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DIVISÃO DO ESTUDO ECONÔMICO

A análise econômica, para fins metodológicos e didáticos, é normal-


mente dividida em quatro áreas de estudo:
Microeconomia ou Teoria de Formação de Preços. Examina a forma-
ção de preços em mercados específicos, ou seja, como consumidores e em-
presas interagem no mercado e como decidem os preços e a quantidade pa-
ra satisfazer a ambos simultaneamente.
Macroeconomia. Estuda a determinação e o comportamento dos gran-
des agregados nacionais, como o produto interno bruto (PIB), o investimento
agregado, a poupança agregada, o nível geral de preços, entre outros.
Economia internacional. Analisa as relações econômicas entre resi-
dentes e não residentes do país, que envolvem transações com bens e ser-
viços e transações financeiras.
Desenvolvimento econômico. Preocupa-se com a melhoria do pa-
drão de vida da coletividade ao longo do tempo. O enfoque é também ma-
croeconômico, mas centrado em questões estruturais e de longo prazo (co-
mo progresso tecnológico, estratégias de crescimento).
ECONOMIA - AVALIAÇÃO I

Economia: Etimologia - “Administração da casa”, posteriormente,


“Administração da coisa pública”.
Definição: Economia é a ciência social que estuda de que maneira a
sociedade escolhe empregar recursos produtivos escassos na produção de
bens e serviços, de modo a distribuí-los entre as várias pessoas e grupos da
sociedade, a fim de satisfazer as necessidades humanas ilimitadas. Ou se-
ja:
“É a ciência social que estuda como a sociedade administra recur-
sos produtivos (fatores de produção) escassos.”

A influência da política sobre a economia: a atividade econômica se su-


bordina à estrutura e ao regime político:
A forma como encaramos a economia é influenciada pela percepção
de mundo de cada intérprete. Ademais, as escolhas econômicas são influen-
ciadas pela ideologia ou poder político dominantes. Assim, a atividade eco-
nômica se subordina à estrutura e ao regime político do país. Nesse sentido,
as prioridades de política econômica (crescimento, distribuição de renda,
preços, salários) são determinadas pelo poder político. No regime democráti-
co, as diretrizes de política econômica são dadas pelo povo, que vota num
partido e num programa de governo.
Por outro lado, pode-se também afirmar que a estrutura política se en-
contra muitas vezes subordinada ao poder econômico: a sua base ou in-
fraestrutura seria o conjunto das relações de produção, ou seja, as relações
de classes estabelecidas em determinada sociedade.
Sobre esta estrutura econômica se ergueria a superestrutura, que
corresponde às formas de consciência social em geral, como a política, a fi-
losofia, a cultura, as ciências, as religiões, as artes, etc. A superestrutura
compreende também os modos de pensar, as visões de mundo e demais
componentes ideológicos de uma classe.

As correntes de pensamento econômico:


Considerando que as decisões econômicas envolvem juízo de valor,
dando origem a diferentes formas de interpretação, surgem várias correntes
de pensamento econômico (liberalismo, marxismo, keynesianismo, neolibe-
ralismo, monetarismo, etc).

OS CONCEITOS E PROBLEMAS ECONÔMICOS FUNDAMENTAIS:

Os fatores de produção: a terra, o trabalho, capital e a tecnologia.


Em economia, fatores de produção ou recursos produtivos são elementos in-
dispensáveis ao processo produtivo de bens materiais. Tradicionalmente,
consideram-se como fatores de produção a terra, o trabalho, capital e a tec-
nologia.
As necessidades ilimitadas. Por outro lado, as necessidades huma-
nas são ilimitadas e sempre se renovam, por força do próprio crescimento
populacional ou pela contínua elevação do padrão de vida. Independente-
mente do seu grau de desenvolvimento, nenhum país consegue dispor de to-
dos os recursos dos quais necessita.
A escolha entre alternativas de produção e de distribuição. Em fun-
ção da escassez de recursos, toda sociedade tem de escolher entre alterna-
tivas de produção e de distribuição dos resultados da atividade produtiva en-
tre os vários grupos da sociedade.
A questão central do estudo da Economia. Eis a questão
central do estudo da Economia:

“Como alocar recursos produtivos limitados, de forma a


atender ao máximo às necessidades humanas ilimitadas?”

Os problemas econômicos fundamentais. Desse dualismo - escas-


sez dos fatores de produção, associada às necessidades ilimitadas do ho-
mem – origina-se os chamados problemas econômicos fundamentais: o que
e quanto produzir? Como produzir? Para quem produzir?
a) O que e quanto produzir: dada a escassez dos fatores de produção,
a sociedade terá de escolher, dentro do leque de possibilidades de produ-
ção, quais produtos serão produzidos e as respectivas quantidades a serem
fabricadas.
b) Como produzir: a sociedade terá de escolher ainda quais recursos
de produção serão utilizados para a produção de bens e serviços, dado o ní-
vel tecnológico existente. A concorrência entre os diferentes produtores aca-
ba decidindo como serão produzidos os bens e serviços. Os produtores es-
colherão, entre os métodos mais eficientes, aquele que tiver o menor custo
de produção possível.
c) Para quem produzir: a sociedade terá também de decidir como seus
membros participarão da distribuição dos resultados de sua produção. A dis-
tribuição da renda dependerá não só da oferta e da demanda nos mercados
de serviços produtivos, ou seja, da determinação dos salários, das rendas da
terra, dos juros e dos benefícios do capital, mas também da repartição inicial
da propriedade e da maneira como ela se transmite por herança.
QUESTÕES DO DIA A DIA, RELACIONADAS A ECONOMIA

O objetivo do estudo da Ciência Econômica é analisar os problemas


econômicos e formular soluções para resolvê-los, de forma a melhorar nossa
qualidade de vida. Eis algumas questões do dia a dia relacionadas com o es-
tudo da Economia: inflação, nível de emprego e de crescimento econômico,
salários, balança comercial, taxa de câmbio, dívida interna e externa, distri-
buição de renda, taxa de juros, mercado financeiro e de capitais, orçamento
público, entre outros.

