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Funções Executivas e Esquizofrenia

AVALIAÇÃO NEUROPSICOLÓGICA DE FUNÇÕES EXECUTIVAS EM PESSOAS


COM ESQUIZOFRENIA

NEUROPSYCHOLOGICAL EVALUATION OF EXECUTIVE FUNCTIONS IN


SCHIZOPHRENIC PEOPLES

Funções Executivas e Esquizofrenia

Executive Funcions & Schizophreni

DENIRE HOLANDA DA FONSÊCA

Psicóloga pelo Centro universitário de João Pessoa- UNIPÊ

HEYDRICH LOPES VIRGULINO DE MEDEIROS

Mestre em Neuropsiquiatria e Ciências do Comportamento pela UFBA, graduação em


Medicina pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB

4.000 palavras
Funções Executivas e Esquizofrenia

RESUMO

Neuropsicologia é a ciência caracterizada por estudar a relação entre o cérebro e o


comportamento humano; dentre os resultados promissores dos seus estudos mais recentes está
o conhecimento das áreas cerebrais, suas delimitações, funções e alterações em pacientes com
doenças neuropsiquiátricas, dentre elas a esquizofrenia. Através dos testes neuropsicológicos
tem sido possível delimitar áreas e funções cerebrais, como as funções executivas, que são
processos cognitivos de controle, integração e discernimento, responsável pelo mais alto nível
de percepção e resposta humanas. Déficits nas funções executivas têm sido associados a
esquizofrenia, principalmente nos níveis social e ocupacional. Objetivo: avaliar funções
executivas de pacientes esquizofrênicos usuários do Centro de Atenção Psicossocial – CAPS I
(Transtornos Mentais) na cidade de Cabedelo/PB. Método: foi empregada amostra de 20
pacientes com esquizofrenia segundo o DSM IV - TR, testados com o subteste de Cubos da
Escala de Inteligência Wechsler para Adultos (WAIS-III), o Teste de Classificação de Cartas
de Wisconsin (WCST) e questionário sócio-demográfico. Resultados: direcionados para
possível comprometimento nas funções executivas, indicados pelo baixo desempenho no
WCST, incluindo alto índice erros perseverativos, poucos ensaios administrados e pouco
número de categorias completadas. Em relação ao desempenho no subteste de cubos foi
igualmente possível sugerir prejuízo cognitivo demonstrado por escores ponderados abaixo da
média. Ambos os resultados alcançaram significância para prejuízo nas funções executivas,
delineando pressupostos de prejuízo sócio-ocupacional quando confrontados com os dados
sócio-demográficos. Conclusão: Conclui-se que há prejuízo das funções executivas em
indivíduos acometidos de esquizofrenia.

Palavras - Chave: Avaliação Neuropsicológica. Funções Executivas. Esquizofrenia.

ABSTRACT

Keywords: Neuropsychological Evaluation. Executive Functions. Schizophrenia.


Funções Executivas e Esquizofrenia

INTRODUÇÃO

A Neuropsicologia é uma das vertentes da Psicologia, historicamente ligada a


Neurociência e tem como principal objetivo estudar a relação entre o cérebro e o
comportamento humano. Como área específica tem um desenvolvimento relativamente recente,
embora sua fundamentação científica seja resultante de várias décadas de conhecimento e
investigação1. Sua importância é evidente na evolução de conhecimentos de comportamentos
humanos e de como se estruturam. A Neuropsicologia tem no seu eixo central de práticas
avaliar, pesquisar e reabilitar expressões comportamentais de disfunções cerebrais,
considerando as variáveis biológicas, socioculturais e psicológicas como constituintes do ser
humano.
Os avanços nas últimas décadas tem tornado provável avaliar que áreas ou funções
cerebrais estão prejudicadas ou preservadas relacionadas a determinadas doenças, como por
exemplo, na doença de Parkinson ou Alzheimer onde é possível indicar em que nível está o
avanço da doença2. O funcionamento cerebral está relacionado ao comportamento geral do
indivíduo, seja sua atitude, sua linguagem, sua maneira de resolver problemas, sua capacidade
de autocontrole, sua percepção das coisas3. Em condições ditas “normais”, as funções
cognitivas sofrem perdas ao longo do processo de envelhecimento, sem prejuízo maior ou
incapacitação funcional. Já no caso das doenças psiquiátricas, o desgaste mental pode ser
observado na fase aguda das manifestações, visto que variadas funções cognitivas ficam
afetadas4. Enquanto que a sua disfunção é entendida como a diminuição ou incapacidade em
satisfazer os padrões de comportamento esperado para o grupo etário e nível sociocultural e
econômico e em desempenhar tarefas de índole social, laboral ou acadêmica, que não dependa
de fatores extrínsecos ao próprio indivíduo.
As funções cognitivas compreendem os domínios da atenção, da percepção, da
linguagem, nomeadamente da compreensão e fluência verbal, dos vários tipos de aprendizagem
e de memória, do processamento da informação, da organização perceptiva e do funcionamento
executivo5. Estes atributos mentais permitem que a pessoa compreenda e relacione-se com o
mundo e seus elementos. A cognição compreende todos os processos mentais que nos permitem
reconhecer, aprender, lembrar e conseguir trocar informações no ambiente em que vivemos6.
Particularmente as Funções Executivas (FE) são designadas como uma das principais funções
reguladoras do comportamento humano. O termo ‘funções executivas’ designa os processos
cognitivos de controle e integração destinados à execução de um comportamento dirigido a
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objetivos, necessitando de sub-componentes como atenção, programação e planejamento de


