Você está na página 1de 7

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DA VARA DO ÚNICO

OFÍCIO DA COMARCA DE MATA GRANDE – ALAGOAS

SERGIO LUIZ GOULART DUARTE, brasileiro, casado,


militar da reserva remunerada, identidade militar no
023685992-2, inscrito no CPF sob o nº 569.290.997-91 e no
PIS/PASEP sob o nº 1.009.078.012-1, residente domiciliado na
SHIN QL 05, Conj. 01, Casa 12, LAGO NORTE, Brasília-DF, CEP
71505-715, com endereço eletrônico sergiolgd@gmail.com, vem,
por seus advogados ao final subscritos, propor a presente

AÇÃO ORDINÁRIA COM PEDIDO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS


MATERIAIS

em face e do BANCO DO BRASIL S/A, pessoa jurídica de direito


privado, inscrita no CNPJ/MF sob o no 00.000.000/0001-91,
com sede a SBS Quadra 01, Lote 32, Bloco C, Edifí cio Sede
III, 7o andar Setor Bancário Sul, Brasília- DF, CEP: 70073-
901, pelos fatos e fundamentos a seguir delineados.

I – SÍNTESE FÁTICA

A Lei Complementar 08/1970 (PASEP – Programa de


Formação do Patrimônio do Servidor Pú blico) teve como
objetivo distribuir, as contribuições de que trata, entre
todos os servidores em atividade, civis e militares, da União,
dos Estados, Município, Distrito Federal e Territórios, bem
como das suas entidades da Administraçã
o Indireta e fundações.
A regulamentação ocorreu de forma semelhante à do PIS, que
era destinado aos trabalhadores do setor privado.

A unificação dos dois programas (PIS/PASEP)


ocorreu por força da Lei Complementar 26/1975, sem prejuízo
do saldo existente nas contas individuais existentes (art.
1o, pará
grafo único), de forma que os servidores públicos
ingressantes nos quadros da Administraçã o pública até
outubro de 1988 permaneceram inscritos no PASEP, mantendo,
assim, a titularidade de suas respectivas cotas.

O Autor incorporou como militar do Exército


Brasileiro em 03/03/1975, onde serviu, até ser transferido
para a reserva remunerada em 25/11/2015, conforme cópia do
DOU em anexo. Foram, portanto, 40 (quarenta) anos, 08 (oito)
meses e 22 (vinte e dois) dias de serviço.
Após transferência para a reserva remunerada, fato
que fez surgir o direito ao recebimento dos valores
depositados nos programas PIS/PASEP1, o Autor procedeu ao
saque do montante de sua cota e, para surpresa, o saldo
disponível era de R$ 2.664,22 (dois mil, seiscentos e
sessenta e quatro reais e vinte e dois centavos), valor que,
por óbvio, estámuito abaixo do que se poderia esperar após
mais de 4 (quatro) décadas de rendimentos e atualização.

Resta evidente, portanto, que os valores


depositados por força dos programas PIS/PASEP foram mal
administrados e mal geridos, pelo Banco do Brasil, ora Réu,
responsável pela gestão/Administraçã
o do programa, conforme
de veráa seguir.

Este é o cenário que, gerando indignação e


inconformismo no Autor, o obrigou a recorrer ao Poder
Judiciá
rio para que faça sanar e ressarcir a lesão
patrimonial sofrida.

II – LEGITIMIDADE PASSIVA DO BANCO BRASIL

Fundamentalmente, as instituições responsáveis


pelas questões referentes aos programas PIS/PASEP são a Uniã
o
Federal, encarregada da realização do recolhimento e
depósito periódico dos valores na conta individual dos
beneficiários, nos termos do art. 2o da Lei Complementar
08/19702, e o Banco do Brasil, encarregado da
gestão/Administraçã
o do programa, mantendo contas
individualizadas em nome dos beneficiários e podendo cobrar
comissão pelos serviços prestados, nos termos do art. 5o da
Lei Complementar 08/1970.3

Desse modo, considerando que em vista das


microfilmagens dos extratos bancários (anexo) nã o há
indícios de que tenha havido falha nos depósitos, nada há
que se pleitear contra a Uniã
o Federal.

Por outro lado, a gestão/Administraçã o dos


valores depositados em razão do programa PIS/PASEP foi
evidentemente irregular, considerando que nã o houve a
atualização devida dos referidos valores, razão pela qual o
Banco do Brasil éparte legí
tima para figurar no polo passivo
da presente demanda para devida responsabilização.

A jurisprudência deste Eg. TJDFT é clara nesse


sentido:

RECURSO DE APELAÇÃ O. PASEP. LEGITIMIDADE


PASSIVA DO BANCO DO BRASIL. ARTIGO 5o DA LEI
COMPLEMENTAR No 8/1970. PRESCRIÇÃ O. PRAZO
DECENAL. ART. 205 DO CÓ
DIGO CIVIL.
INOCORRÊNCIA. SALDO DA CONTA. REGULARIDADE.
NÃ
O COMPROVADA. APELAÇÃ
O DESPROVIDA.

-A mera repetição dos argumentos ou teses


ventiladas na exordial nã
o implica,
necessariamente, a inépcia do recurso, quando
as razões suscitadas atendem ao disposto no
inciso II do artigo 1.010 do Có
digo de Processo
Civil.

-Éinequívoca a relaçã
o entre o que pleiteado
pela autora - a restituição de valores
alegadamente subtraídos de sua conta do PASEP
- e a função de administrador desse montante,
atribuída por lei ao recorrente, razão pela
qual o Banco do Brasil é parte legí tima do
polo passivo da demanda.

