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ESTRUTURA DE CAPITAL

A estrutura de capital compreende as decisões relacionadas às proporções de financiamento


com capital próprio e com capital de terceiros, tanto de curto quanto de longo prazo. As principais
teorias sobre a Estrutura de Capital são: Modigliani e Miller (1958), que argumenta que a forma
como a empresa é financiada é irrelevante para o seu valor, e a teoria convencional, que defende
a existência de uma estrutura de capital ótima que gera a maximização do valor da empresa.

Nesse sentido, diversos autores da literatura especializada discutiram como as empresas


definem a sua estrutura de capital, sendo alguns de seus percussores Durand (1952), Modigliani
e Miller (1958), Myers (1984) e Titman e Wessels (1988), conforme o Quadro 1 a seguir.

Quadro 1: Estudos sobre a Estrutura de Capital.


Autor(es) Principais Suposições
Investigou sobre a estrutura de capital ótima, que maximiza o
Durand (1952) valor de mercado da empresa, a partir da minimização do seu
custo total de capital empregado para financiamento.
Neste estudo seminal, os autores propuseram a definição de
Modigliani e Miller (1958) que o valor da empresa é indiferente à estrutura de capital da
mesma, considerando determinadas premissas.
Discutiu sobre como as empresas determinam a sua estrutura
de capital, mas sem respostas definitivas, e asseverou as
Myers (1984) proposições da Teoria de Hierarquização de Fontes de
Financiamento (The Pecking Order Theory).
Apresentou variáveis explicativas da estrutura de capital das
empresas, principalmente relacionadas à definição do nível de
endividamento ou alavancagem financeira, sendo elas o
Titman e Wessels (1988) tamanho ou dimensão da empresa, as oportunidades de
crescimento, a composição do ativo, a lucratividade, o risco e
as vantagens fiscais não resultantes do endividamento.

Segundo o Estatuto da A RaiaDrogasil S/A CAPÍTULO II - CAPITAL SOCIAL E


AÇÕES ARTIGO 4º - O capital social da Companhia é de R$2.500.000.000,00 (dois bilhões e
quinhentos milhões de reais), totalmente subscrito e integralizado, dividido em 330.386.000
(trezentos e trinta milhões, trezentas e oitenta e seis mil) ações ordinárias, todas nominativas,
escriturais e sem valor nominal. PARÁGRAFO PRIMEIRO - Cada ação ordinária dá direito a
1 (um) voto nas deliberações das Assembleias Gerais. PARÁGRAFO SEGUNDO - É vedado à
Companhia emitir ações preferenciais e/ou partes beneficiárias. PARÁGRAFO TERCEIRO -
Todas as ações da Companhia têm a forma escritural, sendo mantidas em conta de depósito
junto à instituição financeira autorizada pela Comissão de Valores Mobiliários (“CVM”) com
quem a Companhia mantenha contrato de custódia em vigor, sem emissão de certificados.
PARÁGRAFO QUARTO - Poderá a Companhia, por deliberação do Conselho de
Administração, adquirir ações de sua própria emissão, para cancelamento ou permanência em
tesouraria, observadas as normas expedidas pela CVM.
.
A estrutura da RaiaDrogasil totalizou R$ 843,1 milhões, composto por 22,1% em linhas
de crédito do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), 75,9%
correspondentes às debêntures emitidas em abril de 2017 e 2018 e 2,0% relacionados a outras
dívidas. O nosso endividamento total, 67,6% é de longo prazo e 32,4% refere-se às parcelas de
curto prazo. O trimestre foi encerrado com uma posição de caixa total (caixa e aplicações
financeiras) de R$ 241,6 milhões. (RaiaDrogasil, 2018). Abaixo segue a Estrutura de Capital da
RaiaDrogasil
No que se refere à estrutura de capital da empresa, evidenciou-se que ela estabeleceu
uma estrutura de capital ótima, que preferimos mencioná-la como equilibrada, uma vez que
não existe resposta clara, pois é bem complexo identificar estrutura ótima de capital de forma
que alguns fatores devem ser levados em consideração como : viabilidade, conservadorismo
do gestor, atitudes do emprestador e das agências declassificação, controle, risco do negócio,
lucratividade, impostos, etc

A estrutura da RaiaDrogasil consiste na utilização de no máximo 35% de capital de


terceiros e o restante de capital próprio. Tal opção é característica da Teoria Convencional,
que preconiza a existência de uma estrutura ótima de capital, que maximiza o valor da
empresa. Ressalta-se, ainda, que, a RaiaDrogsil S.A ampliou a utilização de debêntures, de
2017 para 2018, buscando, sobretudo, alongar o perfil da dívida e/ou para recompor seu caixa.
(RaiaDrogasil, 2018).

