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Técnicas de

Operação

Accelo 915 C
Técnicas de Operação - 915 C

Índice

Apresentação .............................................................................................................................................................. 3
Identificação de veículos ............................................................................................................................................. 4
Painel de instrumentos ................................................................................................................................................ 5
Diagrama de navegação painel - 915 C ......................................................................................................................... 6
Sistema ADW ............................................................................................................................................................... 7
Utilização do chaveiro ........................................................................................................................................... 7
Desabilitando o alarme sem o chaveiro .................................................................................................................. 8
Seqüência para ligar o alarme ................................................................................................................................. 9
Alarme ligado ......................................................................................................................................................... 9
Situações de disparo do alarme ............................................................................................................................. 9
Alarme disparado ................................................................................................................................................... 9
Sequencia para desligar o alarme ........................................................................................................................... 9
Recursos adicionais do alarme .............................................................................................................................. 10
Gravação do chaveiro ........................................................................................................................................... 10
Função trava automática ....................................................................................................................................... 10
Relatório po LED ................................................................................................................................................... 10
Gravação de um novo chaveiro transmissor .......................................................................................................... 11
Problemas e soluções ........................................................................................................................................... 12
Baterias internas do sistema ADW ......................................................................................................................... 13
Inspeção diária ........................................................................................................................................................... 14
Inspeção periódica ..................................................................................................................................................... 15
Condução do veículo ................................................................................................................................................. 17
Partida do motor ................................................................................................................................................... 17
Aquecimento/movimentação do veículo ............................................................................................................... 17
Parada do motor ................................................................................................................................................... 17
Operação da embreagem ............................................................................................................................................ 18
Freios ......................................................................................................................................................................... 19
Freio de serviço .................................................................................................................................................... 19
Freio motor / Top Brake ...................................................................................................................................... 20
Freio de estacionamento ou freio de emergência .................................................................................................. 22
Pneus ........................................................................................................................................................................ 23
Cuidados com pneus e rodas ............................................................................................................................... 23
Pressão dos pneus .............................................................................................................................................. 23
Corpos estranhos ................................................................................................................................................. 24
Impactos .............................................................................................................................................................. 24
Conceitos de condução econômica ........................................................................................................................... 25
Conceitos básicos .................................................................................................................................................... 26
O que é torque ..................................................................................................................................................... 26
O que é potência .................................................................................................................................................. 26
O que é trem de força ........................................................................................................................................... 27
O que é inércia ..................................................................................................................................................... 28
O que é velocidade média .................................................................................................................................... 28
Resistências ao deslocamento do veículo .................................................................................................................. 29
Dicas de operação ...................................................................................................................................................... 31

Global Training. 1
Técnicas de Operação - 915 C

2 Global Training.
Técnicas de Operação - 915 C

Apresentação

Todas as influências que se pode exercer sobre uma maneira correta e econômica de dirigir somente
serão materializadas por intermédio do Motorista, ou seja, só ele pode convertê-Ias em realidade.

O Motorista deve extrair todas as possibilidades que o veículo oferece, assim como das demais
condições que influem sobre a rentabilidade e a durabilidade do veículo.

Dirigir economicamente, de forma segura e protegendo o meio ambiente faz parte de uma nova
filosofia de trabalho que o Motorista começa a por em prática, antes mesmo de sentar-se
ao volante.

A preparação do Motorista para assimilar e colocar em prática os conceitos e as informações


contidas neste manual é de fundamental importância, pois ele deve estar consciente de que
sempre é possível melhorar ainda mais aquilo que faz.

Os veículos evoluem, os motores tornam-se mais potentes e econômicos, a eletrônica facilita desde
a transmissão até os freios. Esta evolução é um convite à adaptação do Motorista, abandonando
antigos conceitos e comportamentos.

A Mercedes-Benz dedica este material a você que está junto nesta viagem, evoluindo a cada dia,
comprometido com o progresso e com a preservação dos recursos naturais.

Global Training. 3
Técnicas de Operação - 915 C

Identificação de veículos

A Mercedes-Benz fabrica seus produtos com uma grande variedade de modelos, tipos e versões,
identificados por diferentes siglas e números.

Objetivando a criação de uma linguagem comum entre fabricante, concessionários e clientes, estas
codificações são aplicadas nas plaquetas de identifrcação dos veículos e agregados, em seus
certificados de registro e nas literaturas técnicas e promocionais.

Caminhão 915 C

915 C
City

Potência do motor - 152 cv

Peso Bruto Total - 9 ton.

Peso admissível tecnicamente:


* Eixo dianteiro - 3200 Kg
* Eixo traseiro - 6200 Kg
* Total admissível - 9000 Kg

OM 904 LA
Turbo alimentado

Intercooler

Nr. do projeto

Motor ciclo diesel

Este Caminhão está esquipado com motor eletrônico OM 904 LA de 150 CV

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Painel de instrumentos

Apresentação
O Painel de Instrumentos é constituido de um conjunto de equipamentos que tem por finalidade
possibilitar a Comunicação da Máquina com o Motorista.
A correta interpretação e a observação sistemática do Painel pelo Motorista durante a operação,
constitui-se em um importante passo rumo à melhoria da qualidade da operação.

Simbologia empregada nos painéis

Global Training. 5
Técnicas de Operação - 915 C

Diagrama de navegação painel - 915 C

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Sistema ADW
Desliga
Utilização do chaveiro

Pânico
Liga

ADW 001.jpeg
Aux

Objetivo Ação Resposta ADW


1 "bip" e as setas confirmam alarme ligado
Ligar o alarme e travar Pressione o botão "LIGA" por 3 "bips" e setas confirmam alarme ligado com porta
as portas 1 segundo aberta, cabine basculante aberta ou luz interna da
cabine acesa

Desligar o alarme e 2 "bips" e as setas confirmam alarme desligado


Pressione o botão "DESLIGA"
destravar a porta do 4 "bips" e setas confirmam alarme desligado e que
por 1 segundo
motorista houve disparo

Com o alarme desligado


Destravar a porta do
pressione o botão "DESLIGA" A porta do passageiro é destravada
passageiro
por 1 segundo

Pressione o botão "PÂNICO" Executa a função pânico - Disparo imediato do


Disparar o alarme
por 3 segundos alarme durante 60 segundos

Com o alarme ligado


Ativar luz interna da
pressione o botão "AUX" por A luz interna da cabine será acesa por 30 segundos
cabine
2 segundos

