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DT-11

CARACTERÍSTICAS E
ESPECIFICAÇÕES DE
TRANSFORMADORES DE
DISTRIBUIÇÃO E FORÇA
Informações Técnicas DT-11

Transformador 200MVA - 550kV


Usina Capivara – Taciba - SP

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PREFÁCIO

O curso em questão refere-se a transformadores trifásicos, imersos em líquido


isolante, previstos para instalação interna ou externa, com classes de tensão até
550kV, em freqüência de 60Hz ou 50Hz. Também são abordados aspectos
específicos relacionados a transformadores a seco, encapsulados em resina epóxi,
classe de tensão até 36,2kV.

Este trabalho destina-se a dar subsídios e esclarecimentos necessários para uma boa
especificação de transformadores. Aliás, uma correta seleção implica diretamente na
redução do custo do equipamento e nos prazos de recebimento e instalação.

Os transformadores WEG são projetados e construídos segundo normas da


Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), em suas últimas edições, assim
como normas internacionais, sempre que especificado.

Recomendamos, para aqueles que desejarem se aprofundarem no estudo de


transformadores, que tenham a disposição as seguintes normas:

§ NBR 5356 - Transformador de Potência: Especificação


§ NBR 5440 - Transformadores para Redes Aéreas de Distribuição:
Padronização
§ NBR 5380 - Transformador de Potência: Método de Ensaio
§ NBR 5416 - Aplicação de Cargas em Transformadores de Potência:
Procedimento
§ NBR 5458 - Transformador de Potência: Terminologia
§ NBR 10295 - Transformadores de Potência Secos
§ IEC 76 – Transformador de Puissance

É muito importante, também, que o interessado tenha em mãos as publicações


específicas para transformadores, emitidas pela concessionária de energia da região
onde será instalado o equipamento.

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ÍNDICE

PREFÁCIO.............................................................................................................................3

HISTÓRICO ........................................................................................................................ 13

ÍNDICE DE SIGLAS ........................................................................................................... 14

1. NOÇÕES FUNDAMENTAIS ...................................................................................... 15

1.1. TRANSFORMADORES E SUAS APLICAÇÕES .................................................. 15


1.2. TIPOS DE TRANSFORMADORES ....................................................................... 17
1.2.1. Divisão dos Transformadores quanto à Finalidade........................................... 17
1.2.2. Divisão dos Transformadores quanto aos Enrolamentos .................................. 17
1.2.3. Divisão dos Transformadores quanto aos Tipos Construtivos .......................... 17
1.3. COMO FUNCIONA O TRANSFORMADOR ........................................................ 18
1.4. SISTEMAS ELÉTRICOS ....................................................................................... 21
1.4.1. Sistemas de Corrente Alternada Monofásica.................................................... 21
1.4.1.1. Generalidades .......................................................................................... 21
1.4.1.2. Tipos de ligação....................................................................................... 21
1.4.2. Sistemas de Corrente Alternada Trifásica ........................................................ 22
1.4.2.1. Tipos de ligação....................................................................................... 23
1.4.2.2. Autotransformador .................................................................................. 28
1.5. POTÊNCIAS .......................................................................................................... 30
1.5.1. Potência Ativa ou Útil ..................................................................................... 30
1.5.2. Potência Reativa.............................................................................................. 31
1.5.3. Potência Aparente ........................................................................................... 31

2. DEFINIÇÕES IMPORTANTES E NORMALIZAÇÃO ............................................ 35

2.1. POTÊNCIA NOMINAL ......................................................................................... 35


2.1.1. Transformadores Trifásicos ............................................................................. 35
2.1.2. Transformadores Monofásicos......................................................................... 35
2.1.3. Potências Nominais Normalizadas................................................................... 35
2.2. TENSÕES .............................................................................................................. 36
2.2.1. Definições ....................................................................................................... 36
2.2.2. Escolha da Tensão Nominal ............................................................................ 38
2.2.2.1. Transformadores de distribuição .............................................................. 38

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2.2.2.2. Transformador de distribuição a ser instalado no domínio de uma
concessionária............................................................................................................. 39
2.2.2.3. Transformador para uso industrial............................................................ 39
2.3. DERIVAÇÕES ....................................................................................................... 40
2.3.1. Definições ....................................................................................................... 41
2.4. CORRENTES ......................................................................................................... 43
2.4.1. Corrente Nominal............................................................................................ 43
2.4.2. Corrente de Excitação ..................................................................................... 43
2.4.3. Corrente de Curto-Circuito .............................................................................. 44
2.4.3.1. Corrente de curto-circuito permanente ..................................................... 44
2.4.3.2. Corrente de curto-circuito de pico............................................................ 45
2.4.4. Corrente de Partida ou Inrush .......................................................................... 45
2.5. FREQUÊNCIA NOMINAL .................................................................................... 46
2.6. NÍVEL DE ISOLAEMENTO.................................................................................. 46
2.7. DESLOCAMENTO ANGULAR ............................................................................ 47
2.8. IDENTIFICAÇÃO DOS TERMINAIS ................................................................... 51

3. SELEÇÃO DOS TRANSFORMADORES .................................................................. 56

3.1. DETERMINAÇÃO DA POTÊNCIA DO TRANSFORMADOR ............................. 56


3.2. FATOR DE DEMANDA (D)................................................................................... 56
3.2.1. Determinação da Demanda Máxima de um Grupo de Motores ........................ 57
3.2.2. Determinação da Demanda Máxima da Instalação ........................................... 60
3.3. CONSIDERAÇÕES SOBRE O USO DAS TABELAS............................................ 60
3.4. CRITÉRIOS DE ESCOLHA DOS TRANSFORMADORES COM BASE NO
VALOR OBTIDO NA DEMANDA.................................................................................... 61
3.4.1. Eventuais Aumentos da Potência Instalada ...................................................... 66
3.4.2. Conveniência da Subdivisão em mais Unidades .............................................. 66
3.4.3. Potência Nominal Normalizada ....................................................................... 67
3.5. DADOS NECESSÁRIOS PARA IDENTIFICAÇÃO DE UM TRANSFORMADOR
67
3.6. SOFTWARE PARA CÁLCULO DE DIMENSIONAMENTO DE
TRANSFORMADORES .................................................................................................... 68
3.6.1. Processo 1 ....................................................................................................... 68
3.6.2. Processo 2 ....................................................................................................... 71

4. CARACTERÍSTICAS DE DESEMPENHO ............................................................... 74

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4.1. INSTALAÇÃO....................................................................................................... 74
4.2. PERDAS................................................................................................................. 76
4.2.1. Perdas no Material dos Enrolamentos (Perdas em Carga ou Perdas no Cobre) . 77
4.2.2. Perdas no Ferro do Núcleo Magnético (Perdas em Vazio) ............................... 77
4.3. RENDIMENTO...................................................................................................... 79
4.4. REGULAÇÃO........................................................................................................ 82
4.5. CAPACIDADE DE SOBRECARGA ...................................................................... 84

5. CARACTERÍSTICAS DA INSTALAÇÃO................................................................. 89

5.1. OPERAÇÃO EM CONDIÇÕES NORMAIS E ESPECIAIS DE


FUNCIONAMENTO. ........................................................................................................ 89
5.2. CONDIÇÕES NORMAIS DE TRANSPORTE E INSTALAÇÃO ........................... 89
5.3. OPERAÇÃO EM PARALELO ............................................................................... 91
5.3.1. Diagramas Vetoriais com mesmo Deslocamento Angular................................ 91
5.3.2. Relações de Transformação Idênticas inclusive Derivações............................. 91
5.3.3. Impedância...................................................................................................... 92
5.4. OPERAÇÃO EM PARALELO ............................................................................... 95

6. CARACTERÍSTICAS CONSTRUTIVAS .................................................................. 97

6.1. CARACTERÍSTICAS INTERNA........................................................................... 97


6.1.1. Núcleo............................................................................................................. 97
6.1.2. Enrolamento.................................................................................................... 99
6.1.3. Dispositivos de Prensagem, Calços e Isolamento........................................... 105
6.1.4. Comutador de Derivações ............................................................................. 106
6.1.4.1. Tipo painel ............................................................................................ 107
6.1.4.2. Comutador acionado à vazio.................................................................. 108
6.1.4.3. Comutador sob carga ............................................................................. 110
6.1.5. Parte Ativa .................................................................................................... 111
6.2. CARACTERÍSTICAS EXTERNAS ..................................................................... 112
6.2.1. Buchas .......................................................................................................... 112
6.2.2. Tanque .......................................................................................................... 116
6.2.2.1. Transformadores selados ....................................................................... 116
6.2.2.2. Transformadores com conservador de óleo ............................................ 117
6.2.2.3. Tranformadores flangeados.................................................................... 118
6.2.2.4. Radiadores............................................................................................. 119
6.2.2.5. Tratamento superficial e pintura ............................................................ 119
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6.3. LÍQUIDO DE ISOLAÇÃO E REFRIGERAÇÃO .................................................. 120
6.4. PLACAS DE IDENTIFICAÇÃO E DIAGRAMÁTICA ........................................ 123
6.5. ACESSÓRIOS...................................................................................................... 128
6.5.1. Indicador de Nível do Óleo............................................................................ 129
6.5.2. Termômetros do Óleo.................................................................................... 130
6.5.3. Transformador de Corrente (TC) ................................................................... 131
6.5.4. Termômetro do Enrolamento com Imagem Térmica ...................................... 132
6.5.5. Controladores Microprocessados de Temperatura.......................................... 133
6.5.6. Válvula de Alívio de Pressão......................................................................... 135
6.5.7. Relê Detetor de Gás Tipo Buchholz............................................................... 136
6.5.8. Secador de Ar de Sílica Gel........................................................................... 137
6.5.9. Bolsa de Borracha em Conservadores de Óleo............................................... 138
6.5.10. Relê de Ruptura de Membrana/Bolsa............................................................. 139
6.5.11. Relê de Pressão Súbita .................................................................................. 140
6.5.12. Manômetro e Manovacuômetro ..................................................................... 141
6.5.13. Indicador de Fluxo de Óleo ........................................................................... 142
6.5.14. Relê Regulador de Tensão ............................................................................. 143
6.5.15. Paralelismo entre Transformadores................................................................ 143
6.5.16. Monitoramento de Buchas............................................................................. 145
6.5.17. Pressurização do Transformador.................................................................... 147
6.5.18. Monitor de Gás e Umidade............................................................................ 148
6.5.19. Sistema de Ventilação Forçada...................................................................... 150
6.5.20. Sistema de Óleo Forçado ............................................................................... 150
6.5.20.1. Sistema OFWF ...................................................................................... 151
6.5.20.2. Sistema OFAF com trocador de calor óleo-ar (aerotermo) ..................... 152
6.5.20.3. Sistema ONAN/OFAN/ONAF/OFAF.................................................... 153
Figura 6.63 - Sistema ONAN/OFAN/ONAF/OFAF .................................................. 154

7. TRANSFORMADORES A SECO ............................................................................. 155

7.1. HISTÓRIA DO TRANSFORMADOR.................................................................. 155


7.1.1. Retrospecto ................................................................................................... 155
7.1.2. A Situação Hoje ............................................................................................ 158
7.2. TRANSFORMADORES ENCAPSULADOS A VÁCUO WEG............................ 158
7.3. CARACTERÍSTICAS CONSTRUTIVAS ............................................................ 159
7.3.1. Núcleo e Ferragens........................................................................................ 159

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7.3.2. Bobinas de Baixa Tensão .............................................................................. 159
7.3.3. Bobinas de Alta Tensão................................................................................. 160
7.3.4. Acessórios..................................................................................................... 162
7.3.4.1. Comutador de tensão sem carga............................................................. 162
7.3.4.2. Sistema de monitoramento térmico ........................................................ 162
7.3.4.3. Sistema de ventilação forçada................................................................ 163
7.3.4.4. Cubículo de proteção ............................................................................. 163
7.4. GARANTIA DE QUALIDADE E TESTES .......................................................... 166
7.5. VANTAGENS ...................................................................................................... 168
7.5.1. Minimizada Manutenção ............................................................................... 168
7.5.2. Fácil Instalação ............................................................................................. 168
7.5.2.1. Ambiente de instalação .......................................................................... 169
7.5.3. Baixíssimos Níveis de Descargas Parciais ..................................................... 172
7.5.4. Alta Suportabilidade a Sobretensões.............................................................. 173
7.5.5. Alta Capacidade de Sobrecarga ..................................................................... 173
7.5.6. Insensíveis ao Meio ....................................................................................... 174
7.5.7. Auto Extinguível ........................................................................................... 175
7.5.8. Resistente a Curto-Circuito............................................................................ 178
7.5.9. Nível de Ruído .............................................................................................. 179
7.5.10. Assistência Técnica WEG ............................................................................. 179
7.5.11. Compatíveis com o Meio Ambiente............................................................... 180
7.6. APLICAÇÕES...................................................................................................... 180
7.7. ESPECIFICAÇÕES.............................................................................................. 181
7.7.1. Normas ......................................................................................................... 181
7.7.2. Potências....................................................................................................... 182
7.7.3. Classes de Tensão ......................................................................................... 182
7.7.4. Tensão Nominal e Derivações ....................................................................... 182
7.7.5. Freqüência e Ligações ................................................................................... 183
7.7.6. Temperaturas ................................................................................................ 183
7.7.7. Perdas, Corrente de Excitação e Impedância.................................................. 183
7.7.8. Dimensões..................................................................................................... 184

8. ENSAIOS .................................................................................................................... 185

8.1. ENSAIOS DE ROTINA........................................................................................ 186


8.1.1. Resistência Elétrica dos Enrolamentos........................................................... 187

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8.1.2. Relação de Transformação ............................................................................ 190
8.1.2.1. Polaridade ............................................................................................. 193
8.1.2.2. Deslocamento angular e seqüência de fases ........................................... 193
8.1.3. Perdas em Carga e Impedância de Curto-Circuito.......................................... 196
8.1.4. Perdas em Vazio e Corrente de Excitação...................................................... 199
8.1.5. Resistência do Isolamento ............................................................................. 204
8.1.6. Ensaios Dielétricos de Rotina ........................................................................ 207
8.1.6.1. Tensão suportável à freqüência industrial .............................................. 207
8.1.6.2. Tensão induzida..................................................................................... 210
8.1.6.3. Tensão induzida com medição de descargas parciais.............................. 212
8.1.6.4. Impulso ................................................................................................. 219
8.1.6.4.1. Introdução .......................................................................................... 219
8.1.6.4.2. Circuito de ensaio ............................................................................... 222
8.1.6.4.3. Forma de onda de impulso .................................................................. 226
8.1.6.4.4. Procedimento de ensaio para impulso atmosférico .............................. 228
8.1.6.4.5. Procedimento de ensaio para impulso de manobra .............................. 232
8.1.7. Ensaios de Comutador de Derivações em Carga ............................................ 233
8.1.8. Estanqueidade e Resistência à Pressão........................................................... 235
8.1.9. Verificação do Funcionamento dos Acessórios.............................................. 235
8.1.10. Verificação da Espessura e Aderência da Pintura........................................... 238
8.2. ENSAIOS DE TIPO.............................................................................................. 239
8.2.1. Elevação de Temperatura .............................................................................. 239
8.2.2. Nível de Ruído .............................................................................................. 244
8.3. ENSAIOS ESPECIAIS ......................................................................................... 248
8.3.1. Fator de Potência do Isolamento.................................................................... 248
8.3.2. Impedância Seqüência Zero em Transformadores Trifásicos ......................... 251
8.3.3. Tensão de Radiointerferência (RIV) .............................................................. 255
8.3.4. Medição de Harmônicos na Corrente de Excitação ........................................ 257
8.3.5. Ensaio Suportabilidade a Curto-Circuito........................................................ 259
8.3.6. Medição da Resposta em Freqüência e Impedância Terminal ........................ 261
8.3.7. Umidade Relativa Superficial Interna (URSI)................................................ 264
8.3.8. Vácuo Interno................................................................................................ 267
8.4. ENSAIOS NO ÓLEO ISOLANTE ........................................................................ 267
8.4.1. Rigidez Dielétrica.......................................................................................... 269
8.4.2. Teor de Água ................................................................................................ 269
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8.4.3. Cor................................................................................................................ 270
8.4.4. Tensão Interfacial.......................................................................................... 270
8.4.5. Índice de Neutralização (Acidez)................................................................... 271
8.4.6. Ponto de Fulgor............................................................................................. 271
8.4.7. Densidade ..................................................................................................... 272
8.4.8. Fator de Dissipação (Fator de Potência)......................................................... 272
8.4.9. Análise Cromatográfica................................................................................. 273
8.5. ENSAIOS NO PAPEL .......................................................................................... 276
8.5.1. Grau de Polimerização .................................................................................. 276

9. INSTALAÇÃO E MANUTENÇÃO .......................................................................... 277

9.1. TRANSFORMADORES DE DISTRIBUIÇÃO (POTÊNCIA ATÉ 300KVA)........ 277


9.1.1. Recebimento ................................................................................................. 277
9.1.2. Manuseio ...................................................................................................... 278
9.1.3. Armazenagem ............................................................................................... 278
9.1.4. Instalação ...................................................................................................... 278
9.1.5. Manutenção................................................................................................... 278
9.1.6. Inspeção Periódica ........................................................................................ 279
9.1.7. Revisão Completa ......................................................................................... 279
9.2. TRANSFORMADORES INDUSTRIAIS A ÓLEO (POTÊNCIA ATÉ 5.000 KVA)280
9.2.1. Recebimento ................................................................................................. 281
9.2.2. Descarga e Manuseio..................................................................................... 281
9.2.3. Armazenagem ............................................................................................... 282
9.2.4. Instalação ...................................................................................................... 282
9.2.5. Ensaios Elétricos de Campo .......................................................................... 282
9.2.6. Energização do Transformador...................................................................... 283
9.2.7. Manutenção................................................................................................... 283
9.2.8. Inspeção Periódica ........................................................................................ 284
9.2.9. Ensaios Elétricos ........................................................................................... 284
9.3. TRANSFORMADORES A SECO ........................................................................ 285
9.3.1. Itens de Manutenção...................................................................................... 285
9.3.2. Inspeções Periódicas ..................................................................................... 286
9.3.2.1. Registros operacionais ........................................................................... 286
9.3.2.2. Inspeção termográfica............................................................................ 286
9.3.2.3. Inspeções visuais ................................................................................... 286

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Informações Técnicas DT-11
9.3.2.4. Limpeza ................................................................................................ 288
9.4. TRANSFORMADORES DE POTÊNCIA (ACIMA DE 5MVA) ........................... 289
9.4.1. Objetivo ........................................................................................................ 289
9.4.2. Etapas em Fábrica ......................................................................................... 290
9.4.2.1. Pressurização para Retirada do Óleo ...................................................... 290
9.4.2.2. Drenagem do Óleo................................................................................. 290
9.4.2.3. Desmontagem das Buchas ..................................................................... 290
9.4.2.4. Desmontagem dos Radiadores ............................................................... 291
9.4.2.5. Desmontagem do Conservador .............................................................. 292
9.4.2.6. Desmontagem das Tubulações e Acessórios .......................................... 293
9.4.2.7. Pressurização para Transporte................................................................ 294
9.4.2.8. Instalação de Instrumentos de Monitoramento de Transporte ................. 296
9.4.2.9. Carregamento ........................................................................................ 297
9.4.3. Transporte de Transformadores ..................................................................... 297
9.4.4. Tipos de Equipamentos de Transporte ........................................................... 298
9.4.5. Recebimento ................................................................................................. 300
9.4.6. Descarga e Manuseio..................................................................................... 301
9.4.7. Tipos de Descarga ......................................................................................... 302
9.4.8. Análise dos Registros de Transporte.............................................................. 303
9.4.8.1. Equipamento tipo registrador de impacto eletrônico............................... 303
9.4.8.2. Equipamento tipo indicador de impacto ................................................. 303
9.4.9. Armazenagem ............................................................................................... 304
9.4.9.1. Transformadores.................................................................................... 304
9.4.9.2. Componentes e acessórios ..................................................................... 304
9.4.10. Montagem do Transformador ........................................................................ 304
9.4.10.1. Equipamentos necessários ..................................................................... 305
9.4.10.2. Limpeza do tanque do transformador..................................................... 305
9.4.10.3. Montagem dos radiadores ...................................................................... 306
9.4.10.4. Montagem do conservador..................................................................... 307
9.4.10.5. Montagem do relê de gás ....................................................................... 309
9.4.10.6. Montagem de buchas secas de porcelana ............................................... 310
9.4.10.7. Montagem de buchas de porcelana capacitiva ........................................ 311
9.4.10.8. Inspeção interna..................................................................................... 312
9.4.10.9. Processo de vácuo.................................................................................. 313
9.4.11. Recebimento do Óleo .................................................................................... 315
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Informações Técnicas DT-11
9.4.11.1. Óleo transportado em tambores.............................................................. 315
9.4.11.2. Óleo transportado caminhão tanque ....................................................... 316
9.4.12. Tratamento do Óleo Isolante.......................................................................... 316
9.4.13. Processo de Enchimento ................................................................................ 317
9.4.14. Aferição do Nível do Óleo............................................................................. 318
9.4.15. Ensaio de Estanqueidade ............................................................................... 319
9.4.16. Ajuste da Bolsa ............................................................................................. 320
9.4.17. Instalação do Secador de Ar .......................................................................... 321
9.4.18. Comissionamento do Transformador............................................................. 322
9.4.18.1. Relação de Instrumentos para Ensaios Elétricos..................................... 322
9.4.18.2. Relação dos Ensaios Elétricos................................................................ 323
9.4.19. Energização do Transformador...................................................................... 323
9.4.20. Registros Operacionais .................................................................................. 324
9.4.21. Manutenção................................................................................................... 324

ANEXO I ............................................................................................................................ 328

ANEXO II ........................................................................................................................... 331

ANEXO III ......................................................................................................................... 335

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Informações Técnicas DT-11

HISTÓRICO

A invenção do transformador de potência, que remonta o fim do século dezenove,


tornou-se possível o desenvolvimento do moderno sistema de alimentação em
corrente alternada, com subestações de potência freqüentemente localizadas a
muitos quilômetros dos centros de consumo (carga). Antes disto, nos primórdios do
suprimento de eletricidade pública, estes eram sistemas de corrente contínua, com a
fonte de geração, por necessidade, localizados próximo do local de consumo.

Indústrias pioneiras no fornecimento de eletricidade foram rápidas em reconhecer os


benefícios de uma ferramenta a qual poderia dispor alta corrente, normalmente obtida
a baixa tensão de saída de um gerador elétrico, e transformá-lo para um determinado
nível de tensão possível de transmiti-la em condutores de dimensões práticos a
consumidores que, naquele tempo, poderiam estar afastados a um quilômetro ou
mais e poderiam fazer isto com uma eficiência e que, para os padrões da época, era
nada menos que fenomenal.

Atualmente, sistemas de transmissão e distribuição de energia são, é claro,


vastamente mais extensos e totalmente dependentes de transformadores os quais,
por si só, são muito mais eficientes que aqueles de um século atrás; dos enormes
transformadores elevadores, transformando, por exemplo, 23,5kV (19.000A) em
400kV, assim reduzindo a corrente a valores práticos de transmissão de 1.200A, ou
então, aos milhares de pequenos transformadores de distribuição, as quais operam
quase continuamente, dia-a-dia, com menor ou maior grau de importância, provendo
suprimento para consumidores industriais ou domésticos.

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Informações Técnicas DT-11
ÍNDICE DE SIGLAS

a = fator de carga
cos Ø = fator de potência
ER = componente resistiva da impedância em %
Ex= componente reativa da impedância em %
Ez = impedância de seqüência positiva do transformador em %
η = rendimento do transformador em %
P = potência fornecida pelo transformador em kW.
Po = perdas no ferro do núcleo magnético em kW.
Pc = perdas no material dos enrolamentos em kW (perdas de carga)
Pt = perdas totais do transformador, em kW
PV é a perda de vida
Sn = potência nominal do transformador em kVA.
∆t é o intervalo de tempo genérico
θe é a de temperatura do ponto mais quente do enrolamento

14
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1. NOÇÕES FUNDAMENTAIS

1.1. TRANSFORMADORES E SUAS APLICAÇÕES

A energia elétrica, até chegar ao ponto de consumo, passa pelas seguintes etapas:

a) geração: onde a energia hidráulica dos rios, a energia do vapor superaquecido,


energia dos ventos ou fóssil combustível é convertida em energia elétrica nos
chamados geradores;

b) transmissão: os pontos de geração normalmente encontram-se longe dos


centros de consumo; torna-se necessário elevar a tensão no ponto de geração,
para que os condutores possam ser de seção reduzida, por fatores econômicos
e mecânicos, e diminuir a tensão próxima do centro de consumo, por motivos
de segurança; o transporte de energia é feito em linhas de transmissão, que
atingem até centenas de milhares de volts e que percorrem milhares de
quilômetros;

c) distribuição: a tensão é diminuída próximo ao ponto de consumo, por motivos


de segurança; porém, o nível de tensão desta primeira transformação não é,
ainda, o de utilização, uma vez que é mais econômico distribuí-la em média
tensão; então, junto ao ponto de consumo, é realizada uma segunda
transformação, a um nível compatível com o sistema final de consumo (baixa
tensão).

A seguir, apresentamos, esquematicamente, um sistema de potência, incluindo


geração, transmissão e distribuição de energia elétrica.

15
Informações Técnicas DT-11

Figura 1.1

16
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1.2. TIPOS DE TRANSFORMADORES

Sendo um equipamento que transfere energia de um circuito elétrico a outro, o


transformador toma parte nos sistemas de potência para ajustar a tensão de saída de
um estágio do sistema à tensão da entrada do seguinte. O transformador, nos
sistemas elétricos e eletromecânicos, poderá assumir outras funções tais como isolar
eletricamente os circuitos entre si, ajustar a impedância do estágio seguinte a do
anterior, ou, simplesmente, todas estas finalidades citadas.

A transformação da tensão (e da corrente) é obtida graças a um fenômeno chamado


“indução eletromagnética”, o qual será detalhado mais adiante.

1.2.1. Divisão dos Transformadores quanto à Finalidade

a) Transformadores de corrente
b) Transformadores de potencial
c) Transformadores de distribuição
d) Transformadores de força

1.2.2. Divisão dos Transformadores quanto aos Enrolamentos

a) Transformadores de dois ou mais enrolamentos


b) Autotransformadores

1.2.3. Divisão dos Transformadores quanto aos Tipos Construtivos

a) Quanto ao material do núcleo:


o com núcleo ferromagnético;
o com núcleo de ar.
b) Quanto a forma do núcleo:
o Shell;
o Core:

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Informações Técnicas DT-11
§ Enrolado: é o mais utilizado no mundo na fabricação de
transformadores de pequeno porte (distribuição), alguns fabricantes
chegam a fazer transformadores até de meia-força (10MVA):
o Envolvido;
o Envolvente.
§ Empilhado:
o Envolvido;
o Envolvente.
c) Quanto ao número de fases:
o monofásico;
o polifásico (principalmente o trifásico).
d) Quanto à maneira de dissipação de calor:
o parte ativa imersa em líquido isolante (transformador imerso);
o parte ativa envolta pelo ar ambiente (transformador a seco).

(a) Tipo Shell (b) Tipo Core Envolvido (c) Tipo Core: Cinco
Colunas Envolvente
Figura 1.2

1.3. COMO FUNCIONA O TRANSFORMADOR

O fenômeno da transformação é baseado no efeito da indução mútua. Veja a Figura


1.3, onde temos um núcleo constituído de lâminas de aço prensadas e onde foram
construídos dois enrolamentos.

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Informações Técnicas DT-11

Figura 1.3

onde:
U1 = tensão aplicada na entrada (primária)
N1 = número de espiras do primário
N2 = número de espiras do secundário
U2 = tensão de saída (secundário)

Se aplicarmos uma tensão U 1 alternada ao primário, circulará por este enrolamento


uma corrente I1 alternada que por sua vez dará condições ao surgimento de um fluxo
magnético também alternado.

A maior parte deste fluxo ficará confinada ao núcleo, uma vez que é este o caminho
de menor relutância. Este fluxo originará uma força eletromotriz (f.e.m.) E1 no primário
e E 2 no secundário, proporcionais ao número de espiras dos respectivos
enrolamentos, segundo a relação:

E1 N 1
= =a 1.1
E2 N 2

onde:
a = razão de transformação ou relação entre espiras.

As tensões de entrada e saída U1 e U 2 diferem muito pouco das f.e.m. induzidas E1 e


E2 e para fins práticos podemos considerar:

19
Informações Técnicas DT-11
U1 N1
= =a 1.2
U2 N2

Podemos também provar que as correntes obedecem à seguinte relação:

I1 ⋅N 1= I 2 ⋅ N 2

ou

I 2 N1
= =a
I1 N 2

onde:
l1 = corrente no primário
l2= corrente no secundário

Quando a tensão do primário U1 é superior a do secundário U2, temos um


transformador abaixador (step down). Caso contrário, terá um transformador elevador
de tensão (step up).

Para o transformador abaixador, a > 1 e para o elevador de tensão, a < 1.

Cabe ainda fazer notar que sendo o fluxo magnético proveniente de corrente
alternada, este também será alternado, tornando-se um fenômeno reversível, ou seja,
podemos aplicar uma tensão em qualquer um dos enrolamentos que teremos a f.e.m.
no outro.

Baseando-se neste princípio, qualquer dos enrolamentos poderá ser o primário ou


secundário. Chama-se de primário o enrolamento que recebe a energia e secundário
o enrolamento que alimenta a carga.

20
Informações Técnicas DT-11

1.4. SISTEMAS ELÉTRICOS

Faremos uma rápida revisão de conceitos e fórmulas de cálculo, envolvidos nos


sistemas elétricos com o objetivo de reativar a memória e retirar da extensa teoria
aquilo que realmente interessa para a compreensão do funcionamento e para o
dimensionamento do transformador.

1.4.1. Sistemas de Corrente Alternada Monofásica

1.4.1.1. Generalidades

A corrente alternada se caracteriza pelo fato de que a tensão, em vez de permanecer


fixa, como entre os pólos de uma bateria, varia senoidalmente com o tempo, mudando
de sentido alternadamente, donde o seu nome. O número de vezes por segundo que
a tensão muda de sentido e volta à condição inicial é a freqüência do sistema,
expressa em “ciclos por segundo” ou “hertz”, simbolizada por “Hz”.

No sistema monofásico, uma tensão alternada U (Volt) é gerada e aplicada entre dois
fios, aos quais se liga a carga, que absorve uma corrente I (Ampère), conforme Figura
1.4.

Figura 1.4

1.4.1.2. Tipos de ligação

Se ligarmos duas cargas iguais a um sistema monofásico, esta ligação poderá ser
feita de dois modos:

21
Informações Técnicas DT-11
§ ligação em série (Figura 1.5): na qual duas cargas são atravessadas pela
corrente total ou de circuito; neste caso, a tensão em cada carga será a
metade da tensão do circuito;
§ ligação em paralelo (Figura 1.6): na qual é aplicada as duas cargas, a tensão
do circuito; neste caso, a corrente em cada carga será a metade da corrente
total do circuito.

Figura 1.5

Figura 1.6

1.4.2. Sistemas de Corrente Alternada Trifásica

O sistema trifásico é formado pela associação de três sistemas monofásicos de


tensões, U1, U 2 e U3 tais que a defasagem entre elas seja 120° e os “atrasos” de U 2 e
U1 em relação a U3 sejam iguais a 120°, considerando um ciclo completo 360°. (Figura
1.7)

Ligando entre si os três sistemas monofásicos e eliminando os fios desnecessários,


teremos um sistema trifásico de tensões defasadas de 120° e aplicadas entre os três

22
Informações Técnicas DT-11
fios do sistema.

Figura 1.7

1.4.2.1. Tipos de ligação

a) Ligação triângulo

Chamamos “tensões e correntes de fase” as tensões e correntes de cada um dos três


sistemas monofásicos considerados, indicados por Uf e I f.

Se ligarmos os três sistemas monofásicos entre si, como indica a Figura 1.8,
podemos eliminar três fios, deixando apenas um em cada ponto de ligação, e o
sistema trifásico ficará reduzido a três fios U, V e W.

Figura 1.8

23
Informações Técnicas DT-11
A tensão em qualquer destes três fios chama-se “tensão de linha”, UL, que é a tensão
nominal do sistema trifásico. A corrente em qualquer um dos fios chama-se “corrente
de linha”, IL.

Examinando o esquema da Figura 1.9, vê-se que:


§ a carga é aplicada a tensão de linha U L que é a própria tensão do sistema
monofásico componente, ou seja, U L = Uf;
§ a corrente em cada fio de linha, ou corrente de linha I L é a soma das correntes
das duas fases ligadas a este fio, ou seja, I = If1 + If2.

Figura 1.9

Como as correntes estão defasadas entre si, a soma deverá ser feita graficamente,
como mostra a Figura 1.10. Pode-se verificar que: I L = I f × 3 = 1,732 × I f

Figura 1.10

Exemplo: Em um sistema trifásico equilibrado de tensão nominal 220V, a corrente de


linha medida é de 10A. Ligando a este sistema uma carga trifásica composta de três

24
Informações Técnicas DT-11
cargas iguais ligadas em triângulo, qual a tensão e a corrente ligada em cada uma
das cargas?

Temos:
U f = U L = 220V , em cada uma das fases

I L = 1,732 × I f ∴ I f = 0,577 × I L = 0,577 × 10 = 5,77 A , em cada uma das cargas

b) Ligação estrela

Ligando um dos fios de cada sistema monofásico a um ponto comum aos três
restantes, forma-se um sistema trifásico em estrela (Figura 1.11). Às vezes o sistema
trifásico em estrela é a “quatro fios” ou “com neutro”.

O quarto fio é ligado ao ponto comum às três fases. A tensão de linha, ou a tensão
nominal do sistema trifásico, e a corrente de linha são definidas do mesmo modo que
na ligação triângulo.

U V W

I1 I2 I3

U f1 U f2 U f3

I f1 I f2 I f3

Figura 1.11

Examinando o esquema da Figura 1.12 vê-se que:

§ a corrente em cada fio da linha, ou corrente da linha IL = I f;


§ a tensão entre dois fios quaisquer do sistema trifásico é a soma gráfica (Figura
1.13) das tensões de duas fases as quais estão ligados os fios considerados,
ou seja: U L = U f × 3 = 1,732 × U f .

25
Informações Técnicas DT-11

Figura 1.12

Figura 1.13

Exemplo: Em uma carga trifásica composta de três cargas iguais, cada carga é feita
para ser ligada a uma tensão de 220V, absorvendo 5,77A. Qual a tensão nominal do
sistema trifásico que alimenta esta carga em suas condições normais (220V e 5,77A)
e qual a corrente de linha?

Temos:
U f = 200V , em cada uma das cargas

U L = 1,732 × 220 = 380V

I L = I f = 5,77 A

c) Ligação zig-zag

Este tipo de ligação é preferível onde existem desequilíbrios acentuados de carga.

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Informações Técnicas DT-11
Cada fase do secundário, compõe-se de duas bobinas dispostas cada uma sobre
colunas diferentes, ligadas em série, assim a corrente de cada fase do secundário
afeta sempre por igual as duas fases do primário.

Na Figura 1.14 temos um diagrama mostrando as ligações e os sentidos das


correntes em cada enrolamento. Na Figura 1.15 temos o diagrama fasorial da ligação
zig-zag.

Figura 1.14

Figura 1.15

O transformador torna-se mais caro, principalmente pelo aumento de 15,5% no


volume de cobre e pela complexidade de sua montagem.

Além de atenuar a 3 ª harmônica, oferece a possibilidade de 3 tensões: 220/127V,


380/220V e 440/254V.
27
Informações Técnicas DT-11

Supondo tensões de linha para V1 = 220/127V. (Figura 1.16)

Figura 1.16

VZZ = V1∠60 o + V1 ∠0 o onde V2 = V1 ∠0 o

VZZ = 127,017∠60 o + 127,017


VZZ = 190,527 + j110

VZZ = 220∠30 o (tensão de fase)

VZZ ( L ) = 220 × 3 = 380V

Desta maneira com dois enrolamentos em ligação zig-zag, conseguimos 380/220V.

Para obtermos 220/127V ligamos em paralelo às duas bobinas de uma mesma coluna
e para 440/254V ligamos as bobinas em série.

1.4.2.2. Autotransformador

Possui estrutura magnética semelhante aos transformadores normais, diferenciando-


se apenas na parte elétrica, isto é, os enrolamentos do primário e secundário
possuem certo número de espiras em comum, Figura 1.17.

28
Informações Técnicas DT-11

Figura 1.17

P P
I1 = I2 =
V1 V2

I = I 2 − I1

A relação entre a tensão superior e a tensão inferior não deve ser superior a 3. É
reversível, pode ser abaixador ou elevador. Quando tiver várias tensões, é dotado de
painel de religação, comutador de derivações ou as diversas saídas podem ser
conectadas diretamente nas buchas.

O autotransformador trifásico é realizado com agrupamento das fases em estrela.

Vantagens:
§ Deslocamento angular AT e BT são sempre nulos;
§ Possibilidade de ligação do centro a terra, a fim de eliminar o perigo de
sobretensões com respeito a terra linha BT.
§ Quanto menor a relação entre a tensão superior e a tensão inferior, maior a
vantagem econômica entre autotransformador e transformador.

29
Informações Técnicas DT-11

1.5. POTÊNCIAS

Em um sistema elétrico, temos três tipos de potências: potência aparente, ativa e


reativa.

Estas potências estão intimamente ligadas de tal forma que constituem um triângulo,
o chamado “triângulo das potências” (Figura 1.18).

Figura 1.18

onde:
S = potência aparente, expressa em VA (Volts-Ampère)
P = potência ativa ou útil, expressa em W (Watt)
Q = potência reativa, expressa em VAr (Volt Ampère reativa)
Ø = ângulo que determina o fator de potência.

1.5.1. Potência Ativa ou Útil

É a componente da potência aparente (S) que realmente é utilizada em um


equipamento na conversão da energia elétrica em outra forma de energia.

Em um sistema monofásico:

P = U ⋅ I ⋅ cos Ø [W] 1.3

Em um sistema trifásico:

P = 3 ⋅ U f ⋅ I f ⋅ cos Ø [W] 1.4

30
Informações Técnicas DT-11
ou
P = 3 ⋅ U L ⋅ I L ⋅ cos Ø [W] 1.5

1.5.2. Potência Reativa

É a componente da potência aparente (Q) que não contribui na conversão de energia.

Em um sistema monofásico:

Q = U ⋅ I ⋅ sen Ø [VAr] 1.6

Em um sistema trifásico:

Q = 3 ⋅ U f ⋅ I f ⋅ sen Ø [VAr] 1.7

ou
Q = 3 ⋅ U L ⋅ I L ⋅ sen Ø [VAr] 1.8

1.5.3. Potência Aparente

É a soma vetorial da potência útil e a reativa, e define o dimensionamento dos


condutores, transformadores, equipamentos de proteção e de manobra. É uma
grandeza que, para ser definida, precisa de módulo e ângulo, características do vetor.

Módulo: S = P 2 + Q 2 1.9

Q 
Ângulo: Ø = arctg   1.10
P

Aqui podemos notar a importância do fator de potência. É definido como:

P
fp = cos Ø = 1.11
S

31
Informações Técnicas DT-11
Um transformador é dimensionado pela potência aparente (S) e por aí se nota a
importância da manutenção de um fator de potência elevado numa instalação. O
baixo fator de potência causa sérios problemas às instalações elétricas, entre as
quais podem ser destacados: sobrecargas nos cabos e transformadores, crescimento
da queda de tensão, redução do nível de luminosidade, aumento das perdas no
sistema de alimentação.

Além disto, as concessionárias de energia cobram pesadas multas sobre a tarifa de


energia para aqueles que apresentarem fator de potência inferior a 0,92, tanto
indutivo quanto capacitivo.

Em um sistema monofásico:

S =U ⋅I [VA] 1.12

Em um sistema trifásico:

S = 3 ⋅U f ⋅ I f [VA] 1.13

ou
S = 3 ⋅ U L ⋅ I L [VA] 1.14

Outras relações importantes:

P
S= [VA] 1.15
cos Ø
Q
S= [VA] 1.16
sen Ø

A seguir, introduzimos uma tabela prática (Tabela 1.1), para determinação dos valores
de tensão, corrente, potência e fator de potência de transformadores em função do
tipo de ligação.

32
Informações Técnicas DT-11
Tabela 1.1
Determinação Estrela Triângulo Zig-Zag
Tensão de Linha UL UL UL

Tensão no UL UL
UL
Enrolamento 3 3
Corrente de Linha IL IL IL

Corrente de IL
IL IL
Enrolamento 3

Ligações dos
Enrolamentos

Esquemas

Potência Aparente kVA S = 3 ⋅U f ⋅ I f = 3 ⋅U L ⋅ I L

Potência Ativa kW P = 3 ⋅ U f ⋅ I f ⋅ cos Ø = 3 ⋅ U L ⋅ I L ⋅ cos Ø

Potência Reativa kVAr Q = 3 ⋅ U f ⋅ I f ⋅ sen Ø = 3 ⋅ U L ⋅ I L ⋅ sen Ø

cos Ø1 = cos Ø 2 ⋅ (100 − eu ) − er (*)


Fator de Potência do
Primário
Fator de Potência do
Do projeto de instalação (cosØ 2)
Secundário
(*) ey = Tensão de curto -circuito
er = componente da tensão de curto -circuito

33
Informações Técnicas DT-11
Exemplo: Cálculo da potência aparente requerida por dois equipamentos com fator de
potência (cosØ)

APARELHO 1 APARELHO 2

P = 1000W P = 1000W
cos Ø = 0,5 cos Ø = 0,92
P P
cos Ø = cos Ø =
S S

1000
APARELHO 1 : S= = 2000VA
0,5

1000
APARELHO 2 : S= = 1087VA
0,92

CONCLUSÃO:

Verificamos que o equipamento 2 que possui o maior fator de potência requer apenas
1.087VA, enquanto que o equipamento 1 requer 2.000VA de potência aparente.

Um transformador é dimensionado pela potência aparente (S), e por aí nota-se a


importância da manutenção de um fator de potência elevado em uma instalação.

34
Informações Técnicas DT-11

2. DEFINIÇÕES IMPORTANTES E NORMALIZAÇÃO

2.1. POTÊNCIA NOMINAL

Entende-se por potência nominal de um transformador, o valor convencional de


potência aparente. Serve de base ao projeto, aos ensaios e às garantias do fabricante
e determina o valor da corrente nominal que circula, sob tensão nominal, nas
condições especificadas na respectiva norma.

2.1.1. Transformadores Trifásicos

A potência nominal de um transformador trifásico é a potência aparente definida pela


expressão:

Un ⋅ In ⋅ 3
Potência nominal = [kVA] 2.1
1000

2.1.2. Transformadores Monofásicos

A potência nominal de um transformador monofásico é a potência aparente definida


pela expressão:

Un ⋅ In
Potência nominal = [kVA] 2.2
1000

2.1.3. Potências Nominais Normalizadas

As potências nominais em kVA, normalizadas pela ABNT (NBR 5440), dos


transformadores de distribuição para instalação em postes e plataformas, são as
seguintes:

a) transformadores monofásicos para instalação em postes: 5, 10, 15, 25, 37.5,


50, 75 e 100kVA;

35
Informações Técnicas DT-11

b) transformadores trifásicos para instalação em postes 15, 30, 45, 75, 112.5 e
150kVA;
c) transformadores trifásicos para instalação em postes ou plataformas: 225 e
300kVA.

As potências nominais em kVA, normalizadas pela ABNT (NBR 12454 e NBR 9369),
para transformadores de potência, são as seguintes: 225, 300, 500, 750, 1.000, 1.500,
2.000, 2.500, 3.000, 3.750, 5.000, 7.500, 10.000, 15.000, 25.000, 30.000.

Quando de transformadores providos de um ou mais estágios de resfriamento


forçado, entende-se como potência nominal o último estágio.

Recomenda-se a escolha de um destes valores, pois os fabricantes já possuem


projetos prontos para os mesmos, o que reduz os custos e o tempo de entrega dos
referidos transformadores.

Os transformadores com potências superiores a 40MVA não são normalizados, e


dependem da solicitação do cliente.

2.2. TENSÕES

2.2.1. Definições

Tensão Nominal (Un): É a tensão para a qual o enrolamento foi projetado.

Tensão a Vazio (Uo): É a tensão entre os bornes do secundário do transformador


energizado, porém sem carga.

Tensão sob Carga: (Uc): É a tensão entre os bornes do secundário do transformador,


estando o mesmo sob carga, correspondente a sua corrente nominal. Esta tensão é
influenciada pelo fator de potência (cosØ)

36
Informações Técnicas DT-11

Regulação: É a variação entre a tensão a vazio e sob carga e sob determinado fator
de potência.

