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Caracterização Físico-Mecânica de Plataformas Ferroviárias

Eduardo Fortunato
Investigador Auxiliar do Laboratório Nacional de Engenharia Civil
Professor Auxiliar Convidado da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto
A ESTRUTURA DA
VIA FÉRREA
PLATAFORMA
PLATAFORMA FERROVIÁRIA

PLATAFORMA
PLATAFORMA
FUNDAÇÃO

9º Ciclo de Palestras em Engenharia Civil / UNIC – 3 de Maio de 2006


FUNCIONAMENTO DA VIA FÉRREA

Solicitações verticais, laterais e longitudinais.

Desempenho:
 estabilidade;
 resiliência;
 ausência de deformações
permanentes significativas;
 pouco desgaste dos
elementos.

9º Ciclo de Palestras em Engenharia Civil / UNIC – 3 de Maio de 2006


Características
Características da
da subestrutura
subestrutura da
da via
via férrea
férrea

São das mais simples estruturas de engenharia civil para construir (compactação
de materiais em camadas), mas são das mais complicadas para projectar e
caracterizar.

Em geral as estruturas de engenharia civil (barragens, pontes, edifícios) são


dimensionadas à rotura, adoptando coeficientes de segurança elevados, e
verificadas para estados limites de utilização relativamente bem conhecidos.

As vias férreas são projectados para permitir a circulação durante um dado


período (30, 50 anos), estabelecido em função duma análise económica. No
entanto, é difícil definir “rotura”, pois corresponde ao aparecimento de diversos
tipos de degradações, que poderão ser distintas conforme os trabalhos de
conservação e de reabilitação que ocorrerão após a construção.

Por outro lado, os diversos componentes da estrutura têm ciclos de vida distintos.

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Aspectos mais importantes relacionados com a qualidade das
vias das linhas de alta velocidade ferroviária:
• Condições de exactidão geométrica na superfície de rolamento
(segurança, conforto, gasto energético);

• Ausência de obstáculos à circulação (queda de taludes, inundações, etc.);


• Dificuldade de efectuar trabalhos de conservação na
subestrutura e em particular na plataforma (exploração intensa).

Qualidade (total) da exploração :


• segurança,
• conforto,
=> Qualidade da subestrutura
• horários,
• economia.
Estabelecimento de requisitos funcionais
para os diversos elementos
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Requisitos funcionais para a plataforma ferroviária (topo do sub-balastro)

Exigências
Exigências

Função
Função Execuçãodas
Execução dascamadas
camadas Exploração
Exploração

Materiais; espessura de camadas; técnicas construtivas


granulometria
Fase de construção Materiais
plasticidade
Traficabilidade características das partículas
Capacidade de suporte  Homogeneidade
(longo trecho)
Protecção das terraplenagens homogeneidade
Camadas espessura  Variabilidade reduzida
% compactação (condições climáticas)
módulo Ev2
Fase de exploração
Capacidade de carga da via
inclinações
Redução de tensões para a plataforma Geometria cotas
Impermeabilização da plataforma regularidade
Conservação / Reabilitação
Drenagem das águas zenitais  Balastro
Drenagem das águas subsuperficiais  Drenagem
 Plataforma
Filtro e separação balastro/plataforma
 Terraplenagens
Protecção contra o gelo

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MECANISMOS DE DEGRADAÇÃO DA VIA FÉRREA

Degradação da via - contaminação do balastro com partículas finas


INFILTRAÇÃO DE FINOS A PARTIR DA SUPERFÍCIE

CARRIL

DESGASTE DA
DESGASTE DO
TRAVESSA
BALASTRO

FORMAÇÃO DE
SUB -BALASTRO BALASTRO CONTAMINADO
LAMAS

FUNDAÇÃO

FI < 1 limpo
Índice de contaminação (fouling index) 1 < FI < 10 moderadamente limpo
FI=P4+P200 10 < FI < 20 moderadamente contaminado
20 < FI < 40 contaminado
FI = 40 muito contaminado

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MECANISMOS DE DEGRADAÇÃO DA VIA FÉRREA

Desenvolvimento de uma rotura por corte progressivo na fundação (Li, 1994)

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MECANISMOS DE DEGRADAÇÃO DA VIA FÉRREA
Formação de bolsadas de balastro na fundação de solos moles: a) perfil transversal; b) perfil longitudinal (Li e Selig, 1995).

