Você está na página 1de 89




   


   

            
                      
         !"#$%&'  !#$% (    
                
               )  
      '  
     *          
    
  )        
     
 *+ !"#$% !#$%
,  #-  %   ,%-&'

.   +     


    /    
 0   ! .   0!.&'1    2 (  #
    3     -
  . 3-.#0!.'
    )          (  
           
 '

 
 
  

 
 
 


  
 
  

 


 
 

 

   


    ! "#$#%&
 
 

 

   



    ! "#$#%&
' (
  )*

( ()

+
 ), -
 


 
      
             
  
 
   
 !  
  
"        #     
$  !%  !      &  $  
'      '    ($    
'   # %  % )   % *   %
'   $  '     
+      " %        & 
'  !#     
 $,
 ( $



 -. /
           "
          -.   
  
 0     /
        .  1  
  ! 
0                    . (  2
       2 -.    %       
         /
0          %     %   % 
   %  -3     %  -3    % %   
      -3 %
    ! 
   4               5  
      -.  -.     %  %    
4 4 

6    $$$   

7 8 
 8-3 " 9
 5   
0&  )
6  6& # : #  &;<% =%     % >?@@  %
; 
#
8 6A 
B  

*   &


 (  C /
 

6D 6 E6  F &%&   ) 


6D 6 EG@?H0&  )
";   F      &  G@?H
1

Dedicatória

Para Fábio, Victor, Aline, Ester e Ovídio.


Para os nossos pacientes, a motivação para sempre seguirmos adiante nesta jornada.
A todos os pesquisadores, parceiros e amigos que permitiram que este se viabilizasse.
C.T.S.
2

Agradecimentos

Agradeço ao Prof. Dr. Amilton Antunes Barreira, Profª Dra. Maria Paula Foss pelo apoio
extraordinário, incentivo e profissionalismo para que a presente obra pudesse ser concretizada.
Agradeço ao Prof Dr Octávio Pontes Neto e toda sua equipe do Ambulatório das Doenças
Neurovasculares da do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto
(FMRP-USP), pelo acolhimento e por permitir a coleta de dados de pacientes com Acidente
Vascular Cerebral.
Agradeço a todos os demais pesquisadores e colaboradores que também colaboraram de
algum modo para viabilizar a presente obra. Dentre eles o Prof. Dr. Lucas de Francisco
Carvalho, Dr. Ricardo Basso Garcia e o Prof. Dr. Vitor Tumas.
Agradeço à Profª Silvana Batista Gaino pelo apoio e colaboração imprescindível para a
revisão e escrita desta obra.
Agradeço, o apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
(CAPES).





3

SUMÁRIO

Capítulo I - Fundamentação Teórica____________________________________________4

Capítulo II - História e desenvolvimento da Escala Wechsler de Memória (WMS)________8

Capítulo III - As Abordagens Flexíveis da WMS-IV _______________________________16

Capítulo IV - Diretrizes gerais sobre a aplicação da WMS-IV LMVR_________________ 19

Capítulo V - Diretrizes gerais para pontuação da WMS-IV-LMVR___________________ 26

Capítulo VI - Diretrizes gerais sobre a interpretação da WMS-IV LMVR ______________ 32

Capítulo VII - Aplicações Clínicas da WMS-IV__________________________________ 45


Capítulo VIII - Adaptação e propriedades psicométricas da WMS-LMVR para o contexto

brasileiro_________________________________________________________________ 50

Referências Bibliográficas ___________________________________________________ 71


4

CAPÍTULO I

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Este capítulo tem como objetivo apresentar ao leitor uma visão abrangente dos conceitos
acerca da neuroanatomia e da fundamentação teórica dos processos de memória que a WMS-
IV LMVR visa medir. É obvio que na necessidade de avaliações mais aprofundadas no contexto
da memória e sua neuroanatomia, o leitor deverá acessar referências adicionais, tais como,
como Squire e Schacter (2002), Eichenbaum (2008) e outros.
Nos humanos, o comportamento é o fruto da interação entre os genes e o ambiente. O
comportamento humano é alterado através dos mecanismos da memória e aprendizagem
(KANDEL, SCHWARTZ, JESSELL, 2003; p.1247). Deste modo, para que haja a codificação,
consolidação e recuperação das informações de forma eficiente, os processos envolvidos devem
estar preservados.
Embora a palavra memória sugira a existência de um termo unitário, trata-se de um
sistema múltiplo, pois não existe um único sistema, mas muitos, e estes variam em
armazenamento desde pequenos armazenamentos momentâneos ao sistema de memória de
longo prazo, que parece exceder extensamente em capacidade e flexibilidade ao maior
ordenador disponível (BADDELEY, 1999).
Para garantir o armazenamento eficiente na memória, é necessário um processo em que,
numa primeira fase, a informação seja processada num registo de curto prazo, com capacidade
muito limitada e se não houver repetição, esta informação é perdida. Posteriormente, se houver
a aprendizagem, a informação é convertida em memória de longo prazo. Na memória de longo
prazo existe um sistema de busca e recuperação de informação que utilizamos nas tarefas
específicas (KANDEL, JESSEL & SCHWARTZ, 2001). As memórias recentes são alteradas
até que se transformam em memórias de longo prazo e são relativamente estáveis, existindo, no
entanto, uma diminuição gradual da informação armazenada assim como da capacidade para a
recuperar (KANDEL et al., 2001).
Aprendizagem é o processo no qual a informação é adquirida, é o modo que adquirimos
conhecimento sobre o mundo; ela constitui o contexto em que a informação é codificada e
armazenada na memória. Os processos de aprendizagem e de recordação envolvem padrões
complexos (RANJITH, MATHURANATH, SHARMA, ALEXANDER, 2009; KANDEL,
SCHWARTZ, JESSELL, 2003). As formas de aprendizagem vão desde as mais elementares
até as mais complexas. Dentre os métodos de aprendizagem elementares, podemos citar os
5

processos de habituação, sensibilização e condicionamento clássico. São formas simples de


aprendizagem implícita que alteram a efetividade das conexões sinápticas que compõem as vias
que medeiam o comportamento (KANDEL, SCHWARTZ, JESSELL, 2003; p. 1248). A
repetição da experiência através das diversas formas de aprendizagem leva o indivíduo à
consolidação da memória, ao convertê-la de curto, para longo prazo. E embora existam estudos
que sugerem que as memórias de curto e longo prazo se sobreponham e se misturem uma à
outra, elas são processos distintos e diferenciados (KANDEL, SCHWARTZ, JESSELL, 2003,
p.1254).
A memória é contextualizada como um processo complexo onde o indivíduo codifica,
armazena e recupera informações. As memórias são criadas e armazenadas em redes de
neuronais e são evocadas pelas mesmas redes ou por outras. São moduladas pelas emoções,
pelo nível de consciência e pelo afeto (IZQUIERDO, 2002).
A codificação refere-se ao processamento da informação que será armazenada. O modo
como a informação é retida e evocada é que determina o tipo de memória, ou seja, se a memória
será implícita ou explícita (KANDEL, SCHWARTZ, JESSELL, 2003, p.1228).

Neuroanatomia da memória e fundamentos da WMS-IV LMVR


A interdependência das habilidades através dos sistemas e regiões dificulta a
especificação das relações entre áreas neurais específicas e memória. Um grande volume de
pesquisas se acumulou na neuroanatomia da memória, implicando em múltiplas regiões e
processos, particularmente nas estruturas interiores do córtex temporal medial (DROZDICK,
HOLDNACK & HILSABECK, 2011).
Os processos neuroanatomicos das regiões envolvidas nos processos mnésticos são os
lóbulos frontais e temporais, o tálamo, a circunvolução do cíngulo, os gânglios basais, o
hipocampo, a amígdala, os corpos mamilares do hipotálamo, os núcleos anteriores e médio-
dorsais do tálamo, os núcleos do septo e o córtex entorrinal. Estas estruturas relacionam-se pelo
fórnix, estria terminal, fascículo mamilo-talâmico, banda diagonal, a comissura anterior e os
círculos límbicos (CASANOVA-SOTOLONGO et al., 2004).
Extensos estudos têm identificado que o hipocampo desempenha papel crítico e
importante na memória episódica, ao passo que nas proximidades das estruturas do Córtex
perihinal (localizado no giro parahipocampal) têm sido associados com funções da memória
semântica. As interações entre as estruturas dos lobos temporais mediais (ex. Hipocampo e
córtex entorhinal) com estruturas do lobo temporal medial podem modular os aspectos de
familiaridade dos estímulos nos aspectos do processamento da memória (NYBERG, 2008).
6

Enquanto estruturas do lobo temporal mesial desempenham um papel direto nos


processos de codificação e evocação de novas informações, os lobos frontais contribuem para
os processos de aquisição de novas informações. Déficits em reconhecimento e recordação da
memória episódica devido a ineficiência de codificação, dificuldades em empregar estratégias
eficientes de aprendizagem e baixo desempenho podem estar associadas com disfunções no
lobo frontal (NYBERG, 2008). Os impactos de lesões frontais no funcionamento da memória
podem ser observados como declínio na eficiência da aprendizagem ou devido à ineficiência
em obter estratégias de codificação e evocação eficientes, grande susceptibilidade à
interferência, problemas em monitorar a evocação a informação requerida por causa dos
estímulos distratores (MALLOY & RICHARDSON, 1994). Danos em estruturas relacionadas
aos gânglios da base podem também produzir prejuízos na memória que são similares aos
observados em pacientes com disfunção no lobo frontal (NYBERG, 2008). Estudos de
neuroimagem sugerem a ativação do córtex dorsolateral e ventrolateral durante a codificação e
fases de evocação de memórias episódicas (RANGANATH & BLUMENFELD, 2008).
Os lobos parietais podem mostrar consideráveis demonstrações durante as tarefas de
memória episódica, sugerindo que contribuem para o funcionamento da mesma. Porém, os
lobos parietais também mostram um elevado grau de ativação durante tarefas de atenção e
memória de trabalho, então, não está claro se a atividade do lobo parietal representa a atenção
sustentada e memória de trabalho, que contribuem para o funcionamento da memória, ou se
essa ativação é relacionada à função mnéstica em especial. O cerebelo também é ativado
durante tarefas de memória episódica, mas relaciona-se mais a facilitação e coordenação das
atividades do processamento da memória do que diretamente na contribuição das funções da
memória (NYBERG, 2008).
Em tarefas que impliquem a memória de trabalho verifica-se um aumento da ativação
do córtex pré-frontal (MAESTÚ, et al., 2003). Já o hipocampo é o depósito temporal da
memória a longo prazo. Em seguimento, áreas do lóbulo temporal processam a informação
proveniente do hipocampo e transferem as informações para outras áreas cerebrais (ex. córtex),
para o armazenamento duradouro (KANDEL et al., 2001).
Muitas teorias dividem a memória segundo o tempo, isto é, memória de curto e de longo
prazo. A memória de curto prazo refere-se àquela utilizada como recurso para armazenar
informações temporárias, de segundos até alguns minutos (ATKINSON & SHIFFRIN, 1968).
As memórias de longo prazo são aquelas que podem ficar armazenadas de horas até anos. A
WMS é concebida como um instrumento que mede tanto a memória de curto como a de longo
7

prazo. A Figura 1 elucida os processos de memória que estão inclusos nas medidas da WMS-
IV LMVR.

Memória

Memória de curto prazo Memória de longo prazo

Memória Lógica I Memória Lógica II


Reprodução Visual I Reprodução Visual II

Figura1. Processos de memória inclusos na WMS-IV LMVR.

Teorias recentes incorporam memória de trabalho no conceito de memória de curto


prazo. O executivo central regula o sistema de memória de trabalho através do controle de fluxo
de informações e do sistema atencional, englobando a memória de longo prazo, quando
necessário. Além disto, o executivo central contribui com os mecanismos de aprendizagem e
outras tarefas cognitivas complexas, coordenando os processos cognitivos (DROZDICK,
HOLDNACK & HILSABECK, 2011).
A memória de longo prazo geralmente é categorizada como implícita (processual) ou
explícita (declarativa). A memória implícita ou processual envolve aprender com experiências,
como dirigir um carro. A memória explícita ou declarativa é o armazenamento e recuperação
consciente de informações, como experiências vividas ou conceitos aprendidos. A memória
explícita é ainda dividida em memória semântica e episódica. A memória semântica é a
memória de fatos e conceitos, a memória episódica envolve a lembrança de eventos pessoais e
os contextos no qual eles ocorrem. A WMS-IV é concebida principalmente como uma medida
episódica declarativa, pois "a informação apresentada é nova e contextualmente ligada pela
situação de teste e requer que o examinado aprenda e obtenha informações " (WECHSLER,
2009, p.2).
8

CAPÍTULO II

HISTÓRIA E DESENVOLVIMENTO DA ESCALA WECHSLER DE


MEMÓRIA (WMS)

A Escala Wechsler de Memória (WMS) original foi publicada em 1945. Em 1984, apesar
de nunca ter sido oficialmente revisada, a WMS tornou-se o teste de memória mais
frequentemente utilizado (LUBIN, LARSEN & MATARAZZO, 1984). O teste foi
significativamente revisado e vem sendo aprimorado desde os anos de 1987, 1997 e 2009. Este
tópico visa brevemente descrever a origem da WMS e sua evolução até a Quarta edição da
WMS (WMS-IV).

Escala Wechsler Bellevue (WBIS) - 1939


David Wechsler publicou a WBIS que eram compostos de uma série de subtestes, que,
quando combinados, produziam um coeficiente de inteligência (QI). Wechsler conceituou a
inteligência como uma capacidade global composta por vários elementos (WECHSLER, 1944).
Embora a WMS estivesse em uso em 1940 no Hospital Bellevue, em Nova York, a escala não
fora oficialmente publicada até 1945.
Wechsler propositalmente projetou as escalas Wechsler para serem relativamente breves
em termos de tempo de testagem e possuírem padronização na aplicação e interpretação dos
resultados. Deste modo, viabilizou através de sua escala que os resultados do desempenho da
memória pudessem ser comparados ao QI. Essa comparação entre a memória e outras funções
cognitivas, permitiu o entendimento do comprometimento da memória do examinando em
relação às outras funções intelectuais.
Wechsler pretendia que sua escala fosse utilizada para avaliar pessoas com "lesões
cerebrais orgânicas específicas", incluindo soldados e marinheiros que retornam da guerra
(KENT, 2013).

Escala Wechsler de Memória ± I (1945)


A primeira versão da WMS foi considerada uma breve triagem das habilidades de
evocação imediata, memória auditivo-verbal e memória operacional. A WMS incluía sete
subtestes: informações pessoais, orientação, controle mental, dígitos (ordem direta e inversa),
memória lógica, aprendizado associado e reprodução visual. Para cada subteste, o examinado
deveria evocar a informação imediatamente após sua apresentação. Nesta versão as medidas de
9

evocação tardia não foram inclusas. O tempo de aplicação era de 15 a 30 minutos. Um único
quociente de memória composto (QM) foi convertido em pontos ponderados, métrica que
poderia ser comparada diretamente com o QI obtido pela Escala Wechsler de inteligência para
adultos - WAIS (WECHSLER, 1955). Apesar das suas limitações, a WMS foi amplamente
utilizada (ERICKSON & SCOTT, 1977; RUSSELL, 1981) e traduzida em cinco países
(MITRUSHINA et al., 2005; DROZDICK, HOLDNACK & HILSABECK, 2011). A correção
e a pontuação permitiam ao clínico avaliar pessoas entre 20 e 64 anos.
O procedimento de utilizar o QI como ponto de referência para inferir na disfunção foi
fortemente criticado por Dennis et al. (2009). Por motivos semelhantes, o uso das discrepâncias
do QI-QM como índice de disfunção da memória é um procedimento questionável, a menos
que o clínico tenha acesso a um QI válido que precedeu o desenvolvimento do problema de
memória atual sem um transtorno de desenvolvimento neurológico. A relação entre QI e
memória é complexa e embora os pesquisadores tenham encontrado correlações moderadas a
altas entre a memória de trabalho e a inteligência fluida, a relação entre memória de trabalho e
inteligência geral permanece obscura (NISBETT et al., 2012), assim como, a relação entre
memória e inteligência.
No caso da WMS-I, no QM as pontuações globais obscurecem os achados clinicamente
significativos e não nos dizem muito sobre a variabilidade individual em domínios
neuropsicológicos específicos (KENT, 2013).

Escala Wechsler de Memória - Russell (1975, 1988)


Visando melhorar a utilidade da WMS, Russell adaptou e renomeou a escala. Ele
introduziu nos subtestes de Memória Lógica e Reprodução Visual a evocação tardia, que
deveria ser aplicada decorridos 30 minutos após a evocação imediata, após a administração de
outras atividades de interferência. A escala permitia investigações sobre a lateralizarão
hemisférica e comparações entre as medidas de evocação imediata e tardia (BRINKMAN,
LARGEN, GERGANOFF, & POMARA, 1983; CHLOPAN, HAGEN, & RUSSELL, 1990).
Embora o WMS-R de Russell tenha melhorado a WMS, outros problemas foram observados
em estudos com a amostra normativa e as propriedades psicométricas da escala (CROSSON,
HUGHES, ROTH, & MONKOWSKI, 1984; CURRY, LOGUE E BUTLER,1986;
HAALAND, LINN, HUNT, & GOODWIN, 1983 in DROZDICK, HOLDNACK &
HILSABECK, 2011).
10

Escala Wechsler de Memória ± Revisada (WMS-R, 1987)


A revisão da WMS em 1987 foi uma tentativa de suprir as críticas feitas na WMS-I ao
longo dos anos. O próprio Wechsler começou a trabalhar na escala no final da década de 70 e
foi capaz de completar as principais mudanças no instrumento antes da sua morte, em 1981
(KENT, 2013). A primeira revisão da WMS visou expandir a amostra normativa original,
partindo dos 16 até os 74 anos. Os revisores adicionaram medidas de evocação tardia e uma
QRYDWDUHIDGHPHPyULDYLVXDORLQWLWXODGR³9LVXDO3DLUHG$VVRFLDWHV´0HGLGDVGHDYDOLDomR
GDDWHQomRHGDFRQFHQWUDomRWDPEpPIRUDPDPSOLDGDVDWUDYpVGDLQFOXVmRGRVXEWHVWH³6SDWLDO
6SDQ´ DRV VXEWHVWHV H[LVWentes (informações pessoais, orientação, controle mental, dígitos -
ordem direta e inversa-, memória lógica I e II, aprendizado associado e reprodução visual I e
II). Assim, a WMS-R passou a ser constituída por 13 subtestes e as pontuações de 12 subtestes
foram utilizadas para formar cinco índices: Memória verbal, Memória visual, Memória geral,
Atenção / Concentração e Evocação tardia. O Índice de Memória Geral foi composto pela soma
das medidas de evocação imediata e tardia dos subtestes de memória visual e auditivo-verbal.
Assim como na versão original da WMS, limitações adicionais estiveram presentes após
a revisão da escala. Primeiro, a fundamentação teórica explícita sobre a memória e sua
neuroanatomia não foram apresentadas no manual. A razão para o desenvolvimento do
instrumento foi apresentada em apenas uma página e meia (KENT, 2013). Segundo, vários
problemas foram observados, como baixos índices de confiabilidade, efeito teto em vários
índices, pequena amostra normativa e normas interpoladas para três grupos etários. Terceiro,
as novas tarefas de memória visual exigiam outras habilidades cognitivas além da memória
visual, isto é, a mediação verbal era relevante, causando viés e confundindo a tarefa de memória
visual com a memória auditivo-verbal. E por último, a WMS-R não incluía tarefas de memória
de reconhecimento (DROZDICK, HOLDNACK & HILSABECK, 2011).

Escala Wechsler de Memória ± Terceira Edição (WMS-III, 1997)


O WMS-III foi publicado em 1997, 10 anos após a WMS-R. Esta versão do teste foi
deseQYROYLGDSRUXPJUXSRGHHVSHFLDOLVWDVGD³7KH3V\FKRORJLFDO&RUSRUDWLRQ´$:06-III
foi revisada com base em uma extensa revisão da literatura, com orientação de um conselho
consultivo de pesquisadores e neuropsicólogos, para tentar resolver os problemas encontrados
na versão anterior. Uma amostra grande e representativa da população foi utilizada na coleta de
dados para atualizar as normas e a faixa etária foi expandida para até 89 anos. Não houve
interpolação na idade, embora a ponderação tenha sido utilizada para aumentar a padronização.
11

A WMS-III foi conormatizada com a Escala Wechsler de inteligência para adultos - WAIS-III
(WECHSLER, 1997). A co- normatização permitiu cálculos de estatísticas comparativas e
análises de discrepância entre os instrumentos (DROZDICK, HOLDNACK & HILSABECK,
2011).
Adicionalmente, ensaios de reconhecimento foram incluídos em alguns dos subtestes,
visando avaliar a codificação versus a evocação. Além disto, medidas de memória de trabalho
foram revisadas; foram desenvolvidas pontuações comparativas adicionais e foram introduzidas
GXDVQRYDVWDUHIDVGHPHPyULDYLVXDOLQWLWXODGDV³)DFHVDQG)DPLO\3LFWXUHV´)LQDOPHQWHRV
procedimentos de pontuação e a confiabilidade foram melhorados.
A WMS-III continha um total de 17 subtestes (Information and Orientation, Mental
Control, Logical Memory, Visual Reproduction, Verbal Paired Associates, Digit Span, and
Visual Memory Span). Destes, 10 subtestes eram obrigatórios (Logical Memory I and II, Verbal
Paired Associates I and II, Letter±Number Sequencing, Faces I and II, Family Pictures I and II,
and Spatial Span) e 7 subtestes eram opcionais (Information and Orientation, Word Lists I and
II, Mental Control, Digit Span, and Visual Reproduction I and II). A utilização de seis dos
subtestes eram necessários para derivar os índices de memória (Logical Memory, Verbal Paired
Associates, Letter±Number Sequencing, Spatial Span, Faces, and Family Pictures) e cinco
subtestes eram opcionais (Information and Orientation, Mental Control, Digit Span, Word Lists,
and Visual Reproduction). Alguns subtestes foram utilizados para obter oito índices primários
(Auditory Immediate, Visual Immediate, Immediate Memory, Auditory Delayed, Visual
Delayed, Auditory Recognition Delayed, General Memory, and Working Memory) e quatro
processos auditivos compostos (Single-Trial Learning, Learning Slope, Retention, and
Retrieval). O Índice de Memória Geral foi composto de tarefas de evocação tardia auditiva e
visual, mais as tarefas de reconhecimento auditivo.
Em resumo, a WMS-III apresentou outros problemas relacionados à validade e utilidade
clínica. O teste tornou-se significativamente mais longo na sua aplicação e mais complexo na
sua interpretação. Além disto, a escala manteve a possibilidade de confusão da mediação verbal
em testes visuais, causando discussões se, de fato, o teste media a memória visual. Além disso,
D ³7KH 3V\FKRORJLFDO &RUSRUDWLRQ´   UHFRQKHFHX TXH HVWXGRV GH DQiOLVH IDWRULDO QmR
demonstram que o teste mede a memória de longo prazo, deficiência já havia sido encontrada
na WMS-R. Embora a nova versão da WMS tenha discutido os conceitos e fundamentos
neuroanatômicos da memória, uma teoria explícita da memória baseada em neuroanatomia não
fora evidenciada (KENT, 2013).
12

Escala Wechsler de Memória ± Quarta Edição (WMS-IV, 2009)


A WMS-IV recebe modificações significativas em comparação com a WMS-III. Além
dos novos subtestes e das mudanças nos procedimentos de aplicação e correção dos subtestes
existentes, a WMS-IV é dividida em duas baterias, uma designada especificamente para
avaliação de pessoas mais velhas. O conteúdo e a estrutura da WMS-IV são descritos nesta
seção, com enfoque específico da organização no âmbito dos subtestes.
A WMS-IV contém um total de sete subtestes: três subtestes que foram mantidos da
WMS-III (Memória Lógica, Pares verbais associados e Reprodução Visual) e quatro subtestes
que foram adicionados (Exame Breve do Estado Cognitivo, Desenhos, Adição Espacial e Spam
de Símbolos). Quatro subtestes (Memória Lógica, Pares verbais associados, Desenhos e
Reprodução Visual) são separados em duas condições: A condição imediata (I) e a Condição
tardia (II) que são administradas com intervalos entre 20-30 minutos. Vários subtestes também
incluem tarefas opcionais que são utilizadas para conversão dos pontos brutos em ponderados.
A tabela 1 lista os subtestes da WMS-IV e fornece uma breve descrição de cada.
13

Tabela 1. Descrição sumária dos subtestes


Exame Breve do Estado Cognitivo (BCSE): Teste opcional utilizado para triagem do funcionamento
cognitivo geral. O examinando executa tarefas simples, como por exemplo, orientação temporal,
controle mental, desenho do relógio, recordação incidental, controle inibitório e automático e produção
verbal.