SISTEMAS ECONÔMICOS
O sistemaeconômico de cada país. O modo como as sociedades re-
solvem os problemas econômicosfundamentais depende da forma como or-
ganizam suas economias, ou seja, depende da forma comoestruturam o seu
sistema econômico.
Conceito. O sistema econômico é a forma como a sociedade se orga-
niza para a produção, distribuição e consumo dos bens e serviços. Além dos
aspectos econômicos, envolve fatores sociais e políticos.
Elementos básicos de um sistema econômico. Os elementos básicos
de um sistema econômico são:
a) estoque de recursos produtivos ou fatores de produção: recursos hu-
manos (trabalho e capacidade empresarial), capital, terra, as reservas natu-
rais e a tecnologia;
b) complexo de unidades de produção (empresas);
c) conjunto de instituições políticas, jurídicas, econômicas e sociais,
que constituem a base da organização da sociedade.

Classificação dos sistemas econômicos:


a) Sistema capitalista ou economia de mercado. É regido pelas forças
de mercado, predominando a livre iniciativa e a propriedade privada dos fato-
res de produção (liberalismo econômico). Nas economias de mercado, a
maioria dos preços dos bens, serviços e salários é determinada pelo merca-
do, que atua por influência das quantidades ofertadas e demandadas de
bens e serviços.
b) Sistema socialista ou economia centralizada ou, ainda, economia
planificada. Nesse sistema as questões econômicas fundamentais são resol-
vidas por um órgão central de planejamento, predominando a propriedade
pública dos fatores de produção, chamados nessas economias de meios de
produção, englobando os bens de capital, terra, prédios, bancos, matérias-
primas.

c) Sistema misto ou híbrido. Atualmente, o conceito de "sistema misto"


é muito usado como sinônimo de modelos que combinam a economia de
mercado com a economia planificada. Considerando a dificuldade em apon-
tar modelos ideais puros, teoricamente, todo sistema econômico poderia ser
considerado misto em algum grau. Nos anos 1990 dois padrões diferentes
de modelos mistos se consolidaram, o da chamada terceira via, representa-
do pelo "welfare state" (estado de bem-estar social) e uma reinterpretação
do liberalismo clássico, voltado apenas para o plano econômico. Este mode-
lo foi popularizado como neoliberalismo.
Outro modelo de economia híbrida é o chamado “socialismo de merca-
do” ou “capitalismo de estado”. Após a década de 1980, mesmo as economi-
as ainda guiadas por governos comunistas, como Rússia e China, têm aber-
to cada vez mais espaço para atuação da iniciativa privada, caracterizando
um “socialismo de mercado” ou um “capitalismo de estado”, com regime polí-
tico comunista, mas economia de mercado. Provavelmente, talvez apenas
Cuba e Coreia do Norte sejam os únicos remanescentes de um tipo de eco-
nomia completamente centralizada.
ARGUMENTOS POSITIVOS VERSUS ARGUMENTOS NORMATIVOS

A análise positiva (objetiva). A Economia é uma ciência social e utili-


za fundamentalmente uma análise positiva, que deve explicar os fatos da re-
alidade. Os argumentos positivos não envolvem juízo de valor, e referem-se
a proposições objetivas, do tipo se A, então B. Por exemplo, se o preço da
gasolina aumentar em relação a todos os outros preços, então a quantidade
que as pessoas irão comprar de gasolina cairá.
A análise normativa (contém juízo de valor). Todavia, na Economia,
também nos deparamos com a análise normativa, pois, frequentemente,
nossos valores interferem na análise do fato econômico. Nesse sentido, a
análise normativa é aquela que contém juízo de valor sobre alguma medida
econômica. Por exemplo, na afirmação “preço da gasolina não deve subir”
expressamos uma opinião ou juízo de valor, ou seja, afirmamos se tal coisa
é boa ou má.
CURVA DE POSSIBILIDADES DE PRODUÇÃO (OU CURVA DE
TRANSFORMAÇÃO)

A curva (ou fronteira) de possibilidades de produção. Expressa a capa-


cidade máxima de produção da sociedade, supondo pleno emprego dos re-
cursos ou fatores de produção de que se dispõe em dado momento do tem-
po. Trata-se de um conceito teórico com o qual se ilustra como a escassez
de recursos impõe um limite à capacidade produtiva de uma sociedade, que
terá de fazer escolhas entre diferentes alternativas de produção.

Custo de oportunidade (ou custo alternativo)

Definição. O custo de oportunidade é definido como uma expressão


"da relação básica entre escassez e escolha." O custo de oportunidade é um
termo usado em economia para indicar o custo de algo em termos de uma
oportunidade renunciada, ou seja, o custo, até mesmo social, causado pela
renúncia do ente econômico, bem como os benefícios que poderiam ser obti-
dos a partir desta oportunidade renunciada.

A transferência dos fatores de produção de um bem X para produzir


um bem Y implica um custo de oportunidade, que é igual ao sacrifício de se
deixar de produzir parte do bem X para se produzir mais do bem Y. O custo
de oportunidade também é chamado de custo alternativo, por representar o
custo da produção alternativa sacrificada. Por exemplo, na Figura 1, para au-
mentar a produção de alimentos de 30 para 60 toneladas (passar do ponto B
para o D), o custo de oportunidade em termos de máquinas é igual a 10 mil,
que é a quantidade sacrificada desse bem para se produzir mais 30 tonela-
das de alimentos.

O custo de oportunidade é crescente. É de se esperar que os custos


de oportunidade sejam crescentes, uma vez que, quando aumentamos a
produção de determinado bem, os fatores de produção transferidos dos ou-
tros produtos se tornam cada vez menos aptos para a nova finalidade, ou se-
ja, a transferência vai ficando cada vez mais difícil e onerosa e o grau de sa-
crifício vai aumentando. Isto é, os fatores de produção são especializados
em determinadas linhas de produção e não são completamente adaptáveis a
outros usos. Esse fato justifica o formato côncavo da curva de possibilidades
de produção: acréscimos iguais na produção dos alimentos implicam decrés-
cimos cada vez maiores na produção de máquinas, como mostra a Figura 2
abaixo:
Figura 2 - Curva de possibilidades de produção/custos de oportunidade
crescentes.

