho passaram a não depender mais da natureza. A manufatura cedeu lugar à fábrica. que podi a durar até quinze horas por dia. Posteriormente. Houve a substituição do trabalho escravo. quando não existia.

trocando o ritmo solar pelo relógio de ponto. sobre cuja base se desenvolverão as fábricas. Tinha dois. Mulheres e crianças também disputavam o mercado de trabalho. melhores ganhos e maior qualidade de vida. O objetivo do trabalhador era sair da miséria e vir para o centro urbano. Subst ituía-se o trabalho adulto pelo das mulheres e menores. pelas oportunidades de trabalho que oferecia. mas estão mortos. estimulando o seu deslocamento para as cidades.Na Inglaterra do séc. graças a Deus!" Pergunta: "Expressa satisfação pela morte de seus filhos?" . Os agricultores deixaram o campo para vir se engajar nos subúrbios industriais. Um exemplo que ilustra muito bem a exploração se dá com o testemunho de Thomas Heath: Pergunta: "Tem filhos". XVIII houve uma grande concentração de terras em mãos de poucos (os cercamentos) e multiplicação das manufaturas. seduziram o trabalhador campesino. percebendo salários inferiores. que trabalhavam mais horas. Resposta: "Não. A mecanização da indústria. As pessoas desocupadas começavam a se deslocar para os grandes centros.

Resposta: "Sim. para obter um determinado resultado na produção não era necessário tão grande número de operários. as fábricas são numerosas. e permitiu que os industriais estabelecessem as condições de trabalho. A Revolução Industrial acabou transformando o trabalho em emprego. ocorreu o aviltamento dos salários. e eles. mesmo com o aparecimento das grandes oficinas e fábricas. Passou a haver uma excessiva oferta de mão -de-obra e o trabalho human o se tornou mais barato. A desagregação do antigo sistema de produção expeliu para os centros fabris grande massa de despossuídos. Estou livre do peso de sustentá los. Em face de uma legião de desempregados e com menos necessidade de trabalhadores. pobres criaturas. sem meios de sustento. Pelo fato de haver mais procura do que oferta de trabalho. para receber o processo de industrialização num momento em que o Estado não interferia. . A máquina importa na redução da mão -de-obra porque. as cidades industriais abrigam um grande conting ente de mão-de-obra. Nos primeiros anos do século XIX. as regras eram exploradoras. O trabalhador recém-chegado não estava preparado para a máquina. Os trabalhadores passaram a trabalhar por salários. Agradeço a Deus por isso. estão livres dos problemas desta vida mortal".

o filho de um alfaiate é também alfaiate). baseado na hereditariedade (o filho de um nobre é um nobre. não dispunha de poder) e a capitalista (impunha ao proletariado a orientação que tinha de ser seguida). ou seja. O proletariado nascente estava longe de possuir uma consciência política da situação. A classe proletária (numerosa. mas de classes. Houve a emergência de uma nova sociedade: a sociedade de classes do modo de produção capitalista. As relações passam a ser mais objetivas. menos dependentes das obrigações. A sociedade contemporânea não é mais de estamentos. a nova sociedade industrial nasce com essa . separando o trabalhador dos meios de produção. o modo de produção feudal. As revoluções burguesas implantaram um sistema separando duas sociedades distintas. Assim. A separação em classes não é mais expressão de um ordenamento medieval. com projetos socia is e horizontes mentais conflitantes em seus interesses fundamentais: a burguesia e o proletariado.A classe industrial soube se impor. As revoluções burguesas implantaram a ordem burguesa. controlando mecanismos de crucial importância para a afirmação da nova ordem capitalista: no plano das relações com os trabalhadores e na regulamentação das atividades produtivas. separando o capital do trabalho. vassalagens e fidelidades típicas do modo de p rodução anterior.

acelerando revolucionariamente a concentração de renda. acidentes de trabalho. O capital. exploração.).. lucro. A relação trabalho ± capital tornase impessoal e o operário vê-se distante da direção da empresa e dos destinos da mercadoria. o novo sistema multiplicou os meios de produção. Não havia regras estatais. Os donos das indústrias ficavam cada vez mais ricos. benefícios.. Mas havia a face cruel: problemas sociais. intoxicação por gases. Ocorriam muitos acidentes de trabalho. a acumulação. sujeito a incêndios. Com a fábrica e suas modernas máquinas a vapor. O empresariado burguês situa-se no centro dos acontecimentos da passagem do sistema doméstico dispersado ao sistema fabril concentrado. acelerada pela automatização das máquinas e por novas fontes de energia. O objetivo último do sistema fabril era o lucro. inundações e desmoronamentos. Não havia proteção à saúde e à segurança do trabalhador. indigência. A mecanização do trabalho humano propiciou uma otimização do trabalho produtivo (melhoria e aumento da produção.característica trágica: a divisão em sua unidade. além de várias . multiplicou a produção em escala nunca antes verificada. explosões. A divisão do trabalho é levada ao extremo. O operário prestava serviços em condições insalubres. mecanizou o processo de produção. "unidade" discutível que o pensamento liberal se esforça rá em justificar e defender. ampliando o mercado e demandando uma renovaç ão contínua das técnicas de produção. aumento da criminalidade. por meio de um novo tipo de concentração do trabalho. A i ndustrialização trouxe progresso.

Os contratos eram verbais. com a destruição das máquinas. diminuindo a procura de emprego. Engels descreveu os processos de miséria e fome nas cidades industriais usando as cidades inglesas. principalmente a tuberculose. emocionando a opinião pública. Regras. do trabalh o em local encharcado. ou então enquanto o trabalhador pudesse prestar serviços. quase vitalícios. A máquina. Não havia direitos. passou a te r uma conotação diabólica: ocupava o seu posto. só exploração. Verificaram -se movimentos de protesto e até mesmo verdadeiras rebeliões. O trabalhador estava despreparado para lidar com a máquina. só a s que interessavam ao dono do empreendimento: vontade arbitrária dos industriais. e os governantes não puderam se manter alheios a esse drama. Ao lado do progresso via -se a exploração. revelada com todos os seus horrores. A riqueza estava acumulada nas mãos de poucos. . restrições legislativas. Era imposta uma vida infame às crianças nas fábricas e nas minas. Não havia prevenção contra acidentes de trabalho. Os ludistas organizavam-se para destruir as máquinas. da poeira.doenças decorrentes dos gases. implicando verdadeira servidão. a asma e a pneumonia. para o trabalhador. pois entendiam qu e eram elas as causadoras da crise do trabalho.

No capitalismo. O socialismo utópico propunha uma sociedade ideal do futuro. Robert Owen está ligado à formação das primeiras Trade Unions na Inglaterra. os poucos que não trabalhavam. onde houvesse saúde. . Para ter sucesso nessa corrida. os mais pobres. Owen afirmava a lógica do capitalismo tinha lançado os trabalhadores em condições materiais e espirituais verdadeiramente piores que as pré -industriais. o proletariado. Foi a primeira das testemunhas contra a organização industrial do trabalho. beneficiando as classes mais numerosas. Pedia uma lei para pôr fim à exploração dos adultos e das crianças e também a todas as conseqüências nefastas da desesperada aplicação do princípio regulador da atividade industrial e comercial: "o do ganho pecuniário imediato acima de qualquer outra coi sa". A solução que os socialistas utópicos apresentaram era a propriedade comum dos meios de produção. o inspirador dos regulamentos de fábrica. riqueza e felicidade para todos. Os perigos da industrialização ± físicos. culturais. viviam com luxo e conforto.Nascem as idéias socialistas. surgidas em resposta aos problemas econômicos e sociais criados pelo capitalismo. O socialismo criticava o capitalismo e o liberalismo. econômicos. e ele próprio foi. preconizava nova organização da sociedade. graças à propriedade privada dos meios de produção. a chamada Questão Social. políticos ± começavam a revelar-se à medida que a indústria se difundia. em grande parte. As falhas e conseqüentes males caus ados pelo regime capitalista foram apontados.

Concentração de massas e de capital. A concentração de capital leva à exploração de classes. para reivindicar melhores condições de trabalho e de salários. Fourier tem o mérito de haver sugerido o princípio do 'direito de trabalhar' e o estabelecimento das 'oficinas nacionais' da França..os concorrentes em disputa "levaram as classes inferiores. de cujo sucesso depende hoje a sua mera subsistência". As lutas de classes ± ludistas. eles se encontram atualmente numa situação de degradação e miséria muito maior do que aquela em que se encontravam antes da introdução dessas indústrias. A concentração de massas leva à lutas e à criminalidade. eram submetidos. associar-se. cartistas. Por conseguinte. de cujo trabalho deriva hoje essa riqueza. revoluções.. inclusive mulheres e crianças. . Os trabalhadores começaram a reunir-se. A crítica do socialismo utópico ao direito de propriedade e à exploração de que o proletariado. a um nível de verdadeira opressão. tudo clamando pela ação do Estado na regulamentação da vida econômica ± provocam comoção social. diminuição das jornadas excessivas e contra a exploração de menores e mulheres. serviu para despertar a consciência da burguesia e induzi -la a um tratamento mais humano dos operários. Muitas pessoas com necessidades comuns se revoltam contra o empregador e contra a máquina.

As classes se antecipavam ao Estado. travavam-se choques violentos entre essas massas e as forças policiais ainda movimentadas pela classe capitalista. criando verdadeiras normas coletivas de trabalho. Algumas categorias se auto regulamentavam. a voz dos trabalhadores já era ouvida nos parlamentos. A idéia de justiça social é cada vez mais difundida como reação contra a questão social. com a necessidade de manter a tranqüilidade e a ordem. Começaram a ser tecidas normas no próprio ambiente de trabalho. O direito de associação passou a ser tolerado pelo Estado. a sociedade começou a despertar para a necessidade do Estado regulamentar as novas relações. criavam-se organizações proletária s. A auto regulamentação de classes. faziam concessões à medida que as reivindicações eram apresentadas e reconheciam a importância do trabalho operário. Os governos. Os trabalhadores passaram a reivindicar seus direitos através dos sindicatos. Na política.Assim. Os . Provocavam-se greves.

Condenou a exploração do empregado. A questão social (falta de garantias aos trabalhadores) mereceu consid eração. O trabalho deve ser considerado. na teoria e na prática. a especulação com sua miséria e os baixos salários. deve ser estabelecida segundo as normas de justiça e eqüidade.esforços da burguesia em negar a legitimidade às organizações operárias foram violentos. A encíclica Rerum Novarum. não mercadoria. Pontifica uma fase de transição para a justiça social. e proclama a necessidade da união entre as classes do capital e do trabalho. Tentaram mostrar que a existência de entidades operárias com poder de pressão era uma ameaça não só ao funcionamento dos estabelecimentos fabris. nem trabalho sem capital". Sua remuneração não pode ser deixada à mercê do jogo automático das leis de mercado. O Papa dizia que "não pode haver capital sem trabalho. traçando regras para a intervenção estatal na relação entre empregado e empregador. Falava das condições dos trabalhadores. mas também aos próprios fundamentos do Estado. Foi publicada em 15 de maio de 1891 pelo Papa Leão XIII. O Estado . mas um modo de expressão direta da pessoa humana.

O Manifesto teve grande relevância nas lutas proletárias. agora era indispensável a sua presença para regular. conta principalmente com a proteção do Estado. A Encíclica condena a influência da riqueza nas mãos de pequeno número ao la do da indigência da multidão. Ao Estado compete zelar para que as relações de trabalho sejam reguladas segundo a justiça e a eqüidade. A palavra do sacerdote impressionou todo o mundo cr istão. A propriedade privada é um direito natural que o Estado não pode suprimir. as relações de trabalho. sem riquezas que a protejam da injustiça. incentivando o interesse dos governantes pelas classes trabalhadoras. Criticava as condições de trabalho da época e exigia mudanças em benefício do mundo obreiro. Influência do marxismo. dando força para sua intervenção nos direitos individuais em benefício dos interesses coletivos. Ajudou a despertar a consciência dos . A classe indigente.não poderia apenas assistir àquela situação. Nela se apontou o dever do Estado de zelar pela harmonia social. Em 1848 foi publicado o Manifesto Comunista por Marx e Engels. mesmo que de forma mínima. do espírito de luta do proletariado contra o capitalismo.

