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NAVEGAÇÃO ASTRONÔMICA SEM MISTÉRIOS

INTRODUÇÃO

Olhar para o céu e ver as estrelas, pensar como os antigos determinavam sua
posição por elas, imaginar quantos navegantes elas já levaram a um porto seguro...
Mistério? Romantismo? Desconhecido? Ciência? De tudo um pouco!
Os gregos denominaram as “estrelas errantes” de planetas, que quer dizer
“estrelas errantes”. Os romanos deram os nomes de seus Deuses a estes planetas:
Mercúrio, Vênus, Saturno, etc.
Os portugueses descobriram que podiam
navegar por umas estrelas em forma de cruz, que só
eram vistas no Hemisfério Sul, e as denominaram de
Cruzeiro do Sul. Mestre João, navegador e físico da
expedição de Cabral, determinava a latitude pela
meridiana do Sol.
Colombo e todos os navegantes no Hemisfério
Norte, guiavam-se pela estrela do Norte (Polar).
Vamos começar a descobrir este desconhecido,
porém fascinante mundo náutico; afinal de contas, a
Terra gira em torno de si, em torno do Sol, a Lua em
torno da Terra, enfim, tudo se movimenta e temos
que nos achar.
Resolvi escrever este trabalho ao constatar que nossos navegadores não estão
preparados para esta navegação, ficando extremamente dependentes de uma
navegação eletrônica que é muito prática, mas que também pode faltar, enquanto
que nossas amigas estrelas estarão sempre a nos guiar. Aliás, os homens são
opostos ao céu. Lá temos várias estrelas e poucos planetas, aqui temos muitos
planetas e poucas estrelas. A diferença está que as estrelas têm luz própria enquanto
os planetas apenas as refletem.
Como não gostaria que fosse mais um livro como tantos e bons que temos por
aí, desenvolvi um método simples e fácil de aprender onde a maior conta que temos
de fazer é a de somar e subtrair. O importante é o entendimento do que queremos e
o que estamos calculando, o restante deixamos para os astrônomos que fazem as
diversas tabelas e programas. Creio que a um navegador não cabe saber as fórmulas
de trigonometria esférica ou conhecer a fundo todas as constelações, necessita é
conseguir identificar as estrelas em qualquer lugar do mundo e determinar sua
posição.
Saber determinar nossa latitude e longitude olhando o céu é o que realmente
nos interessa, e é mais fácil do que imaginamos, como demonstraremos ao longo
deste trabalho.
Noções Básicas de Astronomia aplicada à Náutica

Considerando que não pretendemos formar astrônomos, mas tão somente


navegadores é que estudaremos apenas as noções básicas de astronomia e um
método para uma navegação segura. Entretanto, para mostrar como os cálculos de
posicionamento dos astros são feitos e ilustrar um pouco da História de como tudo
isso começou, vejamos os princípios da trigonometria esférica e os triângulos
esféricos.
A Trigonometria Plana trata da resolução de triângulos do plano e a
Trigonometria Esférica da resolução de triângulos na esfera.
Durante a maior parte da existência da Trigonometria, seu desenvolvimento foi
comandado pelo da Trigonometria Esférica, pois essa era a usada na Astronomia
Matemática, por muitos séculos, sua maior aplicação. Foi só com o
desenvolvimento da Mecânica e da Física que a Trigonometria Plana passou ao
primeiro plano.
Hoje a vasta maioria das pessoas sequer sabe o que é Trigonometria Esférica e
muitos outros acham que ela é disciplina completamente ultrapassada, coisa dos
livros de História da Matemática. Nada mais falso, pois ela continua sendo
disciplina básica para a Astronomia Matemática, bem como para um grande elenco
de disciplinas mais recentes, como a Geodésia, a Mecânica de Satélites Artificiais,
a Transmissão de Radio de Grande Alcance, o Cálculo de Trajetórias de Mísseis
Intercontinentais, o Cálculo do Aquecimento Solar em Arquitetura, etc.

A idéia de triângulo esférico

Corresponde à idéia de triângulo desenhado em esferas, como é o caso da


Esfera Celeste. Como definir isso corretamente?
Se quisermos estender a noção de "triângulo", a primeira coisa a fazer é
examinarmos um pouco mais criticamente as características do familiar triângulo
plano. É fácil atinarmos que trata-se de uma figura contornada por três segmentos
de reta ( chamados lados ) que encontram-se nas extremidades ( os chamados
vértices ).

Definição formal de triângulo esférico

Dados três pontos A, B, C de uma esfera, o


TRIÂNGULO ESFÉRICO de vértices A, B e
C é a figura da esfera contornada pelos três arcos
que vão de A a B, de B a C e de C a A. Esses
arcos são chamados de lados do triângulo.
MEDIDA DE LADO de um triângulo esférico é a medida do ângulo que ele
subentende no respectivo círculo. Ela, naturalmente, é expressa em graus ou
radianos, em vez de o ser em metros.