Deslocamentos da curva de possibilidades de produção (CPP)

Crescimento econômico: o deslocamento da Curva de Possibilidade


de produção (CPP) para a direita indica que o país está crescendo. Isso po-
de ocorrer tanto em função do aumento da quantidade física de fatores de
produção como em função do melhor aproveitamento dos recursos já exis-
tentes, em razão do progresso tecnológico, da maior eficiência produtiva e
organizacional das empresas e da melhoria no grau de qualificação da mão
de obra, permitindo que a economia obtenha maiores quantidades de ambos
os bens.
Figura 3 - Crescimento econômico.
CURVA DE POSSIBILIDADES DE PRODUÇÃO E FLUXO ECONÔMICO

Texto adaptado do livro: VASCONCELLOS, Marco


Antonio Sandoval de; GARCIA, Manuel Enriquez.
Fundamentos de economia. 5. ed. São Paulo:
Saraiva, 2014.

1 CURVA DE POSSIBILIDADES DE PRODUÇÃO (OU CURVA DE


TRANSFORMAÇÃO)

A curva (ou fronteira) de possibilidades de produção. Expressa a capacidade máxima de


produção da sociedade, supondo pleno emprego dos recursos ou fatores de produção de que se
dispõe em dado momento do tempo. Trata-se de um conceito teórico com o qual se ilustra como a
escassez de recursos impõe um limite à capacidade produtiva de uma sociedade, que terá de fazer
escolhas entre diferentes alternativas de produção.

Figura 1 - Curva (ou fronteira) de possibilidades de produção.

1.1 Custo de oportunidade (ou custo alternativo)

Definição. O custo de oportunidade é definido como uma expressão "da relação básica entre
escassez e escolha." O custo de oportunidade é um termo usado em economia para indicar o custo
de algo em termos de uma oportunidade renunciada, ou seja, o custo, até mesmo social, causado
pela renúncia do ente econômico, bem como os benefícios que poderiam ser obtidos a partir desta
oportunidade renunciada.

A transferência dos fatores de produção de um bem X para produzir um bem Y implica um custo de
oportunidade, que é igual ao sacrifício de se deixar de produzir parte do bem X para se produzir
mais do bem Y. O custo de oportunidade também é chamado de custo alternativo, por representar o
custo da produção alternativa sacrificada. Por exemplo, na Figura 1, para aumentar a produção de
alimentos de 30 para 60 toneladas (passar do ponto B para o D), o custo de oportunidade em termos
de máquinas é igual a 10 mil, que é a quantidade sacrificada desse bem para se produzir mais 30
toneladas de alimentos.
O custo de oportunidade é crescente. É de se esperar que os custos de oportunidade sejam
crescentes, uma vez que, quando aumentamos a produção de determinado bem, os fatores de
produção transferidos dos outros produtos se tornam cada vez menos aptos para a nova finalidade,
ou seja, a transferência vai ficando cada vez mais difícil e onerosa e o grau de sacrifício vai
aumentando. Isto é, os fatores de produção são especializados em determinadas linhas de produção
e não são completamente adaptáveis a outros usos. Esse fato justifica o formato côncavo da curva
de possibilidades de produção: acréscimos iguais na produção dos alimentos implicam decréscimos
cada vez maiores na produção de máquinas, como mostra a Figura 2 abaixo

Figura 2 - Curva de possibilidades de produção/custos de oportunidade crescentes.

1.2 Deslocamentos da curva de possibilidades de produção (CPP)

Crescimento econômico. O deslocamento da Curva de Possibilidade de produção (CPP) para a


direita indica que o país está crescendo. Isso pode ocorrer tanto em função do aumento da
quantidade física de fatores de produção como em função do melhor aproveitamento dos recursos já
existentes, em razão do progresso tecnológico, da maior eficiência produtiva e organizacional das
empresas e da melhoria no grau de qualificação da mão de obra, permitindo que a economia
obtenha maiores quantidades de ambos os bens.

Figura 3 - Crescimento econômico.


2 FUNCIONAMENTO DE UMA ECONOMIA DE MERCADO: FLUXOS REAIS E
MONETÁRIOS

Supondo uma economia sem governo e fechada. Para entender o funcionamento do sistema
econômico, vamos supor uma economia de mercado que não tenha interferência do governo nem
transações com o exterior (economia fechada).

Os agentes econômicos são as famílias (unidades familiares) e as empresas (unidades


produtoras). Numa economia de mercado, as famílias são proprietárias dos fatores de produção e
os fornecem às unidades de produção (empresas) no mercado dos fatores de produção. As empresas
combinam fatores de produção, produzem bens e serviços e os fornecem às famílias no mercado de
bens e serviços.

2.1 Fluxo real da economia

O duplo papel das famílias e empresas. Como pode ser observado na Figura 4, famílias e
empresas exercem um duplo papel. No mercado de bens e serviços, as famílias demandam bens e
serviços, enquanto as empresas os oferecem; no mercado de fatores de produção, as famílias
oferecem os serviços dos fatores de produção que são de sua propriedade – terra, capital e trabalho,
enquanto as empresas os demandam. A esse fluxo de fatores de produção, bens e serviços
denominamos fluxo real da economia.

Figura 4 - Fluxo real da economia.

2.2 O fluxo monetário da economia

A presença da moeda. O fluxo real da economia só se torna possível com a presença da moeda,
que é utilizada para o pagamento dos bens e serviços e para a remuneração dos fatores de produção.

