Você está na página 1de 16

AS TRANSFORMAÇÕES DO PAPEL DA MULHER NA

CONTEMPORANEIDADE
Irla Henrique Costa 1
Valéria de Oliveira Androsio 2

RESUMO

Nos últimos anos o papel da mulher na família vem sendo repensado e re-
elaborado. Muitos fatores influenciaram essa mudança, como a inserção da
mulher no mercado de trabalho, as conquistas advindas da luta do movimento
feminista, a maior participação sócio-política da mulher, dentre outros. Porém,
essas mudanças trouxeram grande impacto sobre o papel da mulher na família.
Esse artigo tem como objetivo discutir sobre alguns fatores que estão
repercutindo na qualidade de vida das mulheres trabalhadoras fora de seu lar
com reflexos nas relações familiares. A metodologia utilizada no artigo é a
pesquisa bibliográfica, onde se pretende conhecer como a mulher está se
reorganizando para ser profissional, mãe e esposa. Ainda existem muitas
disparidades de oportunidade de trabalho entre homens e mulheres, porém
após a pesquisa bibliográfica, percebeu-se que houve grandes avanços nessa
discussão e no contexto de vida da mulher.

PALAVRAS-CHAVES: Mulher. Família. Papel da mulher. Contemporaneidade.

1
Psicóloga e pós-graduanda em Saúde Mental e Intervenção Psicossocial – Univale.
Email: irlapsico@bol.com.br

2
Enfermeira e pós-graduada em saúde pública da família e mestranda em educação.
Email: valeriaenf@univale.br
1

1 - INTRODUÇÃO

Neste trabalho proponho-me a discutir sobre alguns fatores que estão


repercutindo na qualidade de vida das mulheres trabalhadoras fora de seu lar
com reflexos nas relações familiares. Em meios a tantos pontos positivos e
negativos, no que tange a inserção da mulher no mercado de trabalho hoje e
suas diferentes formas de se viver em família, aos poucos vem sendo
delineadas novos arranjos familiares e novos comportamentos de cada
membro do grupo familiar.

Para entender essas mudanças é necessário discutir acerca do termo


família, no presente artigo definiu-se como sendo formada pelo casal e seus
filhos. Essa definição surgiu no século XIX a partir da Revolução Industrial,
ocorrendo mudanças na sociedade transformando-a em uma sociedade
industrial–capitalista. Com o avanço tecnológico, a família, inevitavelmente,
sofreu alterações em seu cotidiano, onde a mulher deixou o papel de cuidadora
e passou a trabalhar fora junto ao homem dividindo, assim, a responsabilidade
dos pais perante a educação dos filhos (DIAS, 1997).

Assim a concepção de família vem sendo repensada e aperfeiçoada de


acordo com cada época. Antes a família era considerada como um modelo
nuclear, onde o pai tinha um papel de provedor e a mãe de cuidadora.
Segundo Dias (1997), a mulher ganhando mais espaço a partir do século XX,
com o advento do movimento feminista e a maior participação sócio-política da
mulher, onde ela lutava para garantir direitos iguais entre os sexos e a divisão
de papéis.

Segundo Bilac (apud CARVALHO, 1997), é possível que as mudanças


ocorridas na família contemporânea tenham sido provocadas pelas mudanças
de papeis e a nova condição feminina. A autora diz que o trabalho feminino
causou uma mudança significante na vida doméstica e na dinâmica familiar,
trazendo reflexos para o vínculo entre o marido e mulher e com os filhos,
dividindo as tarefas do lar e a educação com o marido.
2

Castells (2002) diz que, antes o trabalho da mulher se restringia ao lar,


nos últimos anos ela passou, em muitos casos, a ser a principal provedora de
seu lar e essas manifestações feministas fizeram com que ela deixasse de ser
esposa e mãe por tempo integral e tivesse a oportunidade de refazer sua
identidade como profissional, mãe e esposa.