MEDIDA DO ANGULO EM UM VERTICE V de um triângulo esférico é a


medida do ângulo plano formado pelas tangentes em V a cada um dos lados por V.

Algumas propriedades dos triângulos esféricos


 os lados e ângulos são medidos em graus ou radianos, não interessando o
tamanho do raio da esfera;
 todo ângulo e todo lado mede menos do que 180 graus;
 a soma das medidas dos ângulos tem um valor que varia com o triângulo,
podendo ser qualquer valor maior do que 180 graus e menor do que 540
graus;
 a soma das medidas dos lados pode ser qualquer valor menor do que 360
graus.

Resolução dos triângulos esféricos

Fórmulas básicas

lei dos senos ( de al-Biruni ) :

sen a sen b sen c


= =
sen A sen B sen C

lei dos co-senos ( de al-Battani ) :

cos a = cos b cos c + sen b sen c cos A

Os problemas clássicos de resolução de triângulos esféricos.


Problema clássico de resolução de triângulos é todo aquele onde são dados
ângulos e lados e se quer determinar os demais. Na Trigonometria Esférica, como a
soma dos ângulos não tem um valor fixo, temos seis casos:
( os lados e ângulos dados estão em vermelho )

Observe que a versão plana do primeiro caso é desconsiderada por ter infinitas
soluções; por outro lado, a versão plana do quarto é absorvida pelo sexto caso.

Um exemplo simples:

Sendo dados A = 60 °, b = 30 ° e c = 60 °, achar o lado e ângulos restantes.

Solução:

Usaremos a lei dos cos três vezes:

cos a = cos 30° cos 60° + sen 30° sen 60° cos 60° = 0.649 519 053,
logo a = 49° 29' 41"

cos c = cos a cos b + sen a sen b cos C, dá cos C = -0.164 398 988
e daí C = 99° 27' 44"

cos b = cos a cos c + sen a sen c cos B, dá cos B = 0.821 994 937
e daí B = 34° 42' 54".

Coordenadas
Localizamos um ponto sobre a superfície
terrestre por duas coordenadas:
 a latitude do ponto : é o ângulo entre o plano
equatorial e o raio pelo ponto
 a longitude do ponto : é o ângulo entre o
meridiano do ponto e o meridiano de
Greenwich.
Um grau de latitude corresponde a um arco
cujo comprimento é o mesmo em qualquer local
sobre a superfície terrestre , enquanto que os
graus de longitude dão arcos cujo comprimento
varia com o local ( de 110 Km no Equador
diminuem para zero nos pólos ).
O primeiro uso dessas coordenadas ocorreu na feitura de mapas e isso foi feito
já por Ptolemaios em 150 dC. A necessidade de calcular essas coordenadas tornou-
se enormemente importante quando o homem começou a fazer viagens através dos
oceanos. Até cerca de 1 500 as viagens marítimas eram feitas costeando os
continentes, de modo a possibilitar a localização do navio. Com a descoberta do
Caminho da Indias e a da América, foi preciso navegar em mar aberto e isso
deixava como única possibilidade de localização do navio ( ou seja, a determinação
de sua latitude e longitude ) o uso dos astros celestes.
É importante lembrarmos que naquela época um navio que se perdesse ou
mesmo se desviasse da rota corria o risco de perder a carga e a tripulação
( dizimada pelo escorbuto e falta de água ) . O valor dessas cargas podia ser
imenso: estima-se em nada menos de 300 milhões de dólares o valor da carga de
especiarias que, em 1592, bucaneiros inglêses roubaram do navio português Madre
de Deus. Não eram menores os prejuízos com vidas humanas, o mais famoso deles
sendo o afundamento em 1707 de quatro navios inglêses que, perdidos, bateram nas
rochas das Ilhas Scilly: Cerca de 2000 marinheiros morreram só neste acidente.
Como resultado, por cerca de 1700, a maioria dos países europeus envolvidos no
comércio marítimo começaram a oferecer vultuosos prêmios a quem fosse capaz de
descobrir um modo prático e exato de se determinar as coordenadas de um navio
em mar aberto. A maioria desses prêmios chegava a milhões de dólares atuais. Na
busca da solução para esse problema participaram matemáticos e cientistas do
maior calibre, como Galileo, Huyghens, Newton e Euler.
A determinação da latitude é um problema fácil, ao contrário da longitude. Por
isso, a maioria das pessoas refere-se ao problema que estamos tratando de O
Problema da Longitude.
O problema da latitude

Latitude pelo método


polar

Este método não usa


Trigonometria e baseia-se no
fato de que a latitude de um
ponto P é igual a altura do
pólo celeste visível desde esse
ponto conforme pode se
comprovar facilmente na figura
ao lado.

