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Liderança Espiritual: Suas evidências na vida de Paulo, Pedro e João - Estudo 1

(Introdução)

“Vamos abrir nossas Bíblias no Evangelho de João, capítulo 16, verso 13 a 15. “quando vier, porém, o
Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o
que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir. Ele me glorificará, porque há de receber do
que é meu e vo-lo há de anunciar. Tudo quanto o Pai tem é meu; por isso é que vos disse que há de
receber do que é meu e vo-lo há de anunciar.”

Vamos ler novamente a primeira frase do verso 13. “quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos
guiará a toda a verdade”. Vamos ainda a um verso mais, na primeira epístola de Paulo aos Coríntios,
capítulo 11, verso 1: “Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo.” Ainda na epístola aos
Filipenses, capítulo 3, verso 17. (Fp 3:17) “Irmãos, sede imitadores meus e observai os que andam
segundo o modelo que tendes em nós.” Finalmente, na epístola de Paulo aos Gálatas, capítulo 6, verso
17. “Quanto ao mais, ninguém me moleste; porque eu trago no corpo as marcas de Jesus.”

Conforme foi anunciado previamente, o tema geral desse encontro é ‘liderança espiritual’. A parte
específica, o tema específico sob minha responsabilidade é esse assunto da liderança espiritual como
visto na vida de Paulo, de Pedro e de João. Antes de abordar diretamente este tema, queridos irmãos e
irmãs, penso que existem algumas considerações que penso ser de extrema importância nesse assunto,
‘liderança espiritual’. Nós vamos buscar fazê-las do modo mais objetivo e didático possível. E que o
Senhor nos ajude a considerarmos então aos Seus pés esses assuntos. Primeira consideração preliminar
de muita importância: Todo o compromisso e atividade do Espírito Santo é fazer da plenitude de Cristo
uma realidade universal. Me permita repetir uma vez mais: Todo o compromisso e atividade do Espírito
Santo é fazer da plenitude de Cristo uma realidade universal. Vamos procurar ilustrar isso com alguns
versos da epístola aos Efésios.
Os irmãos sabem que no capítulo 1 de Efésios, no verso 23, Paulo disse que Cristo é “Aquele que tudo
enche em todas as coisas”. Na mesma epístola, no capítulo 4, verso 10, Paulo disse que Cristo é “Aquele
que subiu acima de todos os céus para encher todas as coisas”. Nesses dois versos nós vemos que, por
um lado, o compromisso e o ministério do Espírito Santo é encher todas as coisas com Cristo. Pra isso
Ele foi enviado, essa é sua missão, esse é o compromisso, essa é a atividade do Espírito Santo: “Encher
todas as coisas com Cristo”. Mas também, nós podemos afirmar pela mesma epístola, capítulo 1, verso
10, que a segunda parte ou o segundo aspecto do ministério do Bendito Consolador é “encher Cristo
com todas as coisas”. Por um lado, “encher todas as coisas com Cristo”, por outro lado, “encher Cristo
com todas as coisas”. Porque como diz o autor da epístola aos Hebreus, no capítulo 1, no verso 2, “Ele
é o herdeiro de todas as coisas”.
Então é de extrema importância para nós, podermos até mesmo dizer que esse tópico citado aqui não
é uma consideração, mas é um axioma bíblico, em particular neo-testamentário, o Espírito Santo foi
enviado com um compromisso e baseado nesse compromisso Ele exerce a sua atividade. E qual é?
“Encher todas as coisas com Cristo” e “encher Cristo com todas as coisas”. Esse verso 10 do capítulo 1
usa uma palavra certamente conhecida dos irmãos, a palavra ‘convergir’ que aparece apenas duas vezes
em todo o Novo Testamento, outra vez em Romanos, traduzida ali na nossa versão em português por
‘resumir’, “resumir em Cristo todas as coisas”, seria esta a ideia da palavra do capítulo 1, verso 10
(Efésios), e ela significa na língua original: ‘resumir’, ‘agrupar’, ‘conectar’ coisas que antes estavam
desagrupadas, descoordenadas, desconectadas de Cristo, reunir essas coisas, agrupá-las, mas não
apenas isso; além de reuni-las e de agrupá-las, coloca-las todas as coisas debaixo de um único Cabeça
universal.