Devido às mudanças ocorridas ao longo dos anos na vida da mulher


tanto no sentido profissional quanto no pessoal, a mulher hoje em dia tem sido
mais independente, mudando os hábitos que lhes eram impostos pelo marido,
sociedade e pela própria família, onde a sociedade impulsionava os pais a
ensinarem às mulheres, desde pequenas, que elas deveriam casar-se para
cuidar dos filhos, da casa e do marido.

A metodologia utilizada para a construção desse artigo foi a Pesquisa


Bibliográfica, onde se pretende conhecer como a mulher está se reorganizando
para ser profissional e mãe, principalmente no que tange a esse novo cenário
da família brasileira que, segundo Dias (1997), inevitavelmente sofreu
alterações afetivas em seu cotidiano onde a mulher deixou o papel de
cuidadora e passou a trabalhar fora de casa junto ao homem, passando,
portanto a responsabilidade da educação dos filhos para os pais, marido e
esposa, não apenas à mãe.

Contudo o trabalho tende a verificar quais as responsabilidades


depositadas nas mulheres enquanto família e sociedade, como também
apresentar as dificuldades vividas dessa rotina caracterizando tais
responsabilidades e como ela está lidando com ambas as tarefas.
3

2 – REVISÃO DA LITERATURA

2.1 – AS MUDANÇAS DE ESTRUTURAS FAMILIARES

Definir família de acordo com Coelho (2006) seria conceituá-la como


uma instituição social. Já para Canevacci (1984, citado por COELHO, 2006), o
conceito dependerá de cada teoria, de diferentes pontos de vista, assim como
é importante considerar a própria mudança sócio-histórica da família.

Já Murdock (In: SINGLY, 2007) define família como um grupo social que
habitam na mesma residência e possuem interdependência econômica e
reprodutiva. Com a presença de dois adultos que coabitam sexualmente, sendo
essas relações sexuais socialmente aprovadas, e seus próprios filhos ou filhos
adotados.

Singly (2007) distingue três tipos de organização familiar: a família


nuclear, composta pelo marido e pela esposa e seus filhos, sendo esse o tipo
fundamental de família; a família poligâmica, composta de dois ou mais núcleos
familiares tendo um progenitor em comum; e a família extensa, composta por
duas ou mais famílias nucleares num único grupo familiar, sendo que nessa,
pode-se agrupar diversas gerações de famílias nucleares morando numa
mesma casa ou em conjuntos de moradias.

Segundo Melmam (2006), na sociedade medieval as famílias viviam em


casas grandes onde recebiam os amigos e parentes, sem separar o
profissionalismo da vida privada e social. Nesta época pregava-se que o
homem e a mulher não podiam viver separados um do outro e que a família
medieval tinha o papel de conservar os bens e, principalmente, o dever de
proteger a honra e a vida.
4

No período colonial, até meados do século XIX, Melmam (2006) ressalta

ainda que as famílias vivessem em grandes fazendas rodeadas dos filhos e

escravos, a maior parte da alimentação era produzida na própria fazenda e,

quando a criança alcançava algum tipo de autonomia, logo era misturada aos

adultos para trabalhar. Portanto, as famílias tinham em suas casas um senhor,

que tinha o papel de chefe da família, pai, marido e comandante da tropa, e o

restante da família o respeita e seguia suas regras e normas.

De acordo com Castells (2002), a família sofreu consideráveis


transformações no último quarto século, pois a mulher mudou sua rotina
inserindo-se no mercado de trabalho, passando assim, quase todo o dia fora do
seu lar.

Segundo Bilac (1992, citado por CARVALHO, 1995: 43) isso está
ocorrendo por que:

Vivemos numa sociedade onde a tradição vem sendo abandonada


como em nenhuma outra época da história. Assim, o amor, o
casamento, a família, a sexualidade e o trabalho, antes parte de um
projeto em que a individualidade conta decisivamente e adquire cada
vez mais maior importância social.

Segundo Carvalho (1995) no Brasil, especificamente a partir da década


de sessenta, essas mudanças afetaram a vida doméstica e redunda em
mudanças na dinâmica familiar e no relacionamento homem e mulher.