seqüências, inibição de processos e informações concorrentes e monitoramento. O lobo frontal,
particularmente a região pré-frontal, tem sido relacionado com essas funções7. De acordo com
Bolfer (2009)8 as FE são capacidades que permitem a um indivíduo perceber estímulos do seu
ambiente, responder adequadamente, mudar de direção de modo flexível, antecipar objetivos
futuros, considerar conseqüências e responder de modo integrado, utilizando de todas essas
capacidades para alcançar um objetivo final. Elas focam o controle e a regulação do
processamento da informação no cérebro, no que são ações flexíveis e adaptativas do
comportamento, permeando o interagir do indivíduo com o mundo de maneira intencional,
envolvendo a formulação de planos de ação, que se baseiam nas demandas do ambiente e nas
experiências préviasver citação9
. De forma geral, a importância das FE é indiscutível no
funcionamento normal do indivíduo, de maneira que, as alterações nestas habilidades refletem
nas relações sociais do indivíduo com o meio e com outras pessoas.
A Esquizofrenia é conhecida por ser um transtorno mental intrigante e tem se
investigado prejuízo em diversas funções cerebrais; os déficits neurocognitivos mais
tipicamente considerados na esquizofrenia são a deterioração da memória, da atenção e do
funcionamento executivo10.
A Esquizofrenia é um transtorno neuropsiquiátrico caracterizado pelo relaxamento das
formas usuais de associação de idéias, baixa afetividade, autismo e perda de contato com a
realidade objetiva. É uma das mais graves recorrentes desordens mentais conhecidas. Sua
estrutura apresenta evolução crônica, alguns pacientes apresentam curso deteriorante,
implicando prejuízos nas esferas cognitivas e do funcionamento psíquico e social da pessoa.
Timothy Crow em1980, descreveu sintomas positivos e negativos. Os sintomas positivos
configuram delírios, alucinações e desagregação do pensamento; sintomas negativos aparecem
como embotamento afetivo, pobreza da fala, anedonia, auto-higiene pobre e retraimento social.
Os sintomas negativos e cognitivos estão associados ao impedimento que o doente tenha para
uma integração social adequada11.
O ajustamento social é uma das principais dimensões do prognóstico da esquizofrenia.
Podendo ser afetado por diversos fatores, como cuidado pessoal precário, piora no desempenho
ocupacional, hábitos sociais inadequados, isolamento social e prejuízo nas relações familiares,
o que dificulta a inserção do paciente na sociedade. Estudos (citar estudos) mostram que há um
curso heterogêneo do funcionamento social, onde 1/3 dos pacientes funcionam bem; outro 1/3
num nível intermediário e outro 1/3 desenvolvem graves incapacidades de ajustamento social.
Isso se deve, acredita-se, ao nível de funcionamento cognitivo do paciente, dependendo de quais
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funções estão preservadas ou não12. Vários são os fatores relacionados ao pior ajustamento
social nesses pacientes, tais como presença de sintomas psicóticos por longo período, remissão
incompleta dos sintomas entre os episódios, uso de álcool e drogas, maior duração do transtorno
mental, ocorrência de recaídas, sexo masculino, envolvimento emocional inadequado dos
familiares, diminuição das habilidades sociais, transtornos da personalidade e ajustamento
social pré-mórbido deficitário.
Estes padrões pouco adaptativos no comportamento estão ligados a algum mal
funcionamento cognitivo. Lewis et al (2003) buscaram padrões de alterações cognitivas
relacionadas às FE produzidas por lesões frontais, incluindo dificuldades de planejamento e
memória de trabalho13. Estudos mais recentes sobre os tipos de memória em déficit na
esquizofrenia centraram-se, sobretudo, em torno da memória de trabalho. O déficit nesta
memória transitória constitui o componente nuclear do declínio cognitivo da Esquizofrenia e
que a falha deste tipo de memória está subjacente aos diversos déficits cognitivos na
esquizofrenia, inclusive das FE14. Green Wood e colaboradores (2008) apresentaram que 54 -
90% dos indivíduos com esquizofrenia têm pelo menos uma função cognitiva prejudicada.
Estes estudos também mostram mostraram déficits nas FE15. Possivelmente as dificuldades
observadas no engajamento profissional do indivíduo com Esquizofrenia relacionam-se com
déficits neuropsicológicos, mais especificamente das FE16.
Entende-se que a forma como se toma conhecimento do mundo e se elaboram respostas
adaptativas se processa através de um sistema que combina a recepção, o tratamento de
informações, a evocação, o controle e a regulação17. Uma melhor compreensão da trajetória das
FE na esquizofrenia pode auxiliar a identificar o risco e possibilitar a modificação de fatores
que influenciam no aparecimento, gravidade e curso da doença, e sugerir estratégias de
redirecionamento ou reformatação do curso da doença, e melhorar os resultados das
intervenções18.
A importância da avaliação da funcionalidade dos doentes com esquizofrenia foi
reconhecida no DSM-IV-TR (2004), onde os critérios para o diagnóstico de esquizofrenia
incluem várias referências ao funcionamento do doente. Além disso, o DSM-IV-TR (2004)
também considera que a funcionalidade deve ser uma parte integrante da avaliação da eficácia
do tratamento com antipsicóticos nesta patologia19.
A Neuropsicologia utiliza a testagem neuropsicológica principalmente classificar e
diagnosticar perturbações ou doenças cerebrais; classificar a severidade clinica para pacientes
com perturbações ligeiras e severas; monitorar a evolução do paciente em termos
neuropsicológicos e investigar atrasos no desenvolvimento são seus principais objetivos. A
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ampliação da avaliação neuropsicológica é fundamental, visto que pode auxiliar a compreensão


