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UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS

FACULDADE DE TECNOLOGIA

CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA CIVIL

MATEUS REIS PEREIRA

ESTUDO COMPARATIVO DO DESEMPENHO ECONÔMICO/ESTRUTURAL DE GALPÕES DE


ESTRUTURAS METÁLICA E CONCRETO PRÉ-MOLDADO NA CIDADE DE MANAUS/AM

Manaus

2019
MATEUS REIS PEREIRA

ESTUDO COMPARATIVO DO DESEMPENHO ECONÔMICO/ESTRUTURAL DE GALPÕES DE


ESTRUTURAS METÁLICA E CONCRETO PRÉ-MOLDADO NA CIDADE DE MANAUS/AM

Trabalho de conclusão de curso de graduação


apresentado à Faculdade de Tecnologia da
Universidade Federal do Amazonas como
requisito parcial para a obtenção do grau de
Bacharel em Engenharia Civil.

ORIENTADOR: Prof. WAGNER QUEIROZ SILVA

Manaus

2019
Ficha Catalográfica

Ficha catalográfica elaborada automaticamente de acordo com os dados fornecidos pelo(a) autor(a).

Pereira, Mateus Reis


P436e Estudo comparativo do desempenho econômico/estrutural de
galpões de estrutura metálica e concreto pré-moldado nacidade de
Manaus-Am / Mateus Reis Pereira. 2019
98 f.: il. color; 31 cm.

Orientador: Wagner Queiroz Silva


TCC de Graduação (Engenharia Civil) - Universidade Federal do
Amazonas.

1. Galpões. 2. Estrutura Metálica. 3. Concreto Pré-Moldado. 4.


Construções de Galpõesem Manaus-Am. I. Silva, Wagner Queiroz
II. Universidade Federal do Amazonas III. Título
MATEUS REIS PEREIRA

ESTUDO COMPARATIVO DO DESEMPENHO ECONÔMICO/ESTRUTURAL DE GALPÕES DE


ESTRUTURAS METÁLICA E CONCRETO PRÉ-MOLDADO NA CIDADE DE MANAUS/AM

Trabalho de conclusão de curso de graduação


apresentado à Faculdade de Tecnologia da
Universidade Federal do Amazonas como
requisito parcial para a obtenção do grau de
Bacharel em Engenharia Civil.

Aprovado em 18 de junho de 2019.

BANCA EXAMINADORA

Prof. Dr. Wagner Queiroz Silva, Presidente

Universidade Federal do Amazonas

Prof.ª Dr.ª Ellen Kellen Bellucio, Membro

Universidade Federal do Amazonas

Prof. Msc. Igor Roberto Cabral Oliveira, Membro

Universidade Federal do Amazonas


AGRADECIMENTOS

À Deus, por estar sempre a me proteger e me abençoar.

À minha família, Maria de Jesus (mãe), Tadeu (pai) e Juliana (irmã), por nunca
deixarem de acreditar nos meus projetos e por estarem sempre comigo, nas melhores e
piores situações.

Ao meu orientador, Professor Wagner, pela paciência e dedicação nos


direcionamentos e ensinamentos, não só na elaboração deste trabalho, mas, em toda minha
“estrada” acadêmica na UFAM.

Aos Engenheiros que contribuíram na pesquisa, por dispor do tempo e compartilhar


informações e suas experiências profissionais no mercado manauara.

Aos meus professores, que fizeram da vida acadêmica, não só um estágio para vida
profissional, mas, principalmente, para a vida.

Aos meus amigos, que me apoiaram de todas as formas possíveis para que este
sonho pudesse ser realizado.
RESUMO

Este trabalho apresenta um estudo comparativo sobre a construção de galpões, em


estrutura metálica e de concreto pré-moldado em Manaus-AM. O número das construções
de galpões na região cresceu à medida que aumentou a necessidade por espaços capazes de
solucionar problemas de estocagem e de produtividade, principalmente, na região do
distrito industrial de Manaus. Mais que isso, o panorama atual exige a garantia do alto
rendimento da produção e consequentemente maior velocidade na execução das
construções. Com isso, as construções industrializadas – em especial, as metálicas e as de
concreto pré-moldado – têm se tornado destaques na concepção de galpões no mundo
inteiro. Esses modelos construtivos, de maneira geral, reduzem a quantidade de mão de
obra, potencializam a velocidade das etapas de execução em ambientes fabris e elevam o
nível de eficiência das estruturas através do maior nível de controle de qualidade da obra.
Diante disso, realizou-se levantamento bibliográfico, de campo e dimensionamento
estrutural com auxílio de softwares e planilhas computacionais para elucidar fatores que
sirvam de parâmetros para a escolha do sistema estrutural que melhor se aplique nas
construções de galpões em Manaus. Os dados obtidos demonstram que, sob a ótica
econômica atual, as estruturas metálicas ainda possuem vantagens significativas quando
comparadas às construções de galpões de concreto pré-moldados na cidade.

Palavras-chave: Galpões; Estrutura metálica; Estruturas de concreto pré-moldado;


Construções industrializadas.
ABSTRACT

This monograph presents a comparative study of sheds construction, in steel system and
precast concrete structure in Manaus-AM. The number of the sheds buildings in the region
has grown as the need for spaces that are able to solve problems of storage and productivity
increased, especially in the region of Manaus’s industrial district. More than that, the current
situation requires the assurance of high efficiency output and consequently greater speed in
the execution of buildings. Thereat, the industrial constructions – in particular, of steel and
pre-cast concrete – have become highlights in the design of the sheds around the world.
These constructive models in general reduce the amount of hand labor, maximize the speed
of execution stages in the manufacturing environment, and elevate the efficiency level of
structures through a greater quality control level of the building. Based on that, it was
conducted bibliographic and field surveys and performed structural analysis with the
assistance of softwares and electronic spreadsheets to elucidate the factors that can be used
in the selection of structural system that has the best application in the sheds constructions
in Manaus-AM. The data obtained attest to the fact that, from the economical point of view,
steel structures have significant advantages when compared to pre-cast concrete sheds
constructions in the city.

Key words: Sheds; Steel structure; Precast concrete structure; Industrial construction.
SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................. 9
1.1. Objetivo geral .............................................................................................................. 10
1.2. Objetivos específicos ................................................................................................... 10
1.3. Metodologia ................................................................................................................ 10
2. REVISÃO DE LITERATURA .......................................................................................... 12
2.1. Galpões industriais ...................................................................................................... 12
2.2. Estrutura básica dos galpões ........................................................................................ 12
2.2.1. Situação dos galpões no mercado da construção civil .................................................. 13
2.3. Tipologias de galpões ................................................................................................... 15
2.4. Industrialização da construção civil .............................................................................. 17
2.4.1. Aspectos da construção de estruturas metálicas.......................................................... 19
2.4.2. Aspectos da construção de estruturas de pré-moldadas de concreto ......................... 21
2.5. Dimensionamento de estruturas de galpões ................................................................. 24
2.5.1. Ações ............................................................................................................................. 26
2.5.2. Combinação de ações.................................................................................................... 27
2.5.3. Ligações ......................................................................................................................... 27
3. Desenvolvimento e Resultados ................................................................................. 30
3.1.1. Construção de galpões em estrutura de concreto pré-moldado em Manaus-AM ....... 30
3.1.2. Construção de galpões metálicos em Manaus-AM ....................................................... 35
3.2. Modelagem de Galpão ................................................................................................. 40
3.2.1. Parâmetros Gerais ......................................................................................................... 40
3.2.2. Galpão Metálico ............................................................................................................ 45
3.2.3. Galpão de concreto pré-moldado ................................................................................. 55
3.2.4. Comparativo dos modelos ............................................................................................ 72
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................... 75
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................................ 79
APÊNDICE A – CATÁLOGO DE TIPOLOGIAS DE GALPÕES ................................................... 83
APÊNDICE B – QUESTIONÁRIO DE PESQUISA DE CAMPO .................................................. 97
9

1. INTRODUÇÃO

Diante do processo de desenvolvimento econômico vivenciado pela região norte,


em especial a Zona Franca de Manaus, notou-se, no âmbito da construção civil, o aumento
da necessidade por estruturas destinadas a contornar problemas de estocagem de matérias
primas e produtos que possam estar constantemente alimentando o alto fluxo de produção
exigido. Com isso, o uso de estruturas de galpões vem sendo aplicado em frequência
crescente, uma vez que estas são estruturas que, segundo Santos (2010, p. 18):

“são apropriadas para edificações que necessitam de alta flexibilidade na


arquitetura. Isto ocorre pela possibilidade do uso de grandes vão e espaços
abertos, sem a interferência de paredes e pilares em posições inadequadas. A
possibilidade de futuras ampliações também é uma vantagem nessas estruturas”.

Existem diversas tipologias de sistemas estruturais de galpões aplicáveis no


mercado. A escolha do melhor tipo de estrutura a ser aplicada depende de 4 fatores
importantes: tradição ou aspectos culturais da região; conhecimentos de projeto, fabricação
e montagem; nível de desenvolvimento industrial e qualidade das estradas para transporte.
Há ainda de se somar a esses fatores as características arquitetônicas e estruturais exigidas,
além dos aspectos ambientais em que o galpão estará inserido (SANTOS, 2010).

Segundo Oliveira (2015), “outro fator a se pesar [na escolha do sistema estrutural] é
que a demanda de obras sustentáveis no mercado de construção civil vem cada vez mais
exigindo métodos alternativos que possibilitem uma construção mais econômica e racional”.
Para tal, a pré-moldagem e pré-fabricação entram como possíveis soluções. Diante desse
aspecto, aplicado para o mercado de construção de galpões, destacam-se dois métodos
executivos: estruturas de concreto pré-moldado e a estrutura metálica. A aplicação desses
tipos de estruturas garantem diversos benefícios. Além da rapidez executiva, pode-se
verificar maior facilidade no controle de qualidade no canteiro de obras, possibilidade de
reuso de suas peças e reduções de desperdícios a garantirem economia e sustentabilidade.

Não se tem conhecimento da existência de estudos direcionados à região da Zona


Franca de Manaus que elucidem de maneira técnica e econômica a viabilidade de aplicação
desses dois métodos estruturais. Portanto, este trabalho surge com o objetivo de fazer um
levantamento sobre as principais tipologias de galpões adequadas à região norte e estudar
de maneira comparativa o desempenho estrutural e econômico dos sistemas estruturais em
10

aço e em concreto pré-moldado quando aplicados à construção de galpões, localizados na


região de Manaus.

1.1. Objetivo geral

Identificar os principais fatores na escolha do tipo de estrutura utilizada na


construção de galpão industrial em estrutura metálica ou estrutura de concreto pré-
moldado na cidade de Manaus-AM.

1.2. Objetivos específicos

 Elencar fatores relacionados à escolha de tipologias de galpões industriais;


 Fazer levantamento das principais tipologias de galpões existentes;
 Apresentar fatores que envolvem o processo de construção de galpões
metálicos e galpões de estrutura de concreto pré-moldado;
 Identificar problemáticas e empecilhos, específicos à cidade de Manaus-AM,
que dificultam a execução das duas tipologias estruturais em análise;
 Realizar modelagem de um galpão para ter parâmetros quantitativos de
consumo de material a serem utilizados numa análise econômica simplificada.

1.3. Metodologia

A metodologia utilizada neste trabalho foi realizada a partir da obtenção de


informações secundárias acerca do tema, através de levantamento bibliográfico em livros,
sites e artigos científicos, e informações primárias, obtidas através de consulta às Normas
Técnicas – como a ABNT NBR 9062/2017, ABNT NBR 6118/2014, ABNTR NBR 8800/2008 e
ABNT NBR 6123/1988 – e entrevistas a profissionais atuantes no mercado de construção de
galpões metálicos e de concreto pré-moldado na região de Manaus que forneceram dados e
conhecimentos sobre a situação do mercado em cada um dos tipos de construção
analisados.

As entrevistas foram realizadas com 1 (um) engenheiro civil da área de construções


metálicas, 1 (um) engenheiro civil da área de construções de estruturas de concreto pré-
moldado, 1 (um) engenheiro civil projetista de estruturas metálicas e 2 (dois) mestres de
obras com experiência em construções de galpões na cidade de Manaus-AM. As entrevistas
foram constituídas por uma série de questões sobre aspectos de projeto, de execução e
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econômicos nos processos de construções dos galpões locais. As informações obtidas


possibilitaram a identificação de fatores regionais influentes de forma negativa e positiva
nas etapas de construção de galpões de estrutura metálica e de estrutura em concreto pré-
moldado. Para balizar a realização desta consulta foi elaborado um formulário (Apêndice B)
para realização das entrevistas, no entanto no decorrer das entrevistas outros
questionamentos surgiram e também colaboraram para obtenção das informações que
estão sintetizadas nos itens 3.1.1 e 3.1.2.

Além disso, lançou-se mão do uso do software computacional TRAME 5.0


(Ormonde, 2016) e Ftool 4.00 (Martha, 2017) para dar suporte à etapa de dimensionamento
(modelagem) da tipologia selecionada. O software indicado é uma ferramenta
computacional para análise linear e não linear geométrica de pórticos planos, capaz de
atender com eficácia adequada o objetivo desta etapa do trabalho. Apesar de desenvolvido
para o processamento de estruturas de aço, sua interface permite a adaptação de
configurações para o processamento de outros tipos estruturais – como o concreto armado.

Para fins de simplificação, a estimativa de custo e os cálculos de dimensionamento


serão feitos como concreto armado convencional, sem computar algumas especificidades
inerentes aos processos reais dos sistemas de concreto pré-fabricado. Para realização dessa
estimativa, foram feitas consultas de preço em 1 (uma) empresa fornecedora de concreto
usinado e 2 (duas) empresas fornecedoras de vergalhões de aço e perfis metálicos. As etapas
de dimensionamento dos elementos em estrutura metálica e estrutura de concreto pré-
moldado foram realizadas com auxílio de planilhas desenvolvidas de acordo com as normas
ABNT NBR 8800/2008 (Projeto de estruturas de aço e de estruturas mistas de aço e concreto
de edifícios) e ABNT NBR 6118/2014 (Projeto de estruturas de concreto – Procedimentos).

O processo de pesquisa possui caráter exploratório e descritivo. Dessa forma, estas


informações visaram sanar as dúvidas de conhecimento técnico sobre o tema e, além disso,
relacionar as variáveis que envolvem os processos de concepção de galpões metálicos e em
estrutura de concreto pré-moldado, analisados neste estudo. Por fim, obteve-se resultados
de caráter qualitativo e quantitativo que foram analisados de maneira direcionada à
resolução da problemática definida neste trabalho.
12

2. REVISÃO DE LITERATURA

2.1. Galpões industriais

Os galpões são construções destinadas, essencialmente, ao armazenamento,


movimentação e distribuição de produtos e/ou materiais. Este tipo de estrutura é,
normalmente, constituído por pórticos, que podem ser analisados em plano bidimensional
ou como pórtico tridimensional, geralmente espaçado de maneira regular, com cobertura
superior e fechamento lateral. O grande diferencial dos galpões se dá pelo fato desta
categoria estrutural ser capaz de vencer grandes vãos, de maneira a proporcionar à
estrutura espaços mais amplos sem a existência de muitos obstáculos à movimentação de
cargas e pessoas. O Instituto Aço Brasil (2010), observa que os galpões são construções, em
geral, de único pavimento, constituídos estruturalmente por pórticos regularmente
espaçados, com cobertura superior apoiada em sistemas de terças e vigas ou tesouras, e
áreas cobertas extensas destinadas, majoritariamente, para uso comercial, industrial e
agrícola. Essas características fazem do galpão uma das construções mais evidentes no
cenário da engenharia civil, principalmente, por ser capaz de solucionar os problemas da
logística de produção nos grandes centros industriais e agrícolas do Brasil.