Esse método, no Hemisfério Norte, tem o especial atrativo de ser fácil a


localização do pólo norte celeste: a Estrela Polar praticamente coincide com ele
(em verdade, hoje, ela está afastada cerca de um grau da posição polar; na época de
Hipparchos estava a cerca de 3 graus ). No Hemisfério Sul não há nenhuma estrela
razoavelmente perto da posição solar o que torna essa variante inviável em mar
aberto.

O método da altura da Estrela Polar foi o usado pelos portugueses no início da


época dos descobrimentos. Passou-se bom tempo até eles se darem conta que essa
estrela não está exatamente no Pólo Celeste. Naquela época ela estava afastada 4° .
Aliado a esse fato, a precariedade dos instrumentos da época e a oscilação dos
navios faziam com que não fosse raro cometerem erros de 3 a 4° na latitude.

Pedro Nunes, o maior matemático da Escola de Sagres, introduziu o método


variante da medida da altura do Sol no meridiano local. Foi esse o método usado
pelo matemático de Cabral, para localizar a suposta ilha de Vera Cruz, em 27 de
abril de 1500:

... descemos à terra...e tomamos a altura do Sol ao meio dia e achamos 56


graus, e sombra era norte, pelo que, segundo as regras do astrolábio... julgamos
ter o pólo sul 17 graus de altura...

O exato local da medida corresponde ao atual Ilhéu da Coroa Vermelha cuja


latitude é de 16.4° Sul, em vez dos 17° do matemático de Cabral.

Latitude pelo método do triângulo posicional


Ao contrário do anterior, este método envolve a resolução de um triângulo
esférico, o chamado triângulo posicional do ponto P onde está o observador ( por
exemplo, no navio ):

Os vértices desse triângulo são:


 PV = pólo celeste visível para o observador
 Z = zênite do observador
 E = uma estrela conhecida e visível para o observador

O observador em P inicia seu trabalho fazendo as seguintes determinações:


 mede o ângulo Z ( fácil de fazer, pois ZPV é um meridiano celeste e então
está na direção norte-sul )
 mede a altura da estrela E relativamente ao horizonte de observador e então
acha o valor do lado
EZ = 90° - altura de E
 acha o valor do lado EPv consultando uma tabela, chamada Tabela de
Efemérides (são publicadas anualmente pelos observatórios astronômicos
nacionais )

Feito isso, resta resolver o triângulo posicional, obtendo ZPv a partir do


ângulo Z e dos lados EPv e EZ. A latitude desejada é 90° - ZPv.

O problema da longitude

Para esse problema foi muito mais difícil achar um método capaz de dar
resultados exatos para o caso de navios em mar alto. A leitura do edital do famoso
Longitude Act, formulado em 1714 pelo governo inglês, dá uma boa idéia da
problemática:

 oferecia prêmio equivalente a 12 milhões de dólares atuais por um


método capaz de achar a longitude com erro até meio grau
 prêmio de 9 milhões para método com erro até 2 / 3 de grau
 prêmio de 6 milhões para método com erro até um grau

(Para ter uma idéia mais concreta dessas exigências, use que um grau de longitude,
no equador, equivale a cerca de 110 Km.)

A luta pela obtenção desses prêmios ocupou boa parte daquele século. Três
eram os métodos que estavam concorrendo:

 o método de Galileo que explorava o "relógio celeste" formado pelas


luas de Júpiter
 o método que dependia da construção de um relógio capaz de manter a
hora mesmo com as oscilações e intempéries de uma viagem oceânica
 o método da distância lunar

Dados o dinheiro e a fama envolvidos, os acontecimentos foram


extremamente tumultuados e demorados. O método vencedor foi o do relógio
mecânico de John Harrison.
Embora a construção desse relógio tenha requerido décadas de trabalho e
criatividade contínua, a idéia do método é bastante simples:

 o navegador leva um relógio que indica a hora HMG no meridiano de


Greenwich;
 usando o Sol como a estrela E, resolve-se o triângulo posicional obtendo
a hora local HL na posição do navio.

Usando que em 24 horas a Terra rota 360° de longitude, a diferença HG - HL


multiplicada por 15° dá a longitude do navio.

A esfera celeste

Ao olharmos em volta até o horizonte, temos a impressão aparente de que a


Terra é plana, embora saibamos que não. Isto deve-se ao seu raio muito grande em
relação a nós e ao local que estamos. Ora, o mesmo acontece em relação ao céu; de
onde estamos parece que todas as estrelas estão a uma distância aproximadamente
igual.