Tensão Superior (TS): É a tensão correspondente à tensão mais alta em um


transformador. Pode ser tanto referida ao primário ou secundário, conforme o
transformador seja abaixador ou elevador.

Tensão Inferior (TI): É a tensão correspondente à tensão mais baixa em um


transformador. Pode ser também referida ao primário ou secundário, conforme o
transformador seja elevador ou abaixador.

Tensão de Curto-circuito (U cc): Comumente chamada de impedância, é a tensão


expressa, usualmente, em porcentagem (referida a 75°C) em relação a uma
determinada tensão, que deve ser ligada aos terminais de um enrolamento para obter
a corrente nominal no outro enrolamento, cujos terminais estão curto- circuitados.

A tensão de curto-circuito medida deve manter-se dentro de ± 7,5% de tolerância, em


relação ao valor declarado pelo fabricante.

Nas Tabelas 4.2 e 4.3 encontraremos os valores de impedância (coluna 5) para os


transformadores que trata este manual.

Impedância de Seqüência Zero (Z0): É a impedância, por fase e sob freqüência


nominal, entre os terminais de linha de um enrolamento polifásico em estrela ou zig-
zag, interligados e o terminal de neutro. Seu valor depende do tipo de ligação.

É necessário conhecer a impedância de seqüência zero para o estudo de circuitos


polifásicos desequilibrados (curto-circuito) e é somente levada em consideração em
transformadores delta-estrela (zig-zag) aterrado ou estrela-estrela (zig-zag)
duplamente aterrado.

37
Informações Técnicas DT-11

2.2.2. Escolha da Tensão Nominal

2.2.2.1. Transformadores de distribuição

Tabela 2.1 - Transformadores sem derivações

Tensão Tensão [V]


máxima do Primário Secundário
equipamento
Trifásico e Monofásico
kVeficaz Trifásico Monofásico
monofásico (FF) (FN)
13800 7967
15
13200 7621 Dois terminais: 220 ou 127
380/220
23100 13337
24,2 ou
22000 12702 Três terminais: 440/220, 254/127,
220/127
34500 19919 240/120 ou 230/115
36,2
33000 19053
NOTA: FF = tensão entre fases
FN = tensão entre fase e neutro

Tabela 2.2 - Derivações e relações de tensões


Tensão [V]
Tensão máxima Primário Secundário
o
do equipamento Derivação n Trifásico e
Monofásico
kVeficaz monofásico Trifásico Monofásico
(FN)
(FF)

1 13800 7967
Dois
15 2 13200 7621
3 12600 7275 terminais: 220
ou 127
1 23100 13337 380/220
24,2 2 22000 12702 ou Três
3 20900 12067 220/127 terminais:
440/220,254/1
1 34500 19919 27, 240/120
36,2 2 33000 19043 ou 230/115
3 31500 18187

NOTA: FF = tensão entre fases


FN = tensão entre fase e neutro

38
Informações Técnicas DT-11

2.2.2.2. Transformador de distribuição a ser instalado no domínio de uma


concessionária.

A concessionária de energia elétrica possui norma própria. As tensões serão,


portanto, definidas pela mesma.

Exemplo:

AMPLA:
AT: 13.800 – 13.200 – 12.600 – 12.000 – 11.400 – 10.800V
BT: 220/127V

RGE:
AT: 13.800 – 13.200 – 12.600V ou
23.100 – 22.000 – 20.900V
BT: 380/220V ou 220/127V

Existem concessionárias que quando do fornecimento de transformadores ao


mercado particular exigem que estes sejam construídos e ensaiados em atendimento
integral as suas normas. Recomenda-se verificar esta particularidade com a
concessionária local antes da aquisição dos transformadores.

2.2.2.3. Transformador para uso industrial.

Em uma indústria poderemos ter três ou até quatro níveis de tensão:

§ Subestações de entrada:
o Primário - 72,5kV - 138kV ou 230kV;
o Secundário - 36,2kV - 24,2kV ou 13,8kV.

§ Subestações de distribuição:
o Primário - 36,2kV - 24,2kV ou 13,8kV;
o Secundário - 440/254V, 380/220V ou 220/127V.

39
Informações Técnicas DT-11
Quando a potência dos transformadores for superior a 3MVA não se recomenda
baixar a tensão diretamente para tensão de uso, pois os mesmos tornam-se muito
caros devido às altas correntes. Recomenda-se baixar para uma média tensão, ou
seja, 6,9kV, 4,16kV ou 2,4kV e, próximo aos centros de carga rebaixar novamente
para as tensões de uso.

Ainda um caso particular de nível de tensão primária deve ser comentado. Existem
algumas regiões onde o nível de tensão de distribuição está sendo alterado. Neste
caso, a concessionária avisa o interessado, que a tensão atual passará a outro nível
dentro de um determinado período de tempo; logo, o transformador a ser instalado
deverá ser capaz de operar em duas tensões primárias, para evitar a necessidade de
aquisição de novo equipamento quando da alteração. Estes transformadores
especiais são chamados de religáveis.

A escolha da tensão do secundário depende de vários fatores. Dentre eles


destacamos:

a) econômicos, a tensão de 380/220V requer seções menores dos condutores


para uma mesma potência;
b) segurança, a tensão de 220/127V é mais segura com relação a contatos
acidentais.

De uma forma geral, podemos dizer que para instalações onde equipamentos como
motores, bombas, máquinas de solda e outras máquinas constituem a maioria da
carga, deve-se usar 380/220V e para instalações de iluminação e força de residências
deve-se adotar 220/127V. Na NBR 5440 da ABNT encontramos a padronização das
tensões primárias e secundárias.

2.3. DERIVAÇÕES

Para adequar a tensão primária do transformador à tensão de alimentação, o


enrolamento primário, normalmente o de TS, é dotado de derivações (taps), que
podem ser escolhidos mediante a utilização de um painel de ligações ou comutador,

40
Informações Técnicas DT-11
conforme projeto e tipo construtivo, instalados junto à parte ativa, dentro do tanque.
Este aparato, na maioria dos transformadores de baixa potência, deve ser manobrado
com o transformador desconectado da rede de alimentação.

Em geral o valor da tensão primária, indicada pela concessionária constitui o valor


médio entre aqueles que efetivamente serão fornecidos durante o exercício.

2.3.1. Definições

Derivação principal: Derivação a qual é referida a característica nominal do


enrolamento, salvo indicação diferente à derivação principal é:

a) no caso de número ímpar de derivações, a derivação central;


b) no caso de número par de derivações, aquela das duas derivações centrais
que se acha associada ao maior número de espiras efetivas do enrolamento;
c) caso a derivação determinada segundo ”a” ou “b” não seja de plena potência, a
mais próxima derivação de plena potência.

Figura 2.1

41
Informações Técnicas DT-11
Derivação superior: Derivação cujo fator de derivação é maior do que 1.

Derivação inferior: Derivação cujo fator de derivação é menor do que 1.

Degrau de derivação: Diferença entre os fatores de derivação, expressos em


percentagem, de duas derivações adjacentes.

Faixa de derivações: Faixa de derivação do fator de derivação, expresso em


percentagem e referido ao valor 100. A faixa de derivações é expressa como segue:

a) se houver derivações superiores ou inferiores:


+ a %, - b % ou + a % (quando a = b);
b) se houver somente derivações superiores:
+ a %;
c) se houver somente derivações inferiores:
- b %.

A Figura 2.1 é a representação esquemática de um enrolamento trifásico com três


derivações e a forma de suas conexões.

Tabela 2.3
Posições do comutador 1 2 3
10-7 7-13 13-4
Comutador conecta os pontos 11-8 8-14 14-5
12-9 9-15 15-6
Tensão em cada derivação UN + a% UN UN - b%
Percentual de variação por degrau a b

Tabela 2.4
Derivação Derivação Derivação Degrau de
Classe
Superior Principal Inferior Derivação
15 13800 13200 12600 + 4,5
24,2 23100 22000 20900 + 5%
36,2 34500 33000 31500 + 4,5

42
Informações Técnicas DT-11

2.4. CORRENTES

2.4.1. Corrente Nominal

A corrente nominal (In) é a corrente para a qual o enrolamento foi dimensionado, e


cujo valor é obtido dividindo-se, a potência nominal do enrolamento pela sua tensão
nominal e pelo fator de fase aplicável (1 para transformadores monofásicos e 3 para
transformadores trifásicos).

2.4.2. Corrente de Excitação

A corrente de excitação ou a vazio (I o) é a corrente de linha que surge quando em um


dos enrolamentos do transformador é ligada a sua tensão nominal e freqüência
nominal, enquanto os terminais do outro enrolamento (secundário) sem carga,
apresentam a tensão nominal.

A corrente de excitação é variável conforme o projeto e tamanho do transformador,


atingindo valores percentuais mais altos quanto menor for a potência do mesmo.

A corrente de excitação, conforme Figura 2.2 apresenta as suas componentes ativa e


reativa, que se determinam pelas seguintes expressões:

Figura 2.2
I p = I o ⋅ cos Ø 0
2.3
I q = I o ⋅ sen Ø 0

43
Informações Técnicas DT-11
sendo:
Po
cos Ø = 2.4
V ⋅ Io

A componente reativa originada pela magnetização representa mais que 95% da


corrente total, de forma que uma igualdade de I q com l o leva somente a um pequeno
erro.

Em transformadores trifásicos normais, Io não é idêntico nas três fases, em virtude do


caminho mais longo no ferro, relativo às fases externas. Por isso Io referente a fase
central é menor que das outras.

Devido ao fato acima, o valor de Io fornecido pelo fabricante, representa a média das
três fases e é expresso em porcentagem da corrente nominal.

2.4.3. Corrente de Curto-Circuito

Em um curto-circuito no transformador, é preciso distinguir a corrente permanente


(valor efetivo) e a corrente de pico (valor de crista).

2.4.3.1. Corrente de curto-circuito permanente

Quando o transformador, alimentado no primário pela sua tensão e freqüência


nominal e o secundário estiver curto-circuitado nas três fases, haverá uma corrente de
curto-circuito permanente, que se calcula pela seguinte expressão:

IN
I cc ( CA ) = ⋅100 2.5
E Z (%)

onde:
IN = corrente nominal
Ez = impedância a 75°C (%)

44
Informações Técnicas DT-11
A intensidade e a duração máxima da corrente de curto, que deve suportar o
transformador, são normalizadas.

A duração da corrente de curto-circuito simétrica, a ser utilizada no cálculo da


capacidade térmica de suportar curto-circuitos, é 2s, salvo especificação diferente.

Para autotransformadores e transformadores com correntes de curto-circuito superior


a 25 vezes a corrente nominal, pode ser adotada uma duração de corrente de curto-
circuito inferior a 2s, mediante acordo entre fabricante e comprador.

2.4.3.2. Corrente de curto-circuito de pico

Entende-se como corrente de curto-circuito de pico, o valor máximo instantâneo da


onda de corrente, após a ocorrência do curto-circuito.

Esta corrente provoca esforços mecânicos elevados e é necessário que os


enrolamentos estejam muito bem ancorados por cuidadosa disposição de cabos e
amarrações para tornar o conjunto rígido.

Enquanto a corrente de pico afeta o transformador em sua estrutura mecânica, a


corrente permanente afeta de forma térmica.

Os esforços mecânicos advindos da corrente de curto são mais acentuados em


transformadores de ligação zig-zag, porque somente a metade de cada enrolamento
de fase é percorrido pela corrente induzida de outra fase.

2.4.4. Corrente de Partida ou Inrush

É o valor máximo da corrente de excitação (Io) no momento em que o transformador é


conectado à linha (energizado). Ela depende das características construtivas do
mesmo.

45
Informações Técnicas DT-11
A corrente de partida é maior quanto maior for a indução usada no núcleo e maior
quanto menor for o transformador. O valor máximo varia em média de 4 a 20 vezes a
corrente nominal.

O fabricante deverá ser consultado para se saber o seu valor. Costuma-se admitir seu
tempo de duração em torno de 0,1s (após a qual a mesma já desapareceu).

2.5. FREQUÊNCIA NOMINAL

Freqüência nominal é a freqüência da rede elétrica de alimentação para a qual o


transformador foi projetado.

No Brasil todas as redes apresentam a freqüência de 60Hz, de forma que os


equipamentos elétricos são projetados para esta mesma freqüência. Existem muitos
países onde a freqüência nominal padrão é 50HZ, como Argentina, Uruguai,
Paraguai, etc.

2.6. NÍVEL DE ISOLAEMENTO

O nível de isolamento dos enrolamentos deve ser escolhido entre os valores


indicados na Tabela 2.5 (NBR 5356).

A escolha entre as tensões suportáveis nominais, ligadas à dada tensão máxima do


equipamento da tabela acima, depende da severidade das condições de sobretensão
esperadas no sistema e da importância da instalação.

Na NBR 6939, os valores escolhidos devem ser claramente indicados na


especificação ou solicitação de oferta.

46
Informações Técnicas DT-11

Tabela 2.5 - Níveis de isolamento para tensão máxima igual ou inferior a 242kV

Tensão suportável nominal de


Tensão máxima
impulso atmosférico Tensão suportável nominal à freqüência
do equipamento
industral, durante 1 min. e tensão induzida
kV (eficaz) Pleno Cortado
kV (eficaz)
kV (crista) kV (crista)
1 2 3 4

0,6 4
1,2 10

40 44
7,2 20
60 66
95 105
15 34
110 121
125 138
24,2 50
150 165
150 165
36,2 170 187 70
200 220
72,5 350 385 140
380 418 150
92,4
450 495 185
450 495 185
145 550 605 230
650 715 275
750 825 325
242 850 935 360
950 1045 395

2.7. DESLOCAMENTO ANGULAR

Em transformadores trifásicos, os enrolamentos de cada fase são construídos


trazendo intrinsecamente o conceito de polaridade, isto é, isolando-se eletricamente
cada uma das fases, podemos realizar o teste de polaridade do mesmo modo que
para os transformadores monofásicos. No entanto tal procedimento torna-se pouco
prático, além do mais, não nos informa a maneira como estão interligados os
enrolamentos.

Assim uma nova grandeza foi introduzida, o “deslocamento angular” que é o ângulo
que define a posição recíproca entre o triângulo das tensões concatenadas primárias
e o triângulo das tensões concatenadas secundárias e será medido entre fases.

47
Informações Técnicas DT-11
De uma maneira prática: seja o transformador ligado na configuração mostrada na
Figura 2.3.

Figura 2.3

Traçamos os diagramas vetoriais de tensão do transformador, Figura 2.4. Tomando o


fasor de AT como origem, determinamos o deslocamento angular através dos
ponteiros de um relógio cujo ponteiro grande (minutos) se acha parado em 12
coincide com o fasor da tensão entre o ponto neutro (real ou imaginário) e um terminal
de linha do enrolamento de alta tensão e cujo ponteiro pequeno (horas) coincide com
o fasor da tensão entre o ponto neutro (real ou imaginário e o terminal de linha
correspondente do enrolamento considerado).

X1
H1

X2

H3 H2 X3

Figura 2.4

Para os transformadores de que tratamos nesta especificação, o mais comum é a


utilização da ligação triângulo na alta tensão e estrela na baixa (designado por Dy).

48
Informações Técnicas DT-11
Quando ao deslocamento angular, o normal é de 30° para mais ou menos (avanço ou
atraso), cujas designações são Dy11 e Dy1.

As demais ligações e deslocamentos angulares não requerem nenhum cuidado


especial e podem ser facilmente fornecidas.

A Tabela 2.6 mostra designação de ligações de transformadores trifásicos de uso


generalizado, e o correspondente deslocamento angular.

Os diagramas de ligação pressupõem igual sentido de bobinagem para todos os


enrolamentos.

A Figura 2.5 mostra o defasamento do exemplo, usando indicação horária de fasores,


o deslocamento no caso é Dy5, ou seja, 150°.

Figura 2.5

49
Informações Técnicas DT-11
Tabela 2.6 – Deslocamento angular

50
Informações Técnicas DT-11
Tabela 2.6 – Deslocamento angular (continuação)

2.8. IDENTIFICAÇÃO DOS TERMINAIS

Junto aos terminais (buchas) encontramos uma identificação, pintada, ou marcada em


baixo relevo na chapa do tanque, constituída de uma letra e um algarismo. As letras

51
Informações Técnicas DT-11
poderão ser duas, H ou X. Os terminais marcados em H são os de alta tensão e os
marcados com X são de baixa tensão. Os algarismos poderão ser 0, 1, 2 e 3
correspondendo, respectivamente, ao terminal de neutro e ao das fases, 1, 2 e 3.
Portanto, as combinações possíveis são H0, H1, H2, H3 e X0, X1, X2 X3.

A disposição dos terminais no tanque é normalizada, de tal forma, que se olharmos o


transformador pelo lado de baixa tensão, encontraremos mais a esquerda um terminal
X acompanhado de menor algarismo daqueles que identificam este enrolamento (por
exemplo: X0 ou X1). Consequentemente, ao olharmos o transformador pelo lado da
alta tensão, encontraremos o terminal H1 mais a direita.

Para uma melhor compreensão, observe as Figuras 2.6 a 2.10. Nestas figuras
encontramos também o esquema de ligação dos transformadores à rede de
alimentação e à carga.

Na Figura 2.11 encontramos a título de ilustração, transformadores monofásicos


ligados em banco, de modo a formar um equivalente trifásico. Este tipo de ligação
apresenta a vantagem da manutenção e operação, quando danificar uma fase, basta
trocar um dos transformadores por um de reserva, com menor tempo de parada, caso
existir o de reserva à disposição. Porém, a desvantagem está no capital inicial
empregado em 3 ou 4 transformadores monofásicos ao invés de 2 transformadores
trifásicos de potência equivalente a custo menor.

H1

X1 X2

Figura 2.6 – Transformador monofásico FN


(1 Bucha de AT e 2 Buchas de BT)
52
Informações Técnicas DT-11

H1

X2
X1 X3

Figura 2.7 – Transformador monofásico FN


(1 Bucha de AT e 3 Buchas de BT)

H1 H2

X1 X2

Figura 2.8 – Transformador monofásico FF


(2 Buchas de AT e 2 Buchas de BT)

53
Informações Técnicas DT-11

H1 H2

X2
X1 X3

Figura 2.9 – Transformador monofásico FF


(2 Buchas de AT e 3 Buchas de BT)

Figura 2.10 – Transformador trifásico FF


(3 Buchas de AT e 4 Buchas de BT)

54
Informações Técnicas DT-11

Figura 2.11 – Transformadores monofásicos ligados em banco trifásico Dyn

55
Informações Técnicas DT-11

3. SELEÇÃO DOS TRANSFORMADORES

3.1. DETERMINAÇÃO DA POTÊNCIA DO TRANSFORMADOR

No projeto de uma instalação elétrica, os critérios de dimensionamento dos


equipamentos e condutores assumem uma importância vital, uma vez que envolvem
os dois principais fatores que estão na base do projeto, ou seja, a funcionalidade e o
custo.

É evidente que um projeto superdimensionado pode também ser funcional, uma vez
que não venha superar certos limites, além dos quais podem sobrevir efeitos
negativos, porém o custo resultante não pode ser justificado.

Portanto, é necessário chegar a estabelecer um ponto de interseção entre


funcionalidade e custo, de tal modo que satisfaça a parte técnica e a econômica,
tendo presente que um bom técnico, é aquele que consegue projetar ou construir uma
instalação completamente funcional de maneira econômica.

No que diz respeito aos transformadores, onde se quer chegar a um valor de


potência, de um ou mais deles, a serem instalados, se faz necessário que o projetista
tenha em mente claramente o conceito de fator de demanda, de modo que, partindo
dos valores de potência dos equipamentos alimentados pelo transformador, possa
chegar a estabelecer, com conhecimento de causa, o valor de demanda máxima (ou
da potência de alimentação) absorvível pela planta, e, portanto, definir de modo
econômico, o dimensionamento dos transformadores.

3.2. FATOR DE DEMANDA (d)

Entende-se por fator de demanda (d) como a razão da demanda máxima total (Dmt) da
instalação para a respectiva potência instalada (Pt) e é definido para um ponto de
distribuição. Portanto conhecendo-se:

56
Informações Técnicas DT-11
DMT
d= 3.1
PT

Podemos determinar qual a potência do transformador através de Dmt , sendo


conhecida a potência instalada.

3.2.1. Determinação da Demanda Máxima de um Grupo de Motores

Dado um grupo de n motores (com n maior ou igual a 10) de diversas potências.


Procedemos da seguinte maneira:

a) Determina-se a potência nominal de cada motor em kVA

3 ⋅ I ⋅V
Pnom = [kVA] 3.2
1000

sendo:
Pnom = potência nominal de cada motor
I = corrente absorvida pelo motor em A (retirada pelo catálogo do fabricante)
V = tensão de alimentação dos motores

b) Determina-se a potência instalada: a potência instalada (Pinst) será o somatório


das potências nominais de cada motor.

c) Determina-se o número de motores n’ cujas potências nominais, calculadas


pelo item 1 sejam maiores ou iguais que a metade da potência nominal do
maior motor.

d) Calculam-se as relações:

n'
N= 3.3
n
P ' inst
P= 3.4
Pinst

57
Informações Técnicas DT-11

sendo:
n’ = somatória dos motores
n = número total de motores
Pinst = potência instalada dos n’ motores

e) Com N e P iremos a Tabela 3.4 obtendo o fator de demanda (G) para a


instalação.

f) Calcula-se a demanda máxima por:

DM = G ⋅ Pinst 3.5

Obs.: Este critério apresentado é empírico, pois dependendo da instalação


todos os motores operarão juntos, o que nos dará um G = 1.

Considera-se sempre como 100% a demanda do maior motor, ou dependendo


dos maiores motores.

Exemplo: Determinar a demanda máxima do grupo de motores indicados na Tabela


3.1:
Tabela 3.1
I II III
No. cv kVA Pinst [kVA]
2 75 72,40 144,8
5 30 28,58 142,9
8 15 16,39 131,1
20 5 5,72 114,4
30 1,5 2,13 64,0
65 597,2

Na tabela obtemos:
n = 65
Pinst = 597,2

58
Informações Técnicas DT-11
Consideramos o maior motor com demanda de 100% (kVA), sendo o valor dividido
por dois. Para determinar n’ o número de motores cujas as potências, sejam maiores
ou iguais que a metade da potência nominal do maior motor.

72, 40
= 36, 2kVA
2

Será:
n’ = 8+5 = 13

Aos quais corresponde uma potência instalada:

P’inst = 142,9 + 131,1 = 274kVA

Calculamos as relações:

n ' 13
N= = = 0,2
n 65

P ' inst 274


P= = 0,458
Pinst 597,2

Na Tabela 3.4 com N = 0,2 e P = 0,50 obteremos:

G = 0,64

A demanda máxima será:

DM = [0,64 × (597,2 − 144,8)] + 144,8


DM = 434,3kVA

Nota: Através do item 1 obtemos os valores DM [kVA].

59
Informações Técnicas DT-11

3.2.2. Determinação da Demanda Máxima da Instalação

Com o auxílio das tabelas 3.2, 3.3, 3.4, 3.8 e da fórmula a seguir, pode-se calcular a
demanda máxima da instalação, que por sua vez definirá a potência do
transformador:

Dmt = A + B + C + D + E

sendo:
A = manda da potência para iluminação e tomadas, conforme Tabela 3.7.
B = emanda de todos os aparelhos de aquecimento (chuveiros, aquecedores,
fornos, fogões, etc.) calculada conforme Tabela 3.8 onde se deve diversificar a
demanda por tipo de aparelho.
C = demanda de aparelhos de ar condicionado calculado conforme Tabela 3.2.
D = demanda dos motores elétricos conforme item 3.2.1.
E = demanda individual das máquinas de solda a transformador, calculada
conforme Tabela 3.3.

Em todos os casos, no cálculo da demanda, o fator de potência e o rendimento


devem ser considerados.

3.3. CONSIDERAÇÕES SOBRE O USO DAS TABELAS

Os valores encontrados nas tabelas devem ser compreendidos como referidos aos
casos mais freqüentes e devem ser usados quando na falta de algum dado
informativo.

É natural que o técnico, antes de recorrer às tabelas, se informe sobre os ciclos


usuais de funcionamento e faça quanto mais possível, com que se aproximem os
valores dos fatores com a realidade do caso que deve resolver.

60
Informações Técnicas DT-11
3.4. CRITÉRIOS DE ESCOLHA DOS TRANSFORMADORES COM BASE NO
VALOR OBTIDO NA DEMANDA

Uma vez descoberto o valor da demanda absorvida pela instalação, devemos


escolher o transformador ou os transformadores a serem instalados. Os principais
critérios de escolha são:

a) eventuais aumentos de potência instalada;


b) conveniência da subdivisão em mais unidades;
c) potência nominal normalizada.

Tabela 3.2 - Fatores de demanda de condicionadores de ar


Número de Aparelhos Fator de Demanda [%]
1 a 10 100
11 a 20 86
21 a 30 80
31 a 40 78
41 a 50 75
51 a 75 70
76 a 100 65
Acima de 100 60

Tabela 3.3 - Demanda individual das máquinas de solda a transformador


Solda a Arco
Fator de Demanda [%]
Número de Aparelhos
1º e 2 º maior aparelho 100
º
3 aparelho 85
º
4 aparelho 70
soma dos demais aparelhos 60
solda à resistência
maior aparelho 100
soma dos demais aparelhos 60

61
Informações Técnicas DT-11
Tabela de motores IP54, IP(W) 55 e químico - divisão II
* Vide catálogo de motores trifásicos.
Tabela 3.4 - Fatores de demanda de grupos de motores
P
N 0,10 0,15 0,20 0,25 0,30 0,35 0,40 0,45 0,50 0,55 0,60 0,65 0,70 0,75 0,80 0,85 0,90 0,95 1,00

0,005 0,34 0,18 0,11 0,073 0,051 0,039 0,030 0,024 0,019 0,016 0,013 0,011 0,010 0,009 0,007 0,007 0,006 0,005 0,005

0,01 0,52 0,32 0,20 0,14 0,10 0,076 0,059 0,047 0,037 0,031 0,026 0,023 0,019 0,017 0,015 0,013 0,012 0,011 0,009

0,02 0,71 0,51 0,36 0,26 0,19 0,14 ,011 0,09 0,07 0,06 0,05 0,04 0,04 0,03 0,03 0,03 0,02 0,02 0,02

0,03 0,81 0,64 0,48 0,36 0,27 0,21 0,16 0,13 0,11 0,09 0,08 0,07 0,06 0,05 0,04 0,04 0,04 0,03 0,03

0,04 0,86 0,72 0,57 0,44 0,34 0,27 0,22 0,18 0,15 0,12 0,10 0,09 0,08 0,07 0,06 0,05 0,05 0,04 0,04

0,05 0,90 0,79 0,64 0,51 0,41 0,33 0,26 0,22 0,18 0,15 0,13 0,11 0,10 0,08 0,07 0,07 0,06 0,05 0,05

0,06 0,92 0,83 0,70 0,58 ,047 ,038 ,031 0,26 0,21 0,18 0,15 0,13 0,12 0,10 0,09 0,08 0,07 0,06 0,06

0,08 0,94 0,89 0,79 0,68 0,57 0,48 0,40 0,33 0,28 0,24 0,20 0,17 0,15 0,13 0,12 0,11 0,09 0,08 0,08

0,10 0,95 0,92 0,85 0,76 0,66 0,56 0,47 0,40 0,34 0,29 0,25 0,22 0,19 0,17 0,15 0,13 0,12 0,10 0,09

0,15 0,95 0,93 0,88 0,86 0,72 0,67 0,56 0,48 0,42 0,37 0,32 0,28 0,25 0,23 0,20 0,17 0,16 0,14

0,20 0,95 0,93 0,89 0,83 0,76 0,69 0,64 0,54 0,47 0,42 0,37 0,33 0,29 0,26 0,23 0,21 0,19

0,25 0,95 0,93 0,90 0,85 0,78 0,71 0,64 0,57 0,51 0,45 0,41 0,36 0,32 0,29 0,26 0,24

0,30 0,95 0,94 0,90 0,86 0,80 0,73 0,66 0,60 0,53 0,48 0,43 0,39 0,35 0,32 0,29

0,35 0,95 0,94 0,91 0,86 0,81 0,74 0,68 0,62 0,56 0,50 0,45 0,41 0,37 0,33

0,40 0,95 0,93 0,91 0,86 0,81 0,75 0,69 0,63 0,57 0,52 0,47 0,42 0,38

0,45 0,95 0,93 0,91 0,87 0,81 0,76 0,70 0,64 0,58 0,52 0,47 0,43

0,50 0,95 0,94 0,91 0,87 0,82 0,76 0,70 0,64 0,58 0,53 0,48

0,55 0,95 0,94 0,91 0,87 0,82 0,75 0,69 0,63 0,57 0,52

0,60 0,95 0,94 0,91 0,87 0,81 0,75 0,69 0,63 0,57

0,65 0,95 0,94 0,91 0,86 0,81 0,74 0,68 0,62

0,70 0,95 0,94 0,90 0,86 0,80 0,73 0,66

0,75 0,95 0,93 0,90 0,83 0,78 0,71

0,80 0,95 0,94 0,89 0,83 0,76

0,85 0,95 0,93 0,88 0,80

0,90 0,95 0,92 0,85

1,0 0,95

62
Informações Técnicas DT-11
Tabela 3.5 - Valores nominais típicos de aparelhos elétricos
(Tensão Nominal 220V)
APARELHO POTÊNCIAS NORMAIS TÍPICAS

Aquecedor de água central (Boiler)

- de 50 a 100 litros 1.000W

- de 150 a 200 litros 1250W

- 250 litros 1.500W

- de 300 a 350 litros 2.000W

- 400 litros 2.500W

Aquecedor de água local 4.000 a 8.000W

Aquecedor portátil de ambiente 700 a 1.300W

Aspirador de pó 250 a 800W

Barbeador 8 a 12 W

Batedeira 70 a 250W

Cafeteira 1.000W

Chuveiro 3.000 a 5.300W

Cobertor 150 a 200W

Condicionador de ar

- 3/4cv 1.200VA

- 1 1/2cv 2.400VA

- central (residencial) 5.000VA

Congelador (freezer) 350 a 500VA

Copiadora (ti po xerox) 1.500 a 6.500VA

Exaustor de ar (para cozinha) 300 a 500VA

Ferro de passar roupa 400 a 1650W

Fogão residencial 4.000 a 12.000W

Forno residencial 4.500W

Forno de microondas (residencial) 1.200W

Geladeira (residencial) 150 a 400VA

Lavadora de pratos (residencial) 1.200 a 2.800VA

Lavadora de roupas (residencial) 750 a 1.200VA

63
Informações Técnicas DT-11
Liqüidificador 100 a 250W

Máquina de costura (doméstica) 60 a 100W

Máquina de escrever 150W

Moedor de lixo 300 a 600VA

Secador de roupa 4.000 a 6.000W

Secador de cabelos 500 a 1.200W

Televisor

- portátil 75 a 100W

- tipo Console 150 a 350W

Torradeira 500 a 1.200W

Torneira 2.500 a 3.200W

Ventilador

- portátil 60 a 90W

- de pé 250VA

Tabela 3.6 - Potências nominais dos principais tipos de lâmpadas


TIPO DE LÂMPADA POTÊNCIAS NORMAIS TÍPICAS [W]

Incandescente 15 - 25 - 40 - 60 - 75 - 100 - 150 - 200 - 300 - 500 – 1.000 – 1.500

Fluorescente 15 - 20 - 30 - 40 - 65 - 100 - 110 - 125 - 135

Vapor de mercúrio 80 - 125 - 250 - 400 - 700 - 1.000 – 2.000

Vapor Metálico 375 – 1.000 – 2.000

Sódio Baixa Pressão 35 - 90 - 135 - 180

Sódio Alta Pressão 250 - 400 – 1.000

Halógenas 500 - 1000 – 1.500 – 2.000

Mistas 160 - 250 - 500

64
Informações Técnicas DT-11
Tabela 3.7 - Fatores de demanda de iluminação e tomadas
DESCRIÇÃO FATOR DE DEMANDA [%]
Auditórios, salões para exposições e
100
semelhantes.
Bancos, lojas e semelhantes. 100
Barbearias, salões de beleza e semelhantes. 100
Clubes e semelhantes. 100
100 para os primeiros kVA
Escolas e semelhantes.
50 para o que exceder de 12 kVA.
100 para os primeiros 20kVA
Escritórios (edifícios de)
70 para o que exceder de 20kVA
Garagens comerciais e semelhantes. 100
40 para os primeiros 50kVA
Hospitais e semelhantes.
20 para o que exceder de 50kVA
Hotéis e semelhantes. 100
Igrejas e semelhantes. 100
100 para os primeiros 10kVA
Edifícios de apartamentos residenciais 35 para os seguintes 110kVA
25 para o que exceder de 120kVA
Restaurantes e semelhantes. 100

65
Informações Técnicas DT-11
Tabela 3.8
Fator de Demanda [%] Fator de Demanda [%]
Número de Com Com potencial Número de Com potencial
Com potencial
Aparelhos potencial de superior a Aparelhos superior a
de até 35kW
até 35kW 35kW 35kW
1 80 80 16 39 26
2 75 65 17 38 28
3 70 55 18 37 28
4 66 0 19 36 28
5 67 45 20 35 28
6 59 43 21 34 26
7 56 40 22 33 26
8 53 36 23 32 26
9 51 35 24 31 26
10 49 34 25 30 26
11 47 32 26 a 30 30 24
12 45 32 31 a 40 30 22
13 43 32 41 a 50 30 20
14 41 32 51 a 60 30 18
15 40 32 61 ou mais 30 16
NOTA: Os fator es devem ser apl icados para cada tipo de aparelho separadamente.

3.4.1. Eventuais Aumentos da Potência Instalada

É provável que nos primeiros anos de funcionamento de uma instalação, se


verifiquem aumentos na carga instalada, por mais bem projetada que seja a
instalação na partida. Em geral este aspecto se verifica em 90% dos casos.

Portanto, será interessante que o projetista conheça a fundo o caso de que está
tratando e deverá prever um aumento de 5% a 15%.

3.4.2. Conveniência da Subdivisão em mais Unidades

Este aspecto será comentado no capítulo 5 relativo à operação em paralelo. São dois
os aspectos a serem levados em consideração neste momento: econômico e
eventuais danos nos transformadores ou manutenção.

66
Informações Técnicas DT-11
O primeiro traz benefícios, diminuindo as perdas totais, e o segundo alerta ao fato de
que poder operar à carga reduzida, mesmo com a parada de uma unidade.

No caso do dano, ter aplicado o critério econômico que aconselha a aquisição de uma
única máquina de potência adequada, pode ser a causa de um problema de grandeza
diretamente proporcional ao valor da produção, uma vez que, vindo a faltar a fonte de
energia, se impõe um período mais ou menos longo de completa parada de uma
instalação.

Não obstante o custo inicial de aquisição ser maior, quando a potência necessária
ultrapassa os 150kVA, a subdivisão em maior número de máquinas oferece a
possibilidade de criar uma instalação articulada e flexível, apta a adequar-se a cada
situação e permitir o máximo e racional aproveitamento dos transformadores, com o
mínimo dano.

3.4.3. Potência Nominal Normalizada

Voltamos a tocar no assunto porque é de vital importância no dimensionamento da


instalação. Todos sabem quanto demora a aquisição de um equipamento.

Se o transformador idealizado não tiver um valor de potência normalizado, o tempo


necessário para a confecção da oferta, projeto e execução será maior,
consequentemente o prazo para entrada em funcionamento da planta se estenderá,
mantendo mais longe o início do retorno de capital. A mesma dificuldade será sentida
em caso de se necessitar reposição de uma unidade.

3.5. DADOS NECESSÁRIOS PARA IDENTIFICAÇÃO DE UM


TRANSFORMADOR

d) Potência
e) Tensões Primárias e derivações
f) Tensão Secundária
g) Freqüência
h) Normas aplicáveis
67
Informações Técnicas DT-11
i) Acessórios
j) Valores de impedância, corrente de excitação e perdas
k) Qualquer outra característica importante: dimensões especiais por exemplo.

3.6. SOFTWARE PARA CÁLCULO DE DIMENSIONAMENTO DE


TRANSFORMADORES

3.6.1. Processo 1

Site WEG: www.weg.net

Figura 3.1

68
Informações Técnicas DT-11

Figura 3.2

Figura 3.3

69
Informações Técnicas DT-11
Exemplo: Uma empresa que fabrica máquinas e aparelhos industriais. O valor típico
de Fator de Demanda (FD), para esta empresa é 0,59%. O valor mínimo exigido no
Brasil para Fator de Potência (FP) é de 0,92%.

Figura 3.4

70
Informações Técnicas DT-11

3.6.2. Processo 2

Figura 3.5

Figura 3.6

71
Informações Técnicas DT-11

Figura 3.7

72
Informações Técnicas DT-11

Figura 3.8

73
Informações Técnicas DT-11

4. CARACTERÍSTICAS DE DESEMPENHO

4.1. INSTALAÇÃO

Em condições normais de funcionamento e altitude de instalação até 1.000m, é


considerado que a temperatura ambiente não ultrapasse os 40°C a média diária não
seja superior aos 30°C.

• Altitude máxima = 1.000m


• Temperatura média diária (máxima) = 30ºC
• Temperatura máxima diária = 40ºC

Para estas condições, os limites de elevação de temperatura previstos em normas


(NBR 5356) são:

Tabela 4.1 – Limites de elevação de temperatura


Sobre elevação máxima Material isolant e Material isolante
(sobre os 40 ºC ambiente) classe E (120 ºC) classe A (105ºC)
Conservador Conservador Selado
Média dos enrolamento 65ºC 55ºC 55ºC
Do ponto mais quente dos 80ºC 65ºC 65ºC
enrolamentos (hot spot)
Do óleo, próximo à superfície 65ºC 55ºC 50ºC
(topo óleo)

74
Informações Técnicas DT-11

Figura 4.1

Condições de operação e/ou ambientais adversas devem ser claramente


especificadas:

a) Instalação em altitudes superiores a 1.000 m.


b) Instalação em locais em que as temperaturas do meio de resfriamento estejam
fora dos limites estabelecidos em Normas (ABNT, IEC, ANSI).
c) Exposição a umidade excessiva, atmosfera salina, gases ou fumaças
prejudiciais.
d) Exposição a pós prejudiciais.
e) Exposição a materiais explosivos na forma de gases ou pós.
f) Sujeição a vibrações anormais, choque pó condições sísmicas.
g) Sujeição a condições precárias de transporte, instalação e/ou armazenagem.
h) Limitações de espaço na sua instalação.
i) Dificuldade de manutenção.

75
Informações Técnicas DT-11
j) Funcionamento em regime ou freqüência não usuais ou com tensão
apreciavelmente diferentes das senoidais ou assísmicas
k) Cargas que estabelecem harmônicas de correntes anormais, tais como os que
resultam de apreciáveis correntes de carga controladas por dispositivos em
estado sólido ou similares.
l) Condições de carregamento especificados (potência e fatores de potência)
associadas a transformadores ou auto-transformadores de mais de dois
enrolamentos.
m) Exigência de níveis de ruído e/ou radiointerferência, diferentes das
especificadas na norma NBR 5356.
n) Exigência de isolamento diferente das especificadas na norma NBR 5356.
o) Condições de tensão anormais, incluindo sobre-tensões transitórias,
ressonância, sobre-tensões de manobra, etc, que possam requerer
considerações especiais no projeto da isolação.
p) Campos magnéticos anormalmente fortes.
q) Transformadores de grande porte com barramentos blindados de fases
isoladas de altas correntes que possam requerer condições especiais de
projeto.
r) Necessidade de proteções especiais contra contatos acidentais de pessoas
com partes vivas do transformador.

4.2. PERDAS

Figura 4.2 – Fluxo magnético em transformador trifásco

76
Informações Técnicas DT-11
O fluxo Magnético não está concentrado apenas na região do núcleo, o que é
chamado de fluxo disperso. Este fluxo atua s obre as partes magnéticas próximas a
ele, tais como as ferragens da parte ativa e o tanque.

Nas regiões superiores e inferiores do núcleo, o fluxo magnético no sentido


transversal do condutor faz com que as perdas parasitas e o aquecimento dos
condutores seja maior.

4.2.1. Perdas no Material dos Enrolamentos (Perdas em Carga ou Perdas no Cobre)

a) perdas na resistência ôhmica dos enrolamentos: são perdas que surgem pela
passagem de uma corrente (I) por um condutor de determinada resistência (R);
estas perdas são representadas pela expressão I2R e dependem da carga
aplicada ao transformador;

b) perdas parasitas no condutor dos enrolamentos: são perdas produzidas pelas


correntes parasitas induzidas, nos condutores das bobinas, pelo fluxo de
dispersão; são perdas que dependem da corrente (carga), do carregamento
elétrico e da geometria dos condutores das bobinas;

c) perdas parasitas nas ferragens da parte ativa e tanque.

4.2.2. Perdas no Ferro do Núcleo Magnético (Perdas em Vazio)

a) perdas por histerese: são perdas provocadas pela propriedade das substâncias
ferromagnéticas de apresentarem um atraso entre a indução magnética (B) e o
campo magnético (H); o fenômeno da histerese é análogo ao da inércia
mecânica;

b) perdas por correntes parasitas: assim como no caso das perdas parasitas no
material condutor dos enrolamentos, o fluxo indutor variável induz no ferro
forças eletromotrizes que por sua vez farão circular as correntes parasitas em
circuitos elétricos fechados; estas são proporcionais ao quadrado da indução.

77
Informações Técnicas DT-11
Como vimos, as perdas se apresentam principalmente no núcleo e nos enrolamentos
e são expressas em watts.

Existem perdas originárias de indução nas ferragens e no tanque; e outras de origens


aleatórias nem sempre de perfeita definição, que, porém comparadas às descritas nos
itens 4.2.1 e 4.2.2 deste capítulo, podem ser desprezadas. Quando da realização de
ensaio para determinação das perdas, estas aleatórias são detectadas juntamente
com as principais.

Além da elevação de temperatura, a ABNT também estabelece as perdas máximas


para transformadores de distribuição imersos em óleo, em função da potência, do
número de fases e da tensão do primário.

Transformadores com características elétricas idênticas podem ser construídos com


diferentes valores de perdas desde que respeitado os limites de elevação de
temperatura. Para isto é necessária adequação da quantidade de radiadores, o que
influi diretamente nas dimensões externas do transformador e também no seu
rendimento.

Reproduzimos a seguir as tabelas da ABNT encontradas na NBR 5440, onde consta o


valor das perdas acima descritas.

Tabela 4.2 - Valores garantidos de perdas, correntes de excitação e tensões de curto-


circuito em transformadores trifásicos de tensão máxima do equipamento de 15 kV
Potência Corrente de excitação Perdas em vazio Perdas totais Tensão de curto -
[kVA] máxima [%] máxima [W] máxima [W] circuito a 75°C [%]
1 2 3 4 5
15 4,8 100 440
30 4,1 170 740
45 3,7 220 1000
3,5
75 3,1 330 1470
112.5 2,8 440 1990
150 2,6 540 2450
225 2,3 765 3465 4,5
300 2,2 950 4310

78
Informações Técnicas DT-11
Tabela 4.3 - Valores garantidos de perdas, correntes de excitação e tensões de curto-
circuito em transformadores trifásicos de tensões máximas do equipamento de 24,2
kV e 36,2 kV
Potência Corrente de excitação Perdas em vazio Perdas totais Tensão de curto -
[kVA] máxima [%] máxima [W] máxima [W] circuito a 7 5°C [%]
1 2 3 4 5
15 5,7 110 500
30 4,8 180 825
45 4,3 250 1120
4,0
75 3,6 360 1635
112,5 3,2 490 2215
150 3,0 610 2755

225 2,7 820 3730


5,0
300 2,5 1020 4620

4.3. RENDIMENTO

“Relação, geralmente expressa em porcentagem, entre a potência ativa fornecida e a


potência ativa recebida por um transformador.” Esta é a definição dada ao rendimento
pela norma NBR 5356. É dada pela expressão

P
η= ⋅ 100 [%] 4.1
P + Pt

onde:
η = rendimento do transformador em %
Pt = perdas totais, em kW
P= potência fornecida pelo transformador em kW.

O rendimento de determinado transformador não é fixo ao longo do seu ciclo de


operação, pois depende do fator de potência e da relação entre a potência fornecida e
a potência nominal.

Esta última relação é conhecida como fator de carga. Usa-se então, para o cálculo do
rendimento:

79
Informações Técnicas DT-11
 Po + a 2 ⋅ Pc 
η = 1 −  ⋅100 [%] 4.2
 a ⋅ S n ⋅ cos Ø + Po + a ⋅ Pc 
2

onde:
P
a = fator de carga =
Sn

Sn = potência nominal em kVA.