Com o alarme desligado


Os vidros das portas do motorista e passageiro
Abaixar os vidros pressione o botão "AUX" por
serão abaixados
2 segundos

Com o alarme desligado


Ligar o alarme e travar pressione o botão "AUX" por Liga o alarme sem o sinal sonoro "bip", somente as
as portas sem "bip" 1 segundo e, logo em setas confirmam alarme ligado
seguida, o botão "LIGA"

Desligar o alarme e Pressione o botão "AUX" por


Desliga o alarme sem o sinal sonoro "bip", somente
travar as portas sem 1 segundo e, logo em
as setas confirmam alarme desligado
"bip" seguida, o botão "DESLIGA"

Pressione o botão "LIGA por 1


Cancelar o sensor de segundo e, logo em seguida, O led acende (brilho contínuo) durante 30 segundos
ultra-som o botão "AUX" por 2 avisando que o sensor de ultra-som foi cancelado
segundos

adwtab001

Global Training. 7
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Desabilitando o alarme sem o chaveiro

Chave master
A chave master tem a função de permitir a
desabilitação completa do sistema de alarme,
fazendo com que ele não responda ao chaveiro
e nem dispare. Isso é útil quando o veículo ficar
com uma pessoa que não saiba operar o alarme
como por exemplo em oficinas mecânicas.
Também pode ser utilizada caso o chaveiro seja
danificado ou perdido.
adw 004.jpg

Objetivo Ação Resposta ADW


1 - Ligar a ignição sem
O alarme responderá com dois "bips" e o
dar partida
led acenderá durante 3 segundos,
Desabilitar o Alarme 2 - Pressionar a chave
indicando que o alarme foi desabilitado e
master por 1 segundo e
está inoperante
soltar após sinal sonoro
1 - Ligar a ignição sem
dar partida O alarme responderá com um "bip"
Habilitar o Alarme 2 - Pressionar a chave indicando que o alarme foi habilitado e está
master por 1 segundo e operante
soltar após sinal sonoro
adwtab002

Enquanto o alarme estiver em modo DESABILITADO o sistema ADW não responderá a nenhum
comando do chaveiro.

8 Global Training.
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Seqüência para ligar o alarme


1 - Desligue a ignição; 2 - Saia do veículo e verifique se as portas, basculante e vidros estão
fechados; 3 - Pressione o botão “LIGA” do chaveiro; 4 - A sirene emite um “bip”; 5 - As setas piscam
uma vez; 6 - As portas são travadas; 7 - O led piscará rapidamente por 30 segundos e em seguida
começará a piscar lentamente.

Alarme ligado
O led pisca lentamente avisando que o alarme está ligado. Qualquer violação ao interior do veículo
ou à cabine basculante será detectada e advertida pelo alarme.

Situações de disparo do alarme


1- Quando a porta é aberta; 2 - O basculante é aberto; 3 - A ignição é ligada; 4 - O sensor ultra-som
detectar invasão no veículo; 5 - Quando o botão “PÂNICO” do chaveiro for acionado por mais de 3
segundos; 6 - Caso os cabos da bateria do veículo sejam desconectados.

Alarme disparado
1°) A sirene toca de forma continua durante 60 segundos; 2°) As setas piscam por 75 segundos;
3°) O led pisca rapidamente.
Essa seqüência é equivalente a um ciclo de disparo.

Controle de disparo - Entradas / sensor:

Após 8 ciclos consecutivos de disparo, a central ignora a entrada (ignição, porta basculante) que
causou os disparos, até que ele volte a condição normal.
Após 4 ciclos de disparo provocados pelo sensor de ultra-som, ele é cancelado, até o alarme ser
novamente ligado, mantendo a segurança e economizando a bateria do veículo.

Reativação após disparo:

Ao final de cada ciclo de disparo, o módulo central de processamento, verifica a causa. Se a causa
ainda persiste (por exemplo porta aberta), inicia-se outro ciclo de disparo de mais 75 segundos.
Caso contrário, o alarme é ativado novamente, retornando ao monitoramento de todas as entra-
das.

Sequencia para desligar o alarme

1 - Pressione o botão “DESLIGA”; 2 - As setas piscam 2 vezes; 3 - A sirene emite 2 “bips”; 4 - A


porta do motorista é destravada.

Reativação automática:

Se após a desativação do alarme, nenhuma das entradas (ignição, portas, basculante ou sensor de
ultra-som) for ativada dentro de 30 segundos, o alarme será reativado automaticamente (travando
as portas), protegendo assim contra desativação acidental.

Global Training. 9
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Recursos adicionais do alarme

Gravação do chaveiro

Caso seja necessária a substituição ou a adição de mais um chaveiro ao alarme (até quatro chavei-
ros no máximo) basta ir a uma revenda comprar um chaveiro PX60 433,92 MHz e pedir sua progra-
mação.

Função trava automática

Essa função trava as portas 5 segundos após a ignição ter sido ligada (todas as portas devem estar
fechadas) e destrava ao desligar a ignição.

Função Check Control

O LED acende a meio brilho alertando o motorista que qualquer uma das entradas (porta, basculan-
te) está aberta.

Relatório po LED

Caso tenha ocorrido um disparo enquanto o alarme estiver ligado, esta função indica sua causa. A
indicação é feita através do LED.
A indicação será feita após o alarme ser desligado, enquanto a ignição estiver desligada. A indica-
ção será feita por tempo máximo de 5 minutos.

LED Causa do últim o disparo


Uma piscada Basculante
Duas piscadas Sensor de ultra-som
Três piscadas Interruptor de porta
Q uatro piscadas Acionamento da ignição
Cinco piscadas Desconexão da bateria
adwtab 003

10 Global Training.
Técnicas de Operação - 915 C

Gravação de um novo chaveiro transmissor


Ö 4 chaveiros podem ser cadastrados simultâneamente
Ö 1 - Ligar a ignição
Ö 2 - Pressione a chave master (localizada no módulo ADW) durante 6 segundos e solte-a após
o sinal sonoro (3”bips”)
Ö 3 - O LED e as setas acenderão por 10 segundos. Aperte os botões “LIGA” e “DESLIGA”
simultâneamente

Resposta do alarme:

Ö A gravação de um novo chaveiro transmissor é confirmada por um “bip” longo de sirene,


apagando as setas e o LED.
Ö A sirene emitirá 4 “bips” caso ocorra uma falha na gravação, indicando que o procedimento
deve ser refeito passo a passo.

