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Perícia Contábil

e Arbitragem
Profª. Arlete Regina Floriani

2015
Copyright © UNIASSELVI 2015

Elaboração:
Profª. Arlete Regina Floriani

Revisão, Diagramação e Produção:


Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI

Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri


UNIASSELVI – Indaial.

657.450

F635p Floriani, Arlete Regina

Perícia contábil e arbitragem/ Arlete Regina Floriani. 2.ed. Indaial :


UNIASSELVI, 2015.

192 p. : il.

ISBN 978-85-7830-894-0

1.Perícia contábil - auditoria.


I. Centro Universitário Leonardo Da Vinci.

Impresso por:
Apresentação
Prezado acadêmico, a partir deste momento você terá a oportunidade de
conhecer o que é perícia contábil e arbitragem. Trata-se de um tema de grande
importância na sua formação profissional, pois lhe dará a base necessária para
que você possa encontrar excelentes oportunidades no mercado de trabalho.
Isso depende apenas do seu comprometimento com o estudo.

Serão abordados os aspectos introdutórios, nos quais buscaremos registrar


as regras da perícia atribuídas ao contador, a origem da perícia de âmbito geral e
o surgimento da perícia contábil no Brasil. Dando prosseguimento, buscaremos
identificar os objetivos, conceituar o sentido e também os elementos da perícia.
Trataremos também do perfil do profissional habilitado para o exercício da
perícia. Esforçamo-nos para conceituar e esclarecer que a tomada de decisão
cabe aos Juízes Estaduais e Federais, que conduzem os processos de acordo com
o Código de Processo Civil. Também procuramos esclarecer questões sobre o
início e as características da matéria pericial, fundamentos doutrinários, a ética
profissional, bases contextuais, exercício profissional, a função contábil e o perito.

Teremos por assunto uma abordagem histórica e as características que


levaram à realização da perícia, como classificação, requerimento e trabalhos
técnicos da contabilidade.

Para nos tornarmos afins de nossas atribuições, tornaremos evidente


o exercício profissional e ressaltaremos que, ao realizar uma perícia, podem
ocorrer irregularidades administrativas e irregularidades contábeis. No que
diz respeito a essas irregularidades, o assunto abordado deve ser demonstrado
em um laudo elaborado pelo profissional da área denominado de perito.

Por fim, versaremos sobre as funções contábeis que se subdividem


em fundamentais e complementares. As funções fundamentais são também
conhecidas como funções peculiares da contabilidade e contemplam três
subfunções, assim identificadas: escritural, expositiva e interpretativa. As funções
complementares são conhecidas como funções corretivas que complementam
sua utilidade, tais como função administrativa, função revisora e função pericial,
em que acontece o registro das transações ou dos negócios contratados, a
conciliação das contas segundo os registros realizados e a realização da perícia
é feita, oportunamente, apenas quando há necessidade de testemunhar a
existência de elementos patrimoniais e/ou de situações do direito.

Com esta exposição é possível percebermos a relevância desta


matéria. Desejo a você bom estudo e que este caderno lhe forneça subsídios
para sua aprendizagem.
Então mãos à obra!

Profª Msc. Arlete Regina Floriani

III
NOTA

Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto


para você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há
novidades em nosso material.

Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é


o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um
formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura.

O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova
diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também contribui
para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.

Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente,


apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador.
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto
em questão.

Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa
continuar seus estudos com um material de qualidade.

Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de


Desempenho de Estudantes – ENADE.
 
Bons estudos!

IV
V
VI
Sumário
UNIDADE 1 – DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA .
O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E TRABALHOS .
TÉCNICOSDACONTABILIDADE,BASESCONTEXTUAIS,EXERCÍCIO.
PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL................................................................. 1

TÓPICO 1 – DADOS HISTÓRICOS.................................................................................................... 3


1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................................... 3
2 ASPECTOS INTRODUTÓRIOS......................................................................................................... 4
3 ORIGEM.................................................................................................................................................. 4
4 O SURGIMENTO DA PERÍCIA CONTÁBIL NO BRASIL.......................................................... 5
5 OBJETIVO............................................................................................................................................... 6
6 CONCEITUAÇÕES............................................................................................................................... 7
6.1 PERÍCIA............................................................................................................................................. 7
6.2 O PERITO........................................................................................................................................... 16
6.2.1 O conceito ................................................................................................................................ 17
6.2.2 Normas profissionais do perito............................................................................................. 20
6.3 O ASSISTENTE TÉCNICO.............................................................................................................. 22
6.4 USUÁRIOS DA PERÍCIA................................................................................................................ 23
7 NOMEAÇÃO, CONTRATAÇÃO E ESCOLHA DO PERITO-CONTADOR OU .
INDICAÇÃO DO PERITO-CONTADOR ASSISTENTE.............................................................. 24
8 INDEPENDÊNCIA................................................................................................................................ 25
9 IMPEDIMENTO E SUSPEIÇÃO........................................................................................................ 25
10 HONORÁRIOS.................................................................................................................................... 27
11 O SIGILO............................................................................................................................................... 31
12 RESPONSABILIDADE E ZELO....................................................................................................... 31
13 UTILIZAÇÃO DE TRABALHO DE ESPECIALISTA................................................................... 34
14 A ÉTICA PROFISSIONAL................................................................................................................. 34
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 38
AUTOATIVIDADE.................................................................................................................................. 40

TÓPICO 2 – PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, .


CLASSIFICAÇÃO, E TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE ........... 43
1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................................... 43
2 ASPECTOS INTRODUTÓRIOS......................................................................................................... 43
3 PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA........................... 45
4 A CLASSIFICAÇÃO DA PERÍCIA ................................................................................................... 45
5 REQUERIMENTO................................................................................................................................. 47
6 TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE....................................................................... 47
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 48
AUTOATIVIDADE.................................................................................................................................. 49

TÓPICO 3 – EXERCÍCIO PROFISSIONAL......................................................................................... 51


1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................................... 51
2 EXERCÍCIO PROFISSIONAL............................................................................................................. 51
RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................ 61
AUTOATIVIDADE.................................................................................................................................. 62

VII
TÓPICO 4 – FUNÇÕES CONTÁBEIS................................................................................................ 65
1 INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 65
2 FUNÇÕES CONTÁBEIS.................................................................................................................... 65
3 FUNÇÕES FUNDAMENTAIS.......................................................................................................... 65
4 FUNÇÕES COMPLEMENTARES.................................................................................................... 66
LEITURA COMPLEMENTAR.............................................................................................................. 69
RESUMO DO TÓPICO 4...................................................................................................................... 71
AUTOATIVIDADE................................................................................................................................ 72

UNIDADE 2 – PERÍCIA CONTÁBIL.................................................................................................. 75

TÓPICO 1 – ABORDAGENS GERAIS SOBRE A PERÍCIA CONTÁBIL................................... 77


1 INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 77
2 LEGISLAÇÃO PERICIAL.................................................................................................................. 77
2.1 NBC TP 01 ....................................................................................................................................... 78
RESUMO DO TÓPICO 1...................................................................................................................... 97
AUTOATIVIDADE................................................................................................................................ 98

TÓPICO 2 – CARACTERÍSTICAS DOS TRABALHOS PERICIAIS .......................................... 101


1 INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 101
2 PLANO DE TRABALHO.................................................................................................................... 101
3 EXECUÇÃO DO TRABALHO PERICIAL...................................................................................... 106
RESUMO DO TÓPICO 2...................................................................................................................... 112
AUTOATIVIDADE................................................................................................................................ 113

TÓPICO 3 – EXERCÍCIO PROFISSIONAL DO PERITO............................................................... 115


1 INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 115
2 LAUDO PERICIAL.............................................................................................................................. 115
2.1 ESTRUTURA DOS LAUDOS........................................................................................................ 120
2.2 REQUISITOS DE UM LAUDO CONTÁBIL............................................................................... 121
RESUMO DO TÓPICO 3...................................................................................................................... 125
AUTOATIVIDADE................................................................................................................................ 126

TÓPICO 4 – FUNÇÕES CONTÁBEIS................................................................................................ 129


1 INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 129
2 PARECER PERICIAL CONTÁBIL.................................................................................................... 129
3 ENCAMINHAMENTO DO PARECER PERICIAL CONTÁBIL................................................ 131
LEITURA COMPLEMENTAR.............................................................................................................. 133
RESUMO DO TÓPICO 4...................................................................................................................... 136
AUTOATIVIDADE................................................................................................................................ 137

UNIDADE 3 – ARBITRAGEM............................................................................................................. 139

TÓPICO 1 – LEGISLAÇÃO QUE REGULAMENTA A ARBITRAGEM..................................... 141


1 INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 141
2 A ARBITRAGEM................................................................................................................................. 141
2.1 LEGISLAÇÃO................................................................................................................................. 141
RESUMO DO TÓPICO 1...................................................................................................................... 153
AUTOATIVIDADE................................................................................................................................ 154

VIII
TÓPICO 2 – ÉTICA NO EXERCÍCIO DA ARBITRAGEM............................................................. 159
1 INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 159
2 CÓDIGO DE ÉTICA........................................................................................................................... 160
RESUMO DO TÓPICO 2...................................................................................................................... 164
AUTOATIVIDADE................................................................................................................................ 166

TÓPICO 3 – ITENS RELEVANTES NO EXERCÍCIO DA ARBITRAGEM................................. 169


1 INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 169
2 ORIGEM DA ARBITRAGEM........................................................................................................... 169
3 ÁRBITRO E PERITO ........................................................................................................................ 170
4 PERÍCIA ARBITRAL ........................................................................................................................ 173
5 TÉCNICAS DE ARBITRAMENTO.................................................................................................. 174
6 LAUDO ARBITRAL............................................................................................................................ 175
7 SENTENÇA ARBITRAL..................................................................................................................... 175
8 PERITO DO JUÍZO: ESTIMATIVA E ARBITRAMENTO DOS HONORÁRIOS.................. 179
8.1 EM JUÍZO ARBITRAL ................................................................................................................ 181
LEITURA COMPLEMENTAR.............................................................................................................. 182
RESUMO DO TÓPICO 3...................................................................................................................... 184
AUTOATIVIDADE................................................................................................................................ 186

REFERÊNCIAS........................................................................................................................................ 189

IX
X
UNIDADE 1
DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS
CARACTERÍSTICAS PARA O
SURGIMENTO DA PERÍCIA,
CLASSIFICAÇÃO E TRABALHOS
TÉCNICOS DA CONTABILIDADE,
BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO
PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir do estudo desta unidade você será capaz de:

• entender os conceitos de perícia contábil;

• conhecer o código de ética;

• identificar os quesitos;

• elaborar laudo (parecer) pericial contábil;

• entender arbitragem.

PLANO DE ESTUDOS
A Unidade 1 será apresentada com a estrutura de quatro tópicos, sendo
que ao final de cada tópico encontrarás atividades que auxiliarão no seu
aprendizado.

TÓPICO 1 – DADOS HISTÓRICOS

TÓPICO 2 – PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO


DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO, E TRABALHOS TÉCNICOS
DA CONTABILIDADE

TÓPICO 3 – EXERCÍCIO PROFISSIONAL

TÓPICO 4 – FUNÇÕES CONTÁBEIS

1
2
UNIDADE 1
TÓPICO 1

DADOS HISTÓRICOS

1 INTRODUÇÃO
Na maioria das vezes o aluno se questiona: por que estudar história? Que
ligação tem com a contabilidade? Conhecer os dados históricos é de fundamental
importância, pois, desta maneira, temos a oportunidade de entender qual era o
pensamento dos precursores da matéria. Acerca deste tema buscamos apresentar
aspectos doutrinários da perícia contábil, as datas que marcaram este período
que iniciou em 1939 e mostrar que sete anos foram necessários para que a perícia
contábil se institucionalizasse, pois, somente em 1946, com a criação do Conselho
Federal de Contabilidade, Decreto-Lei nº 9.295, é que foi institucionalizada a
perícia contábil no Brasil.

Hoog (2005, p. 48) descreve que:

Após edição da lei 8455, de 24.08.1992 que introduziu alterações


relativas à perícia e aos peritos, visualizamos a ocupação de espaço
significativo na mídia quanto ao trabalho executado por profissionais
e, em especial, os seus resultados querem na área de engenharia,
acidentes aéreos, construção civil, quer na área médica, especialmente
nos casos de atentado contra a vida e a honra; igual importância tem
na área contábil envolvendo fatores como aferição de contas relativas
às campanhas políticas, fraudes em grandes e renomadas instituições
financeiras e até mesmo no âmbito familiar, na separação conjugal,
quando abrange grandes fortunas.

Mais uma razão para se estudar a historicidade dos fatos para conhecer
como eram resolvidos estes tipos de problema antes da normatização.

Complementamos este item abordando a relação do CPC – Código de


Processo Civil com a Contabilidade aplicada a esta área específica, que é a perícia,
a legislação pertinente e onde iniciou e o surgimento da perícia no Brasil. É
recomendável que quando você iniciar o estudo de um novo tema, sempre inicie
com a leitura da parte histórica. Isto enriquecerá seu conhecimento específico.

3
UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL

2 ASPECTOS INTRODUTÓRIOS
No Brasil, analisando os primeiros sinais do surgimento da perícia
contábil, observamos que o período remonta a 1939, quando o Código de Processo
Civil (promulgado pelo Decreto-Lei nº 1.608, de 18.09.1939, em seus arts. 57, 117,
129, 131, 132, 208, 254, 255, 256, 257, 267, e 268) descreveu, de maneira sucinta e
precisa, admitindo a perícia como prova de fato, que depende de conhecimento
especial, inclusive expôs sobre o laudo, a recusa do perito, a substituição deste, os
esclarecimentos pelo perito em audiência, a indicação de assistentes técnicos, as
despesas com o ato e as penalidades aplicáveis por eventual ato ilícito ou dolo do
perito, explica Hoog (2010).

Em 2011, mencionou Hoog, que Oscar Castelo Branco (1941) realizou um


estudo sobre perícia contábil, que pela sua notoriedade foi intitulado de “A função
do contador na perícia contábil”, e publicado pela Companhia Melhoramento de
São Paulo (indústria de papel).

Continua Hoog (2011), face a acontecimentos mais recentes, é possível concluir


que com a criação do Conselho Federal de Contabilidade – CFC, via Decreto-Lei nº
9.295/1946, é que foram impressas as primeiras atribuições legais do contador, ou seja,
a parametrização da perícia contábil, conferindo trabalho privativo aos contadores
diplomados ou a eles equiparados legalmente, naquela época.

A partir de 1966 com o advento da nº Lei 4.983; e Decreto-Lei nº 7.661/45


que foi revogado pela Lei nº 11.101/2005, relativo à Lei de Falências, tivemos
grande evolução que estabeleceu as regras de perícia contábil. Em 1973, com a
edição do Código de Processo Civil promulgado pela Lei nº 5.869, as perícias
judiciais contempladas com tratamento mais transparente.

Decorridas mais de duas décadas e os procedimentos de perícia são emanados


das resoluções do CFC; Lei nº 8.455/92; Lei nº 8.748/93, e legislação complementar.

MAGALHÃES et al. (2008) corroboram com Hoog (2011) e mencionam


que foi com o segundo Código de Processo Civil, criado pela Lei nº 5.869/73, e com
as modificações atribuídas pelas Leis Complementares ao Código de Processo
Civil, que as perícias judiciais tiveram legislação ampla, clara e aplicável.

3 ORIGEM
A origem da perícia conta com o apoio dos dados históricos na formação do seu
processo, pois nos leva a conhecer a cultura dos povos que os levaram a introduzi-la.

4
TÓPICO 1 | DADOS HISTÓRICOS

Não é possível afirmar que a Perícia Contábil surgiu com os


primórdios da civilização, assim como é comentado em relação à
Contabilidade, haja vista que nesta época a animalidade era maior do
que a racionalidade. Vestígios de perícia são encontrados, registrados,
e, documentados na civilização antiga do Egito, e também, na Grécia,
onde se iniciou a sistematização dos conhecimentos jurídicos, com a
utilização de especialistas em determinados campos do conhecimento
para proceder à verificação e ao exame de algumas questões. Disponível
em: <http://analgesi.co.cc/html/t13379.html>. Acesso em: 6 maio 2011.

No Direito Romano também é possível perceber, com maior clareza, a


figura do perito, sem estar dissociada do árbitro, no momento em que a decisão
necessitava de apreciação técnica de um fato, ou seja, o magistrado tinha a
faculdade de deferir o juízo da causa a homens que, através de seus conhecimentos
técnicos, melhor pudessem pronunciar-se sobre os fatos, transformando-se em
perito e juiz simultaneamente. Nessa época, a adequação do direito civil não era
devido ao conteúdo material de sua legislação, mas sim, à estrutura uniforme
e racional, baseada na aplicação de leis escritas, previamente estabelecidas por
tribunais compostos por técnicos, que atendiam a critérios racionais de prova e
de argumentação no processo judicial, explica Wolkmer (1996). A superioridade
do direito romano para a prática mercantil em suas bem-definidas noções
de propriedade absoluta residia nos critérios racionais de prova, e na ênfase
atribuída a uma magistratura profissional, vantagens estas que os tribunais
normalmente não atribuíam, porém, de extrema importância ao perito na época,
pela valorização profissional.

A necessidade da verificação dos fatos constatados foi o que conduziu


a perícia à condição de instrumento auxiliar da instância decisória, pessoal ou
coletiva, judicial ou extrajudicial, mesmo nos mais remotos tempos.

No Brasil, a perícia contábil começou a surgir com maior intensidade no


início deste século, e se mantém ativa até os dias atuais, cada vez mais
ocupando seu espaço para dirimir as discrepâncias existentes entre
as pessoas, buscando a resolução dos problemas não equacionados
segundo a racionalidade. Disponível em: <http://analgesi.co.cc/html/
t13379.html>. Acesso em: 6 maio 2011.

4 O SURGIMENTO DA PERÍCIA CONTÁBIL NO BRASIL


Conhecer quando ocorreu o surgimento da “Perícia Contábil” no Brasil é
muito importante, porque esta informação nos proporciona entender melhor todo
o contexto da matéria, como eram realizados os encontros dos profissionais da
época, e a sua valorização. Embora as informações ocorressem de forma precária, o
que se sabe é que a perícia surgiu em um evento da classe contábil em 1924, quando
aconteceu o primeiro Congresso Brasileiro de Contabilidade, comenta Sá (2009).

5
UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL

Na mesma ocasião, os profissionais oficializaram a necessidade da “Perícia


Judicial”, cujos trabalhos seriam atribuídos privativamente aos membros das
Câmaras periciais, e que seriam fiscalizados pelos Conselhos de Contabilidade
no momento de sua criação. Outro item importante, que foi decidido no mesmo
evento, foi a remuneração do trabalho do perito.

Prossegue Sá (2009) afirmando, que somente na década de 40, foi


regulamentada a Profissão de Contador, e na mesma época oficializado que a
perícia é função privativa do Contador, através do Decreto-Lei nº 9.295/46, e
que o Decreto nº 5.746, em 1929, veio para regular a atribuição da tarefa pericial
apenas ao Contador.

Magalhães et al. (2008) corroboram com Sá (2009) e citam que foi com
o advento do “segundo” Código de Processo Civil, criado pela Lei nº 5.869/73,
através das Leis Complementares atribuídas ao Código de Processo Civil, que
as perícias judiciais tiveram ampliada a sua legislação, ficando de forma clara e
aplicável. Neste mesmo contexto foi inclusa a Legislação Trabalhista e o Direito
Comercial, que adotam a mesma metodologia que as jurisprudências de natureza
processual civil, ampliando ainda mais a área atingida pela perícia.

Diante do exposto no parágrafo acima, e apoiados no entendimento


dos autores Magalhães et al. (2008), é possível observar que a Perícia Contábil
é disciplinada através de um conjunto de normas de natureza técnica-contábil
emanadas pelo CFC, por apresentar um conteúdo elucidativo e esclarecedor, que
permite ao magistrado decidir sobre as questões que se apresentam para serem
resolvidas entre partes adversas.

5 OBJETIVO
A perícia contábil, segundo Hoog (2010), tem por objetivo verificar atos
das empresas ou fatos ligados a sua riqueza, com o objetivo de oferecer opinião
científica contábil, prova cabal, solucionando as questões propostas. Para oferecer
opinião, laudo ou parecer revelador de prova, são realizados exames, vistorias,
indagações, investigações, avaliações, arbitramento, procedimento necessário
para dar sustentação científica contábil.

De acordo com Magalhães et al. (2008), a perícia pode ser realizada em


qualquer área científica, ou, até mesmo em situações empíricas, apesar de que é
a natureza do processo que a classificará; a perícia pode ser de origem judicial,
extrajudicial, administrativa ou operacional. No que tange à natureza dos fatos
que se deparam, a perícia pode ser classificada como criminal, contábil, médica,
trabalhista, entre outras.

6
TÓPICO 1 | DADOS HISTÓRICOS

Para melhor entendimento do tema, utilizou-se a ideia de Barboza (2010),


que explica que a perícia tem como objetivo a busca da VERDADE REAL em
determinado caso judicial, onde haja alguma dúvida voltada para o julgador,
sobre a Ação Judicial lhe apresenta um fato, que é contestado pelo réu, nascendo
destes dois pontos de vista “duas verdades”, as quais poderão ser diferentes
da VERDADE REAL, e cuja resposta somente poderá ser demonstrada ou
encontrada com a ajuda do perito, que deve agir com imparcialidade e se atentar
aos aspectos técnicos e científicos, que lhe qualifica para a tarefa. Complementa
o autor: a perícia tem por objeto principal e centralizador os fatos pertinentes à
lide, os quais merecem análise e verificação pelo perito.

Em outras palavras é possível dizer que a perícia visa avaliar, verificar,


e, analisar as situações, coisas e fatos, e atinge as relações, efeitos, e haveres
patrimoniais. Sua procedência acontece depois de estabelecido requerimento ou
ofício, devendo restringir-se especificamente ao objeto merecedor de análise. O
objeto não pode ser o objetivo da perícia, haja vista que o objeto se refere aos fatos
de natureza técnica, e o objetivo se destina a apresentar uma prova ou constatação,
de forma final e verdadeira.

O trabalho pericial materializa-se através do laudo elaborado pelo perito,


e deve refletir de forma nítida e imparcial a verdade dos fatos técnicos analisados
por este profissional (perito). Embora se saiba que existem diferentes tipos de
pesquisas, neste caderno, nosso objetivo é explorar o que foi escrito sobre perícia
contábil, razão pela qual abordaremos com superficialidade as outras espécies.

6 CONCEITUAÇÕES
Antes de iniciar qualquer atividade prática, o primeiro passo é conhecer o
conceito do que se propõe analisar. Neste subtópico serão abordados os seguintes
itens: perícia, perito, assistente e usuários da perícia para que você, acadêmico,
tenha o conhecimento necessário para a realização das atividades pertinentes, bem
como conheça e reconheça a função de cada profissional envolvido no processo.

6.1 PERÍCIA
A expressão perícia é derivada do latim peritia, que significa conhecimento.
(SÁ, 2009). A forma de se elaborar a perícia é a que enseja opinião sobre a verificação
feita, ao patrimônio individualizado de empreendimentos ou de pessoas, cujo
procedimento, por sua natureza, é determinado ou requerido quando alguém,
interessado no tema, pede a opinião.

Para maior entendimento Sá (2009, p. 3), conceitua a “perícia contábil


como sendo a verificação de fatos ligados ao patrimônio individualizado visando
oferecer opinião, mediante questão proposta”.

7
UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL

Dessa forma, explica Wakim (2012, p. 4), pode-se definir perícia contábil
como “uma tecnologia da contabilidade que significa pesquisa, exame acerca da
verdade dos fatos, efetuada por pessoa com reconhecida habilidade ou experiência
na matéria investigada”.

Magalhães et al. (2008), ao se reportarem à perícia, divergem parcialmente


seu entendimento do conceito apresentado por Sá (2009), e explicam que a perícia,
de forma mais ampla, pode ser entendida como qualquer trabalho de natureza
específica que tenha rigor na execução se em nível mais profundo, com o objetivo
de obtenção de prova ou opinião que permita orientar uma autoridade formal no
julgamento de um fato, ou para desfazer conflito em interesses de pessoas. Esta
afirmação nos faz entender que pode haver perícia em qualquer área científica ou
até em situações empíricas.

A definição ou conceito de perícia ainda não está contemplada no Código


de Processo Civil, apesar de estabelecer normas e procedimentos processuais, bem
como as condições legais quanto à habilitação do profissional para o exercício da
Perícia Judicial. Outro diploma legal que contribui para o entendimento do que
seja Perícia Contábil Judicial é o Decreto-Lei nº 9.295/46, que em seu art. 25, alínea
“e”, combinado com o art. 26, expressa que a Perícia Contábil é de competência
dos contadores.

O Conselho Federal de Contabilidade, através da Resolução nº 1.243/2009,


fez sua parte e alterou o conceito de Perícia Contábil como o

conjunto de procedimentos técnico-científicos destinados a levar à


instância decisória elementos de prova necessários a subsidiar a justa
solução do litígio ou constatação de um fato, mediante laudo pericial
contábil e/ou parecer pericial contábil, em conformidade com as normas
jurídicas e profissionais, e a legislação específica no que for pertinente.

Para ampliar o assunto e deixar claro quais são as atribuições profissionais


cabíveis aos profissionais da contabilidade, foi verificado o Decreto-Lei nº 9.295/46,
que regulamenta a profissão do Contador, e no artigo 25, alínea “c” foi constatado
que são atribuições privativas dos contadores diplomados,

as perícias contábeis ou extrajudiciais, revisão de balanços e de haveres,


revisão permanente ou periódica de escritas, regulações judiciais ou
extrajudiciais de avarias, grossos ou comuns, assistência aos conselhos
Fiscais das Sociedades Anônimas e quaisquer outras atribuições de
natureza técnica conferidas por lei aos profissionais de contabilidade.

Com o intuito de que não ocorra qualquer dúvida sobre este campo
de atuação privativa dos contadores, buscou-se dar maior abrangência ao
tema, e assim permitir ao acadêmico entender melhor quais são, de fato, suas
oportunidades de trabalho enquanto contador diplomado.

8
TÓPICO 1 | DADOS HISTÓRICOS

Sá (2009) vai além e explica que a formação do conceito de perícia contábil


exige razões do raciocínio, como a necessidade de se conhecer uma opinião de
profissional contábil, a qualquer tempo, de forma qualitativa e quantitativa, sobre
uma determinada realidade patrimonial, através de exame do especialista.

Os procedimentos periciais são realizados através de exame,


levantamentos, vistorias, indagações, investigações, avaliação e arbitragem
(procedimento este realizado quando da falta de elementos mais concretos), de
forma a fazer o necessário para ter segurança sobre o que será dito, escrito sobre
determinada opinião, uma vez que os procedimentos periciais são aplicados
segundo a pertinência de cada caso.

Não se pode confundir perícia com informe. O informe serve à perícia, na


geração de um parecer ou um ponto de vista lógico.

Perícia é conhecimento e experiência das coisas. A função pericial é,


portanto, aquela pela qual uma pessoa conhecedora e experimentada
em certas matérias e assuntos examina as coisas e os fatos, reportando
sua autenticidade e opinando sobre as causas, essência e efeitos da
matéria examinada. (D’AURIA, 1962, p. 35)

Complementa Sá (2009), a perícia pode ser “parcial” ou “total”, dependendo


do que se pretende detectar (realidades ou existências, valores, forças de provas
ou configurações de situações da riqueza aziendal.

Uma perícia pode requerer outra perícia quando o interesse de opinião


abrange um objetivo que requer amplo conhecimento de uma questão postulada.
A “abrangência” está relacionada ao caráter da perícia, e tem por finalidade atingir
a “especificidade” para a qual a perícia foi requerida. Entre os seus objetivos, está
o “pleno alcance da realidade”.

Ressalta Sá (2009) que todos os meios são válidos para a formação de


uma opinião que se apoie na “realidade”, na “plenitude”, na “essencialidade”
e nas “formas” dos fatos em exame, e explica que o perito ao realizar a perícia,
busca a “verdade” sobre o que se pretende evidenciar e deve ter sustentação
documental. Sua finalidade é ser utilizada para fins diversos e para isso deve
ser suficientemente “confiável”. Entre os principais fins da perícia estão os de
matéria: (I) pré-judicial, que ilustra a abertura dos processos; (II) judiciais; (III)
regimentais, que são utilizados para decisões administrativas, para decisões de
âmbito social, e para finalidades fiscais. A matéria a ser periciada deve ater-se ao
objeto para a qual a perícia foi requerida.

As perícias são contratadas para tomada de “decisões” de diversas


naturezas, como de gestão, de direito etc. e o fim é sempre a obtenção de “prova
competente”, mas para isso é necessário que se lastreie em bases consistentes e de
plena materialidade, isto é, competentes e verdadeiras.

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UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL

Sá (2009) vai além, e explica que os fins para os quais se pode requerer uma
perícia são vários, precisando para isso que se baseie em elementos “verdadeiros”
e “competentes”.

Para que você, acadêmico, tenha um conhecimento mais amplo, buscou-


se um case apresentado por Magalhães et al. (2008, p. 110-115), referente a uma
perícia extrajudicial, pertinente a uma Prestação de Contas de Administradores/
Procuradores, que descrevemos a seguir.

Inicialmente apresenta-se o perito e as partes, conforme demonstrado no


item 1.

1 Apresentação

Identificação do perito: (..........)


Matéria Periciada: litígio entre outorgante e outorgados quando do
encerramento da gestão administrativa-comercial de empresa concessionária
de derivados de petróleo.

Outorgante: Parte 1 (Contratante da Perícia Extrajudicial)


Parte 2 (Praticante do Ilícito)
Parte 3 (Praticante do Ilícito)

Síntese: Atendendo às condições expressas no CONTRATO DE


SERVIÇOS DE PERÍCIA CONTÁBIL EXTRAJUDICIAL, firmado em 31-07-x5,
periciamos os registros contábeis e os documentos que nos foram apresentados,
mencionados na sequência:
Livros: Diário, nº (...) registrado na JCP/(...), sob nº(...), em 8-7-x5, fls. (...);
Registro de Entradas da Matriz, nº (...), fls. (...);
Registro de Saídas da Matriz, nº (...), fls. (...);
Registro de Apuração de ICMS da Matriz, nº (...), fls. (...);
Registro de Inventário da Matriz, nº (...), fls. (...)
Registro de Entradas da Filial de BF, nº (...), fls. (...);
Registro de Saídas da Filial de BF, nº (...), fls. (...);
Registro de Apuração de ICMS da Filial de BF, nº (...), fls. (...);
Registro de Inventário da Filial de BF, nº (...), fls. (...).

Documentos: Notas fiscais de compras e de vendas;


CMD (Controle de Movimento Diário de Combustíveis);
Extratos de Contas Correntes;
Canhotos de Cheques;
Ordens de Pagamento;
Recibos de Depósitos, dos seguintes bancos: BANCO 1, BANCO 2,
BANCO 3, BANCO 4.

10
TÓPICO 1 | DADOS HISTÓRICOS

De posse da documentação, os autores fazem uma explanação de como


foram desenvolvidos os trabalhos, conforme é apresentado no item 2.

2 Visão do conjunto

A perícia foi desenvolvida em todos os registros, aplicando-se os


procedimentos usuais, com aprofundamento específico nas áreas identificadas
a seguir: disponibilidades, estoques, compras e vendas, registros fiscais e
registros contábeis.

2.1 Caixa e Equivalentes de Caixa

Nos exames efetuados nos controles auxiliares e facultativos das contas


que registram as disponibilidades, constatou-se as seguintes irregularidades:

a) Banco conta Movimento – BANCO 1


- omissão de lançamentos contábeis de alguns fatos ocorridos nos meses de
abril a junho de 19x5;
- encontramos na documentação cinco canhotos de talões de cheques
pertencentes a uma conta não identificada, cujas anotações envolvem
operações comerciais idênticas às da empresa periciada, por exemplo: o
cheque nº 143891, no valor de R$ 6.000.000,00 (seis milhões de reais), tendo
como beneficiário um posto de gasolina; o cheque nº 333103, no valor de R$
3.000.000,00 (três milhões de reais), também para pagamento de um posto; os
cheques nº 143904 e 143907, todos ao mesmo beneficiário.

b) Banco Conta Movimento – BANCO 2


- omissão de lançamentos contábeis dos fatos ocorridos nos meses de abril a
junho de 19x5;
- um comprovante de depósito em nome de outra empresa (...) Ltda.,
autenticado com o número “055, de 13/FEV./x5”, no valor de R$ 5.000.000,00
(cinco milhões de reais), foi encontrado junto com os comprovantes de
depósitos bancários da empresa periciada.

c) Banco Conta Movimento – BANCO 3


- este sem registro de movimento em nome da empresa periciada, porém está
documentado um registro de lançamento a crédito, no extrato expedido
pelo banco, na conta da Outorgada: Parte 3 (PRATICANTE DO ILÍCITO),
procuradora da empresa periciada, no valor de R$ 38.000.000,00 (trinta e oito
milhões de reais), emitido em 01/02/x5.

2.2 Estoques, compras e vendas

Nos exames desses controles, foram constatadas as seguintes irregularidades:

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UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL

a) Estoques: MCD – Movimentação de Controle Diário de Combustíveis – foi


constatado omissão do registro da entrada de 9.800 (nove mil e oitocentos
litros) de ÓLEO DIESEL, adquiridos da fornecedora “[...] Distribuidora S/A”,
conforme nota fiscal nº 29.301, no valor de custo igual a R$ 10.923.570,00 (dez
milhões, novecentas e vinte e três mil, quinhentos e setenta reais).

b) Compras: no Registro de Entradas a NF nº 9.804, de “[...] e Representações de


Produtos Derivados de Petróleo Ltda., foi lançada com um erro de valor; R$
3.000,00 (três mil reais), que representa uma saída fictícia de caixa.

c) Vendas: no exame dos talonários de notas fiscais e no registro de Saídas,


constatamos omissão de registro de vendas dos meses de ABRIL a MAIO/x5,
da Filial de BF, no valor de R$ 5.395.520,00 (cinco milhões, trezentos e noventa
e cinco mil, quinhentos e vinte reais) e mais uma diferença nas vendas do
dia 10/março/x5 no valor de R$ 549.000,00 (quinhentos e quarenta e nove mil
reais), que comprovam omissão na entrada de caixa, no valor de R$ 5.944.520,00
(cinco milhões, novecentos e quarenta e quatro mil, quinhentos e vinte reais).

2.3 Registros Fiscais

Os registros fiscais não estão revestidos das formalidades legais, pelas


razões enunciadas a seguir:

a) Registro de entradas da Matriz: erro de valor no lançamento da segunda


linha às fls (...); rasurado às fls. [...]; soma a lápis.
b) Registro de Saídas da Matriz: rasurado às fls [...]; somas a lápis.
c) Registro de Entradas da Filial de BF: rasurado às fls [...].
d) Registro de saídas da Filial de BF: o valor das vendas de MAR./x5 e ABRIL/
x5 não conferem com os valores registrados no Registro de Apuração do
ICMS para os mesmos meses.

2.4 Registros contábeis

Os registros contábeis, também, não estão feitos em conformidade com a


legislação comercial e tributária, pelos motivos que enunciamos a seguir:

a) Omissão de lançamentos de fatos contábeis, principalmente, nas contas


“Banco Conta Movimento”, nos meses de ABRIL a JUNHO/x5.
b) Lançamento indevido a débito da conta “Venda de Lubrificantes isentos”,
no valor de R$ 12.480.640,00 (doze milhões, quatrocentos e oitenta mil,
seiscentos e quarenta reais), implicando em erro de classificação da conta.
c) Lançamentos sintéticos da conta “Caixa” com ausência de Livro Caixa
Analítico ou Boletins Diários de Caixa.
d) Alteração do sistema contábil utilizado, no curso da gestão administrativa,
sem justificativa de mudança.

12
TÓPICO 1 | DADOS HISTÓRICOS

3 Comentários periciais (CONCLUSÕES)

As conclusões apresentadas são pela existência de:

(a) Fraudes e erros, efetivamente comprovados;


(b) Indícios de fraudes, que podem ser investigadas;
(c) Ausência de prestação de contas dos atos praticados pelos procuradores, na
gestão administrativa, a seguir especificados:

a) Fraudes e erros constatados

Histórico R$
Compra de mercadoria sem a competente entrada do
10.923.570,00
estoque, o que significa desvio da mercadoria, NF nº 29.301.
Venda de mercadoria sem a competente entrada do
5.393.520,00
valor recebido, NFVC nº 051 a 165.
Saída fictícia de caixa, por compra lançada com valor
maior do que o real: valor lançado: valor lançado
R$ 695.935,00; valor correto conforme NF.9804 – R$ 3.000,00
692.935,00; diferença encontrada
TOTAL 16.322.090,00

b) Indícios de fraudes

Histórico R$
Depósito em nome de outra empresa (...) Ltda., no
5.000.000,00
Banco 3.
Depósito de grande valor em nome da Parte 3,
38.000.000,00
procuradora da empresa periciada, no Banco 4.
TOTAL 43.000.000,00

c) Ausência de prestação de contas


- Não consta dos registros contábeis que os procuradores tenham prestado
contas ao deixarem a empresa; a Contabilidade registra elevados saldos de
CAIXA, conforme provam os balancetes dos últimos quatro meses, a saber:

Histórico R$
- MARÇO/x5 (nas duas filiais) 16.817.301,00
- ABRIL/x5 (matriz e filiais) 86.278.793,00
- MAIO/x5 (matriz e filiais) 78.331.986,00
JUNHO/x5 (matriz e filiais) 80.144.048,00

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UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL

4 Documentos Probantes

Os documentos comprobatórios das irregularidades, fraudes e erros


constatados, dos indícios de fraudes e dos saldos de caixa, estão elencados, a seguir:

a) Nota Fiscal nº 29.301, de “[...] Distribuidora S/A”;


b) Notas Fiscais de Venda a Consumidor nº 051 a 200:
c) Nota Fiscal nº 9.804, de “[...] Derivados de Petróleo Ltda.”;
d) Controles de Movimento Diário dos meses de FEV. a MAR./x5 das bombas
de GASOLINA, ÓLEO DIESEL e ÁLCOOL HIDRATADO;
e) RECIBO DE Depósito Nº 998907, do BANCO 3;
f) Extrato de Conta Corrente, BANCO 4, emitido em 1-2-x5, conta em nome da
Parte 3;
g) Talonários de cheques (canhotos), nºs 143891 a 143900; 332371 a 332390;
332391 a 332410; 333101 a 333120; 833891 a 833910; 299911 a 299930 (conta
não identificada);
h) Balancetes dos meses de março a junho de 19x5.

5 Recomendações

a) Seja o contabilista responsável pela Contabilidade da empresa convidado


a regularizar os registros contábeis, efetuando os lançamentos omitidos e
reclassificando os lançamentos incorretos, no prazo legal.

b) Sejam os procuradores, Parte 2 e Parte 3 (PRATICANTES DO ILÍCITO)


convidamos a prestar contas amigavelmente ou em juízo, se assim o
preferirem, requerendo-se o depoimento pessoal de cada um deles sobre os
fatos não esclarecidos.

6 Contribuição ao aprendizado

Os aspectos mais relevantes desse caso, como contribuição ao aprendizado,


estão circunscritos nos seguintes pontos:

a) Os atos preparatórios para a Perícia Extrajudicial são expressos no contrato,


portanto, diferentes daqueles usuais na Perícia Judicial, pois, nesse caso, o
perito não é nomeado pelo juiz, mas contratado pela(s) parte(s).
b) Na Perícia Extrajudicial, podem ser elaborados quesitos ou não, porém
seguidas as regras básicas definidas no contrato.
c) A essência da Perícia Extrajudicial está no exame do sistema contábil, dos
livros e dos documentos que formam o suporte da escrita contábil e dos atos
da gestão social.
d) A apresentação do Laudo da Perícia Extrajudicial deve ser feita com
observação da seguinte estrutura: introdução, visão do conjunto, documentos
e livros examinados, comentários periciais.

14
TÓPICO 1 | DADOS HISTÓRICOS

7 Críticas ao laudo e sugestões para os casos futuros

Prezado Acadêmico,

como você pode observar, não basta apenas levantar e apresentar os


fatos, é necessário fundamentar segundo a legislação, pertinente.

A estrutura do laudo pericial está ótima, bem sistematizada, escrita


de tal forma a combinar síntese e clareza. Os comentários periciais, embora
escritos de forma elucidativo, estão sem fundamentação expressa (leis, normas
etc. que qualificam as fraudes e erros encontrados, os indícios de fraudes, a
ausência de prestação de contas). Comentamos autores (2008).

FONTE: Magalhães et al. (2008, p. 110-115)

Existem diferentes fins para serem realizadas as perícias, os quais são


qualificados da seguinte forma:

• Para fins administrativos a perícia pode ser realizada, por exemplo, para
verificar se o almoxarife está controlando os estoques sem permitir de haja
desvio dos mesmos. Este tipo de perícia pode ser requerido dentro da própria
empresa, por seu setor de contabilidade caso não disponha de outros meios.
• Para fins regimentais as perícias são realizadas para as Comissões Parlamentares
de Inquérito, e quem as solicita é a Câmara dos Deputados.
• Para fins sociais as perícias são promovidas pelos sindicatos para que haja
clareza na forma como os acordos salariais foram realizados.
• Para fins de observar se as empresas possuem meios de remunerar melhor, a
perícia apura as condições em que os aumentos se suportam, tão como se há
boa-fé na apuração.
• Para confirmar se as afirmações dos autores estão em conformidade, buscou-se
o que contempla o Código de Processo Civil, e no artigo 420 está disposto que
“a prova pericial consiste em exame, vistoria ou avaliação”.

O texto da lei nº 5.869/1973 fala em “prova pericial” que é o elemento


competente para instruir decisão.

No que se refere ao método de realização da perícia, este depende sempre


do objeto que se examina. Sá (2009) explica e destaca que:

a) Quando a matéria é parcial, alcançável, é examinado tudo, isto é, todo o


universo de exame.
b) Quando a matéria é demasiadamente ampla, com risco de não alcançar o objetivo
da perícia pela totalidade, é utilizada “excepcionalmente” uma amostra.

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UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL

As normas de auditoria podem ajudar o desempenho da perícia, mas


como elemento subsidiário, isto é, valemo-nos da auditoria como ajuda para
alguns poucos casos apenas, uma vez que, o método da perícia contábil não se
confunde com o da auditoria. (SÁ, 2009)

A metodologia da perícia é basicamente analítica, detalhada sempre


que necessário, uma vez que é preciso: I) identificar bem o objetivo; II) planejar
competentemente o trabalho; III) executar o trabalho baseado em evidências
inequívocas, plenas e confiáveis; IV) ser prudente na conclusão e emiti-la somente
depois que tenha absoluta certeza sobre os resultados; V) a conclusão deverá ser
de forma clara, precisa, e, inequívoca.

O método básico da perícia contábil de maior abrangência é o analítico,


visando à confiabilidade da opinião, como prova que deverá ser para terceiros.

Infere-se que a perícia contábil deve ser elaborada de forma imparcial, ampla,
segura e sigilosa, utilizando-se o perito de fontes seguras, não permitindo que os
resultados sejam tratados de forma que venham a beneficiar alguma das partes.

6.2 O PERITO
No início deste caderno foi abordado o surgimento da perícia, e observou-
se que os primeiros sinais surgiram em 1939. Daquela época para os dias atuais
já houve muitas mudanças e adequações, porém, devido à crescente evolução e a
relevância do trabalho pericial, necessário se faz atualização e aprimoramento das
normas, daí mais uma vez a necessidade, do Conselho Federal de Contabilidade,
fazer novos ajustes. Em 10 de dezembro de 2009 foi aprovada a Resolução nº
1.244/09 (que está ainda vigente, e sem nenhuma alteração, até esta data), a qual
entrou em vigor em 1º de janeiro de 2010, e estabelece o seguinte: o artigo 1º
aprovou NBC PP 01 que dispõe sobre o Perito Contábil; o artigo 2º aprova a data
de início de vigência, e o artigo 3º revoga, a partir de 1º de janeiro de 2010, as
Resoluções CFC nº 857/99, 1.050/05, 1.051/05, 1.056/05 e 1.057/05, publicadas no
Diário Oficial da União – D.O.U, seção I, de 29/10/99, 08/11/05, 08/11/05, 23/12/05
e 23/12/05, respectivamente.

Esta resolução tem por objetivo normatizar os procedimentos inerentes à


atuação do contador na condição de perito, e conceituar quem de fato pode ser
perito, quais as reais necessidades para que seja habilitado como tal, e conhecer
os deveres e obrigações.

Nesse contexto observa-se o que explica Hoog (2011, p. 69) sobre o perito
“[...] o perito não é funcionário público concursado, trata-se de um profissional liberal
devidamente habilitado de livre escolha do magistrado, por ser pessoa de sua confiança”.

16
TÓPICO 1 | DADOS HISTÓRICOS

Infere-se que qualquer profissional da contabilidade devidamente


habilitado pode ser perito, cabe a este fazer seu cadastro no poder judiciário em
site específico, ou então, dependendo do porte da Comarca em que deseja prestar
seus serviços, entregar seu currículo na forma impressa.

6.2.1 O conceito
Conforme pesquisa realizada para a elaboração deste caderno, ainda
não existe nada escrito quanto ao conceito de perito, e nossas bibliografias são
carentes no que concerne a este tema, explicam Magalhães et al. (2008), porém,
as Normas de Perícia Judicial conceituam, e é aceito, da seguinte forma: Perito
Judicial é o profissional habilitado e nomeado pelo juiz para emitir sua opinião
sobre questões técnicas de sua especialidade.

Ressaltam Magalhães et al. (2008) que o profissional para poder atuar como
perito necessita ter nível universitário, ser inscrito no órgão de classe competente,
e no caso do contador, este profissional deve ser inscrito no Conselho Regional
de Contabilidade do Estado onde estiver inserido, devendo comprovar sua
especialidade mediante certidão do órgão profissional em que estiverem inscritos.

A lei processual denomina perito o profissional que é nomeado por


iniciativa do juiz, podendo, após este ato, as partes ou uma delas, indicar o
assistente técnico “Perito da Parte”.

Wakim e Wakim (2012) entendem que o art. 145 do CPC considera o perito
como cientista, isto porque ele fornecerá ao condutor do litígio informações
técnicas e científicas que permitam o juiz tomar sua decisão, e complementam
citando o que preveem os parágrafos 1º e 2º:

§ 1º Os peritos são escolhidos entre profissionais de nível universitário,


devidamente inscritos no órgão de classe competente.
§ 2º Os peritos comprovarão sua especialidade na matéria sobre que
deverão opinar, mediante certidão do órgão profissional em que
estiverem inscritos.

Até a alteração do Código de Processo Civil, que ocorreu com a promulgação


da Lei nº 8.455/92, perito ou assistente técnico era nomeado para fazer perícia, os
quais mencionavam o que viam e o que constatavam em suas investigações e o
faziam com bases reais e com absoluta intenção de justiça, mencionam Magalhães
et al. (2008). Foi a partir desta alteração, que coube ao perito fazer a perícia, lavrar
e assinar o laudo.

Já não é mais possível mencionar que não há nada escrito que conceitue o
Profissional Perito, haja vista que a Resolução nº 1.244/09 do CFC, foi instituída
e está em vigor desde 1º de janeiro de 2010 (sem alteração), a qual apresenta de
forma clara três conceitos que apresentamos a seguir:

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UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL

1) Perito é o contador regularmente registrado em Conselho Regional


de Contabilidade, que exerce a atividade pericial de forma pessoal,
devendo ser profundo conhecedor, por suas qualidades e experiências
da matéria periciada; 2) Perito-contador nomeado é o designado pelo
juiz em perícia contábil judicial; contratado é o que atua em perícia
contábil extrajudicial; e escolhido é o que exerce sua função em
perícia contábil arbitral; 3) Perito-contador assistente é o contratado
e indicado pela parte em perícias contábeis, em processos judiciais e
extrajudiciais, inclusive arbitral.

