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SUBSTITUIÇÃO DO AÇO PELO BAMBU EM VIGAS DE CONCRETO ARMADO

REPLACEMENT OF STEEL BY BAMBOO ON ARMED CONCRETE BEAMS

BOLTA, Anderson Neuroy; PINHEIRO, Matheus de Lima.


Orientador: Prof. Dr. André Augusto Gutierrez Fernandes Beati. – Universidade São
Francisco.
andersonbolta@gmail.com matheus00lima@hotmail.com

RESUMO. Nos últimos anos, com a população em constante crescimento, a busca de materiais
para fornecer moradia adequada com menos emissão de poluentes e baixo consumo de energia,
é um desafio, sendo então utilizado materiais com maior tradição na execução, porem que ferem
o meio ambiente de forma que um ecossistema inteiro sofra, além de utilizarem muita energia
para sua extração, os resíduos que são lançados “fora” agridem por onde passam. O bambu
ganhou a reputação de ser uma fonte ecologicamente correta e altamente renovável de material,
e está ganhando campo no meio da construção civil, já que sua funcionalidade é ampla, podendo
ser empregado desde a fundação ao acabamento, a intenção de sua utilização para esta pesquisa
é usar o bambu para substituir a função que o aço convencional utilizado na construção civil
exerce. Atualmente ainda é um processo de armação de vigas de concreto armado com bambu
é muito pouco utilizado, pois ainda falta estudos a respeito e também resultados apresentados
na vida prática. Apesar da resistência obtida pelo bambu ser inferior à do aço, não desconsidera
a possibilidade do seu uso para a construção civil, pois mesmo sendo inferior à do aço ainda
assim é uma resistência considerável para tal utilização.

Palavras-chave: Engenharia Civil, Concreto Armado, Aço, Bambu, Renovável, USF

ABSTRACT. In recent years, with the population in constant growth, the search for materials
to provide adequate housing with less emission of pollutants and low energy consumption, is a
challenge, being used materials with greater tradition in the execution, but they hurt the
environment so that an entire ecosystem suffers, in addition to using a lot of energy for their
extraction, the wastes that are thrown "out" attack wherever they go. Bamboo has gained the
reputation of being an ecologically correct and highly renewable source of material, and is
gaining ground in the middle of the construction, since its functionality is wide, being able to
be used from the foundation to the finish, the intention of its use for this research is to use
bamboo to replace the function that conventional steel used in civil construction exercises.
Currently it is still a process of reinforcement of reinforced concrete beams with bamboo is
very little used, as there is still a lack of studies about it and also results presented in practical
life. Although the resistance obtained by bamboo is lower than that of steel, it does not disregard
the possibility of its use for civil construction, because even though it is inferior to steel it is
still a considerable resistance to such use.

Keywords: Civil Engineering. Armed concrete. Steel. Bamboo. Renewable. USF.

1
INTRODUÇÃO

O bambu é da família das gramíneas, sendo divido em dois tipos alastrantes e os


entouceirantes, espécies podem chegar a 40 metros de altura, e até 30 cm de diâmetro, como
comentado no vídeo do canal Bambu Nativo (2017)1. O tema o qual ira tratar a pesquisa, foi
elaborado não apenas pela complexidade e pouca pesquisa atualmente existente, e sim pela
importância a qual esse tipo de utilização irá trazer caso a ideia inicial seja confirmada no fim
do trabalho, hoje sabemos a importância que tem os bens naturais e sabemos que são limitados
muita das vezes, assim como o aço utilizado na construção civil, que vem de um minério finito,
o qual já não se encontra em um valor não tão acessível como a anos atrás, também sabemos
que sua extração é muito prejudicial ao meio ambiente e traz riscos caso acidentes aconteçam,
além disso ele não sai da natureza, da forma que é utilizado na construção, sendo assim é
necessário que esse material seja manufaturado, fazendo com que esse matéria tenha que ser
moldado e manipulado de forma que atinja as expectativas para sua utilização, de que esse
material necessite de muito energia para que chegue ao ponto de ser levado a obra, energia essa
que fere o meio ambiente emitindo poluentes, energia que se no caso de viável nosso estudo
será poupada, preservando a vida de todos.
A proposta atual que está sendo estudado é a substituição do aço, pela bambu, que é um
material renovável e que sua produção não atrapalha o eco sistema nacional, e que sua
existência traz benefícios tanta a fauna quanto a flora tropical, sua produção é simples, e não
necessita de energia maléfica que é apenas uma simples fotossíntese, seu preparo também é
pouco trabalhoso e com baixo custo, tratamentos até mesmo com outros produtos naturais é
possível conseguir ótimos resultados, as características natural do bambu já possibilitam
imaginar sua capacidade de suprir a carência do aço na estrutura, sua resistência mecânica a
tração e compressão docentes é muito boa, conta também com um peso especifico menor em
relação ao aço, tornando assim as estruturas mais leves, como explicado por Ballesté (2017)2.
sendo assim suportando menos peso poderia ter dimensões menores o que também seria ideal
para o projeto arquitetônico e também para sua fundação que em um montante poderia ser
dimensionada de acordo e tendo tamanhos e custos reduzidos.
A pesquisa foi realizada de forma que possibilite a utilização para todo o tipo de obra,
desde residencial, já que o concreto armado é muito utilizado em vários casos, o método será
aplicado para muitas situações como fundações, vigas e lajes, porem no atual trabalho iremos
focar em vigas, pois serão os elementos futuramente testados. Todas as técnicas utilizadas serão
levadas em consideração assim como o custo de todo material e mão de obra, também será
analisado o tempo gasto, o conhecimento técnico utilizado prioritariamente é o obtido pelo
curso de engenharia civil da universidade são Francisco, contando também com alguns
docentes. Com o objetivo de se aproximar de forma precisa, ao que realmente a união desses
materiais é capaz de aguentar, foi removido todos os coeficientes de segurança, as barras de

