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Avaliação Antropométrica do recém nascido

da criança e do adolescente

Profa Ms. Camila Maria de Arruda


e-mail: camilamarianutricao@gmail.com

Marília/SP
2014
ANTROPOMETRIA
• Mensuração das variações das dimensões, componentes e
proporções corporais, utilizando-se isoladamente ou em
combinações (índices) para avaliar o perfil corporal de
indivíduos.

• É a única técnica aplicável e portátil a ser utilizada para avaliar


o tamanho, a proporção e a composição corporal de indivíduos
e coletividades.
ANTROPOMETRIA NA INFÂNCIA

• A infância é um período em que ocorrem variações na


composição corporal, uma vez que é caracterizado por um
processo dinâmico e complexo, regulado por múltiplos fatores.
Avaliação Antropométrica

ESTADO NUTRICIONAL

Intervenção Nutricional
ANTROPOMETRIA

A habilidade do avaliador não é uma grande fonte de erro


de medida no método antropométrico, desde que os
procedimentos padronizados sejam estritamente
seguidos.
ANTROPOMETRIA
• Equipamentos:
ANTROPOMETRIA
• Medidas Antropométricas

Peso Corporal (kg)- é a somatória de todos os componentes


corporais e reflete o equilíbrio proteico-energético do indivíduo, ou
seja, seu estado Nutricional

Comprimento (cm)- crianças até 2 anos

Estatura (cm)- crianças > 2anos

Perímetro cefálico-PC (cm)- utilizado como método diagnóstico


de estados patológicos de microcefalia, macrocefalia ou
hidrocefalia. (crianças até 5 anos).
• Medidas Antropométricas

Perímetro Torárico- PT (cm)- utilizado para classificação de


desnutrição energética-proteica.
PT/PC = 1 (até 6 meses)
Valores de normalidade
PT/PC > 1 (6 meses à 5 anos)

Circunferência da cintura- CC (cm)- é utilizada para a estimativa


da distribuição de gordura corporal, de forma isolada ou combinada,
em índices a serem comparados com padrões populacionais.
Valores que estão associados ao desenvolvimento de complicações
relacionadas a obesidade (doenças cardiovasculares e diabetes
mellitus).
Técnicas Antropométricas

Peso corporal (kg)


• Material:
Balança antropométrica com haste metálica ou balança do tipo digital

• Técnica de medição de peso corporal:


1-Verificar se a balança está tarada, ou seja, no ponto zero da escala.
2- Solicitar a criança que, antes de subir na balança, retire os sapatos
e o máximo de peças extras de vestuário (casacos, cintos, pochetes,
bonés etc)
Obs:Se a criança recusar a retirar o calçado,deve-se marcar na
planilha (se o peso foi realizado com calçado).
Técnica de medição de peso corporal:

3-Posição adequada: pés unidos no centro da balança, com o corpo


ereto, com o peso distribuído igualmente sobre os dois pés,
procurando ficar imóvel, com os braços relaxados ao longo do corpo e
de costas para o visor.
Obs: Caso a criança apresente joelhos valgos não será possível
manter os pés unidos. Neste caso, as coxas devem estar unidas sem
sobreposição.

Imagens de joelho
normal e valgo
Técnica de medição de peso corporal:

4- Realizar a leitura após o valor do peso permanecer fixado no


visor, sem oscilações e registrar imediatamente em quilogramas
Obs: Nunca falar em voz alta o peso da criança, pois alguns não gostam
que outras pessoas conheçam o seu peso;
A medida do peso será realizada uma única vez.
5- Aguardar que o valor do visor retorne ao zero para pesagem de
outro aluno.
Técnicas Antropométricas

Estatura(cm)
• Material:
Estadiômetro
Fita métrica - fixada em parede plana (sem rodapés) a partir de 1
metro do chão.
• Técnica de aferição da estatura
1-A criança deverá estar sem sapatos e sem qualquer penteado ou
adorno na cabeça (rabo de cavalo, coque, boné, arco ou outros
acessórios).
Obs: Caso a criança se recuse a retirar os sapatos, a medida deve ser
realizada normalmente (com a criança portando os sapatos) e marcada a
opção calçado na planilha de dados.
Técnica de aferição da estatura:

2- Posição adequada:
• Posicionar a criança no centro do equipamento.
• A criança deverá estar de pé, imóvel, ereto, com os braços
relaxados ao longo do corpo e a coluna vertebral encostada na
direção do centro da régua do estadiômetro ou da fita métrica.
• Certificar-se de que os calcanhares, as nádegas e a região
torácica e posterior da cabeça, estejam encostados no
estadiômetro ou na fita métrica.
Técnica de aferição da estatura:

• Nos casos de obesidade ou desvios posturais manter calcanhares


e glúteos encostados no estadiômetro ou fita métrica.

