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id=5804

Tratamento de Efluentes

Data da Notícia: 04/04/2013

Fonte: Revista TAE

O trabalho da flotação e aeração

por Cristiane Rubim

No tratamento de água e efluentes, o papel da flotação é separar líquidos de sólidos com


microbolhas de ar que levam as impurezas suspensas à superfície. Para saber se os flotadores
estão trabalhando bem, é preciso verificar justamente a relação entre ar e sólidos e o tamanho da
bolha. São eficazes quando há maior quantidade de ar e menor o tamanho da bolha. Os aeradores
também são essenciais para um sistema de flotação, por terem alta capacidade de dissolução de
oxigênio na água. E o cliente deve estar atento diante de tantas opções no mercado para escolher
aquela que lhe dê garantias de processos e resultados.

Para entendermos melhor sua importância, o flotador faz as impurezas flutuarem, isso porque as
microbolhas se prendem às partículas sólidas e óleos/graxas com densidade semelhante ou pouco
acima da água que formam um conjunto levado à superfície de onde é retirada a espuma
produzida. O ar introduzido no líquido na flotação faz a oxigenação chegar à saturação, o que
permite um controle e remoção dos agentes de produção de odores, no caso os microrganismos, e
dos gases dissolvidos no efluente.

De acordo com o engenheiro químico Sergio Murilo Stamile Soares, gerente de processo da
Engenho Novo, empresa que desenvolve inovações tecnológicas em processo e tratamento de
efluentes para o setor industrial, os flotadores funcionam “de maneira inversa” aos decantadores.
“Na decantação, o material a ser separado é mais denso do que o meio líquido e se acumula no
fundo do equipamento. Já na flotação, o material a ser separado é naturalmente menos denso (ou
se torna mediante a adesão de ar) que o meio líquido e se acumula na superfície no interior do
flotador”, explica.

Os aeradores são peça-chave de um sistema de flotação, conforme Soares. “Como a maioria dos
materiais a serem separados por flotação é naturalmente mais denso do que o líquido, é preciso
injetar ar, em quantidade e tamanho de bolha apropriados, para que essas bolhas de ar se unam
a esses materiais, tornando-os menos densos que o meio e flotem”, esclarece. O gerente de
processo explica ainda que os flotadores separam materiais de baixa densidade (orgânicos, entre
eles, óleos, graxas, etc.) e sólidos que possuam grande atração pelo ar (de natureza hidrofóbica)
e podem ser retangulares ou cilíndricos, com alterações nos sistemas de raspagem.

No processo de flotação, a água é clarificada devido à suspensão das partículas sólidas ou oleosas
com o uso de microbolhas até a superfície do tanque, onde o lodo é removido por raspadores
superficiais contínuos, segundo Henrique Martins, engenheiro responsável pela EQMA Engenharia
& Consultoria, que executa e elabora projetos, treinamentos e consultorias sobre tratamento de
água e efluentes. “A água tratada segue para a próxima etapa, geralmente, composta por filtro de
areia ou carvão ativado ou para outro processo de tratamento, como o de lodos ativados”, explica.

Aplicações

Os flotadores podem ser utilizados no tratamento de água de abastecimento, de efluentes e de


esgoto doméstico. Eles atendem aos casos em que a água de abastecimento tem baixa turbidez e
elevada cor verdadeira e também na remoção de algas que promovem sabor e odor
desagradáveis. “A aplicação mais frequente é no espessamento e adensamento do lodo gerado na
ETA”, diz o engenheiro da EQMA. Também servem efluentes com sólidos cuja velocidade de
sedimentação é baixa e/ou quando há material oleoso, como de petroquímicas, indústrias de
alimentos, etc. A flotação substitui ainda, no tratamento de esgoto doméstico, o decantador
primário e secundário do sistema de lodo ativado, além de seu uso no adensamento do lodo
biológico. “O uso de flotação nesta aplicação tem custos bem maiores por conta do maior consumo
de produtos químicos e energia elétrica”, avalia Martins. São usados também na pré-separação de
resíduos minerais, vegetais e orgânicos, óleos emulsionados, fibras de papel, efluentes de
curtumes, refino de óleo, conservas, lavanderias, frigoríficos, celulose e papel e mineradoras,
entre outros.