Na realidade, se o raio da Terra já é grande, este raio até as estrelas é ainda


maior, e este teto celeste é uma esfera celeste, de raio infinito, que envolve a Terra.
Esta esfera celeste é formada pelo céu onde avistamos as estrelas, os planetas, o
Sol, a Lua, os cometas, as nebulosas e as galáxias (formadas por aglomerados de
estrelas).
Assim como a Terra, a esfera celeste tem PÓLOS, EQUADOR, MERIDIANOS
e PARALELOS.
Se imaginarmos a Terra parada, observaremos que os astros nascem a Leste e
se põem a Oeste; na realidade o movimento de rotação da Terra é de Oeste para
Leste.
Do mesmo modo que na Terra temos coordenadas para dar nossa posição
(LATITUDE e LONGITUDE), esta grande esfera celeste que nos envolve
também tem suas coordenadas celestes, através das quais determinamos a posição
dos astros. São os pólos celestes, equador celeste, meridiano celeste, paralelo
celeste, declinação, distância polar, etc.
Temos então os sistemas de coordenadas horárias, de coordenadas
equatoriais e o de coordenadas horizontais, sendo este em relação ao horizonte
celeste (paralelo ao horizonte aparente, onde o céu aparentemente encontra o mar.
Quando tiramos a altura de um astro, na realidade estamos medindo o ângulo até o
horizonte. E quando tiramos a marcação do astro, estamos determinando seu
azimute.

Coordenadas celestes

Terra Coordenadas equatoriais Coordenadas horizontais


pólos pólos celestes zênite, nadir
equador equador celeste horizonte
paralelos latitude círculos diurnos círculos de altura
latitude declinação altura
co-latitude distância polar distância zenital
meridianos círculos horários círculos verticais
longitude ângulos horários azimute
meridiano Greenwich círculo horário  meridiano celeste

Ponto Vernal
Assim como GREENWICH, adotou-se o ponto em que a Eclítica inicia a
primavera no Hemisfério Norte como o Ponto Vernal, que servirá de referência
para o posicionamento das coordenadas celestes.

Medida do tempo
Na navegação costeira nos posicionamos marcando pontos notáveis bem
definidos. Ora, se pudéssemos saber o posicionamento dos astros no céu também
poderíamos nos posicionar em relação a eles quando na navegação oceânica.
Acontece que a Terra gira em torno de si mesma, orbita em torno do Sol, a
Lua gira em torno da Terra, os planetas tem suas órbitas próprias, enfim, tudo
muda a todo momento. Com isso, observamos que a maior variável na navegação
astronômica vem a ser o Tempo, no sentido de hora, e que para sabermos o
posicionamento dos astros necessitaríamos “parar” o universo em determinado
instante. Como dizia Fernando Pessoa: “Cada coisa tem o instante em que ela é,
que de tão fugitivo não é mais”.
Para medir o tempo o homem convencionou que o Sol levaria 24 horas para
passar duas vezes por um mesmo meridiano. Na realidade o Sol não leva 24 horas,
tendo pequenas diferenças dependendo da época do ano, o que faz com que a cada
4 anos tenhamos um dia a mais para acertar a tabela. Como precisasse definir o
tempo, o homem considerou então o Sol médio, que leva em média 24 horas, para
nascer duas vezes no mesmo meridiano.
Uma rotação da Terra corresponde a um dia, e sua translação em torno do Sol
corresponde a um ano. Portanto, como a Terra está em constante movimento de
rotação e translação, a trajetória aparente do Sol de Leste para Oeste não será
sempre na mesma posição, por isso temos a hora média de Greenwich, o Sol
médio etc.
A Terra foi dividida em ângulos de 15o de longitude, denominados de fusos, os
quais tem 1 hora de diferença de um para o outro em relação ao meio do fuso, num
total de 24 zonas; sendo de 0 a +12 para LESTE de Greenwich e de 0 a –12 para
OESTE de Greenwich. O Fuso zero tem o Meridiano de Greenwich no centro e
7,5o para cada lado. A hora de cada fuso denomina-se de hora legal, por isso,
quando navegamos para W atrasamos os relógios e navegando para E
adiantamos.
A Hora Universal é a Hora Média de Greenwich que corresponde também a
Hora Legal do Fuso Zero. A mudança de data se faz no anti-meridiano, por isso que
vemos comemorações de Ano Novo primeiramente na Austrália. Em uma
determinada longitude afastada de Greenwich para leste ou para oeste teremos duas
horas, a saber: a hora legal (Hlegal) e a hora média local (HML).
A hora legal vem a ser a hora do fuso, a mesma que marca em nossos relógios,
enquanto que a hora média local é a hora da nossa longitude. Temos então, duas
fórmulas básicas para determinarmos as horas:
HMG = HML   (converte a  utilizando a tabela de conversão
de arco em tempo)
HMG = Hlegal  fuso

O ALMANAQUE NÁUTICO
O Almanaque Náutico é anual e nos fornece os principais elementos para
navegação astronômica, como:
 dados tabulados do Sol, Lua, planetas e 57 estrelas;
 tabelas de correções de tempo e alturas aparentes;
 tabela de conversão de arco em tempo;
 notas e diagramas sobre os planetas;
 nascer e pôr do Sol, início e fim dos crepúsculos civil e náutico;
 informações sobre fases da Lua;
 passagens meridianas, informações sobre Hora Legal, calendário e instruções
para uso do mesmo, as quais devem ser lidas por todos os navegadores.
O Almanaque Náutico é, quase integralmente, cópia e tradução do The
Nautical Almanac, publicado pelo Her Majesty’s Stationery Office.
O propósito do Almanaque Náutico é fornecer, sob forma conveniente, os
dados necessários à prática da navegação astronômica no mar.
Principais dados do Almanaque

Cada página corresponde a um grupo de três dias do ano.