Memória Lógica (LM-I e LM-II): O LM-I avalia a memória narrativa subordinada a condição de
evocação livre e imediata da material verbal. Duas estórias curtas são oralmente apresentadas. Para os
mais idosos, uma estória simples é apresentada duas vezes. O examinando é orientado a narrar as
histórias, uma de cada vez, imediatamente após tê-las ouvido. No LM-II, a evocação tardia acessa a
memória narrativa de longo prazo, através da evocação livre e reconhecimento das histórias apresentadas
em LM-I. O examinando é orientado a narrar as duas histórias 20-30 minutos após a evocação imediata
(LM-I). Em seguida, o examinando é orientado a responder sim ou não às questões sobre ambas as
histórias para verificar se há reconhecimento de passagens das histórias.

Pares Verbais Associados (VPA-I e VPA-II): O VPA-I avalia a memória verbal através da associação
de pares de palavras. Após 10 ou 14 pares de palavras que são lidas ao examinando, a primeira palavra
de cada par é lida e o examinando é solicitado a fornecer a palavra correspondente. Existem quatro
ensaios da mesma lista, em diferentes ordens. Em VPA-II, o alvo é ver o funcionamento da memória de
longo prazo para informações verbalmente pareadas, através de tarefas de reconhecimento e evocação
com pistas, além da evocação livre.

Desenhos (DE-I e DE-II): o DE-I acessa a memória espacial utilizando estímulos visuais
desconhecidos. É apresentado ao examinando uma grade desenhos numa página por 10 segundos. O
examinando então deve selecionar os desenhos de um conjunto de cartões e posicionar esses cartões em
uma grade, na mesma posição como visualizado previamente. O DE-II avalia a memória visuoespacial
de longo prazo através de tarefas de evocação livre e de reconhecimento. Primeiro o examinando deve
tentar colocar na grade os cartões como ele viu anteriormente. Em seguida é mostrado ao examinando
uma série de modelos e ele deverá selecionar dois desenhos que são corretos e que estão no mesmo
local, como foi apresentado na condição imediata.

Reprodução Visual (VR-I e VR-II): O VR-I avalia a memória não verbal. Uma série de cinco cartões
é apresentado, um de cada vez. A cada desenho apresentado, o examinando deve desenhá-los de
memória. No VR-II a condição tardia avalia a memória visuoespacial de longo prazo através de tarefas
de evocação tardia e de reconhecimento. Também incluí uma tarefa opcional de cópia. Primeiro, o
examinando deverá desenhar de memória as figuras apresentadas na condição imediata em qualquer
ordem. Segundo, é solicitado ao examinando que escolha numa página com seis desenhos, aquele que
corresponde ao apresentado na condição imediata. Terceiro, para uma tarefa opcional, é solicitado ao
examinando para desenhar as figuras enquanto ele olha para elas.

Adição Espacial (SA): O SA avalia a memória de trabalho visuoespacial utilizando uma tarefa de
manipulação mental de objetos visualmente apresentados. É apresentado ao examinando,
sequencialmente, duas grades com círculos azuis e vermelhos. O examinando deverá colocar ou retirar
os círculos do local, considerando um conjunto de regras que lhe fora apresentado.

Spam de Símbolos (SSP): Esse subteste acessa a memória de trabalho visual utilizando estímulos
visuais desconhecidos de difícil nomeação. Neste, uma série de símbolos abstratos em uma página é
apresentada e o examinando deverá selecionar os símbolos a partir de uma matriz de símbolos,
mostrando na mesma ordem que eles foram apresentados previamente.

Dos sete subtestes da WMS-IV, seis são considerados subtestes obrigatórios e são
utilizados para derivar as pontuações em índices. Os pontos ponderados são utilizados na
14

sequência para obter 5 índices de pontuação. O subteste Exame Breve do Estado Cognitivo é
opcional e pode ser aplicado para obter informações complementares e fornece um quadro geral
do funcionamento cognitivo. Os cinco índices de memória são: Auditivo-verbal; Memória
Visual, Memória de Trabalho Visual, Memória Imediata e Memória Tardia. Um
aprimoramento à WMS-IV é a opção de poder substituir pelas pontuações do CVLT-II quando
calcular os índices de memória Auditiva, Memória Imediata e Memória Tardia. Os usuários do
CVLT-II podem converter a Evocação Livre dos ensaios 1-5 em T score e a evocação tardia
livre em z escore para equalizar aos escores ponderados, que podem ser substituídos pelos
pontos ponderados dos Pares Verbais Associados I e Pares Verbais Associados II quando forem
calcular os índices de pontuação.
Similarmente à WMS-III, os escores dos subtestes da WMS-IV são organizados em
índices de pontuação. A tabela 2 descreve resumidamente cada índice. Os índices de Memória
Auditivo-verbal e Memória visual representam o desempenho baseado na habilidade de
lembrar-se do estímulo apresentado verbalmente ou oralmente, respectivamente. O Índice de
memória imediata representa todo o desempenho da memória imediata, consistindo na condição
imediata para os subtestes visuais e verbais. O índice de memória tardia representa o
desempenho em todas as condições tardias para os subtestes verbais e visuais. O índice de
memória de trabalho visual, uma medida da capacidade de manipular informação visual na
memória de curto prazo, consiste de duas tarefas de memória de trabalho visual. Apenas uma
das tarefas de memória de trabalho visual está inclusa na bateria dos idosos; além disto este
índice não é utilizado para aqueles com idade superior aos 69 anos.

Tabela 2. Descrição sumária dos Índices


Índice Abreviatura Descrição
Memória Auditivo-verbal AMI Indica a habilidade do examinando recordar
das informações apresentadas oralmente.
Memória Visual VMI Índica a habilidade do examinando recordar
das informações apresentadas visualmente.
Memória de trabalho visual VWMI Indica a capacidade do examinando lembrar e
manipular informações visualmente
apresentadas na memória de curto prazo.
Memória Imediata IMI Indica a habilidade do examinando recordar
das informações imediatamente apresentadas.
Memória Tardia DMI Indica a habilidade do examinando reter
informações.
15

A maior parte dos subtestes da WMS-IV oferecem análises de discrepância,


particularmente naqueles em que há condições imediatas e tardias ou em tarefas de evocação e
reconhecimento. As discrepâncias são análises designadas para permitir ao examinador
comparar o nível mais alto e o mais baixo do funcionamento cognitivo (ex. Evocação versus
Reconhecimento) ou para diferenciar entre as modalidades de apresentação (ex. oral versus
visual). Essas comparações entre ou intra subtestes e índices, fornecem informações sobre o
desempenho de uma habilidade, controlando uma habilidade mais básica. Adicionalmente, o
examinador pode querer comparar o desempenho da memória auditiva com os da memória
visual utilizando a análise de discrepância.
16

CAPÍTULO III
AS ABORDAGENS FLEXÍVEIS DA WMS-IV

A criação de múltiplas ferramentas que podem ser usadas em combinação maximiza a


flexibilidade de uso para clínicos que atendem populações diferentes com questões de
referência singulares às necessidades do paciente.
A WMS-IV fornece uma avaliação abrangente das funções e processos de memória.
Uma única ferramenta poderia não abordar eficazmente todas as necessidades dos usuários.
Embora a WAIS-IV e a WMS-IV tenham sido desenvolvidas em conjunto, assume-se que nem
todos os usuários da WAIS-IV usariam a WMS-IV ou vice-versa. A nível dos subtestes, alguns
procedimentos adicionais e pontuações estão disponíveis para avaliar questões comuns sobre
memória, no entanto, nem todos os escores que podem ser derivados estão incluídos na WMS-
IV padrão. Em casos que requerem uma abordagem mais específica (por exemplo, índice de
memória imediata auditiva, índice de memória tardia auditiva) ou que precisam de medidas
mais específicas ao nível dos subtestes (por exemplo, pontuação dos erros obtidos no VPA), as
soluções clínicas avançadas foram criadas (ACS). A ACS fornece pontuações de erro, medidas
de curva de aprendizagem e muitos outros índices que podem ser de interesse para os usuários
da WMS-IV.
Já a abordagem flexível foi desenvolvida para auxiliar o examinador que deseja adaptar
a avaliação da memória usando uma bateria mais curta ou que deseja a substituição de medidas
de memória alternativas dos subtestes principais da WMS-IV. Uma bateria mais curta pode ser
recomendada em casos de um examinando não conseguir tolerar uma sessão de testagem longa
ou da necessidade de resposta rápida e eficiente às questões clínicas gerais sobre o
funcionamento da memória.
Os testes da Abordagem Flexível são concebidos mais como medidas de associação
auditivo-visual do que de como medidas de memória visual. Deste modo, os índices de memória
auditiva e visual equilibram a composição dos índices de memória. A abordagem flexível da
WMS-IV fornece ao examinador a capacidade de calcular também o Índice de memória
auditiva-visual (AMI). Este índice pode ser usado em conjunto com os índices da WMS-IV
padrão ou, como ferramenta geral de triagem da memória. Esta pequena bateria mede aspectos
de aprendizagem e memória auditiva e visual e fornece medidas de funcionamento imediato,
tardio e de memória geral. No entanto, não permite ao examinador determinar se as diferenças
de memória são mais afetadas na modalidade auditiva ou visual
17

Vantagens e aplicações do uso da abordagem flexível da WMS-IV


A abordagem flexível da WMS-IV pode ser usada com adolescentes e adultos entre 16
e 90 anos. Algumas características desta bateria podem ser integradas com informações da
WAIS-IV em alguns âmbitos. A Abordagem Flexível da WMS-IV foi projetada para reduzir o
tempo de aplicação e pontuação.
A abordagem flexível foi projetada com alguns subtestes padrões da WMS-IV, embora
tenha subtestes suplementares que possam ser utilizados. Essa forma de testagem pode ser
aplicada a uma ampla gama de populações clínicas, incluindo pacientes com condições
neurológicas, psiquiátricas, de desenvolvimento ou médicas que afetam o funcionamento da
memória. Além disso, a abordagem flexível torna mais viável a aplicação da escala em diversos
contextos como escolas, hospitais, serviços de saúde mental, geriátrico e ambulatorial. Pode ser
utilizada em vários tipos de avaliações, tais como as relacionadas a dificuldades de
aprendizagem, em casos de suspeitas de demência e na área forense, em que um levantamento
do funcionamento da memória pode ser relevante.

As Baterias da abordagem flexível da WMS-IV: aplicabilidade

A abordagem flexível da WMS-IV oferece uma série de combinações que permitem


obter os índices de memória imediata, tardia, visual e o índice de memória auditiva. A avaliação
do índice de memória visual operacional não está incluída em nenhuma bateria da abordagem
flexível. As combinações de cada componente de uma bateria podem ser compostas por
subtestes obrigatórios da WMS-IV ou por subtestes suplementares da Abordagem Flexível. As
combinações de subtestes incluídos na Abordagem Flexível refletem o objetivo de reduzir o
tempo de administração e abordar questões específicas e clínicas (por exemplo, pacientes com
habilidade motora limitada ou pacientes que apresentem fadiga).
Duas baterias alternativas foram desenvolvidas na Abordagem Flexível: A bateria
LMVR, constituída pelos subtestes Memória Lógica (LM) e Reprodução Visual (VR) e a
bateria LMDE, constituída pelos subtestes Memória Lógica e Desenhos (DE). Os subtestes LM
e VR foram os mais utilizados nas edições anteriores da WMS e além disto fornecem
pontuações para todos os índices de memória. A bateria LMDE é utilizada nos casos onde há
uma menor necessidade de demanda motora e fornece uma medida mais confiável sobre
memória visual.
A bateria LMVR pode ser utilizada em examinandos com idades de 16 a 90 anos, ao
passo que a bateria LMDE pode ser aplicada em examinandos com idades entre 16 e 69 anos.
18

Ambas as baterias permitem que se obtenham índices de memória imediata, tardia, auditiva e
de memória visual. As baterias constituídas pelos subtestes suplementares não serão descritos
em pormenores, por não serem o alvo da presente obra.

Tabela 3: Esquema dos subtestes utilizados para obtenção dos índices da WMS-LMVR.

Subtestes com estímulos


auditivos-verbais
Índice de memória
auditivo-verbal Memória lógica I Índice de memória
imediata
Memória Lógica II

Subtestes com estímulos


visuoespaciais
Índice de memória tardia
Índice de memória visual Reprodução Visual I

Reprodução Visual II
19

CAPÍTULO IV

DIRETRIZES GERAIS SOBRE A APLICAÇÃO DA WMS-IV LMVR

As instruções para aplicação, pontuação e interpretação de cada subteste são projetadas


para obter níveis padronizados e garantir a qualidade e confiabilidade da medida. Por este
motive é muito importante seguir as instruções cuidadosamente para obter resultados que
possam ser interpretados de acordo com as normas nacionais. Modificações em quaisquer
etapas dos procedimentos padrão, incluindo a alteração da apresentação de um item, a alteração
das instruções, a repetição de exemplos ou os conceitos que estão for a do recomendado, podem
diminuir ou enviesar a validade dos resultados.
Os subtestes devem ser aplicados na ordem numerada em que aparecem no(s)
Protocolo(s) de Registro. Essa ordem inclui todas as tarefas exigidas para calcular as pontuações
dos índices e as discrepâncias. Os Livros de Estímulo seguem a ordem utilizada na bateria dos
Adultos. Ao aplicar a bateria dos Idosos, esteja atento com a ordem apresentada no Protocolo
de Registro de modo a apresentar o estímulo correto.
Parte da adesão aos procedimentos padronizados de aplicação inclui o uso de um tom de
voz natural e conversacional, estimulando no examinando o interesse nas tarefas e fornecendo
incentivos, quando for permitido pelas instruções em cada subteste. Caso seja necessário não
seguir os procedimentos padrão, certifique-se de anotar que os procedimentos padrão não estão
sendo seguidos e considere esta variável como uma ponto importante na interpretação dos
resultados do subteste aplicado.
Procure ter cautela ao interpreter os resultados anotados no protocol de registro.
Considere que os subtestes podem seguir procedimentos tradicionais de aplicação, mas no VR
e LM é fundamental que se anote tudo como é requerido até que a prática torne-se proficiente
no registro das respostas e na aplicação, pontuação dos itens. É essencial ter conhecimento e
saber manusear os materiais de testagem e as demandas de cada subteste, para que os
procedimentos padrão possam ser seguidos e a avaliação possa prosseguir de acordo com o
recomendado.

Materiais de Testagem

Além dos materiais de testagem, você deverá providenciar um lápis e uma borracha para
o Reprodução Visual, um cronômetro, um relógio para medir o transcorrer do tempo entre
condições imediatas e tardias, e uma caneta ou lápis para registrar respostas e observações no
20

Protocolo de Registro. Uma prancheta pode ser útil para manter o Protocolo de Registro fora
do alcance visual do examinando. A Tabela 2.1 lista os materiais necessários para aplicação da
WMS-IV LMVR.

Tabela 4. Materiais requeridos para aplicação da WMS-LMVR

˜ Manual de Aplicação e Pontuação


˜ Protocolos de Registro da Bateria dos Adultos
˜ Protocolos de Registro da Bateria dos Idosos
˜ Livreto de Respostas (Reprodução Visual)
˜ Livro de Estímulo 1
˜ Livro de Estímulo 2
˜ Crivo de Pontuação
˜ Lápis sem borracha
˜ Cronômetro

Manual de Aplicação e Pontuação: O Manual para Aplicação e Pontuação contém diretrizes


de aplicação, dos objetivos e formato dos subtestes, as diretrizes para registro dos resultados no
protocolo de registro, pontuação e dados normativos.

Protocolos de Registro da Bateria dos Adultos e da Bateria dos Idosos: Os Protocolos de


Registro da Bateria dos Adultos e da Bateria dos Idosos contêm orientações para a aplicação,
registro e pontuação, assim como espaços para registrar observações durante a avaliação. As
páginas de resumo e análise, contidas no Protocolo de Registro, fornecem espaços para registrar
os pontos Brutos, os pontos Ponderados, índices e de processo. Assim é possível obter um
gráfico para melhor visualização e análise de discrepância.

Livreto de Repostas: utilizado no Reprodução Visual. O mesmo livreto de respostas é utilizado


na bateria dos Adultos e na bateria dos Idosos. Certifique-se de que o Livreto de Respostas
esteja dobrado e orientado corretamente durante a aplicação do subteste.

Livros de Estímulos: Os dois Livros de Estímulo do Kit padrão da WMS-IV contêm todas as
instruções e estímulos necessários para a aplicação dos subtestes. Antes de utilizar o Livro de
Estímulo, certifique-se que a capa esteja voltada para você. Os Livros de Estímulo contêm
páginas para o examinador e para o examinando. As páginas do examinador para cada subteste
começam com o nome do subteste. As instruções de aplicação aparecem ao longo da aplicação
de cada subteste.
21

Crivo de Pontuação: utilizado com o objetivo de simplificar a pontuação e fornece uma base
objetiva para atribuição dos pontos no Reprodução Visual. O uso do crivo aumenta a
confiabilidade e a consistência da pontuação, pois permite que se verifique as lacunas e o
deslocamento da linha dos Eixos Horizontal e Vertical dos desenhos.

Cronometro: Em Reprodução Visual I utilizar um cronômetro. Neste caso, mostra-se ao


examinando cada página com o estímulo por 10 segundos. Em seguida examinando deve
fornecer a resposta de memória. Não mostre o estímulo por mais tempo do que foi designado,
caso contrário os resultados do teste podem ser inválidos. O cronômetro também é importante
para marcar o tempo decorrido entre a evocação imediata e tardia dos subtestes.

Tempo de testagem dos subtestes LMVR


O tempo de testagem pode variar devido aos diversos fatores, tais como, a habilidade
do examinando, condições clínicas, experiência do examinador e o tempo necessário para o
rapport. A Tabela 2.2 apresenta os tempos de aplicação necessários para completar cada um
dos subtestes pelas diversas percentagens das amostras normativas e clínica obtidos no estudo
original. Os tempos incluem todas as condições necessárias para completar desde a aplicação
até a pontuação. Quando os subtestes são apresentados na ordem padrão de aplicação, deve
haver um intervalo de 20-30 minutos entre a medida de evocação imediata (i.e. LM-I e VR-I)
e as tarefas de evocação tardia (i.e. LM-II e VR-II). As condições imediata e tardia de um
subteste devem ser aplicadas durante a mesma sessão de testagem.

Tabela 5. Tempo requerido em minutos para completar os diversos subtestes da abordagem


flexível LMVR.

Subteste Tempo (minutos) requerido pela Tempo (minutos) requerido


Amostra Normativa pelos Grupos Clínicos
LM I 6 6
LM II 8 9
VR I 6 7
VR II 11 11
Total 29 32
22

Regras de Início, Interrupção e Sequência Inversa


Para os subtestes de memória auditivo-verbal e memória visual, os examinandos
começam pelos mesmos itens e completam todos os itens. O início, as regras de interrupção e
sequencia inversa estão inclusos para encurtar o tempo do teste e minimizar a fatiga ou
desmotivação do examinando. A aplicação do VR e LM iniciam pelo primeiro item ou narrativa
e não possuem regra de interrupção e sequência inversa.
As regras de Aplicação estão descritas nas instruções dos subtestes nos Livros de
Estímulo e nos Protocolos de Registro, e são indicados pelos seguintes ícones:

^ĞƋƵġŶĐŝĂ /ŶƚĞƌƌƵƉĕĆŽ
,QtFLR
/ŶǀĞƌƐĂ

Repetições (R) e incentivos (I)


As repetições e os incentivos são utilizados para lembrar uma determinada regra daquela
tarefa ou fornecer incentivos para eliciar uma resposta.
Se o examinando recusar a responder a um item ou hesitar enquanto responder, incentive-
o dizendo ³SURFXUH ID]HU XP SRXFR PDLV´. Quando necessário, você pode repetir alguma
informação, após encorajá-lo. Se o examinando pedir ajuda, é recomendável que você o oriente
dizendo ³SUHFLVDPRVYHU o melhor que você consegue fazer sozinho´. Em casos de respostas
ambíguas ou incompletas, é importante que você peça ao examinando que explique melhor.
Caso você forneça o incentivo, coloque (I) seguido pela resposta, para deixar claro que a
resposta não foi espontânea.
Já as repetições de itens ou de instruções servem para garantir a compreensão da tarefa.
Com exceção de onde estiver explicitamente proibido, perguntas ou instruções podem ser
repetidas quando o examinando exigir ou quando o examinando aparentemente não tiver
entendido. Por exemplo, no subteste LM há restrições em relação ao que pode ser repetido.
Passagens da evocação tardia em LM-II não devem ser repetidas, exceto nos itens de
reconhecimento.