E nós sabemos, evidentemente, que esse Cabeça universal é Cristo. Então irmãos, essa é a primeira
consideração preliminar de imensa ajuda, necessária para compreendermos o que significa ‘liderança
espiritual’. Nós sabemos que essa palavra pode ser usada de uma maneira inadequada, de diversas
formas. Então compreendermos que, em termos de liderança espiritual, Cristo está exaltado no trono e
enviou a partir dali o Seu Espírito Santo pra realizar essa obra de reunir, agrupar e colocar todas as coisas
debaixo dEle como único Cabeça, e por outro lado, encher todas as coisas do universo com Cristo, é
então de grande importância pra nós e regula o nosso entendimento de liderança espiritual. Em outras
palavras, após a morte, ressurreição e ascensão do Senhor, que como Filho de Deus é o Lider, foi Ele
quem disse: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e oprimidos”, Ele é o Filho de Deus, o Profeta
de Deus, o Sacerdote de Deus, o Rei, segundo o coração de Deus, após completar a Sua obra e ascender,
Ele envia dos céus, da sua posição exaltada, o Espírito Santo, para então executar essa obra com o qual
Ele se comprometeu (a terceira Pessoa do Deus Triúno, o Espírito Santo), que é exatamente reunir todas
as coisas e colocá-las debaixo do encabeçamento de Cristo. “Encher Cristo com todas as coisas” e
“encher todas as coisas com Cristo”. Então essa é a primeira consideração.
A segunda dela é decorrente da primeira. Se é verdade bíblica o que acabamos de dizer, então, toda
obra chamada cristã tem que passar por um crivo e esse crivo é a sua eficácia em ampliar a medida de
Cristo por todo o universo. De novo, vamos colocar de outra maneira: O teste real de toda obra chamada
cristã é ampliar a medida de Cristo neste universo. Claro, porque se o Espírito Santo com esse
compromisso e com essa atividade, qualquer obra que se chama cristã e seja genuína e autêntica, ela
tem uma finalidade e uma única finalidade: Ampliar a medida de Cristo neste universo. Se esta tal obra
cristã, seja ela qual for, tenha ela o título que tiver, não cumpre esse serviço, então ela não coopera com
o trabalho de Deus pelo Espírito Santo. Então essa é a segunda coisa importante. Mas antes de
passarmos pra terceira, ainda decorrente dessa, precisamos falar ainda mais sobre essa segunda. O que
seria ampliar a medida da plenitude de Cristo nesse universo?

Ah, irmãos e irmãs, esse assunto da medida de Cristo é tão relevante que se pela bondade e misericórdia
do Senhor nossos olhos forem abertos, nunca mais serviremos ao Senhor da mesma maneira. A medida
de Cristo é o centro do interesse do Espírito Santo. Vamos de novo colocar a mesma coisa de outra
forma: Tudo o que conta para Deus é Cristo. Nada mais conta para Deus. Tudo que tem valor, tudo que
traz satisfação, tudo que traz alegria ao coração de Deus é o Seu próprio Filho. “Este é o meu Filho amado
em quem tenho todo o meu contentamento”. Provérbios capítulo 8, a partir do verso 22 até o verso 31,
aquela sabedoria ali é personificada. No verso 12 do capítulo 8 diz: “Eu, a Sabedoria, habito com a
prudência”, então essa Sabedoria em Provérbios 8 não é um atributo de Deus, porque um atributo não
diz: “Eu”, e no versículo 12 a Sabedoria diz: “Eu, a Sabedoria”, então a sabedoria ali é personificada
porque se refere Aquele que é a Sabedoria de Deus. Ele, Cristo, “se nos tornou da parte de Deus”, Paulo
vai dizer escrevendo aos Corintios, “Sabedoria, e Justiça, e Santificação, e Redenção” (I Co 1:30).