Po = perdas no ferro do núcleo magnético em kW.
Pc = perdas no material dos enrolamentos em kW (perdas de carga)
cos Ø = fator de potência da carga

Sendo que os valores de Po e P c são dados dos relatórios de ensaio do transformador


(ou os valores normalizados).

Sn = 15MVA
a=1 cos Ø = 0,94
P0 = 12,7kW e Pc = 77,3kW
•% = 99,36%

O rendimento máximo de um transformador ocorre quando as perdas no material dos


enrolamentos e as perdas no ferro forem iguais, ou seja, com carga muito pequena
em comparação com sua potência.

Se quisermos saber qual a carga que deve ser aplicada a um transformador para que
este opere com rendimento máximo, devemos fazer:

Po
a=
Pc
e
S = a ⋅ Sn

80
Informações Técnicas DT-11
Tabela 4.4
Transformadores trifásicos – Rendimentos
Potência [kVA] 15 30 45 75 112.5 150 225 300 500

15kV 97,02 97,49 97,74 98,00 98,19 98,32 98,42 98,52 98,32

24,2kV 96,64 97,21 97,48 97,78 97,99 98,12 98,30 98,42 97,80

36,2kV 96,64 97,21 97,48 97,78 97,99 98,12 98,30 98,42 97,30

Transformadores monofásicos – Rendimentos


Potência [kVA] 5 10 15 25 37.5 50 75 100
15kV 96,15 97,37 97,59 97,88 98,09 98,30 98.42 98,47
24,2kV 96,52 97,08 97,33 97,65 97,88 98,01 98,29 98,42
36,2kV 96,52 97,08 97,33 97,65 97,88 98,01 98,29 98.42

Transformadores com características elétricas idênticas podem ser construídos com


diferentes valores de rendimento, consequentemente terão dimensões e custos
diferentes. Os limites de elevação de temperatura devem ser respeitados.

O rendimento do transformador normalmente é maior à medida que sua potência for


maior, sendo que para transformadores de potência o rendimento normalmente está
acima de 99%.

81
Informações Técnicas DT-11

4.4. REGULAÇÃO

Figura 4.3

Na linguagem prática a queda de tensão industrial ∆V, referida à corrente de plena


carga, é chamada de regulação, sendo expressa em porcentagem da tensão
secundária nominal e é dada pela expressão:

  E ⋅ cos Ø − E R ⋅ sen Ø  
2

R% = a ⋅  E R ⋅ cos Ø + E x ⋅ sen Ø +  X  
  200  

sendo:
a = fator de carga
ER = componente resistiva da impedância em %
Ex= componente reativa da impedância em %
cos Ø = fator de potência da carga do transformador

sen Ø = 1 − cos 2 Ø

82
Informações Técnicas DT-11
ER e E x são valores de projeto e podem ser obtidos também através dos ensaios dos
transformadores. São valores dependentes das características elétricas do
transformador e de sua impedância total Ez.

Os valores de tensões especificados por Norma são os valores em vazio. Caso seja
necessário que estes valores sejam em carga, as informações sobre o fator de
potência da carga devem ser levadas em consideração no dimensionamento correto
das tensões em vazio, ou seja: o valor da regulação deve ser acrescido à tensão em
vazio.

Exemplo: Cálculo de rendimento e regulação, com os seguintes dados: Potência


nominal = 300kVA; Perda a vazio = 1.120W; Perda total = 4.480; Impedância = 4,5%

Tabela 4.5 – Rendimento e regulação transformador 300kVA


CosØ Carga % Rend % Regul %

0,8 25 97,83 0,8876


0,8 50 98,39 1,775
0,8 75 98,35 2,662
0,8 100 98,16 3,550

0,9 25 98,06 0,7416


0,9 50 98,56 1,483
0,9 75 98,53 2,225
0,9 100 98,36 2,966

1,0 25 98,25 0,3037


1,0 50 98,71 0,6074
1,0 75 98,67 0,9112
1,0 100 98,52 1,214

83
Informações Técnicas DT-11

4.5. CAPACIDADE DE SOBRECARGA

Como dissemos anteriormente, é a elevação de temperatura que limita a potência a


ser fornecida por um transformador. O aquecimento em excesso, contribui para o
envelhecimento precoce do isolamento, diminuindo a vida útil do transformador que
teoricamente é de 65.000 horas de operação contínua com o ponto mais quente do
enrolamento a 105°C.

A temperatura ambiente é um fator importante na determinação da capacidade de


carga dos transformadores, uma vez que a elevação de temperatura para qualquer
carga, deve ser acrescida a temperatura ambiente para se determinar a temperatura
de operação.

Os transformadores normalmente operam num ciclo de carga que se repete a cada 24


horas. Este ciclo de carga pode ser constante, ou pode ter um ou mais picos durante
o período.

Para se usar as recomendações de carregamento da NBR 5416/97, mostradas nas


tabelas 4.6, 4.7, 4.8, o ciclo de carga real precisa ser convertido para um ciclo de
carga retangular simples, mas termicamente equivalente. A carga permissível, obtida
das tabelas acima citadas, são funções da carga inicial, da ponta de carga e da sua
duração. Cada combinação de cargas nas tabelas deve ser considerada como um
ciclo retangular de carga, constituído de uma carga inicial, essencialmente constante
de 50, 70, 90 ou 100% da capacidade nominal, seguida de uma ponta de carga
retangular de grandeza e duração dadas.

Não há um critério único para a avaliação do fim da vida do transformador. Entretanto


é possível fazer-se uma avaliação da velocidade do envelhecimento adicional a que
está sendo submetido o equipamento, comparando a perda de vida com uma taxa de
perda de vida média de referência.

Calcula-se a perda de vida, ao longo de um período de tempo ∆t (horas), em que a


temperatura do ponto mais quente do enrolamento (θe) permanece constante, pela
equação:

84
Informações Técnicas DT-11

 B 
−  + A 
 273 +θ e
PV % = 10 
× 100 ⋅ ∆t 4.3
onde:
A é igual a –14,133 (transformador de 55°C)
A é igual a –13,391 (transformador de 65°C)
B é igual a 6972,15
PV é a perda de vida
∆t é o intervalo de tempo genérico
θe é a de temperatura do ponto mais quente do enrolamento

Normalmente, os transformadores devem operar, segundo ciclos de carga que não


propiciem perdas de vida adicionais, mas nos casos extremos de operação, onde esta
perda de vida se torna necessária, deve-se impor um valor máximo de perda de vida
adicional.

A perda da vida útil é baseada num ciclo de carga de 24 horas e representa o valor
percentual da perda de vida em excesso que deve ser somada a perda de vida
normal de 0,03691% ao dia produzida pela operação contínua a 95°C, com 30°C de
temperatura ambiente.

A Tabela 4.6 mostra a carga admissível, após um carregamento contínuo de 70%,


com temperatura ambiente a 30°C, é de 133% durante uma hora, sem que sejam
ultrapassados os valores-limite de temperatura prescritos na norma NBR 5416.

O transformador não deve operar com temperaturas do ponto mais quente do


enrolamento superiores a 140°C, devido à formação de gases na isolação sólida e no
óleo, que representam um risco para a integridade da rigidez dielétrica do
equipamento.

Nesta norma, também são admitidas cargas programadas de até 1,5 vezes a corrente
nominal, para as quais, segundo a NBR 5416, não devem existir quaisquer outras
limitações além das capacidades térmicas dos enrolamentos e do sistema de
refrigeração.

85
Informações Técnicas DT-11
Tabela 4.6 - Carregamento de transformadores de 55°C - ONAN
Carga Inicial = 70%
DP (h) Ta (°C) CP(%) TO(°C) TE(°C) OBS.
10 150 43 90
15 150 48 95
20 150 53 100
0,5 25 150 58 105
30 142 62 105
35 133 66 105
40 124 70 105
10 150 49 97
15 150 54 102
20 148 59 105
1,0 25 140 62 105
30 133 66 105
35 125 69 105
40 117 73 105
10 148 59 105
15 142 61 105
20 136 64 105
2,0 25 130 67 105
30 123 70 105
35 117 73 105
40 110 76 105
10 137 64 105
15 132 66 105
20 127 69 105
4,0 25 121 71 105
30 116 74 105
35 110 76 105
40 104 78 105
10 131 66 105
15 126 68 105
20 121 71 104
8,0 25 117 73 105
30 111 75 105
35 106 77 105
40 101 80 105
10 129 67 104 X
15 125 69 105 X
20 120 71 105 X
24,0 25 115 73 105 X
30 110 76 105 X
35 105 78 105 X
40 100 80 105 X
NOTAS
1 DP é a duração do tempo de ponta de carga;
Ta é a temperatura ambiente;
CP é a carga durante o tempo de ponta;
TO é a temperatura do topo do óleo;
TE á a temperatura do ponto mais quente do enrolamen to.
2 Os carregamentos assinalados com X provocam envelhecimento acelerado do papel isolante.

86
Informações Técnicas DT-11

Tabela 4.7 - Carregamento de transformadores de 55°C - ONAN


Carga Inicial = 90%
DP (h) Ta (°C) CP(%) TO(°C) TE(°C) OBS.
10 150 50 98
15 150 55 103
20 145 60 105
0,5 25 137 64 105
30 128 68 105
35 119 72 105
40 109 76 105 X
10 150 56 103
15 145 59 105
20 138 63 105
1,0 25 131 67 105
30 123 70 105
35 115 74 105
40 107 78 105 X
10 143 61 105
15 137 64 105
20 130 67 105
2,0 25 124 70 105
30 118 73 105
35 111 76 105
40 104 79 105 X
10 135 65 105
15 130 67 105
20 124 69 105
4,0 25 119 72 105
30 113 74 105
35 108 77 105 X
40 102 80 105 X
10 131 67 105
15 126 69 105
20 121 71 105
8,0 25 116 73 105
30 111 75 105 X
35 106 78 105 X
40 100 80 105 X
10 129 67 104 X
15 125 69 105 X
20 120 71 105 X
24,0 25 115 73 105 X
30 110 76 105 X
35 105 78 105 X
40 100 80 105 X
NOTAS
1 DP é a duração do tempo de ponta de carga;
Ta é a temperatura ambiente;
CP é a carga durante o tempo de ponta;
TO é a temperatura do topo do óleo;
TE á a temperatura do ponto mais quente do enrolamento.
2 Os carregamentos assinalados com X provocam envelheci mento acelerado do papel isolante.

87
Informações Técnicas DT-11
Tabela 4.8 - Carregamento de transformadores de 55°C - ONAN
Carga Inicial = 100%
DP (h) Ta (°C) CP(%) TO(°C) TE(°C) OBS.
10 150 55 102
15 146 59 105
20 138 63 105
0,5 25 129 68 105
30 120 72 105 X
35 111 76 105 X
40 101 80 105 X
10 147 59 105
15 140 62 105
20 133 66 105
1,0 25 125 69 105
30 117 73 105 X
35 109 76 105 X
40 100 80 105 X
10 140 63 105
15 134 66 105
20 127 68 105
2,0 25 121 71 105
30 114 74 105 X
35 107 77 105 X
40 100 80 105 X
10 134 66 105
15 128 68 105
20 123 70 105
4,0 25 118 73 105
30 112 75 105 X
35 106 78 105 X
40 100 80 105 X
10 130 67 105
15 126 69 105
20 121 71 105 X
8,0 25 116 74 105 X
30 111 76 105 X
35 105 78 105 X
40 100 80 105 X
10 129 67 105 X
15 125 69 104 X
20 120 71 105 X
24,0 25 115 73 105 X
30 110 76 105 X
35 105 78 105 X
40 100 80 105 X
NOTAS
1 DP é a duração do tempo de ponta de carga;
Ta é a t emperatura ambiente;
CP é a carga durante o tempo de ponta;
TO é a temperatura do topo do óleo;
TE á a temperatura do ponto mais quente do enrolamento.
2 Os carregamentos assinalados com X provocam envelhecimento acelerado do papel isolante.

88
Informações Técnicas DT-11
5. CARACTERÍSTICAS DA INSTALAÇÃO

5.1. OPERAÇÃO EM CONDIÇÕES NORMAIS E ESPECIAIS DE


FUNCIONAMENTO.

As condições normais de posicionamento, nos quais o transformador deve satisfazer


as prescrições da norma NBR 5356, são as seguintes:

a) para transformadores resfriados a ar, temperatura do ar de resfriamento


(temperatura ambiente) não superior a 40°C e temperatura média, em qualquer
período de 24 horas, não superior a 30°C;
b) para transformadores resfriados a água, temperatura da água de resfriamento
(temperatura ambiente para transformadores) não superior a 30°C e
temperatura média, em qualquer período de 24 horas, não superior a 25°C;
c) altitude não superior a 1.000m;
d) tensão de alimentação aproximadamente senoidal e tensão de fase, que
alimentam um transformador polifásico, aproximadamente iguais em módulo e
defasagem;
e) corrente de carga aproximadamente senoidal e fator harmônico não superior a
0,05pu;
f) fluxo de Potência, os transformadores identificados como transformadores (ou
autotransformadores) interligados de sistemas devem ser projetados para
funcionamento como abaixadores, ou elevadores (usinas), conforme for
especificado pelo comprador.

5.2. CONDIÇÕES NORMAIS DE TRANSPORTE E INSTALAÇÃO

O transporte e a instalação devem estar de acordo com NBR 7036 ou a NBR 7037, a
que for aplicável.

São consideradas condições especiais de funcionamento, transporte e instalação, os


que podem exigir construção especial e/ou revisão de alguns valores normais e ou

89
Informações Técnicas DT-11
cuidados especiais no transporte, instalação e funcionamento do transformador, e que
devem ser levadas ao conhecimento do fabricante.

Constituem exemplos de condições especiais:

a) instalação em altitudes superiores a 1.000m;


b) instalações em locais em que as temperaturas do meio de resfriamento
estejam fora dos limites estabelecidos em 5.1.1;
c) exposição a umidade excessiva, atmosfera salina, gases ou fumaças
prejudiciais;
d) exposição a pós prejudiciais;
e) exposição a materiais explosivos na forma de gases ou pós;
f) sujeição a vibrações anormais, choque ou condições sísmicas;
g) sujeição a condições precárias de transporte, instalação ou armazenagem;
h) limitações de espaço na sua instalação;
i) dificuldades de manutenção;
j) funcionamento em regime ou freqüência não usuais ou com tensões
apreciavelmente diferentes das senoidais ou assimétricas;
k) cargas que estabelecem harmônicas de corrente anormais, tais como os que
resultam de apreciáveis correntes de carga controladas por dispositivos em
estado sólido ou similares;
l) condições de carregamento especificados (potências e fatores de potência)
associadas a transformadores ou autotransformadores de mais de dois
enrolamentos;
m) exigência de níveis de ruído e ou radiointerferência, diferentes das
especificadas na norma NBR 5356;
n) exigência de isolamento diferente das especificadas na norma NBR 5356;
o) condições de tensão anormais, incluindo sobretensões transitórias,
ressonância, sobretensões de manobra, etc., que possam requerer
considerações especiais no projeto da isolação;
p) campos magnéticos anormalmente fortes;
q) transformadores de grande porte com barramentos blindados de fases isoladas
de altas correntes que possam requerer condições especiais do projeto;
r) necessidade de proteção especiais contra contatos acidentais de pessoas com
partes vivas do transformador;
90
Informações Técnicas DT-11
s) operação em paralelo com transformadores de outro fornecimento.

5.3. OPERAÇÃO EM PARALELO

A operação em paralelo de transformadores se faz necessária em duas situações


principais:

a) quando é necessário aumentar a carga de determinada instalação sem


modificação profunda no lay-out da mesma;
b) quando, ao prevermos pane em um dos transformadores, quisermos continuar
operando o sistema, mesmo à carga reduzida.

Dois transformadores operam em paralelo, quando estão ligados ao mesmo sistema


de rede, tanto no primário quanto no secundário (paralelismo de rede e barramento,
respectivamente).

Mas não é possível ligarmos dois transformadores em paralelo, para operação


satisfatória, se não forem satisfeitas as condições dos itens 5.3.1, 5.3.2 e 5.3.3.

5.3.1. Diagramas Vetoriais com mesmo Deslocamento Angular

Se as demais condições forem estabelecidas, basta ligarmos entre si os terminais da


mesma designação.

5.3.2. Relações de Transformação Idênticas inclusive Derivações

Surgirá uma corrente circular entre os dois transformadores caso tenham tensões
secundárias diferentes.

Esta corrente se soma à corrente de carga (geometricamente) e no caso de carga


indutiva haverá um aumento de corrente total no transformador com maior tensão
secundária enquanto que a corrente total do transformador com menor tensão
secundária diminui. Isto significa que a potência que pode ser fornecida pelos dois

91
Informações Técnicas DT-11
transformadores é menor do que a soma das potências individuais, o que representa
desperdício.

A corrente circulante existe também se os transformadores estiverem em vazio, sendo


independente da carga e sua distribuição.

5.3.3. Impedância

A impedância é referida a potência do transformador.

Transformadores da mesma potência deverão ter impedâncias iguais, no entanto a


norma NBR 5356 admite uma variação de até ±7,5%.

Transformadores de diferentes potências: aplicando a fórmula abaixo, saberemos


qual a impedância do novo transformador a ser instalado.

P1 × Z '1
Z2 = 5.1
P2

sendo:
P = potência total da instalação (P1 + P2)
P1 = potência do transformador velho
P2 = potência do transformador novo
Z1 = impedância do transformador velho
Z2 = impedância do transformador novo
Z’1 = impedância do transformador velho referido a base do novo.

Devemos inferir as impedâncias a uma mesma base de potência, que pode ser a de
qualquer um deles, da seguinte maneira:

Z 2 × P1
Z '2 = 5.2
P2

Z 1 × P2
Z '1 = 5.3
P1

92
Informações Técnicas DT-11

onde:
Z’1 e Z’ 2 são as impedâncias dos transformadores na base nova de potência.

A divisão de potência entre transformadores em paralelo é calculada como segue


abaixo:

P1 P2
Z1 Z2

Figura 5.1

P × Z2
P1 = 5.4
Z1 + Z 2

P × Z1
P2 = 5.5
Z1 + Z 2

P = P1 + P2 5.6

Para os transformadores que irão operar em paralelo, as impedâncias ou tensões de


curto-circuito não poderão divergir mais do que ±7,5% da média das impedâncias
individuais, como já foi mencionado anteriormente, caso contrário o transformador de
impedância menor receberá uma carga relativa maior do que o de impedância maior.

Quando o transformador de menor potência tiver a maior impedância, então são


economicamente aceitáveis diferenças de 10 a 20% na impedância.

Caso contrário, condições de serviço anti-econômicas já ocorrerão em


transformadores ligados em paralelo, cuja relação de potências for 1:3.

Exemplo: Qual a impedância de um novo transformador cuja potência é 1.500kVA, o


qual será ligado em paralelo com outro já existente com as seguintes características:

§ Potência: 1.000kVA

93
Informações Técnicas DT-11
§ Tensões Primárias: 13,8 - 13,22 - 12,6kV
§ Tensões Secundárias: 380/220V
§ Impedância: 5%
§ Deslocamento Angular: Dyn1

A impedância de 5% está referida na base de 1.000kVA. Deveremos referi-la para a


base do transformador novo.

Usando a equação 5.3:

Z 1 × P2 5 × 1500
Z '1 = =
P1 1000
Z '1 = 7,5%

Este valor é a impedância do 1.000kVA na base do novo transformador de 1.500kVA.

Calcularemos a impedância que deverá ter o novo transformador de 1.500kVA.

Da equação 5.1:

P1 × Z '1 1000 × 7,5


Z2 = =
P2 1500

Z 2 = 5%

Esta impedância já está na base do novo transformador (1.500kVA).

O novo transformador deverá ter as seguintes características:

§ Tensão Primária: 13,8 - 13,2 - 12,6kV


§ Tensão Secundária: 380/220V
§ Impedância: 5%
§ Deslocamento angular: Dyn1

94
Informações Técnicas DT-11
5.4. OPERAÇÃO EM PARALELO

Divisão de carga entre transformadores

Pode-se calcular a potência fornecida individualmente, pelos transformadores de um


grupo em paralelo, através da seguinte fórmula:

Sn1...n EzM
P1...n = × × Pca 5.7
∑ Sn1...n Ez1...n

∑ Sn...n
EzM = 5.8
∑ Sn...n
Ez1...n

Onde:
P1...n = potência fornecida à carga pelo transformador [kVA]
Sn1...n = potência nominal do transformador [kVA]
EzM = tensão média de curto-circuito [%]
Ez1...n = tensão de curto-circuito do transformador 1 ...n [%]
Pca = potência solicitada pela carga [kVA]

Exemplo: Calcular as potências fornecidas individualmente, pelos transformadores,


Sn1 = 300kVA, Sn2 = 500kVA e Sn3 = 750kVA, cujas tensões de curto-circuito são as
seguintes: Ez1 = 4,5%, Ez2 = 4,9%, Ez3 = 5,1%, e a potência solicitada pela carga é
de 1.550kVA.

300 + 500 + 750


EzM = = 4,908%
300 500 750
+ +
4,5 4,9 5,1

300 4,908
P1 = × × 1550 = 327,2kVA
300 + 500 + 750 4,5

500 4,908
P2 = × × 1550 = 500,8kVA
300 + 500 + 750 4,9

95
Informações Técnicas DT-11
750 4,908
P3 = × × 1550 = 721,8kVA
300 + 500 + 750 5,1

Observa-se que o transformador de 300kVA por ter a menor impedância, está


sobrecarregado, enquanto que o transformador de 750kVA, que possui a maior
impedância, está operando abaixo de sua potência nominal.

96
Informações Técnicas DT-11

6. CARACTERÍSTICAS CONSTRUTIVAS

Veremos agora as características construtivas do transformador a óleo, pois no item


relativo ao funcionamento do transformador não nos preocupamos em detalhar a
forma construtiva, uma vez que lá o objetivo era de esclarecer o fenômeno elétrico
envolvido na transformação.

Face às características particulares, abordaremos um capítulo específico para


transformadores a seco (capítulo 7), onde serão abordados detalhes, tais como:
história, características construtivas, vantagens, aplicações, etc.

6.1. CARACTERÍSTICAS INTERNA

6.1.1. Núcleo

O núcleo é constituído por um material ferromagnético, que contém em sua


composição o silício, que lhe proporciona características excelentes de magnetização
e perdas.

Porém, este material é condutor e estando sob a ação de um fluxo magnético


alternado, dá condições de surgimento de correntes parasitas. Para minimizar este
problema, o núcleo, ao invés de ser uma estrutura maciça, é construído pelo
empilhamento de chapas finas, isoladas com Carlite.

Presta-se especial atenção para que as peças metálicas da prensagem sejam


isoladas do núcleo e entre si para evitar as correntes parasitas, que aumentariam
sensivelmente as perdas em vazio.

Estas chapas de aço durante a sua fabricação na usina, recebem um tratamento


especial com a finalidade de orientar seus grãos. É este processo que torna o material
adequado à utilização em transformadores, devido a diminuição de perdas
específicas.

97
Informações Técnicas DT-11
É também com a finalidade de diminuir as perdas, que nestas chapas são feitos
cortes a 45° nas junções entre as culatras e os pilares (Figura 6.1 (a)).

Os tipos de chapas de aço silício mais utilizadas são: M4 da Acesita; M0H e


equivalentes; 023ZDKH-90 e equivalentes.

a) Núcleo empilhado

98
Informações Técnicas DT-11

b) Núcleo enrolado (somente distribuição)


Figura 6.1

6.1.2. Enrolamento

Os enrolamentos, primários e secundários, são constituídos de fios de cobre (isolados


com esmalte ou papel) de seção retangular ou circular (Figura 6.2) ou de chapas ou
fitas de alumínio.

Figura 6.2 - Enrolamento com fio de cobre, espiras enroladas no sentido axial

Nos enrolamentos feitos com chapa de alumínio, as espiras estão enroladas uma
sobre a outra no sentido radial da bobina (são concêntricas), com folhas de papel
para isolamento entre as espiras. O processo de fabricação deste tipo de bobina é
mais rápido que o de bobinas em cobre.

O secundário, ou, dependendo do caso, BT, geralmente constitui um conjunto único


para cada fase, ao passo que o primário pode ser uma bobina única ou fracionada em

99
Informações Técnicas DT-11
bobinas menores, que chamamos de panquecas (para transformadores de
distribuição apenas).

No transformador os enrolamentos são dispostos concentricamente, normalmente


com o secundário ocupando a parte interna e consequentemente o primário a parte
externa, por motivo de isolamento e econômicos, uma vez que é mais fácil de “puxar”
as derivações do enrolamento externo (em função das dimensões dos condutores do
primário).

Chamamos de derivação, aos pontos, localizados no enrolamento primário,


conectados ao comutador (vide item 6.1.4).

Tipos de bobinas e utilização:

A definição do tipo de bobina a ser utilizada depende das características elétricas


(tensões e correntes), das condições de operação do transformador e da carga. Os
limitantes são: temperatura dos enrolamentos, dimensões dos isolamentos e dos
condutores dos enrolamentos.

100
Informações Técnicas DT-11

§ Barril, até 3,5MVA, limitada pela seção dos condutores;


§ Camada, até 3,5MVA, limitada pela seção dos condutores;

Bobinas de Baixa tensão Bobinas de Alta tensão


Figura 6.3- Transformador de distribuição e meia-força

Figura 6.4 - Bobinas de distribuição com núcleo enrolado (BT+AT)

101
Informações Técnicas DT-11
§ Panqueca, até 3,5MVA em 36,2kV ou transformadores religáveis;

Bobinas de Alta tensão


Figura 6.5 - Transformador de distribuição e meia-força

§ Disco, acima de 3,5MVA;

Bobinas de Baixa tensão Bobinas de Alta tensão


Figura 6.6 - Transformador de meia-força e força

102
Informações Técnicas DT-11
§ Hobbart, acima de 3,5MVA; Hélice, acima de 3,5MVA;

Bobinas de Baixa tensão


Figura 6.7 - Transformador de meia-força e força

§ Hélice múltipla, enrolamentos de regulação;

Bobinas de Regulação de Alta ou Baixa tensão


Figura 6.8 - Transformador de força

103
Informações Técnicas DT-11

§ Discos paralelos, para altas correntes.

Bobinas para altas correntes


Figura 6.9 - Transformador de força

Bobinas para altas correntes conectadas


Figura 6.10 - Transformador de força

104
Informações Técnicas DT-11

6.1.3. Dispositivos de Prensagem, Calços e Isolamento

Para que o núcleo se torne um conjunto rígido, é necessário utilizar dispositivos de


prensagem para as chapas. São vigas dispostas horizontalmente, fixadas por tirantes
horizontais e verticais. Devem ainda estar projetadas para suportar o comutador, os
pés de apoio da parte ativa, suportes das derivações e ainda o dispositivo de fixação
da parte ativa ao tanque ou tampa.

Os calços são usados em vários pontos da parte ativa e tem várias finalidades.
Servem para constituir as vias de circulação de óleo, para impedir que os
enrolamentos se movam, como apoio da parte ativa (neste caso chamado pé),
distanciar os enrolamentos do núcleo e outras. Os materiais dos calços são vários e
dentre eles podemos destacar o papelão (Presspan), o fenolite, a madeira densificada
e a madeira laminada.

O isolamento se faz necessário nos pontos da parte ativa onde a diferença de


potencial seja expressiva, nos condutores, entre camadas dos enrolamentos, entre
primário e secundário, entre fases e entre enrolamentos e massa.

Os materiais são diversos e devem atender às exigências de rigidez dielétrica e


temperatura de operação (classe A - 105°C ou E – 120°C). No caso dos condutores,
estes podem estar isolados em papel kraft neutro, termoestabilizado ou esmalte; este
último, na WEG, é de classe H (180°C).

105
Informações Técnicas DT-11

Figura 6.11 – Calços e isolamento

6.1.4. Comutador de Derivações

Sua finalidade foi exposta no item relativo às tensões normalizadas.

Figura 6.12 – Saída das derivações nas bobinas

106
Informações Técnicas DT-11

Figura 6.13 – Representação do comutador na bobina

6.1.4.1. Tipo painel

O painel é instalado imerso em óleo isolante e localizado acima das ferragens


superiores de aperto do núcleo, num ângulo que varia de 20° a 30°, para evitar
depósitos de impurezas em sua superfície superior.

A figura 6.14 mostra um comutador de posições tipo painel. Consta de chapa de


fenolite a qual recebe dentro de determinada disposição, os terminais dos
enrolamentos.

Os parafusos que recebem estes terminais estão isolados desta chapa do painel por
meio de buchas de porcelana ou epóxi para garantir boa isolação entre eles.

A conexão entre os parafusos é feita por pontes de ligação de formato adequado a


fácil troca de posição e perfeito contato com o aperto das porcas.

Só se usa comutador tipo painel para casos em que se tenha 8 ou mais derivações ou
no caso de religáveis.

107
Informações Técnicas DT-11

Figura 6.14 - Comutador tipo painel

6.1.4.2. Comutador acionado à vazio

Este tipo de comutador tem como principal vantagem a facilidade de operação, sendo
sua manobra feita internamente por meio de uma manopla situada acima do nível do
óleo, ou feita externamente. O acionamento externo é usado obrigatoriamente quando
o transformador possui conservador de óleo, ou ainda quando o mesmo possui
potência maior que 300kVA.

Os tipos de comutadores acionados à vazio utilizados são:

a) comutado linear 30A: com número de posições inferior ou igual a 7; há tanto


com acionamentos externo quanto interno, simples ou duplo; usado até
500kVA (figura 6.15);

b) comutador linear 75A, 200A ou 300A: com as mesmas características do


anterior, sendo que este é usado de 750kVA até 5.000kVA (figura 6.16);

c) comutador linear 300A: número de posições até 13; acionamento externo;


usado para potências superiores a 3MVA; este comutador possui grande
flexibilidade; admite até 3 colunas, com até 4 grupos de contato por colunas;

d) comutador rotativo: até 7 posições, com acionamento externo para tensões até
classe 145kV e corrente até 1.200A, normalmente 200, 300, 400, 800 e 1.200A
(figura 6.17);

108
Informações Técnicas DT-11
e) comutadores lineares especiais: construídos com até 13 posições, e para
qualquer classe de tensão e corrente até 2.500A; podem vir com contatos para
bloqueio de operação intervinda.

Todos os comutadores mencionados são para acionamento sem tensão e sem carga.

Figura 6.15 - Comutador linear 30A – 5 posições

Figura 6.16 - Comutador linear 75A – duplo – 7 posições

Figura 6.17 - Comutador Rotativo

109
Informações Técnicas DT-11
6.1.4.3. Comutador sob carga

Os fabricantes nacionais de comutadores sob carga são: MR do Brasil (Figura 6.18) e


ABB (Figura 6.19).

Este tipo de comutador permite a troca da posição das derivações com o


transformador energizado e com carga. Isto é possível porque durante a comutação, a
corrente é mantida (e limitada nas bobinas), através dos resistores de transição. A
tensão é mantida na posição anterior até que a troca de conexões aos pinos seja
completamente concluída.

O acionamento do comutador sob carga é composto de alguns sistemas de proteção


próprios. Possui pontos básicos de funcionamento para conexão externa: alimentação
do motor de rotação, pontos de conexão para comando elevar-baixar, ponto de
retenção da alimentação e ponto de conexão para comando remoto elevar-baixar.

O motor ligado ao eixo do comutador é acionado por chave reversora. Os pontos


elevar-baixar são acionados por comando externo e dão partida à chave reversora.
Com este mecanismo fazemos o giro do eixo do comutador e conseqüentemente do
mecanismo de passagem entre contatos.

O acionamento motorizado do comutador pode fazer comutações independentes de


circuitos externos, para isto basta alimentá-lo com tensões corretamente. Neste caso
a comutação elétrica é feita apenas manualmente nos botões de comando do próprio
acionamento motorizado ou, manual na manivela a ser acoplada à parte frontal do
acionamento motorizado. Isto bloqueia qualquer outro tipo de acionamento.

Porém normalmente os sistemas dos clientes exigem controle remoto da posição em


que o comutador está operando e também a possibilidade de operá-lo remotamente.
A operação remota pode ser feita através de sistemas digitais, relés reguladores de
tensão ou sistemas manuais.

110
Informações Técnicas DT-11

Comutador sob carga MR Comutador sob carga ABB


Figura 6.18 Figura 6.19

6.1.5. Parte Ativa

Chamamos de parte ativa do transformador, ao conjunto formado pelos enrolamentos,


primário, secundário, terciário e regulação (caso houver) e pelo núcleo, com seus
dispositivos de prensagem e calços. A parte ativa deve constituir um conjunto
mecanicamente rígido, capaz de suportar condições adversas de funcionamento. Na
Figura 6.20 vê-se: a parte ativa de um transformador de distribuição com núcleo
empilhado e um com núcleo enrolado; e a parte ativa de um transformador de força.

a) Transformador de distribuição com núcleo empilhado

111
Informações Técnicas DT-11

b) Transformador de distribuição com núcleo enrolado

c) Transformador de força
Figura 6.20

6.2. CARACTERÍSTICAS EXTERNAS

6.2.1. Buchas

São os dispositivos que permitem a passagem dos condutores dos enrolamentos ao


meio externo. São constituídos basicamente por:

§ corpo isolante: de porcelana vitrificada;


§ condutor passante: de cobre eletrolítico ou latão;
§ terminal: de latão ou bronze;

112
Informações Técnicas DT-11
§ vedação: de borracha e papelão hidráulico.

As formas e dimensões variam com a tensão e a corrente de operação, e para os


transformadores desta especificação subdividem-se em:

a) Buchas ABNT: conforme NBR 5034


§ Buchas de alta tensão, classe 15, 24.2 e 36,2kV e todas com capacidade de
160A (Figura 6.21).
§ Buchas de baixa tensão com tensão nominal 1,3kV e correntes nominais de
160, 400, 800, 2.000, 3.150 e 5.000A (Figura 6.22).

b) Buchas DIN
§ Para média e alta tensão nas classes de 15, 24.2 e 36,2kV e correntes
nominais de 250, 630, 1.000, 2.000 e 3.150A (Figura 6.23).

c) Buchas Condensivas
§ São usadas apenas em transformadores com potência superior a 2.500kVA
e tensões maiores que 36,2kV, sendo encontradas apenas nas correntes de
800 a 1.250A. Para correntes maiores, só existem importadas. No Brasil se
fabrica buchas até a classe 245kV, para tensões maiores, somente
importadas. Estas buchas são muito mais caras que as de cerâmica, tanto
DIN quanto ABNT (Figura 6.26).

d) Buchas especiais
§ Existem buchas para correntes até 24.000A na classe 36,2kV, mas só
importadas.

e) Buchas poliméricas
§ A porcelana é substituída por um isolante polimérico. A vantagem desse tipo
de bucha é que elas são mais resistentes a quebras ou vandalismos.
Normalmente são utilizados em transformadores subterrâneos.

113
Informações Técnicas DT-11

Buchas ABNT, baixa tensão Buchas ABNT, alta tensão


Figura 6.21 Figura 6.22

Buchas DIN, alta tensão Buchas ABNT, alta tensão


Figura 6.23 Figura 6.24

114
Informações Técnicas DT-11

Buchas DIN, alta tensão Buchas Condensivas, alta tensão


Buchas para altas correntes
Figura 6.25 Figura 6.26

As tabelas mostram as buchas usadas em transformadores de distribuição.

Tabela 6.1 - Corrente nominal [A] das buchas de alta tensão para transformadores
trifásicos (NBR 5440)
POTÊNCIA NOMINAL DO MAIOR TENSÃO SECUNDÁRIA [V]
TRANSFORMADOR [kVA] 220 380
15 a 45 160 160
75 400 160
112,5 400 400
150 800 400
225 800 800
300 800 800

Nota: A tensão nominal das buchas de baixa tensão será conforme estabelecido na NBR 5437
(1,3kV).

115
Informações Técnicas DT-11

6.2.2. Tanque

Destinado a servir de invólucro da parte ativa e de recipiente do líquido isolante,


subdivide-se em três partes: lateral, fundo e tampa.

Neste invólucro encontramos os suportes para poste (até 225kVA), suportes de roda
(normalmente para potências maiores que 300kVA), olhais de suspensão, sistema de
fechamento da tampa, janela de inspeção, dispositivos de drenagem e amostragem
do líquido isolante, conector de aterramento, furos de passagem das buchas,
radiadores, visor de nível de óleo e placa de identificação. Em transformadores de
porte maior encontramos também a caixa de ligações dos acessórios e tubulações.

O tanque e a respectiva tampa devem ser de chapas de aço, laminadas a quente,


conforme NBR 6650 e NBR 6663.

As espessuras das chapas para transformadores de distribuição estão na Tabela 6.2.


Para transformadores maiores não há normalização, cada fabricante escolhe as
chapas conforme a especificação do projeto mecânico.

Tabela 6.2 - Espessura mínima da chapa de aço (NBR 5440)


ESPESSURA [mm]
POTÊNCIA DO
TRANSFORMADOR [kVA] Tampa Corpo Fundo

P•10 1,90 1,90 1,90

10<P•225 2,65 2,65 3,00

150<P•300 3,00 3,00 4,75


NOTA: As espessuras estão sujeitas às tolerâncias da NBR 6650

Com referência aos tipos construtivos, os transformadores podem ser: selados e com
conservador de óleo.

6.2.2.1. Transformadores selados

Transformadores cujo tanque assegura a separação total entre os ambientes interno e


externo. O tanque, neste caso, mantém-se parcialmente cheio de óleo, (Figura 6.21)

116
Informações Técnicas DT-11
sendo necessário o “colchão” de ar para expansão do óleo quando do seu
aquecimento.

Tem como vantagem uma melhor preservação do óleo sem necessidade de


monitoramento constante das condições do secador de ar.

Figura 6.27 - Tanque selado

6.2.2.2. Transformadores com conservador de óleo

Os transformadores que tem o tanque totalmente cheio de óleo possuem o


conservador de óleo. Usa-se o conservador de óleo a partir de 750kVA.

O conservador de óleo (figura 6.28) é um acessório destinado a compensar as


variações de volume de óleo decorrentes das variações de temperatura e da
umidade. Tem a forma cilíndrica, com o seu eixo disposto na horizontal e instalado a
uma altura suficiente que possa assegurar o nível mínimo permissível para as partes
isolantes, na condição de nível mínimo de óleo. Sua construção é em chapa de aço e
possui resistência mecânica para vácuo pleno. É fixado através de suporte em perfis
de aço estrutural.

Tem como vantagem melhor controle da pressão interna no tanque e possibilita o


controle constante de gases no óleo através do relé buccholz.

117
Informações Técnicas DT-11

Figura 6.28 - Tanque com conservador de óleo

6.2.2.3. Tranformadores flangeados

Os transformadores selados e com conservador de óleo poderão ser providos de


flanges nos terminais de alta e/ou baixa tensão caso se necessite de maior proteção
para as buchas ou para acoplamento a painéis, cubículos e outros transformadores
etc.

Na Figura 6.29 vemos transformadores selado com flanges para acoplamento; e na


Figura 6.30 vemos transformadores com conservador de óleo com flanges para
acoplamento.

Tanque flangeado
Figura 6.29 Figura 6.30

118
Informações Técnicas DT-11
6.2.2.4. Radiadores

Todo o calor gerado na parte ativa se propaga através do óleo e é dissipado no


tanque (tampa e sua lateral). As elevações de temperatura do óleo e do enrolamento
são normalizadas e devem ser limitadas para evitar a deterioração do isolamento de
papel e do óleo. Dependendo da potência do transformador, ou melhor, de suas
perdas, a área da superfície externa poderá ser insuficiente para dissipar este calor e
é então necessário aumentar a área de dissipação. Para tal usam-se radiadores que
poderão ser de elementos ou tubos. Para transformador a partir de 30kVA
normalmente torna-se necessária a utilização de radiadores. (Figura 6.31 e 6.32)

Radiadores tipo aleta Radiadores tipo tubo


Figura 6.31 Figura 6.32

6.2.2.5. Tratamento superficial e pintura

O tanque, inclusive radiadores, após a sua fabricação, é submetido a um tratamento


de jato de granalha de aço até o metal quase branco em instalações automáticas e
manuais.

Concluindo este tratamento, imediatamente após, as peças são pintadas com tinta
primer, recebendo em seguida duas demãos de esmalte sintético de acabamento,
resistente ao tempo, em cor cinza claro.

119
Informações Técnicas DT-11
6.3. LÍQUIDO DE ISOLAÇÃO E REFRIGERAÇÃO

Os transformadores de distribuição, com tensão acima de 1,2kV, são construídos de


maneira a trabalharem imersos em óleos isolantes.

Os óleos isolantes possuem dupla finalidade: garantir isolação entre os componentes


do transformador e dissipar para o exterior o calor gerado nos enrolamentos e no
núcleo.

Para que o óleo possa cumprir satisfatoriamente as duas condições acima, deve ser
perfeitamente livre de umidade e outras impurezas para garantir seu alto poder
dielétrico.

Os óleos mais utilizados em transformadores são os minerais, que são obtidos da


refinação do petróleo. Existe o de base naftênica (tipo A) e o de base parafínica (tipo
B), este último é usado em equipamentos com tensão igual ou inferior a 145kV.

Existem também, fluídos isolantes à base de silicone, recomendados para áreas de


alto grau de segurança. Ao contrário dos óleos minerais, este tipo de fluido possui
baixa inflamabilidade, reduzindo sensivelmente uma eventual programação de
incêndio.

A utilização do óleo vegetal envirotemp é recente no mercado. Tem por vantagem


além de ser biodegradável possuir alto ponto de fulgor. Tem a desvantagem de ser
altamente oxidante na presença de oxigênio, sendo preferencialmente utilizado em
transformadores selados.

120
Informações Técnicas DT-11
Tabela 6.3 - Características do óleo mineral isolante tipo A
Valores Garantidos
Características (A) Método de Ensaio Unidade
Mínimo Máximo
Densidade, 20/4°C (B) NBR 7148 - 0,861 0,900
a 20°C 25,0
2
Viscosidade c inemática (C) a 40°C NBR 10441 Mm /s - 11,0
a 100°C 3,0
Ponto de fulgor (B) NBR 11341 °C 140 -
Ponto de fluidez (B) NBR 11349 °C - -39
Índice de neutr alização (B) ASTM D 974 MgKOH/g - 0,03
Tensão interfacial a 25°C (B) (G) NBR 6234 MN/m 40 -
Cor ASTM ASTM D 1500 - - 1,0
Teor de água (B) (D) NBR 5755 Mg/kg - 35
Cloretos e Sulfatos NBR 5779 - Ausentes
Enxofre corrosivo NBR 10505 - Ausente
Ponto de anilina (B) NBR 11343 °C 63 84
Índice de refração a 20°C NBR 5778 - 1,485 1,500
Rigidez dielétrica (B) (D) NBR 6869 kV 30 -

Fator de perdas dielétricas (D)(E)(G) ou a 100°C ASTM D 924 0,50


%
Fator de dissipação -
a 90°C IEC 247 0,40

Teor de inibidor de oxidação DBPC/DBP ASTM D 2668 % massa - 0,08


Porcentagem de carbonos ASTM D 2140 % Anotar
Estabilidade à oxidação: (F)
MgKOH/g 0,4
. índice de neutralização
IEC 74 %massa - 0,10
. borra
% 20
. fator de dissipação, a 90°C(IEC247)

(A) Antes de se iniciar a inspeção, o fornecedor deve apresentar ao inspetor certificado com os valores de todas as
características do produto oferecido contidas nesta Tabela.

(B) Estes ensaios devem ser efetuados pelo fornecedor, na presença do inspetor, em amostra retirada dos tambores ou tanques
bem como os demais ensaios, se julgado necessário.

(C) O ensaio de viscosidade cinemática deve ser realizado em duas temperaturas entre as citadas.

(D) Os ensaios de teor de água e rigidez dielétrica não se aplicam a produtos transport ados em navios ou caminhões-tanques,
ou estocados em tanques, em que possa ocorrer absorção de umidade. Neste caso, deve ser processado tratamento físico
adequado para que se restabeleçam os valores especificados no presente regulament o técnico.

(E) Esta especificação requer que o óleo isolante atenda ao limite de fator de potência a 100°C pelo método ASTM D 924, ou ao
fator de dissipação a 90°C pelo método IEC 247. Esta especificação não exige que o óleo isolante atenda aos limites medidos
por ambos os métodos.
(F) O ensaio do fator de dissipação a 90°C, do óleo oxidado pelo método IEC 74, é realizado conforme método IEC 247 e após a
preparação desse óleo feita de acordo com o item 10.4.1 do método de ensaio IEC 10A (Central Office) 56.