Registro das Respostas no Protocolo de Registro


Em LM é importante transcrever as respostas do examinando, para avaliá-las após a sessão de
teste e garantir uma pontuação precisa. É também importante anotar quaisquer respostas não-
convencionais. Isso auxiliará o examinador a garantir uma pontuação mais confiável. É também
23

importante transcrever as respostas de maneira discreta, para evitar que o examinando se


distraia. Algumas abreviações padronizadas são propostas para a transcrição das respostas.

Tabela 6. Abreviações de Notações no Protocolo de Registro


I - (incentivo) Uma incitação foi utilizada para eliciar a resposta.
R - (Repetição) Instruções ou item foram repetidos.
AC - (Auto Correção) O examinando responde incorretamente mas corrige a resposta de forma
espontânea.
NS - (Não sabe) O examinando indica que não sabe responder ou não se lembra.
SR - (Sem resposta) O examinando não responde.

Diretrizes Específicas para Aplicação dos Subtestes

1± Reprodução Visual ± Evocação Imediata (VR-I)


O VR-I é concebido como uma medida que avalia memória para estímulos visuais. Uma série
de cinco páginas é mostrada, uma de cada vez, por 10 segundos cada. A medida que cada página
é mostrada, o examinando deve desenhar o que viu de memória. No registro das respostas é
requerido marcar a dominância manual, tempo de execução de cada item e tempo de término
do subteste.

2 - Memória Lógica ± Evocação Imediata (LM-I)

As estórias para 16-69 anos (bateria Adultos) são Estória B e Estória C, e as estórias
para 65-90 (bateria Idosos) são Estória A e Estória B. A estória B é comum às duas baterias. A
estória A é mais simples e por ser aplicada aos idosos, é requerido que essa estória seja lida por
duas vezes, para investigar a aprendizagem. Portanto, na bateria dos idosos certifique-se de que
está administrando as estórias corretas para a bateria escolhida, pois as instruções designadas
aos adultos e idosos diferem.
O examinando não precisa lembrar as estórias na mesma ordem em que foram
apresentadas. Peça ao examinando que comece pelo início de cada estória e repita o que lembra
delas. Se o examinado não lembrar de detalhes de uma estória, use as instruções que estão no
livro de estímulo para incentivá-lo a recordar algumas respostas. Não há limite de tempo neste
subteste, então forneça o tempo que o examinado necessitar para recontar cada história.
Não solicite informações específicas. Ocasionalmente, um examinando pode se lembrar
dos detalhes de uma estória depois de já ter respondido aos questionamentos sobre ela e durante
a evocação de suas lembranças sobre a outra estória. Se ele está vinculando ou complementando
24

a resposta atual com uma recordação da estória anterior, considere isso como uma autocorreção
e atribua crédito para a recordação.
Após a recuperação tardia das estórias o examinando é orientado a responder sim ou não
às questões que são apresentadas e que são sobre ambas as estórias. Leia as perguntas do
formulário de registro para cada estória. Não forneça pistas ou informações que possam ser
relacionadas à resposta correta. Leia cada pergunta em um tom de conversação. Se uma
pergunta suscita uma memória no examinado (por exemplo, se ao responder a uma pergunta
sobre o gênero do personagem da estória ocorre uma recordação espontânea do nome do
personagem), não pontue esse detalhe. Em outras palavras, não conceda pontuação por
recordações tardias que ocorreram por detalhes relembrados durante a tarefa de
reconhecimento, mesmo que ocorram antes de uma pergunta diretamente relacionada aos
detalhes lembrados.

3± Reprodução Visual ± Evocação Tardia (VR-II)

O VR-II tem por objetivo avaliar a capacidade de evocação tardia de estímulos visuais
e deverá ser aplicado 20-30 minutos após o VR-I. Na sequência, durante na tarefa de
reconhecimento o examinando terá que reconhecer o estímulo que lhe fora previamente
apresentado. Opcionalmente as figuras podem ser apresentadas ao examinando, para que ele as
copie.

4 - Memória Lógica ± Evocação Tardia (LM-II)


Este subteste acessa a memória narrativa subordinada a condição tardia da memória de
longo prazo por tarefas de evocação livre e reconhecimento e é administrado de 20-30 minutos
após o LM I. Como com o LM I, é uma boa ideia escrever a resposta inteira do examinado ou
gravar para escrever depois na folha de resposta, em vez de tentar escrever e marcar as palavras
das estórias que ele lembrou ao mesmo tempo.
Após a evocação tardia das estórias, a tarefa de reconhecimento é aplicada. Nesta, o
examinando deverá responder sim ou não às questões que são apresentadas sobre as estórias.
Nesta etapa, não são permitidas pistas ou informações que possam ser relacionadas à resposta
correta. Não conceder pontuação por evocações tardias que ocorreram em decorrência dos
detalhes relembrados durante a tarefa de reconhecimento, mesmo que ocorram antes de uma
pergunta diretamente relacionada aos detalhes lembrados.
25

Além disto, algumas observações comportamentais durante o LM II são importantes de


serem avaliadas:
‡2UJDQL]DomRGDUHFRUGDomR da estória: o examinando organizou a resposta ou recitou uma lista
de detalhes?
‡Ritmo da recordação: Fez pausas longas ou foi dizendo rapidamente as informações?
‡3HUVRQDOL]DomRQD recordação da estória: por exemplo, "eu também gosto de almoçar com
meus amigos".
x Combinando os elementos das estórias: Por exemplo, lembrando o nome de um personagem
da primeira história durante a recordação da segunda história.
‡(VFDVVH]RXHPEHOH]DPHQWRGHFRQWH~GR
‡5HVSRVWDSHUVHYHUDQWHRXUHSHWLomRGHGHWDOKHVGDHVWyULD
‡Lembrança espontânea de informações durante a averiguação.
‡9HUEDOL]Do}HVTXHIRUQHFHPLQIRUPDo}HVVREUHRVrecursos mnemônicos usados para lembrar
a estória: Por exemplo, "Lembro-me de que o nome dela era Ruth porque minha prima é Ruth
e imaginei que era ela que estava fazendo tudo enquanto lia a estória".
‡([SUHVV}HVGHIUXVWUDomRRXFRQIXVmR.
‡ +HVLWDo}HV UHLQtFLRV RX frequentes autocorreções que indicam que o examinando tem
dificuldades e sente inibido para começar ou monitorar as respostas.
‡3RXFD motivação ou afirmação de que não consegue se lembrar de nada.
26

CAPÍTULO V
DIRETRIZES GERAIS PARA PONTUAÇÃO DA WMS-IV-LMVR

Aprender a pontuar a Escala Wechsler de Memória (WMS-IV) é relativamente fácil para


a maioria dos subtestes. No entanto, alguns subtestes requerem prática para pontuar com
precisão. Depois de pontuar vários protocolos, o examinador conseguirá pontuar com mais
facilidade e de forma direta. O Reprodução Visual e Memória Lógica envolvem considerações
especiais de pontuação. É imprescindível seguir precisamente os procedimentos de pontuação
para cada subteste. Este capítulo fornece uma breve revisão sobre a pontuação da WMS-LMVR,
desde a obtenção dos escores, até a derivação dos índices e contraste dos pontos ponderados.

Escores obtidos na WMS-IV LMVR


Vários tipos de pontuação são calculados e derivados na WMS-IV: total de pontos
brutos, pontos ponderados, escores de processo, porcentagens cumulativas, índices de
pontuação e análises de discrepância dos pontos ponderados. Cada subteste possui múltiplos
escores e formas de interpretação disponíveis.
As pontuações totais brutas são geralmente a soma dos escores obtidos naquela etapa
do subteste. Eles são calculados para cada subtestes ou escore de processo e são os que menos
fornecem dados do desempenho do examinando, se compararmos aos demais escores obtidos.
Os totais de pontos brutos dos subtestes são convertidos em pontos ponderados, considerando
uma métrica de média 10 e desvio padrão de 3. Os escores primários dos subtestes descrevem
a principal habilidade avaliada no subteste e são utilizadas no cálculo dos índices de pontuação.
Os escores primários de um subteste sempre serão o total de pontos ponderados obtidos.
Os escores de processo de um subteste servem para descrever uma habilidade específica
medida naquele subteste. Os escores de processo são igualmente obtidos dos pontos ponderados
ou porcentagem cumulativa.
Por exemplo, no LM-I a pontuação bruta é o total de pontos atribuídos aos detalhes
relembrados na sequência das duas estórias que foram contadas. Em várias tarefas propostas
nos subtestes, a maioria dos examinandos obtém o total de pontuações possíveis ou chegam
muito perto de atingi-lo, resultando em uma distribuição distorcida das pontuações brutas. Os
intervalos percentuais cumulativos são então utilizados para descrever eVVHVHVFRUHV LVWRp”
2%; 3-9%; 10-16%; 17-25%; 26-50%; 51-75% e > 75%). O levantamento das porcentagens
acumuladas descreverá a porcentagem do total de examinandos que obtiveram a mesma
pontuação ou uma pontuação menor numa mesma tarefa. Por exemplo, uma porcentagem
27

cumulativa entre 51-75 significa que o examinando esteve dentro desta faixa de pontuação
correspondente à amostra normativa. As porcentagens acumuladas são usadas para a conversão
dos vários índices de processo, incluindo reconhecimento e cópia de VR-II.
Além disso, muitas das pontuações adicionais da WMS-IV são apresentadas como
porcentagens cumulativas. Para algumas pontuações adicionais da WMS-IV a pontuação bruta
mais alta possível está associada a uma porcentagem cumulativa relativamente baixa (por
exemplo, < 2%). Isso reflete uma distribuição de pontuação bruta na qual quase todos os
membros da amostra de padronização obtiveram uma pontuação perfeita. Quando o maior
resultado bruto obtido não está listado no intervalo > 75%, você deve incluir as categorias de
porcentagem de maior pontuação. Por exemplo, se a pontuação mais alta encontrada foi no
intervalo de 10-16%, isso não reflete um desempenho médio baixo, mas indica que 90% da
padronização da amostra obteve pontuações perfeitas.
Em algumas tarefas, a maioria dos examinandos possuem um escore perfeito ou
próximo disto, resultando em uma distribuição não normal dos dados. Nestes casos, faixas de
porcentagens cumulativas são empregadas para descrever o desempenho destes escores. A
porcentagem cumulativa descreve o percentual de indivíduos da amostra normativa que tiveram
desempenho similar ou inferior ao examinando. As porcentagens cumulativas são utilizadas
nas tarefas de reconhecimento e cópia do VR-II.
Os pontos ponderados que são derivados de cada subteste podem ser somados aos de
outros subtestes para compor um índice de pontuação. Os pontos ponderados de cada subteste
são somados e, no caso da WMS-IV LMVR, podem gerar 4 índices de pontuação. As
pontuações dos índices são normatizadas segundo a pontuação média de 100, com um desvio
padrão de 15 e um intervalo de 40-160. Tal como descrito para os pontos ponderados, o índice
de pontuação é concebido como uma medida que classifica o desempenho do examinando numa
escala de desempenho, tendo como base os indivíduos da amostra normativa.
Um novo tipo de pontuação padronizada foi incluso na WMS-IV: Contraste dos pontos
ponderados. Este tipo de análise foi incorporado para substituir a análise de discrepância
tradicional, que normalmente é obtida pela subtração entre dois escores e possibilita verificar
se há significância estatística nesta diferença.
Análise por contraste dos pontos ponderados é realizada através de análises de
regressão. Nesta, uma variável (a de controle) é controlada para identificar o desempenho do
examinando nas outras variáveis (experimental). Similarmente aos procedimentos adotados
para se obter os índices de pontuação, o escore é derivado da amostra normativa porque a idade
é ajustada. A tabela da análise por contraste dos escores é classificada em uma faixa métrica
28

entre 1-19. Análise por contraste dos pontos ponderados nunca deverá ser aplicada como uma
medida para substituir os pontos ponderados na derivação dos índices de pontuação. Mais
informações sobre a interpretação que a análise por contraste dos escores na WMS-LMVR
possibilita será sumariamente disponibilizada no capítulo a seguir.

Protocolo de Registro e Tabelas Normativas


O Apêndice F do manual da Abordagem Flexível disponibiliza duas páginas de resumo
para auxiliar na apuração dos resultados da abordagem flexível. Essas páginas não substituem
o protocolo de registro da bateria padrão da WMS-IV por causa dos campos que a mesma possui
para anotação e correção do LM e VR. Em suma, o protocolo de registro da forma padrão da
WMS-IV permite o cálculo do total de pontos brutos nas páginas de seus respectivos subtestes
e as páginas de resumo auxiliam na derivação dos índices e análises. Adicionalmente, para o
VR I e II, um guia para pontuar segundo os critérios são disponibilizados na última página do
protocolo de registro.
As tabelas normativas são claramente rotuladas, sombreadas e alinhadas para fazer o
processo de conversão dos escores com mais facilidade.

Pontuação dos subtestes da WMS-IV LMVR


A pontuação sempre se inicia com o cálculo do total de pontos brutos. As instruções
detalhadas sobre os critérios de correção do LM e VR são disponibilizadas no Manual de
Aplicação e Pontuação da WMS-IV. O total de pontos brutos devem ser transferidos para a
primeira ou segunda página de resumo do protocolo de registro da WMS-LMVR.

1º Passo. Calculando o total de pontos brutos dos subtestes


Reprodução Visual I e II
O VR é o subteste mais complexo para pontuação. Cada desenho deve ser corrigido
segundo vários critérios de pontuação que são disponibilizados no Apêndice B do manual de
Aplicação e Pontuação da WMS-IV. Para pontuação, devido à complexidade dos critérios de
pontuação do Reprodução Visual, a pontuação deverá ser concluída após a aplicação. Cada
critério de pontuação permite ao examinador avaliar se 0 ou 1 ponto pode ser atribuído àquela
parte do desenho. Para obter a Pontuação Total Bruta do VR-I é preciso somar todos os critérios,
de todas as figuras. Em seguida anota-se o total de pontos brutos em VR-I do Protocolo de
Registro.
29

Os critérios de pontuação das figuras são considerações que servem de base para pontuar
a precisão com que cada elemento da figura foi recordado (ex: rotação, partes omitidas,
angulação, etc.) e organizados numa somatória que varia de uma figura para a outra. Durante a
pontuação cada critério deve ser considerado como certo ou errado, o que resultará na atribuição
dos seguintes pontos: zero (se estiver errado) ou de um (se estiver certo). O escore total para
cada figura é constituído pela somatória dos pontos atribuídos aos critérios avaliados. As figuras
1 e 2 possuem 5 critérios de pontuação cada; a figura 3, possui sete critérios para pontuação e
as figuras 4 e 5 contêm duas figuras em cada cartão e possuem 13 critérios de pontuação para
cada uma. Deste modo, a figura 1 e 2 totalizam 5 pontos cada, a figura 3 sete pontos e as figuras
4 e 5 totalizam 13 pontos cada. Deste modo, as tarefas da RV, com exceção da tarefa de
reconhecimento vão apresentar uma pontuação parcial que pode ir de 0 até 43 pontos.
Na tarefa de reconhecimento são apresentados sete cartões, sendo que as figuras 4 e 5
são apresentadas separadamente e para cada resposta que o examinando dá é atribuída a nota
de 0 ou 1, totalizando um resultado que pode ir 0 a 7 pontos, que é a pontuação total que pode
ser alcançada.
Em sequência, os pontos brutos devem ser convertidos em pontos ponderados. Os
escores de cada tarefa podem ser organizados e comparados entre si, de modo que se possa ter
uma visão geral do desempenho dos sujeitos considerando: necessidade do uso de pistas,
retenção do material aprendido e verificação do quanto a avaliação da memória pode indicar
resultados piores ou melhores do que os alcançados na avaliação de desempenho motor, da
atenção aos detalhes e da visuoconstrução. Em seguida, os dados são comparados com as
tabelas de percentis e escores z (WECHSLER D, 2009).

Memória Lógica I e II
Assim como no VR, para o LM há critérios de pontuação para cada trecho da estória,
que permitem ao examinando atribuir 0 ou 1 ponto ao elemento que foi dito. O total de pontos
brutos é obtido pela somatória de todos os critérios das duas estórias que foram lidas na
condição imediata, constituindo a pontuação total bruta de LM-I.
O LM II avalia a quantidade de informação que foi codificada na memória e que o
examinando conseguiu recuperar após um período de tempo. O componente sequencial e a
organização semântica da informação são importantes no LM, pois podem facilitar a
recuperação das informações da memória. Por exemplo, o examinando pode lembrar que "havia
uma mulher e que algo ruim aconteceu com ela". Acessar essa informação pode ajudar a
recordar informações relevantes sobre estória, mesmo que isso não aconteça inicialmente. A
30

base semântica da LM permite a interação de informações recém-adquiridas com o


conhecimento semântico. A progressão lógica das estórias permite ao examinando avaliar a
probabilidade de uma resposta ser mais ou menos correta.
Por exemplo, a maioria das pessoas "sabe" de alguma forma que quando uma pessoa for
roubada ela entrará em contato com a polícia. Elas também teriam uma ideia de que um
cozinheiro que trabalha numa escola provavelmente não ganha um salário adequado e, portanto,
passa por dificuldades. Esse conhecimento prévio pode facilitar os processos de codificação e
recuperação, ao contrário de outras formas de memória verbal que não são organizadas
semanticamente. Portanto, uma alteração na estrutura semântica da memória ou no
funcionamento da linguagem podem afetar a eficiência do armazenamento e da recuperação em
LM I e LM II.
É importante notar que na bateria adulta, nenhuma estória é repetida. Portanto, o
desempenho neste teste é uma medida de aprendizagem de um único ensaio. Os examinandos
que tenham dificuldades em aprender informações com base em uma única apresentação terão
dificuldades neste teste em comparação com avaliações que permitam a repetição dos
estímulos. Uma única exposição aos estímulos é suficiente para adultos saudáveis que
conseguem manter informações sobre a estória por um período de 30 minutos.
A análise por contraste dos pontos ponderados da LM II representa a habilidade do examinando
de recuperar informações de forma sequencial e adequadamente, quando relacionada com a
organização semântica da memória de longo prazo.

2º Passo ± Convertendo os pontos brutos em Pontos ponderados


Os pontos ponderados baseiam-se na idade do examinando. A idade do examinando
determina qual Tabela deve ser utilizada. Cada página da tabela normativa fornece pontos
ponderados para uma faixa específica de idade, claramente indicada no topo de cada página.
Para cada subteste é possível localizar a pontuação total bruta do examinando e buscar na
coluna sombreada o Ponto Ponderado.

3º Passo - Obtendo a Soma dos Pontos Ponderados


Para obter cada índice de pontuação das medidas de memória, some primeiro os pontos
ponderados segundo é indicado na folha síntese do protocolo de registro da WMS-LMVR.
Após obter a soma dos pontos ponderados, é necessário anotá-las nos espaços
correspondentes localizados na linha chamada Soma dos Pontos Ponderados, abaixo de suas
respectivas colunas.
31

4º Passo - Convertendo os pontos ponderados em Índices de Pontuação


Nesta etapa, na WMS-LMVR é possível de se obter o índice de memória auditiva
(AMI), o índice de memória visual (VMI), o índice de memória imediata (IMI) e o índice de
memória tardia (DMI). Classificações em percentil e intervalos de confiança também estão
disponibilizados para classificação. O índice AMI é obtido da soma dos pontos ponderados de
LM-I e LM-II (evocação tardia). O VMI é obtido da soma dos pontos ponderados de VR-I com
VR-II (evocação tardia). Já os índices IMI e DMI são obtidos pela soma dos pontos ponderados
de VR-I com LM-I e de VR-II com VR-II, respectivamente.

5º Passo ± Como traçar os Perfis dos Pontos ao nível dos índices e dos subtestes
As pontuações do subteste e dos índices podem ser traçados em gráficos fornecidos na
página de resumo. Para tal, transfira cada ponto ponderado para o espaço disponibilizado e
circule o ponto que corresponde ao ponto ponderado de cada subteste e dos índices. Desenhe
uma linha conectando os pontos. Se desejar, coloque as barras superiores e inferiores para
mostrar o intervalo de confiança.

6º Passo ± Calculando os escores de processo


Na WMS-LMVR os itens de Reconhecimento (LM-II e VR-II) e cópia (VR-II) disponibilizam
os escores de processo. Na página de resumo é possível anotar o total de pontos brutos, os
pontos ponderados e a percentagem cumulativa.

7º Passo - Avaliando as Análises de discrepância entre os índices


Na WMS-IV LMVR, é possível obter esta medida para verificar a relação entre o
desempenho em tarefas de medida visual versus auditivo-verbal.
32

CAPÍTULO VI
DIRETRIZES GERAIS SOBRE A INTERPRETAÇÃO DA WMS-IV LMVR

A Wechsler Memory Scale - Fourth Edition (WMS-IV) é um instrumento flexível que


pode ser interpretado considerando-se diferentes graus de complexidade e detalhes com base
nas necessidades do clínico e na principal questão que a ser respondida. Embora a WMS-IV
possa ser interpretado independentemente de outras avaliações cognitivas, vários outros
instrumentos são relevantes para sua interpretação. A WMS-IV foi associada a Wechsler Adult
Intelligence Scale-Fourth Edition (WAIS-IV) para permitir que os examinadores pudessem
responder questões específicas sobre o funcionamento da memória no contexto das outras
funções cognitivas.
Além disso, as Soluções Clínicas Avançadas (ACS) para a WAIS-IV e a WMS-IV
ampliaram a avaliação das funções da memória medidas pelo WMS-IV através de uma
variedade de novas pontuações. Este capítulo fornece uma estrutura geral para interpretar os
índices de pontuações da WMS-IV, bem como as pontuações de seus subtestes. Além disso,
quando apropriado, informações da ACS estão incluídas para uma análise mais sofisticada das
funções da memória.
Ao interpretar a WMS-IV várias questões precisam ser consideradas. Primeiro, a escala
foi desenvolvida com base nos preceitos de que não existe uma mediGD³SXUD´GHPHPyULD
Existem tarefas verbais que podem envolver componentes de memória operacional e memória,
assim como, podem existir tarefas cujo estímulo seja visual e tenha componentes de memória
e memória operacional. Outra consideração deve-se às habilidades do examinando: as
habilidades de linguagem, motoras e perceptuais podem afetar o resultado de um teste. Além
disto, baixos escores também podem ser observados em casos onde outras funções cognitivas
(ex. atenção), podem afetar o desempenho em um teste de memória.