Ö Após esse procedimento o alarme se encontrará desligado, porém habilitado (operante).

Global Training. 11
Técnicas de Operação - 915 C

Problemas e soluções

Sintom a Causa Solução


Alarme desabilitado -
Habilitar alarme
inoperante
Alarme não responde
Bateria do chaveiro
ao comando do Substituir bateria
descarregada
chaveiro
Veículo com ignição
Desligar ignição
ligada
Sensor cancelado pelo
Alarme não dispara
chaveiro Desligar e ligar o alarme novamente
pelo sensor ultra-som
involuntariamente
Cápsulas danificadas por
Função trava jato de ar comprimido ou Substituir cápsulas
automática não produtos químicos
funciona Ignição ligada antes do
Fechar as portas antes de ligar a ignição
travamento das portas
Porta, basculamento
Fechar antes de ligar o alarme
aberto
Alarme emite 3 "bips"
Luz de cortesia acesa Desligar a luz de cortesia
para ligar
Interruptores - porta,
Verificar instalação
basculante danificados

Baixo alcance do Chaveiro com bateria


Trocar bateria
chaveiro transmissor fraca
Interruptor de porta,
Disparo falso do Substituir interruptores e /ou verificar a
basculante danificado ou
alarme instalação
com mau contato
adwtab004

12 Global Training.
Técnicas de Operação - 915 C

Baterias internas do sistema ADW

Uma vantagem adicional do sistema ADW é representada pelas suas baterias internas. Internamen-
te ao módulo ADW, existe um conjunto de baterias recarregáveis cuja função é suprir as necessida-
des do sistema de alarme quando este estiver acionado e a bateria do veículo desconectada, ou
seja, o sistema ADW será capaz de anunciar a desconexão da bateria quando na tentativa de
roubo.
O disparo do sistema ADW, em decorrência da desconexão da bateria do veículo, será semelhante
a de um disparo por abertura de portas, porém as setas não são acionadas.
Caso o veículo esteja com a ignição ligada e o LED indicador esteja aceso, isso indica que as
baterias internas não estão completamente carregadas e que o processo de carregamento está
em progresso.
A substituição das baterias internas do sistema ADW somente devem ser substituídas por pessoal
autorizado.

Global Training. 13
Técnicas de Operação - 915 C

Inspeção diária
Diariamente o veículo requer uma verificação que na maioria das vezes é feita pelo próprio Motorista.
Esta verificação é muito importante porque ela pode evitar ocorrências indesejáveis ou até mesmo
grandes prejuízos.
Apresentamos a seguir um roteiro para os procedimentos:

•Verificação do nível do óleo lubrificante do motor


Nos veículos Accelo 915 C o nível será checado através do sensor de nível de óleo lubrificante ao acionar a chave
de contato. Isto dispensa o trabalho diário de medição pela vareta.

• Verificação do nível do líquido de arrefecimento


Nos veículos Accelo 915 C o nível do líquido de arrefecimento será medido através do sensor localizado no
reservatório quando a chave de contato for acionada. Isto dispensa o trabalho diário de medição .

• Verificação diária, após funcionar o motor


Folga da direção;

Funcionar o motor em marcha-lenta e colocar as rodas dianteiras


orientadas para frente.
Girar alternadamente o volante da direção para direita e para a
esquerda. A folga da direção (movimento livre do volante) é medida
na periferia do volante e deve ser de 20 a 30 mm.

Pressão do óleo lubrificante (Consulta no painel de instrumentos);


Pressão pneumática (Consulta no painel de instrumentos).

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Técnicas de Operação - 915 C

Inspeção periódica

Controlar periodicamente, pelo menos uma vez por semana

• A tensão e o estado das correias;


• O estado das mangueiras;
• O nível do fluido de acionamento da embreagem e do freio;
• Drenar os reservatórios de ar;
• Vazamentos em geral (água, ar, lubrificantes, combustível, etc);
• Estado geral e inflação dos pneus, inclusive da roda sobressalente (estepe);
• O estado e fixação dos cintos de segurança;
• O estado e funcionamento do limpador de pára-brisa e reservatório
• Nível do líquido de arrefecimento no reservatório

Verificar o nível do líquido de arrefecimento somente quando a


temperatura do motor estiver abaixo de 50°C
O nível do líquido de arrefecimento deve situar-se entre as
indicações de nível máximo e mínimo do reservatório de
compensação.
Se for necessário adicionar liquido de arrefecimento ao sistema:
- Adicionar o líquido de arrefecimento ao sistema, até a
indicação de nível máximo.
- Colocar a tampa do sistema e apertá-la firmemente.
- Funcionar o motor por um breve intervalo em rotações
Reservatório de compensação do variadas.
sistema de arrefecimento - Parar o motor e comprovar o nível do líquido de
1. Bocal de abastecimento
2. Válvula lacrada (não remover) arrefecimento. Se necessário adicionar mais líquido ao
3. Indicações denível sistema.

Indicação:

O abastecimento do sistema de arrefecimento é monitorado


eletronicamente. Se a luz-piloto do nível de líquido de arrefecimento
acender-se com o motor funcionando, será indicação de que o
nível do líquido de arrefecimento está muito baixo. Parar o motor
e comprovar visualmente o abastecimento do sistema.

Global Training. 15
Técnicas de Operação - 915 C

• Nível do fluido da direção hidráulica

O nível da direção hidráulica deve ser verificado com o motor


funcionando em marcha lenta e o fluido aquecido.
Limpar a tampa do reservatório de fluido e suas imediações para
evitar a penetração de impurezas no sistema hidráulico.
Remover a tampa do reservatório e limpar a vareta medidora com
um pano limpo e sem fiapos.
Recolocar a tampa, removê-la novamente e observar o nível de
fluido na vareta medidora. O nível de fluido deverá estar entre as
indicações de máximo e mínimo.
Se o nível de fluido estiver na altura da indicação de mínimo ou
abaixo, adicionar fluido recomendado, aos poucos, até atingir a
indicação de nível máximo.
O nível de fluido no reservatório não deverá ultrapassar a indicação
de nível máximo.

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Técnicas de Operação - 915 C

Condução do veículo

Partida do motor
Para colocar o motor em funcionamento, deve-se seguir os seguintes procedimentos:

• Acione o freio de estacionamento


• Posicione a caixa de mudanças em ponto neutro
• Se o veículo for equipado com sistema de calefação, posicione o comando do sistema
na posição "frio"
• Gire a chave de contato até o primeiro estágio, fazendo o check-list das lâmpadas-piloto
de advertência e do alarme sonoro (cigarra).