dos mecanismos subjacentes às alterações encontradas nos processos cognitivos, mais que a
mera classificação do indivíduo em relação a um grupo de referência.
Observando todas estas implicações, através da testagem neuropsicológica, este estudo
teve como objetivo principal avaliar FE em pacientes esquizofrênicos.

MATERIAS E MÉTODOS

Este estudo configura-se como estudo de campo, investigativo, para efetuá-lo foi
considerada uma amostra não probabilística, com 20 pacientes com diagnóstico de
Esquizofrenia; todos com idades maiores de 18 anos. A coleta de dados foi realizada no Centro
de Atenção Psicossocial – CAPS I (Transtornos Mentais) na cidade de Cabedelo, município do
estado da Paraíba, no qual os participantes são usuários, onde se submeteram volitivamente ao
estudo após procedimento de esclarecimento e assinatura do Termo de Consentimento Livre e
Esclarecido (TCLE). Não houve critérios para inclusão referente a situações como condição
sócio-econômica ou grau de escolaridade, apenas foi considerado que os participantes tivessem
diagnóstico de Esquizofrenia. Os critérios para exclusão foram: situações em que os pacientes
estivessem em crise ou a qualquer momento se recusar a assinar o (TCLE). Foram utilizados
como instrumentos: 1) Teste de Classificação de Cartas de Wisconsin - Wisconsin Card Sorting
Test (WCST)20; 2) O subteste 5 – Cubos da Escala de Inteligência Wechsler para Adultos -
Wechsler Adult Intelligence Scale, terceira edição revisada (WAIS-III)21, ambos se destinam a
investigar FE e 3) Questionário sócio demográfico elaborada pelos pesquisadores. Para os
procedimentos adequados, após a aprovação do Comitê de Ética e das instituições competente,
os instrumentos foram aplicados de forma individual e em local reservado, garantindo o
anonimato e o sigilo das respostas. O período em que se realizou a coleta dos dados se deu entre
o dia 20 de agosto de 2011 a 25 de outubro de 2011. A análise de dados foi realizada através
do pacote estatístico PASW (versão 18) sendo feito uso da estatística descritiva e inferencial,
através de médias, desvio padrão, freqüências e percentuais.

