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EXCELENTÍSSIMA SENHORA VEREADORA MARIA APARECIDA


BRIZOLA PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE SANTA
MARIA.

Eu, MARCELO VIEIRA DE ALMEIDA, brasileiro, solteiro,


fotógrafo, jornalista, blogueiro com o Canal “Gaúcho de Direita por Marcelo
Almeida”1, inscrito no RG sob nº 7047749028, no CPF sob o nº 677.733.620-
68, no Título Eleitoral sob o nº 054614620477, Zona 041 Seção 0549, no
pleno gozo dos direitos políticos2, residente e domiciliado na Rua Jorge Pedro
Abelin, nº 352, Bairro Nossa Senhora de Lourdes, CEP 97.050-390, E-mail
marceloalmeidafotografo@gmail.com, telefone (55)9990-6900 Santa Maria –
RS, venho perante Vossa Excelência, nos termo do 7º, II do Decreto Lei nº
201/673, artigo 71, II da Lei Orgânica e artigo 17, VIII c/c artigo 137, § 4º
ambos do Regimento Interno desta Câmara Municipal de Vereadores ofertar:

1
https://www.youtube.com/channel/UCWAAgdi5ACfhuigEJmPRNAw
2
conforme certidão em anexo.
3
Art. 7º A Câmara poderá cassar o mandato de Vereador, quando:
(...)
III - Proceder de modo incompatível com a dignidade, da Câmara ou faltar com o
decoro na sua conduta pública.
2

DENÚNCIA

contra a Excelentíssima Senhora Vereadora LUCI BEATRIZ ZELADA


DUARTES - PDT, eleita no pleito de 2016 sobre o epiteto “PROF. LUCI TIA
DA MOTO”, por quebra de decoro parlamentar por ofensa ao inciso do artigo
17, VIII4 c/c o artigo 137 do Regimento Interno dessa Casa Legislativa.

BREVE RELATO DOS FATOS

Durante a campanha eleitoral do pelito de 2016 a Denunciada


cadastrou-se junto a justiça eleitoral com “gênero feminino” para
preenchimento da chamada “cota de mulheres”, conforme print abaixo:

§ 1º O processo de cassação de mandato de Vereador é, no que couber, o estabelecido no


art. 5º deste decreto-lei.
(...)”
4
Art. 17. São deveres dos (as) Vereadores (as), além de outros previstos na Lei Orgânica
do Município:
(...)
VIII. comparecer em traje passeio ao local das Sessões na hora pré-fixada;
(...)
Art. 137. As Sessões Solenes serão as previstas em Lei, Decreto ou Resolução,
destinando-se a comemorações ou homenagens. § 1º As Sessões Solenes seguirão as regras
de cerimonial e protocolo oficial determinados por legislação federal, devidamente
adaptada ao âmbito Municipal. § 2º Durante as Sessões será destinado o período de:
(...)
§ 4º Nas Sessões solenes os Vereadores deverão apresentar-se em traje de passeio
completo e as Vereadoras com traje passeio.”
3

Após eleita, a Denunciada passou a gozar das prerrogativas inerentes


aos parlamentares (imunidade parlamentar, etc..). Entretanto, possui deveres
estabelecidos em lei. Entre eles ressalta-se o respeito, o decorro parlamentar
(vestimenta), a conduta moral e uso dos símbolos estaduais (bandeira e brasão
de armas) nos atos solenes como se verá adiante.

Gradativamente a Denunciada afronta os eleitores de Santa Maria e do


Estado do Rio Grande do Sul com suas vestes “espalhafatosas” quando do
exercício da função pública.

Durante as Sessões da Câmara Municipal e cerimônias cívicas (Desfile


de 20 de Setembro) a Denunciada usa utilizar vestimentas do sexo masculino,
inclusive, a pilcha masculina. Como se não bastasse, utilizando chapéus
tipicamente de “mafioso”, de “malandro carioca” e de “taura” na Tribuna e
enquanto presidia os trabalhos legislativos.
4

Em sua defesa, constuma falar da Tribuna que jamais irá tirar seu
chapéu, pois não considera essa atitude desrespeitosa ao mesmo tempo que
alega a firmesa de seu caráter.