) Com a difusão do uso das máquinas e a divisão do . com uma passagem prévia pela apropriação estatal dos bens de produção. a lutar pelos seus direitos. baseada no primado social. Propõe a Revolução como única saída: a classe trabalhadora revolucionária implantaria o Socialismo. e posteriormente. que são obrigados a vender-se por minuto. Os socialistas pretendem substituir a ordem social fundada na liberdade individual. Karl Marx procurou estudar as instituições capitalistas e compreendeu que o capitalismo se baseia na exploração do trabalho pelos donos dos meios d e produção. são uma mercadoria como qualquer outro artigo comercial. para suprimir o capital.. Karl Marx afirmava que a nova revolução celebra a vitória dos industriais na pele dos trabalhadores. uni-vos". por outra ordem. na propriedade privada e na liberdade contratual.trabalhadores. E se faria através da Revolução Proletária. reduzidos a mercadorias: "Esses operários. pela força. (. derrubando. quando a prosperidade e o controle dos meios de produção devem estar nas mãos do Estado. uma sociedade comunista. base da exploração capitalista. O ponto fundamental do programa do comunismo era a abolição da propriedade privada burguesa. todas as condições sociais existentes. Pregava a união dos trabalhadores para a construção de uma ditadura do proletaria do.. Seu lema básico era: "Trabalhadores de todos os países.

extremamente monótona e facílima de aprender. O trabalho. faz regredir cada trabalhador ao nível de classe subalterna.. que deveria ser a mais alta expressão do homem. Houve necessidade do deslocamento de massa masculina para lu tar. o reduz à mercadoria da indústria capitalista. sob a vigilâ ncia de toda uma hierarquia de suboficiais e oficiais". Para que a produção sustentasse a guerra. unam-se a nível mundial.. que passa a ser um simples acessór io da máquina e ao qual se pede apenas uma operação manual simplíssima. Só quando os trabalhadores se tiverem apropriado das fábricas terminará a sua transformação em mercadoria. (.) Operários concentrados em massa nas fábricas são organizados militarmente e dispostos como meros soldados da indústria. Os governos de muitas nações precisavam interessar -se pelos problemas do trabalho. é preciso que os proletários se reconheçam como portadores de interesses comuns. O remédio está na eliminação da divisão entre produtores e proprietários dos meios de produção.trabalho. Iª Guerra. organizem-se em classe antagonista e cumpram a sua revolução proletária. fundando uma nova sociedade finalmente sem classes e sem Estado. era necessário incentivar os trabalhadores. . Para que isso aconteça. o trabalho proletário perdeu todo o caráter independente e com isso todo o atrativo para o operário.

a fazer sobressair o interesse coletivo. em etapas. Fazia -se inadiável a criação de um direito novo. O individualismo contratual dá lugar ao dirigismo contratual.O direito do trabalho não surgiu instantaneamente. deixando de ser mero espectador do drama social para impor regras conformadoras da vontade dos contratantes. valorizando o coletivo. estourando as muralhas do individualismo da sociedade burguesa. . de idéias até que o direito surgisse. Abertamente se pleiteava o estabelecimento de uma legislação do trabalho e até a criação de um Ministério para cuidar dos problemas do proletariado. para harmonizar as relações entre capital e t rabalho. impondo peias à liberdade de contratação. à intervenção jurídica do Estado. Protege economicamente o mais fraco para compensar a desigualdade econômica. O direito do trabalho vem para igualar juridicamente a diferença econômica. O DIREITO DO TRABALHO O Estado começou a legislar sobre o assunto. a destruir a diferença entre classes e grupos. limitando a autonomia da vontade. O direito que surge terá que ser profundamente tutelar. Há uma flutuação de valores. para que a relação se torne mais igualitária. protetivo. Dessa f orma. 9. O Estado passou a buscar um equilíbrio entre os sujeitos do contrato. limitando o seu exercício quando ele contraísse o interesse da sociedade. tornando relativo o direito individual. o Estado começa a limitar. Esse direito foi sendo processado de forma lenta.

10. Peel lançava os fundamentos de um direito novo e mais humano. como orientador da ação individual. sensibilizado com a condição nefasta a que eram submetidos os menores. como órgão de equilíbrio. passa o Estado a exercer sua verdadeira missão.O intervencionismo vem para realizar o bem-estar social e melhorar as condições de trabalho. . proibindo o trabalho noturno e diminuindo a jornada diurna. O trabalhador passa a ser protegido jurídica e economicamente. 1ª Fase: FORMAÇÃO ± 1802 (Lei de Peel) até 1848 (Manifesto Comunista) Lei de Peel (Moral and Health Act ) foi feita por um industrial inglês. Passou a adotar práticas humanitárias em suas indústrias. A lei começa a estabelecer normas mínimas sobre condições de trabalho. que o empregador deve respeitar. A lei teve o propósito de diminuir a exploração dos trabalhadores menores de idade. Assim. em benefício do interesse coletivo. A formação do Direito do Trabalho segundo Granizo e Rothvoss Foi feita a divisão em quatro fases com objetivo meramente didático.

auxiliando na busca pela paz social. seguindo métodos e princípios. O tratado foi um sopro estimulante em matéria de . Assim os trabalhadores passaram a reivindicar. O Tratado se ocupou da questão social. 2ª Fase: INTENSIFICAÇÃO ± 1848 até 1891 (Encíclica Rerum Novarum) O Direito do Trabalho já existe e começa a se intensificar. 3ª Fase: CONSOLIDAÇÃO ± 1891 até 1919 (Tratado de Versailles) Tratado de Versailles: cada país se comprometeu a criar normas reguladoras do Direito do Trabalho. resistir. O Manifesto serviu de base para a resistência. O trabalhador passa a perceber que seu trabalho agrega valor à mercadoria. serviu de base para a luta operária. Criou a OIT.O Manifesto Comunista desperta a consciência de classes. expedindo convenções e recomendações nesse sentido. a conscientização dos trabalhadores. convencendo seus signatários a regulamentar a questão. com a finalidade de lutar por condições dignas de trabalho no âmbito internacional. Significou a humanização das co ndições de trabalho.

que contribuiu para o aceleramento do processo de regulamentação do trabalho. O direito do trabalho tornou -se disciplina autônoma e foi se aperfeiçoando. salário mínimo. inaugurando o constitucionalismo social.. NO MÉXICO.. . * CONSTITUIÇÃO DE 1917. entre outros. Ele cristaliza o novo espírito. de normas de interesse social e de garantia de certos direitos fundamentais. *CONSTITUCIONALISMO SOCIAL: surge a partir do término da I Guerra Mundial. direito de sindicalização e de greve. É a primeira constituição do mundo que dispõe sobre direito do trabalho. incluindo o Direito do Trabal ho. proteção à maternidade. proibição de trabalho a menores de 12 anos. O processo de aperfeiçoamento é contínuo e inesgotável. É a inclusão de preceitos relativos à defesa social da pessoa nas Constituições. 4ª Fase: APERFEIÇOAMENTO ± 1919. seguro social. limitação da jornada do s menores de 16 anos a seis horas.legislação trabalhista. descanso semanal. jornada noturna máxima de sete horas. Quando se consolida o Direito do Trabalho surge uma nova problemática: o trabalho subordinado. proteção contra acidentes de trabalho. Estabelecia jornada de oito horas.

Disciplinava a participação dos trabalhadores nas empresas. íntegro).* CONSTITUIÇÃO DE WEIMAR de 1919. tratou da representação dos trabalhadores na empresa. Em 1776 esses órgãos foram extintos pela idéia liberalista e a exaltação do individualismo. com faculdade para intervir também nas contravenções de pesca. A norma constitucional dá mais segurança. os pescadores resolviam suas divergências por meio de prud¶hommes radicados em Marselha e outros portos. efetividade a norma. por isso a transferência desses direitos para a Constituição. poderes mais tarde ampliados para as questões entre esses mesmos industriais e seus operários. autorizando a liberdade de coalização dos trabalhadores. que chegava a considerar toda organização prejudicial à livre . No reinado de Luís XI. em 1464 os prud¶hommes foram autorizados a interferir nos conflitos entre fabricantes de seda radicados em Lyon. considerada a base das democracias sociais. Criou um sistema de seguros sociais e também a possibilidade dos trabalhadores colaborarem com os empregadores na fixação de salários e demais condições de trabalho. o conselho da cidade designou vinte e quatro prud¶hommes para colaborarem com o primeiro magistrado municipal encarregado de resolver as questões entre fabricantes e comerciantes. * Os Conseils de prud¶hommes na França: a experiência pode ser considerada a primeira com atribuições paritárias e inicialmente extrajudiciárias (prud¶homme: homem prudente. Além dos industriais de Lyon. A Constituição trazia garantias sociais básicas. Em Paris. em 1426. A Constituição de Weimar repercutiu na Europa.

de 1927: instituiu um sistema coporativo -fascista. bem como a representação dos trabalhadores foi admitida no órgão. Surge com o fim de organizar os interesses divergentes da Revolução Industrial. Foram atendidos. além do comércio e indústria. e em 1806. como Portugal. Os tribunais comuns passaram a decidir as questões que antes competiam aos prud¶hommes. em 1932. que passou a ser constituído por patrões e operários. As mulheres passaram a ser admitidas como conselheiras em 1907. mostrando as dificuldades decorrentes da sua supressão e as vantagens que o restabelecimento podia trazer. O sistema permanece até hoje com ampliações. à agricultura. inclusive dos patrões. As partes não pagavam custas e. Posteriormente. além das reuniões de conciliação. os fabricantes de seda de Lyon solicitaram a volta dos conselhos de prud¶hommes. O corporativismo visava organizar a economia em torno do Estado. mas com protestos gerais. O Estado interferiria nas relações entre as pessoas com o objetivo de poder moderador e . além de impor regras a todas as pessoas. semanalmente o plenário do conselho se reunia para as decisões. * CARTA DEL LAVORO. Sua competência estendeu -se. Em 1921 existiam 205 conselhos. Não obstante esse órgão fosse constituído apenas em Lyon. constituídos de empregadores e com atribuições para conciliar as questões trabalhistas e julgar as reclamações de valor até 60 francos. promo vendo o interesse nacional. Espanha e Brasil.iniciativa dos homens. a lei previa a possibilidade da instituição de organismos idênticos em outras cidades. Foi instituído o sufrágio universal para a escolha dos conselheiros (1848). que inspirou outros sistemas políticos. Napoleão determinou a instituição dos conselhos.

Eram integrados por representantes do governo. NA ITÁLIA: Eram conselhos semelhantes ao da França. CONCLUSÃO É de grande valia o estudo histórico do trabalho. organizando a produção nacional. Em 1893 seu âmbito de atuação ampliou se para outras categorias além da indústria.organizador da sociedade. O trabalhador é facilmente . determinando o que seria melhor para cada um. intervindo nas relações entre empregado e empregador. humano e jurídico na conceituação e v alorização do trabalho. O sistema liberal representou uma igualdade jurídica ao lado de uma desigualdade econômica. porque o empregador dispõe de enorme privilegiação econômica. que muitas vezes não é suficiente. O Direito do Trabalho vem dar um sentido social. para que o mais forte não subjugue o mais fraco. III. sua evolução. É necessária essa intervenção. A organização corporativista na Itália deu impulso acentuado aos órgãos de solução das questões trabalhistas. Nada escapava à vigilância do Estado. para entender a importância do Direito do Trabalho. A desumanidade da Revolução Industrial demonstra a necessidade de intervenção. Tinham competência para conhecer as controvérsias surgidas na indústria. instituídos em 1800. dos empregados e empregadores. * OS PROBIVIRI. O interesse nacional colocava -se acima dos interesses dos particulares. O Estado regulava praticamente tudo.