RESULTADOS

(inserir tabela aqui)


Os resultados estão apresentados na forma de tópicos e desenvolvidos a seguir. Os dados
apresentados na tabela abaixo descrevem as características sociais e econômicas dos pacientes
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que participaram da amostra, contando com dados sobre gênero, idade, estado civil,
escolaridade e situação ocupacional. O perfil da amostra indicou que os pacientes são em sua
maioria do sexo masculino (n=13) 65%; solteiros (n=12) 60%; desempregados (n=18) 90%,
possuindo baixa renda: (M=1,7; DP=0,457), (n=14) 70% possuem renda mínima de um salário
e baixa escolaridade: (M= 6,5; DP=3,98) ensino fundamental incompleto (n=15) 75%. Idades
variaram entre 23 e 58 anos, (M= 36,6; DP= 8,58).

Resultados – no Subteste 5 – Cubos WAIS III e WCST

Subterste 5 – Cubos indicou escores ponderados (EP): (M=7,35; DP=2, 641), calculados
baseados na idade e total de pontos alcançados. Resultados conferidos para o WCST foram:
Os principais resultados demonstraram: 75% (n=15) dos pacientes obtiveram apenas 50% dos
ensaios administrados (EA) no teste. Respostas orretas administradas foram divididas da
seguinte maneira: 70% (n=14): 15-26 respostas corretas; 20% (n=4): 38-61 respostas corretas;
10% (n=2): 101-103 respostas corretas. Respostas Perseverativas (RP):
...........................................................................................................................................
..................................................................................
5% dos participantes (n=1) obtiveram: (EP > 107; Escore T > 55; Percentil= 68 >99).
Com 10% de Respostas Perseverativas, 5% dos participantes (n=1) obtiveram: (EP= 96-106;
Escore T= 45-54; Percentil=30-66). Com 36% de Respostas Perseverativas, 5% dos
participantes (n=1) obtiveram: (EP= 72-79; Escore T= 30-34; Percentil=3-5). Com 37% de
respostas Perseverativas 5% da amostra (n=1), obtiveram (EP= 62-69; Escore T= 25-29;
Percentil=1-2). Com 39-42% de respostas Perseverativas 10% dos participantes (n=2),
obtiveram: (EP= 56-61; Escore T= 21-24; Percentil < 1). Com 42-99% de respostas
Perseverativas 70% dos participantes (n=14), obtiveram: (EP< 55; Escore T < 20, Percentil <
1). Os erros perseverativos são calculados quando é iniciado o critério perseverativo e
descartado o erro não-ambíguo, todas as seqüências similares a este critério perseverativo é
marcado. Obteve-se percentual de erros perseverativos 7 para (n=2), 10% da amostra, dado que
corresponde (EP > 107; Escore T > 55; Percentil= 68 >99); 27-28% de erros perseverativas
(n=2), 10% da amostra, (EP= 72-79; Escore T= 30-34; Percentil=3-5); De 30-33% de erros
perseverativas (n=2) 10% da amostra com (EP= 62-69; Escore T= 25-29; Percentil=1-2); De
52-75 7% de erros perseverativas (n=14) 70% da amostra com (EP= 56-61; Escore T= 21-24;
Percentil < 1). Respostas de Nível conceitual de 0-13 foram observadas nas respostas de 75%
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dos participantes (n=15); repostas conceituais entre 24-93 obteve freqüência (n=5),
correspondendo a 25% da amostra.
Na TABELA 9 evidencia que a maioria dos participantes (n=13), 65% da amostra não
completaram nenhuma categoria no teste WCST; 25% dos participantes (n=5) completaram de
1-3 categorias; 10% dos participantes (n=2) conseguiram completar de 4-6 categorias.
Fracasso em manter o contexto é uma das categorias do WCST analisada
quando o participante tem cinco ou mais acerto consecutivos e erra. Quanto maior o
número de fracassos, maior a dificuldade de finalizar a tarefa. A tabela 10 configura
os resultados referentes a Fracassos em Manter o Contexto (M=0,55; DP=1,35);
(n=15) refere-se a 75% dos participantes que obtiveram nenhum fracasso; que tiveram
um fracasso: Total de participantes (n=3); Total de participantes que tiveram dois
fracassos 5% da amostra (n=1); Total de participantes que obtiveram seis fracassos:
(n=1).
DISCUSSÕES