A Deunuciada tem todo direito de “criar um personagem” ou vários por


ocasião da campanha eleitoral e nas suas atividades da vida privada, as quais
não dizem respeito ao Denunciante. Entretanto, o exercício da função pública
deve-se observar o decoro parlamentar, o uso adequado das vestimentas
sociais e gaúchas e dos símbolos Estaduais, nos termos da lei.

Abaixo, colaciona-se, algumas fotos de sessões disponíveis nos site da


Câmara Municipal de Vereadores, bem como seus correspondentes
personagens que provavelmente inspiram a Denunciada:

Arquétipo Mafioso5.

(fonte)

https://www.google.com.br/search?q=mafia+italiana+fantasia+de+carnaval&tbm=isch&source=iu&ictx=1&f
ir=Z0fW1EtNDT324M%253A%252CCHVVQukW15BisM%252C_&vet=1&usg=AI4_-kRPPJsHq-
HW9C3-XX2ZvfCysLHxug&sa=X&ved=2ahUKEwjP4dKc-
5nmAhUMELkGHXpsCMIQ9QEwAXoECAkQBg#imgrc=Z0fW1EtNDT324M:
5

Arquétipo Cómédiane – “Dona Dalva”6, personagem do icônico


humorista Jô Soares, um dos maiores humoristas brasileiros e apresentador de
programa televisivo:

Arquétipo Zé Pilintra78, uma entidade espiritual de origem afro-


brasileira. Admirado na Umbanda, é considerado como um espírito humilde,
patrono dos bares, rei da vida noturna, boêmio e apaixonado por jogos e
disputas:

6
https://youtu.be/h0LIO29fSUc
7
https://www.iquilibrio.com/blog/espiritualidade/umbanda-candomble/ze-pilintra/
8
https://www.youtube.com/watch?v=2p6E_yzv0ho
6

Ao longo do mandato a Denunciada vem adotando o comportamento


cada vez mas estravagante, contrangendo os Excelentíssimos Senhores
Vereadores. A Denunciada avoca-se a defesa da “comunidade LGBTQIA+” e
dessa forma se acredita imune aos críticos dos costumes e de segmentos
conservadores.

Dessa forma, a Denunciada colocou-se nessa situação propositamente


com o intuito de angariar a compaixão e os votos dos segmentos
“progressistas” assumindo a posição de Porta Bandeira da causa LGBTQIA+
como catapulta política.

Ao assumir o cargo de Verador a Denuciada possui os deveres inerentes


a nobre função que exerce. E, portanto, deve obdiência a ordem legal como se
verá adiante. A presente denúncia não pretende, de forma alguma, moldar o
comprotamento da Denunciada na vida privada, nem tampouco que ela retire
seu chapéu para o Denunciante, mas pretende reestabelcer a moralidade nos
7

atos solentes. Presevando, a discricionalidade que todo cidadão tem na vida


privada, inclusive o direito “Tomar banho de chapéu”9.

Entretanto, ao assumir a coisa pública exige-se uma parcela de


sacrifício pessoal superior ao “homem médio” preso as suas paixões
cotidianas. O exercído da representação parlamentar é comparavel muitas
vezes ao sacerdócio.

Como bom exemplo, temos o Deputado Federal Francisco Everardo


Oliveira Silva, vulgarmente conhecido como “Palhaço Tiririca” que fez uma
campanha eleitoral em tom de comédia. Entretanto, é um exemplo de decoro
nos atos parlamentares, inclusive presidindo a Comisão de Educação10.