Flotadores
Principais funções
• Remoção de sólidos em suspensão de água superficiais e efluentes;
• Remoção de turbidez e cor verdadeira de água de abastecimento;
• Remoção de pequenas algas de águas de abastecimento;
• Remoção de material oleoso de efluentes industriais;
• Pré-tratamento de efluentes industriais;
• Pós-tratamento de efluentes de reator anaeróbios;
• Espessamento e adensamento de lodo de ETA e ETE;
• Unidade de clarificação no processo de lodo ativado.
Benefícios
• Elevada eficiência na remoção de sólidos finamente divididos e material oleoso;
• Menor consumo de produtos químicos quando comparado ao sistema convencional;
• Unidades mais compactas. Em geral, requerem tempo de detenção hidráulico de 5 a 20 minutos
na floculação e mais 5 a 30 minutos na flotação;
• A concentração de sólidos no lodo final varia de 2% a 3%, dispensando, em muitos casos, outras
unidades de desaguamento.

Linhas de tratamento
Fábio Campos, doutorando na Faculdade de Saúde Pública da USP e técnico de laboratório no
depto. de engenharia hidráulica e ambiental da Escola Politécnica, explica que existem duas linhas
de tratamento nas estações de tratamento de água (ETA) e de esgoto (ETE)/efluentes industriais:
• Tornar a água bruta em potável ou adequar o esgoto aos padrões de lançamento;
• Dos sólidos retirados nos dois processos.
Na ETA, após adicionar coagulante na coagulação/floculação, o lodo produzido é separado em
decantadores. Na ETE, o lodo advindo dos decantadores primário e secundário são encaminhados
aos adensadores. “Decantadores ou adensadores são operações unitárias distintas, mas baseadas
no mesmo princípio e objetivo que é promover a separação sólido/líquido. O primeiro clarifica a
água e o segundo aumenta o teor de sólidos”, esclarece. Estas operações podem ser feitas de
duas formas:

Separação por gravidade: Pela ação da força da gravidade. O lodo sedimentado será removido
por meio de um fosso localizado no fundo dos tanques.

Separação por flotação: Através da injeção de líquidos saturados com ar para que as bolhas
formadas possam arrastar os flocos para a superfície e lá serem retirados.
Antes de optar por esse tipo de separação, conforme explica Campos, alguns aspectos devem ser
analisados:
• A concentração do material particulado;
• Quantidade de ar usada;
• Velocidade de ascensão da partícula;
• A taxa de alimentação de sólidos;
• As características físico-químicas das partículas.

A diferença existente entre os sistemas de flotação é a forma de obtenção das microbolhas e a


adoção de recirculação parcial ou total da água no sistema. As microbolhas podem ser obtidas por
três tipos de sistemas de flotação:

• Flotação eletrostática ou eletroflotação: Através de eletrodos e energia elétrica. Visa à


produção de hidrogênio e oxigênio a partir da passagem de solução aquosa diluída entre os
eletrodos. “Esta técnica requer muitos cuidados operacionais e tem custos elevados com energia,
embora produza lodo com maior concentração de sólidos, se comparado a um decantador
convencional”, avalia Martins.

• Flotação por ar disperso: Utilização de produtos químicos que, em contato, provocam reações
químicas e produzem as microbolhas. Há dois agravantes neste sistema, segundo o engenheiro da
EQMA: as bolhas aumentam muito de tamanho, produzindo forte turbulência, o que ocasiona
quebra de boa parte dos flocos; e alguns desses produtos podem deixar resíduos que inviabilizam
o tratamento da água potável. “Assim como a flotação eletrostática, a flotação por ar disperso
despende maior custo operacional e requer cuidados especiais, mas tem como principal benefício a
produção de lodo mais concentrado”, afirma.

