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1 - Aplicação de Nitidez no Fluxo de Trabalho

Falar de aplicação de nitidez, o famoso ‘Unsharp Mask’, é uma ação que sempre vem
acompanhada do risco de tocar em tabus e suscetibilidades. Isto acontece por uma série de fatos
que são inerentes ao funcionamento da aplicação de nitidez na fotografia digital:

• Alguns puristas consideram a aplicação de nitidez uma espécie de heresia por ignorarem dois
fatores. Primeiro, a aplicação de nitidez não é um processo novo, característico da fotografia
digital, e sim uma técnica que data da fotografia em película e da sala escura, e segundo,
atributos inerentes da fotografia digital exigem a aplicação de nitidez;
• A aplicação do filtros do tipo ‘Unsharp Mask’ é altamente destrutiva. Isto é, uma vez aplicada
em uma fotografia, qualquer ação subsequente tende exagerar os efeitos (e defeitos, chamados
de artefatos) causados pelo filtro. Por causa disto, muitas pessoas acreditam que a aplicação de
nitidez deve sempre ser o último passo no fluxo de tratamento de imagem;
• Embora a aplicação de nitidez seja importante também para visualização de imagens em tela,
ela normalmente é discutida em fluxos de trabalho que envolvem impressão. Quando se trata a
imagem em tela para impressão, a relação do que se vê na tela é muito distante daquilo que será
impresso;
• Você nunca deve depender apenas do computador para obter a melhor nitidez em suas fotos.
O computador ajuda, mas a nitidez da sua foto vai depender da qualidade de suas objetivas,
firmeza de sua mão, configuração de abertura, velocidade e sensibilidade de sua câmera, e até
mesmo do bom e velho tripé.

Diferentemente do que muita gente imagina, a ‘magia digital’ executada por filtros de aplicação de
nitidez em softwares de tratamento de imagem nada mais é que uma simulação de um efeito
concebido em sala escura. Sem entrar nas especificidades do efeito, que envolvia sobreposição
de negativos, desfoque e tudo mais, a aplicação de nitidez padrão, conhecida como “máscara de
desfoque”, aumenta o contraste nas regiões de bordas da fotografia, regiões estas causadas por
diferenças de contraste previamente existentes na imagem. Este aumento de contraste, quando
aplicado com sensatez e critério, torna-se imperceptível, servindo apenas para aumentar a
sensação de nitidez da imagem. Quando aplicado com exagero, gera auras e artefatos visíveis
que podem estragar uma imagem além da salvação.

Na figura abaixo você pode ver 3 imagens na primeira fileira. A primeira imagem está sem
aplicação de nitidez, a segunda recebeu uma aplicação sutil do efeito, e a terceira uma aplicação
bastante exagerada.

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Na fileira de baixo vemos uma ampliação em detalhe da segunda e terceira imagem. Na imagem
da esquerda, vemos na palavra ‘zero’ a sutil borda mais escura gerada pela aplicação de nitidez.
É exatamente era ‘borda’ que, quase imperceptível à distância, causa a ilusão da nitidez. Na
imagem da direita vemos como a aplicação exagerada gerou bordas extremamente grossas,
inclusive na marca da Coca-Cola, que são visíveis na imagem menos. Este efeito visível causa
distorções nas cores e a geração de artefatos que estragam a imagem.

Agora que temos uma ideia bem básica de como a aplicação de nitidez funciona (veremos isto
com mais detalhes quando falarmos dos controles de nitidez no Lightroom), temos de
compreender onde a nitidez entra em nosso fluxo de trabalho. Como falei no início do artigo, muita
gente acredita que a aplicação de nitidez deve ser sempre o último passo no fluxo de tratamento
de imagem. Veremos agora que não é sempre assim.

Dois estudiosos da aplicação digital de nitidez, Bruce Fraser e Jeff Schewe, defendem a divisão
do processo de aumento de nitidez em imagem digital em três estágios. Aplicação de nitidez de
entrada, aplicação criativa de nitidez e aplicação de nitidez de saída. Destes estágios, falaremos
de dois hoje, e deixaremos a aplicação criativa de nitidez para um próximo artigo. Você vai
descobrir também que o Lightroom é a ferramenta perfeita para se trabalhar com este esquema.

O objetivo deste artigo é abrir a discussão sobre este sistema de aplicação de três etapas e
explicar o papel destas três etapas no fluxo de trabalho. Na semana que vem vamos diretamente
ao Lightroom para tratar da Nitidez de Entrada, e nas semanas seguintes a etapa de nitidez
criativa e nitidez de saída também receberão seus artigos exclusivos e sua aplicação no
Lightroom. Por hoje, especificaremos as diferenças destas etapas.

Nitidez de Entrada
Se você conhece intimamente sua câmera digital, deve ter ouvido falar em filtro anti-aliasing (ou
filtro AA). O filtro AA é uma fina película de desfoque que fica sobre o sensor e serve para
desfocar sutilmente a imagem antes de ela ser capturada pelo sensor. Se você removesse este
filtro, as imagens de sua câmera ficariam serrilhadas, com todas as linhas que não fossem
perfeitamente horizontais ou verticais aparecendo como ‘escadinhas’. Por causa deste filtro, toda
imagem digital exige aplicação de nitidez posterior à captura.

Este efeito é perceptível especialmente quando se passa da fotografia em JPEG para a fotografia
em RAW. Por padrão, toda câmera aplica um aumento de nitidez quando a imagem é convertida
de RAW (os dados obtidos pelo sensor) para JPEG, mesmo que a configuração de nitidez da
câmera esteja em zero. Como no arquivo RAW esta aplicação de nitidez não acontece, é normal
que os fotógrafos, ao enveredarem pelo rumo do RAW, fiquem com a sensação de que suas fotos
estejam menos nítidas do que estavam quando fotografava em JPEG. Na verdade, elas estão
mesmo.


Como visto anteriormente, a aplicação de nitidez causa artefatos que podem ser
exagerados durante o tratamento posterior da imagem. Embora a foto que sai em JPEG da
câmera seja visivelmente mais nítida, ela prejudica o tratamento de imagem posterior,
enquanto a foto em RAW permite que o aumento de nitidez seja aplicado sem prejudicar a
qualidade do tratamento.

Chamamos de nitidez de entrada a aplicação de nitidez inicial na imagem, aplicação esta que visa
reduzir os efeitos do filtro AA e destacar as qualidades da foto. Esta aplicação de nitidez deve ser
sutil, estar de acordo com o conteúdo da imagem (uma foto de um bebê exige um tratamento de
nitidez daquele aplicado a uma foto de edifícios) e de preferência ser não destrutivo. É neste
ponto que o Lightroom, com o uso de arquivos RAW (ou DNG), supera a maioria das ferramentas.