2.2. Estrutura básica dos galpões

Para compreender melhor o funcionamento estrutural dos galpões, é necessário,


conhecer os elementos principais que o compõem. Apesar de existirem tipologias estruturais
diferentes para galpões (que serão apresentadas no item 2.3), é possível destacar alguns
componentes básicos que são comuns a este tipo de construção. Conforme Chaves (2007), o
arranjo estrutural típico de um galpão pode ser ilustrado na forma da Figura 1 e descrito a
seguir:

 Pórtico Transversal (Colunas e Tesouras): É a estrutura que tem por objetivo


suportar as ações transversais atuantes na construção e as transmitir até as fundações.
 Cobertura e tapamento lateral: Parte da edificação responsável por proteger o seu
interior das intempéries. Normalmente, a cobertura é executada com telhas metálicas e o
tapamento lateral com alvenaria. Podem também ser usadas telhas de outros materiais.
 Terças: Elemento que serve de apoio às telhas da cobertura. Além disso, as terças
tem a função de transmitir as ações – como sobrecarga e vento – para as tesouras ou para os
13

pórticos transversais. É comum se verificar a constituição desse elemento por perfis


metálicos conformados a frio ou laminados.
 Travessas ou Longarinas: São responsáveis por dar apoio ao tapamento lateral,
absorver as ações aplicadas nelas e transmiti-las para as colunas dos pórticos transversais.
 Tirantes: Este elemento estrutural está presente normalmente em galpões de
grandes vãos e servem essencialmente para contribuir no travamento dos pórticos
transversais. São compostos, em geral, por barras arredondadas de aço.
 Barras Rígidas: Ao contrário dos tirantes, este elemento serve para dar suporte ao
combate de esforços de compressão. Atuam essencialmente como elementos de
travamento da cobertura.
 Contraventamentos: São elementos que promovem a estabilização longitudinal dos
galpões. Reduzem o comprimento de flambagem de elementos comprimidos e absorvem as
ações longitudinais atuantes na estrutura transmitindo-as até as fundações. Em geral,
existem elementos de contraventamento na cobertura e nas laterais dos galpões.
Figura 1 – Elementos básicos de um galpão

Fonte: Chaves (2007)

2.2.1. Situação dos galpões no mercado da construção civil

As especificidades dos galpões, aliado ao panorama de crescimento econômico e de


consumismo no país, os tem tornado uma tipologia de construção em crescimento no
cenário nacional. No blog “Só Galpões”, em artigo sobre as tendências do mercado de
14

galpões no cenário nacional, relata-se que atualmente, o Brasil conta com mais de 12
milhões de m² de construções em galpões logísticos, nos quais 60% desses estão localizados
no estado de São Paulo. Em 2017, a absorção do setor aumentou 24%, evidenciando o
avanço do mercado de construção de galpões.

Somando-se à necessidade deste tipo de edificação também está o recente


contexto de escassez de mão de obra no país. Este panorama favorece a implantação de
elementos que promovam maior celeridade aos processos construtivos e aliviem a
dependência por elevados números de operadores no canteiro de obras; em meio a esse
cenário surge a promoção da industrialização na construção civil, cujas estruturas metálicas
e de concreto pré-moldado ganham absoluto destaque (NARDIN, ET AL, 2012).

Mas, conforme relata Liberatore (2019), engenheiro e diretor comercial da Libercon


Engenharia, no site Rede de Obras, em entrevista sobre Construções Industriais, a maior
parte das construções de galpões, na atualidade, se dá com a utilização dos sistemas
construtivos de estrutura híbrida, com pilares de concreto armado e cobertura em estrutura
metálica e telhas metálicas; solução que garante vencer maiores vãos e manter pés direitos
razoáveis – acrescenta-se ao relato do Engenheiro, que esta configuração estrutural também
diminui o grau de influência da ação dos ventos, uma vez que as colunas em concreto
tornam a estrutura mais robusta e pesada. No entanto, deve-se ressaltar que a opção por
um determinado sistema construtivo depende de aspectos específicos de cada obra e região
a qual ela está inserida. Fatores como custos, prazos, logística de transporte, disponibilidade
de equipamentos e mão de obra e, até mesmo, preferências arquitetônicas devem ser
pautadas no processo de decisão por um dos sistemas.

Outro fator a ser destacado quanto à situação atual dos galpões em contexto
nacional é que os galpões multiuso são maioria no mercado. Conforme destaca o site
AECWeb, em artigo sobre o crescimento do uso de galpões multiuso, dos galpões
considerados classe A (empreendimentos que possuem alto padrão de qualidade), no Brasil,
tem-se 71 % dos galpões ocupados por mais de uma empresa e somente 29 % construídos
para ocupação exclusiva. Logo, constata-se, como mais uma das atribuições deste tipo de
edificação, a flexibilidade em transformar os galpões em espaços mais heterogêneos de
forma a atender processos logísticos completamente diferentes.
15

Os galpões vêm ganhando cada vez mais destaque no meio da construção civil e,
assim como todo processo de evolução construtiva, vem ganhando maior complexidade
para adequar-se às exigências de sua demanda. Isso pode ser verificado na diversidade de
tipologias de galpões encontradas na atualidade e verificadas com um simples passeio pela
cidade de Manaus-AM.

2.3. Tipologias de galpões

Os galpões, a depender de suas características específicas – uso, arquitetura,


material de construção e características da região em que está inserido – podem ter muitas
configurações distintas. Para exemplificar, podem-se citar algumas peculiaridades de projeto
que podem ser variáveis importantes no momento da escolha por uma determinada
tipologia de galpão: necessidade ou não de ponte rolante na estrutura, comprimento do vão
livre transversal, tipo de telha na cobertura, influência dos ventos na região,
armazenamento de produtos inflamáveis, multiuso da estrutura, etc. Essas e outras
infinidades de situações particulares de cada projeto são aspectos, que ao serem somados,
contribuem para a escolha da melhor tipologia de galpão pra um determinado
empreendimento.

Sabendo-se disso, fez-se um levantamento bibliográfico para descobrir quais são as


principais tipologias de galpão existentes no Brasil. O resultado desse levantamento é
apresentado no APÊNDICE A – CATÁLOGO DE TIPOLOGIA DE GALPÕES.

A figura 2 apresenta algumas das tipologias levantadas no catálogo citado.


16

Figura 2 – Exemplos de tipologias de galpões

a) Pórtico simples de alma cheia b) Pórtico com tirantes

c) Pórtico com cobertura em arco d) Galpão tipo SHED

f) Sistema estrutural com elementos com


e) Galpão com cobertura de apenas uma água abertura nos banzos

Fonte: Gerdau (2019), El Debs (2017), Queiros (2007) e Instituto Aço Brasil (2010)

Verificou-se no levantamento realizado que o processo de escolha de tipologia de


um galpão não está restrito apenas à escolha do material que ele será constituído, mas sim a
uma soma de fatores capazes de gerar uma grande variedade de configurações estruturais
que vão muito além dessas citadas neste capítulo.

Sabe-se que, atualmente, os fatores predominantes nesse processo de escolha são:


logística e economia. A necessidade por agilidade e celeridade nos processos construtivos e,
ainda, o menor custeio para execução da solução que agregue todas as características
17

cabíveis ao projeto são exigências intrínsecas a todos os projetos envolvendo a construção


de galpões. Nesse contexto, surgem as técnicas de industrialização da construção civil como
as principais soluções, em especial as estruturas metálicas e estruturas em concreto pré-
moldado.

2.4. Industrialização da construção civil

Aliado aos fatores destacados no item anterior – logística e economia – pode-se


acrescentar outro aspecto preponderante para explicar o avanço da industrialização da
construção civil no Brasil: a sustentabilidade. Segundo Oliveira (2015), “a demanda de obras
sustentáveis no mercado de construção civil vem cada vez mais exigindo métodos
alternativos que possibilitem uma construção mais econômica e racional.”. Como solução a
estas novas exigências do mercado estão, principalmente, as técnicas da pré-moldagem e
pré-fabricação.

Para definir a diferença entre essas duas técnicas de construção – que fazem parte
dos principais elementos de estudo deste trabalho – pode-se destacar os ditames da ABNT
NBR 9062:2017, norma de Projeto e Execução de Estruturas de Concreto Pré-Moldado.
Segundo esta, as duas técnicas compreendem a execução de elementos fora do seu local
final de utilização; no entanto, o pré-moldado é uma técnica que possui menor rigor
laboratorial na garantia do controle de qualidade dos seus produtos. Já na execução dos
elementos pré-fabricados, devido à rotina fabril que estes são submetidos, observa-se a
existência de uma maior quantidade de etapas no controle de qualidade, em especial,
devido ao aparato laboratorial existente neste processo de produção.

Conforme verificado em Mokk (1964), os pré-fabricados são trabalhado em


ambiente controlado – livre de intempéries ou variações climáticas que possam interferir na
qualidade do seu processamento – com mão de obra especializada e com apoio de
equipamentos automatizados que garantem a excelência do produto final. Porém, esses
elementos pré-fabricados devem ser transportados até o local final onde serão instalados;
isso, a depender da distância e das condições econômicas e logísticas regionais de
transporte, pode provocar um aumento grande no preço final do produto e limitar as
dimensões das peças a serem transportadas. Logo, devem-se pesar essas condições na
escolha do método executivo.
18

Os benefícios como reuso de formas, redução de desperdício, diminuição de prazos


de construção, maior controle de qualidade, menor quantidade de mão de obra no canteiro
de obras e aumento da vida útil da edificação são bons exemplos de como a aplicação das
técnicas do pré-moldado e da pré-fabricação podem contribuir para solucionar as novas
exigências do mercado atual. No entanto, é fato que ainda existem entraves que podem
inviabilizar a execução de construções com a utilização dessas técnicas. A carência de mão
de obra especializada, o alto investimento inicial em maquinários e equipamentos e,
principalmente, a alta carga tributária brasileira incidente nos componentes dos processos
fazem com que o alcance da industrialização na construção civil no país ainda esteja muito
atrás de outros países. A CBIC, et al (2013), em documento sobre tributação, industrialização
e inovação tecnológica na construção civil, relata que o ICMS (Imposto sobre Circulação de
Mercadorias e Serviços) que incide sobre os componente dos processos industrializados é o
fator que mais eleva o custo final da alternativa industrializada; o que explica o fato de ainda
a produção do canteiro continuar sendo a opção, geralmente, menos dispendiosa uma vez
que não há sobre esta a incidência deste imposto.

Para ilustrar o cenário atual de aplicação das técnicas da industrialização da


construção civil, Oliveira (2015) apresenta a figura 3, que evidencia a baixa percentagem
(4,5%) da destinação de cimento para pré-fabricação e pré-moldagem em comparação com
outros países como Finlândia (42%) e Dinamarca (41%).

Figura 3 – Cimento destinado a pré-fabricados e pré-moldados

Fonte: Oliveira (2015)


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Todavia, sabe-se que entre os empreendimentos que mais consomem a utilização


dessas técnicas está a construção de galpões, em especial, na forma de estrutura metálica e
de concreto pré-moldado – processos construtivos de enfoque deste trabalho. Portanto,
cabe aqui descobrir e levantar os principais aspectos que envolvem a execução destes dois
distintos processos, para que possam ser verificados e constatados na análise comparativa
da aplicação destes na construção de galpões na cidade de Manaus-AM.

2.4.1. Aspectos da construção de estruturas metálicas

Segundo Chaves (2007), a construção de galpões em estrutura metálica atribui à


edificação maior resistência mecânica, flexibilidade em soluções arquitetônicas (inclusive em
reformas de ampliação), agilidade nos processos de montagem e desmontagem, alívio na
carga das fundações, padronização de elementos estruturais, menor tempo de construção e
economia de mão de obra.

No entanto, tanto nas etapas do processo construtivo, quanto no decorrer de sua


vida útil, é possível observar alguns fatores de preocupação. Entre estes estão: alta
influência do vento na estabilidade da estrutura, execução dos sistemas de ligação, alteração
de propriedades do material devido a ações de intempéries e fechamento estrutural.

Neste tipo de estrutura a ação do vento pode possuir um grau de significância


elevado mesmo quando se está dimensionando uma estrutura de baixa altura, pois os
elementos estruturais possuem maior esbeltez. Para o caso das estruturas metálicas que
compõem um galpão, devido o baixo peso próprio de seus componentes estruturais e
articulação de suas peças (como será observado no item 3.2 – Modelagem de galpão), deve-
se ter muita atenção com esta ação variável. Segundo Madeira (2009) a maior parte dos
acidentes provocados pela ação dos ventos se dá em construções leves de grandes vãos
livres, como coberturas de estádios, hangares e pavilhões de eventos. Para reduzir os efeitos
desta problemática são colocados elementos auxiliares de combate a estes esforços, como
os contraventamentos.

Segundo Pfeil e Pfeil (2009), existem dois tipos básicos de ligações entre peças
metálicas: por solda e por conectores. A solda é um método de ligação que consiste na
fundição das partes de forma a provocar a coalescência das mesmas, através de
equipamentos de solda. Os conectores, por sua vez, podem ser parafusos ou rebites que
20

atravessam as peças a serem ligadas através de furos. São de rápida aplicação


proporcionando assim agilidade na montagem.

Conforme apontando por Castro (1999), no caso das soldas, existem técnicas
específicas no processo de soldagem que, se não forem seguidas, podem culminar na perda
de qualidade da solda, muitas vezes resultando na necessidade de correção da peça soldada.
Logo, a figura do profissional de soldagem, que a princípio parece relegada a um segundo
plano, se torna fundamental na obtenção da qualidade da solda. Já no caso dos conectores,
podem ser destacados dois possíveis problemas: a falta de espaçamentos adequados para
realizar as operações das ligações por parafusos e erros nas etapas de locação dos furos
durante o processo de traço dos mesmos. Todas as problemáticas destacadas possuem
soluções alternativas na forma de: aplicação de ensaios não destrutivos de qualidade
(ultrassom e líquidos penetrantes) nas soldas, verificação da posição dos furos – quanto aos
espaçamentos em relação aos outros elementos – antes de executá-los e inclusão de
equipamentos automáticos de furação. No entanto, as maiorias das fábricas de estruturas
metálicas são micro ou pequenas empresas que, em geral, não aplicam grandes
investimentos nos processos de controle de qualidade; isso faz com que as ligações destas
estruturas fiquem “reféns” da técnica humana, que, eventualmente, pode falhar.