• Flotação por ar dissolvido (FAD): A tecnologia mais utilizada, por pressurização e


despressurização de ar na massa líquida, com microbolhas da ordem de micra. “A vantagem da
FAD é que possui menor custo operacional dentre as três técnicas, devido à injeção de ar
atmosférico diretamente na massa líquida para formar as microbolhas”, aponta Martins. Ele
explica que quando é feita a injeção de ar na massa líquida na câmara de saturação, cuja pressão
varia de 2,5 a 3,5 kgf/cm², ele se solubiliza na água até a completa saturação. Em seguida, é
levado ao tanque de flotação. No momento em que a água saturada com ar é submetida à pressão
atmosférica, as bolhas de ar se desprendem rapidamente, formando as microbolhas com
diâmetros de 30 a 120 µm.

A recirculação de parte do efluente tratado, de acordo com Martins, aumenta a eficiência de


separação do processo de flotação por ar dissolvido (FAD) porque promove a remoção de
pequenos sólidos não removidos no tratamento. Para Campos, uma das vantagens do FAD é o uso
de áreas menores que as dos decantadores e adensadores. Durante a flotação, o próprio despejo
tratado ou a água potável segue para a câmara de saturação onde ocorrerá a saturação do líquido
pela injeção de ar por meio de difusores ou aeradores de superfície. Em seguida, é transferido à
câmara de flotação para que se forme o conjunto de bolhas/flocos e promova o arraste das
partículas para a superfície de onde serão retirados.

Com a legislação cada vez mais exigente para contaminantes, como materiais orgânicos de
efluentes aquosos, sobretudo, óleo e graxas, a flotação se mostra, segundo Soares, da Engenho
Novo, o processo mais apropriado no mercado para separá-los e atingir, de maneira barata,
segura e eficiente, os níveis finais de contaminantes exigidos. Para atender aos padrões
ambientais de descarte ou de reúso da água, a Engenho Novo criou um sistema de tratamento de
efluentes por processo de flotação, compacto e fácil de operar, que une eficiência e baixo custo de
®
instalação e manutenção. Seu diferencial é o Air-Jet (ver boxe), tecnologia de aeração por
ejetores de mistura que, ao utilizar ar atmosférico ou outro gás, permite gerar microbolhas finas e
adequadas por ar dissolvido e ar disperso sem necessidade de compressores e válvulas de
regulagem de pressão e nível. Os flotadores da Engenho Novo são cilíndricos e compactos,
utilizam aeração por ejetores de mistura, não necessitam de compressores de ar e bombas de
recirculação e dispensam manutenção.
Sistemas

Dois tipos de tecnologia podem ser utilizados para conduzir o tratamento biológico de esgoto, o
aeróbio e o anaeróbio. Nos grandes centros urbanos, segundo Campos, dentre as variantes do
processo aeróbio, é muito usado o sistema de lodos ativados. “Como vantagens, este sistema tem
a capacidade de tratar altas cargas orgânicas e a necessidade de áreas reduzidas. Como
desvantagens, o custo de implantação e operação e o volume de lodo produzido”, indica o técnico.
Nesse tipo de sistema, o esgoto é estabilizado em tanques de aeração, os quais contêm
microrganismos aeróbios que utilizarão a matéria orgânica em seu metabolismo, reduzindo, assim,
seu potencial poluidor para que o efluente tratado possa ser lançado em corpos d’água. Depois, é
necessária a introdução de ar nesses tanques de aeração para suprir a necessidade de uso por
parte dos microrganismos e promover a mistura do seu conteúdo.
Os sistemas de aeração mais comuns em plantas de lodos ativados são os sistemas com ar difuso
e os aeradores superficiais. Nos dois casos, a transferência de oxigênio encontra dificuldade pela
presença de sólidos e salinidade dos esgotos. “Além disso, nas condições críticas de campo, as
temperaturas acima de 20oC e altitudes acima do nível médio do mar fazem com que sejam
obtidas reduções de 40% nos valores resultantes de testes de transferência de oxigênio em água
limpa”, demonstra.