Fontenele-Mourão (2006), afirma que, depois do século XIX com o


processo de industrialização, a mulher foi reconhecida no mercado de trabalho,
principalmente como uma empregada assalariada. Devido a essa inserção da
mulher no mercado de trabalho, ela procurou dividir suas tarefas domésticas,
seja com o pai ou com instituições como: creches, escolas e outros,
promovendo a participação do pai na educação dos filhos e também na
organização da casa.
5

Dentre as mudanças ocorridas, a autora citada acima, afirma que a


mulher está tendo um maior espaço no mercado de trabalho nos últimos vinte
anos e a mão-de-obra feminina também está sendo superiores as dos homens.
E Coelho (2006), diz que, mesmo ocorrendo tantas mudanças, a questão da
desigualdade de gênero ainda não foi extinta, porém vem sendo repensada.
Uma forma de ver isso é o papel da mulher inserida no mercado de trabalho,
onde a mesma acumula as obrigações domésticas além de trabalhar fora.

De acordo com Dreikurs e Soltz (1964) na modernidade, devido aos


avanços tecnológicos e lutas por igualdade entre homem e mulher, as crianças
acabaram tendo que se divertir separadas dos seus pais, pois os mesmos
passam a maior parte do seu tempo trabalhando em prol de uma melhor
condição de vida para seus filhos, faltando, assim, tempo para participar de
uma relação pessoal com os mesmos.

2.2 PAPEL DA MULHER NA FAMÍLIA

Os papéis antes eram preestabelecidos dentro da família e, hoje isto já


não esta acontecendo com tanta freqüência. Está existindo uma individualidade
onde, pai, mãe ou filho, lutam por seus direitos, igualdades, sua identidade e
até mesmo pela sobrevivência de cada um, sem necessariamente deixar de ser
família apesar da redefinição dos papéis.

Para ambos, marido e esposa, o trabalho fora de casa seria uma forma
de se tratarem com igualdade, principalmente nos afazeres domésticos, tendo
que dividir as tarefas do lar e a educação dos filhos. Tal fato trouxe muitas
modificações quanto às responsabilidades da mulher exercidas em casa, isso
porque ela, além do papel de cuidadora, exerce também o papel de provedora
do lar em muitos casos (COELHO, 2006).

No início do século XX, segundo Coelho (2006), nas décadas de 60 e


70, a mulher lutou por direitos iguais em relação aos dos homens. Assim, o
6

casamento e a família deixaram de ser prioridades em sua vida, ocorrendo


mais separações, mulheres solteiras e provedoras de lar.

Sarti (2007) em seu livro “A família como espelho: um estudo sobre a


moral dos pobres” retrata sua pesquisa realizada em São Paulo na década de
setenta sobre a importância da família na vida dos pobres. Sobre os papeis do
homem e da mulher na família, a autora observou que na organização familiar
o homem era visto como o chefe da família e a mulher como a chefe da casa.

Nesse sentido, fica evidente que a autoridade sobre a família, a


mediação e o contato com o mundo externo seriam de responsabilidade do
homem, sua presença garantiria a respeitabilidade moral da família e o
sustento financeiro; já a unidade familiar, o cuidado de cada membro e o zelo
pela moradia seria a responsabilidade da mulher, ela seria a responsável pelo
orçamento doméstico, a dona-de-casa e mãe.

A educação dos filhos é tarefa complexa para os pais, porém a mulher


acumulava sozinha essa função. Diversas fontes apresentam as mães mais
envolvidas do que os pais nas tarefas do dia-a-dia da criança e no
acompanhamento educacional dos filhos. Observa-se que, nas últimas
décadas, um número crescente de pais que também compartilham com a
mulher essa tarefa educativa e a responsabilidade sobre os filhos, buscando
adequarem-se à nova realidade familiar.

Segundo Trindade, Andrade & Souza (In: WAGNER et. al., 2005), na
década de 1980 os papéis e as representações dos pais ainda tinham o ranço
da tradicionalidade, porém diversos fenômenos e movimentos sociais mudaram
o perfil da família, a antiga estrutura familiar tradicional, com o homem como
único provedor e a mãe como única dona-de-casa e cuidora dos filhos.