Sabe-se que, na construção de estruturas metálicas, o aço pode ter suas


propriedades comprometidas quando expostos a ação de algumas intempéries; os principais
fenômenos de preocupação são a corrosão e o incêndio – ambos podem provocar a perda
de estabilidade da estrutura, logo, devem ser prevenidos. No caso da corrosão, são diversos
os fatores que podem promover sua ocorrência: umidade do ar, gases industriais, alto teor
de enxofre na atmosfera, sais minerais, etc. Logo, caso este material esteja exposto ao ar, ao
solo ou a água, têm-se o risco da corrosão ocorrer. No caso do incêndio, pode ocorrer em
casos de sinistros acidentais ou devido a exposição dos elementos estruturais à processos de
produção em elevadas temperaturas. Todavia, existem alternativas capazes de extinguir ou
minimizar a ocorrência desses fenômenos. A problemática da corrosão pode ser resolvida
com a aplicação de revestimentos orgânicos (pinturas), revestimentos metálicos
(galvanização) ou através da fosfatização. Já os incêndios podem ser evitados com aplicação
de revestimentos anti-chamas e com a adoção de projeto adequado que distancie os
elementos metálicos dos processos fabris em alta temperatura. Essas alternativas são
21

facilmente verificadas no mercado e, geralmente não exigem grandes investimentos (Castro,


1999).

Outra situação a ser considerada em estruturas metálicas é o fechamento lateral.


Em geral, os fechamentos são compostos por materiais (vidro, concreto, tijolo) diferentes do
aço que compõe sua estrutura; logo os coeficientes de dilatação dos materiais também
diferem do aço. Com isso, a exposição dessa composição de elementos às variações
térmicas, principalmente, entre o interior e o exterior da edificação, pode provocar o
surgimento de trincas ou fissuras a depender do grau de exposição às intempéries térmicas
do ambiente que estão inseridos. Castro (1999, p. 162), acrescenta que:

“Um dos grandes problemas da estrutura metálica é a dificuldade em se fazer um


fechamento estanque e ao mesmo tempo resistente. O fato de a estrutura ser mais
flexível, dos elementos terem uma seção transversal mais complexa e do aço
possuir uma superfície pouco rugosa e pouco porosa leva os projetistas e
construtores a adotar soluções não convencionais para evitar a ocorrência de tais
problemas. Entretanto é justamente aqui que encontramos um dos maiores
entraves para as estruturas metálicas, pois as soluções para se resolverem tais
problemas existem, porém não são de domínio público.”

Portanto, assim como em outros processos executivos de construção, as estruturas


metálicas trazem consigo não só seus benefícios notórios – como maior velocidade de
execução, racionalização do processo produtivo e mais economia no contingente humano –
mas, também, aspectos problemáticos que a depender das condições particulares do
projeto e dos recursos disponíveis em cada região podem ser relevantes e precisam ser
avaliados criteriosamente antes de efetivar a opção pela adoção deste modelo construtivo.

2.4.2. Aspectos da construção de estruturas de pré-moldadas de concreto

Além dos benefícios já citados, da construção na forma de pré-moldados e pré-


fabricados, as estruturas de concreto pré-moldado, de maneira particular, proporciona
melhores características estruturais para combater as forças do vento, maior resistência às
intempéries, maior diversidade de formas e maior controle de qualidade dos seus
elementos. As estruturas de concreto pré-moldado são compostas por elementos robustos,
isso faz com que as ações laterais – como o vento – não gerem na estrutura grandes níveis
de deslocamento quando comparado com outros sistemas estruturais – como, por exemplo,
a estrutura metálica. O concreto em si é um material que pouco sofre com ataques de
agentes ambientais, apenas alguns sais, ácidos ou aditivos são capazes de provocar alguma
22

alteração nas suas propriedades ainda de forma pouco significativa, no entanto, o aço que
compõe sua armadura é um material muito suscetível as ações de intempéries ambientais,
logo o concreto funciona como capa protetora que minimiza os efeitos maléficos desta
possível interação entre o aço e o ambiente. A capacidade de moldagem do concreto
também é uma propriedade que atribui à edificação benefícios, pois esta permite a criação
de elementos estruturais que fujam dos padrões convencionais. Entretanto, pode-se afirmar
que o maior benefício das estruturas de concreto pré-moldado está na garantia de qualidade
e longevidade dos elementos que irão compor a estrutura. A ABNT NBR 9062:2017 descreve
todos os procedimentos executivos necessários, inclusive os ensaios laboratoriais (Castro,
1999).

O cimento mais utilizado para a indústria de pré-fabricados é o CP V-ARI, devido à


sua característica principal de resistência inicial elevada. Em regiões de maior agressividade
ambiental, cabe a utilização do cimento CP V-ARI-RS que tem escória de alto-forno em sua
composição – aditivo que atribui maior resistência a sulfatos (Oliveira, 2015).

É importante destacar que, apesar de permitir uma grande diversidade de formas,


existe no mercado uma padronização de seções transversais (a figura 3 exemplifica algumas
dessas formas) que são aplicadas na maior parte dos empreendimentos construídos em
concreto pré-moldado.

Figura 4 – Seções transversais padronizadas de elementos pré-moldados de concreto

Fonte: Oliveira (2015)

Devem-se avaliar soluções para algumas problemáticas importantes que envolvem


o processo de construção de estruturas em concreto pré-moldado; em especial, a garantia
de execução das etapas de controle de qualidade, a capacitação profissional dos
encarregados e a logística econômica e executiva de utilização do maquinário necessário.
23

O concreto armado, ao contrário do aço, é um material heterogêneo – sua


composição possui areia, brita, cimento, água, barra de aço e aditivos. Segundo Castro
(1999), “qualquer tipo de problema, seja com os materiais, seja com o método construtivo
(montagem das formas, posição das armaduras, etc.), tem consequências em seu
desempenho”. É estritamente necessário assegurar que se obedeçam todos os critérios
explicitados nas normas da ABNT NBR 6118:2014 e ABNT NBR 9062:2017, principalmente,
seus coeficientes de segurança e processos de controle de qualidade para que os elementos
executados possuam desempenho condizente com a forma que são projetados.

A construção de estruturas em concreto pré-moldado não pode ser uma adaptação


de projetos elaborados para a forma de concreto armado convencional. Essa afirmação
precisa ser verificada desde a etapa de planejamento e projeto até o momento da execução.
Os projetos, por exemplo, de estrutura de concreto pré-moldado possuem uma maior
quantidade de detalhes que vão desde a forma de içamento das peças até a execução das
ligações dos seus elementos. Logo, um projeto realizado de forma convencional não
consegue garantir a correta execução desta outra tipologia estrutural que é a estrutura de
concreto pré-moldado. Diante disso, é importante certificar se a empresa contratada possui
estrutura adequada para execução dos processos constantes nas normas e profissionais
especializados neste tipo de construção.

Vale destacar outro fator que pode inclusive inviabilizar a construção de um projeto
de estrutura em concreto pré-moldado: logística de utilização do maquinário necessário
para sua execução. Para a realização do transporte e, principalmente, do içamento das peças
pré-moldadas são necessários alguns maquinários específicos: caminhões, gruas e
guindastes. Estes são maquinários pesados que possuem um elevado custo agregado na
construção e nem sempre estão disponíveis na região em que se realizará a execução do
projeto. Além disso, essas máquinas, em especial os guindastes, necessitam de espaços
consideráveis no canteiro de obras para realização das atividades de içamento; espaços
estes que, em áreas urbanas, não pode ser garantido com facilidade.

Constata-se que, mesmo com os diversos benefícios apresentados para a


construção de edificações em concreto pré-moldado, são as particularidades de cada projeto
24

e cada região que somam fatores a serem avaliados e pesados na opção de escolha por esta
tipologia estrutural.

2.5. Dimensionamento de estruturas de galpões

A análise numérica estrutural é um processo realizado para calcular os valores dos


esforços solicitantes nos elementos quando solicitados pelo conjunto de ações a qual estão
submetidos. Estes esforços são utilizados, de forma ponderada, no dimensionamento dos
componentes estruturais. A análise numérica, uma vez feito dimensionamento dos
elementos, também é responsável por simular e diagnosticar as deformações e
deslocamentos estruturais existentes, a fim de verificar os limites impostos pelo ELS (Estado
Limite de Serviço) e ELU (Estado Limite Último) do sistema estrutural adotado.

A análise, segundo Rodrigues (2012), deve ser realizada com um modelo estrutural
que represente, de forma mais realista possível, o correto comportamento da estrutura e o
caminho percorrido pelas ações até alcançarem as fundações. O modelo mais simples e mais
utilizado para a realização das análises numéricas em sistemas estruturais de galpões é o de
sistemas de pórticos planos analisado de maneira isolada (figura 5).

Figura 5 – Modelo de sistema de pórtico plano utilizado em análises numéricas de galpões

Fonte: Metro Cúbico (2019)

Existem muitos métodos matemáticos para a realização de análise de estruturas


hiperestáticas, como por exemplo: método das forças, método dos deslocamentos e
processo de Cross. No entanto, os avanços computacionais permitiram que, atualmente, seja
25

possível realizar este processo de análise numérica com auxílio de softwares como FTOOL
(Martha, 2018) e TRAME (Ormonde, 2016). As figuras 6 e 7 ilustram a interface desses
softwares.

Figura 6 – Interface do Software FTOOL para análise estrutural

Fonte: FTOOL (2019)

Figura 7 – Interface do Software TRAME para análise estrutural

Fonte: TRAME (2019)


26

Para a realização da análise numérica com a utilização dos softwares


computacionais devem-se ter definidos: a configuração dos pórticos estruturais (tipologias
usuais podem ser consultadas no Apêndice A – Catálogo de tipologias de galpões), as ações
atuantes, as características das ligações, as propriedades materiais e a geometria dos
elementos que compõem um galpão (item 2.2).

2.5.1. Ações

Existem dois tipos de ações a serem consideradas em estruturas: permanentes e


variáveis.

a) Ações Permanentes

Segundo a ABNT NBR 8681:2003, são consideradas ações permanentes aquelas que
atuam na estrutura, durante a vida útil da construção, com valores constantes ou com
pequenas variações em torno de sua média. As ações permanentes são consideradas com os
valores representativos mais desfavoráveis para a segurança. Para o caso de estrutura de
galpões, as principais ações permanentes a serem consideradas são:

 Peso próprio dos elementos estruturais primários – pórtico;


 Peso próprio dos elementos estruturais secundários – terças e tirantes;
 Peso dos elementos de contraventamentos;
 Peso das telhas de cobertura.
b) Ações Variáveis

Ainda na ABNT NBR 8681:2003, têm-se a definição de ação variável como sendo
cargas acidentais, temporárias ou de utilização da edificação. Pode-se ainda classificar essas
ações em: ações normais – ações com probabilidade de ocorrência suficientemente grande a
ponto de serem obrigatoriamente consideradas no projeto estrutural – e ações especiais –
ações resultantes de eventos incomuns como abalos sísmicos e cargas acidentais.

No projeto de estrutura de galpões são consideradas, obrigatoriamente, as


seguintes ações variáveis:

 Sobrecarga acidental em telhados;


 Ação dos ventos – determinada segundo a ABNT NBR 6123:1988
27

 Ações de pontes rolantes – quando houver.

2.5.2. Combinação de ações

Uma vez determinadas as ações permanentes e variáveis a serem consideradas no


projeto do galpão, devem-se aplicar as combinações para ELU – Estados Limites Últimos
(equação 1) e ELS – Estados Limites de Serviço (equação 2), para que possa simular,
respectivamente, o caso mais crítico para esgotamento da capacidade resistente dos
elementos estruturais e deformação excessiva que possa comprometer o uso da edificação.
A ABNT NBR 6118:2014 (Projeto de estruturas de concreto — Procedimento) e a ABNT NBR
8800:2008 (Projeto de estruturas de aço e de estruturas mistas de aço e concreto de
edifícios) fornecem os valores dos coeficientes a serem adotados na aplicação das
combinações citadas.

Equação 1 – Fórmula para aplicação da combinação de ELU

∑ [ ∑ ]

Equação 2 – Fórmula para aplicação da combinação de ELS

∑ ∑

2.5.3. Ligações

O ponto mais problemático no processo de dimensionamento de estruturas


metálicas e de estruturas em concreto pré-moldado está na definição das ligações dos
elementos. Existem três tipos de ligações a serem definidas em um projeto de galpões:
ligação viga-viga, viga-pilar e pilar-fundação (apresentados na figura 8). Acontece que, tanto
em estruturas metálicas, quanto em estruturas de concreto pré-moldado, a característica
real dessas ligações não ocorre perfeitamente de maneira rígida, nem absolutamente
articulada; o comportamento das ligações entre os elementos estruturais, em especial as
ligações viga-pilar, ocorre de maneira semi-rígida.
28

Figura 8 – Ligações entre elementos estruturais em projeto de galpões

Fonte: Santos (2010)

Essa especificidade das ligações, nesses sistemas estruturais, é tema de estudo de


muitos autores. Torres (2017), por exemplo, em seu estudo analítico sobre a influência da
semirrigidez de ligações viga-pilar em edificações apresenta várias tipologias deste tipo de
ligação em estruturas metálicas e estruturas de concreto pré-moldado. Nas figuras 9 e 10,
mostradas a seguir, apresentam-se, respectivamente, exemplos de ligações viga-pilar em
estruturas metálicas e estruturas em concreto pré-moldado.

Figura 9 – Ligação viga-pilar parafusada em galpão de estrutura metálica

Fonte: Instituto Aço Brasil (2010)


29

Figura 10 – Ligação viga-pilar com consolo e chumbador em galpão de estruturas de concreto pré-
moldado

Fonte: Souza (2006)

Assim como nas ligações viga-pilar, observadas acima, nas ligações viga-viga e pilar-
fundação também é possível perceber a existência de ligações que se aproximam bastante
dos casos comuns: rígida ou articulada. Diante disso, para efeito de simplificação do modelo
a ser caracterizado neste trabalho, adotou-se vinculações totalmente rígidas para as ligações
viga-pilar, vinculações articuladas para ligações viga-viga e vinculações engastadas para
ligações pilar-fundação.
30

3. Desenvolvimento e Resultados

Para obter informações acerca dos processos de construção de galpões em


estrutura metálica e concreto pré-moldado na cidade de Manaus consultou-se 2 (três)
engenheiros civis da área de construção e projeto de galpões metálicos, 1 (um) engenheiro
civil da área de construção de galpões em estrutura de concreto pré-moldado e 2 (dois)
mestres de obra atuantes no meio da construção dos dois tipos de galpões no mercado
local. O questionário base para realização das entrevistas pode ser consultado no apêndice
B. Com isso, foi possível descobrir quais as verdadeiras potencialidades e dificuldades que
comprometem a efetiva construção das duas tipologias estruturais quando designadas à
construção de galpões. Os resultados a seguir serão apresentados de forma descritiva e
segue diversos tópicos considerados importantes para a avaliação comparativa.