ATENÇÃO! Motores turboalimentados requerem especial atenção quanto ao procedimento


da partida. Não acelere enquanto não for estabelecida a pressão de óleo
no motor. Este procedimento evita que o turboalimentador trabalhe em
altíssimas rotações sem a lubrificação necessária.

• Não acione a partida por mais de 10 segundos consecutivos. Caso seja necessária nova
tentativa, aguarde pelo menos 30 segundos antes de acioná-lo novamente.

Aquecimento/movimentação do veículo
ATENÇÃO! Evite manter o motor em funcionamento em marcha-lenta por muito tempo.
Nessa condição a combustão é deficiente e favorece a formação de depósitos
nas câmaras de combustão, nas válvulas de escapamento e ao redor dos anéis
dos êmbolos. Se eventualmente, devido a natureza do serviço, for absolutamente
necessário manter o motor funcionando com o veículo parado, ajustar a rotação
para 1000/min.

O veículo deve ser aquecido como um todo e não somente o motor. Portanto, assim que for
estabelecida a pressão de óleo do motor e a pressão correta de ar, o veículo deve ser colocado
em movimento.
CUIDADO! Não libere o Freio de Estacionamento nem coloque o veículo em movimento
se a pressão de ar em um dos circuitos for inferiors de 5,5 bar.

A movimentação deve iniciar com rotações médias até que o motor atinja 80° C.

Parada do motor
Deixá-lo funcionar pelo menos 30 segundos em regime de marcha lenta antes de girar a chave de
contato para a posição desligada.

ATENÇÃO! Não pare o motor imediatamente após uma acelerada. Se a temperatura do


motor estiver acima de 90º C, deixe-o funcionar a uma rotação um pouco acima
da marcha-lenta por um ou dois minutos antes de acionar a parada do motor.

Global Training. 17
Técnicas de Operação - 915 C

Operação da embreagem
Ao utilizar a embreagem, o Motorista pode demonstrar sua habilidade na operação do veículo.
Portanto, devem ser observados os seguintes procedimentos:

• Solte o pedal de embreagem sempre de maneira suave, tanto em arrancadas quanto


em troca de marchas. O "tranco" decorrente de um acionamento brusco, prejudica todos
os componentes do trem de força.
• Acione a embreagem somente durante o tempo estritamente necessário para engatar uma
marcha e arrancar ou trocar de marchas. O acionamento prolongado da embreagem provoca
desgastes no sistema de acionamento e no motor.
• Não acelere durante a troca de marcha
• Nunca pare o veículo engatado
• Não dirija com o pé apoiado sobre o pedal de embreagem. Mesmo um pequeno esforço
sobre o pedal da embreagem já é suficiente para provocar desgaste prematuro
nos componentes de acionamento.

A Caixa de Mudanças sincronizadas proporciona maior economia de combustível, maior segurança


e conforto através de engates simples e rápidos.

As mudanças de marchas devem ser feitas normalmente, acionando-se totalmente o pedal de


embreagem, sem efetuar dupla debreagem, sem acelerar quando em ponto morto e movendo a
alavanca de mudanças para a posição escolhida com suavidade e firmeza, evitando tentativas de
engate através de golpes alternados.

CUIDADO! Na seleção de marchas, principalmente em reduções, o Motorista deve cuidar


da rotação do motor. A escolha de uma marcha inadequada pode provocar
excesso de rotação no motor e, conseqüentes danos, como o "atropelamento
de válvulas".

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Técnicas de Operação - 915 C

Freios

Freio de serviço
Denomina-se Freio de Serviço o sistema de freio acionado pelo pedal localizado ao lado do acelerador.
O acionamento pneumático é dividido em dois circuitos independentes, sendo um para o eixo dianteiro
e outro para o(s) eixo(s) traseiro(s).
A utilização correta do Freio de Serviço é um fator importante para a Condução Econômica,
porém é muito mais importante para a segurança.

O Freio de Serviço deve ser empregado o indispensável, como em uma parada total do veículo,
correções de velocidade em declives acentuados ou em situações de emergência.

Outras maneiras de frear o veículo devem ser exploradas ao máximo pelo Motorista, tais como
reduções de marchas, freio motor, Top Brake e retardador quando disponível.

A duração da aplicação de Freio de Serviço deve ser a mínima possível. Em descidas longas, em
serras por exemplo, não acione continuamente o Freio de Serviço. O controle da velocidade deve
ser feito com atuações no pedal de freio, de maneira firme e com pouca duração.

ATENÇÃO! A aplicação prolongada do Freio de Serviço provoca o superaquecimento das


lonas e pastilhas de freio. Uma vez superaquecido, o Freio de Serviço perde a
eficiência, podendo o veículo ficar totalmente sem freios. O superaquecimento
altera e danifica as lonas, pastilhas, discos e tambores de freio.

Global Training. 19
Técnicas de Operação - 915 C

Fique atento às situações do trânsito e às condições de via para que não seja necessário o emprego
exclusivo do Freio de Serviço na desaceleração do veículo.

Cabe ao Motorista a responsabilidade pela observação do desempenho dos freios. Sua atenção
tem de ser redobrada ao dirigir nas seguintes situações:
• Após a troca de lonas ou reparos no sistema de freios. Durante o período de assentamento
entre as lonas e o tambor ou pastilhas e disco, a eficiência dos freios fica reduzida.
• Após a troca de veículo. Cada veículo tem um comportamento característico, ao qual o
Motorista tem que se adaptar.
• Após a lavagem do veículo ou ao trafegar em pistas molhadas. A frenagem feita com as
lonas ou pastilhas molhadas é deficiente e às vezes desequilibrada (puxa para um lado).

Freio motor / Top Brake

Os melhoramentos introduzidos nos motores resultam apenas em um ligeiro aumento da potência


de frenagem.

O sistema freio motor é do tipo borboleta de pressão dinâmica, montado no sistema


de escapamento.

Quando a borboleta do freio motor se fecha, gera uma contrapressão no sistema de escapamento
contra a qual, os êmbolos tem que efetuar o trabalho de exaustão no 4o tempo do motor
(escapamento), resultando na frenagem do motor.

O Freio Motor é um sistema de freio auxiliar que deve ser empregado tanto em frenagens
prolongadas em longos declives como para desacelerações em tráfego normal.