(G) Estes itens não são válidos para refinarias que, entretanto, devem entregar o produto em condições tais que, mediante
tratamento convencional de absorção com argila, por parte das distribuidoras, seja enquadrado nos valores especificados.

Nota : Os dados desta Tabela estão de acordo com a Resolução CNP 06/85 e com o Regulamento Técnico
correspondente, CNP 18/85.

121
Informações Técnicas DT-11
Tabela 6.4 - Características do óleo mineral isolante tipo B (para tensão máxima do
equipamento igual ou inferior a 145kV).
Método Valores garantidos
Características (A) Unidade
de Ensaio Mínimo Máximo
Densidade 20/4°C (B) NBR 7148 - - 0,860
a 20°C 25,0
2
Viscosidade cinemática (C) a 40°C NBR 10441 mm /s - 12,0
a 100°C 3,0
Ponto de fulgor (B) NBR 11341 °C 140 -
Ponto de fluidez (B) NBR 11349 °C - -12
Índice de neutr alização (B) ASTM D 974 mgKOH/g - 0,03
Tensão interfacial a 25°C NBR 6234 mN/ m 40 -
Cor ASTM ASTM D 1500 - - 1,0
Teor de água (B) (D) NBR 5755 mg/kg - 35
Enxofre corrosivo NBR 10505 - Ausente
Enxofre total ASTM D 1552 % massa - 0,30
Ponto de anilina (B) NBR 11343 °C 85 91
NBR 6869 30 -
Rigidez dielétrica (B) (D) kV
IEC 156 42 -
Índice de refração a 20°C NBR 5778 - 1,469 1,478
Fator de perdas dielétricas a 100°C ASTM D 924 - 0,50
(B) (E) (G) u a 90°C IEC 247 % - 0,40
Fator de dissipação a 25°C ASTM D 924 - 0,05
Teor de inibidor de oxidação DBPC/DBP AST D 2668 Não-detectável
Teor de carbonos aromático s ASTM D 2140 % 7,0 -
Estabilidade à oxidação: (F)
mgKOH/g - 0,40
. índice de neutralização
IEC 74 % massa - 0,10
. borra
% - 20
. fator de dissipação a 90°C (IEC 247)

(A) Antes de se iniciar a inspeção, o fornecedor deve apresentar ao inspetor cert ificado com os valores de todas as características do produto
oferecido contidas nesta Tabela.

(B) Esses ensaios devem ser efetuados pelo fornecedor, na presença do inspetor, em amostra retirada dos tanques, bem como os demais ensaios,
se julgado necessário.

(C) O ensaio de viscosidade cinemática deve ser realizado em duas temperaturas entre as citadas.

(D) O ensaio de teor de água e rigidez dielétrica não se aplicam a produtos transportados e m navios ou caminhões-tanques, ou estocados em
tanques, em que possa ocorrer absorção de umidade. Neste caso, deve ser processado tratamento físico adequado para que se restabeleçam os
valores especificados no presente regulamento técnico.

(E) Esta especificação requer que o óleo isolante atenda ao limite de fator de potência a 100°C pelo método ASTM D 294, ou ao fator de dissipação
a 90°C pelo método IEC 247. Esta especificação não exige que o óleo isolante atenda aos limites medidos por ambos.

(F) O ensaio do fator de dissipação a 90°C, do óleo oxidado pelo méto do IEC 74, é realizado conforme método IEC 247 e após a preparação desse
óleo feita de acordo com o item 10.4.1 do método de ensaio IEC 10A (Central Office) 56.

(G) Estes itens não são válidos para refinarias que, entretanto, devem entregar o produto em c ondições tais que, mediante tratamento convencional
de absorção com argila, por parte das distribuidoras, seja o produto enquadrado nos valores especificados.

Nota: Os dados desta Tabela estão de acordo com a Resolução CNP 09/88, com o Regulamento Técnico correspondente, CNP 06/79, e com sua
revisão número 2, de 01 de novembro de 1988.

122
Informações Técnicas DT-11
6.4. PLACAS DE IDENTIFICAÇÃO E DIAGRAMÁTICA

A placa de identificação é um componente importante, pois é ela quem dá as


principais características do equipamento.

No caso de manutenção, através dos dados contidos nela, a Assistência Técnica


WEG será capaz de identificar exatamente o que contém a parte ativa, sem ter que
abrir o tanque, e no caso de ampliação da carga, em que o outro transformador é
ligado em paralelo teremos condições de construir um equipamento apto a este tipo
de operação.

O material da placa poderá ser alumínio ou aço inoxidável, a critério do cliente.

Na Figura 6.33 encontramos um exemplo de placa de identificação de um


transformador de distribuição (225kVA) e na Figura 6.34, de um transformador de
força (200MVA). As informações nela contidas são normalizadas (NBR 5356) e
representam um resumo das características do equipamento.

Figura 6.33 – Placa de Identificação do transformador

123
Informações Técnicas DT-11

Figura 6.34 – Placa de identificação do transformador

A placa de identificação para transformadores acima de 300kVA deve conter, no


mínimo, as seguintes informações:

124
Informações Técnicas DT-11
§ a palavra “Transformador” ou “Autotransformador” ou “Transformador de
Reforço” ou “Transformador Regulador”;
§ nome e demais dados do fabricante;
§ número de série de fabricação;
§ ano de fabricação;
§ norma utilizada para fabricação;
§ tipo (segundo a classificação do fabricante);
§ número de fases;
§ potência nominal ou potências nominais e potências de derivação diferentes
das nominais, em kVA;
§ designação do método de resfriamento (no caso de mais de um estágio de
resfriamento, as respectivas potências devem ser indicadas);
§ diagrama de ligações, contendo todas as tensões nominais e de derivações
(com identificação das derivações), além de respectivas correntes;
§ freqüência nominal;
§ limite de elevação de temperatura dos enrolamentos;
§ polaridade (para transformadores monofásicos) ou diagrama fasorial (para
transformadores polifásicos);
§ impedância de curto-circuito, em porcentagem;
§ tipo de óleo isolante e volume necessário, em litros;
§ tensões nominais do primário e do secundário;
§ massa total aproximada, em quilos;
§ níveis de isolamento;
§ número do manual de instruções, fornecido pelo fabricante, junto com o
transformador;
§ vazão, para transformadores com resfriamento à água;
§ corrente de curto-circuito máximas admissíveis, simétrica e assimétrica; e
duração máxima admissível da corrente, em segundos;
§ número da placa de identificação;
§ tipo para identificação.

Em transformadores maiores que 500kVA, ou quando o cliente exigir, a placa de


identificação deverá conter outros dados como:

§ informações sobre transformadores de corrente se os tiver;


125
Informações Técnicas DT-11
§ dados de perdas e corrente de excitação;
§ pressão que o tanque suporta;
§ qualquer outra informação que o cliente exigir.

A placa diagramática (Figura 6.35) indica o esquema de ligações dos componentes


auxiliares do transformador.

126
Informações Técnicas DT-11

Figura 6.35 – Placa dos equipamentos auxiliares

127
Informações Técnicas DT-11

6.5. ACESSÓRIOS

Outros componentes são necessários para o perfeito funcionamento do


transformador. Na Tabela 6.5 encontramos estes componentes chamados acessórios,
em função da potência. São os acessórios que informam através de seus contatos, as
condições de operação do transformador.

Tabela 6.5 - Acessórios para transformadores - NBR 5356/1993


Um •36,2kV Um•72,5kV

Potências Nominais [kVA] Trafo. dist.


P•1000 P<5000 P•2500
aérea P•5000 P<2500 P•5000
P>300 P>1000 P<5000
Acessórios P•300
Indicador externo de nível de óleo * * * * * *
Indicador de temperatura do enrolamento * *
Indicador de temperatura do óleo z z * * * *
Provisão para instalação de termômetro para óleo * * * * * *
Dispositivo para alívio de pressão z * * * * *
Relê detetor de gás tipo Buchholz z * * *
Caixa com blocos de terminais para ligação dos cabos de
* * * * *
controle
Válvula de drenagem de óleo * * * * * *
Meios de ligação para filtro * * * * *
Dispositivo para retirada de amostra de óleo * * * * * *
Conservador de óleo (em transformadores não selados) * * * * *
Válvula para retenção do óleo do s radiadores ou trocadores de
∆ ∆ ∆ ∆ ∆
calor
Meios de aterramento do tanque * * * * * * *
Meios para suspensão da parte ativa do transformador
completamente montado, das tampas, do conservador de óleo * * * * * * *
e dos radiadores.
Meios para locomoção * * * * * *
Apoios para macacos z * * * * *
Abertura de visita o o
Abertura de inspeção + + * * * * *
Comutador de derivações sem tensão z z ˜ ˜ ˜ ˜ ˜

Respirador com secador de ar (quando houver conservador) * * * * *


Provisão para coloc ação do relê detetor de gás tipo Buchholz
* *
ou equivalente (em transformadores não selados)
Dispositivo de alarme quando houver interrupção na circulação
de água de resfriamento de vazão de água (quando for o * *
caso).
Indicadores de circula ção do óleo (no caso de circulação
*
forçada deste )
Suporte para fixação dos dispositivos de suspensão de
*
transformadores para montagem em postes.

˜Dispensado quando for especificado comutador de derivações em carga.


* Obrigatório
+ Somente quando houver comutador de derivações
z Somente quando o comprador especificar

128
Informações Técnicas DT-11
o Somente para transformadores com potência acima de 20000kVA ou para transformadores com comutação em carga
∆ Somente quando houver radiadores destacáveis para transporte

NOTA: Todas as aberturas na tampa inclusive as das buchas, devem ser providas de ressaltos construídos de maneira a evitar a acumulação e/ou
a penetração de água.

6.5.1. Indicador de Nível do Óleo

O óleo isolante do transformador se dilata ou se contrai conforme a variação da


temperatura ambiente e variação da carga alimentada pelo transformador, em função
disso, haverá elevação ou abaixamento do nível do óleo. Sendo assim, a finalidade do
indicador de nível do óleo (Figura 6.36) é mostrar com perfeição o nível de óleo no
visor e ainda servir como aparelho de proteção ao transformador.

O ponteiro do indicador de nível de óleo é movimentado por meio de dois magnéticos


(imãs) permanentes, que são acoplados a um flutuador (bóia). O movimento é
efetuado pela bóia, de acordo com o nível de óleo, que transmite indicações precisas
ao ponteiro, devido a grande sensibilidade dos magnéticos.

Os tipos de indicadores de nível de óleo (INO) normalmente utilizados nos


transformadores WEG são: INO Ø100 e INO Ø140, INO ∅ 170 ou INO ∅ 200, todos
da Indubrás.

Figura 6.36 - Indicador magnético de nível de óleo

129
Informações Técnicas DT-11

6.5.2. Termômetros do Óleo

O termômetro é utilizado para indicação da temperatura do óleo. Existem dois tipos: o


termômetro com haste rígida (Figura 6.37), usado em transformadores de meia-força,
e o termômetro com capilar (Figura 6.38), usado em transformadores de força.

São constituídos de um bulbo, um capilar e um mostrador. O bulbo é colocado na


parte mais quente do óleo (topo óleo), logo abaixo da tampa. O mostrador é
constituído de uma caixa, um visor com indicador, microrruptores, dois a quatro
ponteiros de limite, que se movimentam apenas por ação externa, e um ponteiro de
indicação de temperatura máxima. Este ponteiro é impulsionado pela agulha de
temperatura, apenas quando em ascensão desta, pois na redução fica imóvel,
possibilitando assim, a verificação da temperatura máxima atingida em um dado
período.

Conforme a variação da temperatura do bulbo, o líquido (fluído térmico) em seu


interior sofre dilatação ou contração, transmitindo a variação de temperatura até o
mecanismo interno do mostrador do termômetro, no mesmo instante o ponteiro
indicador é acionado. Quando o valor da temperatura atingir os valores ajustados para
fechamento dos microrruptores, o sinal será transmitido ao sistema de proteção
podendo acionar o alarme, desligando e fazendo o controle automático do dispositivo
de resfriamento do transformador imerso em óleo.

Os tipos de indicadores de temperatura do óleo (ITO) utilizados nos transformadores


WEG são: ITO Ø110 com haste rígida, ITO Ø170 com capilar, ITO retangulares com
capilar. Os fabricantes dos indicadores de temperatura para os transformadores WEG
são Record ou AKM.

130
Informações Técnicas DT-11

Termômetros do óleo
Figura 6.37 Figura 6.38

Possui dois a quatro contatos: Ventilação Forçada 1 e 2, Alarme e desliga mento.

Tabela 6.6 - Temperatura de acionamento recomendada


Temperaturas em ºC
Sobre-elevação média 50/55 60/65
Ventilação Forçada 1 65 75
Ventilação Forçada 2 75 85
Alarme 85 95
Desligamento 95 105

6.5.3. Transformador de Corrente (TC)

São utilizados para obter a corrente de qualquer dos enrolamentos do transformador.

Os transformadores de corrente tipo bucha, são constituídos apenas do enrolamento


secundário pois o primário é obtido diretamente do cabo de conexão entre a bucha e
o enrolamento do transformador no qual o TC está instalado.

Podem ser de medição ou de proteção, porém não é possível fabricar TCs tipo bucha
com baixa RELAÇÃO e excelente EXATIDÃO devido às suas dimensões. Exemplo:
relação 200/5A com exatidão 0,3C50.

131
Informações Técnicas DT-11

Figura 6.39 – Transformador de corrente

6.5.4. Termômetro do Enrolamento com Imagem Térmica

A imagem térmica é a técnica utilizada para medir a temperatura no enrolamento do


transformador. Ela é denominada imagem térmica por reproduzir indiretamente a
temperatura do enrolamento.

A temperatura do enrolamento, que é a parte mais quente do transformador, é a


temperatura do óleo acrescida da sobreelevação da temperatura do enrolamento (∆t)
em relação ao óleo.

O termômetro do enrolamento com imagem térmica e seu diagrama esquemático


(Figura 6.40) é composto de uma resistência de aquecimento e um sensor de
temperatura simples ou duplo, ambos encapsulados e montados em um poço
protetor, imerso em uma câmara de óleo.

O conjunto é instalado na tampa do transformador, equalizando-se com a temperatura


do topo do óleo. A resistência de aquecimento é alimentada por um transformador de
corrente associado ao enrolamento (normalmente) secundário do transformador
principal indicando assim a temperatura no ponto mais quente do enrolamento.
Portanto, a elevação da temperatura da resistência de aquecimento é proporcional à
elevação da temperatura do enrolamento além da temperatura máxima do óleo.

A constante do tempo do sistema é da mesma ordem de grandeza do enrolamento,


logo o sistema reproduz uma verdadeira imagem térmica da temperatura do
enrolamento.

132
Informações Técnicas DT-11
O indicador de temperatura do enrolamento (ITE) utilizado nos transformadores WEG
é: ITE Ø170 com capilar, O fabricante dos indicadores de temperatura para os
transformadores WEG é a Record ou AKM.

Figura 6.40 - Termômetro do enrolamento (imagem térmica)

Possui três ou quatro contatos: Ventilação Forçada 1 e 2, Alarme e desligamento.

Tabela 6.7 - Temperaturas de acionamento recomendadas


Temperaturas em ºC
•t Cobre 50/55 60/65
Ventilação Forçada 1 70 80
Ventilação Forçada 2 80 90
Alarme 90 100
Desligamento 100 110

6.5.5. Controladores Microprocessados de Temperatura

Os controladores microprocessados de temperatura e nível de óleo foram


desenvolvidos para substituir, com vantagens da tecnologia microprocessada, os
termômetros de óleo e enrolamento e indicadores de nível tradicionais utilizados em
transformadores e reatores de potência.

Este equipamento recebe o valor da resistência de um sensor (Figura 6.42) e o


transforma (através de um transdutor incorporado, Figura 6.41) em temperatura
equivalente, a qual é vista em painel frontal digital, podendo ser transmitida
remotamente através de interface serial RS485 ou sinal analógico.

133
Informações Técnicas DT-11
Desempenha diversas funções de controle e acionamento de contatos, sendo que
através de teclado frontal podemos configurar os parâmetros de sua atuação e ler os
valores medidos e ajustados.

Temos a nossa disposição, de fácil aquisição, os modelos abaixo descritos:

a) TM1: fabricado pela Tree Tech (Figura 6.41), controlador normalmente


chamado de monitor de temperatura; possui duas entradas para sensor de
temperatura do óleo do transformador e para um transformador de corrente
(TC); normalmente este sensor é um PT100 (Figura 6.42) e o TC é utilizado
para compensação da temperatura do enrolamento. Fornece a temperatura do
óleo e do enrolamento, contatos para alarme, desligamento e acionamento do
sistema de resfriamento instalado no transformador;

b) TM2: serve para indicar apenas a temperatura de dois enrolamentos e deve ser
associado aos seus TCs. Não possui entrada para sensor da temperatura do
óleo, portanto deve ser usado em conjunto com o TM1 quando necessária
indicação de temperatura dos demais enrolamentos. Comunica-se com o TM1
através de interface serial RS485 e disponibiliza contatos para alarme,
desligamento e acionamento do sistema de resfriamento instalado no
transformador;

c) Trafo-guard (fabricação AKM): são controladores microprocessados um pouco


mais completos, porém, bem mais caros; através de teclado digital frontal
pode-se selecionar qual a grandeza que se quer verificar e ajustar os valores
de acionamento dos relês; este controlador, possui entrada para sensor de
temperatura tipo PT100 (Platina 100 ohms à 0ºC) colocado no topo do óleo e
outro no fundo do transformador, de maneira a obter a temperatura média;
possui entrada para três TC’s, de maneira a indicar três temperaturas do
enrolamento e entrada para um indicador de nível de óleo; como saída, possui
quatro relês para indicação da temperatura do óleo, quatro para a temperatura
de cada enrolamento e dois para indicação do nível do óleo, todos com
temporizador de acionamento; possui também saídas analógicas para
indicação de quatro temperaturas e interface serial de comunicação RS232 que
permite impressão dos dados ou conexão a um PC.

134
Informações Técnicas DT-11

d) O controlador Multi-função MFC-200T (fabricante Licht) possui funções


semelhantes ao equipamento trafo-guard.

Os controladores microprocessados são necessários quando o cliente solicita


indicação digital de temperatura no transformador, pois os termômetros usuais são
analógicos.

Controlador de temperatura microprocessado Sensor de temperatura


Figura 6.41 Figura 6.42

6.5.6. Válvula de Alívio de Pressão

A válvula de alívio de pressão (Figura 6.43), de fechamento automático, instalada em


transformadores imersos em líquido isolante, tem a finalidade de protegê-los contra
uma possível deformação ou ruptura do tanque em casos de defeitos internos com
aparecimento de pressão elevada. A válvula é extremamente sensível e rápida (opera
em menos de dois milésimos de segundo), fecha-se automaticamente após a
operação impedindo assim a entrada de qualquer agente externo no interior do
transformador. Possui contatos para alarme e desligamento.

As válvulas de alívio de pressão utilizadas nos transformadores WEG são das marcas
IMG e COMEM.

135
Informações Técnicas DT-11

VAP IMG VAP COMEM


Figura 6.43 – Válvulas de alívio de pressão

6.5.7. Relê Detetor de Gás Tipo Buchholz

O relê de gás (Figura 6.44) tem por finalidade proteger equipamentos imersos em
líquido isolante, através da supervisão do fluxo anormal do óleo ou ausência, e a
formação anormal de gases pelo equipamento. São utilizados em transformadores
que possuem tanque para expansão de líquido isolante. Este tipo de relê detecta de
forma precisa, por exemplo, os seguintes problemas: vazamento de líquido isolante,
curto-circuito interno do equipamento ocasionando grande deslocamento de líquido
isolante, formação de gases internos devido a falhas intermitentes ou contínuas que
estejam ocorrendo no interior do equipamento.

O relê detetor de gás é normalmente instalado entre o tanque principal e o tanque de


expansão do óleo dos transformadores. A carcaça do relê é de ferro fundido,
possuindo duas aberturas flangeadas e ainda dois visores nos quais está indicada
uma escala graduada de volume de gás. Internamente encontram-se duas bóias de
gás no relê, a bóia superior é forçada a descer em caso de acúmulo de gás (isto
acontece também caso haja vazamento de óleo). Se por sua vez uma produção
excessiva de gás provoca uma circulação de óleo no relê, é a bóia inferior que reage,
antes mesmo que os gases formados atinjam o relê. Em ambos os casos, as bóias ao
sofrerem o deslocamento, acionam contatos.

Os modelos de relês buchholz (RB) utilizados nos transformadores WEG são: RB TC-
1, RB TC-2 E RB TC-3, todos da Indubrás.

136
Informações Técnicas DT-11

Figura 6.44 – Relê detector de gás

6.5.8. Secador de Ar de Sílica Gel

O secador de ar de sílica gel (Figura 6.45) é usado nos transformadores providos de


conservador de óleo, funcionando como um desumidificador de ar do transformador.

Para evitar a deterioração do óleo do equipamento ou bolsa de borracha pelas


impurezas e umidade no ar respirado, coloca-se um copo com óleo e sílica gel na
passagem por onde o ar é suspirado. Quando o nível do óleo no conservador baixar,
haverá o respiro de ar atmosférico, este ar passará primeiramente pelo copo de óleo,
onde ficarão eliminadas as impurezas sólidas e em seguida o ar atravessa os cristais
de sílica gel, que retiram a umidade do ar, em seguida, já totalmente limpo e sem
umidade, o ar penetra no conservador.

O ar ao passar pela sílica gel deixará na mesma a umidade, fazendo que a sílica gel
troque de coloração, até a sua saturação conforme indicado abaixo:

§ coloração laranja: sílica gel seca;


§ coloração amarela: sílica gel com aproximadamente 20% da umidade
absorvida;
§ coloração amarelo-claro: sílica gel com 100% de umidade absorvida
(saturada); para regeneração da sílica gel recomenda-se colocar em estufa
com temperatura máxima de 120°C de 2 a 4 horas.

Os secadores de ar utilizados nos transformadores WEG são da Indubrás.


137
Informações Técnicas DT-11

Figura 6.45 – Secador de ar

6.5.9. Bolsa de Borracha em Conservadores de Óleo

A bolsa de borracha utilizada nos conservadores de óleo dos transformadores é um


acessório opcional. Tem como objetivo evitar o contato do líquido isolante com a
atmosfera, preservando-o da umidade e oxidação. A ligação da bolsa com a
atmosfera é feita através do secador de ar (com sílica gel) que mantém o ar seco em
seu interior, permitindo que a bolsa se encha e esvazie comprima com as variações
de volume do líquido isolante.

O ar existente entre a bolsa de borracha e suas adjacências, deverá ser eliminado no


local da instalação, durante o enchimento de óleo. O óleo devidamente preparado é
introduzido no tanque até a bolsa de borracha ficar vazia.

138
Informações Técnicas DT-11

Figura 6.46 – Conservador de óleo com bolsa de borracha


onde:
1. Corpo 7. Válvula 1” FF
2. Tampa 8. Tubulação do secador
3. Tubulação para relê 9. Conexão para INO
4. Bolsa de borracha 10. Indicador de Nível
5. Suporte 11. Ajuste de bóia
6. Base 12. Reforço

6.5.10. Relê de Ruptura de Membrana/Bolsa

Dispositivo utilizado para detectar ruptura da membrana ou bolsa de borracha do


conservador de óleo.

É constituído por um sensor óptico que deve ser montado sobre a membrana ou
dentro da bolsa de borracha do conservador (lado do ar) e uma unidade de controle
localizada no painel do transformador. O princípio de funcionamento é baseado na
reflexão da luz, quando não há presença de óleo a luz emitida pelo led-emissor
(contido no sensor óptico) é totalmente refletida internamente pela cúpula da cápsula
e captada pelo receptor óptico. Caso o óleo atinja a cúpula, a quantidade de luz
emitida será diferente da captada pelo receptor causando desequilíbrio dos circuitos
de acoplamento e atuação do contato de sinalização.

139
Informações Técnicas DT-11

Figura 6.47 – Relê de ruptura de membrana/ bolsa

6.5.11. Relê de Pressão Súbita

O relê de pressão súbita (Figura 6.48) é um equipamento de proteção para


transformadores do tipo selado. Normalmente o relê de pressão súbita é instalado
acima do nível máximo do líquido isolante, no espaço compreendido entre o líquido
isolante e a tampa do transformador. Entretanto é aceitável também a montagem
horizontal, sobre a tampa do transformador.

O relê é projetado para atuar quando ocorrem defeitos no transformador que


produzem pressão interna anormal, sendo sua operação ocasionada somente pelas
mudanças rápidas da pressão interna independente da pressão de operação do
transformador.

Por outro lado, o relê não opera devido a mudanças lentas de pressão, próprias do
funcionamento normal do transformador, bem como durante perturbações do sistema
(raios, sobretensão de manobra ou curto-circuito), a menos que tais perturbações
produzam danos no transformador.

O relê de pressão súbita (Indubrás) utilizado nos transformadores WEG é o mesmo


para todas as potências dos transformadores selados.

140
Informações Técnicas DT-11

Figura 6.48 – Relê de pressão súbita

6.5.12. Manômetro e Manovacuômetro

O manômetro (Figura 6.49(a)) é um instrumento utilizado para medir a pressão interna


do tanque de óleo. E o manovacuômetro (Figura 6.49 (b)), mede pressão e vácuo.
Podem possuir contatos de atuação.

(a) (b)
Figura 6.49 - Manômetro e Manovacuômetro

141
Informações Técnicas DT-11

6.5.13. Indicador de Fluxo de Óleo

O indicador de fluxo indica a vazão em circuitos de resfriamento de transformadores.


Está presente em transformadores com sistema de refrigeração ODAF, OFAF,
ONAN/OFAN/ONAF/OFAF.

Princípio de Funcionamento:

Sistema com palheta fixa a um eixo transversal, fazendo girar uma haste e cujo
movimento é regulado por uma mola. O movimento do eixo ao ponteiro é transmitido
por imãs permanentes, acoplados magneticamente, através de uma parede que isola
a parte inferior do tubo ao lado externo. O mecanismo externo de indicação aloja
também o(s) contato(s) elétrico(s).

Acionamento: Sinaliza a ausência de fluxo, sendo necessário uma vazão nominal,


conforme tabela de vazão nominal abaixo:

Tabela 6.8
Ø da tubulação 2” 2½” 3” 4” 5” 6” 8”
Vazão nominal (a partir de) 4m³/h 7,5m³/h 11m³/h 19m³/h 28m³/h 42m³/h 70m³/h
±10%

Figura 6.50 – Indicador de fluxo de óleo

142
Informações Técnicas DT-11
6.5.14. Relê Regulador de Tensão

Tem como finalidade manter a tensão do transformador sob a mesma tensão da rede
de alimentação.

Através de um transformador de potencial e um transformador de corrente instalados


na rede de alimentação (normalmente no lado de baixa tensão), faz um comparativo
entre a tensão na rede e o valor nele ajustado da tensão e corrente nominais a serem
fornecidas. Caso os valores permanecerem divergentes por tempo maior do que um
pré-ajustado, o equipamento, através do fechamento de seus contatos envia sinais de
“elevar tap” ou “baixar tap” ao mecanismo motorizado do comutador sob carga.
Também possuem proteção contra sobrecorrente, subtensão e sobretensão,
bloqueando a comutação sob carga em caso de ocorrência.

Os tipos usados são: P500 da Licht, sem paralelismo, TAPCON da MR e AVR da


Tree Tech, ambos com ou sem paralelismo. Possuem saídas digitais do tipo RS232
ou RS485 e saídas analógicas. Os reles reguladores de tensão com paralelismo
podem controlar o paralelismo de até 6 transformadores.

Figura 6.51 - Relê regulador de tensão

6.5.15. Paralelismo entre Transformadores

Respeitadas as condições de rede de paralelismo entre os transformadores, o


comando dos circuitos auxiliares pode ser colocado para trabalhar em paralelo da

143
Informações Técnicas DT-11
seguinte maneira: o controle pode ser feito por um sistema analógico, através de
lógica com contatos ou pode também ser feito com sistema microprocessado.

O sistema microprocessado reduz consideravelmente as dimensões da caixa de


equipamentos auxiliares, possibilita o controle e supervisão (local e remota) da
operação em paralelo de transformadores equipados com comutadores de derivação
em carga. O sistema feito através da lógica de contatos também poderá ter indicação
remota, porém será necessária a utilização de diversos componentes elétricos e
eletrônicos para desempenhar todas as funções feitas com apenas dois
equipamentos microprocessados.

Modelos atuais de relés reguladores de tensão incluem saídas para utilização em


paralelo com demais relés reguladores. Desta forma pode-se trabalhar com até 6
transformadores em paralelo, sendo necessário para tal, que cada transformador
possua seu equipamento. Quando o paralelismo é feito através de equipamento
específico, é necessário apenas um relé regulador de tensão para cada
transformador, porém é necessário um equipamento de paralelismo para cada
transformador.

Existem dois métodos para o paralelismo de transformadores com CDC:

a) Corrente circulante: o objetivo deste sistema é manter a corrente de


circulação entre os transformadores a menor possível, admitindo assim
pequena diferença nos TAP do comutador;
b) Mestre-comandado (padrão da NBR 9368): os controladores quando
colocados em paralelo com os transformadores no mesmo TAP, o mantém
durante as comutações, transmitindo o comando do primeiro transformador
(mestre) para os demais (comandados). Não admite diferença de TAP entre
os transformadores.

Diagrama esquemático de comutação sob carga com relé regulador de tensão e


supervisor de paralelismo. Sistema microprocessado.

144
Informações Técnicas DT-11

Figura 6.52 – Comutação sob carga automático com paralelismo

6.5.16. Monitoramento de Buchas

O monitor de buchas permite que seja efetuada de forma on-line, durante a operação
normal, a monitoração da capacitância e do fator de dissipação (tangente delta) da
isolação de buchas, TC’s e outros equipamentos. Com isso, podem ser evitadas
falhas potencialmente catastróficas, ao se detectar os problemas ainda em fase
incipiente.

A forma construtiva da bucha capacitiva dá origem a uma capacitância entre o


condutor central da bucha e o terra, conforme ilustra figura abaixo. Uma vez

145
Informações Técnicas DT-11
energizada a bucha, esta capacitância permite a passagem de uma corrente de fuga
para o terra. Esta corrente também possui componente resistiva. Qualquer alteração
nestes dois parâmetros da isolação da bucha (capacitância e tangente delta) causa
uma mudança correspondente na corrente de fuga.

Opera medindo continuamente as correntes de fuga das 3 buchas de um conjunto


trifásico, através de adaptadores conectados aos taps de teste ou taps de tensão de
cada bucha e compara estes valores com os valores iniciais das buchas obtidos dos
ensaios de fábrica, no caso de buchas novas, ou de ensaios off-line realizados na
instalação do Monitor de Buchas.

É composto pelo adaptador (1 por bucha), módulo de medição (1 para cada 3 buchas
do enrolamento de mesmo nível de tensão) e módulo de interface (1 para até 3 níveis
de tensão do mesmo transformador).

Figura 6.53 – Composição das buchas condensivas

146
Informações Técnicas DT-11

Figura 6.54 - Monitor de buchas

6.5.17. Pressurização do Transformador

O sistema de pressurização é constituído basicamente pelo regulador automático de


pressão e cilindro de nitrogênio. Estes asseguram que o interior do tanque do
transformador seja mantido com uma sobrepressão em relação à pressão
atmosférica, impedindo assim que o ar e a umidade entrem em contado com o óleo
durante o funcionamento do transformador (em transformadores selados), ou ainda
preservando a secagem dos materiais isolantes, durante o período de transporte e
armazenagem.

É composto de um regulador automático de pressão o qual controla a pressão


interna no tanque do transformador. Ao atingir 0,3bar, a válvula de segurança (10) do
manômetro de baixa pressão é acionada e a pressão é aliviada; quando a pressão
interna cai, chegando a 0,1bar o dispositivo regulador de baixa pressão (6) é
acionado e recoloca a pressão de 0,2bar.

147
Informações Técnicas DT-11

150
100 200 0,5
0,4 0,6
250 0,3 0,7
50
300 0,2 0,8
0 0,1 0,9
bar 315
x 100kPa 0 1,0
bar
x 100kPa

Figura 6.55 - Pressurizador de nitrogênio

6.5.18. Monitor de Gás e Umidade

Os gases combustíveis dissolvidos no óleo de equipamentos de Alta Tensão são


reconhecidamente um dos melhores indicadores do estado interno do equipamento e
de sua isolação, e o hidrogênio é considerado um gás chave por estar presente na
maioria dos defeitos em transformadores, podendo indicar a ocorrência de falhas
ainda em fase incipiente.

O Monitor de Gás e Umidade “GMM” efetua a monitoração on-line da quantidade de


hidrogênio dissolvido em óleo mineral isolante, emitindo alarmes tanto por níveis de
hidrogênio acima do limite estabelecido, quanto por taxa de aumento elevada. Mede o
conteúdo de hidrogênio sem interferência cruzada de outros gases, como por
exemplo, o CO. Desta forma é obtida a máxima sensibilidade na detecção de defeitos,
sem que as alterações no hidrogênio sejam encobertas por concentrações constantes
e muitas vezes mais elevadas de CO. O GMM monitora também a saturação relativa

148
Informações Técnicas DT-11
de água no óleo (0 a 100%) e a temperatura do óleo associada, calculando o teor de
água (ppm) no óleo isolante.

O Monitor de Gás e Umidade é composto pelo Módulo de Medição e pelo Módulo de


Interface. O Módulo de Medição deve ser acoplado a uma válvula de óleo do tipo
passagem livre localizada em local com boa circulação de óleo. Possui uma porta de
comunicação serial RS485, através da qual são transmitidas as informações ao
Módulo de Interface, que disponibiliza as informações localmente em seus displays e
remotamente através das saídas analógicas, saídas a contatos secos e pelas portas
seriais RS485 e RS232 com protocolos Modbus RTU e DNP3.0.

O Módulo de Interface efetua também os cálculos de tendência e o armazenamento


de valores históricos em memória não volátil.

Também está disponível para este equipamento uma versão somente para medição
de gás. Para medição apenas de umidade consultar o catálogo do Monitor de
Umidade em Óleo MO.

Figura 6.56 - Monitor de gás e umidade

149
Informações Técnicas DT-11
6.5.19. Sistema de Ventilação Forçada

O regime ONAF é constituído de radiadores mais um conjunto de ventiladores. Esses


ventiladores podem ser acionados manualmente ou automaticamente por um
termômetro de imagem térmica ou sistema digital. Em transformadores pequenos
(menor que 5MVA) pode ser usado o termômetro de óleo.

Utilizamos preferencialmente ventiladores D600 da Marangoni (Figura 6.57).

Os ventiladores podem ser montados na lateral ou na parte inferior dos radiadores.

Normalmente o acréscimo de potência com um sistema de ventilação forçada situa-se


em torno de 25%.

Figura 6.57 - Motoventilador

6.5.20. Sistema de Óleo Forçado

Pode ser o ODAF, OFAF, ONAN/OFAN/ONAF/OFAF. Consegue-se um acréscimo de


potência com a adição de bombas. Essas bombas podem ser helicoidais (Figura 6.58)
ou centrífugas (Figura 6.59). Normalmente se dá preferência às bombas helicoidais,
pois elas sempre permitem a passagem de óleo, mesmo que estejam paradas. As
bombas centrífugas operam em qualquer posição, devendo ser instaladas no lado da
entrada do trocador de calor, a fim de evitar a queda de pressão nos mesmos.

150
Informações Técnicas DT-11
As bombas são acionadas tanto manualmente quanto automaticamente pela imagem
térmica ou sistema digital.

Figura 6.58 – Bomba helicoidal Figura 6.59 – Bomba centrífuga

6.5.20.1. Sistema OFWF

A dissipação das perdas é feita por intermédio de um trocador de calor casco-tubo


(Figura 6.60), do tipo óleo-água. Normalmente esse sistema é usado em UHE (Usina
Hidro Elétrica), por ter água disponível e muito próxima ao ponto de resfriamento e em
transformadores de forno, por estes normalmente estarem instalados em locais de
temperatura ambiente mais elevada.

Nesse sistema o óleo é forçado a passar no trocador por uma bomba e a água vem
de uma torre de resfriamento ou água corrente proveniente de um rio.

Normalmente um trocador desses dissipa até 500kW.

151
Informações Técnicas DT-11

Figura 6.60 – Trocador de calor casco-tubo

Figura 6.61 - Transformador com trocador de calor casco-tubo

6.5.20.2. Sistema OFAF com trocador de calor óleo-ar (aerotermo)

Nesse sistema o óleo é forçado a passar por um radiador através de uma bomba e
esse radiador é resfriado por ventiladores (aerotermo, Figura 6.62). Possui a
vantagem de que torna o transformador menor em termos de dimensão, largura e

152
Informações Técnicas DT-11
comprimento. Requerido para transformadores de grande porte, acima de 100MVA ou
para transformadores de subestação móvel.

Um trocador desses consegue dissipar em torno de no máximo 250kW. Esse sistema


tem como desvantagem a necessidade de desligar o transformador caso o sistema de
refrigeração falhe. Isso porque normalmente a área lateral do tanque dos
transformadores não é suficiente para dissipar nem mesmo as perdas a vazio.

Figura 6.62 - Aerotermo

6.5.20.3. Sistema ONAN/OFAN/ONAF/OFAF

Constituído de radiadores de chapas convencionais que satisfazem um regime


ONAN. Consegue-se um acréscimo de potência acrescentando-se ventiladores, e a
potência final com a entrada das bombas de óleo. Tem como vantagem não ser
necessário desligar o transformador caso os ventiladores e bombas parem de
funcionar, pois o regime ONAN dissipa tranqüilamente as perdas a vazio com também
permite a transferência da potência do regime ONAN.

Possibilita até 4 diferentes estágios de potência, porém é utilizado onde existe


disponibilidade de espaço físico para sua instalação.

A Figura 6.63 ilustra um sistema deste tipo aplicado a um transformador de 200MVA.

153
Informações Técnicas DT-11

Figura 6.63 - Sistema ONAN/OFAN/ONAF/OFAF

154
Informações Técnicas DT-11

7. TRANSFORMADORES A SECO

7.1. HISTÓRIA DO TRANSFORMADOR

7.1.1. Retrospecto

A história do eletromagnetismo até a invenção do transformador, poderia ser


cronologicamente assim resumida:

§ Em 1791 – Primeiro experimento com eletricidade conhecido, feito pelo italiano


LUIGI GALVANI, que consistia na colocação de 2 metais diferentes na perna
de um sapo que contraia. Posteriormente o físico italiano ALESANDRO VOLTA
afirmou: “O nervo da perna do sapo agia como detetor sensitivo de um
fenômeno elétrico”;
§ Em 1800 – ALESANDRO VOLTA inventou a pilha elétrica;
§ Em 1819 – HANS CHRISTIAN OERSTED (Dinamarca) usando uma pilha
descobriu que o ponteiro da bússola sofria uma pequena deflexão para o norte
(o experimento relacionava eletricidade e magnetismo).
§ Em 1820 – DOMINIQUE ARAGO (França) descobriu que o fio enrolado em um
bastão de ferrite intensificava o efeito magnético;
§ Em 1825 – WILLIAM STURGEON (Inglaterra) faz o primeiro eletroimã;
§ Em 1831 – MICHAEL FARADAY (Inglaterra) descobriu que a variação do fluxo
magnético gera uma força eletromotriz induzida;
§ Em 1882 - Surgiu o “Gerador Secundário” com o francês LUCIEN GAULARD e
seu sócio inglês JOHN D. GIBBS;
§ Em 1884 - Surgiu pela primeira vez o termo “Transformador” com os húngaros
MIKSA (MAX) DERI e OTTO BLÁTHY e o suíço KÁROLY (KARL)
ZIPERNOWSKY.

Apesar das primeiras versões serem fabricadas “a seco”, os transformadores se


difundiram com maior velocidade depois da utilização do dueto papel x óleo como
sistema isolante.

155
Informações Técnicas DT-11
Por um longo tempo o transformador a óleo mineral foi a versão principal usada para
distribuição de energia. Este era e ainda é um componente relativamente simples,
duradouro e seguro para este propósito.

No decorrer do tempo, regulamentos mais rigorosos surgiram colocando muitas


restrições ao local de instalação dos transformadores a óleo mineral. As principais
razões estavam no risco de fogo no caso de uma falha e na poluição ambiental devido
aos vazamentos de óleo.

Usuários estavam procurando um substituto e os PCB’s (Bifenilas Policloradas), com


um ponto de inflamação mais alto que o do óleo mineral (ponto de
inflamação=160°C), passaram a ser largamente usados como isolante e agente de
refrigeração nos transformadores. É um fato que PCB’s são tóxicos e não
biodegradáveis. No caso de fogo, produtos muito tóxicos da combustão são liberados
e depois de alguns acidentes com este tipo de transformador, muitos países proibiram
seu uso e as unidades ainda em operação estão sujeitos a substituição.

Basicamente, havia 3 caminhos para substituição dos transformadores com PCB


(Ascarel®):

a) Transformadores com outro líquido substituto;


b) Transformadores com isolação a gás;
c) Transformadores encapsulados em resina.

O óleo silicone é um líquido substituto do PCB. No entanto, seu ponto de inflamação é


somente cerca de 180ºC mais alto que o do óleo mineral. Além disto, em caso da
ruptura do tanque devido a falhas, o líquido isolante ardente poderia contaminar o
meio ambiente e medidas teriam que ser tomadas para reduzir tal risco. A poluição
devido ao vazamento do líquido isolante é sempre um grande problema.

Transformadores com isolação a gás (SF6), ao invés de líquidos também são usados,
mas tais unidades não estão livres de manutenção. Eles requerem maiores cuidados
de engenharia e produção; um vazamento do gás implicará na perda do
transformador e quebra na continuidade do fornecimento de energia. Além disto,

156
Informações Técnicas DT-11
estudos mostram que o SF6 se torna mais tóxico que o próprio PCB depois de
deteriorado por descargas elétricas.

Por algum tempo, um design convencional de seco foi usado para eliminar o risco de
fogo. Porém tais transformadores, onde as bobinas são somente envernizadas, não
tem as características elétricas dos transformadores com líquido isolante. Níveis de
tensões aplicadas e de impulso foram reduzidos. Seu uso era geralmente limitado a
sistemas de distribuição sem exposição à descarga atmosférica e, devido a este
ponto, acabaram não sendo largamente usados na Europa.

Nos EUA, o desenvolvimento do tipo convencional de transformador seco teve um


avanço maior e ainda tem sido usado em certos nichos de mercado. A provisão de
pára-raios pode proteger as bobinas de níveis de impulso mais altos e, em alguns
casos, as normas permitem níveis de tensão menores que os padronizados para
transformadores a óleo. Nos anos 60 transformadores encapsulados em resina eram
usados somente em pequenos números e só atingiram um razoável nível de
popularidade na metade dos anos 70.

Existem é claro, uma vantagem nas primeiras soluções; em geral são processos de
fabricação simples (como os usados nos transformadores a óleo e secos
convencionais), onde a necessidade de novos e sofisticados equipamentos é
normalmente limitada.

O avanço da tecnologia trouxe o transformador encapsulado a vácuo em resina epóxi


como uma alternativa viável para tipos isolados com líquido, uma vez disponíveis
materiais, equipamentos e processos adequados. Suas características elétricas são
pelo menos iguais aqueles tipos concorrentes e, mecanicamente, os encapsulados
exibem algumas vantagens consideráveis. Quando os custos de instalação e
manutenção são adicionados ao custo inicial, prova-se que transformador
encapsulado em resina é também financeiramente competitivo.

Na Europa, transformadores encapsulados em resina para distribuição foram


desenvolvidos no final da década de 50 e início de 60, quando poucas companhias os
comercializavam. Eles estavam sendo razoavelmente bem recebidos e o número de

157
Informações Técnicas DT-11
equipamentos instalados crescia ano após ano. Aqui o transformador encapsulado em
resina tornava-se o substituto direto do PCB.

7.1.2. A Situação Hoje

Os transformadores encapsulados a vácuo em resina epóxi são construídos até a


potência de 40MVA. Classes de tensão de 36kV com nível de impulso de 200kV são
usuais. Tensões maiores já se apresentaram viáveis e protótipos com NBI de 250kV
foram construídos e aprovados. Porém, tensões maiores podem ser economicamente
proibitivas para tal design e, na prática, sua exigência é ainda restrita. Aplicações
especiais podem impor novos limites em um futuro não muito distante.

O número dos vários tipos de transformadores encapsulados em resina instalados em


todo o mundo está em torno de um milhão de unidades (dados estimados). Isso indica
claramente que o produto tem alcançado um alto nível de confiabilidade e que sua
reduzida manutenção é uma vantagem que tem sido traduzida em retorno financeiro.