Interpretação ao nível dos subtestes

Memória Lógica I e II (LM-I e LM-II)


A LM é uma medida da habilidade que um examinando possui de armazenar e recuperar
detalhes relacionados a apresentações orais de informações, organizadas semanticamente e
sequencialmente. O subteste LM para adultos mais velhos é diferente em conteúdo e aplicação
da bateria para Adultos mais jovens. A primeira estória (estória A) na bateria Adultos mais
velhos é linguisticamente menos complexa e mais curta que as estórias encontradas na bateria
33

para Adultos mais jovens. Uma diferença importante entre as baterias é que a estória A é
repetida uma vez após a primeira apresentação. Já a segunda estória apresentada aos adultos
mais velhos é a mesma que a primeira história apresentada aos adultos mais jovens,
proporcionando uma continuidade entre as baterias de adultos mais velhos e adultos mais
jovens.
Em geral, as mesmas diretrizes de interpretação se aplicam ao LM em ambas as baterias,
com algumas ressalvas. As principais diferenças incluem a repetição da primeira estória, o
conteúdo mais reduzido da primeira estória e a menor complexidade da linguagem da primeira
estória. A interpretação da versão adulta mais velha deve explicar as diferenças de conteúdo e
apresentação. Primeiro, a repetição da primeira estória permite que adultos mais saudáveis
sejam melhores em codificar os detalhes da estória e tenham um melhor desempenho em ativar
lembranças relacionadas a memória posterior. Um segundo fator que precisa ser considerado é
o menor nível de complexidade linguística da primeira estória comparada à segunda estória.
Embora isso reduza qualquer confusão de desempenho nas habilidades verbais, também pode
limitar o uso da memória semântica para facilitar o armazenamento e a recuperação da
informação. Um terceiro fator a considerar ao interpretar a bateria de adultos mais velhos é o
comprimento mais curto da primeira estória. Uma estória mais curta pode permitir que o espaço
de memória de trabalho contribua mais para a recordação imediata e, assim, reduza a
necessidade de codificar detalhes da estória. Isso atrasaria a recordação e indicaria um
comprometimento do nível de codificação durante a memória imediata devido a uma sobrecarga
da memória de trabalho.
Cada uma das estórias tem um teste de reconhecimento diferente e opcional associado
a ela. Na bateria para adultos mais jovens, os testes de reconhecimento têm 15 itens para cada
estória, num total de 30 pontos. Os testes de reconhecimento de bateria para adultos mais velhos
têm 8 e 15 itens, respectivamente, num total de 23 pontos. As avaliações de reconhecimento
não diferem na aplicação, pontuação ou interpretação, apenas há diferenças no conteúdo da
bateria atual para adultos e no conteúdo da bateria anterior para adultos. Portanto, a
interpretação do teste de reconhecimento é consistente em ambas as baterias.
As avaliações de reconhecimento pedem que o examinando responda com sim / não às
perguntas sobre o conteúdo das estórias. O examinando deve reconhecer se o conteúdo da
questão corresponde às informações da estória. Conforme mencionado anteriormente, este é
um procedimento opcional usado quando o examinador faz uma pergunta e verifica a habilidade
do examinando de reconhecer os itens relacionados a estória ao invés de esperar as informações
provenientes da recordação livre da memória de longo prazo. O reconhecimento permite ao
34

clínico determinar se o examinando codificou adequadamente a informação da estória


fornecendo pistas para auxiliar na recuperação da informação. Nos casos em que o examinando
demonstrou um desempenho médio ou superior à média no teste de recordação livre, o clínico
pode optar por não administrar o julgamento de reconhecimento.
Nessa situação, o examinando já demonstrou uma codificação e recuperação adequadas,
e o teste de reconhecimento não proporcionará muita informação adicional sobre o
funcionamento da memória do examinando. Alternativamente, quando o examinando tem uma
baixa pontuação no LM II, o desempenho no teste de reconhecimento pode ajudar a determinar
se o examinando não conseguiu codificar a informação (por exemplo, baixa pontuação em LM
II e reconhecimento) ou codificou a informação, mas não conseguiu recuperá-la (por exemplo,
baixa pontuação no LM II e pontuação média ou superior no reconhecimento).
O julgamento de reconhecimento mede a capacidade do examinando de reconhecer
detalhes específicos da estória. O reconhecimento avalia um subconjunto do conteúdo da estória
e o total de número de itens de reconhecimento é menor do que o número total de itens marcados
na condição de recordação livre. Portanto, as pontuações não são equivalentes na quantidade
de informações requeridas, mas representam o desempenho relativo do examinando em
comparação com os pares da mesma idade. O teste de reconhecimento é apresentado como uma
porcentagem cumulativa, portanto, é possível identificar médias que vão desde a muito baixa,
limítrofe, média até a de alto desempenho. A comparação das pontuações no LM II e o
reconhecimento ajudará a determinar se o examinando é relativamente melhor no
reconhecimento do que na recordação livre. Um melhor desempenho no reconhecimento sugere
que as funções de codificação da memória estão intactas, mas que o examinando tem
dificuldades em acessar seus conhecimentos (ou seja, tem dificuldades na recuperação de
dados). Alternativamente, o teste de reconhecimento exige menos esforço do que a recordação
livre. Para os examinandos com problemas significativos para iniciar e sustentar o esforço de
recordação, o desempenho provavelmente será melhor na tarefa de reconhecimento. No entanto,
pode não ser devido a um problema específico de recuperação de memória, mas sim a uma
maior capacidade de desempenho em tarefas que exigem menos esforço cognitivo.
Em alguns casos, os examinandos podem ter uma melhor recordação livre do que
reconhecimento. Esta é uma descoberta incomum, uma vez que o LM II possui elementos de
codificação e recuperação, de modo a mostrar uma codificação e recuperação adequadas em
uma variável e depois mostrar uma codificação pobre em uma segunda variável dificultando a
interpretação do resultado. Algumas hipóteses podem ser questões baseadas na linguagem (por
exemplo, não entender adequadamente as questões de reconhecimento), viés de resposta (por
35

exemplo, escolher todas as respostas "sim" ou "não" no teste de reconhecimento), atenção


variável (por exemplo, não entendendo plenamente às questões de reconhecimento), esforço
variável (por exemplo, não apresentando esforço consistente), ou uma incapacidade de
melhorar o desempenho durante o julgamento de reconhecimento. Na amostra normativa, os
examinandos recordaram mais informações durante o reconhecimento do que durante a
recordação livre posterior. Se o examinando reconhecer apenas as informações recordadas
durante o LM II, é provável que o seu escore LM II seja maior do que o seu reconhecimento.
Por exemplo, para um indivíduo de 68 anos, uma pontuação bruta LM II de 17 pontos é igual a
uma pontuação escalonada de 9, enquanto 17 pontos no reconhecimento LM estariam na
segunda porcentagem cumulativa. É bom comparar a informação recordada livremente com a
prova de reconhecimento ao tentar entender o desempenho de um examinando. Se nenhuma
informação adicional é lembrada durante o reconhecimento pode significar que as dicas
(questões) não estão ajudando na recuperação.

Tabela 7. Interpretação sintetizada do subteste LM

Conceito geral Medida de memória auditiva imediata e tardia.

Conceito específico Codificação e evocação de informações semântica e


sequencialmente apresentadas verbalmente.

Pontos ponderados LM-I: medida da memória operacional, codificação e evocação


imediata de informações verbais organizadas.

Evocação Tardia de LM-II: Codificação e evocação tardia de


informações verbais organizadas.

Escores de Processo Reconhecimento de LM-II: porcentagem cumulativa que


reflete a habilidade de reconhecer informações verbais
organizadas que foram codificadas.

Análise por contraste Reconhecimento de LM-II versus Evocação tardia: Avaliação


dos pontos ponderados da codificação versus dificuldades de evocação livre tardia de
informações verbais organizadas.

LM-I versus Evocação Tardia LM-II: analisa o quanto a


evocação tardia é baixa ou elevada em relação à codificação.


36

Reprodução Visual I e II (VR-I e VR-II)


Os escores deste teste representam uma medida da habilidade de evocação imediata e tardia
de estímulos visuais e seus detalhes. Em geral o VR é mais uma medida de evocação de
informações visuais do que dos componentes visuoespaciais da memória.
O Reconhecimento do VR procura identificar o quanto o sujeito se beneficia de pistas. Esta
medida é obtida através de percentagens cumulativas e representa uma habilidade do
examinando reconhecer detalhes visuais.
A tarefa de cópia do VR é opcional e pode ser aplicada em casos onde há suspeita de
problemas visuocontrutivos ou motores.

Ilustração de caso utilizando a Análise por contraste dos pontos ponderados ao nível do
subteste - Reprodução Visual (VR-I e VR-II):

Neste estudo participaram pacientes com AVC e controles sem doença. A idade média
da amostra de pacientes com AVC em hemisfério direito, no território da artéria cerebral média
foi de 47,5 anos (dp=9,43), (n=29) sendo 14% - adultos jovens e - 86% - meia idade. A amostra
foi constituída com 62% de mulheres e 38% de homens. O número de anos de escolaridade teve
a seguinte distribuição: 41% tinham 2 a 6 anos; 44%, 7 a 11 anos e 15% 12- 15 anos.
A amostra do grupo controle (n=30) correspondeu ao grupo de sujeitos que participaram
da investigação da relação com outros instrumentos e apresentou idade média de 47,5 anos
(dp=9,05), sendo 23% - adultos jovens - e 76% - meia idade. Nesta amostra, 34% eram homens
e 66% mulheres. O número de anos de escolaridade teve a seguinte distribuição: 40% , 2 a 6
anos; 40%, 7 a 11 anos e 20%, 12- 15 anos.
Como era o esperado, após o controle das variáveis idade e escolaridade, a diferença de
desempenho se manteve entre os grupos, sendo o grupo com AVC o que teve pior desempenho.
Nota-se que a média de desempenho em cópia e pontuação bruta total de RV foi
significativamente maior em controles normais, quando comparada à média dos pacientes com
AVC. Contudo, pudemos observar que o desempenho médio do grupo AVC foi menor em todas
as tarefas do RV, quando comparados aos respectivos controles.
37

RV1 ± total de acertos no reprodução visual evocação imediata; RV2 ± total de acertos no
reprodução visual evocação tardia.
Figura 1 ± visualização da retenção do conteúdo do RV pelos grupos

A figura 1 mostra a análise de desempenho entre os grupos considerando o total de


pontos brutos do VR-I e VR-II evocação tardia. Nota-se que a evocação tardia sem livre decai
entre RV1 e RV2 para ambos os grupos linearmente, na medida em que o tempo passa,
mostrando a capacidade de retenção do material visual aprendido por cada grupo. Nota-se que,
mesmo com o controle da variável escolaridade, a tendência da média em cada grupo
permaneceu aproximada, entretanto, o desvio padrão diminuiu discretamente após o controle
da variável escolaridade. Na Tabela 8 podemos observar os dados descritivos dos grupos, no
que se refere ao variável reconhecimento e cópia.

Tabela 8. Dados descritivos da amostra na variável Reconhecimento

Variável
Média Desvio Padrão
Reconhecimento Sem AVC 5,75 0,25
Com AVC 2,78 0,26
Sem AVC 42,07 2,68
Cópia
Com AVC 34,59 8,58
M ± média; Dp ± desvio padrão; RV1+RV2 - pontuação bruta total de RV.

Ao analisarmos a somatória dos pontos Brutos, o grupo controle teve melhor


desempenho também em reconhecimento e cópia.
38

Ao utilizarmos a Análise por contraste dos pontos ponderados, podemos obter como
parâmetros atenção aos detalhes, praxia, retenção, aquisição e capacidade de evocação livre.

a) VR-II reconhecimento vs. VR-II Evocação tardia livre:


Esse tipo de análise indica a capacidade do sujeito recuperar a informação aprendida
previamente, sem que ele tenha acesso a pistas. Além disso, indica o grau de benefício entre os
examinandos, quando um estímulo precisa ser reconhecido ou recordado. Os escores brutos
foram convertidos em porcentagem cumulativa e pontos ponderados e depois associados para
se obter o escore escalonado. A figura 2 ilustra o desempenho de um grupo de adultos jovens
com acidente vascular cerebral (artéria cerebral média no hemisfério direito - AVC-ACMHD)
e um grupo de controles sem doença. Nesta análise o grupo controle esteve dentro da faixa
esperada (51-75%), mesmo para uma escala ponderada obtida a partir da amostra normativa
americana. No grupo com AVC o nível foi mais rebaixado (3-9%), tanto em comparação com
a amostra normativa da tabela de conversão do manual de administração, quanto com o grupo
controle no presente estudo.

Figura 2 ± Porcentagem cumulativa dos grupos na tarefa de reconhecimento. Bord./


discretamente reb. ± limítrofe (borderline) até discretamente rebaixado;
39

A figura 3 ilustra o desempenho dos grupos na tarefa de evocação tardia.


ϭϮ

ϭϬ

ϴ Legenda

Lev. Sup
ϲ Média
Bord
Extr.reb.
ϰ ^ĠƌŝĞϭ

Ϭ
Ϭ Ϭ͕ϱ ϭ
Controle ϭ͕ϱ Ϯ
AVC Ϯ͕ϱ
'ƌƵƉŽƐ

Figura 3. Comparação entre os grupos na tarefa de evocação tardia, convertidos em escore z.


Extr.Reb. ± extremamente rebaixado; Bord./ discretamente reb. ± limítrofe (borderline) até
discretamente rebaixado; Lev.Sup. ± discretamente superior

A figura 3 ilustra o desempenho dos grupos na tarefa de evocação tardia, quando


comparado ao grupo de sujeitos saudáveis da amostra normativa americana, com a mesma faixa
etária. A faixa do escore z para o RV2 mostrou-se levemente rebaixada para o grupo com AVC
(z=6) e dentro da média para o controle (z=7). Isto indica que o grupo controle apresentou uma
habilidade maior de recordar uma figura mesmo sem o uso de pistas.
Na figura 4 é mostrada graficamente a comparação escalonada dos escores ponderados
das tarefas de reconhecimento e evocação tardia.
ϭϮ

ϭϬ

ϲ Legenda

Lev.Sup
Média
ϰ
Bord
Extr.Reb
Ϯ

Ϭ
Ϭ Ϭ͕ϱ Controle ϭ ϭ͕ϱ AVC
Ϯ Ϯ͕ϱ

Figura 4± Comparação escalonada entre os escores ponderados de reconhecimento e evocação


tardia dos grupos, convertidos em escore z. Extr.Reb. ± extremamente rebaixado; Bord./
levemente reb. ± borderline até levemente rebaixado; Lev.Sup. ± levemente superior
40

Análise por contraste dos pontos ponderados destes resultados nos permite afirmar que
o grupo com AVC se beneficia mais quando lhe são oferecidas pistas, do que quando tem que
fazer evocação livre do material aprendido (9>6), como é o esperado. Por essas razões, pode
ser interpretado que os pacientes com AVC-ACMHD tiveram dificuldade de recuperar
espontaneamente a informação armazenada, evidenciando dificuldades na sua evocação
episódica livre de material cujo estímulo é visual.

b) VR-II Cópia vs. VR-I


Essa análise mensura a maneira pela qual o sujeito percebe o item e o grau em que a sua
evocação é melhor, equivalente ou pior do que o seu controle motor, a sua habilidade visuo-
construtiva e a sua capacidade de prestar atenção a detalhes. A conversão dos escores brutos
em porcentagem cumulativa e os escores ponderados da análise encontram-se na tabela 9.

Tabela 9 ± Tabela de apresentação dos escores brutos e os respectivos escores ponderados

Grupos Pontuação VR-Cópia Pontuação VR-I Escore


bruta Bruta escalonado
(Média) (Média) comparado
Controles 42 26-50% 35 10 10

AVC 35 ” 22 3 7

Na figura 5 é mostrada graficamente a comparação escalonada dos escores ponderados


na tarefa de cópia.

Controle

AVC

Figura 5 ±faixas de porcentagem cumulativa dos grupos. Extr.Reb. ± extremamente rebaixado;


Bord./ levemente reb. ± borderline até levemente rebaixado
41

Nossos resultados evidenciam que, na medida de cópia, o grupo controle esteve dentro
do padrão esperado se comparados a sujeitos com desempenho similar (26-50%), mesmo sendo
uma amostra cujo valor de referência obtido tenha sido de cultura diferente da nossa. Já o nível
GRJUXSRFRP$9&WHYHGHVHPSHQKRH[WUHPDPHQWHUHEDL[DGR ” HPWHUPRVGHKDELOLGDGH
de cópia, Praxia e habilidade visocontrutiva, quando comparado ao grupo correspondente da
tabela normativa e ao seu respectivo controle. Este resultado mostra que as dificuldades
encontradas no paciente ocorrem desde a percepção do objeto e de todo o seu processo de
construção, causando dificuldades desde a aquisição da informação e impactando na memória
visual.
ϭϮ

ϭϬ

ϲ Legenda

Lev.Sup
ϰ Média
Bord
ExtrReb
Ϯ

Ϭ
Ϭ ŽŶƚƌŽůĞs
Ϭ͕ϱ ϭ ϭ͕ϱ Ϯ Ϯ͕ϱ

Figura 6- desempenho dos grupos na tarefa de evocação imediata, convertidos em escore z.


Extr.Reb. ± extremamente rebaixado; Bord./ levemente reb. ± borderline até levemente
rebaixado; Lev.Sup. ± levemente superior

A faixa do escore z (Figura 4) para RV-I (memória imediata) esteve dentro da média
para o grupo controle (z=10), ao passo que os pacientes da amostra com AVC estiveram na
faixa limite, entrando na classificação de desempenho extremamente rebaixado (z=7).
42

ϭϮ

ϭϬ

ϲ
Legenda

ϰ L
Lev.Sup.
M
Média
Bord
Ϯ Extr.Reb.

Ϭ
Ϭ Ϭ͕ϱ Controle
ϭ ϭ͕ϱ AVC Ϯ Ϯ͕ϱ

Figura 7 - escores ponderados de cópia e evocação imediata dos grupos, convertidos em escore
z. Extr.Reb. ± extremamente rebaixado; Bord./ levemente reb. ± borderline até levemente
rebaixado; Lev.Sup. ± levemente superior

Ao obter a análise por contraste dos pontos ponderados (Figura 7), que compara a
habilidade de cópia com evocação imediata, podemos afirmar que o grupo com AVC possui
uma habilidade de cópia (z=7), controle motor, visuoconstrução e atenção aos detalhes muito
inferiores quando comparados ao grupo controle e à amostra normativa do manual,
evidenciando que o desempenho de memória dos pacientes também sofrem influências desde o
modo como o sujeito percebe, constrói e atenta-se aos detalhes das figuras.

c) ± VR-I vs. VR-II Evocação Tardia

Essa análise mensura a retenção da informação, a partir da apresentação inicial do


estímulo. A conversão dos pontos brutos em porcentagem cumulativa e do escore ponderado
desta análise encontra-se na tabela 10.