Com o excesso de mão-de-obra disponível. como limitação razoável de trabalho. como reação ao Absolutismo. tutelar. valorizada pelo Liberalismo. mas pela necessidade. e prevê alguns direitos aos trabalhadores. repouso e lazer. beneficiou fundamentalmente os proprietários em detrimento do trabalhador. ANEXOS DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DO HOMEM A Declaração é de dezembro de 1948. A liberdade. por não ter escolha. férias remuneradas periódicas. torna -se cada vez mais fácil para o empregador abusar da desvantagem do empregado. ser dependente. que acaba se submetendo a uma situação claramente abusiva.manipulado. não só pela ingenuidade. etc. da justiça e da paz no mundo. . causando uma reação: o surgimento do Direito do Trabalho intervencionista. PREÂMBULO Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e dos seus direitos iguais e inalienáveis cons titui o fundamento da liberdade.

a sua fé nos direitos fundamenta is do homem. libertos do terror e da miséria. de novo. na igualdade de direitos do homem e das mulheres e se declararam resolvidos a favorecer o progresso social e a instaurar melhores condições de vida dentro de uma liberdade mais ampla. na dignidade e no valor da pessoa humana. foi proclamado como a mais alta inspiração do homem. para que o homem não seja compelido.Considerando que o desconhecimento e o desprezo dos direitos do homem conduziram a atos de barbárie que revoltam a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em que os seres humanos sejam livres de falar e de crer. . Considerando é essencial encorajar o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações. na carta os povos da Nações Unidas proclamam. em supremo recurso à revolta contra a tirania e a opressão. Considerando que é essencial a proteção dos direitos do homem através de um regime de direito. Considerando que.

Artigo 1 ° Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. por desenvolver o respeito desses direitos e liberdades e por promover. . pelo ensino e pela educação. a fim de que todos os indivíduos e todos os órgãos da sociedade.Considerando que os Estados membros se comprometeram a promover. Considerando que uma concepção comum destes direitos e liberdades é da mais alta importância para dar plena satisfação a tal compromisso: A Assembléia Geral proclama a presente Declaração Universal dos Direitos do Homem como ideal comum a atingir por todos os povos e todas as nações. o respeito universal e efetivo dos direitos do homem e das liberdades fundamentais. devem agir uns para os outros em espírito de fraternidade. por medidas progressivas de ordem nacional e internacional. em cooperação com a Organização das Nações Unidas. Dotados de razão e de consciência. o seu reconhecimento e aplicação universais e efetivos tanto entre as populações dos próprios Estados membros como entre as dos territórios colocados sob sua jurisdição. se esforcem. tendo -a constantemente no espírito.

de fortuna. nomeadamente. de cor. de religião. Artigo 5 ° Ninguém será submetido a tortura nem a pena de morte ou a tratamentos cruéis. sob todas as formas. à liberdade e à segurança pessoal. de opinião política ou outra. de nascimento. Além disso. de raça. de língua. jurídico ou internacional do país o u do território independente. de origem nacional ou internacional. de sexo.Artigo 2 ° Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na presente Declaração. sob tutela ou sujeito a alguma limitação de soberania. são proibidos. não será feita nenhuma distinção fundada no estatuto político. ou de qualquer outra situação. desumanos ou degradantes. Artigo 3 ° Todo o indivíduo tem direito à vida. sem distinção alguma. . Artigo 4 ° Ninguém será mantido em escravatura ou em servidão e o tráfico de escravos.

Artigo 6 ° Todos os indivíduos têm direito ao reconhecimento em todos os lugares da sua personalidade jurídica. sem distinção. Todos têm direito a proteção igual contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação. têm direito a igual proteção da lei. Artigo 10 ° . detido ou exilado. Artigo 9 ° Ninguém pode ser arbitrariamente preso. Artigo 8 ° Toda a pessoa tem direito a recurso para as jurisdições nacionais competentes contra os atos que violem os direitos fundamentais reconhecidos pela Constituição ou pela lei. Artigo 7 ° Todos são iguais perante a lei e.

Do mesmo modo. em plena igualdade. Artigo 12 º Ninguém sofrerá intromissões arbitrárias na sua vida privada. Toda a pessoa acusada de um ato delituoso presume -se inocente até que a sua culpabilidade fique legalmente provada no decurso de um processo público em que todas as garantias necessárias de defesa lhe sejam asseguradas. a que a sua causa seja eqüitativa e publicamente julgada por um tribunal independente e imparcial que decida dos seus direitos e obrigações ou das razões de qualquer acusação em matéria penal que contra ele seja deduzida. não constituíam ato delituoso à face do direito interno ou internacional. Contra tais intromissões ou ataques toda a pess oa tem direito à proteção da lei. Artigo 11 ° 1. nem ataques à sua honra e reputação. . não será infligida pena mais grave do que a que era aplicável no momento em que o ato delituoso foi cometido. na sua família. Ninguém será condenado por ações ou omissões que. no seu domicílio ou na sua correspondência. no momento da sua prática. 2.Toda a pessoa tem direito.

ser invocado no caso de processo realmente existente por crime de direito c omum ou por atividades contrárias aos fins e aos princípios das Nações Unidas.Artigo 13 º 1. 2. . incluindo o seu. Artigo 15 º 1. Todo a pessoa sujeita a perseguição tem o direito de procurar e de beneficiar de asilo em outros países. Toda a pessoa tem o direito de abandonar o país em que se encontra. porém. Este direito não pode. Artigo 14 º 1. Toda a pessoa tem o direito de livremente circular e escolher a sua residência no interior de um Estado. Todo o indivíduo tem o direito a ter uma nacionalidade. e o direito de regressar ao seu país. 2.

nacionalidade ou religião. tem direito à propriedade. 2. 2. . Toda a pessoa. o homem e a mulher têm o direito de casar e de constituir família. A partir da idade núbil. sem restrição alguma de raça. O casamento não pode ser celebrado sem o livre e pleno consentimento dos futuros esposos. Durante o casamento e na altura da sua dissolução. Ninguém pode ser arbitrariamente privado da sua nacionalidade nem do direito de mudar de nacionalidad e. individual ou coletivamente. 3. Artigo 17 º 1. A família é o elemento natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção desta e do Estado. Ninguém pode der arbitrariamente privado da sua propriedade. Artigo 16 º 1. ambos têm direitos iguais.2.

.Artigo 18 ° Toda pessoa tem direito de pensamento. pelo ensino. pela prática. Artigo 19 ° Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão.Toda a pessoa tem direito à liberdade de reunião e de associação pacíficas. assim como a liberdade de manifestar em público como em privado. de consciência e de religião. o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar. sem consideração de fronteiras. pelo culto e pelos ritos. Artigo 20 ° 1. 2. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação. informações e idéias por qualquer meio de expressão. receber e difundir. este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção.

Toda a pessoa tem direito de acesso. 2. Artigo 22 ° Toda a pessoa. quer diretamente. tem direito à segurança social. Artigo 23 ° . e pode legitimamente exigir a satisfação dos direitos econômicos. de harmonia com a organização e os recursos de cada país. e deve exprimir-se através de eleições honestas a realizar periodicamente por sufrágio universal e igual. com voto secreto ou segundo p rocesso equivalente que salvaguarde a liberdade de voto. 3. às funções públicas do seu país. graças ao esforço nacional à cooperação internacional. A vontade do povo é o fundamento da autoridade dos poderes públicos. sociais e culturais indispensáveis. Toda a pessoa tem o direito de tomar parte na direção dos negócios públicos do seu país. em condições de igualdade. quer por intermédio de representantes livrementente escolhidos.Artigo 21 ° 1. como membro da sociedade.

Todos têm direito. a uma limitação razoável da duração do trabalho e a férias periódicas pagas. 2.1. Quem trabalha tem direito a uma remuneração equitativa e satisfatória. se possível. Toda a pessoa tem o direito de fundar com outras pessoas sindicatos e de se filiar em sindicatos para a defesa dos seus interesses. sem discriminação alguma. Artigo 25 ° . 4. especialmente. a condições eqüitativas e satisfatórias de trabalho e à proteção contra o desemprego. Artigo 24 º Toda a pessoa tem direito ao repouso e aos lazeres e. que lhe permita e à sua família uma existência conforme com a dignidade humana. Toda a pessoa tem direito ao trabalho. a salário igual por trabalho igual. 3. e completada. por todos os outros meios de proteção social. à livre escolha do trabalho.

em função do seu mérito. gozam da mesma proteção social. pelo menos a correspondente ao ensino elementar fundamental.1. ao alojamento. na viuvez. ao vestuário. Toda a pessoa tem direito à educação. A educação deve visar a plena expansão da personalidade humana e ao reforço dos direitos do homem e das liberdades fundamentais e deve favorecer a compreensão. na invalidez. Todas as crianças nascidas dentro ou fora do matrimônio. na doença. Artigo 26 ° 1. 2. Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente pare lhe assegurar e à sua família a saúde e o bem -estar. o acesso aos estudos superiores deve estar aberto a todos em plena igualdade. O ensino técnico e profissional deve ser generalizado. principal mente quanto à alimentação. à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários. A educação deve ser gratuita. e tem direito à segurança no desemprego. A maternidade e a infância têm direito a ajuda e a assistência especiais. O ensino elementar é obrigatório. na velhice ou noutros casos de perda de meios de subsistência por circunstâncias independentes da sua vontade. 2. a tolerância e a amizade entre todas as n ações e todos os .

no plano social e no plano internacional. bem como o desenvolvimento das atividades das Nações Unidas para a manutenção da paz. Todos têm direito à proteção dos interesses morais e materiais ligados a qualquer produção científica. Artigo 29 ° . uma ordem capaz de tornar plenamente efetivos os direitos e as liberdades enunciados na presente Declaração. literária ou artística da sua autoria. Aos pais pertence a prioridade do direito de escolher o gênero de educação a dar aos filhos. 3. Artigo 27 ° 1. 2. Toda a pessoa tem o direito de tomar parte livremente na vida cultural da comunidade. Artigo 28 ° Toda a pessoa tem direito a que reine. de fruir as artes e de participar no progresso cientifico e nos benefícios que deste resultam.grupos raciais ou religiosos.

3. da ordem pública e do bem estar numa sociedade democrática. Artigo 30 ° Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada de maneira a envolver para qualquer Estado.1. agrupamento ou indiv íduo o direito de se entregar a alguma atividade ou de praticar algum ato destinado a destruir os direitos e liberdades aqui enunciados. Em caso algum estes direitos e liberdades poderão ser exercidos contrariamente aos fins e aos princípios das Nações Unidas. O indivíduo tem deveres para com a comunidade. No exercício destes direitos e no gozo destas liberdades ninguém está sujeito senão às limitações estabelecidas pela lei com vista exclusivamente a promover o reconhecimento e o respeito dos direitos e liberdades dos outros e a fim de satisfazer as justas exigências da moral. fora da qual não é possível o livre e pleno desenvolvimento da sua personalidade. Reinventar o trabalho . 2.

Sendo o trabalho para nós um valor existencial. reconquistá-lo. amar. Viver é também mostrar atividade. sonhar. e mais ainda a sociedade tecnológica. que subsistem ainda em muitos lugares. é preciso. A sociedade. portanto. um produtor de objetos.O trabalho é a vida. reinventá-lo. de formas. à época da taylorização que não permitia conhecer a totalidade do objeto pois só tinha intervenção sobre uma ínfima parte. de idéias. A estratégia das sociedades industriais consiste em nos substituir e nos mandar às praias para brincar. de leis. nem ação. Elas o destruíram reduzindo o trabalho a mil migalhas. destruiu o ato de trabalhar. . Elas o anularam definitivamente no contexto dos siste mas robotizados porquanto não há neles nem objeto. de moléculas. lugar de embrutecimento físico e mental. mas é também trabalhar. mas é também genitor. agarrá-lo com força para fazer dele um espaço de autonomia. Viver é brincar. ou ao menos um dos aspectos da vida que consiste em dispender suas energia s sobre a realidade para transforma -la. Elas o destruíram em suas origens transformando as fábricas em verdadeiras prisões de trabalhos forçados. é produzir. mas abstração total. O homem é uma criança que se diverte.