• Caso não seja possível encostar pés, panturrilha, glúteo, costas e


cabeça no estadiômetro, garantir que a criança encoste as nádegas
e o calcanhar, ou a cabeça na base vertical do equipamento.
Técnica de aferição da estatura:

• Pedir ao escolar para unir os pés, fazendo um ângulo reto com as


pernas.
• Os ossos internos dos calcanhares devem se tocar, bem como a
parte interna dos joelhos.
• Os joelhos devem estar esticados e unidos.
• Caso ele tenha joelho valgo, as coxas devem estar unidas, sem
que os joelhos se sobreponham.
Imagens de joelho normal e valgo Posição das pernas do estudante
no estadiômetro
Técnica de aferição da estatura:

• A cabeça deverá estar erguida, com os olhos fixos em um plano


horizontal à frente, de acordo com o plano de Frankfüft.
• Deslizar a parte móvel do equipamento até tocar o vértex da
cabeça (ponto mais alto da cabeça) da criança.
• Exercer uma suave pressão, suficiente para comprimir seu cabelo.
Técnica de aferição da estatura:

• Manter a parte móvel do estadiômetro ou da fita métrica (régua).


• Registrar o valor da estatura em centímetros, com variação em
milímetros (ex.: 167,2 cm).
• Se a estatura da criança for de 1 metro e 20 centímetros e 7
milímetros, registrar: 120,7cm.
• A estatura será medida duas vezes.
PLANO DE FRANKFÜFT.
Técnicas Antropométricas

Perímetro Cefálico (PC) cm


• Material: Fita métrica
• Técnica de aferição do PC:
Ponto anatômico : Proeminência dos ossos frontal e occipital.
A fita é posta em cima da crista supra-orbitária, e em torno do
occipício de tal modo que uma circunferência máxima seja obtida.
Técnicas Antropométricas

Perímetro Torácico (PT) cm


• Material: Fita métrica
• Técnica de aferição do PC:
Ponto anatômico: Tórax/ Mamilos
A medida deve ser feita na linha do mamilos e a fita deverá passar ao
redor do tórax de maneira a formar um ângulo reto com a coluna
vertebral.
Técnicas Antropométricas

Circunferência da Cintura- CC (cm)


• Material: Fita métrica e caneta dermográfica
• Técnica de aferição da CC:
Ponto anatômico: Ponto médio entre a última costela e a crista ilíaca.
É medida no ponto médio da distância entre o último
Arco costal e a crista ilíaca, no sentido horizontal, ao final de uma
expiração normal, sem compressão da pele.
Técnica de aferição da CC:
• Posicionar a criança de pé, ereto, mantendo o abdômen relaxado e
os braços cruzados sobre o tórax.
• Os pés devem estar, preferencialmente, unidos ou a uma distância
suficiente para manter o equilíbrio.
• Afastar a roupa de forma que a região da cintura fique
completamente despida. A medida NÃO deve ser feita sobre roupa ou
cinta.
• Por meio da palpação, identificar o nível da margem costal inferior, da
última costela falsa, e marcar o ponto com caneta dermográfica.

• Identificar, por meio da palpação, o ponto mais alto da crista ilíaca, na


linha axilar média e marcar o ponto com caneta dermatográfica.
• Medir, com a fita estendida, a distância entre as duas marcações na
linha axilar média e marcar com caneta esse ponto médio.

.
• Posicionar-se de frente para a criança, mantendo seu plano de visão
na altura do plano em que será posicionada a fita métrica.