O presente estudo teve como objetivo principal avaliar funções executivas em pacientes
esquizofrênicos. É possível considerar nesta oportunidade que este objetivo tenha sido
conquistado. Não obstante, pondere-se a natureza da avaliação, uma vez que, quando se trata
de avaliação neuropsicológica, seja necessário um conjunto de ferramentas maior, para melhor
assegurar os resultados alcançados, conforme citou Wechsler (2005) que quaisquer resultados
de avaliações de capacidades mentais devem ser investigadas dentro de um contexto de uma
bateria ampla de avaliação clínica e com informações clínicas e históricas subsidiárias do
paciente.
Possivelmente, resultados menos incipientes poderiam ter sido encontrados, caso
fossem controladas variáveis como tempo da doença, subtipo da doença, tratamento
medicamentoso, etc. Isto, entretanto, é somente uma conjetura, carecendo evidências empíricas;
além disso, não invalida os resultados, mas apenas impõe limitações, demandando que o estudo
seja replicado em outro contexto, abordando estas questões.
Visando minimizar aspectos contraditórios dos resultados alcançados, foi alvitrar a
aplicação de dois testes que buscassem quantificar a mesma medida, neste caso, funções
executivas. Foi aplicado o Teste de Classificação de Cartas de Wisconsin (WCST)
originalmente desenvolvido para avaliar a capacidade de raciocínio abstrato e a capacidade para
modificar as estratégias cognitivas em resposta a contingências ambientais mutáveis (Heaton et
al., 2005). O WCST requer planejamento estratégico, exploração organizada, utilizando
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feedback ambiental (resposta do examinador) para mudar contextos cognitivos, direcionando


o comportamento para alcançar um objetivo e modulando a responsividade impulsiva; sendo
considerado, por alguns estudiosos como uma medida de “funcionamento frontal” ou “pré-
frontal” (WELSH; PENNINGTON; GROISSER, 1991 citado por HEATON, 2005).
Considerou-se também pertinente utilizar o subteste de Cubos da Escala de Inteligência
Wechsler para Adultos (WAIS III) terceira edição revisada; de acordo Nascimento (2004) as
Escalas Wechsler constituem valiosos recursos para a investigação das habilidades cognitivas,
sendo reconhecidas mundialmente e estando entre as mais investigadas internacionalmente. O
subteste de cubos avalia funções executivas, construção vísuo-espacial e raciocínio abstrato.
Foram aplicados estes dois instrumentos somados a um questionário coletando informações
socio-demográficas dos participantes.

É importante lembrar que não houve propósitos diagnósticos, mas sim, a busca de
comprovação científica, no que se tem proposto que pacientes esquizofrênicos tem apresentado
déficits cognitivos numa série de testes neuropsicológicos, incluindo funções mentais
importantes para o funcionamento geral da pessoa, tanto no sentido social e pessoal, quanto
ocupacional.
Em pessoas com esquizofrenia, estes prejuízos cognitivos têm se mostrado mais
relevantes com relação a avaliação de memória operacional, atenção e funções executivas; esta
última, abordada isoladamente neste estudo, delimitada por duas razões; primeiro pela
necessidade de balizar um objeto de estudo; segundo, por haver indícios científicos que as
funções executivas cerebrais podem estarem ligadas ao prejuízo ocupacional, uma das
principais dimensões consideradas a nível de diagnóstico da esquizofrenia.
Assim, é suposto que se o indivíduo não possui flexibilidade mental e atilamento na
elaboração e busca de estratégias solucionadoras de problemas, esta pessoa ficaria prejudicada
nas atividades do dia-a-dia e mais comumente nas atividades que exigem esforço mais acurado
das funções mentais.
Levando em conta todas estas proposições, os resultados principais desta pesquisa são
nesta oportunidade discutidos. O perfil da amostra indicou que os pacientes são em sua maioria
do sexo masculino, solteiros, desempregados, possuindo baixa renda e baixa escolaridade.
Por conseguinte, ao analisar o quesito situação ocupacional, obteve-se um dado
interessante: a maioria dos pacientes (90%) não trabalha e tem como renda principal apenas o
auxílio doença, subsídio financeiro fornecido pelo governo a pessoas consideradas
Funções Executivas e Esquizofrenia