7.2. TRANSFORMADORES ENCAPSULADOS A VÁCUO WEG

Buscando atender a necessidade de seus clientes que buscavam características


especiais relacionadas à segurança, espaço, custos de manutenção e instalação,
alimentação de cargas móveis ou plantas em crescimento, a WEG em 1998 agregou
o transformador seco encapsulado a vácuo a sua linha de produtos.

Um sólido embasamento de projeto aliado à aplicação de materiais isolantes de alta


qualidade, utilizando um moderno processo produtivo, contribuiu para o
desenvolvimento do transformador seco WEG.

A tecnologia é baseada no encapsulamento das bobinas sob vácuo, utilizando resina


epóxi de última geração. O equipamento utilizado no processo de impregnação utiliza
a mais nova tecnologia de encapsulamento a vácuo, conferindo ao transformador
características elétricas e mecânicas que atendem as mais exigentes especificações
internacionais.

158
Informações Técnicas DT-11
O projeto e o processo de fabricação destes transformadores buscam eliminar
descargas parciais e dar uma excelente performance ao longo de sua vida útil,
independente das variações de carga e temperatura.

7.3. CARACTERÍSTICAS CONSTRUTIVAS

7.3.1. Núcleo e Ferragens

O núcleo do tipo envolvido é construído com chapas de silício de grão orientado,


laminadas a frio, de baixas perdas e isoladas com material inorgânico.

São usados aços de qualidade no mínimo igual a do tipo E004 de fabricação Acesita
(equivalente ao padrão AISI M-4), o qual é hoje o melhor aço silício de grão orientado
fabricado na América Latina.

As colunas e culatras são prensadas por meio de perfis de aço e cintadas. Após esta
operação, o núcleo montado é pintado com a tinta WEGTHERM, que é um
revestimento epóxi fenólico em dois componentes com excelente resistência química
(indicados para ambientes agressivos) e anticorrosiva que são mantidas quando
utilizado em altas temperaturas. Este tratamento contribui reduzindo os níveis de
ruído acústico dos transformadores WEG.

7.3.2. Bobinas de Baixa Tensão

Os enrolamentos de baixa tensão podem ser construídos em fio ou chapa, assim


como em cobre ou alumínio.

Para enrolamentos em fio, a suportabilidade a curto-circuito requerido, exige que


estes sejam encapsulados. Neste caso, o processo utilizado é similar ao do
enrolamento de alta tensão. Uma vez encapsuladas, as bobinas têm excelente
resistência a esforços térmicos e dinâmicos de curto-circuito, bem como completa
imunidade ao ambiente atmosférico.

159
Informações Técnicas DT-11
Para enrolamentos em chapa, os condutores têm a altura da bobina e são isolados
por um laminado impregnado com resina epóxi em estágio B de polimerização (pré-
curado). Após enrolada, a bobina é submetida a tratamento térmico, obtendo-se a
completa polimerização do isolamento que une (adere) as camadas do enrolamento,
tornando-o um bloco compacto. Devido à forma do condutor, esforços de curto-
circuito nas bobinas fabricadas em chapa são mínimos, garantindo ao transformador,
incomparável performance neste quesito.

Visando maior resistência a umidade, as cabeceiras da bobina são ainda preenchidas


com resina epóxi.

A isolação utilizada é sempre de classe térmica no mínimo igual a do enrolamento:


F(155°C). Transformadores classe H (180°C) podem ser especificados.

Deve-se atentar para o material dos barramentos na conexão do transformador. O


contato entre cobre e alumínio deve ser evitado, devido à corrosão galvânica inerente,
podendo implicar mais tarde em problemas nas conexões. Para acoplamento cobre-
alumínio devem-se usar chapas cladeadas, estanhagem dos barramentos ou, como
paliativo, pastas anti-corrosivas próprias para conexões elétricas.

7.3.3. Bobinas de Alta Tensão

Os enrolamentos de alta tensão podem ser construídos em fio ou fita, assim como em
cobre ou alumínio.

São adicionados, interna e externamente a bobina, reforços mecânicos que se tratam


de isolantes pré-curados, os quais, após submetidos a tratamento térmico, conferem a
bobina a ser encapsulada, grande resistência a esforços de curto-circuito.

Em seguida são montados moldes de impregnação sobre as bobinas que, postas sob
vácuo e temperatura controladas na autoclave, passam por um processo controlado
de secagem na estufa.

160
Informações Técnicas DT-11
Antes da impregnação, os componentes da resina são misturados e completamente
desgaseificados em equipamentos de última geração.

A resina utilizada, Araldite® CW229, é de fabricação da Huntsman (antiga


Vantico/Ciba). A Huntsman fornecedor único WEG, é líder mundial do mercado de
resinas epóxi.

O CW229 é a última palavra em tecnologia de resina epóxi, sendo o único sistema a


possuir classificação anti-chama e certificado UL 746B para 200°C, além de
incomparáveis características elétricas e mecânicas. A flexibilidade deste sistema
torna-o imune a trincas em temperaturas até -80°C.

Para a WEG, a utilização do sistema CW229 possibilita a fabricação de


transformadores classe H (180°C), e permite a entrada nos mais exigentes mercados.
Como a classe de temperatura do transformador habitual é F (155°C), utilizar este
sistema implica em aumento da vida útil do equipamento que estará operando em
temperaturas bem abaixo do limite do material.

Após secagem das bobinas e desgaseificação da resina, os moldes são preenchidos


e permanecem sob vácuo na autoclave, para a pré-cura. Todo este processo é
executado com níveis de vácuo que só podem ser garantidos por um sistema de alta
tecnologia, como a planta de impregnação Hedrich.

Após pré-curadas, as bobinas são transferidas para uma estufa onde a cura será
concluída em uma seqüência de temperaturas controladas para garantir a eliminação
dos esforços internos no enrolamento. Terminada esta etapa, as bobinas são
finalmente desmoldadas, testadas uma a uma, e então liberadas para montagem.

Todos os cuidados no projeto e processo de fabricação das bobinas conferem ao


transformador seco WEG uma excepcional resistência a curto-circuito e minimização
de descargas parciais, traduzidas para o cliente em excelente performance ao longo
de sua vida útil, independente das variações de carga e temperatura.

161
Informações Técnicas DT-11
7.3.4. Acessórios

Gama de acessórios dos transformadores secos encapsulados WEG:

Tabela 7.1 - Acessórios


Nº Itens Acessórios Acessórios
Normais Opcionais
1 Barramentos termi nais para conexões dos ∆
enrolamentos de baixa e alta tensão
2 Painel de derivação sem carga ∆
3 Conector de aterramento ∆
4 Placa de identificaç ão e avisos de advertência ∆
5 Meios de suspensão da parte ativa e invólucro, quando ∆
aplicável
6 Rodas bidirecionais ∆
7 Sistema de proteção (monitoramento) térmico dos ∆*
enrolamentos
8 Sistema de ventilação forçada ∆
9 Cubículo de proteção ∆
10 Blindagem eletrostática ∆
11 Buchas desconectáveis ∆
* Acessório considerado opcional conforme NB R 10295, mas na WEG este acessório é padrão.

7.3.4.1. Comutador de tensão sem carga

Os transformadores secos são providos de painel de comutação, o qual é fundido na


parte frontal de cada fase do enrolamento de alta tensão. Este sistema propicia uma
fácil mudança de tensões com o equipamento desenergizado.

7.3.4.2. Sistema de monitoramento térmico

Este dispositivo é utilizado para proteger os enrolamentos do transformador


detectando temperaturas acima do limite imposto pela classe térmica dos materiais e
elevações anormais da temperatura ambiente.

O sistema é composto por um monitor digital de temperatura com contatos para


alarme, desligamento, controle do sistema de ventilação forçada (quando aplicável) e
contato adicional ligado à verificação dos sensores (somente PT100).

162
Informações Técnicas DT-11
O monitor pode ser instalado junto ao equipamento ou em painel e, dependendo do
modelo escolhido pelo cliente, permite leitura constante da temperatura em até 4
canais e programação das temperaturas de atuação. A alimentação é universal:
24∪240Vcc-ca. Os sensores de temperatura, instalados em contato com o
enrolamento de baixa tensão, são em número de três (1 por fase), se tipo PT-100 ou
seis (2 por fase), se tipo PTC, dependendo do tipo de monitor.

Por ser basicamente o único acessório de proteção fornecido com o transformador


seco, a instalação de um sistema de monitoramento térmico é recomendada (padrão)
pela WEG, apesar de ser um acessório opcional conforme NBR 10295. No mercado
europeu a utilização deste acessório foi bastante difundida, uma vez que sua
instalação implica em prazos de garantia prolongados e custos de seguro reduzidos.

7.3.4.3. Sistema de ventilação forçada

A instalação de um sistema de ventilação forçada pode aumentar consideravelmente


a capacidade de fornecimento de potência do transformador seco. Este sistema é
especialmente vantajoso para equipamentos onde o ciclo de carga é variável.

O acionamento dos motoventiladores é bastante simples, sendo comandado


digitalmente pelo monitor de temperatura que sinaliza ao controle dos motores,
também digital (alimentação 220Vca).

A manutenção exigida pelos motoventiladores tem sido a restrição ainda encontrada


para que sistemas de VF sejam usados em larga escala, uma vez que a ausência de
manutenção é um dos principais pontos para a escolha dos secos.

Transformadores novos podem ser fornecidos com previsão para ventilação forçada,
quando especificado.

7.3.4.4. Cubículo de proteção

É importante frisar que transformadores secos, independente da existência de


cubículo de proteção, são para instalação interna.

163
Informações Técnicas DT-11

O transformador é normalmente fornecido sem caixa de proteção: IP00. Caso o


contato de pessoal não treinado e/ou a presença de água seja(m) objeto(s) de
preocupação, pode-se especificar cubículos de proteção para o equipamento.

É de extrema importância que o grau de proteção seja corretamente especificado. A


troca de calor do transformador com o ambiente é comprometida com a instalação do
cubículo. Logo, com o aumento do grau de proteção, a quantidade de material ativo
necessário para fornecer a mesma potência aumenta significativamente e,
logicamente, o aumento de custo é intrínseco. Recomendam-se graus de proteção
menores ou iguais a IP23. Sob consulta poderão ser fornecidos transformadores
equipados com cubículos de grau de proteção superiores.

Outro motivo que tem levado a especificação de cubículos de proteção é a presença


de pequenos animais nas instalações e os possíveis danos causados. Para este fim,
cubículos com grau de proteção IP10 são recomendados.

O grau de proteção do cubículo deve ser definido de acordo com a tabela seguinte,
originária da NBR 6146.

164
Informações Técnicas DT-11
Tabela 7.2 – Grau de Proteção
º
2 numeral característico:
Grau de proteção com respeito ao ingresso prejudicial de água
0 1 2 3 4 5 8

º Protegido
1 numeral
característico: contra
Grau de proteção Protegido quedas
com respeito a contra verticais Protegido Protegido Protegido
Protegido
pessoas e objetos Não quedas de gotas contra contra contra
contra
sólidos protegido verticais d’água água projeções jatos
submersão
de gotas para uma aspergida d’água d’água
d’água inclinação
máx. de
º
15

Não protegido 0 IP 00 IP 01 IP 02 --- --- --- ---

Protegido contra
objetos sólidos
1 IP 10 IP 11 IP 12 IP 13 --- --- ---
com Ø maior que
50mm

Protegido contra
objetos sólidos
2 IP 20 IP 21 IP 22 IP 23 --- --- ---
com Ø maior que
12mm

Protegido contra
objetos sólidos
3 IP 30 IP 31 IP 32 IP 33 IP 34 --- ---
com Ø maior que
2,5mm

Protegido contra
objetos sólidos
4 IP 40 IP 41 IP 42 IP 43 IP 44 IP 45 ---
com Ø maior que
1mm

Protegido contra
5 --- --- --- --- IP 54 IP 55 ---
a poeira
Totalmente
6 --- --- --- --- --- IP 65 IP 68
protegido

IP 20 IP 21 IP 23
Figura 7.1

165
Informações Técnicas DT-11

7.4. GARANTIA DE QUALIDADE E TESTES

A Política da Qualidade WEG a seguir especificada, é compreendida, implementada e


mantida em todos os níveis da empresa:

“FORNECER PRODUTOS E SERVIÇOS COM QUALIDADE AUTÊNTICA, OU SEJA,


SATISFAZER AS NECESSIDADES DOS NOSSOS CLIENTES”

A WEG mantém esforços sempre comprometidos com a qualidade autêntica,


desenvolvendo suas atividades baseada nos Princípios da Qualidade, a saber:

a) Atender bem nossos clientes, oferecendo produtos e serviços que satisfaçam


suas necessidades.
b) Dar respostas rápidas e profundas a consultas e reclamações dos nossos
clientes e cumprir os prazos prometidos.
c) Treinar e motivar os nossos colaboradores para melhor desempenhar suas
funções e dar oportunidade a todos para progredirem na Empresa.
d) Adotar métodos de trabalho simples, eficientes e procurar aperfeiçoá-los
continuadamente.
e) Fazer certo desde a primeira vez, eliminando o desperdício de tempo e
material, contribuindo para a redução dos custos e aumento da rentabilidade.
f) Adotar postura preventiva, buscando sempre eliminar as causas dos
problemas.
g) Tratar os nossos fornecedores como parceiros, contribuindo inclusive no
desenvolvimento de seus padrões de qualidade.
h) Melhorar a qualidade de vida, mantendo um ambiente de trabalho limpo,
ordenado e seguro, preservando o meio ambiente e os recursos naturais.

A qualidade do produto, garantida pelo certificado ISO 9001 mantido pela WEG
Transformadores desde 1995, inicia com um rígido controle nos materiais e nos vários
pontos do processo produtivo. A complementação deste processo é dada pelos testes
finais, que conferem ao produto a garantia de um bom desempenho.

166
Informações Técnicas DT-11
Os transformadores a seco WEG são testados em conformidade com normas
nacionais e internacionais. Mesmo normalizado como ensaio especial, o ensaio de
descargas parciais é realizado como rotina na WEG, certificando a integridade do
sistema de encapsulamento.

Os testes de performance estão descriminados na tabela a seguir. Acompanham o


transformador, relatórios de todos os ensaios de rotina realizados. Caso o cliente não
pretenda custear ensaios de tipo ou especiais, relatórios de testes realizados em
peças similares podem ser solicitados.

Tabela 7.3 - Ensaios


Ensaios de Ensaios de Ensaios
Nº Itens
Rotina Tipo Especiais

1 Resistência elétrica dos enrolamentos ∆


2 Relação de tensões ∆
3 Resistência de Isolamento ∆
4 Polaridade ∆
5 Deslocamento ang ular e Seqüênci a de fases ∆
6 Perdas em vazio e Corrente de excitação ∆
Perdas em carga e Impedância de curto -
7 ∆
circuito
Testes dielétricos de Tensão aplicada e Tensão
8 ∆
induzida
9 Funcionamento dos acessórios ∆
10 Descargas parciais Ƈ
11 Fator de potência do isolamento ∆
12 Elevação de temperatura ∆
13 Impulso atmosférico ∆
14 Nível de ruído ∆
15 Tensão de radiointerferência ∆
16 Curto-circuito ∆

17 Potência absorvida pelos ventiladores ∆


18 Impedância de seqüên cia zero ∆

19 Harmônicos na corrente de excitação ∆


á A WEG entende que o ensaio de descargas parciais deve ser obrigatório. Contudo a norma ABNT
o relaciona como ensaio especial.

167
Informações Técnicas DT-11

7.5. VANTAGENS

Ressaltaremos neste tópico, algumas características dos transformadores secos


encapsulados a vácuo WEG.

7.5.1. Minimizada Manutenção

A simplicidade construtiva destes transformadores torna sua manutenção igualmente


simples principalmente por não serem aplicáveis válvulas de drenagem, indicador de
nível, termômetros, relê de gás, válvulas de alívio de pressão, relês de pressão súbita
e outros acessórios comuns a transformadores com líquido isolante.

Os cuidados recomendados restringem-se a inspeções nas temperaturas do


equipamento e instalação (termografia), inspeções visuais e limpezas com
periodicidade anual, caso o ambiente não seja agressivo.

Consultar o Manual WEG antes da instalação e manutenção bem como a norma


NBR 13297: Recebimento, instalação e manutenção de transformadores de
potência secos.

7.5.2. Fácil Instalação

Transformadores secos apresentam 3 grandes vantagens em sua instalação:

a) Dispensam paredes a prova de explosão, paredes corta-fogo e poços para


recolhimento do líquido isolante. Sua localização ainda pode ser modificada
com facilidade, sem necessidade de demolição e reconstrução de obras civis;
b) Podem ser instalados junto à carga, reduzindo drasticamente os custos com
cabeamento de baixa tensão;
c) Tem dimensões reduzidas e se adaptam com facilidade a diferentes locais.

168
Informações Técnicas DT-11
Sem líquido isolante a tratar e acessórios a verificar, a instalação dos transformadores
secos é de extrema simplicidade. O aperto das conexões elétricas e mecânicas
constitui o item básico de verificação para energização.

Consultar Manual WEG antes da instalação e manutenção.

7.5.2.1. Ambiente de instalação

É importante abrir aqui um parêntese sobre o ambiente de instalação de


transformadores, que é também aplicável a tipos imersos em líquido isolante.

A instalação deve ser feita sobre fundações adequadamente niveladas e resistentes


para suportar seu peso, com espaçamento mínimo de 0,5m entre transformadores e
entre estes e paredes ou muros, proporcionando facilidade de acesso para inspeção e
ventilação.

Os transformadores devem ser instalados e seus cabos ligados, observando-se as


distâncias elétricas necessários, previstas por norma para cada classe de tensão.
Devem estar afastados de paredes, cubículos, grades, eletrodutos, cabos e outros
dispositivos conforme a tabela da NBR 10295, abaixo reproduzida.

Tabela 7.4 - Espaçamentos Externos Mínimos para Transformadores Secos


Classe de tensão do
Tensão de impulso Espaçamento mínimo Espaçamento mínimo
equipamento
atmosférico [kV] Fase-terra [mm] Fase-fase [mm]
[kVeficaz]
0,6 ---- 25 25
1,2 ---- 25 25
40 45 60
7,2
60 65 90
95 130 160
15
110 150 200
125 170 220
24,2
150 200 280
150 200 280
170 240 320
36,2
200 300 380

Lembremos também o que versa sobre temperatura ambiente a norma NBR


10295/1988: "Temperatura de ar de resfriamento não superior a 40°C e temperatura
média em qualquer período de 24 horas não superior a 30°C." Quando a temperatura

169
Informações Técnicas DT-11
ambiente for superior a estes valores até o limite de 10°C, no projeto deverá ser
previsto a redução do limite de elevação de temperatura proporcional.

Portanto, o recinto no qual será colocado o transformador deve ser bem


ventilado, uma vez que isto é fundamental ao seu correto funcionamento.

Ao projetar a ventilação na sala do transformador devem-se levar em conta as perdas


totais do mesmo. Estas perdas se manifestam em forma de calor modificando a
temperatura ambiente da sala. O local de instalação deve ser espaçoso o suficiente
para permitir uma distribuição de ar uniforme e saída do ar aquecido. Dependendo
das dimensões da sala e do transformador é possível adotar uma solução mais
simples; ventilação natural da sala permitindo a entrada de ar frio na parte inferior e
uma saída na parte superior oposta, conforme Figura 7.1. Filtros devem ser usados
para limitar a entrada de pó no ambiente.

Figura 7.2 – Local de Instalação

Como geralmente a ventilação natural não é suficiente, podem-se instalar ventiladores


a fim de aumentar o fluxo de ar na sala conforme Figura 7.2, ou preferencialmente,
adotar a climatização da sala onde irá operar o transformador.

170
Informações Técnicas DT-11

Figura 7.3 – Local de Instalação com Exaustor

Caso sejam adotados exaustores, o fluxo de ar não deverá exceder a velocidade de


4,0m/s. Devem ser usados filtros para evitar a sucção de pó para dentro do ambiente.

Para um cálculo aproximado do tamanho das aberturas ou o fluxo de ar necessário na


sala podem-se utilizar as expressões abaixo, tomando como diferença de 15°C de
temperatura entre o ar que entra e o ar que sai:

Pt
S = 0,3.
H
V = 5.Pt

onde:
Pt = perdas totais dissipadas a 115°C [kW]
S = superfície das aberturas superior e inferior [m2]
H = distância medida entre a metade da altura do transformador e a metade da
saída de ar superior [m]
V = volume do ar de refrigeração [m3/min]

Exemplo: Instalação de 2 transformadores de 2.000kVA. Perda total Pt típica para


transformador seco de 2MVA a 115ºC = 27kW. Distancia H entre a metade da altura
do transformador e a metade da saída de ar superior: 1,5m

171
Informações Técnicas DT-11
27.2
S = 0,3. = 13,2m 2
1,5

Pela área encontrada, sabemos que será necessária a instalação de ventilação


forçada na sala. A vazão mínima dos motoventiladores será:

V = 5.27.2 = 270 m 3 / min

Este exemplo desconsidera a existência de cubículo de proteção, o que seria


questionável no caso de uma sala própria para instalação do transformador.

7.5.3. Baixíssimos Níveis de Descargas Parciais

Transformadores WEG encapsulados a vácuo apresentam os mais baixos níveis de


descargas parciais do mercado. As propagandas sobre este tema são variadas,
contudo devem ser tomadas precauções com leituras de DP que indiquem 0pC
(“isento”). Equipamentos e circuitos de medição sem precisão e/ou sensibilidade
adequada podem indicar erroneamente este valor.

Cada transformador WEG é testado (ensaio de rotina) dentro do estabelecido pelas


normas. A norma ABNT estabelece tensão/período de ensaio: 1,5Um por 30s + 1,1Um
(tensão máxima) por 3 minutos, quando é feita a medição. A IEC 270 estabelece os
métodos de ensaio, assim como a NBR 5380. Num passado próximo, a norma
Cenelec HD 464 S1 estabelecia como limite para o ensaio de descargas parciais o
valor de 20pC. Por ser uma norma de harmonização, a norma Cenelec abria exceção
para alguns países europeus onde se admitia 50pC.

Contudo, com a entrada em vigor da norma CENELEC EN 60726 em 2003 e IEC


60076-11 em 2004, o ensaio se tornou mais rigoroso. O “efeito avalanche” é
provocado a 1,8Um por 30s e, após 3 minutos a 1,3Um, a medição é aprovada, caso
o nível de descargas não ultrapasse 10pC. Este procedimento é adotado pela WEG,
uma vez que seu grau de exigência é maior que qualquer outro normalizado.

172
Informações Técnicas DT-11
A confiabilidade transmitida pelo processo de encapsulamento e incomparável
qualidade do sistema de resina epóxi CW229 garantem a manutenção dos baixos
níveis de descargas parciais ao longo da vida do transformador.

7.5.4. Alta Suportabilidade a Sobretensões

Os transformadores a seco WEG permitem a especificação dos mesmos níveis de


impulso atmosférico e tensões suportáveis a freqüência industrial dos
transformadores imersos em óleo. A forma construtiva das bobinas e a qualidade do
processo de encapsulamento a vácuo propiciam grande resistência a descargas
atmosféricas ou sobretensões

7.5.5. Alta Capacidade de Sobrecarga

Transformadores encapsulados a vácuo WEG podem suportar sobrecargas de curta


duração, com desempenho igual ou superior ao dos transformadores imersos em
óleo. As características do sistema epóxi CW229 permitem variações bruscas de
temperatura em curtos períodos de tempo, como exemplificado abaixo.

Gráfico 7.1 – Curvas de Sobrecarga

173
Informações Técnicas DT-11
7.5.6. Insensíveis ao Meio

O encapsulamento a vácuo com o sistema CW229, isento de trincas, torna os


enrolamentos imunes à penetração de umidade e influências agressivas do meio
ambiente.

Os transformadores padrões WEG são fornecidos para aplicação em ambientes E2


C1 F1. Vejamos o que isto significa, resumindo as classificações da norma Cenelec
HD 464 S1:

§ Classe ambiental E0: instalação em ambiente seco e limpo sem condensação


ou poluição;
§ Classe ambiental E1: condensação ocasional e pouca poluição;
§ Classe ambiental E2: severa condensação e poluição pesada;
§ Classe climática C1: -5°C, mas pode estar sujeito a -25°C no transporte ou
estoque;
§ Classe climática C2: operação, transporte e estoque a -25°C;
§ Comportamento ao fogo F0: sem risco especial de incêndio e não há previsão
de mistura para limitar a flamabilidade;
§ Comportamento ao fogo F1: risco de incêndio e é especificada restrição a
flamabilidade;

Classificado o ambiente de instalação do transformador, é interessante que


conheçamos um pouco dos métodos de ensaio:

§ E0: sem testes;


§ E1: 6h em câmara com 93% de umidade e temperatura que induz
condensação. Condutividade da água: 0,1~0,3s/m. É iniciado nos 5 minutos
finais o ensaio de tensão induzida com 1,1Vn por 15 minutos;
§ E2: 144h humidade 90% a 50°C. Água: 0,5~1,5s/m. Ensaios de induzida e
aplicada a 75% dos valores nominais são feitos após 3 horas em atmosfera
normal;
§ C1: 12h a -25ºC, então 4h a -5°C e depois a 25°C. Ensaios de aplicada e
induzida a 75%. Volta a -5°C e permanece por 12h. Neste estágio o choque
térmico é feito circulando 2 vezes a corrente nominal pelo transformador até

174
Informações Técnicas DT-11
que atinja o limite do material (155°C se classe F). Novamente são feitos
dielétricos a 75%. Não são permitidas fissuras nas bobinas;
§ C2: 12h a -25°C e choque térmico 2 x In até limite do material. Dielétricos a
75%;
§ F0: sem testes;
§ F1: série de testes feita para verificar a presença de substâncias corrosivas:
HCl, HCN, HBr, HF, SO2, HCOH. Uma coluna (núcleo/bobinas BT/AT) é
submetida a 2 fontes de calor: uma bandeja com álcool sob a coluna e um
painel vertical a 750°C para radiação durante 60 minutos onde gases e
temperaturas de entrada/saída são monitorados. A elevação do gás não pode
ultrapassar 420°C na combustão, 140°C após 45 minutos de teste e 80°C após
60 minutos. A média do fator óptico ≥ 20% entre 20 e 60 minutos.

Pelo disposto acima, a especificação E2 C1 F1 é bastante razoável. Entretanto,


nenhuma empresa nacional submeteu seu equipamento aos ensaios acima. Somente
os laboratórios do Chesi na Itália e Kema na Holanda estão capacitados. Para garantir
uma excelente performance, a WEG além dos cuidados com as características de
projeto, trabalha com o que há de melhor em materiais para fabricação de secos.

7.5.7. Auto Extinguível

A principal questão é se transformadores encapsulados em resina epóxi queimam ou


sustentam combustão e se a combustão dos produtos não é tóxica.

Testes abrangentes têm sido feitos por vários fabricantes com diferentes
combinações de formulações epóxi. Há basicamente dois tipos de testes que são
executados: um teste numa amostra de resina, como por exemplo, o especificado
pela ASTM D634-68, e um teste executado diretamente na bobina do transformador,
simulando os efeitos de faltas internas ou chamas externas.

Tais testes têm mostrado que chamas devido às faltas internas são seguramente
extintas uma vez que o transformador tenha sido desenergizado pela proteção no
período de tempo usual. Caso um fogo externo ocorro atingindo as bobinas, estas
auto extinguem-se, se extintas as chamas externas. Um grande fogo do lado externo

175
Informações Técnicas DT-11
o qual ponha toda instalação e construção em chamas provavelmente também
queimaria a resina epóxi, mas em tal caso esta não aumentaria a intensidade do fogo.
Em tempo, a resina epóxi é um termofixo e, portanto, independente das proporções
do incêndio, não derrete.

A WEG desenvolveu testes práticos simulando os dois "casos de causa de fogo" que
podem acontecer a todo transformador instalado:

1. Conseqüências de fogos secundários ao transformador e;


2. Queima de transformadores causadas por problemas e defeitos que
originam do próprio transformador.

Causa de fogo no Caso 1:

É concebível que, por razões quaisquer, o fogo começará dentro de uma planta de
painel de comando, na origem da qual o transformador não participa, o qual, porém,
também atingirá com o passar do tempo.

Para imitar um fogo incidente de fora em um transformador, bobinas são aquecidas


por maçaricos de solda (~2500°C) direcionados para sua superfície. Durante vários
testes com pontos distintos de ignição pode ser averiguado que a ignição da bobina
só é possível com muita dificuldade à ordem de sucessões de testes, e que as
chamas são extintas pouco tempo depois de a energia ter sido removida. Em nenhum
caso, retirado o aquecimento da bobina, esta continuava queimando sozinha nem a
chama se alastrada pela superfície da bobina.

Causa de fogo Caso 2:

A queima do transformador devido a problemas e defeitos, particularmente arcos


elétricos de curto-circuito, que originam do transformador.

A ocorrência de um defeito na bobina, seja por causas internas ou externas ao


transformador, com formação de um arco elétrico entre dois ou mais condutores em
diferentes potenciais é a questão aqui. Em exemplos extremos podem ser formadas
correntes de curto-circuito de alta densidade de energia pontual, afetando uma
176
Informações Técnicas DT-11
pequena área com arcos elétricos de temperaturas que podem levantar a fundição
dos materiais condutores e precipitação de gases.

Tal caso é reproduzido perfurando a superfície da bobina até o condutor e produzindo


um arco elétrico de solda de intensidade mais alta possível, entre o condutor e um
eletrodo de solda.

É importante lembrar que se tais arcos elétricos aparecerem no transformador, este é


desconectado do circuito através de equipamentos de proteção, em um período muito
curto (milisegundos até no máximo 4 segundos).

Nos ensaios realizados pela WEG as seqüências de teste foram aumentadas até a
queima ininterrupta de um eletrodo (2,5mm) completo, com duração superior a um
minuto. Foi averiguada uma pequena inflamação de material isolante em todos os
testes e as chamas foram extintas depois de poucos segundos.

Nem com as tochas de solda (fogo caso 1) nem com soldas a arco elétrico (fogo caso
2) a bobina encapsulada pode ser induzida durante os testes executados à
continuação autônoma da inflamação.

Transformadores secos encapsulados em resina epóxi não explodem, não são


facilmente inflamáveis e não sustentam combustão. Os transformadores WEG tem
ainda características especiais de auto-extinção graças à resina utilizada. O sistema
Araldite CW229 é a última palavra em sistemas epóxi, sendo o único sistema a
possuir classificação anti-chama e certificado UL para 200°C (yellow card):
classificação H-B para espessura de 4mm e V-1 para espessura de 12mm.

177
Informações Técnicas DT-11

7.5.8. Resistente a Curto-Circuito

Encapsulados em resina epóxi WEG são mais resistentes a curto-circuito que


qualquer outro tipo de transformador. Sua excepcional resistência está fundamentada
em dois pontos básicos:

1. Projeto: os enrolamentos de baixa tensão são fabricados, preferencialmente,


em chapa na largura da bobina e quando em fios (classe de tensão ≥ 7,2kV)
são encapsulados no mesmo processo dos enrolamentos de alta tensão.
Devido à forma do condutor, esforços de curto-circuito nas bobinas fabricadas
em chapa são mínimos, garantindo ao transformador, incomparável
performance neste quesito. A estrutura da parte ativa tem construção robusta e
travamento dos calços que posicionam as bobinas. Os enrolamentos,
independente do material condutor, são projetados para operar abaixo do limite
térmico de curto-circuito em qualquer derivação que se encontre o
transformador.

2. Materiais: no enrolamento de baixa tensão é usado isolamento entre camadas


com resina epóxi em estágio B de polimerização que, depois de curado, une as
camadas do enrolamento tornando-o um bloco compacto. As cabeceiras da
bobina de baixa tensão são ainda preenchidas com resina epóxi. Aos
enrolamentos de alta tensão são também adicionados, interna e externamente,
reforços mecânicos pré-curados. Todos estes isolamentos são de classe
térmica igual a dos enrolamentos e têm qualidade comprovada nos laboratórios
da WEG.
A resina utilizada é fabricada pelo líder mundial de tecnologia de resinas epóxi:
HUNTSMAN (antiga Ciba). O sistema CW229 adotado tem as melhores
características de flexibilidade, resistência à formação de trincas, variação de
temperatura, torção, tração e impacto, menor perda de massa e maior vida útil
dentre os disponíveis no mercado mundial. Além disto, o CW229 tem
coeficiente de expansão térmica mais próxima ao dos condutores que outros
sistemas epóxi.

178
Informações Técnicas DT-11
Gráfico 7.2 – Coeficiente Linear de Expansão Térmica

7.5.9. Nível de Ruído

O projeto e o tratamento do núcleo dos transformadores secos WEG garantem baixos


níveis de ruído acústico, permitindo sua instalação em prédios residenciais ou outros
ambientes onde esta característica seja desejável.

O sistema de calços e amortecimento das bobinas torna as bobinas independentes do


núcleo no que se refere à transmissão de suas oscilações. A tinta de alta penetração
aplicada ao circuito magnético também colabora para atenuação do ruído produzido.

7.5.10. Assistência Técnica WEG

Ao contrário do que acontece na manutenção de transformadores a óleo, somente o


fabricante do transformador encapsulado a vácuo pode reparar/substituir suas
bobinas. Por esta razão, é extremamente importante que o comprador se preocupe
com a qualidade da assistência técnica do seu fornecedor.

A WEG conta com mais de 300 assistentes técnicos autorizados e 1.300 oficinas
registradas em todo o Brasil. Quando acionados, os ATs têm competência para
indicar e gerenciar as medidas cabíveis.

179
Informações Técnicas DT-11
7.5.11. Compatíveis com o Meio Ambiente

Os transformadores encapsulados WEG não contaminam o ambiente com óleos ou


gases tóxicos. Por serem ecologicamente corretos são recomendados para a
substituição de equipamentos instalados em locais críticos que na sua especificação
original foram construídos com líquidos especiais como o Ascarel®, Rtemp® ou
Silicone.

No projeto com isolação sólida nada pode contaminar o solo ou o ambiente e medidas
adicionais contra poluição são dispensadas, o que implica em redução nos custos de
instalação.

Em empresas onde a questão ambiental é preocupação constante, o uso de


transformadores secos tornou-se obrigatório, estando algumas vezes atrelado às
normas internas que permitiram a certificação ISO 14.000.

7.6. APLICAÇÕES

Quando aplicar transformadores encapsulados?

§ Quando riscos de explosão, propagação de incêndio ou vazamento de óleo


devem ser eliminados;
§ Quando se deseja instalar o transformador junto à carga, reduzindo perdas e
custo dos condutores de baixa tensão;
§ Quando se deseja mudar a posição do transformador com facilidade, como
plantas em crescimento;
§ Quando há trânsito de pessoas e segurança é a palavra-chave;
§ Quando se tem espaço reduzido;
§ Quando se quer minimizar a manutenção.

Os transformadores encapsulados WEG, podem substituir com vantagens os


transformadores a óleo. Abaixo indicamos algumas utilizações típicas para este tipo
de equipamento:

180
Informações Técnicas DT-11
§ Subestações internas ou externas
§ Plantas industriais
§ Plantas químicas e petroquímicas
§ Plataformas off-shore
§ Prédios comerciais e residenciais
§ Hospitais
§ Embarcações marítimas
§ Shopping centers
§ Unidades de tratamento de água
§ Sistemas de controle de tráfego aéreo e terrestre
§ Indústrias alimentícias
§ Em pedestais ou mezaninos
§ Portos marítimos
§ Centros de entretenimento
§ Trens de passageiros e carga
§ Telecomunicações
§ Bancos
§ Centro de convenções
§ Navios
§ Minas
§ Subestações ou cargas móveis

7.7. ESPECIFICAÇÕES

As principais características a serem especificadas na compra e os padrões da linha


de transformadores encapsulados WEG são descritos a seguir.

7.7.1. Normas

A norma brasileira para Especificação de Transformadores de Potência Secos é a


NBR 10295, de 1988. O texto desta norma é similar ao da IEC 726/1982 – Dry-type
Power Transformers, a qual foi substituída em 2004 pela parte 11 da IEC 60076,
adotada internacionalmente.

181
Informações Técnicas DT-11
7.7.2. Potências

Os transformadores encapsulados WEG são fabricados nas potências (potências fora


desta faixa poderão ser consultadas):

§ 300 – 500 – 750 – 1.000 – 1.500 – 2.000 – 2.500 e 3.000kVA

7.7.3. Classes de Tensão

Os enrolamentos primário e secundário dos transformadores WEG podem ser


fornecidos nas seguintes classes de tensão:

§ 0,6 – 1,2 – 7,2 – 15 – 24,2 e 36,2 kV

Padrão para enrolamentos de baixa tensão: 0,6kV

Padrão para enrolamentos de alta tensão: classe 15kV com NBI 95kV e tensão
aplicada de 34kV e classe 25kV com NBI 125kV e aplicada 50kV.

7.7.4. Tensão Nominal e Derivações

Quaisquer tensões dentro das classes acima podem ser especificadas.

As tensões padronizadas para o enrolamento de baixa tensão são: 440*/254V,


380*/220V e 220*/127V, esta última até a potência de 1.000kVA

Tensões nominais e derivações padronizadas para alta tensão:

§ Classe 15kV: 13,8* / 13,2 / 12,6 / 12,0 / 11,4kV


§ Classe 24,2kV: 24,255 / 23,678 / 23,100* / 22,523 / 21,945kV
* tensões nominais

182
Informações Técnicas DT-11
7.7.5. Freqüência e Ligações

Freqüência padrão: 60Hz


Freqüência de 50Hz e diferentes ligações podem ser fornecidas.
Ligação padrão: Dyn1

7.7.6. Temperaturas

Temperatura ambiente máxima: 40ºC (média diária máxima de 30°C)


Classe térmica dos materiais isolantes: F (155°C)
Elevação média do enrolamento acima do ambiente: 105°C
Elevação do ponto mais quente do enrolamento acima do ambiente: 115°C
Temperatura de referência para garantia de perdas e impedância: 115°C

7.7.7. Perdas, Corrente de Excitação e Impedância

Tabela 7.5 – Valores Garantidos Linha Padrão


Transformadores Seco s Encapsulados a Vácuo WEG
Classe 15kV – 60Hz – 380V
Potência Perdas a Vazio Perdas Totais Corrente a Vazio Impedância
kVA W W (115°C) % % (115°C)
300 1200 4700 1,2 5,0
500 1400 7200 1,2 6,0
750 1900 10200 1,2 6,0
1000 2400 11700 1,2 6,0
1500 3300 16700 1,2 6,0
2000 4000 20500 0,6 6,5
2500 4500 23500 0,6 6,5
3000 5000 27000 0,6 7,0

As perdas acima devem ser tomadas como valores para referência. Valores de
perdas podem e devem ser considerados ao adquirir um transformador, seja este a
óleo ou seco. Contudo o comprador deve salientar esta preocupação (baixas perdas)
ao solicitar a cotação do equipamento para que seu valor seja analisado como custo
do produto + capitalização de perdas (normalmente segundo a fórmula da
concessionária local).

183
Informações Técnicas DT-11
7.7.8. Dimensões

IP00 IP20
Figura 7.4

Tabela 7.6 – Dimensões Linha Padrão


Transformadores Secos Encapsulados a Vácuo WEG
Classe 15kV - 60Hz
Dimensões Aproximadas e Peso Total Sem Cubículo - IP00
Potência
kVA Comprimento Largura [mm] Dist. Rodas Peso Total
Altura [mm] C
[mm] A B [mm] D [kg]
300 1500 700 1300 520 1200
500 1550 700 1450 520 1550
750 1600 800 1700 670 1900
1000 1650 950 1750 820 2400
1500 1800 950 1950 820 3250
2000 1900 950 2200 820 4150
2500 2050 950 2400 820 5100
3000 2150 1200 2500 820 6000
Dimensões Aproximadas e Peso Total Com Cubículo – IP20
Potência
kVA Comprimento Largura [mm] Dist. Rodas Peso Total
Altura [mm] C
[mm] A B [mm] D (kg)
300 1800 1100 1600 520 1500
500 1800 1200 1700 520 1900
750 1800 1200 1900 670 2300
1000 1900 1300 2000 820 2900
1500 2100 1300 2300 820 3800
2000 2200 1300 2500 820 4700
2500 2350 1400 2700 820 5800
3000 2400 1400 2800 820 6800

184
Informações Técnicas DT-11

8. ENSAIOS

Ensaios: Operação técnica que consiste em determinar uma ou mais características


de um produto, processo ou serviço, de acordo com um procedimento especificado.

Os ensaios em transformadores devem ser efetuados a uma temperatura ambiente


entre 10ºC e 40ºC e com água de resfriamento (se previsto) com temperatura que não
exceda 30ºC.

Devem ser realizados na fábrica do fabricante, salvo acordo contrário entre o


comprador e o fabricante.

Todos os componentes externos e acessórios que são suscetíveis de influenciar o


funcionamento do transformador durante os ensaios, devem estar instalados.

Os enrolamentos com derivação devem estar conectados a sua derivação principal, a


menos que seja especificado de outra forma por acordo entre o fabricante e
comprador.

Para todas as características excetuando-se as de isolamento, os ensaios são


baseados em condições nominais, a menos que seja especificado de outra forma de
acordo com o ensaio em questão.

Quando for requerido que os resultados dos ensaios sejam corrigidos a uma
temperatura de referência, estas devem ser:

§ para transformadores imersos em óleo: 75ºC;


§ para transformadores secos: conforme recomendações gerais para ensaios da
ABNT NBR 10295.

Os ensaios baseiam-se nas seguintes normas:

§ ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas)


o NBR 5356 - Transformador de Potência: Especificação

185
Informações Técnicas DT-11
o NBR 5380 - Transformador de Potência: Método de Ensaio
o NBR 10295 - Transformadores de Potência Secos
§ IEC 76
§ ANSI
§ IEEE

Os ensaios realizados em transformadores são classificados, segundo a ABNT em:

§ Ensaio de Rotina (Executado em todas as unidades de produção);


§ Ensaios de Tipo (Executado quando o cliente compra ou quando solicitado pela
seção de projetos).
§ Ensaios Especiais (Executado quando o cliente compra ou quando solicitado
pela seção de projetos).

8.1. ENSAIOS DE ROTINA

Ensaios de rotina são executados em todas as unidades de produção.

Os ensaios de rotina são os seguintes:

a) Medição da resistência dos enrolamentos;


b) Medição da relação de transformação, polaridade e verificação da defasagem
angular;
c) Medição das perdas em carga e impedância de curto-circuito;
d) Medição das perdas em vazio e corrente de excitação;
e) Medição da resistência de isolamento;
f) Ensaios dielétricos de rotina;
g) Ensaios de comutador de derivações em carga, quando aplicável;
h) Estanqueidade e resistência à pressão;
i) Verificação do funcionamento dos acessórios;
j) Verificação da espessura e aderência da pintura da parte externa.

186
Informações Técnicas DT-11
8.1.1. Resistência Elétrica dos Enrolamentos

Este ensaio visa verificar a resistência dos contatos, apertos, conexão, contatos do
comutador, etc., e determinar a resistência elétrica de cada enrolamento que
multiplicado pela corrente de fase ao quadrado (I²) resultará nas perdas ôhmicas
utilizadas no cálculo das perdas totais.

A corrente utilizada no ensaio deve ser contínua e não deve ser superior á 15% da
corrente nominal do enrolamento considerado.

Em transformadores com comutador interno o ensaio é realizado na derivação de


maior tensão ou naquele especificado pelo cliente. Em transformadores com
comutador externo o ensaio e realizados em todas as derivações.

Em todas as medições de resistência, cuidados devem ser tomados para se reduzir


ao mínimo os efeitos de auto-indutância.

Devem ser registrados a resistência de cada enrolamento, os terminais entre os quais


ela for medida e a temperatura dos enrolamentos.

Cuidados relativos à medição da temperatura:

a) Transformadores do tipo seco


Antes de cada medição o transformador deve permanecer pelo menos 3h em
repouso à temperatura ambiente.
A resistência e a temperatura do enrolamento devem ser medidas
simultaneamente. A temperatura do enrolamento deve ser medida através de
sensores localizados em posições representativas, de preferência dentro dos
enrolamentos, por exemplo, em um poço ou canal entre os enrolamentos de
alta-tensão e baixa-tensão.

b) Transformadores imersos em óleo


Deixa-se o transformador com óleo desenergizado durante pelo menos 3h,
depois se determina a temperatura média do óleo e considera-se que a
temperatura do enrolamento é igual a temperatura média do óleo. A

187
Informações Técnicas DT-11
temperatura média do óleo é adotada como a média das temperaturas do óleo
nas partes superior e inferior do tanque (topo e fundo do tanque).
Quando se mede a resistência a frio, com o propósito de determinar-se a
elevação de temperatura, é necessário envidar esforços especiais para
determinar com precisão a temperatura média do enrolamento. Portanto, a
diferença entre as temperaturas do óleo das partes superior e inferior deve ser
pequena. A fim de se obter este resultado mais rápido, pode-se fazer circular
óleo com ajuda de uma bomba.

