Você está na página 1de 37

ZEUS

NOTA EXPLICATIVA:

A união entre Clitemnestra e Egisto contra Agamemnon que é encenada nesta peça decorre
de pelo menos duas histórias anteriores: a disputa entre os irmãos Atreu e Tiestes (pais de
Agamemnon e Hegisto) pelo trono de Micenas (Argos); e o sacrifício de Ifigênia, filha de Aga-
memnon e Clitemnestra, como condição para a partida da armada grega para Troia. A união
dessas duas histórias explica o destino trágico ("necessidade") ao qual Agamemnon estava
submetido.

A primeira história explica o envolvimento de Egisto na trama. Atreu e Tiestes herdam o trono
de Micenas e iniciam uma disputa cheia de astúcias e enganos, da qual quem sai vencedor é
Atreu, que expulsa seu Tiestes da cidade. Não contente com esse castigo, Atreu prepara uma
vingança mais cruel. Ele finge que quer se reconciliar com o irmão e lhe prepara um banquete
de retorno - mas no fim revela que o banquete havia sido preparado com a carne dos próprios
filhos de Tiestes. A partir disso, surge uma profecia de que o próximo filho de Tiestes seria res-
ponsável por vingar o pai: e esse filho é Egisto. A vingança, portanto, ocorre na geração seguin-
te, recaindo sobre Agamemnon.

A segunda história contextualiza a vingança de Clitemnestra. Conta Eurípedes que Agamemnon,


grande chefe da armada grega contra Troia, teria se gabado de ser também o melhor caçador ao
abater um cervo dentro de uma floresta sagrada, o que provoca a ira da deusa Ártemis. Aqui, a
história é a de duas águias que devoram impiedosamente uma lebre e seus filhotes (v.133). Essas
águias são interpretadas como sendo uma alegoria dos irmãos Atridas, Agamemnon e Menelau,
e Ártemis acaba punindo-os pelo ocorrido.

Como punição, a deusa acaba com os ventos na praia de Áulis no momento da partida da armada
grega em direção a Troia e exige que, para fazer os ventos retornarem, o Agamemnon sacrifique
sua própria filha. O que temos nessa história é um segundo elemento trágico: a escolha trágica do
personagem. Agamemnon acaba sacrificando a própria filha e, com isso, liberando a passagem até
Troia. Mas isso vai lhe custar a vida por meio da vingança de Clitemnestra.

Último comentário. Há uma outra história, que no entanto não tem implicação direta aqui, mas que
paira por trás de toda a peça: as histórias decorrentes da Guerra de Troia narradas por Homero (a
Ilíada e a Odisseia) - o que é óbvio, sendo que aqui se narra a chegada de Agamemnon, o grande
chefe dos aqueus em Troia.
(PRÓLOGO)

PARTES DA PEÇA

PRÓLOGO................. [:03] *
PÁRODOS................. [:04]
1 EPISÓDIO.................. [:07]
ESTÁSIMO................. [:09]
2 EPISÓDIO.................. [:11]
ESTÁSIMO................. [:15]
3 EPISÓDIO.................. [:16]
ESTÁSIMO................. [:20]
4 EPISÓDIO.................. [:21]
ESTÁSIMO................. [:28]
5 EPISÓDIO.................. [:28]
ESTÁSIMO................. [:30]
* A casa dos Atridas
ÊXODO...................... [:33]
*
(PÁRODOS)

* O coro é formado por anciãos da cidade


Príamo = rei de Troia
(parênteses de ação no meio
do párodos. A ação só será
retomada no início dos episó-
dios)
(os anciãos não ouviram a
sentinela, ainda não sabem
que a guerra acabou [:8])

(Calcas, profeta)
(Titanomaquia)

(Ártemis)

sofrimento /
tragédia

(sacrifício de Ifigênia)

(o ancião comenta a fala


do profeta Cálcis, relem-
brando os fatos mencio-
nados)

* Apolo é o deus da divinação


(Escolha trágica)
verdugo =
algoz

(tempo prefixado = destino)

(EPISÓDIO 1)

(narração do
sacrifício) (o coro não entendeu a pro-
fecia de Calcas e acredita
que Clitemnestra está feliz.
Esta, por sua vez, interpre-
ta bem o papel de esposa
feliz - metateatralidade)
(lembra que o coro
ainda não sabe do
fim da Guerra [:5])

(o corifeu custa a acreditar.