Quanto mais reduzida for a marcha engrenada na caixa de mudanças, maior será a eficiência
do Freio Motor. A correta utilização do Freio Motor não causa danos ao motor e permite prolongar
a vida útil das guarnições e tambores de freio. Em longos declives, a utilização do Freio Motor
poupa o freio de serviço, assegurando sua total eficiência em caso de eventuais emergências.

Quando aplicado o Freio Motor, o motor poderá atingir até a rotação máxima permitida sem que
isto implique em algum dano ao motor.

20 Global Training.
Técnicas de Operação - 915 C

ATENÇÃO! Não acione o Freio Motor em pistas escorregadias ou ao manobrar o veículo.


A eficiência do Freio Motor é sensivelmente aumentada, e os benefícios
decorrentes de um sistema auxiliar de freios mais eficiente também, através
do exclusivo sistema Top Brake Mercedes-Benz.

O freio motor com estragulandores contantes (Top Brake) consiste, basicamente, na otimização do
sistema de freio motor convencional, com a incorporação de válvulas de estrangulamento constante
no cabeçote (uma para cada cilindro), as quais, quando abertas permitem a comunicação dos cilindros
do motor com o coletor de escapamento, através de um canal no cabeçote.

Além da potência de frenagem, proporcionada pela contrapressão gerada no sistema de escapamento


durante o 4o tempo (escapamento) quando a borboleta do freio motor está fechada, o freio motor
com estranguladores constantes, Top Brake, proporciona uma potência de frenagem adicional
resultante do aproveitamento de parte da compressão no 2o tempo do motor.

Com a potência de frenagem elevada é possível obter, com segurança, velocidades médias em
declives consideradamente mais altas resultante em tempo de viagem mais reduzido. Além disso,
reduz-se também a solicitação do freio de serviço diminuindo o desgaste do freio das rodas,
assegurando sua total eficiência em situações de emergência.

Global Training. 21
Técnicas de Operação - 915 C

Freio de estacionamento ou freio de emergência

1 - Freio aplicado

2 - Destravar

3 - Freio desaplicado

O Freio de Estacionamento atua nas rodas traseiras do veículo e tem seu acionamento feito
mecanicamente com a força de aplicação manual ou de molas acumuladoras.

A desaplicação do Freio de Estacionamento requer as seguintes precauções:


• Se a pressão pneumática for insuficiente (os manômetros indicam pressão abaixo de 5,5 bar)
não desaplique o Freio de Estacionamento. Mantenha-o aplicado aguardando a total pressurização
do sistema pneumático.
• Se devido a avarias no sistema pneumático, não existir pressão suficiente para a desaplicação
do Freio de Estacionamento, o mesmo poderá ser desaplicado mecanicamente para possibilitar
o deslocamento do veículo em casos de emergência. Veja procedimento indicado no item
"Procedimentos em caso de reboque em emergência".

Por ser totalmente independente do freio de serviço, o Freio de Estacionamento pode ser utilizado
como Freio de Emergência.

ATENÇÃO! Em emergências, numa eventual falha do freio de serviço, acione gradualmente


a alavanca, proporcionando uma ação de frenagem progressiva sem causar
o travamento brusco das rodas.

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Técnicas de Operação - 915 C

Pneus

Cuidados com pneus e rodas


A segurança e desempenho do veículo depende consideravelmente do estado dos pneus, razão
pela qual os mesmos devem ser inspecionados diariamente.
Os pneus sem câmara oferecem vantagens adicionais em relação aos pneus com câmara tais como:
redução de peso, maior segurança, maior facilidade de balanceamento das rodas, melhor centragem
do aro e melhor estabilidade do veículo.
Em contrapartida, em vias de péssimas condições, conduzir o veículo cuidadosamente, visto que
eventuais impactos podem danificar o aro de roda, ocasionando imediata perda de ar do pneu.

Pressão dos pneus


Manter os pneus sempre corretamente calibrados. A pressão de inflação deve ser comprovada
com os pneus frios pelo menos uma vez por semana. Após conduzir o veículo por algum tempo os
pneus se aquecem e, em conseqüência do calor, a pressão de inflação se eleva. Em hipótese
alguma esvaziar os pneus aquecidos para restabelecer a pressão de inflação recomendada.
A diferença de pressão entre pneus do mesmo eixo não deve ser superior a 0,1 bar.

CUIDADO! Não operar o veículo com os pneus abaixo da pressão. Um pneu inflado abaixo
da pressão recomendada para a carga a ser transportada gera aumento do
consumo de combustível, desgaste rápido e irregular, além do aquecimento
excessivo. O aquecimento excessivo provoca deterioração do corpo do pneu,
podendo resultar na destruição repentina do pneu. Não operar o veículo com
os pneus acima da pressão. A operação com os pneus acima da pressão
recomendada provoca desgaste rápido e irregular e enfraquece o encordoado
do pneu reduzindo sua capacidade de absorção de choques da estrada.
Aumenta também o perigo de cortes, protuberâncias e furos, e pode danificar
os anéis provocando sua falha.

A - Pressão correta
B - Pressão insuficiente
C - Pressão excessiva

Nos eixos traseiros (rodagem dupla), verificar a pressão de ar dos pneus internos e externos.
Se as pressões nos pneus não forem iguais, a distribuição da carga será desigual sobre cada pneu.
Resultando em seu desgaste acelerado. O excesso de carga e sua má distribuição
sobre o veículo, são fatores que reduzem consideravelmente a vida útil dos aros e pneus, além de
comprometerem a segurança do veículo.

Global Training. 23
Técnicas de Operação - 915 C

Corpos estranhos
Eliminar corpos estranhos incrustados na banda de rodagem ou presos entre rodas duplas, que
além de desbalancear as rodas, podem causar danos irreparáveis aos pneus.

Impactos
Ao passar por obstáculos e desníveis abruptos no solo, ou se necessitar subir em guias de calçadas,
faça-o lenta e perpendicularmente, pois impactos violentos com obstáculos dessa natureza podem
causar danos imperceptíveis aos pneus, capazes de provocar acidentes futuros.

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Técnicas de Operação - 915 C

Conceitos de condução econômica

Condução Econômica ou Operação Racional são títulos que denominam um conjunto


de conhecimentos e práticas que visam um melhor aproveitamento dos recursos naturais,
de equipamentos e de mão-de-obra.

Como conseqüência desse melhor aproveitamento também podemos destacar a proteção


ao Meio Ambiente, item que abordaremos no próximo capítulo.