• Passar a fita métrica horizontalmente ao redor da cintura, na altura


do ponto médio identificado.
• Mantendo a fita no plano horizontal, certifique-se de que a mesma não
esteja torcida ou desnivelada nos planos laterais direito e esquerdo,
bem como nas costas da criança.
• A fita não deve comprimir a pele, mas sim estar firme.
• A leitura da medida da cintura deve ser feita ao final da expiração
normal, no ponto da fita que cruza com o valor zero.
• Registrar o valor obtido na planilha de dados, em cm e milímetros,
sem arredondamentos.
•Exemplos:
• Se o perímetro da criança for:
• 102 centímetros e 4 milímetros (102,4 cm).
• 62 centímetros e 8 milímetros (62,8 cm)
Avaliação do Estado
Nutricional

 Crianças: 0-2 anos

Crianças: 3-10 anos


Crianças: 0 a 2 anos
MEDIDAS ANTROPOMÊTRICAS

• Peso (kg) e Comprimento (cm)


Circunferências:
• Perímetro Cefálico (cm)
• Perímetro Braquial (cm)

Dobras Cutâneas:
• Dobra Cutânea Tricipital-DCB (mm)
Lactente (0 à 24 meses)
Índices Antropométricos
Percentil (P) e Escore Z
• Peso/ Idade
• Peso/ Comprimento Referencial – Curva
de Crescimento
• Estatura/ Idade OMS, 2006

• IMC/Idade

Referencial – Curva de
• Perímetro Cefálico (PC) Crescimento OMS, 2006

Percentis
Dobras Cutâneas Tricipital
Frisancho, 1990
Crianças: 2 a 10 anos
MEDIDAS ANTROPOMÉTRICAS
• Peso (kg) e Estatura (cm)

Circunferências:
• Perímetro Braquial (cm)
• Circunferência da Cintura (cm)

Dobras Cutâneas:
• Dobra Cutânea Tricipital-DCT(mm)
• Dobra Cutânea Subscapular – DCSE(mm)
Crianças 2 à 10 anos
Índices Antropométricos

Percentil (P) e Escore Z


• Peso/ Idade- P/I
• Peso/ Estatura- P/E
• Estatura/ Idade- E/I Referencial – Curva
de Crescimento
• IMC/Idade- IMC/I OMS 2006

Comparar com os valores de


• Circunferência da Cintura normalidade McCarthy et al., 2001

Pregas Cutâneas
Percentis Frisancho, 1990

% de gordura corporal --------- Slaughter et al, 1988


Adolescentes: 11 a 19 anos
MEDIDAS ANTROPOMÉTRICAS
• Peso (kg) e Estatura (cm)

Circunferências:
• Perímetro Braquial (cm)
• Circunferência da Cintura (cm)
Dobras Cutâneas:
• Dobra Cutânea Tricipital-DCB (mm)
• Dobra Cutânea Subscapular (mm)
Adolescentes: 11 a 19 anos
Classificações

• Peso/Idade (P/I) Curvas OMS (2006)- Escore Z e


• Peso/Estatura (P/E)
• IMC/Idade (IMC/I) percentis

• Dobra Cutânea Tricipital Percentis-Frisancho, 1990


• Dobra Cutânea Subscapular

• Circunferência da cintura Percentis-McCarthy, 2001

• % Gordura Corporal
Slaughter et al, 1988
Dobras Cutâneas
Circunferência do Braço
Dobra Cutânea Tricipital
Dobra Cutânea Subescapular
Fórmulas:
Homens 0,783 (PCT+PCSE) + 1,6
Mulheres 0,546 (PCT+PCSE) + 9,7

Para crianças existem alguns percentis de pregas isoladas


(PCT e a soma dessa com a PCSE). Os dados são propostos
por Frisancho e a normalidade é aquela que apresenta valores
normais dentro dos percentis 15 e 85.
CLASSIFICAÇÃO NUTRICIONAL

Curva de Crescimento- Software de Avaliação Nutricional


referência atual da Organização Mundial baseado nas curvas da
de Saúde (OMS, 2006 e 2007) (OMS, 2006 e 2007)
Disponível o site:
http://www.who.int/childgrowth/software/en/
Interpretação das Curvas de
Crescimento

Curva ascendente: velocidade de ganho de peso ou


estatura adequada.

Curva ficar reta: Atenção- ausência de ganho peso e


estatura.