A página correspondente a cada dia do ano dá o AHG (ângulo horário em
Greenwich) do ponto vernal () e o AHG e a Dec (declinação) do Sol, da Lua e dos
quatro planetas usados em navegação (Vênus, Marte, Júpiter e Saturno), para cada
hora do Tempo Universal (TU) que é a Hora Média de Greenwich. Fornece ainda a
ARV (Ascensão reta versa) e a Dec das 57 principais estrelas usadas em navegação.
A AHG de uma estrela é a soma da ARV desta estrela com o AHG (ângulo
horário no ponto vernal).
No caso da Lua, os valores de v e d são igualmente tabulados para cada hora,
a fim de facilitar a correção do AHG e da Dec para os instantes intermediários; os
valores de v e d para o Sol e os planetas variam tão lentamente que eles são
apresentados nos pés das colunas apropriadas, uma vez em cada página; v é zero
para o ponto vernal e desprezível para o Sol, razão porque é omitido.
Assim como a HML, o AHL = AHG - (se a long. W)
Vejamos um exemplo e alguns exercícios utilizando a tabela de conversão de
arco em tempo:
Exemplo:
Qual a hora média local, sabendo-se que a longitude é 043 o 08´42´´W e a HMG =
02h 53m 46s?
043o = 2h 52m
08´42´´= 0m 34s
somando, teremos : 02h 52m 34s
HML = HMG – LONGITUDE W
HML= 02h 53m 46s
02h 52m 34s
00h 01m 12s

Problemas:
1- Calcule a HML, sabendo-se que a HMG = 18h 45m 02s e a longitude é 030 o 38´
23´´ W.
2 – A HML = 05h 26m 48s. Qual a HMG, sabendo-se que estamos na longitude
15o 12´ E ?
3 – Sabendo-se que HMG = 12h 56m e HML = 13h 25m, qual a longitude?
4 - Considerando que estamos navegando na longitude 043 o 05´ 00´ W e
calculamos nossa HML como 07h 12m, que horas deverá estar marcando no Big
Ben ?

INSTRUMENTOS NÁUTICOS
Basicamente os instrumentos utilizados na navegação astronômica são o
sextante e o cronômetro, pois, como vimos, dependemos da altura dos astros e do
instante da observação.
Sextante

Utilizado para tirar a altura dos astros através sua “observação no horizonte”.
Na realidade visualizamos o astro e, através de um arco graduado e imagem
refletida no espelho, “visualizamos” o astro no horizonte.
Como se trata de um instrumento, torna-se passível de erros instrumentais; por
isso devemos calcular este erro regularmente; para o qual temos duas maneiras de
fazer:

Horizonte do Mar
Com a alidade em zero visualizamos o horizonte; se houver erro as imagens
direta e refletida aparecerão formando um dente.
Giramos o tambor do micrômetro até tirarmos este dente e lemos o valor do
erro instrumental.

Sol
Visualizando o Sol, eleva-se a imagem refletida até tangenciar a imagem
direta; depois abaixa-a até novamente tangenciar.
A média entre as duas será o erro.

CRONÔMETRO
Nos navios os cronômetros marcam a Hora Média de
Greenwich. Estes cronômetros requerem cuidados especiais
por serem de alta precisão. Devem ser guardados em caixas
próprias, livres de exposições a grandes variações de
temperatura e a choques, com sua corda dada a mesma hora,
etc.
Numa embarcação menor, um bom
relógio de antepara e um cronógrafo são
suficientes, além de um receptor que possa
receber os sinais horários, através dos quais
controlaremos nosso relógio de antepara e
cronógrafo. Estes sinais horários são
transmitidos em freqüências estabelecidas
pela “Lista de Auxílios-Rádio” da Diretoria
de Hidrografia e Navegação.
Podemos também fazer o acerto de relógios pela Rádio Relógio, enquanto ela
estiver a nosso alcance.
Outro equipamento que nos fornece a HMG é o receptor do GPS.