Quando se fala em Condução Econômica logo se pensa na economia de combustível, item que já
influenciou demasiadamente nos custos de operação. Porém, gostaríamos de apresentar a
Condução Econômica como um conceito muito mais amplo, abrangendo, além da economia de
combustível, a maior durabilidade de componentes sujeitos a desgastes, tais como o motor,
embreagem, freio, pneus, etc.

A Condução Econômica também apresenta seus resultados positivos na diminuição da necessidade


de intervenções corretivas.

Os conceitos apresentados neste capítulo já são aplicados em vários países sob as mais diferentes
condições e seus resultados sempre são positivos.

Estudá-los e colocá-los em prática, constitui-se a primeira de muitas etapas no sentido de


se obter resultados efetivos de economia.

Pouco adianta, em termos práticos, a aplicação apenas da primeira etapa. Se não houver um
acompanhamento contínuo dos resultados, a reciclagem do aprendizado e a disseminação dos
conhecimentos entre os operadores, o esforço inicial se perde por completo e com ele a
credibilidade na possibilidade de melhoria nos resultados.
Ao aplicar os conceitos da Condução Econômica, o motorista pode:
• Reduzir o desgaste físico provocado por horas de trabalho
• Reduzir o consumo de combustível
• Reduzir desgastes de componentes mecânicos
• Evitar falhas de operação
• Aumentar a segurança no trânsito
• Aumentar a velocidade média com segurança
• Reduzir os custos com manutenção
• Contribuir para manter o valor do veículo
• Reduzir a contaminação do meio ambiente.

ATENÇÃO! A aplicação das técnicas apresentadas nesta apostila, a título de treinamento,


deve ser acompanhada de um instrutor ou monitor qualificado.

Global Training. 25
Técnicas de Operação - 915 C

Conceitos básicos

O que é torque
Também conhecido como Momento de Força, Momento de Torção ou Força de Alavanca,
corresponde à força de giro exercida em determinado braço de alavanca e é expresso
em Newton-metro (Nm).
Aplicado ao motor de combustão interna temos uma força P que é a pressão média exercida sobre
o êmbolo. Essa força atua através da biela, sobre o braço R do virabrequim.

Simplificando, o motor produz uma Força de torção (Torque). Essa força de torção é multiplicada
na caixa de mudanças e através da transmissão coroa/pinhão chega até as rodas do veículo.

O torque máximo de um motor diesel se manifesta num regime médio de rotações. Nos chamados
Motores Elásticos, os mais elevados valores de torque se manifestam num regime de rotações
relativamente baixo e se conservam praticamente inalterados em uma extensa gama de rotações,
proporcionando assim maior sustentação de velocidades e exigindo menos troca de marchas.
É na Faixa de Torque do motor que se apresenta o melhor rendimento, com mais força e menor
consumo de combustível.
Nos motores turboalimentados é, justamente nesta faixa de rotações que a alimentação de ar
(Pressão do Turbo) é mais eficiente.

O que é potência
Potência é a medida do Trabalho realizado numa unidade de Tempo.
Como Trabalho é o resultado de uma Força que desloca seu ponto de Aplicação, temos:

TRABALHO (FORÇA x DISTÂNCIA)


POTÊNCIA =
TEMPO

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Técnicas de Operação - 915 C

Embora a unidade mais comum para expressar a potência de uma máquina seja o Cavalo Vapor (CV),
a unidade adotada pelo Sistema Internacional de Unidades é o Watt (W) ou, melhor, o quilowatt (kW).

ATENÇÃO! Na operação de veículos comerciais (caminhões e ônibus), é mais importante


conhecer a faixa de torção do motor em que se dá o torque máximo do que a
potência máxima do mesmo. Isto porque o motorista deverá adequar a operação
em função do torque do motor e não da potência máxima que, de qualquer
forma, se alcança nos limites de rotação do motor.

O que é trem de força


Denomina-se Trem de Força o conjunto responsável pela tração do veículo, desde o motor, passando
pela embreagem, caixa de mudanças, árvore de transmissão (cardã) e eixo traseiro.
Na transmissão, a caixa de mudanças tem por finalidade adequar o torque do motor à velocidade
do veículo em função da situação de operação.

Global Training. 27
Técnicas de Operação - 915 C

O que é inércia

Inércia é, por definição, a resistência que todos os corpos materiais opõem a modificação do seu
estado de movimento.
Aplicando-se na operação de um veículo temos:
• Para colocar um veículo em movimento, tem-se que vencer a inércia de sua massa em
repouso. Considerando-se este procedimento em um terreno plano, podemos acrescentar
que a energia empregada em um dado momento para manter este veículo em movimento é
menor que a energia necessária para colocá-lo em movimento.
• Quanto maior a massa e a velocidade de um veículo, maior será sua inércia. Isto explica
porque um veículo com 45 ton. exige maiores distâncias, tanto para atingir determinada
velocidade quanto para frear, do que um carro de passeio.

Pela importância que a inércia exerce sobre a operação de ônibus e caminhões devemos:
• Aproveitar a inércia quando está a nosso favor, por exemplo, embalado nas situações propicias.
• Dominá-la com habilidade quando se mostra contrária a nossa intenção, ou seja, nas frenagens
ou acelerações.

O que é velocidade média

A Velocidade Média de um veículo que percorre um determinado trajeto é determinada através do


seguinte cálculo:

Distância Percorrida
Velocidade Média =
Tempo Gasto

A obtenção de velocidades médias mais altas é um dos principais objetivos da Condução


Econômica, pois reduz o tempo gasto nas viagens. Quanto maior o percurso, mais significativa
pode ser a redução no tempo. Esta redução de tempo pode ser traduzida como maior rentabilidade
do veículo.
O aumento da velocidade média tem sua importância evidenciada se considerarmos fatores
limitadores de velocidade que são imutáveis, tais como, velocidade máxima estipulada por lei
ou pelas condições de segurança na operação.
A única forma possível de se obter a elevação da velocidade média é melhorar o desempenho nos
trechos nos quais as velocidades mínimas e médias são passíveis de serem aumentadas através
do emprego das técnicas de Condução Econômica, como por exemplo em aclives.