3.1.1. Construção de galpões em estrutura de concreto pré-moldado em Manaus-AM

Na avaliação do mercado local sobre a construção de estrutura de galpões de


concreto pré-moldado, segundo os profissionais consultados, pôde-se verificar que suas
principais potencialidades são: garantia de respeito ao cronograma da obra, qualidade da
estrutura no longo prazo, exigência reduzida no quantitativo de mão de obra no local da
construção e a garantia de um projeto bem compatibilizado. Por outro lado, existem
algumas problemáticas a serem vencidas para que este tipo de construção ganhe mais
espaço no mercado local: falta mão de obra especializada nesse tipo de construção,
necessidade de maquinário especial, deficiência na logística de transporte da região,
escassez de materiais específicos para composição das peças e a limitação da grandeza de
vão.

a) Garantia de respeito ao cronograma da obra

O ponto principal de atração, identificado no mercado Manauara, para a escolha


das estruturas pré-moldadas de concreto é a garantia da conclusão das etapas da obra
conforme o cronograma estabelecido na fase de planejamento. A independência dos fatores
climáticos da região para a confecção das peças estruturais, a curta necessidade de tempo
para execução das etapas de montagem das peças no canteiro de obras e a consolidação do
padrão nos processos de controle de qualidade nas poucas empresas que dominam o
31

mercado de pré-moldados em Manaus-AM, fazem com que os prazos estabelecidos sejam


fielmente respeitados.

b) Qualidade da estrutura no longo prazo

O processo de construção deste tipo de estrutura passa por inúmeras etapas de


controle de qualidade: os materiais que compõem a cadeia executiva são minuciosamente
testados, os profissionais são treinados de maneira particular para executar os processos
normativos – explicitados na norma ABNT NBR 9062/2017 – e as fábricas possuem
laboratórios com instrumentos que garantem o alcance real das especificações das peças.
Todo esse rigor nos processos executivos garante a longevidade da estrutura sem a
necessidade de gastos com manutenções em curtos períodos de tempo. Logo,
empreendimentos maiores (shoppings, supermercados, escolas, etc) que necessitam ser
construídos com prazos menores e com garantia de uma estrutura segura e durável acabam
por receber a maior parte das estruturas pré-moldadas da cidade.

c) Exigência reduzida no quantitativo de mão de obra no local da construção

As construções pré-moldadas de concreto geralmente não exigem equipe de solda,


de concretagem ou de serragem no canteiro. Na obra, a mão de obra exigida se restringe aos
profissionais especializados nas etapas de locação dos elementos estruturais e no manejo
dos equipamentos e máquinas necessários no processo. A figura 11 ilustra o reduzido
quantitativo de mão de obra no processo de montagem dos elementos.

Figura 11 – Exemplo do processo executivo de estrutura em pré-moldado de concreto armado com


número reduzido de mão de obra

Fonte: Folha de Londrina (2019)


32

d) Garantia de um projeto bem compatibilizado

A concepção dos elementos estruturais não sofre alterações bruscas. Antes mesmo
das peças serem confeccionadas, o projeto estrutural é compatibilizado com os projetos
arquitetônicos e complementares (elétricos, hidráulicos, sanitários e outros) para que essas
sejam concebidas com a previsão de todos os elementos complementares que compõem a
estrutura. Essa etapa é realizada de maneira muito criteriosa para esse tipo de construção e
isso minimiza muito a possibilidade de erros na execução da obra.

e) Falta mão de obra especializada nesse tipo de construção

A falta de profissionais especializados neste tipo de construção não se restringe à


mão de obra executiva ou fabril. É importante destacar que faltam engenheiros e projetistas
especializados atuando na região. No Amazonas, as principais referências de empresas são
Arcoma da Amazônia Ind. e Com. LTDA e J. Nasser Engenharia LTDA.

Um dos relatos feitos por um engenheiro entrevistado preocupa, inclusive, o


prestígio deste tipo de construção no mercado. Muitos engenheiros tentam realizar
construções pré-moldadas com projetos voltados para construções de concreto moldado in
loco. É importante destacar que existem especificidades nos projetos de concreto pré-
moldado que não estão inseridos no planejamento de um projeto convencional. O detalhe
das ligações, por exemplo, possui uma concepção executiva completamente diferente da
verificada em projetos convencionais de concreto armado.

Em pesquisa, realizada por Rodrigues (2019), feita com 20 empresas de construção


civil na cidade de Manaus/AM, verificou-se que apenas 30 % das empresas consultadas se
auto declararam ter conhecimento especializado em sistemas estruturais de concreto pré-
moldado. Mesmo assim, verificou-se que 42,1% das empresas consultadas já foram
responsáveis pela execução de galpões utilizando concreto pré-moldado em Manaus. Isso
ilustra a deficiência do mercado local na oferta de profissionais especializados na execução
desses sistemas estruturais e evidencia, ainda, que nem sempre essas construções são
executadas por profissionais devidamente capacitados.

Para lidar com a falta de mão de obra nos processos construtivos, a Arcoma da
Amazônia Ind. e Com. LTDA, por exemplo, mantém cerca de 80 a 100 funcionários que
33

passam por treinamentos internos periódicos (3 a 6 meses) para se tornarem aptos aos
trabalhos na empresa. Isso acaba onerando custos que não fazem parte do contexto de
outros tipos de construção.

f) Necessidade de maquinário especial

Na construção de galpões, em geral, apenas os maquinários mais comuns são


necessários: caminhão com guindaste articulado, plataforma elevatória, retroescavadeiras e
carretas. As gruas, maquinário mais pesado e que exige maior espaço para trabalhar, não
são comuns em construções de galpões. No entanto, o fato é que mesmo esses maquinários
mais básicos possuem um custo hora/trabalho elevado que acabam onerando no valor final
do empreendimento. A figura 12 mostra um exemplo da atuação do maquinário necessário
no processo de execução no canteiro de obras.

Figura 12 – Maquinário para execução da etapa de montagem das peças pré-moldadas no canteiro

Fonte: Kerber Pré-Moldados (2019)

g) Deficiência na logística de transporte da região

Quando questionados sobre a expansão do concreto pré-moldado na região, os


engenheiros são unanimes em dizer que o principal entrave está na deficiência logística de
transporte na região. Isso acarreta limitações executivas não só na cidade de Manaus, como
também inviabiliza a execução de empreendimentos no interior do amazonas e outros
34

estados vizinhos. As peças, quando pré-fabricadas, precisam ser transportadas até o local da
obra; o custo do frete de caminhões é cobrado, em Manaus-AM, pelo número de viagens.
Em perímetro urbano, esse valor atualmente está em torno de R$ 700,00. Logo, a depender
da quantidade de peças a serem fabricadas ou das suas dimensões, pode se tornar
economicamente inviável a execução do projeto da maneira pré-fabricada. A solução
alternativa para esse problema está na montagem da usina de moldagem das peças no
próprio canteiro de obras; mas essa alternativa não costuma ser acessível, nem no ponto de
vista financeiro, nem no ponto de vista físico devido à comum falta de espaço no canteiro,
além de diminuir a garantia do controle de qualidade na concepção das peças.

As peças de concreto pré-moldado necessitam de maiores cuidados aos impactos.


Portanto, o transporte também possui responsabilidade significativa na garantia de que as
peças transportadas não sofram com trincas devido às movimentações bruscas no percurso
até o local de execução da obra. É notória a deficiência dos pavimentos urbanos da cidade.
Diante desse aspecto, percebe-se que a infraestrutura da cidade de Manaus, de maneira
especial na região do distrito industrial, não colabora para que essas operações de
transporte ocorram de maneira eficiente.

Quanto à expansão do mercado de pré-moldados para outros locais na região,


relatou-se que a falta de estradas e de opções mais ágeis na logística de transporte da região
ainda é um grande entrave para expansão dos pré-moldados. Os custos com fretes acabam
não atraindo investimentos de quem está empreendendo, e nem de quem está construindo.

h) Escassez de materiais específicos para composição das peças

Um dos materiais essenciais para execução das peças pré-moldadas ou pré-


fabricadas é o cimento ARI (Alta Resistência Inicial). Este tipo de cimento não é encontrado
com facilidade no mercado manauara. Logo, a propriedade obtida através dele é alcançada
com o uso de aditivos.

Além do cimento ARI, outra problemática é a distância de Manaus-AM às fontes de


agregado graúdo adequado para utilização na fabricação das peças. Boa Vista é uma das
principais fontes desse recurso. Logo, o custo com frete desses materiais acaba impactando
de maneira negativa no preço final da execução desse tipo de estrutura.
35

i) Limitação da grandeza de vão

Por motivos de redução do desempenho estrutural e devido à necessidade de peças


com seções e comprimentos excepcionais, o valor máximo do vão de um galpão, a ser
construído pelas principais empresas de concreto pré-moldado em Manaus, é de 30 (trinta)
metros. A partir disso, recomenda-se, inclusive, a utilização de estruturas metálicas.

Uma solução para ampliar a faixa de vão atendida pelas estruturas pré-moldadas de
concreto é a “protensão”. Todavia, essa técnica, por ainda não ser muito difundida no
mercado local e ser dominada por poucos profissionais, acaba se tornando mais onerosa a
ponto de desestimular o prosseguimento da opção por esta solução estrutural.

3.1.2. Construção de galpões metálicos em Manaus-AM

O resultado da pesquisa de campo com profissionais atuantes no mercado de


construção de galpões metálicos na região apontou para os seguintes aspectos positivos:
execução de larga escala de vãos, maior trabalhabilidade de execução, grande oferta no
mercado, disponibilidade de material e menor sobrecarga do sistema de fundações. No
entanto, puderam-se registrar aspectos problemáticos a serem considerados no momento
da escolha por esse tipo de sistema estrutural: faltam mecanismos de controle de qualidade
mais sofisticados, exigem maiores cuidados com a manutenção, deficiência na logística de
transporte da região e requer maior atenção de projeto com relação ao vento.

a) Execução de larga escala de vãos

Os elementos de aço que compõem as estruturas metálicas possuem uma


resistência natural à tração maior do que verificado em outros materiais. Essa propriedade
do aço faz com que este sistema estrutural consiga atender com melhor eficiência uma
ampla faixa de vãos de galpões sem provocar aumentos exagerados nas seções transversais
das peças. Exemplo disso pode ser visto na construção do ginásio poliesportivo da UFAM
(figura 13), ali se verifica a execução de um galpão metálico – com tipologia de pórtico com
escora central – com um vão total de 55 m.
36

Figura 13 – Ginásio Poliesportivo da Universidade Federal do Amazonas

Fonte: Próprio autor (2019)

No entanto, além das caraterísticas de projeto, é necessário pensar na questão


logística de fabricação e transporte dessas peças até o local de sua execução. Portanto,
antes da tomada de decisão deve-se ter um plano de ação logístico que inclua a
possibilidade de execução desta etapa da obra.

b) Maior trabalhabilidade de execução

Existem três características nos elementos das estruturas metálicas que os fazem
serem mais trabalháveis no canteiro de obras, quando comparados com os elementos das
estruturas de concreto pré-moldado: A seção reduzida das peças, a leveza e a simplicidade
de suas ligações.

Os elementos estruturais metálicos possuem seções transversais e pesos


nitidamente menores que os verificados em galpões de concreto pré-moldado. Além disso,
outro importante fator a proporcionar essa maior trabalhabilidade na execução dos galpões
metálicos é a simplicidade de execução de suas ligações – comumente parafusadas. Em
questionamento a funcionários que já trabalharam com as duas formas de construção,
constatou-se que, devido a maior fragilidade das peças pré-moldadas de concreto, a
execução dos encaixes projetados nas suas ligações exigem cuidados especiais que podem
37

culminar, inclusive, na perca da peça quando não seguidos à risca os procedimentos


exigidos.

Segundo os construtores, essa melhor trabalhabilidade das construções metálicas


promove movimentos mais rápidos dos equipamentos e acaba proporcionando, também,
uma maior economia na forma de menor consumo de hora/equipamento no canteiro de
obras.

c) Grande oferta no mercado

Alguns aspectos importantes contribuem para que o mercado local disponha de


uma maior quantidade de profissionais atuando na área: a cultura da construção metálica
difundida há mais tempo na região, o menor investimento inicial para criação de empresa
especializada (quando comparado com o investimento para criação de uma empresa
especializada em pré-moldados de concreto) e a maior disponibilidade de conhecimento
técnico na área no processo de formação dos engenheiros locais.

A grande oferta verificada no mercado local proporciona naturalmente uma maior


concorrência entre os profissionais da região, garantindo assim uma maior acessibilidade
econômica para o empreendedor. O que não ocorre, por exemplo, com o mercado de
construção de estruturas em concreto pré-moldado por existir poucos profissionais e
empresas com os recursos técnicos adequados disponíveis para execução desse tipo de
estrutura, os preços tendem a ser maiores.

d) Disponibilidade de material

Em geral, ao consultar engenheiros e empresários atuantes no mercado de


construções metálicas em Manaus, verificou-se o mercado manauara possui uma boa
variedade de fornecedores dos materiais que compõem os processos deste tipo de
construção. No fornecimento dos perfis metálicos, citou-se as empresas: Aço Manaus Ltda,
Amazon Aço Indústria e Comércio LTDA, Hyssa Abrahim & Cia. Ltda e a Metalúrgica
Magalhães Comércio e Indústria Ltda como algumas das empresas fornecedoras mais
conhecidas no mercado. Outros materiais (por exemplo, tintas anticorrosivas, parafusos e
soldas) são facilmente encontrados nas principais lojas de materiais de construção da
cidade.
38

e) Menor sobrecarga do sistema de fundações

Como já dito anteriormente, os galpões concebidos na forma de estrutura metálica


são bem mais leves que os galpões construídos com concreto pré-moldado. Essa
característica faz com que as fundações recebam uma menor quantidade de carga. Portanto,
os aspectos relacionados à composição dos elementos da fundação de galpões metálicos –
capacidade de carga do solo, volume de concreto consumido pelas sapatas, etc – são geridos
de maneira muito mais flexível quando comparado com estruturas convencionais em que o
principal material de composição estrutural é o concreto.

No aspecto econômico, devido à possibilidade da escolha sistemas de fundações


mais acessíveis no mercado e com menos mobilização de recursos, esse ponto também
garante uma economia no valor global da construção de galpões executados em estrutura
metálica.

f) Faltam mecanismos de controle de qualidade mais sofisticados

O mercado atual oferece mecanismos como a aplicação de ensaios de qualidade


não destrutivos (ultrassom e líquidos penetrantes) nas soldas e a inclusão de equipamentos
automáticos de furação para garantia da qualidade da estrutura. No entanto, verificou-se no
mercado manauara, que essas técnicas mais sofisticadas do processo de controle de
qualidade ainda são pouco difundidas. Restringindo-se a poucas empresas a utilização
desses instrumentos de controle.

Outro aspecto a cooperar para a atenção com esta questão é que houve muitos
relatos na pesquisa de campo de que, apesar da boa disponibilidade de mão de obra na
região, ainda se carece de profissionais com melhores qualificações técnicas. Grande parte
da mão de obra existente atua no mercado com o conhecimento empírico adquirido quando
atuantes em outras obras de estrutura metálica.