Barboza (2010) conceitua o profissional perito como um agente ativo da


perícia, uma pessoa entendida sobre determinado assunto, expert, que tem como
objetivo esclarecer os aspectos técnicos dos fatos, mediante elaboração de exame,
ou de vistoria, indagação, investigação, arbitramento, avaliação ou até certificação.

A visão de Peleias (2010) é divergente. Para este autor o Perito Contábil é o


profissional que prepara e fornece informações relativas ao patrimônio de pessoas e
sociedades. Seu trabalho é realizado para atender a uma classe especial de tomadores
de decisão, com a finalidade de subsidiar seus processos decisórios. Para melhor
compreensão deste parágrafo, buscamos identificar quem são os tomadores de
decisão. Observamos que são os Juízes Federais ou Estaduais que conduzem os
processos segundo as determinações do Código de Processo Civil. Para os casos em
que houverem questões controversas de natureza patrimonial, e que não possuir o
conhecimento necessário, estes, se utilizarão do trabalho do Perito contábil.

Para dirimir eventuais dúvidas, no que diz respeito ao que significa perito,
utilizamo-nos do dicionário da Língua Portuguesa, de autoria de Ferreira (1999)
que explica: “perito é a pessoa sabedora ou especialista em determinado assunto;
ou ainda, é o profissional nomeado judicialmente para exame ou vistoria”.

Apesar de já estar normatizado o significado de perito, conforme


conceituamos anteriormente, nosso entendimento como Profissional da
Contabilidade vem de encontro com o exposto pelo CFC, através da Resolução
nº 1.244/2009. Perito é o profissional formado em Ciências Contábeis, que tem
seu diploma registrado no Conselho Regional de Contabilidade, e que realiza
trabalhos profissionais com profundo conhecimento da contabilidade e matérias
afins, para produzir prova amparado em elementos verdadeiros e competentes,
que garantam a veracidade dos fatos.

De acordo com o item 7 da Resolução CFC 1.244/2009, o perito deve


comprovar sua habilitação profissional,

por intermédio da Declaração de Habilitação Profissional – DHP,


de que trata a Resolução CFC nº 871/00. É permitida a utilização
da certificação digital, em consonância com a legislação vigente
e as normas estabelecidas pela Infraestrutura de Chaves Públicas
Brasileiras – ICP – Brasil.

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TÓPICO 1 | DADOS HISTÓRICOS

No âmbito geral, a habilitação profissional significa o conhecimento de


determinado assunto, que permite apresentar a quem de direito, os fatos que
comprovem a realização de atos ilícitos, e permita às autoridades dirimir dúvidas
pertinentes. Para isso é necessário comprovar sua habilitação, que segundo Sá
(2009, p. 277), “devem o perito-contador e o perito-contador assistente, fazê-lo
mediante apresentação de certidão específica, cujo documento é emitido pelo
Conselho Regional de Contabilidade, de acordo com a forma a ser regulamentada
pelo Conselho Federal de Contabilidade”.

A referida certidão deverá ser juntada ao processo no primeiro momento


que o perito-contador, ou o perito-contador assistente se manifestarem nos autos,
ficando habilitados para o exercício da função pericial contábil.

O CRC de cada estado é o órgão que emite a DHP, a qual é fornecida ao


profissional da contabilidade que está em dia com suas obrigações profissionais,
através do acesso à internet, na página do CRC.SC.

FIGURA 1 - SITE DO CRC.SC.

Emitir Certidões, Acesso Público


Certidão de Regularidade Profissional

Certidão de Regularidade - Sociedade / Empresário

Certidão de Regularidade - Escritório Individual

FONTE: Site do Conselho Regional de Contabilidade de santa Catarina – CRCSC.


Acesso em: 5 jan. 2015.

A declaração fornecida está demonstrada a seguir, e foi baixada pela


autora deste caderno, que é Contadora e Perita Judicial.

19
UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL

CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE DE SANTA CATARINA

CERTIDÃO DE REGULARIDADE PROFISSIONAL

O CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADA DE SANTA CATARINA


certifica que o(a) profissional identificado(a) no presente documento encontra-
se em situação regular.

IDENTIFICAÇÃO DO REGISTRO

NOME: ................
REGISTRO: ..........
CATEGORIA: .......
CONTADOR: .........................
CPF: ...................

A presente CERTIDÃO não quita nem invalida quaisquer débitos ou


infrações que posteriormente, venham a ser apurados pelo CRCSC contra o
referido registro.

A falsificação deste documento constitui-se em crime previsto no


Código Penal Brasileiro, sujeitando o autor à respectiva ação penal.

Emissão: Florianópolis, 05.01.2015 as 12:31:07.


Válido até: 05.04.2015.
Código de Controle: 74580.
Para verificar a autenticidade deste documento consulte o site do CRCSC.

6.2.2 Normas profissionais do perito


Sempre que temos matéria nova sobre determinado assunto, o primeiro
passo é conhecer a sua normatização, para uma perfeita aplicação.

20
TÓPICO 1 | DADOS HISTÓRICOS

Dada a relevância do tema Perícia Contábil, o Conselho Federal de


Contabilidade que é o órgão máximo de fiscalização do exercício profissional do
Contador, no Brasil, absorveu também a matéria relativa à Perícia Contábil.

A constante evolução e a crescente importância da perícia exigem


atualização e aprimoramento das normas endereçadas à sua regência para manter
permanente justaposição e ajustamento entre o trabalho a ser realizado e o modo
ou o processo dessa realização.

O Conselho Federal de Contabilidade, no exercício de suas atribuições


legais e regimentais, através da Resolução nº 1.243, de 10 de dezembro de 2009,
resolve aprovar a NBC PP 01, que trata do Perito Contábil a qual entrou em vigor
em 1º de janeiro de 2010 e ainda permanece vigente sem sofrer alteração, a qual
revogou as resoluções anteriores.

A NBC PP 01 que trata do Perito Contábil quando se refere ao item 5 –


Competência Profissional, ressalta que para o exercício da função deve manter:

Competência técnico-científica pressupõe ao perito manter adequado


nível de conhecimento da ciência contábil, das Normas Brasileiras de
Contabilidade, das técnicas contábeis, da legislação relativa à profissão
contábil e aquelas aplicáveis à atividade pericial, atualizando-se,
permanentemente, mediante programas de capacitação, treinamento,
educação continuada e especialização.

E complementa que para isso, o perito deve demonstrar capacidade para


pesquisar, examinar, analisar, fundamentar de forma sintética a prova no laudo
pericial contábil e/ou no parecer pericial contábil, quando se tratar do perito-
contador assistente.

E
IMPORTANT

Realizar seus trabalhos com a observância da equidade significa que o perito-


contador e o perito-contador assistente devem atuar com igualdade de direitos, adotando os
preceitos legais técnicos inerentes à profissão contábil.

De acordo com Sá (2009), o espírito de solidariedade do perito-contador


e do perito-contador assistente não pode induzir, como também não justifica
a participação ou ser conivente com erros ou atos infringentes às normas
profissionais e éticas que regem o exercício da profissão, devendo sempre buscar a
verdade fática a fim de esclarecer o objeto da perícia de forma técnica e imparcial.

21
UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL

Prezado acadêmico! Você teve a oportunidade de conhecer as normas


profissionais do perito, a sua aplicação, competência profissional, enfim, a legislação
necessária para a prática da perícia contábil, e chamo a sua atenção no sentido de
nunca esquecer a prática da justiça e o reconhecimento dos direitos de cada um.

6.3 O ASSISTENTE TÉCNICO


Quando se fala em assistente logo se associa a alguém que assiste a outrem,
e este tipo de função é comum na área da saúde onde algum profissional assiste a
alguém que é incapaz de realizar suas necessidades pessoais etc. Na elaboração da
perícia não é diferente, ou seja, pode o perito em algum momento necessitar de um
assistente que lhe atenda com informações precisas à realização do serviço para o
qual foi contratado, e sobre o qual o perito não possui o conhecimento necessário.

O Perito-Contador pode exercer a figura de Perito-Contador Judicial como


também Perito-Contador Assistente.

O assistente é um perito, porém, é indicado pelas partes para acompanhar


o trabalho desenvolvido pelo perito designado pelo juiz, haja vista que em muitos
casos o problema a ser resolvido não é passível de acordo amigável, o que leva à
contratação do assistente, para sentir-se mais seguro dos resultados apresentados.

De acordo com o § 1º, inciso I, art. 421 do CPC, o juiz incumbe às partes a
“indicação” do assistente técnico, dentro do prazo de cinco dias, a contar da data
de intimação do despacho de nomeação do perito.

De acordo com o art. 421:2c. “A falta de intimação do despacho de


nomeação de perito pode ser suprida, pelo juiz, com a ampliação do prazo do art.
421, § 1º, do CPC, para garantia da participação do assistente técnico na perícia”.
(STJ – 3ª T., Resp. 1.932, Min. Gueiros Leite, j.14.5.90, DJU 11.6.90).

Prossegue ainda o CPC, art. 421: 3, mencionando que a indicação do


assistente técnico é facultativa.

O assistente técnico é um mero assessor dos litigantes e não perito do juízo.


Por isso as partes são livres para indicar ou não seu assistente, especialmente no
caso de interesses distintos. De acordo com Magalhães et al. (2008), o assistente
técnico, diferente do perito, apenas emite parecer. O que a lei não deixa claro é,
se o parecer se baseia na matéria sob exame, ou, somente no conteúdo do laudo.

Segundo Sá (2009), nas perícias contábeis judiciais, três são os peritos: um


perito é nomeado pelo juiz, e as partes indicam os assistentes quando assim desejarem.
Os peritos das partes, denominados assistentes, devem ser indicados no prazo de
cinco dias, a partir da data da nomeação do perito, e, no mesmo prazo devem ser
apresentados os quesitos pelas partes, conforme prevê o art. 421 do CPC – Código do
Processo Civil, com as alterações da Lei nº 8.455, de 24 de agosto de 1992.

22
TÓPICO 1 | DADOS HISTÓRICOS

Se os assistentes aceitarem a indicação, então o perito do juiz se


compromete, e, pode conectar-se com os assistentes indicados, explica Sá
(2009), que nos faz lembrar que os peritos devem ser Contadores, devidamente
registrados no Conselho Regional de Contabilidade.

Outro detalhe importante, quando da solicitação da perícia, é a escolha


do perito, pois é dele que depende o sucesso dos trabalhos. Quando se trata de
causas mais complexas, a decisão sobre a contratação do perito deve considerar
o grau de experiência e cultura que ele deve ter, isto gerará maior confiabilidade
no trabalho realizado.

Quando se trata do assistente técnico (de ambas as partes) é importante


ressaltar que este profissional toma conhecimento de sua indicação pelas partes
em litígio ou pelos advogados; não existe mais a obrigatoriedade de notificação
para que se procedesse à assinatura de termo de compromisso em cartório. Os
assistentes não se compromissam, apenas são indicados e depois avaliam o laudo
do perito do juízo. (SÁ, 2009).

Corrobora Sá (2009), com Magalhães et al. (2008), quando menciona que o


CPC prevê que aos assistentes técnicos cabe a manifestação em forma de parecer
do laudo do perito do juízo, no prazo de dez dias contados da juntada do laudo
nos autos, quando estes deverão concordar ou então apresentar as ressalvas,
porém, na prática o que acontece é a permissão aos assistentes a terem amplo
acesso durante a elaboração do trabalho de campo, antes mesmo da elaboração
do laudo final, para que haja benefício na qualidade técnica e na doutrina contábil
por parte do perito do juízo.

Pelo fato de que a perícia judicial é do tipo de trabalho que se realiza


“em conjunto”, este procedimento tem favorecido a manifestação dos assistentes,
evitando interpretações diferentes, uma vez que as divergências podem ser
discutidas e sanadas na fase de trabalho de campo, eliminando as concordâncias
e discordâncias que poderiam vir a ocorrer posteriormente.

6.4 USUÁRIOS DA PERÍCIA


De acordo com Wakin; Wakin (2012), os usuários básicos que utilizarão as
informações geradas pelo perito são: I) o magistrado; II) os advogados; III) as partes.

I) O magistrado precisa de informações técnicas de determinada área para


formar opinião e tomar sua decisão, apontando a parte que realmente possui
o direito dentro de um litígio.
II) Os advogados que defendem as partes envolvidas utilizarão os resultados
encontrados no laudo pericial como base para buscar a verdade de seus
clientes e defender os interesses de seus contratantes.
III) As partes envolvidas no processo são os mais interessados nas informações
apresentadas no laudo pericial, porque é através deste que se conhecerá o
vencedor em um litígio.
23
UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL

7 NOMEAÇÃO, CONTRATAÇÃO E ESCOLHA DO PERITO-


CONTADOR OU INDICAÇÃO DO PERITO-CONTADOR
ASSISTENTE
A nomeação, a contratação e a escolha do perito-contador, ou a
indicação do perito-contador assistente, para o exercício da função
pericial contábil, em processo judicial, devem ser consideradas
como distinção e reconhecimento da capacidade e honorabilidade do
Contador, (SÁ 2009, p. 277).

Sempre que o perito-contador reconhecer que não tem competência ou


não dispõe de estrutura profissional adequada para desenvolver a função pericial
contábil, deverá escusar ou renunciar os serviços, contemplada a utilização do
serviço de especialistas de outras áreas, quando parte do objeto da perícia assim
o requerer, dispõe o art. 146 do CPC:
O perito tem o dever de cumprir o ofício, no prazo que lhe assina a lei,
empregando toda a diligência: pode, todavia, escusar-se do encargo
alegando motivo legítimo.
Parágrafo único. A escusa será apresentada dentro de cinco dias,
contados da intimação ou do impedimento superveniente, sob pena
de se reputar renunciado o direito de alegá-lo (art. 423).

O fato de os peritos-contadores e peritos-contadores assistentes terem que


utilizar serviços de especialistas de outras áreas, quando parte do objeto da perícia
assim o requerer, não implica presunção de incapacidade dos profissionais,
devendo tal fato ser, formalmente, relatado no Laudo Pericial Contábil ou no
Parecer Pericial Contábil para conhecimento do julgador, das partes ou dos
contratantes, explica Sá (2009).

Esta indicação ou a contratação, menciona Sá (2009, p. 278):


Ocorre quando as partes ou contratantes necessitarem comprovar algo
que depende de conhecimento técnico específico, razão pela qual o
contador só deverá aceitar o encargo se reconhecer sua capacidade
com conhecimento técnico suficiente, discernimento e irrestrita
independência para a realização do trabalho.

Quando o profissional não se sentir preparado para assumir determinado


serviço, deve ter conhecimento e ética para reconhecer o ato de recusa da função
específica para aquele caso.

24
TÓPICO 1 | DADOS HISTÓRICOS

8 INDEPENDÊNCIA
Um profissional independente é aquele que toma suas próprias decisões,
que tem autonomia para a realização de suas funções. De acordo com o item 15,
das Normas Brasileiras de Contabilidade PP 01 – Perito Contábil, alterada segundo
a Resolução do CFC – Conselho Federal de Contabilidade nº 1244/2009, o “Perito
deve evitar qualquer interferência que possa constrangê-lo em seu trabalho,
não admitindo, em nenhuma hipótese, subordinar sua apreciação a qualquer
fato, pessoa, situação ou efeito que possa comprometer sua independência,
denunciando a quem de direito a eventual ocorrência da situação descrita”. Pelo
exposto entende-se que o profissional da perícia contábil deve realizar seu trabalho
conforme sua autonomia, ética, caráter, e livre de qualquer compromisso.

Hoog (2012) faz seus comentários e conclui que o perito-contador judicial


ou perito-contador assistente têm total liberdade para firmar sua opinião no laudo,
não podendo subordinar o resultado do seu trabalho à anuência de quem quer
que seja, advogados, partes, magistrados, inclusive os outros peritos assistentes
ou nomeados que são colegas de trabalho, devendo denunciar por escrito, nos
autos, se houver algum tipo de tráfico de influência, ameaça, constrangimento
de ordem física entre outros. Ressalta o autor que discutir sobre o resultado da
análise é saudável, e isto prestigia e valoriza o contraditório e a ampla defesa.

9 IMPEDIMENTO E SUSPEIÇÃO
Continuando com o estudo das Normas Brasileiras de Contabilidade PP 01 –
Perito Contábil, alteradas de acordo com a Resolução CFC nº 1244/2009, averiguou-se
os itens 16 a 19, que tratam do impedimento e suspeição observando o seguinte:

• O item 16 explica que são situações de fatos que impossibilitam o perito de


realizar atividade pericial em processo judicial ou extrajudicial, inclusive arbitral,
segundo legislação vigente e Código de ética Profissional do contabilista.
• Para que o perito possa exercer suas atividades com imparcialidade, segundo o
item 17, é fator determinante que ele se declare impedido, depois de nomeado,
contratado, escolhido ou indicado quando ocorrerem as situações previstas
nesta Norma.
• O item 18 disciplina que quando nomeado em juízo, o perito deve dirigir
petição, no prazo legal, justificando a escusa ou o motivo do impedimento.
• O item 19 trata do perito-contador assistente: prevê que quando for indicado
pela parte e não aceitar o encargo, este deve comunicá-la sobre sua recusa,
devidamente justificada por escrito, com cópia ao juízo.

Os casos de impedimento não param por aí, e então novamente


consultamos a Resolução CFC 1.244/09, item 20, que trata do impedimento legal,
que contempla a seguinte redação:

25
UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL

O perito-contador nomeado ou escolhido deve se declarar impedido


quando não puder exercer suas atividades com imparcialidade e sem
qualquer interferência de terceiros, ou ocorrendo pelo menos uma das
seguintes situações: (a) for parte do processo; (b) tiver atuado como
perito-contador contratado ou prestado depoimento como testemunha
no processo; (c) tiver mantido, nos últimos dois anos, ou mantenha
com alguma das partes ou seus procuradores, relação de trabalho
como empregado, administrador ou colaborador assalariado; (d) tiver
cônjuge ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou em linha
colateral até o terceiro grau, postulando no processo ou entidades
da qual esses façam parte de seu quadro societário ou de direção; (e)
tiver interesse, direto ou indireto, mediato ou imediato, por si, por seu
cônjuge ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou em linha
colateral até o terceiro grau, no resultado do trabalho pericial; (f) exercer
cargo ou função incompatível com a atividade de perito-contador, em
função de impedimentos legais ou estatutários; (g) receber dádivas
de interessados no processo; (h) subministrar meios para atender às
despesas do litígio; (i) receber quaisquer valores e benefícios, bens ou
coisas sem autorização ou conhecimento do juiz ou árbitro.

Finalizamos os casos de impedimento, item 21 da mesma Resolução, com


a abordagem do impedimento técnico-científico a ser declarado pelo perito, que
abrange, a autonomia, a estrutura profissional e a independência para poder
realizar de forma isenta o seu trabalho, e apresenta os seguintes motivos:

(a) a matéria em litígio não ser de sua especialidade; (b) a constatação


de que os recursos humanos e materiais de sua estrutura profissional
não permitem assumir o encargo; cumprir os prazos nos trabalhos em
que o perito-contador for nomeado, contratado ou escolhido; ou em
que o perito-contador assistente for indicado; (c) ter o perito-contador
da parte atuado para a outra parte litigante na condição de consultor
técnico ou contador responsável, direto ou indireto em atividade
contábil ou em processo no qual o objeto de perícia seja semelhante
àquele da discussão, sem previamente comunicar ao contratante.

Na sequência trataremos ainda da suspeição que contempla os itens 22,


23 e 24 da resolução 1.244/2009. O perito-contador nomeado ou escolhido deve
declarar-se suspeito segundo o item 22, quando, após, nomeado, contratado ou
escolhido observar a ocorrência de situações que venham suscitar suspeição face
da sua imparcialidade ou independência, comprometendo o resultado do seu
trabalho em relação à decisão.

O item 23 apresenta os casos de suspeição aos quais está sujeito o perito-


contador:

26
TÓPICO 1 | DADOS HISTÓRICOS

(a) ser amigo íntimo de qualquer das partes; (b) ser inimigo capital de
qualquer das partes; (c) ser devedor ou credor em mora de qualquer
das partes, dos seus cônjuges, de parentes destes em linha reta ou
em linha colateral até o terceiro grau ou entidades das quais esses
façam parte de seu quadro societário ou de direção; (d) ser herdeiro
presuntivo ou donatário de alguma das partes ou dos seus cônjuges;
(e) ser parceiro, empregador ou empregado de alguma das partes;
(f) aconselhar, de alguma forma, parte envolvida no litígio acerca do
objeto da discussão; (g) houver qualquer interesse no julgamento da
causa em favor de alguma das partes.

O item 24 dispõe que o perito pode declarar-se suspeito por motivo íntimo.
Os casos de impedimento e suspeição estão previstos também no CPC, e
contemplados nos artigos 134; 135; 136; 137; e 138.
Caput do art. 134 – É defeso ao juiz exercer as suas funções no processo
contencioso ou voluntário.
Caput do art. 135 – Reputa-se fundada a suspeição de parcialidade do
juiz, quando:
Caput do art. 136 – Quando dois ou mais juízes forem parentes [...]
remetendo o processo ao seu substituto legal.
Caput do art. 137 – Aplicam-se os motivos de impedimento e suspeição
aos juízes de todos os tribunais.

Entretanto é o caput do artigo 138 que prevê que aplicam-se também os


motivos de impedimento e de suspeição:
III. ao perito.

Ressaltamos que a base dos itens 16 a 24 da resolução 1.244/2009,


mencionada anteriormente, vem de encontro ao que prevê o CPC (art.134; 135;
136; 137; e 138), razão pela qual entende o Conselho Federal de Contabilidade que
não há necessidade de transcrevê-los, ficando apenas o lembrete que em caso de
dúvidas, o CPC deve ser consultado face à complexidade da matéria.

10 HONORÁRIOS
O profissional, ao ser convocado a realizar um trabalho pericial, inicialmente
deve elaborar a proposta de honorários, e para isso o perito deve considerar os
seguintes fatores: 1) a relevância; 2) o vulto; 3) o risco; 4) a complexidade; 5) a
quantidade de horas; 6) o pessoal técnico; 7) o prazo estabelecido; 8) a forma de
recebimento; e, 9) os laudos interprofissionais, entre outros fatores. Para maior
compreensão buscamos identificar o que as Normas Brasileiras de Contabilidade
PP 01 – Perito Contábil, alteradas de acordo com a Resolução CFC nº 1244/2009,
entende de cada um dos fatores:

27
UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL

1) a relevância é entendida como a importância da perícia no contexto social


e sua essencialidade para dirimir as dúvidas de caráter técnico-científico
contábil, suscitadas em demanda judicial ou extrajudicial;
2) o vulto está relacionado ao valor da causa no que se refere ao objeto da
perícia; à dimensão determinada pelo volume de trabalho; e, à abrangência
pelas áreas de conhecimento envolvidas;
3) o risco compreende a possibilidade do honorário pericial não ser integralmente
recebido; o tempo necessário ao recebimento; bem como, a antecipação das
despesas necessárias à execução do trabalho. Igualmente, devem ser levadas
em consideração as implicações cíveis, penais, profissionais e outras de
caráter específico a que pode estar sujeito o perito;
4) a complexidade está relacionada à dificuldade técnica para a realização
do trabalho pericial em decorrência do grau de especialização exigido; à
dificuldade em obter os elementos necessários para a fundamentação do
laudo pericial contábil; e, ao tempo transcorrido entre o fato a ser periciado
e a realização da perícia. Deve ser considerado também o ineditismo da
matéria periciada;
5) as horas estimadas para a realização de cada fase do trabalho é o tempo
despendido para a realização da perícia, mensurado em horas trabalhadas
pelo perito-contador, quando aplicável;
6) o pessoal técnico é formado pelos auxiliares que integram a equipe de trabalho do
perito, estando os mesmos sob sua orientação direta e inteira responsabilidade;
7) o prazo determinado nas perícias judiciais ou contratado nas extrajudiciais
deve ser levado em conta nas propostas de honorários, considerando-se
eventual exiguidade do tempo que requeira dedicação exclusiva do perito e
da sua equipe para a consecução do trabalho;
8) o prazo médio habitual de liquidação compreende o tempo necessário para
recebimento dos honorários;
9) os laudos interprofissionais e outros inerentes ao trabalho são peças técnicas
executadas por perito qualificado e habilitado na forma definida no Código de
Processo Civil e de acordo com o conselho profissional ao qual estiver vinculado.
FONTE: Disponível em: <www.cfc.org.br>. Acesso em: 28 dez. 2014.

No parágrafo acima foram apresentados nove fatores iniciais a serem


observados na elaboração dos honorários, previstos nos itens 47 a 57 das Normas
Brasileiras de Contabilidade PP 01 – Perito Contábil, alteradas de acordo com a
Resolução CFC nº 1244/2009. Mas não é somente isto. Na elaboração da proposta
de honorários, o perito deve estimar, sempre que possível, o número de horas
necessárias para a realização do trabalho a cada etapa, e também para cada
profissional envolvido, assim entendidos os auxiliares, assistentes, seniores
etc., considerando as seguintes atividades: a) a retirada e entrega dos autos; b) a
leitura e interpretação do processo; c) a elaboração de termos de diligências para
arrecadação de provas e comunicações às partes, terceiros e peritos-contadores
assistentes; d) a realização de diligências; e) a pesquisa documental e exame de livros
contábeis, fiscais e societários; f) a realização de planilhas de cálculos, quadros,

28
TÓPICO 1 | DADOS HISTÓRICOS

gráficos, simulações e análises de resultados; g) os laudos interprofissionais; h) a


elaboração do laudo; i) as reuniões com peritos-contadores assistentes, quando
for o caso; j) a revisão final; k) as despesas com viagens, hospedagens, transporte,
alimentação; e, l) outros trabalhos com despesas supervenientes.

De acordo com o item 58 das Normas Brasileiras de Contabilidade NBC


PP 01 – Norma Profissional do Perito. “O Perito deve considerar, na proposta
de honorários, os seguintes itens: I) relevância e valor da causa; II) prazos
para execução da perícia; III) local da coleta de provas e realização da perícia”.
Disponível em: <www.cfc.org.br>. Acesso em: 20 mar. 2015.

O tema honorários não para por aí. Existem os quesitos suplementares,


cujos honorários não estão contemplados em sua proposta inicial, ressaltando que
se estes forem formulados pelo juiz e/ou pelas partes, poderá haver incidência de
honorários suplementares a serem requeridos, observados os mesmos critérios
adotados para elaboração da proposta anteriormente apresentada.

Quanto aos quesitos de esclarecimentos formulados pelo juiz e/ou pelas


partes, podem não gerar novos honorários periciais, se estes quesitos forem
apresentados para obtenção de detalhes do trabalho realizado. Os quesitos de
esclarecimentos devem ser analisados com zelo pelo perito-contador, uma vez
que as partes podem formulá-los com essa denominação, mas serem quesitos
suplementares, situação em que o trabalho deve ser remunerado na forma
prevista no item 63. Para tanto, o perito-contador poderá requerer honorários
suplementares, justificando o pleito, pela caracterização de quesito suplementar.

Uma vez definidos os honorários, estes devem ser apresentados, e sua


proposta deve ser devidamente fundamentada, ao juízo ou contratante, podendo
conter o orçamento, ou então, constituir-se em uma documentação anexa,
conforme menciona o subitem 62 das Normas Brasileiras de Contabilidade PP
01 – Perito Contábil, alteradas de acordo com a Resolução CFC nº 1244/2009.
Contempla também o subitem 62 que cabe ao perito-contador assistente
apresentar de forma detalhada a sua proposta de honorários no contrato, que,
obrigatoriamente, celebrará com o seu cliente, sempre observando as NBC PP 01,
estabelecidas pelo CFC.

Deve também o perito-contador assistente, estabelecer, em “Contrato


Particular de Prestação de Serviços Profissionais de Perícia Contábil”, o objeto,
as obrigações das partes, e os honorários profissionais, podendo, para tanto,
utilizar-se dos parâmetros estabelecidos no item 64 das Normas Brasileiras de
Contabilidade PP 01 – Perito Contábil, alteradas de acordo com a Resolução CFC
nº 1244/2009 (vigente), com relação aos honorários do perito-contador. O perito-
contador assistente deve adotar, no mínimo, o modelo constante nesta Norma
referente ao seu contrato de prestação de serviços.

Uma vez definidos os honorários, o próximo passo é a apresentação


destes, que deverá fazê-lo através de uma petição.

29
UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL

Yee (2011, p. 15) sugere um modelo de proposta de honorários periciais


pelo valor fixo.

EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA .....ª VARA CÍVEL DA COMARCA


DE CURITIBA – ESTADO DO PARANÁ.

AUTOS
REQUERENTES:
REQUERIDO:

ZUNG CHE YEE, Engenheiro Agrônomo, portador da carteira do


CREA-PR sob n. 3.729-D, perito judicial nomeado nos presentes autos, vem
mui respeitosamente à presença de Vossa Excelência para dizer que aceita o
honroso cargo de perito para o qual foi nomeado, e apresenta a proposta de
honorários no valor de R$ 2.000,00 (dois mil reais).
Termos em que
Pede e espera deferimento
Curitiba, .................................................................

_____________________________
ZUNG CHE YEE
CREA-PR n. 3.729-D

O requerimento dos honorários periciais depositados é um dever do


perito-contador, que deverá fazê-lo na mesma petição em que requerer a juntada
do laudo pericial aos autos, conforme notas 1, 2, e 3, a seguir.

NOTA 1: de acordo com o item 66, o perito-contador pode requerer a


liberação parcial dos honorários quando julgar necessário, para o custeio de
despesas durante a realização dos trabalhos.
NOTA 2: quando os honorários periciais forem fixados por decisão
judicial, estes podem ser executados, judicialmente, pelo perito-contador em
conformidade com os dispositivos do Código de Processo Civil.
NOTA 3: se houver necessidade de desembolso para despesas
supervenientes (viagens e estadas, para a realização de outras diligências)
deve o perito requerer ao juízo ou então solicitar ao contratante que efetue o
pagamento das despesas, mediante apresentação da comprovação, desde que

30
TÓPICO 1 | DADOS HISTÓRICOS

não estejam contempladas ou quantificadas na proposta inicial de honorários,


dispõe o item 68 das Normas Brasileiras de Contabilidade PP 01 – Perito
Contábil, alteradas de acordo com a Resolução CFC nº 1244/2009.

FONTE: Disponível em: <www.cfc.org.br>. Acesso em: 28 dez. 2014.

11 O SIGILO
Manter-se em sigilo é um ato obrigatório por qualquer profissional, na
realização de qualquer função, mas no exercício pericial contábil é ainda mais
importante, haja vista a legislação específica que trata deste assunto.

De acordo com os itens 25; 26; e, 27, respectivamente, das Normas Brasileiras
de Contabilidade PP 01 – Perito Contábil, alteradas de acordo com a Resolução
CFC nº 1244/2009, em obediência ao Código de Ética Profissional do Contabilista,
o perito deve respeitar e assegurar o sigilo das informações a que teve acesso,
proibida a sua divulgação, salvo quando houver obrigação legal de fazê-lo.

Hoog (2012) faz seus comentários e menciona que a supremacia ética do


sigilo proíbe total divulgação de atos e fatos apurados pelos peritos durante as
diligências, devendo inclusive abster-se de expender a sua convicção pessoal, ou
ainda, utilizá-las como elementos de publicidade pessoal. Este dever de sigilo
subsiste mesmo na hipótese de o profissional se desligar do trabalho antes de tê-
lo concluído.

De acordo com pesquisa realizada no site <www.cfc.org.br>, os empregados


designados pelo Conselho Federal de Contabilidade e Conselhos Regionais de
Contabilidade, para efetuarem a fiscalização do exercício profissional devem ter
competência legal similar à requerida do perito para o trabalho por ele realizado,
e assumem compromisso de sigilo profissional semelhante, o que vem a confirmar
nosso entendimento exposto no início deste item.

12 RESPONSABILIDADE E ZELO
Cabe ao perito conhecer as responsabilidades sociais, éticas, profissionais
e legais, às quais está sujeito no momento em que aceita o encargo para a execução
de perícias contábeis judiciais e extrajudiciais, inclusive arbitral, segundo dispõe
o item 28 das Normas Brasileiras de Contabilidade PP 01 – Perito Contábil,
alteradas de acordo com a Resolução CFC nº 1244/2009.

O termo “responsabilidade” refere-se à obrigação do perito em respeitar


os princípios da moral, da ética e do direito, atuando com lealdade, idoneidade
e honestidade no desempenho de suas atividades, sob pena de responder civil,
criminal, ética e profissionalmente por seus atos. (CFC, 2003).

31
UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL

O item 30 das Normas Brasileiras de Contabilidade PP 01 – Perito Contábil,


dispõe que a responsabilidade do perito decorre da relevância que o resultado de
sua atuação pode produzir.

A responsabilidade é dividida em: responsabilidade ética; e,


responsabilidade civil e penal. A responsabilidade ética do perito, segundo o
item 31 das Normas Brasileiras de Contabilidade PP 01 – Perito Contábil, decorre
da necessidade do cumprimento dos princípios éticos, em especial, aqueles
estabelecidos no Código de Ética Profissional do Contabilista e nesta Norma.

A responsabilidade civil determina responsabilidades e penalidades para


o profissional que exerce a função de perito-contador, as quais consistem em
multa, indenização e inabilitação.

A legislação penal estabelece penalidades como: multa, detenção e


reclusão para os profissionais que exercem a atividade pericial que vierem a
descumprir as normas legais.

Wakim e Wakim (2012) explicam que a responsabilidade civil do perito


pode ser dividida em duas, sendo: subjetiva e objetiva, e comentam o que Hoog
(2005, p. 65) esclarece:

A responsabilidade civil subjetiva é considerada um dano causado


diretamente pelo Perito, em função de ato doloso ou culposo, onde
devem estar presentes os seguintes elementos:
1 – a ação praticada deve ser comprovada, ou, a sua omissão deve ser
provada. Exemplo: a entrega do laudo fora do prazo, sem motivo;
2 – o dano deve estar provado, mensurado e fundamentado como elo
de ligação;
3 – o dolo ou a culpa, deve estar presente.

Continua Hoog (2007a, p. 65-66), “a responsabilidade civil objetiva decorre


de ausência da ação dolosa ou culposa; é presumível em relação aos riscos da
atividade ou descuido, o que assegura direito de ação regressiva”.

E
IMPORTANT

A responsabilidade civil objetiva caracteriza-se quando o perito-contador é


induzido ao erro.
A responsabilidade civil subjetiva é aquela onde o perito age de forma dolosa ou culposa,
podendo causar danos aos envolvidos no processo.

32
TÓPICO 1 | DADOS HISTÓRICOS

Portanto, zelo, para o profissional da perícia contábil refere-se ao cuidado


que o mesmo deve dispensar na execução de suas tarefas, em relação à sua conduta,
documentos, prazos, tratamento dispensado às autoridades, aos integrantes da
lide e aos demais profissionais, de forma que sua pessoa seja respeitada, seu
trabalho levado a bom termo e, consequentemente, o laudo pericial contábil e
o parecer pericial contábil dignos de fé pública, dispõe o item 37 das Normas
Brasileiras de Contabilidade PP 01 – Perito Contábil.

O item 38 das Normas Brasileiras de Contabilidade PP 01 – Perito Contábil,


dispõe que o zelo profissional do perito na realização dos trabalhos periciais
compreende:
(a) cumprir os prazos fixados pelo juiz em perícia judicial e nos termos
contratados em perícia extrajudicial, inclusive arbitral; (b) assumir a
responsabilidade pessoal por todas as informações prestadas, quesitos
respondidos, procedimentos adotados, diligências realizadas, valores
apurados e conclusões apresentadas no Laudo Pericial Contábil e no
Parecer Pericial Contábil; (c) prestar esclarecimentos determinados
pelo juiz ou pelo árbitro, respeitados os prazos legais ou contratuais;
(d) propugnar pela celeridade processual, valendo-se dos meios
que garantam eficiência, segurança, publicidade dos atos periciais,
economicidade, o contraditório e a ampla defesa; (e) prudência, no
limite dos aspectos técnico-científicos, e atento às consequências
advindas dos seus atos; (f) receptividade aos argumentos e críticas,
podendo ratificar ou retificar o posicionamento anterior. Disponível
em: <www.cfc.org.br/2014>. Acesso em: 28 dez. 2014.

Por último, para completar responsabilidade e zelo, o item 39 das Normas


Brasileiras de Contabilidade PP 01 – Perito Contábil, contempla que a transparência
e o respeito recíproco entre o perito-contador e o perito-contador assistente
pressupõem tratamento impessoal, restringindo os trabalhos, exclusivamente, ao
conteúdo técnico-científico.

No que diz respeito ao trabalho de sua equipe técnica, cabe ao perito a


responsabilidade pelo que compreende os auxiliares para execução do trabalho
complementar do laudo pericial contábil e/ou parecer pericial contábil, tais como:
digitação, pesquisas e análises contábeis, cálculos e pesquisas pertinentes.

Na eventualidade do perito, contratar serviços profissionais de outras


profissões regulamentadas. O perito deve certificar-se de que os contratados se
encontram em situação regular perante o seu Conselho Profissional.

Os laudos interprofissionais para subsidiar a perícia contábil, são assim


identificados:

(a) avaliação de engenharia; (b) de medicina para subsidiar a perícia


contábil em cálculo de indenização de perdas e danos, para apuração
de danos emergentes ou lucros cessantes; (c) de perito criminal em
documentos, cópia e grafotécnica para reconhecer a autenticidade ou
a falsidade de documentos. Disponível em: <www.cfc.org.br/2014>.
Acesso em: 28 dez. 2014.

33
UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL

Observa-se neste item (39) que a obrigatoriedade pela regulamentação


da profissão atinge a todos os profissionais liberais, independente da área de
atuação, e portanto, é responsabilidade do perito, ao necessitar a contratação de
serviços profissionais complementares, inicialmente averiguar a situação deste
profissional junto ao Conselho em que estiver inserido.

13 UTILIZAÇÃO DE TRABALHO DE ESPECIALISTA


Conforme foi mencionado no item acima, o perito pode valer-se de
especialistas de outras áreas para a realização do trabalho, desde que a matéria-
objeto da perícia assim o requeira, é o que prevê o item 46 das Normas Brasileiras
de Contabilidade PP 01 – Perito Contábil.

Essa obrigação assumida pelo perito perante o julgador ou o contratante,


não exime o especialista contratado da responsabilidade pelo trabalho executado.
Os trabalhos realizados por especialista podem ser das áreas: analista de sistema,
atuário, tecnólogo, geólogo, especialista em obras de artes e outros avaliadores.

Necessitando profissional de uma dessas áreas, o especialista nomeado


pelo juiz deve protocolizar o seu laudo em juízo e o perito-contador, ou perito-
contador assistente, pode valer-se das apurações e conclusões ali constantes,
realizadas pelo profissional contratado.

Hoog (2012) comenta que o trabalho de perito-especialista está previsto no


art. 431-B. do CPC, que contempla a seguinte redação: tratando-se de perícia com a
lide complexa, isto é, que abranja diferentes áreas de conhecimento especializado,
o juiz poderá nomear mais de um perito e as partes poderão indicar mais de um
assistente técnico.

E
IMPORTANT

O art. 431-B:1 prevê que é causa de nulidade da perícia a indicação do


segundo expert pelo perito originalmente designado; a nomeação daquele deve ser feita
necessariamente pelo juiz (STJ-2ª T., REsp 866.240, Min. Castro Meira, j.22.5.07, DJU 8.8.07).

14 A ÉTICA PROFISSIONAL
O trabalho pericial é de extrema importância nos casos em que há
discordância na tomada de decisão. Conforme citado anteriormente, para que
haja responsabilidade ética do perito, deve haver cumprimento dos princípios
éticos, razão pela qual se entende imprescindível a exposição do Código de Ética

34
TÓPICO 1 | DADOS HISTÓRICOS

Profissional do Contador. Este código de ética foi alterado segundo a Resolução


CFC 1.307/2010, e aprovado em 9 de dezembro de 2010, segundo considerações
do Presidente Contador JUAREZ DOMINGUES CARNEIRO.

O novo Código de Ética Profissional do Contador não se divide mais em


capítulos, mas está composto de 29 artigos, os quais comentamos a seguir:

O art. 1º dispõe que o Código de Ética Profissional do Contabilista –


CEPC passa a se chamar Código de Ética Profissional do Contador – CEPC.
O art. 2° contempla sobre o objetivo do CEPC, que a resolução 803/96
previa no art.1º.
O art. 3º aborda sobre os deveres do Profissional da Contabilidade.
O art. 4º contempla o inciso I do art. 2° da Resolução CFC n° 803/1996,
que passa a vigorar com nova redação: “I – exercer a profissão com zelo,
diligência, honestidade e capacidade técnica, observada toda a legislação
vigente, em especial aos Princípios de Contabilidade e as Normas Brasileiras de
Contabilidade, e resguardados os interesses de seus clientes e/ou empregadores,
sem prejuízo da dignidade e independência profissionais”.
Art. 5º cria o inciso X do art. 2° da Resolução CFC n° 803/1996 com
a seguinte redação: “X – cumprir os Programas Obrigatórios de Educação
Continuada estabelecidos pelo CFC”.
Art. 6º cria o inciso XI do art. 2° da Resolução CFC n° 803/1996, com
a seguinte redação: “XI – comunicar, ao CRC, a mudança de seu domicílio
ou endereço e da organização contábil de sua responsabilidade, bem como a
ocorrência de outros fatos necessários ao controle e fiscalização profissional”.
Art. 7º cria o inciso XII do art. 2° da Resolução CFC n° 803/1996 com a
seguinte redação: “XII – auxiliar a fiscalização do exercício profissional”.
Art. 8º o caput do art. 3° da Resolução CFC n° 803/1996 passa a vigorar
com nova redação: “art. 3º - no desempenho de suas funções, é vedado ao
Profissional da Contabilidade:”
Art. 9º o inciso I do art. 3° da Resolução CFC n° 803/1996 passa a vigorar
com a seguinte redação: “I – anunciar, em qualquer modalidade ou veículo de
comunicação, conteúdo que resulte na diminuição do colega, da Organização
Contábil ou da classe, em detrimento aos demais, sendo sempre admitida a
indicação de títulos, especializações, serviços oferecidos, trabalhos realizados
e relação de clientes”.
Art. 10 o inciso XIII do art. 3° da Resolução CFC n° 803/1996 passa a vigorar
com a seguinte redação: “XIII – aconselhar o cliente ou o empregador contra
disposições expressas em lei ou contra os Princípios de Contabilidade e as Normas
Brasileiras de Contabilidade editadas pelo Conselho Federal de Contabilidade”.
Art. 11 o inciso XX do art. 3° da Resolução CFC n° 803/1996 passa a
vigorar com a seguinte redação: “XX – executar trabalhos técnicos contábeis
sem observância dos Princípios de Contabilidade e das Normas Brasileiras de
Contabilidade editadas pelo Conselho Federal de Contabilidade”.

35
UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL

Art. 12 cria o inciso XXIII do art. 3° da Resolução CFC n° 803/1996


que vigora com a seguinte redação: “XXIII – Apropriar-se indevidamente de
valores confiados a sua guarda”.
Art. 13 cria o inciso XXIV do art. 3° da Resolução CFC n° 803/1996 com
a seguinte redação: “XXIV – Exercer a profissão demonstrando comprovada
incapacidade técnica.”
Art. 14 cria o inciso XXV do art. 3° da Resolução CFC n° 803/1996 com
a seguinte redação: “XXV – Deixar de apresentar documentos e informações
quando solicitado pela fiscalização dos Conselhos Regionais.”
Art. 15 o caput do art. 4° da Resolução CFC n° 803/1996 passa a vigorar
com a seguinte redação: “art. 4º o Profissional da Contabilidade poderá
publicar relatório, parecer ou trabalho técnico-profissional, assinado e sob sua
responsabilidade.”
Art. 16 o inciso VII do art. 5° da Resolução CFC n° 803/1996 passa a
vigorar com a seguinte redação: “VII – assinalar equívocos ou divergências
que encontrar no que concerne à aplicação dos Princípios de Contabilidade e
Normas Brasileiras de Contabilidade editadas pelo CFC”.
Art. 17 o caput do art. 6° da Resolução CFC n° 803/1996 passa a
vigorar com nova redação: “art. 6º - o Profissional da Contabilidade deve
fixar previamente o valor dos serviços, por contrato escrito, considerados os
elementos seguintes:”.
Art. 18 - o art. 7° da Resolução CFC n° 803/1996 passa a vigorar com a
seguinte redação: “art. 7º o Profissional da Contabilidade poderá transferir o
contrato de serviços a seu cargo a outro profissional, com a anuência do cliente,
sempre por escrito, de acordo com as normas expedidas pelo Conselho Federal
de Contabilidade.”
Art. 19 o Parágrafo único do art. 7° da Resolução CFC n° 803/1996
passa a vigorar com a seguinte redação: “Parágrafo único. O Profissional da
Contabilidade poderá transferir parcialmente a execução dos serviços a seu cargo
a outro profissional, mantendo sempre como sua a responsabilidade técnica.”
Art. 20 o caput do art. 8° da Resolução CFC n° 803/1996 passa a vigorar
com a seguinte redação: “art. 8º é vedado ao Profissional da Contabilidade
oferecer ou disputar serviços profissionais mediante aviltamento de honorários
ou em concorrência desleal.”
Art. 21 o caput do art. 9° da Resolução CFC n° 803/1996 passa a vigorar
com a seguinte redação: “art. 9º a conduta do Profissional da Contabilidade com
relação aos colegas deve ser pautada nos princípios de consideração, respeito,
apreço e solidariedade, em consonância com os postulados de harmonia da classe.”
Art. 22 o caput do art. 10 da Resolução CFC n° 803/1996 passa a vigorar
com nova redação: “art. 10 - o Profissional da Contabilidade deve, em relação
aos colegas, observar as seguintes normas de conduta:”
Art. 23 o caput do art. 11 da Resolução CFC n° 803/1996 passa a vigorar
com a seguinte redação: “art. 11 - o Profissional da Contabilidade deve, com
relação à classe, observar as seguintes normas de conduta:”.

36
TÓPICO 1 | DADOS HISTÓRICOS

Art. 24 o parágrafo único, incisos I, II e III do Art. 12 passa a ser o § 1° e


incisos I, II e III e passa a vigorar com a seguinte redação: “§ 1º Na aplicação das
sanções éticas, podem ser consideradas como atenuantes: I – ação desenvolvida
em defesa de prerrogativa profissional; II – ausência de punição ética anterior;
III – prestação de relevantes serviços à Contabilidade.”
Art. 25 cria o § 2° e incisos I e II do art. 12: “§ 2º - na aplicação das
sanções éticas, podem ser consideradas como agravantes: I – ação cometida
que resulte em ato que denigra publicamente a imagem do Profissional da
Contabilidade; II – punição ética anterior transitada em julgado.”
Art. 26 o caput do art. 14 da Resolução CFC n° 803/1996 passa a vigorar
com a seguinte redação: “art. 14 o Profissional da Contabilidade poderá
requerer desagravo público ao Conselho Regional de Contabilidade, quando
atingido, pública e injustamente, no exercício de sua profissão.”
Art. 27 Fica criado o Capítulo VI – Das Disposições Gerais.
Art. 28 Fica criado o Art. 15 com a seguinte redação: “art. 15. Este Código
de Ética Profissional se aplica aos Contadores e Técnicos em Contabilidade
regidos pelo Decreto-Lei nº 9.295/46, alterado pela Lei nº 12.249/10.”
Art. 29 A presente Resolução entra em vigor na data de sua aprovação.
FONTE: Disponível em: <www.cfc.org.br>. Acesso em: 28 dez. 2014.

Caro acadêmico! A partir deste item é possível perceber a abrangência


do código de ética, a importância que ele representa no desempenho do trabalho
do perito, a relevância da profissão por essa característica tão nobre que é a ética
pessoal e profissional.