Esquema da rotura global por corte (Li, 1994).

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FACTORES QUE PODEM INFLUENCIAR O DESEMPENHO DOS MATERIAIS :

Parâmetros intrínsecos (partículas)


• Características físicas e litológicas dos materiais
natureza: petrografia, textura
forma: lamelação, alongamento
propriedades físicas: porosidade, dureza,
resistência ao desgaste, alterabilidade, etc.
granulometria (%<#200, Dmáx)
% elementos britados

Parâmetros de estado (meio particulado)


• Estado de tensão; compacidade; teor em água
Processos construtivos
• Mistura homogénea no armazenamento transporte e
colocação (ex: humidificação evita segregação)

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Controlo da qualidade de construção de aterros e de camadas de
apoio de pavimentos e de vias férreas
• Especificação por procedimentos – definição dos procedimentos de compactação
=> problemas relacionados com a variação dos materiais e das condições de construção;

• Especificação por produto – estabelecimento de características a atingir para os


produtos => problemas relacionados com a adequação da grandeza física medida e com a
representatividade dos ensaios;
ex: dmax > 19mm;
ex: energia de compactação em campo muito distinta da utilizada em laboratório;
Strong Weak
elevada rigidez baixa rigidez
• Especificações baseadas no desempenho – Load Load
carga carga
estabelecimento de valores mínimos de
grandezas mecânicas que se relacionam com o
Camadas betuminosas
Surface / balastro
comportamento da estrutura.
agregados
Base

Subgrade
Terreno natural

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COMPORTAMENTO MECÂNICO DOS MATERIAIS DAS CAMADAS DE
APOIO DA VIA FÉRREA
(características mecânicas relacionadas com o desempenho)

σd

ε
εp εr

Módulo reversível
σd-tensão distorcional cíclica (σ1-σ3)
Er= σd/εr εr-extensão axial reversível na direcção da tensão principal máxima (σ1)

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CARACTERÍSTICAS DOS SOLOS (ORE, 1983, adaptado)
Qualidade Identificação CBR Ev2
do solo (%) (MPa)
Solos com mais de 15% de partículas finas, estado hídrico 3a6 15 a 25
QS1 “médio” ou “seco”
Solos com 15% a 40% de partículas finas, estado hídrico “seco” e 6 a 20 25 a 80
boas condições hidrológicas e hidrogeológicas
QS2 Solos com 5 a 15% de partículas finas, estado hídrico “seco”

Solos com menos de 5% de partículas finas, bem graduados e com >20 >80
QS3 partículas de dureza elevada

Controlo das terraplenagens (UIC 719 – R) γd ≥ 95% γd OPN


Ev2 ≥ 45 MPa solos finos
60 MPa solos granulares
Controlo do leito da via (UIC 719 – R) γd ≥ 100% γd OPN
Ev2 ≥ 80 MPa
Controlo do camada de sub-balastro (UIC 719 – R)
• material bem graduado e resistente à fragmentação Cu > 6 e 1< Cc <3
LA < 25%
• camada impermeabilizante, drenante e anti-contaminante γd ≥ 103% γd OPN
Ev2≥ 120 MPa
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DIMENSIONAMENTO
DAS CAMADAS DE
REFORÇO (LNEC, 2000)

Dados
e sub-balastro
Ev2 topo terraplenagem
Ev2 material sub-balastro
Ev2 material leito

Admite-se
E topo do sub-balastro
Modelo de comportamento
Condições de fronteira

Determina-se
e camada leito

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CARACTERIZAÇÃO NO ÂMBITO DO CONTROLO DA QUALIDADE
Vantagens da utilização das especificações baseadas no desempenho:
• transfere para o Empreiteiro a responsabilidade da obtenção das características adequadas;
• permite fazer alterações e optimizar o projecto de acordo com o que está construído;
• permite a utilização de materiais não tradicionais, que normalmente estariam fora das especificações e
que podem ser vantajosos em termos técnicos, económicos e ambientais.
• permite obter uma maior homogeneidade nas camadas.
• tendencialmente permite obter uma qualidade mais elevada dos empreendimentos, em particular se
forem adoptados métodos de controlo em contínuo, ou quase contínuo.

