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13/12/2019 Jacaré – Wikipédia, a enciclopédia livre

Jacaré
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Jacaré, também chamado aligátor e caimão, são crocodilianos da família
Alligatoridae, sendo muito parecidos com os crocodilos, dos quais se distinguem Alligatoridae
pela cabeça mais curta e larga e pela presença de membranas interdigitais nos
polegares das patas traseiras. Diferenciam-se dos crocodilos ainda com relação à Ocorrência: Cretáceo - Holoceno, 83–0 Ma

dentição, o quarto dente canino da mandíbula inferior encaixa num furo da PreЄ Є O S D C P T J K Pg N

mandíbula superior, enquanto que nos crocodilos sobressai para fora, quando têm a
boca fechada.[1] O tamanho de um jacaré pode variar de 1,2 metros (jacaré-anão) até
5,5 metros (jacaré-açu), podendo pesar de seis a seiscentos quilos.

Os jacarés habitam as Américas, tendo desaparecido da Europa no Plioceno.[carece de


fontes?] Na América do Norte, ocorre, somente, o gênero Alligator.

Índice
Etimologia
Características
Distribuição geográfica
Classificação taxonómica
Caça ao jacaré pelos nativos do Novo Mundo
Referências
Jacaré-americano (Alligator
mississipiensis)

Etimologia Classificação científica

O termo "jacaré" se origina do termo tupi "îakaré", ou "jaeça-karé", que significa Reino: Animalia
"aquele que olha de lado"[2] O termo "aligátor" se origina do termo inglês Filo: Chordata
"alligator",[3] que provavelmente é uma forma anglicanizada do espanhol "el Classe: Reptilia
lagarto". Algumas variações antigas da grafia em inglês incluem "allagarta" e Ordem: Crocodylia
"alagarto".[4] Já o termo "caimão" se origina do termo taino "kaiman".[5] Caimão é Alligatoridae
Família: Gray, 1844
um nome comum a diversos jacarés americanos do gênero Caiman.[6]
Subfamílias
Características
Alligatorinae Gray,1844
Os jacarés se diferenciam dos crocodilos por possuírem uma cabeça mais curta e Caimaninae Daudincrrefwad, 1825
mais larga, com focinhos mais avantajados. Jacarés também ingerem plantas e frutas
além de sua dieta normal de carne e peixe.[7]

O menor jacaré é o jacaré-anão, cujo comprimento varia entre 1,2 e 1,4 metros e pesa de 6 a 7 quilogramas. O aligátor-
americano tem um tamanho médio de 3 a 4,6 metros, chegando até 5,3 metros[8][9] e 626 quilogramas.[10] O tamanho
médio do jacaré-açu é de 2,8 a 4,2 metros, podendo ultrapassar os 5 metros e 400 quilogramas.[11]

Distribuição geográfica
O aligátor-americano (Alligator mississippiensis) é uma espécie típica dos Estados Unidos.[12] O aligátor-chinês (Alligator
sinensis) é encontrado no leste da China, na região do rio Yangtzé.[13] Os jacarés da subfamília Caimaninae são encontrados
na América do Sul, porém o jacaretinga (Caiman crocodilus) também é encontrado na América Central e sul do México.[14]

Classificação taxonómica
Superfamília Alligatoroidea
Família Alligatoridae
Subfamília Alligatorinae

https://pt.wikipedia.org/wiki/Jacar%C3%A9 1/6
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Gênero Albertochampsa (extinto)