Aeração por ar difuso: Garante maior homogeneidade na concentração do oxigênio dissolvido


(OD) ao longo do tanque, bem como a inexistência de zonas onde ocorra a sedimentação do lodo
(zonas mortas). Segundo Campos, este sistema torna-se caro pelo fato de os sopradores que
introduzem o ar pelos difusores consumirem muita energia, além de que eventuais reparos
necessitem do esgotamento do tanque.
Aeradores superficiais: Opção para plantas pequenas porque apresentam uma menor
homogeneidade no perfil de OD ao longo do tanque, permitindo, por vezes, a formação de zonas
mortas. De acordo com Campos, são mais econômicos e de fácil manutenção.
A aeração deve ser bem feita porque é essencial para a flotação. Existem vários tipos de aeração,
mas as formas mais utilizadas para introduzir ar em um líquido são através da aeração por ar
dissolvido e a aeração por ar disperso, esta última é a mesma que aeração por ar difuso citada
acima.
Aeração por ar disperso: As bolhas de ar são geradas por borbulhadores, normalmente
membranas porosas ou buchas de metal sinterizado, ou pela fricção de ar injetado no líquido com
superfícies sólidas, por exemplo, pelo atrito do ar com o rotor de uma bomba ou com as paredes
de um tubo em um fluxo a alta velocidade. Neste tipo, o processo necessita de alto consumo de
energia e grandes tanques de aeração, segundo a Engenho Novo.
Aeração por ar dissolvido: Há uma prévia pressurização do líquido ou de parte dele em contato
com ar borbulhado. As bolhas de ar que se unem às partículas sólidas são geradas por dissolução
de ar no líquido sob pressão elevada com a posterior nucleação (precipitação) por rápida redução
da pressão, o que diminui a solubilidade do ar e deixa o líquido supersaturado – o mesmo que
acontece ao abrir uma garrafa de refrigerante. Em geral, são necessários compressores de ar e
bombas para a pressurização do ar e do líquido. É preciso maior investimento e manutenção e
atenção operacional para garantia das condições ideais de aeração, como controle de nível, vazão
e pressão de ar, de acordo com a Engenho Novo.
Substitutos
Na opinião de Martins, as bolsas geotêxteis ou bolsas desidratadoras de lodo são os únicos
equipamentos mais modernos que podem competir com os flotadores nos processos de
tratamento. Mas, mesmo assim, adverte que somente em alguns casos. “Isso porque o princípio
de funcionamento dessas bolsas também é a coagulação e floculação com o diferencial de
aprisionar os sólidos floculados em seu interior, permitindo que apenas a água, praticamente
isenta de sólidos, permeie pela superfície da membrana. Desse modo, efluentes industriais oleosos
são mais facilmente tratados por flotadores”, explica.
Para Soares, da Engenho Novo, existem equipamentos que podem substituir os flotadores que não
são propriamente mais modernos, mas, sim, dependendo da aplicação, tecnologias diferentes,
como membranas, hidrociclones, filtração, etc. Entretanto, o engenheiro químico afirma que, para
um tratamento primário físico-químico de efluentes líquidos contendo matérias orgânicas e/ou
hidrofóbicas, “nenhuma dessas outras tecnologias apresenta relação custo-benefício melhor do
que o processo de flotação”.
A B&F Dias atua com soluções completas em sistemas de aeração por ar difuso, tecnologia voltada
especialmente para processos de oxidação de carga orgânica que pode substituir os
flotadores/aeradores por terem a mesma função. “Em comparação às outras tecnologias
existentes no mercado, os sistemas da B&F Dias são muito procurados pelas companhias de
saneamento e indústrias pelo fato do menor consumo de energia elétrica, baixo ruído, a não
produção de aerossóis, maior transferência de oxigênio e melhor distribuição de oxigênio
dissolvido”, revela Alessandra Cavalcante, do depto. de marketing da empresa. Segundo ela, nos
casos de substituição de tecnologias de aeradores mecânicos ou em sistemas que demandam a
injeção de oxigênio puro, houve comprovação do retorno de investimento em menos de 12 meses
de implantação.
Os sistemas de aeração por ar difuso são muito utilizados nos diversos tipos de processos
biológicos em estações de tratamento de efluentes industriais e sanitários. O principal objetivo
desta tecnologia é fornecer oxigênio à biomassa em processos de oxidação de carga orgânica e
remoção de nutrientes. “Sua grande vantagem é a alta transferência de oxigênio e baixo consumo
de energia elétrica”, destaca Alessandra. Os sistemas de aeração são utilizados também em
processos de oxidação de carga orgânica dos mais variados tipos (lodos ativados, SBR, MBR,
lagoas aeradas, etc.), nitrificação biológica, remoção biológica de nutrientes, mistura, equalização,
stripping, flotação, digestão aeróbia e caixas de areia aeradas. No processo de aeração, não são
utilizados produtos químicos, já que a aplicação é feita em processos biológicos ou de mistura.
A B&F Dias dispõe desta tecnologia do tipo fixo ou removível com difusores circulares ou
tubulares. O sistema de aeração por ar difuso tipo fixo é usado com todos os tipos de difusores de
ar, seja tipo bolha fina ou grossa, circular ou tubular, e é voltado para aplicação em lagoas ou
tanques. Seu diferencial é a possibilidade de implantação de maior densidade de difusores por
metro quadrado. Além disso, permite sempre a utilização de vazões unitárias por difusor menores
que na configuração flutuante/removível. Sendo assim, é possível obter menores coeficientes de
vazão de ar que resultam, obrigatoriamente, em maiores índices de transferência de oxigênio.
O sistema de aeração por ar difuso tipo removível (flutuante) é utilizado com difusores de ar tipo
bolha fina ou grossa, normalmente com difusores tubulares. Indicado para lagoas de aeração
(aeradas, mistura parcial, completa, etc.) independentemente do tipo de construção ou
revestimento existente, principalmente para os casos onde se tem baixa relação F/M para aeração
ou mistura. Dispõe ainda de criação de zonas anóxicas para processos de nitrificação e
desnitrificação. Entre suas vantagens, está a implantação ou manutenção sem necessidade de
esvaziamento da lagoa ou tanque e sua adaptabilidade de fornecimento e dimensionamento em
cada projeto. Os difusores de bolha grossa são mais indicados para aplicações de mistura,
equalização e caixa de areia.
Na opinião de Alessandra, como o mercado está aquecido e o setor privado faz investimentos
altos, é natural que ocorra alavancagem e desenvolvimento para atender à demanda. “Hoje é
grande o número de empresas capacitadas, no entanto, o número de empresas despreparadas,
especialmente no que se refere ao contexto técnico, é muito maior. Desta forma, os clientes
devem exigir garantias de processos e resultados”, analisa.