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incapacitadas para o trabalho, e os restantes não possuem trabalho fixo, fazendo alguns serviços
extras, como pesca e ajudante de serviços gerais.
Estes fatores vêm apoiar o que traz a literatura sobre a gravidade da doença, provocando
incapacidade ocupacional, revelando seu prognóstico recorrente e incapacitante; conforme
pressupõe Menezes (2000), o ajustamento social é uma das principais dimensões do prognóstico
da esquizofrenia; os estudos mostram que há um curso heterogêneo do funcionamento social,
onde 1/3 dos pacientes funcionam bem; outro 1/3 num nível intermediário e outro 1/3
desenvolvem graves incapacidades de ajustamento social. Isso se deve, acredita-se, ao nível de
funcionamento cognitivo do paciente, dependendo de quais funções estão preservadas ou não.
O estado civil da maioria dos pacientes foi descrito como solteiros. Este dado patenteia
mais uma vertente do prejuízo sócio-ocupacional, o ajustamento social pode ser afetado por
diversos fatores, como cuidado pessoal precário, piora no desempenho ocupacional, hábitos
sociais inadequados, isolamento social e prejuízo nas relações familiares, o que dificulta a
inserção do paciente na sociedade (GULINELLI et al., 2005). O estigma da doença mental
também dificulta a integração social dos pacientes, pois pode diminuir a chance de se conseguir
um emprego e de se relacionar socialmente (SILVA et al., 2010).
Conforme citado por Gulinelli et al., (2005) o próprio quadro da doença dificulta as
relações sociais, pelas suas características. Pode-se inferir que o fato da maioria dos pacientes
estarem solteiros, consequentemente não constituir família, os isola ainda mais do contexto
social, aspecto que também corrobora com a literatura trazida por Silva et al., (2010) no que
concerne a integração social das pessoas com esquizofrenia.
A relação entre idade e desenvolvimento cognitivo também é importante. Está
preconizado que o uso de escores ponderados corrigidos pela idade é fundamentado em dados
empíricos e de pesquisas em termos do funcionamento cerebral, a idade adulta jovem representa
o estágio no qual o cérebro atingiu a maturidade física (WHECHSLER, 2005).
A idade média de maturidade do funcionamento mental de uma pessoa é entre 20 e 34
anos. No item “idade” é possível fazer uma analogia, a idade média da amostra estudada foi de
36,6 anos o que os situaria na média da população geral para nível de inferência nos resultados
obtidos, de acordo com o amadurecimento mental.

7.1 DISCUSSÕES DOS RESULTADOS NO WCST E SUBTESTE DE CUBOS

No desempenho da amostra no WCST, na categoria “número de ensaios administrados”,


a maioria usou apenas o primeiro baralho com 64 cartas. Durante a administração do teste, o
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segundo baralho só é apresentado se o examinando completar pelo menos uma categoria das
três possíveis (cor, forma, número), caso contrário, o teste é interrompido, ou seja, a maioria
dos pacientes não completou nem a primeira categoria do teste que é “cor”, este fato prediz mau
desempenho no restante do teste. Interligando os resultados, o mau desempenho foi
comprovado no item “número de categorias completadas”. A literatura corrobora com os
aspectos abordados acima. Uma das características definidoras da esquizofrenia são transtornos
de processos de pensamento e capacidades prejudicadas de raciocínio. Assim, o WCST tem
sido usado em estudos que investigam déficits nos processos cognitivos nos transtornos
esquizofrênicos. Fey (1951) estudou 22 pacientes esquizofrênicos e 47 controles normais no
WCST. Os resultados demonstram que o grupo esquizofrênico se desempenhou pior do que os
controles no Número de Categorias Completadas, o único escore do WCST incluído nas
análises (FEY, 1951, citado por HEATON et al., 2005).
No WCST foi atribuído para os escores padrão e escores T características qualitativas,
que de acordo com seus índices, quando se avalia o desempenho geral da pessoa, variariam
numa escala de intensidade de “acima da média” a “significativamente abaixo da média”,
quando é avaliada individualmente cada categoria, a escala varia de “acima da média” a faixa
de “gravemente comprometida”.
De acordo com Heaton (2005) o profissional deve ter em mente que o foco de
interpretação é o desempenho do paciente, podendo ser muito complexo, requerendo que o
profissional faça a estimativa de qual a importância que tem esta capacidade especifica para o
funcionamento cotidiano em particular. As funções executivas, é possível articular, são
indispensáveis para o funcionamento social e ocupacional do indivíduo.
A maioria dos pacientes obteve alto índice de “respostas perceverativas” e “erros
perceverativos”, denotando comprometimento das funções executivas, no nível de “gravemente
comprometido”. Houve também avaliações entre os níveis de “moderada a gravemente
comprometida”, “moderadamente comprometida” e “leve a moderadamente comprometida”,
sendo constatado na avaliação geral dos componentes perseverativos que quase a totalidade dos
pacientes apresentou estes prejuízos, mesmo que em níveis menores em alguns deles.
Estes achados vêm corroborar com a literatura no tocante ao prejuízo cognitivo
relacionado a pessoas com esquizofrenia. Segundo Adad, Castro e Mattos (2000) entre as
dificuldades cognitivas mais significativas observadas em pacientes esquizofrênicos estão
àqueles processos relacionados às habilidades de abstração e de flexibilidade conceitual
envolvidas na solução de problemas. Um grande número de estudos clínicos e experimentais
Funções Executivas e Esquizofrenia