E quando aquela Sabedoria personificada é descrita ali em Provérbios 8, é dito dela que ela estava diante
do Pai. Desde a fundação do mundo, antes da fundação do mundo, quando as primeiras obras eram
executadas, ali estava Eu, diz a Sabedoria, e Eu era as suas delícias – o Filho, delícias do Pai -, Eu era o
Seu arquiteto, eu recreava-me perante Ele no Seu mundo habitável, eu encontrava minhas delícias junto
aos filhos dos homens.” Que texto mais precioso mostrando nosso Senhor Jesus, a Sabedoria pré-
encarnada, Provérbios capítulo 8. Então tudo o que conta para Deus é o Seu Filho. Qualquer obra cristã
que não contribua de alguma maneira para ampliar a medida de Cristo está falida. Qualquer obra cristã
que chame atenção para si mesma e não para Cristo, está falida. Qualquer obra cristã que assuma o
lugar de centralidade, no que se concerne ao eterno propósito de Deus, está falida porque Cristo é o
único objeto de interesse de Deus o Pai. Então a medida de Cristo é o teste real de toda a obra cristã.
Agora irmãos, me permitam citar apenas duas passagens para nos ajudar nesta consideração tão
importante e preliminar para entendermos este assunto tão sério, o tema dessa conferência: Liderança
Espiritual. Se você abrir sua Bíblia em Atos 17, no versículo 31, Paulo está concluindo aquele sermão
maravilhoso falado aos ouvidos de filósofos epicureus estóicos no areópago em Atenas. (At 17). No
versículo 30, o apóstolo Paulo coloca, podemos dizer assim, todos aqueles filósofos em uma cadeira de
réu. E de uma maneira muito ousada em Cristo e pelo Espírito Santo, ele diz a eles: “Deus não levou em
conta os tempos de vossa ignorância”. E lembre-se que ele está falando ali com a nata da sabedoria
grega do momento. “Ora, não levou Deus em conta os tempos da ignorância; agora, porém, notifica aos
homens que todos, em toda parte, se arrependam”. E preste atenção no verso 31, ele diz assim
concluindo o seu sermão: “Porquanto (Deus) estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo” e agora
nós temos duas expressões aí notáveis, a primeira é: “em justiça”, já que a preposição aí na língua
original é exatamente o “em” que, traduzida para o nosso Português pode ser traduzida como “com”,
como é o caso aí da maioria das versões, talvez aqui, “há de julgar o mundo com justiça”, a palavra é
“em”, a preposição “em”, na língua original, “em justiça”. Logo na sequência então da frase segue assim:
“por meio de um varão”, e aí nós temos de novo a mesma preposição na língua original, o “em” de novo,
“em um varão”, que pode ser traduzida “por meio de”, como está aí. “Por meio de um varão que
destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando dentre os mortos”. Claro que esse varão é o varão
aprovado por Deus; nosso Senhor Jesus Cristo. Paulo diz nesse versículo que Deus vai jugar o mundo
não apenas em justiça, mas Deus vai julgar o mundo “em um varão”. O que julgar o mundo em um varão
nos diz? Vamos colocar assim: O Senhor Jesus Cristo é a vara, ou o varão, medida de Deus. Ah, irmão,
que importante é compreendermos isso. Por quê? Porque Deus irá colocar e já está em certo sentido
colocando, começando pela Sua casa, Sua Igreja, “A hora de começar o juízo pela casa de Deus é
chegada”, diz o Apóstolo Pedro na sua epístola, então Deus irá trazer todas as coisas do universo, e a
Igreja está incluída no que cabe a ela, todas as coisas do universo serão trazidas para serem medidas aos
pés deste varão, medida de Deus. Podemos dizer que esse Senhor Jesus, o varão aprovado por Deus, o
glorioso Cristo, é esse metro de cem centímetros, esse metro completo de Deus, diante do qual todas
as coisas do universo serão medidas. Por isso a colocação que fizemos número dois. Toda obra cristã
será testada com relação à medida de sua eficácia em ampliar a medida de Cristo nesse universo, porque
Cristo é o varão, medida de Deus. Se nós medíssemos todas as coisas como Deus mede, que diferença
isso faria pra nós! Nós não iríamos buscar a quantidade de psicologia que existe numa pregação cristã,
nem de autoajuda. Nós não iríamos testar a obra de Deus pelos seus números, e nem pela sua
popularidade. Nós não iríamos medir uma reunião da Igreja no sentido de que ela nos deu mais ou
menos conforto, e nossas emoções foram mais ou menos tocadas. Nós iríamos medir todas as coisas,
toda palavra, toda pregação, toda obra, toda reunião, todo ministério, todos os relacionamentos pela
medida de Cristo. Quanto de Cristo há nesse assunto? Essa é a única pergunta que nós deveríamos fazer.