Aeração Air-Jet®
O Air-Jet® da Engenho Novo une as vantagens dos dois processos de aeração. No seu interior, o
líquido é acelerado em um venturi, trocando pressão estática por velocidade de escoamento. Com
isso, é gerado vácuo à saída do bico ejetor, originando uma região de baixa pressão que succiona
o ar atmosférico fluindo paralelo ao líquido em direção à câmara de mistura. Nessa câmara, ocorre
a desaceleração do meio e a consequente permuta de velocidade de escoamento por energia de
cisalhamento e pressão estática. Em certo ponto dessa câmara (zona de choque), ocorre um
“choque” do ar com o líquido.
Na zona de choque, a pressão estática eleva-se ao mesmo tempo em que o atrito e o
cisalhamento causados provocam a dispersão do ar no líquido como microbolhas. A mistura
líquido-ar passa por um cone divergente, onde é concluída a permuta velocidade-pressão estática.
Com o aumento da pressão estática, tem-se a dissolução de parte do ar disperso no meio,
originando um meio saturado em ar dissolvido, contendo grande quantidade de microbolhas de ar
finamente divididas e dispersas. A garantia é de eficiência operacional com baixo investimento –
sem necessidade de utilização de compressores de ar –, baixo consumo energético, mínima
despesa de manutenção e facilidade operacional de controle.
Produtos químicos
Os produtos químicos utilizados no processo de flotação, de acordo com o engenheiro da EQMA,
são os mesmos da coagulação e floculação: corretores de pH à base de barrilha, cal e hidróxido de
sódio e os coagulantes/floculantes. Com destaque para o uso combinado de cloreto férrico e
polímeros orgânicos que resultam em flocos maiores e bem formados arrastados até a superfície
sem ter muitas quebras. Segundo Martins, para o mesmo efluente ou água, o sistema de flotação
pode consumir até três vezes menos produtos químicos que no sistema convencional. “Porém, é
preciso se atentar à dosagem ideal para cada condição, que deve ser determinada previamente
em jar-test de flotação”, afirma.
O gerente de processo da Engenho Novo também concorda e complementa que, em um processo
de flotação, se utilizam agentes coagulante e floculante e que as especificações destes agentes
dependem das características do meio líquido a ser processado, devendo ser determinadas por
testes de tratabilidade. “Em alguns casos, pode ser necessária uma etapa prévia de correção de
pH (com base ou ácido) e, mais raramente, algum agente espumante e oxidante”, indica.