Dificuldades da utilização das especificações baseadas no desempenho:


• necessidade de o projecto especificar convenientemente as características mecânicas desejáveis para
os materiais ou estruturas;
• necessidade de estabelecer forma de medir essas características;
• necessidade de os cadernos de encargos especificarem valores mínimos, valores médios e critérios de
aceitação com base no tipo e na quantidade de ensaios realizados;
• necessidade de realizar trechos experimentais, de forma a validar as condições de projecto.

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MÉTODOS PARA CARACTERIZAÇÃO DA VIA
• DETERMINAÇÃO DO MÓDULO DE DEFORMABILIDADE EQUIVALENTE
• ENSAIO DE CARGA COM PLACA (ECP)
• DEFLECTÓMETRO DE IMPACTO PESADO (FWD) E PORTÁTIL (DIP)
• MEDIDOR DE CAPACIDADE DE SUPORTE EM CONTÍNUO (PORTANCEMÈTRE)
• SOIL STIFFNESS GAUGE (SSG)
• ANÁLISE ESPECTRAL DE ONDAS DE SUPERFÍCIE (SASW, CSW)

Variação do módulo de distorção.


Distintas áreas de influência
Distintas solicitações
Distintas deformações

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Ensaio de carga com placa (ECP)
Assentamento elástico à superfície de um maciço homogéneo semi-indefinido (Lei de Hooke )

solução para uma 1 -ν 2 π s=∫


∞ 1
[
∆σ z - ν (∆σ x + ∆σ y ) dz ]
placa rígida circular s = q.d. E ⋅ 4 E
0

π 300
considerando (1 -ν ) ⋅
2
= 0,75 250
4 Ev2
200
obtém-se

q (kPa)
q
E = 0,75 d 150

com: s 100
E–módulo de deformabilidade medido no 2º ciclo 50
de carga do ECP (MPa)
0
d–diâmetro da placa de carga (m) 0.E+00 2.E-04 4.E-04 6.E-04 8.E-04 1.E-03 1.E-03 1.E-03
q–tensão vertical aplicada (MPa) Deslocamento (m)
s–deslocamento medido (m)

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Deflectómetro de Impacto (FWD)
• aplicação de uma força de impulso através de
uma placa circular, gerada pela queda de uma
massa de uma determinada altura sobre um
conjunto de amortecedores;
• medição da força através de uma célula de carga
instalada junto da placa;
• medição das deflexões em vários pontos da
superfície com transdutores, cujos registos
permitem quantificar os deslocamentos.

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Deflectómetro de Impacto
Portátil (DIP)
 Placa de carga φ=100, 200 ou 300 mm
 Massa móvel de 10 ou 15 kg
 Altura máxima de queda 0,80 m
 Célula de carga
 Batentes de absorção de energia
 Geofones
 Computador portátil

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Medidor de Capacidade de Suporte em Contínuo (MCSC) (Portancemètre)
• uma roda vibrante de aço, circulando a
uma velocidade baixa e constante solicita a
superfície a ensaiar;
• mede acelerações e frequência de vibração;
• calcula a força aplicada e o deslocamento.
30 < f (Hz) < 35
30 < E (MPa) < 300
e ≅ 0,6 m
V < 3,6 km/h
F = M1 g + M 0 a v1 + (M1 − M 0 ) a v2 + Fc
Fc = m e . ω 2 . cos ϕ
F
K=
X E v2 = 5 K
M1.g – peso total do conjunto;
M0.av1 – força de inércia da massa vibrante, com av1 representando a aceleração vertical dessa
massa;
(M1-M0).av2 – força de inércia do chassis, com av2 representando a componente vertical da
aceleração (residual) das massas suspensas.
me – momento produzido pela massa excêntrica;
ω – frequência angular;
ϕ – ângulo entre o vector da força centrífuga e a vertical.