37
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico vimos:

• As abordagens históricas sobre precursores da perícia contábil, as datas que


marcaram o início da perícia, como e quando surgiu, a legislação pertinente,
onde iniciou e o surgimento da perícia no Brasil.

• A expressão Perícia é derivada do latim, que quer dizer Peritia, o que significa
Conhecimento e o profissional responsável pela elaboração da perícia
denomina-se Perito, o qual deve ser Bacharel em Ciências Contábeis, e deve
ser registrado no Conselho Regional de Contabilidade do estado onde tem sua
residência e/ou domicílio.

• As características, os fundamentos doutrinários, a ética profissional, bases


contextuais, exercício profissional, função contábil e o perito.

• Sobre os aspectos históricos da perícia é possível dizer que foi em 1939 que
ela iniciou, segundo explicam Magalhães et al. (2008) através do Código de
Processo Civil (CPC).

• A matéria sobre “Perícia Contábil”, no Brasil, surgiu em um evento da classe


em 1924, no primeiro Congresso Brasileiro de Contabilidade.

• O objetivo da perícia é a busca da VERDADE REAL em determinado caso judicial.

• A legislação que rege as Normas Profissionais do Perito são Resoluções do


CFC - Conselho Federal de Contabilidade, e atualmente são as de nº 1.243/2009
e 1.244/2009, datadas de 10 de dezembro.

• Sobre as Normas Profissionais do Perito, a NBC PP 01 é aquela que está vigente


atualmente. Cabe lembrar que as normas profissionais preveem que o perito-
contador e o perito-contador assistente devem comprovar sua habilitação
profissional mediante apresentação de certidão específica, emitida pelo
Conselho Regional de Contabilidade. Ainda sobre as Normas Profissionais do
Perito, estas contemplam que o perito-contador e o perito-contador assistente
devem evitar, mas principalmente denunciar qualquer interferência que
possam constrangê-los em seu trabalho, não admitindo, em hipótese alguma,
subordinar sua apreciação a qualquer fato, pessoa, situação ou efeito que
possam comprometer sua independência.

• O exercício da perícia também faz jus a cobrança de honorários pretendidos


pelo perito-contador e pelo perito-contador assistente os quais devem ser
estabelecidos previamente, mediante avaliação dos serviços a serem prestados.

38
• Não basta apenas ter o conhecimento da legislação que trata da perícia,
habilitação, ética, é preciso conhecer e obedecer as determinações previstas
pelo Código de Ética Profissional do Contador – CEPC, que dispõe sobre o
sigilo profissional, em que o perito-contador e o perito-contador assistente,
devem respeitar e assegurar sigilo sobre as informações que apurarem durante
a execução do trabalho, proibida a sua divulgação, salvo nos casos em que
houver obrigação legal de fazê-lo.

• É item fundamental no exercício pericial, o cumprimento dos prazos


estabelecidos no processo ou contrato, assim como deve o profissional da
perícia zelar por suas prerrogativas profissionais, o que leva a legitimar que o
trabalho foi realizado com seriedade e responsabilidade.

O Tópico 1 é extenso, e certamente lhe restaram algumas dúvidas. Para


isso, e também com o objetivo de aprimorar o seu conhecimento, elaborou-se um
conjunto de questões objetivas e subjetivas que certamente contribuirão para o
desempenho profissional, as quais são apresentadas a seguir.

Bom estudo!

39
AUTOATIVIDADE

1 Assinale a alternativa correta. Segundo Magalhães et al. (2008), a Legislação


Falimentar através do Decreto-Lei nº 7.661/45, com alterações da Lei nº
4.983/66, arts. 63; 93; 169; 211 e 212 estabeleceu regras de:

a) ( ) Perícia judicial.
b) ( ) Auditoria independente.
c) ( ) Auditoria interna.
d) ( ) Perícia contábil.
e) ( ) Perícia extrajudicial.

2 Preencha as lacunas:

a) Para Barboza (2010) o objetivo da perícia é a _______________________ em


_________________, no qual surge _______________ para o ___________,
quando, o _________ lhe apresenta um ________, que é contestado pelo
___________.
b) O mesmo autor (2010) complementa, _________________________
___________________ os fatos pertinentes à lide, os quais merecem
____________________________. Genericamente é possível dizer que
_____________________, ________________________, ____________________,
__________________, _______________________.

3 Magalhães et al (2008) explicam que as Normas de Perícia Judicial conceituam


o perito contábil da seguinte forma:

a) ( ) Profissional de nível Universitário formado em Ciências Contábeis.


b) ( ) Profissional técnico designado pelo promotor.
c) ( ) Profissional de nível universitário formado na escola de magistratura.
d) ( ) Profissional de nível universitário formado em Direito.
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.

4 Coloque V para verdadeiro e F para falso, quanto a seguinte frase: O perito-


contador pode ser impedido de executar perícia contábil, segundo dispõe o
item 20 da Resolução nº 1.244/2009, nos seguintes casos:

( ) Quando o seu cônjuge ou qualquer parente seu, consanguíneo ou afim, em linha


reta, ou em linha colateral até o segundo grau, não estiver postulando no processo.
( ) Quando for parte do processo.
( ) Quando a matéria em litígio não for de sua especialidade.
( ) Quando tiver interesse, direto ou indireto, imediato ou mediato, por si ou
qualquer de seus parentes, consanguíneos ou afins, em linha reta ou em
linha colateral até o segundo grau, no resultado do trabalho pericial.
( ) Quando houver atuado como perito-contador assistente ou prestado
depoimento como testemunha no processo.
40
Assinale a alternativa com sequência CORRETA.
a) ( ) F – V – V – V – V.
b) ( ) F – F – V – V – V.
c) ( ) F – V – V – V – F.
d) ( ) F – V – F – F – V.
e) ( ) F – V – V – F – F.

5 Assinale a alternativa correta. Segundo Antonio Lopes de Sá (2009), nas


realizações das perícias contábeis são designados peritos:

a) ( ) Um perito designado pelo juiz.


b) ( ) Um perito designado pelo juiz e dois assistentes indicados pelas partes.
c) ( ) Um perito designado pelo juiz e um assistente técnico.
d) ( ) Um perito designado pelo juiz, um perito-auditor, e, um assistente.
e) ( ) Nenhuma das questões acima.

41
42
UNIDADE 1
TÓPICO 2

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA


PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO, E TRABALHOS TÉCNICOS
DA CONTABILIDADE

1 INTRODUÇÃO
Prezado acadêmico! Agora vamos avançar rumo ao tema perícia com as
características e classificação da perícia, requerimento e por fim abordaremos os
trabalhos técnicos da contabilidade.

2 ASPECTOS INTRODUTÓRIOS
No que tange às características para o surgimento da perícia é possível
dizer que no início do século XX a auditoria era denominada de “Perícia
Administrativa”, entretanto, não é mais possível confundir nos dias atuais,
explica Sá (2009).

Barboza (2010), quando se refere ao assunto, explica que a perícia e a


auditoria são campos férteis na área de qualquer profissão, especialmente quando
trilhamos no caminho das normas, da conduta, do conhecimento científico,
da criatividade nas ações de planejamento etc. Porém, as suas diferenças são
marcantes quando nos aprofundamos na sua execução, especialmente no campo
do interesse de consumo dos seus resultados.

A execução das pesquisas é efetuada em moldes muito próximos, isto é, a


conduta do perito não deve diferir da conduta do auditor na definição e elaboração
do planejamento, compreendendo proposta, plano e programa. A perícia é de
procedimento eventual, constituindo-se em meio de prova judicial, tendo como
universo exclusivamente o juiz e as partes, e destina-se, tão somente, a ajudar
o convencimento do juiz (único a quem realmente importa a sua realização) ao
proferir decisão. (BARBOZA, 2010).

A prova pericial é produzida através do exame de todos os documentos,


dados, fatos, coisas, individualmente, de forma bastante analítica, sendo assim
chamada de pesquisa global, enquanto que a prova advinda da auditoria, embora
também criteriosa e séria, é pela própria forma de execução e necessidade de uso
do resultado, aceitável o exame por seleção e amostragem.

43
UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL

Wakim e Wakim (2012) mencionam que os principais procedimentos


utilizados para a elaboração do laudo pericial são: exame, vistoria e avaliação. O juiz
pode indeferir o pedido de produção de prova se ele tiver informações suficientes
para emitir a sentença judicial, ou se for impossível a verificação dos fatos.

O art. 420 do CPC dispõe que,

a prova pericial consiste em exame, vistoria, ou avaliação. Parágrafo


único. O juiz indeferirá a perícia quando: I – a prova do fato não
depender do conhecimento especial de técnico; II – for desnecessária em
vista de outras provas produzidas; III – a verificação for impraticável.

A importância da prova pericial evidencia-se, pois, o juiz sustentado na


mesma ao proferir decisão, assume função social de extrema relevância, qual seja,
evitar o enriquecimento ilícito de um, e o empobrecimento injusto, de outro.

No que se refere à auditoria, Barboza (2010) explica que ela constitui-


se num conjunto de procedimentos técnicos, que tem por objetivo examinar a
integridade, adequação e eficácia dos controles internos, informações contábeis
financeiras, administrativas, econômicas e operacionais da entidade.

Outro aspecto relevante da auditoria é que ela é habitual e pode ser feita
por seleção e amostragem; visa atingir um público bem maior do que a perícia,
como por exemplo: os sócios, diretores, credores, investidores, fisco e demais
usuários interessados na informação. Conforme alteração realizada na Resolução
nº 560/83, §1º, art. 3º, a auditoria de maneira geral não é mais de competência
exclusiva do contador, conforme exposto pelo CFA – Conselho Federal de
Administração, e pelo CFE - Conselho Federal de Economia.

A Resolução CFA nº 183 de 2 de agosto de 1996, art. 1º - dispõe:

Os trabalhos de auditoria nos campos de Administração, como


Administração e Seleção de Pessoal, Organização, Sistemas e Métodos,
Administração de Material, Administração Financeira, Administração
Mercadológica, Administração de Produção, Relações Industriais,
bem como outros campos em que esses se desdobrem ou aos quais
sejam conexos, tanto nas organizações públicas como privadas, serão,
obrigatoriamente, desenvolvidos por Administrador devidamente
registrado no Conselho Regional de Administração.

A Resolução CFE, nº 1.612, de 27 de maio de 1995, regulamenta os serviços


profissionais do economista quando no exercício de atividades de auditoria, e dispõe:

“São inerentes ao campo profissional do Economista as atividades de


auditoria interna e externa, em especial as auditorias de Gestão nos setores
públicos e privado”.

44
TÓPICO 2 | PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO,
E TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE

Pelo exposto não podemos confundir a perícia, objeto deste estudo, com a
auditoria, que é um item permitido também aos administradores e economistas
executarem.

3 PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO


DA PERÍCIA
A necessidade de se fazer uma perícia ocorre sempre que se apresentam
as seguintes características:

• Surge de um conflito latente e manifesto que se quer esclarecer.


• Constata prova ou demonstra veracidade de alguma situação, coisa ou fato.
• A perícia se fundamenta em requisitos técnicos, científicos, legais e profissionais.
• Sua materialização deve ocorrer segundo forma especial, à instância decisória,
a transmissão da opinião técnica ou científica sobre a verdade dos fatos, de
modo que a verdade jurídica corresponda àquela. (BARBOZA, 2010).

4 A CLASSIFICAÇÃO DA PERÍCIA
Para o seu melhor entendimento, buscou-se identificar as formas de se
classificar uma perícia, e para isso nos amparamos dos estudos realizados por Sá
(2009), que aborda a perícia de três formas distintas, classificadas em três grandes
grupos gerais:

1- Perícia Judicial, podemos exemplificar como sendo a verificação de uma


empresa para que o juiz possa homologar a concorda que ela pediu.
2- Perícia Administrativa pode ser exemplificada como a verificação contábil para
apurar corrupção.
3- Perícia Especial é aquela que se faz para a fusão de sociedades.

Ressalta o autor que existe uma enorme tendência para que se classifique
as perícias administrativas e especiais no campo da auditoria, entretanto estes
fatos não podem ser confundidos.

Magalhães et al. (2008) divergem seu entendimento e classificam a perícia


apenas como Perícia Contábil Judicial, e comentam que a perícia contábil judicial
pode ser solicitada para servir de prova ou opinião, o que exige conhecimento
dessa área profissional, afim de que auxiliem o Juiz no julgamento de uma matéria.

Alberto (2009) quando se refere ao tema, vai além do entendimento


proferido por Sá e Magalhães et al., e classifica como espécies de perícia quatro
diferentes modalidades, sendo: (a) perícia judicial; (b) perícia semijudicial; (c)
perícia extrajudicial; (d) perícia arbitral, e na sequência explica cada uma delas,
permitindo desta forma que você, acadêmico, possa entender de fato o sentido e
a finalidade de cada uma delas.

45
UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL

(a) Perícia judicial – é aquela realizada segundo os procedimentos processuais


do Poder Judiciário, por determinação, requerimento ou necessidade de
seus agentes ativos, e se processa de acordo com as regras legais específicas.
A perícia judicial subdivide-se em meio de prova ou de arbitramento,
segundo suas finalidades essenciais no processo judicial.

Em outras palavras o autor explica que a perícia judicial será prova quando,
no processo de conhecimento ou de liquidação por artigos, tiver o propósito de
trazer a verdade real, demonstrável científica ou tecnicamente, para subsidiar
a decisão do julgador; e será arbitramento, quando, determinada no processo
de liquidação de sentença, tiver por objeto quantificar a obrigação mediante
critério técnico em que ela se constituir.

(b) Perícia semijudicial – é aquela realizada dentro da grandiosidade institucional


do Estado, não afetando o Poder Judiciário, e com finalidade principal
ser meio de prova nos ordenamentos institucionais usuários. A perícia
semijudicial subdivide-se em: (I) policial (nos inquéritos); (II) parlamentar
(nas comissões parlamentares especiais); e, (III) administrativo-tributária
(nos conselhos de contribuintes). Ressalta ou autor que são classificadas
em semijudiciais porque as autoridades policiais, parlamentares ou
administrativas têm algum poder jurisdicional, e, por estarem sujeitas às
regras legais e regimentais semelhantes às judiciais.

(c) Perícia extrajudicial – é aquela realizada fora do Estado, não submetíveis a


uma outra pessoa encarregada de arbitrar a matéria conflituosa, inclusive
fora do juízo arbitral. A perícia extrajudicial subdivide-se segundo as
finalidades para as quais foram designadas em: demonstrativas (a finalidade
é demonstrar a veracidade ou não do fato ou coisa previamente especificadas
na consulta); discriminativas (esta via é instada a colocar nos justos termos
os interesses de cada um dos envolvidos na matéria conflituosa); e,
comprobatórias (quando visa à comprovação das manifestações da matéria
periciada, assim entendido: fraudes, desvios simulações etc.).

(d) Perícia arbitral – é aquela perícia realizada no juízo arbitral, e não se


enquadra em nenhuma das espécies anteriores. Essa espécie subdivide-se
em probante e decisória, de acordo com a destinação de funcionamento.
FONTE: ALBERTO, 2009

Alberto (2009) finaliza o tema ressaltando que as espécies de laudos não


dependem diretamente das espécies de perícias, e que estes estão mais ligados
aos objetivos e procedimentos periciais empregados.

Cabe-nos lembrar que, se perícia significa conhecimento, a classificação


das perícias é uma forma de separar cada espécie segundo o que elas efetivamente
proporcionam ao tomador de decisão.

46
TÓPICO 2 | PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO,
E TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE

5 REQUERIMENTO
Nos itens anteriores foi tratado sobre o objetivo de perícia e observou-se
que ela busca expor a “verdade real” em determinado caso judicial. Considerando
o exposto é possível concordar com Barboza (2010), quando menciona que a
perícia pode ser requerida por uma das partes, ou então, é determinada de ofício
pelo juiz, com o objetivo exclusivo de fazer prova judicial.

O tipo de perícia a ser requerida depende do problema a ser esclarecido


e sanado.

6 TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE


No campo cível, a perícia encontra-se disciplinada no Código de Processo
Civil que, embora não a definindo, estabelece de forma clara os procedimentos
do profissional.

O art. 145, do Código de Processo Civil estabelece que a execução da


perícia deve ser efetuada por profissional de nível universitário, devidamente
registrado no Órgão de Classe Competente.

A norma ainda obriga o expert a fazer prova de sua especialidade na


matéria, sobre as questões que deva opinar, através de certidão expedida pelo
Órgão a que estiver inscrito.

A legislação da regência da profissão contábil, DL nº 9.295/46, estatui que


a perícia contábil judicial ou extrajudicial é prerrogativa exclusiva dos contadores
diplomados.

Neste sentido ressalta Barboza (2010) que o art. 25 do DL 9.295/46 considera


trabalho técnico de contabilidade:

a) [...]
b) [...]
c) perícias judiciais ou extrajudiciais, revisão de balanços [...], e confirma que este
serviço é de competência exclusiva do contador, segundo o item 4 (quatro) da
resolução 1.243/2009 (vigente), cuja matéria é objeto da formação profissional
do Contador, vista, analisada e estudada durante o período previsto para a
formação de Bacharel em Ciências Contábeis.

47
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico vimos:

• As principais características que contribuíram para o surgimento da perícia,


sua classificação e os trabalhos técnicos da contabilidade.

• Inicialmente, no século XX, houve a confusão entre a perícia e a auditoria; a


auditoria era denominada de Perícia Administrativa. Outro item discutido
era, quando fazer perícia, e quando deve ser feita a auditoria. A partir dessa
dúvida é possível dizer que deve-se requerer uma perícia sempre que surgir
um conflito latente e manifesto a se esclarecer, ou então, quando se deseja
constatar ou demonstrar a veracidade de alguma situação, coisa ou fato.

• A perícia é de procedimento eventual, constituindo-se em meio de prova


judicial, tendo como universo exclusivamente o juiz e as partes. Entretanto,
destina-se, tão somente, a ajudar o convencimento do juiz (único a quem
realmente importa a sua realização) ao proferir decisão.

• Diferentemente da perícia, a auditoria é habitual, podendo ser feita por seleção


e amostragem e visa atingir um público bem maior, como: sócios, diretores,
credores, investidores, fisco e demais usuários interessados na informação

• A perícia se fundamenta em requisitos técnicos, científicos, legais e profissionais,


e sua materialização deve ocorrer, segundo forma especial, de modo que a
verdade jurídica corresponda àquela perícia.

• Quanto a sua classificação apresenta-se em três grupos: perícia judicial; perícia


administrativa; perícia especial, entretanto, para Alberto (2009), as espécies
de perícia são classificadas em: (a) perícia judicial; (b) perícia semijudicial;
(c) perícia extrajudicial; (d) perícia arbitral. Finaliza o tema ressaltando que
as espécies de laudos não dependem diretamente das espécies de perícias,
e que os mesmos estão mais ligados aos objetivos e procedimentos periciais
empregados.

• Sobre o requerimento da perícia Barboza (2010) menciona que ela pode ser
requerida pela parte, ou então, é determinada de ofício pelo juiz, com o objetivo
exclusivo de fazer prova judicial.

• Referente aos trabalhos técnicos da contabilidade a perícia é disciplinada pelo


código de processo civil e a regência da profissão contábil, é decorrente DL nº
9.295/46, e estatui que a perícia contábil judicial ou extrajudicial é prerrogativa
exclusiva dos contadores diplomados.

48
AUTOATIVIDADE

1 De acordo com o que explica Sá (2009), no início do século XX a auditoria


era denominada de:

a) ( ) Perícia Seletiva
b) ( ) Perícia Progressiva
c) ( ) Perícia Real
d) ( ) Perícia Administrativa
e) ( ) Perícia Competitiva

2 Preencha as lacunas.

Barboza (2010) afirma que a perícia e a auditoria são ___________________


_______________, especialmente quando trilhamos no caminho __________,
___________, _________________, _____________, _______________ porém,
as suas diferenças são _________ quando ________________________,
especialmente no campo do interesse ______________________.

3 Coloque V para verdadeiro e F para falso, quanto à seguinte frase: A perícia


é de procedimento eventual, constituindo-se em meio de prova judicial,
tendo como universo exclusivamente o juiz e as partes. A prova pericial é
produzida através do exame de:

( ) Documentos.
( ) Dados.
( ) Fatos.
( ) Coisas.

Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:


a) ( ) V – V – F – V.
b) ( ) V – F – F – F.
c) ( ) V – V – V – F.
d) ( ) V – V – V – V.
e) ( ) F – F – V – F.

4 A pesquisa global é também chamada de:

a) ( ) Prova Possessória.
b) ( ) Prova Falimentar.
c) ( ) Prova Experimental.
d) ( ) Prova Pericial.
e) ( ) Todas as alternativas estão incorretas.

49
5 Segundo Barboza (2010), a auditoria constitui-se num conjunto de procedimentos
técnicos, com o objetivo de examinar a integridade, adequação e eficácia
dos controles internos, informações contábeis, financeiras, administrativas,
econômicas e operacionais da entidade. Diferentemente da perícia, a auditoria é:

a) ( ) Habitual.
b) ( ) Esporádica.
c) ( ) Processual.
d) ( ) Anual.
e) ( ) Mensal.

6 De acordo com Sá (2009), as perícias são classificadas em três, assim


identificadas:

a) ( ) Perícia Judicial, Perícia Especial, Perícia Processual.


b) ( ) Perícia Judicial, Perícia Administrativa, Perícia Especial.
c) ( ) Perícia Judicial, Perícia Administrativa, Perícia Arbitral.
d) ( ) Perícia Judicial, Perícia Especial, Perícia Litigiosa.
e) ( ) Perícia Judicial, Perícia Esporádica, Perícia Amigável.

7 Alberto (2009) quando se refere às espécies de perícia, assim classifica: (a)


perícia judicial; (b) perícia semijudicial; (c) perícia extrajudicial; (d) perícia
arbitral. A perícia semijudicial é aquela realizada dentro da grandiosidade
institucional do Estado, não afetando o Poder Judiciário, e com finalidade
principal, ser meio de prova nos ordenamentos institucionais usuários. A
perícia semijudicial subdivide-se em:

a) ( ) Policial, administrativa, trabalhista.


b) ( ) Policial, regimental, administrativo-tributária.
c) ( ) Policial, parlamentar, administrativo-tributária.
d) ( ) Policial, fiscal, parlamentar.
e) ( ) Policial, estatutária, cível.

8 Perícia extrajudicial é realizada:

a) ( ) Fora do Estado.
b) ( ) Por pessoa encarregada de arbitrar.
c) ( ) Conflituosa.
d) ( ) Em regime comprobatório.
e) ( ) Por advogado aprovado no exame da ordem.

9 Assinale a afirmativa CORRETA.

a) ( ) No campo cível a perícia encontra disciplina no Código de Processo Civil.


b) ( ) A execução da perícia pode ser efetuada por Economista.
c) ( ) A Lei que rege a profissão contábil, DL nº 9.295/46 estatui que a perícia
contábil é prerrogativa dos contadores diplomados.
d) ( ) A perícia pode ser requerida pela parte, ou determinada pelo juiz.
e) ( ) A norma obriga o profissional a fazer prova de sua especialidade na matéria.

50
UNIDADE 1
TÓPICO 3

EXERCÍCIO PROFISSIONAL

1 INTRODUÇÃO
Prezado acadêmico! A partir de agora o tema começa a exigir de você
maior atenção, pois seu nível de compreensão é mais difícil, porém fundamental
para a realização da perícia.

2 EXERCÍCIO PROFISSIONAL
Reforçando o que já foi explicado anteriormente, o grau de formação
exigido para o exercício da função pericial é o bacharelado em Ciências Contábeis,
porém, isto não é suficiente.

O profissional que se candidata a exercer a função de perito precisa ter


um profundo conhecimento técnico do exercício da contabilidade e maturidade
profissional que lhe permita ter vivenciado experiências profissionais tanto no campo
da contabilidade como no administrativo. O exercício profissional do perito é função
tão relevante que exige-se do profissional sólidos conhecimentos da disciplina, que
devem ser adquiridos além daquele da graduação, haja vista que os profissionais
devem se especializar continuamente para poder exercê-la com proficiência.

A necessidade de se fazer uma perícia se manifesta nas imperfeições e


inadequações, explicam Magalhães et al. (2008), e expõem o entendimento de D’Auria
(1962) que classifica as irregularidades em: (a) administrativas, e, (b) contábeis.

a) Irregularidades administrativas

É possível dizer que equivalem às tarefas realizadas sem obedecer à legislação.

Se subclassificam em: (I) imperfeições; (II) negligências; (III) erros; (IV)


infrações; (V) simulações; (VI) adulterações; (VII) fraudes; (VIII) culpas; e, (IX)
responsabilidades, segundo Magalhães et al. (2008).

51
UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL

De maneira geral as irregularidades administrativas demonstram que a ação


econômico-administrativa desenvolve-se por manifestações voluntárias do indivíduo
a quem estejam vinculados uma soma de interesses, relativos a agentes, e por agentes
que aplicam suas técnicas na consecução de objetivos, de acordo com as regras legais
e com as normas profissionais, e observância da ética peculiar às pessoas envolvidas
na gestão empreendedora. (MAGALHÃES et al. 2008). Continuam os autores
mencionando que as consequências danosas decorrentes das irregularidades da
gestão administrativa, quando identificadas incriminam e culpam seus causadores.
Daí a imposição de identificação dos culpados para que respondam criminal, civil e/
ou administrativamente por seus atos, fixando-se responsabilidades em consonância
com as leis e as normas administrativas, assim exemplificadas:

• Responsabilidade criminal, decorrente do ilícito penal.


• Responsabilidade civil, decorrente do ilícito civil.
• Responsabilidade administrativa, decorrente da culpa por falta, imprudência
etc., pelas quais se aplicam punições.

NOTA

Através da perícia são descobertas e evidenciadas as irregularidades


administrativas, fundamentadas em sanções, estabelecendo-se a verdade dos fatos com
definições de responsabilidades, e justa atribuição de direitos e obrigações pecuniárias.
(MAGALHÃES et al. 2008).

Caro Acadêmico! Para ampliar o seu entendimento, apresentamos a seguir


explicação de cada uma das irregularidades administrativas, começando pelas
imperfeições. A ação administrativa desenvolve-se de acordo com os fins a que
se destina a massa patrimonial. A partir da prática de atos e realizando fatos para
esses fins, o administrador, colaboradores e prepostos, usam os bens materiais a
sua disposição e estabelecem relações de negócios com terceiros.

As ações administrativas, normalmente, tendem à vigilância patrimonial


e defesa dos interesses dos investidores, sem ofensa aos terceiros. Em qualquer
das manifestações das ações administrativas pode haver contaminação de
imperfeições, que perturbam a normalidade que deve predominar.

52
TÓPICO 3 | EXERCÍCIO PROFISSIONAL

NOTA

Magalhães et al. (2008) comentam que as imperfeições podem ser conscientes


ou inconscientes.

Imperfeições administrativas fundamentais consideradas por Magalhães


et al. (2008):

a) acúmulo de funções incompatíveis; e,


b) a subordinação a parentes próximos.

NOTA

Magalhães et al. (2008) comentam que as imperfeições são evidentes ou


transitoriamente ocultas, mas sempre determináveis por suas causas e efeitos.

Negligência é a irregularidade administrativa a ser apresentada, e prevê


que a vigilância, o zelo e a ordem devem presidir os atos e fatos de gestão para
que atinjam os fins propostos e não perturbem a ação executiva ou danos na
substância patrimonial. Todavia, ocorrem falhas humanas, físicas ou psíquicas
por omissões na vigilância, no zelo e na ordem. As falhas físicas e psíquicas do
ser humano enfraquecem a eficiência da ação e a vontade de fazer, decorrendo
daí a imperfeição e a omissão, o que compromete a integridade patrimonial dos
direitos e das obrigações contratuais legais.

NOTA

A negligência pode ser decorrente da falta de conhecimento sobre o tema que está
sendo abordado, ao qual o profissional disse estar preparado para exercê-lo enquanto profissional.

As negligências têm efeitos imediatos ou remotos. Os efeitos devem ser


investigados e os culpados devem ser identificados, que quando conscientes,
ressaltam a responsabilidade dos causadores.

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UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL

Em terceiro lugar vêm os erros que, segundo Magalhães et al. (2008),


representam expressões de irregularidades. Os erros podem ser de duas espécies:
voluntários ou involuntários.

Podemos considerar como erros voluntários as faltas, as culpas, as


simulações, as fraudes, e os crimes. Os erros involuntários são: a ignorância, a boa-
fé, as falhas físicas ou psíquicas.

Em outras palavras é possível traduzir os erros da seguinte forma: pela


omissão, pela imprevisão, pela incompreensão, por cálculos incorretos, pela
aplicabilidade incorreta das técnicas, por decisões inconvenientes etc.

NOTA

Magalhães et al. (2008) comentam que as consequências dos erros, na gestão


administrativa, são sempre prejudiciais e podem ter efeitos morais e psicológicos com
repercussão direta ou indireta sobre interesses pecuniários, podendo ferir, além dos próprios
interesses, também os interesses de terceiros.

As infrações ocupam o lugar e explicam que a ação administrativa deve


processar-se de conformidade com normas gerais estatuídas, por órgão volitivo
ou deliberativo, observando os seguintes itens:

a) pelo proprietário, orientado e dirigido por órgãos executores;


b) pelas leis especiais que regem a organização, leis gerais que regem as relações
entre pessoas e coisas.

Neste sentido estamos falando dos princípios fundamentais a serem


observados na gestão de negócios.

NOTA

Caso não forem cumpridas as normas e leis estaremos cometendo irregularidades


que prejudicam a ordem administrativa.

54
TÓPICO 3 | EXERCÍCIO PROFISSIONAL

Em quinto lugar estão as simulações que consistem em aparentar


regularidade em determinado ato ou negócio, quando, na realidade a simulação
contraria as normas jurídicas e a ética.

Magalhães et al. (2008) ressaltam que uma vez descoberta a simulação,


torna-se necessário investigar com profundidade a consistência dos indícios não
se deixando iludir por aparências enganosas.

NOTA

Comentam Magalhães et al. (2008) que a simulação pode ser detectada quando
realizada para adiar negócios ou para usar de expedientes que protelem a realização de obrigações.

As adulterações estão em sexto lugar. Acerca das irregularidades


administrativas, elas compreendem as alterações de coisas e fatos, com o fim
predito de enganar a outrem em proveito próprio. Como exemplo de adulteração
podemos citar a adição de ingredientes ou elementos que venham a diminuir o
teor de qualidade, o peso ou a medida etc., que venham a enganar os compradores.

Na sequência estão as fraudes. Fraudar significa enganar outrem para proveito


próprio. A fraude não pode ser presumida: quem acusa deve provar a fraude.

Assim, segundo Magalhães et al. (2008) podemos exemplificar como


fraude as adulterações de pesos e medidas, os furtos nas transações, o roubo e o
desvio de mercadorias e valores, o abuso de poder e de funções, a apropriação
indébita, os cálculos errados, a documentação falsa, a falta de caixa etc.

Ainda, Magalhães et al. (2008) notificam:

Nota 1: há fraude contra o fisco, em matéria tributária, quando é subtraído


pagamento de impostos etc., mediante sonegação, declarações falsas e outras.

Nota 2: o contador desempenha função relevante quando verifica ou


investiga a fraude para ameaçar com pena.

Em oitavo lugar estão as culpas. Aquele que por negligência comete


omissão é culpado.

A culpa era classificada no direito romano em quatro níveis: levíssima,


leve, grave e gravíssima, mencionam D’Auria (1962 apud Magalhães et al., 2008).

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UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL

Em outras palavras, culpa é causa de dano e seu autor responde


moralmente, quando ineficiente e de boa-fé, e de direito quando não cumpre
obrigações explícitas ou tendenciosas, a má-fé.

A apuração das culpas, em qualquer caso, é uma indagação para fixar


responsabilidades materiais ou morais. Nesse caso age a Perícia Contábil,
referindo-se às situações e fatos ou investigando-se as respectivas origens, além de
apurar os efeitos materiais que tenham prejudicado ou que venham a prejudicar
determinada situação patrimonial.

Por último, estão as responsabilidades, que, segundo confirmam


Magalhães et al. (2008), em matéria administrativa, é responsável aquele que se
obriga pela guarda e conservação das coisas, e pela execução de atos como agente
de legítimo dono da coisa administrada.

A responsabilidade resume-se em termos monetários.

À consequência, no caso de fraude, é que cabe ação pela responsabilidade


criminal, além da civil nos processos judiciais. Cabe ao perito, quando da investigação
de tais casos, fixar limites da obrigação pecuniária, justificando e comprovando-os.

NOTA

A responsabilidade pode originar-se de peculato, de má-fé ou de estelionato,


(fraude).

b) Irregularidades Contábeis

De maneira geral, e conforme o entendimento (MAGALHÃES et al., 2008),


irregularidades contábeis concorrem para as falhas de administração e podem
causar prejuízos em diferentes níveis, desde os de menor importância até aqueles
que comprometem a estabilidade patrimonial ou a reputação do administrador.

A organização e as suas escritas contábeis devem assegurar e confirmar


a regularidade administrativa, porém a falha administrativa pode ser causa de
irregularidade contábil. As causas de imperfeições contábeis podem ser:

a) o grande volume de trabalho;


b) a complexidade da matéria;
c) quaisquer fatores físicos ou psíquicos como:

56
TÓPICO 3 | EXERCÍCIO PROFISSIONAL

o fraqueza de conhecimento;
o de boa-fé;
o premeditação;
o exigências técnicas;
o rigor nas aplicações de contabilidade.

Os indícios de uma execução irregular podem ser considerados:

a) a ausência ou deficiência de método de trabalho;


b) a falta de dedicação;
c) a precipitação,
d) as falhas de origem física ou psíquica como:
o doenças;
o revolta;
o desatenção;
o distração;
o fraquezas de memória e outras, todas a título de negligência, quando não
classificam como intencionais.

NOTA

O profissional comete irregularidades por incapacidade, desconhecimento ou


convicção, que podem causar dano, e, desta forma, ele tem culpa passível de advertência,
punição e penalidade.

Magalhães et al. (2008) ressaltam o que o Decreto-lei nº 9.295/46, que


regulamentou e criou o CFC, dispõe em seu artigo 27, alínea “e”:

a) suspensão do exercício da profissão, pelo prazo de 6 (seis) meses a 1 (um) ano,


ao profissional com comprovada incapacidade técnica no desempenho de suas
funções, a critério do Conselho Regional de Contabilidade a que estiver sujeito,
facultada, porém, ao interessado a mais ampla defesa; (Redação dada pela Lei
nº 12.249, de 2010).

As irregularidades contábeis são identificadas da seguinte forma:


(a) imperfeições técnicas; (b) negligência profissional; (c) erros técnicos e de
escrituração; (d) infrações; (e) simulações; (f) adulteração; (g) fraudes; (h) culpas
profissionais; (i) responsabilidades profissionais.

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UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL

b) Segundo Magalhães et al. (2008), a contabilidade, ao organizar seu trabalho,


obedece a planos previamente elaborados, e sua execução é guiada por
normas predeterminadas. Os planos incompletos ou defeituosos são causas
de imperfeições, normas deficientes ou mal orientadas, entre outras. Contas
inadequadas e titulações impróprias produzem confusão e induzem a
interpretações erradas; função de conta mal definida também é causa de erros.

Síntese excessiva ou desdobramento desnecessário de contas produzem


dificuldades.

O processo de escrituração quando não obediente a método racional torna


os registros obscuros, dificultando sua leitura.

Má redação gera deficiência de histórico, prejudicando o valor qualitativo


da Contabilidade.

A boa guarda e conservação dos livros e o perfeito arquivo dos documentos


(comprovantes) são requisitos irrecusáveis para sua valorização.

D’Auria (1962 apud Magalhães et al., 2008) destacam como indícios de


fraude as seguintes imperfeições:

• Desordem geral na escrituração, confusão e atraso.


• Ausência de evidências.
• Insuficiência de quadratura (falta de balancetes e conferências).
• Excesso de estornos.

b) Negligência profissional, representam negligência profissional: (I) má guarda


e má conservação dos livros; (II) má apresentação de trabalho; (III) acúmulo
de documentos por escriturar; (IV) falta de asseio nos trabalhos e ausência
ou atraso nas verificações. Nas conciliações, as omissões de elementos, dados
ou referências nos lançamentos são falhas de Contabilidade que podem ser
irregularidades administrativas. Ressaltam, ainda, Magalhães et al. (2008)
que as omissões e imperfeições de lançamentos por negligência dificultam
o trabalho do perito, diminuem a força probante da escrituração e podem
comprometer o administrador, concorrendo para a agravação de situações
fraudulentas ou dificultando a apreciação administrativa.

NOTA

Todo contador que é responsável pela Contabilidade de uma organização tem


obrigação moral de manter a respectiva escrituração em dia.

58
TÓPICO 3 | EXERCÍCIO PROFISSIONAL

Quando a contabilidade não é mantida com esmero, a escrituração


também não é realizada diariamente e o acúmulo de trabalho não realizado, gera
erros, levando a empresa a cometer infrações.

c) Erros técnicos e de escrituração, a primeira coisa a se fazer é a distinção do erro


substancial ou formal.

Erro substancial o que se refere à essência. Erro formal o que faz referência
à representação. Portanto, erro formal é a representação gráfica defeituosa ou
viciada. Em contabilidade o erro é de substância ou conceito quando o plano
de contas ou os livros são organizados com impropriedades de indicação ou
defeitos de função. Magalhães et al. (2008) consideram erro técnico quando
a impropriedade ou a inexatidão contrariam os princípios contábeis e suas
convenções. Os erros de escrituração são de redação ou quantitativos; erro de
conta ou de posição na conta, a débito ou a crédito indevidamente. No processo
revisional ou pericial, o erro de escrituração é procurado mediante exame crítico
da compilação e de seu confronto com a matéria transcrita com as respectivas
fontes elementares. Localizar erro é fase necessária de observação. A evidência
de erros na escrituração leva o revisor ou o perito a ficarem de sobreaviso para as
conclusões em virtude dos efeitos respectivos.

d) Infrações caracterizam-se pelo descumprimento de uma determinação


administrativa e, principalmente, legal; cumpri-la parcialmente é infringir
normas ou preceitos a serem observados na contabilidade. Na escrituração
fiscal ocorre a infração quando não se obedecem as determinações estabelecidas
nas leis tributárias. (MAGALHÃES et al., 2008).

e) Simulações, teremos a simulação caracterizada quando:


• coisas e fatos administrativos não corresponderem à verdade;
• quando houver contrariedade às normas e preceitos; ou,
• quando são arquitetadas situações irreais e irregularidades, afirmam Magalhães
et al. (2008).

Há simulações de diferentes formas, assim descritas:


• simulações de inventários;
• simulações de operações;
• simulações de débitos e créditos;
• simulações de despesas ou prejuízos etc.

Simulação de inventário pode ser de omissão ou inclusão de elementos etc.

Simulações de operações são as que não se verificaram ou omissão de


operações e negócios legítimos.

Simulação de débitos e créditos que não se justificam, respaldados em


comprovantes falsos ou duvidosos, omissões etc., feitas de acordo com estes ou
à sua revelia.
59
UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL

Despesas ou prejuízos, lucros inexistentes ou omitidos, sem comprovantes


ou com falsa documentação, suas inclusões em contas elementares, de ativo
e passivo, são simulações que podem ser apuradas em exames ou tomada de
contas. (MAGALHÃES et al., 2008).

A falta de esmero na contabilidade pode levar o profissional a cometer


adulteração, para reparar alguma ação não realizada quando do prazo, ou até
mesmo com a finalidade de modificar algum resultado previsto erroneamente.

f) Adulteração, de acordo com Magalhães et al. (2008), elencado como adulteração


não apenas o simples fato de alterar a escrituração em alguma de suas
partes, mas também, a emenda, as eliminações ou os acréscimos que alterem,
propositadamente, os registros. As adulterações podem ser de contas, históricos,
datas, quantias, lançamentos ou peças contábeis já elaboradas. A adulteração
pode encontrar-se em inventários, na escrituração dos livros, nos resultados
econômicos etc. As adulterações são descobertas mediante atenta observação da
representação gráfica e comprovam-se com exames, por meio de raciocínio lógico,
confronto com outras partes da escrituração e com documentos, principalmente
por vestígios materiais assim identificados: raspagens, borrões, emendas, erros
de soma e subtração, e outras formas são meios de adulteração da contabilidade
que envolvem falsidade com fins preconcebidos.

g) Fraudes, o que motiva cometer fraudes em Contabilidade são as intenções


de lesão de interesses alheios. Daí a falsificação de lançamentos nas falências,
as falsas situações de contas, lucros líquidos alterados, receitas e despesas
classificadas erroneamente. (MAGALHÃES et al., 2008).

h) Culpas profissionais, de acordo com Magalhães et al. (2008) são culpas


profissionais: as imperfeições técnicas de organização e execução de
contabilidade, as negligências profissionais, erros técnicos e de escrituração e
outras irregularidades de escrita. Conhecendo o que gera culpa profissional,
poderão ser evitadas as irregularidades.

i) Responsabilidades profissionais, independente de a ação de dolo ou fraude


ser involuntária ou intencional, o profissional que não tenha cumprido as
determinações legais sofre as respectivas consequências que se traduzem em
perda de emprego, ressarcimento de prejuízos ou responsabilidade criminal. A
função pericial investiga e denuncia as causas de irregularidade, e o respectivo
laudo é fundamentado para promoção da responsabilidade, aplicando-se
a penalidade que couber, na esfera administrativa, pelo proprietário e por
autoridade judiciária nos processos fiscais ou de responsabilidade profissional.
(MAGALHÃES et al., 2008).

60
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico vimos:

• Temas sobre o exercício profissional do perito. Mostramos as irregularidades


no exercício profissional e as dividimos em administrativas e contábeis,
deixando claro que as irregularidades administrativas são decorrentes da
gestão. Apresentamos as irregularidades individualmente: (I) imperfeições;
(II) negligências; (III) erros; (IV) infrações; (V) simulações; (VI) adulterações;
(VII) fraudes; (VIII) culpas; e, (IX) responsabilidades.

• As irregularidades contábeis são decorrentes do exercício da contabilidade,


e têm como causas de imperfeições contábeis: o grande volume de trabalho,
a complexidade da matéria, e quaisquer fatores físicos ou psíquicos como,
por exemplo, fraqueza de conhecimento, de boa-fé e premeditação, além das
exigências técnicas e do rigor nas aplicações de contabilidade.

• Para facilitar sua compreensão demonstramos e explanamos individualmente


as irregularidades contábeis a saber: (a) imperfeições técnicas; (b) negligência
profissional; (c) erros técnicos e de escrituração; (d) infrações; (e) simulações;
(f) adulteração; (g) fraudes; (h) culpas profissionais; (i) responsabilidades
profissionais.

• Ressaltamos que todo contador que é responsável pela Contabilidade de uma


organização tem obrigação moral de manter a respectiva escrituração em dia.

61
AUTOATIVIDADE

1 Identifique a alternativa CORRETA. A necessidade de se fazer uma perícia


se manifesta nas imperfeições e inadequações (MAGALHÃES et al., 2008).
As irregularidades são classificadas em:

a) ( ) Administrativas, contábeis, dimensionais.


b) ( ) Administrativas, imperfeita, confiabilidade inequívoca.
c) ( ) Administrativas, contábeis, fraudulentas.
d) ( ) Administrativas, fraudulentas, culposa.
e) ( ) Administrativas, contábeis, irregularidades administrativas.

2 Acerca das irregularidades administrativas destacadas por Magalhães et al.


(2008), classifique as opções a seguir com V e F para a(s) verdadeira(s) e falsa(s).

( ) Por eficácia social.


( ) Por culpas.
( ) Por responsabilidade.
( ) Por fraudes.
( ) Por simulações.

Assinale a sequência correta:


a) ( ) F – F – F – V – V.
b) ( ) F – V – F – F – V.
c) ( ) F – F – V – V – F.
d) ( ) F – V – V – V – V.
e) ( ) F – V – V – F – F.

3 De acordo com Magalhães et al. (2008), irregularidades contábeis


________________________ e podem ________________, desde os de
_____________ até aqueles que ______________________________________
_____ ou a reputação do _______________.

4 Marque, nas opções a seguir, V para verdadeira(s) ou F para falsa(s). São


consideradas irregularidades contábeis:

( ) Erros técnicos e de escrituração.


( ) Fraudes.
( ) Negligência profissional.
( ) Imperfeições técnicas.
( ) Obediência às normas contábeis.

62
Assinale a sequência correta:
a) ( ) V – V – F – F – F.
b) ( ) V – V – V – F – F.
c) ( ) V – V – V – V – F.
d) ( ) V – F – F – F – F.
e) ( ) V – F – F – V – V.

5 D’Auria (1962 apud Magalhães et al., 2008) destaca como indícios de fraude
as seguintes imperfeições:

a) ( ) A desordem geral na escrituração, confusão e atraso.


b) ( ) A accountability.
c) ( ) A insuficiência de quadratura.
d) ( ) A ausência de evidências.
e) ( ) O excesso de estornos.

6 De acordo com Magalhães et al. (2008), assinale a alternativa que define infração:

a) ( ) A lógica das relações essenciais.


b) ( ) O não cumprimento de uma determinação administrativa.
c) ( ) A obediência às normas contábeis.
d) ( ) Estética e exatidão rigorosa.
e) ( ) É o cumprimento a ordem cronológica.

7 De acordo com Magalhães et al. (2008) são elencadas como adulterações não
apenas o simples fato de alterar a escrituração em alguma de suas partes,
mas também a emenda, as eliminações ou os acréscimos que alterem,
propositadamente, os registros.

a) ( ) Históricos.
b) ( ) Datas.
c) ( ) Contas.
d) ( ) Lançamentos.
e) ( ) As normas periciais.

8 Preencha as lacunas.

De acordo com Magalhães et al. (2008) são culpas profissionais:


as ________________ de organização e __________________, as
__________________, ______________ e de ___________ e outras
_____________________.

9 De acordo com Magalhães et al. (2008), o profissional que não tenha


cumprido as determinações legais sofre as respectivas consequências que se
traduzem em:

63
a) ( ) Reajuste salarial.
b) ( ) Aumento no quadro de colaboradores.
c) ( ) Registro em carteira profissional.
d) ( ) Perda de emprego.

64
UNIDADE 1
TÓPICO 4

FUNÇÕES CONTÁBEIS

1 INTRODUÇÃO
Neste tópico abordaremos as funções contábeis. O perito é um profissional
da contabilidade e, como tal, deve conhecer como essas funções contábeis
acontecem no cotidiano, no exercício da profissão.

2 FUNÇÕES CONTÁBEIS
As irregularidades administrativas e contábeis, cujo tema foi estudado
no tópico anterior, estabelecem classificações assim identificadas: funções
fundamentais e funções complementares.

3 FUNÇÕES FUNDAMENTAIS
Funções fundamentais da contabilidade são conhecidas, também, como funções
peculiares da contabilidade, pois descrevem os fatos em determinado momento.

A variedade dos patrimônios individualizados, a complexidade de cada


conjunto patrimonial e os inúmeros aspectos das transformações dos componentes
agregados na riqueza tornam necessário seu desdobramento para classificar essa
função geral em três subfunções fundamentais, assim identificadas: (1) escritural
ou de registro; (2) expositiva ou demonstrativa; (3) interpretativa ou de análise.

1) A subfunção mais comum é a escritural ou de registro, que ocorre quando


da realização dos registros contábeis. Seu processo se inicia com a observação
dos documentos objeto de registro e na sequência vem o exame da matéria
a registrar, a coordenação dos elementos segundo a homogeneidade das
espécies, e a anotação metódica, observando-se as técnicas contábeis. Sua
revelação ocorre pela anotação fiel e continuada dos fatos ocorridos na gestão
administrativa do patrimônio.

65
UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL

2) A subfunção expositiva tem efeito na reprodução sintetizada, denominada


balanço, e a analítica considerada a evidenciação da matéria registrada. Nesse
contexto, assume caráter mais profundo pela realização como afirmação
categórica das situações patrimoniais, em conjunto e em suas partes.