Os valores de resistência medidos na temperatura do meio circundante são


convertidos para a temperatura de referência aplicável a respectiva tabela na NBR
5356, ou para outra temperatura.

Θ2 + K
R 2 = R1 ×
Θ1 + K

Onde:
R1: resistência medida na temperatura •1;
R2: resistência calculada na temperatura •2;
K: 234,5 para o cobre e 225,0 para o alumínio;
•1: temperatura do meio circundante, em °C; •2: temperatura de referência,
em °C.

R =V
I

Figura 8.1 - Resistência ôhmica - Princípio de medição

188
Informações Técnicas DT-11

Figura 8.2 - Resistência ôhmica - Circuito de Medição

Figura 8.3 - Resistência ôhmica – Ilustração de Medição

189
Informações Técnicas DT-11
Tabela 8.1 - Resistência ôhmica – Relatório de Ensaio

NOTA: A medição de resistência ôhmica deverá se efetuada entre todas as fases, em todos
os enrolamentos e, se houver comut ador externo, em todos os tap’s.

8.1.2. Relação de Transformação

O objetivo deste ensaio é medir a relação de tensões entre tensão primária e tensão
secundária de um transformador.

Com a medição é possível verificar o desvio entre a relação de tensão teórica


(nominal) e a medida, este valor não deve ser superior ao especificado pela norma
(geralmente 0,5%).

190
Informações Técnicas DT-11

V1 N 1
= = Re lação
V2 N 2

Figura 8.4 - Relação de Transformação - Princípio de medição

O ensaio geralmente é realizado com um instrumento chamado TTR (Transformer


Turns Ratiometer). Este instrumento executa a medição da tensão primária e
secundária simultaneamente e apresenta o valor da relação medida.

Cálculo da Relação de Transformação:

V1
= Re lação
V2
onde:
V1 = Tensão do Primário
V2 = Tensão do Secundário

Exemplo:

AT = 13800 V ligado em Delta


BT = 220 V ligado em Estrela
13.800
Relação Nominal = = 108,65
220 / 3

191
Informações Técnicas DT-11
Calculo do Erro(%):

Relação Medida − Relação Nominal


Erro (%) = × 100
Relação Nominal

Exemplo:

Relação medida = 108,58

108,58 − 108,65
Erro (%) = × 100 = −0,064
108,65

NOTA: A Relação de Transformação deve ser medida em todas as fases, em todas


as ligações e, se houver comutador, em todas as posições do comutador.

Figura 8.5 - Relação de transformação - Circuito de ensaio usando TTR trifásico

192
Informações Técnicas DT-11

Figura 8.6 - Relação de transformação – Ilustração de ensaio usando TTR trifásico

Apesar de o aparelho ser trifásico todas as medições são executadas


monofasicamente. Desta forma, a intenção de todos os cabos estarem conectados no
momento do ensaio é reduzir o tempo de troca dos cabos que é feita internamente no
TTR.

8.1.2.1. Polaridade

Este ensaio visa determinar a polaridade do transformador, que pode ser aditiva ou
subtrativa. Durante a medição da relação de transformação, o TTR demonstra a
polaridade da medição.

Em transformadores trifásicos a verificação da polaridade contribui para a avaliação


do deslocamento angular.

8.1.2.2. Deslocamento angular e seqüência de fases

Define-se Deslocamento Angular como sendo o ângulo existente entre as tensões


concatenadas primárias e tensões concatenadas secundárias considerando-se o
enrolamento de baixa tensão para o enrolamento de alta tensão no sentido anti-
horário (Vide item 2.7 desta apostila para maiores esclarecimentos).

193
Informações Técnicas DT-11

Figura 8.7 - Deslocamento angular – Representação gráfica do deslocamento angular

Durante a medição de relação de transformação verifica-se o deslocamento angular


através da verificação das ligações dos enrolamentos e da marcação dos terminais.

194
Informações Técnicas DT-11

Figura 8.8 - Exemplo de diagramas fasoriais, marcação dos terminais e ligações de


transformadores trifásicos

195
Informações Técnicas DT-11
Tabela 8.2 - Relação de transformação – Relatório de ensaio
Verificação da relação de transformação, polaridade e deslocamento angular

8.1.3. Perdas em Carga e Impedância de Curto-Circuito

Perdas em carga é a potência ativa absorvida, relativa a um par de enrolamentos, à


freqüência nominal e à temperatura de referência, quando a corrente nominal
(corrente de derivação) flui através do terminal de linha de um dos enrolamentos, e
estando os terminais do outro enrolamento curto-circuitados. Os demais enrolamentos
devem estar em circuito aberto.

O objetivo deste ensaio é medir as perdas no enrolamento e a tensão de curto-


circuito.

A corrente de alimentação deve ser pelo menos igual a 50% da corrente nominal
(corrente de derivação). As medidas devem ser feitas rapidamente para que as
elevações de temperatura não introduzam erros significativos. A diferença de

196
Informações Técnicas DT-11
temperatura do óleo entre as partes superior e inferior do tanque deve ser
suficientemente pequena para permitir a determinação da temperatura média, com a
precisão requerida.

Utiliza-se para a medição das perdas e da tensão um instrumento chamado


analisador de potência em conjunto com transformadores de medição de tensão e de
corrente.

O valor de perdas obtido deve ser corrigido à temperatura de referência. As perdas


por efeito Joule I2R (R sendo a resistência a corrente contínua) variam segundo a
resistência do enrolamento e as outras perdas são inversamente proporcionais à
resistência. A resistência deve ser determinada conforme 8.1.1.

O valor de impedância deve ser corrigido à temperatura de referência, assumindo-se


que a reatância é constante e que a resistência em corrente alternada calculada a
partir das perdas em carga, varia como visto acima.

Para transformadores de três enrolamentos, as medições são feitas para os três


pares de enrolamentos. Os resultados são recalculados considerando-se as
impedâncias e as perdas de cada enrolamento. As perdas totais para cargas
específicas para todos os enrolamentos, são determinadas como conseqüência.

Cálculo da Corrente nominal (IN):

Exemplo:

Potência: 45kVA
Tensão AT: 13.800V 45000
IN = ÷ 3 = 1,88 A
Tensão BT: 220 V 13800

197
Informações Técnicas DT-11

Figura 8.9 - Perdas em carga – Circuito de ensaio

Figura 8.10 - Perdas em carga – Ilustração de ensaio

198
Informações Técnicas DT-11
Tabela 8.3 - Perdas em carga – Relatório de ensaio

8.1.4. Perdas em Vazio e Corrente de Excitação

Perdas em vazio é a potência ativa absorvida quando a tensão nominal (tensão de


derivação) à freqüência nominal é aplicada aos terminais de um enrolamento, estando
o outro (ou outros) enrolamento(s) em circuito aberto.

Estas perdas consistem, principalmente, nas perdas por histerese e por correntes de
Foucault (parasitas) no núcleo e é função do valor, freqüência e forma de onda da
tensão de alimentação.

Corrente de excitação é o valor eficaz da corrente que flui através do terminal de linha
de um enrolamento, quando a tensão nominal (tensão de derivação) à freqüência
nominal é aplicada a este enrolamento, estando o outro (ou outros) enrolamento(s)
em circuito aberto.

As perdas em vazio e a corrente de excitação devem ser medidas em um dos


enrolamentos à freqüência nominal e com tensão igual à tensão nominal do
enrolamento sob ensaio.

O transformador deve estar aproximadamente à temperatura ambiente da fábrica.

199
Informações Técnicas DT-11

Para um transformador trifásico, a escolha do enrolamento e a conexão à fonte de


potência de ensaio devem ser feitas de modo a permitir que as tensões nas três fases
sejam tão simétricas e senoidais quanto possível.

A tensão de ensaio deve ser ajustada por um voltímetro que mede o valor médio da
tensão, mas que é graduado de modo a fornecer o valor eficaz de uma tensão
senoidal tendo o mesmo valor médio. O valor lido por este voltímetro é U’.

Simultaneamente, um voltímetro medindo o valor eficaz da tensão deve estar


conectado em paralelo com o voltímetro de valor médio, e a tensão U que ele indica
deve ser registrada.

A forma de onda da tensão de ensaio é satisfatória se U’ e U forem iguais com desvio


máximo de 3%.

Se a diferença das leituras entre os voltímetros for maior que 3%, a validade do
ensaio deve ser objeto de acordo entre fabricante e comprador.

Utiliza-se para a medição das perdas e da tensão um instrumento chamado


analisador de potência em conjunto com transformadores de medição de tensão e de
corrente.

Para um transformador trifásico


§ Tensão (eficaz) = Média das tensões das 3 fases
§ Tensão (média) = Média das tensões das 3 fases
§ Corrente (eficaz) = Média das correntes das 3 fases
§ Perdas = Somatória das perdas das 3 fases

Exemplo:

Transformador 45kVA - Ensaio realizado pela Baixa Tensão.


Potência: 45kVA
Tensão AT: 13.800V
Tensão BT: 220/127V
200
Informações Técnicas DT-11

Corrente de excitação medida (média das 3 fases) em Amperes: 3,55A


Perdas medidas (média das 3 fases) em Watts: 213W

Cálculo da Corrente Nominal:

Potência 45000
IN = IN = ÷ 3 IN = 118,09A
Tensão BT/ 3 220
Cálculo da Corrente de Excitação em Percentagem:

I0(medida ) 3,55
I 0% = × 100 I0 % = × 100 I0% = 3,0%
Corrente Nominal 118,09

Figura 8.11 - Perdas em vazio – Circuito de medição

201
Informações Técnicas DT-11

Figura 8.12 - Perdas em vazio – Ilustração de medição

202
Informações Técnicas DT-11
Tabela 8.4- Perdas em vazio - Relatório de ensaio

203
Informações Técnicas DT-11

8.1.5. Resistência do Isolamento


A resistência do isolamento, embora sujeita às grandes variações da temperatura,
umidade e a qualidade do óleo isolante empregado, é um valor que dá idéia do estado
do isolamento antes de submeter o transformador aos ensaios dielétricos. Além disso,
as medições permitem um acompanhamento do processo de secagem do
transformador.

Este ensaio não constitui critério para aprovação ou rejeição do transformador,


conforme NBR 5356.

Por ser uma simples medição sem valor de referência, geralmente verificamos a
existência de falhas grosseiras (curto entre enrolamentos ou entre enrolamento e
massa) no isolamento.

Mede-se a resistência do isolamento com um megaohmímetro de 1.000V, no mínimo,


para enrolamentos de tensão máxima do equipamento igual ou inferior a 72,5kV e de
2.000V para tensões superiores. O ensaio é realizado em corrente contínua.

Curto-circuita-se os terminais de cada enrolamento do transformador sob ensaio. A


Resistência do isolamento deve ser medida antes dos ensaios dielétricos (tensão
suportável nominal a freqüência industrial e tensão induzida).

Os critérios e a interpretação dos valores encontrados variam de acordo com a prática


e a experiência do fabricante e do usuário.

204
Informações Técnicas DT-11

Figura 8.13 - Resistência do isolamento – Circuito de ensaio

Figura 8.14 - Resistência do iIsolamento – Ilustração de ensaio

205
Informações Técnicas DT-11
Tabela 8.5 - Resistência do isolamento – Relatório de ensaio

206
Informações Técnicas DT-11

8.1.6. Ensaios Dielétricos de Rotina

Os ensaios dielétricos se subdividem em:

a) Tensão suportável à freqüência industrial (tensão aplicada);


b) Tensão induzida – curta e longa duração;
c) Impulso – atmosférico e de manobra.

Podem ser classificados como rotina, tipo ou especial conforme tabela abaixo:

8.1.6.1. Tensão suportável à freqüência industrial

Este ensaio visa verificar a isolação e distâncias elétricas de alta e baixa tensão
contra a massa (tanque, viga, tirantes, etc.).

O transformador deve suportar os ensaios de tensão suportável nominal á freqüência


industrial (tensão aplicada) durante 1 minuto.

Deve ser aplicada a tensão de ensaio correspondente ao nível de isolamento


especificado de acordo com as tabelas 2 da NBR 5356 entre os terminais do
enrolamento e a terra sem que se produzam descargas disruptivas e sem que haja
evidência de falha.

207
Informações Técnicas DT-11
Todos os terminais externos do enrolamento sob ensaio devem ser ligados ao
terminal da fonte de ensaio. Todos os terminais externos dos demais enrolamentos e
partes metálicas (inclusive tanque e núcleo) devem ser ligados a terra.

Tabela 8.6 – Níveis de isolamento para tensões máximas do equipamento iguais ou


inferiores a 242kV

Fonte: NBR 5356 (tabela 2)

208
Informações Técnicas DT-11

Figura 8.15 - Tensão aplicada – Circuito de ensaio


Verificação da alta tensão

Figura 8.16 - Tensão aplicada – Ilustração de ensaio


Verificação da alta tensão

209
Informações Técnicas DT-11

8.1.6.2. Tensão induzida

O ensaio de tensão aplicada tem por finalidade a verificação do isolamento entre os


enrolamentos de AT e BT, e entre ambos e a massa. Entretanto, o fato conhecido é
que pode ocorrer defeito de isolamentos entre as próprias espiras de um mesmo
enrolamento.

Situação normal Situação de Ensaio


Figura 8.17 - Tensão induzida - Princípio do ensaio

Aplica-se uma tensão igual ao dobro da tensão de derivação utilizada no ensaio com
o circuito em vazio, porém, este valor não pode ultrapassar ao valor correspondente
ao nível de isolamento especificado na tabela 2 da NBR 5356.

Transformadores de tensão máxima do equipamento igual ou inferior à 170kV devem


ser capazes de suportar o ensaio de tensão induzida de curta duração sem que
produzam descargas disruptivas e sem que haja evidência de falha. A duração do
ensaio deve ser de 7.200 ciclos com freqüência de ensaio não inferior à 120Hz e não
superior à 480Hz.

A freqüência do ensaio deve ser aumentada para não saturar o núcleo já que será
aplicado um valor em torno do dobro da tensão nominal.

Neste ensaio utiliza-se o analisador de potência para medição da tensão induzida nos
terminais do transformador sob ensaio.

210
Informações Técnicas DT-11

240 Hz

Figura 8.18 - Tensão induzida – Circuito de ensaio

240 Hz

Figura 8.19 - Tensão induzida – Ilustração de ensaio

211
Informações Técnicas DT-11

8.1.6.3. Tensão induzida com medição de descargas parciais

Para tensões Um > 72,5kV, o ensaio de tensão induzida é normalmente feito com
medição de descargas parciais. A medição de descargas parciais durante toda a
duração do ensaio é uma ferramenta valiosa tanto para o fornecedor quanto para o
comprador. O aparecimento de descargas parciais durante o ensaio pode indicar uma
deficiência no isolamento antes que ocorra a ruptura. Este ensaio verifica uma
operação livre de descargas parciais durante as condições operacionais.

O fenômeno das descargas parciais ocorre em cavidades ou inclusões de constante


dielétrica diferente, e se distribui pelo material, submetendo a cavidade ou inclusão a
um gradiente de tensão em excesso ao gradiente máximo suportável pela mesma.
Este fenômeno dará origem a pequenas descargas disruptivas no interior da
cavidade, acarretando um processo temporal de deterioração progressiva do material
e eventualmente a falha do equipamento.

Figura 8.20 - Classificação das descargas parciais

212
Informações Técnicas DT-11
Exemplo de descarga parcial interna Exemplo de descarga parcial externa

Exemplo de descarga parcial externa Exemplo de descarga parcial interna


ou corona e superficial

Figura 8.21

As descargas parciais internas causam deterioração progressiva do material isolante


e eventualmente podem levar a perfuração completa do mesmo. Os mecanismos de
deterioração podem ser causados por vários fenômenos, tais como:

§ Bombardeamento iônico e eletrônico, causando aquecimento do anodo e


catodo, erosão destas superfícies e processos químicos na superfície
(polimerização, quebra de moléculas, formação de gases, etc);
§ Formação de produtos químicos no gás ionizado, tais como, ácido nítrico,
ozônio, etc;
§ Formação de irradiação ultravioleta e raio-X suave.

Estes efeitos são acumulativos e causam a deterioração progressiva e acelerada do


dielétrico.

213
Informações Técnicas DT-11

Dependendo do tipo de material, um efeito será mais agressivo que outros. Por
exemplo, em alguns tipos de plástico, a degradação térmica é mais acentuada, já em
bobinas de alternadores, onde o material utilizado é a mica, o mecanismo principal é o
bombardeamento iônico. Em estudos de descargas em papel isolante impregnado
com óleo, cavidades próximas ao condutor atacam o isolante e após perfurar as
primeiras camadas de papel, descargas superficiais ocorrem ao longo destas
camadas, formando arvorejamento e trilhamento, as quais são formadas nos pontos
mais fracos do isolamento.

Este processo conduz a um sobreaquecimento local e a perfuração completa do


dielétrico.

A deterioração e a expectativa de vida útil do dielétrico dependem de muitas variáveis.


Elas são diretamente proporcionais ao número de descargas e, portanto a freqüência,
a amplitude a ao gradiente da tensão aplicada. Ela depende também da magnitude da
descarga e da natureza do dielétrico. No caso onde tensão contínua é aplicada
podemos esperar uma expectativa de vida bem maior do que para tensões
alternadas, uma vez que o número de descargas será muito menor, mesmo quando o
gradiente de tensão é maior que o gradiente de tensão usual para tensão alternada.

As descargas parciais dão origem a uma série de fenômenos físicos e químicos, os


quais podem ser utilizados para detecção da presença das descargas parciais. Estes
fenômenos estão apresentados a seguir:

§ Fenômenos Elétricos (perdas dielétricas e impulsos elétricos)


§ Radiação Eletromagnética
§ Luz
§ Calor
§ Ruído Acústico
§ Pressão de Gases
§ Transformações Químicas

Destes fenômenos, o mais freqüentemente utilizado para detecção é o fenômeno


elétrico, por sua sensibilidade maior. Utiliza-se também, em aplicações especiais, o
214
Informações Técnicas DT-11
fenômeno do ruído acústico, como por exemplo, para detecção e localização de DP
em grandes transformadores de força e o fenômeno das transformações químicas,
gerando gases, que podem ser detectados em análises de gases dissolvidos em óleo
isolante de transformadores, indicando assim a presença das DP.

MÉTODOS NÃO-ELÉTRICOS

§ DETEÇÃO POR LUZ: As descargas parciais internas podem ser vistas se o


material isolante for translúcido. A radiação é muito tênue, contudo esta pode
ser intensificada pelo aumento da freqüência da tensão aplicada. Com este
método é possível observar descargas parciais superficiais e externas
(Corona).

§ DETEÇÃO POR CALOR: O aumento da temperatura provocado pelas


descargas pode ser medido por termoacopladores dispostos ao longo do
dielétrico. É possível também sentir o aumento da temperatura na superfície de
cabos e buchas submetidos a ensaios de alta tensão por contato manual. Este
método é bastante insensível e a magnitude das descargas não pode ser
medido.

§ DETEÇÃO POR RUÍDO ACÚSTICO: A detecção aural é um método bastante


antigo e é possível escutar descargas superficiais em buchas e cabos. A
sensibilidade deste método é em torno de 50 a 80pF. Utilizam-se, no caso de
transformadores de potência de alta tensão, microfones de contato fixados na
superfície do tanque principal operando na faixa do ultrasom. A sensibilidade
deste método é limitada pelo fenômeno de magnetostrição do núcleo do
transformador, que gera ruído na mesma faixa de freqüência.

§ PRESSÃO DE GÁS: Pode medir a pressão do ar na cavidade onde ocorre a


descarga. Devido às reações químicas a pressão do gás descresse logo que
as descargas ocorrem. Este método é muito restrito e a sensibilidade não é
conhecida.

§ TRANSFORMAÇÕES QUÍMICAS: A ocorrência de produtos químicos e


trilhamento produzidos pelas descargas podem ser utilizadas para detecção e
215
Informações Técnicas DT-11
localização. Muitas vezes o material dielétrico tem que ser demolido para
verificação. Descargas em óleo isolante geram gases específicos, os quais
podem indicar a presença de descargas.

MÉTODOS ELÉTRICOS

A detecção dos impulsos elétricos causados pelas descargas parciais é um dos


métodos mais populares e existe uma grande variedade de circuitos em uso para
detectar estas descargas, estes circuitos são baseados em um modelo básico, que
apresentamos na figura a seguir:

Figura 8.22 - Descargas parciais – Circuito de ensaio

216
Informações Técnicas DT-11

Figura 8.23 - Descargas parciais – Ilustração de ensaio

Em qualquer dos casos acima (métodos elétricos e não-elétricos), é preciso estar


atento as seguintes aspectos:

§ DETEÇÃO: determinar a ausência ou a presença de descargas e a tensão na


quais as mesmas aparecem. Existem vários métodos elétricos para realizar
esta detecção.
§ MEDIÇÃO: a magnitude das descargas deve ser medida, processo este que
requer algum tipo de calibração do sistema de medida.
§ LOCALIZAÇÃO: A localização das descargas compreende a determinação do
local físico de ocorrência das DP, a escolha do método depende do tipo de
material isolante e do equipamento no qual o mesmo é utilizado. Métodos
acústicos são muito empregados para localização provável de DP em
transformadores de força de alta tensão.
§ AVALIAÇÃO: Consiste em determinar o perigo produzido pelas descargas
parciais e avaliar a vida útil em função das mesmas. Geralmente, esta
avaliação é muito difícil.

O método elétrico utilizado pela WEG é o de carga aparente (pC).

O valor máximo para transformadores a óleo é 300pC e para transformadores a seco,


10pC.

217
Informações Técnicas DT-11
Tabela 8.7 - Descargas parciais – Relatório de ensaio

218
Informações Técnicas DT-11
8.1.6.4. Impulso

8.1.6.4.1. Introdução

IMPULSO - “Tensão ou corrente transitória aperiódica aplicada intencionalmente que,


em geral, cresce rapidamente até o valor de crista e depois decresce mais lentamente
até o zero”. NBR-6936

Desde o início da transmissão de potências em alta tensão, foi necessário demonstrar


a capacidade dos equipamentos elétricos em suportar sobretensões decorrentes de
descargas atmosféricas (sobretensões externas) e de surtos de manobra
(sobretensões internas).

As sobretensões de origem externa são devidas às descargas atmosféricas diretas ou


próximas aos elementos componentes do sistema elétrico, tais como as linhas de
transmissão e os equipamentos instalados em subestações (transformadores,
disjuntores, pára-raios, secionadores, etc.). As correntes resultantes das descargas
atmosféricas podem atingir até 200kA, com tempos de crescimento de 1µs a 10µs.

O surto de tensão desenvolvido no sistema elétrico está relacionado ao surto de


corrente injetado pela descarga atmosférica incidente através da impedância de surto
ou impedância característica da linha de transmissão. Estas sobretensões podem
atingir a várias dezenas de milhares de volts, com taxas de crescimento elevadas,
representando um real perigo aos equipamentos elétricos, submetendo
principalmente o isolamento entre espiras das porções iniciais dos enrolamentos de
transformadores e geradores a severos esforços dielétricos.

As sobretensões de origem interna quase sempre são devidas às manobras ou


chaveamentos no sistema elétrico, sendo uma das mais severas o religamento em
alta velocidade de linhas de transmissão trifásicas com carga residual, quando a
sobretensão pode atingir até a amplitude de 4pu.

Os surtos de manobra caracterizam-se por possuir tempo de crescimento de algumas


centenas de µs e duração de vários milhares de µs, possuindo em geral energia

219
Informações Técnicas DT-11
superior ao dos surtos atmosféricos, principalmente em sistemas elétricos cuja tensão
de operação é superior a 230kV. Tais surtos de tensão submetem, principalmente, a
isolação externa de equipamentos de alta tensão a esforços dielétricos significativos,
sendo crítico para o dimensionamento dos espaçamentos mínimos em linhas de
transmissão e equipamentos elétricos empregados em sistemas de extra alta tensão.

A amplitude dos surtos de origem interna ou surtos de manobra pode ser minimizada
através do emprego de resistores de pré-inserção em disjuntores, drenagem
(descarga) da carga residual de linhas de transmissão e outras técnicas construtivas e
critérios adequados de operação do sistema elétrico. O emprego de técnicas
apropriadas possibilita que sistemas elétricos com tensão de operação de 550kV
sejam projetados com sobretensões devidas aos surtos de manobra limitadas a 2 pu.
De modo similar, a sobretensão interna máxima gerada em sistemas 765kV e
1.000kV não ultrapassa a 1,3pu. Sistemas elétricos projetados assim, passam a ter os
espaçamentos mínimos determinados principalmente pela tensão de operação do
sistema sob condições de chuva e poluição intensa, as quais podem causar sensível
redução na capacidade de isolação externa de equipamentos elétricos em extra-alta
tensão.

Os equipamentos elétricos, de acordo com estudos de coordenação de isolamento,


caracterizam-se por possuir níveis de isolamento padronizados, ditados pela sua
tensão nominal de operação e denominados: NBI (Nível Básico de Isolamento) para
determinar a suportabilidade do equipamento em relação às sobretensões de origem
externa e NIM (Nível de Impulso de Manobra) para as sobretensões de origem
interna.

220
Informações Técnicas DT-11

Fonte: Tabela 2 – NBR-5356

Fonte: Tabela 3 – NBR-5356

221
Informações Técnicas DT-11

Os geradores de impulso são então necessários para verificar as condições de


suportabilidade dos equipamentos elétricos de alta tensão, quando submetidos a
esforços dielétricos normalizados.

Adicionalmente, os geradores de impulso são necessários na pesquisa e


desenvolvimento de novos equipamentos elétricos e materiais isolantes, bem como
no estudo dos fenômenos associados às altas tensões.

Vários ensaios de alta tensão são usualmente realizados com o gerador de impulso
destacando-se os ensaios de impulso atmosférico e impulso de manobra, pelos quais
se simula, em laboratório, sobretensões de elevada ordem, originadas,
respectivamente, por descargas atmosféricas e surtos provenientes de chaveamentos
no sistema de potência. O ensaio aplicado, por exemplo, a um transformador de força,
cuja tensão nominal do enrolamento de tensão superior é de 550kV, exige a aplicação
de tensões da ordem de 1.550kV para o ensaio de impulso atmosférico e, de 1.250kV
para o ensaio de impulso de manobra.

Em aplicações práticas de laboratórios de alta tensão, os ensaios de impulso


atmosférico são realizados com maior freqüência que os ensaios de impulso de
manobra, em virtude da maioria dos equipamentos utilizados no sistema de geração,
transmissão e distribuição de energia elétrica estarem mais sujeitos às sobretensões
de origem atmosférica, provocadas pela incidência direta ou indireta de raios.
Segundo a norma brasileira, é recomendada a realização de ensaios de impulso de
manobra somente em equipamentos com tensão nominal não inferior a 230kV.

8.1.6.4.2. Circuito de ensaio

O circuito para ensaio de tensão de impulso atmosférico e de manobra pode ser


dividido em cinco partes distintas:

a) gerador de impulso, com seus componentes adicionais;


b) objeto sob ensaio;
c) circuito de medição de tensão;

222
Informações Técnicas DT-11
d) circuito de corte, quando aplicável;

a) Gerador de impulso

Entre as diversas técnicas utilizadas para a geração de impulsos de tensão, a mais


prática e eficiente é a que utiliza uma associação de capacitores em série, em um
circuito desenvolvido por Marx, no início do século, podendo ser utilizado tanto para a
geração de impulsos atmosféricos quanto os de manobra.

O circuito multiplicador de Marx está apresentado na figura a seguir, constituído por


apenas 4 estágios, onde RL é denominada resistência de carga, RS a resistência de
frente, Rp a resistência de cauda e Cs a capacitância de cada estágio, sendo o objeto
de ensaio representado somente por sua capacitância Cb, em relação a terra.

Figura 8.24 - Gerador de impulso de Marx

O princípio de funcionamento do gerador de impulso consiste em carregar os


capacitores Cs de todos os estágios em paralelo, através de uma fonte de corrente
contínua usualmente com tensão máxima da ordem de 50kV a 200kV. E terminado o
período de carga, a energia armazenada no gerador de impulso é descarregada no
terminal de alta tensão do objeto sob ensaio, pela disrupção intencional dos
centelhadores de esfera SG, conectando, assim, todos os estágios em série. A tensão
máxima a ser aplicada ao objeto sob ensaio será, então, a soma das tensões de
carga armazenadas nos estágios individuais.

223
Informações Técnicas DT-11
O gerador de impulso da WEG é formado por 24 estágios. Sua tensão máxima de
carga será equivalente a 2.400kV quando todos os estágios tiverem sido
individualmente carregados com a tensão de 100kV.

b) Objeto sob ensaio

O objeto sob ensaio, no caso, pode ser um transformador, reator, autotransformador


caracterizado por sua capacitância efetiva Ct e sua indudância Lt.

c) Circuito de medição da tensão

O circuito de medição de tensão é constituído por um divisor de tensão e um ou mais


instrumentos de medição.

Normalmente é usado um osciloscópio como instrumento de medição, juntamente


com um voltímetro de crista. O osciloscópio é usado para registrar a forma de impulso
e o valor da crista.

d) Circuito de corte

O circuito de corte consiste de um centelhador que é ligado entre o terminal ensaiado


do objeto sob ensaio e a terra, através de condutores. Pode ser usado um
centelhador de pontas ou algum tipo de centelhador com disparo controlado.

Somente a utilização do centelhador com disparo controlado permite um ajuste do


tempo de corte com uma precisão suficiente para obterem-se tempos até o corte
razoavelmente idênticos, que permitam a constatação de falhas por comparação de
oscilogramas após o corte.

224
Informações Técnicas DT-11

Figura 8.25 - Impulso – Circuito de ensaio

Figura 8.26 - Impulso – Ilustração de ensaio

225
Informações Técnicas DT-11

8.1.6.4.3. Forma de onda de impulso

Desprezando-se o efeito da indutância e das capacitâncias parasitas no circuito de


ensaio, o impulso de tensão aplicado ao equipamento em teste terá uma forma de
onda similar à apresentada a seguir.

Gráfico 8.1 - Forma de onda de impulso pleno

Os impulsos atmosféricos se caracterizam por possuir forma de onda padronizada


como 1,2/50, sendo o tempo virtual de frente igual a 1,2µs e o tempo virtual de cauda
equivalente a 50µs. A sua caracterização é feita com base na amplitude da onda de
tensão, nos tempos virtuais de frente e de cauda e, eventualmente, no tempo virtual
até a disrupção, se o objeto sob ensaio não suportar a aplicação do impulso de
tensão. A determinação dos tempos virtuais é realizada em função do zero virtual O’,
definido pela reta que passa pelos pontos correspondentes a 30% e 90% do valor de
crista, na frente da onda de impulso.

Assim, o tempo virtual de frente é determinado pelo produto da constante 1,67 e do


intervalo de tempo definido pelos instantes de 30% e 90% do valor de crista da onda
de impulso atmosférico. De modo similar, o tempo virtual de cauda é definido pelo

226
Informações Técnicas DT-11
intervalo de tempo compreendido entre o zero virtual O’ e o instante em que a tensão
tenha sido reduzida para 50% do valor de crista.

A forma de onda de impulso cortado é apresentada a seguir.

Gráfico 8.2 - Forma de onda de impulso cortado

O impulso cortado caracteriza-se por possuir tempo de frente igual ao tempo do


impulso pleno e logo em seguida é cortado com o auxílio dos centelhadores de corte.
O corte deve ficar entre 2µs e 6µs. Ou seja, a tensão atinge seu máximo em 1,2µs e
logo em seguida é cortada, simulando desta forma a atuação de um dispositivo de
proteção como o para-raio.

Na prática comum de laboratórios de alta tensão, a realização do ensaio de impulso


em um determinado protótipo de equipamento elétrico é constituída pela montagem
do equipamento que será testado, pelo ajuste do gerador de impulso com resistores
adequados para um dado número de estágios utilizados, pela calibração da forma de
onda e pela execução propriamente dita do procedimento de ensaio, atendendo
rigorosamente às prescrições das normas técnicas apropriadas.

227
Informações Técnicas DT-11
8.1.6.4.4. Procedimento de ensaio para impulso atmosférico

O ensaio de impulso atmosférico é a combinação de aplicações de impulso pleno e


impulso cortado numa única seqüência. A ordem recomendada para a aplicação dos
diferentes impulsos é:

§ Ajuste da forma de onda – Tempo frente=1,2µs / Tempo cauda=50µs


§ Um impulso pleno com valor reduzido - 60%
§ Um impulso pleno com o valor especificado - 100%;
§ Um impulso cortado com valor reduzido - 60%
§ Dois impulsos cortados com valor especificado - 110%;
§ Dois impulsos plenos com o valor especificado - 100%.

Após o ajuste da forma de onda, a aplicação dos impulsos atmosféricos é feita em


cada bucha do transformador onde tenha sido especificado o NBI.

São usados os mesmos tipos de canais de medição e oscilogramas ou registros


digitais para impulsos plenos e cortados.

Em principio, a detecção de falha durante o ensaio de onda cortada depende


essencialmente da comparação entre os registros com onda especificada e reduzida.

228
Informações Técnicas DT-11
Exemplo:

Alta tensão Baixa tensão


Tensão
138 kV 12,6 kV
nominal
Ligação Delta Estrela
Classe
142 kV 15 kV
tensão
95 kV
NBI 450 kV (fases e
neutro)

Durante a aplicação deve ser registra a forma de onda da tensão e da corrente


aplicadas.

Neste caso teríamos seguinte seqüência de aplicação em cada bucha do


transformador:
Alta tensão
§ Um impulso pleno com valor reduzido - 60% = 270kV – 1º
§ Um impulso pleno com o valor especificado - 100% = 450kV – 2º
§ Um impulso cortado com valor reduzido - 60% = 297kV – 3º
§ Dois impulsos cortados com valor especificado - 110% = 495kV – 4º
495kV – 5º
§ Dois impulsos plenos com o valor especificado - 100% = 450kV – 6º
450kV – 7º
Total: 7 aplicações x 3 buchas = 21 aplicações na alta tensão.

Baixa tensão
§ Um impulso pleno com valor reduzido - 60% = 57kV – 1º
§ Um impulso pleno com o valor especificado - 100% = 95kV – 2º
§ Um impulso cortado com valor reduzido - 60% = 63kV – 3º
§ Dois impulsos cortados com valor especificado - 110% = 105kV – 4º
105kV – 5º
§ Dois impulsos plenos com o valor especificado - 100% = 95kV – 6º
95kV – 7º
Total: 7 aplicações x 4 buchas = 28 aplicações na baixa tensão.

229
Informações Técnicas DT-11
A avaliação do transformador se dá pela comparação dos registros oscilográficos das
aplicações de impulso reduzido e especificado do mesmo tipo. No exemplo anterior
devemos fazer a seguinte comparação de cada bucha.

Alta tensão
Forma de onda da Tensão Forma de onda da Corrente
Comparar 1º com 2º, 6º e 7º Comparar 1º com 2º, 6 º e 7º
Comparar 3º com 4º e 5º Comparar 3º com 4º e 5º

Não deverá haver diferenças nas comparações. Caso isto ocorra deverá ser
investigado o circuito e uma possível falha interna.

Gráfico 8.3 - Impulso - Sistema de coleta de dados HIAS


Comparação de forma de onda de tensão.

230
Informações Técnicas DT-11
Tabela 8.8 - Impulso – Relatório de ensaio

231
Informações Técnicas DT-11

8.1.6.4.5. Procedimento de ensaio para impulso de manobra

O impulso de manobra difere do impulso atmosférico pelo tempo de aplicação.


Comparando temos:

Impulso atmosférico Impulso de manobra


Tempo frente 1,2µs 250µs
Tempo cauda 50µs 2500µs

A forma de onda é praticamente a mesma, contudo os tempos de frente e de cauda


são muito maiores durante o impulso de manobra. Isto implica numa energia muito
maior de ensaio. As tensões de impulso de manobra são menores do que o impulso
atmosférico conforme tabela da NBR-5356.

Fonte: Tabela 3 – NBR-5356

A seqüência de aplicação do impulso de manobra é a seguinte:

a) ajuste da forma de impulso – Tempo frente=250µs / Tempo cauda=2.500µs


b) aplicação de um impulso com valor reduzido de polaridade negativa – 60%

232
Informações Técnicas DT-11
c) aplicação de três impulsos com o valor suportável nominal, de polaridade
negativa – 100%

Os oscilogramas de tensão e de corrente registrados durante o ensaio devem ser


comparados correspondentemente entre si para a avaliação final do transformador.

8.1.7. Ensaios de Comutador de Derivações em Carga

Quando houver comutador de derivações em carga, este deve estar completamente


montado no transformador. A seqüência de operações seguinte deve ser efetuada
sem nenhuma falha:

a) oito ciclos completo de funcionamento, com o transformador desenergizado


(um ciclo de funcionamento vai de um extremo da faixa de derivação ao outro
extremo, retornando em seguida);
b) um ciclo completo de funcionamento, com o transformador desenergizado, com
85% da tensão nominal de alimentação dos auxiliares;
c) um ciclo completo de funcionamento com o transformador energizado, em
vazio, à tensão e freqüência nominais;
d) com um enrolamento em curto-circuito e com corrente mais próxima possível
da corrente nominal no enrolamento com derivações, dez operações de
mudança de derivações entre dois degraus de cada lado da posição onde o
seletor de reversão de derivações opera, ou de outra forma em torno da
derivação central.

233
Informações Técnicas DT-11

Figura 8.27 - Comutador sob carga – Caixa de comando

Figura 8.28 - Comutador sob carga – Parte ativa

234
Informações Técnicas DT-11

8.1.8. Estanqueidade e Resistência à Pressão

Os transformadores precisam estar hermeticamente fechados para garantir que não


vazem. Desta forma, o ensaio de estanqueidade visa verificar todos os pontos críticos
em relação a vazamentos como vedações, apertos de parafusos da tampa, aperto
das buchas, etc.

Neste ensaio, a pressão é aplicada por meio de ar comprimido ou nitrogênio, secos,


agindo sobre a superfície do óleo, e é lida num manômetro instalado entre a válvula
de admissão do ar e o transformador. Atingida a pressão especificada na tabela a
seguir, interromper a entrada do gás, fechando a válvula no tubo de fornecimento.
Esta pressão deve manter-se constante durante o tempo de aplicação especificado.

Tabela 8.9 - Valores para estanqueidade e resistência a pressão

8.1.9. Verificação do Funcionamento dos Acessórios

Serão citados alguns acessórios comuns aos transformadores e métodos de


verificação de funcionamento. Poderá haver outros acessórios não mencionados
neste capítulo que podem ser testados observando o diagrama elétrico do mesmo.

§ Indicador externo de nível de óleo


Movimentar o ponteiro até atingir a marcação de nível mínimo do mostrador,
para se verificar a operação do contato. Esta operação pode ser verificada,
através da medição da continuidade elétrica do circuito de contato, com um
ohmímetro ou dispositivo sinalizador.

§ Indicador de temperatura do óleo

235
Informações Técnicas DT-11
Imergir, em banho de óleo aquecido, o elemento sensor do indicador sob
ensaio e o de um termômetro a álcool. Agitar o óleo e registrar as leituras de
ambos, após a estabilização da temperatura, e compará-las. Esta comparação
deve ser efetuada nos quatro pontos da escala, correspondentes a 1/4, 1/2, 3/4
e 4/4 da graduação máxima. A verificação da atuação dos contatos é efetuada
quando da passagem do ponteiro pelos valores previamente ajustados. Esta
constatação pode ser feita com o auxílio de um ohmímetro ou dispositivo
sinalizador.

§ Relé detetor de gás tipo Buchholz ou equivalente


Em relés providos de botão de acionamento mecânico das bóias, a verificação
da atuação dos contatos de alarme e desligamento é efetuada através do
acionamento manual do referido botão.
Em relés não providos de botão de acionamento mecânico das bóias, a
verificação da atuação dos contatos de alarme e desligamento é efetuada
escoando-se o óleo do relé com as válvulas anterior e posterior a ele fechadas.
Após este procedimento, o volume de óleo do relé deve ser restabelecido, a fim
de se verificar a operação inversa de atuação dos contatos.
Alternativamente, a atuação do contato de alarme pode ser verificada
injetando-se ar, lentamente, no relé, através do registro de ensaio, utilizando-se
uma bomba de ar ou outro dispositivo adequado. A verificação de atuação do
contato de alarme deve ocorrer quando o volume de ar injetado atingir o nível
indicado no visor.

§ Indicador de temperatura do enrolamento


Para a calibração do dispositivo da imagem térmica, aplicar na resistência de
aquecimento um valor de corrente que corresponda à condição de operação do
transformador para a qual é disponível o gradiente de temperatura óleo-
enrolamento, ajustar o valor da resistência de calibração num valor que
corresponda à temperatura desejada. O fabricante deve registrar os dados de
calibração para os diversos estágios de resfriamento previstos no projeto do
transformador.

236
Informações Técnicas DT-11
§ Comutador sem tensão
O funcionamento do comutador sem tensão é normalmente verificado durante
a realização dos ensaios de relação de tensões e resistência elétrica do
enrolamento. Verificar a correspondência entre a indicação de cada posição do
comutador e a relação de tensões medida. Caso o comutador possua contato
de bloqueio contra acionamento indevido, a sua atuação deve ser verificada
através de um ohmímetro ou dispositivo sinalizador.

§ Ventilador
Acionar o dispositivo de comando manual e observar a partida do ventilador, o
seu sentido de rotação e fluxo de ar. Durante o funcionamento, observar se há
ocorrência de vibração anormal. Após a desenergização, observar o tempo de
queda de rotação, constatando o correto funcionamento dos mancais e
balanceamento da hélice.

§ Bomba de óleo
Verificar o posicionamento de montagem da bomba, de acordo com o sentido
do fluxo desejado. Energizar a bomba e observar sua partida e o indicador de
circulação do óleo. Durante o funcionamento, verificar se há ocorrência de
vibração anormal. Quando houver medidor de vazão, comparar o valor indicado
com a vazão nominal da bomba de óleo.

§ Indicador de circulação de óleo


Sendo conhecido o sentido do fluxo de óleo, verificar a correta indicação deste
aparelho. A verificação da atuação do contato auxiliar é efetuada através de um
ohmímetro ou dispositivo sinalizador.

§ Dispositivo para alivio de pressão


Quando o dispositivo for do tipo válvula, verificar a atuação do contato auxiliar
através de um ohmímetro ou dispositivo sinalizador.

237
Informações Técnicas DT-11

Figura 8.29 - Acessórios – Painel de comando e alguns acessórios

8.1.10. Verificação da Espessura e Aderência da Pintura

O aspecto da pintura deve estar isento de defeitos tais como: enrugamento,


empolamento, efeito casca de laranja, esfoliação, pontos de oxidação, fissuras,
trincas, descaimentos, porosidade, crateras, impregnação de abrasivos e
contaminações. Os ensaios na pintura devem ser executados de acordo com a NBR
11388.

Para transformadores com Um > 242kV a verificação da pintura é considerada ensaio


de rotina, para os demais, ensaio de tipo e são feitos por amostragem.

Os ensaios devem ser feitos conforme a seguir:

a) a espessura especificada deve ser medida em, pelo menos, três pontos do
tanque principal e em um ponto da tampa do transformador;
b) a aderência especificada na NBR 11388 e deve ser verificada pelo método do
corte em grade ou pelo método do corte em X, de acordo com a NBR 11003.
Para sistemas de pinturas especiais (pintura sobre galvanização etc.), deve ser
usado o método do corte em X.

238
Informações Técnicas DT-11
8.2. ENSAIOS DE TIPO

Os ensaios de tipo são realizados em um transformador que representa os outros


transformadores, com o objetivo de demonstrar que estes transformadores atendem
as condições especificadas não cobertas pelos ensaios de rotina.

Os ensaios de tipo são os seguintes:

a) ensaio de elevação de temperatura;


b) nível de ruído;

8.2.1. Elevação de Temperatura

Trata-se de um ensaio fundamental para comprovação da potência nominal do


transformador que procura simular as condições nominais de operação (plena carga),
fundamental, especialmente nos dias atuais onde a escassez de investimentos
provoca verdadeiros desafios quanto à existência de eventuais reservas operacionais.

Os ensaios de elevação de temperatura em transformadores imersos em óleo incluem


a determinação da elevação da temperatura do topo do óleo e das elevações de
temperatura dos enrolamentos. Com os resultados obtidos neste ensaio, podemos
obter a comprovação da potência real do transformador.