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• Está relacionada ao conteúdo da imagem. Imagens de baixa frequência (poucos detalhes)
recebem aplicações de nitidez com parâmetros diferentes daquelas com alta frequência (muitos
detalhes). Imagens com bordas suaves (como retratos) recebem configurações diferentes de
imagens com bordas duras (prédios).
• Na maioria dos softwares, deve acontecer no início do processo de tratamento, de modo que
outros recursos não sejam equivocadamente utilizados para aumentar a nitidez (contraste,
saturação e etc).
• No caso do Lightroom, devido a sua natureza não-destrutiva, pode ser trabalhada durante
qualquer momento do processo. É provável que durante o tratamento você vá ao painel
DETAIL mais de uma vez, para ajustá-lo conforme as alterações em outros fatores venham a
alterar a nitidez.
• Visa tornar a imagem nítida e agradável à visão no monitor bem calibrado, e sem gerar
artefatos que possam ser exagerados durante o tratamento.
• Embora os artigos seguintes venham a se dedicar exclusivamente à fotografia digital e ao
Lightroom, a nitidez de entrada também deve levar em consideração a mídia utilizada.
Configurações e procedimentos diferentes são utilizados para imagens vindas de câmeras
digitais, scanner de material fotográfico, slide, negativo ou impressão com retícula.

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Aplicação Criativa de Nitidez
A aplicação criativa de nitidez é uma etapa opcional do processo, e embora ela aconteça entre a
etapa de entrada e a etapa de saída, ela será nosso quarto artigo sobre nitidez. A aplicação
criativa de nitidez visa aumentar e reduzir a nitidez de áreas específicas da imagem, destacando-
as. O tipo mais comum de aplicação criativa de nitidez acontece em retratos, na suavização da
pele e aumento da nitidez em área como os lábios, olhos e cabelo.

• Diferente da aplicação de entrada e de saída, a aplicação criativa é feita de modo seletivo na


imagem, afetando apenas áreas específicas.
• Sutil e quase imperceptível, a aplicação criativa de nitidez normalmente provoca mais a
‘sensação’ do que realmente uma percepção visual da nitidez. Exageros podem criar fotos
visualmente manipuladas.
• Ajuda a similar ou enfatizar efeitos fotográficos, como bokeh ou foco seletivo.
• No Lightroom, é trabalhada com as ferramentas de Pincéis de Ajustes.

Nitidez de Saída
A nitidez de saída é o último passo no tratamento da imagem. O objetivo dela é preparar a
imagem para a mídia na qual ela será utilizada: impressão jato de tinta, impressão fotográfica, tela
de computador e etc. É uma das partes mais complexas da aplicação de nitidez, pois você
trabalha na tela com o objetivo de ‘visualizar’ a aplicação em outra mídia, e o Lightroom
basicamente automatiza esta etapa para você.

• É dependente da mídia final. Configurações diferentes atendem diferentes mídias: papel


fotográfico brilhante, papel fotográfico fosco, impressão jato de tinta, tela de computador, cada
um exige uma configuração diferente.
• É dependente do tamanho final da imagem. Deve sempre ser executada na imagem no
tamanho final em que ela será utilizada. Se a imagem for ampliada após a aplicação, auras e
artefatos podem ficar visíveis e a imagem borrada. Se a imagem for reduzida após a aplicação,
o efeito da aplicação pode simplesmente desaparecer.
• Independe do conteúdo da imagem. Independentemente da imagem em questão, a mesma
configuração pode ser utilizada para qualquer imagem que tenha recebido a aplicação correta
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de nitidez de entrada e que tenha o mesmo destino de saída. Ex.: se você executou
corretamente a aplicação de nitidez de entrada (e/ou nitidez criativa), e o destino da imagem
será impressão fotográfica, a mesma configuração e processo vale para um retrato ou uma
paisagem urbana.
• Pode ser automatizada. Através de ACTIONS no Photoshop, ou através do painel EXPORTAR
no Adobe Lightroom.
• Quando o objetivo é a mídia impressa, o resultado que lhe dará uma boa nitidez de impressão
sempre parecerá exageradamente nítido quando visto em 100% de zoom na tela do
computador.

Este último passo é o mais técnica e mais simples de ser aplicado no Lightroom. Com base na
mídia que você escolher (impressão fosca, brilho ou tela) e no tamanho da imagem (definido
também na janela de exportação), o Lightroom fará os cálculos e aplicará a nitidez necessária
para um bom resultado.

Semana que vem tem mais!

Por enquanto é isto. Agora você entendeu parte de como funciona o processo de aplicação de
nitidez em três etapas (sendo uma opcional), e qual o objetivo de cada etapa. A partir da semana
que vem veremos cada etapa de maneira independente (na ordem, nitidez de entrada, nitidez de
saída, e depois a opcional aplicação criativa de nitidez) aplicada ao fluxo de trabalho no
Lightroom, com explicação e truques dos comandos e ferramentas.

Vejo vocês na semana que vem, e espero que tenham gostado.

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2 - Nitidez de Entrada
Olá pessoal. Conforme havíamos combinado, hoje vamos ao segundo artigo sobre aplicação de
nitidez, onde falaremos sobre a nitidez de entrada. A nitidez de entrada é a primeira passagem de
aplicação de nitidez que tem como objetivo reduzir a sensação de suavidade causada pelo filtro
anti-aliasing da câmera, porém sem gerar artefatos que possam ser amplificados durante a pós-
produção.


A nitidez de entrada está relacionada ao conteúdo da imagem, então sua
aplicação dependerá dos elementos fotografados, da nitidez da câmera e das
configurações utilizadas no momento da captura.

Como comentado no artigo anterior, as imagens em RAW, desprovidas de aplicação de nitidez na


câmera, são suaves por natureza. Por este motivo, o Lightroom faz uma aplicação de nitidez em
todas as fotos RAW importadas nele. Então, se você importar uma foto (RAW ou DGN) no
Lightroom, perceberá que a configuração da aba DETAIL no módulo DEVELOP está assim:
AMOUNT: 25 / RADIUS: 1.0 / DETAIL: 25 / MASKING: 0. Na imagem abaixo você percebe a
diferença que esta aplicação faz em uma foto. A seção esquerda da imagem está sem aplicação
de nitidez, enquanto a direita apresenta a aplicação padrão do Lightroom.

Em um programa como o Adobe Photoshop, onde diversas alterações possuem características


destrutivas, recomenda-se que a aplicação de nitidez seja feita no ACR (Adobe Camera Raw –
módulo do Photoshop que interpreta arquivos RAW) antes de qualquer outra alteração na
imagem. No Lightroom temos a vantagem de seus processos não destrutivos, então cabe a você
optar por fazer os ajustes de luminosidade e cromáticos na imagem antes dos ajustes de nitidez
ou após. Particularmente, recomendo fazer primeiro os ajustes de luminosidade, pois muitas
vezes você já conseguirá um ótimo ganho de nitidez com aumento no contraste da imagem,
evitando assim exageros no painel DETAIL e surgimento de artefatos.