Contato das empresas:


B&F Dias: www.bfdias.com.br
Engenho Novo: www.engenovo.com.br
EQMA Eng & Consultoria: www.eqma.com.br

Referências Bibliograficas

- Di Bernardo L., e Sabogal Paz. L., P., “Seleção de tecnologia de tratamento de água” Editora
LDiBe, São Carlos, SP. 2008;

- Eckenfelder,. W., “Industrial Water Pollution Control” McGraw-Hill International Editions 3ª ed.,
New York, 2000;

- METCALF & EDDY, Inc. “Wastewater Engineering: Treatment, Disposal, Reuse”. McGraw-Hill
International Editions, 4rd ed., New York, 2003;

- www.naturaltec.com.br
O trabalho da flotação e aeração
por Cristiane Rubim

No tratamento de água e efluentes, o papel da flotação é separar líquidos de sólidos com


microbolhas de ar que levam as impurezas suspensas à superfície. Para saber se os flotadores
estão trabalhando bem, é preciso verificar justamente a relação entre ar e sólidos e o tamanho da
bolha. São eficazes quando há maior quantidade de ar e menor o tamanho da bolha. Os aeradores
também são essenciais para um sistema de flotação, por terem alta capacidade de dissolução de
oxigênio na água. E o cliente deve estar atento diante de tantas opções no mercado para escolher
aquela que lhe dê garantias de processos e resultados.
Para entendermos melhor sua importância, o flotador faz as impurezas flutuarem, isso porque as
microbolhas se prendem às partículas sólidas e óleos/graxas com densidade semelhante ou pouco
acima da água que formam um conjunto levado à superfície de onde é retirada a espuma
produzida. O ar introduzido no líquido na flotação faz a oxigenação chegar à saturação, o que
permite um controle e remoção dos agentes de produção de odores, no caso os microrganismos, e
dos gases dissolvidos no efluente.
De acordo com o engenheiro químico Sergio Murilo Stamile Soares, gerente de processo da
Engenho Novo, empresa que desenvolve inovações tecnológicas em processo e tratamento de
efluentes para o setor industrial, os flotadores funcionam “de maneira inversa” aos decantadores.
“Na decantação, o material a ser separado é mais denso do que o meio líquido e se acumula no
fundo do equipamento. Já na flotação, o material a ser separado é naturalmente menos denso (ou
se torna mediante a adesão de ar) que o meio líquido e se acumula na superfície no interior do
flotador”, explica.
Os aeradores são peça-chave de um sistema de flotação, conforme Soares. “Como a maioria dos
materiais a serem separados por flotação é naturalmente mais denso do que o líquido, é preciso
injetar ar, em quantidade e tamanho de bolha apropriados, para que essas bolhas de ar se unam
a esses materiais, tornando-os menos densos que o meio e flotem”, esclarece. O gerente de
processo explica ainda que os flotadores separam materiais de baixa densidade (orgânicos, entre
eles, óleos, graxas, etc.) e sólidos que possuam grande atração pelo ar (de natureza hidrofóbica)
e podem ser retangulares ou cilíndricos, com alterações nos sistemas de raspagem.
No processo de flotação, a água é clarificada devido à suspensão das partículas sólidas ou oleosas
com o uso de microbolhas até a superfície do tanque, onde o lodo é removido por raspadores
superficiais contínuos, segundo Henrique Martins, engenheiro responsável pela EQMA Engenharia
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