Em construções de galpões com estrutura metálica fabricada no próprio canteiro, o


controle de qualidade fica ainda mais limitado. Além da maior atenção com as atividades de
solda e de furação, pode-se acrescentar a maior dificuldade para executar de maneira
correta as etapas de jateamento e pintura anticorrosiva das peças que vão compor a
estrutura do galpão. Isso acontece, principalmente, devido a três pontos: não se consegue
39

transportar da fábrica para o canteiro os equipamentos necessários para o controle de todas


as etapas de fabricação, não se consegue criar um ambiente estável (livre de intempéries e
independente das condições climáticas) para fabricação das peças e nessas situações a mão
de obra fabril e a executiva costuma ser a mesma – a concentração de responsabilidades e a
pressão da produtividade acabam por suprimir etapas de qualidade.

g) Exigem maiores cuidados com a manutenção

O aço, diferente do concreto, é um material que quando aplicado sem jateamento é


altamente danificado pela ação de intempéries do ambiente – umidade do ar, gases
industriais, alto teor de enxofre na atmosfera, sais minerais, etc. O combate aos danos
provocados por essas ações é realizado, principalmente, através da aplicação de tintas
anticorrosivas.

Em Manaus-AM, o nível de atuação dessas intempéries não costuma ser elevado


devido o fato de não haver maresia e das indústrias não gerarem gases poluentes, pois são
de montagem. No entanto, isso não elimina a necessidade da aplicação dessas tintas que
funcionam como capa protetora do elemento estrutural. Todavia, esses produtos possuem
prazos de validade relativamente baixos (12 meses em média). Logo, deve-se renovar a
aplicação dessas tintas no período relativo à sua validade para que se possa garantir a vida
útil da estrutura.

h) Deficiência na logística de transporte da região

Assim como verificado nas construções de galpões de concreto pré-moldado, a


limitação da logística de transporte na região também afeta negativamente as construções
em estrutura metálica. Dentro do perímetro urbano da cidade de Manaus-AM existem
horários e vias para realizar o transporte dos perfis e componentes estruturais metálicos,
isso deve ser considerado na etapa de planejamento da obra para que a pressão do prazo de
conclusão não promova violações às legislações de trânsito locais.

Na pesquisa realizada com engenheiros locais, não houve relatos de que essa
problemática fosse fator determinante para provocar a inviabilidade da construção de
galpões metálicos. As peças mais esbeltas e leves geram poucas viagens de transporte e,
também, alta flexibilidade de desembarque no canteiro.
40

i) Requer maior atenção de projeto com relação ao vento

Se por um lado, as características de esbeltez e leveza das estruturas metálicas


podem favorecer a sua aplicação no ponto de vista econômico e logístico na construção de
galpões, por outro, essa peculiaridade gera atenção em alguns aspectos estruturais
importantes, o maior deles é o combate à ação do vento.

Em entrevista a engenheiros regionais, verificou-se que a preocupação de projeto


com os efeitos provocados pelo vento em galpões de estrutura metálica em Manaus é alta.
Apesar, de a cidade ter (segundo a ABNT NBR 6123) uma velocidade básica do vento de 25
m/s, nas considerações de projeto feitas para construções de galpões metálicos na cidade, o
valor considerado é geralmente igual a 30 m/s. Essa consideração é justificada por conta da
alta suscetibilidade ao fenômeno de sucção do vento nesse tipo de estrutura e da falta de
atualização da ABNT NBR 6123/88 que, nos dias de hoje, ainda não teve seu processo de
revisão concluído.

3.2. Modelagem de Galpão

3.2.1. Parâmetros Gerais

O galpão modelo deste trabalho possui os seguintes aspectos gerais: O


comprimento e a largura são, respectivamente, 30 m e 15 m; a cobertura é metálica
(inclusive as terças – perfil U 152 X 12,2); a inclinação da cobertura é de 10°; adotou-se o
pórtico de tipologia simples (por ser uma tipologia comum e exequível para os dois métodos
executivos estudados); o espaçamento entre os pórticos é de 5 m; a altura dos pilares é de 5
m (com altura máxima no encontro das vigas de 6,32 m); não se considerou a utilização de
ponte rolante neste modelo de galpão. A escolha das dimensões adotadas foi baseada no
padrão de loteamento regional verificado em Manaus-AM

Nas considerações das ligações entre os elementos estruturais deste modelo, para
efeito de simplificação, considerou-se a utilização de ligações aproximadas às ligações rígidas
e articuladas.

 Ligação viga-viga = articulada


 Ligação viga-pilar = rígida
 Ligação pilar-fundação = engastada
41

O resultado dessas considerações está ilustrado nas figuras 14 e 15:

Figura 14 – Planta baixa do projeto de galpão modelo – unidades em m

Fonte: Próprio autor (2019)

Figura 15 – Tipologia de pórtico adotada – unidades em m

Fonte: Próprio autor (2019)

As ações consideradas no projeto modelo são as seguintes:

 Ações permanentes: peso de vigas, pilares, terças, telhas e acessórios


 Ações variáveis: Vento (ABNT NBR 6123/88) e sobrecarga.

De acordo com as características do modelo adotado, as cargas que se modificarão,


na modelagem da estrutura metálica e pré-moldada de concreto, serão: peso próprio de
vigas e pilares e da sobrecarga de cobertura. A determinação desses carregamentos, em
cada tipo estrutural a ser analisado, está detalhada nos sub-itens 4.2.2 e 4.2.3. Todos os
42

outros carregamentos considerados são gerais e os detalhes de suas composições estão


apresentados a seguir:

a) Terças - Perfil U152 x 12,2 (para ambos os modelos)

Número de terças por água: 4

Número de terças por pórtico: 4x2 = 8

Peso de cada terça: 12,2 kg/m x 30m = 366 Kg

Peso de todas as terças: 366 x 8 = 2928 Kg

Peso das terças por área de galpão: 2928/(15x30) = 6,51 Kg/m2

Peso das terças por área de influência: = 6,51 x (5 x 15) = 488,0 kg = 4,78 kN

Peso das terças distribuído no pórtico: 4,78 / 15 = 0,3253 kN/m

b) Telha – Ondulada Gerdau – esp. 0,50 mm

Peso das telhas por área: 5,0 Kg/m2


Peso das telhas distribuído no pórtico: 5x5 = 25 Kg/m = 0,25 kN/m

c) Acessórios na cobertura

Peso dos acessórios por área: 0,05 kN/m2


Peso dos acessórios distribuído no pórtico: 0,05x 5 = 0,25 kN/m
d) Vento

O cálculo da ação do vento a ser considerada na modelagem foi realizado a partir


das definições da ABNT NBR 6123/88. Os parâmetros utilizados para sua determinação
foram:

Região considerada: Manaus-AM (V0 = 30 m/s);


Terreno fracamente acidentado (S1 = 1,0);
Terreno localizado em região industrial com edificação em que a maior dimensão horizontal
está entre 20 m e 50 m. (Categoria IV; Classe B – S2 = 0,76);

A partir dessas considerações de projeto determinou-se a velocidade característica


do vento (Vk = 23,40 m/s), o valor da pressão dinâmica do vento (q = 335,65 N/m²), os
43

coeficientes de forma externa de paredes (Figura 16), os coeficientes de forma externa da


cobertura (Figura 17) e os coeficientes de pressão interna (Figura 18).

Figura 16 – Coeficientes de forma externa de paredes para cálculo da ação do vento

Fonte: Próprio autor

Figura 17 – Coeficientes de forma externa da cobertura para cálculo da ação do vento

Fonte: Próprio autor


44

Figura 18 – Coeficientes de pressão interna para cálculo da ação do vento

Fonte: Próprio autor

Com os fatores determinados, simulou-se a ação de 4 (quatro) casos possíveis de


combinações, modificando a direção do vento (90° ou 0°) e considerando os dois possíveis
casos de pressão interna. Na análise dessas hipóteses, verificou-se que a situação mais
crítica (a ser considerada em projeto) é aquela no qual o vento está a 90° e o coeficiente de
pressão interna é 0,0. Resultando no carregamento ilustrado na figura 19.

Figura 19 – Resultado crítico de carregamento de vento na modelagem

Fonte: TRAME (2019)


45

A partir dessas considerações gerais, iniciou-se a modelagem deste projeto


considerando as duas tipologias estruturais a serem analisadas: estrutura metálica e
estrutura em concreto pré-moldado.

3.2.2. Galpão Metálico

O pré-dimensionamento dos componentes estruturais do modelo metálico (pilares


e vigas) baseou-se em Bellei (2006). Segundo este autor, as vigas e os pilares podem ser pré-
dimensionados, respectivamente, a partir do valor do vão a ser vencido e da altura do pé
direito do projeto. Aplicando ao projeto modelo deste trabalho, encontrou-se o intervalo de
alturas dos perfis das vigas e pilares da seguinte forma:

Para o pré-dimensionamento da viga tem-se:

L/70 <h< L/50

15000/70 <h< 15000/50

214 mm <h< 300 mm

Para o pré-dimensionamento do pilar teremos então:

H/30 <h< H/20

5000/30 <h< 5000/20

167 mm <h< 250 mm

Para efeito de simplificação do projeto, optou-se por escolher um único perfil para
compor as vigas e os pilares, de forma que este estivesse dentro dos intervalos sugeridos por
Bellei (2006). Dessa maneira, o perfil adotado foi: W 250 X 44,8. Suas principais
propriedades estão descritas nas tabelas a seguir e ilustradas na Figura 20:

Tabela 1 – Propriedades geométricas do perfil W 250 X 44,8

ÁREA DIMENSÕES
2
A (cm ) d (mm) bf (mm) tw (mm) tf (mm) h (mm) d' (mm)
57,6 266 148 7,6 13 240 220
Fonte: Gerdau (2019)
46

Tabela 2 – Propriedades geométricas do perfil W 250 X 44,8

PROPRIED.
EIXO X-X EIXO Y-Y
TORÇÃO
Ix (cm4) Wx (cm3) rx (cm) Zx (cm4) Iy (cm4) Wy (cm3) ry (cm) Zy (cm4) It (cm4) Cw (cm2)
7158 538 11,15 606 704 95 3,5 146 27,14 112398
Fonte: Gerdau (2019)

Figura 20 – Descrição de dimensões de perfis W

Fonte: Gerdau (2019)

O aço adotado é do tipo ASTM A36. As propriedades mecânicas foram consideradas


conforme a norma ABNT NBR 8800:2008. Uma vez pré-definido o perfil a ser utilizado na
modelagem, determinou-se os carregamentos permanentes e variáveis a serem
considerados no modelo.

3.2.2.1. Cargas Permanentes

As ações permanentes a serem consideradas são: peso das vigas, pilares, terças,
telhas e acessórios. A composição do peso das terças, telhas e acessórios são ações gerais do
projeto e já foram determinadas no item 4.2.1.

a) Viga (W 250 X 44,8)

Peso de uma viga: 44,8 kg/m x 7,616 m = 341,183 kg

Peso de duas vigas: 341,183 kg x 2 = 682,37 kg= 6,694 kN

Peso das vigas distribuídas: 6,694 kN/ 15 m = 0,446 kN/m


47

b) Pilar (W 250 X 44,8)

Peso de um pilar distribuído: 44,8 kg/m x 9,81 m/s² /1000 = 0,4395kN/m

Com isso, puderam-se obter os valores para o carregamento permanente nas vigas
e pilares da seguinte forma:

c) Carregamento permanente distribuído nas vigas = (Peso próprio das vigas) +


(Peso das terças) + (Peso das telhas) + (Peso dos acessórios) = 0,446 + 0,32 + 0,25 + 0,25 =
1,26 kN/m

d) Carga permanente distribuído nos pilares = (Peso próprio dos pilares) = 0,44
kN/m

O resultado da distribuição do carregamento permanente no modelo de pórtico


sugerido está ilustrado na figura 21.

Figura 21 – Carregamento Permanente no modelo de estrutura metálica

Fonte: TRAME (2019)

3.2.2.2. Cargas Variáveis

Para compor as ações variáveis neste modelo consideraram-se as ações do vento e


da sobrecarga de cobertura. As ações do vento já foram determinadas na seção 4.2.1. O
valor da sobrecarga adotado foi retirado da consideração descrita no Anexo B da ABNT NBR
8800/08: “Nas coberturas comuns (telhados), na ausência de especificação mais rigorosa,
48

deve ser prevista uma sobrecarga característica mínima de 0,25 kN/m², em projeção
horizontal.”. A composição do carregamento da sobrecarga de cobertura está a seguir:

a) Sobrecarga

Carga de sobrecarga por área: 0,25 kN/m2 (anexo B da NBR 8800:2008).

Carga de sobrecarga na área de influência: 0,25 x 5 x 15 = 18,75 kN

Sobrecarga distribuída no pórtico = 18,75 / 15 = 1,25 kN/m

A figura 22 ilustra a distribuição da sobrecarga de cobertura no pórtico modelado.

Figura 22 – Carregamento correspondente à sobrecarga

Fonte: TRAME (2019)

3.2.2.3. Combinação de ações

Para a verificação dos esforços no modelo, realizaram-se combinações de


carregamentos para o Estado de Limite Último – na forma descrita na seção 2.4.2 – que
retornassem os esforços mais críticos na estrutura. Portanto, simulou-se 4 (quatro) tipos de
combinação:

 Carga Permanente + Sobrecarga;


 Carga Permanente + Sobrecarga + Vento;
 Carga Permanente + Vento;
 Carga Permanente (sem ação variável).
49

A realização dessa etapa da modelagem foi realizada através da função


“Combinação de ações” no software utilizado – TRAME 5.0 (figura 23). Os valores dos
coeficientes utilizados nas combinações adotadas foram retirados da ABNT NBR 8800/08
(figura 24).

Figura 23 – Tela de configuração de combinação de ações no software Trame 5.0.

Fonte: TRAME (2019)

Figura 24 – Coeficientes de ponderação de ações descritos na ABNT NBR 8800/08

Fonte: ABNT NBR 8800/08


50

3.2.2.4. Análise de esforços

Na análise dos resultados obtidos nas combinações, verificou-se que a combinação


mais desfavorável para este caso acontece quando na estrutura estiver atuando as ações de
carga permanente e sobrecarga, sem a ação do vento. Neste modelo, a ação do vento
considerada tende aliviar os esforços na estrutura. Os resultados dos esforços obtidos com a
combinação de carregamento mais crítica estão ilustrados nas figuras 25, 26 e 27.

Figura 25 – Esforços Normais da combinação de ações mais desfavorável

Fonte: TRAME (2019)

Figura 26 – Esforços Cortantes da combinação de ações mais desfavorável

Fonte: TRAME (2019)


51

Figura 27 – Esforços de Momento Fletor da combinação de ações mais desfavorável

Fonte: TRAME (2019)

Ainda deve-se acrescer nesta análise o caso de combinação no qual a estrutura


apresentou o maior esforço normal de tração. A combinação em que somente a carga
permanente e a carga do vento estão atuando na estrutura promoveu esse tipo de esforço. E
os resultados obtidos neste caso estão ilustrados na figura 28.