1
BAMBU NATIVO. Como cultivar bambu. 2017. (28m27s). Disponível em:
<https://www.youtube.com/watch?v=go2IrfQT5_M&t=263s>. acesso em: 15 mar. 2019.
2
BALLESTÉ, Joan Font. Desempenho construtivo de estruturas de cobertura com colmos de
bambu. São Paulo: FAU USP, 2017. Disponível em:
<http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/16/16132/tde-21122017-103248/pt-br.php>. Acesso em:
02 out 2018.
2
bambu foram usadas de forma seminaturais, com a finalidade de aplicação inicialmente em
residências populares e também a preservação ambiental.

METODOLOGIA

A metodologia utilizada para avaliar a eficiência das vigas armadas com bambus, será
a mesma que é comumente utilizada para avaliar vigas de concreto armado usual, o ensaio de
flexão. Existem dois métodos para realizar esses testes, a viga é uma seção retangular plana e é
simplesmente suportada próximo de suas extremidades. No primeiro método, o feixe (carga) é
carregado centralmente, assim, dá três pontos de flexão, como existem três pontos importantes
(dois suportes finais e um ponto de carga central) ao longo do vão, este método é chamado
de teste de flexão de três pontos. No segundo método, o feixe é carregado por duas cargas
colocadas simetricamente entre os suportes, neste método, existem quatro pontos importantes
(dois suportes finais e dois pontos de carga) ao longo do vão. Assim, dá quatro pontos de
flexão, portanto, esse método é chamado de flexão de quatro pontos. O teste de flexão avalia a
resistência à tração do concreto indiretamente, ele testa a capacidade de viga ou laje de concreto
não reforçado para resistir a falhas na flexão, comprovando a sua extrema importância para a
construção civil. A principal vantagem de um teste de flexão é a facilidade de preparação do
teste, no entanto, segundo Batista (2016)3 este método também tem algumas desvantagens
como os resultados do método de teste serem sensíveis à geometria de amostra ao carregamento
e à taxa de deformação. O teste de flexão fornece valores para a o módulo de elasticidade,
tensão de flexão e flecha, bem como análise final sobre a eficiência da viga como um todo.
Apesar do ensaio de flexão fornecer os dados finais da viga, existe outro teste importante
para avaliar principalmente o papel da armadura na viga, o ensaio de tração. A ideia básica de
um teste de tração é colocar uma amostra de um material entre dois dispositivos chamados
"garras" que prendem o material. O material tem dimensões conhecidas, como comprimento e
área transversal. Em seguida, começamos a aplicar força ao material preso em uma
extremidade, enquanto a outra extremidade é fixa. Continuamos aumentando a força
(geralmente chamado de carga) enquanto medimos a mudança no comprimento da amostra. O
resultado deste teste é um gráfico de carga por deslocamento (quantidade esticada). Segundo
Dalcin (2007)4 como a quantidade de força necessária para esticar o material depende do
tamanho do material (e, das propriedades do material), a comparação entre os materiais pode
ser muito desafiadora. A capacidade de fazer uma comparação adequada pode ser muito
importante para alguém projetando para aplicações estruturais, onde o material deve suportar
certas forças. O processo foi simplificado como se pode observar a seguir (FIGURA 1).