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tem indicado que pacientes esquizofrênicos tendem a apresentar desempenhos mais pobres do
que a população em geral no WCST.
Outro estudo de avaliação de aspectos das funções executivas em pacientes
esquizofrênicos e indivíduos normais pertencentes a um grupo de controle, utilizando o WCST
como instrumento de avaliação de flexibilidade cognitiva. Esse estudo pôde identificar
resultados mais pobres no WCST em pacientes esquizofrênicos, em comparação aos indivíduos
do grupo controle (STUSS et al., 1983, citado por ADAD; CASTRO; MATTOS, 2000).
Esses resultados indicam que muitas pessoas com esquizofrenia apresentam
dificuldades significativas em relação à utilização de conceitos abstratos na resolução de tarefas
cognitivas. Essas alterações freqüentemente conduzem a desempenhos caracterizados por um
número elevado de respostas erradas e uma freqüência aumentada de erros de perseveração,
conforme foi demonstrado no presente estudo.
As categorias sobre respostas perceverativas, erros perceverativos assimilam o mesmo
aspecto, ou seja, a habilidade que a pessoa tem de desenvolver estratégias de solucionar desafios
frente a determinados estímulos. Ficou então demonstrada esta disfunção, nos pacientes
estudados.
É possível supor que este comprometimento cognitivo encontrado na maioria dos
pacientes observados estejam ligados ao prejuízo ocupacional, demonstrado no perfil da
amostra com relação ao escasso número deles que possuem alguma ocupação formal ou
informal.
O baixo número de acertos no item “respostas de nível conceitual” vem também
relacionar de forma geral o baixo desempenho demonstrado. Na avaliação geral no desempenho
do WCST obteve-se qualificação significativamente abaixo da média para a maioria.
O WAIS III fornece escore ponderado por subtestes, o que reflete a posição do indivíduo
no seu próprio grupo etário. Também foi possível observar mal desempenho dos pacientes em
relação ao subteste de cubos, sendo a maioria qualificados como demonstrando um desempenho
“abaixo da média”.
Assim como o WCST o subteste de Cubos do WAIS III avalia funções executivas,
partindo destes resultados é possível fazer uma correlação entre o desempenho dos pacientes
no WCST e no subteste de cubos, considerando-se que a média de desenvolvimento geral da
amostra no WCST foi de “significativamente abaixo da média” e a média ponderada do subteste
cubos nos situa qualificação de “abaixo da média”, é possível indicar que os resultados se
equipararam, obtendo fidedignidade em ambos.
Funções Executivas e Esquizofrenia

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Todos estes prejuízos refletem o comportamento do indivíduo. Os tipos de deficiência