Mas como nós somos impressionados e nos impressionamos com o que não deveríamos impressionar.
Mas isso não muda o fato de Deus. A única coisa que conta pra Deus é quanto de Cristo há em
determinada pessoa, em determinado relacionamento, em determinado assunto, palavra, pregação,
ministério, obra, reunião, louvores e tudo mais. Um texto ainda pra nos ajudar ainda nessa segunda
consideração. Já dissemos numa outra vez que aquele quadro que aparece nos primeiros três capítulos
de Apocalipse eles são únicos, maravilhosos. Porque no capítulo 1 de Apocalipse, sem entrar em muitos
detalhes, pelo menos nesse momento, talvez falaremos um pouco mais quando tocarmos no assunto
de João, mais no final da semana, no primeiro capítulo de Apocalipse nós temos um quadro magnífico:
“Cristo glorificado”, na visão de João. João descreve desde os cabelos, alvos como a neve, até os seus
pés como bronze polido. Cada item mostrando algo da glória desse varão, medida de Deus. Ele é o varão
aprovado por Deus. Ele é o varão pelo qual Deus mede e medirá todas as coisas do universo. Então João
o descreve. Quando nós vamos ao capítulo 2 e 3 de Apocalipse, o que nós temos? Sete assembleias. Por
quê? “Porque a hora de começar o juízo pela casa de Deus é chegada; ora, se há de vir por nós, que será
daqueles que não obedecem ao evangelho de Deus?” (I Pe 4:17) Então no capítulo 1 nós temos Jesus
Cristo, na visão de João, em Sua glória ascenso. No capítulo 2 e no capítulo 3, sete assembleias. E sabe
irmão, tente fazer um quadro na sua mente: o que temos ali? É uma assembleia após outra em fila
indiana, e eles vão se apresentando diante dAquele que é o varão, medida de Deus. Então, a primeira
assembleia que se apresenta é Éfeso. Quando Éfeso se apresenta aos pés do Senhor, esse varão medida,
Ele vai então medi-la. E Ele mede de um modo tão justo! Ele diz: “Eu te louvo porque em ti há labor,
porque em ti há perseverança, porque em ti há discernimento espiritual. Provaste falsos apóstolos e os
achastes mentirosos. Mas tenho contra ti que abandonaste o teu melhor amor”- a primazia do teu
amor.” O Senhor está medindo uma a uma daquelas assembleias de acordo com o Seu próprio caráter.
Ele não busca naquelas assembleias nada mais do que Ele próprio é para elas. “Tudo quanto o Pai tem
é meu; por isso é que vos disse que (Ele, o Consolador) há de receber do que é meu e vo-lo há de
anunciar.” Se a assembleia em Éfeso falhava no amor, não era porque o seu Senhor não era amor, mas
porque ela não soube permanecer no Seu amor. Tudo o que o Senhor busca em cada uma das
assembleias dele é aquilo que Ele próprio é. Ele não pode buscar o que Ele não é. As assembleias não
são luz, essencialmente falando; as assembleias são candeeiros. Cristo é a luz. Então, o que Ele busca
nos seus candeeiros? A Si próprio, porque Ele é a luz. Então em Éfeso, Eles busca amor, Ele reivindica
amor, Ele faz essa demanda porque Ele é amor. Em Esmirna, Ele busca fidelidade. “Sê fiel até à morte e
dar-te-ei a coroa da vida.” Por que Ele busca fidelidade na assembleia de Esmirna? Porque Ele é a fiel
testemunha. Ele não busca nada em Esmirna que Ele não seja para Esmirna. Compreendeu isso irmão?