Para este artigo, partiremos de uma foto ‘autobiográfica’ já tratada no painel BASIC e Tone Curve,
e com a aplicação de nitidez padrão do Adobe Lightroom.

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Nos concentraremos nos quatro deslizantes na
seção SHARPENING do painel DETAIL, que
são os deslizantes responsáveis pelo controle
de nitidez da imagem. O painel DETAIL conta
ainda com alguns recursos interessantes e
outros ‘secretos’ que podem ajudar sua vida.
Vejamos o painel DETAIL:

O primeiro elemento deste painel é uma janela


que lhe confere a visualização 100% da
imagem. Esta visualização é bastante útil, pois
permite que você visualize a imagem inteira no
painel principal, o que lhe dá uma visão geral
da aplicação, e também a visualização 100%,
que lhe permite aferir a aplicação à nível de
pixels. Melhor que isto, só tendo dois monitores
(a não ser que você tenha a sua disposição o
espaço e investimento necessário para ter dois
monitores, não recomendo que você sequer
experimente usar o Lightroom com 2
monitores… é simplesmente viciante, e uma
vez experimentado, é difícil voltar atrás!).

A visualização 100% no painel DETAIL pode ser movimentada,


bastante clicar dentro dela e arrastar para poder visualizar outras
partes da imagem. Uma outra opção é clicar na “MIRA” no lado
esquerdo da visualização. Clicando nela, seu cursor vira uma mira
que permite que você selecione a área visualizada clicando
diretamente na imagem principal, o que as vezes é muito mais
prático do que ficar arrastando a visualização dentro de uma foto
muito grande.

Um último recurso desta caixa de visualização é a possibilidade de


visualizar a imagem em 200%, caso você queira ir fundo nos pixels
da imagem (PixelPunch! Há!). Basta clicar com o botão direito do
mouse sobre o quadro de visualização e selecionar o nível de
zoom desejado, 1:1 para 100%, e 2:1 para 200%.

Entretanto, nem sempre esta visualização é suficiente para atender as suas necessidades ao
aferir a aplicação de nitidez. Então recomendo que você não tenha receio de colocar a
visualização principal em 100% sempre que sentir a necessidade.

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Deslizantes do Painel Detail

Os deslizantes do painel DETAIL têm uma ordem específica. Claro! Em alguma ordem eles tinham
de estar. Entretanto, a aplicação, aferição e correção de nitidez não é linear, e é muito provável
que você precise ir e voltar nos comandos até chegar no resultado desejado. É importante
ressaltar que todos os outros deslizantes dependem do deslizante AMOUNT, e se ele estiver em
zero, os outros não tem efeito sobre a foto e ficam inacessíveis. Então, caso seu AMOUNT esteja
em zero, você precisa subi-lo um pouco antes de mexer nos outros deslizantes… 25 é um bom
ponto de partida, caso você pergunte.

AMOUNT (Quantidade)
O deslizante AMOUNT é o primeiro do painel DETAIL e é ele quem controla a força da aplicação
de nitidez em sua imagem. Na medida em que você aumenta o AMOUNT a imagem fica
visivelmente mais nítida e, com o aumento, mais ruidosa. Sua missão aqui é, basicamente,
encontrar o ponto onde a nitidez fique boa sem adicionar ruído demais à imagem (isto é mais fácil
em fotos com ISO menor do que naquelas com ISO alto). Se você estiver chegando perto do
número 100 no AMOUNT em muitas fotos, talvez deva começar a se preocupar com algo que
possa estar prejudicando a nitidez em sua imagem (objetiva, firmeza na mão, configuração de
velocidade, abertura e ISO, e etc.).

Neste momento, seu objetivo é tornar a imagem agradável para visualização na tela. No artigo
anterior mencionei que a nitidez ideal para imagens impressas sempre fica com a aparência de
“exageradamente nítida” na tela, porém esta aplicação para impressão será feita na aplicação de
nitidez de saída, não aqui.

Abaixo você vê a imagem com AMOUNT 0, no centro com AMOUNT 45 e no lado direito com
AMOUNT 150 (o máximo do LR). Considerei o 45 o ideal para esta imagem, embora isto possa
ser influenciado pelo gosto pessoal e você possa chegar a cerca de 70, nesta imagem, sem
grandes problemas.

Se podemos chegar até 70 sem grandes adições de ruído, por que não fazê-lo? Porque nem
sempre o que desejamos é atingir o máximo de nitidez. Cada foto é uma foto, e possui níveis de
nitidez que podem torná-la mais ou menos interessante. Quando se trata de uma foto
arquitetônica, uma textura, objetos mecânicos e etc, muitas vezes uma aplicação exagerada de
nitidez tende a dar destaque à foto, enquanto imagens de tecido, retratos de pessoas e outras
imagens de baixa frequência (bastante áreas suaves) tendem a ficar mais agradável com
aplicações mais suaves de nitidez.

Então temos uma regra? Retratos com AMOUNT baixo e arquitetura com AMOUNT alto? Nem
sempre. Abaixo temos um exemplo de como um AMOUNT alto somado à uma configuração alta
de RADIUS podem ajudar a destacar as marcas do tempo no rosto de uma pessoa idosa.

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Então temos uma regra? Retratos
com AMOUNT baixo e arquitetura
com AMOUNT alto? Nem sempre.
Abaixo temos um exemplo de como
um AMOUNT alto somado à uma
configuração alta de RADIUS
podem ajudar a destacar as marcas
do tempo no rosto de uma pessoa
idosa.

Falando em RADIUS, ele é nosso


próximo deslizante. Porém, antes
de falarmos nele, há um truque
secreto do Lightroom. Se você
manter pressionada a tecla ALT
enquanto clica e arrasta o
deslizante AMOUNT, o LR converte
a visualização principal para tons
de cinza, o que permite a você
aferir a aplicação de nitidez sem a
influência das cores da imagem.
Embora talvez seja a menos
importante das aplicações da tecla
ALT, ela é útil em algumas fotos
com fortes cores e figuras
geométricas.

RADIUS (Raio)
Lembra quando falei no artigo anterior que a aplicação de nitidez se dava nas “arestas” da
imagem? E que estas arestas eram as linhas onde se encontravam áreas com níveis de cor e
luminosidade diferentes? O deslizante RADIUS controla quantos pixels em torno destas arestas
são inclusos no efeito da nitidez.