A remuneração dos fatores de produção. A cada fator de produção corresponde uma


remuneração ao seu proprietário, como se segue:

a) salário: remuneração aos proprietários do fator de produção mão de obra;


b) lucro: remuneração ao capital físico, como prédios, máquinas e equipamentos. Inclui os
dividendos pagos às famílias como proprietários de empresas.
c) juro: remuneração aos proprietários do capital monetário, aplicado pelas famílias nas empresas;
d) aluguel: remuneração aos proprietários do fator terra (também chamado de renda da terra);

Assim, paralelamente ao fluxo real, temos um fluxo monetário da economia (veja a Figura 5).
Figura 5 - Fluxo monetário da economia.

2.3 O fluxo básico ou fluxo circular de renda

Juntando os fluxos real e monetário da economia, temos o chamado fluxo circular de renda,
conforme a figura 6 abaixo:.

Figura 6 - Fluxo circular de renda.

A determinação de preços. Em cada um dos mercados atuam conjuntamente as forças da oferta e


da demanda, determinando o preço. Assim, no mercado de bens e serviços formam-se os preços
dos bens e serviços, enquanto no mercado de fatores de produção são determinados os preços dos
fatores de produção (salários, juros, aluguéis, lucros).
A determinação das questões básicas da economia. No mercado de bens e serviços, determina-se
“o que” e “quanto produzir”; no mercado de fatores de produção, decide-se “para quem” produzir.
A questão de “como” produzir é dada no âmbito das empresas, pela sua eficiência produtiva.

O fluxo completo. O fluxo apresentado é o fluxo básico. O fluxo completo incorpora o setor
público, adicionando-se o efeito dos impostos e dos gastos públicos ao fluxo anterior, bem como o
setor externo, que inclui todas as transações com mercadorias, serviços e o movimento financeiro
com o resto do mundo. Para um entendimento básico do funcionamento da economia, objetivo deste
capítulo, não é necessária sua inclusão.

3 DEFINIÇÃO DE BENS DE CAPITAL, BENS DE CONSUMO E BENS


INTERMEDIÁRIOS

Bens de capital. Os bens de capital são utilizados na fabricação de outros bens, mas não se
desgastam totalmente no processo produtivo. É o caso, por exemplo, de máquinas, equipamentos e
instalações. São usualmente classificados no ativo fixo das empresas, e uma de suas características é
contribuir para a melhoria da produtividade da mão de obra.

Bens de consumo. Os bens de consumo destinam-se diretamente ao atendimento das necessidades


humanas. De acordo com sua durabilidade, podem ser classificados como duráveis (por exemplo,
geladeiras, fogões, automóveis) ou como não duráveis (alimentos, produtos de limpeza).

Bens intermediários e finais. Os bens intermediários são transformados ou agregados na produção


de outros bens e são consumidos totalmente no processo produtivo (insumos, matérias-primas e
componentes). Diferenciam-se dos bens finais, que são vendidos para consumo ou utilização final.
Os bens de capital, como não são “consumidos” no processo produtivo, são considerados bens
finais, e não intermediários.
A EVOLUÇÃO DO ESTADO E SEU POSICIONAMENTO PERANTE A ECONOMIA

1 O ESTADO ABSOLUTISTA

O absolutismo. O absolutismo prevaleceu nos países da Europa na época do Antigo Regime


(séculos XV ao XVIII). Pode ser definido como uma forma de governo concentrada na figura do
rei. Este exercia seu poder impondo sua própria vontade na elaboração e aplicação das leis. Grande
parte dos recursos arrecadados com impostos era utilizada para manter os gastos e o luxo da corte.

O mercantilismo. Durante o Estado Absolutista prevaleceu o sistema econômico chamado de


mercantilismo. Podemos definir o mercantilismo como sendo a política econômica em que o estado
tinha como objetivos a obtenção de metais precisos (para fabricação de moedas), a manutenção de
uma balança comercial favorável, protecionismo alfandegário, acúmulo de riquezas nas mãos dos
reis e ênfase no comércio marítimo.

O fim do Antigo Regime. O processo da Revolução Francesa, iniciado em 1789, foi o elemento
social que deu início ao fim do Antigo Regime na Europa, pois tirou do poder a monarquia
absolutista.

O declínio do Estado Absolutista: início da evolução histórica do pensamento. A evolução


histórica do pensamento econômico tem como ponto de partida o declínio do Estado Absolutista,
que enfeixava todos os poderes na mão do rei, cuja concentração de força impedia o
desenvolvimento de qualquer teoria que objetivasse reconhecer aos súditos direitos em oposição às
ordens do monarca. Vigorava a visão egocêntrica traduzida por Luís XIV: “O Estado sou eu”.

O surgimento do Estado Liberal. O declínio absolutista consolidou-se ideologicamente com a


teoria da separação dos poderes desenvolvida pelo Barão de Montesquieu. O Estado Absolutista deu
lugar ao Estado Liberal, que se caracterizava pela plena garantia das liberdades individuais (...
laissez-faire, laissez-passer), tendo seu auge no século XIX.

2 O ESTADO LIBERAL

O surgimento dos pilares do capitalismo: propriedade e liberdade. Após a revolução


burguesa ocorrida na Inglaterra (entre 1640 e 1660) surge uma nova realidade na qual a organização
social é baseada nos pilares do capitalismo: propriedade e liberdade. É exatamente esse último
conceito que dá nome ao novo ideário. A partir daí, o liberalismo torna-se a ideologia da sociedade
capitalista ou burguesa.

O liberalismo econômico. O estado não deve interferir nas relações econômicas. No Estado Liberal
predomina a ideia de que o estado não deve intervir nas relações econômicas entre indivíduos,
classes ou nações. O liberalismo defende a livre iniciativa, em oposição ao socialismo e ao
dirigismo. Os liberais tradicionais são contrários à intervenção do Estado na economia. Para eles o
Estado deveria apenas dar condições para que o mercado seguisse de forma natural seu curso.