O ensaio de elevação de temperatura poderia ser realizado colocando-se o


transformador em operação nominal, determinando-se em seguida as temperaturas
em pontos distintos. Isso seria válido para pequenos transformadores onde a
simulação da carga nominal é relativamente fácil de se obter. Entretanto, para médias
e grandes potências, o problema tornar-se-ia maior e mesmo impraticável. A
normalização brasileira recomenda quatro processos para se determinar a elevação
de temperatura (métodos da carga efetiva, circuito aberto, oposição e curto-circuito),
dentre os quais destacamos o método do curto-circuito, mais difundido para
determinação das condições térmicas do óleo e do enrolamento de um transformador
de potência de forma indireta, com resultados consagradamente reconhecidos.

239
Informações Técnicas DT-11
A técnica consiste em se colocar um dos enrolamentos em curto-circuito e no outro
aplicar uma tensão tal que produza nos enrolamentos as respectivas perdas totais
(perdas em vazio + perdas em carga) que seriam responsáveis pela geração de calor
produzido pela operação do transformador em condições nominais.

Durante a aplicação da corrente nominal é monitorada a temperatura ambiente


utilizando 3 sensores distribuídos em volta do transformador. A temperatura do topo
do óleo também é monitorada com um sensor posicionado no topo do óleo no tanque.
principal

Figura 8.30 - Elevação de temperatura – Circuito de ensaio

Figura 8.31 - Elevação de temperatura – Ilustração de ensaio

240
Informações Técnicas DT-11
Local do ensaio deve ser o local fechado e que não sofra interferência de temperatura
externa.

Como a medição da temperatura dos enrolamentos não pode ser realizada


diretamente através de sensores ou termômetros, utiliza-se de um artifício
matemático/físico de medição indireta através da variação de resistência do condutor
(fio, barra ou chapa de cobre) do enrolamento com a temperatura.

A temperatura obtida por este método é a média do enrolamento, uma vez que as
partes internas e externas de um condutor sofrem efeitos diferentes com a circulação
de corrente alternada.

A partir das medições de resistência dos enrolamentos à temperatura ambiente com o


transformador em equilíbrio térmico entre enrolamentos-ambiente, sem
operar/energizar durante um tempo adequado, que depende das características de
cada equipamento (potência, tensão, corrente, aspectos construtivos, etc.), e das
medições de variação da resistência a quente em função do tempo, é possível
determinar as temperaturas dos enrolamentos.

Gráfico 8.4 - Elevação de temperatura – Gráfico de evolução do ensaio

As elevações de temperatura do enrolamento e a elevação de temperatura do óleo


são normalizadas.

241
Informações Técnicas DT-11
Tabela 8.10

242
Informações Técnicas DT-11
Tabela 8.11 - Elevação da temperatura – Relatório de ensaio
Medição da resistência a quente

243
Informações Técnicas DT-11

8.2.2. Nível de Ruído

As subestações são fontes de ruído acústico e o principal causador é o transformador.


Normalmente as subestações situam-se longe de centros urbanos para não gerar
impacto ambiental sobre a população, do ponto de vista de poluição sonora. Com o
crescimento das cidades, a população se aproxima das regiões onde existem
subestações, chegando a envolvê-las. Então, surge a necessidade de controlar e
adequar o ruído gerado para que os níveis sejam tais que não causem desconforto à
população local, degradando a qualidade de vida e até a saúde.

O ruído acústico gerado por um transformador tem por origem as suas vibrações
eletromecânicas, o sistema de ventilação, o chaveamento e o efeito Corona, entre
outros. Destes, as vibrações eletromecânicas e o sistema de ventilação são os que
mais contribuem para o ruído. O ruído do sistema de ventilação geralmente é
encoberto pelo ruído gerado pela vibração eletromecânica do transformador.

O objetivo deste ensaio é verificar a intensidade sonora gerada pelo transformador e


seus acessórios.

O ensaio de nível de ruído é realizado através do mesmo circuito elétrico de perdas


em vazio.

Durante a aplicação de tensão nominal em um dos enrolamentos são feitas, no


mínimo, 8 medições ao redor do transformador. A faixa de freqüência de medição
deve ser a mesma da sensibilidade do ouvido humano.

244
Informações Técnicas DT-11

Figura 8.32 - Nível de ruído – Circuito de Medição

Figura 8.33 - Nível de ruído – Ilustração de Medição

245
Informações Técnicas DT-11
O valor medido deve ser a média de todos os pontos medidos e não deve ultrapassar
o valor normalizado.

Tabela 8.12 - Nível de ruído para transformadores a óleo, de potência nominal •


500kVA

Tabela 8.13 - Níveis de ruído para transformadores a óleo de potência nominal >
500kVA

246
Informações Técnicas DT-11
Tabela 8.14 - Nível de ruído – Relatório de ensaio

247
Informações Técnicas DT-11

8.3. ENSAIOS ESPECIAIS

Ensaio de tipo é um ensaio outro que não ensaio de tipo nem de rotina, realizado
mediante acordo entre fabricante e comprador.

a) Fator de potência do isolamento;


b) Impedância seqüência zero em transformadores trifásicos;
c) Tensão de radiointerferência (RIV);
d) Medição de harmônicos na corrente de excitação;
e) Ensaio suportabilidade a curto-circuito;
f) Medição da resposta em freqüência e impedância terminal;
g) Umidade relativa superficial interna (URSI);
h) Vácuo interno.

8.3.1. Fator de Potência do Isolamento

O objetivo do ensaio é fazer uma avaliação mais criteriosa e consequentemente mais


precisa do isolamento, sob o aspecto da qualidade da secagem da parte ativa, sendo
o principal objetivo, com o passar do tempo, acompanhar a degradação do material
isolante.

O fator de potência do isolamento, fator de dissipação ou tangente delta consiste na


medida das perdas elétrica no isolamento. Baixos valores para esta grandeza são
normalmente utilizados como prova da boa qualidade do isolamento, sendo que
aumentos súbitos no valor da tangente delta ao longo do tempo, são utilizados como
sinais de deterioração das condições do isolamento.

O ensaio também é realizado em buchas capacitivas.

Para transformadores novos, o valor máximo é 0,5%. Para transformadores


recondicionados, 1,0%.

248
Informações Técnicas DT-11

Figura 8.34 - Fator de potência do isolamento – Circuito de ensaio

Figura 8.35 - Fator de potência do isolamento – Ilustração de ensaio

249
Informações Técnicas DT-11
Tabela 8.15 - Fator de potência do isolamento –Relatório de ensaio

250
Informações Técnicas DT-11

8.3.2. Impedância Seqüência Zero em Transformadores Trifásicos

O conceito de tensões ou correntes de seqüência se baseia no defasamento temporal


das mesmas. Tomemos como exemplo três bornes de alimentação, adotando por
convenção que a seqüência positiva é A, B e C como na figura abaixo.

Figura 8.36

§ Seq (+) - Se o registro das grandezas desta alimentação trifásica mostra que a
onda B esta atrasada 120 graus de A e a onda C esta atrasada 240 graus de
A, diz-se que as grandezas são de seqüência positiva.
§ Seq (-) - Se a onda B esta adiantada de A em 120 graus e a onda C adiantada
de A em 240 graus, as grandezas desta alimentação são de seqüência
negativa.
§ Seq (0) - Quando o registro mostra as três ondas sobrepostas, isto é, não há
defasagem temporal das ondas diz-se que os três bornes estão fornecendo
grandezas de seqüência zero.

Os valores das impedâncias são utilizados para dimensionamento de proteção do


circuito conectado ao transformador.

251
Informações Técnicas DT-11
A medição de seqüência positiva é feita durante o ensaio de perdas em carga. Em
transformadores, a impedância de seqüência negativa é igual a impedância de
seqüência positiva.

A impedância de seqüência zero é medida somente em enrolamentos ligados em


estrela com neutro acessível. Nas demais ligações, a impedância de seqüência zero é
infinita.

Figura 8.37 - Impedância de seqüência zero – Circuito de ensaio

252
Informações Técnicas DT-11

Figura 8.38 - Impedância de seqüência zero – Ilustração de ensaio

253
Informações Técnicas DT-11
Tabela 8.16 - Imdedância de seqüência zero – Relatório de ensaio

254
Informações Técnicas DT-11

8.3.3. Tensão de Radiointerferência (RIV)

As radio interferências existem há centenas de milhares de anos; todavia, somente


desde a existência do rádio, há aproximadamente 80 anos, tomamos conhecimento
delas. No decorrer dessas oito décadas, elas se tornaram fontes de irritação e de
aborrecimentos a muitos usuários de equipamentos eletrônicos do mundo inteiro.
Para uma radio interferência produzir efeitos maléficos, são necessários dois agentes:
um que produz e outro que intercepta. Quando a interferência é proveniente da
natureza, só há um aborrecido: quem a intercepta. Quando ela tem, porém, origem
tecnológica, pode causar problemas tanto para o produto quanto para o interceptor.

O produtor da interferência tecnológica não é sempre um transmissor de rádio. Ele


pode ser uma linha de alta tensão com fuga, um motor universal sem supressor, uma
fabrica com aquecimento dielétrico, um ambulatório com diatermia, algumas
lâmpadas fluorescentes, um mau contato de fios de cobre, com superfícies oxidadas,
um transformador, etc.

Quando falamos de interferências radio elétricas, em seu sentido mais restrito,


geralmente referimo-nos às que aparecem em receptores de sinais de sons, imagens,
ou outras informações, ou até em equipamentos domésticos de áudio freqüência, em
conseqüência de irradiações de radio freqüências destinadas a transmitir sons,
imagens os outras informações.

Por este motivo, a medição de tensão de radiointerferência se faz necessária em


transformadores onde as ondas geradas por ele não poderão interceptar outro sinal
de rádio.

O aparelho localizador de radiointerferência é basicamente um receptor


convenientemente projetado para detectar e localizar fontes mais freqüentes de
emissão de radiofreqüência.

A freqüência de medição de referência deve ser 500kHz. A medição é apresentada


em µV e é realizada através da bucha capacitiva do transformador.

255
Informações Técnicas DT-11
O ensaio é realizado com o transformador no tap de maior tensão, aplicando-se 10%
acima deste valor com freqüência nominal. O transformador deve estar totalmente
montado e com seus respectivos acessórios (conectores, pára-raios, etc.).

O valor limite máximo é estabelecido por acordo entre fabricante e comprador.

Figura 8.39 - Tensão de radioInterferência – Circuito de ensaio

Figura 8.40 - Tensão de radiointerferência –Ilustração de ensaio

256
Informações Técnicas DT-11

8.3.4. Medição de Harmônicos na Corrente de Excitação

A presença de harmônicas é sinônima de uma onda de tensão ou de corrente


deformada. A deformação da onda de tensão ou de corrente significa que a
distribuição de energia elétrica é perturbada e que a Qualidade de Energia não é
ótima.

O grau com que as harmônicas podem ser toleradas em um sistema de alimentação


depende da susceptibilidade da carga (ou da fonte de potência). Os equipamentos
menos sensíveis, geralmente, são os de aquecimento (carga resistiva), para os quais
a forma de onda não é relevante. Os mais sensíveis são aqueles que, em seu projeto,
assumem a existência de uma alimentação senoidal. No entanto, mesmo para as
cargas de baixa susceptibilidade, a presença de harmônicas (de tensão ou de
corrente) pode ser prejudicial, produzindo maiores esforços nos componentes e
isolantes.

As harmônicas geradas por um transformador se devem exclusivamente ao núcleo


magnético do mesmo e são observáveis na corrente de excitação durante o ensaio de
perdas em vazio. Contudo, os valores de distorção harmônica são muito baixos em
relação à corrente nominal levando-se em consideração que a corrente de excitação
gira em torno de 1% da corrente nominal. Desta forma, conclui -se que
transformadores não são geradores de harmônicos, pelo contrário, podem até filtrá-
los dependendo da intensidade.

§ Nota: Deve-se ter cuidado em relação à carga conectada no transformador.


Esta não deve ser uma fonte geradora de harmônicas. Se for, o transformador
deve ser projetado para tais harmônicos envolvidos no processo. A existência
de harmônicos provoca o aumento nas perdas. Harmônicos na tensão
aumentam as perdas no ferro, enquanto harmônicos na corrente elevam as
perdas no cobre. Além disso, o efeito das reatâncias de dispersão fica
ampliado, uma vez que seu valor aumenta com a freqüência. Tem-se ainda
uma maior influência das capacitâncias parasitas (entre espiras e entre
enrolamento) que podem realizar acoplamentos não desejados e,
eventualmente, produzir ressonâncias no próprio dispositivo.

257
Informações Técnicas DT-11

Figura 8.41 - Harmônicos na corrente de excitação – Circuito de medição

Figura 8.42 - Harmônicos na corrente de excitação–Ilustração de medição

258
Informações Técnicas DT-11

8.3.5. Ensaio Suportabilidade a Curto-Circuito

Transformadores, junto com todos os equipamentos e acessórios, devem ser


projetados e construídos para resistir, sem danos, aos efeitos térmicos e dinâmicos
das correntes de curtos-circuitos externos.

Se solicitado pelo comprador, a capacidade de transformadores de força em resistir


aos efeitos dinâmicos de curto-circuito deve ser demonstrada:

§ através de ensaios, ou;


§ por cálculo e considerações de projeto.

A escolha de método a ser usado deve ser objeto de acordo entre o comprador e o
fabricante antes da colocação do pedido.

Transformadores de grande potência não podem, às vezes, serem ensaiados de


acordo com esta parte da ABNT NBR 5356 devido, por exemplo, a limitações de
ensaios. Nestes casos, as condições de ensaio devem ser acordadas entre o
comprador e o fabricante.

O ensaio é realizado da seguinte maneira:

§ O transformador é alimentado com a tensão nominal em vazio;


§ Logo em seguida, é conectada uma carga de forma que circule pelos seus
enrolamentos uma corrente em torno de 20 vezes a corrente nominal durante 2
segundos.

O ensaio é feito por fase para transformadores trifásicos.

Durante cada ensaio (inclusive ensaios preliminares), registros de oscilogramas


devem ser feitos da:

§ tensão aplicada;
§ correntes.

259
Informações Técnicas DT-11

Além disso, a superfície externa do transformador sob ensaio deve ser observada
visualmente e continuamente registrada em vídeo.

Para o transformador ser considerado aprovado no ensaio de curto-circuito, as


seguintes condições devem ser satisfeitas:

§ Os resultados do ensaio de curto-circuito e as medições e verificações


executados durante os ensaios não revelem qualquer condição de falha;
§ Os ensaios dielétricos e outros ensaios de rotina quando aplicáveis, foram
repetidos de forma satisfatória; e o ensaio de impulso atmosférico, se
especificado, foi realizado satisfatoriamente;
§ Na inspeção da parte ativa fora do tanque não se verificam defeitos
significativos tais como deslocamentos, deformação dos enrolamentos,
deslocamentos das chapas, conexões ou estruturas suporte, que poderiam por
em risco a operação segura do transformador;
§ Nenhum indício de descarga elétrica interna for encontrado;
§ O valor da reatância de curto-circuito em ohms, medida para cada fase no
término dos ensaios, não diferirem dos valores originais.

Figura 8.43 - Curto-circuito – Circuito de ensaio

260
Informações Técnicas DT-11

Figura 8.44 - Curto-circuito –Ilustração de ensaio

8.3.6. Medição da Resposta em Freqüência e Impedância Terminal

Estes ensaios se destinam a verificar as freqüências naturais de oscilação dos


enrolamentos, possíveis deslocamentos de bobinas, trechos em curto-circuito, etc.,
Para isto é necessário obter, tanto a relação de transformação (em ambos os
sentidos), bem como as impedâncias terminais de cada enrolamento em função da
freqüência.

Um sinal senoidal de baixa tensão (~1Vef), com freqüência variável na faixa de 10Hz
a 20MHz, é aplicado entre os terminais de alta tensão e a resposta medida entre os
terminais de baixa tensão. Analogamente o sinal de tensão é aplicado entre os
terminais de baixa tensão e a resposta medida entre os terminais de alta tensão.

O módulo e o ângulo da impedância vistam de cada par de terminais de interesse são


medidos por meio de uma ponte RLC.

Os resultados obtidos são apresentados em forma gráfica.

261
Informações Técnicas DT-11

As avaliações são feitas por comparação de formas de onda de mesmos parâmetros.

Figura 8.45 - Resposta em freqüência e Impedância terminal – Circuito de ensaio

Figura 8.46 - Resposta em freqüência e impedância terminal – Ilustração de ensaio

262
Informações Técnicas DT-11
Tabela 8.17 - Resposta em freqüência e Impedância terminal –Relatório de ensaio

263
Informações Técnicas DT-11

8.3.7. Umidade Relativa Superficial Interna (URSI)

O método tradicionalmente utilizado para a medição do teor de umidade da isolação


sólida é conhecido como URSI (Umidade Relativa da Superfície da Isolação). A URSI
é medida com o preenchimento do transformador com Nitrogênio ou Ar Sintético
super-seco e após um período de equilíbrio de, no mínimo, 24 horas, mede-se ponto
de orvalho do gás para, juntamente com a temperatura da parte ativa, através de um
diagrama obter-se a umidade do papel.

A técnica prevê:

§ A retirada do óleo do transformador;


§ Aplicação de vácuo em torno de 1mmHg (1 Torr);
§ Pressurização com gás super-seco até a pressão 0,4kgf/cm2, permitindo
tempo de contato com o papel de 18 a 30 horas para que se estabeleça o
equilíbrio entre a umidade contida na isolação sólida e o gás de enchimento;
§ Determinação do ponto de orvalho;
§ Através do diagrama, obtém-se a umidade relativa superficial interna.

264
Informações Técnicas DT-11
Gráfico 8.5 - Gráfico URSI –Temperatura Isolação(ºC) x Temperatura ponto de
orvalho(ºC) x Umidade da isolação(%)

265
Informações Técnicas DT-11
Tabela 8.18 - URSI – Relatório de ensaio

266
Informações Técnicas DT-11

8.3.8. Vácuo Interno

Este ensaio só é aplicável a transformadores imersos em líquido isolante, com


potência igual ou superior a 750kVA. O tanque, os radiadores e os demais acessórios,
exceto o comutador, devem suportar pleno vácuo. O transformador sem líquido
isolante deve ser submetido a vácuo no seu interior, de modo que a pressão de
ensaio seja como indicado na tabela a seguir.

Tabela 8.19 - Vácuo interno – Valores de vácuo

8.4. ENSAIOS NO ÓLEO ISOLANTE

O óleo mineral é utilizado com o objetivo de suprir duas funções importantes nos
transformadores de potência; a refrigeração e a isolação elétrica interna do mesmo.

A refrigeração é facilitada através das aletas (Radiadores) dos transformadores no


qual o óleo quando aquecido troca calor com o meio ambiente e realiza um ciclo,
onde o óleo quente sobe (topo do óleo) e escorre pelas aletas sendo resfriado com
um maior contato do ar, chegando ao fundo do tanque do transformador e assim
recomeça este processo novamente.

A isolação da parte ativa do transformador é de suma importância, visto que, no seu


interior as mesmas estão muito próximas e sujeitas aos arcos elétricos, podendo
assim comprometer o seu perfeito funcionamento.

O óleo mineral isolante é um derivado do petróleo, formado por uma mistura de


hidrocarbonetos e quando novo é transparente (tem cor amarelo pálida). Para
aplicações em equipamentos elétricos são empregados dois tipos de óleo mineral
isolante: naftênico e parafínico. Além deste fluido, são também utilizados óleo tipo
silicone, R-Temp, ou ainda outros óleos isolantes.

267
Informações Técnicas DT-11
§ NAFTÊNICOS (A): Trata-se de óleo isolante, sem inibidor, de base Naftênica,
importado “in-natura”, que é submetido a cuidadoso processo de secagem para
enquadrá-lo na norma CNP-16. Esse produto é fornecido em tambores
revestidos de resina epóxi e a granel. Apresenta um desempenho que o situa
dentro dos mais elevados padrões internacionais para esse tipo de produto,
podendo por isso ser recomendado sem restrições para transformadores de
elevada tensão e disjuntores que empregam óleo mineral isolante, este óleo é
aprovado por grandes fabricantes de transformadores.

§ PARAFÍNICOS (B): Este óleo é fornecido “in-natura” tanto a granel como em


tambores. Trata-se de base parafínico que, mediante secagem e tratamento
físico-químico adequado (contato com argila), pode ser usado em
transformadores.

Os ensaios no óleo isolante são considerados rotina para transformadores de tensão


nominal • 72,5kV, ou potência • 5MVA.

a) rigidez dielétrica;
b) teor da água;
c) cor;
d) tensão interfacial;
e) índice de neutralização;
f) ponto de fulgor;
g) densidade;
h) fator de dissipação (fator de potência)
i) análise cromatográfica.

268
Informações Técnicas DT-11
Os ensaios de óleo são realizados em 4 etapas:

§ Tanque do caminhão antes do descarregamento.


§ Tanques internos a cada tratamento de óleo que é realizado.
§ Amostragem nos transformadores de distribuição e meia-força.
§ Na força são realizados em todas as unidades sendo que a cromatografia é
realizada antes de todos os ensaios elétricos: após impulso, após ensaios
dielétricos, após aquecimento e após descargas parciais.

8.4.1. Rigidez Dielétrica

Consiste em colocar uma amostra de óleo entre 2 eletrodos padrão e submetê-la a


incrementos constantes de tensão alternada até que ocorra a ruptura do meio isolante
e a conseqüente descarga entre os eletrodos.

Os hidrocarbonetos que compõem o óleo isolante, por apresentarem polaridade


elétrica muito baixa, possuem uma Rigidez Dielétrica “intrínseca” extremamente
elevada. Esta resistência ao impacto é sensivelmente diminuída pela presença de
impurezas polares, como a água e outros oxigenados, e sólidos, como partículas
microscópicas.

Vemos, portanto, que este ensaio objetiva verificar a pureza do produto e, por
conseguinte, a qualidade dos processos de fabricação, transporte e manuseio.

8.4.2. Teor de Água

Este ensaio consiste na determinação, através de reações químicas, da quantidade


de água presente na amostra de óleo sob análise. A água apresenta solubilidade
muito baixa nos hidrocarbonetos, contudo em óleos minerais novos, é solúvel até a
faixa de 60 a 70ppm. Acima destes teores iremos encontrar água em suspensão no
óleo isolante.

269
Informações Técnicas DT-11
Água pode ser proveniente da atmosfera ou do envelhecimento dos isolamentos
celulósicos. O teor de água deve ser em valores baixos para obterem-se valores
elevados de rigidez dielétrica e baixas perdas dielétricas nos sistemas isolantes.

Elevado teor de água, além de prejudicar as propriedades elétricas do óleo, acelera a


deterioração química dos isolamentos celulósicos diminuindo a vida dos
equipamentos.

No caso dos óleos novos, este ensaio visa verificar a qualidade dos processos de
fabricação e transporte e manuseio do produto.

8.4.3. Cor

Cor não é um fator característico crítico. Entretanto, um rápido aumento na cor do


óleo é indicação de contaminação e/ou oxidação do óleo. A cor do óleo é determinada
por comparação com uma série de cores padrões.

8.4.4. Tensão Interfacial

Este ensaio é feito colocando-se uma camada de óleo isolante sobre uma camada de
água e, em seguida, fazendo-se um anel de platina imersa na água passar para a
camada de óleo. A força necessária para fazer com que o anel rompa a superfície da
água é tomada como a Tensão Interfacial Óleo/Água.

A água é o óxido de hidrogênio, portanto, um material altamente oxigenado e de


elevada polaridade molecular. Os hidrocarbonetos, por outro lado, são substâncias de
muito baixa polaridade em sua molécula e não oxigenadas.

Assim, quanto mais puro for o óleo, menor será sua interação com a camada de água
e mais alta será o valor obtido para o ensaio. Um valor mínimo garante baixos teores
de substancias oxigenadas e polares no produto.

270
Informações Técnicas DT-11
Quando certos contaminantes, como sabões, tintas, vernizes e produtos de oxidação
estão presentes no óleo, a resistência da película de óleo é reduzida, exigindo menos
força para sua ruptura.

Para os óleos em serviço, um valor reduzido de tensão interfacial significa a presença


de contaminantes, produtos de oxidação, em ambos. Os precursores dos produtos de
oxidação são indesejáveis, porque podem atacar o isolamento e interferir no
resfriamento dos enrolamentos dos transformadores.

8.4.5. Índice de Neutralização (Acidez)

É uma medida da quantidade de materiais ácidos presentes. Quando os óleos


envelhecem, em serviço, a acidez e, portanto, o número de neutralização aumenta.
Um elevado número de neutralização significa que o óleo se oxidou ou que foi
contaminado por vernizes, tintas ou outro material estranho. O índice de basicidade
(alcalinidade) resulta de um contaminante alcalino no óleo.

8.4.6. Ponto de Fulgor

O ensaio de Ponto de Fulgor (Vaso Cleveland) consiste em aquecer o óleo isolante e,


simultaneamente, expô-lo à ação de uma chama próxima à superfície do produto.
Com o aquecimento, os compostos voláteis presentes no óleo irão vaporizar até que
inflamarão sob a ação da chama. A temperatura onde ocorre a chama (Flash) é
tomada como o ponto de Fulgor.

Assim, podemos concluir que este ensaio é uma determinação indireta da quantidade
de compostos voláteis presentes na amostra de óleo. Quanto maior for o teor de
voláteis, menor será o Ponto de Fulgor.

É estipulado um valor mínimo como forma de garantir um teor máximo de voláteis.

271
Informações Técnicas DT-11

8.4.7. Densidade

É a relação dos pesos de iguais volumes de óleo e água. Tem limitado valor na
determinação da qualidade de um óleo para fins de aplicações elétricas. Em regiões
muito frias, a densidade serve para determinar se o gelo, que eventualmente pode se
formar do congelamento da água em unidades cheias de óleo, ficará boiando na
superfície. Tal situação que poderá resultar na formação de arcos entre os
condutores, acima do nível do óleo.

8.4.8. Fator de Dissipação (Fator de Potência)

Este ensaio consiste na determinação da tangente ou seno do ângulo de fase entre


tensão e corrente quando se aplica uma tensão a 60Hz no óleo a analisar. A amostra
é colocada entre os 2 eletrodos de um capacitor e, em seguida é aplicada uma tensão
constante a uma temperatura fixa. A leitura obtida para os parâmetros acima é
tomada como o fator de Perdas Dielétricas. Como no caso anterior, o valor de perdas
intrínseco aos hidrocarbonetos é extremamente baixo e é alterado pela presença de
impurezas. Neste caso, por ser um ensaio executado em condições de equilíbrio é
sensível também às impurezas solúveis, que não interferem na Rigidez Dielétrica.

Um alto fator de potência é uma indicação de presença de contaminantes ou de


produtos de deterioração, tais como: umidade, carbono ou matéria condutora, sabões
metálicos e produtos de oxidação.

Tabela 8.20 - Ensaios no óleo - Tabela de valores especificados


Rigidez Tensão
Fator de Teor de Densidade Acidez Ponto de
Ensaio Dielétrica Interfacial 3 0
Potência (%) Água (ppm) (g/cm ) (mgkoh/g) Fulgor ( C)
(kV) (dinas/cm)
Normas NBR – 6869 NBR – 12133 NBR – 6234 NBR – 10710 NBR - 7148 MB – 101 NBR – 11341
Óleo novo
(Conces.)
Mín. 30 Máx. 0,9 Mín. 40 Máx. 25 0,03 Mín. 140
Especif.

A > 0,861
Valores

Óleo novo
Mín. 50 Máx. 0,5 Mín. 40 Máx. 15 0,03 Mín. 140
(Interno) B ≤ 0,860
Óleo
usado
Mín. 30 Máx. 15 Mín. 20 Máx. 35 0,25 Mín. 140

272
Informações Técnicas DT-11

8.4.9. Análise Cromatográfica

A retirada de amostra de óleo para esse ensaio deve ser feita:

a) antes do início dos ensaios;


b) após os ensaios dielétricos;
c) após o ensaio de elevação de temperatura, caso seja realizado.

O óleo mineral isolante gera gases durante seu processo de envelhecimento normal e
acentuadamente quando na ocorrência de falhas no equipamento elétrico. A análise
cromatográfica tem como objetivo determinar a composição desta mistura de gases
que normalmente se dissolve no óleo isolante. As falhas incipientes, ou seja, aquelas
que estão no início, usualmente têm baixa concentração de gases e portanto seu
acompanhamento através de análises periódicas pode evitar danos mais sérios ao
equipamento elétrico. Os gases que são analisados são:

§ H2 (Hidrogênio) § CO (Monóxido de Carbono)


§ O2 (Oxigênio) § CO2 (Dióxido de Carbono)
§ N2 (Nitrogênio) § C2H4 (Etileno)
§ CH4 (Metano) § C2H2 (Etano)
§ CH4 (Metano) § C2H2 (Etano)
§ C2H2 (Acetileno)

Através da concentração e da combinação de certos gases pode se diagnosticar uma


provável falha elétrica no transformador. A seguir é apresentada uma tabela
relacionando a concentração de determinado gás a uma falha.

273
Informações Técnicas DT-11
Tabela 8.21 - Cromatografia - Tabela valores especificados

274
Informações Técnicas DT-11
Tabela 8.22 - Cromatografia – Relatório de ensaio

275
Informações Técnicas DT-11
8.5. ENSAIOS NO PAPEL

De uma maneira geral podemos considerar que um transformador envelhece a


medida que o sistema papel-óleo de degrada, mas principalmente o papelão na
medida em que avança o tempo de uso dos transformadores. O papel isolante torna-
se tão quebradiço que a expansão e a contração dos componentes, o choque
mecânico provocado por curtos-circuitos ou outros esforços mecânicos podem
provocar o rasgo do papel e causar uma falha elétrica. A avaliação do envelhecimento
do papel pode ser feita pela medição da resistência e tração mecânica, que é melhor
parâmetro para avaliar se o papel ainda está adequado para compor a isolação do
transformador, ou ainda pela determinação do teor de furfuraldeido do óleo isolante
(avaliação química) ou grau de polimerização (avaliação físico-química ).

Os principais fatores que influenciam a degradação dos papéis isolantes são:


temperatura do óleo, nível de oxigênio presente no óleo e teor de água presente no
papel e óleo.

8.5.1. Grau de Polimerização

O papel isolante é constituído de longas cadeias de celulose, que por sua vez são
formadas por anéis (unidades) de glicose. Desta forma, quando se diz que está
ocorrendo a degradação do papel isolante significa que está ocorrendo na verdade
uma diminuição no tamanho médio destas cadeias isto é, quebra em porções
menores. Como consequência são afetadas as propriedades mecânicas do papel.
Determinar o grau de polimerização em papel isolante significa estimar o tamanho
das cadeias de celulose, quanto maior for a cadeia melhor será sua resistência
mecânica e vice-versa.

Emprega-se o método da viscosidade média de uma solução do papel isolante em um


solvente apropriado (etilenodiamino cúprico), segundo a metodologia descrita pela
norma NBR 8148. Realizar este ensaio em amostras de papel isolante, pode dar
importantes, informações a respeito de seu envelhecimento, isto é, quanto a sua
expectativa de vida útil, todavia amostragem só pode ser feita com o transformador
aberto. O valor de referência para o fim de vida útil do transformador é 150-200.

276
Informações Técnicas DT-11
9. INSTALAÇÃO E MANUTENÇÃO

Os procedimentos relacionados para operações de recebimento, instalação e


manutenção de transformadores imersos em líquido isolante e a seco, estão
detalhados abaixo, nas normas da ABNT, NBR 7036, NBR7037 (transformadores a
óleo) e NBR13297 (transformadores a seco). Considerando para isso as linhas de
transformadores de distribuição, industriais e de potência.

9.1. TRANSFORMADORES DE DISTRIBUIÇÃO (POTÊNCIA ATÉ 300kVA)

Figura 9.1

9.1.1. Recebimento

Proceder com avaliação visual, verificando os seguintes pontos:


§ Dados da placa de identificação em conformidade com o pedido;
§ Avarias em buchas, tanque e terminais;
§ Vazamentos de óleo isolante;
§ Pontos de corrosão;
§ Identificação dos terminais AT e BT;
§ Estado da embalagem de transporte.

277
Informações Técnicas DT-11
9.1.2. Manuseio

O transformador deve ser sempre manuseado/levantado por todas as alças de


suspensão instaladas no tanque do transformador.

9.1.3. Armazenagem

Quando o transformador não for instalado imediatamente, recomendamos armazená-


lo de preferência sem contato com o solo, em ambiente livre de intempéries, grandes
variações de temperatura e gases corrosivos.

9.1.4. Instalação

Antes da instalação do transformador, proceder com as seguintes verificações:

§ Inspeção visual, principalmente nas buchas, conectores e acessórios;


§ Verificar se os dados da placa de identificação estão coerentes com
sistema em que o transformador será instalado;
§ Verificar o nível do líquido isolante pela janela de inspeção;
§ Verificar o sistema de fixação;
§ Sistema de proteção contra sobrecarga, curto-circuito e surtos de
tensão;
§ Seleção do tap de operação;
§ Medição da resistência ôhmica dos enrolamentos de AT e BT;
§ Medição de relação de transformação dos enrolamentos;
§ Medição de resistência de isolação dos enrolamentos;

Após a energização, proceder com a medição da tensão secundária.

9.1.5. Manutenção

Os transformadores que estão operando normalmente recomendamos, a cada ano,


proceder a uma avaliação visual, objetivando detectar algum ponto que possa
comprometer sua performance de operação.
278
Informações Técnicas DT-11

9.1.6. Inspeção Periódica

Inspeção externa no transformador, observando-se os seguintes pontos:

§ Verificação de fissuras, lascas e sujeiras excessiva nas buchas;


§ Avarias no tanque e radiadores;
§ Estado dos terminais das buchas;
§ Vazamento pelas buchas, tampas, bujões e cordão de soldas;
§ Pontos de corrosão;
§ Ruídos anormais de origem mecânica ou elétrica;
§ Sistema de fixação;
§ Conexões de aterramento;
§ Nível do óleo isolante, caso o tanque tenha visor ou indicador externo.

A cada cinco anos, com o transformador devidamente desligado, recomendamos


realizar os seguintes procedimentos complementares:

§ Medição de resistência de isolamento;


§ Medição de resistência ôhmica dos enrolamentos;
§ Coleta de óleo para análise físico-química.

NOTA: Se os valores indicarem a necessidade de proceder com uma revisão


completa no transformador, recomendamos retirar o mesmo de operação/sistema e
encaminhar para uma oficina especializada ou fabricante.

9.1.7. Revisão Completa

§ Abertura do tanque;
§ Retirada do óleo isolante;
§ Retirada da parte ativa do tanque para inspeção e limpeza;
§ Recuperação ou aplicação do plano de pintura no tanque e radiadores;
§ Tratamento do óleo isolante ou substituição;
§ Substituição geral das guarnições nitrílicas;

279
Informações Técnicas DT-11
§ Verificação geral dos terminais AT e BT;
§ Secagem da parte ativa em estufa;
§ Reaperto geral da parte ativa;
§ Fechamento do transformador;
§ Enchimento de óleo;
§ Estanqueidade;
§ Ensaios elétricos de rotina.

NOTA: Após a avaliação dos procedimentos executados acima e análise dos ensaios
elétricos realizados, o transformador pode ser liberado para instalação/energização no
sistema.

9.2. TRANSFORMADORES INDUSTRIAIS A ÓLEO (POTÊNCIA ATÉ 5.000kVA)

Figura 9.2 Transformador industrial

280
Informações Técnicas DT-11
9.2.1. Recebimento

Proceder com avaliação visual, verificando os seguintes pontos:

§ Dados da placa de identificação em conformidade com o pedido;


§ Avarias em buchas, tanque e terminais;
§ Nível do líquido isolante (visor ou indicador de nível);
§ Pontos de vazamento de óleo isolante;
§ Pontos de corrosão;
§ Identificação dos terminais AT e BT;
§ Estado da embalagem de transporte;
§ Inspeção/avaliação dos acessórios.

9.2.2. Descarga e Manuseio

§ Todos os serviços de descarregamento e locomoção do transformador


devem ser executados e supervisionados por pessoal especializado,
observando sempre os procedimentos de segurança;
§ O levantamento ou tração deve ser feito pelos pontos de apoio indicados
nos desenhos ou instruções do fabricante, não devendo utilizar outros
pontos que, se usados, possam acarretar graves danos ao transformador;
§ O manuseio do transformador deve ser feito de forma planejada e
cuidadosa, evitando-se movimentos bruscos ou paradas súbitas que
possam causar danos. O manuseio deve ser realizado com equipamentos
e materiais adequados, possibilitando máxima segurança ao pessoal
envolvido e ao transformador;
§ Sempre que possível o transformador deve ser descarregado diretamente
sob sua base definitiva;
§ Quando for necessário o descarregamento em locais provisórios, deve ser
verificado se o terreno oferece plenas condições de segurança e
distribuição de esforços.

281
Informações Técnicas DT-11

9.2.3. Armazenagem

Quando o transformador não for instalado imediatamente, recomendamos armazená-


lo de preferência sem contato com o solo, em ambiente livre de intempéries, grandes
variações de temperatura e gases corrosivos.

9.2.4. Instalação

Antes da instalação do transformador, proceder com as seguintes verificações:

§ Inspeção visual, principalmente nas buchas, conectores e acessórios;


§ Verificar se os dados da placa de identificação estão coerentes com
sistema em que o transformador será instalado;
§ Verificar o nível do líquido isolante;
§ Verificar o sistema de fixação;
§ Sistema de proteção contra sobrecarga, curto-circuito e surtos de tensão;
§ Seleção do tap de operação;
§ Verificar se as válvula do relé de gás e radiadores estão abertas, caso
aplicável;

9.2.5. Ensaios Elétricos de Campo

Proceder com a execução dos seguintes ensaios no transformador, antes de sua


energização:

§ Análise físico-química do óleo isolante;


§ Análise cromatográfica do óleo isolante;
§ Medição da resistência de isolamento do transformador e fiação elétrica
do painel de controle, caso aplicável;
§ Medição da relação de transformação em todas as fases e posições do
comutador de derivações;
§ Medição de resistência ôhmica dos enrolamentos, em todas as fases e
posições do comutador de derivações;
§ Medição da relação de corrente dos TC’s, caso aplicável;
282
Informações Técnicas DT-11
§ Medição da resistência ôhmica dos enrolamentos dos TC’s, caso
aplicável;
§ Medição de resistência do isolamento dos TC’s, caso aplicável;
§ Ensaio de saturação dos TC’s, caso aplicável;
§ Medição de resistência ôhmica dos enrolamentos dos motoventiladores,
caso aplicável;
§ Medição da resistência do isolamento da fiação dos motoventiladores,
caso aplicável;
§ Medição da corrente elétrica dos motoventiladores, caso aplicável;
§ Simulação de atuação de todos os dispositivos de supervisão, proteção e
sinalização do transformador, caso aplicável;

9.2.6. Energização do Transformador

§ Antes de sua energização, é recomendada uma nova desaeração do relê


de gás, bujão de drenagem das janelas de inspeção e radiadores;
§ Inspecionar todos os dispositivos de proteção e sinalização do
transformador;
§ Ajustar e travar a posição do comutador manual, conforme recomendado
pela operação do sistema.
§ Preferencialmente, o transformador deve ser energizado inicialmente em
vazio;
§ Recomenda-se efetuar análise cromatográfica do óleo isolante:
§ Antes da energização (referência);
§ 24h às 36h após a energização;
§ 10 e 30 dias após a energização para detecção de defeitos
incipientes (utilizar o diagnóstico conforme NBR 7274).

9.2.7. Manutenção

Os transformadores que estão operando normalmente, recomendamos a cada ano,


proceder a uma avaliação, objetivando detectar algum ponto que possa comprometer
sua performance de operação.

283
Informações Técnicas DT-11
9.2.8. Inspeção Periódica

Inspeção externa no transformador, observando-se os seguintes pontos:

§ Verificação de fissuras, lascas e sujeiras excessiva nas buchas;


§ Avarias no tanque e radiadores;
§ Estado dos terminais das buchas;
§ Vazamento pelas buchas, tampas, bujões e cordão de soldas;
§ Pontos de corrosão;
§ Ruídos anormais de origem mecânica ou elétrica;
§ Sistema de fixação;
§ Conexões de aterramento;
§ Nível do óleo isolante, caso o tanque tenha visor ou indicador externo.

9.2.9. Ensaios Elétricos

A cada ano ou conforme programa de manutenção de cada empresa, recomendamos


proceder com os ensaios elétricos relacionados abaixo, objetivando avaliar a
performance de operação do transformador.

§ Análise físico-química do óleo isolante;


§ Análise cromatográfica do óleo isolante;
§ Medição da resistência de isolamento do transformador e fiação elétrica
do painel de controle, caso aplicável;
§ Medição da relação de transformação em todas as fases e posições do
comutador de derivações;
§ Medição de resistência ôhmica dos enrolamentos, em todas as fases e
posições do comutador de derivações;
§ Medição da relação de corrente dos TC’s, caso aplicável;
§ Medição da resistência ôhmica dos enrolamentos dos TC’s, caso
aplicável;
§ Medição de resistência do isolamento dos TC’s, caso aplicável;
§ Medição de resistência ôhmica dos enrolamentos dos motoventiladores,
caso aplicável;

284
Informações Técnicas DT-11
§ Medição da resistência do isolamento da fiação dos motoventiladores,
caso aplicável;
§ Medição da corrente elétrica dos motoventiladores, caso aplicável;
§ Simulação de atuação de todos os dispositivos de supervisão, proteção e
sinalização do transformador, caso aplicável;

9.3. TRANSFORMADORES A SECO

Figura 9.3

Uma das grandes vantagens do transformador a seco é a necessidade de pouca


manutenção. Contudo, é necessário fazer um acompanhamento constante a fim de se
evitar problemas como acúmulo de sujeira, (o que pode causar perda na capacidade
de refrigeração e conseqüente perda de potência), deformações de sua estrutura e
verificação das ligações.

9.3.1. Itens de Manutenção

§ Inspeção visual do local;


§ Limpeza conforme especificado no item 9.4.4;
285
Informações Técnicas DT-11
§ Verificação das entradas e saídas de ar;
§ Verificar se não houve sobreaquecimento nos terminais de ligação;
§ Verificar o funcionamento do conjunto de proteção térmica;
§ Verificação da pressão nos contatos dos terminais e painel de comutação.

9.3.2. Inspeções Periódicas

9.3.2.1. Registros operacionais

Os registros operacionais devem ser obtidos através das leituras dos instrumentos
indicadores, das ocorrências extraordinárias relacionadas com o transformador, bem
como todo evento relacionado, ou não, com a operação do sistema elétrico, que
possa afetar o desempenho e/ou características intrínsecas do equipamento, carga e
tensão do transformador.

9.3.2.2. Inspeção termográfica

Estas inspeções devem ser realizadas periodicamente nas instalações, objetivando,


principalmente, detectar aquecimento anormal nos conectores.

9.3.2.3. Inspeções visuais

Devem ser feitas inspeções visuais periódicas, seguindo-se um roteiro previamente


estabelecido, que deve abranger todos os pontos a serem observados.

Alguns defeitos normalmente ocorridos podem ser relacionados com sua sugerida
solução.

286
Informações Técnicas DT-11
Tabela 9.1
ITEM ANORMALIDADES CAUSA PROVÁVEL CORREÇÃO
Sobreaquecimento
nos terminai s AT,
Limpeza de áreas de contatos.
1 BT e pontos de Mau contato.
Apertar porcas/parafusos.
conexão e painel de
comutação.
Sobrecarga acima do Diminuir carga.
previsto. Aumentar a refrigeração.
Limpar canais de ar de refrigeração
do transformador.
Circulação de ar de Verificar dutos/aberturas para
Sobreaquecimento
2 refrigeração insuficiente. circulação de ar de refrigeração,
do transformador
quanto ao dimensionamento e a
obstruções.
Temperatura do ar de Diminuir carga.
refrigeração acima da Aumentar a circulação de ar da
temperatura prevista. refrigeração.
Sobreaquecimento do
Conforme item 2.
Transformador.
Atuação do relé de
Verificar tensão de alimentação no
3 proteção (alarme
Falta de tensão de relé.
e/ou desligamento).
alimentação do relé. Verificar funcionamento correto do
relé e fiação,
Descarga entre Redução da resistividade
Limpeza geral, com remoção dos
terminais AT superficial do material isolante
corpos estranhos depositados na
Descarga entre AT por existência de corpos
superfície.
e massa estranhos.
Descarga entre Destruição do material
4
AT/BT isolante devido à
sobretensões, Substituiçã o ou reparo da peça
Descarga entre sobreaquecimento ou danificada.
BT/massa esforços mecânicos acima do
previsto.
Tensão mais elevada que a Verificar a tensão correta e ajustar
prevista. ao tap mais adequado.
Assentamento não uniforme Verificar a existência de superfícies
5 Ruído excessivo
da base do transformador. metálicas (painéis, armários, dutos,
Ressonância com superfícies portas, etc.) soltas com
ao redor do equipamento. possibilidade de vibrações.