ESTADO ABSOLUTO
Chamamos de Estado Absoluto (Ea) a diferença entre a hora, minutos e
segundos exatos transmitidos por um sinal horário e aquela indicada no nosso
medidor de tempo a bordo.
Ele pode ser positivo ou negativo dependendo se estiver nosso medidor de
tempo estiver atrasado ou adiantado em relação ao sinal horário.
H sinal = 13h 00m 00s
H cr. = -12h 59m 34s
Ea = + 26s

MARCHA
A marcha média de um relógio é conhecida por meio do controle diário, ao
pegarmos os sinais horários. Assim, caso não consigamos pegar um sinal horário,
poderemos acrescentar a marcha e determinarmos o Ea.
Deveremos ter à bordo o livro dos cronômetros, onde faremos o registro do
estado absoluto e da marcha.
STAR FINDER
Grande auxiliar no preparo do céu, trata-se de um disco com duas faces
graduadas em AHL , nas quais as 57 estrelas mais usadas na navegação
astronômica estão dispostas convenientemente. Cada uma das faces é para ser
usada nas latitudes Norte e Sul.
Acompanham 9 discos de plásticos, azulados e transparentes, também de duas
faces (Norte e Sul), graduados para cada 10 o de latitude, de 5o a 85º , para plotagem
das estrelas e um disco de plástico avermelhado, também com faces Norte e Sul,
que possibilita a plotagem dos planetas, do Sol e da Lua.
Os círculos concêntricos mostrados no disco indicam os valores de
declinação Norte ou Sul de acordo com o equador celeste representado no disco
base.

Vejamos a seguir como manusear o Star Finder.


Para identificar estrelas
a) Selecionamos no disco base a face N ou S de acordo com o nosso pólo
elevado;
b) Dentre os 9 discos de latitude, selecionamos aquele mais próximo da nossa
latitude estimada, tomando o cuidado de colocá-lo com a face adequada da
nossa latitude;
c) Direcionamos a flecha do disco azulado para o AHL calculado;
d) Retiramos os valores de Azimute e altura das estrelas que aparecem dentro
da elipse do disco azulado, escolhendo aquelas 7 mais brilhantes e que darão
melhor cruzamento (espaçamento de 45o e altura de 15o a 65o).

Para plotagem dos planetas, Sol e Lua


a) Calculamos a AR do astro, bastando diminuir do AHG o AHG do astro;
b) Calculamos a declinação do astro;
c) Direcionamos a seta do disco avermelhado para a AR calculada;
d) Pela janela existente no disco avermelhado, plotamos o astro com o valor
da declinação calculado.
Para calcularmos a altura aproximada e o Azimute deste astro plotado,
substituímos o disco avermelhado pelo azulado de latitude mais próxima a nossa
estimada e lemos diretamente assim como as estrelas.

Preparo do céu

Com tudo o que foi visto, nosso céu está praticamente preparado. Na verdade,
o “preparo do céu” pode e deve ser feito com antecedência, de preferência
utilizando o modelo a seguir.
Com a latitude estimada, calculamos a hora do crepúsculo. Esta hora fornecida
pelo Almanaque Náutico é a Hora Média Local. Daí calculamos a HMG a partir de
nossa longitude estimada. HMG = HML  .
Entramos na coluna do ponto vernal com a HMG parte inteira e verificamos o
Ângulo Horário em Greenwich (AHG). Com o restante dos minutos e segundos,
tiramos da tabela de acréscimos e correções, na página dos minutos, na coluna do
ponto vernal e linha dos segundos, o restante a acrescentar ao AHG.
Agora somamos ou diminuímos uma longitude assumida para chegarmos ao
AHL . Chamamos de longitude assumida porque os minutos e décimos deverão
ser tais que o AHL dê graus inteiros. Se estivermos à oeste diminuiremos e se à
leste somaremos a longitude assumida ao AHG.
Exemplo: O AHG deu 258o 32,8’ e estamos na longitude estimada de 043 o
12,5’W. Usaremos a longitude assumida de 043o 32,8’W, a fim de que o AHL fique
em graus inteiros, que será igual a 215o.
Com o AHL e
a latitude inteira
entraremos na tábua
HO-249 para
tirarmos as 7
melhores estrelas do
crepúsculo (as 3 que
estiverem com uma
marca acima serão
as que darão o
melhor cruzamento).

Podemos usar
também o Star
Finder com o disco
de latitude mais
próximo e o AHL
para selecionarmos
as estrelas ou para
determinarmos que
estrela foi
observada.
Cálculo da observação de uma estrela
Após darmos o “TOP” da observação realizada, teremos a HMG e a altura
instrumental dessa estrela.
Com a HMG e entrando no Almanaque Náutico no dia e na coluna do Ponto
Vernal, determinamos o AHG.
Assumimos então uma longitude que nos permita ter um AHL inteiro.
Com o AHL e uma latitude assumida inteira entramos na tábua e tiramos seu
Azimute e a altura estimada (ae).
Com isso já teremos 3 dos 4 elementos necessários para a plotagem da reta da
estrela, faltando apenas a diferença (Δa) entre a altura verdadeira (a) e a altura
estimada pela tábua (ae).
Para chegarmos à altura verdadeira, faremos as correções na altura
instrumental como a seguir:
ai ± ei = ao
ao – depressão = aap
aap – correção da aap = a

ai altura instrumental
ei erro do sextante
ao altura observada
depressão altura do olho do observador
aap altura aparente
correção da aap refração na atmosfera
a altura verdadeira