A organização ao definir suas estratégias direcionram as interfaces pela utilização do


capital de terceiros em sua estrutura, visando garantir o alcance das metas e objetivos. Esta
decisão evidentemente acarretará dispêndios para a remuneração dos credores, no entanto,
conduzirá a um benefício fiscal embutido sobre os rendimentos para o informe do LAIR
(Lucro antes do Imposto de Renda).
Por fim, foi provisionado R$ 149,8 milhões em imposto de renda (R$ 30,5 milhões
notrimestre), equivalente a 1,0% da receita bruta (0,7% no trimestre). É importante ressaltar que
foi registrado uma redução de impostos de R$ 21,7 milhões (R$ 7,7 milhões no 3T18 e R$ 14,0
milhões no 4T18), relacionados a uma decisão legal que permitiu a exclusão das subvenções para
investimentos estaduais da base tributável doimposto de renda. Tais créditos fiscais referem-se ao
ano de 2018. (RaiaDrogasil, 2018). Conforme o Quadro 2 e 3 a seguir.

Quadro 2: Balanço Patrimonial- Estrutura de Capital.

Balanço Patrimonial RaiaDroagasil S.A (2018)

Passivo
Ativo Circulante
Circulante Fornecedores (Nota 12) 2.141.274
Caixa e equivalentes de caixa (Nota 5) 241.568 Empréstimos e financiamentos (Nota 13) 272.939
Clientes (Nota 6) 937.389 Salários e encargos sociais 237.541
Estoques (Nota 7) 3.087.275 Impostos, taxas e contribuições 89.471
Tributos sobre o lucro a recuperar (Nota 8) 4.868 Imposto de renda e contribuição social a pagar (Nota 15) 3.493
Outros tributos a recuperar (Nota 8) 79.984 Dividendo e juros sobre o capital próprio (Nota 17e) 24.843
Outras contas a receber 156.847 Provisão para demandas judiciais (Nota 14) 2.512
Despesas antecipadas 21.894 Outras contas a pagar 141.372
4.529.825 2.913.445
Não circulante Não circulante
Depósitos judiciais (Nota 14) 25.770 Empréstimos e financiamentos (Nota 13) 570.211
Tributos a recuperar (Nota 8) 44.345 Provisão para demandas judiciais (Nota 14) 48.877
Valores a receber de Controlada (Nota 26) Imposto de renda e contribuição social diferidos (Nota 15b) 237.757
Outros créditos 2.717 Obrigações com acionista de Controlada (Nota 9) 36.380
Investimentos (Nota 9) Outras obrigações 10.568
Imobilizado (Nota 10a) 903.793
Intangível (Nota 10b) 1.546.960 Total do passivo 3.817.238
1.202.388
2.822.180 Patrimônio líquido (Nota 17)
Total do ativo 7.352.005 Atribuído aos acionistas da Controladora 1.808.639
Capital social 116.363
Reservas de capital 1.522.073
Reservas de lucros 70.990
Dividendo adicional proposto -18.208
Ajuste de avaliação patrimonial 3.499.857
Participação de não controladores 34.910
Total do patrimônio líquido 3.534.767

Total do passivo e patrimônio líquido 7.352.005

Fonte: Relatório 2018 RaiaDrogasil publicado no BOVESPA


Quadro 3: Composição do Capital de Terceiro e Próprio- Estrutura de Capital.

CAPITAL DE TERCEIROS 35%


Empréstimos e Financiamentos curto prazo R$ 272.939,00 11%
Empréstimos e Financiamentos longo prazo R$ 617.159,00 25%

CAPITAL PROPRIO 65%


Ações ordinárias R$ 34.910,00 1%
Ações preferenciais R$ - 0%
ReservaS de lucro R$ 70.990,00 3%
Lucros acumulados R$ 1.522.073,00 60%

CAPITAL TOTAL R$ 2.518.071,00 100%

Fonte: os autores

ESTRUTURA DE CAPITAL E O PROCESSO DE ALAVANCAGEM

A estrutura de capital influência o processo de alavancagem empresarial. Ela representa


a obtenção de recursos para investir e realizar operações, possibilitando à empresa a criação de
um fundo de investimento por meio de capital de terceiros. Desse modo, verifica-se que uma
empresa que opera alavancada, na prática investe mais capital do que realmente possui. Ainda,
constata-se que a alavancagem condiz com a relação entre o endividamento de longo prazo e o
capital empregado por uma empresa visando economias de escala.

A alavancagem financeira, refere-se à relação entre o lucro antes do juro e imposto de


renda da empresa e o seu lucro líquido por ação ordinária (LPA). Quanto maiores os custos
financeiros fixos, maior a alavancagem financeira. Por fim, a alavancagem total, consiste na
relação entre a receita de vendas da empresa e o seu LPA, compreendendo tanto a
alavancagem operacional quanto a financeira (GITMAN, 2009).