AZNAR. Pgs. O trabalho deve ser envolvido. não ousa assumir o desenvolvimento contrário aos dogmas caducos da ideologia das classes dominantes. mas constituir um todo. 1ª ed.. 253 a 257. Trabalhar menos para trabalharem todos (Travailler moins pour travailler tours).A função principal do trabalho tecnológico é de procurar rendimento e um status social (um emprego) em contrapartida de uma participação concedida a tempo à boa marcha do sistema. uniformatizados e fastidiosos? Por que ser p ródigo no sofrimento de homens e mulheres quando se poderia abrandá -lo? Para conservar-lhe um emprego de tempo integral e de salário integral? Mas se a sociedade está disposta a pagar lhe por horas de trabalho inutilmente esbanjadas. Prefácio de André Gorz. Por que fazer as pessoas executarem trabalhos automatizados. por que não lhe pagari a as horas que a informatização pode economizar? Porque esta sociedade não ousa olhar de frente a realidade. e para isso a primeira condição é de não ser elemento seqüencial de uma série. Editora Página Aberta: 1995. Guy. A CIDADE E A BÚSSOLA . São Paulo.

A civilização exige uma hierarquia social e econômica estratificada". De resto. um dos mais encarniçados inimigos da permanência.A civilização mesopotâmica representou. uma magistratura e um sacerdócio letrados. Daí em diante. no entanto. agricultura intensiva. há c inco mil anos foram fundadas as primeiras cidades e as primeiras escolas e inventadas a escrita. a Grécia e Roma não deram grande contribuição ao progresso tecnológico. aparece com assombrosa rapidez no final do quarto milênio a. no terreno de aluvião da Mesopotâmia meridional. literatura. . não restava senão dedicar-se ao progresso do espírito. a supremacia da cidade (e da civilidade. Mas o Egito. arte. o primeiro grande episódio de concentração inventiva em um curto período de tempo e numa pequena região geográfica. efetuando..C. política e direito. como derivado de "viver na cidade") sobre o campo se afirma com prepotência. atingindo -se um nível de progresso científico que permaneceria praticamente imutável por dezenas de séculos. Aristóteles estava convencido de que todo o possível progresso material do homem tinha sido atingido: portanto. Bruce Chatwin. um enorme salto de qualidade em filos ofia. a matemática e a astronomia. até a Idade Média eur opéia. numa área não maior do que a Lombardia e o Piemonte juntos. recorda: "A cidade. teatro. talvez. artes especializadas como a cerâmica e a metalurgia e o controle de uma burocracia. como tal. Entre o Tigre e o Eufrates. Na base dessa transformação houve obras de irrigação.

Da UnB. AS DELÍCIAS DO FABRICANTE DE TECIDOS DE Là ou .Devia caber mesmo à Idade Média ± que ficou marcada na história corrente pela centralização na vida religiosa e mística ± a tarefa de interromper o sono multissecular do progresso técnico com algumas invenções fundamentais para o avanço da humanidade. do moinho d¶água. a pólvora. dos modernos arreios de cavalo. a invenção do purgatório lançou uma ponte entre o céu e a terra. A invenção do relógio. Brasília. Domenico de Masi. contribuindo. pp. através do comércio de indulgências. para um acúmulo de capital que favoreceria o nascimento da primeira burguesia na Europa cristã. DF: Ed. 72-73. a vela moderna. Rio de Janeiro: José Olympio. No mesmo período. a imprensa permitiram a substituição de muita mão-de-obra e determinaram a grande onda de desocupação tecnológica que se traduziu na libertação dos escravos e sua transformação em servos da gleba. a difu são da bússola. 1999. O Futuro do Trabalho: fadiga e ócio na sociedade pós industrial.

..A alegria do rico e a tristeza do pobre. no campo como na cidade. na Inglaterra. ./ É assim que enchemos nossas bolsas./ eles jamais ficarão tristes. ./ Graças ao nosso comércio./ O fiandeiro e a fiandeira. o nde é descrita a malícia com a qual um grande número de fabricantes de pano./ Não sem que isso nos acarrete maldições./ Nossa indús tria não periga desaparecer. Em todo o reino. mas que nos importa?./ Não há um que alimente um homem mais fartamente que o nosso./ Amealhamos tesouros. alegre. reduzi -los-emos/ De oito "groats" as vinte libras à uma meia-coroa. todo o ano sentados à sua roca./ Far -lhes-emos crer que o comércio não vai bem./ E se murmuram e dizem: é muito pouco!/ Dar-lhesemos a escolha entre isso e a ausência de trabalho.. nós lhe faremos pagar caro os salários que ganham... De todos os ofícios que se exercem na Inglaterra. E inicialmente./ Enquanto o penteador de lã souber manejar seu pente/ E enquanto o tecelão cuidar de sua tarefa. reduz os salários de seus trabalhadores. ganhamos grandes riquezas/ À força de se despojar e oprimir pobres homens. os penteadores..

/ com os fiandeiros que se extenuam por um salário ínfimo. Quando partimos para o mercado../ Encontraremos defeitos./ Nem sem suportar mais de uma maldição. disso não saberão jamais./ Dir-lhes-emos que a lã não mais vai ao ultramar/ E que nós não nos preocupamos em continuar a vendê -la.. de maneira a aviltar ainda mais seu salário. aparentamos um ar triste. os torcedores também. e saberemos obtê -los. É assim que adquirimos nosso dinheiro e nossas terras: / Graças a homens pobres que trabalham dia e noite. cedo perceberão./ É por esses meios engenhosos que aumentamos nossa fortuna. os tecelões./ Dos pence por shilling. mas quando voltamos./ Os penteadores../ Se eles não estiverem lá para dispender todas as suas forças. haja ou não./ Pois tudo é pe ixe. . / ficaremos ameaçados.. nossos trabalhadores regozijam -se./ temos o cuidado de nos entender com a taverneira: Contamos em conjunto e reclamamos nossa parte. mas se os negócios melhorarem.Nós faremos trabalhar a baixo salário os pobres tecelões.../ Se os negócios vão mal. Se são clientes habituais de uma taverna. que cai em nossas redes./ É graças a seu trabalho que enchemos nossas bolsas. sem outra forma de viver.

no melhor dos casos. Livre) O significado de 1848 O objetivo popular de 1848. era simultaneamente social e político. 1848 foi a primeira revolução na qual soci alistas ou mais precisamente comunistas ± pois o socialismo pré-1848 era um movimento largamente apolítico para construir utopias cooperativas ± aparecem na frente da cena desde o início. Os socialistas e comunistas organizados eram ainda mais limitados em número: umas poucas dúzias. cantada nas t avernas do sudoeste da Inglaterra. no máximo umas poucas centenas. Freqüentemente. o sindicato. acrescentada de novos elementos institucionais baseados na prática de sindicatos e da ação cooperativista. pioneiros em sindicalismo. organização. não foi suficiente para criar elementos novos e poderosos como sovietes na Revolução Russa. (. a uns poucos milhares de membros.. os chapeleiros na França. era restrito a umas poucas centenas ou. mesmo as sociedades de trabalhadores especializados. apareceram pela primeira vez durante a revolução ± os impressores na Alemanha. a república democrática e social. Além disso.(Canção popular do final do século XVII. Portanto.) Mas o que significava socialismo para os seus . Mesmo a mais elementar das formas. Mas mesmo a experiência trabalhista.. Trad. ideologia e liderança eram lamentavelmente pouco desenvolvidas.

. O máximo que poderia ser atingido seria uma república burguesa que trouxesse à luz a verdadeira natureza da futura luta ± a confrontação entre a burguesia e o proletariado ± e fixasse na lembrança dos trabalhadores que "sua posição como classe ficara mais insuportável e que seu antagonismo com a burguesia tornara-se mais agudo". Eric Hobsbawm. . Mesmo na França. numa segunda.). uma transição de uma revolução burguesa incompleta para uma revolução proletário -popular. Seria numa primeira instância uma república democrática. 42-43. "Suas necessidades imediatas e confessadas desviavam -nos da vontade de derrubar a burguesia e nem eles possuíam os instrumentos para ta l efetuar". 1848 -1875. nada sobre "capitalismo". Falava-se muito de "classe trabalhadora" e mesmo de "proletariado". o "p roletariado de Paris ainda era incapaz de ir além da república burguesa de outra forma que não na idéia. De fato. com suas próprias aspirações a uma sociedade diferente do capitalismo e baseada na sua derrubada? Mesmo seu inimigo não estava claramente definido. e finalmente uma ditadura do proletariado (. durante a revolução. quais eram as perspectivas políticas de uma classe trabalhadora mesmo que socialista? O próprio Karl Marx não acreditou que a revolução estivesse na agenda. pp. Rio de Janeiro. A era do capital.seguidores além de um nome para uma classe trabalhadora autoconsciente.. 1997. na imaginação". mas. Paz e Terra.

presidente da então Tchecoslováq uia. arregaçar as mangas e mexer -se para projetar um novo modelo de vida e de trabalho que. nascendo dos despojos dos outros dois. Rio de Janeiro: José Olympio. Domenico de Masi. abandonar a orgulhosa autocomplacência que o capitalismo celebrou depois daquela queda. me disse: "O comunismo perdeu. DF: Ed. Da UnB. mas o capitalismo não venceu". Brasília. mas não saber produzi -la. pp. O Futuro do Trabalho: fadiga e ócio na sociedade pós industrial. o poder e o saber. 15-16. o comunismo demonstrou saber distribuir a riqueza. portanto. o capitalismo demonstrou saber produzi -la mas não distribui-la ± nem distribuir eqüitativamente o trabalho. O CAPITALISMO NÃO VENCEU Dos dois grandes modelos que se confrontaram no século XX. O Muro de Berlim tinha caído fazia pouco. Num debate radiofônico.O COMUNISMO PERDEU. BIBLIOGRAFIA . É preciso. enriqueça com humildade e os ultrapasse com coragem. 1999. Vaclav Havel. V.