A “mão invisível” de Adam Smith. Para Adam Smith, o maior representante do liberalismo
econômico, a capacidade de geração de riqueza de uma nação está no potencial de trabalho, sem
que o estado tenha que regular ou interferir na economia. Os agentes econômicos são movidos por
um impulso de crescimento e desenvolvimento econômico, que poderia ser entendido como uma
ambição ou ganância individual, que no contexto macro traria benefícios para toda a sociedade, uma
vez que a soma desses interesses particulares promoveria a evolução generalizada, um equilíbrio
perfeito. Apesar da inexistência de uma entidade coordenadora do interesse comum, a interação dos
indivíduos parece resultar numa determinada ordem, como se houvesse uma "mão invisível" que
orientasse a economia.

O declínio do liberalismo. Mas o exercício indiscriminado dos direitos e liberdades individuais


sem um aparato jurídico que lhe impusesse limites preestabelecidos teve consequências nefastas
para a sociedade, uma vez que concentrou demasiadamente os fatores de produção e riquezas nas
mãos de poucos, gerando as lutas de classes e injustiças sociais.

3 O ESTADO INTERVENCIONISTA (ESTADO KEYNESIANO)

O surgimento do dirigismo estatal. Após os conflitos sociais e econômicos do século XIX (a


Grande Depressão de 1929), bem como dos grandes conflitos mundiais, presenciou-se o
aparecimento do Estado Intervencionista e o nascimento das primeiras normas de caráter jurídico-
econômico nas quais a autonomia da vontade das partes na atividade econômica é mitigada pelo
dirigismo estatal, sobrepondo-se os interesses coletivos aos interesses individuais.

Keynes e o intervencionismo econômico. O intervencionismo econômico inspirou-se nas ideias do


economista inglês John Maynard Keynes. Diante da crise provocada pela Grande Depressão e do
desemprego em massa que assolava as economias capitalistas, Keynes passou a discordar da “Lei
de Say”, segundo a qual “a oferta cria sua própria demanda”. Concluiu pela necessidade de
intervenção do Estado no mercado, gerando, dessa forma, “demanda para garantir os níveis
elevados de emprego”.

A natureza instável do capitalismo. Keynes aponta para o caráter intrinsecamente instável do


sistema capitalista, esclarecendo que a “mão invisível” do mercado não resulta em equilíbrio e bem-
estar geral.

O intervencionismo econômico e social. A teoria de John Maynard Keynes, que se baseia na


necessidade de intervenção do Estado para a garantia do equilíbrio geral da economia, foi colocada
em prática após o fim da II Guerra Mundial, como uma opção para a recuperação dos países
devastados pela guerra.

O estado passa a adotar um novo posicionamento frente à economia, surgindo, assim, o Estado
intervencionista, com maior ou menor ênfase na economia:

a) O Estado intervencionista econômico. Nesta forma de participação estatal na economia, o Estado


atua com o fito de garantir o exercício das liberdades individuais. A política intervencionista não
visa ferir os postulados liberais, mas, tão somente, fazer com que o Estado coíba o exercício
abusivo e pernicioso do liberalismo.

b) O Estado intervencionista social. É a forma estatal de intervenção na atividade econômica que


tem por fim garantir que sejam adotadas políticas de caráter social, com o objetivo de prover os
cidadãos em suas necessidades básicas. É também conhecido como Estado de bem-estar social ou
Estado Providência (Welfare State). Busca prover uma série de direitos sociais aos cidadãos de
modo a mitigar os efeitos naturalmente excludentes da economia capitalista sobre as classes sociais
mais desfavorecidas. Manifestou-se, inicialmente, na Constituição do México de 1917 e na
Constituição da Alemanha de 1919 (Carta de Weimar), destacando-se pela garantia dos direitos
sociais e pelo intervencionismo na economia.

Os limites do keynesianismo. O Estado Keynesiano, que deu origem ao Estado de Bem-Estar


Social, reinou até o fim dos anos 60, quando, em meio à instabilidade econômica e inflação, passou
a ser substituída por um modelo diferente de liberalismo, ou neoliberalismo, que prega a mínima
intervenção do Estado no mercado, ou seja, o Estado Mínimo.

4 O ESTADO SOCIALISTA

O Estado Socialista constitui a forma intervencionista máxima do Estado, uma vez que este adota
uma política econômica planificada, baseada na valorização do coletivo sobre o individual. O Poder
Público passa a ser o centro exclusivo para as deliberações referentes à economia. Baseia-se em
teorias de organização econômica que defendem:

a) a supremacia do Estado na administração;


b) a propriedade pública e coletiva dos meios de produção;
c) a distribuição de bens, garantindo uma sociedade caracterizada pela igualdade de oportunidades e
meios para todos os indivíduos, com um método igualitário de compensação e nivelamento das
diferenças pessoais.

A planificação constitui medida de total intervenção do Estado, no qual o Poder Público se torna o
único centro de decisões econômicas. No plano jurídico, consubstancia-se no princípio da
supremacia do interesse público, mitigando os anseios e expectativas individuais em face da
vontade coletiva da sociedade. Preocupa-se, basicamente, com o bem comum e as necessidades da
coletividade, em detrimento da liberdade individual.

5 O ESTADO NEOLIBERAL OU REGULADOR

O Estado Intervencionista cedeu lugar ao Estado Neoliberal, ou, como preferem diversos autores
nacionais, ao Estado Regulador, fortemente inspirado no ideário político da social-democracia.

As políticas sociais começavam a pressionar o orçamento público. Assim, a partir desse descrédito
no potencial empresário e provedor do Estado, os papéis que antes lhe foram destinados passaram
por uma redistribuição, no intuito de reduzir o tamanho da máquina burocrática, devolvendo-se à
iniciativa particular as atividades que estavam sendo insatisfatoriamente prestadas pela máquina
estatal.