Quanto mais baixa a configuração RADIUS (min. 0.5), mais o efeito de nitidez se concentrará nas
arestas, destacando assim detalhes pequenos. Na medida em que você aumenta o RADIUS
(max. 3), o LR aplica a nitidez em uma área maior em torno das arestas.

O retrato que estamos utilizando em este artigo é considerado uma imagem de baixa frequência.
Ou seja, é uma imagem com grandes áreas de transição suave e detalhes sutis. Em uma imagem
como esta devemos utilizar um RADIUS mais alto, de modo que a transição entre as áreas que
recebem a aplicação de nitidez e as que não recebam ficam mais sutis, e a aplicação mais
homogênea em toda a imagem. Abaixo vemos a imagem com aplicação de RADIUS 0.5, depois
1.4 e então 3.0. O 3.0 serve apenas de exemplo, você raramente deverá passar de 1.7 no
deslizante RADIUS, pois a partir daí o efeito de nitidez de uma aresta começa a afetar as outras
causando artefatos visíveis.

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Aferir a aplicação do deslizante RADIUS é um pouco difícil, e por isto o LR tem um segredo que
lhe será muito útil nesta aplicação. Se você manter pressionado a tecla ALT enquanto clica e
arrasta o deslizante o LR converte a imagem da visualização principal em uma imagem em tons
de cinza. A maior parte da imagem fica em um tom médio de cinza, enquanto as arestas onde o
efeito será aplicado recebe uma tonalidade contrastante que se amplia na medida em que o efeito
está se expandindo em torno das arestas.

Quando você tem uma imagem de alta frequência (prédios com muitas janelas, grama, árvores
com muitas folhas e etc.), a aplicação de RADIUS maior que 1.0 pode causar uma interferência
entre as arestas, prejudicando a visualização de cada elemento como algo individual. Por isto
neste tipo de imagem recomendamos RADIUS abaixo de 1.0. Normalmente 0.8 é uma boa
medida, pois abaixo disto o efeito da nitidez pode ficar próximo ao imperceptível.

Na imagem acima podemos visualizar grama com aplicação de nitidez com RADIUS em 0.5, 0.8 e
3.0. Perceba como a aplicação em 3.0 aparenta uma perda de nitidez, na medida em que perde-
se um pouco a nitidez nas arestas que individualizam cada lâmina de grama.

Além destes dois comandos, o LR ainda conta com dois comandos que servem para lhe dar mais
controle na aplicação da nitidez, como veremos a seguir.
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DETAIL (Detalhe)
Pense no deslizante DETAIL como uma espécie de extensão do RADIUS… só que enquanto o
RADIUS define a aplicação da nitidez nas áreas amplas, o DETAIL controla aplicação em
pequenas arestas. Segurando a tecla ALT, você tem uma visualização similar a do RADIUS, onde
você pode controlar a aplicação da nitidez nas áreas de detalhes da imagem. O DETAIL é ótimo
para controlar a nitidez em texturas de superfícies.

Ao contrário do funcionamento do RADIUS, uma imagem de baixa frequência como a que


estamos utilizando pede por uma configuração baixa de DETAIL, enquanto uma imagem de alta
frequência pediria uma configuração alta. O cuidado que se deve ter ao aumentar o DETAIL é
evitar que a nitidez aplicada na textura dos objetos atrapalhe a visualização das arestas que
compõe a forma do objeto em si.

Na foto que estamos utilizando o DETAIL ficou em 15, onde ele serve para destacar os detalhes
nos lábio sem enfatizar demais os poros e marcas na pele. Marcas que poderemos controlar com
o deslizante MASKING, outro controle importante para colocar sua aplicação de nitidez em rédeas
curtas.

MASKING (Máscara)
O controle MASKING permite definir o quão contrastada uma área precisa ser para ser
considerada uma aresta. Em configurações baixas, qualquer diferença de cor é considerada uma
aresta, fazendo com toda a imagem recebe aumento de nitidez, enquanto em configurações altas
a nitidez é aplicada apenas naquelas arestas com maior contraste de cor/luminosidade.

Este controle permite que você aplique a nitidez nos contornos de um rosto e impeça a aplicação
na textura da pele, suavizando-a. Com o uso correto dele você pode suavizar gradientes, controlar
o ruído em um céu azul, ao mesmo tempo em que mantém a aplicação de nitidez naquelas
arestas que definem a forma dos objetos.

Ajustando o deslizante com a tecla ALT pressionada, o LR lhe dá uma imagem em preto e branco
onde o branco indica onde a nitidez está sendo aplicada. Com isto, você pode controlar a
aplicação. Em nossa imagem, precisamos ir deslocando o deslizante para a direita até que a
aplicação esteja definida apenas nas arestas que desejamos. Ou seja, precisamos destacar
apenas as arestas que definem as formas do rosto, nariz e olhos (incluindo o óculos), evitando as
arestas que formam a textura da pele.

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Fluxo de Trabalho
Como incluir isto tudo no seu fluxo de trabalho? Minha recomendação é que você crie PRESETS
de aplicação de nitidez. Dois ou três são suficientes (eu uso apenas dois), de preferência um para
baixa frequência (retratos e etc.) e outro para alta frequência (arquitetura e etc.). Assim você tem
um ponto de partida que pode ser aplicado já no início do tratamento, para então, depois de fazer
os ajustes de luminosidade e cor, fazer pequenos ajustes de nitidez até chegar ao resultado
desejado (principalmente no controle MASKING, que você precisará ajustar em basicamente
todas as imagens).

Meus PRESETS são:

Alta Frequência – AMOUNT 40 / RADIUS 0.8 / DETAIL 35 / MASKING 0

Baixa Frequência – AMOUNT 35 / RADIUS 1.4 / DETAIL 15 / MASKING 60

Lembre-se de, na hora de criar o PRESET, selecionar apenas os comandos de nitidez, de modo
que eles possam ser aplicados sem interferir no restante do tratamento de sua imagem.

Abaixo segue a imagem com a aplicação de nitidez (AMOUNT 50 / RADIUS 1.5 / DETAIL 15 /
MASKING 80). A imagem recebeu também a aplicação de nitidez de saída, para que se
mantivesse nítida com a redução para aplicação no blog. Nitidez de saída será o assunto de
nosso próximo artigo (no primeiro artigo falamos também da aplicação criativa de nitidez, que
acontece entre a aplicação de entrada e a aplicação de saída, durante a pós-produção – porém,
como é uma aplicação opcional, será deixada para o último artigo sobre nitidez).

Segue a imagem com a aplicação de


nitidez (AMOUNT 50 / RADIUS 1.5 /
DETAIL 15 / MASKING 80). A imagem
recebeu também a aplicação de nitidez de
saída, para que se mantivesse nítida com a
redução para aplicação no blog. Nitidez de
saída será o assunto de nosso próximo
artigo (no primeiro artigo falamos também
da aplicação criativa de nitidez, que
acontece entre a aplicação de entrada e a
aplicação de saída, durante a pós-
produção – porém, como é uma aplicação
opcional, será deixada para o último artigo
sobre nitidez).