Gênero Chrysochampsa (extinto)
Gênero Hassiacosuchus (extinto)
Gênero Navajosuchus (extinto)
Gênero Ceratosuchus (extinto)
Gênero Allognathosuchus (extinto)
Gênero Hispanochampsa (extinto)
Gênero Arambourgia (extinto)
Gênero Procaimanoidea (extinto)
Gênero Wannaganosuchus (extinto)
Gênero Krabisuchus (extinto)
Gênero Eoalligator (extinto)
Gênero Alligator
Alligator prenasalis (extinto)
Alligator mcgrewi (extinto)
Alligator olseni (extinct)
Jacaré-da-china, Alligator sinensis
Alligator mefferdi (extinto)
Jacaré-americano, Alligator mississippiensis
Subfamília Caimaninae
Gênero Necrosuchus (extinto)
Gênero Eocaiman (extinto)
Gênero Paleosuchus
Jacaré-anão, Paleosuchus palpebrosus
Jacaré-coroa, Paleosuchus trigonatus
Gênero Purussaurus (extinto)
Gênero Mourasuchus (extinto)
Gênero Orthogenysuchus (extinto)
Gênero Caiman
Jacaré-do-pantanal, Caiman yacare
Jacaretinga, Caiman crocodilus
C. c. apaporiensis
C. c. fuscus
Caiman lutescans (extinto)
Jacaré-de-papo-amarelo, Caiman latirostris
Gênero Melanosuchus
Melanosuchus fisheri (extinto)
Jacaré-açu, Melanosuchus niger

https://pt.wikipedia.org/wiki/Jacar%C3%A9 2/6
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Lista de espécies atuais de jacarés


Espécie Distribuição geográfica Estado na IUCN Descrição

Jacaré- Espécie amplamente distribuída pelo


sudeste dos Estados Unidos. Machos
medem no máximo 4,5 m de comprimento e
as fêmeas medem até 3 m. Habita pântanos,
Pouco preocupante lagos e banhados, ocorrendo em menor
densidade ao longo de rios. São capazes de
americano (IUCN 2.3)[15]
sobreviver a temperaturas abaixo de
Alligator mississippiensis zero.[16]
Espécie de pequeno porte medindo até 2 m
de comprimento. Historicamente,era
Jacaré- amplamente distribuído pela bacia do rio
da-china Yangtzé, no sudeste da China. Atualmente,
Alligator ocorre em uma região restrita na província
sinensis Criticamente em perigo de Anhui sendo um dos crocodilianos mais
(IUCN 2.3)[17] ameaçados atualmente. Habita regiões de
clima temperado e hiberna para sobreviver a
invernos rigorosos.[18]
A jacaretinga apresenta a mais ampla
distribuição geográfica entre os
crocodilianos do Novo Mundo, ocorrendo
desde o sul do México até o norte do Brasil
e do Peru. É uma espécie de porte médio,
Pouco preocupante com machos podendo medir até 2,7 m de
Jacaretinga (IUCN 2.3)[19] comprimento. Muito adaptável, habita
Caiman crocodilus qualquer tipo de ambiente associado à
água.[20]
É amplamente distribuído pelo sudeste da
América do Sul, ocorrendo em qualquer
ecossistema associado à água nas bacias
Jacaré- dos rios Paraná, Paraguai, Uruguai e São
de-papo- Francisco, sendo comum desde o extremo
amarelo leste do Brasil até o Uruguai. Também
Caiman Pouco preocupante ocorre em ecossistemas costeiros, como
latirostris (IUCN 2.3)[21] mangues. Apresenta porte médio, podendo
medir até 3,5 m de comprimento, embora
animais maiores de 2 m sejam raros na
natureza.[22]

Ocorre do norte da Bolívia e oeste do Brasil


Jacaré- até o norte da Argentina, sendo encontrado
do- em ecossistemas associados às bacias dos
pantanal rios Guaporé, Madeira, Paraguai e Paraná,
Caiman Pouco preocupante sendo comum no Pantanal. É uma espécie
yacare (IUCN 2.3)[23] semelhante morfologicamente à jacaretinga
e tolerante à pressão de caça.[24]