O pêndulo retorna à iniciativa privada, de modo a assegurar-lhe o papel de protagonista na


sociedade, dando-se um retorno comedido ao ideário liberal, permeado, agora, pela presença do
Estado, na qualidade de agente normatizador e regulador de sua Ordem Econômica.
A ORDEM ECONÔMICA NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL

1 CONCEITO DE “ORDEM ECONÔMICA”

A “Constituição Econômica” (arts. 170 a 181 da Constituição Federal). Por “ordem econômica”
entendem-se as disposições constitucionais estabelecidas para disciplinar o processo de
interferência do Estado na condução da vida econômica do país, mormente nas atividades geradoras
de rendas e riquezas. Trata-se do conjunto de disposições constitucionais que dizem respeito aos
fundamentos do sistema econômico do país.

A presença de princípios de orientação capitalista e socialista na Constituição Econômica


brasileira. Se a Constituição Federal, por um lado, sugere que o Brasil é um país absolutamente
voltado para a economia capitalista por causa da previsão expressa dos princípios da propriedade
privada e da livre iniciativa, de outra sorte encontra-se na Lei Maior a alguns princípios de
inspiração socialista, tais como a justiça social, a função social da propriedade e a busca da redução
das desigualdades regionais e sociais.

2 AS FORMAS DE INTERVENÇÃO DO ESTADO NA ECONOMIA

A interferência do Estado na ordem econômica pode se dar tanto de forma direta quanto de maneira
indireta:

a) Intervenção direta. Na forma direta de intervenção o Poder Público avoca para si a exploração
das atividades econômicas, por meio das empresas públicas.

b) Intervenção indireta. Na forma indireta o Estado atua monitorando a exploração das atividades
geradoras de riquezas pelos particulares, intervindo quando se fizer necessário para normatizar,
regular e corrigir as falhas de seu mercado interno, em prol do bem comum e do interesse coletivo
(por meio do CADE e das agências reguladoras, por exemplo).

A intervenção indireta é a regra. A vigente Constituição da República prevê, como regra, a


intervenção indireta do Estado na Ordem Econômica, via regulação e normatização, e,
excepcionalmente, a intervenção direta, tão somente nas hipóteses taxativamente previstas no texto
constitucional:

Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração


direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando
necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse
coletivo, conforme definidos em lei.

3 AS FUNÇOES DO ESTADO NA ECONOMIA

3.1 Intervenção indireta: o Estado como agente normativo e regulador. Ao Estado


brasileiro, no que tange à seara econômica, é permitido atuar como agente normativo e regulador e,
por meio dessas posições, exercer uma tríplice função: fiscalizadora, incentivadora e planejadora, a
teor do que preceitua o artigo 174 da Constituição Federal:

Art. 174. Como agente normativo e regulador da atividade econômica, o


Estado exercerá, na forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e
planejamento, sendo este determinante para o setor público e indicativo para
o setor privado.
3.2 Intervenção direta: o Estado como agente explorador. Nesta situação, o Poder Público
avoca para si a exploração das atividades econômicas por meio das empresas públicas. Esse modelo
de intervenção na economia pode ocorrer das seguintes formas:

a) Exploração concorrencial com o particular (art. 173, CF):

Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração


direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando
necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse
coletivo, conforme definidos em lei.

b) A exploração sob monopólio. Segundo a CF, o Estado atuará como agente explorador de
atividade econômica em regime de monopólio (art. 177, CF):

Art. 177. Constituem monopólio da União:


I - a pesquisa e a lavra das jazidas de petróleo e gás natural e outros
hidrocarbonetos fluidos
II - a refinação do petróleo nacional ou estrangeiro;
III - a importação e exportação dos produtos e derivados básicos resultantes
das atividades previstas nos incisos anteriores;
IV - o transporte marítimo do petróleo bruto de origem nacional ou de
derivados básicos de petróleo produzidos no País, bem assim o transporte,
por meio de conduto, de petróleo bruto, seus derivados e gás natural de
qualquer origem;
V - a pesquisa, a lavra, o enriquecimento, o reprocessamento, a
industrialização e o comércio de minérios e minerais nucleares e seus
derivados, com exceção dos radioisótopos cuja produção, comercialização e
utilização poderão ser autorizadas sob regime de permissão, conforme as
alíneas b e c do inciso XXIII do caput do art. 21 desta Constituição Federal.

c) A prestação de serviços públicos (art. 175, CF):

Art. 175. Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob


regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação, a prestação
de serviços públicos.
Parágrafo único. A lei disporá sobre:
I - o regime das empresas concessionárias e permissionárias de serviços
públicos, o caráter especial de seu contrato e de sua prorrogação, bem como
as condições de caducidade, fiscalização e rescisão da concessão ou
permissão;
II - os direitos dos usuários;
III - política tarifária;
IV - a obrigação de manter serviço adequado.

4 SERVIÇO PÚBLICO

É a prestação de serviços que têm a finalidade de atender necessidades da sociedade. No serviço


público sempre existe a participação do Estado no fornecimento dos serviços, ainda que de forma
indireta. Os serviços públicos chamados de essenciais são aqueles considerados urgentes e que
podem causar danos caso sejam interrompidos ou não fornecidos.
Os serviços essenciais são ligados às garantias de condições de saúde e de segurança, que são
indispensáveis para a vida digna dos cidadãos. Assim, a lei determina que a prestação destes
serviços não pode ser interrompida.

A lei nº 7.783/89 (Lei de Greve) definiu quais são os serviços públicos essenciais:

- tratamento e fornecimento de água,


- distribuição de energia elétrica,
- fornecimento de gás e outros tipos de combustível,
- serviços médicos e hospitalares,
- distribuição e venda de medicamentos,
- venda de alimentos,
- serviços funerários,
- transporte coletivo,
- tratamento de esgoto,
- coleta de lixo,
- serviços de telecomunicações,
- guarda e controle de substâncias radioativas e de materiais nucleares,
- atividades de processamento de dados dos serviços essenciais,
- controle do tráfego aéreo,
- serviços de compensação bancária.