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3 - Nitidez de Saída
Enquanto a aplicação de nitidez de entrada, e também a criativa que veremos no próximo artigo,
é dependente do gosto pessoal de cada um, a aplicação de nitidez de saída é um trabalho muito
mais técnico. A nitidez de saída é direcionada para o suporte final da imagem, seja ela para
apresentação em tela ou impressão, e depende diretamente do tamanho final da imagem.

Na época em que o tratamento fotográfico era feito todo em softwares como o Adobe Photoshop,
isto significava criar ACTIONS com a aplicação de nitidez específica para um fim determinado
(uma ACTION para impressão off-set, outra para visualização em tela, outra para impressão
fotográfica e daí por diante) e criar várias duplicatas das fotos.

O Lightroom transforma o processo de nitidez de saída em algo muito mais prático e,


principalmente, o coloca no ponto certo do fluxo de trabalho, na exportação da imagem. Mas
primeiro, vamos entender melhor a nitidez de saída.

A aplicação de nitidez de saída parte do pressuposto de que sua imagem tenha recebido a
aplicação de nitidez necessária e adequada para as características de entrada da imagem. Ou
seja, dependendo da nitidez de seu conjunto câmera+objetiva, das configurações de captura e
das características do assunto (alta frequência, baixa frequência, orgânico, mecânicos e etc), você
terá aplicado a nitidez de forma correta a ter um bom resultado em tela.

Partindo desta ideia, a aplicação de nitidez de saída apenas adequará a imagem ao processo
final pelo qual ela passará. Se a imagem for para utilização em tela, a aplicação de nitidez será
bastante sutil, pois a aplicação de entrada já terá deixado a imagem ‘no ponto’ para uso em tela.

Se for para impressão, a coisa complica um pouco, pois uma imagem que ficará nítida na
impressão certamente parecerá “nítida demais” quando vista em tela. Isto se dá pelo fato de que o
modo como a imagem é reproduzida na tela (através de pixels alinhados vertical e
horizontalmente) é bastante diferente da impressão por jato de tinta (pontos difusos), off-set
(retícula) e impressão fotográfica (tons contínuos).

Isto significa que imagens para apresentação em tela não precisam de aplicação de nitidez de
saída? Não, não significa.

Quando você reduz uma imagem (a ampliação da imagem sempre degrada a imagem e deve,
sempre que possível, ser evitada), a tendência é de que se perca a impressão de nitidez, pois a
redução afeta também as áuras de contraste geradas pelo processo de aplicação de nitidez de
entrada.

Como normalmente você reduzirá suas imagens para apresentação em tela (normalmente para
um tamanho que possa ser visto por inteiro no monitor, como 640 x 480), a imagem deverá
receber uma nova aplicação de nitidez (de saída) em seu novo formato, para compensar a perda
de nitidez causada pela redução.

Tudo muito complicado, né? Não, pois os desenvolvedores do Lightroom, entendendo que a
nitidez de saída independe das características individuais da foto, deixaram uma ferramenta muito
bacana no diálogo de exportação de imagem. Esta ferramenta é que veremos agora.

Para tanto, voltaremos na foto da semana passada.

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Como qualquer outra foto no Lightroom, para
ela ser utilizada (seja para postar em um blog,
enviar por e-mail, mandar para impressão ou
utilizar em outro programa) ela precisa ser
exportada, e fazemos isto no menu FILE >>
EXPORT.

No diálogo de exportação, que você já deve


conhecer, você terá a opção de escolher o
tamanho da imagem, sua resolução, e demais
opções. Estas opções são importantes, pois o
Lightroom fará uso delas para escolher a
quantidade correta de aplicação de nitidez de
saída. Então neste ponto é ideal que você
tenha uma idéia do tamanho final em que a
imagem será utilizada, em pixels para o caso
de uso em tela, e em cm ou polegadas para
impressão.

Porém, quando se trata de aplicação de nitidez de saída, os comandos diretamente que nos
importam estão na seção OUTPUT SHAPENING:

É nesta seção que você opta por aplicar, ou não, nitidez de saída em sua imagem. Você escolhe
também o destino da imagem, bem como a quantidade de nitidez de saída. Salvo raras exceções,
a opção SHARPEN FOR, que ativa a aplicação, deve estar sempre ligada.

O que seria uma rara exceção: você estar enviando um JPEG para alguém que irá tratar a
imagem posteriormente. Como a imagem receberá um novo tratamento, a aplicação de nitidez de
saída poderá gerar artefatos que serão enfatizados no novo tratamento. Isto é normal de
acontecer quando você trabalha juntamente a um designer ou uma agência, que utilizará sua
imagem para montagens ou outros tipos de tratamento. Nestes casos, você enviará para eles a
imagem RAW original ou um JPEG exportado sem aplicação de nitidez de saída.

Com a opção SHARPEN FOR ativa, você escolhe o objetivo de sua foto:

• SCREEN (Tela) – para utilização em tela. É a opção que você utilizará para imagens que serão
utilizadas em blogs, sites de compartilhamento de fotos, websites e etc. Das opções, esta é a
que aplica menos nitidez de saída;
• MATTE PAPER (Papel Fosco) – para utilização em impressão. É a opção que você utilizará
para imagens que serão impressas em papel fotográfico fosco, papel simples ou ainda couchê
sem verniz. Esta aplicação é mais forte que a aplicação da opção SCREEN, e bastante similar

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à aplicação da próxima opção. As opções Matte e Glossy paper se diferenciam muito
sutilmente na força, e mais enfaticamente nas configurações de raio;
• GLOSSY PAPER (Papel Brilhante) – para utilização em impressão. É a opção que você
utilizará para imagens que serão impressas em papel fotográfico brilhante ou outro papel que
receba verniz brilhante. Esta aplicação é mais forte que a aplicação da opção SCREEN, e
bastante similar à aplicação da próxima opção. As opções Matte e Glossy paper se diferenciam
muito sutilmente na força, e mais enfaticamente nas configurações de raio.

Ao lado da opção do tipo de suporte, você tem a opção AMOUNT, com as opções LOW, MEDIUM
e HIGH. Estas opções resultam em um maior ou menor nível de nitidez na imagem, e serve para
adequar as opções de saída ao gosto pessoal e diferenças sutis de necessidade (exemplo, uma
impressora que, por padrão, seja um pouco menos nítida que o ‘normal’).

Feito isto, basta exportar a imagem. Lembrando que o ideal é que a imagem seja exportada já no
tamanho correto de uso, pois caso você precise ampliar ou reduzir a imagem para a utilização
final, ela certamente perderá parte do efeito de nitidez de entrada que voce passou tanto trabalho
configurando.

