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DEPARTAMENTO DE FILOSOFIA

CURSO: FILOSOFIA
DISCIPLINA: FILOSOFIA DAS CIÊNCIAS
DOCENTE: MAGNUS DAGIOS
DISCENTE: ELISANDRO DESMAREST DE SOUZA1

FICHAMENTO
Obra: “Os Problemas da Filosofia”. Russell, Bertrand. Título original: The Problems of
Philosophy. Home University Library, 1912. Oxford University Press paperback, 1959.
Reimpresso em 1971-2. Tradução: Jaimir Conte. Florianópolis, setembro de 2005. Cap. 5
“Conhecimento direto e conhecimento por meio de descrição”. (Pág. 39-48 PDF)

Inicialmente neste capitulo Russell2 abordará apenas a noção de conhecimento de


coisas, no qual ele ira diferenciar em duas espécies sendo elas: o conhecimento direto e o
conhecimento das coisas por descrição.
[...]. O conhecimento de coisas, quando é da espécie que denominamos de
conhecimento direto, é essencialmente mais simples que qualquer conhecimento de
verdades, e logicamente independente do conhecimento de verdades. Não obstante,
é precipitado assumir que, em qualquer ocasião, os seres humanos têm, de fato,
conhecimento direto das coisas sem ao mesmo tempo conhecer alguma verdade
sobre elas. O conhecimento de coisas por descrição, ao contrário, sempre implica,
como veremos no curso do presente capítulo, algum conhecimento de verdades
como sua fonte e seu fundamento. Mas antes de tudo devemos esclarecer o que
entendemos por “conhecimento direto” e o que entendemos por “descrição”.
(RUSSELL, 2005. p 39)

Segundo o filosofo analítico, o conhecimento direto se suscita através captação dos


sentidos sobre aparências dos objetos apresentados, dessa forma podemos perceber sem a
necessidade outra forma de verdade as qualidades (as aparências) desses objetos, suas formas
e padrões. Dessa forma só podemos analisar apenas o que nossos sentidos captam de uma
forma superficial, um conhecimento restrito sobre as aparências do objeto.
[...]. Não há um estado mental em que somos diretamente conscientes da mesa; todo
nosso conhecimento da mesa é realmente um conhecimento de verdades, e a coisa
mesma que constitui a mesa não nos é, estritamente falando, conhecida.
Conhecemos uma descrição e sabemos que há um objeto ao qual esta descrição se
aplica exatamente, embora o próprio objeto não nos seja diretamente conhecido.
Neste caso, dizemos que nosso conhecimento do objeto é um conhecimento por
descrição. (RUSSELL, 2005. p 40)

Conforme o filosofo britânico o conhecimento das coisas por descrição consiste em


desenvolver uma analise do objeto físico, assim os conhecimentos das coisas e os

1
Graduando em filosofia pela Fundação Universidade Federal de Rondônia, membro do Grupo de Pesquisa em Teoria Política
Contemporânea-UNIR. http://lattes.cnpq.br/0684841892216928 Email: elisandro_souza_2006@hotmail.com

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Bertrand Arthur William Russell filosofo e matemático britânico, é considerado o mais influente filósofos contemporâneo, um dos
precursores da filosofia analítica, a qual tinha como base o método de analise do pensamento. https://www.ebiografia.com/bertrand_russell/
conhecimentos da verdade sãos obtidos através do conhecimento direto. Entretanto não
devemos nos restringir somente a esse tipo de conhecimento, pois se fizermos isso só teríamos
apenas uma verdade atual, e não uns conhecimentos do passado do objeto, para isso devem
analisar também o conhecimento direto de outras coisas, e não somente fazer uma analise dos
sentidos. A principio devemos levar em conta também o conhecimento da memória, pois é
através dela que lembramos o que nossos sentidos capturaram, e é isso que nos trás o
conhecimento das coisas passadas, e sem essa fonte de dedução não teríamos conhecimento
das sensações capturada do objeto. Outra forma de analise é a introspecção e é dela que
tomamos a consciência das sensações obtidas das coisas, ou seja, uma analise mental do que
essas coisas representam como objetos mentais.
Podemos, portanto, resumir como segue tudo o que dissemos sobre o conhecimento
direto das coisas que existem. Temos conhecimento direto, na sensação, dos dados
dos sentidos externos e, na introspecção, dos dados do que podemos denominar de
sentido interior: pensamentos, sentimentos, desejos, etc.; temos um conhecimento
direto na memória das coisas que foram dadas quer pelos sentidos exteriores, quer
pelo sentido interior. Além disso, é provável, embora não certo, que temos
conhecimento direto do Eu, como de algo que tem consciência das coisas ou as
deseja. (RUSSELL, 2005. p 43)

Aqui Russell trata do conhecimento do próprio Eu, pois tendo o individuo


conhecimento advindo de seus sentidos onde ele interpreta de forma consciente os dados do
objeto e daquilo que aquele objeto representa, ele terá o conhecimento de si próprio,
conhecendo a verdade dos sentidos. Russel afirma que alem desses conhecimentos diretos das
coisas individuais, temos os conhecimentos da coisa universais, onde se compreende como
ele diz ideias gerais, ex: a brancura, diversidade, fraternidade e etc (Cf. Russell, 2005), essas
ideias gerais o filósofo denominara de conceitos. Dentro desse conhecimento de coisas por
descrição, iremos nos deparar com conhecimento de coisas ambíguas, onde veremos os
termos “um isto ou aquilo”; uma descrição definida onde será usado os termos “o isto ou
aquilo”. Russell explana o seguinte dizer: “O princípio fundamental na análise das
proposições que contém descrições é este: Toda proposição que podemos entender deve ser
composta inteiramente de elementos dos quais temos um conhecimento direto.” (Cf. 2005, p.
47-48).

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