Coelho (2006) coloca ainda, que só no início dos anos 90 é que a mulher
conquistou uma redefinição de papéis e identidades masculina e feminina, e
essas mudanças e conquistas ocorreram devido ao trabalho e a modernização
do mundo. Portanto, essas variações de estruturas familiares, para Coelho
7

(2006), vão de acordo com o ciclo de desenvolvimento de um determinado


grupo familiar e são essas variações que dão lugar aos novos arranjos
familiares. Há nesse período uma relativa divisão de tarefas domésticas e
financeiras, sendo os homens mais envolvidos nas tarefas do dia-a-dia do lar e
a mulher assumindo o sustento financeiro parcial ou total da família.

Vale ressaltar que essas mudanças não aconteceram com a mesma


freqüência e/ou intensidade em todas as famílias. Ocorrendo um fenômeno de
uma falta de definição da família além de diversas configurações e modelos
familiares distintas e coexistentes. Onde tarefas e responsabilidades são
dividas conforme acordo intra-familiar.

Esse deslocamento das figuras masculinas e femininas como coloca


Sarti (2007), trazem outras implicações às famílias. Um evento observado pela
autora é a questão do respeito e da proporcionalidade das responsabilidades
dentro do lar. A autora relata que o trabalho para a mulher não é um problema
em si, pois a mesma está acostumada a trabalhar, porém manter o respeito e a
autoridade exercida pelo homem é extrapolar um universo simbólico enraizado.

A necessidade de analisar e compreender a coexistência dos


aspectos modernos e tradicionais nas famílias contemporâneas nos
últimos 15 anos, revelou um considerável aumento no número de
pesquisas sobre a divisão de gênero nessas atividades domésticas.
Pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos têm constatado que a
divisão das tarefas domésticas ainda tende a seguir padrões
relativamente tradicionais. Mesmo nas casas onde as mulheres têm
um ganho financeiro maior do que os maridos, ou mesmo naquelas
onde os maridos estão desempregados, elas realizam uma
quantidade muito maior de atividades no trabalho doméstico que eles.
(WAGNER, et. al., 2005: 182)

Wagner (2005) mostra uma realidade vista em muitos contextos, apesar


de trabalhar fora, em seu novo papel, a mulher acaba acumulando funções e
responsabilidades antigas com as novas responsabilidades de sustento. O
estereótipo de gênero por vezes se mistura ao estereótipo das tarefas, sendo
algumas consideradas tarefas predominantemente femininas e outras
masculinas. Sendo o trabalho doméstico exercido pelo homem visto como uma
“ajuda” à mulher e não como responsabilidade do homem no zelo pela casa.
8

2.3 A VIDA DA MULHER NA MODERNIDADE

Segundo Coelho (2002), a inserção da mulher no mercado de trabalho e


sua luta por direitos iguais aos dos homens, é fruto das mudanças ocorridas
principalmente na família, mas a mulher ainda sofre de alguns preconceitos
ainda no que se refere a salários e funções abaixo de sua formação, assédio
sexual, estado civil, dentre outros. Mas a mulher também obteve muitos ganhos
como o sentimento e a realização de está inserida no mercado de trabalho
obtendo sua individualidade e seu espaço.

Já Coelho (apud AUN et. al., 2006), diz que, mesmo tendo as mudanças,
a questão da desigualdade de gênero ainda não foi extinta, mas sim
repensada. Uma forma de ver isso é o papel da mulher inserida no mercado de
trabalho, onde a mesma além de trabalhar fora, acumula as obrigações
domésticas.

Freitas (2000) salienta que, após anos de questionamentos sobre a


divisão sexual dos papeis, a figura da mulher passou a ser de lutadora, pensa-
se em mãe lutadora e que a presença e a luta por parte das mulheres se
tornaram comum. Compreende-se que esse pensamento vem de tradições
culturais onde cabe a mulher o espaço privado. A identidade da mulher na
família ainda encontra-se em construção, mesmo assim ela ocupa lugar de
destaque dentro da família, mantendo seu lugar de poder e somando obrigação
externas ao lar.