Com os quatro elementos (φass, λass, azimute e Δa) estamos prontos para plotar
a reta da estrela, seguindo os passos abaixo:
1- Plotamos o ponto com as coordenadas φass e λass.
2- Com origem neste ponto traçamos uma reta na direção indicada pelo
azimute se o Δa for positivo ou na recíproca caso o Δa seja negativo.
3- Considerando o Δa em milhas, determinamos o ponto de plotagem da reta
no ponto da linha do azimute onde o compasso determinar a distância a
partir do ponto de origem.
4- A partir deste ponto traçamos uma perpendicular à linha do azimute. Esta
perpendicular será a reta da estrela, que necessitará de pelo menos mais
uma para determinar uma posição.
5- Com 3 retas encontraremos um pequeno triângulo e, assim como na
navegação costeira, a posição será o centro do triângulo.
6- Caso os instantes das observações tenham sido muito espaçados no tempo,
será necessário o transporte das retas de acordo com o rumo e velocidade
da embarcação.
Fenômenos de nascer e pôr

Nas páginas diárias da direita são dados os instantes do nascer e pôr do Sol, do
começo e do fim dos crepúsculos civil e náutico, bem como os instantes do nascer e
pôr da Lua, no intervalo de 60o S a 72o N. Atenção que estes fenômenos estão em
HML.
Nas altas latitudes Norte e Sul alguns destes fenômenos podem não ocorrer.
A intensidade de iluminação nos instantes dados para o crepúsculo civil é tal
que as estrelas mais brilhantes são visíveis e o horizonte está perfeitamente
delineado, o que não corresponde ao crepúsculo náutico onde o horizonte,
normalmente, é invisível, sendo demasiadamente escuro para a observação com o
sextante náutico.
Os instantes tabulados são a HML, em qualquer um dos três dias das páginas
diárias, qualquer que seja a longitude.
HML   = HMG
HMG  fuso = Hora legal
Os instantes precisos podem ser calculados por simples interpolação dos
valores tabulares para a latitude e para o dia e longitude exatos; a longitude deve
ser considerada positiva para W e negativa para E.
Nos instantes correspondentes ao início e ao fim do crepúsculo, a distância
zenital do Sol foi convencionada igual a 96o para o crepúsculo civil e 102o para o
crepúsculo náutico.

Uma rotina de observações astronômicas


1) observação no crepúsculo matutino;
2)observação do azimute do Sol para determinação do desvio da agulha;
3) observação do Sol pela manhã;
4) observação meridiana;
5) observação do Sol à tarde;
6) observação no crepúsculo vespertino.

Cálculo de altura verdadeira do astro


Quando tiramos a altura de um astro com o sextante, estamos determinando sua
altura instrumental, que deverá ser corrigida com o êrro do instrumento para
determinar a altura observada.
Por sua vez, a altura observada deverá ser corrigida da depressão (altura do
olho do observador) para chegar a altura aparente, a qual deverá se corrigida de
acordo com o ângulo (correção da refração na atmosfera) para, finalmente,
determinar a altura verdadeira.
Essas correções encontram-se na contra-capa do Almanaque Náutico.
A altura verdadeira será comparada com a altura estimada pela tábua, a fim de
determinar o Δa para a plotagem da reta.

RETA DE ALTURA de ESTRELAS HO-249


ASTRO
Hcp
Cálculo
da HMG Ea
do instanteHcr
da
observação Cronog.
HMG

AHG h
Cálculo Corr. m/s
AHG
do
 ass
AHL AHL

Entrada  ass
Tábua AHL

Elementos ae
Fornecidos A

Ai
Correções ei
da ao
altura corr./dep
aap
instru-
mental corr./aap
a

- ae

Elemento ∆a
s Azimute
de
plotagem  ass
das  ass
retas
Correções para a altura instrumental:
 Erro instrumental – a altura observada pelo sextante poderá não estar correta
devido a um erro instrumental (ei), o qual deverá ser somado ou diminuído a
altura observada.
 Correção da depressão – esta correção será sempre negativa por tratar-se da
altura do olho do observador em relação ao nível do mar. Seu valor está no
verso da capa do Almanaque Naútico.
 Correção da altura aparente – após as duas correções acima, teremos a altura
aparente que terá que ser corrigida, dependendo do astro, cujos valores também
encontram-se na contra-capa do Almanaque Náutico.
 Correção de condições ambientais – são as condições de temperatura e pressão,
cujos valores são encontrados na tabela da página A4 do Almanaque Náutico.
Na verdade, tais correções só são aplicadas quando a altura do astro for inferior
a 10º.