Curva descendente: Atenção- perda de peso ou estatura-


processo inicial de desnutrição.
CORRESPONDÊNCIA ENTRE ESCORES-Z E PERCENTIS E SEUS
CÓDIGOS DE CORES PARA DISTINÇÃO VISUAL DOS NÍVEIS DE
SEVERIDADE DOS DESVIOS NUTRICIONAIS - OMS, 2006 e 2007.
Criança, sexo feminino, 7 anos e 9
meses.
HD: Eutrófica, com peso e
estatura adequada para idade.
CLASSIFICAÇÃO DOS DESVIOS NUTRICIONAIS
- ESCORE Z - NCHS/OMS

Escore Z é a medida que avalia


quanto o indivíduo se afasta ou se aproxima da mediana
de uma população de referência • P/I
em desvios-padrões • E/I
• P/E
• IMC/I
• PC/I
• CB/I
• PCT/I
• PCSE/I
Escore de DP = (Valor observado) - (Mediana de referência)
Desvio padrão da população de referência

Z NORMAL = +2 a -2
SCORE Z e PERCENTIS - P/I (MENINAS DE 1 ANO)
P 50
n

Regra dos “ 68 - 95 - 99,7 "


P 15 P 85

P 2,3 P 97,7

P 0,1 P 99,9

6kg 7kg 8kg 9kg 10kg 11kg 12kg Peso

-3 z -2 z -1 z 0z +1 z +2 z +3 z
Escores- Z
CLASSIFICAÇÃO NUTRICIONAL
Crianças de 0 à 5 anos (OMS 2006)
CLASSIFICAÇÃO NUTRICIONAL
Crianças de 0 à 5 anos (OMS 2006)

Diagnóstico Nutricional
Classificação Nutricional
Crianças de 5 à 10 anos (OMS 2007)
Classificação Nutricional
Crianças de 5 à 10 anos (OMS 2007)

Diagnóstico Nutricional
CLASSIFICAÇÕES NUTRICIONAIS X
GRAVIDADE DA DESNUTRIÇÃO
CLASSIFICAÇÃO
Gomez Waterlow-Baptista
(p/ < 2a) (p/ 2a - 10a)
% %
GRAVIDADE P/I E/I P/E
Adequação ≥ 90 ≥ 95 ≥ 90
Normal
Déficit ≤ 10 ≤ 05 ≤ 10
Adequação 75 ┣ 90 90 ┣ 95 80 ┣ 90
10 grau
Déficit 10 ┫ 25 05 ┫ 10 10 ┫ 20
Adequação 60 ┣ 75 85 ┣ 90 70 ┣ 80
20 grau
Déficit 25 ┫ 40 10 ┫ 15 20 ┫ 30
Adequação < 60 < 85 < 70
30 grau
Déficit > 40 > 15 > 30
CLASSIFICAÇÃO NUTRICIONAL x EVOLUÇÃO

CRITÉRIO DE WATERLOW

Estatura / Idade
 95% Adeq < 95% Adeq
Peso / Estatura

 90% Adeq Eutrofia Desnutrição pregressa

< 90% Adeq Desnutrição aguda Desnutrição crônica


Classificação de Mc Laren
DIAS, L. C. G. D. et al. Relação entre circunferência abdominal e estado nutricional em pré-escolares de
Botucatu, SP. Rev. Ciênc. Ext. v.9, n.1, p.100, 2013.
Referências Bibliográficas:

Vitolo, M.R. Nutrição: da Gestação ao Envelhecimento. Rio de Janeiro: Rubio, 2008.


Bosco, S.M.D. Terapia Nutricional em Pediatria. São Paulo: Atheneu, 2010.
Nacif, M.; Viebig, R.F. Avaliação Antropométrica nos Ciclos da Vida: Uma visão
prática. São Paulo: Metha, 2007
Sociedade Brasielira de Pediatria. Manual de orientação para a alimentação do
lactente, do pré-escolar, do escolar, do adolescente e na escola. Departamento
Científico de Nutrologia. Rio de Janeiro, 2008.
Sociedade Brasielira de Pediatria. Avaliação Nutricional da Criança e do
Adolescente: Manual de Orientação. Departamento Científico de Nutrologia. Rio de
Janeiro, 2009.

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