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Universidade Federal de São João Del Rei – NEAD

Curso Especialização em Engenharia de Segurança do Trabalho

Higiene do Trabalho C (HTC) – Tarefa 4: Contaminação por sangue e outros fluidos


corporais.

DIEGO DA SILVA MÉGDA

ALTEROSA – MG
Setembro 2019

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Tarefa 4 – Além do sangue, existem outros fluidos corporais que apresentam alto
potencial de contaminar as pessoas com doenças como as hepatites e a AIDS.
Pesquise e cite quais são estes fluidos.

Os fluidos corporais servem como um meio para transportar nutrientes e descartar


produtos que não são aproveitadas pelas células nas suas mais diversas reações, ou
rejeitos destas reações; constitui-se ainda um meio para o transporte de comunicadores
químicos, nos quais coordenam as atividades entre as células1,2.
Principalmente profissionais da área da saúde estão constantemente expostos à
fluido corporais potencialmente contaminados no ambiente de trabalho, e a exposição
ocupacional pode ocorrer tanto por inoculação percutânea - através de agulhas ou
instrumentos e materiais cortantes - quanto pelo contato direto através de pele e mucosa.
Acidentes por inoculação percutânea através de material perfurocortante são
considerados de maior risco, pois podem transmitir mais de 20 patógenos diferentes,
sendo que os vírus da AIDS (HIV), da hepatite B (HBV) e da hepatite C (HCV) são os
mais frequentes. Além do mais o sangue é o principal material biológico responsável pela
transmissão destes vírus3,4.
Além do sangue, são potencialmente contaminantes os seguintes fluidos
corporais: secreção vaginal, líquor, sêmen, líquido sinovial, peritonial, pericárdico e
amniótico, secreções nasofaríngeas, saliva, suor, leite materno, dentre outros, nos quais
podem estar potencialmente contaminados e transmitir inúmeras doenças. Deve-se
destacar, no entanto, que líquidos orgânicos como fezes, secreções nasais, saliva, escarro,
suor, lágrimas, urina e vômitos, a menos que contenham sangue, são considerados
potencialmente não infectantes1,2,5.
Líquidos de membranas serosas, por exemplo, que são líquidos secretados por
membranas que revestem as cavidades gerais do corpo, como coração, pulmão e tubo
gastrintestinal, líquido amniótico, líquor e líquido articular são fluidos e secreções
corporais potencialmente infectantes para transmissão do HIV, enquanto que suor,
lágrima, fezes, urina, vômitos, secreções nasais e saliva são líquidos biológicos sem risco
de transmissão ocupacional para este agente, exceto em ambientes odontológicos e sem
presença de sangue nestes líquidos, independentemente do local onde se encontram6.
As inúmeras investigações envolvendo acidentes ocupacionais com material
biológico revelam, portanto, que profissionais da área de saúde que cuidam diretamente
de pacientes são os mais expostos. Contudo outros profissionais de categorias não

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envolvidas diretamente com os cuidados aos pacientes ou seus fluidos corporais também
podem ser vítimas de acidentes biológicos, tais como trabalhadores de limpeza,
lavanderia, manutenção e coleta de lixo3.
Dessa maneira, recomenda-se o uso de equipamentos de proteção individual
(EPI), tais como: luvas, máscaras, protetores de olhos, nariz e boca, e jaleco/avental
quando em contato direto com sangue ou fluidos corporais. Também são recomendações
as precauções-padrão, como: utilização de desinfetantes, como o hipoclorito de sódio, na
limpeza de áreas com respingos de sangue ou outros materiais biológicos; os cuidados
específicos no laboratório durante manipulação de amostras biológicas, como a utilização
apenas de pipetas mecânicas; o transporte de materiais contaminados em embalagens
impermeáveis e resistentes, e a marcação, com rótulos e etiquetas, de artigos médico-
hospitalares e de exames coletados, identificando-os como material proveniente de
pacientes com HIV/AIDS, hepatite e outras doenças infectocontagiosas. Dentre as
medidas específicas para a prevenção de infecções por patógenos provenientes do sangue
ou outros fluidos corporais, apenas a vacina contra a hepatite B está disponível, com 90
a 95% de eficácia3.

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Referências Bibliográficas

1) TURCHINOVICH, A.; CHO, C. W. The origin, function and diagnostic potential


of extracellular microRNA in human body fluids. Frontiers in Genetics, v. 5,
Article 30, published online: 12 February 2014. Disponível em <
www.frontiersin.org > Acesso em 8 de setembro de 2019.

2) TORRES, O. J.; FARREL, S. O.; CAMPBELL, M. K.; BROWN, W. H.


Introduction to General Organic and Biochemistry. 10 Ed, Books/ Cole, Cengage
Learning, 2013.

3) SILVA, J. A.; ALMEIDA, A. J.; PAULA, V. S.; VILLAR, L. M. Investigação de


Acidentes Biológicos entre Profissionais da Saúde. Revista de Enfermagem, v.
13, n. 3, pp. 508-5016. Rio de Janeiro, 2009.

4) REIS, P. G. T. A.; DRIESSEN, A. L.; COSTA, A. C. B. A.; NASR, A.;


COLLAÇO, I. A.; TOMASICH, F. D. S. Perfil Epidemiológico de Acidentes com
Material Biológico entre Estudantes de Medicina em um Pronto-Socorro
Cirúrgico. Revista Colégio Brasileiro de Cirurgiões, v. 40, n. 4, pp. 287-292. Rio
de Janeiro, 2013.

5) SECRETARIA DE ESTADO DA SÁUDE DE ALAGOAS. Exposição a Material


Biológico – Protocolo de Atendimento, 2017. Disponível em <
http://www.saude.al.gov.br > Acesso em 8 de setembro de 2019.

6) MINISTÉRIO DA SAÚDE, SECRETARIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE –


MS. Recomendações para Atendimento e Acompanhamento de Exposição
Ocupacional a Material Biológico: HIV e Hepatites B e C. Programa Nacional
DST/Aids – Secretaria de Vigilância em Saúde – MS, Programa Nacional para a
Prevenção e o Controle das Hepatites Virais – Departamento de Vigilância
Epidemiológica - Secretaria de Vigilância em Saúde – MS. Brasília, 2004.

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