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A Educação Ambiental surge na segunda metade do século XX, como uma das

estratégias para solucionar os problemas ambientais e nos anos 50 e 60 com o pós-


guerra houve um aumento da população mundial, com uma crise ambiental iminente,
esgotamento dos recursos naturais, degradação ambiental, além do crescimento
industrial, surgindo várias catastofrés, ameaçando a qualidade de vida.

No início dos anos 70 o governo sueco apresentou à Organização das Nações


Unidas uma proposta para a realização de uma Conferência Mundial sobre o Meio
Ambiente Humano que só foi ocorrer em julho de 1972 em Estocolmo. Essa
conferência foi à primeira em que políticos, especialistas e autoridades de governo
estavam presentes, representando 113 nações e 250 organizações não governamentais
para discutirem sobre as questões ambientais.

Além disso, inúmeros programas foram criados como o UNEP (Programa de


Meio Ambiente das Nações Unidas) para implementar o consenso estabelecido na
Conferência. Os governos criaram ministérios ou agências para lidar com as questões
ambientais, legislações e regulamentos ambientais foram decretados. Organizações não-
govemamentais e grupos de cidadãos surgiram em todas as partes, no inicio esse foco
foram nos países desenvolvidos, bem como unidades governamentais de controle da
poluição foram estimuladas. Pensou – se também na responsabilidade do ser humano
em sua relação com o ambiente, onde a educação tem um papel de grande importância
para a solução dos problemas.

Com a recomendação 96 de Estocolmo, realizaram-se em 1975, na cidade de


Belgrado o Seminário Internacional de Educação Ambiental, onde o documento final
desta Conferência conhecida como Carta de Belgrado, é o primeiro documento oficial
dedicado integralmente à educação ambiental, estão incluídas análises da situação
mundial, olhando para a necessidade de eliminar as causas básicas da pobreza, da fome,
do analfabetismo, da poluição e exploração. Estabelecendo que não é possível lidar
com esses fatores de forma fragmentada e que os cidadãos devem estar inseridos para
darem o suporte necessário para aumentar as condições de vida e qualidade do meio
ambiente.

A Carta de Belgrado é documento norteador de uma concepção de educação


ambiental de âmbito interdisciplinar, onde se procura as dimensões antropológicas e
ecológicas, afirmando a necessidade que as pessoas assumam o compromisso de
melhorar a qualidade de vida e dos povos do mundo inteiro. Dessa forma, a Educação
Ambiental começa a ser vista como uma forma crítica de combater de forma mais
rápida e eficiente a crise ambiental do mundo.

Cinco anos depois da Conferência de Estocolmo em 1977, acontece em Tbilisi a


Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental, sendo uma parceria entre a
UNESCO e Programa de Meio Ambiente da ONU (Pnuma). É um dos marcos mais
importante para a definição e evolução da educação ambiental. Realizada com
consensos, trazendo conclusões e recomendações que repetem, atenuando no vigor e no
radicalismo crítico, as diretrizes da Carta de Belgrado. Nas recomendações de Tbilisi
podemos perceber que os objetivos fundamentais da EA é fazer com que os indivíduos e
a coletividade percebam a complexidade da natureza natural e do meio ambiente criado
pelo homem, estabelecendo valores, comportamentos, ações, participação, criticidade,
autodisciplina e habilidade para a solução dos problemas ambientais.

Entretanto, no Brasil essas preocupações foram sentidas a partir de 1987, através


do documento ‘’Diretrizes de Educação Ambiental: um instrumento interdisciplinar’’,
onde foram formuladas as políticas e diretrizes da educação ambiental, tendo as
recomendações de Tbilisi como pressupostos básicos. Seguindo o exemplo
internacional, uma década depois, o discurso ecológico, assim como as idéias da
educação ambiental, foi incorporado ao sistema educacional do país. Contudo, as
discussões e as reflexões sobre o real significado, importância e objetivos da educação
ambiental fossem assimilados pela grande maioria dos professores.

Outro marco histórico é o Congresso Internacional de Educação e Formação, o


qual reafirmou os princípios estabelecidos em Tbilisi, saiu do início que a EA não pode
ser estabelecida sem um contato com a realidade social, econômica e ecológica.
Percebe-se a necessidade da criação de novos recursos e estratégias a longo prazo, tanto
nacional como internacionalmente, para possibilitar que os indivíduos se tornem
conscientes, mais responsáveis e melhor preparados para participar da preservação do
meio ambiente.Nessa perspectiva, foi elaborado um plano de ação para a década de
90,contido no documento final chamado de "Estratégias Internacionais de Educação e
Formação Ambiental para a década de 1990" e publicado pela UNESCO em 1988.

E também, outro ponto importante foi A Conferência Internacional sobre o Meio


.Ambiente e Desenvolvimento foi realizada no Rio de Janeiro em 1992. Tendo como
objetivo estabelecer acordos, estratégias globais e internacionais, partindo do princípio
de que se respeitem os interesses de todos e se proteja a integridade do sistema
ambiental e o desenvolvimento mundial. Percebe-se divergências e interesses
contraditórios entre os países ricos e pobres e mesmo com cinco documentos aprovados
as questões mais polêmicas ainda persistiram. Outro fator de discussão foi a
desigualdade e o agravamento da pobreza, das doenças, do analfabetismo e a contínua
escassez dos recursos naturais.

O estudo da história mundial da Educação Ambiental é de extrema relevância


para a completa compreensão dos esforços da Humanidade na busca pelo
desenvolvimento sustentável. E para que seja obtida uma melhor compreensão da
Educação Ambiental no Brasil, é preciso analisá-la como fenômeno da integração do
país no cenário internacional, dessa forma, é necessário que se efetue um estudo dos
principais marcos históricos mundiais a respeito do tema.