Figura 28 – Esforços Normais da combinação de ações que indicou esforços de tração na estrutura

Fonte: Trame (2019)

Portanto, os valores máximos de esforços a serem considerados na análise da


resistência dos perfis considerados são:

Esforço Normal = - 29,32 kN (Compressão)

Esforço Normal = 8,41 kN (Tração)


52

Esforço Cortante = 22,57 kN

Momento Fletor = 60,14 kN.m

3.2.2.5. Análise da resistência quanto ao ELU dos perfis

Ao realizar as etapas de cálculo da capacidade resistente quanto aos ELU (de acordo
com a ABNT NBR 8800/08) do perfil escolhido (W 250 X 44,8) para compor as vigas e os
pilares, temos os seguintes resultados:

Resistência do perfil à Compressão = 443,17 kN

Resistência do perfil à Tração = 1309,09 kN

Força Cortante resistente do perfil = 275,67 kN

Momento resistente máximo do perfil = 101,47 kN.m

Portanto, verificou-se que o perfil escolhido possui resistências maiores que as


necessárias para combater os esforços máximos solicitados no modelo estudado. Ainda
realizaram-se interações para verificação da flexocompressão e flexotração que também
ocorreram de forma bem sucedida para o perfil escolhido.

3.2.2.6. Análise do ELS dos perfis

A combinação para ELS foi realizada com a aplicação da fórmula descrita na ABNT
NBR 8800/08 para tal:

Equação 3 – Fórmula para aplicação da combinação de ELS

∑ ∑

Os fatores de redução ψ1 e ψ2 foram retirados da ABNT NBR 8800 e podem ser


vistos na figura 29.
53

Figura 29 – Tabela de fatores de redução ψ2 da NBR 8800/08

Fonte: ABNT NBR 8800/08

Fatores de redução ψ1 e ψ2 adotados:

Tabela 3 – Fatores de redução adotados para combinação de ELS no modelo de galpão metálico

Ψ1 sobrecarga 0,6
ψ2 sobrecarga 0,4
Ψ1 vento 0,3
ψ2 vento 0

Fonte: Próprio autor (2019)

O módulo de elasticidade do aço ASTM A36 é igual a 200.000 MPa. Os valores de


inércia do perfil adotado no modelo é 7158 .

Feito tais considerações, apresenta-se na figura 30 os resultados, no software


Trame 5.0, que elucidam os esforços obtidos e a magnitude dos deslocamentos verificados
em cada nó da estrutura quando combinado os carregamentos para ELS.
54

Figura 30 – Relatório de esforços e deslocamentos em nós para ELS – modelo metálico

Fonte: TRAME (2019)

A figura 31 apresenta tabela do anexo C da ABNT NBR 8800/08 que demonstra os


deslocamentos máximos a serem verificados nos elementos estruturais quando combinados
para o ELS.

Figura 31 – Deslocamentos máximos a serem verificados nos elementos estruturais

Fonte: ABNT NBR 8800/08


55

Logo, aplicando ao modelo estudado, o limite máximo de deslocamento vertical na


viga de cobertura é:

L / 250 = 1500 cm / 250 = 6 cm

Como visto na figura 29, o deslocamento vertical na viga de cobertura, “nó 3”, é de
3,34 cm. Logo, menor que o limite máximo indicado na norma.

Já o limite máximo de deslocamento horizontal do topo dos pilares em relação à


base é:

H / 300 = 500 cm / 300 = 1,67 cm

Como visto na figura 29, o deslocamento horizontal no topo do pilar em relação à


base, “nó” 2, é de 0,77 cm. Logo, menor que o limite máximo indicado na norma.
Satisfazendo, assim, também o ELS da estrutura.

3.2.3. Galpão de concreto pré-moldado

Na modelagem do galpão de concreto pré-moldado, fez-se necessário realizar um


pré-dimensionamento baseado em artigos voltados para o processo de dimensionamento e
análise de galpões construídos com esta tipologia estrutural. Em aproximação aos modelos
adotados por Santos (2010), Pierezan (2013) e Queiroz (2007), adotaram-se as seções dos
pilares e das vigas conforme a tabela 4.
56

Tabela 4 – Seções adotadas para o modelo de galpão pré-moldado de concreto

Representação Tipo de
a (cm) b (cm) c (cm) e (cm)
seção

Pilares Retangular 30 30 - -

Vigas Seção “T” 35 40 25 10

Fonte: Próprio autor (2019)

3.2.3.1. Cargas Permanentes

Para complementar as ações permanentes gerais do modelo, resta determinar os


carregamentos correspondentes às seções das vigas e pilares adotados para esta tipologia
estrutural de galpão.

a) Viga (“T”)

Peso de uma viga: ÁREA (m²) X PESO ESPECÍFICO (kN/m³) - concreto armado X
COMPRIMENTO DA VIGA (m) = 0,11 x 25 x 7,616= 20,94kN

Peso de duas vigas: 20,94Kn x 2 = 41,89 kN

Peso das vigas distribuídas: 41,89 kN/ 15 m = 2,79 kN/m

b) Pilar (Retangular)

Peso de um pilar distribuído: ÁREA (m²) X PESO ESPECÍFICO (kN/m³) - concreto armado =
0,09 x 25 = 2,25 kN/m

Com isso, puderam-se obter os valores para o carregamento permanente nas vigas
e pilares da seguinte forma:
57

c) Carregamento permanente distribuído nas vigas = (Peso próprio das vigas) +


(Peso das terças) + (Peso das telhas) + (Peso dos acessórios) = 2,79 + 0,32 + 0,25 + 0,25 =
3,61 kN/m

d) Carga permanente distribuído nos pilares = (Peso próprio dos pilares) = 2,25
kN/m

O resultado da distribuição do carregamento permanente no modelo de pórtico


sugerido está ilustrado, a seguir, na figura 32.

Figura 32 – Carregamento Permanente no modelo de estrutura pré-moldada de concreto

Fonte: TRAME (2019)

3.2.3.2. Cargas Variáveis

A composição das ações variáveis neste modelo será igual ao demonstrado na seção
4.2.2. Isso ocorre devido preservação nos dois modelos das mesmas considerações de vento
e do mesmo tipo de cobertura (com terças e telhas metálicas). As ações do vento foram
determinadas na seção 4.2.1 (pág. 42) e o valor da sobrecarga de cobertura foi determinado
na seção 4.2.2 (pág. 48).

3.2.3.3. Combinação de ações

Para a verificação dos esforços no modelo, realizaram-se combinações de


carregamentos para o Estado de Limite Último – na forma descrita na seção 2.4.2 – que
retornassem os esforços mais críticos na estrutura. Assim como no modelo de galpão
metálico, simulou-se 4 (quatro) tipos de combinação:
58

 Carga Permanente + Sobrecarga;


 Carga Permanente + Sobrecarga + Vento;
 Carga Permanente + Vento;
 Carga Permanente (sem ação variável).

A realização dessa etapa da modelagem foi realizada através da função


“Combinação de ações” no software utilizado – TRAME 5.0 (figura 33). Os valores dos
coeficientes utilizados nas combinações adotadas foram retirados da ABNT NBR 6118/14
(figura 34).

Figura 33 – Tela de configuração de combinação de ações para galpão pré-moldado no software


Trame 5.0.

Fonte: TRAME (2019)


59

Figura 34 – Coeficientes de ponderação de ações descritos na NBR 6118/14

Fonte: ABNT NBR 6118/2014

3.2.3.4. Análise de esforços

Na análise dos resultados obtidos nas combinações, assim como no modelo de


galpão metálico, verificou-se que a combinação mais desfavorável acontece quando na
estrutura estiver atuando as ações de carga permanente e sobrecarga. Os resultados dos
esforços obtidos com a combinação de carregamento mais crítica estão ilustrados nas
figuras 35, 36 e 37.

Figura 35 – Esforços Normais da combinação de ações mais desfavorável para modelo pré-moldado

Fonte: TRAME (2019)


60

Figura 36 – Esforços Cortantes da combinação de ações mais desfavorável para modelo pré-moldado

Fonte: TRAME (2019)

Figura 37 – Esforços de Momento Fletor da combinação de ações mais desfavorável para modelo
pré-moldado

Fonte: TRAME (2019)

Analisou-se também o caso de combinação no qual a estrutura apresentou o maior


esforço normal de tração. Observou-se, no entanto, que em nenhum dos casos de
combinação de carregamento exigiam da estrutura resistir a este tipo de esforço.

No dimensionamento dos elementos estruturais, para efeito de simplificação desta


etapa da modelagem, considerar-se-á apenas os esforços máximos identificados nas vigas e
nos pilares. Portanto, os valores máximos de esforços a serem considerados no
dimensionamento das armaduras dos componentes estruturais são:

Para o pilar:

Esforço Normal = - 64,21kN (Compressão)


61

Esforço Cortante = 42,12kN

Momento Fletor = 112,25kN.m

Para a viga:

Esforço Normal = - 52,29kN (Compressão)

Esforço Cortante = 38,72Kn

Momento Fletor = 112,25 kN.m

3.2.3.5. Dimensionamento dos pilares

Esta etapa da modelagem foi realizada com auxílio de ferramenta de planilha de


dimensionamento de pilares submetidos à flexo compressão normal, disponível no site do
Eng. Civil Alex Carvalheiro da Silva (2019). A planilha segue os ditames da NBR 6118/2014 e
só pode ser aplicada para pilares com índice de esbeltez (λ) menores que 90 (noventa).
Como mostrado na equação abaixo, o caso desta modelagem é aplicável.

A primeira etapa do processo de dimensionamento foi o lançamento dos dados


geométricos, dos materiais e das cargas de projeto. A figura 38 evidencia os valores lançados
na planilha.

Para este trabalho foi adotado concreto Classe C40 e aço CA-50.
62

Figura 38 – Dados lançados em planilha para dimensionamento de pilares pré-moldados de concreto

Fonte: Próprio autor (2019)

Os coeficientes de majoração para esforço normal e para momentos foram


considerados iguais a um na planilha de cálculo. A consideração é aplicável porque os
coeficientes já foram aplicados no processo de combinação de carregamentos apresentados
anteriormente. Logo, os valores lançados na planilha são os próprios esforços de projeto.

Para efeito de verificação sobre os efeitos de 2ª ordem, a equação abaixo apresenta


o cálculo para determinação do índice de esbeltez limite:

* ( ⁄ )+ [ ]

Como é menor que , então não é necessário considerar os efeitos de 2ª


ordem para o modelo em questão.

Sabendo-se disto, determinou-se os parâmetros de Esforço Normal Relativo (ν) e


Momento Relativo (μ). Os valores encontrados foram:

ν = 0,03

μ = 0,175
63

Em consulta às tabelas de Flexocompressão normal, retirou-se o valor da taxa


mecânica de armadura através do processo de interpolação aritmética ilustrado na figura 39.

Figura 39 – Definição da taxa mecânica de armadura do pilar pré-moldado de concreto

Fonte: Próprio autor (2019)

Com a taxa mecânica de armadura definida, temos o resultado do cálculo da área


de aço e parâmetros de detalhamento das armaduras (figura 40). A figura 41, por sua vez,
mostra o desenho esquemático da seção do pilar dimensionado.

Figura 40 – Cálculo da área de aço e detalhamento do ferro para o pilar pré-moldado de concreto

Fonte: Próprio autor (2019)


64

Figura 41 – Representação esquemática da seção do pilar de concreto pré-moldado dimensionado

Fonte: Próprio autor (2019)

O dimensionamento da armadura transversal dos pilares foi feito utilizando estribos


de 6,3 mm. O espaçamento longitudinal entre estribos foi adotado como o menor valor
entre 200 mm, menor dimensão da seção e 12  para CA-50 de acordo com os ditames do
item 18.4.3 da ABNT NBR 6118:2014. Logo, o espaçamento adotado entre os estribos foi de
7,50 cm.

3.2.3.6. Dimensionamento das vigas

O dimensionamento das vigas do modelo foi realizado com auxílio de planilha de


dimensionamento de vigas desenvolvida pelo NCEE (Núcleo de Capacitação em Engenharia
de Estruturas) que tem por finalidade o cálculo, detalhamento transversal e longitudinal de
armaduras de vigas (de seção retangular e “T”) em concreto armado.

A planilha utilizada, no entanto, só possui compatibilidade com o software de


cálculo estrutural FTOOL 4.00. Portanto, a primeira etapa do processo de dimensionamento
das vigas consistiu na remodelagem do pórtico no FTOOL 4.00. Isso se fez necessário, pois a
planilha importa os dados obtidos nos gráficos de momento fletor e esforço cortante
gerados por esse software estrutural. As figuras 42 e 43 mostram, respectivamente, o
carregamento permanente e de sobrecarga transpostos para o FTOOL. O carregamento de
vento não foi utilizado nesta etapa devido à verificação de que para o ELU a carga de vento
alivia os esforços na estrutura.
65

Figura 42 – Pórtico do modelo de galpão pré-moldado de concreto armado no FTOOL –


Carregamento permanente

Fonte: FTOOL (2019)

Figura 43 – Pórtico do modelo de galpão pré-moldado de concreto armado no FTOOL –


Carregamento sobrecarga de cobertura

Fonte: FTOOL (2019)

Feito isso, partiu-se para a inserção dos dados geométricos e dos materiais que irão
compor as vigas do galpão pré-moldado – figura 44. Ainda, consta destacar que a planilha de
cálculo utilizada foi configurada para realizar a combinação dos carregamentos, logo inseriu-
se também os valores dos coeficientes de majoração das cargas permanentes e variáveis.
66

Figura 44 – Planilha de cálculo NCEE VIGAS com a inserção dos dados geométricos, de materiais da
viga e coeficientes de majoração de cargas

Fonte: NCEE (2019)

Antes de importar os dados de momento fletor e esforço cortante obtidos no


FTOOL, forneceu-se à planilha os dados referentes à decalagem (utilizado 0,75 x h), diâmetro
sugerido para armadura de flexão, diâmetro sugerido para o estribo, número de ramos,
diâmetro sugerido do porta estribos, diâmetro do agregado a ser utilizado (Brita 2), o
espaçamento para vibrador e o cobrimento (Classe de agressividade ambiental II). A figura
45 mostra estes dados inseridos na planilha.

Figura 45 – Planilha de cálculo NCEE VIGAS com a inserção dos dados para detalhamento da
armadura

Fonte: NCEE (2019)


67

Feito isso, importou-se os dados de momento fletor, do modelo realizado no


FTOOL, para os carregamentos permanentes e para a sobrecarga. Com estes dados,
calculou-se os parâmetros do dimensionamento da armadura longitudinal ao longo da viga
de cobertura do pórtico na forma ilustrada na figura 46, apresentada abaixo.

Figura 46 – Planilha de cálculo NCEE VIGAS com a apresentação dos dados de detalhamento da
armadura longitudinal da viga no modelo pré-moldado

Fonte: NCEE (2019)

Por fim, importaram-se os dados de esforço cortante para os mesmos


carregamentos. Com eles, a planilha calcula e ilustra o detalhamento do dimensionamento
dos estribos – figura 47.
68

Figura 47 – Planilha de cálculo NCEE VIGAS com a apresentação dos dados de detalhamento da
armadura transversal da viga no modelo pré-moldado

Fonte: NCEE (2019)

Por fim, com todos os parâmetros determinados, podemos concluir o


dimensionamento e ilustrar o detalhe da seção transversal da viga. Para exemplificar, a
figura 48 ilustra a seção no ponto de máximo alcance de momento fletor.

