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Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia

de São Paulo
Campus Sertãozinho
Automação Industrial

Tiristores

Rafael Dias Scofoni


1460099
Tiristores

Tiristor é um dispositivo de quatro camadas e membro da família dos semicondutores que tem
dois estados estáveis de operação: um estado apresenta corrente aproximadamente igual a
zero, e o outro tem uma corrente elevada; limitada apenas pela resistência externa. Ele pode
ser considerado uma chave unidirecional que substitui, com vantagens, por exemplo,
contatores e relés de grande capacidade.

Os dois tipos mais importantes de tiristores são indicados na figura acima: o SCR (do inglês
“Silicon Controlled Rectifier” ou retificador controlado por silício – figura (a)) e o TRIAC (figura
(b)). Ambos são interruptores de ação rápida. São postos em condição LIGA por uma tensão
aplicada na porta, porém não podem ser postos em condição DESLIGA com uma tensão na
porta. Para colocar estes componentes em condição DESLIGA é preciso abrir o circuito do
anodo ou do catodo.

Princípio de funcionamento

O tiristor de uso mais difundido é o SCR (Retificador Controlado de Silicio), usualmente


chamado simplesmente de tiristor. O tiristor é formado por quatro camadas semicondutoras,
alternadamente p-n-p-n, possuindo 3 terminais: anodo e catodo, pelos quais flui a corrente, e
a porta (ou gate) que, uma injeção de corrente, faz com que se estabeleça a corrente anódica.
A figura abaixo mostra uma estrutura simplificada do dispositivo.
Se entre anodo e catodo tivermos uma tensão positiva, as junções J1 e J3 estarão diretamente
polarizadas, enquanto a junção J2 estará reversamente polarizada. Não haverá condução de
corrente até que a tensão 𝑉𝑎𝑘 se eleve a um valor que provoque a ruptura da barreira de
potencial em J2.

Se houver uma tensão 𝑉𝑔𝑘 positiva, circulará uma corrente através de J3, com portadores
negativos indo do catodo para a porta. Por construção, a camada P ligada à porta é
suficientemente estreita para que parte dos elétrons que cruza J3 possua energia cinética
suficiente para vencer a barreira potencial existente em J2, sendo então atraídos pelo anodo.

Desta forma, a junção reversamente polarizada tem sua diferença de potencial diminuída e
estabelece-se uma corrente entre anodo e catodo, que poderá persistir mesmo na ausência da
corrente de porta.

Quando a tensão 𝑉𝑎𝑘 for negativa, J1 e J3 estarão reversamente polarizadas, enquanto J2


estará diretamente polarizada. Assim, o tiristor bloqueará o fluxo de portadores enquanto não
for superada a tensão de ruptura das duas junções.

É comum fazer-se uma analogia entre o funcionamento do tiristor com o de uma associação
de dois transistores, conforme figura abaixo.
Quando uma corrente 𝐼𝑔 positiva é aplicada, 𝐼𝑐2 e 𝐼𝐾 crescerão. Como 𝐼𝑐2 = 𝐼𝑏1 ,
𝑇1 conduzirá e teremos 𝐿𝑏2 =𝐼𝑐1 +𝐼𝑔 , que aumentará 𝐼𝑐2 e assim o dispositivo evoluirá
até a saturação, mesmo que 𝐼𝑔 seja retirada. Tal efeito cumulativo ocorre se os ganhos dos
transistores forem maiores que um. O componente se manterá em condução desde que, após
o processo dinâmico de entrada em condução, a corrente de anodo tenha atingido um valor
superior ao limite 𝐼𝐿 , chamado de corrente de “latching”. Para que o tiristor deixe de conduzir
é necessário que a corrente por ele caia abaixo do valor mínimo de manutenção(𝐼𝐻 ),
permitindo que se restabeleça a barreira de potencial em J2. Para a comutação do dispositivo
não basta, pois, a aplicação de uma tensão negativa entre anodo e catodo. Tal tensão reversa
apressa o processo de desligamento por deslocar nos sentidos adequados os portadores na
estrutura cristalina, mas não garante, sozinha, o desligamento. Devido a características
construtivas do dispositivo, a aplicação de uma polarização reversa do terminal de gate não
permite a comutação do SCR.

SCR

O seu funcionamento assemelha-se em alguns aspectos ao de um diodo pelo fato da corrente


fluir pelo componente apenas em um sentido, entrando pelo terminal do ânodo e saindo pelo
terminal do cátodo.
Polarização direta

Em condições de polarização direta (ânodo positivo em relação ao cátodo), o SCR tem dois
estados. Para baixos valores de polarização direta, o SCR apresenta uma alta impedância
bloqueando a passagem de corrente. No entanto, há uma pequena corrente de fuga através
do tiristor. Quando a polarização direta é progressivamente aumentada, atinge-se um ponto
em que a corrente direta aumenta rapidamente, passando o tiristor ao estado de condução. O
valor da tensão para o qual se dá este fenômeno, é designada por tensão de ruptura
(Breakover). Quando o SCR se encontra no estado de condução, a corrente direta é quase
exclusivamente limitada pela impedância do circuito externo.