É a maior espécie de jacaré, podendo medir


Jacaré- até 5 m de comprimento, sendo amplamente
açu distribuído pela bacia do rio Amazonas e
habitando qualquer ecossistema associado
Dependente de conservação a água. Já esteve muito ameaçado de
extinção, tendo sua população aumentado
(IUCN 2.3)[25]
Melanosuchus niger nas últimas décadas, principalmente no
Brasil, por conta da proibição da caça.[26]
Espécie de pequeno porte que ocorre nas
Jacaré- bacias dos rios Amazonas e Orinoco no
anão norte e entre as bacias dos rios Paraguai e
Paraná e do São Francisco. É considerado o
Pouco preocupante menor crocodiliano, dificilmente
ultrapassando 1,6 m de comprimento,
(IUCN 2.3)[27]
Paleosuchus palpebrosus apesar de registros de até 2 m de
comprimento.[28]
Espécie de pequeno porte facilmente
confundida com o jacaré-anão, mas
tamanho maior, podendo medir até 2,3
Jacaré- metros de comprimento. Sua distribuição
coroa geográfica também é mais restrita, não
ultrapassando as bacias dos rios Amazonas
Pouco preocupante e Orinoco. Apesar de ser mais comumente
encontrado em áreas densamente
(IUCN 2.3)[29]
Paleosuchus trigonatus florestadas, é uma espécie resistente a
alterações feitas pelo homem. Assim como o
jacaré-anão, é uma espécie cuja biologia foi
pouco estudada.[30]

Caça ao jacaré pelos nativos do Novo Mundo


https://pt.wikipedia.org/wiki/Jacar%C3%A9 3/6
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Os nativos do Novo Mundo apreciavam a carne do jacaré e utilizavam seu couro para
fazer gamelas. Os ovos do jacaré eram muitos apreciados pelos Kaxúyana do Amazonas
e Pará, que os consumiam durante as refeições.[31] Ossos deste animal eram usados
como ponta da zagaia, uma lança curta usada pelos Guató do Mato Grosso.[32]

O jacaré era um voraz predador dos peixes eventualmente presos às armadilhas


montadas pelos nativos nas pescarias. O animal também estava associado à lenda do
fogo, já que se acreditava que ele engolira o fogo que o deus Tupã esquecera sobre uma
pedra.[33]

Os Kisêdjé do Mato Grosso consumiam uma grande quantidade de jacarés.[34] Os


Timucua da Geórgia e Flórida também o faziam[35] e os Pariana e os Kayu-vicena dos
rios Tocantins e Solimões estimavam a carne do jacaré feita no moquém[36] Os cintas-
largas, de Mato Grosso e Rondônia, capturavam os jacarés arrancado-os de suas tocas
nos leitos dos córregos.[37]

Quando o nativo amazônico encontrava algum jacaré dormindo parcialmente enterrado Ilustração de Nativos do Novo
no barro aproximava-se com cautela e colocava um pé na cabeça e outro no dorso do Mundo capturando jacaré com
animal. Enterrava a mão no lodo e, puxando a pata, virava o jacaré de costas. Amarrava corda
suas patas e boca, dominando-o.[38]

Também caçavam crocodilos e jacarés com um pedaço de pau com as pontas bem afiadas. Quando o animal estava no seco
tomando sol o índio se aproximava do lado do sol e quando o animal abria a boca para atacá-lo, ele nela enfiava a mão com a
estaca e ao tentar abocanhar a mão a estaca se cravava na parte superior e inferior da boca do animal[39]

Na captura de crocodilo e jacaré, nativos venezuelanos utilizavam uma corda comprida de couro de peixe-boi, na qual havia
um laço em uma das extremidades. Dois índios, um segurando a corda e o outro o laço, se aproximavam sem serem
percebidos do animal que estava tomando sol. Ao mesmo tempo em que a fera se jogava na água o índio laçava sua boca e
subia em cima dele. O animal tentava nadar, mas não conseguia devido ao peso que estava nas suas costas e ia afundando,
ao mesmo tempo que o índio dava outras voltas com a corda, amarrando ainda mais a boca. A gordura do jacaré era muito
utilizada pelos nativos na feitura de pães.[39]

Na contramão da maioria de outras tribos, os suruís-paíteres, de Mato Grosso e Rondônia, não comiam jacaré,[33] enquanto
que mulheres gestantes dos ianomámis, do Amazonas, não comiam jacaré para que a criança que ia nascer não se parecesse
com este animal.[40]

Referências
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