3
BATISTA, Carlos. Ensaio de flexão. USP, São Paulo, 2016. Disponível em:
<https://sistemas.eel.usp.br/docentes/arquivos/471420/LOM3011/EM_cap4_Flexao.pdf>. Acesso em:
23 set 2018.
4
DALCIN, Gabrieli Bortoli. Ensaios dos materiais. URI, Santo Ângelo, 2007. Disponível em: <
http://www.urisan.tche.br/~lemm/arquivos/ensaios_mecanicos.pdf> Acesso em: 28 set 2018.
3
Seleção e corte do Preparação do bambu Confecção de vigas
bambu com idade como armadura de de concreto armado,
entre 3 e 5 anos. concreto. com bambu e aço.

Secagem do bambu
em posição vertical Preparação do corpo Ensaio de flexão em
pelo periodo de 30 de prova do bambu vigas armadas com
dias. para ensaio de tração bambu e aço.

Preparação e
tratamento por Secagem do bambu
Coleta de resultados,
"afogamento" em em posição vertical
discusões e conclusão
acido borico, por um por cerca de uma
do experimento.
periodo de 10 a 15 semana.
dias.
Fonte: Os autores
FIGURA 1 – Fluxograma dos processos e metodologia utilizados no experimento.

A simplificação da metodologia contribui para que qualquer pessoa compreenda facilmente


o todo o processo de experimentação, o qual o mesmo será detalhado nos tópicos a seguir.

Preparação do Bambu

O bambu utilizado nos ensaios foi o Phyllostachys edulis, também conhecido como
mossô, a planta de 2 a 3 anos de idade foi selecionado no local, e seu corte foi feito pela manhã,
logo acima do primeiro nó como recomenda Silva (2007)5, permaneceu inicialmente no local
de corte escorado verticalmente em outros bambus.
Logo após, o bambu foi transportado cuidadosamente para outro ambiente fresco e
arejado, protegido da insolação direta para evitar rachaduras e longe do solo para evitar ataques
de fungos e outros insetos, e foram empilhados verticalmente para que ocorra a secagem da
madeira.
Assim como as demais madeiras, o bambu precisar alcançar um índice de umidade de 15% para
que possa ser trabalhada em sua melhor capacidade, em função disso, o bambu deve permanecer
secando na posição vertical por um período de no mínimo 30 dias. Após o período de secagem,
se dará início ao processo de tratamento. Preliminarmente o bambu foi cortado em duas metades
e os tímpanos do bambu são rompidos, com o auxílio de ferramentas, para permitir que toda a

5
SILVA, Osvaldo Ferreira. Estudo pela substituição do aço liso pelo bambu Vulgaris, como
reforço em viga de concreto, para uso em construções rurais. UFAL, Maceió 2007. Disponível em:
<http://www.ctec.ufal.br/posgraduacao/ppgec/dissertacoes_arquivos/Dissertacoes/Osvaldo%20Ferreir
a%20da%20Silva.pdf >. Acesso em: 06 set. 2018.
4
madeira fique em contato com a composto de preservação. Logo em seguida foi cavado na terra
uma vala com dimensões suficiente para que seja possível “afogar” completamente os bambus,
foi misturado em uma proporção de 1kg:100L, uma solução de água e ácido bórico, que agirá
como proteção da madeira, como demonstrado abaixo (FIGURA 2, FIGURA 3).

Fonte: Os autores
FIGURA 2 - Imagem do corte e rompimento dos tímpanos dos bambus

Fonte: Os autores
FIGURA 3 – Vala com a solução de preservação na proporção de 1kg:100L

5
O bambu permaneceu submerso nesta solução durante quinze dias para permitir que os
sais penetrem completamente a “carne” da madeira e o amido seja completamente dissolvido.
Como última etapa, após o período de submersão, o bambu foi posto novamente para secar
lentamente em posição vertical e em local fresco sem umidade (FIGURA 4).

Fonte: Os autores
FIGURA 4 - Secagem do bambu

Após cerca de uma semana o bambu estava pronto para ser preparado para possibilitar
o dimensionamento necessário para ser utilizado na construção civil.

