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Mauro Esteves

Novembro 2010

Mapa das Fazendas Povoadas de gados, no Rio Grande de São Pedro, 13 de 8brº de 1741

O mapa abaixo é um raro documento que demonstra a importancia do tema na época, pois foi elaborado com detalhes em ouro para ser encaminhado ao Rei de Portugal, durante a adminstração do Cel. Diogo Osório Cardoso, na vila de Rio Grande - RS. O documento foi o primeiro, que se tem conhecimento, elaborado

apenas 4 anos após a funcação da vila de Rio Grande de São Pedro em 1737.

Mauro Esteves Novembro 2010 Mapa das Fazendas Povoadas de gados, no Rio Grande de São Pedro,
 

FAZENDAS DA PARTE NORTE

 

Seq.

Proprietário

Vacas

Éguas

Ovelhas

Total

01

Manoel Gonçalves Ribeiro

 

600

  • 100 700

0

 

02

Manoel da Silva

 

0

  • 160 160

0

 

03

El Rey

4.000

5.900

0

9.900

04

Christovão Pereira de Abreu

160

400

0

560

05

Cosme da Silveira

400

1.200

  • 600 2.200

 

06

Sebastião Gomes (de Carvalho)

400

350

  • 300 1.050

 

07

Manoel Jorge

200

400

0

600

08

João Diniz (Alvares)

200

 
  • 1.500 50

1.750

09

João Antunes

200

 
  • 1.000 50

1.250

10

Francisco Ribeiro (Gomes)

200

  • 1.500 0

 

1.700

11

André dos Santos

200

100

0

300

12

Domingos Leite (Peixoto)

 

600

  • 300 900

0

 

13

Francisco Ferreira

 

300

  • 300 600

0

 

14

José Pires

 

0

  • 200 200

0

 

15

Antonio de Souza (Fernando)

 

600

  • 350 950

0

 

16

José da Silveira

 

0

  • 350 350

0

 

17

Manoel de Barros (Pereira)

 
  • 300 800

0

1.100

18

Bernardo Pinto (Bandeira)

 
  • 300 150

0

450

19

Manoel Gonçalves Ribeiro

 

0

  • 500 500

0

 

20

João Rodrigues (Xavier) Prates

4.500

1.000

0

5.500

21

José da Costa

 

400

1.500

0

1.900

22

Francisco Pinto Bandeira

1.600

200

0

1.800

23

Domingos Fernandes de Oliveira

 

0

2.000

0

2.000

24

Christovão da Costa (Guimarães)

 
  • 900 800

0

1.700

25

João de Magalhães

 

200

  • 300 500

0

 

26

João Braz

 

100

  • 200 300

0

 

27

Dionizio Rodrigues (Mendes)

 

50

  • 100 150

0

 

28

Sebastião Francisco (Chaves)

 

80

0

0

80

29

Jeronimo D'Ornelas

 

400

500

0

900

30

Anna da Guerra

 

150

100

0

250

31

(Clemente) Francisco Manoel

 

80

600

0

680

32

Pe. José dos Reis

1.800

400

0

2.200

 

TOTAL

19.330

22.850

1.000

43.180

 
 

FAZENDAS DA PARTE SUL

 

Seq.

Proprietário

Vacas

Éguas

Ovelhas

Total

01

Ten. Antonio José (Fiegueiroa)

 

500

0

0

500

02

Antonio Gonçalves

 

50

300

0

350

03

Luiza da Conceição

 

30

60

0

90

04

Miguel Moreira

 

120

100

0

220

05

Miguel da Costa

 

40

20

0

60

06

Francisco de Seixas

 
  • 100 40

0

140

07

Domingos Mariano

 
  • 300 600

0

900

08

Alexandre de Magalhães

 

60

200

0

260

09

Antonio Rodrigues

 

100

0

0

100

10

Lucas Fernandez

 

350

20

0

370

11

João Gomes

 

200

30

0

230

12

El Rey

1.200

0

0

1.200

 

TOTAL

3.050

1.370

0

4.420

 
 

TOTAL GERAL

22.380

24.220

 

1.000

 

47.600

O INÍCIO DO POVOAMENTO DE GADO NO RIO GRANDE DO SUL

Em 1533, Martin Afonso de Sousa desembarcou as primeiras cabeças de gado no Brasil. Em 1541, o adelantado espanhol Alvear Nuñes Cabeça de Vaca desembarcou em São Vicente bovinos 'Cuernos Largos'.

Em 1555, os irmãos Góis e o vaqueano "Gaete" levaram as primeiras sete vacas e um touro para Assunção-Paraguai. Posteriormente, o governador espanhol Hernando Arias de Saavedra introduziu o gado na Bacia do Prata.