3) A subfunção interpretativa ou interpretação técnica do balanço ou das


demonstrações é traduzida em análise dos elementos expostos. É fundamental
como testemunho autorizado da significação de situações presentes e previsão
de situações futuras. (MAGALHÃES et al., 2008).

4 FUNÇÕES COMPLEMENTARES
Como o próprio nome indica, estas funções complementam as rotinas do
cotidiano da contabilidade, e delas derivam, funções corretivas que complementam
sua utilidade, tais como:

a) Função administrativa
b) Função revisora
c) Função pericial

a) Função administrativa: cabe a esta função o adequado registro das transações


ou dos negócios contratados, nos casos de: obrigações a cumprir, títulos de
créditos a vencer, riscos ou compromissos recíprocos, orçamentos, autorizações
de despesa, entrega futura de bens ou valores, entre outras operações de
realização prevista.

A função administrativa se traduz como cooperação na gestão


administrativa/patrimonial, assim traduzida a elaboração:

• do planejamento contábil;
• da sistematização de controles;
• do desenho de impressos necessários à atividade administrativa;
• das normas sobre os elementos patrimoniais;
• dos cálculos das operações;
• do inventário dos bens e seus processos de avaliação, elaboração de orçamentos,
redação dos atos contratuais das operações, enfim, colaboração justificada com
os meios da contabilidade.

De maneira geral, é possível dizer que funções complementares são os


fatos patrimoniais a registrar, segundo os preceitos contábeis, revelando-se em
função previsora ou preditiva, que prefixa direitos e obrigações relativos a um ou
mais componentes da riqueza individualizada. (MAGALHÃES et al., 2008).

66
TÓPICO 4 | FUNÇÕES CONTÁBEIS

b) Função revisora: esta função é emanante da Contabilidade, explicam


(MAGALHÃES et al., 2008), porque dela depende a eficácia e o valor da
elaboração técnica. Quando se realiza a conciliação das contas, segundo
os registros realizados, as demonstrações contábeis devem expressar com
rigor a verdade dos fatos, mas, mesmo assim, é necessária a certificação da
fidedignidade através do exame dos lançamentos, verificação dos cálculos,
rigor das transcrições.

A revisão deve ser feita continuadamente para assegurar exatidão e


verdadeira representação gráfica dos fatos contábeis. Além de ser inerente
ao exercício profissional da Contabilidade, a revisão também se revela pela
certificação do que existe em matéria patrimonial, assim entendida, a situação
presente e os fatos que a produziram, tudo realizado em confrontação dos
elementos comprobatórios e das anotações feitas. Logo, trata-se de função formal
e eminentemente técnica.

As finalidades da função revisora são diversas, segundo as características


da matéria que envolvem os aspectos administrativos, técnico, psicológico, social
e profissional.

c) Função pericial: esta função é esporádica. A perícia é feita oportunamente,


ou seja, quando há necessidade em testemunhar a existência dos elementos
patrimoniais e de situações do direito e ou econômico-jurídicas.

A perícia contábil é incumbência confiada ao contador (bacharel em


Ciências Contábeis) a fim de informar de modo específico, mediante exame da
matéria, e opinar tecnicamente quando solicitado por pessoa interessada, sendo
geralmente uma das partes litigantes.

Magalhães et al. (2008) ressaltam quanto ao aspecto administrativo que a


revisão é o processo apto à confirmação rigorosa dos fatos reais.

Quanto ao aspecto técnico, a finalidade é assegurar a exatidão do registro


dos fatos em relação aos documentos comprobatórios quanto à veracidade dos
históricos dos lançamentos, rigor matemático da expressão quantitativa e quanto
à forma adequada das partidas contábeis.

No que se refere ao aspecto psicológico, Magalhães et al. (2008) ressaltam


que a revisão dos documentos visa prestigiar a ação profissional do contador,
conferindo-lhe idoneidade e gera fidedignidade das ações de quem decide.

Relativo ao aspecto social a função revisora concorre para a consolidação da


ordem e da estabilidade das instituições, respeito aos administradores e ao equilíbrio
entre o trabalho contábil e o contexto no qual as instituições estão inseridas.

67
UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL

Por fim, quanto ao aspecto profissional, a revisão é uma das mais altas
expressões da qualidade do trabalho contábil. Por isso ela somente é exequível
por meio de contador com domínio dos conhecimentos técnicos.

d) Função pericial: esta função é esporádica. A perícia é feita oportunamente,


ou seja, quando há necessidade em testemunhar a existência dos elementos
patrimoniais e de situações do direito e/ou econômico-jurídicas. A perícia
contábil é incumbência confiada ao contador (bacharel em Ciências Contábeis)
a fim de informar de modo específico, mediante exame da matéria, e opinar
tecnicamente quando solicitado por pessoa interessada, sendo geralmente uma
das partes litigantes.

Magalhães et al. (2008) mencionam que além das funções nominadas


acima como “a”, “b”, “c”, existe, ainda, uma função intermediária pela qual
cabe ao contador realizar o exame de questões administrativas, cujo andamento
depende da certificação de matérias e fatos, e de orientação técnica para decisões
de negócios, denominada de auditoria.

Como já mencionado anteriormente a auditoria acontece habitualmente e


nos diversos segmentos profissionais, diferentemente da perícia que é esporádica,
e tem por finalidade auxiliar o juiz, com a elaboração do laudo, ao tomar uma
decisão sobre determinado caso.

NOTA

Na sequência você terá um texto para análise e reflexão do conteúdo estudado


nesta unidade. Boa leitura!

68
TÓPICO 4 | FUNÇÕES CONTÁBEIS

LEITURA COMPLEMENTAR

PERICIA CONTÁBIL

A área de Perícia Contábil foi desenvolvida apoiada no empirismo e na


necessidade de se obterem informações precisas para esclarecimentos de fatos
que demandavam conhecimento contábil apurado. Por essa razão, a atividade
foi desenvolvida como se apenas a utilização como prova em processo judicial
fosse seu universo. Sim, pois a necessidade de esclarecimentos sobre fatos veio,
como imposição, da regra do Código de Processo Civil e, à míngua de normas
preexistentes, a Perícia Contábil se desenvolveu quanto aos seus aspectos formais,
sem contrapartida de desenvolvimento de sua essência técnica.

Desse impulso externo, algumas faculdades de Ciências Contábeis, iniciaram


as cadeiras de Perícia Contábil, ao que pude obter, na década de 1970, mas tendo
como centro de observação o exame das normas do Código de Processo Civil, o que
se espalha até hoje nos centros de graduação universitária. Portanto, passou-se a
lecionar sobre a forma mais que sobre a essência; daí porque muitos cursos dão ênfase
à função de perito-judicial e, não, à profissão ou especialização de perito-contador.

O fato, porém, é que o mercado jamais se confundiu e jamais trocou a


essência pela forma. O mercado não se restringe à utilização como em processo
judicial, mas abrange todas as necessidades de “exame investigativo integral de
matéria que dependa de conhecimento da ciência contábil efetuado por contador
e destinado a esclarecer técnicos e leigos”. Esse conceito, que tenho desenvolvido
em todos os trabalhos e apresentações em núcleos de classe e universitários,
permite que se entenda que, além de servir como instrumento de prova objetivo
em processo civil, a Perícia Contábil é o trabalho destinado a esclarecer e informar;
(i) o Poder Judiciário; (ii) os Tribunais Arbitrais; (iii) a Polícia Federal e as Polícias
Estaduais; (iv) os Ministérios Públicos Federais e Estaduais; (v) as Pessoas, naturais
ou jurídicas, que buscam seus direitos no poder Judiciário ou perante Tribunais
Arbitrais; (vi) os Contribuintes, perante os Tribunais Tributários Administrativos,
os órgãos da administração tributária e para segurança interna dos princípios
tributários; e (vii) as Empresas, entidades em geral, administradores e gestores
para detecção de falhas específicas de sistemas, de controles ou de pessoas.

Assim, os profissionais contadores já encontram, e os profissionais do


futuro encontrarão, o mercado carente de peritos-contadores que assim se façam
ser conhecidos pela prevalência da qualificação sobre a mera habilitação funcional
e pela capacidade de apurar o fato exato e trazê-lo a lume, na sua essência técnica.
O mercado exigirá aprimoramento técnico constante dos peritos-contadores e
estes, por sua vez, obrigarão ao desenvolvimento das especializações, mestrados
e doutorados em matérias técnicas, que se repetirão no dia a dia de pessoas e
empresas, com a finalidade de tornar esclarecidos fenômenos que se conhecem,
hoje, apenas em decorrência de existirem. Haverá um avanço profissional e de
mercado, pois haverá a ampliação do uso da Perícia Contábil em temas nos quais
hoje se utilizam relatórios imperfeitos por suas ressalvas de escopo.
69
UNIDADE 1 | DADOS HISTÓRICOS, PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS PARA O SURGIMENTO DA PERÍCIA, CLASSIFICAÇÃO E
TRABALHOS TÉCNICOS DA CONTABILIDADE, BASES CONTEXTUAIS, EXERCÍCIO PROFISSIONAL, FUNÇÃO CONTÁBIL

Evidentemente, a consequência desse avanço profissional e desse


desenvolvimento científico será a retribuição aos usuários e, em especial, à
prova pericial contábil pelo albergar da profissão durante quase um século, de
premissas técnicas de consistência científica aprimorada de modo a eliminar
uma importante parcela de divergências técnicas que ocorrem mais da falta de
qualificação do que da existência de fatos controvertidos.

Neste cenário, os profissionais deverão fazer seu desenvolvimento


científico ser acompanhado de capacidade de comunicação em linguagem objetiva
e compreensível, aprimorar sua capacidade de pensamento sistêmico, evoluir em
mais de um idioma, desenvolver a competência de se comunicar em público e
manter-se sempre em trabalho de aprimoramento pessoal, de modo a alcançar
um saber que poderá sempre lhe permitir apresentar resultados que informem,
de fato, aos interessados, sem se curvar aos objetivos desses interessados e sem se
afogar na soberba de um conhecimento ou função efêmeros.

FONTE: Simonaggio, Silvio. Perícia Contábil. Revista Brasileira de Contabilidade. set/out. 2010, p. 24.

70
RESUMO DO TÓPICO 4
Neste tópico vimos:

• As funções contábeis, que se dividem em funções fundamentais e funções


complementares. A função da contabilidade é em última análise descritiva,
explicam (MAGALHÃES et al. 2008). A variedade dos patrimônios
individualizados; a complexidade de cada conjunto patrimonial, e os inúmeros
aspectos das transformações dos componentes agregados na riqueza, torna
necessário seu desdobramento para classificar essa função geral em três
subfunções fundamentais: (1) escritural ou de registro; (2) expositiva ou
demonstrativa; (3) interpretativa ou de análise.

• Das funções complementares derivam funções corretivas tais como:


a) Função administrativa.
b) Função revisora.
c) Função pericial.

• À função administrativa cabe o adequado registro das transações ou dos


negócios contratados. A função administrativa se traduz como cooperação na
gestão administrativa/patrimonial. Em outras palavras é possível dizer que são
fatos patrimoniais a registrar, segundo os preceitos contábeis.

• A função revisora, segundo Magalhães et al. (2008) é emanante da Contabilidade,


porque dela depende a eficácia e o valor da elaboração técnica. Os registros e as
demonstrações contábeis devem expressar com rigor a verdade dos fatos, sendo
necessária a certificação da fidedignidade através do exame dos lançamentos,
verificação dos cálculos, rigor das transcrições. A revisão é feita continuadamente
para assegurar exatidão e verdadeira representação gráfica dos fatos contábeis.
Trata-se de função formal e eminentemente técnica. As finalidades da função
revisora são diversas, segundo as características da matéria que envolvem os
aspectos administrativo, técnico, psicológico, social e profissional.

• A função pericial é esporádica. A perícia é feita oportunamente, ou seja, quando


há necessidade e testemunhar a existência dos elementos patrimoniais e de
situações do direito e/ou econômico-jurídicas. A perícia contábil é incumbência
confiada ao contador, assim entendido o bacharel em Ciências Contábeis, a
fim de informar de modo específico, mediante exame da matéria, e opinar
tecnicamente quando solicitado por pessoa interessada, sendo geralmente uma
das partes litigantes.

71
AUTOATIVIDADE

1 Preencha as lacunas.

A função da contabilidade é, em última análise, _________________________


______________________________________________. São também conhecidas
como _____________________________. A variedade dos ______________
__________________; a complexidade de cada ______________________,
e os inúmeros aspectos das transformações dos componentes agregados
na riqueza, são ____________ em três subfunções fundamentais: (1)
_____________________________; (2) ________________________ (3)
________________________.

2 A subfunção fundamental mais comum é:


a) ( ) Expositiva.
b) ( ) Escritural.
c) ( ) Interpretativa.
d) ( ) Narrativa.
e) ( ) Metódica.

3 A função administrativa pode ser entendida como cooperação na gestão


administrativa/patrimonial, assim traduzida a elaboração, exceto:

a) ( ) Redação dos atos contratuais das operações.


b) ( ) Das normas sobre os elementos patrimoniais.
c) ( ) Dos empréstimos entre empresas ligadas.
d) ( ) Do inventário dos bens e seus processos de avaliação.
e) ( ) Da elaboração de orçamentos.

4 Classifique as opções a seguir em verdadeira e falsa, com V e F,


respectivamente. Função revisora, segundo Magalhães et al. (2008), é
emanante da contabilidade, e tem por finalidade os seguintes aspectos:

( ) Administrativos.
( ) Técnico.
( ) Psicológico.
( ) Social.
( ) Sustentável.

Assinale a alternativa que contêm a sequência correta.


a) ( ) V – V – F – V – V.
b) ( ) V – V – V – F – V.
c) ( ) V – F – F – V – V.
d) ( ) F – V – V – V – F.
e) ( ) V – V – V – V – F.

72
5 Preencha as lacunas:

a) Quanto ao aspecto administrativo que, _______________ apto à


_________________________.
b) Quanto ao aspecto técnico a finalidade é, _____________________________
________ em relação aos ________________________, quanto à veracidade
dos _____________________, rigor matemático _______________________ e
quanto à forma __________________________.

6 Quando há necessidade de testemunhar a existência dos elementos


patrimoniais, realiza-se a perícia. A perícia é feita:

a) ( ) Frequentemente.
b) ( ) Oportunamente.
c) ( ) Mensalmente.
d) ( ) Raramente.
e) ( ) Eventualmente.

7 A fim de informar de modo específico, mediante exame da matéria, e opinar


tecnicamente quando solicitado por pessoa interessada, realiza-se a Perícia
Contábil, cuja incumbência é confiada ao:

a) ( ) Engenheiro (bacharel em Engenharia).


b) ( ) Economista (bacharel em Ciências Econômicas).
c) ( ) Contador e ao Técnico em Contabilidade.
d) ( ) Contador (bacharel em Ciências Contábeis).
e) ( ) Advogado aprovado no exame da Ordem.

8 A revisão além de ser inerente ao exercício profissional da contabilidade,


também se revela pela certificação do que existe em matéria patrimonial,
assim entendida a situação presente e os fatos que a produziram, tudo
realizado em confrontação dos elementos comprobatórios e das anotações
feitas. Para assegurar exatidão e verdadeira representação gráfica dos fatos
contábeis, a revisão é feita:

a) ( ) Todos os dias.
b) ( ) Uma vez ao mês.
c) ( ) Continuadamente.
d) ( ) Esporadicamente.
e) ( ) Quando o auditor solicitar.

73
74
UNIDADE 2

PERÍCIA CONTÁBIL

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir do estudo desta unidade você será capaz de:

• conhecer os dados históricos da perícia contábil;

• entender as características do surgimento da perícia;

• conhecer os trabalhos técnicos da contabilidade;

• conhecer a função do perito;

• saber evidenciar as irregularidades administrativas e contábeis;

• identificar funções fundamentais e complementares.

PLANO DE ESTUDOS
A Unidade 2 será apresentada com a estrutura de quatro tópicos, sendo que ao
final de cada tópico encontrarás atividades que auxiliarão no seu aprendizado.

TÓPICO 1 – ABORDAGENS GERAIS SOBRE A PERÍCIA CONTÁBIL

TÓPICO 2 – CARACTERÍSTICAS DOS TRABALHOS PERICIAIS

TÓPICO 3 – EXERCÍCIO PROFISSIONAL DO PERITO

TÓPICO 4 – FUNÇÕES CONTÁBEIS

75
76
UNIDADE 2
TÓPICO 1

ABORDAGENS GERAIS SOBRE A PERÍCIA CONTÁBIL

1 INTRODUÇÃO
Prezado acadêmico! Esta unidade contempla a legislação da perícia
contábil, que prevê os atos preparatórios da perícia, a execução do trabalho
pericial, o laudo pericial e, por último, trataremos do parecer pericial contábil.

A perícia contábil é uma atividade muito requisitada pelo judiciário e não


basta apenas ser bacharel em Ciências Contábeis para exercê-la. Para candidatar-
se à sua execução, o profissional precisa ter no mínimo:

• amplo conhecimento da legislação contábil, prevista segundo as Normas


Brasileiras de Contabilidade, Lei nº 6.404/1976, Lei nº 11.638/2007, Lei nº
11.941/2009, Pronunciamentos Técnicos etc.
• conhecer a legislação pertinente à perícia contábil que contempla: Resolução
CFC nº 1.243/2009, que trata da elaboração da perícia, o planejamento da
perícia, a execução da perícia, os procedimentos de perícia, os documentos
decorrentes da perícia assim entendidos, o laudo pericial, o parecer pericial etc.
• conhecer os reflexos do código do processo civil na perícia contábil.

Como a legislação contábil já foi abordada na Unidade 1, prosseguiremos,


na Unidade 2 estudando a legislação pericial.

2 LEGISLAÇÃO PERICIAL
Ao identificarmos a atual legislação pertinente ao exercício da perícia
contábil, amparados na matéria, destacamos a Resolução nº 1.243/2009, que
aprovou a NBC TP 01 – Perícia Contábil, e está vigente desde 1º de janeiro de
2010 até a presente data.

77
UNIDADE 2 | PERÍCIA CONTÁBIL

2.1 NBC TP 01
Acadêmico! Agora você terá contato direto com a legislação que trata
da perícia contábil, que é promulgada pelo Conselho Federal de Contabilidade
através de resolução.

Atualmente é a Resolução nº 1.243/2009 que rege a perícia contábil, a qual


revogou, a partir de 1º de janeiro de 2010, as Resoluções CFC nº 858/99, nº 938/02, nº
939/02, nº 940/02, nº 985/03, nº 1.021/05 e nº 1.041/05, publicadas no D.O.U., Seção I, de
29/10/99, 11/06/02, 11/06/02, 11/06/02, 28/11/03, 22/04/05 e 22/09/05, respectivamente.

O item 1 desta Norma trata do objetivo da perícia, que,

Estabelece regras e procedimentos técnico-científicos a serem


observados pelo perito, quando da elaboração de perícia contábil,
no âmbito judicial, extrajudicial, inclusive arbitral, mediante o
esclarecimento dos aspectos e dos fatos do litígio por meio de
exame, vistoria, indagação, investigação, arbitramento, avaliação, ou
certificação. (CFC, 2003).

O item 2 que conceitua a perícia contábil, está contemplado na Unidade 1,


Tópico 1, conceituações.

Já o item 3 dispõe que “o laudo pericial contábil e o parecer pericial


contábil têm por limite os próprios objetivos da perícia deferida ou contratada”.

Ressalta o item 4 que “a perícia contábil, tanto a judicial como a


extrajudicial, é de competência exclusiva de contador registrado em Conselho
Regional de Contabilidade. Entende-se como perícia judicial aquela exercida sob
a tutela da justiça. A perícia extrajudicial é aquela exercida no âmbito arbitral,
estatal ou voluntária”.

No que diz respeito a execução da perícia, a NBC TP 01 trata este tema nos
itens 6 ao 17, que dispõem:

Item 6 – o perito-contador assistente pode, tão logo tenha conhecimento


da perícia, manter contato com o perito-contador, colocando-se à disposição
para realizar o planejamento, o fornecimento de documentos em poder da parte
que o contratou e ainda para a execução conjunta da perícia. Recusando-se da
participação, o perito-contador pode permitir ao assistente técnico acesso aos
autos e aos elementos de prova arrecadados durante a perícia, indicando local e
hora para exame pelo assistente técnico.

Já o item 7 dispõe que o perito-contador assistente pode, logo após


sua contratação, manter contato com o advogado da parte que o contratou, e
requerer dossiê completo do processo para conhecimento dos fatos para melhor
acompanhamento dos atos processuais pertinentes à perícia.

78
TÓPICO 1 | ABORDAGENS GERAIS SOBRE A PERÍCIA CONTÁBIL

O item 8 trata do zelo na guarda e segurança do processo ou dos


documentos, que o perito deve ter, enquanto estes estiverem em sua posse.

Item 9 “para a execução da perícia contábil, o perito deve ater-se ao objeto


e ao lapso temporal da perícia a ser realizada”.

Inerentes ao termo de diligência, o item 10 da NBC TP 01, dispõe que o


perito deve solicitar por escrito todos os documentos e informações relacionadas
ao objeto da perícia.

Continua o item 11, relatando que,

a eventual recusa no atendimento a diligências solicitadas ou qualquer


dificuldade na execução do trabalho pericial deve ser comunicada,
com a devida comprovação ou justificativa, ao juízo, em se tratando de
perícia judicial; ou à parte contratante, no caso de perícia extrajudicial.

O item 12 dispõe que “o perito deve utilizar os meios que lhe são facultados
pela legislação e normas concernentes ao exercício de sua função, com vistas a
instruir o laudo pericial contábil ou parecer pericial contábil com as peças que
julgarem necessárias”.

Item 13 dispõe que,

O perito deve manter registros dos locais e datas das diligências,


nomes das pessoas que os atenderem, livros e documentos ou coisas
examinadas ou arrecadadas, dados e particularidades de interesse
da perícia, rubricando a documentação examinada, quando julgarem
necessário e possível, juntando o elemento de prova original, cópia ou
certidão.

O item 14 dispõe que no que diz respeito à execução da perícia, quando


utilizar equipe técnica, deve ser realizada sob a orientação e supervisão do perito,
que assume a responsabilidade pelos trabalhos, devendo assegurar-se que as
pessoas contratadas estejam profissionalmente capacitadas à execução. Quanto
aos deveres do perito, o item 15 dispõe que,

o perito deve documentar os elementos relevantes que serviram


de suporte à conclusão formalizada no laudo pericial contábil e no
parecer pericial contábil, por meio de papéis de trabalho, que foram
considerados relevantes, visando fundamentar o laudo ou parecer e
comprovar que a perícia foi executada de acordo com os despachos e
decisões judiciais, bem como as normas legais e Normas Brasileiras de
Contabilidade.

E o item 16 esclarece o que são papéis de trabalho, e de que maneira eles


integram a documentação.

79
UNIDADE 2 | PERÍCIA CONTÁBIL

Documentação preparada pelo perito para a execução da perícia.


Eles integram um processo organizado de registro de provas, por
intermédio de termos de diligência, informações em papel, meios
eletrônicos, plantas, desenhos, fotografias, correspondências,
depoimentos, notificações, declarações, comunicações ou outros
quaisquer meios de prova fornecidos e peças que assegurem o objetivo
da execução pericial.

Por fim, o item 17, que finaliza a parte de execução da perícia segundo a
NBC TP 01, dispõe: “o perito-contador assistente que assessorar o contratante, na
elaboração das estratégias a serem adotadas na proposição de solução por acordo
ou demanda, cumprirá, no que couber, os requisitos desta Norma”. Os requisitos
são tratados no desenrolar desta unidade.

NOTA

Segundo Dal Pizzol (2003), é importante destacar que o trabalho de perícia social
deve ser realizado levando em conta todo o conhecimento técnico-operativo, assim como
os preceitos contidos no Código de Ética Profissional. Como vimos, a perícia judicial reveste-
se de aspectos legais a serem observados pelos peritos a serviço do juízo.

Dando prosseguimento ao disposto na NBC TP 01, abordamos os


procedimentos de perícia contábil, que se inicia com o item 18 da referida norma,
abrangendo até o item 30 da mesma.

O item 18 dispõe, que os procedimentos de perícia visam fundamentar


as conclusões que serão levadas ao laudo pericial contábil ou parecer pericial
contábil, e abrangem, total ou parcialmente, segundo a natureza e a complexidade
da matéria, através de: I) exame, II) vistoria, III) indagação, IV) investigação, V)
arbitramento, VI) mensuração, VII) avaliação, e, VIII) certificação.

I) O exame, contemplado no item 19, é a análise de livros, registros das transações


e documentos examinados.
II) O item 20 trata da vistoria que é entendida como “a diligência que objetiva a
verificação e a constatação de situação, coisa ou fato, de forma circunstancial”.
III) A indagação tratada no item 21, é a busca de informações mediante entrevista
com conhecedores do objeto ou de fato relacionado à perícia.
IV) O item 22 dispõe que, a investigação é a pesquisa que busca trazer ao laudo
pericial contábil ou parecer pericial contábil o que está oculto por quaisquer
circunstâncias.
V) Já o item 23, que compreende o arbitramento, dispõe: “é a determinação de
valores ou a solução de controvérsia por critério técnico-científico”.
VI) Quanto à mensuração que é abordada no item 24, é entendida como o ato de
qualificação e quantificação física de coisas, bens, direitos e obrigações.

80
TÓPICO 1 | ABORDAGENS GERAIS SOBRE A PERÍCIA CONTÁBIL

VII) O item 25, que trata sobre a avaliação, dispõe que esta é “o ato de estabelecer
o valor de coisas, bens, direitos, obrigações, despesas e receitas”.
VIII) Por fim, vem a certificação, que é tratada no item 26 da NBC TP 01, a qual
consiste no “o ato de atestar a informação trazida ao laudo pericial contábil
pelo perito-contador, conferindo-lhe caráter de autenticidade pela fé pública
atribuída a este profissional”.

Prosseguindo com o tema procedimentos de perícia, abordamos os itens


27, 28, 29 e 30 da NBC TP 01, que dispõem:

Item 27 - “Concluídas as diligências, o perito-contador apresentará laudo


pericial contábil, e o perito-contador assistente seu parecer pericial contábil,
obedecendo aos respectivos prazos”.

Item 28 - “O perito-contador, depois de concluído seu trabalho, fornecerá,


quando solicitado, cópia do laudo, ao perito-contador assistente, informando-lhe
a data em que o laudo pericial contábil será protocolizado”.

Item 29 – Cabe ao perito-contador assistente apresentar um parecer


pericial contábil sobre a matéria investigada quando o documento tiver sido
elaborado por leigo ou profissional de outra área, não podendo firmar o laudo
pericial. O item 30 complementa e dispõe que o “perito-contador assistente, ao
apor a assinatura, em conjunto com o perito-contador, em laudo pericial contábil,
não pode emitir parecer pericial contábil contrário ao laudo”.

Após a abordagem dos procedimentos de perícia contábil, o próximo


tema tratado pela NBC TP 01, é o planejamento da perícia, que é dividido em: I)
aspectos introdutórios; II) objetivos; III) desenvolvimento; IV) riscos e custos; V)
equipe técnica; VI) cronograma; e, VII) conclusão.

I- Aspectos introdutórios

Os itens 31 e 32 do planejamento da perícia contemplam a etapa inicial dos


trabalhos, e antecedem as diligências, pesquisas, cálculos e respostas dadas a cada
quesito, tanto no âmbito judicial, como extrajudicial. É um procedimento prévio de
forma abrangente que deve estabelecer todas as etapas da perícia, especificando cada
etapa a ser realizada, segundo os questionamentos apresentados, ou o objeto da perícia.

II- Objetivos

O item 33 apresenta os objetivos do planejamento da perícia subdivididos


em oito itens, que demonstramos a seguir:

a) Conhecer o objeto da perícia para a adoção de procedimentos que permitam


a revelação da verdade, que subsidiará o Juiz, o Árbitro, ou o interessado a
tomar a decisão sobre a lide.

81
UNIDADE 2 | PERÍCIA CONTÁBIL

b) Definir a natureza, a oportunidade e a extensão dos exames necessários, em


concordância com o objeto da perícia, os termos constantes da nomeação, dos
quesitos ou da proposta de honorários do perito.
c) Fixar condições para que o trabalho seja cumprido no prazo instituído.
d) Identificar possíveis problemas e riscos que possam vir a ocorrer no
desenvolvimento da perícia.
e) Identificar fatos que possam ser importantes para a solução da demanda de
forma que não passe sem ser visto ou que não recebam a atenção necessária.
f) Identificar a legislação aplicável ao objeto da perícia.
g) Estabelecer como serão divididas as tarefas entre os membros da equipe de
trabalho, sempre que o perito necessitar de auxiliares.
h) Facilitar a execução e a revisão dos trabalhos.

III- Desenvolvimento

Os itens 34 a 38 da NBC TP 01 abordam o tema desenvolvimento e


mencionam:
Item 34 – “Os documentos dos autos servem como suporte para obtenção
das informações necessárias à elaboração do planejamento da perícia”.
Item 35 – havendo necessidade de realização de diligências, na etapa de
elaboração do planejamento, devem ser considerados, se não declarada a perda de
capacidade processual de prova documental, a legislação aplicável, documentos,
registros, livros contábeis, fiscais e societários, laudos e pareceres já realizados e
outras informações que forem identificadas como pertinentes para determinar a
natureza do trabalho a ser executado.
Item 36 – “o planejamento da perícia deve ser mantido por qualquer meio
de registro que facilite o entendimento dos procedimentos a serem adotados e
sirva de orientação adequada à execução do trabalho”.
Item 37 – “o planejamento deve ser revisado e atualizado sempre que
fatos novos surjam no decorrer da perícia”.
Item 38 – cabe ao perito-contador a realização do planejamento dos
trabalhos, mesmo que o trabalho venha a ser realizado de forma conjunta com
o perito-contador assistente, podendo este orientar-se no referido planejamento.

IV– Riscos e custos

O item 39 trata deste tema, e dispõe que “o perito, na fase de elaboração


do planejamento, com vistas a elaborar a proposta de honorários, deve avaliar
os riscos decorrentes de responsabilidade civil, despesas com pessoal e encargos
sociais, depreciação de equipamentos e despesas com manutenção do escritório”.

V– Equipe técnica

Os itens 40 e 41 da NBC 01 tratam da equipe técnica que realizam o


trabalho pericial, e dispõem:

82
TÓPICO 1 | ABORDAGENS GERAIS SOBRE A PERÍCIA CONTÁBIL

Quando a perícia exigir a necessidade de utilização de trabalho de terceiros,


assim entendido, equipe de apoio, trabalho de especialistas ou profissionais
de outras áreas de conhecimento, o planejamento deve prever a orientação e a
supervisão do perito, que assumirá responsabilidade pelos trabalhos executados
exclusivamente por sua equipe de apoio.

Quando a perícia exigir a utilização de perícias interdisciplinares ou


trabalho de especialistas, estes profissionais devem estar devidamente registrados
em seus conselhos profissionais, quando aplicável, devendo o planejamento
contemplar tal necessidade.

VI– Cronograma

Os itens 42, 43, 44, e 45 da NBC TP 01 tratam sobre o cronograma do


planejamento dos trabalhos periciais. O item 42 dispõe:

O perito-contador deve levar em consideração que o planejamento da


perícia, quando for o caso, inicia-se antes da elaboração da proposta
de honorários, considerando-se que, para apresentá-la ao juízo, árbitro
ou às partes no caso de perícia extrajudicial, há necessidade de se
especificar as etapas do trabalho a serem realizadas. Isto implica que
o perito-contador deve ter conhecimento prévio de todas as etapas,
salvo aquelas que somente serão identificadas quando da execução
da perícia, inclusive a possibilidade da apresentação de quesitos
suplementares, o que será objeto do ajuste no planejamento.

Já o item 43 dispõe sobre as evidências que o planejamento deve prever.

O planejamento da perícia deve evidenciar as etapas e as épocas em que


serão executados os trabalhos, em conformidade com o conteúdo da
proposta de honorários a ser apresentada, incluindo-se a supervisão e
a revisão do próprio planejamento, os programas de trabalho quando
aplicáveis, até a entrega do laudo.

O cronograma de trabalho também deve evidenciar, quando aplicáveis,


diversos itens inerentes ao trabalho de execução da perícia, os quais o item 44 da
Norma esclarece: I) diligências a serem realizadas; II) deslocamentos; III) necessidade
de trabalho de terceiros; IV) pesquisas que serão feitas; V) elaboração de cálculos e
planilhas; VI) respostas aos quesitos; VII) prazo para entrega do laudo e outros, de forma
a assegurar que todas as etapas necessárias à realização da perícia sejam cumpridas.

Ressaltamos o que dispõe o item 45:

Para cumprir o prazo determinado ou contratado para realização dos


trabalhos de perícia, o perito deve considerar em seus planejamentos,
quando aplicáveis, entre outros, os seguintes itens:
(a) o conteúdo da proposta de honorários apresentada pelo perito-
contador e aceita pelo juízo, pelo árbitro ou pelas partes, no caso de perícia
extrajudicial, ou pelo perito-contador assistente; b) o prazo suficiente para
solicitar e receber os documentos, bem como para a execução e a entrega
do trabalho; c) a programação de viagens, quando necessárias.

83
UNIDADE 2 | PERÍCIA CONTÁBIL

Por fim, temos a conclusão (item 46) do planejamento da perícia, que


ocorre quando o perito-contador completar as análises preliminares. Do momento
dá origem, quando for o caso, à proposta de honorários (nos casos em que o juízo
ou o árbitro não tenha fixado, previamente, honorários definitivos), aos termos
de diligências e aos programas de trabalho.

QUADRO 1 - MODELO PLANEJAMENTO PARA PERÍCIA JUDICIAL


Fase pré-operacional
TEMPO PRAZO
ITEM ATIVIDADE AÇÕES
ESTIMADO REAL ESTIMADO REAL
Após receber a intimação
Carga ou XX/XX/
1 do juiz, quando for o XX/XX/XX
recebimento h h XX
caso, retirar o processo
do processo
da Secretaria.
Conhecer os detalhes
acerca do objeto da XX/XX/
Leitura do XX/XX/XX
2 perícia, realizando a h h XX
processo
leitura e o estudo dos
autos.
Após estudo e análise
dos autos, constatando-
se que há impedimento
ou suspeição, não
XX/XX/
havendo interesse do XX/XX/XX
h h XX
Aceitação perito-contador ou não
3 ou não da estando habilitado para
perícia fazer a perícia, devolver
o processo justificando o
motivo da escusa.
Aceitando o encargo XX/XX/
XX/XX/XX
da perícia, proceder ao h h XX
planejamento.
Com base na relevância,
no vulto, no risco e
na complexidade dos
serviços, entre outros,
estimar as horas para
cada fase do trabalho, XX/XX/
Proposta de XX/XX/XX
4 considerando ainda a h h XX
honorários
qualificação do pessoal
que participará dos
serviços, o prazo para
entrega dos trabalhos e
a confecção de laudos
interdisciplinares.

84
TÓPICO 1 | ABORDAGENS GERAIS SOBRE A PERÍCIA CONTÁBIL

Execução da perícia
Com base na documentação
existente nos autos
elaborar o sumário dos XX/XX/
XX/XX/XX
5 Sumário autos indicando tipo do h h XX
documento e folha dos autos
onde pode ser encontrado.

Uma vez aceita a


participação do perito-
Assistentes
6 contador assistente, ajustar
técnicos
a forma de acesso do mesmo
aos trabalhos.
Com fundamento no
conteúdo do processo e
nos quesitos, preparar o(s) XX/XX/
XX/XX/XX
7 Diligências termo(s) de diligência(s) h h XX
necessário(s), onde será
relacionada a documentação
ausente nos autos.
Programar as viagens XX/XX/
XX/XX/XX
8 Viagens quando necessárias. h h XX

Com fundamento no
conteúdo do processo, XX/XX/
Pesquisa XX/XX/XX
9 definir as pesquisas, os h h XX
documental
estudos e o catálogo da
legislação pertinente.
XX/XX/
Exame de documentos XX/XX/XX
h h XX
pertinentes à perícia.

XX/XX/
Exame de livros contábeis, XX/XX/XX
h h XX
fiscais, societários e outros.

XX/XX/
Análises contábeis a serem XX/XX/XX
h h XX
realizadas.

Entrevistas, vistorias, XX/XX/


Programa XX/XX/XX
10 indagações, investigações, h h XX
de trabalho
informações necessárias.
XX/XX/
Laudos interdisciplinares e XX/XX/XX
h h XX
pareceres técnicos.

Cálculos, arbitramentos, XX/XX/


XX/XX/XX
mensurações e avaliações a h h XX
serem elaborados.
XX/XX/
Preparação e redação do XX/XX/XX
h h XX
laudo pericial.

85
UNIDADE 2 | PERÍCIA CONTÁBIL

Proceder a revisão final


do laudo para verificar
eventuais correções, bem
XX/XX/
Revisões como verificar se todos os XX/XX/XX
11 h h XX
técnicas apêndices e anexos citados
no laudo estão na ordem
lógica e corretamente
enumerados.
Diante da expectativa
de não concluir o laudo
no prazo determinado
Prazo pelo juiz, requerer, antes XX/XX/
XX/XX/XX
12 suplemen- do vencimento do prazo h h XX
tar determinado, por petição,
prazo suplementar,
reprogramando o
planejamento.
Devolver os autos do
Entrega
processo e peticionar XX/XX/
do laudo XX/XX/XX
13 requerendo a juntada do h h XX
pericial
laudo e levantamento ou
contábil
arbitramento dos honorários.

FONTE: NBC TP 01. Disponível em: <www.cfc.org.br>. Acesso em: 10 jan. 2015.

NOTA

Sempre que novos fatores exigirem ou recomendarem, deve acontecer a revisão


e a atualização dos trabalhos.

Dando prosseguimento ao disposto na NBC TP 01, o próximo tema a ser


tratado é termo de diligência.

Anteriormente, já foi comentado de forma superficial à visão de estudiosos.


A matéria prevista na NBC TP 01 é apresentada através dos itens 47 até o
56, dividido da seguinte forma: I) aspectos introdutórios (47 e 48); II) aplicabilidade
(49 ao 54); III) estrutura (55 e 56).

I) Aspectos Introdutórios

Termo de diligência é o instrumento por meio do qual o perito solicita


documentos, coisas, dados, bem como quaisquer informações necessárias à
elaboração do laudo pericial contábil ou do parecer pericial contábil. Mas, não é
só para a realização de perícia, serve também para a realização de trabalhos que
tenham sido determinados ou solicitados ao perito, por quem de direito, desde que
tenha a finalidade de orientar ou colaborar nas decisões judiciais ou extrajudiciais.

86
TÓPICO 1 | ABORDAGENS GERAIS SOBRE A PERÍCIA CONTÁBIL

II) Aplicabilidade

O item 49 dispões que: Quem redige o termo de diligência é o perito e deve
ser apresentado diretamente à parte, ao seu procurador, ou ao terceiro, através de
qualquer meio escrito que possa ficar documentada a entrega, contendo de forma
minuciosa o rol de documentos, livros, coisas ou outros dados de que se necessite
para a elaboração do laudo pericial ou parecer pericial contábil.

Segundo o item 50, uma vez emitido o termo de diligência, este é entregue
ao diligenciado, que é qualquer pessoa física ou jurídica, inclusive de direito
público, que tenha a posse dos documentos, coisas, dados ou informações úteis e
indispensáveis para subsidiar a elaboração do laudo pericial contábil ou do parecer
pericial contábil, e que o diligenciado, por decorrência legal ou determinação de
autoridade competente, esteja obrigado a fornecer elementos de prova.

O item 51 determina que o perito deve observar os prazos a que está obrigado
por força de determinação legal, e dessa forma, deve sempre mencionar o tempo
máximo para o cumprimento da solicitação a que está obrigado o diligenciado.

O termo de diligência deve conter, quando possível, a relação dos


documentos, coisas ou dados que o perito tenha mencionado em petição de
honorários judicial ou em contrato, conforme dispõe o item 52.

Inerente ao item 53, deve ser apensada ao laudo ou parecer cópia do termo de
diligência, o qual deve conter o ciente do diligenciado ou do seu representante legal.
Deve compor o texto do laudo, as informações colhidas ou não durante as buscas das
provas, bem como as providências tomadas para o cumprimento do seu ofício.

Por fim, o item 54 inerente a aplicabilidade, dispõe que,

caso ocorra a negativa da entrega dos elementos de prova ou para


a colaboração na busca da verdade, deve o perito se reportar diretamente a
quem o nomeou, contratou ou indicou, narrando os fatos por meio de provas e
solicitando as providências cabíveis e necessárias, para que não seja imputado
responsabilidade por omissão na atividade profissional.

III) Estrutura

A estrutura do termo de diligência é formada pelos itens 55 e 56 da norma.

O termo de diligência deve conter os seguintes elementos:

87
UNIDADE 2 | PERÍCIA CONTÁBIL

a) identificação do diligenciado; b) identificação das partes ou dos


interessados, e, em se tratando de perícia judicial ou arbitral, o número do
processo, o tipo e o juízo em que tramita; c) identificação do perito com
indicação do número do registro profissional no Conselho Regional de
Contabilidade; d) indicação de que está sendo elaborado nos termos do
item 49 desta Norma; e) indicação detalhada dos livros, documentos, coisas
e demais elementos a serem periciados, consignando as datas e/ou períodos
abrangidos, podendo identificar o quesito a que se refere; f) indicação do
prazo e do local para a exibição dos livros, documentos, coisas e elementos
necessários à elaboração do laudo pericial contábil ou parecer pericial
contábil, devendo o prazo ser compatível com aquele concedido pelo juízo,
contratante ou convencionado pelas partes, considerada a quantidade de
documentos, as informações necessárias, a estrutura organizacional do
diligenciado e o local de guarda dos documentos; g) após atendidos os
requisitos da alínea (e), quando o exame dos livros, documentos, coisas e
elementos, tiver de ser realizado junto à parte ou ao terceiro que detém em
seu poder tais provas, haverá a indicação da data e hora para sua efetivação;
e, h) local, data e assinatura.

De acordo com o item 56, o perito elaborará o termo de diligência, podendo adotar
os modelos sugeridos em anexo ao final desta Norma, que demonstramos a seguir.

Modelo nº 1: Termo de Diligência na Perícia Judicial


TERMO DE DILIGÊNCIA Nº.../PROCESSO Nº...
IDENTIFICAÇÃO DO DILIGENCIADO

SECRETARIA:
PARTES:
PERITO-CONTADOR: (categoria e nº do registro)
PERITO-CONTADOR ASSISTENTE: (categoria e nº do registro)

Na condição de perito-contador, nomeado pelo Juízo em referência e/ou
perito-contador assistente indicado pelas partes, nos termos do artigo 429 do
Código do Processo Civil e das Normas Brasileiras de Contabilidade, solicita-
se que sejam fornecidos ou postos à disposição, para análise, os documentos a
seguir indicados:
1.
2.
3.
4.
etc.

Para que se possa cumprir o prazo estabelecido para elaboração e
entrega do laudo pericial contábil ou parecer pericial contábil, é necessário
que os documentos solicitados sejam fornecidos ou postos à disposição deste
perito-contador ou perito-contador assistente até o dia __-__-__, às __h, no
endereço ........(do perito-contador e/ou perito-contador assistente, e/ou parte).
Solicita-se que seja comunicado quando os documentos tiverem sido remetidos
ou estiverem à disposição para análise.

88
TÓPICO 1 | ABORDAGENS GERAIS SOBRE A PERÍCIA CONTÁBIL

Em caso de dúvida, solicita-se esclarecê-la diretamente com o signatário


no endereço e telefones indicados.

Local e data
Assinatura
Nome do perito-contador ou perito-contador assistente
Contador – Nº de registro no CRC

Modelo nº 2: Termo de Diligência na Perícia Extrajudicial


TERMO DE DILIGÊNCIA Nº.../PROCESSO Nº...
ENDEREÇAMENTO DO DILIGENCIADO

EXTRAJUDICIAL
PARTE CONTRATANTE:
PERITO-CONTADOR: (categoria e nº do registro)
PERITO-CONTADOR ASSISTENTE: (categoria e nº do registro)

Na condição de perito-contador e/ou perito-contador assistente, escolhido


pelas partes, em consonância com as Normas Brasileiras de Contabilidade, nos
termos contratuais, solicita-se que sejam fornecidos ou postos à disposição,
para análise, os documentos a seguir indicados:

1.
2.
3.
4.
etc.

Para que se possa cumprir o prazo estabelecido para elaboração e
entrega do laudo pericial contábil ou parecer pericial contábil, é necessário
que os documentos solicitados sejam fornecidos ou postos à disposição deste
perito-contador ou perito-contador assistente até o dia __-__-__, às __h, no
endereço ........(do perito-contador e/ou perito-contador assistente, e/ou parte).
Solicita-se que seja comunicado quando os documentos tiverem sido remetidos
ou estiverem à disposição para análise.

Em caso de dúvida, solicita-se esclarecê-la diretamente com o signatário


no endereço e telefones indicados.

Local e data

Assinatura
Nome do perito-contador ou perito-contador assistente
Contador – Nº de registro no CRC

89
UNIDADE 2 | PERÍCIA CONTÁBIL

Modelo nº 3: Termo de Diligência na Perícia Arbitral


TERMO DE DILIGÊNCIA Nº.../PROCESSO Nº...
ENDEREÇAMENTO DO DILIGENCIADO
ARBITRAL

CÂMARA ARBITRAL:
ÁRBITRO:
JUIZ ARBITRAL:
PARTES:
PERITO-CONTADOR: (categoria e nº do registro)

Na condição de perito-contador, escolhido pelo árbitro, e/ou perito-


contador assistente, indicado pelas partes, nos termos da Lei nº 9.307/96 ou do
regulamento da Câmara de Mediação e Arbitragem, ......, e ainda em consonância
com as Normas Brasileiras de Contabilidade, solicita-se que sejam fornecidos
ou postos à disposição, para análise, os documentos a seguir indicados:

1.
2.
3.
etc.

Para que se possa cumprir o prazo estabelecido para elaboração e


entrega do Laudo Pericial Contábil ou Parecer Pericial Contábil, é necessário
que os documentos solicitados sejam fornecidos ou postos à disposição deste
perito-contador ou perito-contador assistente até o dia __-__-__, às __h, no
endereço ........(do perito-contador e/ou perito-contador assistente, e/ou parte).
Solicita-se que seja comunicado quando os documentos tiverem sido remetidos
ou estiverem à disposição para análise.

Em caso de dúvida, solicita-se esclarecê-la diretamente com o signatário


nos endereços e telefones indicados.

Local e data
Assinatura
Nome do perito-contador ou perito-contador assistente
Contador – Nº de registro no CRC

90
TÓPICO 1 | ABORDAGENS GERAIS SOBRE A PERÍCIA CONTÁBIL

LAUDO E PARECER PERICIAL CONTÁBIL

Os itens 57 a 86 da NBC TP 01 tratam do laudo e parecer pericial contábil, e


estes itens são desdobrados da seguinte forma: I) do item 57 a 59 são abordados os
aspectos introdutórios; II) do item 60 ao 66 é tratado sobre a apresentação do laudo
e do parecer pericial contábil; III) nos itens 67 a 79 é tratado a terminologia; IV) item
80 trata da estrutura; V) nos itens 81 a 83 é tratada a assinatura em conjunto; VI) no
item 84 é tratado o laudo e parecer de leigo ou profissional não habilitado; VII) os
itens 85 e 86 contemplam os esclarecimentos do laudo e do parecer pericial contábil
em audiência; VIII) quesitos e respostas; IX) quesitos novos.

I- Aspectos introdutórios

Os itens 57 a 59 determinam:
• que o laudo e o parecer pericial contábil sejam somente elaborados por contador
registrado e habilitado em Conselho Regional de Contabilidade;
• que o laudo pericial contábil e o parecer pericial contábil são documentos
escritos, nos quais os peritos devem registrar, de forma abrangente, o conteúdo
da perícia e narrar os aspectos e os pormenores que envolvam o seu objeto e as
buscas de elementos de prova necessários para a conclusão do seu trabalho;
• que os peritos, no encerramento do laudo pericial contábil ou do parecer
pericial contábil, declarem, de forma clara e precisa, as suas conclusões.