5 PRINCÍPIOS DA ORDEM ECONÔMICA

O dispositivo contém indicações do fundamento, da finalidade e dos princípios da ordem


econômica. Assim dispõe o art. 170 da CF:

Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho


humano e na livre-iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência
digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes
princípios:

I - soberania nacional;
II - propriedade privada;
III - função social da propriedade;
IV - livre concorrência;
V - defesa do consumidor;
VI - defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado
conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos
de elaboração e prestação;
VII - redução das desigualdades regionais e sociais;
VIII - busca do pleno emprego;
IX - tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas
sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País.

5.1. Valorização do trabalho humano e livre iniciativa

O valor social do trabalho. Indica que o trabalho é um “direito fundamental” para a sociedade e
que ao trabalhador é garantido o direito de receber remuneração condizente e digna.

A livre iniciativa. Significa que o empreendedor tem o direito à liberdade de atuação e organização
na busca do lucro, respeitados os ditames legais. A propósito, a intervenção do Estado na economia
se opera de forma mínima e somente em casos especiais. A livre iniciativa está relacionada com a
ideia de liberalismo econômico, envolvendo a liberdade de empresa e a liberdade de contrato.

5.2. Existência digna - dignidade da pessoa humana

A dignidade da pessoa humana constitui o “norte” da Constituição. Permitiu uma nova


reconstrução de todo o ordenamento jurídico, passando a ser considerado também o valor
constitucional supremo e, dessa forma, o indivíduo passou a ser o ponto central do sistema e não
mero objeto dele.

A dignidade da pessoa humana constitui princípio de destaque entre os direitos humanos. Na


Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948), o referido princípio é citado como primeiro
fundamento para o reconhecimento dos direitos do homem, constando ainda do primeiro artigo da
Declaração:
Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os
membros da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o
fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo [...]

Artigo 1º. Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos.


São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras
com espírito de fraternidade.

A dignidade da pessoa humana como fim maior do Estado e da sociedade. No sistema jurídico
pátrio, o princípio da dignidade da pessoa humana também ostenta elevado status. Constitui
princípio fundamental da República, conforme o art. 1º, inciso III, da CF, sendo considerado
verdadeiro conformador do sistema jurídica brasileiro. Também foi expressamente previsto no
artigo 170 da Constituição Federal, estabelecendo que a ordem econômica, fundada na valorização
do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna.

A dupla dimensão do princípio da dignidade da pessoa humana. O princípio da dignidade da


pessoa humana é, ao mesmo tempo, limite e tarefa do Estado. É limite da atividade do poder
público porque existe antes mesmo do direito elaborado pelo Estado; é tarefa imposta ao Estado
porque este deve reconhecê-lo e promovê-lo. A dignidade da pessoa humana possui dupla
dimensão, pois, simultaneamente, expressa a autonomia inerente à pessoa humana, vinculada à ideia
de autodeterminação, bem como requer do Estado sua proteção, especialmente quando fragilizada
ou ausente a capacidade de autodeterminação da pessoa.

Conteúdo genérico. Quando se fala em dignidade, refere-se a um conjunto de direitos capazes de


garantir a existência digna da pessoa. A dignidade da pessoa humana reflete o reconhecimento de
vários direitos individuais e coletivos fundamentais, o que significa que o seu conteúdo genérico - a
dignidade - deve estar vinculado a tais direitos, não podendo ser valorado separadamente dos
conteúdos que lhe dão significação mais concreta, como o direito à vida, à integridade física,
psíquica e moral, à liberdade, à cidadania, à honra, às condições mínimas para uma vida saudável, à
autonomia, à igualdade, à solidariedade, entre outros. Ou seja, a dignidade, enquanto conteúdo
isolado, não constitui, por si só, um direito a ser concedido pelo sistema jurídico.

5.3 Justiça social

Compartilhamento social de todos os riscos e riquezas da Nação. Traduz-se na efetivação de


medidas jurídicas e na adoção de políticas que garantam a todos o acesso indiscriminado aos bens
imprescindíveis à satisfação de suas necessidades fundamentais. Trata-se, portanto, do
compartilhamento social de todos os riscos e riquezas da Nação, a fim de que o desenvolvimento
socioeconômico de um seja equitativamente distribuído a todos os membros da sociedade. Por
óbvio, nem todos terão acesso aos mesmos níveis de renda, diante das naturais desigualdades que
cercam as pessoas, na qualidade de seres individuais que são. Todavia, deve o Estado garantir renda
mínima àquela parcela menos abastada da sociedade, mediante efetivação do princípio da
solidariedade, característico do intervencionismo social, que se encontra presente em nossa atual
Constituição, nos termos do artigo 195.

5.4 Princípio da soberania nacional

Pode ser definida como o poder político supremo que o Estado brasileiro detém. Entende-se
por soberania o poder político caracterizado pela independência (face externa) e pela supremacia
(face interna). No plano externo, soberania é a capacidade do Estado em ser reconhecido como
pessoa jurídica de direito público na comunidade internacional. No plano interno significa a
possibilidade do uso da força legítima e o reconhecimento como o maior poder constituído.

Soberania x autonomia. A soberania, conforme já mencionado é caracterizada pelo poder político


independente e supremo. Já autonomia é uma margem de liberdade, escolha, conferida aos demais
entes da Federação (estados e municípios).

5.5 Princípio da propriedade privada

Garantia fundamental. Erigida ao status de direito e garantia fundamental pela CF (art. 5º, XVII),
traduz-se no poder de usar, gozar, dispor e perseguir um bem, em caráter exclusivo e perpétuo. Este
princípio assegura aos agentes econômicos o direito à propriedade dos fatores de produção e
circulação de bens em seus respectivos ciclos econômicos, sendo instrumento garantidor da livre
iniciativa de empreendimentos privados.

5.6 Princípio da função social da propriedade

A propriedade não é um direito de exercício absoluto e irrestrito. Em que pese gozar de


proteção do Estado, o caráter absoluto do direito à propriedade foi mitigado pelo princípio da
função social da propriedade (CF, 5º, XXIII):

Art. 5º
[...]
XXIII - a propriedade atenderá a sua função social;

A interferência do Estado na esfera de domínio privado do proprietário. O uso e a fruição da


propriedade privada passam a ser condicionados ao atendimento de um objetivo maior, previamente
estipulado em lei, cuja inobservância legitima a interferência do Estado na esfera de domínio
privado do proprietário, podendo acarretar, inclusive, a expropriação do bem.