Tabela 10 ± Tabela de apresentação dos escores brutos e os respectivos escores ponderados

Grupos Pontuação VR-I Pontuação VR-II escore Escore*


bruta escore Bruta escalonado escalonado
(média) escalonado (média) comparado
Controles 35 10 29 7 6 (9%)

AVC 22 3 11 6 10 (50%)
43

A pontuação de VR-I (Tabela 10) mostra que o grupo controle esteve dentro da média
da população americana (z=10). O grupo com AVC teve desempenho muito inferior (z=3) em
relação ao desempenho dos sujeitos que compuseram a amostra normativa da tabela. Entre si,
notadamente os pontos ponderados mostra que o desempenho entre pacientes e controles fora
diferente. No VR-II pudemos observar a mesma tendência, isto é, o controle teve mehor
desempenho na evocação tardia livre do que o grupo com AVC. A pontuação foi extremamente
baixa (z=6) para o grupo com AVC em relação aos sujeitos da tabela normativa. Deste modo,
na análise por contraste dos pontos ponderados, observou-se que mesmo com dificuldades na
evocação livre de informações, seu problema não foi significativo em termos de retenção da
informação.
Assim, a análise por contraste dos pontos ponderados no geral permitiu sugerir que o grupo
com AVC apresenta dificuldade de recuperar espontaneamente a informação armazenada,
evidenciando dificuldades na evocação episódica espontânea de materiais cujo estímulo é visual.
Apresentam também rebaixamento na habilidade de cópia, controle motor, visuoconstrução e atenção
aos detalhes. Em suma, as dificuldades observadas na memória episódica não verbal nos
pacientes com AVC são decorrentes de outros processos cognitivos envolvidos, diferentes dos
encontrados na demência tipo Alzheimer, como o esperado. Esse achado é compatível com
estudos prévios (CAMPOS TF, BARROSO MT, DE LARA MENEZES AA, 2010).
A apraxia construtiva é reconhecida como "um distúrbio que aparece em atividades de
desenvolvimento e organização (arranjos e construção de desenhos) e em que uma parte
HVSDFLDO GD WDUHID p SHUGLGD HPERUD QmR VHMD XPD DSUD[LD GH PRYLPHQWRV VLPSOHV´
Clinicamente, há falha nas tarefas que exigem a manipulação de objetos no espaço.(KLEIST
K:, 1934 apud . MOHR P., LAZAR R M., MARSHALL R S, 2011). É relatado que a
diminuição da capacidade de desenhar figuras, visualmente apresentadas por cópia, representa
uma das principais características da apraxia construtiva (AC). A apraxia construtiva ocorre
após uma lesão cerebral, sendo na maior parte das vezes, de origem parietal [CPP]
(WARRINGTON EK, JAMES M, KINSBOURNE M:, 1966). As lesões que a provocam são
localizadas na porção posterior do lobo parietal à direita (DAMAZIO, TRANEL, RIZZO, 2000
apud LEZAK MD, HOWIESON DB, LORING DW; 2004). Similarmente aos resultados do
presente estudo, um estudo (LANGE G, WAKED W, KIRSHBLUM S,ET AL,2000) revelou
maior comprometimento organizacional e menor precisão no desempenho e na codificação
visuoespacial da informação de cópia nos pacientes com AVC no hemisfério direto, do que nos
pacientes com os outros tipos de lesão. Utilizando outro instrumento esse estudo dá suporte aos
nossos achados: a evocação foi afetada em decorrência do comprometimento nas habilidades
44

motoras, visuoconstrutivas e na atenção aos detalhes. A terceira análise encetada no presente


estudo concentrou-se na taxa de retenção do material aprendido. Em síntese esta análise
mensura o esquecimento. Assim, sugerimos pode-se supor que mesmo considerado o grande
volume de tecido cerebral irrigado pela ACM no cérebro, seu comprometimento influencia mais
os aspectos práxicos construtivos do que as estruturas neuronais relacionadas à retenção. Os
pacientes do presente estudo tiveram dificuldades na aquisição do material aprendido, pois,
segundo a literatura (Cancela, DMG; 2008) a lesão da ACM prejudica a capacidade de
programar uma sequência de movimentos, mesmo com as funções motoras e sensoriais estando
preservadas, pelo menos parcialmente.
Assim, devido aos resultados obtidos, podemos afirmar que o RV também é válido em
termos de conseqüências de testagem. Este fato é coincidente com as observações de
STRAUSS, SHERMAN & SPREEN (2006) sobre a sensibilidade do WMS para avaliação da
lateralidade da disfunção.
Não foram identificados, até a presente data, estudos que utilizaram o RV da WMS-III
ou a WMS-IV para avaliação exclusiva de uma amostra com as características da utilizada no
presente estudo. Estudos com versões anteriores do WMS com pacientes que sofreram AVC já
foram realizados (WELTE PO, 1993; HILSABECK RC, THOMPSON MD, IRBY JW, ET AL,
2003). Tais estudos evidenciaram o hemisfério acometido e não o território de uma artéria,
como foi realizado no presente estudo.
Sabe-se que o funcionamento da memória é mediado por diversas redes neurais
distribuídas em áreas corticais e subcorticais. Essa limitação não impede, todavia, a afirmação
de que o comprometimento da ACM-HD pode ocasionar prejuízos na memória não±verbal, na
evocação tanto imediata, quanto tardia, em decorrência de apraxia. Em conclusão, nosso estudo
demonstrou que as características da lesão do lado da lesão hemisférica são fortes preditores do
desempenho da memória visual em pacientes pós AVC, pelo uso um instrumento não aplicado
anteriormente para esse fim. Os achados do presente estudo, cotejados aos da literatura,
sustentam a validade da tradução e adaptação transcultural aqui realizadas. Adicionalmente ao
que já foi verificado em outras línguas e culturas, partindo dos originais ± língua inglesa e
cultura americana -, também valida o RV como instrumento adequado para mensuração da
memória visual.
45

CAPÍTULO VII

APLICAÇÕES CLÍNICAS DA WMS-IV

Muitos dados sobre o desempenho das populações clínicas se acumularam desde


que a Escala Wechsler de Memória original (WMS) foi introduzida em 1945. Embora o
conteúdo da WMS tenha mudado ao longo do tempo, a avaliação da memória verbal e
visual e da memória imediata e tardia permaneceu constante desde a adição de Russell de
um componente de recordação tardia à Memória Lógica (LM) e Reprodução Visual (VR)
em 1975. A WMS-IV mantém esta tradição e, embora a pesquisa usando a WMS-IV em
populações clínicas ainda seja limitada, padrões de desempenho de memória podem ser
extrapolados com base nas versões anteriores.
Este capítulo analisa os dados coletados em populações que foram avaliadas com a
WMS e está dividido em três seções: indivíduos com diagnóstico de problemas
relacionados à memória, adultos mais velhos e indivíduos que demonstraram falta de
interesse na avaliação. Em cada seção, os achados da WMS-IV são revisados, quando
disponíveis, bem como os achados da WMS-III. Cada revisão fornece informações sobre
o padrão típico ou esperado do desempenho WMS-IV para cada população e serve como
um guia até que novas pesquisas utilizando a WMS-IV sejam realizadas. Em todos os
casos, estudos adicionais empregando amostras maiores e mais diversas são necessárias
para verificar se os resultados iniciais da WMS-IV podem ser considerados de forma mais
ampla. Devido ao recorte escolhido para a temática deste livro ser sobre memória e a WMS-
IV, os padrões típicos ou esperados de desempenho em outros domínios cognitivos não
serão discutidos em detalhes, embora possam ser apresentados achados relevantes no
contexto de padrões de desempenho relacionados à memória.

Traumatismo Crânio-Encefálico (TCE)


A lesão cerebral traumática (TCE) é uma das principais causas de morbidade e
incapacidade em todo o mundo (Atkinson & Merry, 2001; Centers for Disease Control and
Prevention, 2010; Engberg & Teasdale, 2001) e uma das demandas mais comuns para a
avaliação neuropsicológica. O TCE geralmente é classificado como leve, moderado ou
grave, dependendo das características da lesão, como a duração da perda da consciência
(se houver), a capacidade de formar memórias novas e contínuas após o trauma (ou seja,
amnésia pós-traumática) e achados nos exames de neuroimagem. As definições cognitivas
46

resultantes do TCE, incluindo a deficiência de memória, podem variar de acordo com a


gravidade da lesão, a causa da lesão (por exemplo, acidente com veículo motor, queda),
localização e tipo de neuropatologia (por exemplo, lesão axonal difusa, hematoma subdural
que afete o lóbulo parietal direito) e o tempo decorrido desde a lesão. Em geral, as
deficiências cognitivas são mais graves nos estágios agudos da lesão e na presença de maior
neuropatologia. Detalhes relativos aos sistemas de classificação, características dos níveis
de gravidade da lesão, curso e prognóstico da TCE estão além do objetivo deste capítulo.
O leitor interessado em se aprofundar nessas questões poderá buscar literatura
especializada como Lezak et al. (2004) para uma revisão sucinta e completa.

Epilepsia
A Epilepsia ou Transtorno Convulsivo é um dos distúrbios neurológicos crônicos
mais comuns (Hirtz et al., 2007; Organização Mundial de Saúde, 2006) e tem muitas causas
subjacentes. As convulsões são classificadas como parciais (focais) ou generalizadas,
dependendo se o início se dá numa determinada área no cérebro ou se grandes regiões de
ambos os hemisférios parecem estar envolvidas.
O tipo mais comum de epilepsia focal é a epilepsia do lobo temporal (ELT). O de
comprometimento das funções cognitivas na epilepsia dependem de múltiplos fatores,
incluindo o tipo de epilepsia, idade do início, frequência de episódios, presença e causa de
neuropatologia subjacente. O tratamento da epilepsia, seja com medicamentos ou cirurgia,
também pode afetar o funcionamento cognitivo.

Esquizofrenia
Embora a esquizofrenia seja tradicionalmente classificada como um transtorno
psiquiátrico caracterizado por alucinações, delírios e pensamento desorganizado, cada vez
mais está sendo considerada como um transtorno do desenvolvimento neurológico que tem
como característica central a disfunção cognitiva que está presente antes mesmo do início
dos sintomas psicóticos (Bowie & Harvey, 2005).
As áreas consideradas mais afetadas na esquizofrenia são a da atenção, memória de
trabalho, funcionamento executivo e memória verbal, com um visível declínio no QI, bem
como no funcionamento cognitivo global, observado após o primeiro surto. As quedas
adicionais associadas ao processo de envelhecimento, particularmente em habilidades
executivas e processamento complexo de informações verificadas em diversos estudos
(Granholm, Morris, Asarnow, Chock, & Jeste, 2000; Fucetola et al., 2000).
47

Envelhecimento normal e patológico


A importância de diferenciar o declínio "normal" do declínio ³SDWROyJLFR´ GD
memória em adultos mais velhos aumentou a demanda por pesquisas e por técnicas para o
contexto da prática clínica devido ao aumento da longevidade e do comprometimento
cognitivo a ela associado.
Segundo o National Institute on Aging (www.nia.nih.gov) a população de pessoas
com idade igual ou superior a 85 anos deverá chegar a 10 milhões nos Estados Unidos até
2030. Em adultos mais velhos, a prevalência de Comprometimento Cognitivo Leve (CCL),
um fator de risco para Demência, já era de aproximadamente 15% em 2008 (Roberts et al.,
2008) e a prevalência de Demência era de aproximadamente 14% em 2007, aumentando
progressivamente com o avanço da idade, por ex. em pessoas com idades entre 71-79 a
prevalência era de 5% e em pessoas com idade superior a 90 anos subia para 37%
(Plassman et al., 2007). Assim, é imperativo ampliar os conhecimentos relacionados ao
desempenho da memória em indivíduos que envelhecem normalmente, bem como daqueles
que apresentam um declínio patológico, para poder avaliar cada vez mais de forma precisa
o funcionamento da memória em adultos mais velhos.

Comprometimento Cognitivo Leve (CCL) e Doença de Alzheimer (DA)


O CCL é um termo usado para se referir a indivíduos que não são dementes, mas
que demonstram declínio além do esperado para idade em pelo menos um domínio
cognitivo (por exemplo, memória, raciocínio verbal). Foram propostos vários critérios para
definir o CCL, mas os que foram adotados pelo National Institute on Aging (NIA) foram
os critérios desenvolvidos por um grupo de trabalho formado durante uma conferência
internacional sobre o CCL (Winoblad et al., 2004), que tiveram seus estudos patrocinados
pelos Centros de Doença de Alzheimer (ADCs) e pela Iniciativa de Neuroimagem da
Doença de Alzheimer (ADNI) o que conferiu um peso maior aos critérios propostos. Estes
critérios permitem a classificação de fenótipos cognitivos, incluindo o CCL amnésico e o
não amnésico e o CCL de domínio único e o de domínio múltiplo. Identificar os critérios
para o CCL provou ser útil para a predição da progressão da demência, pois
aproximadamente de 10-15% dos casos de CCL que apresentaram alterações de memória
observadas e acompanhadas na clínica evoluíram para a doença de Alzheimer (Petersen et
al., 2009).
48

A Doença de Alzheimer (DA) é a causa mais comum de demência nos Estados


Unidos, com mais de 5 milhões de americanos afetados (NIA, 2008). Os sintomas
geralmente aparecem após os 60 anos e a idade é o maior fator de risco. O diagnóstico
precoce é crucial para que os tratamentos adequados possam ser iniciados mais cedo e os
indivíduos possam planejar o seu futuro. Múltiplos estudos mostraram que o
comprometimento da memória episódica é muitas vezes uma das primeiras funções
cognitivas afetadas e um recente e promissor estudo descobriu que a combinação dos
resultados de cinco fatores - desempenho da memória verbal, nível de deficiência
funcional, capacidade de identificar os cheiros e volumes de córtex hipocampal e
entoreminal verificados pela ressonância magnética (MRI)- consegue prever com precisão
a conversão de CCL para DA em 3 anos (Devanand et al., 2008).

Esclerose Múltipla (EM)


A EM é uma doença neurológica autoimune, progressiva, caracterizada pelo
desenvolvimento de lesões desmielinizantes no encéfalo e na medula espinhal. Essas lesões
são referidas como placas de desmielinização. Embora a inflamação aguda, associada aos
surtos da doença, possa ser reversível, recorrências sucessivas e lesões inflamatórias mais
agressivas podem causar sequelas. Estas podem comprometer as funções cognitivas,
neuropsiquiátricas e motoras (REESE ET AL, 2013). Estima-se que haja 2,5 milhões de
pessoas com EM. No Brasil, sendo a prevalência estimada de 1,36 a 20 / 100.000 habitantes
(DA SILVA ET AL, 2016). As manifestações iniciais da doença ocorrem
predominantemente em adultos jovens. Com as modificações decorrentes do processo de
reorganização das conexões cerebrais, o comprometimento cognitivo é habitual e acomete
entre 40-70% dos pacientes, mesmo nos estágios iniciais da doença. Geralmente, a primeira
manifestação de comprometimento cognitivo na EM está relacionada com a diminuição na
velocidade de processamento da informação (CHIARAVALLOTI ET AL, 2006). A
velocidade de processamento da informação é considerada como um dos agentes
mediadores da relação entre os prejuízos cognitivos (atenção, memória de trabalho e
funções executivas) e o comprometimento do desempenho na atividade profissional,
interferindo desfavoravelmente na qualidade de vida. A memória, funções executivas e
atenção são as outras funções normalmente afetadas na EM.
O WMS-IV é padrão-ouro na avaliação da memória. Com mais precisão, as
ferramentas para investigar e descrever as deficiências cognitivas dos pacientes com EM
se tornam um desafio necessário. Este trabalho teve como objetivo investigar o
49

funcionamento da memória e seus processos em pacientes com esclerose múltipla surto-


remissão (MS-RR) e compará-lo com controles saudáveis através da WMS-IV LMVR.
Deste modo, vinte pacientes com MS-RR (idade média: 39,5; EDSS = 3,5; Escolaridade =
13 anos) e 20 controles (idade média: 41,1, escolaridade= 11 anos) responderam a
abordagem flexível da: a WMS-IV LMVR. O nível de significância como parâmetro para
inferências bayesianas foi obtido através do software MPlus, v.7.11. Todos os pontos
brutos foram convertidos em ponderados, para cálculo dos escores de processo, análises
por contraste dos pontos ponderados. O total de pontos brutos de LM e VR apresentaram
maior tamanho de efeito e nível de significância na diferenciação dos grupos. Na análise
de contraste a nível dos subtestes a relação VR reconhecimento versus VR-II evocação
tardia tiveram maior tamanho de efeito (effSz = 1,0) entre os grupos. Mostrando que há
retenção da informação, mas que a evocação livre é pior nos pacientes com EM; a
apresentação de pistas favorece esses pacientes.
Todos os índices de WMS-IV tiveram diferenciaram os grupos, mas a análise de
contraste a nível dos índices, mostra que na relação entre o IMI versus DMI (effSz = 2,6,
AUC = 0,95, sensibilidade = 0,96, especificidade = 0,87, ponto de corte = 70,1), os
pacientes com EM apresentaram pior capacidade para se lembrarem de informações
oralmente apresentadas e capacidade de recuperar e manipular a informação visual do que
os controles. Seu índice de memória visual é pior do que seu índice de memória auditiva.
Os pacientes com EM apresentaram problemas de memória, sugerindo dificuldades na
codificação. A evocação livre de informações não-verbais indica que os pacientes com EM
tiveram pior evocação livre e que se beneficiam com pistas. Já nos testes cujo estímulo é
auditivo verbal (LM), os pacientes com EM sãos capazes de evocar informações que
ouviram previamente e necessitaram de menos pistas para os estímulos auditivos do que os
visuais. Deste modo, a WMS-IV LMVR é uma ferramenta útil e sensível para diferenciar
e caracterizar os processos de memória dos pacientes com EM (SPEDO CT ET AL, 2014).
50

CAPÍTULO VIII
ADAPTAÇÃO E PROPRIEDADES PSICOMÉTRICAS DA WMS-LMVR PARA O
CONTEXTO BRASILEIRO
O processo de adaptação de instrumentos e escalas oriundos numa cultura e idioma
diferentes ao de destino, é recomendado mais do que a tradução literal: é fundamental a
adaptação transcultural do instrumento. Na verdade, a busca pela adaptação transcultural
do RV foi orientada para medir um fenômeno semelhante nas duas culturas, isto é, a
memória visual.
Segundo alguns autores (GUILLEMIN F, BOMBARDIER C, BEATON D;1993)
uma adaptação é considerada eficaz e capaz de mensurar de forma equivalente a um
constructo somente após adaptado transculturalmente. Assim, a adaptação transcultural de
uma medida é um pré-requisito para a investigação de diferenças entre culturas e seu
processo requer alguns procedimentos.
Para a execução do estudo foram adotados alguns procedimentos gerais e
específicos para a coleta dos dados de acordo com cada etapa do processo.
O processo de aplicação e correção dos instrumentos foram realizados de acordo
com seus respectivos manuais de aplicação e interpretação. As etapas do planejamento e a
metodologia adaptada para o presente estudo estão sumariadas na tabela, na próxima
página:
51

Tabela 11: Quadro esquemático do processo de adaptação transcultural da WMS-IV


LMVR para o Português do Brasil, com base na metodologia proposta por
REICHENHEIM ME, MORAES CL (2007), modificada para o estudo.
Etapa Objetivo Estratégia para avaliação Sujeitos envolvidos Resultados

Equivalência Investigar os Constructos


conceitual e de constructos do Revisão bibliográfica Pesquisadora pertinentes ao
itens instrumento de Reuniões com juízes nosso contexto
modo teórico

a) três traduções Consulta aos três tradutores;


independentes;
Comparação com cada
b) versão de tradução (juízes
consenso; especialistas),

Equivalência Consulta ao tradutor 7 tradutores


Semântica c) retro tradução juramentado; Obtenção da
2 juízes especialistas versão adaptada e
Consulta aos juízes não verificação da
especialistas Pesquisadora aplicabilidade do
d) apreciação entre RV na população
as versões (original, 24 Brasileira
VC e retro Comparação da versão Juízes não
tradução). original com a retro especialistas
traduzida e a original pelo
grupo de experts no inglês
e) Pré-teste
Consulta final aos juízes
especialistas
f) apreciação das
respostas do pré-
teste;

Equivalência Verificação do Comparação entre o layout, Juízes não Padronização


Operacional layout, método de administração e especialistas;
administração, coleta original com o da
método de coleta versão brasileira Juízes especialistas e
pesquisadora

Aplicação da versão 90 sujeitos Análise empírica


Equivalência de Análise das brasileira em amostras Adultos dos itens
mensuração propriedades específicas, análise
psicométricas estatística dos dados. 1 examinador Validade

Confiabilidade.

Equivalência conceitual e dos itens


$ DQiOLVH FRPSDUDWLYD GRV FRQVWUXFWRV ³PHPyULD´ ³PHPyULD YLVXDO´ H
³QHXURDQDWRPLDGDPHPyULD´ QRLGLRPDGHRULJHPHQDSRSXODomRDOYRGHPRQVWURXTXH
ambos são equivalentes. As figuras do VR, por serem de natureza abstrata, foram
FRQVLGHUDGDVFXOWXUDOPHQWH³QHXWUDV´HFDSD]HVGHDYDOLDUDPHPyULDYLVXDOGDSRSXODomR
alvo.
52

Equivalência semântica
A equivalência desta etapa foi realizada através da análise dos juízes especialistas
e do tradutor profissional. Nesta análise a apreciação do tradutor resultou em 93% de
correspondência (equivalente ou inalterada) entre a versão original e a adaptada. O restante
foi considerado pouco alterado. Os juízes especialistas igualmente consideraram a versão
adaptada conotativamente e denotativamente parecida com a versão original.
Para os ajustes no LM, um linguista estudou a pertinência e o contexto de cada
história para propor ajustes. Itens como a temperatura e condições climáticas foram
discutidas e ajustadas ao contexto brasileiro (ex. utilizar graus celsius ao invés de
Fahrenheit).
Pré-Teste
Na fase do pré-teste, na qual foi realizada a análise apenas do RV pelos juízes não
especialistas, a amostra (n=24) de sujeitos apresentou idades entre 20 e 65 anos. Os sujeitos
foram igualmente distribuídos no grupo de 18-40 anos (50%) e 41-65 anos (50%). Desses, 38%
eram homens e 62% mulheres. Quanto à escolaridade, 26% tinham de 2 a 6 anos de estudo,
26% de 7 a 11 anos, 35% de 2 a 15 anos e 13% mais de 15 anos.
Na fase pré-teste a análise do entendimento das instruções e dos termos mostrou-se
aplicável a todos os sujeitos: todos afirmaram ter compreendido as instruções.
Os sujeitos que não encontraram dificuldade no entendimento das instruções e que
não forneceram sugestões de alterações corresponderam a 75% (n=18) da amostra. Destes,
5 estiveram na faixa de escolaridade acima dos 13 anos e nos 11 sujeitos restantes a
escolaridade foi de 7-11 anos. Quatro sujeitos (17%), cada um dos quais de nível de
escolaridade diferente, propuseram ser melhor avisar que o sujeito vai precisar fazer as
mesmas figuras depois. Dois sujeitos pertenciam à faixa etária de 40-65 anos. Um sujeito
referiu ser a última figura muito difícil. Dois (8%) sujeitos com idade superior a 60 anos e
da faixa mais alta de escolaridade sugeriram que, nas tarefas de reconhecimento, é
necessário avisar ao examinando que as duas figuras que apareceram juntas virão separadas
nessa etapa. As sugestões oferecidas nesta etapa foram retransmitidas e discutidas com o
comitê de especialistas para análise de equivalência idiomática e cultural.
Equivalência operacional
Dado que as sugestões de alteração devem ser aplicadas em casos de concordância
inferiores a 80% (PASQUALI L, 2003) e como a compreensibilidade foi comum a todos os
53

sujeitos, fato verbalizado e evidenciado pela capacidade de atender ao que foi pedido e
desempenho com sucesso nas etapas do RV, os juízes consideraram que as instruções deveriam
ser mantidas como na versão original. Somado a todo o proposto, a natureza gráfica do teste
também favoreceu à tomada desta decisão. Ressalte-se que ambos os proponentes não
cometeram erro ao reconhecerem as figuras separadamente.
Os formatos gráficos e a disposição das figuras, também se mantiveram como na
versão original, pois, foram considerados neutros em relação às diferenças culturais.

Equivalência de mensuração
Confiabilidade
Análise de Consistência interna
Para determinar a congruência de cada item em relação à pontuação total do RV, a
consistência interna foi calculada pelo método Alfa de Cronbach. Os coeficientes de
confiabilidades foram calculados a partir da somatória dos acertos das tarefas de evocação
imediata(RV1), tardia ( RV2) e cópia. A pontuação de RV1 e RV2 pode ser de 0 a 43
pontos cada. Foi avaliada a amostra composta de 91 sujeitos com idade entre 20 e 59 anos,
com idade média de 47,5 anos, 33% de homens e 67% de mulheres. A escolaridade
distribuiu-se do seguinte modo: 26% entre 2 e 6 anos, 53% com 7 a 11 anos, 18% com 12
a 15 anos de estudo e 3% com mais de 15 anos de escolaridade. Os resultados foram
analisados globalmente, sem divisão em faixas etárias. A média, desvio padrão, número de
variáveis e coeficientes são apresentados na tabela 12.