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Soil Stiffness Gauge (SSG)

• Um vibrador produz pequenas forças que são transmitidas à superfície a ensaiar


por um anel;
• São medidas as forças e as consequentes velocidades de deformação da superfície,
para diversos valores da frequência de vibração, dentro de um intervalo definido.
F = K flex (X 2 − X 1 ) + ω 2 m int X 1
K=
F
E=
K 1 − ν 2
( )
• F => σ ≅ 30kPa X1 1,77R
• X1 ≅ 10 m
-6
F – força aplicada pelo vibrador (N);
• 100 < f (Hz) < 196 Kflex – rigidez da placa flexível (N/m);
• 25 < E (MPa) < 600 X2 – deslocamento da placa flexível (m);
X1 – deslocamento do apoio rígido (m);
• e ≅ 20 a 30 cm ω – 2πf, em que f é a frequência de vibração (Hz);
mint – massa dos componentes internos ligados ao apoio rígido e do próprio apoio (kg).

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Análise Espectral de Ondas de
Superfície (SASW/CSW)
• Determinação em profundidade do perfil de
rigidez de corte, recorrendo à velocidade de +∞
− i ωt
propagação de ondas elásticas e ao comportamento X (ω ) = ∫ x(t ).e dt
−∞
dispersivo (V depende de f) das ondas de Rayleigh φ
t=
em materiais não uniformes (variação de G, ν, ρ); 2πf
d
• As ondas de elevada frequência caracterizam a V =
t
zona superficial e as de baixa as zonas profundas. V
λ=
f

Vs = p.VR
G = ρVs2
E = 2G(1 + ν)

- Z=λ/3
- método da matriz de
a) Aplicação de uma solicitação à superfície; transferência
- matriz de rigidez dinâmica
b) Análise das características da vibração do meio livre (propagação da onda à superfície);
c) Determinação da curva de dispersão;
d) Inversão para determinar o perfil das ondas de corte e depois o perfil de rigidez.
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• IDENTIFICAÇÃO DE MATERIAIS E CAMADAS: GEORADAR
• Princípio : a velocidade de propagação da energia
electromagnética e a sua reflexão em interfaces entre
diferentes materiais são afectadas pelas propriedades
eléctricas e magnéticas dos diferentes meios.
• O georadar gera e envia impulsos de energia Posição da antena ao longo do perfil

electromagnética que se propaga através do Ar

meio e ao encontrar interfaces entre materiais


camada 1
com propriedades electromagnéticas
contrastantes, parte dela reflecte-se para a camada 2
superfície, outra atravessa essa interface.
c V.t
V= s=
• Alta resolução, superior à de qualquer dos k 2 D istância

métodos clássicos de prospecção. 0- onda directa


ar/camada 1
• Materiais com elevada condutividade
Tempo de trajecto (ns)
onda reflectida
eléctrica atenuam/absorvem os sinais => c 1/c 2

menor profundidade de penetração do


georadar (ex: metal, argilas ).

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RESULTADOS DE ENSAIOS REALIZADOS DURANTE A RENOVAÇÃO
DA PLATAFORMA FERROVIÁRIA DA LINHA DO NORTE
Com os objectivos de avaliar:
• a qualidade da obra construída;
• a facilidade de utilização e o rendimento dos equipamentos;
• a repetibilidade dos valores obtidos em cada local;
• a sensibilidade dos valores às condições de ensaio;
• a relação entre os valores obtidos e os valores do módulo de
deformabilidade obtidos pelo ECP (Ev2 – φ=600 mm, σvmax=250 kPa);
• a possibilidade de estes equipamentos contribuírem para o estabelecimento
da energia de compactação necessária;
• a possibilidade de estes equipamentos permitirem detectar zonas com
comportamento distinto, de forma muito mais fácil e económica do que
recorrendo ao ECP.