O estudo do DIEESE (2009), Departamento Intersindical de Estatística e


Estudos Socioeconômicos, sobre o perfil das famílias no mercado de trabalho
em Belo Horizonte no período de 2007 a 2008, apresenta dados importantes
sobre a situação da mulher e seu papel nas famílias atuais. Segundo o estudo,
9

a taxa de desemprego entre as mulheres na região tem apresentado uma


considerável queda em relação ao desemprego entre os homens, porém o
salário da mulher equivale à 74,9% do rendimento masculino.

Esse dado representa um aspecto interessante sobre a inserção da


mulher no mercado de trabalho, mostrando que apesar do expressivo aumento
da escolaridade feminina e da colocação da mulher em cargos diversos, que a
mesma ainda enfrenta um preconceito no trabalho. O estudo ainda apresenta a
família nuclear como predominante na região e que se encontram menores que
em estudos anteriores e que os novos postos de trabalho criados foram
ocupados mais por mulheres que por homens.

O estudo do DIEESE (2009) conclui que as disparidades entre homens e


mulheres no mercado de trabalho têm diminuído nos últimos anos devido ao
aumento da importância dada à carreira e ao crescimento do seu papel.

De acordo com a SPM, Secretaria Especial de Políticas para Mulheres


da Presidência da República, e a OIT, Organização Internacional do Trabalho
(2009), manter a igualdade entre homem e mulher se tornou tarefa difícil, pois a
mulher teve afazeres adicionais além do trabalho profissional ela mantém sua
casa com relação aos cuidados com o filho e até mesmo na organização da
casa em muitos casos.

Outro fator levantado pela SPM e a OIT (2009) é a necessidade da


proteção à mulher trabalhadora em relação à maternidade, conciliar
maternidade e profissão não é fácil para as mulheres. Existem leis que
protegem a mulher, assegurando sua segurança e proteção durante a gestação
e uma licença maternidade remunerada pelo INSS – Instituto Nacional de
Seguro Social por um determinado período de 120 dias e 60 dias, opcionais,
pagos pelo empregador, somando um total de 180 dias – 6 meses para cuidar
do recém-nascido, além de auxílio ao cuidado infantil através de auxílio-creche
até os 5 anos da criança. Porém ainda resistem idéias de que contratar mulher
é mais caro que contratar homens devido aos benefícios assegurados às
mulheres.
10

Para Castells (In: FONTENELLE-MOURÃO, 2006) a redefinição do


papel da mulher na modernidade foi causada principalmente por três fatores: a
entrada maciça das mulheres no mercado de trabalho; o planejamento familiar
através do controle reprodutivo e o advento da pílula anticoncepcional e a
influência do movimento feminista.

Os movimentos feministas, iniciados na década de sessenta e setenta,


formaram a vanguarda revolucionária da luta das mulheres ao problematizarem
a (des)igualdade entre homens e mulheres e questionar os diversos aspectos
da vida social, como a família, sexualidade, tarefas domésticas, inserção no
mercado de trabalho e educação dos filhos. Após esse momento, o modo de
vida da mulher passou a ser discutido com mais veemência tanto na sociedade
quanto nos estudos científicos.

O objetivo dos movimentos feministas era obter o reconhecimento social


às mulheres através de estratégias políticas, sendo um movimento de
esquerda, pautado na teoria marxista-leninista, esse movimento social
procurava a redemocratização e legitimava a luta das mulheres por seu espaço
no ambiente privado e externo (FONTENELLE-MOURÃO, 2006).
11

3 – CONSIDERAÇÕES FINAIS

A interação entre a vida pessoal e o trabalho mudou de maneira decisiva


a estrutura da organização familiar. Porém, apesar de todas as mudanças da
família na contemporaneidade, ela continua sendo o espaço onde acontecem e
resolvam os conflitos, as negociações, direitos, deveres, limites e outros, assim
a família ainda é um lugar importante para se socializar e aprender com
pessoas. Diante disso, o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal deve ser
buscado visando à obtenção de uma qualidade de vida, sendo as mulheres e
os homens co-responsáveis pela casa e pela educação dos filhos (OIT, 2009).