Abaixo temos um retalho da foto exportado com as opções SCREEN, MATTE e GLOSSY,
respectivamente. Perceba as diferenças na nitidez:

Todas as exportações foram feitas no tamanho da utilização (163 px de largura), e não tiveram a
dimensão alterada para o uso aqui no blog. Para fins de teste, exportei o retalho mais uma vez
com a opção GLOSSY, mas desta vez com o tamanho original dele, e então reduzi a imagem já
exportada para o tamanho de 163px de largura. Perceba como a nitidez se perde, chegando a ter
nitidez inferior à imagem exportada com a opção SCREEN no tamanho correto:

E isto é tudo. Simples não? Se você tiver feito um bom trabalho na


aplicação de nitidez de entrada, e opcionalmente na aplicação
criativa, a nitidez de saída no Lightroom é um passeio no parque,
desde que você saiba em que tamanho final a imagem será
utilizada.

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4 - Aplicação Criativa de Nitidez
Olá pessoa. Conforme combinado, aqui está o quarto e último artigo da série sobre aplicação de
nitidez, que irá tratar da Aplicação Criativa de Nitidez. Mas antes de entrarmos diretamente no
Lightroom, precisamos esclarecer algumas coisas.

Embora este seja o último artigo, no fluxo de trabalho a aplicação criativa de nitidez fica
posicionada entre a aplicação de nitidez de entrada e a aplicação de nitidez de saída. Como o
Lightroom nos dá a vantagem das alterações não destrutivas, você pode fazer a aplicação criativa
de nitidez em qualquer momento durante o processo de tratamento, visto que todo o tratamento
posterior (feito no Lightroom) não afetará ou será afetado pela aplicação, e ela também poderá ser
recontrolada ou removida a qualquer momento.

Algo importante a ser comentado é que esta aplicação é opcional. Nem todas as imagens
‘pedirão’ ou ‘aceitarão’ determinados níveis de aplicação criativa de nitidez. Embora muitos
tradicionalistas possam ver este tipo de aplicação como “trapaça”, ela sempre deve ser vista como
uma maneira de intensificar as qualidades de uma foto ou da sua visão de uma determinada
imagem. Se você tentar ‘transformar’ uma foto com este método (por exemplo, tentar gerar um
desfoque do tipo bokeh em uma imagem que tenha ficado muito nítida em todos os seus planos,
ou então tentar recuperar a nitidez de uma foto com foco posterior ou anterior), provavelmente
terminará com um resultado artificial.

Por último, a aplicação criativa de nitidez também engloba a redução criativa de nitidez. As
ferramentas com as quais trabalharemos hoje permitem também diversas outras alterações
localizadas no Lightroom… então sinta-se livre para explorar estas ferramentas. Afinal, não
esqueça-se, basta um clique no RESET para resgatar sua foto, então não há riscos em se divertir.

Para o tutorial de hoje separei a foto de um grande amigo (encapuzado na imagem), durante a
prática de um esporte bastante divertido chamado AirSoft, que é uma espécie de paintball, porém
com características bem própria. Se você quiser saber mais sobre o AirSoft, visite este link. A
imagem abaixo já está tratada e com nitidez de saída aplicada para o blog (Screen, Standard),
porém no Lightroom trabalharemos na imagem sem a nitidez de saída.

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A imagem já traz um suave efeito de desfoque no fundo, então usaremos as ferramentas de
ajustes localizados para enfatizar o desfoque no fundo e aumentar a nitidez de certas partes da
imagem, em particular a arma, o óculos e os olhos.

A ferramenta ADJUSTMENT BRUSH (Pincel de Ajuste) está localizada logo abaixo do Histograma
no lado direito do módulo DEVELOP. Trata-se do ícone em forma de um pincél (que mais parece
um palito de fósforo), o último da direita na barra de ferramentas sob o histograma. Clicar nele (ou
ativá-lo com a tecla de atalho ‘K’) faz com que as opções da ferramenta se abram abaixo dela:

Diferente das demais ferramentas do Lightroom, o


ADJUSTMENT BRUSH permite que você faça
alterações localizadas, afetando algumas áreas da sua
imagem sem afetar outras. Ao utilizar a ferramenta pela
primeira vez em uma imagem, você cria uma ‘máscara’
que indica onde o(s) efeito(s) será aplicado. A máscara
pode ser, a qualquer momento, editada, ser
parcialmente ou completamente deletada, ou ter seus
efeitos e parâmetros reestabelecidos. Você pode criar
quantas máscaras achar necessário, cada uma com
efeitos ou combinações de efeitos diferentes.

Vamos fazer uma análise neste painel de ferramentas,


de cima para baixo.

Os dois primeiros botões “NEW | EDIT” determinamos


se ao clicar na sua imagem você criará uma nova
máscara ou se editará uma existente. Enquanto não
houver nenhuma máscara, apenas a opção NEW estará
acesa. Ao se pintar a primeira máscara, o botão EDIT
se acende, indicando que a partir deste momento você
está editando a máscara que criou. Para criar uma nova
máscara, basta clicar em NEW e pintar sobre a
imagem. Para se editar uma máscara existente, basta
selecionar o marco da máscara na imagem (e não clicar
na opção EDIT), que veremos em breve.

Abaixo das opções NEW e EDIT você tem um menu chamado EFFECT. Neste menu você pode
optar por qual efeito irá alterar em sua imagem (Exposição, Contraste, Saturação e etc.), e
também optar por combinações de efeito (Aprimoramento de Íris, Suavização de Pele e etc.). Ao
lado deste menu há uma seta que pode ser clicada. Quando apontada para baixo, ela abre todas
as opções de efeitos, de modo que você possa controlar cada efeito individualmente para
aplicação na máscara. Clicando na seta para virá-la para o lado, estas opções são lugar ao
deslizante AMOUNT, que unifica os efeitos selecionados e permite a você ampliar e reduzir o
efeito como um todo.

Abaixo das opções de efeito temos as opções BRUSH, referentes ao pincel. A e B são duas
marcações de pincéis que você pode configurar. Toda alteração feita neste painel BRUSH afetará
ou o pincel A ou o pincel B, dependendo do qual estiver selecionado. Assim o Lightroom permite
que você tenha dois pincéis configurados e possa trocar rapidamente entre eles de acordo com
sua necessidade. Nesta linha você ainda tem a opção ERASE, que funciona da mesma maneira
que o pincel, mas serve para apagar a máscara onde o efeito está sendo aplicado.