Figura 48 – Detalhe da seção transversal no ponto de máximo momento fletor da viga no modelo de
concreto pré-moldado

Fonte: Próprio autor (2019)


69

3.2.3.7. Análise do ELS

A combinação para ELS foi realizada com a aplicação da fórmula descrita na NBR
6118/14 para tal:

Equação 4 – Fórmula para aplicação da combinação de ELS

∑ ∑

Fonte: ABNT NBR 6118:2014

Os fatores de redução ψ1 e ψ2 foram retirados da tabela 11.2 da NBR 6118 e


podem ser vistos na figura 49:

Figura 49 – Tabela de fatores de redução ψ1 e ψ2 da ABNT NBR 6118/14

Fonte: ABNT NBR 6118/14

Fatores de redução ψ2 adotados:

Tabela 5 – Fatores de redução adotados para combinação de ELS no modelo de galpão pré-moldado
de concreto

Ψ1 sobrecarga 0,6
ψ2 sobrecarga 0,4
Ψ1 vento 0,3
ψ2 vento 0

Fonte: Próprio autor (2019)


70

O módulo de elasticidade, para o concreto de fck = 40 Mpa, é igual a 30.827,5 Mpa.


Os valores de inércia dos pilares e vigas do modelo são, respectivamente, 67.500 e
150.000 .

Feito tais considerações, apresenta-se na figura 50 os resultados, no software


Trame 5.0, que elucidam os esforços obtidos e a magnitude dos deslocamentos verificados
em cada nó da estrutura quando combinado os carregamentos para ELS.

Figura 50 – Relatório de esforços e deslocamentos em nós para ELS – modelo pré-moldado

Fonte: TRAME (2019)

As figuras 51 e 52, a seguir, apresentam tabelas retiradas da ABNT NBR 9062/17


que demonstra os deslocamentos horizontais e verticais máximos a serem verificados nos
elementos estruturais quando combinados para o ELS.
71

Figura 51 – Limites de deslocamentos horizontais globais

Fonte: ABNT NBR 9062/2017

Figura 52 – Limites de deslocamentos verticais de elementos de cobertura

Fonte: ABNT NBR 9062/2017

Logo, aplicando ao modelo de galpão pré-moldado de concreto armado, o limite


máximo de deslocamento horizontal no topo dos pilares em relação à base é:

H / 400 = 500 cm / 400 = 1,25 cm

Como visto na figura 49, o deslocamento horizontal no topo do pilar, representado


pelo “nó” 2, em relação à base é corresponde a 0,83 cm. Logo, menor que o limite máximo
indicado na norma.

O limite máximo de deslocamento vertical dos elementos da viga de cobertura é:

L / 250 = 1500 cm / 250 = 6,00 cm

Como visto na figura 52, o deslocamento vertical máximo verificado na viga de


cobertura, “nó” 3 é de 3,58 cm. Logo, menor que o limite máximo indicado na norma.
Satisfazendo, assim, também o ELS da estrutura.
72

3.2.4. Comparativo dos modelos

Sabendo-se dos resultados obtidos nos modelos de galpão metálico e pré-moldado


de concreto, convém agora comparar alguns pontos importantes para analisar vantagens e
desvantagens sob o ponto de vista estrutural e, também, econômico na opção por um ou
outro modelo de galpão.

a) Custo de material de composição estrutural

Não foi possível identificar no mercado manauara valores unitários que refletissem
a consideração de alguns aspectos que estão intrínsecos ao processo de construção em
estrutura de concreto pré-moldado como: custos de impostos, de logística, de
equipamentos, de investimento inicial e de treinamento de mão de obra. Logo, o processo
comparativo realizado neste trabalho se restringe ao material utilizado na composição dos
elementos estruturais.

Para encontrar valores unitários que auxiliassem na estimativa do custo dos


materiais de composição dos elementos estruturais dimensionados no modelo, realizou-se
uma consulta às empresas fornecedoras de perfis metálicos, de vergalhões de aço e
concreto usinado. Logo, os valores unitários sugeridos neste trabalho representam uma
média dos valores consultados no mercado local. A tabela 6 apresenta o resultado dos
quantitativos de material e a estimativa do valor total desses materiais em cada modelo
realizado.
73

Tabela 6 – Custo de material de composição estrutural dos modelos de galpão propostos

VALOR
VALOR
PESO DE VOLUME DE VALOR UNITÁRIO –
VOLUME UNITÁRIO –
AÇO EM CONCRETO PESO UNITÁRIO – CONCRETO VALOR
MODELO QTD. DE TOTAL DE PERFIL DE
UM EM UM TOTAL DE VERGALHÃO FCK - 40 TOTAL
DE GALPÃO PÓRTICOS CONCRETO AÇO
PÓRTICO PÓRTICO AÇO (kg) DE AÇO MPA (reais)
(m³) ESTRUTURAL
(kg) (m³) (reais/kg) (reais/m³)
(reais/kg)

Metálico 1.148,62 - 7 8.040,34 - 56.282,38

7,00 4,07 522,00


Pré-
431,59* 2,57 7 3.021,13 18,03 21.707,66
moldado

* Valores considerados: Vergalhão CA50 – (25,00 mm = 3,853 kg/m; 20,00 mm = 2,466kg/m, 12,50 mm = 0,963
kg/m, 6,3 mm = 0,245kg/m) – (AECWeb, 2019).

Fonte: Próprio autor (2019)

b) Taxa do peso próprio em relação ao total de carregamentos

Para realizar esta análise, considerou-se peso próprio igual a soma dos
carregamentos de peso próprio das vigas e pilares no sentido vertical. No peso total,
considerou-se a soma de todos os carregamentos permanentes – atuando no sentido
vertical na estrutura. Para obter o valor numa unidade mais justa para a relação, somou-se o
valor dos carregamentos na unidade kN. A tabela 7 apresenta um quadro comparativo entre
o modelo de estrutura metálica e de estrutura em concreto pré-moldado da taxa de peso
próprio.

Tabela 7 – Taxa do peso próprio em relação ao total de carregamentos dos modelos propostos

TAXA DE PESO PRÓPRIO EM


MODELO DE GALPÃO PESO PRÓPRIO (kN) PESO TOTAL (kN)
RELAÇÃO AO TOTAL (%)

Metálico 11,18 23,60 47,37

Pré-moldado 65,00 77,44 83,93

Fonte: Próprio autor (2019)

c) Esforços nas ligações

A tabela 8 apresenta os esforços máximos obtidos nos pontos das ligações dos
modelos de galpão em estrutura metálica e em estrutura de concreto pré-moldado.
74

Tabela 8 – Esforços identificados nas ligações dos modelos propostos

MOMENTO FLETOR NA
ESFORÇO NORMAL NA LIGAÇÃO MOMENTO FLETOR NA LIGAÇÃO
MODELO DE GALPÃO LIGAÇÃO PILAR-FUNDAÇÃO
PILAR-FUNDAÇÃO (kN) VIGA-PILAR (kN.cm)
(kN.cm)

Metálico 5269,67 29,32 6014,36

Pré-moldado 9834,94 64,21 11224,78

Fonte: Próprio autor (2019)

d) Deslocamentos máximos

A tabela 9 apresenta o quadro comparativo dos deslocamentos máximos


observados nos modelos de galpão em estrutura metálica e em estrutura de concreto pré-
moldado.

Tabela 9 – Deslocamentos máximos e normativos dos modelos propostos

δx δx (horizontal) δy (vertical)– δy (vertical) –


MODELO
(horizontal) – LIMITE LIGAÇÃO LIMITE Δδx Δδy
DE
– TOPO DO NORMATIVO VIGA-VIGA NORMATIVO (cm) (cm)
GALPÃO
PILAR (cm) (cm) (cm) (cm)

Metálico 0,77 1,67 3,34 6,00

0,06 0,24
Pré-
0,83 1,25 3,58 6,00
moldado

Fonte: Próprio autor (2019)


75

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Vimos que são muitos os fatores que devem ser pesados na escolha da melhor
tipologia estrutural: cultura de construção, infraestrutura de transporte nos processos
executivos, influência do vento na estrutura, oferta de mercado, longevidade estrutural,
tempo de execução, análise dos esforços e deformações e o custo final da obra. Ao longo
deste trabalho foi possível notar que o volume de utilização de estruturas metálicas na
cidade de Manaus para a construção de galpões é bem maior do que o volume de galpões
concebidos em concreto pré-moldado. Pretende-se, no entanto, esclarecer os motivos
econômicos e estruturais que contribuem para que esse panorama se mantenha.

O modelo de construção de concreto pré-moldado em Manaus ainda é muito


recente quando comparado com o tempo de utilização das estruturas metálicas. Esse fator
histórico é fundamental para explicar a baixa oferta de profissionais atuantes no setor de
pré-moldados de concreto. Grande parte da mão de obra executiva no meio da construção
civil é qualificada por meio do conhecimento empírico, ou seja, os profissionais evoluem de
acordo com o aumento do nível de experiência adquirido na participação em outras obras
semelhantes. Isso explica o motivo da abundância deste tipo de mão de obra para as
construções metálicas em detrimento das construções em concreto pré-moldado. Além
disso, os profissionais especializados tendem a manter o paradigma cultural, uma vez que
comumente buscam conhecimentos em áreas que lhes vão lhe possibilitar a inserção, ao
invés da inovação, no mercado local. Outro fator, que contribui para esta baixa oferta
constatada no mercado local, é o alto investimento inicial para obtenção de todos os
mecanismos que envolvem os processos de execução do modelo construtivo pré-moldado
de concreto quando comparado com o investimento de uma empresa especializada em
estruturas pré-fabricadas de aço.

Pela lei da oferta e da demanda, para um empreendimento construtivo com


mesmas finalidades (no caso, os galpões) os preços tendem a ser mais flexíveis na opção que
possibilita uma maior variedade de profissionais disponíveis no mercado, no caso de
Manaus, as estruturas metálicas. O custo dos materiais de composição dos elementos
estruturais de concreto pré-moldado aqui levantado representa uma mera estimativa
baseada nos valores unitários dos seus materiais de composição. Portanto, mesmo que
76

tenham sido mais baixos, existem outros fatores que fazem com que essa comparação
econômica favoreça à construção dos galpões metálicos: menor hora/trabalho do
maquinário de execução, menor número de viagens de transporte, menor investimento
inicial de aparelhagem, menor custo de mão de obra (devido o gasto com treinamento nos
processos de execução com concreto pré-moldado) e menor risco de execução e transporte.
Há de se pesar ainda um fator pouco avaliado pelo empreendedor no momento da escolha
pelo modelo estrutural, o custo com manutenções. É importante destacar que os galpões
construídos com estrutura metálica precisam passar, periodicamente, por processos de
manutenção, especialmente com reaplicação das tintas anticorrosivas. Nas estruturas pré-
moldadas as manutenções geralmente exigem menores frequências, devido ao material ser
mais resistente às intempéries.

Sob o aspecto estrutural, vale destacar alguns pontos importantes: alcance de vãos,
deformações e esforços nas fundações e ligações. Os modelos realizados no trabalho para
simular a aplicação dos dois tipos de estrutura (metálico e concreto pré-moldado) em um
mesmo projeto de galpão, servem de parâmetro para comparar essas características
estruturais citadas.

Notou-se que, quando a necessidade por galpões com vão maiores aumenta, a
escolha pelo modelo de estrutura metálica se fortalece. Isso pode ser explicado sob dois
pontos de vista distintos: logístico e material. Sob o ponto de vista logístico, galpões com
vãos extensos acabam por exigir dimensões de seções transversais excepcionalmente
grandes nos projetos de estrutura de concreto pré-moldado, isso promove limitações, ou
mesmo eliminação, nas soluções de transporte destes elementos. Sob o ponto de vista
material, galpões com vão grandes tendem a aumentar os esforços de momento fletor –
esforço responsável por exigir da estrutura a resistência, especialmente, à tração de parte da
sua seção transversal – o aço possui uma resistência natural à tração maior do que verificado
em qualquer outro material utilizado na construção civil, por isso, mesmo em vãos muito
grandes, as dimensões das seções dos elementos estruturais não aumentam em proporções
muito elevadas.

Quanto às deformações observadas nos modelos, pode-se concluir que, apesar do


melhor desempenho verificado no galpão modelado em estrutura metálica, as duas
77

alternativas tendem a caminhar para resultados semelhantes. Isso ocorre porque as


estruturas de concreto pré-moldado têm maior módulo de carregamento (devido o elevado
peso próprio da estrutura), no entanto, possuem elementos com coeficientes de rigidez mais
altos, equilibrando o que ocorre de maneira oposta nas estruturas metálicas.

Na análise dos esforços nas fundações e ligações, a disparidade verificada nos dois
modelos foi evidente. A elevada influência do peso próprio nas estruturas de concreto pré-
moldado, comprovada pela alta taxa de peso próprio em relação ao total (83,93 %), gera,
nos elementos que compõem a estrutura do galpão, esforços que giram em torno do dobro
daqueles verificados nas estruturas metálicas. Essa vantagem verificada nas estruturas
metálicas contribui, principalmente, em dois pontos importantes: escolha da solução das
ligações e economia nas estruturas de fundação. No dimensionamento das ligações, em
especial viga-pilar, quanto menores os esforços verificados, menor também é a necessidade
de utilização de elementos resistentes naquele ponto crítico da estrutura, o que gera uma
gama maior de possibilidades para o seu correto funcionamento. Nas fundações, esforços
menores exigem menos da capacidade de resistência do solo em que o galpão está sendo
construído, consequentemente, possibilitam soluções alternativas que acabam por culminar
em menores gastos com a execução das estruturas de fundação.

Além disso, consta esclarecer que para outras tipologias podem-se obter resultados
diferentes desses obtidos nesta modelagem. Logo, os resultados de esforços identificados
neste trabalho não podem ser atribuídos a todas as tipologias de galpões possíveis. Sugere-
se, portanto, o estudo do impacto da escolha da tipologia de galpão na verificação dos
esforços na estrutura.

Pode-se concluir que a estrutura logística local, a disponibilidade profissional e,


mesmo, os aspectos executivos e estruturais que envolvem a construção dessas duas
soluções de concepção de galpões, na cidade de Manaus, justificam a maior aplicação das
estruturas metálicas na região. Verificou-se, no entanto, que existem caminhos que podem
equilibrar essa competitividade: o fortalecimento da infraestrutura local e o aumento da
especialização dos profissionais nas construções em concreto pré-moldado, por exemplo, já
seriam fatores suficientes para que essa concorrência se tornasse mais acirrada na região. A
infraestrutura local atual limita a aplicação dos concretos pré-moldados, pois gera entraves
78

operacionais e econômicos nas etapas de transporte dos elementos dessas estruturas, além
disso, as baixas ofertas do mercado promovem mais gastos com mão de obra e amplia o
percentual de lucro dos poucos especialistas atuantes no mercado.
79

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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sera-entregue-em-60-dias>. Acesso em: 28 mar. 2019.
83

APÊNDICE A – CATÁLOGO DE TIPOLOGIAS DE GALPÕES

TIPO DE GALPÃO: PÓRTICO SIMPLES DE ALMA CHEIA

Referência:

ARTIGO TÉCNICO - PERFIS ESTRUTURAIS - GERDAU

Principais aplicações: Descrição complementar:

Armazenamento de produtos, Inclinação da cobertura fica entre 5º e 20º e o


Operações Industriais, Ginásios espaçamento entre os pórticos fica entre 6 e 12 m.
Poliesportivos, Estacionamentos, Comumente utilizam-se "mísulas" nas ligações das
Oficinas, Shopping Centers, vigas com as colunas e na cumeeira. Ordem de
Supermercados e Restaurantes. grandeza de vãos entre 15 a 45 m.