Abaixo, colaciona-se o exemplo de conduta de campanha e parlamentar


do Deputado Federal Francisco Everardo Oliveira Silva:

9
http://umasociedadeaalternativa.blogspot.com/2015/01/introducao-sociedade-alternativa-o-que.html
10
http://g1.globo.com/politica/noticia/2011/02/tiririca-vai-integrar-comissao-de-educacao-
e-cultura-da-camara.html
8
9

Em total desrespeito com a Cidade e com o próprio Poder legislativo,


na sessão plenária do dia 19/09/2019, a Denunciada compareceu a casa
legislativa trajando a idumentária gaúcha masculina, de acordo com o que
estipula as Diretrizes do Movimento Tradicionlaista Gaúcho – MTG,
conforme print de tela abaixo (disponível no Youtube):
10

No dia 20/09/2019, no desfile cívico Farroupilha a Denunciada desfila


em carro aberto em veículo camionetta trajando, novamente, pilcha
masculina:

A Lei Estadual nº 8.813/89, que “Oficializa como traje de honra e de


uso preferencial no Rio Grande do Sul, para ambos os sexos, a indumentária
denominada ‘PILCHA GAÚCHA’”, dentre seus artigos determina o respeito
e os ditames e as diretrizes traçadas pelo Movimento Tradicionalista
Gaúcho:
11

“Art. 1º - É oficializado como traje de honra e de uso


preferencial no Rio Grande do Sul, para ambos os sexos, a
indumentária denominada "PILCHA GAÚCHA".
Parágrafo único - Será considerada "Pilcha Gaúcha"
somente aquela que, com autenticidade, reproduza com
elegância, a sobriedade da nossa indumentária histórica,
conforme os ditames e as diretrizes traçadas pelo
Movimento Tradicionalista Gaúcho.

Art. 2º - A "Pilcha Gaúcha" poderá substituir o traje


convencional em todos os atos oficiais, públicos ou privados,
realizados no Rio Grande do Sul.
(grifei)

De acordo com as DIRETRIZES PARA A PILCHA GAÚCHA, o


MTG assim estipula o traje femino:

“Art. 1º - O Movimento Tradicionalista Gaúcho, cumprindo o


que determina o parágrafo único do Art. 1º da Lei nº 8.813 de
10 de janeiro de 1989, reunido em Convenção Ordinária, na
cidade de Taquara, no mês de julho do ano de 2011, resolveu
alterar as DIRETRIZES para a pilcha gaúcha, com fim de
complementá-las e torná-las mais claras.
Art. 2º - DA PILCHA PARA ATIVIDADES ARTÍSTICAS E
SOCIAIS: Indumentária a ser utilizada nas atividades
cotidianas, apresentações artísticas e participações
sociais, tais como bailes, congressos, representações, etc.
[...]
II - PILCHA FEMININA A - SAIA E BLUSA OU BATA
1 - Saia: com a barra no peito do pé, godê, meio-godê ou em
panos.
2 - Blusa ou bata: de mangas longas, três quartos ou até o
cotovelo (vedado o uso de “boca de sino” ou “morcego”),
decote pequeno, sem expor os ombros e os seios, podendo ter
gola ou não.
3 - Bordados e pinturas: se utilizados, devem ser discretos. As
pinturas com tintas para tecidos.
4 - Tecidos: lisos. Nas blusas ou batas, mais encorpados.
12

5 - Cores: escolher cores harmoniosas e lisas, esquecendo as


cores fortes, proibidas as cores berrantes e fosforescentes.
6 - Cuidados: nas apresentações artísticas, o traje feminino
deve representar a mesma classe social e época retratada na
indumentária do homem.
7 - Vedações: enfeites dourados, prateados, pinturas a óleo e
purpurinas.
8 - Este traje não é autorizado para as categorias mirim e
juvenil.

B - SAIA E CASAQUINHO
1 - Saia: com a barra no peito do pé, godê, meio-godê ou em
panos.
2 - Casaquinho: de mangas longas (vedado o uso de “boca de
sino” ou “morcego”), gola pequena e abotoado na frente.
3 - Bordados e pinturas: se utilizados, devem ser discretos. As
pinturas com tintas para tecidos.
4 - Tecidos: lisos. Nas blusas ou batas, mais encorpados.
5 - Cores: escolher cores harmoniosas e lisas, esquecendo as
cores fortes, proibidas as cores berrantes e fosforescentes.
6 - Cuidados: nas apresentações artísticas, o traje feminino
deve representar a mesma classe social e época retratada na
indumentária do homem. 7
- Vedações: enfeites dourados, prateados, pinturas a óleo e
purpurinas.
8 - Roupa de época: a saia deve ser lisa. O casaquinho poderá
ter bordados discretos.
9 - Este traje não é autorizado para as categorias mirim e
juvenil.