Polarização Inversa

Em condições de polarização inversa (ânodo negativo em relação ao cátodo), o tiristor


apresenta uma impedância interna muito alta, sendo apenas atravessado por uma corrente
inversa de baixo valor. Esta corrente mantém-se num valor muito baixo, e por conseguinte o
tiristor fica bloqueado até que se atinja a tensão inversa limite. Neste ponto dá-se um
fenômeno idêntico ao efeito zener nos diodos; a corrente aumenta rapidamente, o correndo
normalmente a destruição do componente. O valor da tensão inversa capaz de destruir o
tiristor varia com o tipo de SCR, sendo de uma maneira geral superior em cerca de 100v à
tensão de ruptura direta. Em condições de polarização direta, a tensão de ruptura pode ser
controlada ou variada pela aplicação de um pulso de corrente ao terminal de comando (Gate).
Em função do aumento da amplitude do impulso de controle, a tensão de ruptura direta
diminui, até que a curva se aproxima da característica de um retificador.

Em condições normais de operação o tiristor é usado com tensões inferiores à da ruptura


direta, sendo a condução comandada por pulsos de controle de amplitude suficiente para
assegurar a passagem à condução no instante desejado. Após o tiristor ter sido disparado pelo
pulso de controle, a corrente que o atravessa é independente da tensão ou corrente de
controle. O SCR manter-se-á no estado de condução até que a corrente através dele seja
reduzida ao valor necessário para manter a condução (corrente de manutenção).
TRIAC

Um tiristor TRIAC, ou Triode for Alternating Current é um componente eletrônico equivalente


a dois retificadores controlados de silício (SCR/tiristores) ligados em antiparalelo e com o
terminal de disparo (ou gate) ligados juntos. Este tipo de ligação resulta em uma chave
eletrônica bidirecional que pode conduzir a corrente elétrica nos dois sentidos. O TRIAC faz
parte da família dos tiristores.

Um TRIAC pode ser disparado por uma corrente alternada aplicada no terminal de disparo
(gate). Uma vez disparado, o dispositivo continua a conduzir até que a corrente elétrica caia
abaixo do valor de corte, como o valor da tensão final da metade do ciclo de uma corrente
alternada. Isto torna o TRIAC um conveniente dispositivo de controle para circuitos de
corrente alternada ou C.A, que permite acionar grandes potências com circuitos acionados por
correntes da ordem de miliamperes.

Também podemos controlar o início da condução do dispositivo, aplicando um pulso em um


ponto pré-determinado do ciclo de corrente alternada, o que permite controlar a percentagem
do ciclo que estará alimentando a carga (também chamado de controle de fase).

O TRIAC de baixa potência é utilizado em várias aplicações como controles de potência para
lâmpadas dimmers, controles de velocidade para ventiladores entre outros. Contudo, quando
usado com cargas indutivas, como motores elétricos, é necessário que se assegure que o TRIAC
seja desligado corretamente, no final de cada semiciclo de alimentação elétrica. Para circuitos
de maior potência, podemos utilizar dois SCRs ligados em antiparalelo, o que garente que cada
SCR estará controlando um semiciclo independe, não importando a natureza da carga geral.

MT1 (anodo 1)

MT2 (anodo 2)

G (Gate)
No seu funcionamento básico, o TRIAC ao receber uma tensão no Gate, permite condução
entre MT1 e MT2 de corrente alternada.

A figura abaixo mostra o diagrama da estrutura, a característica tensão-corrente, o TRIAC,


como o SCR, possui três terminais, que são designados por terminal principal nº1 (MT1),
terminal principal nº2 (MT2) e o terminal de controle ou comando (Gate).

Conforme o diagrama da figura acima, o TRIAC apresenta características idênticas aos do SCR
para polarizações nos dois sentidos. Com a polarização direta (terminal nº2 positivo em
relação ao terminal nº1) ou polarização inversa (terminal nº2 negativo em relação ao terminal
nº1), o TRIAC apresenta inicialmente um estado bloqueado passando à condução quando se
atinge a tensão de ruptura.

Tal como acontece no SCR, a tensão de ruptura pode ser controlada pela aplicação de um
pulso positivo ou negativo ao eletrodo de controle. Conforme a amplitude do pulso, aumenta-
se ou diminui-se o valor da tensão de ruptura. O TRIAC pode ser considerado equivalente a
dois SCRs ligados em paralelo e orientados em direções opostas.

Utilização TRIAC

O TRIAC é utilizado para comutar (chavear) corrente alternada. O TRIAC pode ser disparado
tanto por uma tensão positiva quanto uma negativa aplicada no eletrodo de disparo (Gate).
Uma vez ativado, continua até que a corrente elétrica caia abaixo do valor de corte. É utilizado
para controlar dispositivos de corrente alternada, permitindo um controle de ativação de
potências elevadas a partir de correntes na ordem dos miliamperes. Substitui com grandes
vantagens os relés na maior parte dos casos. O TRIAC de baixa potência é utilizado em diversas
aplicações como controle de potência para lâmpadas “dimmers”, controle de velocidade para
ventiladores, interruptor de comando de dispositivos de AC, entre outros. Quando usado com
cargas indutivas, como motores elétricos, tem de se assegurar que o TRIAC desligue
corretamente no final de cada semiciclo de alimentação elétrica.
Referências:
http://eletronicos.etc.br/o-que-e-um-tiristor/

http://mundoengenharia.com.br/tiristor-triac/

http://www.dsce.fee.unicamp.br/~antenor/pdffiles/ee833/Modulo2.pdf

https://docente.ifrn.edu.br/jonathanpereira/disciplinas/eletronica-aplicada/slide-scr-triac