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ZONA A – Renovação da plataforma ferroviária

Plataforma das terraplenagens em más condições Camada de 30 a 45 cm de enrocamento calcário


ZONA B – Plataforma ferroviária nova

Ev2 min = 40 MPa Ev2 min = 120 MPa


Leito de via: 20 a 35 cm de material calcário britado Leito de via e sub-balastro ambos construídos
com granulometria 0/37,5 mm + Sub-balastro: 0,15 m com material agregado britado de granulometria
de material de granítico de granulometria (0/37,5 mm). extensa numa espessura total de 0,35 m.
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 Aumento significativo de EV2 com a construção do leito (30% a 300%);
 Dispersão relativamente elevada; R2 baixo.
ECP
200 φ=600)

180
EV2 Leito (MPa)

160
140
120
100
80 y = 0.6302x + 73.048 50
R2 = 0.3427 Sub-balastro
60 Leito
40 Fundação
20 40 60 80 100 120

Frequência (%)
EV2 Fundação existente (MPa)
30

Aumento importante de EV2 no domínio dos 20


valores mais baixos, com a construção do sub- 10
balastro (10% a 70%, com valor máximo de 40 MPa)
0
 R2 relativamente elevado. [0.0;1.0] [1.0;1.2] [1.2;1.4] [1.4;1.6] [1.6;1.8] [1.8;2.0] [2.0;2.2] [2.2;2.4] [2.4;2.6]
200 EV2/EV1
EV2 Sub-balastro (MPa)

180
 1 < EV2/EV1 < 2,5;
160
140  valores médios: 1,5 (F); 1,4 (L); 1,3 (SB);
120
y = 0.705x + 53.751
2
 materiais distintos, distintas relações;
100 R = 0.7413
80  resposta mais adequada da camada de
60 sub-balastro em relação à de leito e desta em
60 80 100 120 140 160 180
EV2 Leito (MPa) relação à fundação existente.

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Valores do módulo de deformabilidade medidos com o ECP
e o com DIP e calculados pelo MEF, no topo das camadas
de leito e de sub-balastro na Zona A.

180

160

140 Sub-balastro
E DIP = 1.1 EECP
EDIP (MPa)

120 Leito 2
R = 0.8
E DIP = 1.2 E ECP
R2 = 0.9 Medidos no topo do leito
100
MEF no topo do leito (E leito=300MPa)
80
Medidos no topo do sub-balastro

60 MEF no topo do sub-balastro


(E sub=250; E leito=300MPa)
40
40 60 80 100 120 140 160 180
EECP (MPa)

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Módulo de deformabilidade obtido com o MCSC e com o
ECP na Zona A no topo da camada de leito da via.
• 80 < EV2 (MPa)< 170
• Efeito do número de passagens, detecção de zonas com
anomalias; avaliação de soluções construtivas.
400

350
(a)
300
(b) (b)
(d) (c)
250
E (M Pa)

200

150

100

50

0
0 200 400 600 800 1 000 1 200
Distância (m)
(a) leito de via com 0,20 m de espessura N E ECP − E MCSC
(b) enrocamento com 0,30 m de espessura
(c) geotêxtil
Valor mínimo exigido (80 MPa) ∑ E ECP
MCSC
(d) passagem inferior hidráulica ECP
1
= 12%
N

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Valores do modulo de deformabilidade obtidos
com o MCSC e com o ECP na Zona B.

• 125 < EV2 (MPa)< 260


350

300 Passagem inferior

250 PI
E (M P a)

200

150

100
140 850 140 950 141 050 141 150 141 250 141 350 141 450 141 550 141 650 141 750 141 850 141 950
Local (km)
N
E ECP − E MCSC
∑ E ECP
MCSC ECP
1
= 9%
N

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Série E médio (MPa) Coef. de variação (%)
FWD/DIP/ECP Intervalos dos valores
médios e coeficientes DIP 4/01 353 a 369 7
Sub-balastro da FWD 4/01 235 a 258 15
de variação do módulo
subestrutura na zona B de deformabilidade ECP 4/01 332 a 373 11
equivalente para uma
σECP = σDIP = 200 kPa
DIP 7/01 1120 a 1226 15
probabilidade de 95% FWD 7/01 1091 a 1189 14
σFWD = 280 kPa ECP 7/01 925 a 1096 16
1600

1400 Verão
w med (%)
1200
1,0 (h=0,0 m)
0,9 (h=0,1 m)
1000
E (MPa)

0,8 (h=0,3 m)
800

600 Primavera
EDIP = 1,4 EFWD w med (%)
400 3,8 (h=0,0 m)
cv=10% 2,6 (h=0,1 m)
200 2,3 (h=0,3 m)

0
141050 141100 141150 141200 141250 141300 141350
Local de ensaio (VD) (m)
DIP 300 (4/01) FWD 300 (4/01) ECP 300 (4/01) DIP 300 (7/01) FWD 300 (7/01) ECP 300 (7/01)