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Técnicas de Operação - 915 C

Resistências ao deslocamento do veículo


Sobre um veículo em marcha, existem forças que tendem a freá-lo naturalmente.
Estas forças chamadas Resistência ao Deslocamento devem ser superadas da melhor forma
possível pela propulsão do motor.
Neste ponto, a aplicação de técnicas especiais apontadas nesta apostila é de fundamental importância
para um melhor aproveitamento do combustível e dos procedimentos que visam poupar o veículo.
As resistências ao deslocamento se classificam da seguinte forma:
• Resistência ao rolamento do veículo
• Resistência exercida pelo ar
• Resistência exercida pela gravidade

Resistência ao rolamento do veículo


A resistência ao rolamento do veículo provém do trabalho de deformação exercido sobre os pneus
e sobre o piso. Esta resistência é basicamente determinada ou influenciada pelos seguintes fatores:
• Tipo de pneus
Os pneus radiais possuem um índice de resistência ao rolamento mais baixo
uma vez que a banda de rodagem se deforma menos que a de pneus diagonais.
• Tamanho dos pneus
O índice de resistência ao rolamento é menor à medida que se aumenta o diâmetro
dos pneus, pois a banda de rodagem se deforma menos.
• Estado das estradas
O tipo de pavimento, o estado de conservação e outras condições como por
exemplo, pistas molhadas, influenciam na resistência ao rolamento através do
esforço adicional para o deslocamento.
• Carga sobre as rodas
O aumento de carga sobre as rodas também aumenta a resistência ao rolamento
uma vez que a superfície de apoio dos pneus (achatamento) é maior em
conseqüência da energia de flexão.
• Pressão de inflação dos pneus
A pressão baixa aumenta a superfície de apoio dos pneus e com isto a resistência
ao rolamento.
Também o desgaste dos pneus é acelerado.
A pressão excessiva reduz a resistência ao rolamento, porém diminui a
durabilidade dos pneus e da suspensão, bem como afeta o conforto.

Global Training. 29
Técnicas de Operação - 915 C

Mantenha os pneus calibrados!


Os pneus devem ser calibrados quando frios.
Após algum tempo com o veículo em movimento, é normal que os pneus se aqueçam e,
consequentemente que a pressão dos mesmos se eleve.
Este fenômeno já é considerado quando o fabricante estipula a pressão de calibragem dos pneus.
Portanto, não faça a recalibragem (sangria) com os pneus aquecidos.

Resistência exercida pelo ar


A resistência exercida pelo ar varia em função dos seguintes itens:

• Forma e superfície frontal do veículo


• Velocidade do veículo
• Velocidade e direção do vento

Em velocidades baixas a resistência oferecida pelo ar é desprezível.


A resistência exercida pelo ar só deve ser considerada em velocidades acima de 55 km/h.
A determinação do tipo de carroceria, a disposição da carga em carrocerias abertas e a instalação
de aerofólios quando necessário, são ações possíveis no sentido de diminuir a resistência do ar ao
deslocamento do veículo.
Por parte do fabricante, cabe o desenvolvimento de veículos com baixo coeficiente aerodinâmico,
ou seja, veículos cujo formato ofereça o mínimo possível de resistência aerodinâmica.

Resistência exercida pela gravidade


A ação da gravidade sobre o veículo impõe a mais influente das resistências ao deslocamento
a ser considerada.
A influência da gravidade se torna mais evidente e exige a aplicação de técnicas especiais
de operação em aclives (subidas), onde se pode exercer grande influência sobre o consumo
de combustível.
Ao subir um aclive de 5% a 40 km/h um caminhão de 38 ton. necessita de pelo menos 4 vezes
mais combustível que para trafegar a 80 km/h sobre uma estrada plana.

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Técnicas de Operação - 915 C

Dicas de operação

1 Guiar com previsão


• Não frear nem acelerar desnecessariamente

2 Operar na faixa ideal de rotação


• Utilizar a marcha mais alta possível
• Nas mudanças progressivas de marchas (1a para 2a, 2a para 3a, etc.) fazer a troca
de marcha à 1900 rpm no máximo.
• Economizar rotações.
• Nas reduções de marchas, a troca de marcha deve ser feita em 1.200 rpm no mínimo.
Nunca acelere durante uma troca de marcha.

3 Não acelerar durante a troca de marchas


• Procedimento inútil em câmbios sincronizados.
• Soltar a embreagem suavemente.

4 Aproveitar a inércia do veículo


• Manter a velocidade do veículo.
• Acelerar suave e constantemente.

5 Utilizar corretamente os freios


• Utilizar sempre que possível o freio motor/Top Brake.
• Fazer uso do acionamento do freio motor diretamente no interruptor do piso para manter
ou reduzir a velocidade
• Usar o freio de serviço somente o necessário.

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1. Guiar com previsão


• Não frear nem acelerar desnecessariamente.
A aplicação desta regra exige do motorista uma atenção constante quanto às situações
que influenciarão na operação do veículo e nas atitudes a serem tomadas perante as mesmas.
A isto se denomina Previsão, ou seja, uma visão antecipada do que deverá acontecer.
A previsão permite que se tome providências que economizam combustível, poupam os freios,
embreagem e, principalmente tornam a operação muito mais segura.

Apresentamos a seguir alguns exemplos de situações nas quais devemos aplicar esta regra:

• Paradas obrigatórias, semáforos, etc.


Neste caso o motorista deve estar atento a situações que exigem a desaceleração do veículo,
tais como um sinal vermelho ou amarelo, trânsito lento ou parado adiante, cruzamento
ou entrada em vias preferenciais.
Os procedimentos corretos para desacelerar o veículo incluem atos como: tirar o pé do
acelerador, aplicar freio motor, reduzir marchas e só utilizar o freio de serviço na finalização
do procedimento de desaceleração.
Note que em aclives há uma tendência natural à desaceleração, a qual deve ser aproveitada o
máximo possível. Portanto, dentro dos princípios de uma operação com previsão, o uso do
freio de serviço nos procedimentos de desaceleração em aclives se restringe a finalizações
em situações de emergência.
• Entrada em vias preferenciais
Sempre que possível ver com antecedência o fluxo de veículos na via que se vai entrar
ou cruzar. O motorista deve se preparar para fazê-lo com a menor desaceleração possível sem
comprometer a segurança ou infringir regras de trânsito.
Este procedimento visa, além de evitar frenagens e arrancadas desnecessárias, permitir a
entrada em vias preferenciais com velocidades compatíveis com o fluxo do tráfego.
• Preparação para início de declives
Aplicar o freio motor ou freio de serviço imediatamente após retirar o pé do acelerador,
é um procedimento que só se justifica em situações imprevistas, pois dessa forma os gastos
de combustível e de freios são maiores.
Ao se aproximar de um declive, o motorista pode retirar antecipadamente o pé do acelerador
e deixar o veículo rolar até o início da descida, aproveitando assim a inércia do veículo
e a pequena desaceleração que pode ocorrer. Poupa-se combustível até começar a descida
e freios durante este percurso, uma vez que o veículo demorará um pouco mais para ganhar
velocidade.