C - VESTIDO
1 - Modelo: inteiro e cortado na cintura ou de cadeirão ou
ainda corte princesa com barra da saia no peito do pé, corte
godê, meio-godê, franzido, pregueado, com ou sem babados.
2 - Mangas: longas, três quartos ou até o cotovelo, admitindo-
se pequenos babados nos punhos, sendo vedado o uso de
mangas “boca de sino” ou “morcego”.
3 - Decote: pequeno, sem expor ombros e seios.
4 - Enfeites: de rendas, bordados, fitas, passa-fitas, gregas,
viés, transelim, crochê, nervuras, plisses, favos. É permitida
13

pintura miúda, com tintas para tecidos. Não usar pérolas e


pedrarias, bem como, os dourados ou prateados e pintura a
óleo ou purpurinas.
5 - Tecidos: lisos ou com estampas miúdas e delicadas, de
flores listras, petit-poa e xadrez delicado e discreto. Podem ser
usados tecidos de microfibra, crepes, oxford. Não serão
permitidos os tecidos brilhosos, fosforescentes, transparentes,
slinck, lurex, rendão e similares.
6 - Cores: devem ser harmoniosas, sóbrias ou neutras,
evitando-se contrastes chocantes. Não usar preto, as cores da
bandeira do Brasil e do RS (combinações).

D - SAIA DE ARMAÇÃO
1 - Modelo: leve e discreta, se tiver babados, estes devem se
concentrar nos rodados da saia, evitando-se o excesso de
armação.
2 - Cor: branca.
3 - Comprimento: deve ser inferior ao do vestido.

E - BOMBACHINHA
1 - Modelo: de tecido, com enfeites de rendas discretas.
2 - Cor: branca.
3 - Comprimento: abaixo do joelho, sempre mais curta que o
vestido.

F - MEIAS
1 - Cor: branca ou bege.
2 - Comprimento: longas o suficiente para não permitir a
nudez das pernas.

G - SAPATOS e BOTINHAS
1 - Cores: preta, marrom (vários tons de marrom) e bege.
2 - Salto: de até 5 centímetros.
3 - Modelo: com tira sobre o peito do pé, que abotoe do lado
de fora.
4 - Vedações: proibido o uso de sandálias e sapatos abertos.

H - CABELOS
1 - Arrumação: podem ser soltos, presos, semi-presos ou em
tranças. Para prendas adultas e
14

veteranas é permitido o coque.


2 - Enfeites: com flores naturais ou artificiais, pequeno
passador (travessa) para prendas adultas e
juvenis.
3 - Vedação: vetados os brilhos, purpurinas e peças de
plástico.

I - MAQUIAGEM: discreta, de acordo com a idade e o


momento social.

J - JÓIAS
1 - Cuidados: devem ser sempre discretas, de acordo com a
idade, a classe e o momento social.
2 - Uso da pérola: são permitidas as jóias e semi-jóias com uso
de pérolas, nas cores branco,
rosado, creme e champanhe, nos brincos, anéis e camafeus.
3 - Uso de pedras: permitido, desde que sejam discretas.

Tal fato, afrontou diretamente os tradicionalistas gauchos a quem o


legislador inculbiu de preservar nossa tradição gaúcha de virilidade. Somos o
único Estado da Federação que tem o direito de ostentar armas no seu Brasão
e na sua Bandeira.

O Rio Grande do Sul foi o único Estado que não pedeu a Guerra contra
a União celebrando um armistício. A bravura do povo gaúcho, seus costumes
e principalmente a indumetária que identifica o povo não podem ser
desrespeitadas em evento público solene.

