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RESPOSTA PADRÃO

MELHORES RESPOSTAS DA RODADA 11


QUIZ DISCURSIVO – SEMANA 11
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RESPOSTA PADRÃO
Em 2016, o STF julgou constitucional o art. 6º da LC 105/2001, o qual autoriza o
Fisco a requisitar diretamente às instituições financeiras informações protegidas
por sigilo bancário. Sobre o tema, responda:
a) É possível que os fiscos estaduais e municipais também requisitem
diretamente essas informações?
b) Os Tribunais de Contas e o Ministério Público podem requerer informações
bancárias diretamente, sem ordem judicial? E as CPIs possuem essa competência?
Resposta:
Os Estados-Membros e os Municípios somente podem obter as informações previstas
no art. 6º da LC 105/2001, uma vez regulamentada a matéria de forma análoga ao
Decreto nº 3.724/2001, se observados os seguintes parâmetros: a) pertinência
temática entre a obtenção das informações bancárias e o tributo objeto de cobrança
no procedimento administrativo instaurado; b) prévia notificação do contribuinte
quanto à instauração do processo e a todos os demais atos, garantido o mais amplo
acesso do contribuinte aos autos, permitindo-lhe tirar cópias, não apenas de
documentos, mas também de decisões; c) sujeição do pedido de acesso a um superior
hierárquico; d) existência de sistemas eletrônicos de segurança que fossem
certificados e com o registro de acesso; e, por fim, e) estabelecimento de mecanismos
efetivos de apuração e correção de desvios.
O MP não pode requisitar diretamente informações sujeitas a sigilo bancário. É
necessária autorização judicial (STJ HC 160.646). Entretanto, é lícita a requisição pelo
Ministério Público de informações bancárias de contas de titularidade de órgãos e
entidades públicas, com o fim de proteger o patrimônio público, não se podendo falar
em quebra ilegal de sigilo bancário (STJ. HC 308.493). Os Tribunais de Contas também
não podem. Em regra a autorização judicial é necessária (STF MS 22934), exceto no
caso de envio de informações ao TCU relativas a operações de crédito originárias de
recursos públicos, hipótese não coberta pelo sigilo bancário (STF. MS 33340).
Ainda que seja omissa a LC 105/2001, podem as comissões parlamentares de inquérito
requerer quebra de sigilo de dados bancários, com base no art. 58, § 3º, da
Constituição. [ACO 730] A quebra do sigilo, por ato de CPI, deve ser necessariamente
fundamentada, sob pena de invalidade. O entendimento da jurisprudência é no
sentido de que as CPIs federais, estaduais e distritais podem quebrar o sigilo bancário.
Entretanto, prevalece que a CPI municipal não tem poder para a quebra sigilo bancário
ou fiscal, pois, sob o argumento de não contarem com um Poder Judiciário, não teriam
as mesmas prerrogativas das demais.
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GISELE DE MELLO COVIZZI

O STF firmou o entendimento pela constitucionalidade da requisição direta de


informações bancárias pelo fisco, pois não envolve a quebra de sigilo bancário mas a
mera transferência do sigilo de uma esfera para outra. Nesse contexto restou
assentado que os fiscos municipais e estaduais também podem requisitar diretamente
informações bancárias, desde que devidamente regulamento o procedimento,
garantindo-se o sigilo por meio da existência de sistema eletrônico com acesso
controlado, sistema efetivo de correção de eventuais desvios, além da necessidade de
correlação entre as informações solicitadas e o tributo devido, bem como, a
notificação do contribuinte sobre o inicio do processo administrativo e de todos os
seus atos. Com relação ao Ministério Público, do mesmo modo o STF entende possível
a requisição direta de informações para instrução de inquérito civis tendentes a
verificar a destinação de verbas públicas, ainda que envolva contas privadas. Isso
porque o Ministério Público possui como função institucional a fiscalização da ordem
jurídica e a proteção do patrimônio público. Ademais a regra no direito púbico é a
publicidade, de modo que não se pode opor sigilo de movimentações de verbas
públicas, nem mesmo no caso de ter sido repassadas a particular. Contudo, a quebra
do sigilo bancário do particular restringe-se a movimentação da verba pública, não
alcançando dos demais dados bancários. No mesmo sentido é o entendimento com
relação a requisições dos Tribunais de Conta, uma vez que efetua a fiscalização da
correta utilização das verbas públicas. Por fim, as CPIs por expressa disposição
constitucional (art. 58 CF) possuem poderem de investigação próprios das autoridades
judiciais, de modo que é consolidado o entendimento de que é legitima a quebra de
sigilo bancário realizada por elas, quando há interesse público relevante e desde que
fundamentada e individualizado o investigado . Somente a quebra de sigilosos que
possuem reserva jurisdicional estabelecida pela Constituição, como a interceptação
telefônica e a busca e apreensão domiciliar estão fora do alcance dos poderes da CPI.
Contudo, ressalva existe com relação as CPI em âmbito municipal, uma vez que
inexiste judiciário municipal, de modo que entende-se que tais CPIs não podem
efetuar a quebra de sigilos dos investigados, não obstante existam julgados admitindo
a quebra de sigilo bancário também no âmbito de CPI municipal.
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GABRIELA AZEVEDO DE BRITO DAMASCENO

a) É possível que os fiscos estaduais e municipais também requisitem


diretamente essas informações? De acordo com o entendimento fixado pelo Supremo
Tribunal Federal, a hipótese de requisição de informações por parte da Fazenda
Pública às instituições financeiras configura uma espécie de transferência de sigilo,
não importando em violação ao dever de sigilo bancário. Ao repassar tais informações,
as instituições financeiras viabilizam a atividade fiscalizatória e de apuração de ilícitos
pelo Fisco, o qual deverá zelar pelo sigilo das informações recebidas, sob pena de
responsabilização. Tal transferência de sigilo também se aplica aos Fiscos estadual e
municipal, desde que haja prévia regulamentação. b) Os Tribunais de Contas e o
Ministério Público podem requerer informações bancárias diretamente, sem ordem
judicial? E as CPIs possuem essa competência? Os Tribunais de Contas auxiliam o
Legislativo a exercer a função de controle externo, conforme previsto no art. 71, da
CRFB/88, sendo possível a requisição direta de informações bancárias referentes aos
entes públicos e aos recursos públicos, como já decidiu o STF. De forma semelhante,
o STF também entende ser possível que o Ministério Público requeira diretamente à
instituição financeira informações acerca de conta bancária de dada Prefeitura.
Prevalece, pois, os princípios que regem a Administração Pública. Contudo, nas
situações em que envolver terceiros, é indispensável o requerimento judicial por se
tratar de medida cautelar. Além disso, tanto o Banco Central do Brasil quanto a
Comissão de Valores Mobiliários devem informa-lo acerca de indícios ou ocorrência de
crimes de ação penal pública, conforme prevê o art. 9º, da Lei Complementar nº
105/2001. Por fim, quanto às comissões parlamentares de inquérito, verifica-se que
são dotadas de poderes de investigação próprios de autoridades judiciais, nos termos
do art. 58, §3º, da CRFB/88, sendo possível a requisição de informações diretamente às
instituições. Entretanto, no caso da CPI municipal, o STF fixou entendimento acerca da
limitação dos seus poderes, uma vez que não existe na organização dos Municípios a
presença do Judiciário. Com isso, resta impossibilitada o exercício da solicitação direta
de tais informações. Ademais, em virtude da quantidade expressiva de Municípios no
Brasil, autorizar a hipótese em análise comprometeria o sigilo das informações
bancárias dos contribuintes.