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1) INTRODUÇÃO Esse trabalho tem como objetivo nos dar um conhecimento mais amplo no que se refere ao Direito do Trabalho. dentre estes o trabalho escravo e a servidão. possibilitando ao acadêmico de direito galgar mais um degrau para o conhecimento sobre esta matéria. é necessário que tenhamos uma noção de seu desenvolvimento no transcurso do tempo. . Pois é bem verdade que só iremos entender o desenvolvimento da ciê ncia ao longo dos anos estudando o passado. Tendo sido há algum tempo a maneira encontrada pelas classes privilegiadas para se projetaram econômica e socialmente. Assim sendo. Para que possamos ter um conhecimento mais amplo do Direito. quer no âmbito internacional. que é de suma importância para a sociedade em que vivemos. cabe ressaltar que este trabalho tem como objetiv o trazer à baila temas que nos dias atuais geram muita polêmica e controvérsia. quer no âmbito nacional. sendo este o caminho primordial para que possamos entender a evolução do Direito do Trabalho.

esses por sua vez com tradição sindicalista. a nossa CLT é um dos principais meios de se obter a paz social atinente às relações trabalhistas. CLT). e na imigração de trabalhadores europeus. possuindo grande quantidade de recursos naturais. cabe -nos observarmos que ela tem como fonte inspiradora a Evolução do Direito do Trabalho no mundo. pois a mesma é o principal liame que demonstra as regulam entações existentes entre "as relações individuais e coletivas de trabalho" (art. podemos dizer que a História do Direito do Trabalho no Brasil tem origem na abolição da escravatura. 2) HISTÓRIA DO DIREITO DO TRABALHO NO BRASIL. em função do uso da mão de obra escrava. que é a Consolidação das Leis do Trabalho. o Brasil é um país novo. posto que. Apesar de ser tratada por alguns como instituto legislativo de origem fascista. que passaram a reivindicar medidas de proteção legal. Assim sendo. 1º. . t endo sido descoberto no século XVI. No tocante à História do Direito do Trabalho no Brasil. iremos discernir sobre o principal instrumento de cunho trabalhista analisado e discutido pelos estudiosos de Direito.Além da observação histórica acima mencionada.

jornada de oito horas de trabalho. proteção do trabalho das mulheres e menores. quando foi criado o Ministério do Trabalho. Essa preocupação transformou-se em 30 artigos da Constituição mexicana de 1917. sobre o trabalho das mulheres em 1932. . como órgão da antiga Liga das Nações. repouso semanal. hoje da Organização das Nações Unidas. Estava contida também no Tratado de Versalhes. a partir de então. sobre a Justiça do Trabalho em 1939. posto que a Legislação Trabalhista e a Justiça do Trabalho surgiram. de 1891. sobre as profissões. férias anuais remuneradas (art.OIT. Indúst ria e Comércio. de 1919. garantindo a liberdade sindical. sobre o salário mínimo em 1936. sob forte influência dos princípios de proteção aos trabalhadores expostos pelo P apa Leão XIII em sua encíclica Rerum Novarum. no Brasil. Cabe chamarmos a atenção no tocante a Proteção ao Trabalhador. etc. que passou a expedir decretos. 121). salário mínimo. A primeira Constituição a tratar de Direito do Trabalho foi a de 1934.A política trabalhista brasileira começa a surgir com Getúlio Vargas em 1930. de onde se originou a Organização Internacional do Trabalho . como conseqüência de longo processo que se desenrolava no exterior. isonomia salarial.

um Tribunal Rural "para conhecer e julgar as questões. de 1891. O juiz pedia a outra parte que fizesse igual indicação.869. até o valor de quinhentos mil réis (500$000). Em 1917 foi criado o Departamento Nacional do Trabalho como órgão fiscalizador e informativo. A partir da Revolução de 1930. em cada comarca de São Paulo. como é o caso do Decreto nº 1. Se os membros chegassem a acordo. ele próprio decidia a questão. O interessado que levasse a questão ao Tribunal já indicava um dos membros. de 10/10/22. as primeiras normas nesse sentido começaram a surgir antes da virada do século passado.No Brasil. que regulamentou o trabalho dos menores de 12 a 18 anos. decorrentes da interpretação e execução dos contratos de locação de serviços agrícolas". o juiz o homologava. A lei estadual nº 1. Em 1907. Em 1922. Se não.313. criou. uma lei tratou da sindicalização rural. acelerou -se esse processo. O Tribunal compunha-se do Juiz de Direito da comarca onde estivesse situada a propriedade agrícola e de dois outros membros designados um pelo locador e outro pelo locatário. iniciando-se então o que o ministro Mo zart Victor Russomano classifica de fase . foi criado órgão especializado em resolver divergências nas relações de trabalho.

Com a Constituição de 1946. vinculado ao Ministério do Trabalho. no dia 10 de maio de 1941. O Conselho Nacional do Trabalho.Juntas de Conciliação. A designação de Justiça do Trabalho surge pela primeira ve z na Constituição de 1934 ("primeira Constituição social -democrática do País". como órgão especializado. em 1934. Estava dividida em três instâncias . nas palavras do primeiro presidente do TST. Era uma Constituição corporativista . ministro Geraldo Montedônio Bezerra de Menezes). Naquele mesmo ano criou -se o Ministério do Trabalho. tendo sido mantida na Carta de 1937. porém.contemporânea do Direito do Trabalho no Brasil. cujo titular podia reformar as suas decisões. de 1927. A Carta Constitucional de 10 de novembro de 1937 é decorrente do golpe de Getúlio Vargas. para julgar. assim como o são a Justiça Eleitoral e a Justiça Militar. de 1923. inspirada na Carta dei Lavoro. . Conselhos Regionais e Conselho Nacional do Trabalho . Começava a nascer a atual Justiça do Trabalho. passou. a ter competência para opinar em matéria contenciosa e consultiva e. no dia 1 de maio de 1 939 e instalada dois anos depois.e ainda tinha caráter administrativo. mas como órgão administrativo. Ela só foi criada. a Justiça do T rabalho passou a integrar o Poder Judiciário. em 1931. e na Constituição polonesa.

ao ser lançada. exercendo funções delegadas de poder público. mas hoje. sem o acabamento necessário. como um enorme e imponente edifício.452 de 10 de maio de 1943. Ins tituiu o sindicato único. tornando-se necessária sua sistematização. antes.O artigo 140 da referida Carta era claro no sentido de que a economia era organizada em corporações. pois não traz um conjunto de regras novas. aperfeiçoada. Foi criado o imposto sindical. em virtude de haver várias normas trabalhistas esparsas. 139). a Legislação Trabalhista Brasileira aí está. podendo haver intervenção estatal direta nas suas atribuições. através do Decreto Lei nº 5. que tinham por objetivo principal evitar o entendimento direto entre trabalhadores e empregadores. a CLT não é um código. mas apenas a reunião das normas já existentes de forma sistematizada. exercendo função delegada de poder público. nocivos ao trabalho e ao capital e incompatíveis com os interesses da produção nacional (art. Foi criada a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A greve e o µlockout" foram considerados recursos anti -sociais. . vinculado ao Estado. por sua vez. sendo que o Estado participava do produto da sua arr ecadação. Estabeleceu-se a competência normativa dos tribunais do trabalho. no Estado Novo. lançada em 1936. Como quer que seja. imposto por lei. sendo consideradas órgãos do Estado.

um título preliminar e um apêndice. Naquela ocasião. as Leis sobre "Nacionalização". "Juntas de Conciliação e Julgamento". tornou -se verdadeiro pioneiro das inovações sociais. Naquela época.Na primeira parte: "Contratos de Trabalho. em certas instituições. foram transcritos alguns artigos da Constituição Federal pertinentes às questões do trabalho e cujo conhecimento era indispensável para a boa interpretação das leis trabalhistas. Naquela ocasião o Conselho. as leis trabalhistas eram desconhecidas. seguindo-se-lhe a lei que instituiu as "Carteiras Profissionais". "Comissões Mixtas de Conciliação" e "Conselho Nacional do Trabalho". assistência social e respectivos aparelhos. por falta de divulgação. base de toda a legislação trabalhista.Podemos considerar que a CONSOLIDAÇAO DAS LEIS TRABALHISTAS reúne e ordena sistematicamente todas as leis reguladoras do trabalho. em sua grande parte. A CLT estava dividida em quatro partes principais. Seguem a "Convenção Coletiva": a Le i que regula a estabilidade dos empregados (Lei nº 62). fiscalizava as Caixas de Aposentadoria e . verificava -se que. complemento da Lei de Sindicalização. No titulo preliminar. pela sua organização tinha diver sas funções: julgava os conflitos de trabalho. Conflitos e órgãos Julgadores" teve primazia a Lei de Sindicalização. . por muitos colegas de lutas forenses. o Brasil passou a possuir uma legislação trabalhista das mais adiantadas e.

Pensões e Institutos Congêneres e é órgão administrativo propriamente dito, de modo que o desdobramento do Decreto nº 24.784, nessas subdivisões, era matéria muito complexa, pelo que a sua reprodução na parte referente à Organização administrativa", era uma necessidade evidente.

- A segunda parte: "Condições de trabalho" - (duração, repouso e segurança) era constituída pela lei geral reguladora do trabalho no comércio, suas modificações e as leis especializadas em referência às barbearias, farmácias, casa de diversão, casa de penhores, bancos e casas bancárias, armazéns e trapiches, hotéis e pensões e transportes terrestres; a lei reguladora do trabalho na industria e as leis especiais sobre padarias, frigoríficos, telegrafia e radio telegrafia e ferroviários, lei que regulava a profissão de leiloeiros; as leis reguladoras das profissões liberais; agrônomos, engenheiros, arquitetos e agrimensores, químicos, e do Conselho Federal de Engenharia e Arquitetura; lei reguladora do trabalho de mulheres e menores; acidente de trabalho e salário mínimo. A lei de seguro contra acidente no trabalho foi incluída na parte referente à Previdência e Assistência Social, visto ser, como é uma lei previdenciária.

- Terceira parte: "Previdência e Assistência Social" - era assim formada: lei geral de Caixa de Aposentadoria e Pensões e suas modificações; leis reguladoras dos diversos serviços peculiares às referidas Caixas, leis especiais que regulam as Caixas de Aposentadorias e Pensões da Imprensa Nacional, Trapiches e Armazéns de Café, dos Estivadores; leis especiais referentes aos

Institutos dos Marítimos, Comerciários e Bancários e lei sobre Seguro de Acidente de Trabalho.

- A quarta parte: "Organizações Administrativas" continham os regulamentos do Conselho Nacional do Trabalho, Departamento Nacional do Trabalho, Inspetorias Regionais, Delegacias do Trabalho Marítimo e a lei relativa á Fiscalização das leis trabalhistas.

O "Trabalho" é, no sentido técnico geral, o desenvolvimento de energia, a transformação de uma forma de utilidade em outra; no sentido restrito, trabalho é o esforço desenvolvido por um homem com a finalidade de produção.

No conceito de economia pública, trabalho é a ati vidade produtiva que vai associada ao emprego de determinada quantidade de energia; na economia comercial representa a forma de atividade lucrativa.

Quando essa atividade tem lugar em benefício de terceiro, ou para exploração de uma empresa, e mediante um a remuneração, há, então, a relação de trabalho.

Para os vernaculistas, examinada como contrato, essa relação é a "convenção ou acordo pelo qual uma ou mais pessoas se obrigam a dar, a fazer, ou a não fazer, alguma coisa." (Aulette), é o acordo em que uma ou mais pessoas transferem entre si algum direito ou se sujeitam a alguma obrigação". (Cândido Figueiredo).

Para Griolet e Vergé, em seu dicionário jurídico, é a "convenção ou acordo de duas ou mais pessoas em torno de um interesse jurídico, dando nascim ento a uma ou mais obrigações."

Os juristas, o definem, como Clovis, como "acordo de vontades para o fim de adquirir, resguardar, modificar ou extinguir direitos". Para Dyonisio Gama é o "ato jurídico, em virtude do qual duas ou mais pessoas se obrigam, p or consentimento recíproco, a dar, fazer ou não fazer alguma coisa. Jorge Giorgi o declara como "figura jurídica destinada a criar uma obrigação.", e Carvalho de Mendonça o entende como a fonte mais fecunda, mais comum e mais natural dos direitos de crédit o."

Se assim entende vernaculistas e juristas o contrato, sob um aspecto geral, ou melhor, sob seu aspecto no direito privado, em face do Direito Trabalhista ele tem que ser considerado de maneira especial, porque é, como bem afirma Gaete o "contrato do qual depende a subsistência de 99% dos homens, para não dizer de 100%".

quando o trabalho era obrigação dos escravos. Os interesses que esta relação põe em jogo são os interesses abstratos do grupo. o contrato de trabalho tinha essa posição. ou possam a ele pertencer. pelo que se assimilava á locação de coisas ou à compra e venda. .1) Direito Coletivo do Trabalho O direito coletivo pressupõe uma relação coletiva de trabalho.Desprezado a ponto de não merecer uma distinção especial entre os individualistas. quer dizer uma relação jurídica cujos sujeitos nela figuram em função de um grupo social. porque o velho direito vinha fundamentado nos princípios do direito romano. 3) ORGANIZAÇÃO SINDICAL 3. bem tinha posição -.ou melhor dizendo. São instituições do direito coletivo do trabalho: . como tal. e não os interes ses mediatos. reflexos e concretos dos indivíduos que pertençam. era apenas "coisa".

