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Direitos e Deveres Individuais e Coletivos VIII – DIREITO CONSTITUCIONAL

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DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS VIII

Princípio da Segurança Jurídica

O Supremo Tribunal Federal, em alguns precedentes, tem deixado claro que


a Constituição ampara o Princípio da Segurança Jurídica.
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabi-
lidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade,
nos termos seguintes:
XXXVI – a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a
coisa julgada;
Nesse inciso da Constituição Federal de 1988, a palavra “lei” é a norma no
sentido amplo, englobando, por exemplo, portarias e medidas provisórias. Até
mesmo as emendas constitucionais precisam respeitar o princípio da segurança
jurídica, por se tratar de uma cláusula pétrea.

 Obs.: Cláusulas pétreas são limitações materiais ao poder de reforma.

De acordo com a doutrina e a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal,


uma nova Constituição não deve respeito às normas da Constituição anterior,
pois o poder constituinte originário é ilimitado juridicamente, e, em regra, uma
nova Constituição revoga totalmente a Constituição passada.

IMPORTANTE!
Não há direito adquirido em face de uma nova Constituição, pois o poder
constituinte originário, ao elaborar a sua obra, não deve respeito aos
condicionamentos impostos pela Constituição anterior.
ANOTAÇÕES

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• O Supremo Tribunal Federal entende que não há direito adquirido em face


de regime jurídico. Ex.: quando um servidor público ingressa em um cargo
público efetivo, já existe um regime jurídico elaborado unilateralmente pela
Administração, e o servidor adere a esse regime jurídico. Se a Adminis-
tração posteriormente decidir alterar esse regime, o servidor não poderá
alegar um direito adquirido.

4.9 Direito à Segurança Jurídica (Artigo 5º inciso XXXVI da CF)

O Brasil adota o regime de governo Estado Democrático de Direito, e a Segu-


rança jurídica decorre desse Estado Democrático de Direito. A segurança jurí-
dica está fundamentada em três pilares:
• O Ato Jurídico Perfeito: aquele ato que foi realizado obedecendo todas as
normas exigentes no momento da sua prática.
• O Direito Adquirido: aquele ato que o titular cumpriu todas as exigências
e o direito incorporou-se ao seu patrimônio, à sua personalidade.
• A Coisa Julgada: aquela decisão contra a qual não é mais possível inter-
por recursos.

Art. 6º A Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico
perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada.
§ 1º Reputa-se ato jurídico perfeito o já consumado segundo a lei vigente ao
tempo em que se efetuou.
§ 2º Consideram-se adquiridos assim os direitos que o seu titular, ou alguém por
ele, possa exercer, como aqueles cujo começo do exercício tenha termo pré-fixo,
ou condição pré-estabelecida inalterável, a arbítrio de outrem.
§ 3º Chama-se coisa julgada ou caso julgado a decisão judicial de que já não
caiba recurso. (DL 4.657/42)
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Ex.: Nas regras de aposentadoria, quando a pessoa cumpre todos os requi-


sitos de idade e de tempo de contribuição, ela adquire o direito à aposentadoria.
Ainda que ela não se aposente naquele momento, a partir do momento em que
ela cumpre os requisitos, ela tem o direito adquirido, conforme às regras previs-
tas naquele momento. Ainda que posteriormente essas regras sejam alteradas,
se a pessoa cumpriu os requisitos, ela adquire o direito.

Súmula vinculante 1
“Ofende a garantia constitucional do ato jurídico perfeito a decisão que, sem ponderar as cir-
cunstâncias do caso concreto, desconsidera a validez e a eficácia de acordo constante de
termo de adesão instituído pela lei complementar n. 110/2001.
“A garantia da irretroatividade da lei, prevista no art. 5º, XXXVI, da CF, não é invocável pela
entidade estatal que a tenha editado.” (Súmula 654.)

 Obs.: Se a União editar uma lei, não pode alegar, posteriormente, que a lei não
deveria retroagir.

Súmula vinculante 35
“A homologação da transação penal prevista no artigo 76 da lei 9.099/1995 não faz coisa jul-
gada material e, descumpridas suas cláusulas, retoma-se a situação anterior, possibilitando-se
ao ministério público a continuidade da persecução penal mediante oferecimento de denúncia
ou requisição de inquérito policial.”