Observação do Sol pela manhã

Esta observação é destinada a fornecer uma reta para ser transportada e


cruzada com a meridiana. Para que ela satisfaça ao objetivo visado, é conveniente
observar quando o Sol estiver com mais de 15 graus de altura.

Cálculo da hora legal da passagem meridiana pelo processo aproximado

No Almanaque Náutico, na página do dia em questão, encontraremos em baixo


e à direita, a Hora Média Local da passagem meridiana.
H legal = HML ± λ ± fuso

Posição pela meridiana


Alguns minutos antes da hora prevista, o observador deve estar preparado e já
acompanhando o Sol no seu movimento ascendente. Logo que o Sol parar de subir
e iniciar o seu movimento descendente dá-se o “TOP”. Lê-se a altura observada e
anota-se a hora, efetuando em seguida o cálculo da latitude meridiana (latitude
meridiana = 90o – (a ± declinação).
Como esta observação é demorada e cansativa, a tendência atual é observar o
astro nas proximidades do meridiano e calcular a reta de altura pelo processo
comum. O importante é obter uma reta que forneça a latitude para cruzar com a reta
calculada da manhã, a qual deve ter sido observada de 2 a 3 horas antes; não sendo
obrigatório que o azimute do astro seja precisamente N ou S.
Para o cálculo da longitude obtêm-se a diferença da HMG e HML, transforma o
tempo em arco e será E ou W se HMG for menor ou maior que HML.
Observação do Sol à tarde
Esta observação é, em tudo, semelhante à da manhã, devendo ser considerado,
apenas, que o Sol está se aproximando do horizonte, o que ainda facilita a
observação.
Como estas retas do Sol são transportadas cerca de 2 a 3 horas, para nos dar
um melhor cruzamento na posição obtida, o cálculo estimado de rumo e velocidade
no período em questão deverá ser o mais preciso possível.

Observação do azimute do Sol para determinação do desvio da agulha


A observação deve ser feita, sempre que possível, nas proximidades do nascer
e pôr do Sol, ou então com a altura do Sol menor que 30o.
A entrada na tábua HO 249 se faz com o ângulo horário local (AHL) inteiro, a
latitude inteira e a declinação do Sol().
O AHG e a declinação do Sol nós tiramos do almanaque náutico, entrando
com a hora média em Greenwich (HMG) e o dia.
Lembrar que o AHG do almanaque é para a hora inteira, a correção para os
minutos e segundos estão nas páginas amarelas do mesmo almanaque.
O AHL deverá ser inteiro que é o AHG menos a longitude assumida de
maneira a chegar a graus inteiros.  AHL = AHG - assumida
Vejamos agora um diagrama em blocos que orienta a resolução de qualquer
problema de navegação astronômica.

Bloco 1 é da hora Bloco 3 é o do sextante


Duas fórmulas gerais: ai  ei = ao
HMG = HML + 
ao – corr. do olho = aap
HMG = Hlegal  fuso
aap  corr. da refração = a
Daqui vamos para o bloco 2.
Δa = a - ae

Bloco 2 é do Almanaque Náutico Bloco 4 é o da Tábua


Fenômenos estão em HML. Elementos de entrada: AHL,
Astros e estrelas em HMG. φ e Declinação. Quando for
Estrelas é ponto vernal. estrela não consideramos a
Correção d e v, para Sol e declinação. A latitude será
Lua, estão no pé da página. assumida em graus inteiros
Elementos de saída: Saída :
AHG ae
Declinação (não p/estrelas) Azimute
Bloco 5: são os quatro elementos de plotagem

Latitude assumida

Longitude assumida

Azimute

Δa = a - ae

RETA DE ALTURA de ESTRELAS HO-249


ASTRO
Hcp
Cálculo
Ea
da HMG
do instanteHcr
da Cronog.
observação HMG
AHG h
Cálculo Corr. m/s
AHG
do
 ass
AHL AHL
Entrada  ass
Tábua AHL
Saída ae
tábua A
Ai
Correção ei
da ao
altura corr./dep
aap
instru-
mental corr./aap
a
- ae
Elemento ∆a
de Azimute
plotagem
 ass
das
retas  ass
RETA DE ALTURA DO SOL HO-249

ASTRO SOL

Cálculo Hcp
da HMG Ea
do instante Hcr
da Cronog.
observação HMG

Cálculo AHG (h)


Corr. m/s
do AHG
 ass
AHL AHL

Entrada  ass
na tábua AHL
Dec. (h) / d
Corr.
Declinação Declinação
Dec. Tabulada
Inc. Dec.

atb (d)
Elementos Corr.
ae
Tabulares Z
Zn

Correções Ai
ei
da ao
Corr. dep.
altura aap
Corr./aap
instrumental a

- ae

a
Elementos A
de plotagem  ass
da reta  ass

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