Ainda que a Denuncida acredite que suas opções pessoais não


desmereçam seus atributos, o fato é que a utilização de indumetária do sexo
masculino – pilcha em cerimônias públicas de caráter oficial, implica em
ofensa frontal a legislação supracitada.
15

Não se está falando da mera ofensa ao bom gosto, aos bons costumes,
nem ao valorozo MTG a quem o Legislador incumbiu de guardar o
patrimônio cultural gaucho. A Denunciada ofende reiteradamente as Leis
Estaduais e o Regimento Interno de forma continua e progressiva.

O Poder Legislativo deve cumprir seu regimento ou alterá-lo de forma a


permitir que os vereadores possam se vestir e se expressar livremente. Isto é,
groseiramente, permitir que homens possam usar adereços femininos como
vestidos, saias, maquiagens, jóias, etc... Enquanto, as mulheres possam usar
trajes masculinos, gravatas, chapéus, etc...

Como se não bastasse, afronta a Legislação Estadual a Denunciada faz


uso do chapéu de “mafioso”, de “malandro” e “quera” em plenário já ofende o
mínimo da razoabilidade do respeito e educação com o cargo que ocupa e
com o povo santamariense.

O uso do chapéu em Plenário já foi objeto de análise pelo Egrégio


Superior Tibunal Federal no autos do MS 26557 que denegou a ordem,
conforme decisão do Ministro GILMAR MENDES em 15 de junho de 2007,
nos termos abaixo:

“DECISÃO: Edigar Evangelista dos Anjos, deputado federal,


impetra mandado de segurança preventivo, com pedido de
liminar, em face da Mesa da Câmara dos Deputados.
Narra que, desde que tomou posse como deputado federal, no
dia 20 de março do corrente ano, “uma grande celeuma vem
povoando as dependências da Câmara dos Deputados, ‘ser ou
não permitida a utilização de chapéu por parte do
parlamentar’” (fl. 3).
16

Ademais, teria tomado conhecimento pela imprensa, no dia 11


de abril próximo passado, de que um Ato da Mesa da Câmara
dos Deputados vedaria essa utilização. Entretanto, ainda não
teria sido oficialmente cientificado desse Ato.
Alega que não constaria do Regimento Interno da Câmara dos
Deputados, nem dos demais atos normativos dessa Casa que
regulam o uso de trajes em suas dependências (Atos da Mesa
nos 115/1982, 63/1980, 11/1979, e Ordem de Serviço no
5/1973 – fl. 6), qualquer proibição à utilização desse adereço.
Assim, a eventual proibição caracterizaria restrição aos seus
direitos de ir e vir e de liberdade de expressão.
(...)
Assim, em juízo sumário sobre a questão, não vislumbro
direito fundamental do impetrante, seja à liberdade de ir e
vir, seja à liberdade de expressão, cuja possível violação
justifique, neste momento processual, uma decisão
cautelar.
Com essas considerações preliminares, indefiro o pedido de
medida liminar.
Dê-se vista dos autos à Procuradoria-Geral da República.
Brasília, 15 de junho de 2007.

Ministro GILMAR MENDES


Relator”

A Lei Estadual nº 5.213, de 5 de janeiro de 1966, que dispõe sobre a


forma e a apresentação dos símbolos do Estado do Rio Grande do Sul, traz em
seu artigo primeiro o que são os símbolos oficiais do Estado:

“Art. 1º - São símbolos do Estado do Rio Grande do Sul:


a) a Bandeira
b) o Hino e
c) as Armas
descritos e caracterizados nesta Lei.”
17

As Armas no artigo 8º11 da mesma lei, especifíca o brasão da bandeira


do Estado. Os atigos 12, 19 e 25 vedam o uso político, a promoção pessoal,
conforme transcrição abaixo:

“Art. 12 - É vedado o uso da Bandeira, mesmo parcial, como


símbolo de entidades políticas.
(...)
DAS PROIBIÇÕES
Art. 19 - É vedado o uso da Bandeira e das Armas, assim como
a execução vocal ou instrumental do Hino, quando não
obedecidas as prescrições desta Lei.
(...)
Art. 25 - É ainda proibido o uso das Armas em documentos
pessoais e por entidades não oficiais.”