cognitiva que ocorrem na esquizofrenia variam muito. Heaton e Crowley (1981) observaram
desempenho insatisfatório numa série de testes de avaliação do funcionamento intelectual geral
e concluíram que os indivíduos com esquizofrenia têm desempenhos em níveis característicos
de pessoas com grave dano neurológico (GUR et al.,1991; SHAPIRO, 1993 citado por
WECHSLER, 2005).
As correlações entre o WAIS III e o WCST também foi realizada em outros estudos
(BERG, 1948; GRANT; BERG, 1948; HEATON, CHELUNE 1993; TALKEY; KEY;
CURTISS, 1993) foi indicado que: numero de respostas corretas, número de categorias
completadas, número de erros e número de perceverações eram indicadores de inflexibilidade
cognitiva ou incapacidade de mudar de tarefa e aplicar novas regras. Previu-se também que os
escores restantes do WCST, associados ao desempenho comprometido, total de erros e erros
por perseveração teriam correlações negativas baixas com os índices do WAIS III.
A capacidade de raciocínio perante o confronto com problemas, cuja resolução efetiva
poderá facilitar um maior envolvimento em tarefas e em relações, que não seria possível caso
houvesse nesse domínio uma grande inabilidade, cuja consequência mais imediata seria a fuga;
e a capacidade de antecipar, planear, organizar e monitorizar, em função do feedback ambiental,
determinada resposta comportamental, processos estes sem os quais a adaptabilidade
psicossocial estaria permanentemente comprometida.
Conclui-se que os resultados aqui obtidos são compatíveis com o prejuízo sócio
ocupacional descrito na doença de uma forma geral e confirmado no desempenho dos testes em
correlação com os dados sócios demográficos.
CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este estudo indicou que os pacientes com esquizofrenia demonstraram prejuízos no


desempenho no Teste Classificação de Cartas de Wisconsin (WCST) e subteste de cubos do
WAIS III.
Os principais prejuízos demonstrados no WCST foram erros de perseverarão, indicando
baixa flexibilidade cognitiva, corroborados com os baixos escores do subteste de cubos (WAIS
III).
Este estudo pode ser considerado introdutório para pesquisas futuras. De forma que,
para mais abrangência do assunto, futuramente sejam avaliadas funções executivas utilizando
uma bateria maior de testes, e controlando variáveis como tratamento farmacológico, tempo da
doença e subtipo da doença.
Funções Executivas e Esquizofrenia

14

Um diferencial nas características desta pesquisa é a amostra buscada em Centro de


Atenção Psicossocial; percebem-se escassos estudos no Brasil nestas unidades de saúde com
pacientes esquizofrênicos. Destaca-se a abertura e modelo de tratamento diferenciado nestas
instituições, o que facilita aspectos metodológicos.
Outro diferencial em relação a outras pesquisas é a natureza da avaliação utilizada, ou
seja, o WCST e WAIS III.
Mais estudos nacionais com o WCST e WAIS III podem contribuir para as publicações
científicas brasileiras. Sendo assim, esses novos achados poderiam fornecer novas
possibilidades de intervenções terapêuticas ou reabilitação cognitiva nos pacientes com
esquizofrenia.
Assim, a avaliação cognitiva de funções executivas é importante não somente no nível
de conhecimento e exploração da doença, mas também no que seus resultados e intervenções
possam contribuir para minimizar o sofrimento psíquico do paciente.
Em resumo, o objetivo do presente trabalho foi a busca de comprovação científicas de
déficits nas funções executivas de pacientes esquizofrênicos através de avaliação
neuropsicológica.
Na avaliação neuropsicológica, as FE têm sido relacionadas ao planejamento e execução
de comportamentos complexos que envolvem muitas funções cognitivas, como atenção,
memória, raciocínio e julgamento.
As FE, tradicionalmente, estão relacionadas aos lobos frontais. As funções executivas
cerebrais estão prejudicadas em considerável número de paciente com esquizofrenia. Os
resultados corroboraram com achados científicos trazidos pela literatura de mesmo tema;
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ANEXOS

TABELA 1 – Características Sócio-demográficas dos usuários do Centro de Atenção Psicossocial


- CAPS I, Cabedelo/PB com diagnóstico de esquizofrenia, segundo critérios do DSM IV, 2011
(n=20).

Variáveis Categorias Escore Percentual M DP


Bruto
Gênero Masculino 13 65.
Feminino 7 35.
Idade 23-58 20 100 36,6 8, 798
Estado Civil Solteiro 12 60.
Casado/C. Marital 5 25.
Divorciado 2 10.
Viúvo 1 5.
Escolaridade Fundamental Incompleto 15 75.
Médio Inc./Completo 2 10. 6,5 3, 993
Superior Incompleto 1 5.0
Superior Completo 2 10.
Renda 1 salário 14 70. 1,7 0, 458
2 salários 6 30.
Situação Beneficiário Auxílio 18 90.
Ocupacional Doença
Aposentado 2 10.

Total= 6 15