Tabela 12. Estatística descritiva e coeficiente alfa entre os escores totais de RV1 e
RV2

Variáveis Média dp Alfa Cronbach


RV1 31,78 10,60 0,92
RV2 25,60 12,75
RV1 ± reprodução visual evocaçãoimediata; RV2 ± reprodução visual evocação
tardia; dp ± desvio padrão

O coeficiente de consistência interna entre as duas variáveis foi de 0,92. Como o


coeficiente excedeu 0,70, podemos afirmar que existe uma excelente consistência interna
entre os itens de evocação imediata e tardia.
Na análise seguinte foi calculado a consistência interna de cada figura que compõe
o RV. Nesta, as figuras 1 e 2 atingem pontuação máxima de 5 pontos, a 3 atinge até 7
54

pontos e por fim, as figuras 4 e 5 vão de 0-13 pontos ou critérios. A tabela 10 revela a
média de acertos o desvio padrão e o número de variáveis consideradas, mais o coeficiente
alfa obtido. O coeficiente de consistência interna entre as dez variáveis foi de 0,88. Como
o coeficiente excedeu 0,70, podemos afirmar que existe uma excelente consistência interna
entre as figuras que compõem os itens de evocação imediata e tardia.

Análise da Estabilidade temporal


Na investigação da estabilidade temporal dos resultados do RV, a amostra (n=31)
apresentou idades entre 20 e 59 anos, com idade média de 30 anos, 61% de homens e 39%
de mulheres. A escolaridade distribuiu-se do seguinte modo: 74% com 7 a 11 anos, 19%
com 12 a 15 anos e 7% com mais de 15 anos de estudo. Os resultados foram analisados
sem a estratificação por faixas etárias. As estatísticas descritivas e o resultado do teste de
Pearson encontram-se na tabela 13.
Tabela 13: Média, desvio padrão e coeficiente de correlação de Pearson na primeira e
segunda testagem.

Primeira Testagem Segunda Testagem

Variável Média DP Média DP r


RV1 37,94 4,45 38,42 4,97 0,54**
RV2 33,03 6,85 36,35 5,47 0,29
Reconhecimento 5,90 1,04 6,39 0,95 0,43*
Cópia 40,61 0,61 41,45 1,06 0,40*
RV1+RV2 70,97 9,91 74,26 9,27 0,43*
**p<0,01; * p<0,05; dp ± desvio padrão; r ± coeficiente de correlação de Pearson;
RV1 ± reprodução visual evocação imediata; RV2 ± reprodução visual evocação
tardia; RV1+RV2 ± somatória das tarefas de evocação imediata e tardia do
Reprodução Visual.

O teste de correlação de Pearson revelou que as medidas de RV1, Reconhecimento,


cópia e RV1+RV2 apresentaram forte e moderada correlação significativa (r=0,54, p<0,01
e r= 0,43, r=0,43, p<0,05), indicando estabilidade temporal. O índice com maior
estabilidade temporal foi da tarefa de evocação imediata, seguido do total de RV
(RV1+RV2) e cópia.

Evidências de validade
55

Evidências baseadas no conteúdo e nos processos de resposta


Esta evidência pode ser obtida pela pesquisa observacional e teórica, ou por análises
psicométricas (WECHSLER D, 2009). Optamos no presente estudo pela busca teórica e
observacional do conteúdo analisado. Assim, o envolvimento de especialistas no assunto e
da população alvo (juízes não especialistas) resultou numa noção clara e objetiva dos
constructos e itens relacionados à evocação e habilidades construtivas, práxicas e
perceptivas. Como apresentado no manual técnico contamos com extensiva revisão da
literatura, e juízes especialistas, além dos juízes não especialistas que se submeteram ao
pré-teste. Assim, com base no processo de reposta dos juízes não-especialistas foi possível
aos juízes especialistas arbitrarem pela decisão de manter os itens como na versão original,
o formato e disposição dos itens, bem como, a interpretabilidade dos mesmos. Essas
evidências são fundamentais, pois, se uma descrição clara do conteúdo está faltando, essa
validade é classificada como indeterminada, comprometendo a qualidade do instrumento
(AMERICAN EDUCATIONAL RESEARCH ASSOCIATIO [AERA], AMERICAN
PSYCHOLOGICAL ASSOCIATION [APA] E NATIONAL COUNCIL ON MEASURE
IN EDUCATION [NCME], 2008; TERWEE CB, BOT SDM, DE BOER MR, 2007).
Também apresentamos no final da metodologia do presente estudo um quadro teórico com
todas as etapas da tradução do instrumento, como é sugerido na literaura (AMERICAN
EDUCATIONAL RESEARCH ASSOCIATIO [AERA], AMERICAN
PSYCHOLOGICAL ASSOCIATION [APA] E NATIONAL COUNCIL ON MEASURE
IN EDUCATION [NCME], 2008), como parte necessária ao processo de validação de um
instrumento.
Assim, como no presente estudo, as versões anteriores do WMS (PSYCHCORP
ÍNDIA, 2009; PSYCHCORP FRANÇA, 2012 ), do RV, que foram adaptadas para outros
idiomas permeneceram inalteradas.

Evidências baseadas na estrutura interna


- Correlação entre as variáveis que compõem o VR
Nos nossos resultados a validação convergente-discriminante pela correlação entre
os itens e figuras revelou que a tarefa de evocação imediata e tardia apresentou correlação
forte e positiva (r= 0,86). No estudo original (WECHSLER D; 2009), a correlação entre
VR-I e VR-II foram positivamente moderadas (r=0,62).
No manual original do instrumento as análises de correlação correlacionaram os
totais gerais da evocação imediata e tardia no VR. Não foram realizados estudos de
56

correlação entre cada uma das figuras com as tarefas de evocação imediata e tardia, como
no presente estudo. Assim, afirmamos que as tarefas de evocação mostraram boa correlação
com todas as figuras de VR. As figuras também revelaram correlação estatisticamente
significativa entre si, mas o índice que permitiu-nos observar maior correlação com VR-II
e o total VR foi a figura 5. Assim, podemos sugerir que a figura mais congruente na
investigação da evocação tardia é a figura 5. Contudo, a boa correlação entre os itens nos
oferece outras evidências de validade, apoiando assim, as hipóteses teóricas levantadas
acerca das dimensões do VR adaptado.

- Análise empírica dos itens pela Teoria de Resposta ao Item (TRI)


Inicialmente verificou-se a dimensionalidade do conjunto de 16 variáveis que foram
XWLOL]DGDVSDUDDQiOLVH3DUDWDQWRIRLXWLOL]DGDD³$QiOLVHSRUFRPSRQHQWHVSULQFLSDLVGH
UHVtGXRV´EDVHDGDQRPRGHORGH5DVFKFoi avaliada a amostra composta de 91 sujeitos.
Como critério de unidimensionalidade, adotou-se o critério proposto por Linacre (2009),
qual seja, contrastes com eigenvalue inferiores a 2,0. De acordo com esse critério, o
conjunto de variáveis não pôde ser considerado como unidimensional (eigenvalue>2,0), de
modo que o primeiro contraste indicou que as variáveis de cópia poderiam compor um
subgrupo separado das outras 11 variáveis. Por isso, verificou-se a possibilidade de
unidimensionalidade para essas 11 variáveis. Os dados obtidos apontaram para 70,9% de
variância explicada, de modo que nenhum dos contrastes apresentou eigenvalue superior a
2,0, sugerindo unidimensionalidade do conjunto de variáveis.
Na seqüência, verificou-se a adequação das categorias de respostas das 11 variáveis
consideradas para a análise. Considerando as diferentes pontuações em escala Likert, estão
apresentadas na Figura 1 três gráficos distintos. Por meio da análise das categorias de
resposta, podem-se observar as probabilidades de endosso a cada uma das categorias nos
diferentes níveis de teta dos respondentes. A intersecção entre duas categorias pode ser
compreendida como o valor do limiar (threshold) estimado das duas categorias.
57

Figura 8. Categorias de resposta de acordo com a escala Likert

É possível observar na Figura 4 que para os três casos de escalas Likert, de 0 a 5,


de 0 a 7 e de 0 a 13, há uma clara prevalência para as categorias representando os pólos das
escalas Likert (por exemplo, para 0 a 5, as categorias 0 e 5). Ainda assim, para todos os
casos verificou-se a progressão de teta, dado o avanço nas escalas Likert. No caso da escala
de 0 a 5, a média de teta na categoria 0 foi -1,03, na categoria 1 foram -0,53, na categoria
2 foi -0,23, na categoria 3 foram 0,04, na categoria 4 foi 0,42 e na categoria 5 foram 1,42.
No caso dos itens com escala variando entre 0 e 7, na categoria 0 foi -1,35, na categoria 1
foram -0,65, na categoria 2 foi -0,34, na categoria 3 foram -0,13, na categoria 4 foi 0,07,
na categoria 5 foi 0,29, na categoria 6 foi 0,66 e na categoria 7 foram 1,51. E para os itens
com escala variando entre 0 e 13, na categoria 0 foi -1,38, na categoria 1 foram -0,82, na
categoria 2 foi -0,58, na categoria 3 foram -0,44, na categoria 4 foi -0,33, na categoria 5
foram -0,22, na categoria 6 foi -0,13, na categoria 7 foram -0,03, na categoria 8 foi 0,08,
na categoria 9 foi 0,21, na categoria 10 foi 0,36, na categoria 11 foi 0,58, na categoria 12
foi 0,97 e na categoria 13 foram 1,94. A progressão de teta ao longo das categorias de
resposta é um padrão esperado e sugere adequação das categorias.
Uma vez verificada a unidimensionalidade e realizada a análise das categorias de
resposta dos itens, foram observados os parâmetros das variáveis consideradas na análise
e também dos respondentes que compõem a amostra deste estudo. Na Tabela 16 podem ser
verificadas as estatísticas descritivas sumarizadas acerca dos thetas (níveis no traço latente)
58

dos respondentes e seus respectivos índices de ajuste (infit e outfit). A média de teta
encontrada sugere que o conjunto de itens tende a ser fácil para a amostra deste estudo, isto
é, os participantes tenderam mais a acertar os itens do que errar.

Tabela 14. Estatísticas descritivas dos valores de teta dos respondentes e índices de ajuste
dos dados

Número
Theta N Infit Outfit
de itens
Média 11 0,63 0,25 1,11 1,17
Desvio Padrão 0 0,85 0,20 0,86 1,26
Máximo 11 2,71 0,94 4,54 7,62
Mínimo 11 -1,72 0,13 0,17 0,19
N - ; Erro padrão ;Theta - traço latente; Infit - nível de ajustamento dos padrões de
respostas (Espera-se que valores neste parâmetro sejam próximos de um, sendo que
valores substancialmente abaixo de 0,7 indicam que o dado empírico apresenta
valores de discriminação superiores aos esperados pelo modelo de Rasch; Outfit -
medida de ajuste, sensível a padrões inesperados de respostas quando a diferença
entre o theta das pessoas e a dificuldade das categorias é muito grande, (são esperados
valores próximos de um).

Além disso, os índices médios de ajuste infit e outfit, que avaliam a correspondência
entre os valores esperados e observados das estimativas tetas para os respondentes,
mostraram-se adequados, conforme o parâmetro sugerido por LINACRE E WRIGHT
(1994), qual seja, inferiores a 1,20. Contudo, os valores máximos de infit e outfit, para todos
os fatores, excederam o limite de 1,20, indicando que a pontuação de alguns respondentes
não se ajustou adequadamente ao que era esperado pelo modelo.
Em complemento, verificou-se que a fidedignidade das estimativas de teta dos
respondente, calculada pelo modelo de Rasch, sendo igual a 0,83 (real) e 0,86 (modelada).
Esses índices são considerados como satisfatórios, indicando pouco erro na avaliação
realizada. Na Tabela 15 encontram-se as estatísticas descritivas sumarizadas dos itens do
instrumento.
59

Tabela 15. Estatísticas descritivas dos índices de dificuldade e ajuste dos itens

Erro
N b Infit Outfit
Padrão
Média 515,7 0,00 0,08 1,03 1,17
Desvio
181 0,48 0,04 0,39 0,64
Padrão
Máximo 908 0,62 0,18 1,58 2,32
Mínimo 275 -1,18 0,04 0,34 0,42
N - Erro padrão - ; b- parâmetro de dificuldade (ou de posição) do item; Infit - nível de ajustamento
dos padrões de respostas (Espera-se que valores neste parâmetro sejam próximos de um, sendo
que valores substancialmente abaixo de 0,7 indicam que o dado empírico apresenta valores de
discriminação superiores aos esperados pelo modelo de Rasch; Outfit - medida de ajuste, sensível
a padrões inesperados de respostas quando a diferença entre o theta das pessoas e a dificuldade
das categorias é muito grande, (são esperados valores próximos de um).

O índice de dificuldade dos itens variou de ±1,18 a 0,62 com desvio padrão de 0,48.
Esses dados se referem à amplitude de cobertura dos itens ao constructo em relação às
pessoas, e quando comparados aos índices de teta, sugerem que as variáveis tenderam a ser
acertadas, como já havia sido observado na Tabela 16. As médias dos índices que avaliam
o ajuste dos itens mostraram-se adequadas, isto é, abaixo de 1,20. Contudo, os índices
máximos de infit e outfit sugerem que, pelo menos uma variável, apresentou incongruências
marginais entre o esperado pelo modelo e o observado nos dados. Ao lado disso, os índices
de fidedignidade foram iguais a 0,96 (real) e 0,87 (modelado). Na Tabela 16 estão
apresentadas as propriedades psicométricas de cada uma das variáveis que entraram para a
análise.
60

Tabela 16. Níveis de dificuldade, índices de ajuste e correlação theta-total das variáveis

Correlação Item-
Itens b Erro Padrão Infit Outfit
Total
RV1_01 -1,18 0,18 1,29 0,90 0,55
RV1_02 -0,23 0,09 0,48 0,44 0,72
RV1_03 -0,44 0,09 0,77 0,48 0,69
RV1_04 -0,11 0,05 0,95 1,07 0,73
RV1_05 0,45 0,04 0,82 0,87 0,80
RV2_01 0,35 0,07 1,50 2,32 0,55
RV2_02 0,19 0,08 1,11 1,85 0,59
RV2_03 -0,02 0,07 1,42 2,06 0,62
RV2_04 0,33 0,05 1,58 1,49 0,74
RV2_05 0,62 0,04 1,11 0,94 0,78
Reconhecimento 0,03 0,07 0,34 0,42 0,80
RV1_01 ± reprodução visual figura 1 da tarefa evocação imediata; RV1_02 ± reprodução visual figura 2
da tarefa evocação imediata; RV1_03 ± reprodução visual figura 3 da tarefa evocação imediata; RV1_04
± reprodução visual figura 4 da tarefa evocação imediata; RV1_05 ± reprodução visual figura 5 da tarefa
evocação imediata; RV2_01 ± reprodução visual figura 1 da tarefa evocação tardia; RV2_02 ± reprodução
visual figura 2 da tarefa evocação tardia; RV2_03 ± reprodução visual figura 3 da tarefa evocação tardia;
RV2_04 ± reprodução visual figura 4 da tarefa evocação tardia; RV2_05 ± reprodução visual figura 5 da
tarefa evocação tardia.; b- parâmetro de dificuldade (ou de posição) do item; Infit - nível de ajustamento
dos padrões de respostas (Espera-se que valores neste parâmetro sejam próximos de um, sendo que valores
substancialmente abaixo de 0,7 indicam que o dado empírico apresenta valores de discriminação
superiores aos esperados pelo modelo de Rasch; Outfit - medida de ajuste, sensível a padrões inesperados
de respostas quando a diferença entre o theta das pessoas e a dificuldade das categorias é muito grande,
(são esperados valores próximos de um).


Pode-se observar que, no geral, as variáveis relacionadas à evocação imediata foram
mais fáceis do que as relacionadas à evocação tardia, considerando o nível de dificuldade
obtido. O item mais difícil foi RV2_05 e o mais fácil RV1_01. Os índices de infit e outfit
excederam o limite esperado para 5 das 11 variáveis e as correlações teta-total foram
superiores a 0,50 em todos os casos. Na continuidade é apresentado o mapa de pessoas-
itens (Figura 9)
61

Figura 9. Relação do nível de habilidade e dificuldade por meio do Mapa de pessoas-itens

Verifica-se por meio da Figura 5 que as variáveis tenderam a avaliar o constructo em


níveis inferiores em comparação com o nível de habilidade dos sujeitos da amostra. Nesse
sentido, observa-se a necessidade de itens avaliando níveis mais altos do constructo, isto é, a
elaboração de itens mais difíceis para avaliação do constructo. Deste modo, apenas pequenas
lacunas na mensuração do constructo podem ser identificadas, sobretudo próximo à média e
em níveis mais altos de dificuldade dos itens.
Curva Característica do Item:
A curva característica do item serviu para exemplificar visualmente as estimativas
da habilidade e dificuldade dos itens de modo independente. Aqui estão apresentados os
itens graficamente do ponto de vista do Modelo de Rasch. Neste, a curva característica do
62

item informou a probabilidade de acerto do item de acordo com o nível de dificuldade-


habilidade do respondente.
Cada item está representado no gráfico por uma cor. Cada uma das linhas é chamada
de Curva Característica do Item (CCI). As curvas não são perfeitas, pois -se tratam das
curvas empíricas dos itens (e não curvas modeladas). A curva empírica é aquela que, de
fato, são as encontradas a partir dos resultados obtidos e não do que se espera (curva
modelada). Assim, não coube na presente análise incluir a curva modelada, pois, ela reflete
menos o efeito dos dados.

Curvas Característica
Curva dosdo
Característica Itens
Item

Medida de Dificuldade do Item

Figura 10. Curvas característica dos Itens que compõem as tarefas de evocação
RV1_01 ± reprodução visual figura 1 da tarefa evocação imediata; RV1_02 ± reprodução visual
figura 2 da tarefa evocação imediata; RV1_03 ± reprodução visual figura 3 da tarefa evocação
imediata; RV1_04 ± reprodução visual figura 4 da tarefa evocação imediata; RV1_05 ±
reprodução visual figura 5 da tarefa evocação imediata; RV2_01 ± reprodução visual figura 1 da
tarefa evocação tardia; RV2_02 ± reprodução visual figura 2 da tarefa evocação tardia; RV2_03
± reprodução visual figura 3 da tarefa evocação tardia; RV2_04 ± reprodução visual figura 4 da
tarefa evocação tardia; RV2_05 ± reprodução visual figura 5 da tarefa evocação tardia

A figura 10 descreve as informações acerca do comportamento das diferentes


probabilidades de acerto frente aos itens que compõem as tarefas de evocação do RV. A
localização da dificuldade dos itens revela que quanto mais avançado está um item na
HVFDODKRUL]RQWDO ³PHDVXUHUHODWLYHWRLWHPGLIILFXOW\´ PDLVGLItFLOpRLWHP
É importante lembrar que no RV, as figuras 1 e 2 possuem critérios de pontuação que
vão de 0 à 5; já a figura 3, 0-7 pontos ou critérios; e para as figuras 4 e 5 os critérios de
pontuação vão de 0-13. Assim, podemos observar que os itens de maior dificuldade para as
categorias de respostas de 0-5 pontos foram a figura 1, para a tarefa de evocação imediata
(RV1). Já o itens de maior dificuldade da figura , isto é, categoria de reposta de 0-7 pontos, a
63

tarefa de evocação imediata (RV1) foi mais difícil. Por último, para as categorias de respostas
de 0-13 pontos a figura 5, da medida de evocação imediata, foi a mais difícil de ser
memorizada. Na tarefa de reconhecimento a figura correta é apresentada juntamente com
outras 5 consideradas distratores. A resposta é 0 ou 1. Esta tarefa esteve em nível mediano de
dificuldade, próximo ao grau de exigência das respostas .da figura 3. Assim, observamos que
há um nível dificuldade coerentemente apresentado nos itens. Do mesmo modo os critérios de
pontuação são proporcionais ao aumento da dificuldade/habilidade em cada figura. A figura
11 apresenta o mesmo tipo de informação, mas para o itens de cópia.

Curvas Característica dos Itens

Medida de Dificuldade do Item

Figura 11. Curvas característica dos Itens que compõem as tarefas de cópia

Do mesmo modo que nas tarefas de evocação imediata e tardia, para as figuras 1 e 2,
os critérios de pontuação vão de 0 à 5; para a figura 3, 0-7; e para as figuras 4 e 5 os critérios
de pontuação vão de 0-13. Aqui, podemos observar que a medida que aumenta a habilidade do
sujeito, aumenta a probabilidade de obtenção de uma pontuação máxima, como o esperado.
Por exemplo, podemos observar que a partir do nível de teta 2, representado no eixo horizontal,
as respostas atingem sua pontuação máxima em todas as figuras, independentemente das
categorias de reposta (0-5, 0-7 e 0-13 pontos). Contudo, como nas tarefas de evocação, as de
cópia também são congruentes.
64

Apontamos assim para a necessidade de itens mais complexos para a avaliação do


constructo ou estudos similares ao presente com o subteste desenhos (designs) ± subteste
complementar para estimação do índice de evocação visual pelo WMS-IV.
O método de Rash possibilitou-nos contribuir objetivamente para o entendimento
da funcionalidade do constructo de evocação visual do RV no WMS. Pequenas lacunas na
mensuração do constructo foram identificadas através das análises pela TRI, sobretudo nos
índices próximo à média e em níveis mais altos de dificuldade dos itens. Mas, comprova-
se a congruência do contrato.