Abaixo das opções você tem as seguintes opções:

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• SIZE = define o tamanho do pincel com o qual você irá pintar/apagar sua máscara.
• FEATHER = aumenta e diminui a área de suavidade em torno do pincel, esta area indica a
partir de onde, e até onde, o efeito do pincel ficará esmaecido, gerando um efeito de borda
mais suave.
• FLOW = define o quanto da densidade (veremos em seguida) do pincel será aplicada em uma
única passada do pincel. Com o FLOW em 100, apenas uma passada do pincel é necessária
para pintar a máscara com a força definida na opção DENSITY. Na medida em que se reduz a
opção FLOW, mais passadas são necessárias para se atingir o nível definido na opção
DENSITY.
• AUTO MASK = quando ativa, esta opção faz com que o pincel tente discernis automaticamente
as áreas de mudança de cores. Assim facilitando a pintura em torno de áreas de grande
contraste.
• DENSITY = a ‘força’ máxima da máscara. Indo de 0 a 100%, indica a potencia da aplicação da
máscara e por consequência do efeito. A Densidade define a força final, então se você passar
com o pincel em densidade 50 sobre uma área já pintada com densidade 100, a área passará
a ter densidade 50.

As opções FLOW e DENSITY tem uma relação que as vezes pode ser difícil de compreender. O
DENSITY define a força máxima que a máscara pintada terá (independentemente da força que a
área pintada já possa ter), enquanto FLOW define o quanto da densidade é aplicada em cada
passagem do pincel, até que o a área finalmente atinja a força definida em DENSITY.

Após selecionar os parâmetros de seu efeito, ao colocar o mouse sobre a imagem você verá um
cursor de pincel (que infelizmente não sai no PRINT SCREEN) formado por um pequeno círculo
cinza (com o sinal de + dentro dele) e dois círculos maiores. O Sinal de “+” indica que ao clicar
você estará criando uma nova máscara, enquanto o círculo menor (definido pela opção SIZE)
indica a área na qual será aplicada a densidade máxima do pincel, e o círculo maior indica a área
na qual o efeito suavizado será aplicado (definido por FEATHER). Caso a opção AUTO MASK
esteja ativa, as cores na área do círculo maior que forem muito diferentes das cores presentes no
círculo menor não receberão aplicação da máscara. Isto ajuda muito quando você está pintando
uma máscara em torno de um objeto com cores muito díspares do fundo.

Finalmente, você pode controlar o tamanho do seu pincel enquanto pinta utilizando as teclas de
colchetes [ ] do teclado, ou através do scroll do mouse.

Para começar o trabalho em nossa imagem, vamos iniciar com a redução de nitidez no fundo da
fotografia, aprimorando o efeito de desfoque (conhecido como bokeh) da imagem. Para isto,
selecione a opção SHARPNESS no menu EFFECT, e depois certifique-se de que a seta ao lado
deste menu esteja apontada para baixo, apresentando todos os controles de efeitos. Nestes
controles, deslize o SHARPNESS todo para a esquerda (até –100) e faça o mesmo com a opção
CLARITY, e certifique-se de que todos os outros comandos estejam em 0.

Inicialmente este efeito pode parecer exagerado, mas


lembre-se que comentei que podemos ajustar o efeito
depois da máscara pintada. Neste caso, um efeito muito
sutil pode dificultar a visualização da máscara, por isto
prefiro exagerar no efeito na hora de pintar, e ajustá-lo
depois.

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Inicialmente este efeito pode parecer exagerado, mas lembre-se que comentei que podemos
ajustar o efeito depois da máscara pintada. Neste caso, um efeito muito sutil pode dificultar a
visualização da máscara, por isto prefiro exagerar no efeito na hora de pintar, e ajustá-lo depois.

Feito isto, vá até a área de sua imagem onde você quer aplicar o efeito e comece a pintar, e verá
que a área sendo pintada será desfocada. (Novamente, prefiro utilizar DENSITY 100 no pincel e
controlar a intensidade do efeito depois da aplicação da máscara).

Ao começar a pintar sua máscara, você perceberá que o LIGHTROOM criará um MARCO (um
pequeno ponto cinza e preto) no local onde você começou. Este ponto é o marco da máscara, seu
ponto de origem, e você o utilizará para selecionar a máscara novamente caso necessário.

O ponto preto no meio do marco indica que aquela é a máscara selecionada


no momento, e a ela serão aplicadas as alterações que você venha a fazer.
O marco tem uma segunda e interessante função. Se você deixar o mouse
sobre ele, o LR irá marcar em vermelho a área afetada por aquela máscara.
Agora vamos ser honestos, esta mancha vermelha é muito menos discreta
que o efeito de desfoque, então porque não utilizá-la como referência
enquanto pintamos a máscara? Isto é fácil, basta selecionar a máscara
(clicando no marco desejado) e apertar a tecla de atalho “O” (letra ó) para
que a máscara fique presente enquanto você pinta.

Esta imagem não ajuda muito o AUTO MASK, pois a camuflagem da roupa confunde-se com o
verde da mata (acho que por isto é que é camuflagem!). Por isto eu desliguei a opção AUTO
MASK (ela atrapalha mais que ajudava, as vezes excluindo da máscara folhas e galhos com cores
diversas) e pintei as áreas mais problemáticas da imagem, a também aquelas áreas mais
distantes do assunto do primeiro plano, sempre ampliando e reduzindo o pincel conforme
necessário. Feito isto, ligo a opção AUTO MASK e deixo que o computador me ajude a pintar a
área em torno da arma e da luva.

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E se a cor predominante da imagem for vermelha? Neste caso, com a


máscara visível pressione o atalho SHIFT+O para alternar entre diversas
opções de cores para a máscara.

Caso em algum momento você pinte uma área errada da imagem, sempre poderá apagar a
máscara selecionado a opção ERASE nas opções de pincel. Melhor que isto, enquanto pinta,
basta segurar pressionada a tecla ALT para converter seu pincel temporariamente em borracha e
apagar a área desejada. Basta liberar a tecla ALT para voltar ao pincel anterior.

Abaixo temos uma visualização de uma seção da imagem com a máscara visível (esquerda),
seguida pela mesma seção antes do efeito (centro) e finalmente o efeito aplicado (direita).

Agora, vamos para a segunda parte de nosso processo, que será a aplicação de nitidez e clareza
nas áreas mecânicas da imagem (arma). Para isto, devemos começar uma nova máscara, pois a
área de seleção, neste caso, será diferente. Para isto, clique no botão NEW do painel do
ADJUSTMENT BRUSH. Você perceberá o marco da máscara que você acabou de pintar ficará
apenas cinza, indicando que ela está desselecionada. Caso você esteja com a máscara visível
(atalho O), ela também sumirá. E o cursor do pincel ganhará novamente o sinal de “+”, indicando
que uma nova máscara será inciada.