Entrentanto, a Denunciada na Rede Social Facebook12 faz uso dos


símbolos de forma inadequada, conforme prints abaixo:

11
Art. 8º - As Armas do Estado são as da histórica República Rio-Grandense, com as seguintes
especificações (Anexo nº 4):
I - Escudo oval: Em campo de prata:
a) um quadrilátero de prata com um sabre de ouro, em pala, sustentando na ponta um barrete frígio, de
vermelho, entre dois ramos floridos de fumo e erva-mate, de sua cor, que se cruzam sob o punho do sabre;
b) inscrito num losango, com duas estrelas de cinco pontas de ouro colocadas nos ângulos superior e inferior;
c) ladeado por duas colunas jônicas compostas com capitel e três anéis no terço inferior de fuste liso, de ouro,
encimadas por uma bala de canhão antigo, de preto, assentes sobre
d) um campo ondulado, de verde em ponta.
II - Uma bordadura de azul, perfilada de preto, carregada com a inscrição REPÚBLICA RIO-GRANDENSE
e a data 20 DE SETEMBRO DE 1835, de ouro, separadas por duas estrelas de cinco pontas, também de ouro,
contendo o descrito no inciso I;
III - O escudo está sobreposto a
a) quatro bandeiras tricolores (verde, vermelho e amarelo) entre-cruzadas duas a duas com hastes rematadas
de flor de lis invertida, de ouro. As duas bandeiras dos extremos estão decoradas com uma faixa vermelha
com bordas de ouro, atada junto à ponta flor de lisada;
b) uma lança de cavalaria, de vermelho, rematada por uma flor de lis invertida, de ouro, entre
c) quatro fuzis armados de baionetas de ouro, e na base do conjunto
d) dois tubos-canhão, de negro, entrecruzados, semi-encobertos pelas bandeiras;
IV - Um listel de prata com a legenda: LIBERDADE IGUALDADE HUMANIDADE, de negro,
completando o brasão de Armas.
12
https://www.facebook.com/luci.tiadamoto
18
19

Em sua foto de capa na rede social temos o uso da bandeira no teto de


seu veículo particular em segundo plano, enquanto sua logomarca ficam em
primeiro plano.

Tal fato caracteriza-se, indisfarçavelmente, campanha eleitora


extemporânea.

De outro norte, a partir do dia 10/11/2019, a Denunciada passou a tecer


comentários na Tribuna e no Facebook13 referentes a inauguração da loja
HAVAN na cidade, em afronta direta ao discurso proferido pelo Sr.
LUCIANO HANG no dia 09/11/2019.

A Denunciada utilizou a palavra “véio” ao se referir ao Senhor Hang,


como se pode verificar abaixo:

13
https://www.facebook.com/luci.tiadamoto
20

14

14
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=2703850946368649&set=pcb.2703840383036372&type=3&th
eater
21

Na oportunidade, o Sr. Luciano não fez críticas diretas ou somente a


Universidade Federal de Santa Maria – UFSM, mas criticou duramente a
educação pública em geral, onde entende que há forte doutrinação ideológica.

Por também compartilhar da mesma visão propus a Ação Popular nº


5003381-49.2019.4.04.7102 frente as doutrinações que ocorrem na UFSM,
em especial a existência de 03 (três) apostilas destinadas ao público pré-
universitário ministradas no projeto de extensão “Pré-Universitário Popular
Alternativa”15 da UFSM contendo textos e imagens ofensivas a moralidade
pública com vistas a doutrinação ideológica.

A pretexto de promover o referido projeto, as apostilas custeadas pelo


erário, fazem doutrinação ideológica “de esquerda” utilizando-se de diversos
elementos de conotação sexual desregrada, incitações a ódio, críticas ao
Presidente da República, como se verá a seguir.