Quando Ele se revela a Pérgamo, a próxima assembleia, Ele se revela como Aquele que tem na boca uma
espada afiada de dois gumes. Por quê? Livro de Hebreus, capítulo 4, verso 12, diz que essa espada é para
separar, é para dividir alma de espírito, juntas e medulas; o que é carnal, do que é espiritual, o que é
terreno, do que é celestial. E Pérgamo era uma assembleia misturada. O que faltava em Pérgamo era
separação ou santidade. Por que o Senhor busca santidade em Pérgamo? Porque Ele é o Santo de Deus.
E assim nós vamos por todas elas. Quando Ele escreve a Sardes, o que Ele está buscando em Sardes?
“Tens nome de que vives, mas estás morto.” “Ele é a ressurreição e a vida.” “A vida estava nele e a vida
era a luz dos homens.” Então Ele não busca nada em Sardes que Ele próprio não seja para Sardes, e o
que faltava em Sardes era vida. Nas sete assembleias o Senhor apenas busca e reivindica aquilo que Ele
próprio é. Ele é o varão, medida de Deus. Essa é a segunda consideração preliminar. A terceira e última
antes de entrarmos então diretamente no tema. Se as duas coisas que colocamos são verdades, então
a terceira é uma consequência também das duas primeiras. Liderança espiritual é simplesmente a nossa
cooperação com o Espírito Santo neste Seu compromisso e atividade. Liderança espiritual é nossa
cooperação com esse Líder ( com ‘L’ maiúsculo), o Consolador, o Obreiro de Deus (com o ‘O’ maiúsculo),
o Espírito Santo. Nesse que é o seu compromisso e a sua atividade quais sejam: Encher todas as coisas
com Cristo e encher Cristo com todas as coisas. Então o que é liderança espiritual? É termos o privilégio
de nos postarmos como cooperadores de Deus, chamados por Ele, “Não fostes vós que escolhestes a
mim, eu vos escolhi a vós e vos designei para que vades e deis muito fruto e o vosso fruto permaneça.”
(Jo 15:16) Liderança espiritual é a nossa cooperação com o Espírito Santo no Seu compromisso e na sua
atividade de encher Cristo com todas as coisas e todas as coisas com Cristo. Agora irmão, decorrente
dessa colocação, se então nós nos achegarmos a Deus, diante do privilégio que temos de sermos os Seus
cooperadores, só há uma alternativa, digamos assim para Deus: Deus terá que tratar conosco! Se nos
achegarmos a Deus pra cooperarmos com o Seu propósito, Deus terá que tratar conosco para que a
nossa medida de Cristo e a nossa estatura espiritual esteja sempre crescendo. E aqui irmão, há uma
advertência tão grande para nós todos, porque se isto não acontecer, então brechas serão
proporcionadas para aquele que está interessado em destruir tanto a obra de Deus, quanto os servos
de Deus, o diabo. Se Deus não tratar conosco essas brechas serão então proporcionadas para que o
inimigo destrua a obra de Deus e até mesmo os seus servos. Então essas são as três primeiras
considerações pra levarmos aos pés do Senhor e meditarmos nelas. Nenhum de nós temos nenhuma
incumbência se não veio do Espírito Santo. Nenhum de nós pode ser levantado por ninguém a não ser
que seja o Espírito Santo. Nenhum de nós pode ser equipado por ninguém que não seja o Espírito Santo.