4.10. Princípio do devido processo legal e demais princípios e garantias


processuais correlatos

Ninguém será privado de seus bens ou da sua liberdade sem o devido pro-
cesso legal. Segundo a doutrina, o devido processo legal se divide em duas
ideias – Devido Processo Legal Formal e Devido Processo Legal Material.
O devido processo legal formal exige a observância das garantias proces-
suais, das normas que garantam direitos processuais. O contraditório, a ampla
defesa, o direito de acesso ao poder judiciário e a proibição de provas ilícitas
decorrem do devido processo legal formal.
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Na tese do devido processo legal substantivo ou material, a decisão judi-


cial busca uma proporcionalidade – é a busca por uma decisão justa, razoável e
proporcional.

4.10.1. Devido processo legal

“O art. 400 do CPP, com a redação dada pela Lei 11.719/2008, fixou o inter-
rogatório do réu como ato derradeiro da instrução penal, prestigiando a máxima
efetividade das garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa
(CRFB, art. 5º, LV), dimensões elementares do devido processo legal (CRFB,
art. 5º LIV) e cânones essenciais do Estado Democrático de Direito (CRFB, art.
1º, caput), por isso que a nova regra do CPP comum também deve ser obser-
vada no processo penal militar, em detrimento da norma específica prevista no
art. 302 do Decreto-Lei 1.002/1969.” (RHC 119.188)

4.10.2. Inafastabilidade da Jurisdição

A Inafastabilidade da Jurisdição decorre do devido processo legal. Essa ina-


fastabilidade é chamada de princípio da proteção judiciária.
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabi-
lidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade,
nos termos seguintes:
O princípio da proteção judiciária, ou princípio do amplo acesso ao poder
judiciário, está no artigo 5º, parágrafo XXXV da Constituição Federal. Segundo
esse princípio, a lei não pode excluir, da apreciação do judiciário, lesão ou
ameaça à direito.
A Constituição Federal, em regra não exige discussão administrativa para a
pessoa buscar o Poder Judiciário. Porém, a doutrina tem destacado duas exce-
ções constitucionais.
Essas exceções estão no artigo 217, parágrafo 1º, e no artigo 114, parágrafo
2º, da Constituição de 1988. No artigo 217, parágrafo 1º, estão as questões rela-
cionadas à justiça desportiva:
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Art. 217. É dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e não-formais,


como direito de cada um, observados:
§ 1º O Poder Judiciário só admitirá ações relativas à disciplina e às compe-
tições desportivas após esgotarem-se as instâncias da justiça desportiva, regu-
lada em lei.
A Constituição dispõe que o poder judiciário somente analisará ações sobre
disciplina ou competição desportiva após decisão da Justiça Desportiva, que é
uma justiça administrativa.
Já o 114 parágrafo 2º, cuida dos chamados dissídios coletivos de trabalho. O
STF tem entendido que isso também é uma forma de limitação do amplo acesso
ao poder Judiciário.
Art. 114. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: (Redação dada
pela Emenda Constitucional n. 45, de 2004)
§ 2º Recusando-se qualquer das partes à negociação coletiva ou à arbitra-
gem, é facultado às mesmas, de comum acordo, ajuizar dissídio coletivo de natu-
reza econômica, podendo a Justiça do Trabalho decidir o conflito, respeitadas as
disposições mínimas legais de proteção ao trabalho, bem como as convenciona-
das anteriormente. (Redação dada pela Emenda Constitucional n. 45, de 2004)

IMPORTANTE!
Em regra, para buscar o poder judiciário, o indivíduo precisa estar acompanhado
de um advogado, que possui capacidade postulatória, porém, há exceções.
Ex.: qualquer pessoa pode impetrar habeas corpus sem a presença de um
advogado; bem como no Processo Administrativo Disciplinar o advogado é
facultativo.

Assistência Jurídica Gratuita

A Constituição criou um meio de acesso ao poder judiciário, que é a chamada


assistência jurídica integral e gratuita.
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O artigo 5º inciso LXXIV da Constituição Federal dispõe que o Estado pres-


tará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de
recursos.
Essa insuficiência pode ser comprovada até mesmo por uma declaração de
próprio punho, por meio da qual a pessoa declara que não possui condições de
arcar com os custos do processo nem com advogado.

Obs.: Este material foi elaborado pela equipe pedagógica do Gran Cursos
Online, de acordo com a aula preparada e ministrada pelo professor
Wellington Antunes.
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