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Técnicas de Operação - 915 C

2. OPERAR NA FAIXA IDEAL DE OPERAÇÃO

O motor tem mais força e consome menos combustível quando trabalha em rotações médias. É a
chamada Faixa de Torque do motor que, no caso de veículos equipados com tacômetro (contagiros)
é indicada pela faixa verde.

Dirija o maior tempo possível nesta faixa

Nesta faixa somente Top-Brake

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Técnicas de Operação - 915 C

A aplicação desta regra visa possibilitar o trabalho do motor dentro do regime ideal pelo máximo
tempo possível, economizando assim rotações do motor e combustível.
A economia de combustível tem um efeito direto e de fácil visualização, enquanto que a economia
de rotações do motor exige cálculos para se tornar evidente.
Tomemos como exemplo a rotação média dos motores de dois veículos iguais operados de forma
diferente em um determinado trajeto.
Se o motor de veículo "A" apresentar ao final do trajeto uma média de rotações de 1.800/min.,
frente a uma média de 2000/min. do motor do veículo "B", teremos uma diferença de 200/min a
cada minuto de operação.
Embora essa diferença de 200/min. pareça pequena a primeira vista, ela se torna significativa
se a projetarmos adiante.
Ela significa que o motor do veículo "B" girou a cada minuto 200 vezes mais que o motor
do veículo "A".
Persistindo a diferença na forma de operação, a cada hora (60 min.) a diferença de rotações é
de 12.000. Isto significa que o virabrequim do motor do veículo "B" deu 12.000 voltas a mais, que
os anéis dos êmbolos se atritaram contra os cilindros subindo e descendo 12.000 vezes a mais
a cada hora de operação.
Podemos ainda projetar esta hora em um dia, um mês ou um ano de trabalho. Ao final teremos
uma boa referência para quantificar o que uma diferença de 200 rotações por minuto pode significar
em termos de energia desperdiçada (o motor consome energia para girar) e da aceleração
do desgaste no componentes móveis do motor.

ATENÇÃO! Em determinadas condições de operação, nas quais há uma tendência de elevar


demasiadamente a temperatura do motor, tais como, veículo muito carregado,
aclives prolongados, temperatura ambiente elevada ou grandes altitudes,
devemos deixar de aplicar esta regra e trabalhar com rotações mais elevadas.
Este procedimento visa manter a temperatura do motor no âmbito
da Temperatura de Trabalho, evitando os danos decorrentes de um ventual
superaquecimento. Recomendamos também cuidado na aplicação desta
regra, evitando simplificações do tipo "opere somente dentro da faixa verde".
As simplificações podem não só comprometer os resultados, mas também
causar danos ao veículo.

• Ao trocar de marcha de uma inferior para outra mais alta não há necessidade de acelerar muito;
acelere o suficiente para que a retomada de aceleração atinja o início da faixa verde do contagiro.
Se houver necessidade de troca de marcha em subidas acelere um pouco mais que a faixa verde,
mais ou menos 200 RPM, para não perder o embalo e retomar
a aceleração dentro da faixa de torque.
• Ao trafegar em subidas prolongadas procurar trabalhar com o motor em rotações mais elevadas
o mais próximo do fim da faixa verde, para que se evite uma possível elevação de temperatura
do motor.

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Técnicas de Operação - 915 C

3. Não acelerar durante a troca de marchas


• Procedimento inútil em câmbios sincronizados
A aceleração intermediária e a dupla debreagem na troca de marchas são procedimentos
necessários na operação de veículos equipados com caixas de mudanças "secas"
(não sincronizadas).
Como "costume ou enfeite" a aplicação destes procedimentos em veículos equipados com caixas
de mudanças sincronizadas não é recomendada devido aos gastos desnecessários que os mesmos
acarretam. Reduz-se praticamente pela metade a vida útil dos componentes da embreagem e da
caixa de câmbio, aumenta o consumo de combustível e o desgaste físico do motorista.

4. Aproveitar a inércia do veículo


• Manter a uniformidade do delocamento do veículo
Se compararmos as reações de um carro de passeio com as de um ônibus ou caminhão carregado,
veremos que existe uma diferença muito grande. Tanto a aceleração quanto a desaceleração de
um veículo comercial acontece de forma mais lenta devido às grandes massas envolvidas, ou
seja, normalmente a inércia exerce uma considerável influência.
Na aplicação dos conceitos da Condução Econômica a aceleração (aumento de velocidade) deve
ser feita de forma lenta e gradual, pois a tentativa de alcançar velocidades maiores em pouco
tempo implica em um aumento considerável de consumo de combustível sem o proporcional
aumento na velocidade média.

5. Utilizar corretamente os freios


• Fazer uso dos sistemas auxiliares disponíveis
• Usar o Freio de Serviço somente o necessário

A utilização racional dos sistemas de freios disponíveis em um veículo (freio motor, retardador,
freio de serviço) é um procedimento que influencia bastante na determinação da vida útil
dos tambores, lonas, válvulas de freio, suspensão e pneus.
Mais importante que a economia possível, é a manutenção dos níveis de segurança através da
correta utilização dos freios.
Especial atenção quanto a esta regra deve ser observada na operação em longos trechos em
declive. Nesta situação, para manter velocidades compatíveis com a segurança, deve-se utilizar ao
máximo as reduções de marchas, freio motor ou retardador.
O sistema de freio de serviço deve ser poupado, sendo utilizado apenas para correções de velocidade
e de rotações do motor. Deve ser utilizado em aplicações firmes e rápidas.

ATENÇÃO! A aplicação prolongada do freio de serviço provoca superaquecimento das lonas


e pastilhas de freio. Uma vez superaquecido, o freio de serviço perde sua
eficiência, podendo o veículo ficar totalmente sem freios. O superaquecimento
altera e danifica as lonas, pastilhas e tambores de freio.

CUIDADO! Em descidas longas, em serras por exemplo, não acione continuamente o freio
de serviço, controlando a velocidade através da dosagem da aplicação.

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