287
Informações Técnicas DT-11
Instalação de elementos fle xíveis
Ressonâncias transmitidas
entre os terminais do transformador
pelas ligações.
e os condutores da instalação.

9.3.2.4. Limpeza

Um importante fator para um melhor funcionamento deste tipo de transformador é a


constante e eficiente limpeza do mesmo para que não ocorra prejuízo de importantes
características do transformador. Por esse motivo, indicaremos procedimentos de
limpeza para os tipos de impurezas relacionadas a seguir:

Tabela 9.2 - Procedimentos de limpeza para transformadores secos.


Tipo de su jeira encontrada Procedimento utilizado
(Vide itens abaixo)
Pó seco em geral 1e4
Pó úmido 3e4
Maresia (salinidade) 1e4
Pó metálico (pó industrial) 1e4
Óleos em geral 2, 3 e 4
Grafite ou similares 1e4

1. Com auxílio de um aspirador de pó ou um espanador e pano seco, remover


a poeira depositada no transformador. Em seguida, use ar comprimido para
remover os resíduos de poeira e fazer a limpeza dos canais de ventilação
das bobinas e entre a bobina e o núcleo. A injeção do ar nos canais de
ventilação deve ser feita de baixo para cima. Para finalizar, use um pano
seco e limpo para remover resíduos que ainda permanecem nas bobinas,
principalmente em volta dos terminais e nos isoladores.
2. Com auxílio de um pano umedecido com benzina, remova as impurezas do
núcleo, ferragens e bobinas; repita com um pano seco e limpo. Observe se
os canais foram obstruídos. Se as impurezas nos canais estiverem secas,
adote o procedimento (1) nesta limpeza. Caso contrário identifique a sujeira
existente e faça contato com a fábrica para verificar o melhor procedimento.
3. Com o auxílio de um pano umedecido em água, com pequena concentração
de amoníaco ou álcool, remova impurezas do transformador. A limpeza

288
Informações Técnicas DT-11
pode ser complementada utilizando um dos procedimentos anteriores
dependendo do tipo de sujeira a ser removida.
4. A finalização deverá sempre ser feita com um pano limpo e seco, devendo -
se limpar toda a superfície, principalmente na região dos terminais de
ligação.

9.4. TRANSFORMADORES DE POTÊNCIA (ACIMA DE 5MVA)

Figura 9.4

9.4.1. Objetivo

Fornecer orientações quanto aos principais aspectos e cuidados relacionados às


etapas de desmontagem, embarque, transporte, montagem, comissionamento, start-
up e manutenção de transformadores de potência WEG. Estas orientações têm como
base transformadores de potência acima de 5.000kVA, classes até 550kV, imersos
em óleo mineral isolante.

289
Informações Técnicas DT-11
IMPORTANTE: Os aspectos abordados nesse material são de caráter genérico.
Alguns transformadores poderão não contemplar alguns componentes ou
procedimentos aqui abordados, assim como outros poderão necessitar de
informações complementares.

9.4.2. Etapas em Fábrica

9.4.2.1. Pressurização para Retirada do Óleo

Finalidade: Evitar que na retirada do óleo isolante e desmontagem do transformador,


a parte ativa tenha contato com o meio externo.

9.4.2.2. Drenagem do Óleo

Finalidade: Rebaixar ou retirar todo o óleo isolante de acordo com a especificação


definida para o transporte deste transformador até o cliente.

9.4.2.3. Desmontagem das Buchas

Finalidade: Retirar, isolar e embalar disponibilizando para transporte.

Figura 9.5 - Desmontagem das buchas

290
Informações Técnicas DT-11

Figura 9.6 – Embalagem das buchas

9.4.2.4. Desmontagem dos Radiadores

Finalidade: Retirar, flangear e embalar, disponibilizando para transporte.

Figura 9.7 - Desmontagem dos radiadores

291
Informações Técnicas DT-11

Figura 9.8 - Embalagem dos radiadores

9.4.2.5. Desmontagem do Conservador

Finalidade: Retirar, flangear e embalar, disponibilizando para transporte.

Figura 9.9 – Preparação para transporte

292
Informações Técnicas DT-11

Figura 9.10 - Preparação para transporte

9.4.2.6. Desmontagem das Tubulações e Acessórios

Finalidade: Retirar, flangear e embalar, disponibilizando para transporte.

Figura 9.11 - Preparação para transporte

293
Informações Técnicas DT-11

Figura 9.12 - Preparação para transporte

9.4.2.7. Pressurização para Transporte

Este procedimento tem por finalidade, manter a parte interna do tanque do


transformador com pressão positiva, evitando contaminação por umidade externa,
preservando a secagem do transformador.

Quando o transformador for transportado com óleo, deve ser mantido um nível de
óleo suficiente para cobrir a parte ativa, bem como assegurada uma camada de gás
seco, que possibilite a compensação da variação de volume do óleo em função da
temperatura. Caso o cliente solicite monitoramento desta pressão, é instalado um
manômetro na tampa superior do transformador.

Nota: Para esta aplicação recomenda-se ar sintético, com teor de água inferior ou
igual a 10ppm.

§ Quando o transformador for transportado sem óleo, deve ser pressurizado


com gás seco, mantendo-se pressão positiva de 0,25kgfcm², a uma
temperatura referenciada a 25°C. Este sistema deve ser composto por
cilindros acoplados ao tanque, através de dispositivos que forneça
pressão positiva constante. Caso o transformador seja provido de

294
Informações Técnicas DT-11
comutador sob carga, o tanque do mesmo deve ser equalizado com o
tanque do transformador.
§ Durante o percurso e antes do recebimento, devem ser realizadas
inspeções no sistema de pressurização de gás para detecção de
possíveis vazamentos.

Figura 9.13 - Pressurização para transporte

Figura 9.14 - Dispositivo para transporte

295
Informações Técnicas DT-11
9.4.2.8. Instalação de Instrumentos de Monitoramento de Transporte

Estes instrumentos são instalados nos transformadores com objetivo de monitorar o


manuseio e transporte, registrando possíveis eventos de impacto.

Todos os transformadores com potência de 5 a 30MVA, são instalados 4 (quatro)


indicadores de impacto na parte inferior do tanque. Caso solicitado pelo cliente, será
instalado registrador de impacto tipo eletrônico.

Para transformadores com potência igual ou superior a 30MVA, são instalados


registradores de impacto tipo eletrônico.

Figura 9.15 - Tipo eletrônico

Figura 9.16 – Tipo indicador

296
Informações Técnicas DT-11
9.4.2.9. Carregamento

Esta operação, em fábrica, é realizada com auxílio ponte rolante, içando pelos quatro
pontos de engate, centralizando o transformador no equipamento de transporte,
atendendo sempre os requisitos de segurança, para manuseio e transporte.

Figura 9.17 - Carregamento em fábrica

9.4.3. Transporte de Transformadores

O transporte de transformadores é realizado levando em consideração as


características do equipamento transportador, bem como pessoal altamente
qualificado.

Para o transporte, os acessórios e componentes do transformador devem ser


desmontados, embalados e identificados de maneira adequada, de modo a assegurar
que durante o percurso não ocorram avarias ou danos que possam alterar as
condições de projeto e desempenho;

297
Informações Técnicas DT-11
Eventuais condições especiais para transporte, estabelecidas pelo cliente ou pelo
fabricante, devem ser antecipadamente informadas ao responsável pelo transporte e
rigorosamente seguidas.

Sempre que possível e se as condições de peso para transporte permitirem, os


transformadores devem ser embarcados com óleo.

9.4.4. Tipos de Equipamentos de Transporte

Figura 9.18 - Prancha até 36 ton

298
Informações Técnicas DT-11

Figura 9.19 – Doly até 54 ton

Figura 9.20 - Linha de eixo até 140 ton

299
Informações Técnicas DT-11

Figura 9.21 - Gôndola acima de 140 ton

Figura 9.22 – Balsa e navio

9.4.5. Recebimento

Antes do descarregamento, deve ser feita, por pessoal especializado uma inspeção
preliminar no transformador, no qual devem ser verificadas as condições externas do
tanque, acessórios e componentes quanto a avarias, vazamentos de óleo e estado da
pintura. A lista de materiais expedida deve ser conferida. Caso sejam evidentes
quaisquer danos, falta de acessórios e componentes, ou indicação de tratamento
inadequado durante o transporte, informar imediatamente a fábrica.

Para transformadores transportados com óleo e pressão relativa do gás “zero”, fazer
as análises de rigidez dielétrica e teor de água no óleo para que possa concluir sobre
a absorção de umidade por parte do isolamento. Para transformador transportado
sem óleo, verificar a pressão do gás seco no tanque e nos cilindros de suprimento. Se
a pressão do gás for “zero”, existe a possibilidade de vazamento, com a conseqüente
300
Informações Técnicas DT-11
admissão de ar atmosférico. Deve-se, então, controlar o ponto de orvalho do gás
contido no tanque. Se o ponto de orvalho indicar umidade relativa da superfície da
isolação (URSI) menor ou igual a 0,5% pode-se pressupor que o transformador não
foi contaminado com umidade. Valores maiores que o acima especificado indicam a
necessidade de se proceder a uma secagem completa do transformador.

Nota: Havendo qualquer não conformidade com relação aos itens relacionados acima,
comunicar imediatamente ao fabricante, para que este indique as providências a
serem tomadas.

9.4.6. Descarga e Manuseio

Todos os serviços de descarregamento e locomoção do transformador devem ser


executados e supervisionados por pessoal especializados, obedecendo-se às normas
de segurança.

O levantamento ou tração deve ser feito pelos pontos de apoio indicados nos
desenhos ou instruções dos fabricantes, não devendo utilizar outros pontos que, se
usados, possam acarretar graves danos ao transformador.

O manuseio do transformador deve ser feito de forma planejada e cuidadosa,


evitando-se movimentos bruscos ou paradas súbitas que possam causar danos. Deve
ser realizados com equipamentos e materiais adequados, possibilitando máxima
segurança ao pessoal envolvido e ao transformador.

Sempre que possível o transformador deve ser descarregado diretamente sob sua
base definitiva.

Quando for necessário o descarregamento em locais provisórios, deve ser verificado


se o terreno oferece plenas condições de segurança e distribuição de esforços.

O equipamento nunca deve ser colocado em contato direto com o solo.

301
Informações Técnicas DT-11

9.4.7. Tipos de Descarga

Figura 9.23 - Guindaste ou pórtico

Figura 9.24 - Fogueira

302
Informações Técnicas DT-11

9.4.8. Análise dos Registros de Transporte

9.4.8.1. Equipamento tipo registrador de impacto eletrônico

§ É inserida uma programação com duração de gravação dos eventos para 60


dias, mercado nacional e 120 dias para mercado internacional. Os valores
configurados para impacto são: Sentido vertical: 3g; sentido lateral: 1g; sentido
longitudinal: 1g;

§ As informações são coletadas via computador, após a descarga do


transformador em sua base definitiva. Caso na obra não tenha condições de
efetuar a análise dos registros, o mesmo deve ser enviado para a fábrica para
que seja analisado e emitido laudo técnico.

maxPkX 0,9/0,2g Slot No10571 To10574 CursorTime (Valid)20/11/200509:36:40


10

6
Registros dos eventos no
4 sentido lateral - Y
2

maxPkY 1,4/0,1g Slot No10571 To10574 CursorTime (Valid)20/11/200509:36:40


10

6
Registros dos eventos no
4

sentido longitudinal - X
2

10 maxPkZ 3,6/0,2g Slot No10571 To10574 CursorTime (Valid)20/11/200509:36:40

6
Registros dos eventos no
4
sentido vertical - Z
2

10499 10754
Start Time(Valid) 16/11/200517:31:40 EndTime(Valid) 27/11/200507:30:40 Total Slots = 30478

9.4.8.2. Equipamento tipo indicador de impacto

§ Este Instrumento apenas indica que houve um evento de impacto durante o


período de manuseio e transporte, acima do especificado, que é de 3g.
§ São instaladas quatro unidades nas laterais inferior do tanque do
transformador.

303
Informações Técnicas DT-11
§ Este indicador de impacto quando atuado, aparecerá em seu visor um
sinalizador na cor vermelha.

Nota: Recomendamos neste caso, entrar em contato com a WEG para definição dos
procedimentos a serem adotados.

9.4.9. Armazenagem

9.4.9.1. Transformadores

§ É recomendável que o transformador seja armazenado completamente


montado, preenchido com óleo até o nível normal e instalar secador de ar.
§ Transformador pode ser armazenado sem óleo, desde que para curtos
intervalos de tempo (máximo de três meses) ou conforme instrução do
fabricante. Neste caso deve ser realizada inspeção diária na pressão de gás,
de modo a detectar vazamento.

9.4.9.2. Componentes e acessórios

§ Os acessórios devem ser armazenados em locais adequados, atendendo as


recomendações e instruções do fabricante;
§ Radiadores devem ser armazenados fechados e se possível pressurizado com
gás seco, evitando-se ainda seu contato com o solo;
§ Óleo pode ser armazenado em tambores, que devem permanecer na posição
horizontal, ficando os tampões alinhados também na horizontal e, se possível
protegidos por lonas, evitando-se ainda o contato com o solo;
§ Buchas devem ser armazenadas, se possível, abrigados e secos. As buchas
com núcleo em papel resina devem ser armazenadas em estufa, ou conforme
recomendação do fabricante;
§ Chaves comutadoras sobressalentes devem ser armazenadas em tanque,
imersas com óleo isolante.

9.4.10. Montagem do Transformador

304
Informações Técnicas DT-11
A montagem do transformador deve ser efetuada conforme as instruções específicas
do fabricante. Quando da não-disponibilidade das instruções do fabricante, é
recomendável a seqüência de procedimentos discriminados na norma NBR 7037.
Estes trabalhos somente devem ser executados por técnicos qualificados,
equipamentos e ferramentas adequadas.

As condições climáticas também devem ser observadas, onde para isso, a umidade
relativa do ar não deve ser superior a 70%.

9.4.10.1. Equipamentos necessários

§ Máquina termovácuo;
§ Bomba de vácuo auxiliar;
§ Tanque auxiliar;
§ Guindaste;
§ Ar sintético (ar seco);
§ Ferramentas diversas;
§ EPI’ s;
§ Material de limpeza e pintura.

Nota: O dimensionamento dos equipamentos citados acima, será especificado de


acordo com a classe de tensão e potência de cada transformador.

9.4.10.2. Limpeza do tanque do transformador

Este processo de limpeza antes de iniciar a montagem eletromecânica do


transformador, assegura uma condição ideal para as etapas seguintes de montagem,
visto que estaremos conectando peças que se comunicará com o interior do tanque,
consequentemente, terá contato com a parte ativa do transformador. Este
procedimento de limpeza pode ser executado, aplicando água, sabão neutro e
escovação.

305
Informações Técnicas DT-11

Figura 9.25 - Limpeza geral do tanque

Figura 9.26 - Limpeza geral do tanque

9.4.10.3. Montagem dos radiadores


cador
Inspeção geral, limpeza interna (deixando escorrer o óleo residual), limpeza da
superfície externa, retirada de pontos de oxidação, retoques na pintura e troca das
guarnições Oring nitrílicas.

306
Informações Técnicas DT-11

Figura 9.27 - Montagem dos radiadores

Figura 9.28 - Limpeza e troca das guarnições

9.4.10.4. Montagem do conservador

§ Inspeção visual na bolsa pela janela de inspeção;


§ Pressurizar a bolsa com 0,05kf/cm²;
§ Manuseio do conservador pelos olhais de içamento, inspecionar
internamente o sistema de medição do nível do óleo e bolsa, caso aplicável;

307
Informações Técnicas DT-11
§ Manter aberta a válvula de equalização da bolsa durante o processo de
vácuo e pressurização do transformador.

Figura 9.29 - Montagem do conservador

Figura 9.30 - Inspeção interna do conservador

308
Informações Técnicas DT-11

9.4.10.5. Montagem do relê de gás

Inspeção geral, retirar o dispositivo de trava das bóias e observar a posição da


montagem do relê de gás, no sentido fluxo do liquido isolante do transformador para
conservador.

Figura 9.31 – Inspeção no relê de gás

Figura 9.32 - Avaliação da montagem do relê de gás

309
Informações Técnicas DT-11

9.4.10.6. Montagem de buchas secas de porcelana

§ Avaliação geral das buchas antes da instalação, localizando possíveis


pontos de avarias como trincas, fissuras nas regiões da porcelana e limpeza
das partes externa e interna;
§ Substituir/posicionar cuidadosamente as juntas de vedação;
§ Centralizar a porcelana em relação as presilhas de fixação;
§ Proceder a fixação apertando as porcas de forma que os esforços de aperto
sejam distribuídos igualmente;
§ Instalar uma bucha de cada vez, a fim de reduzir a possibilidade de
penetração de umidade no transformador.

Figura 9.33 - Montagem das buchas secas

310
Informações Técnicas DT-11

Figura 9.34 – Alinhamento da fixação

9.4.10.7. Montagem de buchas de porcelana capacitiva

§ Avaliação geral das buchas antes da instalação, localizando possíveis


pontos de avarias como trincas, fissuras nas regiões da porcelana e
metálica;
§ Vazamentos de óleo pelos visores, bujão de enchimento, região de
acoplamento entre a parte de porcelana e metálica;
§ Limpeza das partes externa e interna;
§ Conectar cintas para içamento em seus devidos pontos, observando o
ângulo de montagem;
§ Substituir e posicionar cuidadosamente as juntas de vedação;
§ Evitar esforço do cabo de saída durante a montagem da bucha, pois
poderá comprometer conexão do mesmo, na saída da bobina.

311
Informações Técnicas DT-11

Figura 9.35 - Inspeção das buchas

Figura 9.36 - Montagem das buchas

9.4.10.8. Inspeção interna

Após a montagem eletromecânica do transformador, recomendamos inspecionar


internamente a parte ativa, objetivando avaliar as condições de fixação mecânica e
conexões elétricas em geral. Pontos a serem avaliados:Aterramentos de núcleo;
§ Conexões elétricas de cabos;
§ Posicionamentos de cabos de AT;
§ Isolamentos.

312
Informações Técnicas DT-11
Nota: Após a execução dos procedimentos acima, proceder com a medição de
resistência de isolamento do aterramento do núcleo.

Figura 9.37 - Inspeção das conexões elétricas

Figura 9.38 - Inspeção aterramento do núcleo

9.4.10.9. Processo de vácuo

Após a conclusão da montagem eletromecânica, proceder com o início do processo


de vácuo, objetivando retirar a umidade superficial agregada na parte ativa, durante
as tapas de montagem. Também este possibilita uma melhor impregnação do óleo
isolante durante o processo de enchimento.

313
Informações Técnicas DT-11
Nota: Proceder à equalização do tanque do transformador com o tanque do
comutador sob carga e a bolsa, caso aplicável.

O período de vácuo a ser aplicado no transformador, deverá ser seguido conforme


valores relacionados na tabela abaixo.

Transformador transportado com óleo rebaixado Transformador transportado sem óleo


Classe de tensão (kV) Tempo de vácuo (h) Classe de tensão (kV) Tempo de vácuo (h)
15 a 34,5 06 15 a 34,5 12
69 12 69 24
138 12 138 48
230 a 345 - 230 a 345 72
550 - 550 96

Nota: O tempo de vácuo deve ser contado a partir do nível de vácuo atingir 0,1 mbar.

Figura 9.39 - Processo de vácuo

314
Informações Técnicas DT-11

Figura 9.40 - Medidor de nível de vácuo

9.4.11. Recebimento do Óleo

9.4.11.1. Óleo transportado em tambores

§ Drenar o óleo dos tambores em um tanque auxiliar;


§ Realizar análise físico-químico do óleo isolante;
§ Analisar os resultados do relatório, certificando sua qualidade;
§ Iniciar o tratamento do óleo com máquina termovácuo.

Figura 9.41 – Óleo transportado em tambores

315
Informações Técnicas DT-11
9.4.11.2. Óleo transportado caminhão tanque

§ Inspecionar os lacres das válvulas;


§ Coletar/realizar análise físico química do óleo isolante;
§ Analisar os resultados do relatório, certificando sua qualidade;
§ Iniciar o tratamento do óleo com máquina termovácuo.
Nota: Os valores de referência para o óleo isolante, estão nas tabelas 6.3 e 6.4 desta
apostila.

Figura 9.42 - Óleo transportado em caminhão tanque

Figura 9.43 – Lacres das válvulas

9.4.12. Tratamento do Óleo Isolante

§ Após a certificação de recebimento do óleo isolante, iniciar o tratamento do


mesmo com máquina termovácuo.
316
Informações Técnicas DT-11
§ O período de tratamento dependerá da vazão da máquina termovácuo, onde
geralmente é circulado três vezes o seu volume total.
§ Realizar novamente coleta e análise físico-químico do óleo antes do
enchimento. Os valores obtidos deverão ser analisados pelo supervisor, para
posterior autorização do início do enchimento do transformador.
Nota: Antes da utilização da máquina termovácuo para tratamento do óleo,
coletar amostra do óleo existente no interior da mesma, e realizar o ensaio de
PCB’s pelo método cromatográfico. A máquina somente poderá ser utilizada para
o trabalho se no laudo constar “isento de PCB’s”.

9.4.13. Processo de Enchimento

Realizar sempre com máquina termovácuo, instalando dispositivo na válvula inferior


do tanque do transformador, para drenagem do ar da mangueira, antes de iniciar o
enchimento.

Nota: Manter sempre pressão positiva na mangueira entre a válvula de saída da


máquina termovácuo, e a válvula de entrada do óleo do tanque do transformador,
durante o período de enchimento.

Após a conclusão do enchimento, o óleo deverá ser circulado no transformador,


dando no mínimo duas passadas de seu volume total pela máquina termovácuo.

Figura 9.44 – Controle de enchimento

317
Informações Técnicas DT-11

Figura 9.45 - Tratamento do óleo no transformador

9.4.14. Aferição do Nível do Óleo

Finalidade: Aferir o volume do óleo no conservador em relação ao indicador de


nível de óleo do transformador.
Procedimentos:

§ Instalar mangueira transparente na válvula de drenagem inferior do tanque do


transformador;
§ Posicionar a mangueira na lateral do conservador;
§ Dividir a lateral (diâmetro interno) do conservador em três partes iguais;
§ Manter a válvula de equalização da bolsa e a tubulação do secador de ar
aberta;
§ Abrir a válvula onde foi instalada a mangueira do nível;
§ Verificar o nível do óleo no conservador, com auxílio da mangueira de medição,
em relação à indicação do medidor de nível do transformador.
Avaliação: 1/3 do conservador deve ser ocupada pelo óleo, numa temperatura
referenciada a 25 graus Celsius.

318
Informações Técnicas DT-11

2/3

1/3

Figura 9.46 - Aferição do nível do óleo

9.4.15. Ensaio de Estanqueidade

Finalidade: Verificar se o transformador apresenta pontos de vazamentos.


§ Ensaio: Consiste em aplicar pressão 0,3kgf/cm² durante 24 horas.
§ Tipo de gás: Ar sintético super seco.
§ Avaliação do ensaio: Consiste em monitorar a pressão aplicada e
inspecionar visualmente, verificando possíveis pontos de vazamento de
óleo.
§ Também é importante avaliar regiões do tanque que não estão em contato
com o óleo, pois estas poderão também apresentar pontos de vazamento.
§ Possíveis pontos de vazamento: Cordão de solda, conexões de
flanges,tubulações, bujões de sangria, tampa de janela de inspeção e
outros.

319
Informações Técnicas DT-11

Figura 9.47 - Ensaio de estanqueidade

9.4.16. Ajuste da Bolsa

Finalidade: Ativar a selagem do transformador em relação ao meio ambiente


Procedimento:

§ Fechar a válvula de equalização entre a bolsa e o conservador do


transformador;
§ Instalar uma mangueira transparente na válvula superior do conservador;
§ Abrir a válvula superior do conservador;
§ Instalar o dispositivo com manômetro na tubulação do secador de ar;
§ Pressurizar a bolsa até o óleo do conservador sair pela mangueira
instalado na válvula superior do conservador;
§ Fechar a válvula superior do conservador;
§ Retirar o dispositivo de pressurização da tubulação do secador de ar;
§ Instalar o secador de ar.

OBS: Para preservar a selagem do transformador, manter sempre a válvula de


equalização fechada. Este procedimento deve ser executado, após a aferição do
nível de óleo do transformador.

320
Informações Técnicas DT-11

Figura 9.48 - Ajuste da bolsa

9.4.17. Instalação do Secador de Ar

Finalidade: Isolar a parte interna do transformador com o meio externo, evitando


a degradação do óleo. Também permite a expansão natural do óleo, sem
aumento da pressão interna do tanque.

Material filtrante: Substância higroscópica (sílica gel), e óleo mineral isolante.

Figura 9.49 - Instalação do secador de ar

321
Informações Técnicas DT-11

Figura 9.50 - Instalação do secador de ar

9.4.18. Comissionamento do Transformador

Consiste na execução dos ensaios elétricos de campo após a montagem completa do


transformador, certificando-se de que todas as características elétricas de operação
do transformador foram preservadas.

Este procedimento deve ser executado por uma empresa especializada em ensaios
elétricos em transformadores, bem como utilizar instrumentos calibrados e adequados
para cada tipo de ensaio elétrico.

9.4.18.1. Relação de Instrumentos para Ensaios Elétricos

§ Medidor de relação de transformação (TTR);


§ Medidor de fator de potência;
§ Ponte para medição de resistência ôhmica;
§ Megômetro;
§ Multímetro;
§ Alicate amperímetro;
§ Variador de tensão monofásico;
§ Termohigrômetro.

322
Informações Técnicas DT-11
9.4.18.2. Relação dos Ensaios Elétricos

§ Análise físico química do óleo isolante;


§ Análise cromatográfica do óleo isolante;
§ Medição do fator de potência e capacitância do transformador e das
buchas, se providas de derivações capacitivas;
§ Medição da corrente de excitação do transformador;
§ Medição da resistência de isolamento do transformador, núcleo, fiação
elétrica do painel de controle do transformador e acionamento do
comutador sob carga, caso aplícável;
§ Medição da relação de transformação em todas as fases e posições do
comutador de derivações;
§ Medição de resistência ôhmica dos enrolamentos, em todas as fases e
posições do comutador de derivações;
§ Medição da relação de corrente dos TC,s;
§ Medição da resistência ôhmica dos enrolamentos dos TC,s;
§ Medição de resistência do isolamento dos TC,s;
§ Ensaio de saturação dos TC,s;
§ Medição de resistência ôhmica dos enrolamentos dos motoventiladores;
§ Medição da resistência do isolamento da fiação dos motoventiladores;
§ Medição da corrente elétrica dos motoventiladores;
§ Simulação de atuação de todos os dispositivos de supervisão, proteção e
sinalização do transformador.

9.4.19. Energização do Transformador

Antes de sua energização, é recomendada uma nova desaeração das buchas, relê de
gás, cabeçote do comutador sob carga, bujão de drenagem das janelas de inspeção e
radiadores;

Inspecionar todos os dispositivos de proteção e sinalização do transformador;

É importante observar que transformadores devem ser energizados após decorridas,


pelo menos, 24 horas da conclusão de enchimento, ou conforme instrução do
fabricante;
323
Informações Técnicas DT-11

Ajustar e travar a posição do comutador manual, conforme recomendado pela


operação do sistema.

Preferencialmente, a energização deve ser acompanhada por um supervisor do


fabricante;
Preferencialmente, o transformador deve ser energizado inicialmente em vazio;

Recomenda-se efetuar análise cromatográfica do óleo isolante, antes da energização


(referência), 24h às 36h após a energização, 10 dias e 30 dias após a energização
para detecção de defeitos incipientes. Utilizar o diagnóstico conforme NBR 7274.

9.4.20. Registros Operacionais

Os registros operacionais devem ser obtidos através das leituras dos instrumentos
indicadores, das ocorrências extraordinárias relacionadas com o transformador, bem
como todo o evento relacionado, ou não, com a operação do sistema elétrico, que
possa afetar o desempenho e/ou característica intrínseca do equipamento. É
recomendável a leitura diária dos indicadores de temperatura, ambiente, indicador de
nível de óleo, carga e tensão do transformador.

Os procedimentos relacionados ao recebimento, instalação e manutenção de


transformadores imersos de líquido isolante, de distribuição e de potência, estão
detalhados, respectivamente, na NBR 7036 e NBR 7037. E os transformadores a
seco na NBR 7037.

9.4.21. Manutenção

Para problemas típicos normalmente encontrados e soluções recomendadas relativas


à manutenção, transcrevemos as verificações sugeridas pela NBR 7037 - anexo D.
considerar (S) semestrais, (T) trienais;

Buchas:
§ vazamentos(S)

324
Informações Técnicas DT-11
§ nível do óleo (S)
§ trincas ou partes quebradas, inclusive no visor do óleo (T)
§ fixação
§ condições e alinhamento dos centelhadores (T)
§ conectores, cabos e barramentos (T)
§ limpeza das porcelanas (T)

Tanque e radiadores:
§ vibração do tanque e das aletas dos radiadores (S)
§ vazamentos: na tampa, nos radiadores, no comutador de derivações, nos
registros e bujões de drenagem (S)
§ estado da pintura: anotar os eventuais pontos de oxidação
§ estado dos indicadores de pressão (para transformadores selados) (S)
§ todas as conecções de aterramento (tanque, neutro, etc.) (T)
§ bases (nivelamento, trincas, etc.) (S)
§ posição das válvulas dos radiadores (S)

325
Informações Técnicas DT-11
Conservador:
§ vazamento (S)
§ registro entre o conservador e o tanque, se estão totalmente abertos (T)
§ fixação do conservador (T)
§ nível do óleo isolante (S)

Termômetros e/ou imagens térmicas:


§ funcionamento dos indicadores de temperatura (S)
§ valores de temperatura encontrados (anotar) (S)
§ estado dos tubos capilares dos termômetros (T)
§ pintura e oxidação (S)
§ calibração e aferição (T)
§ nível de óleo no poço para termômetro (T)

Sistema de ventilação:
§ ventiladores, quanto a aquecimento, vibração, ruído, vedação a intempéries,
fixação, pintura e oxidação (S)
§ acionamento manual (S)
§ circuito de alimentação (S)
§ pás e grades de proteção (S)

Secador de ar:
§ estado de conservação (S)
§ limpeza e nível de óleo da cuba (S)
§ estado das juntas e vedação (S)
§ condições da sílica gel (S)

Dispositivo de alívio de pressão:


§ tipo tubular: verificar membranas (T)
§ tipo Válvula: verificar funcionamento do microrruptor (T)

Relê de gás:
§ presença de gás no visor (S)
§ limpeza do visor (T)
§ vazamento de óleo (S)
326
Informações Técnicas DT-11
§ juntas (S)
§ fiação (T)
§ atuação (alarme e desligamento) (T)

Relê de Pressão:
§ vazamento (S)
§ juntas (S)
§ contatores tipo plugue (T)
§ fiação (T)
§ presença de gás

Comutadores de derivações:
§ sem tensão: estado geral e condições de funcionamento (T)
§ em carga: Nível de óleo do compartimento do comutador (S)
§ condições da caixa do acionamento motorizado quanto a limpeza, umidade,
juntas de vedação, trincos e maçanetas, aquecimento interno etc.(S)
§ motor, circuito de alimentação e fiação (S).

Caixa de terminais da fiação de controle e proteção:


§ limpeza, estado da fiação, blocos terminais(S)
§ juntas de vedação, trincos e maçanetas (S)
§ resistor de aquecimento e iluminação interna (S)
§ fixação, corrosão e orifícios para aeração (S)
§ contatores, fusíveis, relês e chaves (T)
§ isolação da fiação (T)
§ aterramento do secundário dos TC, régua de bornes, identificação da fiação e
componentes (T)

Ligações externas:
§ aterramento (T)
§ circuito de alimentação externos (S)

327
Informações Técnicas DT-11

ANEXO I

FOLHA DE DADOS: TRANSFORMADOR DE DISTRIBUIÇÃO

Cliente:
Referência: -
Especificação/Norma: NBR -5440/83

1. DENTIFICAÇÃO
Item: 01
Quantidade:
Tag: -
Código do produto: 2001.2002
Tipo: Distribuição

2. CARACTERÍSTICAS DO AMBIE NTE


Instalação: Ao tempo
Altitude máxima de instalação [m]: 1.000
Atmosfera: Não Agressiva
Temperatura máxima do ambiente [ºC]: 40

3. CARACTERÍSTICAS ELÉTRICAS
Potência [kVA]: 300
Número de fases: 3
Freqüência [Hz]: 60
Grupo de ligação: Dyn1
Polaridade: Subtrativa
Refrigeração: ONAN
Enrolamento de alta tensão:
Tensão nominal [kV]: 6.9
De rivações [kV]: ± 2 x 2.5%
Classe de tensão [kV]: 7.2
Tensão aplicada [kVef]: 20
Tensão de impulso atmosférico [kVcr]: 60
Enrolamento de baixa tensão
Tensão nominal [kV]: 208
Classe de tensão [kV]: 1,2
Tensão aplicada [kVef]: 10
Tensão de impulso atmosférico [ kVcr]: -

328
Informações Técnicas DT-11
Classe do material isolante: A
Valores garantidos [300kVA/6.9kV e 75ºC]
Corrente de excitação [%]: 2,4
Impedância [%]: 4,5
Perdas a vazio [W]: 1.120
Perdas tot ais [W]: 4.480
Nível de ruído (pressão acústica) [d B]: 55

4. CARACTERÍSTICAS CONSTRUTIVAS
Forma construtiva: Selado
Líquido isolante: Óleo Mineral
Pintura de acabamento: Munsell N6.5
Tipo de núcleo: Empilhado
Buchas de alta tensão
Locali zação: Tampa
Quantid ade: 3
Tipo: ABNT 15kV/160A
Conector de fase: Prensa -cabo 10 a 70mm2
Conector de neutro: Não aplicável
Buchas de baixa tensão
Localização: Lateral
Quantidade: 4
Tipo: ABNT 1,3kV/400A
Conector de fase: Prensa -cabo 70 a 300mm2
Conector de neutro: Prensa -cabo 70 a 300mm2
Massas
Parte ativa [kg] : 450
Líquido isolante[kg]: 180
Tanque e acessórios [kg]: 280
Transformador completo [kg]: 910
Dimensões (C x L x A) [mm]: 1.700 X 1.000 X 1.130

5. ACESSÓRIOS
Visor de nível de óleo: Não
Válvula de alívio de pressão: Não
Comutador de derivações a vazio: Sim (acionamento interno)
Conexão para drenagem/amostragem: Não
Conexão superior para filtr o prensa: Não
Conexão inferior para filtro prensa: Não
Suporte para poste: Sim
Suporte para pára -raios: Não

329
Informações Técnicas DT-11
Apoios para macaco: Não
Janela de inspeção: Sim
Olhais para tração: Não
Ganchos de suspensão: Sim (parte ativa e transformador completo)
Placa de identificação: Sim
Rodas: Sim (unidirecionais)
Base para arraste ou apoio: Sim (apoio)
Conector de aterram ento: Sim (10 a 70mm2)

6. ENSAIOS (ABNT/NBR -5356/96)


Rotina: Sim
Tipo
Especiais:

330
Informações Técnicas DT-11

ANEXO II

FOLHA DE DADOS: TRANSFORMADOR DE FORÇA

Cliente:
Referência:
Especificação/Norma: NBR -5356/99

1. IDENTIFICAÇÃO
Item: 01
Quantidade: 01
Código do produto: 3005.5829
Tipo: FORÇA

2. CARACTERÍSTICAS DO AMBIE NTE


Instalação: Ao tempo
Altitude máxima de i nstalação [m]: 1.000
Atmosfera: Não Agressiva
Temperatura máxima do ambiente [ºC]: 40

3. CARACTERÍSTICAS ELÉTRICAS
Freqüência [Hz]: 60 Número de f ases: 3 Grupo de ligação: Dyn1

Potência [MVA]
Enrolamento: Tensão [kV] Ligação Comutação
ONAN ONAF1 ONAF2
Alta tensão: 5 - - 11 ± 2 X 2.5% D CST
Baixa tensão: 5 - - 4.16 yn -
Terciário: - - - - - -

Média 55
Elevação de temperatura do enrolamento [°C]
Ponto mais quente 65
Elevação de temperatura no topo do óleo [°C] 55
Classe do material isolante A

331
Informações Técnicas DT-11

Alta tensão Baixa tensão Terciário


Fase Neutro Fase Neutro Fase
Nível de isolamento [KV] 15 - 7,2 7,2 -
Tensão de impulso [kV] Onda plena 95 - 60 60 -
Onda cortada 105 - 66 NA -
Onda de manobra NA - NA NA -
Tensão aplicada [kV] 34 - 20 20 -
Tensão induzida [kV] 2 X VN - 2 X VN - -
Tensão induzida de longa duração [kV] NA - NA NA -

90% 100% 110%


Perda a vazio[kW] - 6 -
Corrente de excitação [%] (Ba se de 5 MVA) - 0,7 -

Base Impedância Perda em Carga


Posição [kV] Potência [MVA] @ 75°C [%] @ 75°C [kW]
- - - -
Alta tensão/Baixa tensão 11/4.16 5 6 34
- - - -
- - - -
Alta tensão/Terciário - - - -
- - - -
- - - -
Baixa tensão/Terciário - - - -
- - - -

ONAN ONAF1 ONAF2


Nível de ruído [dB ] - - -
Nível de tensão de rádio -interferênci a [µV] 2.500
Descargas parciais [pC] 300

Regulação [%]
Cos ø = 0,8 Cos ø = 0,9 Cos ø = 1
ONAN 4,22 3,34 0,86
ONAF1 - - -
ONAF2 - - -

332
Informações Técnicas DT-11
Fator de Rendimento [%]
Carga Cos ø = 0,8 Cos ø = 0,9 Cos ø = 1
[%] ONAN ONAF1 ONAF2 ONAN ONAF1 ONAF2 ONAN ONAF1 ONAF2
25 99,19 - - 99,28 - - 99,35 - -
50 99,28 - - 99,36 - - 99,42 - -
75 99,17 - - 99,26 - - 99,33 - -
100 99,01 - - 99,12 - - 99,21 - -
125 98,83 - - 98,96 - - 99,06 - -

4. CARACTERÍSTICAS CONSTRUTIVAS
Forma construtiva: Com conservador
Líquido i solante: Óleo mineral
Buchas de alta te nsão: Na tampa (saída aé rea)
Buchas de baixa tensão: Na tampa (saída aérea)
Buchas do terciário: Não aplicável
Pintura de acabamento: Bege fosco (Ral 1015)

Massa Dimensão [mm]


[kg] Comprimento Largura Altura
Parte ativa 4.500
Líquido isolante 1.890
Tanque e acessórios 4.300
Transformador completo 10.690 2.440 2.750 2.920
Maior peça para transporte 7.900 2.440 1.850 2.650

5. ACESSÓRIOS
Indicador magn ético de nível de óleo: Sim
Secador de ar com sílica gel: Sim
Termômetro do óle o: Sim
Termômetro do enr olamento: Sim
Monitor de temperat ura: Não
Transdutor de temperatura: Não
Válvula de alívio d e pressão: Sim
Centelhadores para alta tensão: Não
Centelhadores para baixa tensão: Não
Centelhadores para terciári o: Não aplicável
Relê de pressão súbita: Não
Manômetro: Não
Relê de gás tipo Buchh olz: Sim
Radiadores destacáveis: Sim
Apoios para macaco: Sim

333
Informações Técnicas DT-11
Janela de inspeção: Sim
Janela de visita: Não
Ganchos de suspensão: Sim
Caixa de circuitos auxiliares: Sim
Blindagem eletrostáti ca: Não
Placa de identificação: Si m
Placa diagramática: Sim
Placa de identificação para buchas: Não
Conector de aterramento: Sim (50 a 120 mm2)
Base para arraste ou apoio: Sim (apoio)
Rodas: Sim (bidirecionais, lisas)
Fiação dos acessórios: Sim
Conectores de alta t ensão (fase): Sim
Conectores de alta t ensão (neutro): Não aplicável
Conectores de bai xa tensão (fase): Sim
Conectores de baixa tensão (neutro): Sim
Conectores de terciári o: Não aplicável
Acessórios para o comutador sob carga: Não

TC Bucha Relação Exatidão Fator Térmico Quant. por Bucha Aplicação


1,2,3 X1,X2,X3 800/5A 10B100 1.2 1 PROTEÇÃO
4,5,6 X1,X2,X3 800/5A 0.6C12.5 1.2 1 MEDIÇÃO
7 X2 700/1.5A 3C25 1.5 1 IM. TÉRMICA

6. ENSAIOS (ABNT/NBR -5380)


Rotina: Sim
Tipo: Não

334
Informações Técnicas DT-11

ANEXO III

FOLHA DE DADOS: TRANSFORMADOR A SECO

Cliente:
Referência:
Especificação/Norma: NBR -10295/98

1. IDENTIFICAÇÃO
Item:
Quantidade: 01
Tag:
Código do produto: 1110.1381
Tipo: Seco - não enclausurado

2. CARACTERÍSTICAS DO AMBIE NTE


Instalação: Interior
Altitude máxima de instalação [m]: 1.000
Atmosfera: Não Agressiva
Temperatura máxima do ambiente [ºC]: 40

3. CARACTERÍSTICAS ELÉTRICAS
Potência [kVA]: 1.000
Número de fases: 3
Freqüência [Hz]: 60
Grupo de ligação: Dyn1
Refrigeração: AN
Enrolamento de alta tensão
Tensão nominal [kV]: 13,8
Derivações [kV]: 13,8/13,2/12,6/12,0/11,4
Classe de tensão [kV]: 15
Tensão aplicada [kVef]: 34
Tensão de impulso atmosf érico [kVcr]: 95
Enrolamento de baixa tensão
Tensão nominal [kV]: 0,380/0,220
Classe de tensão [kV]: 0,6
Tensão aplicada [kVef]: 4
Tensão de impulso atmosf érico [kVcr]: -
Classe do material isolante: F
Valores garantidos [1000kVA/13, 8kV e 115ºC]

335
Informações Técnicas DT-11
Corrente de excitação [%]: 2,00
Impedância [%]: 4,5
Perdas a vazio [W]: 2.800
Perdas no cobre [ W]: 10 .000
Perdas totai s [W]: 12.800
Nível de ruído (pressão acústica) [dB]: 64
Descargas parciais [pC]: 10

4. CARACTERÍSTICAS CONSTRUTIVAS
Grau de proteção: IP -00
Classe do transformador: E2/C1/F1
Material dos condutores: Cobre (alta tensão)
e alumínio (baixa tensão)
Terminais de alta tensão: Bandeira (1 furo NEMA)
Terminais de bai xa tensão: Bandeira
Encapsulamento do E nrolamento AT A vácuo em resina epóxi
Sistema Vântico CW 229
Massa total [kg]: 2.500
Dimensões (C x L x A) [ mm]: 1530 x 830 x 1760

5. ACESSÓRIOS
Monitor de temperatura sem indicador: Não
Monitor de temperatura com indicador: Sim (T -154)
Sensor de temperatura: Sim
Sistema de comutação a vazio (links): Sim
Motoventiladores: Não
Olhais para tração: Sim
Olhais de suspensão: Sim
Placa de identificação: Sim
Rodas: Sim (bidirecionais)
Base: Sim (apoio)
Conector de aterramento: Sim

ENSAIOS (ABNT/NBR -10295/98)


Rotina: Sim
Tipo:
Especiais:

336
Informações Técnicas DT-11

1. Bucha de Alta Tensão


1.1. Terminal de alta tensão
2. Tampa
3. Abertura para inspeção
4. Guarnição
5. Comutador
6. Armadura
7. Núcleo
8. Bobinas
8.1. Bobina B.T.
8.2. Bobina A.T.
9. Tanque
9.1. Olhal de Suspensão
9.2. Radiador
9.3. Suporte para fixação ao poste
10. Bucha de Baixa Tensão
10.1. Terminal de Baixa Tensão
11. Placa de Identificação
12. Dispositivo de aterramento

337
Informações Técnicas DT-11

WEG ENERGIA
Blumenau – SC - Tel. (0xx47) 3337-1000 - Fax (0xx47) 3337-1090
São Paulo – SP - Tel. (0xx11) 5053-2300 - Fax (0xx11) 5052-4212
energia@weg.net
www.weg.net

338