O direito coletivo tem caráter instrumental: meio para alcançar a criação de novas condições de trabalho. com a participação daquelas. através de normas estabelecidas pelas próprias categorias interessadas ou pela Justiça do Trabalho. proc essualmente.a) Liberdade de coalizão.2) Liberdade de Coalizão . podem ser. Fundamento do direito coletivo. ou de empregadores. d) Dissídios coletivos de trabalho. b) Associação profissional. 3. de grupos. resolvidos. Significa a organização permanente de empregados. c) Convenção coletiva. em defesa dos interesses das respectivas categorias. O estabelecimento de normas sobre condições de trabalho pelas próprias categorias a que se destinam. traduzindo a possibilidade jurídica da união em defesa de interesses comuns: o direito de greve é uma conseqüência do reconhecimento desta liberdade. Reconhecimento pelo direito de que os conflitos entre interesses abstratos.

viram por isso os operários. . como salienta Mario de la Cueva. a coalizão foi proibida por lei de 1799. Com a queda do antigo regime. isoladamente colocado diante do empregador. lágrimas e sangue". como conseqüência da exploração de que era vítima o empregado. Na Inglaterra. A coalizão e a greve tornaram-se crimes. no início do século XIX. estabelecida pela Constituinte. sendo que a ascensão acabou por se tornar praticamente impossível pela natureza hereditária da posição de mestre. a luta pela conquista da liberdade de coalizão. não entenderam por que o novo regime queria também destruir as associações de companheiros.As corporações de partes e ofícios da Idade Média tinham feição aristocrática. companheiro e aprendiz. A igualdade teórica entre patrão e empregado. então. escalonadas na gradação de mestre. com "suor. ia tornar-se irrisória quando. a revolução industrial concentrou nas mãos dos patrões todos os meios de produção. vitoriosa a Revolução Francesa. Inicia-se. Mas o Estado liberal foi além.

na fase de tolerância: a greve pacífica já seria admitida. mas cessava a perseguição aos que se reunissem em defesa de seus interesses comuns. não cessou a agitação e as greves eclodiram. em 21. por sua vez. por Ato do Parlamento. que os trabalhadores iriam obter o direito de associação. foram restabelecidos os artigos do Código Penal que puniam a coalizão. Em 1848 eclodiu em França novo movimento revolucionário e pareceu. nem a existência dos sindicatos (trade unions). Pela reforma de 15/05/1864. Apesar disto. como um direito. Ainda não se reconhecera a greve. depois dos combates de rua de 23 a 26 de junho. cujo triunfo ficou assegurado com a eleição de Luis Bonaparte para a Presidência da República. a 29 de fevereiro foi decretada a liberdade associativa. Mas o sentido nitidamente popular das reformas sociais anunciadas assustou a burguesia. de Napoleão III. É a fase da tolerância. graças a Francis Place. . Por lei de 27/11/1849. Instalada a célebre Comissão de Luxemburgo. entrou a França. a princípio.61824.Na Inglaterra. um empregador humano e compreensivo. deixa a coalizão de ser proibida aos trabalhadores.

ao processo de constitucionalização do direito coletivo do trabalho. consolidada em 1906. com a conseqüente redação do Programa de Gotha. Mas a expansão extraordinária do movimento socialista. revogadas e suprimidas as punições para a coalizão que visasse à melhoria das condições de trabalho. A liberdade de coalizão e m França é reconhecida em 1884. Nas palavras de Mario Giuliano. E a Constituição de Weimar. em 1845. o reconhecimento dos seguintes princípios": . de 1919. porém. na Prússia.Na Alemanha. 3. reproduziram -se velhas Ordenanças contra os companheiros medievais. provocou a lei anti-socialista de 21/10/1879. seguido de agitações operárias. tais Ordenanças foram. Na Inglaterra.. lei de 1875. em 1872). dá início. assegurou o desenvolvimento sindical através das trade unions.. a liberdade sindical "importa necessariamente. na Europa. Em 21/05/1869 (lei ulteriormente ratificada para o Império.3) Liberdade Sindical Não há sindicalismo verdadeiro sem o autogoverno democrático das associações (Ardau).

Devem agrupar . Em França. sem outra obrigação que a de um ordenamento interno democrático. d) possibilidade de mais de um sindicato para a mesma categoria. repousa sobre três grandes princípios: o da liberdade. seja dos governos o dos patrões". sem interferência alguma do Estado. e não obrigação. de constituição de sindicatos e de adesão a estes. O sistema legal dos sindicatos. reafirmou "os direitos fundamentais dos trabalhadores de todo o mundo de estabelecer e aderir a organizações sindicais livres e independentes de todo controle. O VII Congresso Mundial da Confederação Internacional das Organizações Sindicais Livres. realizado em Berlim de 5 a 12/07/1962. b) liberdade de auto-organização dos sindicatos. o da pluralidade e o da autonomia. c) autogoverno dos sindicatos em relação aos próprios interesses.a) liberdade.

Nesse mesmo ano f undou-se o Partido Trabalhista (Labour Party). O congresso dos sindicatos é o órgão de cúpula da organização sindical dos trabalhadores ingleses. o Congresso de Organizações Industriais (COI). a liberdade sindical foi assegurada por lei de 21. com sede em Düsseldorf. ou atividades similares. Na Alemanha Ocidental.1906. liderados por John Lewis. como resultado do Congresso dos sindicatos ingleses (Trade Unions) de 1903. em 1937. entendendo demasiado moderada a ação da AFL. Encontram-se os sindicatos franceses reunidos em quatro grandes entidades de cúpula: a Confederação Geral do trabalho (CGT).12. Nos Estados Unidos da América do Norte.os sindicatos somente pessoas exercendo a mesma atividade. sindicatos dissidentes. que aboliu o delito civil de conspiracy. formaram novo organismo de cúpula. a Confederação Francesa dos Trabalhadores Cristãos (CFTC) e a Confederação Geral dos Quadros (CGQ). a principal organização sindical é a Confederação dos Sindicatos Alemães (DGB). limitar-se à defesa dos interesses profissionais. Na Inglaterra. foi criada. a Federação Americana do Trabalho (AFL). a Confederação Geral do Trabalho-Força (CGT-FO). cujo movimento operário reconquistou a liberdade com o término da II Guerra. Ambas . em 1886.

No México admite -se cláusula do tipo closed shop. Quando se conclui uma convenção coletiva.as entidades uniram-se numa poderosa Central de Trabalhadores. ou seja. com a liberdade sindical. o empregador procura conservar sua liberdade e. que impede o empregado de contratar trabalhadores que não sejam associados do sindicato com que fez a convenção. . declarada esta cláusula ilegal pelos tribunais. por sua vez. de exclusão dos sindicatos. de 1947. pertençam ou não ao sindicato com o qual celebrou a convenção. Questão das mais controvertidas é a que se refere à compatibilidade do sindicato único. que lhe permite escolher livremente seus empregados. Na Suíça. defende o regime da open shop. em dezembro de 1955 (AFL -CIO). Os sindicatos. A Lei Talf-Hartley. proibiu a cláusula da closed shop. oficialmente reconhecido como representante de toda a categoria. a fim de beneficiar se da convenção por ele celebrada. pugnam pela cláusula closed shop. não podendo utilizar -se da cláusula da non union shop. foi substituída pelo pag amento de uma quota de solidariedade com a qual os trabalhadores não associados ao sindicato convenente contribuem para a manutenção deste. agrupando 15 milhões de aderentes.

O problema da liberdade sindical envolve.Em uma sociedade democrática. como ocorre na Suécia. superando. mas resultar da unidade mesma do grupo profissional. o da liberdade de individuo no que respeita às suas relações com o sindicato e à ação por este desenvolvida. embora não a determinado sindicato. a unidade do movimento sindical não deve ser legalmente imposta pelo Estado. também. se infringir norma sindical. os conflitos de interesses que inevitavelmente existirão dentro dele. como na Inglaterra. É o caso típico da unidade sin dical inglesa. por instrumentos próprios. Quatro são os sistemas pelos quais se estruturam tais relações entre indivíduo e sindicato: a) o indivíduo pode estar obrigado associar -se e a continuar associado de determinado sindicato. b) pode estar obrigado a associar-se a um sindicato. . correndo o risco de vir a ser despedido pelo empregador. principalmente através de órgãos de cúpula.

França. como indivíduo. sempre e necessariamente. como indivíduo. a que decorre. apesar das várias tentativas objetivando extinguir tal contribuição. importa. pode ter o indivíduo liberdade de associar -se ou não a sindicato ou de associar -se ao sindicato que escolher (pluralidade sindical). . empecilho a que em geral. no plano individual. se possa chegar. como aliás. ainda quando o indivíduo possa negar -se a ser associado de sindicato. as condições de seu contrato de trabalho. nem por isso. A prevalência dos interesses coletivos do grupo. Cumpre à lei garantir a liberdade do trabalhador. Note-se que. para negociar. escapará ao controle coletivo sindical. por isso que pode estar obrigado a respeitar a convenção coletiva. Mas essa restrição. a uma relação contratual justa. dada a desigualdade econômica entre empregado e empregador. certa restrição à liberdade do trabalhador. como tal. como ainda acontece entre nós (contribuição sindical). por conseguinte. em relação ao sindicato. em maior ou menor grau. como acontece na Bélgica. também. pressuposto da existência mesma dos sindicatos. visa a beneficiar o próprio indivíduo. e d) consideradas ilegais todas as fontes de exclusividade sindical. das normas legais que regem tal contrato. por conta própria.c) pode ser obrigado a mero apoio econômico. República Federal Alemã e Suíça.

"a mais freqüente. sem faculdade para celebrar convenções coletivas. mas não a única".4) Sindicato O sindicato é uma forma de associação instituída para proteger os interesses profissionais dos que o integram. as associações do tipo mutualista ou amistoso. Integra o aparelho estatal de tipo corporativo. Mas.resguardando-lhe o direito de associar-se ou não e de participar nas deliberações do sindicato. 3. 3. Mas. num regime . Como escreve Georges Friedmann e Jean René Treanton. Nos países totalitários é evidente a natureza de pessoa de direito público do sindicato. agem apenas como grupo de pressão. Somente o molde sindical "permite aos agrupamentos profissionais alcançar a plenitude de personalidade e ação". sem ví nculo que lhes unifique a ação.5) Natureza Jurídica do Sindicato A personalidade de direito público pressupõe que participe a entidade da essência da atividade do Estado e disponha de parcela do poder de império.