5.7 Princípio da livre-concorrência

Princípio da defesa do mercado. É um dos alicerces da economia liberal, sendo corolário da livre-
iniciativa, isto é, só existirá a livre-concorrência onde o Estado garante a livre-iniciativa. No campo
do direito comparado é comumente denominado de princípio da defesa do mercado.

Equilíbrio entre oferta e procura. Concorrência é a ação competitiva desenvolvida por agentes
que atuam no mercado de forma livre e racional. Assim, deve o Estado intervir de forma a garantir
que a competição entre os concorrentes de um mesmo mercado ocorra de forma justa e sem abusos
(monopólio, oligopólio, truste, cartel etc.), garantindo-se, assim, o equilíbrio entre a oferta e a
procura.

Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência. No Brasil a livre-concorrência é fiscalizada pelo


Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência, composto pela Secretaria de Acompanhamento
Econômico – SEAE (Ministério da Fazenda) e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica
– CADE (Ministério da Justiça).

O CADE. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica é uma autarquia federal, vinculada ao


Ministério da Justiça, com sede e foro no Distrito Federal, que exerce, em todo o território nacional,
as atribuições dadas pela Lei nº 12.529/2011. O CADE tem como missão zelar pela livre
concorrência no mercado, sendo a entidade responsável, no âmbito do Poder Executivo, não só por
investigar e decidir, em última instância, sobre a matéria concorrencial, como também fomentar e
disseminar a cultura da livre concorrência.

5.8 Princípio da defesa do consumidor

Direito fundamental. Nos termos do art. 5, inciso XXXII da CF, o Estado promoverá, na forma da
lei, a defesa do consumidor.

É corolário do princípio da livre-concorrência. Juntamente com este princípio, constitui o


princípio da defesa de mercado, uma vez que se compõe de fornecedores e consumidores. Assim,
por estar em relação de hipossuficiência e desvantagem em relação aos detentores dos fatores de
produção, o consumidor merece defesa especial por parte do Estado, contando com legislação
própria (Lei n. 8.078/1990).

5.9 Princípio da defesa do meio ambiente

A atividade econômica deve estar orientada pela defesa do meio ambiente. Deve existir
equilíbrio entre produção de riqueza e proteção ambiental. Diz respeito à utilização racional dos
fatores de produção naturais.

Direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. De acordo com o art. 225 da CF, todos
têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à
sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e
preservá-lo para as presentes e futuras gerações.

Possibilidade de tratamento diferenciado às empresas. A EC nº 42/2003 deu nova redação ao


art. 170, VI, estabelecendo a possibilidade de tratamento diferenciado conforme o impacto
ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação. Assim, empresas
“ecologicamente corretas” podem obter do Estado tratamento diferenciado por meio de isenções,
benefícios fiscais, etc.

5.10 Princípio da redução das desigualdades regionais e sociais

Objetivo fundamental da República (art. 3º da CF). A CF traz como um de seus objetivos


fundamentais a construção de uma sociedade livre e justa e solidária, a necessidade de se promover
o desenvolvimento nacional, a erradicação da pobreza e da marginalização, bem como a redução
das desigualdades sociais e regionais.

Princípio do solidarismo e justiça distributiva. Fundamenta-se no princípio geral de direito do


solidarismo que consubstancia todo o intervencionismo social, bem como num conceito de justiça
distributiva, visto sob uma perspectiva macro, no qual o desenvolvimento da nação deve ser por
todos compartilhado, adotando-se políticas efetivas de repartição de rendas e receitas, com o fito de
favorecer as regiões e as classes sociais que se encontram em desnível e em posição de
hipossuficiência em relação às demais.

5.11 Princípio da busca do pleno emprego

A expansão das oportunidades de emprego produtivo. Tem por fim garantir que a população
economicamente ativa esteja exercendo atividades geradoras de renda, tanto para si quanto para o
País. Ressalte-se que, quanto maior o número de cidadãos economicamente ativos laborando de
forma rentável, maior será a renda per capita do País, maior será o volume de arrecadação com
tributos, diminuindo-se os gastos com despesas oriundas da seguridade social, notadamente
previdência e assistência, que poderá focar seus esforços e recursos, tão somente, no notadamente
necessitado.

5.12 Princípio do tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte

A importância das empresas de pequeno porte. A inovação tecnológica permitiu que as


atividades econômicas passassem a ser desenvolvidas por um número cada vez maior de empresas
de médio e pequeno porte, detentoras do know-how de produção, aumentando a concorrência do
mercado e criando empregos, em que pese não deterem poderio, nem capital econômico de grande
porte. Daí a importância das empresas de médio e pequeno porte no atual mercado, como entidades
concorrenciais, empregadoras e geradoras de renda. Portanto, deve o Estado protegê-las em face das
medidas abusivas que podem sofrer por parte das grandes empresas, garantindo sua existência e
participação no mercado.

Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas. Segundo a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas
(LC nº 123/2006):

A microempresa será a sociedade empresária, a sociedade simples, a empresa individual de


responsabilidade limitada e o empresário, devidamente registrados nos órgãos competentes, que
aufira em cada ano calendário a receita bruta igual ou inferior a R$ 360.000,00.

Empresa de pequeno porte. Se a receita bruta anual for superior a R$ 360.000,00 e igual ou
inferior é R$ 4.800.000,00, a sociedade será enquadrada como empresa de pequeno porte. Estes
valores referem-se a receitas obtidas no mercado nacional.

Microempreendedor Individual. A Lei Geral também criou o microempreendedor individual, que


é pessoa que trabalha por conta própria e se legaliza como pequeno empresário optante pelo
Simples Nacional, com receita bruta anual de até R$ 81.000,00. O microempreendedor pode possuir
um único empregado e não pode ser sócio ou titular de outra empresa.