II- Apresentação do laudo e do parecer pericial contábil

Os itens 60 a 66 da NBC TP 01, que abordam sobre apresentação do laudo


e do parecer pericial contábil, são orientados e conduzidos pelo perito-contador
e pelo perito-contador assistente, respectivamente, que devem adotar padrão
próprio, respeitada a estrutura prevista nesta Norma. Neles devem ser registrados
de forma pormenorizada, claro e objetivo, sequencial e lógico, o objeto da perícia,
os estudos e observações realizadas, as diligências executadas para a busca de
elementos de prova necessários, a metodologia e critérios adotados, os resultados
devidamente fundamentados e as suas conclusões.

O perito não deve utilizar-se dos espaços marginais ou interlineares para


lançar quaisquer escritos no laudo pericial contábil e parecer pericial contábil,
como também não pode ter emendas ou rasuras.

Quanto à linguagem adotada pelo perito, deverá ser acessível aos


interlocutores, possibilitando aos julgadores e as partes da demanda conhecimento
e interpretação dos resultados obtidos nos trabalhos periciais contábeis. Devem
ser utilizados termos técnicos e o texto conter informações de forma clara. A
redação deve ser técnica, de forma que qualifique o trabalho pericial, respeitando
as NBC, e legislação de regência da profissão contábil. Os termos técnicos devem
ser inseridos na redação do laudo pericial contábil e do parecer pericial contábil.

91
UNIDADE 2 | PERÍCIA CONTÁBIL

Considerando-se que são termos técnicos atinentes à profissão contábil,


sempre que necessário, ser acrescidos de esclarecimentos adicionais e ser
recomendada a utilização daqueles de maior domínio público.

O laudo pericial contábil e o parecer pericial contábil deverão ser


escritos de forma direta, devendo atender às necessidades dos julgadores e dos
interessados e ao objeto da discussão, sempre com conteúdo claro e limitado ao
assunto da demanda, de forma que possibilite os julgadores a proferirem justa
decisão. O laudo pericial contábil e o parecer pericial contábil não devem conter
documentos, coisas, e/ou informações que possam levar a duvidosa interpretação,
evitando a indução dos julgadores e interessados a erro.

Os peritos devem elaborar o laudo pericial contábil e o parecer pericial


contábil utilizando-se do vernáculo, sendo admitidas apenas palavras ou
expressões idiomáticas de outros idiomas de uso comum nos tribunais judiciais
ou extrajudiciais.

O laudo pericial contábil e o parecer pericial contábil devem contemplar


o resultado final de todo e qualquer trabalho alcançado por meio de elementos
de prova inclusos nos autos ou adquiridos em diligências que o perito-contador
tenha efetuado, por intermédio de peças contábeis e quaisquer outros documentos,
tipos e formas.

III- Terminologia

Os itens 67 a 79 da NBC TP 01 tratam da terminologia do laudo e parecer


pericial contábil:

• Forma circunstanciada: a redação pormenorizada, minuciosa, efetuada com


cautela e detalhamento em relação aos procedimentos e aos resultados do
laudo pericial contábil e o parecer pericial contábil.

• Síntese do objeto da perícia: o relato sucinto de forma que resulte numa leitura
compreensiva dos fatos relatados ou na transcrição resumida dos fatos da lide sobre
as questões básicas que resultaram na nomeação ou na contratação do perito.

• Diligência: todos os procedimentos e atos adotados pelo perito na busca de


documentos, coisas, informações ou quaisquer outros elementos de prova,
bem como todos os subsídios necessários à elaboração do laudo pericial
contábil e do parecer pericial contábil, mediante termo de diligência,
quando possível, desde que tais provas não estejam insertas nos autos.
Ainda são consideradas diligências, as comunicações às partes, aos peritos-
contadores assistentes ou a terceiros, ou petições judiciais, em decorrências
de necessidade de arrecadar elementos de prova.

92
TÓPICO 1 | ABORDAGENS GERAIS SOBRE A PERÍCIA CONTÁBIL

• Critérios da perícia: procedimentos que servem de norma para julgar


ou decidir o caminho que deve seguir o perito na elaboração do trabalho
pericial. É a faculdade que tem de distinguir como proceder em torno dos
fatos alegados.

• Metodologia: conjunto dos meios dispostos convenientemente para alcançar


o resultado da perícia por meio do conhecimento técnico-científico, de
maneira que possa ao final inseri-lo no corpo técnico do laudo pericial
contábil e do parecer pericial contábil.

• Resultados fundamentados: representam as consequências do trabalho


técnico-científico do perito, por meio da explicitação da forma pela qual o
perito chegou às conclusões da perícia.

• Conclusão: é a quantificação, quando possível, do valor da demanda, podendo


reportar-se a demonstrativos apresentados no corpo do laudo pericial contábil
e do parecer pericial contábil ou em documentos. É na conclusão que o perito
colocará outras informações que não foram objeto de quesitação, porém, as
encontrou na busca dos elementos de prova inerentes ao objeto da perícia e
que, de alguma forma, servirão de apoio para a opinião ou julgamento.

• Anexos: são documentos elaborados pelas partes ou terceiros com o intuito


de complementar a argumentação ou elementos de prova, arrecadados ou
requisitados, pelo perito durante as diligências.

• Apêndices: são documentos elaborados pelo perito com o intuito de


complementar a argumentação ou elementos de prova.

• Palavras e termos ofensivos: o perito que se sentir ofendido por expressões injuriosas,
de forma escrita ou verbal, no processo, poderá tomar as seguintes providências:

(a) sendo a ofensa escrita ou verbal, por qualquer das partes, peritos ou
advogados, o perito ofendido pode requerer a autoridade competente que
mande riscar os termos ofensivos dos autos ou cassada a palavra;
(b) sendo a ofensa escrita ou verbal, por qualquer dos peritos, o perito ofendido
pode requerer a autoridade competente que mande riscar os termos ofensivos
dos autos ou cassada a palavra. Pode ainda, ser comunicado o ocorrido
mediante protocolo ao Conselho Regional de Contabilidade da sua jurisdição;
(c) as providências adotadas, na forma prevista nos itens precedentes, não
impedem outras medidas de ordem civil ou criminal.

• Esclarecimentos: havendo determinação de esclarecimentos do laudo pericial


contábil ou do parecer pericial contábil sem a realização de audiência, o perito
a fará por escrito, observando em suas respostas os mesmos procedimentos
adotados quando da feitura do esclarecimento em audiência, no que for aplicável.

93
UNIDADE 2 | PERÍCIA CONTÁBIL

• Quesitos novos e honorários suplementares: o perito deve observar os


quesitos suplementares formulados pelas partes ou pelo julgador.

Os peritos devem, na conclusão do laudo pericial contábil e do parecer


pericial contábil, considerar as formas explicitadas nos itens seguintes:

(a) Omissão de fatos: o perito-contador não pode omitir nenhum fato relevante
encontrado no decorrer de suas pesquisas ou diligências, mesmo que não tenha
sido objeto de quesitação e desde que esteja relacionado ao objeto da perícia.
(b) A conclusão com quantificação de valores é viável em casos de: apuração
de haveres; liquidação de sentença, inclusive em processos trabalhistas;
resolução de sociedade; avaliação patrimonial, entre outros.
(c) Pode ocorrer que na conclusão seja necessária a apresentação de
alternativas, condicionada às teses apresentadas pelas partes, casos em que
cada uma apresenta uma versão para a causa. O perito deve apresentar
ao juiz as alternativas condicionadas às teses apresentadas, devendo,
necessariamente, serem identificados os critérios técnicos que lhes deem
respaldo. Tal situação deve ser apresentada de forma a não representar a
opinião pessoal do perito, consignando os resultados obtidos, caso venha a
ser aceita a tese de um ou de outro demandante, como no caso de discussão
de índices de atualização e taxas.
(d) A conclusão pode ainda reportar-se às respostas apresentadas nos quesitos.
(e) A conclusão pode ser, simplesmente, elucidativa quanto ao objeto da
perícia, não envolvendo, necessariamente, quantificação de valores.

FONTE: Disponível em: <http://www.ead.cesumar.br/moodle2009/lib/ead/arquivosApostilas/1323.


pdf>. Acesso em: 20 jan. 2015.

IV- Estrutura

Quanto à estrutura do laudo pericial contábil e do parecer pericial contábil, o


item 80 dispõe que estes devem conter, no mínimo, os seguintes itens: a) identificação
do processo e das partes; b) síntese do objeto da perícia; c) metodologia adotada
para os trabalhos periciais; d) identificação das diligências realizadas; e) transcrição
e resposta aos quesitos: para o laudo pericial contábil; f) transcrição e resposta aos
quesitos: para o parecer pericial contábil, onde houver divergência, transcrição dos
quesitos, respostas formuladas pelo perito-contador e as respostas e comentários
do perito-contador assistente; g) conclusão; h) anexos; i) apêndices; j) assinatura do
perito: fará constar sua categoria profissional de contador e o seu número de registro
em Conselho Regional de Contabilidade, comprovada mediante Declaração de
Habilitação Profissional – DHP. É permitida a utilização da certificação digital, em
consonância com a legislação vigente e as normas estabelecidas pela Infraestrutura
de Chaves Públicas Brasileiras – ICP – Brasil.

94
TÓPICO 1 | ABORDAGENS GERAIS SOBRE A PERÍCIA CONTÁBIL

V- Assinatura em conjunto

Os itens 81, 82, e 83 da NBC TP 01 tratam do assunto, e dispõem:

Quando se tratar de laudo pericial contábil assinado em conjunto, pelo


perito-contador e perito-contador assistente, há responsabilidade solidária sobre
o referido documento.

Em se tratando de laudo pericial contábil realizado por peritos contadores


não oficiais para a área criminal, o exame só pode ser realizado após a prestação
de compromisso de bem e fielmente desempenhar o encargo.

Quando se tratar de laudo pericial contábil realizado para área criminal,


assinado em conjunto pelos peritos não oficiais, há responsabilidade solidária
sobre o referido documento.

VI- Laudo e parecer de leigo ou profissional não habilitado

O Decreto-Lei nº 9.295/46 e a Norma Brasileira de Contabilidade, em seu


item 84, consideram leigo ou profissional não habilitado para a elaboração de
laudos periciais contábeis e pareceres periciais contábeis, qualquer profissional
que não seja contador habilitado perante Conselho Regional de Contabilidade.

VII- Esclarecimentos do laudo e do parecer pericial contábil em audiência

Por fim, abordamos os itens 85 e 86 para expor os esclarecimentos do


laudo e do parecer pericial em audiência.

Esclarecimentos são respostas atribuídas pelo perito aos pedidos de


esclarecimentos do laudo pericial contábil e parecer pericial contábil, determinados
pelas autoridades competentes, quando estas por algum motivo entenderem a
necessidade da presença do perito na audiência, para descrever e explicar de
maneira ordenada e pormenorizada o conteúdo do laudo pericial.

Os quesitos de esclarecimentos efetuados podem ser respondidos de duas


maneiras:

1) De forma escrita: os quesitos de esclarecimentos deferidos e apresentados ao


perito, no prazo legal, podem ser respondidos por escrito e, neste caso, deverá
ser entregue o original, na audiência, para a juntada nos autos.
2) De forma oral: os quesitos de esclarecimentos deferidos e apresentados ao
perito, no prazo legal, podem ser respondidos de forma oral, cuidando para
sanar as obscuridades, omissões, contradições ou interpretações distintas
daquelas constantes no laudo pericial contábil.

95
UNIDADE 2 | PERÍCIA CONTÁBIL

Se for necessário efetuar diligências para arrecadar novos documentos ou


outros elementos de prova, o perito deve adotar todas as providências constantes
nesta Norma, não podendo, no entanto, requerer honorários complementares
para aquele feito. Disponível em: <http://www.cfa.org.br/servicos/publicacoes/
manual-pericia/manual-fiscal-final.pdf>.

VIII– Quesitos e respostas

O item 87 da NBC TP 01 dispõe sobre quesitos e respostas: “o perito


deve observar as perguntas efetuadas pelas partes, no momento próprio dos
esclarecimentos, pois tal ato se limita às respostas a quesitos integrantes do laudo
pericial, ou do parecer pericial contábil às explicações sobre o conteúdo da lide
ou sobre a conclusão”.

IX– Quesitos novos

O item 88 trata que o perito-contador deve observar se os quesitos


formulados nesta fase processual são pedidos de esclarecimentos sobre o seu
laudo pericial contábil ou se tratam de quesitos novos. Mesmo atinente ao objeto
da discussão, as respostas a esses novos quesitos ficam sujeitas ao deferimento do
julgador da causa.

Prezado acadêmico! Com a abordagem feita dos 88 itens acima, você tem a
resolução 1.243/2009, separada por tema, que é a atual resolução CFC sobre o trabalho
de perícia, a qual representa parte da base legal para o exercício da perícia contábil.

96
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico vimos:

• De forma sucinta a atual legislação aplicável à elaboração da perícia contábil,


constituída pela NBC TP 01 criada conforme Resolução CFC nº 1.243/2009.
Esta resolução entrou em vigor em 1º de janeiro de 2010, e revogou as
Resoluções CFC nº 858/99, nº 938/02, nº 939/02, nº 940/02, nº 985/03, nº 1.021/05
e nº 1.041/05, publicadas no D.O.U., Seção I, de 29/10/99, 11/06/02, 11/06/02,
11/06/02, 28/11/03, 22/04/05 e 22/09/05, respectivamente.

• A Resolução nº 1.243/09 contempla os seguintes temas inerentes à perícia como:


a) objetivo; b) conceito; c) forma de execução; d) procedimentos; e) planejamento
dos trabalhos periciais subdividido em: I) objetivos; II) desenvolvimento; III)
riscos e custos; IV) equipe técnica; V) cronograma; VI) conclusão; f) termo de
diligência: 1) aplicabilidade; 2) estrutura; g) laudo e parecer pericial contábil:
(i) apresentação do laudo e do parecer pericial contábil; (ii) terminologia;
(iii) estrutura; (iv) assinatura em conjunto; (v) laudo e parecer de leigo ou
profissional não habilitado; (vi) esclarecimentos do laudo e do parecer pericial
contábil em audiência; (vii) quesitos e respostas; (viii) quesitos novos.

• Além destes temas, foram apresentados três modelos de termo de diligência, e


um modelo de planejamento para perícia judicial, sendo:
Modelo nº 01: Termo de Diligência na Perícia Judicial
Modelo nº 02: Termo de Diligência na Perícia Extrajudicial
Modelo nº 03: Termo de Diligência na Perícia Arbitral

• O modelo de planejamento para perícia judicial é dividido em duas partes:


na primeira delas é apresentada a fase pré-operacional, e na segunda a
execução da perícia.

97
AUTOATIVIDADE

1 De acordo com o Conselho Federal de Contabilidade, a matéria que aborda


sobre perícia contábil é oriunda de:

a) ( ) Portaria.
b) ( ) Lei.
c) ( ) Resolução.
d) ( ) Relatório.
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.

2 De acordo com a Resolução nº 1.243/2009 a perícia contábil constitui:

a) ( ) Regras e procedimentos técnicos-científicos a serem observados pelo


perito.
b) ( ) O núcleo central da contabilidade elaborada pelos auxiliares contábeis.
c) ( ) A independência profissional do auditor.
d) ( ) A influência do cargo de assistente preliminar.
e) ( ) Atuação como membro da equipe de juízes.

3 De acordo com o Conselho Federal de Contabilidade, tanto a perícia


judicial, como a perícia extrajudicial e a perícia arbitral são de competência
exclusiva de:

a) ( ) Auditor Independente com registro na Comissão de Valores Mobiliários.


b) ( ) Contador registrado em Conselho Regional de Contabilidade.
c) ( ) Auditor Interno e Auditor Independente, em conjunto.
d) ( ) Contador e Técnico em Contabilidade, em conjunto.
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.

4 De acordo com o Conselho Federal de Contabilidade, o exercício da perícia


interprofissional é de competência exclusiva de:

a) ( ) Competência exclusiva do Auditor Independente registrado no


Ibracon.
b) ( ) Competência exclusiva do Gerente Administrativo registrado no CRA.
c) ( ) Competência exclusiva do Técnico em Contabilidade.
d) ( ) Competência exclusiva do Fiscal do Ministério do Trabalho.
e) ( ) Competência exclusiva de Contador registrado em Conselho Regional
de Contabilidade.

5 Marque V para verdadeira e F para falsa, quanto às considerações importantes


a serem reconhecidas pelo planejamento, na execução dos trabalhos:

98
( ) Conhecer detalhadamente: os fatos concernentes à demanda.
( ) Tempo de experiência do perito assistente.
( ) Elaborar com clareza os quesitos.
( ) Informar ao Juiz o nome completo do perito assistente.
( ) O tempo necessário para a elaboração do trabalho.

Assinale a alternativa com a sequência correta.


a) ( ) V– F– F– V– V.
b) ( ) V– F– V– V– V.
c) ( ) V– V– V– F– F.
d) ( ) V– F– F– F– V.
e) ( ) V– V– F– F– V.

6 Na perícia judicial deve o perito-contador comunicar, sempre que não


houver publicação oficial da concessão do prazo suplementar, aos:

a) ( ) Requerentes da perícia.
b) ( ) Aos peritos-contadores assistentes.
c) ( ) Proprietários da parte acusada.
d) ( ) Assistentes do Juiz, através de ofício.
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.

7 Descreva, no mínimo, cinco subitens que abordam sobre execução da perícia,


previstos na Resolução nº 1.243/2009, identificando a qual subitem se refere:

8 A guarda e segurança dos documentos, durante o processo, cabe ao:


a) ( ) Perito-contador e auditor interno.
b) ( ) Perito-contador assistente, isoladamente.
c) ( ) Perito-contador e o perito-contador assistente.
d) ( ) Perito-contador, isoladamente.
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.

9 Complete a sentença.

Nas diligências, o perito-contador e o perito-contador assistente, a fim


de agilizar o processo, devem solicitar os livros, documentos, e os dados,
______________________.

10 Preencha as lacunas:

a) O exame é a _____________, ___________________e


________________________.
b) A vistoria é a ________________________________________,
_________________, ______________________________.
c) O arbitramento é a _________________________________________________
__________.

99
d) A avaliação é o _______________________, ____________,
___________________, ______________________, _______________ e
____________________.
e) A indagação é a ___________________________________________________
___________.

11 Uma vez concluídas as diligências, o perito-contador e o perito-contador


assistente apresentarão.

a) ( ) Certificado investigatório; exame pericial.


b) ( ) Laudo pericial; parecer de arbitragem.
c) ( ) Ambos apresentarão o parecer pericial contábil
d) ( ) Laudo pericial; parecer pericial contábil.
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.

100
UNIDADE 2 TÓPICO 2

CARACTERÍSTICAS DOS TRABALHOS PERICIAIS

1 INTRODUÇÃO
Prosseguindo com o objeto de estudo deste caderno, o passo seguinte é a
abordagem do plano de trabalho.

Assim como o médico prepara o paciente para fazer uma cirurgia, a


realização da perícia contábil também requer preparação. Daí a realização do
plano de trabalho.

2 PLANO DE TRABALHO
Podemos equiparar o plano de trabalho aos atos preparatórios da perícia,
que estando de posse do processo judicial, e conhecido o trabalho a ser realizado,
deve o perito traçar com antecedência a maneira de executar e os pontos que deve
tanger o seu trabalho, inclusive os correlatos.

Espelhando-nos em Lopes de Sá (2009) é possível dizer que o plano de


trabalho é um guia a ser seguido, de forma organizada e harmônica, que deve
conter as reflexões necessárias e os procedimentos a serem adotados para
responder cada quesito ou questão.

NOTA

“[...] plano de trabalho em perícia contábil é a previsão, racionalmente organizada,


para a execução das tarefas, no sentido de garantir a qualidade dos serviços, pela redução dos
riscos sobre a opinião ou resposta”. (SÁ, 2009 p. 32).

101
UNIDADE 2 | PERÍCIA CONTÁBIL

Para se ter uma visão mais ampla do plano de trabalho, este é dividido em
etapas, que segundo Sá (2009), são sete, assim decifradas:

1) o perito tem que ter pleno conhecimento da questão, ou, se for judicial, deve ter
conhecimento do processo que está sendo executado;
2) pleno conhecimento dos fatos que motivam a tarefa;
3) levantamento prévio dos recursos disponibilizados para exame;
4) prazo necessário para a execução das tarefas e entrega do laudo ou parecer,
conforme o caso;
5) acessibilidade aos dados, uma vez que muitas vezes há necessidade de
deslocamento etc., para o levantamento dos mesmos;
6) conhecimento dos sistemas contábeis adotados, e, confiabilidade de documentação;
7) natureza de apoios, caso seja necessário.

Ressalta Sá (2009) que não se pode afirmar que as sete etapas sejam um
guia, uma vez que o elenco contempla apenas o que as partes normalmente
desejam saber e requerem como opinião do perito; e explica de forma mais
circunstanciada o que significa cada uma das etapas apresentadas:

1ª- Pleno conhecimento da questão

Para Lopes de Sá (2009) toda perícia envolve um pedido de opinião de


quem é competente a dar. O perito, para que possa participar do processo, deve
ter conhecimento sobre: todos os itens que motivou a questão, os argumentos de
cada uma das partes (autor) e (réu), os documentos apresentados etc.

Se for perito nomeado pelo juiz, absorve toda a responsabilidade, que é


ampla, e espera-se que o laudo seja o de maior confiabilidade.

Se for perito das partes (ou do réu, ou do autor), deve o profissional


aprofundar-se nas razões de seu cliente e procurar, através de todos os meios lícitos
e éticos, segundo seus conhecimentos - as razões em favor da parte que o constituiu.

Se for perito assistente ou da parte, é exigido o dever ético.

Se não for perícia judicial, mas sim administrativa, é necessário conhecer


tudo o que a motivou, e porque se deseja a opinião, ou ainda, o que se espera
com ela, e não para por aí. A perícia vai exigir muito mais detalhamento e
especificidade no plano de trabalho, explica Sá (2009).

NOTA

Para Sá (2009, p. 34), “[...] o pleno conhecimento das razões pelas quais a perícia se
realiza deve determinar a filosofia e a política do plano de trabalho a ser elaborado como guia”.

102
TÓPICO 2 | CARACTERÍSTICAS DOS TRABALHOS PERICIAIS

2ª- Pleno conhecimento dos fatos

Sá (2009) explica que são muitos os fatos que envolvem a tarefa pericial, e
não se pode confundir com o conhecimento da “questão”. Ressalta que a questão
nos dá a razão para a metodologia enquanto que os fatos nos informam o que já
aconteceu e está por suceder.

Para maior entendimento, Sá (2009) apresenta um exemplo que se constitui


no seguinte: um sócio entra na justiça contra o outro, reclamando que o gerente
não está cumprindo o contrato social; a razão pode ser “obter maior distribuição
de lucro”, mas os fatos que circulam a questão podem denunciar que, além do
contrato social, houve um acordo de quotista onde o sócio de capital concordou
que as distribuições só se fizessem quando o lucro fosse superior a determinado
percentual do patrimônio líquido, corrigido até a época da distribuição.

Neste caso a intenção da pessoa que o faz é uma, e essa é sua razão, porém
os fatos militam contra ele.

Assim, o perito pode concluir que os lucros foram apurados erroneamente


por subavaliação de estoques, ou que houve omissão de receitas etc., mas isto só
mudará, no futuro, se a perícia tiver meios de emitir uma opinião sólida.

Diante do exposto, explica Sá (2009), existem razões e fatos, porém, nem


sempre as razões são apoiadas pelos fatos e às vezes a perícia pode reverter os
fatos ou apoiar as razões, depende sempre do que se tem para verificar.

NOTA

De acordo com Sá (2009), “[...] os fatos são ocorrências que não se confundem
com as razões que motivaram a perícia, mas, para planejar é preciso conhecer a ambos”. 

3ª- Levantamento prévio dos recursos disponibilizados para exame

O planejamento requer o conhecimento dos recursos disponíveis explica Sá (2009),


quer humanos ou materiais, competentes para produzir em um laudo de qualidade.

A partir dos quesitos e das questões, com que elementos pode o perito
contar para responder?

Responde Sá (2009) que nem sempre os elementos à disposição do profissional


são suficientes para a realização da tarefa, assim como os quesitos ou questões, e
exemplifica que se for requerido um exame de custos, e se a empresa não tiver escrita
contábil pertinente, o perito terá grande dificuldade para realizar a tarefa.
103
UNIDADE 2 | PERÍCIA CONTÁBIL

Se forem requeridos dados que exigem determinados tipos de controle e


a empresa a ser examinada não dispuser deles, complicam-se os levantamentos,
ou ainda, se for requerido opinião sobre a qualidade do produto e a empresa não
dispuser de meios para estes cuidados, dificilmente se chegará a conclusões.

NOTA

Segundo Sá (2009), antes de planejar é necessário conhecer o que se pode


dispor para examinar; só assim será possível fazer um plano de trabalho pericial.

4ª- Prazo necessário para a execução das tarefas

É procedimento normal nas perícias ser fixado prazo para a realização


do trabalho. A Lei nº 8.455, de 24-08-1992, art. 1º, fixa limites de prazos para as
perícias judiciais, que mencionamos a seguir: a) de pelo menos vinte dias antes
da audiência de instrução e julgamento; b) os assistentes têm dez dias de prazo
após a entrega do laudo.
Nos casos de inquéritos, muitas vezes, também acontece.

Uma vez conhecidas as razões, os fatos e os recursos, necessário se faz


mensurá-los diante do tempo que se dispõe para tal. Para isto Sá (2009) explica que o
melhor critério é a realização de um cronograma, onde o perito coloca: de um lado a
TAREFA, isto é, os exames a serem feitos, e de outro lado o TEMPO PREVISTO.

Esta medida permitirá que o perito peça mais tempo, ou desista de realizar
o serviço para não fazê-lo mal.

QUADRO 2 - CALCULAR TAREFAS EM HORAS DE SERVIÇOS


Tarefas Tempo/horas Quesito nº
Exame de livros – legalidade 1 ............
Exame p. __ a p. __ diário 92 ............
Exame conta Sr. ____________ 6 ...........
Exame razão conta _______________ 19 ...........
Exame contrato ____________ 2 ...........
Exame pagamentos Sr. _____________ 450 ..........
Horas do prazo 622
Horas do cronograma 570

FONTE: Antônio Lopez de SÁ, 2009, p. 36

104
TÓPICO 2 | CARACTERÍSTICAS DOS TRABALHOS PERICIAIS

O quadro acima acusa que é possível, dentro das previsões, realizar a tarefa.

O cronograma deve ser realizado com margem de segurança, ou seja, as


margens devem ser suficientes para cobrir os imprevistos, que são naturais.

A partir deste cronograma prévio é elaborado outro prevendo a


distribuição de tarefas por auxiliares, se houver.

5ª- Acessibilidade aos dados

Segundo Sá (2009), nem sempre os dados que o perito necessita são de


fácil acesso, ou seja, se encontram no local onde o perito reside; muitas vezes
se espalham por regiões até longínquas. Cabe ressaltar que, segundo SÁ
(2009), existem situações onde estes dados se encontram em péssimo estado de
conservação, exigindo grande esforço para leitura.

Outro fato que ocorre é a dependência de informes de terceiros não


implicados na questão e que dificultam o fornecimento (às vezes até instigados
por uma das partes litigantes ou envolvidas no processo pericial). Pelos motivos
expostos, deve o perito prever para o plano a questão do acesso aos dados.

Em empresas que possuem muitas filiais, como por exemplo, os bancos,


se não houver um bom sistema de arquivo de dados e documentos, a tendência é
de haver dificuldade na obtenção dos mesmos.

NOTA

De acordo com Sá (2009), ao planejar o trabalho pericial é necessário ter


conhecimento sobre o acesso aos dados que são objeto de exames, assim como a qualidade
para a leitura e manuseio dos elementos.

6ª- Conhecimento dos sistemas contábeis adotados e confiabilidade na documentação

O perito precisa ter conhecimento razoável de sistemas, e como se processam


os diferentes sistemas de registros contábeis e de arquivos. Os sistemas não são
iguais, mas apresentam muitas semelhanças, explica Sá (2009). Precisa testar a
confiabilidade dos sistemas, dos arquivos de documentos, de fitas, discos etc.

Para planejar é preciso saber como se chega aos dados e se é possível ter
confiança neles.

105
UNIDADE 2 | PERÍCIA CONTÁBIL

7ª- Natureza de apoios

O perito precisa saber que pode contar com apoios para auxiliá-lo no que
for necessário, e assim, planejar seu trabalho de acordo com as circunstâncias.

Se for necessário um programa de computador, o perito precisa saber se


vai poder dispor de pessoal da empresa, ou, se deve contratar. Ressalta Sá (2009)
que muitas vezes é preferível contratar.

O perito deverá elencar os apoios de que necessita e onde poderá encontrá-


los, e somente após deverá realizar o plano.

Exemplo:

Apoios Necessários Fonte


Programador para............ Empresa .........
Auxiliar de cálculos Sr. ........(nosso funcionário)
Auxiliar de digitação Solicitar ao periciado .........
Auxiliar de análise Sr. ........ (nosso funcionário)
................ ....................

FONTE: SÁ, Antônio Lopes de. Perícia Contábil. São Paulo: Atlas, 2009.

Nota do autor (2009): quando a matéria a ser examinada é muito grande,


há necessidade de ajuda de auxiliares e/ou de técnicos especialistas que
resolvam problemas específicos mais complexos.

3 EXECUÇÃO DO TRABALHO PERICIAL


A execução do trabalho pericial é realizada através de técnicas que consideram
os modos de operação decorrentes da própria ciência (ALBERTO, 2009).

De acordo com Sá (2009), os planos periciais possuem o conteúdo suficiente


para que a opinião seja transmitida pelo perito, de forma que satisfaça os que a
requereram. Não é possível padronizar, pois muitos são os casos que ocorrem.

O importante é que os planos sigam os itens que compõem o objeto de


indagação.

Exemplo:

Imaginemos uma perícia administrativa em que se examina a atuação do


chefe de almoxarifado.

106
TÓPICO 2 | CARACTERÍSTICAS DOS TRABALHOS PERICIAIS

Objetivo: saber se ele desviou materiais do estoque.


Motivo: existe uma acusação de que o chefe tem vendido os mesmos
materiais a atravessadores, em proveito próprio, e no último inventário feito este
não conseguiu apurar diferenças.
Percepção: existe a possibilidade de manipulação nos registros de
movimentação.
Hipóteses básicas: compras registradas com entradas “a menor” ou saídas
“a maior”.

O plano deve girar em torno de tais verificações.

O conteúdo seria verificar as “entradas” contra as notas de compras e as


“saídas” contra as requisições e estas contra as ordens de produção. Isto porque,
partindo-se das notas fiscais de compras, se o registro de entrada foi “a menor”,
logo será apurado; partilhando-se das ordens de fabricação contra as notas de
requisições de estoques, deve-se, também, se houver, detectar a diferença. Isto
porque os “saldos” de cada item do estoque conferem com os “levantamentos
físicos” que foram realizados. (SÁ, 2009).

O exemplo exposto menciona que o programa de trabalho do perito


giraria em torno dessas ocorrências.

Alberto (2009) dividiu as técnicas do trabalho pericial contábil em três: (1)


Técnicas preliminares; (2) Técnicas básicas; e, (3) Técnicas científicas.

1) Técnicas preliminares: compreende o objeto, o objetivo e as diligências. Toda


ciência tem seu objeto e seus princípios, e também sua adaptação aos métodos
a se expressarem através da metodologia própria da referida ciência. A ciência
deve estar ligada a aplicação prática e fundamentada em princípios e deve
utilizar metodologia adequada a seu objeto e a seus objetivos.

Na aplicação prática da Ciência Contábil, da qual a perícia é uma delas,


devem ser considerados os “modos de operação” decorrentes da própria ciência,
que em outras palavras quer dizer que a aplicação prática dos resultados das
pesquisas das ciências se expressa através de técnicas desenvolvidas para abordar
determinadas situações. (ALBERTO, 2009).

Como modus operandi, são mutáveis, a técnica não é a ciência, mas é parte da
aplicação desta ciência. Da técnica modus operandi nasce a tecnologia modus faciendi.

No caso da perícia, para que o laudo possa ser elaborado, o perito deve se
valer de técnicas usuais e especiais. As técnicas preliminares são:

107
UNIDADE 2 | PERÍCIA CONTÁBIL

a. Definir o objeto da perícia – neste caso o perito deve procurar


estabelecer e definir o objeto pericial, haja vista que nem sempre o
objeto está claro para o usuário do serviço pericial.
b. Estabelecer, com base no objeto e demais elementos disponíveis, qual
o objetivo da perícia, ou seja, qual a finalidade para a qual está sendo
examinada determinada matéria. Esta finalidade, na maioria das vezes,
não está claramente estabelecida pelo usuário. Este procedimento é
importante, pois dependendo da finalidade da perícia, deverá o perito
estabelecer a metodologia que empregará, ou em suma, as técnicas de
abordagem que adotará. Trata-se da investigação em sentido lato sensu,
ou seja, investigar junto aos próprios autos ou conjunto de elementos
que lhe são submetidos.
c. Se o objeto e os objetivos tornarem necessária a pesquisa de campo, o
profissional deverá comparecer no local onde será efetuada a pesquisa,
ou ainda, onde serão solicitados os documentos, ouvidas pessoas ou
efetuadas as medições ou reproduções da coisa, ou fato de qualquer
espécie. (ALBERTO, 2009, p. 120).

Ressalta Alberto (2009, p. 26): “[...] é aconselhável que essa técnica


seja empregada com os cuidados devidos, devendo o perito lavrar termo
circunstanciado da solicitação, pesquisa ou verificação efetuada”.

A diligência é importante ato técnico para a realização do laudo. É através


deste ato que muitos atos, fatos e situações ocultos podem vir à tona. A disposição
mental apropriada do perito, sua observação e capacidade de apreensão são
fatores decisivos para o encaminhamento que terá o laudo propriamente dito.

2) Técnicas básicas: de acordo com Alberto (2009), técnicas básicas são exame,
vistoria, indagação, investigação, arbitramento, avaliação e certificação.
Dependendo da finalidade da perícia solicitada, esta se valerá de técnicas
específicas. Ressalta o autor que não se pode confundir procedimentos técnicos
típicos da atividade pericial, com “espécies de perícia”.

A maior parte das técnicas de perícia que apresentamos são comuns a


todas as espécies de perícia. Para melhor compreensão Alberto (2009) explica
cada uma das técnicas, a partir da conceituação das Normas Contábeis.

Exame: é a análise dos elementos constitutivos da matéria, que pode ser


em relação a um elemento qualquer (uma pessoa, um documento, um móvel etc.).
Pressupõe a separação dos elementos da matéria examinada em tantas partes
quanto necessário for, para formar convicção sobre elas.

Vistoria: é o ato de verificar o documento redigido relativo ao objeto


pericial concreto (pessoa, máquina, documento, condições ambientes etc.). Em
outras palavras é possível dizer que é apreensão do estado do objeto no momento
do exame e seu testemunho na instância usuária.

Indagação: é o documento pericial de obtenção do testemunho pessoal


daqueles que tem, ou deveriam ter, conhecimento dos fatos ou atos concernentes
à matéria periciada.
108
TÓPICO 2 | CARACTERÍSTICAS DOS TRABALHOS PERICIAIS

Investigação: a investigação é a pesquisa que busca trazer ao laudo que


está oculto por quaisquer circunstâncias. As manifestações que habitualmente
surgem são: astúcia, má-fé, fraude, malícia e outros procedimentos aéticos que
visam obscurecer a verdade.

Arbitramento: está relacionado à solução de controvérsia por critério


técnico, como constante das normas contábeis. Do ponto de vista estritamente
pericial, é a técnica de determinar valores através de procedimentos estatísticos
como média, mediana, desvio-padrão etc., e situações mensuráveis conhecidas,
utilizadas como parâmetro para se determinar o valor de situação capazes de
fundamentar o valor encontrável.

Avaliação: é a análise e identificação do valor de coisas, bens, direitos,


obrigações, despesas e receitas, por critério objetivo, calculável ou demonstrável.
É a constatação do valor real das coisas, ou de sua determinação por critério
comparativo direto, como pesquisas, valor de mercado etc.

Certificação: é a informação trazida ao laudo pelo perito com caráter


afirmativo, cuja autenticidade é reconhecida em função da fé pública atribuída ao
profissional. Tais informações podem ter naturezas diversas ou mesmo estarem
ligadas às técnicas de vistoria, indagação ou investigação.

NOTA

as técnicas de arbitramento e avaliação não se aplicam a todas as perícias. Devem


ser encaradas como técnicas de mensuração de valor, e podem ser usadas por contadores
ou engenheiros, e outros, mas não podem ser usadas por médicos ou grafotécnicos, por
exemplo. (ALBERTO, 2009).

3) Técnicas científicas: assim entendidas a análise e síntese. Toda a técnica pericial


presume o emprego da metodologia científica, uma vez que só é possível dizer
que é perícia se houver o emprego de conhecimentos técnicos ou científicos.
(ALBERTO, 2009).

Todas as metodologias científicas, como lógica aplicada, resultado da


observação pura e simples, estão sustentadas pela análise e pela síntese, isto é,
pela decomposição do todo em partes. A ciência, ao ser aplicada, age na realidade
concreta, e a realidade com ela interage, de maneira que ao perito não é dado
desconhecer ou não perceber essa influência de bom argumentador da realidade
e da abstração da realidade.

109
UNIDADE 2 | PERÍCIA CONTÁBIL

Deve o profissional estar atento para poder agir conscientemente, conduzindo


com rigor científico a realização do trabalho pericial, de maneira que seu resultado se
afirme pela própria força de suas convicções e certezas. (ALBERTO, 2009).

Para maior entendimento do assunto, Sá (2009) apresenta o seguinte


Programa de Trabalho Pericial, baseado no exemplo exposto no início deste tópico.

PROGRAMA DE TRABALHO PERICIAL

Empresa ............. Data ............ Inquérito administrativo nº ............. Perito .........


Local de Exame: Almoxarifado da fábrica ................. na cidade de .....................
Unidade .............................
Almoxarife Responsável Sr. .................. Auxiliares ............ e ................e ..........
Sistema de registro de estoques ............ Último inventário físico em ..................

I – NOTAS DE COMPRAS

Confrontar as notas de compras do artigo ............ fornecedor .......... contra


os registros de estoques ......... código .......... no mês de .........................................
Aplicar o mesmo critério para os artigos ................. fornecedores
.......................
Partir dos registros de estoques dos artigos ............... para as notas de
compras .................. dos fornecedores .................................

II – ORDENS DE FABRICAÇÃO

Partir das notas de fabricação nºs ............. dos materiais .............. para o
Registro dos estoques códigos ......................
Partir dos estoques códigos .................. para as notas de fabricação nºs .........
(listar todos os exames e destacar as discrepâncias encontradas).

No caso de perícia judicial, os programas seguem os quesitos,


determinando-se, em cada um, o que vai ser examinado.

Exemplificando:

PROGRAMA DE TRABALHO PERICIAL

Processo nº ........ Vara ....... Juiz ........Partes: autores .......réus .........Data ......
Natureza da ação .............Fórum de ......... Advogados: Autores .......Réus ........
Peritos ............. Do juiz .......... Do autor ................. Do réu .................
Compromisso em ............................. Prazo .............................

110
TÓPICO 2 | CARACTERÍSTICAS DOS TRABALHOS PERICIAIS

Quesito nº 1

Solicitar os livros Diário do período ............ a ...............


Verificar: Termos de abertura, rubricas nas páginas, nº registro ..........................
Verificar o estado de encadernação das listagens.
Verificar se contém as assinaturas do contabilista, dos proprietários.
Observar e relatar em que páginas estão lançados os demonstrativos
contábeis de encerramento dos exercícios de .......... e ..............
Solicitar os registros de Razão (listagens)
Destacar, por digitações, imprimindo a seguir, as contas de Razão
relativas aos Srs. .................................... e ........................... de .......................................

Quesito nº 2

Destacar do arquivo o contrato nº .............. entre ............ e............. de..............


Verificar se o destacado pela cláusula ........................ tem registro contábil
pertinente em ........................................
Realizar o mesmo procedimento em relação à cláusula ......................................

Quesito nº 3

Obter o total de registros de pagamentos da conta ..............................................


Observar se de ......... a ......... existem créditos na conta do Sr. ..........................
Confrontar tais registros com a conta bancária ....................................................

NOTA:
“Os planos periciais têm o conteúdo compatível com os objetos de
exames, adaptando-se tudo a cada caso na conformidade dos regimes contábeis
e documentais e natureza do serviço”. (SÁ, 2009 p. 41).

111
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico vimos:

• Para que o trabalho pericial tenha sucesso, o planejamento é fundamental.

• A legislação inerente à perícia contábil, que contém a matéria sobre o


planejamento segundo a resolução CFC 1.243/09.

• Quando o contador-perito é notificado para realizar a perícia, o primeiro passo


é a retirada do processo judicial para análise; uma vez conhecido o trabalho a ser
realizado deve o perito esboçar com antecedência a maneira como executará,
bem como os pontos-chave. Isto permitirá apurar o tempo necessário para e
execução da perícia.

• As etapas para a realização da perícia são sete e, segundo Sá (2009), contemplam as partes
normais do processo; de forma geral é possível dizer que o perito tem que conhecer o
processo; os fatos que motivaram a tarefa; levantar os recursos disponibilizados para
exame; prazo para execução da tarefa; acesso aos dados; conhecimento dos sistemas
contábeis adotados; e, natureza de apoio, se necessário for.

• A execução do trabalho pericial é realizada através de técnicas que consideram


os modos de operação. Para melhor entendimento do aluno foram apresentados
exemplos no desenvolvimento do tema.

• Técnicas do trabalho pericial contábil, o que é necessário para a elaboração do


laudo. O profissional deve estar atento para poder agir conscientemente.

112
AUTOATIVIDADE

1 Preencha as lacunas:

a) De posse do ___________, e conhecido o ___________________,


deve o _________ traçar com antecedência, ________________ e os
__________________, inclusive os _____________.
b) O plano de trabalho é __________________, de forma ________________
e _________________, que deve conter as ___________________ e os
__________________ a serem adotados para ____________________________.

2 Classifique as opções em verdadeiras e falsas com V e F, respectivamente.


De acordo com Sá (2009), são etapas do plano de trabalho:

( ) Pleno conhecimento dos fatos.


( ) Prazo necessário para a execução das tarefas.
( ) Verificação das atas registradas pelo perito-contador assistente.
( ) Acessibilidade aos dados.
( ) Conhecimento dos sistemas contábeis adotados.

Assinale a alternativa com a sequência correta.


a) ( ) F– F– V– F– F.
b) ( ) V– F– F– F– V.
c) ( ) V– V– F– V– V.
d) ( ) F– V– F– F– V.
e) ( ) F– V– V– V– F.

3 Sá (2009) explica que são muitos os fatos que envolvem a tarefa pericial, e
não se confundem com o conhecimento da “questão”, e ressalta, a questão
nos dá a razão para a metodologia enquanto que os fatos nos informam:

a) ( ) O que está previsto no contrato social.


b) ( ) O que foi designado pelo Oficial da Justiça.
c) ( ) O que é devido pelo Requerente da perícia.
d) ( ) O que já aconteceu e está por suceder.
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.

4 Segundo Sá (2009), se na perícia forem requeridos dados que exigem


determinados tipos de controle e a empresa a ser examinada não dispor
deles, complicam-se os levantamentos, ou ainda, se for requerido opinião
sobre a qualidade do produto e a empresa não dispuser de meios para estes
cuidados, dificilmente se chegará a conclusões. Por este motivo, antes de
planejar é necessário:

113
a) ( ) Conhecer o regime tributário do réu.
b) ( ) Conhecer o que se pode dispor para examinar.
c) ( ) Conhecer o parecer do perito-assistente.
d) ( ) Conhecer a capacidade de gerar lucro da empresa.
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.

5 As técnicas do trabalho pericial, segundo Alberto (2009), são as seguintes:

a) ( ) Preliminares; básicas; científicas.


b) ( ) Preliminares; básicas; complexas.
c) ( ) Preliminares; científicas; metodológicas.
d) ( ) Preliminares; básicas; objetivas
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.

6 Os planos periciais têm o conteúdo compatível com os:

a) ( ) Recursos disponibilizados.
b) ( ) Regimes contábeis.
c) ( ) Modus faciendi.
d) ( ) Modus de operandi.
e) ( ) Objetos de exames.

114
UNIDADE 2 TÓPICO 3

EXERCÍCIO PROFISSIONAL DO PERITO

1 INTRODUÇÃO
Dando prosseguimento aos nossos estudos, abordaremos laudos. Em
tópicos anteriores já foram abordados aspectos formais do tema, entretanto,
aqui será apresentado de forma mais ampla e esmiuçada, para que você consiga
compreender melhor este assunto que é extremamente complexo.

2 LAUDO PERICIAL
Laudo foi conceituado por Alberto (2009, p. 108) como “[...] peça escrita,
na qual os peritos contábeis expõem, de forma circunstanciada, as observações e
estudos que fizeram e registram as conclusões fundamentadas da perícia”.

Sá (2009) explica que o laudo é a informação que o perito produz sobre


determinado trabalho que realizou. Em outras palavras, o laudo é a opinião do
perito onde relata seu ponto de vista e emite justificativa, oferecendo as bases ou
elementos de que fez uso.

A manifestação exata do perito, sobre os fatos, de forma minuciosa gera a


peça tecnológica denominada Laudo Pericial Contábil.

Conceitua Sá (2009, p. 42), “Laudo é uma palavra que provém da expressão


verbal latina substantivada laudare (laudo, laudare), no sentido de ‘pronunciar’, tal
como a empregou Marco Túlio Cícero em Pro Murema (75)”. Em outras palavras,
explica o autor, laudo é um pronunciamento ou manifestação de um especialista
sobre uma ou várias questões, que se submetem a sua apreciação.

Para confirmar o conceito de laudo pericial, buscou-se o entendimento de


Ornelas (2003) no qual menciona que o laudo pericial contábil é a peça técnica
elaborada pelo perito nomeado. Isto confirma o entendimento dos demais autores
anteriormente citados.

115
UNIDADE 2 | PERÍCIA CONTÁBIL

Continua Sá (2009):

[...] os laudos podem ser: (I) isolados; ou, (II) de uma Junta ou Colegiado
de Peritos.

(I) Isolados: de um só perito.


(II) Junta ou Colegiado de Peritos: na perícia judicial são três ou mais peritos.

O laudo pode obedecer a critérios diferentes, depende de cada caso.

NOTA

Segundo Sá (2009, p. 11), “[...] preferivelmente o laudo deve expor a metodologia


que foi seguida, a justificativa da escolha da mesma, a divisão por itens ou quesitos formulados”.

Dependendo do caso, os laudos são acompanhados de anexos que demonstram


ou provam as conclusões. Assim, destaca-se a análise da síntese feita em cada quesito.

Exemplo:

Quesito nº ... – A empresa.... no período de .... a .... utilizou-se de suas


reservas para aumentos de capital?

Resposta ao Quesito nº ... – No período referido, a empresa destinou


suas reservas para finalidades distintas, sendo, para fins de aumento de capital,
utilizados valores que montam ......., de acordo com o demonstrado no anexo
a esta perícia de nº .... onde se espelham as datas, os valores, o registro das
alterações contratuais na Junta Comercial.

FONTE: SÁ, (2009 p. 11)

NOTA

Sá (2009) comenta no exemplo anterior, que o perito respondeu à pergunta


de forma positiva, globalizou o valor que era o interesse, e o analisou em anexo, de forma a
detalhar todo caminho do evento.