A prova de existência desta luta resulta irretorquível do esplêndido trabalho de Evaristo de Moraes Filho sobre "O Problema do Sindicato Único no Brasil".6) Formação Histórica dos Sindicatos no Brasil Escreve Roberto Barreto Prado que.democrático. É que o sindicato participa de atividades que envolvem uma col aboração mais direta com o poder público. "sempre orientadas. c om sede na Capital . no sentido de melhoria das condições de trabalho". 3. "ao contrário do que ocorreu na Europa e nos Estados Unidos da América do Norte. não nos é possível concordar com tal afirmação do eminente jurista e magistrado de São Paulo. predominando em relação a este os interesses do grupo organizado. Não há identificação entre os fins do Estado e do sindicato. no Brasil não houve luta sindical". No primeiro congresso da Federação Operária Regional. o caráter de pessoa de direito privado é uma decorrência do próprio princípio de liberdade sindical. porém. Data vênia.

geral e pacífica. a greve. o Decreto nº 1. Em pleno desenrolar dessas greves-lê-se na obra de Evaristo ± envia o então Presidente da República. em 16/03/1919. São Paulo. em 1906. mensagem encarecendo a urgente necessidade da legislação social.19. a 29.637 c riou as sociedades cooperativas e estendeu o direito de sindicalização a todos os trabalhadores. facultara -se a constituição de sindicatos de âmbito rural. a greve eclodida a 6. Em 1919. sem a qual. c om a vitória das reivindicações operárias. A 05/01/1907. Recife e Salvador).19 foi praticamente geral e terminou vitoriosamente. o movimento grevista teve início em maio. de 06/01/1903. cessou.Federal. .6. Em São Paulo. para os trabalhadores. Pelo decreto-lei nº 979. Na capital baiana. Em Pernambuco. foi aprovada resolução em que se reconhecia "a necessidade iniludível da ação econômica direta de pressão e resistência. surgiram greves nos principais centros do país (Rio. ao Congresso. não há lei que valha". ainda para os mais legalitários. Delfim Moreira.7. Junho e julho daquele ano foram meses de greves no Rio de Janeiro. igualmente.

de cassação da carta de reconhecimento sindical. Previramse as convenções coletivas de trabalho. cuja constituição e funcionamento foram regulados pelo Decreto nº 1. Esta organização sindical foi completada pelo Decreto nº 24. de 05/07/1939. recém -criado.A revolução de 1930 veio dar contornos mais precisos à nossa organização sindical.770. . regulamentado: caiu no vazio. a juízo do Ministério do Trabalho. 120. em seu art. de 12/07/1934. e se lhes fixou finalidade estritament e profissional. de 19/03/1931. estabeleceu distinção mais nítida entre os sindicatos de empregados e os de empregadores. Foi -lhes exigido o reconhecimento pelo Ministério do Trabalho.402. A Constituição de 1934.694. entretanto. Assim. Tal preceito nunca foi. exigindo 1/3 de empregados da mesma profissão para a constituição de sindicato. O golpe de 1937 e a Carta Constitucional dele decorrente consagraram o sindicato único. Várias hipóteses foram admitidas. garantiu a pluralidade sindical e a completa autonomia dos sindicatos. Foi permitida a intervenção do Estado nas entidades sindicais. inclusive a desobediênci a às normas de política econômica ditadas pelo Presidente da República. o Decreto nº 19. A investidura sindical passou a ser conferida à associação mais representativa. como prerrogativa dos sindicatos. A greve era proibida (crime).

como a de 1946. 162). Mas. de 01/06/1964. cuja forma de constituição. a única alteração realmente verificada no sentido de democratização do nosso sistema de organização s indical foi o reconhecimento do direito de greve e assim mesmo regulamentado por lei. representação legal nas convenções coletivas e o exercício de funções delegadas pelo poder público serão regulados por lei (art. em 1943. 3. afinal regulamentado pela Lei nº 4. foi posteriormente incorporado na Consolidação das Leis do Trabalho. declara ser "livre a associação sindical". a despeito disto.Tal sistema. considerando -se a proibição constitucional de greve nos serviços públicos e atividades essenciais (art. A Constituição de 1969. continuaram os sindicatos sujeitos ao mesmo regime decorrente do espírito da Carta de 1937.330. de inspiração indisfarçadamente fascista. 166). XX). Quanto a mais. em termos tais que a regulamentação legal tornou -se praticamente incompatível com o próprio direito cujo exercício foi disciplinado ao máximo. alem de reconhecer o direito de greve (art.7) A Organização Sindical no Brasil após a Constituição de 1988 . 165.

A matéria está disposta o art. não podendo ser inferior à área de um Município. Passamos de um regime de grande interferência estatal para um sistema que consagra a autonomia das entidades sindicais. III ± ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos o u individuais da categoria. observado o seguinte: I .A Organização sindical sofreu sensíveis alterações com o advento da Constituição Federal de 1988. representativa de categoria profissional ou econômica. que será definida pelos trabalhadores ou empregadores interessados. II ± é vedada a criação de mais de uma organização sindical. em qualquer grau. que expressamente dispõe: "art. 80. sem entretanto adotar a liberdade sindical. 8º . .É livre a associação profissional ou sindical. ressalvado o registro no órgão competente. vedadas ao Poder Público a interferência e a intervenção na organização sindical. inclusive em questões judiciais ou administrativas.a lei não poderá exigir autorização do Estado para a fundação de sindicato. na mesma base territorial.

IV ± a assembléia geral fixará a contribuição que, em se tratando de categoria profissional, será descontada em folha, para custeio do sistema confederativo da representação sindical respectiva, independentemente a contribuição prevista em lei;

V ± ninguém será obrigado a filiar -se ou a manter-se filiado a sindicato;

VI ± é obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho;

VII ± o aposentado filiado tem direito a votar e ser votado nas organizações sindicais;

VIII ± é vedada a dispensa do empregado sindicalizado a partir do registro da candidatura a cargo e direção ou representação sindical e, se eleito, ainda que suplente, até um no após o final do mandato,salvo se cometer falta grave nos termos da lei.

Parágrafo único: As disposições deste artigo aplicam -se à organização de sindicatos rurais e de colônias de pescadores, atendidas as condições que a lei estabelecer."

O caput do mencionado artigo inicia deixando nítida impressão de que assegura a liberdade sin dical. Porém, em seguida condiciona o exercício do direito às disposições dos incisos subseqüentes que se atritam com os postulados daquela liberdade.

A substituição processual pela entidade sindical continua restrita às hipóteses expressamente autorizada s em lei, que atualmente são as seguintes:

ação de cumprimento de sentença normativa ou acordo homologado em processo de dissídio coletivo;

procedimento administrativo para aferição e insalubridade ou periculosidade em estabelecimento ou local de trabalh o;

ação de cobranças adicionais de insalubridade ou periculosidade;

ação objetivando a efetivação dos depósitos relativos ao FGTS e

ação para cobranças de reajustes decorrentes da política nacional de salários.

A contribuição sindical legal será paga d e uma só vez, anualmente, e consistirá:

a) na importância correspondente a remuneração de um dia de trabalho, para os empregados, qualquer que seja a forma da referida remuneração;

b) para os agentes ou trabalhadores autônomos para os profissionais liberais, numa importância correspondente 30% do valor de referência vigente no País;

c) para os empregadores, numa importância proporcional ao capital a respectiva firma ou empresa.

A contribuição mínima, independentemente do capital social, é fixada em 60% do maior valor de referência.

A agitação camponesa. ser "lícita à associação para fins de estudo. na ocasião em que requeiram às repartições o registro ou a licença para o exercício a respectiva atividade. Portanto. equiparando. o movimento de associação dos trabalhadores do campo. a legislação mencionada foi recepcionada pela . ou. 19 da Lei nº 5. dispunha sobre a "sindicalização rural". tais trabalhadores aos dos centros urbanos para efeito de proteção do trabalho.166. defesa e coordenação de seus interesses econômicos ou profissionais. principalmente no Norte do país colocou diante do Estado. legalmente.889. O Estatuto do Trabalhador Rural. praticamente.8) Sindicatos Rurais e Colônias Agrícolas O Decreto nº 7. a necessidade de disciplinar. estatuindo. em seu art. de 15/04/1971. 3.038. de 02/03/1963. como empregadores ou empregados. já agora como caráter de urgência.1º. dispôs sobre o enquadramento e a contribuição sindical rural e foi mantido pelo art. O decreto-lei nº 1.O recolhimento da contribuição sindical dos empregadores efetuar -se-á no mês de janeiro de cada ano. de 08/06/1973. de 10/11/1944. exerçam atividade ou profissão rurais". de todos os que. para os que venham a estabelecer -se após aquele mês.

França e Alemanha. uma "coalizão". Bélgica. permitiu-lhes lutar vantajosamente no sentido do estabelecimento coletivo das condições de trabalho.Constituição. já representava. "Esta generalização foi anterior ao reconhecimento da . tendo em vista que esta remeteu à legislação ordinária a competência para definir as condições da sindicalização rural. que o contrato de trabalho se resumia na adesão forçada do trabalhador às cláusulas que lh e eram impostas pelo contratante mais forte e que constavam do regulamento da empresa. 4) CONVENÇÃO COLETIVA O Estado liberal e individualista deixara o trabalhador isolado e enfraquecido. como sabemos. no dizer de Adam Smith. A possibilidade da celebração de convenção coletiva verificou -se na Inglaterra desde 1824. na Inglaterra. em si mesmo. por reunir sob o seu controle os meios de produção funcionalmente organizados. mas os empregadores não estavam obrigados a aceita la. A união dos trabalhad ores. diante do empregador economicamente poderoso e que. Daí resultou.

" Enquanto os civilistas se esforçavam por encaixar a convenção coletiva no esquema do direito comum e falhavam no seu intento. O Código Civil Holandês. fato q ue explica as dúvidas e hesitações doutrinárias. dos conflitos de interesses coletivos de grupos ou categorias. As convenções com eficácia geral. cujas normas obrigam todos os integrantes das categorias representadas pelos sindicatos. das relações individuais entre os integrantes das categorias ou grupos convenentes.nova figura jurídica pela doutrina e por lei. isto é. foi o primeiro diploma legal a lhe dar cobertura. através do estabelecimento de normas e condições de trabalho reguladoras. variam os tipos legais de convenção coletiva. 4. por não se ajustarem aos esquemas clássicos do direito comum. suscitaram e suscitam controvérsias doutrinárias quanto à sua natureza jurídica. Segundo o direito de cada país. . começou a ser reconhecida pelo legislador. com maior ou menor âmbito de efi ciência normativa. de 01/02/1909. durante o prazo da respectiva vigência.1) Conceito e Natureza Jurídica Convenção coletiva é a solução. sejam ele sindicalizados ou não. são as que. por via de acordo.

teoria do contrato inominado (insuficiente por insistir no esquema contratual). Juntamente com o acordo coletivo. através do contrato individual. . portanto. pelos supostos mandantes. por natureza).2) A convenção Coletiva no Direito Brasileiro A convenção coletiva é uma das vias em que se pode desdobrar a negociação coletiva. a princípio. por su a vez. representa a solução do conflito coletivo pela autocomposição por parte dos interlocutores naquele processo. das cláusulas estabelecidas pelos sindicatos mandatários). pela figura do contrato. foi amplamente valorizada pela Constituição de 1988 como processo mais adequado e eficaz na busca da composição dos conflitos coletivos de trabalho. procurando. aventadas para lhe dar uma justificação jurídica. Natural. Outras teorias foram. aproveitar os moldes tradicionais do direito comum: teoria do mandato (incapaz de explicar a inderr ogabilidade. que os juristas a procurassem explicar. renunciável. A negociação coletiva. 4. teoria da gestão de negócios (que pressupõe o proveito individual do dono do negócio e a responsabilidade do gestor pelos prejuízos que excederem a este proveito). teoria da estipulação em favor de terceiro (que implica aceitação do benefício. sucessivamente. teoria da personalidade moral fictícia (que não explica a obrigatoriedade das condições ajustadas). historicamente. sempre. regulando entre particulares: o Estado a ignorava. nasceu no campo do direito privado.A convenção coletiva.

ou nos órgãos regionais do Ministério do Trabalho. o depósito de uma via do mesmo. Os sindicatos convenentes ou as empresas acordantes promoverão. em tantas vias quantos forem os sindicatos convenentes ou as empresas acordantes. além de uma destinada a registro. consoante o disposto nos respectivos estatutos. Os sindicatos só poderão celebrar convenções ou acordos coletivos de trabalho por deliberação de assembléia -geral especialmente convocada para esse fim. nos demais casos.3) Conteúdo e Efeito das Convenções Coletivas . As convenções e os acordos entrarão em vigor 3 dias após a data de entrega dos mesmos no órgão referido neste artigo. conjunta ou separadamente. pra fins de registro e arquivo. em se tratando de instrumento de caráter nacional ou interestadual.As convenções e os acordos serão celebrados por escrito. dentro de 8 dias da assinatura da convenção ou acordo. sem emendas nem rasuras. 4. na Secretaria Nacional do Trabalho.