A Alavancagem Operacional corresponde à existência de custos fixos relacionados a


ativos (investimentos) e atividades operacionais da empresa, Tal Como, depreciação, folha de
pagamento, aluguéis, entre outros. Nesse sentido, o Grau de Alavancagem Operacional
(GAO) é a medida do impacto da alavancagem operacional da empresa nos lucros
operacionais da mesma (GITMAN, 2009).

A Alavancagem total da empresa, que se refere ao efeito combinado da alavancagem


operacional com a financeira sobre o risco da empresa, representa o uso potencial de
custos fixos tanto operacionais quanto financeiros, para ampliar os efeitos de variações nas
vendas sobre o lucro por ação da empresa. Destarte, a alavancagem total é entendida como o
impacto total dos custos fixos presentes na estrutura operacional e financeira da empresa
(GITMAN, 2009).

Os três tipos de alavancagem, operacional, financeira e total, são medidas através de seus
respectivos graus. A RaiaDrogasil publicou a Alavancagem Financeira conforme a Tabela 2 a
seguir por meio de suas medidas contábeis e financeira adotadas.
Tabela 2: Graus de Alavancagem Financeira

Fonte: Relatório 2018 RaiaDrogasil publicado no BOVESPA

Constatou-se que a gestão de custos em relação à gestão de capital é a manutenção da


capacidade de investimento, permitindo viabilizar seu processo de crescimento e oferecer
retorno adequado aos seus acionistas. O Grupo tem como política não alavancar sua estrutura
de capital com financiamentos, exceção feita às linhas de longo prazo do BNDES (FINEM) e
debêntures, com taxas adequadas aos níveis de rentabilidade do Grupo. Dessa forma, esse
índice corresponde à dívida líquida expressa como percentual do capital total. A dívida líquida,
por sua vez, corresponde ao total de empréstimos e financiamentos, subtraído do montante de
caixa e equivalente de caixa. O capital total é apurado através da soma do patrimônio líquido,
conforme demonstrado no balanço patrimonial individual e consolidado, com a dívida líquida.
O aumento no índice de alavancagem financeira em 31 de dezembro de 2018 foi decorrente,
principalmente, da emissão de debêntures e consequente uso dos recursos obtidos nos
investimentos e operação da Companhia. (RaiaDrogasil 2018).

Nesse sentido ela se destaca no mercado em comparação a terceira maior concorrente


do como mostra o tabela 3 abaixo:

Tabela 3: Graus de Alavancagem Financeira Pague Menos 2018

Fonte: https://economia.estadao.com.br/fatos-relevantes/pdf/27507286.pdf. Acesso em 09 dez.


2019

Contudo, de acordo com as análises realizadas seguindo o modelo de cálculos


apresentados pela apostila da disciplina em curso - Finanças a Logo Prazo (p.29) -, foi
identificado os seguintes graus conforme mostra a tabela 4:
Tabela 4: Graus de Alavancagem Operacional, Financeira e Total.

Fonte: os autores

RaiaDroagasil apresentou um baixo Grau de Alavancagem Operacional (GAO) em 2018


demonstrando que a empresa possui participação baixa de custos fixos no custo total. Ainda,
quanto ao GAO, por estar relacionado com os gastos fixos da empresa, está associado também
à constituição de um risco para as atividades operacionais da organização. No caso da, o GAO
abaixo de 1, resulta em um menor risco para empresa.
A alavancagem financeira favorável de 1,41 indica que o capital de terceiros está
contribuindo para gerar retorno adicional a favor dos acionistas.
Como a alavancagem total reflete o impacto combinado da alavancagem operacional e
financeira de uma empresa, os baixos índices das alavancagens GAO E GAF (Tabela 4)
ocasionaram também um baixo GAT (Tabela 4).

REFERÊNCIAS

FONSECA, J. L. da et al. Determinantes de Estrutura de Capital: uma análise de dados em


painel de empresas pertencentes ao IBOVESPA no período de 1995 a 2007. In: XII SEMEAD
- Seminários em Administração, São Paulo. Anais... São Paulo: FEA-USP, 2009.

GITMAN, L. P. Princípios de administração financeira. Editora Pearson, 12ª edição,


2009.

RAIADROGASIL S/A. ESTATULO-SOCIAL. 2019. Disponível


em:<hhttps://www.rd.com.br/list.aspx?idCanal=ebcBJMy5wkUA4JCROsKQLg==&ano=201
9https://www.rd.com.br/list.aspx?idCanal=ebcBJMy5wkUA4JCROsKQLg==&ano=2019.Ace
sso em 09 dez. 2019.
Pereira, Rafael & Castro, Sabrina & Botelho, Luciano & Marques, Humberto & Silva,
Thaís. (2015). Estrutura de Capital e Política de distribuição de Dividendos no Brasil:
um Estudo de Caso da MRV Engenharia e Participações S.A.