Ilustrações:

(a)

Fonte: Gerdau (2019)

(b)

Fonte: Site Methalica (2019)

Figura 53 – Ilustrações de Galpão de Pórtico Simples de Alma cheia (a) e (b).


84

TIPO DE GALPÃO: PÓRTICO SIMPLES COM VIGA CASTELADA, CELULARES OU TRELIÇADAS

Referência:

ARTIGO TÉCNICO - PERFIS ESTRUTURAIS - GERDAU

Principais aplicações: Descrição complementar:

Armazenamento de produtos, A mesma estrutura do pórtico simples, mas utilizado


Operações Industriais, Ginásios para as vigas inclinadas os perfis laminados,
Poliesportivos, Estacionamentos, formando vigas casteladas, celulares ou treliçadas.
Oficinas, Shopping Centers, Como os perfis podem aumentar a altura em
Supermercados e Restaurantes. aproximadamente 50%, sem aumentar a massa
linear, consegue-se vencer vãos maiores. Ordem de
grandeza de vãos alcançam até 60 m.

Ilustrações:

(a)

Fonte: Gerdau (2019)

(b)

Fonte: Site Habitissimo (2019)

Figura 54 – Ilustrações de Galpão de Pórtico Simples com Viga Castelada ou


treliçada (a) e (b).
85

TIPO DE GALPÃO: PÓRTICO COM TIRANTES

Referência:

ARTIGO TÉCNICO - PERFIS ESTRUTURAIS - GERDAU

Principais aplicações: Descrição complementar:

Indicado também para uso geral, O tirante acrescenta no combate aos deslocamentos
todavia, para inclinações maiores que horizontais e aos momentos nas colunas.
15 º.

Ilustrações:

(a)

Fonte: Gerdau (2019)

(b)

Fonte: Site Methalica (2019)

Figura 55 – Ilustrações de Galpão de Pórtico com Tirantes (a) e (b).


86

TIPO DE GALPÃO: PÓRTICO COM ESCORA CENTRAL

Referência:

ARTIGO TÉCNICO - PERFIS ESTRUTURAIS - GERDAU

Principais aplicações: Descrição complementar:

Indicado também para uso geral, no Este tipo de pórtico pode reduzir a altura das vigas
entanto, é aplicado em ambientes gerando uma estrutura mais econômica. Ordem de
sem necessidade de vão livre. grandeza de vãos maiores que 30 m.

Ilustrações:

(a)

Fonte: Gerdau (2019)

(b)

Fonte: Site MF Rural (2019)

Figura 56 – Ilustrações de Galpão de Pórtico com Escora Central (a) e (b).


87

TIPO DE GALPÃO: PÓRTICO COM COBERTURA POLIGONAL

Referência:

ARTIGO TÉCNICO - PERFIS ESTRUTURAIS - GERDAU

Principais aplicações: Descrição complementar:

Diante de suas características – a A utilização de tirantes horizontais pode tornar a


permitir vãos grandes – podem ser solução mais econômica. Ordem de grandeza de
bem aplicados em ginásios vãos maiores que 30 m.
poliesportivos.

Ilustrações:

(a)

Fonte: Gerdau (2019)

Figura 57 – Ilustração de Galpão de Pórtico com Cobertura Poligonal (a).


88

TIPO DE GALPÃO: PÓRTICO COM COBERTURA EM ARCO

Referência:

ARTIGO TÉCNICO - PERFIS ESTRUTURAIS - GERDAU

Principais aplicações: Descrição complementar:

Indicado também para uso geral, no As vigas laminadas são curvadas por calandragem a
entanto, usado em função de frio. Para vãos grandes, serão necessárias ligações
necessidades arquitetônicas. nas vigas, que devem ser cuidadosamente
Aconselhado para locais com alta detalhadas. Ordem de grandeza de vãos: aplicável
incidência de chuvas, pois dificulta a desde pequenos (5 m) até vãos de 40 m.
incidência de infiltrações.

Ilustrações:

(a)

Fonte: Gerdau (2019)

(b)

Fonte: Site ABCEM (2019)

Figura 58 – Ilustrações de Galpão de Pórtico com Cobertura em arco (a) e (b).


89

TIPO DE GALPÃO: PÓRTICO COM CONSOLO PARA PONTES ROLANTES

Referência:

ARTIGO TÉCNICO - PERFIS ESTRUTURAIS - GERDAU

Principais aplicações: Descrição complementar:

Para galpões com pontes rolantes As vigas de rolamento podem se apoiar em consoles
leves, operadas com controles soldados nas colunas de seção única, respeitando os
pendentes. afastamentos mínimos exigidos para a
movimentação da ponte.

Ilustrações:

(a)

Fonte: Gerdau (2019)

(b)

Fonte: Google Imagens (2019)

Figura 59 – Ilustrações de Galpão de Pórtico com Consolo para Pontes Rolantes


(a) e (b).
90

TIPO DE GALPÃO: PÓRTICO COM COLUNA ESCALONADA PARA PONTES ROLANTES

Referência:

ARTIGO TÉCNICO - PERFIS ESTRUTURAIS - GERDAU

Principais aplicações: Descrição complementar:

Para galpões com pontes rolantes Necessário utilizar perfis diferentes para os
médias ou com caminho de rolamento segmentos abaixo e acima do apoio das vigas de
de maior altura. rolamento, para se obter um conjunto econômico,
respeitando as folgas necessárias para a
movimentação da ponte rolante.

Ilustrações:

(a)

Fonte: Gerdau (2019)

(b)

Fonte: Site Metalúrgica MVO (2019)

Figura 60 – Ilustrações de Galpão de Pórtico com Coluna Escalonada para


Pontes Rolantes (a) e (b).
91

TIPO DE GALPÃO: PÓRTICO COM COLUNA DUPLA PARA PONTES ROLANTES

Referência:

ARTIGO TÉCNICO - PERFIS ESTRUTURAIS - GERDAU

Principais aplicações: Descrição complementar:

Para galpões com pontes rolantes A utilização de uma segunda coluna, apenas para o
pesadas ou de grandes vãos livres. apoio das vigas de rolamento, tornará o conjunto
bastante eficiente, desde que se trave uma coluna
na outra formando um conjunto treliçado, dando a
rigidez necessária para resistir às cargas horizontais
da ponte rolante.

Ilustrações:

(a)

Fonte: Gerdau (2019)

(b)

Fonte: Site Movequip (2019)

Figura 61 – Ilustrações de Galpão de Pórtico Simples de Alma cheia (a) e (b).


92

TIPO DE GALPÃO: SHED

Referência:

GALPÕES PARA USOS GERAIS – IAB E ARTIGO DO SITE: GALPÃO EFICIENTE

Principais aplicações: Descrição complementar:

A cobertura SHED é imprescindível Implica na instalação de sólidas hastes de metal


para armazéns com produtos que horizontais, com seções inclinadas, permite a
dependem de refrigeração ou passagem de luz natural durante o dia.
ambientes que precisam melhorar sua
eficácia energética e suas
características de iluminação.

Ilustrações:

(a)

Fonte: Site Galpão Eficiente (2019)

(b)

Fonte: Site Arco Web (2019)

Figura 62 – Ilustrações de Galpão do Tipo SHED (a) e (b).


93

TIPO DE GALPÃO: COM COBERTURA DE APENAS UMA ÁGUA

Referência:

ARTIGO DO SITE: GALPÃO EFICIENTE

Principais aplicações: Descrição complementar:

Armazenamento de produtos, Tipologia de execução simples e rápida. Aplica-se a


Estacionamentos, Oficinas, este tipo de galpão pórticos simples com uma única
Restaurantes, Áreas de lazer. viga de seção variada; que ordena o grau da
inclinação da cobertura. Ordem de grandeza de vãos
igual a 12 m.

Ilustrações:

(a)

Fonte: Site Galpão Eficiente (2019)

(b)

Fonte: Site Habitissimo (2019)

Figura 63 – Ilustrações de Galpão com Cobertura de apenas uma água (a) e (b).
94

TIPO DE GALPÃO: GALPÃO COM DOIS PISOS

Referência:

ARTIGO DO SITE GALPÃO EFICIENTE

Principais aplicações: Descrição complementar:

Locais com aproveitamento de Esta tipologia de galpão é comumente executada em


compartimento superior para se fazer concreto pré-moldado devido a facilidade da
apontamento de gestão ou, ainda, compatibilidade da estrutura com a laje
para espaços como vestiários, intermediária a ser aplicada. No entanto, pode-se
lavatórios ou banheiros. observar também a aplicação de galpão de estrutura
mista – com partes estruturais em concreto e
metálicas.

Ilustrações:

(a)

Fonte: Site TRT 13 (2019)

Figura 64 – Ilustração de Galpão com Dois Pisos (a).


95

TIPO DE GALPÃO: SISTEMA ESTRUTURAL DE PAREDE PORTANTE

Referência:

EL DEBS (2017) E ANÁLISE ESTRUTURAL DE GALPÕES PRÉ-MOLDADOS EM CONCRETO A


INFLUÊNCIA DA RIGIDEZ NAS LIGAÇÕES VIGA-PILAR (QUEIROS, 2007)

Principais aplicações: Descrição complementar:

Armazenamento de produtos, As paredes além de prover o fechamento lateral dos


Operações Industriais, galpões, também servem de apoio para a cobertura.
Estacionamentos, Oficinas, Shopping Em geral, apenas as paredes externas da estrutura
Centers, Supermercados e são portantes. Uma das dificuldades desse tipo de
Restaurantes. galpão é sua restrita possibilidade de ampliação. As
paredes podem ser constituídas por vários tipos de
painéis, no entanto, é comum a utilização de painéis
TT e alveolares.

Ilustrações:

(a)

Fonte: El Debs (2017)

Figura 65 – Ilustrações de Galpão com Sistema Estrutural de Parede Portante


(a).
96

TIPO DE GALPÃO: SISTEMA ESTRUTURAL COM ELEMENTOS COM ABERTURA ENTRE OS


BANZOS

Referência:

EL DEBS (2017) E ANÁLISE ESTRUTURAL DE GALPÕES PRÉ-MOLDADOS EM CONCRETO A


INFLUÊNCIA DA RIGIDEZ NAS LIGAÇÕES VIGA-PILAR (QUEIROS, 2007)

Principais aplicações: Descrição complementar:

Armazenamento de produtos, Em princípio, essas formas de elementos se


Operações Industriais, Ginásios enquadram em quaisquer das formas básicas
Poliesportivos, Estacionamentos, apresentadas anteriormente; tanto na forma de
Oficinas, Shopping Centers, vigas ou pilares. Seu benefício, no entanto, se dá
Supermercados e Restaurantes. devido a maior racionalização no consumo de
material e do peso dos elementos.

Ilustrações:

(a)

Fonte: El Debs (2017)

Figura 66 – Ilustrações de Galpão com Sistema Estrutural com Elementos com


Aberturas entre os Banzos (a).
97

APÊNDICE B – QUESTIONÁRIO DE PESQUISA DE CAMPO

QUESTIONÁRIO DE PESQUISA DE CAMPO


Discente: Mateus Reis Pereira Matrícula: 21455665

Orientador: Wagner Queiroz Silva

Título do Trabalho: ESTUDO COMPARATIVO DO DESEMPENHO ECONÔMICO/ESTRUTURAL


DE GALPÕES DE ESTRUTURAS METÁLICA E CONCRETO PRÉ-MOLDADO NA CIDADE DE
MANAUS-AM.

1 – ASPECTOS DE PROJETO

1.1 – A partir da sua experiência profissional na atuação em projetos de galpões, qual


tipologia de galpão é mais utilizada na cidade?
1.2 – Dependendo da grandeza do vão do projeto (pequeno < 10m, médio entre 10 e 20 m e
grande > 20m), quais os tipos de galpões são indicados em cada situação?
1.3 – Existe alguma especificidade técnica (ou considerações de cargas) nos projetos
realizados para a cidade de Manaus que possivelmente sejam consideradas dadas suas
peculiares características climáticas e de solo?
1.4 – No momento da escolha do material de composição do galpão – metálico, concreto
pré-moldado ou híbrido – o que pesa a favor e contra cada uma dessas soluções?
1.5 – Quanto ao desempenho estrutural – resistência e vida útil estrutural – qual dos dois
tipos de estrutura (metálico ou concreto pré-moldado) apresenta melhor
comportamento?
1.6 – De forma geral, quais são as vantagens e desvantagens entre um galpão metálico e o
galpão de concreto pré-moldado?
2 – ASPECTOS DE EXECUÇÃO
2.1 – Quanto à velocidade de execução dos galpões, qual método executivo você julga ter
maior celeridade? Metálico ou em concreto Pré-moldado? Por quê?
2.2 – Quanto à disponibilidade de material e mão de obra, quais os maiores gargalos
enfrentados em Manaus no momento da execução de um galpão metálico? (galpão em
concreto pré-moldado?).
2.3 – Existe alguma peculiaridade regional que faz com que se adotem algumas técnicas ou
medidas peculiares no momento da execução de galpões metálicos ou concreto pré-
moldado na cidade de Manaus?
98

2.4 - A questão da logística de transporte na cidade de Manaus interfere de alguma forma –


positiva ou negativa - no processo de execução dos galpões metálicos e/ou concreto pré-
moldado?
3 – ASPECTOS ECONÔMICOS

3.1 – Quais os principais fatores, caso seja de seu conhecimento, que fazem com que não se
encontrem muitos casos de galpões em concreto pré-moldado na cidade de Manaus,
comparativamente com outras regiões do país?

3.2 – Qual o valor atual, caso seja de seu conhecimento, do “kg/m²” dos galpões metálicos
na cidade de Manaus? (a resposta desta pergunta pode vir a partir de outra unidade, caso se
tenha outra referência de unidade para orçar os projetos de um galpão metálico em
Manaus).

3.3 – Qual o valor atual, caso seja de seu conhecimento, do “m³/m²” de concreto estrutural
que compõe os galpões em concreto pré-moldado na cidade de Manaus?(a resposta desta
pergunta pode vir a partir de outra unidade, caso se tenha outra referência de unidade para
orçar os projetos de um galpão em concreto pré-moldado em Manaus).

3.4 – Quanto ao fator mão de obra, quais os membros comuns que formam uma equipe a
executar determinado projeto de galpão metálico (concreto pré-moldado)? Quanto, em
geral, o gasto com essa mão de obra representa do total orçamentário do mesmo projeto?