Evidência de validade baseada na relação com outras medidas


Esta etapa do estudo de validação, permitiu-nos realizar as análises de validade tipo
convergente-discriminante. A amostra (n=30) apresentou idade média de 47,5 anos
(dp=9,05), sendo 23% - adultos jovens - e 76% - meia idade. Nesta amostra, 34% eram
homens e 66% mulheres. O número de anos de escolaridade teve a seguinte distribuição:
40%, 2 a 6 anos; 40%, 7 a 11 anos e 20%, 12- 15 anos.
O total de acertos de cada item que compõe o VR foi correlacionado com o total de
acertos dos itens de cópia e de evocação da Figura Complexa de Rey, através do coeficiente
de correlação de Pearson. Os índices com forte correlação foram os de evocação imediata
de VR (r=0,57 p<0,01) e VR total (r=0,55 p<0,01), respectivamente. A evocação tardia
correlacionou-se moderadamente (r=0,44 p<0,05). A tarefa de cópia do VR também teve
uma forte correlação com o teste das figuras complexas de Rey no referente às tarefas de
cópia, como o esperado (r=0,78 p<0,01).
Similarmente, índices de correlação do total de acertos que compõem cada item do
RV foram correlacionados com o escore total do MEEM. As tarefas de evocação imediata
(RV1), evocação tardia (RV2) e o total (RV1+RV2) do RV, correlacionaram-se forte e
moderadamente com os escores totais do MEEM (r= 0,57, e r=0,55 p<0,001 e r=0,46
p<0,05). Os índices com forte correlação com o MEEM foram a evocação imediata e o
total de RV (r=0,57; r=0,55 e p<0,01).
As evidências baseadas na relação com outras variáveis correspondem ao
questionamento sobre o grau em que estas relações são subjacentes as interpretações
propostas pelo teste (AMERICAN EDUCATIONAL RESEARCH ASSOCIATIO
[AERA], AMERICAN PSYCHOLOGICAL ASSOCIATION [APA] E NATIONAL
COUNCIL ON MEASURE IN EDUCATION [NCME], 2008). Nesta, houve melhor
correlação do RV (escore total e tarefas de evocação imediata e tardia), com o escore total
65

da tarefa de evocação imediata da figura complexa de Rey, como afirmaram outros


pesquisadores, com a versão do WMS-R (DWARSHUIS L, WAGGONER C, NELK K,
ET AL,1992) . Os estudo com a versão revisada da escala mostrou que a tarefa de cópia da
figura complexa correlacionou-se com os índices de atenção do WMS-R, ao passo que as
tarefas de evocação imediata e tardia do teste das figuras complexas tiveram altas
correlações com o RV, permitindo aos referidos autores afirmar que a apresentação
imediata e tardia das figuras complexas é muito semelhantes RV, do do WMS-R
(DWARSHUIS L, WAGGONER C, NELK K, ET AL,1992). Outros achados (BOWDEN
ET AL, 2001) mostraram através de estudos de análise fatorial da WMS-R, que os índices
de evocação imediata, utiliza-se de fatores construtivos e perceptivos levando a um melhor
desempenho da evocação nas tarefas de recordação tardia.
Os achados deste item do presente estudo foram ainda compatíveis com o proposto
por outros estudos (DWARSHUIS, L., WAGGONER, C., & NELK, K. VA; 1992), onde
o escore total de evocação das figuras complexas de Rey correlacionou-se com o escore
da tarefa de evocação imediata do RV (de versões anteriores do WMS), levando os autores
a sugerirem a utilização dos recursos construtivos e perceptivos nesta etapa. No mesmo
contexto, um novo sistema de pontuação do RV foi proposto com o uso do WMS-R. Neste,
a validade convergente-discriminante foi avaliada através da correlação entre o RV e o
teste das Figuras Complexas de Rey (PETROV D, 2007). Houve uma baixa correlação
entre o teste das figuras complexas e a evocação tardia (r=0,40), tal como foi encontrado
no presente estudo (r=0,44).
Tais achados para a versão quatro do RV são concordantes com afirmações prévias
da literatura (DWARSHUIS, L., WAGGONER, C., & NELK, K. VA; 1992) ao indicar que
o teste das Figuras complexas de Rey é considerado um instrumento puro de medida das
habilidades visuo-construitivas e visuo-espaciais quando comparado ao WMS.
Mais importante, os achados do presente estudo dão suporte à validade convergente
do RV e do teste das Figuras Complexas de Rey.em termos de evocação imediata. Não
surpreendentemente, confirma-se assim, que a versão adaptada do RV é um instrumento
de medida de evocação não-verbal, assim como na versão original.
Na investigação entre a relação do RV com o MEEM, uma medida de
funcionamento cognitivo geral, encontramos correlações entre a pontuação total do MEEM
e as tarefas de evocação, exceto no que se refere à tarefas de reconhecimento. Tal achado
revelaria a influência de outros domínios cognitivos além dos componentes têmporo-
mediais da memorização (LEZAK, MD, HOWIESON, D.B., LORING, DW; 2004). Pode-
66

se inferir que os diferentes domínios do funcionamento cognitivo atuam


colaborativamente, possuindo representação anatômica não localizada no córtex cerebral.
Além disto, o sistema que compõe a memória episódica não é suportada unicamente por
uma função específica. A ativação de regiões encefálicas associadas com a memória
episódica é fluida e varia de acordo com a natureza do estímulo (ex: espacial versus para
objetos), com a natureza da tarefa (ex: recordação livre versus reconhecimento) a ser
recordada (NYBERG L, 2008 apud WECHSLER, D, 2008).
Estudo comparativo futuro poderá ser realizado verificando se há correlação entre
o RV com um instrumento de medida de natureza verbal, para estabelecermos o grau de
validade discriminante.

Evidências de validade com base em variáveis externas


Estudo com grupos especiais
Na investigação da validade de critérios do RV, a idade média da amostra de
pacientes com AVC em hemisfério direito, no território da artéria cerebral média foi de
47,5 anos (dp=9,43), (n=29) sendo 14% - adultos jovens e - 86% - meia idade. A amostra
foi constituída com 62% de mulheres e 38% de homens. O número de anos de escolaridade
teve a seguinte distribuição: 41% tinham 2 a 6 anos; 44%, 7 a 11 anos e 15% 12- 15 anos.
A amostra do grupo controle (n=30) correspondeu ao grupo de sujeitos que
participaram da investigação da relação com outros instrumentos e apresentou idade média
de 47,5 anos (dp=9,05), sendo 23% - adultos jovens - e 76% - meia idade. Nesta amostra,
34% eram homens e 66% mulheres. O número de anos de escolaridade teve a seguinte
distribuição: 40% , 2 a 6 anos; 40%, 7 a 11 anos e 20%, 12- 15 anos.

x Investigação da influência das variáveis idade e escolaridade nas variáveis


dependentes

A análise inicial foi primeiramente realizada controlando as variáveis idade e


escolaridade, com vistas a identificar se essas variáveis realmente influenciariam nos
resultados. Os dados estão sumariados na Tabela 17.
67

Tabela 17. Análise ANCOVA controlando as variáveis grupos, idade e escolaridade

RV1 RV2 RECONHECIMENTO CÓPIA

Fonte de
p p p
variância p
Escolaridade 0,033* 0,015* 0,020* 0,423
Idade 0,275 0,119 0,732 0,241
Grupos 0,001** 0,000** 0,000** 0,000**
* p<0,05; **p<0,001; p= nível de significância, RV1 ± total de acertos no reprodução visual
evocação imediata; RV2 ± total de acertos no reprodução visual evocação tardia.

De acordo com a tabela, observa-se que além da diferença significativa de


desempenho na fonte de variância grupos (entre os grupos), somente a escolaridade
apresentou significância nas tarefas de RV1(p=0,033), RV2 (p=0,015) e reconhecimento
(p=0,020). Ressalta-se que nas tarefas de cópia e na somatória de RV (RV1+RV2) a idade
e a escolaridade não se apresentaram como covariáveis, pois não tiveram resultados
significativos (p=0,241; p=0,423 e p=0,014; p=0,153; respectivamente ). Deste modo, as
análises da variável cópia foram realizadas separadamente das demais variáveis de RV pela
ANOVA.
Considerando os resultados referidos no parágrafo anterior, procedeu-se à mesma
análise, mantendo-se o controle da escolaridade. Os dados para RV1, RV2, reconhecimento
estão apresentados na Tabela 18.

Tabela 18. Comparação entre os grupos considerando a escolaridade como covariável.

RV1 RV2 RECONHECIMENTO


Fonte de
p p p
variância
Escolaridade 0,013 0,004 0,012

Grupos 0,001* 0,000** 0,000**

* p<0,05; **p<0,001 ; p= nível de significância, RV1 ± total de acertos no reprodução


visual evocação imediata; RV2 ± total de acertos no reprodução visual evocação tardia,
grupos ± comparação entre os grupos AVC e controle.

Pode-se verificar na fonte de variância grupos (entre os grupos) houve diferença


estatisticamente significativa (p=0,001; p=0,000 e p=0,000) e as variáveis de controle
68

também apresentaram significância (p=0,013, p=0,004 e p=0,012). Assim, podemos


afirmar que a escolaridade exerce influência no RV.

Investigação do desempenho dos grupos antes e após o controle das variáveis


Na tabela 19, os dados descritivos dos grupos na variável RV1 podem ser
observados, antes e depois do controle da variável escolaridade.

Tabela 19. Dados descritivos da amostra na variável RV1

Variável Média Média Estimada


M DP M DP
RV1 Sem AVC 35,33 6,71 35,05 1,44
Com AVC 22,10 9,61 22,40 1,47
RV1 ± total de acertos no reprodução visual evocação imediata; M ± média; Dp ± desvio
padrão.

Nota-se que, após o controle da variável escolaridade, o grupo com AVC


beneficiou-se através de um pequeno aumento na pontuação média, além da diminuição
significativa que ocorreu em seu desvio padrão. Na Tabela 20 é possível observar os dados
descritivos dos grupos na variável RV2, antes e depois do controle da variável escolaridade.

Tabela 20 - Dados descritivos da amostra na variável RV2

Variável Média Média Estimada


M DP M DP
RV2 Sem AVC 29,00 7,76 28,72 1,30
Com AVC 11,50 7,62 11,77 1,32
RV2 ± total de acertos no reprodução visual evocação tardia; M ± média; Dp ± desvio padrão.

Nota-se que, mesmo com o controle da variável escolaridade, a tendência da média


em cada grupo permaneceu aproximada, entretanto, o desvio padrão diminuiu
discretamente após o controle da variável escolaridade. Na Tabela 21 podemos observar os
dados descritivos dos grupos, no que se refere ao variável reconhecimento, antes e depois
do controle da variável escolaridade.
69

Tabela 21. Dados descritivos da amostra na variável Reconhecimento

Variável Média Média Estimada


M DP M DP
Reconhecimento Sem AVC 5,80 1,09 5,75 0,25
Com AVC 2,72 1,75 2,78a 0,26
M ± média; Dp ± desvio padrão.

Nota-se que, após o controle da variável escolaridade, a média manteve-se quase a


mesma, mas o desvio padrão diminuiu. A média e o desvio padrão das tarefas de cópia e a
pontuação bruta total de RV foram obtidos pela análise de variância (Tabela 22).

Tabela 22. Dados descritivos da amostra na variável Cópia e total de RV (RV1+RV2)

Variável Média
M DP
Cópia Sem AVC 42,07 2,68
Com AVC 34,59 8,58

M DP
RV1+RV2 Sem AVC 63,74 2,54
Com AVC 34,19 2,59

M ± média; Dp ± desvio padrão; RV1+RV2 - pontuação bruta total de RV.

No presente estudo optamos por trabalhar na validação do RV utilizando pacientes com


AVC devido ao fato de que o AVC de uma determinada artéria é considerado como
responsável por lesão neurológica localizada e circunscrita (CAPLAN, LR; 2009). Além
disto, a prevalência de disfunção da evocação após um AVC em pacientes não
demenciados pode variar de 13-50% na primeira semana, diminuindo para 11-
31% após um ano, indicando que a demência pós AVC pode ser reversível
quando detectada brevemente (SNAPHAAN L, LEEUW FE; 2007). Por essas
razões o presente estudo buscou estudar a sensibilidade do RV, traduzido e
adaptado para o português, para detectar sinais de comprometimento cognitivo
nos pacientes pós AVC. Esse exercício, em última análise, faz parte da
verificação da viabilidade da tradução e adaptação do instrumento.
Optou-se por avaliar os pacientes acometidos exclusivamente por lesões na artéria
cerebral média (ACM). A ACM é o maior dos ramos da carótida interna e é a mais
frequentemente afetada pelo AVC (ABBIE AA, 1934). Buscou-se, além do estudo de
70

validação, compreender pela análise qualitativa, se há prejuízo e qual faceta da memória


para objetos poderia ser prejudicada nos pacientes com AVC na artéria cerebral média. Os
prejuízos provocados pelo AVC da artéria cerebral posterior (ACP) já são reconhecidos
por exercerem influência na memorização de estímulos com mediação semântica
(CAPLAN, LR; 2009; pag 82).
Como esperado, os adultos acometidos por AVC em território da ACM-HD
apresentaram uma redução significativa de desempenho em todas as tarefas do RV em
comparação aos controles normais.
A amostra foi pareada e as possíveis variáveis intervenientes foram controladas com
vistas a não haver interferências nos resultados da média dos grupos e para analisar-se
exclusivamente a capacidade do RV em discriminar entre suas tarefas as características da
lesão. Em contrapartida, houve inversão numérica no que se refere ao sexo dos controles.
Essa inversão foi proporcional porque os controles foram, na maioria dos casos, os
respectivos cônjuges dos pacientes do grupo AVC. Para que fossem excluídas as potenciais
variáveis confundidoras, investigamos também os efeitos da idade e escolaridade na nossa
amostra. Essa análise evidenciou que apenas a escolaridade apresentou significância nas
tarefas de evocação imediata, tardia e reconhecimento. Similarmente ao achado do presente
estudo, as faixas de pontuação da WAIS-IV e WMS-IV foram investigadas em outro estudo
(neste foram considerados os resultados de RV1 e RV2 para RV) em 900 adultos saudáveis
e 28 pacientes com traumatismo crânio-encefálico (BROOKS BL, HOLDNACK JA,
IVERSON GL, 2011). Os resultados indicaram que as pessoas saudáveis podem obter um
baixo escore em ambas as escalas, devido ao seu nível de escolaridade e grau de eficiência
intelectual. Foi mostrado que a baixa pontuação varia de acordo com os cortes percentílicos
utilizados (16 percentil X2 percentil), características demográficas (exemplo, 8 ou menos
anos de escolaridade) e QI. No presente estudo influência da escolaridade no WMS-IV,
mesmo considerando outra cultura. Detectada a influência da escolaridade em algumas das
tarefas do RV, a mesma foi controlada. Esse objetivo foi alcançado pela a análise
ANCOVA. Pôde-se verificar que em todas as tarefas, mesmo com o controle da
escolaridade, foi mantida a diferença entre os grupos. Esses resultados permitem-nos
afirmar que o RV foi sensível na diferenciação dos grupos, comprovando sua validade.
Este fato pode ser sustentado por outras pesquisas na área (DER A, LANDIS T.,1995) que
vêm demonstrando a existência de comprometimentos na memória verbal, verificados
posteriormente a AVCs à esquerda. Prejuízos na memória não-verbal são imputados a
lesões no hemisfério direito (LEZAK, MD, HOWIESON, D.B., LORING, DW.; 2004).
71

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ABEP - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EMPRESAS DE PESQUISA ± 2010 ± www.abep.org
± abep@abep.org. Dados com base no Levantamento Sócio Econômico 2008 ± IBOPE.
Distribuição da população por região metropolitana. Disponível em:
<www.abep.org/novo/Content.aspx?ContentID=301>, acesso em: 01 abr. 2011.

ABBIE A.A.: The morphology of the forebrain arteries with especial reference to the evolution of
the basal ganglia. J Anat, 68:432, 1934.

AMERICAN EDUCATIONAL RESEARCH ASSOCIATIO [AERA], AMERICAN


PSYCHOLOGICAL ASSOCIATION [APA] & NATIONAL COUNCIL ON MEASURE IN
EDUCATION [NCME]. Standards for educational and psychological testing. Washington, DC:
Authors, 194f, 2008.

ANDRADE, L., GORENSTEIN, C. Aspectos gerais de escalas de avaliação de ansiedade. Em C.


Gorenstein, L. H. S. G. Andrade & A. W. Zuardi (Orgs.), Escalas de avaliação clinica em
Psiquiatria e Psicofarmacologia, São Paulo: Lemos, p139-144, 2000.

ARAUJO EAC, ANDRADE DF, BORTOLOTTI SLV. Teoria da Resposta ao Item,


43(Esp):p.1000-8. Rev Esc Enferm USP. 2009.

ARAÚJO ACT, CAMPOS JADB. Subsídios para a avaliação do estado nutricional de crianças e
adolescentes por meio de indicadores antropométricos. Alim. Nutr., Araraquara v.19, n.2, p. 219-
225, abr./jun. 2008

ARDILA A., ROSELLI M., ROSAS, P. Neuropsychological assessment in illiterates: visuospatial


and memory abilities, 11: 147-166. Brain and Cognition, 1989.

ARTES, R., BARROSO, L. P. Aspectos estatísticos da análise fatorial de escalas de avaliação. Em


Gorestein, C.; Andrade, L. H. S. G.; Zuardi, A. W. (orgs) Escalas de Avaliação Clínica em
Psiquiatria e Psicofarmacologia.São Paulo: Lemos-Editorial, p: 35-41, 2000.

AURÉLIO, DICIONÁRIO ELETRÔNICO 7.0 - Edição Especial 100 anos, Editora Positivo: CD-
ROM, 2011.

BADDELEY, A.,. The psychology of memory. The Essential Handbook of Memory Disorders for
Clinicians. Edited by A.D. Baddeley, M.D. Kopelman and B.A. Wilson. C _2004 John Wiley &
Sons, Ltd. ISBN 0-470-09141-X.

BADIA X, ALONSO J. Re-scaling the Spanish version of the Sickness Impact Profi le: an
opportunity for the assessment of cross-cultural equivalence. J Clin Epidemiol. 48(7):949-57,
1995;.
72

BEATON DE, BOMBARDIER C, GUILLEMIN F, ET AL. Guidelines for the process of cross-
cultural adaptation of self-report measures. Spine.;25(24):3186-91, 2000.

BECK AT, WARD CH, MENDELSON M, MOCK J, ERBAUGH J. "An inventory for measuring
depression".Arch. Gen. Psychiatry,. 4: p:561±71, 1961.

BECK, A. T., EPSTEIN, N., BROWN, G.,&STEER, R. A. An inventory for measuring clinical
anxiety: psychometric properties. Journal of Consulting and Clinical Psychology,; 56, p:893±897,
1988.

BECK, A. T., STEER, R. A. Beck Depression Inventory: Manual. San Antonio, TX: Psychological
Corporation, 1993a.

BECK, A. T, STEER, R. A. Beck Anxiety Inventory: Manual. San Antonio, TX: Psychological
Corporation, 1993b.

BROOKS BL, HOLDNACK JA, IVERSON GL, Advanced Clinical Interpretation of the WAIS-
IV and WMS-IV: Prevalence of Low Scores Varies by Level of Intelligence and Years of Education
Assessment 2011 18: 156 originally published online 14 October 2010

BULLINGER M, ALONSO A, APOLONE G, ET AL. Translating health status questionnaires and


evaluating their quality: the IQOLA Project approach. International Quality of Life Assessment. J
Clin Epidemiol. Nov;51(11):913-23, 1998.

%(5.$129,&+ ( 7KH HIIHFW RI LQDGHTXDWH ODQJXDJH WUDQVODWLRQ RI +LVSDQLFV¶ Uesponses to
health surveys. Am J Public Health; 70:1273-1276, 1980.

BERTOLUCCI PHF, BRUCKI SMD, CAMPACCI SR, JULIANO Y. O Mini-exame do Estado


Mental em uma população geral: impacto da escolaridade. Arq Neuropsiquiatr; 52:1-7, 1994.

BRUCKI S. NITRINI R, CARAMELLI P, BERTOLUCCI PHF, OKAMOTO IH. Sugestões para


o uso do Mini-exame do estado mental no Brasil. Arq. Neuropsiquiatr; 61(3b): 777-781, 2003.

BORNSTEIN, R. A., CHELUNE, G. J. Factor structure of the Wechsler Memory Scale ± Revised.
The Clinical Neuropsychologist; 2, p:107 ± 115, 1988.

BORNSTEIN, RA., CHELUNE, GJ. Factor structure of the Wechsler Memory Scale ± Revised in
relation to age and educational level. Archives of Clinical Neuropsychology; 4, 15 ± 24, 1989.

BOWDEN, S. C., RITTER, A. J., CARSTAIRS, J. R., SHORES, E. A., PEAD, J., GREELEY, J.
D., WHELAN, G., . . . CLIFFORD, C. C.. Factorial invariance for combined WAIS-R and WMS-
R scores in a sample of patients with alcohol dependency. The Clinical Neuropsychologist, 15,
69-80, 2001.
73

BUTTERS, N., SALMON, D. P., CULLUM, M. C., CAIRNS, P., TROSTER, A. I., JACOBS, D.,
MOSS, M., & CERMAK, L. S.. Differentiation of amnesic and demented patients with the
Wechsler Memory Scale ± Revised. The Clinical Neuropsychologist,2, 133 ± 141, 1988.

CABRAL NL, GONÇALVES AR, LONGO AL, ET AL. Trends in stroke incidence, mortality and
case fatality rates in Joinville, Brazil: 1995-2006. J Neurol Neurosurg Psychiatry. 2009
Jul;80(7):749-54. Epub 2009 Jan 15.

CAMPOS TF, BARROSO MT, DE LARA MENEZES AA. Encoding, storage and retrieval
processes of the memory and the implications for motor practice in stroke patients.
NeuroRehabilitation.;26(2):135-42, 2010.

CANCELA, D.M.G.. O acidente vascular cerebra- classificação, principais consequências e


reabilitação. (2008) Trabalho de Conclusão de Curso de Psicologia, Universidade Lusíada de
Porto, Lisboa. Retrieved February 23, 2010, from http://www.psicologia.com.pt.pdf

CAPLAN LR. Caplan's stroke a clinical approach. Philadelphia, Elsevier/Saunders, 2009. p: 82.
Disponível em: <http://www.sciencedirect.com/science/book/978141 6047216.7>

CARMICHAEL ST, TATSUKAWA K, KATSMAN D, TSUYUGUCHI N, KORNBLUM HI


Evolution of diaschisis in a focal stroke model. Stroke 35:758 ±763, 2004.

CHAVES MLF. Evocação Humana: Aspectos clínicos e modulação por estados afetivos.
Psicologia USP, S.Paulo, 4(1/2), p.139-169, 1993.

CHAVES, M. L. F. Teste de Avaliação Cognitiva: Mini-exame do estado mental. 2006; disponível


em: < www.cadastro.abneuro.org/site/arquivos_cont/8.pdf> Acesso em: 20 maio 2009.

CHELUNE G.J., BORNSTEIN R.A.. WMS-R patterns among patients with unilateral brain
lesions. The Clinical Neuropsychologist, 2, pp. 121±132, 1988.

CUNHA, J. A. Psicodiagnóstico-R. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000.

CUNHA, J.A.. Manual da versão em português das Escalas Beck: BDI, BAI, BHS E BSI. São
Paulo: Casa do Psicólogo, 2001.

DAMASIO AR, TRANEL D, RIZZO M. Disorders of complex visual processing. In: Mesulam
MM, editor. Principles of Behavioral Neurology. New York: Oxford University Press; 2000. pp.
332±3728.