Confecções de viga com aço e bambu

Para o dimensionamento das vigas, foi utilizado a NBR 6118 6, ao qual rege sobre
estrutura de concreto armado e a NBR 121427, que estabelece o método de ensaio de flexão de
corpos de prova de concreto.
A Equipamento utilizado utilizada foi a máquina de flexão presente no laboratório da
universidade São Francisco (FIGURA 5)

6
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6118: Projeto de estruturas de
concreto – Procedimento. Rio de Janeiro. 2014.
7
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 12142: Determinação da
resistência à tração na flexão de corpos de prova prismáticos– Procedimento. Rio de Janeiro.
2010
6
.
Fonte: Os autores
FIGURA 5 - Equipamento de ensaio de vigas a flexão

O equipamento tem capacidade máxima de carga de 110 toneladas, as vigas foram


dimensionadas com cerca de 10% da capacidade máxima, com base nos esforços internos de
momento fletor e força cortante e seguindo o roteiro de cálculo a viga foi dimensionada a flexão
simples.
Seguindo adiante com as fórmulas de dimensionamento, utilizamos a equação 1 para
determinar o momento máximo da viga, seguindo com a equação 2 para se determinar o Kc,
unidade para ser utilizar uma tabela de apoio para que se posso determinar outros dois fatores
para o calculo da armadura que são, βx e Ks e por último utilizamos a equação 3 para estipular
uma área de aço necessário para se resistir aos esforços internos.

𝑝.𝑙
Equação 1: 𝑚=
4

7
𝑏𝑤.𝑑2
Equação 2: 𝐾𝑐 =
𝑚.𝛾𝑓

𝐾𝑠.𝛾𝑓.𝑚
Equação 3: 𝐴𝑠 =
𝑑

A viga tem dimensões de 1 metro de cumprimento com 12 centímetros de altura por 12


centímetros de base com um cobrimento de 2,5 centímetros. Com os resultados obtidos,
chegamos a uma armadura longitudinal de 2 barras de ø 8mm, o que totaliza uma área de aço
de 1cm². A armadura de cisalhamento foi usada barras de 6,3mm com espaçamentos a cada
20cm. As vigas de bambu foram dimensionadas da mesma forma, e a área de bambu na
armadura longitudinal foi calculada para ter uma área equivalente a armadura de aço (FIGURA
6).

Fonte: Os autores
FIGURA 6 - Armadura da viga

A seguir foram feitas as caixarias onde foi moldada as vigas, foram confeccionadas de
madeirite e pregos, a armadura foi disposta com espaçadores para garantir o cobrimento
adequado (FIGURA 7).

8
Fonte: Os autores
FIGURA 7 - Caixaria e armadura

Após a modelagem das caixarias as vigas foram concretadas com concreto usinado com
resistência de 25Mpa, brita 1 e slump de 10 ± 2cm, o qual foi atendido o período de 28 dias até
a cura completa do concreto (FIGURA 8).

Fonte: Os autores
FIGURA 8 - Vigas concretadas

9
Passado o intervalo de 28 dias as vigas foram retiradas das caixarias e levadas ao
laboratório para serem testadas.

Ensaio de Flexão

As vigas são posicionadas nos apoios da prensa hidráulica e o teste se inicia aplicando
carga no centro da viga a uma velocidade padrão constante de 254 mm/min. Durante o ensaio
ocorrem esforços normais e tangenciais na seção transversal, gerando um complicado estado
de tensões no seu interior. Após o rompimento da viga o ensaio é encerrado e os dados são
obtidos (FIGURA 9).
As principais propriedades obtidas em um ensaio de flexão são: Módulo de ruptura na
flexão; Módulo de elasticidade e flecha máxima.

Fonte: Os autores
FIGURA 9 – Viga durante o ensaio de flexão.

As distâncias entre os apoios são de 80 cm, após o teste, foram coletados os dados para
se discutir.

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RESULTADOS E DISCUSSÃO

Utilizando as equações 1, 2 e 3 determinou se a área da seção das armaduras


longitudinais (TABELA 1).

Momento máximo Kc As
(Kn.cm) (cm²)

397,3 2,9 0,99

Fonte: Os autores
TABELA 1 - Resultados dos dimensionamentos

Conforme as vigas foram sendo ensaiadas foram obtidos os seguintes resultados. Para a
viga de aço, o qual foi usado como controle (FIGURA 10):

Fonte: Os autores.
FIGURA 10 – Resultados da viga número 1 Aço.

A viga de aço tem a intenção de servir como referência para os resultados de viga de
bambu. A seguir foram ensaiadas as quatro vigas de bambu, que seguindo os mesmos critérios
atingiram os seguintes resultados (figura 11)

11
Fonte: Os autores
FIGURA 11 - Resultados da viga número 2 Bambu.

Seguido pela viga número três, com um total de 9,05 Kn de resistência (FIGURA12).