116
TÓPICO 3 | EXERCÍCIO PROFISSIONAL DO PERITO

Considerando que os anexos podem (às vezes) formar a parte mais volumosa
do trabalho, sobretudo nas perícias judiciais, é tolerável que o perito, ao verificar
a veracidade do anexo, apenas mencione: “como consta das folhas.... dos autos”.

Nas perícias administrativas, nas quais, muitas vezes, o que se busca


investigar é a fraude, os laudos passam a ter diferentes conotações, haja vista que
o importante não são os quesitos, mas sim as apurações de fatos. Nesse caso, o
perito passa a expor seu plano de trabalho, a matéria verificada, as irregularidades
detectadas, onde recaiu a responsabilidade.

Independente do tipo de perícia o laudo traz a opinião e é preciso que tenha


requisitos de qualidade. São requisitos de qualidade, segundo Sá (2009, p. 12):

1. identificação completa do caso (Processo nº .... de tal lugar, data,


partes envolvidas etc.);
2. identificação do perito;
3. identificação da autoridade a que se destina;
4. se for o caso, qual a metodologia adotada;
5. identificação de quesito por quesito ou do caso sobre o qual se opina;
6. resposta a cada um dos quesitos;
7. conclusões precisas sobre os quesitos;
8. anexos que comprovem os casos que merecem análises;
9. data e assinatura do perito.

Se, ao final, não for possível a conclusão, o perito dará sua negativa. Isto pode
acontecer nos casos de a matéria estar fora do alcance contábil, ou na falta de convicção.

Se a conclusão só puder ser dada com ressalvas, estas deverão ser expressas
e bem identificadas.

No caso de a conclusão ser negativa o perito deve sempre detalhar. Por exemplo:

Não pode este perito afirmar que o limite de depreciações utilizado foi
o adequado porque a empresa desde ..... não possuía seus registros de bens do
imobilizado, nem os controlava de modo a permitir a plena identificação, nem
nos apresentou qualquer laudo técnico que comprovasse a vida útil dos bens,
apesar de solicitados, conforme carta à diretoria de produção, de tal data, com
a prova de recebimento assinada pelo diretor .... em ..... .

FONTE: Sá (2009, p. 12)

NOTA

Uma resposta com apenas um NÃO, não qualificaria o laudo, gerando margens
para dúvidas.

117
UNIDADE 2 | PERÍCIA CONTÁBIL

Sá (2009) destaca que nos casos de avaliação o perito precisa valer-se de


muitos elementos como: fotografias, publicações, informes e até laudos emitidos
por outros especialistas; nesse caso, o perito precisa explicar toda sua metodologia
e descrever a qualidade das fontes consultadas.

O perito não deve poupar explicações que justifiquem seu trabalho e que
ofereçam confiança aos que dele se vão utilizar.

Sá (2009) menciona que o laudo pericial é uma peça de alta responsabilidade,


assim entendida, uma prova que requer qualidade, devendo atender a requisitos
especiais que lhe são pertinentes, não podendo conter defeitos.

Para o seu melhor entendimento, apresentamos um modelo de laudo


elaborado por Sá (2009, p. 42-43):

Em um processo judicial, um advogado precisa argumentar sobre o


valor de quotas da sociedade da qual seu cliente saiu; o sócio egresso entende
que foi prejudicado, e, inconformado, entrou na justiça para discutir. O
advogado sabe que pela lei o sócio tem direito a receber o valor de suas quotas
na forma que o contrato estabelecia, mas não há conhecimentos contábeis
suficientes para atestar isto; o Juiz, por sua vez, sendo também advogado, não
dispõe de conhecimento especializado para julgar. Requer-se, então, a um
perito contador sua opinião.

No processo, como é usual, formulam-se os quesitos ou perguntas


(tanto o “autor” como o “réu” podem formular, através de seus advogados,
tais quesitos).

O perito do juiz examina a questão e dá sua opinião através de seu


Laudo.

Exemplo de laudo:

Exmo. Sr. Doutor


Juiz de Direito da ...... Vara ............... da Comarca de..................

Antônio Lopes de Sá, perito nomeado e compromissado nos autos do Processo


de nº ..... em que são partes, como autores, ...... e como réus ....., requer a juntada de seu
laudo pericial contábil, concluído tempestivamente, cujo teor é o seguinte:

QUESITOS DOS AUTORES

1º O valor atribuído ao Patrimônio Líquido para efeito de determinar o


valor da sociedade ...................... está correto?

118
TÓPICO 3 | EXERCÍCIO PROFISSIONAL DO PERITO

Resposta do Perito: Conforme demonstramos no Anexo 01, que fica


fazendo parte integrante deste laudo, o valor atribuído de R$......... pelos réus
não está correto.

Militam contra a correção os itens 1 a 3 do Anexo 01, supra-aludido, ou


seja, não foram corretas as reavaliações dos bens do Ativo Permanente, nem,
como se demonstra nos itens 4 a 6, do anexo 01 já referido, os valores imateriais
de “fundo de comércio” ou aviamento, como o previsto na cláusula ..... do
contrato social registrado sob nº ........................ na Junta ....................

2º No entender do perito, qual o valor a ser atribuído às quotas dos


autores ............... pelas quotas que possuíam na sociedade .............................?

Resposta do Perito: No entender deste perito e como se acha


demonstrado no Anexo nº 02, que fica fazendo parte integrante deste laudo, o
valor de Patrimônio Líquido Reavaliado, ao qual se agrega o valor do aviamento,
produz um total de R$..........; calculando-se o percentual de participação dos
autores e que era de..........%, o valor de suas quotas é de R$..................... (itens
9 e 10 do Anexo nº 02).

QUESITOS DOS RÉUS

1º O valor de R$ .......... de Patrimônio Líquido do balanço encerrado


em ................ foi reavaliado para servir de base de cálculo de quotas dos
sócios..................... egressos?

Resposta do Perito: Sim. Houve reavaliação, porém a mesma deixou de


incluir elementos, e outros os fez com insuficiência, conforme está demonstrado
no Anexo nº 01, apenso.
2º O Patrimônio Líquido Reavaliado foi, percentualmente, atribuído
como valor de resgate das quotas dos sócios egressos?

Resposta do Perito: Sim. Tal valor, todavia, como já foi esclarecido, não
é. Este perito o considera correto.

Valor correto seria, como respondeu este perito no presente laudo,


R$......................... .

3º Entende o senhor perito que, diante da situação de juízo verificada


nos exercícios de ....... e ........, seria o caso de calcular-se o valor de aviamento,
conforme determina a cláusula ...... do contrato social?

Resposta do Perito: Entende este perito, conforme a melhor doutrina


contábil e de acordo com normas consagradas, que o valor de aviamento se
calcula sobre as “perspectivas de lucros” e não sobre os resultados passados.

119
UNIDADE 2 | PERÍCIA CONTÁBIL

Em razão disto, como demonstra no Anexo nº 02, o aviamento deve


ser calculado e agregado ao valor de patrimônio líquido para que se tenha o
valor de cálculo a que se refere a cláusula .... do Contrato Social. Para reforço
da opinião deste perito, em anexo de nº 03, relaciona as opiniões dos maiores
mestres da atualidade sobre o assunto.

Belo Horizonte, ....................

Antônio Lopes de Sá – Contador CRC 1086 MG.

2.1 ESTRUTURA DOS LAUDOS


“Não existe um padrão de laudo, o que existem são formalidades que
compõem a estrutura dos mesmos”, explica Sá (2009, p. 44). Geralmente, a
estrutura deles deve ser composta dos seguintes elementos.

I. Prólogo do encaminhamento – assim entendida a identificação e o


pedido de anexação aos autos, conforme foi visto no exemplo anterior.
Por este motivo o laudo é dirigido ao Juiz, identificada a Vara, a
Comarca, o número do processo, os autores e os réus, a natureza da
ação, bem como o perito, nas perícias judiciais.
Nas perícias administrativas ou de outro gênero, o laudo será
encaminhado a quem o requereu e identificada a razão.
II. Quesitos – nas perícias judiciais os quesitos são divididos em:
quesitos dos autores; e, quesitos dos réus.
Nas perícias administrativas os quesitos são identificados pelas áreas
de interesse que foram objeto de indagação (que podem ser setores da
empresa, grupo de pessoas, filiais, agente etc.).
III. Respostas – as respostas devem seguir-se aos quesitos, conforme
pode ser observado no exemplo apresentado acima.
IV. Assinatura do Perito.
V. Anexos – os anexos ilustram as respostas, para evitar que se tornem
longas demais, ou, então reforçam a opinião.
VI. Pareceres (se houver) – de outros especialistas ou de notáveis
profissionais podem ser requeridos para efeito de reforço da opinião
do perito ou até para suplementá-la e, nesse caso, ficam apensos ao
laudo. (SÁ, 2009 p. 45).

NOTA

Conforme comenta Sá (2009), de acordo com cada caso, a estrutura pode ser
ampliada, porém, o mínimo que deve conter é o que foi exposto.

120
TÓPICO 3 | EXERCÍCIO PROFISSIONAL DO PERITO

2.2 REQUISITOS DE UM LAUDO CONTÁBIL


Para que um laudo possa classificar-se como de boa qualidade, Sá (2009)
explica que ele precisa atender, no mínimo, aos seguintes requisitos: (1) objetividade;
(2) rigor tecnológico; (3) concisão; (4) argumentação; (5) exatidão; (6) clareza.

1. Objetividade: é um princípio que se estriba no preceito acolhido pelas


ciências, ou seja, a exclusão do julgamento em bases pessoais ou subjetivas.
Os princípios, as leis, e as normas da contabilidade existem há milênios. A
caracterização como ciência se dá pelo fato da generalidade da aplicação do
conhecimento. O que é objetivo é racional, explica SÁ (2009) e, no campo
tecnológico da perícia, deve inspirar-se na ciência contábil.

O perito não deve divagar, mas, de forma concreta, o laudo deve estar
focado na matéria, respeitando sua disciplina de conhecimentos.

Exemplo de resposta objetiva:

“As depreciações calculadas no exercício de ....... na base percentual aplicada


sobre o saldo das contas ....... não espelham a realidade. Os valores deveriam ser
R$..... R$...... R$........ Considerando-se a vida útil dos bens relacionados no anexo
nº.... e os laudos do Instituto Tecnológico de ....... que a fixou.

Não ocorrendo fatores, outros como os de obsolescência, sinistros etc.


que possam vir a interromper a vida útil, a depreciação deve limitar-se a uma
razão que considere a vida útil e o valor para se encontrarem as quotas de
depreciação pertinentes”.

Exemplo de resposta não objetiva: “As depreciações parecem-se aceitáveis


porque a empresa naturalmente as calculou dentro de suas conveniências”.
FONTE: Sá (2009)

Neste caso, o perito precisa ater a questão com a realidade e estar de


acordo com os parâmetros da contabilidade. Não deve utilizar-se de expressões
do tipo “parece-me”; o perito não deve emitir opiniões vagas e imprecisas em
matéria definida no conhecimento contábil, menciona SÁ (2009).

2. Rigor Tecnológico: o laudo deve limitar-se ao que é reconhecido como científico


no campo da especialidade. O rigor tecnológico expulso por si é subjetivo.

3. Concisão: exige que as respostas evitem o difuso. Um laudo deve evitar


palavras e argumentos inúteis ao caso, deve ser bem redigido, e precisa ater-se
ao assunto, e responder satisfatoriamente.

121
UNIDADE 2 | PERÍCIA CONTÁBIL

A concisão não deve excluir os argumentos.

Exemplo de resposta concisa inadequada.

Quesito: o valor dos estoques foi determinado corretamente no exercício de ......?

Resposta: Não.

Exemplo de resposta concisa adequada.

Não. O valor dos materiais foi tomado apenas pelo preço da fatura,
sem considerar os demais custos de compra que devem aumentar o custo dos
materiais. “O anexo nº.... demonstra a irregularidade. Além deste procedimento,

Ferir o que dispõe a lei ......, fere a Norma de Avaliação Contábil do CFC
nº .... e altera o resultado da empresa para menor”.

FONTE: Sá (2009)

NOTA

De acordo com o que comenta Sá (2009), a parte colocada “entre aspas”


representa um acréscimo que não pode ser tomado como concisão, mas completa
objetivamente a orientação que o perito deve dar sobre as consequências do fato.

4. Argumentação: deve o perito alegar por que concluiu ou em que se baseou para
apresentar a sua opinião. Quando as argumentações forem longas, demandando
a evocação de muitos argumentos, o perito pode utilizar-se de anexo para
discorrer sobre suas razões, tornando, desta forma, mais concisa a resposta.

Exemplificando o caso de anexo de argumentação, apresenta-se o modelo a seguir:

Resposta ao quesito nº ...... – o valor de aviamento não foi considerado no


cálculo de valor das quotas, mas faz parte do valor de cessão de quotas e ações. Sobre a
questão o anexo nº ....., que fica fazendo parte deste laudo, apresenta as argumentações
sobre o assunto e faz citações às principais obras sobre a questão, com opinião de
valiosos luminares da contabilidade, e às normas editadas a esse respeito.

Tal procedimento visa tornar mais prática a leitura e utilização do laudo.


A leitura do Anexo pode complementar razões, se for do interesse dos advogados.
FONTE: Adaptado de SÁ (2009)

122
TÓPICO 3 | EXERCÍCIO PROFISSIONAL DO PERITO

5. Exatidão: é condição essencial de um laudo, explica Sá (2009). O perito não deve


“supor”, mas só afirmar quando tem absoluta segurança sobre sua opinião. Um
laudo é uma opinião baseada em realidades inequívocas; se houver insegurança
para opinar, o perito deve abdicar, declarando impossibilidade para responder.

NOTA

De acordo com Sá (2009), se o laudo se basear só em “depoimentos de


testemunhas” não é um laudo pericial contábil, porque falta materialidade para concluir.

A exatidão de um laudo só acontece se as provas que conduzem à opinião


forem consistentes e obtidas por critérios eminentemente contábeis.

6. Clareza: a clareza é um requisito importantíssimo, uma vez que o laudo é feito


para terceiros, os quais não necessariamente são especialistas no assunto e
que também não possuem obrigação de entender a terminologia tecnológica e
científica da contabilidade. Ressalta Sá (2009, p. 47- 48) que

[....] a clareza envolve frases inequívocas quanto a seu entendimento;


deve o perito evitar interpretações do que afirma; deve afirmar
claramente. Frases vagas, de dupla interpretação, com abuso de
terminologia contábil específica, rebuscada demasiadamente em seu
vernáculo, impedem a clareza.

Desta forma é possível inferir que quando nos referimos à clareza, a


resposta a um quesito não deve gerar nova pergunta. A clareza considera que
uma resposta deve ser abrangente e completa dentro do que se pergunta.

Dentro do exposto, pergunta-se: quando alguma pergunta estiver


incompleta, como deve agir o perito?

A esta pergunta, Sá (2009, p. 48) responde: “[...] algumas vezes, as


perguntas ao perito são incompletas, por desconhecimento contábil de quem as
faz (por isso é que o perito precisa conhecer as ‘razões’ dela”. Nesse caso, o perito
pode “complementar” sua resposta, dentro do tema”.

Exemplo apresentado por Sá (2009, p. 48):

123
UNIDADE 2 | PERÍCIA CONTÁBIL

Quesito nº ....... – O valor dos estoques foi determinado corretamente no


exercício de ......?

A resposta poderia ser apenas NÃO.

Isto seria responder sem perguntar.

Além de argumentar, pode o perito complementar:

Resposta: .............. Além de tal procedimento ferir a lei......art...... § .....


fere a Norma de Contabilidade nº ....... do ........ e provocou a redução do lucro
apurado no mesmo exercício.

Sá (2009) explica que a parte grifada em itálico (provocou) é a complementação


que ajuda o propósito da pergunta, embora não esteja contido nela.

O simples NÃO na resposta ao quesito, denota má qualidade do laudo.

O objetivo do laudo é esclarecer e não, apenas, cumprir uma obrigação de


resposta da qual o profissional se desincumbe com um simples NÃO.

A apresentação de uma resposta, apenas negativa, conforme se


exemplificou anteriormente, responde, mas não esclarece o motivo. É parte
integrante do dever do profissional, como comportamento ético, exibir as razões
de sua conclusão.

124
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico vimos:

• Um dos temas mais complexos da perícia contábil é o laudo.

• Conceitos de laudo, na visão de diferentes autores.

• Quesitos, que são os questionamentos apresentados pelas partes envolvidas,


assim divididos: quesitos dos autores e quesitos dos réus.

• Segundo Sá (2009), não existe um modelo padrão de laudo, mas o que existe
são formalidades que compõem sua estrutura.

• Abordagem dos requisitos de um laudo contábil. Vimos que para que o laudo seja
classificado de boa qualidade, deve contemplar seis itens, assim denominados:
(1) objetividade; (2) rigor tecnológico; (3) concisão; (4) argumentação; (5)
exatidão; e (6) clareza.

• O perito não deve divagar, utilizando-se de expressões do tipo “parece-me”,


mas, deve posicionar-se de forma concreta, pois o laudo deve estar focado na
matéria, respeitando sua disciplina de conhecimentos.

125
AUTOATIVIDADE

1 Laudo foi conceituado por Alberto (2009) como:

a) ( ) Exame do exercício social.


b) ( ) Resultado escrito de perguntas formuladas.
c) ( ) Exposição de ideias.
d) ( ) Peça escrita.
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.

2 Classifique as opções em verdadeiras e falsas com V e F, respectivamente.


Segundo Lopes de SÁ (2009), os laudos podem ser:

( ) De um só perito.
( ) De um perito juntamente com o seu assistente.
( ) De uma Junta ou Colegiado de Peritos.
( ) De dois peritos.
( ) Nenhuma das alternativas anteriores é correta.

Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:


a) ( ) V– V– V– F– F.
b) ( ) V– F– F– V– F.
c) ( ) V– F– V– V– F.
d) ( ) V– V– F– F– F.
e) ( ) V– F– V– F– F.

3 Considerando que os anexos podem, em determinados momentos, formar


a parte mais volumosa do trabalho, principalmente nas perícias judiciais, é
tolerável que o perito, ao verificar a veracidade do anexo, apenas mencione:

a) ( ) Como consta do apêndice ... dos autos.


b) ( ) Como consta das folhas.... dos autos.
c) ( ) Como consta do anexo .... dos autos.
d) ( ) Como consta da lista .... dos autos.
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.

4 Preencha as lacunas:

a) Nas perícias ___________, nas quais, muitas vezes, o que se busca investigar
é _____________, os laudos passam a ter _________________, haja vista que
________________________, mas sim _______________________. Nesse
caso o perito passa a expor _________________, a _________________, as
_____________________, onde recaiu a responsabilidade.

126
5 Classifique as opções em verdadeiras e falsas com V e F, respectivamente.
Independente do tipo de perícia, o laudo traz a opinião e é preciso que tenha
requisitos de qualidade. São requisitos de qualidade, segundo Sá (2009):

( ) Identificação do perito.
( ) Identificação de quesito por quesito ou sobre o qual se opina.
( ) Identificação do oficial da justiça.
( ) Identificação da autoridade a que se destina.
( ) Identificação completa do caso.

Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:


a) ( ) V– F– F– V– V.
b) ( ) V– V– F– F– V.
c) ( ) V– V– F– V– V.
d) ( ) V– F– V– V– V.
e) ( ) V– F– V– F– V.

6 Identifique quais são os elementos de que o perito precisa valer-se, nos


casos de avaliação.

a) ( ) Fotografias, publicações, laudos emitidos por outros especialistas.


b) ( ) Fotografias, anotações, informes.
c) ( ) Fotografias, publicações, parecer.
d) ( ) Fotografias, anotações, parecer.
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.

7 De acordo com Sá (2009), não existe um padrão de laudo, mas existem formalidades
que compõem a estrutura dos mesmos. Identifique a resposta CORRETA:

a) ( ) Quesitos; apêndice; publicações em jornais locais.


b) ( ) Assinatura do perito; publicações em jornais locais; fotografias.
c) ( ) Prólogo do encaminhamento; anexos; publicações em jornais locais.
d) ( ) Quesitos; respostas; anexos.
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.

8 Classifique as opções em verdadeiras e falsas com V e F, respectivamente.


Segundo Sá (2009), para que um laudo possa classificar-se como de boa
qualidade, precisa atender no mínimo aos seguintes requisitos:

( ) Objetividade, concisão, argumentação.


( ) Objetividade, concisão, análise.
( ) Objetividade, clareza, subjetividade.
( ) Objetividade, exatidão, concisão.
( ) Objetividade, rigor tecnológico, clareza.

127
Agora assinale a alternativa CORRETA.
a) ( ) F– V– V– F– F.
b) ( ) V– F– V– V– F.
c) ( ) V– F– F– V– V.
d) ( ) F– F– V– V– F.
e) ( ) V– V– F– V– V.

128
UNIDADE 2
TÓPICO 4

FUNÇÕES CONTÁBEIS

1 INTRODUÇÃO
Prezado Acadêmico! Vamos, agora, abordar o tema parecer pericial
contábil, que merece destaque pela sua relevância no contexto geral. Trataremos
também do parecer pericial contábil, antes e depois da Lei nº 8.455/92 e o
encaminhamento do parecer pericial contábil a quem de direito.

2 PARECER PERICIAL CONTÁBIL


Com o advento da Lei nº 8.455/92, surgiu um novo tipo de laudo de
responsabilidade do assistente técnico, comenta Ornelas (2003).

Anteriormente, os assistentes técnicos costumavam oferecer seus trabalhos


técnicos denominando-os, nos casos de divergência, de Laudo Pericial Contábil.
Era considerado divergente ou parcialmente divergente, segundo o nível de
discordâncias técnicas observadas, em conformidade com o art. 431, do CPC
14 que explica: “se houver divergência entre o perito e os assistentes técnicos,
cada qual escreverá o laudo em separado, dando as razões em que se fundar”
menciona Ornelas, (2003, p. 104). Este dispositivo foi revogado a partir da citada
lei. Naquela época, este laudo era denominado também de Laudo Crítico.

Segundo a Lei nº 8.455/92, art. 433 o perito apresentará o laudo em cartório,


no prazo fixado pelo juiz, pelo menos vinte dias antes da audiência de instrução
e julgamento. Já o parágrafo único que trata dos assistentes técnicos, prevê que
estes oferecerão seus pareceres no prazo comum de dez dias após a apresentação
do laudo, independentemente de intimação.

Atualmente a legislação prevê que o perito, na função de assistente técnico,


é responsável pela oferta de parecer pericial contábil, isto é, por meio de trabalho
próprio emite sua opinião técnica a respeito do laudo pericial contábil elaborado
pelo perito judicial, que pode ser crítica ou concordante.

129
UNIDADE 2 | PERÍCIA CONTÁBIL

Para Alberto (2009) parecer pericial contábil é uma espécie de laudo, onde
o profissional sobre determinada matéria, o faz segundo as técnicas e abrangências
periciais, gerados por quem deles tenha de fazer uso para a defesa de interesses
próprios, ou para elucidar algum assunto, e o classifica em: extrajudicial, judicial,
e, própria opinião.

Para o seu maior entendimento, utilizamos a abordagem de Alberto (2009)


que explica o significado de cada um dos itens:

Extrajudicial: quando a parte necessita de opinião fundamentada de


um técnico, sobre determinado assunto contábil, ou caso necessite dele para a
realização de um negócio.

Judicial: pode ser gerado pela parte para instruir a inicial da ação a ser
proposta ou para servir de razões a contestar em ações que esteja sofrendo,
segundo admite o CPC – Comitê de Pronunciamentos Contábeis.

Própria Opinião: é o parecer técnico do assistente indicado pela parte para


uma perícia judicialmente determinada.

Segundo Ornelas (2003), o fato do assistente técnico gerar trabalho técnico


denominado de parecer pericial contábil, não o desobriga de tomar os mesmos
cuidados técnicos adotados pelo perito judicial, isto é, acompanhar as pesquisas
realizadas, desenvolver levantamentos específicos de seu interesse que suportem
o trabalho que oferece.

“O trabalho do assistente técnico não perde as características de laudo, à medida


que emite juízo técnico ou defende tese ou critério técnico divergente do laudo pericial
contábil oficial”. (ORNELAS, 2003 p. 104). Por este motivo deve obedecer a algumas
regras básicas assim denominadas: (a) resumo do laudo oficial; (b) comentários
técnicos ao laudo pericial contábil; (c) parecer pericial contábil; (d) encerramento.

(a) resumo do laudo oficial – sintetiza toda a matéria técnica tal qual consta do
laudo pericial contábil gerado pelo perito judicial.

(b) comentários técnicos ao laudo pericial contábil – nesta regra o assistente


técnico desenvolve toda a sua criatividade técnica no sentido de realçar os
aspectos do laudo oficial, favoráveis às razões técnicas de quem o indicou
para a função. Destacará eventuais interpretações não adequadas geradas
pelo perito contábil. O assistente técnico deve ter cuidado especial no uso
da linguagem, não gerando elogios ou críticas de cunho pessoal. Em outras
palavras deve manter-se neutro. O uso de linguagem agressiva e ataques
gratuitos, além de ferirem as normas de civilidade, geralmente denunciam
a ausência de bons e consistentes argumentos técnicos e teóricos. Essa é a
parte que considera todas as razões técnicas necessárias para fundamentar
sua opinião técnica, seu parecer técnico.

130
TÓPICO 4 | FUNÇÕES CONTÁBEIS

(c) parecer pericial contábil – nesta regra o assistente técnico oferece sua opinião
técnica favorável, desfavorável, ou, parcialmente favorável, a respeito do
laudo pericial contábil que foi submetido a sua apreciação técnica.

(d) encerramento – o encerramento do parecer é realizado nos mesmos moldes


do laudo pericial contábil, comentado no tópico anterior. Poderá ser feita a
juntada de anexos que tenha elaborado e documentos que tenha colhido.
FONTE: Ornelas (2003)

Contempla esse tipo de laudo, como complemento, segundo Ornelas


(2003), os anexos e documentos.

3 ENCAMINHAMENTO DO PARECER PERICIAL CONTÁBIL


Uma vez encerrados os trabalhos periciais, o parecer é encaminhado ao juiz
responsável pelo processo objeto da perícia contábil realizada, explica Ornelas (2003).

O parecer pericial contábil contém uma página de apresentação em que é


identificado, a qual juiz deve ser dirigido o processo, sendo especificado o processo
e as respectivas partes, e também, que se trata de parecer pericial contábil.

Sugere Ornelas (2003) que o parecer não seja entregue no dia em que é
terminado. Após o término, é importante deixá-lo em repouso por uns dois dias.
Depois, é recomendado fazer uma nova leitura do conteúdo do trabalho técnico,
para saber se mantém sua opinião. Essa leitura é uma oportunidade de verificar
eventuais erros ou equívocos, este é o momento em que o perito avalia se sua
peça contábil está clara aos leitores ou usuários. Se o perito estiver seguro de tudo
o que escreveu, e é aquilo mesmo que irá apresentar, então estará apto a sustentar
seu trabalho técnico em qualquer circunstância, e então poderá entregá-lo.

O encaminhamento do parecer pericial contábil é feito mediante a


entrega da via original no protocolo central de cada ramo do Poder Judiciário,
acompanhado de uma segunda via, que será protocolada e ficará em seu poder
como prova do trabalho finalizado e entregue.

Sugere Ornelas (2003) que esta via seja guardada juntamente com os
demais documentos e provas utilizadas na execução do trabalho, para servir de
guia a eventual resposta às impugnações ou pedidos de esclarecimentos feitos
pelo juiz ou pelas partes.

O assistente técnico tem prazo de dez dias após a entrega do laudo pericial,
segundo a Lei nº 10.358/2001, para oferecer seu parecer pericial contábil sobre a
peça técnica oferecida pelo judicial, conforme dispõe o parágrafo único do art. 433.

131
UNIDADE 2 | PERÍCIA CONTÁBIL

Ressalta Ornelas (2003) que segundo a Lei nº 5.584/70, parágrafo único do


art. 3º, o prazo do assistente técnico é o mesmo do perito, sob pena de seu trabalho
ser tirado dos autos. Na justiça do trabalho esta prática é conjunta e harmoniosa
entre perito e assistente técnico. O perito não pode entregar o laudo sem antes o
assistente técnico ter preparado seu parecer pericial contábil.

As reações das partes, face ao conteúdo do parecer pericial contábil


do assistente técnico, poderão ser de concordância absoluta ou parcial, ou de
discordância absoluta ou parcial. Estas reações poderão vir acompanhadas de
pedido de esclarecimentos, que pode, ou não, ser aceito pelo juiz.

NOTA

Segundo Ornelas (2003, p.107), “[...] nem sempre os comentários oferecidos


referem-se ao conteúdo. Muitas vezes o objetivo do comentário é atingir a pessoa do perito,
a fim de sensibilizar o Juiz para a realização de nova prova técnica, por outro profissional,
geralmente quando o resultado técnico é desfavorável à parte que critica”.

Quando ocorre este tipo de situação, a primeira reação do perito será, na


petição de esclarecimentos, requerer ao juiz que mande riscar todas as palavras
ofensivas e injuriosas à honra e dignidade do perito, nos termos do art. 15, CPC. O
art. 15 dispõe que “[...] é defeso às partes e seus advogados empregar expressões
injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao juiz, de ofício ou a
requerimento do ofendido, mandar riscá-las”. Feito isso, passa então a esclarecer
os quesitos requeridos e deferidos.

É importante ressaltar que, nesse caso, antes de responder aos quesitos de


esclarecimentos, é necessário informar o juiz quanto à matéria nova e requerer
orientação do procedimento a ser adotado.

132
TÓPICO 4 | FUNÇÕES CONTÁBEIS

LEITURA COMPLEMENTAR

PERÍCIA CONTÁBIL

A resposta à pergunta sobre o que a sociedade e o mercado de trabalho,


especificamente na área de Perícia Contábil, esperam dos futuros profissionais,
em termos de habilidade, competências e conhecimentos necessários requer que
se fale sobre atuação profissional como perito contábil.

A Perícia Contábil é uma função privativa dos contadores. É a forma de


demonstrar, por meio de trabalho especializado, materializado em relatórios
periciais contábeis (laudo ou parecer), a verdade dos fatos. O contador, como perito
contábil, exerce função de grande interesse para a sociedade e para os envolvidos
nas demandas judiciais e extrajudiciais, nestas incluídas as de natureza arbitral.

O perito contábil prepara e fornece informações sobre a matéria contábil


relativa ao patrimônio de pessoas e sociedades. Atende a uma classe especial de
tomadores de decisões, para subsidiar seus processos decisórios. Na esfera judicial, o
tomador de decisões é o juiz federal ou estadual, que conduz os processos de acordo
com o Código de Processo Civil. Sempre que o juiz se defrontar, no momento de
suas decisões, com questões controversas de natureza patrimonial, para as quais não
possui conhecimentos, se vale do auxílio do Perito Contábil. Na esfera extrajudicial,
há os procedimentos arbitrais. Na esfera privada, estão as pessoas e as sociedades
interessadas em resolver questões patrimoniais complexas.

Como nas demais alternativas profissionais ao alcance dos contadores,


atuar como perito contábil pressupõe alguns requisitos. O profissional deve ser
Bacharel em Ciências Contábeis e possuir o registro regular no Conselho Regional
de Contabilidade. A justiça de alguns estados possui instruções específicas
sobre como se habilitar, nas Unidades judiciárias, para exercer a função pericial
contábil. Na esfera federal, é preciso requerer a inclusão no rol de peritos das
unidades judiciárias. É muito útil possuir experiência profissional, acumulada
com a passagem em organizações de setores, portes e origens variados.

É preciso conhecer a legislação. Na esfera Cível, estão o Código de


Processo Civil, o Código Civil, a legislação societária, a tributária (nas esferas
federal, estadual e municipal) e outras específicas, a depender da matéria
que será enfrentada. Na esfera trabalhista, é primordial conhecer a legislação
pertinente. Os interessados em atuar nos casos de falência e recuperação de
empresas (aérea, a meu ver, muito mal explorada pelos peritos contábeis) devem
dominar a legislação aplicável; e os interessados em exercer atividade pericial em
procedimentos arbitrais precisam conhecer a Lei de Arbitragem.

133
UNIDADE 2 | PERÍCIA CONTÁBIL

Exceto nas funções do serviço público (polícias Federal e Civil estaduais),


atuar como perito contábil requer a escolha entre ser profissional liberal ou
empresário contábil. O interessado precisa ter ou desenvolver um conjunto
de habilidades, competências e conhecimentos para bem exercer a função. Os
requisitos necessários ao empreendedor ou empresário são mandatários. É preciso
capacidade de planejamento e de administração do tempo (para lidar com vários
casos ao mesmo tempo), habilidade de comunicação oral (para interlocução
com pessoas ao longo do trabalho pericial) e escrita (para preparar e apresentar
laudos organizados, inteligíveis e agradáveis de ler). Os interessados em atuar em
procedimentos arbitrais devem dominar um segundo idioma, pelo menos o inglês,
pois há tribunais arbitrais internacionais cuidando de causas em nosso País.

Os interessados em exercer a função de perito contábil enfrentarão


desafios técnicos variados. É preciso estar em permanente educação continuada.
Isso ocorre com a frequência em instituições de ensino e entidades que oferecem
cursos e palestras, pelo estudo dos temas a serem enfrentados, pela troca de
ideias com colegas e acompanhamento da legislação e das normas contábeis.
Há alguns cursos de pós-graduação que, em meu entendimento, precisam de
professores com preparo específico, além de melhorias da grade de disciplinas,
das atividades extrassala e dos trabalhos de conclusão de curso. Os cursos que
vierem a atender esses requisitos poderão oferecer uma melhor preparação dos
futuros peritos contábeis e propiciar a reciclagem dos atuantes na função.

Salvo raras exceções, não há um plano de carreira para o perito contábil.


O que se observa são profissionais exercendo a função de forma individual, em
parceria com peritos contábeis mais experientes (mentores ou formadores de novos
profissionais), ou em (pouquíssimas) empresas de serviços contábeis que realizam
atividades de natureza pericial. Com o passar do tempo, aliando o bom trabalho e
o relacionamento desenvolvido, o profissional poderá ser convidado a atuar como
assistente técnico indicado pelas partes de um processo, a elaborar pareceres para
instruir processos judiciais e extrajudiciais, a realizar Perícia Contábil em Tribunais
Arbitrais ou a realizar exames periciais contratados por empresas.

A sociedade deve esperar e exigir que os peritos contábeis auxiliem


os tomadores de decisões (juízes da esfera pública, presidentes de Tribunais
Arbitrais na esfera privada, empresários, gestores de empresas e pessoas físicas)
com o resultado de seu trabalho. Os relatórios periciais contábeis (laudo e parecer)
subsidiam decisões complexas, sobre a preservação, ou não, do patrimônio de
pessoas e sociedades. Além do rigor técnico, a celeridade na realização do trabalho
(sempre que possível), a imparcialidade, a ética e a clareza no entendimento do
resultado do trabalho pericial são esperados do perito contábil.

Para finalizar, é preciso dizer que a sociedade e o mercado de trabalho


podem e devem colaborar com eles mesmos em relação à Perícia Contábil. Sempre
que em uma demanda se constatar a nomeação (no Judiciário) ou a indicação (na
esfera extrajudiciária) de um não contador para realizar o exame pericial contábil,
é preciso alertar os envolvidos. É primordial requerer, pelos meios legais e

134
TÓPICO 4 | FUNÇÕES CONTÁBEIS

regulamentares, a substituição do profissional e a indicação de alguém habilitado.


Nesse ponto em particular, os peritos contábeis na função de assistentes técnicos
têm uma grande responsabilidade, uma vez que, ao não alertarem seus clientes
nessas circunstâncias, estarão legalmente impedidos de avaliar tecnicamente o
que vier a ser produzido.

Ivam Ricardo Peleias:


Perito, parecerista e consultor contábil. Doutor em Ciências Contábeis.
Professor e pesquisador contábil do Centro Universitário FECAP e da
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Atua na De Ornelas &
Associados – Perícias Contábeis e Arbitragem.

FONTE: Revista Brasileira de Contabilidade, setembro/outubro 2010, p. 22- 23, nº 185.

135
RESUMO DO TÓPICO 4
Neste tópico vimos:

• O parecer pericial contábil, que inicia com o advento da Lei nº 8.455/92, quando
surgiu um novo tipo de laudo de responsabilidade do assistente técnico,
denominado Laudo Crítico (ORNELAS, 2003).

• Para enfatizar a conceituação do parecer pericial contábil, utilizamos as ideias


de Alberto (2009) o qual menciona que o parecer pericial contábil é uma espécie
de laudo, classificado em: extrajudicial, judicial e própria opinião. Para maior
entendimento do leitor, Alberto (2009) explica o que significa cada um dos itens.

• Encaminhamento do parecer pericial contábil, assim considerada a etapa final


da perícia, que acontece após o encerramento dos trabalhos, quando então é
entregue uma via original no protocolo central de cada vara do Poder Judiciário,
acompanhado de uma segunda via, que será protocolada e ficará em poder do
perito assistente técnico, como prova da realização e entrega.

136
AUTOATIVIDADE

1 Com o advento da Lei nº 8.455/92, surgiu um novo tipo de laudo de


responsabilidade do assistente técnico, denominado:

a) ( ) Laudo gerencial.
b) ( ) Laudo especial.
c) ( ) Laudo básico.
d) ( ) Laudo crítico.
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.

2 O perito, na função de assistente técnico, é responsável pela oferta de:

a) ( ) Parecer pericial contábil.


b) ( ) Opinião pessoal técnica.
c) ( ) Parecer essencial contábil.
d) ( ) Parecer pessoal contábil.
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.

3 Preencha as lacunas:

Para Alberto (2009) ________________ é uma __________________,


onde o ____________________________, o faz segundo as
_______________________, gerados por ______________________________
para a ________________________, ou para ______________________, e o
classifica em: __________, ____________ e ________________.

4 Classifique as opções a seguir em verdadeiras ou falsas usando V e F,


respectivamente. Segundo Ornelas (2003) o fato de o assistente técnico gerar
trabalho técnico denominado de parecer pericial contábil, não o desobriga
de tomar os mesmos cuidados técnicos adotados pelo perito judicial, isto é:

( ) Acompanhar as pesquisas realizadas.


( ) Realizar estudos generalizados.
( ) Apurar laudos gerais.
( ) Desenvolver levantamentos específicos.
( ) Não emitir juízo técnico.

Agora assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:


a) ( ) V– F– F– V– F.
b) ( ) V– F– F– F– V.
c) ( ) V– F– V– V– F.
d) ( ) V– V– F– F– V.
e) ( ) V– V– F– V– V.

137
5 “O trabalho do assistente técnico não perde as características de laudo, à
medida que emite juízo técnico ou defende tese ou critério técnico divergente
do laudo pericial contábil oficial”. (ORNELAS, 2003 p. 104). Por este motivo
deve-se obedecer algumas regras básicas. Classifique as opções a seguir em
verdadeira e falsas usando V e F, respectivamente.

( ) Resumo do laudo oficial.


( ) Comentários pessoais ao laudo pericial contábil.
( ) Parecer pericial contábil.
( ) Encerramento.
( ) Desenvolvimento.

Agora assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:


a) ( ) F– F– V– F– V.
b) ( ) V– F– V– V– F.
c) ( ) V– F– F– V– V.
d) ( ) F– V– F– V– V.
e) ( ) V– V– V– F– F.

6 Uma vez encerrados os trabalhos periciais, o parecer é encaminhado ao:

a) ( ) Perito-contador.
b) ( ) Promotor Público.
c) ( ) Juiz Responsável.
d) ( ) Oficial da Justiça.
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.

7 Preencha as lacunas:

O encaminhamento do ______________ é feito _______________________


no _____________________________________________, acompanhado de
____________________, que será _____________ e ficará _______________
como ________________________ e ______________.

8 Nem sempre os comentários oferecidos referem-se ao conteúdo. Muitas


vezes, o objetivo do comentário é atingir a pessoa do perito, a fim de
sensibilizar o juiz para a realização de nova prova técnica, por outro
profissional, geralmente quando o resultado técnico é desfavorável à parte
que critica. Quando ocorre este tipo de situação, a primeira reação do perito
será, na petição de esclarecimentos:

a) ( ) Requerer ao juiz orientação do procedimento a ser adotado.


b) ( ) Requerer ao juiz a liberação da prestação de esclarecimentos.
c) ( ) Requerer ao juiz que notifique os agressores verbais.
d) ( ) Requerer ao juiz que mande riscar as palavras ofensivas e injuriosas.
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.

138
UNIDADE 3

ARBITRAGEM

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir desta unidade você será capaz de:

• conhecer a Lei nº 9.307/96;

• conhecer o código de ética para árbitros;

• conhecer dados históricos da arbitragem;

• distinguir árbitro e perito;

• identificar espécies de perícia arbitral;

• entender as técnicas de arbitramento;

• conhecer laudo arbitral;

• entender a sentença arbitral;

• entender sobre estimativa dos honorários do perito do juízo.

PLANO DE ESTUDOS
A Unidade 3 será apresentada com a estrutura de três tópicos, sendo que ao
final de cada tópico encontrarás atividades que auxiliarão no seu aprendizado.

TÓPICO 1 – LEGISLAÇÃO QUE REGULAMENTA A ARBITRAGEM

TÓPICO 2 – ÉTICA NO EXERCÍCIO DA ARBITRAGEM

TÓPICO 3 – ITENS RELEVANTES NO EXERCÍCIO DA ARBITRAGEM

139
140
UNIDADE 3
TÓPICO 1

LEGISLAÇÃO QUE REGULAMENTA A ARBITRAGEM

1 INTRODUÇÃO
Na Unidade 3 trataremos de um tema com o qual você, acadêmico, não
está acostumado a lidar no seu cotidiano, a arbitragem. Não é a arbitragem que
nos é comum no esporte e, sim, a arbitragem utilizada para dirimir pendências
entre pessoas e negócios.

Inicialmente, buscamos conhecer a legislação que aborda este tema, porque


pensamo-la como guia que nos orienta o caminho a ser seguido e como devemos
percorrê-lo. Uma vez conhecida a legislação, nosso próximo passo é conhecer o
código de ética. Não podemos concordar que basta fazer. O cumprimento do
código de ética é necessário para que nosso trabalho seja confiável. Por último,
abordaremos temas gerais que contemplam a arbitragem e são necessários para o
complemento deste caderno.

2 A ARBITRAGEM
Conforme já mencionamos no Tópico 1, contemplamos a legislação que
ampara a arbitragem e é composta de sete capítulos que apresentam, entre os
principais assuntos, o profissional (árbitro), o procedimento arbitral, a sentença
arbitral, e o reconhecimento e execução.

2.1 LEGISLAÇÃO
Para iniciar este item, buscamos identificar a data e a lei que regulamentam
a arbitragem, e obtivemos a seguinte informação: foi no dia 23 de setembro de
1996 que Fernando Henrique Cardoso aprovou a Lei nº 9.307, para regulamentar
a arbitragem, a qual foi publicada no D.O.U, de 24/09/96.

Esta lei é composta de sete capítulos, cada um com sua abordagem. Inicia
com as disposições gerais, procedimentos periciais, o profissional árbitro, entre
outros, até as disposições finais da lei.

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UNIDADE 3 | ARBITRAGEM

Estudar legislação é um procedimento cansativo para qualquer


profissional, sobretudo para o aluno que ainda está iniciando o exercício da
profissão. No entanto, faz-se necessário este conhecimento, pois não é possível
ser um profissional qualificado sem conhecer as determinações legais, razão pela
qual pedimos a sua compreensão e determinação.

O capítulo I trata das disposições gerais da referida Lei nº 9.307, e é


composto pelo artigo 1º e artigo 2º e parágrafos 1º e 2º.

O art. 1º - dispõe que as pessoas capazes de contratar poderão valer-se da


arbitragem para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis.

     O art. 2º - prevê que a arbitragem poderá ser de direito ou de equidade,


que quer dizer: reconhecer igualmente o direito de cada um, a critério das partes.

§ 1º - as partes poderão escolher, livremente, as regras de direito que


serão aplicadas na arbitragem, desde que não haja violação aos bons costumes e
à ordem pública.

§ 2º - as partes poderão convencionar que a arbitragem se realize com base nos


princípios gerais de direito, nos usos e costumes, e nas regras internacionais de comércio.

O capítulo II é mais amplo, e trata da Convenção de Arbitragem e seus


efeitos. É composto pelos artigos 3º ao 12º, incisos, e parágrafo único.

Art. 3º - as partes interessadas podem submeter à solução de seus litígios


[pendências] ao juízo arbitral mediante Convenção de Arbitragem, assim
entendida a cláusula compromissória e o compromisso arbitral.

Art. 4º - a cláusula compromissória é a convenção através da qual as partes


em um contrato comprometem-se a submeter à arbitragem os litígios que possam
vir a surgir, relativamente a tal contrato.

§ 1º - a cláusula compromissória deve ser estipulada por escrito, podendo


estar inserta no próprio contrato ou em documento apartado que a ela se refira.

§ 2º - nos contratos de adesão, a cláusula compromissória só terá


eficácia se o aderente tomar a iniciativa de instituir a arbitragem ou concordar,
expressamente, com a sua instituição, desde que por escrito em documento anexo
ou em negrito, com a assinatura ou visto especialmente para essa cláusula.

     Art. 5º - reportando-se às partes, na cláusula compromissória, às regras


de algum órgão arbitral institucional ou entidade especializada, a arbitragem
será instituída e processada de acordo com tais regras, podendo, igualmente,
as partes estabelecerem na própria cláusula, ou em outro documento, a forma
convencionada para a instituição da arbitragem.

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TÓPICO 1 | LEGISLAÇÃO QUE REGULAMENTA A ARBITRAGEM

Art. 6º - não havendo acordo prévio sobre a forma de instituir a


arbitragem, a parte interessada manifestará à outra parte sua intenção de dar
início à arbitragem, por via postal ou por outro meio qualquer de comunicação,
mediante comprovação de recebimento, convocando-a para, em dia, hora e local
certos, firmar o compromisso arbitral.

Parágrafo único - se a parte convocada não comparecer, ou, se comparecer,


recusar-se a firmar o compromisso arbitral, poderá a outra parte propor a
demanda de que trata o art. 7º desta lei, perante o órgão do Poder Judiciário a
que, originariamente, tocaria o julgamento da causa.

Art. 7º - existindo cláusula compromissória e havendo resistência quanto


à instituição da arbitragem, poderá a parte interessada requerer a citação da outra
parte para comparecer em juízo a fim de lavrar-se o compromisso, designando o
juiz audiência especial para tal fim.

§ 1º - o autor indicará, com precisão, o objeto da arbitragem, instruindo o


pedido com o documento que contiver a cláusula compromissória.

§ 2º - se as partes comparecerem à audiência, o juiz tentará, previamente,


a conciliação acerca do litígio. Não obtendo sucesso, tentará o juiz conduzir as
partes à celebração, de comum acordo, do compromisso arbitral.

§ 3º - se as partes não concordarem sobre os termos do compromisso,


decidirá o juiz, após ouvir o réu, sobre seu conteúdo, que poderá ser na própria
audiência, ou, no prazo de dez dias, respeitadas as  disposições da cláusula
compromissória e atendendo ao disposto nos artigos 10 e 21, § 2º, desta lei.

§ 4º - se a cláusula compromissória nada dispuser sobre a nomeação


de árbitros, caberá ao juiz, após ouvidas as partes, estatuir a respeito podendo
nomear árbitro único para a solução do litígio.

§ 5º - a ausência do autor, sem justo motivo, à audiência designada para


a lavratura do compromisso arbitral, importará a extinção do processo sem
julgamento de mérito.

§ 6º - não comparecendo o réu à audiência, caberá ao juiz, ouvido o autor,


estatuir a respeito do conteúdo do compromisso, nomeando árbitro único.

§ 7º - a sentença que julgar procedente o pedido valerá como compromisso arbitral.

Art. 8º - a cláusula compromissória é autônoma em relação ao contrato em


que estiver inserta, de tal sorte que a nulidade deste não implica, necessariamente,
a nulidade da cláusula compromissória.