Porém, antes de pintarmos, vamos configurar novamente nosso efeito. Novamente, vamos para o
exagero. Após clicar em NEW, coloque as opções CLARITY e SHARPNESS em 100, e vamos
pintar sobre a arma utilizando as mesmas técnicas anteriores. Um novo MARCO surgirá no
primeiro ponto onde você pintar, marcando a nova máscara.

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Acima temos a imagem de uma seção da imagem com a máscara aplicada (eu apliquei uma
máscara sobre os olhos com DENSITY em 50, para aplicar um pouco do efeito sobre os olhos),
seguida pela após o efeito (centro) e antes do efeito (abaixo).

Neste momento temos na nossa imagem 2 marcos, indicando a presença de duas máscaras.
Você pode selecionar, clicando com o mouse sobre os marcos, qualquer uma das máscaras. Com
a máscara selecionada (perceba que selecionar a máscara faz com que os parâmetros no painel
representem aqueles aplicados com a máscara) você pode alterá-la (pintando ou apagando com o
pincel), ou então alterar seus parâmetros.

Para alterar parâmetros, uma vez aplicados os efeitos, você tem duas opções. A primeira é alterar
os parâmetros individualmente (movendo os deslizantes SHARPNESS e CLARITY, neste caso), a
segunda opção é clicar na seta ao lado do menu EFFECT, acessando assim o deslizante
AMOUNT, que controla o efeito como um todo.

Você pode ainda aproveitar a máscara que já tem (neste caso, sobre o plano de fundo e outra
sobre a arma) para trabalhar com outros parâmetros da imagem.

Para a imagem final, eu selecionei a máscara do plano de fundo (desfoque), e reduzi o deslizante
AMOUNT, e mantive o efeito sobre a arma em sua força máxima (como mencionei em outro
artigo, objetos mecânicos normalmente suportam uma boa dose de aplicação de nitidez, diferente

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do que aconteceria se utilizarmos esta técnica para destacar partes do corpo como olhos ou
boca).

A imagem final está abaixo.

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5 - Como usar corretamente a ferramenta Nitidez
Uma das consequências da revolução digital é que nos tornamos muito mais preocupados com a
nitidez.

Isso não quer dizer que os fotógrafos de cinema nunca usam imagens mais suaves, isso
simplesmente significa que se tornou muito mais fácil perceber a nitidez com imagens digitais,
tanto em imagens recém-tiradas no visor da câmera ou com um zoom 2x na tela do computador.

As expectativas de todos com relação a nitidez parece ter aumentado, por isso não é
surpreendente que você queira que suas imagens sejam tão nítidas quanto possível
(especialmente se você tiver fotografado em RAW quando a nitidez não é aplicada na câmera).

O risco de usar software para inserir nitidez é que se você não sabe o que está fazendo em vez
de “resolver” um problema, você pode criar um muito maior.

Este é um erro de novatos que fará rapidamente suas fotos serem rejeitadas por bibliotecas de
ações potenciais ou expulso de competições, então aqui vai um guia rápido para lhe mostrar como
não cometer esse erro.

1. Como você pode detectar o excesso de nitidez?

Nitidez em excesso geralmente se manifesta com espaços entre os pixels ou ao redor de traços
com muito contraste. Em outras palavras, o famoso ruído.

Às vezes isso pode facilmente ser visto quando damos zoom na imagem (ou no preview do painel
de nitidez), e garanto que pode ser frustrante ver a deterioração de pixels na sua bela imagem.

Outro problema com o excesso de nitidez é que você pode revelar detalhes que não eram
desejados – se você aumentar demais o controle deslizante Detalhe no Lightroom, todos os poros
no rosto de um modelo podem ser artificialmente reforçados, garanto que o/a modelo não vai
gostar.

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2 Pondo em prática:

Para um ajuste mais fino, você precisa controlar os controles deslizantes no painel de nitidez. O
seletor de Intensidade é auto-explicativo, porém o controle ‘Raio’ um pouco menos. Basicamente,
os controles controle deslizante de Raio quantos pixels de cada lado de uma aresta são afiados –
a “espessura” da nitidez, em outras palavras, facilmente visíveis nas linhas e bordas com
contraste.

Para obter resultados mais naturais em retratos, mantenha o raio com um valor baixo. Aqui está
um bom momento para introduzir a mágica da tecla “alt” – mantenha-o pressionado enquanto
você mover o controle deslizante Raio e você pode ver as bordas em sua imagem se tornam mais
espessas à medida que aumenta o raio, ou vice-versa.

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O controle deslizante Detalhe simplesmente permite controlar como e quanto de detalhe será
afiado. Seja suave nessa parte, e mais uma vez, use a tecla Alt que ele vai te mostrar o quanto
dos detalhes estão sendo alterados. Pode ser tentador ter o máximo de detalhes possíveis numa
imagem, mas tenha muito cuidado para que você não acabar revelando detalhes sobre-afiados.

Masterize a Máscara:
Outra ferramenta essencial aqui é a Máscara, que permite às partes “mascaradas” de uma
imagem que você não quer aplicar o efeito de nitidez desnecessariamente – muito útil com um
retrato onde você quer apenas ajustar os olhos, ou quando se trabalha em uma imagem com um
fundo borrado. Quanto mais o controle deslizante de máscara estiver para a direita mais ele
trabalhará em arestas mais grossas e fortes, enquanto um valor de 0 aplica nitidez em toda a
imagem.

Pressione a tecla Alt enquanto você move o controle deslizante – as áreas brancas tem nitidez
aplicada, enquanto que as áreas pretas são onde nitidez está sendo mascarada.

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Como regra geral, a maioria das imagens digitais beneficiar-se-ão da aplicação de nitidez na pós-
produção e os melhores resultados são criadas quando esta é aplicada em uma base imagem-a-
imagem de acordo com o assunto. Veja como ficou a que usamos neste tutorial:

Nitidez é um tipo de ajuste de contraste que é aplicado à nível de pixel e quando é bem feito ele
traz a tona detalhes para melhorar a imagem. O único problema é quando isto é usado
exageradamente para que as imagens tenham uma mudança significativa no micro-contraste e
espaços são introduzidos em torno das bordas de alto contraste. Ao aplicar a nitidez, preste
atenção em áreas de tom uniforme, como céus, bem como áreas com detalhes finos e tente
encontrar um equilíbrio entre a aplicar a nitidez as áreas com textura e esconder o ruído e
artefactos nas mesmas áreas de tom. Muitas vezes uma boa idéia para aplicar nitidez somado a
ferramenta pincel de ajuste, para que você aplique o efeito em partes específicas da imagem
como olhos e deixe a pele do rosto intacta. Bom pessoal espero que tenham gostado deste
tutorial, não esqueçam de compartilhar nas suas redes sociais se tiverem gostado e até breve!

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