Espanto [:9])

(ela explica o caminho


do fogo)
[:8]

monólogo
(Clitemnestra ainda não
sabe o que aconteceu,
ela só pode especular)

(ESTÁSIMO 1)

(história da guerra, terminando


com um aviso de cautela)
(fala dos vates)

(história da
Guerra)
(EPISÓDIO 2)

(o corifeu ainda não a-


credita em Clitemnes-
tra! [:13])

[:16]
[:11]

(ironia)

(agora ele finalmente


acredita: [11])
(ESTÁSIMO 2)
cingir-se = ater-se

[:11]

(EPISÓDIO 3)
(parece meio afetada,
interessante)

(cegueira trágica)
(começa a ação
fatal)

(duplo sentido: essa casa pode


o seu palácio mas pode ser
também o de Hades, rei dos
mortos)

(Agamemnon é engana-
do por sua vaidade (e pe-
la confiança na esposa,
(um exa- claro). Mas quando Cli-
gero de temnestra diz que os elo-
elogios) gios são merecidos, ele,
apesar de rejeitá-los, não
o nega: "mesmo quando
merecidos...".
Mas convenhamos: ele
é o vencedor da maior
guerra do mundo antigo!
Ele devia se sentir orgu-
lhoso. Porém, não fosse
isso, talvez ele tivesse per-
cebido o fingimento da es-
posa)
(húbris: a vaidade faz ele
passar dos limites. Ao a-
ceitar uma honraria que
só caberia aos deuses,
ele, de certa forma, se
equipara a eles)
(Clitemnestra instigando a
vaidade de Agamemnon)

(Cassandra)
canícula =
muito calor

(tipo de homem acabado)


(com a morte!)

(ESTÁSIMO 3)

(a vaidade de Agamemnon não


permitiu que ele percebesse a
afetação no tratamento de sua
esposa. Mas o coro percebeu
que havia algo errado)
(EPISÓDIO 4)

(ironia trágica)

(Cassandra é vidente. Ela


sabe que Clitemnestra pla-
neja matá-la também) parte = destino

(filho de Alcmene: Héracles)


Kommos: canção lírica de lamentação em que a personagem
e o coro cantam juntos. Canções durante os episódios não são
* comuns na tragédia grega e só ocorrem nos momentos em que
a tensão da peça chega ao seu ponto máximo

(porque é o deus dos videntes)

* Em grego, Cassandra canta coisas sem sentido e, no meio


delas, o nome de Apolo (deus dos videntes)
(Cassandra é capaz de ver
o assassinato que ocorre
no interior do palácio)

(Cassandra lamenta pelo próprio


destino)
(fim do canto)

(Escamandro: rio em Troia)

(Cocito e Aqueronte: rios do Hades)

(coro das Fúrias)

(alusões à trama que Atreu


preparou para Tiestes)
(Apolo joga uma maldição em Cassan-
dra, a partir da qual ninguém mais vai
acreditar em suas previsões)

(alusão aos filhos comidos por


Tiestes)

(leão covarde: Egisto)


(o corifeu não acredita
em Cassandra; ele só
reconheceu a profecia
sobre a morte dela
própria)
(Orestes)
(ESTÁSIMO 4)

(EPISÓDIO 5)

(falas performáticas)
(ESTÁSIMO 5)
(Tantálidas: descendentes
de Tântalo)

(alusão à história de Tântalo,


que recebeu uma maldição
(fim da vida / sobre seus descendentes)
fim da peça)
(ÊXODO)
(Egisto: tirano)