Contudo a OIT (2009) aponta vários direitos que a mulher deve usufruir
como o da maternidade, sendo esse um direito para que mulheres
trabalhadoras de terem seus filhos e trabalharem após o período de licença
com segurança da empregabilidade. Muitos são os aspectos que permeiam a
vida e a inserção da mulher no mercado de trabalho. Esses aspectos
trouxeram grandes influências para a vida e a estrutura da família.

No mundo moderno, especialmente após a década de sessenta, buscou-


se com mais intensidade a igualdade de direitos e oportunidade para homens e
mulheres, para alcançar essa ideológica igualdade muitos aspectos internos e
externos à família precisaram ser repensados e redefinidos, porém alguns
desses aspectos não foram consolidados ou universalizados.

Mesmo após as grandes conquistas da mulher e dos avanços


tecnológicos, o papel da mulher ainda é permeado por ranços de
tradicionalismo, onde a mulher é vista como cuidadora da família e a
responsável pelo zelo da casa. O papel da mulher na contemporaneidade,
diferente do tradicional, soma sua inserção no mercado de trabalho à sua
função na família, gerando a dupla jornada da mulher, dentro e fora de casa.

O estudo do DIEESE (2009), pesquisa realizada na Região


Metropolitana de Belo Horizonte conclui que as disparidades entre homens e
12

mulheres no mercado de trabalho têm diminuído nos últimos anos devido ao


aumento da importância dada à carreira e ao crescimento do seu papel. O
estudo aponta que o rendimento médio real do salário da mulher equivale à
75% do rendimento masculino. Esse dado representa um aspecto interessante
sobre a inserção da mulher no mercado de trabalho, mostrando que apesar do
expressivo aumento da escolaridade feminina e da colocação da mulher em
cargos diversos, que a mesma ainda enfrenta um preconceito no trabalho.

Ainda existem muitas disparidades de oportunidade de trabalho entre


homens e mulheres, porém após a pesquisa bibliográfica, percebeu-se que
houve avanços nessa discussão e no contexto de vida da mulher. Os objetivos
dos movimentos feministas ainda não foram completamente alcançados, mas a
discussão sobre o assunto já se encontra mais madura e mais embasada que
em seu início. Muitas coisas ainda irão mudar, mas é um processo continuo e
demorado para se mudar papéis tão arraigados como o da figura feminina no
âmbito familiar. A importância da mulher e sua autoridade na família como mãe
e como esposa não deve nem podem ser desmerecidos ou depreciados pela
importância profissional.

Caminha-se para a conquista de uma sociedade igualitária e a questão


de gênero, assim como as questões raciais e religiosas são temáticas que
devem ser discutidas para que a sociedade e a ciência possam conhecer e
reconhecer a necessidade de mudança de pensamentos e ideologias.

Como psicóloga, pesquisadora e mulher, trabalhando junto a essa parte


da população, a mulher, que teve e ainda tem grandes dificuldades em relação
à sua posição na sociedade, sua inserção no mercado de trabalho e suas
possibilidades de crescimento tanto na família quanto no mundo do trabalho,
sinto-me agraciada por poder perceber que ainda temos muito para lutar, mas
que já tivemos muitas vitórias alcançadas.
13

TRANSFORMATIONS THE ROLE OF WOMAN IN


CONTEMPORANIETY
Irla Henrique Costa
Valeria de Oliveira Androsio

ABSTRACT

In recent years the role of women in the family has been rethought and re-
drafted. Many factors influenced this change, as the inclusion of women in the
labor market, the gains arising from the fight of the feminist movement, the
largest socio-political participation of women, among others. However, these
changes have brought great impact on the role of women in the family. This
article aims to discuss some factors that are impacting the quality of life of
women working outside their home with reflections on family relationships. The
methodology used in the article is a literature search, where you want to know
how the woman is reorganizing to be professional, mother and wife. There are
still many disparities in job opportunities between men and women, but after
searching the literature, we noticed that there were great advances in this
discussion and in the context of women's lives.