DROZDICK LW, HOLDNACK JA , HILSABECK RC. Essentials of WMS-IV assessment.,


Edition ± February 2011 32.90 Euro 2011. 284 Pages, Softcover ISBN-10: 0-470-62196-6...L.
Disponível em: < http://books.google.com.br/books?id=
YmQ8uG6YM_sC&pg=PT290&lpg=PT290&dq=DROZDICK+LW,+HOLDNACK+JA+,+HILS
74

ABECK+RC.+Essentials+of+WMS-IV+assessment&source=bl&ots=uhw Z5S9erE&sig=B-
uk1X4X9N8G9qxUeIIk71KzIv8&hl=pt-BR&sa=X&ei=S4l4T6DyH
4egtweLqYXpDg&ved=0CCkQ6AEwAA#v=onepage&q&f=false > Acesso em: 20 Nov.2011.

DUFF K, BEGLINGER LJ, KETTMANN JD, BAYLESS JD. Pre- and post-right middle cerebral
artery stroke in a young adult: a case study examining the sensitivity of the Repeatable Battery for
the Assessment of Neuropsychological Status (RBANS). Appl Neuropsychol.;13(3):194-200,
2006.

DWARSHUIS, L., WAGGONER, C., & NELK, K. Medical Center, Danville, IL. A Comparison
of the Wechsler Memory Scale-Revised & the Rey Osterrieth Complex Figure Design. Archives
of Clinical Neuropsychology. | Vol 7, Iss 4, Pgs 285-375, 1992.

EADIE, K., SHUM, D.. Assessment of visual memory: A comparison of Chinese characters and
geometric figures as stimulus materials. Journal of Clinical and Experimental
Neuropsychology, 17, 731 ± 739, 1995.

FALCÃO DM, CICONELLI RM, FERRAZ MB. Translation and cultural adaptation of quality of
life questionnaire: an evaluation of methodology. J Rheumatol 2003; 30 (2):379-85.

FOLSTEIN MF, FOLSTEIN SE, MCHUGH PR. 'Mini mental state': A practical method for
grading the cognitive state of patients for the clinician. J Psychiatr Res. 1975;12:189±198

GASS, C. S. A procedure for assessing storage and retrieval on the Wechsler Memory Scale ±
Revised. Archives of Clinical Neuropsychology, 10, 475 ± 487, 1995.

GATTASS, R ; NAKAMURA, N. ; DESIMONE, R. ; UNGERLEIDER, LG. . The modular


organization of projections from areas V1 abd V2 to areas V4 and TEO in Macaques.. The Journal
of Neuroscience, USA, v. 13, n. 9, p. 3681-3691, 1993.

GAY, J., COLE, M.. The new mathematics and an old culture. New York: Holt, Rinehart &
Winston, 1967.

GFELLER, J. D., MELDRUM, D. L., & JACOBI, K. A. The impact of constructional impairments
on the WMS ± R visual reproduction subtest. Journal of Clinical Psychology, 51, 58 ± 63, 1995.

GLOSSER, G., GOODGLASS, H., BIBER, C.. Assessing visual memory disorders. Psychological
Assessment, 1, 82 ± 91, 1989.

GOETSCHMANN VB, CROQUELOIS A. Different Patterns of Lateralization of Cognitive


Functions in a Left-Handed Patient with Unilateral Right Middle Cerebral Artery Stroke.
Cerebrovasc Dis;29:403±407, 2010: DOI: 10.1159/000288054
75

GUILLEMIN F, BOMBARDIER C, BEATON D. Cross-Cultural Adaptation of Health-Related


Quality of Life Measures: Literature Review and Proposed Guidelines. J Clio itpidemiol, Vol. 46,
No. 12, pp. 1417-1432, 1993.

HAUT, M. W., WEBER, A. M., DEMAREST, D., KEEFOVER, R. W., & RANKIN, E.
Controlling for constructional dysfunction with the visual reproduction subtest of the Wechsler
Memory Scale ± 5HYLVHGLQ$O]KHLPHU¶VGLVHDVHThe Clinical Neuropsychologist, 10, 309 ± 312,
1996.

HAUT, M. W., WEBER, A. M., WILHELM, K. L., KEEFOVER, R. W., & RANKIN, E. D.. The
visual reproduction subtest as a measure of visual perceptual/constructional functioning in
GHPHQWLDRIWKH$O]KHLPHU¶VW\SHThe Clinical Neuropsychologist, 8, 187 ± 192, 1994.

+(,/%5211(55/7KHVHDUFKIRUDµSXUH¶YLVXDOPHPory test: Pursuit of perfection? The


Clinical Neuropsychologist, 6, 105 ± 112, 1992.

HERMAN, D. O.. Development of the Wechsler Memory Scale ± Revised. The Clinical
Neuropsychologist, 2, 102 ± 106, 1988.

HERDMAN M, FOX-586+%<-%$',$;³(TXLYDOHQFH´DQGthe translation and adaptation of


health-related quality of life questionnaires. Qual Life Res.;6(3):237-47, 1997.

HILSABECK RC, THOMPSON MD, IRBY JW, ET AL. Partial cross-validation of the Wechsler
Memory Scale²Revised (WMS-R) General Memory²Attention/ Concentration Malingering
Index in a nonlitigating sample. Archives of Clinical Neuropsychology 18; p. 71±79, 2003.

HOELZLE JB, NELSON NW, SMITH CA. Comparison of Wechsler Memory Scale-Fourth
Edition (WMS-IV) and Third Edition (WMS-III) dimensional structures: improved ability to
evaluate auditory and visual constructs. Journal of Clinical and Experimental Neuropsychology.
V.33, Issue 3, p: 283-291, 2011.

IBGE - INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA: contagem da população.


Censo de 2007. Disponível em: www.ibge.gov.br/. Acesso: out/2011.

ISSA NP, ROSENBERG A, HUSSON TR. Models and Measurements of Functional Maps in V1.
Neurophysiol 99:2745-2754, 2008. First published 9 April 2008; doi:10.1152/jn.90211, 2008.

IZQUIERDO I, A Evocação de Curta e a de Longa Duração. In: Evocação. Porto Alegre:


Artmed; 2002.

KANDEL E R, SCHWARTZ JH, JESSELL TM. Princípios da neurociência. Manole editor, 4ªed.
São Paulo. p:1247- 1254; 2003.

KAPUR N. focal retrograde amnesia: a critical rewiew. Cortex; 29(2); p: 217-34; jun/1993.
76

KLEIST K. Kortikale (innervatorische) Apraxie. Jahrbuch der Psychiatrie, 28:46±112, 1907.

MOURA, S.M. Características psicométricas e dados normativos do teste 3P3F no Brasil. Psico,
Porto Alegre, PUCRS, v. 39, n. 4, pp. 500-508, out./dez. 2008

KOPELMAN, M.D. Disorders of memory. Brain 125, p: 2152-2190, 2002.

KRAVITZ DJ, SALEEM KS, BAKER CI,ET AL. A new neural framework for visuospatial
processing. Nat Rev Neurosci.;12(4):217-30; 2011 Apr

LANGE G, WAKED W, KIRSHBLUM S, DELUCA J. Organizational strategy influence on visual


memory performance after stroke: cortical/subcortical and left/right hemisphere contrasts. Arch
Phys Med Rehabil.;81(1):89-94; 2000 Jan.

LARRABEE GJ, CURTISS G. Construct validity of various verbal and visual memory tests.
Journal of clinical and experimental neuropsychology, 17, 536-547, 1995.

LEZAK, MD, HOWIESON, D.B., LORING, DW. Neuropsychological Assessment (4th ed.).
New York: Oxford University Press, 2004.

LINACRE, J., WRIGHT, B. Reasonable meansquare fit values. Rasch Measurement


Transactions, 8(2), 370, 1994.

LINACRE, J., WRIGHT, B..Winsteps (Versão 3.61.1) [Computer software]. Chicago: Mesa Press,
2001.

LORING, D. W.. The Wechsler Memory Scale ± Revised, or the Wechsler Memory Scale ±
Revisited? The Clinical Neuropsychologist, 3, 59 ± 69, 1989.

MAYES A.R.. Learning and memory disorders and their assessment. Neuropsychologia, 24, p: 25±
39; 1986.

MILNER, B.. Interhemispheric differences in the localization psychological processes in man. Br.
Med. Bull. 27, 272±277, 1971.

MINISTÉRIO DA SAÚDE/SE/DATASUS. Sistema de Informações Hospitalares do SUS ± SAI.,


Saúde Brasil 2007. Disponível em: www.datasus.gov.br/- 28k.. Acesso: jan/2012.

MINISTÉRIO DA SAÚDE/SE/DATASUS - Sistema de Informações Hospitalares do SUS ±


SAI., Saúde Brasil 2004: Uma análise da situação de Saúde. Disponível em:
http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/saude_brasil_2004.pdf. Acesso: novembro de 2011.

MOHR P., LAZAR RM, MARSHALL RS. Middle. Cerebral Artery Disease. , Stroke (Fifth
Edition), p:384±424, 2011.
77

MOURA SM, HAASE VG, Características psicométricas e dados normativos do teste 3P3F no
Brasil. Psico, Porto Alegre, PUCRS, v. 39, n. 4, p. 500-508, out./dez. 2008

MOYE, J.. Nonverbal memory assessment with designs: Construct validity and clinical utility.
Neuropsychology Review, 7, p.157 ± 170, 1997.

NUNES, C. H. S. S., PRIMI, R., NUNES, M. F. O., MUNIZ, M., CUNHA, T. F., & COUTO, G..
Teoria de Resposta ao Item para Otimização de Escalas tipo Likert: um exemplo de aplicação.
Revista Iberoamerica de Diagnóstico y Evaluación Psicológica, 25, p:51-80, 2008.

NYS GMS, VAN ZANDVOORT MJE, DE KORT PLM, ET AL. Domain-specific cognitive
recovery after first-ever stroke: A follow-up study of 111 cases. J Int Neuropsychol Soc.11,
p:795±806, 2005.

2¶&21125 0* 9(5)$(//,( 0 7KH DPQHVLF V\QGURPH 2YHUYLHZ DQG VXEW\SHV. In:
Baddeley A, Wilson B, Kopelman M, editors. Handbook of Memory Disorders.2nd edition. New
York: Wiley and Sons, p. 145±166; 2002.

OLIVEIRA MS. Figuras Complexas de Rey: teste de cópia e de reprodução de evocação de


figuras geométricas complexas. Manual André Rey. Revisão técnica Teresinha Rey, Lucia C. F.
Franco. Tradução Teresinha Rey, Lucia C. F. Franco. São Paulo: Casa do Psicólogo; 1999.

OSTERRIETH, P.A.. "Filetest de copie d'une figure complex: Contribution a l'etude de la


perception et de la memoire [The test of copying a complex figure: A contribution to the study of
perception and memory]".Archives de Psychologie. v.30, p: 286±356, 1944.

OSTROSKY, F., ARDILA, A., ROSSELLI, M. LPEZ-ARANGO, G., URIEL-MENDOZA, V.


Neuropsychological test performance in illiterates. Archives of Clinical Neuropsychology, v.13,
p:645- 660, 1998.

PARADISO S; ANDERSON BM, PONTO LLB; TRANEL D, ROBINSON RG. Altered Neural
Activity and Emotions Following Right Middle Cerebral Artery Stroke. Journal of Stroke &
Cerebrovascular Diseases. Volume 20, Issue 2 , pg 94-104, March 2011

PASQUALI, L.. Instrumentos psicológicos: Manual prático de elaboração. Brasília: LabPAM /


IBAP, v.11, p:5-12, 1999.

PASQUALI, L. Psicometria. Teoria dos testes na psicologia e na educação (2ª ed.). Petrópolis:
Editora Vozes, 2004.

PASQUALI L; VEIGA H; ALVES S.; VASCONCELOS T. Teste de evocação visual ± TMV.


Brasília: Labpam, 2004
78

PATRICK DL, SITTAMPALAM Y, SOMERVILLE SM, CARTER WB, BERGNER M. A cross-


cultural comparison of health status values. Am J Public Health.; v.75(12), p:1402-7, 1985.

PEREIRA, AMPB; CARDOSO JMM. Testes Psicológicos: o que pretendemos. Documenta CRP-
08, 2, 20-41, 1992.

PERNEGER, TV.; LEPLÈGE, A; ETTER, JF. Cross- Cultural Adaptation of a psychometric


Instrument: Two methods compared. Journal of Clinical Epidemiology, Volume 52 (11).Elsevier
± Nov 1, 1999

PLASS AM. Adaptação para o português da escala de evocação de Wechsler-revisada:


fidedignidade e validade, 1991; 60f. Dissertação (Mestrado) Universidade Federal do Rio Grande
do Sul; Porto Alegre, 1991.

PETROV D. The development of a scoring system for an alternative form of the Visual
Reproduction subtest of the Wechsler memory scale ± Revised. 2007. Thesis (doctorate).
251pages. Department of Psychology ± Victoria University, Melbourne, Austrália, 2007.

PSYCHCORP ÍNDIA:, Wechsler Memory Scale 3 edition-India. Enhancing your accuracy in


assessment. Disponível em: http://www.psychcorpindia.com/WMS-III-India.php. Acessado:
12/2011

PSYCHCORP FRANÇA: Mem-IV Echelle Clinique de Memoire de Wechsler- Quatrieme


Edition2012, WECHSLER D, Adaptation Française ECPA. Disponível em:
file:///C:/Users/Usuario/Desktop/WMS%20revis%C3%A3o/Test%20MEM-
IV%20ECHELLE%20CLINIQUE%20DE%20MEMOIRE%20DE%20WECHSLER-
%20QUATRIEME%20EDITION%20-%20Psychologie%20clinique%20-%20ECPA.htm

PSYCHCORP UK - Pearson Assessment ± Techinical suporte: Wechsler Memory Scale - Fourth


UK Edition (WMS-IV UK), 2012. Disponível em: http://www.pearson
clinical.co.uk/ContactUs/ContactUs.aspx

PURVES, D., AUGUSTINE, G. J., FITZPATRICK, D., HALL, W. C., LAMANTIA, A.-S.,
MCNAMARA, J. O. AND WILLIAMS, S. M. Neuroscience. 3rd Sunderland, Massachusetts,
USA: Sinauer Associates, Inc, 2004.

RANJITH N, MATHURANATH PS, SHARMA G, ALEXANDER A. Qualitative aspects of


learning, recall, and recognition in dementia. Ann Indian Acad Neurol [serial online] 2010 [cited
2012 Jan 2];13:117-22. Disponível em: http://www.annalsofian.org/text.asp?2010/13/2/117/64639

REDOBLADO, M. A., GRAYSON, S. J., MILLER, L. A. Lateralised-temporal-lobe-Lesion


effects on learning and memory: Examining the contributions of stimulus novelty and presentation
mode. Journal of Clinical and Experimental Neuropsychology,v:25,p: 36 ± 48, 2003.
79

REICHENHEIM ME, MORAES CL. Alguns pilares para a apreciação da validade de estudos
epidemiológicos. Rev Bras Epidemiol.;1(2), p:131-48, 1998.

REICHENHEIM ME, MORAES CL. Operacionalização de adaptação transcultural de


instrumentos de aferição usados em epidemiologia. Rev Saúde Pública;41(4), p:665-73, 2007.

5(,&+(1+(,00(025$(6&/$GDSWDomRWUDQVFXOWXUDOGRLQVWUXPHQWR³3DUHQW-Child Confl
LFW 7DFWLFV 6FDOHV &763& ´ XWLOL]DGR SDUD LGHQWLILFDU D YLROrQFLD FRQWUD D FULDQoD Cad Saude
Publica.;19(6), p:1701-12, 2003.

REICHENHEIM ME, MORAES CL, HASSELMANN MH.. Equivalência semântica da versão em


português do instrumento Abuse Assessment Screen para rastrear a violência contra a mulher
grávida. Rev Saude Publica.;34(6), p:610-6, 2000.

REY, A.. /¶H[DPHQ clinique en pychologie. Paris: Preses Universitaires de France, 1964.

RODRIGUES U, BACELAR I - Agência Saúde ± Ascom/MS. País realiza ações para lembrar o
combate ao AVC, 2011 Disponível em: http://portalsaude.saude.
gov.br/portalsaude/noticia/2864/162/pais-realiza-acoes-para-lembrar-o-combate-ao-avc.html.
Acesso: nov/ 2011.

ROID G, PRIFITERA A, LEDBETTER M. Confirmatory analysis of the factor structure of the


Wechsler Memory Scale- Revised.. Clinical Neuropsychologist v.2, issue 2, p:116-120, 1988.

ROMANELLI EJ; REICHI TIJS ET AL.. Processo de padronização da bateria neuropsicológica


luria-christensen. InterAÇÃO, Curitiba, v. 3, p. 61 a 78, 1999 jan./dez.

ROSSELLI, M, ARDILA, A. The impact of culture and education on non-verbal


neuropsychological measurements: A critical review. Brain and Cognition; 52. p:326±333, 2003.

RUEDA, FJM., SISTO, FF. Versão preliminar do teste pictórico de evocação: estudo de validade.
Estud. psicol. (Campinas) vol.25 no.2 Campinas Apr./June 2008. Disponível em:
http://dx.doi.org/10.1590/S0103-166X2008000200007

DER A, LANDIS T.. Memory loss. In: Caplan L editors. Stroke syndromes. New York: Cambridge
University Press. p:145-150, 1995.

SCHOUTEN EA,SCHIEMANCK SK, BRAND N, POST. MWM.Long-Term Deficits in Episodic


Memory after Ischemic Stroke: Evaluation and Prediction of Verbal and Visual Memory
Performance Based on Lesion Characteristics. Neurorehabilitation. de 2010; 26 (2) :135-42.
Journal of Stroke & Cerebrovascular Diseases. Volume 18, Issue 2 , Pages 128-138, March
2009.
80

SEISDEDOS N. Teste de Evocação Visual de Rostos (MVR). 1ª Edição, 90 f; Casa do psicólogo


ADAPTAÇÃO BRASILEIRA: IRENE F. ALMEIDA DE SÁ LEME, MILENA DE OLIVEIRA
5266(77,6Ë/9,$9(5Ð1,&$3$&$1$52(,9$16$17¶$1A RABELO Ed.ISBN: 978-
85-62553-49-3

SIVAN AB.. Benton Visual Retention Test. 5 ed, san Antonio: The Psychological Corportion,
1992.

SMITH, G. E., MALEC, J. F., IVNIK, R. J.). Validity of the construct of nonverbal memory: A
factor analytic study in a normal elderly sample. Journal of Clinical and Experimental
Neuropsychology, 14, 211 ± 221, 1992.

SNEVE, M. H., ALNÆS, D., ENDESTAD, T., GREENLEE, M. W., & MAGNUSSEN, S..
Modulation of Activity in Human Visual Area V1 during Memory Masking. PLoS ONE, 6(4),
2011. doi: 10.1371/journal.pone.0018651

SNAPHAAN L, LEEUW FE. Poststroke memory function in nondemented patients: a


systematic review on frequency and neuroimaging correlates. Stroke. 2007 Jan;38(1):198-203.
Epub 2006 Dec 7.

SQUIRE LR. Mechanisms of memory. Science, Jun 27 v.232, p.1612-9, 1986.

SQUIRE, L. R., ZOLA-MORGAN, S., CHEN, K. . Human amnesia and animal models of amnesia:
Performance of amnesic patients on tests designed for the monkey. Behavioral Neuroscience, 11,
210±221, 1988

SQUIRE, L.R. Memory and the hippocampus: a synthesis from findings with monkeys and
humans. Psychological Reviews, 99(2), p:195-23, 1992.

STRAUSS E, SHERMAN EMS, SPREEN O. A compendium of neuropsychological tests:


administration, norms, and commentary, 3rd ed. New York: Oxford University Press; p.678,
2006,.

SWAINE-VERDIER A, DOWARD LC, HAGELL P, THORSEN H, MCKENNA S. Adapting


quality of life instruments. Value in Health.;7(1), p:27-30, 2004.

TAYLOR LB. Localization of cerebral lesions by psychological testing. Clin Neurosurg.; v.16, p:
269-87, 1969.

TERWEE CB, BOT SDM, DE BOER MR, VAN DER WINDT DAWM, KNOL DL, DEKKER J,
ET AL. Quality criteria were proposed for measurement properties of health status questionnaires.
J Clin Epidemiol. 2007;60(1):34-42. DOI:10.1016/j.jclinepi.2006.03.012.

TOMGLET EC. Teste de evocação de reconreconhecimento visual. Ed Vetor


81

TULVING, E.. Episodic memory: From mind to brain. Annual Review of Psychology, v.53, p:1-
25, 2002.

TULSKY, D.S. A new look at the WMS ± III: New research to guide clinical practice. Journal of
Clinical and Experimental Neuropsychology, v.26, p:453 ± 458, 2004.

UNDERLEIDER LG, MISHKIN M.. Two cortical visual systems. Analysis of visual Behavior,
edsIngle MA, Goodale MI, Masfield RJW, p.549-586, 1982.

UNITED STATES HEALTH


SERVICEhttp://www.census.gov/popest/data/historical/2000s/vintage_2005/index.html
http://portal.saude.gov.br/portal/saude/visualizar_texto.cfm?idtxt=21377

VIANA HB, MADRUGA VA. Diretrizes para adaptação cultural de escalas psicométricas. .
|Electronic version|. Revista Digital: Buenos Aires, Ano 12, nr. 116, 2008. Retrieved, 05 de
Março, 2010 from http://www.efdeportes.com/efd116/ adaptacao-cultural-de-escalas-
psicometricas.

VIEIRA MJ, RIBEIRO RB , ALMEIDA LS. As potencialidades da teoria de resposta ao Item na


validade dos testes: aplcação a uma prova de dependência-independência de campo. Análise
Psicológica, 4 (XXVII), p: 455-462, 2009.

WARRINGTON EK, JAMES M, KINSBOURNE M. Drawing disability in relation to laterability


of cerebral lesion. Brain, 89, 53-82, 1998.

WECHSLER, D. Wechsler Memory Scale-Fourth Edition. San Antonio, TX: Pearson, 2009.

WECHSLER D. Review of the Wechsler Adult Intelligence Scale-Fourth Edition. D Wechsler in


Mental Measurements, Yearbook, 2008.

WECHSLER, D. Wechsler Memory Scale®--Third edition- (WMS---III).San Antonio,


TX:Harcourt Assessment, 1945/1997.

WECHSLER, D.. Wechsler Memory Scale²Revised. San Antonio: Psychological Corporation,


1987.

WELTE PO. Indices of verbal learning and memory deficits after right hemisphere stroke. Arch
Phys Med Rehabil. v.74(6), p:631-6, Jun/1993.