Nenhum de nós pode ser discipulado por ninguém que não seja o Espírito Santo. Então João 16, o
versículo com o qual abrimos esse tempo diz exatamente isso. “quando vier, porém, o Espírito da
verdade, ele vos guiará.” Quem nos guia é nosso Líder. “Ele vos guiará a toda a verdade.” E por que Ele
tem essa capacidade? Ah! Quanta aplicação preciosa há nesse versículo quando nós transportamos isso
para ministério espiritual. Porque esse é ministério do Espírito Santo. Então é dito que esse espírito da
verdade, Ele que é o “Líder de Deus” (no sentido, ‘proveniente dEle’)*, Ele vos guiará, e vos guiará a toda
a verdade revelando-nos mais das belezas, glória, suficiência de nosso Senhor Jesus. “Ele vos guiará a
toda a verdade.” Por quê? Leia de novo com atenção: “Porque Ele não falará por si mesmo.” Percebeu
essa nota aí, irmão? Quanto ela é exortativa para nós? Se o nosso ministério confere com o ministério
do Espírito Santo, se é o próprio ministério do Espírito Santo que tem encontrado vasos adequados por
Sua graça, vasos que Ele mesmo tem forjado, então esses vasos não podem, não devem falar por si
mesmos. Quão exortativa é essa colocação pra nós. Não somos pregadores de ideias, de interpretações
bíblicas, de doutrinas particulares. “Não falará por si mesmo”. Nós não devemos achar isso ou achar
aquilo. Nós não fomos chamados para pregar a nós mesmos, experiências, testemunhos... “Não
pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor e a nós mesmos como vossos servos por amor
de Jesus”, Paulo escreveu assim aos Coríntios (II Co 4:5). Então o Espírito Santo guiaria os que pertencem
ao Senhor, como Ele disse, aos Seus nesse discurso de João 16, “a toda a verdade”, porque Ele não falaria
por Si mesmo, mas Ele diria tudo o que tivesse ouvido. Aí temos um outro elemento importantíssimo
nesse versículo. Como nosso querido irmão nos lembrava ontem à noite, se o que chamamos de
ministério ao Senhor e à Sua casa, se baseia em ocasiões em que somos visíveis, então nós somos
fracassados. Oséias capítulo 14, verso 5, um lindo verso, mostrando como se cresce na casa de Deus, e
como nós podemos pela graça do Senhor nos tornar mais e mais responsivos à forma e os limites como
Ele quer nos usar. Aquele verso tão lindo e tão gráfico, o Senhor diz assim à Israel pela boca de Oséias,
(Os 14:5) “Eu serei para com Israel como orvalho”, Deus a Fonte da vida. Sem o orvalho, nada de vida
na terra. “Eu serei para com Israel como orvalho”. Agora, o que Israel será para o Senhor? Veja o que
Ele diz: “E ele crescerá como o lírio e lançará suas raízes como o cedro do Líbano.” Essa é uma planta
que não existe nos catálogos botânicos. Da terra pra cima ela tem a aparência de um lírio, da terra pra
baixo, grossas raízes do cedro. Da terra pra cima, uma vida de fé simples e despretensiosa: lírio. Mas,
da terra pra baixo, grossas raízes do cedro. Você sabe que segundo os estudiosos, esse cedro pode
alcançar até cento e vinte metros de raízes. Ninguém derruba um cedro, mas quando se olha esse cedro
da terra pra cima, um lírio frágil que fenece. Como o nosso querido irmão Stephen Kaung disse certa
vez: A vida espiritual e o serviço espiritual são naturalmente sobrenaturais, sobrenaturalmente naturais.
Então queridos irmãos, se nós não temos tido para com o Senhor esses ouvidos (João 16:13), então nós
não temos serviço nenhum a oferecermos nem a Ele, e nem à sua casa. Quando o sacerdote foi ungido,
Levítico capítulo 8, o primeiro lugar onde aquela unção, aquele óleo era aplicado, era nos seus ouvidos.
A partir daí, na sua orelha direita, a partir daí era aplicado no polegar da sua mão direita e,
posteriormente em seguida, no polegar do seu pé direito. Que isto nos fala? Não podemos nos envolver,
colocar nossa mão em nada que nós tenhamos ouvido da parte do Senhor. E da mesma maneira com
relação aos pés. Não podemos caminhar com nada e nem com ninguém, que de alguma forma não nos
tenha sido conduzido e aprovado pelo Senhor da obra. Ouvidos, mãos e pés...