Fonte: Os autores
FIGURA 12 - Resultados da viga número 3 Bambu.
12
Consecutivamente a viga número quatro com seus 9,8 Kn (FIGURA 13)

Fonte: Os autores
FIGURA 13 - Resultados da viga número 4 Bambu.

Por último a viga número 5 com 10,7 Kn (FIGURA 14)

Fonte: Os autores
FIGURA 14 - Resultados da viga número 5 Bambu

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Após a coleta de todos os dados a TABELA2 foi composta para organizar melhor
visualização e análise das informações obtidas.

VIGA PESO (KG) RESISTÊNCIA (KN)


1 43,5 34,30
2 40,7 11,70
3 40,9 9,05
4 40,7 9,80
5 40,5 10,70

Fonte: Os autores.
TABELA 2 – resultados gerais dos ensaios.

Verificou se que a viga armada em aço teve uma resistência de 34,35 Kn, já as vigas
armadas em bambu obtiveram uma média 10,2 Kn, uma diferença nos resultados já era
esperada, tendo em vista a natureza e a resistência a tração dos dois materiais, o objetivo além
de testar a viabilidade de armar uma viga com o bambu foi estabelecer uma precisão dessa
diferença, por isso foi usado a mesma seção para ambos os materiais.
Como se observou nos ensaios a tensão se distribuiu de forma dispersa nas vigas
armadas em aço, enquanto nas de bambu as tensões se concentraram no centro da viga,
(FIGURA 15).

Fonte: Os autores.
FIGURA 15 – Distribuição da tensão nas vigas.

Também foi notado uma diferença no peso das vigas, o qual as vigas de bambu se
provaram 6,50% mais leves do que a de aço.

CONCLUSÃO

A substituição do aço na viga de concreto por um material alternativo é uma necessidade


já que o aço trata se de um material finito, e que vem trazendo problemas com sua extração e
armazenamento de seus dejetos. O bambu é um excelente candidato a essa substituição devida

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as suas propriedades naturais em qual se encontra, tendo propriedades semelhantes de
comportamento.
Porem a substituição com o bambu de forma proporcional de área de seção, a qual foi
1
submetida nos testes, apresentou uma resistência aproximadamente de 3 da resistência das vigas
de aço. Já era esperando uma resistência do bambu inferior à de aço, o que não impossibilita a
substituição do bambu na utilização em viga de concreto, já que a viga armada em bambu se
provou com uma resistência considerável para esse tipo de aplicação.
Para futuras pesquisas fica recomendação para testes diferentes usando possíveis
aumentos na seção do bambu em relação ao aço, acrescentando barras no centro da seção,
também a impermeabilização do bambu para que não desidrate a área de contato com o concreto
e não umedecer o bambu assim como a acabamento com ranhuras ao longo da barra para uma
melhor aderência com o concreto.

REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 12142: Determinação da


resistência à tração na flexão de corpos de prova prismáticos– Procedimento. Rio de
Janeiro. 2010

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6118: Projeto de


estruturas de concreto – Procedimento. Rio de Janeiro. 2014.

BALLESTÉ, Joan Font. Desempenho construtivo de estruturas de cobertura com colmos


de bambu. São Paulo: FAU USP, 2017. Disponível em:
<http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/16/16132/tde-21122017-103248/pt-br.php>.
Acesso em: 02 out 2018.

BAMBU NATIVO. Como cultivar bambu. 2017. (28m27s). Disponível em:


<https://www.youtube.com/watch?v=go2IrfQT5_M&t=263s>. acesso em: 15 mar. 2019.

BATISTA, Carlos. Ensaio de flexão. USP, São Paulo, 2016. Disponível em:
<https://sistemas.eel.usp.br/docentes/arquivos/471420/LOM3011/EM_cap4_Flexao.pdf>.
Acesso em: 23 set 2018

DALCIN, Gabrieli Bortoli. Ensaios dos materiais. URI, Santo Ângelo, 2007. Disponível em:
< http://www.urisan.tche.br/~lemm/arquivos/ensaios_mecanicos.pdf> Acesso em: 28 set
2018.

SILVA, Osvaldo Ferreira. Estudo pela substituição do aço liso pelo bambu Vulgaris, como
reforço em viga de concreto, para uso em construções rurais. UFAL, Maceió 2007.
Disponível em:
<http://www.ctec.ufal.br/posgraduacao/ppgec/dissertacoes_arquivos/Dissertacoes/Osvaldo%2
0Ferreira%20da%20Silva.pdf >. Acesso em: 06 set. 2018.

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