O padre Roque Gonzales de Santa Cruz, fundador das primeiras 'Missões', é considerado o primeiro tropeiro rio-grandense porque em 1626 introduziu o gado no Rio Grande do Sul. Parte deste gado, levado pelos índios Tapes em picadas abertas nos matos Castellhano e Português, iniciou a 'Vacaria dos Pinhais' e espalhou-se pelos campos de Cima da Serra.

Em 127 anos de presença no solo missioneio, os jesuitas e guaranis construiram sete grandes povoados e instalaram 11 fazendas de gado e 4 grandes hervais. Em 1640, com a expulsão dos jesuítas do Brasil, o gado de arribada cresceu livremente durante mais de meio século e propagou-se em praticamente todo o território do Rio Grande do Sul. Em 1705, Silvestre Gonzáles descreve que cerca de 400.000 cabeças de gado xucro foram conduzidas, por cerca de 1.000 índios montados, da Vacaria para as

Missões num percurso de cerca de 1.300 km.

Logo em seguida à fundação da Colônia do Sacramento em 1º.jan.1680 e de Laguna em 1684, iniciou-se o reconhecimento do território do Rio Grande e em 1703 já existia um roteiro completo, incluindo os caminhos do litoral e a descrição e duração das diversas etapas de cada percurso.

A importância que assumia a região foi mostrada por Rodrigo César de Menezes, governador da Capitania de São Paulo, quando em 3.out.1722 enviou carta ao Rei de Portugal: "Não deve V. Majestade dilatar a resolução de mandar povoar toda aquela Fronteira, de cuja capacidade pela abundancia e fartura se pode fazer uma das maiores povoações da América".

Os lagunistas tropeavam grandes rebanhos de gado selvagem existente na região da 'Vacaria do Mar' até o canal do Rio Grande e foram estabelecendo por volta de 1723 as primeiras invernadas ao longo da faixa litorânea, entre a atual São José do Norte até as proximidades de Torres, como conseqüência do comércio deste gado com o centro do país.

Em 1725, o capitão-mor Brito Peixoto envia de Laguna seu genro João de Magalhães em missão militar com 30 homens, na maioria escravos pardos, para estabelecer-se na margem norte da barra do Rio Grande e impedir que os espanhóis e os índios ali se fixassem, garantindo a passagem das tropas provenientes do sul.

Em 1726, Francisco de Brito Peixoto escreveu para o Rei: "Mandei no serviço de S.M. que Deus Guarde, para o Rio Grande de São Pedro 31 homens à minha custa, e por

capitão deles o meu genro João de Magalhães, a quem ordenei que chegando à paragem do Rio Grande escolhessem algum lugar que fosse mais conveniente para

formarem as suas casas em forma de povoação e logo façam canoas de pau, suficientes para serventia de passagens de gado, encomendando-lhes também aquele zelo e

diligência de passarem gado para esta parte da nossa campanha para a multiplicação, pois é um grande serviço que se faz a EI-Rei Nosso Senhor, enxotando-o para o

meio da campanha para o dito gado tomar posse (

...

)

Também se me oferece dizer a Vmc. que já desta banda do Rio Grande se acham 800 rezes de gado vacum que

mandei buscar das campanhas à minha custa (

...

)

por entender que nisso fazia serviço a S.M. que Deus Guarde, para a multiplicação na campanha desta parte, e por não

haver nela gado algum e ter capacidade para nela estarem milhões de gado, e na diligência de conduzir mais estou sempre (

...

)

Também digo a Vme. que tenho adquirido

a boa amizade dos índios minuanos (

...

)

e ser conveniente ao real serviço a amizade destes gentios, por estarem as campanhas francas para delas se tirar quanto gado

quiserem."

A 'Tropa de João de Magalhães', como ficou conhecida, também tinha por finalidade preparar uma povoação à beira do canal do Rio Grande. Entretanto isto não ocorreu e os componentes da expedição voltaram para Laguna em 1727, onde João de Magalhães se encontrava ainda em 1733 como oficial da Câmara. Sobre a impossibilidade de povoar o Rio Grande, assim se expressou a Câmara de Laguna, em Ata de 10 de novembro de 1726: "Não há quem queira ir para o dito Rio Grande, nem pessoas com

posses que possamos nomear para principiar a povoação nela, porque todos os moradores são muito pobres e vivem miseravelmente de suas pescarias em ranchos de

palha, e o Rio Grande de São Pedro se não pode povoar sem S. M. mandar casaes, e mandarem-lhes assistir o primeiro ano com sustento por conta da sua real Fazenda, e

também mandar oficiaes de pedreiros, telheiros, carpinteiros e ferreiros erigirem a dita povoação e forma de defensa para ela, para que os castelhanos e gentios que há

naquelas partes não venham invadi-los e os matem, como costumam fazer aos que encontram na campanha."