-Considerando que entre a ciência da autora do


saldo de sua conta individual vinculada ao
PASEP e o ajuizamento da açã
o nã
o
transcorreram dez anos, a rejeiçã o da
prejudicial de prescriçã o é medida que se
impõ
e

-O demandado não se desincumbiu do ônus de


provar a existência de fato impeditivo,
modificativo ou extintivo do direito da autora,
nos termos do art. 373, inciso II, do Có digo
de Processo Civil.

-APELAÇÃ
O CONHECIDA E DESPROVIDA.
Acórdão 1110641, 4a Turma Cível, pub.
25/07/2018. Grifo nosso.

A legitimidade passiva está, portanto, devidamente


demonstrada, seja pelas normas de regência da maté ria, seja
pela jurisprudência temática, o Banco do Brasil, ora Réu, é
responsável pela má gestão e má execução do fundo e, portanto,
deve ser responsabilizado.

III - PRAZO PRESCRICIONAL

O Autor foi transferido para a reserva remunerada,


conforme DOU em anexo, no dia 25/11/2015. Desse modo,
considerando que a presente açã o é proposta em julho de
2018, não é possível falar em transcrição do prazo
prescricional, especialmente considerando que, no presente
caso, o prazo prescricional é de 10 (dez) anos, conforme
legislação especí
fica pertinente àmatéria. Verbis:
DECRETO-LEI No 2.052, DE 3 DE AGOSTO DE 1983.
Art. 10 - A açã o para cobrança das
contribuições devidas ao PIS e ao PASEP
prescreverá no prazo de dez anos, contados a
partir da data prevista para seu recolhimento.

DECRETO No 4.524, DE 17 DE DEZEMBRO DE 2002.


Art. 96 - A açã
o para a cobrança de créditos
das contribuições prescreve em 10 (dez) anos
contados da data da sua constituição
definitiva.

As questões processuais estã


o, portanto, em ordem.
Banco do Brasil são partes com legitimidade para figurar no
polo passivo e, por fim, nã
o háque se falar em prescrição
no presente caso.

IV – DAS QUESTÕ
ES DE MÉ
RITO

IV.I – Direito do Consumidor.

Inicialmente, a questão posta nos autos deve ser


regulada pelo Código de Defesa do Consumidor, tal como já
amplamente estabelecido pela jurisprudência e pelo
entendimento sumulado do STJ. 4

A incidência do CDC é especialmente relevante na


divisão do ônus probatório, de forma que o ônus da prova
deve ser invertido, recaindo sobre as ré
s nos termos do inc.
VIII do art. 6º da legislação consumerista.5

IV.II – Dano material.

Na hipó
tese dos autos, tal como jáanotado, o Autor
incorporou como militar do Exé
rcito Brasileiro em 03/03/1975,
tendo sido inscrito perante o PIS/PASEP sob o n.o
1.009.078.012-1 com emissã o em 1975. Havendo, portanto,
depó
sitos de sua titularidade.

A questã o central a justificar a condenação do


Banco do Brasil ao pagamento de danos materiais, portanto,
está na má gestã
o e má execuçã
o do fundo, considerando a
nã
o atualização dos valores depositados.

Desse modo, quando após pelo menos 13 (treze) anos


de depósitos (1975-1988) somados a 40 (quarenta) anos de
rendimentos o Autor se depara com a modesta quantia de
R$ 2.664,22 (dois mil, seiscentos e sessenta e quatro reais
e vinte e dois centavos), sabe-se, intuitivamente e por
questã
o de bom senso, que háalgo de muito errado com o valor
ofertado pelo Banco gestor.
essa razã
o éque o Autor houve por bem contratar
perí
cia té
cnica contá
bil (anexo) para ter substrato material
para a presente Açã
o.

De acordo com a referida perí


cia técnica contá
bil,
os valores depositados a título de PASEP na conta do Autor,
se devidamente atualizados conforme a legislaçã o e, para
fins de orientação e referência contá bil, o Manual de
Cá
lculo da Justiça Federal, perfazem, até o momento da
propositura da presente açã o, o valor de R$ 107.802,49
(cento e sete mil e oitocentos e dois reais e quarenta e
nove centavos).

Veja-se, a propó
sito do cá
lculo, a fundamentaçã
o
do Parecer- Té
cnico-Contá
bil que, també
m, vai no anexo:
Assim, o Banco do Brasil deverá ser condenado a
pagar os valores depositados a titulo de PIS/PASEP
devidamente atualizados, conforme parecer técnico contábil
em anexo.

V – PEDIDOS

Diante de tudo o quanto exposto, o Autor requer:

1. A citaçã
o do Banco do Brasil para, querendo, apresentar
defesa, sob pena de confissã o e revelia;
2. A inversã
o do ônus da prova, nos termos do inc. VIII
do art. 6o VIII do CDC;
3. A condenação do Banco do Brasil ao pagamento dos
valores devidamente atualizados da conta PASEP do autor
n.o 1.009.078.012-1 (emissã o em 1975), no montante de
R$ 107.802,49 (cento e sete mil e oitocentos e dois
reais e quarenta e nove centavos), já deduzido o que
foi recebido, conforme parecer té cnico contábil e
memó
ria de cálculos (anexo) – valor a ser atualizado
atéa data do efetivo pagamento;

d. A condenação do Banco Ré


u ao pagamento de honorários
sucumbenciais, nos termos do § 2o do art. 85 do CPC, além
das custas já adiantadas ou outras despesas eventualmente
despedidas;

Dá
-se à causa do valor de R$ 107.802,49 (cento e sete mil
oitocentos e dois reais e quarenta e nove centavos), nos
termos do art. 292 do CPC/2015.

Nesses termos aguarda deferimento.


Em Brasí
lia, no Distrito Federal, no dia 18 de outubro de
2018.

FLÁVIO AUGUSTO BRANDÃO CÉSAR


OAB/AL Nº