Parágrafo único - caberá ao árbitro decidir de ofício, ou por provocação


das partes, as questões acerca da existência, validade e eficácia da convenção de
arbitragem e do contrato que contenha a cláusula compromissória.
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UNIDADE 3 | ARBITRAGEM

Art. 9º - o compromisso arbitral é a convenção, através da qual as partes


submetem um litígio à arbitragem de uma ou mais pessoas, podendo ser judicial
ou extrajudicial.

§ 1º - o compromisso arbitral judicial celebrar-se-á por termo nos autos,


perante o juízo ou tribunal, onde tem curso a demanda.

§ 2º - o compromisso arbitral extrajudicial será celebrado por escrito


particular, assinado por duas testemunhas, ou por instrumento público.

Art. 10 - itens que são obrigados a constar no compromisso arbitral:


I- nome, profissão, estado civil e domicílio das partes;
II- nome, profissão e domicílio do árbitro, ou dos árbitros, ou, se for o caso, a
identificação da entidade à qual as partes delegarem a indicação de árbitros;
III- a matéria que será objeto da arbitragem; e,
IV- o lugar em que será proferida a sentença arbitral.
    
Art. 11- Este artigo prevê que o compromisso arbitral poderá conter também:
I- o local, ou locais, onde se desenvolverá a arbitragem;
II- a autorização para que o árbitro ou os árbitros julgue(m) por equidade, se
assim for convencionado pelas partes;
III- o prazo para a apresentação da sentença arbitral;
IV- a indicação da lei nacional ou das regras corporativas aplicáveis à arbitragem,
quando assim convencionarem as partes;
V- a declaração da responsabilidade pelo pagamento dos honorários e das
despesas com a arbitragem; e,
VI- a fixação dos honorários do árbitro, ou dos árbitros.
        
Parágrafo único - fixando as partes o valor dos honorários do árbitro, ou dos
árbitros, no compromisso arbitral, este [o árbitro] constituirá título executivo extrajudicial;
não havendo tal estipulação, o árbitro requererá ao órgão do Poder Judiciário que seria
competente para julgar, originalmente, a causa, que o fixe por sentença.

Art. 12 - extingue-se o compromisso arbitral:


I- escusando-se qualquer dos árbitros, antes de aceitar a nomeação, desde que
as partes tenham declarado, expressamente, não aceitar substituto;
II- falecendo ou ficando impossibilitado de dar o seu voto algum dos árbitros,
desde que as partes declarem, expressamente, não aceitar substituto; e,
III- tendo expirado o prazo a que se refere o art. 11, inciso III, desde que a
parte  interessada tenha notificado o árbitro, ou o presidente do tribunal
arbitral, concedendo-lhe o prazo de dez dias para a prolação e apresentação
da sentença arbitral.

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TÓPICO 1 | LEGISLAÇÃO QUE REGULAMENTA A ARBITRAGEM

O capítulo III trata dos árbitros, e destaca quem pode ser árbitro; número
de árbitros que podem ser nomeados; nomeação de árbitros em número par;
procedimento do árbitro no desempenho da função, quem não pode ser árbitro,
deveres, recusa, momento da recusa, equiparação dos árbitros no exercício de
suas funções, o que é árbitro. É composto pelos artigos 13 ao 18, e parágrafos.

O art. 13 dispõe que pode ser árbitro qualquer pessoa capaz, e que tenha
a confiança das partes.

§ 1º - as partes nomearão um ou mais árbitros, sempre em número ímpar,


podendo nomear, também, os respectivos suplentes.

§ 2º - quando as partes nomearem árbitros, em número par, estes estão


autorizados, desde logo, a nomear mais um árbitro. Não havendo acordo,
requererão as partes ao órgão do Poder Judiciário, a quem tocaria, originalmente,
o julgamento da causa, a nomeação do árbitro,  aplicável, no que couber, o
procedimento previsto no art. 7º desta lei.

§ 3º - as partes poderão, de comum acordo, estabelecer o processo de


escolha dos árbitros, ou adotar as regras de um órgão arbitral institucional ou de
uma entidade especializada.

§ 4º - sendo nomeados vários árbitros, estes, por maioria, elegerão o


presidente do tribunal arbitral. Não havendo consenso, será designado presidente
o mais idoso.

§ 5º - o árbitro ou o presidente do tribunal designará, se julgar conveniente,


um secretário, que poderá ser um dos árbitros.

§ 6º - o árbitro deverá proceder com imparcialidade, independência,


competência, diligência e discrição, no desempenho de sua função.

§ 7º - poderá o árbitro, ou o tribunal arbitral, determinar às partes o


adiantamento de verbas para despesas e diligências que julgar necessárias.
    
O art. 14 prevê que estão impedidos de funcionar como árbitros as pessoas
que tenham com as partes, ou com o litígio que lhes for submetido, algumas
das relações que caracterizam os casos de impedimento ou suspeição de juízes,
aplicando-se-lhes, no que couber, os mesmos deveres e responsabilidades,
conforme previsto no Código de Processo Civil.

§ 1º - as pessoas indicadas para funcionar como árbitro têm o dever de


revelar, antes da aceitação da função, qualquer fato que denote dúvida justificada
quanto à sua imparcialidade e independência.

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UNIDADE 3 | ARBITRAGEM

§ 2º - o árbitro somente poderá ser recusado por motivo ocorrido após a


sua nomeação, quando:
a) não for nomeado, diretamente, pela parte; ou,
b) o motivo para a recusa do árbitro for conhecido posteriormente à sua nomeação.
    
Art. 15 - a parte interessada que arguir a recusa do árbitro apresentará, nos
termos do art. 20, a respectiva exceção, diretamente ao árbitro ou ao presidente
do tribunal arbitral, deduzindo suas razões e apresentando as provas pertinentes.

Parágrafo único - acolhida a exceção, será afastado o árbitro suspeito ou


impedido, que será substituído, na forma do art. 16 desta lei.

Art. 16 – na eventualidade do árbitro escusar-se antes da aceitação da


nomeação, ou, após a aceitação, vier a falecer, tornar-se impossibilitado para o
exercício da função ou for recusado, assumirá seu lugar o substituto indicado no
compromisso, se houver.

§ 1º - não havendo substituto indicado para o árbitro, aplicar-se-ão as


regras do órgão arbitral institucional ou entidade especializada, se as partes as
tiverem invocado na Convenção de Arbitragem.

§ 2º - nada dispondo a Convenção de Arbitragem sobre a escusa, e não chegando


as partes a um acordo sobre a nomeação do árbitro a ser substituído, procederá a
parte interessada da forma prevista no art. 7º desta lei, a menos que as partes tenham
declarado, expressamente, na Convenção de Arbitragem, não aceitar substituto.
    
Art. 17 - os árbitros, quando no exercício de suas funções, ou em razão delas,
ficam equiparados aos funcionários públicos, para os efeitos da legislação penal.
  
Art. 18 - o árbitro é juiz de fato e de direito, e a sentença que proferir não
fica sujeita a recurso ou a homologação pelo Poder Judiciário.

O capítulo IV trata do Procedimento Arbitral e contempla a instituição


da arbitragem, o momento da arguição, a obediência aos procedimentos
previstos na convenção e o depoimento das partes. É composto pelos artigos 19
ao 22, e parágrafos.

O art. 19 considera instituída a arbitragem quando tiver sido aceita a


nomeação pelo árbitro, se for único, ou por todos, se forem vários.

Parágrafo único - instituída a arbitragem, e entendendo o árbitro ou o


tribunal arbitral que há necessidade de explicitar alguma questão disposta
na Convenção de Arbitragem, será  elaborado, juntamente com as partes, um
adendo, firmado por todos, que passará a fazer parte integrante da Convenção
da Arbitragem.

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TÓPICO 1 | LEGISLAÇÃO QUE REGULAMENTA A ARBITRAGEM

Art. 20 - a parte que pretender arguir questões relativas à competência,


suspeição ou impedimento do árbitro ou dos árbitros, bem como nulidade,
invalidade ou ineficácia da Convenção de Arbitragem, deverá fazê-lo na primeira
oportunidade que tiver de se manifestar, após a instituição da arbitragem.

§ 1º - uma vez acolhida a arguição de suspeição ou impedimento, será o


árbitro substituído, nos termos do art. 16 desta lei, reconhecida a incompetência
do árbitro ou do tribunal arbitral, bem como a nulidade, invalidade ou ineficácia
da Convenção de Arbitragem, serão as partes  remetidas ao órgão do Poder
Judiciário competente para julgar a causa.

§ 2º - não sendo acolhida a arguição, terá normal prosseguimento a


arbitragem, sem prejuízo de vir a ser examinada a decisão pelo órgão do Poder
Judiciário competente, quando da eventual propositura da demanda de que trata
o art. 33 desta lei.

Art. 21 - a arbitragem obedecerá ao procedimento estabelecido pelas


partes na Convenção de Arbitragem, que poderá reportar-se às regras de um
órgão arbitral institucional ou entidade especializada, facultando-se, ainda, às
partes delegar ao próprio árbitro, ou ao tribunal arbitral, regular o procedimento.

§ 1º - não havendo estipulação acerca do procedimento, caberá ao árbitro


ou ao tribunal arbitral discipliná-lo.

§ 2º - serão, sempre, respeitados no procedimento arbitral os princípios


do contraditório, da igualdade das partes, da imparcialidade do árbitro e de seu
livre convencimento.

§ 3º - as partes poderão postular por intermédio de advogado, respeitada, sempre,


a faculdade de designar quem as represente ou assista no procedimento arbitral.

§ 4º - competirá ao árbitro ou ao tribunal arbitral, no início do procedimento,


tentar a conciliação das partes, aplicando-se, no que couber, o art. 28 desta lei.

Art. 22 - poderá o árbitro ou o tribunal arbitral tomar o depoimento das


partes, ouvir testemunhas e determinar a realização de perícias ou outras provas
que julgar necessárias, mediante requerimento das partes ou de ofício.

§ 1º - o depoimento das partes e das testemunhas será tomado em local,


dia e hora previamente comunicados, por escrito, e reduzido a termo, assinado
pelo depoente, ou a seu rogo, pelos árbitros.

§ 2º - em caso de desatendimento, sem justa causa, da convocação para


prestar depoimento pessoal, o árbitro ou o tribunal arbitral levará em consideração
o comportamento da parte faltosa, ao proferir sua sentença; se a ausência for de
testemunha, nas mesmas  circunstâncias, poderá o árbitro ou o presidente do
tribunal arbitral requerer à autoridade  judiciária que conduza a testemunha
renitente, comprovando a existência da Convenção de Arbitragem.
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UNIDADE 3 | ARBITRAGEM

§ 3º - a revelia da parte não impedirá que seja proferida a sentença arbitral.

          § 4º - ressalvado o disposto no § 2º, havendo necessidade de medidas


coercitivas ou cautelares, os árbitros poderão solicitá-las ao órgão do Poder
Judiciário que seria, originalmente, competente para julgar a causa.

§ 5º - se, durante o procedimento arbitral um árbitro vier a ser substituído,


fica a critério do substituto repetir as provas já produzidas.

O capítulo V trata da sentença arbitral e destaca o prazo de proferimento da


sentença arbitral, em que será expressa a decisão do árbitro, controvérsia sobre os
direitos, prazo para correção, requisitos obrigatórios na sentença final, sentença arbitral,
nulidade da sentença arbitral, e é composto pelos artigos 23 ao 33, e parágrafos.

O art. 23 prevê que a sentença arbitral será proferida no prazo estipulado pelas
partes. Nada tendo sido convencionado, o prazo para a apresentação da sentença é
de seis meses, contados da instituição da arbitragem ou da substituição do árbitro.

Parágrafo único - as partes e os árbitros, de comum acordo, poderão


prorrogar o prazo estipulado.

Art. 24 - a decisão do árbitro ou dos árbitros será expressa em documento escrito.

§ 1º - quando forem vários os árbitros, a decisão será tomada por maioria. Se


não houver acordo majoritário, prevalecerá o voto do presidente do tribunal arbitral.

§ 2º - o árbitro que divergir da maioria poderá, querendo, declarar seu


voto em separado.

Art. 25 - sobrevindo no curso da arbitragem controvérsia acerca de


direitos indisponíveis e verificando-se que de sua existência, ou não, dependerá
o julgamento, o árbitro ou o tribunal arbitral remeterá as partes à autoridade
competente do Poder Judiciário, suspendendo o procedimento arbitral.

Parágrafo único - resolvida a questão prejudicial e juntada aos autos a


sentença ou acórdão transitados em julgado, terá normal seguimento a arbitragem.

Art. 26 - serão requisitos obrigatórios da sentença arbitral:


I- o relatório, que conterá os nomes das partes e um resumo do litígio;
II- os fundamentos da decisão, onde serão analisadas as questões de fato e de
direito, mencionando-se, expressamente, se os árbitros julgaram por equidade;
III- o dispositivo, em que os árbitros resolverão as questões que lhes forem
submetidas e estabelecerão o prazo para o cumprimento da decisão, se for o
caso; e,
IV- a data e o lugar onde foi proferida.

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TÓPICO 1 | LEGISLAÇÃO QUE REGULAMENTA A ARBITRAGEM

Parágrafo único - a sentença arbitral será assinada pelo árbitro ou por


todos os árbitros. Caberá ao presidente do tribunal arbitral, na hipótese de um ou
alguns dos árbitros não poder ou não querer assinar a sentença, certificar tal fato.

Art. 27 - a sentença arbitral decidirá sobre a responsabilidade das partes


acerca das custas e despesas com a arbitragem, bem como sobre verba decorrente
de litigância de má-fé, se for o caso, respeitadas as disposições da Convenção de
Arbitragem, se houver.

Art. 28 - se, no decurso da arbitragem, as partes chegarem a acordo quanto


ao litígio, o árbitro ou o tribunal arbitral poderá, a pedido das partes, declarar tal
fato mediante sentença arbitral, que conterá os requisitos do art. 26 desta lei.

Art. 29 - proferida a sentença arbitral, dá-se por finda a arbitragem,


devendo o árbitro, ou o presidente do tribunal arbitral, enviar cópia da decisão
às partes, por via postal ou por outro meio qualquer de comunicação, mediante
comprovação de recebimento, ou, ainda, entregando-a diretamente às partes,
mediante recibo.

Art. 30 - no prazo de cinco dias, a contar do recebimento da notificação ou


da ciência pessoal da sentença arbitral, a parte interessada, mediante comunicação
à outra parte, poderá solicitar ao árbitro ou ao tribunal arbitral que:
I- corrija qualquer erro material da sentença arbitral;
II- esclareça alguma obscuridade, dúvida ou contradição da sentença arbitral, ou se
pronuncie sobre ponto omitido a respeito do qual devia manifestar-se a decisão.

Parágrafo único - o árbitro ou o tribunal arbitral decidirá, no prazo de dez


dias, aditando a sentença arbitral e notificando as partes na forma do art. 29.

     Art. 31 - a sentença arbitral produz, entre as partes e seus sucessores, os


mesmos efeitos da sentença proferida pelos órgãos do Poder Judiciário e, sendo
condenatória, constitui título executivo.

     Art. 32 - é nula a sentença arbitral se:


I- for nulo o compromisso;
II- emanou de quem não podia ser árbitro;
III- não contiver os requisitos do art. 26 desta lei;
IV- for proferida fora dos limites da Convenção da Arbitragem;
V- não decidir todo o litígio submetido à arbitragem;
VI- comprovado que foi proferida por prevaricação, concussão ou corrupção passiva;
VII- proferida fora do prazo, respeitando o disposto no art. 12, inciso III, desta lei; e,
VIII- forem desrespeitados os princípios de que trata o artigo 21, § 2º, desta lei.

Art. 33 - a parte interessada poderá pleitear ao órgão do Poder Judiciário


competente a decretação da nulidade da sentença arbitral, nos casos previstos nesta lei.

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UNIDADE 3 | ARBITRAGEM

§ 1º - a demanda para a decretação de nulidade da sentença arbitral


seguirá o procedimento comum, previsto no Código de Processo Civil, e deverá
ser proposta no prazo de até noventa dias após o recebimento da notificação da
sentença arbitral ou de seu adiamento.

§ 2º - a sentença que julgar procedente o pedido:


I- decretará a nulidade da sentença arbitral, nos casos do art. 32, incisos I, II, VI,
VII e VIII;
II- determinará que o árbitro ou o tribunal arbitral profira novo laudo, nas demais
hipóteses.

§ 3º - a decretação na nulidade da sentença arbitral também poderá ser


arguida mediante ação de embargos do devedor, conforme o art. 741 e seguintes
do Código de Processo Civil, se houver execução judicial.

O capítulo VI trata do Reconhecimento e da Execução de Sentenças


Arbitrais Estrangeiras, e trata do reconhecimento ou execução da sentença
arbitral, homologação da sentença arbitral estrangeira, negação da homologação
e denegação da homologação. É composto pelos artigos 34 ao 40, e parágrafos.

Art. 34 - a sentença arbitral estrangeira será reconhecida ou executada no


Brasil em conformidade com os tratados internacionais com eficácia no ordenamento
interno e, na sua ausência, estritamente de acordo com os termos desta lei.

Parágrafo único - considera-se sentença arbitral estrangeira a que tenha


sido proferida fora do território nacional.

Art. 35 - para ser reconhecida ou executada no Brasil, a sentença arbitral


estrangeira está sujeita, unicamente, à homologação do Supremo Tribunal Federal.

Art. 36 - aplica-se a homologação para reconhecimento ou execução de


sentença arbitral estrangeira, no que couber, o disposto nos artigos 483 e 484 do
Código de Processo Civil.

Art. 37 - a homologação de sentença arbitral estrangeira será requerida pela


parte interessada, devendo a petição inicial conter as indicações da lei processual,
conforme o art. 282 do Código de Processo Civil, a ser instruída, necessariamente, com:
I- o original da sentença arbitral ou uma cópia devidamente certificada,
autenticada, pelo consulado brasileiro e acompanhada de tradução oficial;
II- o original da Convenção de Arbitragem ou cópia devidamente certificada,
acompanhada de tradução oficial.

Art. 38 - somente poderá ser negada a homologação para o reconhecimento


ou execução de sentença arbitral estrangeira, quando o réu demonstrar que:

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TÓPICO 1 | LEGISLAÇÃO QUE REGULAMENTA A ARBITRAGEM

I- as partes na Convenção de Arbitragem eram incapazes;


II- a Convenção de Arbitragem não era válida segundo a lei à qual as partes
se submeteram, ou, na falta de indicação, em virtude da lei do país onde a
sentença arbitral for proferida;
III- não foi notificado da designação do árbitro ou do procedimento de arbitragem, ou
tenha sido violado o princípio do contraditório, impossibilitando a ampla defesa;
IV- a sentença arbitral foi proferida fora dos limites da Convenção de Arbitragem,
e não foi possível separar a parte excedente daquela submetida à arbitragem;
V- a instituição da arbitragem não está de acordo com o compromisso arbitral ou
cláusula compromissória;
VI- a sentença arbitral não se tenha, ainda, tornado obrigatória para as partes,
tenha sido anulada, ou, ainda, tenha sido suspensa por órgão judicial do país
onde a sentença arbitral for prolatada.

Art. 39 - também será denegada a homologação para o reconhecimento


ou execução da sentença arbitral estrangeira, se o Supremo Tribunal Federal
constatar que:
I- segundo a lei brasileira, o objeto do litígio não é suscetível de ser resolvido por
arbitragem;
II- a decisão ofende a ordem pública nacional.

Parágrafo único - não será considerada ofensa à ordem pública nacional


a efetivação da citação da parte residente ou domiciliada no Brasil, nos moldes
da Convenção de Arbitragem  ou da lei processual do país onde se realizou a
arbitragem, admitindo-se, inclusive, a citação postal como prova inequívoca de
recebimento, desde que assegure à parte brasileira tempo hábil para o exercício
do direito de defesa.

Art. 40 - a denegação da homologação para reconhecimento ou execução de


sentença arbitral estrangeira por vícios formais não obsta que a parte interessada
renove o pedido, uma vez sanados os vícios apresentados.

O capítulo VII trata das disposições finais e apresenta outros itens


legais que contemplam a arbitragem e alteram a redação de diversos artigos
do Código de Processo Civil. É composto pelos artigos 41 ao 44 da referida lei.

O art. 41 expõe nos artigos 267, inciso VII; 301, inciso IX; e 584, inciso III,
do Código de Processo Civil que passam a ter a seguinte redação:

Art. 267...........................................................
VII- pela convenção de arbitragem;

         Art. 301...........................................................


IX convenção de arbitragem;

         Art. 584........................................................


III- sentença arbitral e a sentença homologatória de transação ou de conciliação;

151
UNIDADE 3 | ARBITRAGEM

Art. 42 - o art. 520 do Código de Processo Civil passa a ter mais um inciso,
com a seguinte redação:

Art. 520...........................................................
VI- julgar procedente o pedido de instituição de arbitragem.

O art. 43 confirma que esta lei entra em vigor sessenta dias após a data de
sua publicação.

O art. 44 expõe sobre a revogação dos artigos: 1.037 a 1.048 da Lei nº 3.701,
de 1º de janeiro de 1916, Código Civil Brasileiro;

Art. 101, e, 1.072 a 1.102 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código


de Processo Civil; e demais disposições em contrário.

UNI

Voltamos a recomendar que o estudo e entendimento da Lei nº 9.307/96 são


indispensáveis para o sucesso profissional.

Caro acadêmico! Você acaba de mergulhar no contexto geral da legislação


arbitral. Esperamos que tenha conseguido entender a mensagem que ela nos traz
e reconhecer que não é possível desenvolver qualquer atividade profissional, com
qualidade, sem o amparo da lei que a regulamenta.

152
RESUMO DO TÓPICO 1

Neste tópico vimos:

• A legislação que trata da arbitragem. O que levantamos foi a Lei nº 9.307, de 23


de setembro de 1996, publicada no D.O.U. em 24 de setembro de 1996.

• A Lei nº 9.307 compreende sete capítulos. O capítulo I permite entender suas


disposições gerais e compõe-se pelo artigo 1º e artigo 2º e parágrafos 1º e 2º.
O capítulo II é mais amplo e aborda a Convenção de Arbitragem, seus efeitos,
e é composto pelos artigos 3º ao 12º, incisos e parágrafo único. Prosseguimos
com o Capítulo III, no qual tratamos dos árbitros. Vimos, neste capítulo, quem
pode ser árbitro, número de árbitros que podem ser nomeados, nomeação de
árbitros em número par, procedimento do árbitro no desempenho da função,
quem não pode ser árbitro, deveres, recusa, momento da recusa, equiparação
dos árbitros no exercício de suas funções, o que é árbitro, que é composto
pelos artigos 13º a 18º e parágrafos. Na sequência foi analisado o Capítulo IV, o
qual trata do procedimento arbitral e contempla a instituição da arbitragem, o
momento da arguição, a obediência aos procedimentos previstos na convenção
e o depoimento das partes. É composto pelos artigos 19º ao 22º e parágrafos. O
Capítulo V, que aborda a sentença arbitral, destacou o prazo de proferimento
da sentença arbitral, no qual será expressa a decisão do árbitro, controvérsia
sobre os direitos, prazo para correção, requisitos obrigatórios na sentença final,
sentença arbitral, nulidade da sentença arbitral. É composto pelos artigos 23º
ao 33º e parágrafos.

• O capítulo VI trata do reconhecimento e da execução de sentenças arbitrais


estrangeiras. Este capítulo aborda o reconhecimento ou execução da
sentença arbitral, homologação da sentença arbitral estrangeira, negação da
homologação e denegação da homologação. É composto pelos artigos 34º ao
40º e parágrafos. Finalizou-se com a apresentação do capítulo VII, que trata das
disposições finais e apresenta outros itens legais que contemplam a arbitragem
e altera a redação de diversos artigos do Código de Processo Civil. É composto
pelos artigos 41º ao 44º da Lei nº 9.307/96.

153
AUTOATIVIDADE

1 Em 23 de setembro de 1996, Fernando Henrique Cardoso aprovou a Lei nº


9.307, a qual foi publicada no D.O.U em 24/09/96, para regulamentar:

a) ( ) a Perícia
b) ( ) o Laudo Pericial
c) ( ) a Figura do árbitro
d) ( ) a Arbitragem
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.

2 Assinale a alternativa CORRETA.

a) ( ) As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem para


dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis.
b) ( ) As partes não poderão escolher, livremente, as regras de direito que
serão aplicadas na arbitragem.
c) ( ) As partes não poderão convencionar que a arbitragem se realize com
base nos usos e costumes e nas regras internacionais de comércio.
d) ( ) As pessoas capazes de contratar poderão ser de direito ou de fato a
critério das partes.
e) ( ) Todas as alternativas estão corretas.

3 Classifique as assertivas em verdadeiras e falsas usando, respectivamente, V e F.

( ) As partes interessadas podem submeter a solução de seus litígios ao juízo


arbitral mediante Convenção de Arbitragem.
( ) A cláusula compromissória deve ser estipulada por escrito, podendo estar
inserta no próprio contrato ou em documento apartado que a ela se refira.
( ) Nos contratos de adesão, a cláusula compromissória só terá eficácia se
o aderente tomar a iniciativa de instituir a arbitragem ou concordar,
expressamente, com a sua instituição,  por escrito.
( ) Na cláusula compromissória a arbitragem não será instituída e processada
segundo acordo com tais regras, e pode estabelecer em qualquer situação
a forma convencionada para a instituição da perícia.
( ) Se não houver acordo prévio sobre a forma de instituir a arbitragem, a
parte interessada manifestará à outra parte sua intenção de dar início à
arbitragem, por via postal ou por outro meio qualquer de comunicação,
mediante protocolo de recebimento.

Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:


a) ( ) V– F– F– F– V.
b) ( ) V– V– F– F– V.
c) ( ) V– V– V– F– V.
d) ( ) V– F– V– V– F.
e) ( ) V– V– V– F– F.
154
4 Classifique as assertivas a seguir em verdadeiras e falsas usando,
respectivamente, V e F.

( ) Se a parte convocada não comparecer, ou, caso compareça, recusar-se


a firmar o compromisso arbitral, poderá a parte interessada requerer
a citação da outra parte para comparecer em juízo a fim de lavrar-se o
compromisso, designando o juiz audiência especial para tal fim.
( ) De acordo com o parágrafo 1º, é o autor quem indicará, de forma precisa,
o objeto da arbitragem.
( ) Mesmo que as partes compareçam à audiência, o juiz não permitirá a
conciliação acerca do litígio.
( ) Se não houver acordo entre as partes sobre os termos do compromisso,
decidirá o juiz, após ouvir o réu.
( ) Caberá ao árbitro decidir de ofício, ou por provocação das partes, as
questões acerca da existência, validade e eficácia da Convenção de
Arbitragem.

Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:


a) ( ) V– F– F– V– V.
b) ( ) V– V– F– F– V.
c) ( ) V– V– V– F– V.
d) ( ) V– V– F– V– V.
e) ( ) V– F– F– F– V.

5 Preencha as lacunas.

O compromisso arbitral é ________________________ as partes


submetem ____________________________________________, podendo
ser ______________ ou _____________. O compromisso arbitral judicial
celebrar-se-á por _______________, perante o _________ ou ___________,
onde tem curso _______________. O compromisso arbitral extrajudicial será
celebrado por _______________, assinado por __________________, ou por
________________________.

6 Classifique as assertivas a seguir em verdadeiras e falsas usando,


respectivamente, V e F. O compromisso arbitral obriga a presença dos
seguintes itens:

( ) Nome, profissão, estado civil e domicílio das partes.


( ) A titulação do árbitro.
( ) Nome, endereço profissional do árbitro, tempo de registro na empresa.
( ) A matéria que será objeto da arbitragem.
( ) O lugar em que será proferida a sentença arbitral.

155
Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V– F– V– F– V.
b) ( ) V– F– V– V– V.
c) ( ) V– F– F– F– V.
d) ( ) V– V– F– F– V.
e) ( ) V– F– F– V– V.

7 Classifique as assertivas a seguir em verdadeiras e falsas usando, respectivamente,


V e F. O compromisso arbitral poderá conter os seguintes itens:

( ) O local e horário, onde se desenvolverá a arbitragem.


( ) A autorização para que o árbitro ou os árbitros julgue(m) por equidade.
( ) O prazo para a apresentação da sentença arbitral.
( ) A indicação do nome do legislador que instituiu a Lei da Arbitragem.
( ) A declaração da responsabilidade pelo pagamento dos honorários e das
despesas com a arbitragem.
( ) A fixação dos honorários do árbitro, ou dos árbitros.

Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:


a) ( ) F– F– V– V– F– V.
b) ( ) F– V– V– V– F– V.
c) ( ) F– V– V– F– V– V.
d) ( ) F– F– F– V– F– V.
e) ( ) F– V– V– V– F– V.

8 Classifique as assertivas a seguir em verdadeiras e falsas usando,


respectivamente, V e F. Extingue-se o compromisso arbitral nos seguintes casos:

( ) Escusando-se qualquer dos árbitros, antes de aceitar a nomeação, não


aceitar substituto.
( ) Falecimento.
( ) Na impossibilidade de algum dos peritos julgadores dar seu voto.
( ) Tendo expirado o prazo, desde que a parte  interessada tenha notificado
o árbitro, ou o presidente do tribunal arbitral, concedendo-lhe o prazo de
dez dias para a prolação e apresentação da sentença arbitral.
( ) Caso o juiz responsável seja transferido para outra comarca.

Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA.


a) ( ) V– V– F– V– F.
b) ( ) V– F– F– V– F.
c) ( ) V– V– V– F– F.
d) ( ) V– F– V– V– F.
e) ( ) V– F– V– F– F.

9 Classifique as assertivas a seguir em verdadeiras e falsas usando, respectivamente,


V e F. De acordo com o art. 13 da Lei nº 9.307, pode ser árbitro qualquer pessoa capaz,
e que tenha a confiança das partes, e complementa através de seus parágrafos.

156
( ) As partes nomearão um ou mais árbitros, sempre em número ímpar.
( ) As partes poderão, de comum acordo, estabelecer o processo de escolha
dos árbitros.
( ) O árbitro ou o presidente do tribunal designará, se julgar conveniente, um
secretário, que poderá ser um dos árbitros.
( ) O árbitro deve proceder com imparcialidade, independência, competência,
diligência e discrição, no desempenho de sua função.
( ) Pode o árbitro, ou o tribunal arbitral, determinar às partes o adiantamento
de verbas para despesas e diligências que julgar necessárias.

Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:


a) ( ) V– F– F– F– V.
b) ( ) V– V– F– F– V.
c) ( ) V– V– V– F– F.
d) ( ) V– V– V– V– V.
e) ( ) V– F– F– V– V.

10 Assinale a alternativa que completa CORRETAMENTE as lacunas dos


itens a seguir:

I- Estão impedidos de funcionar como árbitros ____________ que tenham


com as partes, ou com ______________ que lhes for submetido, algumas
das relações que caracterizam os casos de impedimento ou suspeição de
juízes, aplicando-se-lhes, no que couber, os mesmos ___________________
_____________, conforme previsto no _____________________________.

II- O árbitro somente poderá ser recusado por motivo ocorrido após a sua
_____________, quando:
a) não for nomeado ______________________; ou,
b) o motivo para a recusa do árbitro for ______________________ à sua
___________________.

a) ( ) As pessoas, nomeação, indiretamente pela parte, contratado,


responsabilidades, deveres, reconhecido antecipadamente, indicado,
b) ( ) Diretamente, Código de Processo Civil, sua nomeação, litigante,
litigioso, já conhecido, de forma indireta, contratado.
c) ( ) As pessoas, o litígio, deveres e responsabilidades, Código de Processo Civil,
nomeação, diretamente pela parte, conhecido posteriormente, nomeação.
d) ( ) Código de Processo civil, nomeação, litígio, conhecido posteriormente,
indicado pelo árbitro, contratado, litigioso, por intermediação.
e) ( ) Código de Processo Civil, conhecido posteriormente, pelas pessoas, litígio,
Constituição Federal, magistrado, reconhecido pela comunidade, indicação.

157
158
UNIDADE 3
TÓPICO 2

ÉTICA NO EXERCÍCIO DA ARBITRAGEM

1 INTRODUÇÃO
A abordagem ética está cada vez mais presente nos dias atuais e serve de
atributo aos profissionais da área para o bom desempenho de sua profissão.

De acordo com o CFC (2003),

[...] a humanidade se encontra em crise moral refletida pela violência,


pelo egoísmo, pela indiferença para com o seu semelhante, pelo
desejo desenfreado pelo poder e não respeita as diferenças entre os
indivíduos, causando assim uma crise ética tanto no âmbito pessoal
quanto no profissional.

Com este tópico pretendemos levar ao seu conhecimento a ética no


exercício da arbitragem e, para isso, busca-se apresentar o código de ética e fazê-
lo de maneira que permita ao profissional de cada área exercer com dignidade e
honradez a sua profissão.

Para complementar, utilizaremos a escritura de Sá (1996, p. 151), o qual


afirma que as “[...] virtudes básicas profissionais são aquelas indispensáveis, sem
as quais não se consegue a realização de um exercício ético competente, seja qual
for a natureza do serviço prestado”.

Apoiados nas palavras de Sá (1996), fica mais fácil transmitir a relevância


do tema que abordaremos a seguir, e pedimos que estude com dedicação, pois lhe
servirá de base para o seu desempenho profissional.

Este tópico é curto, se observados outros itens abordados neste caderno,


porém não devemos medir o valor da informação pela quantidade de páginas, e
sim, pela sua essência.

Finalizamos esta etapa amparados em Vasquez (1999, p. 23), que explica a


Ética como sendo “[...] a teoria ou ciência do comportamento moral dos homens
em sociedade, ou seja, é a ciência de uma forma específica do comportamento
humano”. Nesta visão, percebemos que a ética está voltada para a racionalidade
humana, uma vez que o homem deve se questionar e descobrir os seus limites
quanto aos direitos e deveres, à sua essência, aos seus valores e crenças, aos seus
princípios e à sua capacidade de viver em grupo com outros seres.
159
UNIDADE 3 | ARBITRAGEM

2 CÓDIGO DE ÉTICA
O Código de Ética para Árbitros, nos termos aprovados pelo CONIMA –
Conselho Nacional das Instituições de Mediação e Arbitragem, se aplica à conduta
de todos os árbitros, quer nomeados por órgãos institucionais ou partícipes de
procedimentos "ad hoc". Está dividido em oito partes, que apresentaremos a
seguir, e faremos uma abordagem rápida do que cada uma representa.

I- AUTONOMIA DA VONTADE DAS PARTES

Significa que o árbitro deve reconhecer que a arbitragem se fundamenta na


autonomia da vontade das partes, devendo centrar sua atuação nesta premissa, e explica:

O princípio da autonomia da vontade é o principal sustentáculo do


instituto da arbitragem.

É consagrado desde a liberdade das partes em:


• transacionar direitos patrimoniais disponíveis em um negócio;
• livre escolha de optar pela arbitragem para solucionar suas controvérsias,
com a inclusão da cláusula compromissória no contrato celebrado, passando
pelo estabelecimento de regras quanto ao procedimento arbitral, até;
• a fixação de prazo para prolatar a sentença arbitral.

Esse princípio, em nenhum momento, deverá ser relegado a segundo


plano pelo árbitro no desempenho de suas funções, posto ser sua investidura
delegada pelas partes e delimitada, por elas próprias, em aspectos relativos a
seus interesses no âmbito da controvérsia.

II- PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS

No desempenho de sua função, o árbitro deverá proceder com


imparcialidade, independência, competência, diligência e confidencialidade,
bem como exigir que esses princípios sejam rigidamente observados pela
instituição em que for escolhido, visando proporcionar aos demandantes uma
decisão justa e eficaz da controvérsia, e explica:

A investidura do árbitro é derivada da confiança a ele depositada pelas


partes ou pela instituição que o escolher, desde o início, com sua nomeação, durante
todo o decorrer do procedimento, até seu final, com a elaboração da sentença.

Essa confiança a ele delegada é imanente à decisão que será proferida,


bem como à sua conduta quanto ao desenrolar de todo o procedimento arbitral,
motivo pelo qual o árbitro deverá sempre ser:

160
TÓPICO 2 | ÉTICA NO EXERCÍCIO DA ARBITRAGEM

• imparcial, no sentido de evitar qualquer privilégio a uma das partes em


detrimento da outra;
• independente, entendendo-se não estar vinculado a qualquer das partes
envolvidas na controvérsia;
• competente, no sentido de conhecer profundamente os parâmetros ditados
pelas partes para elaboração de sua decisão; e,
• diligente, pressupondo-se que não poupará esforços para proceder da
melhor maneira possível quanto à investigação dos fatos relacionados à
controvérsia.

III- DO ÁRBITRO FRENTE À SUA NOMEAÇÃO

O árbitro aceitará o encargo se estiver convencido de que pode cumprir sua


tarefa com: competência, celeridade, imparcialidade e independência, e explica:

• O árbitro somente deverá aceitar sua nomeação quando possuir as


qualificações necessárias, e disponibilidade de tempo para satisfazer as
expectativas razoáveis das partes.

• O árbitro deverá revelar às partes, frente à sua nomeação, interesse ou


relacionamento de qualquer natureza (negocial, profissional ou social) que
possa ter, ou que tenha tido com qualquer uma delas, e que possa afetar
a sua imparcialidade e sua independência, ou comprometer sua imagem
decorrente daqueles fatores.

IV- DO ÁRBITRO FRENTE À ACEITAÇÃO DO ENCARGO

Uma vez aceita a nomeação, o árbitro se obrigará com as partes, devendo


atender aos termos convencionados por ocasião de sua investidura.

Não deve o árbitro renunciar, salvo excepcionalmente, por motivo grave


que o impossibilite para o exercício da função, e explica:

• Uma vez que o árbitro aceitou o encargo, se subentende que ele já avaliou
o fato de que é imparcial, e que poderá atuar com independência, com
celeridade e com competência.

• Não é admitida a renúncia do árbitro. Sua nomeação e aceitação do cargo o


vinculam ao processo até o fim. Sua renúncia poderá acarretar a finalização
desse procedimento, e o começo de um novo, em face de designação de um
novo árbitro.

161
UNIDADE 3 | ARBITRAGEM

V- DO ÁRBITRO FRENTE ÀS PARTES

O árbitro frente às partes deve:

1 utilizar a prudência e a veracidade, se abstendo de promessas e garantias a


respeito dos resultados;
2 evitar conduta ou aparência de conduta imprópria ou duvidosa;
3 ater-se ao compromisso constante da convenção arbitral, bem como não
possuir qualquer outro compromisso com a parte que o indicou;
4 revelar qualquer interesse ou relacionamento que provavelmente afete
a independência ou que possa criar uma aparência de parcialidade ou
tendência;
5 ser leal, bem como fiel ao relacionamento de confiança e confidencialidade
inerentes ao seu ofício, e explica:

• O árbitro deverá atuar com suma prudência na sua relação com as partes.
Seu relacionamento não deve gerar nenhum vestígio de dúvida quanto à sua
imparcialidade e independência.
• O árbitro é o juiz do procedimento arbitral, portanto, seu comportamento
deverá ser necessariamente acorde com a posição que ele detém.
• O fato de o árbitro ter sido nomeado por uma das partes não significa que a
ela esteja vinculado; ao contrário, deverá manter-se independente e imparcial
frente a ambas.
• Deverá manter comportamento probo e urbano para com as partes, dentro e
fora do processo.

VI- DO ÁRBITRO FRENTE AOS DEMAIS ÁRBITROS

A conduta do árbitro em relação aos demais árbitros deverá:

1 obedecer aos princípios de cordialidade e solidariedade;


2 ser respeitoso nos atos e nas palavras;
3 evitar fazer referências de qualquer modo desabonadoras a arbitragens que
saiba estar ou ter estado a cargo de outro árbitro;
4 preservar o processo e a pessoa dos árbitros, inclusive quando das eventuais
substituições.

VII- DO ÁRBITRO FRENTE AO PROCESSO

O árbitro deverá:

1 manter a integridade do processo;


2 conduzir o procedimento com justiça e diligência;
3 decidir com imparcialidade, independência e de acordo com sua livre
convicção;

162
TÓPICO 2 | ÉTICA NO EXERCÍCIO DA ARBITRAGEM

4 guardar sigilo sobre os fatos e as circunstâncias que lhe forem expostos pelas
partes antes, durante e depois de finalizado o procedimento arbitral;
5 comportar-se com zelo, empenhando-se para que as partes se sintam
amparadas e tenham a expectativa de um regular desenvolvimento do
processo arbitral;
6 incumbir-se da guarda dos documentos quando a arbitragem for "ad hoc"
e zelar para que essa atribuição seja bem realizada pela instituição que a
desenvolve, e explica:

Todos os deveres elencados neste item pressupõem uma conduta do


árbitro de forma inatacável, no sentido de não ser objeto de qualquer crítica
pelas partes ou por outras pessoas eventualmente interessadas na controvérsia.

Daí ser imprescindível sua atribuição de manter a integridade do


processo, conduzindo-o de forma escorreita, com extrema retidão em todas as
suas ações e atitudes.

VIII- DO ÁRBITRO FRENTE A ÓRGÃO ARBITRAL INSTITUCIONAL OU


ENTIDADE ESPECIALIZADA

Deverá o árbitro frente a órgão institucional ou entidade especializada:

1 cooperar para a boa qualidade dos serviços prestados pela entidade


especializada;
2 manter os padrões de qualificação exigidos pela entidade;
3 acatar as normas institucionais e éticas da arbitragem;
4 submeter-se a este Código de Ética e ao Conselho da instituição ou entidade
especializada, comunicando qualquer violação às suas normas.
FONTE: Disponível em: <www.conima.org.br/codigo_etica_arb>. Acesso em: 15 jan. 2015.

Para finalizar este tópico, nos amparamos nas palavras proferidas por
Senge (1994, p. 4-6), que, ao referir-se sobre ética, menciona:

Nós partimos do princípio de que a ética é unicamente humana, só que


a ética existe em todas as sociedades humanas e, talvez, mesmo entre
nossos parentes não humanos mais próximos, e dizemos ainda que ela
pode ser um conjunto de regras, princípios ou maneiras de pensar que
guiam, ou chamam a si a autoridade de guiar as ações de um grupo em
particular (moralidade), ou é o estudo sistemático da argumentação
sobre como nós devemos agir (filosofia moral), e nos comportar no
nosso cotidiano, seja ele profissional e/ou pessoal.

163
RESUMO DO TÓPICO 2

Neste tópico vimos:

• O posicionamento de diferentes autores quanto à ética.

• O código de ética aprovado pelo Conselho Nacional das Instituições de


Mediação e Arbitragem, o qual é aplicado à conduta de todos os árbitros. Sua
composição divide-se em oito partes:

o I– Autonomia da vontade das partes. O árbitro deve reconhecer que a


arbitragem fundamenta-se na autonomia da vontade das partes,
devendo centrar sua atuação nesta premissa.

o II– Princípios fundamentais. O árbitro, ao desempenhar sua função,


deverá proceder com imparcialidade, independência, competência,
diligência e confidencialidade, bem como exigir que esses princípios
sejam rigidamente observados pela instituição em que for escolhido,
visando proporcionar aos demandantes uma decisão justa e eficaz da
controvérsia.

o III– Do árbitro frente à sua nomeação. O árbitro aceitará o encargo se


estiver convencido de que pode cumprir sua tarefa com: competência,
celeridade, imparcialidade e independência.

o IV– Do árbitro frente à aceitação do encargo. Uma vez aceita a nomeação,


o árbitro se obrigará com as partes, devendo atender aos termos
convencionados por ocasião de sua investidura. Não deve o árbitro
renunciar, salvo excepcionalmente, por motivo grave que o impossibilite
para o exercício da função.

o V– Do árbitro frente às partes. Deve o árbitro frente às partes: utilizar


a prudência e a veracidade, se abstendo de promessas e garantias
a respeito dos resultados; evitar conduta ou aparência de conduta
imprópria ou duvidosa; ater-se ao compromisso constante da convenção
arbitral, bem como não possuir qualquer outro compromisso com a
parte que o indicou; revelar qualquer interesse ou relacionamento que
provavelmente afete a independência ou que possa criar uma aparência
de parcialidade ou tendência; ser leal, bem como fiel ao relacionamento
de confiança e confidencialidade inerentes ao seu ofício.

o VI– Do árbitro frente aos demais árbitros. A conduta do árbitro em relação


aos demais árbitros deverá: obedecer aos princípios de cordialidade
e solidariedade; ser respeitoso nos atos e nas palavras; evitar fazer

164
referências de qualquer modo desabonadoras a arbitragens que saiba
estar ou ter estado a cargo de outro árbitro; preservar o processo e a
pessoa dos árbitros, inclusive quando das eventuais substituições.

o VII– Do árbitro frente ao processo. O árbitro deverá: manter a integridade do


processo; conduzir o procedimento com justiça e diligência; decidir com
imparcialidade, independência e de acordo com sua livre convicção;
guardar sigilo sobre os fatos e as circunstâncias que lhe forem expostos
pelas partes antes, durante e depois de finalizado o procedimento arbitral;
comportar-se com zelo, empenhando-se para que as partes se sintam
amparadas e tenham a expectativa de um regular desenvolvimento
do processo arbitral; incumbir-se da guarda dos documentos, quando
a arbitragem for “ad hoc”, e zelar para que essa atribuição seja bem
realizada pela instituição que a desenvolve.

o VIII- Do árbitro frente a órgão arbitral institucional ou entidade especializada.


Deverá: cooperar para a boa qualidade dos serviços prestados pela
entidade especializada; manter os padrões de qualificação exigidos
pela entidade; acatar as normas institucionais e éticas da arbitragem;
submeter-se a este Código de Ética e ao Conselho da instituição ou
entidade especializada, comunicando qualquer violação às suas normas.

• Pelo exposto é possível confirmar as palavras de Lopes de Sá (1996, p.65) em seu


livro Ética Profissional, quando relata: “Na conduta ética, a virtude é condição
basilar, ou seja, não se ode conceber o ético sem o virtuoso como princípio, nem
deixar de apreciar tal capacidade em relação a terceiros”.

• Infere-se que a virtude do homem tem ligação com a justiça praticada no exercício
profissional e no comportamento pessoal com o meio em que está inserido.

165
AUTOATIVIDADE

1 Assinale a alternativa CORRETA. O Código de Ética para Árbitros, nos


termos aprovados pelo Conselho Nacional das Instituições de Mediação e
Arbitragem, se aplica à:

a) ( ) Natureza dos árbitros.


b) ( ) Conduta do perito.
c) ( ) Conduta do contador assistente.
d) ( ) Conduta de todos os árbitros.
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.

2 O Código de Ética para Árbitros, nos termos aprovados pelo CONIMA, está
dividido em oito partes. Assinale a única alternativa que não corresponde
com o escrito no código.

a) ( ) Do árbitro frente às partes


b) ( ) Do árbitro frente ao processo
c) ( ) Do árbitro frente à nomeação do perito
d) ( ) Do árbitro frente à sua nomeação
e) ( ) Do árbitro frente à aceitação do encargo.

3 Classifique em V (verdadeiro) e F (falso). O princípio da autonomia da


vontade é o principal sustentáculo do instituto da arbitragem. É consagrado
desde a liberdade das partes em:

a) ( ) a fixação de prazo para prolatar a sentença arbitral;


b) ( ) transacionar ativos contábeis disponível;
c) ( ) livre negociação entre os árbitros, para liberalidade das partes;
d) ( ) transacionar direitos patrimoniais disponíveis em um negócio;
e) ( ) livre escolha de optar pela arbitragem para solucionar suas controvérsias.

4 Preencha os espaços tornando a frase correta.

A investidura ___________ derivada da ___________________________ pelas


partes ou pela _______________, _________________, com sua nomeação,
___________________________________, até ___________, _____________
elaboração da sentença. _________________________ imanente à decisão
___________________________, bem como _______________ quanto ao ____
__________________________________, motivo pelo qual ________________
deverá sempre ser: (a) ______________, no sentido de ____________________
uma das partes em detrimento da outra; (b) _______________, entendendo-
se ___________________ qualquer das partes _______________________;
(c) __________________, no sentido de conhecer profundamente
___________________________ para _____________________; (d)

166
____________, pressupondo-se ____________________ para proceder
_____________________ quanto à ____________________________________
_ _____________________.