O sargento-mor Francisco de Souza e Faria dá início em 11.dez.1728, no sítio denominado 'Morro dos Conventos' próximo à barra do Rio Araranguá, ao primeiro rasgão na mata chegando no ano seguinte ao topo dos Aparados da Serra, onde encontrou pastagens admiráveis e uma imensidade de cabeças de gado oriundo das campanhas da Colônia, lançado naquelas paragens em 1712 pelos índios Tapes remanescentes das aldeias jesuíticas.

Entre os anos de 1728 e 1732, o coronel Cristóvão Pereira de Abreu dá abertura à estrada que ficou conhecida como o 'Caminho das Tropas', partindo dos Conventos, na foz do rio Araranguá, seguindo pelo vale deste rio em direção ao planalto e daí para Curitiba e São Paulo, para facilitar o trânsito de tropas desde o Rio da Prata até Minas Gerais. O 'Caminho das Tropas' transformou-se na via do progresso da época, mas determinou o isolamento de Laguna deslocando-a da rota dos centros comerciais. Seus líderes e moradores, que a princípio movimentaram-se contra a construção desta estrada, decidiram migrar para o Rio Grande do Sul figurando como os primeiros estancieiros gaúchos.

Em 1732, foram concedidos os primeiros títulos de sesmarias. Este fato geralmente ocorria posteriormente à posse, porque o beneficiado já deveria, preliminarmente, estar estabelecido com criação de animais e lavouras. Nos requerimentos feitos nesta época pelos primeiros interessados em receber sesmarias, consta que suas famílias continuavam em Laguna mas já tinham povoado os campos de Tramandaí com gado vacum e cavalar.

Em 1733, os donos de invernadas procuraram legitimar suas posses transferindo residência com suas famílias para o Rio Grande do Sul. Muitos dos grandes fazendeiros eram inicialmente tropeiros que conduziam tropas para o centro do país.

Em junho de 1736, sai do Rio de Janeiro com uma frota de 200 homens o brigadeiro José da Silva Paes e aporta a 19 de fevereiro de 1737 na barra do Rio Grande. Funda a fortificação 'Jesus-Maria-José' para proporcionar apoio militar à Colônia do Sacramento. José da Silva Pais estabelece o projeto das linhas de defesa e assenhora-se da faixa de terras entre a barra do Rio Grande até o Chuí, onde vagavam mais de oitenta mil cabeças de gado de arribada.

A troca de correspondência entre as autoridades demonstra o crescimento acelerado da povoação, que tirava sustento principalmente, do comércio de gado, animais de

carga, couro, sebo e charque: "Cresce o povoado de Rio Grande com novas levas de povoadores que chegam do Rio de Janeiro, de Laguna em Santa Catharina e da

Colônia do Sacramento. O chefe da Vila André, Ribeiro Coutinho, procura incrementar a incipiente indústria de carnes. Aos tropeiros que fazem pelas campanhas grandes

arreadas de gado, paga para o consumo das tropas, 800 réis por cabeça de vaca. E a Manoel Gomes Pereira que estabeleceu uma xarqueada, compra por ordem de Silva

Paes, toda a produção para munício da força. Como reserva imprescindível ao sustento do nascente povoamento havia-se fundado a Estância Real do Bojurú. Em 1738

contavam-se neste Estabelecimento que abrangia larga área de campos cerca de 1.500 éguas e 2.000 vacas que já estavam corridas, e mais de 8.000 outras em cujo total

pretendido era de 45.000 reses. Era considerável a quantidade de couros que anualmente exportava o Bojurú, enchendo todas as embarcações que demandavam a barra

do Rio Grande." Cosme da Silveira foi o primeiro administrador de Bojurú, a primeira estância Real do Rio Grande do Sul.

Bibliografia

  • 1. Projeto Resgate. Manuscritos do Arquivo Histórico Ultramarino - RS. Documento 41.

  • 2. Oliveira, Sebastião Fonseca de. Aurorescer das Sesmarias Serranas. Edições EST, Porto Algre, 1996. p. 15-24.

  • 3. Pont, Raul. Campos Realengos, Vol I. EDIGAL, Porto Alegre, 1986. p. 39 e 211.

Outros trabalhos publicados no SCRIBD

  • 1. Famílias Lagunenses - SC

http://www.scribd.com/doc/14650246/Familias-Lagunenses

  • 2. Inventários de São José do Norte - RS - 1775 a 1860

http://www.scribd.com/doc/14650328/inventarios-de-sao-jose-do-norte-rs-1775-1860

  • 3. Estâncias do Rio Grande do Sul em 1734

http://www.scribd.com/doc/14703704/estancias-do-rio-grande-do-sul-1734

  • 4. Genealogia Paulistana

http://www.scribd.com/doc/42564176/Genealogia-Paulistana

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