Há inúmeros textos, imagens de “obras artísticas” retratando pautas


difundidas pela “esquerda”. Claramente, fazendo apologia a sexualidade
desregrada, incitação a pornografia e aos discursos de ódio, desrespeito as
autoridades constituídas, ridicularizando o Presidente de República retratado
vestindo uma camisa com a suástica após agredir uma mulher negra com um
bastão. A integra das apostilas estão nos autos vituais do processo
supracitado:

15
O projeto “ALTERNATIVA Pré-Universitário Popular” é um curso preparatório, gratuito, para vestibular
oferecido a pessoas de baixa renda pela UFSM, através de alunos da graduação e pós-graduação como
atividade de ensino, pesquisa e extensão, vivenciando na prática à docência. Os detalhes sobre o referido
projeto estão disponíveis no site http://coral.ufsm.br/alternativa/index.php .
22
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25
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27
28
29
30
31
32
33

Não bastassem as imagens ora colacionadas, seguem alguns textos


contidos nos mesmos polígrafos de cunho sexual e propagação de
discursos de ódio:
34
35
36
37

Esses são só alguns exemplos do material contido em mais de 300


(trezentas) páginas nas apostilas ofertadas pelo cursinho preparatório da
UFSM.

Ainda que o discurso do Sr. Hang não venha a agradar uma parcela da
sociedade, de forma alguma a simples divergência ideológica ou opinativa
confere o direito de ofensa na Tribuna.
38

E como verificou-se, há doutrinação no ensino público, e em especial


na UFSM.

Recentemente, o empresário Luciano Hang, foi condecorado com a


Medalha do Mérito Farroupilha, a mais alta honraria concedida pelo
Parlamento Gaúcho16. Reconhecimento pelos investimentos e valorização que
o empresário realiza em nosso Estado, assim, não se pode admitir que a
Denunciada falte com respeito, decoro e ofenda quem investe na nossa região,
por simples divergência ideológica e política.

Abaixo, colaciona-se o Sr. Hang recebendo a honraria devidamente


trajado, nos termos da Lei Estadual nº 8.813/89. E, logicamente, sem usar
chapéu por se tratar de ambiente fechado:

16
http://ww1.al.rs.gov.br/sergioturra/Imprensa/DetalhesdaNot%c3%adcia/tabid/870/IdMateria/319076/Defaul
t.aspx
39

Diante disso, a conduta da vereadora fere o disposto nos artigo 17, VIII
c/c artigo 137, § 4º ambos do Regimento Interno desta Câmara Municipal de
Vereadores, especificamente nos textos em negrito:

“Art. 17. São deveres dos (as) Vereadores (as), além de


outros previstos na Lei Orgânica do Município:
[...]
VIII. comparecer em traje passeio ao local das Sessões na
hora pré-fixada;

Art. 137. [...]


§ 4º Nas Sessões solenes os Vereadores deverão apresentar-
se em traje de passeio completo e as Vereadoras com traje
passeio.
(grifei)

O ato praticado pela Denunciada caracteriza infração com possível


perda de mandato, conforme o que determina o artigo 71, inciso II da Lei
Orgânica do Município de Santa Maria:

“Art. 71 - Perderá o mandato o vereador que:


(...)
II - proceder de modo incompatível com a dignidade da
Câmara ou faltar com decoro na sua conduta pública;
(grifei)

Diante do exposto, frente as ofensas as diretrizes do MTG e ao decoro


parlamentar, minimamente, exigido por esse Poder e pelo ato infracional ser
passível de perda de mandato, requer-se o recebimento da presente Denúncia.
40

DO PEDIDO

ISSO POSTO, o Denunciante requer a Vossa Excelência o


recebimento, a leitura e o processamento da presente denúnica culminando
com a perda do cargo da Denunciada.

Nesses termos, pede deferimento.

Santa Maria - RS, 04 de dezembro de 2019.

MARCELO VIEIRA DE ALMEIDA