5 Assinale a alternativa CORRETA. Quando se trata do Árbitro frente à aceitação


do encargo é possível dizer que, uma vez que aceita a nomeação, o árbitro:

a) ( ) Realiza as atividades conforme sua disponibilidade.


b) ( ) Se obrigará com as partes.
c) ( ) Não precisa atender aos termos convencionados.
d) ( ) Pode renunciar.
e) ( ) Sua nomeação e aceitação do cargo não têm vínculo com o processo.

6 Assinale a alternativa CORRETA. O árbitro frente às partes não deverá:

a) ( ) Utilizar a prudência e a veracidade, se abstendo de promessas e garantias


a respeito dos resultados.
b) ( ) Evitar conduta ou aparência de conduta imprópria ou duvidosa.
c) ( ) Ater-se ao compromisso constante da convenção arbitral, bem como
não possuir qualquer outro compromisso com a parte que o indicou.
d) ( ) Revelar qualquer interesse ou relacionamento que provavelmente afete
a independência ou que possa criar uma aparência de parcialidade ou
tendência.
e) ( ) Ser infiel ao relacionamento de confiança e confidencialidade inerentes
ao seu ofício.

167
168
UNIDADE 3
TÓPICO 3

ITENS RELEVANTES NO EXERCÍCIO DA ARBITRAGEM

1 INTRODUÇÃO
Para elaborar este tópico, selecionamos alguns itens que entendemos ser
relevantes para a sua formação. Desejamos que você tenha um bom estudo e que
aproveite bem este material que lhe proporcionamos.

A matéria pertinente ao tema arbitragem é, ainda, escassa, mas dentro do


que esteve ao nosso alcance buscamos explorar o máximo, sempre pensando na
sua formação profissional e pessoal.

2 ORIGEM DA ARBITRAGEM
Desde os tempos mais remotos, buscamos apaziguar os problemas
inerentes aos conflitos.

As civilizações primitivas buscavam uma forma amigável de solução


imparcial através de árbitros (pessoas de confiança mútua em que as partes se
louvavam para resolver os seus conflitos). Esta interferência, em geral, recaía sobre os
sacerdotes que garantiam soluções acertadas, de acordo com a vontade dos deuses,
em face de suas ligações com as divindades, ou então buscavam a solução através
dos anciões (sábios) que conheciam os costumes do grupo social da comunidade a
que pertenciam as partes. A decisão do árbitro pautava-se pelos padrões acolhidos
pela convicção coletiva, inclusive pelos costumes. Disponível em: <http://www.
inpecon.com.br/arbitragem_e_mediacao.html>. Acesso em: 14 ago. 2011.

A origem da arbitragem, como meio de composição de litígios, é bem


anterior à jurisdição pública. Isto nos permite dizer que a arbitragem foi norma
primitiva de justiça e que os primeiros juízes nada mais foram do que árbitros.
 
A arbitragem no Brasil encontrava-se em desuso e a Lei nº 9.307/96
resgatou de nossas instituições jurídicas o acordo de vontades por meio do qual
as partes, preferindo não se submeter à decisão judicial, confiam a árbitros a
solução de seus conflitos de interesses. Porém, os próprios interessados, mediante
concessões mútuas, dirimem suas controvérsias de comum acordo, transferindo
a terceiros a solução, por não se sentirem habilitados a resolvê-las pessoalmente.
É um meio rápido e racional de solução paralelo ao Poder Judiciário, tornando
mais célere a aplicação da justiça.
169
UNIDADE 3 | ARBITRAGEM

A sentença, sendo condenatória, constitui título executivo e independente


de homologação. A inexistência da homologação judicial é um dos possíveis
atrativos do juízo arbitral, bem como o seu caráter sigiloso.

Nada impede que a sociedade se ampare em alternativas mais baratas


e rápidas, como a arbitragem, podendo, sempre que necessário, recorrer ao
poder público para obrigar os vencidos a cumprirem a decisão proferida. E, de
acordo com o parágrafo 1º do artigo 4º da Lei nº 9.307/96 - Lei da Arbitragem, as
relações de negócios que tenham por objeto direitos patrimoniais disponíveis
facultam às partes estipular preventivamente que eventuais dúvidas ou
conflitos de interesses que venham a surgir durante a sua vigência, sejam
submetidos preferencialmente a decisão do Juízo Arbitral. Para tal deliberação
inserir-se-á "Cláusula Compromissória" nos contratos.

Nesse contexto globalizado, o profissional deve estar preparado mediante


especialização, procurando sempre ampliar os conhecimentos contábeis, como
também em outras áreas, para ocupar o espaço a ele destinado e atuar nesta
nova forma alternativa de solução de controvérsias e litígios, originados de
relações contratuais ou extracontratuais, originária da vontade das partes.
A possibilidade de maior rapidez na solução do conflito, a especialização
do árbitro das questões levadas à sua apreciação, o menor custo e também o
sigilo da questão em debate, principalmente questões comerciais, muitas delas
envolvendo segredos industriais ou questões técnicas, são aspectos inerentes à
decisão arbitral e ao próprio negócio da empresa.
FONTE: Disponível em: <http://www.inpecon.com.br/arbitragem_e_mediacao.html>. Acesso em:
14 ago. 2011.

Uma vez identificada e abordada, em nossos estudos, a origem da perícia


contábil, o passo seguinte é conhecer as figuras do árbitro e do perito e distingui-
las uma da outra.

3 ÁRBITRO E PERITO
De acordo com Alberto (2009), a perícia existe desde os mais remotos
tempos da humanidade, assim que esta iniciou o processo civilizatório para
caminhar da animalidade à racionalidade, e quem comandava a sociedade
primitiva eram, a bem dizer, o perito, o juiz, o legislador etc., uma vez que
julgavam, faziam e executavam as leis.

Continua explicando Alberto (2009) que a figura do árbitro surgiu na milenária


Índia e, segundo registros, era eleito pelas partes. Na verdade, ele era perito e juiz,
simultaneamente, pois lhe cabia a verificação direta dos fatos, o exame do estado das
coisas e lugares, como também lhe cabia a decisão judicial a ser homologada, pelo
que detinha o poder real, feudal, no sistema de castas e privilégios indianos.

170
TÓPICO 3 | ITENS RELEVANTES NO EXERCÍCIO DA ARBITRAGEM

Superados os tenebrosos tempos da Idade Média, com seus tribunais de


inquisição, seus “juízos de deus” estruturaram-se novamente, renascendo então
um direito mais positivo e consentâneo com o novo surto ocidental que se seguiu.

Embora todas as legislações, desde o século XVII, inclusive a legislação


brasileira, institucionalizassem a figura do árbitro, que não é o perito, sem a
exigência de conhecimentos especiais, judicialmente, não mais se permitiu a
delegação da entrega da prestação jurisdicional ao profissional detentor de
conhecimentos técnico-científicos, mas sim, passou a ser exigida a perícia como
auxiliar da justiça, ou seja, o juiz não mais deve ficar ligado à opinião do expert se
sua àquela se opõe. (ALBERTO, 2009).

Continua Alberto (2009, p. 6): “[...] por outro lado, extrajudicialmente


também se esvaiu o caráter dinâmico, de modo que o resultado anteriormente
obtido, mais próximo do trabalho do árbitro, a arbitragem, passou a ser uma
opinião técnica”.

Então, judicialmente, o resultado material da atividade pericial, isto é, o


laudo pericial, é uma prova altamente valorizada, porque representa a afirmativa
ou opinião fundamentada científica ou tecnicamente.

Extrajudicialmente o laudo vai além de seu valor probante, para se


consubstanciar em opinião equilibrada, isenta e independente, que pode
oferecer uma visão clara e detalhada de uma situação de disputa que pode estar
subentendida ou manifestada.

UNI

Em outras palavras, é possível dizer que o laudo representa um ponto de equilíbrio,


a solução sugerida para conflitos ou dúvidas sobre determinadas situações, coisas ou fatos.

Em se tratando do árbitro, buscamos o entendimento de Arenhart (2005),


ao explicar que a lei disciplina a figura do árbitro, estabelecendo que qualquer
pessoa, que seja capaz e que goze da confiança das partes, pode sê-lo, independente
de formação específica, qualidade própria ou outra condição especial, segundo
prevê o art. 13 do Código de Processo Civil.

171
UNIDADE 3 | ARBITRAGEM

Arenhart (2005) ressalta que mais importante do que a qualificação


possuída pelo sujeito, importa que ele tenha a confiança dos sujeitos que pretendem
submeter certo litígio à arbitragem. Essa característica é essencial à própria
função da arbitragem. A renúncia à jurisdição tradicional e a impossibilidade
de insurgir-se contra a decisão arbitral, pela inexistência, no processo arbitral,
da figura do recurso, faz com que se ponha sobre os ombros do árbitro severa
responsabilidade, que somente pode ser bem desenvolvida se ele tiver a plena
confiança das partes. Além disso, este crédito pode tornar-se fundamental para
coagir as partes a aceitar a decisão arbitral, evitando-se ao máximo possível
submeter a sentença arbitral à posterior execução frente ao Poder Judiciário.

A lei, por outro lado, autoriza a formação de um tribunal arbitral, composto


por mais de um árbitro. Desta forma, explica Arenhart (2005), não é necessário que
as partes designem apenas uma pessoa para decidir sua controvérsia. A faculdade é
certamente elogiável, seja porque permite que cada qual dos interessados indique
alguns dos julgadores, seja porque permite a formação de corpo de árbitros que
reúna pessoas com formações ou especializações diferentes, oferecendo órgão
multidisciplinar para o julgamento de questões de maior complexidade.

A única ressalva feita pela lei é no sentido de que os árbitros, no caso


do tribunal arbitral, sejam em número ímpar, prevê o art. 13, § 1º, do Código de
Processo Civil, o que se justifica para evitar qualquer possibilidade de “empate”
na solução da arbitragem. Não optando pela escolha destes, poderão as partes
estabelecer procedimento para a sua eleição, ou utilizar-se de critérios empregados
por entidade ou instituição especializada em arbitragem, afirma o autor Arenhart
(2005). De qualquer forma, sempre que as partes se limitarem a indicar árbitros
em número par, presume a lei estarem os árbitros nomeados autorizados a
indicar um outro profissional, a fim de compor o quorum suficiente para instituir a
arbitragem. Para a escolha deste outro árbitro, não havendo acordo entre estes, a
solução será recorrer ao Poder Judiciário para a sua indicação, competindo, então,
ao magistrado, a quem competiria originalmente conhecer do litígio, decidir a
respeito da nomeação do outro árbitro, conforme dispõe o art. 13, § 2º do Código
de Processo Civil.

Arenhart (2005) ressalta que não poderão funcionar como árbitros as


pessoas que possuam, com as partes ou com o litígio, qualquer comprometimento
apurado segundo as causas de impedimento e suspeição previstas pela lei
processual, segundo prevê o art. 134 a 136, do Código de Processo Civil. Havendo
qualquer desses motivos, compete ao árbitro apontá-los desde logo, a fim de que
a parte o substitua, se assim entender conveniente. Do mesmo modo, cumpre a
ele, diante dessa causa, recusar sua nomeação, sob pena de poder ser futuramente
responsabilizado por isso.

Por seu turno, a parte não pode, após estar ciente da causa de impedimento
ou de suspeição do árbitro, pretender recusá-lo, apesar de ter aceito sua indicação.

172
TÓPICO 3 | ITENS RELEVANTES NO EXERCÍCIO DA ARBITRAGEM

A recusa, em tais casos, apenas pode ocorrer por razão superveniente


à nomeação, admitindo-se a recusa, por fato anterior, apenas quando a parte
não tiver nomeado diretamente o árbitro ou quando o motivo para recusa deste
somente veio a ser conhecido ulteriormente, dispõe o art. 14, § 2º do Código de
Processo Civil, menciona Arenhart (2005).

Para os casos em que o árbitro, ou os árbitros não puderem desempenhar


sua atividade por qualquer razão, isto é, ou por sua recusa, ou por seu falecimento,
de acordo com a legislação, haverá a indicação de árbitro(s) substituto(s), que
deverá(ão) ser indicado(s) no compromisso celebrado ou, sendo omisso este
pacto, cumprirá às partes acordarem o modo de sua escolha. Não havendo acordo
a respeito, e não tendo estabelecido as partes algum critério para a escolha deste
substituto, será necessário recorrer ao Poder Judiciário para a eleição deste, ou,
caso as partes tivessem pactuado não aceitar substituto para a solução judicial da
controvérsia, destaca o art. 16, §§ 1º e 2º, do Código de Processo Civil.

A lei de arbitragem 9.307/96 equipara o árbitro a um servidor público para


fins penais, dispõe o art. 17 do Código de Processo Civil. Significa dizer que o
árbitro, em agindo de forma ilícita, sujeita-se às penas previstas para os tipos
específicos contemplados como crimes contra a administração pública praticados
por funcionários públicos. Desta forma, pode o árbitro ser sujeito ativo de crimes
como o de corrupção passiva, prevaricação ou concussão.

Pelo que expusemos, você pode observar a abrangência que tem a figura
do árbitro e do perito na perícia.

4 PERÍCIA ARBITRAL
Alberto (2009), ao explicar sobre a perícia contábil, ressaltou as distintas
espécies de perícia, que são identificáveis e definíveis segundo os ambientes
em que estão instadas a atuar, cujos ambientes delinearão suas características
intrínsecas e o modus faciendi, para o perfeito atendimento do objeto. Os ambientes
de atuação que lhe definirão as características podem ser: ambiente judicial,
ambiente semijudicial, ambiente extrajudicial e o ambiente arbitral.

Daí decorre serem quatro as espécies de perícias detectáveis segundo


o raciocínio amparado: (1) perícia judicial; (2) perícia semijudicial; (3) perícia
extrajudicial; (4) perícia arbitral.

A perícia arbitral, de acordo com Alberto (2009), é aquela realizada no


juízo arbitral, cujo pedido decisório é criado pelas partes, não se enquadrando
em nenhuma das outras espécies de perícia citadas, devido a suas características
especiais de atuar parcialmente como se judicial ou extrajudicial fosse. A perícia
arbitral subdivide-se em: probante (que prova) e decisória (que decide) de acordo
com que se destine a funcionar como meio de prova do juízo arbitral, como
subsidiadora da convicção do árbitro, ou é ela própria a arbitragem, ou seja,
funciona seu agente ativo como o próprio árbitro da discussão.
173
UNIDADE 3 | ARBITRAGEM

UNI

Alberto (2009) ressalta que as espécies de laudo não dependem diretamente das
espécies de perícias. Estão mais ligados aos objetivos e procedimentos periciais empregados.

5 TÉCNICAS DE ARBITRAMENTO
Segundo Alberto (2009), a finalidade da perícia determinada ou solicitada
se valerá de técnicas específicas. Alberto (2009) explica que não podemos
confundir procedimentos técnicos típicos da atividade pericial com “espécies
de perícia”, pois são coisas completamente diversas, entretanto cabe considerar
que em sua maior parte estas técnicas são comuns a todas as espécies de perícia,
embora parte-se da conceituação das Normas Contábeis, assim identificadas:
exame, vistoria, indagação, investigação, arbitramento, avaliação, certificação.

Para que o acadêmico relembre, faremos um breve comentário sobre


cada uma das técnicas comuns a todas as espécies de perícia, segundo Alberto
(2009): (I) exame – é a análise dos elementos que constituem a matéria, e pode
ser em relação a uma pessoa, documento etc.; (II) vistoria – é o ato de verificar
a condição do objeto pericial concreto, que pode ser pessoa, máquina etc.; (III)
indagação – é o ato pericial de obtenção do testemunho pessoal daqueles que
têm conhecimento dos fatos ou atos concernentes à matéria periciada; (IV)
investigação – a definição dada pelas normas de contabilidade pertinentes a esta
técnica pericial é suficientemente abrangente para ser tomada para qualquer
perícia, decorrente de astúcia, fraude, malícia e outros procedimentos que visam
obscurecer a verdade; (V) avaliação – é a análise e identificação do valor das
coisas, bens, direitos etc., por critério objetivo, calculável ou demonstrável. É a
constatação do valor real das coisas; (VI) certificação – é a informação trazida ao
laudo pelo perito com caráter afirmativo, cuja autenticidade é reconhecida em
função de fé pública atribuída ao profissional.

Arbitramento, de acordo com Alberto (2009), em seu aspecto puro está


relacionado à solução de debate por critério técnico, como previsto nas normas contábeis.

Do ponto de vista pericial é a técnica de determinar valores por


procedimentos estatísticos, como média, mediana, desvio-padrão etc., e
analógicos, isto é, situações mensuráveis conhecidas são utilizadas como
parâmetro para se determinar o valor de situação não diretamente mensurável,
capaz de fundamentar o valor possível de ser encontrado.

174
TÓPICO 3 | ITENS RELEVANTES NO EXERCÍCIO DA ARBITRAGEM

Ressalta Alberto (2009) que as técnicas de arbitramento e avaliação não


são aplicáveis a todas as espécies de perícias e por isso devem ser encaradas como
técnicas de mensuração de valor, possíveis de serem usadas por contadores,
economistas ou até engenheiros. Entretanto, não podem ser usadas por médicos
ou profissionais que estudam a escrita (grafotécnicos).

6 LAUDO ARBITRAL
O laudo arbitral, segundo Alberto (2009), diverge, em parte, das
características gerais elencadas, pois a conclusão arbitral é uma decisão sobre a
questão proposta.

O laudo arbitral deverá utilizar-se da forma descritiva, isto é, deverá


descrever em forma de relatório, fundamentos e dispositivo final, que tem
semelhança apurada com as características de sentença judicial. O laudo arbitral
é, assim, o resultado do trabalho do árbitro, e esta função, em determinados casos,
é mais adequada aos peritos, razão pela qual está sendo considerada neste estudo
não como atividade pericial, mas de instância decisória.

7 SENTENÇA ARBITRAL
Arenhart (2005), doutor em Direito Processual Civil, estudioso da área,
realizou estudos pertinentes à arbitragem e faz breves observações sobre o
procedimento arbitral, conforme segue.

Arenhart (2005) denomina de sentença arbitral o ato do árbitro ou do


tribunal arbitral decidir a discussão submetida à arbitragem. Este ato é em tudo
assimilado à sentença judicial, ressalvado, entretanto, de que não pode conter,
entre seus efeitos, qualquer expressão de imperium, por não se tratar de ato estatal.

O julgamento contido na sentença arbitral pode revestir-se de resultado


positivo não situado no exercício de imperium estatal. Neste caso, menciona Arenhart
(2005), esta sentença pode ser declaratória, constitutiva ou condenatória, porém,
jamais terá caráter de mando ou executivo. Ressalta ainda que esta classificação
tem em vista a eficácia preponderante da sentença, o que não impede que esta
decisão contenha mais de uma destas eficácias, nem que, em havendo cumulação
de pedidos, possa esta sentença encaixar-se em mais de um destes tipos.

A sentença arbitral opera seus efeitos não apenas em relação às partes, entre
as quais é dada, mas também, à semelhança do que ocorre com a sentença judicial,
e é impositiva também frente aos sucessores das partes, conforme prevê o art. 31.

175
UNIDADE 3 | ARBITRAGEM

Para Szklarowsky (2008), a sentença arbitral condenatória constitui título


executivo judicial, assim como a sentença homologatória de transação ou de
conciliação, ainda que verse matéria não posta em juízo, ex vi do disposto nos
incisos III e VI, do artigo 584 do Código de Processo Civil, com a redação dada
pelo artigo 1º da Lei nº 10.358, de 27 de janeiro de 2001.

Arenhart (2005) ressalta que, do mesmo modo que ocorre com a sentença
judicial, pode a sentença arbitral operar efeitos, naturais e reflexos, em face de
terceiros, não podendo, porém, ser exigida em relação aos mesmos, nem sendo
estes efeitos indiscutíveis para terceiros.

Novamente, Arenhart (2005) menciona que, com o objetivo de melhor


esclarecer esta ideia, utilize-se o exemplo a seguir apresentado:

[...] uma sentença arbitral que anule determinado contrato de compra


e venda não opera seus efeitos apenas em relação às partes, mas
também terceiros, que tivessem interesse indireto no cumprimento
daquele pacto, são indiretamente prejudicados e frustrados com a
decisão judicial, isto é, pessoas que utilizariam o bem adquirido,
credores que poderiam pretender o crédito resultante da compra
e venda etc.; a sentença arbitral, portanto, surtiria efeitos também
para estes terceiros, apenas não admitindo que estes efeitos possam
ser imutáveis ou indiscutíveis para os terceiros que revelem possuir
legitimidade e interesse para discuti-los judicialmente.

Arenhart (2005) menciona que em se tratando de sentença arbitral de


cunho condenatório, esta decisão constituirá título executivo, e em caso de não
cumprimento voluntário do preceito, subsidiará o processo de execução na via
judicial conforme art. 31, in fine.

Continua Arenhart (2005) mencionando que a sentença arbitral também


poderá revestir-se de caráter meramente homologatório. Quando as partes, no
curso da arbitragem, chegarem a algum acordo a respeito do litígio, poderão
elas solicitar ao árbitro, ou ao tribunal arbitral, a homologação desta transação
por sentença, mesmo para que se revista ela da eficácia de título executivo, à
semelhança da sentença arbitral condenatória.

A sentença arbitral deve ser promulgada no prazo previsto pela


Convenção de Arbitragem. Em sendo omisso este pacto, o prazo para a sentença
será de seis meses, contados da instituição da arbitragem ou da substituição do
árbitro, segundo prevê o art. 23 do Código de Processo Civil. Uma vez que a
parte interessada tenha notificado o árbitro, concedendo-lhe prazo de dez dias
para a entrega da sentença, o descumprimento desse prazo acarretará a extinção
do compromisso arbitral e, consequentemente, a nulidade daquele julgamento,
dispõe o art. 32, inciso VII. O prazo poderá ser prorrogado por acordo entre as
partes e o árbitro, tantas vezes quantas corresponderem ao interesse dos litigantes.

176
TÓPICO 3 | ITENS RELEVANTES NO EXERCÍCIO DA ARBITRAGEM

De acordo com o art. 24 do Código de Processo Civil, exige a lei que a


sentença arbitral seja dada em documento escrito, que contenha inclusive os
requisitos do art. 26. Assim, deverá esta sentença, de forma similar ao que ocorre
com a sentença judicial, conter relatório, fundamentação e dispositivo. Além de
indicar a data e o local em que tenha sido proferida, deve estar assinada pelo
árbitro ou pelos árbitros que a elaboraram. No relatório deve haver menção aos
nomes dos litigantes, sendo o espaço para que os árbitros apresentem uma síntese
do litígio a eles submetido. Na fundamentação da sentença arbitral deverão os
árbitros avaliar as questões de fato e de direito componentes das razões do litígio,
indicando as razões que os levam a decidir de tal ou qual forma. É nesse momento
que se estabelecem as premissas do julgamento, com o exame dos argumentos
trazidos pelas partes, das provas produzidas e dos elementos relevantes para a
formação do convencimento dos árbitros, ressalta Arenhart (2005).

É ainda imposição da lei que na fundamentação seja expressa a menção de


que a decisão se funda em equidade, quando este for o caso, amparada no art. 26,
inc. II. Estabelecidas as razões do julgamento, o próximo passo é o dispositivo da
sentença arbitral, que é o local em que os árbitros resolvem os pedidos que lhes
foram apresentados, oferecendo a solução à controvérsia sujeita à arbitragem.
Se necessário for, é nesse momento que se fixa o prazo para o cumprimento da
sentença arbitral pelas partes. Cabe ainda, na sentença arbitral, a decisão a respeito
das despesas e custos referentes à arbitragem. Compete aos árbitros imputar esta
responsabilidade às partes, segundo critérios de equidade ou segundo a previsão
contida na Convenção de Arbitragem, não havendo a obrigatoriedade de seguir-
se a disciplina prevista no Código de Processo Civil a esse respeito. Do mesmo
modo, havendo previsão na convenção de arbitragem sobre a questão, caberá aos
árbitros, na sentença arbitral, decidir a respeito de eventual litigância de má-fé,
impondo ao responsável as sanções contempladas no pacto.

No caso de ser proferida por tribunal arbitral, a sentença arbitral é tomada


por maioria de votos, prevalecendo, no caso de dissidência invencível, o voto do
presidente do tribunal, conforme dispõe o art. 24, § 1º. O árbitro vencido poderá,
se assim entender necessário, declarar seu voto em separado, o que não alterará a
substância da decisão, nem terá repercussões em termos de resultado positivo da
decisão ou de impugnabilidade da sentença.

Uma vez concluída a sentença arbitral, será dado ciência às partes, através
do envio de cópia da decisão, pessoalmente, com recibo, por via postal ou por
qualquer outro meio de comunicação, desde que comprove o seu recebimento.

A partir desse processo, dar-se-á início ao prazo para o cumprimento da


decisão, que uma vez descumprido sujeitará o infrator à competente demanda
judicial executiva. (ARENHART, 2005).

177
UNIDADE 3 | ARBITRAGEM

Ressalta Arenhart (2005) que a sentença arbitral não se sujeita a recurso


de qualquer espécie, nem a homologação judicial, conforme prevê o art. 18,
entretanto, poderá a parte interessada requerer ao árbitro, ou ao tribunal arbitral,
no prazo de cinco dias, contados da ciência da sentença arbitral e comunicado ao
seu adversário, que corrija eventual erro material contido naquela decisão, ou até
mesmo que esclareça alguma obscuridade, dúvida ou contradição ali presente ou
mesmo supra possível omissão verificada. Essa situação, que se assemelha aos
embargos de declaração previstos na legislação processual comum, visa, como
pode ser observado, evitar a entrega de decisão defeituosa, que gere dificuldade
de cumprimento ou mesmo de entendimento pelas partes, e, eventualmente,
pelo Poder Judiciário, havendo a necessidade de sua execução ulterior. Se houver
requerimento de esclarecimento/retificação da sentença, deverão os árbitros
a seu respeito pronunciar-se em dez dias, aditando a sentença se for o caso, e
comunicando as partes de forma idêntica à comunicação referente à sentença.

Há requisitos ou elementos da sentença arbitral que devem ser cumpridos


à risca, e estão previstos no artigo 26 da Lei nº 9307, de 1996. Sua ausência
produzirá a nulidade. Esta será absoluta ou relativa, conforme o caso. Esse
dispositivo deve ser interpretado em consonância com o artigo 32, que trata da
nulidade da sentença. (SZKLAROWSKY, 2008).

Szklarowsky (2008) apresenta a manifestação do juiz em uma sentença e cita


que são requisitos necessários da sentença judicial, segundo o disposto no artigo 458:

I - o relatório que deverá conter os nomes das partes, a suma do


pedido e da resposta do réu, bem como o registro dos principais
acontecimentos ocorridos no processo;
II – os fundamentos em que o juiz apreciará as questões de fato (ponto,
objeto da controvérsia) e de direito; o dispositivo em que o juiz decidirá
as questões que lhe foram submetidas.

Wambier (2007) apud Szklarowsky (2008) prefere adotar a expressão


elementos, ao invés de requisitos, e descreve os elementos da sentença: relatório,
fundamentação e decisório.

Os pressupostos para a validade da decisão arbitral são em número


de cinco, assim identificados: (1) relatório; (2) fundamentos da decisão; (3)
disposição legal e o prazo para o cumprimento do decisório; (4) data e o lugar em
que foi proferida; (5) assinatura do(s) árbitro(s) ou a certificação pelo presidente
do tribunal arbitral, se algum árbitro não quiser assinar. Não se admite decisão
oral. O juízo arbitral deverá obrigatoriamente fazê-la por escrito, para servir de
sustentáculo para sua execução em caso de a parte não cumpri-la voluntariamente.

178
TÓPICO 3 | ITENS RELEVANTES NO EXERCÍCIO DA ARBITRAGEM

Wambier (2007) apud Szklarowsky (2008), ao mencionar sobre os elementos,


comenta que o relatório deverá conter o nome das partes, o resumo da disputa, e
as ocorrências e incidentes havidos durante o procedimento, bem como o pedido
do demandante e a resposta do demandado, de forma sucinta, sem rodeios. Pelo
relatório é possível verificar que o juiz apoderou-se dos principais fatos, devendo
ele registrar os pontos controversos, de forma simples e objetiva, prescindindo da
retórica. A clareza, contudo, é de fundamental importância.

A fundamentação, assim entendida como a essência da sentença, ganha


importância não só na sentença judicial, ex vi da determinação do citado artigo
458 do Código de Processo Civil, mas também na sentença arbitral, em atenção ao
comando do inciso II do artigo 26, e deriva do princípio da motivação. O artigo 93
da Constituição exige a fundamentação das decisões, sob pena de nulidade. Este
princípio, sem dúvida, aplica-se às sentenças arbitrais.

De acordo com Arenhart (2005), a fundamentação deve ser feita com a


máxima clareza, transparência e compreende a descrição da forma por que foi julgado
o litígio, ou seja, se o foi por equidade, por apreciação dos fatos, pelas questões de
fato e de direito, por razões de seu convencimento, a análise das provas, da perícia,
das testemunhas, das preliminares ou das questões prejudiciais, se já não o fez.

Outro detalhe importante é o dispositivo que fundamentou a decisão, o


qual não pode faltar, explica Alvim (2000 apud ARENHART, 2005). É a parte
mais importante, porque aí reside a sentença sobre o mérito, ou seja, sobre a
parte central da dissidência, julgando, pois, o juiz procedente ou improcedente o
pedido. A lei de arbitragem estabelece a obrigatoriedade de o juiz arbitral fazer
constar o local em que foi proferida a sentença, em consonância com a ordem do
artigo 10, IV. A data também é necessária, devido ao prazo para a apresentação da
decisão, e o inciso III do artigo 11 faculta a estipulação no compromisso do prazo
para a apresentação da sentença.

Uma vez encerrado este item, você pode confirmar a escassez de matéria
sobre o tema. São poucos autores que abordam este conteúdo e cada qual comenta
algum ponto diferente, sempre amparado na legislação pertinente.

8 PERITO DO JUÍZO: ESTIMATIVA E ARBITRAMENTO DOS


HONORÁRIOS
Quando buscamos resposta sobre os honorários para os casos de perito
nomeado em juízo, nos amparamos em Alberto (2009), que explica que a
remuneração está prevista no Código de Processo Civil, o qual determina que os
honorários periciais são de responsabilidade da parte que requereu o exame, uma
vez que lhe cabe o pagamento de cada ato processual à medida que estes ocorram,
ou do autor, quando este vier a ser determinado por ofício pelo magistrado, ou
requerido por ambas as partes, conforme prevê o art. 33 do Código de Processo
Civil. Decorrentes das disposições processuais, temos os honorários periciais que

179
UNIDADE 3 | ARBITRAGEM

são considerados despesas do processo, os quais devem ser pagos a cada ato,
mediante depósito antecipado que será liberado no todo ou em parte, quando da
entrega do laudo. Nestes casos o procedimento normal é o de que o perito nomeado
em juízo examine os autos e verifique se há necessidade ou não de solicitar o
depósito prévio dos honorários provisórios ou definitivos para a realização da
perícia. A determinação de que se faça ou não este depósito prévio de honorários
não é uma faculdade do juízo. O perito, judicialmente nomeado, deverá solicitar,
mediante petição, fundamentando o pedido, estimando o montante necessário
para os primeiros trabalhos periciais.

Apresentada a estimativa dos honorários provisórios, cabe ao juiz arbitrá-


los e determinar que a parte responsável efetue o depósito correspondente em
estabelecimento oficial de crédito, à ordem do juízo, a favor do perito e em seu
próprio nome. (ALBERTO, 2009).

Dentro de uma situação de normalidade, o profissional apresentará,


juntamente com o Laudo Pericial Contábil, uma petição estimando o valor dos
honorários periciais totais. Ressalta Alberto (2009) que o perito submete seu
pedido e estimativa dos honorários ao juízo e, mediante ato de arbitramento, o
juiz fixará o montante da remuneração. Através deste ato, que é privativo do juiz,
é arbitrado o valor da remuneração pericial, considerando cinco itens relevantes:
1) a importância e complexidade do trabalho apresentado; 2) a perfeição técnica;
3) a fundamentação e os custos demonstrados pelo perito; 4) a capacidade
econômico-financeira das partes envolvidas; e, 5) a importância econômica da
ação, para as partes.

NOTA

Alberto (2009) ressalta que as espécies de laudo não dependem diretamente das
espécies de perícias. Estão mais ligados aos objetivos e procedimentos periciais empregados.

As manifestações, positivas, negativas ou até mesmo a omissão da(s)


parte(s) sobre o tema é levada em conta pelo juiz no momento do arbitramento
dos honorários do perito.

Ressaltamos que nos casos das ações trabalhistas, com raras exceções,
os autores são pessoas de capacidade econômica reduzidíssima, que não têm
capacidade de antecipar ou de suportar os honorários, bem como, se pensarmos
do ponto de vista social da Justiça Trabalhista, é possível concluir que não existe a
possibilidade de exigir depósitos prévios ou antecipações, ou até mesmo pagamento
imediatamente posterior à entrega do laudo à maioria dos casos.

180
TÓPICO 3 | ITENS RELEVANTES NO EXERCÍCIO DA ARBITRAGEM

Não queremos dizer que o profissional da perícia não tenha o direito


de requerer tais depósitos, mas existe o dever social de, assumindo o encargo,
aguardar a liquidação da ação para receber seus honorários. Se o condenado ao
pagamento dos honorários for o empregado, por sua insuficiência financeira,
dificilmente o perito receberá seus honorários. A garantia de justiça gratuita às
pessoas menos favorecidas e a necessidade de realização da prova farão com que
o perito desista dos honorários, se a situação concreta assim o exigir.

8.1 EM JUÍZO ARBITRAL


O juízo arbitral, segundo Alberto (2009), como sendo o juízo instituído
pela vontade das partes está disposto nos arts. 1.072 a 1.102 do Código de Processo
Civil. A atual legislação que rege tal juízo é instituível por compromisso, judicial
ou extrajudicial, não se admitindo a cláusula compromissória.

Ainda segundo Alberto (2009), as pessoas que instituírem o juízo arbitral


farão constar do compromisso arbitral a declaração de responsabilidade pelo
pagamento dos honorários dos peritos e das despesas processuais, além de
outros requisitos, sob pena de nulidade. Desta forma, as partes assumem o dever
de responder pelos honorários dos peritos, que possam vir a ser nomeados nos
autos, e assim também dos honorários do árbitro.

Para Alberto (2009), se o profissional estiver atuando como perito no


juízo arbitral, independente se for indicado pelo árbitro ou se for como assistente
técnico indicado pela parte, serão adotados os mesmos procedimentos aplicados
no caso da perícia judicial, inclusive no que diz respeito à estimativa de honorários,
lembrando de antemão que as partes já se comprometeram a realizar o pagamento
do montante fixado.

Se o profissional estiver atuando diretamente como árbitro, este terá o


direito a receber os honorários contratados pelo desempenho de sua função. Se
não houver acordo quanto aos honorários, ou se não constar do compromisso este
dispositivo, o árbitro deverá requerer ao juiz, a quem compete a homologação do
próprio laudo arbitral, sua fixação por sentença, de maneira que o árbitro possa
promover sua execução.

Finalizamos a abordagem dos itens mencionados como relevantes,


amparados em legislação específica, e na visão de alguns estudiosos, haja
vista que pouco é o material disponível sobre o assunto. Assim mesmo, nosso
entendimento é de que o material foi bem explorado.

181
UNIDADE 3 | ARBITRAGEM

LEITURA COMPLEMENTAR

A IMPORTÂNCIA DA PERÍCIA DENTRO DA ARBITRAGEM

O contador, especialmente aquele que destina a sua atividade profissional


à área da perícia contábil, está inserido na atividade de arbitragem. Esta afirmativa
deve-se ao fato de que o trabalho do perito-contador tem muita semelhança com
aquele desenvolvido na arbitragem.

Atuando como perito indicado pelo juízo ou por indicação das partes, como
assistente técnico, o contador deve buscar a solução do conflito por meio da prova
pericial. Na arbitragem, o objetivo é o mesmo, o que muda é a forma de atingir a
finalidade. Portanto, os peritos contábeis estão aptos a atuar na arbitragem.

A perícia contábil, segundo a Norma Brasileira de Contabilidade – NBC


TP 01 – Perícia Contábil, constitui-se no conjunto de procedimentos técnicos
e científicos destinado a levar à instância decisória os elementos de prova
necessários a subsidiar a justa solução do que está sendo discutido, mediante
laudo pericial contábil e/ou parecer pericial contábil, em conformidade com as
normas profissionais e a legislação específica no que for pertinente.

Consta de forma expressa, na NBC TP 01, que a perícia contábil, tanto a


judicial como a extrajudicial e a arbitral, é de competência exclusiva de contador
registrado em Conselho Regional de Contabilidade.

A presente norma aplica-se ao perito-contador nomeado em juízo, ao


contratado pelas partes para a perícia extrajudicial ou ao escolhido na arbitragem;
e, ainda, ao perito-contador assistente indicado ou contratado pelas partes.

A atividade profissional do perito-contador está atualmente mais próxima


da arbitragem, pois assim está determinando o mercado, tanto na esfera do
Judiciário quanto na esfera extrajudicial. Esta afirmação tem por base a constante
nomeação de profissionais para atuarem como peritos-contadores para auxiliar
como árbitros em processos judiciais, nomeados pelo juiz, principalmente em
processos na fase de liquidação de sentença.

De forma natural, o contador que atua na área da perícia contábil,


recebendo de forma repetitiva o voto de confiança dos juízes e/ou das partes para
a apuração de haveres, atuará com muita familiaridade como árbitro.

A importância da perícia na arbitragem está tanto para auxiliar na solução do


conflito quanto na formação do árbitro, face aos seus conhecimentos técnicos específicos
sobre matéria que envolve os direitos patrimoniais disponíveis e a sua quantificação.

182
TÓPICO 3 | ITENS RELEVANTES NO EXERCÍCIO DA ARBITRAGEM

Na arbitragem, mesmo não havendo a estrutura do Judiciário, o objetivo a


ser alcançado pelas partes litigantes é o mesmo, ou seja, a solução da controvérsia,
mas a escolha das partes pelo juízo arbitral é que irá desencadear uma forma de
obter o resultado diverso daquele tradicionalmente celebrado pela via judicial.

A perícia, como meio de prova para auxiliar na solução de conflitos, é


tão importante no âmbito judicial como no juízo arbitral, pois ela é, de fato, uma
prova com o respaldo e credibilidade necessários tanto para convencimento do
juiz togado quanto para o juiz arbitral.

O mercado de trabalho se amplia quando se vê a arbitragem como um


meio de decisão de litígios e, principalmente, de desafogo do Judiciário. Pode o
contador atuar como perito no processo, como assistente técnico de uma das partes
no processo e, extrajudicialmente, como juiz arbitral ou como perito na arbitragem.
A prova pericial poderá ser determinada pelas partes interessadas em função de
ser necessário o conhecimento contábil específico não afeto às partes julgadoras.

Abordar ou refletir sobre a importância da perícia na arbitragem é alertar para


um campo de atuação que também deve ser valorizado pelo perito-contador, pois a
Reforma do Judiciário, que reduziu a atuação dos profissionais na área da Justiça do
Trabalho, trouxe muitas mudanças para os profissionais que atuam neste segmento.

Assimilar essas alterações compreende uma adequação do profissional


atentando não só para as restrições delas advindas, mas também para as
possibilidades de novas frentes de trabalho que se abrem, tornando-se a arbitragem
um mercado em desenvolvimento. A formação profissional e a experiência
adquirida pelos contadores que atuam no segmento do Judiciário como peritos
ou assistentes técnicos são fundamentais para a formação de um árbitro.

Notamos que o profissional da Contabilidade apresenta todas as condições


necessárias para atuar como árbitro. Todos os requisitos para o desempenho
da função de árbitro são inerentes ao perito-contador, que, em não procedendo
desta forma em seu mister, não permanecerá por certo atuando neste segmento
profissional; pelo contrário, será naturalmente repelido pelas partes que o indicarem.

Por todo o exposto, verifica-se, por meio da arbitragem, um crescimento


da atuação do contador, que diz respeito à sua natural formação técnica.
FONTE: Comissão de Estudos de Mediação e Arbitragem. Mediação e arbitragem: a decisão por
especialistas da contabilidade. CRCRS: Porto Alegre, 2005.

183
RESUMO DO TÓPICO 3

Neste tópico vimos:

• A origem da arbitragem.

• Qual a civilização que iniciou o trabalho arbitral e como ele era desenvolvido
pelas civilizações primitivas.

• A arbitragem no Brasil, abordando a Lei 9.307/96 que resgatou das instituições


jurídicas o acordo de vontades, por meio do qual as partes, para não se
submeterem à decisão judicial, confiam aos árbitros a tarefa de solucionar seus
conflitos de interesses.

• A importância da preparação do profissional mediante especialização, para o


exercício da arbitragem, haja vista a carência de profissionais na área.

• No que tange ao árbitro e ao perito, Alberto (2009) explica que no início quem
comandava a sociedade era o perito, juiz, legislador etc., uma vez que este
julgava, fazia e executava as leis.

• Sobre o relatório emitido por estes profissionais, o que se denominou de laudo


pericial e laudo arbitral, que é o instrumento que representa um ponto de
equilíbrio, a solução sugerida para conflitos ou dúvidas sobre determinadas
situações, coisas ou fatos.

• Arenhart (2005) explica que a lei disciplina a figura do árbitro, estabelecendo


que qualquer pessoa, que seja capaz e que goze da confiança das partes,
pode sê-lo, independente de formação específica, qualidade própria ou outra
condição especial, segundo prevê o art. 13 do Código de Processo Civil.     

• Compõem o tema as espécies de perícias detectáveis segundo o raciocínio


amparado, assim identificadas: (1) perícia judicial, (2) perícia semijudicial, (3)
perícia extrajudicial e (4) perícia arbitral.

• Alberto (2009) ressalta que as espécies de laudo não dependem diretamente das
espécies de perícias, estão mais ligadas aos objetivos e procedimentos periciais
empregados. Ainda sobre o laudo arbitral foi relatado sobre a forma descritiva,
isto é, deverá descrever em forma de relatório, fundamentos e dispositivo final,
que tem semelhança apurada com as características de sentença judicial.

• O laudo arbitral é o resultado do trabalho do árbitro, e esta função, em


determinados casos, é mais adequada aos peritos, razão pela qual está sendo
considerada neste estudo não como atividade pericial, mas de instância decisória.

184
• A matéria que trata sobre a sentença arbitral, e foi exposto que é o ato do árbitro
ou do tribunal arbitral decidir a discussão submetida à arbitragem, e sobre a
nomeação do perito, a quem compete quando nomeado em juízo, bem como os
honorários que lhe cabem.

• Que o arbitramento dos honorários periciais não é condicionado ao


entendimento das partes a respeito destes. Vale destacar que a atual legislação
que rege tal juízo é instituível por compromisso, judicial ou extrajudicial, não
se admitindo a cláusula compromissória. (ALBERTO, 2009).

185
AUTOATIVIDADE

1 Para conhecer melhor a origem da perícia, buscou-se identificar um pouco


de sua história, e observou-se que as civilizações primitivas buscavam
resolver as questões de forma amigável, através de:

a) ( ) Pessoas de confiança mútua, que as partes escolhiam para a resolução


dos conflitos.
b) ( ) Pessoas de confiança mútua, ligadas à educação.
c) ( ) Pessoas de confiança mútua com alto poder econômico-financeiro.
d) ( ) Pessoas de confiança mútua ligadas à área do direito romano.
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.

2 A sentença constitui título executivo e independente de homologação


quando for:

a) ( ) Conciliatória
b) ( ) Compromissória
c) ( ) Civilizatória
d) ( ) Condenatória
e) ( ) Todas as alternativas estão erradas.

3 Classifique as assertivas a seguir em verdadeiras e falsas usando,


respectivamente, V e F. Segundo registros encontrados, a figura do árbitro
surgiu na milenária Índia, a quem cabia:

( ) Verificar o funcionamento do poder real.


( ) A verificação direta dos fatos.
( ) Deter privilégios indianos ligados à igreja.
( ) Exame do estado das coisas e lugares.
( ) A decisão judicial a ser homologada.

Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:


a) ( ) V– V– F– F– V.
b) ( ) F– V– V– F– V.
c) ( ) F– F– V– F– V.
d) ( ) F– V– F– V– V.
e) ( ) V– V– V– F– V.

4 Do ponto de vista judicial, o resultado material da atividade pericial,


considerada uma prova altamente valorizada, que representa a afirmativa
ou opinião fundamentada científica ou tecnicamente é denominado:

186
a) ( ) Sentença arbitral.
b) ( ) Laudo pericial.
c) ( ) Opinião independente.
d) ( ) Liminar de arbitragem.
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.

5 De acordo com Arenhart (2005), a lei que disciplina a figura do árbitro


estabelece também quem pode ser árbitro:

a) ( ) Qualquer pessoa até 21 anos.


b) ( ) Qualquer pessoa relativamente capaz, conforme direito de família.
c) ( ) Qualquer pessoa capaz e que goze da confiança das partes.
d) ( ) Qualquer pessoa que tenha cursado Ciências Contábeis.
e) ( ) Nenhuma das alternativas acima.

6 Segundo autoriza a legislação pertinente à arbitragem, é possível


formar um tribunal arbitral para decidir sua controvérsia. A faculdade é
certamente elogiável, seja porque permite que cada qual dos interessados
indique alguns dos julgadores, seja porque permite a formação de corpo de
árbitros que reúna pessoas com formações ou especializações diferentes,
oferecendo órgão multidisciplinar para o julgamento de questões de maior
complexidade. A única ressalva feita pela lei é no sentido de que:

a) ( ) O tribunal arbitral seja constituído por um contador e um advogado.


b) ( ) O tribunal arbitral seja constituído em número ímpar.
c) ( ) O tribunal arbitral seja constituído por dois contadores, um advogado e um
assistente, a quem caberá a busca de documentos externos, quando for o caso.
d) ( ) O tribunal arbitral seja constituído por três profissionais, todos
formados em curso superior, independente de área.
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.

7 A Lei de arbitragem 9.307/96, para fins penais, equipara o árbitro a:

a) ( ) Uma pessoa comum


b) ( ) Um profissional liberal
c) ( ) Um servidor público
d) ( ) Um político de carreira
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.

8 Classifique as opções a seguir em verdadeiras e falsas usando V e F,


respectivamente. Alberto (2009), ao explicar sobre a perícia contábil,
ressaltou que as distintas espécies de perícia, segundo os ambientes em que
estão instadas a atuar, são:

187
( ) Maleáveis
( ) Identificáveis
( ) Explicáveis
( ) Definíveis
( ) Nenhuma das alternativas anteriores.

Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:


a) ( ) F– F– F– V– F.
b) ( ) F– V– F– V– F.
c) ( ) F– F– V– V– F.
d) ( ) F– V– V– V– F.
e) ( ) F– V– F– F– F.

9 São espécies de perícias detectáveis segundo o raciocínio amparado.

a) ( ) Perícia judicial
b) ( ) Perícia semijudicial
c) ( ) Perícia extrajudicial
d) ( ) Perícia arbitral
e) ( ) Todas as alternativas estão corretas.

10 A perícia arbitral, de acordo com Alberto (2009), é aquela realizada no juízo


arbitral e subdivide-se em:

a) ( ) Probante
b) ( ) Decisória
c) ( ) Subsidiadora
d) ( ) Homologatória
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.

188
REFERÊNCIAS
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______. Lei nº 5.584, de 26 de junho de 1970. Dispõe sobre normas de Direito
Processual do Trabalho, altera dispositivos da Consolidação das Leis do T
rabalho, disciplina a concessão e prestação de assistência judiciária na Justiça do
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ANOTAÇÕES

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