KEYWORDS: Woman. Family. Role of woman. Contemporaniety.


14

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BILAC, E. D. (1992). Sobre as transformações nas estruturas familiares no


Brasil. Notas muito preliminares. Texto apresentado no Seminário Família
Brasileira – Desafios nos processos contemporâneos. Rio de Janeiro, CIAS.

CANEVACCI, M. Dialética da família. 3. ed. São Paulo: Brasiliense, 1984.

CARVALHO, Maria do Carmo Brant de (org). A família contemporânea em


debate. São Paulo: EDUC /Cortez, 1995. 122p

CASTELLS, Manuel. O poder da identidade. Tradução: Klauss Brandini


Gerhardt. 3. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2002. 530p

COELHO, Sônia Vieira. Abordagens psicossociais da família. In: AUN, Juliana


Gontijo; VASCONCELLOS, Maria José Esteves de; COELHO, Sônia Vieira.
Atendimento sistêmico de famílias e redes sociais: fundamentos teóricos
e epistemológicos. 2º edição. Belo Horizonte: Ophicina de Arte e Prosa, 2006.
p. 143 – 233.

COELHO, Virginia Paes. O trabalho da mulher, relações familiares e


qualidade de vida. Revista Social & Sociedade, nº 71, ano XXIII, setembro
2002, p. 63-79

DIAS, Maria Luiza. Vivendo em família: relações de afeto e conflito. 9. ed.


São Paulo: Moderna, 1997. 69p

DIEESE, Departamento Intersindical de Estatística e Estudos


Socioeconômicos. Perfil das famílias no mercado de trabalho da Região
Metropolitana de Belo Horizonte. Sistema PED – Pesquisa de Emprego e
Desemprego. Boletim Regional da Mulher – Março/2009. Disponível em:
http://www.dieese.org.br/ped/bhz/pedbhzMulher2010.pdf. Acessado em: 02 de
setembro de 2010.

DREIKURS, Rudolf; SOLTZ, Vicki. Como educar nossos filhos nos dias de
hoje: liberalismo X repressão. Rio de Janeiro: Record, 1964. 348p

FONTENELE-MOURÃO, Tânia M. Mulheres no topo de carreira:


Flexibilidade e persistência. Brasília: Secretaria Especial de Políticas para
Mulheres, 2006. 92p.

FREITAS, Rita de Cássia Santos. Em nome dos filhos, a formação de redes


de solidariedade: algumas reflexões a partir do caso Acari. Revista Social
& Sociedade, nº 71, ano XXIII, setembro 2002, p. 80-101.

MELMAN, Jonas. A família e doença mental: repensando a relação entre


profissionais de saúde e familiares. São Paulo: Editora Escritura, 2006, 2ºed.
160p.
15

SARTI, Cynthia Andersen. A família como espelho: um estudo sobre a


moral dos pobres. São Paulo: Cortez, 2007, 152 p.

SINGLY, François De. Sociologia da família contemporânea. São Paulo:


Editora FGV, 2007. 208 p.

SPM, Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da


República; OIT, Organização Internacional do Trabalho. O Desafio do
Equilíbrio entre Trabalho, Família e Vida Pessoal. Brasília: SPM e OIT,
2009. 42 p.

SPM, Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da


República; OIT, Organização Internacional do Trabalho. Trabalho e Família:
Rumo a novas formas de conciliação com co-responsabilidade social.
Brasília: OIT, 2009. 150 p.

WAGNER, Adriana; PREDEBON, Juliana; MOSMANN, Clarisse; VERZA,


Fabiana. Compartilhar Tarefas? Papéis e Funções de Pai e Mãe na Família
Contemporânea. Psicologia: Teoria e Pesquisa, Mai-Ago 2005, Vol. 21 n. 2,
pp. 181-186. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttex
t&pid=S0102-37722005000200008&lang=pt. Acessado em: 08 de setembro de
2010.

Você também pode gostar