4. Estas disposições mencionarão a forma de constituição. quando mais favoráveis. Os empregados e as empresas que celebrarem contratos individuais de trabalho. As condições estabelecidas em convenção. estabelecendo condições contrárias ao que tiver sido ajustado em convenção ou acordo que lhes for aplicável. serão passíveis da multa neles fixada. como aos que já existiam anteriormente". no plano da empresa e sobre participação nos lucros. assim como o plano de participação quando for o caso.4) Extinção das Convenções . As cláusulas normativas são inderrogáveis e se aplicam não só "aos contratos que vierem a ser celebrados depois de sua entrada em vigor.As cláusulas normativas da convenção são todas as que podem constituir o conteúdo de uma relação individual de trabalho. prevalecerão sobre as estipuladas em acordo. As convenções e os acordos poderão incluir entre suas cláusulas disposição sobre a constituição e funcionamento de comissões mistas de consulta e colaboração. o modo de funcionamento e as atribuições das comissões.

Extinta a convenção coletiva, claro que suas cláu sulas contratuais, obrigando, diretamente, as partes convenentes, se extinguem, também. Quanto às cláusulas normativas, que estabelecem condições de trabalho, às quais terão que se subordinar os contratos individuais, perdem, evidentemente, sua eficácia em relação aos novos contratos que se irão celebrar, individualmente, depois de extinta a convenção. No que se refere aos contratos por ela modificados, automaticamente, ou celebrados durante o período de vigência da norma, não nos parece que, em nosso direi to positivo do trabalho, possa haver outra solução: continuam regidos pelas normas da convenção extinta. É que elas se incorporam nos contratos individuais e as condições de trabalho nestes incorporadas não podem sofrer alteração, nos termos expressos no a rt. 468 da Consolidação.

5) ACORDO COLETIVO

É um dos instrumentos pelo que é possível por fim aos conflitos coletivos, ou seja, é a negociação no plano do nosso direito positivo, que tem como objetivo por termo aos conflitos coletivos através da negocia ção coletiva, negociação esta denominada de: acordo coletivo e convenção coletiva de trabalho.

Cabe observar que o ponto em comum do acordo e da convenção coletiva é que em ambos serão estipuladas condições de trabalho que serão aplicadas aos contratos individuais dos trabalhadores, que tem efeito normativo. Tendo como diferenças entre os instrumentos em referência os sujeitos envolvidos, posto que o acordo coletivo é feito entre uma ou mais empresas e o sindicato da categoria profissional, enquanto na convenção coletiva o pacto é realizado entre sindicato da categoria profissional, de um lado, e sin dicato da categoria econômica, de outro.

É facultado aos sindicatos celebrar acordos coletivos com uma ou mais empresas da correspondente categoria econômica, que estipulem condições de trabalho aplicáveis no âmbito daquelas, às respectivas relações de tr abalho (CTL, art. 611, § 1º); a legitimação para o acordo coletivo, pelo lado patronal, é da empresa, porém a CF/88 (art. 8º, VI) considera obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas.

O acordo tem um efeito mais restrito na medida em que atinge apenas os trabalhadores e empresas que celebraram o acordo. É um pacto feito entre o sindicato dos trabalhadores e a empresa (acordo se formaliza com a presença tão somente do sindicato da categoria profissional, sendo desnecessária a da categoria econômica).

De acordo com a Constituição Federal de 1988 (art. 8º, VI) é obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas. Porém, não é permitido que o empregado negocie acordos coletivos (caso contrário não seria necessária a existência dos sindicatos), salvo quando o sindicato for acionado e não cumprir o pedido daquele que o faz nesse caso é permitida a negociação. O sindicato exerce o monopólio da negociação mesmo se desenvolvida diretamente perante uma empresa.

5.1) Evolução Legislativa

Tem-se que a negociação não se confunde com contrato ou pacto, da mesma maneira que a causa não se confunde com o efeito. Negociação é o procedimento de discussão que leva a um contrato, no sentido estrito, ou a um pacto, no sentido amplo.

O Decreto-lei n0 229, de 28 de fevereiro de 1967, deu nova redação aos artigos 611 a 625 da CLT, eliminando a expressão contrato coletivo e utilizando a expressão convenção coletiva ("caput") e acordo coletivo. Tais pactos têm efeito normativo, aplicados a todos os membros da categoria.

A Constituição de 1988 reconhece não apenas as convenções coletivas de trabalho, mas também os acordos (art. 70 XXVI). Em outras três passagens a

b) regular as relações entre empregadores e trabalhadores. uma ou várias organizações de trabalhadores visando a: a) fixar as condições de trabalho e emprego. O inciso XIII.Lei Maior se refere a convenção ou acordo coletivo. de outra parte. do artigo 70 disciplina a jornada de 6 horas nos turnos ininterruptos de revezamento.2) Negociação Coletiva Negociação coletiva. porém os salários poderão ser reduzidos por convenção ou acordo coletivo. um grupo de empregadores ou uma organização ou várias organizações de empregadores e. A negociação coletiva é uma forma de ajuste de interesses entre as partes. 5. O inciso VI. O inciso XIV. compreende todas as negociações que tenham lugar entre. . de uma parte. do artigo 70 estabelece a duração da jornada de 8 horas diárias e 44 semanais. permitindo turnos superiores mediante negociação coletiva (acordo ou convenção coleti va). mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho. entretanto possibilita a compensação de horários e a redução da jornada. visando encontrar uma solução capaz de compor as suas posições. c) regular as relações entre empregadores ou suas organizações e uma ou várias organizações de trabalhadores ou alcançar todos estes objetivos de uma só vez. que acertam as diferentes posições existentes. do artigo 70 prevê a irredutibilidade salarial. um empregador. segundo a Convenção n0 154 da OIT.

com trâmites mínimos se comparados com os da elaboração da lei. não poderão se recusar à negociação coletiva (art. atendendo a peculiaridades das partes envolvidas. Há uma periodicidade menor nas modificações. determinando obrigações e direitos para as partes.jurídicas: a) normativa. E descentralizada. c) compositiva. III . como forma de superação dos conflitos entre as partes. criando normas aplicáveis às relações individuais de trabalho. Os sindicatos das categorias econômicas ou profissionais e as empresas. quando ocorrem crises. II .econômicas. de distribuição de riquezas.3) Funções da Negociação Coletiva Tem várias funções a negociação coletiva: 1 . passando a ser específica. ou de recomposição de . flexível. 5.Funda-se a negociação na teoria da autonomia privada coletiva.políticas. mais rápido. b) obrigacional. Tem um procedimento mais simplificado. 616 da CLT). visando suprir a insuficiência do contrato individual do trabalho. de fomentar o diálogo. mesmo as que não tenham representação sindical. em virtude dos interesses antagônicos delas.ordenadora. devendo as partes resolver suas divergências entre si. IV .

assim como não se deve exigir a dependência de homologação pela autoridade pública. a interpretação sistemática da Lei Maior leva o intérprete . VI. A negociação deve ser feita não só pelos sindicatos. entretanto. procurando um resultado. O direito de negociar livremente constitui elemento essencial da liberdade sindical. 80. A negociação visa a um procedimento de discussões sobre divergê ncias entre as partes. Os sindicatos devem participar obrigatoriamente das negociações coletivas de trabalho (art. ou. da CF). pois a negociação concretizada se constitui em lei entre as partes. Se a negociação for frustrada não haverá a norma coletiva. prestigiando a autonomia privada coletiva. Entretanto. As autoridades públicas. A convenção e o acordo coletivo são o resultado desse procedimento. Haveria. V -social. ainda. Declara. assim. não pode rão restringir o direito de negociação. como pelas federações e confederações. ainda. por entidades sindicais registradas ou não registradas. a participação obrigatória do sindicato patronal nos acordos coletivos. o § 4º do artigo 616 da CLT que nenhum processo de dissídio colet ivo de natureza econômica será admitido sem antes se esgotarem as medidas tendentes à formalização de acordo ou convenção coletiva. ao garantir aos trabalhadores participação nas decisões empresariais.salários.

ao contrário. normas jurídicas. Observe-se. expressa normas gerais. que há diferença entre o contrato do direito comum e as convenções do Direito do Trabalho. contudo. quando dispõe que as . que são as partes que diretamente o ajustam. na medida em que não traduz incidência da norma jurídica sobre a relação já configurada. mas. impessoais e abstratas. porque aquele obriga apenas os contratantes.os empregados. no âmbito das relações laborais. As c onvenções coletivas têm campo de aplicação que não se limita aos sindicatos. sendo proferida pelo Poder Judiciário Trabalhista. que pertencem à categoria dos trabalhadores. 6) SENTENÇA NORMATIVA Representa a atribuição do Poder Judiciário de fixar. distinguindo -se da sentença clássica. que integram a categoria econômica dos empregados. Projetam -se sobre todas as pessoas que os sindicatos representam . E nesse sentido que deve ser interpretada a Consolidação das Leis do Trabalho. e as empresas. em processos de Dissídio Coletivo. pois nos acordos coletivos só ele participa juntamente com as empresas e não o sindicato da categoria econômica.a verificar que o sindicato profissional é que deve participar obriga toriamente das negociações coletivas.

aos neófitos. concluímos que o Direito do Trabalho tem como objetivo principal regular as relações entre patrão e empregado e. Entretanto. têm que juntar a sua inicial esses acordos coletivos. posteriormente solucionar possíveis conflitos de interesses existentes entre empregados e empregadores e de ambos com o Estado. devidamente homologados pelo Poder Judicial. é bom lembrar que ao ingressarem com uma ação trabalhista onde alguns direitos encontram proteção unicamente nos dissídios coletivos. grande parte deles modificando -se anualmente. assim. 7) CONCLUSÃO Na análise geral deste estudo. respeita -a. perder a demanda. pela quantidade de dissídios coletivos existentes. São normas elaboradas pelos sindicatos. que devem ser citadas pelo número e se possível.convenções coletivas são um acordo de caráter normativo. mas. é de importância capital que o advogado adune ao seu processo esses dissídios coletivos. O Estado admit e a atividade normativa sindical. de não o fazendo. atribui-lhe efeitos e a considera parte integrante da ordem jurídica. a data. . O Juiz é obrigado a conhecer as Leis. não podem saber de todos eles. São normas jurídicas portanto. sob pena.

Cumpre salientar que em virtude do grande índice de desemprego. podemos dizer como foi árdua e duradoura a conquista de direitos dos nossos trabalhadores e principalmente o desligamento do homem com o trabalho escravo. que um mal pouco distante de nossa realidade. buscando da melhor maneira possível suprir suas necessidades e carências. falta de estrutura trabalhista. não importando qual seja. 8) BIBLIOGRAFIA: . a beira da miséria e da fome. Podemos concluir que o Direito do Trabalho é um conjunto de norma. etc.Após longo estudo da matéria em discussão. que fornece subsídio ao Poder Público para regular os interesses entre empregados e empregadores. tendo em vistas os atuais salários irrisórios. trabalho infantil. qualquer trabalho atualmente é motivo de grande satisfação para que está desempregado. tendo em vista o desenvolvimento econômico. mesmo que vá em desencontro com as aptidões profissionais dos trabalhadores.

2003. Saraiva. Da Fundação Getúlio Vargas. 26ª ed. 3) ANDRADE. Sérgio Pinto.. Délio e CARVALHO. . 17ª ed. Direito do Trabalho.. revista e aumentada. Revista e Atualizada de Acordo com e Constituição de 1988 e Legislação Posterior. Iniciação do Direito do Trabalho. São Paulo: LTr Editora. Amauri Mascaro. Luiz Inácio B. Rio de Janeiro.1) MARANHÃO. Everaldo Gaspar Lopes de. 2ª ed. Introdução ao Direito do Trabalho. São Paulo: LTr Editora. 2000. 1992 4) NASCIMENTO. 1982. Curso de direito do Trabalho. Atlas.. 1996. 2) MARTINS. 3ª ed. Direito do Trabalho. Evaristo de. Ed. 17a ed. 5) MORAES FILHO... São Paulo.

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