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ECP e SSG sobre camadas de sub-balastro em ABGE calcário (CS7) e granito (GS8)

200
ECP-CS7
y = 395.49x-0.80
ECP-GS8
160 R2 = 0.97
SSG-CS7
SSG-GS8
EV (MPa)

120
y = 242.81x-0.68
R2 = 1.00
80 y = 258.76x-1.28
R2 = 0.95
40 y = 315.83x-0.89
ESSG = 65% EECP R2 = 0.91
0
0 1 2 3 4 5 6 7
w (%)

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Caracterização da plataforma com métodos das
ondas sísmicas superficiais (SASW)
E SASW (MPa) ESASW (MPa)
0 100 200 300 400 500 0 200 400 600 800 1000 1200 1400
0 0.0
wméd=1,4%

0.4
1 Plataforma em
renovação
Plataforma nova
(diversas fases/cotas)
(diversos locais)
0.8
Profundidade (m)

1.2

1.6

após desguarnecer 141270 VD


141230 VD
4 após escavar
141200 VD
2.0
sobre leito 141170 VD
141140 VD
sobre sub-balastro
141110 VD
5 2.4

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GEORADAR NA CARACTERIZAÇÃO DA SUBESTRUTURA

Antena: 900 MHz

Espessura (m) (k=9.6)


c

t = 4.14 ns
V =

Tempo (ns)
Ensaios de laboratório k
V.t
Trecho experimental s=
2
Plena Via
Reflexão múltipla da
interface balastro
Antenas de 500 e 900 MHz contaminado - solo

Espessura (m) (k=5.9)


Tempo (ns)
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Caracterização da via
Plataforma antiga
20m

balastro
balastro contaminado com solos

Tempo (ns)
Plataforma renovada

balastro

Tempo (ns)
sub-balastro (agregado)
N eradar − eobs
∑ eobs
1
= 8%
N

e = espessura total de balastro

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Características gerais dos equipamentos utilizados:
• ensaios não destrutivos
• grande mobilidade
• fácil colocação em obra e fácil operação
• conhecimento das grandezas em análise em tempo real
• elevado rendimento => muitos dados => tratamento estatístico
• pouca perturbação da obra
Em particular:
• MCSC – análise em contínuo e fácil detecção de zonas de comportamento distinto
• SASW/CSW – permite a caracterização a elevadas profundidades
• SSG e o DIP – grande portabilidade, facilidade de operação e baixo custo
Desvantagens:
• distintas solicitações, distintas deformações, distintas áreas de influência
• dificuldade em alterar condições de ensaio (estado dos materiais e tensões aplicadas)
• exigência de mão-de-obra muito especializada e de equipamentos e programas de
cálculo automático sofisticados em particular o SASW
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EM CONCLUSÃO:
 é desejável que o controlo de compactação das camadas de apoio das infra-
estruturas de transporte, além de recorrer a especificações de produto, passe a
recorrer também a especificações baseadas no desempenho;
 o valor do módulo de deformabilidade equivalente das camadas de apoio das
infra-estruturas de transporte é um dos bons indicadores de desempenho e
existem actualmente métodos que permitem fazer a sua determinação de forma
sistemática;
 o valor do módulo de deformabilidade equivalente pode ser muito
influenciado pelo teor em água dos materiais que constituem as camadas das
subestruturas; assim, a caracterização destas camadas deve ser feita nas
condições mais adversas, nomeadamente para valores do teor em água próximos
do máximo que os materiais poderão exibir durante a exploração da via; no caso
das vias férreas esses valores não deverão ser muito distintos do valor do teor em
água óptimo utilizado na compactação das camadas;
 os valores do módulo de deformabilidade equivalente obtidos em diferentes
condições de ensaio e com diferentes equipamentos podem ser muito distintos;
 a prática vai permitir estabelecer valores de referência a obter com os
diferentes equipamentos.
Obrigado !
9º Ciclo de Palestras em Engenharia Civil / UNIC – 3 de Maio de 2006